Paz e amor express

06/12/2012

06dez2012

Durante cinco dias, o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor

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PAZ E AMOR EXPRESS

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Em 1970, uns produtores malucos tiveram uma ideia maluca: alugar um trem, botar dentro um povo bem maluco e percorrer o Canadá fazendo shows de rock e blues. Que ideia abençoadamente louca! Durante cinco dias, o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor. Os passageiros? Anote aí: Janis Joplin, Greateful Dead, Buddy Guy, The Band, Sha Na Na, Flying Burrito Brothers e outros, tudo gente boa. A viagem está registrada num filme, Festival Express (direção de Bob Smeaton), que após trinta anos de pendengas judiciais, finalmente foi liberado para exibição.

Escolho a sessão da meia-noite do domingo. Um horário maluco para um filme maluco, podiscrê. Masco meu chiclete alucinógeno, entro no clima e me mando para o Espaço Unibanco. A fila para entrar é enorme, atrás de mim uma camiseta Janis Joplin Forever, na frente uma do Raulzito, todo mundo empolgado, ninguém quer perder o trem. A sala fica lotada, gente sentada no chão. As luzes se apagam, a viagem vai começar…

Se Woodstock foi um presente para o público, o Festival Express foi um presente para todos aqueles músicos. Os produtores lhes proporcionaram uma viagem inesquecível pelas paisagens canadenses, a raríssima oportunidade de estarem todos juntos num trem, muita música, a filosofia de paz e amor, algo que jamais aconteceria de novo. E eles aproveitam até a última ponta aquela louca festa sobre trilhos. O vagão-bar é o mais concorrido: um chega com a guitarra, outro traz a percussão, um beque em lá maior e a festa vira a noite, sem hora para acabar, como todas as festas deviam ser.

Sabe as rodinhas que a gente faz com os amigos, birita e violão, as músicas preferidas, falar besteira, celebrar a amizade, brindar à vida? Pois imagine a rodinha com aqueles malucos geniais, tudo chapado, se abraçando, improvisando letras absurdas em músicas sem pé nem cabeça, o uísque rolando solto, a fumaça no meio do mundo, Jerry Garcia no violão, Janis morrendo de rir… Como eram as músicas? Ah, bem profundas, coisas do tipo Tudo foi queimado até o talo… e o horizonte se abriu… uou-uou-uuu…

No meio da viagem acaba a birita. Os aloprados simplesmente beberam todo o bar do trem, bando de esponja. E agora? Roquenrôu is ríar tuistêi, mas sem encher a lata não dá, né? Paraí, motorista, vamos resolver esse problema! Então os malucos entram na primeira loja e compram todo o estoque de bebida, saem levando caixas e caixas, rindo como crianças fazendo danação. Agora sim, singue dâ blus, mêm!

A viagem está tão viajante que os músicos esquecem que têm de fazer shows, ih, é mesmo, o show… O trem para em Toronto, desce todo mundo, vamos trabalhar. A multidão fora do estádio é tamanha que o show é transferido para a praça. Quando Janis surge na telona do cinema corre um frisson pela plateia, exclamações, gritinhos. Eu me ajeito na poltrona, sei que lá vem paulada. A bluseira texana manda ver Cry Baby, aquela fossa doída que só ela sabia cantar, honey, i know she told you that she loved you much more than i did… Estou paralisado, nem pisco, but all i know is that she left you… São sete minutos antológicos, Janis berrando, miando, se descabelando, Janis rasgando a alma com o punhal de seu blues, o sangue respingando tela afora, i’ll always be around if you ever want me… Olho para trás e vejo duzentos pares de olhos arregalados, todos em transe. Esse é um de seus últimos shows, em breve ela partirá, so come on, come on and cry, baby… Estou todo arrepiado e não contenho as lágrimas. Quando Janis termina, o cinema inteiro explode em gritos emocionados como num show ao vivo, as pessoas se levantam para aplaudir, coisa de louco.

O filme também mostra um solo inenarrável de Buddy Guy, performances conjuntas das bandas e depoimentos dos artistas e produtores, além das belas imagens do público, aquela gente bacana e suas roupas coloridas, às vezes sem roupa mesmo, tudo na paz, ainda botando fé que as flores venceriam os canhões. Mas infelizmente a viagem dos anos 60 já estava no fim. Os Beatles pediram o divórcio e Janis, Jimmy e Jim saltaram do trem, não viveriam para ver em que se transformaria o mundo que eles um dia sonharam, esperançosos, que podia ser melhor. O trem dos sonhos parou, foi recolhido na garagem da história e fecharam o portão. Ficaram as músicas, as imagens. E a guimba de uma esperança, pequenininha, quase nada, mas que insiste em não apagar. 

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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Esta crônica inegra o livro Blues da Vida Crônica

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FILMEFestivalExpress-03FESTIVAL EXPRESS
Reino Unido/Canadá 2003
Dir.: Bob Smeaton
Com Janis Joplin, Greateful Dead, Buddy Guy, The Band, Sha Na Na e outros

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Janis em Cry Baby (Festival Express, Toronto, 1970)

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Trecho do filme Festival Express
Festinha num dos vagões do trem. Pense numa chapação grande…

 

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RK201401EitaPazEAmorExpress-03Performance da crônica Paz e Amor Express (Eita Sarau, jan2014, São Paulo)

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Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra

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COMENTÁRIOS
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O chamado da caverna

02/12/2012

02dez2012

Sua missão primeira será sempre descer e buscar o que implora por se revelar

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O CHAMADO DA CAVERNA

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Olhar para a coisa pela primeira vez é como arrancar uma plantinha nova do vaso e tomá-la ao colo: tem-se de ter muito cuidado. E é preciso olhos limpos para enxergar o que a coisa nos mostrará. Porque ao olhar viciado escapam as verdades simples, você sabe, a beleza primordial. Olhar para a coisa com olhos de turista, é isso. Ou ao menos que se reconheça a aventura pela qual ela passou, vinda do fundo da caverna para chegar até você.

Deixe-me tentar explicar. Primeiro é o chamado, esse som que se agita vindo lá de baixo. Existe algo no escuro lá embaixo, agora o explorador sabe. E já não pode fugir, pois o chamado está nos ouvidos, cutucando por dentro das entranhas do pensamento, que nem uma loucura. É preciso, pois, descer a caverna e trazer o que se agita e implora por luz. Então o explorador respira fundo e começa a descer.

A caverna é escura. A visão cotidiana de nada adianta. Sua lógica estranha é iluminada apenas pela lanterna da intuição, e mesmo ela mal pode com tanto breu. O chão escorregadio zomba de todo equilíbrio, forçoso conviver com as quedas. Ele avança, sentidos aguçados, à procura de algo que não sabe bem o que pode ser, mas sabe que é algo que o aguarda ‒ e ao mesmo tempo foge dele.

Na caverna, o explorador todo é um estado de alerta. Nesse mundo de coisas impalpáveis, as dúvidas coçam feito mosquito. A corda da razão está amarrada à cintura e é a única certeza de que poderá voltar à superfície. Mas ele não pode ficar pensando em voltar. Toda a atenção tem de estar na busca, pois é nos detalhes que a coisa se esconde. De qualquer lugar pode vir algo, ele sabe. Assim, o silêncio pesado se torna som e ele aprende a escutar aquilo que não se ouve, mas pode-se pressentir.

Ops! Algo se moveu ali. Não, não era nada. Mais adiante, ops, dessa vez ele viu algo, sim. Ou não? O explorador mete-se por novas trilhas em busca do que lhe escapa, e é um arrastar-se pelo chão enlameado, um esgueirar-se por frestas sem fim, um meter-se por virgens e estimulantes escuridões… Há de se entender com morcegos e escorpiões e aprender com eles a lógica amoral da caverna. Cada vez mais distante de onde partiu, confuso entre tantas bifurcações, ele sabe que somente o encontro dará sentido a tudo aquilo.

Algo se move lá na frente, uma sombra no meio das sombras da noite eterna da caverna. O explorador vai atrás… e se perde pelo labirinto dos recônditos… e mais adiante reconhece o caminho, por ali já passou. Ou não? Pensa em desistir, a sede, o sono, o cansaço, o raciocínio embaçado, a impotência ante a imensidão da caverna, as dúvidas sobre a utilidade do que faz…

Ali! Logo adiante, ali! Encurralada, lá está ela, a coisa. Finalmente. Ele se aproxima, devagar. A coisa o observa, arisca. Imprevisível feito um bicho ferido. Mas linda, indescritivelmente perfeita, inútil conter o entusiasmo que lhe acelera o coração. No entanto, é preciso ir com jeito, a coisa é frágil, às vezes se quebra ao menor toque. Então, aconchegando-a ao colo, com imenso cuidado, o explorador faz meia-volta e sobe o caminho. Ainda não pode festejar, é preciso atenção nos detalhes da subida. Se foi a luz da intuição que o conduziu até a coisa, agora é a corda da razão que o fará retornar.

Lá em cima, o dia claro ofusca a vista e ele necessita de uma pausa para se acostumar novamente à claridade da superfície. Ele sabe que a luz racional do dia dissolve os contornos daquilo que vive lá embaixo e muitas vezes pulveriza seu sentido. Mas são os riscos do ofício: sua missão primeira será sempre descer e buscar o que implora por se revelar.

Agora, o explorador olha para a coisa que traz ao colo. Está suja, enlameada, carece de uns cuidados. Ele a levará para casa e a alimentará, até que esteja forte o suficiente para ganhar o mundo. Mas não será fácil a convivência, e muitas vezes será tentado a sacrificá-la no silêncio das madrugadas, como fez com tantas outras. Com esta, o que acontecerá?

É assim que escritores e artistas nos trazem suas criações, esses visionários do que ainda não existe. Convém recebê-las com igual cuidado, desarmar o olhar para poder ver. Ainda que escapem da ira assassina de seu criador, ou ainda que tenham mil anos e rodem o mundo, criações, como esta crônica, são coisinhas frágeis quando se olha a primeira vez.

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Ricardo Kelmer 2001 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- “Olhar para a coisa pela primeira vez…”. Todo aquele “resgate” me lembrou o Hades, da Eneida, a descida ao nosso eu… E eu senti isso no seu texto… O olhar para dentro para poder olhar para fora… Adorei o texto. Mesmo. Dalu Menezes, Fortaleza-CE – dez2012

Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

As Preciosas do Kelmer – nov2012

26/11/2012

Ricardo Kelmer 2012

AsPreciosasDoKelmer201211-1

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Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

> No Facebook

> No Blog do Kelmer

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AsPreciosasDoKelmer201211-1AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
# 2, nov2012

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IMAGEM DA CAPA: Bettie Page em um de seus antológicos ensaios fotográficos. Foto: Irving Klaw.

DEUS ESTUPRADOR

O candidato republicano ao Senado pelo Estado americano de Indiana, Richard Mourdock, afirmou que uma gravidez resultante de um estupro acontece porque essa “é a vontade de Deus”. Se isso é verdade, então Deus não mudou muita coisa desde o sanguinário Antigo Testamento, quando ele ordenava que os guerreiros de Israel cortassem ao meio as mulheres dos inimigos. Sinceramente? Eu não acharia ruim se alguém estuprasse esse candidato republicano. Infelizmente ele não engravidaria pra provar sua divina tese mas sentiria um pouco do gostinho dela.

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HOMEM CRISTÃO QUE É HOMEM CRISTÃO NÃO ENGRAVIDA
As religiões cristãs são a favor da proibição do aborto por uma razão bem simples: os líderes dessas religiões são homens, machistas e misógenos. Eles temem a liberdade e a sexualidade da mulher. Se homem engravidasse, o aborto seria permitido e nem haveria essa discussão.
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FEMINISTA CRISTÃ EXISTE? – É uma dúvida que tenho.

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LIVRANDO A SEMANA (37)

PIAF – UMA VIDA (Carolyn Burke) – Criada entre um bordel, em uma caravana circense e em um bairro da classe trabalhadora parisiense, a cantora e ícone francês Edith Piaf começou a cantar nas ruas, onde foi descoberta pelo dono de um cabaré da Champs-Elysées. Com sua voz passional e poderosa, tornou-se rapidamente uma estrela, seduzindo na mesma medida a elite de Paris e as pessoas das áreas mais empobrecidas da cidade. Este livro examina sua escalada à fama e à notoriedade, seus tumultuados casos amorosos e sua luta contra as drogas, o álcool e a doença, enquanto explora novas fontes para enriquecer nosso conhecimento sobre aspectos pouco conhecidos de sua vida, como os fatos de ter sido estudante de poesia e de filosofia e ter auxiliado a Resistência durante a Segunda Guerra Mundial. Escreveu a letra de quase cem canções (incluindo “La vie en rose”) e foi mentora crucial de artistas mais jovens, como Ives Montand e Charles Aznavour, que absorveram seu amor por “la chanson” e a abordagem rigorosa do ofício de cantor.

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SOBRE EDITH PIAF (Wikipedia)

Édith Giovanna Gassion, (Paris, 19 de dezembro de 1915 – Plascassier, 11 de outubro de 1963, ou simplesmente, Édith Piaf foi uma cantora francesa de música de salão e variedades, mas foi reconhecida internacionalmente pelo seu talento no estilo francês da chanson.

O seu canto expressava claramente sua trágica história de vida. Entre seus maiores sucessos estão “La vie en rose” (1946), “Hymne à l’amour” (1949), “Milord” (1959), “Non, je ne regrette rien” (1960). Participou de peças teatrais e filmes. Em junho de 2007 foi lançado um filme biográfico sobre ela, chegando ao cinemas brasileiros em agosto do mesmo ano com o título “Piaf – Um Hino Ao Amor” (originalmente “La Môme”, em inglês “La Vie En Rose”), direção de Olivier Dahan.

Édith Piaf está sepultada na mais célebre necrópole parisiense, o cemitério do Père-Lachaise. Seu funeral foi acompanhado por uma multidão poucas vezes vista na capital francesa. Hoje, o seu túmulo é um dos mais visitados por turistas do mundo inteiro.

> Edith Piaf na Wikipedia

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MACONHA LIBERADA

BobEsponjamaconha-01AULAS MAIS INTERESSANTES

Nos Estados Unidos, os estados de Washington e Colorado liberaram, por meio de referendo, o uso recreativo da maconha. Grande novidade. Na faculdade de Comunicação os malucos sempre saíam pra fumar um baseado na hora do recreio.

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VEJA MACONHADA – A revista Veja, em sua edição 2293, deu capa à maconha: “Maconha. As novas descobertas da medicina cortam o barato de quem acha que ela não faz mal.

Numa reportagem de seis páginas, a revista tenta fazer a cabeça de seus leitores mostrando dados de algumas pesquisas que indicariam que maconha faz mais mal à saúde que cigarro ou álcool.

Bem, só pra termos uma ideia do tipo de pesquisa em que se baseou a revista, pra ela usuário crônico é aquele que fuma um baseado por semana. Se seguirmos essa linha de raciocínio, quem bebe sua cervejinha no sábado é alcoólatra.

Fico aqui pensando… Que interesses terá a revista Veja em contribuir pra manter o comércio e venda de maconha nas mãos do crime organizado?

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RESPOSTA À VEJA

A Rede Pense Livre enviou correspondência à Revista Veja acerca da matéria de capa da edição de 31/10/2012. Veja abaixo a íntegra da carta à revista e um texto que responde os principais pontos abordados na reportagem:

À revista Veja. A matéria de capa da última edição da revista não cumpre a missão de informar o debate sobre o uso/abuso da maconha, pois polariza a discussão e confunde os leitores. A demonização da droga reitera a política de prevenção equivocada que afasta os jovens do diálogo. (…)

> Leia na íntegra
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COMO SERÁ EM WASHINGTON E NO COLORADO
(almanaquedasdrogas.com)

COLORADO – O Colorado foi o primeiro a fechar a conta: 54,6% a favor e 45,4%. Quase 1,25 milhões de eleitores disseram sim à Emenda 64, cujo mote era “regular a maconha como o álcool”. O texto original da emenda, de fato, diz que o procedimento deve ser “como acontece numa loja de bebidas”. Ele também diz que a lei foi criada “em nome da liberdade individual, do aumento da arrecadação estadual e da aplicação eficiente dos recursos policiais” – resposta direta à prisão de mais de 10 mil pessoas por ano, por porte de maconha no Estado.

WASHINGTON – O próprio governo do Estado, por meio de seu Escritório de Gerenciamento Financeiro, tratou de ver quanto esse comércio verde vai render em tributos. A conclusão é que a venda de maconha pode gerar uma renda extra de US$ 1,59 bilhões para os cofres públicos. A maior parte vai para a saúde (55%), tratamento de dependentes e educação sobre drogas (25%). E fatias menores vão para pesquisas sobre maconha nas universidades locais.

Saiba mais

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LIVRANDO A SEMANA (038)

O DOCE VENENO DO ESCORPIÃO (Bruna Surfistinha)

Bruna Surfistinha é o pseudônimo de Raquel Pacheco, uma garota paulistana de classe média que briga com os pais, sai de casa e se prostitui por três anos enquanto narra seu dia a dia num blog, cativando milhares de leitores homens e mulheres, adultos e adolescentes. Ela atua num filme pornô, lança um livro sobre sua vida que vende horrores, atrai a atenção da mídia internacional, supera problemas com drogas, casa com um ex-cliente que deixa a mulher pra viver com ela e, por fim, larga a prostituição. Ela é um fenômeno cultural.

Este livro é a história de Raquel/Bruna. Ele traz ainda um diário secreto com as histórias mais ousadas que Bruna não teve coragem de publicar no blog. O diário, com 36 páginas negras, vem lacrado. Por fim, Bruna também dá pequenas lições para uma mulher de como conquistar um homem e jamais perdê-lo para uma garota de programa.

