O tempo do horror

29/10/2018

O TEMPO DO HORROR

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Vestidos de patriotismo
Seguindo seu deus vingativo
Eles rastejam dos escuros porões
Onde escondiam os ódios e preconceitos
E nos atacam 
Por pensarmos diferente

Atiçados pelo odor de morte
Que a boca de seu messias exala
Eles hasteiam suásticas
E armam as crianças
E nos torturam, e nos executam
Em nome da família brasileira

Eu queria que fosse um pesadelo
Mas é real…

Ouçam as salvas de canhões:
O horror é um tempo que se anuncia
Sem flores nem poesia
Banhado em nosso sangue
No horizonte do Brasil

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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LEIA MAIS NESTE BLOG

O menino que não sabia odiar – Ele fez um gesto com a mão, imitando um revólver, e disse: Faz de conta que tu é o PT, tia, e eu vou te matar

Eu, a democracia e o ódio dos meus pais –  Infelizmente, meus pais foram também seduzidos pelas ideias nazifascistas e propagam esse perigoso discurso feito de ódio, moralismo e paranoias

O protesto da babá negra – Talvez ela saiba que quando um governo tem como objetivo a equidade social e a redistribuição da riqueza do país, automaticamente atrai o ódio das elites econômicas, que lutarão para manter seus privilégios

Sobre lutas, sonhos e a grande farsa – Para quem ainda não percebeu, é isso mesmo o que todos somos, meros atores no grande teatro da existência

Golpe de mestre à brasileira – O processo seria custoso e traumático, e provocaria séria desestabilização na democracia, mas melhor isso que suportar mais um governo de esquerda no Brasil

O socialista crucificado – Se esses cristãos vivessem naquela época, teriam batido panela contra o bandido Jesus e aplaudido sua crucificação

A foto repugnante e o sonho que não pode ser preso – A foto que resume a baixeza moral dos fascistas que querem a morte de Lula


Eu, a democracia e o ódio dos meus pais

09/10/2018

09out2018

Infelizmente, meus pais foram também seduzidos pelas ideias nazifascistas e propagam esse perigoso discurso feito de ódio, moralismo e paranoias

Eu, a democracia e o odio dos meus pais 01

EU, A DEMOCRACIA E O ÓDIO DOS MEUS PAIS

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Não costumo expor minha vida pessoal dessa forma, mas é que preciso desabafar, e escritor desabafa escrevendo… Alguns amigos e leitores já devem ter percebido algo inusitado em minhas postagens sobre as eleições: minha mãe fazendo campanha em favor de… Jair Bolsonaro.

Poizé. Infelizmente, meus pais foram também seduzidos pelas ideias nazifascistas e propagam esse perigoso discurso feito de ódio, preconceito, moralismo, mentiras e paranoias como o tal kit gay, ditadura comunista etc.. É uma situação bizarra, que jamais pensei em viver. Como não posso romper com eles, tento levar a coisa com equilíbrio. Mas é triste ver meus próprios pais a apoiar um candidato que, junto a seu vice, já declararam apoio à ditadura e homenageiam torturadores assassinos.

Lembrei agora de uma situação… Foi no fim dos anos 1970, quando ainda vivíamos sob a sangrenta ditadura militar. Eu adolescente, e meu pai me ajudando numa tarefa do colégio. Era uma redação sobre o Brasil e, nela, incluímos sutis críticas ao governo. Quando terminamos, ele parou, preocupado, e me disse: “Não fale pra ninguém que fui eu quem lhe ajudou a escrever isso, senão posso ser preso”. Claro que não falei, pois tínhamos familiares que foram presos e torturados por fazerem oposição ao regime. Hoje, quarenta anos depois, talvez meu pai tenha esquecido desse seu belo gesto de coragem e resistência. Eu, não. Nunca esqueci. Porque foi um gesto que moldou minha personalidade.

Tenho minhas críticas ao PT, mas votarei em Fernando Haddad. Se ele vencer, meus pais felizmente estarão em segurança, pois ainda haverá democracia e eleições e eles serão livres para fazerem oposição. Porém, se o candidato deles for eleito, os opositores, principalmente jornalistas, artistas e escritores, como eu, correremos sérios riscos. E para isso, nem é preciso haver ditadura declarada – basta que seus apoiadores sigam fazendo o que já fazem agora, ameaçando, agredindo e matando aos que pensam diferente e aos grupos sociais vulneráveis.

