O machismo contra o futuro do planeta

27/09/2019

27set2019

Nosso futuro como espécie passa necessariamente pela luta das mulheres por seus direitos e pela preservação do único lar que temos


O MACHISMO CONTRA O FUTURO DO PLANETA

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“É uma histérica, mal-amada”. “Ela precisa de sexo, de um homem”. “Vá fumar sua maconha lá na Suécia”. Foi com estas palavras que, nesta semana, o radialista Gustavo Negreiros, da 96FM, de Natal-RN, referiu-se a Greta Thunberg, a ativista ambiental sueca que tornou-se porta-voz dos movimentos mundiais que lutam por mudanças urgentes nas políticas climáticas governamentais e que discursou esta semana na ONU. Detalhe: Greta tem 16 anos.

A lamentável atitude do radialista, conhecido em Natal por ser fervoroso defensor de Jair Bolsonaro, é típica de uma mentalidade machista, que busca desqualificar as mulheres que ousam ter voz ativa e lutam por igualdade de gênero. Após a imensa repercussão que sua fala teve, o radialista pediu desculpas, mas não adiantou: o programa perdeu seus patrocinadores e ele foi demitido. Que sirva de lição aos misóginos.

Ao mandar Greta fumar sua maconha lá na Suécia, o radialista repete xingamentos típicos dos que associam o pensamento progressista de esquerda a devassidão e pecado. Para essas pessoas, todo socialista ou defensor da democracia é um drogado que financia o narcotráfico, exatamente como faz o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ao culpar o usuário de maconha pela violência em seu estado. É um raciocínio raso, que ignora que a política proibicionista é que sustenta o tráfico de drogas, proporcionando muito lucro a policiais, advogados, juízes, políticos e até líderes de igrejas evangélicas que se aliam aos traficantes para expulsar outras religiões de suas comunidades.

Greta Thunberg, que este ano foi indicada ao Nobel da Paz, tem limitações causadas por um tipo de autismo, mas isso não a impede de liderar manifestações e discursar para multidões. Ela representa a juventude que cansou dos discursos vazios dos governantes e se organiza cada vez mais, em diversos movimentos espalhados pelo mundo, para exigir políticas mais efetivas em relação à crise ecológica. Seu discurso na ONU já é considerado por analistas internacionais um dos mais fortes da história da organização.

Isso, obviamente, desagrada aos interesses do grande capital, que em sua ganância desenfreada por lucro, não se importa com a saúde do planeta. No Brasil, o governo Bolsonaro, apoiado pelo agronegócio, pecuaristas e mineradoras, é um perfeito exemplo desse perigoso descaso. A propósito, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que o presidente quer emplacar como embaixador nos Estados Unidos, fez uma postagem no Twitter com informação e foto falsas sobre Greta. É uma atitude deplorável, mas, partindo da familícia, que se elegeu graças à estratégia de espalhar mentiras como a mamadeira de piroca, esse jogo sujo não surpreende. Assim como o radialista demitido e o deputado fritador de hamburguer, muitos outros misóginos da direita mundial tentam agora desqualificar Greta, até mesmo Donald Trump, com xingamentos e comentários chulos e preconceituosos.

Nosso futuro como espécie passa necessariamente pela luta das mulheres por seus direitos e pela preservação do único lar que temos. Que mais Gretas surjam. Que as crianças e adolescentes de hoje nos salvem do pesadelo maior de amanhã.
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Ricardo Kelmer 2019 – blogdokelmer.com


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Verdades escabrosas

18/06/2017

18jun2017

Onze histórias da minha vida véa desmantelada. Mas uma delas tem uma mentirinha…

VERDADES ESCABROSAS

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Em cada uma dessas histórias da minha vida véa desmantelada, a primeira parte é verdade, mas em uma delas o fim é mentira. Veja se você consegue descobrir onde está a mentira.

01- Na saída do motel, meu fusca enguiçou e eu pedi pra minha namorada descer e empurrar, afinal o amor é lindo. Ela e o segurança empurraram até o desgraçado pegar no tranco, e deixamos o motel com o fusca véi se peidando todo, um escândalo, parecia um tiroteio. Pense numa cena romântica. E o namoro ainda durou mais um ano.

02- Fui ao supermercado com minha mãe e após eu passar pela fila do caixa, a gerente me flagrou com um pacote de camisinhas que eu pretendia roubar, e me repreendeu na frente de todo mundo. Inclusive da minha mãe, que gentilmente pagou as camisinhas.

03- Pra escrever meus contos safadinhos, recebo ajuda das leitorinhas que me contam suas fantasias eróticas, e pra algumas delas, a grande fantasia é ser puta por uma noite. Algumas até me pediram ajuda pra realizar a fantasia, e eu, alma caridosa que sou, ajudei, sendo o cafetão. Aliás, tem uma que até hoje não pagou minha comissão. Mas num tô cobrando não, viu, gataloca, tá tranquilo.

04- Muito puto com minha vó, que não deixava a mim e meus irmãos sairmos pra brincar na rua, combinei com eles: Bora matar a vovó? Eles concordaram e nos armamos com pedaço de pau, rodo e vassoura. Mas minha vó percebeu a tempo, correu, trancou-se no quarto e ficou gritando: Vão simbora, seus menino malino!!! E nós, uma candura só: Vozinha, vem brincar com a gente, vem…

05- Saindo de uma consulta ao dentista, eu adolescente bobo de 12 anos, um cliente do dentista me ofereceu carona no carro dele e eu aceitei, e no caminho ele puxou do porta-luva um baralho erótico e me entregou, pra eu me entreter. Que cara gentil, né? Logo depois, eu lá viajando nas gatinhas peladas do baralho, o cara começou a me bulinar, descaradamente. Apavorado, abri a porta no meio da avenida, saltei e fui atropelado por uma bicicleta, e o meu estuprador nem me socorreu, otário.

06- Larguei a faculdade, vendi o fusca por uma micharia e fui morar em Manaus, trabalhando como vendedor de água de coco congelada. Uma noite fui conhecer uma sessão de Umbanda manauara e a cabocla Mariana baixou lá, engraçou-se comigo e explicou o babado: se eu noivasse com ela, ficaria rico rapidinho, mas o preço era que eu jamais poderia ter outra mulher além dela, pois ela sempre melaria a história. Topei não. Ser rico desse jeito sai muito caro.

07- A caixa dágua do Badauê, o bar na Praia de Iracema do qual fui sócio entre 1988 e 89, ficava no mezanino, e uma vez eu e meus sócios a usamos pra fazer um, digamos, relaxamento coletivo com as namoradas. Foi ótimo, deu pra relaxar que foi uma beleza. Como os copos do bar eram lavados com a água da caixa, no dia seguinte foram muitos os elogios ao novo sabor da caipirinha.

08- Uma noite, minha mãe me pegou fumando um baseado na rua e fechou a cara pra mim durante dias, sem querer conversa. Disposto a terminar logo com aquela situação chata, expliquei pra ela, pacientemente, que maconha era como álcool, que o importante era a pessoa manter uma relação saudável com a planta, que maconha não era nenhum demônio. Foi pior, muuuuito pior, porque até esse momento ela inocentemente pensava que naquela noite na rua eu estava fumando… cigarro.

09- Um dia, no colégio Santo Inácio, nos preparativos da primeira comunhão, um colega me contou que duas lindas coleguinhas nossas foram flagradas se agarrando sabe onde? Não. Na sacristia. Uaaaau… Fiquei dias e dias fascinado, só imaginando a cena, o que, obviamente, estragou pra sempre minha primeira comunhão e preparou meu passaporte pro Inferno. Pra ser franco, até hoje não esqueço essa história, e só vou morrer em paz depois que eu namorar uma colegial (ok, pode ser apenas fantasiada de colegial) na sacristia, enquanto o padre reza a missa, e nós dois lá mandando ver nos mistérios gozosos.

10- Num show da Intocáveis Putz Band, na Concha Acústica, tocamos Marinara com a revista Playboy num tripé de partitura montado bem na frente do palco, a revista arreganhada no poster central, pra todo mundo ver bem o talento da musa Marinara. Tinha um grupo de punks assistindo, e um deles subiu no palco, puxou a revista e voltou com ela pro grupo, o gaiato. Quando vi nossa Marinara voando de um lado pro outro na plateia, não pensei duas vezes: desci correndo, me meti no meios dos caras e briguei e briguei até pegar de volta a revista, enquanto a banda continuava a tocar. Então voltei vitorioso ao palco e repus a Marinara no tripé. Pra você ver como naquele tempo eu era imortal.

11- Na hora de pagar a conta do motel, percebi que estava sem a carteira. O gerente disse que eu poderia ir buscar desde que deixasse algo como garantia. A menina vai ficar, respondi. Ok, ele disse, mas deixe o estepe também. Pô, Ricardo, eu tô valendo menos que um estepe de fusca, putaquipariu, cara!, protestou a gatinha, que, por sinal, era de menor. O gerente explicou que muitos caras aplicavam aquele golpe e não voltavam, deixavam as meninas lá pra sempre. Felizmente a gatinha acreditou em minha honestidade, ficou lá como garantia e eu saí pra buscar a carteira. E voltei, viu?

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BASTIDORES DAS HISTÓRIAS

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01- Pra quem votou na história do fusca enguiçado no motel, sinto dizer que ela é… totalmente verdadeira. Não marcarei aqui a participante da história pra evitar constrangimentos. E por que eu fui tão vil e cruel, botando a namorada pra empurrar o carro? Por que não foi o contrário? Porque ela não sabia dirigir meu fusca, que era cheio de manhas e segredos. Era um fusca bege, chamado Lombriga, a álcool e com dupla carburação, vivia desregulando, um horror.
Mas ela empurrou muito bem, toda charmosa, viu? Ah, mulher nenhuma empurrava carro como ela… Nosso namoro durou dois anos, e ela é uma pessoa muito especial na minha vida, de quem sempre lembro com carinho.

02- A história 2 é isso mesmo, foi uma cena absolutamente ridícula, pela qual mãe nenhuma merece passar. Quanto a mim, comecei e terminei nesse dia as minhas aventuras como ladrão de camisinha.

03- Pra quem votou na história das leitorinhas com fantasia de ser puta por uma noite, afirmo que ela é… totalmente verdadeira. A leitorinha realmente ficou me devendo uma parte da comissão pelo meu trabalho de conseguir cliente pra ela realizar sua fantasia de ser puta. Aliás, quando ela leu esta postagem, entrou em contato querendo quitar o débito, mas expliquei que eu não tava cobrando, e que inclusive era até interessante essa situação, ela ficar devendo pro cafetão. 🙂

04- A história dos netinhos-monstros que queriam matar a vovó é um clássico de minha querida família Adams. É tudo verdade. O que não contei é que a coitada da minha vó, que se chamava Waltrudes, ficou a tarde inteira trancada no quarto, com medo de sair e ser assassinada a pauladas. À noitinha, meus pais chegaram, ela saiu do quarto e contou o que acontecera. Resultado: levamos uma surra de cinturão do meu pai, daquelas que o rabo fica ardendo por três dias, pra gente aprender a nunca mais querer matar a mãe dele.

05- A mentira está nesta história. Eu aproveitei que o carro parou no sinal vermelho, abri a porta e saí. Mas não fui atropelado por nenhuma bicicleta. Alcancei a calçada e fui para o ponto de ônibus, aliviado por ter escapado do tarado.

06- Susana Mota, minha amiga e leitorinha mimosa de Leiria-Portugal, acertou ao dizer que esta história refere-se ao conto O Presente de Mariana, do meu livro Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos. Mas a história é toda verdadeira, e o conto é inspirado nela. Aliás, minha amiga Ana Karla Dubiela gosta desse conto. Pra quem quiser ler o conto: aqui.

07- Esta história da caixa dágua do Badauê é totalmente verdadeira. Só não marco os envolvidos aqui pra eles confirmarem porque eles podem se sentir pouco à vontade. Aliás, o Badauê foi um bar de muitas histórias ótimas. Aquele mezanino era uma loucura… A entrada era por uma janelinha no alto, no corredor dos banheiros, na parte lateral do bar. Pra chegar à janelinha, usávamos uma longa escada de madeira, que ficava encostada à parede, ao lado dos banheiros. No meio da noite, as namoradas subiam por ela, e nos esperavam no mezanino pra namorar um pouquinho. Acontece que às vezes elas tinham bebido bastante, e precisavam de ajuda pra subir pela escada, e o povo que tava na fila do banheiro ajudava, incentivando e empurrando as meninas escada acima, solidariedade total. Pense numa cena…

08- A história da maconha é outro clássico. Após descobrir que o filho do qual ela tinha tanto orgulho era doidão, minha mãe ficou meses sem falar comigo. Hoje ela tá mais relaxada quanto a isso. Aliás, do jeito que minha mãe costuma me surpreender, não duvido nada ela qualquer dia desses querer relaxar um pouquinho mais…

09- Pra quem votou na história das colegiais se pegando na sacristia, eu digo que ela é… totalmente verdadeira. Recentemente encontrei uma das garotas no Café Pagliuca e rimos bastante dessa história. Ela ficou surpresa, e disse que não sabia que tinha rolado esse boato. Não a marcarei aqui, mas se ela quiser se manifestar, vou adorar. Ah, e sobre a segunda parte da história, esqueci de dizer que se for o caso, eu mesmo compro a roupitcha de colegial na Via Libido Sex Shop, viu?

10- A história do show da Intocáveis Putz Band é totalmente verdadeira. Não sei onde eu tava com a cabeça quando fui brigar com um bando de punk por causa de uma mulher pelada de papel, mas naqueles dias juízo era uma coisa que não fazia parte da minha cabeça. Ainda bem, senão eu não teria essas histórias pra fazer você rir, né? Aliás, a Intocáveis Putz Band renderia um monte de histórias escabrosas. Uma vez cismamos de fazer um show com uma cama no palco, porque tínhamos esse estranho fetiche de fazer um show com todos deitados na cama. Conseguimos uma de madeira, na loja do Ângelo Baiano, e levamos pro local de show sabe como? No buggy do Martan. E era uma cama de casal, pesada pra caramba, com colchão e tudo. O show foi uma loucura, mas infelizmente os cabos dos instrumentos não chegaram até a cama, ô frustração…

11- Tudo é verdade nesta história. Felizmente a gatinha levou a coisa na esportiva. O que não contei é que voltei pro apartamento do meu amigo, onde tinha rolado a festa, procuramos minha carteira por todo lugar e não encontramos. Então voltei ao motel, resignado com o fato de que deixaria o pneu pra pagar a conta. Após parar o fusca na garagem, decidi fazer uma derradeira busca… e encontrei a carteira! Estava no buraco do toca-fita, e eu já havia procurado lá. Final feliz.

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Ricardo Kelmer 2017 – blogdokelmer.com

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01- Oh Bichiiim carga torta, nãm !!!!! Emelynne Pontes, Fortaleza-CE – abr2017

02- Difícil pra mim todas são Verdade… Flavio Rangel, Fortaleza-CE – abr2017

03- Tá ruim hein. Sei lá acho que é a 12. Silvana Santiago, Fortaleza-CE – abr2017

04- Não contou a de Mundaú. Não contou a do trovão. Não a do doutrinamento da Lilian Ramos. Não contou…, não essa não era para contar mesmo… Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – abr2017

05- Rapaz… Christiane Oliveira, Fortaleza-CE – abr2017

06- Eu sei que a 01 e a 03 são bem verdades, vc já me contou. rsrs. Samara Do Vale, Fortaleza-CE – abr2017

07- A 04 é mentira. Uma avó que cuida de uma cambada de menino maluvido, lá tem medo de cabo de vassoura! A minha até hoje, se deixar, bota os neto tudim para dormir com os couro quente. Amanda Caru, Fortaleza-CE – abr2017

08- Mano réi vindo de vóismicê tem nem uma mentira não ó ! Magna Mastroianni, Londrina-PR – abr2017

09- Vou na 4. Patrícia Ramos, Natal-RN – abr2017

10- A 06 é mentira. É do conto “o presente de Mariana”. Ela não pôde noivar contigo por ordens superiores… Susana X Mota, Leiria-Portugal – abr2017

11- mentirinha da 4..vc não faria essa malvadeza. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – abr2017

12- Me acabando de rir sozinha 😂 😂 😂prefiro acreditar q a mentira está no final da 7. Bicho TSN. Mas duvido é nada… acho q tua avó não seria tão medrosa assim. Essa foto está escândalo!!! Kkkk adorei. Zete More, Fortaleza-CE – abr2017

13- Diante desse currículo de um bom menino #sqn …..Acho que a 11 é mentira , a menina deve tá esperando até hoje…..kkkkkk. Pode mandar meu livro. Bjs. Regia Alves, Fortaleza-CE – abr2017

14- A 2,4,6 e 8 sei, tenho certeza que são verdadeiras. As outras, conhecendo bem a peça, sei não, acho ateé que sejam verdadeiras. Pra ser sincera , acho que essa 9, não pode ser verdade.Sei que estudou no Santo Inácio, mas não acredito. Vilma de Oliveira, Braga-Portugal – abr2017

15- História 7. Flavia Albuquerque, Fortaleza-CE – abr2017

16- Todas maravilhosas… kkkkk… me diverti muito… não sei dizer . Vou na 4… Caroline de Alencar, Fortaleza-CE – abr2017

17- Morri! !!! Espero ansiosamente que nenhuma seja mentira. Kkkkk. Cícera Souza Vidal, Fortaleza-CE – abr2017

18- Sensacional. Isabella Cantal, Fortaleza-CE – abr2017

19- Tudo tao verossímil! Gostei demais!! Luis Carlos Trajano, Areia-PB – abr2017

20- mentiras sinceras me interessam… …. .abrssss…… Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – abr2017

21- Só sei q foi assim… kk Pense numa vidinha kelmérica! Márcia Matos, Fortaleza-CE – abr2017

22- Acho que é a 10. Tereza Cristina, Fortaleza-CE – abr2017

23- Cada uma é melhor que a outra. Mas vou apostar em que vc e seus irmãos não pensaram em matar a vovozinha! Afinal, eu sou avó, e sofreria um infarto se meu neto pensasse nisso. 04! Maria Bulcão, Fortaleza-CE – abr2017

24- Todas as histórias são muito boas ó cara! Sei lá onde tá a mentira! Curti as histórias! rsrs. Mas aquela da vó é maldade demais! rs. Francisco Carlos Rodrigues, Fortaleza-CE – abr2017

25- Somente um escritor para narrar assim!! Adorei!! Acho que a mentira é a 4! Isa Magalhães, Fortaleza-CE – abr2017

26- Hahaha….amei e tá difícil saber qual a mentira….vou analisar rs. Marialucia da Silveira, Campinas-SP – abr2017

27- Kkkkkkkkkkkkk rapaz ow putaria ! Mas eu vou chutar! a 10 o final é falso: vc levou uma surra dos punk! Pedro Falcão, Fortaleza-CE – abr2017

28- Acho que a primeira é balela qdo conta q o namoro ainda durou 1 ano kkkk. Kathia Albuquerque, Itapipoca-CE – abr2017

29- Acho que há imperfeições em todas elas. Talvez todas sejam mentirosas. Aliás, verdade escabrosa (o título do post) para mim é mentira. A verdade é linda, maldade o que se faz com ela, hoje em dia. Antonio Martins, Maceió-AL – abr2017

30- A primeira, que namoro seu eh esse que durou mais de ano? Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – abr2017

31- Otimas histórias. Você não ia desperdiçar a oportunidade de contar suas aventuras maravilhosas. Então a unica estória com “e” é a 4. Beatriz Nousiainen, Fortaleza-CE – abr2017

32- História 1. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – abr2017

33- A cinco? Célia Fgf, Fortaleza-CE – abr2017

34- Kkkkkkk Ricardo Kelmer, morro de rir com tuas besteiras. Fabiana Z Azeredo, Fortaleza-CE – abr2017

35- Acho que a 5. Normalmente as pessoas que são “bulinadas” têm vergonha de contar e tentam esquecer. Mas é verdade que não se trata de uma pessoa banal.. Luciana Loreau, Nantes-França – abr2017

36- História 9. Kalline Alcântara, Fortaleza-CE – abr2017

37- Meu irmão querido te conheço desde 1980…inclusive dirigi o Fusca kkkkkkkkkkkkk. Ainda lembro que amassei o paralamas do Fusca no estacionamento do Center Um. Meu querido Dr Galvão falou: acidentes acontecem. Voce pode pagar parcelado..heheheh e eu paguei. Aprendi com ele! Jacques Josir Ribeiro, Santo André-SP – abr2017

38- Acredito que é verdade Tudo. Angela Belchior, Fortaleza-CE – abr2017

39- Kelmer tem quem te aguente não! Imaginando a surra q os monstrinhos levaram e tua mãe querendo relaxar mais 😱 Kkkkkkkkkkk. Zete More, Fortaleza-CE – abr2017

40- Boas histórias..mas a 4 não me parece coerente! Matar a vozinha? Num pode uma coisa dessas! Carlos Rogerio Vieira, Fortaleza-CE – abr2017

41- São todas tão geniais que tá difícil de adivinhar vou no sexto sentido. A número 5. Gó Strutzel, Fortaleza-CE – abr2017

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A pior campanha antimaconha do mundo

12/09/2014

12set2014

Faltou bom senso e respeito aos criadores dos anúncios. Faltou noção das coisas. Faltou tudo

APiorCampanhaAntimaconhaDoMundo-01

A PIOR CAMPANHA ANTIMACONHA DO MUNDO

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Tem estupidez que é tão estúpida que se torna divertida. É o caso da campanha contra a legalização da maconha, promovida por um certo movimento Brasil sem Drogas. Os anúncios criados para a campanha abordam a questão das drogas de uma forma tão absurda que é impossível, para alguém de bom senso, levar a coisa a sério. Ou seja, o movimento criou uma campanha para ridicularizar a si próprio. E, pelo imediato efeito que provocou nas redes sociais, com piadas, paródias e galhofas de todo tipo, é uma séria candidata a entrar para o rol das piores campanhas de todos os tempos, um clássico do “como não se deve fazer”.

Os anúncios partem do princípio de que, uma vez legalizada a maconha, médicos, pilotos, professores e motoristas passarão automaticamente a trabalhar sob efeito da erva. É uma premissa tão estúpida que não deveria merecer respostas sérias. Exatamente por isso a campanha imediatamente tornou-se alvo de piadas e chacotas saborosas. Se a campanha buscava iniciar uma discussão séria, a falta de noção dos anúncios dificulta essa possibilidade.

DrogasMaconhaCampanhaRidicula-10

Analisando friamente os anúncios e tentando entender a lógica da campanha, rumamos inevitavelmente para duas possibilidades: ou os organizadores são altamente desqualificados para uma discussão legítima e profunda sobre o tema (ignorância moralista) ou eles tinham o propósito preestabelecido de confundir a opinião pública (desonestidade intelectual), apelando para uma mensagem alarmista e gerando ainda mais desinformação em torno de um tema delicado e polêmico.

Além de ser ridicularizado até por quem é contra a legalização, o movimento Brasil sem Drogas talvez precise arcar com o dissabor de processos judiciais, pois alguns profissionais se sentiram ofendidos pela campanha. De fato, os anúncios são muito grosseiros e desrespeitosos ao propor a ideia de que pilotos de avião, médicos, professores e motoristas são irresponsáveis a ponto de porem vidas em risco apenas pelo prazer de fumar um baseado. Faltou bom senso e respeito aos criadores dos anúncios. Faltou noção das coisas. Faltou tudo.

E o que leva uma agência de publicidade a participar de tamanha idiotice? A WCOM participou por realmente crer nas ideias da campanha? Ou foi só por dinheiro mesmo? Ou então, e isso às vezes acontece até numa sociedade onde a maconha é proibida, os caras mandaram ver num fumo estragado e criaram esses anúncios bizarros? Se foi isso, então pelo menos que aprendam a lição e da próxima vez procurem um fornecedor melhor.

DrogasMaconhaCampanhaRidicula-11

Indo além do ridículo da campanha, vale a pena insistir num ponto sério da questão: a atual política antidrogas já deu o que tinha que dar. A cada dia, mais médicos, cientistas, estudiosos e líderes políticos alertam para o fato de que o proibicionismo não resolveu o problema, o consumo e a violência só aumentam e a cada dia que passa as drogas estão cada vez mais baratas, potentes e acessíveis. Sejamos francos: a humanidade quer e sempre quis experimentar estados especiais de consciência, o que nos leva a deduzir que se trata de um anseio natural da espécie. Reprimir tal anseio não parece funcionar, e deixar o mercado na mão de bandidos também não.

No Brasil, há um projeto de lei de autoria do deputado federal Jean Wyllys que deverá ser votado em breve. Deixo que o próprio deputado o explique: “Legalizar e regulamentar a maconha e acabar com a guerra às drogas não é somente uma questão de liberdades individuais. É, também, uma questão de segurança pública e de direitos humanos. Por isso, meu projeto de lei 7270/2014 faz muito mais do que regulamentar a maconha: ele propõe uma série de mudanças radicais na política de drogas do Brasil. A legalização da maconha é um primeiro passo que, além de garantir as liberdades individuais dos usuários, será uma ferramenta fundamental para reduzir a violência, deixar de encher nossas prisões com a juventude mais pobre das periferias e acabar com uma guerra que já matou gente demais.”

Voltando ao ridículo dos anúncios… Pois bem, não resisti e criei minhas próprias versões:

DrogasMaconhaCampanhaRidicula-75

DrogasMaconhaCampanhaRidicula-76

Para quem não está familiarizado com o tema, essas receitas malucas (bolacha cream cracker com feijão gelado, miojo com doce de leite…) são típicas da larica, aquela fome que costuma acometer os humanos após fumar um baseado. Além de nos fazer rir bastante, a campanha também ajudou a divulgar excelentes receitas lariquentas.

Os anúncios da campanha são ridículos e agridem a inteligência das pessoas, é verdade. Mas talvez eles estejam apenas refletindo o desespero dos proibicionistas, que veem as políticas de legalização e regulação avançarem nos países democráticos. No Brasil, os debates ainda carregam o destempero das paixões, mas felizmente caminhamos para um amadurecimento da discussão, o que ficou claramente provado nesse caso da campanha do Brasil sem Drogas. Quando boa parte da sociedade reage imediatamente e com tal força a uma tentativa de convencer a opinião pública com argumentos absolutamente estúpidos, isso é um bom sinal.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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MAIS VERSÕES DOS ANÚNCIOS (selecionados nas redes sociais)

– Você entraria num avião cujo piloto se envolve com bandidos para poder fumar um baseado? Se a maconha for legalizada, isso não mais ocorrerá.
– Você teria coragem de delegar proteção da biodiversidade a quem pensa que essa diversidade foi criada num passe de mágica 6 mil anos atrás?

– Você teria coragem de entrar num avião pilotado por uma mulher que abortou? Se o aborto for legalizado, isso será normal.
– Você teria coragem de entrar num avião se Marina Silva fosse sua vice?
– Você teria coragem de ser operado por um médico que acabou de fazer uma oração?
– Você teria coragem de ser operado por um médico que dá um pulo vai pra frente e de peixinho vai pra trás?
– Você teria coragem de entrar em um avião cujo piloto é um feto num jarrinho? Se legalizarem o aborto isso será normal.
– Você entraria num avião cujo piloto não consegue se sentar para pilotar? Se o casamento gay for legalizado, isso será normal.
– Você entraria num avião cujo piloto é gato, porém escreve derrepente tudo junto?
– Você entraria num avião cujo piloto já pilotou helicóptero da família Perella?
– Você confiaria sua campanha a uma agência que faz um cartaz usando oito fontes diferentes?

SAIBA MAIS

Projeto de lei 7270/2014 – Conheça o projeto do Deputado Jean Wyllys

O guru do movimento – O movimento Brasil Sem Drogas cita bastante as ideias do ativista antidrogas Kevin Sabet, que luta contra a legalização da maconha no EUA. Conheça as contestações às suas ideias: aqui e aqui

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DICA DE LIVRO

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Liberando o bom humor da maconha
Contos + glossário – Ilustrações: Hemetério

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado…
> Saiba mais,

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DICA DE VÍDEO

What if cannabis cured cancer – Este documentário de 2010, dirigido por Leo Richmond e com narração de Peter Coyote, mostra as numerosas possibilidades terapêuticas da maconha, principalmente na cura do câncer. Mostra também que sua proibição foi motivada e mantida até hoje por interesses capitalistas da indústria farmacêutica. Versão legendada em português (Maconha, a cura do câncer).

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O dia em que o chinlone me pegou

02/02/2014

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Assim como o chinlone, na vida é fundamental harmonizar-se com o mundo ao redor pra que o jogo fique bonito de se ver

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O DIA EM QUE O CHILONE ME PEGOU

Ou a arte zen de sair por aí à toa e encontrar o que se precisa
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E lá eu ia caminhando pela Visconde de Pirajá, seis da tarde. Apesar das pessoas apressadas e dos automóveis barulhentos, eu seguia leve e tranquilo. Na verdade, até me sentia meio em harmonia com toda aquela zorra. Levava uns exemplares do meu livro Baseado Nisso e uma missão ultrassecreta: deixá-los na La Cucaracha, uma loja em Ipanema que vende uns baratos ligados a cultura alternativa: roupas, livros, revistas, CDs e, é claro, sedinha para enrolar o baseado, maquininha de debulhar, essas coisas. Melhor lugar para vender meu livro só mesmo na passeata da legalização.

Na loja, meu livro ficou, mui honradamente, ao lado do sensacional Capitão Presença, livro do desenhista Arnaldo Branco. O Presença é o único super-herói que realmente salva. E foi inspirado no dono da loja, Matias Maxx, uma figuraça. Aí entraram dois caras e um deles foi direto no meu livro. Era simplesmente… o Arnaldo Branco. Uau! E o outro era o Allan Sieber, outro monstro dos quadrinhos. Fiquei tão abobalhado diante dos meus ídolos que depois de dez minutos é que consegui dizer algo além de dâââ…

Cessada a fase monga, troquei nossos contatos, combinei uma entrevista e nos despedimos. E segui caminhando de volta para casa, exercitando minhas pernas e admirando as das ipanemenses. Eis porém que, numa banca de revista, reconheço uma senhora… É Alzira, uma amiga recente, que dia desses me levou para ver uma peça sobre o Torquato Neto, que foi seu amigo. Você por aqui, que coisa boa, abraço, beijo. Ela me pegou pelo braço e saímos, ela comentando sobre um conto meu que havia lido. Depois falou que eu precisava conhecer o Álvaro, dono da Pororoca, uma famosa livraria especializada em misticismo. Mal fecha a boca, Álvaro se materializa bem à nossa frente. O susto foi tão grande que quase saí correndo.

O Álvaro é um cara simples, cinquentão com cara e jeito de garoto. Conversamos sobre livros e mercado editorial, ele disse que lembrava de meu primeiro livro e marcamos de continuar o papo outro dia em sua loja. E seguimos eu e Alzira, eu satisfeito com tantos bons encontros. Ela então me levou a uma galeria para conhecer o Estação Ipanema, com suas duas salas de cinema que eu, vergonhosamente, ainda não conhecia. Alzira me deu um puxão de orelha e subimos para conhecer.

No momento em que olhávamos a programação do Festival do Rio, um desconhecido chegou e… me ofereceu um ingresso de presente. Um ingresso para Mystic Ball, um filme do festival, última oportunidade de ver. Perguntei a Alzira se ela ficaria chateada se eu aceitasse aquele inesperado presente. Claro que não, aproveita que hoje você tá iluminado… Dei um abraço nela, depois te conto do filme, tchau, peguei o ingresso e entrei na sala escura, nem lembrava a última vez que eu fora ao cinema sem saber qual era o filme.

Tchan, tchan, tchan, tchan…. Que surpresa! Desde o instante em que sentei até o fim do filme, eu fiquei hipnotizado pelas imagens, fascinado, torcendo para não acabar. Como pude viver quarenta e dois anos sem saber que existia aquilo? O documentário conta a história de um canadense que se tornou o primeiro ocidental a praticar o chinlone ao lado dos mestres. E agora se dedica a divulgá-lo pelo mundo. Poizé, mas que diabo é chinlone?

Ronaldinho Gaúcho. Você certamente já o viu brincar com a bola, sem deixar cair no chão. Pois o chinlone é parecido. É um esporte tradicional de Mianmar, sudeste da Ásia, e existe há mil e quinhentos anos. Seis jogadores, homens ou mulheres, formam uma pequena roda e, usando apenas pés e pernas, passam a bola entre si, revezando-se como solista no meio da roda. A bola é oca, feita de feixes entrelaçados de ratan com espaços vazios formando pequenos buracos. Sem finalidade competitiva, o chinlone está mais para exibição artística, pois não basta não deixar a bola cair no chão – é preciso que as jogadas sejam plasticamente belas. Então o que se vê é uma espécie de dança coletiva regida pela própria bola, onde os movimentos combinam a graça delicada e sutil das danças do oriente com a rapidez e a precisão das artes marciais. Ou seja: Ronaldinho não daria nem para o começo.

O chinlone requer atenção aguda e permanente ao movimento da bola e dos outros jogadores. Requer também alto grau de leveza e elasticidade corporal. Mas, sobretudo, é indispensável que o grupo esteja totalmente harmonizado em torno da bola e funcione como uma única entidade feita de uma bola e doze pernas em contínua movimentação. O chinlone prioriza ao mesmo tempo a noção de grupo e o talento individual. E esses talentos não têm sexo ou idade: entre os melhores jogadores há garotas e velhinhos de setenta anos. Certas jogadas são tão curiosas e rápidas que só em câmera lenta pode-se entender como aconteceram. A habilidade dos jogadores é impressionante, e suas improváveis piruetas levam a pensar sobre onde afinal estão os limites da capacidade humana. Depois de ler os créditos finais, demorei a me levantar da poltrona ‒ estava inteiramente apaixonado pelo que acabara de conhecer. E louco de vontade de escrever a respeito. O mundo precisava conhecer aquilo.

