Viajando na Maionese Astral

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VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo

Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020 .

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RESUMO

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, de sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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OPÇÕES PARA LER E COMPRAR

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APRESENTAÇÃO

Nos anos 1990, eu tive uma vibrante fase espiritualista-esotérica. Sim, juro que é verdade. Eu liderava (com notável incompetência, diga-se) um grupo meio destrambelhado cujo cotidiano consistia em experiências fora do corpo, contatos com seres extraterrestres e guias espirituais, recordações de vidas passadas e outras coisas pouco convencionais. Foi a fase mais louca da minha vida, durante a qual iniciei minha carreira de escritor profissional, tornei-me um falso guru e, ao mesmo tempo, comecei a me assumir ateu.

Lançado em 1995, meu livro de estreia se chama Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá e resume, num tom didático e descontraído, as crenças e vivências do meu grupo esotérico. Em 2000, quando começava a me assumir ateu, decidi não mais editá-lo, decisão que foi revogada em 2020, por conta justamente deste livro que você está lendo. A ideia é usar o Quem Apagou a Luz? como chamariz para o Maionese.

Diferente do que fiz em meu primeiro livro, neste não pretendo convencer ninguém de absolutamente nada: apenas conto e reflito sobre o que aconteceu. Se, no Quem Apagou a Luz?, escrevi como o profeta que do alto do monte sopra ao vento as pérolas de sua sabedoria, hoje uso minhas verdades para iluminar tão somente aos meus próprios passos, e reconheço que não sou bom exemplo para ninguém.

Passei doze anos preparando este livro de memórias. No início, pretendia apenas contar sobre as desventuras do meu grupo esotérico, mas depois entendi que sua história fazia parte de um contexto mais amplo e deixei que o próprio tempo comandasse o processo e me guiasse na narrativa. Percebo agora que escrever o Maionese foi um providencial exercício de arqueologia psíquica e aceitação de si mesmo. Rebuscar fatos do passado nos obriga a cutucar verdades que estão lá quietinhas, e se mexemos muito, podem bagunçar a sagrada ideia que temos de nós mesmos.

No meu caso, valeu a pena correr o risco. Fiz as pazes com o que fui e meu eu de hoje ficou mais aceitável para mim, e espero que para os outros também. Obrigado a todos que me ajudaram a recuperar e organizar as lembranças (principalmente você, Tata) que foram aqui dispostas do modo mais verdadeiro possível, por mais que soassem absurdas. Provavelmente, haverá quem duvide da veracidade de alguns trechos, mas fazer o quê se a vida é mais absurda que a ficção? Na verdade, precisei deixar de fora muitas histórias sobre o Quinteto Superfantástico, pois seria difícil contá-las resumidamente, de tão loucas que são.

Algumas passagens foram marcadas por um asterisco (*), que indica que em meu blog, na seção do livro, você pode obter mais informações sobre aquele assunto. Alguns nomes de pessoas foram trocados, mas mantive os nomes originais de outras, inclusive das que já morreram. Hummm… E se estas últimas não gostarem do livro e vierem me assombrar, exigindo retratação? Bem, elas sabem onde me encontrar. Muito melhor isso que ser assombrado pelas histórias que não pude escrever.

Obrigado aos leitores que leram este livro na fase de preparação e me ajudaram com suas impressões. Obrigado, Lana, por acreditar no que faço. Minha gratidão a Wanessa, pela revisão cuidadosa, e a Marcinha, fiel companheira de invencionices artísticas.

Obrigado também aos amigos que apoiam meu trabalho me possibilitando fazer lançamentos em seus bares e espaços culturais em Fortaleza: Cantinho do Frango, Gentilândia Bar, Serpentina, Abaeté, Alpendre, Vilarejo 84, Culinária da Van e Cantinho Acadêmico.

A você, que está prestes a embarcar nessas viagens maionésicas, espero que meu livro lhe seja uma agradável companhia. Boa viagem.

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Ricardo Kelmer – Fortaleza, jun2020

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Quem Apagou a Luz?
Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá
(ensaio)

Lançado em 1995, este livro resume, numa linguagem descontraída, as crenças e vivências que norteavam o grupo esotérico do qual o autor participou nos anos 1990, abordando temas como experiências fora do corpo, reencarnação, vida após a morte, extraterrestres e guias espirituais.

