Um tempo para pensar no tempo

18/12/2017

18dez2017

Se pensamos sobre o tempo, logo não sabemos mais o que ele é

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UM TEMPO PARA PENSAR NO TEMPO

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O tempo… Eis um tema instigante. Eu sei o que é o tempo. Você também sabe, todos sabemos. Porém, olha que curioso, se pensamos sobre o tempo, logo não sabemos mais o que ele é.

Para você, que me lê agora, o tempo vai do passado em direção ao futuro, ou vem do futuro e se faz passado? Ou você acha que o tempo não vem e nem vai para lugar algum, que ele é apenas um produto do estar-se vivo?

E o presente, quanto tempo exatamente ele dura? Um segundo? Um décimo de segundo? Um milionésimo de segundo? Tsc, tsc… Medir o tempo presente é impossível, pois qualquer medida será sempre divisível. Ou seja, o agora exato é uma mera abstração. Mas… se o passado já passou, o futuro ainda não chegou e o presente jamais será localizado, o que existe então?

Sabe as estrelas no céu? O que, de fato, você vê é a luz delas que chegou à Terra após uma viagem de muitos anos. Ou seja, o que você vê é o passado da estrela. Talvez ela já tenha desaparecido e só agora sua luz nos chegou. Aliás, tudo que você vê é passado, pois a luz emitida por qualquer objeto, inclusive essas palavras que você lê, demora um tempo, ainda que mínimo, para chegar às suas belas retinas. Na verdade, todas as suas percepções da realidade ocorrem em sua mente um tempo após seus sentidos captarem a imagem, o som, o sabor, o toque, o odor. Nem seu próprio pensamento escapa: quando você percebe que está pensando, já se passou um tempo, ainda que minimíssimo, desde o pensamento original. Isso significa que nossa consciência nunca está no mesmo tempo exato da realidade que acontece.

Vi recentemente o filme A Chegada (Arrival, do diretor Dennis Villeneuve), que é baseado no conto História da Sua Vida, de Ted Chiang, que li após ver o filme. A história é sobre a vinda de misteriosos seres extraterrestres à Terra. Uma renomada linguista é chamada pelos militares para, com ajuda de um matemático, tentar se comunicar com os alienígenas. Enquanto decifra a estranha linguagem dos visitantes, ela percebe que somente compreendendo o tempo de um modo diferente conseguirá realmente entendê-los e, assim, evitar um gravíssimo conflito internacional e definir o futuro da humanidade. Gostei muito do filme, e ainda mais porque desconfio seriamente que estamos próximos de uma descoberta decisiva sobre a natureza do tempo, e que isso poderá conduzir nossa espécie a um novo patamar evolutivo. Precisaremos que inteligências extraterrestres venham nos ensinar?

A teoria da reencarnação é uma ideia sedutora, pois admite a continuação da consciência através do tempo, enquanto o corpo físico nasce, morre e renasce em vidas sucessivas. Porém, essa ideia está presa ao tempo linear, que não admite o conhecimento do futuro. Mas… e se for possível acessar o futuro, nem que seja apenas num lampejo de pensamento? Se é possível, e se existe a reencarnação, então por que não seria possível acessarmos uma vida nossa no futuro? Considerando essa possibilidade, o eu que fomos numa vida anterior poderia perfeitamente acessar esta nossa vida atual, como se fosse uma “lembrança” do futuro. Isso seria admitir que a consciência pode atuar em variados níveis de realidade espaço-temporal, uma ideia difícil de conceber, mas que é simpática a muita gente.

Inclusive gente doida como eu, que faz você ler isso tudo para, no fim, chegar à retumbante conclusão de que não sabemos absolutamente nada sobre o tempo, e que, por esse motivo, pensar sobre o tempo é a mais pura perda de tempo. Ou não?

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Ricardo Kelmer 2017 – blogdokelmer.com

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DICA DE LIVRO

O Irresistível Charme da Insanidade
Ricardo Kelmer – romance

Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal? Nesta história, repleta de suspense e reviravoltas, Luca é um músico obcecado pelo controle da vida, e Isadora uma viajante taoísta em busca de seu mestre e amante do século 16. A uni-los e desafiá-los, o amor que distorce a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

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LEIA NESTE BLOG

Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos (contos) – O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba?

O redemoinho do fim do mundo – É provável que estejamos à beira de um grandioso marco evolutivo, onde a Humanidade alcançará o clímax dessa aceleração das transformações

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DICA DE FILME

A CHEGADA (The Arrival, EUA, 2016)

Gênero: Ficção científica, drama, mistério
Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Eric Heisserer, baseado no conto História da sua vida, de Ted Chiang

Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker
Música: Jóhann Jóhannsson
Edição: Joe Walker

> Na Wikipedia

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TRÊILER DO FILME “A CHEGADA”

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A Criada e a grande arte de narrar

02/02/2017

02fev2017

A sensação que fica é a de que eles, os personagens, na verdade agiam o tempo todo não exatamente em nome de suas íntimas motivações, mas pensando no espectador

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A CRIADA E A GRANDE ARTE DE NARRAR

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Na Coreia do Sul dos anos 1930, um casal de trapaceiros tenta se apoderar da fortuna de uma bela e jovem herdeira e envolve-se numa teia de sentimentos e intrigas onde ninguém merece confiança. Este é o enredo de A Criada (Ah-ga-ssi/The Handmaiden), o novo filme do diretor sul-coreano Park Chan-wook, que escreveu o roteiro com Chung Seo-kyung. Eu vi e adorei, fiquei encantado com todos os aspectos do filme. Equilibrando drama romântico, suspense, erotismo, perversão e alguma violência, com estética visual deslumbrante, é um filme completo, magnífico mesmo. A metalinguagem é a cereja do bolo, inserindo o espectador na trama e fazendo da obra toda uma grande celebração da arte de narrar.