Saí da sala com um sentimento de gratidão por uma noite tão generosa. Tantos encontros e surpresas incríveis… Mas ainda havia um último encontro a me esperar. E ele estava à minha frente, na saída da sala, segurando uma bola… de chinlone. Era Greg Hamilton, diretor e personagem principal do filme. Reconheci-o de imediato e, ignorando a timidez, fui falar com ele. Parabenizei-o, peguei a bola, fiz perguntas tolas em meu inglês capenga, ele me falou sobre o chinlone e ganhei um postal do filme. E fui embora para casa feliz, pensando… Assim como o chinlone, na vida é fundamental harmonizar-se com o mundo ao redor para que o jogo fique bonito de se ver. Não basta viver, é preciso encontrar-se.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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DOCUMENTÁRIO (em português)
Narração: Gilberto Gil

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CHINLONE, THE MYSTIC BALL

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DICA DE LIVRO

ICI2011Capa-01dO Irresistível Charme da Insanidade
Ricardo Kelmer – romance

Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal? Nesta história, repleta de suspense e reviravoltas, Luca é um músico obcecado pelo controle da vida, e Isadora uma viajante taoísta em busca de seu mestre e amante do século 16. A uni-los e desafiá-los, o amor que distorce a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

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LEIA NESTE BLOG

É a Tao coisa – Uma maneira intuitiva de compreender a realidade através da harmonia com o Tao

Rumo à estação simplicidade – Jurei me manter sempre no caminho, sem pesos nem apegos excessivos, pronto pra pegar a estrada no momento em que a vida assim quisesse

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Eu, Ro Ro e o lado B

26/01/2014

26jan2014

Naquele momento, o lado B do mundo sorria pra mim cantando blues, oferecendo tão somente seu calor e seu endereço

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EU, RO RO E O LADO B

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Gamei quando a vi cantando no Chacrinha, 1979. Depois escutei suas músicas na FM e comprei o disco. Adorava aquela voz rouca, o jeito largado de cantar, o escracho… O nome dela: Ângela Ro Ro. Eu tinha 15 anos, era só um adolescente bobo e certinho. E ainda estudava no colégio militar. Mas naquele momento, o lado B do mundo sorria pra Ricardinho cantando blues. Oferecendo tão somente seu calor e seu endereço. E eu sorri de volta.

Ingênuo, eu nem sabia que aquilo era blues. E também demorei a perceber que minha musa era sapata. Quando descobri, gostei ainda mais. Transgressão, esta era a senha. Moça sem recato, desacato à autoridade. Já me atraíam os que ousam e assumem sua loucura. Eu escutava Ro Ro horas a fio, arrancando os blues só pra maltratar. Me divertia com seus escândalos, os amores ruidosos, os porres homéricos. Aliás, naquele mesmo ano tomei meu primeiro porre. E no ano seguinte mudei de colégio, fugi da convivência diária com a lógica militar, eu me sentia violentado. Ainda era bobo, mas começava a entender que eu só deveria prestar obediência verdadeira a mim e a mais ninguém.

O garoto bobo cresceu. Namoradas, sexo e poesia, faculdade de comunicação, baseados, meu mal é a birita e um violão. Agora lia Bukowski, escutava Janis e Doors, me encantava o submundo artístico, os bregas de cabaré, o alternativo sempre mais interessante que o oficial. Minha ídola seguia seu caminho, arrasada, acabada, maltratada, torturada, desprezada, liquidada. Novos escândalos, novos discos. Mas eu preferia as antigas músicas, que obrigava as namoradas a escutar enquanto praticávamos sexo bonsai, ou seja, no banco do fusca. Assim não vai dar, minha vontade é tão grande, não pode esperar…

Bem, o Ricardinho bobo agora é quarentão. Mas continua fiel ao lado B. E neste momento tá na plateia do seu primeiro show da Ro Ro, uma falha no currículo que ele hoje consertará. Cai uma chuvinha chata sobre o Rio de Janeiro, mas o Circo Voador recebe um público razoável. O show será gravado pro DVD, o primeiro da carreira. E eu presente, que honra.

Ela está toda de preto, calça e blusa, cabelo solto. Ro Ro deixou de beber, pelo menos oficialmente. Que coisa. Ela agora é uma senhora desrespeito. Abana-se com um leque, reclama do calor, bebe água e brinca com a plateia, sempre palhaça. Mas não tá muito à vontade com o esquema meio careta de gravação, câmeras, maquiadora… Ela chama o primeiro convidado. Entra Luz Melodia, outro legítimo representante do lado B, e juntos cantam Tola Foi Você. Quer dizer, ela canta e ele tenta, lendo a letra no pedestal. Melódia tá meio viajandão e erra a letra. Deve ter mandado um venenoso no camarim.

Mando uma golada de vodca pra esquentar, não tire da minha mão esse copo. A segunda convidada é Alcione e elas cantam Joana Francesa. Mas a Marrom tá tensa, não se solta, pede pra repetir, depois erra a letra. Só na quarta tentativa a música sai. Quem diria, a Marrom amarelando… Depois Frejat divide com Ro Ro A Mim e a Mais Ninguém. Esse não errou a letra, palmas pra ele. Ro Ro reclama do calor de novo, será que ela tá na menopausa? Bebe mais água. Deve ser água, não é possível que seja vodca disfarçada.

A ruidosa plateia atiça e Ro Ro responde às gracinhas com seu velho humor agudo. Mas uma gracinha é gracinha demaaais… e ela não resiste. Pergunta o nome da garota, é Alice, a idade, tem 22 aninhos, flerta com ela, Alice no país das maravilhas lá em casa, e no fim anota seu telefone num papel e pede pra gracinha ligar na segunda. É isso aí, Ro Ro, tem que organizar a agenda. Depois ela enche o saco de retocar a maquiagem e dispensa a maquiadora, o cabelo já meio desalinhado, baixou o caboco roquenrou. Depois se agacha pra pegar o leque e confessa: Putz, quase peidei. Esta é a Ro Ro que tanto aprendemos a amar…

No fim, Melódia volta pra cantar de novo Tola Foi Você. Ah, agora o homem tá mais aterrissado, não parece aquela tarântula chapada do começo do show. E dessa vez acerta a letra, ufa. Depois Ro Ro faz o bis e se despede. Pronto, sua parte ela fez, agora é com o pessoal da edição do DVD.

E Ricardinho, cadê ele? Ele corre e alcança Alice, quer conhecer a musa da artista. Hummm, é uma menina linda e charmosa, não é que a Ro Ro tem bom gosto? Dou meu cartão e ela me recebe com simpatia. E aí, como você se sentiu com aquela azaração pública? Ela ri e diz que tá muito lisonjeada. E será que esse número que ela deu tá certo? Tomara que sim, ela responde. E você vai ligar? Ela dá um sorrisinho maroto e diz talvez. Mulher quando diz talvez, quer dizer sim, eu brinco. Ela sorri e confirma: talvez.

Volto pra casa satisfeito. Finalmente vi um show da minha primeira musa do lado B, tá consertada a falha no currículo. E quanto à bela Alice Talvez… Bem, se Ro Ro estiver muito ocupada, qualquer coisa eu tô por aqui, viu, Alice? Ricardinho aceitaria com muita honra ser o lado B da Ro Ro.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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Ângela Ro Ro e Luiz Melodia cantam Tola Foi Você
(DVD Ângela Ro Ro ao vivo, Circo Voador, 2006)

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> Ângela Ro Ro na Wikipedia

> Ângela Ro Ro no programa Marília Gabriela

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Odair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo brega pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

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Paz e amor express – Durante cinco dias o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor

> Textos no tema “música”

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Entre rocks e feridos

05/09/2013

05set2013

De repente, caiu a ficha: Putz, vinte anos atrás eu estava no Rock in Rio

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ENTRE ROCKS E FERIDOS

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Dizem que o cara começa a envelhecer no dia em que acorda, se espreguiça diante do espelho e diz, todo satisfeito: Nunca me senti tão jovem! Pois tenho outra teoria. Você começa a ficar velho no dia em que vira objeto de arqueologia jornalística. Para ser exato, quando alguém te liga e diz assim: Oi, Ricardo, nosso jornal está fazendo uma matéria sobre os vinte anos do Rock in Rio e queremos entrevistar os que sobreviveram.

Generosas leitoras, diletos leitores, comunico oficialmente que acabo de ficar velho. Ou, para soar mais heróico, que sou um sobrevivente. De repente, caiu a ficha: Putz, vinte anos atrás eu estava no Rock in Rio! Rio de Janeiro, janeiro de 1985. Eu e meus febris vintanos, minhalma deslumbrada… Lembro como se fosse há duas décadas, eu e Paulo Marcio compramos a camiseta do festival, botamos a mochila nas costas e pegamos o semileito, dois dias e duas noites de estrada sem fim. Cheguei no Rio sem bunda, eu que já não tenho muita. Se fosse hoje, acho que eu surtaria antes de chegar em Minas, mas naqueles dias eu era super-homem, não precisava dormir e tinha fígado blindado. A viagem inteira na manguaça, cada parada uma festa. Até namorada arrumei no ônibus, acredita? A danada era noiva, e no escurinho do último banco me escolheu para sua despedida de solteira, que honra.

Confesso que não lembro muita coisa do festival. Quando penso que hoje as crianças já nascem com quinhentos giga de memória, que inveja. Eu, particularmente, não disponho de mais que um mói de vaga lembrança. Mas vamos lá, queimemos os últimos neurônios… Lembro que no caminho para Jacarepaguá perdi uma lente do meu oclim e tive que encarar o festival cego de um olho. Isso explica metade da minha amnésia. Que mais? Lembro que foi Vinicius de Moraes, falecido anos antes, quem abriu o festival. Não, não tomei um ácido e vi a alma dele no palco. É que Ney Matogrosso fez a abertura cantando Rosa de Hiroxima, letra do poeta.

Que mais? Lembro dos malucos do AC/DC, o new age do B52, a doidinha da Nina Hagen que tinha um leruaite com o, desculpe, Supla… Lembro também do Moraes Moreira, Paralamas… Ué, mas não era festival de rock? Era, né, mas isso é Brasil, minha filha, entenda. Que mais? Lembro de um torpedo desse tamanho que eu fumei e, inexperiente, entrei numa lombra de que todas as cem mil pessoas olhavam para mim com aquelas máscaras das crianças do filme The Wall, pense na paranoia. Apavorado, fui me esconder debaixo da catraca da bilheteria, Paulo Marcio rezando por mim. Acabei na enfermaria, glicose na veia, nunca mais na vida eu fumo maconha. Mas sejamos justos, a culpa não foi da planta, coitada, eu é que antes enxuguei meio litro de Tonel 01. O fato é que eu morri e lá no inferno ninguém me atendeu, todo mundo acompanhando o rock pela TV. Acordei recuperado e saí correndo de volta a tempo de ver o Rod Stewart. Ainda tomei uma cerva para comemorar. Jovem é assim, imortal.

Bem, agora que cumpri com meu dever de alertar a juventude sobre o perigo demoníaco das drogas, do rock’n’roll e das noivas taradas dos semileitos, dá licença que vou tomar um domecq e escutar meu Led Zeppelin. E fazer uma pajelança em honra da minha pessoa, eu, sobrevivente do primeiro Rock in Rio. Não tão imortal quanto naqueles dias, admito. Mas mais jovem que nunca.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

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A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Se estar velho é ter vivênciado o primeiro Rock in Rio, que dirá ter curtido o Woodstock… Tô fudido. Um abraço primo. Jamiro Dias de Oliveira Junior, Fortaleza-CE – jan2005

02- Caro Ricardo, Foi delicioso ler sua crônica, pena que tenha sido tão curtinha de curtir. Num outro ônibus ia eu com as noivas daquele outro ônibus. E que viagem foi aquela… no ônibus para Jacarepaguá, onde até o cobrador fumava e nem cobrava nada. Na lama da cidade do rock, todo mundo se melando de alguma. Os amigos, as namoradas, as amigas… que viagem. Sucesso, feliz ano novo. E viva o rock’n’roll. Abraço. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2005

03- Oi Ric! Adorei a crônica…espero que estejas bem.Quando vens por aqui? Beijinhos brancos com sabor de PAZ. Viviane Avelar, Sobral-CE – jan2005

04- Oi velhinho, a anestesia de 85 era boa, né? Ainda bem que sim pq agora está difícil, tem que nas escolhas conscientes senão dançamos, não ao maravilhoso som do ROCK en ROLL mas na vida mesmo. Obrigada pelas boas risadas que dei. bj bem graaaaaandão! Dijé, Fortaleza-CE – jan2005

05- rickie boy, é, o peso dos ânus! Eles passam avoando… Lembra o tempo do… como é que chamava mesmo? Legal… O que conta é não perder o rumor, quer dizer, o humor! Abração. Max Krichanã, Fortaleza-CE – jan2005

06- Sensacional, Kelmer! Que inveja… neste tempo eu tava aprendendo a dançar forró numa cidadezinha do interior, tentando conseguir uma primeira namorada, perto dos meus 14 anos. Só assisti o Rock in Rio II que não chegou nem perto do primeiro. Acho que a coisa mais próxima do primeiro deve ter sido Woodstock! Abraço, Parabéns pelas excelentes lembranças. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – jan2005

07- Kelmo, Adorei a sua crônica sobre o Rock in Rio. Eu apesar de ser da sua mesma era geológica sofri muito mais porque morava em Quixeramobim, a muitos e muitos quilômetros de Jacarepaguá. Um grande abraço do seu eterno fã. Tibico Brasil, Fortaleza-CE – jan2005

08- Vc é um Gênio extrmamente criativo. Abrazos. Heloise Riquet, Fortaleza-CE – mar2005

09- Showwww de texto, viajei na história hehehe. Tbem estive no Rock in Rio, o q trouxe várias lembranças. Tem toda razão, quando jovens somos imortais ou ao menos pensamos que somos kkkk. Abner Rios de Alencar, Fortaleza-CE – set2013

10- Galera que vai pro Rock in Rio, se prepara que daqui há vinte anos quero ouvir as histórias! Ricardo Kelmer como sempre formidável! Jessika Thais, Fortaleza-CE – set2013

11- Muito boa, sorri e gargalhei….eu tb. usava oclinho e perdi a lente um dia, fora as lentes de contato perdidas no escurinho dos cinemas e “boites” (alguém sabe o que é/era isso?kkk) Marialucia da Silveira, Campinas-SP – set2013

12- Teu texto é uma viagem Ricardo!! Bjao. Liliana Araujo Moreira, Madri-Espanha, set2013

13- Bem que podia rolar ” Diários de Itapemirim” kkk. Francisco Coelho, Rio de Janeiro-RJ – set2013

14- Acho que vc não envelheceu tanto assim…continua o mesmo garoto com alma de poeta dos velhos tempos do Colégio Cearense. Yvana Oliveira, Fortaleza-CE – set2013


As Preciosas do Kelmer – jun2013

29/06/2013

Ricardo Kelmer 2013

AsPreciosasDoKelmer201306-1.

Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

> No Facebook (todas as edições)

> No Blog do Kelmer

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AsPreciosasDoKelmer201306-1AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
#9, jun2013
> Esta edição no Facebook

Imagem da capa: Brigitte Bardot, atriz francesa.

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*** SORTEIO DE DVDS

Leitores que comentarem nesta edição concorrem ao sorteio de 1 livro kelmérico + 1 DVD. O sorteado escolhe entre vários títulos.

FILMES

2001, Uma Odisseia no Espaço – Alucinações do Passado
Bettie Page – Blade Runner – Calígula – Chicago
Desconstruindo Harry – Don Juan DeMarco – A História de O
Lua de Fel – Matrix – Moulin Rouge – Nove Rainhas
A Pele que Habito – O Elo Perdido – O Exorcista
Uma Cilada para Roger Rabbit – A Pele que Habito

> Saiba mais sobre os filmes

> Conheça os livros kelméricos

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*** MACACAS BONOBOS USAM SEXO PARA SUBIR NA VIDA

As fêmeas dos bonobos, primatas bem próximos dos chimpanzés e encontrados apenas na África, fazem o que podem para chegar com tudo quando entram para um novo grupo — o que costuma significar fazer sexo com a fêmea líder (é, a fêmea) da turma. Num mundo cada vez mais comandado por mulheres, sei não, acho melhor assumirmos logo nossa porção bonobo. > Saiba mais

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*** MAIS SEXO, MENOS SANGUE
por Ricardo Kelmer

Bonobos-01O macaco bonobo é o parente vivo mais próximo do homem, mais ainda que o chimpanzé, como se pensava até alguns anos. Geneticamente eles são 98,7% iguais a nós. Os bonobos são mais sociáveis e menos agressivos que os chimpanzés e vivem em sociedades menos estressantes e violentas. Uma das características que mais chama a atenção nas sociedades dos bonobos é o sexo, que tem várias utilidades. Além da finalidade procriativa, eles também trepam por prazer, para resolver conflitos e para ascender na hierarquia social.

Segundo alguns cientistas, o processo de docilização dos bonobos ocorreu sem intervenção humana e começou quando as fêmeas se juntaram e passaram a não mais aceitar serem forçadas a copular, o que fez os machos pararem de competir entre si, afinal dava muito trabalho ser o membro dominante.

Uau! Isso dá muito o que pensar. As fêmeas humanas atualmente têm protestado bastante contra a cultura machista do estupro. Cansadas de serem consideradas culpadas pela violência sexual que sofrem, criaram a Marcha das Vadias, que acontece em cidades de vários países e tem forçado os homens a reavaliar seu comportamento.

Vou pesquisar mais sobre os bonobos, acho que podemos aprender bastante com eles. E que a Marcha das Vadias contribua para tornar os homens menos violentos. Quem sabe assim nossa sociedade se torne menos competitiva e perceba o que os bonobos há muito já sacaram: é muito mas muito melhor trepar que guerrear.

> Saiba mais

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*** LIVRANDO A SEMANA (65)

DOM QUIXOTE (Miguel de Cervantes) Ática

De tanto ler histórias medievais, um velho fidalgo espanhol endoidece, pensando ser o cavaleiro Dom Quixote de la Mancha. Sua armadura é de sucata e papelão, seu prodigioso cavalo é na verdade um pangaré, mas isso não importa. Na companhia do espirituoso aldeão Sancho Pança, nomeado seu escudeiro, Dom Quixote sairá pelo mundo para viver aventuras memoráveis. Narrando as confusões de um homem dividido entre sonho e realidade, Dom Quixote não é apenas uma história engraçada e comovente. Com o passar dos séculos, a obra-prima de Miguel de Cervantes ganhou o mundo, tonando-se um marco da literatura e uma das maiores fontes de inspiração da humanidade.

> Adquira este livro na livraria Arte Paubrasil

> Sobre Miguel de Cervantes

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*** A PORNOGRAFIA NOS SALVARÁ

Neste fim de semana, 7 a 9jun, em São Paulo, acontecerá a 3a edição do PopPorn, um evento multidisciplinar que traz como carro-chefe uma mostra de filmes que usam o sexo como recurso cinematográfico e/ou linguagem ou que têm a sexualidade como tema principal. Fazem parte da programação eventos de arte, apresentações musicais, performances, debates, workshops e festas.

O objetivo do evento é aglutinar ideias, trabalhos, projetos, práticas, atividades e sobretudo pessoas em torno da sexualidade; transitar entre as fronteiras da indústria do sexo, cultura pop, performance e arte; construir, propor e investigar discursos alternativos aos conceitos tradicionalistas e preconceituosos da pornografia; e finalmente oferecer ao público um ambiente seguro para a exploração de suas fantasias mais íntimas.

No mundo contemporâneo, a pornografia é consumida em massa; a sexualidade e o erotismo fazem parte do cotidiano das pessoas. A cada segundo, na internet, 28.258 usuários acessam sites de sexo. Ao contrário do que se possa imaginar, o território não é exclusivamente masculino: no Brasil, 28% do público de sites de conteúdo adulto é formado por mulheres, segundo o Ibope. E mais: 66% das mulheres no mundo, a maioria casada, assistem a filmes pornôs, enquanto 17% assumem que são viciadas em pornografia online.

Em uma sociedade cada vez mais erotizada, não há como evitar o tema, mas é possível resgatar seu conceito como forma de arte e gênero cinematógrafico, deslocando a prática cultural do espaço marginal para uma plataforma de prestígio. O PopPorn Festival surgiu com o aval de um evento internacional de prestígio, o PornFilmFestival de Berlim, e teve sua primeira edição realizada em São Paulo, em 2011.

> Saiba mais, garanta seu ingresso

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*** CCJ QUER PROIBIR VEREADORES DE AUMENTAREM OS PRÓPRIOS SALÁRIOS

Se o CCJ conseguir, não vai mais ter ninguém querendo ser vereador. > Saiba mais

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*** MAIS TRANSPARÊNCIA, MENOS GUERRAS

O julgamento militar de Bradley Manning, o soldado americano de 25 anos que forneceu ao WikiLeaks milhares de informações sobre as guerras de Iraque e Afeganistão, começou nesta segunda-feira 3jun. O soldado poderá ser condenado à prisão perpétua.

Bradley Manning merece uma alta condecoração, isso sim. Ele agiu em nome da humanidade e acima das noções limitadas de patriotismo. No futuro, quando o mundo for mais transparente e não houver mais fronteiras a nos separar uns dos outros, a humanidade terá finalmente entendido que somos todos a mesma família e habitamos o mesmo lugar. Nesse dia este soldado será lembrado como um mártir da nova consciência planetária. Liberdade para Bradley Manning.

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*** O AMOR QUE AMA O OUTRO
por Ricardo Kelmer

BardoEFada-01Não, o amor não é algo absoluto, imutável, uma lei que foi criada no início do mundo e que com ele morrerá. O amor é uma construção social. Nós aprendemos a amar seguindo as convenções da sociedade em que vivemos. Por essa razão, as diversas sociedades do mundo amaram e amam de maneiras diversas.

A grande maioria dos ocidentais do mundo atual entende que só é possível amar uma pessoa por vez e que quando alguém ama, não tem ou não deveria ter desejo sexual por mais ninguém. Tudo isso são noções aprendidas, que podem ser desaprendidas. Para a maioria só existe o amor exclusivista mas a verdade é que o amor também pode ser inclusivo. A maioria ama a posse do outro mas também há o amor que ama a liberdade do outro. Atualmente cada vez mais pessoas desistem de seguir as convenções sociais que desde cedo lhes ensinaram como devem amar e buscam amar do jeito que elas mesmas consideram melhor. São minoria, é verdade, mas de um jeito ou de outro acabam se encontrando e experimentando novas formas de viver o amor.

Todos os que ousam desafiar as convenções de sua época pagam caro por essa ousadia. Se hoje nossa sociedade é mais livre e menos preconceituosa em relação às diferenças étnicas, sexuais, de cor, de gênero ou de credo (ou não credo), é porque no passado houve pessoas que ousaram mostrar a cara, assumiram o que são e lutaram, e até morreram, por um mundo mais justo.

Essas pessoas que amam o outro e não a posse do outro, que amam sem exclusividade sexual, que amam mais de uma pessoa ao mesmo tempo, essas pessoas estão, neste momento, forçando a sociedade a reavaliar suas regras sobre o que é amar. No entanto, para a maioria, isso aí é tudo menos amor. Essa maioria se julga dona do amor e por isso tenta sempre aprisioná-lo em seus limites teóricos e diz que esse negócio de amor livre e relação aberta é ilusão, safadeza, doença, coisa do demo…

Que a maioria continue com seu velho amor que só consegue amar se controlar o outro. Eu sou da minoria. Prefiro o amor que ama o outro. Prefiro o amor que liberta.

(Dedico esta crônica a meus amigos Vanessa Tiburski e Ricardo Kilian, da banda Bardoefada)

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*** FALE MAIS SOBRE ISSO, BATMAN

Você que se formou em Psicologia e reclama do mercado de trabalho, que tal ser psicólogo de super-heróis? Isso mesmo. Ou você acha que só por ser super-herói, o sujeito é bem resolvido? > Saiba mais

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*** LIVRANDO A SEMANA (66)

A BOSSA DO LOBO – RONALDO BÔSCOLI (Denilson Monteiro)

Relato da vida de um dos mais importantes compositores brasileiros e umas das principais figuras da Bossa Nova, o livro revela detalhes da história da MPB e da vida de Bôscoli, também conhecido por sua personalidade extremamente sedutora. Nas mais de 500 páginas de A Bossa do Lobo, Denilson Monteiro conta a vida de Ronaldo com riqueza de detalhes, revelando como nasceram as canções que ele compôs; os bastidores dos shows que produziu; seu trabalho como jornalista; o relacionamento com a família, amigos e colegas de trabalho; a paixão pelo Fluminense Football Club; seus amores e seus desafetos. Tudo respaldado por uma criteriosa pesquisa e mais de uma centena de entrevistas com aqueles que conviveram com Ronaldo.

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EdwardSnowden-01*** O MUNDO TRANSPARENTE E A NOVA CIDADANIA
Ricardo Kelmer

Primeiro foi Julian Assange, o australiano que criou o site Weakleaks e começou a revelar documentos comprometedores de governos e empresas do mundo inteiro. Assange atualmente é perseguido pelo governo dos Estados Unidos e se encontra há um ano refugiado na embaixada do Equador em Londres.

Depois veio o soldado americano Bradley Manning, que revelou documentos secretos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão e informações diplomáticas que expuseram a podridão das entranhas do governo dos Estados Unidos. Manning está sendo julgado e pode ficar preso pelo resto de sua vida.

E agora surge Edward Snowden, americano ex-funcionário da CIA que denunciou à imprensa os programas que o governo americano, sob pretexto de combater o terrorismo, usa para espionar a internet e as ligações telefônicas de cidadãos americanos e de outros países. Snowden refugiou-se em Hong Kong, está sob investigação do FBI e começa a sofrer represálias de governos aliados ao governo Obama.

Esses três casos são três furos na velha estrutura de sigilo e espionagem dos governos. Por enquanto, eles conseguem tapar um ou outro mas em breve surgirão outros furos e será impossível conter tanto vazamento pois o mundo é cada vez mais transparente e até para os governos está difícil esconder suas ações, mesmo as secretas.

A facilidade das comunicações e dos transportes estão tornando as sociedades cada vez mais interconectadas. Atualmente os países se organizam em blocos geopolíticos, dissolvendo suas fronteiras, e a internet, permitindo o intercâmbio multicultural diário, faz nascer nas novas gerações a noção de cidadania global, para a qual as guerras não fazem nenhum sentido. Isso tudo motiva a luta por democracia e contra governos opressores e aponta para um futuro onde não teremos mais países: a Terra será a pátria de todos. Sim, ainda há muitas diferenças a serem superadas, preconceitos, fanatismos religiosos, interesses capitalistas… Mas os acontecimentos se aceleram e esse futuro já está acontecendo.

Os cidadãos comuns começam a se dar conta de uma verdade óbvia: o povo não deve temer seus governos, os governos é que devem temer o povo.

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*** MANIFESTE-SE COM SEGURANÇA

Nos últimos anos cidadãos de diversos países têm cada vez mais saído às ruas em manifestações para protestar. Os temas dos protestos são vários: economia, educação, segurança, transporte, saúde, ecologia… Isso é um bom sinal pois a democracia depende da voz do povo e é nas ruas que ela é ouvida mais forte.

Se você pretende participar de alguma manifestação na rua, parabéns, o mundo precisa ouvir a sua voz. Porém, em nome de sua segurança, é bom tomar alguns cuidados.

Caso a polícia jogue bombas de gás lacrimogêneo, MANTENHA A CALMA. Evite correr em meio à fumaça pois ao realizarmos um esforço físico maior, a respiração fica mais intensa e a quantidade de gás inalado aumenta. Peça vinagre a um manifestante próximo, passe num pano e respire através dele. O vinagre serve para amenizar a ardência causada pelo gás. A mesma dica de não correr serve para bombas de efeito moral, já que o objetivo da polícia é dispersar os manifestantes, separando-os do grupo. Com isso, a chance de se tornar um alvo de agressão física ou prisão só aumenta. Portanto, FIQUE CALMO e mantenha-se ao lado do grupo. A SEGURANÇA É A PRINCIPAL ARMA DE UMA MANIFESTAÇÃO.

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*** LIVRANDO A SEMANA (67)

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS (George Orwell) Cia das Letras

Num belo dia, os animais da fazenda do sr. Jones se dão conta da vida indigna a que são submetidos: eles se matam de trabalhar para os homens, lhes dão todas as suas energias em troca de uma ração miserável, para ao final serem abatidos sem piedade. Liderados por um grupo de porcos, os bichos então expulsam o fazendeiro de sua propriedade e pretendem fazer dela um Estado em que todos serão iguais. Logo começam as disputas internas, as perseguições e a exploração do bicho pelo bicho, que farão da granja um arremedo grotesco da sociedade humana.

Publicada em 1945, A Revolução dos Bichos foi imediatamente interpretada como uma fábula satírica sobre os descaminhos da Revolução Russa, chegando a ter sido utilizada pela propaganda anticomunista. A novela de George Orwell de fato fazia uma dura crítica ao totalitarismo soviético; mas seu sentido transcende amplamente o contexto do regime stalinista. Mais do que nunca esta pequena obra-prima da ficção inglesa parece falar aos nossos dias, quando a concentração de poder e de riquezas, a manipulação da informação e as desigualdades sociais parecem atingir um ápice histórico. (vestibular.uol.com.br)

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*** APLICATIVO CRISTÃO PARA CURAR HOMOSSEXUAIS

A Apple excluiu da AppStore, sua loja de aplicativos, o Setting Captives Free, um app que oferecia um curso com uma suposta “cura gay”. Segundo a descrição da entidade responsável pelo programa, o Setting Captives Free oferece cursos interativos sobre “princípios bíblicos de liberdade em Jesus Cristo”. Entre mais de 35 cursos, disponíveis em dez línguas, aquele que prometia “liberdade da escravidão da homossexualidade” em 60 dias e causou a exclusão da AppStore foi o “Door of Hope”, disponível até então para a loja dos Estados Unidos.

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*** PROJETO DE LEI DE INICIATIVA POPULAR DEFENDE REFORMA POLÍTICA

Com o apoio de 70 instituições, movimento quer aproveitar nova onda de pressão popular para mudar sistema eleitoral em 2014.

DOAÇÕES
– Extinção do financiamento de campanhas por empresas.
– Teto máximo para doações feitas por pessoas físicas de um salário mínimo por doador.
– As doações seriam feitas ao partido e não ao candidato.

JUSTIFICATIVA: Baratear as campanhas, pulverizar as doações e impedir que um grande financiador seja o dono do mandato.

VOTO TRANSPARENTE
– Eleição para vereadores e deputados em dois turnos. No primeiro vota-se no partido, para a definição da quantidade de cadeiras. No segundo turno vota-se nos candidatos.
– Fim da transferência de votos dos mais votados para candidatos do mesmo partido.

JUSTIFICATIVA: Fortalecimento dos partidos e suas ideias programáticas.

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*** CLUBE DE LEITURA TOPLESS

ElaLivro-302Há um movimento, cada vez mais forte no mundo ocidental, que defende a o direito das mulheres de poderem despir a parte de cima da roupa em lugares onde os homens também podem fazê-lo. Você é contra ou a favor? Para divulgar o movimento, mulheres de Nova York criaram o Clube de Leitura Topless. > Saiba mais

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*** VATICANO QUER SAIR DO ARMÁRIO

Papa Francisco admite que existe uma ala gay no Vaticano. Só uma?

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*** É POSSÍVEL VIAJAR SEM PASSAPORTE?

Edward Snowden, o ex-funcionário da CIA que revelou o programa de espionagem da internet do governo americano, teve seu passaporte cancelado. Como ele está conseguindo viajar pelos países? > Saiba mais

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AsPreciosasDoKelmer201306-1AS PRECIOSAS DO KELMER

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As Preciosas do Kelmer – mai2013

31/05/2013

Ricardo Kelmer 2013

AsPreciosasDoKelmer201305-2.

Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

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AsPreciosasDoKelmer201305-2AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
#8, mai2013
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Imagem da capa: Lola Benvenutti, garota de programa, formada em Letras. Mantém um blog onde narra, com estilo literário, os programas que faz.

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*** SORTEIO DE DVDS

Leitores que comentarem nesta edição concorrem ao sorteio de 1 livro kelmérico + 1 DVD. O sorteado escolhe entre vários títulos.

FILMES

2001, Uma Odisseia no Espaço – Alucinações do Passado
Bettie Page – Blade Runner – Calígula – Chicago
Desconstruindo Harry – Don Juan DeMarco – A História de O
Lua de Fel – Matrix – Moulin Rouge – Nove Rainhas
A Pele que Habito – O Elo Perdido – O Exorcista
Uma Cilada para Roger Rabbit

> Saiba mais sobre os filmes

> Conheça os livros kelméricos

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*** O CIRURGIÃO METROSSEXUAL QUER ABALAR NO CONGRESSO
por Ricardo Kelmer

O médico cirurgião Robert Rey é uma das figuras mais controversas da televisão brasileira. Tornou-se mundialmente famoso com um programa no estilo reality show (Dr. Hollywood) sobre cirurgias plásticas. Nascido no Brasil, ele afirma ter tido uma infância pobre, conta que foi adotado por mórmons, que o levaram para os EUA, e lá ele estudou em ótimas universidades. Até recentemente dizia querer ser governador da California para lutar pelos direitos dos latinos nos Estados Unidos. Parece que mudou de opinião pois recentemente filiou-se ao PSC, o Partido Social Cristão, o mesmo do deputado Marco Feliciano, o pastor homofóbico, racista e sexista que preside a Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

– Procurei esse partido porque, aqui, nós não temos vergonha da palavra de Deus – afirmou Dr. Rey. – Entendo que o mundo está entrando no caos porque as pessoas não querem mais ouvir a palavra de Deus.

Dr. Rey tem 52 anos, é milionário, mora em São Paulo e Nova York e fatura anualmente 100 milhões de dólares com seu programa, os produtos com sua marca e suas cirurgias nos EUA. Bonitão, corpo bombado (toma 27 vitaminas por dia), dono de um estilo visual extravagante, ele define-se como metrossexual, só usa roupas de grife e diz que atua como Robin Hood, “roubando das riquinhas com suas cirurgias plásticas para dar aos pobres em forma de cirurgias de lábio leporino” (palavras dele próprio). Quem o escuta discorrer sobre sua história de vida e suas ideias mirabolantes ou comove-se profundamente e vira seu fã ou acha que ele é um doido alegre – ou então tem certeza de tratar-se de um brilhante e sedutor oportunista. De fato, é uma figuraça.

Pelo jeito, o bonitão Dr. Rey será candidato a deputado federal em 2014. Com seu ar de bom moço e um discurso de tonalidades messiânicas, encarnando em si o melhor exemplo da teologia da prosperidade e ainda ao lado de Deus, certamente a boiada evangélica o elegerá e sua votação engordará o partido, ajudando a eleger outros candidatos.

Uma pena que Clodovil Hernandez já se foi. Ele e Dr. Rey no Congresso, já pensou?

> Saiba mais sobre Dr. Rey e veja vídeos:

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*** DOIDO ALEGRE OU OPORTUNISTA BRILHANTE E SEDUTOR?

