Curso de Literatura Cearense

15/05/2020

15mai2020

Um patrimônio artístico-literário brasileiro que também é seu. Aproveite

CURSO DE LITERATURA CEARENSE

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O Ceará é um estado que traz a marca de grandes histórias, muitas delas fincadas na imaginação e em papel e, injustificadamente, ainda pouco conhecidas do público em geral.

Neste curso básico de extensão, com inscrições abertas a todo o país e certificação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), você conhecerá um pouco mais sobre a literatura aqui produzida, desde o século XIX à contemporaneidade, através de alguns de seus autores(as), grupos/agremiações literárias e obras referenciais, em consonância com os estudos da Literatura Brasileira, por meio de fascículos, videoaulas, podcasts e webconferências, material complementar da Biblioteca Virtual, e muito mais.

Aproprie-se desse patrimônio artístico-literário brasileiro que também é seu.

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Ricardo Kelmer 2017 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

Lugar de literatura é solta pela cidade – Com esses livretos, consigo que minha arte frequente as mesas dos bares, integrando-se à dinâmica boêmia da cidade e atraindo novos leitores

O dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Pesadelos do além – O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Kelmer no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

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Resistindo com arte e alegria

08/03/2018

08mar2018

Ocupar os espaços da cidade é reconquistá-la para seus devidos donos: o povo

RESISTINDO COM ARTE E ALEGRIA

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Quando voltei a morar em Fortaleza, em 2017, após 13 anos de perambulanças por rios e pauliceias, uni-me a alguns amigos escritores e amantes dos livros para realizar ações dentro da estratégia de inserir a literatura na agenda de entretenimento da cidade, ocupando praças, mercados e bares com eventos literários e aproximando autores e leitores. Entendemos que ocupar esses espaços com arte é um ato de resistência contra o abandono gerado pela violência, que nos faz órfãos de nossa própria cidade. Foi o que fizemos em 2017, e seguiremos fazendo em 2018.

Além dos planos literários, trouxe comigo a vontade de criar um bloco carnavalesco. Nos anos 80 e 90, eu organizava um bloquinho de pré-carnaval chamado Belas da Tarde, com homens vestidos de mulher a desfilar pela Beira-Mar num trenzinho, invadindo os hotéis a cantar os clássicos da Xuxa e aterrorizando os coitados dos turistas. Agora, porém, eu queria algo maior. Eu tinha o nome do bloco, Simpatizo Fácil, e a ideia de, com ele, oferecer não apenas entretenimento, mas fazer também política, erguendo bandeiras em defesa da arte, das liberdades, da democracia e das conquistas sociais.

No início de 2017, apresentei a ideia para minha amiga Vaninha, que gostou, mas, mulher multitudo que ela é, não teve tempo para mais um projeto. Então, deixei a ideia descansar. Em dezembro, falei com meu amigo Paulo Henrique e ele adorou. Começamos a trabalhar e Vaninha juntou-se a nós. Putz, só mesmo gente sem juízo se proporia a montar um bloco de carnaval, com festa de lançamento, eventos de pré-carnaval e carnaval, gravação da marchinha, camisetas, tudo em vinte dias. E com alta probabilidade de prejuízo financeiro. Pois foi o que fizemos. Viva os malucos!

Tendo como bar parceiro o Vilarejo 84, dos amigos Manuel e Emanuela, o Simpatizo Fácil faz sua festa no pré-carnaval aos sábados, numa ruazinha bucólica da Aldeota, a Clube Iracema, vizinho ao prédio da Receita Federal. Como o patrocínio que conseguimos banca apenas uma pequena parte dos custos (obrigado, Catuaba Selvagem e Syn Ice), precisamos vender muita birita e muitas camisetas. Sim, sabemos que muitos blocos nasceram, cresceram e morreram em pouco tempo, e às vezes, ironicamente, é o próprio sucesso do bloco que decreta o seu fim. De fato, não é fácil, mas estamos nessa porque curtimos o que fazemos, e porque amamos nossa cidade e não aceitamos perdê-la, nem para a violência e nem para a fraqueza do poder público.

Arte, literatura e alegria. Liberdade e democracia. Especialmente em tempos sombrios, acreditamos nisso. Precisamos acreditar.

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Ricardo Kelmer –
blogdokelmer.com

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> Simpatizo Fácil – facebook.com/simpatizofacil

PARCEIROS

Vilarejo 84, Aldeota – facebook.com/vilarejo84

Floresta Brasilfacebook.com/florestabrasilfortaleza

Boteco Vintage (Benfica)facebook.com/BotecoVintage

Cantinho do Frango, Aldeota (Cantinho Literário)
facebook.com/cantinhodofrango

Mercado Coletivo, no Mercado dos Pinhões, Centro (Anoitecer de Autógrafos)

FLLLEC – Fórum do Livro, Literatura, Leitura e Biblioteca
facebook.com/forumdeliteraturace

#catuabaselvagem #synice

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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Lugar de literatura é solta pela cidade – Com esses livretos, consigo que minha arte frequente as mesas dos bares, integrando-se à dinâmica boêmia da cidade e atraindo novos leitores

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Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

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A Literatura e a reconquista da cidade

13/11/2017

13nov2017

Ocupar os espaços da cidade é reconquistá-la para seus devidos donos: o povo

A LITERATURA E A RECONQUISTA DA CIDADE

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A 1a edição da Fresta Literária aconteceu em Fortaleza no fim de semana de 22 e 23jul de 2017. Durante dois dias, na Praça dos Leões, no Centro, celebramos a Literatura num descontraído evento que reuniu escritores e amantes dos livros em mesas de debates e também na mesa do bar. Fiquei muito feliz em participar.

O mote foi A Palavra e a Cidade, mas falamos e bebemos outras coisas como mercado editorial, políticas públicas e resistência cultural. Organizado pelo Coletivo Alumiar e pela Revista Berro, a Fresta Literária mostrou-se uma refrescante brisa no mormaço das dificuldades do fazer literário no Ceará. Parabéns aos organizadores e participantes. Que venha a próxima.

Neste delicado momento de retrocesso democrático pelo qual passamos, de perda de direitos tão arduamente conquistados e da imposição de políticas que beneficiam aos barões do capital em vez do combate às desigualdades sociais, ocupar os espaços da cidade com arte não é uma forma de escapismo, mas, ao contrário, é o modo pelo qual artistas e escritores podem unir forças e, com a população, mostrar ao poder público que estamos atentos, e resistiremos aos dias temerosos.

Sim, há violência nas ruas. Ela nos mantém acuados por trás de muros, vidros escuros e cercas elétricas, e nos afasta da nossa própria cidade. Mas ela não é aleatória. Essa violência nasce de outra, a desigualdade social, que se alimenta do descaso dos governantes e parlamentares que ignoram as necessidades básicas da população, inclusive a cultura. Eles que, aliados ao cinismo da grande mídia, seguem impunes com seus macabros rituais de sacrifícios humanos em nome do insaciável deus Mercado.

Cidadania não é um direito, que nos darão de bom grado. É uma conquista diária. Ocupar os espaços da cidade é reconquistá-la para seus devidos donos: o povo.

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Ricardo Kelmer 2017 – blogdokelmer.com

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Página da Fresta Literária: facebook.com/LiterariaFresta

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Vídeo de divulgação da 1a edição da Fresta Literária
Praça dos Leões, Fortaleza-CE – jul2017
Trecho da crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel

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Lugar de literatura é solta pela cidade – Com esses livretos, consigo que minha arte frequente as mesas dos bares, integrando-se à dinâmica boêmia da cidade e atraindo novos leitores

O dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Pesadelos do além – O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Kelmer no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

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01- Que nada cara. Obrigado você por topar inaugurar essa Fresta! Primeira de muitas. Valeu. Alexandre Ferraz Greco, Fortaleza-CE – jul2017

02- Sara Síntique, Fortaleza-CE – jul2017

03- O jogo de amarelinha entre a FRESTA. José Anderson Freire Sandes, Juazeiro do Norte-CE – jul2017

04- Que maravilha! Mateu Duarte, Lavras da Mangabeira-CE – jul2017

05- Que boa ideia! Toma lá uma canção: https://www.letras.mus.br/sergio-godinho/498155. Susana X Mota, Leiria-Portugal – jul2017

06- emersoN bastoS (assinei!) Emerson Bastos, Fortaleza-CE – jul2017

07- Quando sair da UECE (no sábado) vou lá. Deixe (se possível) um microfone aberto. Jose Leite Netto, Fortaleza-CE – jul2017

08- texto maravilhoso.. atitude também.. sou seu fã, Ricardo Kelmer… abrsssss. Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – jul2017

09- Musiquei um conto de José Roberto Torero sobre um analfabeto que copiava poemas para dar à namorada… lembrei disso tb.. abrs. Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – jul2017

10- E o carteiro que plagiava Neruda “a poesia não é de quem a escreve mas de quem precisa dela”. Susana X Mota, Leiria-Portugal – jul2017

11- Susana X Mota E olha só, ainda há analfabetos… Não perguntaste porquê? Susana X Mota, Leiria-Portugal – jul2017

12- Bacana Mermão!!! Parabéns!! Marcondes Dourado, Gama-DF – jul2017

13- Maravilha, Ricardo! Ótima programação! 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 Luciana Loreau, Nantes-França – jul2017

14- Grande texto, sobretudo iniciativa! Sucesso! Denis Akel, Fortaleza-CE – jul2017

15- Uooouuuuu. Tetê Macambira, Fortaleza-CE – jul2017

16- Espetacular essa programação! Heloise Riquet, Fortaleza-CE – jul2017

17- blz mano queria ser assim cara de pau que nem tu, poeta mundano mas sou muito comedido em minha arte, talvez porque não seja múltiplos que nem tu. Evaristo Filho Freitas, Fortaleza-CE – jul2017

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Lugar de literatura é solta pela cidade

20/07/2017

20jul2017

Com esses livretos, consigo que minha arte frequente as mesas dos bares, integrando-se à dinâmica boêmia da cidade e atraindo novos leitores

LUGAR DE LITERATURA É SOLTA PELA CIDADE

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De um ano para cá tenho vivido uma experiência bem interessante, que trouxe um novo sentido para a minha literatura e para a minha relação com a cidade onde vivo. Quero compartilhá-la com você nesta crônica.

Tenho uma dúzia de livros publicados, em impresso e eletrônico, que são vendidos em livrarias e sites. Mas isso não me satisfaz profissionalmente. É que eu gosto do contato direto com o público, e adoro misturar a literatura com outras expressões artísticas, como a música, o teatro e o cinema. Além disso, tenho um tesão danado nessa ideia de inserir a literatura nos espaços cotidianos da cidade. Livrarias e bibliotecas são importantes e devem ser valorizadas, sim, mas por que não levar a literatura aonde o povo está, realizando eventos literários em bares, em clubes, nas praças, na rua, na praia? É o que faço há alguns anos, em São Paulo e em Fortaleza, onde voltei a morar.

Nessa busca por uma relação mais íntima do meu trabalho com a cidade, decidi recentemente levar essa ideia mais adiante. Para isso, em 2016 e 2017, publiquei dois livretos de bolso, simples, com 48 páginas, grampeados. O primeiro foi Versos Safadinhos para Noites Românticas e Vice-versa, com 35 poemas sobre amor, paixão e desejo, e desenhos eróticos do artista húngaro Mihály Zichy, falecido em 1906. O segundo foi Trilha da Vida Loca – Contos do amor doído, que reúne seis contos baseados em sucessos românticos da chamada música brega, nos quais um drama amoroso beeeem sofrido segue a letra da música.

Eu poderia tê-los publicado por uma editora, como fiz com outros livros meus, mas preferi eu mesmo bancar os custos e ter o controle de tudo. Ou seja, são produções 100% independentes. Os livretos são vendidos apenas diretamente comigo, pessoalmente ou pela internet. Uma vantagem do formato bolso é que posso levá-los comigo a qualquer lugar, e sai baratim para o freguês, só cinco reais.

Pois bem. Com esses livretos, consigo que minha arte frequente as mesas dos bares, integrando-se à dinâmica boêmia da cidade e atraindo novos leitores. Tem sido uma experiência saborosa, que me faz sentir mais harmonizado com a cidade. A venda é importante, claro, principalmente porque ela viabiliza a segunda parte da experiência: os exemplares vendidos custeiam outros, que distribuo entre guardadores de carro, garis e vendedores ambulantes. Você já reparou? Essas pessoas estão sempre onde estamos, nos bares e espaços culturais, mas são invisíveis e não participam da nossa celebração da arte, e certamente jamais entraram ou entrarão numa livraria ou biblioteca. Distribuir meus livretos dessa forma foi um modo que encontrei de diminuir a distância social e de levar minha arte a outros públicos.

Você talvez pense que isso é dar pérolas aos porcos, que minha atitude é bela mas inútil. Pense melhor. Talvez, naquela noite, a poesia tenha sido companhia para alguém que é casado com a solidão das ruas. Talvez aquele ser invisível sinta prazer ao ler um conto, e depois queira ler outros. Uma noite dessas, ao sair de um bar, o guardador de carros me reconheceu e pediu outro livro, pois o seu ele dera para sua gata, que gostou muito. Ah, você quer um pra você, né?, perguntei. Ele, um tanto envergonhado, respondeu que não sabia ler, e depois emendou, malicioso: É pra outra gata acolá, ó.

Dei-lhe outro livro e fui embora rindo, satisfeito por ver que minha poesia ao menos anda favorecendo o nheco-nheco. Mas interessante mesmo era a bela ironia da coisa: um analfabeto que espalha literatura por aí pela cidade…

Eu sei que livros não mudam o mundo. Livros mudam pessoas. As pessoas é que mudam o mundo.

