Para Belchior com Amor

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Para Belchior com Amor
(Contos, crônicas e cartas – Org.: Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2016)
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Neste livro, organizado pelo escritor Ricardo Kelmer, o poeta, cantor e compositor cearense Belchior é homenageado por catorze autores conterrâneos, que escreveram contos, crônicas e cartas inspirados em suas músicas, as mesmas que tanto encantaram os mais velhos e continuam a encantar os mais novos. Literatura para celebrar um notável literato. Ele que soube, como poucos, harmonizar música e poesia, e que fez de sua obra e sua vida um intenso canto de amor, liberdade, questionamento e rebeldia. Salve Belchior!
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RESUMO 2

Neste livro, lançado em 2016 e organizado pelo escritor Ricardo Kelmer, o poeta, cantor e compositor cearense Belchior é homenageado por catorze autores conterrâneos, que escreveram contos, crônicas e cartas inspirados em suas músicas. Os textos exploram o universo da obra e da vida de Belchior, que marcou a música brasileira com seu talento e originalidade e também com sua surpreendente decisão de afastar-se da vida artística.

Estão presentes temas como o amor, a paixão, o sexo, a arte, a liberdade, a política, a solidão e a violência das cidades, a opressão do sistema sobre o indivíduo e o sentido da existência. Alguns textos mesclam fatos biográficos de Belchior com a vida dos próprios autores, enquanto outros exercitam possibilidades ficcionais com personagens inspirados em suas canções ou tendo o próprio homenageado como protagonista, possibilitando uma interessante imersão literária na vida e na obra do artista.

> Página oficial no Facebook: Para Belchior com amor

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OPÇÕES

Livro impresso – 96 pag, 11,5 x 18 cm, miolo em papel pólen, orelhas, 100 g. Direto com o autor. Para 1 livro: R$ 25. Para 2 livros: R$ 40. Para 3 livros: 57. A partir de 4 livros: R$ 18 cada. Frete incluído.
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Livro eletrônico personalizado – PDF direto com o autor, com dedicatória exclusiva para você: R$ 10. Leitor Vip: R$ 8.

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DIRETO COM O AUTOR
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EDIÇÕES
– Publicado originalmente em 2016 em versão impressa e eletrônica (PDF), edição Miragem Editorial
– Publicado originalmente em 2016 em versão eletrônica pela Amazon
(Editoras interessadas, favor entrar em contato: rkelmer@gmail.com)

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APRESENTAÇÃO

parabelchiorcomamorcapa3d-01A ideia de homenagear Belchior em seu aniversário de 70 anos me veio em 2015, quando pensei em montar um show musical que contemplasse também os aspectos literário e filosófico de sua riquíssima obra, que a mim me surpreende desde a adolescência. Impossibilitado de concretizar a ideia inicial, pensei em escrever um livreto com contos baseados em suas músicas, mas desisti, ciente de que não teria fôlego.

Veio então a ideia de organizar um livro que reunisse autores conterrâneos de Belchior, cada um escolhendo uma música e escrevendo um texto literário (conto, crônica, carta ou prosa poética) baseado nela. O resultado é este livro que você agora tem em mãos. Seus catorze textos pretendem explorar algumas das infinitas possibilidades literárias que oferece a obra desse cearense de Sobral, que, por si, já é literariamente significativa.

Dentro da diversidade da cultura brasileira, Belchior é um nome plenamente reconhecido por seu talento e a originalidade de seu trabalho, no qual une a técnica esmerada da composição melódica com a feitura literária das letras, enriquecidas com filosofia, erudição popular e cultura pop e, muitas vezes, estabelecendo um curioso diálogo com a obra de outros poetas e artistas.

A música de Belchior fala de amor, paixão e desejo, da liberdade rebelde do ser e de existências robotizadas, da solidão das grandes cidades e da universalidade do sertão. Mesmo tendo sido, em boa parte, criadas nos anos 1970, suas canções mantêm-se atuais, ganhando releituras e conquistando novos admiradores. Sua polêmica decisão de ausentar-se dos palcos e dos holofotes da mídia conferiu-lhe status de lenda viva e reacendeu o interesse por ele, provocando saudáveis discussões sobre a função do artista e o sentido da vida, e também sobre o papel do indivíduo quando confrontado com um sistema que o oprime e o seduz diariamente com o vil metal, comprando seus sonhos mais verdadeiros até que deles restem tão somente a dor e a frustração de não tê-los vivido.