A partir de 2000, quando o autor assumiu seu ateísmo, este livro deixou de ser publicado, interrompendo uma trajetória de sucesso. Porém, em 2020, para divulgar seu livro Viajando na Maionese Astral – Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo, ele decidiu relançá-lo numa edição especial, junto com o Maionese.

SAIBA MAIS: no fim da postagem

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Viajando na Maionese astral
TRECHOS MARCADOS COM ASTERISCO

O livro tem trechos marcados com asterisco (*). Seguem os links para saber mais sobre os assuntos abordados:

Cap 1 – Aos 8 anos, contraí uma pneumonia que quase me mandou para a tumba. Sem poder ir ao colégio, passava o tempo entre os livros do Tarzan e os quadrinhos do Príncipe Valente e do Homem Aranha*.
SAIBA MAIS: Quem poderá me salvar?

Cap 1 – Aos 10 anos, como todo bom menino católico, fiz a primeira comunhão e lembro que me senti muito frustrado, inconformado mesmo, porque Jesus não apareceu para mim quando recebi a hóstia, contrariando a expectativa que alimentei por um ano inteiro. Isso me incomodou, mas não tanto quanto um fato ocorrido dias antes, que guardo como o primeiro questionamento filosófico de minha vida*.
SAIBA MAIS: Memórias de um excomungado

Cap 1 – Então, aos 10 anos, passei no concurso e virei aluno do Colégio Militar*. Fui para lá porque o ensino era considerado excelente e seria uma boa economia para meus pais, pois era quase gratuito. Além disso, meu pai queria que eu seguisse a carreira militar, cursar a Academia das Agulhas Negras, quem sabe até ser Presidente da República…
SAIBA MAIS: O major da China

Cap 1 – Quer saber como foi meu primeiro beijo de língua? Deu-se por essa época. Foi bom, mas infelizmente ela não mexia a língua. Na verdade, ela não tinha língua, a coitada. Chamava-se Amiguinha*, era uma boneca quase do meu tamanho, da minha irmã mais velha. Eu treinava com Amiguinha para quando fosse beijar as meninas do Imaculada, o que jamais chegou a acontecer, ô iludido.
SAIBA MAIS: A primeira namorada

Cap 1 – Era um lindo filme que eu assistia escondido, trepado num banco no corredor lateral da casa, eu lá observando por entre as frestas da janelinha no alto, ladrão de intimidades, fascinado pela transcendental visão das meninas nuas a se ensaboar, meu coração acelerado, a alma em total alumbramento, eu tremendo de assombro e prazer…*
SAIBA MAIS: Lolita, lolita

Cap 1 – E lia também sobre parapsicologia, ocultismo e bruxaria. Nessa época, vi o filme O Exorcista* (do diretor William Friedkin, baseado no romance de William Peter Blatty). Eu sabia que era um filme apavorante, e meus pais me aconselharam a não ver. Mas encarei tudo como um desafio pessoal – se o Diabo existia mesmo, eu queria medir forças com ele.
SAIBA MAIS: Vade retro Satanás

Cap 1 – Após o retiro, integrei o ENJOP, o Encontro de Jovens da Paróquia da Paz*, um grupo criado para reflexão bíblica e ação na sociedade, dentro do espírito das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e da Teologia da Libertação. Foi aí, aos 16 anos, que eu, adolescente de classe média alta e filhinho de papai, adquiri um início de senso de justiça social.
SAIBA MAIS: Meu futuro de popistar cristão

Cap 1 – Num deles, em Campinas, conheci um poeta gaúcho, Edgar*, e nos anos seguintes fomos companheiros de saborosas viagens pelo Brasil, regadas a violão, cachaça, Bandeira, Pessoa e Vinicius, morrendo toda noite de paixão pelas ninfas que cruzavam nossos caminhos. Com Edgar, aprendi: viver não é preciso, flanar é preciso.
SAIBA MAIS: Vidas passadas: Imbituba 1985

Cap 1 – Devorador de livros da biblioteca do Centro de Humanidades, um dia, aos 18 anos, descobri O Encontro Marcado*, romance de Fernando Sabino. A leitura foi impactante e me fez ver que eu não tinha opção: ou seria escritor ou morreria frustrado.
SAIBA MAIS: O encontrão marcado 

Cap 1 – Não concluí Comunicação Social, mas fiz amigos na faculdade que seguem comigo até hoje, li toneladas de bons livros, participei da minha primeira campanha política engrossando a massa que gritava Diretas Já e fui apresentado, pelo amigo Alberto, a Ypê, a mais transcendental das canções de Belchior*. 
SAIBA MAIS: O dia em que entendi Belchior

