O GPS de Ariadne

22/09/2021

23set2021

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O GPS DE ARIADNE

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Ariadne leu, num livro de contos, uma história sobre uma mulher que era praticante de fisting. Taradinha como é, ela logicamente ficou muito curiosa. Desde então, passou a me pedir sempre pra enfiar a mão em sua buceta, e logo essa prática estava devidamente incluída em nossas transas. Com o tempo, eu conseguia meter a mão até o punho, deixando de fora só o relógio, e minha amante ficava excitadíssima, e adorava se masturbar com a minha mão toda dentro dela. Ah, eu achava incrível aquela sensação de ter a mão inteira dentro de uma mulher.

Passamos umas semanas sem nos vermos. Quando nos reencontramos, ela me disse no ouvido: Amor, enlargueci minha buceta, quer conferir? Claro que eu quis. Em seu apartamento, deitada na cama, as pernas abertas, ela pediu que eu lhe enfiasse uma laranja. Obedeci. E a laranja entrou toda em sua buceta, uau… Depois tirei a laranja e ela me entregou uma manga. Tem certeza?, perguntei, temeroso, era uma manga enorme. Ela tinha. Eu obedeci. E a danada da manga entrou toda, sumindo lá dentro. Caramba. Como estava madura e suculenta, fiz um furo na ponta e chupei a manga assim mesmo, como se chupasse suco de manga diretamente da buceta de Ariadne. Olha, foi algo indescritível. Nessa noite, minha amante foi uma mangueira deveras generosa. Felizmente ela não pretendia experimentar com um abacaxi.

Ariadne continuou praticando e um dia me pediu pra enfiar as duas mãos. Não acreditei que seria possível mas topei a parada, aquilo tudo me excitava muito também. E nessa noite vi, com meus próprios olhos, as minhas mãos, as duas juntas, palma com palma, sumirem inteiras dentro dela. E ela ainda pediu pra eu fechá-las. E eu obedeci. Quer ver como foi, quer? Tô falando com você, você mesmo, que agora me lê. Quer ver como foi? Junte as palmas de suas mãos, como se rezasse. Juntou? Agora una os antebraços. Uniu? Agora feche as mãos, mas não com os dedos entrelaçados, feche as duas separadamente. Pois bem, era isso que estava no interior da buceta de Ariadne, duas mãos fechadas pra seu imenso prazer, e pro meu total encantamento. Incrível, não? Mas o próximo nível seria ainda mais incrível: ela um dia exigiu que eu lhe enfiasse o pé, eu que calço 43. Animado, cortei as unhas, lavei bem lavadinho e, ploft, enfiei o pé na jaca de Ariadne, e ainda mexi os dedos, pra total delírio dela, e meu também.

Achei que ela havia atingido seu limite no fisting, porém uma noite… Eu estava chupando sua buceta e ela, com as duas mãos, me puxava a cabeça ao seu encontro. Minha língua foi entrando, entrando, e meu nariz foi entrando, meu queixo, meu rosto, e de repente lá estava meu rosto inteiro dentro de Ariadne, e ela forçando minha cabeça pra dentro, forçando, até que quando restavam apenas as orelhas de fora, ela perguntou se eu topava entrar de vez. Fiz sinal de positivo com o polegar e… pufff, minha cabeça entrou, entrou inteiramente em sua buceta, até o pescoço. Uau. Aquilo era absolutamente incrível. Nesse momento, porém, me assustei, e comecei a sentir uma espécie de vertigem. Tentei puxar a cabeça mas não consegui, as mãos de Ariadne não permitiam, e enquanto eu sentia faltarem as forças, percebi que ela estremecia, estremecia cada vez mais, até que ela se sacudiu que nem uma máquina de lavar descontrolada, e eu apaguei.