Em jul2012 a jornalista Marília Gabriela entrevistou Dr. Rey em seu programa De Frente Com Gabi. Nessa época ele ainda almejava ser governador da California. Hoje, filiado ao PSC (o mesmo partido do pastor raivoso Marco Feliciano), Dr. Rey provavelmente será candidato a deputado federal em 2014. Sim, é uma figura folclórica e meio bizarra mas é melhor começar a prestar atenção nele, principalmente agora que Deus está ao seu lado.

1a parte da entrevista

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*** PETIÇÃO A FAVOR DO ESTADO LAICO

Os bandidos deste país descobriram que se a melhor profissão do mundo é ter uma igreja no Brasil (é isenta do pagamento de impostos e pode-se desviar dinheiro à vontade), melhor ainda é ser religioso e político, afinal quem pode ser contra aquele que fala em nome de Deus? Por essas e outras é que devemos defender o Estado laico pois somente assim haverá liberdade de crença ou não crença para todos e a religião não interferirá nas questões de Estado.

> Petição pública a favor do Estado laico no Brasil

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*** DR. REY E FELICIANO FAZEM PLANOS

Maurício Ricardo é um dos melhores chargistas e cartunistas do Brasil. Ele também compõe as músicas e faz as vozes de suas charges animadas, ou seja, o cara é fera. Inteligentes, divertidas e com um afiado senso crítico, suas charges animadas na internet e na TV o tornaram famoso no Brasil. Recentemente ele criou uma charge sobre a filiação do inacreditável Dr. Rey ao abominável PSC (Partido Social Cristão) do pastor homofóbico, racista e sexista Marco Feliciano. Ficou ótima, resultando numa crítica bem humorada sobre a bizarrice da política brasileira e a não menos bizarra cultura das celebridades. > Confira

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*** A LÍNGUA PORTUGUESA

5 de maio é o Dia da Língua Portuguesa. Um brinde!

A língua portuguesa, também designada português, é uma língua românica flexiva originada no galego-português falado no Reino da Galiza e no Norte de Portugal. A parte sul do Reino da Galiza se tornou independente, passando a se chamar Condado Portucalense em 1095 (um reino a partir de 1139). Enquanto a Galícia diminuiu, Portugal independente se expandiu para o sul (Conquista de Lisboa, 1147) e difundiu o idioma, com a Reconquista, para o sul de Portugal e mais tarde, com as descobertas portuguesas, para o Brasil, África e outras partes do mundo. O português foi usado, naquela época, não somente nas cidades conquistadas pelos portugueses, mas também por muitos governantes locais nos seus contatos com outros estrangeiros poderosos. Especialmente nessa altura a língua portuguesa também influenciou várias línguas. > Saiba mais

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*** O GOZO DA LÍNGUA
Ricardo Kelmer

OGozoDaLingua-1bPela maciez sonora dos fonemas
De formas acetinadas
Que a língua deslize
As arestas silábicas

Que a pronúncia obstaculizam
A língua sensibilize
E no subentende-se das reticências
Onde a linguagem se insinua
Que a língua dance nua

E mexa-se, revire-se, contorça-se
Lambendo-se ao prazer do ritmo
E no sabor do som deleitoso
Salive de gozo em êxtase linguístico

Ao silenciar dos versos que findam
Que descanse a língua de sua lida
E, enfim, adormeça, desmaiada e lânguida
Desmilinguida

> Postagem do poema no Blog do Kelmer

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*** MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA
(Wikipedia)

Museu da Língua Portuguesa ou Estação Luz da Nossa Língua é um museu interativo sobre a língua portuguesa localizado na cidade de São Paulo, Brasil no histórico edifício Estação da Luz, no Bairro da Luz, concebido pela Secretaria da Cultura paulista em conjunto com a Fundação Roberto Marinho, tendo um orçamento de cerca de 37 milhões de reais (14,5 milhões de euros). O objetivo do museu é criar um espaço vivo sobre a língua portuguesa, considerada como base da cultura do Brasil, onde seja possível causar surpresa nos visitantes com os aspectos inusitados e, muitas vezes, desconhecidos de sua língua materna. Segundo os organizadores do museu, “deseja-se que, no museu, esse público tenha acesso a novos conhecimentos e reflexões, de maneira intensa e prazerosa”. O museu tem como alvo principal a média da população brasileira, composta de pessoas provenientes das mais variadas regiões e faixas sociais do país, mas que ainda não tiveram a oportunidade de obter uma idéia mais precisa e clara sobre as origens, a história e a evolução contínua da língua. > Saiba mais, veja fotos

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*** LIVRANDO A SEMANA (61)

HISTÓRIA DA LÍNGUA PORTUGUESA (Segismundo Spina) Ateliê

A História da Língua Portuguesa, organizada pelo prof. Dr. Segismundo Spina, é composta de seis capítulos, que abarcam o período que vai do século XII ao século XX. Cada capítulo vem seguido de textos anotados, vocabulário crítico e bibliografia comentada. Dentre os muitos aspectos louváveis da obra, mencionem-se as observações de caráter estilístico e cultural, que não somente enriquecem o texto como também contribuem para torná-lo de mais agradável leitura. Acrescentem-se, ainda, como traço inovador, os comentários referentes às oposições entre o português europeu e o brasileiro, que constituem importante contribuição para a discussão sempre retomada do problema da língua brasileira , com freqüência equacionada em termos inadequados.

> Adquira este livro na livraria Arte Paubrasil

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*** A GENTE NÃO QUER SÓ RELIGIÃO

No Brasil os cinemas viram igrejas. A arte e a cultura são expulsas e em seu lugar o povo paga para ser treinado diariamente na arte de não questionar a religião na qual é condicionado a crer desde que nasce. Pobre Brasil religioso. Pobre povo-boiada.

Na Holanda as igrejas viram cafés, bares, livrarias e casas de show. > Saiba mais

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*** LOLA BENVENUTTI E A CORAGEM DE VIVER
por Ricardo Kelmer

LolaBenvenuttiEACoragemDeViver-2Uma garota de programa mantém um blog no qual conta sobre sua vida e narra o que faz com seus clientes. Você já viu esse filme, né? Eu também. Bruna Surfistinha tornou-se uma celebridade nacional graças a seu blog. Porém, tô falando de outra garota de programa. Seu nome: Lola Benvenutti. Seu diferencial é que ela é culta, é formada em Letras pela Universidade Federal de São Carlos-SP, gosta de literatura e escreve bem. O nome profissional foi inspirado na personagem Lolita, do romance de Vladimir Nabokov. > Leia mais

> Blog de Lola Benvenutti

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*** VOTO OBRIGATÓRIO NÃO!

A jornalista Ruth de Aquino escreveu recentemente na revista Época um artigo em que defende o voto facultativo em lugar do voto obrigatório. E mostra por que o voto obrigatório é nocivo à nossa sociedade. Eu, particularmente, também sou contra o voto obrigatório. Mas os políticos desonestos costumam ser a favor. E você, nobre leitor, generosa leitorinha, qual é a sua opinião?

O voto obrigatório mascara o real interesse da população na eleição. Faz muita gente (de todas as classes sociais) eleger “rostos conhecidos” ou “amigos de amigos”. Falta maior consciência do eleitor, falta educação política? Falta. O voto facultativo levaria às urnas quem acha que sua escolha pode mudar o atual estado de coisas. Falta vergonha na cara dos políticos, falta transparência nos gastos públicos? Falta. O voto facultativo obrigaria o Estado a fazer campanhas sobre a importância de participar do processo democrático. Obrigaria os políticos a se preocupar mais com sua ficha corrida e a prestar contas de seus atos. O voto seria dado com consciência e por convicção, não por medo de pagar multa. > Leia o artigo na íntegra

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*** LIVRANDO A SEMANA (62)

CASAGRANDE E SEUS DEMÔNIOS (Walter Casagrande e Gilvan Ribeiro) Globo

“Demônios à solta” não são mera figura de linguagem. Eles aparecem logo no título do primeiro capítulo do livro Casagrande e seus demônios, tratando daqueles fantasmas que rondam a vida de uma pessoa em desequilíbrio físico e emocional. Os “demônios” ilustram bem a reviravolta na vida de Walter Casagrande Júnior, que foi de ídolo do esporte a viciado em cocaína e heroína. Casão, ex-jogador do Corinthians, querido da torcida, integrante da Democracia Corintiana junto com Sócrates, e comentarista da TV Globo, expõe sem firulas ao jornalista Gilvan Ribeiro, coautor do livro, todo o seu declínio e restabelecimento.

Ricamente ilustrado, com um caderno recheado de fotos, a publicação tem prefácio de Marcelo Rubens Paiva, amigo de sempre, que endossa a hipótese de que tantas coisas boas, e outras tantas ruins, que permearam a vida do ex-jogador dariam um bom roteiro para um livro. “Casão faz questão de contar o inferno que viveu quando era viciado em drogas e sua internação, pois para ele é fundamental passar adiante a experiência, dividir as dores da dependência e alertar para os perigos de um vício frenético, sem preconceitos, desvios ou mentiras. A verdade ajuda a sanidade”.

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*** A MACONHA SALVOU A MINHA VIDA

Art Cote, 55 anos, é programador de computação na Califórnia, EUA. Em 2010 ele teve câncer no pescoço. Seu depoimento foi publicado na revista SuperInteressante em jan2013. Eis um trecho:

Em 2010, saí de férias com minha mulher. Era maio, lindo tempo para a praia. No primeiro dia de viagem, quando eu esperava num bar para almoçar, o telefone tocou. Era meu médico. Ele falou com calma e sem pausas. “Sr. Cote, infelizmente a biópsia deu positivo. Você tem um carcinoma de células escamosas em seu pescoço, que precisa ser retirado imediatamente.” Fui operado poucos dias depois de voltar a São Francisco, onde moro. Só que ninguém me avisou sobre as consequências da cirurgia. Os médicos tiraram o tumor, mas me deixaram com uma dor terrível. Eu quase não podia suportar. Na primeira noite, pedi mais analgésicos à enfermeira. Ela disse que eu já havia tomado minha cota de Tylenol, e que portanto teria de esperar até a manhã seguinte. Passei a noite em agonia. No outro dia, fui apresentado à oncologista, que me passou a lista de prioridades: ressonância magnética, radiação e quimioterapia. Dava para ver que seria um caminho difícil. > Leia na íntegra

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*** MARINA SILVA DEFENDE MARCO FELICIANO E VÊ PRECONCEITO RELIGIOSO

A ex-ministra Marina Silva (sem partido) se envolveu em uma polêmica nas redes sociais ao afirmar que o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), que é pastor e preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, “está sendo criticado por ser evangélico e não por suas posições políticas equivocadas”. Feliciano é acusado de racismo e homofobia. Ele assumiu o comando da comissão no dia 7 de março. Também evangélica, a provável candidata à Presidência em 2014 fez a afirmação em palestra na Universidade Católica de Pernambuco na terça-feira 14 de maio. > Leia mais

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*** AS ORIGENS DO CROWDFUNDING

FinanciamentoColetivoRK-2Como conseguir dinheiro para financiar nossos projetos? A internet tornou a coisa mais fácil. Conheça as formas de financiamento coletivo e saiba qual se adequa mais a seu projeto. > Leia mais

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*** PIZZA COM LARVAS DE BESOURO E MOSCA

Esta é uma das infinitas receitas possíveis com insetos, e que servirei no lançamento do meu próximo livro. Estão todos convidados.

INGREDIENTES – 1 disco de pizza, 25 g de larvas de besouro, 25 g de larvas de mosca, 15 ml de azeite de oliva, 60 g de muçarela, Coentro.  MODO DE PREPARO – Coloque as larvas de besouro e mosca sobre a pizza e acrescente o coentro. Cubra com a muçarela cortada, regue com azeite de oliva e asse em forno pré-aquecido a 180° C. Sirva depois que o queijo dourar e derreter.

> Mais sobre o assunto

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*** LIVRANDO A SEMANA (63)

ABC DE RACHEL DE QUEIROZ (Lilian Fontes) José Olympio

Organizado pela escritora Lilian Fontes, este ABC conta um pouco sobre a vida e a obra de Rachel de Queiroz, em formato típico da literatura de cordel. Ícone da nossa literatura, Rachel de Queiroz tem passagens da sua vida e carreira exploradas a cada letra do alfabeto que traz à tona uma palavra, um tema, uma reflexão sobre essa clássica autora. Volume essencial para estudantes e estudiosos de Rachel de Queiroz.

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*** MARCHANDO COM AS VADIAS
por Ricardo Kelmer

MarchandoComAsVadias-1A cultura patriarcalista e as religiões cristãs sempre temeram a sexualidade da mulher. Durante séculos a união do machismo com a religião fez as mulheres reprimirem sua própria liberdade, tudo em nome da família e de Deus, claro. As que ousavam viver naturalmente sua sexualidade, como os homens heterossexuais sempre viveram a sua, eram xingadas, perseguidas, agredidas, execradas, expulsas, estripadas, assassinadas, queimadas em fogueiras. E, evidentemente, iam para o Inferno, arder eternamente pelo pecado de serem livres. > Leia mais

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*** MARCHA DAS VADIAS PROMOVE ATOS EM TODO O PAÍS NO FIM DE SEMANA

No dicionário, o adjetivo feminino vadia significa ”mulher que, sem viver da prostituição, leva vida devassa ou amoral”. Na vida, adolescentes e jovens se apropriaram do termo para criar um movimento global que exige o fim da violência doméstica e da culpa atribuída à mulher. A Marcha das Vadias acontece em 13 cidades neste sábado (25) e domingo (26). A palavra é usada de forma pejorativa e, geralmente, é atribuída às mulheres que optam em sair dos padrões comportamentais e assumem suas escolhas seja no uso de uma roupa, seja no uso da palavra. Para chamar a atenção sobre a desigualdade de gênero e a violência contra a mulher é que milhares sairão às ruas.

Nesta 3a edição da Marcha, o tema escolhido foi “Quebre o Silêncio” com o objetivo de enfatizar sobre a necessidade de ampliar as denúncias de violência doméstica, com a divulgação, inclusive, dos serviços de atendimento de referência. Dados do Ligue 180, da secretaria nacional de Política para Mulheres, a cada dia, em média, 2.175 mulheres telefonam para o serviço. Em 89 % dos casos, o agressor é o companheiro ou ex-companheiro da mulher, 50% das vítimas dizem estar correndo risco de morte. O Brasil é o 7º país no ranking mundial de homicídios de mulheres, segundo o Conselho Nacional de Justiça. O Mapa da Violência 2012, citado pela ministra Eleonora Menicucci, revela que em 65% dos casos de violência sexual o estuprador era um parente ou conhecido da mulher.

> Saiba mais

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*** CUIDADO EXCESSIVO COM O CORPO PODE SE TORNAR DOENÇA

Poizé. Sempre desconfiei que tinha muita gente doente nas academias de ginástica. > Leia a notícia

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*** LIVRANDO A SEMANA (64)

DELTA DE VÊNUS (Anais Nin) L&PM
Tradução de Lúcia Brito

Prostitutas que satisfazem os mais estranhos desejos de seus clientes. Mulheres que se aventuram com desconhecidos para descobrir sua própria sexualidade. Triângulos amorosos e orgias. Modelos e artistas que se envolvem num misto de culto ao sexo e à beleza. Aristocratas excêntricos e homens que enlouquecem as mulheres. Estes são alguns dos personagens que habitam os contos – eróticos – de Delta de Vênus, de Anaïs Nin. Escritas no início da década de 40 sob a encomenda de um cliente misterioso, estas histórias se passam num mundo europeu-aristocrático decadente, no qual as crenças de alguns personagens são corrompidas por novas experiências sexuais e emocionais.

Discípula das descobertas freudianas, Anaïs Nin aplicou nestes textos a delicadeza de estilo que lhe era característica e a pungência sexual que experimentou na sua própria vida. Mais do que contos eróticos, Delta de Vênus oferece ao leitor histórias de libertação e superação. Foi publicado pela primeira vez em 1978, e em 1995 foi adaptado para o cinema tendo como realizador Zalman King.

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01- Nosso Larry Flint… Eduardo Freire, Fortaleza-CE – mai2013

02- Dr. Rey nas próximas eleições… Sério??? Pooooooooxa, peitões e bundões para todos! Vamos rir da esculhambação, porque chorar já não adianta! Me poupe! Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

03- Alguém que quer demostrar ser sem noção e meio doido, mas que na verdade é esperto o bastante para trocar sua carreira pela política… Por que será??? Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

04- Acho que eles estão de conversinhas para que o Dr. Rey fique responsável por algumas cirurgias estéticas que o Sr. Feliciano quer fazer para ficar bonitinho. Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

05-  Pô Ricardo, uma curiosidade. Essas fotos de poses e mulheres sensualíssimas… de onde tu sacas. São amigas, amantes… de onde tu garimpas? Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – mai2013

RK- Oi, Brennand. As imagens que ilustram meus textos e a capa dAs Preciosas do Kelmer são conseguidas em pesquisas na internet e algumas são de amigas e namoradas, sendo que costumo editar as imagens, às vezes mesclando-as com outras imagens. Algumas leitorinhas também enviam fotos suas pra ilustrar meus trabalhos, às vezes usando e-mails criados apenas para esse fim, às vezes revelando pra mim suas identidades. Muitas mulheres têm esse fetiche, de verem fotos íntimas suas ilustrando poemas, contos e crônicas – e é claro que eu adoro esse fetiche. A ilustração desta crônica abaixo, por exemplo, tem a foto de uma leitorinha mui generosa. https://blogdokelmer.com/2009/06/16/inculta-e-bela-dengosa-e-cruel

06- É isso aí, um país inteiro ou até mesmo o mundo (mesmo com suas diferenças de raças, classe social, religião…), unido em um só lugar pelos os prazeres e as delícias de uma língua. Hum… viva a Língua Portuguesa! Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

07- Última flor do Lácio, esplendor e sepultura, (…) A bruta mina entre os cascalhos vela (…) Amo o teu viço agreste e o teu aroma Amo-te, ó rude e doloroso idioma! Olavo Bilac, in “Poesias” Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – mai2013 

08- “Religioso” né! Algumas pessoas usam a religião para manipular outras pessoas a satisfazerem seu desejo pelo poder. Outras pessoas usam a religião para responsabilizá-la por suas falta de coragem, por suas estagnações e preguiças, para mascarar-se de bom moço ou boa moça e parecerem diante a sociedade pessoas bondosas, caridosas e cheias de humildade e abnegação. Fico pensando como Deus se sente diante de tanta falsidade, egoísmo e guerras em nome da tal “religião”. Se fosse um simples ser humano com certeza já teria perdido as estribeira, ficado arrependido da sua grande “obra” e tocado fogo nessa esculhambação toda. Eu o já teria feito! kkkkkkk Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

09- E se o tal “paraíso” bíblico tão propalado e tão monótono e sem graça existisse, já teria virado um inferno porque ninguém ia aguentar. Robert Pereira, Salvador-BA – mai2013

10- Concordo com o Robert Pereira! Deus nos livre desse “paraíso” arrumadinho, paradão e sem desejos citado pelos os “religiosos”. O Paraíso ou o Inferno não é esse lugar que vamos quando der adeus a Terra, mas é um estado espiritual vivo dentro de nós, se vivemos em paz ou no caos depende das nossas escolhas e não do Deus ou do Diabo que queira nos levar. Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

11-  Quem faz os “céus” e os “infernos” dentro e fora de nós somos nós mesmos. Como dizia John Milton em Paraíso Perdido: “A mente é seu próprio lugar, e dentro de si / Pode fazer um Inferno do Céu, do Céu um Inferno”. Robert Pereira, Salvador-BA – mai2013

12- É preciso muita coragem e autenticidade mesmo. Não que as mulheres devem ir lá e virar garota de programa (mas se essa é a sua vontade…), mas que ao menos assumam os seus desejos, falem mais de sexo, do que gostam, do que não gostam, das suas fantasias. É triste, mas muitos relacionamentos estão se acabando pela a frieza das mulheres, pois muitas ainda se reprimem devido as regras machistas da sociedade antiga e tentam parecer recatadas, puras e submissas, quando na realidade querem sentir prazeres, satisfazer suas vontades, gritar de tesão. Mulheres, que possamos nos amar mais, nos respeitar mais, aceitar e assumir os nossos desejos e ter muito, mas muito orgasmo (de qualidade!). Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

13- Gostei dos gritos!! Robert Pereira, Salvador-BA – mai2013

14- Vi o programa por acaso, mas foi bem bacana. Lola (Gabriela) é uma moça muito bem educada e com um jeitinho interiorano e até tímido fala de sua profissão e de como gosta disso… Tranquilamente! Em meios as indiretas e brincadeiras dos integrantes do Agora é Tarde, não se envergonhou de nada e nem perdeu a linha. É totalmente assumida! Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

15- Ninguém conhece mesmo o “Céu” e o “Inferno” que leva cada pessoa dentro de si mesma. Enquanto muitas pessoas por aí estão pensando que céu e inferno, são lugares para onde se vai por merecimento quando morrer. Cada pessoa é mesmo responsável por sua felicidade ou caos, dependerá de suas escolhas. O Casagrande fez as suas escolhas, viveu o seu inferno com os seus demônios, se reergueu e teve a coragem de contar em um livro. Que todos que vivam o seu “Inferno” possa assim também se elevar até o seu “Céu” com os aprendizados adquiridos na vida. Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

16- Como toda droga (todo remédio) a maconha tem seus benefícios e males. O problema é que as pessoas exageram, usam para responsabilizá-la por atos idiotas e até criminosos, sempre fica em mãos erradas e favorece o tráfico. Seria interessante que ela fosse legalizada como medicamento, assim como os antibióticos que precisam de prescrição médica para comprar. Tem muita gente entrando nessa de “Marcha da Maconha” para liberá-la aqui, só pela folia, sem responsabilidade, só para ficar “doidão”. Enquanto isso prejudica muita gente que precisa usá-la como tratamento. Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

17- A Marina Silva não está defendendo o Sr. Marcos Feliciano, mas dizendo que ele está recebendo preconceitos por ser evangélico, o que não é verdade. Preconceito não se paga com preconceito, por isso acredito que não tem nada a ver, se fosse assim não existiria homossexuais e negros religiosos, pois os atingidos foram eles. A religião e Deus não podem ser responsabilizados pelos o preconceito existente nas pessoas! Segue o vídeo onde Marina Silva fala… http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=nPMBwsoZnp8 Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

RK- Existem várias formas de defender uma pessoa, Renata Kelly. Uma delas é tentar desqualificar as críticas contra essa pessoa, que foi justamente o que fez Marina Silva. Isso é uma forma de defesa indireta. Com isso, Marina deseja angariar votos da boiada evangélica, e conseguirá. Mas perderá o respeito dos que lutam pela democracia, pelos direitos humanos e pelo Estado laico. Sendo ambos evangélicos fanáticos, Marina Silva e Marco Feliciano bem se merecem. http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2013/05/15/marina-silva-ataca-movimento-lgbt-que-confronta-marcos-feliciano

18- É verdade Ricardo Kelmer, esses políticos têm o seu jeitinho de falar para não se comprometerem né, mas na verdade vão mexendo com a cabeça do povo leigo e também fanático pela a religião. Em que político vamos confiar??? Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

19- Sei não viu, acho que isso é coisa de quem com medo de daqui a algum tempo a comida não dê para todo o mundo, inventaram isso para o povo comer insetos e eles ficarem com toda comida. rsrsrsrs Não tem condições! Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

20- Aplausos para qualquer tipo de manifestação contra a violência, qualquer tipo de violência. Claire Feliz Regina, São Paulo-SP – mai2013


As Preciosas do Kelmer – abr2013

28/04/2013

Ricardo Kelmer 2013

AsPreciosasDoKelmer201304-1.

Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso.

Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

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AsPreciosasDoKelmer201304-1AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
#7, abr2013

Imagem da capa: Bruna Lombardi, atriz, modelo e escritora brasileira. Uma mulher que não se conformou em ser apenas linda.

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*** SORTEIO DE DVDS

Leitores que comentarem nesta edição das Preciosas do Kelmer concorrem automaticamente ao sorteio de DVDs. O sorteado escolhe entre vários títulos, entre eles:

2001, Uma Odisseia no Espaço – A História de O
Alucinações do Passado  – Bettie Page – Blade Runner – Calígula
Chicago – Desconstruindo Harry – Don Juan DeMarco
Lua de Fel – Matrix – Moulin Rouge – Nove Rainhas
O Elo Perdido – O Exorcista – Uma Cilada para Roger Rabbit

> Saiba mais sobre os filmes

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*** ADOLESCENTE ATACADA POR TALIBÃS PUBLICARÁ SUA HISTÓRIA

MalalaYousafzai-3Malala Yousafzai prossegue em sua luta contra o fanatismo religioso que impede a educação de mulheres. Ela foi baleada na cabeça em um ataque cometido no dia 09.10.13 contra o ônibus escolar no qual viajava no Vale do Swat (noroeste do Paquistão) por um grupo talibã que queria castigá-la por seu compromisso em favor da educação das meninas paquistanesas. Dias depois, foi transferida ao Reino Unido, onde foi tratada e submetida no início de fevereiro a duas cirurgias de reconstituição craniana. Em mar2013 a adolescente pôde voltar à escola, desta vez em Birmingham (centro da Inglaterra), onde a família viverá por algum tempo. Malala, que tem 15 anos, é uma das candidatas ao prêmio Nobel da Paz 2013. > Saiba mais

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*** LIVRANDO A SEMANA (56)

O COBRADOR (Rubem Fonseca) Editora Agir

O Cobrador, publicado em 1979, era aguardado não apenas por ser o quinto livro de contos de Rubem Fonseca, já então considerado um dos mais importantes e inovadores escritores do gênero no Brasil. Era também o primeiro livro após Feliz Ano Novo, de 1975, ter sido recolhido por ordem da censura, sob a alegação de ter conteúdo contrário à moral e aos bons costumes. A resposta veio no conto que dá título ao livro, em que Rubem Fonseca apresenta um de seus personagens mais inquietantes. Amálgama de bandido, poeta e revolucionário, o Cobrador é uma espécie de vingador não apenas da divisão de classes mas também da violência simbólica que é o controle da palavra.

> Adquira este livro na livraria Arte Paubrasil

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*** ISRAEL PRENDE JOVEM QUE SE RECUSA A ENTRAR NO EXÉRCITO

UmMundoMelhorNathanBlanc-1Nathan Blanc tem 19 anos e nas últimas 19 semanas foi preso oito vezes por ser contra serviço militar. Nathan sente uma forte conexão com seu país, do qual tem orgulho em vários aspectos. “Mas tenho uma aversão a nacionalismo”, explica. De qualquer modo, afirma não querer “lidar com política e conflitos minha vida toda”. O jovem quer estudar ciência ou tecnologia na universidade e sabe que pode ter prejudicado de algum modo seu futuro. “Mas isso é pequeno quando comparado aos meus princípios em risco”, conclui.

Assim como a paquistanesa Malala Yousafzai, este jovem israelense personifica o mundo melhor que desejam os amantes da paz. Que o exemplo deles motive muitos outros jovens a desafiar os valores de competição e intolerância propagados pela sistema capitalista e pelo fanatismo religioso.

> Saiba mais, veja o vídeo

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*** ARTISTA RUSSO VIVE SEM DINHEIRO TROCANDO SUA ARTE POR BENS E SERVIÇOS

UmMundoMelhorSergeyBolavin-1O artista russo Sergey Balovin encontrou uma maneira de viver pura e simplesmente de sua arte. Ele vive sem dinheiro, pintando retratos de amigos, conhecidos e desconhecidos e usando as obras para pagar alimentação, serviços, hospedagens e outras necessidades básicas diárias.

> Saiba mais

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*** SEGUIR A BOIADA OU AS PRÓPRIAS CONVICÇÕES?
Ricardo Kelmer

SeguirABoiadaOuAsPropriasConviccoes-2A paquistanesa Malala Yousafzai, o israelense Nathan Blanc e o russo Sergey Balovin, com seus exemplos de vida, estão mostrando ao mundo que… sim, um outro mundo é possível. À sua maneira, agindo de acordo com suas convicções pessoais, eles simbolizam a grande luta que travam nesse momento muitas pessoas em todo o planeta: a luta contra a opressão e por um mundo mais justo e harmonioso. > Leia a crônica na íntegra

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*** A LITERATURA MORRE NO SÁBADO

O Grupo Estado anunciou em 05abr que fará mudanças na organização do conteúdo do jornal “O Estado de S. Paulo” e um dos cadernos que deixará de existir é o suplemento literário Sabático, publicado aos sábados. É muito triste quando morre um caderno literário. Com ele, morre um pouco a própria Literatura e morrem também todos os autores do mundo. Morre a fantasia, o sonho, a imaginação, o encantamento. Morre a humanidade. As Preciosas do Kelmer, como uma revista que divulga a Literatura, não poderia deixar de registrar esse falecimento e lamentar a perda de mais um espaço literário. Que nasçam outros espaços. > Saiba mais

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*** LIVRANDO A SEMANA (57)

JUNG, O HOMEM CRIATIVO (Luiz Paulo Grinberg) FTD

Chamando o leitor a observar seus próprios conteúdos simbólicos, o texto refaz o percurso de Jung e, ao mesmo tempo, oferece uma chave para a compreensão da sua psicologia. Jung foi, por assim dizer, um acendedor de lampiões no racionalismo do século XX, e suas ideias continuam iluminando. > Adquira este livro na livraria Arte Paubrasil

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*** QUANTAS PESSOAS DEUS JÁ MATOU, FELICIANO?

QuantasPessoasDeusJaMatou-01Marco Feliciano é uma aberração política, um fruto lamentável da mentalidade de negociatas de cargos que nasceu na podridão do Congresso. Misógino, racista e homofóbico, ele jamais poderia ser presidente de uma Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Mas é, pois para os fanáticos religiosos democracia e direitos humanos não são importantes – tudo que interessa são os seus dogmas. Pra esses fanáticos as mulheres, os negros e os sexodiversos são seres inferiores e amaldiçoados por Deus.

Marco Feliciano defende a tese de que Deus matou John Lennon e os Mamonas. No caso de John Lennon foi um tiro em nome do Pai, um tiro em nome do Filho e um tiro em nome do Espírito Santo. No caso dos Mamonas, um anjo pôs o dedo no manche e Deus fulminou o grupo.

Segundo a Bíblia, Deus matou muita gente mesmo, mas como ela foi escrita há muito tempo, lá não constam John Lennon e os Mamonas. Talvez um dia Feliciano deseje escrever seu próprio evangelho e nele incluir os novos mortos por Deus. Assim sendo, segue uma listinha para ajudá-lo nessa sagrada empreitada:

> Quantas pessoas Deus já matou? (Ricardo Kelmer)

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*** VATICANO BAIXA FILMES PORNÔ COM NINFETAS, SADOMASOQUISMO E TRAVESTIS

O programa para compartilhamento de arquivos TorrentFreak, usando informações levantadas pelo site de pesquisas Scaneye, divulgou uma lista dos arquivos de torrent baixados por endereços de IP localizados no Vaticano. Será que esses filmes são abençoados por Deus? De qualquer modo, obrigado pela dica, Vaticano.

> Confira a lista dos filmes. E se você for fazer uma festinha, me convide! Posso levar umas amigas animadinhas?

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*** ESTUDO COMPROVA: HOMOFÓBICOS PODEM SER GAYS ENRUSTIDOS

Pessoas que estão seguras de sua própria sexualidade não se sentem ameaçadas por pessoas de orientação sexual distinta ou de práticas disntintas. Por que elas deveriam se sentir ameaçadas? A psicologia do inconsciente nos ensina que os conteúdos psíquicos não reconhecidos pela consciência são reprimidos no inconsciente mas de lá influenciam a personalidade. No caso dos homofóbicos, a sexualidade que eles tanto agridem nos outros provavelmente é o reflexo não reconhecido de sua própria homossexualidade. A mesma regra aplica-se aos religiosos homofóbicos, com a diferença que esses buscam justificar seu ódio e violência usando argumentos de sua religião. Ao pastor Marco Feliciano e outros homofóbicos, recomendo este vídeo que mostra uma pesquisa da Universidade da Georgia (EUA).

http://youtu.be/Y9UeKYF6sno

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*** FEMINISTA E SUBMISSA, SIM SENHOR

O BDSM é um conjunto de práticas fetichistas que envolvem fantasias de dominação, submissão e sadomasoquismo. É um jogo entre adultos e deve contar com três condições essenciais para ser bem jogado: ser saudável, seguro e consensual. A trilogia 50 Tons de Cinza, mesmo abordando o tema de forma bem confusa e desinformativa (e sem qualquer qualidade literária), contribuiu para tornar o BDSM mais conhecido do público médio. Um brinde!

Os jogos de dominação e submissão são apenas jogos. Porém, ainda tem muita mulher que confunde fantasia com realidade e, por isso, acha inconcebível que uma mulher fantasie ser submissa a um homem. O relato a seguir fala justamente sobre isso, sobre como uma mulher feminista, e altamente consciente de sua condição, é uma perfeita submissa no BDSM. Recomendooo.

> Sou feminista e submissa (relato no blog Escreva, Lola, escreva)

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*** LIVRANDO A SEMANA (58)

LIVRO542-DomCasmurroDOM CASMURRO (Machado de Assis) Martin Claret

Do romance “Dom Casmurro”, pode-se dizer que o tema é mais o ciúme que o adultério. Por que a questão central não é o adultério? Porque não sabemos (nem saberemos) se Capitu o traiu. Machado escreve o romance com total ambiguidade, dando sinais de que de fato a mulher poderia ter traído o marido, mas este, contando sua própria história e sendo tão frágil, também pode ser um psicótico. Esse romance é o resultado de um exercício de escrita fabuloso, pois até hoje discute-se a força dos argumentos do narrador de “Dom Casmurro”. > Adquira este livro na livraria Arte Paubrasil

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*** SOBRE MACHADO DE ASSIS

Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 – Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Nascido no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, de uma família pobre, mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade. Sua obra foi de fundamental importância para as escolas literárias brasileiras do século XIX e do século XX e surge nos dias de hoje como de grande interesse acadêmico e público. Em seu tempo de vida, alcançou relativa fama e prestígio pelo Brasil, contudo não desfrutou de popularidade exterior. Hoje em dia, por sua inovação e audácia em temas precoces, é frequentemente visto como o escritor brasileiro de produção sem precedentes, de modo que, recentemente, seu nome e sua obra têm alcançado diversos críticos, estudiosos e admiradores do mundo inteiro. > Saiba mais

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*** COMÉRCIO ELETRÔNICO – EVITE ESSES SITES

Procon inclui em ”lista negra” mais 71 lojas virtuais não confiáveis. Antes de fechar sua compra, conheça a lista.

