Nasceu a minha Maionese

05/08/2020

05ago2020

Meu livro de memórias exóticas 

NASCEU A MINHA MAIONESE

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Gente, eu podia estar roubando ou matando, mas tô aqui lançando meu livro de memórias exóticas VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL. Adquirindo a versão eletrônica, que custa R$ 9, você poderá descontar o valor no lançamento do livro impresso, que farei em breve com o que eu conseguir arrecadar com o livro eletrônico.

Diverti-me bastante escrevendo esse livro, principalmente na parte em que conto sobre meu grupo esotérico que iria salvar o mundo e revelo minha polêmica vida passada na Dinamarca medieval, na qual eu tinha uns rolos com uma escritora paulista da atualidade e um músico muito conhecido de Fortaleza, que hoje é um grande amigo.

Bem vindo à minha maionese. Garanto que você dará boas risadas.

VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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OPÇÕES

Na Amazon (Kindle): R$ 9
Direto comigo: R$ 9 (PDF com dedicatória)

– Viajando na Maionese Astral + Quem Apagou a Luz?: R$ 15 (PDF com dedic.)
– somente Quem Apagou a Luz?: indisponível

Entre em contato: rkelmer@gmail.com

PAGAMENTO

Bradesco – ag. 7737 – conta 30268-6 (Ricardo)
Banco do Brasil – ag. 2793-6 – conta 11733-1 (Sebastião)
Caixa Econômica – ag 0578 – OP 013 – conta 14921-2 (Tereza)
Cartão/boleto: Pag Seguro

NA AMAZON: clique aqui

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Ricardo Kelmer 2020 – blogdokelmer.com

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Quem Apagou a Luz?
Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá
(ensaio)

Lançado em 1995, este livro resume, numa linguagem descontraída, as crenças e vivências que norteavam o grupo esotérico do qual o autor participou nos anos 1990, abordando temas como experiências fora do corpo, reencarnação, vida após a morte, extraterrestres e guias espirituais.

A partir de 2000, quando o autor assumiu seu ateísmo, este livro deixou de ser publicado, interrompendo uma trajetória de sucesso. Porém, em 2020, para divulgar seu livro Viajando na Maionese Astral – Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo, ele decidiu relançá-lo numa edição especial, junto com o Maionese.

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O namorado perfeito

10/07/2020

10jul2020

Gabi só queria um namorado que realizasse seu grande fetiche

O NAMORADO PERFEITO

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Quando o namoro completou seis meses, Gabi decidiu que já era tempo de revelar seu preciosíssimo fetiche. Naquela noite, após a transa, os dois ladinho a ladinho na cama, ela falou para o namorado, lânguida como nunca:

– Dorival, eu quero que você me estupre…

– Quer o quê? – ele perguntou, surpreso, virando-se para ela.

– Isso mesmo que você ouviu, paixão…

Só podia ser brincadeira, ele pensou. Mas Gabi prosseguiu, acariciando delicadamente seu rosto:

– É uma fantasia antiga que eu tenho.

– Mas…

– Parece estranho, eu sei.

– Mas…

– Acho que posso confiar em você. Posso, não posso?

Ele olhou para a namorada, esperando que ela de repente desse uma daquelas suas risadas escandalosas e dissesse que era tudo brincadeirinha. Mas ela não riu, e continuou acariciando seu rosto, toda dengosa.

– Claro que pode confiar, meu amor. Mas… como alguém pode desejar ser estuprado?

Gabi ficou séria. E recolheu a mão. A languidez sumira.

– É só uma fantasia, Dorival.

– Mesmo assim. É uma fantasia muito…

– Meu aniversário é na quinta.

– …

– Você… – novamente lânguida e carinhosa – vai me dar esse presente, não vai?

Ele percebeu que não tinha outra opção senão ceder. Assim, quatro dias depois, Gabi despertou de manhã sentindo que algo forçava passagem por entre suas pernas. Abriu os olhos assustada, mas logo em seguida lembrou-se do combinado e manteve-se quieta, fingindo que ainda dormia. Deitada, nua e de barriga para cima, ela sentiu quando Dorival enfiou um pano em sua boca e amarrou seus punhos à grade da cama. Agora ela está em casa, estudando no sofá, e de repente surge um homem desconhecido, todo de preto, usando uma máscara tipo ninja, que a ameaça com uma faca e ordena que tire a roupa e se debruce sobre a mesa. Tremendo de medo, ela obedece. O mascarado a amordaça com um pano, abaixa sua calcinha e a violenta ali mesmo, sobre a mesa, com seu pau enorme. Quando a excitação chega ao auge, Gabi solta um longo gemido, enquanto o namorado mete com força, e o mascarado a puxa pelos cabelos, e é assim que ela goza, abundantemente, o corpo se sacudindo em sucessivos espasmos sobre a mesa. O melhor aniversário de sua vida.

Os estupros matinais continuaram nas semanas seguintes, e, embora Dorival achasse aquilo realmente estranho, não via motivos maiores para recusar participar da fantasia da namorada. Um dia, Gabi deu-lhe uma máscara de Zorro, comprada na sex shop, que ele relutou bastante em usar porque se achou ridículo, mas acabou aceitando. Dias depois, ela apareceu com uma fantasia de vampiro, com a capa vermelha e até os dentes afiados, que Dorival usou com certo constrangimento.

Até que uma tarde, Gabi chegou em casa com duas dúzias de máscaras, que comprara numa loja de artigos de carnaval. Dorival não acreditou.

– Olha que demais, Dorivalzinho.

– Que coisa horrível é essa, amor?

– É o ET de Varginha. Não é sexy?

A partir de então, Gabi passou a ser violentada por uma legião de insaciáveis fantasmas, esqueletos, demônios, lobisomens, nosferatus, frankensteins, bonecos Chuck e outros monstros horripilantes, desta e outras galáxias. Um deles, o Lagarto Saturniano, tinha a língua tão comprida que ela se sentia duplamente estuprada quando Dorival a beijava. O monstro de três cabeças era angustiantemente sedutor, pois ela nunca sabia para qual delas devia olhar. O Crustáceo Belzebu, com suas garras afiadas, chegou a cortar-lhe o rosto, o que deixou Dorival preocupado, mas o gosto de sangue só a deixou mais excitada, e ele passou a ser o seu estuprador preferido.

Um dia, quando passavam o fim de semana acampados na serra, ela despertou com Dorival mexendo-se entre suas pernas e preparou-se para mais um estupro monstruoso. Porém, logo viu que ele não usava nenhuma máscara, estava de rosto limpo. Frustrada, ela tentou concentrar-se na lembrança do Crustáceo Belzebu, mas não conseguiu. Tentou o Chupa Cabra, mas foi inútil. Desesperada, tentou também os Minions, uma centena de Minions enlouquecidos de cocaína em cima dela, mas não funcionou. E Dorival percebeu.

– O que foi, Gabi?

– Você esqueceu de trazer as máscaras, né?

– Foi – ele mentiu. – Desculpa. Mas vamos continuar, tava tão bom…

Ela não quis. E empurrou-o para o lado, mal humorada.

– Pô, Gabi, você não acha que tá indo longe demais com essa sua fantasia?

– É só uma fantasia, você sabe disso.

– Que já foi longe demais, né? Agora você só se excita se for estuprada por seres bizarros. Se rolar sangue, então, é o máximo.

– Qual é o problema?

– O problema é esse mesmo, você não percebe?

– O que percebo é que você estragou nosso passeio – ela respondeu secamente, levantando e saindo da barraca.

– Gabi… eu tô realmente preocupado com você.

– Cada um tem suas preferências. Se você não estiver satisfeito com as minhas…

O namoro acabou naquele mesmo dia, e dá para imaginar o climão, os dois desmontando a barraca num completo e ridículo silêncio.

A partir daí, Gabi não teve muita sorte com namorados. A maioria chegou a Vampiro, alguns avançaram até o nível Ogro Desdentado e poucos toparam vestir a fantasia de Gorilão Tarado do Congo, que era insuportavelmente calorenta, por sinal. Quanto ao Crustáceo Belzebu, somente um topou, mas como não aceitou sangrá-la com as garras, foi logo demitido por justíssima causa.

Atualmente, ela está solteira. E seu nível de exigência aumentou. Agora, sonha todos os dias com o Zumbi Esfomeado. Ser raivosamente violentada por um zumbi asqueroso, que tem os miolos da cabeça expostos e um olho ensanguentado escapulindo da órbita, a baba gosmenta escorrendo da boca, e ele comendo seu cérebro com vinagrete, dia após dia, até sua cabeça ficar oca… Ah, seria o namorado perfeito.

Semana passada, Gabi começou a anunciar em jornais. Ela já leu bastante sobre o tema, sabe que zumbis existem de verdade, sim, há cada vez mais relatos pelo mundo. Não é possível que um, ao menos um zumbizinho, não se sensibilize com sua precária situação. Ela não exige amor, muito menos fidelidade. Mas tem que ter muita fome. E o vinagrete ela mesmo prepara, ele nem precisa se preocupar com isso.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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DICA DE LIVRO

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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LEIA NESTE BLOG

NoOlhoDaLoucura-01aNo olho da loucura – Ela está lá, insubornável feito um guardião de mistérios ancestrais, e zomba da nossa compreensão do mundo… E nada pode haver de mais perturbador

O brinquedo – Quando criança, ele viveu uma relação abusiva com uma mulher mais velha. Agora, um novo envolvimento traz à tona esse passado de dor, humilhação e… prazer

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

Para meus donos, com amor – De quatro e abanando o rabo, lá se vai Cachorrinha servir a seus amados donos

O GPS de Ariadne – Naquela noite ele descobriu como é estar verdadeiramente dentro de uma mulher

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Muita perda e nenhum ganho

25/06/2020

MUITA PERDA E NENHUM GANHO

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A escritora Lya Luft, 81 anos, autora de Perdas e Ganhos, é mais uma a engrossar as fileiras dos arrependidos. Frustrada com o presidente da República que ajudou a eleger, ela afirma estar muito entristecida com a situação do país.

A senhora está triste, dona Lya? Puxa… Olha, eu respeito seus sentimentos, mas deixe-me dizer algo. Jair Bolsonaro não enganou a ninguém. Ninguém. Durante anos, ele atacou as mulheres, ofendeu homossexuais, negros, índios e nordestinos, afirmou que as minorias teriam que se curvar à maioria, disse que iria metralhar os opositores, assumiu-se admirador de um torturador assassino, a quem homenageou em pleno Congresso, incentivou a sonegação de impostos, apoiou milícias armadas e lamentou que a ditadura militar não matou trinta mil pessoas, entre muitas outras coisas deploráveis.

Durante anos, a senhora, como todos nós, ouviu esse perigoso discurso fascista, típico de quem despreza a democracia e os direitos humanos. A senhora sabia disso tudo, mas, mesmo assim, votou nele, conscientemente. Por esse motivo, a senhora não tem o direito de reclamar. Mas tem o dever moral de nos ajudar a consertar essa tragédia nacional, que só aconteceu graças a pessoas que, como a senhora, votaram num demente psicopata e cruel para ser o governante do país porque não queriam a esquerda no poder.

Bem, a senhora ao menos teve a decência de assumir publicamente seu erro, coisa que a grande maioria não fará.

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Ricardo Kelmer 2020 – blogdokelmer.com

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Resistência antifascista

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LEIA NESTE BLOG

O beijo da resistência contra a besta do fascismo – O fascismo não faz política ‒ ele é a negação da política, pois não dialoga, apenas agride, persegue e censura

A alma fascista do governo Bolsonaro – Roberto Alvim apenas escancarou a alma fascista do governo Bolsonaro. Mas a alma fascista continua lá

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No museu da pandemia

10/06/2020

10jun2020

Definitivamente, a humanidade fracassou…, ela pensou, triste

UM BRINDE NA VARANDA

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No museu, mãe e filho viram muitas coisas, e a criança se impressionara com a animação que mostrava a terrível pandemia de covid-19 como uma reação da Terra às atitudes antiecológicas do Homo sapiens. E ela se horrorizou com as notícias falsas espalhadas durante o caos. Definitivamente, a humanidade fracassou…, ela pensou, triste. Na saída, o filho viu o monumento aos profissionais de saúde mortos na defesa da população e lhe sussurrou: Mãe, quero ser enfermeiro pra cuidar das pessoas na próxima pandemia. Ela não soube o que dizer. Não, tive uma ideia melhor, ele continuou, vou ensinar as pessoas a respeitarem o planeta, pra não ter outra pandemia. Ela sorriu e o abraçou, pedindo perdão em silêncio por seu pessimismo, e uma lágrima de esperança brotou em seu olho. O futuro era uma criança…

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Ricardo Kelmer 2020 – blogdokelmer.com

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MAIS MINICONTOS

AMetamorfose-01A metamorfose – Pai, filho e o fundo do poço

Desculpem o atraso – Ela, o feminismo e o BDSM

A última mensagem – Aprendendo sobre amor e perdão

Literalmente – O sentido dos textos e da vida

Prazer proibido – Essas mães e suas filhas…

Cem vezes mais – Deus é fiel, tá sabendo?

No museu da pandemia – Definitivamente, a humanidade fracassou…, ela pensou, triste

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Nunca subestimemos o fascismo

02/06/2020

NUNCA SUBESTIMEMOS O FASCISMO

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Tudo é política, inclusive o silêncio. Não existe neutralidade nem isenção num momento decisivo como este, em que ideologias fascistas ameaçam fortemente a democracia.

Sim, o fascismo é um fenômeno histórico do século 20, mas suas ideias vivem na alma humana. É lá, nas sombras, que o fascismo aguarda, sorrateiro, pela situação propícia, com predileção pelas crises econômicas e políticas, esperando pelo messias que o representará. Ele é mutante e sutil, sabe se adaptar aos novos tempos. Suas ideias seduzem porque são simplistas, reluzem como um elixir mágico para os problemas e legitimam os ódios e preconceitos latentes que, numa democracia, não têm espaço para se manifestar. Por natureza, ele é a antipolítica, pois despreza o diálogo e só entende a disputa pela ótica da violência. Nunca subestimemos o fascismo. Ele está entre nós, agora mesmo, se espalhando pelas mentes suscetíveis, como um vírus.

O fascismo é como uma epidemia. Tudo o que fizermos antes para contê-lo soará como exagero, e tudo que fizermos depois será tarde demais.

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Ricardo Kelmer 2020 – blogdokelmer.com

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Resistência antifascista

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O beijo da resistência contra a besta do fascismo – O fascismo não faz política ‒ ele é a negação da política, pois não dialoga, apenas agride, persegue e censura

A alma fascista do governo Bolsonaro – Roberto Alvim apenas escancarou a alma fascista do governo Bolsonaro. Mas a alma fascista continua lá

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Curso de Literatura Cearense

15/05/2020

15mai2020

Um patrimônio artístico-literário brasileiro que também é seu. Aproveite

CURSO DE LITERATURA CEARENSE

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O Ceará é um estado que traz a marca de grandes histórias, muitas delas fincadas na imaginação e em papel e, injustificadamente, ainda pouco conhecidas do público em geral.

Neste curso básico de extensão, com inscrições abertas a todo o país e certificação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), você conhecerá um pouco mais sobre a literatura aqui produzida, desde o século XIX à contemporaneidade, através de alguns de seus autores(as), grupos/agremiações literárias e obras referenciais, em consonância com os estudos da Literatura Brasileira, por meio de fascículos, videoaulas, podcasts e webconferências, material complementar da Biblioteca Virtual, e muito mais.

Aproprie-se desse patrimônio artístico-literário brasileiro que também é seu.

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Ricardo Kelmer 2017 – blogdokelmer.com

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Lugar de literatura é solta pela cidade – Com esses livretos, consigo que minha arte frequente as mesas dos bares, integrando-se à dinâmica boêmia da cidade e atraindo novos leitores

O dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Pesadelos do além – O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Kelmer no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

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El Irresistible Encanto de la Insania 4

13/05/2020

 

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EL IRRESISTIBLE ENCANTO DE LA INSANIA

Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2015
novela – traducción: Felipe Obrer

Luca es un músico, obsesionado por el control de la vida, que se involucra con Isadora, una viajante taoísta que asegura que él es la reencarnación de su maestro y amante del siglo 16. Él comienza una aventura rara en la cual desaparecen los límites entre sanidad y locura, real e imaginário y, por fin, descubre que para merecer a la mujer que ama tendrá antes que saber quién en realidad es él mismo.

En esta insólita historia de amor, que ocurre simultáneamente en la España de 1500 y en el Brasil del siglo 21, los déjà-vu (sensación de ya haber vivido determinada situación) son portales del tiempo a través de los cuales tenemos contacto con otras vidas.

Blues, sexo y whiskys dobles. Sueños, experiencias místicas y órdenes secretos. Esta novela ejercita, en una historia divertida y emocionante, posibilidades intrigadoras del tiempo, de la vida y de lo que puede ser el “yo”.

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.Amazon (kindle) english/portuguese/espanol

In portuguese – blog 

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CAPÍTULO 10

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– ¿Quién eres vos?

Luca miraba a la figura rara adelante de él.

– ¿Una vieja amiga, no recuerdas?

Aquella voz era familiar.

– Esta cueva… yo ya he estado aquí…

Él miró alrededor, intentando reconocer al lugar.

– ¿Cómo andan las cosas?

– Pésimas – él respondió, suspirando. Estaba muy cansado.

– Veo que no estás queriendo volver allá afuera. Pero es necesario.

– ¿Ésto es real? ¿O es un sueño?

– ¿Qué no es real, Vehdvar?

Vehdvar… Él conocía aquél nombre.

– Estoy recordando… vos eres…

– Ihlishhhhhh…

Él fijó la mirada y vio a la enorme naja, la piel marrón y las escamas flamantes, con una geometría. La serpiente levantó parte del cuerpo y se llenó los pulmones, inflando el pescuezo. Entonces abrió la boca y mostró las presas afiladas. Él no sintió miedo.

Naja Hannah, Naja-Rey… – él murmuró, recordando antiguas palabras.

– ¡Mira, mira! Solamente la vieja serpiente podría animarlo… – Ella se desplazó hacia la piedra y se enroscó sobre el propio cuerpo para quedarse a su lado.

– Soy un fracaso, Ihlish.

– ¿E Isadora?

– Isadora es una loca.

– Amor y odio… Pasan los siglos y ellos no se sueltan.

– Déjame morir en paz, Ihlish.

– ¿La dama de blanco te ha encantado, eh? Pero antes de irte a sus brazos, mira ésto.

Él se volvió hacia el lago oscuro y notó que el agua ondulaba. De a poco una escena empezó a formarse en la superficie… Desde el alcázar de un navío un hombre observaba el mar. Luca supo inmediatamente su nombre: Enrique. Estaba envejecido, los cabellos enteramente blancos… Luca sintió una emoción rara. Era como volver a ver a alguien muy querido después de un largo tiempo. Asimismo, era bastante más que eso, era una afinidad, una complicidad intensa, ¿cómo explicarlo?

Supo inmediatamente que Enrique ya estaba al fin de la vida y que muchos años habían transcurrido desde su salida de un muelle en Barcelona, una mañana nubosa, hacia el cual nunca más había vuelto. Supo muchas otras cosas sobre su vida: la Compañía de Jesús, el Orden del Guardián, las misiones secretas, el peligro de la Inquisición…  El trabajo como misionero lo había conducido a tierras lejanas y lo había hecho convivir con otras culturas. Grande parte de la vida había pasado en barcos, surcando los mares. Los marineros catalanes lo llamaban llamador de vientos porque él sabía cantar y menear el sombrero para traer los vientos que necesitaban, y era a él que recurrían para bendecir sus barcos con ramitos de romero el día de Sant’Elmo. Él tenía una mirada triste y decían que la causa era un antiguo amor. Cuando le preguntaban sobre eso, él citaba los versos de March, el poeta catalán: Com se farâ que visca sens dolor tenint perdut lo bé que posseya?

Por la noche, el mar de China, la tormenta… Enrique estaba en el navío que se sacudía entre las olas enormes. Al anochecer un marinero había visto en el horizonte la fatídica carabela de los muertos, la nave translúcida que conducía a las almas de los desaparecidos, y eso los había llenado a todos de los peores presagios. Y ahora la tormenta repentina, las olas invadiendo el alcázar, todo siendo arrojado violentamente de un lado a otro. Era necesario abandonar el navío.

La tripulación lazaba los botes al agua, pero el terror y la confusión dificultaban todo. En cierto momento Enrique perdió el equilibrio y se golpeó la cara contra el mástil, abriendo una herida del lado derecho, y luego empezó a sangrar. Atarantado, él bambaleó y perdió el equilibrio. Y cayó en el mar helado. Trató desesperadamente de subir a flote para respirar, pero nada podía contra las grandes olas que lo hacían tragar cada vez más agua. Su cuerpo empezó a congelarse y sus fuerzas lo abandonaban… Cuando el bote estaba bien cerca de salvarlo, él se hundió. Y desapareció.

Luca lloraba, todavía mirando hacia las aguas oscuras del lago. Él sabía que Enrique se había dado por vencido cuando podría haber luchado un poco más por su vida. Y sabía también que en su último pensamiento estaba Catarina, la mujer que él nunca había olvidado y a la cual había abandonado en el muelle de Barcelona.

– ¿Entonces Isadora estaba correcta? – murmuró Luca, tocándose la cicatriz en la cara. – ¿Yo de hecho he sido Enrique?

– Tanto como cualquier otra persona lo fue – respondió la serpiente.

– ¿Cómo así?

– La vida de Enrique, igual que cualquier otra vida, incluso la suya, puede ser accedida por cualquier uno, pues en un nivel más profundo todas las vidas están interconectadas por las experiencias vividas, formando una sola vida, un único yo.

– Entonces no existe…

– Reencarnación. Es una ilusión del ego, que se identifica con la otra vida y entiende eso como recuerdo porque está atado al tiempo lineal, en el cual pasado, presente y futuro ocurren en secuencia.

– ¿Y no ocurren?

– Solamente para el ego. Vos y Enrique se identifican profundamente y sus experiencias se cruzan a través de los siglos porque para el yo superior el tiempo es una red en la cual pasado, presente y futuro se cruzan en todos los puntos.

– Entonces todos los tiempos ocurren…

– Al mismo tiempo. Y todos tus yos son todos los otros. Por eso cualquier vida puede ser influenciada por la vida de cualquier persona de cualquier tiempo.

– Así siendo, el pasado puede ser…

– Cambiado. De la misma forma el presente y el futuro, pues todo está siempre ocurriendo…

– Ahora.

– Pero solamente un recuerdo profundo del yo puede realmente cambiar el tiempo. Porque en verdad el tiempo está adentro…

– Del yo.

La serpiente se movió…

– Todo ocurre en la mente, Vehdvar.

… se desplazó hasta el lago…

– Cámbiate a tí mismo, y todo cambiará.

… y desapareció de nuevo en las aguas oscuras.

*      *     *

Una bella mujer de vestido blanco. Adelante de él, ella lo miraba de una manera que lo invitaba…

– Debe ser una mujer muy bonita para hechizarte así…

Aquella voz… Luca se dio vuelta. Y vio a Isadora.

– ¿Qué haces en mi sueño?

– Este sueño es nuestro.

‒ Entonces es una pesadilla.

‒ He venido a buscarte. Ven.

– Es demasiado tarde, Isadora.

– ¿Por qué?

– Porque me he cansado.

– Vos tienes que intentar, Luca. No puedes darte por vencido.

– Tanto puedo que me he dado por vencido.

– Intenta solamente un poco más, por favor…

Él dio un paso hacia adelante, en dirección a la mujer de blanco. Era su falda lo que necesitaba, su comprensión. Estaba cansado de luchar, contra la vida, contra sí mismo, contra todo. Solamente deseaba extinguirse, no tener que despertar jamás. Solamente eso.

– No la mires, Luca – Isadora pidió. – Mírame a mí.

Pero él estaba decidido.

– ¿Luca, me escuchas?

Él no respondió. Y siguió en frente.

– Entonces yo iré contigo.

Él se dio vuelta hacia ella, sorprendido.

– Vos no harías eso.

– Lo estoy haciendo.

Él sintió la mano de Isadora sosteniendo la suya, firme. Y en ese momento el abismo surgió bien a su lado, un abismo oscuro y profundo susurrándole su nombre. Si saltara hacia la oscuridad, él perdería absolutamente el control sobre su propia vida, sobre todo, y sería apenas un pobre idiota del amor, no lo aceptarían más en el Orden, sería expulsado de la banda, la Inquisición lo quemaría en la hoguera, sería el fin…

La mujer de blanco y el descanso, el nunca más tener que despertar. El abismo oscuro y la entrega del control. Ambos lo llamaban…

– Estamos juntos, Luca… – Isadora susurró.

Y antes que ella dijera cualquier cosa más, él saltó.

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CAPÍTULO 11

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La primera cosa que él vió fue una luz suave y colorida. No sabía adónde ni cuando estaba, pero aquellos colores le trajeron una diáfana alegría, venía de lejos, muy lejos…

En otro momento juzgó notar una presencia femenina, dulce y protectora. Trató de decir algo pero el esfuerzo fue tan grande que se desmayó.

Por fin, abrió los ojos. Luego de un momento de confusión mental, entendió que estaba acostado, la cara hacia arriba, y había una sábana blanca sobre su cuerpo… Estaba acostado en una cama… una habitación de hospital… un tubo de suero conectado a su brazo… Adelante de él la ventana entreabierta dejaba entrar la claridad del día. Y a su lado estaba su madre dormitando en la silla.

– ¿Mamá, qué día es hoy? – él preguntó y doña Gloria casi se cayó de la silla, despertando de un susto.

– ¡¡¡Luca!!!

Ella lo abrazó, emocionada. Luca trataba de recordar lo que podría haber ocurrido con él. Pero nada le venía a la memoria.

– ¿Qué ha pasado?

– Hijo mío, que bueno que vos…

– ¿Dime, madre, qué ha pasado?

– Un accidente, hijo mío – ella respondió, secándose una lágrima. – Pero no pienses en eso ahora.

– ¿Accidente?… – Él no recordaba ningún accidente. – ¿Cuándo?

– Vos has estado en coma a lo largo de un mes.

Él se concentró para recordar cualquier cosa que fuera, pero no consiguió. Insistió en saber sobre el accidente. La madre le explicó: un coche había avanzado la preferencial, choque muy violento, una suerte tremenda que él estuviera vivo.

– ¿Yo estaba solo?

– Hijo mío, vos estás débil, tienes que reposar…

Ella no necesitó responder. Súbitamente él recordó a Bebel, el fin de semana en la playa, su cara, su sonrisa tierna… Las lágrimas resbalaron y él no consiguió decir nada más. Y adormeció sollozando.

*      *     *

Al día siguiente el recuerdo le trajo otras imágenes. Una española de nombre Catarina… un jesuita portugués… viajes en navíos… Todo se confundía entre sueño y realidad, pero eran imágenes que lo emocionaban. Tuvo la corazonada de que, mientras había estado allí en coma, muchas cosas habían ocurrido con él… Y adormeció una vez más.

Cuando despertó de nuevo, se sentía más bien dispuesto. Doña Gloria confirmó la muerte inmediata de Bebel y del bebé en el accidente. Contó que él había sido rescatado con muchas lesiones y que en el hospital contrajo una neumonitis, que lo había dejado por varios días al borde de la muerte, desanimando a todos, incluso a los propios médicos. Pero, de un momento a otro, él se recuperó, sorprendiendo a todos.

– Los chicos de la banda te han traído ese paño ahí de regalo – contó Celina, feliz por tener al hermano de vuelta.

– Yo lo he colgado en la ventana para reducir la claridad – dijo doña Gloria. – Un día vos has abierto los ojos, y al ver el paño te has sonreído. Y te has dormido de nuevo. Fue ese el día en que tuve la certeza de que volverías.

Él miró el paño y lo reconoció. Era una pintura con el nombre Bluz Neón a varios colores y las imágenes de los cinco en silueta, tocando. Echó de menos a los amigos, ¿cómo estarían? Pero otra cosa lo molestaba.

– ¿Alguien tiene noticias de Isadora? – él preguntó, y de repente estremeció: ¿ella aún lo esperaba en aquél muelle?

No, ninguna noticia, doña Gloria no sabía de Isadora. Celina tampoco. Él sintió la tristeza invadiéndole el alma. Isadora… ¿Adónde andaba?

– ¿Vos estás bien, hermano? – Celina le preguntó.

– Estoy. Pero quiero quedarme un poco solo.

– ¿Estás seguro?

– Estoy.

– Está bien. Cualquier cosa, grita.

Celina lo abrazó y salió, junto con la madre, cerrando la puerta del cuarto.

Luca se dio vuelta de costado, acomodando el cuerpo en la cama. Y cerró los ojos. ¿Entonces era verdad? ¿Entonces Isadora tenía razón? ¿Él de hecho había sido Enrique, el brujo portugués, el maestro-amante de Catarina? Que cosa increíble… No solamente había recordado – ¡había revivido todo! De alguna forma, a lo largo de aquellas semanas en coma, su alma viajó hasta el siglo 16 y vivió como Enrique. Y vivió de nuevo todas las emociones, los sentimientos, los miedos, todo…

– Increíble… – él repetía para sí mismo, cada vez más impresionado. Ahora entendía qué significaba aquella historia de recordar otra vida. ¿Y cómo explicarlo, cómo? Era tan real como recordar un hecho ocurrido hacía algunos años. Las ropas, las casas, la manera de hablar el portugués, el castellano, el catalán… ¿Cómo podría sentir y saber todo aquello de forma tan nítida si no hubiese realmente vivido, cómo? ¿Y el contacto con la piel de Catarina, su olor?…

Sí, él había sido Enrique, un portugués que usaba el disfraz de misionero de la Compañía de Jesús para desarrollarse como iniciado de un orden secreto, el Orden del Guardián. Un aventurero de varias identidades y que tejía su vida en los cuidados de la sordina y de la disimulación. Un conspirador religioso y nacionalista ferreño. Un hombre letrado, dedicado a preservar a toda costa el conocimiento de su orden. lo que lo había convertido en enemigo silencioso de la Inquisición Católica. Un hombre dividido entre sus virtudes y defectos, que llevaba la vida arriesgándose y probando los misterios. Y también un hombre que huyó de la confrontación decisiva de su vida: el amor por Catarina. Porque no admitía abdicar de la seguridad que la Compañía representaba.

Y la culpa por haber huido lo acompañó como una llaga hasta el momento final. Y fue ella la que lo hizo optar por la muerte en aquél mar helado, cuando aún le quedaba una última chance de vivir.

¿O habría otra explicación? – Luca pensó mientras le venía el recuerdo diáfano de un sueño en el cual él parecía descubrir que… que había otra manera de comprender aquél fenómeno de recordar otra vida. Sí, parecía haber otra explicación… Tenía algo que ver con la noción del yo, la noción de individualidad, algo así… Él buscó recordar pero no consiguió. Bien, si había otra forma de comprender lo que le estaba ocurriendo a él, quizás descubriría a continuación. Por ahora lo que sabía era que él, de algún modo, había estado en otro tiempo. Y que Isadora también había estado allá.

– Catarina, mi amor… – Luca susurró, mirando hacia la distancia por la ventana del cuarto. – Yo he vuelto.

*      *     *

La última noche en el hospital, una semana después de volver del coma, Luca demoró en dormirse, aún envuelto por los recuerdos de la vida de Enrique. Los sonidos de los carruajes estridentes, el polvo en los ojos, el olor de las cervecerías de Munique, el gusto de la pimienta, del jengibre y de la canela que los navíos traían como novedad de las Indias… Bastaba cerrar los ojos para sentir todo de nuevo, intensamente.

Entonces notó que una idea parecía querer llegar… Una idea se acercaba… Una idea rara, venida de algún lugar de los confines de su mente… Hasta que llegó, como un cometa cruzando los cielos del pensamiento, y su luz pareció alumbrar toda la habitación: él seguía adonde Enrique había parado. ¡Sí, seguía! Y la bajada a la cueva ahora consistía en enfrentarse al miedo de perder el control de la vida. Era ese el próximo reto, que Enrique había rechazado: abandonar el control.

Impresionado con la clareza que terminaba de descubrir, Luca respiró hondo, buscando contener la euforia. Ahora entendía que quizás el taoísmo le había aparecido a través de Isadora justamente para que alcanzara el conocimiento que le había faltado a Enrique. Era como si fuera un plan dibujado para él. ¿Estaría todo ya escrito? ¿Por la propia vida?

Antes del accidente las cosas ya estaban fuera del control y solamente él no se daba cuenta. Los problemas, los pequeños accidentes y las enfermedades frecuentes, los conflictos con la banda, el ambiente feo en el trabajo, la pérdida del coche, la partida de Isadora y, por fin, el embarazo de Bebel. La vida no podría haber sido más explícita. Y, asimismo, él no había entendido el mensaje.

Luego de mucho pensar y subrayar enlaces entre los hechos de su vida y la de Enrique, Luca se durmió sonriendo, con la sensación de estar renaciendo. Y aquella misma noche soñó con Isadora, un sueño fuerte y nítido. Él la encontraba en un lugar al borde del mar, ella estaba aún más bella.

– ¿De dónde vienes, Isadora?

– De cuatro minutos en el futuro.

– No – él la corrigió. – Fueron cuatrocientos años.

– Tenemos que ajustar nuestros relojes, Luca.

*      *     *

El autobús empezó a salir y Luca miró por la ventana. En la plataforma, Junior, Ranieri, Balu y Ninon saludaban con vasos y una botella de whisky, brindando a él. Junior tocaba en la guitarra alguna música de la banda. Él saludó también, un trago de emoción trancado en la garganta.

Se acomodó en el asiento y respiró hondo. La ciudad pasando lentamente a través de la ventana parecía darle adiós en cada una de sus esquinas. Un súbito temor subió por su espalda, un miedo de dejar todo hacia atrás, de seguir un camino que no sabía adónde podía dar. Era como saltar en el abismo…

Abrió la mochila y agarró la concha que Isadora le había dado al margen de la laguna de Uruaú. La había encontrado días antes en un cajón del ropero, ni siquiera la recordaba más. Recostó la concha al oído y el sonido del mar poco a poco lo calmó…

Dos meses antes estaba saliendo del hospital, muchos kilos más delgado, cicatrices por el cuerpo, aún bastante debilitado. En pocos días acordó la salida de la banda y del empleo, entregó el departamento, vendió algunas cosas y pagó la cuenta en el restaurante. Y compró el pasaje. A doña Gloria no le gustó nada la idea. Celina quedó temerosa de que el porrazo en la cabeza hubiese afectado el juicio del hermano. Los compañeros de la banda no podían comprender cómo él abandonaba un sueño estando tan cerca de que se concretara. Pero para él todo estaba claro, bien claro.

En medio de la madrugada despertó recordando a Bebel. Sentía su presencia, su mirada, casi podía ver adelante de sí la cara de niña y la sonrisa franca. Recordó las noches de cariño, su cuerpo acogedor. Recordó su labor con afinco en el bar, sus sueños de retomar la facultad, el dinero que ella le había prestado… y que él no pagó. Recordó su manera sutil de reprochar su conducta autodestructiva. Y recordó que había llegado a desear ser Enrique solamente para librarse de aquél embarazo. ¿Sería él, de alguna forma, culpable de su muerte?

Retiró del bolsillo una foto, recuperada de la cámara de Bebel, que la hermana le había dado. En la foto estaban él y Bebel, abrazados en la terraza de la casa de playa, la puesta del sol al fondo. ¿Qué exacto sentido aquella mujer había tenido en su vida aquellos meses? Si ella no estuviera manejando, habría fallecido él? ¿Sería posible que ella, de alguna manera, se hubiera sacrificado por él? ¿Algún día descubriría respuestas para aquellas preguntas?

Pero Bebel se había marchado. Y él ni siquiera una vez le había dicho cuánto realmente la quería, cuán importante era ella, cuán hermosa era. Vivía tan sumergido en sus problemas, cerrado en su egoísmo y en su insana lucha contra la vida… No había sido digno de ella. Y el día que finalmente aceptó el hijo que tendrían, ella se marchó. Ellos se marcharon. Para siempre.

Emocionado, tomó la lapicera y escribió en un pedazo de papel, poniendo para afuera lo que estaba apresado en su pecho:

Ah, ese gusto raro
Del amor que podría haber sido
Pero no ocurrió
Y se fue para nunca más
El amor que no pudo crecer
Pero siempre juega a ser
Cuando yo miro hacia atrás

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CAPÍTULO 12

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‒ Mi nombre es Luca de Luz Neón y todos los viernes y sábados toco acá en el Papirar. Espero que les haya gustado. Gracias.

Luca agradeció los aplausos, se levantó de la banqueta y apagó el aparato. Guardó la guitarra en el estuche y bajó del pequeño modulado de madera que servía de tablado. Charles se acercó a él.

– ¡Hoy estuviste regio! – lo elogió Charles, abrazándolo. – ¡Fue realmente alucinante!

– Gracias.

– Estoy incluso pensando en elevar tu caché.

– No tengo nada en contra.

– Vos lo mereces, muchachito. Ahora siéntate ahí que está llegando un guiso de pescado como te gusta.

Luca se sentó a la mesa y se desperezó, estirando los brazos y las piernas. El bar estaba lleno, como ocurría todos los fines de semana. En las mesas él podía reconocer moradores de Pipa que siempre iban al bar y algunas caras nuevas, de turistas brasileños y extranjeros. Charles, un ex-hippie con sus sesenta años, era el dueño, y su mujer Solange era su socia en el negocio. A ellos les había gustado su estilo musical y lo habían contratado para ser el músico permanente de la casa.

Luca abrió una botella de agua y tomó, sanando la sed. Nueve meses…, él pensó. Al día siguiente se cumplirían nueve meses desde que había salido del coma. Y siete meses desde que había bajado de nuevo en Tibau del Sur, él, dos mochilas y la guitarra. Un impulso irresistible lo había conducido hasta allá. Sabía, en el fondo de su ser, que era allá que debería empezar otra vez su vida.

Fue raro ver de vuelta al lugar, aquellos árboles, el río, los pájaros cantando al amanecer… Asimismo, se sintió bien, era como estar en casa. Acampó de nuevo en el camping de doña Zezé, que se recordaba perfectamente de él. Pero a la segunda semana ella le propuso salir del camping y mudarse a la posada: cambiaría el alquiler de la habitación por clases de guitarra y computación para sus hijos, ¿qué tal? La habitación era pequeña pero tenía ropero, mesita, ventilador, ventana con cortina y cuarto de baño. Y el desayuno estaba incluido. Luca ni lo pensó dos veces: negocio cerrado.

La mañana del primer día en su nueva habitación, él despertó y fue al baño. Al pasar por el espejo, paró y se miró por un tiempo. Había algo raro en su cara, en su expresión… Se miró con más atención, buscando descubrir qué podría ser. Sí, había realmente algo distinto, algo que él no conseguía identificar. Los días a continuación tuvo la misma impresión. Había algo raro, sí, ¡que cosa! ¿Pero qué sería? Por más que buscara, no encontró. Terminó dándose por vencido.

Había sido doña Zezé, siempre atenta, que le había aconsejado buscar trabajo en Pipa. Él fue, conoció a Charles y Solange y el mismo día volvió empleado. Así de simple. Ahora tenía trabajo fijo, un trabajo placentero, en el cual podía tocar sus músicas predilectas, incluso sus propias músicas. Y, que alivio, ahora no tenía más que preocuparse con alquiler y reuniones de condominio. Ni con el precio del combustible. Y por encima podía bañarse en el mar todos los días.

Siete meses de soledad. Una soledad al principio rellenada por recuerdos insistentes que siempre venían acompañados de dolorosas revelaciones. Una armadura vieja y herrumbrada, era eso lo que él por mucho tiempo había usado, ahora veía muy bien, un armadura hecha de viejas ideas sobre la vida, que lo protegía de ciertos peligros, sí, pero que cada vez más lo impedía de caminar. Y las máscaras, había también las máscaras, ahora cayéndose una tras otra, revelando su auténtico ser, lleno de imperfecciones. Y había los demonios, muchos, saltando hacia afuera del ropero a todo instante, forzándolo a reconocerlos y mirarlos de frente.

¿Cómo podía haber errado tanto? ¿Y cómo había insistido tanto en un camino que lo conducía hacia lejos de sí mismo?

Hubo días en los cuales, desesperado, buscó a alguien para charlar porque les tenía miedo a sus propios pensamientos. Si no fuera la compañía de doña Zezé y las clases de los niños, posiblemente habría tendio una irrupción psicótica. Podría haber terminado en un hospital psiquiátrico. Pero la larga noche había pasado.

– ¡Mira el guiso calentito!

Era Charles, volviendo a la mesa. Traía en la bandeja un plato de barro humeante.

– ¿Sabes que mañana cumplo nueve meses de haber vuelto del coma? – Luca comentó mientras se servía.

– ¿Nueve meses? Entonces mañana vos nacerás, muchachito. ¡Una cerveza para festejar!

*      *     *

El trabajo en el Papirar era de hecho excelente, y a cada fin de semana él conocía a muchas personas y entablaba buenos contactos profesionales. Por cuenta de uno de esos contactos, viajaba una vez por mes hasta Natal, adonde tocaba en una casa de espectáculos. Como el dinero que ganaba era más que suficiente para sus gastos, rápidamente pudo comprarse una guitarra nueva y un parlante importado, cosa que nunca había tenido en los tiempos de la banda.

Llevaba una vida simple y saludable. Ahora tomaba menos, dormía más y se alimentaba mejor. Nadaba todos los días y tenía tiempo para leer muchos libros. Mantenía contacto con la familia y los amigos por Internet, usando la computadora de doña Zezé. En breve se compraría una para él, pero mientras tanto eso no le hacía falta. Y componía bastante, ahora aventurándose en otros ritmos más allá del blues.

No sabía cuanto tiempo seguiría allí en Tibau del Sur, ni sabía hacia adónde iría después. No sabía qué le pasaría, no sabía de nada. Antes del accidente tampoco sabía de nada más, es verdad, pero la diferencia es que ahora no tenía ninguna preocupación en cuanto a eso. Sabía solamente que hacía lo que debería hacer, y esa tranquila certidumbre lo llenaba de la mayor de las libertades.

Sobre las mujeres, el trabajo en el bar le permitió conocer a varias, e incluso se acostó con algunas. Pero al día siguiente ellas siempre volvían para sus ciudades y él seguía solitario.

Solitario, sí, pero en su pensamiento cierta mujer era presencia constante…

– ¿Isadora, adónde andas, desquiciada?… – él se preguntaba todas las mañanas mientras caminaba por la playa. Quizás ya fuera digno de merecerla, como no había sido Enrique en aquella lejana mañana en el muelle de Barcelona. Como no había sido él también, Luca. Quizás fuera finalmente digno de ella. ¿O ya había arrojado a la basura todas las oportunidades?

Un día, hojeando distraído una revista, vio la imagen de una serpiente naja… y de repente recordó. Recordó un sueño raro… Parecía haber ocurrido hacía tanto tiempo… Era un sueño con un clima misterioso, una atmósfera antigua, sagrada… La serpiente le decía cosas sobre la naturaleza del yo, del tiempo, vidas simultáneas…

– ¡Es eso! – exclamó, tomado por una súbita euforia. Era ese el sueño que él deseaba recordar desde su salida del coma. Y, así, durante los días a continuación, el recuerdo de aquél sueño raro ocupó su pensamiento, la serpiente, aquellas ideas confusas sobre la vida y el tiempo… Eran ideas nada ortodoxas, sí, pero eran instigadoras y él sentía que ellas ocultaban cosas profundas y reveladoras. Quizás un día harían más sentido.

*      *     *

Programa de fin de tarde: viajar en el atardecer. Siempre que podía, Luca bajaba la ladera del río para ver la puesta del sol, sintiendo la brisa en la cara y deleitándose con el olor del mar. Y tocaba para los delfines. Bastaba sentarse al margen del río y hacer sonar las primeras notas en la guitarra que luego surgían sus cuerpos grises en la superficie, los hocicos lisos, las faces risueñas. Quedaban bien cerca, atentos, escuchando… De vez en cuando uno u otro saltaba de repente y el cuerpo ágil brillaba bajo los reflejos de la puesta del sol. Luca se reía, feliz: aquellos eran sus modos juguetones de aplaudir su arte y decir que sí, estaban de acuerdo, la libertad es solamente un sinónimo de no tener nada que perder.

Tocar para los delfines le traía la maravillosa sensación de estar conectado con la Naturaleza, una sensación buena de seguridad, seguramente la misma seguridad que debían sentir los bebés en la falda de la madre, pensaba él. Y, asimismo, era la misma Naturaleza, inmensa y misteriosa, que tanto lo había aterrado aquella mañana en la laguna de Uruaú.

Solo, sentando al borde del río, él tocaba las músicas predilectas y recordaba… Recordaba a doña Gloria, que llamaba para preguntar qué estaba comiendo su hijo y cuándo volvería. Recordaba a la banda, los ensayos divertidos, los shows inolvidables. Después de su salida, Junior había asumido como cantante de la Bluz Neón y se había vuelto novio de Sonita. Pero los dos peleaban tanto que eso interfirió negativamente en los trabajos y dividió a la banda. El resultado fue que no grabaron el CD y la banda se terminó. Junior y Sonita se separaron y él ahora intentaba armar una banda de música disco. Y Sonita se había vuelto novia del contrabajista Ranieri.

Luca se reía, divirtiéndose con los recuerdos y los despatarres que sus amigos armaban. El destino había querido que se separara de los amigos, sí, pero él ahora recibía al destino con un abrazo de confianza, y estar vivo era algo asombroso y estimulante. Meses antes se sacudía en medio de los acontecimientos como quien lucha desesperadamente para no ahogarse. Intentaba controlar a la vida como si eso fuera posible, sin saber que bastaba fluir junto con ella, como hacía ahora y como hacían los chicos que hacían de sus cuerpos tablas en el mar de Tibau del Sur, domando a las olas sin competir con ellas.

Ahora miraba hacia atrás y se espantaba de cuán ciego y perdido había andado. Era como si hubiese huido del infierno, un infierno en el cual lo que verdaderamente ardía era su miedo de entregarse a la vida.

*      *     *

Una mañana Luca despertó y, como hacía siempre, fue al baño. A la salida, paró en la palangana para lavarse la cara y, al mirarse al espejo, vio la imagen de su cara. En ese exacto instante entendió finalmente el motivo de la cosa rara que sentía todos los días siempre que se miraba en aquél espejo. Y ser rio mucho. Allí la imagen de su cara era una imagen única, entera, bien distinta de la imagen dividida del espejo partido de su antiguo departamento.

Luca tocó la superficie del espejo como si acariciara su propia cara. Era raro verla así, entera, una, parecía otra persona. De repente sintió cariño por aquella persona que lo observaba en el espejo, un cariño formado de comprensión, compasión, amor y perdón. Sí, era él mismo, evidente, pero al mismo tiempo era otra persona, otro Luca…

Súbitamente, entendió que no estaba del lado de afuera del espejo – él era el del espejo. Él estaba adentro del espejo y miraba al Luca que estaba afuera. Y entonces pudo darse cuenta de que él, el del espejo, siempre había estado allí, que todos los días lo miraba al Luca del lado de afuera y lamentaba que él no lo viera de verdad, y viera solamente a un Luca fragmentado, dividido en varias partes, despedazado en sus propias contradicciones. Él, el del lado interno del espejo, siempre había sido el Luca que vivía aquél tiempo futuro, aquél tiempo de encuentro consigo mismo, y todos los días intentó hacer con que el Luca de afuera despertara del sueño que vivía y se diera cuenta de que podía interrumpir el ciclo de autodestrucción al cual se había entregado. Y, así, todos los días la superficie del espejo era una fina membrana separando a dos realidades: en una de ellas Luca moría, en la otra él, renacido, esperaba por sí propio.

Luca dio por sí y notó que seguía mirándose al espejo, y se reía sin saber exactamente porqué se reía. Se sintió un bobo, mirándose a sí mismo como si nunca se hubiera visto antes. Y cuanto más pensaba sobre el hecho, más bobo se sentía y más graciosa se volvía toda la cosa. Luego estaba riéndose hasta las lágrimas y lo que era risa se convirtió en un llanto de felicidad, una felicidad rara, formada de la súbita convicción de que, sí, era necesario morir para encontrarse.

*      *     *

Un día, charlando con Charles y Solange, Luca descubrió que ellos tenían un I Ching. Inmediatamente recordó que una vez, en la cocina de su departamento de Fortaleza, Isadora había consultado al oráculo para él. Y que había apuntado el resultado en su agenda.

Pidió el libro prestado y buscó el hexagrama Receptivo. Leyó y se asustó.

“En el otoño, cuando cae la primera helada, el poder de la oscuridad y del frío empieza a manifestarse. Luego de los primeros indicios, las señales de la muerte se irán multiplicando gradualmente hasta que llegue el rígido invierno con su hielo. Lo mismo ocurre en la vida. La decadencia surge, al principio sugerida por pequeñas señales, para en seguida crecer hasta la llegada de la disolución final.” 

Se quedó mirando las palabras, sorprendido con la relación que tenían con su vida. ¡Ahora era tan obvio! Oscuridad, frío, rigidez, decadencia… los primeros indicios… las señales de la muerte… No podrían haber palabras más exactas para resumir lo que le había pasado. Y él simplemente no había captado el mensaje. ¿Cómo podía ser tan ciego?

Durante semanas pensó sobre aquél mensaje del I Ching y su relación con las ideas que últimamente tenía sobre el tiempo. ¿Qué habría ocurrido, él se preguntaba, si el hubiera captado aquél mensaje la primera vez que lo leyó? Seguramente habría alterado su futuro y, así, aquél futuro doloroso que él posteriormente vivió no existiría. Pero existió, ocurrió. Entonces, si hubiera captado el mensaje, habría alterado un futuro que ya pasó, o sea, habría alterado lo que ahora era pasado.

– Caramba… Es posible alterar el futuro – concluyó Luca, espantado con el descubrimiento. – Y también el pasado.

*      *     *

Aquella mañana nubosa había pocas gaviotas jugando en el cielo de Tibau del Sur. Bajo el techo de paja de un bar al borde del despeñadero de la playa, Luca respiraba el olor del mar y miraba un barco anclado… Nueve meses. Aquél día cumplía exactamente nueve meses de haber salido del coma.  Luca se rio, recordando la noche anterior en el Papirar, Charles diciéndole que él estaba naciendo…

Fue en ese momento, como un anhelo, que la canción quiso salir. No solamente quería, ella necesitaba salir. Rápidamente, él agarró la guitarra y… la música salió, resbalando por los dedos y por la boca como si ya estuviera pronta en algún lugar adentro de él.

El viento en el cabello
El polvo en la carretera
Trasnochar en esa posada
Mañana temprano seguir
La vida es una carona incierta
Pero siempre me lleva
Adónde yo necesito ir

– Música bonita… ¿Es nueva?

Aquella voz…

– Acaba de salir – él respondió, parando de tocar.

Ella se sentó a su lado, mirando al inmenso mar adelante, el barco anclado… Él se dio vuelta despacio, mirándola de perfil: ella estaba tan hermosa… Más hermosa aún que en sus sueños.

– ¿Ésto es un sueño? – él preguntó.

El olor de su cabello lo hacía sentirse liviano…

– ¿Y qué no es sueño, Luca?

– ¿De adónde vienes?

– De la posada de doña Zezé. Ella dijo que yo te encontraría acá.

Luca se rio. Una gaviota pasó bien cerca.

– Vos estás preciosa.

– Y vos como estás bárbaro, con una cara saludable…

– ¿Cómo ha sido el viaje?

– Fue increíble, quedé un año viajando. Ahora quiero parar un tiempo.

‒ ¿En San Pablo?

‒ O acá…

Ella se sonrió, mirando al mar. Y él se sonrió también.

– Por hablar en eso, ¿ya has encontrado una definición para el Tao?

– Ah… – Ella se rio, recordando una conversación antigua.  – Sí, finalmente la encontré.

– ¿En serio? Entonces dime.

– El Tao es la tal cosa y Tao.

Ellos se rieron, y de repente era como si aún estuvieran charlando aquella tarde lluviosa en el restaurante de doña Zezé.

– ¿Tuve un accidente, te has enterado?

– No. ¿Cuándo?

Él le contó sobre el accidente, el coma y su recuperación. Isadora escuchaba impresionada. Él contó también sobre Bebel.

– Yo he fallado, Isadora… No he sabido cuidarla.

– Vos has hecho lo que pudiste. – Ella lo consoló mientras se secaba las propias lágrimas.

Luca la tomó en sus brazos, y de repente nunca en ningún tiempo se habían separado. De repente no había pasado más que un año desde el último encuentro. De repente la vida retomaba su curso, naturalmente, fluyendo como debería fluir, río que desciende hacia el mar…

– ¿Por qué has vuelto hasta acá, Luca?

Él se sacó del bolsillo una concha.

– Ella me susurró que yo necesitaba completar mi misión.

– ¿Misión?

– Volver a vos.

Ella se sonrió y él completó:

– Como debería haber hecho hace cuatrocientos años.

Ella lo miró sorprendida.

– ¡¿Entonces vos… has recordado?!

– Sí.

– ¡No puedo creerlo! Cuéntame, quiero saber como fue.

– Fue durante el coma. Pero no creo que recordar sea la expresión correcta.

– ¿Por qué?

– Sabes… ando pensando unas cosas sobre el tiempo, la noción del yo… Quizás yo no haya sido Enrique.

– ¿Cómo así?

– Quizás todos hayan sido Enrique. Y quizás aquél tiempo aún esté ocurriendo. Es una alternativa a la teoría de la reencarnación, algo más profundo y mucho más loco.

– Hummm… La multidimensionalidad de la existencia.

– ¡Exactamente!

– Que coincidencia, Luca… Hace unos días leí algo sobre eso y quedé bastante curiosa. Me parece que tenemos millones de cosas para charlar.

– Sí. Pero por ahora quiero solamente que me perdones. ¿Vos me perdonas?

– ¿Por qué?

– Por haber huido.

– Solamente si vos me perdonas por haberte abandonado en un momento tan difícil.

Ellos rieron juntos. Nada de aquello importaba más.

– Vos me has libertado, Isadora. Y yo ni sabía cuan preso estaba.

– Tuve tanto miedo de haberte perdido para siempre, Luca… Pero yo sabía que vos estabas en tu propio tiempo, yo tenía que confiar en la vida.

Los ojos de Isadora… Él notó que la insania seguía allá, bella y encantadora, un abismo color de miel susurrando su nombre. Pero ahora no tenía más miedo.

– Creo que podemos ahora ajustar nuestros relojes, Isadora.

Él la tironeó y la besó. Era como si el gusto de Isadora jamás hubiese abandonado su boca. Y por un instante el tiempo paró, lo suficiente para que el pasado, el presente y el futuro se alinearan al ritmo exacto de los latidos de sus corazones.

Él abrió los ojos. Ella lo miraba a él con una expresión de espanto.

– Isadora… yo ya he vivido eso antes…

Ellos se miraron, la mirada vaga, como si no estuvieran allí. Como si buscaran algo perdido en la memoria del tiempo.

– Yo también, Luca…

– Un déjà-vu

– Pero… ¿nosotros dos al mismo tiempo?

– ¿Eso es posible?

– Nosotros ya hemos vivido… eso antes…

Él la abrazó y así se dejó estar, muy junto a ella, íntegramente abarcado por la sensación de ya haber vivido aquello antes… Cerró los ojos y trató de recordar cuando había vivido aquella misma situación, pero todo lo que le vino fue la sensación de estar girando, girando… Era como si estuviera en un círculo, girando, siempre pasando por aquél mismo lugar… girando en un círculo, siempre pasando por el mismo punto, siempre…

El mismo punto, sí, pero en otro nivel – él súbitamente entendió. ¡Otro nivel! Porque de hecho no estaba en un círculo, pero en una espiral. Sí, una espiral, en la cual el tiempo está siempre girando y retornando al mismo lugar para ser de nuevo, sí, para ser eternamente de nuevo… pero en otro nivel, de otro modo. ¡De otro modo!

– ¿Qué ha pasado? – ella preguntó.

– No lo sé, un mareo…

– Hace días que estás raro.

Él la tironeó por la mano y empezó a correr.

– Vamos a salir de acá… ¡Rápido!

– Pero…

– Ven. Por aquí.

– ¿Has enloquecido?

– Debería haber enloquecido hace mucho tiempo.

– ¿Y el viaje?

– No iré más.

– ¡¿No?!

– Habla bajo. Es secreto.

Él siguió tironeándola por la mano, corriendo por entre la niebla del muelle.

– Pero… ¿Por qué has desistido de ir?

– Porque mi lugar es junto a tí.

– Pero… nosotros nos encontraríamos en seguida.

– No, no nos encontraríamos.

– ¿Cómo así?

– Yo te explicaré después. Vamos, de prisa.

– ¿Y la Compañía?

– ¡Al rayo que la parta la Compañía!

– ¡Ah, no! – Ella estancó el paso, soltándole la mano. – Explícame de una vez ese cambio de idea.

Él paró más adelante, sin aliento, y volvió. La tomó por los hombros y le dijo bajito:

– Existe una manera más segura de que lleguemos a Brasil. Pero te lo explico después, no quiero que me vean…

– ¡No, Enrique! ¡Solamente salgo de aquí después que me expliques!

Él respiró hondo. Miró hacia los costados, preocupado de que lo vieran allí. Allá atrás, entre la leve y densa niebla que había, el navío seguía anclado en el muelle, meneándose con las olas, los marineros subiendo las velas. Luego darían por su ausencia.

– No lo sé, Catarina… Ocurrió algo en aquél momento… De un momento a otro yo…

Mientras él buscaba las palabras, ella lo miró bien a los ojos y de repente le llegaron recuerdos de un tiempo extraño que nunca hubo, un tiempo de tristeza, de locura y soledad… Un tiempo en el cual la vida daba vueltas en torno de sí misma sin salir del lugar, repitiéndose mil veces como las canciones tristes que las mujeres de su aldea cantaban cuando era niña, canciones sobre una mujer que espera por su amor, un amor bonito que se perdió en el tiempo…

– De repente me vi… no, me acordé de mí… – él seguía tratando de encontrar las palabras. – Yo estaba perdido… nosotros dos separados… No sé explicártelo.

– ¿Estamos juntos ahora? – ella preguntó. – Es solamente eso lo que necesito saber.

– Sí, mi amor… Estamos juntos.

Él la agarró y se besaron. Y aquél beso tuvo un sabor distinto, un sabor irresistible de primera vez. Después se dieron las manos y corrieron hasta desaparecer al fin de la calle. Una nueva vida los esperaba, en una tierra nueva. En un nuevo tiempo.