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Ricardo Kelmer 2017 – blogdokelmer.com

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Com garis, na 1a edição da Fresta Literária (Praça dos Leões, Centro, Fortaleza, jul2017)

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LIVROS

Versos Safadinhos para Noites Românticas e Vice-versa

Trilha da Vida Loca – Contos do amor doído

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O dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Pesadelos do além – O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Kelmer no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas

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01- Que nada cara. Obrigado você por topar inaugurar essa Fresta! Primeira de muitas. Valeu. Alexandre Ferraz Greco, Fortaleza-CE – jul2017

02- Sara Síntique, Fortaleza-CE – jul2017

03- O jogo de amarelinha entre a FRESTA. José Anderson Freire Sandes, Juazeiro do Norte-CE – jul2017

04- Que maravilha! Mateu Duarte, Lavras da Mangabeira-CE – jul2017

05- Que boa ideia! Toma lá uma canção: https://www.letras.mus.br/sergio-godinho/498155. Susana X Mota, Leiria-Portugal – jul2017

06- emersoN bastoS (assinei!) Emerson Bastos, Fortaleza-CE – jul2017

07- Quando sair da UECE (no sábado) vou lá. Deixe (se possível) um microfone aberto. Jose Leite Netto, Fortaleza-CE – jul2017

08- texto maravilhoso.. atitude também.. sou seu fã, Ricardo Kelmer… abrsssss. Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – jul2017

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10- E o carteiro que plagiava Neruda “a poesia não é de quem a escreve mas de quem precisa dela”. Susana X Mota, Leiria-Portugal – jul2017

11- Susana X Mota E olha só, ainda há analfabetos… Não perguntaste porquê? Susana X Mota, Leiria-Portugal – jul2017

12- Bacana Mermão!!! Parabéns!! Marcondes Dourado, Gama-DF – jul2017

13- Maravilha, Ricardo! Ótima programação! 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 Luciana Loreau, Nantes-França – jul2017

14- Grande texto, sobretudo iniciativa! Sucesso! Denis Akel, Fortaleza-CE – jul2017

15- Uooouuuuu. Tetê Macambira, Fortaleza-CE – jul2017

16- Espetacular essa programação! Heloise Riquet, Fortaleza-CE – jul2017

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Presídio de luxo, não, obrigado

12/04/2017

12abr2017

Se morasse num condomínio fechado, desses grandões com tudo dentro, eu não viveria essa rica experiência do contato diário e múltiplo com a vizinhança do bairro

PRESÍDIO DE LUXO, NÃO, OBRIGADO

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Já morei em casa e apartamento, em bairros diversos, em Fortaleza, Manaus, Rio de Janeiro, São Paulo e Braga (Portugal). Nessas morações todas aprendi que o melhor para uma cidade é que seus habitantes tenham contato contínuo entre si, ocupando as áreas públicas e encontrando-se em seu dia a dia nas variadas possibilidades que o espaço urbano oferece.

Já morei num condomínio fechado, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Nele, havia academia de ginástica, farmácia, salão de beleza e supermercado. Eu não me sentia à vontade lá. Na verdade, me sentia preso e isolado, junto a outros presos e isolados. E quando saía para a rua, continuava incomodado, pois grande parte do bairro é desse jeito, uma pista de alta velocidade ladeada por grandes condomínios fechados. Eu não fazia parte do bairro, eu era apenas um número de CEP. Diferente foi morar em Botafogo e Copacabana. Nesses dois bairros, mesmo com toda a confusão que lhes é típica, me senti acolhido e integrante da comunidade.

Atualmente moro em Fortaleza, no Centro, mas vou sempre a São Paulo. Lá, moro em Pinheiros, próximo à Vila Madalena, num prédio de quitinetes cuja porta dá direto na rua. Piso na calçada e imediatamente me misturo ao movimento geral de trabalhadores, desempregados, estudantes, artistas de rua, gente rica e gente pobre a ir e vir. O que pode parecer caos urbano na verdade me traz uma sensação boa de familiaridade e me faz sentir seguro. Vejo aquelas pessoas todos os dias, cumprimento-as, eu sei delas e elas sabem de mim, e ainda que nossas relações não se aprofundem, nós nos relacionamos sadiamente em nossas necessidades cotidianas. Se morasse num condomínio fechado, desses com tudo dentro, eu não viveria essa rica experiência do contato diário e múltiplo com a vizinhança do bairro, e nada garante que a viveria com os vizinhos de dentro do condomínio.

Quem mora em condomínios fechados geralmente só chega e sai de carro, o que dificulta bastante a convivência. A sensação de segurança é falsa, pois o isolamento fortalece o medo e gera desconfiança de quem está além dos muros eletrificados. Muro eletrificado? Poizé. Condomínios fechados são presídios, de luxo, sim, mas presídios, onde cada cela é comprada em longas prestações e promessas de proteção. Estão todos protegidos, mas presos e amedrontados, e pagando caro por isso. Gabam-se aos amigos de estarem cercados de segurança, mas não percebem o óbvio, que estar cercado é estar preso. Sem falar nas crianças, que nessas ilhas de autoexclusão crescem sem anticorpos para a realidade da vida e sem saber lidar com o diferente.

Sim, sim, há muita violência à solta na cidade. Mas muros eletrificados, câmeras 24h, vidros escuros e seguranças armados não podem trazer a paz que buscamos. Tamanha obsessão por investimento em segurança revela tão somente a cegueira de uma sociedade para a questão da desigualdade social, exatamente onde nasce a violência da qual ela tanto se protege.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

Rico não tem culpa de pobre ser pobre – Uma pequeníssima minoria acumula o mesmo que o restante da população

Democracia e regulação da mídia – A informação é um produto e, como todo mercado, o mercado da informação precisa de regras, caso contrário o grupo que tem mais dinheiro monopolizará a informação, para prejuízo da sociedade em geral

Roubalheiras, desigualdade social e o reconhecimento popular – Se hoje o povo usa essa lógica para manter o PT no poder, o motivo reside justamente na histórica insensibilidade, ou incapacidade, dos outros governos perante as necessidades mais urgentes do povo

Eles estão na fronteira – Milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

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COMENTÁRIOS
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01- boa reflexão! Lanna Carla Ribeiro, Fortaleza-CE – mai2017

02- Pois é..por este motivo gosto da Pinto Madeira rsrsrsrs. Franze Santos, Fortaleza-CE – mai2017

03- Adooro td junto misturado. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – mai2017

04- Nossa, falou tudo que eu falaria se escrevesse como você. Um beijo pra tu querido Ricardo Kelmer. Ana Lucia Castelo, Nova York-EUA – mai2017

05- Que texto perfeito, Ricardo Kelmer!!! Ana Velasquez, Corumbá-MS- mai2017

06- Mandou bem Kelmer!! Manasses Sousa, Maranguape-CE – mai2017

07- O melhor lugar é junto com todos. Angela Belchior, Fortaleza-CE – mai2017

08- Tenho resistido a viver nesse tipo de presídio, mas os muros altos, mesmo nas casas soltas me incomodam. Moro numa casa solta próxima ao Lago Jacarey e todas as minhas tentativas de interagir com a vizinhança têm sido mal sucedidas. A prisão está na cabeça das pessoas, Kelmer. Verônica Oliveira, mai2017

09- Maravilhosa reflexão e necessária. Quem gosta de gente, é outro papo! Cecilia Eckmann Oliveira, mai2017

10- 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 Fabiano Brilhante, Fortaleza-CE – mai2017

11- Super atual e contextualizado! Adorei. Os muros altos, as redomas, aliado ao aparato acanônico cada vez mais forte é falsa impressão de que estão seguros… seguro estávamos se pudéssemos sair das amarras e ocupar as ruas, as praças e os espaços públicos! Cada vez menos ocupados, por sua vez a cidade vive o abandono tanto do poder público/ gestores quanto das pessoas que por sua vez andam cada vez mais de carros, shoppings, distanciando a cidade de se povo! Aline Saraiva, Fortaleza-CE – mai2017

12- Me identifiquei de cara contigo, Ricardo Kelmer. Sempre achei q esses condomínios têm uma falsa ideia de segurança e bem estar. Gostoso é poder sair à rua a pé, e com ele ir à padaria, ao supermercado, tomar uma cachacinha bem ali na esquina.. Isso não tem preço! Meire Viana, Fortaleza-CE – mai2017

13- Mais abominável do que a Barra da Tijuca, só os condomínios da Barra da Tijuca.l Aquilo é um pesadelo. Johann Heyss, Rio de Janeiro-RJ – mai2017

14- 👍 👍 👍 Márcio Roger Braga, Fortaleza-CE – mai2017

15- É como costumo dizer, são bairros sem escala humana…os vícios e desvios da nossa urbanidade que afasta de si o coletivo e valoriza o individualismo. Dalila Tiago, mai2017

16- Verdade verdadeira… =) Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – mai2017

17- Kelmer daria um bom Flâneur na Paris do Segundo Império! Bem vindo à saudável modernidade e que se danem os condomínios (hospícios fechados)! Hannibal de Sousa, mai2017

18- Tens razão. Concordo. Marcia Soares Fernandes, São Paulo-SP – mai2017

19- padrão Doria higienista de moradia. Henrique Baima, Fortaleza-CE – mai2017

20- Excelente texto, primo! Sei, com propriedade, o que diz. 😘 Virginia Galvao, Brasília-DF – mai2017

21- Muito isso! Eu também acho o horror viver em condomínios fechados. Isso nos afastas das pessoas e, me parece, faz as pessoas que ali vivem se julgarem superiores às de fora, quando na verdade elas é que estão presas. Muito bem dito! 🙂 Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – mai2017

22- Por isso gosto de andar a pé. Vejo e converso com as pessoas, reparo as mudanças, qualidades e dificuldades da cidade. Vivo seu cotidiano e isso faz um bem danado. Virginia Bastos, mai2017

23- Excelente texto! André Marinho Marinho, Fortaleza-CE – mai2017

24- Vou andar é nú ! Andre Soares Pontes, Fortaleza-CE – mai2017

25- Como você, já mudei muito. Inicialmente sendo carregada pela profissão de meu pai e atualmente pela minha profissão. Diferentes cidades, bairros, prédios e costumes. Morei em uma Fortaleza quase “provinciana”, quando ainda era uma cidade pequena, segura e cheia de casas. Em Brasília, grande ilha da fantasia, tudo é feito de carro…de “garagem em garagem”, mas as quadras são grandes condomínios abertos e verdes, muito verdes. Quase um grande parque, porém com pouca calçada e portanto pouca chance de interação entre os habitantes. A segurança de caminhar tranquilamente encontrei em uma grande capital européia. De volta ao Brasil após vários anos, e assustada com a pouca segurança, me rendi às garagens da Capital Federal. Também não gosto de condomínios, muros altos e grades…mas o “sistema é foda” e te faz prisioneiro em liberdade. Cristiana Pontual, mai2017

26- Segura estou eu, que vivo no fim do mundo e no meio de nada. Carro aberto, vizinhos gentis ao lado, laranjas docinhas apanhadas na hora, gatos à solta e tomar banho de mangueira no pátio… Isto sim, é qualidade de vida! Susana X Mota, Leiria-Portugal – mai2017

27- Quase um arquiteto! Leia Cidade Caminhável do Jeff Speak. Constructo teórico para seu pensamento! 👏 👏 👏 Yvana Oliveira, mai2017

28- A Verdade e que nos Brasileiros temos que lutar para acabar com essa classe de bandidos com bons e reais presidios instrutores e recuperadores de cidadaos. E que tenhamos nossas casas abertas em bairro com arvores e uma boa comunidade. Eu moro na Lagoa do Paraiso ” vida rural ” perto da Grande Cidade Babilonia Top Cearense Jericoacoara. Quem quiser vir eh bem-vindo para conhecer e desfrutar a moradia. Edith V Dragaud, mai2017

29- Concordo! Em condomínio o que acho mais triste é a nossa privacidade comprometida! Tenho amigos que moram assim e insatisfeitas com vizinhas, que vão entrando sem marcar e sem pedir licença; oi amiga kd o café? Se sentam e aí ficam! Você vai sair, me leva? Ih….recebeu visita….quem era aquele gatão? Saiu foi tarde, não foi? Tem conta no banco do Brasil né?…. As crianças invadem sua casa atrás dos amiguinhos, buscando lanche revirando tudo! Condomínio pra mim só se for com os da familia, pois toda bagunça e perturbação é aceita e relevada! Oneide Braga, Fortaleza-CE – mai2017

30- Desde sempre soube como estes redutos são péssimos. Saindo do Rio para Fortaleza, tudo ficou ainda mais enclausurado, sem vida de rua, tão bem vinda. Até os carros: blindados! Busquei um AP perto de gente, pra andar mesmo que em calçadas/estacionamentos. Hoje saio e meus amigos ficam pasmos com a minha tranquilidade e nunca vi nada de ruim, sei lá pq. Marcela Brasileiro, Fortaleza-CE – mai2017

31- Quatro meliantes invadiram minha casa , armados, nos renderam . Foi, aproximadamente, 1h e 30min de terror. Depois de colocarem a casa abaixo, fugiram com tudo que conseguiram levar, incluindo o carro. Mas , levarem bens materiais não significou nada . O ruim mesmo foi o horror de estar na presença deles, na mira de uma arma. E assim, cheguei a conclusão que quero morar no presídio de luxo cercado de seguranças armados e câmeras. Ana Shérida Alexandrino, Fortaleza-CE – mai2017

….. 32- Sinto muito pelo que te aconteceu, Ana Shérida. Nós sofremos a violência todos os dias e sabemos o quanto isso dói e traumatiza. Mas tudo isso deve nos motivar a lutar para diminuir a desigualdade social em nosso país. Espero que você esteja bem. Ricardo Kelmer, mai2017

33- Belo texto. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – mai2017

34- Como sempre, uma bela redação…. E sinceramente, além do mais… não entendo muito as pessoas, choram pra saírem do aluguel e correm pra morar em apartamentos onde se tem um “aluguel” vitalício, além de não ser tão seguro assim, pois se rendem os porteiros, todos os moradores estão lascados… Fermon Kaíto, mai2017

35- Verdade verdadeira Ricardo. Esses condomínios fechados e carros blindados me fazem pensar a um safári que tem perto daqui de casa, onde nós andamos no nosso carro fechado e os animais selvagens em liberdade. 😂😂😂 Não podemos sair momento nenhum do carro para não correr o risco de ser atacados. O que me desola mais é que nas cidades dos países com baixo nível de segurança pública , São pessoas que tem um cérebro com a capacidade de raciocínio , que atacam pessoas. Luciana Loreau, Nantes-França – mai2017

….. 36- Mas também há demasiado medo. A escolha é só uma, ou segurança ou liberdade. Susana X Mota, Leiria-Portugal – mai2017

37- Excelente texto! Cidinha Madeiro, mai2017

38- Quanto mais violência, mais lucro para o mercado da insegurança (condomínios fechados, armas, segurança 24h, produtos e serviços diversos). Por isso, para esse segmento, não são bem vindas as políticas públicas que visam a diminuição da desigualdade social. Ricardo Kelmer, Fortaleza-CE

39- só li verdades, xuxu! Clarisse Ilgenfritz, Fortaleza-CE – mai2017

40- Total. Luiza Perdigão, Fortaleza-CE – mai2017

41- Tenho reparado que crianças que crescem em condomínios fechados tendem a ter maior dificuldade para se relacionar com o diferente. Alguém mais percebe isso? Ricardo Kelmer, Fortaleza-CE