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*** MELODRAMA
Bruna Lombardi

BrunaLombardi-03Eu sou uma mulher espantada
o amor me molha toda
me deixa com dor nas costas
ele diz no fundo gostas
no fundo ele tem razão

o amor tinha de ser
mais uma contradição
tinha de ser verdadeiro
confuso e biscateiro
como em toda situação

tinha de ter remorso
e um querer e não posso
e toda essa aflição
tinha de me dar pancada
e eu cantar não dói nem nada
com um radinho na mão

tinha de fazer ameaça
que é pra poder ter mais graça
como toda relação
tinha de ser dolorido

rasgar um pouco o meu vestido
depois me pedir perdão
e como em todo melodrama
terminar na minha cama
até por falta de opção.

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*** LIVRANDO A SEMANA (59)

TODA POESIA (Paulo Leminski) Cia das Letras

Paulo Leminski foi corajoso o bastante para se equilibrar entre duas enormes construções que rivalizavam na década de 1970, quando publicava seus primeiros versos: a poesia concreta, de feição mais erudita e superinformada, e a lírica que florescia entre os jovens de vinte e poucos anos da chamada “geração mimeógrafo”. Ao conciliar a rigidez da construção formal e o mais genuíno coloquialismo, o autor praticou ao longo de sua vida um jogo de gato e rato com leitores e críticos. Se por um lado tinha pleno conhecimento do que se produzira de melhor na poesia – do Ocidente e do Oriente -, por outro parecia comprazer-se em mostrar um “à vontade” que não raro beirava o improviso, dando um nó na cabeça dos mais conservadores.

Pura artimanha de um poeta consciente e dotado das melhores ferramentas para escrever versos. Entre sua estreia na poesia, em 1976, e sua morte, em 1989, a poucos meses de completar 45 anos, Leminski iria ocupar uma zona fronteiriça única na poesia contemporânea brasileira, pela qual transitariam, de forma legítima ou como contrabando, o erudito e o pop, o ultraconcentrado e a matéria mais prosaica. Não à toa, um dos títulos mais felizes de sua bibliografia é Caprichos & relaxos: uma fórmula e um programa poético encapsulados com maestria.

Este volume percorre, pela primeira vez, a trajetória poética completa do autor curitibano, mestre do verso lapidar e da astúcia. Livros hoje clássicos como “Distraídos Venceremos” e “La Vie en Close”, além de raridades como “Quarenta Clics em Curitiba” e versos já fora de catálogo estão agora novamente à disposição dos leitores, com inédito apuro editorial.

> Adquira este livro na livraria Arte Paubrasil

PAULO LEMINSKI FILHO (Curitiba, 24 de agosto de 1944 – Curitiba, 7 de junho de 1989) foi um escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor brasileiro. Era, também, faixa-preta de judô. > Saiba mais

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*** POR QUE AS COTAS RACIAIS DERAM CERTO NO BRASIL
Reportagem de Amauri Segalla, Mariana Brugger e Rodrigo Cardoso, revista IstoÉ, edição 2264, 05.04.13

Desde que o primeiro aluno negro ingressou em uma universidade pública pelo sistema de cotas, há dez anos, muita bobagem foi dita por aí. Os críticos ferozes afirmaram que o modelo rebaixaria o nível educacional e degradaria as universidades. Eles também disseram que os cotistas jamais acompanhariam o ritmo de seus colegas mais iluminados e isso resultaria na desistência dos negros e pobres beneficiados pelos programas de inclusão. Os arautos do pessimismo profetizaram discrepâncias do próprio vestibular, pois os cotistas seriam aprovados com notas vexatórias se comparadas com o desempenho da turma considerada mais capaz. Para os apocalípticos, o sistema de cotas culminaria numa decrepitude completa: o ódio racial seria instalado nas salas de aula universitárias, enquanto negros e brancos construiriam muros imaginários entre si. A segregação venceria e a mediocridade dos cotistas acabaria de vez com o mundo acadêmico brasileiro. Mas, surpresa: nada disso aconteceu. Um por um, todos os argumentos foram derrotados pela simples constatação da realidade. “Até agora, nenhuma das justificativas das pessoas contrárias às cotas se mostrou verdadeira”, diz Ricardo Vieiralves de Castro, reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). > Leia a reportagem completa

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*** MULHERES (DES)COBERTAS
por Laura Greenhalgh – O Estado de S.Paulo

FeminismoAmina Tyler-02E a briga entre as ativistas do peito aberto e as muçulmanas defensoras dos véus? Que embate… De um lado, as moças do Femen, organização nascida na Ucrânia, de orientação “sextremista”. No cocuruto de uma estátua, em frente a uma mesquita, na Praça São Pedro, em Roma, ou num estúdio de TV, elas tiram a blusa com a velocidade do raio. E mostram os seios, em protesto pela opressão feminina. Do outro lado, alistam-se as seguidoras do Islã tradicional, milhares de adeptas dos jihabs e niqabs, decididas a não baixar a guarda. Juram por tudo que é sagrado, e aqui não se trata de força de expressão, que jamais serão subjugadas por feministas etnocêntricas, degradadas e por aí vai.

Os dois exércitos se engalfinham desde o mês passado, quando uma jovem da Tunísia, Amina Tyler, de 19 anos, postou na internet fotos nua da cintura para cima, com slogans sobre os seios: “my body is my own” (conhecido bordão feminista) ou “f*ck your morals” (empunhando um cigarrinho).  > Leia o artigo na íntegra

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*** UM MUNDO SEM DINHEIRO

Seria possível um mundo sem dinheiro? Isso acabaria com as desigualdades e injustiças sociais? Por que alguém quereria trabalhar se não ganharia por isso? Como alguém conseguiria obter as coisas de que necessita? O que seria feito de bancos e operadoras de cartão de crédito?

A cada dia, por todo o mundo, surgem várias iniciativas que defendem a ideia de que é possível um mundo sem dinheiro. A Carta do Mundo Livre é uma delas. Ela é feita de uma declaração de dez princípios que visa otimizar a vida na Terra para todas as espécies, erradicar a pobreza e ganância, e promover o progresso, e são baseados unicamente na Natureza, senso comum e sobrevivência.

> Conheça a Carta do Mundo Livre

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AsPreciosasDoKelmer201304-1AS PRECIOSAS DO KELMER

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Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

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Comentarios01COMENTÁRIOS

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01- A lista me surpreendeu. Vários q ainda não vi. Obrigada pelas dicas! Shirlene Holanda, São Paulo-SP – abr2013

02- Gostei muito de todos os temas aqui propostos, porém um me chamou muita atenção: “Quantas pessoas Deus já matou?” Deus vem sendo culpado por muita coisa ruim, vem sendo visto como aquele “senhor do exército” que fica no seu trono só dando ordens e fazendo os outros morrerem por ele. As religiões pintam em nossa mente esse deus, cruel, melindroso, irritadinho que se não fizermos o que ele quer, vem e nos dá os piores castigos. Cresci pensando assim e me perguntava onde estava aquele Deus justo e misericordioso que eu sentia em meu coração.
Deus não é esse ser que as religiões pregam, que usam como desculpa para matar uns aos outros, que usam para discriminar e humilhar, que usam para tirar dinheiro de quem pensa que tem fé. Isso aí chama-se interesse político e ganância por poder.
As pessoas ainda não sabem o que ou quem é Deus, eu mesma não sei. Mas sei sim, que há uma inteligência maior e imutável que está em conexão com o mundo inteiro, que nos dá o livre arbítrio para tomar as nossas próprias decisões e que nos tem imenso amor, pois o contrário já teria acabado com tudo isso aqui. O resto é “religião” e eu nem mesmo tenho a certeza de que isso seja coisa de Deus. Renata Kelly, Fortaleza-CE – abr2013

03- Gosto dele (Paulo Leminski). Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – abr2013


As Preciosas do Kelmer – mar2013

28/03/2013

Ricardo Kelmer 2013

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AsPreciosasDoKelmer201303-1.
Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso.

Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

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AsPreciosasDoKelmer201303-1AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
#6, mar2013

Imagem da capa: Chacrinha e suas chacretes. Do tempo em que as mulheres gostavam de ser carnudas. Ô saudade.

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ElaNuaEmNYEricaSimone-21a.

>>> NUA EM NOVA YORK

Fotógrafa francesa Erica Simone clica a si mesma no cotidiano da Big Apple sem nenhuma roupa. > Matéria da revista Trip

Uma mulher nua e de salto alto olhando as vitrines das lojas. O consumismo pelo avesso. O fetiche feminino pelas compras, o fetiche masculino de vê-las nuas. No reflexo da vitrine, a contradição de uma sociedade que paga caro para se vestir mas que gosta mesmo é de tirar a roupa. (RK) > Fotos da exposição no site oficial de Erica Simone

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>>> LIVRANDO A SEMANA (52)

LIVRO052-AdulterioParaIniciantes> ADULTÉRIO PARA INICIANTES (Sarah Duncan) Editora Record

Neste livro a inglesa Sarah Duncan faz uma divertida análise do sonho do matrimônio. Com diálogos afiados e muita ironia, ela acompanha as aventuras extraconjugais de Isabel e mostra as dificuldades de ser esposa e mãe neste início de século. > Adquira este livro na livraria Arte Paubrasil

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ESCAPADINHA REAL (dica de filme)

O AMANTE DA RAINHA (2012): o adultério que ajudou a salvar um país. Longa dinamarquês indicado ao Oscar retrata história real da monarquia no século 18. > Saiba mais

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>>> NO DIA DA MULHER, MUITAS LUAS PARA ELA

RK201111-101bSim, o feminino tem muitas luas, é menina e é mulher, é santa e é prostituta. Às vezes se expressa na mulher carente e vingativa, noutro dia na garota fútil no shopping center, depois na mulher guerreira ou na velha sábia. O feminino não é. O feminino são. (RK)

> Poemas e músicas do feminino kelmérico

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>>> PASTORA GLOBELEZA

Edir Macedo, o gigolô de Cristo, anuncia: tem carne nova na casa. É a ex-globeleza Valéria Valenssa que, após perder o emprego para uma mulata mais jovem e tentar retomar o posto a todo custo, fez o que muitos artistas decadentes fazem: viu na religião um ótimo refúgio mercadológico. Valéria entrou pra Igreja Universal e já faz até pregação. Agora é aguardar o DVD de estreia. Estaremos diante de uma nova profissão, a de pastora globeleza? (RK) > Saiba mais, veja vídeo

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>>> LIVRANDO A SEMANA (53)

LIVRO053-ComAmor,JanisJoplinCOM AMOR, JANIS JOPLIN (Laura Joplin) Editora Madras

Janis Joplin nasceu em 1943, na cidade de Port Arthur, Texas, nos Estados Unidos, e morreu em 1970, aos 27 anos, por overdose de heroína. Com voz marcante, interpretações cheias de vigor e atitude rebelde, fez enorme sucesso como cantora de blues e imortalizou seu nome como um dos maiores expoentes desse gênero musical.

Escrito por sua irmã mais nova, este livro é uma carinhosa mas realista biografia de Janis, mostrando sua infância e adolescência na pequena e interiorana Austin, a mudança para a California, os bastidores das turnês e a vida na estrada entre shows e entrevistas. O livro traz várias cartas trocadas entre as duas irmãs e fotos de família. Mesmo sendo da família, a autora não poupa Janis e aponta seus erros e acertos como ser humano.

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>>> A PRAGA DA DESINFORMAÇÃO

Muita gente (inclusive meus amigos, argh!) tem o péssimo hábito de repassar informações sem ter certeza de sua veracidade. Essas pessoas, mesmo bem intencionadas, estão contribuindo pra aumentar o nível de desinformação geral, que já é grande. Deve haver um lugar no Hades pra esse tipo de gente, tem que haver…

E textos com falsa autoria? Putz, que horror. Sendo escritor, isso me causa calafrios. Mas o que esperar de uma população que não lê livros? O que esperar de pessoas que não sabem diferenciar o estilo literário de Luis Fernando Veríssimo do estilo literário de Luciana Gimenez?

A essas pessoas, e a todos, recomendo o site E-farsas. Referência desde 2002 na pesquisa sobre as farsas que circulam pela internet, é mantido por Gilmar Lopes. Parabéns, Gilmar! (RK)

Acesse: e-farsas.com

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>>> O PASTOR-DEPUTADO RAIVOSO E A DEFESA DA DEMOCRACIA

ReligiaoMarcoFeliciano-1O deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP) é uma das maiores aberrações políticas da história do Brasil. Homofóbico e racista declarado, ele usa de discursos raivosos em suas pregações para atacar não apenas homossexuais mas também adeptos de outras religiões. Apesar dessas notórias contraindicações, ele é o atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara, fato que mostra perfeitamente o quanto nossos parlamentares se preocupam com a ética da casa. Isso causou comoção em diversos setores da sociedade e mereceu críticas até mesmo de grupos evangélicos.

Pela Constituição, o Brasil é um Estado laico. Porém, na verdade, somos um país em processo de laicização pois a religião ainda está erroneamente presente de forma oficial em diversos aspectos da cena institucional, como o atestam crucifixos em gabinetes, ensino religioso em escolas públicas, privilégios da igreja Católica… E o que dizer da referência a Deus nas cédulas? Pensando bem, tem tudo a ver pois religião e dinheiro costumam falar a mesmíssima língua.

Se você defende a democracia, mesmo que você seja religioso, deve posicionar-se contra aberrações como a que representa o pastor-deputado Marco Feliciano na presidência do CDH. E deve também estar sepre atento para defender o Estado laico pois ele é a única garantia democrática que os direitos de todos os credos serão igualmente respeitados, inclusive o não-credo.

O fanatismo religioso, que a aberração Marco Feliciano tão bem representa, é um sério perigo para a democracia. Veja, por exemplo, este vídeo de uma de suas raivosas pregações. Qualquer semelhança com a histeria que tomou conta da Alemanha nazista, e que deu na garnde tragédia que deu, não é mera coincidência. (RK)

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CASA PRÓPRIA DE JESUS TEM PODER

“Realize, em nome de Jesus, o sonho da casa própria. Com apenas R$ 300 por mês você adquire um consórcio que dará uma carta de crédito de R$ 30 mil.” Era com essa frase que o deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP) encerrava, até bem pouco tempo atrás, seu programa de pregações na TV.

A empresa GMF Consórcios, que Marco Feliciano criou em 2007 com mais três pastores, não consta na declaração de bens que ele apresentou à Justiça Eleitoral em 2010, assim como também não consta outra empresa sua, a Cinese – Centro de Inteligência Espiritual, um curso preparatório para concursos.

Além de sonegar imposto de renda, o pastor-deputado raivoso emprega amigos pastores em seu gabinete com salários de até R$ 7 mil. Eles devem ter o dom espiritual da invisibilidade pois ninguém os vê por lá.

Não precisamos de religião – precisamos é de valores morais. Um líder religioso que prega a intolerância sexual e o preconceito racial, sonega impostos e emprega funcionários fantasmas não é o melhor nome para presidir uma Comissão de Direitos Humanos e Minorias. (RK) > Saiba mais

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EVANGÉLICOS MIRAM COMISSÕES QUE TÊM PODER DE BARRAR TEMAS SENSÍVEIS À IGREJA

Para os religiosos fanáticos, os dogmas de sua religião são mais importantes que qualquer outra coisa. Por esse motivo, o Estado deve ser laico, para que nenhuma religião tenha mais privilégios que outra e também para que os temas religiosos não interfiram nas questões do dia a dia da esfera pública. Se você é a favor do Estado laico, ajude a divulgar essas intromissões indevidas da religião no cotidiano dos cidadãos. > Saiba mais

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VEREADORES QUEREM LIVRAR ENTORNO DOS TEMPLOS RELIGIOSOS DE MULTAS DE TRÂNSITO

Mais um exemplo do quanto as religiões se acham no direito de ter privilégios absurdos (mais do que já possuem). Se depender de dois vereadores de Fortaleza, Leonelzinho Alencar (PTdoB) e Elpídio Nogueira (PSB), os fieis das igrejas poderão estacionar livremente seus carros no entorno dos templos nos dias úteis a partir das 19h e nos fins de semana a partir das 17h30. Jesus, sempre generoso, pagaria a multa.

As igrejas já são isentas de vários impostos (imposto de renda, IPTU e IPVA, por exemplo). Como a movimentação financeira das igrejas não é monitorada pela Receita Federal, elas são tranquilamente usadas para lavagem de dinheiro. Atualmente há vários projetos ampliando esses privilégios e esse de Fortaleza é mais um.

Se você é a favor do Estado laico, ajude a divulgar essas intromissões indevidas da religião no cotidiano dos cidadãos e seus privilégios absurdos. > Saiba mais

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LIVRANDO A SEMANA (54)

LIVRO054-ONomeDaRosaO NOME DA ROSA (Umberto Eco) Record

Ficção de estreia de um dos mais respeitados teóricos da semiótica, “O Nome da Rosa” transformou-se em prodígio editorial logo após seu lançamento, em 1980. Tamanho sucesso não parecia provável para um romance cuja trama se desenrola em um mosteiro italiano na última semana de novembro de 1327. Ali, em meio a intensos debates religiosos, o frade franciscano inglês Guilherme de Baskerville e seu jovem auxiliar, Adso, envolvem-se na investigação das insólitas mortes de sete monges, em sete dias e sete noites. Os crimes se irradiam a partir da biblioteca do mosteiro – a maior biblioteca do mundo cristão, cuja riqueza ajuda a explicar o título do romance: “o nome da rosa” era uma expressão usada na Idade Média para denotar o infinito poder das palavras.

Narrado com a astúcia e a graça de quem apreciou (e explicou) como poucos as artes do romance policial, “O Nome da Rosa” encena discussões de grandes temas da filosofia europeia, num contexto que faz desses debates um ingrediente a mais da ficção. O livro de Eco é ainda uma defesa da comédia – a expressão do homem livre, capaz de resistir com ironia ao peso de homens e livros. (vestibular.uol.com.br)

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LIVRANDO A SEMANA (55)

LIVRO055-FactotumFACTOTUM (Charles Bukowksi) L&PM

Em Factótum, segundo romance de Charles Bukowski, publicado em 1975, encontramos mais uma vez Henry Chinaski, alter ego do autor, protagonista de vários dos seus livros e um dos mais célebres anti-heróis da literatura americana. Durante a Segunda Guerra Mundial, o “loser” Henry (que reaparece mais tarde em Misto-quente) é considerado inapto para o serviço militar e não consegue entrar para o exército. Assim, enquanto os Estados Unidos se unem em torno da guerra e os homens alistados são vistos como heróis, Chinaski, sem emprego, sem profissão nem perspectiva, cruza o país, arranjando bicos e trampos, fazendo de tudo um pouco – daí o nome do livro –, na tentativa de subsistir com empregos que não se interponham entre ele e seu grande amor: escrever. Em meio a tragos, perambulações por ruas marginais, tentativas de ser publicado, vivendo da mão para a boca, o autor iniciante Henry Chinaski come o pão que o diabo amassou. Tais trechos, que tratam do escritor em formação, estão entre os mais pungentes e interessantes do livro. Na sua versão do artista quando jovem, Bukowski vê tudo através da lente da desmistificação – desmistifica a imagem do artista romântico e o milagre americano  e faz desse olhar cínico a sua profissão de fé.

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CHARLES BUKOWSKI – Henry Charles Bukowski Jr (nascido Heinrich Karl Bukowski; Andernach, 16.08.1920 – Los Angeles, 09.03.1994) foi um poeta, contista e romancista estadunidense nascido na Alemanha. Sua obra de caráter (incialmente) obsceno e estilo totalmente coloquial, com descrições de trabalhos braçais, porres e relacionamentos baratos, fascinaram gerações que buscavam uma obra com a qual pudessem se identificar. > Saiba mais

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>>> PAPA FRANCISCO LAVA E BEIJA OS PÉS DE JOVENS INFRATORES

Melhor um papa pedólatra que um papa pedófilo. > Saiba mais

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AsPreciosasDoKelmer201302-1AS PRECIOSAS DO KELMER

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O trem não espera quem viaja demais

16/03/2013

16mar2013

Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior

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O TREM NÃO ESPERA QUEM VIAJA DEMAIS

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A maconha proporciona algo incrível: basta uma tragadinha para enxergar, bem à frente, a trilha da liberdade. É como se, de repente, uma trilha nítida surgisse no meio da mata espessa da vida e, ao caminhar por ela, nos libertássemos das limitações das regras sociais, abandonando a percepção padronizada da realidade e observando a vida sob um novo ângulo, bem mais interessante.

É exatamente assim, seduzidos pelo raro vislumbre dessa dimensão interior, que muitos se iniciam no uso da maconha. Porém, passado o efeito, a trilha da liberdade se dissipa feito névoa, ela que era tão nítida, tão próxima. A vida volta ao que era antes, uma mata espessa e difícil de ser vencida. Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior. Percebem que para trilharem, de fato, o caminho da liberdade, terão de livrar-se de tudo que atrapalha essa jornada interna. Terão de detectar pontos fracos e autoenganos. Terão de se comprometer com a transformação interior, autoconhecendo-se, reformulando ideias e atitudes sempre que necessário.

Fascinados com o vislumbre dessa dimensão interior que a planta lhes proporciona, muitos se frustram ao perceber que não é fácil ser livre no mundo externo do dia a dia, cheio de todo tipo de dificuldades. Muitos se cansam de procurar por si só a trilha da liberdade e então retornam à planta. Mas esquecem que ela apenas lhes faz lembrar que podem ser livres. Ela apenas mostra a trilha: cada um é que deve percorrê-la e conquistar, por si mesmo, sua própria liberdade, assumindo a responsabilidade por sua vida no dia a dia.

Sim, claro que não há nada demais em parar um pouco, fumar um baseado, relaxar, divertir-se e curtir a paisagem ao redor. A maconha também tem seu lado lúdico e ninguém é de ferro, né? O problema é o viajante relaxar demais e perder o trem, esquecer que tem de prosseguir, que há novos desafios à frente. Ele desperdiça a preciosa lição que recebeu e termina usando a maconha para fugir da realidade cotidiana, escondendo-se de seus próprios problemas e, dessa forma, criando mais um: a dependência da planta. O que era para libertar acaba virando muleta.

A maconha é isso: uma planta sagrada que pode nos reconectar à trilha interior da liberdade. Mas é bom saber que desrespeitar sua sabedoria natural leva o viajante a se acomodar na paisagem. E nada para atrasar mais uma viagem que perder o trem.

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Ricardo Kelmer 2002 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

 

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LEIA NESTE BLOG

Xamanismo de vida fácil – A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos

Rio Droga de Janeiro – Série de três artigos sobre a questão da proibição das drogas

Minha noite com a JuremaNessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

A Jurema e as portas da percepção (VIP) – Relato detalhado da experiência narrada em Minha Noite com a Jurema. Exclusivo para Leitor Vip. Basta digitar a senha do ano da postagem

A vida na encruzilhada (filme: O Elo Perdido) – Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos

 

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DICA DE LIVRO

BaseadoNissoCapaMiragem-01aBaseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha
Ricardo Kelmer – Contos + glossário

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… O autor reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado.
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DICA DE FILME

Carlos Castaneda – Especial da BBC sobre o polêmico antropólogo que estudou o xamanismo no México, escreveu vários livros e tornou-se um fenômeno do movimento Nova Era

O Elo Perdido (Missing Link, 1988)
Homem-macaco tem sua família dizimada por espécie mais evoluída e vaga sozinho pelo planeta, conhecendo e encantando-se com a Natureza. Ao comer de uma planta, tem estranha experiência que o faz compreender o que aconteceu. Roteiro e direção: Carol Hughes e David Hughes. Com Peter Elliott

 

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As Preciosas do Kelmer – fev2013

18/02/2013

Ricardo Kelmer 2013

AsPreciosasDoKelmer201302-1

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Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso.

Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

> No Facebook

> No Blog do Kelmer

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AsPreciosasDoKelmer201302-1AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
#5, fev2013

Imagem da capa: Manifestação a favor de Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que desafia o Taliban lutando pelo direito das mulheres à educação

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>>> CONGRESSO MAL ASSOMBRADO

A LUTA CONTINUA

A maioria dos senadores ignorou as denúncias que pesam sobre Renan Calheiros e o elegeram para a presidência do Senado. Porém, se for condenado pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documento falso – pelos quais responde na Justiça – ele pode pegar até 23 anos de prisão.

Paralelamente a isso, a população mostra sua insatisafação. Algumas manifestações aconteceram em frente ao Congresso e a petição pública contra ele já reúne 400 mil assinaturas, um número bastante expressivo. Se os senadores não estão nem aí para a ética e a honestidade, a população demonstra estar cada vez mais ciente de seu papel no jogo democrático.

Você ainda não assinou a petição? Assine agora e junte-se aos que lutam por um Brasil menos corrupto. É o seu dinheiro que está em jogo.

> Assine a petição

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A LUTA CONTINUA

– Compra de rádios por meio de “laranjas”
– Tráfico de influência junto à empresa Schincariol na compra de uma fábrica de refrigerantes
– Espionagem de parlamentares da oposição
– Desvio de verbas públicas em ministérios do PMDB
– Notas frias em nome de empresas fantasmas para comprovar rendimentos

Estas são algumas das nobres credenciais de Renan Calheiros para ocupar a presidência do Senado.

> Saiba mais

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PELO IMPEACHMENT DE RENAN CALHEIROS

PoliticaRenanCalheiros-1Nem no Carnaval a indignação popular dá descanso a Renan Calheiros. A nova petição pública que pede seu afastamento da presidência do Senado já conta com mais de 1.200.000, sim, um milhão e duzentos mil assinaturas. E você? Que tal se afastar do bloco da folia por um minuto e juntar-se ao bloco dos indignados que exigem um ficha-limpa na presidência do Senado? > Assine a petição

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>>> LIVRANDO A SEMANA (49)

LOLITA (Vladimir Nabokov) Rocco
(vestibular.uol.com.br)

“Lolita” é uma das obras mais polêmicas da literatura contemporânea universal. Muito arrojado para a moral vigente na época, o romance de Vladimir Nabokov (1899-1977) foi inicialmente recusado por várias editoras. Ao ser finalmente lançado, em 1955, por uma editora parisiense, gerou opiniões antagônicas: houve quem definisse o livro como um dos melhores do ano; houve quem o considerasse pornografia pura. Nos Estados Unidos, onde só viria a ser publicado em 1958, rapidamente conquistou o topo das listas de mais vendidos.

Visto hoje, filtrado pelos anos e por uma verdadeira biblioteca de comentários e críticas, Lolita parece sobretudo uma apaixonada história de amor, escrita com elegante desespero. O protagonista é o obsessivo Humbert, professor de meia-idade. Da cadeia, à espera de um julgamento por homicídio, ele narra, num misto de confissão e memória, a irreprimível e desastrosa atração por Lolita, filha de 12 anos de sua senhoria.

Escrito num estilo inimitável – mas não intraduzível, como bem se verá -, “Lolita” é uma obra-prima da literatura do século 20. Aqui se cruzam alguns dos temas clássicos da arte de todos os tempos (a paixão, a juventude, o amadurecimento) com questões mais típicas da nossa modernidade, como as ambivalências eróticas e o exílio – que é uma questão tanto de geografia quanto da linguagem e do coração.

> Adquira este livro na livraria Arte Paubrasil

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SOBRE VLADIMIR NABOKOV (Wikipedia)

Vladimir Vladimirovich Nabokov (em russo: Влади́мир Влади́мирович Набо́ков; São Petersburgo, 22 de abril de 1899 — Montreux, Suíça, 2 de julho de 1977) foi um escritor russo-americano. Nabokov escreveu seus primeiros nove romances em russo e então chegou à fama internacional como um mestre estilista de prosa em inglês. Também fez contribuições para a entomologia e tinha interesse em problemas de xadrez.

Lolita (1955) é frequentemente citado entre seus romances mais importantes e é o mais conhecido, apresentando o amor por intrincado jogo de palavras e o detalhe descritivo que caracteriza todas as suas obras. O romance foi classificado na quarta posição na lista dos 100 melhores romances da Modern Library. Sua autobiografia intitulada Speak, Memory foi listado na oitava posição na lista dos livros de não-ficção da Library Modern.

Nascido numa família da antiga aristocracia, em 1919, a instabilidade produzida pela revolução bolchevique (1917) obrigou-o a abandonar a União Soviética. Estudou em Cambridge e licenciou-se em literatura russa e francesa. Mudou-se para Berlim, onde iniciou sua produção literária e intenso trabalho como tradutor.

Em 1926, foi publicado seu primeiro romance, Maria, acolhido com interesse e consideração. Fugindo dos exércitos nazistas e após uma estada em Paris, chegou em 1940 aos Estados Unidos, onde se dedicou ao ensino de língua e literatura russa em várias universidades. Embora continuasse a escrever na sua língua materna, começou também a escrever em inglês, publicando o seu primeiro romance nesta língua em 1941 (The Real Life of Sebastian Knight). Publicou, em 1955, o polêmico romance Lolita em inglês.

A partir de 1958, o sucesso alcançado por seus livros permitiu-lhe dedicar-se inteiramente aos seus principais interesses, a literatura e a entomologia.

> Saiba mais

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LOLITA, LOLITA (Ricardo Kelmer)

LolitaLolita-03A cena sempre me extasia, sua língua faceira saltando três vezes… Olho em silêncio enquanto ela lambe o papel, fecha o baseado e acende, segurando na ponta de seus dedinhos finos. Ela puxa a fumaça devagar, os olhinhos fechados, tão linda… E eu amo sua boca enquanto ela solta a fumaça. A boca. Que ela sempre esquece entreaberta, na medida exata, meio dedo, ela faz de propósito, sabe que não resisto. O que essas colegiais andam aprendendo no intervalo do recreio?

> Minha homenagem a Nabokov. Leia o conto.

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>>> TV BANDEIRANTES É CONDENADA POR OFENSAS A ATEUS

O juiz federal Paulo Cezar Neves Júnior, da 5.ª Vara Cível, condenou a TV Bandeirantes a exibir em rede nacional esclarecimentos à população sobre e a liberdade de consciência e de crença, assegurada pela Constituição. O quadro com os esclarecimentos deve ir ao ar no programa Brasil Urgente, apresentado por José Luiz Datena, e ter duração de 50 minutos. > Leia mais

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2o ENCONTRO NACIONAL DOS ATEUS

Apenas uma coisa dois ateus têm necessariamente em comum: o fato de não crerem na existência real de divindades. No mais, ateus podem divergir completamente. Esse algo em comum, porém, já é o suficiente para que ateus procurem se unir de alguma forma pois somente um mínimo de ativismo político é que pode defendê-los dos preconceitos e perseguições do qual são vítimas em nossa sociedade, que é majoritariamente religiosa e, em boa parte, religiosamente fanática e intolerante para com as diferenças.

O Encontro Nacional dos Ateus, em sua 2a edição, acontecerá em várias cidades do país, simultaneamente, no domingo 17fev.

> Saiba mais

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>>> LIVRANDO A SEMANA (50)

ERIC CLAPTON – A AUTOBIOGRAFIA (Eric Clapton) Editora Planeta do Brasil

Eric Clapton é muito mais que um rock star; apresentou-se ao redor do mundo em shows disputadíssimos e é um artista fundamental no desenvolvimento musical de toda uma era. Sua maneira de tocar o fez ser chamado de Deus. Composições como Layla, Sunshine of Your Love, Wonderful Tonight e Tears in Heaven são inesquecíveis para várias gerações de fãs de música. E agora, pela primeira vez, Clapton conta a história de sua viagem profissional e pessoal nesta pungente, inteligente e dolorosamente honesta autobiografia. Aqui, o músico conta a história como ela é, sem esconder nada. Sua objetividade e honestidade fazem deste livro uma das memórias mais arrebatadoras de nosso tempo.

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SOBRE ERIC CLAPTON (Wikipedia)

Eric Patrick Clapton (Ripley, 30.03.1945) é um guitarrista, cantor e compositor britânico. Apelidado de Slowhand, foi considerado o segundo melhor guitarrista da história pela revista norte-americana Rolling Stone. Embora seu estilo musical tenha variado ao longo de sua carreira, Clapton sempre teve suas raízes ligadas ao blues. Clapton foi considerado inovador pelos críticos em várias fases distintas de sua carreira, atingindo sucesso tanto de crítica quanto de público e tendo várias canções listadas entre as mais populares de todos os tempos, tais como “Layla”, “Wonderful Tonight” e a regravação de “I Shot the Sheriff”, de Bob Marley. Em 2004 foi condecorado com o título de Comandante da Ordem do Império Britânico

> Saiba mais

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>>> CRIE UMA IGREJA E FIQUE RICO

ReligiaoDinheiro-01Para criar uma igreja no Brasil você precisa de menos de R$ 500 e em uma semana sua igreja estará regularizada, com CNPJ e conta bancária para realizar aplicações financeiras livres de imposto de renda. Assim, você poderá depositar na conta da igreja o dinheiro oriundo de quisquer outras atividades, legais ou ilegais. E tudo dentro da lei.

É por isso que as igrejas são cada vez mais usadas por bandidos e contraventores, que as fazem de fachadas para seus negócios. E tudo em nome dos deuses.

Para mostrar o absurdo dessa falha em nossa constituição, uma equipe de repórteres da Folha de São Paulo criou a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio. Veja como eles fizeram.

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PELA TRANSPARÊNCIA TRIBUTÁRIA RELIGIOSA

A sociedade organizada começa a se movimentar contra o absurdo privilégio das religiões, que são isentas do pagamento de impostos e, assim, são cada vez mais usadas para a lavagem de dinheiro e para enriquecer seus líderes desonestos.

Esta petição pública, a ser enviada ao Congresso Nacional, foi criada pela ABRAVIPRE – Associação Brasileira de Vítimas de Preconceito Religioso, e está muito bem fundamentada em sua crítica à própria Constituição, que concede privilégios demais às igrejas. É preciso, pois, alterar a Constituição.