Cap 1 – A viagem começou com dois dias de ônibus para o Rio para curtir a primeira edição do Rock in Rio*. Sabe o Ozzy Osbourne? Enquanto ele berrava no palco, eu, no meio daquela plateia de cem mil pessoas, fumei um baseado e tive minha primeira lombra torta, tão torta que fui parar na enfermaria tomando glicose na veia. 
SAIBA MAIS: O dia em que morri no Rock in Rio

Cap 1 – Minha vida boêmia teve início aos 15 anos, em 1980. Até o início do milênio seguinte fui rato de balcão de duas centenas de bares, entre eles o inesquecível Cais Bar*, na Praia de Iracema, cujo sócio, Ernesto, se tornaria, anos depois, um querido parceiro musical*. 
SAIBA MAIS: Cais e amoresPoemas/músicas

Cap 1 – Porém, eu queria ter o meu próprio bar. Então, em 1988, com os amigos Paulo e Nelsinho, montamos o Badauê*, na Praia de Iracema. Foi um sucesso, graças, principalmente, às nossas namoradas-garçonetes, as estonteantes Silvinha, Roberta e Patrícia, que ganhavam tanta gorjeta que chegavam a nos emprestar dinheiro. 
SAIBA MAIS: Galinhagem ao molho conjugal

Cap 1 – Enquanto o bar fechava, para compensar a tristeza, surgiam Os The Breg Brothers*, a banda brega satírica que criei com os amigos Jabuti e Cadinho para celebrar a cornagem, e que tinha como vocalistas Dani e Luce, minha maninha, que depois do Badauê se desencaminhara de vez na vida, coitada. 
SAIBA MAIS: Breg Brothers com fígado acebolado

Cap 1 – E o negócio da água de coco? Não deu certo. Perdi feio nessa jogada. E nem fui corajoso o suficiente para continuar por lá. Outro fracasso, que me faria, a partir daí, temer as grandes mudanças da vida. Porém, a experiência ao menos renderia, anos depois, um dos meus contos mais conhecidos, O Presente de Mariana*. 
SAIBA MAIS: O presente de Mariana

Cap 1 – Ao mesmo tempo, era produtor de festas temáticas, como A Noite do Rei Lagarto (Como Jim Morrison comemoraria em Fortaleza os 25 anos de sua morte), que fiz em 1991 para o meu ídolo*, 
SAIBA MAIS: Minha vida com Jim Morrison

Cap 1 – e era um dos organizadores de um bloco de pré-carnaval chamado Bonecas da Volta, que depois se chamaria Belas da Tarde*, no qual eu e os amigos, bêbados e vestidos de mulher, desfilávamos pela cidade num trenzinho infantil berrando as músicas da Xuxa. 
SAIBA MAIS: Ser mulher não é pra qualquer um

Cap 2 – Porém, apesar da chata da cosmoética, fiquei feliz de saber que o tema sexo não era contaminado com noções moralistas, como no espiritismo, mas encarado como um processo natural de troca de energias, que devia ser feito com ética, sim, mas principalmente com lucidez, pois do outro lado podia estar… um vampiro energético, por exemplo*.
SAIBA MAIS: O íncubo

Cap 2 – Naqueles dias de 1993, eu namorava uma bela bailarina* de 20 anos que morava no Rio de Janeiro e passava férias e feriados em Fortaleza. Renata e eu sustentávamos nosso romance interestadual entre cartas, telefonemas e viagens, o que nos exigia certo malabarismo de agenda e finanças. 
SAIBA MAIS: A bailarina da féO vestido decotado da impunidade

Cap 2 – Agora, eu tinha uma nova banda, a Intocáveis Putz Band*, criada por meu amigo Toinho Martan. Inspirados pelo pop-rock da Blitz e pelo funk-inferninho de Fausto Fawcett, tínhamos vocalistas hipnotizantes e nossos shows transbordavam de irreverência e performances imprevisíveis.
SAIBA MAIS: A celebração da putchéuris

Cap 2 – Na verdade, meu verdadeiro combustível era a poesia da vida, principalmente a que vinha da mulher. Eu nada entendia sobre psicologia dos arquétipos, o que só ocorreria após me iniciar nas ideias de Jung*, mas já sabia do grande poder e fascínio que o feminino exercia sobre mim.
SAIBA MAIS: Jung – A ciência revolucionária

