Receita de neném

30/07/2021

30jul2021

Germânia e Pablo querem um bebê, mas está difícil…

RECEITA DE NENÉM

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Após sete anos de casamento, Germânia e Pablo queriam muito ter um filho, mas as tentativas não logravam êxito, o que já causava desgaste na relação. Decidiram-se, enfim, pela inseminação artificial. No dia marcado, acordaram cedo e se dirigiram à clínica. Após alguns minutos de espera, a funcionária avisou que Pablo deveria acompanhá-la à sala de coleta.

‒ O material está sobre a mesa, seo Pablo, e aqui ao lado há um banheiro. ‒ explicou a funcionária. ‒ Fique à vontade.

Ela saiu e fechou a porta. Sobre a mesa, além do material para coleta do esperma, Pablo viu várias revistas de mulheres nuas. Escolheu uma delas, sentou-se no sofá, esticou as pernas e começou a folhear. De repente, toc, toc, toc, alguém batia à porta. Ele levantou-se, pôs a camisa para fora para disfarçar o volume sob a calça e abriu a porta. Era Germânia. Por trás dela, a funcionária sorria sem graça, desculpando-se:

‒ Eu avisei à sua esposa que o senhor já estava em processo de coleta, seo Pablo.

‒ Vim só ver se tá tudo bem com meu maridinho.

‒ Tá tudo bem, meu amor ‒ respondeu Pablo, envergonhado. ‒ Pode voltar pra recepção.

‒ E essas revistas aí?

‒ O que é que tem?

‒ Mulher pelada? Não acredito. Que coisa mais brega.

‒ Germânia…

‒ Dá licença ‒ ela falou, entrando e pegando uma revista. ‒ Magda Cotrofe? Gente, essa mulher deve estar com 90 anos.

‒ Germânia, por favor…

‒ Rita Cadillac??!! Vocês acharam essas revistas num museu, foi? Olha, as folhas tudo colada, que horror…

‒ Cuidado pra não rasgar, Germânia.

‒ E essa bebê aqui, quem é?

‒ É a Luciana Vendramini.

‒ Minha filha, isso já é pedofilia, vocês podem ser processados, sabia?

A funcionária sorriu, sem saber o que dizer.

‒ Essas aqui eu conheço. A loira e a morena do Tchan. Até meu pai comprou essa revista.

‒ É uma das mais solicitadas.

‒ Solicitadas? Como assim?

‒ Enviamos a relação das revistas e o cliente escolhe.

‒ Quer dizer que foi você quem escolheu, Pablinho? Que mau gosto…

‒ Meu amor, isso já está ficando um pouco ridículo…

‒ Ridículo é gerarmos uma criança com meu marido pensando nesse mulherio de papel, isso sim. Bora, vamo recolhendo essas breguices.

‒ Deixa pelo menos a edição especial com as trigêmeas.

‒ Nem trigêmea, nem bigêmea. Eu, heim, Pablinho. Tome, minha filha, pode levar tudo embora. Ele vai olhar é pra mim, que sou a mulher dele.

‒ Desculpe, mas a senhora não pode ficar aí dentro, são as normas.

‒ Já que é assim…

Germânia retirou da bolsa o celular.

‒ Acessa aí teu zap, Pablinho.

‒ Pra quê?

‒ Tô mandando a minha foto na praia da Peroba. Você não disse que eu fico linda naquele maiô?

‒ Senhora, temos um horário…

‒ Vai dar tempo, minha filha. Meu marido é ligeirinho. Até demais, acredite em mim.

Pablo sentiu uma gota de suor lhe descer pelo rosto.

‒ Posso deixar meu celular aqui pra filmar?

‒ Infelizmente, não, senhora.

‒ Afff, quanta regra. Tá bom. Pablinho, posso confiar em você?

Pablo fechou os olhos. Não acreditava que aquilo estava acontecendo.

‒ Posso ou não posso?

‒ Pode, meu amor.

Ela sorriu, satisfeita, e o beijou na boca.

‒ Eu e nossa futura filha agradecemos. ‒ E, sussurrando para a funcionária, acrescentou: ‒ Eu sei que vai ser menina, sou bruxa. Vai se chamar Clara.

Germânia saiu e Pablo fechou a porta, suspirando. Pegou o celular e o material de coleta e dirigiu-se ao banheiro. Ele tentou, tentou novamente, deu um tempo, tentou outra vez… mas não conseguiu. Muita pressão, coitado.

Na recepção, ele procurava disfarçar a vergonha.

‒ Não se preocupe, senhor, isso é comum ‒ a recepcionista procurou tranquilizá-lo. ‒ Para quando agendo a nova data?

‒ Daqui a trinta dias ‒ respondeu Germânia.

‒ Não preciso desse tempo todo, meu amor.

‒ Mas eu preciso. Vou fazer umas fotos novas. Tô precisando.

Já faz seis meses e a data é sempre remarcada. É que Germânia é muito exigente com foto. Nesse tempo, um casal amigo os levou numa aula de dança de salão e eles tomaram gosto pela coisa. No embalo da novidade, Germânia voltou para a academia e Pablinho iniciou uma dieta. Não é que o casamento deu uma esquentada? Ontem, inclusive, ela sentiu uns enjoos…

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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DICA DE LIVRO

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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LEIA NESTE BLOG

Faxina Summer Show

Faxina Summer Show – A namorada do Pedrão exigiu que ele contratasse uma faxineira. E ele contratou

O namorado perfeito – Gabi só queria um namorado que realizasse seu grande fetiche

A professora de Literatura do meu marido – Um casal busca realizar suas fantasias eróticas com uma misteriosa professora

A putinha do quartinho do fundo – Ninfa Jessi agora faz strip tease pela internet. Guenta firme, Diametral…

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Crônica de uma morte evitável

30/06/2021

30jun2021

Galvonis 20210628 01

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CRÔNICA DE UMA MORTE EVITÁVEL

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Meu pai, um saudável idoso de 89 anos, tomou as duas doses da vacina em março. No início de junho, teve febre leve por 3 dias, descobriu que estava com covid e foi para o hospital da Unimed, onde a tomografia dos pulmões mostrou que ele poderia se tratar em casa. No hospital, a médica lhe receitou ivermectina e azitromicina (do kit covid, só faltou a cloroquina). Voltou para casa, não melhorou e no sábado 05jun retornou ao hospital, sendo internado com 50% dos pulmões comprometidos, e 3 dias depois foi intubado e transferido para a UTI. Ele morreu neste domingo à noite, após três semanas internado.

Meus sentimentos se misturam entre a tristeza e a indignação pelo atendimento ineficiente que meu pai recebeu quando foi a primeira vez ao hospital (a médica que o atendeu se chama Patrícia Mesquita Vilas Boas, otorrinolaringologista), o que só aumenta minha raiva do presidente genocida, que continua a incentivar o uso de medicamentos sem eficácia, a desrespeitar as medidas sanitárias e a zombar dos mortos. Se meu pai tivesse tomado as medicações corretas, provavelmente seria tratado em casa, sem precisar voltar ao hospital.

Obrigado a todos que cuidaram dele, em especial ao doutor Guilherme Dourado. Aos que aderiram à campanha #Vaidarcerto, deixo uma indagação: Vai dar certo para quem? Para meio milhão de brasileiros que morreram, como meu pai, deu muito errado, e dará muito errado para outros milhares que morrerão.

A nós, que seguimos vivos, um alerta: a vacina contra covid é necessária, mas como qualquer outra vacina, não garante 100% de imunização. Portanto, mesmo vacinados, precisamos seguir muito cuidadosos enquanto o vírus estiver circulando. E, igualmente importante: continuemos a denunciar os crimes desse governo genocida. Os responsáveis precisam pagar pelas desgraças que causaram e continuam causando.
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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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ESCLARECIMENTO – Optei por não citar o nome da vacina que meu pai tomou porque essa é uma informação que não tem importância para o relato. Como já não bastasse lutarmos contra o negacionismo de parte da população, ainda há os que querem escolher que vacina tomar. Essas pessoas não entendem que a nossa estratégia de sobrevivência à pandemia é coletiva, e não individual. Precisamos atingir o mais rápido possível um alto percentual de imunização grupal, e qualquer vacina ajuda nessa estratégia. Querer escolher vacina é uma postura egocêntrica e mesquinha, quase negacionista, que reforça a desinformação geral e em nada contribui para a diminuição da nossa tragédia.

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DICA DE LIVRO

Viajando na Maionese Astral CAPA 07aVIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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A omissão do cidadão de bem

16/06/2021

16jun2021

Resistência Antifascista Artista 01

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A OMISSÃO DO CIDADÃO DE BEM

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Até hoje, muitos se perguntam como Adolf Hitler pôde fazer todo o mal que fez e por que a maioria dos alemães aceitou as ações do nazismo, por mais cruéis que fossem.

O contexto social e político da época contribuiu, mas houve algo fundamental: a omissão dos que poderiam ter feito algo e não fizeram. Muitos “cidadãos de bem” fecharam os olhos para os crimes dos nazistas, pois não mexiam com suas famílias ou seu dinheiro. Mesmo discordando totalmente do governo, pessoas influentes se calaram, por receio de desagradar, por interesses comerciais, por covardia.

A situação do Brasil tem muitos pontos em comum com a Alemanha de Hitler. Quando o governo genocida de Jair Bolsonaro for devidamente julgado, o que já está ocorrendo, o posicionamento dos brasileiros influentes também será julgado. É por isso que não se deve tentar ser neutro em tempos de crise como a que vivemos, pois a neutralidade significa aceitar passivamente o que acontece ou pode acontecer, ou seja, é um posicionamento.

Há artistas, esportistas e outros famosos que não se posicionam contra o genocídio do governo Bolsonaro por medo de perder público ou prejudicar seus valiosos contratos. Hoje, ganham fama e dinheiro, sim, mas a covardia ficará marcada em sua testa com o sangue dos inocentes e seu nome apodrecerá eternamente na lata de lixo da história.

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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Viajando na Maionese Astral CAPA 07aVIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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A cidade das almas boas

27/05/2021

27mai2021

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A CIDADE DAS ALMAS BOAS

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Arlindo de dia. Michele de noite. Das dez às quatro na agência da Caixa da avenida Santos Dumont, todo sério, camisa social fechada no punho, gravata, cabelo penteado. Depois das nove da noite numa esquina da rua Clarindo de Queiroz, salto plataforma e uma minissaia de couro sem nada por baixo, para facilitar na hora de mostrar o pauzão enorme aos carros que passam pela esquina diminuindo a velocidade.

Uma noite, passava pouco das nove, quando o fusca parou, e ele, ou melhor, ela foi lá falar com o sujeito. Era um velhinho. Michele sorriu, hummm, velhinho que curte travesti, faltava um desse em sua clientela. Putz, sujeira, era aquele velhinho da agência, setenta e seis anos, que todo mês ia lá receber a aposentadoria com a mulher, seu Claudemiro e dona Núbia, os dois sempre juntinhos de braços dados, gostavam tanto dele que queriam que namorasse a neta, uma tal de Ilana, quem sabe não saía um casamento.

Mas o velhinho felizmente não reconheceu Arlindo naquela esquina penumbrosa. Também pudera, toda montada com aquela roupa, peruca, maquiagem. Michele abriu a porta do carro e o velhinho afastou o pacote de pão para ela sentar. Depois, no motel ali pertinho, ele pediu que ela fosse com jeito, era sua primeira vez. Michele foi com jeito, claro, mas seo Claudemiro, de quatro na cama, com o fundo de garantia para cima, logo largou de besteira e disse que ela podia depositar tudo, tudo que ele tinha direito, e Michele, sempre profissional, seguiu as ordens do cliente. Uma hora depois o velhinho pagou os cem reais, agradeceu e a deixou de volta na esquina, muito distinto ele.

No mês seguinte, quando o casal voltou à agência para receber a aposentadoria, Arlindo não notou nada de diferente no comportamento dele, tudo normal. Ainda bem. Horas depois, à noite, não é que lá estava o velhinho novamente parando o fusca na esquina penumbrosa? Michele sorriu, satisfeita pelo retorno do cliente. Ele afastou o pacote de pão para ela sentar e tomou o rumo do motel, e repetiram a dose.