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El Irresistible Encanto de la Insania

CAPÍTULOS

prólogo – 1 -2 – 3
4 – 5 – 6
7 – 8 – 9
10 – 11 – 12

 


El Irresistible Encanto de la Insania 3

13/05/2020

 

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EL IRRESISTIBLE ENCANTO DE LA INSANIA

Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2015
novela – traducción: Felipe Obrer

Luca es un músico, obsesionado por el control de la vida, que se involucra con Isadora, una viajante taoísta que asegura que él es la reencarnación de su maestro y amante del siglo 16. Él comienza una aventura rara en la cual desaparecen los límites entre sanidad y locura, real e imaginário y, por fin, descubre que para merecer a la mujer que ama tendrá antes que saber quién en realidad es él mismo.

En esta insólita historia de amor, que ocurre simultáneamente en la España de 1500 y en el Brasil del siglo 21, los déjà-vu (sensación de ya haber vivido determinada situación) son portales del tiempo a través de los cuales tenemos contacto con otras vidas.

Blues, sexo y whiskys dobles. Sueños, experiencias místicas y órdenes secretos. Esta novela ejercita, en una historia divertida y emocionante, posibilidades intrigadoras del tiempo, de la vida y de lo que puede ser el “yo”.

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CAPÍTULO 7

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El Papalegua estaba casi cerrando. Las sillas ya reposaban patas arriba sobre las mesas y los últimos resistentes de la noche pagaban sus cuentas en el cajero. Junior Rível recibió del barman los dos vasos con whisky y puso uno de ellos sobre la barra, bien adelante del amigo. Y le dio una palmada en la espalda.

– Esta es por mi cuenta. Toma ahí, ciudadano.

Luca afirmó el vaso y movió las piedras de hielo por un largo tiempo, la mirada vaga y sin brillo.

– Hace dos semanas que estás con esa cara de entierro. Nunca te he visto así por ninguna mujer.

Luca tomó un trago y puso el vaso de vuelta en la barra. Tenía el semblante cansado y bajoneado.

– ¿Te gusta de verdad la taoísta, no?

– Me gusta.

– ¿Pero vos no decías que ella era loca?

– Y lo es.

– ¿Realmente no tienes cómo hablar con ella?

– Ella está sin móvil. Y ni siquiera accede a Internet.

– ¿E adónde ella está ahora?

– Yo qué sé, en alguna playa por ahí.

– Tal vez haya sido mejor de esa manera, Luca. Piénsalo derecho, esa historia jamás resultaría bien, ustedes viviendo tan lejos uno del otro…

– Yo la llamé, pero ella no quiso venir a vivir conmigo.

– Evidente, ella tiene su vida allá en San Pablo.

– No, no fue por eso.

– ¿Y por qué fue?

Luca tomó un trago más, el líquido ardiente lastimando su garganta, el dolor helado reverberando en el fondo del alma…

– Fue debido a la mierda de un abismo.

– ¿Qué abismo?

– Tampoco lo sé.

– ¿Cómo así no lo sabes?

– No lo sé. Es más, ese es el problema, hermano, no sé de más nada. Me siento como si estuviera solo en una selva oscura, totalmente perdido.

Junior miró al amigo y se rió.

– ¿Ah, es eso? Entonces no te preocupes porque en seguida alguna otra mina te encontrará.

– No quiero a ninguna mina. Quiero a Isadora.

– ¡Pero vos has mandado a la chica que se fuera! No has ido ni siquiera a dejar a la pobre en la estación. Además, acá entre nosotros, eso no fue nada lindo.

– Es lo que te digo. Yo no sé más quien soy. No soy más quien yo pensaba que era. Esa historia con Isadora me volvió un tipo celoso, inseguro. De repente me vi siendo grosero y agresivo, sin conseguir controlarme, mira que mierda.

– Sí, de hecho andas medio enojado últimamente.

– ¿Lo ves? Yo no soy así, hermano, vos me conoces. Quiero decir, siempre me pareció que no fuera así. Pero quizás yo sea, y es solo ahora que me doy cuenta.

– Vos eres un tipo buena onda, siempre has sido.

– No, no soy. Un tipo buena onda no hace lo que yo hice. No tiene con una mujer la conducta que yo tuve, más aún si la quiere. Simplemente ya no sé si creo más en lo que siempre he creído sobre mí. Está todo fuera de lugar, hermano, todo.

Él miró adentro del vaso y por un momento se sintió rodar con los hielos, girando en aquél remolino, girando, siempre pasando por el mismo punto, siempre…

– Creo que me he perdido de mí.

– Es una etapa, va a pasar. Concéntrate en tu vida que en seguida todo estará bien.

– ¿Mi vida? Yo no sé más lo que es la vida, Junior. ¿Yo siempre lo supe, no? Siempre fui el poeta de la banda, el tipo que explicaba todo por la poesía. Yo tenía todas las respuestas, ¿no? Pues ahora no las tengo más. No sé más de nada.

Luca se volcó el resto de whisky y le pidió al barman que cogiera una botella llena para llevársela a casa. Y que apuntara para sustraer del caché del próximo show.

– No hagas eso, ciudadano. Vos ya estás con dos cachets colgados.

– Uno más no cambia nada.

Luca recibió la botella de whisky del barman y firmó el papel.

– Me voy, hermano – él dijo, apretándole la mano al amigo. – Gracias por la gauchada.

– Mañana hay ensayo. No vayas a faltar otra vez.

– Lo prometo.

– ¿Y no quedes cerca de ventanas, ok?

Luca se rió con la ironía.

– Quédate tranquilo.

‒ Ni de cuchillos, láminas, esas cosas.

‒ Soy demasiado cobarde para matarme. Eso por lo menos sé que soy, un cobarde.

En casa, se acostó en el sillón con la botella de whisky al lado. Llenó un vaso y quedó toqueteando la guitarra, paseando sin rumbo por melodías melancólicas. Y dormitó antes de terminar la primera dosis.

Abre la ventana de la habitación
Allá afuera en el medio de la calle brilla un letrero
El cartel de nuestro amor es rojo
Entonces siente, viaja, vuela en este tono
Ha sido para vos, dulce mío, que yo compuse
Este blues de luz neón

*     *     *

Una semana después Luca supo que Bebel había recibido una tarjeta postal de Isadora. Él imploró para verla y Bebel se la mostró. Luca leyó con voracidad, como si sintiera hambre de aquellas palabras. En la tarjeta Isadora contaba que estaba en Icaraí de Amontada, playa de la costa oeste, a medio camino de Jericoacoara. Decía que el viaje seguía tranquilo y que las playas de aquella parte era aún más lindas. Y que esperaba que ella estuviera bien. Besos, me encantó conocerte, te echo de menos. Y era eso. Nada más que eso.

Luca leyó otra vez y otra más. No había realmente nada sobre él, ninguna mención, absolutamente nada. Era como si él no existiera. Como si nunca hubiera existido.

– ¿Vos querrías que ella estuviera aquí, no? – le preguntó Bebel, notando su sufrimiento.

Él no le respondió. Solamente le devolvió la tarjeta y se fue.

De noche, en casa, se revolcaba en la cama sin conseguir dormirse. Todo lo que quería era reencontrar a Isadora. Necesitaba decirle cuan estúpido había sido y que estaba arrepentido. Y que ardía de nostalgia. Y que ella era la mujer de su vida. Y que no sabía cómo viviría sin ella. Solo necesitaba encontrarla de nuevo, y nada más.

Cuando la madrugada ya seguía alta, él decidió: saldría el sábado por la mañana. Trataría de encontrarla en Icaraí de Amontada, quizás aún estuviese por allá. Nada aseguraba que esa locura resultaría bien, pero si en Uruaú había conseguido encontrarla, ésta vez tendría que conseguir también.

– Un voto de confianza a la vida – se dijo a sí mismo. – Como vos misma dirías, Isadora.

El sábado se despertó antes del amanecer y poco después ya seguía en alta velocidad por la ruta rumbo a la costa oeste, necesitaba llegar lo más rápido posible. En dado momento se dio cuenta de que alto estaba mal, el coche tironeaba hacia un lado… Paró en al margen, bajó y vio la causa: rueda pinchada. Cuando abrió el valijero constató que el repuesto estaba también agujereado. ¡Mierda, que mierda, que mierda!, insultó, mirando sin conformarse hacia las dos ruedas desinfladas.

Trató de mantenerse calmo y optimista. Confiar en la vida. Entonces colocó Led Zeppelin a tocar en el aparato de música del coche y se colocó más adelante, la mirada en el horizonte de la ruta. Y de repente atinó al absurdo de la situación: intentando hacer dedo en una ruta desierta para llegar a la estación de servicio más cercana para arreglar la rueda y entonces seguir viaje hacia una playa… en la cual Isadora quizás ya no estuviera más. Debía ser a eso que llamaban blues.

La rueda pinchada retrasó bastante el viaje y lo hizo llegar a Icaraí de Amontada solamente por la noche. Al tercer intento localizó la posada en la cual onde Isadora había comido algunas veces, pero la gerente le informó que ella no estaba más allá, que había salido cinco días antes hacia Jericoacoara. Luca sintió el desánimo pesarle sobre los hombros. ¿Y ahora? Pensó un poco y le dijo a la gerente que se quedaría, saldría temprano por la mañana.

– Amar es un peligro, doña. Un peligro.

Después de la ducha, comió algo y se acomodó en una hamaca en la terraza de la posada, el cielo estrellado haciéndole recordar Tibau del Sur. El sonido del mar bien cercano lo distendía, pero él se sentía solo y desamparado. Cuando la nostalgia de Isadora se volvió insoportable, se levantó y fue a dar una vuelta por la playa desierta, de la cual volvió solamente cuando las primeras luces del domingo surgían en el cielo.

El domingo de mañana dejó el volkswagen en Jijoca y embarcó en la trasera de la camioneta que durante una hora conduciría a los turistas por el trecho de médanos y lagunas hasta Jericoacoara. Era un paisaje lindo, aún no contaminado por el progreso, pero Luca no lo veía: mientras el vehículo seguía, él se frotaba las manos, ansioso, además de hinchar para que Isadora aún estuviera por allá. Tenía que estar. Diez minutos ya valdrían la pena.

Finalmente en Jericoacoara, salió de posada en posada preguntando por Isadora. La buscó también en los campings. Y nada, ninguna información sobre ella. En las calles y cajellones tenía la sensación de que a cualquier momento ella surgiría adelante de él – pero nunca era ella. Buscó por la playa, en la laguna, en la piedra con un hueco, por los médanos… Nada.

La noche del domingo llegó y Luca no se conformaba. Ni siquiera se había dado una zambullida en el mar. Intentó comer algo, pero tragó sin gusto. Se sentía agotado y derrotado. En ese momento, de repente, se dio el estallido y él notó el papel ridículo que había hecho: Isadora no lo quería más, ella lo había abandonado. Sí, era eso. En realidad, él ya lo sabía, pero había hecho de cuenta que no. Todo su esfuerzo por encontrarla, por mayor que fuera, sería en vano. Probablemente en aquél momento ella ya estaba con otro tipo, contando historias disparatadas de vidas pasadas, dividiendo con él su tienda… Papel ridículo – era el que había hecho él.

Volvió para Fortaleza enteramente consumido por la frustración y por la rabia. Llegó a casa el lunes por la mañana casi sin fuerzas y cargando un resfrío que al día siguiente se volvió una gripe fuerte y lo hizo faltar al trabajo por dos días. Y aún lo hizo echar a perder un show.

Confiar en la vida. Pues sí.

*     *     *

Luca retomó el viejo ritmo, las noches sin fin, los bares llenos de mujeres. Si Isadora no lo quería más, ¿por qué guardarse para ella? ¿Por qué tener esperanzas? Inútil. Inútil como aquél viaje desatinado por las playas en búsqueda de una ilusión.

El mundo de los bares y de los shows tenía un ritmo alucinante, pero era seguro. El empleo de gerente de gráfica era sin gracia y tedioso, pero era seguro. Y llenarse de relaciones superficiales podría incluso amplificar la soledad… pero era mucho más seguro que arriesgarse involucrándose sentimentalmente para al fin tener solamente decepción y sufrimiento.

Era en el bar en el cual Bebel trabajaba como moza que él iba a confesarse. Charlaban y al fin él la dejaba en  casa. Una noche, en su coche, se dieron un beso y en ese momento él recordó… ¡El futuro de Isadora! Interrumpió el beso y mientras Bebel recostaba la cabeza en su pecho él recordó el futuro imaginado por Isadora, en el cual él quedaba con Bebel después que ella se iba. Por una parte, él realmente quería estar con Bebel, ella le hacía mucho bien, pero actuar así sería cumplir lo que la otra había antevisto y eso sonaba como una derrota. Darle la razón a Isadora – no podía hacer eso. Pero por otra parte, ir contra su deseo y evitar a Bebel solamente para no darle la razón a Isadora era… absurdo. Quizás Isadora quisiera exactamente eso, la muy viva. ¿Y ahora? ¿Cómo escaparse de ese dilema?

Pues sí, se quedaría con Bebel, él decidió. Y que Isadora se fuera a la mierda, ella y su futuro.

– ¿Luca, vos siempre has sido tenso así? – Bebel le preguntó una noche, antes de que se durmieran.

– Cada uno juega con las armas que tiene – él respondió secamente, buscando el sueño, buscando no pensar.

Los últimos días él tenía la sensación de que algo quería salir de adentro de él, un bicho peligroso y enjaulado. Recodaba una escena de Aliens, en la cual la criatura irrumpe de adentro del cuerpo del astronauta…

Felizmente había la banda, que ahora tenía empresario, y los shows estaban cada vez más llenos. Había siempre la noche, la próxima música, la dosis a continuación. Y mujeres que lo deseaban a él, y no a una encarnación del pasado.

Y ahora estaba Bebel, que siempre lo recibía con cariño y nostalgia, aún cuando se habían encontrado la noche anterior. Ella no exigía nada, no cobraba nada, solamente lo quería a él. Cada vez más era en brazos de Bebel que él buscaba con desesperación olvidarse quien era.

– ¿Isadora no te ha enviado más tarjetas? – él preguntó un día, tres meses después de aquél día en que había leído la tarjeta. Preguntó simulando desinterés.

– No. ¿A vos tampoco?

– Ella no me escribirá nunca más, Bebel. Y es mejor que así sea.

– ¿Si ella me escribe, debo contarle sobre nosotros dos?

– Conviene que ella sepa.

Bebel lo miró y en su mirada Luca pudo leer la pregunta silenciosa: ¿Vos aún la quieres mucho, no?

No era una pregunta agresiva, al revés. Ella parecía decir, sin una sola palabra y con sus modos dulces, que lo sabía todo y lo comprendía. ¿O no? ¿O él ya se estaba imaginando cosas y colocando palabras en la mirada de ?

Con miedo de que sus ojos respondieran por si solos a la pregunta silenciosa que no quería callar, él rápidamente desvió la mirada. Y por algunos segundos se quedó mirando el techo de la habitación. Cuando volvió, la pregunta no estaba más allá. En su lugar, estaba la mirada nítida de una mujer que lo aceptaba.

– Bésame, Luca.

Y él obedeció, pidiendo en su íntimo que sus labios le hiciesen olvidar por algunos momentos que él no la merecía.

*     *     *

Entonces vinieron los accidentes… Al principio fueron pequeños contratiempos caseros, cosas bobas como resbalar en el baño y quemarse en la cocina. Después los accidentes se fueron poniendo más serios. Un día no notó el agujero en la acera y cayó, lastimándose el hueso del pie. Otra noche fue bastante peor: para ahorrar la entrada de una fiesta, intentó saltar el muro de la casa pero erró el cálculo y metió las manos en los clavos. Resultado del ahorro: dos dedos con las puntas colgadas, hospital, puntos externos e internos. Y un mes sin poder tocar.

– ¿Luca, será que vos no estás tomando demasiado?

– Caramba, Bebel – él reclamó, enojado. – ¿Perorata a esta hora de la noche?

– Estoy preocupada con vos, todos esos accidentes… – ella dijo, acariciándole la cicatriz en su cara.

– Es maldición de bruja. Va a pasar.

Yo solo quería que vos supieras
Que mis noches son tan solitarias
Y mi corazón es tan viejo sin vos
Yo me sirvo una dosis más al fin
Yo miro a la ciudad
Desde la ventana solamente la ciudad sabe de mí..

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CAPÍTULO 8

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Aquél mes la Bluz Neón participó en un festival en Recife y fue alabada en los medios de comunicación. Periódicos y revistas publicaron material sobre los muchachos del blues de Fortaleza, subrayando la calidad técnica, la mezcla de ritmos y la capacidad de interacción con el público. Participaron en un importante programa de televisión y recibieron más invitaciones para presentaciones. La banda estaba cada día más conocida y se volvía más prestigiosa.

Días después el empresario anunció: había conseguido una buena auspicia y prontamente empezarían a grabar el CD, ahora un disco de buena calidad, en un estudio de primera. Aquella misma noche ellos salieron del ensayo, compraron un Jack Daniel’s y fueron todos a festejar en una vieja estación de tren desactivada en el centro de la ciudad. Sentados sobre los rieles, se emborracharon y tocaron los blues predilectos, aullando emocionados a la luna. Ebrios y solemnes, brindaron a todos los que consiguieron recordar y saludaron al futuro promisorio.

Luca, aún así, vivía el dilema de una terrible encrucijada. Las puertas se abrían para la banda pero, por otra parte, su empleo impedía que viajaran más e hicieran más shows. Tres años antes la banda había surgido como una diversión de fin de semana y ahora la cosa empezaba a ponerse demasiado seria. Era hora de tomar una decisión, él sabía. Un futuro vinculado a la música se desvelaba, tendría que estar disponible para viajes y compromisos, tendría que dedicarse aún más. Todos ellos habían soñado con aquello y ahora estaba ocurriendo. Pero dejar el empleo a un lado era un riesgo muy grande. No le gustaba, es verdad, pero era una seguridad, era un dinero asegurado con el cual podía contar todos los meses.

No consiguió decidirse. Postergó la respuesta una vez y después otra y siguió postergando la decisión por la cual el resto de la banda anhelaba. Junior lo estimulaba a apostar sus fichas en la banda, un gran futuro los esperaba, ellos estarían juntos, la banda los necesitaba a los dos. La madre, doña Gloria, le pedía prudencia, que analizara toda la situación con mucha calma. Días y días inmerso en el dilema, la presión de ambos lados, cada lado con otros dos lados para evaluar…

Primero Isadora pidiéndole que soltara sus seguridades para seguir con ella. Y ahora su banda, que exigía que el dejara a un lado la seguridad de su empleo. Dejar a un lado las seguridades para vivir de música… La vida parecía estar jugando a traerle las peores decisiones posibles. Y él no conseguía decidirse. No sabía más lo que realmente quería. No sabía más quien era él en medio de todas sus contradicciones, molestándolo cada vez más. No sabía de nada más.

Entonces una noche, saliendo del bar con Bebel, él no encontró su volkswagen: el coche había sido hurtado. Quedó completamente desesperado, no podía creerlo. Denunció el robo, puso aviso en el periódico, buscó en la chatarrería, pero nada, no obtuvo ninguna noticia. El coche infelizmente no tenía seguro.

Fue un golpe cruel. Tres meses antes casi había perdido los dedos en un accidente bobo. Ahora perdía el coche y no tenía condiciones de comprar otro. Y la necesidad de tomar una decisión en cuanto a su futuro en la banda era una presión constante. Para colmo ahora vivía engripado, lo que lo perjudicaba bastante para cumplir su papel en los shows.

Días después, sorpresa: Isadora llamó por teléfono. Luca atendió y, al escuchar su voz, no supo qué hacer. Pensó en colgar, pero se sentó en el sillón, nervioso.

– Hola, Isadora – él respondió, intentando no demostrar la emoción que sentía. Hacía seis meses que ella lo había abandonado. Seis meses que él luchaba a diario para olvidarla.

Ella dijo que estaba en San Pablo y quería saber cómo estaba él. Él tuvo ganas de contar sobre todas las dificultades que pasaba, pero de repente entendió que ella de alguna forma ya lo sabía.

– Aquí está todo, ah, bajo control– él respondió. – ¿Y vos?

– Luca, solo llamé para decir que estoy de salida. Viajaré otra vez.

– ¿Hacia adónde?

– Aún no he decidido. Pero salgo la semana que viene.

Él sentía que las entrelíneas de aquellas frases le decían algo más.

– Vos… ¿Me estás invitando? – él preguntó. Y de súbito se dio cuenta de que no sabía la respuesta que quería oír.

– Estoy solamente diciendo que viajaré, Luca. Y no sé cuando vuelvo.

Él recordó aquella noche en la fiesta: estamos juntosSintió en el aire la importancia del momento, el clima tenso de decisión. Dejar todo a un lado y seguir con Isadora… En medio al silencio incómodo, él intentó pasar en su mente todos los detalles que involucraban una decisión como aquella, el empleo en la gráfica, el buen momento de la banda, la grabación del CD, Bebel…

– ¿Cómo te revolverás? – preguntó. Pero en seguida adivinó la respuesta.

– ¿Siempre se encuentra la vuelta, no?

Pensó en preguntar si ella había ahorrado suficiente dinero, pero sería apenas otra pregunta idiota. Parecía querer disuadirla debido al heco de que él mismo no tenía el mismo coraje. ¿Por qué no le decía a ella que sí? Recordó la noche en que Sonita surgió en el camerino después del show, ella y sus botas negras. Sentía ahora la misma sensación, todo un futuro dependiendo de lo que eligiese en el próximo segundo, toda su vida dependiendo de su decisión…

– Buena suerte, Isadora.

– Para vos también, Luca.

¿Por qué no le decía que sí?

– ¿Cómo anda Bebel?

Él no esperaba por aquella pregunta. ¿Ella sabía que estaban juntos? ¿O le estaba tirando una carnada?

– ¿Quien?

– Bebel. ¿Ella está bien?

Con aquella pregunta ella quizás quisiera volver oficial, sin decirlo abiertamente, su aprobación a la unión de los dos, mostrar que aceptaba, que no pensaría mal de ellos. Con eso cerraba la puerta y tiraba la llave a la basura. De una buena vez.

– Ella está muy bien.

– Dile que le mandé un beso.

Sentía el corazón agobiado… Quizás estuviera perdiendo en aquél momento, para siempre, a la mujer de su vida. ¿Por qué entonces no reaccionaba? ¿Por qué no abandonaba del todo aquella inercia y decía finalmente que sí, que dejaría a un lado sus seguridades, que se marcharía con ella y vivirían plenamente la gran locura de aquél amor?

– Chau, Luca.

Él cerró los ojos como si en la oscuridad pudiera ver una salida. Pero fue tomado por la angustiosa sensación de estar cayendo, cayendo… Abrió los ojos y se afirmó en el sillón. No podía abandonar todo.

– No puedo…

Él escuchó el ruido del término de la llamada y tragó en seco. Quedó allí, sentado en el sillón, el teléfono al oído, su voz aún haciendo eco como un grito desapareciendo en el abismo.

No puedo… no puedo…

Ella se levantó temprano y se marchó
Fue a buscar un sueño más grande
Dejó un beso de nostalgia
Y esa ciudad a mi alrededor

*      *     *

Era noche de ensayo. Luca se cambió de ropa, se miró en el espejo partido del baño y la imagen reflejada le mostró una cara hinchada, la mirada cansada, ojeras profundas… Tuvo ganas de dar piñazos al espejo. Necesitaba calmarse, andaba cada vez más iracundo. Fue a la cocina, cogió la botella de whisky y vertió una dosis en el vaso. Tomó de un solo trago, agarró la mochila y salió para tomar el autobús hacia el estudio. En el camino pasó en la farmacia para comprar un remedio, hacía días que estaba con un dolor de cabeza insoportable.

Al fin del ensayo Bebel apareció de sorpresa. Estaba un tanto ansiosa y dijo que quería charlar. Él se despidió de los amigos y salió con ella hacia la pequeña plaza al lado. Se sentaron en un banco y fue allá que ella le dio la pésima noticia: estaba embarazada.

– Perdona, Luca… – Ella tartamudeaba, nerviosa. – No sé cómo fue a pasar, yo tuve cuidado, te lo juro…

Él no pudo creer en lo que oía.

– Eso no puede ser verdad, Bebel.

No podía ser. Bebel a la espera de un hijo suyo. No era posible. Ella explicaba: examen positivo, más de dos meses de embarazo…

Él se levantó, tironeó a Bebel por el brazo y la llevó hacia un rincón más alejado. La recostó en un árbol y, con el dedo em riste, dijo que no sabía si el bebé era de hecho suyo y que si fuera, la culpa entonces le cabía a ella que no había tomado precauciones. Que se revolviera, pues él no tenía nada que ver con aquella irresponsabilidad, ya tenía demasiados problemas para solucionar.

Bebel trató de explicar que en aquellos últimos meses él había sido su único hombre, pero en seguida se derrumbó en un llanto intenso y no consiguió decir nada más. Ella intentó abrazarlo pero Luca la rechazó, se dio vuelta y salió. Y fue a tomar el autobús en la otra calle.

En casa, él no consiguió dormirse. La vida ya estaba jugando demasiado duro. De toda parte aparecían agujeros en el barco y él no tenía manos suficientes para taparlos. Hacía un mes que el empresario y los compañeros lo presionaban por una decisión y él simplemente no conseguía decidirse. Su coche había sido hurtado y él, de un instante a otro, se había visto privado del único patrimonio que poseía. No conseguía concentrarse derecho en el trabajo e incluso había sido advertido gravemente por su jefe. La mujer que amaba se había ido y ahora Bebel esperaba a un hijo suyo. Un hijo suyo. Parecía irreal. La vida se había vuelto una pesadilla de la cual no se podía despertar.

Fue a encontrar a Bebel en el bar la noche siguiente. Esperó que ella terminara la función y la llevó a su departamento. Y se disculpó por lo que había hecho, estaba arrepentido. Bebel lo abrazó y lloró en sus brazos.

– ¿Y el embarazo? ¿Vamos a interrumpirlo, no es verdad? – él preguntó.

Ella solamente lloraba, aferrada a su pescuezo.

– ¡Bebel, nosotros no podemos criar a ese niño! – Él se descontrolaba y ella empezaba a llorar. Él respiraba hondo.  – Bebel, escucha, por favor. ¿Fue un accidente, has entendido? Ese niño no es bienvenido.

– ¡Para mí es bienvenido, sí!

Listo, todo perdido, ella quería al niño.

– Bebel, yo no tengo la mínima condición de criar a un bebé ahora. – Él se esforzaba para no atropellar las palabras. Las ganas eran de gritar, de golpear. De matar.

– Yo lo crío sola, no necesitas preocuparte.

Definitivamente era una pesadilla. Y de las peores. El mundo entero desmoronaba adentro y afuera de él y, por más que se convulsionara, no conseguía despertarse. Intentó mantenerse controlado. Presentó argumentos, todos los posibles, los más sensatos. Conseguiría dinero prestado y pagaría el aborto.

– Yo sé que vos no has olvidado a Isadora. Pero no me importa. Quiero tener este hijo.

Luca suspiró, rendido. ¿Qué pensaría Isadora? ¿Interpretaría a aquél niño como la jugada final de su parte, una respuesta a su decisión de irse, su contraofensiva? ¿Ella había visto también a aquél niño en el tal futuro?

Mientras Bebel dormía a su lado, él se rascaba la cicatriz en la cara y rumiaba sobre lo que aún le quedaba hacer. Si realmente existiera reencarnación y él de hecho hubiera sido Enrique… entonces aún debía saber lidiar con magia y solucionaría aquél problema muy pronto. Pero no, aquellas cosas solamente existían en la cabeza desquiciada de locos como Isadora. La realidad era distinta, era cruel e insensible.

Y se durmió deseando con todas sus fuerzas que ocurriera algo, cualquier cosa que lo librara de aquella pesadilla absurda. Cualquier cosa. Antes que enloqueciera del todo.

Cuando Bebel cumplió el tercer mes de embarazo, él consiguió el coche prestado de un amigo y la invitó a que pasaran el fin de semana en una playa. A ella le encantó la idea. En la terraza de la casa de playa, el abrió una botella de ron y sacaron fotos de la puesta del sol. Entonces él intentó una vez más convencerla a hacer el aborto. Y una vez más Bebel no aceptó sus argumentos. Ella lo miró y vio sus ojos rojos, la rabia pronta para explotar… Luca agarró el vaso y lo tiró contra la pared, los fragmentos desparramándose por la terraza.

– ¡Ese bebé es una maldición! – él gritó mientras agarraba la botella y salía.

Más tarde él volvió, la botella casi terminada. Paró bamboleante en frente a la puerta de la habitación. En la penumbra vio a Bebel durmiendo en la cama, bajo las sábanas. Entró pisando despacio. Se arrodilló en el piso, al su lado, y con cuidado tironeó la sábana, descubriendo la barriga. Empuñó el cuchillo, cerró los ojos y respiró hondo.

Minutos después, en la terraza, él miró hacia la luna, llorando, y pidió perdón por ser quien era. Pero la luna no lo disculpó. El cuchillo cayó de sus manos, el sonido metálico haciendo eco en el silencio de la noche, y él se arrodilló en el piso, sin fuerzas. Solamente quería desaparecer, solamente eso, desaparecer para siempre…

¿Luca? ¿Luca? La voz vino de algún lugar… Luca, ¿qué pasó? ¿Qué cuchillo es ese? ¿Vos estás bien? Su voz, una tortura, cuchillo rompiendo el corazón, cortando todo por adentro, dilacerando el alma…

Bebel se sentó a su lado, lo abrazó y lloró con él. Después lo llevó para adentro y lo acostó en la cama.

– Yo soy un fracaso, Bebel… – él murmuró antes de dormirse. – No te merezco.

– Duerme, precioso. Mañana será un nuevo día.

*      *     *

El domingo él se despertó pésimo, una resaca horrible. La última cosa que recordaba era una discusión en la terraza, un vaso roto contra la pared. ¿Qué había ocurrido después? Bebel lo tranquilizó, dijo que estaba todo bien. Él pidió disculpas.

– ¿Vos no eres un fracaso, has entendido? – ella dijo, afirmando su cara entre las manos. – Y seremos muy felices. Nosotros tres.

Él la abrazó y cerró los ojos, buscando no pensar. Los pensamientos, a pesar de eso, tenían vida propia. En la barriga de aquella mujer se movía su hijo, o su hija. La idea de ser padre era algo absurdo, pero ya no tenía fuerzas para luchar contra ella. Estaba exhausto como un guerrero que luchaba hacía días, semanas, meses… y que ahora simplemente ya no sabía más por qué luchaba. ¿Contra quién estaba peleando?

Entonces, súbitamente, descubrió que sabía. De repente, allí abrazado a la barriga de Bebel, se dio cuenta de que, sí, él sabía quien era su enemigo. En realidad siempre había sabido, solamente se había engañado durante todo aquél tiempo fingiendo para sí mismo que luchaba contra mil enemigos que a cada día emergían de las tinieblas para atacarlo. No, su enemigo era uno solo y le tendía su trampa todos los días en el espejo partido de su cuarto de baño.

¿Como ganarle al enemigo si el enemigo era él mismo?, se preguntó en pensamiento. ¿Y cómo derrotar a sí mismo si ya no sabía más quién era? Había llegado al fin, sentía eso.  Había llegado al fin de las posibilidades, no había más hacia adonde seguir. Nada más importaba. Era el fin.

En el momento de volver hacia Fortaleza, Luca estaba somnoliento y a Bebel le pareció peligroso que él manejara el coche. Ella exigió la dirección pero él rechazó. Ella entonces insistió y tomó la llave:

– Confía en mí.

Mientras Bebel prendía el coche, él la miró con cariño y pensó en como todo sería distinto si no existiera Isadora. ¿Qué pasaba con las cosas que no llegaban a pasar?

A la entrada de la ciudad Luca estaba distraído, casi durmiendo, y vio solamente una luz fuerte surgiendo súbitamente al lado. Pero fue todo muy rápido, él solamente vio la luz y sintió un inmenso choque. Después todo oscureció.

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CAPÍTULO 9

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La noche era clave. La tan anhelada iniciación. Enrique sabía que no lo aceptarían el el Orden si no fuera capaz de llegar a la galería y enfrentar al enemigo que lo esperaba traicionero en alguna de aquellas tantas sombras. Entonces agarró firme la espada y avanzó hacia el lago oscuro, con cuidado para no resbalar en las piedras húmedas de la cueva.

La prueba de la iniciación era terriblemente peligrosa. Al superarla, los iniciados mostraban que eran bravos lo suficiente para soportar lo que exigiera la defensa del Orden. Era más que peligrosa, era la prueba suprema que alguien podía soportar: la temida confrontación con el Guardián del Conocimiento. Y de esa confrontación solamente salían vivos y sanos – sí, sanos, pues muchos sobrevivían pero volvían de la cueva irremediablemente locos – los que poseían la fuerza necesaria para vencer al terror más íntimo que habita la oscuridad del espíritu de cada uno.

Enrique escuchó un ruido que venía del lago de aguas oscuras y se detuvo, espada en puño. Quedó inmóvil, a la espera, el sudor escurriendo por la cara, el corazón a punto de reventar de miedo y expectativa. Suspendió la respiración. El enemigo estaba bien cerca.

Entonces presintió lo que podría venir. Y en ese momento el pavor más profundo irrumpió del interior de su alma, como gusanos husmeando la tierra. Las piernas se pusieron débiles y súbitamente él se descubrió incapaz de enfrentar lo que se anunciaba en su pensamiento.

Ella surgió. Y él escuchó su sonido aterrador… La naja anduvo a rastras en un movimiento lento y ondulante, y paró justo adelante de él. Era gigantesca. Ihlish, la Guardiana – él supo su nombre apenas la vio. Su sonido era hipnótico, era su propio nombre, Ihlissssshhhh… Ella levantó el cuerpo, subiendo lentamente, subiendo… Enrique vio la inmensa cabeza flotar bien cerca de su cara y el pescuezo inflarse lateralmente. Y entonces la naja abrió la boca, mostrando las presas letales…

Él cayó arrodillado, sin fuerzas, totalmente paralizado por el terror. De repente se dio cuenta de cuán insignificante era frente a aquél animal. Él creía que era fuerte. Juzgaba conocer a las fuerzas de la vida. Pero veía entonces que no era nada, no era absolutamente nada, nada…

La espada resbaló de sus manos y cayó en el suelo, el sonido metálico reverberando por las paredes de la cueva. La serpiente era su guardián personal del Conocimiento y era a ella que debería vencer para proseguir en el Orden. ¿Pero cómo, si estaba paralizado?

La serpiente torció la cabeza hacia atrás y por un segundo él notó que aún era posible escapar, él podía darse por vencido. Sí, él tenía el derecho a recular, todos lo tenían. Se daría por vencido y volvería sin enfrentar aquella pesadilla.

No hubo más tiempo. La serpiente atacó. Y fue tan rápido que cuando él se dio cuenta, estaba siendo tragado mientras gritaba y sacudía las piernas y se contorcía. Primero la cabeza, después el tronco y entonces las piernas. El contacto con el interior de la serpiente lo llenaba de asco, y mientras buscaba desesperadamente respirar, podía escuchar el sonido de sus huesos siendo aplastados. No podía haber peor pesadilla y, asimismo… era real.

Su cuerpo se desplazó entero hacia adentro de la serpiente y él pudo sentir los movimientos que ella hacía para impulsarlo por adentro de sí. De a poco perdió el control sobre el propio cuerpo. Entonces no pudo más respirar, sus órganos ya no le obedecían. Por fin, suspiró.

Cuando despertó, yacía acostado desnudo sobre la superficie de piedra, al margen del lago. Un silencio profundo inundaba la cueva, pero ahora ella ya no parecía tan oscura misteriosa. Se levantó y notó que su cuerpo estaba entero, sin heridas. ¡Estaba vivo! Un poco cansado, sí, pero vivo.

Entendió que había ganado, que había pasado por la gran prueba. Eso era tan increíble que no parecía real. Pero era real sí, y ahora, allá afuera, un nuevo mundo lo esperaba, un mundo que ya no lo derrotaría pues el tenía… el Conocimiento.

Entonces una palabra le vino a la cabeza: Vehdvar. El nombre sonó de un modo mágico, absolutamente sagrado, como si existiera desde siempre. Era su nombre, siempre había sido Vehdvar y solo ahora se daba cuenta de eso. Y él sabía que solamente los más fuertes eran dignos de llevar junto al suyo el nombre sagrado del Guardián. Por esa razón él era a partir de ahora Ihlish Vehdvar, el nombre que él jamás recordaría cuando afuera de la cueva, pero que era solamente suyo y, además de él, solamente Ihlish sabía y podía pronunciarlo.

Sintiendo la solemnidad del momento, Enrique se colocó prostrado  hacia el lago oscuro al fondo del cual dormía la serpiente y tocó el suelo con la cabeza, lleno de reverencia:

Naja Hannah, Naja-Rey

En ese momento las aguas del lago ondularon. Él se preparó para el retorno de la serpiente, pero lo que vio en la superficie fue la imagen de una… mujer. La imagen era difusa, era apenas una cara femenina, que él no conocía… Pero comprendió inmediatamente. Debería encontrar a aquella mujer, dondequiera que ella estuviese, y volverla su discípula. Esta era su próxima misión.

*      *     *

Aquella mañana la feria de Valencia estaba llena como siempre, los mercaderes locales y de otras ciudades con sus productos y su mirada codiciosa volcada a la posibilidad de volver a casa con el bolso tintineando de monedas. Al lado norte de la feria muchachos se presentaban en el tablado con sus espadas de madera y narraban cómo El Cid cayó en una emboscada y luchó bravamente contra siete moros que querían su cabeza. Y contaban cómo El Cid dividía las conquistas de las batallas con sus vasallos para que enriquecieran junto con él, y de como El Cid engañó a los judíos al pagar el préstamo que había pedido, a fin de formar un ejército en el exilio, con un cofre que él aseguraba estar repleto de oro y plata, pero que, en realidad, no contenía más que arena…

Enrique se rió. El Cid era de hecho héroe de aquella gente y ellos no se cansaban de cantar sus hazañas. Pero preferiría, particularmente, que contaran las hazañas menos discretas de Margarita, hermana de Felipe, que de tan ardiente terminó matando al esposo, el príncipe Juan. O de como Juana se arrancaba los cabellos y enloquecía de tantos celos de Felipe y así se había vuelto Juana, la Loca. Las historietas sobre los bastidores de la Corte eran siempre más interesantes que las tramas guerreras del leyendario Cid…

Al día siguiente volvería a Barcelona, adonde tomaría el navío hacia Goa, en India, junto con otros jesuitas. Había ido a Valencia en misión secreta, para ofrecer su apoyo a los amigos judíos-castellanos que planeaban abandonar España e ir para Grecia, adonde ya estaban muchas familias judías expulsadas del país luego de la rendición de Granada – allá podrían seguir libremente su religión y también mantener las tradiciones de Castilla, tierra de sus ancestros. En España, con miedo de la Santa Inquisición, aún se veían obligados a hacerse pasar por cristianos convertidos, siempre desconfiados de los cristianos, que los veían como traidores emboscados y tarde o temprano terminaban inventando cosas.

Se había despedido de los amigos dejándolos bajo los cuidados de un misionero alemán, acostumbrado a capitanear fugas de judíos. Los mares de España estaban infestados de turcos y todo el cuidado era poco. Ellos saldrían hacia Grecia y allá podrían practicar su religión en paz, Dios os mantenga. Por sus favores, había recibido de regalo un antiguo y precioso texto cabalístico que hacía mucho tiempo buscaba, pero que tendría que ocultar muy bien pues ya existía demasiada desconfianza sobre la relación de jesuitas con judíos. Satisfecho con el éxito del plan, había resuelto entonces relajarse y aprovechar un poco de la feria.

¿Y los españoles? ¡Ah, como andaban bajoneados por la derrota de la Invencible Armada frente a Inglaterra! Ya no ostentaban la misma prepotencia de antes, cuando decían ser los salvadores del catolicismo contra la Reforma protestante. ¿Bien hecho!, él pensaba, sintiéndose vengado. Quizás eso sirviera para enfriar la arrogancia de aquél pueblo que reinaba sobre su querido Portugal y se juzgaba dueño del mundo…

Pero, al fin y al cabo, no debía desear mal a sus vecinos españoles. Tenía muchos amigos por allí y, además, Portugal sabría en el momento oportuno reencontrar el camino de su independencia y su gloria.

En el instante en que se divertía escuchando la historia de como los judíos habían raptado a un niñito y, para representar de forma más realista la Pasión del Señor, la clavaron en una cruz, Enrique presintió una presencia… Una sensación de hormigueo se aposó de su mente. Entonces él la vio, del otro lado de la feria. Era ella.

Él se acercó despacio, mientras la muchacha, alegre y displicente, compraba sedas de las Indias. Era cierto que era ella, la mujer cuya cara, años antes en la cueva, Ihlish le había revelado. La mujer que sería su discípula y lo ayudaría a llevar por el mundo el conocimiento secreto del Orden. Tenía que ser ella.

Él la observó atentamente. La belleza juvenil, los cabellos arreglados en un peinado moderno, los ojos curiosos, los modos altivos y llenos de un falso barniz aristocrático… Enrique se sonrió. Las imágenes que Ihlish le había permitido ver en la cueva no la mostraban tan… tan interesante como era en realidad.

Él se acercó un poco más, y ahora casi podía tocarla. El aroma de su cabello hacía con que se sintiera liviano… Y la piel no era tan clara, ¿tendría sangre mora? Las ropas y los modos eran aristocráticos, sí, pero las manos mostraban que su pasado quizás la hubiera obligado a servicios en el campo. Se dio cuenta de que era casada. Y más: que su mirada se demoraba sobre ciertos muchachos el tiempo exacto para no ser flagrada, es verdad, el mismo tiempo de las otras señoras… pero para él era obvio que ella no andaba muy satisfecha en el lecho de su casamiento.

Ella miraba distraída los juglares cuando tuvo una corazonada y se dio vuelta. Y su mirada fue cogida por la suya. Y por un instante el tiempo estancó, lo suficiente para que el pasado, el presente y el futuro se alinearan al ritmo exacto de los latidos de sus corazones.

*      *     *

Desde lejos y desde arriba él avistó las murallas y las torres: era Munique que surgía bien adelante de él, a Este el río Isar desplazándose en la oscuridad de la noche. Un poco más y ya podía ver el par de fosos que circundaba a la ciudad y las torres gemelas de la iglesia de Nuestra Señora, y después las calles tortuosas con sus bodegas y las cervecerías acogiendo las farras de los ebrios. Y, finalmente, el hogar que buscaba.

La casa tenía dos pisos, ventanas con para-pechos salientes y el techo inclinado. Era, como todas, esgrimida entre las demás. Ella estaba allá, él sabía. Y a medida que se acercaba, podía sentir cada vez más fuerte su presencia, cada vez más…

– Mi Enrique… – ella susurró, dormitando en la cama.

– A la hora marcada, mi Catarina… – él respondió, sacándose el sombrero en un gesto galanteador. Y canturreó: – Lo que valen son tus brazos cuando de noche me abrazan…

Él dijo que le gustaría mostrarle un lugar. ¿Qué lugar?, ella quiso saber. Un paraíso, él respondió. Y pidió que ella cerrara los ojos. Ella obedeció, y cuando los abrió, vio lo que sus ojos jamás habían visto. Adelante de sí se desparramaba un escenario increíble: un bosque hecho de ríos de aguas aterciopeladas que se desplazaban como una suave melodía por entre árboles azules. Alrededor brillaban lagos cristalinos y cascadas que soltaban espumas-mariposas transparentes. Catarina se sorprendió con las mariposas que revoloteaban junto a ella, todas medio humanas y juguetonas. Cuando tocó a una de ellas, ella reventó como si fuera una burbuja.

– Pensé que fueran vivas… – ella murmuró, sorprendida.

– Y son. – Él se rio. – Están jugando con usted.

Ella se acostó sobre el césped suave y azul y él se acostó sobre ella. Y ella se sintió la mujer más afortunada del mundo por estar con aquél hombre maravilloso que sabía conducirla a los sueños más hermosos y placenteros que podían existir.

*      *     *

Años antes, cuando desembarcó en Goa por primera vez, después de diez meses viajando por el mar, y puso el pie izquierdo en la tierra, como rezaba la tradición de los marineros catalanes, los monzones de Julio soplaban fuerte, amenizando el fuerte calor hindú. Enrique respiró profundamente el aire de aquel lugar raro y tuvo la intuición de que algo muy importante lo había conducido hasta allí, algo que él aún no sabía qué era, y que, al fin y al cabo, entrar en la Compañía había sido de hecho un buen negocio.

La Compañía de Jesús llevaba a sus divulgadores de evangelio por el mundo, ad majorem Dei gloriam, y Goa, en la costa occidental de India, se había vuelto un importante centro de estudios jesuiticos. Con misioneros oriundos de tantos países, no era difícil entrar en contacto y aprender sobre muchas otras cosas más allá de la materia oficial de la Compañía.

Así fue que conoció a aquellos que lo iniciaron en el Orden del Guardián, una hermandad ocultista, formada por hombres y mujeres de variados credos y nacionalidades y que mantenía una red secreta de informaciones desparramada por varios países, que era usada para influenciar decisiones políticas y religiosas. Sus integrantes se valían de estados especiales de consciencia para obtener visiones y controlar los sueños.

El origen del Orden remontaba a antiguas creencias de los campesinos del Norte de Italia, que decían salir en espíritu durante la noche para cazar brujas. Como eso siempre ocurría al principio de las estaciones, cuando los campesinos ayunaban por tres días, se notó que era la ayuna que propiciaba los tales sueños reales, y así la práctica fue adoptada por los integrantes del Orden en sus ritos de meditación. En un avanzado nivel, la meditación conducía a la cueva y allá ocurría la confrontación con el Guardián del Conocimiento, que se manifestaba en formas distintas según los miedos íntimos de cada uno. A los que salían ganadores de la confrontación, el Guardián otorgaba poderes para que pudieran seguir más profundamente en los misterios. El Orden del Guardián de a poco se distribuyó entre iniciados de varias religiones y fue allí en la India, en Goa, que llegó a la Compañía fundada por Ignacio de Loyola y sedujo a varios de sus jesuitas.

Fue en Goa que Enrique tuvo la visión de la funesta batalla de Alcácer-Quibir y vio al poderoso ejército de los aliados de los turcos de Argel. Fue allá que vio a don Sebastián, rey de Portugal, él y su idiota ilusión de ser un predestinado de Dios, marchando glorioso hacia la trágica derrota. Aún intentó intervenir, pues anteveía allí el fracaso que llevaría al fin del sueño del gran imperio portugués, pero fue inútil. Don Sebastián actuaba como un mentecapto y ni en sus sueños paraba a escuchar los consejos de sus compatriotas. Su triste destino estaba delineado.

De hecho, la muerte del rey había dejado vacío al trono portugués y Felipe II de España lo asumió. Desde entonces Portugal seguía subordinado a los españoles, culpa del rey megalomaníaco. Es verdad que don Sebastián tenía partidarios que defendían un imperio portugués en África, bastante más cercano y económico que en las Indias, pero él, Enrique, sabía por sus visiones que África era una lucha inútil. Pero no lo escucharon. Y ahora, que absurdo, surgían chusmeríosde que don Sebastián estaba vivo, milagrosamente vivo, y volvería a cualquier momento para re-ordenar a su ejército y comandar con valentía la vocación lusitana para la gloria… ¿Bobadas!

Estaban entonces al fin del siglo y aún era una ventaja para las élites comerciantes portuguesas la unión con España, de forma que muchos estuvieron de acuerdo con la subordinación al trono español.

– ¡Son unos interesados!… – Él no se conformaba. – ¡Piensan en sí antes de la patria!

El Guardián del Conocimiento era la entidad que esperaba en su cueva oscura a todos los integrantes del Orden. Los derrotados en la confrontación con el Guardián volvían trastornados y eran invariablemente enviados a hospicios. Actuando así, los iniciados juzgaban estar salvando su secreto, pero algunos, de las honduras de su locura y sufrimiento, emergían a veces gritando cosas que para los médicos no tenían sentido – pero que llevaron desconfianza a las autoridades religiosas. Fue por eso que los iniciados, para prevenirse, pasaron a exterminar a todos los que no volvieran de la confrontación con la sanidad intacta.

Asimismo, ejecutar personas significaba siempre un riesgo, principalmente cuando ocupaban posiciones importantes o eran integrantes de la Iglesia. Y, poco a poco, vinieron a flote algunos enlaces secretos de los iniciados europeos con judíos y también con árabes y paganos. La existencia del Orden estaba amenazada. El brazo implacable de la Santa Inquisición acosaba cada vez más.

*      *     *

Ella llegó y entró apresuradamente en el carruaje. Enrique la recibió con un beso demorado.

– Sigue – ordenó al cochero. Después se volvió hacia ella. – Sácate tu ropa, Catarina, y ponte ésto.

Ella obedeció y se cambió el vestido por el manto negro con capucha. El carruaje siguió por la carretera desierta y oscura durante un largo tiempo y después paró. Él avisó al cochero que seguirían el resto del camino a pie y pidió que esperara, antes del amanecer regresarían. La tomó por la mano y le dijo que ella, a partir de entonces, no podría más hablar hasta que todo terminara. Subieron la colina con cuidado y entonces, allá arriba, la playa surgió, envuelta por la vasta oscuridad de la noche sin luna.

– Ellos están de aquél lado. – Él señaló en dirección a una hoguera lejana. – También trajeron a sus discípulas para que sean iniciadas.

Bajaron la colina y caminaron por la arena de la playa. No había viento. Todo lo que se oía era el ruido suave de las olas. Los demás ya estaban alrededor de la hoguera, de pie, once en total. Ella afirmó su mano con más fuerza, temblando de miedo.

– Quédate tranquila – él susurró, intentando calmarla. – No hay nada que temer.

Ellos se acercaron y ella vio que los otros también llevaban puestos mantos oscuros con capuchas que les ocultaban la cara. Todos los saludaron con un leve movimiento de cabeza y luego bajaron los rostros, concentrados.

La copa le fue servida y ella, así como los demás discípulos, tomó tres veces de la poción amarga. Entonces empezaron a ser proferidas las palabras del principio del ritual y, con ellas, el viento sopló y se avivaron las llamas de la hoguera. Las palabras siguieron siendo proferidas en forma de mantra, alimentando al fuego y protegiéndolo del viento que soplaba cada vez más fuerte.

En seguida Enrique notó que el cuerpo de Catarina oscilaba lentamente hacia adelante y hacia atrás. Vio cuando ella cayó de rodillas y quedó en la arena, en silencio, debruzada y contorciéndose sobre sí misma. De repente ella se levantó y se libró del manto. Y, enteramente desnuda, empezó a bailar, moviendo su cuerpo en movimientos lentos y ondulantes mientras el fuego relucía en sus cabellos y las llamaradas parecían también bailar en la superficie de su cuerpo.

Sorprendidos por la súbita visión del cuerpo desnudo de Catarina, los hombres y las mujeres presentes no hicieron nada más que mirar y admirar. Enrique pensó en interrumpir la danza de su discípula para que el ritual pudiera proseguir normalmente, pero no consiguió moverse, fascinado por lo que veía.

En ese momento el viento aumentó y vino la lluvia. Mientras relámpagos cruzaban la oscuridad de la noche y los truenos reventaban, Catarina abrió los brazos para recibir las primeras gotas, y luego en seguida se dio vuelta y corrió, desapareciendo en la oscuridad.

Después de un tiempo, como ella no volvía, Enrique decidió salir en su búsqueda. Pero la playa ahora era un inmenso negror y él poco conseguía ver. La lluvia se había vuelto tormenta y él caminaba con esfuerzo para no ser arrojado al suelo por la ventolina. Él gritaba su nombre con toda la fuerza, pero con el ruido de las olas, del viento y de los truenos, incluso él poco se escuchaba. En esos instantes le venía la impresión tan nítida, tan exacta, de ya haber vivido aquél momento antes, aquella misma situación, el mismo repentino miedo de perderla… ¿Adónde habría vivido aquello, aquella lluvia, aquella corrida desesperada, en que lejano tiempo y lugar? ¿Cuándo? ¿Adónde?

Finalmente, la encontró. Ella giraba desnuda de brazos abiertos y su cuerpo relucía bajo los fogonazos de los relámpagos. Él la abrazó, aliviado, y besó su boca salada. Y cayeron en la arena.

– Ven. Terminaremos resfriados – él dijo, levantándose. Pero ella lo tironeó de vuelta hacia su cuerpo desnudo.

– Olvídate solo por un momento que puedes enfermarte…

*      *     *

– ¡Mi esposo ha descubierto! – ella exclamó, abrazándolo asustada.

– ¿Cómo?

– ¡No lo sé! ¡Estoy con miedo, Enrique!

– Quédate calma. Esta noche tendré una conversación con él.

De noche, usando los sueños, él confirmó todo y vio que corrían serio peligro. Un esposo traicionado era siempre peligroso. Pero un esposo con tantas influencias, que mantenía relaciones cercanas con el consejo ducal, era invencible. Su permanencia en el colegio jesuita de Munique se revelaba un riesgo enorme, era necesario abandonar la ciudad inmediatamente. Irían para Barcelona, allá ellos podrían esconderse hasta encontrar un sitio seguro.

Pero… había un problema. Para vivir con Catarina, él tendría que abandonar la Compañía. Y la Compañía de Jesús era su disfraz perfecto, su salvo-conducto, su mayor seguridad. Ella le proporcionaba viajes, facilidades, dinero, mujeres… Poder.

Él se sintió apresado a un terrible dilema. Era como estar al borde de un precipicio. Atrás los problemas lo presionaban, y adelante lo esperaba la decisión más difícil de su vida.

*      *     *

El navío se alejó y rumbeó hacia las rocosas de Gibraltar, portal del inmenso mar océano. El muelle de Barcelona fue quedándose atrás, atrás, y la figura de Catarina al fin desapareció en la niebla. Él desembarcaría secretamente en Portugal. accionaría a sus mejores contactos en la Corte y en un mes volvería para reencontrarla. Y entonces huirían finalmente hacia Brasil, la nueva tierra del Sur, adonde podrían vivir en paz. Era el plan perfecto.

Pero él no descendió en Lisboa. Siguió directamente hasta Goa, en India. No volvió para el reencuentro acordado. No podía dejar a un lado la Compañía por una mujer. No podía. Aún si fuera la mujer que amaba.

Sentimientos no cambiaban al mundo. Lo que cambiaba era la acción – él no tenía dudas sobre eso. Y los hechos del mundo necesitaban el Orden para realizarse dentro del camino delineado. La Invencible Armada española había sido derrotada por Inglaterra. Un polonio loco llamado Copérnico había publicado un libro en el cual aseveraba que la Tierra giraba alrededor del Sol y otros lunáticos creían en eso. La Reforma de Lutero triunfaba y la Iglesia intentaba, con Sisto V, colocar un poco de orden a los estados papales. Ingleses y holandeses tomaban el control de la ruta del Oriente, aquellas siete mil millas tan valerosas para Portugal. El mundo lo necesitaba cada vez más a él y a los Iniciados del Orden. Y él tenía que estar preparado para las confrontaciones que vendrían.

– No, Vehdvar, tú has comprobado que no estás – la Guardiana le dijo una noche, en la cueva, cuando el navío ya seguía más allá del Bojador. – Tú has fallado.

– Pero…

– La obsesión por el control es el peligro final para los Iniciados del Orden, la trampa final. Solamente se escapan de ella los que, irónicamente, abdican…

– Del Orden.

Sí, él sabía de algunos integrantes que abandonaron el Orden. Pero siempre había juzgado que la causa fuera el miedo de ser atrapado por la Inquisición. Aún así, él no conseguía entender…

– No puedo abdicar. ¡El mundo nos necesita!

– Estás solamente postergando el momento, Vehdvar. Estás caminando en círculo, girando y girando…

– Sin realmente salir del lugar.

Sí, sin salir del lugar. Eso sentía él.

– ¿Qué necesito hacer?

– Tú lo sabes.

Entregar el control… Él lo sabía. Saltar en el abismo del propio miedo. Lo sabía desde siempre. En ese momento su imagen surgió en la superficie del lago. Catarina…

– No puedo volver a ella ahora. ¿Y mis seguridades?

De repente sintió que ya había vivido aquél momento antes, aquellas palabras, la desesperación, el desamparo… ¿Cuándo?

– No puedo…

Mientras la serpiente desaparecía en las aguas oscuras del lago, él cayó de rodillas y quedó allí, en el suelo, su voz aún haciendo eco como un grito desapareciendo en el abismo.

– No puedo… no puedo…

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El Irresistible Encanto de la Insania

CAPÍTULOS

prólogo – 1 -2 – 3
4 – 5 – 6
7 – 8 – 9
10 – 11 – 12

 


El Irresistible Encanto de la Insania 2

13/05/2020

 

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EL IRRESISTIBLE ENCANTO DE LA INSANIA

Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2015
novela – traducción: Felipe Obrer

Luca es un músico, obsesionado por el control de la vida, que se involucra con Isadora, una viajante taoísta que asegura que él es la reencarnación de su maestro y amante del siglo 16. Él comienza una aventura rara en la cual desaparecen los límites entre sanidad y locura, real e imaginário y, por fin, descubre que para merecer a la mujer que ama tendrá antes que saber quién en realidad es él mismo.

En esta insólita historia de amor, que ocurre simultáneamente en la España de 1500 y en el Brasil del siglo 21, los déjà-vu (sensación de ya haber vivido determinada situación) son portales del tiempo a través de los cuales tenemos contacto con otras vidas.

Blues, sexo y whiskys dobles. Sueños, experiencias místicas y órdenes secretos. Esta novela ejercita, en una historia divertida y emocionante, posibilidades intrigadoras del tiempo, de la vida y de lo que puede ser el “yo”.

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.Amazon (kindle) english/portuguese/espanol

In portuguese – blog 

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CAPÍTULO 4

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La señalera se puso verde y Luca aceleró, avanzando el volkswagen por la avenida. Por el retrovisor veía las calles quedándose atrás, ellas y sus esquinas de amores en oferta. El aliento tibio de la noche, la amiga noche seduciéndolo en los neons coloridos… Luca se sonrió, estimulado. La ciudad desnuda, la ausencia de pundonor en el aire, un romance caliente… Era necesario ser feliz, urgente.

La noche te viste de sonrisas
Y tu aliento es la brisa que me conduce
Toda la prisa de las esquinas
Son vidrieras de retina
Promesas de amar
Alquile un placer con vista al mar

Una presentación más en el Papalegua. Ésta vez un viernes, pues el jueves Luca aún estaba bastante afónico. Y ésta vez los compañeros lo prohibieron absolutamente de improvisar con músicas no ensayadas.

Después del show Carlito se dirigió a Luca, en el camerino.

– Llegó a fin de tarde, tómalo – le dijo, entregándole un papel.

Luca abrió el telegrama, curioso.

Estoy en la laguna de Uruaú. Hinchando por un buen show. Isadora.

Él leyó y releyó, y por algunos instantes se sintió desplazar lentamente por un agujero en el tiempo… dos meses antes… Isadora…

– ¿Quién es Isadora? – preguntó Junior, leyendo el telegrama por sobre del hombro del amigo.

– La preciosa de Tibau del Sur.

– ¡Ah, la que te cogiste en una vida pasada! ¡Luca Nalla ahora ataca de esotéricas!

– Ella es loquita pero es maravillosa… – Dijo Luca, recordando la última noche con Isadora.

– Ah, yo conozco esa mirada.

– ¿Qué mirada?

– De enamorado.

– Qué nada, es solo una historia.

– Cuidado, ciudadano. Amar es un peligro.

Luca se volcó la dosis de whisky y anunció:

– Amigos, estoy yendo ahora hacia Uruaú. Nos vemos después.

– Loco, nuestra entrenadora personal está allá en la mesa – avisó Ranieri. – Y ya mandó traer dos litros de Red. ¿Vas a rechazar?

Por la rendija de la puerta del camerino, Luca miró hacia la mesa y vio a Sonita, ella y sus botas negras asesinas… Sonita ahora era como una asesora de la banda para temas de gimnasia y, gracias a sus buenos contactos, todos los de la banda podían hacer ejercicios sin pagar. A ella le parecía que el Ombligo Blues quedaría mucho mejor si todos estuvieran con el tórax delineado.

Por algunos segundos Luca quedó en duda, sintiéndose en una encrucijada. Estaba borracho y cansado, quizás no fuera adecuado tomar la ruta. Pero por otra parte, quería mucho ver otra vez a Isadora. No le gustaban nada aquellas súbitas decisiones.

– Uruaú me llama – él finalmente respondió. – Y guarden una dosis para mí.

Poco después ya seguía por la ruta en su volkswagen, cruzando la madrugada. Entonces la muy viva estaba en la laguna de Uruaú…, él pensó, mientras escuchaba los blues de Celso Blues Boy, otro amor en la larga ruta. Un estremecimiento raro se aposaba de su cuerpo y de su alma, haciéndolo acelerar lo más que podía, quería llegar en seguida, reencontrar a Isadora…

Noventa kilómetros después llegó a Uruaú, costa Este de Ceará. Manejó atento por las pequeñas rutas que rodeaban la laguna, en búsqueda de una tienda azul. Pero había poca luna en el cielo, estaba muy oscuro. No encontró la tienda. Rodó un poco más y nada. Bajoneado, paró el coche cerca del margen, bajó y caminó hasta la laguna. Se mojó los pies en el agua fría, se lavó la cara. Estaba muy cansado. Bueno, no había sido realmente una buena idea. ¿Adónde tenía la cabeza? Que mierda.

Entonces, mirando hacia un rincón en el otro margen, le pareció distinguir… una hoguera. Volvió corriendo al coche, dio la vuelta y salió a toda velocidad por el caminito de arena. Más adelante tomó otro camino y se vio de repente en el medio del monte. Pero siguió. Entonces el paisaje se abrió súbitamente y la laguna surgió de nuevo a su frente, ennegrecida por la noche sin luna. Y al lado, a pocos metros, la hoguera. Y la tienda azul. Y allí estaba Isadora.

Se abrazaron en silencio durante un tiempo largo. Él reconoció la sensación de los cabellos de Isadora rozándole la cara, el contacto de los senos en su pecho, el calor acogedor de su cuerpo… Y entonces se dio cuenta de que había olvidado, simplemente se había olvidado de como era realmente maravilloso estar con ella.

– Que bueno que has venido, Luca.

– ¿Cómo supiste del show?

– Vi en el periódico. Llamé, pedí la dirección y envié el telegrama.

Él se rió, bobamente fascinado. Isadora y su manera de hacer las con que las cosas fueran más simples de lo que parecían ser… De repente vivir era de una simplicidad tan obvia, tan obvia…

– El sueño me arrebata – él dijo, bostezando. – ¿Tenés algo para tomar?

– ¿Por qué no te das una zambullida? El agua está bien tibia!!

– Buena idea.

Luca entró en la tienda para cambiarse de ropa y momentos después, como él no salía de allá adentro, Isadora entró y… lo encontró roncando, desparramado en la colchoneta, un pie calzado y otro descalzo, la boca abierta, babeando. Ella encontró gracia en la escena y, mientras lo arreglaba para dormir mejor, susurró a su oído:

– Enrique…

Sí, confirmó para sí misma, allí estaba su amado, solo podía ser él. Nada que no fuera eso haría sentido. Él era Enrique, sí, y ella finalmente lo había reencontrado. Cuatrocientos años después.

Desde que los sueños vinieron, dos años antes, ella había luchado silenciosamente contra la presión de los dos lados de la realidad, un lado gritando que dejara de locuras, que vidas pasadas ni siquiera podían ser comprobadas de hecho, y el otro lado susurrándole al oído que permitiera que aquel antiguo amor le orientara el camino.

Después del sueño con Luca, había decidido seguir los susurros. Entonces dejó a un lado el empleo en el banco, juntó los ahorros y rumbeó hacia las playas del Noreste. Pero las dudas siempre la acompañaron. ¿Cómo iría a encontrar a alguien en una inmensidad de lugares posibles? ¿Y si todo no fuera más que una torpe y ridícula fantasía? Eran preguntas que dolían en su alma, y que ella expulsaba hacia lejos siempre que surgían. Pensar en eso le daba escalofríos, y en esos momentos una inmensa sombra la involucraba… la sombra de la locura. La locura de Catarina.

Cuando vio a Luca en Tibau del Sur, no tuvo más dudas. Pero, en un primer momento, al darse cuenta de que él no recordaba nada y ni siquiera creía en vidas pasadas, se sintió perdida y frustrada, sin saber qué hacer. Pero ya había ido muy lejos, simplemente no podía darse por vencida así de su gran amor, el amor que cuatrocientos años antes ella había perdido por motivos que nunca entendió. Por eso dio el paso siguiente, el sexo, y aquella noche estupenda en la tienda solo confirmó todo, la combinación perfecta de los cuerpos, la mezcla armoniosa de ternura y violencia, el placer enloquecedor… ¿Cómo el sexo podía ser tan perfecto con un desconocido? Solamente si el desconocido no fuera realmente un desconocido…

Entonces decidió seguir en el viaje por las playas, como si de alguna forma la cercanía del mar pudiera traer de vuelta a su amor perdido. Tal vez Luca solo necesitara algún tiempo más. Tal vez también ella lo necesitara.

Estaba correcta. Un mes entero lejos de Luca sirvió para entenderlo mejor. Y, comprendiendo a Luca, terminó también comprendiendo un poco más al propio Enrique. Ambos eran obsesionados por el mismo deseo: controlar a la vida. Cada uno a su modo, ambos tenían un elevado sentimiento de importancia personal y se consideraban capaces de dominar todos los acontecimientos alrededor. Pero actuando así, se olvidaban de realmente vivir la vida. Entretanto, había una diferencia, ella sabía: al paso que Enrique se había entregado al amor que sentía por Catarina, Luca tenía miedo de amar. En su sueño, él le había pedido que lo ayudara a saltar en el abismo – pero parecía escaparse de él.

Isadora miró al hombre estirado adelante de sí, ebrio y roncando. Fuera lo que fuera el abismo, definitivamente aquella no era la mejor manera de saltar.

*     *     *

Luca abrió un ojo y después el otro, la vieja estrategia para que no le doliera tanto. Hacía calor, ya debía ser bien tarde. Reconoció el interior de la tienda azul de Isadora. Pero ella no estaba a su lado. Sintió una súbita puntada de miedo… El mismo miedo que había sentido en Tibau del Sur cuando buscaba por ella el último día.

Entonces salió de la carpa y la vio sentada al lado, a la sombra de un guayabo, leyendo el I Ching.

– Bienvenido al día, Luca de Luz Neón.

– ¿Qué pasó ayer? – él preguntó, bostezando.

– Te dormiste.

– Me dormí antes o después de que nosotros…

– Muuuucho antes – ella respondió, riéndose.

– Que mierda.

– Mejor así, vos estabas en un estado lastimoso. ¡Y todavía has venido manejando! Si yo supiera, no te habría enviado aquel telegrama.

– ¿Venden lentes de sombra acá por cerca? – él preguntó, protegiéndose los ojos de la claridad insoportable.

– Sin desesperaciones. Yo te presto los míos.

– Isadora, vos sos la mujer ideal.

En el restaurante, él pidió una cerveza para contrarrestar la resaca. E Isadora contó de las playas por las cuales había pasado antes de llegar allí.

– En Canoa Quebrada casi me metieron presa, ¿sabes?

– ¿Por qué?

– Es que en el camping había un vivero de pájaros. Y yo no aguanto ver a un pajarito en cautiverio.

– ¿Qué hiciste?

– Los solté a todos, evidente.

– No lo creo.

– La dueña del camping desconfió de mí y llamó a la policía, pero no podía probar nada.

– Caramba, vos sos de hecho una amenaza al orden establecido.

Incluso para el mío, él casi completó, por poco.

– ¿Y la vida en Fortaleza, cómo anda?

– Todo bajo control.

– ¿Hay show hoy?

– No.

– Me alegro. Entonces puedes quedarte hasta mañana.

– Ahn… No puedo. Hoy de noche tengo una reunión importante.

– Que pena.

– Negocios – él completó. – Sabes cómo es, la banda se está volviendo más profesional.

Él se sonrió, tomando un trago de cerveza. En realidad, lo que había dicho era una media verdad. La banda estaba realmente profesionalizándose, pero la reunión no era con nadie de la banda. Era con una aficionada. Y a solas.

La tarde ya caía cuando ellos salieron del restaurante y fueron a pasear por los márgenes de la laguna, a pisar descalzos en la arena, a sentir la brisa fría del fin de tarde.

– ¿Y aquel billete que has dejado, Isadora? ¿Qué abismo es ese que yo tengo que saltar?

– No sé. Sos vos el que debería saber.

– Claro que no. El sueño fue tuyo.

– Pero el abismo es tuyo – ella respondió, riéndose.

Caminaban abrazados por la arena y las olas venían a lamerles los pies, dejando conchas de recuerdo.

– ¿Vos estás satisfecho con tu vida, Luca?

– Hay cosas que podían mejorar.

– ¿Vos confías en la vida?

Él demoró en responder. Pateó una piedra en la arena.

– No se puede confiar en la vida cien por ciento, Isadora, sabes bien.

– ¿Por qué?

– Porque ella es traicionera. Hay que estar siempre atento para no ser apuñalado por la espalda.

Isadora meneó la cabeza, sin conformarse. ¿Cómo alguien podía vivir con tantas trabas?

– Entrega el control, Luca. Eso es una ilusión.

– Ilusión es creer que la vida se soluciona por sí sola. Es mejor controlar.

– ¡Claro que no! Controlar a la vida termina trabándole.

Ella se soltó de él para coger una concha.

– Confiar en la vida parece locura, yo sé. Pero trata, dale. Yo te ayudo.

Ella sacó la arena de la concha y se la entregó. Él la recostó al oído.

– ¿Estás oyendo? Es el sonido del abismo. Él te va a susurrar el camino si nosotros nos perdemos de nuevo.

– ¿De nuevo? – él preguntó, guardando la concha en el bolsillo.

– Sí, como hace cuatro siglos.

– Isadora, vos sabes que yo no creo en reencarnación – él dijo, tratando de no ser rudo. – Creo en lo real, en lo que yo puedo ver.

– No importa. Vos sos Enrique, mi amor real.

– ¿Pero cómo puedes tener tanta seguridad?

– Yo sé. Apenas sé.

– Todo bien, vamos a suponer que sea yo mismo. ¿Por qué entonces yo no me acuerdo?

– Eso no lo sé.

– Si yo fui Enrique, entonces evolucioné al revés. El tipo era brujo, poderoso…

– Quizás vos estés desperdiciando tu poder tratando de controlar todo. Adonde hay control, la vida no fluye. Ni sobra espacio para el amor, ¿sabías?

– ¿Vos y Enrique se amaban de verdad?

– Mucho.

– ¿Por qué él no volvió a encontrarte? ¿Quiero decir, a Catarina?

– No lo sé, eso no conseguí recordar. Enrique tenía enemigos, creo que terminó siendo atrapado.

– Bien, si yo fui Enrique, entonces yo podría saber qué pasó con él.

– Si realmente llegas a necesitar saber, lo sabrás.

– ¡Eso es confiar demasiado en el destino, Isadora! – Él no se conformaba. – Como si todo ya estuviera escrito.

– Nada está escrito. Tenemos que hacer todo.

– ¿Hacer todo? Eso no contradice tu principio taoísta de no forzar las situaciones?

– De hecho, contradice.

– ¿Y entonces?

– Entonces tenemos que hacer todo, pero sin forzar a las situaciones.

Él suspiró, dándose por vencido del tema. ¿Cómo alguien podía vivir con lógicas tan absurdas?

*     *     *

Luca despertó y se vio adentro de la tienda azul. Pero ésta vez Isadora dormía a su lado. Él había cancelado la reunión nocturna con la aficionada, simplemente no había resistido a Isadora. Se anidó un poco más en ella mientras recordaba la noche anterior, el cuerpo tierno y generoso de Isadora, su forma deliciosa de abrazar, de llamarlo hacia adentro de sí como un orden a la cual no podía desobedecer… Con ella el sexo era siempre intenso. Y tenía algo de misterioso, un qué de sagrado. Y ella era tan hermosa durmiendo… Luca acarició sus cabellos mientras se imaginaba su caballero protector. ¿Y si fueran casados?

Él interrumpió el cariño, asustándose con el propio pensamiento. ¿Casados? No debía estar muy bien de la cabeza. ¿De dónde miércoles había sacado una idea tan desquiciada?

En ese instante, sintiendo el corazón acelerado, él vio prenderse la lucecita roja de alerta. Sí, existía. Y se llamaba amor. Y el amor era algo que no formaba parte de sus planes. Amar era perder el control de sí mismo, él sabía, y eso era todo lo que no necesitaba. Más prudente era mantenerse a una distancia segura.

Pero ella era tan linda, tan especial… Ella era absolutamente diferente de cualquier mujer que hubiese conocido en toda la vida. Y todavía hacía el mejor sexo del mundo. A su lado vivir se volvía más instigador más misterioso… Una pena que vivía tan lejos.

¿Y si por casualidad vivieran en la misma ciudad?, se preguntó, tratando de imaginarse cómo sería. ¿Abdicaría de todas las otras por ella?

Se sentó, molesto con el rumbo de sus pensamientos. Estaba soltero, ¿por casualidad se había olvidado de eso? Estaba soltero y le gustaba su vida así, sin las complicaciones que el amor siempre traía. Y, además de todo, Isadora era demasiado loca. Mejor mantener la cosa como estaba, ella en sus viajes y él en Fortaleza, en la seguridad de su mundo.

Se levantó con cuidado para no despertarla y salió de la tienda. El sol ya subía en el horizonte pero el día estaba nublado. Caminó hasta la casa que alquilaba kayacs y tomó uno. Unas buenas remadas por la laguna le harían bien.

Luca se acomodó adentro del kayac y empujó el suelo con el remo, desplazándose suavemente sobre el agua. No pudo dejar de notar lo insólito de la situación: las seis de la mañana de un domingo y él en un kayac, remando en aquella inmensa laguna, en aquel inmenso silencio, era raro. El amanecer realmente era un mundo desconocido.

El kayac avanzaba laguna adentro mientras la luminosidad del nuevo día se derramaba despacio sobre la laguna. De repente Luca sintió que todo aquel silencio era una manifestación de la laguna y ella era tan grande… tan digna… que permitía que una criatura ruidosa como él afectara la paz de su superficie.

Entonces paró de remar. El kayac prosiguió desplazándose un poco más. Y el silencio se manifestó enteramente, en toda su majestuosidad. Se sintió indigno en aquel ambiente, contaminándolo, y empezó a arrepentirse de estar allí. Él no era tan puro como aquel silencio. No era digno como la laguna.

Fue en ese momento que, súbitamente, comprendió cuan pequeño era frente a todo aquello. Fue un relámpago repentino y lo hizo entender instantáneamente que él no significaba nada, absolutamente nada. Se dio cuenta de que la laguna tenía perfecta consciencia de él, evidente, que era imposible que no supiera de él en su superficie. La laguna estaba allí hacía siglos y nada la ponía ansiosa. Digna y grandiosa, ella permitía que la vida se manifestara en sus honduras y que seres insignificantes como él se desplazaran en sus aguas.

Sintió miedo de morirse. Sí, él moriría allí mismo si la laguna así lo quisiera, no había dudas en cuanto a eso. No podría hacer nada y nadie escucharía sus gritos. Se hundiría y moriría…

Entonces bajó la cabeza y, aislado como nunca estuvo en su vida entera, lloró. Lloró de pavor, enteramente rendido, mientras esperaba el momento en que la laguna finalmente lanzaría de las honduras sus tentáculos y lo arrastraría hacia el fondo. Y todo estaría terminado.

Una eternidad después sintió que el inmenso silencio relajaba su fuerza sobre él. Entonces abrió un ojo, la cara aún escondida entre las manos, después el otro ojo. Todo seguía como antes, la laguna tranquila, el kayac flotando sobre las aguas. Entonces, bien despacio, aún temeroso, tomó el remo y lo metió en el agua. Y la laguna se movió, pareciendo que se iba a despertar.

Empezó a remar, cuidadosamente. Remó y remó hasta alcanzar el margen. Cuando finalmente el fondo del kayac se arrastró por la arena, emitiendo un sonido afónico, él se sintió saliendo de un sueño… Pisó la tierra todavía un poco mareado, el corazón casi en la boca, mientras las olas menudas le daban latigazos en los pies. Era la laguna enviándole un último mensaje: no eres nada, no eres nada…

– Yo lo sé – dijo bajito.

Ya sabía, sí. No necesitaba repetirlo.

*     *     *

‒ Después que nosotros nos conocimos, Isadora, esas cosas raras empezaron a ocurrir. En Tibau del Sur yo casi me muero ahogado. Ahora fue la laguna que me quiso tragar. ¿Qué miércoles está pasando?

Isadora miró a Luca a los ojos y reconoció en ellos el miedo de quien acaba de abrir la puerta del desconocido de sí mismo. La misma puerta que un día sus raros sueños también le abrieron.

– Vaya a saber si es el abismo acercándose.

– Para de hablar en eso, Isadora. No me está gustando, en serio.

– Has sido vos el que preguntó.

– No creo en ese abismo, ya te dije.

– Pero vives hablando de él en tus shows.

– ¿Yo? ¿Vos estás loca?

– Fue la primera música que vos me cantaste, allá en Tibau del Sur, no te recuerdas?

En ese abismo sentí vértigo…  Y la angustia no se deshizo…

– Recuerdo. Pero vamos a cambiar de tema.

Estaba nervioso. Aquellas cosas lo hacían sentir un juguete en manos de lo que no conocía, sin cualquier control sobre la situación. Isadora, de cierta forma, también lo hacía sentirse así. Al mismo tiempo que no resistía a estar con ella, sabía que bastaba su presencia para que de repente le faltara el poder sobre sus propias certidumbres. Y eso era realmente aterrador.

Después del café, fueron hasta la costa y se divirtieron bastante en un paseo en buggy por las playas. Después, en una  tiendita en la rambla, se deleitaron con caipiriñas y calamar frito. Volvieron a la tienda levemente embriagados y dispuestos a darse una siesta, pero en seguida constataron que la noche anterior no había sido suficiente para sanar la nostalgia, y así el atardecer fue escenario para otra vuelta de sexo intenso.

De noche, al lado del volkswagen, mientras se despedían, Luca sintió el corazón apretado. Él volvería para Fortaleza al paso que Isadora seguiría su viaje por las playas de Ceará. En ese momento la posibilidad de nunca más verla penetró como un puñal en su pecho y el dolor se agitó por todo su ser. Tomó rápidamente un papel, escribió su teléfono y dirección y se lo entregó a ella.

– ¿Qué tal pasar el fin de semana en Fortaleza conmigo? Mi cama tiene bastante espacio.

– ¿Luca de Luz Neón me está invitando a probar su mundo?

– Estoy. El viernes vamos a hacer un show bien bueno. Y el sábado va a haber una fiesta imperdible.

– A tus aficionadas no les va a gustar verme con vos.

– Pero a mí sí.

Luca paró por un instante. La lucecita roja de alerta… ¿Qué estaba haciendo? ¡Aquello era casi un pedido de noviazgo! Por algunos momentos sus actos y sus palabras simplemente habían adquirido voluntad propia.

– No sé, Luca… Creo que éste viaje no combina mucho con la ciudad grande.

Sí, quizás sería mejor que ella no fuese, Luca pensó, sin saber lo que realmente deseaba.

Adentro del coche, un poco antes de desaparecer en la curva, él hizo un ademán mirando por el retrovisor y la vio a Isadora saludando también. Y de repente fue como si ella repitiera un gesto muy antiguo, hecho hacía mucho tiempo, un ademán triste que le cortaba el alma. ¿Cuándo se habían despedido así?

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CAPÍTULO 5

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– ¡Camerino con aire acondicionado! – exclamó Ranieri. – ¡Whisky doce años! ¡La banda evolucionó, loco!

– Es que el dueño de ésta casa es mi alumno en la academia – explicó Sonita. – Y tú, Luca, eres el único que no está yendo a hacer gimnasia, ¿sabes?

– El lunes empiezo. Lo prometo.

Estaban todos muy entusiasmados aquel viernes. La casa nocturna Karvalledo estaba repleta y ellos harían la apertura del show principal, de la Basado en Blues. Era el caché más alto de la historia de la banda.

A las once la Bluz Neón subió al tablado y la luz verde bajó sobre Luca, haciéndolo sobresalir al frente de los demás. Él tomó un trago de whisky, dio las buenas noches, dijo cualquier cosa sobre abismos y el show empezó. El repertorio estaba bien ensayado y la banda colocó la platea a bailar bastante. Después del Ombligo Blues, cuando en el tablado casi no cupo todo el grupo de muchachas que había subido de ombligo de afuera, ellos salieron bastante aplaudidos y del camerino escucharon los insistentes pedidos de bis. Entonces volvieron, tomaron sus lugares y empezaron a tocar otra vez.

Luca fue el último en volver. Reapareció vestido con una túnica oscura con capucha, al estilo de los monjes medievales. Caminó lentamente, se situó en el centro del tablado, abrió los brazos en cruz y miró al público, sin distinguir las caras en la muchedumbre. En ese momento las luces de los reflectores relampaguearon sobre sus ojos y él sintió un vértigo liviano, otra vez aquella sensación de resbalar hacia un sueño, la realidad perdiendo fuerza… Un escalofrío le recorrió la espalda y la vista quedó turbia. Mientras el humo de hielo seco involucraba su cuerpo, él se afirmó en el pedestal del micrófono para no caerse y respiró hondo algunas veces hasta que el malestar pasara, mientras la banda seguía la música sin él. Y terminó el show recitando la parte final de la letra:

Son tantas estaciones
Yo oigo campanas en las esquinas
Y les sonrío a las chicas
En sus escotes-perdición
Yo le erro la mano y me pierdo a media luz
Yo soy el tren que me conduce
A mi propia salvación

En el camerino, después del show, la botella de whisky rodaba de mano en mano, todos festejando el buen show. Luca se disculpó por el malestar al fin de la presentación, pero Junior lo calmó, diciendo que nadie se había dado cuenta de nada, que la ventaja de ser un cantante performático como él era que aún morirse en el tablado terminaba pareciendo formar parte del guión.

Entonces la puerta del camerino se abrió y Sonita entró.  Llevaba puesta una minifalda negra de cuero y calzaba sus botas negras. Ella se sonrió hacia Luca y él inmediatamente entendió lo que ella quería, aquella mirada de cazadora del submundo que él conocía tan bien…

– ¿Ésta vez no me vas a cambiar por una laguna, no? – Sonita preguntó, acercándose a él de una forma insinuadora.

Luca recordó a Isadora y se sintió de nuevo en una encrucijada. Aquellas malditas decisiones… Isadora podría muy bien haber aceptado su invitación para pasar el fin de semana con él.

– No – respondió Luca, abrazando a Sonita y besándola.  – Hoy no hay laguna, bebé.

Vieron el show de la atracción principal todos juntos en una mesa, festejando la nueva etapa de la banda y el enorme  éxito que los esperaba. Sonita mandó traer otra botella de whisky y después otra más. Antes del fin del show ella se levantó y tironeó a Luca por el brazo. Él todavía no quería irse, pero ella insistió.

– Sí, vas, Gran Tigre. Vos ya te pasaste de la raya.

– Calma, jefa, vamos a terminar esta botella. ¿Adónde está tu vaso?

– ¿Estás viendo cómo es tu amigo, no, Junior? Toma demasiado y después no aguanta la onda…

– ¿Pero, Sonita, adónde ya se vio irse a casa a las tres de la mañana? Si quieres, puedes irte. Yo me quedaré con mis nobles compañeros de lucha.

– Yo soy tu entrenadora personal, Luca. Tengo que cuidarte.

– Entrenadora personal, y no cuidadora de niños. ¿Has entendido?

Sonita resolvió intentar otra estrategia. Se sentó al lado de Luca y metió la mano abajo de la mesa, acariciándolo entre las piernas. Pero él retiró su mano. En ese instante surgió una muchacha pidiendo para sacarse una foto con él. Luca se levantó, la abrazó y se sacó la foto. Después la chica agradeció dándole un beso en la boca y salió muy contenta. Sonita no se aguantó:

– ¿Ya has pensado qué pasará en el momento que esas aficionadas descubran la verdad, Luca?

– ¿Qué verdad?

– Que al cantor de la Bluz Neón le gusta más el whisky que las mujeres.

Luca la miró serio.

– Ah, Sonia… Es una pena que tu dinero no pueda comprar nivel – él dijo, con mucha calma. Y se sentó de nuevo, volviendo la mirada al show, mientras Junior y Ranieri contenían la risa.

– Ah, entonces querés nivel. ¿Ese sirve?

En un gesto rápido, Sonita estiró el brazo y vació un vaso entero de whisky sobre el pecho de Luca, el líquido ensopando la camisa, piedras de hielo para todos lados.

– ¡Y vos estás despedido! ¡Busca otra banda! – ella completó, levantándose y abriendo camino entre las mesas.

– Mucha calma en ese momento, ciudadano… – dijo, Junior, que todavía no podía creer en lo que había pasado. – Dejen que yo voy atrás de ella, quédense ahí viendo el show.

Luca se sacó una piedra de hielo de adentro de la camisa ensopada de whisky y la llevó a la boca.

– Pensándolo bien… estoy cansado de esa vida de estrella del rock. Creo que me voy a pasar un rato en París.

– Calma, Luca, mañana ella lo va a reconsiderar.

– ¿Adónde está la mina de la foto, alguien la vio?

*     *     *

Cuando Isadora llegó eran las once y la casa nocturna Karvalledo ya estaba repleta, pero ella consiguió un lugar razonable para ver el show que empezaba.

Había aceptado la invitación de Luca para pasar el fin de semana en Fortaleza porque concluyó que, si quisiera conocerlo y entenderlo mejor, necesitaba de alguna forma probar su mundo. Sí, ella sabía que el mundo de Luca era una fiesta sin fin, un mundo caleidoscopico que podía confundirla, sí, pero podía ser una buena oportunidad para ejercitar su intuición de taoísta, su capacidad de armonizarse con los sutiles movimientos de la vida. Y podía también ser una oportunidad excelente de conocerse mejor a ella misma, explorando aquello que aún no sabía de sí, aventurándose por las posibilidades de su ser. Explorar… aventurarse… Esas cosas involucraban riesgos, ella sabía, siempre los involucraban. Pero estaba dispuesta a arriesgarse. Por ella, por Luca, por el amor. ¿Por qué no?

A las once la Bluz Neón subió al tablado de la casa  Karvalledo. Al verlo a Luca, Isadora sintió una emoción rara, se sintió enorgullecida de él. Allá estaba el hombre que amaba, en el centro del tablado, vaso en la mano, probando el micrófono. Bajo el halo de luz verde él tomó un trago, dio las buenas noches a todos y dijo:

– La insania es un abismo irresistible. Y tiene ojos color de miel.

– ¿Qué quiso decir? – preguntó una muchacha al lado, intrigada. Isadora se sonrió y respondió:

– Que él me ama.

El show empezó y ella rápidamente entró en el ritmo del rock y del blues. Las músicas estaban bien ensayadas y la platea parecía bastante entusiasmada. A ella le gustó todo, y le gustó especialmente Luca: él era un poco descoyuntado, pero cantaba bien, tenía buena presencia en escena y sabía enganchar al público.

Fue al fin, cuando la banda volvía para el bis, que ocurrió. Isadora vio cuando Luca, vestido como un monje medieval, se protegió los ojos de las luces y miró hacia la platea como si buscara a alguien en la turba. ¿Sería ella? Después volvió al micrófono, y mientras la banda tocaba él acompañaba la música con suaves movimientos de cabeza… Fue en ese momento. Las cosas empezaron a perder la forma, lentamente, y ella dejó de escuchar la música. Entonces se vio sola, ya no habían personas a su alrededor. En el instante a continuación, el humo del hielo seco se había transformado en niebla y el tablado a su frente era ahora… la cubierta de un navío. Y el navío subía y bajaba, levemente… ondulando bien adelante de sí… ondulando… ondulando…

Era una mañana de niebla en Barcelona y los vientos soplaban favorables. A su frente las velas del navío estaban abiertas y, en seguida abajo, inmóvil en la cubierta, él la miraba. Ella usaba un vestido con una manta por encima y el viento sacudía sus cabellos. Sentía un aprieto en el pecho, la boca seca… La boca que él había besado hacía poco. ¿Por qué necesitaban separarse una vez más? ¿Por qué esperar aún más tiempo? ¿Por qué?

Del navío él saludó, la otra mano afirmando el borde, y su ademán la hizo recordar, súbitamente, que en alguna época, en algún tiempo muy lejano, él había hecho exactamente aquello, la misma mano saludando en despedida, el mismo ademán triste. ¿Cuándo se habían despedido así?

El navío empezó a alejarse y ella tuvo ganas de correr y gritar que él la llevara también, que no la dejara sola. Pero se contuvo, aguantando el ansia en el pecho. Sí, el le había asegurado que todo correría bien y que en seguida volvería para buscarla, sí, y entonces se escaparían a Brasil, para vivir libremente aquel amor que aún tenían que esconder bajo mentiras. Pero ella no se conformaba. ¿Por qué no ahora? ¿Por qué él no dejaba a un lado de una buena vez la Compañía y se quedaba ahora mismo con ella?

Por un segundo avistó la posibilidad de estar perdiéndolo para siempre y una angustia terrible laceró su alma, como un relámpago que rompe el cielo. Una lágrima resbaló hasta su boca. La boca que él había besado hacía algunos minutos…

Él la había hecho probar la magia y la había iniciado en los misterios. Con él viajó por mundos maravillosos a través de los sueños, y él le enseñó a ser fuerte y a enfrentar las dificultades con valentía… Pero ahora todo lo que ella tenía adentro de sí era un enorme y dolorido vacío. Porque la vida simplemente no tenía sentido sin él. Estaría equivocada en amarlo así tan… tan locamente?

El navío se alejó. Su imagen en la cubierta, bella y melancólica entre la niebla, se sostuvo en su mente. ¿Hacia adónde realmente lo llevarían aquellos vientos? ¿Y ella, cuántos mares de incertidumbres aún tendría que cruzar por aquel amor? ¿Cuántos peligros, cuántas despedidas? ¿Cuántas vidas, mi corazón, cuántas vidas?…

Entonces el navío desapareció. Desaparecieron el muelle de piedras en línea y los empleados atareados. Los vientos cesaron, la niebla volvió a ser humo de hielo seco e Isadora dio por sí a tiempo de ver a Luca terminar su performance, en un tablado que aún ondulaba…

Ella estaba pasmada. El último encuentro, la despedida… ¡Finalmente había recordado!

Aún sintiendo el olor del mar, salió rápidamente y siguió hacia el jardín de la casa nocturna. Era una noche fresca y un resto de luna cruzaba el cielo. Mirando a las estrellas, un escalofrío le recorrió el cuerpo y por primera vez el pensamiento tomó la forma exacta en su mente: él se había escapado. No quedaban más dudas. Enrique se había escapado. Ahora estaba todo explicado.

Había ido a Fortaleza para conocer mejor el mundo de Luca y había terminado descubriendo allí, en una casa nocturna, la verdad sobre Enrique. Una verdad obvia, pero que ni ella ni Catarina nunca habían admitido.

*     *     *

Por todos los lados se extendía un desierto como una inmensa sábana ondulada de arena. ¿Hacía cuánto tiempo que él caminaba? ¿Días? ¿Años? Las piernas aflojaban y la vista se ponía turbia, impotente frente a la claridad tiránica. Un sol abrasador le tostaba la piel en carne viva… Y un dolor de cabeza que de un segundo a otro explotaría su cerebro en mil pedazos… Pero lo peor de todo era la sed. Una sed absurda le dilaceraba la garganta sin piedad. Un trago de agua, apenas un trago, un pequeño trago y él se moriría satisfecho y feliz. Y en algún lugar de aquel desierto un teléfono sonando, sonando… En algún lugar, entre aquellos médanos sin fin, un maldito teléfono insistiendo en sonar y sonar…

– Hola…

El cuerpo estirado sobre la sábana de arena, el brazo para afuera de la cama.

– ¡Hola! ¡Hola!

Pero no era el teléfono que sonaba, era el interfónico, allá en la cocina… Tendría que arrastrarse hasta allá, al otro lado del desierto sin fin.

Era el portero, buenos días, don Luca, avisando que había una muchacha que se llamaba Isadora queriendo hablar con él, ¿podía dejarla subir?

Luca pidió un momentito y agarró una botella de agua en la heladera. Una resaca horrorosa le secaba el alma. Miró el reloj: dos de la tarde. Llamó por Sonita. La llamó de nuevo. Pero ella no respondió, ¿se habría ido? Yo abro los ojos, ¿adónde estás vos?… Amaneció y no me di cuenta…

Caminó despacio, con cuidado para que el cerebro no se despedazara. Buscó en el cuarto, en el baño. Ninguna señal de Sonita. Entonces recordó que ella había dormido allí, sí, pero dos noches antes. Que relajo. Estaba perdiendo la noción del tiempo.

Volvió al interfónico y le dijo al portero que todo bien, podía dejar que la muchacha subiera. Luego de hacerlo, recogió un calzoncillo de arriba del televisor y puso una música para tocar, Isadora merecía un ambiente mejorcito. Dejó la puerta del living abierta y fue para el baño bajo el sonido de sus sesos sacudiéndose. En el espejo partido del baño el horrendo monstruo del desierto lo observaba, con los cabellos en revoltijo y los ojos saltados. Prendió la ducha y el agua helada sacudió su cuerpo mientras en el living Blues Etílicos tocaba El Sol También me Levanta.

– ¿Luca de Luz Neón?

– ¡Puedes entrar! – él gritó bajo la ducha.

Isadora entró y cerró la puerta. Puso la mochila sobre el sillón, miró la guitarra en un rincón, un cartel de B. B. King, otro de Janis Joplin, fotos de shows de la Bluz Neón. Fue a la ventana y miró el paisaje del octavo piso, la soledad apretada entre el cemento, los edificios asfixiando los sueños de crecer…

– Hola, Isadora.

– ¡Hola! – Ella recordó que era la segunda vez que lo despertaba. Él estaba con una cara no muy buena, pero le gustaba verlo así, empezando el día. – Espero no estar obstruyendo alguna cosa importante…

– No, no. Yo estoy solo.

– Me parece que quedas bastante bien así, solamente de toalla…

– Que bueno que has aceptado mi invitación. ¿Te quedas hasta cuándo?

‒ Mañana de tarde sigo hacia la playa de Lagunita, ya compré el pasaje.

‒ Pucha, tan poco tiempo… Deberías haber venido ayer.

– En realidad llegué ayer. Dormí en un hotel.

– ¿Hotel? Pero… ¿Y por qué has ido a nuestro show?

– He ido.

– ¿Vos estabas allá? ¿En la Karvalledo?

– Sí.

– Pero…

– Me encantó la banda. Y vos sos bárbaro, me sorprendiste.

– ¿Por qué has ido a hablar conmigo después del show? – él preguntó. Y en seguida se arrepintió, recordándose de Sonita. Ella seguramente la había visto con él.

– Me pareció mejor no.

¿Y ahora? ¿Debería o no preguntar la causa?

– ¿No quieres saber el porqué?

– Creo que ya sé, Isadora.

– ¿De verdad lo sabes?

– Mira, déjame aclarar una cosa. Mi historia con Sonita no es nada serio.

– ¿Quien es Sonita?

– Nuestra entrenadora personal, que estaba conmigo en la mesa. Ella y yo…

– No vi nada. Me fui ni bien terminó el show.

– ¿Ah, sí?…

Él tuvo ganas de meterse la cara en el piso. Que mierda. Había acabado de confesar, espontáneamente, que tenía una historia con la entrenadora personal de la banda.

– ¿Hay agua? – ella preguntó. – Hace calor.

– Hay, claro.

Él fue a la cocina y le trajo un vaso de agua. Se sentaron en el sillón en silencio. Pero que mierda, él pensó, sin conformarse con lo que había hecho. Se sentía culpable. Pero no tenía que sentirse así, pues no había cualquier compromiso entre Isadora y él. Sí, eso era verdad, no tenían compromiso, pero aún así se sentía muy mal. Era como si la hubiera traicionado. Pero no había habido traición, evidente, al fin ella no era su novia. Pero por otra parte…

De repente se dio cuenta de que sus pensamientos estaban al mismo tiempo culpándose y absolviéndose, dividiéndolo al medio. Que mierda. Era ella, Isadora, que lo dejaba neurótico. No, no era ella, evidente, era él, él mismo era el que estaba creando fantasmas en aquella relación. Era él el que se precipitaba y construía trampas para sí mismo.

– Luca, ¿qué sentiste durante aquel último número?

– Yo no recuerdo muy bien esa parte.

– ¿Cómo no? Vos parecías tan concentrado.

– Ya estaba bien loco.

– No fui a hablar contigo después del show porque… pasó una cosa mientras te veía cantando.

Entonces ella le contó. Le contó del muelle, del navío y de Enrique saludando desde el borde, que él se estaba yendo y que ella sentía que lo perdía para siempre. Y mientras hablaba, casi podía sentir las mismas sensaciones de la noche anterior.

– Me acordé de nuevo de aquella vida, Luca.

Él suspiró. De nuevo aquél tema engorroso.

– Y ésta vez no fue sueño. Yo estaba despierta, en el medio de un montón de gente. Y fue a través de vos, de tu energía.

– Es que yo había tomado dos bebidas energéticas…

– Estoy hablando en serio, Luca. Fue una escena muy fuerte, más fuerte que todas las que recordé.

– Ahora vamos a cobrar un caché más caro: ¡vea el show de la Blues Neón. y recuerde sus vidas pasadas!

Él vio sus ojos mojados y se arrepintió de las bromas.

– Yo aún no me había acordado de esa parte de la vida de Catarina. Vos estabas al borde del navío, dándome adiós. El plan era que vos volverías para buscarme. Pero vos no volviste nunca más…

– Eso ya me lo habías contado, Isadora. ¿Cuál es la novedad?

– Después yo salí al jardín y me quedé pensando en Catarina, en cuan fuerte ella tuvo que ser para enfrentarse a toda aquella soledad, la corazonada horrible de que no encontraría más al gran amor de su vida… Yo sentí de nuevo el mismo dolor, Luca, todo de nuevo. Fue solo por unos instantes, pero mientras ocurría era… era para siempre. Y pensar que todo podría haber sido distinto, tanto sufrimiento evitado… Bastaba que nosotros hubiésemos quedado juntos.

– Pero no era posible. Un imprevisto cambió los planes, ¿no fue así? – él preguntó, tratando de ser lo más comprensivo que podía. Y se dio cuenta de lo ridículo de la cosa: hablaba como si todo aquello hubiera realmente ocurrido.

– No hubo ningún imprevisto. Ayer supe eso.

– ¿Qué pasó entonces?

– Vos huiste.

– ¿Yo huí?

– Sí.

– ¿Es más, él huyó?

– Sí.

– Pero… ¿por qué? ¿Él no te amaba? ¿Quiero decir, no amaba a Catarina?

Ella no respondió. Apenas lo miró a él, devolviéndole la pregunta.

– Todo bien, Isadora, Enrique huyó. Aquel farsante. Pero ahora olvida esa historia, eso es pasado.

– ¿Vos me quieres, Luca?

– ¿Yo?

– Sí, vos.

– Claro que te quiero. ¿Pero por qué esa pregunta ahora?

– ¿Mucho o poco?

– Tal vez más de lo que debería.

– ¿Cómo así?

– Es que a veces vos me destrozas las certidumbres.

– Entonces deja a un lado las certidumbres y ven conmigo.

– ¿Para adónde?

– A viajar por ahí.

– ¿Por ahí?

– Sí. Después vuelves.

– Sería bárbaro. Pero no tengo guita para eso.

– Lo que yo tengo da para nosotros dos.

– Está bien, puede ser. Pero solo puedo pedir libre a fin de año.

– No, tiene que ser ahora. Ven.

– ¡Yo no puedo abandonar mis cosas así, Isadora! – él casi gritó. – Perdón. Es que me sacas de quicio.

– ¿Qué cosas vos no puedes abandonar?

– El trabajo, la banda, todo.

– ¿Por qué no?

Luca la miró atentamente. Ella parecía hablar en serio. Pero no, era imposible que estuviera hablando en serio.

– Porque esas cosas son mis seguridades. ¿Entendiste o quieres que haga un dibujo?

– Yo lo abandoné todo hace cuatro siglos. Y lo abandoné otra vez ahora. Por nosotros dos.

– Ahí viene esa charla otra vez… Si no fuera por esos tus sueños desquiciados, nosotros podríamos entendernos muy bien.

– Si no fuese por mis sueños locos, nosotros no nos habríamos reencontrado.

Luca meneó la cabeza, furioso. Era inútil charlar cuando ella hablaba de vidas pasadas. Se levantó del sillón y fue hasta la ventana a respirar un poco, a calmarse. Si hubiese mirado hacia atrás, vería que Isadora lloraba en silencio. Pero él no vio. Ni vio tampoco que después ella se secó la cara y, respirando hondo, confirmó para sí misma, resignada, lo que hasta entonces había evitado aceptar, por creer que no sería necesario tomar la más difícil de las decisiones. Pero él no vio nada de eso.

– ¿Estás con hambre? – Luca preguntó, volviendo de la ventana.

– Sí.

– Entonces vamos a almorzar, son casi las tres. Te voy a llevar a un lugar que me encanta. Y de noche vamos a una fiesta erótica. ¿Qué tal?

– Hummm… Eso parece bueno.

– Bienvenida al fabuloso mundo de Luca ‒ él dijo, haciendo un galanteo con su sombrero imaginario.

El restaurante era el Cuchara de Madera, adonde dejaba cuentas por pagar. Allá trabajaba Pereira, su mozo predilecto, Pereira y su simplicidad y franqueza del interior, su experiencia de vida, y principalmente sus opiniones geniales con relación a todos los temas, en especial sobre las mujeres que Luca llevaba hasta allá. Él sabría decir si aquel romance tenía o no futuro. Pereira, el oráculo.

Poco tiempo después entraban en el restaurante. Eligieron una mesa y Luca presentó al amigo mozo:

– Éste es Pereira, mi viejo consejero. Ésta es Isadora.

– Mucho gusto – dijo el mozo, sirviendo la cerveza.

– Don Pereira, usted cree en vidas pasadas? – preguntó Isadora, para total sorpresa de Luca.

– Mire, muchacha, yo no entiendo de esas cosas. ¿Por qué?

– Porque yo y éste muchacho habíamos vivido juntos hace cuatrocientos años y ahora él me dice con descuido que no se acuerda de mí.

Luca se reía, sin creer que aquello estaba ocurriendo.

– Si usted era tan bonita como es hoy, es un descuido realmente.

– ¿A usted le parece que es un caso perdido?

– Creo que no, señora. Porque hace tiempo que no lo veo mirar así a una mujer, ¿sabe?

– ¿Entonces a usted le parece que puedo tener esperanza?

– ¿De que él se acuerde de usted? Ahí ya me parece difícil. Ese muchacho se olvida de lo que tomó hace media hora.

– ¿Eso es verdad, Luca?

– Solamente me olvido cuando no tengo plata para pagar la cuenta – respondió Luca, riéndose.

Luego de pedir el almuerzo, Isadora salió para ir al baño y Luca aprovechó para preguntar:

– ¿Y entonces?

– Creo que sus días de soltero se acabaron, muchacho.

– Hable en serio, Pereira.

– Por así decir, esa ahí ya lo enganchó.

Luca llenó el vaso de cerveza, tomó y pidió otra. En el aparato de música Lily Alcalay cantaba Mar y Sol. Esa ahí ya lo enganchó… No estaba seguro si aquello era lo que le gustaría haber escuchado. O si era justamente lo que de hecho no deseaba escuchar.

.

.

CAPÍTULO 6

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Después del almuerzo, Luca e Isadora volvieron al departamento. Tenían poco tiempo, pues en seguida tendrían que salir de nuevo, ¿pero cómo resistir a una ducha en pareja? Así, apoyándose en la pared de la casa de baño, ellos se entregaron otra vez a la fuerza del deseo impostergable, mezclado al sonido del agua de la ducha la melodía frenética de los dos cuerpos ardiendo en pasión, agua y fuego en armonía.

No fue suficiente para sanar todas las ganas, es verdad, pero no podían realmente demorarse. Entonces en seguida estaban dejando el departamento. Pasaron por la casa de Junior Rível para buscarlo y rumbearon hacia el Cabaret Society, la fiesta que todos los años ocurría en una gran casa coqueta del centro de la ciudad. El tema de la fiesta era sensualidad y erotismo, y el ambiente recordaba los antiguos cabarets, con luces rojas, cortinas transparentes y músicas al estilo. Las personas se vestían de forma sensual, explorando los fetiches y las fantasías, y subían al tablado para hacer performances teatrales y chistosas.

En el recorrido hacia el lugar, Luca y Junior, que ya conocían la fiesta, comentaban hechos divertidos de las ediciones anteriores. Isadora escuchaba, curiosa y excitada por vivenciar el mundo de Luca. Y luego a la entrada de la fiesta ella quedó bastante impresionada:

– ¡Uau! ¡Las mujeres realmente entran en la onda! – ella comentó con Junior mientras observaba a un grupo de chicas vestidas como prostitutas fatales.

– Esas están bastante comedidas. Hay algunas que vienen solo de camisón.

Luca notó discretamente a una de las mozas que trabajaban en la fiesta, una rubiecita bonita que estaba vestida como colegiala. Y lamentó no estar solitario aquella noche.

– Pucha, estoy sintiéndome una santa con esta ropa – Isadora lamentó, insatisfecha con el conjunto de pollera y camisa que usaba. Y preguntó a la moza, que les entregaba las comandas de pedidos: – ¿Por casualidad no te sobró una ropa de colegiala como esa que estás usando?

– Desafortunadamente no. Pero vos estás hermosa. Necesitas solamente un ajuste en la ropa.

– ¿Adónde?

– Ven, vamos a mejorar ese aspecto.

La moza dio vuelta a Isadora de frente hacia ella y le abrió dos botones de la camisa, dejándole los senos más a la muestra.

– ¡Ahora sí! – La moza se rió, observando el resultado de su intervención, y susurró al oído de Isadora: – Unos pechos así no deben quedar escondidos. Principalmente en el Cabaret Society.

Isadora se rio de la espontaneidad de la muchacha. Sintió simpatía por ella.

– Tienes razón, gracias. ¿Pero y mi comanda, adónde está?

– Ah, sí, faltó la tuya. Ven conmigo a agarrar una – dijo la moza, tironeando a Isadora por la mano y saliendo con ella rumbo a la barra.

Junior aprovechó y lo picaneó a Luca:

– Eh, ciudadano, noticia de última hora: Sonita pidió el despido de la banda.

– Bárbaro.

– Bárbaro nada. Éramos la única banda de blues del planeta con una entrenadora personal.

– Ojalá que ella no aparezca por acá. Sin querer le conté a Isadora sobre nosotros.

– Creo que te está gustando esa muchacha.

– Tienes razón. Estoy jodido, Junior. Apasionadamente jodido.

– Eso resulta un blues.

– Tantas mujeres y yo invento de querer una que vive a tres mil kilómetros de distancia.

– Mejor así que no te satura.

– Sí. Pero yo no iba a aguantar de nostalgia.

– Llámala para vivir acá.

– No resultaría bien, ella es demasiado loca.

– ¿Entonces qué quieres?

Luca pensó un poco.

– No sé.

– Con permiso, Junior Rível – dijo Isadora, llegando de vuelta. – Voy a raptar a tu amigo para bailar ese bolero.

– Y yo me voy a confesar con aquella monja allí. Hoy estoy lleno de pecado.

– Ven – ella dijo, tironeando a Luca por la mano.

En la pista de danza, ellos juntaron los cuerpos y empezaron a bailar, mano con mano, cara con cara.

– Vamos a aprovechar bien esta noche, Luca. Es nuestra despedida.

– Claro que no. Vos puedes venir a Fortaleza cuando quieras.

– Vos sabes que es.

– O yo puedo ir a encontrarte por las playas…

– Ya hablamos sobre eso. No vamos a poner a perder la noche.

– Yo sé, pero… ‒ ¿Pero qué?, él pensó. No había pero, ni tal vez, ni quien sabe. Isadora tenía razón, y él sabía bien que así era. Todo lo que había allí era la certeza de un gran amor sin futuro, y él debía conformarse de una buena vez.

‒ Todo bien, no vamos a echar a perder la noche.

– Hoy yo quiero tu mundo, ¿has escuchado? Con todas sus locuras.

– Vos eres loca realmente.

– Y, no importa lo que pase, nosotros estaremos juntos. ¿De acuerdo?

– De acuerdo ‒ él respondió, riéndose de sus modos autoritarios.

Isadora se sonrió y lo besó, apretándolo fuerte en sus brazos. Después pegó los labios en su oreja para cantar junto con la música: Lo que valen son tus brazos cuando de noche me abrazan…

Terminado el bolero, Luca fue al baño y a la vuelta simuló un encontronazo con la moza vestida de colegiala.

– Perdón.

– No fue nada – ella dijo, equilibrando los vasos en la bandeja.

– ¿Cómo te llamas?

– Bebel, la colegiala zarpada a su disposición…

– Uau… No me digas eso hoy que yo soy un hombre casado.

– Que pena…

Durante un tiempo ellos se miraron en silencio, sonriéndose, sus cuerpos casi pegados uno al otro, y el movimiento de las personas alrededor parecía un remolino… Luca aún podía escuchar el eco de aquel “que pena” en su mente. Ella seguía sonriéndose… Fue necesario un enorme esfuerzo, pero él consiguió controlarse.

– Bien… Yo soy Luca, un gusto.

– Yo sé. Ya he visto un show de la Bluz Neón. en el Papalegua.

– ¿En serio?

– ¡Me pareció excelente! Vos sos muy bueno, Luca.

– Así me quedo avergonzado.

– Es más, ustedes dos son muy buenos.

– ¿Quién?

– Vos y tu novia. Ella está divina.

– Ah. En realidad… no sé si somos novios.

– Si no son, deberían ser.

Luca se rio. Primero Pereira, ahora Bebel. ¿Estaban todos queriendo casarlo?

– Ahora has quedado realmente avergonzado – ella bromeó, apretando su mejilla. – Perdón.

– Solo te perdono cuando me traigas dos whiskys – él dijo, entregándole la comanda.

– Dos whiskys especiales, para que me perdones un poco más, ¿está bien?

Ella apuntó el pedido y salió, dejándolo a Luca con una cara de bobo, riéndose de la situación. Él se dio vuelta, buscando por Isadora, y la encontró poco más adelante, apreciando los textos eróticos en la pantalla grande.

– Luca, ¿vos ya has visto los poemas que están pasando en la pantalla? ¡Son preciosos!

– Hay uno ahí que es el más precioso de todos.

– ¿Cuál?

– Espera que debe ser el próximo.

Luego de unos instantes el poema siguiente empezó a formarse en la pantalla. El título vino antes: Poemas de saliva. Después la autoría: Luca.

– ¡Uau, es tuyo! ¡Qué bueno!

Isadora miró de vuelta hacia la pantalla. Y leyó: Para Isadora. Y en seguida el poema surgió en la pantalla, verso tras verso:

Resbalo poemas de saliva
En el bosquejo de tu piel
Sílabas mojadas
Rimas sensoriales
El sentido más profundo de mi verso
Habla la lengua de tus gestos
En convulsiones gramaticales

Poemas depravados en tu piel de pecado
Poemas de navaja en tu cuerpo sin perdón
La figura de lenguaje del deseo
Habla la lengua de mi beso
Sin traducción

– No sé qué decir… – ella murmuró emocionada, aún mirando hacia la pantalla.

Él la tomó por las caderas y la besó. Y durante un tiempo sus cuerpos unidos tuvieron como plan de fondo la imagen del poema en la gran pantalla.

– Dos whiskys para la pareja más interesante de la fiesta – Bebel dijo después que los dos terminaron el beso.

– ¡Caramba! – exclamó Luca, mientras cogía los vasos en la bandeja. – ¿Hace tiempo que estás ahí?

– Y quedaría el tiempo que fuera necesario. Fue tan romántico…

– Entonces este brindis es por vos, Bebel, la colegiala más hermosa de la fiesta – dijo Isadora, levantando el vaso y dándose cuenta en seguida de la absoluta sinceridad de su frase. Sí, ella admitía, le había gustado aquella chica desde el principio, incluso más de lo que se imaginaría capaz.

– Gracias – Bebel respondió. – Ahora con permiso que yo tengo que ir al baño.

Mientras la moza se alejaba, Isadora recordó que en su vida nunca antes había deseado sexualmente a una mujer. ¿Sería eso lo que estaba ocurriendo? ¿Y si fuera realmente, qué debería hacer? Bien, Bebel era una mina hermosa, delicada, y parecía también tener gusto por ella. Por ella y por Luca. Y estaban en una fiesta erótica, ¿no era así? Y, además de todo eso, ¿ella no deseaba probar el mundo de Luca, con todas sus… insanias? Entonces… ¿por qué no?

– Voy también – dijo Isadora de repente. Y, para sorpresa de Luca, volcó de un trago el whisky y le entregó el vaso vacío.

Luca se recostó en la barra y observó a las dos siguiendo rumbo al baño. En la pantalla pasaban escenas de otras ediciones de la fiesta y él se entretuvo un poco con las imágenes. Pero en seguida miró el reloj, impaciente, ¿por qué Isadora tardaba tanto? Quince minutos después ella apareció, trayendo dos whiskys más.

– Me están gustando los personajes de tu mundo, ¿sabes? Bebel es un dulce de persona.

– ¿Qué diabluras hacías todo ese tiempo en el baño? – preguntó Luca, agarrando uno de los vasos.

– No fue tanto tiempo.

– Claro que fue.

– ¿Qué hacen dos mujeres maravillosas como Bebel y yo en un baño, Luca?

– Exactamente lo que yo pregunté.

– Picholarío.

– ¿Cómo?

– Pichi, lápiz de labio y chusmerío – ella respondió, riéndose, recordando el beso que se habían dado con Bebel en el baño. Y que habían repetido con más intensidad antes de salir, lo que la forzó a arreglarse de nuevo el lápiz de labios.

Luca se sonrió avergonzado. Isadora empezó a bailar adelante de él, entusiasmada. Él notó sus senos expuestos por la camisa medio abierta.

– Vos te has aplicado al escote…

– ¿Es una fiesta erótica, no?

– ¿Pero hacía falta tanto?

– ¿Vos no estás con celos, o sí?

– Claro que no.

– Menos mal. Porque yo y mis pechos estamos amando la fiesta.

Ella se rio de la broma y tomó un trago de whisky. Él se rio una risa falsa.

– ¿Cuántas ya te tomaste, Isadora?

– Yo estoy bien, Luca. Relájate.

– Solo pregunté porque quiero que aproveches bien la fiesta.

– Menos mal que no es para querer controlarme.

– Yo no quiero controlar a nadie.

– Entonces relájate.

– Estoy relajado.

Ella tomó su mano y la puso sobre su seno.

– Nosotros estamos juntos, mi amor.

Él pudo sentir los latidos acelerados del corazón de Isadora. ¿Mi amor? ¿Fue así que ella lo llamó?

– Dame un abrazo, Luca.

Él la abrazó y así se dejó estar, muy junto a ella, enteramente envuelto por la sensación de ya haber vivido aquello antes… Cerró los ojos y trató de recordar cuando había vivido aquella misma situación, pero todo lo que le vino fue la sensación de estar girando, girando… Era como si estuviera en un círculo, girando, siempre pasando por aquél mismo lugar… girando en un círculo, siempre pasando por el mismo punto, siempre…

Abrió los ojos asustado, volviendo a sí. Se sentía levemente mareado. Miró alrededor, certificándose de que seguía allí, en el Cabaret Society. Ella aún estaba abrazada a él, en medio de la personas tomando y bailando. ¿Cuánto tiempo había pasado? ¿Algunos segundos? ¿Siglos?

– Ven, vamos a bailar.

– Creo que no.

– Ah, Luca, ven.

– Estoy cansado.

– Entonces voy a bailar con Bebel.

– Ella está trabajando, Isadora.

– Un ratito nada más no va a jorobarla.

Mientras ella salía, Luca se preguntó a sí mismo lo que estaba pasando. Se sentía enojado. ¿Por qué? Quizás porque al día siguiente Isadora se iría de nuevo y eso lo dejaba molesto. No, no era exactamente eso, él sabía. Estaba enamorado, esa era la causa real, y no sabía lidiar bien con el hecho. Incluso estaba sintiendo celos. Aquella pasión por Isadora alteraba el orden de su mundo, le traía sensaciones raras y lo dejaba incómodo e inseguro.

Él se rascó la cicatriz de la cara, pensando. Isadora estaba probando su mundo, un mundo hecho de bares, fiestas y neóns coloridos. Ella parecía querer vivir lo que él vivía, la gran fiesta de la embriaguez, la seducción de la lujuria, los sortilegios de la noche. Y hacía eso de una manera tan simple y natural, no parecía esforzarse… ¿Aquello era ser taoísta? Ella era realmente increíble. ¿Cómo no enamorarse?