Cap 3 – Janeiro de 1995. Três semanas após o encontro nas dunas de Aquiraz, Tata e eu pegamos o busão para o Rio de Janeiro. Em minha mala, algumas roupas, livros e, é claro, a camisa do meu Fortaleza Esporte Clube*.
SAIBA MAIS: A mística daquelas camisasO improvável, o impossível e o inacreditável

Cap 3 – Na milenar filosofia taoista*, me identifiquei muito com as ideias de unicidade cósmica, de yin e yang e de nos harmonizarmos com a realidade por meio da superação dos opostos, do crescimento cíclico e do equilíbrio dinâmico.
SAIBA MAIS: É a Tao coisa

Cap 3 – No xamanismo*, comecei pelos livros de Carlos Castaneda, que Tata amava desde a adolescência. Li os dois primeiros, mas como eles não me empolgaram tanto como Jung e o taoismo, preferi prosseguir a leitura em outro momento. Havia tantos livros para ler, tantas ideias a conhecer…
SAIBA MAIS: Xamanismo de vida fácil

Cap 8 – Minha querida tia Linney, que morava em Recife e era bem chegada no esoterismo, me telefonou para contar que sonhara comigo, e que no sonho eu dava uma palestra sobre meu livro no Encontro da Nova Consciência*, um evento de caráter holístico que desde 1992 acontecia nos dias de Carnaval, em Campina Grande, na Paraíba. 
SAIBA MAIS: A Nova Consciência e o desafio das discordâncias

Cap 9 – Tata amou o filme. Eu gostei, mas quando revi, anos depois, foi que captei sua profundidade filosófica e até escrevi sobre ele*. Como o roteiro não entrega a verdade final sobre o passado do jovem que ameaça se matar, ela fica para o entendimento particular do espectador. 
SAIBA MAIS: Razão e sentimento em conflito

Cap 9 – Meu livro se chamava O Irresistível Charme da Insanidade* e contava a história de Luca e Isadora. Ele tem uma banda de blues e ela é uma mochileira taoista que acredita ser ele a reencarnação de seu mestre e amante do século 16. 
SAIBA MAIS: O Irresistível Charme da Insanidade

Cap 10 – Nasceu assim, sob o signo da morte renovadora, o Guia Prático de Sobrevivência para o Final dos Tempos (que depois eu mudaria para Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos*), um livro de contos nos gêneros fantástico, ficção científica e horror, que foi lançado no fim de 1997. 
SAIBA MAIS: Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

Cap 10 – Em 1998, lancei aquele que se tornaria meu livro mais polêmico, o Baseado Nisso*. Na primeira versão, o subtítulo era Viagem pelo universo folclórico da maconha. Sete anos depois, ele foi reescrito, ampliado e o subtítulo mudou para Liberando o bom humor da maconha.
SAIBA MAIS: Baseado Nisso

Cap 10 – Em 1998, participei de uma expedição à gruta de Ubajara*, na serra da Ibiapaba, noroeste do Ceará. Organizada pelo Ibama, dela participaram espeleólogos, arqueólogos, geólogos e agrônomos de vários estados. Com a ajuda de uma amiga arqueóloga, que sabia de meu interesse por cavernas, vesti a melhor cara de pau e fingi ser espeleólogo.
SAIBA MAIS: Terror e êxtase na caverna

Cap 10 – Uma segunda experiência transformadora ocorreu em 2000, quando, no Encontro da Nova Consciência, tomei o chá de Jurema*, que tem propriedades psicoativas como o chá de Ayahuasca. 
SAIBA MAIS: Minha noite com a Jurema

Cap 10 – Sete anos em Fortaleza e duas mortes. Era o feminino novamente a me ensinar*. Literalmente, no tabefe.
SAIBA MAIS: Medo de mulher

Cap 11 – A produtora para a qual trabalhei como roteirista de humor chamava-se Picante Pictures. Parece nome de produtora de filmes pornô, eu sei, e nós, roteiristas, tínhamos sempre que explicar que não era. Criamos o sitcom Mano a Mano*, que foi exibido e reexibido em 2005 pela Rede TV, em 12 episódios, com audiência entre baixa e razoável. 
SAIBA MAIS: Mano a Mano