Um mês depois, na agência, enquanto seo Claudemiro contava o dinheiro sacado, dona Núbia comentou com Arlindo que qualquer dia levaria a Ilana para ele conhecer, que ele ia ver só a belezura de neta que ela tinha, que ele ia se apaixonar, e depois falou que Fortaleza estava cada vez mais violenta, que seu marido, coitado, fora assaltado duas vezes nos dois últimos meses quando voltava da padaria, nas duas vezes lhe levaram cem reais, coitado, não respeitavam mais nem um pobre velho. Arlindo escutava, solícito. E era um dinheiro que fazia muita falta, prosseguiu dona Núbia, pois a aposentadoria era pouca, os remédios caros, o filho era doente e não podia ajudar, ô mundo ingrato, ninguém dá a mão a ninguém. Tenha fé, Arlindo consolou-a, tenha fé que Deus vai prover.

Pois não é que Deus proveu mesmo? Desde então, seo Claudemiro nunca mais foi assaltado na volta da padaria. Coincidentemente, e isso cá para nós, é claro, também nunca mais pagou pelo programa com Michele. É que ela passou a sortear, todo mês, um cliente para ganhar um programa grátis, e o velhinho tem uma sorte danada, ganha todas.

A senhora tem razão, dona Núbia, a cidade está muito violenta. Mas, se procurar, a gente encontra umas almas boas por aí.

(Este conto integra a série Interações da Sacanagem, com contos baseados em termos de busca no Blog do Kelmer. Divirto-me bastante vendo os termos que as pessoas usam nos mecanismos de busca e que as fazem chegar em meu blog. Termos deste conto: travesti michele em fortaleza.)

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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Quarentena Erótica
Ricardo Kelmer – contos

Nos contos de Ricardo Kelmer, o erótico pode vir com variados temperos: romantismo, humor, misticismo, bizarro, horror… Às vezes, vem doce e sutil, ou estranho e avassalador, e às vezes brinca com nossas próprias expectativas sobre o que seja erótico. Explorando fetiches, fantasias, delírios e tabus, e até mesmo experiências reais do autor e de seus leitores, as estórias deste livro acabam de chegar até você para apimentar seus dias, e suas noites, de quarentena. > saiba mais

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O lábio aberto de Laisa

11/05/2021

11mai2021

Abram as cortinas. Com vocês, Laisa Kaos…

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O LÁBIO ABERTO DE LAISA

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E cá estou, nesta tarde nublada, lisonjeado por me ver num poema de Laisa, em seu livro Lábio Aberto. Deu até vontade de escrever um conto.

Abram as cortinas. Com vocês, Laisa Kaos…

CRISE DE ANSIEDADE

É no meio vão das angústias da madrugada
Que me deparo com incertezas vis, cruéis
Levanto acompanhando o estalar de dedos
Batendo sincronizadamente descompassadas
as unhas arranhando as almofadas
acendo um cigarro na varanda de vento quente
Será mais uma longa madrugada
Entre um trago e outro a face molha sem porquês
E possuindo em si, todos os porquês possíveis
Observo de longe a todos, manias de quem sofre demais
É como um conforto para todos, causar um desconforto a mim
Será que essa face ainda molhará por outros motivos?
Que não as iniquidades dos que gratuitamente
Me cospem farpas de fogo, dia após dia
As indiferenças mundanas
As solidões de mesas de bar
As novamente necessárias doses incertas de zolpidem
O que fora feito para mim? Qual espécie cruel de loucura queriam-me causar?
O meu suicídio talvez?
O final certeiro e bonito para um dos contos de Kelmer!
E depois de dois, talvez três semanas…
As vidas todas, seguindo com seus rumos,
Eu teria sido, como Tânia, o travesti de mais um conto,
apodrecendo e definhando em um sepulcro esquecido
Desço as escadas em mais um cigarro
um rato atravessa a rua, companhia certeira da madrugada
Os porquês, ainda infindáveis porquês
Da falta de concentração, consideração
amizade, respeito, afeto-fato
Sem interesses somente no bife posto a mesa
É desse cansaço que falo…

Vai amanhecer
Apaga o cigarro, sobe as escadas
Afaga o rato, sim!
Apaga os lampejos
Engole a pílula
E deita,

Guarda o banquinho para um outro dia,

Quem sabe?

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Laisa Kaos

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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Laisa Kaos é natural de Belém-PA. Formou-se em História no Pará e estudou História da Arte pela PUC em São Paulo, cidade onde reside atualmente (2021). Além de poeta, é fotógrafa.

Site de Laisa Kaos: laisakaos.com.br

Facebook: facebook.com/laisakaospoeta

Instagram: @lai_kaos

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CONTOS DE KELMER? AQUI TEM:
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Vocês Terráqueas
Seduções e perdições do feminino
contos/crônicas

Com que propriedade um homem pode falar sobre o universo feminino? Neste livro RK ousou fazer isso, reunindo 36 contos e crônicas escritos entre 1989 e 2007, selecionados em suas colunas de sites e jornais, além dos textos inéditos. Com humor e erotismo, eles celebram a Mulher em suas diversas e irresistíveis encarnações. Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido. Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração. > saiba mais

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Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos
contos

O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba? Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, as pessoas são surpreendidas por acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmas e deflagram crises tão intensas que viram uma questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses coletivos e pessoais. > saiba mais

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Baseado Nisso
Liberando o bom humor da maconha
contos + glossário. Ilustrações: Hemetério

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado… > saiba mais

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Indecências para o Fim de Tarde
contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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Quarentena Erótica
contos

Nos contos de Ricardo Kelmer, o erótico pode vir com variados temperos: romantismo, humor, misticismo, bizarro, horror… Às vezes, vem doce e sutil, ou estranho e avassalador, e às vezes brinca com nossas próprias expectativas sobre o que seja erótico. Explorando fetiches, fantasias, delírios e tabus, e até mesmo experiências reais do autor e de seus leitores, as estórias deste livro acabam de chegar até você para apimentar seus dias, e suas noites, de quarentena. > saiba mais

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Nas cavernas da pandemia

14/04/2021

14abr2021

Em alguns anos, olharemos para trás e encontraremos o que foi pintado nas cavernas desses dias tenebrosos

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NAS CAVERNAS DA PANDEMIA

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Um ano de pandemia… Tenho pensado sobre o papel do artista em tempos como o que vivemos. Como teria sido enfrentar tantos dias difíceis sem a companhia da arte? Você já parou para pensar nisso?

Nossos peludos antepassados pintavam as paredes das cavernas sem saber por que faziam isso. Era um impulso instintivo a que simplesmente obedeciam. Hoje, suas belas criações são fundamentais para compreendermos o nosso passado e o nosso presente. Em alguns anos, olharemos para trás e encontraremos o que foi pintado nas cavernas desses dias tenebrosos. Sim, os escritores e os artistas não pararam de produzir, mesmo em meio a tanto sofrimento, mesmo sem saber se eles sobreviveriam. Era um impulso instintivo. Era a vida se debatendo contra a morte.

Valorizemos nossos artistas enquanto estão vivos. Talvez eles não saibam bem por que fazem o que fazem, mas nós sabemos que sem o que eles fazem seria impossível sobreviver.

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

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01- Importante reflexão. Gostei! Isadora Dias Gomes, Fortaleza-CE – mar2021

02- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA GENIAL! Pati Rabelo, Fortaleza-CE – mar2021

 


Vai dar muito errado

02/04/2021

VAI DAR MUITO ERRADO

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À primeira vista, essa campanha #vaidarcerto, lançada em Fortaleza, parece louvável. Podemos vê-la nas redes sociais, nas fachadas das lojas… Quem seria contra uma mensagem tão simpática em meio à tragédia da pandemia de covid-19?

Lamento lembrar que nem tudo que reluz é ouro. Apesar da boa intenção de alguns que aderiram à campanha, infelizmente estão se aproveitando de uma mensagem positiva de otimismo para desviar a atenção da população para o centro do problema. É muito cinismo. Na defesa da campanha, alguns chegam a exibir o número de recuperados, o que nada significa, pois até os recuperados podem se reinfectar. Outros apelam para a necessidade de fé, a mesma fé que faz muita gente contrair o vírus nas igrejas. E há os empresários que fazem de tudo para furar a fila da vacina, para dar certo logo para eles.

É claro que é importante manter a esperança e é ótimo que as empresas incentivem práticas saudáveis. Porém, só o distanciamento social e a vacinação em massa é que têm o real poder de frear o avanço da pandemia. Infelizmente, a imunização demorará a atingir um número satisfatório, pois o governo federal recusou-se a comprar as vacinas quando teve a oportunidade ainda em agosto de 2020 e segue boicotando os melhores esforços com seu negacionismo científico e sua insistência no falso dilema saúde-economia.

No fim do ano, a coisa terá dado errado, muito errado para 800 mil pessoas. Talvez eu ou você que agora me lê nem estejamos vivos para chorar essas mortes. Mas o importante é que vai dar certo, né?

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Ricardo Kelmer, abr2021 – blogdokelmer.com

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Resistência antifascista

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COMENTÁRIOS

01- 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼 Juliana Ricarte, Fortaleza-CE – abr2021

02- Dia desses, noutro grupo, houve um debate sobre essa expressão “Vai dar certo”. Eu reviro os olhos quando a ouço ou vejo, pelo menos no contexto dessa pandemia. Essa e “vai passar”. Já deu tudo muito errado, vivemos o caos e um desastre completo. Claro que em um momento isso vai passar, mas é um saco ter que ouvir isso quando você está cercado de morte por todos os lados. Cupertino Freitas, Fortaleza-CE – abr2021

03- Sinceramente, não tem como dar certo. Estamos morrendo pelas mais diversas causas. Não temos vacina para todos, não temos hospital para todos e, muito provavelmente, não teremos cemitério para todos. Bevenuta Sales, Fortaleza-CE – abr2021

04- É verdade! O marketeiro apropria-se de uma expressão popular e a transforma num jargão político para expressar um interesse político! Carlos Bonfim, Fortaleza-CE – abr2021

05- Realmente, nada está dando certo, e se der, já vai ser tarde demais. 😓😓 Vânia Dias, Fortaleza-CE – abr2021

06- Excelente texto, perfeito. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – abr2021


Bullying de putaria

23/03/2021

23abr2021

As amigas de Milena adoravam sacaneá-la por sua inexperiência sexual. Mas Milena jurou que isso acabaria no Cabaré do Papai

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BULLYING DE PUTARIA

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Milena sofria de bullying de putaria. Não é dos mais divulgados pela mídia, mas é um tipo de bullying terrível, estigmatizante ao extremo e causador de males difíceis de suportar, em especial para os adolescentes. Algumas pessoas superam o problema e seguem com suas vidas, mas outras infelizmente não, e para elas a vida se transforma num inferno diário.

O caso de Milena é exemplar. Mais novinha da turma, dezessete anos, todos os seus namoros haviam sido bem comportadinhos, com exceção do último, que durou apenas um mês mas, em compensação, lhe levou a virgindade, o que serviu para aliviar um pouco a pecha de santinha que ela carregava entre as amigas. Mas só um pouco mesmo, pois em comparação com o que elas faziam por aí, era como se ainda continuasse virgem. As amigas não tinham dó: aproveitavam toda oportunidade para humilhá-la com suas inacreditáveis histórias de putaria, cada uma mais deliciosa que a outra. Milena, arrasada, chorava de inveja na solidão de seu quarto. E, para piorar a depressão, ela era a única que nunca tinha ido ao Cabaré do Papai.

Ah, o Cabaré do Papai… As amigas enchiam a boca para dizer que era a festa mais maravilhosa da cidade, que só acontecia uma vez por ano, que era isso, que era aquilo e aquilo mais. Menor de idade e proibida por lei de frequentar certos lugares, à menina Milena só lhe restava sofrer seu bullying resignada, vendo as fotos e os vídeos das amigas na festa, em seus modelitos provocantes, todas elas sensualizando horrores e vivendo gloriosos momentos de diva. O jeito era esperar a maioridade, fazer o quê?