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A PROSTITUIÇÃO NA SALA DE ESTAR

AProstituicaoNaSalaDeEstar-02aRaquel destruiu uma velha imagem da prostituta, a da moça pobre-coitada que é obrigada a alugar o corpo por não ter outra opção. Raquel não. Ela estudava em colégio bom e possuía bom nível cultural. Poderia ter arrumado outro trabalho mas, não, ela quis ser puta. Planejava juntar grana e largar a prostituição, sim, mas enquanto isso não ocorria, ela vivia com alegria e não se arrependia de sua escolha. Depois de Raquel Pacheco as teses sociológicas terão de ser refeitas pra falar dessas mulheres que agora a sociedade sabe que existem: meninas de classe média que, em busca de vida melhor e de custear os estudos mais rapidamente, recusam os salários e condições oferecidos pelos empregos tradicionais e encontram na prostituição um ofício honesto, com seus prós e contras mas com vantagens financeiras incomparáveis e que a cada dia é visto com menos preconceito.

> Leia a crônica na íntegra
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DIA INTERNACIONAL DA PROSTITUTA
(redeprostitutas.org.br)

No dia 2 de junho de 1975, 150 prostitutas ocuparam a igreja de Saint-Nizier, em Lyon, na França. Elas protestavam contra multas e detenções, em nome de uma “guerra contra o rufianismo”, e até contra assassinatos de colegas que sequer eram investigados. Além disso, maridos e filhos de prostitutas eram processados como rufiões, por se beneficiarem dos rendimentos das mulheres. Tabernas deixaram de alugar quartos para as trabalhadoras do sexo, com medo da repressão policial. A diretoria da igreja e a população de Lyon apoiaram a manifestação e deram proteção a elas.

A ocupação da igreja foi transmitida por todos os meios de comunicação, no país e no exterior, inclusive no Brasil. As mulheres exigiam que o seu trabalho fosse considerado “tão útil à França como outro qualquer”. Outras 200 prostitutas percorreram as ruas de carro distribuindo filipetas, com denúncias de que eram “vítimas de perseguição policial”, o que as impedia de trabalhar. Uma carta foi enviada ao presidente Giscard d’Estaing.

O movimento se ampliou para outras cidades francesas, como Marselha, Montpellier, Grenoble e Paris, onde colegas também entraram em greve. No dia 10 de junho, às 5 horas de manhã, as mulheres na igreja de Saint-Nizier foram brutalmente expulsas pela polícia.

Ao ter a coragem de romper o silêncio e denunciar o preconceito, a discriminação e as arbitrariedades, chamando a atenção para a situação em que viviam, as prostitutas de Lyon entraram para a história. Por isso, o 2 de junho foi declarado, pelo movimento organizado, como o Dia Internacional da Prostituta.

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CABRA MARCADA PARA CASAR

CabraNoiva-1“Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar.” Este foi o argumento do jornalista José Roberto Guzzo, que escreve na revista Veja, pra mostrar por que o casamento gay não deve ser permitido. O argumento é tão absurdo que fica difícil levá-lo a sério. Porém, por estar numa revista de grande circulação como Veja, ele automaticamente toma uma dimensão preocupante.

A união civil entre pessoas do mesmo sexo é uma natural conquista das sociedades democráticas e no Brasil ela virá mais cedo ou mais tarde. Pra desgosto de pessoas como o sr. Guzzo.

A propósito, e a união civil entre três ou mais pessoas? Por que elas também não teriam o mesmo direito? Mas isso é um assunto ainda mais delicado.

> Leia o artigo
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CABRA MARCADA PARA CASAR – É claro que a turma não deixaria passar em branco o comentário do sr. Guzzo. Além das críticas, teve também o bom humor…

> Ria um pouquinho com as cabras
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A REUNIÃO PARA CRIAÇÃO DO ARTIGO DA VEJA

O filme A Queda: As Últimas Horas de Hitler é um filme alemão de 2004, que mostra os útimos dez dias da vida de Adolf Hitler no Führerbunker em 1945. Uma cena em particular, que mostra Hitler irritado tendo um ataque de fúria com seus generais, proporcionou centenas de versões satirizadas na internet sobre os mais variados assuntos. Se você não passou os últimos anos em outro planeta, certamente já deve ter visto e rido com algum deles.

Pois bem, já fizeram um a respeito do texto do sr. Guzzo na revista Veja. Veja aqui

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MITOCÔNDRIA PROCURA MÉNAGE À TROIS

Os distúrbios mitocrondriais podem causar incapacidade muscular, cegueira, insuficiência cardíaca e até mesmo morte prematura de bebês. Eles são causados por um defeito no DNA mitocondrial da mãe, que é transmitido para o bebê. Na Grã Bretanha esses problemas afetam uma entre 6.500 crianças.

Cientistas de vários países desenvolveram uma técnica que substitui o DNA mitocondrial defeituoso da mãe pelo de uma doadora. Com isso o bebê teria material genético de três pessoas (um homem e duas mulheres). A técnica ainda não foi aprovada por nenhum governo mas em breve será submetida a consulta popular na Inglaterra.

Pra não perder a piada: é a confirmação científica da importância do ménage à trois pra saúde da espécie humana.

> Saiba mais

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LIVRANDO A SEMANA (39)

CEM ANOS DE SOLIDÃO (Gabriel García Márquez)

Um comboio carregado de cadáveres. Uma população inteira que perde a memória. Mulheres que se trancam por décadas numa casa escura. Homens que arrastam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas. São esses alguns dos elementos que compõem o exuberante universo deste romance, no qual se narra a mítica história da cidade de Macondo e de seus inesquecíveis habitantes.

Lançado em 1967, Cem Anos de Solidão é tido, por consenso, como uma das obras-primas da literatura latino-americana moderna. O livro logo tornou o colombiano Gabriel García Márquez (1928) uma celebridade mundial; quinze anos depois, em 1982, ele receberia o Prêmio Nobel de Literatura.

Aqui o leitor acompanhará as vicissitudes da numerosa descendência da família Buendía ao longo de várias gerações. Todos em luta contra uma realidade truculenta, excessiva, sempre à beira da destruição total. Todos com as paixões à flor da pele. E o “realismo mágico” de García Márquez não dilui a matéria de que trata –no caso, a história brutal e às vezes inacreditável dos países latino-americanos. Pelo contrário: só a torna mais viva.

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CEM ANOS DE SOLIDÃO
(Wikipedia)

Esta obra tem a peculiaridade de ser umas das mais lidas e traduzidas de todo o mundo. Durante o IV Congresso Internacional da Língua Espanhola, realizado em Cartagena, na Colômbia, em Março de 2007, Cem anos de solidão foi considerada a segunda obra mais importante de toda a literatura hispânica, ficando apenas atrás de Dom Quixote de la Mancha. Utilizando o estilo conhecido como realismo mágico, Cem Anos de Solidão cativou milhões de leitores e ainda atrai milhares de fãs à literatura constante de Gabriel García Márquez.

A primeira edição da obra foi publicada em Buenos Aires, Argentina, em Maio de 1967, pela editora Editorial Sudamericana, com uma tiragem inicial de 8.000 exemplares. Nos dias de hoje já foram vendidos cerca de 30 milhões de exemplares ao longo dos 35 idiomas em que foram traduzidos.

> Saiba mais
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SOBRE GARCÍA MÁRQUEZ
(Wikipedia)

Gabriel García Márquez (Aracataca, 6 de março de 1927) é um escritor, jornalista, editor, ativista e político colombiano. Considerado um dos autores mais importantes do século 20, ele foi premiado com o Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra, que entre outros livros inclui o aclamado romance Cem Anos de Solidão. Foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana. Viajou muito pela Europa e vive atualmente em Cuba. É pai do cineasta Rodrigo García. Em abril de 2009 declarou que se aposentou e que não pretendia escrever mais livros. Essa notícia foi confirmada em 2012, quando seu irmão, Jaime Garcia Marquez, noticia que foi diagnosticada uma demência a Gabriel Garcia Marquez e que, embora esteja em bom estado físico, perdeu a memória e não voltará a escrever.

> Saiba mais

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AvisoPrevioDeTraicao-01AVISO PRÉVIO DE TRAIÇÃO

Clarabela, Timótea, Vivalda e Oitília. Quando elas brigam por nós.

> Leia o conto na íntegra

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LIVRANDO A SEMANA (40)

CANALHA, SUBSTANTIVO FEMININO (Martha Mendonça) Editora Record

Quem disse que só os homens sabem ser canalhas? E as mulheres, são eternas vítimas? Este livro subverte o clichê de gênero que coloca homens e mulheres sempre nos mesmos papéis. Larissa, Cristina, Ângela, Diana, Ingrid e Mariana relatam, na primeira pessoa, aonde sua natureza amoral as levou. Elas não estão com raiva e não querem vingança. Apenas não conseguem deixar de ser… canalhas. Qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência?

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O rastro luminoso da solidão

23/11/2012

23nov2012

Estaremos mesmo irremediavelmente sós, confinados aqui neste planetinha, no meio de toda a vastidão cósmica lá fora?

O RASTRO LUMINOSO DA SOLIDÃO

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Li dia desses a entrevista de um astrônomo que duvida que exista vida inteligente similar à nossa fora da Terra. Ele sustenta que os fatores astrofísicos e bioquímicos que propiciaram as condições de vida em nosso planeta são tão únicos e difíceis de ocorrer no Universo que é altamente improvável que os mesmos tenham se repetido em outra galáxia, ainda que elas existam aos bilhões, como de fato existem. A espécie humana, segundo o cientista, seria fruto de circunstâncias tão difíceis de se reproduzirem em conjunto que se poderia dizer que nossa existência se deve a um grande golpe de sorte e que, por isso, os esforços em contatar supostas inteligências extraterrestres são inúteis ‒ nós simplesmente estamos sozinhos no Universo.

Sozinhos no Universo… A frase explodiu em minha mente feito um foguete sinalizador, deixando um rastro luminoso de solidão pelo espaço sideral do pensamento. Sozinhos no imenso Mar Universo… O coração apertou, e creio ter experimentado, enquanto lia a entrevista, uma espécie de angustiante solidão cósmica. Estaremos mesmo irremediavelmente sós, confinados aqui neste planetinha, no meio de toda a vastidão cósmica lá fora? Somente nós?

Bem, mesmo que de fato não exista mais nenhuma espécie com um grau de evolução similar ao nosso, ainda assim nós humanos nos teríamos uns aos outros como sempre tivemos, e não estaríamos verdadeiramente sós, não é verdade?

Hummm, em termos. A evolução da espécie fez mudar os parâmetros. Hoje, já conhecemos todos os povos existentes e o planeta tornou-se pequeno para nossos anseios de expansão. Somos os únicos terráqueos dotados da capacidade de autoquestionamento (pelo menos assim nos vemos) e isso nos traz um tipo estranho de solidão. Agora que atingimos esse ponto de autoconhecimento, sentimos a necessidade de redefinir nosso lugar não mais em termos de planeta, mas de Universo.

Da mesma forma que a criança precisa do outro para construir sua própria definição e os povos da Terra precisaram conhecer outros povos para entenderem melhor a si mesmos, acho que a espécie humana necessita, neste momento histórico de sua evolução, confrontar-se com outra forma de inteligência para entender melhor a vida e galgar novos estágios em sua definição como espécie. Claro que ainda há muito que aprender sobre a natureza humana, mas estamos acelerando as descobertas e cada vez mais rápido as novidades surgem, num ritmo vertiginoso que faz com que a História afunile como num redemoinho, em voltas cada vez mais rápidas, cada vez mais, girando cada vez mais próximo do vórtice…

Não sei aonde chegaremos com esse tal ritmo de transformações. Talvez estejamos nos aproximando perigosamente do vórtice do redemoinho, esse ponto em que algo ocorrerá, algo que mudará a História e inclusive nossa própria compreensão do espaço e do tempo, da vida e de nós mesmos. Fará parte dessa mudança a descoberta de outros seres inteligentes no Universo? Por enquanto, temos apenas nossas próprias dúvidas a nos impulsionar rumo ao desconhecido, como sempre fizemos, com a diferença que agora tudo gira a cada dia mais rápido.

Se o cientista da entrevista estiver certo, prosseguiremos irremediavelmente sós e teremos de nos aguentar sozinhos. Mas prefiro acreditar que ele está equivocado. No fundo de minha alma grita a esperança de que não, não estamos sozinhos, e que em algum lugar lá fora existem seres mais ou menos como nós, talvez com dúvidas parecidas, talvez mais sábios, talvez até saibam de nós…

Não sei. Tudo são dúvidas que faço ecoar por meio dessas linhas, exatamente como a espécie humana também faz com seus foguetes espaciais, lançando à escuridão do espaço nossa ardente incerteza, feito um sinalizador que sobe aos céus e, em seu rastro luminoso, não se cansa de repetir a mesma pergunta angustiante: há alguém mais aí fora?

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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LEIA TAMBÉM

Deuses, humanos e androides na berlinda (filme: Blade Runner) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

A vida na encruzilhada (filme: O Elo Perdido) – Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos

Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Em Dogma, Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!

Minha noite com a Jurema – Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

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FILME: O ELO PERDIDO (Missing Link)
Um milhão de anos atrás, na África, homem-macaco tem sua família dizimada por hominídeos e ele vaga sozinho pelo planeta, conhecendo e encantando-se com a Natureza. Ao comer de uma planta, tem estranha experiência que lhe traz importantes revelações.

O Elo Perdido (Missing link, EUA, 1988)
Direção: David and Carol Hughes
Elenco: Peter Elliot, Michael Gambon, Brian Abrahams e Clive Ashley

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O esoterismo morreu

18/11/2012

18nov2012

Assim como esoterismo superficial é um contrassenso e esoterismo pop jamais será esoterismo de verdade, seu sucesso teria necessariamente que decretar sua deturpação

O ESOTERISMO MORREU

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Esoterismo significa, originalmente, a parte mais oculta de uma filosofia, religião ou tradição, que requer sincera dedicação para ser alcançada. Essa dificuldade torna-se uma barreira natural aos aspectos mais profundos do aprendizado, e assim eles prosseguem exclusivos aos que persistem. Foi assim que os ensinamentos esotéricos se protegeram das perseguições e chegaram ao mundo contemporâneo.

Em contrapartida, a parte mais simples e visível das tradições sempre foi abertamente oferecida a todos, e as pessoas que se contentavam com sua simplicidade não precisavam passar por severos ritos de iniciação nem se dedicar durante anos ao aprofundamento. Esses aspectos mais triviais são a parte exotérica (exo, do grego fora, exterior), exatamente o contrário da parte esotérica (eso, do grego dentro, interior).

No Ocidente, as antigas tradições místicas e religiosas se mantiveram vivas mesmo sob extrema perseguição por parte das religiões oficiais, como fez a Igreja Católica, entre os séculos 14 e 18 com sua impiedosa Santa Inquisição. No século 19, a facilidade crescente dos transportes e das comunicações as tornou mais conhecidas, e mais ainda no século 20. Nos anos 1960, com a explosão da contracultura, as bandeiras de paz, amor e igualdade ganharam a mídia, e a espiritualidade, desatrelada das religiões formais, ganhou espaço.

E foi justamente num dos aspectos da espiritualidade, o esoterismo, que a mentalidade mercantilista do Ocidente farejou grande potencial de consumo. Porém, como tornar popular (para vender mais) algo que necessita de tempo, estudo e dedicação? A saída foi vestir o esoterismo com uma roupinha mais leve, que desse para usar em qualquer ocasião. Foi assim que a cultura esotérica tornou-se popular e, mais que isso, massificada. Uns aproveitaram a quantidade de informações circulante para, de fato, se aprofundar no esoterismo, mas a grande maioria ateve-se aos aspectos superficiais.

Assim como esoterismo superficial é um contrassenso e esoterismo pop jamais será esoterismo de verdade, seu sucesso teria necessariamente que decretar sua deturpação. Foi o que ocorreu. A maior parte do que se vê por aí como esotérico são apenas aspectos caricatos de ensinamentos profundos que durante séculos foram passados de iniciado a iniciado, com cuidado e reverência. Porém, mesmo disseminadas e desvirtuadas na promiscuidade da mídia e da internet, as profundas tradições místicas e religiosas continuam com sua essência guardada aos que se dispõem ao esforço do aprendizado. São como algo valioso que pode até circular entre muitos mas que, para alcançá-lo de verdade, tem-se de passar pelo inevitável e insubornável guardião da iniciação.

Os anos 1970 vieram com John Lennon avisando que o sonho acabara e o movimento hippie percebendo que flores, de fato, não venceriam canhões. Porém, a espiritualidade, despertada nos anos 60 e vivenciada agora sem tantas formalidades religiosas, já se incorporara à cultura ocidental. Foi o esoterismo pop, no entanto, esse monstrengo ideológico, que se mostrou mais vendável, e assim tudo passou a ser esotérico para poder vender: era a sensação consumista dos anos 1990. Shirley McLaine, no cinema, falou de vidas passadas, e o mago Paulo Coelho, nos livros, tornou-se fenômeno mundial de vendas. Agora, início do novo milênio, para desespero de seus críticos, o furacão do esoterismo pop ainda mostra fôlego, explorando (e deturpando) aspectos das tradições milenares.

A espiritualidade do novo milênio é multifacetada, reflexo do caos de valores e informações. Anjos, pirâmides e vidas passadas ainda vendem horrores, mas é interessante ver que em muitas pessoas a espiritualidade mostra-se mais madura e menos bitolada, chegando, em alguns momentos, a abranger questões bioéticas, sociopolíticas e ecológicas, e a flertar com valores como diversidade das crenças e autoconhecimento psicológico. Até que nem tanto esotérico assim.
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Ricardo Kelmer 1999 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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LEIA TAMBÉM

Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer, 2005

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, o autor nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Carma de mãe para filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

I Ching das patricinhas Se alguém procura revelações com pressa e sem seriedade, jamais terá as revelações

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Os apuros do homem feminista

07/11/2012

07nov2012

Minha busca por relações igualitárias foi dificultada também pelas próprias mulheres, pois muitas, mesmo oprimidas, preferiam relações baseadas no velho modelo machista

OsApurosDoHomemFeminista-2

OS APUROS DO HOMEM FEMINISTA

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Sou um homem feminista, sim, pois atuo pela liberdade da mulher e para que o princípio feminino seja resgatado em nossa cultura, principalmente no homem. Porém, discordo quando dizem que no patriarcado apenas a mulher é violentada em seu direito à autorrealização. Claro que ela é muitíssimo mais prejudicada, mas muitos homens também são penalizados.