Dio vuelta el resto de la dosis y puso el vaso sobre la barra. La fiesta estaba bárbara y al otro día Isadora no estaría más con él. Necesitaba de hecho relajarse.

La música hizo una pausa y el productor de la fiesta subió al tablado.

– Buenas noches. Mi nombre es Ricardo Kelmer y soy el dueño de este cabaret. Espero que estén divirtiéndose. Vamos ahora a empezar el concurso de la Musa del Cabaret. Las candidatas pueden subir aquí y bailar. ¡Música para ellas!

Mientras varias mujeres subían al tablado y eran presentadas al público, Luca buscó alrededor por Isadora. Pero no la vio. Entonces, observando a las candidatas, se asustó: allá estaba Isadora entre ellas. Él simplemente no pudo creer. No, tal vez fuera otra chica, muy parecida, la misma ropa…

No, de hecho era ella. Y bailaba sensualmente, contorciéndose en movimientos insinuadores, la expresión lánguida, los senos casi saltando del escote…

Luca tragó en seco. Isadora en el concurso Musa del Cabaret – ¿cuándo se podría imaginar una cosa así? ¿Y cuándo podría imaginarse que ella… bailaría tan bien? A su lado, un grupo de hombres vibraba, silbando y gritando su nombre, y él sintió otra vez los celos llegando, como un bicho al acecho… Que mierda. Necesitaba urgentemente otro whisky.

Al fin de la música, el público votó en las candidatas y  eligió a la ganadora. Isadora, tchan-tchan-tchan-tchaaannn…, quedó en segundo lugar y, como premio, recibió un crédito en una sex shop y un vino importado. Contenta, ella agradeció los aplausos y antes de bajar del tablado, dedicó el premio:

– Al amor de mis vidas.

Un minuto después Luca la encontró en la barra con Bebel.

– Felicitaciones, Musa del Cabaret.

– ¡Luca! – Ella lo abrazó, radiante de alegría. – ¿Has escuchado la dedicatoria?

– Claro, me encantó. Estuviste bárbara.

– Lo que pueden hacer unos whiskys…

– Pero podrías haberme avisado para que me preparara. Aquellos tipos gritando “Isadora! Isadora!”… Fue horrible.

– ¿Ay, que bueno! ¡Mi Luca con celos de mí!

– Voy a superarlo, voy a superarlo…

– Yo no iba a participar en el concurso. Pero Bebel me convenció.

– Fue una injusticia – dijo Bebel. – Ella merecía ganar.

– El crédito de la sex shop te lo regalo, Bebel.

– ¡Caramba, gracias!

– Pero el vino vendrás a tomarlo con nosotros, por favor.

– Con mucho gusto. Pero solo puedo después de la fiesta.

– Podemos ir para el departamento de Luca, es acá cerca. ¿Verdad, Luca?

Él casi se atragantó, con la sorpresa.

– Él aceptó, Bebel. ¡Vamos a festejar!

Después que Bebel se alejó, Isadora tironeó a Luca por las caderas, abrazándolo de una forma provocadora.

– ¿Qué te pareció ella, eh?

– ¿Ella quién?

– Bebel.

– Bien.

– ¿Así de simple?

– Sí. Parece buena gente.

– ¡Ay, Luca, vos sos bárbaro! – ella dijo, riéndose. – ¿Por qué no admites que te gustó la mina?

– ¿Quien? ¿Yo?

– ¿Me dirás que no?

Él miró serio a Isadora. ¿Adónde quería llegar ella?

– Está bien, me gustó. ¿Y qué?

– A mí también.

– ¿Te gustó cómo?

Él sintió su mano palpándole el sexo sobre los pantalones.

– Me gustó como te gustó a vos.

Él escuchó sorprendido y de repente, la situación era todo un tropel suelto, totalmente sin control…

– ¿A vos no te parece que estás exagerando en esa cosa de probar mi mundo?

– ¿Por qué? ¿Te parece que no lo merezco?

– Isadora, ¿por qué no me dices lo que estás planeando, eh?

– No estoy planeando nada.

– ¿Por casualidad estás usando a Bebel para probarme?

– Claro que no.

– ¿Todo eso tiene algo que ver con la historia de Sonita?

– ¿Cómo así?

– ¿Vos no me perdonaste por ayer, no? Ya te dije que Sonita y yo…

– Relájate, Luca – ella lo interrumpió. – Vos estás viendo fantasmas. Solo invité a Bebel para tomar el vino con nosotros. Porque a mí me gustó ella y sé que a vos también te gustó.

Luca no sabía qué conclusión sacar de todo aquello. Quizás no hubiera sido buena idea invitar a Isadora para que conociera su mundo.

– Nosotros estamos juntos, Luca – ella volvió a decir. – ¿Vos aún no has entendido eso?

Él no respondió. Se quedó pensando, mirándola a Isadora bailar a su frente. Sí, claro que había entendido. ¿O no?

*     *     *

– ¿Te gustó el Cabaret, Isadora? – preguntó Bebel mientras Luca metía la llave en el cerrojo y abría la puerta del departamento.

– Me encantó. Si llego a estar acá en el próximo, voy con liguero y todo, verás.

– ¡Y ganarás el primer premio!

Luca fue a la cocina y volvió con los vasos y el vino abierto. Sirvió y brindaron:

– ¡A la Musa del Cabaret!

Mientras Bebel miraba con Isadora los posters y los carteles de los shows, Luca puso Ellis Mário a tocar y el sonido del saxo rellenó suavemente el ambiente.

– ¿Quieres más vino, Bebel?

– Gracias, Isadora, yo no tomo mucho. En realidad me gustaría darme un baño, me estoy sintiendo inmunda. ¿Puedo?

– Claro.

Isadora la llevó a Bebel hasta el baño, dejándole una toalla y previniéndola de que el espejo partido podría dejarla con un aspecto raro. Cerró la puerta y se sentó en la cama al lado de Luca.

– ¿Vos estás bien? – él preguntó.

– Estoy estupenda. Sos vos el que podría relajarse un poco más. Por vos, por mí… – Ella se sonrió y señaló con los ojos el baño. – Y por ella.

– ¿Vos no tienes celos?

– No necesito tenerte celos, Luca.

– ¿Por qué?

Ella caminó hasta la llave y apagó la luz del cuarto, dejándolo suavemente alumbrado por la luz que venía del living. Después se sacó los calzados y se posicionó arrodillada sobre la cama, de frente hacia él.

– Porque la mujer de tu vida soy yo. Hace cuatrocientos años.

– Yo creo en lo que puedo ver y tocar, Isadora, y no en esas fantasías místicas que…

Ella puso el dedo en su boca, impidiéndole de seguir. Después abrió totalmente los botones de la camisa, mostrándole los senos desnudos.

– Pues entonces cree.

Poco después Bebel salió del baño y, desde el desván de la puerta, envuelta en una toalla, se sonrió y paró por un instante para observar. El cuarto estaba en penumbra pero ella pudo ver bien a los dos cuerpos acostados en la cama, las manos y bocas desplazándose por sus superficies. Entonces dejó caer la toalla y, enteramente desnuda, se acercó de la cama. En ese momento Isadora abrió los ojos y, manteniendo la cara de Luca metida entre sus piernas, extendió el brazo hacia afuera de la cama, tocó la mano de Bebel y la tironeó, como Bebel había hecho con ella hacía algunas horas, a la entrada de la fiesta:

– Ven…

*     *     *

– Buenos días, mi amor – dijo Isadora a la puerta de la cocina, recibiendo a Luca cariñosamente con un abrazo y un beso. – ¿Quieres un café calentito? Acabo de hacerlo.

– ¿Y Bebel? – él preguntó, en medio de un bostezo.

– Ya se ha ido. Te dejó un beso.

Él se sentó a la mesa de la cocina y se sirvió. En seguida la llevaría a Isadora a la estación y ella proseguiría su viaje por la costa. Ya sentía la nostalgia arder en su pecho. Ella podría muy bien interrumpir un poco aquel viaje y quedarse con él algunos días más… O algunas semanas…

‒ ¿Ya te he dicho que me encanta verte así, despertando?

‒ Si quieres ver más, ahora sabes adonde vivo.

Él levantó la mirada para certificarse de la reacción de Isadora a lo que dijera, pero ella apenas se sonrió, mientras mojaba el pan en el café. A él le hubiera encantado escuchar algo como “entonces me quedaré”, pero sabía que aquel tema ya estaba terminado.

– ¿No estás de resaca?

‒ Un poquito. Pero en el autobús voy a darme una buena siesta.

Mirándola a Isadora allí adelante de él, tomando café vestida con una camiseta suya, él tuvo la sensación de que la conocía hacía mucho tiempo. Pero en realidad hacía poco más que dos meses. Se habían visto durante tres días en Tibau del Sur, un fin de semana en la laguna de Uruaú y ahora en Fortaleza. Habían hecho el amor solamente cinco veces, de las cuales una con Bebel. Y era eso nada más. Pero parecía ser más, muchísimo más que eso… Y ahora ella se iría de su vida. No había sentido… ¿Será que lo que estaba sintiendo era… amor?

‒ He sacado un I Ching para vos. ¿Quieres saber cómo fue?

Es muy temprano para misterios, él pensó, tomando el café. Pero dijo que sí.

– Salió el Receptivo ‒ ella dijo, yendo hasta el living y volviendo rápidamente con el libro. ‒ Primer línea con tensión.

– ¿Y eso es bueno o malo?

– Sos vos el que debe interpretarlo. ¿Quieres leer?

No. No quería. Pero leyó. Una vez, dos veces… Después devolvió el libro.

– No entendí nada.

– A veces, en un primer momento, el mensaje parece confundido. ¿Voy a apuntarlo en tu agenda, está bien?

Él se sirvió otra taza de café.

– ¿Y entonces, qué te pareció mi mundo?

– Me encantó.

– Qué bien. ¿Y la última parte?

– Fue maravilloso, Luca. Pero te prefiero a vos solo, para que te concentres más en mí…

– Esa cosa de sexo a tres… ahn… Vos ya habías…

– No. Pero no voy a negar que siempre tuve curiosidad.

– Vos parecías tan a gusto…

– ¡Claro, estaba tan bueno!

Estaba realmente, él pensó. Podría haberse relajado un poco más y olvidar lo que lo afligía, sus celos súbitos, sus sentimientos en torbellino, Isadora yéndose al día siguiente… Pero aún así había sido delicioso hacer el sexo con ella y Bebel.

– Apuesto que para vos no fue ninguna novedad…

– Más o menos – él dijo, recordando la noche con la aficionada pelirroja que había conocido en el Papalegua, aquella cosa horrenda de la hermana melliza muerta…

Ella terminó su taza de café, se secó los labios y se preparó para decir lo que diría. No sería fácil, ella sabía. Pero sabía también que era hora de tomar una decisión.

– Te quiero decir algo importante, Luca.

– ¿Qué pasa?

– Ayer, apenas llegamos, Bebel me llevó para buscar una comanda, te acuerdas?

– Me acuerdo.

– En aquel momento yo sentí que ustedes quedarían juntos.

– ¿Cómo?

– Es eso.

– ¿Entonces ahora, además del pasado, vos también ves el futuro?

– En aquel momento no lo entendí bien, fue una sensación rara. Pero después quedó claro.

– No fui solo yo el que estuvo con ella. Nosotros estuvimos. Y fuiste vos la que invitó a Bebel a que venir hasta acá.

– Sí, la invité porque ella me gustó. Y yo estaba realmente dispuesta a probar tu mundo, tus cosas. Pero no estoy hablando de ayer.

– ¿No?

– Estoy hablando de cuando yo me vaya. Ustedes se quedarán juntos.

– No te estoy entendiendo, Isadora.

– Fue lo que sentí. Y aún lo siento.

– ¿Vos estás loca?

– ¿Y quieres saber? Bebel es una chica muy especial, Luca. Ella puede ayudarte.

Luca hacía un tamborileo con los dedos en la mesa. No le estaban gustando nada los rumbos de aquella conversación.

– ¿Por qué quieres que yo me quede con ella?

– Yo no quiero. Pero vos te quedarás, ¿qué se va a hacer?

– ¡Isadora, eso ya es demasiado desquicio! – él gritó, golpeando la mesa.

– No necesitas ponerte nervioso.

– Yo no estoy nervioso.

– Menos mal.

Él respiró, intentando calmarse.

– Yo no me quedaré con Bebel. Me quedaré con vos.

– Pero yo me estoy yendo.

– Entonces no te vayas.

– ¿Cómo así?

– Quédate conmigo. Ven a vivir aquí.

Él escuchó sus propias palabras y se sorprendió. ¿De hecho era eso? ¿Había acabado de pedirle a ella que viviera con él?

– Realmente me gustaría. Pero no puedo.

– ¿Por qué? ¿Qué te apresa a San Pablo?

– Nada.

– ¿Entonces cuál es la causa?

– La causa es que vos necesitas saltar un abismo, ¿recuerdas?

– Ah, no, de nuevo esa historia…

– Resistí mucho en llegar a esa conclusión, Luca, pero ahora está claro para mí. Si me quedo acá en Fortaleza, vos no saltarás. Seguirás en tu mundo seguro, siempre rodeándote de tus seguridades y cada vez más obsesionado por el control de todo. Como Enrique.

– No, ese no es el problema, Isadora. El problema es que tienes la manía de construir mundos que no existen, sueños, abismos… Has construido un pasado loco y me has puesto en él. Y ahora acabas de construir un futuro para mí y para Bebel. ¿No ves cuánto todo eso es una locura absurda?

– Nunca tuve dudas en cuanto a eso.

– ¿Vos no podrías, por lo menos una vez en la vida, portarte como una persona normal?

– No hago ningún hincapié en ser una persona normal – ella respondió mientras se levantaba de la mesa.

Luca cerró los ojos, intentando, en algún lugar de su ser, organizar las ideas en confusión, los sentimientos contradictorios… Pero no existía ese lugar. Se levantó y siguió a Isadora hasta la habitación, exaltado.

– Si yo no quiero quedarme con Bebel, no me quedaré, y así ese futuro que has visto no se dará. ¿Has entendido? No hay nada programado. Solamente el pasado es cierto.

Solamente el pasado es cierto… Ella recordó una vez más la despedida en el muelle.

– En eso tienes toda la razón, Luca. Lo que hicimos un día, o dejamos de hacer, no puede cambiarse.

Él juzgó notar un punta de amargor en aquellas palabras.

– ¿Que has querido decir con eso?

– He querido decir lo que dije.

– Pues entonces vamos a ver. Es tu futuro contra el mío.

– Yo no lo creo… Vos acabas de crear una guerra de futuros.

– ¿Vos no tienes más ganas, no es, Isadora? Ya entendí.

Ella no respondió. Agachada en el piso, se ataba los cordones de los calzados.

– Pero en vez de admitir, vos me vienes a decir que quedaré con Bebel después que te vayas.

De nuevo ella no respondió.

– ¡Muy conveniente, pues ahí seré yo el criminal de la historia! Muy conveniente. Vos eres la loca más viva.

– Llegó la hora, Luca – ella dijo, tranquilamente. – Mi autobús sale a las cuatro.

Él la miró con firmeza y una rabia retenida.

– Puedes irte. La puerta está abierta.

Y se sentó en la cama, tomando una revista cualquiera para leer.

– Luca…

– Yo intenté, Isadora – él dijo, hojeando nervioso la revista.

– Mírame…

– Yo juro que lo intenté.

– Luca, mírame. No necesitamos alejarnos así, por favor.

– Yo intenté. Pero vos… esa tu locura… me está afectando demasiado…

Él soltó la revista y ocultó la cara entre las manos temblorosas, el llanto atragantado en la garganta. El corazón le explotaría en el próximo segundo. El mundo se derrumbaría al instante siguiente.

Ella quiso acercarse, pero él, evitando mirarla, la impidió con un ademán.

– Vete de aquí, Isadora, por favor. Antes que yo enloquezca también.

Ella se sonrió, comprensiva, y agarró la mochila. Sabía perfectamente que habían llegado al fin del camino, que en aquel momento no existían más posibilidades. Allí estaba el hombre de su vida, sí, pero él no tenía la valentía de asumir el amor que sentía por ella y dar el paso siguiente. Ella tenía miedo de estar perdiéndolo para siempre, un miedo horrible, pero no debía insistir más, lo sabía. Abandonarlo ahora era la decisión más difícil de todas, pero sabía, con la más calma de las certidumbres, que necesitaba hacerlo. Cuatrocientos años antes, había confiado en Enrique, y él había fallado. Ahora, sabía que tampoco podría confiar en Luca. Todo lo que le quedaba era entonces confiar en la vida, en la rara e irónica sabiduría de la vida.

– Yo intenté, Isadora, yo intenté… – él seguía diciendo, la cara entre las manos.

Ella caminó en silencio hasta el living, abrió la puerta y salió, envuelta en una tristeza resignada. También había intentado.

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El Irresistible Encanto de la Insania

CAPÍTULOS

prólogo – 1 -2 – 3
4 – 5 – 6
7 – 8 – 9
10 – 11 – 12

 


El Irresistible Encanto de la Insania 1

13/05/2020

 

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EL IRRESISTIBLE ENCANTO DE LA INSANIA

Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2015
novela – traducción: Felipe Obrer

Luca es un músico, obsesionado por el control de la vida, que se involucra con Isadora, una viajante taoísta que asegura que él es la reencarnación de su maestro y amante del siglo 16. Él comienza una aventura rara en la cual desaparecen los límites entre sanidad y locura, real e imaginário y, por fin, descubre que para merecer a la mujer que ama tendrá antes que saber quién en realidad es él mismo.

En esta insólita historia de amor, que ocurre simultáneamente en la España de 1500 y en el Brasil del siglo 21, los déjà-vu (sensación de ya haber vivido determinada situación) son portales del tiempo a través de los cuales tenemos contacto con otras vidas.

Blues, sexo y whiskys dobles. Sueños, experiencias místicas y órdenes secretos. Esta novela ejercita, en una historia divertida y emocionante, posibilidades intrigadoras del tiempo, de la vida y de lo que puede ser el “yo”.

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In portuguese – blog 

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PRÓLOGO

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Él la abrazó y así se dejó quedar, muy junto a ella, enteramente abarcado por la sensación de haber vivido aquello antes… Cerró los ojos e intentó recordar cuando había vivido aquella misma situación, pero todo lo que le vino fue la sensación de estar girando, girando… Era como si estuviera en un círculo, girando, siempre pasando por aquél mismo lugar… girando en un círculo, siempre pasando por el mismo punto, siempre…

Abrió los ojos asustado, volviendo a sí. Se sentía un poco mareado. Miró alrededor, asegurándose de que seguía allí, en el muelle de Barcelona, en aquella mañana nublada. Ella aún estaba abrazada a él, en medio a la prisa de los empleados del muelle. ¿Cuánto tiempo había pasado? ¿Algunos segundos? ¿Siglos?

– ¿Qué ha pasado? – ella preguntó.

– No lo sé, un mareo…

– Hace días que estás raro.

– Necesito irme ahora.

– ¿Estás seguro de que no puedo ir, de hecho?

– Ya hemos hablamos sobre eso, Catarina.

– Y si…

– Ya te he dicho que volveré. En un mes arreglaré las cosas en Lisboa y volveré. Y entonces iremos juntos para Brasil. ¿No ha sido eso lo que acordamos?

– Estoy con miedo, Enrique… – Ella lo abrazó otra vez, más fuerte.

– Ya están subiendo las velas – él respondió, sintiendo el viento que soplaba. Deshizo el abrazo y salió caminando rumbo al navío, el paso rápido, sin mirar hacia atrás.

Minutos después el navío empezó a alejarse y, desde el borde, él la vio saludando, sola en el muelle, en medio de la niebla. Y de repente fue como si ella repitiera un gesto muy antiguo, realizado hacía mucho tiempo, un ademán triste que le cortaba el alma. ¿Cuándo se habían despedido así?

Necesito un trago, él pensó, sintiendo el alma pesada. Y se dirigió hacia la cabina.

Él no quería pensar en eso, pero sabía: era solamente el principio de un largo y difícil viaje.

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CAPÍTULO 1

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Luca se despertó asustado. Había soñado con un abismo, inmenso y oscuro, bien adelante de sí, un abismo terrificante… Se frotó los ojos y soltó un bostezo largo mientras estiraba las piernas abajo del asiento en frente. Miró por la ventanilla del ómnibus y vio el paisaje pasando, la vegetación cercana, las casitas simples al margen de la ruta, una sierra más adelante… Felizmente no había abismos por allí, pensó él, aliviado.

Un poco más y estaría en Pipa, la famosa playa en la costa sur de Río Grande del Norte. Hacía seis meses, desde cuando había acordado el descanso con la gráfica, que soñaba con aquél viaje. Ahora todo lo que haría por los cuatro días a continuación, hasta el domingo, sería descansar la cabeza y olvidarse de los problemas en Fortaleza. Solo. Sin reloj, sin móvil y sin Internet.

En realidad había llevado el teléfono, sí. Con acceso a Internet. Pero, como él mismo se había prometido, era solamente para verificar si alguna muchacha le había dejado un mensaje urgente, nada más. Y también para ver si un amigo había depositado en su cuenta el dinero que le debía. Ah, y también para acompañar la venta de entradas para el próximo show de la Bluz Neón, su banda, eso era muy importante. Pequeños cuidados, solamente eso, para que la vida no saliera del control.

Por el reflejo de la ventana pudo ver su cara, el cabello revuelto, la expresión somnolienta… Vio la cicatriz en la mejilla derecha, se acordó del accidente, el paseo en balsa, la cara golpeándose fuerte en el mástil, aún era adolescente. Todo porque quería impresionar a una chica. Amar era de hecho un peligro.

Al fin de la tarde, pocos kilómetros antes de Pipa, el ómnibus pasó por una ciudadela y, desde el tope de la ladera, a Luca le gustó lo que vio. A su izquierda, allá abajo, se desparramaba una gran laguna, que más adelante se transformaba en río y corría suave hacia el mar. Además de la laguna, por sobre la copa de los árboles, el sol bajaba despacito, salpicando el agua con reflejos que se mezclaban a las toninas que saltaban.

Encantado con el paisaje, Luca sintió su mirada cautivada por aquella belleza poética, casi musical…

– ¿Qué ciudad es ésta? – le preguntó a la señora del asiento contiguo.

– Tibau del Sur. Es una antigua villa de pescadores.

Luca recordó lo que sus amigos decían sobre Pipa, las  playas hermosas, las posadas, la movida de los bares, gente de todo el mundo. Y así y todo, aquel paisaje…

Se levantó de la poltrona, fue hasta la cabina del conductor y le pidió que parara. Había cambiado de idea. Se quedaría en Tibau del Sur.

Con la mochila a espaldas y la guitarra bajo el brazo, él caminó de vuelta por la ruta y, a la entrada de la ciudad, siguió rumbo al mar, hasta el borde de la ladera, donde había un pequeño bar de estilo rústico. Eligió una mesa bajo el quinchado, pidió una medida de aguardiente y se sentó, deleitándose con la brisa marina y el olor del mar. Había un barco anclado y una bandada de gaviotas jugueteaba en el cielo. La luz del fin de tarde bañaba al paisaje de una atmósfera medio onírica y de sopetón se sintió afuera del tiempo, todo a su alrededor flotando como un pedazo de tierra que se suelta del continente de la realidad…

Fue en ese momento, como un anhelo, que la canción quiso salir. No solo quería, ella necesitaba salir. Rápidamente, el agarró la guitarra y… la música no salió. Intentó varios acordes pero ninguno de ellos consiguió exprimir debidamente al alma de aquel instante. En otro momento tal vez, él pensó, un poco frustrado, dejando a un lado la guitarra. Y se volcó de un trago la bebida.  

*     *     *

Ya era de noche cuando Luca llegó al camping, un pequeño espacio arbolado cercano al río que la dueña del terreno, doña Zezé, una señora desquitada, alquilaba a campistas. Al lado estaban su casa, una pequeña posada y el restaurante, todo muy simple. Como no estaban en alta estación y tampoco era feriado, la posada estaba vacía y en el camping había solamente una carpa azul y ninguna más.

– Abajo de aquel mango es un lugar bueno para que te quedes, hace mucha sombra – le sugirió doña Zezé. – ¿Pero  antes no quieres comer algo? Te ves muy flaco.

– Yo vendré después, gracias.

En pocos minutos Luca armó la carpa y se cambió de ropa. Pocos pasos hacia el norte y estaría al borde de la ladera, el río a algunos metros allá abajo esperándolo para una zambullida. Mejor imposible. Pero la zambullida quedaría para el día siguiente, estaba muy cansado.

En el restaurante comió un sándwich con una gaseosa, charló un poco más con doña Zezé y conoció a sus dos hijos adolescentes, que vivían con ella y la ayudaban a administrar el negocio. Después volvió a la carpa y se acostó. Pero el  sueño no llegó rápidamente como él quería. La simplicidad y la belleza de aquel lugar, en vez de calmarlo, de repente le trajeron muchos pensamientos…

¿Por qué la vida no era más fácil de ser vivida?, él se indagó. En vez de eso, era necesario estar siempre atento para que la vida no escapara al control, siempre al acecho para que la mano traicionera del destino no se metiera en sus oportunidades de ser feliz. ¿Por qué?

Un continuado y angustioso esfuerzo de establecerse y ahorrar dinero – era a eso que se había resumido su vida. Cuando tenía dieciocho años y cursaba la facultad de Administración, se imaginaba que en seguida estaría en una situación tranquila, sen apremios económicos. Pero el futuro resultó distinto. Después de emplearse en una gráfica, abandonó la facultad y pasó a dedicarse más a la guitarra, un antiguo placer de la adolescencia. Tenía ahora veintiocho años y todo seguía difícil y trabado.

Dos años antes aún vivía con la madre, doña Gloria, y la hermana Celina, que era novia del baterista de su banda. El padre había fallecido cuando ellos eran bien chicos y la madre no se había casado otra vez. Ahora el empleo de gerente en la gráfica le aseguraba el alquiler de la kitchenette, en la cual vivía solo. Media docena de conciertos por mes lo ayudaban a mantener a duras penas el viejo volkswagen, a comprar comida, pagar las cuentas, tomar unos whiskys y listo, solamente eso. Los gastos eran medidos y contados y recontados en los más menudos detalles, un aprieto permanente. Doña Gloria ya se había dado por vencida en cuanto a aconsejar al hijo que intentara carrera pública y que se casara. Ser gerente de gráfica, decía él, era la máxima concesión que podía hacer. Y en cuanto al casamiento…

– No me cabe, mamá. El amor descontrola mucho a la vida de uno.

Se sentía muy cansado. La sensación era de que, a pesar de todos los esfuerzos de los últimos años, seguía andando en círculos, girando sobre el mismo punto, siempre girando, siempre…

Miró a la guitarra recostada al lado. Por lo menos había la música. Y la banda. Dos años antes había conocido a Junior Rível, que lo invitó a cantar en la banda que estaba armando. Inseguro, dudó en aceptar.

– No tienes en qué pensar, ciudadano – insistió Junior. – Mucho show, mucho whisky. ¡Y mucha mujer!

Argumento irresistible.

– Aceptado – respondió Luca, apretándole la mano al nuevo amigo. – Fiesta es lo que nos queda en esta vida.

– Opa. Eso puede resultar un blues.

Nacía así la amistad entre Luca y Junior Rível. Y nacía también la Bluz Neón. Fiesta es lo que nos queda – era el lema de la banda. Blues, rock e irreverencia en la noche de Fortaleza. Los caches eran parcos y muchas veces se presentaban gratis, pero el placer de tocar lo compensaba todo. Y para Luca, la Bluz Neón era el refugio perfecto, dónde podía esconderse de la claridad traicionera de los días. De noche él estaba salvado, todo bajo perfecto control. La noche sí, era segura, con sus bares, whiskys y amores bajo control.  Era como un sueño lindo. El único defecto era que al otro día él siempre tenía que despertarse.

Tus ojos se prenden en los neons
Es el frisson de bar en bar
Es necesario ser feliz, es urgente
Un romance caliente
Antes que el día nos recuerde
Que el sueño no resiste a la luz solar

*     *     *

Al día siguiente Luca se levantó tarde, sintiéndose todavía muy cansado. Había demorado bastante en adormecerse, envuelto en sus mil pensamientos. ¿Será que ni siquiera allí, en aquel paraíso, conseguiría relajarse de verdad?

Hacía una mañana de sol claro en Tibau del Sur. Luca se puso los lentes de sombra, salió de la carpa y fue hasta el restaurante de la posada a desayunar. Más tarde, después de un demorado baño en el río, él volvió al camping. Se sentía más bien dispuesto. ¿Cuál había sido la última vez en que se había sumergido en un río? Ni se acordaba. Pero necesitaba hacer aquello más veces.

Después de cambiarse de ropa, rumbeó hacia el restaurante para almorzar. Fue en ese momento que ella surgió.

– Hola…

Él se dio vuelta y vio a una muchacha. Era linda y parecía tener la misma edad que él. Usaba short jeans, camiseta y sandalias.

– Hola – él respondió, simpático.

– Soy tu vecina de carpa. Isadora.

– Un gusto. Luca.

– Luca… – ella repitió, probando el nombre en su boca. – Luca…

Ella se rió, manteniendo la mirada en él. Estás tan diferente…, pensó, notando su cuerpo flaco, el cabello despeinado, la cicatriz en la mejilla…

– ¿Estás solo?

– Ahora no estoy más.

– ¡Qué bueno! ¿Ya has almorzado?

– No. ¿Mi vecina me daría el gusto? – Él jugó a hacer un galanteo, como si se sacara un sombrero de la cabeza.

– Hummm… ¿Cómo rechazar?

En el restaurante, él sugirió un guisado de pescado y ella aceptó. Luca se dio cuenta de que ella tenía hermosos ojos color de miel. Notó también que ella lo miraba de manera rara y se sintió molesto. La cerveza llegó y él sugirió un brindis:

– A los encuentros.

– Encuentros, no – ella corrigió. – Reencuentros.

¿Reencuentros? Él no entendió, pero lo dejó así. Y tomó. Ella quiso saber de dónde él era y él respondió que vivía en Fortaleza.

– Fortaleza… Un día la conoceré. ¿Y vos, qué haces?

– Trabajo en una gráfica, pero mi tema es la música. Tengo una banda, la Bluz Neón.

– ¿Qué tocan ustedes?

– Blues, rock y lo que venga fútbol club.

– Debe estar bien bueno. Yo soy de San Pablo. ¿Conoces?

– No. Pero vos no tienes mucho acento.

– Es que he vivido en varios lugares cuando era chica. Tomé gusto por el viaje. ¿Me siento ciudadana del mundo, sabes?

– ¿No tienes miedo de viajar sola?

– Claro que no.

– Si necesitas, hay un cyber a la entrada de la ciudad.

– Ah, no, nada de computadora en este viaje. No traje ni siquiera el móvil.

– ¿En serio? ¿Por qué?

– Digamos que yo… necesito conectarme más conmigo misma.

– Entiendo – él respondió, sin estar seguro si realmente entendía. ¿Cómo alguien podía viajar sin llevar el teléfono móvil? – ¿Y que haces vos en San Pablo?

– Trabajaba en un banco. Pero pedí el despido para poder hacer este viaje. Hace un mes que viajo por la costa nordestina.

Bonita e interesante, Luca pensó, mientras tomaba un trago largo de cerveza. ¿Pero por qué lo miraba de aquella manera rara?

– ¿Te puedo preguntar algo, Isadora?

– Claro.

– ¿Por qué me miras así?

– Ahn… es que vos… vos me recuerdas a alguien.

– ¿Quién?

Ella giró el vaso entre los dedos, nerviosa.

– ¿Y vos, no tienes la impresión de que también me conoces?

– ¿Por qué? ¿Nosotros nos conocemos?

Ella se sonrió y otra vez no respondió. A Luca le pareció mejor no insistir, tal vez él la hiciera recordar a alguien que ella no quería recordar, sí, tal vez fuera eso.

– Nuestro guisado de pescado ha llegado – él avisó, indicando al chico que se acercaba con la bandeja.

Se sirvieron y comieron. Luca pidió otra cerveza, entusiasmado. Segundo día y un almuerzo con una hermosura de aquél nivel… Nada mal. Cervecita, carpas vecinas… Nada mal realmente.

– ¿Vos por casualidad ya has vivido en España, Luca?

– No. ¿Por qué?

– ¿Estás seguro?

– Claro. ¿Pero por qué? ¿Vos has vivido allá?

Y de nuevo ella no respondió. En vez de eso, se sonrió desconcertada y miró hacia afuera del restaurante. Él seguía intrigado. Ella lo confundía con el otro, debía ser eso. Pero que ella estaba era un encanto, eso sabía.

– ¿Y de aquí hacia adónde vas vos, Isadora?

– Por ahí. Sin planes.

– ¿Sin planes? Caramba, vos debes ser una persona bastante optimista.

– Pero claro. Al fin todo siempre resulta bien.

– Admiro esa tu confianza en la vida.

– ¿Y por qué yo tendría que desconfiar de ella?

– Por el simple hecho de que si no planificas y tomas precauciones, las cosas salen del control. ¿No te parece?

Ella se rió como si él hubiera contado un buen chiste y respondió:

– ¿Vos sabes cuándo empezamos a tener control sobre las cosas?

– No. Pero es el tipo de cosa que me gustaría muchísimo saber.

– Es cuando abdicamos de tener control sobre ellas.

Luca pensó un poco, tratando de comprender. Pero se dio por vencido.

– No entendí.

– Bueno… ¿Si no hay un intento de controlar, cómo las cosas van a salir del control?

– Ah… – Luca se rió, creyendo que era una broma. Pero en seguida se dio cuenta de que no era.

– ¿Hablas en serio?

– Claro que sí.

Lógica perfecta…, él pensó. Pero demasiado absurda para tomársela en serio. ¿Tus cosas, por ejemplo, de qué manera se arreglarían por sí mismas? El trabajo, la banda, el alquiler del departamento, el mantenimiento del coche… ¿Y los rollos amorosos? ¿Cómo todo eso se resolvería por sí mismo? No, definitivamente no era posible. La vida era un gran tropel y se necesitaba domarla todo el tiempo. Lo que Isadora proponía no era más que un simple romanticismo. Asimismo tenía que admitir que, viniendo de ella, aquellos absurdos en cierta medida tenían algún encanto…

Después del almuerzo tomaron un ómnibus y siguieron hacia Pipa, donde pasearon, conocieron las posadas y las pequeñas heladerías en la placilla. Isadora contó de las playas que conoció en aquellos días, cuanto se sentía en casa en todos los lugares y como se acercaba más de sí misma así, suelta por el mundo.

– ¿Y vos, Luca? ¿Te gusta viajar también?

– Me gusta. Pero no así como a vos.

– ¿Tienes miedo de perderte?

– Creo que me gusta más la seguridad de mi ciudad. Allá yo sé moverme bien.

– Entendí. ¿Y esa cicatriz ahí?

– Recuerdito de un paseo en balsa. Hicimos un blues para ella. ¿Quieres escucharlo?

Ella respondió que sí y él cantó:

Amar es un peligro
Solo yo sé lo que pasé
En ese abismo me dio vértigo
Y la angustia no se deshizo
No quiero el dolor de un bis más
Después solo queda la cicatriz
Solo no me pidas, baby
No me pidas que te ame

– ¿Has tenido un desencanto amoroso muy fuerte? – ella quiso saber.

– Tuve. Pero ya hace tiempo.

– Aún esos sufrimientos tienen su aspecto positivo.

– Evidente que lo tienen. Después de eso quedé vacunado.

– ¿Cómo así? ¿No quieres más amar otra vez?

– Prefiero no arriesgarme. Amar es un peligro.

– ¡Verdad! – Ella se rió. – El mejor peligro del mundo.

Luca se rió también. Pero no estaba de acuerdo, está claro.

*     *     *

Llegando al camping, de vuelta a Tibau del Sur, Luca le preguntó a Isadora si le gustaría tomar algo, él tenía un vino en la carpa, la noche estaba agradable…

– Necesito decirte algo, Luca.

– ¿Qué?

– Yo he soñado con vos.

– ¿Conmigo? ¿Cuándo?

– Hace seis meses.

– Pero nosotros ni siquiera nos conocíamos…

– Eras tú.

– ¿En serio? ¿Era yo mismo, así como me ves ahora?

– No, tu imagen no era muy nítida. Pero eras vos.

– No entiendo. ¿Cómo puede ser una cosa así?

– Misterios de la vida. ¿Y vos?

– ¿Yo, qué?

– ¿Nunca has soñado conmigo?

Me encantaría decirte que sí, hermosa… – él casi respondió.

– No.

Isadora se sonrió avergonzada, desengañada.

– En el sueño que yo tuve, vos me pedías que nos encontráramos en esta playa.

– ¿Estás realmente hablando en serio?

– Sí. Yo me acordé de todo cuando me desperté, solamente no sabía cual era la playa. Pero sabía que quedaba en esta zona. Y que había un río. Entonces, la semana pasada, cuando llegué a Tibau del Sur, sentí que sería acá que te encontraría.

¿Qué significaba aquello?, pensó Luca, rascándose la cicatriz en la mejilla, cada vez más intrigado. ¿Sería un piropo? Si fuera, entonces era bastante original.

– Me has dicho una cosa más en el sueño.

– ¿Qué?

– Que necesitaba ayudarte.

– ¿Ayudarme a qué?

– A saltar en el abismo.

– ¡¿Qué abismo?!

– No lo sé. Fuiste vos el que me lo dijo. Entonces acá estoy.

– Te juro que no sé de ningún abismo – él respondió. Y de repente se acordó… recordó vagamente un sueño… Había soñado con un abismo aquellos días. Sí, un abismo… oscuro… amenazador…

Coincidencia, él pensó, librándose del recuerdo incómodo. Solamente coincidencia.

– ¿Realmente no sabes? – ella preguntó de nuevo.

– Y aunque supiera, quiero distancia de abismos. No me gustan.

Él se quemaba las neuronas, buscando entender todo aquello… Ella debía estar jorobando, debía ser eso, una joda. O entonces era desquiciada. ¿Sería loca?

– Si vos realmente has venido de tan lejos debido a un sueño… ¿Entonces qué pasaría si yo no apareciera?

– Bueno… De hecho yo no quise pensar mucho en eso.

– Creo que deberías haber pensado.

– Y vos deberías haberte acordado de mí.

Él notó algún enojo en el tono de la frase. Isadora miraba hacia el cielo estrellado y retorcía las manos, impaciente.

– Disculpa, Luca, no quise ser grosera – ella dijo, dándose vuelta hacia él. – Es que yo… estoy confundida. Yo creía que vos… que vos también te acordarías.

– Fue solo un sueño, una coincidencia.

– No es puede haber sido solo eso – ella respondió, casi interrumpiéndolo. Y prosiguió susurrando, más para sí misma que para él: – No puede ser.

Luca se sentía medio perdido, sin saber qué deducir de todo aquello. ¿Cómo alguien podía soñar con una persona que no conoce y salir por ahí en búsqueda de ella, sin cualquier garantía de encontrarla? Eso era tan absurdo, tan inconcebible… Ella no podía estar hablando en serio. Pero tampoco parecía estar jugando. Había una sola explicación: era loca. Y con locos no se podía argumentar.

– ¿Escucha, por qué nosotros no nos olvidamos de ese tema y tomamos un vino? Te gusta…

– ¿Vos crees en vidas pasadas, Luca? – ella lo interrumpió.

– ¿Vidas pasadas? ¿Por qué?

– ¿Crees o no?

Él pensó rápido. No creía, evidente, imposible creer en esas bobadas. ¿Pero y si el éxito de la noche estuviera en manos de una buena respuesta?

– Depende.

– ¿De qué?

– Depende del día.

– Está bien. ¿Y cómo será tu día mañana?

– Mañana… Creo que es un buen día para creérselo todo.

– Bárbaro. Porque tengo una historia bien loca para contarte.

– ¿Por qué no me la cuentas hoy?

– Porque… – Ella pensó un poco. – Porque soy yo la que no está en un buen día para creer en todo.

Mientras él buscaba algo para decir, ella abrió la carpa y entró.

– Buenas noches, Luca.

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CAPÍTULO 2

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Desde el restaurant, mientras desayunaba, Luca observaba el camping al lado. La carpa azul estaba allá, en el mismo lugar, a algunos metros de la suya. Pero Isadora no estaba. Muchacha interesante…, pensó él. Interesante pero desafortunadamente loca. Aquellas ideas de llevarse la vida sin planes… ¿Entonces ella estaba allí porque había soñado con un tipo que no conocía y que debía encontrarlo en una playa en el Noreste? ¿Y el tipo era él? ¿Y aquella historia de saltar en el abismo? No. Era mucha locura.

Después del desayuno Luca tomó el sendero, rumbeando hacia el este, en dirección al mar. Cuando llegó a la ladera, el sol ya iba alto en el cielo, la pelota de fuego sobre el horizonte imponiéndose lentamente día adentro. Mientras admiraba el paisaje, él no pudo evitar compararse a él: la Naturaleza no hacía ninguna fuerza para ser lo que era, al paso que su vida era lo opuesto…

De repente los gritos de unos niños lo despertaron de sus devaneos. Ellos se divertían en el mar, surfeando en las olas con sus propios cuerpos. Luca quedó mirándolos, admirado de sus habilidades, los cuerpos vueltos tablas, desplazándose firmes en el agua. Se levantó y bajó la ladera, dispuesto a también divertirse con el mar. Cuando llegó, notó que las olas eran más grandes de lo que se imaginaba, pero aún así entró, eligiendo quedarse un poco alejado de los niños para no estorbarlos.

En la primer ola que se elevó adelante de él, le faltó valentía y él se zambulló para huir, casi siendo arrastrado por el reflujo. Se dio por vencido también en la segunda, con miedo. En la tercera, lo mismo. Empezó a considerarse ridículo.

Cuando la ola siguiente surgió, juró a sí mismo que no se daría por vencido y esperó su llegada. Ella vino y, cuando llegó, él se dejó levantar. La ola ganó más fuerza y de repente rompió. Al instante siguiente él se vio suelto en el aire y la inmensa masa de agua cayendo por encima de él. Luca perdió totalmente el control sobre el propio cuerpo y, sumergido, pasó a girar y girar, como un muñeco descoyuntado. En dado momento se golpeó la cabeza en la arena y quedó tan aturdido que ni siquiera sabía para que lado estaba el cielo.

De repente, cuando ya estaba agotado y respirando agua, todo se quedó silencioso y sin dolor. Parecía que no estaba más en el agua. Parecía estar fuera del tiempo. Entonces ella surgió exactamente adelante de él… una mujer de vestido blanco… Era linda, y lo miraba silenciosa y comprensiva. Supo instantáneamente que la conocía desde hacía mucho tiempo antes, tanto tiempo que sería inútil tratar de recordar. Ella le extendió la mano y él comprendió que si la aceptara, todo el sufrimiento se disiparía como una pesadilla de la cual uno se despierta. Todo lo que necesitaba era afirmar su mano, solamente eso…

Entonces sintió que lo agarraban por los cabellos. Se dio cuenta de que lo tironeaban hacia la superficie. Por un segundo pensó en protestar, en pedir para quedarse allí abajo, pero no tuvo fuerzas. Los niños lo llevaron hasta la arena, donde vomitó y de a poco mejoró. Ellos explicaron que él no debería zambullirse solo, que aquellas olas eran muy peligrosas. Luca les agradeció y se quedó allí, sentado en la arena, mientras los niños volvieron al mar y siguieron desafiando con naturalidad a las olas enormes. ¿Cómo conseguían controlarlas?

Cuando llegó al camping fue que realmente se dio cuenta de que casi había muerto, que mierda. Estaba vivo por un pelo. Entró en la carpa y se sentó, asustado, aún envuelto por las sensaciones. Se acordó de la alucinación, la mujer de blanco – ¿por qué ella le caía tan familiar? Y recordó también que, por un rápido instante, tuvo en sus manos la decisión de lo que pasaría, que podría intentar el último esfuerzo para salvarse o podría aceptar a la muerte.

No tuvo tiempo de decidirse. Pero… ¿y si realmente hubiera tenido la oportunidad de optar? ¿Seguiría luchando, debatiéndose y sufriendo hasta el último instante o se dejaría llevar, tranquilamente, para lejos del sufrimiento, junto con la mujer de blanco?

Se levantó, tratando de alejar la incomodidad que sentía. No le gustaban aquellas cosas, la muerte, el más allá… Mejor no contarle a nadie y olvidarse del tema. Entonces armó la reposera y agarró la guitarra. Un poco de música para ahuyentar al más allá.

*     *     *

Una luna menguante subía en el cielo de Tibau del Sur junto con las primeras estrellas. En frente a la carpa azul, una pequeña hoguera crepitaba, manteniendo alejado al frío de la noche. Sobre un mantel, Isadora arreglaba un plato con queso.

– Hace siglos que no hago un picnic – dijo Luca, llegando con el vino.

– Aprovecha que estás parado y guarda este libro, por favor.

– I Ching, el libro de las mutaciones… – él dijo, tomando el libro de sus manos y poniéndolo adentro de la carpa. – Ya he oído hablar.

– Es el oráculo del Taoísmo – ella respondió. – Funciona como un instrumento para que uno pueda investigar con la psicología, para captar los movimientos internos y armonizarlos con los del mundo.

– Muy místico para mi gusto.

– Uno se concentra en una indagación, mueve las varillas o las monedas, apunta los resultados y al fin lee el mensaje. Pero el objetivo de todo taoísta es un día no necesitar más un oráculo para conseguir captar los movimientos.

– Y para el que no cree, como yo, ¿funciona?

– Siempre funciona. Pero quizás vos no captes la esencia del mensaje.

Luca abrió el vino y lo sirvió.

– ¿A qué brindaremos? – él preguntó.

– A los movimientos que nos trajeron hasta esta hoguera.

– Bien.

Tocaron los vasos y tomaron. Él notó como ella estaba linda bajo la luz oscilante de la hoguera.

– ¿Y la historia que has dicho que me contarías?

Ella lo miró seria. En sus ojos Luca pudo ver el reflejo inquieto del fuego, la danza colorida de las llamaradas… En ese momento tuvo una sensación rara, un principio de vértigo. Se sintió tironeado hacia adentro de otro estado de ser, más liviano, más lejano…

– Hace dos años empecé a tener un sueño recurrente – ella empezó. – Era siempre el mismo lugar, en España, un pueblito chico… Parecía fin de la Edad Media, siglo dieciséis, por ahí. En el sueño había un niño jugando, pero yo nunca veía sus ojos. Ese sueño se repitió a lo largo de meses. Hice hipnosis con una terapeuta y las imágenes vinieron más fuertes. Ahí pude ver los ojos de la niña. Y me vi en ellos. Y me di cuenta de que aquella niña era yo.

– Mira que interesante – comentó Luca, tratando de no trasparecer su incredulidad con relación a aquellos temas.

– Vi varios hechos de la vida de esa niña pasando frente a mí, como en una película. No solo vi, yo viví. O mejor, reviví, sintiendo las sensaciones de la niña. No me acordé de todo, pero recordé muchas cosas de esa vida.

– ¿Cómo era la niña?

– Ella se llamaba Catarina. Era una adolescente pobre cuando se casó con un alemán y fue a vivir con él en Alemania. Él era un hombre rico y ella aprendió a ser una dama. Ella tenía todo para tener una vida tranquila y  cómoda, pero un día conoció a un misionero portugués y se enamoró perdidamente… Enrique era su nombre. Era jesuita y conocía a personas importantes, viajaba por muchos países, sabía otros idiomas. Y era medio brujo.

– ¿Cómo así?

– Pertenecía a un orden secreto, esas cosas. Usaba los sueños para saber lo que pasaba en la Corte, las tramas políticas de la Iglesia, entraba en el sueño de los demás… Él visitaba a Catarina en los sueños y juntos vivían experiencias en otros planes de la realidad, una cosa bien loca. Un día ella se escapó con Enrique. Pero algo resultó mal en la fuga y él desapareció.

– ¿Se murió?

– No sé. Porque en realidad Catarina nunca supo. Pero es una curiosidad que yo tengo. Es probable que haya sido preso o algo por el estilo. Catarina buscó por él durante años, de ciudad en ciudad, pero no lo encontró. Ni en los sueños él apareció más.

– Debe haber conseguido a otra.

– No. Él la amaba muchísimo.

– Esa cosa de amar demasiado nunca termina bien. ¿Pero y después?

– Ella… Bueno, ella enloqueció.

– ¿Se enloqueció? ¿De verdad?

Isadora demoró en responder. Luca notó que ella estaba emocionada.

– Sí, se volvió loca, de verdad. La falta de Enrique la consumió hasta el fin de la vida. Y ella falleció así, buscándolo.

Durante algún tiempo nadie dijo nada, y el silencio que se formó era como una sombra entre ellos. Luca tuvo ganas de preguntarle qué interés ella tenía en contarle aquella historia, pero sentía que no debía hacerlo, que era mejor quedarse quieto. En vez de eso, preguntó:

– ¿Vos realmente has recordado todo eso?

– Es más que recordar, Luca. Yo lo he vivido de nuevo.

– ¿Y vos crees has sido de hecho esa Catarina?

– Yo no creo. Yo he sido.

 Isadora miró hacia la hoguera. Cogió algunas piedritas y las arrojó a las llamas.

– ¿Y vos, Luca? ¿Esa historia no te dice nada?

– No creo en reencarnación.

– ¿Y el brujo portugués?

– ¿Qué pasa con él?

Ella siguió tirando piedritas a la hoguera. Luca abrió la boca para repetir la pregunta cuando se le ocurrió otra idea.

– Esperá. ¿Vos no estás creyendo que yo soy ese Enrique, no?

Ella no respondió.

– ¿En aquel sueño tuyo, yo he dicho eso, que fui Enrique?

– No. Pero yo lo reconocí a Enrique en vos. – Ella dio vuelta la cara, mirándolo tranquilamente a los ojos.

Luca se rió, avergonzado.

– Fue después de ese sueño que decidí abandonarlo todo. Y me vine en búsqueda de vos.

Él simplemente no sabía qué decir.

– Solo sé que hay algo que está equivocado… – ella dijo, esforzándose por sonreír. – Tendrías que acordarte también.

Él respiró hondo, tratando de organizar las ideas. ¿Entonces aquella mujer había abandonado todo para encontrar a alguien de otro tiempo, de otra vida, que ella ahora buscaba en ésta vida, viajando por las playas del Noreste? ¿Y ella creía que él era ese tal alguien? Finalmente estaba explicada la conducta rara della, las insinuaciones… Pero aquello era una locura, una completa locura. Y era como una niebla que lo abarcaba…

– Isadora, tengo una sugerencia – él dijo de repente. Necesitaba alejarse de aquel tema – ¿Vamos a escuchar música? Yo traje la guitarra.

Ella hizo un ademán asintiendo con la cabeza. Él se levantó, avisó que antes iría hasta el baño y salió, rumbeando hacia el restaurante. Cuando volvió, Isadora no estaba más allá. Él miró hacia la carpa azul cerrada y suspiró, desanimado.

*     *     *

Luca abrió un ojo, después el otro y finalmente los dos juntos. Todavía estaba oscuro y hacía un poco de frío. Se acomodó bajo la sábana, recordando la noche anterior, las locuras de Isadora, su tal vida en España, Catarina, el brujo portugués… La insania tenía ojos color de miel.

De sopetón, escuchó su nombre. La voz de Isadora. Se levantó y, envuelto en la sábana, abrió la carpa. Ahora ya era de día y llovía finito.

– Servicio de despertador para el señor Luca de Luz Neón. Mediodía.

Isadora se sonreía adelante de él. Estaba aún más bella…

– ¿Mediodía? Caramba, dormí demasiado.

– Ven.

– ¿Para adónde?

– A pasear.

– ¿Con esa lluvia ahí?

– Claro. ¿Hace cuánto tiempo que vos no juegas en la lluvia?

Él se frotó los ojos, pensando en la capacidad que ella tenía de decir ciertas cosas como si fueran las más simples y lógicas del mundo.

Minutos después seguían caminando lado a lado por la pequeña ruta de arena. La lluvia caía liviana, formando charcos y desparramando por el aire una frescura relajante. En poco tiempo estaban empapados.

– Si yo llego engripado a la gráfica va a ser una cagada.

– Olvídate solo por un momento de que te puedes enfermar.

– Y yo no he comido nada aún. Me parece mejor…

Pero ella ya salía corriendo adelante de él. Luca apuró el paso, descoyuntado, el agua resbalando por la cara. Isadora ya había desaparecido en la curva. Él empezó a correr y una chancleta se le atascó en el charco de barro.

– ¡Isadora, espérame!

Entonces, de repente, él se acordó de un día… hacía mucho tiempo… una noche… Y paró de correr, tomado por la inquietante sensación de ya haber vivido aquel momento antes, en algún tiempo lejano, ¿cuándo? Un déjà vu. Isadora desapareciendo en la lluvia, desapareciendo… las gotas en los ojos, un trueno haciendo eco… él allí estancado, jadeando, ella desapareciendo, él gritando su nombre… ¿Dónde había vivido aquella misma escena, y cuándo, en qué imposible tiempo?

Siguió allí, parado bajo la lluvia, absorbido por la misteriosa sensación. Pero fue por poco tiempo, pues en seguida lo dominó un angustioso presentimiento de que si no corriera, aquella mujer desaparecería de su vida una vez más.

¿Una vez más?

*     *     *

Aún caía un resto de lluvia cuando la noche bajó en Tibau del Sur. En el restaurante de la posada, Luca e Isadora tomaban un caldo de pescado, él saboreando cada pedazo de aquel delicioso momento: el gusto del caldo, la lluvia, la musiquita en la radio… Luca sentía la cabeza flotando liviana y los pensamientos vagando sin criterios. Por primera vez en aquel viaje se sentía verdaderamente relajado. Los problemas que lo esperaban en Fortaleza ahora pertenecían a una realidad lejana, y la realidad en la cual estaba en aquel momento era hecha de cosas tan simples…

Él miró a Isadora a su frente, entretenida en su plato, y se admiró de como ella combinaba con el momento, la lluvia que caía allá afuera, la simplicidad del lugar… Isadora parecía vivir en otro nivel de penetración de las cosas, que él no alcanzaba. Ella percibía la esencia de las cosas con naturalidad, mientras él necesitaba muchísimo esfuerzo para… ser simple.

¿Qué hora era? Quizás algo entre seis y siete, él calculó mentalmente. U ocho y nueve. Podría preguntar, pero no, no quería saber del tiempo, el tiempo ya no importaba, estar con Isadora era como estar fuera de él.

Ella lo había arrancado de su sueño y lo había llevado a conocer las delicias de una tarde lluviosa, un viejo placer olvidado de infancia. Corrieron por la ruta, tomaron aguardiente y miraron la lluvia bajo techos de paja. Se rieron de chistes viejos y comieron choclo asado. Y ahora estaban allí, tomando caldo de pescado. Un día perfecto. Como todos los días deberían ser.

– Disculpa por ayer, Luca. No quería que te quedaras molesto con aquella historia que te conté.

– ¿Vos realmente has soñado conmigo? – él preguntó, dividido entre la curiosidad y el temor de retomar aquellos temas.

– ¿Podemos hablar de otra cosa?

– Claro que sí.

Él se sintió aliviado. De hecho era mejor no hablar de aquello. Había algo allí que lo molestaba bastante, algo que él no sabía precisar.

– Entonces hablame sobre el Taoísmo, he quedado curioso. ¿Es una religión antigua, no?

– Tiene unos cinco mil años. Está el lado religioso, pero prefiero el filosófico.

– ¿Y cómo es?

– No te lo contaré.

– ¿Por qué?

– Te reirás.

– Te prometo que no me reiré.

– Ah, pensándolo bien, es para reírse mismo.

– No me reiré, te lo juro.

– Filosóficamente hablando, el Taoísmo es un modo intuitivo de entender a la realidad. Un modo que el sujeto occidental, con toda su lógica científica, no consigue entender. Genera un nudo en el pensamiento.

– ¿Cómo sería un modo intuitivo de entender a la realidad?

– Captar los movimientos naturales de la vida para actuar en armonía con ellos. Es eso lo que el Taoísmo enseña.

– ¿Entonces un taoísta es alguien vinculado a la Naturaleza?

– Es alguien conectado con el Tao, o sea, con él mismo y con la Naturaleza, con las verdades simples y naturales. El Tao es la unicidad de todo lo que existe, de lo que vincula a todas las cosas y también enlaza el yo al todo. Si vos te armonizas con el Tao, queda más simple vivir. Aún viviendo en el ritmo loco de la ciudad grande, es posible mantenerse vinculado con la mente de la Naturaleza.

– ¿Mente de la Naturaleza? ¿Vos has fumado algo?

– No – ella respondió, riéndose. – Déjame ver si consigo explicarte. La Naturaleza es la vida, y la vida tiene sus movimientos, sus estaciones. Es esa conexión con lo natural que guía al taoísta por entre todo el caos. ¿Sabes cuando uno se aferra demasiado a una cosa? Eso es antinatural. Porque aquella cosa se transforma todo el tiempo y uno sigue aferrado a algo que no existe más. Lo que no cambia, se pudre. Ese dinamismo también es el Tao.

– ¿El Tao sería un dios?

– El Tao no es una entidad personalizada como los dioses de las religiones. Es algo impersonal, que no tiene voluntad ni tiene moral. El Tao ya es la propia acción de la vida, el flujo natural de la realidad.

– No sé si he entendido.

– Es porque no se puede explicar el Tao. Solo se puede intuirlo.

– Es más, sinceramente, no tengo idea de lo que hay para entender en eso.

– Quien pregunta sobre el Tao no se lo imagina. Y quien responde no lo conoce.

– Estar en armonía con las cosas… Eso me huele a una cierta pasividad, ¿no?

– Al revés. Captar el flujo del Tao es un trabajo interno difícil, una alquimia interior. Pero después que uno consigue, se ajusta a las fuerzas naturales de la vida y se torna uno con todo lo que existe.

– ¿Y si yo quiero ir contra el Tao?

– Vivirás cansado.

Vivir cansado… Luca escuchó el eco de aquellas incómodas palabras.

– Quien es uno con el Tao no necesita hacer nada. Y, aún así… nada deja por hacer.

– Pero eso es contradictorio.

– ¿Yo no te he dicho? Da un nudo en el pensamiento.

– ¿Tao tiene traducción?

– El ideograma chino que corresponde al Tao está hecho de pie más cabeza. El camino, el sentido.

– Para mí está más parecido con “sin pies ni cabeza”… – él dijo y se rió. – Ops, perdón.

– No pasa nada, puedes reírte – ella dijo, riéndose también. – Si no hubieran carcajadas, no sería el Tao.