Por isso, quando foi anunciada a edição seguinte do Cabaré do Papai, Milena não pôde acreditar na odiosa coincidência: seria exatamente no dia anterior ao seu aniversário de dezoito anos. Ah, não, um dia antes? Era muito, muito azar. Teria que esperar pela edição do ano seguinte. Mais um ano inteiro de bullying. Mais doze meses de depressão.

Não, não, que azar que nada, Milena pensou melhor, sorte, isso sim, muita sorte. Iria à festa, iria sim, mas… tchan, tchan, tchan, chegaria à meia-noite, ninguém poderia proibir sua entrada. O Cabaré do Papai seria o carimbo oficial de sua nova vida.

E assim fez. Foi a sua tão sonhada iniciação na festa que as cruéis amigas tanto usavam para sacaneá-la. E foi uma iniciação, digamos, mais que completa. A santinha apareceu lá vestida como uma diabinha sexy, com tridente e chifrinhos vermelhos piscantes, fez um puta sucesso, todos queriam tirar foto com ela, recebeu mil cantadas, dançou com o barman em cima do balcão e, como se não bastasse, ainda ganhou o concurso Musa do Papai. As amigas, boquiabertas, não acreditavam no que viam.

A festa deixou Milena tão inspirada que ela decidiu iniciar-se também, naquela mesma noite, em outro tipo de festinha, já conhecida das amigas: o ménage à trois. E foi assim que a santinha, já não mais tão santinha, terminou a noite no motel com ninguém menos que o supergato cantor da banda e a namorada dele, lindíssima. E no motel, aproveitando o embalo dos seguidos orgasmos, decidiu que já era hora também de iniciar-se no sexo anal, pois, entre as amigas, só ela ainda não havia dado o bendito cu. Então, animada com o coroamento de sua noite de estreia na sagrada putaria, Milena pôs-se de quatro na cama e arrebitou bem a bunda, assessorada pela namorada do cantor supergato, que foi muito solidária e lhe deu todas as dicas para ela aproveitar bem a primeira visita pela porta de trás. Porém, após duas horas de show pesado e mais três horas de motel com um par de mulheres com o diabo nos couros, o coitado do cantor não tinha mais força nem para abrir o tubo de gel, de forma que Milena teve que se virar com a namorada mesmo, que acoplou à cintura um pau de silicone e, com muita competência, finalmente a livrou do triste time das virgens anais, missão cumprida.

Naquela manhã, Milena, agora com dezoito anos, chegou em casa feliz e realizada com sua tripla iniciação: Cabaré, ménage à trois e anal. Sim, anal com pau artificial de mulher, é verdade, mas onde estava escrito que precisava ser pau natural de homem? Sem falar que agora era vip permanente do Cabaré do Papai, não pagaria mais para entrar, que chique, heim, já pensou a cara de inveja das amigas? A ex-santinha Milena nem quis tirar a roupa: dormiu vestida de diabinha mesmo, com um sorriso maroto nos lábios e os chifrinhos vermelhos pendurados na porta do guarda-roupa, ainda lhe piscando os parabéns. Bullying de putaria nunca mais.

(Este conto integra a série Interações da Sacanagem, com contos baseados em termos de busca no Blog do Kelmer. Divirto-me bastante vendo os termos que as pessoas usam nos mecanismos de busca e que as fazem chegar em meu blog. Termos deste conto: iniciação anal em cabaré.)

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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Quarentena Erótica
Ricardo Kelmer – contos

Nos contos de Ricardo Kelmer, o erótico pode vir com variados temperos: romantismo, humor, misticismo, bizarro, horror… Às vezes, vem doce e sutil, ou estranho e avassalador, e às vezes brinca com nossas próprias expectativas sobre o que seja erótico. Explorando fetiches, fantasias, delírios e tabus, e até mesmo experiências reais do autor e de seus leitores, as estórias deste livro acabam de chegar até você para apimentar seus dias, e suas noites, de quarentena. > saiba mais

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A verdade vencerá

09/03/2021

09mar2021

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A VERDADE VENCERÁ

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Justiça tardia não é justiça. É verdade que a anulação das condenações de Lula deixa claro que ele sofreu uma absurda perseguição política e lhe oferece, enfim, a chance de um julgamento justo, além de lhe restituir os direitos políticos e revelar cada vez mais a podridão da Lava Jato. Mas tudo isso não apaga a imensa injustiça feita. Quem devolverá a Lula os 580 dias passados na prisão? Quem ressuscitará dona Mariza, que morreu assistindo ao massacre diário do marido? Quem fará voltar a roda do tempo para nos livrar de um presidente genocida? Quem consertará a estátua da Justiça brasileira?

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rk – blogdokelmer.com 2021

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Resistência antifascista

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O feminino livre em mim

08/03/2021

08mar2021

Avancei na compreensão do arquétipo feminino e aprendi a detectar melhor o machismo que em mim sobrevive e a reconhecer os privilégios do patriarcado dos quais usufruo

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O FEMININO LIVRE EM MIM

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Neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, renovo minha esperança num mundo onde as mulheres possam viver livremente o que são, sem a opressão da cultura, da religião e da família. Aproveito para deixar aqui um trecho do livro Viajando na Maionese Astral, lançado em 2020.

“Essa fase pós 2004 representou também um novo nível em minha relação com o feminino. Com as leituras de Jung e Campbell, avancei na compreensão do arquétipo feminino e aprendi a detectar melhor o machismo que em mim sobrevive e a reconhecer os privilégios do patriarcado dos quais usufruo.

“Você conhece o livro Mulheres que Correm com os Lobos, da analista junguiana Clarissa Pinkola Estés? Se não conhece, recomendo. Fui presenteado com este livro por três vezes, por três mulheres diferentes. Não foi coincidência, pois elas sabiam de meu interesse sobre o universo feminino, desde cedo manifestado nos textos e outros trabalhos. Nesse belo livro, vemos, por meio de mitos e lendas coletados pelo mundo, como sobreviveu, apesar da repressão do patriarcado, e escondida sob muitas formas simbólicas, o arquétipo do feminino selvagem, o modelo da mulher conectada com os ritmos e valores da Natureza e de sua própria natureza, o modelo da mulher livre.

“O livro de Clarissa me inspirou a escrever A Mulher Selvagem, uma das minhas crônicas mais conhecidas, e vários outros textos, e me ajudou a assimilar mais o princípio yin em meu ser, o que me permitiu viver relações amorosas mais honestas, livres e igualitárias.”

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

> SAIBA MAIS – LEIA COMENTÁRIOS

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Quem Apagou a Luz?
Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá
(ensaio)

Lançado em 1995, este livro resume, numa linguagem descontraída, as crenças e vivências que norteavam o grupo esotérico do qual o autor participou nos anos 1990, abordando temas como experiências fora do corpo, reencarnação, vida após a morte, extraterrestres e guias espirituais.

A partir de 2000, quando o autor assumiu seu ateísmo, este livro deixou de ser publicado, interrompendo uma trajetória de sucesso. Porém, em 2020, para divulgar seu livro Viajando na Maionese Astral – Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo, ele decidiu relançá-lo numa edição especial, junto com o Maionese.

> SAIBA MAIS

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01- 

 


Amadoras

02/03/2021

02mar2021

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AMADORAS

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Nunca contei isso pra ninguém, Verinha. Só vou te contar porque tu me contou aquela doidice que tu aprontou no casamento da Jardênia, é uma troca justa. Lembra daquele congresso de Psicologia em Natal, dez anos atrás, que tu, vacilona, não foi? Tá, eu sei que o idiota do Heitor não deixou, eu sei. Aliás, a melhor coisa que tu fez foi acabar aquele namoro, já te disse isso? Pois tá dito. Aquele Heitor era um galinha nojento, sabia, deu em cima até de mim. Eu sei, mulher apaixonada fica cega. Pois voltando ao congresso. Foi lá que aconteceu minha história bizarra. Não, eu ainda não tinha casado com o Nelson, mas já tava noiva. Fiquei num quarto com a Irene, lembra, que deu o golpe e casou com aquele deputado escroto, que este ano foi cassado. Ela mesma. Mas como ele foi cassado, é capaz dela agora querer o divórcio.

Deixa eu contar. Ficamos hospedadas num hotel bacana, pertinho da praia. Aquele esquema, a gente dava uma passadinha nas palestras, ia pra praia e depois caía nos agitos da noite com aquele bando de psicólogas taradas, tudo doida pra provar da culinária local. Irene, logicamente, fez a festa. Pra tu ter uma ideia, na sexta à tarde, na praia, ela ficou com um menino que devia ter no máximo quinze anos, sério, de noite agarrou o amigo dele no bar e de madrugada me expulsou do quarto pra dar pro taxista que levava a gente pros lugares. Tudo bem que o taxista era um gato, jeitão de surfista, mas tive que ficar lá embaixo na recepção esperando por duas horas, morrendo de sono. O que a gente não faz pela periquita das amigas, né?

Se eu tava comportada? Tu sabe que só quem fica comportado nesses congressos é o porteiro do hotel, né? E olhe lá. Mas até que eu tava quieta, acho que eu tava era exigente, sei lá. Aí, no sábado, quem eu vejo chegar no hotel, na hora que eu tava terminando o café? Então sinta, viaje, voe nesse toooooommm, foi pra você, meu bem, que compus esse blues de luz neon… Exatamente, a Bluz Neon. Eram eles, chegando do aeroporto. Tu sabe que eu tinha uma tara violenta no Luca, né, ia pros shows só pra ver ele cantando. Pois quando eu vi a banda chegando e soube que eles iam tocar num bar em Natal aquela noite, me deu uma coisa. Sabe quando, de repente, te dá uma intuição bem forte? De quê? Ora, de que naquela noite eu finalmente ia pegar o safado do Luca. Ia ser minha despedida de solteira.

Então, à noite, lá estava eu no Som de Cristal, o bar em que eles iam tocar, eu e meu pretinho básico, as coxas de fora, os peitos saindo, superconfiante na minha intuição. Eu no esplendor dos meus vinte e cinco anos, tudo durinho. Irene não quis ir, saiu com o filho do dono do hotel, um gatão lá que era cheio da grana. Fui sozinha mesmo pro bar, vi o show, que foi ótimo, e dispensei uns vinte chatos, tudo em nome do meu ídolo. No fim, toquei direto pro camarim, mas tinha muita gente, e quando consegui entrar, a banda já tava saindo de volta pro hotel. Ah, minha filha, eu dei uma de tiete descabelada, né, gritei, fiz escândalo. Mas o Luca nem olhou pra mim. Claro que tava bêbado, aliás, ele nunca fez um show sóbrio na vida, né?

Não, desisti não. Peguei rapidinho um táxi, fui pro hotel e esperei no saguão, sentadinha no sofá. Aí percebi que tinha uma moça no sofá da frente, uma morena bonita, da minha idade, e tava vestida ainda mais provocante que eu. Ela olhou pra mim, me analisou descaradamente e perguntou se eu também esperava pelo Luca. Pois é, outra tiete teve a mesma ideia, foi o que eu também imaginei. Na hora, pensei assim, ah, não, competir por homem é baixaria. Aí respondi que tava sim, mas que a gente podia resolver a questão no par ou ímpar. Falei de sacanagem, claro, mas era o que me restava, né, levar a coisa na gozação e sair de cabeça erguida. Aí ela riu e me explicou a situação. O nome dela era Gabriela, mais conhecida por Gabi, era puta e o Luca tinha contratado um programa com ela. Acredita? Sério, Verinha, um gato daquele pagando por mulher, pode? Só que ele tava demorando demais e ela tinha outro programa na sequência, e não podia faltar pois era um cliente supervip e coisa e tal. Tá, e eu com isso?, perguntei, sem entender onde a tal da Gabriela queria chegar. Pois ela disse assim, a gente tem um corpo parecido, o cabelo também, se você topar, você vai no meu lugar, ele não vai perceber, nunca me viu pessoalmente, esses caras de banda de rock são tudo maluquinho, bebem pra caramba, querem mais é fazer festa. Acredita nisso, Verinha? Pois foi. Eu? Fiquei passada, né, amiga? Claro que não topei. Agradeci a honra, levantei e subi pro quarto, deixei ela lá no saguão esperando o cliente.