Como a grande maioria das crianças da minha geração, que nasceram nos anos 1960, eu fui educado numa cultura patriarcal e cristã, que condiciona as pessoas, desde pequenas, a ver na mulher um ser inferior e de natureza maligna. Tal condicionamento leva os homens, inconscientemente, a temer o feminino e a tentar controlar a mulher. Eu fui treinado assim. Porém, algo deu errado.

Adolescente na Fortaleza de 1980, comecei a viver uma contradição pessoal que me incomodaria por muito tempo. De um lado, a educação e os amigos tentavam me convencer de que mulher é incompetente e não merece confiança, que as que dão na primeira vez não servem para casar, que o homem deve ter amantes e a mulher não, que nós não sabemos por que batemos mas elas sempre sabem porque apanham… De outro lado, porém, algo em mim discordava dessas regras. A mulher me causava sensações de reverência e fascínio, me provocava o êxtase da beleza e me inspirava a fazer poemas e canções… A mulher era algo especialíssimo, havia nelas um quê de mistério e sagrado, e eu não as via como inferiores, pelo contrário: elas pareciam ter mais poder que qualquer homem.

Meus amigos contavam piadas machistas, e eu já não via tanta graça nelas. Eles namoravam garotas passivas que faziam o estilo futura-mãe-e-dona-de-casa, e eu buscava mulheres participativas e de sexualidade livre. Porém, infelizmente para mim, a maioria das mulheres se contentava em seguir os modelos de passividade preestabelecidos para elas. E eu me recusava a aceitar o modelo pré-moldado para mim, o de macho provedor e sempre forte, proibido de demonstrar fragilidade. Meu desacordo com as regras e a sensibilidade artística faziam algumas pessoas acharem que eu era homossexual, e muitas mulheres não entendiam que eu não ligava para virgindade, não concordava que a mulher mudasse o sobrenome após casar, nem queria tomar a iniciativa toda vez e nem sempre podia pagar sozinho a conta do motel.

Hoje, quase cinquentão, vejo claramente que minha busca por relações igualitárias foi dificultada também pelas próprias mulheres, pois muitas, mesmo oprimidas, preferiam relações baseadas no velho modelo machista, o que é uma triste contradição, sim, mas também é um cruel efeito do patriarcado. Vejo também que minha inadequação aos padrões culturais inevitavelmente contribuiu para a sensação de solidão que sempre me acompanhou. Somente hoje, liberto de vários condicionamentos da cultura cristã-patriarcal, é que me sinto livre para ser quem realmente sou e viver minhas próprias verdades, que não são as verdades misóginas com as quais fui criado. Hoje, ainda luto contra as sobras de minha formação machista, mas tenho um bom convívio com o feminino em mim, e isso me torna um homem mais inteiro, e ainda mais amante da mulher.

A cultura menos machista de hoje gerará pessoas mais equilibradas, que bom. E os homens que não temem o feminino livre serão mais felizes, pois haverá mais mulheres livres. Será um mundo mais feminino. Será um mundo melhor.

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Ricardo Kelmer 2012 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser, e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido

Quem poderá me salvar? – Heroínas e heróis da minha vida

Marchando com as vadias – Se ser vadia é ser livre para exercer a própria sexualidade, então todas as mulheres precisam urgentemente assumir sua vadiagem, para o seu próprio bem e o de suas filhas

Me estupra, meu amor – Fantasiar ser estuprada é uma coisa – querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente

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LIVROS

LivroMulheresQueCorremComOsLobos-01Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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01- Vamo Apoiar! Alberto Marsicano Rodrigues, São Paulo-SP – nov2012

02- O presidente Sukarno da Indonesia declarouque so vai permitir carta de habilitação para mulheres (proibida no pais) quando inventarem o ‘poste de borracha’. Alberto Marsicano Rodrigues, São Paulo-SP – nov2012

03- Adorei, Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos, e que esses tempos de machismo e patriarcado que nos fere a todas e todos esteja mesmo no fim!!! Cristina Balieiro, São Paulo-SP – nov2012

RK: Obrigado a Wanessa B e às amigas e amigos do grupo Relações Livres pelos comentários e sugestões, que me fizeram alterar trechos do texto para evitar interpretações errôneas. Veja os comentários aqui. (jul2013) 

04- Belo texto do Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos !!! Rainha Frágil, Fortaleza-CE – jul2013

RK: Esta crônica tem despertado reações curiosas. As meninas do grupo Movimento Iuzômi, que se autodeclaram feminazis e misândricas, não gostaram nadinha. Postaram a crônica no grupo e os comentários sobre o texto e seu autor foram bem desfavoráveis. Seguem alguns comentários (preferi por as iniciais dos nomes):

SF: ééééé iuzômi + friendzone + mulheres são interesseiras + eu sou feminista e por isso sou bonzinho e to te fazendo um favor = essa merda de texto

SF: na parte de dividir conta de motel, ou das mulheres preterirem ele porque preferem um modelo machista de relacionamento. Isso é base do discurso ‘eu sou bonzinho, mas ela prefere o mauzinho’

SF: Não, o texto dele nem fala sobre não ser mono, ou ser mono… Ele fala da culpa das mulheres pela própria solidão e como muitas não querem ser igualitárias. Aliás, pelo que ele fala aí só ele quer ser igualitário no mundo HAHAHAHAH.

AM: tem tanta coisa ridícula nesse texto que tá difícil de mensurar

AM: se diz feminista mas é aquele típico machista benevolente que vê as mulheres como musas

RP: Vou comerr meu nescau cereal lendo isso pq ACORDAR SABOREANDO MALE-TEARS É TER UM DIA REPLETO DE ALEGRIA

RP: “E os homens que não temem o feminino livre serão mais felizes pois haverá mais mulheres livres para eles.” WAIT, WHAT?

LO: Culpando as mulheres loucamente! Como ele é sofrido, nossa!

CM: ESSE cara, falou um monte de merda sexista na pagina do evento de não monogamia, o tal do ricardo kelmer, lembra Yasmin?

NF: “A cultura menos machista de hoje gerará pessoas mais equilibradas, que bom. E os homens que não temem o feminino livre serão mais felizes pois haverá mais mulheres livres. Será um mundo mais feminino. Será um mundo melhor.” = homens sejam feministas pra garantir mais fodas

NF: “susanaxmota disse: Concordo com a Aline. Para mim, também o feminismo é um extremo sexista a evitar, tam-bém aprisiona. Aliás, como todos os “ismos”. Nada como ser realmente livre!” A mulher machista oprimindo o homem feminista, gente

05- Grande Kelmer, vc escreveu de forma simples e clara… Eu ainda vivo e convivo com este mesmo problema, tanto com a mulher, quanto comigo mesmo, devo dizer, porque o tal “modelo” é difícil de ser modificado qdo um outro ainda está em profunda construção e tb já apresenta outros problemas… No mais, somos sempre incompreendidos… Grande abraço. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – jul2013

06- “Eu me considero um homem feminista”, já é, politicamente, bastante coisa! Jamile Mileipe, São Carlos-SP – jul2013

07- Sei não. Mas acho que vale a pena pesar algumas considerações: igualdade pressupõe direitos e deveres. então, por que não assumir posturas de sim ou não e pronto? e não jogar pra o outro a responsabilidade que pesa nos próprios ombros? é sempre mais fácil acusar e punir do que observar e depois bradar, se for o caso. Elieldo Trigueiro, Fortaleza-CE – jul2013

08- Feminismo é uma postura política, social e filosófica adotada por mulheres e homens sim. Está, em geral, relacionada a romper com a estrutura patriarcal de poder. No entanto, existem vários feminismos…. Considerar uma mulher frágil é negar o direito dela ocupar determinados cargos, justamente, cargos onde elas são agredidas e/ou violentadas. Pra mim, é aí que reside a seriedade da discussão machista/feminista. E quanto mais os homens reconhecerem a existência dessa violência e discutirem o absurdo cultural disso, melhor! Quanto à flor, gentileza deve gerar gentileza. Mas, infelizmente, muitas vezes, há interesses de dominação ou “panos quentes” por trás do singelo ato. É preciso inteligência, de ambos os lados, para discernir a situação. Kelmer, eu acompanho teu trabalho e creio que você deve continuar ofertando flores sem se preocupar com as opiniões. Principalmente, flores em forma de textos que nos salvam, mulheres e homens, do “machismo nosso de cada dia”. Um abraço! Jamile Mileipe, São Carlos-SP – jul2013

> Versão desta postagem no Facebook


As Preciosas do Kelmer – out2012

26/10/2012

Ricardo Kelmer 2012

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Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

> No Facebook

> No Blog do Kelmer

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AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês – Edição 1, out2012

LEILÃO DE VIRGINDADE – Quanto vale ser o primeiro homem de uma garota do interior?

PASSA O BRAU, TED – Você daria pro seu filho um ursinho de pelúcia maconheiro?

A VOZ DO BAIXO – Gravação do CD de Vanessa Moreno e Felipe Maróstica começa na internet

SAGRADO DIREITO DE BLASFEMAR – O direito à livre expressão e os privilégios da religião

FALE MAIS SOBRE ISSO – Série Sessão de Terapia estreia no GNT

NO MEU CORPO MANDO EU – Uruguai reconhece o direito básico da mulher ao aborto

POLIGAMIA E MONOTONIA – Entrevista com Regina Navarro Lins sobre relacionamentos, sexo e amor

APOCALIPSE PRA VENDER LIVRO – Tem escritor que não respeita nem o fim do mundo

IMAGEM DA CAPA: Cena de L´Apollinide, filme de Bertrand Bonello (2011)

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LEILÃO DE VIRGINDADE
Quanto vale ser o primeiro homem de uma garota do interior?

Catarina Miglorini tem 20 anos e decidiu leiloar sua virgindade. Sua experiência está sendo registrada por um cineasta e vai virar documentário. Se você tem interesse, poderá dar seu lance até 15out e a grande noite será em 25out, num avião em pleno voo. Relaxe: a transa não será filmada.

Cavalheirismo, orgasmos múltiplos e leilão de virgindade – vantagens que só a mulher tem.

> Catarinense leiloa virgindade e lances já chegam a mais de US$ 150 mil (g1.globo.com)

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CATARINA MIGLORINI FALA SOBRE O LEILÃO

“Sempre fui uma menina muito, muito romântica. Quando souberam, minhas amigas não acreditaram. O que eu posso te dizer agora é que o leilão, para mim, é um negócio. Mas não deixei de ser romântica de forma alguma. Acredito com todas as forças no amor. Nunca tive namorado. O meu primeiro beijo foi aos 17. Enquanto muitas meninas da minha idade tinham feito muitas coisas, não sabia o que era sexo. Hoje sei, tem os meios de comunicação, né?”

Taí uma menina de futuro, que sabe que sexo e amor são coisas bem diferentes.

> Catarinense de 20 anos leiloa virgindade pela internet – folha.uol.com.br

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QUEREMOS PERERECA

Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Leilão encerrado. Quem levou a virgindade da brasileira Catarina Miglorini (que na verdade se chama Ingrid) foi um japonês de 53 anos. Seu lance foi de U$ 780 mil, aproximadamente R$ 1,6 milhão. Uau. É muita grana por uma perereca à cabidela. Admito que pensei em participar do leilão. Minha oferta seria um caldo de cana e dois pastel na feirinha da Benedito Calixto. Não que a perereca da moça não valha muito – o caldo e o pastel da feirinha é que são muito bons, eu garanto. Diante da oferta do japa, tenho quase certeza que eu não teria chance.

Desculpa mas tô cheio de dúvida. Será que esse japa tem pau pequeno? Será que Catarina vai ficar contando 780 mil carneirinhos pra ajudar a passar o tempo? Pelo contrato, ela tem que rebolar ou vai ser no estilo “mortinha”?

Agora falando sério. O leilão da virgindade do rapaz russo também foi encerrada. O maior lance foi de U$ 3 mil, e ainda foi dado por um homem. Pô, dona Orestina, que desmoralização! Nós homens estamos mesmo muito desvalorizados. Até nisso as mulheres têm vantagem, como se já não bastasse o orgasmo múltiplo. E mais: elas podem reconstruir o hímen e assim vender a virgindade várias vezes, enquanto nós só temos uma virgindade, umazinha só. E muitos de nós ainda precisamos pagar pra tirá-la, que injustiça. Ser homem não é mole.

Tô revoltado. A evolução natural bem que podia ter nos dado também uma perereca. Bastava uma pererequinha discreta, escondidinha ali pelo períneo. Talvez eu não conseguisse U$ 780 mil por ela mas certamente já ajudaria a pagar o pastel e o caldo de cana na feirinha.

> Catarina terá sua 1ª vez na Austrália com japonês de 53 anos – terra.com.br

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A VOZ DO BAIXO
Gravação do CD de Vanessa Moreno e Felipe Maróstica começa na internet

Quem conhece Vanessa Moreno do espetáculo Viniciarte, já sabe da maravilhosa cantora que ela é. Pois bem, ela tá gravando um disco de duo de baixo e voz  de com seu parceiro Filipe Maróstica. E você pode participar do projeto. Saiba como:

> Colabore com Vanessa Moreno e Filipe Maróstica

VANESSA MORENO: Neste projeto, as pessoas podem colaborar a partir de R$5,00. É só clicar no link e entrar em “Quero Financiar Este Projeto”. Terão músicas autorais, de compositores amigos e da cena independente. Também, várias participações especiais pra rechear esse trabalho que será feito com muito carinho! Participem dessa troca com a gente. Vc escolhe o valor e a recompensa e nos ajuda a gravar o CD!

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NO MEU CORPO MANDO EU
Uruguai reconhece o direito básico da mulher ao aborto

Por 50 votos a favor e 49 contra, a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou, na semana passada, um projeto de lei que descriminaliza o aborto até a 12ª semana de gestação,14ª em caso de estupro e prazo indeterminado em caso de risco para a saúde da mãe. O texto aprovado muda a proposta que já havia sido aprovada pelo Senado. Agora o projeto volta ao Senado, onde não deve ter problemas para sua aprovação final, já que o partido governista da Frente Ampla tem maioria absoluta. Se o projeto for ratificado, o Uruguai será o primeiro país da América do Sul a descriminalizar o aborto.

Que ótima notícia. Aos poucos as democracias da América Latina vão se livrando das amarras religiosas que tanto mal fazem às mulheres.

E NO BRASIL?

No Brasil, hoje é permitido interromper a gestação em caso de estupro ou de risco de morte da mulher, além de gravidez em caso de fetos anencéfalos (sem cérebro). Este último caso foi liberado pelo Supremo Tribunal Federal em abril deste ano. Por 8 votos a 2, os ministros consideraram que a mulher que interrompe a gravidez de um feto anencéfalo e o médico que faz o procedimento não cometem crime. A maioria dos membros do STF entendeu que um feto com anencefalia é natimorto e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos não é comparada ao aborto, considerado crime pelo Código Penal.

> Câmara aprova projeto que descriminaliza o aborto no Uruguai – estadao.com.br

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PASSA O BRAU, TED
Você daria pro seu filho um ursinho de pelúcia maconheiro?

John tem um amigo muito especial: seu ursinho de pelúcia, que ganhou vida quando ele era criança. Mas Ted é um ursinho de pelúcia diferente: faz sexo, toma drogas e está ficando muito mal-humorado. John agora precisa decidir entre manter a amizade de infância ou o namoro com Lori.

TED (EUA/2012)
Direção: Seth MacFarlane
Com Mark Wahlberg e Mila Kunis
Recomendação: 16 anos
Veja o treiler (legendado)

> SAIBA MAIS resenhafilme.blogspot.com

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O URSINHO E O DEPUTADO SEM-NOÇÃO

Quem é mais doidão? Um ursinho de pelúcia que fuma maconha ou um deputado que leva seu filho de 11 anos pra ver um filme desaconselhável pra menores de 16 anos? Pois foi isso que fez o deputado federal Protógenes Queiroz. E fez mais: bradou na imprensa e tentou proibir a exibição do filme em todo o país por, segundo ele, fazer apologia ao uso de drogas. Depois, mais relaxadim, tentou que fosse mudada a classificação do filme pra 18 anos. Pro bem da democracia e da liberdade de expressão, nada conseguiu.

Com sua lambança o deputado Retrógenes, ops, Protógenes, fez aumentar o público do filme e ainda atiçou os ativistas que lutam pelo sagrado direito à livre expressão. E, de quebra, inspirou a turma a criar a AUPM – Amigos dos Ursinhos de Pelúcia Maconheiros. Eu já me filiei, claro.

> Ursinho Ted, Protógenes e a pouca tolerância do públicocineclick.com.br

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POLIGAMIA E MONOTONIA
Regina Navarro Lins fala sobre relacionamentos, sexo e amor

Regina Navarro Lins é psicanalista e sexóloga, tem vários livros publicados, escreve em jornais e revistas e faz palestras sobre sexo e relacionamentos. Trabalha em seu consultório particular em terapia individual e de casais. Suas opiniões são polêmicas e a marcam como uma militante da liberdade sexual e amorosa. Para Regina, as pessoas precisam urgentemente entender que amor e sexo são coisas diferentes. Veja algumas opiniões dela:

“As pessoas não percebem que são infelizes porque seguem padrões que não levam a nada, como acreditar que em um casamento é possível a exclusividade. Quem disse que não é possível amar mais de uma pessoa? É sim!”

Regina é contra o cavalheirismo. “Por que um homem tem que pagar a sua conta ou tirar uma cadeira para você sentar? É porque a mulher é um ser frágil e incapaz até de puxar uma cadeira?”

“Essa coisa de masculino e feminino são estereótipos para aprisionar as pessoas. As mulheres têm que ser sensíveis e frágeis. E os homens, corajosos e bravos. Imagina! Isso é tudo criação. Todos nós somos fortes e fracos, ativos e passivos, depende do momento.”