Em princípio, a história parece banal, mas o diferencial são os personagens bem construídos e a apresentação da trama sob a ótica dos personagens, que faz o espectador desconfiar de todos e ficar até o fim sem certeza do que irá acontecer. As duas atrizes principais têm atuações soberbas, mas, para mim, Kim Min-hee, que interpreta a jovem herdeira japonesa, faz um trabalho esplêndido, pois seu personagem é complexo e enigmático, e a sutileza de seu comportamento, através de olhares, gestos e palavras que nada expressam mas na verdade dizem tudo, é o nervo da trama, o exatíssimo ponto onde a história precisa se equilibrar e, vista por outro ângulo, se desequilibrar.

A Criada é baseado no romance Fingersmith (Na Ponta dos Dedos, editora Record), da escritora britânica Sarah Waters, que foi adaptado para a tevê e exibido no Brasil pelo canal GNT com o título Falsas Aparências. Vi a adaptação televisiva, que é mais fiel ao original de Sarah Waters, e gostei, mas a versão cinematográfica é estupenda. Park Chan-wook e Chung Seo-kyung reescreveram a história, dando-lhe um saboroso temperinho de humor sacana, além de um caprichoso olhar sobre os sentimentos e as passagens eróticas. O roteiro enriqueceu os personagens e fez a história ainda mais interessante e surpreendente, e a direção primorosa, ao fazer uso da metalinguagem, inclui mais um participante na trama, o próprio espectador, que torna-se cúmplice dos personagens, e é justamente essa cumplicidade que o faz deliciar-se com a meticulosidade de suas atitudes. Ao fim, a sensação que fica é a de que eles, os personagens, na verdade agiam o tempo todo não exatamente por suas íntimas motivações, mas pensando no espectador. Durante a subida dos créditos do filme, só faltou surgirem os personagens, tantos os vencedores como os derrotados, todos eles a aplaudir a grande vitoriosa: a arte de narrar.

O livro de Sarah Waters e suas adaptações para a tevê e o cinema são exemplos de como uma história bem contada é a base de tudo. Conduzir o leitor ou o espectador pelos caminhos da trama, envolvê-lo sutilmente, seduzi-lo com aparentes insignificâncias, brincar sadicamente com suas expectativas, surpreendê-lo com reviravoltas, fazê-lo sentir-se ludibriado a ponto de quase desistir, para logo depois tomar novamente sua mão e reconduzi-lo pelos novos caminhos da história… Ah, isso é uma delícia. Um brinde aos grandes contadores de histórias!

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Ricardo Kelmer 2017 – blogdokelmer.com

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filmeacriada-03A CRIADA

The Handmaiden (Ah-ga-ssi)
Coreia do Sul, 2016, 144 min, 18 anos
Direção: Park Chan-wook
Roteiro: Park Chan-wook e Chung Seo-kyung
Baseado no romance Fingersmith, de Sarah Waters
Elenco: Kim Min-hee, Kim Tae-ri, Ha Jung-woo, Cho Jin-Woong
Fotografia: Chug Chung-hoon
Montagem: Kim Jae-Bum
Música: Jo Yeong-wook

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CURIOSIDADES

01- O título original em sul-coreano é Ah-ga-ssi, que significa “A Dama”, referindo-se a Hideko, a jovem herdeira japonesa, enquanto o título inglês é “The Handmaiden” mudando a referência para a criada Sook-hee (Kim Tae-ri). Ao meu ver, o título original faz mais justiça à história, já que a jovem herdeira é a personagem central do filme, o ponto nevrálgico da trama.

02- Tanto o japonês como o coreano foram falados no filme. Antes de filmar, todos os atores tiveram professores japoneses para estudar o roteiro. Após a exibição em Cannes, a atriz sul-coreana Kim Min-hee, que interpreta a herdeira Hideko, foi aplaudida por jornalistas japoneses por sua proficiência no japonês.

 

Treiler do filme

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LagrimasNaChuva-05 Lágrimas na chuva – E quando finalmente chegarem ao lugar para onde tanto correm, estarão em paz com as lembranças da vida que viveram?

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

O mundo real da arte – O momento em que a magia do teatro se revela paradoxalmente em toda sua plenitude, expondo tanto sua maquiagem quanto seu avesso

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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DICA DE LIVRO

ICI2011Capa-01dO Irresistível Charme da Insanidade
Ricardo Kelmer, romance

Nos séculos 16 e 21, dois casais vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor. Ou será o mesmo casal?

Um músico obcecado pelo controle da vida. Uma viajante taoísta em busca da reencarnação de seu mestre-amante do século 16. O amor que desafia a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

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01- belíssimo nas cenas de contação da protagonistas ..as referências literárias..a forma de ir e voltar do próprio roteiro..estou dando um tempinho p revê-lo.bjbjbj. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – fev2017

02- Vou ver !!! Adriana Alves, São Paulo-SP – fev2017

03- Estou louca pra assistir!! Taís Krugmann, Corumbá-MS – fev2017



Meu livro mais vendido na Amazon em 2015

04/01/2016

04jan2016

Em algum momento da vida dá um estalo, tchum!, e pressentimos que não estamos vivendo o roteiro verdadeiro de nossa existência

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O MITO TE CHAMA

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Em 2015, meu livro mais vendido na Amazon foi Matrix e o Despertar do Herói – A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas (Miragem Editorial). Isso me deixa feliz, pois mostra que a força do mito continua viva na alma das pessoas.