Só que eu cheguei no quarto e tive uma revelação: putaquipariu, essa menina foi enviada por Deus! Ou pelo Diabo, né? Pra fazer cumprir a intuição que eu havia tido. Tchuuumm, desci correndo. Mas ela não estava mais no saguão. Corri pra frente do hotel e encontrei a menina já dentro de um táxi. Disse a ela que tinha mudado de ideia e que topava a parada. Ela me deu o cartão dela, disse que tinha acertado por quatrocentos reais. Voltei pro saguão, peguei o celular, acessei o site dela e vi as fotos. Eram bonitas, mas em nenhuma ela mostrava o rosto direito. Aí vi a ficha dela, vinte e dois anos, nível universitário, atende em hotel e motel, aceita homem, mulher e casal, e curte anal. Vixe, vou ter que fazer o sacrifício de dar o cu pro Luca, rá, rá, rá. Sim, ela tinha nível universitário, pelo menos na ficha do site. Mas tu sabe que elas põem isso pra valorizar mais o cachê, né? Tu acha que o cara vai pedir pra ela mostrar a carteirinha de estudante?

Logo depois o Luca chegou no saguão. Veio direto falar comigo, você deve ser a Gabi, né, desculpa a demora, o show atrasou. Juro que me deu vontade de dizer: agora só por quinhentos, garotão. Mas dei um sorrisinho meigo e falei que tudo bem. Ele se despediu dos outros caras da banda, que ficaram bebendo no bar do hotel, e subimos pro quarto dele. Nervosa? Eu tava nervosíssima, amiga, sozinha no elevador com meu ídolo e morrendo de medo dele descobrir que eu não era a Gabi. No elevador, meu coração pulava tanto que eu tinha certeza que ia ter um troço. Mas ele não percebeu nada, tava bem bebinho, rindo de tudo. E eu lá, sem saber o que falar. O que uma puta fala subindo no elevador com o cliente? Pelo que saquei da Gabriela, ela até tinha um certo nível, falava bem, então achei melhor ser eu mesma, só que falando menos. Eu era praticamente uma puta muda. E ele lá, você é mais bonita que no site, e eu: obrigado. Esse vestido fica perfeito em você, e eu: obrigado. Você é tímida mesmo ou tá jogando charminho? E eu: ahn, é que eu tenho medo de elevador. Rá, rá, rá. Já viu puta com medo de elevador, Verinha? Essa não sobe nunca na vida.

Entramos no quarto e a grana já tava separadinha, em cima da mesa. Quatrocentos paus, Verinha. Num só programa aquela menina faturava mais que eu o dia inteiro atendendo doido no consultório. Luca deixou a luz do quarto fraquinha, botou um DVD do Eric Clapton, pegou uma garrafa de uísque e serviu pra ele e pra mim. Todo gentil, o safado. Me deu de presente um CD da Bluz Neon e perguntou se Gabriela era meu nome verdadeiro, pra ele poder autografar. Fiquei no maior dilema. E aí, o que eu ia dizer? Na hora me bateu um medo e acabei dizendo que era, sim. Por isso que aquele meu CD tá autografado pra Gabriela, entendeu agora?

Ele perguntou se eu queria tomar banho também e eu disse que não, mas que ele não se preocupasse pois eu tava bem limpinha. Me arrependi na mesma hora, ah, sei lá, acho que uma puta jamais ia dizer isso, né? Mas ele achou engraçado, ainda bem. Eu virei a dose rapidinho, pra relaxar, precisava, né, tava a centímetros de transar com meu ídolo do underground. Ele voltou, todo cheirosinho, tirou a minha roupa e começou a chupar meus peitos. Ah, chupou bem, sim, sem machucar. Depois me deu um banho de língua, olha, fazia tempo que ninguém me dava um banho daquele, viu, foi tão bom que passou o nervosismo e… Quem? Nelson? Que Nelson o quê, minha filha, desde que a gente casou que o Nelson esqueceu que tem língua, ô tristeza. Mas quanto a isso, eu tenho minhas alternativas, ah, claro que eu tenho, e tu conhece quem é a alternativa. Mas isso é outra história, depois eu conto, deixa eu voltar pra Natal. Aí o Luca começou a chupar minha buceta, e eu pensava assim, caramba, ele faz isso com uma puta? Depois me toquei que puta não é necessariamente uma mulher suja, né, aliás, se elas não forem limpas e bem cuidadas, quem vai querer, a concorrência é grande.

Então. Aquele safado me deixou num tesão tão grande que caí de boca no pau dele sem pedir licença nem nada, tchum, exatamente, abocanhei o choquito do Luca. Ah, eu achei bonito, e do tamanho certo pras minhas necessidades. Pois eu tava lá com a boca no material, ao som de Eric Clapton, toda entretida, quando de repente… a porta do quarto abre. E entra um cara. Era o Junior Rível, o guitarrista. Fiquei paralisada, segurando o pau do outro, parecia uma criança flagrada roubando o pirulito. Junior riu, deu boa noite e passou reto pro banheiro. Perguntei baixinho pro Luca se o amigo dele ia demorar e o Luca disse assim: não se preocupe que em quinze minutos você terá os dois só pra você.

Verinha, eu gelei. Exatamente, a Gabriela tinha acertado de dar pros dois, e a filha da mãe não me avisou. Não sei se ela me sacaneou ou se esqueceu, só sei que entrei em pânico total, né? Tu já deu pra dois caras de uma vez, Verinha? Nem eu. Quer dizer, até aquela noite nunca tinha dado. É, o Junior Rível também era um gato, eu sei, mas o foda é que o Luca tinha aquele jeitinho de cafajeste na medida exata que eu gosto, né? Naquela noite eu tava preparada pra ser puta, sim, mas, pô, pra um cara só, e não pra dois. Quase que eu desisto, claro, mas já tinha ido longe demais, concorda? Aí o Luca disse assim: ele é um cara legal, você vai ser muito bem tratada. E me deu um beijo na boca. E eu adorei o beijo.

Pois, minha filha, quando o outro voltou do banho, eu tava lá na cama, de quatro, e o Luca atrás metendo em mim, e eu adorando ele me chamando de Gabi. Ah, claro, já tinha incorporado a putinha, né, tava toda solta, muito mais do que normalmente sou. Junior serviu um uísque pra ele, botou um CD do Artur Menezes e foi se chegando, se chegando… Quando vi, ele tava batendo com o pau no meu rosto, o pauzão duro, parecia de ferro. Surra de pau na cara, é bom demais, né, também gosto muito. Aí a festa começou de verdade, o Luca me pegando por trás e o outro fodendo minha boca, me segurando pelo cabelo, e eu me sentindo a devassa toda poderosa, né? Não sei se eles dois abusaram de mim ou se fui que eu abusei dos dois. Só sei que eles fizeram tudo que queriam, era um tal de abre as pernas, Gabi, de quatro, Gabi, me chupa, Gabi, ai, como você é gostosa, você é maravilhosa, até dupla penetração a gente fez, acredita? Sim, na buceta e no cu. Não, foi minha primeiríssima vez. Ah, eu gostei, sim. A sensação? Ah, a pessoa se sente assim aquele pão do dogão com duas salsichas, sabe? Mas foi meio desajeitado, eles já tavam muito bêbados. Mas, olha, eu gozei suuuupergostoso, e o Luca no meu ouvido, goza, Gabizinha, goza pra eu ver. Tão lindo, adorei. Eles? Gozaram também, e sabe como? Na minha cara, os dois esporrando no meu rosto, eu aperreada pra não desperdiçar nenhuma gota, a própria sedenta do Saara, rá, rá, rá. Te cuida, Sasha Grey,

Depois disso, eles apagaram, e eu me mandei rapidinho pro meu quarto. Dormi superfeliz com a minha despedida de solteira. No outro dia eu e Irene almoçamos, eu de óculos escuros e chapéu, morrendo de medo dos caras me reconhecerem, já pensou? Ainda bem que não vi nenhum deles. Não, claro que não contei nada pra Irene, aquela doida nunca foi de confiança. Durante o voo foi que eu me toquei: caramba, esqueci de pegar a grana. Exatamente, deixei lá no quarto deles, ficou em cima da mesa. Como que eu esqueci? Ora, esquecendo. Se fosse puta de verdade, com certeza tinha botado logo a grana na bolsa. Eles? Ah, sei lá, devem ter pensado que a Gabizinha fez uma cortesia pra eles.

História bizarra, né? Pior que tem mais. Dias depois eu mandei e-mail pra Gabriela, agradeci, falei que tinha gostado, mas que eu tinha esquecido de pegar a grana, que se ela quisesse, podia cobrar deles e ficar com tudo. Ela respondeu que eles tinham ligado pra ela, pedindo o número da conta pra depositar, mas ela disse que não havia sido ela, que ela havia ido embora porque eles tavam demorando pra chegar no hotel. Olha que loucura, Verinha… Os caras devem ter pirado, né? Acho que estão até hoje pensando quem foi aquela doida que apareceu do nada pra dar de graça pra eles.

Espera que tem mais. Não é que a Gabriela tinha mesmo nível universitário? Fazia Sociologia. Sim, Sociologia, minha filha. Pois dia desses vi uma notícia que uma tal Gabriela não sei das quantas, socióloga de Natal, tava lançando um livro, uma dissertação de mestrado, contando sua experiência pessoal como prostituta. Ela mesma, a própria, eu vi a foto dela. Pois é, amiga, é como tu diz, não tem mais espaço nesse mundo pra amadora.

(Este conto integra a série Interações da Sacanagem, com contos baseados em termos de busca no Blog do Kelmer. Divirto-me bastante vendo os termos que as pessoas usam nos mecanismos de busca e que as fazem chegar em meu blog. Termos deste conto: psicólogas nuas fotos amadoras.)

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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Quarentena Erótica
Ricardo Kelmer – contos

Nos contos de Ricardo Kelmer, o erótico pode vir com variados temperos: romantismo, humor, misticismo, bizarro, horror… Às vezes, vem doce e sutil, ou estranho e avassalador, e às vezes brinca com nossas próprias expectativas sobre o que seja erótico. Explorando fetiches, fantasias, delírios e tabus, e até mesmo experiências reais do autor e de seus leitores, as estórias deste livro acabam de chegar até você para apimentar seus dias, e suas noites, de quarentena. > saiba mais

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A crueldade do Capitão Cloroquina

25/02/2021

25fev2021

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A CRUELDADE DO CAPITÃO CLOROQUINA

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A tragédia que ora vivemos seria menor não fosse a incompetência do governo Bolsonaro. Incompetência? Não, não foi apenas isso. No início, Jair Bolsonaro menosprezou o perigo do coronavirus e contribuiu para o negacionismo científico, espalhando desinformação e teorias conspiratórias e incentivando a desobediência às medidas de distanciamento social. E assim 50 mil brasileiros perderam a vida. E daí?, zomba o presidente.

Depois, guiou-se pelo falso dilema “economia versus saúde”, acreditando que seria mais vantajoso que o vírus agisse livremente para eliminar logo os mais frágeis, visando a imunidade de rebanho − que jamais viria, pois o vírus pode vitimar as pessoas mais de uma vez. Outros 50 mil perderam a vida, e tudo que o presidente tem a dizer é que todos um dia vão morrer. Para piorar, insistiu o máximo que pôde em falsos tratamentos preventivos e gastou uma fortuna em remédios ineficazes. Mais 50 mil mortos, aos quais o presidente responde, insensível: “Eu não sou coveiro”.

Em 2020, Bolsonaro teve a chance de garantir as doses de vacina necessárias e que agora tanto nos fazem falta, mas negou-se a fazê-lo. Com isso, ajudou a empurrar mais 100 mil para a tumba. E ele continua dificultando. E ele segue gerando aglomerações. Não é apenas incompetência – é crueldade. É um projeto criminoso. Se depender do Capitão Cloroquina, em 2022 ainda haverá muitos brasileiros a vacinar, e até lá choraremos meio milhão de mortos.