Cap 11 – Com amigos cariocas, tentamos produzir, por conta própria, uma série de humor chamada Sonhos Urbanos* para ser exibida no YouTube, e chegamos a gravar o episódio piloto e parte da trilha sonora, mas o projeto fracassou. Hoje, vejo que era uma ideia que estava à frente de seu tempo.
SAIBA MAIS: Sonhos urbanos

Cap 11 – Ateu já assumido, eu comentava na coluna sobre religião, criticando seus privilégios, expondo suas incongruências e alertando para os perigos do fanatismo religioso. Aí, já viu, né? Choviam comentários revoltados, alguns muito virulentos, com xingamentos e ameaças. Tomei a precaução de reproduzi-los em meu blog*, e eles estão lá, caso você deseje ter uma ideia de como se comporta essa gente quando alguém ousa expor seus radicalismos.
SAIBA MAIS: A menina, a exorcista e a cantoraVade retro fanatismo

Cap 11 – No início, sem conseguir trabalho como roteirista, tive a providencial ajuda da amiga Celinha e ganhei uns trocados fazendo monitoria em passeios de turma infantil, além da palestra O Despertar do Herói (baseada em meu livro Matrix e o Despertar do Herói), que ela vendia para colégios. Também vendi livros e discos usados, e dei aulas de roteiro de sitcom pela internet*.
SAIBA MAIS: Matrix e o Despertar do Herói

Cap 11 – Foi amarração da cueca, ou praga de ex? Não, na verdade foi um misto de energia superconcentrada no trabalho com alguns episódios de má sorte. Bem, essa fase de horror do Jeitoso ao menos rendeu um dos meus contos mais conhecidos, Um Ano na Seca*.
SAIBA MAIS: Um ano na seca

Cap 11 – Duas semanas após o sonho, eu era o novo morador da Pauliceia. Alexandre, irmão da Tata, me pusera em contato com seu amigo Silvio, que morava no Planalto Paulista, e aluguei um quarto baratinho em sua casa, perto do aeroporto de Congonhas – para eu não esquecer de estar sempre preparado para partir*.
SAIBA MAIS: Rumo à estação simplicidade

Cap 11 – Também vendi livros e discos usados, e dei aulas de roteiro de sitcom pela internet*. 
SAIBA MAIS: Oficina de roteiro de Sitcom

Cap 11 – Na sequência, o ganha-pão veio com aulas de informática, o teatro musical Viniciarte* e a venda de bolsas artesanais bolivianas, ah, esta minhalma muambeira… 
SAIBA MAIS: Viniciarte – Cenas do espetáculo

Cap 11 – Depois, vieram a venda dos meus livros, editados pelo grupo editorial Escrituras, e a produção de saraus e festas temáticas, como o Bordel Poesia* e o Cabaré Soçaite*, projetos nascidos em Fortaleza e que mantive em São Paulo, com patrocínios e a inestimável ajuda de amigos – obrigado, Bia, Shirlene, Fê e Marcinha. A Pauliceia, enfim, me abraçava com carinho.
SAIBA MAIS: Bordel Poesia – Cabaré Soçaite

Cap 11 – Outro hábito que desenvolvi foi, ao entardecer, dar uma pausa no trabalho, pôr para tocar no notebook a trilha musical do filme Blade Runner e, da janela, olhar a cidade. Para lembrar que eu sou, e somos todos, Rick Deckard sob a chuva, no alto daquele prédio, rendido pelo imenso mistério que é estar vivo*.
SAIBA MAIS: Blade Runner – Deuses, humanos e androides na berlindaLágrimas na chuva

Cap 11 – Na fase carioca-paulistana, lancei os livros*
SAIBA MAIS: Livros

Cap 11 – Você conhece o livro Mulheres que Correm com os Lobos*, da analista junguiana Clarissa Pinkola Estés? Se não conhece, recomendo. Fui presenteado com este livro por três vezes, por três mulheres diferentes. 
SAIBA MAIS: Em busca da mulher selvagem

Cap 11 – O livro de Clarissa me inspirou a escrever A Mulher Selvagem*, uma das minhas crônicas mais conhecidas, e vários outros textos, e me ajudou a assimilar mais o princípio yin em meu ser, o que me permitiu viver relações amorosas mais honestas, livres e igualitárias.
SAIBA MAIS: A mulher selvagem Os apuros do homem feminista 