Talvez o ódio que meus pais têm a Lula e ao PT, fruto de anos e anos de jornais nacionais, seja tão forte quanto o amor que sentem por mim. Talvez estejam cegos de ódio, como tantos. Neste momento, escrevo com os olhos marejados de tristeza e decepção ao lembrar que por causa deles cresci acreditando mais nos livros que nas armas… Mas devo dizer que meu amor por eles continua. Sim. O amor tem dessas coisas, né? Às vezes, mesmo quando o outro prioriza o ódio, ainda assim continuamos a amar. Na verdade, eu nunca soube explicar o amor, e agora muito menos.

Mãe, nas minhas postagens você tem o direito de odiar ou apoiar a quem você quiser, fique à vontade. Nas suas, eu prefiro nada comentar. No mais, seguirei fazendo o que meu pai me ensinou, apesar dele parecer ter esquecido, que é defender a democracia, mesmo que ela tenha falhas, e também a liberdade de expressão, sempre, todos os dias, mesmo que isso agora tenha se voltado perigosamente contra mim. Que ironia… Mas é isso. O amor pela democracia e pela liberdade tem dessas coisas.

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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ESCLARECIMENTO

A crônica já estava escrita fazia uns dias, e eu refleti bastante se devia ou não publicar. O apoio de minha mãe ao candidato nazifascista já era conhecido de meus amigos e leitores, pois ela usava minhas postagens para expressá-lo publicamente. Tomei a decisão ao saber dos recentes casos em que pessoas foram agredidas e assassinadas por apoiadores de Jair Bolsonaro, pelo simples fato de pensarem diferente.

Se o nazifascismo vencer, eu correrei sérios riscos por conta de meu trabalho de escritor e comunicador. Então, prefiro denunciar agora o perigo que aguardar quieto a minha hora de sofrer represálias, mesmo que precise expor um conflito familiar, como fiz.

Como reagiu minha família? Dividiu-se entre críticas e elogios, era o esperado. Acho que vocês conseguem imaginar a situação delicada, mas fiz o que precisava fazer. Publiquei um texto que é, ao mesmo tempo, um desabafo, um alerta e uma declaração de amor pública, aos meus pais e à democracia.

Neste momento, me sinto aliviado por ter dividido minha angústia com tantas pessoas, e vejo que falei por muita gente que vive situação semelhante. Talvez unindo nossas angústias, possamos nos fortalecer.

Obrigado a todos, inclusive aos que discordam de mim. Seguimos firmes na luta contra o nazifascismo. (RK)

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Pior seria não te amar

08/06/2018

08jun2018

PIOR SERIA NÃO TE AMAR

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Pior seria, Luíza
Não ter sofrido
Da saudade que inferniza
Pior ter morrido
Sem nunca em ti amanhecido
Pior seria não te amar, Luíza

Nosso caso de amor e de polícia
Não te amar, Luíza
Noites vis de ciúme e de sevícia
Não te amar, Luíza
A brisa fria no cais da despedida
Nosso futuro que agoniza
No mar vazio do teu olhar…

Ainda assim, Luíza
Pior seria não te amar

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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> Mais poemas e músicas

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Joana – Louca, feminista ou amava demais?

23/05/2017

23mai2017

Joana certamente sentia o peso de ser uma rainha, ainda mais porque era uma rainha impedida de governar por sua própria família, incluindo o marido, o pai e o filho

JOANA – LOUCA, FEMINISTA OU AMAVA DEMAIS?

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A rainha espanhola Joana passou para a história como louca. Seria esquizofrenia a sua doença? Seu amor intensamente apaixonado, sexual e ciumento pelo marido era socialmente inaceitável? E as agressões e vinganças contra as amantes dele? E a obsessão com os restos mortais de Felipe, que a levou a comandar um custoso e macabro cortejo que por meses cruzou o país, horrorizando a todos? Isso seria justificativa suficiente para mantê-la presa numa ala de um castelo por cinquenta anos? Ou, por trás de tudo isso havia frios interesses políticos e jogos de poder, para afastá-la do trono espanhol?

A vida de Joana (Juana, em espanhol, que viveu entre 1479 e 1555), filha dos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela, é muito rica de significados. Nela, misturam-se conchavos políticos entre reinos, fanatismos religiosos, intrigas familiares, guerras, revoltas populares e sexo temperado com muito ciúme, brigas e baixarias em público.

Pressionada diariamente por todos os lados, vivendo no centro de poderosos interesses políticos, religiosos e econômicos, Joana certamente sentia o peso de ser uma rainha, ainda mais porque era uma rainha impedida de governar por sua própria família, incluindo o marido, o pai e o filho. Mantida prisioneira num castelo, quase sem contato com o mundo exterior, recusando-se a se alimentar e até a lavar-se e trocar de roupa, Joana terminou seus dias de modo triste e deplorável, e é surpreendente que tenha vivido até os 76 anos.