42- Concordo, mas em parte… também já morei em diversos lugares, em rio preto morei até em sítio. Aqui em fortaleza morei anos numa casa na lagoa redonda, e ali me senti prisioneira, às vezes queria sair mas tinha medo de deixar a minha pequena sozinha em casa, quando ela não queria vir junto. Moro num condomínio de apartamentos no coco hoje, meus vizinhos são uns bestas mas convivo bem com os empregados do prédio. Isso foi uma liberdade pra mim e pra ela. Podemos sair, ficar fora um tempo, deixá-la sozinha, sem medos ou surpresas de alguém arrebentando a porta da nossa casa. São modos de viver na cidade… Andreia Turolo, Fortaleza-CE – mai2017

43- http://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/02/politica/1478113314_293585.html?id_externo_rsoc=FB_BR_CM. Sabrina Nádia de Sousa, Fortaleza-CE – mai2017

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Dadivosa dançarina

19/09/2016

19set2016

A nua silhueta que a cortina revela move-se em sinuosa dança, e a cortina balança ao ritmo dela

dadivosadancarina-04

DADIVOSA DANÇARINA

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À noite, em seu quarto, a menina se despe
E na janela se oferece para a rua
A nua silhueta que a cortina revela
Move-se em sinuosa dança
E a cortina balança ao ritmo dela
De vinho ela se serve
E a taça beija de leve seus lábios
Ela é a ébria rosa que se abre
No jardim dos urbanos fetiches
É a delícia que a noite promete
Aos discretos e insones vícios…
Quando ela termina, a luz se apaga
Vai-se a silhueta semovente
A janela escura não mente: foi-se a menina
Deixando no ar sua lânguida lembrança
E a esperança de que logo retorne
Não se demore, dadivosa dançarina

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FORMATO PROSA POÉTICA

DadivosaDancarina-04aÀ noite, em seu quarto, a menina se despe, e na janela se oferece para a rua. A nua silhueta que a cortina revela move-se em sinuosa dança, e a cortina balança ao ritmo dela. De vinho ela se serve. E a taça beija de leve seus lábios. Ela é a ébria rosa que se abre no jardim dos urbanos fetiches. É a delícia que a noite promete aos discretos e insones vícios… Quando ela termina, a luz se apaga, vai-se a silhueta semovente. A janela escura não mente: foi-se a menina, deixando no ar sua lânguida lembrança e a esperança de que logo retorne. Não se demore, dadivosa dançarina.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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VersosSafadinhosCapa-06aEste poema integra o livro Versos Safadinhos para Noites Românticas ou Vice-versa. E eu o ofereço a todas as mulheres que dançam nuas nas janelas dos apartamentos.

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MAIS SOBRE O FEMININO LIVRE

InspiracionEssaVadia-02Inspiración, essa vadia – E não adianta argumentar, seu signo é a urgência. Desejo não é coisa que se adie, ela sempre diz

A mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido

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DICAS DE LIVROS

vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
Ricardo Kelmer – contos e crônicas

Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Muito bom! Janine Moreira, Rio de Janeiro-RJ – out2017

02- Nossa,quantos sabores, quanta sinfonia em poucas palavras! Sempre incrível ! Estava com saudades de saborear seu conteúdo!Blessed be! Kroll Ribeiro, Araraquera-SP – out2017

03- Lindo! Vilma de Oliveira, Lourinhã-Portugal – out2017


São Paulo, sua loca

27/04/2016

28abr2016

Quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro

SaoPauloSuaLoca-10

SÃO PAULO, SUA LOCA

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E agora, quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro, antes de zarpar novamente. Quinze entardeceres pra me iludir feliz no horizonte neon das tuas promessas. Quinze noites pra me apaixonar outra vez pelo charme das tuas curvas imperfeitas. Quinze madrugadas de poemas baratos sussurrados com uísque em teu ouvido. Quinze manhãs despertando de um sonho gostoso com teu hálito de quero mais. Surpreenda-me, São Paulo, como só você faz.

 

FORMATO POEMA

E agora, quinze dias contigo
e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro
antes de zarpar novamente
Quinze entardeceres pra me iludir feliz
no horizonte neon das tuas promessas
Quinze noites pra me apaixonar outra vez
pelo charme das tuas curvas imperfeitas
Quinze madrugadas de poemas baratos
sussurrados com uísque em teu ouvido
Quinze manhãs despertando de um sonho gostoso
com teu hálito de quero mais
Surpreenda-me, São Paulo
como só você faz

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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LEIA TAMBÉM NESTE BLOG

Cidadivosa-01b

Cidadivosa – Um microconto para São Paulo

Inculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Maior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel) – E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

Nas curvas do teu litoral – Uma música para Fortaleza (mp3)

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

O reino encantado de Jericoacoara – Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar…

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 01- Lindíssima imagem, o conteúdo deve ser da mais alta qualidade! Marcos Felix, Ceilândia-DF – abr2016

02- Boaa… Vlado Lima, São Paulo-SP – abr2016

03– Bora! Kátia Freitas, São Paulo-SP – abr2016

04- pena que vai ficar tão pouquinho… Renata Regina, São Paulo-SP – abr2016

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O Reino Encantado de Jericoacoara

14/10/2014

14out2014

Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar…

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O REINO ENCANTADO DE JERICOACOARA

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Há certos lugares que a gente conhece e depois eles passam a morar naquele cantinho sagrado da alma, onde a gente pode se recolher quando quer descansar por uns instantes na doçura da saudade, sabe como é? Não sei se expliquei bem, mas para mim um desses lugares é Jericoacoara, no Ceará.

Quando cheguei a primeira vez em Jeri (só para os íntimos), em 1989, a pequena vila já era razoavelmente conhecida no circuito do turismo alternativo, mas não tanto como Canoa Quebrada, no litoral leste, que tinha um acesso muito mais fácil. Putz, foi amor à primeira maresia. Desde então, voltei lá algumas vezes, mas sempre é como se fosse a primeira vez. Eu estou sempre descobrindo Jeri.

Localizada a 300 quilômetros a oeste de Fortaleza e pertencente ao município de Jijoca de Jericoacoara, Jeri integra o Parque Nacional de Jericoacoara, o que impede a construção de estradas pavimentadas na região. Para chegar lá, ou você vai de helicóptero ou arrisca ir pela praia, respeitando as marés, ou enfrenta a areia das dunas (mas terá de deixar o carro numa área afastada do centro da vila). Ou então faz como a maioria, indo até Jijoca e, de lá, seguindo por quarenta minutos pelas dunas em carros especiais. O percurso, por si só, é uma autêntica preparação do espírito, um rito sagrado de iniciação para o viajante destemido ser aceito no Reino Encantado de Jericoacoara.

Sim, é uma aventura chegar lá. E estar lá é um sonho. E deixar Jeri é sempre uma tristeza por não ter ficado mais, misturada à esperança de voltar logo. Se você foi lá e não sentiu essas coisas, sinto muito, mas você não entendeu nada.

As publicações especializadas sempre elegem Jeri como uma das praias mais lindas e um dos melhores destinos do mundo para viajar. Não é nenhum exagero. Dotada de uma beleza semisselvagem, Jeri encanta por sua natureza preservada, dunas, mangues, rios e lagoas, e o mar, aquele marão imenso e azul, onde pode-se ver o sol e a lua nascerem e se porem, num poético espetáculo que é literalmente aplaudido pelas gentes abobalhadas no alto da duna, seus olhos brilhando de reverência e êxtase. Sim, um baseadinho nessas horas cai bem, mas Jeri já dá barato por si só, acredite.

Vou confessar uma falha de caráter: morro de ciúmes de Jeri. Quando vejo lá aqueles turistas tão caretas e convencionais, tenho saudade de quando apenas os malucos sabiam de Jeri. Saudade de quando não havia energia elétrica e nos hospedávamos nas próprias casinhas dos pescadores, compartilhando de sua comida e de suas histórias. Mas reconheço que é puro egoísmo essa minha nostalgia do que não tem como voltar. Hoje, Jeri vive do turismo, e, tirando certos poréns inerentes ao processo, felizmente os cuidados tomados ainda a mantêm bela e especial, harmonizada entre o simples e o moderno. Ainda.

Muitas línguas e sotaques se falam em Jeri, de tão cosmopolita que ela é, tantos os que lá aportam e não querem mais sair. Muitas línguas também se enroscam nas bocas, eheheh, tantos os convites que a brisa da noite sussurra no ouvido da gente, é um perigo. Jeri é assim, de repente um blues distante que o vento traz, uma fogueirinha que brilha na beira da praia, a noite que se insinua na poesia do luar.

O charme das pousadas, o aconchego dos cafés, os barzinhos tão graciosos… E os passeios além da vila? E aquela culinária saborosa? E os automóveis e as agências bancárias que não há? Impossível eleger o que é mais gostoso. Sem falar no clima, tanto o da Natureza como o de celebração da vida, sempre presente nos risos, brindes e olhares. Até mesmo se perder no labirinto daquelas ruazinhas de areia é bom.

Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar… Perca-se como eu me perdi. Porque um dia, como acontece com tudo na vida, Jeri nunca mais será o que é. E então ela virará um reino encantado dentro de você, sempre lhe chamando para voltar.

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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MAIS SOBRE JERI

O NOME – “Jericoacoara” é um termo da língua tupi e significa “toca das tartarugas-marinhas”, por meio da junção dos termos “îurukûá” (tartaruga-marinha) e “kûara” (toca).

Parque Nacional de Jericoacoara – Com uma área de 8.850 hectares, o Parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Impressões de viagem – Especial sobre Jeri no site do fotógrafo Fábio Arruda

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PERCA-SE EM JERI

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PousadaCasaDoAngelo-06aHOSPEDAGEM EM JERI

Pousada Casa do Ângelo – Charme rústico, aconchego, ótima localização, preço bom… Por essas e outras é que sempre me hospedo na pousada do meu amigo Ângelo Jorge, também conhecido no labirinto dos becos de Jeri por Baiano. Recomeeeendo.

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LEIA NESTE BLOG

IncultaEBelaDengosaECruel-8aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

O desejo da Deusa – Um encontro na praia, as forças da Natureza e um deus repressor

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

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01- Jeri e seus mistérios… aquelas ruas de areia sempre me levam de volta ao meu coração! Se eu voltar, eu fico… Susana Mota, Leiria-Portugal – abr2015

02- Parabéns pelo texto. Eu sou apaixonada por Jericoacoara. Erondina Lopes, Itapipoca-CE – mar2016

03- Nossa muito mais muito obrigada pelas suas palavras sobre esse lugar que eu simplesmente amor só apaixonada jeri e sua magia ,como nativa agradeço. Juliana Martins, Jericoacoara-CE – jun2020

04- Texto aprovadíssimo, é um documentário. Você que chegou, reconhece o valor de um lugar tão mágico e convidativo que é. Imagine que o começo a 55 anos. Quantas mudanças! Mas continua lindo. Obrigada pelo registro, real e histórico. Valdenice Albuquerque, Jericoacoara-CE – jun2020

05- Obrigada pela linda homenagem a nossa Vila ao nosso parque nacional as nossas Lagoas… #vemprajeri ser feliz e ponto. Melhor terapia do planeta e sim é um encantamento. Lunna Dourado, São Paulo – jun2020

06- Aaaahhhhh Jeri… pra mim um refúgio, um refrigério da alma… e ainda hoje sinto o mesmo encantamento de qdo eu a conheci no réveillon de 1988 para 1989!!!! Isabella Cantal, Fortaleza-CE – jun2020

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OReinoEncantadoDeJericoacoara-01a


Cidadivosa

25/01/2012

25jan2012

Um poema (ou será uma microcrônica?) em homenagem a São Paulo. Feliz aniversário, cidadivosa, hoje e sempre

Cidadivosa-01b

CIDADIVOSA

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Não me buscou na rodoviária
Não me apresentou à família
Mas me engravidou de sonhos
E promete casar quando eu melhorar de vida

 

FORMATO MICROCRÔNICA

Não me buscou na rodoviária. Não me apresentou à família. Mas me engravidou de sonhos. E promete casar quando eu melhorar de vida.

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Ricardo Kelmer 2012 – blogdokelmer.com

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AUltimaMensagem-01A última mensagem – Um miniconto sobre amor e perdão

A metamorfose – Um miniconto sobre o fundo do poço

Literalmente – Um miniconto sobre os textos e a vida

São Paulo, sua loca – Quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro

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01- Um encanto… Reny Diel, São Paulo-SP – jan2015

02- Que ‘bunito’ o que tu escreveu. Sabrina Nadia, Fortaleza-CE – jan2015

03- Aprovado!!! Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

04- Linda homenagem! !!! Zeina Costa, VItória-ES – jan2015

05- Linda homenagem!! Amei!! Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

06- Excelente Kelmer…KKKK. Jefferson Souza, Fortaleza-CE – jan2016



Maior que meu horizonte

21/11/2010

Wanessa, 2010

E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

MaiorQueMeuHorizonte-03

MAIOR QUE MEU HORIZONTE

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Por Wanessa

Lembro bem daquele jeito de andar que é só dele, se inclinando de um lado para o outro, pendulando sutilmente, ocupando seu espaço no universo. Não mudara quase nada na última vez que o vi: o cabelo (que alívio!) permanecia curto, a mochila nas costas, o domecq no bolso. Inconfundível. Era mesmo ele, com o mesmo sorrisinho safado pra loirinha desmiolada de sol, como ele gosta de me chamar. Quando ele chega, traz mil agrados, livros pra lançar, festas, aquele olhar contemplativo que mexe com a minha vaidade e depois vai embora, empobrecendo minha alma e minha arte.

Não é de hoje essa relação complicada, cheia de chegadas e despedidas. O jovem aprendiz de escritor que vi nascer em minha paisagem cresceu, experimentando o mundo, saboreando cada nova descoberta com seu espírito aventureiro e uma ânsia de viver maior que o meu horizonte. Mais um, eu pensava, que quer voar alto pra longe das minhas ruas, dos meus bares e do meu sol, menino ingrato! Menino sim, que esse cabelo rareando não me engana, ele continua o mesmo garoto desajeitado que vivia num uniforme do Colégio Militar, e as piadas infames, o ar despreocupado e aquela camiseta do Fortaleza continuam lá que eu sei.