Quando despertei, estava tudo escuro e silencioso à minha volta. Onde diabos eu estava? Tenho pavor de escuridão, e aquele era o lugar mais escuro do mundo. E também era quente e úmido. Pus-me de pé, mas o chão era mole e irregular, e perdi o equilíbrio, caindo de joelhos. Procurei no bolso o meu celular, pra iluminar aquele lugar estranho, mas eu estava nu. O lugar tinha um cheiro familiar… Era o cheiro da buceta de Ariadne. Eu estava dentro da buceta da minha amante?! Caramba… Então lembrei de nossa transa, minha cabeça entrando… Eu havia caído dentro dela, que loucura… Comecei a gritar, Ariadne! Ariadne!, mas apenas o eco me respondeu. Me veio a lembrança de Jonas dentro da baleia… Será que ela sabia que eu estava lá dentro?

Tentando controlar o pavor, comecei a caminhar, precisava logo encontrar a saída. Mas e se eu tomasse a direção errada? E se desse de cara com um óvulo tarado querendo ser fecundado? Será que ele me confundiria com um espermatozoide? Tentei lembrar das aulas de biologia, a anatomia feminina. Mas não lembrei de nada, a não ser da minha irritação por ter que decorar onde ficavam as tubas uterinas se aquilo era uma informação que eu jamais, em toda a minha vida, precisaria usar ‒ a não ser, é claro, se eu um dia caísse dentro da buceta de uma mulher. Tubas uterinas, eu não quero ir pra esse lado aí não!, gritei, e o eco apenas gozou da minha cara: pra esse lado aí não, lado aí não, aí não…

Parei de caminhar e tentei me acalmar, precisava me concentrar. Se eu alcançasse o estômago, poderia escalar o esôfago e sair na garganta, e Ariadne me vomitaria. Mas acho que a buceta da mulher não se comunica com o estômago, é mais provável que se ligue ao coração. Mas o que eu faria no coração de Ariadne, ela nunca me quis lá. Melhor pensar um pouco mais. Talvez ela logo sentisse vontade de mijar, ou menstruasse, e aí eu aproveitaria a corrente e sairia daquele labirinto. Seria perfeito… se eu não morresse afogado. Melhor não arriscar.

o-gps-de-ariadne-02Caramba, ali estava eu, sozinho e perdido numa caverna escura, sem ideia de como sair. Lembrei de Júlio Verne, Viagem ao Centro da Terra… Lembrei de Jung e seu inconsciente coletivo… E se todas as bucetas fossem interligadas? Tipo assim: na verdade, uma buceta é apenas a porta de entrada de um complexo e misterioso sistema subterrâneo de túneis e galerias, o que permite que você entre em uma buceta e saia em outra. Hummm, não seria de todo ruim, mas melhor também não arriscar, vai que eu entro numa buceta qualquer por aí e saio justo na de minha mãe, já pensou, nascer de novo a essa altura do campeonato?

Enquanto analisava as possibilidades, tudo em volta se mexeu e caí novamente. Tentei me levantar mas tudo se mexia, que negócio era aquilo, um terremoto vaginal? Então, de repente, póim, fui atingido na cabeça por um… por uma… que diabo afinal me atingira? Fiquei quieto na escuridão, esperando, e a coisa me atingiu novamente, póim. E de novo, e mais uma vez, póim, póim, e cada golpe me empurrava mais longe… Putz, aquilo era um pau! Alguém estava comendo a Ariadne. Póim, póim, póim. E comendo com vontade. Quem seria? Lembrei do Janjão. Caramba, Ariadne, qualquer um, menos o Janjão, por favor. Mas bem podia ser o Janjão, sim, Ariadne sempre teve queda por esses tipos xexelentos. Morrer dentro de uma buceta não seria um triste fim, mas esmagado logo pelo pau do Janjão?