Apesar de nossa cultura supervalorizar o consumismo, o descartável e a superficialidade, e insistir a todo instante em nos vender tudo de que não precisamos para ser feliz, em algum momento da vida dá um estalo, tchum!, e pressentimos que não estamos vivendo o roteiro verdadeiro de nossa existência. Esse é o ponto da virada, em que o indivíduo deixa de buscar lá fora e olha para dentro. É o chamado para o autoconhecimento psicológico. Começa aí a maior de todas as aventuras, aquela que nos conduz em direção à essência de nós mesmos.

Não será fácil, é verdade. Conhecer-se requer coragem e determinação para desprender-se da massa, além de profunda honestidade consigo mesmo. A recompensa é o mundo novo que somente a realização de si mesmo pode oferecer. Podemos recusar o chamado? Sim. Porém, se fizermos isso, o preço é chegar ao fim da vida com a dolorosa sensação de não ter vivido, e nada pode ser mais frustrante.

> Este livro está disponível em versões impressa e eletrônica (PDF e e-book)
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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Matrix2012Capa14x21aMatrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente, e usando uma linguagem simples e descontraída, RK compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

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SOBRE O FILME

MatrixDVDCapa-1Matrix (The Matrix, EUA, 1999)
Argumento, roteiro e direção: Andy e Lana Wachowski
Elenco: Keanu Reaves, Lawrence Fishburne, Carrie-Anne Moss e Hugo Weaving

No futuro a humanidade é prisioneira de sua própria criação, a Inteligência Artificial, que criou a Matrix, uma realidade virtual onde foram inseridos todos os seres humanos para que eles não oponham resistência ao poder das máquinas. Todos não, pois um grupo de rebeldes mantém-se fora dessa realidade e luta para libertar o restante da humanidade. Eles creem na profecia do Oráculo que diz que um Predestinado um dia virá para vencer as poderosas máquinas e salvar a todos. Para eles, Neo, um jovem que vive na Matrix, é o Predestinado. Neo de fato desconfia que há algo errado com a realidade, mas não pode aceitar que ele seja o tão aguardado salvador.

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Blade Runner: Deuses, humanos e andróides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

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Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres, pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

Seguir a boiada ou as próprias convicções? – Podemos, cada um de nós, começar a agir de acordo com as nossas próprias verdades, aquelas que nos fazem sentir mais vivos, úteis e autênticos

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01- Parabéns. Você merece tudo de melhor! Angelica Santos, São Paulo-SP – jan2016

02- Muito bom! Recomendo. Alê Lima, São Caetano-SP – jan2016

03- Parabéns Ricardo Kelmer! Que esse sucesso continue em 2016. Inspirações, alegrias e realizações é o que te desejo. Renata Kelly, Fortaleza-CE – jan2016

04- parabéns mano. Jacques Josir Ribeiro, Santo André-SP – jan2016

05- Massa Ricardo Kelmer, que 2016 traga mais sucessos! Ana Lucia Castelo, Newark-EUA – jan2016

06- Sucesso, Ricardão!!! Proficuidade é teu sobrenome, muleke sabido!!! Sergio Viula, Rio de Janeiro-RJ – jan2016

07- Eu lembro deste seu livro Achobque foi inicio de 2000 Seria interessante uma rebuscagem desta continuaçao. Afinal,se esta na onda Pega ela. Luciana Figueiredo, Campina Grande-PB – jan2016

08- Feliz Ano Novo e sucesso com as futuras realizaçoes! Jan Hillen, Foz do Iguaçu-PR – jan2016

09- Eis um livro que gostaria de ler. Matrix ainda tem impacto, ainda me sacode. É doloroso como um parto. E a pergunta fica: é o herói predestinado que desperta, ou é a pessoa comum que acorda e se descobre herói? Susana X Mota, Leiria-Portugal – jan2016

10- Adoro, releio e recomendo. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – jan2016

11- Já li e super recomendo. .. Jucelio Nell, Canindé-CE – jan2016

12- Já quero ummm!!! Tathiana Monteiro, Fortaleza-CE – jan2016

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Lágrimas na chuva

11/09/2015

11set2015

E quando finalmente chegarem ao lugar para onde tanto correm, estarão em paz com as lembranças da vida que viveram?

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LÁGRIMAS NA CHUVA

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É uma espécie de ritual. Quando anoitece, faço uma pausa no trabalho, ponho para tocar a trilha sonora do filme Blade Runner (Caçador de Androides) e preparo um chazinho de hortelã. Vou tomá-lo à janela do apartamento, observando a paisagem cinzamente caótica de São Paulo. Enquanto bebo o chá quentinho, as canções se sucedem, misturando-se ao som da cidade lá fora e emprestando sua suave beleza melancólica ao movimento das ruas lotadas, todos apressados, um bando de autômatos correndo de um lado para outro…

Mas para mim tudo está em câmera lenta. Talvez porque nesse momento eu sou Rick Deckhard no alto daquele prédio, salvo da morte pelo replicante Roy Batty, totalmente rendido diante do grande mistério que é estar vivo e não saber até quando.

Acho que as pessoas correm tanto porque não sabem se amanhã estarão vivas. Mas será que correr tanto assim não faz apenas acelerar a paisagem que passa, deixando para o presente um mero cantinho desprezado, quase imperceptível, entre o que já foi e o que talvez não virá? Correndo tanto assim e vivendo no modo automático, em que momento essas pessoas poderão lembrar que estão vivas? E quando finalmente chegarem ao lugar para onde tanto correm, estarão em paz com as lembranças da vida que viveram? Do alto do prédio, em sua resignada lucidez de quem está morrendo, o replicante Roy tem mais uma pergunta: De que valerá tanta pressa se no fim a vida se perdeu no tempo, como lágrimas na chuva?

Penso nisso enquanto tomo o último gole do chá. E renovo minha falta de fé no roteiro que criamos para esta nossa época frenética de humanos automatizados. Corram por mim, amigos, que eu prefiro curtir a paisagem do agora. Até a derradeira faixa do disco.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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BLADE RUNNER – O CAÇADOR DE ANDROIDES

FILMEBladeRunner-01Ficção científica – EUA, 1982
Baseado no conto Androides Sonham com Carneiros Elétricos?, de Philip K. Dick

DIREÇÃO: Ridley Scott
ROTEIRO: Hampton Francher e David Webb Peoples
ELENCO: Harrison Ford (Rick Deckard/narrador), Rutger Hauer (Roy Batty), Sean Young (Rachael), Edward James Olmos (Gaff), M. Emmet Walsh (Capitão Bryant), Daryl Hannah (Pris), William Sanderson (J.F. Sebastian)…
TRILHA SONORA: Vangelis

> Na Wikipedia

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Blade Runner
Rick Deckard e Roy Batty no alto do prédio

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BladeRunnerDeusesHumanosEAndroides-01aDeuses, humanos e androides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso

A pergunta – Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

Vade retro Satanás (filme: O Exorcista) – O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Em Dogma, Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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DICA DE LIVRO

Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Ricardo Kelmer

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

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elalivro10Seja Leitor Vip e ganhe:

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Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

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 COMENTÁRIOS
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01- Eh verdade, eu ja participei desse ritual ai! Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – ago2016

02- maravilha de pensamentos!…de-sa-ce-le-ran-do.. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – ago2016

03- Muito bom Ricardo Kelmer.Correr pra quê?Vivamos o presente, de preferência ouvindo uma boa música e um chá quentinho.Viva a vida hoje. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – ago2016

04- Tua escrita me faz viajar nas imagens e ideias que vão se desenhando…. Que texto gostoso e instigador! Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – ago2016

05- Que lindo Kelmer! A sabedoria de quem sabe apreciar e sentir a vida. Renata Kelly, Fortaleza-CE – ago2016

06- Texto ❤❤❤ Barba 💕💕💕💕💕💕. Sabrina Nádia de Sousa, Fortaleza-CE – ago2016

07- eu me identifico. Tetê Macambira, Fortaleza-CE – ago2016

08- Vc escreve muito bem. Simone Matoso, Belo Horizonte-MG – ago2016

09- Excelente. Susana X Mota, Leiria-Portugal – ago2016

10- Grande Ricardo Kelmer. Luiz Antonio Lima Alencar, Fortaleza-CE – ago2016

11- Texto ótimo, como sempre, Ricardo. Mas, francamente, um detalhe: com Blade Runner combina mais chá de cogumelos! Abr. Luis Pellegrini, São Paulo-SP – ago2016

12- Adorei! Márcia de Oliveira, Fortaleza-CE – ago2016

13- Kelmer, brôu. Imaginava que só eu pensava assim, mas não consegui transmitir tão bem como tu. Obrigado por nos apresentar tal texto, está ótimo. P. S.: O meu hortelã foi diferente do teu… Francisco Fontenele Veras Neto, Lourinhã-Portugal – ago2016

14- Viva o ócio. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – ago2016

15- Grande Ricardo Kelmer !!!!! ❤ Oliveira Sidd, Fortaleza-CE – ago2016


A divertida mente da garotinha triste

23/07/2015

23jul2015

Um maravilhoso filme adulto para crianças que é um magistral filme infantil para adultos. Ou vice-versa

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A DIVERTIDA MENTE DA GAROTINHA TRISTE

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Como falar de psicologia para crianças? Como expor aos miúdos conceitos como personalidade, inconsciente e depressão? Como ensinar-lhes que, embora indesejada, a tristeza é um sentimento legítimo e importante na saúde psíquica do indivíduo? Impossível, né?

Não para a Pixar. Esta empresa de animação digital, comprada pela Disney em 2006, já ganhou muitos prêmios pela alta qualidade de seus filmes. Você certamente já viu alguns, como Toy Story, Monstros S.A. e Procurando Nemo. Pois com sua nova animação Divertida Mente (Inside Out), a Pixar foi além: ela conseguiu fazer um maravilhoso filme adulto para crianças que é um magistral filme infantil para adultos. Ou vice-versa.

Riley é uma garotinha de 11 anos que muda de cidade e enfrenta dificuldades na adaptação à nova vida. Parece um enredo bem simples, né? E é. Mas ele é só um coadjuvante para a grande atração do filme: a mente da garotinha. Paralelamente à vida cotidiana de Riley, vemos o funcionamento de sua vida psíquica, onde, numa sala de comando, atuam Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho, as personificações de seus pensamentos, sentimentos e sensações. São eles que monitoram e organizam a evolução da personalidade de Riley, determinando seu comportamento. A mudança de cidade, porém, trará o caos ao trabalho dessa turminha e uma crise para Riley.

Como estudioso da psicologia do inconsciente, fui ver Divertida Mente com um pé atrás na desconfiança. Mas ela se foi logo nas primeiras cenas. As alegorias usadas na tradução dos conceitos psicológicos para a linguagem infantil foi feita, obviamente, de forma caricata, mas ficou ótimo. É um filme encantador, divertidíssimo e cheio de sacadas geniais. É tudo muito singelo e verdadeiro, e de uma profundidade surpreendente. Em nenhum momento o filme apela para o sentimentalismo barato, mas ainda assim é difícil não se emocionar. Eu me segurei bem, sim, mas só até o momento em que Bing Bong é esquecido ‒ aí também tenha paciência, né? A partir dessa cena não mais contive as lágrimas, e quem assumiu minha sala de comando foi a criança que nunca deixei de ser, e que parece estar sempre mudando de cidade.

Pelos relatos dos pais, os pimpolhos gostam e entendem o filme. Como a história foi criada a partir da experiência real vivida por um dos roteiristas com a própria filha pré-adolescente, isso certamente foi fundamental no processo de criação. Deve ser bem interessante ver esse filme sendo uma criança e depois revê-lo adulto. Infelizmente não terei essa chance, mas muitos poderão ter.

Interessante também foi perceber como Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho se parecem com pessoas reais que conheço (não adianta, não darei nomes), e isso me garantiu boas risadas. Evidentemente, nenhuma pessoa é apenas um tipo único de sentimento ou emoção, mas é natural que uma delas se destaque na personalidade, mesmo que por um tempo. E Nojinho, heim? Como tem Nojinho dando chilique nesse mundo! Elas são irritantemente lindas e fúteis, e odeiam brócolis, mas justamente por isso se parecem com eles, e você sabe que o bicho homem masculino adora um brócolis de vestidinho… Ops, tava demorando. Ricardinho, esta é uma crônica infantil. Corta.

Esse filme fala de autoconhecimento, de como é importante sabermos lidar com nosso mundo interior. É provável que haja uma continuação, mostrando Riley na adolescência. Se os roteiristas conseguirem manter a qualidade na estrutura narrativa, teremos a comprovação de que é possível mostrar a crianças e adolescentes toda a complexidade da vida psíquica de uma maneira lúdica e instigante, motivando-os desde cedo a se conhecerem psicologicamente. Bem, é claro que isso não é função da arte, mas depois de Divertida Mente eu me sinto no dever de descer lá no vale do esquecimento e resgatar meu Bing Bong pessoal. E viajar com ele na esperança de uma humanidade mais consciente de si mesma.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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Divertida Mente (Inside Out) – EUA, 2015
Gênero: Animação
Realização: Walt Disney e Pixar Animation Studios
Direção: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen
Argumento: Pete Docter
Roteiro: Josh Cooley, Meg LeFauve, Pete Docter
Vozes na versão original: Amy Poehler, Bill Hader, Bob Bergen, Carlos Alazraqui, Diane Lane, Jess Harnell, Kyle MacLachlan, Laraine Newman, Lewis Black, Lori Alan, Mindy Kaling, Paula Poundstone, Phyllis Smith, Richard Kind, Teresa Ganzel
Vozes na versão brasileira: Kaitlyn Dias (Riley), Miá Mello (Alegria), Katiuscia Canoro (Tristeza), Otaviano Costa (Medo), Dani Calabresa (Nojinho), Leo Jaime (Raiva)
Produção: Jonas Rivera
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Duração: 102 min.

 

Trêiler do filme (português, dublado)

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LEIA NESTE BLOG

Jung – a jornada do autodescobrimento – Vídeo com um resumo da vida e das ideias de Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço criador da teoria do inconsciente coletivo

Livros: He, She, We – Os rios de nossas vidas na verdade correm por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, também percorreram

Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

Carma de mãe pra filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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DICA DE LIVRO

MatrixEODespertarDoHeroiCapaEdicaoDoAutor-01Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

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01- Amei o que escreveu sobre o filme infantil. Fiquei duvidando se havia sido escrito por voce mesmo rsrsrs. Gostei desse lado Kelmer criança mizifio. Deu ate vontade de ver o filme. Ivonesete Rodrigues, Fortaleza-CE – jul2015

02- Mostrar que a tristeza tambem nos ajuda a passar por uma fase dificil foi genial! Debora Morais, Fortaleza-CE – jul2015

03- Ricardo Kelmer, ja tinha me programada para ver, mas depois desse belo artigo seu, se tornou imperdível! Abraço meu amigo! Cristina Balieiro, São Paulo-SP – jul2015

04- Achei o filme genial. ..as ilhas de personalidade da garotinha , o amigo imaginário…a mente dos pais..Vou ver novamente! Telma Parente, Fortaleza-CE – jul2015

05- consegui baixar o filme, louca para ver! Susana X Mota, Leiria-Portugal – jul2015

06- Tinha pensado em assisitr mas acabei deixando para la, agora assistirei com certeza! Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – jul2015

07- Poesia em forma de animação!!! Andeile Airam, Fortaleza-CE – jul2015

08- Que bacana Ricardo! Eu gostei muito do filme.. .impossível não refletir as nossas próprias emoções. .. ! Um filme que toca a alma se qualquer um .adulto ou criança. Adorei o seu texto …! Vou copiar…. bjs.
Compartilho essa analise do Ricardo Kelmer sobre o filme Divertida mente. Assisti e me tocou de forma profunda… é um filme que todos precisamos assistir qie nos leva ao auto conhecimento e melhor entendimento d as nossas emoções.. .mostra que emoções tidas como “negativas” também sao importantes para o nosso crescimento e devemos aceita-las… enfim. Leia e nao deixe de ver o filme! Sandra Macedo, Fortaleza-CE – jul2015

09- Para vc Paula Silvia. Fica a dica. Eliana Torres, Ponta Porã-MS – jul2015

10- Ah!…. MAS EU A-DO-RO BRÓCOLIS!!!! … kkkkkkkk…ainda não vi, mas estou muitíssima curiosa! Risos…mesmo porque Kelmer tem a liberdade de dizer tudo p/comigo, e…”detalhe” , Kelmer comenta ja me chamando (in box ) de ‘ NOJINHO! Bah! Já fui logo perguntando, né? kkkk … adorei o texto. Regina Zamora, São Paulo-SP – jul2015

11- Hehehe! Não podia faltar né mizifio , sua marca registrada! Kkkkkk. foi uma deliciosa dica e esse texto mais ainda! Ameeei! Eu tbém senti aperto no coração quando Big Bong se apagou no vale do esquecimento. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – jul2015

12- incrível! Eu quero assistir esse filme. Renata Regina, São Paulo-SP – jul2015

13- Esse filme realmente, é genial. Muito profundo e importante pra adultos e crianças refletirem, Vlw, Rica. Bjs. Anabela Alcântara, Fortaleza-CE – jul2015

14- Sim!!!Pra adultos e crianças! Isabela Alcântara, Fortaleza-CE – jul2015

15- Grande sacada! Assisti e adorei! Interessantíssimo! Dri Flores, São Paulo-SP – jul2015

16- Eu soh vih o traler e me emocionei!…lindo!Louca pra ver! Isabela Alcântara, Fortaleza-CE – jul2015

18- Sensacional sr kelmer! Jayme Akstein, Sidney-Austrália – jul2015

19- Ricardo eu adorei o filme.comentário de Clarinha:Mamãe a alegria é bom mais a tristeza tb é. Germana Mourão, Fortaleza-CE – jul2015

20- Prof. Jacinta, Achei esse filme a cara da disciplina Motivação e Emoção! Seria ótimo aprender mais assistindo filmes assim… Bjo ‪#‎ficadica‬. Glaina Santos Costa, Fortaleza-CE – jul2015

21- Ricardo Kelmer doooida para assistir. Marilene Neri, Fortaleza-CE – jul2015

22- Sim Ricardo !!!! Com a minha de 5 anos !!! Ela adorou ! Só não gostou na hora que bing bong foi esquecido tbm .. Mas fala dos personagens até hoje rss. Ana Kariny Gomes Rosa, Fortaleza-CE – jul2015

23- Taí, o Ricardo Kelmer disse tudo o que eu queria. Vale demais ler o texto e, sobretudo, assistir o filme. Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – jul2015

24- Ricardo Kelmer, finalmente fui assistir Divertida Mente (Inside Out), uma graca! Nem me fale de Bing Bong, nao posso assistir esses filmes sem dar vexame… rsrs. Obrigada pela dica! Ah, o que seria de nos sem a tristeza? Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – out2015


As unhas sujas de Matrix

19/11/2013

19nov2013

Certas obras artísticas se baseiam nesses conteúdos, os arquétipos, e por isso pessoas de todo o mundo se identificam tanto com elas

AsUnhasSujasDeMatrix-02

AS UNHAS SUJAS DE MATRIX

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Faça um buraco na terra, cave sem parar e você alcançará areia e rochas que, de tão profundas, não são de país algum. Ou melhor, pertencem a todos, são patrimônio de toda a humanidade. Assim também é o inconsciente coletivo da espécie: seus conteúdos são de todos nós. Certas obras artísticas se baseiam nesses conteúdos, os arquétipos, e por isso pessoas de todo o mundo tanto se identificam com elas. É o caso de Matrix. Apesar de toda a tecnologia, o filme tem cheiro de terra, pois escava fundo as profundezas coletivas da psique.

Esse filme vale tanto assim?, é o que ouço quando descobrem que escrevi um livro sobre Matrix. Sim, vale. Além de marco na história do cinema, a aventura do guerreiro cibernético Neo e seus amigos resistentes é um grande fenômeno cultural da atualidade, alcançando pessoas de raças, religiões e idades diversas, influenciando comportamentos, gerando discussões e lotando cinemas. Mas tem gente que torce o nariz para o filme e não entende tanto rebuliço. Que diabos Matrix tem de tão especial?

Muitas coisas. A base mitológica do enredo, por exemplo: o jovem que se vê confrontado com seu próprio destino, que precisa abandonar seu mundo seguro e partir numa aventura perigosa, lutar contra inimigos terríveis, arriscar a própria vida e salvar sua gente. A história de Neo é o antigo mito da jornada do herói recontado com roupas novas. Por nascerem do inconsciente coletivo e serem feitos de elementos arquetípicos, os mitos são parte de nossa psique individual, e é por isso que nos identificamos com eles. Todos nós vivemos os mitos em nosso dia a dia, sendo novos protagonistas de antiquíssimos dramas.

Na história há outros elementos mitológicos que revestem a trama de um caráter numinoso: o despertar da consciência, o salvador, o traidor, o oráculo, o amor, a morte. Esses arquétipos habitam o profundo de cada um de nós, e Matrix os aciona em nossa mente. Messianismo, ressurreição, a natureza ilusória da realidade, ser um com o mundo e assim entortar colheres ‒ Matrix une mitologia cristã e filosofia oriental. Quem não gosta desses temas da mente e do espírito tende a atirar contra o filme, porém Matrix manipula filosofia, religião e esoterismo com a destreza de um guerreiro tecno-zen e detém as balas no ar.

Ah, claro, tem os efeitos especiais, as cenas de luta, o figurino… Para nossos jovens, que nasceram e vivem numa Matrix onde a imagem é tudo e os cega para a essência das coisas, o apelo visual do filme é irresistível. O filme usa a si mesmo como isca para transmitir ideias profundas sobre a natureza da realidade, a importância do autoconhecimento para a realização do potencial, a necessidade de morrer para renascer mais forte… Pelo jeito, a isca funciona, pois a discussão sobre o que é real saiu dos círculos filosóficos e esotéricos e alcançou o shopping center. Enquanto tomam sorvete, adolescentes de piercing e boné para trás se perguntam: E se todos nós estivermos sonhando? Uau, isso é ótimo.

Mas será que os criadores de Matrix tiveram mesmo a intenção consciente de mexer com todos esses temas? Esse filme não seria um mero borrão de tinta no qual as pessoas, inclusive eu aqui do meu galho, veem o que querem ver? Bem, a mim, particularmente, essas unhas sujas não enganam: Matrix é feito de terra, lá do fundo, a mesma terra da qual somos todos feitos. Por isso Matrix é tão real.

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Ricardo Kelmer 2003 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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SOBRE O FILME

MatrixDVDCapa-1Matrix (The Matrix, EUA, 1999)

ARGUMENTO, ROTEIRO E DIREÇÃO: Lilly e Lana Wachowski
ELENCO: Keanu Reaves, Lawrence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving

No futuro, a humanidade é prisioneira de sua própria criação, a Inteligência Artificial, que criou a Matrix, uma realidade virtual onde foram inseridos todos os seres humanos para que eles não oponham resistência ao poder das máquinas. Todos não, pois um grupo de rebeldes mantém-se fora dessa realidade e luta para libertar o restante da humanidade. Eles creem na profecia do Oráculo que diz que um Predestinado um dia virá para vencer as poderosas máquinas e salvar a todos. Para eles, Neo, um jovem que vive na Matrix, é o Predestinado. Neo de fato desconfia que há algo errado com a realidade mas não pode aceitar que ele seja o tão aguardado salvador.

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TRÊILER OFICIAL


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MATRIX, PSICOLOGIA E MITOLOGIA NO LIVRO:

Matrix2012Capa14x21aMatrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, o autor compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

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Blade Runner: Deuses, humanos e androides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

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Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

Seguir a boiada ou as próprias convicções? – Aos poucos podemos, cada um de nós, começar a agir de acordo com as nossas próprias verdades, aquelas que nos fazem sentir mais vivos, úteis e autênticos

A Matrix em cada um de nós – Em busca da realização mais íntima (tornar-se o Predestinado), o ego deve empreender uma longa jornada de autoconhecimento onde não faltarão medos e conflitos para fazê-lo desistir

A pergunta – Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

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Entre rocks e feridos

05/09/2013

05set2013

De repente, caiu a ficha: Putz, vinte anos atrás eu estava no Rock in Rio

EntreRockEFeridos-01

ENTRE ROCKS E FERIDOS

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Dizem que o cara começa a envelhecer no dia em que acorda, se espreguiça diante do espelho e diz, todo satisfeito: Nunca me senti tão jovem! Pois tenho outra teoria. Você começa a ficar velho no dia em que vira objeto de arqueologia jornalística. Para ser exato, quando alguém te liga e diz assim: Oi, Ricardo, nosso jornal está fazendo uma matéria sobre os vinte anos do Rock in Rio e queremos entrevistar os que sobreviveram.

Generosas leitoras, diletos leitores, comunico oficialmente que acabo de ficar velho. Ou, para soar mais heróico, que sou um sobrevivente. De repente, caiu a ficha: Putz, vinte anos atrás eu estava no Rock in Rio! Rio de Janeiro, janeiro de 1985. Eu e meus febris vintanos, minhalma deslumbrada… Lembro como se fosse há duas décadas, eu e Paulo Marcio compramos a camiseta do festival, botamos a mochila nas costas e pegamos o semileito, dois dias e duas noites de estrada sem fim. Cheguei no Rio sem bunda, eu que já não tenho muita. Se fosse hoje, acho que eu surtaria antes de chegar em Minas, mas naqueles dias eu era super-homem, não precisava dormir e tinha fígado blindado. A viagem inteira na manguaça, cada parada uma festa. Até namorada arrumei no ônibus, acredita? A danada era noiva, e no escurinho do último banco me escolheu para sua despedida de solteira, que honra.

Confesso que não lembro muita coisa do festival. Quando penso que hoje as crianças já nascem com quinhentos giga de memória, que inveja. Eu, particularmente, não disponho de mais que um mói de vaga lembrança. Mas vamos lá, queimemos os últimos neurônios… Lembro que no caminho para Jacarepaguá perdi uma lente do meu oclim e tive que encarar o festival cego de um olho. Isso explica metade da minha amnésia. Que mais? Lembro que foi Vinicius de Moraes, falecido anos antes, quem abriu o festival. Não, não tomei um ácido e vi a alma dele no palco. É que Ney Matogrosso fez a abertura cantando Rosa de Hiroxima, letra do poeta.

Que mais? Lembro dos malucos do AC/DC, o new age do B52, a doidinha da Nina Hagen que tinha um leruaite com o, desculpe, Supla… Lembro também do Moraes Moreira, Paralamas… Ué, mas não era festival de rock? Era, né, mas isso é Brasil, minha filha, entenda. Que mais? Lembro de um torpedo desse tamanho que eu fumei e, inexperiente, entrei numa lombra de que todas as cem mil pessoas olhavam para mim com aquelas máscaras das crianças do filme The Wall, pense na paranoia. Apavorado, fui me esconder debaixo da catraca da bilheteria, Paulo Marcio rezando por mim. Acabei na enfermaria, glicose na veia, nunca mais na vida eu fumo maconha. Mas sejamos justos, a culpa não foi da planta, coitada, eu é que antes enxuguei meio litro de Tonel 01. O fato é que eu morri e lá no inferno ninguém me atendeu, todo mundo acompanhando o rock pela TV. Acordei recuperado e saí correndo de volta a tempo de ver o Rod Stewart. Ainda tomei uma cerva para comemorar. Jovem é assim, imortal.

Bem, agora que cumpri com meu dever de alertar a juventude sobre o perigo demoníaco das drogas, do rock’n’roll e das noivas taradas dos semileitos, dá licença que vou tomar um domecq e escutar meu Led Zeppelin. E fazer uma pajelança em honra da minha pessoa, eu, sobrevivente do primeiro Rock in Rio. Não tão imortal quanto naqueles dias, admito. Mas mais jovem que nunca.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Se estar velho é ter vivênciado o primeiro Rock in Rio, que dirá ter curtido o Woodstock… Tô fudido. Um abraço primo. Jamiro Dias de Oliveira Junior, Fortaleza-CE – jan2005

02- Caro Ricardo, Foi delicioso ler sua crônica, pena que tenha sido tão curtinha de curtir. Num outro ônibus ia eu com as noivas daquele outro ônibus. E que viagem foi aquela… no ônibus para Jacarepaguá, onde até o cobrador fumava e nem cobrava nada. Na lama da cidade do rock, todo mundo se melando de alguma. Os amigos, as namoradas, as amigas… que viagem. Sucesso, feliz ano novo. E viva o rock’n’roll. Abraço. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2005

03- Oi Ric! Adorei a crônica…espero que estejas bem.Quando vens por aqui? Beijinhos brancos com sabor de PAZ. Viviane Avelar, Sobral-CE – jan2005

04- Oi velhinho, a anestesia de 85 era boa, né? Ainda bem que sim pq agora está difícil, tem que nas escolhas conscientes senão dançamos, não ao maravilhoso som do ROCK en ROLL mas na vida mesmo. Obrigada pelas boas risadas que dei. bj bem graaaaaandão! Dijé, Fortaleza-CE – jan2005

05- rickie boy, é, o peso dos ânus! Eles passam avoando… Lembra o tempo do… como é que chamava mesmo? Legal… O que conta é não perder o rumor, quer dizer, o humor! Abração. Max Krichanã, Fortaleza-CE – jan2005

06- Sensacional, Kelmer! Que inveja… neste tempo eu tava aprendendo a dançar forró numa cidadezinha do interior, tentando conseguir uma primeira namorada, perto dos meus 14 anos. Só assisti o Rock in Rio II que não chegou nem perto do primeiro. Acho que a coisa mais próxima do primeiro deve ter sido Woodstock! Abraço, Parabéns pelas excelentes lembranças. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – jan2005

07- Kelmo, Adorei a sua crônica sobre o Rock in Rio. Eu apesar de ser da sua mesma era geológica sofri muito mais porque morava em Quixeramobim, a muitos e muitos quilômetros de Jacarepaguá. Um grande abraço do seu eterno fã. Tibico Brasil, Fortaleza-CE – jan2005

08- Vc é um Gênio extrmamente criativo. Abrazos. Heloise Riquet, Fortaleza-CE – mar2005

09- Showwww de texto, viajei na história hehehe. Tbem estive no Rock in Rio, o q trouxe várias lembranças. Tem toda razão, quando jovens somos imortais ou ao menos pensamos que somos kkkk. Abner Rios de Alencar, Fortaleza-CE – set2013

10- Galera que vai pro Rock in Rio, se prepara que daqui há vinte anos quero ouvir as histórias! Ricardo Kelmer como sempre formidável! Jessika Thais, Fortaleza-CE – set2013

11- Muito boa, sorri e gargalhei….eu tb. usava oclinho e perdi a lente um dia, fora as lentes de contato perdidas no escurinho dos cinemas e “boites” (alguém sabe o que é/era isso?kkk) Marialucia da Silveira, Campinas-SP – set2013

12- Teu texto é uma viagem Ricardo!! Bjao. Liliana Araujo Moreira, Madri-Espanha, set2013

13- Bem que podia rolar ” Diários de Itapemirim” kkk. Francisco Coelho, Rio de Janeiro-RJ – set2013

14- Acho que vc não envelheceu tanto assim…continua o mesmo garoto com alma de poeta dos velhos tempos do Colégio Cearense. Yvana Oliveira, Fortaleza-CE – set2013


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