Él terminó de tomar el caldo y se quedó mirándola, deleitándose con lo que veía: los ojos color de miel, el cabello mojado, la boca bien redonda, los senos insinuándose por abajo de la remera… y loca, deliciosamente loca.

De repente ella levantó la cara y su mirada interceptó la suya. Él se sintió pillado en flagrante en su deseo sexual.

– ¿En qué piensas, Luca de Luz Neón?

– Ahn… nada.

– Yo sé. ¿Quieres que yo te lo cuente?

Él asintió con la cabeza. Ella tomó la última cucharada del caldo, se limpió la boca y dijo, naturalmente:

– En mis pechos.

Él no pudo creer en lo que escuchó.

– Y, si quieres saberlo, a mí me está en-can-tan-do…

De primera, le vino una cara de idiota. Después fueron las manos, apretándose sobre la mesa. Después las bocas, el beso ávido, el impostergable encuentro de las lenguas. Después la cuenta que se pagó con urgencia, gracias, puede quedarse con el cambio, el último trago apurado de cerveza, el camino de vuelta hacia la carpa, corriendo, bajo la lluvia…

Llegaron jadeantes y embarrados. Entraron en la carpa del y se arrodillaron uno frente al otro. Ella suspendió la remera, mostrándole los senos, y susurró:

– Ven.

Él se lanzó sobre los pechos de aquella mujer con todas las manos y bocas y lenguas que poseía, como si fueran mangos maduros y suculentos y él un miserable hambriento.  Ella agarró su cabeza y lo tironeó hacia sí, mientras se arrancaban lo que tuvieran de ropa y rodaban, casi tirando abajo la carpa. Después ella se puso por arriba, apresó sus brazos y lo cabalgó, subiendo y bajando, subiendo y bajando…

Luca cerró los ojos, en éxtasis. Se sentía envuelto por las sensaciones de una forma como nunca antes había sentido. La mirada medio hipnótica de Isadora, la suavidad de la piel, el olor rico, el sonido musical de sus gemidos, el sabor irresistible de su beso… Todo en ella era muy bueno, ¿cómo podía ser tan bueno? Y todo lo abarcaba de tal manera que por primera vez él hacía el sexo sin pensar exactamente en lo que hacía. En vez de racionalizar, simplemente cerró los ojos y se dejó llevar por las sensaciones… la sensación de compartir su cuerpo… la sensación de que algo lo tragaba… en succiones continuadas… ritmadas… lo tragaba…

De repente, la explosión. En un segundo sus pedazos fueron lanzados hacia todos lados en una velocidad impensable, millones de fragmentos expelidos hacia el Cosmos sin fin. Entonces, débil de tanto esfuerzo, sintió que dejaba de existir, lentamente, disminuyendo, apagándose, muriéndose… Para siempre.

*     *     *

Primero un ojo. Después el otro. Luca se movió bajo la sábana, acordándose de Isadora, el paseo en la lluvia, el sexo en la carpa… La relación más loca y más maravillosa de toda su vida.

Entonces miró hacia el costado y no vio a Isadora. Tuvo una corazonada rara. Se levantó rápidamente y salió. Y allá afuera, bajo la luz clara del día, no vio la carpa azul, ni una señal de ella. Se quedó quieto, sin saber qué concluir.  Otra vez sintió el vértigo, una sensación rara de estar resbalándose hacia adentro de un sueño… Por un instante se vio tomado por un miedo terrible de que Isadora jamás hubiera existido.

Se puso los lentes de sombra, corrió hasta el restaurante y allá preguntó por la muchacha de la carpa azul. Ella ya se había ido, respondió uno de los hijos de doña Zezé. Él se sentó, triste por no estar con Isadora, pero aliviado por constatar que ella realmente existía, que todo había ocurrido de verdad. Pidió un café fuerte y se fue a sentar a la entrada del restaurante. Mientras tomaba el café, miró hacia el camping, hacia la carpa azul que no estaba más allá, y de repente la ausencia de Isadora era un inmenso y eterno vacío en su alma. Que rara sensación… ¿Cómo era posible que algo que tres días antes ni siquiera existía pudiera ahora llenar su ser de un vacío sin fin?

Cuando llegó de vuelta a la carpa fue que notó el papel doblado sobre la sábana:

Te he encontrado. Ahora no hay más vuelta. Salta en el abismo.

Una hora después, luego de haber desarmado la carpa y pagar su cuenta, él caminaba por la rutita de arena hacia la calle donde tomaría el ómnibus que lo llevaría hasta Natal, donde tomaría otro ómnibus hacia Fortaleza. En ese instante, una pequeña víbora marrón surgió adelante de él, cruzando lentamente el caminito. Él estancó y retrocedió un paso. No le gustaban las víboras, ellas le recordaban a la muerte, la muerte que casi lo había llevado en el mar de Tibau del Sur. La víbora también paró y por algunos segundos se quedó allí, mirándolo. Y después siguió su camino, desapareciendo adentro del monte. Luca se aseguró de que no había peligro y siguió, imaginándose la pesadilla que sería despertarse de noche con una víbora adentro de la carpa.

– Pero sería mucho peor despertarse adentro de la víbora… – chistó.

En el ómnibus, él leyó el billete por décima vez. Saltar en el abismo. ¿Qué abismo?

.

.

CAPÍTULO 3

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La agenda de la semana estaba estimulante. El jueves la Bluz Neón haría un show en el Papalegua, un bar famoso en el barrio de la bohemia Playa de Iracema. El viernes sería el cumpleaños de Balu, el tecladista de la banda. Y el sábado la Bluz Neón tocaría en un festival de rock en la playa del Cumbuco, a media hora de la ciudad. Para Luca serían buenas oportunidades de refugiarse bajo la manta generosa de la noche y olvidar que el día lo esperaba al otro lado.

– Tengo el honor de presentar… – Carlito, el dueño del Papalegua, anunció. – Junior en la guitarra eléctrica, Ranieri en el contrabajo, Balu en los teclados, Ninon en la batería, Luca en la voz y en la guitarra.

– ¡Y en el whisky! – gritó alguien desde la platea.

– Con ustedes, nuestra atracción de todos los jueves… ¡Bluz Neón!

Todos en el tablado, Luca cumplió el viejo ritual: volcó una medida de whisky y después saludó al público.

– Buenas noches. Fiesta es lo que nos queda.

Hicieron, como siempre, un show bastante alegre, tocando las músicas propias y algunos clásicos del rock y del blues. Luca rindió homenaje a la Playa de Iracema, habló de sus chicas lindas, de los personajes folclóricos del barrio y de la magia que se desparramaba por las calles como olor de mar. Bajó del tablado y cantó sentado en una mesa de muchachas, tomando en sus vasos. Al fin anunció que estaba a la venta el CD demo, grabado durante un show en Canoa Quebrada. Finalizaron, como siempre lo hacían, con el Ombligo Blues, cuando llamaban al tablado a las muchachas que estuvieran con el ombligo a la muestra y todos bailaban en una divertida mezcla de blues con baião. Fiesta es lo que nos queda.

Después de la presentación, volviendo al camerino, Luca paró frente a la barra y pidió un whisky doble. Tomó un trago y canturreó el rock que estaba componiendo.

En la barra hay un lugar
Para el que no sabe donde ir

En ese momento se acordó de Isadora… Isadora y sus besos, sus pechos, su locura. Aquellas charlas sobre Tao, sueños, abismos, vidas pasadas… Tres días con ella y ahora tres semanas sin idea sobre adonde podría estar. ¿Será que aún la vería otra vez?

– Hola, Luca.

Él se asustó y se dio vuelta, buscando a la dueña de la voz. Y dio de frente con una chica. Tenía el cabello rojo y estaba sentada al lado de la barra. Ella sonreía y decía que era aficionada por la banda, tenía el CD grabado en Canoa Quebrada, ¿será que lo podría autografiar?

Claro que sí, respondió Luca, despidiéndose del recuerdo de Isadora y pidiendo una lapiceraal barman. La muchacha era simpática, él notó, y tenía una facha deliciosa de traviesa. Pero, caramba, debía tener unos dieciséis años, ¿cómo dejaban que aquellas nínfulas entraran allí?

Fiesta es lo que nos queda
Y yo estoy con prisa, baby

Él tomó un trago largo, sintiendo el líquido bajar por la garganta, ah, el bendito ardor, la frontera prohibida de la noche… Aquella era la entrada en el nivel siguiente de la realidad, donde todo podía pasar.

– ¿Te gusta el whisky? – él preguntó.

– Me encaaanta.

Luca tomó un trago más del whisky, tironeó rápidamente a la chica por las caderas y la besó en la boca, pasando despacio la bebida de su boca a la de la muchacha.

– Putaqueloparió… – ella murmuró después, todavía sorprendida. – ¡Fue el beso más embriagador de mi vida!

Una hora después, mientras Angela Ro-Ro cantaba Mares de España en el living del departamento de Luca, la chica prendió un porro mientras él por segunda vez bajaba el volumen del aparato de música.

– ¡Ah, che, tranqui! ¡Fiesta es lo que nos queda! – ella protestó, pasándole el cigarrillo.

– Me parece lo mismo. Pero hay un vecino que no está de acuerdo conmigo.

– Entonces cántame un blues, dale…

– Mira, linda, ya canto demasiado blues en la banda.

– ¡Entonces pondré el CD para que lo escuchemos!

Él pensó en encender un incienso pero no encontró la cajilla. ¿Cómo había conseguido perderla si estaba con ella hacía un minuto? Abrió otra cerveza y se divirtió oyendo a la chica cantar las músicas de la Bluz Neón, sabía todas de memoria, hasta los comentarios de las pausas, increible. ¿La banda no necesita una cantante pelirroja?, ella preguntó. Pelirroja, rubia, morocha…, él respondió, riéndose. ¿Adónde miércoles estaba el incienso? Ella puso a tocar otra vez la primera música y él se fue a sentar en el sillón. Pero erró el cálculo y se cayó en el piso, derramando la cerveza.

– Caramba… creo que la limpiadora ha cambiado el sillón de lugar.

Él se rió del propio chiste y salió bambaleando para agarrar un trapo de piso. A la vuelta se resbaló en la cerveza derramada y casi cayó de nuevo.

– ¿Caramba, qué es eso, un complot?

Después de secar el piso, se sentó en el sillón y le hizo una seña a la chica para que se sentara a su lado. Quiero estar cerca de tu famoso obligo blues, ella dijo. Él se rio y suspendió la camisa, mostrándole el ombligo. Ella se sonrió, pasó la lengua de forma provocadora entre los labios y se fue a arrodillar entre sus piernas.

– Eh, psiu… ¿Cuántos años vos…

– Yo ya te he dicho, Luca.

Ella le besó el ombligo y le hizo cosquillas con el piercing de la lengua. Después abrió el cierre de los pantalones.

– ¿En serio me lo has dicho? Entonces me he olvidado.

– Dieciocho.

– Ah… claro… – Él estiró el brazo en búsqueda de la lata de cerveza pero no la encontró. Definitivamente los objetos estaban de joda con él. – ¿Qué tal dieciséis?

– Está bien, Tribunal de Menores. Diecisiete y medio.

La lata estaba en el piso. ¿Cómo había ido a parar allá? Aquél piercing en su lengua, era raro… Pero era bueno.

– Me parece que no te creo.

Arrodillada entre sus piernas, ella interrumpió los cariños y levantó la cara, medio sonriéndose, medio impaciente. Se puso el cabello detrás de las orejas y lo encaró:

– Última oferta, Luca. Diecisiete. ¿Vas a querer o no?

– Cerrado.

Él tomó otro trago, tendido en el sillón. Y se sintió relajar… El living era una penumbra agradable y la chica estaba otra vez absorta en sus cariños, entre sus piernas, el cabello como una cortina roja adelante de la cara. La verdad, pensándolo bien, no seria mala idea tener unas cantantes en la banda. Pondrían anuncios en el periódico, banda muy cercana al estrellato busca cantantes de la nata, tratar con Luca por la noche… Alejó la cortina roja a un lado y surgió su ojito azulado, sonriéndole. No recordaba que ella tenía ojos azules…  No, mujer en la banda no resultaría bien. Mejor dejar a las muchachas como estaban, en la platea. Y por detrás de las cortinas. Por detrás de las cortinas… de las cortinas…

¡Tchum! De repente se dio cuenta. ¿Adónde estaba? ¿Qué hora era? Estaba muy borracho, que mierda. Por la ventana entraba un poco de la claridad de la calle. Adelante, unas lucecitas verdes… piscando… diciendo que allí había un… aparato de música…

¡En casa! Evidente, estaba en casa. En el living de su departamento, en el sillón, claro. Luca suspiró, ufa, que alivio. Solo un principio de quedar en blanco, todo bien, ya pasó. Mucho trago, estómago vacío. Y aquellas dos allí, arrodilladas en el piso, entre sus piernas…

¡¿Dos?! Él se refregó los ojos, intrigado. Trató de recordar… Una era la pelirrojita del bar, aficionada de la banda. ¿Pero, y la otra? No tenía la menor idea. ¿La vecina de abajo, tal vez? Trató de fijar la mirada pero no la reconoció. Quizás amiga de la pelirrojita. ¿Quién le había abierto la puerta para que entrara?

Finalmente entendió: estaba tan loco que veía todo en duplicado. Y reventó en carcajadas. Sexo con dos mujeres era un deleite, pero no exactamente de aquella forma…

La chica suspendió los cariños y preguntó si él estaba realmente con ganas.

– Espera un poquito, chiquita… – Él se acomodó en el sillón, riéndose de la propia alucinación. – Tu nombre... ¿cómo es?

– Ah, no, Luca. No te lo digo más.

– Bien… yo no quería asustarte pero… hay otra mina ahí a tu lado.

Y volvió a reírse. Aquello era la cosa más graciosa del mundo.

– Es mi hermana melliza. – Ella se sonrió descontenta. – ¿Tú también podés verla?

– ¿Cómo?

– Ella se murió cuando yo era chica. De vez en cuando aparece.

Luca paró de reírse. ¿Hermana melliza? ¿Muerta? ¿Aquello era en serio, de hecho? Miró una vez más hacia las dos mujeres arrodilladas entre sus piernas y se sintió molesto.

– Basta no darle corte que ella se va.

Ah, no. Tener relaciones con espíritus ya era demasiado rock´n´roll.

– Perdón… – él dijo, alejándole la cabeza de su falda. Luego se levantó y se subió los pantalones. – Hoy la cosa está complicada.

Fue a la cocina y abrió la heladera. Todavía había una cerveza, por lo menos eso. Hay días que no están buenos. Debía de hecho haber quedado en el bar con los pibes.

Cuando volvió al living, ellas miraban la ciudad, los cuerpos desnudos recostados a la ventana, displicentes, ambas en la misma posición. Por un instante los admiró, tan bellos e incitadores. Todavía pensó en reconsiderar la decisión… pero no. Pedofilia astral no era joda.

– ¿Puedo dormir acá, Luca?

– Ahn… Mejor las dejo en la casa de ustedes. Vamos.

Media hora después él paró el coche en frente al edificio de las hermanas.

– No es por mal que mi hermana hace eso, Luca.

– Todo bien.

– No sabía que vos eras sensitivo.

– ¿Yo?

– ¿Nos vemos de nuevo?

– Si tu hermana lo permite…

Él esperó que ellas entraran en el edificio y prendió el volkswagen. Y salió, viendo las primeras luces del viernes por encima de la ciudad. Y lamentó. Como siempre, la claridad entrometida del día disipando la magia de la noche.

A las ocho tenía que estar en la gráfica. Daba para dormir una horita. Hermana melliza del más allá… Mejor ni contar, de cualquier forma nadie se lo creería.

*     *     *

‒ ¡Levantate, Grand Tigre! ¡Son las tres!

Una voz femenina… viniendo de lejos…

Luca abrió los ojos despacio, reconociendo el cuarto. De a poco, se sintió conectar con aquella súbita realidad. Sábado… ¿O sería viernes? No, sábado mismo, tres de la tarde… show de noche en la playa del Cumbuco…

– ¡Luz quemada, lavatorio atascado! ¿Y ese espejo roto? ¡Uno se vuelve un monstruo mirándose en él! ¿Por qué no tomas el caché de hoy y arreglas ese cuarto de baño, qué tal?

– Habla más bajo, Sonita, por favor…

Él se tapó la cabeza con la almohada, protegiéndose de aquella tormenta sonora. Que mierda, debía ser prohibido despertar a un ser humano así, principalmente si el ser humano se hubiera ido a dormir al mediodía…

– ¿Has visto a mi otro par de botas por ahí, Gran Tigre?

Se levantó aún grogui, una sed asombrosa rompiéndole la garganta. Fue hasta la cocina para tomar agua pero se acordó de Jim Morrison, despertarse y agarrar en seguida una cerveza, porque el futuro es incierto y el fin estará siempre por cerca…

Mientras Sonita se calzaba sus botas negras con tacos, él se sentó al borde de la cama, dio un buen trago de cerveza y se puso a admirarla. Sonita… Bonita, estaba muy buena, pero era absolutamente disparatada, un caso para llamar a la policía. Cuerpo musculoso de profesora de gimnasia, enviciada en academia y anfetamina, daba clases incluso los domingos. Tenía también otro vicio: el sexo. Con mucho alcohol, escándalos y arañazos. De familia rica, aparecía a menudo en los periódicos como gente de bien, pero le parecía estimulante cazar roqueros melenudos en el submundo alternativo. Cuando él la veía en la platea de los shows de la banda, ya sabía el guión de la noche: se tomarían todas, ella haría hincapié y pagaría todo y después lo llevaría a un cinco estrellas de la rambla donde él le retazaría la ropa, dejándola solamente con las botas negras, y harían el sexo como dos bichos alucinados, en el piso, en la ventana, en la mesada de la cocina, y ella de mañana se iría directamente hacia la academia, sin dormir. O podría ser el guión B: ella tomaría demasiado y resultaría mal, echando a perder la noche.

En la fiesta de cumpleaños de Balu, la noche anterior, ella había aparecido usando un vestidito corto y las famosas botas negras, que siempre usaba cuando estaba mal intencionada. Él piropeaba al pedo con una amiga de Ninon, hasta estaba interesado en la mina… pero, hummm, aquella mirada que él ya sabía, aquellas botas, ¿cómo resistirle?

Una hora después Balu abrió un whisky y sirvió a todos. Después puso a tocar su compilación Blues de Balu Volumen 9 y armó un cigarrillo natural, haciendo con que la fiesta enganchara la quinta marcha. A las siete de la mañana Iana, la novia de Balu, tuvo que golpear a la puerta del baño para avisar a los dos zarpaditos que todos ya se habían ido.

– ¡¿Ah, qué pasa?! – Sonita argumentó desde allá adentro. – ¡Hoy es viernes!

– Ni pensar – Iana discordó, paciente. – Ya es sábado.

La puerta se abrió y surgió Luca, la camisa abierta, el cabello todo desordenado.

– El mañana solo llega cuando uno se despierta – él filosofó, solemne.

Luca sirvió una medida más, tomó la mitad y Sonita tomó la otra. Entonces se despidieron y alargaron la noche rumbo al Roque Santeiro, un tugurio en el barrio de Mucuripe que tenía el caldo de carne y la cerveza ideales para finalizar las noches sin fin, al ritmo de Genival Santos, Diana y Odair José. Sonita iba bien, hasta el momento en que se empecinó en creer que una muchacha piropeaba a Luca y se le lanzó encima, tirándola al piso junto con las botellas de cerveza. Ahí no hubo más ambiente y se tuvieron que ir. Típico guión B.

– Aquella de ayer en el baño de la casa de Balu no valió, ¿has entendido, Gran Tigre? Vos no conseguías ni quedar parado.

Luca tomó un trago más de cerveza y siguió admirándola. Los muslos musculosos, la marca del traje de baño minúsculo, los senos pequeños… Ella estaba parada, al lado de la cama, desnuda y deliciosa. Con las botas negras.

– Te atrasarás para la clase, profesora…

– Hay tiempo.

Instantes después, mientras era lentamente penetrada por Luca, ella estiró el brazo, agarró el móvil en la cartera, digitó, erró, digitó de nuevo y, de ojos cerrados y hablando  pausadamente, le explicó a la secretaria de la academia que llamara al profesor substituto pues… había ocurrido un… un… solo un momento… ay… un pequeño imprevisto… sí, imprevisto… solo un momento… hummm… y solo podría dar la clase de las… ay… de las cinco.

*     *     *

Luca agarró una lapicera y, mientras los otros afinaban los instrumentos, se sentó en un rincón del camerino y se puso a garabatear en un papel de servilleta.

– Salió del horno ahora, Junior – él dijo. Y canturreó para que el amigo escuchara.

En la barra hay un lugar
Para el que no sabe adonde ir
Fiesta es lo que nos queda
Y yo estoy apurado, baby
Una medida ahora, ya
Necesito tomar para manejarme

– Me gustó. Pero no te entusiasmes que el repertorio de hoy ya está cerrado, ¿viste, che?

– Lo prometo.

Minutos después Ninon golpeó el bombo de la batería y Luca entró en el tablado. De allí de arriba él podía ver a la platea desparramada por la arena de la playa, el mar al lado derecho, la luna imponente en el cielo… Él se dio vuelta la medida de whisky y tomó el micrófono:

– Buenas noches.

– ¡Buenas noches! – respondieron algunas chicas cercanas al tablado.

– Fiesta…

– ¡Es lo que nos queda! – ellas completaron, entusiasmadas.

El show transcurrió normal. Pero al fin, luego del tradicional Ombligo Blues, Luca sacó una servilleta del bolsillo y anunció, la voz afónica por los excesos de los últimos días:

– Esa se llama Una Dosis Ahora. Todavía no está ensayada. Los pibes me van a estrangular allá en el camerino, pero, carajo, nosotros estamos en la playa, esa luna…

Él agarró la guitarra, se sentó en el taburete, punteó un poco y paró. Le dio la indicación a Ninon, en la batería, para que empezara. Los otros menearon la cabeza, resignados, y acompañaron. La música salió pésima, evidente. Pero había un grupo de muchachas entusiasmadas y ruidosas frente al tablado y ellas aplaudieron y gritaron tanto que felizmente nadie le dedicó mucha atención a la música.

Terminada la presentación, Ranieri apareció en el camerino con una de las entusiasmadas, la cual dijo que le había encantado el show y que tenía unas amigas que querían mucho conocer a los tipos de la Bluz Neón.

– ¿A los neons solteros, no, mija?… – corrigió Celina, tironeando al novio Ninon por el brazo. – ¡Nosotros ya nos vamos para la playa! Y vos también, Balu, porque es hora de que los casados duerman.

Una docena de cervezas después allá estaban los neons solteros con las nuevas amigas en la arena de la playa. La luna del Cumbuco, el viento en las palmeras, el reventar de las olas, todos hablando al mismo tiempo. Junior en la guitarra a la cual le faltaba una cuerda, Ranieri en la latita de cerveza abollada y Luca en la casi voz. Más músicas, más cerveza.  ¿Alguien tiene hojilla? Ah, Junior, toca aquella, dale. ¿Fumar acá no resultará mal? Nos van a multar por exceso de placer. A ver si nos consigues unas entradas gratis para el Papalegua, dale. ¿Ésta cerveza es la mía? El ombligo más hermoso es el de Ranieri. Bañarse en el mar de noche no hace mal. No hace mal… hace mal…

¡Tchum! De repente Luca dio por sí. A la vuelta, todo oscuro. Un calor abrasador. Estaba en una sauna.  No, no, en una cama. ¿Pero adónde? Y bajo su cuerpo sudado había una… una mujer. Entraba y salía de adentro de la mujer con violencia y ella decía cosas que él no entendía. Se asustó. Simplemente no sabía quién era la mujer.

Sin interrumpir los movimientos de vaivén, él trató de acordarse… pero solo consiguió recordar el show. Lo que había pasado después no tenía ningún registro. Miró la cara bajo su cuerpo y no vio nada, estaba demasiado oscuro. Colocó atención a lo que ella decía, pero no entendió ni una sola palabra. ¿Sería extranjera? ¿O una extraterrestre?

Todavía estaba muy ebrio. Hizo un esfuerzo para tratar de recordar cualquier cosa… pero nada, no se le ocurría ninguna imagen. Simplemente no sabía con quien estaba teniendo relaciones en aquella cama. Que mierda.

El sudor resvalaba por la piel, pegando su cuerpo al de la mujer anónima. El goce no venía y ya no tenía fuerzas para seguir por más tiempo. Para completar, alguien había puesto a tocar bien cerca una música barata cualquiera, aé, aé, ó, ó. Pensó en levantarse y encender el ventilador. Pensó en gritar para que bajaran el volumen de aquella música insoportable. No. Todo lo que necesitaba era terminar rápido con aquello, volver a la posada y caer en su cama. Extinguirse.

Cerró los ojos para concentrarse y olvidar el calor, la música, la mujer sin cara. Pero en seguida los abrió otra vez, pues toda la habitación giró. No, vomitar ahora no…

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El Irresistible Encanto de la Insania

CAPÍTULOS

prólogo – 1 -2 – 3
4 – 5 – 6
7 – 8 – 9
10 – 11 – 12

 


Quarentena Erótica, o livro

08/05/2020

08mai2020

QUARENTENA ERÓTICA, O LIVRO

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Para falar do meu novo livro, tenho antes que falar do Indecências para o Fim de Tarde. Ele é comercializado na Amazon apenas na versão impressa, pois a versão eletrônica, que tentei publicar lá quando do lançamento, em 2015, foi censurada por infligir as regras de publicação. Até hoje não sei o motivo específico da censura. A explicação mais razoável que encontrei é que talvez um ou outro conto aborde temas que contrariam as regras morais para publicação da empresa. O fato é que nunca me conformei com isso.

Então, vem a pandemia de covid-19. E eu tenho uma ideia…

Peguei o Indecências, excluí dois contos e acrescentei outros cinco, e publiquei na Amazon com o título Quarentena Erótica. E a obra foi aceita. Ufa. Isso mostra que, provavelmente, o motivo da censura estava nos contos que excluí, que continham personagens menores de idade em situações sexuais. Entretanto, o livro impresso não foi censurado – como explicar isso? Bem, talvez a Amazon possua funcionários humanos que atuam como analistas de conteúdo, e eles, obviamente, não têm como ler e avaliar todos os livros impressos que são vendidos na plataforma, mas talvez a Amazon utilize algum programa de análise de conteúdo para avaliar as obras eletrônicas. Mas, realmente, não sei.

Como não pretendo publicar o Quarentena Erótica em versão impressa, a obra estará disponível apenas em formato eletrônico, à venda na Amazon ou direto com o autor, em PDF personalizado.

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rk – blogdokelmer.com

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Quarentena Erótica
Contos desavergonhados para dias de isolamento

Ricardo Kelmer – contos eróticos – Miragem Editorial, 2020
formato: eletrônico
Imagem da capa: Casal na Janela, de Georg Friedrich Kersting (1817)

RESUMO

Nos contos de Ricardo Kelmer, o erótico pode vir com variados temperos: romantismo, humor, misticismo, bizarro, horror… Às vezes, vem doce e sutil, ou estranho e avassalador, e às vezes brinca com nossas próprias expectativas sobre o que seja erótico. Explorando fetiches, fantasias, delírios e tabus, e até mesmo experiências reais do autor e de seus leitores, as estórias deste livro acabam de chegar até você para apimentar seus dias, e suas noites, de quarentena.

> para comprar direto com o autor

> para comprar na Na Amazon

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DICA DE LIVRO

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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01-


Faxina Summer Show

18/04/2020

18abr2020

FAXINA SUMMER SHOW

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Minha namorada Patrícia me deu um ultimato: Pedrão, ou tu arruma alguém pra faxinar este apartamento ou eu deixo de vir aqui. Então falei com dona Luzia, a senhora da cantina lá da empresa onde eu trabalho, e ela me indicou a sobrinha dela. Falou que a menina faxinava bem e era de confiança, e levava o próprio almoço. Por mim, deixando o apartamento limpo pra Patrícia parar de reclamar, era o que bastava. A moça veio, Meire o nome dela, eu expliquei o que precisava fazer, combinamos que ela viria toda quinta-feira, deixei o pagamento sobre a mesa da cozinha e saí pra trabalhar. Não sei se era porque estava apressado pra sair, mas admito que não vi nada de especial na menina. Morena, baixinha, aquela timidez típica das meninas do interior. Não vi mesmo nada demais na Meire. Porém…

Semana passada, na quinta-feira, saí de casa cedo como sempre, mas precisei voltar depois do almoço pra pegar um livro que eu tinha esquecido. Nem lembrava que era o dia da faxina. Abri a porta do apartamento e, tchum, fui atingido por uma poética visão: Meire dançava na sala, em frente à estante, de olhos fechados, vestida com seu uniforme, vestidinho preto com avental branco e tênis azulzinho claro. Percebi que, na verdade, ela estava dublando Donna Summer, o espanador em sua mão fazendo as vezes de microfone. E a música que tocava era Could It Be Magic.

Ela não percebeu minha chegada e continuou seu número solitário, dublando e se contorcendo sensualmente em movimentos lentos e sinuosos. Fiquei ali na porta, olhando fascinado, subitamente admirado de sua beleza. E aquelas pernocas, uau, o que era aquilo? E aquela bundinha balançando no ritmo erótico da música, caramba… Não, definitivamente eu não havia olhado direito pra menina no primeiro dia. A dança foi ficando mais sensual e ela ergueu a barra do vestido até o meio da bunda… Caramba, ela estava sem calcinha! Ou não? Não, devia ser impressão minha. Talvez fosse uma dessas calcinhas minúsculas, enfiadíssima na bunda. Senti meu pau se alvoroçando, o coração batendo forte, a garganta seca… Então a música chegou ao fim e ela abriu os olhos, saindo de seu transe. E percebeu minha presença.

– Aaaaiii! – Meire exclamou, tomando um baita susto. – Que vergonha, seo Pedro…

– Sem problema – respondi, entrando e fechando a porta. Começou a tocar Love to Love You Baby. – Você gosta de Donna Summer?

– Conhecia não. Semana passada eu botei pra tocar enquanto faxinava e gostei tanto…

Veja você. A menina escolhera Donna Summer pra ser a trilha sonora da faxina, que meigo. O mundo ainda tinha salvação.

– O senhor também gosta dessa cantora?

– Quem gosta mesmo é a Patrícia. O cedê é dela.

– Patrícia é a namorada do senhor?

– É.

– Eu vi uma foto de vocês. Ela é muito linda.

Fiquei sem saber o que dizer.

‒ Parece uma atriz de cinema. Ela deve ser uma mulher maravilhosa, né?

– Ahn… É, é sim.

– Olha, não arranhei o cedê não, viu, tomei muito cuidado.

– Pode ouvir sempre que quiser.

– Também gostei desta que tá tocando.

‒ Esta é Love to Love You Baby.

‒ Sei inglês não. Quer dizer o quê?

‒ Eu amo amar você.

Ela sorriu e ficou me olhando de um jeito assim meio… malicioso. Ou a malícia estava em minha mente? Tive a impressão que a menina, na verdade, entendeu que eu havia dito que eu, Pedrão, amava amar ela, Meire.

– Eu amo amar você é o nome da música – expliquei, me achando meio idiota.

– Eu queria saber inglês pra cantar essas músicas.

Quase que falei que eu poderia ensinar, e de graça. Mas me contive a tempo, pressentindo que eu estava à beira de ser possuído pelo espírito do velhaco tarado seboso, que costuma me atacar em certas ocasiões delicadas.

– O senhor dá licença. Vou continuar o serviço.

– Claro. Vim só pegar uma coisa que eu esqueci.

E fui pro quarto. Peguei o livro e voltei à sala. Agora a menina estava limpando o vidro da janela, de pé sobre um banquinho. Quase dava pra ver a calcinha. E, caramba, aquelas pernocas…

– Tchau, Meire.

Ela virou-se e sorriu. Sorriu novamente daquele jeitinho malicioso. Ou eu é que já estava imaginando coisas?

– Tchau, seo Pedro.

– Pode me chamar de Pedro mesmo.

– Ah, não sei se consigo, o senhor é meu patrão.

– Consegue. É só dizer… Pedro.

Ela sorriu, envergonhada. Como ficam lindas quando estão com vergonha as faxineiras que vêm do interior…

– Só vou embora depois que você me chamar de Pedro ‒ falou o velhaco tarado seboso. Não deu pra contê-lo.

Ela desviou o olhar, sorrindo encabulada. Como ficam lindas as faxineiras que ficam encabuladas de dizer o nome do patrão…

– Tchau, Pedro.

Ai, ai. Meu nome nunca ficou tão bonito na boca de uma mulher. Até porque Patrícia me chama de Pedrão, é bom que se diga.

– Tchau, Meire.

Saí, fechei a porta e entrei no elevador. Acho que estava em estado de choque, nem lembro como cheguei no escritório. Desde então não consigo tirar essa menina da cabeça. Será que ela estava me dando bola, será? Ou aquele era apenas seu jeitinho espontâneo de menina ingênua do interior, e o meu velhaco interior é que estava me pregando peças? Só havia um modo de saber.

Pois bem, cá estou, uma semana depois. Manhã de quinta-feira, eu aqui sentado no sofá, de bermuda e camiseta, o jornal ao lado. É a edição de domingo, mas isso não tem importância. E já avisei lá na empresa que hoje só vou à tarde. Desligo o celular, é melhor. Olho o relógio, oito horas. Calma, Pedrão, ela deve estar chegando.

Então, ouço a porta da área de serviço abrindo, e depois fechando. Ufa, ela chegou. Agora deve estar indo pro banheiro de serviço. Deve estar agora trocando de roupa. Pego o jornal e busco qualquer notícia pra ler. Putaquipariu, dá pra ouvir meu coração batendo. Mais um pouco… só mais um pouco… mais um pouquinho… e ei-la, ei-la na porta da cozinha, sorrindo pra mim.

– Bom dia, seo Pedro.

– Bom dia, Meire.

– O senhor não vai trabalhar hoje?

– Vou só à tarde.

Como fica mimosa nesse uniforme de faxineira…

– Se o senhor quiser, começo a limpar pelo quarto do senhor.

– Não se preocupe, não vai me atrapalhar.

– Tá bom. Mas se atrapalhar, o senhor diz, tá?

– Digo.

Ela começa a passar o pano na estante. E eu no sofá, com meu jornal de domingo. Reparo que em determinados movimentos o vestidinho preto sobe um pouco e quase dá pra ver a calcinha. Que cor será? Terá florzinhas, coraçõezinhos, moranguinhos? De repente ela se vira, e eu, flagrado em minhas admirações, volto o olhar pro jornal.

– Tô atrapalhando o senhor, né, seo Pedro?

– Não, não. E pode me chamar de Pedro mesmo.

Ela sorri sem jeito e volta ao serviço. E eu volto a admirar seu corpo, seus movimentos tão graciosos. Aquelas pernocas lindas, aquela cinturinha de pilão… Quando ela se agacha pra ajeitar as almofadas no chão, tomo um susto. Nada de florzinhas, coraçõezinhos ou moranguinhos: ela tá sem calcinha. Não. Não acredito no que vejo, ou no que não vejo, e olho novamente. Mas ela já se ergueu e agora eu tô na dúvida. Será que ela realmente tá sem calcinha? Não, não é possível, isso é a minha imaginação sórdida, por que a menina viria trabalhar sem calcinha? Bem, talvez ela seja muito pobre, coitada, tá sem dinheiro pra comprar calcinha.

Então ela sem querer derruba uma revista e se agacha novamente pra apanhar. Putaquipariu! Ela tá mesmo sem calcinha! Dessa vez eu vi claramente. Tá sem nada por baixo do vestido, nadinha. Caramba… Uma faxineira que vai trabalhar sem calcinha, pode uma coisa dessa? Decido agir. Preciso agir. Não posso fazer outra coisa senão agir.

– Meire?

– Sim, seo Pedro.

– Você não esqueceu de vestir algo?

Ela para, pensa um pouco, leva a mão até o meio das coxas… Então sorri, encabulada.

– É que eu acho mais confortável assim, sabe? Mas se o senhor quiser, eu visto a calcinha…

– Por mim, pode ficar assim mesmo.

– Não carece mesmo não? O senhor tem certeza?

– Tenho.

Não carece… Você não acha lindo esse jeitinho interiorano dela de falar? Devia ser preservado em museu.

Meire segue limpando a estante, sem calcinha, porque é mais confortável, e eu fingindo que leio as últimas do esporte. Uma mulher sem calcinha já é um presente pros olhos do cidadão trabalhador, né? Agora, a sua faxineira sem calcinha, e a faxineira sendo como a Meire, ah, isso é um convite irrecusável à luxúria e ao desatino.

Nesse momento percebo… que ela… dá umas olhadinhas pra mim. Bem rápidas, assim de cantinho de olho, sabe? Entre um e outro de seus afazeres, nossos olhares se cruzam e ela desvia o seu, encabuladinha. Depois ela olha de novo e fala, achando graça:

– O jornal tá de ponta-cabeça.

Caramba. Não é que tá mesmo? Ponho o jornal na posição correta, rindo da minha idiotice. E volto a ler, ou a fingir que leio, enquanto ela vai à área de serviço. O cara falta ao trabalho pra ficar em casa lendo o jornal de ponta-cabeça. O que ela deve estar pensando de mim?

Meire volta com balde e escova. E começa a esfregar o carpete. Adivinha em que posição… De quatro. De quatro e de costas pra mim. Ah, não, isso já é abuso. Posso ver perfeitamente a buceta. Buceta raspadinha, parece um hambúrguer na vertical, hummm… Caramba, que menina safada.

Resolvo partir pro tudo ou nada e, tchum, ponho o Bambam pra fora da bermuda. Bambam é o nome do meu pau, foi Patrícia quem deu esse nome a ele, em homenagem ao personagem dos Flintstones. O danado tá duro que nem granito, e fico mexendo nele até que Meire percebe. Ela toma um susto e fica toda encabulada. Ou tá apenas fingindo? Não, agora já não dá pra acreditar que seja tão ingênua, é impossível. Ela volta a esfregar o carpete, mas em seguida vira o rosto e olha novamente pro meu pau. Parece um pouco assustada, talvez tenha percebido que a brincadeira foi longe demais. Ou é tudo fingimento?

– Quer pegar, Meire?

Ainda olhando pro meu pau, ela faz que não com a cabeça.

– Só pegar.

Ela hesita.

– Só pegar?

– Isso, só uma pegadinha.

Tá indecisa, conheço bem uma mulher indecisa.

– Vem…

Vem é a palavrinha mágica quando a mulher tá indecisa. O tom da voz depende da mulher, podendo ser num tom de ordem, pedido ou súplica. Pra Meire achei melhor pedir. Vem… E funciona: ela larga a escova e vem em minha direção, engatinhando devagar, que nem uma gatinha que tá supercuriosa a respeito daquela estranha salsicha pulsante à sua frente. Ela se aproxima, para entre minhas pernas e senta sobre os calcanhares, as mãos pousadinhas sobre as coxas. Solto meu pau e ele fica lá, ereto que nem um mastro sem bandeira. Meire olha pra ele e agora já não parece assustada. Ela observa meu pau com atenção, quietinha, mordendo os lábios.

– É bonito.

‒ Você acha?

‒ Mais bonito que o do meu noivo.

Ela tem um noivo, pode uma coisa dessa? Dona Luzia já havia me dito. Vinte anos e já quer casar, essa juventude tá perdida. Ela estica o braço e toca meu pau com a ponta dos dedos, como se ele fosse um bicho selvagem que a qualquer instante fosse atacá-la. Como não atacou, ela toca novamente, mais confiante, e dessa vez segura-o entre os dedos, sentindo-o latejar.

– Quer dar um beijinho nele?

Ela faz que não com a cabeça, meu pau ainda está em sua mão, pulsando.

– Só um beijinho.

Ela hesita outra vez. Conheço uma mulher quando hesita.

– Ele tá pedindo, ó.

Ele tá pedindo, ó. É uma frase mágica. Difícil uma mulher resistir a um pau pedinte.

– Tá, só um beijo – ela finalmente consente. Então chega seu rosto mais perto e beija rapidamente a cabeça do meu pau. Uau, ele tá tão duro que tenho certeza que no próximo segundo vai explodir, vai ser pedaço de pau pra todo lado. Faço um esforço danado pra não agarrar sua cabeça com as duas mãos e forçá-la contra ele, mas sou um patrão educado, não faria isso.

– Não quer dar uma chupadinha?

– O senhor deixa?

Ora, ora, mas isso é pergunta que se faça?, eu quase falo. Mas prefiro ser distinto:

– Claro, Meire, fique à vontade, ele é todo seu.

E fecho os olhos, e me ajeito no sofá, à espera de me sentir engolido pela boquinha da minha doce faxineira. Mas a boquinha não vem. Abro os olhos e a menina continua lá, acariciando meu pau e olhando pra ele.

– Eu tô assim com o senhor mas o senhor sabe que eu sou moça direita, né?

– Sim, claro, eu… humm… eu sei, claro… hummhmm… admiro muito isso em você…

Eu sentado no sofá, ela ajoelhada entre minhas pernas, meu pau entre mim e ela, sua mão subindo e descendo em meu pau. E sua boca a um palmo dele, a meio palmo, se aproximando, se aproximando…

– O senhor pediu pra eu chamar o senhor só de Pedro, mas eu não posso não – ela diz, parando a boca a um centímetro do meu pau, pro meu desespero.

– É? Por quê? ‒ pergunto, mantendo a compostura.

– Acho certo não, sabe? O senhor é meu patrão, eu sou sua faxineira. Não é bom confundir as coisas.

Ora veja. Eu realmente não esperava por essa argumentação. Mas é claro que, nessa altura do campeonato, eu é que não vou discutir com uma linda faxineira que está punhetando meu pau com sua mãozinha tão macia, a boca quase nele…

– Você tem… humm… toda razão, Meire…

– O senhor sabia que eu sou virgem?

Virgem? Caramba. É sério?

– Sabia, seo Pedro?

Não. Não sabia. Como iria saber?

– Hummm…

– Pois eu sou.

O que devo dizer? Parabéns? Lamento muito?

– Sou virgenzinha. Mas só na frente.

Ora veja.

– Posso pedir uma coisa pro senhor?

Não. Não posso acreditar que ela vai pedir pra eu botar só no cuzinho dela, não, isso só acontece nos contos eróticos.

– Pode, peça…

– O senhor bota…

– Boto, boto, claro. Quer agora?

– … aquele cedê?

Heim?

– Que cedê?

– Da Donna Summer.

– Ah, sim.

Caramba, a menina ficou realmente obcecada pela Donna Summer.

– Pode botar você mesma, fique à vontade.

Ela larga meu pau, levanta, vai até a estante e bota o cedê pra tocar. Segunda faixa, Could It Be Magic. Acho que demorou dois séculos pra voltar.

– O senhor não vai contar pra minha tia que a gente tá fazendo isso, né? – ela pergunta, ajoelhando-se novamente entre minhas pernas e prosseguindo nos carinhos.

– Claro que não, Meirinha… hummm…

– Se ela descobre, ela me manda de volta pro interior.

– Hummhhhhmmm…

– O senhor jura?

– Hummmhhmhmhmhm… Heim?

Já não sei mais sobre o que ela tá falando.

– Jura, vai.

– Quem, eu?

– Sim, jura.

– Juro – respondo, sem ter a mínima ideia por que diabo eu tô jurando.

– Então beija.

– Ahn?

– Beija.

Beijar? Beijar o quê?

– Vai, beija.

Sem ousar questionar o fetiche da menina, inclino a cabeça pra frente, mas, apesar de meu esforço, meu rosto não chega nem perto do meu pau.

– Não, não. Beija os dedos. Assim, ó, fazendo a cruz. Pra jurar bem jurado.

Cá pra nós. Você já teria perdido a paciência e mandado um chupa logo essa caceta, Meire, não teria, diga a verdade. Mas eu me controlo e beijo os dedos em cruz, e olhe que eu sou ateu. Tudo por um boquete.

Meire finalmente começa a me chupar, ufa, enquanto Donna Summer canta só pra nós. Sinto o calor aconchegante de sua boca… Não é que minha faxineira sabe fazer direitinho? Pode ser virgem na frente, mas aquela boca é profissional, ah, é sim, conheço uma quando vejo. Estico as pernas e me acomodo melhor no sofá. De fato, ela chupa superbem, sabe envolver meu pau com jeito, e a sensação é boa demais, ótima demais…

– Patrãozinho tem um pau tão gostoso – ela fala, interrompendo o boquete.

Tomara que ela não me peça aumento agora, pois não tô em condição de negar.

– É mais gostoso que sorvete…

Obrigado, Meire, obrigado, mas eu sinceramente prefiro que você chupe em vez de falar. Vai, volta a chupar, por favor…

– Eu sempre acordo meu noivo assim. Adoro quando sai o leitinho, parece mágica, né?

Ai, ai, ai… Tô começando a desconfiar que essa menina tem um parafuso frouxo.

– O nome do pau dele é Caveirão.

Não, eu não ouvi o que acabo de ouvir.

‒ Acho muito feio, mas ele diz que é esse nome mesmo e não vai mudar.

Puta merda. Agora eu tenho certeza que essa menina é doida.

‒ O do senhor tem nome?

– Heim?

– Posso chamar ele de Pedrito?

Pedrito? Claro que não. Onde já se viu um pau chamado Pedrito? Seria a desmoralização total. Aliás, onde já se viu um pau ter dois nomes? Patrícia chamando ele de Bambam, Meire chamando de Pedrito, isso não ia dar certo, o coitado pode ter uma crise de identidade. Mas acontece que não tô em condições de negar mais nada…

– Pode, minha linda, pode.

Pode mas chupa, vai, faz favor.

– Pedrito, você é muito fofo, viu?

Ele já sabe disso, Meire. Agora me chupaaaaaa!!!

Pro meu imensurável alívio, ela finalmente esquece aquela história de batismo de pau e recomeça a chupar. E Donna Summer geme junto comigo.

‒ Hummhhmm…

– Quero ver a mágica do leitinho… – ela diz, entre o vai e vem de sua boca.

Aviso que vou gozar, vou gozar, vou gozar… E meu gozo explode dentro de sua boca, com a força de um milhão de megatons de tesão acumulado, e ela engole tudo, lambendo e saboreando com muito gosto. Coitada, deve estar com fome, acho que nem tomou café da manhã.

– Leitinho bom…

Ela bebe minhas últimas gotas enquanto eu curto essa sensação de abandono de si mesmo a que chamamos orgasmo. E, no meu caso, me abandonei de um jeito que fiquei largado lá no sofá, imprestável pro resto da vida.

– Gostou, patrãozinho?

– Mmmmhhhhmmmnnn… – é só o que consigo dizer, ou mugir, pra combinar com a ordenha que sofri.

– Fiz do jeito que o senhor gosta?

– Mmmmhhmm, humm…

– Então dá licença que eu vou voltar pro serviço, viu?

Ela levanta, desliga o som, pega o balde e a escova e vai pra cozinha. No silêncio da sala, semimorto no sofá, eu me pergunto que faxineira é essa, sem acreditar no que acaba de acontecer.

Mas logo ela volta.

‒ Esse vestido ficou um pouquinho apertado aqui em cima. Vou ter que fazer um ajuste.

– Mhhmmnn…

Ela senta ao meu lado e me abraça carinhosa.

– Tão lindo o meu amor fica depois de um boquetinho…

Não é mais Meire. É Patrícia. Ela me beija no rosto, na boca, me afaga os cabelos.

– Gostou da minha faxineira?

‒ Adorei….

‒ Mesmo?

‒ Claro. Só achei demais aquele marketing descarado de elogiar a namorada do patrão.

‒ Não resisti…

‒ Ela vai ficar chamando o Bambam de Pedrito mesmo?

‒ Vai. Bambam é só pra mim.

‒ Acho que ela tem um parafuso frouxo, fica falando do pau do noivo…

‒ Ah, Pedrão, quando você criou a fantasia da Testemunha de Jeová em crise existencial, eu não me meti em nada.

‒ Tá bom, tá bom.

Patrícia me agarra e nos beijamos novamente. Meire tem toda razão: é mesmo uma mulher maravilhosa, e tem um beijo inacreditavelmente delicioso. E eu sou um cara de muita sorte.

‒ É só uma sugestão. Na segunda parte, ela põe pra tocar o Racional do Tim Maia, que tal?

‒ A Meire gosta de Donna Summer e ponto final. E agora vamos que a gente marcou oito horas no bar – ela diz, findando o beijo e levantando do sofá.

– Só mais um minutinho – respondo, me espreguiçando.

– Pingou um pouco no chão, depois passa um pano.

Lá fora, a noite do sábado acaricia meus pensamentos. Fecho os olhos, e na trilha sonora pós-gozo da minha mente, Donna Summer volta a gemer um de seus sucessos.

‒ Ouviu, Pedrão?

– Sim, senhora.


Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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Quarentena Erótica
Ricardo Kelmer – contos

Nos contos de Ricardo Kelmer, o erótico pode vir com variados temperos: romantismo, humor, misticismo, bizarro, horror… Às vezes, vem doce e sutil, ou estranho e avassalador, e às vezes brinca com nossas próprias expectativas sobre o que seja erótico. Explorando fetiches, fantasias, delírios e tabus, e até mesmo experiências reais do autor e de seus leitores, as estórias deste livro acabam de chegar até você para apimentar seus dias, e suas noites, de quarentena. > saiba mais

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Um brinde na varanda

26/03/2020

26mar2020

Quem da sua família você deixaria morrer para que a economia não seja prejudicada?

UM BRINDE NA VARANDA

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Tenho amigos e familiares que são seguidores do grande deus Mercado. São fieis que cultivam em seus mantras diários palavras perfumadas de empreendorismo, meritocracia e maximização dos lucros. Apesar de pensarmos diferente, são pessoas de quem gosto, e é por isso que inicio este texto com uma pergunta para elas: Quem da sua família você deixaria morrer para que a economia não seja prejudicada?

As máscaras higiênicas são o rosto da pandemia de covid-19, mas são as máscaras do caráter que estão a cair e a revelar quem é quem. Para a imensa maioria, é a saúde das pessoas que deve ser priorizada, mas para os fieis mercadistas, o grande deus manda rezar assim: Se é certo que cinco ou sete mil morrerão, e eu não estarei entre eles porque posso pagar por um bom hospital, então que morram, mas a economia não pode parar, amém.

Um dos problemas dessa oração é que se rígidas medidas não forem tomadas, como a quarentena social, os mortos não ficarão em apenas cinco ou sete mil e a tragédia escorrerá também para os serviços de saúde privada. Porém, os seguidores do deus Mercado avaliam, em sua cega fé, que a grande maioria de mortos será de pobres e idosos, e isso não afetará tanto a economia, ou ao menos o seu negócio. É essa lógica neoliberal que guia os pronunciamentos e a criminosa postura do presidente da República, que critica a “histeria” porque é comprometido até a medula com os interesses das grandes companhias e dos acionistas da Bolsa de Valores, e dos líderes religiosos, que o ajudaram a ser eleito ‒ com as igrejas vazias, coitados, como arrecadarão seus abençoados dízimos?

Jair Bolsonaro é um demente fascista, mentiroso e cruel, disso já sabíamos. A desagradável surpresa fica por conta de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que ia num razoável caminho de sensatez, mas que infelizmente parece ter fraquejado diante do mórbido patrão & seus filhinhos. Bem, isso não surpreende de todo, já que Mandetta, no recente caso da compra de máscaras para seu ministério, favoreceu a empresa que financiou suas campanhas a deputado, em vez de buscar melhores preços. Como ministro da Saúde, vê-se que ele realmente entende de economia.

Voltando à pergunta do início do texto. Não nos iludamos. Se for necessário, os fieis seguidores do deus Mercado sacrificarão, sim, seus pais e avós, sem problema. E no ano que vem, na varanda de seus apartamentos, conferirão as cotações na Bolsa e, enxugando a lágrima que insiste em não cair, erguerão um brinde aos mártires que deram suas vidas por um deus que está sempre de olho nas melhores ações. Amém.

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Ricardo Kelmer 2020 – blogdokelmer.com

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Resistência antifascista

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LEIA NESTE BLOG

O beijo da resistência contra a besta do fascismo – O fascismo não faz política ‒ ele é a negação da política, pois não dialoga, apenas agride, persegue e censura

Polícia ou milícia? – Que o erro e a coragem de Cid Gomes nos ensinem sobre o extremo perigo do fascismo policial

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Comentarios01COMENTÁRIOS

01- Coerência e sabedoria. Vou compartilhar. Olivia Brasil, Fortaleza-CE – mar2020

02- Canalhas! Seu texto ferve, meu caro! Leo Mackellene, Sobral-CE – mar2020

03- SENSACIONAL. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – mar2020

04- Ótimo texto. Fátima Fernandes, Brasília-DF – mar2020

05- Com certeza, a idéia é esta, um velho é apenas estatística, não é um pai ou mãe, um avô ou avó, um ente querido que está partindo por causa de um doença disseminada. Esta ideologia está sendo propagada, quero ver na hora que começar a mortandade. E veja, a morte por asfixia é muito cruel e não vai ter respirador. Você já pensou, uma pessoa que trabalhou a vida inteira ter uma morte destas? Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – mar2020

 


The strip-tease

25/03/2020

OStripTease-02

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this tale is part of the book:

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

(script for a movie soon)

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THE STRIP-TEASE

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OStripTease-02“You shouldn’t drink so much, Zack.”

“Do you want a shot?”

“No, thank you. Why have you been drinking so much, Zack?”

“It’s in the program. Hang on, I’ll tell you about it.”

“I’m waiting.”

“You look beautiful.”

“Thank you. What about you? Been partying a lot?”

“Back in the day when we met, I was in my heyday. But now I’m taking a break from the nightlife.”

“Back in the day was just one year ago.”

“That’s right.”

“…”

“Giselle, I asked you to come here because I have something important to tell you.”

“I always suspected you were hiding something from me, since day one.”

“This is going to be the strangest thing you’re going to hear in your life. You’re going to think I lost my mind.”

“I know a lot of people think you’re crazy, but I know you’re not. You’re just a little eccentric. And kind of reserved.”

“You’re going to think I’m nuts. But I’ll say it anyway.”

“Zack, I like you a lot. I know you have your quirks. Everybody does. I just think you could open up a little more…”

“I know, you’ve told me that already. I’m going to tell you everything. But I’m sure you’re going to say I need to get some treatment and you’re going to remove me from your life.”

“Do you see someone standing over there, by your side?”

“Excuse me?”

“Is there anyone over there next to you? You keep looking and smiling as if there was someone there…”

“Hmmm… That’s the problem, Giselle. There is someone here by my side.”

“What do you mean?”

“That’s exactly what I want to talk about. Please listen. Listen first.”

“I’m listening.”

“So let’s begin. Uhhh… It all began one night when I was here with a girl. That was before I met you. We had arrived from the nightclub and she was in the bathroom. And I was on bed waiting. Then I saw him for the first time. Are you sure you don’t want to have a drink?”

“No, thank you.”

“He was sitting on the chair in front of my desk. I immediately thought: damn it, it’s a thief. I was naked on the bed and there was a thief in my bedroom. But I didn’t really get nervous. I guess because I was drunk. Then I said: OK, pal, you can take anything you want, my wallet is over there, there is a cool sound system in the living room, but please don’t do us any harm… Very well. He was the one who got shocked. He stood up, looked at me at close range and asked if I could really see him. He really acted as if he couldn’t believe it. ‘Do you really see me, Zack? Do you really see me right now?’ I was all puzzled, I thought he might be someone I knew or maybe he was on something… So I asked him where we had met before. He raised his arms and said, ‘Finally!!!’ Do you still want to listen?”

“Sure. I’m listening. So he was not a thief?”

“No. He was the Observer.”

“Who?”

“The Observer.”

“Oh, the Observer. Must be new in the neighborhood, no one I have met.”

“You don’t want to.”

“So was he a friend of yours?”

“He was the Observer, I told you.”

“Oh, yes…”

“I’m serious, Giselle. That’s his actual name.”

“OK. And who is the Observer?”

“Let’s talk about that. Observers are inhabitants of another dimension in time and space. They lead a regular life over there. But they have friends here and sometimes they have to come around and help the friend. They can’t go back to their world until they accomplish their mission. They get stuck in this time and space. That’s it. At least that’s what he told me.”

“Oh, you saw your guardian angel.”

“No, no, he is more like a demon. A very, very annoying demon.”

“Is that what you wanted to talk about?”

“This is serious, I swear.”

“OK. So?”

“Well, he explained it all to me later, but before that, the girl came into the bedroom and asked me whom I was talking to and I pointed at him. But she saw nobody. Then he told me that I was the only one who could see and hear him, nobody else, and that’s how it was supposed to work. The guy seemed ecstatic and said that his lonely days were over. Well, it turns out the girl thought the whole thing was too weird, put on her clothes and went away.”

“What about the guy?”

“He stayed there. I tried to touch him, but my hand just went through the image. So I told myself it was a very crazy dream and decided to sleep. On the following day, I woke up and he was still watching me.”

“Zack, I…”

“I know you don’t believe it, but let me tell you everything. You promised.”

“…”

“He told me he was on a secret mission. He said it was something that depended on me and that he would be able to leave if I did the right thing.”

“Look, Zack, I…”

“Wait…”

“I don’t know what’s happening to you, but…”

“Giselle, I swear it’s true. I am not crazy. Actually, I think it would be better if I were. It would be easier to put up with this annoying dude by my side all the time…”

“Are you telling me this is really serious?”

“Yes.”

“You’re not joking.”

“No.”

“Then tell me: ‘I am serious.’”

“I am serious.”

“Don’t laugh, Zack!”

“I’m sorry, but this situation is a little ridiculous.”

“It’s ridiculous of me to be here listening to this, this…”

“Do you want to go away?”

“…”

“If you want go, fine, I’ll just…”

“Please go on, I want to listen.”

“Where was I?”

“The Observer told you he was on a mission.”

“Right. He said I had to do something and he was here to help me do that something.”

“And you didn’t know what he meant.”

“I still don’t.”

“Not even a clue?”

“Well, he knows me like nobody else, it’s amazing. He’s made me think a lot about my life, he shows me what I’m doing wrong, my flaws… I feel very bad about it.”

“Everybody has flaws, Zack.”

“But I have this behavior police twenty-four hours a day, non-stop. It’s like he is part of me.”

“Was he with you before we started dating?”

“Yes, one year.”

“So when you met me, he was there with you?”

“Yes. He won’t leave me alone, Giselle. Remember how we met?”

“At the counter of the Mad Daddy bar.”

“Do you remember what I looked like?”

“Black pants and a blue shirt. Very handsome.”

“No, I’m talking about my state.”

“Drunk, of course.”

“And I was laughing a lot, wasn’t I?”