Espero que estes textos proporcionem às pessoas uma rica experiência de imersão na obra desse formidável artista, e que instiguem a curiosidade de conhecê-la melhor.

E você, Belchior, se este humilde livro um dia chegar às suas mãos, espero que sinta-se carinhosamente abraçado, e que receba de volta o tanto amor que sua arte trouxe e continua trazendo para nossas vidas. Obrigado por tudo.

Ricardo Kelmer, São Paulo, agosto de 2016

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OS AUTORES E AS MÚSICAS QUE INSPIRARAM SEUS TEXTOS

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01- Thiago Arrais (Alucinação)

02- Ana Karla Dubiela (A palo seco)
03- José Américo Bezerra Saraiva (Apenas um rapaz latino-americano)
04- Ricardo Guilherme (Como nossos pais)
05- Ethel de Paula (Conheço o meu lugar)
06- Cleudene Aragão (Coração selvagem)
07- Ricardo Kelmer (Divina comédia humana)
08- Raymundo Netto (Fotografia 3×4)
09- Joan Edesson de Oliveira (Galos, noites e quintais)
10- Gero Camilo (Na hora do almoço)
11- Carmélia Aragão (Paralelas)
12- Jeff Peixoto (Sujeito de sorte)
13- Xico Sá (Todo sujo de batom)
14- Roberto Maciel (Velha roupa colorida)

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APERITIVO

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TRECHOS DOS TEXTOS

ALUCINAÇÃO (Thiago Arrais)

Se meu pai não houvesse me cantado, somente os dois, nas águas de um açude que entardecia no Cariri, “mas se você quiser me atirar, mate-me logo, à tarde, às três, pois à noite eu tenho um compromisso e não posso faltar, por causa de vocês”, e me mostrasse o sorriso ironicamente cúmplice à minha perplexa infância; se Xico Sá não escrevesse – muito depois, sobre tardes caririenses ainda mais antigas no Balneário do Caldas a ouvir o mesmo cantor debochado (não meu pai) como quem toma uma cachaça (e tomava), acompanhado do pai – não o meu, mas o seu “Big Jato” do filme de Claudio Assis – que é diretor de que muito gosto e portanto entra nesta crônica memorial;
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A PALO SECO (Ana Karla Dubiela)
OU: UM GOLPE DE FACA SÓ LÂMINA

No campus da UFSC, um grupo magro de estudantes divide o último baseado à espera do show. Um frio cortante gela a espinha e a grama orvalhada refrigera a bunda. Mais de uma hora de atraso, por problemas técnicos. Goela seca, grana curta. Uma “vaquinha” garante o garrafão de vinho doce que compramos ali mesmo no bairro Pantanal, na casa de uma camponesa de rosto de maçã, que sempre vem nos atender arrastando os chinelos, a qualquer hora da noite. Nunca decorei seu nome esquisito, mas guardo até hoje seus traços europeus e o orgulho com que nos dava para provar dezenas de vinhos, armazenados por gradação de cor, na antiga Frigidaire vermelha.
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APENAS UM RAPAZ LATINO-AMERICANO (João Américo Bezerra Saraiva)

Caro, divino e maravilhoso rapaz latino-americano.
Você disse que vinha, e veio, lá do Norte, com o mar nos olhos. Era noite sem vento, e eu nem cri na minha sorte. Houve curiosidade, um calmo susto, alguma palidez por trás do ouro do seu rosto. Quero ser justo! Mesmo que não pudéssemos manter a lua cheia acesa, ou não, ainda, nem no seu nem no meu coração, eu vi você, uma das coisas mais lindas da natureza e da civilização, eu vi você, saindo do sertão da sua solidão para um sonho feliz de cidade a que depressa aprendeu chamar de realidade.
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COMO NOSSOS PAIS
OU: O QUE HÁ DE VIR (Ricardo Guilherme)