Não, uma mulher não seria tão tarada a ponto de dar pra um cara com outro dentro dela. Ou seria? Bem, talvez Ariadne quisesse justamente me socar bem pro fundo dela, de onde eu jamais pudesse sair. Seria Ariadne, na verdade, uma devoradora de homens, que havia treinado alargamento bucetal como parte de seu maquiavélico plano de prender seus amantes dentro dela? Mas pra quê? Talvez pra nos exibir em despedidas de solteiras, sim, era bem possível, ouvi falar que rola de tudo nessas festinhas. E como ela nos alimentaria, jogando quentinhas lá dentro? A minha sem farofa, por favor. Pelo menos nos daria de vez em quando umas cervejas? Abriria uma brecha aos domingos pra gente poder ver o futebol?

Só me restava uma opção: me agarrar ao pau do Janjão, se é que era o pau dele, e aguentar firme até a hora do desgraçado resolver sair, e torcer pra sair logo, se bem que pelo que eu conhecia da Ariadne, ela não deixava ninguém sair antes de pelo menos umas quatro horas. Apavorado com a possibilidade de ter me tornado vítima de uma cruel buceta engolidora de homens, e não aguentando mais aquela cobra caolha me encher de porrada, póim, póim, póim, me agarrei nela com todas as minhas forças, segurei o ar e me deixei levar…

Quando abri os olhos, estava na cama, ao lado de Ariadne.

‒ Tá tudo bem, gato?

‒ Cadê o Janjão? ‒ perguntei, procurando embaixo da cama.

‒ Sei lá, por quê?

Aos poucos me acalmei, estávamos no quarto dela, e não havia ninguém além de nós dois.

‒ Você foi muito fundo. Tive que te puxar com meu vibrador.

Caramba, que aventura louca…

‒ Você gostou do meu interior?

‒ Caramba, foi um tanto assustador. Mas… até que foi emocionante.

‒ Eu adorei. Vamos fazer de novo na sexta?

‒ Tá, pode ser. Mas vou entrar com um GPS.

‒ Pra quê?

‒ Pra não me perder, ora.

‒ Alôôôu… Lá dentro não tem sinal, gato.

‒ Sério? Por quê?

‒ Pergunte pra Natureza.

‒ Ah, não. Sem GPS eu não entro.

‒ Homem é muito medroso mesmo.

‒ Vocês é que são grandes demais.

(Este conto integra a série Interações da Sacanagem, com contos baseados em termos de busca no Blog do Kelmer. Divirto-me bastante vendo os termos que as pessoas usam nos mecanismos de busca e que as fazem chegar em meu blog. Termos deste conto: contos enlargueci minha buceta enorme.)

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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Quarentena Erótica
Ricardo Kelmer – contos

Nos contos de Ricardo Kelmer, o erótico pode vir com variados temperos: romantismo, humor, misticismo, bizarro, horror… Às vezes, vem doce e sutil, ou estranho e avassalador, e às vezes brinca com nossas próprias expectativas sobre o que seja erótico. Explorando fetiches, fantasias, delírios e tabus, e até mesmo experiências reais do autor e de seus leitores, as estórias deste livro acabam de chegar até você para apimentar seus dias, e suas noites, de quarentena. > saiba mais

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As duas mortes de Jail Bozonaro

09/09/2021

09set2021

Após ter uma visão do futuro, no qual o mundo, em 2022, sofria com uma devastadora pandemia virótica e o Brasil, sob um governo neofascista, padecia numa violenta convulsão social, Adélio decide agir para impedir que Jail Bozonaro, um militar reformado com ambições políticas, torne-se presidente do Brasil

As duas mortes de Jair Bolsonaro CAPA 4a

AS DUAS MORTES DE JAIL BOZONARO

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A placa na estrada nos avisa que logo chegaremos ao nosso destino, a cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Eu dirijo o carro, e Kátia, minha namorada está comigo. Ela é fotógrafa e fará as fotos da entrevista para a matéria que estou escrevendo para uma revista. Olho para ela e percebo sua apreensão. É compreensível, afinal é a primeira vez que fotografará um assassino.

– Está com medo, meu amor?

– Um pouco… – ela responde, forçando um meio-sorriso. Em seu colo, repousa sua bolsa com os equipamentos.