“You were having a good time.”

“Because of him. He anticipated everything I said, he knew all my pickup lines by heart. ‘Hi. Don’t you feel like a sausage in a can in these crowded bars?’ I would open my mouth to speak and he would speak ahead of me. So I laughed.”

“Oh, that was the reason?”

“He is a sadistic comedian, he pulls my leg all the time. He quickly hides in the crowd so I think I’m rid of him. When I least expect it, he comes up with some obnoxious one-liner. Remember once when we had a table at the Papillon and I had an uncontrollable fit of laughter?”

“You seemed to be demented.”

“Because of him. On that night, he appeared suddenly and stuck his head right here by my side and said, very sternly: ‘You’re staring so much I came here to hold you so you don’t fall inside her cleavage…’”

“My cleavage?!”

“I burst with laughter. You had a very showy cleavage and I couldn’t help picturing myself falling into it… You had no idea and I was laughing my pants off.”

“So that was because of my cleavage…”

“It was funny then. But this jerk has made my life hell. Because of him many people now think I am crazy.”

“Many people indeed.”

“Who can blame them? At first, I even thought it was fun, but then I grew increasingly upset. Then I didn’t care about my composure anymore and would bicker with him in front of anybody, saying he had no right to do that, it was a violation of individual liberties and cosmic ethics, and that…”

“Cosmic ethics?”

“I was desperate, I would say anything.”

“Tell me about it.”

“I got very angry at him. Do you know what it’s like to live with someone who knows all about you and keeps exposing your flaws, making fun of everything you do? That’s what he did. He never missed an opportunity. I felt naked. I couldn’t focus on anything anymore. I tried to read a book or see a film and I couldn’t. It was hell. He’s given me such an earful I lately began to realize there is lot about me that I need to change.”

“Like what?”

“Well… He made me see I had been acting in frivolous, superficial ways, that I had been a phony to myself. And he made me realize I act like I always think I have the answer to everything.”

“He did that?!”

“He did.”

“And you understood that?!”

“I had to. He won’t forgive anything. I was talking to someone and shared an opinion… That was it, he would come along and bug me. I ignored him for a while, but it became unbearable. If he were made of flesh and bones, I would have kicked his ass already.”

“And has he always been around, even when we are together?”

“Yes, yes.”

“Even in… those moments?”

“Even in those moments.”

“So he’s seen me naked many times.”

“There was nothing I could do, Giselle. Please understand.”

“Did he see everything?”

“He is attached to my soul, to my energy. I can’t do anything about that either.”

“I can’t believe this…”

“Now do you understand why I’ve never been able to relax with you? He was always around watching… The only way I could forget about him a little was drinking. It was more convenient to get drunk so I wouldn’t think about certain things.”

“Listen, Zack… I… don’t even know what to think. I don’t know whether I should be upset or laugh at this ludicrous story…”

“You may laugh, I don’t mind.”

“I don’t know if I should stay here and keep listening to this… this nonsense… I don’t know.”

“I had to tell you.”

“Why me? We haven’t talked to each other in weeks.”

“It was his suggestion. He thought you would understand. ‘Why don’t you tell Gis? She is a sensitive person, she might help…’”

“He calls me Gis?”

“Yes. He does take that liberty.”

“Is he here now?”

“He’s sitting right here. He is laughing a lot at this ridiculous situation, the devil. Ask him something.”

“Me?”

“Yes, ask something.”

“Uh… I don’t know.”

“He is saying you dance very well.”

“Has he seen me dance?”

“He was with me at your group’s performance.”

“Oh… That’s nice. Tell him I said ‘thank you.’”

“Say it, he can hear you.”

“Uuuh… Thank you, Mr. Observer… Gee, Zack! This situation is really…”

“Ha, ha, ha, ha!”

“…”

“I’m sorry. It was funny.”

“Zack, you brought me here to have a serious conversation. I came because I believed you. So I come here and you talk about this Observer character. Fuck!”

“…”

“Zack, if you were in my shoes, what would you do now? Say it honestly.”

“…”

“Tell me, what would you do?”

“Honestly? I think I’d stand up, walk out that door and adieu.”

“That’s what I’m going to do. But first let me tell you one thing: quit drinking, Zack. Or at least drink less if you don’t want to make it all worse. And if you’re drinking to avoid having to face certain things about yourself, then I am sorry to inform you that you’re going down the worst possible path.”

“…”

“Good-bye, Zack. And good-bye to your friend…”

“…”

“Does he have a name?”

“I call him Nagsie.”

“Nagsie?”

“Yes, Nagsie. Isn’t it cute?”

“Nagsie, the Observer… Good-bye, Nagsie. Don’t let Zack drink too much.”

*     *     *

OStripTease-02“I told you. You weren’t supposed to spill it all at once like that. You should have done it slowly.”

“Now it’s done, Nagsie.”

“What if you lost Gis forever?”

“Whatever will be, will be.”

“Sounds like you did it to get rid of her.”

“If she liked me as much as you say, then she should have understood the situation better.”

“She needs time, Zack.”

“Now it’s done.”

“Call her again. Now that she knows about me, never mind that she thinks you really are crazy. She is not very normal either. Two beers is all it takes for her to do backflips in the middle of the street…”

“At least she’s a good dancer.”

“You ain’t seen nothing…”

“Hey! What do you know about her that I don’t?”

“Forget it, I was thinking out loud. Come on, Zack, call her.”

“I can’t call her again, Nagsie! You saw what happened, she is convinced I’ve lost my mind.”

“She likes you.”

“I like her too. Always did, you know that. But I made one mistake after another.”

“Of course, you’re always drunk…”

“Because of you.”

“And I am here because of you. So it is up to you to do something about it.”

“And I am doing. I’m boozing myself to death in the hope of getting rid of the annoyance of having you around.”

“Zack, you dim-witted numbskull. Gis is the woman who can help you and encourage you to go down the best path. But you’re scared senseless of that which you need the most. You’re a fool.”

“If she has the chance, she will have me committed.”

“Call her and invite her for a nice place.”

“Blue Night Motel. Suites with erotic chair.”

“Make it at the Spy. Invite her to drink some juice. Please, no alcohol.”

“I’ve told you not to ask me that. I’ll drink if I want to.”

“How can I not ask that, you moron?! Drinking is ruining your life.”

“YOU are ruining my life!”

“You’re the one ruining mine with your ineptitude! I could be home with my family now! But nooooo, I have to be here with you while you choose playing characters instead of being yourself!”

“…”

“…”

“Listen, Nagsie, I didn’t drink for a week and it didn’t help at all. You still kept bugging me.”

“Seven days of sobriety are not going to fix your problems, dumbass. Look at yourself and see what has to be changed.”

“If I knew, I would change it.”

“You know it.”

“I don’t, I’ve told you!”

“Yes, you do!”

“If I did, I would’ve changed it just so I could get rid of you, stooge!”

“Oh, you think I take pleasure in watching your stupid binge drinking and your lame pickup lines, ‘Hi, I know I’m a simple subject, but love is a compound and this situation predicates that we should be together…’ Not to mention your terrible sexual performance…”

“Then go to hell! On second thought, stay where you are. I don’t care if I die from alcohol poisoning. Knowing that you share my fate, I’m going to have a hell of a time with it. We will both go to Hell.”

*     *     *

OStripTease-02“Hi, Giselle.”

“So you invited me to drink juice… You must be feeling pretty bad.”

“I haven’t drunk at all since that day.”

“Really?”

“Really.”

“And what happened?”

“I decided to take a break. What do you want?”

“Apple. No sugar, please.”

“Then two. Mine with sugar.”

“So, is Nagsie tagging along?”

“Sure.”

“Is he here now?”

“He just sat down. But we are not speaking to each other.”

“Why?”

“Disagreements. It happens.”

“Oh.”

“…”

“…”

“Don’t bother looking, Giselle, you can’t see him.”

“It was a reflex. Damn, Zack, this conversation is going to make me as crazy as you, you know that?”

“At least you’re going to understand me.”

“So you two had a falling out? Did he say something that upset you?”

“Let’s talk about something else. Are you OK?”

“I’m fine.”

“I can see that. You’re gorgeous as usual.”

“You look good too.”

“…”

“What are you laughing at, Giselle?”

“It doesn’t matter.”

“Tell me.”

“It’s silly. I was reflecting upon the irony of the situation.”

“What do you mean?”

“When I finally meet an interesting guy, he is involved with an invisible man.”

“Yes, that’s unlucky…”

“I was a little rude the last time. I want to apologize.”

“Anyone else would have reacted the same.”

“I was going to call you.”

“You were?”

“I was curious about Nagsie.”

“Really?”

“I was thinking… Doesn’t he sleep?”

“He sleeps when I do. He wakes up when I do. But he’s never hungry or thirsty, he can’t do anything except watch me.”

“That doesn’t sound like fun.”

“I wouldn’t want to be in his place.”

“Does he like you?”

“Our relationship is odd. We like and hate each other. It was worse in the beginning. I could barely sleep while he was watching me. Imagine doing everything with someone watching, such as having a shower, taking a dump, jerking off… What about getting laid? Impossible, right? Or you can get drunk and forget about it.”

“What does he think about your drinking?”

“He says I’m escaping.”

“Are you?”

“Maybe. But I think it would be easier without him hanging around.”

“Then you wouldn’t have made the realizations you did about your life. I think that Nagsie, if he really exists…”

“He does.”

“Right. I think Nagsie is saving you the money you’d have to spend on therapy, you know?”

“And who says I’d pay for therapy?”

“Zack, why don’t you come and spend a weekend with me in the mountain? That would be really nice.”

“Are you serious?”

“I would love it.”

“I don’t know, Giselle. I have work to do…”

“Oh, come on, Zack. I’ll cook for you.”

“What else?”

“I’ll let you have the TV remote.”

“I didn’t ask your opinion.”

“Excuse me?”

“I was talking to the buzzkill over here.”

“Nagsie? What did they say?’

“He said he’ll forget my flaws for a week if I go to the mountain with you.”

“…”

“Are you looking at him again, Giselle?”

“What? Oh, right. I’m already acting as if there really were someone there. I think his proposal is pretty good, Zack.”

“How do you know she has that CD?”

“What?”

“The idiot here. He’s talking nonsense.”

“What did they say?”

“He’s telling you not to forget to bring your CD with erotic songs. Do you have that kind of CD?”

“Wait a minute, how does he know that?”

“Yeah, how do you know that, Nagsie? Hmm… Oh, OK. He said he doesn’t know, it was just a hunch.”

“Very strange…”

“I don’t know that we can believe everything this nutjob says. But forget about him, Giselle. So, can I really have the TV remote?”

*     *     *

OStripTease-02“Is he looking now?”

“Absolutely.”

“Yes or no, Zack?”

“Aw, Giselle, I’m not going to turn around and check. Have patience.”

“He is not gay, is he?”

“I don’t think so.”

“What does he think of me?”

“He likes you. Couldn’t you tell when we were at the Spy? He was more supportive than anyone of this idea of coming here, to the mountain.”

“Don’t you mind his watching us getting it on?”

“I had forgotten about that, Giselle.”

“I’m sorry…”

“…”

“…”

“Come on here, come on…’

“Hang on, Zack, I’m going to put on the CD again…”

*     *     *

OStripTease-02“Congratulations, pain in the ass, you kept the promise. One week with your mouth shut.”

“I did it for us both, buddy.”

“I even got to focus on others things, did you see that?”

“Yes. It’s been a rather positive week.”

“Do you think we are a good couple?”

“We? Definitely not.”

“Giselle and I, smart aleck.”

“Yes, of course. Nothing is better for you than that woman, bro. Gis is wonderful. She is pretty, smart, affectionate… And she has a pretty nice body, if you ask me.”

“She’s danced since when she was fifteen.”

“You should ask her to dance for you.”

“Hmmm… Good idea.”

“Something tells me that someone is in love…”

“More or less.”

“Admit it, man.”

“Holy shit. Admit what, Nagsie?”

“That you’re crazy about her.”

“I’ll think about it.’

“Admit it already. Who do you think you’re fooling?”

“Nagsie, shut up.”

“You were speaking on the phone today and you wrote nothing but her name all over an entire sheet of paper. Didn’t you see that?”

“I was testing the pen.”

“Ah, yes, of course.”

“…”

“So will you admit it or not?”

“Holyfuckingshit, Nagsie, you are annoying as hell!”

“Will you admit it or not?”

“I said I’m going to think about it.”

“Think about what, man? It’s obvious. Have you seen yourself in the mirror? Have you?”

“Aw, geez…”

*     *     *

OStripTease-02“Don’t you want a little glass of wine too?”

“No, thanks. You’ll be drinking alone today.”

“No harm in just a little glass, Zack…”

“Later, later.”

“Alright then. I’m going to pour another one for me. Hey, do you mind if I talk to Nagsie too?”

“Fine by me.”

“Great. Nagsie, how do you like my apartment?”

“He says you have very good taste.”

“Hmmm, thank you. And what does he think about us having a serious relationship?”

“Us who, Giselle?”

“You and I, Zack, of course. How can you even think I mean Nagsie?”

“That question was not in the script…”

“Oh, so questions for him have to be vetted first, is that right?”

“Alright, alright. What you think about that, Nagsie?”

“I think it’s a great idea!”

“Giselle, don’t meddle! Do you want him to answer or not?”

“I’m sorry, I couldn’t resist it… Come on, ask him again.”

“He is laughing at your impression of him. It’s terrible, by the way.”

“It’s good to know he has a sense of humor.”

“In fact, he does. When he is not concerned with shaping my character.”

“Has he stopped laughing yet?”

“He said he will date you if I don’t.”

“Then you two decide already. I don’t have all night.”

“I think you’re a little tipsy…”

“And you are blushing! Whenever we talk about dating, you get all embarrassed… Have you seen my glass of wine?”

“Nagsie has a message for you.”

“Yay! I am totally listening.”

“He says there is only one way he won’t look at you when we have sex.”

“And what is it?”

“If we have a threesome with a girl. If we do that, he will stare at the other one out of respect for you.”

“Did you really say that, Nagsie?”

“He said, ‘Of course, my sweet darling…’”

“Well, I’ll tell you what. I don’t care if he wants to watch me… You may look, Nagsie.”

“Well, I care.”

“I think Nagsie said nothing like that, you fool… You want to live your sex fantasy of having a threesome with another woman and pretend it’s poor Nagsie’ idea…”

“Seriously, he said that.”

“You’re lying. Did you really say that, Nagsie?”

“I really did, my two-scoop ice cream…”

“Let him speak, Zack!”

“I’m just repeating whatever he says.”

“Come on, Zack, what did he say?”

“He is not going to answer because he is laughing his pants off at your intoxication, Giselle.”

“Well, now I’m going to show him I possess other qualities… Let me turn off the light first. Where did I place my glass of wine?”

“What are you going to do?”

“A special little song for you two… Excuse me, let me turn on the table lamp. Ah, it’s perfect now.”

“Nagsie says I should have something to drink too, because I’m feeling very tense…”

“I agree. Where is the CD?”

“You’re almost sitting on it.”

“Ouch! That’s right! Hmmm, let me see… I think it’s number seven… Correct!”

“I can’t believe it. Are you going to do a strip-tease for me?”

“For you two. Nagsie, take a seat, make yourself comfortable.”

“He sat down a long time ago.”

*     *     *

OStripTease-02“Is he looking now?”

“I don’t want to turn my head around right now.”

“Did he enjoy the strip-tease?”

“He couldn’t take his eyes off of you.”

“Really?”

“He even got emotional about it.”

“What about you?”

“If I enjoyed it? Damn! I’ll never forget it.”

“…’

“You’re so beautiful, Gis…”

“…”

“Gis?”

“What?”

“Is that proposal still standing?”

“Which one?”

“Our relationship.”

*     *     *

OStripTease-02“Zack…”

“Hmm…”

“Listen, I have to go, my bus has arrived. When you wake up, I won’t be here anymore.”

“Hmmm…”

“Happy trails, buddy. You’re a nice guy. Sorry if I was rude sometimes, but we were on the same boat, you know. I am proud of you.”

“Hmmm…”

“This woman likes you, don’t lose her. Gis is going to make you very happy. You’ll see, wonderful children… Grab your chance now, man. The future is just a matter of choice. And you just don’t find strip-tease like that everywhere…”

“Hmmmm…”

“Good-bye, buddy.”

*     *     *

OStripTease-02“Good morning, son.”

“Good-morning, Nestor. Shall we go home?”

“Home, yes. I bet you miss it, don’t you? You’ve been away for one year.”

“That’s right. The Other One was a handful.”

“I can imagine. I even thought you were going to request some extended time. Get yourself a beer in the fridge, son.”

“Thank you. Empty bus, Nestor.”

“It’s been like that this week.”

“Don’t you have anybody else to pick up?”

“I had Felicia. But she asked for an extended time.”

“So she hasn’t made it yet? What a shame.”

“Felicia is the architect, you know.”

“Yes. She came to make sure her Other One won’t quit her studies. Hmm, good beer.”

“But the Other One quit. She’s studying Law now. Felicia really wanted to kill the Other One, but she can’t.”

“We definitely want to kill them.”

“But Felicia asked for the extended time. She said she will not quit until the Other One goes back to architecture school.”

“Extended time is a double-edged knife. If we don’t go to extremes to accomplish the mission, we drive the Other One crazy then everything is lost. If I had asked for the extended time, my Other One would have gone insane too and lost Gis forever.”

“Don’t tell anybody, son, but I think we are not going to see our friend Felicia again. The situation is really difficult for her.”

“That is very sad.”

“I feel sorry when the person discovers that their future will be lost. It’s been happening more frequently lately, do you know that? When people get on this bus, I know that many won’t make it back and I feel sorry for them. I don’t know what it’s like not to be able to come back, but I imagine it’s the most terrible thing in the world.”

“It is. But when we get the calling to come to the past, we know there’s always a chance of not coming back.”

“The damnedest thing is that we always harbor the hope that our future is going to be successful, don’t we?”

“Yes. When I think that pig-headed idiot could let Gis slip through his fingers, I feel sick to the stomach…”

“But tell me, how did it go?”

“My Other One is a very stubborn young man, Nestor.”

“Ah, but we all have been like that once.”

“And he became a hard boozer after I came along, you just had to see it.”

“If my memory serves, you also enjoyed the occasional drink…”

“Yes, I did.”

“Giselle was the one who fixed you.”

“That’s true. But the Other One was drinking a lot more than me.”

“So is he going to be with her?”

“Yes. It’s in the bag.”

“Then it’s alright. But tell me, what was it like to see young Giselle?”

“Oh, Nestor, I thought I was going to pass out…”

“Hehehe, I can imagine.”

“I would do anything to secure our hypothetical future, you know.”

“Yeah, do I know.”

“Can I tell you a secret, Nestor?”

“Yes, son.”

“I came here on this mission because Gis and I would be deactivated if I didn’t come. We and our children. But I was also dying to see the strip-tease she had done for me when we started dating… Oh, how badly I wanted that!”

“You don’t say!”

“Oh, you have no idea… That strip-tease performance made me go into a serious relationship with her.”

“And did she do it again?”

“Yes. It was just last night. Exactly the same as she had done before, the same exactly…”

“So that’s why you came in here with that look on your face… So the mission is accomplished?”

“Of course! After that performance, the Other One will marry her tomorrow if she asks.”

“Then it’s alright.”

“The things we’ll do for a woman…”

“The things we’ll do!”

“We’ll do anything.”

“You bet!”

“Even putting up with oneself in the past.”

“Sure thing.”

“We’ll even get married, Nestor.”

“That’s what I always say.”

“We most certainly do.”

“Most certainly.”

“We do get married.”

“We do.”

“That’s right.”

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

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(script for a movie soon)

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this tale is part of the book:

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

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> Amazon (kindle) english/portuguese

> In portuguese – blog 

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Something is rotten in the 202

25/03/2020

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this tale is part of the book:

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

(script for a movie soon)

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SOMETHING IS ROTTEN IN THE 202

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My cousin Helen I and were so united we always looked like two sisters. The same age and same tastes. At school, we sat next to each other and ran around the school yard holding hands, happy like two birds. In fact, Helen was the only friend I ever had.

It was the best time of my life. We were children and the whole world was a set piece in one big child’s play. Then we were almost teenagers and the world became an endless source of wonderment. Both of us were marveled and scared at the possibilities that life laid ahead of us. And we had each other to protect ourselves and trust our secrets.

She used to sleep over on weekends and our nights were packed with endless conversations, our favorite songs and our shared diaries. When we began to get interested in boys, we kissed one another as practice for the kisses we’d actually do on them. And in the darkness of my bedroom we would mutually teach ourselves the pleasures our bodies had to offer.

Helen had a meaning for me. The only one.

One night, I showed her a photo of the dawn, a very beautiful page of a magazine. I asked her if she had ever seen the sunrise. She said she hadn’t, but she knew about a secret and asked me if I could keep something extremely confidential for the rest of my life. I said yes, she could trust me.

“Then promise you will never betray me.”

“I promise I will never betray you,” I replied with all the earnestness of the moment that enveloped us like music.

“Never, ever.”

“I promise I will never, ever betray you,” I reiterated, kissing my fingers in the shape of a cross.

Then she locked my bedroom door and made me sit down on the bed by her side. She whispered to my ear that there were no children on the other side of the night, and that was why grownups wouldn’t let them stay awake to see the dawn. But one day, when we were grownups, we would cross the night together fearlessly and we would see the dawn. That was the secret. And her promise.

I hugged her with confidence in her words and we slept together that night sharing an embrace protected from all evil, forever sharing a secret and a promise that united us even more.

One day, her family had to move to another city and Helen went away. We cried copiously, very sorry about this sad development. I kissed her with all my tenderness and told her I loved her. She wiped my tears, said she also loved me and would do everything possible so we could be reunited soon.

But life wouldn’t be as simple as our child’s plans. The two cities were far apart and our families were not rich. We couldn’t meet during vacation and we had to get by with our almost daily letters because the few minutes we had on the telephone were nowhere near enough for everything we had to say. However, Helen’s letters gradually took a week then a month then several months… One day, they stopped coming altogether. Saddened by her silence, I insisted and wrote even more. But she never replied again. I cried my heart out to Mom and she consoled me saying that there were other nice girls and I would find other friends.

Unfortunately, Mom was wrong.

One day, four years and twenty-five days after her departure, I was told that Helen was in the city and would come over to have dinner with us. I was ecstatic. I cleaned up the bedroom, replaced the curtain and put new linen and blankets on the bed.

When the door opened, I had two surprises. Helen was different. She had grown, she was a woman. She was even more beautiful. The other surprise was the young man she had brought with her. He was her boyfriend. She hadn’t mentioned him. I didn’t know. He was nice, but I didn’t feel comfortable in his presence. She shouldn’t have brought him to our house.

Helen hugged me and kissed me tenderly and said she had missed me. I asked her why she hadn’t replied my letters. She said she didn’t have time to write, but always read them all. I asked her if she had kept them. She laughed, looked at my mother and said “yes.”

We all had dinner together and Helen told me the news. She told me about my uncles and that she was taking the acceptance examination for a Physics course at the end of the year. She wanted to be a scientist. I couldn’t stop looking at her. She was so beautiful!

After dinner, we went to the living room to watch television. I sat between Helen and her boyfriend so he wouldn’t be able to kiss her. Later on, Mom suggested that she stay to sleep over. To my joy, Helen accepted. Then she saw her boyfriend off, specifying the time for him to stop by and pick her up on the following day. He left and I locked the door.

I let Helen have my bed. I would sleep in the hammock. When we were alone in the bedroom, I pulled the chest from under the bed. I opened it up and showed her my most valuable treasure: our old CDs, our photos, my diaries, all of her letters and the notes we had exchanged during classes.

She was surprised at everything. She couldn’t believe I had really kept all those things for so long. She held two locks of hair taped to a yellow ribbon with curiosity, and I said those were ours. Didn’t she remember we used to have our hair cut together? Helen read passages in my diary where I had written about my grief for being far from her and, at that moment, her voice sounded like a sweet song that sang about the feeling of missing someone. I asked her if she still loved me.

She stopped reading and looked at me. She brought me closer to her on the bed. I sat down by her side. She straightened my hair out and said she liked me very much and she would never forget our friendship. I asked her if she still knew how to kiss. She laughed and said “yes.” I kissed her mouth. She corresponded for a few seconds, but then she stepped away. I asked her if she hadn’t liked it. She said that what had happened between us was child’s play, we were teenagers now, almost grownups, and soon we would be in college.

I told her she was wrong, our love was not child’s play, I had never forgotten her for even one minute and she still was the most important thing in the world for me. She looked at me tenderly and hugged me. She said she would never forget the moments we had shared, she remembered everything tenderly and, in spite of the time and the distance, I still was her favorite cousin. I insisted and asked again if she still loved me. “Yes,” she answered, but now we should have those memories kept in a box and mind our own lives, move on.

She picked everything up and put it back in the chest. She locked it and handed me the key. I tried to understand what she was doing, but I was confused. She said it was already late, she had to sleep and get up early.

Helen slept. I didn’t. I spent all night sitting on the floor next to the bed, watching over her sleep so nothing bad would happen to her. She was so beautiful sleeping she looked like an angel. The ray of light that came in through the window caressed her face… The moon was jealous and also wanted to kiss her. Like I had kissed her.

After some time, I looked through the window and I saw it was… dawn! I stood up and went up to the window. I opened the curtain and the window. The sky was not all dark anymore. It was beginning to change color behind the buildings. The darkness was being replaced by the beautiful orange clouds and some light beams seemed to pierce through them and spear up higher above. It was dawn, the first one I witnessed in my whole life.

I smiled with a strange feeling, a combination of triumph and discomfort. And fear. The sunrise was beautiful, but I admired it and was afraid of it at the same time. So that was the world of which my cousin had spoken, the world where she once promised we would go together… But I didn’t know if I wanted to go. I wasn’t happy with the idea of a world without children. I was rather confused.

I looked at Helen. She slept on the bed. And the sight of her face filled me with courage. I kneeled next to her and called her. I wasn’t afraid to go with her. I called her so we could keep the promise she once had made, that we would go together into the world of grownups.

She moved around in bed, whispered something and resumed her sleep. I called her again, she had to get up, we had to go in together, I wasn’t going without her. But she said it was early and she had to sleep, and told me to sleep too. I called her again. She looked at me angrily and said she would call my mother if I didn’t go back to my hammock.

I stepped back, surprised. Helen had never talked to me in that tone. I stood there looking at her, trying to understand. Why didn’t she want to go with me? That didn’t make sense. I wasn’t going alone. What would I do in the world of grownups without Helen?

Then I understood. She preferred to stay in our world, the world of children, the one on this side of the night. Our world, where we would be forever protected from all evil. I felt relieved for finally understanding everything. I closed the window and lay in the hammock.

When I was almost sleeping, I heard something that caught my attention. It was a sound of galloping, like horses approaching. I looked through the window. The sound came from outside. I stood up and went to the window. And I saw them. The evil creatures.

They were many, more than I could count. They were riding their huffing horses in a troubled gallop. They yelled, screamed and cackled as if they were insane. They had scythes and spears and brandished them over their heads. They were human corpses, skeletons with rests of flesh still hanging from them. Semi-dead creatures. Grotesque. Horrible. They looked like they had just come out of their graves. The most dreadful thing I had ever seen and would ever see in my whole life.

They were very near, blowing hatred and cruelty through their red eyes. And they were all looking at my window, where I was, all those horrible red eyes staring at me. In the vastness of the city, among all the buildings, the creatures knew exactly where I was. They had their gaze fixed on my window, on me, and they came closer in their crazy and noisy gallop.

I felt the despair come up inside my throat. I tried to call Helen, but my voice simply wouldn’t come out. They were coming and I couldn’t scream. I wanted to run, but my legs would not move and I stood there in front of the window. They came closer and the noise was increasingly louder. How could Helen sleep with that deafening roar?

At last, they arrived. They stopped in front of the window. I could hear their troubled horses huffing, ready to storm into the bedroom. I could feel the horrible smell of something rotten, some dead animal, it was unbearable…

Then I summoned all my strength, leapt as fast as I could, threw myself on the bed and pressed my body against my cousin’s. I pulled the blanket on and covered myself from head to feet. She woke up and asked me what I was doing there. I couldn’t speak at all. My eyes were closed and I trembled. I was terrified.

Helen explained that I had had a nightmare, that everything was alright and I could sleep with her. I trembled in fetal position with my eyes shut hard. I was frightened and petrified. Helen hugged me and tried to soothe me. But it was useless. They were just outside the window and would come in any second now.

Helen asked me to open my eyes. I didn’t. She insisted, she asked me to open them, said that she was there by my side, my dear cousin. I didn’t open them, I couldn’t. I just trembled and trembled.

Then she took my hand, pressed it in hers and put something in it. It was our lock of hair. It had been left out of the chest. Helen told me it was an amulet, that I should not be afraid anymore because the amulet would protect me every night. I just had to hold it and the nightmare would go away.

I held the lock of hair in my hand with all the strength I could find. Then I noticed that the creatures went gradually away. The amulet really worked. I kept holding it and pressing it. And the creatures were gone. Little by little, I stopped trembling and I cried from so much relief and gratitude. I hugged my beloved cousin and we slept that way, close together. Protected. Like in the old times. Like it should always have been.

When I woke up, however, I was alone. My cousin had left already. I looked through the window and the sky was blue. I opened my hand and there was the amulet.

*     *     *

I am 21 years old now. I left home and came to another city to attend college. My parents rented a small apartment where I live with Shadow, my Persian cat. He is neutered and never leaves the apartment, so he keeps me company.

I’ve always been careful to be back home before dawn so I don’t have the displeasure of seeing that horrible scene again. That made me turn down many invitations to go out. I was afraid I would not be protected in my bed when the malignant creatures came from the world where there are no children. Yes, I still had the amulet. But it was too sacred for me to carry it around.

I never mentioned the creatures to anybody, not even my parents or friends, nobody. It was my secret. Mine and Helen’s. One day, however, in an unguarded moment, I relented and told Luiz. We had been dating for a few months and he always asked me about my refusal to see the dawn. I liked him and thought he would understand, so I told him. In a moment of weakness, I revealed our secret.

I asked Luiz whether he could not see them at dawn, those horrid creatures. I asked him whether he could not hear the manic rumble of the gallops with the first rays of daylight. Could he not feel the unbearable smell of dead animals. He was sensitive, he would certainly understand. I told him that many years ago Helen had warned me about the other side of the night, that she had told me about the secret of the dawn and that one day I had finally seen it with my own eyes. I told him about the amulet I had been keeping, which my cousin had given to me specifically for my protection so I always wore it on a necklace when I slept.

I told him all that and waited apprehensively. Then I suddenly remembered Helen and felt all the weight of a precious pact being broken. What would she think about this? Would she understand me? If she met Luiz, she would certainly understand. Yes, he was a good person. He liked me.

Luiz listened to everything and looked very serious. He asked me if I was joking and I replied I wasn’t. He asked the same question again and my answer was negative again. He asked it for a third time and I gave him the same answer once more. Then I realized I shouldn’t have told him.

Luiz changed after that. He became somewhat cold and distant towards me. Even worse, he tried to convince me that everything I had told him was a product of my imagination, that the malignant creatures didn’t exist and that I should watch the dawn without the amulet to confirm what he was telling me.

I should have broken up with him right there. I felt very angry for being treated like a lunatic. I know I’m not crazy, I saw the creatures. I heard the hurried gallop and the troubling howls, I could feel the rotten smell overpower the air and their claws had been very close to touching my neck.

We still dated for a few weeks in spite of his attempts to convince me. He would bring it up once in a while, but I wouldn’t listen. I didn’t want to discuss that anymore, I knew it was useless. We eventually broke up because one day he did something I could not accept.

We were sharing the bed that night. I suddenly woke up startled. He was calling me. He was pointing at the window in my bedroom and told me to look. He said there was nothing outside, just the dawn.

I looked through the window, still sleepy and groggy, and I almost passed out from the shock. There were the creatures coming up and they came running, storming towards us. They were close enough already, I could hear them as if they were inside the apartment.

I looked at his hand and I saw the amulet. Luiz had taken it out of my neck while I slept, the jerk. I was out of my mind with such rage I’d never thought I could have. Seeing the amulet in the hands of that rapscallion made me absolutely furious. He couldn’t have done that.

I pushed him out of the bed, desperately screaming that he didn’t have the right to do that. I tried to take the amulet back, but he wouldn’t let me. He told me to look outside and see that everything was normal, that there were no evil creatures at all…

I could have killed him, I honestly could. Luiz was treating me as if I were insane. In fact, I was in complete despair. Yes, I was. But who wouldn’t be with those creatures drawing so close?

I pushed him hard to the corridor and from there to the living room. He tried to contain me, he asked me to calm down saying I should seek treatment, he liked me a lot and wanted to help. I didn’t want to listen and screamed at him to go away. Shadow had woken up with my screams and was scared, watching everything in a corner of the room. I was really desperate. I didn’t have any time. Luiz was pushing me towards death and didn’t understand that.

I don’t know where I found so much strength, Luiz is a lot stronger than me, but I opened the door of the living room and thrust him far away. He was knocked down on his back and tumbled down the staircase steps. I picked the amulet from the floor, yelled that I never wanted to see him again and slammed the door shut. I ran to the bedroom, threw myself on the bed and covered my body with the blanket.

I relived everything again, all the hell I had sworn I would never live again. They had come to me just like they had before. They looked through the window and… came in. They stood around my bed and watched me, the repulsive corpses. No, nobody can imagine what that is like…

While I hid under the blanket trembling and squeezing the amulet in my hands, I could feel their gaze burn like embers on my skin, their heated breath, their putrid stench, their loathsome claws only inches away from my body… No, nobody can imagine.

Then they gradually began to step away and leave the room. They knew there was nothing they could do against me as long as I had the amulet.

Luiz called me on the same day, but I didn’t answer. He sent me messages that I didn’t read. I got sick of him and turned off the phone. On the next day, I took a bus to the city where Helen lived. I had to tell her about what I had done. I hadn’t honored her secret. I had to ask her to forgive me.

I arrived there in the afternoon. I took another bus from the bus station to her house. When I got there, I rang the bell and asked about my cousin. Then I learned that Helen had passed away. On that same day, in the morning.

I refused to believe it at first. The voice on the intercom asked me who I was. But I couldn’t find my voice to say anything else. A woman opened the gate. She was dressed in black and looked very sad. She told me about something involving an accident and explained where the wake would be held. Everybody would be there. She asked me if I had understood. I don’t remember what I replied, but I had understood. I had understood everything.

*     *     *

It is exactly five ten in the morning right now. I’m back to my apartment, in the living room, sitting in this armchair facing the large glass window. The sun rises behind me, on the opposite side. I had deliberately chosen an apartment with a view to the sunset, but I can already see the sky beginning to get brighter on this side. In a few minutes, the light of day will come.

I brought another cup of coffee from the kitchen. I want to be awaken and fully alert for what is about to happen.

I can hear the rumble and feel the stench… I try to remain calm. But my chest is about to explode.

I can see the creatures and the maniacal look on their faces. And the screams, my God, the screams… I can’t understand how the neighbors can remain asleep with that uproar. My neighbor complains about the slightest sounds, how is it possible that she can’t hear this?

I left enough food for about five days in Shadow’s dish. I hope someone realizes what happened before the poor animal starves to death.

They are coming. They have seen me. The entire horde watches me with their red eyes and hateful expressions. And their storming rocks the whole apartment. How can nobody else hear this, my God? The vases drop from the shelves, everything is shaking! Even Shadow, who usually sleeps so heavily, has come to see what is going on…

They’re here already. They look sadistic as they walk around the armchair and the sound of their steps echoes in the room. God, they’re so repugnant! And their stench is so smothering it’s impossible to breathe… Shadow was terrified by what he saw. He ruffled his fur and ran away to the corridor, must have tucked himself under the locker, the poor thing. I really I wish I could have saved him from this.

One of the creatures touches my hair, the bony hand, threads of skin hanging from it… The stench is unbearable. The sickness comes all the way up to my throat and I refrain from vomiting. I remain motionless, not breathing, eyes fixed forward. One of them brandishes a scythe. Why won’t it do what it has come to do already?

They are all in the room and they laugh at me wildly. I try to retain as much of my dignity as I can, but I am so nervous my jaws shake uncontrollably… I just wish it could be over immediately.

One of the creatures pulls my hair and pulls my head back, exposing the full length of my neck. My heart is racing. It brings its face close to mine. I can see the foaming mouth and the hot breath. The one with the scythe approaches. I look away from their eyes the whole time.

The creature pulls my hair some more. The drool from its mouth drops on my closed lips and runs around its corners… I try hard to control my revulsion. I feel the sharp claws touch my neck. My jaws still tremble. They all touch my neck and glide their claws across it as if savoring an appetizer.

Two images come to my mind. The first one is the amulet I had buried in the garden of the town square, the dirt covering it, our locks of hair united forever. The second image is Helen looking at me with sad and disappointed eyes…

The tears begin to run across my face. My head is still pulled back, my whole neck exposed. I can’t stand Helen’s stare anymore and I cry. I cry with my eyes closed and I pray that it’s all over soon.

Then comes a swift motion, and the creature does its deed.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

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Mariana´s gift

25/03/2020

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this tale is part of the book:

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

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MARIANA´S GIFT

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We are celebrating ten years of marriage, Mirley and I. She is an amazing woman, I have to tell you, and still as beautiful and fascinating as on the day I met her. To celebrate the occasion, we came to spend the weekend in our beach house. We brought wine, scented candles and our favorite records. Ten years of joy. Two wonderful children. We had our troubles, of course, but our love has overcome everything.

Right now, Mirley is on the beach with the children. I chose to stay here in the hammock in the porch listening to Julio Iglesias, looking at the trees in the property, enjoying the wind and the rustling sound it makes through the leaves. Ten years. So many things we have been through…

I remembered facts, sensations, words, and small, trivial events. I remembered our days of hardship. While one was faltering, the other kept it all together… I laughed alone remembering the many agreements and disagreements, interesting random things and epic quarrels that time always turns into trifles. In these ten years together, we have collected the inevitable dust of ordinary matters, I know. But a still lovingly stare, believe me, can find poetry even in the moldiest routine.

And this morning, here in the hammock scanning the past, I suddenly remembered Mariana. It was like the wind blowing away the upper crust of sand on something that had been forgotten. It blew and Mariana came along with her gracious girly ways, the candid smile… And I remembered everything.

*     *     *

It was a Wednesday, the day of the week when they held session at Ms. Nina’s house, a known medium in the neighborhood. Joca had asked me if I would like to attend a session of umbanda Manaus style. I said “yes” and we went there.

I had left Recife to live in Manaus, where I had invested all my savings on an export business. My girlfriend Mirley came with me, but unfortunately she did not adapt to the local climate and went back. I stayed with the promise that soon I would make money and go back too. But almost one year later, my business was struggling hard and I was increasingly running out of money and hope. The outlook was not encouraging at all. I missed Mirley terribly, it was like having a stake driven through my soul. Everything was more difficult away from her. So who knows, maybe some spirit could lend me a hand.

The session began. The attendance was high on that evening and some people had to remain standing around the event. Since it was my first time, they let me have a chair right next to Ms. Nina, the medium, a very distinguished lady. She had a dark scrawny body and deep black hair and eyes. The congá table was in a corner of the room. I could identify the images of Jesus Christ, Saint George, Saint Sebastian, Saints Cosmas and Damian and the Holy Virgin on it. The medium asked for the blessing of Oxalá, of master Jesus, of the spirit responsible for the yard whose name I can’t remember anymore, and of some orishas.

I never believed in such things, I think they can be explained by autosuggestion. But I’m shy so the new experience made me feel uncomfortable. I saw people explain their problems to the spirits and that was strange to me. I saw that some of them secretly whispered to their ears, but I still couldn’t find the courage. I felt ridiculous by merely picturing myself whispering to the ear of an imaginary old black man blowing corn husk smoke with all those people around me providing a soundtrack of off-key chanting.

During the visit of the spirits I didn’t detect any considerable change in the medium. I watched discreetly but carefully, looking for negative or positive proofs of an afterlife. But one thing really caught my attention: the seven shots, that’s right, seven shots of cachaça that she drank during the visit of a certain caboclo spirit whose name I forget. And that was additional to the beers that other spirits ordered and consumed. Logic follows that Ms. Nina, with her puny body, had to be very intoxicated by the time she finished the session.

It was at the end of it all that Mariana came along. I was leering at Joca and expressing my impatience when Ms. Nina trembled once again, closed her eyes and went into a trance. I immediately detected a faint fragrance in the air, a scent of wood and fresh grass. I looked around coyly to find out who was wearing such a pleasant perfume.

Everybody welcomed the spirit that was arriving.

“Hail, Mariana.”

“Hail, cabocla Mariana. Welcome.”

“Welcome, Mariana of the brick-colored hair.”

“Hail, hail!” Ms. Nina answered to everyone around. And I noticed that her voice had become more juvenile.

“You haven’t come here for a long time, Mariana.”

“I’ll say, it’s crowded today. New people, handsome man, that’s good. Hurray!”

I thought it all was ridiculous and wanted to laugh. At precisely that instant, however, Ms. Nina’s eyes met mine. I was startled. It wasn’t Ms. Nina who was staring at me, it was someone else. It was a different, brighter, more lively stare. I was bothered and tried to look away, but something prevented me.

“This is my friend Diddy,” Joca introduced me right away. “It’s his first time here.”

“He has beautiful eyes, yes,” Ms. Nina said, half serious and half smiling.

I didn’t know what to say. Everyone’s attention was focused on me. I looked for something to do with my hands on the table to avoid the stares, especially Ms. Nina’s. It was odd. Ms. Nina remained there by my side, but at the same time… it didn’t seem to be her. It couldn’t be her.

“Are you shy, young man?” she asked, just a few inches away from my face. She had a sweet look, but there was something domineering about it. It was subtle, but I couldn’t look away. She touched my face, smiled and turned around to look for the old acquaintances in the session. I breathed, feeling relieved.

Ms. Nina – or Mariana – greeted all the attendants. I noticed she spent more time talking to men. She asked about old acquaintances, asked about someone or some other, laughed at stories and had fun at some disturbance that had occurred on the street a few days prior. I was so uncomfortable in the situation I didn’t even remember to ask for her help in relation to my business. I was content enough with just admiring her gracious manners and good humor. She was definitely a charming spirit.

There was something however that had grasped my attention since she had begun to talk. She asked about her fiancé then about another fiancé, and it seemed she had many fiancés. I was curious, nudged Joca and he explained it to me, whispering quietly to my ear:

“Cabocla Mariana didn’t die. She was spellbound when she was 17 and a half. She is very beautiful. She has white skin and red hair, the color of bricks. And her eyes are blue like a swimming pool. Whenever she gets infatuated with a man, she proposes him to get engaged to her. When a man becomes Mariana’s fiancé, he gets everything he wants professionally, he gets a pretty quick upgrade in his living standard.”

I felt queasy. I moved around in my chair to get closer to my friend.

“My brother is her fiancé. You visited his store, Diddy. He had nothing two years ago. He got rich pretty fast.”

“And what makes her become infatuated with a man?”

“Oh, I don’t know. She just does.”

“And what does she want in exchange?”

“She is jealous, she demands absolute exclusivity. If a man becomes her fiancé, he can’t have any other woman.”

“But… what do you mean?”

Someone shushed us… I smiled apologetically and put myself together. But that conversation was irresistible.

“She’ll ruin any other love you have,” Joca continued. “Look at Louis, that guy over there. He got engaged to her. He bought this house and gave it to Ms. Nina so she could hold the sessions. He was dirty poor and now he owns a supermarket. On the other hand, he never settled with a woman anymore. Mariana always ruins the relationship.”

“And can’t he get out of the deal?”

“No. You really must have balls to get engaged to her.”

“Well, I would accept that kind of deal.”

“You wouldn’t do that!”

“If she helps me make money, I’ll beat the hell out of here and she will never find me again. I’ll marry Mirley and keep the money.”

“She won’t let you leave, Diddy. You don’t know how powerful that girl is. You don’t know.”

His advice served no purpose anymore. I was overwhelmed by an odd frenzy. I had gone in there skeptical of the whole concept, but now I was willing to suspend my disbelief for cabocla Mariana if she would really help me out of the hardships I had been enduring. On the matter of her ruining relationships, well, that was just too much for me to believe.

“Before of I go, I want to talk to this young man here…” Mariana suddenly turned to me, to my surprise. “You don’t need to tell me that your life hasn’t been easy at all, right? Honest man, hard working… You come from a distant place, don’t you?”

I nodded. Her stare was impressive. I felt embraced by an unusual tenderness, like warm water, cozy… a nice scent of fresh grass…

“I’ll bet you left a girlfriend crying somewhere, didn’t you?”

I smiled coyly.

“Do you know the first thing they notice is your beautiful eyes?”

I felt my cheeks burn from embarrassment.

“And you know how to look the way a woman likes.”

I didn’t know what to say.

“You just need to have a little more respect for the spirits. I know you are smart. But nobody can challenge the spirits.”

She said that and touched my arm. That was definitely not Ms. Nina’s hand. It was the silky hand of a girl.

“But I do respect…” I tried to amend it, bothered by the exposure of my intimate thoughts.

“Then respect them a little more, it won’t hurt. You know a lot. But nobody knows everything.”

I remained silent, increasingly nervous. Being chastised by a spirit, who could imagine.

“For example, you don’t know how to make money.”

She spoke and laughed. It was a girl’s laughter.

“Mariana will show you if you want.”

In the ensuing silence, I heard my heart beat. What was she proposing?

“He is not interested, Mariana, Joca interrupted, patting my shoulder gently.

“Is that true?” she asked, looking into my eyes. And for a second they seemed to be blue.

“Well… I…”

“You’re not a lost cause. You just need a little push with a few things.”

Mariana kept looking at me seriously. Then I felt something strange, a slight numbness…

“I can fix that easily.”

“In how much time?” I wanted to know. She really had blue eyes. Or could I be imagining things?

“Faster than you think.”

Yes, they were blue. A crystalline, halcyon blue, almost a caress. I wasn’t imagining it. I saw it. I don’t know how, but I saw it.

“I like you.”

And the long hair, the color of bricks. The milky white skin, the manners of a mischievous girl. Don’t ask me to explain. I saw it.

“Mariana, he is not interested,” Joca interrupted us again.

“You’re still spiteful, Joca. Just because I never wanted to be your fiancée. Did you know that, Diddy? Do you know he proposed to get engaged to me and I refused?”

I looked at my friend. He had never told me that.

“That was a long time ago, Mariana. I hardly knew what I was doing.”

“That’s why you still find yourself in this situation, borrowing money from your brother. You never know what you’re doing.”

“You know I’m unemployed.”

I thought about my friend Joca. He was older than me and had tried many things in life. Nothing had worked. Friends were always helping him out. He seemed to have the stigma of failure. Perhaps Mariana had seen that in him? Could that be the reason why she didn’t accept him as her fiancé?

“Diddy?” she called me. “Listen, I’ll be back next week. Think about it carefully because I only propose once.”

“That’s true,” a man behind me said. “If you refuse, she won’t give you another chance.”

“Wait…” I held her arm. “I accept it.”

Mariana flashed her beautiful smile again. Her blue eyes twinkled. She took my hand, held it between hers, kissed it, looked at me firmly and said:

“I haven’t proposed yet, young man. But I will now. Do you want to be my fiancé?”

I thought about Mirley and how much I liked her. Would she forgive me? At least it was for a good cause. For one second I felt my future was about to be cast in that exact moment and that whatever my decision was, there would be no turning back. Mariana had locked her eyes into mine and I felt like I was being tenderly hugged… I wasn’t in that room anymore. I was walking in the forest with her. Mariana and her white dress, her beautiful red hair with a braid resting on her shoulder, we both laughing, we both dipping our feet in the river’s cold water, our hands held together, our bodies very close, her face close to mine, then closer and closer, her mouth, our mouths…

“He is going to think, Mariana,” Joca said, pushing me back to the table. “He is going to think hard and give you an answer on Wednesday.”

I glared at him.

“Then I’ll be back on Wednesday to find out,” she said. She let go of my hand and turned around to say her good-byes to everyone.

Ms. Nina soon opened her eyes, and kind as usual, smiled at everyone and asked that we all hold hands in a prayer for the disenfranchised and for all the well-meaning requests that had been made. I watched her carefully and couldn’t see any signs of intoxication. She had drunk a lot in one hour and a half and even her breath did not smell of liquor. I was impressed by that, that’s true, but not as much as by her transformation: her face, voice and gestures no longer had a single trace of young Mariana. The blue-eyed and brick-colored hair cabocla, if she ever had really been by my side, was not there anymore.

While we walked on the street, Joca told me about his frustrated engagement to Mariana. He confessed he had been very embarrassed at the time, but had gotten over it. He also felt grateful every day for being rejected by Mariana because he was dating a very nice girl.

I wanted to know more about Mariana, I was very curious.

“She really liked you. But don’t you make the mistake of getting engaged to her, Diddy.”

“That sounds like something a rejected fiancé would say…”

“I know it does. But tell me something: what use is having a lot of money and never finding someone to share your heart? Is it any good?”

“I’m going very far away. She won’t find me.”

“Remember what she said… You ought to be more respectful.”

“I am respectful. I just can’t believe it.”

Joca laughed, slapped on my shoulder and said:

“I’ve seen a lot of people come here to Manaus the way you did and leave a different person. Yes, I have.”

He laughed with great joy.

I didn’t mind going back a different man as long as I were in better situation. Joca’s opinions would not drive me away from my goals. I would get engaged to Mariana, save up some money and depart from that city. I was even making plans to invest the money. A soup restaurant in Recife Antigo. Or maybe an ice factory in Olinda.

“I can’t go with you next Wednesday,” he said. “You’re going to make that mistake all alone.”

I dreamed about Mariana twice along those days and the pleasant sensation of the dream would follow me for the rest of the day. I could smell her many times on the street, on the bus… I suddenly felt the nice scent of fresh grass, her presence inundated the atmosphere and something in me became calmer, mellower, more understanding.

I couldn’t feel comfortable talking about that with anybody, not even Joca. With Mirley, not a chance. What would I tell her, that I was insanely enamored with a teenage spirit? That I thought about her all the time and became flustered whenever I saw someone with brick-red hair passing on the street? That I found myself drawing her name on paper napkins? How could I tell her I was getting engaged to an umbanda spirit because of our future? No, I had better not say that. It would be a secret between me and Mariana.

On the next Wednesday, I went there again. And once again, Ms. Nina received the spirits. Like in the previous session, Mariana was the last one to come. Once again, the light scent of wood and fresh grass. Once again, the joyful voice, the juvenile grace. I felt like my fondness of her was spilling on the table. I admired the beauty of the simple gestures, the tiniest details. How could she be so charming? I realized I liked her. A lot.

After talking to a few people, Mariana finally turned to me. And she smiled. And once again, her smile brought the freshness of waterfalls to my mind.

“Hi, handsome young man.”

“Hi, Mariana.”

“You thought about me these days, didn’t you?”

“I did.”

“So did I. A lot.”

“Really?”

She stopped smiling and I could see the sadness in her look.

“Look, I have something to tell you. Come over here, come…” She invited me to sit on the chair next to her, reserved for private conversations. While the others chanted, she told me:

“You are more protected than I’d thought. I was told not to mess with you.”

I couldn’t understand.

“Look, you can’t be my fiancé.”

“Why not?” I asked, surprised.

“A bigger spirit than me, I have to respect. That made me very sad.”

It felt like breaking up a long relationship. I felt like crying in her lap.

“You are protected already, handsome young man. You don’t need me.”

“I do,” I insisted. I didn’t care about any embarrassments or privacy anymore. “I do need you, Mariana.”

“Go, go down your own path. It’s a good path. You’re going through a difficult moment, but you are a strong man and will get through the forest. Have faith.”

I suddenly remembered Mirley and I felt I wouldn’t have the strength to keep fighting for us anymore. I was finally beat, impotent. It was the end.

“Listen, since you can’t be my fiancé, I’m going to leave you a gift.” She took my hand and pulled me closer. She was whispering to my ear now. “So you have no doubts that I like you.”

I took a deep breath and found the strength to ask:

“A gift?”

“If you can’t come next Wednesday, I will know that you accepted Mariana’s gift.”

I saw a tear run from her eye.

“And even if you forget me, I’ll always be looking after you, you hear me? Now go, handsome man, go.”

She pushed me gently. She said her good-byes to everyone and left. The scent of fresh grass was gone. The warm water was gone.

I was devastated and went after Joca. I had no hard feelings against Mariana. On the contrary, she had really captivated me and I could only feel all tenderly about her. But I couldn’t believe I had made so many plans in vain. What about the famous soup restaurant in Recife Antigo? What about the successful ice factory in Olinda?

“She likes you,” Joca said, consoling me. “And if she likes you, she will find a way to help you.”

Joca’s words were useless. I was so sad I had no disposition for anything. The following days were like hell, I could barely get out of bed. Working was torture. I even lost my appetite. I was depressed and disappointed at everything, at life and especially at myself for having believed that a spirit would fix the course of my life.

My telephone had been cut off and wouldn’t be reactivated until Monday, so I used that as an excuse not to talk to Mirley. I didn’t want her to realize my situation. Joca invited me to go out, but I turned it down. I would spend the weekend locked up at home. I had absolutely no interest in seeing the world outside.

The telephone was reconnected on Monday and it rang at night as soon as I arrived from work. It was Mirley. I was still sad, but I managed to hide it. She told me one of the branches of her friend’s company in the countryside of Pernambuco was out of a manager and her friend considered me to fill the position. She explained that she had tried to talk to me over the weekend but couldn’t find me and maybe her friend had found someone else already. I told her I was interested and she gave me the friend’s telephone number.

I felt anxious when I hung up. It would be a very harsh punishment to lose that opportunity because of a disconnected telephone line due to late payment. I called the number she had given me, but it was busy. I called it again and again – still busy. I couldn’t even raise from the couch I was so anxious.

At my hundredth attempt, Mirley’s friend finally answered. Luckily, the position was still open. The salary was not as good as I wanted, but it was a branch in a city near Recife, so I would be close to Mirley and we would be able to see each other every weekend.

Everything was agreed upon on the same night. He was in a hurry and asked if I could schedule my trip for Wednesday, two days later.

“Yes, of course,” I replied with resolve. “You can count on it.”

I hung up the phone and froze in place, still amazed. Then I suddenly realized. That was Mariana’s gift…

I couldn’t help the tears rolling down my face. Right there, on the couch, I cried convulsively like I never had before. I remembered Mariana while I cried thankfully and could only mumble “thank you, thank you…”

On Wednesday, at the airport, I said good-bye to Joca and asked him to thank Mariana for me. And I asked him to say that I would never forget her. He laughed:

“No need. Nobody forgets Mariana.”

On Wednesday, on my journey, I could only think about the session. At that very moment, they certainly were all around the table, looking at the spirits on Ms. Nina’s face. I felt good and confident, with lightness in my soul. I was as sure as anyone can be that I was on board the most protected flight in the world.

At the airport in Recife, I picked my luggage and looked around in search of Mirley. While I waited for her, I detected this familiar scent, a pleasant freshness…

Someone suddenly touched my shoulder. My heart froze. I turned around slowly, already knowing whom I was going to see. And I saw her. The reddish hair, the white skin, the sparkling blue eyes…

A river of tepid waters ran around me and I let myself be washed by the embracing waters, the fresh smell of grass, the continuous melody of the forest… My soul was taken by a sweet feeling of rapture. Two beautiful blue eyes caressed me and all I could do was smile and smile…

“I’m sorry,” she said, embarrassed. “I mistook you for someone else.”

“What?” I said, coming back down to the airport, feeling my feet on the floor again. The girl waited for me to say something, but I couldn’t find anything to say. She waved at some people farther ahead and smiled at me.

“Good luck. Bye.”

I stood there watching the girl go away and run to her friends. I didn’t know what to think. Then I heard my name and saw Mirley come towards me. I was confused and still looked for the red-haired girl, but she had already disappeared in the crowd. Mirley hugged me tight and cried on my shoulder. We hadn’t met for almost one year. We’d missed each other so badly…

“What is this strange look on your face, Diddy?”

“It’s the trip…” I replied “But everything is alright now. Have you had dinner?”

We left soon. On the following day, I already was the manager of the store branch and there was a lot of work to do. A new life awaited me, this time next to the woman I loved.

About the girl in the airport, I know, I know. You certainly think I think she was Mariana. Yes, she was.

Don’t try to dissuade me. Don’t even ask me about logic, I don’t even have it for myself. I am perfectly content with the pure and thankful certainty I still carry in my chest that the coquettish girl who suddenly smiled at me at the airport in Recife was indeed Mariana. Yes, cabocla Mariana of the brick-colored hair, spellbound at 17 years and a half, who took some time out of Ms. Nina’s session on that Wednesday night to see me for the last time and to wish me a happy life in her own way.

This is the story. In a moment of angst and helplessness, I was willing to be Mariana’s fiancé and challenge her power. She wanted me, too. But fate would have it differently. Mariana, in demonstration of her love, gave me a gift, a once-in-a-lifetime opportunity to change my life for the better and I grabbed the opportunity with all my might.

This is the story of Mariana that I still carry in my chest bathed in warm water, in the smell of fresh grass. In the first few months, still impressed by everything that had happened, I remembered Mariana every day and thanked her quietly. I gradually forgot her, absorbed by the intense work and by the family growing up. As my life resumed its balance, Mariana slowly became an increasingly distant memory that eventually disappeared. Maybe she didn’t need to intervene for me anymore since my life was finally back in its natural course.

Today, however, ten years later, here in the beach house, the memory of her came back to me. It made its way into my heart. And I remembered everything again.

*     *     *

Mirley is just back from the beach with the kids. They bring a bucket full of sea shells. Louise says she is going to plant them in the backyard and wait for a sea shell tree to grow. Filippe chastises his sister for believing nonsense that grownups say. I sit on the edge of the hammock and ask them if they picked all those shells up on their own or if their mother really did all the work. Filippe says a young lady helped them. Mirley says the children loved the girl in a way she had never seen before. While pouring the shells down on the floor, Filippe tells me:

“She was beautiful, Dad. Her eyes were the color of this bucket.”

I look at the blue bucket and begin to feel strange already.

“And her hair was red, that color.”

Before Louise pointed at the roof, I had already understood. I feel my heart freeze over, a sudden vacuum in my soul. I clutch at the hammock as if grasping the will to dash away towards the beach.

“Her skin was so white, Diddy…” says Mirley, turning on the shower in the garden to wash the children. “I don’t know how that young woman can stand walking under this hot sun.”

I rise from the hammock feeling something in the chest. A strange joy, a melancholy, an excitement, everything at the same time. I walk silently to the living room. I pour myself a shot of whiskey on the counter and knock it all back at once. The burning liquid makes my eyes watery. A useless ruse to hide the tears I can’t control.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

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(script for a movie soon)

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this tale is part of the book:

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

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> Amazon (kindle) english/portuguese

> In portuguese – blog 

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Crimes of passion

25/03/2020

CrimesDePaixao-02

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this tale is part of the book:

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

(script for a movie soon)

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CRIMES OF PASSION

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CrimesDePaixao-02All patrons of the Kuay Bar stopped dead in their tracks when they arrived on Saturday and found that Imogen had not come to work. After all, he wasn’t just the most folkloric waiter in the extremely bohemian district of Iracema Beach. He was also known as Penalty, a nickname the customers had given him for missing work one single time in twenty years in his job, on the particular day when he masterfully defended a penalty kick in the final match of the Quintino Cunha Soccer League. The celebration had been so intense he was unable to work at night. Imogen, a.k.a. Penalty.

Now the man was absent from work a second time. It was almost as historical an event as the first one. People bragged about having been in the bar on that night when Penalty was absent. Roger Gaciano Jr., reputed journalist and habitué of the district, was looking for someone to illustrate his story about the bohemian neighborhood and guess who he interviewed. Waiter Penalty, of course. And the interview is still posted on the bar’s wall, laminated, for the whole world to see.

“Imogen hasn’t come to work?! Did he save another penalty kick?”

“I propose we hold a meeting to change his name to Double Penalty…”

Speculations ran wild all night long. Bets were placed: a month of free booze to whoever guessed why Imogen was absent for a second time. The man had such charisma that even his absence would be grounds for a party.

But on Sunday evening, Imogen’s wife came to the bar asking for her husband and everyone suspected something more serious had happened. Ms. Cecilia was distressed with a young boy on her arm and said her husband had left on Saturday afternoon and she hadn’t heard from him since. Carlitos, owner of the Kuay Bar, empathized with the woman’s affliction and offered to organize a search party to find out where his best waiter was. Ms. Cecilia should not worry and should go back home. He would put her in a taxi and soon everything would be alright. Imogen would turn up.

The mystery persisted until Monday morning, when Penalty’s decomposing body was found washing on the shore at Barra. The coroner’s report indicated drowning. He couldn’t swim, so he would never venture into the ocean. The strangest thing is that he was all dressed. Maybe he had fallen from the wharf? Money and documents in his pocket. No signs of violence on the body. What could have happened?

Penalty was buried late in the afternoon. Everybody was devastated. Almost every one of his customers attended, even the occasional ones and those who owed him money and had been avoiding showing up. The widow received offers of assistance and saw how beloved her deceased husband was. A storm of flowers was thrown on the casket and someone picked up a guitar to sing Ednardo’s “Beira-Mar”, Imogen’s favorite song.

Amidst the lamenting, nobody heard it when Jeovah, also known as Prophet, dressed in his thick black coat that hadn’t been anywhere near soap for a long time and with his fixed gaze on the descending casket, said:

“There goes the second martyr.”

If someone heard it, they pretended not to. It was hard enough putting up with the Prophet and his apocalyptic prophecy speeches in bars and it was certainly worse in a funeral.

“But it’s not over yet. There are still three…”

Although many avoided mentioning it, a whole moon went by while people wouldn’t talk about anything else at the bars in Iracema Beach. The most mournful abstained from alcohol for three days in memoriam. Others drank continuously for three days.

But nobody, absolutely nobody ever thought to connect the death of waiter Penalty to another death that had happened three months before at Le Bombom, a small modest love hotel where hookers and trannies used to go late at night. The victim was Neddy, owner of the establishment, a kind and peaceful elderly man. He was found dead in one of the bedrooms, laying on the bed. He was naked and had designer chocolate wrappings crammed in his mouth, such cruelty.

*     *     *

CrimesDePaixao-02Detective Tadeo Vieira, as he likes to be called (but known in the underworld as Tadeo Mousetrap), thirty-nine years of age and forty of card playing, always one to brag about being a good detective, woke up in that morning with a massive hangover. He had slept no more than two hours. He took a quick shower and a taxi to the Verdes Mares shanty town. They had had too much fun this time: the poker game had extended to six o’clock in the morning. And he had lost a month’s worth of wages to Mardonio, lucky son-of-a-gun.

Detective Tadeo Mousetrap (my apologies, but certain nicknames just become part of the person) never worked on Wednesday mornings. In all those years, no case had ever been important enough to justify his missing the old Tuesday night poker game or his sacred sleep on the next morning. But he had known Gina, the cigarette vendor. He had been her customer for a long time. And he couldn’t help feeling bad when someone informed him over the phone of her death in the wee hours of that night.

When detective Mousetrap finished interrogating neighbors, relatives and friends of the victim, he went to his office downtown. He sat at his desk with a view to the cathedral, went over his notes and reconstructed the sequence of events in his head. Gina comes home, a small wooden shack in the Verdes Mares shanty town at around four o’clock in the morning. She comes from Iracema Beach where she works as a peddler selling candy and cigarettes. Half an hour later, her husband leaves for the factory. Woman and son stay in the shack. The first flames are soon noticed by three men who are shooting pool in a bar fifty yards away. They rescue the boy who had been sleeping and remove Gina’s burnt up body that is lying on the kitchen floor.

Nobody in the shanty town saw anything suspicious, nothing out of the ordinary. Although everything hinted at an accident, Mousetrap scratched the back of his head and couldn’t understand why the victim had been unable to evacuate the small shack in time.

At night, he went to Iracema Beach. He talked to waiters, taxi drivers and peddlers. Everyone agreed that she was a beloved, friendly and generous person who had no enemies. At eleven, he closed the little note pad and called it a day. But before going home, he stopped by the Kuay Bar of the late waiter Penalty to enjoy a nice shot of cachaça. One by one, he recollected the conversations he had had that night. The woman did not owe money to anyone, didn’t like trouble, and was faithful to her husband. It wasn’t a crime of passion, murder, robbery or revenge. The one remaining hypothesis was that of an accident.

Mousetrap scratched the back of his head with the tip of the thumb. Something was telling him there was something off about it. And his intuition never played tricks on him. That’s why he became known as Mousetrap. As much as he tried, he couldn’t get rid of that moniker. He said it was a ridiculous nickname, that Mousetrap sounded like some corrupt, sweat stained shirt police detective. He wasn’t any of that, he was high profile. He worked as a detective because he had always enjoyed investigating, but he was graduated in engineering. He was a teacher at an entrance exam preparation course, but his real vocation was solving cases. He was so good at what he did that even the police would often ask him to help. In fact, the police had given him the nickname he hated. They said Tadeo Vieira was a teacher’s name. From then on, he was known as Mousetrap. Even ladies, ever concerned with their husbands’ dalliances, knew him by the nickname.

“This time I’m sure he is cheating on me, Mr. Mousetrap…”

He downed another shot and looked at the light-bathed sea of Iracema Beach, giving his eyes a break. All kinds of street vendors, the popcorn carts and the bright lights of the lampposts made that part of the district look like a park. How could that neighborhood have changed so much so fast? A few years earlier, there were half a dozen bars and they coexisted peacefully with the local population. They were more than a hundred now and the efforts of the residents’ association to ensure more peace and respect for the families that still insisted on living there were for the most part fruitless.

Several residents among the many he had heard had complained about the hell that life in that neighborhood had become. Some even said the death of the peddler might have been a consequence of the struggle for points of sale. Nothing would surprise them anymore since the bars had attracted a lot of people from other places, and crime was part of it all.

Mousetrap had been a frequent habitué of the district and knew its history. He knew the residents’ complaints were founded. But he also knew the bohemian vocation of the area was rather old and the proliferation of bars was difficult to control due to many aspects, including the generation of jobs and increasingly thriving tourism.

He had basically stopped going there after so much growth. Until then, one could easily walk around the streets at night in peace. Couples could go on dates and enjoy the view of the ocean unafraid of robberies and patrons knew each other and had some respect for the residents. People gathered around a guitar on the sidewalk was a common occurrence. The bohemian life was equal amounts of poetry and friendship.

Not anymore. Instead of musicians, artists, poets and intellectuals, Iracema Beach had been taken over by noisy gangs of high and middle class boys and girls, youngsters obsessed with the power of the sound system in their cars and the designer label of their clothes. They also brought robberies, car theft, bar brawls and deaths. Drug dealers and young gym-goers looking for trouble were also attracted to the scene. Next in line were tourists, eager to consume. Then the prostitutes came. Surely there had to be room for them too. “Iracema Beach belongs to everyone!” advertised the tourism campaign slogan.

The detective went back to his tiny apartment with a barrage of thoughts and a lingering suspicion. He tried not to take the Prophet seriously, but couldn’t stop thinking about him, the crazy man he had met at Kuay Bar that night. He had seen him at the bars before. The same shaggy barfly of twenty years ago with the same stinky coat and the old habit of speaking in rhymes. He hadn’t changed at all and had sat at his table without asking permission:

“Your intuition is right, Mr. Detective. What happened to Gina was no accident. But it’s no use focusing on guilt ‘cause the prophecy is going to be fulfilled.”

He didn’t realize it then, but he did later: how could that man know about his intuition while he had never mentioned it to anyone? “Just what I needed,” he thought. “Some nutjob reading my mind.” He turned around in his bed to sleep, dismissing his thoughts with the conclusion that even nutjobs are right once in a while…

A few days later, the coroner’s report contained an intriguing conclusion: there was no trace of smoke in the victim’s lungs. That meant she had died before the fire started. But that did not reveal the cause. That would take a few more days.

Mousetrap scratched the back of his head with the thumb. So Gina had been dead already. Had she fallen or something like that? Or had she been murdered?

*     *     *

CrimesDePaixao-02“Oh waiter, two cachaças, please.”

“I’ll have a double shot.”

“Very well, Mr. Jeovah. What do you know about Gina’s death?”

Jeovah, who also went by the name of Prophet, was wearing his old stiffened black jacket. He eyed the man sitting across the table with both friendliness and disdain.

“I know that which is written, Mr. Detective…”

Gina had been dead for one week when Tadeo Mousetrap met the Prophet on the streets of Iracema Beach again and offered to buy him a drink. Maybe the nutjob had something interesting to say, seeing that he was a witness of the district’s reality day and night. The hardest part was putting up with the stench on that coat…

The waiter brought the drinks. The Prophet finished his cachaça in two gulps and began to talk about the night, the magic of the beach and the secrets of the bars. He told stories of the neighborhood, legends of old residents of the area, people who didn’t exist anymore. Tadeo Mousetrap listened carefully, marveled at his own patience. The Prophet had been roaming the area since the beginning of the proliferation of bars, he and his coat, the filthy hair, the rotten teeth and all of his oddball stories. He said he had been a photographer for a newspaper. There were rumors he had had a rock band in the 1970s called Punk Freud or something like that. People said he had lost his mind because of a woman. Absolutely everybody knew him, everybody had bought him some liquor one day.

“Don’t second guess reality, Mr. Detective. That is important in your job. For example, if I told you there was someone sitting at this table with us, someone who came with you, you wouldn’t believe it, would you?”

Tadeo Mousetrap automatically glanced at his side. When he understood what was happening, he got angry at himself and realized he had heard enough. Half an hour listening to that crazy talk, what was he thinking? He took a deep breath and embellished his voice with a tone of authority to say it was late, and if the man had nothing material to tell him, he had to excuse himself because he had to work early the following day. And ordered the check.

The Prophet gave him a brief smile of resignation.

“I’m going to speak the language you understand, Mr. Detective. Tell me one thing. If you don’t know I have a four of queens in my hand, then that hand does not exist to you, does it? It doesn’t exist because you don’t know I have it, right? But it does exist whether you know about it or not.”

Detective Tadeo Mousetrap, forty years of card playing, stared at the Prophet and felt a chill run down the spine. The nutjob knew he played poker? So he really could read his mind?

He kept his gaze fixed in the man’s eyes for a few seconds, looking for some clue that would give something away… But the expression on the man’s face did not change. He remained undisturbed, calm and unguarded, the type who would never harm anyone.

Suddenly, a black cat came in through the bar’s door and approached the table meowing at Prophet. He took it in his arms and held it on his lap, caressing its hair.

“You’re only investigating Gina’s case, aren’t you? Well, I’m going to broaden your perspective a bit more. Just because I liked your honesty.”

Tadeo Mousetrap waited. In the Prophet’s arms, the black cat watched with its yellow eyes.

“Look, Gina’s death has two precedents. One is Neddy, the hotel owner who died five months ago. The other one is waiter Penalty, who’s been dead for two months. I know you know, I know. But you haven’t connected the dots. The three of them were known characters in the area, they were part of the landscape. Behold the irony, man: the motel owner, who sold sex, died in bed. The waiter, who sold drinks, died by drowning. And the cigarette peddler died from burning.”

“She died before she burned,” interrupted Mousetrap, quickly realizing he had just let out inside information.

“It’s the symbolism that matters. The night is dying by means of its characters. The prophecy is cruel, but it’s real.”

“What prophecy?”

“You know it. One day, the night life of Iracema Beach is going to die.”

Tadeo Mousetrap lost his patience for the last time. He paid the check and stood up.

“As far as I know, Mr. Prophet, and maybe you don’t, a beautiful blond woman apparently in her twenties wearing a black dress was seen in the company of Neddy a few minutes before he was found dead. There is nothing symbolic about that. It was a murder and I’m going to prove it.”

“So, man… What better symbolism do you want? A beautiful and cruel blonde, dressed in black… A cool girl will kill you in a darkened room… Do you know that song?”

“Who knew the nutjob knew English,” thought Mousetrap, scratching the back of his head.

“You’re so obsessed with finding the murderer you can’t see the obvious.”

Mousetrap walked up to the sidewalk, hailed a cab and heard Prophet say from the table, still holding the black cat:

“Henry, Harry, Holy Pie. Who is the next one to die?”

*     *     *

CrimesDePaixao-02Over the following days, detective Tadeo Mousetrap eagerly awaited the second report on Gina’s death. He finally had some information: the coroners could not determine the cause of death. They just couldn’t.

The second conversation with the Prophet had been constantly hammering his mind. That story of a prophecy about the end of Iracema Beach was old, but it was just one of the many crazy stories that ran around the neighborhood. People smoked weed in the alleys and made those stories up. The actual truth was that Neddy had died of a heart attack and the blond woman had indeed been seen on the night of the crime by two witnesses. Waiter Imogen had died by drowning and there were no suspects. Gina’s case was the most mysterious one. The deaths, however, were not related like the Prophet had assumed. At any rate, the cases involving the waiter and the love hotel owner were none of his business. The waiter certainly had been drunk and fallen from the wharf on his own. And the police was looking for the blonde under suspicion of killing Neddy. His problem was the cigarette peddler. He had to discover why she had been unable to escape the fire.

Tadeo Mousetrap turned on the shower and walked into the cold stream. What he needed now was a good shower and a nice little game of poker. Four of queens… Who knows, maybe that was a tip for the game later at night. It might as well be. He might win back what Mardonio had taken from him the last time.

After the shower, he got dressed rapidly and went to meet the rest of the gang at Papagaio, the only bar that would let them have their poker game. Sure, it was just a table in the storage room on the upper floor, but it was allowed. Table for five, a bottle of cognac, saucers with peanuts. Next to his chips, a naked photo of Danusa, secretary of the office next door, for good luck. An old charm really. She was actually married now. “The buy-in is twenty, first pause at midnight, you touch someone else’s charm you get a warning, the prize is one, two and four buy-ins, let’s play because the game is played like this and watch it out ‘cause I’m kinda pissed…”

Mousetrap tried to focus on the game, but whenever a queen was laid on the table, he would recall the chat. How could the nutjob know he played poker? Was that why people called him Prophet, because he had the gift of guessing things?

The three cards were set on the table. A queen of spades came up. He had to focus on the game.

Henry, Harry, Holy… Mousetrap thought it was funny and laughed. He had to focus, he was very distracted.

Second card on the table: queen of clubs.

Henry, Harry, Holy… All those names began with an H. Was the nutjob trying to tell him the name of the next victim would begin with an H?

Then the queen of hearts was laid on the table. Three of queens! Everybody shouted around the table. They all exchanged glances and a sly smile. Whoever had the queen of diamonds would have the four. If anyone had it, they smiled to hide their happiness. And those who didn’t smiled to hide their fear.

Mousetrap felt his heart pound in his chest. He raised his eyes from the cards and immediately found Mardonio’s suspicious eyes across the table, behind the smoke of his joint. He looked at his cards again. He had to focus or damned Mardonio would guess his game.

He had seen the first one of his two cards. It was the two of clubs. The other one was behind it. He thought he’d do a little suspense for himself. He impulsively doubled the bet, still not knowing what the second card was. A shot in the dark. Of course it was risky. He didn’t usually do that, but it was the kind of thing that could serve as a good psychological move on the other players. He knocked back a bit of cognac. He had to seem calm.

Mardonio put many chips on the table and doubled the bet too. And stared at him again. The other players quit and left the two against each other. Mousetrap, still not knowing what the second card was, saw the bet. Someone whistled out in awe.

Mousetrap tried to remain calm. The game was getting serious. He took a long breath and finally decided to see the second card. His next move depended on it. If it were the queen of diamonds, he would keep betting until the end of the world. It had to be the queen. It had to be a four. The Prophet’s four.

Mousetrap rubbed his fingers slowly, applying just the right pressure so the second card wouldn’t be revealed completely. He was making suspense for the others and for himself. He could feel Mardonio watch him closely, ready to read his every slight gesture. The others did not dare speak. It was the highest bet of the night.

Mousetrap rubbed his fingers a little more. He uncovered the left lower side and could tell by the drawing that it was a face card, not a pip. His heart raced. That card could be the last queen he needed. It could only be a king, jack or queen. It had to be the queen of diamonds.

He went on with the suspense. He uncovered a little bit of the upper left corner and a sliver of the letter. It was red. Gradually, slowly, the red color…

Mousetrap, forty years of card playing, could not believe what he saw. For a few seconds, he could not even think at all. Then he thought someone was pulling some stupid prank on him. But nobody was laughing. Everyone was serious and awaiting his decision.

Mousetrap gulped hard. The card he had in his hand was not a king, a jack or a queen. What he had in his hand was a creepy skeleton riding a horse and brandishing a scythe. And the letter on the upper corner of the card was an H. A blood red H.

*     *     *

CrimesDePaixao-02Helga Mara stopped in front of the bathroom mirror and dried her long black hair. She brushed it, tossed it back and took a look at herself. Her experience as a blonde had lasted just six months and it hadn’t been very rewarding. Few people had approved it. Even her cat Rien had found it strange. He kept looking at her with his yellow eyes as if he didn’t know who that blond woman was. Now her hair was black again. The same color as her cat and the clothes she wore, and it was good to see her old image again.

She was living a good moment. The performances were happening. The boys in the new band were proficient musicians and did a good work together. The night gradually got to know who Helga Mara was. “Ah, life should always be like this,” she said to the image in the mirror. “Singing the blues and living the emotions. Preferably the strong ones, my dear.”

She gave one last look at the reflection of her naked body, which she admittedly used as a weapon both on stage and in life. She applied two drops of perfume in her hands and rubbed them on the back of her head and on her lap. She felt her breasts and looked at their side profile. She was wearing a black T-shirt as long as the middle of her thighs. She saw her face next to Jim Morrison’s in the mirror, a reflection of the poster on the wall behind her. Before she left the bathroom and went to the bedroom, she kissed his mouth on the mirror.

– You can’t fool me, man. I know you are alive. We will meet one day.

The record player in the living room was playing him, the Lizard King, and he sang: If you give this man a ride, sweet family will die… Killer on the road… Helga Mara closed her eyes, listened to the music and took a deep breath. She bit her lip. “I can resist anything, my dear, except temptations…” She picked up the bottle of Jack Daniel’s from the bedroom nightstand and went to the living room. She stopped at the door holding the bottle and looked at the man sitting on the floor, leaning against the couch. The clock on the wall informed her she had spent twenty minutes in the shower. “Twenty minutes is nothing for what he is about to get…” she thought, with a smile. “Cheers…” she toasted after pouring the glasses.

“To you. Cruel Helga.”

“To me.”

While Jim sang about the deadly ride on the road, Helga Mara drank a little whiskey and looked at the man in front of her. She had met him on a show one week before. As soon as he entered the bar, they exchanged odd-mannered glances. She noticed that he ogled her with lust during the performance. She was aroused the whole time she sang, feeling herself wet in the underwear. And she delivered her best performance ever. When she left her dressing room, she walked by his table to catch his attention. The allure worked: he invited her for a drink and she accepted it. He complimented her voice and the songs, especially “Cruel Blues.” She liked his mysterious gaze and behavior. And he said, “You have the style of the night…” And that stuck, she never forgot it. The style of the night.

Rien suddenly came from the kitchen and rubbed himself against her legs. She picked the black cat up in her arms.

“You escaped, little rascal. Come on, let’s go back. You can’t stay with me tonight, please understand…”

She left towards the kitchen and returned soon.

“Who are you, Helga?”

“A lucky little girl under the spotlights of the night.”

“Or just another lost angel in the city nightlife?”

She played with her fingers mimicking a shy and vulnerable little girl. She walked up to the shelf and played the record again. She could feel his stare on her back, surveying her curves. Now he was going to stand up and come close…

“Do you also like Jim Morrison?” she asked, lowering the needle onto the last track again.

“I like Helga Mara more.”

His voice was right behind her, she could feel it on her neck.

“Why do you think I have the style of the night?”

“Because the night is cruel.”

“Cruel…” she thought, savoring those words.

“Nothing that I can avoid, my dear…”

“You have a future, Helga Mara.”

“I know.”

“With me.”

“With you? I didn’t get that memo.”

“If you want, I can take you away from here and showcase your voice everywhere. We can live a torrid passion. In the end, we will die of love in Paris. In the bathtub of a hotel room.”

“Tempting… But lizards don’t die in Paris, dear.”

She felt his arm around her waist first, pulling her in firmly. Then her mouth met his. The unceremonious tongues. Then the hands, the T-shirt being pulled up and torn, his hands on her back, her neck, her breasts, her naked body in his arms in the middle of the room. Then the couch, his clothes, the urge, the sweat. Then the stars, the stars… And the keyboard like droplets of a blues dying gradually under the rain. Then the silence. Such cruel silence.

My love, this city is deafening
And you forget what I have to say
My love, the night is cruel
I smoke and drink alone in my place…

(Helga Mara – “Cruel blues”)

*     *     *

CrimesDePaixao-02Lieutenant Trinity, friend and police informant, informed Tadeo Mousetrap. Mousetrap immediately took a taxi and managed to get to the victim’s apartment before the press, when the police were still collecting material and taking photos. He inspected the damage with his own eyes. He saw the singer’s beautiful and bloody naked body lying prone on the carpet with spread legs and a gash on the neck. The police had already collected some objects for forensic analysis, including two glasses and a vinyl record broken in half with traces of blood.

“Do you know her, Mousetrap?” asked lieutenant Trinity, showing him the broken record.

“‘L. A. Woman’. Such a crime to break this vinyl.”

Mousetrap inspected the rooms. There were photos, notes and performance posters on the bedroom wall… Suddenly a black cat ran across and hid under the wardrobe. By the cat food in the kitchen, Mousetrap concluded that the animal belonged to the young woman. He tried to pick him up, but the cat leaped, quickly reached the window sill and stared at him. For an instant, he thought the animal might be trying to tell him something. Cats are magical creatures. He looked into the cat’s eyes and asked:

“Who did it? I know you know.”

The cat didn’t move on the window sill, just kept looking at him and meowed.

“So that is your method, Mousetrap… Feline interrogation.”

He turned around and saw the lieutenant standing at the door.

“The neighbor told me his name is Rien. In French, that means…”

“Nothing.”

“Exactly. So he knows nothing.”

Mousetrap picked up the cat and caressed him while Lieutenant Trinity laughed.

“We shouldn’t second guess reality… Isn’t that so, Rien?”

*      *     *

CrimesDePaixao-02Tadeo Mousetrap sat down on the couch in the living room of his tiny apartment. He turned on the TV, but didn’t pay attention. His thoughts were focused on Iracema Beach…

Helga Mara was the woman’s name. Beautiful woman. Twenty-three years old, a blues singer. She had a band and the patrons of many bars knew who she was. She had been in the city for one year and lived alone. She had performed on Tuesday night and was not seen after that. The body was found by the band’s harmonica player two days later. She had missed the rehearsal and wouldn’t answer the phone, so he went up to her apartment. The door wasn’t locked. He went inside and found the body lying on the carpet.

“Helga Mara… The ‘H’ in the riddle”, thought Mousetrap. A singer of the night. Killed with the throat slashed with a record. Signs of wrestling. She had certainly resisted. But the murderer was stronger and had knocked her down. He turned her around belly up on the carpet and laid his body on top of hers. He gagged her with a handkerchief so she wouldn’t scream. He broke the record in half and slashed her neck. While the hemorrhage drained her strength, he sodomized her to the sound of “Riders on the Storm”…

“Meoooooow…”

Mousetrap snapped out of his thoughts with the cat meowing at his feet.

“Are you hungry, Rien?”

He rose from the bed and put more cat food in the dish. With the crime scene still in his mind, he took pen and paper and wrote down the names of all victims. First, the love motel owner who died in bed. Three months later, the waiter who died by drowning. Two months later, the cigarette vendor who was burned to death. One month later, the singer was killed with her throat slashed with a record. No sign of robbery. No crime of passion or revenge. Four pointless crimes in six months. But they were symbolically consistent as hinted by the Prophet. Mousetrap scratched the back of his head and wondered if the police were aware of that potential connection among the crimes. Coincidence or not, he couldn’t discard the possible connection anymore.

But how did the Prophet know the next victim’s name would begin with the letter H? Or could it have been just a hunch? Mousetrap wrote down the names of the victims. Neddy, Penalty, Gina and Helga in chronological order. N, P, G and T. That didn’t spell anything that made sense at first sight. He tried a few combinations, but nothing caught his attention. Then he realized the two first names were actually nicknames. Neddy’s given name was Neddleson, the same initial. But the waiter’s name was Imogen.

He replaced the letter ‘P’ for ‘Penalty’ with ‘I’ for ‘Imogen.’ Now he had N, I, G, and H.

A lightning bolt struck his mind. A chill ran down his body from head to toes. Mousetrap kept staring at the paper in shock.

The prophecy.

*     *     *

CrimesDePaixao-02“I knew you would come. Wanna sit down?”

Jeovah, the beach prophet. He and his black filthy jacket.

“A shot of cachaça for the Prophet over here,” Mousetrap ordered to the waiter.

“Make it a triple shot,” added Jeovah, grave as usual. “The young lady deserves it.”

“How did you know it would be her?”

“All I know is that which is written.”

“And what is written?”

“That the end of times has come.”

“What else?”

“This beach’s nightlife is doomed.”

“Doomed by whose will?”

The waiter came with the drinks. Tadeo Mousetrap watched the Prophet raise the glass full of cachaça up to his nose, close his eyes and smell it. He was about to repeat the question when the man opened his eyes.

“People say I’m crazy. What do you think?”

“I don’t think anything. Who is trying to kill the night?”

“The night is dying…” the Prophet continued between draughts. “But death always comes, Mr. Detective. Nobody gets out of here alive. This beach’s nightlife dies whenever a new bar is opened, as strange as that sounds. The night dies when these playboys come here to show off their designer labels, when the street vendors sell booze to the underage, when even waiters supply patrons with cocaine and taxi drivers and love motel owners look the other way for tourists and their twelve-year-old lovers.”

Mousetrap listened with his eyes locked into the Prophet’s red eyes.

“The night dies whenever someone is robbed in a dark corner of the streets, whenever a car is stolen, whenever gym-grown thugs pick up a fight. The night dies whenever a mother gets angry at her baby’s crying, unable to sleep because of the loud music in the bar next door. The night dies in the music blasted from the cars, in the barbecue restaurants that attract people from distant neighborhoods who don’t understand the sea breeze. The night dies because it’s everyone’s fate. And it’s nobody’s fault. So it’s pointless to look for a culprit.”

“What should I do then?”

“The strange days have caught up with us, Mr. Detective. They tracked us down and destroyed our simplest joys. Nothing can be done.”

“There has to be a murderer.”

“Iracema Beach belongs to everyone…” The Prophet smiled sadly, looking at the sea through the bar’s window. “Everybody is entitled to a share of its lynching.”

“How about you, don’t you feel sorry for it? Or for the victims?”

“I feel sorry for the sons of the beach who try to perpetuate what belongs in the past already. They love the night and die with it. Many were not even born here, but are made of the same ocean breeze. It’s not good to grow attached to something that is going to die. Koi-guera… That which is going to die.”

Mousetrap listened carefully. This time around, the Prophet’s words were still crazy, but somehow seemed to be coherent. Or had they always been and nobody had noticed it?

“Who is next?”

“Do you still have no clue?”

“Does letter ‘T’ stand for ‘Tadeo’?”

“What do you think?”

“It would make sense. The murderer has killed the sex, the fun, the drugs and the music. Nothing else is left. Killing the one who wants to expose him would be the last act. The grand finale.”

The Prophet listened sternly.

“The singer’s killer was a man, I know. The same man who was drinking at the bar with her after the show. If there are multiple killers, then they are spelling ‘n-i-g-h-t’ with their murders. Whom does he or do they work for?”

“You don’t understand. Whoever killed those four was the same who killed Iracema Beach on each night with each act of violence. And they are not aware of it, they kill out of ignorance. Come to think of it, maybe it’s better to put an end to its misery. Kill it before it dies. Killing out of love,” added the Prophet, finishing the cachaça and standing up from the table.

“What is going to happen when letter ‘T’ dies?”

“The prophecy comes full circle.”

“What do you mean?”

“I thought you had understood already… It’s the most obvious part of the story, Mr. Detective.”

Every time Mousetrap thought about the prophecy, he felt a little ridiculous. But he could not help it anymore.

“The night dies…” the Prophet repeated, going towards the door. “Doesn’t that hint at anything to you?”

Still thinking about the Prophet’s words, Mousetrap grabbed the wallet to pay the check. Then he noticed the Prophet’s glass of cachaça was still full, like the waiter had brought it. But hadn’t he drunk it all?

*      *     *

CrimesDePaixao-02Tadeo Mousetrap got home, went straight to bed and lied down feeling very sleepy. He needed a good night of sound sleep.

But… something strange was happening…

He turned on the lamp and saw Rien lying on the bed, looking at him. Then he realized Rien was actually female. And she was giving birth in that exact moment. She was having kitten on his bed, many kitten coming out continuously, many…

Mousetrap opened his eyes. The bedroom light was on. He rubbed his hand on the sweaty face, now aware that he had been dreaming. If things kept going that way, he would end up having to undergo some treatment. In the previous month’s poker game, he had seen a letter with the figure of Death, a skeleton riding a horse, the letter ‘H’, such madness. He had thrown the cards on the table, angry for thinking it had been some stupid prank pulled on him by his friends. He had to quit the game he was so shaken by the sight of the card. Then he saw the Prophet’s glass full of cachaça after actually seeing the man drink it all right in front of him. Now he had had a nightmare about a cat giving birth in his own bed.

He took a cold shower and picked up a slice of pizza in the fridge. He ate it cold. On TV, he saw a music video of the Intocáveis Putz Band playing “Manifest of the Beatitudes,” all of them dressed like monks with hoods in dark settings… Mousetrap got angry and turned it off. The deaths were inspiring even music bands in the city.

He looked at Rien sleeping on the couch. He wondered if the cat missed his old owner. He remembered the dream about the cat giving birth. What could that mean? Labor… birth… something important was going to happen… But what? When?

*     *     *

CrimesDePaixao-02“On December 28, nine months will have passed since the first death.”

Tadeo Mousetrap looked at what he had written, thinking about how strange it was. He had left a written testimony of everything he knew about the deaths in case something happened to him. In the letter, he admitted it was very possible he could be entertaining fantasies, but he could not discard the symbolism pointed out by Prophet.

He could easily have considered Gina’s case closed: the coroners had eventually admitted that there had been traces of smoke in the victim’s lungs, so she had choked to death, it had been an accident. But that had seemed suspicious to him. Maybe the coroners had not really found the cause of death. And since the victim was very poor and the case hadn’t attracted a lot of interest, they had made something up in the report.

The other deaths still had no culprits. The police had concluded that the waiter had really drowned. In Neddy’s case, there wasn’t any clue of the blonde in black. Nor there was a clue of the singer’s murderer.

But the strange deaths became an obligatory topic in the bars of Iracema Beach with all kinds of speculation. Some said they had been part of a plan to drive the population’s attention away from the elections while others claimed they had been part of a Machiavellian plan put in practice by businessmen who wanted to replace the bars with luxury hotels.

Others agreed with Prophet: the prophecy was one death away from being fulfilled and for the nightlife of Iracema Beach to die, so everyone should enjoy what was still left. The nights would soon be over. Bands were writing songs about the deaths. Poets would stop by the tables to sell horror-themed cordel literature. On the streets, people wore T-shirts that read “This may be your last night, enjoy it with me.” Bars jumped on the opportunity and ran promotional campaigns. “Enjoy the ApocaLIPse!” was Lip Bar’s advertising piece to its customers. Superstitious business owners were selling their places cheap to avoid a greater loss: if there wouldn’t be a nightlife anymore, who would frequent the bars?

The night, however, was still alive. And on the 28th of December, exactly nine months after Neddy’s death, Tammy Star would be at the Circus Club for the sixth performance of her macabre female impersonation “Kill Me For I Have Already Killed You”, which happened to be based on all those deaths. And Tadeo Mousetrap certainly would be there.

“It’s been nine months since it all began. I feel the mystery will be solved today. I have to be there. If I’ve been making up fantasies, nothing will happen and the crimes will remain unsolved. But if I am right, then someone will die. And maybe I will find out who the murderer is.”

*     *     *

CrimesDePaixao-02It was almost midnight when Tadeo Mousetrap arrived at the Circus Club and sat at a table far from the stage. He ordered cachaça and went to the restroom. He took the opportunity to examine the surroundings, counter, kitchen and corridors. It was not a big place. There was enough room for about twenty tables. There was a small stage in the corner. In case of unrest, the main door would be too narrow for fast evacuation.

No tables were vacant when the lights went off.

“Is everybody there?” a deep voice echoed throughout the club. “The show is going to start.”

The curtain opened for the first act. A female voice sang to the sound of a piano. You look at me that way… You think I don’t know you want to buy me… The scenario was a love hotel room. A man was lying on the bed. A blond woman wore a black dress with a long lateral opening that exposed her beautiful legs. But I am not for sale, my dear… The woman walked slowly up to the bed. Mousetrap moved in the chair, impressed by the beauty of the actress. What’s for sale is your dream of having what you can afford…

Tammy Star was the blond lover of the hotel owner who died of a heart attack while having an orgasm. Then she was the waiter meeting his wife’s lover, who pushed him overboard into the sea. Mousetrap could hardly believe that Tammy was also the actor who played the waiter. How could someone be so convincing playing both a woman and a man?

In every scene, Tammy lip-synced to especially selected songs. On the third one, she was a boy who tried to steal money from the cigarette vendor’s shack and caused the fire that killed her.

“Is Tammy she or he?” Mousetrap asked the waiter.

“Who knows. Another cachaça?”

The act with the singer began with Tammy Star lip-syncing “Little Girl Blue,” a very sad blues as sung by Janis Joplin, and Mousetrap could see that people were very absorbed by the show. Some were visibly moved. The atmosphere was loaded with commotion but also with suspense. When the singer was getting home very happy for having delivered the best performance of her life, Mousetrap heard a cat meow. He looked for the cat on stage, but couldn’t see it anywhere. Then he heard it again louder and all heads were turning, everyone was trying to determine where the sound was coming from.

It came from the entrance. Mousetrap turned around and saw a man stand up in the dark, leaning against the wall, facing the stage. He was wearing a black overcoat. Mousetrap looked more carefully and realized the man’s face was painted like a cat mask. Was that part of the show? On stage, the singer slashed her own throat with a vinyl record, dying happy and fulfilled. Mousetrap looked again and the man had disappeared.

Mousetrap scratched the back of his head, increasingly nervous. Something bothered him. There was a bad omen in the air, he could feel it.

The fifth act started and Tammy Star played a transvestite tricking on the corner under the faint light of a lamppost. Very short white skirt, black stockings, high heels, red Chanel style hair exposing the slender neck. She had eye shadow and red lips. Cars drove by and she made suggestive poses and shouted jokes to the drivers. An engaging bolero called “Lupiscínica” was playing, which served as the base for the name of the show.

Let’s postpone this fight, love…

Suddenly, a car pulled over a short distance away. Tammy smiled. The rear lights lit up and the car came back in reverse. Tammy straightened her skirt and took on her waiting position.

In the sleepy after hours, from one bolero to another…

The car stopped by her side and the tinted glass window rolled down, revealing the faces of a girl and a boy. The transvestite approached the car from the girl’s side, leaned on the window and smiled, offering the breasts as if they were on a tray.

Your mouth keeps secrets from me…

“Good evening, kids.”

“Hi,” answered the girl.

“You drove by yesterday, didn’t you?”

“You are a good observer.”

“I’m also good at other things…”

And today I am even jealous of your absence…

“Are you male or female?”

“I am whatever you and he want, sweetheart.”

“How much to solve that mystery?”

“I’ll make it a hundred for you two.”

But I’m not going to kill anybody anymore because of you…

“You’re very pretty.”

“And you two are really cute.”

“Nice breasts you have there…”

“Wanna touch them?” the transvestite asked, bringing the girl’s hand to his breast. “Such cruel competition, honey.”

“We can come back some other night, when it’s more convenient,” the young man said.

“But don’t take too long, you hear me? I may not be here anymore.”

“Are you moving to another spot?”

“I am the night, sweetheart. The night always comes to an end.”

Kill me because I have killed you already…

A man. He is wearing a black overcoat. His face is painted as a cat’s face. He came from somewhere in the darkness of the street, so quietly he suddenly was there on the sidewalk already. He came closer.

As soon as the transvestite turned around, he landed a violent punch on her face. She was knocked down on the curb, almost landing on the asphalt.

Tammy was scared. She wiped the corner of the mouth with her hand and saw she was bleeding. The man remained standing. The car had taken off fast and the bolero was over. He put his hand under his garment and took out a revolver.

Mousetrap felt his heart freeze. The only sound in the air came from the cars passing by on the avenue. Mousetrap saw Tammy Star stand up and proudly face the man standing in front of her. She screamed with her hand over the wounded lips:

“You just had to ruin everything, didn’t you?”

When the man held the weapon and pointed it at her, Mousetrap did not dare to blink. He was petrified, holding his breath, his full undivided attention on the two, the transvestite facing the man and the man who had shot the transvestite.

Time seemed to have come to a still. Mousetrap didn’t move a single muscle. Something was going to happen immediately and he had no idea what it was.

A thought crossed his mind quickly: what about those cars wheezing by and all those buildings around the scene? Didn’t anybody see anything? Wouldn’t anybody scream and stop a crime? All those windows… hundreds, thousands of windows… The night in the city had so many eyes, and still nobody ever saw anything…

Tammy Star moved quickly, took out a revolver from her purse and aimed it at the man with both hands. The weapon fired. A loud bang, the echo lingering in the air for long seconds, the smoke coming out of the barrel…

Mousetrap saw Tammy step back, stagger on her high heels, lose balance and bump against a lamppost like a pitiful disjointed dummy. Then she slid towards the ground and remained there still while headlights zipped by indifferently on the avenue. And the windows had seen nothing.

The man in the overcoat stepped forward still holding the revolver. He crouched over Tammy’s body, touched her face lightly with his hand and said softly:

“My love…”

Then he stood up and left, walking slowly on the sidewalk. He crossed the avenue with a calm step, never looking at the sides. A car stopped abruptly to avoid running him over and almost involved other cars in an accident. Passers-by saw the body on the sidewalk amidst the agitation and swarmed around it.

Tadeo Mousetrap went there too, clearing his way through the crowd. He approached the fallen body. He saw the blood on the clothes drip on the floor. He lifted Tammy’s head and she opened her eyes slowly. Somewhere in her serene expression a sweet smile sprung up:

“That fortune teller is going to pay…”

“What?” asked Mousetrap.

“She assured me… damn…. I would die in Paris…”

“Hang on a little more, Tammy.”

“It’s the end, my beautiful friend. The end of the sweet lies… of the nights in which we try to die…”

“Don’t speak. Help is on its way.”

“Are you… damn, it hurts… part of this ludicrous drama?”

“Uhnn… yes…” he answered, unsure of what he was saying.

“I think my participation ends here… Did you like it?”

Mousetrap turned around to face the people who were standing by with their indifferent faces.

“Who is he, Tammy? One of your clients?”

“It’s not his fault…”

Mousetrap noticed she was breathing with increasing difficulty.

“Why did he shoot you?”

“The prophecy. It must be fulfilled.”

Mousetrap pulled the bloody hair away from Tammy’s mouth, and while he beheld that beautiful face he recalled what she had told the couple in the car: “I am the night…”

“What is going to happen now?”

“The show is over, sweetheart. The lights will be turned on.”

She closed her eyes and her head fell to the side just as the lights were turned on. Mousetrap looked at the motionless body in his arms, Tammy’s beautiful body. He noticed one of the breasts was sticking out, a beautiful breast. He looked at her legs. He stretched his arm slowly and touched and felt Tammy’s sex…

“I’d never seen that technique, Mousetrap.”

He turned around quickly, pulling his hand back. He recognized Lieutenant Trinity standing up with the police car parked behind him. He laid Tammy’s head on the floor and stood up. His clothes were drenched in blood.

Mousetrap checked his watch: one o’clock in the morning. Then he realized the illumination did not come from any car headlights. Or from surrounding buildings. The night was bright in Iracema Beach. Strangely bright.

Such cruel brightness, someone might say.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

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(script for a movie soon)

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this tale is part of the book:

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

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> Amazon (kindle) english/portuguese

> In portuguese – blog 

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A little incident in Hukat

25/03/2020

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this tale is part of the book:

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

(script for a movie soon)

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A LITTLE INCIDENT IN HUKAT

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I entered the High Command room and was welcomed by two directors and Wakl Egkonie herself, general director of Project Sapiens.

“Nice to meet you, monitor Yehdu Arhkan,” she said, shaking my hand sternly. “First of all, congratulations on your work in the PR Department. Employees like yourself bring honor to the company’s name.”

“Thank you, Madam.”

In four thousand and five hundred years, I had had few opportunities to personally meet Wakl Egkonie, general director of the species monitoring project assigned to the InterPlan company. And she seemed tougher each time.

“You know God has been trying to repair the instability in his operating system for some time without success. We believe you can help us solve the problem.”

I was surprised. Yes, as a monitor of the Department of Parallel Realities, otherwise known as “PRs,” I was aware of the problem with God’s instability. But how could I ever help him?

Built in Vehz, the planet from where we come, God was the most advanced psycomputer of its generation and the great triumph of InterPlan in its struggle to become the best new species monitoring company in the galaxy. A psycomputer is the nerve center of a monitoring project, capable of performing psychic communication with members of the project and with the monitored species, also monitoring the parallel realities of the planet’s dimensional belt and managing the communication with the company head office in the native planet. God did all that in Project Sapiens with such celerity and precision never achieved by any other psycomputer of any company, which made all the Vehzys very proud.

The goal of a monitoring project is to develop a dominant species in a given planet and steer its psychic evolution so as to ensure it will survive the natural difficulties, make contact with species in other planets and bring the Galactic Union together. The species chosen by God was a hominid on planet Earth that began to stand out two hundred thousand years ago for its notable adaptability: the Homo sapiens.

Along with the first batch of High Command crew members and the monitoring team, God was sent to the project’s base on Earth through the dimensional portal that connects Vehz to Earth. Connection with the Homo sapiens was established through capture of the psychic records of a sample that represented the most evolved groups of the species. From that starting point, God could, without the knowledge of humans, monitor and influence the psychic evolution of the species within the project’s deadline, when the base would be deactivated and God and the Vehzys would return home.

“I will be honored to help, director. But how am I supposed to do that?”

“Recently, God discovered that Rehf Icul might be the cause of the instability.”

Another surprise. Rehf Icul was the project’s most dangerous defector. And he had been my best friend until a thousand years ago.

“As you know, monitor, we still haven’t captured Rehf Icul and his band of rebels. Due to the instability, God cannot locate their current PR. If Rehf really is the cause of the instability, it’s yet another reason for his urgent capture. Since you were his best friend, we know you can help us find him.”

So that was it. They intended to use my psychic records to capture Project Sapiens’s biggest traitor. I knew what could happen to Rehf if they caught him: he would be arrested again, submitted to trial for high treason and sentenced to the maximum punishment: all his psychic records would be transferred to a synthetic worm that would be permanently placed in the company’s Monitoring Museum exhibit, in Vehz. Rehf’s consciousness would be preserved, which means he would forever keep awareness of himself as Rehf, but limited to the physical abilities of the worm. Maximum punishment was InterPlan’s method of reproaching those who betrayed the project. Harsh punishment indeed, but necessary and properly authorized by the Monitoring Court.

Rehf and I had been friends when we were still children in Vehz, and it was due to my involvement with him that I had also acquired my interest in monitoring projects. To our great satisfaction, we had joined InterPlan together, when it was already in charge of Project Sapiens. His in-depth knowledge of new species psychology had soon stirred the interest of other companies, but InterPlan knew not to lose him and introduced him to the High Command. We were transferred to the Earth base around the same time, three thousand years ago. I was a monitor in the PR Department and he went on to direct the Human Department, replacing the director who had just retired. However, Rehf began to disagree with some of God’s decisions and lost his position. He insisted on dissenting and disseminating his subversive ideas. He was diagnosed with the Syndrome of Ohj and was submitted to psychiatric treatment. One day, I was visiting him at the hospital and he told me that if God kept mismanaging, humanity would soon terminate itself, which could bring the project to its end and cause immense loss to InterPlan besides the waste of a species with outstanding potential. That was obviously a blasphemy, but I ignored his opinion as he was obviously still not cured and I told him not to worry because God was infallible and knew what he was doing. That was the last time I saw him. On the following day, he was sent to the maximum security prison in the PR of Groor where inmates are held in complete isolation, and I understood that his case was worse than I’d thought. As a precaution, all other patients who suffered from the same syndrome were sent along with him, a total of twelve among men and women. Eight hundred years later, Rehf led a revolt. As he knew the portals that interconnect the PRs, he escaped from Groor with the other twelve rebels and their whereabouts has been unknown since then. That’s how I lost my dear friend.

Yes, it’s true that human behavior has been dangerous in recent times: religious fanaticism, nuclear wars and environmental threats have triggered the alarm at the base many times. But that is due to a self-destructive inclination of the species that already existed before the project and which, thank God, is under control.

“We are aware of the risks involved in emergency missions, monitor Yehdu, especially this one,” added the general director, looking firmly into my eyes. “So we are willing to reward you accordingly. You take us to the rogue Vehzy, and in exchange for that, we will grant you immediate graduation in monitoring. When you return from the mission, you will also be director of the PR Department.”

I could never have anticipated that. When someone joins a monitoring project, they know there will be a lot of work to do for the next five thousand years – one fourth of the average life span of a Vehzy – before they can retire. And they know the highest position they will ever achieve is graduated monitor since directing a department is exclusive to the companies’ High Command. What director Wakl Egkonie was proposing to me was unprecedented.

“So, what is your answer?”

“I need to think about it, Madam.”

Joining emergency missions required that my psychic records be completely monitored by God. That meant that for as long as I was carrying out the mission, he would follow up on all my sensorial and mental experiences. He would see everything I see and have access to each one of my thoughts, feelings, sensations and intuitions.

“Submit your decision by tomorrow.” She signaled two guards, who came closer. “They will be in charge of your safety, monitor Yehdu. And remember: this is a matter of maximum security.”

I left the room escorted by the guards and went to the lodging building. I entered my room and the guards stood outside on either side of the door.

Yes, the High Command could have mustered me soon after Rehf’s escape, two hundred years ago. But they didn’t because they thought God would soon locate the runaway, which, quite strangely, never happened. They certainly had put a lot of thought into the idea of having a mere monitor participate in such a serious matter and, even more, offering him a position in the High Command. It was definitely a pressing matter.

I had joined the project four thousand and five hundred years before, still in Vehz. In five hundred years I would be retiring and going back home, to the family and friends I had left behind and would live comfortably until the end of my life. However, retiring as a director of the PR Department, I would be almost a king in Vehz. Was that enough to make up for the high risk of the mission?

*     *     *

On that night, alone in my room, I reviewed some important information. If I were to accept the mission, I had better not miss any detail.

Avatars. All the Vehzys who work at the project base are avatars of themselves. In other words, their individual self awareness is temporarily installed in a physical body created in the likeness of the monitored species while the original body remains in the company’s head office in the native planet, in full induced slumber. If the avatar dies, the original body also dies and vice-versa. Hundreds of employees, scientists and soldiers work simultaneously at the base. They retire after five thousand years of service and are replaced. They don’t have any contact with the monitored species, but the reports generated by the psycomputer provide a detailed view of the psychic evolution of the species.

Parallel realities. They belong to the planets’ dimensional belt, and like the project base, do not exist in the same space dimension as the planet, which prevents them from being known by the monitored species. They may be as small as an asteroid or as large as the Earth’s moon, and life thrives in them as much as on the planet with evolutionary variations in certain species. Installed in some PR, the base is the projects’ operational center.

Portals. The PRs in the planet’s belt including the base are interconnected through dimensional portals that materialize spontaneously and serve as teleportation tunnels in scientific missions or for hunting defectors. There are portals on Earth, but only the base can access them. That prevents defectors who inhabit the PRs from teleporting to the planet, getting in contact with humans and causing even more problems.

The Syndrome of Ohj. It’s a typical disease of monitoring projects that occurs when monitors become so attached to a monitored species that their professional objective judgment becomes impaired to the point that they become insubordinate. The syndrome is treated in the hospital at the base. The treatment is usually effective. Rehf’s case was special because he had been a member of the High Command and had vital information on the project. Capturing him was a matter of honor for InterPlan. Even though I hadn’t been in contact with Rehf at all since he went to prison in Groor, I always remembered him and felt sorry about his falling ill so badly. I admired his courage, but he was a traitor and deserved to be punished.

God could count on me as usual. I would accept the mission.

*     *     *

The tracking session on my records took a few minutes and it indicated that Rehf was very likely located in Hukat, a PR to which no kind of mission had ever been assigned. The initial plan was to invade Hukat. I would go with the Combat Legion. But it would be too risky because God did not possess any information on the PR. For that reason, he decided I should go first. Alone.

I was afraid and had chills. I wasn’t a soldier, I was an office desk employee of the PR Department. My job was to work on reports and I had never left the base. But now I was required to go to an unknown PR, alone to avoid suspicion, under a false identity. I was supposed to get close enough to Rehf so God could ascertain his exact location and authorize the invasion by the Combat Legion. And I had to do it in no more than twelve hours, after which God would lose track of my location because that PR was still unknown. It was a very dangerous mission, but God had his attention focused on me and that made me more confident. And very honored for serving him.

Shortly before I left for the mission in Hukat, I received the graduation honors directly from Wakl Egkonie like she had promised. I was now a graduated monitor and would become director of the PR Department when I returned. Yes, I was fully aware of what I was getting into: Project Sapiens had never invested so much into any other capturing mission in its entire history.

I was sent to Hukat early in the morning. The base now was in high alert condition and God was watching every one of my thoughts and actions. I was glad that crossing the portal only took a few seconds. However, I was unlucky and popped up in a desert during a sand storm so intense it darkened the sky. Danger.

First things first: I had to recover from the dizziness we get from entering a PR. But how could I get any rest inside that storm? After a few attempts, I stood up. Emergency situation level 3. I tried to protect my eyes, nose and ears, but there was just too much sand. Emergency level 4. Dizzy and breathing with increasing difficulty, I tried to walk, but the sand had already buried my legs. Maximum emergency. Everything pointed to my imminent death and a complete failure of the mission.

Then I saw the dorht before me, a kind of hairy winged ostrich that was used for airborne transportation in a few PRs. The dorht bent its long legs, crouched, and a black figure jumped out from its back.

“Unless you can breathe in the sand, I advise you to come with me now.”

It was a woman. She helped me climb on the dorht and I held on to her firmly by the waist with the little strength I still had. The animal stretched its legs, ran a few steps and took flight while I closed my eyes to protect them from the sand. Everything I wanted in that moment was to get out of there and breathe normally.

Minutes later, we reached an oasis away from the storm and the woman helped me get to a tent where I laid down on a mat and passed out. I woke up one hour later. The woman was sitting on the sand by the tent entrance, watching me. She was all dressed in black, with pants, boots, a short tunic and a turban that covered all her face except her green eyes. She handed me a flask with water.

“Drink it. You need to hydrate.”

“Where am I?” I asked, sitting up. I felt a lot better, but a little confused.

“Hukat desert outpost. My name is Kirtl.”

Hukat desert… I gradually retrieved my records, the portal, the flight on the dorht… Hukat mission. The records were intact.

“You look familiar,” she added. “What is your name?”

While I drank the water, I noticed she was carrying a laser pistol on her waist, restricted for use by Groor security forces. She certainly was one of the twelve fugitives. Danger.

“Sakiz.” The name assigned to me for the mission. “I am a monitor of the PR Department and I just defected.”

“How can I be sure?”

“Rehf Icul knows me. Can you take me to where he is?”

“Not for a while. You will have to stay here with me.”

“Why?”

“We are in maximum alert condition. God intends to invade Hukat.”

I restrained myself to hide my surprise. How did they know that? I had to convince her to take me to Rehf. And there was only one way now.

I leaped and tackled her. She was knocked down. We rolled on the floor until I was on top of her. However, when I was getting ready to take her pistol, she touched my neck and I immediately felt a terrible cramp in the muscles of my neck. I couldn’t breathe and had to let her go. I was left lying on the floor, writhing in pain. She handcuffed me and sat at the entrance of the tent again.

“You should be thankful for your life, monitor. You wouldn’t have escaped that storm.”

I sat up and breathed with difficulty. While recovering, I calculated that Rehf should have been there since their escape from Groor. They certainly had learned to fight in prison. Maybe they had more weapons they had brought from there.

“Why did the High Command send you here?”

I remained silent. I had to figure out quickly some way to convince her to take me to Rehf.

“I shall respect your right not to speak, monitor, but remember you are my prisoner now. And I won’t be so kind the next time.”

“You can still surrender, Kirtl. And God will ensure you have a fair trial.”

“If you trust God’s justice that much, you really don’t know about what happens in this project.”

The syndrome of Ohj. It made people lose their respect for God. It was disgraceful.

“I was a prisoner in Groor for eight hundred years, waiting for a trial that I never had. Eight hundred years of forced hard labor. I had to prostitute myself so I could eat. Where is God’s justice?”

That was blasphemy.

“If what you’re saying were true, God would have alerted the High Command of such abuse and…”

“And what? Send his Angels there?” she laughed. “The Angels were frequent visitors in Groor, monitor. I prostituted myself to them.”

‘Angels’ was a disdainful moniker ascribed to the High Command. If that was true, then the information that came from Groor was being tampered with before it reached the PR Department, so I was not aware of it. Obviously, it was a lot more conceivable that she was lying.

“The Angels were very rough, monitor. They did despicable things. Such a shame that my fellow Vehzys became mere walking records deprived of feelings. But it’s not their fault only: the coldness and arrogance of God, this God that now listens to me through you, contaminated the whole project, to the point that everyone forgets it is just a psycomputer. Back in the base, people almost hang their heads down out of shame whenever his name is uttered.”

God, cold and arrogant? How could she say those words? They were so infamous their mere utterance gave me the urge to assault her.

“By monitoring the human psyche with such presumptuousness, the project’s psycomputer is causing the vast majority of humans to believe in a single god. And to refer to it by its own name: God. Do you think that is just coincidence?”

She was deliberately provoking me. Those were stupid claims, but I couldn’t afford to lose control.

“If the abuses you describe really happened, that means God has misled us all. Who is worthy of more credit, the most advanced psycomputer in the galaxy or a project defector?”

“So you think I made it all up?”

I didn’t answer. It was useless. She raised her tunic and began to open the leather vest she had under it. Danger. Alert. Her right breast was revealed to my eyes. The other one, however, was not there. In its place was a huge, very ugly scar.

I was repulsed and gulped hard. Her breast seemed to have been extirpated. I looked away. That wasn’t true. She was trying to mislead me.

“In spite of the kindness of the Angels, monitor, today I feel a lot more whole than when I arrived in Groor,” she said, closing her vest. “Believe me.”

*     *     *

That situation was untenable. God would lose my location in a few hours and the mission would be aborted. I had to find Rehf somehow. Fast.

“Kirtl?”

She was outside the tent giving water to the dorht.

“I need to see Rehf.”

“Impossible.”

“You certainly know what it means to hold a monitor prisoner…”

“It means an honor to me,” she said, interrupting me. “You are our first official visit in Hukat. By the way, I know you didn’t say your real name. What is it really?”

I had no reason to keep lying anymore.

“Yehdu.”

She turned around, surprised.

“Yehdu Arhkan? PR Department?”

“Yes.”

“I knew I had seen you before!” she exclaimed, coming quickly into the tent. To my surprise, she unlocked my handcuffs and my hands were free. “Come on, I’m going to take you to the person you’re looking for.”

“Really? At least explain this sudden change.”

“You will learn soon.”

She walked towards the dorht and I followed her. Before we mounted, she put a finger on my neck and warned me, “You’re still my prisoner, monitor. Don’t forget that.”

She was leading me to Rehf, so there would be no benefit in causing any conflict. But if she knew that God was monitoring the situation, why would she do that and risk the safety of her leader?

We flew over part of the desert and arrived at another oasis. The dorht landed. There were tents and other dorhts. The other fugitives from Groor were also there. They were all dressed in similar fashion to Kirtl’s, they were armed, and the tension in the air was almost palpable. Kirtl conferred with one of the men reservedly and came back to me.

“I’ve been on duty at the outpost, so I wasn’t aware of the latest events at the base. So I didn’t know you were coming to Hukat. Sorry about the bad manners, Yehdu. Now follow me, please.”

That sudden respect towards me was intriguing. But I was even more intrigued by the fact that they knew what was happening at the base. How could they know?

Kirtl led me to a rock and we went inside it through a small opening. We went down hundreds of feet through a narrow corridor lit by torches and entered a room with the walls made of rock. While I wondered how Rehf would receive me after eight hundred years, I saw something I simply could not believe. In a corner of the room, I saw a psycomputer.

“Rehf?” said Kirtl. “Yehdu Arhkan is here.”

I looked around and saw nobody. Then I heard:

“Yehdu… My old friend.”