> Assine a petição

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>>> JULIAN ASSANGE: É BOM QUE OS GOVERNOS TENHAM MEDO DAS PESSOAS

A Internet está se transformando no maior instrumento de vigilância já criado e a liberdade que ela representa estaria seriamente ameaçada. A avaliação é de Julian Assange, criador do Wikileaks e que, há sete meses, vive na embaixada do Equador em Londres. Para ele, a web redefiniu as relações de poder no mundo, se transformou no “sistema nervoso central hoje das sociedades” e chega a ser mais determinante que armas. O problema, segundo ele, é que esse poder está agora se virando contra as populações. > Leia a entrevista feita pelo jornal O Estado de São Paulo, fev2013

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>>> MULHER É ACUSADA DE TENTAR MATAR O MARIDO COM VENENO NA VAGINA
> Leia a notícia

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A VAGINA VENENOSA (Ricardo Kelmer)

O medo de cavernas é um sentimento arquetípico, que nos acompanha desde os primórdios de nossa história como espécie. Penetrar no desconhecido, arriscar-se nas escuridões, descer nas profundezas do que não sabemos, isso dá medo mesmo – mas também tem algo de fascinante e irresistível. A vagina da mulher também é uma caverna. O que há lá dentro? Que perigos nos aguardam em suas escuridões? E se não conseguirmos nunca mais sair? E se ela, crau, nos morder ou, pior, nos decapitar? A vagina decapitadora. A vagilhotina.

Lembrei agora da vagina com dentes (vagina dentata), uma clássica imagem arquetípica que povoa o imaginário dos homens de todas as épocas. Eu mesmo já sonhei com um bicho desses a morder meu pingolim, o pobre do Jeitoso todo ensanguentado, coitado, acordei apavorado, que horror.

E agora essa vagina com veneno. Putz. Daqui a pouco teremos que entrar vestidos e protegidos como aqueles soldados do esquadrão antibombas. E em duplas. Vai você na frente. Não, vai você que é mais novo. Par ou ímpar? Melhor chamar mais um pra garantir.

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>>> BLUES BRASILEIRO NO FESTIVAL CROSSROADS

ArturMenezes-1Artur Menezes é um dos maiores nomes do blues brasileiro da atualidade. Compondo, cantando e tocando sua guitarra, ele leva o blues pelo Brasil em seus shows, cativando o público com sua técnica aliada à emoção, sua mistura de ritmos (inclusive o baião) e seu jeito especial de inteagir com a plateia. Já vi alguns shows dele e verei mais quantos puder – é muito bom!

Ele é um dos brasileiros cotados para participar do Crossroads, o maior festival de blues do mundo, criado por Eric Clapton, e que este ano acontecerá em Nova York, no Madison Square Garden. Os mais votados pelo público, em todo o mundo, serão avaliados pela organização e convidados a participar do festival.

Você quer Artur Menezes no Crossroads. Vote nele:

– Acesse o link do festival: playcrossroads.com/u/Menezes
– Clique no botão “add your support”, que fica abaixo da lista de votantes
– Digite nome e email, e clique em “support”

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>>> LIVRANDO A SEMANA (51)

MEMÓRIAS DE ADRIANO (Marguerite Yourcenar) Nova Fronteira

Pouco antes de morrer, o imperador Adriano, Pontifex Maximus dos territórios romanos entre 117-138 d.C., decide escrever uma longa carta-testamento ao jovem Marco Aurélio, o futuro imperador-filósofo. Nela Adriano passa em revista os principais episódios de sua extraordinária existência: a relação de afeto com a mulher de Trajano, Plotina; as campanhas militares em diversas regiões da Europa; as viagens à Ásia Menor; a paixão pela caça; as discussões filosóficas com os principais pensadores do seu tempo; as relações com Trajano, seu antecessor; e o casamento com Sabina. No entanto, não são as façanhas públicas e heróicas que constituem o centro vital do relato do velho imperador, mas seu amor pelo belo jovem grego Antínoo, que se matara no auge do esplendor físico. A partir dessa perda, Adriano se interroga sobre o destino, a precariedade da vida e a inevitabilidade da morte, que não poupa senhores nem escravos. “Esforcemo-nos por entrar na morte com os olhos abertos”, escreve o imperador em seus últimos dias, seguindo os preceitos da filosofia estóica que sempre o nortearam.

Lançado em 1951, este romance de Marguerite Yourcenar consumiu quase 30 anos de pesquisas e logo se tornou um clássico da literatura moderna. Poucas vezes uma experiência histórica específica – a biografia de um homem ilustre e o prenúncio da decadência de Roma – foi transformada pela ficção de modo tão vivo quanto nestas “Memórias de Adriano”. (vestibular.uol.com.br)

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>>> PARQUE DO COCÓ VERSUS GANÂNCIA IMOBILIÁRIA

O Parque Ecológico do Rio Cocó é uma área de conservação, de 1.155 hectares, situado na cidade de Fortaleza-CE. Tem esse nome devido ao rio que forma o bioma de mangue, o rio Cocó, que nasce na serra de Pacatuba, munícipio vizinho, corta vários bairros da capital e deságua no mar, no bairro da Praia do Futuro.

É uma região de rara beleza, um oásis natural encravado na área urbana de Fortaleza – mas que está perdendo a guerra contra a ganância imobiliária, que tem poder suficiente para desafiar as leis, subornar quem for preciso e construir prédios residenciais, empreendimentos comerciais e até mesmo shopping centers dentro da área do Parque.

Nos anos 1970-80 vivi minha infância e adolescência nessa área. É lá que meus pais ainda moram, apesar do assédio crescente das construtoras, ávidas por comprar os últimos terrenos resistentes. Elas estão em seu direito, sim, mas é necessário preservar o que resta de Natureza naquela área. Para isso, é necessário que a opinião pública se manifeste a fim de que o poder público se sensibilize e resista às ofertas suntuosas e aos subornos, que são as principais armas da ganância imobiliária. (RK)

> Assine a petição pública pela preservação do Parque do Cocó

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As Preciosas do Kelmer – jan2013

29/01/2013

Ricardo Kelmer 2013

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AsPreciosasDoKelmer201301-1.
Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso.

Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

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AsPreciosasDoKelmer201301-1AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
#4, jan2013

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Imagem da capa: Milo Manara

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*** ESTUPRA MAS NÃO MATA

ESTUPRO LEVA ÍNDIA A EXAME DE CONSCIÊNCIA EM BUSCA DE RESPOSTAS (Por Andrew North, da BBC News em Nova Déli)
O estupro e morte de uma estudante de 23 anos em Nova Déli espalhou uma onda de indignação pela Índia. Mas será que uma visita a uma área da cidade central nessa história oferece alguma pista sobre a direção para a qual se encaminha o país? > Leia mais

GURU DIZ QUE INDIANA QUE SOFREU ESTUPRO COLETIVO FOI “CULPADA”
Um guru espiritual provocou revolta na Índia por um causa de um comentário bizarro: segundo Asaram Bapu, a estudante de 23 anos que sofreu estupro coletivo em um ônibus e depois morreu em um hospital foi tão culpada pelo crime quanto os seus agressores. > Leia mais

CASAMENTO DE SAUDITA DE 90 ANOS COM MENINA DE 15 GERA REVOLTA NO PAÍS
Ele pagou U$ 17 mil pelo dote mas na noite de núpcias a menina trancou-se no quarto e depois fugiu. > Leia mais

ME ESTUPRA, MEU AMOR
Ricardo Kelmer

SexoViolento-1Algumas mulheres têm a fantasia de ser estuprada. Eu, particularmente, conheço várias. Isso é muito interessante e curioso. Numa época em que a cultura machista está em xeque e as mulheres a cada dia avançam mais na conquista dos direitos que o patriarcado sempre lhes negou, falar desse tipo de fantasia é tocar num nervo exposto e arriscar ser mal interpretado. Mas vamos lá.

Um dos perigos que ronda o tema é o fato de que algumas pessoas não conseguem distinguir fantasia de realidade. Fantasiar ser estuprada é uma coisa  querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente. Usar o argumento “as mulheres fantasiam ser estupradas” para justificar estupros é típico de quem não distingue a fantasia da realidade.

Para a mulher, talvez por trás da fantasia de ser estuprada esteja a ideia de ser tão irresistível a ponto do homem não conseguir se controlar e, assim sendo, ser dominada e forçada ao sexo seria a comprovação de seus poderes de sedução. Talvez. Porém, há mulheres que gostam muito de brincar de serem desejadas sexualmente e agem e se vestem com essa deliberada intenção. Até aí tudo bem pois atiçar o tesão alheio, ainda que seja só de brincadeirinha, não é crime. Porém… isso não seria uma brincadeirinha um tanto sádica?

As mulheres, pelo menos em nossa cultura, gostam de brincar de provocar sexualmente, sabemos disso. Desde cedo elas parecem ter boa noção do poder sexual que possuem. Seria um fator cultural ou algo inerente à psique feminina? Talvez um pouco das duas coisas. Se elas sabem do poder sexual que têm, seria justo culpá-las, ainda que em grau menor, por provocar deliberadamente o desejo dos homens? E como poderíamos definir exatamente o que é provocação?

Acho que nem a mulher nem ninguém deve ser culpado por provocar, ainda que deliberadamente, o desejo sexual alheio pois todos devem ser livres para expressar sua sexualidade livremente. Se o homem concorda que a mulher é livre para brincar com seu poder sexual, deve aprender a relaxar com as brincadeiras delas. Se discorda, é um sério candidato a ter problemas com as mulheres e até com a polícia.

Não neguemos à mulher o prazer de sentir-se desejada, e deixemos que continuem com suas brincadeirinhas sádicas de nos provocar – elas são lindas também por isso. E quando elas quiserem, participemos de bom grado de suas fantasias, por estranhas que sejam. O prazer da mulher sempre faz as manhãs mais bonitas.

O ESTUPRO DE MULHERES É PRAZEROSO PRA QUEM?
Lola Aronovich

Em Quando os Adams Saíram de Férias, romance de Mendal W. Johnson sobre um grupo de jovens de 10 a 17 anos que torturam e matam sua babá de 19, o narrador, embora critique a crueldade infantil, acaba culpando a vítima. Um livro como este pode ser considerado misógino apenas pelo material. É quase um manual de instruções de como se torturar alguém. Aliás, alguém assim, sem gênero, não. Uma mulher. As torturas inflingidas a Barbara são basicamente dedicadas a todas as mulheres. > Leia mais

PROCURA-SE HOMEM DAS CAVERNAS ATENCIOSO

Numa edição de 2009 a revista Época publicou matéria sobre o desejo sexual feminino. É comum que essas matérias mantenham-se apenas na superficialidade do tema mas esta traz informações bastante interessantes para quem se interessa pela sexualidade, em especial a da mulher. Recomendooo! (RK)

Trecho da matéria:

O desejo feminino parece depender diretamente da urgência demonstrada pelo homem em copular. Como ocorre com muitos elementos da vasta e contraditória psique humana, há consequências perversas na opção sexual das mulheres pelo prazer do outro. Uma delas é a divergência entre o que o corpo diz e o que a mente ouve, capturada no estudo de Meredith. A outra, perturbadora, é a fantasia do estupro. Os especialistas pisam em ovos ao falar sobre isso, mas o fato é que as mulheres têm fantasias recorrentes de serem submetidas pela força. Por trás disso, encontra-se, aparentemente, a ilusão narcisista (e excitante) de ser tão atraente, tão irresistível, que os homens seriam incapazes de conter sua luxúria. “As fantasias de estupro são muito mais recorrentes do que as pessoas imaginam”, diz o terapeuta Finotelli. Isso quer dizer que essas mulheres gostariam de ser estupradas? Não. Não. E, mais uma vez, não. Trata-se de uma fantasia íntima que dispara desejos sexuais. Ela não esconde a vontade oculta de sofrer a violência sórdida de um estupro. “As mulheres querem ser encostadas no muro, mas não colocadas em perigo”, diz Marta Meana. “Elas querem um homem das cavernas atencioso”. Quem seria capaz de cumprir tal papel? > Leia mais

FETICHES SÓRDIDOS QUE AS MULHERES NÃO TÊM CORAGEM DE PEDIR

SexoElaEles-2Entre as fantasias sexuais femininas, é muito comum a fantasia de ser pega à força. Há outras fantasias comuns mas muitas mulheres não as assumem perante seus parceiros, com medo de serem incompreendidas e rejeitadas. No site papodehomem.com.br há um texto, escrito por uma mulher, bastante interessante. Destaquei este trecho (RK):

“Não foi surpresa nenhuma a enxurrada de “estupro consentido!” que recebi como resposta. Pois é, meus amigos… O fetiche que encabeça essa lista é justamente o mais “errado” moralmente. Estupro é crime. Fato. Você nunca deve comer uma menina que apagou de tão bêbada (aliás, isso nem graça tem). Você não deve desrespeitar uma mulher que não queira transar com você, por qualquer motivo que seja.

“Tudo posto em seu lugar, uma das melhores coisas do mundo é ser comida com força. Com urros bestiais que ecoam pelo quarto, gemidos que viram gritos de prazer, puxões no cabelo, uma foda animalesca que faz todos os seus instintos mais viscerais se espalharem do útero para o resto do corpo.” > Leia mais

FALSA DENÚNCIA DE ESTUPRO TAMBÉM É CRIME

Estupro é uma violência inadimissível. Porém, falsas denúncias de estupro também são um crime de violência inadimissível. E elas acontecem. A mulher quer se vingar do amante, a mãe quer impedir as visitas do pai e inventa que ele abusou da filha, a garota tem medo dos pais descobrirem que ela não é mais virgem e inventa que foi estuprada… Em alguns casos o acusado consegue provar sua inocência mas há casos mais complicados. Se um casal faz um sexo muito selvagem, daqueles que deixa marcas no corpo, e no outro dia, por algum motivo, ela o denuncia como estuprador, as marcas no corpo servirão para comprovar sua denúncia e dificilmente o homem conseguirá provar inocência.

O fato de existirem as falsas denúncias não justifica a violência dos homens nem livra a culpa dos verdadeiros estupradores, claro, mas esse tipo de atitude acaba sendo prejudicial para as próprias mulheres na luta contra a cultura machista.

GAROTA É PRESA APÓS FAZER DENÚNCIA FALSA DE ESTUPRO CONTRA AMANTE. > Leia aqui

MULHER FAZ DENÚNCIA FALSA DE ESTUPRO A ACABA CONDENADA A DOIS ANOS DE PRISÃO EM SC > Leia aqui

MULHER É CONDENADA APÓS FALSA ACUSAÇÃO DE ESTUPRO > Leia aqui

COM MEDO DA MÃE, JOVEM TENTA REGISTRAR FALSA DENÚNCIA DE ESTUPRO > Leia aqui

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*** LIVRANDO A SEMANA (45)

SIDARTA (Herman Hesse) Editora Record

As histórias de Sidarta e de Buda se confundem. Nascido na Índia, no século 6º a.C., filho da aristocracia religiosa dos brâmanes, Sidarta passa a infância e a juventude isolado das misérias do mundo, gozando a existência calma e contemplativa que sua condição de casta lhe permitia. A certa altura, porém, abdica da vida luxuosa, protegida, e parte em peregrinação pelo país, onde a pobreza e o sofrimento eram regra.

Em sua longa parábola existencial, Sidarta experimenta de tudo, usufruindo tanto as maravilhas do sexo e da carne quanto a ascese e o jejum absolutos. Entre os intensos prazeres e as privações extremas, termina por descobrir “o caminho do meio”, libertando-se dos apelos dos sentidos e encontrando a senda da iluminação interior.

Este romance do alemão Hermann Hesse tornou-se livro de cabeceira de várias gerações, principalmente durante os anos 1960 e 1970, quando os beatniks e mais tarde os hippies o elegeram como libelo contra o American way of life, que ia tomando conta do Ocidente. A própria busca de Hesse pelas filosofias orientais já expressava essa recusa por uma cultura recém-saída do massacre da Primeira Guerra Mundial – e prestes a enfrentar outra carnificina ainda pior. (Sinopse: vestibular.uol.com.br)

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SOBRE HERMAN HESSE (Wikipedia)

Hermann Hesse (Calw, 2 de julho de 1877 – Montagnola, 9 de agosto de 1962) foi um escritor alemão, que em 1923 naturalizou-se suíço. Nascido no seio de uma família muito religiosa, filho de pais missionários protestantes (pietistas, como é típico da Suábia) que tinham pregado o cristianismo na Índia. Estudou no seminário de Maulbronn, mas não seguiu a carreira de pastor como era da vontade de seus pais. Tendo recusado a religião, ainda adolescente, rompeu com a família e emigrou para a Suíça em 1912, trabalhando como livreiro e operário. Acumula então sólida cultura autodidata e resolve dedicar-se à literatura. Travou contato com a espiritualidade oriental a partir de uma viagem à Índia em 1911 e com a psicanálise por meio de um discípulo de Carl Gustav Jung, em decorrência de uma crise emocional causada pela eclosão da Primeira Guerra Mundial. Estas duas influências seriam decisivas no posterior desenvolvimento da obra de Hesse.

Procurou construir sua própria filosofia, a partir de sua revolta pessoal (Peter Camenzind, 1904) e de sua interpretação pessoal das correntes filosóficas do Oriente (Sidarta), e em especial em O Lobo da Estepe (1927), que é também uma crítica contra o militarismo e o revanchismo vigente na sua terra natal depois da Primeira Guerra Mundial. Esta postura corajosa o fez bastante popular na Alemanha do pós-guerra, depois da desnazificação. Em 1946 recebeu o Prêmio Goethe e, passados alguns meses, o Nobel de Literatura.

> Saiba mais

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*** LIVRANDO A SEMANA (46)

LIVRO541-EnterremMeuCoracaoNaCurvaDeUmRioENTERREM MEU CORAÇÃO NA CURVA DE UM RIO (Dee Brown) L&PM

Este livro é o eloqüente e meticuloso relato da destruição sistemática dos índios da América do Norte. Lançando mão de várias fontes, como registros oficiais, autobiografias, depoimentos e descrições de primeira-mão, Dee Brown faz grandes chefes e guerreiros das tribos Dakota, Ute, Sioux, Cheyenne e outras contar com suas próprias palavras sobre as batalhas contra os brancos, os massacres e rompimentos de acordos, etc. Enfim, todo o processo que, na segunda metade do século XIX, terminou por desmoralizá-los, derrotá-los e praticamente extingui-los.

Publicado originalmente nos Estados Unidos em 1970, sob o título de “Bury my heart at Wounded Knee”, o livro de Dee Brown um dos maiores especialistas em história norte-americana da atualidade tornou-se rapidamente um divisor de águas da maneira de se pensar a conquista do Velho Oeste. Propondo uma visão totalmente diferente dos heróicos e falaciosos filmes de faroeste, este livro encontrou eco na consciência norte-americana de então, incomodada pela guerra do Vietnã e pelas disputas raciais. De lá para cá, foi traduzido para dezessete línguas e vendeu quatro milhões de cópias, tornando-se o livro número 1 sobre a conquista do Velho Oeste e a história do extermínio dos pele-vermelha. Uma obra que merece ser relida sob as conjunturas atuais, por lembrar sobre o alto custo e os baixos escrúpulos envolvidos nos chamados processos civilizatórios que forjaram o dito mundo desenvolvido de hoje.

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*** JANIS BLUES JOPLIN

O ADEUS A JANIS JOPLIN (Revista Rolling Stone)

Conheça a vida e as circunstâncias da trágica morte da cantora, que completaria 70 anos neste sábado, 19

Já eram 18h e Janis Joplin ainda não havia aparecido no Sunset Sound Studios. Paul Rothschild, o produtor da cantora, teve uma sensação estranha e mandou John Cooke, um dos roadies da Full Tilt Boogie Band, até o Landmark Motor Hotel para ver por que ela não estava atendendo ao telefone. “Eu nunca tinha me preocupado com ela antes, apesar de seus atrasos. Normalmente era porque parava para comprar uma calça ou fazer alguma outra coisa de mulher”, disse Rothschild. Mas o dia 4 de outubro era um domingo e havia poucos lugares abertos, mesmo em Hollywood. O Landmark é uma construção grande de estuque na Franklin Avenue. Fica perto dos estúdios de gravação no Sunset Boulevard e é próximo aos escritórios das gravadoras e das editoras de música. Um ambiente bem tolerante a algazarras. Era o tipo de lugar de que Janis gostava. > Leia mais

JANIS NO FESTIVAL EXPRESS
Em 1970, pouco antes de morrer, Janis participou do Festival Express, uma turnê de vários artistas que cruzou o Canadá e que depois virou filme (Festival Express). É maravilhoso ver Janis no auge de sua forma, bebendo uns uísques, fumando uns baseados e se divertindo horrores. Este vídeo é um trecho do filme. Nele, Janis rasga as veias do blues cantando Cry Baby. Quando vi a primeira vez, no cinema, chorei que nem um bezerro desmamado. E sempre choro quando revejo. Obrigado por tudo, Janis. (RK)

> Veja um trecho do vídeo, onde Janis canta Cry Baby (Toronto, 28.06.70)

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JOSS STONE HOMENAGEIA JANIS

Em 2005, aos 18 anos, Joss Stone participou de um show-tributo a Janis Joplin. Aqui você confere o número que ela fez com Melissa Etheridge, interpretando Peace of my Heart e Cry baby. Uma bela e emocionante homenagem. > Veja o vídeo

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LIVRANDO A SEMANA (47)

UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES (Clarice Lispector) Editora Rocco
Loreley (ou Lóri) é uma moça rica de Campos que vai morar no Rio para ter um pouco de liberdade. Ela conhece Ulisses, professor de Filosofia, que começa a conduzi-la na aprendizagem do prazer. As duas personagens de Clarice trazem as características de seus modelos originais (ela, uma figura do folclore alemão; ele, o herói da epopéia grega) e envolvem o leitor numa trama que se torna ainda mais apaixonante por ser uma aventura no mundo da linguagem, sem começo nem fim. Como em todos os livros de Clarice, trata-se de um ponto de vista feminino a respeito da vida. Uma aprendizagem… conta, acima de tudo, a viagem empreendida por Lóri em busca de si própria e do prazer sem culpa. > Adquira este livro na Livraria Arte Paubrasil

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RENAN CALHEIROS NÃO!

Renan Calheiros, assim como José Sarney, é a cara do Brasil das velhas oligarquias políticas, dos coronéis donos de cidades e estados inteiros, que mandam e desmandam, que beneficiam a família e os amigos por baixo dos panos e às vezes às vistas de todos.

Pois bem. Renan Calheiros, sobre quem pesam graves denúncias, trabalha nos bastidores para ser eleito no dia 1º de fevereiro para mais um mandato de dois anos na presidência do Senado. Até agora, o único adversário de Renan é o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) – mas a oposição e o grupo de “independentes” articula a candidatura de Pedro Taques (PDT-MT) ou outro peemedebista num contraponto a Renan.

Esses canalhas são muito fortes, é verdade. Mas nós temos a força da mobilização popular, a mesma força que criou a Lei da Ficha Limpa. Podemos impedir esse retrocesso. Assine a petição contra a volta de Renan Calheiros à presidência do Senado.

> Assine a petição

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LIVRANDO A SEMANA (48)

A MACONHA (Fernando Gabeira) Publifolha

De forma sintética e dinâmica, Fernando Gabeira explica no livro o que é a maconha, quais são os prós e contras de seu uso e procura entender os motivos pelos quais se ataca ou se defende a droga. Em linhas gerais, o livro responde às perguntas mais frequentes recolhidas por Gabeira nos debates que participou em torno da elaboração da política nacional de drogas. “As pessoas querem saber, por exemplo, se a maconha é uma escada para outras drogas, se provoca dependência física e psíquica, se causa perda de neurônios e da memória, e se tem poder medicinal”, diz Gabeira.

Pessoalmente, Gabeira defendeu durante anos a legalização da maconha e seu uso industrial mais amplo possível. “São 350 subprodutos derivados da canabis”, diz. A atual política nacional de drogas não separa a maconha de outras drogas. Pela lei, o usuário não é preso, mas arca com penas alternativas e multas. Fernando Gabeira discute também o papel social que a planta desempenhou na escravidão e seu uso em rituais religiosos na selva amazônica.

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AMAZON ABRE QUIOSQUES DE TIJOLO NO BRASIL

Iniciativa inédita no mundo mostra que a Amazon pode ter estratégias diferenciadas para o país. > Leia a notícia

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QUEREMOS MULHER EDUCADA

MalalaYousafzai-1A jovem ativista paquistanesa Malala Yousafzai, de 15 anos, foi baleada na cabeça em outubro de 2012 por um militante do Taleban, que a vê como inimiga por lutar pelo direito das mulheres à educação.

Ela passará nos próximos dias por duas cirurgias para reconstrução do crânio, em um dos passos da recuperação de sua saúde. David Rosser, diretor médico do hospital Rainha Elizabeth, de Brimingham, na Inglaterra, disse que a recuperação da jovem é “extraordinária e um testemunho de sua força e desejo de melhorar”.

Essa menina merece ter sua saúde de volta. E merece também o Nobel da Paz. > Leia mais

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Paz e amor express

06/12/2012

06dez2012

Durante cinco dias, o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor

PazEAmorExpress-1

PAZ E AMOR EXPRESS

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Em 1970, uns produtores malucos tiveram uma ideia maluca: alugar um trem, botar dentro um povo bem maluco e percorrer o Canadá fazendo shows de rock e blues. Que ideia abençoadamente louca! Durante cinco dias, o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor. Os passageiros? Anote aí: Janis Joplin, Greateful Dead, Buddy Guy, The Band, Sha Na Na, Flying Burrito Brothers e outros, tudo gente boa. A viagem está registrada num filme, Festival Express (direção de Bob Smeaton), que após trinta anos de pendengas judiciais, finalmente foi liberado para exibição.

Escolho a sessão da meia-noite do domingo. Um horário maluco para um filme maluco, podiscrê. Masco meu chiclete alucinógeno, entro no clima e me mando para o Espaço Unibanco. A fila para entrar é enorme, atrás de mim uma camiseta Janis Joplin Forever, na frente uma do Raulzito, todo mundo empolgado, ninguém quer perder o trem. A sala fica lotada, gente sentada no chão. As luzes se apagam, a viagem vai começar…

Se Woodstock foi um presente para o público, o Festival Express foi um presente para todos aqueles músicos. Os produtores lhes proporcionaram uma viagem inesquecível pelas paisagens canadenses, a raríssima oportunidade de estarem todos juntos num trem, muita música, a filosofia de paz e amor, algo que jamais aconteceria de novo. E eles aproveitam até a última ponta aquela louca festa sobre trilhos. O vagão-bar é o mais concorrido: um chega com a guitarra, outro traz a percussão, um beque em lá maior e a festa vira a noite, sem hora para acabar, como todas as festas deviam ser.

Sabe as rodinhas que a gente faz com os amigos, birita e violão, as músicas preferidas, falar besteira, celebrar a amizade, brindar à vida? Pois imagine a rodinha com aqueles malucos geniais, tudo chapado, se abraçando, improvisando letras absurdas em músicas sem pé nem cabeça, o uísque rolando solto, a fumaça no meio do mundo, Jerry Garcia no violão, Janis morrendo de rir… Como eram as músicas? Ah, bem profundas, coisas do tipo Tudo foi queimado até o talo… e o horizonte se abriu… uou-uou-uuu…

No meio da viagem acaba a birita. Os aloprados simplesmente beberam todo o bar do trem, bando de esponja. E agora? Roquenrôu is ríar tuistêi, mas sem encher a lata não dá, né? Paraí, motorista, vamos resolver esse problema! Então os malucos entram na primeira loja e compram todo o estoque de bebida, saem levando caixas e caixas, rindo como crianças fazendo danação. Agora sim, singue dâ blus, mêm!

A viagem está tão viajante que os músicos esquecem que têm de fazer shows, ih, é mesmo, o show… O trem para em Toronto, desce todo mundo, vamos trabalhar. A multidão fora do estádio é tamanha que o show é transferido para a praça. Quando Janis surge na telona do cinema corre um frisson pela plateia, exclamações, gritinhos. Eu me ajeito na poltrona, sei que lá vem paulada. A bluseira texana manda ver Cry Baby, aquela fossa doída que só ela sabia cantar, honey, i know she told you that she loved you much more than i did… Estou paralisado, nem pisco, but all i know is that she left you… São sete minutos antológicos, Janis berrando, miando, se descabelando, Janis rasgando a alma com o punhal de seu blues, o sangue respingando tela afora, i’ll always be around if you ever want me… Olho para trás e vejo duzentos pares de olhos arregalados, todos em transe. Esse é um de seus últimos shows, em breve ela partirá, so come on, come on and cry, baby… Estou todo arrepiado e não contenho as lágrimas. Quando Janis termina, o cinema inteiro explode em gritos emocionados como num show ao vivo, as pessoas se levantam para aplaudir, coisa de louco.

O filme também mostra um solo inenarrável de Buddy Guy, performances conjuntas das bandas e depoimentos dos artistas e produtores, além das belas imagens do público, aquela gente bacana e suas roupas coloridas, às vezes sem roupa mesmo, tudo na paz, ainda botando fé que as flores venceriam os canhões. Mas infelizmente a viagem dos anos 60 já estava no fim. Os Beatles pediram o divórcio e Janis, Jimmy e Jim saltaram do trem, não viveriam para ver em que se transformaria o mundo que eles um dia sonharam, esperançosos, que podia ser melhor. O trem dos sonhos parou, foi recolhido na garagem da história e fecharam o portão. Ficaram as músicas, as imagens. E a guimba de uma esperança, pequenininha, quase nada, mas que insiste em não apagar. 

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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Esta crônica inegra o livro Blues da Vida Crônica

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FILMEFestivalExpress-03FESTIVAL EXPRESS
Reino Unido/Canadá 2003
Dir.: Bob Smeaton
Com Janis Joplin, Greateful Dead, Buddy Guy, The Band, Sha Na Na e outros

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Janis em Cry Baby (Festival Express, Toronto, 1970)

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Trecho do filme Festival Express
Festinha num dos vagões do trem. Pense numa chapação grande…

 

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RK201401EitaPazEAmorExpress-03Performance da crônica Paz e Amor Express (Eita Sarau, jan2014, São Paulo)

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As Preciosas do Kelmer – out2012

26/10/2012

Ricardo Kelmer 2012

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Dicas e pitacos para o mês – Edição 1, out2012

LEILÃO DE VIRGINDADE – Quanto vale ser o primeiro homem de uma garota do interior?

PASSA O BRAU, TED – Você daria pro seu filho um ursinho de pelúcia maconheiro?

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LEILÃO DE VIRGINDADE
Quanto vale ser o primeiro homem de uma garota do interior?

Catarina Miglorini tem 20 anos e decidiu leiloar sua virgindade. Sua experiência está sendo registrada por um cineasta e vai virar documentário. Se você tem interesse, poderá dar seu lance até 15out e a grande noite será em 25out, num avião em pleno voo. Relaxe: a transa não será filmada.

Cavalheirismo, orgasmos múltiplos e leilão de virgindade – vantagens que só a mulher tem.

> Catarinense leiloa virgindade e lances já chegam a mais de US$ 150 mil (g1.globo.com)

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CATARINA MIGLORINI FALA SOBRE O LEILÃO

“Sempre fui uma menina muito, muito romântica. Quando souberam, minhas amigas não acreditaram. O que eu posso te dizer agora é que o leilão, para mim, é um negócio. Mas não deixei de ser romântica de forma alguma. Acredito com todas as forças no amor. Nunca tive namorado. O meu primeiro beijo foi aos 17. Enquanto muitas meninas da minha idade tinham feito muitas coisas, não sabia o que era sexo. Hoje sei, tem os meios de comunicação, né?”

Taí uma menina de futuro, que sabe que sexo e amor são coisas bem diferentes.

> Catarinense de 20 anos leiloa virgindade pela internet – folha.uol.com.br

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QUEREMOS PERERECA

Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Leilão encerrado. Quem levou a virgindade da brasileira Catarina Miglorini (que na verdade se chama Ingrid) foi um japonês de 53 anos. Seu lance foi de U$ 780 mil, aproximadamente R$ 1,6 milhão. Uau. É muita grana por uma perereca à cabidela. Admito que pensei em participar do leilão. Minha oferta seria um caldo de cana e dois pastel na feirinha da Benedito Calixto. Não que a perereca da moça não valha muito – o caldo e o pastel da feirinha é que são muito bons, eu garanto. Diante da oferta do japa, tenho quase certeza que eu não teria chance.

Desculpa mas tô cheio de dúvida. Será que esse japa tem pau pequeno? Será que Catarina vai ficar contando 780 mil carneirinhos pra ajudar a passar o tempo? Pelo contrato, ela tem que rebolar ou vai ser no estilo “mortinha”?

Agora falando sério. O leilão da virgindade do rapaz russo também foi encerrada. O maior lance foi de U$ 3 mil, e ainda foi dado por um homem. Pô, dona Orestina, que desmoralização! Nós homens estamos mesmo muito desvalorizados. Até nisso as mulheres têm vantagem, como se já não bastasse o orgasmo múltiplo. E mais: elas podem reconstruir o hímen e assim vender a virgindade várias vezes, enquanto nós só temos uma virgindade, umazinha só. E muitos de nós ainda precisamos pagar pra tirá-la, que injustiça. Ser homem não é mole.

Tô revoltado. A evolução natural bem que podia ter nos dado também uma perereca. Bastava uma pererequinha discreta, escondidinha ali pelo períneo. Talvez eu não conseguisse U$ 780 mil por ela mas certamente já ajudaria a pagar o pastel e o caldo de cana na feirinha.

> Catarina terá sua 1ª vez na Austrália com japonês de 53 anos – terra.com.br

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A VOZ DO BAIXO
Gravação do CD de Vanessa Moreno e Felipe Maróstica começa na internet

Quem conhece Vanessa Moreno do espetáculo Viniciarte, já sabe da maravilhosa cantora que ela é. Pois bem, ela tá gravando um disco de duo de baixo e voz  de com seu parceiro Filipe Maróstica. E você pode participar do projeto. Saiba como:

> Colabore com Vanessa Moreno e Filipe Maróstica

VANESSA MORENO: Neste projeto, as pessoas podem colaborar a partir de R$5,00. É só clicar no link e entrar em “Quero Financiar Este Projeto”. Terão músicas autorais, de compositores amigos e da cena independente. Também, várias participações especiais pra rechear esse trabalho que será feito com muito carinho! Participem dessa troca com a gente. Vc escolhe o valor e a recompensa e nos ajuda a gravar o CD!

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NO MEU CORPO MANDO EU
Uruguai reconhece o direito básico da mulher ao aborto

Por 50 votos a favor e 49 contra, a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou, na semana passada, um projeto de lei que descriminaliza o aborto até a 12ª semana de gestação,14ª em caso de estupro e prazo indeterminado em caso de risco para a saúde da mãe. O texto aprovado muda a proposta que já havia sido aprovada pelo Senado. Agora o projeto volta ao Senado, onde não deve ter problemas para sua aprovação final, já que o partido governista da Frente Ampla tem maioria absoluta. Se o projeto for ratificado, o Uruguai será o primeiro país da América do Sul a descriminalizar o aborto.