Fui testemunha de inúmeras dores de cotovelo causadas por mulheres selvagens indomesticáveis e assisti impassível a porres escabrosos embalados pelas baladas bregas do Roque Santeiro. Por onde andará o terninho branco do Kelmo Lonner? E quem ficava sério assistindo aos manifestos do performer da Intocáveis Putz Band?

Foram tantas noites incríveis, paixões inesquecíveis, poemas em guardanapos amassados… São muitas as lembranças. Meu menino aventureiro sempre em busca de mais uma conquista, me surpreendendo, me divertindo, seja pulando numa multidão de punks pra resgatar uma Playboy, vestido de moça no carnaval ou escrevendo seus livros que também têm minha cara e minha história.

E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge. E reclama da minha indiferença às suas crias, da minha generosidade com os forasteiros, que exagero! Então me escapa para o Rio, São Paulo, sem ligar muito pro destino final porque o importante é a estrada. Seu blues não quer mais saber do meu forró.

E ele mesmo diz que eu brinco de morder e soprar com meus artistas, com ele não é diferente. Afinal, o que seria de mim sem meu melhor cronista? O que seria de minhas belas pernas sem seu jeito sacana e aquele olhar que consegue ser cético e místico ao mesmo tempo? Hum, falando assim me bateu uma saudade… mas agora só me resta preparar mais uns presentinhos e esperar até que seu irresistível charme aporte por aqui mais uma vez.

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> Texto inspirado na crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel do livro Blues da Vida Crônica

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IncultaEBelaDengosaECruel-6aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Cristal – Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

Desconstruindo Kelmer (por Wanessa, inspirado no conto Cristal) – Totalmente metida e curiosa, eu me debrucei sobre o conto e fiz minha própria interpretação

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

Confissões de uma leitorinha nua (por Leitorinha) – Fiquei tão à vontade pra ler a página dele na net que agora o fazia completamente nua

Canalha Kelmer (por Rômero Barbosa) – Cara, essa tal de Cibele queria era te dar. Queria ler sacanagens escritas por você pra depois tu comer ela todinha

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MaiorQueMeuHorizonte-03a


Tchau, 2009

28/12/2009

Ricardo Kelmer 2009

E 2009 chega ao fim. Pra mim foi um ano de recomeço, mais um – putz, quando acabarão? O último recomeço havia sido em 2006, quando, por falta de perspectivas profissionais, fiz a mochila e me mudei do Rio pra São Paulo. Aluguei um quarto próximo a Congonhas e iniciei uma fase de caramujo onde pelos dois anos seguintes eu quase não sairia de casa, imerso em criações. Pari os livros Blues da Vida Crônica e Guia do Escritor Independente. Depois foi a vez do livro Vocês Terráqueas e, em paralelo, comecei a planejar e construir meu novo site, o Blog do Kelmer. E a grana? Vinha dos livros vendidos, de artigos pra revistas, de palestras e das aulas de roteiro de sitcom que eu dava pela internet.

Em ago2008 a situação financeira complicou de vez e não deu mais pra continuar em São Paulo. O jeito foi providenciar uma estratégica retirada pra Fortaleza, minha loirinha desmiolada de sol. Entreguei o quarto, fiz a mochila e lá fui eu de novo, cigano dos recomeços. O plano era lançar lá o Vocês Terráqueas, fazer umas palestas, produzir umas festas e voltar pra Pauliceia o mais rápido possível. Mas demorei pra juntar a grana e acabei ficando nove meses em Fortaleza. Nove meses, um parto.

Voltei pra São Paulo em maio e aluguei um quarto no Sumaré. Comprei um notebook e instalei uma internet 3G, o que me permitiria mais mobilidade pra enfrentar as viagens, as mudanças e, argh, os recomeços. Morando no Sumaré, mais próximo do miolo cultural da cidade, minha vida social ficou mais movimentada e em dois meses eu já conhecia mais gente que nos dois primeiros anos na cidade. Em meu cotidiano agora existiam a feirinha da Benedito Calixto, o espaço do Alberico Rodrigues, o boteco do Jeová, os saraus do Bar de Ontem, os filmes no HSBC Belas Artes, a Livraria Cultura, a Casa das Rosas, o Sesc, a Fenac, os bares da Vila Madalena…

O segundo semestre foi bem movimentado. Fiz o lançamento do Vocês Terráqueas em São Paulo e comecei a me apresentar em alguns saraus. Montei o espetáculo Viniciarte e passamos a apresentá-lo uma vez por mês no espaço do Alberico. Lá também comecei a fazer palestras. E lancei a revista Letra de Bar, sobre livros e boemia. E, pouco antes do ano findar, mais uma mudança: precisei entregar o quarto no Sumaré. Fiz a mochila e me mudei pra uma pensão em Pinheiros, onde moro agora.

Muita gente me ajudou nesse recomeço paulistano. Obrigado, Silvio Dolnikoff, Danielle Fernandes, Celia Terpins, Magna Mastroianni, Lu Pacheco, Moacir Bedê e Gabriel Sousa. Valeu, Alberico e Jeová. Obrigado demais, Bia Rocha, por acreditar em meu trabalho. E obrigado, Wanessa, por você ser real. E muito obrigado a você que me lê e dá sentido ao suor das minhas palavras.

Que 2010 não me venha com mais recomeços, esse negócio cansa as pernas da gente. E minha mochila, coitada, anda precisada de um bom descanso. Em São Paulo.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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O último blues de Lily

15/12/2009

15dez2009

A Lua nascendo no mar e os blues na voz de uma Lily que se rebola e se rebela e não ouve ninguém chamar

OUltimoBluesDeLily-01

O ÚLTIMO BLUES DE LILY

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É minha amiga Cristina Cabral quem me liga para dar a triste notícia. Lily Alcalay se foi. Falecera na noite anterior, 15 de fevereiro de 2003. A irmã morte veio buscá-la, ela que havia meses se hospedara em seu corpo. Desligo o telefone sentindo o peso da realidade que todos desconfiávamos mas não ousávamos admitir. Conto para Karine e choramos em silêncio, sentados sob o sapotizeiro do quintal.

Enquanto me visto para ir ao velório lembro de um fato curioso. Era 1995. Eu morava em São Paulo e soube de uma festa que aconteceria numa serra próxima. Entre as atrações lá estava: Lily Alcalay. Tomei um susto. “Ei, esta menina é lá de Fortaleza!” E mostrei o panfleto da festa aos amigos, empolgado ante a possibilidade de rever minha bluseira predileta. Saudoso das coisas da terrinha, falei de Lily, sua voz maravilhosa, os shows, como ela tão bem encarnava o espírito do blues. Dias depois lá estava eu na festa. A apresentadora anunciava a atração seguinte e eu na plateia aguardava ansiosamente que fosse Lily a próxima a subir ao palco, ela e sua rebeldia, a energia contagiante. Mas a danada não subiu. Sequer fora à festa. Voltei frustrado. Pô, Lily! A gente sobe a serra, paga ingresso caro e você não aparece?

Anos depois, morando de novo em Fortaleza, descubro que Lily também está de volta. Que boa notícia! Nossa querida venezuelana rasgando os blues pelos palcos da cidade felizarda, fazendo a noite mais saborosa e conquistando mais e mais admiradores. Por vários sábados, na barraca Opção Futuro, saciei meu desejo com Lily e a banda Marajazz, desfrutando daquele cartão postal: a Lua nascendo no mar e os blues na voz de uma Lily que se rebola e se rebela e não ouve ninguém chamar.

Uma noite, show terminado, fui até ela e entreguei um original de meu romance O Irresistível Charme da Insanidade. Pedi que lesse e musicasse uma das letras que havia na história. Dias depois ela me disse que adorara o romance, que havia escolhido uma das letras e estava criando a melodia. Agradeci, superfeliz, e falei que a música faria parte da trilha sonora do livro, e que logo eu a chamaria ao estúdio para gravar.

Não deu tempo. Não resistindo mais às dores, Lily se internou para exames, o tumor já se alastrando por seu corpo. Fui visitá-la no hospital, ela se recuperando de uma cirurgia. Estava debilitada, sedada por medicamentos e falava com dificuldade. Mas demonstrava garra e confiança. E, impaciente com tantos soros e sondas, fazia planos de sair logo dali, retornar aos palcos, deixar de fumar, se cuidar mais…

Imóvel sobre a cama, Lily sorriu: Não esqueci nosso blues…. Vi quando virou o olhar para o teto e buscou a melodia na memória, fazendo-a escoar baixinho entre seus lábios. Cantou tão baixo que só pude distinguir uns poucos acordes. Deixei o hospital envolto numa tristeza resignada. Algo me dizia que eu jamais escutaria aquele blues. É preciso confiar sempre, eu sabia, mas naquele momento a esperança era como a voz de Lily, um fiapo de melodia resistindo no meio de tanta dor.

Seu corpo retornou à mãe Terra num domingo de lua cheia, uma lua linda e brilhante feito um neon suspenso a iluminar seu último blues. O caixão desceu enquanto nossas vozes entoaram as belas canções de seu disco. Pô, Lily, você tinha que ir embora no auge? Não precisava seguir tão à risca a cartilha do blues!

Foi-se dona Doida, a artista, amiga, namorada, irmã, filha, mãe e avó. Fortaleza está mais pobre e mais careta. E com um cartão postal a menos.

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Ricardo Kelmer 2003 – blogdokelmer.com

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Baixe as músicas do CD “Lily Alcalay” (2001)
arquivo zip (35mb)

RK200605Lily08a.
Babe baby
Blues for youChild of the cityLejos de mi
Mar e SolMinha nossa dona Doida (Good Golly Miss Molly)
Orquídea negraQueroSonhoSummertime

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O brega não tem cura – Porque o senhor sabe, né, o brega sempre puxa uma dose, que puxa outra, que puxa a lembrança daquela ingrata, que puxa outra dose…

Odair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra

Paz e amor express – Durante cinco dias, o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor

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Eu só queria que você soubesse

10/11/2009

10nov2009

EuSoQueriaQueVoceSoubesse-06

EU SÓ QUERIA QUE VOCÊ SOUBESSE

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Eu só queria que você soubesse
Que as minhas noites são tão vazias
E o meu coração é tão velho sem você…
Eu sirvo mais uma dose enfim
Eu olho a cidade
Da janela só a cidade sabe de mim

Eu ouço música na madrugada
Eu tinha tanta música pra fazer
Sirvo uma dose, me visto pra sair
Eu tinha tanto pra dizer
Onde está a seção de acompanhantes?
Quanto vale um corpo sem você?

Eu só queria que você soubesse
Que eu durmo muito tarde
E até a cidade tem sensibilidade
E que comprei aquele vinho da promoção
Eu só queria que você soubesse
Que você não tem coração
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Ricardo Kelmer 1995 – blogdokelmer.com

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> Ouça esta música (de Ricardo Kelmer e Humberto Pinho)

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EuSoQueriaQueVoceSoubesse-06c

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RAIO X DA PARCERIA

Você me permite umas considerações sobre esta música?

Fiz a letra desse blues numa das madrugadas solitárias de minha primeira fase carioca (1995-1996). Mostrei pro Humberto, que gostou e musicou. Em 2004, antes de eu embarcar pra ir morar novamente no Rio de Janeiro, ele gravou em seu estúdio, apenas voz e violão. É o único registro que temos pois a música não foi gravada por mais ninguém.

Quando escrevi, tive o cuidado de deixar o gênero incerto, ou seja, quem fala pode ser uma mulher ou um homem, apesar do protagonista buscar uma seção de acompanhantes e isso ser uma prática mais masculina. Numa letra, a incerteza proposital do gênero permite que tanto homens como mulheres se identifiquem e possam cantar sem ter que alterar o texto.

Por falar em alterar, houve alterações na letra. Em parcerias, isso é comum, e usarei este caso pra mostrar como elas podem enriquecer o trabalho. Na letra original, o verso é “Que as minhas noites são tão vazias” mas Humberto gravou “Que as minhas noites são tão sozinhas”. Gostei, mas prefiro o original por causa da aliteração (repetição das mesmas letras ou sílabas) provocada pela letra V (vazias, velho, você).

EuSoQueriaQueVoceSoubesse-06Outra mudança foi no verso “Quanto vale um corpo sem você?”, que na gravação ficou “Quanto vale um corpo sem o seu?” Outra vez prefiro o original mas é interessante perceber como as duas formas possuem curiosas sutilezas de significados. Vejamos:

“Quanto vale um corpo sem você?” – O protagonista ou a protagonista, no auge da solidão, busca a seção de acompanhantes e se pergunta quanto poderia valer um corpo que não fosse o da pessoa amada, “um corpo sem você”.

“Quanto vale um corpo sem o seu?” – Aqui a pergunta muda o foco. Quanto valeria o corpo do próprio protagonista privado do corpo da pessoa amada?

Mas houve uma mudança que aprovei. No original, era assim:

Eu olho a cidade da janela
Só a cidade sabe de mim

O protagonista está na janela olhando a cidade e somente a cidade sabe de sua dor. Na gravação, porém, o ritmo obrigou Humberto a fazer uma leve pausa entre “cidade” e “janela” e essa mudança, mesmo sendo bem sutil, levou o “da janela” mais pra perto do verso seguinte e isso causou, pelo menos pra mim, um efeito visual e de sentido bem mais interessante.

Eu olho a cidade
Da janela só a cidade sabe de mim

O protagonista continua olhando a cidade, isso não mudou. Mas agora o verso “Da janela só a cidade sabe de mim” parece emoldurar a cidade na janela e isso traz o protagonista de volta ao ambiente interno do apartamento. Ou seja, agora a cidade está na janela e observa o protagonista em sua dor e solidão.

A seguir, o clipe. É um dos que usei pra divulgação de meu livro Vocês Terráqueas. Escolhi e trabalhei as imagens pondo como protagonista uma mulher, e pra fazer a edição usei o Windows Movie Maker, tudo bem dentro das minhas limitações, vá desculpando.

> Baixe a música (mp3)

> Mais músicas kelméricas

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Clipe da música

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01-  Adorei ”Eu só queria que você soubesse”. E meus ouvidos até sorriram. Herlene Santos, Fortaleza-CE – abr2013

02- Excelente! Dalu Menezes, Fortaleza-CE – abr2013

03- Muito boa,Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos!!! Silvana Alves, Fortaleza-CE – abr2013

 


Ser mulher não é pra qualquer um

31/10/2009

31out2009

É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

BelasDaTarde-02b

SER MULHER NÃO É PRA QUALQUER UM

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Era no último dia do ano. Uns caras desciam pra avenida Beira-Mar com roupas de mulher, pra beber e jogar bola. Ideia genial, de uma só vez homenagear o melhor da vida: mulher, futebol e cerveja. Não necessariamente nessa ordem, é claro.

Avisei os amigos e em 1988 participamos da festa das bonecas da Volta da Jurema, tudo empolgado querendo ser mulher por um dia. Euzinha botei uma sainha, blusinha de alça com enchimento, meia tarrafa, uma maquiagem assim bem básica e calcei… o conga. Bicha pobre, tadinha. Nem peruca tinha. Mas descolei uma bolsa escândalo pra levar a garrafa de Ypióca. Mulher moderna é assim, pinguça e pragmática.

Meu batismo feminino foi de sangue: subi no carro, ele arrancou e saí bolando pelo asfalto, que nem tatu-bola, eu e a cachaça. Levantei zonza, procurando meu brinco, a saia toda torta, um peito no chão, a própria mulamba. Na mão, o gargalo da garrafa, tudo que restou da companheira. E no braço, hummm, um corte horrível, que me custaria doze pontos externos e oito internos. Hoje mostro a cicatriz com orgulho: Tá vendo, eu estive lá.

Aí o grupo cresceu e uma multidão ia assistir ao desfile das bonecas, uma centena de ensandecidas aprontando na Beira-Mar, desfilando em carroça de jumento, invadindo ônibus, agarrando os bofes, gritinhos, xiliques e coreografias. Um verdadeiro carnaval fora de época.

Anos depois, a festa tinha trio elétrico, axé music, muita bicha legítima e político querendo aparecer, ô racinha… Criamos então, em 93, um bloco dissidente: As Belas da Tarde. E elegemos como paraninfa Catherine Deneuve, claro. Ela foi convidada, mas seus compromissos não permitiram, tudo bem. Passamos a desfilar no pré-carnaval e a cada ano escolhíamos a Bela Rainha, que botava a faixa e abria o desfile, glória máxima na vida de uma Bela. Nosso ritual era sagrado: concentração ao meio-dia, modelitos-arraso, batons, brilhos e, por favor, qualquer coisa pra beber, o que é isso, licor de ovos, serve. As amigas e namoradas ajudavam na produção, lutando pelo título de Bela Madrinha. Diferente desses blocos onde os caras botam um limão no sutian e se acham mulher, a gente fazia questão de ficar bonita. Pra entrar no bloco tinha que ser convidada, isso mesmo, era coisa séria. Afinal ser mulher não é pra qualquer um.

É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro. Quarenta belas, uma parte já totalmente alucinada e a outra já clinicamente morta. O trenzinho percorre faceiro as avenidas ao som de Frenéticas, Xuxa e Ney Matogrosso, e quem está na rua corre pra não ser violentado pelo bando de taradas. As tevês cobrem a pouca-vergonha: “Estamos aqui na avenida Abolição e o trânsito está um caos, os policiais são impotentes diante do furor uterino das belas enlouquecidas!” A passagem pela Beira-Mar é apoteótica, e as Belas invadem os hotéis gritando “Ar-ren-ti-nos! Ar-ren-ti-nos!” Os gerentes ficam em estado de choque. Os seguranças tentam barrar a turba, mas, você sabe, é impossível deter um magote de bonecas bárbaras, tudo doida pra sentar no colo do gringo, tomar o uísque dele e detonar a lagosta.

BelasDaTarde-1993-03bUma vez, pegaram um banhista e levaram a sunga dele, deixaram o coitado pelado no meio do calçadão. Ninfômanas! Outra vez, o bloco invadiu o Náutico, interrompeu o jogo de tênis e levou as bolas. Vândalas! A outra desmiolada, debutando no bloco com seus primaveris 16 anos, bicha linda mas inexperiente na vidaloca, saltou de bico na piscina sem perceber que tinha apenas meio metro de fundo: foi direto pro hospital com a testa aberta, bem feito, quem manda dar desgosto à família! E a outra que caiu do trenzinho? Foi salva da morte pelo pai que levou a filha transviada pra farmácia, e enquanto ele comprava soro fisiológico, não é que a condenada se apaixona por um creme de queratina e cai por cima da prateleira, derrubando tudo? Ô mulherzinha, deixa de ser desgovernada! E você não vai crer, mas teve um ano que uma Bela absolutamente sem juízo pegou no pingolim do soldado, acredita? Pois foi. Enquanto o soldado corria atrás dela, a Bela gritava: Mal-agradecido, não te chupo mais! Que coisa. Botavam o quê na bebida dessas moças?

No fim do percurso, a gente contabilizava as sobreviventes. E os namoros que restavam. Algumas Belas iam tomar glicose, outras esticavam a noite, insaciáveis. Mas a maioria não sabia mais nem em que ano estava. Uma vez, no dia seguinte, encontraram uma Bela semimorta no jardim de uma casa, ô vontade de ser uma orquídea… Outras conseguiam a incrível façanha de arrumar namorada, isso mesmo, namorada, vestido de quenga, a peruca parecendo um guaxinim molhado, o rímel escorrendo, aquele lastimável estado de embriaguez. É, tem gosto pra tudo. Pensando bem, nossas amigas mulheres eram mesmo sabidas: se aproveitavam da confusão pra fisgar aquele gatinho que nunca dava bola pra elas.

Em 96, o bloco desfilava pela Praia de Iracema, seguindo a bandinha de metais. Ao passar pela igrejinha, na hora da missa, as Belas, mui beatas e respeitosas, suspenderam a música, caminhando em silêncio. Uma até baixou o vestido, escondendo a peruca chanel que levava na parte da frente da calcinha. Porém… uma Bela isprito-de-porco não resistiu e soltou o refrão: “Na casa do Senhor não existe Satanás!” Pronto, as outras acompanharam, “Xô, Satanás, xô, Satanás”, a bandinha se animou, a festa voltou e os fiéis, apavorados, saíram correndo da igreja pensando que o próprio demo chegava com sua horda de dementes. Um ano depois, o Tribunal do Santo Ofício excomungaria todas as Belas, bem feito. Com exceção de uma que se arrependeu da vida pecaminosa e virou Carmelita.

A essa altura, o bloco já estava em franca decadência, as Belas todas velhas, barrigudas, cheias de pelanca. A época áurea dos corpinhos malhados havia passado e já tinha Bela pai de família levando os filhos pro desfile. Hummm, melhor parar. E assim as Belas da Tarde desceram a cortina, encerrando sua vistosa história de purpurina e alegria. Mas tem muito marmanjo aí que, por via das dúvidas, ainda guarda a meia arrastão no fundo da gaveta – eu, por exemplo. Sei lá, vai que um dia bate assim um revival. Já estamos excomungadas mesmo…
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Ricardo Kelmer 2005  – blogdokelmer.com

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Foto 1: Concentração no bar Suspeito, do lendário Carlinhos Papai, 1993. Valmir Jr (Bela Rainha 1993 com o modelito A Perestroika da Fanta Uva), RK (Angelly Cabrita) e Rian Batista (Inês Fiúza Cover). A repórter é Selma Vidal.

Foto 2: Concentração no bar Suspeito, 1993. Valmir Jr, André Barbacena (A Filha de Glorinha) e RK.

Foto 3: O famigerado trenzinho, 1990. RK, Fred Schlaepffer (de biquinho), Emílio Schlaepffer (a bicha galinha), Marcio Régis (a bicha bêba), Nelsinho Machado (bicha séria), Vicente Vieira (bichinha de óculos) e Fábio Fabão (bicha toda-toda). A bela de chapéu, afff, até hoje não sei quem é esta criatura risonha. Será o Beká?

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FOTOS
(clique para ampliar)

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foto 4

O primeiro ano da putaria organizada, ainda Bonecas da Volta. Concentração, esperando o trenzinho chegar (1989)

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foto 5Concentração. Dr. Galvão à esquerda, um entusiasta incentivador da bicholice alheia (1989)

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foto 6Tá no DNA. Família Vieira bem representada: Paula Dark, Vicentina e Marcela, a bicha debutante – que duas horas depois saltaria de cabeça na piscina infantil do Náutico (que tem meio metro de fundura) e terminaria seu debut no hospital (1989)

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foto 7Fredulina e Emília, as bichas arreganhadas (1989)

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foto 8Abalando a Beira-Mar em chamas. Emília toda linda no trenzinho e Vicentina arreganhando a perereca. E a bicha Ricardina de sainha de bolinha, tão meiga (1989)

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foto 9
Pirâmide Purpurina. As bichas manifestando toda a sua classe e doçura no calçadão da Volta da Jurema (1989)

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1993 – Concentração no bar Suspeito, do lendário Carlinhos Papai

foto 10André Barbacena (A Filha de Glorinha), Valmir Jr (A Perestroika da Fanta Uva) e Carlinhos Papai sentindo algo estranho na retaguarda (1993)

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foto 11RK (Angelly Cabrita) com a maquiagem ainda funcionando (1993)

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foto 12

RK1993Belas1Angelly Cabrita e as pernas que um dia abalaram a Volta da Jurema (1993)

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foto 13Invasão do Imperial Othon Hotel. Da esq. p/ dir.: Marcus Lima, Zá, ?, Pedro Neto, André Barbacena, ?, Rian Batista, RK, ?, Henrique Baima, Leão, Rossé Sabadia, Vicente Vieira e Humberto Pinho. Atrás, os turistas sem acreditar (1993)

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foto 14Invasão do Imperial Othon Hotel. Belas saudando Yemanjá. Um bando de bichas embriagadas dançando num pedacim de muro, como é que ninguém nunca despencou dali de cima? Milagre de São Sebastião Flechado (1993)

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foto 15Invasão do Imperial Othon Hotel. Em primeiro plano, RK (Angelly Cabrita) segura a peruca enquanto comanda a retirada. À esquerda, Humberto Pinho (Sherazeda) levando o uísque que roubou da mesa de um hóspede. Bem atrás da garotinha aterrorizada, Marcus Braga encarna uma madame levando na coleira seu lindo poodle imaginário. E à direita, Luís Sabadia com a cerveja que ganhou de um turista alemão que se apaixonou por ele – esses gringos têm um mau gosto… (1993)

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1994 – Concentração na casa do Humberto

Em 1994, as Belas mais uma vez deram o ar da graça. A concentração foi na casa do Humberto Pinho. Reza a lenda que no outro dia, de manhã, a mãe dele foi no jardim e encontrou dormindo entre as plantas uma bela vestida de chapeuzinho vermelho, semimorta: era o Pedro Rogério, coitado, que bebeu tanto na concentração que sequer conseguiu sair no trenzinho pro desfile.

foto 16Paulo Marcio (A Noiva do Chuck), Nelsinho Machado tendo um chilique, Vicente Vieira (Bonequinha de Luxo) e Sean (Oncinha Irlandesa) adorando o fon-fon em seu peitinho (1994)

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foto 17Valmir Jr todo orgulhoso com sua faixa de Bela Rainha 1993, Vicente Vieira (Madame Vicentina) e Tibico Brasil (Ânus Dourado) (1994)

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foto 18A da esquerda é o Gaúcho, a bicha la playa. A do meio é o Claudio Vignoli, futura bela pizzaiola. E a bela vitaminada da direita é o Fred Schlaepfer. Ao fundo, Romeu Duarte doido pra assumir e Chiquinho Aragão se embriagando pra tomar coragem (1994)

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foto 19João Netto (antes de virar servo do Senhor, claro) encarnando A Viúva do Xinim Carecido, ao lado de Humberto Pinho,  A Louca do Cemitério (1994)

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foto 20Wilsinho Pinto (Afrodite Pokemon) toda meiga no trenzinho (1994)

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foto 21Celsinho Rocha e sua Radical Chota (1994)

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foto 22Sean, a Oncinha Irlandesa, achando o Brasil uma coisa assim muito exótica (1994)

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foto 23Vicente Vieira, Valmir Jr e Paulo Marcio, a Nojenta do Hospício (1994)

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foto 24Nelsinho Machado em seu glorioso momento de concentração. Tem que raspar esse sovaco, viu, mizifia? (1994)

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foto 25Volta da Jurema dominada (1994)

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foto 26A Noiva do Chuck e Madame Vicentina, irmãs unidas pela causa bicholítica (1994)

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Você tem fotos das Belas? Manda que eu publico, sem pena e sem cuspe.

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COMENTÁRIOS
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01- Lonner, lembra que eu tenho MUITAS fotos das Belas da Tarde… Se eu abrir o baú, serei uma mulher morta! Carmem Távora, Brasília-DF – jan2011

02- Loucas eram as mulheres que aceitavam namorar esses caras! Fazer o que? Tem gosto pra tudo, kkkkkkkk – Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – jan2011

03- Kelmer eu li o texto no Vocês, terráqueas e morri de rir e de cuiriosidade de ver vcs pagando essemico! amei! vc fica ‘deliciosA! kkkkk. beijão! Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – jan2011

04- A Rosane pediu prá dizer que se ela fosse homem,ela pegaria a loira.rs. Bia Rocha, São Paulo-SP – jan2011

05- Kelmer, adoooro essa sua obseção (ou será obceção, ou obcessão?) pelas mulheres. Vc curte todas, as livres, as loucas, e ate as falsas. bjo, saudade. Renata Regina, São Paulo-SP – jan2011

06- Meu Deus, quando lembro dessas coisas, me pergunto como foi que a gente sobreviveu, kkkk! Putz, Ricardo, está muito boa essa crônica! Claro que ela tem um lado especial para mim, pois vivenciei tudo isso. Mas, procurando me abstrair da minha participação disso tudo, ficou bem escrito e interessante de se ler. Um registro digno de um tempo bom! Vou mostrar para a Synthia, quero ver a cara dela, hahaha! Aquele abraço, meu amigo, e obrigado pela lembrança! Antonio Martins, Maceió-AL – mai2012

07- Texto adorável!!!!E não desgrudo dessa palavra(adorei,vicio já)..kkkKK..Mas não acho nenhuma melhor pra dfinir..adorei as fotoss!!!kkkkkkkkkkkkkk…Bora ser feliz!!! Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – nov2013

08- Ricardo Kelmer de peruca loira, arrasO! Uma cabarete e tanto! Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – nov2013

09- o chico cesar é cirúrgico….afirma -“já fui mulher, eu sei,” mas , depois , mostrou admiração pelo caeteno “tan5as almas esticadas no curtume”…e mais adiante exigiu_”respeitem, pelo menos os meus cabelos.BRANCOS”. Stefenson Pinheiro, Fortaleza-CE – nov2013

10- Cadê a Dilma Bulhões que não tá aí? #Escândalo. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – nov2013

11- Muito massa esse artigo do Ricardo Kelmer! Quem não lembra das Bonecas da Volta? Acho que aquele de chapéu é o Carlo Romero. Ricardo Campos, Fortaleza-CE – nov2013

12- Olha isso Marina Sabino como eu já andava mal acompanhado. Alberto Perdigão, nov2013 – Fortaleza-CE

13- As Belas da Tarde. Ricardo que legal meu irmao. Show de bola. Celso Rocha, Jericoacoara-CE – nov2013

14- Você ficou muito bem Ricardo Kelmer….Deve ter sido uma época maravilhosa… Raquel Maria, Maranguape-CE – nov2013

15- Euzinha Alberto .Acompanhei por várias anos as belas.Era a repórter oficial da TV Manchete.kkkk. Selma Vidal, Fortaleza-CE – dez2013

16- O que acho o máximo na foto das 3 belas é o biquinho da toda cheia de charme loiríssima! Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – dez2013

17- Que pitéuzinho! Luc Lic, São Paulo-SP – dez2013

18- Saudade deste tempo muito assisti este desfile.TDB meu amigo. Cearucha Míriam Costa, Porto Alegre-RS – dez2013

19- podia ter de novo, viu? Juliana Melo, Fortaleza-CE – dez2013

20- Ri muito, bandidaaaa! Heraldo Goez, São Paulo-SP – dez2013

21- Gostei não..adoreiiii!!kkk..seu bom humor,sua mente livre..seus escritos..adoroooo!!!Mas ja´fico sem graça de falar toda hora que “adoreiii”””…kkkkk..bom domingo querido amigo!!!! Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – nov2013

22- Essa crônica é show.Sempre bom relê-la! Monica Bürkle, Recife-PE – dez2013

23- Bom demais!! Cris Boscarato, São Pauço-SP – dez2013

24- Amei! Adorei as fotos. Se não fossem as legendas não te reconheceria Ricardo Kelmer. Selma Vidal, Fortaleza-CE – abr2019

SerMulherNaoEPraQualquerUm-01a

ília, a


Dois morros

01/10/2009

01out2009

Quando o seio dela finalmente surgiu, meio à mostra na blusa entreaberta, minha mão vacilou. Ela então disse: Fecha os olhos

DoisMorros-04

DOIS MORROS

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Minha mão vacilou quando o seio dela surgiu, meio à mostra… Não, não, melhor começar pelo morro, o outro. Vamos lá. No início, era o simples, o natural. Não era chique nem tinha futuro. No alto do morro, só umas casinhas pequenas e um espaço de grama e areia, uns arbustos, um pé de pau acolá. Era 1984 e eu garoto fuçador de recantos descobria o mirante natural do Morro Santa Terezinha, e subia lá para tocar violão com os amigos, luarada, namorar, fogueirinha de papel…

A gente sentava na grama, o litrão de rum no centro da roda. Os namorados iam para o carro, mais afastado, economizar o motel. Quem se apertava, fazia xixi na ribanceira. Ir aonde ninguém havia ido, era excitante. Sem medo de assalto, sem pensar no tempo, a vida era agora.

Um dia, agora sim, um dia os seios dela surgiram. Aonde você tá me levando?, Isabella perguntou, provocante. O fusca véi subia o morro, se peidando todo, serpenteando pelas ruazinhas, as casinhas simples, o povo na calçada, o charme suburbano. Pro céu, minha linda… Não, falei isso não, só tive vontade. Mas na última curva, pedi: Fecha o olho. Quando ela abriu, era o postal noturno da cidade, encima o céu piscante de estrelas, e lá embaixo os prédios, as luzes, o neon dos letreiros coloridos. Ela boba: Como você descobriu isso? Eu mais bobo: E você, como eu descobri você?

Aí a tiazinha botou umas cervejas na geladeira de sua casinha, uns refrigerantes. A gente ia lá no portão e batia palma. Ela levantava do sofá onde via tevê e, sonolenta, trazia uma cerva e uns copinhos. Quanto é, tia? É só tanto. Tem mais gelada não? Tem não, meu fi, a geladeira tá desmantelada. A gente pagava e ela dizia: Pode deixar os cascos lá que depois eu pego. E aconselhava as meninas: Quando vier de novo, traz um agasalho, mode o vento frio.

Um dia, a cerveja veio com isopor. Estava melhorando. Outra noite cheguei lá e tomei um susto: a tia espalhara umas mesinhas, umas cadeiras de reclinar. Mode as menina não sujar o vestido, né, meu fi? Aí o vizinho começou a vender cerveja também. Já dava para escolher se ficava na tia ou no tio. Depois já dava para tomar caipirinha, beliscar um peixinho frito com tomate e cebola. O movimento aumentou e a filharada da tia veio ajudar. O mirante lotava, às vezes nem lugar para sentar, um imenso bar ao ar livre, gente interessante, sempre aparecia um violão, um Pink Floyd no toca-fita… Tudo ainda simples e delicioso. O tempo ainda era agora.

Perdida entre beijos incontidos e abraços descontrolados, minha mão percorreu as curvas do corpo dela, serpenteando, errando aqui, acertando mais na frente. Quando o seio dela finalmente surgiu, meio à mostra na blusa entreaberta, minha mão vacilou. Ela então disse: Fecha os olhos. Quando abri, a paisagem nua de seus seios reluzia à minha frente, dois morros a conquistar. E lá fui eu, garoto fuçador de recantos, legítimo ocupador do morro.

Nos anos 90 os moradores venderam suas casas para os empresários, tudo de olho no bolo que crescia. Todo mês abria bar, pastelaria, restaurante. Virou chique subir o morro. Gente bacana bem vestida, turista tirando foto. Tinha restaurante limpinho, peixe na telha, música ao vivo, artesanato. O progresso invadiu o morro com alvará. Mas… havia algo estranho. Pescadores e rendeiras agora eram comerciantes. Não havia lugar para tanto automóvel. O barulho incomodava os moradores. Menina nova alugava o corpo magrinho nas quebradas da noite. Garoto trazia cocaína para o motorista. E a tal da urbanização asfaltou as ruazinhas e jogou uma praça feia por cima da grama.

Reivindicando seu pedaço do bolo, a violência também subiu o morro, claro. Roubos, assaltos, mortes. Os empresários resistiram, se organizaram, clamaram por segurança. Mas ela, mouca, não escutou. E, assim, a gente bacana desceu o morro e não voltou mais. O bolo murchou. E o futuro se foi, deixando o gosto bom do que devia ter ficado só no agora.

O morro não é mais chique, Isabella, mas ainda está lá. E eu queria que você soubesse que aquela noite também, continua no mesmo lugar, sem amanhecer, seus seios em minhas mãos, dois morros conquistados, eu turista já pensando em voltar. Tudo está lá ainda, meu nome gemido em sua boca, eu errando e acertando as ruas de seu corpo, indo aonde ninguém fora. Nossa história ainda se conta lá encima, na grama, suburbana, pegando cerveja na tiazinha. Nossa história, juvenil, desmantelada e urgente, mode a hora. Com tomate e cebola. No mirante perfeito do nós dois agora.

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o o livro Blues da Vida Crônica
> Esta crônica integra o o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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PS 1: Embaixo é junto. Em cima é separado. Por que então não escrever “encima”? Esta crônica é uma das primeiras em que assumi o encima. 🙂

PS 2: Dois Morros é um conto? Ou uma crônica? Por anos, convivi com esta dúvida. Até que entendi que era uma coisa e outra ao mesmo tempo. Eu escrevera um croniconto. E ainda tinha elementos de carta. Um croniconto missivístico.

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O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

O mistério da morena turbinada – Aí um dia ela, inocentemente, leva o computador numa loja pra consertar. Algum tempo depois dezenas de fotos suas estão na rede, inclusive fotos íntimas

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Caro primo, Nunca vi tão bem “retratado”, apesar de escrito, nossas noitadas no antigo mirante. Recordei ao ler, várias passagens inusitadas e até folclóricas que aconteceram por lá. Ai também vêm lembranças de outros lugares como o antigo “Rasgo de Lua”, “Ponto de luz” (que ainda resiste ao tempo), Tinha um ali na Rui barbosa que não me lembro o nome. Era quase na esquina da Torres Câmara, “tinha um andar de cima ao ar livre bem legal e reservado”. Para não falar do “Canto verde”, “Madelon” e outros que permearam a nossa juventude. Sinto saudades de um passado muito bem vivivo por nós e por vários amigos. Será que estamos ficando velhos? Carlos Marcos Severo de Oliveira, Fortaleza-CE – dez2004

02- Rica, você é um homem de muitas histórias… E continua paradoxal. Bjs. Lêka, Fortaleza-CE – dez2004

03- espetacular. Tonico Caminha, São Paulo-SP – dez2004

04- Oi Rika!!!! Que saudade…. saudade de você, saudade do Morro de Santa Terezinha, saudade de ouvir Pink Floyd, um violãozinho com os amigos…. Ler a sua crônica me fez relembrar exatamente tudo isso que você descreveu, tudo isso que eu também tive a sorte de viver… Parabéns, Rika! Amei… muito bem escrito, como sempre!!! E o natal, vai passar aqui? Precisamos nos ver,hein? Se vier, nos avisa,tá? Beijos…. Anabela Alcântara, Fortaleza-CE – dez2004

05- Putz!!! voltei no tempo. Otros abrazos. Roberto Maciel, Fortaleza-CE – dez2004

06- Lindo, adorei! Clícia Karine, Crateús-CE – dez2004

07- Eh Ricardo, essa deu saudade mesmo! Bons tempos aquele do Mirante – anos 80. Valeu a leitura. Abraços. Mauro Sérgio, Fortaleza-CE – dez2004

08- Kelmer, meu amigo querido… você me redimiu! Fiquei maravilhado! Obrigado por esta crônica, ela me resgata a antiga Fortaleza. Abraço e tudo de bom. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – dez2004

09- Caro Ricardo, Saudade… do mirante, do morro, de 1984, dos seios. Com todo res”peito”, Eu preciso dum seio assim, mágico!?. Surgiu como? Me explique… Eli Miranda, Fortaleza-CE – dez2004

10- vi uma cronica sua sobre o morro do Mirante….achei-a linda! Como voce, tambem na minha juventude costumava ir àquele lugar olhar a lua e beber uns copos com os amigos….tambe dei muitos “amassos” nos meus gatinhos, amores que pensava durariam uma eternidade mas depois de 1 semana era passado(coisas da vida) bem, lhe escrevi apenas para agredece-lo pela bela recordaçao e dizer-lhe que suas palavras me fizeram retornar ao tempo e me fez bem, a cidade cresceu e mudou muito, o morro ficou perigoso ,as ainda me arrisco a frequentar o restaurante do Osmar e comer uma bela lagosta…sempre que vou ali lembro das minhas aventuras, uma patricinha que adorava se apaixonar por caras “perigosos”….tempos bons! Tenha um otimo dia e mais uma vez obrigada. Cacia Linhares, Fortaleza-CE – dez2004

11- Tb tive um morro durante minha adolescência…íamos todas as sextas feiras…ouvir os amigos tocando violão, os beijos e amassos também decoravam o ambiente ;em noite de lua cheia, a beleza era completa pois do alto víamos além da bela lua olhando aqui em baixo para nós; podíamos contemplá-la …através de sua imagem espelhada nas águas do Rio Tocantins…quantas lembranças!!!! lembranças maravilhosas “seu” morro trouxe do “meu morro”…Por favor nunca pare de escrever sua palavras resgatam minha alma…e me tornam mais sensível…que poder vc tem! morei em Tucuruí no interior do Pará durante a construção de barragem hidrelétrica, foi a melhor fase deminha vida…bjs… Diva, Macapá-AP – abr2007

12- Parabéns pelo texto DOIS MORROS, ele é de uma beleza e singularidade fantástica. Li com muito cuidado para encontrar as suas nuances de poesia e de realidade. Confesso ter achado simplismente belo, real, nu e cru, porém belo. P.S.: A partir desta descoberta prometo procurar outros textos teus para que através dele venha deliciar-me com tuas letras e com teu estilo. FS Garcia, Fortaleza-CE – ago2008

13- Oi, Ricardo. Tô sem net em casa , mas vim numa lan so pra te falar umas coisas…. Desde ontem eu tava toda depre( nao sei por que/ na verdade, sei, mas nao vou falar aqui…rsrsrsr), acordei e tirei o “vocês Terráqueas” da estante e fui ver os textos que ainda nao havia lido….Fiquei encantada com aquele que você fala do mirante…. poxa! quanta sensibilidade e romantismo… queria ter uns 15 anos a mais e ser aquela menina….  nao lembro quanto paguei nesse livro, mas valeu a pena!!!! Irlane Alves, Fortaleza-CE – jul2011

14- Confesso que li e me apaixonei no ato! Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – ago2011

15- Morro dos Mamilos!!!rsrsrs. Hotojunior Hoto, Fortaleza-CE – jan2013

16- Eita, o velho Morro do Mirante, vc me relembrar a comemoração do meu primeiro mês de namoro com a mulher q está casada comigo a 23 anos e que nós namoramos 04 anos. Lembro da felicidade vivida em cada subida e da paz que sentíamos estando a ima da cidade. Lembro da tia e das conversas regadas a muita birita.. Amigo, como é bom voltar no tempo através de palavras que nos fazem flutuar nas emoções. Obrigado por suas palavras me fazerem relembrar dos prazer de se divertir solado de grandes amigos com vc, Paulo Márcio, Nelsinho, Valmir, Amaury e outros tantos .. Não acho q estamos velhos, apenas o passado correu demais… Paulo Helmut B Simões, Fortaleza-CE – jan2013

17- vc é muito bom no que escolheu fazer, Ricardo Kelmer: teus contos (cronicontos): têm ‘alma’… ‘são vivos’, ‘conversam’ – dialogam – com o leitor. Maria Gama, Serra-ES – ago2015

18- Eu me entendo por gente quando vivi o fim dos anos 80 e o início da punjança dos anos 90, ainda quando o bolo estava crescendo. Que saudade daquele lugar tão tranquilo de tantas madrugadas insones e alegres! Regadas a caipirinhas e cervejas nas mesinhas ao lado da ribanceira. Tempo bom que a violência levou! José Epifanio, Fortaleza-CE – ago2015


Iassim vamos – Alberico Rodrigues

26/09/2009

Ricardo Kelmer 2009

EleLetraCaminha-01Conheci o Espaço Cultural Alberico Rodrigues em jul2009. Fica em Pinheiros, vizinho à praça Benedito Calixto. O espaço é uma concretização dos sonhos e ideais de seu proprietário, o professor Alberico, ou Alberix, como eu gosto de chamá-lo. Após sair do interior da Bahia e rodar mundo estudando e dando aulas de literatura, Alberix entendeu que deveria por sua experiência a serviço da cultura de seu país. Foi com esse nobre ideal que em 1988 ele montou seu espaço, que hoje é referência cultural na capital paulista.