Parabéns a você que ajudou a eleger o presidente genocida. Parte desses mortos vai também para a sua conta.

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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Reencarnação e ateismo (vídeo)

17/02/2021

17fev2021

Trinta anos depois, dois escritores conversam sobre o grupo esotérico que mudou seus destinos

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REENCARNAÇÃO E ATEÍSMO

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O Encontro da Nova Consciência é um festival multicultural que acontece em Campina Grande-PB desde 1992 e do qual participo desde 1996. Este ano, ele acontece por transmissões de vídeos via YouTube.
Participei com um batepapo com a escritora Ana Claudia Domene, que mora nos Estados Unidos, falando sobre o grupo esotérico que integramos nos anos 1990 e que mudou para sempre nossos destinos.

Segundo as lembranças do grupo, somos a reencarnação de pessoas que viveram na Dinamarca no século 14 numa comunidade mística que se escondia da Santa Inquisição (em meu livro Viajando na Maionese Astral, conto em detalhes toda essa história). Tivemos ainda os comentários do músico Moacir Bedê, que integrava o grupo e que no século 14 era uma bela, e safada, dançarina chamada Andrija. Ai, Andrija…

Considerando as duas vidas, é uma história de amizade, mistério e autoconhecimento, com sexo selvagem na floresta e muito humor.

Ana Claudia se define como espiritualista sem religião. Eu sou ateu. Como entendíamos tudo isso à época? E como agora entendemos? Experiências fora do corpo, guias espirituais, reencarnação – foi tudo real ou foi viagem na maionese?

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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Viajando na Maionese Astral
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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Quem Apagou a Luz?
Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá
(ensaio)

Lançado em 1995, este livro resume, numa linguagem descontraída, as crenças e vivências que norteavam o grupo esotérico do qual o autor participou nos anos 1990, abordando temas como experiências fora do corpo, reencarnação, vida após a morte, extraterrestres e guias espirituais.

A partir de 2000, quando o autor assumiu seu ateísmo, este livro deixou de ser publicado, interrompendo uma trajetória de sucesso. Porém, em 2020, para divulgar seu livro Viajando na Maionese Astral – Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo, ele decidiu relançá-lo numa edição especial, junto com o Maionese.

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O Caminho para Aaran
Ana Claudia Domene
(romance)

Na Dinamarca do século 14, a menina Orian é aceita como aprendiz de Aaran, uma escola secreta que guarda a sabedoria mística de antigas tradições. Ela aprende que é possível decifrar seus sonhos, sentir a energia sutil de seus chacras, entrar em contato com guias espirituais e relembrar outras vidas. Porém, à medida que enfrenta o desafio de seguir sua voz interior, ela começa a se perguntar se o conhecimento que adquiriu irá salvá-la ou destruí-la…

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Noturna
Ana Claudia Domene
(romance)

No caminho de iniciação mística no qual é iniciada, Luna passa a questionar sua vida pessoal, seu namoro e seu trabalho, e decide seguir sua voz interior. Sua jornada a leva ao México e ao encontro com um índio feiticeiro, que lhe apresenta um mundo novo e surpreendente no qual imperam a vontade pessoal, a comunhão com a Natureza e a liberdade sem limites. Um mundo tão simples quanto assustador.

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Protegido: As taras de Lara – Pneu furado (VIP)

14/02/2021

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As taras de Lara – Pneu furado

14/02/2021

14fev2021

Lara só queria provar a si mesma que tinha controle sobre si, mas…

AS TARAS DE LARA – PNEU FURADO

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Naquela manhã, antes de ir para o colégio, a menina Lara olhou-se no espelho do quarto. Conferiu o uniforme e ajeitou o laço no cabelo. Já estava acostumada com sua cara de meninota pré-adolescente, apesar de já ter 16 anos, e até gostava de se ver mais nova do que era. Porém, naquela vez, algo havia mudado. Do outro lado do espelho não era mais a mesma meninota quem a olhava. Ela estava diferente. O quê, exatamente, não sabia. Mas estava.

Na noite anterior, finalmente perdera a virgindade. A bucetal, claro, pois a anal se fora dois anos antes com o namorado da época, com quem transava na sala enquanto os pais, no quarto, ignoravam as safadezas da filha que julgavam tão santinha. Na noite anterior, fora, enfim, desvirginada na frente. Por um… urso. Sim, o Nicolau, seu ursinho de pelúcia, que agora, sentado no canto da cama, olhava para ela como se pensasse: Humana taradinha…

Não era para ter sido assim. Nossa menina bem que tentara do modo convencional, verdade seja dita. Tentara com Jorge, primo da ex-amiga do colégio, e com Berel, o surfista otário, mas não fora feliz. Quis o destino que fosse com Nicolau. Aliás, precisava decidir o que faria com ele, pois manchara o pelo do ursinho com seu sangue. Mesmo após a lavagem, continuava manchado. Jogar no lixo? Não, não podia fazer isso, afinal ele fora seu primeiro homem. Ou homem só prestava para isso mesmo?

No colégio, cruzou com Didica, a ex-amiga, e novamente fez que não viu. Não conseguia perdoá-la pelo que fizera. Veio-lhe a lembrança da noite no Sabrina´s Motel, ela, Didica e o primo Jorge, as duas virgens, prontinhas para serem desvirginadas por ele… Ela despertando no sofá da suíte, bêbada e ainda virgem, enquanto a amiga toda feliz na cama com o primo… Aquilo fora uma traição de alto grau, a amiga a deixara dormindo no sofá para ter Jorge só para si. Imperdoável.

Bem, isso era passado. Agora, Lara era uma ex-virgem completa. Vida nova. O mundo cheio de homens interessantes por aí. Paus de todas as cores e sabores.

Conhecendo-se como conhecia, ela sabia que, mesmo que tentasse se controlar, em poucos dias estaria implorando por sexo, e sempre que ficava nesse estado era capaz de cometer as piores doidices. Sim, masturbar-se com o vibrador que ganhara da amiga Geísa aliviava a tensão, mas não era suficiente: quando o cio chegava, ela virava a Lara Tara, e essa outra Lara nunca a escutava. Só havia uma maneira de manter Lara Tara quieta: transando. Porém, no momento estava sem namorado e não queria voltar a namorar tão cedo.

Lara entrou em sua sala, sentou-se e aguardou que o professor de história começasse a aula. Ele tinha seus 30 anos, e Lara não o achava bonito, mas ultimamente percebia uns certos olhares da parte dele… Ou seria impressão sua?

Não, isso não pode estar acontecendo…, nossa menina pensou, desviando o olhar do professor. Não fazia nem 24 horas que fora comida por um urso e já estava pensando em sexo?

Os dias seguintes foram uma rotina de casa e colégio, colégio e casa. Período de provas, precisava se concentrar nos estudos. Para isso, até escondeu Nicolau no guarda-roupa, não queria nenhum urso olhando para ela com cara de pidão. Quinze dias depois, passadas as provas, ela saiu com duas garotas da sala, que conhecera naquele ano. Foram a um shopping, viram um filme, lancharam e falaram mal dos homens. Voltaram para casa com Pedro, o irmão de uma delas, que fora buscá-las. Lara não viu nada demais nele: vinte anos, baixinho, narigudo, feio mesmo. Mas ele viu nela. E enquanto se despediam, Pedro perguntou se ela aceitaria sair com ele no fim de semana seguinte. Lara ia dizer não, mas pensou que poderia ser uma oportunidade de provar a si mesma que tinha controle sobre seus hormônios, e aceitou. Ela entrou no prédio rindo de si mesma e pensando: Lara Tara, você tá precisada, eu sei, mas você não vai dar pra esse feioso…

No fim de semana, foram passear no calçadão da beira-mar. Tomaram caipirosca enquanto viram o cair do sol por trás dos prédios da orla. Lara percebia que Pedro estava interessado, fazia esforço para agradar… mas ele não provocava absolutamente nada nela, mesmo com aquelas três semanas de abstinência. Isso deixou nossa menina aliviada. Ela não era tão ninfomaníaca assim…

No trajeto de volta, Pedro comportou-se como um cavalheiro, não forçou nada. Lara achou bonita sua atitude, mas só isso mesmo. Quando passavam em frente a uma praça, perceberam que o pneu furara e Pedro parou o carro. Enquanto ele se preparava para fazer a troca, Lara sentou-se no banco e reconheceu o lugar, costumava brincar naquela praça até poucos anos atrás, não mudara nada. Tirou o celular da bolsa e conferiu as mensagens no celular. À sua frente, Pedro, agachado, girava a chave em forma de cruz para retirar o pneu furado. Era a primeira vez que ela via um homem trocar o pneu de um carro. Nesse momento, Lara percebeu que ele suava… e o suor escorria por seu rosto…

Sentada no banco, Lara não respondeu à mensagem da amiga. Estava hipnotizada pela visão daquele homem suado, fazendo força, os músculos enrijecidos, o suor escorrendo do rosto… Ela viu a camisa molhada, as mãos sujas, e nesse momento sentiu o alvoroço no meio das pernas, aquele velho comichão tão conhecido. Pensou em perguntar se ele queria ajuda, mas logo desistiu, queria vê-lo naquele trabalho braçal, fazendo força e suando e se sujando ainda mais. Pedro, concentrado, parecia querer terminar logo com aquilo, como se estivesse envergonhado por a noite terminar de maneira tão ridícula. Lara, porém, estava encantada. De repente, o irmão de sua nova amiga já não parecia tão feio. Parecia outro homem…

Quando Pedro recolheu as ferramentas, guardou o pneu e bateu a porta do bagageiro, Lara respirou fundo.

‒ Desculpe pela demora, Lara. Agora podemos ir.

Ela ergueu-se do banco devagar. À sua frente, aquele homem suado e arfante, limpando num pedaço de pano as mãos enegrecidas, pedindo-lhe desculpas… Lara percebeu-se excitadíssima, e soube que não havia mais retorno. Avançou, puxou o pano das mãos de Pedro e o atirou longe.

‒ Fica melhor assim ‒ ela disse, séria.

‒ Mas…

‒ Vamos ‒ ela ordenou, dando a volta no carro. ‒ Do outro lado da praça tem um cantinho seguro.

Pedro hesitou, sem entender o que ela queria dizer e surpreso pela mudança de comportamento na garota que até um minuto antes era a delicadeza em pessoa.

‒ Vai ficar aí parado, Pedro? ‒ ela perguntou, entrando no carro e fechando a porta. E Pedro foi obrigado entrar, ligar o carro e dirigir até o outro lado da praça, onde parou sob as sombras das árvores. Ao seu lado, a ex-doce garotinha já estava quase sem roupa.

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(continua na área vip)
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Ricardo Kelmer 2019 – blogdokelmer.com

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AsTarasDeLaraLogo-01aAs Taras de Lara – capítulos publicados

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LEIA NESTE BLOG

Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres
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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – Um casal apaixonado vive seu amor libertino com bom humor e muita safadeza

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir
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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação por meio da submissão no sexo anal

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Contracenando com Franzé

10/02/2021

10fev2021

Ele sempre daquele jeitão bonachão dele, o humor fino e irônico, a risada gostosa. Seu amor pelo cinema era contagiante

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CONTRACENANDO COM FRANZÉ

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Conheci Franzé Santos em 1996. Ele era Relações Públicas do Shopping Aldeota e fizemos lá o lançamento do meu romance O Irresistível Charme da Insanidade, iniciando uma bela amizade. Em 2000, ele dirigia o Espaço Unibanco Dragão do Mar e acertamos parceria com a CABOCA (Confraria Cearense de Apoio às Boas Causas), que eu criara e que dava ingressos de cinema para as mulheres eleitas 10 Mais do Ano.