Que ótima notícia. Aos poucos as democracias da América Latina vão se livrando das amarras religiosas que tanto mal fazem às mulheres.

E NO BRASIL?

No Brasil, hoje é permitido interromper a gestação em caso de estupro ou de risco de morte da mulher, além de gravidez em caso de fetos anencéfalos (sem cérebro). Este último caso foi liberado pelo Supremo Tribunal Federal em abril deste ano. Por 8 votos a 2, os ministros consideraram que a mulher que interrompe a gravidez de um feto anencéfalo e o médico que faz o procedimento não cometem crime. A maioria dos membros do STF entendeu que um feto com anencefalia é natimorto e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos não é comparada ao aborto, considerado crime pelo Código Penal.

> Câmara aprova projeto que descriminaliza o aborto no Uruguai – estadao.com.br

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PASSA O BRAU, TED
Você daria pro seu filho um ursinho de pelúcia maconheiro?

John tem um amigo muito especial: seu ursinho de pelúcia, que ganhou vida quando ele era criança. Mas Ted é um ursinho de pelúcia diferente: faz sexo, toma drogas e está ficando muito mal-humorado. John agora precisa decidir entre manter a amizade de infância ou o namoro com Lori.

TED (EUA/2012)
Direção: Seth MacFarlane
Com Mark Wahlberg e Mila Kunis
Recomendação: 16 anos
Veja o treiler (legendado)

> SAIBA MAIS resenhafilme.blogspot.com

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O URSINHO E O DEPUTADO SEM-NOÇÃO

Quem é mais doidão? Um ursinho de pelúcia que fuma maconha ou um deputado que leva seu filho de 11 anos pra ver um filme desaconselhável pra menores de 16 anos? Pois foi isso que fez o deputado federal Protógenes Queiroz. E fez mais: bradou na imprensa e tentou proibir a exibição do filme em todo o país por, segundo ele, fazer apologia ao uso de drogas. Depois, mais relaxadim, tentou que fosse mudada a classificação do filme pra 18 anos. Pro bem da democracia e da liberdade de expressão, nada conseguiu.

Com sua lambança o deputado Retrógenes, ops, Protógenes, fez aumentar o público do filme e ainda atiçou os ativistas que lutam pelo sagrado direito à livre expressão. E, de quebra, inspirou a turma a criar a AUPM – Amigos dos Ursinhos de Pelúcia Maconheiros. Eu já me filiei, claro.

> Ursinho Ted, Protógenes e a pouca tolerância do públicocineclick.com.br

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POLIGAMIA E MONOTONIA
Regina Navarro Lins fala sobre relacionamentos, sexo e amor

Regina Navarro Lins é psicanalista e sexóloga, tem vários livros publicados, escreve em jornais e revistas e faz palestras sobre sexo e relacionamentos. Trabalha em seu consultório particular em terapia individual e de casais. Suas opiniões são polêmicas e a marcam como uma militante da liberdade sexual e amorosa. Para Regina, as pessoas precisam urgentemente entender que amor e sexo são coisas diferentes. Veja algumas opiniões dela:

“As pessoas não percebem que são infelizes porque seguem padrões que não levam a nada, como acreditar que em um casamento é possível a exclusividade. Quem disse que não é possível amar mais de uma pessoa? É sim!”

Regina é contra o cavalheirismo. “Por que um homem tem que pagar a sua conta ou tirar uma cadeira para você sentar? É porque a mulher é um ser frágil e incapaz até de puxar uma cadeira?”

“Essa coisa de masculino e feminino são estereótipos para aprisionar as pessoas. As mulheres têm que ser sensíveis e frágeis. E os homens, corajosos e bravos. Imagina! Isso é tudo criação. Todos nós somos fortes e fracos, ativos e passivos, depende do momento.”

Entrevista na revista TPM  (set2012)

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O LIVRO DO AMOR
Regina Navarro Lins

SINOPSE – Quanto a experiência amorosa ocidental se modificou e se repetiu ao longo dos últimos milênios? A psicanalista Regina Navarro Lins dedicou-se a pesquisas, cruzamentos entre o passado e o presente e reflexões sobre o tema para dar conta de questão tão fundamental à compreensão do amor na contemporaneidade. Da Pré-História ao século 21, as vivências do amor e do sexo têm sido moldadas culturalmente. Sujeitos a paradigmas morais, dogmas religiosos, interesses políticos, econômicos e sociais, homens e mulheres desempenham papéis em constante mutação. O advento da pílula, os movimentos feminista e gay e a revolução tecnológica abrem caminho para uma nova vivência amorosa. Do amor ideal ao sexo virtual, barreiras e modelos são derrubados numa história ainda em construção. Dividido em dois volumes – o primeiro da Pré-História à Renascença e o segundo do Iluminismo até a atualidade –, esse trabalho nos coloca diante do espelho da História e lança um olhar corajoso sobre os relacionamentos nos nossos dias

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SAGRADO DIREITO DE BLASFEMAR
O direito à livre expressão e os privilégios da religião

A liberdade de expressão é uma conquista democrática, uma das maiores riquezas culturais das sociedades mais evoluídas. Ela garante seu direito de dizer o que pensa. Porém, se
O direito à livre expressão e os privilégios da religião o que você diz infringe alguma lei (incitação à violência, racismo, homofobia etc), você pode ser processado. O equilíbrio entre a livre expressão e a convivência entre os diferentes é um ponto nevrálgico nessa questão. Até onde garantir a livre expressão? Fazer piada com ícones culturais e símbolos religiosos deve ser um direito ou deve ser proibido?

A blasfêmia é um insulto a algo considerado sagrado. Mas… isso é totalmente relativo pois o que é sagrado pra alguém não o é necessariamente pra outros. E até onde iria a classificação de blasfêmia? E quem julgaria isso? Se a blasfêmia fosse proibida por lei, você poderia ser preso por fazer piada com discos voadores pois há seitas religiosas que consideram sagrados os extraterrestres, e todas as religiões também teriam que ser proibidas pois todas blasfemam umas contra as outras com seus dogmas conflitantes.

Se você não gosta de estudar, torça pra que a blasfêmia não vire crime, caso contrário você terá obrigatoriamente que ser especialista em todas as milhares de seitas e religiões do mundo (e todo dia surge uma nova) pra não correr o risco de insultar seus crentes. Se não estudar bem cada uma delas, você poderá ser processado porque desenhou a figura de um profeta, usou um símbolo não permitido ou batizou seu filho com um nome blasfemo. Isso sim será o inferno.

MAIS TEXTOS SOBRE O TEMA

> Feliz Dia da Blasfêmia (Carlos Orsi)
> Blasfemar é um direito (blog O Lado Oculto da Lua)
> Pelo direito de blasfemar (Marcos Raposo)
> Quem vai definir quais são os limites? (Carlos Eduardo Lins da Silva)

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FALE MAIS SOBRE ISSO
Série Sessão de Terapia estreia no GNT

O canal GNT está exibindo a série Sessão de Terapia (segunda a sexta, 22h30). Com direção de Selton Mello, a série reproduz as sessões de atendimento de um psicanalista. São 45 capítulos, exibidos de segunda a sexta. Às segundas ele atende uma enfermeira, às terças atende um atirador de elite, às quartas uma jovem ginasta e às quintas um casal em crise. Às sextas ele é atendido por sua própria psicanalista e supervisora.

Sessão de Terapia é a versão brasileira da série israelense Be Tipul, criada por Hagai Levi e que tornou-se sucesso em Israel. Várias versões foram feitas em outros países, inclusive nos Estados Unidos, que se chamou In Treatment.

ATORES: Zécarlos Machado, Maria Fernanda Cândido, Sérgio Guizé, Bianca Müller, Mariana Lima e André Frateschi, Selma Egrei.

É bom ver a psicoterapia na TV, ainda que seja a psicanálise, uma forma de terapia, ao meu ver, bastante limitante por privilegiar uma interpretação racionalista da realidade. Selma Egrei talvez concorde comigo: ela, que interpreta a supervisora do psicanalista, aceitou fazer o papel mesmo sem concordar com os princípios terapêuticos da psicanálise.

Tomara que a série motive muita gente a buscar o autoconhecimento psicológico. Ao contrário do que a maioria pensa, principalmente os religiosos, a verdadeira salvação vem de dentro.

> Saiba mais

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O dia em que morri no Rock in Rio

18/09/2011

18set2011

O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

O DIA EM QUE MORRI NO ROCK IN RIO

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Janeiro de 1985. Cidade do Rio de Janeiro. Missão Rock in Rio 1. Plano: burlar a segurança e entrar com uma garrafa de Tonel 21, cachaça da boa. Ok, plano bem sucedido. Agora eu e meu amigo Paulo podemos relaxar um pouco: um gole na bicha, um olho no palco, outro nas garotas. Cem mil pessoas em celebração. Outro gole. É um sonho pra mim. Vinte anos, estudante de comunicação, cabelão no ombro e oclinhos redondos à John Lennon. Todo pronto pra ver Rod Stewart, o ex-coveiro da voz rouca. Mais um gole. Putz, a vida é mesmo um filme emocionante!

Paralamas, Moraes Moreira, Rita Lee – no palco, o time doméstico dava seu recado. No gramado, eu e Paulo vivíamos intensamente o primeiro ano do resto de nossas vidas. E tentávamos prosseguir no plano: conseguir um baseado. Dizem que é pecado, mas não perderíamos a chance de começar a pecar em pleno Rock in Rio. Conseguimos um enorme e, aventureiros inexperientes, mandamos tudo de uma vez. Logo a mente e o corpo adentravam outro nível de realidade e tudo ficou diferente. Mas havia algo estranho, todos olhavam pra mim com aquelas máscaras das crianças em The Wall. Cem mil olhares inquisidores me perseguindo onde quer que eu fosse, inútil se esconder. Como todos podiam saber que eu estava doidão? Um real e amargo pesadelo.

Pouco depois comecei a me sentir enjoado e o enjoo foi piorando até que não me aguentei mais em pé. Revelei ao meu amigo: Paulo, eu tô morrendo…, e ele caiu na gargalhada, calma, Bete, calma. Bem, já que eu era um cabra marcado pra morrer, pelo menos morresse decentemente. Fraco e inteiramente chapado, me dirigi às bilheterias desertas. Arrumei uns papelões e deitei sob uma catraca. Meio litro de cana no sangue mais um torpedo canábico na mente tinha que dar nisso: todo o meu eu era uma rebelião em alto mar. Paulo, deixo pra você meu livro do Pessoa, e se encontrar a moça do ônibus, diga que eu a amo… Então, fechei os olhos e saudei Nick Beal, o agente do Inferno que chegava pra me levar à ilha das almas perdidas…

Mas Beal não veio. Preferiu curtir Ozzy Osbourne berrando lá no palco. Salvo pelo Ozzy, que ironia. Abri os olhos e percebi que estava vivo. E Paulo ao lado, vigiando minha morte. Dois perdidos numa noite suja. Das profundezas de minhalma uma voz ordenou que eu levantasse e fosse pra enfermaria. Meu amigo desaprovou: Tá louco, vão descobrir que você fumou, vão te prender! Amizade em conflito. Concordei e disse que então iria comprar algo pra comer. Saí… mas desviei pra enfermaria. Estava realmente decidido em minha tragédia de homem ridículo. Não me pergunte como, mas cheguei lá. Aí olhei a fila e desanimei: duzentas pessoas aguardavam atendimento.

Mas os lobos não choram. Furei a fila e balbuciei ao atendente: Eu tô morrendo… Acho que ele concordou, pois ato contínuo me botou pra dentro. Fui levado a uma saleta toda branca onde uma fria médica nazista me atendeu. Quis saber nome, endereço, idade, o tamanho do bagulho, ia anotando tudo. Era o terror kafkiano, eu morrendo e tendo que passar pela burocracia de um inquérito absurdo. Ah, mas aquela médica partidária do Grande Irmão não me pegaria tão fácil. Então menti em todas as respostas, eh, eh, eh. Depois estiquei o braço e puff!, injeção de glicose na veia. Deitei na maca e apaguei.

Súbito, percebi uns acordes… eram familiares… vinham de muito longe… Rod Stewart! Começando a cantar You´re in My Heart, uau! Despertei de um salto. Sentia-me bem, inteiramente revigorado. Quanto tempo se passara? A médica nazista não estava mais na sala. Na maca ao lado um rapaz se contorcia numa viagem pior que a minha, eu podia escutar os gritos do seu silêncio. Era preciso fugir daquele terrível asilo. A música estava acabando, o destino batia à minha porta e não havia muito tempo.

Boto meus oclinhos. A porta da saleta está aberta. Meto a cabeça no corredor e de lá avisto a saída do asilo. Brad Davis escapando daquela penitenciária turca. Deixo meu dublê de corpo lá na maca e saio em disparada pelo corredor, empurrando os enfermeiros. Corra, Lola, corra! Ah, não, me empolguei, desculpe, Lola é mais recente. Na saída, salto a corda e, nas asas da liberdade, me infiltro na multidão. Estou salvo. Já não precisam me mandar flores. Posiciono-me num lugar razoável e enfim concretizo meu sonho de ver o velho Rod. Missão cumprida.

Depois desse sufoco até o compadre 007 diria nunca mais outra vez. Mas Sua Majestade entenda: tenho apenas vinte anos e todo o pique do mundo. E sou eterno. Assim como os diamantes.

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica está cheinha de referências a filmes de 1985 e de anos anteriores. Quais você encontrou?

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Rod Stewart canta You’re in My Heart
no Rock in Rio de 1985
+ clipe do festival

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LEIA NESTE BLOG

Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

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01- Cada história, hein, seo Kelmer. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – set2011

02- É uma figura!! Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – set2011

03- Peguei todas as referências cinéfilas dos anos 80, nesse Expresso da Meia-Noite no Rock-n-Rio entre dois Daunbailó! Divertido… Téo Lorent, São Paulo-SP – set2011

RK: Expresso da Meia-Noite (dir: Alan Parker, 1978). Ponto para Téo Lorent! Mas Daunbailó (Jim Jarmusch) eu não citei não, até porque não havia visto. 🙂

04- Não ligue para o seu passado, vai que ele atende!!! Nonato Freire, Salvador-BA – set2011

05- Adorei, ri de montão por aqui, vc a cada dia me surpreende mais. Bjokinhas. Mariucha Madureira, Brasília-DF – set2011

06- Ricardo, Valeu pela cronica meu velho ! Adorei … nesta época de Rock in Rio vale demais relembrar aonde e como cada um de nós estava no priemrio. Eu, por exemplo, estava em Quixeramobim assistindo tudo pela TV com uma sensaçao muito estranha de estar no lugar errado na hora certa ! um abraço forte. Tibico Brasil, Fortaleza-CE – set2011

07- muito boa, kelmer! adorei essa. lembrei quando fui ao meu primeiro hollywood rock ver bob dylan… e quando tomei todas na abertura do roger waters… quase perdi essa apresentação por causa de uma garrafa de roseira, uma pinga feita pela minha família lá no sul de MG… adorei a crônica! abç. Rodrigo Oliveira, Fortaleza-CE – set2011

08- hehehe, jóia! Giovanni Iemini, Brasília-DF – set2011

09- ‎”O dia em que morri no Rock in Rio” me deu espasmos de risos. Só tu mesmo, visse. Excelente! Rafaela Silva, Campina Grande-PB – set2011

10- Adorei! Ana Maria van Erven de Figueiredo, São Paulo-SP – set2011

11- Ótimo, Rico. Marta Crisóstomo Rosário, Brasília-DF – set2011

12- Se eu não tivesse nascido em meados dos anos 80, certamente teria pulado “o muro” com vocês “dois, perdidos numa noite suja”, e seria mais uma dando uma de “james bond”, nessa “ilha das almas perdidas” que descreveu… De fato, Kelmer, estaria também “marcada para morrer”. mas “os diamantes são eternos”, et voilà, aqui estamos nós! prontos para qualquer Rock in Rio que porventura possa acontecer… vou indo sr. dos labirintos descritivos, não fique triste. afinal, “lobos não choram”. Érika Zaituni, Fortaleza-CE – out2011


Glossário de termos e expressões canábicos

31/05/2010

31mai2010

BaseadoNissoCapaMiragem-01a

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BaseadoNissoCapaMiragem-01aEste glossário integra o livro Baseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha,
de Ricardo Kelmer

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PARA COMPRAR

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> Livro impresso e PDF

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GLOSSÁRIO DE TERMOS E EXPRESSÕES CANÁBICOS

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Por envolver algo proibido por lei, o universo cultural dos usuários de maconha é feito de comunicações sutis e muitas vezes codificadas. A necessidade de segurança os leva a serem criativos, e a espirituosidade e o bom humor são uma constante. Como ocorre com a língua de modo geral, os termos e expressões canábicos variam de acordo com os contextos social, temporal e geográfico do usuário, mas há aqueles de uso geral, e a todo momento surgem novos termos. Este trabalho, portanto, representa uma ínfima parcela da vasta cultura linguística da maconha no Brasil.

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A

Acontecedor. Fumo que atrai acontecimentos inusitados ou interessantes. Da última vez que fumei do acontecedor, peguei o mesmo elevador que o Clodovil e o Tiririca…

Algum. Cigarro de maconha. Tem algum aí?

Alguém vai? Discreta indagação ou convite para fumar. Vocês aí, alguém vai?

Alto. Pessoa que está sob razoável efeito da maconha. Quando ela começa a querer tirar a roupa, já sei que tá meio alta.

Apertar. Preparar o cigarro. Muitos usuários consideram isso uma arte. Vou apertar mas não vou acender agora…

Apresentar. Oferecer maconha para que outros possam também usufruir. Pô, ninguém vai apresentar nada?

Aquele. Cigarro de maconha. Cadê aquele?

Asilado. Pessoa que está ou é desesperada para fumar. A gata tá asilada!

Avião. Aquele que faz a intermediação da compra ou que compra a maconha onde ela é vendida e leva ao usuário. Aquele nosso avião da Rocinha dançou!

Azucrinado. Sob forte efeito da maconha. Cara, fiquei azucrinado aquele dia que esqueci meu próprio nome.

B

Baculejo. Revista feita por policiais à procura de drogas. O mesmo que geral. Porra, tão dando baculejo até na saída da missa!

Bagana. Resto do cigarro de maconha. Apesar de apreciada devido a uma maior concentração de THC, apresenta o inconveniente de proporcionar prova material para um possível flagrante. O mesmo que beata, bia ou guimba. Ih, rapaz, esqueci a bagana na caixa de fósforo do papai.

Bagulho. Maconha. E aí, quem trouxe o bagulho?

Bahia. A pessoa de quem se espera que tenha maconha e que não tem (em oposição a salvador). Usado também para saber se a pessoa tem ou não maconha. Tu é Bahia ou Salvador?

Bala. Pequena porção de maconha vendida nas bocas de fumo. O mesmo que dólar. Também usado no diminutivo balinha. Vai uma bala aí, bacana?

Balão. Ato de pagar pela maconha e não receber. Naquela boca mauricinho leva balão.

Bandeira. Ação comprometedora que permite que se perceba que alguém está sob efeito, falando sobre, manuseando ou qualquer coisa relacionada à maconha. Segura tua gata aí que ela tá dando a maior bandeira.

Bandeiroso. Aquele que dá bandeira. Nunca vi ninguém mais bandeiroso!

Banzo. Estado causado pela maconha, que deixa a pessoa lerda e sem ação. Semelhante a morgação. Essa coisa me deu um banzo desgraçado.

Barato. Denominação clássica para o efeito da maconha. Esse cigarrinho aqui é daquele tipo que dá barato?

Baseado. Denominação clássica para cigarro de maconha. Deixa de papo, Íris, e aperta logo esse baseado!

Bater. Acontecer (o efeito da maconha). Fumei faz meia hora e agora que a lombra bateu.

Bater uma bola. Fumar maconha. Vamos bater uma bola antes ou depois?

Baurete. Cigarro de maconha. Termo cuja criação é comumente atribuída ao músico Tim Maia. Ô, Nelson Mota, não vai rolar um baurete?

Beata. Resto do cigarro de maconha. O mesmo que guimba. Joga fora que em viagem a beata é sempre da estrada.

Beatriz. Resto do cigarro de maconha. Também utilizado na forma abreviada: bia. Por falar nisso, quem é que tá atualmente com a Beatriz?

Beque. Cigarro de maconha. Wanessinha adora um beque antes de transar.

Beise. Cigarro de maconha (derivado de baseado). O papo tá muito bom, mas e o beise, tá com quem?

Berlota. Cada inflorescência da planta de maconha no ponto para ser preparada para fumar. Aquela coisa tem cada berlota!

Besteirinha. Pequena quantidade de maconha. Só consegui uma besteirinha.

Bia. Resto do cigarro de maconha. Não acredito! Não sobrou nem a bia?

Boa-noite. Tradicional cigarro que se fuma antes de dormir. Também conhecido por dorminhoco. Vamos fumar o boa-noite?

Bobeira. 1. Ação involuntária que permite que outros percebam que alguém está sob efeito da maconha. O mesmo que bandeira. Quando o Marquinhos fuma, fica dando bobeira! 2. Bobagem que se faz ocasionada pelo efeito da maconha. Da última vez que fumei e bebi, fiz cada bobeira…

Boca. Local onde é vendida a maconha (também usado de forma abreviada: boca). Aquela boca tá a maior sujeira.

Bode. Indisposição momentânea causada pela maconha. Não vou sair mais não, me bateu um bode…

Bola. Ver Dar uma bola.

Bolar. Fumar maconha. Será que a gente vai pro inferno se bolar um aqui na igreja?

Boldinho. Maconha. Originado de boldo, planta da qual se faz chá terapêutico. Pra dor de estômago, indico um boldinho…

Bomba. Maconha de forte efeito. Tenho uma bomba aqui que vai te deixar de quatro.

Bom-dia. Tradicional cigarro que se fuma após acordar. Também conhecido por despertivo. Quem é que vai no bom-dia?

Boqueiro. Aquele que é dono de boca de fumo ou negocia com maconha. Eu nunca ia desconfiar que a dona Juju era boqueira.

Braço-de-Judas. Cigarro muito grosso. Em referência à madeira da qual é feito o braço do boneco que é queimado nas festas juninas. Eita que hoje só tá rolando braço-de-Judas!

Brancão. Desmaio passageiro ocasionado por forte efeito da maconha. Originado do fato de que se vê tudo branco logo antes do desmaio. Deu um brancão na coitada e ela caiu no meio do velório.

Brau. Clássica denominação para cigarro de maconha. Melhor deixar o brau com o Vitinho que ele tem cara de santo.

Braúlio. Designação discreta para brau. O Braúlio tá gordo!

Braulito. Entidade sobrenatural considerada o espírito da maconha, e que surge quando se fuma. Também conhecido, de modo mais solene, como Grande Braulito. Ver Mescalito. Ó Grande Braulito, mostre-nos onde conseguir mais dessa marofa.

Brisa. Efeito da maconha de pouca intensidade. Pra assistir o culto, recomendo só uma brisa, senão dá crise de riso.

Brocado. Sob efeito do apetite acentuado que surge após se fumar maconha. O mesmo que laricado. O cara tá brocado!

C

Cabeça. 1. Cada inflorescência da planta de maconha já preparada e pronta para tratar. O mesmo que berlota e camarão. Essa maconha só tem cabeça… 2. Cada pessoa que vai participar do cigarro de maconha. Só essa tripinha pra estas três cabeças?!

Cabeça feita. Sob efeito da maconha. Não, muito obrigado, já tô de cabeça feita.

Cabeça-feita. Aquele que é usuário. Geralmente utilizado de forma elogiosa, no sentido de que a pessoa é inteligente, de opiniões formadas e/ou de bem com a vida. Pode referir-se também à relação tranquila que se tem com a maconha. Nessa roda só tem cabeça-feita.

Cabeça grande. Motivo (ou pretexto) pelo qual certos maconheiros fumam bastante, pois é necessário muita fumaça para encher sua cabeça, ao contrário de quem tem a cabeça pequena (cabecinha). Vou fumar esse sozinho porque minha cabeça é muito grande…

Cabeção. 1. Aquele que adora fumar maconha. Só tem cabeção nesse show. 2. Conotação depreciativa para aquele que está sempre querendo fumar maconha e não perde uma rodada, podendo não raro adquirir fama de chato oportunista. Fuma logo que lá vem o cabeção!

Cabelo de punk. Maconha de baixa qualidade por ser proveniente da folha e não da flor da planta. Os pedaços das folhas lembram os cabelos espetados dos punks e podem atrapalhar a confecção do cigarro. Esse cara só traz cabelo de punk.

Cachimbo da paz. Designação solene para cigarro de maconha. Em referência ao hábito indígena de se fumar coletivamente em eventos importantes. Tenho a honra de comunicar aos nobres colegas que o cachimbo da paz vai rolar lá na casinha do motor.

Cadê? Discreta indagação que se faz para saber se alguém tem maconha. Esse papo tá muito bom mas… cadê?

Caixão. Maconha de forte efeito, que deixa a pessoa atordoada (originado de onda caixão, que derruba e atordoa o banhista). Pega leve que esse fumo é caixão.

Camarão. Inflorescência da planta de maconha que lembra um camarão. O mesmo que cabeça. Tu vai ver como só tem camarão.

Canabis. Denominação para maconha ou cigarro de maconha. Originada do termo científico Cannabis sativa. Ah, nada como uma canabis pra relaxar…

Canal. Pessoa que sabe onde encontrar a maconha ou que faz a intermediação da compra. Eu sei de um canal que nunca falha.

Carburar. Fumar. Até a professora de ginástica carbura um antes da aula.

Careta. 1. Aquele que não fuma, não gosta, se incomoda com usuários e/ou é contra o uso da maconha. Lá em casa todo mundo é careta. 2. Cigarro comum, que não é de maconha. Acende agora um careta pra disfarçar. 3. Estado do usuário quando não está sob efeito da maconha. Vou apertar outro que eu já tô careta de novo.

Careta esperto. Aquele que não fuma mas não se incomoda de ter amigos usuários nem condena o uso da maconha. Minha irmã é careta esperta, mas meu irmão é careta careta mesmo.

Cavidade bucal. Discreta denominação para boca de fumo. Abreviação (mais discreta ainda): cavidade. Descobri uma cavidade numa rua atrás da delegacia.

Cecília. Semente de maconha. Não esquece de tirar as cecílias.

Cemitério. Lugar reservado para guardar as guimbas do cigarro, geralmente uma caixa de fósforo ou similar. Muitos maconheiros, quando estão sem maconha, procuram o cemitério e desmancham as guimbas para formar quantidade suficiente para fazer um novo cigarro. Estratégia utilizada também quando se quer fumar uma maconha com maior quantidade de THC, pois o mesmo se concentra nas guimbas. Guarda a bia aqui no cemitério.

Cera. Maconha da melhor qualidade. Uau, essa aqui é uma cera!

Chapação. Estado provocado por forte efeito da maconha. Menina, foi uma chapação geral!

Chapado. Aquele que está sob forte efeito da maconha. Cheguei chapadão lá no batizado!

Chapar. Ficar sob forte efeito da maconha. Putz, chapei total, vou dormir.

Charlie Brown. Cigarro de maconha, em referência ao famoso personagem de quadrinhos e TV. Tá na hora do Charlie Brown.

Charo. Cigarro de maconha. Libera o charo aí.

Chia. Resto do cigarro de maconha. Onde mesmo que eu deixei a chia?

Cigarro de carnaval. Cigarro de maconha. Variações: cigarro de artista, cigarro do capeta e cigarro de índio. Comumente usado no diminutivo. Cerveja não tem, mas eu trouxe um cigarrinho de carnaval…

Cinquinho. Pequena porção de maconha no valor aproximado de cinco reais. Porra, cara, tu não salva nem cinquinho não?

Cocô. Pequenos pedaços de maconha desprendidos devido ao manuseio de pedaços maiores. Geralmente é usado no diminutivo. Boa notícia: ainda sobraram uns cocozinhos…

Coice de mula. Efeito atordoante da maconha. Menino, que coice de mula que eu levei ontem…

Coisa. Maconha. E a coisa, quem é que tem?

Coisero. Pessoa que ganha a vida negociando com maconha. Originado de coisa. Pois é, o Gilmar é coisero.

Coisinha. Pequena quantidade de maconha. Essa coisinha aí não faz nem um baseado.

Confeccionar. Preparar o cigarro de maconha. O mesmo que apertar. Me apaixonei quando te vi confeccionando um brau enquanto com a outra mão passava batom.

Cortar o rabo. Ato de iniciar alguém a fumar maconha, muitas vezes revestido de caráter cerimonial por ser considerado um momento antológico que o usuário nunca esquece (como o primeiro porre). Devidos a diversos fatores, como o nervosismo e a expectativa, que impedem o relaxamento, a primeira vez nem sempre ocasiona uma viagem. Paulinha cortou o rabo de todas as amigas lá em Canoa.

Cuspindo bala. Estado muito comum causado pela maconha, logo após fumar, caracterizado pela secura na boca e falta de saliva para cuspir. Pede logo duas cervejas que eu tô cuspindo bala.

D

BaseadoNissoCapaMiragem-01aDa Jamaica. Maconha ou cigarro de boa qualidade, em referência à maconha jamaicana. Ah, esse é da Jamaica!

Da lata. Maconha da melhor qualidade. Referência à maconha encontrada embalada em latas, jogada ao mar por tripulantes de um navio estrangeiro para se livrar da prova do delito, fato ocorrido em 1989 no litoral do estado do Rio de Janeiro. Quarta-feira vai chegar uma da lata!

Danada. 1. Maconha. Cadê a danada? 2. Maconha de boa qualidade. Essa é danada!

Dançada. Ato de dançar. Não passa por aquela estrada que é dançada certa.

Dançar. Ser pego em flagrante com maconha ou fumando, pela polícia, pais ou outras pessoas comprometedoras. Vocês souberam que o Zenon dançou?

Dar uma bola. Fumar maconha. Variações: dar um dois, dar um pau e dar um pega. E aí, vamo dar uma bola pra comemorar que hoje é segunda?

Dar uma goma. Passar saliva no cigarro de maconha para que ele queime por igual e/ou para que não levante chama. Dá uma goma no tcheuris senão o vento vai fumar tudinho!

De baixo. Qualidade de quem não tem maconha. Quando eu tô de baixo, nunca tem blitz na rua.

De bobeira. Estado de silêncio e quieta concentração causado pela maconha. Variação: de bobs. Ih, a Andrea tá de bobeira…

De bode. Estado de lerdeza ou preguiça física e mental causado pela maconha ou pelo término do efeito. O mesmo que morgado. Ele fumou um e ficou lá na rede, de bode.

Debulhar. Preparar a maconha para ser fumada, picotando-a e separando galhos e sementes. O mesmo que tratar e destrinchar. Que beleza, já tá debulhada.

De Cabrobó. Maconha da melhor qualidade. Referência ao município pernambucano de Cabrobó, conhecido produtor de maconha. Vai chegar uma remessa de Cabrobó pra Semana Santa!

De cara. Estado daquele que não se encontra sob efeito da maconha ou não pretende fumar. Hoje eu tô de cara.

Dechavar. O mesmo que destrinchar e debulhar.

De cima. Qualidade de quem tem maconha. Não ande de cima por aqui que é sujeira.

Defumar. Fumar em um ambiente ou lugar pela primeira vez ou em homenagem a algo. Vamos defumar o carro novo da Ticiane!

Delegado. Pessoa que, numa roda de fumo, retém, consciente ou não, o cigarro para si. Ei, delegado, tu tá prendendo o brau.

Delírio. Colírio. Usa-se colírio para eliminar a vermelhidão dos olhos, comum após fumar maconha. Alguém tem um delírio aí?

Descolar. Conseguir maconha. Vou lá no morro ver se descolo uma coisinha.

Despertivo. Tradicional cigarro de maconha que se fuma após acordar. Também conhecido por bom-dia. E aí, o despertivo rola antes ou depois do café?

Destrinchar. Preparar a maconha para ser fumada. O mesmo que debulhar e tratar. Deixa que eu destrincho, tu demora muito.

Detonado. 1. Sob forte efeito da maconha. Dei só dois pauzinhos e fiquei detonado! 2. Diz-se do fumo que já acabou. Tem mais nada, foi tudo detonado ligeirinho.

Detonar. 1. Acender o cigarro para ser fumado. Detona o brau!!! 2. Fumar muito ou rapidamente. A turma detonou duzentos gramas naquele fim de semana.

Dezinho. Porção de maconha no valor aproximado de dez reais. Quero muito não, só dezinho mesmo.

Diamba. Maconha. Cadê a diamba?

Dichavar. O mesmo que dechavar. Tu dichava e eu aperto.

Dificultar. Dizer ou fazer algo que ponha obstáculos ou impedimento ao ato de comprar, fumar ou qualquer coisa relacionada a maconha. Qualé, maninha, vai dificultar mesmo?

Digestivo. Tradicional cigarro de maconha que se fuma após as refeições. Né por nada não, mas um digestivo agora caía bem…

Dispensar. Jogar fora a maconha ou a guimba do cigarro. A dispensa ocorre geralmente para evitar o flagrante ou porque o que sobrou do cigarro é pouco. Pode dispensar que eu já tô doidão.

Doidaço. Ver doido.

Doidão. Ver doido.

Doideira. 1. Efeito da maconha. Me deu uma doideira tão grande que eu fiz cinco músicas só no intervalo da novela. 2. Diz-se daquilo que é estranho ou interessante. Aquela viagem foi uma doideira!

Doido. 1. Sob efeito da maconha. Fiquei doido só com aquele pauzinho. 2. Usuário de maconha. Nunca imaginei que a Tetê fosse doida. 3. Qualidade daquilo que é estranho ou interessante. Esse conto do Kelmer é doido!

Dólar. Pequena porção de maconha vendida nas bocas de fumo. Também usado no diminutivo dolinha. Porra, o cara quer me vender o dólar a vinte reais!

Dorminhoco. Tradicional cigarro de maconha que se fuma antes de dormir. Também conhecido por boa-noite. Agora é sério, vamos fumar o último dorminhoco!

Douglas. Maconha. É provável que uma quantidade incontável de nomes de pessoas sejam usados com este nobre fim. O Douglas mandou avisar que infelizmente não vai poder vir.

Dragão. Aquele que quando fuma maconha, fuma bem mais que todos. Fuma logo antes de chegar o dragão.

E

E aí? Clássica e discreta indagação dos usuários que objetiva saber se alguém tem maconha ou se está no momento de fumar. E aí?