Pela minha paixão você me pergunta. Digo que estou encantado com uma nova invenção, pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação. Aí você talvez até venha me dizer que eu estou por fora ou então que estou inventando, mas se disser, diz porque você ama o passado e não vê que o novo sempre vem.
Acontece, entretanto, que o novo vem do velho. Feito a frase daquele que tramou augustas pontes entre o ontem e o amanhã ao afirmar que o passado pressente futuro. Do vai e vem dos atávicos rastros vêm os nossos lastros.
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CONHEÇO O MEU LUGAR
OU: BELCHIOR MORA NO PORÃO (Ethel de Paula)

Uma voz feito faca corta o mormaço da tarde, suspendendo o tempo. Ela diz sobre um lugar. Um lugar utópico, intangível, inalcançável. Um Nordeste-ficção que nunca houve, onde a vida comovida, livre e triunfante é própria da pessoa. Um abraço-canção em torno do homem e sua utopia de liberdade, ímpeto ainda hoje afinado ao pensamento dos gregos, aqueles que, na Antiguidade, intuíram que homens livres só poderiam governar e cuidar de outros homens livres quando se dedicassem à sobre-humana tarefa de governar e cuidar de si mesmos.
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CORAÇÃO SELVAGEM (Cleudene Aragão)

Dirigindo para um pequeno povoado de praia, perto de Fortaleza, com o coração na boca, vou pensando o que é que eu vou perguntar para o Belchior.
Será que eu vou conseguir falar, diante do meu maior ídolo? Do autor da minha canção preferida, entre todas do Universo? Vai ser tipo o que o meu pai dizia sobre o que vemos depois da morte: sei como vai ser não, só vou saber quando chegar lá.
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DIVINA COMÉDIA HUMANA
OU: O AMOR É UMA COISA MAIS EXÓTICA QUE UM CONTO EM TERZA RIMA (Ricardo Kelmer)

A sombria floresta de Beatriz anunciou-se naquela tarde de sábado, num ponto de ônibus do centro, após ela sair do culto na igreja. Anunciou-se nos olhos do atraente moço de porte atlético que lhe pediu informação. Com simpatia, ela lhe explicou que ônibus deveria tomar, e era o mesmo que ela tomaria, ora veja. E juntos sentaram, ele com sua mochila vermelha, ela com a bíblia ao colo, quase a mão dele em sua mão. Chamava-se Antonio, e Beatriz soube que estudava filosofia, mas gostava mesmo era de ser goleiro, e nos fins de semana jogava por times de bairro, e ela achou isso tão lindo… (leia na íntegra)
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FOTOGRAFIA 3×4 (Raymundo Netto)

“Sobral?”, riu-se. “E existe isso?”
“Existe, seu guarda. E não é só no Norte, não, viu? Na Europa também. O senhor já deve ter estado por lá, claro.”
O policial, que tirando a farda e a arrogância, não era muito diferente daquele moço encantado, de cabelos ventaneados, basto bigode e surrado pela cidade grande, percebeu a mangação, lhe devolveu o documento e advertiu:
“Tome juízo, rapaz. Assim como você, tem muitos aqui no xilindró.”
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GALOS, NOITES E QUINTAIS (Joan Edesson de Oliveira)

Quando dei por gente a primeira vez, num sertão distante no tempo, profundo na geografia do país, já havia um tempo negro entre nós, e a força já fazia conosco o mal que a força sempre faz.
Quando meus ouvidos de menino magro e triste nasceram para a música a primeira vez, fazia um tempo que era de sussurros, de meias-palavras, de coisas não ditas, de pessoas que se iam para não mais voltar. O que me chegava pelo rádio, naquele lugar tão longe, falava de coisas que eu ainda não entendia direito, de coisas que eu ainda aprenderia, num longo caminho que mal começara.
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NA HORA DO ALMOÇO (Gero Camilo)

Sol de comer sombra, e eu meio-dia e meio-homem, querendo engasgar de tristeza e fome. Até ontem parecia que não havia por trás da minha casa, depois que o leite desceu pela mão e as pernas tremeram de prazer e eu quase caí no chão do quarto, depois que o pau gozou com o vaivém da mão, os pelos enrolaram junto com as ideias e pensei… deve haver pra mais longe. Restaria a família. Ficariam ali petrificados à espera da poeira do Vesúvio, da goteira de Canudos, ficariam ali, eternos até na morte.
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PARALELAS
OU: A MACABÉA E A BAILARINA (Carmélia Aragão)

Talvez, um dia, Ângelo, quando você voltar, vou pedir que se deite no chão para eu desenhar o contorno de teu corpo. Vai parecer mau gosto, eu sei, encontrar o contorno deslocado de um corpo chapado, aqui, no chão da sala, tal como a perícia costuma fazer nos locais do crime. Mas não é crime. É saudade. É você, Ângelo. É deitar dentro da sombra do teu corpo, Ângelo, e me sentir abraçada pela tua ausência. A gente era as sobras da noite: a paraíba e a bicha preta. As tristes alegres figuras, como você mesmo dizia, toda vez que começava a contar nossa história: do encontro da Macabéa com a Bailarina. (áudio)
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SUJEITO DE SORTE (Jeff Peixoto)

O ano de 2015 se despedia com a luz dos fogos de artifício a queimarem no céu, com o som estridente de uma contagem regressiva feita por aquela multidão que vestia branco. O certo é que aquele ano que terminava trazia uma tristeza imensa que tomara conta de Gaspar. Um dia antes, um jogo de conspirações sobrenaturais fez com que um sólido relacionamento de cinco anos se despedaçasse como se fosse um velho copo americano que beija o solo. Sua noiva, Christine, resolvera que o ano novo que se apresentava não seria mais com ele. De onde deveria ter vindo a crueldade daquela mulher? Afinal, não se dá cabo de uma relação assim, numa virada de ano.
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TODO SUJO DE BATOM
OU: UMA BALADA NOVA FALANDO DE BROTOS, DE COISAS ASSIM (Xico Sá)

Ela havia levado um bolo do namorado ou daquele cara que só promete. Ele estava apenas caminhando sem rumo pelas ruas do centro da metrópole como qualquer outro rapaz sem cartaz. Ela foi até o orelhão e ligou para o desalmado, tum, tum, tum… Ele teve a súbita compreensão do drama.
A primeira lufada do vento frio que veio do vale do Anhangabaú zombou de fazer um S de solidão com o cachecol vermelho da moça. Somente ele, um suburbano tão sentimental, leu tudo que se passava naquela cabeça.
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VELHA ROUPA COLORIDA
OU: O PASSADO NUNCA MAIS (Roberto Maciel)

Sim, isso é uma carta, meu amigo. Ou uma conversa. Ou não, como o antigo compositor baiano e o poeta louco americano me diziam.
Só escrevo desse jeito porque não sei onde estou e nem aonde vou. Não sei quando parti nem sei se vou voltar. Tenho medo de ser denso, e disso nunca fiz segredo. É o medo que já aconteceu e também o medo do que já aconteceu. O medo que está logo ali, não é? Sempre. Dobrando a esquina, há perigo e não há mapa do tempo. Um Rio, um Porto Alegre, um Recife, medo Fortaleza, medo Ceará, Paranapá. Avião. Sempre.

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pbca201610tja-510bLançamento no Theatro José de Alencar (Fortaleza, out2016)

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AUTORES

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autanakarladubielafotonelyr-01ANA KARLA DUBIELA – Nasceu em Iguatu, em 1964. Mora em Fortaleza. Escritora e jornalista. É especialista, mestre e doutora em Literatura. Autora dos livros A traição das elegantes pelos pobres homens ricos – uma leitura da crítica social em Rubem Braga, Um Coração Postiço – A formação da crônica de Rubem Braga e As Mães de Chico Xavier (coautora). Proferiu palestras na Câmara Federal, na Casa de Rui Barbosa (RJ), entre outras.

autcarmeliaaragao-01aCARMÉLIA ARAGÃO – Nasceu em Sobral. É escritora e doutora em Literatura pela PUC-Rio na área de literatura, leitura, formação do leitor e políticas públicas. Seu livro de contos Eu Vou Esquecer Você em Paris foi premiado no III Edital de Incentivo às Artes da Secult-CE. Trabalhou para o governo do Ceará e na Cátedra UNESCO de Leitura/RJ em projetos de leitura e acesso aos livros.

autcleudenearagao-01aCLEUDENE ARAGÃO – Nasceu em Fortaleza, em 1972, onde ainda mora. Professora universitária da UECE, gestora cultural e escritora. Publicou pelas edições UFC o ensaio Rachel de Queiroz e Xosé Neira Vilas: Vidas feitas de terras e palavras (Prêmio Osmundo Pontes, 2011). Publicou também, com outras cinco autoras, a coletânea de contos Quantas de Nós (Prêmio Moreira Campos, 2010).

autetheldepaula-02aETHEL DE PAULA – Nasceu em 1971, em Fortaleza, onde mora. É jornalista free-lancer, com interesse e inserção em projetos editoriais, culturais, memorialísticos e acadêmicos que privilegiam histórias de vida, memórias e narrativas. Graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é mestre em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

autgerocamilo-01aGERO CAMILO – Nasceu em Fortaleza, em 1970. Mora em São Paulo-SP. É poeta, escritor, ator, compositor e cantor. Tem cinco livros publicados nos gêneros conto, dramaturgia e poesia. Em 2016, lançou seu livro de poemas Cajita de Monerías, pela Editora Edith. Com sua banda Caroço da Aurora, apresenta-se com o show Alucinação, no qual interpreta o álbum homônimo de Belchior.

autjeffpeixoto-01bJEFF PEIXOTO – Nasceu em Fortaleza, em 1978, onde mora. Escritor e jornalista. É autor dos romances O Melhor Livro do Ano e O Mal de Janine, e do livro de poemas Leuconíquia. Seu romance 96 Dias Embaixo da Cama recebeu o Prêmio Jader de Carvalho, concedido pelo Governo do Estado do Ceará.
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autjoanedesson-01bJOAN EDESSON DE OLIVEIRA – Nasceu em Cedro, em 1965, e mora em Sobral desde 1993. Educador e escritor. É autor de Com Margaridas nos Olhos (poesia), Do Voo dos Elefantes e Outros Azuis (poesia) e O Plantador de Borboletas (contos). É colunista do Portal Vermelho.

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autjoseamericobezerrasaraiva-02aJOSÉ AMÉRICO BEZERRA SARAIVA – Nasceu em Várzea Alegre, em 1964. Mora em Fortaleza. É professor do Curso de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Ceará e autor dos livros A Identidade de um Percurso e o Percurso de uma Identidade: Um Estudo Semiótico das Canções do Pessoal do Ceará (2012), A Trama Poética em Caetano Veloso (2014) e Exercícios de Semiótica Discursiva (este em parceria com Ricardo Lopes Leite e no prelo).

autraymundonetto-01aRAYMUNDO NETTO – Mora em Fortaleza, onde nasceu em 1967. Editor e escritor. É autor de Um Conto no Passado: cadeiras na calçada (romance), Os Acangapebas (contos), Crônicas Absurdas de Segunda (crônicas), Boto Cinza Cor de Chuva, A Casa de Todos e de Ninguém (infantojuvenis) e Centro: um ‘coração’ malamado (ensaio), entre outros. Mantém o blog AlmanaCULTURA: raymundo-netto.blogspot.com.br

autricardoguilherme-01aRICARDO GUILHERME – Nasceu em Fortaleza, em 1955, onde mora. É ator e diretor teatral, com mais de cem espetáculos realizados em quase cinquenta anos de atividades e temporadas internacionais. Escritor, jornalista, radialista, professor da Universidade Federal do Ceará, com pós-graduação em Comunicação Social e Arte-Educação. É o formulador do Teatro Radical, objeto de análise de dissertações e teses em universidades do Brasil e do exterior.

autricardokelmer-03RICARDO KELMER – Mora em São Paulo e Fortaleza, onde nasceu em 1964. Escritor e roteirista. É produtor do Bordel Poesia, sarau que reúne diversas expressões artísticas em torno dos temas paixão, desejo e erotismo. Apresenta-se em bares e teatros com shows musicais-literários. É autor de O Irresistível Charme da Insanidade (romance) e Indecências para o Fim de Tarde (contos eróticos).

autrobertomaciel-01aROBERTO MACIEL – Nasceu em Fortaleza, em 1962, onde mora. Jornalista, produtor cultural e gaitista nas horas vagas. É colunista do jornal Diário do Nordeste. Organizou, com Adísia Sá e Fátima Vilanova, o livro Ombudsmen/Ouvidores – Transparência, Mediação e Cidadania (Edições Demócrito Rocha). É coprodutor, ao lado de Luis Carlos de Carvalho e do músico Jefferson Gonçalves, do CD Belchior Blues, tributo à poética de Belchior na interpretação de nomes referenciais do blues brasileiro.

autthiagoarrais-01aTHIAGO ARRAIS – Nasceu em Santana do Cariri. Mora em Fortaleza. Diretor teatral. Graduado em direção teatral pela UFRJ. Mestre em Teatro pela USP. Doutorando em Estudos Artísticos por Coimbra. Pesquisador convidado em Sorbonne. É fundador e diretor do Coletivo Soul. Contemplado pelo programa Itaú Rumos Cultural pelo projeto Undead: Desmortais do Inominavel. É professor do curso de Licenciatura em Teatro do IFCE.

autxicosa-01aXICO SÁ – Nasceu em Crato, em 1962. Mora no Rio de Janeiro. Escritor e jornalista. Tem vários livros publicados, entre eles O Livro das Mulheres Extraordinárias e Big Jato, que virou um longa-metragem. Escreve para a edição brasileira do jornal El Pais e participa de programas televisivos, como Amor e Sexo, da Rede Globo, e Papo de Segunda, do GNT.

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APOIO CULTURAL

A primeira edição do livro impresso contou com o apoio de:
AFIM – Associação dos Fiscais do Município de Fortaleza

SEEACONCE – Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação, Locação e Administração de Imóveis Comerciais, Condomínios e Limpeza Pública do Estado do Ceará.

A segunda edição do livro impresso contou com o apoio de:
Pousada Casa do Ângelo (Jericoacoara-CE)
Pousada Roane (Taíba-CE)
Pousada Canoa Beach (Canoa Quebrada-CE)

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pbca201610cccbnb-229Lançamento no Centro Cultural Banco do Nordeste (Fortaleza, out2016)

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ENTREVISTA – CORREIO BRAZILIENSE (out2017)
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01- Como surgiu o desejo de organizar o livro?
Ricard Kelmer: Belchior me fascina desde a adolescência, no fim dos anos 1970. Em 2015 eu e um parceiro musical começamos a criar um show para celebrar seu aniversário de 70 anos, que contemplasse, além da música, a sua poesia e filosofia de vida. Mas não deu certo. Então pensei em escrever um livreto de bolso com contos inspirados em suas canções, mas vi que não teria fôlego. Finalmente, pensei: por que não unir vários autores conterrâneos do rapaz latino-americano, juntar forças e talentos para celebrar sua arte? Deu certo.

02- Como colocar a obra de Belchior em diálogo com outra arte, como a literatura?
RK: Belchior é um literato, antes de ser músico. Ele mesmo afirma isso. Ele estudou literatura, poesia e filosofia, e suas letras revelam claramente isso. Faça um teste: leia as letras sem pensar na melodia e você se dará conta de que aquilo é poesia, e de boa qualidade. Explorar suas canções pela via da literatura é, ao meu ver, uma espécie de continuação das letras, uma amplificação dos temas, um aprofundamento da mensagem belchiórica. Os lançamentos do livro acontecerão em contextos interartísticos, com shows musicais e peças de teatro, pois a obra e a vida de Belchior também têm forte potencial teatral.

03- Como foi a seleção dos autores?
RK: Priorizei autores que tivessem uma forte relação afetiva com a obra de Belchior, e que pudessem criar textos literários, ainda que opinativos, nos gêneros conto, crônica, carta ou prosa poética. Procurei abranger estilos diferentes e trazer as visões não apenas de gente da literatura e da linguística, mas também do teatro, da música e do jornalismo. Há autores que nasceram nos anos 1950 e outros nos anos 1980, o que nos permite ver como a obra de Belchior atingiu gerações distintas. Infelizmente, por limitação de tempo e espaço, outros autores talentosos não puderam participar, o que me deixa triste. A esses, peço desculpas.