Durante anos, no meio da semana, era sagrado: lá estava eu no Espaço Unibanco, unzinho na cabeça, a saborear um dos filmes da programação que Franzé selecionava com louvável esmero, e ao fim papeávamos sobre o filme e a cena cultural da cidade, ele sempre naquele jeitão bonachão, o humor fino e irônico, a risada gostosa. Sua paixão pelo cinema era contagiante.

Franzé dirigiu o Cinema de Arte da Credimus nos anos 1980 e foi Diretor de Promoções do Sistema Verdes Mares, e nos últimos anos exerceu o cargo de Diretor do Museu da Fotografia de Fortaleza. Era um agitador cultural por natureza, culto e de alma nobre. Fortaleza deve muito a ele.

Em 2017, quando voltei à terra natal após 13 anos fora, foi Franzé quem me indicou um flat na Pinto Madeira, onde ele morava. Era um vizinho sempre generoso. Nesses dois anos de vizinhança, várias vezes me salvou, levando as comidinhas saborosas que preparava, com a repetida recomendação de devolver o prato, pois fora herdado de sua querida mãe, dona Mazé. Virávamos horas em bons papos sobre cinema e literatura, e ele fazia questão de adquirir meus novos livros, comentava meus textos… Quando fui a São Paulo, trouxe-lhe de presente os filmes La La Land, Manchester à Beira-mar e Moonlight, que ele solicitara, e incluí no pacote o sul-coreano A Criada, do diretor Park Chan-Wook, que ele adorou, especialmente a trilha sonora.

Em setembro de 2020, eu já morando em outro lugar, enviei-lhe meu novo livro, Viajando na Maionese Astral, e ele comentou: “O pouco que li, adorei, aliás, bem à sua maneira…” Foi nossa última conversa.

Sabe, Franzé, o mundo deu outra volta e virei novamente dono de bar. Você não chegou a conhecer, é o Simpatizo Amor de Bar, na Aldeota. Quando a situação melhorasse, eu te convidaria para ir conhecer, tomar umas comigo e falar dos agitos culturais. Mas façamos uma pequena mudança no roteiro. Esta semana irei lá, sentarei naquela mesinha do canto e brindaremos, eu e você, à vida, à arte e à amizade, e te agradecerei por tudo. Na mesa ao lado, alguém rirá de me ver falando sozinho e fazendo tim-tim com um outro copo invisível. Na sequência, a câmera abrirá o plano e mostrará o cajueiro do outro lado da rua, onde os pássaros se reúnem ao fim da tarde para gorjear as novidades. E os créditos subirão na tela.

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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01- Muito triste com a morte do Franzé. Jane Soares Cruz Cabral, Fortaleza-CE – fev2021

02- Como você descreveu bem seu amigo, uma homenagem linda. Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – fev2021

03- Linda homenagem! Ernesto Enrique Hernández, Rio de Janeiro-RJ – fev2021

04- Meus sentimentos. Celia Sporrer, Fortaleza-CE – fev2021

05- Conheci o Franzé numa campanha politica. Depois o encontrei varias vezes no Espaco Unibanco.Vez ou outra trocava um ideia com ele. Muito culto realmente. Tales Alexandre Lula Haddad, Fortaleza-CE – fev2021

06- Como ele gostava de compartilhar receitas e filmes. A cara dele.   muito bem escrito Ricardo. Nucia Costa Melo, Fortaleza-CE – fev2021

07- Um abraço pra tu. Veronica Guedes, Fortaleza-CE – fev2021

08- Estive com Franzé , deveras (o via sempre no Cine Dragão), duas vezes: uma para cumprimentá-lo e, na dura, sensibilizá-lo para uma exibição gratuita para os educando/as da EFA dom Efa Dom Fragoso que não conheciam uma sala de cinema, ele topou! A segunda vez foi no dia da exibição. Fiquei muito grato. Ivo Sousa, Fortaleza-CE – fev2021

09- O pouco que conheci do Franze Santos; desde a CREDIMUS, até o cinema do Dragão do Mar; sempre foi muito agradável e de informações preciosas pra mim. Bela descrição e homenagem que você faz Ricardo Kelmer; Luz e paz pra o Franze Santos. Fernando Piancó, Fortaleza-CE – fev2021

10- Meu amigo querido. Jane Azeredo, Fortaleza-CE – fev2021

11- Meus sentimentos. Soares Oliveira Soares Oliveira, Fortaleza-CE – fev2021

12- Que bonito, Kelmito. Sinta-se abraçado, que Sr.Franzé esteja em um bom lugar. Marta Pinheiro, Fortaleza-CE – fev2021

13- Lindo texto! Que bom deixar lembranças preciosas, que pena perder amigos dessa forma… Verônica Oliveira, Fortaleza-CE – fev2021

14- Fizemos trabalho juntos.. aprovou pelo SVM a.produção “Agosto dos homens” no Obá Obá do amigo Erivaldo Alves…sucesso total. É tanto q teve mais 2 edições. Dessa forma como vc o descreveu. Adil Chaves, Fortaleza-CE – fev2021

15- Sublime seu texto  Franze inesquecível. Andre Marinho, Fortaleza-CE – fev2021

16- Que lindo, Ricardo… Só você para fazer esta perda ter imagens. Selma Santiago, Fortaleza-CE – fev2021

17- Belo depoimento Jornalista. José Anderson Freire Sandes, Fortaleza-CE – fev2021

18- Que belezura. Ricardo Andrés Bessa, Fortaleza-CE – fev2021

19- Momento triste retratado num texto emocionante, que me remeteu ao percurso e à amizade de vcs ( mesmo sem conhecê- los). Kátia Lula da Silva, Fortaleza-CE – fev2021

20- Bela e justa homenagem. Walber Steffano, Fortaleza-CE – fev2021

21- Franze ,siga em paz!. Tete Vieira, Fortaleza-CE – fev2021

22- Franzé Presente! Uma destas figuras humanas que justificam sua passagem na Terra! Agora só não entendi porque iria esperar a pandemia passar para lhe convidar a tomar uns tragos, já que o bar está aberto e com muita frequência normal de pessoas que gostam de conversar, beber e ouvir uma boa música mesmo na Pandemia. Agora mesmo o bar continuando aberto em meio a um lockdown absurdo e sem qualquer base científica, Franzé não está mais entre nós para degustar uma breja gelada… Candido Alvarez, Fortaleza-CE – fev2021

23- Espaço Unibanco foi tocado por ele muito bem. O café da manhã de domingo muito legal. Saudades. Luiza Perdigão, Fortaleza-CE – fev2021

24- Gente , o Franze morreu? Eu não tô acreditando. Arrasado. Apesar dele virar Bolsominion no final, eu amava o Franze. Entrevista que fiz com ele em Canoa: https://youtu.be/0Bw4IQdgE7c Felipe Muniz Palhano Xavier, Fortaleza-CE – fev2021

25- Nunca esqueço das pré estreias glamourosas do cinema nacional no Espaço Unibanco, as fofocas com ele quando encontrava…papo bom demais, era verdadeiro , falava o q pensa. Franze foi um dos maiores produtores culturais de Fortaleza! Viva o Franze! um dos melhores papos de Fortaleza, super articulado, admirava ele muito. Eu tô chorando. Poxa Franze. Felipe Muniz Palhano Xavier, Fortaleza-CE – fev2021 

26- Franze tinha muita história pra contar. o cara teve cara a cara com Janis Joplin. Joanice Sampaio, Fortaleza-CE – fev2021

27- Quando moramos longe da terrinha há um bom tempo e alguém falece, algo volta no tempo, uma certa nostalgia, talvez pq um pouco de nós se vai também… Ana Cristina Baptista Teixeira, Porto Alegre-RS – fev2021

28- 😢 Silêda Franklin, Fortaleza-CE – fev2021

29- Fará falta e, sim, Fortaleza lhe deve uma cena muito inteligente com suas curadorias. Suzana Costa, Fortaleza-CE – fev2021


A marreta do padre

05/02/2021

05fev2021

A MARRETA DO PADRE

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O ato do padre Júlio Lancellotti, em São Paulo, derrubando com uma marreta as pedras cimentadas sob um viaduto, foi grandioso e desde já passa para a galeria de imagens da resistência antifascista no Brasil. Revoltado com a estratégia higienista da prefeitura paulistana para resolver a questão das pessoas em situação de rua, Julio Lancellotti fez o certo, o óbvio: devolveu a essas pessoas o único lugar que elas possuem para morar.

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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Resistência antifascista

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Para meus donos, com amor

28/01/2021

28jan2021

PARA MEUS DONOS COM AMOR

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Em pé, diante do espelho da parede, Cachorrinha vê sua imagem refletida. Seu corpo magro nu, a alvura da pele, o cabelo chanel negro, os seios pequenos… Em seu pescoço, a coleira de couro vermelha com as iniciais em amarelo: BB. E a corrente de ferro, prendendo-a pelo pescoço ao pé da cama. Ela gosta do que vê.

Quando a porta se abre, Cachorrinha imediatamente ajoelha-se, senta sobre os calcanhares e encosta as palmas das mãos no chão, à frente dos joelhos, a posição um, da docilidade. Uma mulher entra, trajando vestido e sapato de salto alto.

‒ Está pronta, Cachorrinha?

Ela percebe a mudança no tom de voz de Brenda. Já não é mais a moça que meia hora antes a recebera, entre abraços e saudações descontraídas. Agora é sua dona. Dez anos mais nova que ela, mas naquele vestido e naquele salto alto parece ser mais velha.

‒ Nossos convidados logo chegarão.

Cachorrinha sorri. Adora quando seus donos convidam amigos para brincar com ela. Sua dona solta a corrente do pé da cama e Cachorrinha agradece esfregando-se em suas pernas. De pé, é observada por alguns instantes, tem seu corpo verificado, os dentes e as axilas, os seios apalpados, a pele cheirada. Sua dona aponta para a cama e Cachorrinha vai para lá, e fica de quatro sobre o colchão, a posição dois, da disponibilidade. As bordas de sua buceta são afastadas, o interior vistoriado, sua dona introduz um dedo, cheira e lambe. Cachorrinha geme. Depois sua bunda é aberta e um plugue é enfiado em seu cu, e a parte externa possui uma argola à qual é preso um rabo peludo de cachorro, de cor castanha.

‒ Não é bonito? Comprei ontem pra minha Cachorrinha… ‒ sua dona diz, passando carinhosamente a mão em sua cabeça. Cachorrinha olha-se no espelho e exulta com a imagem, sua bunda adornada pelo novo e belo rabo peludo. Tem sorte de ser a cadela de donos tão generosos.

Obrigado, Senhora, obrigado…, ela responde por meio de ganidos, agradecida.

Sua dona a leva pelo corredor do apartamento, puxando-a pela corrente, e Cachorrinha a segue engatinhando, como uma fiel cadelinha deve fazer, e o contato do rabo no interior das coxas lhe provoca arrepios. Na sala, próximo à porta, seu dono as espera. Cachorrinha segue sua dona até lá e para, mantendo-se na posição de docilidade, semiajoelhada, aos mãos no chão.

‒ Beto, olha como nossa Cachorrinha ficou linda com o rabo novo.

‒ Lindíssima ‒ ele responde, entusiasmado. ‒ Posição dois, agora, pra tirar foto.

Cachorrinha obedece, ficando de quatro e empinando a bunda para as fotos, sua dona ao seu lado, segurando-a pela corrente.

‒ Está feliz, Cachorrinha?

Muito feliz, Senhor, ela responde latindo, sacudindo a bunda e balançando o rabo.

‒ Nossos convidados merecem toda nossa hospitalidade. Sirva-os como se servisse a nós, entendido? ‒ Cachorrinha responde sim com a cabeça. ‒ Boa cadela… ‒ ele diz, dando dois tapinhas em seu rosto. Os tapas não doeram, mas ela pode sentir o rosto latejando levemente, o suficiente para fazer-lhe brotar um tremor de excitação.

O casal convidado entra, seus donos dão-lhe as boas-vindas, abraços e beijos.

‒ Esta é Cachorrinha, que está aqui hoje para todo o nosso dispor, não é, Cachorrinha? ‒ diz sua dona, e ela responde sim com a cabeça, alegremente.