Cap 11 – Nessa fase, amando as mulheres que amei, aprendi algumas coisas libertadoras sobre o amor e sobre mim. Percebi, por exemplo, que, infelizmente, somos ensinados desde pequenos a amar não o outro, mas a posse do outro, e a ver o ciúme, e mesmo a possessividade, como requisito para o amor*.
SAIBA MAIS: A mulher livre e euAmor em liberdade

Cap 11 – Durante o processo de criação dos contos para o Indecências para o Fim de Tarde*, recebi sugestões de várias leitorinhas, nas quais elas contavam suas experiências e fantasias, que muitas vezes incluíam práticas BDSM com algemas e chicotes, em situações onde eram submissas ou dominadoras.
SAIBA MAIS: Indecências para o Fim de Tarde

Cap 11 – Foi interessante constatar também que algumas fantasias envolviam temas muito delicados, como incesto e violência sexual*.
SAIBA MAIS: Me estupra, meu amor

Cap 11 – Uma das fantasias mais recorrentes era a prostituição*.
SAIBA MAIS: A prostituição na sala de estarLola Benvenutti e a coragem de viver

Cap 11 – Outra leitorinha, de igual apetite, tinha uma singela fantasia e me pediu que ajudasse a realizá-la: ser puta por uma noite*. Eu ajudei, pondo-a em contato com um amigo meu. E, para a fantasia ser completa, ela exigiu que eu cobrasse meus honorários. Foi assim que me tornei, arrá!, cafetão por uma noite. Está lá, em negrito, no meu curriculum vitae.
SAIBA MAIS: A grana do lanche

Cap 11 – Nesse ano, conheci Felipe, cantor e violonista curitibano-gaúcho radicado em Fortaleza, ficamos amigos e o Viniciarte virou Vinicius Show de Moraes*, perdendo o aspecto de dramaturgia e ganhando formato de show “dois banquinhos e um violão”.
SAIBA MAIS: Vinicius Show de Moraes

Cap 11 – Hoje, morando outra vez em Fortaleza e mantendo os vínculos com São Paulo, sigo participando da cena cultural do meu tempo, escrevendo livros e roteiros, ensinando roteiristas iniciantes e fazendo música com os parceiros*. 
SAIBA MAIS: Poemas/músicas

Cap 11 – Devemos nos unir, ateus e religiosos moderados, pela defesa da laicidade, porque somente um Estado laico* pode garantir a todos a liberdade de crer ou não crer.
SAIBA MAIS: Por que defender o Estado laico

Cap 11 – A partir das vivências com elas, comecei a ver o Eterno Feminino como guia e a perceber seus ensinamentos. Se a arte dá sentido à minha vida, é só a mulher que pode, assim como Beatriz a Dante*, me salvar.
SAIBA MAIS: Divina comédia humana – O amor é uma coisa mais exótica que um conto em terza rima

Cap 11 – Alguns fazem parte de um projeto social que criei, o Livros da Rua*: os exemplares que vendo financiam outros que distribuo entre a população que mora ou trabalha nas ruas. Sei que isso não vai salvar o mundo, mas é um modo de democratizar a arte e de diminuir as distâncias sociais. É o que chamo de socialismo literário.
SAIBA MAIS: Flor de Resistência

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FALARAM DO LIVRO PELAÍ

Não sei se eu deveria confessar, mas faço parte dessas memórias exóticas e “esquisotéricas”. E apesar de não parecer nem um pouco, sou testemunha de que esse livro é 100% verdadeiro, descontando uma certa caricaturização dos personagens que nos faz parecer, como direi, um pouquinho menos inteligentes do que realmente éramos… hehehe.

Já vou logo avisando que certas cenas desse livro não foram totalmente autorizadas por mim, e estou aqui pensando se devo ou não continuar sendo amiga do autor, mas a verdade é que dou tantas risadas com essas páginas que no final fico sem forças para brigar e acabo perdoando qualquer infração. Nesses tempos estranhos, qualquer coisa capaz de nos fazer rir assim merece no mínimo ser perdoada, não é mesmo?

Parabéns Ricardo, seu livro é excelente, divertido, original demais… uma história tão aparentemente maluca mas que foi (e segue sendo) tão absurdamente real. Ela foi (e segue sendo) um dos maiores presentes do Universo para mim.

