Presídio de luxo, não, obrigado

12/04/2017

12abr2017

Se morasse num condomínio fechado, desses grandões com tudo dentro, eu não viveria essa rica experiência do contato diário e múltiplo com a vizinhança do bairro

PRESÍDIO DE LUXO, NÃO, OBRIGADO

.
Já morei em casa e apartamento, em bairros diversos, em Fortaleza, Manaus, Rio de Janeiro, São Paulo e Braga (Portugal). Nessas morações todas aprendi que o melhor para uma cidade é que seus habitantes tenham contato contínuo entre si, ocupando as áreas públicas e encontrando-se em seu dia a dia nas variadas possibilidades que o espaço urbano oferece.

Já morei num condomínio fechado, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Nele, havia academia de ginástica, farmácia, salão de beleza e supermercado. Eu não me sentia à vontade lá. Na verdade, me sentia preso e isolado, junto a outros presos e isolados. E quando saía para a rua, continuava incomodado, pois grande parte do bairro é desse jeito, uma pista de alta velocidade ladeada por grandes condomínios fechados. Eu não fazia parte do bairro, eu era apenas um número de CEP. Diferente foi morar em Botafogo e Copacabana. Nesses dois bairros, mesmo com toda a confusão que lhes é típica, me senti acolhido e integrante da comunidade.

Atualmente moro em Fortaleza, no Centro, mas vou sempre a São Paulo. Lá, moro em Pinheiros, próximo à Vila Madalena, num prédio de quitinetes cuja porta dá direto na rua. Piso na calçada e imediatamente me misturo ao movimento geral de trabalhadores, desempregados, estudantes, artistas de rua, gente rica e gente pobre a ir e vir. O que pode parecer caos urbano na verdade me traz uma sensação boa de familiaridade e me faz sentir seguro. Vejo aquelas pessoas todos os dias, cumprimento-as, eu sei delas e elas sabem de mim, e ainda que nossas relações não se aprofundem, nós nos relacionamos sadiamente em nossas necessidades cotidianas. Se morasse num condomínio fechado, desses com tudo dentro, eu não viveria essa rica experiência do contato diário e múltiplo com a vizinhança do bairro, e nada garante que a viveria com os vizinhos de dentro do condomínio.

Quem mora em condomínios fechados geralmente só chega e sai de carro, o que dificulta bastante a convivência. A sensação de segurança é falsa, pois o isolamento fortalece o medo e gera desconfiança de quem está além dos muros eletrificados. Muro eletrificado? Poizé. Condomínios fechados são presídios, de luxo, sim, mas presídios, onde cada cela é comprada em longas prestações e promessas de proteção. Estão todos protegidos, mas presos e amedrontados, e pagando caro por isso. Gabam-se aos amigos de estarem cercados de segurança, mas não percebem o óbvio, que estar cercado é estar preso. Sem falar nas crianças, que nessas ilhas de autoexclusão crescem sem anticorpos para a realidade da vida e sem saber lidar com o diferente.

Sim, sim, há muita violência à solta na cidade. Mas muros eletrificados, câmeras 24h, vidros escuros e seguranças armados não podem trazer a paz que buscamos. Tamanha obsessão por investimento em segurança revela tão somente a cegueira de uma sociedade para a questão da desigualdade social, exatamente onde nasce a violência da qual ela tanto se protege.

.
Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

.

.

LEIA NESTE BLOG

Rico não tem culpa de pobre ser pobre – Uma pequeníssima minoria acumula o mesmo que o restante da população

Democracia e regulação da mídia – A informação é um produto e, como todo mercado, o mercado da informação precisa de regras, caso contrário o grupo que tem mais dinheiro monopolizará a informação, para prejuízo da sociedade em geral

Roubalheiras, desigualdade social e o reconhecimento popular – Se hoje o povo usa essa lógica para manter o PT no poder, o motivo reside justamente na histórica insensibilidade, ou incapacidade, dos outros governos perante as necessidades mais urgentes do povo

Eles estão na fronteira – Milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

COMENTÁRIOS
.