– Relaxe. Ele ficou muito tempo numa prisão. Certamente, não deve estar com vontade de voltar.

Kátia fecha os olhos por alguns segundos e solta um forte espirro.

– Saúde! – eu digo, oferecendo-lhe a caixinha de lenços de papel.

– Obrigado. Acho que vou gripar.

Ela assoa o nariz com o lenço e o deposita no saquinho que serve de lixeira.

– Leandro, você acha que ele é louco?

Demoro um pouco a responder. É exatamente sobre isso que eu matutava momentos antes.

– Não sei.

O homem que iremos entrevistar cometera um assassinato vinte anos antes, em 1990, na cidade do Rio de Janeiro, e, por ter sido diagnosticado como portador de transtornos mentais, foi considerado inimputável e enviado a um manicômio judiciário, onde ficou por vinte anos. Eu o conheci lá, um ano atrás, quando entrevistava alguns internos para uma matéria. Ele veio espontaneamente falar comigo, perguntou se eu era jornalista e, após minha confirmação, disse que quando estivesse em liberdade, o que ocorreria em alguns meses, gostaria de me contar sobre seu caso. Dei-lhe meu número de telefone e pedi que entrasse em contato. Naquele momento, ele não me pareceu ser louco, mas um homem calmo e equilibrado. Então, dois meses atrás, ele me telefonou e marcamos um encontro. Aproveitei esse tempo para estudar seu caso e li todo o processo.

– Ainda acho que você deveria ter me contado que viríamos encontrar um assassino.

– Se eu contasse, Kátia, você não estaria agora comigo – respondo e belisco sua bochecha para ajudá-la a relaxar.

– O que você vê de tão interessante no caso dele?

– Seu depoimento é muito curioso e o caso tem algumas inconsistências. Em nosso encontro no manicômio, ele me falou que contaria toda a verdade.

– Espero que essa entrevista passe bem rápido.

– Fique tranquila, meu amor. Todos com quem falei na administração do manicômio me garantiram que ele é de índole pacífica e que sempre se comportou muito bem durante sua estadia lá.

Entramos na cidade e logo chegamos ao endereço, num bairro periférico. Paro o carro em frente ao portão da casa e, no jardim, uma mulher de meia idade nos espera. Ponho a cabeça para fora da janela, para que ela me veja. Ela acena, sorridente, e abre o portão.

– A senhora deve ser a dona Marisa – digo, após parar o carro e descer.

– E você deve ser o Leandro – ela responde, simpática, ajeitando o cabelo solto. Veste um vestido simples vermelho e calça chinelo de dedo. Parece ser uma mulher elegante.

– Sim, e ela é a Kátia, nossa fotógrafa.

– Sejam bem-vindos. Adélio está esperando por vocês. Venham, por favor.

Seguimos Marisa pelo jardim, por um caminho de pedrinhas entre a grama. É um terreno pequeno, com a casa ao centro. Muitas árvores e plantas de folhas coloridas, com borboletas saltitantes a alegrar ainda mais a paisagem. Deve ser um lugar gostoso para se viver, longe da confusão das grandes cidades. Olho para Kátia e ela parece mais relaxada, admirando a beleza do lugar.

Passamos por uma varanda e entramos na sala. Ao nos ver, Adélio caminha até nós, sorridente. Está descalço e vestido com bermuda e camiseta brancas.

– Leandro! Bom ver você novamente.

– Igualmente, seo Adélio. Esta é Kátia, minha namorada.

– Muito bom gosto você tem, rapaz.

– Ela também tem bom gosto – diz, por sua vez, Marisa, e todos rimos.

– Sentem-se, fiquem à vontade. Se quiserem usar o banheiro, é aquela porta. Aceitam algo para beber?

– Água, por favor – respondo, e Kátia pede o mesmo.