Entrevista na revista TPM  (set2012)

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O LIVRO DO AMOR
Regina Navarro Lins

SINOPSE – Quanto a experiência amorosa ocidental se modificou e se repetiu ao longo dos últimos milênios? A psicanalista Regina Navarro Lins dedicou-se a pesquisas, cruzamentos entre o passado e o presente e reflexões sobre o tema para dar conta de questão tão fundamental à compreensão do amor na contemporaneidade. Da Pré-História ao século 21, as vivências do amor e do sexo têm sido moldadas culturalmente. Sujeitos a paradigmas morais, dogmas religiosos, interesses políticos, econômicos e sociais, homens e mulheres desempenham papéis em constante mutação. O advento da pílula, os movimentos feminista e gay e a revolução tecnológica abrem caminho para uma nova vivência amorosa. Do amor ideal ao sexo virtual, barreiras e modelos são derrubados numa história ainda em construção. Dividido em dois volumes – o primeiro da Pré-História à Renascença e o segundo do Iluminismo até a atualidade –, esse trabalho nos coloca diante do espelho da História e lança um olhar corajoso sobre os relacionamentos nos nossos dias

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SAGRADO DIREITO DE BLASFEMAR
O direito à livre expressão e os privilégios da religião

A liberdade de expressão é uma conquista democrática, uma das maiores riquezas culturais das sociedades mais evoluídas. Ela garante seu direito de dizer o que pensa. Porém, se
O direito à livre expressão e os privilégios da religião o que você diz infringe alguma lei (incitação à violência, racismo, homofobia etc), você pode ser processado. O equilíbrio entre a livre expressão e a convivência entre os diferentes é um ponto nevrálgico nessa questão. Até onde garantir a livre expressão? Fazer piada com ícones culturais e símbolos religiosos deve ser um direito ou deve ser proibido?

A blasfêmia é um insulto a algo considerado sagrado. Mas… isso é totalmente relativo pois o que é sagrado pra alguém não o é necessariamente pra outros. E até onde iria a classificação de blasfêmia? E quem julgaria isso? Se a blasfêmia fosse proibida por lei, você poderia ser preso por fazer piada com discos voadores pois há seitas religiosas que consideram sagrados os extraterrestres, e todas as religiões também teriam que ser proibidas pois todas blasfemam umas contra as outras com seus dogmas conflitantes.

Se você não gosta de estudar, torça pra que a blasfêmia não vire crime, caso contrário você terá obrigatoriamente que ser especialista em todas as milhares de seitas e religiões do mundo (e todo dia surge uma nova) pra não correr o risco de insultar seus crentes. Se não estudar bem cada uma delas, você poderá ser processado porque desenhou a figura de um profeta, usou um símbolo não permitido ou batizou seu filho com um nome blasfemo. Isso sim será o inferno.

MAIS TEXTOS SOBRE O TEMA

> Feliz Dia da Blasfêmia (Carlos Orsi)
> Blasfemar é um direito (blog O Lado Oculto da Lua)
> Pelo direito de blasfemar (Marcos Raposo)
> Quem vai definir quais são os limites? (Carlos Eduardo Lins da Silva)

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FALE MAIS SOBRE ISSO
Série Sessão de Terapia estreia no GNT

O canal GNT está exibindo a série Sessão de Terapia (segunda a sexta, 22h30). Com direção de Selton Mello, a série reproduz as sessões de atendimento de um psicanalista. São 45 capítulos, exibidos de segunda a sexta. Às segundas ele atende uma enfermeira, às terças atende um atirador de elite, às quartas uma jovem ginasta e às quintas um casal em crise. Às sextas ele é atendido por sua própria psicanalista e supervisora.

Sessão de Terapia é a versão brasileira da série israelense Be Tipul, criada por Hagai Levi e que tornou-se sucesso em Israel. Várias versões foram feitas em outros países, inclusive nos Estados Unidos, que se chamou In Treatment.

ATORES: Zécarlos Machado, Maria Fernanda Cândido, Sérgio Guizé, Bianca Müller, Mariana Lima e André Frateschi, Selma Egrei.

É bom ver a psicoterapia na TV, ainda que seja a psicanálise, uma forma de terapia, ao meu ver, bastante limitante por privilegiar uma interpretação racionalista da realidade. Selma Egrei talvez concorde comigo: ela, que interpreta a supervisora do psicanalista, aceitou fazer o papel mesmo sem concordar com os princípios terapêuticos da psicanálise.

Tomara que a série motive muita gente a buscar o autoconhecimento psicológico. Ao contrário do que a maioria pensa, principalmente os religiosos, a verdadeira salvação vem de dentro.

> Saiba mais

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AS PRECIOSAS DO KELMER

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O melhor investimento do mercado

24/10/2012

24out2012

As qualidades e defeitos que você supervaloriza em algo ou alguém, na verdade quem os possui é você mesmo

O MELHOR INVESTIMENTO DO MERCADO

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Certa empresa de calçados, disposta a montar uma fábrica em outro país, enviou para lá um técnico para sondar o mercado local. Ele foi, estudou as possibilidades e escreveu um relatório onde concluía: “Péssimo mercado! Ninguém usa sapatos.” A empresa então, seguindo suas recomendações, desistiu da ideia de montar a fábrica por lá. Por que investir tanto num lugar onde as pessoas sequer usavam sapatos?

Anos depois, outro técnico foi enviado ao mesmo país para mais uma sondagem, talvez as coisas houvessem mudado por lá. Ele foi, estudou as possibilidades e escreveu um relatório onde concluía: “Excelente mercado! Ninguém usa sapatos.” A empresa então, seguindo sua conclusão, decidiu montar a fábrica, empolgada com o enorme mercado à espera de ser conquistado.

Qual dos dois técnicos tinha razão? Eu diria que ambos, pois a realidade nada mais é que nossa interpretação dela. A maneira como vemos as coisas já determina, por si só, o que essas coisas serão para nós. Se entendemos o mundo como um lugar violento onde somente a violência dita as regras, terminaremos sendo mais um aspecto dessa violência e teremos de seguir suas regras e sermos mais violentos para sobreviver ‒ está formado o círculo vicioso. Claro que existe violência, sim, mas o mundo também é um lugar bonito, com coisas boas. Infelizmente, algumas pessoas valorizam tanto a violência dentro de si mesmas que terminam regendo sua vida com base no competivismo, na ganância e na violência. Valorize uma coisa e ela existirá para você cada vez mais forte, e você, consequentemente, a valorizará ainda mais e assim por diante.

O primeiro técnico compreendeu a realidade ao seu modo e a partir daí tomou suas decisões, e assim aquele país continuou sendo um péssimo mercado para a empresa. E continuaria sendo até que outro alguém compreendesse a realidade de outro modo e assim… a transformasse. A psicologia do inconsciente descobriu que projetamos sem perceber, nas pessoas e coisas ao redor, tudo o que não sabemos bem de nós mesmos. Isso significa que as qualidades e defeitos que você supervaloriza em alguém, na verdade quem os possui é você mesmo, pois se não possuísse, não valorizaria tanto nos outros.

Claro que, independente de nós, existem pessoas maldosas e violentas. Tem gente que é capaz de matar pai e mãe só para não perder o baile dos órfãos. Mas o que importa aqui é o quanto valorizamos as coisas no sentido de exagerar-lhes a importância. Ninguém pode ver, no mundo externo, algo que, de certa forma, já não exista em seu interior. É estranho dizer isso, mas a realidade precisa de nossa compreensão dela para existir. O que conhecemos por realidade, então, não passa de uma compreensão intensamente compartilhada que desde pequenos aprendemos a sedimentar em nossas mentes. E para mudar a realidade, tudo que precisamos é mudar… o modo como a vemos.

A vida é um péssimo mercado? Se essa foi a conclusão que um dia se sedimentou em sua mente, então é melhor mesmo não investir nada, pois você só terá prejuízo. Mas você pode ver a vida como um excelente mercado, sim. Nesse caso, não perca tempo. Termine logo esta crônica e olhe ao redor com melhores olhos. É lucro garantido.

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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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LEIA NESTE BLOG

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Jung e a jornada do autodescobrimento – Vídeo sobre a vida e a obra do psicólogo e pensador suíço, criador da psicologia analítica

A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

Pesadelos reais – A realidade, em si, não existe – o que existe é nossa interação com ela. Filme: Alucinações do Passado

 

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COMENTÁRIOS
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Quem poderá me salvar?

15/10/2012

15out2012

Heroínas e heróis da minha vida

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QUEM PODERÁ ME SALVAR

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Meu super-herói da infância foi o Tarzan. Eu adorava ler os livros com as aventuras do homem-macaco criado por Edgar Rice Burroughs, e o imitava até quando queria chamar meu vizinho para brincar: subia no muro, punha as mãos em torno da boca e mandava o famoso berro: Ôôô-uôôô-uôôôôô!!! Como você pode ver, desde pequeno que me falta a noção do ridículo.

Na adolescência, veio o Homem-Aranha, criação de Stan Lee e Steve Ditko. Desajeitado com as mulheres e sempre à volta com dilemas existenciais, o Aranha era eu. Felizmente, nunca precisei lutar contra o cruel Duende Verde preocupado com a hora de chegar em casa porque cuidava da tia doente.

Aí eu cresci e meus heróis passaram a ser feitos de arte. Primeiro, Raul Seixas e sua sociedade alternativa, com quem perdi o medo da chuva. Depois, Jim Morrison, o cantor da banda The Doors. Poeta, literato, pinguço – eu agora era Jim pelas noites da cidade. E veio também Bukowski, o escritor que bebia, vomitava e publicava o próprio vômito, e eu sorvia tudo com gosto.

O herói seguinte era feito de vento, e nas manhãs de domingo me ensinava sobre autossuperação e não desistir jamais: Ayrton Senna. Aos 30, descobri Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço que nos legou um valioso mapa para a autoexploração psicológica, e que me guiaria pelas tempestades do amadurecimento. Jung me levou ao mitologista Joseph Campbell e nunca mais esqueci que devo seguir a minha bem-aventurança, onde quer que ela esteja.

Overman é outro super-herói querido. Criação da genial Laerte, Overman mora numa pensão do Ipiranga, vive grilado com seu uniforme e tem inimigos como o Passador de Trote e o Maníaco Flatulento, que matou seus pais num elevador. Quando não venta, ele precisa do ajudante para balançar sua capa. Infelizmente, até hoje Overman não sabe qual é sua identidade secreta, pois sempre que vai tirar a máscara em frente ao espelho… a campainha toca. Ah, tem também o Capitão Presença, o único super-herói que assume que fuma maconha. Sim, pois o que tem de herói maconheiro no armário é um horror. Criado por Arnaldo Branco, o corajoso Presença é o único super-herói que realmente salva: sempre chega trazendo um baseado para livrar a humanidade da secura. Ele bem que podia passar por aqui no sábado…

E heroínas? Tive algumas. Morgana, a sacerdotisa pagã, irmã do rei Arthur. Taí, eu casaria com Morgana, e morreríamos juntinhos, defendendo Avalon da invasão do cristianismo. Personificando a beleza e a poesia, Bruna Lombardi foi outra heroína: me vali muito de seus poemas para amolecer certas resistências femininas. Casaria também, claro, mas o Riccelli chegou primeiro. E também teve Druuna, ai, Druuna. Personagem da série de quadrinhos de ficção científica-erótica do Serpieri, ela é uma gostosa linda e ninfômana que encara o que vier, sem importar a galáxia do pretendente ou da pretendente ou de quantos sejam. Eu casava facim, e sem exigir exclusividade.

Putz. Num só parágrafo casei três vezes. Deve ser influência dele, Vinicius de Moraes, que em 2009 ressurgiu direto da minha adolescência, romântico e eternamente apaixonado, e hoje é meu guru. Foi ele que me reconduziu aos palcos, para falar de poesia, amor, amizade e alegria. E assim como ele, entendo finalmente que se a arte dá sentido à minha vida, é só a mulher que pode, de verdade, me salvar. Se é que ainda tenho salvação.

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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VINICIUS, O GURU

Vinicius Show de Moraes – Um show que homenageia Vinicius com suas músicas, seus poemas e as histórias da sua vida
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HERÓIS E HEROÍNAS

Jung: a ciência revolucionária – Como pesquisador da consciência, psicoterapeuta, antropólogo e pensador, Jung levou suas descobertas a uma abrangência notável, refletindo sempre sua preocupação com o futuro da Humanidade

Minha vida com Jim Morrison – Acordar e pegar logo uma cerveja pois o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto

O herói e a princesa – Para Ayrton Senna, herói do Reino da Terra

As Brumas de Avalon – Identifiquei-me tanto com Morgana, com sua luta em preservar Avalon, seu sofrimento e sua solidão, seu amor não correspondido, que me peguei desejando voltar no tempo pra me casar com ela

Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra

Druuna (Blog do Gutemberg) – (Blog HQ Quadrinhos)

Charles Bukowski na Wikipedia

Tarzan na Wikipedia

Homem Aranha na Wikipedia

Bruna Lombardi na Wikipedia

Capitão Presença – Herói às avessas (texto do blog Almanaque Virtual)

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LEIA NESTE BLOG

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

A volta da Intocáveis – Oh não! – Um show com os restos mortais da Intocáveis Putz Band

Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

Galinha ao molho conjugal – Então fizemos uma aposta. Qual dos três conseguiria resistir mais tempo ao casamento?

Confissões de um míope – O míope então restringe suas relações visuais com as pessoas a um raio de dez metros e quem estiver além disso não faz parte de seu mundo. E acaba ganhando uma imerecida fama de boçal

> Postagens no tema “biográfico”

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01- os heróis do meu herói. = ) Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – out2013

02- Postagem oficial no Facebook



Cabaré Soçaite ago2012 – Vídeo

09/10/2012

Ricardo Kelmer 2012

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O Cabaré Soçaite chegou à sua 12a edição em Fortaleza. A festa aconteceu em 25ago, na Órbita, na Praia de Iracema. De modo geral foi a mais organizada de todas as edições, desde a pré-produção. A estratégia de motivar as pessoas a produzirem seu visual funcionou e os modelitos fizeram a festa ficar ainda mais bonita e divertida.

A dupla de DJ e VJ foi mantida (Guga de Castro e Spin), o que garantiu qualidade na trilha sonora, nas luzes e no telão. Fadinha abalou o cabaré com seu sempre aguardado número sensual e, além disso, atuou como assistente de palco, ou seja, o palco ficou bem mais bonito.  A banda foi a Kris Kabaretti, que fez seu show de estreia tocando pop, rock e disco e homenageando a banda Intocáveis Putz Band com duas músicas, uma delas o Manifesto Neomaxista Liberal com a participação do dono do cabaré, que era um dos integrantes da Intocáveis. O grupo Karolyne Coelho & Cia apresentou dois belos números de dança burlesca. E o concurso Musa e Muso do Cabaré agitou novamente a festa com as incríveis performances dos candidatos, premiando os vencedores com um fim de semana em Jericoacoara-CE (Pousada Casa do Ângelo), crédito no Bar Butiquim e corset da Srta Milfont.

Quem foi com visual sensual ou fantasia  de qualquer tema teve desconto no ingresso, concorreu a sorteios de cerveja e pôde fotografar no estúdio da festa, montado pela Maria dos Prazeres Sex Shop. As melhores fotos particparam do concurso Melhor Foto (no Facebook) e a mais votada ganhou uma supercesta erótica e um fim de semana para casal na Praia das Fontes, no Hotel das Falésias.

Na lojinha da festa (obrigado, Raquel e Roberta) as pessoas puderam comprar livros, DVDs da festa e camisetas, e também acessórios pra compor o visual. Quem comprou R$ 15 em produtos ganhou automaticamente ingresso pro próximo Cabaré. Denise Borges e Íris de Oliveira fizeram as fotos oficiais da festa e a filmagem foi feita por Levy Mota e Davi Lázaro.

A próxima edição em Fortaleza será em mar2013, novamente na Órbita. E a 2a edição paulistana ainda não tem data pra acontecer. Se você deseja sugerir um local, entre em contato.

> Veja as fotos desta edição

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PARCEIROS DESTA EDIÇÃO:

Pousada Casa do Ângelo (Jericoacoara-CE)
Maria dos Prazeres Sensual e Erótica (Fortaleza-CE)
Hotel das Falésias (Praia das Fontes-CE)
Bar Butiquim (Fortaleza-CE)

Bar do Papai (Fortaleza-CE)
Floresta Bar (Fortaleza-CE)
Creperia Ladeira Castro Alves (Fortaleza-CE)
Srta Milfont
(Fortaleza-CE)

FACEBOOK – Grupo Cabaré Soçaite
– Arte erótica, sorteio de livros, DVDs e ingressos

TWITTER
– @cabaresocaite

MAIS FOTOS E VÍDEOS E A HISTÓRIA DA FESTA

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Banda Kris Kabaretti

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Palco liberado: você é a estrela da festa

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Karolyne Coelho & Cia

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Concurso Musa do Cabaré

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Concurso Muso do Cabaré

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Fadinha

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MAIS FOTOS E VÍDEOS E A HISTÓRIA DA FESTA

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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SEXUALIDADE FEMININA NESTE BLOG

> O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

> Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou…

> A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

> A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…..

> O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

> Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

> As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi– A mais bela e safada história de amor jamais contada.

> As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz.

> Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

> O último homem do mundoO sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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 COMENTÁRIOS
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01- Muito boa a festa ontem!!!! Arrasou Ricardo 🙂 Raflesia Pequeno, Fortaleza-CE – ago2012

02- A FESTA FOI IRADA MESMO FOI PAPOCOKKKKKKKK. Serafim Sccp, Fortaleza-CE – ago2012

03- Simplesmente a melhor festa que já fui 🙂 inesquecível! Jéssica Poliana, Fortaleza-CE – ago2012

04- Um otimo cabaré e nada mais a dizer !!! ^^ Lano Lima, Fortaleza-CE – ago2012

05- Owwww Cabaré maraaa! 🙂 Josy Eliziane Ramos, Fortaleza-CE – ago2012

06- Essa festa… ja estou ansioso pela próxima!!! Por favor diga-me a data da proximaaaa D; kkkkkkkkkkk Foi foda demais u.u. Victor Yuri, Fortaleza-CE – ago2012

07- Me diverti muito lá, essa foi a melhor edição! Valeska Cavalcante, Fortaleza-CE – ago2012

08- A primeira vez a gente nunca esquece não é mesmo? hehe e a minha foi fantástica. =) Natália Aragão, Fortaleza-CE – ago2012

09- Nada como chegar as 5hs da manhã e ainda está com todas as músicas na cabeça,kkkk. Parabéns Ricardo Kelmer, mais uma vez uma ótima festa e um repertório maraaaaavilhoso, amei TODAS as músicas. Anne Katiuscia Leão, Fortaleza-CE – ago2012

10- Ainda to com energiaaaaaaa \o/ Foi muuuuuuito show! Ilanna Muniz, Fortaleza-CE – ago2012

11- Dos trÊs Cabarés Soçaite que fui, essa foi a melhor!! Eu achei maravilhosa. Mais pessoas com fantasias, mais empolgação, mais alegria. A banda do ano passado, nem sei se foi a mesma desse ano, achei mais empolgada, mas não deixou de ser boa. A festa em si, perfeita!! P.s: ainda acho injusto quem não tá fantasiado ganhar ‘-‘ Larah Pimenta, Fortaleza-CE – ago2012

12- Sério ???? pois gostei mais do ano passado. Não gostei da banda achei muito fraca. Carol Nobre, Fortaleza-CE – ago2012

13- Também achei a banda muito fraca e forró e beto Barbosa não dá, né? Agora o povo foi mais a carater…. e a programação em geral foi melhor… Lucélia Souto, Fortaleza-CE – ago2012

14- Satisfação sempre garantida! ; ] Quel Raquel, Fortaleza-CE – ago2012

15- A escolha da Cristiane Fiuza, Flavio Rangel e sua banda foi perfeita. Abrilhantaram ainda mais a festa do CABARÉ SOÇAITE. Sandra Alves Ribeiro, Fortaleza-CE – ago2012

16- E a noite foi simplesmente perfeita. Tchago Almeida, Fortaleza-CE – ago2012

17- E A NOITE… FOI DAS MULHERES! uhsushushushushushsus. Tamara Colares, Fortaleza-CE – ago2012

18- Adoreeei a festa! Mas acho q o premio Musa e Muso deveriam ser para as pessoas que se fantasiaram.. E achei melhor o Diamante Cor de Rosa da edição passada em Março.. Eles cantaram musicas mais animadas.. Josy Eliziane RamosFortaleza-CE – ago2012

19- Adooooooooorei, Inesquecível! Foi minha primeira vez e já quero outra festa linda dessa! Ansiosa pela próxima edição… Ana J Sousa, Fortaleza-CE – ago2012

20- simplesmente a melhor!!! Natália Aquino, Fortaleza-CE – ago2012

21- Axei maravilhosa, apenas a fila de quem já havia comprado o ingresso antecipado estava grande o q foi um pouco chato!!! E axo q a próxima não vai ser possível ser no mesmo local q num vai caber de gente, pq a com uma festa dessas a tendencia é sempre aumentar a qnt de gente!!! Mônica Guimarães, Fortaleza-CE – ago2012

22- Eu gostei muito da festa, muito mesmo, minha turma sempre vai em peso, desta vez foram mais de 30 pessoas vestidas a caráter, como sempre. A festa é muito divertida, mas o mesmo defeito se repete a varias edições, simplesmente acho que não existe uma valorização a quem vai a caráter. Mais uma vez o concurso de muso e musa tem gente que compete sem nem ao menos estar a caráter, pior ainda GANHAM! Fiquei muito triste ao ver a ” de roxo” ganhando. Sim, era MUITO GATA, mas vestidinho roxo e dança onde mostra tudo era pra vencer? Gostaria que a produção da festa fizesse uma analise disso ( e de outros fatores) e vejam que isso desmotiva completamente quem vai a caráter. Lembrem – se o pessoal que vai a caráter é parte da graça da festa. No mais parabéns ara todos!!!! Mauricio Aragao, Fortaleza-CE – ago2012

23- Sinceridade? até antes de ler o post tinha achado q minha festa não tinha sido lá esses balaios não. Tive contratempos, irritações, uma amiga foi “convidada a se retirar”, vulgo EXPULSA da festa pq a sandália dela quebrou e os seguranças, por normas da casa[/ só agora entendo, embora não aceite, pois haviam outras formas de contornar o problema…] tinham q evitar q ela circulasse num ambiente onde poderia haver vidro q cortasse seus pés. Tive pequenas irritações, perdi meu celular[/que AINDA BEM foi encontrado por um participante da festa e me foi devolvido ontem!] e, por fim, tivemos um acidente de carro na volta, do qual foi muita sorte escaparmos com vida e bem, eu, meu namorado e um amigo. Chegueia conclusão, depois de ler o post que, msm assim, a festa foi boa, sim. Eu não estava num dia bom… Mas a produção da festa tava ótima, tentei ir o mais bonita possível[/e eu tava me achando linda mesmo, haha!] estive com amigos e amigas e, se não estava num dia/noite bons, por outro lado vi gente suuuper feliz, curtindo muito e pondo seu lado cabaré para fora. Valeu. E valeu muito. E vou de novo! E mais uma vez e mais outra! Kaliza Holanda, Fortaleza-CE – ago2012

24- Linda festa e apetitosa! Parabéns Kelmer guerreiro! Musica boa,gente educada apesar de bêbada,garçons maravilhosos….enfim perfeito. Amei conhecer esse povo sensual e hospitaleiro,bis proces também ! Izabel Castro, São Paulo-SP – ago2012

25- Eu simplesmente adoreeiiii…Ricardo Kelmer…vc é a excelência em pessoa…a festa super organizada e aconchegante. Tô louca pra ir de novo..bjs… Anna Stefânia Maia, Fortaleza-CE – ago2012

26- SHOW!!! e a banda foi massa!!! Adriano Horácio, Fortaleza-CE – ago2012

27- Esperando a próxima , vc Ricardo Kelmer arrasou dei altas risadas com vc . parabéns ! Marina Arrais, Fortaleza-CE – ago2012

28- Foi tudo muito legal! Adorei!!! e so recebi bons comentarios. Arrasaram. Karolyne Coelho, Fortaleza-CE – ago2012

29- A Cristiane Fiuza é boa intérprete. Mas o que se está levantando é a questão de que nas outras edições do Cabaré, as bandas, em seu conjunto, eram mais animadas! E a vocalista da “Diamante Cor de Rosa” arrasou nos bregas clássicos! Tereza Cristina, Fortaleza-CE – ago2012

30- Muito legal o Cabaré! Mônica Burkle Ward, Recife-PE – out2012


Fim do mundo inesquecível em Jericoacoara

01/10/2012

Ricardo Kelmer 2012

Concorra a um fim de semana pra casal numa das praias mais lindas do mundo

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Criei uma promoção pra divulgar o lançamento de meu livro de contos Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos. Ela brinca com a crença que o mundo vai acabar em 21 de dezembro de 2012. A promoção acontece no Facebook e pra participar, basta compartilhar a postagem da promoção e deixar nome e cidade. Obrigado à Pousada Casa do Ângelo, que tem o saudável hábito de apoiar causas culturais. Eis o texto:

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FIM DO MUNDO INESQUECÍVEL EM JERICOACOARA
> sorteio de pacote para casal (3 dias + transporte + livro)

Se o mundo vai mesmo acabar no fim do ano, melhor estar numa praia paradisíaca, hospedado numa pousada aconchegante e acompanhado do novo livro de contos de Ricardo Kelmer. E se o mundo não acabar, você terá boas histórias pra contar…

SORTEIO – A Pousada Casa do Ângelo, em Jericoacoara-CE, sorteará um pacote de 3 dias (21 a 23.12.12) para casal, incluindo transporte ida e volta Fortaleza-Jericoacoara-Fortaleza, além de 1 exemplar do livro Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos (contos fantásticos, Editora Arte Paubrasil), de Ricardo Kelmer. Para participar compartilhe esta postagem e deixe seu nome e cidade. Sorteio: 31.10.12 pela Loteria Federal. O prêmio nao é transferível. Se você curtir a página do livro, ganhará mais dois livros do autor (à sua escolha).

DESCONTO – Participantes da promoção podem adquirir o livro por R$ 22, com dedicatória e frete incluído.

LEITORES QUE ADQUIRIRAM NA PRÉ-VENDA receberão o livro pelo correio até o início de novembro

PÁGINA DO LIVRO NO FACEBOOK

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PARTICIPANTES DA PROMOÇÃO: 26
até 01.10.12, 20h

CE – Alyson Fernandes Basilio, Bruna Braun, Camila Souza, Cledson Ramos Bezerra, Danielle Freire, Esther de Paula, Fabio Oliveira, Felipe Araújo, Gustavo Lima Verde, Hawylla Gonçalves, Jefferson Roberto, Lano Lima, Letícia Silva, Linda Mascarenhas, Michele SJ, Paulo Costa, Quel Raquel, Rochelle Araujo, Sandra Alves Ribeiro, Soraya Aquino (Fortaleza), Adryanno Ferreira, Paula Izabela (Juaz. do Norte)
PB – Samantha Pimentel (Campina Grande)
PR – Ana Cristina Suzina (Ponta Grossa)
PI – Teresinha Itapirema (Parnaíba)
RR – Suely Bezerra (Boa Vista)
SP – Juliana Martins (SB do Campo), Barbara Leite, Durval Brasil, Maria Do Carmo Antunes, Maria Pimentel (São Paulo)

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SOBRE O LIVRO

Publicado originalmente em 1997, o livro foi reescrito e alguns contos mudaram bastante. Em minha opinião, ficou bem melhor. Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, os personagens são surpreendidos por estranhos acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmos e deflagram crises tão intensas que podem se transformar numa questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses pessoais.

LANÇAMENTOS – Em breve divulgarei as datas e locais dos lançamentos em São Paulo, Fortaleza e outras cidades.

> Saiba mais, leia contos e comentários

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pousadacasadoangelo.com.br

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Jung – A ciência revolucionária

23/09/2012

23set2012

Como pesquisador da consciência, psicoterapeuta, antropólogo e pensador, Jung levou suas descobertas a uma abrangência notável, refletindo sempre sua preocupação com o futuro da humanidade

JUNG – A CIÊNCIA REVOLUCIONÁRIA

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A psicologia analítica de Jung é um caso curioso na ciência. Embora suas ideias sobre a psique tenham se entendido muito bem com outras ciências como a física quântica, a antropologia e a sociologia, Jung sempre foi considerado um tanto místico por grande parte de seus colegas psicólogos, tendo suas ideias relegadas a uma importância menor na história da psicologia e do pensamento contemporâneo.

Somente agora, quatro décadas após sua morte, suas teorias a respeito da psique começam, de fato, a ser levadas a sério no meio acadêmico, influenciando psicólogos, psiquiatras e os novos cientistas da consciência. A notável abrangência de seu trabalho também tem alcançado profissionais de áreas distintas como médicos, educadores e artistas, o que tem feito com que suas ideias sejam cada vez mais incorporadas pelo público médio.

Afinal, o que possuem as ideias de Jung que tanto aproxima as ciências e o qualifica como o primeiro pensador da pós-modernidade e um dos mais revolucionários pesquisadores da consciência?
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Carl Gustav Jung nasce em 1875, em Kesswill, na Suíça. Forma-se médico e especializa-se em psiquiatria, ciência em formação. O interesse pelos distúrbios mentais o faz desenvolver profundos estudos sobre a mente e suas conclusões o aproximam de Freud em 1907. O já famoso psicanalista judeu-austríaco é figura polêmica no meio acadêmico e enfrenta dificuldades para ter levadas a sério suas ideias sobre o inconsciente. Freud logo reconhece o alto valor do suíço e vê nele, no não judeu, a cabeça ideal para levar adiante a psicanálise. Jung, chefe de clínica do renomado hospital psiquiátrico de Zurique, mesmo ciente dos riscos que corre sua carreira e vendo limitações comprometedoras nas teorias do mestre vienense, toma defesa de Freud em público e tornam-se colaboradores.

Seus estudos e sua experiência clínica, porém, levam-no a divergir da psicanálise e a dolorosa ruptura acontece em 1912. Freud sente-se traído. E Jung vê-se em apuros, pois conhecidos e amigos o abandonam. Inicia-se aí o período mais difícil e delicado de sua vida, onde ele abandona as atividades acadêmicas e parte para um solitário, terrível e decisivo confronto com o inconsciente ‒ que levará anos e quase lhe será fatal.

Mas Jung supera o desafio, emerge dessa fase revigorado e prossegue com seus estudos, mesmo consciente que dificilmente a mentalidade científica ocidental levará a sério coisas como inconsciente coletivo, mitologia e alquimia, para ele fundamentais na compreensão dos processos psíquicos. Morre aos 86 anos, em 1961, deixando uma instigante obra, ainda hoje revolucionária.

Atualmente, percebe-se um aumento de interesse pelo pesquisador suíço, tanto no meio acadêmico quanto pelo público médio, mas até poucos anos atrás a grande maioria dos cursos de psicologia dedicavam, quando muito, uma ou duas aulas às ideias de Jung. Assim como a medicina tradicional ainda está, na maior parte, presa ao paradigma mecanicista newtoniano, nossa psicologia “oficial” ainda é freudiana-psicanalítica. No entanto, alguns pesquisadores desde cedo apoiaram as teorias do suíço, inclusive físicos (!) que viram em suas inusitadas descobertas no mundo das partículas subatômicas incríveis semelhanças com as teorias junguianas sobre o funcionamento da psique. Para esses cientistas, o mundo dos átomos revelava uma espécie de consciência e, de repente, era como se mente e matéria não fossem tão distintas assim e se influenciassem mutuamente ‒ como afirmava Jung, desafiando o paradigma newtoniano-descartiano ainda hoje vigente. Sociólogos e antropólogos também o apoiaram, e a psicologia transpessoal surgiu a partir dele.

Como pesquisador da consciência, psicoterapeuta, antropólogo e pensador, Jung levou suas descobertas a uma abrangência notável, refletindo sempre sua preocupação com o futuro da humanidade. Suas ideias estão cada vez mais presentes nas universidades, em livros, filmes, na vida cotidiana e nas novas maneiras de se interpretar a realidade.

ciência e eu superior

Jung afirma que o inconsciente não é subproduto da consciência nem mero depósito para onde são desviados desejos recalcados e frustrações sexuais, como pensava Freud. Para Jung, a consciência individual é que é produto do inconsciente coletivo da humanidade e traz consigo sua própria porção inconsciente, que, com seus conteúdos escondidos da luz da consciência, influencia o comportamento do indivíduo. Nos recônditos escuros da psique o inconsciente está sempre atuando, e faz com que os sonhos, em sua linguagem simbólica, sejam a representação fiel dos processos psíquicos ‒ nosso apego à racionalidade é que nos afastou da linguagem dos símbolos e não mais a entendemos.

Aprendemos com Jung que o sentido da vida é a individuação, espécie de impulso natural da psique rumo à concretização da potencialidade que trazemos em nós (realização da personalidade total). Esse processo inclui um profundo conhecimento de si próprio pela autoinvestigação psicológica, fazendo-nos mais cientes de nós mesmos e mais capazes.

Para Jung, o processo de individuação é conduzido por um tipo de centro ordenador da psique, que ele denominou self (si-mesmo) e que seria ao mesmo tempo o centro e a totalidade da psique. Individuar-se significa ampliar a consciência, a área superficial da psique. Representa separar-se da massa, do turbilhão inconsciente, e adquirir autonomia. Tornar-se uma totalidade psicológica, una e centrada, sem divisões internas: um “in-divíduo”. Este é o caminho para a personalidade total e a mais íntima realização pessoal. Para Jung, o futuro da humanidade dependerá diretamente disso, da quantidade de pessoas que conseguirem se individuar.

Não é difícil imaginar o quanto isso deve ter soado místico a certas mentalidades. Quer dizer então que se eu entrar nessa, meu eu superior passa a cuidar de mim? ‒ gozam os mais céticos. Há, porém, os que pagam para ver.

taoísmo, alquimia, ufologia

Jung foi ousado ao valorizar o estudo da mitologia, das religiões e da sabedoria oriental, mostrando a ponte para ligar dois modos distintos, mas não excludentes, de interpretar a realidade. Seu conceito de sincronicidade (coincidência envolvendo estados psíquicos e acontecimentos físicos sem relação causal entre si) apresentou à mentalidade científica o mecanismo das grandes coincidências, dos oráculos como o tarô e dos eventos ditos ocultos.

Ele sugeriu que, assim como a ideia taoísta de unicidade, nosso inconsciente pessoal está ligado a todos os outros formando um inconsciente maior, único e coletivo, o que faria nossos pensamentos todos interconectados. Chegou à corajosa conclusão que a humanidade guarda em seu inconsciente geral o registro de todas as suas vivências, mesmo as mais arcaicas (mitos e arquétipos) e assim o passado de um torna-se patrimônio de todos (viria daí, afinal, a ideia de que já fomos alguém em outra vida, presente em tantas culturas?). Mostrou que o I Ching, o milenar livro chinês das mutações, constitui a primeira tentativa documentada de relacionar o inconsciente e o Universo e, assim, a mentalidade oriental deveria ser vista com mais atenção. Jung falava de intercâmbio, não de descarte, entre distintas percepções da realidade. Mas a ciência tradicional deu risinhos.

Seus estudos sobre a alquimia medieval mostraram que ela é precursora da nossa ciência do inconsciente. A relação mente-matéria já era conhecida dos alquimistas que, em sua linguagem, descreviam simbolicamente os processos psíquicos. Sobre isso, diz a psicóloga Nise da Silveira, uma das mais respeitadas estudiosas da obra de Jung no mundo: “A exploração em profundeza do inconsciente levou ao curioso achado de que os mais universais símbolos do self (si-mesmo) pertencem ao reino mineral. São eles a pedra e o cristal. Se o psicólogo, nas suas investigações através das camadas mais profundas da psique, encontra a matéria, por sua vez o físico, nas suas pesquisas mais finas sobre a matéria, encontra a psique.”

As ideias de Jung influenciam até mesmo a ufologia. Hoje, pesquisadores de todo o mundo se debruçam intrigados sobre o fenômeno óvni e o drama psicológico dos contatados e abduzidos (pessoas que dizem ter contatos com extraterrestres), buscando pistas que possam nos ajudar a compreender por que tudo isso está acontecendo.