 

> Postagem no Facebook


Dadivosa dançarina

19/09/2016

19set2016

A nua silhueta que a cortina revela move-se em sinuosa dança, e a cortina balança ao ritmo dela

dadivosadancarina-04

DADIVOSA DANÇARINA

.
À noite, em seu quarto, a menina se despe
E na janela se oferece para a rua
A nua silhueta que a cortina revela
Move-se em sinuosa dança
E a cortina balança ao ritmo dela
De vinho ela se serve
E a taça beija de leve seus lábios
Ela é a ébria rosa que se abre
No jardim dos urbanos fetiches
É a delícia que a noite promete
Aos discretos e insones vícios…
Quando ela termina, a luz se apaga
Vai-se a silhueta semovente
A janela escura não mente: foi-se a menina
Deixando no ar sua lânguida lembrança
E a esperança de que logo retorne
Não se demore, dadivosa dançarina

.

FORMATO PROSA POÉTICA

DadivosaDancarina-04aÀ noite, em seu quarto, a menina se despe, e na janela se oferece para a rua. A nua silhueta que a cortina revela move-se em sinuosa dança, e a cortina balança ao ritmo dela. De vinho ela se serve. E a taça beija de leve seus lábios. Ela é a ébria rosa que se abre no jardim dos urbanos fetiches. É a delícia que a noite promete aos discretos e insones vícios… Quando ela termina, a luz se apaga, vai-se a silhueta semovente. A janela escura não mente: foi-se a menina, deixando no ar sua lânguida lembrança e a esperança de que logo retorne. Não se demore, dadivosa dançarina.

.
Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

.
.

VersosSafadinhosCapa-06aEste poema integra o livro Versos Safadinhos para Noites Românticas ou Vice-versa. E eu o ofereço a todas as mulheres que dançam nuas nas janelas dos apartamentos.

.

.

.

.

.

MAIS SOBRE O FEMININO LIVRE

InspiracionEssaVadia-02Inspiración, essa vadia – E não adianta argumentar, seu signo é a urgência. Desejo não é coisa que se adie, ela sempre diz

A mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido

.
DICAS DE LIVROS

vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
Ricardo Kelmer – contos e crônicas

Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer
(saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.


São Paulo, sua loca

27/04/2016

28abr2016

Quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro

SaoPauloSuaLoca-10

SÃO PAULO, SUA LOCA

.
E agora, quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro, antes de zarpar novamente. Quinze entardeceres pra me iludir feliz no horizonte neon das tuas promessas. Quinze noites pra me apaixonar outra vez pelo charme das tuas curvas imperfeitas. Quinze madrugadas de poemas baratos sussurrados com uísque em teu ouvido. Quinze manhãs despertando de um sonho gostoso com teu hálito de quero mais. Surpreenda-me, São Paulo, como só você faz.

 

FORMATO POEMA

E agora, quinze dias contigo
e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro
antes de zarpar novamente
Quinze entardeceres pra me iludir feliz
no horizonte neon das tuas promessas
Quinze noites pra me apaixonar outra vez
pelo charme das tuas curvas imperfeitas
Quinze madrugadas de poemas baratos
sussurrados com uísque em teu ouvido
Quinze manhãs despertando de um sonho gostoso
com teu hálito de quero mais
Surpreenda-me, São Paulo
como só você faz

.
Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

.

.

LEIA TAMBÉM NESTE BLOG

Cidadivosa-01b

Cidadivosa – Um microconto para São Paulo

Inculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Maior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel) – E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

Nas curvas do teu litoral – Uma música para Fortaleza (mp3)

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

O reino encantado de Jericoacoara – Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar…

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01 COMENTÁRIOS
.

 01- Lindíssima imagem, o conteúdo deve ser da mais alta qualidade! Marcos Felix, Ceilândia-DF – abr2016

02- Boaa… Vlado Lima, São Paulo-SP – abr2016

03– Bora! Kátia Freitas, São Paulo-SP – abr2016

04- pena que vai ficar tão pouquinho… Renata Regina, São Paulo-SP – abr2016

> Postagem no Facebook


O Reino Encantado de Jericoacoara

14/10/2014

14out2014

Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar…

OReinoEncantadoDeJericoacoara-02

O REINO ENCANTADO DE JERICOACOARA

.
Há certos lugares que a gente conhece e depois eles passam a morar naquele cantinho sagrado da alma, onde a gente pode se recolher quando quer descansar por uns instantes na doçura da saudade, sabe como é? Não sei se expliquei bem, mas para mim um desses lugares é Jericoacoara, no Ceará.

Quando cheguei a primeira vez em Jeri (só para os íntimos), em 1989, a pequena vila já era razoavelmente conhecida no circuito do turismo alternativo, mas não tanto como Canoa Quebrada, no litoral leste, que tinha um acesso muito mais fácil. Putz, foi amor à primeira maresia. Desde então voltei lá algumas vezes, mas sempre é como se fosse a primeira vez. Eu estou sempre descobrindo Jeri.