Emaconhado. Sob efeito da maconha. Também usado na forma maconhado. Esse povo só pode estar emaconhado.

Empapuçar. Enjoar por fumar em excesso. Não quero mais, tô empapuçada.

Encarar uma social. Ver social.

Encaretar. 1. Diz-se do efeito da maconha que passou, repentinamente ou aos poucos. Fiquei tão nervoso que encaretei. 2. Tornar-se careta. Depois que casou, a Gigi encaretou de um dia pro outro.

Encomenda. Designação discreta para maconha. Pode vir que a encomenda já chegou.

Engolir. Último recurso do usuário na iminência de ser flagrado. Ih, sujou! Engole, engole!

Enrolar. Preparar o cigarro, acondicionando a maconha na folha de papel. Deixa de papo e enrola logo esse negócio!

Entregação. Qualidade de pessoa, lugar, situação ou objeto que compromete o usuário. Esse livro que tu tá lendo é a maior entregação.

Entregar. 1. Comprometer, intencionalmente ou não, quem fuma ou está fumando ou manuseando maconha. Te abaixa aí, Fernandinho, ou tu ainda vai entregar a gente… 2. Denunciar quem fuma maconha. Foi a vizinha aqui de cima quem me entregou.

Envernizar. Atingir certo ponto onde, por ter fumado demais, a maconha não faz mais efeito. Pode se referir a períodos de algumas horas ou anos. Depois do quinto eu envernizei.

Envernizado. Aquele que se envernizou. A Vaninha não precisa fumar porque já tá envernizada.

Erva. Clássica denominação para maconha. Variação: erva maldita. O melhor lugar pra queimar erva é lá no meio do chuchuzal.

Esconder o jogo. Não se manifestar ou dizer que não tem maconha quando na verdade tem e há pessoas querendo fumar. Ih, ó o cara, escondendo o jogo…

Esperto. 1. Aquele que fuma. Fica frio que aqui todo mundo é esperto. 2. Estado de atenção e segurança quando se fuma ou em qualquer situação relacionada a maconha. Fica espertinha aí que agora a gente vai passar pela Rodoviária. 3. Cigarro de maconha. Tem um esperto aí?

Estandarte. Ação exageradamente comprometedora por parte do usuário que permite que outros saibam sobre sua condição. Olha o estandarte passando na avenida!

Estojinho. Recipiente utilizado pelos usuários para guardar maconha e objetos úteis como seda, pilão, tesourinha, colírio e outros. Como bom virginiano, eu trouxe meu estojinho…

Estudantil. Cigarro de pequenas proporções. Tenho aqui um estudantil, só pra dar uma ligadinha.

F

BaseadoNissoCapaMiragem-01aFalsa-lombra. Aquele que finge ou exagera o efeito da maconha. Que nada, isso é coisa de falsa-lombra.

Fazer. Forma abreviada de fazer a cabeça. E aí, fez?

Fazer a base. Fumar antes de alguma situação específica, para vivê-la sob efeito da maconha. Antes de sair a gente faz a base lá em casa.

Fazer a cabeça. Clássica designação para fumar maconha. Vamos fazer a cabeça que o filme já vai começar.

Fazer a canoa. Ato de preparar o papel no qual o cigarro de maconha será feito. Consiste em friccionar as bordas do papel uma contra a outra, deixando-o no formato similar ao de uma canoa. Faz a canoa pra eu apertar o brau.

Fazer a social. Ver social.

Fazer uma sauna. Fumar maconha junto com outras pessoas em local pequeno e fechado. Ver sauna. Fecha a porta que a gente vai fazer uma sauna.

Fechar. Preparar o cigarrro de maconha. O mesmo que apertar. A fissura era tão grande que fecharam o brau num papel de embrulhar pão.

Fedorento. Cigarro de maconha. Ô Luciano, cadê o fedorento?

Finélio. Ver fino.

Finólio. Ver fino.

Fino. 1. Cigarro de maconha (comparativamente ao cigarro comum). Tem um fino aí pra gente?  2. Cigarro muito pequeno. Variação: finélio, finólio, finório e fino de cadeia (em referência aos pequenos e discretos cigarros de maconha conseguidos pelos presos nas cadeias). Também utilizado no diminutivo fininho. Pô, Alexandre, tanta maconha aí e tu faz um fino de cadeia!

Fissura. Desejo intenso de fumar maconha. A fissura era tão grande que ele comeu ela só pra fumar um brau.

Fissurado. Indivíduo que tem fissura. Esse cara vive fissurado.

Fumacê. 1. Ato de fumar. Tá rolando um fumacê lá na cozinha. 2. Fumaça do cigarro. Fecha a janela que o fumacê tá no mundo!

Fumo. O mesmo que maconha. Também utilizado no diminutivo “fuminho”. Ultimamente só tem pintado fumo ruim.

Fumódromo. 1. Local apropriado para fumar maconha. O fumódromo é lá atrás, debaixo do cajueiro. 2. Tradicional ponto de uma localidade aonde os usuários costumam ir para fumar ou passam fumando. Aquela rua é o melhor fumódromo da cidade.

Futum. Cheiro forte de maconha que fica no ar, em parte do corpo ou em um objeto que foi manuseado enquanto se fumou ou que é manuseado constantemente pelo usuário. Traz um Bom Ar que aqui tá o maior futum.

G

Game. O mesmo que jogo (originado do inglês). Toma aí meus vinte pra fazer um game.

Ganja. Maconha (do sânscrito ganjica). Uma das exigências da palestrante é uma ganja da boa antes de começar a palestra.

Garantir. 1. Assegurar a maconha. Deu pra garantir o do fim de semana. 2. Demonstrar eficiência em relação à maconha, como preparar, fumar, fazer comércio, manter-se discreto etc. Pô, meu irmão, se garanta aí!

Garantido. Certo, assegurado. Refere-se geralmente ao ato de conseguir maconha. Fique tranquilo que comigo é garantido.

Gelar. Ato de apagar, sem querer, o cigarro de maconha. Ih, o cara deixou o brau gelar.

Geral. Revista feita por policiais. Esconde bem que a gente vai passar por uma geral.

Goma. Saliva. Usada para umedecer o papel do cigarro para que ele queime por igual e/ou para que não acenda chamas. Passa uma goma no baseado.

Grande Braulito. Ver Braulito.

Guimba. Resto do cigarro de maconha. O mesmo que bia. O baseado era tão grande que a guimba ficou do tamanho de uma caneta!

H

Haxixe. Resina extraída da planta de maconha. Vamos fumar um com haxixe pra comemorar que hoje é terça.

História. 1. Conjunto de fatos e/ou ações marcantes no universo dos usuários. Aquela festa foi a maior história! 2. Maconha. Também utilizado no diminutivo. Só sobrou uma historinha aqui…

I

Impregnar. Insistir o tempo todo para fumar maconha. Leva essa menina que ela já tá impregnando!

Impregnado. Indivíduo, ambiente ou objeto que está com um forte cheiro de maconha. Esse teclado tá impregnado!

Intera (é). Pequena porção de maconha que será juntada a outra para formar quantidade suficiente para um cigarro. Alguém tem uma intera aí?

Intoca. Local onde a maconha está escondida. A parada tá numa intoca ali que só eu sei.

Intocar. Esconder a maconha. Ih, eu intoquei mas agora não sei mais onde foi…

Iracema. Apetite exagerado que surge após fumar. O mesmo que larica. Tô na maior iracema!

J

Jererê. Forma clássica para designar cigarro de maconha. Muito utilizado numa conhecida cantilena em carnavais ou ocasiões festivas. Ê, jererê, je-rê-rê-rê-rê-rê-rê… Viva a maconha!

Joana. Designação para maconha. Abreviado de marijuana. Como é, a Joana vem ou não vem?

Jogo. Transação que envolve o comércio da maconha. Vamos fazer um jogo legal pro fim de semana.

L

BaseadoNissoCapaMiragem-01aLarica. Apetite exagerado comum após fumar. Me deu uma larica tão desgraçada que eu comi feijão frio com sorvete.

Laricado. Com muito apetite após fumar maconha. Tranca a geladeira que tá todo mundo laricado!

Lariquento. 1. Diz-se do fumo que desperta a fome. A gente fumou aquele lariquento e depois foi direto pro supermercado. 2. Aquele que costuma ter muita fome depois que fuma. Fumar em casa com esse lariquento é o maior preju, minha geladeira não aguenta.

Laura. Forma discreta para larica. Pronto, chegou a Laura.

Leda. Discreta denominação para seda, o papel usado para confeccionar o cigarro. Não acredito que vamo deixar de fumar porque ninguém tem uma leda…

Lei seca. 1. Falta de maconha momentânea. A cidade tá numa lei seca horrível. 2. Impossibilidade de se fumar maconha. Quando meu irmão tá aqui, rola a lei seca.

Liberado. Livre para fumar tranquilamente. Vai na boa, galera, que aqui no escritório é liberado.

Liberar. Fornecer maconha. Pô, libera aí, Aninha, tá todo mundo na fissura…

Ligar. Acontecer (o efeito da maconha). O mesmo que bater. Ah, agora ligou.

Ligadeira. Efeito da maconha, oposto à morgação. Me bateu uma ligadeira que eu fiquei quatro horas jogando gamão sem nem piscar.

Ligado. Sob efeito da maconha. Silvana só gostava de transar ligada.

Light. Maconha que não é muito forte. Esse fumo é light, Luíza, pode dar até pra tua mãe…

Limpeza. Qualidade da pessoa, lugar, objeto ou situação em que é permitido fumar, falar sobre maconha e afins. Pode ficar despreocupado, todo mundo aqui é limpeza!

Livrar. Oferecer maconha para quem não tem e está com muita vontade de fumar. Se o Mazinho não tivesse livrado, eu tinha ficado o fim de semana de cara.

Livrar a cara. Fumar um cigarro de maconha. Diz-se em referência a de cara. Tem unzinho aqui pra gente livrar a cara.

Lombra. Efeito da maconha. Essa música é resultado de uma lombra que a gente teve subindo a serra.

Lombra torta. Ação estranha, sem sentido, inconveniente ou prejudicial a si próprio ou a outros causada pela maconha. Que lombra torta… O cara foi embora a pé!

Lombrado. Sob efeito da maconha. A Carmem tava tão lombrada que dizia que tinham mudado o mar de lugar.

Louco. Sob efeito da maconha. Eu fiquei tão louca que sentia cada nota da música na minha pele…

Luz. Fraco efeito da maconha. É, deu uma luz…

M

Maconhado. Sob efeito da maconha. Também usado na forma emaconhado. Quando ele trepa maconhado, fica me chupando por duas horas.

Maconheiro. 1. Usuário de maconha. Maconheiro é sempre o filho dos outros, nunca o seu. 2. Pé de maconha. Abacate vem do abacateiro, mamão do mamoeiro, maconha do maconheiro.

Maconheiro sem-vergonha. Designação genérica usada por antipatizantes da maconha para depreciar usuários. Variação: maconheiro safado. Isso é coisa de maconheiro sem-vergonha!

Mal-com-ele. Discreta designação para maconheiro. Aqui só tem mal-com-ele!

Malhação. Diminuição deliberada de uma porção de maconha em quantidade e/ou qualidade. Esse fumo tá a maior malhação.

Malhar. Ato de fazer com que a porção de maconha que está sendo negociada, perca em quantidade e/ou qualidade sem que a outra pessoa perceba. Vou malhar o fumo desse otário.

Maloca. Local onde se esconde a maconha. O mesmo que intoca. Eu tenho uma maloca lá no quintal.

Malocar. Ato ou ação de esconder a maconha. O mesmo que intocar. O cara malocou a maconha pra poder fumar sozinho!

Maluco. Usuário de maconha. O mesmo que doido. Todo ano a gente faz o racha: bebum contra maluco.

Manga rosa. Maconha da melhor qualidade. Tem uma cor avermelhada característica. O feriadão tá salvo, chegou da manga rosa!

Maquininha. Engenhoca própria para confeccionar cigarros de tabaco, também utilizada pelos usuários de maconha. Comprei esta maquininha numa feira esotérica.

Maresia. Fumaça do cigarro de maconha, que pode causar efeito também em quem não fumou. É comum que o usuário desenvolva uma alta capacidade de sentir o cheiro da fumaça, por menor que seja ou por mais longe de onde venha, e que isso lhe proporcione uma imediata e rápida sensação de esperança e felicidade. Vovó ficava doidona só com a maresia que vinha do quarto.

Mareado. Estado de quem fumou passivamente e ficou sob leve efeito da maconha. Ih, o gato ficou mareado…

Maria Joana. Maconha. Originado de marijuana. Faz tempo que eu não falo com a Maria Joana.

Marica. Piteira própria ou improvisada para fumar o cigarro, por conta da dificuldade de se fumar a guimba ou para não deixar cheiro forte nos dedos. Na sex-shop eu vi uma marica com o formato de uma piroca.

Marijuana. Clássica denominação para maconha (do espanhol). Tá chegando a marijuana!

Marofa. Maconha. Cadê a marofa?

Marola. Efeito de pouca intensidade da maconha. Ver onda. Foi só uma marola, mas valeu.

Massa. 1. Maconha. Tá na hora de servir a massa! 2. Maconha da melhor qualidade. O cara tem uma massa!

Matar. Fumar a guimba do cigarro de maconha até não sobrar mais nada. Às vezes dá-se a alguém a honra de matar a guimba, outras vezes é algo disputado. Pode matar que eu já tô doidão.

Matinal. O primeiro baseado do dia. O mesmo que despertivo ou bom-dia. Agora vai rolar o matinal que é pro dia nascer feliz.

Mato. Maconha. Geralmente utilizado no diminutivo. Ouvi dizer que você tem um matinho aí pra melhorar essa festa…

Merreca. Porção de maconha considerada insuficiente. Olha a merreca que sobrou daquele patuá todo.

Mescalito. Entidade sobrenatural considerada o espírito do cacto peiote, que produz a substância psicoativa mescalina. O termo popularizou-se nos anos 1960-70 pelos livros do antropólogo Carlos Castaneda e ganhou destaque nas histórias em quadrinhos dos Freak Brothers. O Mescalito seria primo do Braulito, e também pode aparecer para usuários de maconha, o que revelaria a interconexão dos universos das entidades psicobotânicas. O Mescalito tá dizendo que devemos apertar outro.

Mesclado. Cigarro de maconha preparado com pasta de cocaína. O efeito é uma mistura dos dois. Lá em Manaus rola muito mesclado.

Metro. Unidade de medida de maconha: 1 quilo = 1 metro. Tá chegando um metro pro carnaval.

Mike Tyson. Maconha ou cigarro de maconha de fortíssimo efeito. Em referência à potência do soco do famoso pugilista. Cuidado que esse aqui é um Mike Tyson.

Moçada. Amigos usuários. O mesmo que galera, rapeize etc. A moçada tá fumando demais, cara…

Mofado. Diz-se do fumo que mofou pela ação do tempo. Por conta disso ele perde o princípio ativo THC e causa pouco ou nenhum efeito. Galera, ontem encontrei uma paradona atrás do armário. Calma, calma… Tava mofada.

Monopolizar. Reter o fumo ou o cigarro de maconha, geralmente com fins egoístas. Como é, vai ficar monopolizando mesmo?

Morgação. Estado de lerdeza e preguiça causado pela maconha. Também pode se referir a uma situação. Essa festa ficou a maior morgação.

Morgado. Lerdo, com preguiça e/ou sem vontade para fazer qualquer coisa, em decorrência da maconha. Ele fuma, fica morgado e vai dormir.

Muito doido. 1. Sob forte efeito da maconha. Vai atrás que ela tá muito doida. 2. Aquele que fuma muito. Aqui nesse bar só tem muito doido. 3. Diz-se de algo estranho ou muito interessante. Este poema é muito doido.

Muito louco. O mesmo que muito doido. Também usado no espanhol mucho loco.

Muqueca. Considerável porção de maconha. O mesmo que parada. A Rose tá com uma muqueca!

Mutema. Sobrenome que se aplica a quem tem maconha quando ninguém mais tem. Referência a Sassá Mutema, famoso personagem da novela da Globo, O Salvador da Pátria. Acaba de chegar o André Mutema.

Mutuca. Porção razoável de maconha. Guardei uma mutuca bacana e ela mofou todinha.

N

Narguilê. Artefato adaptado dos narguilês comuns para ser usado por usuários de maconha, muitas vezes improvisado a partir de vários objetos, dependendo do espírito inventivo do usuário. Esse aqui merece a gente fazer um narguilê!

Nas internas. Situação em que o cigarro de maconha é oferecido somente para algumas pessoas e consumido discretamente, seja porque há pouco ou para privilegiar a alguns. Vai lá no estacionamento que tá rolando um nas internas.

Negócio. Maconha. Vai pintar um negócio de primeira pro reveiôm.

Noia. 1. Viagem ruim. Forma resumida de paranoia. Aquele fumo me deu a maior noia. 2. Estado continuado em que fica o usuário por fumar demais. O cara nem sai mais de casa, tá na maior noia.

Noiado. Pessoa que está com noia. Passei um tempão noiado por causa daquela dançada.

O

Onda. Efeito da maconha. Agora bateu uma onda legal!

Osvaldo. Denominação discreta para maconha ou cigarro de maconha. Só faltava o Osvaldo aqui…

O vento fuma. Expressão usada quando alguém demora a fumar, desperdiçando maconha. Alguns usuários entendem que o vento também merece ficar doidão, mas a maioria não gosta dessa ideia. Pô, Mariana, assim o vento vai fumar o bagulho todinho.

P

BaseadoNissoCapaMiragem-01aPagar uma social. Ver social.

Paia. Maconha de péssima qualidade. Mas que maconha paia!

Pala. O mesmo que bandeira. O Amaury tá dando pala.

Paludo. Pessoa que está dando pala. A Sandra hoje tá paluda que é uma beleza!

Parada. Porção de maconha. O cara ficou tão noiado que jogou a parada na privada e deu descarga.

Paranga. Porção considerável de maconha. O mesmo que mutuca. O Dudu mandou avisar que garantiu uma paranga pro feriado!

Passar a bola. Passar o cigarro de maconha. É comum pedir para passar a bola à pessoa que fica fumando o cigarro e não dá vez para que os outros também fumem. Pode ser complementado com o nome de algum jogador de futebol com fama de individualista, em evidência ou de nome folclórico, como Pelé, Mirandinha, Cafu, Ronaldinho, Edmundo, Maradona, Mazolinha etc. Passa a bola, Mirandinha!

Patuá. Razoável porção de maconha. Passei três meses fumando aquele patuá.

Pau. Cada trago que se dá no cigarro de maconha. O mesmo que tapa. Também utilizado no diminutivo. Só dei um pauzinho…

Paula. Forma abreviada de paulista.

Paulista. Modo característico de se fumar maconha com outras pessoas onde se dá apenas um trago e passa-se imediatamente o cigarro a quem está do lado. Fuma-se na paulista para um maior aproveitamento do cigarro. Sua origem pode estar ligada ao ritmo de vida apressado da capital paulistana, ou porque fumar em plena avenida Paulista é algo que requer rapidez e agilidade. Vamos fumar na paulista senão não vai chegar aqui.

Pegar. Fumar o cigarro de maconha. Ver dar um pega. Vamos pegar unzinho?

Perturbado. Sob razoável efeito da maconha. Aquele brau me deixou tão perturbada que eu falei duas horas com ela achando que era a Bebel.

Peruana. Modo característico de se fumar maconha que consiste em encher a boca de fumaça, sem tragar, e liberá-la devagar e aos poucos pelo nariz. Já fumou à peruana?

Picárdia. Mesquinhez. Usa-se geralmente quando o comprador sente-se lesado no negócio. Originado de picardia. Ah, maninha, deixa de picárdia.

Pilão. Qualquer objeto que se possa usar para socar o cigarro de maconha, geralmente um palito de fósforo, uma tampa de caneta ou similar. Alguém tem um pilão aí?

Pilar. Ato de socar cuidadosamente o cigarro de maconha. O baseado era tão grande que usaram um pincel atômico pra pilar.

Pilora (ô). Mal-estar ou leve desmaio causado pelo efeito da maconha. O mesmo que brancão. Deu uma pilora no coitado bem na hora de dizer sim.

Ping-pong. Monopolização do cigarro por duas pessoas, impedindo o restante de fumar. Como é, vão ficar mesmo nesse ping-pong aí?

Pitada. Rápida tragada no cigarro de maconha. Vou dar só uma pitadinha porque eu parei de fumar.

Poeira. Maconha transformada em pó devido ao manuseio. Não é apreciada por conta do fraco efeito. Só tem poeira naquela parada!

Ponta. Guimba do cigarro. O mesmo que bia. Vai dar pra fazer dois baseados com essas pontas.

Por falar nisso. Insinuação usada por maconheiros discretos quando desejam fumar ou para saber se alguém tem maconha. Sim, mas por falar nisso…

Prego. Pessoa muito chata quando está sob efeito da maconha. Equivale ao bêbado chato. Pense num cara prego: é o Dedé!

Pren-pren. Apelido carinhoso para prensado. Tive que cair com cinquentinha pros ômi e ainda levaram meu pren-pren.

Prensado. Fumo que é acondicionado em porções compactas para que ocupe menor espaço. Por esta razão ele normalmente é mais forte e mais caro. Tá chegando um prensado semana que vem.

Prensar. Acondicionar a maconha em quantidades compactas. Não é pouco não, é porque tá prensado.

Presença. Porção de maconha que se pede a outra pessoa. Dá pra arrumar uma presença?

Pressão. Ato de tragar e segurar a fumaça nos pulmões por muito tempo para conseguir um efeito maior. Dê um trago e faça pressão!

Preto. Maconha. Em comparação com a cocaína, que é branca. Deixei a branca, agora to só no preto.

Produto. Maconha. Apareça lá que eu tenho um produto de primeira pra você experimentar.

Puxar fumo. Fumar maconha. O sobrinho da senhora toda noite puxa um fuminho na esquina com a filha do coronel.

Q

420. Número representativo do universo folclórico dos usuários, adotado a partir dos anos 1970. A origem, segundo a versão mais conhecida, estaria no fato de um grupo de jovens estadunidenses se reunirem frequentemente para fumar às 4:20 da tarde. O número foi usado para marcar o 20 de abril como data representativa e para a realização de eventos alusivos à maconha em todo o mundo. Também é caracterizado como uma espécie de código semissecreto de usuários, sendo usado em diversos contextos da vida cotidiana, assim como em obras artísticas e insinuações referentes à maconha. Quatro e vinte no terraço, beleza?

Queimar. Acender o cigarro. Queima logo esse brau que eu já tô me coçando todinho.

Quem vai? Discreto convite que se faz para saber quem vai participar do cigarro. E aí, quem vai?

Quem se habilita? Pergunta que se faz para saber quem pode preparar a maconha ou apertar o cigarro. E aí, moçadinha, quem se habilita?

R

Regular. Sujeitar a regras ou reprimir o uso de maconha. Qualé, meu irmão, tá regulando o brau?

Regulão. Aquele que regula o uso de maconha. Fumar junto com regulão é foda!

Resenha. Demora (para passar o baseado). Chegou na Shirlene, é uma resenha…

Rodada. 1. Passeio rápido para fumar. O mesmo que rolê ou rolé. A gente dá uma rodada e volta logo. 2. Giro completo que o cigarro faz num grupo que está fumando. Era tanta cabeça que só deu uma rodada!

Rodar. Passar o cigarro de maconha entre os que estão fumando. Esse negócio não roda não?

Rolar. Acontecer (a maconha). Vai rolar o baseado ou não vai?

S

Salvador. Pessoa que tem maconha e que oferece a quem não tem e está ávido para fumar. Pode ser complementado com “da pátria” em referência à novela da Globo O Salvador da Pátria. Chegou o nosso salvador!

Sauna. Diz-se do ambiente pequeno e fechado onde se reúnem pessoas para fumar. Esse carro tá a maior sauna!

Scud. 1. Maconha ou cigarro de maconha de excelente qualidade. Referência ao famoso míssil utilizado na Guerra do Golfo, em 1990-91. Tudo que eu queria agora era fumar um scud daqueles pra dormir. 2. Cigarro grande. Vai ver o tamanho do scud que tá rolando lá em cima da casa.

Se tocar. Aperceber-se de algo relacionado à maconha, geralmente comprometedor. A Dani tava com o baseado na orelha e nem se tocou.

Secura. 1. Forte desejo de fumar. Passei a semana toda na secura. 2. Falta de maconha. A cidade tá uma secura desgraçada. 3. Estado de baixa salivação causado pela maconha logo após fumar. Tem uma água aí pra matar essa secura?

Seda. Papel especial ou apenas mais apropriado para preparar o cigarro de maconha. Não acredito que a gente vai ter de parar numa lanchonete pra conseguir uma seda!

Segurar. Adquirir maconha. O cara segurou uma da massa!

Segura a coisa. 1. Expressão muito utilizada quando se quer fazer referência ao ato de fumar ou incentivar alguém a fumar. Vambora, menino, segura a coisa! 2. Bloco carnavalesco de Olinda que faz referências à maconha. O Segura a Coisa já tá saindo.

Social. Situação de caráter formal, geralmente envolvendo um ou mais não usuários, com a qual aquele que está sob efeito da maconha tem de lidar. Uma social costuma ser vista como algo incômodo e indesejado pelo fato de nela não se poder aproveitar devidamente o efeito da maconha, mas há usuários que apreciam lidar com tais situações e até se divertem. Usa-se: fazer a social, encarar uma social ou pagar uma social. A gente passa lá no velório, faz a social e vai embora.

Solto. Diz-se da maconha que não é prensada. Também usado no diminutivo. Ô saudade de um soltinho…

Só por causa disso. Expressão utilizada, por si só, como pretexto para se fumar. Só por causa disso eu vou apertar um.

Sugesta (é). 1. Susto desnecessário ou infundado que se leva por estar portando ou fumando maconha. Aquele carro da polícia me deu a maior sugesta! 2. Ação comprometedora por parte do usuário. Ei, Celsinho, te liga aí que tu tá dando a maior sugesta.

Sujar. 1. Comprometer. Para de andar com a Carol que tu vai te sujar rapidinho. 2. Ser flagrado com maconha, com usuários ou em situação afins. Ih, sujou!

Sujeira. Qualidade de pessoa, lugar, situação ou objeto comprometedor. Não acende agora que é sujeira!

Sugestivo. Cigarro de maconha. Vou apertar um sugestivo em homenagem à beatificação de Madre Paulina.

Sujo. 1. Qualidade da pessoa ou lugar ou objeto que possui caráter comprometedor e que por si só pode denunciar o usuário. Aquele bar já tá sujo. 2. Aquele que já teve problemas legais com relação a maconha. Metade dessa turma tá suja com a polícia. 3. Aquele que, por seu comportamento, não é bem visto entre os usuários e/ou entre os não usuários. Léo já fez tanta besteira que tá sujo em todos os bares daqui.

T

BaseadoNissoCapaMiragem-01aTapa. Cada tragada que se dá em um cigarro de maconha. Muitas vezes usado no diminutivo. Vou dar só um tapa e vocês fumam o resto.

Tapa na cascavel. Tragada no cigarro de maconha. O mesmo que tapa na pantera. Vou ali dar um tapa na cascavel e já volto.

Tarugo. Cigarro de maconha de grandes proporções. A Bel fumou sozinha um tarugo do tamanho do meu braço!

Tchauris. Cigarro de maconha. O mesmo que tcheuris. Quem foi que trouxe o tchauris?

Tchauri-tchuri. 1. Cigarro de maconha. Cadê o tchauri-tchuri? 2. Expressão vaga para se referir à maconha ou ao efeito da mesma, ou ainda sem qualquer significado específico, geralmente utilizada quando sob efeito.Tchauri-tchuri, cumade!

Tcheuri-tchuri. O mesmo que tchauri-thcuri.

Tcheuris. O mesmo que tchauris.

Tchonga. 1. Maconha. A pergunta que não quer calar: cadê a tchonga? 2. Cigarro de maconha de tamanho considerável. A gente carburou uma tchonga da grossura de um coqueiro.

Texto. Designação discreta para maconha. Passa aqui que eu tenho um texto bacana pra você ler.

THC. Tetrahidrocanabinol. Principal substância psicoativa da maconha. Nas aulas de ciência política, a melhor coisa que aprendi foi que THC é melhor que FHC.

Tirar a cara. Fumar um cigarro para sair do estado de cara, em que não se está sob efeito da maconha. O mesmo que livrar a cara. Informo à Vossa Majestade que os Beatles foram ao banheiro do palácio tirar a cara.

Tó. Forma resumida de toma, muito utilizada quando o usuário, ao fumar, quer passar o cigarro mas não quer deixar escapar a fumaça pela boca. Tó…

Toco. Cigarro grosso de maconha. Vou apertar um toco em homenagem às formigas.

Tora. Cigarro de grande proporção. Vai precisar de duas pessoas só pra acender essa tora.

Torpedo. Cigarro de grande proporção. A especialidade da Luíza é apertar torpedo.

Tragar. Engolir a fumaça do cigarro e fazê-la sair, a maior parte, pelo nariz. Bill Clinton fumou mas não tragou.

Trago. Ato de fumar maconha. O mesmo que pega e pau. Ah, relaxa, só esse trago e a gente sai.

Tratar. Preparar a maconha para a confecção do cigarro. Consiste em picar em pequenos pedaços após retirar galhos e sementes. O mesmo que triturar, debulhar e destrinchar. Você trata e eu aperto.

Tripinha. Pequeno e fino cigarro de maconha. Não se empolgue não que é só uma tripinha.

Triturar. Ver tratar.

Troncho. Aquele que fumou e ficou de tal modo que o corpo parece torto e a expressão aparvalhada. A Juliana tá toda troncha, olha lá.

Trouxinha. Pequenino embrulho de maconha em forma de trouxa. Um fim de semana inteiro pela frente e só tem essa trouxinha?!

U

Um. Cigarro de maconha. Alguém tem um?

Unzinho. Denominação carinhosa para o cigarro de maconha. Variação: unzito. Vai rolar unzinho lá no banheiro, quem vai?

Usuário. Denominação de caráter mais social para quem fuma maconha. Em certos contextos distingue quem fuma de quem trafica. Nas pesquisas eu sou usuário, nos programas policiais eu sou maconheiro.

V

Vacilão. 1. Aquele que comumente age sem cuidado em sua relação com a maconha. Nunca vi um cara mais vacilão! 2. Aquele que diz ou faz bobagens quando fuma, permitindo que outros percebam que ele está sob efeito da maconha. Olha a vacilona lá, estirada na grama!

Vacilar. Agir sem cuidado, de forma a comprometer-se em relação à maconha. Paulinha tá vacilando demais, daqui a pouco dança.

Vela. Cigarro de maconha comprido. Olha o tamanho da vela!

Veneno. Maconha da melhor qualidade. Às vezes é complementado com de rato, em referencia à potência do veneno. Pô, mas que veneno!

Viajandão. Aquele que se encontra inteiramente absorto no efeito da maconha, geralmente em estado de contemplação. Fui assistir The Wall e só tinha viajandão na plateia.

Viajar. 1. Usufruir plenamente do efeito da maconha. Vou fumar um e viajar naquele livro! 2. Dizer ou fazer algo estranho, interessante, engraçado ou sem sentido, por ter fumado. Esquece o que eu disse, viajei.

Voyage. O mesmo que viagem (originado do francês). Ih, ó o cara… Na maior voyage!

X

Xavier. Aquele que regula o fumo. Oriundo de Regulador Xavier, famoso preparado à base de extratos vegetais para distúrbios da menstruação. Ei, Xavier, aqui também tem gente querendo fumar, viu?

Z

Zé. Maconha ou cigarro de maconha. Ah, se o Zé estivesse aqui…

Ziquizira. Efeito incômodo da maconha. Saí no meio do filme porque me deu uma ziquizira…

Zoado. Sob efeito da maconha, levemente confuso e/ou atordoado. Ainda tô zoado.

Zoeira. Confusão sonora ou de ideias causada pela reunião de pessoas sob efeito da maconha. Putz, mas que zoeira!

Zumbi. Pessoa sob forte efeito da maconha, de gestos lentos ao modo de um zumbi. Variação: zumbizado. O bagulho era tão bom que ficou todo mundo zumbi.

Zureta. Sob efeito da maconha. Não me pergunte coisa difícil que eu tô zureta.

Zuruó. Sob efeito da maconha. Equivale a zoado e zureta. Tá dando pra notar que eu tô zuruó?

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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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Este texto integra o livro
Baseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Oi Ricardo Cara, eu ri demais “No Dia em que papai e mamãe ficaram muito doidos” hahahaha… isso já valeu o meu domingo. Beijos. Ana Cristina Souto, Fortaleza-CE – jan2006

02- Adorei o Mingo! Ele só destruiu todos os meus ídolos de infância, mas…tudo bem!Beijos Kelmérico. Cinthia Azevedo, Fortaleza-CE – mar2006

03- Pois eu ganhei o Baseado Nisso de presente de um amigo, na realidade ele sempre me mandava alguns textos seu por email e eu curtia muito então no meu aniversário ele me deu… inclusive está assinado … hehehehe Adorei dimais… a ponte dos pergaminhos metálicos… pirei… ahahahahaha. Julia – mai2006

04- bom pra começar o livro é da minha irmã e eu por mta curiosidade por conta do título não resisti… confesso que as histórias são fascinantes de modo que não se consegue parar de ler… bom eu acho q ela comprou na net… não sei bem Parabéns pelo sucesso…. Nycka, São Paulo-SP – mai2006

05- passei para lhe dizer que adorei ter lido um de seus livros foi a minha cunhada que me deu esta ai da sua lista de amigos a Rildete, ela virou fã mesmo e consequentemente eu também… (rsrs) abraços. Nanda Vasconcelos, Fortaleza-CE – mai2006

06- Terminei de ler “O Último Homem do Mundo” e confesso que eu me senti agradavelmente surpresa com o final. Na verdade, eu me encantei com toda esta estória que me parece tocar em sentimentos profundos de uma maneira simples e bem humorada. Acho que neste conto vc descreveu muito bem o horror e a solidão que podem acompanhar o prazer sem limites. Interessante que “ao acordar” o Agenor sentiu necessidade de pedir desculpas para a Dorinha. Muito meigo e belo…, sabia?! Bj_. Kátia Regis Albuquerque, João Pessoa-PB – out2006

07- beleza, muito bom o baseado! Cesar de Cesário, Campina Grande-PB – out2006



A profecia

18/05/2010

18mai2010

BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04a.