Enquanto Marisa vai à cozinha, eu e Kátia nos sentamos no sofá, e Adélio numa das poltronas. A decoração da casa é simples e o ambiente é aconchegante. À minha frente, está um simpático senhor de sessenta e quatro anos, alto e forte, que durante os últimos vinte anos viveu internado num manicômio, sob tutela do Estado, e que há dois meses foi desinternado para ser reintegrado à sociedade. Parece bem de saúde, e movimenta-se com tranquilidade.

De repente, um gato preto salta sobre a poltrona vazia e me assusto. Adélio ri, e Kátia também.

– Essa aí é a Amanda. Veio lhes dar as boas-vindas.

– É linda – diz Kátia, admirando o bichano.

– Não se preocupem, ela é mansinha. Vai ficar um tempo aqui e depois irá para o jardim caçar borboletas. Não me alegra a morte das borboletas, mas procuro me consolar imaginando que elas já morreram uma vez, quando eram lagartas, e talvez estejam acostumadas.

Marisa chega trazendo uma bandeja com três copos e uma jarra com água, e a põe sobre a mesinha de centro, sentando-se em seguida na poltrona. Amanda se acomoda em seu colo. Retiro da mochila o gravador e um caderno.

– Acho importante dizer, inicialmente – Adélio fala –, que Marisa e eu não nos importamos se as pessoas vão acreditar ou duvidar da nossa história. Decidimos contar porque achamos que ela pode ser útil para o mundo em que vivemos.

– Perfeitamente – digo, sentindo a solenidade emanada por suas palavras. – Gravarei nossa conversa e, enquanto conversamos, Kátia fará algumas fotos. Podemos começar?

– Antes, me digam, por favor, em que ano vocês nasceram – pede seo Adélio.

– Nasci em 1970 – respondo eu.

– No auge da ditadura militar.

– Sim. Escapei por pouco de seus horrores.

– Sorte sua.

– Eu sou de 1979 – responde Kátia.

– Ano em que o Pink Floyd lançou The Wall.

– Gosto muito deles.

– Não liguem – comenta Marisa. – É mania de historiador.

– Bem, agora que finalmente conheço vocês, acho que estamos prontos – Adélio diz, piscando o olho para a esposa.

Ligo o gravador sobre a mesinha e posiciono o caderno em meu colo.

– Seo Adélio, por que o senhor matou o vereador Jail Bozonaro?

Adélio ajeita-se na poltrona, junta os dedos das mãos pelas pontas, cada dedo com o seu correspondente da outra mão, e fecha os olhos. Respira algumas vezes. Penso que talvez ele esteja se concentrando para reavivar as memórias ou selecionando o que exatamente irá me contar. Olho para Marisa, que olha para mim e sorri, fazendo um gesto para eu aguardar. Um minuto depois, Adélio abre os olhos e pergunta:

– Estamos em que ano?

– Estamos em 2010, meu amor – Marisa responde, como se já aguardasse pela pergunta. E, olhando para mim e Kátia, fala baixinho: – É assim mesmo, ele está bem.

– Sim, 2010… – prosseguiu Adélio, agora olhando para o jardim pela porta aberta – Naquele tempo, 1988, Marisa e eu éramos um casal de namorados com a idade de vocês dois. Morávamos juntos, no Rio de Janeiro. Eu era professor de História em cursinho de pré-vestibular e ela era assistente social. Eu já era louco por ela, como sempre fui.

– E eu por ele – Marisa emenda.

Eles se olham com carinho e sorriem. A relação deles parece ser bastante harmoniosa.

– Numa certa noite, Marisa me acordou no meio da madrugada porque eu estava chorando. Eu havia tido um pesadelo. Nele, eu estava no Brasil, trinta e quatro anos depois, em 2022.

– O senhor sonhou que estava no futuro? – perguntei, enquanto Kátia buscava novos ângulos para suas fotos.

– Podemos chamar de sonho, mas era real. Eu acessei o futuro. Eu, realmente, estava lá.

Adélio fica olhando para mim, com uma expressão de quem diz algo óbvio. Fico um pouco desconcertado.