Localizada a 300 quilômetros a oeste de Fortaleza e pertencente ao município de Jijoca de Jericoacoara, Jeri integra o Parque Nacional de Jericoacoara, o que impede a construção de estradas pavimentadas na região. Para chegar lá, ou você vai de helicóptero ou arrisca ir pela praia, respeitando as marés, ou enfrenta a areia das dunas (mas terá de deixar o carro numa área afastada do centro da vila). Ou então faz como a maioria, indo até Jijoca e, de lá, seguindo por quarenta minutos pelas dunas em carros especiais. O percurso, por si só, é uma autêntica preparação do espírito, um rito sagrado de iniciação para o viajante destemido ser aceito no Reino Encantado de Jericoacoara.

Sim, é uma aventura chegar lá. E estar lá é um sonho. E deixar Jeri é sempre uma tristeza por não ter ficado mais, misturada à esperança de voltar logo. Se você foi lá e não sentiu essas coisas, sinto muito, mas você não entendeu nada.

As publicações especializadas sempre elegem Jeri como uma das praias mais lindas e um dos melhores destinos do mundo para viajar. Não é nenhum exagero. Dotada de uma beleza semisselvagem, Jeri encanta por sua natureza preservada, dunas, mangues, rios e lagoas, e o mar, aquele marão imenso e azul, onde pode-se ver o sol e a lua nascerem e se porem, num poético espetáculo que é literalmente aplaudido pelas gentes abobalhadas no alto da duna, seus olhos brilhando de reverência e êxtase. Sim, um baseadinho nessas horas cai bem, mas Jeri já dá barato por si só, acredite.

Vou confessar uma falha de caráter: morro de ciúmes de Jeri. Quando vejo lá aqueles turistas tão caretas e convencionais, tenho saudade de quando apenas os malucos sabiam de Jeri. Saudade de quando não havia energia elétrica e nos hospedávamos nas próprias casinhas dos pescadores, compartilhando de sua comida e de suas histórias. Mas reconheço que é puro egoísmo essa minha nostalgia do que não tem como voltar. Hoje Jeri vive do turismo e, tirando certos poréns inerentes ao processo, felizmente os cuidados tomados ainda a mantêm bela e especial, harmonizada entre o simples e o moderno. Ainda.

Muitas línguas e sotaques se falam em Jeri, de tão cosmopolita que ela é, tantos os que lá aportam e não querem mais sair. Muitas línguas também se enroscam nas bocas, eheheh, tantas os convites que a brisa da noite sussurra no ouvido da gente, é um perigo. Jeri é assim, de repente um blues distante que o vento traz, uma fogueirinha que brilha na beira da praia, a noite que se insinua na poesia do luar.

O charme das pousadas, o aconchego dos cafés, os barzinhos tão graciosos… E os passeios além da vila? E aquela culinária saborosa? E os automóveis e as agências bancárias que não há? Impossível eleger o que é mais gostoso. Sem falar no clima, tanto o da Natureza como o de celebração da vida, sempre presente nos risos, brindes e olhares. Até mesmo se perder no labirinto daquelas ruazinhas de areia é bom.

Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar… Perca-se como eu me perdi. Porque um dia, como acontece com tudo na vida, Jeri nunca mais será o que é. E então ela virará um reino encantado dentro de você, sempre lhe chamando para voltar.

.
Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

.

.

MAIS SOBRE JERI

O NOME – “Jericoacoara” é um termo da língua tupi e significa “toca das tartarugas-marinhas”, por meio da junção dos termos “îurukûá” (tartaruga-marinha) e “kûara” (toca).

Parque Nacional de Jericoacoara – Com uma área de 8.850 hectares, o Parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Impressões de viagem – Especial sobre Jeri no site do fotógrafo Fábio Arruda

.

PERCA-SE EM JERI

PARCPousadaCasaDoAngeloMapa-01

.

.

PousadaCasaDoAngelo-06aHOSPEDAGEM EM JERI

Pousada Casa do Ângelo – Charme rústico, aconchego, ótima localização, preço bom… Por essas e outras é que sempre me hospedo na pousada do meu amigo Ângelo Jorge, também conhecido no labirinto dos becos de Jeri por Baiano. Recomeeeendo.

.

.

LEIA NESTE BLOG

IncultaEBelaDengosaECruel-8aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

O desejo da Deusa – Um encontro na praia, as forças da Natureza e um deus repressor

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

 

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01 COMENTÁRIOS
.