Já em 1958, em seu livro Um Mito Moderno sobre Coisas Vistas no Céu, Jung alertava que é preciso pensar nesses discos voadores de um modo mais abrangente e captar a verdade psicológica das aparições, não importando se são verdadeiras ou não. É preciso entender que quando um mito emerge das profundezas da psique para a vida cotidiana, força a consciência a integrar novos aspectos da existência e inaugura uma nova fase de evolução psíquica. Assim sendo, estamos, todos nós, nesse exato momento, sendo atingidos pelo forte impacto desse mito moderno e, confusos, ainda não entendemos exatamente que diabo está acontecendo. Os contatados e abduzidos são, no entanto, os mais atingidos. Como pioneiros, eles são forçados a vivenciar certas experiências que podem conduzir a humanidade a uma nova e mais abrangente compreensão da realidade e de si mesma.

Para Jung, o desequilíbrio psicológico levou a humanidade a um terrível impasse evolutivo: ou nos tornamos seres mais autoconscientes ou nos exterminaremos a todos. O fenômeno dos discos voadores, mito que alcançou a consciência coletiva no meio do século 20, é assim uma projeção inconsciente, nos céus, de um intenso anseio coletivo de salvação num momento crucial de desespero. As luzes e imagens circulares que vemos são a mais antiga e perfeita representação simbólica do arquétipo da unificação, equilíbrio e totalidade psíquica: o círculo. É a psique coletiva da humanidade a jogar aos céus seu recado urgente: “Atenção todos! Precisamos nos tornar mais inteiros e unificados!”

As teorias junguianas sobre o fenômeno óvni são inadequadas para provar a existência física de naves e extraterrestres, é verdade. Mas esse não é seu papel. Elas agem contribuindo para alargar nossa compreensão do fenômeno, alertando para a relação entre o que ocorre na alma da humanidade e o que está acontecendo nos céus de nosso planeta.

o chamado para dentro

Jung deu o nome de psicologia analítica à sua psicologia. Ela difere da psicanálise em muitos pontos, mas ele mesmo não descarta a importância dessa para alguns tipos específicos de terapia. A psicologia analítica incentiva o indivíduo a descer os degraus escuros do inconsciente e, uma vez lá, reconhecer o que ele na verdade é e integrar esses conteúdos à consciência, tornando-se um ser mais completo e autoconsciente. Assim como alguém faz um curso de computação para investir em seu futuro, muitos procuram a psicoterapia para autoconhecer-se e saber de suas potencialidades. Aí está um grande investimento: conhecer-se melhor. Para viver melhor.

O processo de individuação será sempre algo difícil. Mas ele é a base da existência. Durante muito tempo nós o vivemos apenas superficialmente, mas em algum momento a psique chama o ego a voltar-se para dentro, a conhecer-se e vasculhar no interior as verdades até então buscadas fora. A partir daí novos horizontes se abrem para a realização pessoal. Entretanto, mesmo sob esse impulso natural, o ego, temeroso de confrontar-se com seus medos mais íntimos, pode se recusar a tal interiorização. Nesse caso, ele estará impedindo o fluxo natural de sua evolução, e a psique, em sua capacidade autorreguladora, encaminhará a vida a um conflito insustentável, ocasionando doenças, fracassos e até mesmo a morte.

O autoconhecimento psicológico nos faz ver que os conflitos da humanidade acontecem primeiro dentro de cada um, sutilmente, para depois se exteriorizarem. Para Jung, entendermo-nos com aquilo que não conhecemos de nós mesmos é o grande passo que falta ao Homo sapiens. Só assim deixaremos de ver o inimigo no outro e o reconheceremos onde sempre esteve, dentro de nós mesmos. Esta é uma verdade simples, que poucos enxergam. Mas que traz em si a força das maiores revoluções.

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Ricardo Kelmer 1997 – blogdokelmer.com

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SAIBA MAIS

> Jung na Wikipedia

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Jung – A jornada do autodescobrimento (1) 9m12s

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Jung – A jornada do autodescobrimento (2) 9m03s

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LEIA NESTE BLOG

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

Carma de mãe para filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

Blade Runner: Deuses, humanos e androides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

Livros: He, She, We – Os rios de nossas vidas na verdade correm por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, também percorreram

Mulheres na jornada do herói – Elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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DICA DE LIVRO

MatrixEODespertarDoHeroiCapaEdicaoDoAutor-01Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, o autor compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

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É proibido fazer blues na praia

17/09/2012

17set2012

Arriscar outros movimentos, sem ficar determinando de antemão que é impossível, não pode não senhor

É PROIBIDO FAZER BLUES NA PRAIA

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Eis que chego de viagem e encontro o artigo de Manoel Ricardo de Lima onde ele faz uma crítica de meu livro, O Irresistível Charme da Insanidade, recém-lançado em Fortaleza. Que bom que existem pessoas como ele. Assim podemos ter uma ideia de como seria o mundo se todos vivessem atrelados a uma visão formal, mecanicista e cartesiana da realidade. E da literatura.

Quer dizer que Manoel não entende como é possível se inspirar para compor blues numa praia? Quer dizer que só se pode compor blues nos Estados Unidos, de preferência sentado sobre os trilhos de alguma estação ferroviária? Ora, ora… A seguir este tipo de raciocínio de bitola, os americanos, coitados, jamais poderiam jogar futebol. Ou Vitor Biglioni estaria proibido de tocar jazz. Ou os brasileiros de fazer cinema. Francamente, Manoel.

Quer dizer que Manoel não consegue entender como é que o sujeito toca gaita e aparecem trechos da letra da música? Pois vou lhe ensinar como é que faz, meu amigo. É assim: primeiro você se desatrela de uma visão formal da linguagem e… faz. Faz e pronto. Entendeu?

Quer dizer então que Manoel não entende como romance pode ter trilha sonora? Vixe, por quê? Será pelo fato de que é impossível ler e escutar ao mesmo tempo? Impossível para quem? E quem determinou que tem-se de fazer as duas coisas ao mesmo tempo? Pois eu digo que literatura tem a ver com música sim, com imagem, movimento. Literatura é tudo isso e muito mais, e até quando vamos ficar nessa discussão?

No mais, compreendo perfeitamente que meu crítico considere, como é mesmo?, prematuramente óbvio e com determinantes de inutilidade certos temas do livro. Compreendo, sim. Afinal, como exigir de pessoas que se acostumaram nos paletós rígidos da mentalidade cartesiana-ocidental a compreensão de algo tão sutil e impalpável como o Tao? Como exigir que entendam o princípio da transformação, do equilíbrio dinâmico, da unicidade? Certas verdades são mesmo básicas e triviais, são mesmo, e estão bem à frente como o nosso nariz ‒ por isso poucos as percebem.

Tudo que existe pode ser entendido de muitas formas, sim. Estou repetindo a frase que Manoel usou como exemplo de inútil justamente por se tratar de uma obviedade. Mas por trás do óbvio risível, há um outro óbvio, mais sério. E não são todos que veem. A física subatômica nos provou que o simples ato de observar uma partícula já determina a sua natureza. Portanto, a realidade é tão somente fruto de uma percepção, de uma relação entre objeto e observador. Isso também vale para outros aspectos da vida. O modo como se vê, determina o que se vê. Se entendemos a vida como algo rígido, será assim que ela se apresentará, e teremos de ser mais rígidos que ela para resistir. Mas é bom lembrar que numa tempestade as grandes árvores, fortes e duras, são as primeiras a quebrar ‒ os bambus, flexíveis, sobrevivem.

Sei da necessidade de rotular (isso é literatura, Bruna não é poesia, isso não pode), mas penso que já está na hora da humanidade esquecer por um momento velhos modelos de interpretar a realidade e tentar ser mais abrangente. Não somente na compreensão de coisas como arte e linguagem, mas no entendimento da própria vida. Creio que mais importante agora é aprender a nos desvencilhar dos velhos paletós que limitam e arriscar outros movimentos, sem ficar determinando de antemão que é impossível, não pode não senhor, é proibido fazer blues na praia, está aqui no manual.

Quem quiser, que siga o manual. Eu vou por aqui.

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Ricardo Kelmer 1996 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos. Foi escrita em resposta a uma crítica sobre o livro O Irresistível Charme da Insanidade (edição de 1996, editora Universalista), publicada no jornal O Povo, de Fortaleza, em 1996.

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O Irresistível Charme da Insanidade
Ricardo Kelmer – romance

Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal?

Luca é um músico obcecado pelo controle da vida, e Isadora uma viajante taoísta em busca de seu mestre e amante do século 16. A uni-los, o amor que desafia a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

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LEIA NESTE BLOG

Pesadelos do além – O pior pesadelo pra um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado.

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei para o mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Kelmer Com K no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas

Livros e odaliscas – Meia-noite. Volto do banho. Elas estão todas deitadas em minha cama, lânguidas odaliscas a me aguardar

O dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

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COMENTÁRIOS
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Luís Olímpio

Cabaré Soçaite ago2012 – Fotos

09/09/2012

Ricardo Kelmer 2012

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O Cabaré Soçaite chegou à sua 12a edição em Fortaleza. A festa aconteceu em 25ago, na Órbita, na Praia de Iracema. De modo geral foi a mais organizada de todas as edições, desde a pré-produção. A estratégia de motivar as pessoas a produzirem seu visual funcionou e os modelitos fizeram a festa ficar ainda mais bonita e divertida.

A dupla de DJ e VJ foi mantida (Guga de Castro e Spin), o que garantiu qualidade na trilha sonora, nas luzes e no telão. Fadinha abalou o cabaré com seu sempre aguardado número sensual e, além disso, atuou como assistente de palco, ou seja, o palco ficou bem mais bonito.  A banda foi a Kris Kabaretti, que fez seu show de estreia tocando pop, rock e disco e homenageando a banda Intocáveis Putz Band com duas músicas, uma delas o Manifesto Neomaxista Liberal com a participação do dono do cabaré, que era um dos integrantes da Intocáveis. O grupo Karolyne Coelho & Cia apresentou dois belos números de dança burlesca. E o concurso Musa e Muso do Cabaré agitou novamente a festa com as incríveis performances dos candidatos, premiando os vencedores com um fim de semana em Jericoacoara-CE (Pousada Casa do Ângelo), crédito no Bar Butiquim e corset da Srta Milfont.

Quem foi com visual sensual ou fantasia  de qualquer tema teve desconto no ingresso, concorreu a sorteios de cerveja e pôde fotografar no estúdio da festa, montado pela Maria dos Prazeres Sex Shop. As melhores fotos participaram do concurso Melhor Foto (no Facebook) e a mais votada ganhou uma supercesta erótica e um fim de semana para casal na Praia das Fontes, no Hotel das Falésias.

Na lojinha da festa (obrigado, Raquel e Roberta) as pessoas puderam comprar livros, DVDs da festa e camisetas, e também acessórios pra compor o visual. Quem comprou R$ 15 em produtos ganhou automaticamente ingresso pro próximo Cabaré. Denise Borges e Íris de Oliveira fizeram as fotos oficiais da festa e a filmagem foi feita por Levy Mota e Davi Lázaro.

A próxima edição em Fortaleza será em mar2013, novamente na Órbita. E a 2a edição paulistana ainda não tem data pra acontecer. Se você deseja sugerir um local, entre em contato.

> Veja o vídeo desta edição

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PARCEIROS DESTA EDIÇÃO:

Pousada Casa do Ângelo (Jericoacoara-CE)
Maria dos Prazeres Sensual e Erótica
Hotel das Falésias (Praia das Fontes-CE)
Bar Butiquim (Fortaleza-CE)

Bar do Papai (Fortaleza-CE)
Floresta Bar (Fortaleza-CE)
Creperia Ladeira Castro Alves (Fortaleza-CE)
Srta Milfont

Facebook-01FACEBOOK – Página oficial
– Arte erótica, sorteio de livros, DVDs e ingressos

TWITTER:@cabaresocaite

MAIS FOTOS E VÍDEOS E A HISTÓRIA DA FESTA

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FOTOS OFICIAIS
Denise Borges e Íris de Oliveira. Clique pra ampliar.

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Ricardo Kelmer e Fadinha, os apresentadores do Cabaré

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Banda Kris Kabaretti

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Cris Fiúza, cantora da banda Kris Kabaretti

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Kris Kabaretti homenageia a banda Intocáveis Putz Band (1994-1999) tocando o famigerado Manifesto Neomaxista Liberal com participação do dono do Cabaré

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Palco liberado pras cabaretes brilharem

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Loira quente ganha loira gelada. Quem foi com visual produzido concorreu a sorteios de cerveja

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Outra cabarete que ganhou cerveja no sorteio pra quem estava com visual produzido

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Todo o charme, a graça, a poesia, a brejeirice e a malemolência das cabaretes

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Karol Coelho arrancando suspiros com seu número solo

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Garotas do grupo Karolyne Coelho & Cia incendiando o Cabaré

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Beleza e sensualidade na dança burlesca

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Concurso Musa do Cabaré: o palco mais bonito da cidade

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T
orcida incentivando as candidatas

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Finalistas do concurso: é hora de dar tudo

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A estonteante musa do Cabaré ganhou um fim de semana pra casal em Jericoacoara (Pousada Casa do Ângelo), crédito de R$ 50 no bar Butiquim e corset da Srta Milfont

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Juri dos concursos Musa e Muso do Cabaré

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Concurso Muso do Cabaré: a vez dos marmanjos

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Finalistas estraçalhando

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O Muso do Cabaré ganhou um fim de semana pra casal em Jericoacoara (Pousada Casa do Ângelo) e crédito de R$ 50 no bar Butiquim

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Fadinha, a freira pecadora

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Maltrata, Fadinha, maltrata

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Casal levado leva chicotadinha da Fadinha

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FOTOS DO ESTÚDIO
(Rildson Valmont)
Veja mais fotos do estúdio no Facebook da Sex Shop Maria dos Prazeres

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A SEGUIR, MAIS FOTOS OFICIAIS
(Denise Borges e Íris de Oliveira)

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Ricardo Kelmer 2012 – blogdokelmer.com

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MAIS FOTOS E VÍDEOS E A HISTÓRIA DA FESTA

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TELÃO LITERÁRIO
O telão da festa exibe trechos de filmes, vídeos das edições anteriores e também poemas sobre erotismo e paixão. Para copiar o texto, vá até o fim da página.

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MOTO-CONTÍNUO
Bruna Lombardi

Eu não sabia o que fazer e abri a blusa
mais tarde eu ia dizer foi sem pensar
ele me achou desnorteada, confusa
como acharia qualquer mulher que abre a blusa
e faz tudo que fiz só pra agradar

Minha cabeça não era mesmo muito certa
mulher esperta eu nunca fui, mas deveria
saber me colocar no meu lugar
não adiantava nada, eu era assim desatinada
o tipo de mulher que faz as coisas sem pensar

Você agora, me ouvindo contar essas histórias
talvez me ache, também, um pouco confusa
e eu, que faço tudo para agradar
já sem saber o que fazer abro minha blusa
como faria qualquer mulher confusa no meu lugar.

> sobre Bruna Lombardi

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FOME DE TI
Ricardo Kelmer

Teus olhos são duas amoras
Que namoram os meus
E os seios, fartos cachos
Acho que anseio colher
Ah, eu sou todo saliva
Nascida da fome de te ter

E o desejo escorre pela boca
A polpa do lábio carmim
E a língua, cereja que surge
E se insurge e se lambe assim

Homem não chora
Mas quem não chora não come
Vem que esse desejo tem nome
É fome de ti

> poemas e músicas de RK

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SONETO DE INFIDELIDADE
Sandra Regina

Nem sempre, meu amor, esteja dentro
Antes, saiba fazê-lo entre tantos
Que mesmo em fase de algum lamento
Estremeça em meu corpo vibrando

Quero tê-lo nos vãos em movimento
E nesse calor me lambuzar de encantos
E rir sem siso, te desejar num canto
do meu delírio de acasalamento

Assim, em cada vez que te procuro
Quem sabe, com sorte, eu ainda salive
Quem sabe, com tesão, na minha cama

Eu possa ter teu membro em riste:
Que não seja só rápido, mas sacana
Que esteja interno enquanto duro

> + de Sandra Regina

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ELE, ESCRITOR, EU. (trecho)
Camila Briganti

Gosto de dançar tango ao som de samba. Esse é meu ritmo. Escuto jazz e beijo homem. De língua. Sinto os seios baterem levemente nos meus e me entrego violentamente a arte bruta de amar.

Tapa na cara, junto com o orgasmo.

Lembro subitamente de Fernando Pessoa. Ele sim já dizia que todo poeta é um fingidor. Não lembro mais quem sou. Sou as minhas palavras ou a essência delas? Talvez nada disso.

Deixo o coração bater, sentindo cada batida carregar essa dose de sangue que me faz gozar.

Esqueci, sou virgem.

E puta!

> texto na íntegra

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SEXUALIDADE FEMININA NESTE BLOG

> O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

> Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou…

> A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

> A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…..

> O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

> Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

> As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi– A mais bela e safada história de amor jamais contada.

> As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz.

> Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

> O último homem do mundoO sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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 COMENTÁRIOS
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01-Muito boa a festa ontem!!!! Arrasou Ricardo 🙂 Raflesia Pequeno, Fortaleza-CE – ago2012

02- A FESTA FOI IRADA MESMO FOI PAPOCOKKKKKKKK. Serafim Sccp, Fortaleza-CE – ago2012

03- Simplesmente a melhor festa que já fui 🙂 inesquecível! Jéssica Poliana, Fortaleza-CE – ago2012

04- Um otimo cabaré e nada mais a dizer !!! ^^ Lano Lima, Fortaleza-CE – ago2012

05- Owwww Cabaré maraaa! 🙂 Josy Eliziane Ramos, Fortaleza-CE – ago2012

06- Essa festa… ja estou ansioso pela próxima!!! Por favor diga-me a data da proximaaaa D; kkkkkkkkkkk Foi foda demais u.u. Victor Yuri, Fortaleza-CE – ago2012

07- Me diverti muito lá, essa foi a melhor edição! Valeska Cavalcante, Fortaleza-CE – ago2012

08- A primeira vez a gente nunca esquece não é mesmo? hehe e a minha foi fantástica. =) Natália Aragão, Fortaleza-CE – ago2012

09- Nada como chegar as 5hs da manhã e ainda está com todas as músicas na cabeça,kkkk. Parabéns Ricardo Kelmer, mais uma vez uma ótima festa e um repertório maraaaaavilhoso, amei TODAS as músicas. Anne Katiuscia Leão, Fortaleza-CE – ago2012

10- Ainda to com energiaaaaaaa \o/ Foi muuuuuuito show! Ilanna Muniz, Fortaleza-CE – ago2012

11- Dos trÊs Cabarés Soçaite que fui, essa foi a melhor!! Eu achei maravilhosa. Mais pessoas com fantasias, mais empolgação, mais alegria. A banda do ano passado, nem sei se foi a mesma desse ano, achei mais empolgada, mas não deixou de ser boa. A festa em si, perfeita!! P.s: ainda acho injusto quem não tá fantasiado ganhar ‘-‘ Larah Pimenta, Fortaleza-CE – ago2012

12- Sério ???? pois gostei mais do ano passado. Não gostei da banda achei muito fraca. Carol Nobre, Fortaleza-CE – ago2012

13- Também achei a banda muito fraca e forró e beto Barbosa não dá, né? Agora o povo foi mais a carater…. e a programação em geral foi melhor… Lucélia Souto, Fortaleza-CE – ago2012

14- Satisfação sempre garantida! ; ] Quel Raquel, Fortaleza-CE – ago2012

15- A escolha da Cristiane Fiuza, Flavio Rangel e sua banda foi perfeita. Abrilhantaram ainda mais a festa do CABARÉ SOÇAITE. Sandra Alves Ribeiro, Fortaleza-CE – ago2012

16- E a noite foi simplesmente perfeita. Tchago Almeida, Fortaleza-CE – ago2012

17- E A NOITE… FOI DAS MULHERES! uhsushushushushushsus. Tamara Colares, Fortaleza-CE – ago2012

18-Adoreeei a festa! Mas acho q o premio Musa e Muso deveriam ser para as pessoas que se fantasiaram.. E achei melhor o Diamante Cor de Rosa da edição passada em Março.. Eles cantaram musicas mais animadas.. Josy Eliziane RamosFortaleza-CE – ago2012

19- Adooooooooorei, Inesquecível! Foi minha primeira vez e já quero outra festa linda dessa! Ansiosa pela próxima edição… Ana J Sousa, Fortaleza-CE – ago2012

20- simplesmente a melhor!!! Natália Aquino, Fortaleza-CE – ago2012

21- Axei maravilhosa, apenas a fila de quem já havia comprado o ingresso antecipado estava grande o q foi um pouco chato!!! E axo q a próxima não vai ser possível ser no mesmo local q num vai caber de gente, pq a com uma festa dessas a tendencia é sempre aumentar a qnt de gente!!! Mônica Guimarães, Fortaleza-CE – ago2012

22- Eu gostei muito da festa, muito mesmo, minha turma sempre vai em peso, desta vez foram mais de 30 pessoas vestidas a caráter, como sempre. A festa é muito divertida, mas o mesmo defeito se repete a varias edições, simplesmente acho que não existe uma valorização a quem vai a caráter. Mais uma vez o concurso de muso e musa tem gente que compete sem nem ao menos estar a caráter, pior ainda GANHAM! Fiquei muito triste ao ver a ” de roxo” ganhando. Sim, era MUITO GATA, mas vestidinho roxo e dança onde mostra tudo era pra vencer? Gostaria que a produção da festa fizesse uma analise disso ( e de outros fatores) e vejam que isso desmotiva completamente quem vai a caráter. Lembrem – se o pessoal que vai a caráter é parte da graça da festa. No mais parabéns ara todos!!!! Mauricio Aragao, Fortaleza-CE – ago2012

23- Sinceridade? até antes de ler o post tinha achado q minha festa não tinha sido lá esses balaios não. Tive contratempos, irritações, uma amiga foi “convidada a se retirar”, vulgo EXPULSA da festa pq a sandália dela quebrou e os seguranças, por normas da casa[/ só agora entendo, embora não aceite, pois haviam outras formas de contornar o problema…] tinham q evitar q ela circulasse num ambiente onde poderia haver vidro q cortasse seus pés. Tive pequenas irritações, perdi meu celular[/que AINDA BEM foi encontrado por um participante da festa e me foi devolvido ontem!] e, por fim, tivemos um acidente de carro na volta, do qual foi muita sorte escaparmos com vida e bem, eu, meu namorado e um amigo. Chegueia conclusão, depois de ler o post que, msm assim, a festa foi boa, sim. Eu não estava num dia bom… Mas a produção da festa tava ótima, tentei ir o mais bonita possível[/e eu tava me achando linda mesmo, haha!] estive com amigos e amigas e, se não estava num dia/noite bons, por outro lado vi gente suuuper feliz, curtindo muito e pondo seu lado cabaré para fora. Valeu. E valeu muito. E vou de novo! E mais uma vez e mais outra! Kaliza Holanda, Fortaleza-CE – ago2012

24- Linda festa e apetitosa! Parabéns Kelmer guerreiro! Musica boa,gente educada apesar de bêbada,garçons maravilhosos….enfim perfeito. Amei conhecer esse povo sensual e hospitaleiro,bis proces também ! Izabel Castro, São Paulo-SP – ago2012

25- Eu simplesmente adoreeiiii…Ricardo Kelmer…vc é a excelência em pessoa…a festa super organizada e aconchegante. Tô louca pra ir de novo..bjs… Anna Stefânia Maia, Fortaleza-CE – ago2012

26- SHOW!!! e a banda foi massa!!! Adriano Horácio, Fortaleza-CE – ago2012

27- Esperando a próxima , vc Ricardo Kelmer arrasou dei altas risadas com vc . parabéns ! Marina Arrais, Fortaleza-CE – ago2012

28- Foi tudo muito legal! Adorei!!! e so recebi bons comentarios. Arrasaram. Karolyne Coelho, Fortaleza-CE – ago2012

29- A Cristiane Fiuza é boa intérprete. Mas o que se está levantando é a questão de que nas outras edições do Cabaré, as bandas, em seu conjunto, eram mais animadas! E a vocalista da “Diamante Cor de Rosa” arrasou nos bregas clássicos! Tereza Cristina, Fortaleza-CE – ago2012


O vestido decotado da impunidade

05/09/2012

05set2012

Vê este corpinho, rapaz? Ainda está conservado porque são vocês que o solicitam e tratam de cuidá-lo toda vez que lhes é vantajoso

O VESTIDO DECOTADO DA IMPUNIDADE

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Encontrei Impunidade na última mesa daquele bar, de vestido vermelho e tomando martini. Era uma espelunca de terceira, sim, mas não se engane: ela também frequenta, e com muita classe, ambientes refinados. Impunidade aprendeu cedo a se virar na vida, ela que nunca teve quem lhe assumisse a paternidade.

Foi sorte encontrá-la, ela é muito requisitada. Sentei à sua mesa e reparei que usava um decote generosíssimo. Talvez ela pudesse me ajudar a encontrar Justiça. Comecei perguntando se lembrava de Renata. Ela me lançou um olhar indiferente.

– A bailarina morta com um tiro no olho… – falou para si mesma. E voltou o olhar para a rua.

Quando dei por mim já olhava novamente para seu decote. Era como um ímã. Ela tomou um gole de seu martini (Impunidade também bebe, com desenvoltura, uísque 18 anos) e começou a falar, sem pressa.

– Você realmente acha que o assassino, Wladimir o nome dele, né, vai continuar preso?

Nesse momento me veio a imagem que não consigo esquecer: o jipe em que Renata se encontrava, eu fora vê-lo um dia depois na delegacia. Vi as manchas de sangue, os fios do cabelo loiro dela ainda grudados ao sangue… Wladimir a acertara covardemente após uma discussão no trânsito. Putz, e Justiça?

– Justiça?! – Impunidade virou-se de repente, exaltada. – Não me venha falar dessa vaca! O que vocês podem saber de Justiça com toda a falsidade em que vivem? Ficam gritando sobre o que é justo, mas têm mil interesses pessoais em jogo. Quanta hipocrisia.

Fiquei sem saber o que dizer. Passou-me então pela cabeça qual seria a reação da família do assassino se houvesse sido ele a vítima… Seríamos todos tão hipócritas assim?

– São mais que hipócritas… – Ela lia pensamentos? – São atores, meu bem, encenando sua Justiça pra vocês mesmos enquanto eu os observo no palco e nos bastidores. Quer saber de uma verdade? Seus advogados, com seus ternos e termos tão bem estudados, podem entender de leis, as leis com todos os seus meandros e corredores mal iluminados. Mas de Justiça não sabem merda nenhuma.

Pediu licença e levantou. Disse que tinha um compromisso, que costumavam requisitar seus serviços também à noite e não apenas nos escritórios e gabinetes do dia claro. E foi saindo. Mas eu a peguei pelo braço. Ela virou e me encarou séria. Devia pensar sobre o que poderia eu lhe oferecer com minha cara de garoto à procura de Justiça – em contraste com as propostas volumosas com as quais lhe costumavam honrar.

– Vê este corpinho, rapaz? Ainda está conservado porque são vocês que o solicitam e tratam de cuidá-lo toda vez que lhes é vantajoso. E quando não é, falam de mim como a mais suja das prostitutas… Eu não sei o que é escrúpulo, rapaz. Não conheço nem o certo nem o errado. Essas coisas vocês é quem sabem. Eu apenas vivo.

– Renata também só queria viver… – falei de um impulso e logo me arrependi, temeroso pelo que pudesse vir. Ela então me olhou com seus olhos cativantes e eu, pela primeira vez, percebi de fato sua estranha beleza. Nesse instante o farol de um carro na rua iluminou seu busto e não pude evitar de olhar seu decote mais uma vez. Era como se seus belos seios fossem saltar em minha direção. Uma leve e agradável sensação de torpor me envolveu, e de repente tudo que existia era a visão de seus seios bem próximos de meu rosto, bem próximos…

Fechei os olhos num último esforço para não ser arrastado pela tentação que me tomava conta. Segurei firme a borda da mesa e respirei fundo. Quando abri os olhos a tentação havia desaparecido. Quantos já haviam resistido?

– Sinto por sua Renata. Mas também sinto por Wladimir. Na verdade tenho pena de vocês todos, vítimas do mundo cruel que vocês mesmos criaram.

Mas e Justiça? Eu precisava tanto saber…

– E quanto à sua Justiça, meu bem, essa que você tanto procura, se quer saber mesmo, ela também frequenta lugares como este e tem muitos clientes como eu. Mas pelo menos eu não sou hipócrita. E, se me permite, tenho aluguel pra pagar…

E saiu por entre as mesas, em seu vestido decotado. Ela e seu andar seguro de quem se sabe irresistível.
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Ricardo Kelmer 1995 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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SOBRE O CASO DA BAILARINA

A crônica O Vestido Decotado da Impunidade foi inspirada num caso real. Em 28 de dezembro de 1993, em Fortaleza-CE, a bailarina Renata Maria Braga de Carvalho foi covardemente assassinada aos 20 anos de idade, com um tiro de revólver no rosto, pelo então universitário Wladimir Magalhães Porto, de Brasília, após uma discussão no trânsito. O criminoso está solto.

Acusado do crime é absolvido – Jornal Diário do Nordeste, 21.06.08

Acusado de matar bailarina será levado a júri popular pela terceira vez – Site do TJCE, 28.05.15

Acusado de matar bailarina é condenado a 12,5 anos de prisão – Jornal Diário do Nordeste, 01.06.15

Morre em Brasília o assassino da bailarina Renata Braga – Focus, 09.07.20

A bailarina da fé – Se as palavras servem, infelizmente, para deixar impunes os criminosos, servem também para manter acesa a fé das pessoas num mundo melhor

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Cristal – Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- caramba!!!! demais seuu texto kelmer! Cai Duarte, Bragança Paulista-SP – jul2014

02- Uau, belo texto Ricardo!!!!! Elizabeth Oliveira, Campinas-SP – jul2014

03- Essa madame é mesmo irresistível, nos ambientes mais “castos”. Muito bom. Osmar Casagrande, Palmas-TO – jul2014

04- Belo texto Ricardo! No fim é a justiça enfeitiçada pela sensualidade do poder? Meire Braga, Jandira-SP – jul2014

05- Excelente! Irônico e ácido, mas bem humorado. Tudo na medida certa! Anne Calanchoe, Feira de Santana-BA – jul2014


Pesadelos reais (Alucinações do Passado)

28/08/2012

28ago2012

A realidade, em si, não existe – o que existe é nossa interação com ela

PesadelosReais-01

PESADELOS REAIS

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Alucinações do Passado
é um grande filme e mostra que o inferno existe, sim, mas não tem de ser um lugar cheio de chamas e diabos cruéis. O inferno pode ser aqui e agora, e acontece quando nos apegamos demasiadamente a ideias ou comportamentos que não são mais úteis ao crescimento pessoal e, assim, obstruímos o fluxo natural da vida a tal ponto que ela apodrece dentro de nós, transformando o viver num pesadelo real.

O magistral roteiro do filme prende a atenção desde o início e aos poucos é que entendemos que Jacob embarcara para o Vietnã afetado por sua imensa culpa pela morte do filho. Lá, ferido mortalmente, sua consciência o transporta para uma realidade onde ele segue vivendo sua vida após retornar da guerra, com a namorada Jeze e seu emprego de carteiro. É nessa realidade que ele terá a chance de se libertar da culpa que ainda carrega para, finalmente, ficar em paz.

A tarefa, porém, não vai ser fácil. A nova realidade mostra-se um confuso e perigoso labirinto onde Jacob tem frequentes pesadelos com o Vietnã, é envolvido numa conspiração assassina e chega a sonhar um sonho dentro do sonho, o que o deixa à beira da completa loucura. No auge do sofrimento, sem saber mais a que apelar para entender o que acontece, Jacob recebe de seu quiropata o conselho de se desapegar daquilo que ainda o prende ao inferno em que vive.

No início do século 20 os físicos quânticos desconcertaram o meio científico ao relatarem suas experiências com as partículas subatômicas. Estudando-as minuciosamente, perceberam que o simples ato de observá-las já alterava seu comportamento. Isso os levou à inquietante conclusão que a realidade, em si, não existe: o que existe é nossa interação com ela. Voltando ao filme, a realidade em que Jacob vive após ser ferido no Vietnã é tão real quanto a própria guerra, mas só existirá enquanto ele não se conciliar com seu passado. Em outras palavras, é justamente a compreensão de Jacob a respeito da vida que cria a própria realidade em que ele vive.

É um tanto confuso, sim, mas disso tudo podemos extrair coisas úteis. Podemos, por exemplo, ficar mais atentos para não permitir que a vida se transforme num inferno real, criado por ideias, sentimentos e atitudes aos quais nos apegamos mais que o necessário. Assim como a física quântica já provou em seus laboratórios, tudo que precisamos para transformar a realidade é mudar a nós próprios.
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Ricardo Kelmer 2002 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

> Este texto no site Adoro Cinema

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Alucinações do Passado
(Jacob’s ladder, EUA, 1990)
Direção: Adrian Lyne. Roteiro: Bruce Joel Rubin
Elenco: Tim Robbins, Elizabeth Peña e Danny Aiello

> Saiba mais

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TREILER DO FILME

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DICA DE LIVRO

MatrixEODespertarDoHeroiCapaEdicaoDoAutor-01Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, o autor compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

 

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I Ching das patricinhas

10/08/2012

10ago2012

O oráculo tem validade num caso desse? Ou eu estava sendo extremista?

I CHING DAS PATRICINHAS

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A noite seguia animada e eu tomava minha vodca, espremido entre as pessoas no balcão do bar. Bem ao lado, duas animadas garotas, estilo patricinha, comentavam sobre um rapaz na mesa próxima. Uma delas estava interessada nele e não sabia se devia ir ou não até sua mesa. Foi quando escutei algo extraordinário: Já sei, vou consultar o I Ching!

Tomei um susto. Olhei discretamente e percebi que ela digitava seu celular. I Ching pelo celular… Eu não acreditei. Mas era verdade. As patricinhas esotéricas estavam ali ao lado lendo na telinha o resultado enquanto riam e comentavam. Como a música estava alta, não pude saber qual hexagrama saiu. Mas fiquei encucado. O I Ching parecia não combinar com a situação, aquele clima de brincadeira e futilidade. Soava como algo sagrado sendo profanado. Uma garota consultando o I Ching no bar para decidir se devia ou não ir à mesa do rapaz… O oráculo tem validade num caso desse? Ou eu estava sendo extremista?

É sabido que a cultura esotérica tornou-se massificada e isso desvirtuou muita coisa. Veja o caso dos oráculos, como o Tarô e o I Ching. Eles são excelentes instrumentos de autoinvestigação psicológica e podem ser úteis na resolução de problemas, mas muitos os utilizam sem seriedade alguma e sem noção do que verdadeiramente representam, pois para que o processo seja eficaz, o consulente necessita parar, silenciar e esvaziar sua mente.

No caso do I Ching, o uso ritualístico das varetas requer seus vinte ou trinta minutos, e durante o ritual a mente se aquieta, se recolhe e se afasta do barulho exterior. Essa interrupção do diálogo interno proporciona um estado mental propício para que o consulente possa captar a essência da mensagem que virá. No entanto, a mentalidade apressada do Ocidente não gostou de ter que perder tanto tempo e trocou as quarenta e nove varetas pelas três moedas, e assim gasta apenas um minuto. Pela internet, com apenas um clique consulta-se o I Ching e num mísero segundo obtém-se a resposta. Agora vem o I Ching pelo celular: você consulta na fila do maquedônaldis e no intervalo da novela. Será que é válido? Ou estarei agindo como um purista dos oráculos, antiquado e intransigente?

Sim, é válido ‒ mas apenas para quem está preparado para receber a revelação. Porque tudo pode ser um oráculo, até mesmo a numeração de uma cédula ou o som das folhas ao vento. Tudo que existe pode conter as respostas que buscamos. No entanto, se alguém busca o oráculo com pressa ou intenções frívolas, ele responderá com uma repreensão ou então ironizará o consulente com uma resposta estapafúrdia, como faria qualquer mestre. As respostas sempre virão, sim, mas o consulente precisa estar apto a captar sua essência.

No filme Matrix, Neo consulta o Oráculo e entende que ele não é o Predestinado quando, na verdade, o Oráculo diz apenas que ele ainda está aguardando por algo para ser o que de fato já é. A resposta dos oráculos são claras ou obscuras dependendo de quem pergunta porque, na verdade, é o próprio consulente, em seu nível de sabedoria maior, quem responde para si mesmo, sendo o oráculo um mero instrumento para o processo.

Quanto à patricinha e seu dilema, espero que tenha se saído bem. Mas, cá para nós, se nossa amiga depende do I Ching para arrumar namorado, talvez seja mais produtivo encurtar a saia, apelar para o silicone ou participar do Namoro na TV.

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Ricardo Kelmer 2001 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

> I Ching na Wikipedia

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A vida na encruzilhada

01/08/2012

01ago2012

Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos

A VIDA NA ENCRUZILHADA

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A história deste incrível filme (Missing Link, de 1998 – em português: O Elo Perdido), é desenvolvida sobre um curioso exercício de imaginação antropológica. Os roteiristas focaram sobre o que poderia ser a derradeira família de uma espécie extinta um milhão de anos atrás, o Paranthropus robustus (ou Australopithecus robustus). A família é dizimada por uma espécie hominídea mais evoluída e seu único sobrevivente sai a vagar solitário pelo mundo desconhecido. Ele está muito mais que sozinho: ele é o último representante de sua espécie na Terra.

A pobre criatura não sabe disso, claro. Ela entende que está sozinha, e a noção de morte que possui é suficiente para entender também que não mais verá sua família. Mas não pode fazer ideia da dimensão cósmica de sua solidão. Menos mal. Tivesse noção disso, o peso de tal constatação seria insuportável. Ao espectador é difícil não se comover com a trágica situação da criatura, triste, confusa e repentinamente só num mundo onde já não mais existe um único ser como ela.

Evidentemente, o filme trabalha sobre uma suposição, pois não sabemos em que exatas circunstâncias se deu o desaparecimento do último dos últimos dos robustus, mas pelo que se conhece atualmente, eles viveram na África meridional e oriental e eram uma espécie vegetariana e relativamente dócil, que não sabia manejar o fogo e não tinha intimidade com ferramentas, como o machado, por exemplo. Essa sua “ingenuidade” foi determinante para sua extinção numa África onde o gênero Homo, mais agressivo e capaz, aos poucos ocupava os espaços e partia para povoar o planeta.

Os Paranthropus robustus foram eliminados, mas as espécies do gênero Homo sobreviveram porque desenvolveram talentos especiais, souberam se adaptar às mudanças ambientais e eliminaram espécies semelhantes. Os seres humanos de hoje são, portanto, o elo seguinte de um determinado seguimento da longa e ramificada corrente da evolução da vida neste planeta.

Essa força chamada vida e que se manifesta em tudo que existe ainda está longe de ser compreendida por nós. Mas foi esta mesma força primordial, imagino, que criou nosso sistema solar e fez nascer nosso planeta, 4,5 bilhões de anos atrás. A Terra, por sua vez, precisou de um bilhão de anos para gerar as condições ideais para que a vida pudesse florescer na superfície. Então, seguindo um sofisticado senso de autorregulação que chamamos Natureza, nosso planeta enfim deu à luz um minúsculo e rudimentar organismo: nascia na Terra o que entendemos por vida.

Essa primeira forma de vida terráquea gerou outras, que se diversificaram, se aperfeiçoaram e geraram outras mais complexas que prosseguiram, ao longo de milhões de anos, gerando formas de vida cada vez mais aperfeiçoadas. Foi assim que o princípio vital dessa força, tão cuidadosamente gerado e mantido graças à Terra e seu delicado senso de equilíbrio e autorregulação, chegou aos dias de hoje, manifestado em tudo que existe, animais, vegetais e minerais. Uma longa e paciente aventura!

Essa força primordial experimentou-se em infinitas formas de vida feito uma corrente que se ramifica em muitos segmentos, e seus elos vão criando novos elos a partir deles próprios, numa intrincada lógica em que cada segmento depende de outros segmentos para prosseguir se reproduzindo. Essa interdependência geral foi indispensável para que o processo da vida no planeta se desenvolvesse em harmonia, apesar de sua aparente confusão e casualidade.

Num determinado momento desse processo, aproximadamente 8 milhões de anos atrás, ocorre uma notável divergência evolutiva: uma das milhões de ramificações da corrente se sobressai e passa a se aperfeiçoar através de seus descendentes num ritmo que as ramificações vizinhas não acompanham. Esse rápido e contínuo aperfeiçoamento garante a sobrevivência de seus descendentes e faz com que sua linhagem chegue até os dias de hoje, representada por nós, da espécie Homo sapiens.

O que fez com que essa ramificação se diferenciasse tão subitamente (para os padrões evolutivos, claro) das demais? Isso ainda é um mistério, mas há pesquisadores que trabalham com a hipótese disso ter a ver com o contato com plantas psicoativas expansoras da consciência, como sugere o filme O Elo Perdido. Polêmicas à parte, essa ramificação hominídea adquire a noção de si mesma e passa a refletir sobre o processo evolutivo do qual faz parte. Quanto mais pensa, mais se aperfeiçoa sua capacidade de pensar. Quanto mais se aperfeiçoa, mais longe vai em sua jornada de compreensão de todo o processo que a criou. Paradoxalmente, quanto mais descobre sobre o processo, mais mistérios surgem e mais complexa se revela a estrutura de todo o processo da vida.

A espécie humana é o último elo dessa ramificação especial. Ela adquiriu tamanha capacidade que hoje detém poder sobre a vida no planeta. Infelizmente, ela utiliza esse poder para mostrar a si mesma o quanto é poderosa, numa ostentação inconsequente e perigosa que pode destruir a si própria e ao planeta.

Prefiro crer que a espécie humana despertará de sua cegueira a tempo de evitar o pior. Assim como o robustus que, ao comer da planta, ampliou sua compreensão sobre a vida e a morte, talvez tenha chegado o momento do Homo sapiens ampliar seu entendimento do processo no qual está inserido. Não falo de entendimentos racionais e científicos, que continuam sendo importantes, sim, mas para que essa ampliação seja possível, o entendimento deve agora ocorrer num nível mais intuitivo, que inclua uma percepção não apenas de cada uma das partes, como fizemos até agora, mas da relação entre todas as partes que formam o todo da Terra. Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos.

Aquele pobre robustus, infelizmente, não teve como aplicar o aprendizado que a planta lhe permitiu obter, pois tudo que lhe restava era cumprir o destino de ser o último elo de seu segmento. Quanto aos sapiens, o mais destacado dos segmentos, espalhado neste momento em bilhões por todo o planeta, seu destino não é ser destruído por uma espécie rival, pois tal perigo não mais existe. Ironicamente, o destino que começa a se lhe afigurar no horizonte é ser destruído justamente por sua própria arrogância de se entender como algo separado da Natureza. Triste fim para uma longa e bela aventura.

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Ricardo Kelmer 2002 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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O ELO PERDIDO (Missing Link)

Um milhão de anos atrás, homem-macaco tem sua família dizimada por espécie mais evoluída. Sozinho e confuso, ele vaga por terras estranhas, enfrentando perigos desconhecidos e se encantando com os mistérios e maravilhas do planeta primitivo. Ao comer uma planta, tem visões e revelações que o farão compreender melhor o que aconteceu.

O Elo Perdido (Missing link, EUA, 1988)
Direção: David Hughes e Carol Hughes
Elenco: Peter Elliot, Michael Gambon, Brian Abrahams, Clive Ashley

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TREILER DO FILME

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AVidaNaEncruzilhada-1b

 


Olha a pegadinha

23/07/2012

23jul2012

Quem nunca foi enganado? Esse ainda não nasceu

OLHA A PEGADINHA

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Já fui trapaceado no pôquer, me prometeram e não cumpriram, marquei hora e não fui recebido e já levei gato por lebre. Livrarias fecharam e não me pagaram. Uísque falsificado, hummm, é bom nem lembrar. Propaganda enganosa, corrente da riqueza, CD que não toca, poupança confiscada, consórcio quebrado… Hoje estou mais prevenido, mas já caí em várias. E ainda caio, como, por exemplo, quando assisti Nove Rainhas, filme do argentino Fabián Bielinski. Nunca fui tão ludibriado em tão pouco tempo. Quando as luzes do cinema acenderam, tive até medo de olhar pro lado e descobrir que não era minha mulher Karine quem de fato estava ali comigo. Felizmente era. Vá ver o filme, é sensacional. Mas vá sabendo: os caras vão lhe passar a perna.

Comissões embutidas, advogados corruptos, orçamentos superfaturados, sutian com enchimento… Tem tanta armação espalhada por aí que é melhor desconfiar de tudo que se mexe ou fica parado. Quem nunca foi enganado? Esse ainda não nasceu. E as enganações são de toda sorte: você é logrado por pessoas, empresas, governos, religiões e até por você quando mente pra si mesmo: segunda-feira começo meu regime, este ano serei mais estudioso, nunca mais eu bebo, só a cabecinha, agora vamos guardar esse restinho pra cheirar amanhã… Tudo conversa pra boi dormir.

Desvio de verba pública, esquema da previdência, painel eletrônico, juízes comprados, guerra contra o terrorismo, concurso de beleza – a enganação é uma praga. Umas são mais escondidas. Outras não têm pudor em mostrar a cara. Outras já são tão cotidianas que a gente se acostuma a viver com elas. Conheço um cidadão que se por acaso encontrar você aí pela rua, uma dessas três possibilidades acontece: ele lhe ferra um cigarro, descola uma carona ou então lhe pede o celular pra uma ligaçãozinha rápida. Tem também aquele amigo, mui amigo, que senta em sua mesa, bebe, come, se diverte e, na hora de pagar a conta, ou acabaram as folhas de cheque ou ele tomou só um chope. Malaca é o que não falta nesse mundo.

E tem aquele vendedor que nunca lhe viu antes e vai logo dizendo: “Este modelo combina perfeitamente com você!”. Terrível. E aquela velha história que foi roubado e precisa do dinheiro da passagem? Pois tem quem ainda insiste nisso. Lá na rodoviária tem um pedinte que faz vinte anos que tenta inteirar o dinheiro pra voltar pra Reriutaba. Êta passagenzinha cara… E aquela de se oferecer pra ajudar no caixa eletrônico? Ainda hoje tem quem cai nessa, creia. E o tal do Boa Noite, Cinderela? Você acorda no outro dia num motel, sem roupa, sem dinheiro, sem lembranças… Pior que clonagem de cartão de crédito.

Descuidistas da boa vontade alheia, é só o que tem. Você vacila por um segundo e quando dá conta, já dançou. Chifre, cheque sem fundo, programa que trava, mulher que não é mulher, camisinha furada, fumo malhado… Tem cara-de-pau que engana olhando na sua cara. Exemplo: político. Quando eles começam a responder uma pergunta com “veja bem”, é sinal que lá vem enganação, pode esperar. Depende, como sem falta, já-já, não tem como errar, essa é batata – é tudo mutreta. Nesse mundo de enroladas, nada é o que parece ser.

Amigos da onça, maus pagadores, mentirosos, aproveitadores, patifes, salafrários, larápios, golpistas, punguistas, ladrões, trapaceiros, trambiqueiros, vigaristas, charlatões – só de especialista dá pra fazer um time e mais os reservas. Tem pra todo gosto. Por mais que você fique atento, sempre vai ter um juiz lalau aprontando pertinho ou exatamente pra cima de você.

Às vezes o prejuízo é grande. Outras vezes é só uma pegadinha bem-humorada e inofensiva de algum amigo: quando você vê, já caiu. Pegando aqui, tu vai dar naquela rua… No fundo, o que você quer é isso… Qualquer coisa, disponha… Até nas pegadinhas verbais o repertório é infinito. Mas fiquemos por aqui que meu espaço acabou. Um abraço pra você e pra quem for da sua família.

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Ricardo Kelmer 2001  – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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NOVE RAINHAS (Nueve Reinas, Argentina, 2000)

ROTEIRO E DIREÇÃO: Fabián Bielinsky
ELENCO: Ricardo Darín, Gastón Pauls, Leticia Brédice, Óscar Núñez, Tomás Fonzi, Ignasi Abadal

Dois trapaceiros se conhecem e passam atuar juntos, enganando pessoas e praticando golpes de todo tipo.

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LEIA TAMBÉM

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

Vade retro Satanás (filme: O Exorcista) – O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

Livro: Matrix e o Despertar do Herói – A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Deuses, humanos e androides na berlinda (filme: Blade Runner) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Em Dogma, Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!

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 COMENTÁRIOS
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O fim dos tempos chega primeiro aqui

10/07/2012

Ricardo Kelmer 2012

Putz, Kelmer, minha situação financeira tá horrorosa… Sério? Então parabéns, seus problemas acabaram


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Meu livro de contos fantásticos Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos (Editora Artepaubrasil, 2012) será lançado em outubro. Os leitores que adquiriram com aquele descontão na pré-venda receberão o livro pelo correio, com seus nomes devidamente constantes na página Galeria de Leitores Especiais. Chique no último.

E os Leitores Vips? Diferente dos simples mortais, eles poderão adquirir o livro diretamente comigo com um bom desconto. Chique no penúltimo.

Putz, Kelmer, minha situação financeira tá horrorosa… Sério? Então parabéns, seus problemas acabaram. Você pode ler alguns contos aqui no blog ou baixar gratuitamente o piratão (pdf) pra ler no computador ou imprimir. Pode não ser chique mas funciona.

Prefiro que leiam o piratão oficial pois como enviei o livro ainda não finalizado pra algumas pessoas analisarem, versões não-autorizadas podem circular pelaí. E se você gostar do livro, repasse o arquivo aos amigos pois é assim que espero que ele se torne rapidamente conhecido. Em 2013 a editora deverá lançar o e-book oficial, com todos aqueles recursos bacanudos e coisital.

E o meu buchão aí na revista Pinheiros Vip, gostou?

SOBRE O LIVRO

Publicado originalmente em 1997, o livro foi reescrito e alguns contos mudaram bastante. Em minha opinião, ficou bem melhor.

Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, os personagens são surpreendidos por estranhos acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmos e deflagram crises tão intensas que podem se transformar numa questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses pessoais e coletivos.

RESUMO DOS CONTOS
alguns estão disponíveis p/ leitura no blog

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas, uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Quando os homens não voltam para casa – Mulher contrata os serviços de um sensitivo para reencontrar o namorado que foi atraído por uma bela princesa para dentro de um quadro de parede.

O cilindro da luz azul – Em sua luta para sobreviver num mundo apocalíptico de autoritarismo e violência, casal descobre estranhos cilindros trazidos pelo mar.

A vertigem – Dizem que seo Pepeu, o louco da cidade, possui dois bichinhos mágicos que localizam coisas perdidas e fazem as pessoas se encontrarem. Mas ele está velho e tem de passar a alguém a missão de cuidar dos bichinhos.

Pequeno incidente em Hukat – Integrante do Projeto Sapiens de Monitoramento Planetário descobre irregularidades comprometendo a evolução da espécie humana e se envolve em rebelião contra Deus, o psicomputador.

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite.

O presente de Mariana – A cabocla Mariana, entidade da umbanda, propõe noivado ao moço Dedé. Ela garante estabilidade financeira mas em troca exige fidelidade absoluta.

Há algo de podre no 202 – Quando crianças, as primas guardavam um terrível segredo sobre o amanhecer. Agora que cresceram, o que pode acontecer?

O strip-tease – Criaturas do futuro que voltam no tempo para garantir que eles mesmos, no passado, não cancelem o futuro – esses são os Observadores.

> Saiba mais, leia comentários, baixe o piratão oficial

> Baixe outros livros kelméricos

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Detestei te ver nu e grávido,mas reconheço que a estratégia foi ótima pra gente se manter ligado às últimas do blog.Tb não sou mulher de ¨piratão”… Hehehe.Acredita q ainda sou mocinha e ainda tenho TPM? Pois é.Acho q vc me pegou num mau dia,pobre Kelmer! Mas,apesar dos pesares, ailóviu, vc sabe disso. Bjs da loura 🙂 Mônica B, Recife-PE – jul2012

02- rapaz! to em choque! hehehe… quer dizer que no atual momento vc está de licença maternidade? hehehe… abçomano. Marcelo Ferrari, São Paulo-SP – jul2012

03- Putz Ricardo, quem é o pai? Blz, arrasou na curtição! Espero que o lançamento seja o maior sucesso e as vendas ainda mais! cheiro Amaury, Fortaleza-CE – jul2012

04- Kelmer, voce está IRRESISTÌVEL assim! UAU! Tentei postar no seu blog mas ele não deixou. Precisa CPF, RG, carta de boas intenções, jurar que eu sou eu mesma mesmo e que mais…? beijo! parabens! Beatriz Del Picchia, São Paulo-SP – jul2012

05- fio, até grávido vc fica lindo! bjão. Renata Regina, São Paulo-SP – jul2012

06- kkkkkkkkkkk… Paula Medeiros de Castro, São Paulo-SP – jul2012

07- kkkkk ‘Believe Ricardo. Krishna Eufrásio, Fortaleza-CE – jul2012

08- ‎Ricardo Kelmer,sou sua fã. Fadinha, Fortaleza-CE – jul2012

09- diabéisso tio???? kkkkkkkkk Laís Galvão, Fortaleza-CE – jul2012

10- comeu o que mesmo,kkkkkkkkkk. Luciene Maia, Fortaleza-CE – jul2012

09- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk meu primo !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ângela Dias, Fortaleza-CE – jul2012

10- Dia 06/10 seria um dia muito especial para o lançamento desse livro. Que tal? rsrsrsrsrsrs. Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – jul2012

11- Vou fazer o parto. Vânia Dias, Fortaleza-CE – jul2012

12- Vou ser a madrinha??? Kkkkkkk. Karen Brochado, Fortaleza-CE – jul2012

13- Cruzes!!!!!!!!!!!!!!!!! Virgínia Ludgero, Lisboa-Portugal – jul2012

RK: Coisa boa é mulher rindo / O que pode ser mais lindo? / Só mesmo mulher gozando / Até se goza chorando / Seja no riso ou no gozo / Não tem nada mais mimoso / É tudo o que a vida quer / Ver prazer numa mulher 🙂 São Paulo-SP – jul2012