04- Como avalia o resultado?
RK: Como tive a ideia do livro e do projeto Belchior Sete Zero em junho, e tivemos três meses para preparar tudo, é incrível que tenhamos conseguido. Acho que só o fizemos de fato porque captamos o zeitgeist, isso que os alemães explicam como sendo o espírito de uma época. Belchior é o espírito deste agora. Sua obra e sua própria vida nos dizem muito neste momento, mais ainda do que diziam nos anos 1970. Os autores captaram isso, e seus textos nos mostram um Belchior atualíssimo, revelando-o por diversos ângulos, exercitando possibilidades ficcionais, misturando a vida de Belchior com suas próprias vidas, trazendo novos e curiosos significados para a sua arte… É um livro humilde, sem uma editora por trás, que será vendido pela internet ‒ mas se um dia chegar a Belchior, espero que ele se sinta carinhosamente abraçado e perceba o legado de amor que sua obra espalhou Brasil afora.

05- Como foi escrever a partir de uma canção dele?
RK: Minha canção preferida é Coração Selvagem, e eu tencionava escrever um conto a partir dela. Mas como outra autora a escolheu primeiro, deixei que a própria música me escolhesse. E aí quem me escolheu foi Divina Comédia Humana. No início, relutei, pois ela me soava estranha para basear um conto. Então, fui ler a Divina Comédia, de Dante, e percebi como Belchior se inspirou nela para criar a sua música, e então ela resplandeceu aos meus olhos. Meu conto fala da salvação pelo amor, mas o amor que liberta, e não o amor limitante das convenções. E como adoro complicar, escrevi o conto em terza rima, a mesma técnica que Dante usou para escrever seu magistral poema. Não sei se alguém antes já escreveu prosa em terza rima, mas foi o que fiz.

06- Qual a importância do Belchior para a nossa música? E qual a influência dele para esses escritores?
RK: Belchior trouxe a literatura e a filosofia para a música popular, o que é algo notável. Fez músicas muito profundas, que discorrem sobre temas que a maioria dos compositores da MPB evitam, e ainda assim ele foi popular. Ele foi original, aliando erudição e cultura do povo, crítica social e romantismo, paixão e inquietação existencial, e sua obra dialoga constantemente com outros escritores e artistas do passado e do presente. Belchior fez sucesso, sim, mas nunca se vendeu à cartilha do sucesso a todo custo. Lendo os textos desse livro, qualquer um poderá perceber que as ideias de liberdade, contestação e rebeldia, tão presentes na obra de Belchior, pulsam forte em cada página. Não tenho dúvidas de que para esses autores, o bardo bigodudo de Sobral é um precioso exemplo de lucidez nesses tempos cegos do essencial.

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PROGRAMA PAPO LITERÁRIO – TVC (fev2017)

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FALARAM DO LIVRO POR AÍ

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FalaramDoLivroTelegrafo-01Livro faz homenagem aos 70 anos de Belchior – Correio Braziliense, 02.10.16

Tudo outra vez – Diário de Pernambuco, 05.10.16

Livro “Para Belchior com amor” reúne histórias inspiradas na obra do compositor cearense – O Povo Online, 06.10.16

Ainda somos os mesmos – Diário do Nordeste, 07.10.16

Belchior 70 anos – EBC, 26.10.16

Celebrando o poeta – Diário do Nordeste, 26.10.16

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Muito bacana este projeto! Mais um canal de divulgação da extraordinária obra do grande cancioneiro e assim de estarmos sempre perto do inesquecível poeta. Super valeu a iniciativa!! Neyane Macedo Infurna, Rio de Janeiro-RJ – set2016

02- Ótimo livro! Já estou nas últimas páginas e amando a leitura. Recomendo. José Olinda, Acarape-CE – out2016

03- Muito bom! Belo projeto e excelentes textos!! Parabéns a todos! Jean Jertz, São Sepé-RS – out2016