01- Jeri e seus mistérios… aquelas ruas de areia sempre me levam de volta ao meu coração! Se eu voltar, eu fico… Susana Mota, Leiria-Portugal – abr2015

02- Parabéns pelo texto. Eu sou apaixonada por Jericoacoara. Erondina Lopes, Itapipoca-CE – mar2016

.

OReinoEncantadoDeJericoacoara-01a


Cidadivosa

25/01/2012

25jan2012

Um poema (ou será uma microcrônica?) em homenagem a São Paulo. Feliz aniversário, cidadivosa, hoje e sempre

Cidadivosa-01b

CIDADIVOSA

.
Não me buscou na rodoviária
Não me apresentou à família
Mas me engravidou de sonhos
E promete casar quando eu melhorar de vida

 

FORMATO MICROCRÔNICA

Não me buscou na rodoviária. Não me apresentou à família. Mas me engravidou de sonhos. E promete casar quando eu melhorar de vida.

.

Ricardo Kelmer 2012 – blogdokelmer.com

.

.

LEIA TAMBÉM NESTE BLOG

AUltimaMensagem-01A última mensagem – Um miniconto sobre amor e perdão

A metamorfose – Um miniconto sobre o fundo do poço

Literalmente – Um miniconto sobre os textos e a vida

São Paulo, sua loca – Quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01 COMENTÁRIOS
.

01- Um encanto… Reny Diel, São Paulo-SP – jan2015

02- Que ‘bunito’ o que tu escreveu. Sabrina Nadia, Fortaleza-CE – jan2015

03- Aprovado!!! Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

04- Linda homenagem! !!! Zeina Costa, VItória-ES – jan2015

05- Linda homenagem!! Amei!! Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

06- Excelente Kelmer…KKKK. Jefferson Souza, Fortaleza-CE – jan2016



Maior que meu horizonte

21/11/2010

Por: Wanessa, 2010

E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

MaiorQueMeuHorizonte-03

MAIOR QUE MEU HORIZONTE

.
Lembro bem daquele jeito de andar que é só dele, se inclinando de um lado para o outro, pendulando sutilmente, ocupando seu espaço no universo. Não mudara quase nada na última vez que o vi: o cabelo (que alívio!) permanecia curto, a mochila nas costas, o domecq no bolso. Inconfundível. Era mesmo ele, com o mesmo sorrisinho safado pra loirinha desmiolada de sol, como ele gosta de me chamar. Quando ele chega, traz mil agrados, livros pra lançar, festas, aquele olhar contemplativo que mexe com a minha vaidade e depois vai embora, empobrecendo minha alma e minha arte.

Não é de hoje essa relação complicada, cheia de chegadas e despedidas. O jovem aprendiz de escritor que vi nascer em minha paisagem cresceu, experimentando o mundo, saboreando cada nova descoberta com seu espírito aventureiro e uma ânsia de viver maior que o meu horizonte. Mais um, eu pensava, que quer voar alto pra longe das minhas ruas, dos meus bares e do meu sol, menino ingrato! Menino sim, que esse cabelo rareando não me engana, ele continua o mesmo garoto desajeitado que vivia num uniforme do Colégio Militar, e as piadas infames, o ar despreocupado e aquela camiseta do Fortaleza continuam lá que eu sei.

Fui testemunha de inúmeras dores de cotovelo causadas por mulheres selvagens indomesticáveis e assisti impassível a porres escabrosos embalados pelas baladas bregas do Roque Santeiro. Por onde andará o terninho branco do Kelmo Lonner? E quem ficava sério assistindo aos manifestos do performer da Intocáveis Putz Band?

Foram tantas noites incríveis, paixões inesquecíveis, poemas em guardanapos amassados… São muitas as lembranças. Meu menino aventureiro sempre em busca de mais uma conquista, me surpreendendo, me divertindo, seja pulando numa multidão de punks pra resgatar uma Playboy, vestido de moça no carnaval ou escrevendo seus livros que também têm minha cara e minha história.

E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge. E reclama da minha indiferença às suas crias, da minha generosidade com os forasteiros, que exagero! Então me escapa para o Rio, São Paulo, sem ligar muito pro destino final porque o importante é a estrada. Seu blues não quer mais saber do meu forró.