Cheguei por lá atraído pelo canto das sereias, acho que as mesmas que me atraíram quando pequeno e me levaram a ser escritor. Entrei e logo gostei do que vi: uma livraria de livros novos e usados, mais à frente uma loja de CDs e DVDs e aos fundos um café-bar. No primeiro andar um teatro de bolso para 60 pessoas. E uma deliciosa área externa onde se pode sentar à mesa e comer e beber com os amigos e ficar olhando o movimento da praça em frente, honrosamente acompanhado dos bustos de Machado e Camões. Diliça.

Pra minha sorte, Alberix gostou de mim e do meu trabalho. E recebeu de braços abertos as minhas kelmerices. Foi lá, por exemplo, em agosto, que estreamos o Viniciarte, espetáculo que criei sobre Vinicius de Moraes e que foi o primeiro evento realizado pelo meu projeto Letra de Bar. Aliás, o Viniciarte seguirá lá em cartaz uma vez por mês. E foi lá também que, em setembro, lancei meu livro Vocês Terráqueas, que, pra minha honra, Alberix gostou bastante e logo pôs à venda na livraria. Valeu, Alberix. Acho que juntos poderemos fazer muitas coisas boas.AlbericoRodrigues-01b

Sobre o Vocês Terráqueas, ainda farei lançamentos em outros bares, dentro do projeto Letra de Bar. E sobre o Viniciarte, Celia Terpins segue vendendo-o pra empresas, clubes e hotéis. Ela gostou muito do espetáculo e acredita que podemos até viajar com ele por outras cidades. Então, se você curte Vinicius de Moraes, quital levar o espetáculo pra sua cidade, hum? Aproveita que o precinho tá bom.

E sobre o Letra de Bar, em outubro será lançado o primeiro número da revista impressa, que terá edições bimestrais e será distribuída gratuitamente no circuito boêmio-cultural da cidade de São Paulo. O projeto divulgará o que estiver relacionado ao mundo dos livros: novos autores, livrarias, editoras, gráficas, empresas e profissionais da área e também filmes e espetáculos baseados em livros, além de entrevistas.

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Corta pro apê da Paulete. Paulete Hetê. Ela prepara aquele capuccino que só ela sabe fazer enquanto eu, no noutibuk dela, reviso o roteiro do Viniciarte. Em algum lugar toca um blues. Paulete me serve o capuccino e depois vai fazer alongamento na sala. Seu corpo nu se integra à paisagem da pauliceia lá fora na janela. Ou será o contrário?

– Pô, Paulete, assim eu não consigo trabalhar.

– Vinicius conseguia.

– Eu não sou Vinicius.

– Não é mas tá cada vez mais vivendo como ele. Amores, literatura, música, poesia, bares, viagens…

– Pensando bem, é verdade.

– E ainda monta um espetáculo sobre ele.

– O poetinha sempre foi meu guia, você sabe.

– Você também deixará de ser escritor pra ser artista?

– Sempre fui as duas coisas. Não pode?

– Escritor e artista. E agora produtor cultural. E editor de jornal. E palestrante. E professor de roteiro. Que horas você vai escrever livro?PauleteHete-106a

– Posso escrever antes de dormir.

– Você nem dorme mais. Já viu como tá tua cara? Vai assustar as leitorinhas.

– Em breve eu diminuo o ritmo de trabalho e…

– Ahahahah! Comigo ninguém diminui o ritmo, Rica querido. Você entrou na pista, agora tem que correr senão é atropelado.

– Não quero correr. Quero celebrar.

– Um Vinicius cearense pra eu sustentar. Eu mereço.

– Agora pára de me exibir a bunda que eu tenho que trabalhar, vai.

– Que o poetinha não escute essa heresia.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Iassim vamos – Bar de Ontem

22/06/2009

Ricardo Kelmer 2009

Um barzinho legal em Pinheiros. E Paulete de calcinha e camiseta

EleLetraCaminha-01Conheci o Bar de Ontem através de Marcello e Diego, que me convidaram pra ir ao Sarau de Ontem, que ambos estavam começando a produzir e que rolaria quinzenalmente aos domingos lá, nesse tal de Bar de Ontem.

Ops, um sarau. Eu gosto de sarau, principalmente quando não é formal e careta. Aquela coisa de literatura misturada com música, teatro, dança, todos participando, aquele clima de suruba artística, acho muito gostoso. Falando nisso, nessa última temporada em Fortaleza criei o Bordel Poesia, um sarau mensal cujos temas são paixão e erotismo. Minha amiga Paola Benevides ficou como produtora do evento, junto com a Linda Mascarenhas. Vida longa ao Bordel Poesia.

Poisbem, o Sarau de Ontem. Fui e gostei. Funciona no mezanino do Bar de Ontem, que fica ali em Pinheiros, na Cardeal Arcoverde, entre Fradique e Mourato. Quem foi comigo foi o Moacir Bedê, mais conhecido no submundo do crime desorganizado como Zé di Bedis, junto com Sofia Binoche, Gabriel Barruan e Magnata. Foi divertido, conhecemos gente bacana e eu desenterrei uns poemas do Bandeira do fundo empoeirado do meu passado recitador. E o Zé di Bedis, quando perdeu a vergonha, interpretou Listen, a obra-prima do seu cancioneiro sem-noção. Ninguém entendeu nada, é claro, mas riram bastante.

E eu, depois que me animei, puxei da mochila o Vocês Terráqueas e li Queremos mulher carnuda. Como sempre, aplausos e calorosas manifestações de apoio à Samuca (Sociedade Amparadora da Mulher Carnuda). E no fim li Loiras ou morenas, com acompanhamento musical do Marcello. Acho que gostaram pois acabei vendendo dois livros, ô maravirilha.

Lu e Gilson são os donos do bar, casal ótimo, simples e a fim de fazer do lugar um reduto artístico, com o apoio dos filhos Ciça e Edu. Que bom. Gostei deles, do ambiente descontraído da casa e dos preços que se não empolgam, também não assustam – tanto que voltei lá na semana seguinte, depois voltei no sarau, depois outra vez… Ufa, eu realmente tava carecendo de ser adotado por um bar aqui na Pauliceia. E tem mais, acabamos fechando uma parceria: o Bar de Ontem é o primeiro a integrar o circuito do Letra de Bar (letradebar.wordpress.com), meu projeto literário que estreia em agosto. E em breve farei uma noite de autógrafos lá, você já tá convidado.

Corta pra cozinha da Paulete. Ela fazendo um capuccino. Só de calcinha e camiseta (comprada na feirinha da Benedito Calixto). Como que ela sabe que eu adoro mulher de calcinha e camiseta? E, putz, como ela descobriu que adoro as frequentadoras da Benedito Calixto?

– Um barzinho legal e um sarau pro meu escritor ler seus textos maluquinhos. Gostou do presente?

– Você é demais.

– E, de quebra, duas novas leitoras.

– Assim eu me apaixono.

– Foi o que a cigana disse.

Visto um agasalho, hoje tá frio. Em algum lugar toca um blues. Engraçado, nunca sei de onde vem mas sempre toca um blues.

– Treze graus, Paulete, e você de calcinha. Comé que pode?

– É o teu tesão que me veste assim, ainda não sacou? Quando ele acabar, você me verá diferente.

– Meu tesão por você não vai acabar.

– Mas vai se transformar, como tudo, seu moço. Você, por exemplo, não é mais aquele que me apareceu três anos atrás, tão perdido, coitado, fugindo de um Rio de Janeiro que não te curtiu.

– Você também não me deu bola.

– Claro. Vocês artistas e escritores precisam primeiro provar que me merecem. Por que eu te trataria diferente dos tantos outros que me procuram? Só porque você é um pobre coitado ingênuo e romântico?

– Eu?

– E que nessa altura do campeonato, o mundo se acabando, ainda insiste em ver tudo pelo olho da poesia.

– Eu??

– Mas eu gosto. Sem isso você não me veria assim, de calcinha e camiseta, toda poética nesse frio.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Inculta e bela, dengosa e cruel

16/06/2009

16jun2009

Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

IncultaEBelaDengosaECruel-8

INCULTA E BELA, DENGOSA E CRUEL

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O plano era ficar na cidade um ou dois anos, descansar, rever amigos e família, escrever o novo livro sossegado. Depois pegar a estrada novamente. Mas Fortaleza tem pernas lindas, não sei se você já percebeu, e mais uma vez a danada me enfeitiçou, me envolveu. Isso dá um samba apaixonado, né? Tanto dá que acabei ficando. Sete anos de um romance daqueles: quanto mais briga, mais prazer no enredo da paixão.

Fortaleza tem um corpinho generoso, taberna sem hora para fechar. Muito nos divertimos, eu e ela por aí, miando nos telhados. Depois da festa eu me esquecia em seu colo e adormecia sorrindo. Mas sempre despertava assustado no meio da noite, o horizonte sussurrando meu nome… Eu sou da estrada, ela sempre soube, a poeira do meu casaco ela nunca conseguiu tirar. É no horizonte ali na frente que os meus sonhos reluzem, eu nunca escondi. Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar.

Ah, o desafio de ser escritor num país de não leitores… Um desatino, claro, coisa de quem não tem juízo. Mas fazer o quê se me excita isso de estar no mundo por um fio, se me seduzem as curvas incertas do mundo? Imperdoável é morrer sem tentar.

Já se passaram alguns meses. Queria saber como ela está. Quem sabe falando de mim, Fortaleza resolva ligar. Então esta singela cartinha escrevi. Alguém, quem sabe você, a encontrará por aí e dirá: ele escreveu, está bem, ancorou em Botafogo, é o abraço do Cristo que o acorda de manhã. Mora sozinho, faz sua comida, escuta o disco da Kátia, saudade de todos. Trabalha com roteiro de cinema e TV, finaliza o livro novo. E gosta de pegar a última sessão do Espaço Unibanco, é pertinho, vai a pé, achando graça dos bêbados nos botequins.

Diga para ela que tenho saudade, claro que sim. Dos amigos para toda obra, dos bares tão familiares, a noite dengosa. As coisas engraçadas que ela diz, a comidinha que só ela faz. Eu olho as modernidades daqui e lembro de seu jeito brejeiro, o falso verniz cosmopolita, o sotaque que ela tenta esconder nos letreiros em inglês. Fortaleza é uma menina deslumbrada, lindamente incoerente: de segunda a sábado importa modernices, e no domingo veste a roupa melhor que tem.

Mas toda linda menina é sádica. Ela brinca de morder e soprar com seus artistas. Eu lembro deles e chego a achar poético o eterno sufoco, a patética dificuldade de voar. Quase acho belo a pouca sorte, o ar cultural rarefeito, a arte com falta de ar… Mas então lembro de mim mesmo, suando na aridez dos dias claros, tão sádicos de sol, tanto sol na vista e nada em vista, nada que invista. Não, não é poético. Não é belo engravidar de uma ideia, parir com esmero, embalar o sonho, criar projetos e ver a prole chorar na barra do vestido, a vida passando e a arte com fome, a vida com fome de arte, vida e arte sem ter o que comer.

Fortaleza não gosta que eu fale assim. Mas é a verdade, seu amor verdadeiro é para forasteiro. Ela se magoa, faz contas, lista desculpas. Eu digo que é desculpa de quem não quer, de novo a velha discussão. Ela desconversa, me chama para sair, se esbaldar nos forró-tais da vida. Obrigado, meu amor, mas esta noite preciso ficar só, tenho uma decisão a tomar. Ela pressente e diz que sou igual a todos que se foram, por isso é que a esses ingratos não lhe interessa agradar. E sai, batendo a porta. Para dias depois voltar, as pernas no vestidinho preto, ai, ai, tirando agradinhos da sacola: uma livraria nova, um espetáculo diferente, festival na serra, bienal. E eu, que só quero um pretexto para ficar, sorrio deliciado e outra vez esqueço de ir…

Ela já sabe mas, só para finalizar, diga que não guardo mágoas, sei que tudo é difícil. Mas lamento. É pena que no dia seguinte seus amantes tenham de ir, levando sua arte, empobrecendo a paisagem. Se ela não os sufocasse tanto, quem sabe ficariam, tudo seria diferente… Mas deixa, não precisa falar. Amar é aceitar, não é assim que se diz? Então tá. Aceito Fortaleza como é, inculta e bela, dengosa e cruel. E ela aceita minha fome de horizontes. E prometemos nos respeitar, na alegria e na tristeza. E assim vamos levando nosso amor, brindando às noites maravilhosas que vivemos e ao belo futuro que jamais nos pudemos dar. Tim-tim!
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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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INCULTA E BELA, DENGOSA E CRUEL (trecho)
Gravado em jul2017, Praça dos Leões, Fortaleza

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FALARAM POR AÍ

Uma noite kelmérica – Herlene Santos escreve sobre a palestra a que assistiu em 2012, em especial sobre a crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel

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MaiorQueMeuHorizonte-03aMaior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel) – E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

Confissões de uma leitorinha nua (por Leitorinha) – Fiquei tão à vontade pra ler a página dele na net que agora o fazia completamente nua

Nas curvas do teu litoral – Uma música para Fortaleza

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

O reino encantado de Jericoacoara – Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar…

Postagens nos temas “biográfico” e “Fortaleza”

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01- Você a cada dia está melhor. Ler tuas crônicas é alimento, numa cidade que nada diz. Resta-nos somente apreciar a Luizianne na TV como alento e desejar que o Moroni não seja nossa próxima programação. Que bom que o teremos mais perto nos diários do povo. Quem sabe assim consigamos nos realegrar com sua poesia e sorriso. Saudades de você meu caro. Ricardo Black, Fortaleza-CE – out2004

02- Grande morador da Eduardo Guinle, Muito boa essa crônica, como afinal são todas as suas. Fortaleza já disse se gostou ou não?… Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – out2004