Cachorrinha sorri para o casal, que sorri de volta para ela com indisfarçável interesse. São jovens como seus donos, não tão bonitos, é verdade, mas imediatamente se tornam lindos e especiais, pois são os convidados daquela noite, e servi-los será o mesmo que servir a seus amados donos, e só por isso ela já os ama também.

‒ Cumprimente-os como nós a ensinamos.

Cachorrinha engatinha até o casal convidado e lambe delicadamente a mão da mulher, e depois a do homem. Que luxo de cadela, diz a mulher. É um belo espécime, parabéns, emenda o homem. E Cachorrinha se derrete de felicidade, vendo que seus donos sorriem orgulhosos dela.

Todos vão acomodar-se nos sofás e Cachorrinha engatinha atrás de sua dona, que a deixa sentada próximo à mesinha de centro. Posição um, Cachorrinha, e ela imediatamente obedece, assumindo a posição de docilidade. Depois de beberem um pouco e conversarem divertidamente, as atenções se voltam para ela.

‒ Sua cadela é realmente muito bonita, Brenda ‒ diz a convidada. ‒ Desde quando a possuem?

‒ Seis meses, somos seus segundos donos. Quer dar biscoito pra ela? Ela adora.

Biscoito de carne, hummm… Os prediletos de Cachorrinha. Ela lambe os lábios, olhando fixo para os biscoitos num pote de vidro sobre a mesinha. A convidada pega um biscoito e o atira próximo dela. Cachorrinha hesita, olha para sua dona.

‒ Pode pegar, Cachorrinha.

E só então ela avança e abocanha o biscoito, e o come com prazer. Depois sua dona a chama, para que os convidados possam vistoriá-la. E eles a examinam, tocando seu rosto, mexendo em seu cabelo, olhando seus dentes. Ela vira-se, para que possam examinar detalhadamente seu novo rabo. Enquanto o tocam, Cachorrinha sente calafrios correrem por seu corpo e ela precisa se concentrar para manter-se quieta. Ser vistoriada é sempre um grande prazer…

‒ Cachorrinha agora vai nos servir o camarão empanado ‒ anuncia sua dona.

Sobre a mesa, há uma concha com um pequeno gancho na borda. Cachorrinha a apanha com a boca, entrega à sua dona e vira-se de costas. O rabo é retirado e a concha é presa ao plugue anal, ficando pendurada na entrada da buceta. Cachorrinha sente o frio do alumínio nos lábios de sua buceta e geme em ganidos baixinhos. Sua dona põe alguns camarões na concha e ordena que ela sirva os convidados. Cachorrinha engatinha até eles, com cuidado para que os camarões não caiam, e para de costas para que se sirvam. E eles se servem, e seus donos também. Ela silenciosamente implora para que todos se sirvam bastante, pois mesmo o mais leve toque de seus dedos mexe a concha e faz vibrar o plugue dentro de seu cu, criando deliciosas ondas de vibrações… Sua bunda agora é uma bandeja, uma dócil bandeja branquinha de camarões empanados.

‒ Quer camarão, Cachorrinha? ‒ pergunta seu dono. Ela faz que sim com a cabeça. ‒ Então vá pegar seu pratinho.

Cachorrinha engatinha até a cozinha e volta trazendo na boca seu pratinho de plástico. Seus donos pegam alguns camarões, mastigam e os põem no pratinho, e ela os come diretamente com a boca, fechando os olhos para assimilar bem o sabor. Ah, o melhor molho do melhor chefe do mundo não é nada diante do gosto de saliva fresquinha de seus donos…

Após terminar o último pedaço, ela engatinha até sua dona e lambe-lhe a mão, agradecida. E gane baixinho, olhando para ela de um jeito especial.

‒ O que você quer, Cachorrinha?

Cachorrinha gane novamente.

‒ Quer fazer cocô?

Ela responde que sim com a cabeça.

‒ Como é educada… Ah, Brenda, quando você pode emprestá-la? ‒ pergunta a convidada, encantada.

‒ Que tal na próxima quinta?

‒ Está ótimo! Cuidaremos muito bem dela.

Cachorrinha vibra por dentro com o que ouve. Adora ser emprestada. Ela vira a bunda para sua dona, que retira a concha e depois puxa o plugue de seu cu. Depois engatinha até um canto da sala, para e acocora-se de costas para os dois casais que, dos sofás, a observam em silenciosa atenção. Cachorrinha apoia as mãos no chão, suspende a bunda e se concentra. E, durante o minuto seguinte, defeca calmamente, sentindo a merda sair de seu cu devagar, numa longa peça de cor marrom que desce até o pratinho de plástico e pousa enrolando-se sobre si mesma, enquanto ela sutilmente observa pelo espelho da parede os quatro nos sofás, todos extasiados pela sua atuação. Quando termina, seu semblante não nega o prazer e o imenso orgulho que sente. Defecar para os convidados de seus donos, que prova maior de amor uma cadela pode oferecer?

Ela vira-se, abocanha a borda do pratinho e sai engatinhando para deixá-lo na área de serviço, boa cadela que é. Lá, aproveita para limpar-se e retorna para receber a recompensa de seus donos, quem sabe mais um biscoitinho de carne. Porém… eles não parecem satisfeitos. O que pode ter acontecido? Somente neste instante é que percebe que defecara um pouco fora do pratinho. Ela olha para seus donos, com um olhar de desculpas, foi sem querer, só um segundinho de desatenção… Mas já é tarde.

‒ Muito feio o que você fez, Cachorrinha ‒ diz sua dona em seu ouvido, e Cachorrinha conhece bem aquele tom de voz ameaçador. ‒ Você quer que nossos convidados pensem que não soubemos educar você?

Cachorrinha abaixa a cabeça, triste e envergonhada por sua falha grotesca. Para os donos de animais, nada mais desabonador que serem conhecidos no meio como péssimos educadores. Defecar num pratinho, até a cadela mais simplória sabe fazer isso, que vergonha… Se pudesse, voltaria o tempo para que seus donos não tivessem que passar por tal desonra.

Brenda aponta para um ponto na estante. Cachorrinha gane, pedindo novamente para ser perdoada. Mas sua dona está resoluta e mantém o braço apontado para a estante. Ela engatinha para lá, pega com a boca um saco de veludo vermelho e o leva para sua dona. Apreensiva, Cachorrinha a observa abrir o saco e puxar de dentro um chicote preto de tiras de couro. A visão daquele objeto lhe dá um calafrio. Sua dona a puxa pela coleira e a faz deitar-se de bruços sobre uma almofada, deixando sua bunda bem elevada e inteiramente à disposição.

‒ Por favor, ensine-lhe um pouco de boas maneiras ‒ diz sua dona, entregando o chicote ao convidado.

Cachorrinha sente o coração acelerar. Seu dono ajoelha-se em frente a ela e a segura pelos punhos, para que não se movimente. Sua dona a venda com uma tira de pano, para que nunca saiba o momento certo em que o golpe a atingirá e, assim, não tenha como se preparar.

Os primeiros golpes são leves, provocando-lhe curtos ganidos de satisfação, e Cachorrinha aos poucos sente a tristeza e a vergonha darem lugar ao prazer de ouvir novamente o doce som do estalo do couro em sua pele. Os golpes se tornam mais fortes, e o prazer se mistura à dor, até que a dor se sobrepõe e as lágrimas escapam de seus olhos, molhando a venda, e a cada chicotada ela morde os lábios, resistindo à dor, a dor que aumenta, e aumenta mais, até que fica insuportável e ela late, pedindo para parar, um latido sofrido misturado com choro.

‒ Promete que nunca mais vai nos envergonhar como fez hoje? ‒ pergunta seu dono.

Sim, sim, ela responde latindo, ainda chorando. Ele solta seus punhos e lhe tira a venda.

‒ Ótimo. Agora ponha seu rabo e venha nos satisfazer.

Cachorrinha apanha o rabo e o leva à sua dona. Por alguns instantes ela aguarda, enquanto sente os olhares de todos sobre si, ela de quatro, o rabo na boca, as lágrimas a escorrerem de seu rosto. Finalmente, sua dona pega o rabo, prende-o ao plugue e o enfia novamente em seu cu. Cachorrinha ainda sente a bunda dolorida mas o plugue alivia a dor e os pelos do rabo entre suas coxas a fazem sentir-se melhor. Sua dona aponta para a convidada e ela engatinha até o sofá, onde o casal está sentado lado a lado, e põe-se entre as pernas da mulher, na posição de docilidade. A mulher suspende o vestido e tira a calcinha. Cachorrinha vê surgir a buceta da mulher, entreaberta e molhada. Ela sabe que seus donos a observam e que não pode mais falhar em nenhum detalhe. Então aproxima o rosto e começa a lamber a buceta da mulher, que segura sua cabeça com as duas mãos e a puxa contra si, enquanto geme cada vez mais forte, vai, Cachorrinha, me chupa, vai… Com o rosto afundado entre as coxas da convidada, a língua de Cachorrinha passeia pelo interior de sua buceta, no início devagar e depois mais rápido, seguindo os movimentos do corpo da mulher, harmonizando-se com sua respiração, e ela sente quando as coxas se contraem, os gemidos se intensificam, as mãos lhe puxam a cabeça como se quisessem enfiá-la toda… e a mulher goza em sua boca, um gozo longo e ruidoso, e ela prova o gosto daquele gozo feminino, bebendo tudo que pode.

O convidado a aguarda com o pau para fora da calça, totalmente ereto. Cachorrinha abana o rabo, ansiosa. Ele a chama, vem, Cachorrinha, vem, e ela posta-se entre suas pernas, observando-o masturbar-se. Não é tão grande como ela gosta, mas é bonito. E cheiroso também, ela constata, enquanto o beija na cabeça e começa a lambê-lo. Sua boca o envolve em idas e vindas contínuas, chupando-o com presteza, e o homem goza logo, jorrando sêmen em seu rosto, e ela lambe e lambuza-se e bebe com vontade, enquanto ele geme seu prazer de ser chupado por uma cadela tão dadivosa.

Em seguida, Cachorrinha satisfaz sua dona, ela deitada no carpete e Cachorrinha entre suas pernas, e depois satisfaz seu dono, ele de pé mesmo, com ela ajoelhada no chão e tendo que dividir o gozo dele com sua dona, que exige que ela não beba tudo e que, diretamente de sua boca, passe uma parte para a boca dela, o que Cachorrinha faz, num longo e saboroso beijo que a deixa tão excitada que ela quase implora para também ser chupada pelos dois. Mas isso é algo que não lhe é dado fazer. Sua obrigação é servir.

Após satisfazer aos quatro, e feliz de sentir-se inundada por tantos gozos, Cachorrinha engatinha para um canto e posta-se na posição de docilidade. Está cansada, mas sabe que deve permanecer ali, aguardando que a chamem a qualquer momento.

E, após alguns minutos, seus donos a chamam, ordenando dessa vez que fique debruçada no sofá, com os joelhos no chão e afastados. É quando o terceiro convidado surge na sala: Yago. Cachorrinha não o conhece, mas sabe que foi trazido pelo casal convidado. Seu dono levanta seu rabo, deixando sua bunda totalmente descoberta, e lambuza sua buceta com sorvete de morango, não esquecendo de despejar uma boa porção lá dentro. Yago se aproxima lentamente, em seu passo firme. É um grande labrador negro, e sorvete de morango é o seu preferido. Cachorrinha fecha os olhos, para que a visão não lhe desvie a atenção das sensações que terá. Enquanto seu dono mantém seu rabo erguido, ela sente que Yago fareja sua buceta e começa a lambê-la. Cachorrinha arrepia-se, sentindo a grande língua varrer toda a extensão da buceta, meter-se dentro dela feito uma cobra inquieta e vasculhar seu interior em busca do sorvete. A língua de Yago não para, é como um dispositivo automático. Cachorrinha gane de prazer, e gane mais ainda quando Yago monta sobre ela e ela sente seu peso sobre suas costas, o bafo quente em sua nuca, os pingos da saliva caindo em seu pescoço. As tentativas do animal são bruscas e desajeitadas, mas as patas estão cobertas por luvas especiais para que as unhas não arranhem sua pele. Então o pau do labrador força entrada em sua buceta e ela empina mais a bunda, procurando encaixar-se melhor ao corpo dele, até que, com a ajuda de seus donos, Yago finalmente consegue e ela sente o membro dentro de si, um membro grosso e quente a entrar e sair do espaço onde pouco antes se remexia sua língua, e Cachorrinha late, e late mais alto, tomada pelo frenesi luxurioso, e então Yago arfa mais forte sobre suas costas e ela sente o líquido quente dentro de si e, nesse momento, uma gigantesca onda de prazer desaba sobre ela, arrastando-a sem rumo, e Cachorrinha uiva o mais alto que pode, transtornada e feliz, gozando o indizível êxtase de ser a cadela amada de seus donos.