Este conto integra o livro Baseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha, de Ricardo Kelmer

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A PROFECIA

A maconha terráquea, melhor da galáxia, está faltando no mercado. Os culpados são os mulgélicos, fanáticos religiosos que tomaram o poder no planeta. O Conselho Galático precisa decidir o que fazer
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A SRA. ZIEGR, PRESIDENTA do Conselho da Confederação Galática, entrou na sala e ocupou sua poltrona à grande mesa. Ela trazia o semblante sério e nas mãos alguns envelopes.

– Conselheiros, bom dia. Convoquei-os a esta reunião extraordinária porque acabo de receber o relatório do Centro de Registros. Como é de conhecimento de todos, fatos preocupantes estão acontecendo no planeta Terra. Por causa deles seremos obrigados a cortar o suprimento da canabis terráquea a todos os planetas confederados por tempo indeterminado.

O rumor na sala foi geral.

– Silêncio, por favor, silêncio!

Mas os rumores cresciam e a presidenta Ziegr teve de bater na mesa. Ela entendia perfeitamente o porquê da indignação. Todos já haviam protestado em reuniões anteriores pela diminuição da cota de canabis terráquea para seus planetas e alertavam para o perigo do corte definitivo.

– Eu sabia que isso ia acontecer! – protestou o conselheiro Baqt. – Todos sabiam. Menos o Centro de Registros.

– Por favor, conselheiros. Deixem-me mostrar o relatório antes de discutir o que faremos.

As vozes se calaram e a presidenta Ziegr passou a ler o relatório. Ele dizia que a canabis já não podia ser encontrada com facilidade no planeta Terra e que já se estudava a possibilidade de pesquisar outros planetas para o plantio.

– Bobagem! – levantou-se Baqt, irritado. – Todo mundo está cansado de saber que, exceto a Terra, nenhum planeta desta zona da galáxia reúne condições perfeitas para o plantio da canabis!

– Isso mesmo! – complementou uma conselheira. – Por que gastar verbas com pesquisas inúteis? Precisamos intervir antes que a canabis terráquea seja totalmente extinta.

– Exatamente! Minha família, por exemplo, não fuma um baseado que preste faz mais de um ano disse Reuzaramon, o mais velho dos conselheiros.

Ziegr escutou com paciência mais algumas considerações. Estavam todos revoltados. Então prosseguiu:

– Conselheiros, a canabis terráquea é material estratégico para a galáxia, todos nós sabemos. Foi ela que propiciou o desenvolvimento ecológico dos planetas confederados e lhes permitiu superar a delicada fase do término dos combustíveis fósseis. Para isso, no entanto, durante milênios as naves da Confederação abordaram a Terra e, na calada da noite, de lá retiraram a canabis para abastecer nossos mundos.

– Eram os deuses astronautas? Não. Eram os deuses maconheiros – sussurrou Reuzaramon para o colega ao lado.

– Agimos assim porque precisávamos da canabis, claro, mas também porque os terráqueos não estavam preparados para nos conhecer – continuou Ziegr. – Agora, porém, grandes mudanças operam naquele planeta e exigem que tomemos uma posição.

– São os mulgélicos, aposto!

– Eles mesmos – respondeu Ziegr.

– Calhordas! – gritou Baqt, erguendo-se. – Por causa deles só estou fumando maconha de Fens, aquela porcaria.

– Conselheiros, semana passada a nave da Monitoria 54 resgatou, da órbita da Terra, uma pequena cápsula contendo informações valiosas. São textos e imagens sobre o momento atual da Terra e que confirmam as informações do relatório do Centro de Registros.

Ziegr entregou a cada um dos conselheiros um óculos projetor, pediu que cada um assistisse com atenção e encerrou a reunião, avisando que prosseguiriam à tarde.

Reuzaramon, o mais velho dos conselheiros, rumou para o jardim dos fundos do prédio, lá era mais agradável. Sentou-se num banco, pôs o óculos projetor e ligou. Enquanto as imagens tridimensionais se formavam à sua frente, ele escutava…

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A Ecologia toma impulso no planeta Terra no fim do segundo milênio da era cristã com a constatação de que a sociedade industrial e tecnológica produzia riqueza e conforto, mas também gerava um enorme perigo ao planeta e a todas as formas de vida. A partir daí uma crescente conscientização ecológica desenvolveu-se e direcionou os rumos de uma nova noção de desenvolvimento para o planeta: o desenvolvimento sustentável, onde a prioridade é manter os avanços tecnológicos sem abrir mão do equilíbrio ambiental.

No primeiro século do terceiro milênio um acontecimento crucial vem somar-se a toda essa revolução: a canabis, até então criminalizada em quase todo o planeta, é reconhecida oficialmente pela maioria dos blocos geopolíticos como matéria-prima estratégica para a sociedade. O baixo custo, a alta performance produtiva, a não necessidade de agrotóxicos e o seu caráter limpo e renovável a credenciam como a grande alternativa ecológica para a crise dos combustíveis fósseis que se instalara no mundo.

Assim, sob recomendação da ONU, os blocos geopolíticos mudam suas leis e legalizam a canabis. Cultivar, comercializar e consumir maconha deixa de ser crime, e as leis referentes a ela se inspiram nas leis que regulamentam outras drogas legalmente aceitas como o álcool. Dessa planta altamente estratégica extraem-se milhares de produtos essenciais ao dia a dia da sociedade, permitindo que o mundo respire aliviado após décadas de medo e incertezas quanto à saúde do planeta. A planta mostra-se eclética a ponto de ser utilizada também, e com muita eficácia, na medicina terapêutica.

Junto à canabis, outros recursos naturais também passam a ser utilizados dentro dos princípios do desenvolvimento ecológico. A canabis, porém, logo apresenta-se como carro-chefe dessa transformação, pois à sua intensa utilização industrial vem juntar-se o tema das liberdades individuais, gerando providenciais discussões sobre a relação do ser humano com as drogas e a questão do tráfico, da violência e dos interesses econômicos, além de questionar a eficácia dos programas de saúde pública e o tratamento policial dispensado ao usuário.

Nem todos, porém, concordam com isso. Ocorrem protestos em vários setores da sociedade e uma nova organização político-religiosa surge para combater o que ela entende por “exageros da democracia”, como o uso livre da maconha. São os autodenominados mulgélicos (multidões angelicais), fanáticos religiosos de caráter ultraconservador que cultuam a tecnologia máxima e defendem o terrorismo como forma de garantir seus valores. A eles se juntam todos aqueles que discordam da legalização da canabis, e assim a organização cresce e promove atos terroristas por todo o mundo, utilizando tecnologia química e biológica contra a população. Com discurso sedutor às mentes religiosas e amedrontando a muitos com sua política ultrarradical, tomam o poder em alguns blocos e aos poucos conseguem exterminar os principais líderes democráticos.

Estamos sob domínio dos mulgélicos há uma década. Eles governam o mundo globalizado, convocando todos a se entregar aos braços de seu deus, que em breve, creem eles, voltará para carregar os abençoados consigo rumo ao Paraíso, abandonando na Terra os seguidores de Satanás. Os mulgélicos perseguem aqueles que não comungam da crença de seu deus e castram as liberdades individuais conquistadas. Para eles, a canabis é a personificação do Mal e precisa ser combatida com toda a força e métodos possíveis. De nada adiantam os argumentos médicos e sociológicos, de nada valem os direitos humanos: os usuários passam a ser perseguidos pelo mundo inteiro e mortos com crueldade. E o cultivo da canabis, novamente proibido, abre caminho para o retorno de antigas, caras e poluentes formas de produção industrial, intoxicando novamente o planeta e pondo em risco o equilíbrio ambiental.

O culto exacerbado da tecnologia torna cegos os mulgélicos e eles não percebem que estão conduzindo a espécie humana ao seu extermínio. Contra esses argumentos, e até mesmo contra todos os fatos, eles respondem que seu deus está chegando para resgatá-los e assim ficará provado quem está certo.

Hoje, vivemos num planeta praticamente esgotado de recursos naturais e a grande alternativa foi bloqueada pela política repressora dos mulgélicos. O ar, os rios e os oceanos estão sujos. A preservação da fauna e da flora não é mais importante – importante é tentar converter os infiéis. Catástrofes naturais acontecem todos os dias, mas os mulgélicos veem nisso o legítimo cumprimento de suas profecias, o sinal dos últimos dias que antecedem a tão esperada chegada de seu deus.

A única possibilidade que nós, os resistentes dessa ditadura teocrática, vislumbramos foi pedir ajuda a outros planetas. Certamente, há vida em outros mundos, e talvez eles tenham passado por problemas semelhantes aos nossos. Talvez seus habitantes possam ajudar a Terra a reencontrar o caminho das liberdades individuais e do desenvolvimento autossustentável.

Isso é um pedido de socorro interplanetário. Talvez ainda haja tempo de salvar este planeta que já foi tão belo. Ainda podemos reaprender a respeitar as liberdades que pertencem ao ser humano. Clandestinamente, ainda cultivamos os últimos exemplares da canabis em plantações disfarçadas, o que nos proporciona raros momentos de prazer e a esperança de que ainda podemos retomar o crescimento interrompido. Mas tudo está por um fio, pois não sabemos até quando o planeta suportará.

Nosso plano é soltar esta mensagem no espaço, feito uma mensagem de náufrago. Talvez consigamos. É uma operação arriscada e com poucas chances de sucesso. Mas talvez alguma nave a recolha e esta mensagem alcance boas mãos.

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Reuzaramon retirou o óculos projetor e olhou para o céu. Terra…, sussurrou ele. Era realmente um belo planeta. Lembrou que seu planeta natal vivera problemas semelhantes aos que os terráqueos agora viviam e que a história da evolução das espécies era sempre marcada por momentos cruciais onde velhos e novos valores protagonizavam o dramático teatro do mito do Juízo Final. Antes da criação da Confederação Galática muitos planetas morreram, e com eles o seu povo, por não saber encontrar seu próprio caminho de democracia e desenvolvimento sustentável. Hoje, a Confederação, ciente de que a morte de um planeta empobrece o Universo, estava sempre atenta para tentar ajudar – mas somente quando isso representava a última chance, pois o sagrado princípio da soberania dos mundos regia a Constituição Galática.

O velho conselheiro levantou-se do banco, guardando o óculos no bolso. Olhou mais uma vez para o céu e depois seguiu para a sala. Talvez fosse mesmo o momento da Confederação intervir.

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BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04a– MUITO BEM, CONSELHEIROS – falou a presidenta Ziegr, contando os votos. – A maioria considerou que o Conselho deve intervir no planeta Terra. E que não podemos mais continuar roubando maconha de lá.

– Exatamente. O que está em jogo são os interesses da Galáxia.

– Isso mesmo! Os desvarios de um grupo de fanáticos religiosos não podem interromper a evolução do Universo.

– Mas como interviremos no planeta sem desrespeitar sua soberania? – insistiam os que não concordavam com a intervenção.

Reuzaramon pediu a palavra.

– Conselheiros, nenhum planeta é autônomo no último sentido do termo. Sabemos que todos os mundos estão ligados numa interdependência sutil, mas vital, e o que é feito a um repercute em todos. A Terra é apenas um dos elos dessa imensa corrente que se chama galáxia, que por sua vez é apenas um dos elos do Universo, que por sua vez é apenas um dos muitos universos possíveis. Quanto mais abrangemos nossa compreensão da realidade, mais percebemos o quanto tudo está ligado. O que acontece na Terra está influenciando o destino de outros mundos, e por isso a Confederação deve intervir.

– Você fala assim porque não é o seu mundo que será invadido!

– Conselheiros, por favor, deixem-me terminar. A espécie humana já está madura o suficiente para compreender que não está sozinha no Universo. Além disso, a canabis da Terra é a melhor de todas e ela é indispensável à evolução do planeta. Sem ela, não haverá desenvolvimento autossustentável. Sem ela, a Terra corre o risco de se destruir. E sem a Terra, senhoras e senhores deste Conselho, a Via Lactea enfrentará um grave desequilíbrio.

Reuzaramon foi aplaudido pela maioria. E mesmo os reticentes quanto à intervenção viram sentido em seus argumentos.

– A intervenção já foi decidida – falou Ziegr. – Mesmo assim, resta uma dúvida. Como faremos? Não podemos atacar os mulgélicos, nem podemos plantar canabis no planeta às escondidas.

– Que tal envolver o planeta numa grande baforada de maconha? – brincou alguém. – Assim todos finalmente experimentarão e tirarão suas próprias conclusões…

– O verdadeiro efeito estufa!

– Ou podemos fornecer armas com balas de canabis para os resistentes atirarem nos mulgélicos…

– Conselheiros, por favor. Precisamos de um plano de intervenção pacífica, sem comprometermos nossa carta de princípios. E não dispomos de muito tempo.

– Talvez possamos convencer os mulgélicos a retomar o crescimento ecológico – propôs uma conselheira. – Eles têm de entender que não há outra saída para o planeta deles.

– É inútil, minha senhora – falou Reuzaramon. – Para um fanático religioso, quem não está com ele, está de mãos dadas com o Mal.

Chegaram ao incômodo impasse. A intervenção se fazia necessária, mas parecia não haver maneira de realizá-la sem ferir os princípios éticos da Confederação. Até que Reuzaramon ergueu o braço.

– Amigos, acho que vislumbrei a saída do labirinto.

Todos olharam curiosos para ele.

– Nós sabemos o que pensam os terráqueos, sabemos sobre suas crenças e suas profecias. Isso é tudo que precisamos.

– Explique melhor, Reuzaramon – pediu Ziegr.

– Muitas profecias terráqueas falam do Juízo Final. Parte dos terráqueos já entendeu que a linguagem das profecias é simbólica, que “fim do mundo” é só o fim de uma fase, uma espécie de renascimento para a nova fase, tanto no âmbito individual quanto num âmbito social. Mas outros entendem ao pé da letra e acham que a salvação virá de fora. Estes se acham os eleitos e creem que seu deus, de fato, irá resgatá-los.

Todos ouviam atentos, curiosos por ver onde o velho conselheiro queria chegar.

– Ora, ora… As profecias se realizam porque no fundo as pessoas creem nelas. Se existe a profecia, então ela deve ser realizada.

– Sábias palavras, Reuzaramon. Mas quem vai realizar a profecia? E de que modo?

– Conselheiros… Esqueceram que quem acredita em deuses, precisa de deuses para viver?

Reuzaramon sorriu ao perceber que finalmente começava a ser compreendido.

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BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04aNAQUELA MANHÃ, as nuvens do planeta Terra se abriram e dos céus desceram naves gigantescas, milhares delas, espalhadas por todos os países. Trombetas soaram ensurdecedoras, para todos ouvirem, em todos os cantos do mundo. De cada uma delas saiu um anjo com roupa prateada e grandes asas reluzentes para avisar que o grande dia chegara e que os eleitos seriam levados.

– Aí está! – berravam os líderes mulgélicos com lágrimas nos olhos. – Aí está o Deus Todo Abençoado que veio resgatar seu rebanho querido!

A imprensa do mundo inteiro transmitia o fim do mundo. Nas residências, nas repartições, nas academias, todos se mantinham em frente à TV. Audiência total. Até os botequins estavam lotados.

– Ô, seo Manel! O fim do mundo chegou. Desce aí a saideira.

– Só se você primeiro pagar o que deve.

Os mulgélicos atenderam ao chamado e ocuparam rapidamente os assentos das naves, emocionados, gratificados por sua fé finalmente recompensada. Muitos tentaram se converter de última hora, mas não havia mais lugar nas naves.

– Eu até que queria ir, mas os cambistas estão explorando!

– Que dia pro fim do mundo! Deus podia pelo menos esperar passar o réveillon.

Ao fim da manhã, as naves partiram, levando todos os mulgélicos ao paraíso prometido. Uma nave, porém, a maior de todas, permaneceu no pátio da sede da ONU. Suspense. Bilhões de pessoas acompanhando pela TV. Uma voz ecoou, vinda da nave:

– Amigos terráqueos. Ouviremos agora o pronunciamento da excelentíssima presidenta do Conselho da Confederação Galática, sra. Ziegr.

A presidenta surgiu à porta da nave, de microfone à mão. Pigarreou discretamente e começou a falar:

– Serei breve, amigos terráqueos.

Ela fez uma pausa, juntou as mãos como quem implora, e perguntou:

– Alguém tem unzinho aí?

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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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O dia em que papai e mamãe ficaram muito doidos

18/05/2010

18mai2010

BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04a
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Este conto integra o livro Baseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha, de Ricardo Kelmer

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O DIA EM QUE PAPAI E MAMÃE
FICARAM MUITO DOIDOS

Juninho está preocupado. Seus pais decidiram experimentar um baseado para saber o que o filho via de tão bom nisso
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– Juninho, eu e sua mãe decidimos fumar um baseado com você.

O menino ficou olhando para os pais, sem acreditar no que escutava. Depois de tantos anos insistindo em conselhos, castigos e orações, seu pai e sua mãe resolveram experimentar para saber o que afinal o filho tanto via num cigarro de maconha. O importante era a união da família.

Juninho ficou tão surpreso, atordoado mesmo, que quando deu-se conta já havia entregue o baseado e seus pais estavam sentados em sua cama, fumando e tossindo. Juninho recusou-se a fumar também, inventou uma desculpa qualquer. Mas a verdade é que alguém tinha de ficar careta para segurar a onda.

– Não tô sentindo nada – reclamou a mãe.

– Calma, Vanda, demora um pouco – explicou o pai com ar de entendido. – Não é, Juninho?

– Você tá bem, mãe?

– Tô ótima, quer dizer, tô normal. Normalíssima – respondeu a mãe, rindo.

– Eu também – disse o pai. – Aliás, nunca me senti tão normal em toda a minha vida.

– Mãe, qualquer coisa tem leite na geladeira, viu?

– Vanda, há algo errado com minhas orelhas?

– Suas orelhas? – ela olhou curiosa para o marido. – Não, Afonso, por quê?

– Elas estão maiores, não?… – Ele apalpava as orelhas, intrigado.

– É normal, pai. É viagem.

– É normal as orelhas crescerem? – perguntou o pai, indo conferir no espelho do banheiro.

– Pois eu continuo normalíssima – observou a mãe, rindo. – Eu e minhas orelhas.

– Tem gente que não viaja da primeira vez, mãe.

– Vanda!!! Vem aqui correndo!

A mãe correu assustada. Chegou ao banheiro e deu com o marido se observando atentamente ao espelho.

– Eu sempre fui assim, Vanda? Sempre?

– Assim como? – Ela não compreendia. Juninho, atrás dela, muito menos.

– Como você pôde aturar essa barba horrorosa durante todos esses anos? Heim?

– Ué? Você sempre disse que era o seu charme…

– Sei não, acho que eu ficaria melhor sem barba.

– Pai… – Juninho começava a se preocupar.

– Não acredito! – exclamou a mãe, erguendo as mãos. – Minhas preces foram ouvidas!

– Mãe, não deixe… – pediu Juninho, assustado com o rumo das coisas. – Isso é viagem, mãe, é viagem…

– Então não se meta na viagem de seu pai – ralhou a mãe.

– Vanda, faz quantos anos que você não solta seu cabelo? – perguntou o pai de volta do banheiro, retirando de repente a fivela da cabeça da mulher. Ela tentou impedir, mas foi tarde.

– Afonso! Dá aqui, dá!

– Não fica melhor assim, filho? Sempre falei, mas ela nunca escutou.

– Pai, eu acho que… será que… vocês…

– Juninho, você tem algum CD aí pra eu dançar com sua mãe? O que é isso aqui?

– É rap. Acho que vocês não vão gostar muito não…

– Tá vendo, Vanda? Precisamos comprar uns CDs pra nós dois.

– Pai, bota um pouco desse colírio aqui…

– Afonso… – disse a mãe, o tom da voz levemente lânguido, como havia muito tempo ela não experimentava. – A noite está ótima… Bem que a gente podia ir dançar. Inaugurou um barzinho aqui perto…

– Sabe que você teve uma grande ideia?

– Não precisava pingar tanto, pai. Mãe, você tem certeza que…

– Vou tomar logo meu banho. Será que ainda sei dançar?

– E por que a gente não toma banho junto? Economiza água…

– Economiza água… Ahahahah!!! Economiza água… – repetiu a mãe, morrendo de rir.

Naquela noite, eles voltaram para casa às três da manhã. Juninho ainda rolava na cama, preocupado. Não conseguira dormir e muito menos estudar para a prova. Escutou abrirem a porta e experimentou um alívio imenso, que bom que estavam de volta. Os dois entraram se esforçando para não fazer barulho, mas não conseguiram.

– Afonso, você ficou um gato sem a barba…

– Aqui não, Vanda, vai acordar o Juninho…

Juninho virou para o outro lado. Não devia ter permitido, sabia que não devia. E se tivessem realmente gostado? E se ficassem viciados, o que podia acontecer? Seu pai tirara a barba depois de vinte anos, ficou tão estranho, não conseguiu olhar direito para ele. E se chamassem os amigos para fumar, o que eles achariam? E o trabalho deles, não podia prejudicar? E a mãe então, nunca vira a mãe rir tanto, parecia uma… uma louca. E se dessem muita bandeira e a polícia descobrisse, a vergonha que seria… Não podia fazer mal à saúde deles? Não era perigoso fumar e sair por aí?

Juninho puxou o lençol, fechando os olhos, tinha de acordar muito cedo. Bem, talvez fosse só empolgação, ele pensou, primeira vez é assim mesmo, pai e mãe são muitos inexperientes para fumar maconha.

Do corredor, ainda chegavam as vozes, abafadas:

– Afonso, onde será que ele guarda?
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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04a> Este conto integra o o livro Baseado Nisso
Liberando o bom humor da maconha

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Oi Ricardo Cara, eu ri demais “No Dia em que papai e mamãe ficaram muito doidos” hahahaha… isso já valeu o meu domingo. Beijos. Ana Cristina Souto, Fortaleza-CE – jan2006

02- adorooooooooooo muito bom…rs. Magna Mastroianni, São Paulo-SP – abr2011

03- Adorei!!! Aliás, tenho lido vários, e tá difícil não gostar de algum, viu?rsrs. Bjão!! Simone Marini, São Paulo-SP – abr2011

04- Esse Ricardão!!! ahahahah :* Gisela Symanski, Porto Alegre-RS – abr2011



Lolita, Lolita

03/09/2009

03set2009

A calcinha desce suave pelas coxas finas, beija os joelhos, pousa nos pezinhos… Engulo seco. Diante de mim a luz dos meus dias, fogo em minha alma

LolitaLolita-04

LOLITA, LOLITA

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A cena sempre me extasia, sua língua faceira saltando três vezes… Olho em silêncio enquanto ela lambe o papel, fecha o baseado e acende, segurando na ponta de seus dedinhos finos. Ela puxa a fumaça devagar, os olhinhos fechados, tão linda… E eu amo sua boca enquanto ela solta a fumaça. A boca. Que ela sempre esquece entreaberta, na medida exata, meio dedo, ela faz de propósito, sabe que não resisto. O que essas colegiais andam aprendendo no recreio?

Vai, fuma, minha amiga quem me deu, você vai gostar. Hoje não, meu anjo, obrigado. Ah, é, pois só de mal não vou fazer aquilo. Então cumpro minha parte no trato, dou uma tragadinha, o suficiente para que a doce chantagista se satisfaça. Ela me mostra a língua, me chama de velho careta. Entendam, quero sóbrios os meus sentidos, para depois passar todas as imagens, uma por uma, e recordar… e recordar… até que seja novamente terça-feira.

Trancada a porta da suíte. Cerradas as cortinas. Os pequenos cuidados de sempre. Mas as cortinas, eu sei, ela depois abrirá para olhar a cidade, ela e seu prazer de me desobedecer. E eu paciente a puxarei para dentro, perigoso ficar na sacada, meu anjinho, eu já disse, principalmente assim de calcinha. Ela protestará, claro: Seu chato, parece meu pai! E citará probabilidades, uma chance em mil de alguém reconhecê-la ali no vigésimo andar. Mas vocês hão de convir, já foi sorte demais encontrá-la, não tenho mais idade para abusar do destino.

No frigobar, ela se diverte: iogurtes, suquinhos e chocolates que devora e guarda na mochila, levará para a amiga. Na TV, vibra com os clipes musicais, essas bandas modernas com nomes estranhos e garotos idiotas que ela adora, e zomba do meu ciúme cantarolando em seu inglês vacilante, o que me faz lembrar de seu curso, justamente onde ela deveria estar agora. Mas vocês vão entender, as terças são minhas.

Ela vem para a cama, lânguida e relaxada. Tira minha camisa e brinca com os pelos brancos do meu peito, me aperta as sobras da barriga. Com meu cinto, brinca de me chicotear, rindo como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Depois, salta da cama: Me dispa, escravo, é uma ordem. Sim, minha princesa.

Fico na ponta da cama, ela à minha frente. Tiro seu uniforme com cuidado, da outra vez rasguei a saia. Desabotoo a camisa e os seios pequenos me olham. Pergunto se estão com saudade e ela os move para cima e para baixo: Siiiim, estamos… E outra vez morre de rir. As meias brancas mantenho no lugar, quase no joelho, gosto assim. A fita no cabelo também. Ela ergue a saia plissada e surge a calcinha, hoje é azul claro, combina com a tarde. A vontade é de arrancá-la, me controlo, o coração quer sair do peito. A calcinha desce suave pelas coxas finas, beija os joelhos, pousa nos pezinhos… Engulo seco. Diante de mim, a luz dos meus dias, fogo em minha alma.

É nas curvas de seu corpo quase infantil que eu me desgoverno: tento dirigi-la, mas ela faz o que tem vontade e minhas juntas sofrem para segui-la. Ela geme sob o peso de meu corpo, dança sobre ele, senta em meu rosto, vira de costas, sim, sou tua Lolita, para sempre, siiiim… Lembro do trato e ela cumpre a promessa, bebendo-me até a última gota, adora observar minhas reações. Depois, na telinha da máquina, ela apaga as fotos em que está feia e zomba da minha expressão apaixonada, manda por e-mail, pliiis, você nunca manda, malvado. Ela me oferece chiclete, e diz que a amiga quer um dia participar também… Paro, sem acreditar no que ouço. Você não devia ter contado, nossa felicidade não precisa de mais ninguém! Mas ela é minha amiga… Foda-se sua amiga, já falamos disso, quer estragar tudo, tem merda na cabeça?!

Vamos em silêncio até o shopping, uma lágrima escorre de seu olho. Que eu não vejo porque não ouso olhar, mas sei, porque é a mesma lágrima que tremula no meu. Paro e ela sai do carro, fecha a porta. Três passos e retorna, e emoldura o rosto na janela, e sussurra: Fica assim não, desculpa… A boca. Por favor, não quero que acabe, pliiis… A boca entreaberta, meio dedo. Meu coração se derrete. Entrego-lhe o dinheiro do cinema e do lanche, mais um pouco para gastar com bobagens. Te amo, ela diz sorrindo, e eu respondo eu também. Ela conta orgulhosa que verá seu primeiro filme de catorze anos e, como se revelasse um segredo mortal, diz que a amiga entrará com carteira falsa. Não precisa correr, meu anjo, tem tempo. Mas ela já se virou. E lá se vai minha Lolita, correndo estabanada pelo estacionamento, mochila às costas, as pernas, as meias brancas. Tão linda em seu prazer de me contrariar.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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– Este conto integra o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
– Este conto integra o livro
Indecências para o Fim de Tarde

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LOLITA E VLADIMIR NABOKOV

VladimirNabokov-01Vladimir Nabokov nasceu em 22 de abril de 1899 em São Petersburgo, na Rússia. Morou na Inglaterra, Alemanha e a partir de 1940 viveu nos Estados Unidos. Morreu em 1977, na Suíça. Seu romance Lolita, publicado originalmente em 1955, é seu livro mais conhecido. A história do amor entre o quarentão desequilibrado e sua enteada de doze anos foi traduzida em dezenas de línguas, gerou duas versões cinematográficas (1962 e 1997) e deu origem aos termos lolita e ninfeta, significando meninas adolescentes ou menores de idade sexualmente precoces.

> Covering Lolita – Sessão do site do estudioso alemão de literatura Dieter Zimmer, que reúne capas de edições de Lolita, publicadas desde 1956 em dezenas de países.

A menina que teria inspirado “Lolita” – Um novo livro aprofunda a relação entre o romance de sucesso de Nabokov e a história real de Sally Horner, de 11 anos, sequestrada e maltratada por um pedófilo em 1948
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O PRIMEIRO PARÁGRAFO de Lolita é considerado por muitos como uma das mais belas introduções da literatura ocidental.  Eu, particularmente, concordo.

“Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.”

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-06O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir, mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

Bettie Page, nós te amamos – Ela é um ícone da moda, da arte erótica e também do universo BDSM, inspirando artistas e fetichistas

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o fim de tarde
Ricardo Kelmer, contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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Seja Leitor Vip e ganhe:

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01- Rica, Lolita merece todas as homenagens. Amor de perdição, amor de redenção – e não é sempre assim? Mas você ainda vai demorar para virar um Humbert Humbert, um velhinho tarado. Quarenta anos é uma idade ótima, ótima! Ana Beatriz Nogueira, Brasília-DF – jul2005

02- Caraca , mermão! Fiquei zonzo. Sem saber o que pensar. Sem saber o que dizer. Mas cheio de imagens retidas na retina da memória. Se eu fosse fazer algum comentário, arriscaria um que é um grande lugar-comum, eu sei, mas foi o que me bateu: senti falta de conhecer um pouco mais essa Lolita, de perscrutar algumas de suas motivações, ainda que difusas, próprias de uma adolescente, uma adolescente que já é muito diferente das adolescentes de quando estávamos no segundo grau, quanto mais em relação àquela criada por Nabokov. Acho que o amigo fez uma crônica-conto, que deixa no leitor a sensação de que há muito mais pra contar. Aliás, percebo que já estava entregue ao prazer do conto, tanto é que nas linhas finais já me via na expectativa de alguma surpresa, alguma reviravolta típica de conto. Mas o final teve sabor de crônica-poesia. Como diria Leminski, a vida é mesmo crônica. O que “ falta ” neste texto provavelmente só atesta sua qualidade. Marcelo Pinto, Rio de Janeiro-RJ – jul2005

03- Tá ótimo! Deu bem a idéia da estória toda numa página só! Eu não li o livro mas vi o primeiro filme e o remake. E gostei, é muito perverso porém. Isabella Furtado, Modena-Itália – jul2005

04- Quarentão, careca, e agora perdido por garotinhas! Esse não é o Ricardo Kelmer que conheci. Um beijo saudoso, e lembre-se de que, ao meu lado, voce sempre serah o garoto… Clotilde Tavares, Natal-RN – jul2005

05- Bela… Lolita. Bjo. Graça Carpes, Rio de Janeiro-RJ – jul2005

06- He,he,he, As Lolitas de hoje não são “tão puras” como a do nosso nobre Nabokov, né? Sinal dos tempos … Álvaro de Paula, Fortaleza-CE – jul2005

07- Oi, Ricardo. Bem que poderia haver a versão homo de lolita..já pensou eu iria adorar e se eu fosse o lolito seria melhor ainda…rsrsrsrr. Abraços. Fabiano, Fortaleza-CE – jul2005

08- Adorei a crônica, achei bem sensual, mas talvez incentive o assedio a jovens meninas. Cacilda Luna, Fortaleza-CE – jul2005

09- Primoroso… Nelson Neraiel, Rio de Janeiro-RJ – jul2005

10- Uma menina, só mesmo uma menina. Pobres velhinhos…kkkkkkkk! Muito bom. Adorei. Mas uma pergunta cretina: o texto é só uma homenagem mesmo? Desculpa, não resisti 🙂 Luana Patrícia, Fortaleza-CE – jul2005

11- Olha, adorei essse texto da Lolita…Parabéns! Pela sua criatividade!!! Clécio Rhustem, Crateús-CE – jul2005

12- O filme é maravilhoso. Já vivi um amor louco desse. Lisa Mary, Fortaleza-CE – jul2005

13- oi, ricardo. li o teu texto “lolita, lolita”. gostei muito. escrevi algo num clima parecido. talvez queiras ver: http://www.fotolog.net/daimon/?photo_id=8958936 . abraço. Paulo Amoreira, Fortaleza-CE – jul2005

14- Oi Ricardo, Adorei o texto da ninfa (Nabokov ‘2005) principalmente o ” beija os joelhos e pousa…”. Puta tesão,,,. Agora que já tô quase acabando as 130 ou mais páginas da minha tese (parece ridículo pelo número!) talvez possa te devotar a atenção devida… a merecida, jamais!!!. Beijos. Valmir Menezes, Lisboa-Portugal – ago2005

15- Tornei-me sua fã recentemente desde que li um texto seu na página do IG. semanalmente abro seu site para ver as novidades. Você parece ser um estilo raro de homem não o conheço,mas mesmo assim me identifiquei algumas de suas produções,outras fiquei um pouco cismada como no caso de “lolita” me senti agredida não se foi porque já pasei dos trinta, ou se porque como mãe de duas garotas e ainda mais sendo professora tive a impressão de que estava lendo uma apologia ao sexo com menores de idade. De qualquer forma voltei outras vezes para desfrutar de suas idéias,li e vi sua revelação nos quarenta anos,Adorei seu texto suas fotos então…. bjs e muito sucesso!!!! Sua fã. Diva645 – Rio de Janeiro-RJ – out2005

16- li um texto seu (Lolita, lolita) e gostei muito… Trabalho com produção cultural, sou apaixonada por literatura e bons textos sempre me impedem de ficar calada, porisso tive que fazer essa pequena invasão pra lhe trazer as minhas congratulações! realmente é um texto polemico, mas gostei do seu jeito de escrever sobre um assunto tão polemico tornando a coisa assustadoramente natural… Um grande beijo! Wania Alvarez, Santos-SP – mar2006

17- Caramba, que realismo!Deus me vi quando ainda aos treze… Tanbém escrevo e deveras fiquei anestesiada, o comportamento de uma ninfeta é esse mesmo! Parabéns! Nádia Rosa de Castilho, São Francisco do Sul-SC – jul2006

18- O primeiro conto q li foi sobre a Lolita… sorriso… fiquei um pouco incomodada, sabe aquela coisa hipócrita de achar a menina mto nova, mas no fundo sentindo maior tesão pela coisa??? Pois é, lembrei também q sempre tive uma queda, não, um TOMBO, por homens assim 15, 20 anos mais velhos (e hj isto me é complicado… rsss). Ilde Nascimento, São Luís-MA – abr2009

19- E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R! sensacional!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Literatura pura, com romance, erotismo e poesia. Camila Briganti, São Paulo-SP – mai2011

 


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