03- Prezado Ricardo Kelmer, digo, prezado, tanto pela formalidade, quanto pelo prazer que tive ao ler a sua crônica-carta, publicada no jornal O Povo, de 09 de outubro. Eu, que sou fortalezense desde o começo, sinto coisas muito parecidas, quando baixa o tédio por falta de outros horizontes de cultura e profissão. Já tentei partir várias vezes e volto sempre: pela beleza do mar, do céu azul, do sol dourado; pelo clima agradável, caminhadas na praia, amizades boas, familiaridade dos lugares, informalidade dos bares, sei lá o que mais…. Você tem razão, é se fazendo dengosa que ela esconde o lado inculto e cruel: com um jeitinho meio bobo, matuto mesmo, vai fazendo você de besta; sorri alegre e vai lhe enfiando a faca, lhe tirando o tapete dos pés, oferendo o melhor para os amigos e familiares, envenenada de inveja do sucesso alheio, fechando portas como quem convida para uma festa. É dançando forró que Fortaleza vai lhe dando um traço. Estou fazendo novamente as malas e já sentindo saudade. Pode??? Parabéns pela crônica! Acho que você pisou no rabo da cobra. Juraci Maia, Fortaleza-CE – out2004

04- Oi Ricardo, Muito boa, a crônica. Adorei! Mas acho que vai tocar sempre quem “mora” em Fortaleza e por algum motivo tem que estar fora. Melhor ainda foi saber que você mora só, acorda com o Cristo, ouve música e vai ao cinema. Sinal que está bem, em? Você estará em Fortaleza no natal? Eu e o Valmir iremos … Aqui tudo bem. Estivemos em Paris semana passada e encontramos com Valdo e Paulinha. Nada das farras de antigamente, porque agora eles estão com uma filhinha e tudo mudou. Beijo grande Liliana Costa, Lisboa-Portugal – out2004

05- Vejo que a distância e a saudade te fez escrever melhor ainda. A “croniquinha” está bela e verdadeira. Bela porque trágica, verdadeira porque cômica. Comer o quê? Precisa ter fome de algo. Esta fome existe por aqui também, as pessoas é que não sabem ainda o que seria uma boa e saborosa refeição. É questão de gosto, educação e oportunidade. Tem quem tem, não é nem quem pode, porque muitas vezes quem pode tem é menos ainda. Bem, que se fodam os outros, penso eu que apenas consumo arte. Para quem faz é um pouco diferente. Abraço e parabéns pelos sonhos. Do amigo, Ronald de Paula, Fortaleza-CE – out2004

06- É meu amigo, corajoso é você que consegue ficar longe de Fortaleza, mesmo com o coração doído. Temos saudades. Um abraço. Claudio Roberto, Fortaleza-CE – out2004

07- Ricardo, deliciei-me com cada palavra que voce escreveu. Vi-me refletido na tela do computador e em cada expressao de amor e saudade que voce desenhou com suas maos de poeta. Aqui, milhares de quilometros distantes – que podem ser traduzidos em dois dias de viagens de aviao – a presenca ausente dessa nossa namorada partilhada e ainda maior. Lembro-me do Fagner que dizia ter necessidade de voltar a Fortaleza pelo menos uma vez por ano para se reenergizar. Quando ouvi aquilo a primeira vez pareceu-me coisa de artista. Hoje sinto exatamente a mesma coisa. Tenho falta de Fortaleza (e do Ceara) como se fosse parte de mim – apesar de nao ter nascido la (que esta aqui dentro de mim). Assim, ela nao e minha mae. E minha namorada. Eu a conquistei e fui conquistado por ela. Tin-tim pelo texto e pelas palavras que transmitem o que tambem sinto. José Paulo de Araújo, Filipinas – out2004

08- Adorei o texto, saudades … Bj Liége Xavier, Fortaleza-CE – out2004

09- Porra Ricardo, adorei esta tua crônica. Com licença, mas repassei a alguns amigos exportados. Um abração e boa sorte sempre. Crisóstomo Frota, Fortaleza-CE – out2004

10- KELMER li também essa no jornal o povo. me emocionei com essa cronica. falei pros amigos no sábado à noite no bar do papai e recomendei a leitura. um grande abraço! Ciribá Soares, Fortaleza-CE – out2004

11- Eis eu aqui pensando que tive uma dia otimo, na chegada do outono, as folhas em tons de laranja, vermelho, amarelo. Chego em casa, abro o e-mail e sua cronica poe meu coracao num aperto de doer, de saudade, de Fortaleza, de mim, dos amigos, de voce. Queria eu escrever assim e deixar que as palavras confortem e aceitem o que nao pode ser negado, que o destino que escolhemos nos levam para longe de Fortaleza, lugar inexplicavel porque gera dentro da gente uma paixao sem medidas, insubstituivel e que para onde sempre retornaremos, mesmo que os nossos barcos deem a volta ao mundo. Muitas saudades e obrigada…. Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – out2004

12- Achei linda a crônica. Já havia lido. Aliás, estou concluindo minha especialização sobre crônica e concorrendo ao mestrado de literatura tbm sobre crônica em 2005 (Rubem Braga). Gostei muito de ler como essa amante ingrata trata seus talentos e recebe os externos. A má e bela criatura está quase me fazendo desistir dos seus encantos e dos dois únicos bares que freqüento. Mande notícias do mundo de lá… Beijos. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – out2004

13- Ei amigo, Surpreso fiquei em saber que vc. não está morando em Fortaleza. O que a vida nos faz ! Sua crônica é “demais”, até fiquei com saudades, não sei se de Fortaleza ou de você, com seus pensamentos tranquilos e aquela habilidade sinucal. Quem sabe vc. não encontra um parceiro, nesses bares famosos do Rio e joga algumas partidinhas. Espero que tudo esteja legal com vc., gosto muito de receber seus e-mails e desejo toda a SORTE do mundo. Fortaleza tem braços longos e está te abraçando daqui. Forte abraço. Claudio Angelim, Fortaleza-CE – out2004

14- ola! Querido Ricardo Foi uma surpresa enorme receber sua cronica, fiquei feliz tao feliz que espero receber outras, e bom saber que nao esqueceu de mim dentro tantos amigos antigos, e eu hoje me considero tb uma amiga de verdade… e muito proxima.. espero que venha volte aqui e possamos nos encontar assim no caso como naquele dia da Plaza, que tenha todo o sucesso no Rio… e seja muito feliz mil bjos. Teresa Lia, Fortaleza-CE – out2004

15- Inculta e bela, dengosa e cruel, uma das mais belas páginas q já li. Guardarei para netos. Parabéns… Aládia, Fortaleza-CE – abr2005

16- Linda essa homenagem…! Pior é que Fortaleza é isso mesmo: aquela primeira pinga (vodka, vinho, champagne) que se quer evitar, mas depois que experimenta, sempre volta prá bicar. É o velho dilema, ficar no colinho de mamãe ou ganhar o mundo! Lucilene Anderson, Brasília-DF – abr2005

17- Oi Ricardo, Adorei essa crônica sobre Fortaleza, pois moro aqui a muito tempo e nunca parei para ver minha cidade dessa forma. Já fui morar em Recife, não gostei a saudade era muita e acabei voltando. Foi como se Fortaleza guiasse minha vida. Parabéns adorei. Estou amam Você. Cacilda Luna, Fortaleza-CE – jun2005

18- Meu velho amigo, acabo de ler “Inculta e bela, dengosa e cruel”. Obrigado Ricardo, a emoçao q eu e a Sephira sentimos com essas suas letras foi muito intensa e verdadeira. Um grande abraço e espero de te encontrar de novo um dia, ou melhor uma noite, quem sabe nos bares de Fortaleza.” Daniele Schiavi, Verona, Itália – nov2009

19-  Gosto demais desse texto… Beijo! Dalu Menezes, Fortaleza-CE – abr2013

20- Nunca tinha lido nada que representasse nossa capital de maneira tão digna. Claro, isso foi até eu ler a poesia a lá Ricardo Kelmer *-* Herlene Santos, Fortaleza-CE – abr2013

21- Ain eu já tinha lido, e adoro esse texto. Não encontrei nenhuma outra crônica que ficasse à altura dessas palavras seduzentes do Kelmer, homenageando Fortaleza. Simplesmente lindo *u* Beijo Kelmer. Cynthia Martins, Fortaleza-CE – abr2013

22- O cara eh bom mesmo, parabens a Fortaleza e a vc, claro. Henrique Vilela Sales, Fortaleza-CE – abr2013

23- Adoro demais esse texto, muito significativo. Parabéens, Kelmer. Alana Gabriela, Fortaleza-CE – abr2013

24- Linda Nossa Fortaleza!!! Míriam Cearucha, Porto Alegre-RS – abr2015

25- Massa Ricardo Kelmer. Ana Lucia Castelo, Newark-EUA – abr2015

26- Adaise Brasil, Joel Brasil, hj é dia da terrinha. Ada Maia de Sousa, Fortaleza-CE – abr2015

27- O mais perfeita tradução de Fortaleza! Amei. Bete Augusta, Fortaleza-CE – abr2015

28- saudades…. Susana X Mota, Leiria-Portugal – abr2015

29- Show, amigo! Paulo César Norões, Fortaleza-CE – abr2015

30- Maravilhoso!!!! Carla Soraya Florêncio, Fortaleza-CE – abr2015

31- Tens q conhecer Porto Alegre, para escrever algo. Carla Lsp, Porto Alegre-RS – abr2015

32- Lindo, adorei!!!!!!!!!!!!!!! Luciana Brasileiro de Holanda, Fortaleza-CE – abr2015

33- Amo linda graciosa é a nossa Fortaleza. Milca Maria Alves Costa, Fortaleza-CE – abr2015

34- …ameiiiii!! sucesso meu lindoo. Katia Knox, São José dos Campos-SP – abr2015

35- Não conhecia Kelmer! Maldade chamá-la de inculta, fedorenta ainda vai…. rsrsrssrsrsr. Lílian Martins, Fortaleza-CE – abr2015

IncultaEBelaDengosaECruel-8a


Iassim vamos – Paulete, ai, Paulete

10/06/2009

Ricardo Kelmer 2009

Em três anos de São Paulo, somente agora começo a me sentir fazendo parte da cidade.

EleLetraCaminha-01Um mês. Um mês que voltei a São Paulo após a temporada nordestina de 9 meses. Os primeiros dias não foram fáceis, eu era o Homem Sem: sem quarto pra dormir, sem computador, sem internet e sem poder ligar no celular pois deu um problema com minha conta da Claro. Um mês sem poder trabalhar normalmente, me virando em lan houses e me irritando com os orelhões quebrados.

Agora as coisas estão se ajeitando. Comprei um noutibuk Acer e instalei um 3G da Oi, resolvi o problema do celular e tô no quarto que aluguei no bairro do Sumaré, a 10 minutos de caminhada do metrô. Morando aqui, finalmente tô pertinho das livrarias, cinemas, teatros e bares, como eu queria estar.

Putz, em três anos de São Paulo, somente agora começo a me sentir fazendo parte da cidade. Tomara que ela também queira fazer parte de mim. Será que quer?

Corta pra cozinha de um pequeno apartamento. Pela área de serviço ouve-se o som do trânsito lá fora. Paulete prepara um capuccino – só de calcinha. RK, sentado à mesa, em sua tradicional estampa matinal (despenteado e horrendo), aguarda a resposta, será que quer? Em algum lugar toca um blues.

– Claro que quero, seu bobo. Quero fazer parte de você e de todo escritor maluco que vem pra mim.

– E nessa cabecinha liberal aí não rola nem um ciuminho de Fortaleza?

– Não como ela tem de mim.

– Você realmente não se incomoda de me dividir com outras?

– Eu não. Você sempre volta pras minhas esquinas.

– Convencida.

– Na verdade tô é curiosa pra saber o que a loirinha desmiolada de sol tanto vê em você.

– Deve ser o meu jeitinho de dizer eu te amo…

– Que lindo!

– … enquanto tô dentro do rabo dela.

– Seu pornográfico. Também quero.

– Se der tempo…

– Como assim?

– A grana que tenho só dá pra três meses.

– Faz três anos que tua grana só dá pra três meses.

– É verdade…

– Vou te contar um segredo. Ontem eu fui na cigana. E ela me disse que você vai se apaixonar por mim.

– Sério? E o que você fará pra isso acontecer?ElaCidade-01a

– Vou te dar a vida que você pediu: literatura, música, cinema, teatro, bares aconchegantes…

– Demorou, né?

– Vou te arrumar uma boa editora e muita palestra pra você fazer.

– Jura?

– E uma namorada linda e indecente, que vai adorar ver os gols da rodada contigo embaixo do edredom.

– Ai, Paulete, assim eu me apaixono…

– Com açúcar ou adoçante?

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Tchau, Fortaleza…

29/04/2009

rk200904despedidafortaleza01b.

A turnê nordestina 2008/2009 chega ao fim. Volto pra São Paulo no dia 06 de maio. E já chego na cidade procurando lugar pra morar pois terei que entregar o quarto que eu aluguei no Sumaré. Mudanças, mudanças, sempre elas.

Mas a turnê foi maravilhosa: muitas palestras, lançamentos, viagens, novos amigos. Deixarei na cidade duas festas (Cabaré Soçaite e Sabadabadu, no Acervo Imaginário) e dois eventos literários: o Letras de Bar (toda quinta no Bar do Papai) e o Bordel Poesia (sarau mensal no Acervo Imaginário).

E a despedida de Fortaleza, a loirinha desmiolada de sol? Farei duas: a primeira será na véspera de feriado, quinta-feira 30abr, no Bar do Papai. O bar fica na Aldeota, rua Torres Câmara esquina com rua Mons. Bruno.

E a segunda será no próximo sábado 02mai, na festa Sabadabadu (2a edição). Uma noite com muita música boa pra dançar e com a participação de todos os amigos que quiserem mostrar um pouco de seu trabalho (música, dança, teatro ou humor). Se você tiver interesse em se apresentar, a gente combina. Até meia-noite a entrada é liberada pra quem disser que é meu amigo, eheheh… A partir de meia-noite custa R$ 10, com direito a companhante.

Ah! Caso alguém se interesse, estarei nas despedidas com meu novo livro, Vocês Terráqueas.

E se eu não puder agradecer pessoalmente, muito obrigado a todos pelo amor, carinho e incentivo. Obrigado ao apoio da Expressão Gráfica, Garin Cópias e Luce Galvão de Sá Arquitetura. Espero voltar em breve a esta cidade dengosa.

abração!

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SABADABADU
02mai, sábado, 22h

No Acervo Imaginário
Rua José Avelino, 226 – Praia de Iracema – Fortaleza-CE
3221.4894, 8603.0690
sabadabadu200904cartaz01a

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