Joana, sempre inconformada pela privação de suas escolhas, é vista por alguns como uma precursora do feminismo, numa época em que as mulheres se acostumavam a ser moeda de troca para favores políticos. Cinco séculos depois, quando as conquistas feministas já diminuíram bastante as desigualdades entre os gêneros, fico aqui pensando… Não tivesse amado tanto o marido, teria tido uma vida melhor? Não fosse tão dependente dos prazeres sexuais que ele lhe dava, teria sido uma mulher mais equilibrada e feliz? Seriam justamente esse amor intempestivo e esse ardor sexual que a faziam uma mulher louca e subversiva aos olhos das pessoas daqueles dias? Ou sua instabilidade mental, de uma forma ou de outra, fatalmente a arrastaria para o trágico destino que teve?

Podemos apenas especular, pois não há muitos registros disponíveis. Uma coisa é certa: quis o destino que na vida sofrida de Joana a história da Espanha tivesse seu início oficial, através da união dos reinos hispânicos, dos quais ela era a legítima rainha. Esse foi o seu maior legado.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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Ilustração da postagem: Doña Juana la Loca (Francisco Pradilla, 1877)

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Retrato (Juan de Flandes, 1496-1500)

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La reina doña Juana la Loca, recluida en Tordesillas con su hija, la infanta doña Catalina (Francisco Pradilla, 1906)

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Juana la Loca (Charles de Steuben, 1836)

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MAIS SOBRE JOANA

A “loucura” de D. Juana I de Castela – Por Renato Drummond Tapioca Neto

Na Wikipedia

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LEIA NESTE BLOG

LolaBenvenutti-1Lola Benvenutti e a coragem de viver – A única salvação possível é sermos quem verdadeiramente somos. Parabéns, Lola, por sua coragem e autenticidade

Me estupra, meu amor – Fantasiar ser estuprada é uma coisa – querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente

Os apuros do homem feminista – Minha busca por relações igualitárias foi dificultada também porque muitas mulheres, mesmo oprimidas, preferiam relações baseadas no velho modelo machista

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

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DICAS DE LIVRO

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

Com que propriedade um homem pode falar sobre o universo feminino? Neste livro RK ousou fazer isso, reunindo 36 contos e crônicas escritos entre 1989 e 2007. Com humor e erotismo, eles celebram a Mulher em suas diversas e irresistíveis encarnações. Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido. Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

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A última canção

20/03/2017

21mar2017

O que mais impulsionava sua voz, a raiva por ela brincar assim com seus sentimentos ou o ódio por pressentir que mais uma vez não conseguiria resistir?

A ÚLTIMA CANÇÃO

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Esta é a última canção
Que eu faço pra você

Ele cantou os primeiros versos da música. A música que até poucas horas antes não existia. Ainda estava surpreso com a forma com que ela saíra: pela manhã, quando acordava, ela lhe veio pronta, do começo ao fim, isso nunca tinha acontecido. Não planejou cantá-la aquela noite, mas o bar estava quase vazio… Se por um lado o fraco movimento significava que em breve seria despedido, e o aluguel da quitinete seguiria atrasado, por outro lado era uma oportunidade de testar uma nova música sem pressão. E, além disso, já passava de meia-noite, era a última música mesmo. Talvez aquele bêbado deitado na calçada gostasse.

Já cansei de viver iludido
Só pensando em você

Foi então que viu… aqueles cabelos loiros… Sergiana. Ele quase engasgou no meio da estrofe. Olhou de novo, não podia ser ela… Mas era. Sentada numa mesa no fundo do bar. Sozinha. Que droga, o que ela fazia ali?, ele pensou, desviando o olhar, subitamente nervoso. Ela fora muito clara quando disse, no último encontro, que o namoro havia terminado, dessa vez definitivamente, e que ela até já estava com outro. E ele, na solidão das noites seguintes, lutou bastante para acreditar que dessa vez a coisa era mesmo para valer, que, ao contrário de todas as outras vezes em que ela o deixava e depois se arrependia e voltava, agora era mesmo o fim, sem apelação. E aquela música surgindo de forma incrível, confirmando que jamais voltaria a fazer canções para aquele amor sem juízo e sem futuro… Mas agora, menos de uma semana depois, ali estava ela, vendo-o cantar, olhando silenciosa para ele.

Se amanhã você me encontrar
De braços dados com outro alguém
Faça de conta que pra você não sou ninguém

Apesar do nervosismo, ele não interrompeu a música. Em vez disso, para não ceder à tentação de olhar para ela, fechou os olhos. E foi assim, de olhos bem fechados, que ele agarrou-se desesperadamente aos versos, a cada um deles, cada mínima palavra, e cantou com vigor, interpretando cada frase com a emoção que ele só agora percebia que os versos continham. O que mais impulsionava sua voz, a raiva por ela brincar assim com seus sentimentos ou o ódio por pressentir que mais uma vez não conseguiria resistir? Após terminar a música, esperou por algum aplauso, que não veio, e então desplugou o violão e desceu do palco, evitando olhar para o fundo do bar. Enquanto guardava o violão na caixa, uma mulher aproximou-se e, sem que esperasse, beijou-o na boca, com tanta vontade que quase o derrubou. Absolutamente surpreso, ele balbuciou qualquer coisa para a mulher desconhecida enquanto tentava localizar Sergiana no bar. Mas ela havia sumido.

Mas você deve sempre lembrar
Que já me fez chorar
E que a chance que você perdeu
Nunca mais vou lhe dar

Ele despertou e viu que ao seu lado, inteiramente nua, dormia a garota do bar. Paulinha… Enquanto admirava as curvas de seu corpo gracioso, lembrou do beijo repentino que ela lhe dera no bar, depois as cervejas que tomaram, ela falando que ele cantava muito bem e que ela o apresentaria a uns amigos que eram donos de bares bem melhores que aquele, depois mais beijos, mais cervejas e, finalmente, os dois ali em sua cama, consumando o imenso desejo despertado… Ele estava encantado com ela, com o modo como tudo acontecera. Sim, ele conhecia aquele sentimento: era paixão. Quando entendeu isso, sentiu-se tomado por uma completa leveza, como se sua alma houvesse se libertado de um peso carregado durante anos e anos. Nesse instante, Paulinha despertou e sorriu docemente para ele, e o abraçou, dizendo que adorara a noite. E contou que pouco antes, quando ele ainda dormia, bateram na porta e ela foi atender, e era uma mulher, uma mulher loira, que queria falar com ele. E você disse o quê para ela?, ele quis saber, alarmado. E ela: Respondi que meu namorado me esperava na cama e fechei a porta, fiz certo? Ele ficou alguns segundos sem saber o que dizer. Então uma sensação de alívio inundou seu espírito e ele sorriu feliz, abrindo os braços, e Paulinha aninhou-se em seu peito.

E as canções tão lindas de amor
Que eu fiz ao luar para você
Confesso, iguais àquelas não mais ouvirá

Um mês depois muitas coisas haviam acontecido. Paulinha, além de linda, bem-humorada e sem frescuras, era um legítimo amuleto, como ele gostava de dizer aos amigos. Sim, pois depois que a conhecera, conseguiu trabalho em bares excelentes e agora estava ganhando bem, as contas finalmente em dia. E quanto a Sergiana, ela agora fazia parte de seu passado, só isso. Uma noite, porém, o passado ressurgiu. Ele bebia com os amigos quando atendeu o celular e, após um instante de silêncio, escutou uma voz conhecida, triste, quase um sussurro: Volta pra mim, por favor… Os amigos o cutucavam, querendo saber quem era. Ele sorriu, tranquilo e vitorioso, e desligou o celular. E respondeu: Ligação errada.

E amanhã sei que esta canção
Você ouvirá no rádio a tocar
Lembrará que seu orgulho maldito
Já me fez chorar por muito lhe amar

Quando, depois de mais uma apresentação de sucesso, o homem lhe estendeu o cartão, dizendo ser de uma gravadora, ele estremeceu. Porque sentiu que finalmente havia chegado o momento com o qual sonhava havia tantos anos. E estava certo. Quatro meses depois seu disco estava gravado e sua música, aquela que compusera de uma vez só para seu antigo amor, tocava todo dia nas rádios. Ele agora era um artista de sucesso. Certo dia, numa entrevista ao vivo na rádio, ele respondia às perguntas de fãs que ligavam para o programa e o apresentador atendeu o ouvinte seguinte: Alô, quem fala? Nesse momento ele ouviu, e todos os ouvintes ouviram, a voz triste de uma mulher, engasgada em choro: Volta pra mim, por favor…

Peço, não chore, mas sinta por dentro a dor do amor
E então você verá o valor que tem o amor
E muito vai chorar ao lembrar o que passou

O sucesso aumentou e ele deixou de tocar em bares, passando a fazer apenas shows bem produzidos, com uma banda formada pelos melhores músicos da cidade. Comprou um carro à vista. Agora tinha até fã-clube. Os convites para shows aumentaram e ele teve de se mudar para São Paulo, levando Paulinha com ele. Tornou-se nacionalmente conhecido. Comprou uma cobertura. Viajou com Paulinha para a Europa, foram escolhidos o casal do ano. Várias vezes a agenda cheia o obrigou a recusar convites de programas de tevê. Que mais poderia desejar da vida? Trabalhava com o que gostava, era um artista consagrado e tinha consigo a mulher mais maravilhosa do mundo, que o amava e que, para sua completa felicidade, estava grávida e em breve lhe daria um filho. Mas o passado voltou mais uma vez numa noite em que, chegando a seu prédio, uma mulher loira o abordou. Era Sergiana. Chorando bastante, o rosto marcado pela angústia, ela disse que estava arrependida, que reconhecia não ter sido a mulher que ele merecia, que ainda o amava muito, muito, e que só precisava de uma, apenas uma chance para mostrar que na verdade a mulher da vida dele era ela, sempre fora ela… Ele engoliu seco. Sentiu as pernas fraquejarem. Nesse momento entendeu que no último ano tudo que fizera foi enganar-se: ele ainda a amava. E agora, olhando para ela assim, chorando, fragilizada, sincera, ele sabia que a amava mais do que alguma vez a havia amado e mais do que poderia amar a qualquer outra mulher. Ela aproximou os lábios dos dele e ele aceitou, fechando os olhos, inteiramente rendido à força do amor que nem o tempo nem outra mulher nem nada no mundo poderia jamais derrotar.

Esta é a última canção que eu faço pra você

Ele tocou o último acorde da música e finalmente abriu os olhos, sentindo-se como se despertasse de um sonho. Demorou alguns segundos até se situar no tempo presente. Viu o bar quase vazio. Viu o bêbado deitado na calçada, aplaudindo. Olhou para o fundo do bar e viu que Sergiana continuava lá na mesa. Mas não olhava mais para ele, e sim para o homem que entrava no bar. O homem passou entre as mesas e, chegando à dela, inclinou-se e a beijou na boca, e ela sorriu feliz. Chocado, desviou o olhar, deixou o palco e caminhou até o balcão, procurando manter-se tranquilo, e lá o gerente disse que não poderia pagá-lo, que acertaria com ele depois. Ele pediu que pagasse ao menos a passagem de ônibus, pois não tinha um centavo. O gerente deu-lhe algumas moedas, e então ele apanhou o violão e saiu. Uma hora depois, do outro lado da rua, enquanto ainda aguardava o ônibus que demorava, ele pôde ver que o bar estava quase fechando, que o gerente esperava apenas sair um último casal que se beijava apaixonadamente numa mesa ao fundo.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros Vocês Terráqueas e Trilha da Vida Loca. A letra usada é da música A Última Canção, de autoria de Carlos Roberto, e foi imortalizada na interpretação de Paulo Sérgio (1944-1980), tornando-se um clássico da dor de cotovelo.

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Trilha da Vida Loca
Ricardo Kelmer, contos

O amor é belo. Mas também é ridículo, risível, trágico… Aqui estão reunidas seis histórias inspiradas em grandes sucessos musicais da dor de cotovelo. Paixões de cabaré, porres horrendos, brigas, escândalos, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor. Amar é para estômagos fortes.

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TVL201704CCBNB-414b

A ÚLTIMA CANÇÃO (teatro)

Este conto foi adaptado e encenado pelos atores Patrícia Crespí e Maurício Rodrigues no CCBNB – Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza-CE, em abr2017

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PAULO SÉRGIO CANTA “A ÚLTIMA CANÇÃO”

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A ÚLTIMA ENTREVISTA DE PAULO SÉRGIO, 11.07.80
(18 dias antes de sua morte)

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PauloSergio-01aSOBRE PAULO SÉRGIO

Paulo Sérgio de Macedo, mais conhecido como Paulo Sérgio (Alegre, 10 de março de 1944 – São Paulo, 29 de julho de 1980), foi um cantor e compositor brasileiro. Teve uma morte prematura, aos 36 anos, em decorrência de um derrame cerebral. É lembrado como um dos maiores nomes da música romântica nacional. Iniciou sua carreira em 1968, no Rio de Janeiro, lançando um compacto com o sucesso A Última Canção. O disco obteve sucesso imediato e vendeu 60 mil cópias em apenas três semanas, transformando seu intérprete num fenômeno de vendas. A despeito da curta carreira, Paulo Sérgio lançou treze discos e algumas coletâneas, obtendo uma vendagem superior a 10 milhões de cópias em apenas 13 anos de carreira. (Na Wikipedia)

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LEIA NESTE BLOG

PaixaoDeUmHomem-01aPaixão de um homem (Trilha da Vida Loca) – Amigo, por favor leve esta carta e entregue àquela ingrata, e diga como estou

Vou tirar você desse lugar (Trilha da Vida Loca) – De repente a semana cansativa, o trabalho desgastante, o crediário atrasado da tevê, tudo passou a ser apenas detalhes insignificantes a evaporar ao toque dos dedos dela…

Por que brigamos (Trilha da Vida Loca) – Ou continuava tentando salvar o casamento, e todo o seu esforço não seria nenhuma garantia de sucesso, ou então salvava a si mesmo – se é que existia salvação para ela

Lama (Trilha da Vida Loca) – E foi por amor, quando já não havia mais dinheiro, quando mendigavam comida na porta dos restaurantes, quando já não havia mais alternativas, que Lena decidiu alugar o corpo na praça da Central

Odair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo brega pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

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TrilhaDaVidaLoca201302Cartaz-2aTrilha da Vida loca – o show

Música e literatura em histórias de amor inspiradas em clássicos da dor de cotovelo. Paixões de cabaré, porres horrendos, brigas, escândalos, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor… Ricardo Kelmer e Felipe Breier interpretam contos kelméricos e músicas de Odair José, Diana, Paulo Sergio, Waldick Soriano e Núbia Lafayette. Sugere-se que todos paguem o couvert antes de cortar os pulsos.

Texto e direção: Ricardo Kelmer. Duração: 2h (ou versão de 1h30)
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TRILHA DA VIDA LOCA
Contos e canções do amor doído

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01- Amei, como sempre! Valeria Borges, Campinas-SP – mar2017

02- Gosto demais! Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – mar2017

03- Maravilhoso. Viajei na estoria. Bjo. Cícera Souza Vidal, Fortaleza-CE – mar2017

04- Muito bom. Jonas Rocha Neto, Palmas-TO – mar2017

 

 


A Criada e a grande arte de narrar

02/02/2017

02fev2017

A sensação que fica é a de que eles, os personagens, na verdade agiam o tempo todo não exatamente em nome de suas íntimas motivações, mas pensando no espectador

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A CRIADA E A GRANDE ARTE DE NARRAR

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Na Coreia do Sul dos anos 1930, um casal de trapaceiros tenta se apoderar da fortuna de uma bela e jovem herdeira e envolve-se numa teia de sentimentos e intrigas onde ninguém merece confiança. Este é o enredo de A Criada (Ah-ga-ssi/The Handmaiden), o novo filme do diretor sul-coreano Park Chan-wook, que escreveu o roteiro com Chung Seo-kyung. Eu vi e adorei, fiquei encantado com todos os aspectos do filme. Equilibrando drama romântico, suspense, erotismo, perversão e alguma violência, com estética visual deslumbrante, é um filme completo, magnífico mesmo. A metalinguagem é a cereja do bolo, inserindo o espectador na trama e fazendo da obra toda uma grande celebração da arte de narrar.

Em princípio, a história parece banal, mas o diferencial são os personagens bem construídos e a apresentação da trama sob a ótica dos personagens, que faz o espectador desconfiar de todos e ficar até o fim sem certeza do que irá acontecer. As duas atrizes principais têm atuações soberbas, mas, para mim, Kim Min-hee, que interpreta a jovem herdeira japonesa, faz um trabalho esplêndido, pois seu personagem é complexo e enigmático, e a sutileza de seu comportamento, através de olhares, gestos e palavras que nada expressam mas na verdade dizem tudo, é o nervo da trama, o exatíssimo ponto onde a história precisa se equilibrar e, vista por outro ângulo, se desequilibrar.

A Criada é baseado no romance Fingersmith (Na Ponta dos Dedos, editora Record), da escritora britânica Sarah Waters, que foi adaptado para a tevê e exibido no Brasil pelo canal GNT com o título Falsas Aparências. Vi a adaptação televisiva, que é mais fiel ao original de Sarah Waters, e gostei, mas a versão cinematográfica é estupenda. Park Chan-wook e Chung Seo-kyung reescreveram a história, dando-lhe um saboroso temperinho de humor sacana, além de um caprichoso olhar sobre os sentimentos e as passagens eróticas. O roteiro enriqueceu os personagens e fez a história ainda mais interessante e surpreendente, e a direção primorosa, ao fazer uso da metalinguagem, inclui mais um participante na trama, o próprio espectador, que torna-se cúmplice dos personagens, e é justamente essa cumplicidade que o faz deliciar-se com a meticulosidade de suas atitudes. Ao fim, a sensação que fica é a de que eles, os personagens, na verdade agiam o tempo todo não exatamente por suas íntimas motivações, mas pensando no espectador. Durante a subida dos créditos do filme, só faltou surgirem os personagens, tantos os vencedores como os derrotados, todos eles a aplaudir a grande vitoriosa: a arte de narrar.

O livro de Sarah Waters e suas adaptações para a tevê e o cinema são exemplos de como uma história bem contada é a base de tudo. Conduzir o leitor ou o espectador pelos caminhos da trama, envolvê-lo sutilmente, seduzi-lo com aparentes insignificâncias, brincar sadicamente com suas expectativas, surpreendê-lo com reviravoltas, fazê-lo sentir-se ludibriado a ponto de quase desistir, para logo depois tomar novamente sua mão e reconduzi-lo pelos novos caminhos da história… Ah, isso é uma delícia. Um brinde aos grandes contadores de histórias!

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Ricardo Kelmer 2017 – blogdokelmer.com

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filmeacriada-03A CRIADA

The Handmaiden (Ah-ga-ssi)
Coreia do Sul, 2016, 144 min, 18 anos
Direção: Park Chan-wook
Roteiro: Park Chan-wook e Chung Seo-kyung
Baseado no romance Fingersmith, de Sarah Waters
Elenco: Kim Min-hee, Kim Tae-ri, Ha Jung-woo, Cho Jin-Woong
Fotografia: Chug Chung-hoon
Montagem: Kim Jae-Bum
Música: Jo Yeong-wook

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CURIOSIDADES

01- O título original em sul-coreano é Ah-ga-ssi, que significa “A Dama”, referindo-se a Hideko, a jovem herdeira japonesa, enquanto o título inglês é “The Handmaiden” mudando a referência para a criada Sook-hee (Kim Tae-ri). Ao meu ver, o título original faz mais justiça à história, já que a jovem herdeira é a personagem central do filme, o ponto nevrálgico da trama.

02- Tanto o japonês como o coreano foram falados no filme. Antes de filmar, todos os atores tiveram professores japoneses para estudar o roteiro. Após a exibição em Cannes, a atriz sul-coreana Kim Min-hee, que interpreta a herdeira Hideko, foi aplaudida por jornalistas japoneses por sua proficiência no japonês.

 

Treiler do filme

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DICA DE LIVRO

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Ricardo Kelmer, romance

Nos séculos 16 e 21, dois casais vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor. Ou será o mesmo casal?

Um músico obcecado pelo controle da vida. Uma viajante taoísta em busca da reencarnação de seu mestre-amante do século 16. O amor que desafia a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- belíssimo nas cenas de contação da protagonistas ..as referências literárias..a forma de ir e voltar do próprio roteiro..estou dando um tempinho p revê-lo.bjbjbj. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – fev2017

02- Vou ver !!! Adriana Alves, São Paulo-SP – fev2017

03- Estou louca pra assistir!! Taís Krugmann, Corumbá-MS – fev2017



Eu, minha paixão e meus casos

24/01/2017

24jan2017

A poligamia no futebol é algo comum, e até natural, pois vem do sentimento primevo de amor por esse esporte tão fascinante

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EU, MINHA PAIXÃO E MEUS CASOS

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Sabe, eu tenho uma grande paixão. É antiga e está sempre comigo, mesmo na distância, e ela é um sentido em minha vida. Mas como não sou monogâmico, tenho também dois casos, que não chegam a ser paixão, mas faço questão de mantê-los. Além disso, cultivo certas simpatias por aí nesse mundão. Não escondo nada de ninguém e assim vamos vivendo. Não, não são pessoas. Tô falando de futebol.

Ah, a paixão por um clube de futebol… Que coisa louca, isso. Dizem que é o único amor que não se troca por outro de jeito algum, nem sob tortura. Sim, há quem, quando criança, trocou de bandeira e nunca mais voltou, mas criança não conta.

Os monogâmicos futebolísticos não entendem situações como a minha, mas a poligamia no futebol é algo comum, e até natural, pois vem desse sentimento primevo de amor por esse esporte tão fascinante. Antes da popularização nacional da televisão, nos anos 1970, a imensa maioria torcia apenas pelo time de sua cidade ou de seu estado, e era feliz ou infeliz na exclusividade dessa paixão. Mas aí vieram as transmissões dos jogos dos grandes clubes do Sul e Sudeste, e mesmo para quem já tinha sua paixão, ficou difícil ficar alheio àquela sedução toda. Os adultos até que resistiram mais, porém boa parte das crianças e adolescentes, se não foram de todo fisgados pelos clubes mais ricos do país, ao menos assumiram o caso extraconjugal. Hoje, algo parecido ocorre em relação aos grandes clubes europeus.

Eu fui uma dessas crianças. Aos 10 anos, em 1974, me apaixonei perdidamente pelo azul, vermelho e branco do Fortaleza Esporte Clube, e a partir daí o mundo encantado do futebol se abriu para mim, trazendo um novo e gostoso sabor de viver. Nessa época, os campeonatos estaduais tinham mais importância que hoje, e para um menino como eu, que acompanhava pelo rádio em detalhes a todos os campeonatos do país, foi inevitável surgirem simpatias aqui e ali. Com as frequentes transmissões da tevê, gostei do Corinthians-SP e do Fluminense-RJ, e curtia seus títulos e lamentava suas derrotas, mas o envolvimento mantinha-se num nível superficial. Só o Fortaleza é que, de fato, me trazia as vibrantes e fortes emoções, que me fazia chorar de raiva e enlouquecer no indizível prazer de ser campeão.

E assim estamos nós quatro até hoje, na alegria e na tristeza. Não, não há traição, nem rola ciúme, pois todos entendemos que meu coração é do Leão do Pici, e que o maravilhamento transbordante pelo futebol me permite outros bem-quereres. Mas, e quando, num domingo qualquer, preciso optar por um dos outros dois? Aí eu me abstenho, melhor assim.

Você agora pode achar que eu seria mais feliz se ficasse apenas com um deles dois, pois são bem mais ricos e poderosos. Verdade, são mesmo. Mas, caso não tenha percebido, esta crônica é sobre paixão, e não sobre negociações. Sim, sei que na vida também há os amores interesseiros, sei bem. Mas no mundo encantado do futebol, a paixão por um clube é paixão pura de coração. Para o resto da vida.

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Ricardo Kelmer 2017 – blogdokelmer.com

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Aquelas camisas mp3 – Ouça e baixe a versão áudio da crônica, na interpretação do autor
Site oficial do Fortaleza Esporte Clube
Fortaleza Esporte Clube na Wikipedia

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FEC1974-02O time bicampeão de 1974, que me fez ser tricolor. O artilheiro do campeonato foi Beijoca, com 26 gols.

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O HINO O primeiro hino do Fortaleza foi composto em 1959, por José Jatahy. Em 1967 é composto o hino oficial pelo poeta Jackson de Carvalho, sendo sua gravação em outubro do mesmo ano, tendo como arranjador o maestro Manuel Ferreira e como intérprete o cantor Manoel Paiva. Em entrevista à revista Veja, o cantor e compositor Chico Buarque afirma que considera o hino do Fortaleza o segundo hino mais belo do futebol brasileiro, sendo o primeiro o do seu clube, o Fluminense.

Fortaleza, clube de glória e tradição
Fortaleza, quantas vezes campeão
Fortaleza, querido idolatrado
Estás sempre guardado
Dentro do meu coração.

Altivo, tua vida sempre foi um marco
Tua glória é lutar e vencer também
Salve o Tricolor de Aço
No campo, provaste mesmo que não tens rival
Tua turma valente é sensacional
Salve o Tricolor de aço

Soberbo, tua fibra representa um norte
Combativo, aguerrido, vibrante e forte
Sem demonstrar cansaço
Receba um sincero abraço da torcida tão leal
Meu Tricolor de Aço

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Hino do Fortaleza em nove versões
00m00 – Original 1967
02m40 – Lírica com Ayla Maria e Raimundo Arraes
04m59 – Fagner
08m44 – Reggae com banda Okolofé
12m10 – Voz e violão com Calé Alencar
14m22 – Forró com Neo Pi Neo
16m58 – Rock
20m09 – Oficial regravação 2002
22m35 – Em francês

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Hino oficial do Fortaleza Esporte Clube
Hino oficial (Fagner)
Hino oficial, versão lírica (Ayla Maria e Raimundo Arraes)
Hino oficial, versão forró (Neo Pi Neo)
Hino oficial, versão rock (Voz: Alexandre Carvalho. Instrumentos: André Carvalho)
Hino oficial em francês (Voz: Giselle Café)

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OImprovavel,OImpossivelEOInacreditavel-01aO improvável, o impossível e o inacreditável
Numa hora dessa, como ainda ter forças pra superar um rival que virou o jogo no fim com um jogador a menos, que já conseguiu o impossível?

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Fortaleza campeão cearense 2015

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Gol de Gabriel Pereira
Fortaleza 1×0 Ceará (22.01.17)

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01- Que beleza! Sou do tempo de ir ao Pici pra ver os treinos. Raul Meneleu Mascarenhas, Fortaleza-CE – jan2017

02- Fortaleaaaaaaaaaaaaaa. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – jan2017

03- Lindo gooooool do nosso Leão Ricardo Kelmer, valeu! Eugênio Oliveira, Fortaleza-CE – jan2017

04- Vai safadão!!!!!! Michele SJ, Fortaleza-CE – jan2017

05- Olha a Caboquinha!!! Clícia Karine Marques, Fortaleza-CE – jan2017

06- Parabens pela vitória . Adorei a cronica. Marcia Soares Fernandes, São Paulo-SP – jan2017

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