04- Para Belchior com amor” é mais do que uma declaração sincera a um dos maiores artistas nacionais e ao conjunto de sua obra. Trata-se de uma releitura sóbria de canções que marcaram toda uma geração e que ainda arrancam um cantarolar de quem sequer sabe por onde anda este meu conterrâneo de Sobral/Ce. Nestes tempos em que a música verdadeiramente se confundiu com a literatura, Belchior deve ser enaltecido pela indiscutível beleza de suas letras e melodias. Daí porque a tarefa de escrever textos literários a partir de suas canções não é apenas instigante, mas das mais prazerosas. Em nome de todos os autores envolvidos, envio um abraço carinhoso para a querida Carmélia, que já não a vejo faz muito tempo, mas que soube diminuir a distância com o seu “Paralelas” (ou: A Macabéa e a Bailarina).
Aproveito para parabenizar o organizador da obra Ricardo Kelmer, o qual tive o prazer de conhecer no último sábado, através do amigo Rogers Tabosa, oportunidade em que lhe disse o quão gostaria de ter confessado o meu inquebrantável amor pelo Belchior neste irretocável projeto literário.
Por fim, o Belchior Sete Zero merece todos os aplausos, caríssimos Marta Pinheiro, Ricardo Kelmer e Rogers Tabosa! Mendes Junior, Fortaleza-CE – nov2016

05- Sou fã declarado de Led Zeppelin (inclusive, eternizei os símbolos em minha pele), mas, na minha singela opinião, nenhuma canção desse quarteto musical fantástico supera ‘Divina Comédia Humana’ de Bel, e foi justamente essa obra que você se dispôs a escrever, fazendo com que minha ligação com o livro fosse ainda maior.
Talvez o relato de Ana Karla Dubiela falando sobre ‘A Palo Seco’ seja o que mais me tocou no geral por falar mais diretamente sobre meu contexto social, mas fiquei muito feliz com o fato da sua coletânea abordar a obra do artista Belchior de maneira mais ampla e não se restringir somente ao ‘Alucinação’, possivelmente a obra mais aclamada dele. 
São relatos que, de maneira poética, surreal e direta contemplam descrições riquíssimas e inspiracionais sobre a as criações do cantor, mas, ao mesmo tempo, valorizam a externação dos pensamentos de cada um dos colaboradores como exímios escritores e conhecedores do tema, trazendo ainda mais o leitor/fã para dentro do livro. Guilherme Pinotti, São Paulo-SP – out2016

06- gostei muito, vale a pena ser lido varias vezes principalmente daquele capitulo que ele decide sair de casa e tambem o capitulo que uma mulher encontra ele num povoado. Bosco Boscão, Caruaru-PE – nov2016

07- Quero agradecer por esse livro dedicado ao Belchior, nossa cada texto maravilhoso! Fiquei num vício só! Bárbara Cipriano, Fortaleza-CE – nov2016

08- Muito muito muito bom!!! Adorei a leitura e quem presenteei com o livro também está amando! Valeu, Kelmer!!! Patrícia Ramos, Natal-RN – jan2017

09- Devorei o livro, reli e gostei muito dos belos textos, uma bela homenagem ao Belchior. Quero ainda adquirir seus próprios livros e conhecer sua escrita de excelente nível. Obrigado e abraços. SouzaIsaac Soares, São Carlos do Pinhal-SP – fev2017

10- Projeto maravilhoso esse. Zilhões de parabéns à quem o concebeu, o elaborou e o realizou! Que micromobilização criativa fantástica em torno de uma personalidade criativa, que optou pela desistência como revelação. Cá com meus botões, fico só me perguntando: esse livro estaria existindo, em Alagoas, se Belchior fosse alagoano? Ricardo Maia, Maceió-AL – fev2017

11- Acabei de ler o livro “Para Belchior, com amor”. Gostei bastante,mas por uma questão pessoal destaco o seu conto”Divina Comédia Humana”; “Na hora do almoço”, de Gero Camilo, “Fotografia 3×4”, de Raymundo Netto e “Sujeito de sorte”, de Jeff Peixoto. Voltando ao seu conto: Gostei demais do seu estilo e vi no Kindle algumas obras suas ,que pretendo comprar e ler brevemente! Gostei tanto do livro que li de uma só vez e pretendo reler qualquer dia desses! Citei parte do seu conto na minha página do Facebook. Luis Carlos Trajano – Areia-PB – fev2017

12- Cara não saiu nem do carro, onde parava lia, quando comia lia, cochilando ainda lia e hj ao amanhecer a leitura completa se concluía. ….shooow!! Emelynne Pontes, Fortaleza-CE – mar2017

13- Leitura de hoje! Obrigada por este livro maravilhoso, Ricardo Kelmer! Luana Santana, Teresina-PI – mar2017

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