Ana Claudia Domene, autora de O Caminho para Aaran – Albuquerque-EUA – ago2020

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QUEM APAGOU A LUZ?
(esclarecimentos)

Meu primeiro livro se chama Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá. Foi escrito e lançado em 1995, quando eu morava no Rio de Janeiro. Ele resume, de uma forma explicativa e descontraída, um conjunto de crenças às quais estive profundamente ligado durante alguns anos e que refletem o pensamento médio de uma parte da cultura espiritualista-esotérica no Brasil da passagem do milênio. Nele, falo sobre experiências fora do corpo, guias espirituais, extraterrestres, reencarnação e vida após a morte.

Em cinco anos, o livro teve cinco edições e vendeu aproximadamente sete mil exemplares, uma ótima marca, considerando que foi lançado por uma editora pequena de Londrina-PR, a Universalista, não teve investimento em publicidade e o autor era um ilustre desconhecido do público-alvo da obra. A partir de 2000, ele não foi mais editado, pois eu começava a me assumir ateu e pretendia desassociar meu nome do meio espiritualista. Hoje, seu discurso me soa, de modo geral, um tanto moralista, proselitista e pedante, bem de acordo com meu sentimento de autoimportância dessa época, mas, felizmente, no capítulo 7 me afastei das questões do além e foquei na importância do autoconhecimento psicológico, no que atualmente concordo.

Agora, em 2020, lanço meu livro Viajando na Maionese Astral – Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo. Nele, narro as pitorescas histórias dessa época, contando como larguei uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lancei meu primeiro livro. Discorro sobre carreira literária, amores, sexo, drogas, fetiches, prostituição e crises existenciais, e também sobre xamanismo, taoismo, psicologia junguiana, ateísmo, fanatismo religioso e militância antifascista. Uma salada de temas, como você pode ver, temperada com bom humor e ironia.

Para esta edição conjunta que você agora lê, mantive o texto original do Quem Apagou a Luz?, corrigindo apenas os erros gramaticais. Tive vontade de reescrever muitos trechos, pois considero-os mal escritos, mas achei mais coerente não fazê-lo. Infelizmente, porém, precisei excluir os trinta e um geniais desenhos de Hemetério, que também fez o desenho da capa, para que o arquivo não ficasse muito pesado.

Então, podemos dizer que, vinte anos depois de renegá-lo, estou finalmente fazendo as pazes com meu livro de estreia? Bem, seria mais bonito se eu dissesse que sim, mas a resposta correta é: em termos. Na verdade, não me interessa voltar a divulgá-lo, a não ser como chamariz para meu livro de memórias. É por isso que neste mesmo arquivo que contém o Quem Apagou a Luz? vai junto o Viajando na Maionese Astral. De certo modo, um livro renega o outro, sim, mas, ao mesmo tempo, ambos são espelhos verdadeiros nos quais posso ver o eu que um dia fui e o eu em que me tornei.

Como no Maionese eu falo bastante sobre o livro O Caminho para Aaran, de Ana Claudia Domene, que conta, de forma romanceada, a história da vida na Dinamarca que eu e meus amigos do grupo esotérico supostamente vivemos no século 14, você pode também adquiri-lo, bastando entrar em contato com a autora ou comigo.

Seja qual for o livro que você lerá, ou se os dois, desejo uma boa leitura!

Ricardo Kelmer
Fortaleza, julho de 2020

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O Caminho para Aaran
Ana Claudia Domene
(romance)

Na Dinamarca do século 14, a menina Orian é aceita como aprendiz de Aaran, uma escola secreta que guarda a sabedoria mística de antigas tradições. Ela aprende que é possível decifrar seus sonhos, sentir a energia sutil de seus chacras, entrar em contato com guias espirituais e relembrar outras vidas. Porém, à medida que enfrenta o desafio de seguir sua voz interior, ela começa a se perguntar se o conhecimento que adquiriu irá salvá-la ou destruí-la…

Noturna
Ana Claudia Domene
(romance)

No caminho de iniciação mística no qual é iniciada, Luna passa a questionar sua vida pessoal, seu namoro e seu trabalho, e decide seguir sua voz interior. Sua jornada a leva ao México e ao encontro com um índio feiticeiro, que lhe apresenta um mundo novo e surpreendente no qual imperam a vontade pessoal, a comunhão com a Natureza e a liberdade sem limites. Um mundo tão simples quanto assustador.

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COMENTÁRIOS

01- Não sei se eu deveria confessar, mas faço parte dessas memórias exóticas e “esquisotéricas”. E apesar de não parecer nem um pouco, sou testemunha de que esse livro é 100% verdadeiro, descontando uma certa caricaturização dos personagens que nos faz parecer, como direi, um pouquinho menos inteligentes do que realmente éramos… hehehe.