E ele mesmo diz que eu brinco de morder e soprar com meus artistas, com ele não é diferente. Afinal, o que seria de mim sem meu melhor cronista? O que seria de minhas belas pernas sem seu jeito sacana e aquele olhar que consegue ser cético e místico ao mesmo tempo? Hum, falando assim me bateu uma saudade… mas agora só me resta preparar mais uns presentinhos e esperar até que seu irresistível charme aporte por aqui mais uma vez.

.
Por Wanessa, 2010

> Texto inspirado na crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel do livro Blues da Vida Crônica

.

LEIA NESTE BLOG

IncultaEBelaDengosaECruel-6aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Cristal – Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

Desconstruindo Kelmer (por Wanessa, inspirado no conto Cristal) – Totalmente metida e curiosa, eu me debrucei sobre o conto e fiz minha própria interpretação

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

Confissões de uma leitorinha nua (por Leitorinha) – Fiquei tão à vontade pra ler a página dele na net que agora o fazia completamente nua

Canalha Kelmer (por Rômero Barbosa) – Cara, essa tal de Cibele queria era te dar. Queria ler sacanagens escritas por você pra depois tu comer ela todinha

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

.

.

.

MaiorQueMeuHorizonte-03a


Tchau, 2009

28/12/2009

Ricardo Kelmer 2009

E 2009 chega ao fim. Pra mim foi um ano de recomeço, mais um – putz, quando acabarão? O último recomeço havia sido em 2006, quando, por falta de perspectivas profissionais, fiz a mochila e me mudei do Rio pra São Paulo. Aluguei um quarto próximo a Congonhas e iniciei uma fase de caramujo onde pelos dois anos seguintes eu quase não sairia de casa, imerso em criações. Pari os livros Blues da Vida Crônica e Guia do Escritor Independente. Depois foi a vez do livro Vocês Terráqueas e, em paralelo, comecei a planejar e construir meu novo site, o Blog do Kelmer. E a grana? Vinha dos livros vendidos, de artigos pra revistas, de palestras e das aulas de roteiro de sitcom que eu dava pela internet.

Em ago2008 a situação financeira complicou de vez e não deu mais pra continuar em São Paulo. O jeito foi providenciar uma estratégica retirada pra Fortaleza, minha loirinha desmiolada de sol. Entreguei o quarto, fiz a mochila e lá fui eu de novo, cigano dos recomeços. O plano era lançar lá o Vocês Terráqueas, fazer umas palestas, produzir umas festas e voltar pra Pauliceia o mais rápido possível. Mas demorei pra juntar a grana e acabei ficando nove meses em Fortaleza. Nove meses, um parto.

Voltei pra São Paulo em maio e aluguei um quarto no Sumaré. Comprei um notebook e instalei uma internet 3G, o que me permitiria mais mobilidade pra enfrentar as viagens, as mudanças e, argh, os recomeços. Morando no Sumaré, mais próximo do miolo cultural da cidade, minha vida social ficou mais movimentada e em dois meses eu já conhecia mais gente que nos dois primeiros anos na cidade. Em meu cotidiano agora existiam a feirinha da Benedito Calixto, o espaço do Alberico Rodrigues, o boteco do Jeová, os saraus do Bar de Ontem, os filmes no HSBC Belas Artes, a Livraria Cultura, a Casa das Rosas, o Sesc, a Fenac, os bares da Vila Madalena…

O segundo semestre foi bem movimentado. Fiz o lançamento do Vocês Terráqueas em São Paulo e comecei a me apresentar em alguns saraus. Montei o espetáculo Viniciarte e passamos a apresentá-lo uma vez por mês no espaço do Alberico. Lá também comecei a fazer palestras. E lancei a revista Letra de Bar, sobre livros e boemia. E, pouco antes do ano findar, mais uma mudança: precisei entregar o quarto no Sumaré. Fiz a mochila e me mudei pra uma pensão em Pinheiros, onde moro agora.

Muita gente me ajudou nesse recomeço paulistano. Obrigado, Silvio Dolnikoff, Danielle Fernandes, Celia Terpins, Magna Mastroianni, Lu Pacheco, Moacir Bedê e Gabriel Sousa. Valeu, Alberico e Jeová. Obrigado demais, Bia Rocha, por acreditar em meu trabalho. E obrigado, Wanessa, por você ser real. E muito obrigado a você que me lê e dá sentido ao suor das minhas palavras.

Que 2010 não me venha com mais recomeços, esse negócio cansa as pernas da gente. E minha mochila, coitada, anda precisada de um bom descanso. Em São Paulo.

.

Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:
.

Acesso aos Arquivos Secretos
– Promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.


%d blogueiros gostam disto: