Dona de mim

08/05/2019

08mai2019

DONA DE MIM

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Dona de mim já não sou mais
Quando aos teus pés me ajoelho assim
E em teu olho a chama do desejo atiça
A mulher louca e submissa que há em mim

De bom grado já não me pertenço
Docilmente me submeto à vontade tua
Se me queres agora toda nua, eu obedeço
E de quatro te ofereço minha carne crua

Bate, meu senhor, faz-me o rabo em brasa
Marca em mim o juramento da servidão
Serei sempre a escrava grata e obediente
E amarei o peso ardente da tua mão

Bate, meu senhor, é minha pele que implora
Do bom chicote o estalo por toda a noite
Hoje eu sou a mulher mais livre e gloriosa
Plena da dor gozosa do teu açoite

> música de Ricardo Kelmer e Fernando Neri

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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Fernando Neri – Dona de mim
registro experimental, 2019

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> Mais poemas e músicas

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A garota da lua nova

15/01/2019

15jan2019

A GAROTA DA LUA NOVA

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Quando deu por si, Tamara percebeu-se numa cama, deitada e nua. E tudo era uma escuridão só. As lembranças chegaram lentamente, confusas… o bar lotado, uma garota bonita dançando com ela, o convite para esticar a noite… as duas chegando ao prédio, tudo escuro pela falta de energia, ninguém na portaria… depois a escuridão do apartamento, a ansiedade das mãos e das bocas, a língua sinuosa entre suas pernas…

O súbito contato com um corpo ao lado fez Tamara estremecer, interrompendo suas lembranças. Um corpo de mulher, cabelos longos… Estava quieta. Parecia dormir profundamente. Pensou consigo: Caramba, Tamara, de novo você exagerou nas caipirinhas!

Levantou-se com cuidado, deu a volta na cama e alcançou a janela. Após abri-la, sentiu o vento frio da madrugada arrepiar-lhe a pele. A rua estava escura, pelo jeito a energia ainda não voltara. Procurou pela lua, em vão. Era lua nova. Viu a antena de tevê piscando ao longe e teve uma noção de onde se encontrava, um pouco longe de casa. Pela altura, deduziu que estava no quinto ou sexto andar daquele prédio.

Tamara pressionou o interruptor na parede, só para ter certeza, e a luz não se acendeu. Aproximou-se da mulher que dormia, o corpo nu atravessado na cama. Pelo pouco de luz que vinha da janela pôde ver que era uma garota, um pouco mais nova que ela, uns vinte e poucos. Feições suaves, cabelos negros muito longos, a pele clara. Tão linda e desejável… Não lembrava seu nome, mas tinha a impressão que começava com B. Obrigado por me trazer em tua casa, garota bonita…, falou baixinho, enquanto afagava-lhe o rosto e lembrava outra vez do que fizeram momentos antes naquela cama. Pousou um leve beijo sobre os lábios entreabertos e a garota mexeu-se um pouco, mas continuou dormindo, ressonando suavemente. Procurando por algo para cobri-la, por causa do frio, Tamara percebeu que estavam diretamente sobre o colchão, sem lençol. Melhor fechar a janela.

Após catar suas roupas pelo chão, vestiu-se e calçou os tênis. Tentou ver a hora no celular, mas a bateria havia descarregado. Talvez quatro ou cinco da manhã, calculou, hora de mulheres mal comportadas voltarem para casa, né, Tamara?… Então foi ao banheiro e da bolsa tirou um batom. Tateou até encontrar a pia, e logo acima, o espelho. E nele escreveu, letras vermelhas: “Adorei a noite!” Assinou seu nome e deixou o batom na pia, um presente para a garota bonita que tanto prazer lhe proporcionara.

Era uma quitinete pequena, constatou Tamara enquanto buscava a porta para sair. No caminho, esbarrou numa mesa e quase caiu. Por fim, abriu a porta, conferiu o número 513 com  a ponta dos dedos e desceu as escadas, o máximo de atenção para não cair. Na portaria, iluminada pela luz da lanterna que o porteiro empunhava, perguntou o endereço do prédio e chamou um táxi. Estava cansada, só queria sua cama e dormir.