Já vou logo avisando que certas cenas desse livro não foram totalmente autorizadas por mim, e estou aqui pensando se devo ou não continuar sendo amiga do autor, mas a verdade é que dou tantas risadas com essas páginas que no final fico sem forças para brigar e acabo perdoando qualquer infração. Nesses tempos estranhos, qualquer coisa capaz de nos fazer rir assim merece no mínimo ser perdoada, não é mesmo?

Parabéns Ricardo, seu livro é excelente, divertido, original demais… uma história tão aparentemente maluca mas que foi (e segue sendo) tão absurdamente real. Ela foi (e segue sendo) um dos maiores presentes do Universo para mim. Ana Claudia Domene, autora de O Caminho para Aaran – Albuquerque-EUA – ago2020

02- Amei seu livro … Leave divertido Me identified c muitos coisas , sobretudo.. a transitoriedade da vida, a busca da felicidade.. TODOS no ceara me criticam pq ja morei no muindo todo e continuo na busca…” nao e geografico”… E preciso coragem p enfrentar a mudanca..sempre bvenvinda dentro de nos. Um beijao c muito amor. Juliana Lawlor, Melbourne-Austrália – ago2020 

03- Andrija só quer ser o Moacir Bedê. Roberto Paiva, Fortaleza-CE – ago2020

04- Já li seu livro, adorei! Comprei pela Amazon Kindle. Daqui de Lisboa fica mais fácil. Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – ago2020

05- Viajando na maionese astral é também um livro sobre autoconhecimento – esse que tanto venho buscando. Eu o devorei, tão agradável, interessante, fluída e até engraçada era a leitura. Agora vou ler Quem apagou a luz? E já sinto que vou adorar mais essa pérola Kelmérica. Valéria Morais, Crato-CE – ago2020

06- Fiquei com a frase de Jung, que não conhecia: “quanto maior a luz, maior a sombra.” Adorei o humor que permeia o livro, a parte que você corre sem chinelos pro orelhão, gritando as notícias do lagartão me fez rir alto… Me assustei com a coragem de deixar o lar e partir pro meio do mundo. Me perguntei algumas vezes pq vc não buscou terapia, teria facilitado o processo… Achei massa as amizades construídas e fortalecidas pelas vivências e pelos anos. Enfim, aqui da minha busca foi bom ver a busca sincera, corajosa e bem humorada de outra pessoa. (Tenho dificuldade de olhar minhas sombras com bom humor, mas eu vou tratar de aprender! Valéria Morais, Crato-CE – ago2020

07- Para Ricardo Kelmer. Meu prezado “companheiro de boêmias alegrias nesta vida”, acabei de ler seu magistral “Viajando na Maionese astral”. Sensacional! O livro é fantástico, generoso, leve, profundo (principalmente o ultimo capítulo), brincalhão, sério, dual como a vida. Uma verdadeira viagem ao nosso eu. Consegue-se ler de um fôlego só, de tão bem escrito, levando o leitor a ser personagem num capítulo e observador no seguinte. Tem começo, meio e fim numa lógica tão singela que não se percebe (o leitor) a complexidade de se escrever o simples (o autor) que toca a “alma”, o ego, aquele ente que tanto buscamos em nós representados pelo quinteto que queria salvar o mundo. Já nos últimos capítulos descobri que o Di Bedis era o Bedê, rsrsrs, resolvi reler agora associando a “Andrija” ao queridíssimo Bedê. Obrigado pelo presente. Aos amigos que ainda não leram, recomendo. Obrigado Kelmer, valeu Di Bedis.. Francisco Antonio Mota, Fortaleza-CE – set2020

08- Parabéns pelo livro. Gostei da escolha dos seus vocábulos pois torna sua obra leve e interessante. Ah, suas colocações são bem humoradas e suas vivências inteligentemente recheadas de um humor bastante peculiar e por que não dizer de um teor de sarcasmo no ponto. Lúcia Farias, Fortaleza-CE – set2020

09- Gostei das descrições do nosso encontro de jovens e a turma da pesada nos bastidores, lembrei da música que há uns anos atrás te falei: O galhos secos de uma árvore qualquer, quando ninguém jamais pudesse imaginar……, abraços Meu amigo. Herson Perdigão, Fortaleza-CE – set2020

 

 

 

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