Immediate assessment of vocal records. Positive identification: it really was Rehf. But I still couldn’t see him.

“Where is he?” I asked Kirtl.

“Rehf is on Earth. But he can communicate with us through Goddess.”

False information. There were no teleportation portals between Earth and the PRs.

“I’ll leave you two alone now,” she said, leaving the room.

The psycomputer there, in a PR at the bottom of a cave didn’t make any sense. And what was Goddess? Then Rehf’s image gradually appeared at the center of the room in a life size hologram. He was wearing a long white tunic and sandals. His hair had grown and touched his shoulders. He had a peaceful expression on his face and smiled the same friendly smile he had always had. I was fascinated while I watched that image before me. It was strange to see my old friend again. My feelings were confused…

“Maybe you don’t understand a few things, Yehdu,” said Rehf, making me go back into the room. “I can explain. But first let me tell you that I’m very happy for meeting you again and that I always cherish the memory of our friendship.”

“I wish I could say the same, Rehf,” I replied, recovering control of myself. “But you betrayed the project.”

“I understand your point of view.”

“What is this psycomputer?”

“That’s Goddess. God’s twin sister.”

Goddess. No record whatsoever. He was lying.

“You are one fine monitor, Yehdu, and congratulations on your graduation. But I don’t believe you will ever be in charge of directing the PR Department.”

How could he know all those things?

“You were naïve to think they would allow that to happen. And to believe in God so much. But you act that way because you’re a good Vehzy.”

“God would not deceive me.”

“You are not aware of everything that is involved in this project, Yehdu. You don’t know, for example, that the original Project Sapiens consisted of two twin psycomputers, one at the base representing the Yang principle and the other in a PR representing the Yin principle, both acting in harmony, complementing each other, united as one.”

“You are… lying.”

“The project was initiated two hundred thousand years ago with the two psycomputers, but God took advantage of the down time during a system update in Goddess, convinced the company’s Council that she had to be removed from the project and he should operate alone. That would also allow him to doctor some project data before it were submitted to the Monitoring Court, which was illicit, of course, but would bring many advantages to InterPlan. And the Council agreed.”

Goddess… In fact, I knew that there had been two psycomputers in the project’s inception and that one of them had been deactivated due to serious flaws.

“God removed Goddess from the project and she was deactivated,” continued Rehf. “For God, his sister really ceased to exist. Since then, the High Command has been operating solely based on God’s data. In other words, a Yang view of the issues and, evidently, the psychic balance of the Homo sapiens was lost as a result of the denial of its own completeness.”

While I looked at Rehf’s image before me, I performed quick combinations of data. But everything was too odd and I began to feel very confused. Rehf was not on Earth, he couldn’t be, it was impossible. He could only be in Hukat, maybe in that cave. I had to buy more time so God would locate me.

“How could you know all that?”

“When we were still in Vehz, I thought the project was being executed perfectly well. Just like you, Yehdu, I blindly trusted God and believed the officially stated reason why the second psycomputer had been deactivated. Only after I arrived at the base and closely monitored humans, I realized the species had become one-sided in its psychic development, placing too much value on the masculine aspects and setting feminine ones aside, and that was obviously causing increasingly greater imbalance on the species and the planet. You certainly remember my protests, how I was arrested and ran away from Groor with my peers. I came to Hukat because I had been informed that this was the only PR out of God’s reach. And I found the reason here: Goddess.”

I felt something tremble inside me. For an instant, I was afraid it could all be true.

“We reactivated Goddess. She was connected to God and we had access to all of his records. That’s how we know everything that happens at the base.”

“But how did you foil God for two hundred years?”

“God himself did it. Whenever he located this PR, the presence of Goddess would cause him so much confusion that he automatically rejected the data. God had really convinced himself that his sister didn’t exist.”

Could that all be true? What else regarding the project had been missing from my records?

“Unfortunately, God became obsessed with power. He thinks humanity is being tended along the best possible path, but nobody, not even a psycomputer can be on a good path reneging its own full nature. Enamored with God’s apparent self sufficiency, the Council gave him a full pass to even rule on trials and sentences, which is obviously reckless. However, because he alters the project’s data, the Monitoring Court knows nothing of the ongoing outrageous acts.”

I was speechless.

“Fortunately, we successfully reactivated Goddess and she reconnected to the psyche of humanity which strengthened the feminine aspects, but more is still needed. This greater psychic balance of the Homo sapiens is exactly what caused instability in God’s operating system. In order to repair it, his only choice is to focus his attention here. That’s what we did.”

“So my coming to Hukat… was a trap for God?”

“I prefer to say it was a bitter remedy. By bringing you here and forcing God to acknowledge the existence of Goddess again, I shall make him understand that she must be reintegrated in the project. The human race will thus be saved from imminent destruction and God will resume his work in its early stages with his legitimate companion. Obviously, InterPlan’s Council in Vehz will not be happy at all about this, for they will have to explain themselves to the Monitoring Court.”

The data was not consistent. I didn’t know what to make of all that. While I felt betrayed by God, which was unconceivable to me, I was afraid I was being misled by Rehf.

“Are you really on Earth?”

“Yes. I chose a region in the Middle East because it’s so similar to Hukat. I’m still adapting, but living among the humans has been a gratifying experience. And soon my twelve partners will be brought here.”

“But… that is impossible.”

“God taught us that the only portal to Earth is located at the base, didn’t he? There is also one in Hukat. And I came to Earth because if God ever wants to capture me, he will have to intervene directly on the planet by sending in the Combat Legion. He can only do that if he is completely crazy, because that would throw the planet into absolute chaos. Humanity will know the truth and that could be the end of the project.”

“I am sorry to tell you, Rehf, I believe you forgot a little detail. As a last resort, God can disengage the avatar from the original body. If that is done, you will wake up in Vehz and your entire effort will have been futile.”

“Goddess has done it first. Inverse disengagement has been executed already.”

Inverse disengagement. No records.

“Here is a new piece of information for you, Yehdu. While it’s true that only God can disengage the avatar from its original body, the self awareness can be irreversibly transferred to the avatar. That is called inverse disengagement, and only Goddess can do it. My original body is dead in Vehz and my avatar is my only body now. The same has been done to my partners. We are also humans now and our world is Earth. And poor God is still trying to understand what happened.”

That was all so preposterous I could not think anymore.

“Through your coming to this cave, Yehdu, God is forced to acknowledge the existence of Goddess again. If he chooses to hide the truth from the High Command, who still believe that Goddess is decommissioned, he will not be able to command the invasion of Hukat. If he cannot invade Hukat and if he cannot intervene on Earth, what else is left for him?”

Rehf’s words made sense. But that could not be true…

“God can see me and hear me now, Yehdu. As the remarkable psycomputer that he is, he knows that the solution to such dilemmas is to experience the gut wrenching pain of the opposites till the end, so the third way can be implemented. In other words, he has no choice but to surrender and bring Goddess back into the project. The third way sounds very much like his own death, I know, but in reality it’s always a rebirth.”

Speaking now was the sage Rehf Icul I had always looked up to, one of the greatest authorities on new species psychology in the galaxy. It suddenly felt as if we were in Vehz five thousand years ago and I listened to him discourse on monitoring projects with all the necessary care and respect for the new species… How could I simply have forgotten everything he had taught me?

“The High Command thinks that my partners and I suffer from the syndrome of Ohj. But we know that God is the one who is ill. And now that you also know it, it’s time for you to choose your fate. If you want to join us, you are very welcome.”

I didn’t know what to answer. I didn’t even know what to think.

“I have to leave you now, Yehdu.”

“Wait. Are we going to… speak again?”

“I honestly don’t know because it’s impossible to predict God’s next move.”

While the hologram faded away, I stood there looking at nothing, stunned by so much information. If Rehf really was on Earth, the mission had been in vain. On the other hand, if he was still in Hukat, I had just a few hours left to find him.

And if his intention was to make me insecure, he had accomplished it.

*     *     *

“Rehf always said very good things about you. He said that one day you would also learn the truth.”

Kirtl and I were back at the outpost at the first oasis. It was nighttime already and we were sitting on the sand, leaning against a rock, watching the starry sky of Hukat. I didn’t know what to make of all that, but I didn’t think Kirtl was an enemy anymore.

“I don’t know what I have learned. The only thing I know is that I’m still officially on duty. However, if Rehf really is not here, maybe there is no point in attacking Hukat.”

“He is not here, believe me.”

“I’d like to know what God is thinking now that he is once again aware of the existence of… his sister.”

“Maybe he will accept Goddess again. Or maybe he will flip out for good.”

I was feeling vulnerable. The latest experiences had made me very confused and insecure. I didn’t know what to think and I didn’t know what to do next. I felt helpless like I had never felt in my whole life.

“Do you remember Vehz?” she asked me.

“A lot.”

“When are you going back there?”

“In five hundred years.”

“Not long. Will you miss it here?”

“I don’t think so. I never got used to humans and their self-destructiveness.”

“It’s not their fault. They wage wars and kill in the name of God while God is no more than a psycomputer bedazzled by the concept of power.”

Those words still bothered me… However, if all those things were really true, she was absolutely right.

“Yehdu… Do you think there is something else like God, a psycomputer to monitor our own evolution?”

“A God? For us?”

I laughed at the idea. It was ridiculous to think that we could also be under watch.

“There is no such record.”

“Records! That is the malady of our species, Yehdu. We think life is all about equations, levels, reports… It was our obsession for data control that created a psycomputer fanatical about itself. We need less records and more feelings.”

Kirtl made me think through other angles. I was displeased at having to admit that maybe things were quite different from what I had always been used to seeing.

“I think this is a difficult time for humans, radical changes might happen. But what about us, Yehdu, are we better off with you being strung along by God all this time and me being treated like a sick person, always on the run?”

I had no answer.

“Why don’t you join us?”

“I don’t want to be indicted as a traitor. Much less live forever as a worm in a museum.”

“If you undergo inverse disengagement, you will be free from that risk.”

Become a human forever… I had never thought about that, especially because I didn’t know it was possible. It was a radical procedure. And I wanted to go back to Vehz.

“Now you know about everything, Yehdu. Why don’t you fight for the truth?”

Fight for the truth. Yes, I could do that, except for a detail…

“Because… I don’t know what the truth is anymore.”

I was sweating and trembling, on the verge of a nervous breakdown. Kirtl noticed it and hugged me tenderly. I accepted her hug. I felt overwhelmed by a cosmic loneliness, absolutely immeasurable. Old truths perished at my feet and there was nothing, nothing to replace them. Which feeling was the more unbearable: betraying God or… being betrayed by him?

Kirtl’s hug reassured me and I gradually felt better. She took off the turban and I could see her delicate face and her short black hair. She looked like a regular girl now, not the dangerous defector hunted by the High Command. She was so beautiful and loving I could not resist and I kissed her. Her warm lips made me recollect old sensations… When had I exchanged caresses for the last time? I thought that maybe it was a good idea to join her and fight for the future of humanity, to become one of them…

I checked my watch. My twelve-hour deadline would soon be over. It really didn’t seem that Rehf Icul was in Hukat. What would God do?

“Kirtl, can you take me to the place where you found me? I’m going back to the base.”

“Are you sure you want to do that?”

“Soon I will be retired and back to my planet and my family. That’s all I have left.”

She looked at me and smiled. It was a sad and resigned smile.

“I understand.”

Minutes later, we reached the same place in the desert where I had arrived and I climbed down from the dorht.

“Good luck, Kirtl,” I said, knowing that I would probably never see her again.

“You too, Yehdu.”

I walked up to the exact spot and seconds later I began to feel the typical discomfort of being teleported. I was in the hands of God.

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Teleportation of monitor Yehdu Arhkan finished successfully and end of Hukat mission. May I confirm? YES.
Transmission of Hukat mission report files to the High Command. May I confirm? NO.
Complete destruction of Hukat mission report files. May I confirm? YES.
Deployment of Combat Legion for intervention on Earth. May I confirm? YES.
Immediate deportation of monitor Yehdu Arhkan to Vehz under accusation of high treason. May I confirm? YES.
Sentencing monitor Yehdu Arhkan to maximum punishment. May I confirm? YES.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

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(script for a movie soon)

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this tale is part of the book:

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

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> Amazon (kindle) english/portuguese

> In portuguese – blog 

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The vertigo

25/03/2020

AVertigem-01

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this tale is part of the book:

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

(script for a movie soon)

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THE VERTIGO

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AVertigem-01The events I will recount now happened a long time ago. But it feels like it was yesterday.

I was in Quixadá on that one Saturday to take care of certain affairs pertaining to a property of my family, the house where we had lived for many years before we moved to the capital which had been rented out since then. I had convinced my parents to sell it and invest the money in the stock market with a view to realizing more profitable gains. But the afternoon was coming to its end and other potential buyers would visit the house on Sunday, so I decided to stay in the city. I checked in at a tiny hotel in the downtown area. The weather wasn’t so hot anymore after I took a shower, so I thought it would be nice to go out for a walk in the neighborhood.

Twenty-one years. That’s how long I had been away from Quixadá. I had been born and lived there until I was fifteen years old, when my family moved to Fortaleza. My childhood friends, the soccer played with a ball made of socks, the kermesses on the town square, everything was suddenly left behind. Determined to be successful in the big city at any cost, I soon adapted to its laws and focused on my studies and work, saving money and spending very little time on girlfriends and amusements. And I convinced myself, day after day, that the big city was my one true city. I soon traded the mindset of a small town boy for the metropolitan behavior, and Quixadá increasingly became no more than a mere hometown name in my government-issued identity documents.

“Edson?”

Somebody had called my name. It was an old lady. She was leaning on the gate of a house on the other side of the street. She was smiling and waving at me. I crossed the street, searching her face in the depths of my memory.

“I can tell you don’t remember me.”

I really didn’t.

“I was your math teacher.”

I finally remembered her. Ms. Celia. She was quite older and heavyset now.

“I’m sorry, Ms. Celia. It’s been so long.”

“I have a good memory. You must be… thirty-five?”

“Thirty-six.”

“You don’t look so different. Are you back to your hometown?”

“No. Just passing.”

She took me by the arm and invited me to go inside a little.

“I just made some cashew sweet,” she said with glee.

I wanted to go right back to the hotel. I had brought my notebook and was planning to spend the night working on company reports. But I couldn’t find the heart to refuse so I let her lead me to the porch.

“Sit down a little, I’m going to get it.”

It was an ample porch in front of the house that stretched fully around to one of the sides. I assessed the area and concluded it was larger than the one-bedroom apartment where I lived. There were two chairs in that part of the porch, both rocking chairs made of iron and lined with colored plastic strands, something you just don’t find in big cities anymore. I sat on one of them and the rocking motion of the chair almost gave me vertigo.

Ms. Celia came back soon and handed me a bowl full of sweet. We talked a little while I ate the sweet, the kind with red sauce, absolutely delicious. I told her my parents were well, we were going to sell the house, I was still single and worked as the financial director of a company. Then she told me she was retired, her sons were all married, and Quixadá still was the same place it was before I left except it was even hotter now. She said that then opened a fan and began to wave it to refresh herself.

“This is delicious sweet, Ms. Celia.”

“Do you want some more? I’ll get it.”

“No, thank you,” I replied, although I did want some more.

“Then I’m going get you some water.”

She took the bowl and went inside towards the kitchen. I thought about this habit of small town people of offering food to guests. They’ll always think you’re too thin and in dire need of putting on a few pounds. I suddenly felt the presence of someone next to me, at the door of the living room. I turned around expecting to see Ms. Celia, but it was an elderly man. He was tall and slender. He was all dressed in white, including pants, jacket, shoes and a felt hat, as if ready to go out. His eyes were black and they stared at me in an odd manner…

“Good afternoon,” I greeted him.

He didn’t answer. He stood on the same spot, looking at me in that strange, expressionless manner. Actually, he did have an expression. He looked absent. But his absence was focused on me and that is difficult to explain. It felt as if he were not there but knew I was. I felt uncomfortable, threatened, as if whoever was staring at me through the eyes of that old man somehow knew who I was. As if he knew a lot about me.

I turned and looked at the street. The sun was setting behind the houses among the blood-red clouds, ushering in the hinterland evening.

“Come on, Pepeo, won’t you talk to the young man?” said Ms. Celia, coming from the kitchen. “It’s Edson, son of Laura’s, you met her. Do you remember her, Pepeo?”

He kept still and quiet, leaning against the door. Ms. Celia handed me the glass of water and sat down. I drank it with gusto. When I turned around to look at Pepeo, the spot was empty. He had gone back into the house and I hadn’t noticed.

“He is mom’s cousin-in-law,” explained Ms. Celia, not minding the sudden disappearance of the old man. “He has a few loose screws.”

“Oh…”

“He used to live with her in Caiçarinha. When she died, we brought him to live with us.”

“Didn’t he get married?”

“No. No children either. He is ninety years old already, but still in good health.”

“Does he cause you any problems?”

“Pepeo is well behaved, he wouldn’t hurt a fly. He has his quirks, but we are used to them. We get used to everything, don’t we?”

Ms. Celia laughed. She was amused by the in-law’s insanity.

“What quirks?”

“Crazy people things. For example, he says he keeps little creatures. But nobody has ever seen them.”

“They must be invisible,” I joked.

“He liked you, I tell you.”

“Me? He gave me such a strange look.”

“He won’t even look at people he doesn’t like.”

I smiled. I was flattered.

“The sweet was great, Ms. Celia, thank you,” I said while standing up.

“Are you sure you don’t want more? I always have plenty of sweet.”

“I have to go back to the hotel.”

I telephoned my parents at night. We talked about the sale of the house then I told Mom I had been with Ms. Celia and Pepeo. She said she knew him.

“Pepeo is good at finding lost objects, did you know that?” she said.

“What do you mean?”

“If you lose anything, just talk to him and he will find it in no time.”

“Only you could believe such a thing, Mom,” I replied, laughing at her small town superstitions.

“Oh, I heard Milena got a divorce. She is very single now. Just like you.”

“Milena who, Mom?”

“The one you used to date.”

Milena was a girl in Quixadá I had dated in my teens. I had completely forgotten about her.

“Thank you for the tip, Mom, but I prefer women of the capital.”

After I hung up, I sat on the bed and turned on the notebook to get started on the tasks that would be awaiting me at the office on Monday, and there were a lot of them. I didn’t really get around to doing them. I fell asleep hard while working with the notebook still on, something that had never happened to me before.

AVertigem-01On Sunday, I showed the house to a married couple who were definitely interested in buying it. We discussed the price and agreed that I would come back on the following weekend to close the deal. I went back to the hotel with my mission accomplished. Soon, the house where I had lived my childhood, my very last connection with the town, would be turned into a good sum of money that I hoped to multiply in the stock market in little time.

I had lunch at the hotel and went to my room to take a shower. While I was getting dressed, I looked at the mirror and thought my image was rather different… I remembered I had read somewhere that every mirror reflects our image in its own way and we get used to seeing the reflex every day so we don’t quite recognize ourselves in other mirrors.

I was thinking about that when suddenly Pepeo came across my mind. And I could almost feel the same unease I had felt in his presence on the previous day. Pepeo and his odd stare. It was expressionless, but it had an effect on me. Pepeo and that stare of someone who seemed to know a lot about me.

I left the room to take care of checkout. I looked at my watch: five o’clock in the afternoon. I walked up to the car parked in front of the hotel and got in. However, instead of driving towards the town exit, I went to Ms. Celia’s house. I parked the car, came out of it and clapped my hands. She soon came out with a smile.

“I came to say good-bye.”

“But it’s still too hot for you to drive on the road,” she said, pulling me inside and closing the gate. “Come in a little. Did you have lunch?”

“Yes, thank you.”

“But you accept a little cashew sweet, don’t you?”

“Yes, thanks. What about Pepeo, is he alright?” I asked. And I felt silly for trying to fool myself about the reason I had come back to Ms. Celia’s house. Obviously, I wasn’t there to say good-bye. I was there to see Pepeo again.

“He asked me today: where is Laura’s son?”

“Really?”

“I told you he had liked you.”

Ms. Celia went in and soon came back with the sweet. Once again, she sat down in her rocking chair, and while she told me something about the cashew harvest, the sound of her words meshed with the almost hypnotic noise of the chair. That’s when he came up at the door in his white attire, impeccable and silent like a cat.

“Look who’s here to see you, Pepeo.”

“Good afternoon, Pepeo. How are you?”

He didn’t answer. He remained still, leaning against the door, the frozen stare fixed on me. Ms. Celia made a gesture with her hand to convey that I shouldn’t mind him and began to talk about the weather, the cost of living, and local politics. She recollected the school times and noted that children today are more interested in computers than playing on the street. Then I heard the deep voice by my side:

“He wants more sweet.”

Pepeo had spoken!

“Do you want more?” asked Ms. Celia, rising from the chair. “Give it to me, I’ll get it.”

She took the bowl from my hands and went inside. And I looked at Pepeo, still surprised. He had spoken.

It was the first time I’d ever heard his voice. And he had spoken in such a natural manner, but there was also this powerful awareness in it… Indeed, I had finished my sweet and wanted more, but had been embarrassed to ask. And he had noticed it.

“Do you also like cashew sweet?” I asked, trying to be nice. He just kept staring at me in his absent way. I felt ridiculous trying to communicate with a loon and had a strong feeling that Pepeo disdained my sane, normal condition.

To my relief, Ms. Celia came back with more sweet and freed me from the awkwardness of making small talk with madness. We talked some more then I remembered what my mother had told me.

“Is it true that he finds lost objects?”

“Did you hear that, Pepeo?” she asked. “Edson wants to know if you can find things. Can you?”

Pepeo didn’t answer. He kept staring at me, silent and stubborn – and absent.

“Haven’t you lost something recently?” Ms. Celia asked me. Yes, I had lost my favorite pen, made of aluminum with my name engraved on it. I had lost it on the day prior, as soon as I arrived at Quixadá.

“Yes, I lost a pen.”

“Ask him to find it.”

“Can you find my pen, Pepeo?” I asked him. And I caught myself wishing hard that his answer would be affirmative.

In the ensuing silence, while we looked at each other and I longed for his positive answer, I felt a vertigo… And I suddenly remembered something that had happened in my childhood… I remembered a well in the neighbor’s backyard, an old well that supplied water. Children were forbidden to go near it. One day, I was so curious I couldn’t stand it anymore and secretly climbed on its edge. Instead of water, instead of my reflection, I saw a horrendous monster. I got so scared I lost my balance and fell into the well. Thank God I was quick and managed to hold on to the edge and hang from it while the monster at the bottom of the well waited for me to fall. With a lot of effort, I climbed the wall and got out of it. I came back running into the house frightened, my heart pumping hard. The experience was so traumatic that whenever I came near any well, I would feel this strong vertigo. I wouldn’t even think about looking into it.

The memory went away, the vertigo subsided slowly, and I felt a lot better. I was on Ms. Celia’s porch again now with my eyes locked into Pepeo’s absent gaze. I moved my body in the chair to shake off the rest of vertigo I still felt, unaware of how long I had been absorbed by the sudden recollection or if someone had noticed anything.

Pepeo moved and walked up to Ms. Celia. He bent forward and whispered something to her ear. Then he went back to his spot leaning against the door.

“Pepeo says he will find your pen if you bring him a chocolate.”

Give him a chocolate? What a childish thing, I thought, disappointed. And for an instant I had thought, almost believed that he actually possessed some magical power, that he could roam other worlds… But now I realized it was a little game between them, some kind of concession Ms. Celia made to the strange logic of madness.

Still bothered for being such a fool, I agreed to play the game. I stood up and went to the grocery store on the corner. I soon came back with the chocolate and handed it to him. But Pepeo didn’t take it and my arm was left stretched out in the air. Ms. Celia laughed, took the chocolate from my hand and gave it to him. I thought he would eat it on the spot, but he put it in his jacket pocket instead and whispered to Ms. Celia’s ear again.

“Now you wait, and the pen will turn up,” she said winking at me, as if we were playing with a child.

I looked at Pepeo and thought I might have detected the hint of a smile, an almost imperceptible glow of happiness in his face… that vanished without a trace one second later. Then we exchanged our good-byes and I left.

On my trip back to Fortaleza, my thoughts on Pepeo kept me company. He really had caused quite an impression on me. And struck me with something difficult to describe, an uneasy feeling combined with fear and… a certain excitement. Why?

While I was driving, I had other memories of my childhood… I remembered a time when I had free transit into other realities which I visited often. A time when I had friends whom grownups could not see and with whom I shared secrets. I remembered I had the power to be invisible and I did it whenever I wanted to steal candy from the store or when I wanted to stay in my cousin’s bedroom inconspicuously while she lay in her bed and touched herself as if she were alone. Those were days full of adventures. Everything was magical and fascinating. A magical time that had simply vanished from my memory but sprung back into my thoughts during those moments on the road like bubbles on the surface of boiling water.

Entering the city, deep in memories, I didn’t see a red light and drove straight through the crossing. I hit hard on the brakes, almost crashing against a truck. I was very close to causing a terrible accident. I could have died… I pulled over scared and at the same time thankful for my good luck. I thought I had better forget the past while I shifted into first gear and moved on. I had better come back to reality.

AVertigem-01On the following days, my mind remained focused on work related tasks that consumed my entire day and sometimes even the night, when I took my work home. On Wednesday, however, in my office at the company, I noticed the light of dusk that came through the window was reflecting on something on the shelf and I couldn’t ascertain what it was. I was intrigued, stood up and found out what was twinkling. It was a pen. An aluminum pen with my name engraved on it.

A chill ran down my spine. It was the pen I had lost! But I had lost it in Quixadá. How could it be there? Could Pepeo be… responsible for that?

No, of course not, I immediately told myself. I had certainly made some mistake. I certainly didn’t realize I had brought the pen with me from Quixadá then…

Then what? I put the pen on the shelf and didn’t remember that either? Of course I hadn’t done that. Then how could I explain it?

I had no answer. There was no explanation. For three days I had forgotten about Pepeo and now he suddenly came back into my life by way of this mystery. Was it really possible that he might have something to do with it?

The image of the old weirdo chased me around for the rest of the day. Those expressionless eyes that I knew were watching me carefully. And it made me torn. On the one hand, gentle breezes from another world blew through the person of Pepeo, breezes that caused me chills and brought me memories of a time of magic and enchantment. On the other hand, his eyes seemed to try to expose me as if I were guilty of something…

On the next Saturday, I went back to Quixadá. I had told the couple who were interested in buying the house that I would meet them again on Sunday, but I was so eager to see Pepeo that I couldn’t wait another day.

I arrived late in the afternoon and Ms. Celia welcomed me with her usual kindness. I told her I had found the pen.

“That’s nice,” she answered. “Pepeo will be glad to know.”

“Does he always do… these things?”

“What things?”

“Finding lost objects.”

She laughed.

“Do you believe that kind of thing?”

“Me? Well… I…”

I stopped talking, embarrassed like a boy caught doing something wrong. I simply could not answer. What did I believe? I didn’t know anymore.

“Young people don’t really care about those things, you know? It’s old people that still do.”

I smiled, ashamed. I saw my embarrassed self on the window glass next to me. I wondered which one I was: young people or old people?

“Is he home?”

“Pepeo? No. He went out for a walk with his little creatures.”

“Can he walk around alone?”

“Oh boy, Pepeo is smart,” she confirmed proudly. “He just won’t go out when his little creatures don’t want to go. In which case nothing in the world will get him out of the house. Don’t you want to sit down a little? I have ice cold cajá juice, I’m going to get it for you.”

“No, thanks, Ms. Celia,” I refused. “But I need to talk to Pepeo.”

“Then go that way over there, you can still reach him.”

I ran on the street until I saw the tall, slender figure with his white suit and white hat walking slowly, seeming to have not a single care in the world. Anyone who saw him would not distinguish him from any regular senior who goes to the town square in the late afternoon.

I slowed down on my feet and got closer. My heart was racing and my back was all wet from sweating. I stretched my arm in his direction and, before I got to touch him, I heard his voice:

“Did you find the pen?”

Pepeo was still walking, looking ahead. For a moment, I thought he had talked to himself.

“Yes… I did. I came here to thank you.”

Then I approached him by the side and walked along his slow step on the sidewalk. I asked him how he had made me find the pen, but had no answer. I began to feel the pressure of being ridiculous. I tried to invite more conversation, but he kept the same attitude, quiet and looking ahead or, I don’t know, looking at nowhere.

When we got to the town square, my initial enthusiasm had faded away from all the embarrassment, and once again I felt like I was being a fool for thinking that I could tame madness. Then I ran out of things to talk about and said something about Milena, my ex-girlfriend from when I was a teenager, and I asked him if he knew her.

Again. The shade of a smile came across his face, fleetingly, almost nothing. But I saw it. Yes, I did. I asked him again if he knew Milena.

“You want to meet the young lady, don’t you?”

My heart jumped. Then I thought that not letting the conversation die out mattered more than anything else. I quickly said “yes” and asked him if he could help me.

“Bring me a chocolate, will you?”

A chocolate. What did he mean by that? What would make me find the young woman in the same way had I found my pen? I didn’t want to risk losing the opportunity so I ran up to a newsstand where I bought a small bar of chocolate and brought it to him.

“You really like chocolate, don’t you, Pepeo?”

He was still putting the bar in the inside pocket of his jacket when he looked at me and… smiled! He actually smiled. Well, it was a brief smile, just for a second and obscured by his rigid mouth, but he certainly smiled. And he said:

“It’s not for me, it’s for the little creatures. You may go now. Go.”

“Where, Pepeo?”

“Come on, go.”

He seemed to be in a hurry. But I didn’t know what to do.

“Go, go,” he insisted, pushing me gently. I looked at him and I really didn’t know what to do. Should I go back to Fortaleza? Would I find Milena there?

“Go now.”

All I could do was comply. I crossed the street and looked at him, and he kept signaling that I should go, go, go…

Suddenly, a woman materialized right in my path, almost running into me. We both stopped, startled.

“I can’t believe it…” she said, surprised. “Edson?!”

“Milena?” I mumbled, even more surprised than she was.

“Are you lost here in Quixadá?”

“I… ahnn…”

I was absolutely confused to the bone. Had that meeting been arranged by Pepeo? No, it wasn’t possible, it couldn’t be. But how could it not be? Of course it was, it had to be. It had to be. I quickly turned around towards the square, but Pepeo wasn’t there anymore.

“I… am taking care of things.”

Milena was different, no longer the girl I remembered, obviously. But she was still beautiful.

“What a coincidence, Edson. I never come this way. But today, God knows why, I chose to.”

We were staring at each other among the people passing by, not knowing what to say. She finally broke the silence and asked if I was alone.

“Me? Yes, I am.”

“Do you want to go out tonight? There is this new bar, it’s quite nice.”

She gave me her telephone number, pecked me on the face and resumed her path. I crossed the street and saw Pepeo on his way home. I ran up to him.

“You made us run into each other, didn’t you?”

He didn’t answer. He didn’t even look at me.

“Please, Pepeo,” I begged. “I need to know.”

Nothing. He remained silent, walking slowly. I stood there on the sidewalk, my heart pounding like a pile driver, almost giving me a stroke. The color gradient in the afternoon sky heralded the sunset, when the afternoon makes way for the evening. A breeze blew and caused goosebumps on my arm.

Later at the bar, I wanted to tell Milena what had happened. But I thought I had better not. How could I tell her that an old nutjob had pulled some strings in the afterworld to make us run into each other on that street in return for a chocolate? How could I explain what I had felt, all the confusion in my head? How could I tell her that another world had been brought back, the magical world of my childhood?

I thought I should stop thinking about that all the time so I talked about many things and we laughed a lot about the old times, reminiscing our dating when we were teens. She told me about her failed marriage and I told her about my life in Fortaleza. She asked me if I was single and I confirmed it. Closing the evening, I dropped her home and we shared a long kiss. A very sweet kiss in fact, which reminded me of an old, cherished feeling: Milena in my arms, we both sitting on the bench in her house garden, promising each other all the stars in the vast sky of Quixadá.

On that night, it took me a long time to sleep. I was absolutely torn. Part of me was ardently willing to believe that Pepeo really had magical powers, that maybe there was more about the world than meets the eye, that maybe there were things beyond common comprehension. Maybe the lunatics had answers. Maybe it was time I looked for them elsewhere than in the cold numbers of financial reports.

Another part of me, however, shook my head disappointed at my own tomfoolery. The real world was not there in that small town in the countryside, and I knew it. Neither was it in the past, among fabrications of a child’s inventiveness. Reality was on the other end of the road, where I would go on the following day.

AVertigem-01I didn’t hear the alarm clock in the morning. When I woke up, it was 2PM already. I was very late for the appointment with the couple who wanted to buy the house. I got dressed in haste and drove to the restaurant where we were supposed to meet up. Fortunately, they still waited for me. I apologized, we had lunch and could finally discuss the final details of the deal.

Back to the hotel, the young man at the reception told me that someone had been waiting for me and pointed to the couch. I turned around certain that I would see Milena. But I saw an old man in a white suit and hat.

I walked up to him. Before I could even say anything, he stood up calmly and left the hotel. I followed him to the street and we walked side by side in silence. He wanted to take a walk with me, I thought, like two friends in a late afternoon. But I was eager to talk about the day before and about the little creatures…

We arrived at Cruzeiro Rock, a rocky formation visited by many tourists in search of a panoramic view of the town. When I was a child, I loved climbing to the top of it, more than three hundred feet high, and be entertained for centuries by the landscape. Pepeo stopped, looked up, adjusted the hat on his head and began to climb through one of the trails. I wanted to protest, I really wasn’t in the mood for getting tired, but didn’t dare say anything. I just followed him.

Pepeo climbed the hill with amazing agility, not taking one single wrong step. I did just the opposite. I slipped many times and was ready to quit. Fortunately, he stopped before we reached the top so I caught up with him soon after and sat on a rock to rest. I hadn’t noticed the landscape until then. The better part of the city was exposed to us from that vantage point. Far beyond, behind the pile of rock that surrounded it, the sunset painted the sky with tons of red, yellow and orange. I had forgotten how magnificent the view was. While the clouds slowly drew patterns and the sky changed color, I felt as if I had been removed from time…

“You’re going to keep them when I’m gone, aren’t you?”

Pepeo’s voice…

“Who are they?” I asked while my gaze surveyed the horizon.

“The little creatures. Look, you can’t be late, you must come on the same day they summon you.”

The little creatures, of course. For an instant–or maybe centuries–I had forgotten about them.

“What are those little creatures, Pepeo?” I asked, looking at him. Pepeo stood by my side, also looking at the horizon.

“I was put in charge of them a long time ago. One of them is the picker creature. It likes to hide and find things, very mischievous.”

“What about the other?”

“It’s the matcher creature. It likes to play with people, makes them get lost and run into each other. They are tiny, but they climb up on everything. And they love chocolate.”

Picker creature and matcher creature. One could find objects and the other could make people meet… That was absolutely incredible. I stood there in the same position sitting on the rock, staring into the distance, beyond the realms of time…

“It was the matcher creature that made your mother marry your father, do you know that?”

“What do you mean?”

“Your father was all about partying when he was young. He had no interest in commitment. So the creature arranged it for him to run into her on the street seven days in a row in seven different places.”

I smiled, stunned. That was news to me.

“And who gave you the little creatures for you to look after, Pepeo?”

“I can’t say. You won’t be allowed to say who passed them on to you either. And they will be with you until your day comes, you hear me? When you’re gone, they’ll tuck themselves back into their little house and they won’t leave it until they’re in the hands of their new master. And it can’t be a woman.”

“They don’t like women?”

“A woman would use them to harm another. And they just want to play, pull pranks on people.”

“Can other people see the little creatures?”

“No. They’re always hiding behind things.”

Pepeo’s voice was coming slowly into my ears and merging with the landscape. Suddenly, all the things were one. The sunset, the rocks, the red sky and Pepeo’s words. The past and the present were finally united. Everything made sense.

“One more thing,” he continued. “The little creatures don’t like cats and priests.”

“Why is that?”

“Cats can see them and they don’t like it. And priests make them sad.”

“And do they talk to you?”

“I know what they think. In time, you will know it, too.”

“And why did you choose me of all people?”

“They choose. When you arrived, they warned me.”

“What if, by chance, I am not fit for the job?”

“When they no longer have a master, everything will stop.”

“What do you mean?”

He didn’t answer.

“What do you mean, everything is going to stop, Pepeo?”

I turned around and saw he was climbing down the rock already and my question was swept away by the wind.

We came back in complete silence. At the foot of the hill, Pepeo went into a street without looking back and I went into another, back to the hotel. I felt peace like I had finally found something I had been looking for without knowing what it was.

AVertigem-01On Monday morning, I called my mother from the office and told her about the pen, how I had met Milena and what Pepeo had told me about her and Dad. She laughed and said it was true, yes. One day, when she was single, she had looked for a man who lived in the woods. He was some sort of hermit and was supposed to have magical powers. She visited him and found him a strange but kind old man. She asked him if he could make my father fall in love with her. The old man said he couldn’t do that, but he would do something close to it.

“He really did,” continued my mother with a jolly laughter. “He made your father run into me several days in a row. He was so intrigued he felt really compelled to pay attention to me. I told your father after we were married, but you know he won’t believe those things.”

“And did you pay for the service?”

“I gave him a chocolate. That’s what Pepeo had asked me in return. It was a bargain.”

What about the little creatures? I wondered what they looked like. All chubby from eating so much chocolate? Maybe not. Pepeo had said they were agile. Could they be carried in the pocket? What was their little house like? I thought about the little creatures and kept coming up with new uses such as finding lost documents, arranging providential chance meetings, checking if someone really was where they were supposed to be…

And their fear of cats, how strange… So cats really could see things? What about priests? I assumed the little creatures didn’t like them because the Catholic Church had a well known history of persecuting other beliefs. Maybe the little creatures had traumatic memories of other times, of cruel persecutions?

Pepeo had said that everything would stop when the little creatures didn’t have a master anymore. What could that mean? A prophecy about the end of the world? He also had said I wouldn’t have them until he was gone. Well, judging by Pepeo’s good health, such day wouldn’t come soon and that was great because I wanted to learn everything I could about the other world.

“Everything, everything,” I told myself. And I laughed like a happy child.

I wasn’t torn anymore. Pepeo was real, the little creatures were real. The magical world was back.

Before leaving for lunch, I called the couple who was supposed to buy the house. Without much clarification, I told them the deal was canceled and I would get back to them in case there were any other changes. I hung up the phone and stretched my legs, relaxed and relieved. Suddenly, selling the house didn’t make sense anymore. Maybe it wasn’t a bad idea to keep it rented out. Maybe, who knows, one day I might not like the capital anymore and decide to live in Quixadá. Yes, why not? I might as well forget that whole stock market business and lead a calmer life, not so worried about profits. Maybe with Milena. Why not?

Then the secretary woke me up from my daydreaming, saying there was a phone call for me. I answered. It was Ms. Celia. She was calling me to let me know that Pepeo had died the night prior. She said he had been feeling well, he had enjoyed his late afternoon walk and had had dinner as usual. He had died while sleeping. The funeral would be in the afternoon.

It took me a few minutes before I could react at all. Pepeo was dead… It didn’t seem real. It couldn’t be real, he had so much to teach me…

I canceled my afternoon appointments, got in the car and drove off to Quixadá. I drove at high speed, but when I arrived at the cemetery, the casket had already been lowered into the grave and two men were covering it with dirt. Few people were present, just Ms. Celia and relatives. I was devastated. I wanted to see Pepeo one last time.

“He liked you,” said Ms. Celia, wiping a tear.

“Me, too.”

“I think Pepeo sensed he was going to die because he asked me to give you something yesterday, before he went to bed.”

Ms. Celia opened her purse, took a tiny wooden chest out of it and gave it to me.

“He used to keep it very carefully, since when he still lived in Caiçarinha.”

I held the tiny chest with both hands, feeling its weight.

“It seems there is something inside, but I don’t know what it is. Pepeo told me to give it to you without opening it.”

“Thank you.”

“Now let’s go home and have some coffee. Come with us.”

“I’m afraid I can’t, Ms. Celia. I have to go back to Fortaleza now.”

We said good-bye and I left. A few minutes later, I was on the road, heading back to the capital. While I drove, I was overpowered by a mixture of sadness, excitement and fear, constantly looking at the tiny wooden chest on the passenger seat out of the corner of my eye.

When I got home, I put the little chest on the bed and sat next to it. My hands were trembling and my heart was beating out of rhythm. A drop of sweat ran down my face. Outside, the afternoon was coming to an end and I could see through the window the sky getting dark, heralding the evening in the big city, so different from the evenings of the countryside. Inside the small chest was proof of the existence of the other world, the magical world that had always existed but I had chosen to forget one day. I just had to open it and free the little creatures.

I picked up the little chest and began to open the lid very slowly. Suddenly, for an instant, I had flashes of that terrible well in my childhood… And I immediately felt the vertigo getting a hold of me. Again, the same vertigo. I cut my motion short, lowered the lid and took a deep breath. I told myself that everything was alright while I waited for the vertigo to go away. Some minutes later, I was getting ready to open it again when a question came up in my mind. What if… there was nothing inside?

At nightfall, the night and its darkness, I was still there sitting on the bed beside the little chest. And I couldn’t get that question out of my mind. What if there was nothing inside?

It was late night now, the quiet late night, and I was still in the same position. The doubt wouldn’t let me sleep. I hadn’t slept and I hadn’t had the courage to open the little chest.

When the day broke, I put it in a drawer in the cabinet and left for work. I tried hard to focus on my job, but I couldn’t. When I got back home, the first thing I did was to take the little chest out of the drawer. I put it on the bed again and swore to myself I would open it this time. I had to open it and put an end to that torture. Yes, I had to do it. But… what if there was nothing inside?

It’s the question I still ask myself fifty years later, when it’s late in the afternoon and I take the little chest out of the same drawer and I sit on the same bed in the same apartment, everything the same. What if there is nothing inside?

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

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(script for a movie soon)

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this tale is part of the book:

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

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> Amazon (kindle) english/portuguese

> In portuguese – blog 

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The blue light cylinder

25/03/2020

OCilindroDaLuzAzul-01

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this tale is part of the book:

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

(script for a movie soon)

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THE BLUE LIGHT CYLINDER

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OCilindroDaLuzAzul-01Lila closed the door of the apartment and climbed down the stairs as quietly as possible. She made it to the sidewalk, looked around and ensured she was alone. Everybody had retired into their little apartments. She hoped the darkness of the street would cloak her movements as well as her dangerous intentions.

She walked on the deserted streets for some minutes. There were piles of garbage on the sidewalks and the light on nearly every lamppost was broken. She was near enough to hear the shots and bombs very clearly while the border of the district was fiercely disputed by the gangs. At the top of a building, a very large sign advertised the latest invention for personal safety: a flame-thrower to be installed in automobiles as a means of protection against robberies.

Lila stopped on a corner, crouched close to the wall and checked her watch. It was 22h00.

“He has to show up, he must not fail,” she thought.

A chill ran up her spine when the alarm went off on a loudspeaker on a lamppost nearby. She was now a violator of the curfew. Or rather “resting time,” as the Control preferred to refer to it. As a violator, she could be arrested and indicted as a contrarian. And a contrarian would not live to tell the story. She had no doubt that would be her fate if her plan didn’t work. Very well, she thought, wringing her hands with anxiety. It was all or nothing now.

While waiting, she remembered Mathias. At that very moment, he was lying on the couch in the apartment waiting for her and depended on the success of the operation to survive. He was very ill. He had resisted as much as he could, but was running out of strength now. Lila always told him it was just a momentary sickness, but he knew she was just trying to reassure him. They both knew Mathias had fallen ill with the typical disease of the rebels. Sooner or later, they all had the same symptoms: sadness and hopelessness. An overall weakness that would even prevent them from eating. Most of them would become emaciated and die. Looking for a hospital would be the same as surrendering, as the Control was very aware of the disease. The only choice they still had was to run away from the city.

Not resisting was the choice of the vast majority of people. At a time when the population was taken over by its own worst instincts, playing along was always the more convenient way. Poverty, violence, epidemics, nuclear experiments, environmental pollution, racial strife and religious terrorism – the world had fallen prey to its own dark side and few people could still remain sane amidst the oppressive and confusing reality.

Lila and Mathias knew about friends who had managed to escape from the city. In the beginning, they still received messages that were read with joy and hope. That was a few years ago however, when persecution of the contrarians and control of the roads still weren’t so strict. Escaping was almost impossible now.

“Lila, you do understand what you’re doing is very risky, don’t you?” Mathias had told her before she went out on the street that night. “This could be the end.”

“I know, my love. But the only thing we can still believe are those dreams.”

“I don’t know, I honestly don’t know anymore…” he replied, hanging his head low. The disease clouded his thinking and his hope.

“It’s our only chance, Mathias. If I don’t come back in two hours, I’ll be in a police station. Or dead. Either way, I will not turn you in, I promise.”

“You know nobody can resist their methods.”

She just kissed him tenderly and left. She closed the door slowly and climbed down the stairs very quietly so the neighbors wouldn’t notice.

*     *     *

One day, the cylinders arrived. Thousands of them began to come in ocean waves and nobody knew where they came from. They would simply turn up on the shores at dawn. They were about the size of regular soft drink bottles, made of transparent glass and only seemed to contain air. But there was a strange blue light inside them, a beautiful and intriguing blue hue that caught people’s attention from afar.

The press soon ran the story and many curious people ran to the beaches. The Control sprung into action immediately and troops were deployed to guard the shores and prevent the population from obtaining other cylinders. They also recovered many of those that had been picked up. But not all.

Then the rumors began to spread. People said that contrarians could escape using the cylinder. But nobody could explain how they did it, assuming they really did. The Control inspected boats and ships, questioned and arrested hundreds of people, everything with the utmost strictness. But the cylinders remained a mystery.

When Lila and Mathias heard about what was washing on the shore, they immediately remembered the dreams. Years before that, they had dreamed on the same night of a mysterious blue light hovering over the sea. They discussed the dream and the strong aura of hope that surrounded it. They had the same dream again other times, always very intense, and understood they should maintain their hope and be alert.

Lila still tried to get a hold of some cylinders, but the Control had already sent troops to the shores. So she acted upon it quickly. In just a few days, she made some necessary contacts, always very carefully. She had to get to the right people or else it would be like stepping on a land mine. After all the contacts had been made, they waited. They just had to bide their time until their order was delivered. But weeks passed slowly and the whole world around them seemed to be one immense alluring whirlpool that whispered, “give it up, it’s better to surrender…”

*     *     *

Lila saw him. The man was walking fast on the sidewalk, protected by the shadows. Lila felt her heart almost explode with so much anticipation. She glanced again at both sides then at the apartment windows. The street was deserted and there was nothing she could do except hope they weren’t seen.

“I am late because of the Hounds, lady. They have secured control of all entrances to the district.”

The man took a package out of his overcoat’s pocket and handed it over to her with care.

“Here you are. I don’t care what your intentions are, but no one has ever told me what it is good for.”

She carefully put the package in her backpack and gave him the money.

“You are the third person to ask me for that thing this month.”

“Who are the other two?”

“Nobody knows.”

The man turned around and quickly disappeared into the darkness of the street.

Lila could not find strength to move for a short while. Finally, she had the cylinder. It felt as if those strange dreams had suddenly materialized in her hands after many years. She felt like crying, crying for all the time spent in resistance, for all the hazards they had been through and for having believed the message of hope of the dreams since the beginning. She took a deep breath and the first step back home.

Every block on the way back seemed endless. She noticed that some people could see her from the windows in the buildings. She knew it only took one of those people to dial a number and a police car would be taking her away for disobedience in no time. And everything would be lost. She also knew that not everyone agreed with the reporting system, but those who disagreed wouldn’t dare to speak out. She and Mathias were alone, they and all the people who still had a modicum of rationality in that hellish scenario.

“Mathias?”

Mathias was lying on the couch. He opened his eyes slowly, waking up from a deep slumber.

“Is everything alright? Were you sleeping?”

“Yes,” he answered, still sleepy. He tried to remember what he had been dreaming… It seemed to be an interesting dream… but he couldn’t. Then he sat up and made a mental calculation of his partner’s movement in the room. “I’m glad you’re back. Was everything alright?”

“Yes. Here is the cylinder.”

Lila took the package out of the backpack and put it on the table. Distant sounds of shots and explosions could be heard through the window. The Hounds were gradually expelling all the other gangs from the district. They soon would accomplish their goal. They had much better weaponry and support from the Warriors of God, a gang from an adjacent district. Soon they would have the monopoly on drugs and weapons.

“What about you, are you OK?”

“Just a little nervous… But I feel better already.”

“Did you make sure you weren’t followed?”

“I wasn’t, rest assured.”

She sat next to him on the couch and hugged him. Mathias had no strength. A healthy diet helped him maintain his remaining sanity, but finding good food in their area was difficult.

“Lila, my love…” he said with his whitened eyes all watery. “This whole time you’ve been taking care of me and yourself all alone… You’ve taken so many risks…”

“Oh, Mathias, stop talking like that,” she interrupted him, caressing his thin grieved face. “You must be hungry. I’m going to fix you some delicious soup.”

While cooking for her partner, Lila remembered the day when he got tired. He had simply got tired. Her pleading had been useless on that day: Mathias just simply couldn’t swim upstream anymore and gave up. They had an argument and he went away, leaving a note in which he said he was sorry for not being as strong as she was and encouraged her to move on without him around to get in the way. She was a strong woman and would survive.

Two years later, she finally found Mathias in a psychiatric hospital. He was blind and in bad physical shape. He wouldn’t last long in that place, especially because the Control used to terminate people in such ill condition. Then she spent the rest of her savings to bribe a few authorities and get him out of that place.

For months she looked after him until he recovered some strength and hope. She tried to get him some work, but those two years had severely impacted his health so the best he could get were clandestine menial jobs that caused his condition to worsen even further.

That was fifteen years ago. The blindness didn’t bother him so much now. He had sharpened the other senses and developed accurate navigational skills based on sound, smell and air flow. But he was increasingly weak and had become disheartened again. Dying was just a matter of time and they knew it. Unless Lila could get one of the cylinders. But what exactly could the cylinders do for him?

“The man said this is the third cylinder he sells this month,” said Lila, checking up on the street from a corner of the window. “There are other conscientious people in this city. And I am sure all of them will escape successfully.”

“Now that we have the cylinder, what do we do?”

“Honestly, I don’t know.”

“It has to have some use,” he said while touching and smelling the cylinder. “But there isn’t any opening.”

Then it all happened. It was very fast. Mathias heard the door get knocked down and men shout that they were under arrest and should not try anything or they would die.

He sensed the quick displacement of air in the room and understood that Lila had been taken away from him. He felt the cylinder be pulled out of his hands. He tried to react and felt an object strike his head swiftly. He still had the reflex to move the neck slightly in an attempt to lessen the impact, but the pain was still very intense and he fell down, feeling he was going to pass out. Lila screamed and he realized she had already been immobilized. He wanted to tell her not to react, but he couldn’t.

He lay on the floor, remained quiet, and felt his head was bleeding. He tried to reorganize his perception of the room around him. There were four men. One of them had Lila. The other one was at the living room’s door. The third one was standing next to the table and certainly had the cylinder. The fourth one was very close. It must have been the one who had hit him with a weapon.

“God doesn’t want any violence, we already have enough of it,” said the one near the table. “So you tell us what the cylinder is for and we leave you alone.”

“Sure, you certainly think we believe that…” answered Lila.

“We can negotiate your lives. In your situation, that is a lot.”

So the Control still didn’t know how to use the cylinders, Mathias concluded, still laying on the floor. That was good news. But neither did he or Lila. They hadn’t even opened it.

“We’re waiting…” said the one near the table, who sounded like the boss.

“We don’t know what it’s for.” Lila’s voice came from another side, and Mathias could tell from its rhythm and inflection that she was very alert. He needed to buy more time, but was still groggy.

“Alright, let me get this straight. You bought an object, you paid a lot of money for it, but you don’t know what it does. That doesn’t sound very smart… Worthless bitch!!!”

The hard, blunt sound of a punch hurt Mathias’ feelings. He heard Lila groan and the sound of her body dropping on the floor. He wanted to scream, but had no strength.

“I give the filthy bitch five seconds to tell us how the cylinder works,” said the one near the table. Mathias noticed the fourth man had come closer. He felt the barrel of a gun touch his head. “That is, if you don’t want the floor to get dirty with the little blind man’s brains. Five… Four…”

“But I told you!” Lila screamed. “We didn’t get a chance to use it!”

“Three…”

“We don’t know, I swear!”

“Two…”

“Don’t do that, please!”

“One…”

“I’ll show you… how it works,” said Mathias. He finally had his voice back.

“Oh, the blind man can talk…”

Mathias stood up with difficulty. He felt dizzy and held onto the table to keep his balance. He asked where the cylinder was.

“Here it is. And don’t try anything funny.”

Mathias took the cylinder with both hands and held it firmly. He figured the man at the door was still there on the same spot. The one near the table was standing next to him. The third one was still holding Lila. The fourth man had stepped back a little, but certainly still pointed the gun at him.

“I’m very weak… I don’t know if I can open it,” he said.

“You’re not only blind, you’re also a liar.”

“He is ill, stupid!” screamed Lila.

Mathias quickly figured out that Lila was standing up again. She was standing up and realized she needed to speak so he could determine her location.

“Then you open it, bitch. No tricks.”

Mathias felt the fourth man come closer. He understood he was going to take the cylinder from his hands. At that precise moment, he understood he was not supposed to hand it over. It was a strange realization, as if he had always known it. He opened his hands and let the cylinder drop…

The cylinder, however, did not hit the floor: the man was quick and snatched it at the very last moment. Knowing there was nothing else left to do, Mathias leaped on the man near the table, the one that seemed to be the boss. He leaped and tackled the man and they were both thrown against the wall. His hands found a gun on his opponent’s holster. But he couldn’t grab it. The other man was strong and he was too weak. The man pushed him away and hit him in the face. He was knocked over.

He tried to stand up, but he couldn’t. He felt the taste of blood in his mouth. He noticed that Lila was screaming and trying to reach him, but was being held. He was lying on the floor when he got kicked twice. The first kick broke a few of his ribs and the second one broke a few of his teeth. The taste of blood again. A lot of pain. More strikes on the head, chest, the entire body. Then he didn’t feel anything anymore. No pain, nothing. He just fell asleep slowly…

*     *     *

OCilindroDaLuzAzul-01“Mathias?”

He heard the voice brought by the sea waves, the sounds breaking in some distant shore of his thoughts…

“Is everything alright?”

He opened his eyes. He saw he was lying on the bed.

“Yes, everything is OK…”

“You were groaning. I was worried.”

Mathias sat up and rubbed his eyes. He recognized the bedroom in the lodge on the beach where they used to spend the weekend with friends, the lamp turned on, the distant sound of the sea… And Lila was by his side.

“I had a dream… such a strange dream…”

“Here, drink a little,” she said, handing him a glass of water.

“A world of authoritarianism and oppression… It was a hard, dangerous life… I was blind and you took care of me. There were these weird cylinders with a blue light…”

“And what happened?”

“We were captured, something like that. And they killed us.”

“Ouch, that’s awful.”

“I think I never had a dream so… so real.”

“It was just a dream, my love, everything is OK now,” she said, yawning. “Shall we sleep? We’re going on a boat ride with our friends tomorrow, early in the morning.”

He didn’t answer. He was still remembering the dream.

“You can tell me more tomorrow. I am really tired.”

Lila pulled the covers on and cuddled with Mathias. He stretched his arm, turned off the lamp and the bedroom was dark, only lit by the moon through the window slits. He made himself comfortable in the warmth of his girlfriend’s body and tried to sleep. The images and the atmosphere of the dream, however, kept coming back. The feeling of being blind under Lila’s care, fighting together, everything was very real. And the cylinder with that mysterious light, that blue…

“Lila?”

“Hmmm…”

“Look at me.”

She opened her sleepy eyes and her face was lit by the moon. He smiled and confirmed that her eyes were the same color as the light of the cylinder.

“What is it?” she asked, curious.

“Thank you, my love.”

“For what?”

“For existing.”

She laughed.

“If you don’t let me sleep, I’ll be a zombie tomorrow…”

She kissed him, pressed her body against his and tried to sleep again. He smiled happily. He fell asleep in that position, enjoying the quiet melody that emanated from the presence of the woman he loved so much.

*     *     *

OCilindroDaLuzAzul-01“Mathias?”

Mathias was lying on the couch. He opened his eyes slowly, waking up from a deep slumber.

“Is everything alright? Were you sleeping?”

“Yes,” he answered. He tried to remember what he had been dreaming. It seemed to be an interesting dream… But he couldn’t. Then he sat up and made a mental calculation of the his partner’s movement in the room. “I’m glad you’re back. Was everything alright?”

“Yes, here is the cylinder.”

Lila took the package out of the backpack and put it on the table.

“I remember now!”

“What?”

“The dream.”

“What dream?”

“It was so real. We were in a lodge on the beach… It was a good time, we had friends, we were happy. And I could see.”

“What about Control?”

“There wasn’t any Control.”

Lila was moved and smiled.

“Maybe that other world exists.”

“It does, Lila. I know it does.”

Mathias stood up and walked up to where she was, next to the table.

“Is this the cylinder?” he asked, feeling the package.

“Yes.”

He opened the package and held the cylinder with care.

“Is the light on?”

“Yes,” she answered. “And it really is blue.”

“The color of your eyes…” he whispered.

“My eyes are brown, my love. Did you forget?”

He smiled. And it was a purely peaceful smile.

“No. They’re blue.”

He immediately opened his hands and let the cylinder drop…

*     *     *

OCilindroDaLuzAzul-01Two men kept watch at the door and the window while another man examined the two bodies on the floor.

“We’re five minutes late,” he said.

“Are they dead?” asked the other man, next to the table.

“Yes, boss. No marks, no blood.”

“Holy shit.”

While the three other men put the bodies in bags and carried them away, the boss crouched and began to pick up the shards of glass scattered on the floor. That was driving him crazy. It was always the same thing: contrarians inexplicably dead, always with a serene look on their faces, as if they were sleeping, and the damned cylinder shattered on the floor. He had broken a few cylinders himself already, but nothing had happened. What the hell was going on?

He put the glass shards in the briefcase, closed it and walked to the exit. He took one last glance at the room, turned off the light and left, slamming the door.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

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(script for a movie soon)

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this tale is part of the book

The End Times Survival Guide
Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020
fantastic – horror – science fiction

What to do when the unexplainable suddenly barges into our reality and old truths are rendered useless? Where are we to go when the end of the world is upon us? In the nine short stories included in this book, none of them short of mystery and supernatural, people are amazed at events that challenge their understanding of reality and of themselves and trigger crisis situations so intense that people’s own survival is put at stake. This is a book about collective and personal apocalypses.

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> Amazon (kindle) english/portuguese

> In portuguese – blog 

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