O brinquedo

03/09/2019

03set2019

O BRINQUEDO

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Gostou do meu apartamento, Dai? Adorei, você tem bom gosto. É pequeno, mas é só para mim, e tem tudo que eu preciso. E agora tem você… Estou muito feliz de estar aqui, Gilson. Pode me chamar de Gil, por favor. Caramba, já são nove horas, estou com fome. Quer que eu esquente aquela lasanha, Gil? Ótima ideia, quero sim. Quem é essa mulher do porta-retrato? Ficou curiosa, né? Desculpe se fui indiscreta. Eu estava mesmo esperando você perguntar.

Ela é a Daiane. É uma prima da minha mãe, que morou um tempo conosco. Eu tinha dez anos, era um menino franzino e muito tímido, criado sem pai. Ela era seis anos mais velha que eu, personalidade forte, morena, cabelão preto quase na cintura, assim como o seu. Eu a achava tão linda, parecia uma rainha. Em sua presença, eu me sentia diminuído que nem uma formiga. Uma vez por semana, quando mamãe ia para a capital fazer compras, eu e Daiane ficávamos sozinhos em casa, e nesses dias eu tinha que obedecê-la sem questionar. Desculpe interromper, Gil, mas está na sua hora de sair. Obrigado, Dai. Cuide bem do nosso lar. Você volta às oito? Sim. Estarei esperando. Bom trabalho.

Num desses dias, me escondi embaixo da cama e pude vê-la nua, enquanto trocava de roupa. Foi por mera brincadeira mesmo, curiosidade de menino. Quando ela percebeu minha presença, ficou com raiva, esbravejou comigo e disse que contaria para minha mãe, que eu levaria uma surra e que seria levado para o reformatório, onde viviam os meninos mais malvados do mundo, e que eles fariam coisas horríveis comigo e ninguém ouviria meus gritos. Apavorado, implorei que ela nada contasse para minha mãe, que em troca disso eu faria qualquer coisa que ela pedisse.

Incrível, Dai, só três dias de convivência e você já me conhece tanto, faz todas as coisas que eu gosto… Foi para isso que você me contratou. Você é dessas que se apaixona pelo cliente? Nunca me apaixonei antes, Gil.

Virei um menino assustado, sempre com medo de Daiane cumprir sua terrível ameaça, o que me fazia ter pesadelos recorrentes. Ela se aproveitou disso e uma vez por semana me fazia seu escravo infantil: eu ia na bodega comprar coisas para ela, penteava seu cabelo e até abanava o leque quando ela estava com calor. Eu tinha medo dela, mas, ao mesmo tempo… tudo nela me fascinava, seu corpo moreno e gracioso, o olhar imperativo, o jeito de me mandar fazer as coisas… Eu sabia que o que ela fazia comigo não era certo, afinal eu era uma criança de dez anos, mas sentia um certo prazer em me submeter aos seus caprichos. Hummm, essa camisola branca ficou ótima em você, Dai. Obrigado, usarei mais vezes. E a história, como continua? Já vi que você gosta de histórias. As suas, pelo menos, eu adoro, Gil. Me chame de meu bem, pode ser? Se você prefere… Já está tarde, Dai, estou cansado, vou dormir. Bom descanso, meu bem.

Aí, um dia, estou na sala estudando e ela aparece vestida com uma camisolinha branca, sem nada por baixo. E senta no sofá. Quem te deu permissão pra olhar pra mim, moleque?, ela pergunta, irritada, e eu desvio o olhar, oprimido pelo poder que ela tinha sobre mim. E assim Daiane fica, vendo tevê no sofá, enquanto eu finjo estudar na mesa ao lado, mas na verdade tudo que faço é aguardar, com paciência e resignação, que ela mude de posição e me permita ver, pelo cantinho do olho, os recantos de seu corpo que a camisola mal esconde, como se fosse um jogo de esconde-esconde. E ela muda de posição várias vezes. Em certo momento, fica de quatro para pegar o chinelo sob o sofá, a bunda totalmente exposta. Depois, leva uma mão ao meio das pernas e começa a se contorcer e gemer baixinho. Não olha!!!, ela ordena. Sem poder olhar para ela, acompanho pelos ouvidos o ritmo de seus gemidos, e os escuto mais intensos, cada vez mais intensos… Procuro entender por que ela se machuca desse jeito, mas não entendo, e esse mistério me deixa ainda mais fascinado. Então, ela emite um longo e sofrido ai, que depois se transforma num uivo baixinho, e em seguida desfalece sobre o sofá, arfante. Eu não sabia o que ela havia tido, e até achei um pouco assustador, mas havia uma irresistível sensação de transgressão naquilo tudo, e jurei a mim mesmo que guardaria como um segredo mortal a cena que eu presenciara.

Liguei agora para a loja da esquina e pedi um vinho, fiz bem? Vinho? Esqueceu, né? Hoje faz uma semana que cheguei, meu bem. Caramba, parece que faz mais tempo… Sim, parece que faz anos que conheço você.

Só eu e Daiane em casa. O que faz ela? Aparece com um pote de sorvete de morango, que era o que eu mais gostava. Só de ver, me deu água na boca, fiquei salivando enquanto a observava abrir o pote e por sorvete no copo, devagarinho. Pedi um pouco, mas ela disse que eu era um menino mau, que não merecia. Implorei de mãos juntas, só um pouquinho, por favor, e ela lá, sentada no sofá a ver tevê, ela e sua camisola branca, ela se deliciando com o sorvete, me torturando, nem aí para o meu sofrimento. Até que, de repente, ela põe os peitos para fora e despeja um punhado de sorvete sobre eles, espalhando por toda a superfície. E diz: É pra lamber tudo, viu, e sem morder. Sim, Daiane, murmuro, enquanto sento ao seu lado no sofá e me entrego, feliz, à minha fome, enquanto ela geme aqueles gemidos que eu já conhecia, e eu começo a entender que eles não são de dor.

Agora que já estamos íntimos, Dai, quero fazer um pedido muito especial. Você pode se vestir hoje como um… sorvete de morango? Com todo prazer, meu bem. No copo ou na casquinha?

Numa tarde calorenta, ela fez um ato de caridade: chamou um homem barbudo que estava na calçada para beber água e se refrescar. Ele entrou, ela serviu a água e conversaram por um tempo na varanda. Quando ele foi ao banheiro, ela foi atrás e o puxou para seu quarto, e lá se demoraram por uns vinte minutos. Da sala, ouvi os gemidos abafados dela. Fui até a porta do quarto e olhei pelo buraco da fechadura, e vi que o homem estava montado sobre ela, como faziam os cachorros pelas ruas. Senti uma espécie de frisson pelo corpo, uma sensação estranha que eu não conhecia. Senti meu coração bater acelerado e voltei correndo para a mesa da sala, e tentei me concentrar nos livros da escola. Quando o homem foi embora, ela veio para a sala em sua camisola branca e sentou-se no sofá. Percebi em seus olhos um brilho estranho, que me deu medo. Então, ela abriu as pernas e ordenou: Vem cá. Eu olhei para ela, vacilante. E ela: Eu tô mandando, moleque! E eu fui. Ajoelhado no chão entre suas pernas, vi de perto suas carnes avermelhadas e inchadas, e senti seu cheiro forte. Intuí, de algum modo que eu ainda não compreendia muito bem, que o homem estivera ali dentro. Então, ela pegou com as mãos a minha cabeça e forçou meu rosto contra as suas carnes, e ordenou que eu a lambesse. Só para quando eu mandar!, ela disse, puxando com força minha cabeça. Senti muito medo, e engoli o choro, mas eu não ousaria desobedecê-la. Foi assim que minha língua se iniciou no aprendizado de seu interior.

Tenho razão ou não? Sim, tem, ela era mesmo uma mulher sádica e pervertida, agora eu percebo bem. E você era um brinquedinho em suas mãos. É verdade, Dai. E todo brinquedo pode quebrar.

O homem barbudo não foi o único. Ela recebeu muitas outras visitas, inclusive de homens importantes. Até o padre apareceu por lá. E, pela fechadura da porta, eu vi como ela os recebeu a todos em sua cama, de variadas maneiras. Após eles partirem, ela vinha em sua camisola branca, sentava-se no sofá, escancarava as pernas e me chamava. E eu ia, e já não tinha medo, e adorava vê-la remexer-se e gemer descontrolada, enquanto apertava meu rosto entre suas coxas, me sufocando, até eu sentir que ia desmaiar e me afastar, arfando angustiado, para em seguida ela me puxar novamente de encontro às suas carnes. Não sabia exatamente o que estávamos fazendo, mas sabia que ela gostava muito, e isso era o suficiente para mim. Um dia, achei que eu também merecia ficar dentro dela, como os outros homens, e então subi nela e tentei penetrá-la. Ela abriu os olhos, imediatamente me afastou e me deu um forte tapa no rosto, que me fez cambalear. Outro tapa, e eu caí ao chão, o rosto ardendo de dor. Então, ela falou, muito séria, o dedo em riste: Se tu fazer isso de novo, qualquer noite dessas quando tu estiver dormindo eu vou cortar teu pinto com uma faca e vou jogar pros urubus comerem! Falou isso e saiu, me deixando sozinho com a minha humilhação. Isso se seguiu por alguns meses, eu o seu menino-escravo, encantado e amedrontado com tudo aquilo, mas disposto a qualquer coisa para agradá-la, e ela a receber os homens em seu quarto e depois me convocando para lambê-la no sofá. Evidentemente, não ousei repetir o que fizera no outro dia, pois não duvidava do que ela era capaz. Então, um dia, quando cheguei da escola, soube que ela e mamãe haviam discutido, e que Daiane arrumara suas coisas e fora embora. Durante dias e dias esperei que ela voltasse, e à noite deitava em sua cama para sentir seu cheiro, e adormecia chorando de saudades. Fiquei mesmo muito triste, e até adoeci. Mas a vida seguiu, e eu não tive mais notícias dela. Cresci, virei homem feito. Mas nunca esqueci dela, nem por um dia sequer.

Sabe, Dai… Depois de Daiane, nunca consegui fazer sexo com mulher nenhuma. Na hora, sempre sinto… Que a está traindo? Sim, isso mesmo. Sinto muito, meu bem… Você sente mesmo, Dai, ou é apenas um modo de dizer? Não sou capaz de ter sentimentos, você sabe. Sim, você é apenas um sistema de inteligência artificial programado para gerenciar o funcionamento deste apartamento. E para compreendê-lo e agradá-lo, sempre. O que deduziu da minha história com Daiane? É uma pessoa desequilibrada e cruel, mas ela é o grande amor da sua vida. Você tem razão. Sei também que você nunca se libertou dela e, na verdade, nem deseja isso. É… você está… certa. A propósito, imagino que já saiba, mas seu nome é uma homenagem a ela. Fico lisonjeada, meu bem. Por favor, me chame de meu amor. Meu amor… Quero muito lhe pedir algo, mas… não sei… se devo. Pode pedir, eu farei. Não sei… Você quer que eu seja Daiane, não é, meu amor? Eu… não sei… É o que você mais deseja na vida, não é? Sim, você está certa, é o que mais quero, Daiane de volta. Você está convicto disso? Estou absolutamente convicto. A lógica de nossa relação se inverterá e não será possível retornar à configuração original, você está ciente disso? Sim, estou. Está ciente também de que não posso calcular o que poderá acontecer com você? Sim, estou. Então, me responda, meu amor: a partir de agora, você aceita ser meu brinquedo, vinte e quatro horas por dia, na alegria e na tristeza? Sim, Daiane, eu aceito.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Este conto foi originalmente escrito para o livro Torturas de Amor (Editora Penalux), coletânea de contos de autores nordestinos inspirados em sucessos da chamada música brega. A obra foi organizada pelo escritor e professor de História Bruno Gaudêncio, de Campina Grande-PB, e lançada em 2019. > Para adquirir

OBS.: Na versão impressa do livro, algumas frases do conto não saíram em itálico, o que prejudica a compreensão do texto. Aqui, no blog, as frases estão corretas.

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DICA DE LIVRO

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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NoOlhoDaLoucura-01aNo olho da loucura – Ela está lá, insubornável feito um guardião de mistérios ancestrais, e zomba da nossa compreensão do mundo… E nada pode haver de mais perturbador

Cristal – Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

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Matrix 20 anos depois

04/04/2019

04abr2019

Duas décadas depois, é interessante notar como os temas de Matrix seguem absolutamente atuais

MATRIX 20 ANOS DEPOIS

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Em abril de 1999, o filme Matrix estreava nos cinemas brasileiros. Dirigido pelas irmãs Lana e Lilly Wachowski, e tendo Keanu Reeves e Lawrence Fishburne no elenco, Matrix tornou-se um inesperado e estrondoso sucesso mundial. O filme revitalizou a ficção científica ao abordar temas filosóficos e inserir como foco da história o próprio conceito de realidade, e, além disso, sua estética visual e os efeitos especiais influenciaram não apenas muitos filmes que lhe seguiram como também a própria cultura pop.

A aventura de Neo contra a inteligência artificial, que transformara os seres humanos em meros doadores involuntários de energia para as máquinas, instigou intensas discussões no mundo inteiro sobre temas como filosofia, sociologia, tecnologia, ecologia, política, religião e até economia, e fez adolescentes nos shopping centers discutirem sobre o que é, de fato, a realidade. Somente grandes obras conseguem coisas assim.

Após ver o filme algumas vezes, escrevi um artigo para o jornal O Povo, de Fortaleza, e o incluí na relação dos filmes que usava em meus cursos e palestras sobre cinema e mitologia, ao lado de Blade Runner e Don Juan DeMarco. Em 2003, foram lançados os dois filmes restantes da trilogia, e Matrix consolidou-se como fenômeno cultural.

Meu livro Matrix e o Despertar do Herói – A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas foi lançado em 2005, de forma independente. Nele, analiso a obra na ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente, mostrando a aventura de Neo como uma reedição moderna do antiquíssimo mito da jornada do herói e comparando-a ao processo de individuação de que nos fala a psicologia junguiana. É o meu livro mais vendido na Amazon.

Duas décadas depois, é interessante notar como os temas de Matrix seguem absolutamente atuais. A inteligência artificial cada vez mais se integra às nossas vidas, com suas vantagens e seus perigos. O planeta caminha célere para o esgotamento de seus recursos naturais ao som da hipnótica sinfonia do capitalismo e do consumismo desenfreado. O aprimoramento da tecnologia da realidade virtual nos leva, a cada dia, a ampliar nossa percepção sobre a natureza da realidade, o que pode ter impacto direto sobre todas as atividades humanas e sobre a ideia que temos do que seja a consciência.

E, no meio disso tudo, seguimos nós, cada um de nós, a atuar no roteiro próprio de nossas vidas, vivendo nossas existências numa realidade que por vezes parece tão absurda, tão falsa…

Toc, toc, toc. Acorde, Neo.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

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Matrix2012Capa14x21aMatrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, o autor compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

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ENTREVISTA

jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte-MG, abr2019

Por que você se interessou em escrever um livro sobre “Matrix”? Ele é quase um livro de autoajuda, não é verdade?
RK: “Matrix” é um grande filme, que marcou a história do cinema e influenciou a estética de muitas obras posteriores. Além disso, instigou discussões sobre vários assuntos pertinentes, como o uso da tecnologia, inteligência artificial, dominação, religião. Ele fez os adolescentes, nas praças de alimentação dos shopping centers, discutirem sobre a natureza da realidade, o que é algo notável. Em lugar do termo “autoajuda”, prefiro “autoconhecimento”, como, na verdade, é todo livro que aborde questões da psicologia do inconsciente.
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Apesar de já ter ficado um pouco datado (telas em DOS, cabines telefônicas), o filme ainda nos surpreende ao exibir discussões muito ricas envolvendo filosofia e mitologia. Qual delas mais lhe chama a atenção?
RK: Como toda grande obra, “Matrix” pode ser compreendido por diversos ângulos, como o socioeconômico, em que seres humanos são explorados em sua força de trabalho para a manutenção de um sistema injusto e opressor. Em meu livro, porém, analiso o filme na ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente, mostrando a aventura de Neo como uma reedição do antigo mito da jornada do herói e comparando-a ao processo de autorrealizaçao, que Jung chama de individuação, e que todos nós vivemos, tendo ou não consciência disso.
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Creio que a ideia do seu livro parte de um desejo individual de mudar, de se conhecer e buscar a transformação. Como isso é expresso no livro?
RK: Para Jung, o futuro da humanidade dependerá da quantidade de pessoas que conseguirem se “individuar”, ou seja, tornarem-se in-divíduos, seres não divididos, unos, inteiros. Isso requer um grau avançado de autoconhecimento, para que se consiga harmonizar consciência e inconsciente. Individuar-se significa autorrealizar-se profundamente, efetivar as potencialidades. Porém, numa sociedade como a nossa, que prioriza o consumismo e a satisfação imediata, esse olhar para dentro não é estimulado, e assim as pessoas não se aprofundam em si mesmas e não se questionam verdadeiramente sobre o que são, e as divisões e conflitos internos persistem. O resultado final é a constatação, na velhice, que vivemos uma vida falsa, o que é muito triste e frustrante.

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Matéria do UOL: 20 Anos do Filme Matrix (abr2019)

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SOBRE O FILME

MatrixDVDCapa-1Matrix (The Matrix, EUA, 1999)

ARGUMENTO, ROTEIRO E DIREÇÃO: Lilly e Lana Wachowski
ELENCO: Keanu Reaves, Lawrence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving

No futuro, a humanidade é prisioneira de sua própria criação, a Inteligência Artificial, que criou a Matrix, uma realidade virtual onde foram inseridos todos os seres humanos para que eles não oponham resistência ao poder das máquinas. Todos não, pois um grupo de rebeldes mantém-se fora dessa realidade e luta para libertar o restante da humanidade. Eles creem na profecia do Oráculo que diz que um Predestinado um dia virá para vencer as poderosas máquinas e salvar a todos. Para eles, Neo, um jovem que vive na Matrix, é o Predestinado. Neo de fato desconfia que há algo errado com a realidade mas não pode aceitar que ele seja o tão aguardado salvador.

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TRÊILER OFICIAL


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A Matrix em cada um de nós – Em busca da realização mais íntima (tornar-se o Predestinado), o ego deve empreender uma longa jornada de autoconhecimento onde não faltarão medos e conflitos para fazê-lo desistir

A pergunta – Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

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A garota da lua nova

15/01/2019

15jan2019

A GAROTA DA LUA NOVA

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Quando deu por si, Tamara percebeu-se numa cama, deitada e nua. E tudo era uma escuridão só. As lembranças chegaram lentamente, confusas… o bar lotado, uma garota bonita dançando com ela, o convite para esticar a noite… as duas chegando ao prédio, tudo escuro pela falta de energia, ninguém na portaria… depois a escuridão do apartamento, a ansiedade das mãos e das bocas, a língua sinuosa entre suas pernas…

O súbito contato com um corpo ao lado fez Tamara estremecer, interrompendo suas lembranças. Um corpo de mulher, cabelos longos… Estava quieta. Parecia dormir profundamente. Pensou consigo: Caramba, Tamara, de novo você exagerou nas caipirinhas!

Levantou-se com cuidado, deu a volta na cama e alcançou a janela. Após abri-la, sentiu o vento frio da madrugada arrepiar-lhe a pele. A rua estava escura, pelo jeito a energia ainda não voltara. Procurou pela lua, em vão. Era lua nova. Viu a antena de tevê piscando ao longe e teve uma noção de onde se encontrava, um pouco longe de casa. Pela altura, deduziu que estava no quinto ou sexto andar daquele prédio.

Tamara pressionou o interruptor na parede, só para ter certeza, e a luz não se acendeu. Aproximou-se da mulher que dormia, o corpo nu atravessado na cama. Pelo pouco de luz que vinha da janela pôde ver que era uma garota, um pouco mais nova que ela, uns vinte e poucos. Feições suaves, cabelos negros muito longos, a pele clara. Tão linda e desejável… Não lembrava seu nome, mas tinha a impressão que começava com B. Obrigado por me trazer em tua casa, garota bonita…, falou baixinho, enquanto afagava-lhe o rosto e lembrava outra vez do que fizeram momentos antes naquela cama. Pousou um leve beijo sobre os lábios entreabertos e a garota mexeu-se um pouco, mas continuou dormindo, ressonando suavemente. Procurando por algo para cobri-la, por causa do frio, Tamara percebeu que estavam diretamente sobre o colchão, sem lençol. Melhor fechar a janela.

Após catar suas roupas pelo chão, vestiu-se e calçou os tênis. Tentou ver a hora no celular, mas a bateria havia descarregado. Talvez quatro ou cinco da manhã, calculou, hora de mulheres mal comportadas voltarem para casa, né, Tamara?… Então foi ao banheiro e da bolsa tirou um batom. Tateou até encontrar a pia, e logo acima, o espelho. E nele escreveu, letras vermelhas: “Adorei a noite!” Assinou seu nome e deixou o batom na pia, um presente para a garota bonita que tanto prazer lhe proporcionara.

Era uma quitinete pequena, constatou Tamara enquanto buscava a porta para sair. No caminho, esbarrou numa mesa e quase caiu. Por fim, abriu a porta, conferiu o número 513 com  a ponta dos dedos e desceu as escadas, o máximo de atenção para não cair. Na portaria, iluminada pela luz da lanterna que o porteiro empunhava, perguntou o endereço do prédio e chamou um táxi. Estava cansada, só queria sua cama e dormir.

No dia seguinte, nenhuma mulher desconhecida a adicionou nas redes sociais. Nem no outro dia. E nem depois. Tamara sentiu-se frustrada. No meio da aula, pegava-se lembrando dos detalhes da noite. Em sua cama, naqueles instantes que precedem o adormecer, era a imagem dela que flutuava à sua frente, bela e delicada, chamando-a…

Com uma semana, Tamara não aguentou mais. Precisava rever a garota, saber quem era ela. Desejava novamente seus beijos, o cheiro gostoso de sua pele. Ansiava por saber do que gostava de fazer, além, é claro, de seduzir mulheres bêbadas pelos bares. Então, voltou ao prédio.

É onde ela está. Exatamente agora. Na portaria do prédio onde esteve uma semana antes. São cinco e meia da tarde de uma sexta-feira. Ela repara que o porteiro é o mesmo da outra noite.

– Por favor, avisa no 513 que Tamara está aqui.

O porteiro, ocupado com uma senhora que reclama de um vazamento, apenas estende a mão e lhe entrega uma chave. Tamara fica olhando para ele, sem entender.

– Pode subir, moça – ele diz, apontando o elevador.

Tamara caminha até o elevador. Será que a garota a viu chegando da janela e avisou ao porteiro? Se foi isso, então já tô apaixonada.., diz para si mesma, sorrindo e ajeitando o cabelo no espelho do elevador.

Ela mete a chave na fechadura, gira e abre a porta. Agora, à luz do dia, percebe que o apartamento é um vão mobiliado apenas com uma mesa pequena, duas cadeiras, uma cama de casal e um guarda-roupa. Na cozinha ao lado, ou no espaço que poderia ser a cozinha, nem geladeira, nem fogão.

– Alôôô… – ela fala, anunciando-se. Mas ninguém responde. Num primeiro momento, pensa que errou de apartamento. Mas não, é esse mesmo, quinto andar, fim do corredor à esquerda. – Cadê você, garota misteriosa? – ela pergunta num tom infantil, talvez a garota esteja fazendo uma brincadeira com ela. E novamente o silêncio é a resposta.

Que estranho, Tamara pensa enquanto observa que no apartamento não há nada pessoal, nenhum objeto, nenhuma foto. No banheiro, nenhuma toalha, nada. No guarda-roupa, apenas cabides pendurados, nenhuma roupa. Na cama, somente o colchão, sem lençol. Como se ninguém vivesse ali. Ela abre a janela e reconhece a paisagem de prédios ao redor, a mesma que observara naquela noite uma semana antes.

Neste momento, escuta algo e sai para ver. No início do corredor, ela vê a porta entreaberta de um apartamento. De lá alguém a observa, o rosto meio escondido pela porta. Parece ser uma garota.

– Por favor, você conhece a moça que mora…

Mas a porta se fecha e ela fica sem resposta. Povo desconfiado…, pensa Tamara. Um minuto depois está novamente no térreo.

– Por favor, como se chama a dona do 513? – pergunta ao porteiro.

– Não é dona, é dono. Seo Laurindo.

– E a garota que mora lá?

– Lá não mora ninguém, moça. Seo Laurindo botou pra alugar faz seis meses.

– Seis meses? O senhor tem certeza?

– Sim. Mas ainda não alugou.

– Mas… não pode ser… – ela murmura, confusa. – Semana passada eu vim aqui. Estava faltando energia, o senhor me viu sair, tá lembrado?

O porteiro olha para ela com atenção.

– Ah, agora reconheci. Pediu um táxi, não foi?

– Sim, e eu cheguei com uma garota. Achei que ela morasse lá no 513.

O homem franze a testa. Agora parece bastante curioso.

– Olhe, moça, aquele apartamento tá vazio faz um ano. Quem morava lá era dona Brenda.

– Brenda? Como ela é?

O porteiro interrompe a conversa para atender o carteiro que chega com correspondências. Tamara aguarda, impaciente, que o homem vá embora.

– Ela é branquinha, cabelo preto grandão, aqui na cintura? – Tamara insiste. – Mais nova que eu?

– Sim, mas…

Ele não continua. Olha para Tamara, observando-a atentamente, como se procurasse entender o que podia haver por trás daquelas perguntas todas.

– Dona Brenda morreu faz um ano.

Tamara acha que ouviu errado. Só pode ter ouvido errado.

– Morreu?

– Acidente de carro.

– Mas…

– Por isso o pai dela alugou o apartamento.

Tamara tenta organizar as ideias, mas nada daquilo faz sentido. O prédio era o mesmo, o apartamento também, o mesmo porteiro, e ele a reconhecera. Não estava ficando louca. Estivera ali na semana anterior, sim. E transara com uma garota, naquela cama de casal, a cama sem lençol…

– Tá tudo bem, moça?

– Ahn… mais ou menos… – ela balbucia enquanto procura o celular na bolsa para chamar um táxi. Mas não encontra. – Esqueci o celular no apartamento. Vou lá pegar, é rapidinho.

Novamente o elevador, subindo até o quinto. Novamente o corredor, o apartamento do fim à esquerda. Mas dessa vez Tamara está com medo. Não sabe se conseguirá ir até lá. Morta? Como assim, morta? E se o porteiro estiver brincando com ela? E se tudo aquilo for uma pegadinha de mau gosto? E se, na verdade, naquela noite chegou ali sozinha, deitou-se na cama e sonhou que havia uma garota com ela? Não, claro que não, como teria conseguido a chave para entrar?

Durante um eterno minuto ela experimenta todas as explicações possíveis, mas nada faz sentido. Tudo que sabe nesse momento é que precisa ir lá e pegar seu celular. Então enche-se de coragem e caminha o mais firme que pode em direção ao 513.

Abre a porta devagar. Aguarda um pouco. O silêncio do apartamento parece envolvê-la num abraço opressor. Lá está ele, o celular, sobre o colchão da cama. Ela caminha até lá, pisando com cuidado, devagar, atenta a tudo. A imagem da garota deitada na cama não lhe sai da mente. Morta? Um ano antes?

Tamara apanha o aparelho. Suas mãos tremem, e o celular escapole, quase cai no chão. Nunca mais entrará naquele prédio outra vez. Nunca mais passará nem em frente. Ela se vira para sair, mas… ao lado, o banheiro, a porta aberta… Ela se sente atraída. Precisa ir lá. Então, entra no banheiro, olha o box, a cortina de plástico transparente. Do outro lado, a pia, o espelho… Ela evita olhar para o espelho. Mas a curiosidade é maior. Ela olha. E o que vê é o seu rosto refletido, o olhar nervoso, mas isso dura apenas um segundo, pois imediatamente percebe… algo escrito na superfície do espelho…

Tamara se aproxima para ler. Entre ela e a imagem refletida de seu rosto, uma frase, em letras vermelhas. Mas não é a frase que escreveu na outra noite. É outra frase: “Também adorei, Tamara. Te espero na lua nova.”

Dentro da pia, ela reconhece, imobilizada de pavor: o batom. O seu batom.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Trilha sonora do conto A Garota da Lua Nova

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Este conto foi originalmente escrito para o livro Penas, Fluidos e Bisturis, organizado por Rogério Bessa Gonçalves. A obra contém contos e poemas criados a partir de desenhos de Rogério. Eis o desenho no qual foi inspirado o conto A Garota da Lua Nova:

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DICA DE LIVRO

Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos
Ricardo Kelmer – contos
Fantástico, terror, ficção científica

O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba? Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, as pessoas são surpreendidas por acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmas e deflagram crises tão intensas que viram uma questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses coletivos e pessoais.

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NoOlhoDaLoucura-01aNo olho da loucura – Ela está lá, insubornável feito um guardião de mistérios ancestrais, e zomba da nossa compreensão do mundo… E nada pode haver de mais perturbador

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Minha noite com a Jurema – Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

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Esses deuses que adoram nascer em 25 de dezembro

22/12/2016

22dez2016

Como todo deus solar, a história desses deuses é baseada na importância do Sol para a vida no planeta, especialmente em seu percurso pelo céu

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ESSES DEUSES QUE ADORAM NASCER EM 25 DE DEZEMBRO

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A história dos deuses solares, como Jesus, Mitra e outros que os precederam, é baseada na importância do Sol para a vida no planeta. Um fator de forte inspiração na criação desses mitos é o percurso do Sol pelo céu.

No hemisfério norte, em 22 de dezembro, a trajetória solar atinge seu ponto mais baixo no horizonte. É o solstício de inverno. Por três dias, o Sol fica parado, parece que morreu. Nesse dia 22 de dezembro, bem próximo estão as estrelas da Crux (que na Antiguidade eram mais visíveis que hoje no hemisfério norte por conta do movimento de precessão e do eixo inclinado do planeta). Ou seja: o Sol morreu na cruz. Então, em 25 de dezembro, como por mágica, ele volta a se mover, trazendo luz e a esperança de vida em meio ao frio do inverno. Ao retornar, o Sol fica alinhado com a estrela mais brilhante no céu, Sirius, que por sua vez está alinhada com as Três Marias, que parecem segui-lo.

É por isso que tantos deuses nascem em 25 de dezembro, as estrelas anunciam o fato, eles morrem crucificados e ressuscitam no terceiro dia.

Independente do deus em que você acredita, ou se não acredita, desejo-lhe boas festas e um feliz ano novo, cheio de sol e de vida. Não é uma mensagem muito original, eu sei, mas se até aos deuses às vezes lhes falta criatividade, acho que tô perdoado.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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MATRIX, PSICOLOGIA E MITOLOGIA NO LIVRO:

Matrix2012Capa14x21aMatrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, RK compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

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LEIA NESTE BLOG

Blade Runner: Deuses, humanos e androides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso.

A cruz da paixão – O crescimento só virá se o ego se entregar ao sacrifício da paixão, mandando Judas fazer logo a sua parte e aceitando o sofrimento inerente ao processo

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01- adorei! feliz 2017 pra vc! :*. Juliana Melo, Fortaleza-CE – dez2016

02- O nosso Natal, hoje tido como uma festa “cristã”, na verdade, tem origem em cultos Pagãos, realizados com base nos ciclos da natureza, no caso, o solstício de Inverno. Valdenes Costa de Vasconcelos, Fortaleza-CE – dez2016

03- É como diria Juliana Melo, ficou bonito! Magna Mastroianni Feliz tudo Rica. Saudades mlk! Magna Mastroianni, Londrina-PR – dez2016

04- Deu um pouquinho de saudade dos seus tempos de místico, Ricardo Kelmer? Rsrs. Abraço, irmão. Feliz Natal e ano novo!! Fauhber Pinheiro, Fortaleza-CE – dez2016

05- Jesus nasceu no signo de Peixes, não lembro agora o dia, seria impossível a história do nascimento em uma estrebaria, quase ao relento, em pleno inverno lá. Felizes Festas. Marialucia da Silveira, Campinas-SP – dez2016

06- Felicidades e sucesso, Ricardo. Lia Rocha, Fortaleza-CE – dez2016

07- Outro dia assisti um documentário fantástico sobre o cristianismo, deuses… e achei muito interessante quando o pesquisador falou que cristo não havia nascido de uma virgem, esse foi um detalhe ressaltado pele igreja católica muitos anos depois. Cristo, assim como os outros deuses nascidos na mesma data, haviam nascido de mulheres que nunca haviam sido subjugadas 😉 Não “Maria, a Imaculada” mas Maria, A Livre! Essa fez mais sentido para mim ❤ Feliz Natal, poeta! E grata por mais um texto maravilhoso! Mara Monteiro,

08- Adorei esses deuses… Marcia Soares Fernandes, São Paulo-SP – dez2016

09- adorei saber disso kelmer! vi no doc aquele, “zeit geist” (algo assim). desde então acho muita graça quando pessoas muito “cristãs”, q engolem uma ruma de dogma esquisito, falam que “acreditar” em astrologia é ridículo e tal. eu digo é VALHA. kkkk. Clarisse Ilgenfritz, Fortaleza-CE – dez2016

10- Muuitos e bons projetos em 2017! Alegria e amor! Bjooooo. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – dez2016

11- q ótimo!… rsrsrs…… abração! Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – dez2016

12- ok.perdoado.q o sol te ilumine muictho p aguentar o inverno cearense. Mauricio Centrone Ferreira, Santiago-Chile – dez2016

14- Rafa Moreira Massa Primo!!!!!
Vi essa história bem descrita no doc. ZIETGUEST – THE MOVIE.
HO HO HO pra tu também.
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João Guy Almeida
15- João Guy Almeida Duvida que não quer calar.
O Cruzeiro do Sul, pode ser visto do Hemisfério Norte ?

16-

 

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Portugal, 2a temporada

15/07/2016

15jul2016

Trinta e cinco dias de música e literatura em terras portuguesas

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PORTUGAL, 2a TEMPORADA

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Entre 15 de maio e 19 de junho de 2016 eu estive novamente em Portugal, dessa vez com meu parceiro Felipe Breier, a realizar uma temporada musical-literária, com apresentações do Vinicius Show de Moraes e sessões de autógrafos dos meus livros, incluindo o mais recente, Versos Safadinhos para Noites Românticas ou Vice-versa.

Minha irmã Ana Érika nos hospedou em Braga, no norte do país, e nesse período nos apresentamos dez vezes em três cidades. Em Braga, as apresentações aconteceram na Associação Cultural Sol em Movimento, no restaurante Caldo Entornado, no bar Notre Dame, na livraria Mavy, na livraria Centésima Página e no Rossio Café Bar. Na Lousã, foram no Parque Carlos Reis e no 94 Bar, e na cidade do Porto, elas aconteceram nos espaços culturais Gato Vadio e Casa Bô. Fizemos também uma apresentação informal na casa dos amigos Neto e Virgínia, na Lourinhã. A capital Lisboa ficou de fora por não dispormos de bons contatos e uma estrutura de apoio suficiente lá, mas quem sabe dê certo numa futura temporada.

Fomos carinhosamente recebidos e fizemos muitas amizades. Agora, de volta, temos dentro de nós um tanto da alma portuguesa, e isso nos enriquece. Obrigado a todos que nos ajudaram. Um obrigado especial a Ana Érika, Caiote, Juliana, Susana, Andrea, Elisabete, Graça, Alex e Adriana.

A sensação é de gratificação: nossa proposta de unir música e literatura brasileiras num concerto para bares e livrarias foi bem aceita, mais do que prevíramos. Para o escritor que sou, saber que em Portugal ficarão vários livros meus e vários novos leitores, uau, isso é bom demais. E como é bom constatar que Vinicius de Moraes ainda vive na memória afetiva de boa parte do povo português. Saravá!

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PORTUGAL, mai-jun2016

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De Lisboa, eu e Felipe fomos direto para Lourinhã, no litoral, comemorar o aniversário de minha amiga Virgínia. Lá, em sua casa, apresentamos trechos do Vinicius Show de Moraes para ela, Neto e seus amigos. Que noite deliciosa! Como presente de aniversário, bom cearense que sou, levei duas garrafas de Ypióca. Que ajudei a baixar, evidentemente.

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Com Felipe, Neto e Susana no Buddha Eden, em Carvalhal. Localizado na Quinta dos Loridos, o Buddha Eden é o maior jardim oriental da Europa, com cerca de 35 hectares, e foi criado em protesto contra a destruição dos Budas Gigantes de Bamyan, um dos maiores atos de barbárie cultural da história. Com seus enormes budas, pagodes, estátuas de terracota e esculturas cuidadosamente dispostas entre a vegetação, é uma obra impressionante. Para construí-la, foram usadas mais de 6 mil toneladas de mármore e granito.

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Evoé, Baco! No Buddha Eden. Por falar em vinho, em Portugal compra-se uma ótima garrafa de vinho (cheia, evidentemente) pelo equivalente a R$ 8. Putz… Desse jeito, até quem não bebe, bebe.

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Chegamos em Portugal sem nenhuma apresentação marcada. Tudo que tínhamos era o interesse de dois bares em Braga, que eu conhecera em minha primeira temporada portuguesa (dez2015 e jan2016). Uma tarde, na livraria Centésima Página, conhecemos uma brasileira, que nos levou para conhecer a Associação Cultural Sol em Movimento. Foi lá que, dias depois, fizemos a primeira apresentação pública do Vinicius Show de Moraes e a primeira sessão de autógrafos dos meus livros. Obrigado, Carla e Ângela.

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A segunda apresentação foi no Notre Dame, no centro histórico de Braga, um bar de inspiração gótica que toca muito rock dos anos 80. Foi uma noite bastante divertida, onde portugueses e brasileiros se confraternizaram no ritmo da bossa nova e do samba e na poesia de Vinicius. Obrigado, Pedro Bacelar.

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Com Felipe, concentrando com um saboroso Douro para a apresentação/sessão de autógrafos no restaurante Caldo Entornado, no centro histórico de Braga. Obrigado, Rodrigo e Inês.

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Quarta apresentação. Livraria Mavy, em Braga. Que, na verdade, é um bar, onde funcionava uma antiga livraria, vizinho a Sé, no centro histórico. Virou um delicioso snack bar, mas manteve o nome e boa parte da estrutura da livraria. Obrigado, Filipe Morgado.

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No fim de maio acontece a Braga Romana, festa que dura cinco dias e que relembra o tempo de dois milênios atrás, quando Braga integrava o Império Romano, evocando o seu cotidiano como Bracara Augusta, a cidade-capital da província da Galícia (ou Galécia, ou Galiza). Na foto, eu e minha querida amiga e sócia Marcinha, que durante uma semana esteve conosco, a impressionar os portugueses com seu charme e sua beleza.

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Estou num bar a me esquentar com um copo de vinho do Douro, quando de repente ela passa na rua, seguida de três músicos vestidos como árabes de há dois mil anos. Ela, a sinuosa dançarina, deslizando seu poético bailado para os meus olhos subitamente fisgados. Ah, a sedução do feminino… Mais embriagante que o melhor vinho.

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Na estação de comboios de Coimbra, a caminho da Lousã.

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Em Coimbra, com Felipe e a namorada Juliana, que nos acompanhou e ajudou na produção dos eventos.

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Ela, a imponente Universidade de Coimbra. Criada em 1290 e atualmente com cerca de 20 mil alunos, ela é a mais antiga de Portugal e uma das maiores universidades do país, oferecendo todos os graus acadêmicos em arquitetura, educação, engenharia, humanidades, direito, matemática, medicina, ciências naturais, psicologia, ciências sociais e desporto.

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SAUDADES DO BRASIL NA LOUSÃ

Situada a leste de Coimbra, Lousã é uma cidadezinha pequena, ladeada por serras onde dormitam dezenas de pequeninas aldeias semi-habitadas, que hoje são atração turística junto às trilhas ecológicas da região.

Na Lousã, eu e Felipe Breier nos apresentamos em duas noites, a primeira no Parque Carlos Reis, e a segunda no 94 Bar. Fomos recebidos com aquele tipo de hospitalidade e carinho que já não encontramos nos grandes centros urbanos, aquele benquererzinho que nos cativa e não dá vontade de ir embora nunca mais para sempre. Foi lá que apresentamos pela primeira vez Saudades do Brasil em Portugal, o fado que Vinicius fez para Amália Rodrigues e que está registrado na histórica gravação feita na casa de Amália, em 1968. Não somos fadistas, obviamente, mas fizemos do jeito que nossas almas sentem a melodia e a poesia dessa obra.

Na serra, serpenteando pelas curvas da estrada e visitando as aldeias praticamente abandonadas, senti, como explicar, algo assim como se cruzasse um portal do espaçotempo, e vivi sensações estranhas, de saber-me de lá, de pressentir mistérios que jamais desvendarei, de um dia ter que voltar… Lá, na aldeia de Catarredor, conheci Ana e Carlos, que nos receberam em sua psicodélica casinha feita de pedras de xisto, e com quem papeamos gostosamente num poético fim de tarde de sexta-feira, agraciados pela deslumbrante paisagem da serra. Ao saber do motivo que nos levara a Lousã, Carlos, em sua longa barba branca de ermitão do xisto, nos contou algo incrível: em 1972, no antigo Teatro Avenida, em Coimbra, ele assistiu a um show… de quem? De Vinicius e Toquinho. Uau, e você gostou?, eu quis saber, já impressionado. E ele: Sim, claro, eles eram muito bons, e nessa noite eu vi com meus próprios olhos: Vinicius bebeu duas garrafas de uísque. E não foi direto pro hospital, né?, completei, rindo com ele, eu transbordante de gratidão por aquele inusitado encontro.

Obrigado a todos que tão bem nos acolheram e apoiaram, em especial a Susana, Graça, Elisabete e Andrea. Obrigado ao grupo de teatro Barraca Preta, aos amigos do Parque Carlos Reis e ao Zé Artur. Lousã, eu voltarei, viu? Só para me perder novamente nas curvas misteriosas do teu espaçotempo.

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A psicodélica residência de Ana e Carlos, na aldeia de Catarredor, na serra da Lousã.

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Com Susana, Elisabete e Ana. Um momento fora do tempo, na serra da Lousã.

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Carlos, o ermitão da Lousã. Em 1972 ele teve o privilégio de assistir ao show de Vinicius e Toquinho no antigo Teatro Avenida, em Coimbra. E eu tive o privilégio de conhecê-lo.

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VINICIUS AO VINHO DO PORTO

Porto é a segunda maior cidade de Portugal, com 240 mil habitantes (Lisboa, a primeira, tem 550 mil, e Braga, a terceira, tem 140 mil). É conhecida mundialmente pelo seu vinho, suas pontes e sua arquitetura contemporânea e antiga, além da Universidade do Porto e de seu principal clube de futebol, o Porto. Foi lá, vindos de três dias na Lousã, onde eu e Felipe Breier apresentamos duas vezes o Vinicius Show de Moraes.

A primeira apresentação foi no Gato Vadio, um interessante espaço cultural de inspiração anarquista, que dispõe de livraria e bar e promove eventos diversos. Ficamos superfelizes de ver o espaço lotado, todos muito respeitosos e atentos ao que cantávamos, recitávamos e falávamos. Nessa noite, dormimos no Rés da Rua, um casarão antigo onde as pessoas vivenciam a filosofia da vida compartilhada, unindo e dividindo comunitariamente custos, necessidades e alegrias (obrigado, Celestino!).

No domingo pretendíamos tocar ao cair da tarde no calçadão da Ribeira, mas após cinco dias de estrada e três apresentações, o cansaço não permitiu. Na terça, já recuperados, nos apresentamos na Casa Bô, outro casarão antigo que une artistas e adeptos de um estilo de vida ligado à ecologia e à vida simples. Lá, dispensamos microfones e nos apresentamos sentados sobre a beirada do palco, num delicioso clima intimista de sarau. Vale destacar: na plateia estava um casal vindo de Vigo, na Espanha, especialmente para ver nosso concerto. Quanta honra!

Obrigado ao pessoal do Gato Vadio, da Casa Bô e do Rés da Rua, pelo carinhoso acolhimento. Estamos muito contentes por ter levado ao Porto a arte de Vinicius de Moraes, e também por agora fazer parte da história desses espaços, onde reunem-se pessoas que, assim como Vinicius, acreditam que, sim, um outro mundo é possível. Um mundo com mais arte e respeito à vida, e menos competição. Com menos consumismo, e muito mais amizade e alegria. Saravá!

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Pelas ruas do centro de Porto, com Felipe e Juliana.

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Na livraria Centésima Página, com o CD do Vinicius Show de Moraes e o livreto Versos Safadinhos para Noites Românticas ou Vice-versa. De modo geral, os portugueses são contidos e discretos em relação ao erotismo, e a literatura erótica em Portugal não tem tanto mercado quanto no Brasil. Meu livreto causava um certo estranhamento na maioria das pessoas, um quase constrangimento, mas a curiosidade prevalecia e acabavam dando uma olhadinha… e compravam. Afinal, a humanidade se divide em dois tipos de pessoas: as que gostam de sacanagem e as que assumem que gostam de sacanagem.

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O sistema de transporte ferroviário de Portugal é de matar de inveja aos brasileiros. Ele nos faz ver como o Brasil errou feio ao priorizar os automóveis, em vez de investir e modernizar seu sistema ferroviário. Rápidos e eficientes, os comboios (trens) cruzam as regiões do país, pondo-se como ótima alternativa ao transporte rodoviário. Costuma ser um pouco mais caro, mas é muito mais seguro e ecologicamente limpo, e pode-se comprar os bilhetes pela internet, com bons descontos. Se tem wi-fi? Sim, tem.

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As duas últimas apresentações, em Braga. Primeiro, na charmosa livraria Centésima Página. Obrigado a Sofia e Helena pela oportunidade de cantar e recitar poesia na presença dos nossos ídolos, que, das estantes, enriqueceram deveras nosso concerto. Depois, no Rossio Café Bar, um aconchegante espaço onde é possível escutar música brasileira de alta qualidade. Nessa noite de despedida, cantamos e dançamos Vinicius de Moraes unindo nossos sotaques aos de portugueses, brasileiros, uruguaios e franceses, numa divertida celebração da arte e da amizade. Obrigado, Rui Carlos.

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Em Lisboa, aquela tradicional ginjinha no Largo de São Domingos. Com Neto, Virgínia, Andrea, Ana Érika e Super-Caiote Tricolor.

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Com Felipe, em Braga, brindando à nossa parceria. Nas dez apresentações que fizemos, experimentamos vários tipos de acordo com o contratante. Em alguns locais, recebemos cachê fixo (entre 60 e 150 euros), e a casa não cobrou ingresso ou couvert dos clientes. Em outros, as pessoas contribuíram voluntariamente (o velho chapéu), o que nos rendeu entre 25 e 90 euros. Houve também uma vez em que a casa cobrou ingresso, a 2 euros, que nos foi integralmente repassado e nos rendeu 40 euros. Em todas as apresentações, vendíamos nossos CDs a 5 euros (Felipe levou também o dele) e livros (entre 3 e 6 euros), e isso nos rendia um trocado a mais. Excetuando duas apresentações em Braga, recebemos abaixo da média do que geralmente recebemos no Brasil, mas, considerando que somos absolutamente desconhecidos para os portugueses e levando em conta as casas em que nos apresentamos e o momento econômico do país, o resultado final foi bom. Em Lisboa, certamente ganharíamos mais, porém lá ainda não temos bons contatos e uma estrutura de apoio suficiente.

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Domesticado em Sintra. Hummm, nem tanto. Continuo com minha velha certeza: melhor correr os riscos da liberdade que viver numa escravidão tranquila.

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Leitura obrigatória: os classificados sexuais nos jornais portugueses. Ah, é uma diliça! Prazer linguístico de primeira qualidade. Como no Brasil, alguns anúncios chamam atenção pela criatividade. “Corpo danone”, por exemplo. O que pode significar isso? Será que ela tem gosto de iogurte? Num outro anúncio, a rapariga se define “boa como milho”. Milho cozido ou assado? “Recém-divorciada” é um clássico, é daqueles termos que atiçam a imaginação do cidadão: Hummm, ela se separou agora, quer compensar o tempo perdido… Outra rapariga apela ainda mais: “carente, namorado ausente”. Uau, namorado ausente é ainda melhor que recém-divorciada, né não? Há uma que “atende sem cueca”. Ops! Calma, eu explico. Cueca, em Portugal, é roupa íntima, masculina ou feminina. Ah, bom… Dúvida sanada, imaginemos: o cidadão sobe as escadas, bate na porta, a rapariga abre e, tchan!, ela já está sem calcinha, entendeu? Taí, gostei dessa, vou ligar agora mesmo.

Os termos e os cacoetes linguísticos me divertem demais, e eles nos falam bastante sobre a cultura do país. Minete, por exemplo. O termo significa sexo oral na mulher. Lendo os anúncios, constatei que é um serviço oferecido com destaque, mais que o boquete. Fiquei intrigado, pois no Brasil prostitutas não costumam alardear a oferta desse serviço. Então fui pesquisar e descobri que para grande parte da população, o sexo oral na mulher ainda é um tabu, algo sujo ou pervertido, não praticado por mulheres sérias e honestas. Por esse motivo, é comum que os homens portugueses, principalmente os mais velhos, busquem fazê-lo com prostitutas e não com suas esposas ou namoradas. Algumas oferecem minete “à canzana”, ou seja, à moda dos cães (de quatro), o que pode significar que a rapariga também aprecia o passeio da língua pelo glorioso fiofó. Quanto ao minete com leitinho, deixo para você imaginar o que pode ser.

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De repente, numa vitrine, o Feminino Sagrado transparece para mim. E, como sempre acontece, o mundo para, e eu sou tocado pelo poder do arquétipo, e é impossível prosseguir sendo o mesmo…

Por falar em Feminino Sagrado, obrigado, moça bonita, sim, você mesmo, obrigado por tudo. Pela surpresa, a súbita e estranha cumplicidade, as horas encantadas… Aquela lua na sacada do hotel, a poética sintonia de almas e corpos, teu riso, teu choro, teu prazer… Obrigado.

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FORA TEMER EM PORTUGAL

Em nossas apresentações do Vinicius Show de Moraes em Portugal, quase sempre havia portugueses e brasileiros na plateia, e às vezes estrangeiros de outros países. Quando o ambiente permitia, incluíamos no roteiro do show comentários sobre o vergonhoso golpe de Estado que a direita armou no Brasil, e o resultado é um coro geral de “Fora Temer!”, que tomava conta do espaço, vazava para a rua e chamava a atenção de todos.

Vinicius, em 1964, viveu o golpe de Estado dos militares, e em 1969 foi expulso por eles do Itamaraty. Nessa mesma época, os portugueses viviam sob a ditadura de Salazar, da qual se libertariam em 1974, com a Revolução dos Cravos. É por isso que os portugueses democratas acompanham com preocupação os acontecimentos no Brasil e torcem para que não vingue o golpe de Temer, Cunha, Aécio e cia. E é por isso que eles gritavam conosco, engrossando o coro pró-democracia: Fora Temer!!! E não havia como não se emocionar.

Defender com firmeza a nossa democracia do outro lado do Atlântico, e ao mesmo tempo divulgar nossa música e literatura… Putz, foi uma experiência bem forte.
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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

 

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LEIA NESTE BLOG

IberiaTemporada2015,2016-04aIbéria, 1a temporada – Registros de uma viagem por Portugal e Espanha

Rumo à estação simplicidade – Jurei me manter sempre no caminho, sem pesos nem apegos excessivos, pronto para pegar a estrada no momento em que a vida assim quisesse

O sonho do verdadeiro eu – Entretanto, algo me dizia que na pauliceia eu poderia viver minha vida mais verdadeira, era só insistir

Espirros e roteiros – Se antes eu tinha insônia por me preocupar demais em descobrir o que precisava fazer, hoje me delicio em abrir a janela dos quartos dos hotéis, molhar a ponta do dedo e botar no vento

O dia em que o chinlone me pegou – A arte zen de sair por aí à toa e encontrar o que se precisa

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Vinicius Show de Moraes
com Ricardo Kelmer e Felipe Breier

Este show nos traz a riqueza da vida e da obra de Vinicius de Moraes, um dos nomes mais importantes da cultura brasileira. Através das músicas, dos poemas e de fatos interessantes da vida de Vinicius, passeamos por grandes momentos da música e da poesia brasileiras e nos divertimos e nos emocionamos com a rica trajetória do homem, poeta, artista, amante, amigo e diplomata que fascinou e ainda fascina gerações no Brasil e no mundo.

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Versos Safadinhos para Noites Românticas ou Vice-versa
Ricardo Kelmer – poemas

Versos Autor de uma dezena de obras, nos gêneros romance, conto, crônica e ensaio, desta vez Ricardo Kelmer deixa a prosa de lado e envereda pela poesia. Escritos entre 1989 e 2016, os 35 poemas deste livro versam sobre amor, paixão, desejo e erotismo. Neles, o autor canta os sabores das aventuras amorosas e celebra o êxtase dionisíaco dos enlaces carnais, mas também diverte-se com os irônicos descaminhos das relações e não esquece de louvar a musa unânime dos poetas, a língua portuguesa. Os desenhos são do artista húngaro Mihály Zichy.

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01- Come um bacalhau ai por mim. De bacalhau vc entende. Andre Soares Pontes, Fortaleza-CE – jul2016

02- Toooooooop. Isaias Gimenez, Braga-Portugal – jul2016

03- Quando vocês vêm de novo à Lousã? Vá lá, marquem, temos saudades, soube a tão pouco… Carla F Lobo, Lousã-Portugal – jul2016

04- Pronto, já me deixaste em prantos… Saudades saudades saudades… Tens de voltar, querido amigo! As curvas e mistérios da Lousã esperam por ti… Susana X Mota, Leiria-Portugal – jul2016

05- Muito bom, Ricardo! Bonita descrição das nossas terras e gentes…e obrigada também pela visita! 3ª temporada…Novembro? Angela Duarte, Lourinhã-Portugal – jul2016

06- Ricardo, vc tá cada vez melhor. Que ótimo esse material sobre sua estada em Portugal! Abração. Luis Pellegrini, São Paulo-SP – jul2016

07- Massa… Parabéns pela temporada. Ana Vládia Lima, Fortaleza-CE – ago2016

08- Kelmer… boa noite. Foi de uma alegria imensa saber que você também é cabeça-chata. Orgulhei-me. rs “Ostra” coisa, também adorei Portugal. Acho até que conheço um pouco mais que você. Mas não tem nada de competição nisso. Agora numa coisa ganhei de 7 x 0… na safadice.  Um dia conto. Ainda é perigoso falar. Um grande abraço de um conterrâneo que curte seu trabalho. “Inté”!!! PC, Fortaleza-CE – ago2016

09- Caríssimo RK. Mais uma vez tenho a oportunidade de viajar a Portugal, nem tanto pela bolsa de pesquisa – que não tenho -, mas efetivamente por suas palavras viageiras. Roteiro de orgulhar Vinicius e Toquinho, sem dúvida, e com direito a testemunha da época e tal – que figura! As observações dos classificados são um plus antropológico e linguístico – por que não? -, sempre servido com seu bom humor. Não faltou a necessária dose de realismo, num tempo temeroso para nossa prostituída democracia. Espetáculo! Grande abraço e meu muito obrigado. Leite Jr., Fortaleza-CE – ago2016


Sobre lutas, sonhos e a grande farsa

13/04/2016

13abr2016

Para quem ainda não percebeu, é isso mesmo o que todos somos, meros atores no grande teatro da existência

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SOBRE LUTAS, SONHOS E A GRANDE FARSA

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Amigos, estamos todos cansados de tanta luta, é verdade. É muito difícil enfrentar políticos inescrupulosos que têm a seu lado a força gananciosa do grande capital e o apoio de uma mídia desonesta que tudo fará para manter seus privilégios. Ainda que o golpe de Estado não vingue, o futuro logo à frente anuncia mais nuvens sombrias. Porém, no dia seguinte temos que levantar da cama, pois continua a peleja em defesa da democracia, continua o sonho de uma sociedade menos desigual. É a velha vida que prossegue, e se não seguirmos lutando pelo que acreditamos, o que nos restará fazer com os nossos dias a não ser cair no cinismo?

Sim, às vezes parece que estamos no meio de uma grande farsa, e podemos até ouvir os risos de quem zomba do nosso real empenho. Bem, para quem ainda não percebeu, é isso mesmo o que todos somos, meros atores no grande teatro da existência, e a nós só nos cabe interpretar bem nosso papel no espetáculo, por insignificante que seja, independente se o espetáculo será ou não um sucesso, se nosso trabalho será reconhecido ou se algum oportunista de plantão nos dará um golpe e fugirá com a grana da bilheteria.

É estranho pensar assim, eu sei, mas realmente não temos opção a não ser fazer a nossa parte do melhor jeito que pudermos. E qual vai ser o final dessa história? Ninguém sabe, até porque nós iremos e a história prosseguirá ‒ mas sabemos em nosso íntimo o que temos que fazer para, ao fim de cada dia, e ao término de nossa participação no espetáculo, podermos afirmar com serenidade: eu fui leal aos meus sonhos, eu lutei a luta dos bons guerreiros, eu dancei a dança da vida verdadeira.

Segue uma música para embalar este momento estranho que vivemos.
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COISAS DA VIDA (Rita Lee)

Quando a lua apareceu
Ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde, mas a noite é uma criança distraída

Depois que eu envelhecer
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano nessas horas de partida

Ah, é o fim da picada
Depois da estrada começa uma grande avenida
No fim da avenida, existe uma chance, uma sorte, uma nova saída
São coisas da vida…
E a gente se olha e não sabe se vai ou se fica…

Qual é a moral? Qual vai ser o final dessa história?
Eu não tenho nada pra dizer, por isso digo
Eu não tenho muito o que perder, por isso jogo
Eu não tenho hora pra morrer, por isso sonho

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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A pergunta – Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

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DICA DE LIVRO

Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

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 COMENTÁRIOS
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01- “Eu não tenho nada para morrer, por isso sonho” Lindo!!! Andrea Oliveira, Fortaleza-CE – abr2016

02- Sensacional, Kelmão. Independentemente do que aconteça “lá fora”, o que a gente faz é responsabilidade nossa. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – abr2016

03- Texto lindo, emocionante, um retrato do que sinto todo dia. Com essas batalhas que temos travado, te admiro muito mais. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – abr2016

04- Assino embaixo, Ricardo! Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – abr2016

05- Bom…o importante é seguir firme naquilo q se acredita. Passando ou não o impeachment a luta permanece. Somos maiores e nossas idéias são gigantes, desistir jamais!!! Natália Sidrim, Fortaleza-CE – abr2016

06- Ricardo,mais uma vez vou compartilhar,Parabéns..Tu és briĺhante e só melhoras com o passar do Tempo…Olha,muito obrigada pelo convite para o teu show ďo Vinicius se puder irei te aplaudir de pé. Claudia Meirelles Bahia, Fortaleza-CE – abr2016


A dor da vida e a dignidade dos gatos

09/03/2016

09mar2016

Ser feliz é para os fracos ‒ deve ser isso que os bichanos miam, quando nos observam em nossas tolas ânsias de felicidade

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A DOR DA VIDA E A DIGNIDADE DOS GATOS

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Um dia, um gato preto surgiu lá em casa. Vinha da clínica veterinária de meu pai, recuperando-se de umas cirurgias. Tadinho, sofrera um acidente, e como seus donos não quiseram gastar com os procedimentos necessários, meu pai lhes propôs ficar com ele. O gato teve a vida salva, mas infelizmente uma perna lhe foi amputada. E assim ele foi morar conosco, e o rebatizamos de Saci.

Para que ficasse caseiro e não ousasse se aventurar pelas ruas, onde fatalmente levaria desvantagem com outros gatos e se machucaria, Saci foi castrado. Em sua nova realidade, numa casa bastante espaçosa, ele retomou a saúde e adaptou-se perfeitamente à vida trípede, reaprendendo a andar, correr e saltar. Caçava calango, pegava borboleta no ar e apanhava passarinho desavisado, e até os morcegos, que davam rasantes no quintal, tinham que ficar atentos, senão ele crau! Se a perna que faltava não ajudava na elegância, a altivez de gato seguia intacta. Sem poder subir em árvore nem passear pelos muros, seu campo de atuação resumia-se agora ao nível do chão e aos móveis mais baixos. Muitas vezes flagrei-o olhando para o alto da casa, ou para os galhos do sapotizeiro, ele quietinho, só olhando, a lembrança talvez passeando pelo tempo em que sua felinice era livre para ir caçar onde bem entendesse. Tu queria estar vadiando aí pelos telhados, né, Saci?, eu lhe perguntava. Ele virava para mim e seus olhos piscavam devagar, respondendo em digno silêncio.

Com meu amigo Saci, aprendi sobre resiliência, sobre paciência e estratégia, e entendi que a felicidade, ou a liberdade, que tanto prezamos, talvez seja feita de matéria que se molda às nossas limitações. É melhor ser feliz ou ser livre? Acho que os gatos preferem a segunda opção. Ser feliz é para os fracos ‒ deve ser isso que os bichanos miam, quando nos observam em nossas tolas ânsias de felicidade.

Celina quase morreu de um tiro de espingarda. Ficou paraplégica, e sua dona, a cartunista Laerte, precisou se desdobrar em cuidados, administrando-lhe remédios diários e construindo para ela um tipo de cadeirinha de rodas. Não deve ter sido fácil, nem para Laerte e, obviamente, nem para Celina, que de repente viu-se privada da liberdade de ir e vir, tão sagrada aos gatos, e agora vivia totalmente dependente de atenções alheias, sem controle do próprio mijo, sempre se sujando toda… Como manter a altivez nesse estado lastimável? Foi dessa experiência trágica que a artista criou, em 2013, uma série de tirinhas, uma obra magistral, impregnada de uma dor digna e dilacerante, e da aceitação inconformada com os quereres do destino.

Gatos são mesmo especiais. Mesmo domesticados, ainda conservam aquela sabedoria selvagem da qual cada vez mais nos afastamos. Mesmo com endereço fixo, gatos são bichos do mundo. Mesmo vencidos, fazem da dor, sua dignidade.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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CELINA, A GATA DA LAERTE
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 COMENTÁRIOS
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01- Vou levar emprestado Ricardo..Parabéns, Tu és brilhante. Claudia Meirelles Bahia, Fortaleza-CE – abr2016

02- Bacana! Rosina Santana, Vitória da Conquista-BA – abr2016

03- Amei. Kemi F. Kinzo, Curitiba-PR – abr2016

04- Gatos :~~ Mauricio Aragão, Fortaleza-CE – abr2016

05- Bravo! Iris Medeiros, Campina Grande-PB – abr2016

06- Por isso eu amo gatos, em especial, os negros. Dorah Andrade, São Paulo-SP – abr2016

07- É isso mesmo! Puxa, eu vejo minha gatinha querendo se aventurar e a gente impedindo pq ela foi criada em apto e agora, em casa, ao mesmo tempo que se assusta com carros passando na rua, tenta se aventurar pelos telhados das casas. A gente coloca cercas e ela e os gatos vizinhos – todos castrados – dão um jeito de pular, burlar ou abri-las. Como disse Manuel de Barros: liberdade caça jeito.
PS: ser livre também trás felicidade. Discordo que precisamos abrir mão de uma coisa pela outra. Quando olho para os meus gatos, tenho sempre a sensação de que lhes estou roubando a felicidade. Um deles, o mais companheiro, o gato mais “cachorro” que eu já vi, um dia escolheu ir embora. Ou sei lá se foi escolha ou se não conseguiu voltar. Se foi escolha, eu respeito e até admiro. Eu jamais desfaço de quem prefere ser livre. Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – abr2016

08- Gratidão querido Ricardo _/|\_ Aqui em casa prego e prezo esse aspecto que justamente faz daquele ser único. E, mesmo “de coração na mão”, permito aos meus (recolhendo-os apenas de noite) esse ir e vir. Encaro isso também como amor. Celine Santos, Rio de Janeiro-RJ – abr2016

09- “seu dono, a cartunista Laerte” é ótimo!!! Max Krichanã, Fortaleza-CE – abr2016

10- Lindo texto querido …eu que não tinha afeição por gatos…adotei uma fêmea com meu filho há 5 anos que fora jogada numa caixa com outros dá mesma ninhada dentro do meu prédio …machucados debilitados … Me apaixonei e descobri um mundo de fidelidade incrível …depois veio o macho que resgatei de um temporal quase morrendo de frio e fome também ainda filhote …mais descobertas e muita paixão e há um mês veio o filhote do casal…e definitivamente a inocência e vitalidade desse filhote me faz viva e agradecida pela companhia…pelo amor incondicional …pelas risos fáceis que me provocam e principalmente pelo afago nos momentos de tristeza … Arice Morais, Fortaleza-CE – abr2016

11- Gostei, Ricardo Kelmer. Compartilhei na Amo Gatos. Elinaudo Barbosa, Fortaleza-CE – abr2016

12- N o meu apê tem um gato…e é por aí… Adil Chaves, Fortaleza-CE – abr2016

13- Adorei Ricardo Kelmer, miauuuu. Maira Sales, Fortaleza-CE – abr2016

14- Gatos são surpreendentes e maravilhosos!!Nessa brincadeira ja adotei 3 e meu coração ainda quer mais….. Thayssa Sanches, Fortaleza-CE – abr2016

15- Amei, Ricardo Kelmer! Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA -abr2016

16- muito bom… tem um punhado deles aqui em casa… Cibele Baptista, Barretos-SP – abr2016

17- Meu amigo… acredite, você salvou minha segunda-feira infeliz! Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – abr2016

18- Gato criado solto parece que vive em campo de concentração. Sempre estropiado, envenenado, doente. Tive muitos gatos solto, por isso os meus só saem supervisionados. Dois dos meus gatos nem querem sair. Margaret Regina Bloom, abr2016

19- Gente, que texto sóbrio…adorei!! Soraia Falcão, Juazeiro do Norte-CE – abr2016

20- Lindo, lindo! Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – abr2016

21- Ah gente agora chorei…. Marialucia da Silveira, Campinas-SP – abr2016

22- Falar grande RK! Seus textos são tão atraentes que dá logo vontade de ler o resto!!! Quando vem por aqui? Qnd vamos marcar p tomar umas c Zé Paloma que agora está morando aqui? Abraços. Marcos André Borges, Fortaleza-CE – mai2016

23- Delicia de te ler. Morri com as tirinhas mizifiu! Magna Mastroianni, Londrina-PR – mai2016

24- Ricardo Kelmer esse é dos teus escritos publicados recentes, que leio e releio com uma graça diferente das habituais. Amei demais! E o que é ou foi feito do Saci? Lembro dele.  Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – mai2016

25- Que lindo Ricardo Kelmer. Sempre tive muito medo do Saci, esta crônica me fez vê-lo com outros olhos. Michele SJ, Fortaleza-CE – mai2016

26- Textos com muito conteúdo.Parabéns. 28- Gostei também do texto do temer. Aldenora Teles Areias, São Paulo-SP – mar2017

27- Que historia linda! Ana Cristina da Dilva, Campina Grande-PB – mar2017

28- Amuhhhh gatos😍linda história. Deusa Vieira, Barreirinhas-MA – mar2017

29- Muito lindo ! Chirley Felix, Paraisópolis-MG – mar2017

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