*     *     *

O alarme do celular toca a melodia familiar e Silvana desperta. Sexta-feira, sete da manhã. Ela abre os olhos, reconhece seu quarto e se espreguiça. Dormiu pouco, mas sente-se bem e disposta. Duas horas depois ela sai do táxi e chega ao prédio da empresa. Sobe até o décimo segundo andar, cumprimenta algumas pessoas no corredor e entra em sua sala, onde a aguarda sua secretária.

‒ Bom dia, dona Silvana.

‒ Bom dia, Lia. Os gerentes já chegaram para a reunião?

‒ Sim, os quatro já estão aí. Posso chamá-los?

‒ Por favor.

A secretária sai, e um minuto depois retorna, e com ela os quatro gerentes, que ocupam as cadeiras em frente à mesa da diretora.

‒ Bom dia, senhoras e senhores ‒ diz Silvana. ‒ Trouxeram os relatórios? Ótimo.

Um após outro, os gerentes leem seus relatórios e Silvana faz suas observações. Vinte minutos depois, ela encerra a reunião e todos levantam-se para sair.

‒ A senhora fica ‒ ela fala para uma das gerentes. ‒ Pode nos deixar a sós, Lia.

Os demais gerentes saem com a secretária, que fecha a porta. Silvana, ao lado de sua mesa, agora observa a moça, em pé à sua frente.

‒ Nossa empresa está muito satisfeita com seu trabalho, dona Brenda.

‒ Obrigado, dona Silvana.

‒ Indicarei seu nome para a subdiretoria, o que acha?

‒ Puxa… eu…

‒ Não precisa agradecer.

Por alguns instantes, Silvana olha sério para a funcionária. Depois mexe em alguns papéis na mesa e sorri.

‒ Foi uma noite maravilhosa. Você estava linda.

‒ Sim, e você estava magnífica ‒ Brenda sorri também, e agora o semblante de ambas está bem descontraído. ‒ Os convidados ficaram encantados.

Silvana aproxima-se e beija a moça suavemente na boca.

‒ Eu te amo tanto, Brenda.

‒ Nós também te amamos muito.

‒ Você e Beto são os melhores donos do mundo.

Elas se beijam mais uma vez, dessa vez um beijo intenso e demorado, enquanto se abraçam e as mãos apalpam seus corpos. Quando terminam, Silvana recompõe-se, respira fundo e abre a porta.

‒ Até logo, dona Brenda. Mais uma vez parabéns pelos bons resultados.

‒ Obrigado, dona Silvana.

A funcionária sai e Silvana fecha a porta. Senta-se relaxadamente em sua poltrona, fecha os olhos e suspira, lembrando da noite. Depois pega uma caneta e circunda, no calendário, a quinta-feira seguinte, anotando ao lado: emprestada. Adora ser emprestada.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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Quarentena Erótica
Ricardo Kelmer – contos

Nos contos de Ricardo Kelmer, o erótico pode vir com variados temperos: romantismo, humor, misticismo, bizarro, horror… Às vezes, vem doce e sutil, ou estranho e avassalador, e às vezes brinca com nossas próprias expectativas sobre o que seja erótico. Explorando fetiches, fantasias, delírios e tabus, e até mesmo experiências reais do autor e de seus leitores, as estórias deste livro acabam de chegar até você para apimentar seus dias, e suas noites, de quarentena. > saiba mais

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São Paulo 467 anos

25/01/2021

25jan2021

Quando vi, estávamos casadinhos. Foram onze anos de intensa convivência, na alegria e na tristeza

 

SÃO PAULO 467 ANOS

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Hoje é aniversário dela. Mas deixe-me voltar uns anos no tempo. Para dizer que antes, era o medo. Sim, eu a temia, mas nem tinha consciência disso. O medo arquetípico daquilo que pode nos libertar – hoje sei.

Até que, numa noite de outubro de 2006, um sonho veio me dizer “vá!”, e foi tão enfático que eu obedeci, mesmo sem saber como ela me receberia. O Louco das cartas do tarô, a se jogar no mundo, confiando nas asas de sua própria ingenuidade…

Quando vi, estávamos casadinhos. Foram onze anos de intensa convivência, na alegria e na tristeza, Planalto Paulista, Sumaré, Pinheiros, livros, teatro, saraus, amores e amizades… Aprendi a aceitá-la do jeitinho que ela é e ela me ensinou a mágica de ser, ao mesmo tempo, escritor, ator canastrão e muambeiro de eletrônicos da Santa Efigênia.

Sabe, ela me abriu as portas de um novo mundo e de um novo eu, e devo muitíssimo a ela. Sim, hoje é Fortaleza, essa loirinha desmiolada de sol, quem dorme e acorda comigo, mas nessas idas e vindas que a vida traz, nós três nos entendemos bem.

Feliz aniversário, São Paulo! 

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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01- não esqueça dela. ela faz bem pra caramba. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – jan2021

02- Suas andanças me são familiares menos Fortaleza que sonho conhecer. Fez bem! Malu Ferreira, São Paulo-SP – jan2021

03- Parabéns pelo maravilhoso texto. Clea Fragoso, Fortaleza-CE – jan2021

04- Também consegui me encantar com a “cidadivosa” quando a conheci! Tereza Cristina, Fortaleza-CE – jan2021

05- Lindo! Declaração de amor bem bonita. Também admiro São Paulo, um universo fascinante. Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – jan2021

06- eu só fiquei 3 anos em Sampa e, depois, 15 no Rio de Janeiro. Foi no Rio que nasceu meu filho, o maior amor da minha vida. Mesmo assim, São Paulo foi e é a minha cidade do coração, com todos os perrengues que passei lá. Nutro um amor enorme por ela, tive acesso a tanta arte, tanto conhecimento, foram 3 anos muito bem vividos. Discordo de você se achar ator canastrão. Desde lá nos anos 80, quando você contava suas histórias, suas piadas, nas mesas dos bares, eu já achava que você tinha uma veia artística para os palcos. Lisieux Bevilaqua, Fortaleza-CE – jan2021

07- “Porém com todo defeito te carrego no meu peito… são, são paulo, quanta dor…” Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – jan2021

08- Adorei, Kelmer!!!! Barbara Garcia, São Paulo-SP – jan2021

09- Lindo sem barba. Parabéns pelo lindo texto. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – jan2021

10- Obrigada por homenagear minha cidade. Bj. Marcia Soares Fernandes, São Paulo-SP – jan2021

11- Aprecio ler seus livros. Maria Ines Ramalho, Fortaleza-CE – jan2021

12- Você é muito a cara de Sampa! Reny Diel, Porto Alegre-RS – jan2021

13- Kelmer, “esta bichinha” me pegou pelo coração e vivi 8 anos por lá. Ela é todo o mistério da vida com suas não-identidades, diversidades, generalidades, diferenças e tudo o que pode ser. Parabéns São Paulo. Tenho uma parte do meu coração com você! Érico Baymma, Fortaleza-CE – jan2021

14- que lindo!!! Olinda Evangelista, Florianópolis-SC – jan2021

15- Imensamente lindo! Somos brasilianos! Carlos Bonfim, Sobral-CE – jan2021

16- Maravilha esse texto! Amei. Lúcia Menezes, Rio de Janeiro-RJ – jan2021

17- Eu te admiro muito meu sobrinho com esse jeito meio confuso e inteligente , parabenizo por tudo que você merece . Seja sempre iluminado com os seus desejos extraordinários e fabulosos. Leonor Oliveira Moreira, Fortaleza-CE – jan2021

18- um grande abraço primo. Maria Célia Oliveira Garcia, Fortaleza-CE – jan2021

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Não tente controlar o vento

06/01/2021

06jan2021

Uma resposta para lavar a nossa alma antifascista

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NÃO TENTE CONTROLAR O VENTO

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Esta semana vi o filme 2020 nunca mais (Death do 2020), encomendado pela Netflix aos criadores da série Black mirror. Com roteiro de Annabel Jones e Charlie Brooker e direção de Alice Mathias e Al Campbell, o filme é um divertido pseudodocumentário sobre alguns dos acontecimentos que fizeram de 2020 um ano tão bizarro.

Ri muito. Adoro aquele típico humor inglês. Com o foco direcionado para o trio covid, Donald Trump e Boris Johnson, ficaram de fora as imbecilidades de Jair Bolsonaro. Compreensível. Foram tantas que precisariam de um filme só para elas.

O filme terminou e eu pensei: poderá 2021 ser tão bizarro quanto foi 2020? Difícil? Pois eu, sinceramente, acho que a coisa vai piorar. A febre só retrocede após atingir seu ápice. O neofascismo, a ganância capitalista e o fanatismo religioso só cederão se forem seriamente confrontados, e ainda não foram.

Sabe a Elba Ramalho, aquela cantora que já afirmou ter sido chipada por extraterrestres? Pois mal entrou 2021 e a peçoa umana abre o bico para dizer que a pandemia de covid é uma maligna estratégia dos comunistas para destruir os cristãos. Gente… Isso a Netflix não mostra. O que deduzir de tamanho absurdo? Que o chip dos etês veio com defeito, só pode.

Parafraseando Manuel Bandeira em seu poema Na boca, felizmente existe o uísque na vida. Vou tomar uma, porque a aberração tá de um jeito que só vai bebendo. Um brinde aos comunistas malvados, que raptarão Elba e a levarão ao alto daquele serrote em Quixadá, para que o Comandante Asthar, da Confederação Intergalática, troque seu chip.

E, felizmente, existe também Chico César, ufa, para mostrar que a Paraíba não produz apenas cristãos com lamentável deficiência cognitiva. Em resposta a um admirador, que lhe pediu para não fazer músicas de cunho político, Chico falou o óbvio, que toda arte tem um cunho político, que não lhe peçam para silenciar e morrer calado, que ou respeite ou saia, que não tente controlar o vento, e que não veio botar ninguém para dormir, mas está aqui para acordar os dormentes.

Putz, que resposta! Lavou a nossa alma! Foi tão bonita que fui ler atentamente e antevi nela uma música. E já convidei meus parceiros musicais a botar uma melodia nesse trecho e enviar para o Chico. Acho que ele vai gostar.

Não tente controlar o vento
Não pense que a fúria
Da luta contra as opressões
Pode ser controlada
Eu sou parte dessa fúria
Não sou seu entretenimento
Não vim botar ninguém pra dormir
Vim acordar os dormentes
Sou o fio da história feito música
No pescoço dos fascistas
E dos neutros

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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NÃO TENTE CONTROLAR O VENTO
Texto original de Chico César – Adaptação: Ricardo Kelmer
Música: Joaquim Ernesto – Arranjo: Leandro Cavalcante
Vozes: Itauana Ciribeli e Leandro Cavalcante

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LEIA NESTE BLOG

Robinho, Bolsonaro, Deus e a cultura do estupro – Culpado por estupro, Robinho diz que Deus está no comando e que fará um gol para homenagear Jair Bolsonaro.

A alma fascista do governo Bolsonaro – Roberto Alvim apenas escancarou a alma fascista do governo Bolsonaro. Mas a alma fascista continua lá

O beijo da resistência contra a besta do fascismo – O fascismo não faz política ‒ ele é a negação da política, pois não dialoga, apenas agride, persegue e censura

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