No dia seguinte, nenhuma mulher desconhecida a adicionou nas redes sociais. Nem no outro dia. E nem depois. Tamara sentiu-se frustrada. No meio da aula, pegava-se lembrando dos detalhes da noite. Em sua cama, naqueles instantes que precedem o adormecer, era a imagem dela que flutuava à sua frente, bela e delicada, chamando-a…

Com uma semana, Tamara não aguentou mais. Precisava rever a garota, saber quem era ela. Desejava novamente seus beijos, o cheiro gostoso de sua pele. Ansiava por saber do que gostava de fazer, além, é claro, de seduzir mulheres bêbadas pelos bares. Então, voltou ao prédio.

É onde ela está. Exatamente agora. Na portaria do prédio onde esteve uma semana antes. São cinco e meia da tarde de uma sexta-feira. Ela repara que o porteiro é o mesmo da outra noite.

– Por favor, avisa no 513 que Tamara está aqui.

O porteiro, ocupado com uma senhora que reclama de um vazamento, apenas estende a mão e lhe entrega uma chave. Tamara fica olhando para ele, sem entender.

– Pode subir, moça – ele diz, apontando o elevador.

Tamara caminha até o elevador. Será que a garota a viu chegando da janela e avisou ao porteiro? Se foi isso, então já tô apaixonada.., diz para si mesma, sorrindo e ajeitando o cabelo no espelho do elevador.

Ela mete a chave na fechadura, gira e abre a porta. Agora, à luz do dia, percebe que o apartamento é um vão mobiliado apenas com uma mesa pequena, duas cadeiras, uma cama de casal e um guarda-roupa. Na cozinha ao lado, ou no espaço que poderia ser a cozinha, nem geladeira, nem fogão.

– Alôôô… – ela fala, anunciando-se. Mas ninguém responde. Num primeiro momento, pensa que errou de apartamento. Mas não, é esse mesmo, quinto andar, fim do corredor à esquerda. – Cadê você, garota misteriosa? – ela pergunta num tom infantil, talvez a garota esteja fazendo uma brincadeira com ela. E novamente o silêncio é a resposta.

Que estranho, Tamara pensa enquanto observa que no apartamento não há nada pessoal, nenhum objeto, nenhuma foto. No banheiro, nenhuma toalha, nada. No guarda-roupa, apenas cabides pendurados, nenhuma roupa. Na cama, somente o colchão, sem lençol. Como se ninguém vivesse ali. Ela abre a janela e reconhece a paisagem de prédios ao redor, a mesma que observara naquela noite uma semana antes.

Neste momento, escuta algo e sai para ver. No início do corredor, ela vê a porta entreaberta de um apartamento. De lá alguém a observa, o rosto meio escondido pela porta. Parece ser uma garota.

– Por favor, você conhece a moça que mora…

Mas a porta se fecha e ela fica sem resposta. Povo desconfiado…, pensa Tamara. Um minuto depois está novamente no térreo.

– Por favor, como se chama a dona do 513? – pergunta ao porteiro.

– Não é dona, é dono. Seo Laurindo.

– E a garota que mora lá?

– Lá não mora ninguém, moça. Seo Laurindo botou pra alugar faz seis meses.

– Seis meses? O senhor tem certeza?

– Sim. Mas ainda não alugou.

– Mas… não pode ser… – ela murmura, confusa. – Semana passada eu vim aqui. Estava faltando energia, o senhor me viu sair, tá lembrado?

O porteiro olha para ela com atenção.

– Ah, agora reconheci. Pediu um táxi, não foi?

– Sim, e eu cheguei com uma garota. Achei que ela morasse lá no 513.

O homem franze a testa. Agora parece bastante curioso.

– Olhe, moça, aquele apartamento tá vazio faz um ano. Quem morava lá era dona Brenda.

– Brenda? Como ela é?

O porteiro interrompe a conversa para atender o carteiro que chega com correspondências. Tamara aguarda, impaciente, que o homem vá embora.

– Ela é branquinha, cabelo preto grandão, aqui na cintura? – Tamara insiste. – Mais nova que eu?

– Sim, mas…

Ele não continua. Olha para Tamara, observando-a atentamente, como se procurasse entender o que podia haver por trás daquelas perguntas todas.

– Dona Brenda morreu faz um ano.

Tamara acha que ouviu errado. Só pode ter ouvido errado.

– Morreu?

– Acidente de carro.

– Mas…

– Por isso o pai dela alugou o apartamento.

Tamara tenta organizar as ideias, mas nada daquilo faz sentido. O prédio era o mesmo, o apartamento também, o mesmo porteiro, e ele a reconhecera. Não estava ficando louca. Estivera ali na semana anterior, sim. E transara com uma garota, naquela cama de casal, a cama sem lençol…

– Tá tudo bem, moça?

– Ahn… mais ou menos… – ela balbucia enquanto procura o celular na bolsa para chamar um táxi. Mas não encontra. – Esqueci o celular no apartamento. Vou lá pegar, é rapidinho.

Novamente o elevador, subindo até o quinto. Novamente o corredor, o apartamento do fim à esquerda. Mas dessa vez Tamara está com medo. Não sabe se conseguirá ir até lá. Morta? Como assim, morta? E se o porteiro estiver brincando com ela? E se tudo aquilo for uma pegadinha de mau gosto? E se, na verdade, naquela noite chegou ali sozinha, deitou-se na cama e sonhou que havia uma garota com ela? Não, claro que não, como teria conseguido a chave para entrar?

Durante um eterno minuto ela experimenta todas as explicações possíveis, mas nada faz sentido. Tudo que sabe nesse momento é que precisa ir lá e pegar seu celular. Então enche-se de coragem e caminha o mais firme que pode em direção ao 513.

Abre a porta devagar. Aguarda um pouco. O silêncio do apartamento parece envolvê-la num abraço opressor. Lá está ele, o celular, sobre o colchão da cama. Ela caminha até lá, pisando com cuidado, devagar, atenta a tudo. A imagem da garota deitada na cama não lhe sai da mente. Morta? Um ano antes?

Tamara apanha o aparelho. Suas mãos tremem, e o celular escapole, quase cai no chão. Nunca mais entrará naquele prédio outra vez. Nunca mais passará nem em frente. Ela se vira para sair, mas… ao lado, o banheiro, a porta aberta… Ela se sente atraída. Precisa ir lá. Então, entra no banheiro, olha o box, a cortina de plástico transparente. Do outro lado, a pia, o espelho… Ela evita olhar para o espelho. Mas a curiosidade é maior. Ela olha. E o que vê é o seu rosto refletido, o olhar nervoso, mas isso dura apenas um segundo, pois imediatamente percebe… algo escrito na superfície do espelho…

Tamara se aproxima para ler. Entre ela e a imagem refletida de seu rosto, uma frase, em letras vermelhas. Mas não é a frase que escreveu na outra noite. É outra frase: “Também adorei, Tamara. Te espero na lua nova.”

Dentro da pia, ela reconhece, imobilizada de pavor: o batom. O seu batom.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Trilha sonora do conto A Garota da Lua Nova

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Este conto foi originalmente escrito para o livro Penas, Fluidos e Bisturis, organizado por Rogério Bessa Gonçalves. A obra contém contos e poemas criados a partir de desenhos de Rogério. Eis o desenho no qual foi inspirado o conto A Garota da Lua Nova:

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DICA DE LIVRO

Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos
Ricardo Kelmer – contos
Fantástico, terror, ficção científica

O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba? Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, as pessoas são surpreendidas por acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmas e deflagram crises tão intensas que viram uma questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses coletivos e pessoais.

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LEIA NESTE BLOG

NoOlhoDaLoucura-01aNo olho da loucura – Ela está lá, insubornável feito um guardião de mistérios ancestrais, e zomba da nossa compreensão do mundo… E nada pode haver de mais perturbador

Cristal – Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

Minha noite com a Jurema – Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

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O menino que não sabia odiar

22/10/2018

O MENINO QUE NÃO SABIA ODIAR

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A irmã preparando um café na cozinha e a tia brincando com o sobrinho na sala. O menino, oito anos, entregou-lhe um boneco e pediu para ela segurá-lo sobre a mesa. Ele fez um gesto com a mão, imitando um revólver, e disse: Faz de conta que tu é o PT, tia, e eu vou te matar. Ela ficou impressionada e perguntou por que ele queria matar o Partido dos Trabalhadores. Porque ele é mau, o sobrinho respondeu, roubou nosso dinheiro. Enquanto a tia procurava algo para dizer, o menino encheu o boneco de tiros, Morre, PT, morre, pou, pou, pou!

Quem te disse isso?, a tia quis saber. Respondeu o menino: Foi minha avó. E tome mais tiros no boneco. A tia, então, afastou o boneco e disse, sorrindo, que gostava do PT. O menino parou de brincar e olhou sério para ela: Não adianta defender o PT pra mim, tia, eu odeio ele, odeio!

O menino parecia desafiar a tia, os olhos franzidos, os punhos fechados, a respiração intensa, quase bufando. A tia apenas observava, calma, mas preocupada com a reação raivosa do sobrinho, que recolheu o boneco, decretou que a brincadeira estava encerrada e deixou-a sozinha na sala.

Não é normal uma criança sentir ódio dessa maneira, ainda mais sendo ódio político, ela falou depois para a irmã, enquanto tomavam café. A irmã concordava, admitindo ter falhado por omissão. Acho que você deve conversar com a mamãe, e com ele também.

Foi o que a irmã fez. A partir daí, a avó parou de falar sobre política com o neto, e a mãe teve uma paciente conversa com ele. Resultado: o menino deixou de odiar o PT. E, após as orações antes de dormir, incluiu um “ele não, amém”.

Três dias depois, como a mãe estava ocupada, ele foi ao quarto da avó, para rezar com ela. Os dois sentados na cama, Ave Maria, Pai Nosso, e no fim o menino, mãozinhas juntas, perguntou, com toda a sua inocência, se podia terminar com “ele não”. A avó quase cai da cama do susto que levou. Era só o que faltava, a filha ensinando ao seu neto, seu neto, aquelas frases idiotas que os malditos comunistas gritavam nas ruas contra seu candidato, uma pessoa do bem, honesta, que iria acabar com a violência no país, um grande defensor da família brasileira. O neto esperando pela resposta.

Pode, respondeu a avó, mas eu não vou dizer amém. O menino arregalou os olhos, surpreso. Por quê, vó? Porque não digo. Mas, vó, se a gente não diz amém… Olha, interrompeu a avó, é melhor você ir rezar com sua mãe, vá.

O menino obedeceu e deixou o quarto, entristecido. Nessa noite, a avó não dormiu bem. Nem a mãe. E nem o menino. Aliás, o menino deixou também de fazer o tal gesto de revólver com a mão, que ele aprendera vendo na tevê o candidato da avó. É porque é muito feio uma criança fazer isso, ele explicou para a tia, quando ela retornou lá dias depois. Agora, eu faço assim, ó, e fez, com as mãos juntas, um coração. Depois, concluiu: Acho que eu não sei odiar, tia.

A tia o abraçou, comovida. Também acho muito feio aquele gesto, ela falou, disfarçando uma lágrima que escapulia do olho. Pela janela da sala, viu que começava a anoitecer. Um arrepio lhe sacudiu o corpo, e ela sentiu medo. Quanto tempo duraria aquela noite?

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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OProtestoDaBabaNegra-02a

O protesto da babá negra – Talvez ela saiba que quando um governo tem como objetivo a equidade social e a redistribuição da riqueza do país, automaticamente atrai o ódio das elites econômicas, que lutarão para manter seus privilégios

Sobre lutas, sonhos e a grande farsa – Para quem ainda não percebeu, é isso mesmo o que todos somos, meros atores no grande teatro da existência

Golpe de mestre à brasileira – O processo seria custoso e traumático, e provocaria séria desestabilização na democracia, mas melhor isso que suportar mais um governo de esquerda no Brasil

O socialista crucificado – Se esses cristãos vivessem naquela época, teriam batido panela contra o bandido Jesus e aplaudido sua crucificação

A foto repugnante e o sonho que não pode ser preso – A foto que resume a baixeza moral dos fascistas que querem a morte de Lula

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Eu, a democracia e o ódio dos meus pais

09/10/2018

09out2018

Infelizmente, meus pais foram também seduzidos pelas ideias nazifascistas e propagam esse perigoso discurso feito de ódio, moralismo e paranoias

Eu, a democracia e o odio dos meus pais 01

EU, A DEMOCRACIA E O ÓDIO DOS MEUS PAIS

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Não costumo expor minha vida pessoal dessa forma, mas é que preciso desabafar, e escritor desabafa escrevendo… Alguns amigos e leitores já devem ter percebido algo inusitado em minhas postagens sobre as eleições: minha mãe fazendo campanha em favor de… Jair Bolsonaro.

Poizé. Infelizmente, meus pais foram também seduzidos pelas ideias nazifascistas e propagam esse perigoso discurso feito de ódio, preconceito, moralismo, mentiras e paranoias como o tal kit gay, ditadura comunista etc.. É uma situação bizarra, que jamais pensei em viver. Como não posso romper com eles, tento levar a coisa com equilíbrio. Mas é triste ver meus próprios pais a apoiar um candidato que, junto a seu vice, já declararam apoio à ditadura e homenageiam torturadores assassinos.

Lembrei agora de uma situação… Foi no fim dos anos 1970, quando ainda vivíamos sob a sangrenta ditadura militar. Eu adolescente, e meu pai me ajudando numa tarefa do colégio. Era uma redação sobre o Brasil e, nela, incluímos sutis críticas ao governo. Quando terminamos, ele parou, preocupado, e me disse: “Não fale pra ninguém que fui eu quem lhe ajudou a escrever isso, senão posso ser preso”. Claro que não falei, pois tínhamos familiares que foram presos e torturados por fazerem oposição ao regime. Hoje, quarenta anos depois, talvez meu pai tenha esquecido desse seu belo gesto de coragem e resistência. Eu, não. Nunca esqueci. Porque foi um gesto que moldou minha personalidade.

Tenho minhas críticas ao PT, mas votarei em Fernando Haddad. Se ele vencer, meus pais felizmente estarão em segurança, pois ainda haverá democracia e eleições e eles serão livres para fazerem oposição. Porém, se o candidato deles for eleito, os opositores, principalmente jornalistas, artistas e escritores, como eu, correremos sérios riscos. E para isso, nem é preciso haver ditadura declarada – basta que seus apoiadores sigam fazendo o que já fazem agora, ameaçando, agredindo e matando aos que pensam diferente e aos grupos sociais vulneráveis.

Talvez o ódio que meus pais têm a Lula e ao PT, fruto de anos e anos de jornais nacionais, seja tão forte quanto o amor que sentem por mim. Talvez estejam cegos de ódio, como tantos. Neste momento, escrevo com os olhos marejados de tristeza e decepção ao lembrar que por causa deles cresci acreditando mais nos livros que nas armas… Mas devo dizer que meu amor por eles continua. Sim. O amor tem dessas coisas, né? Às vezes, mesmo quando o outro prioriza o ódio, ainda assim continuamos a amar. Na verdade, eu nunca soube explicar o amor, e agora muito menos.

Mãe, nas minhas postagens você tem o direito de odiar ou apoiar a quem você quiser, fique à vontade. Nas suas, eu prefiro nada comentar. No mais, seguirei fazendo o que meu pai me ensinou, apesar dele parecer ter esquecido, que é defender a democracia, mesmo que ela tenha falhas, e também a liberdade de expressão, sempre, todos os dias, mesmo que isso agora tenha se voltado perigosamente contra mim. Que ironia… Mas é isso. O amor pela democracia e pela liberdade tem dessas coisas.

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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ESCLARECIMENTO

A crônica já estava escrita fazia uns dias, e eu refleti bastante se devia ou não publicar. O apoio de minha mãe ao candidato nazifascista já era conhecido de meus amigos e leitores, pois ela usava minhas postagens para expressá-lo publicamente. Tomei a decisão ao saber dos recentes casos em que pessoas foram agredidas e assassinadas por apoiadores de Jair Bolsonaro, pelo simples fato de pensarem diferente.

Se o nazifascismo vencer, eu correrei sérios riscos por conta de meu trabalho de escritor e comunicador. Então, prefiro denunciar agora o perigo que aguardar quieto a minha hora de sofrer represálias, mesmo que precise expor um conflito familiar, como fiz.

Como reagiu minha família? Dividiu-se entre críticas e elogios, era o esperado. Acho que vocês conseguem imaginar a situação delicada, mas fiz o que precisava fazer. Publiquei um texto que é, ao mesmo tempo, um desabafo, um alerta e uma declaração de amor pública, aos meus pais e à democracia.

Neste momento, me sinto aliviado por ter dividido minha angústia com tantas pessoas, e vejo que falei por muita gente que vive situação semelhante. Talvez unindo nossas angústias, possamos nos fortalecer.

Obrigado a todos, inclusive aos que discordam de mim. Seguimos firmes na luta contra o nazifascismo. (RK)

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OProtestoDaBabaNegra-02aO protesto da babá negra – Talvez ela saiba que quando um governo tem como objetivo a equidade social e a redistribuição da riqueza do país, automaticamente atrai o ódio das elites econômicas, que lutarão para manter seus privilégios

Sobre lutas, sonhos e a grande farsa – Para quem ainda não percebeu, é isso mesmo o que todos somos, meros atores no grande teatro da existência

Golpe de mestre à brasileira – O processo seria custoso e traumático, e provocaria séria desestabilização na democracia, mas melhor isso que suportar mais um governo de esquerda no Brasil

O socialista crucificado – Se esses cristãos vivessem naquela época, teriam batido panela contra o bandido Jesus e aplaudido sua crucificação

A foto repugnante e o sonho que não pode ser preso – A foto que resume a baixeza moral dos fascistas que querem a morte de Lula

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Estações

01/08/2018

01ago2018

ESTAÇÕES

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São tantas estações
No roteiro da viagem
Sigo calmo pela margem
Deslumbrado e amistoso
Misterioso é tudo que vive
Sempre fui meio detetive
Mas viver não tem explicação

São tantas estações
Que eu esqueço onde desci
Lembra que te ofereci a minha solidão?
Você disse: Não, muito obrigada!
Você quer a segurança da calçada
E eu venero a contramão

São tantas estações
Eu ouço sinos nas esquinas
Eu sorrio para as meninas
Em seus decotes-perdição
Eu erro a mão e me perco à meia-luz
Eu sou o trem que me conduz
À minha própria salvação

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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Teófilo Lima – Estações (estúdio, 2017)

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> Mais poemas e músicas

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Segredos de família

16/07/2018

16jul2018

O pai descobriu um terrível segredo de seu filho. E agora, o que pode acontecer com sua carreira política?

SEGREDOS DE FAMÍLIA

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A câmera mostra a sala do apartamento. Na janela, Jair olha o movimento da rua lá embaixo. Um homem mais jovem entra na sala.

– O senhor que falar comigo, pai?

– Quero. Sentaí.

– Pai, eu…

– Sentaí, caralho! Eu estou mandando.

O filho senta no sofá, apreensivo. Jair fica em pé, em frente a ele, de braços cruzados.

– Que merda foi aquela, Dudu?

– Desculpa, pai, foi sem querer…

– Como sem querer? Como é que o filho curte “sem querer” a foto do maior inimigo político do pai?

– Desculpa.

– E logo aquela! O Lula lá, na praia…

– Lula lá?

– Eu disse Lula lá? Apague isso. O elemento lá, na praia, só de calção, calção vermelho, enfrentando as ondas, todo garboso, impávido…

– Colosso…

– Heim?

– Lembrei do hino nacional.

Jair passa a mão no rosto, tentando manter a calma.

– Primeiro, seu irmão desmaia naquele debate com candidatos à prefeitura. Foi uma vergonha descomunal para nossa família. Quem desmaia é mulher, caralho! Homem aguenta o tranco. E agora você me vem com essa.

– Já descurti a foto.

– Mas o estrago está feito. Vão explorar isso ao máximo na campanha presidencial.

– Tenho uma ideia, pai. Por que o senhor não posta uma foto sua, de sunga na piscina? Aposto como vai ser muito mais sexy que a dele.

– O quê? Você acha aquela foto sexy?

– Não, não… Não quis dizer isso…

– Dudu, eu estou preocupado com você.

– Foi sem querer, eu já disse.

– Estão dizendo por aí que você…

– Eu o quê?

– Que você é…

– Sou o quê, pai?

Silêncio.

– Você é, Dudu?

Silêncio.

– Dudu, responda, eu estou mandando. Você é ou não é?

Pai e filho se olham. O clima é tenso. Um carro passa na rua tocando I Will Survive.

– O senhor quer saber a verdade?

– Quero.

– Se eu disser, qual será o meu castigo?

– Não se preocupe, você não merece ser estuprado. Apenas me diga a verdade.

– O senhor não prefere uma verdade assim tipo uma verdade maquiada?

– Verdade maquiada?! – O pai levanta do sofá, com raiva. Saca um revólver da calça e o põe sobre a mesa ao lado. – Dudu, seja macho e responda. Eu estou mandando. Você é ou não é?

Dudu rói as unhas, nervoso. Olha para o pai, para a arma, para o pai.

– Sim, pai, eu sou.

Jair desmorona, sentando no sofá, as mãos escondendo o rosto.

– Não posso acreditar…

– Desculpa, pai. Não posso evitar de ser o que sou.

– Eu sabia que devia ter te dado mais porrada.

– Por favor, não fale isso.

– Desde quando você é assim?

– Acho que… desde sempre.

– E pensar que cheguei a te oferecer para aquela jornalista que me entrevistou…

Jair olha para o revólver.

– Não vou conseguir conviver com esse desgosto para o resto da vida…

– Pai, isso não é o fim do mundo. Muitas famílias convivem com essas diferenças.

Jair se levanta, pega o revólver e o aponta para a própria cabeça.

– Não faça isso, pai!

– Eu não vou passar pela vergonha de ter um filho veado.

– Como assim? O Flavinho é veado?

– Claro que não. Veado é você.

– Eu? Mas eu não sou veado.

Jair abaixa a arma, confuso.

– Você não é veado?

– Claro que não.

– Se você não é veado, por que curtiu aquela foto do Lula?

Silêncio.

– Vamos, diga. O que você tem com o Lula?

– Quer saber mesmo, pai?

– Fala logo, caralho.

– Eu sou… eleitor do Lula.

Silêncio. Eles se olham. Jair olha para a arma em sua mão, olha para o filho.

– Ufa, que alívio! – diz ele, sorrindo, pondo a arma sobre a mesa. – Me dá um abraço, filhão!

Dudu se levanta e eles se abraçam. Jair perfila o corpo, faz o gesto militar de continência e o filho o imita. Jair vai até o armário, pega uma garrafa de uísque e serve duas doses.

– Isso merece uma comemoração.

Eles brindam e bebem. Jair senta no sofá, e o filho o acompanha.

– O senhor me perdoa, né, pai?

– Positivo. Será um segredo nosso.

– Fique tranquilo, ninguém mais saberá.

– Mas aquele pôster do Lula lá na parede…

– Lula lá?

– Desculpe. Aquele pôster em seu quarto… Isso já acho um pouco exagerado.

– O senhor viu, foi?

– Bem escondido por trás do meu, mas eu vi.

– Vou tirar.

– Não, pode deixar, ninguém vai descobrir.

Jair toma um gole de uísque. Está pensativo.

– Está tudo bem?

– Filho… Também tenho um segredo para contar.

– Acho que eu já sei, pai.

Jair toma mais um gole. Está nervoso.

– Eu também quis curtir aquela foto. Quis muito.

– Eu já imaginava.

– Só Deus sabe como me controlei.

– Entendo perfeitamente.

– Não aguento mais esse teatro todo.

– Pobre pai…

– Você acha que devo desistir da candidatura?

– Se o senhor realmente é eleitor do Lula, acho que é melhor, sim.

– Na verdade, não é bem por isso.

– Não?

– Não.

– Então o que é?

Silêncio. Pai e filho se olham. Sentados no sofá, eles se abraçam. A câmera desliza suave pelo ambiente e mostra o revólver sobre mesa, ao lado do copo com uísque. Um carro passa na rua tocando I Will Survive.

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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Ilustração: Gilmar

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A CURTIDA

O perfil de Lula no Instagram postou, em 13.07.18, uma foto de Lula na praia, que foi curtida pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do também deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. O fato foi imediatamente explorado nas redes sociais e pela imprensa, e minutos depois Eduardo Bolsonaro desfez a curtida. Mas já era tarde…

Notícia no Jornal do Brasil
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MAIS HUMOR

Entrevistando o candidato 01Entrevistando o candidatoNa entrevista, o candidato deverá responder a perguntas feitas pelo povo. Como se sairá?

Ser mulher não é para qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Aviso prévio de traição – A partir de hoje poderei te trocar por outra a qualquer momento. Basta que ela sorria pra mim e que me faça agradinhos. E me dê o que você nunca quis me dar

Bar do Araújo é a salvação – Espremido entre duas igrejas evangélicas, o Bar do Araújo é a última resistência dos ateus. E do bom humor

Suvinando priquita – Pois você acredita que tem mulher que suvina priquita? Parece mentira, mas é verdade

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As Preciosas do Kelmer – jun2018

30/06/2018

30jun2018

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As Preciosas do Kelmer
é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos, com ênfase no feminino. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Para mim, o Facebook é ótimo para isso. Aqui no blog, postarei a edição finalizada de cada mês. Espero que você goste.

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AS PRECIOSAS DO KELMER

Dicas e pitacos para o mês
#68, mai2018
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Capa do mês: Eros Volúsia (1914-2014) foi uma dançarina, coreógrafa, professora e pesquisadora brasileira

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*** EROS VOLÚSIA

Heros Volúsia Machado (Rio de Janeiro, 1 de junho de 1914 – 1 de janeiro de 2004) foi uma dançarina brasileira que se projetou nacional e internacionalmente sob o nome de Eros Volúsia através de coreografias próprias inspiradas na cultura brasileira. Ela alcançou sucesso nos Estados Unidos sendo capa da revista Life, em 1941, e com sua participação no filme Rio Rita (1942), mas preferiu voltar ao Brasil a seguir uma carreira em Hollywood.

Dona de um estilo mais sensual e espontâneo que sua rival Madeleine Rosay, seus movimentos influenciaram Carmem Miranda que, ao contrário dela, insistiu na carreira internacional. A ela se atribui a invenção de um “bailado nacional” no Brasil, num movimento que seguia as proposições modernistas da Semana de Arte Moderna de 1922 através da incorporação na dança clássica de elementos culturais negros e indígenas.

“Foi a primeira bailarina a dançar samba de sapatilhas e a primeira a dançar descalça no Theatro Municipal”, como registrou um estudo acadêmico. Foi ainda a primeira que realizou o papel que seria mais tarde classificado como “dançarino-pesquisador”, transcendendo o trabalho de estudo técnico para também realizar a união da sensibilidade artística ao que registrava.

Influenciada pela renovação do balé trazido por artistas como Isadora Duncan, Volúsia buscou elementos das danças típicas brasileiras (como o lundu, o maxixe, o maracatu e danças indígenas), sem, contudo, romper com as manifestações do academicismo. Buscou na raiz do processo de miscigenação, fruto de fatores sócio-histórico-culturais, os elementos essenciais para a construção de uma dança cuja singularidade de movimentos refletia não somente a diversidade de culturas, mas, sobretudo, a busca de uma identidade própria para a dança brasileira, influência do nacionalismo brasileiro então em voga.

Em fases posteriores de sua vida, Eros permaneceu contribuindo com a dança. Foi professora do Serviço Nacional de Teatro onde criou o curso de coreografia. Sua contribuição a nacionalidade brasileira veio, nesta oportunidade, reafirmar-se: este foi o primeiro, dentre os cursos de dança nacionais, a aceitar bailarinos negros. (Wikipedia) > Mais

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*** MINISTRO DO STF DEFENDE LEGALIZAÇÃO E REGULAÇÃO DA MACONHA

A política proibicionista fracassou, e gerou ainda mais violência. O custo social da proibição é muito maior que o da legalização. Aos poucos, a população começa a entender isso. E o STF também. > Mais

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*** AS TRAGÉDIAS DA INTERVENÇÃO MILITAR

“Mãe eu sei quem atirou em mim, eu vi quem atirou em mim. Foi o blindado, mãe. Ele não me viu com a roupa de escola?”

Marcos Vinícius da Silva, 14 anos, foi assassinado por forças policiais e do Exército que ocupavam a favela da Maré. Seu crime: ir para a escola.

Seus pais lutarão por justiça. Mas temo que ela não virá. Assim como não virá para Marielle Franco. Assim como não virá para a população pobre que é violentada diariamente em seus direitos por essa tragédia que é a intervenção militar no Rio de Janeiro, criada por um governo golpista e sem qualquer legitimidade. > Mais

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*** SANGUE DA PAIXÃO

Eles se conheceram num site de encontros e saíram uma única vez. Ela se apaixonou e passou lhe enviar constantes mensagens, chegando num dia a enviar 500 mensagens.

No total, foram 65 mil mensagens, uma invasão de domicílio e uma ida ao trabalho dele com uma faca, dizendo que era sua mulher e que queria tomar banho em seu sangue. A apaixonada foi presa, e alegou ter feito o que fez por ele ser sua alma gêmea.

Como será tomar banho no sangue da pessoa amada? > Mais

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*** ELAS E O PÓS-PORNÔ

Diante de uma agência bancária, em Natal, a performer Bruna Kury, de 31 anos, se deita no chão, com um capuz cobrindo a cabeça, e começa a se masturbar com o cabo de uma faca. Diante de seu rosto, uma mulher nua coloca fogo em folhas de papel com o logo da Rede Globo e a imagem de uma princesa Disney. A cena foi gravada e está disponível no site da performer.

Em um misto de protesto, arte e pornografia, a performance de Bruna é uma das formas de “pós-pornografia”, um movimento que em essência se opõe à pornografia convencional. “Trata-se de uma forma de pensar a nossa relação com sexualidade e mídia. É um jeito de fazer pornografia com novos significados, que se expandem para a música, fotografia e performances”, explica Léa Santana, doutoranda do Programa de Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia. > Mais

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*** NO ESCURINHO DA COPA

O que o STF e o Congresso decidiram e você provavelmente não viu por causa da Copa… > Mais

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