– Não se constranja, por favor. Sei perfeitamente que o que conto é muito estranho. Você tem todo o direito de achar que foi apenas um sonho.

Sorrio, e me ajeito no sofá, atento.

– Eu estava no futuro, mas naquele momento, era o presente, e eu me sentia absolutamente lúcido. Naqueles dias, em 2022, o Brasil vivia uma situação terrível. Um vírus surgido na China se alastrara em poucas semanas pelo mundo inteiro, contaminando milhões de pessoas e afetando a economia de todos os países. No Brasil, o sistema de saúde, tanto o público como o privado, entrou em colapso, sem conseguir atender os doentes. Um milhão já haviam morrido.

– No mundo?

As duas mortes de Jair Bolsonaro CAPA 4a

– Apenas no Brasil. A doença foi batizada de covid-19, e matava em poucos dias. No Brasil, o enfrentamento da pandemia foi prejudicado pela negligência do governo federal, que se preocupou mais com a economia que com a vida das pessoas, e temia que medidas rígidas de isolamento social, como foram feitas na Europa, prejudicassem as atividades econômicas. Por incrível que pareça, o governo assumiu a postura de negacionista do vírus, surpreendendo o mundo. Alguns governos estaduais se contrapuseram ao governo federal e insistiram nas medidas, instituindo quarentenas, fechando o comércio e obrigando o uso de máscaras higiênicas, e as duas posições antagônicas confundiram a população. A maior parte desaprovava o governo e apoiava as medidas rígidas, mas os que não apoiavam, geralmente da classe empresarial, sabotavam como podiam os esforços dos governadores e prefeitos, para que a população se revoltasse contra eles. Como você pode ver, era um sonho muito detalhista.

– Sim, bastante… – concordo, e realmente estou surpreso com tantos detalhes. – Prossiga, por favor.

– Além da crise sanitária, havia também a crise econômica, que perdurava havia alguns anos e se agravara com a pandemia. Como se não bastasse, o país vivia uma forte crise política, com um governo de extrema-direita de orientação fascista, militarista e evangélica, que fora eleito numa eleição que se revelaria fraudada e que agora aparelhava ideologicamente o Estado para corroer, dia após dia, as bases da democracia no país. O governo tinha o apoio do capital financeiro, das grandes igrejas evangélicas e de parte das polícias estaduais, e, apostando no caos institucional, buscava armar a população para poder contar com milícias organizadas em sua defesa. Aliado incondicional de Estados Unidos e Israel, e se inspirando em governos autoritários de direita, o governo contrariou a tradição diplomática brasileira e rompeu com a ONU, a OMS, os BRICS, o Mercosul, a Unasul, o Vaticano, os árabes e os chineses. O governo perseguia implacavelmente os opositores, e vários políticos, artistas, cientistas e intelectuais se viram forçados a sair do país, temerosos por sua segurança. Os partidos de oposição tentavam reagir, o poder judiciário freava como podia os ímpetos autoritários do governo e a imprensa se dividia entre críticas ao autoritarismo e apoio às medidas econômicas ultraliberais que tiravam direitos dos trabalhadores e devastavam a Natureza em nome da exploração comercial.

– Desculpe interromper, seo Adélio… – falo, procurando não ser ríspido – Talvez estejamos desviando da minha pergunta.

– Pelo contrário, estou indo direto ao ponto – ele rebate, piscando um olho para a esposa.

– Acho até que você está sendo conciso demais – ela concorda, sorrindo para o marido, e por um instante tenho a impressão de que brincam comigo.

– O presidente, um ex-militar que quase fora expulso do Exército, se dizia enviado por Deus para liderar o Brasil. Ele e seus três filhos políticos, que agiam como ministros tresloucados, eram defensores da ditadura militar, idólatras assumidos de torturadores assassinos e propagavam teorias paranoicas anticomunistas. Posavam para fotos com armas e praticavam discursos de ódio, incitando seus apoiadores contra as instituições e os opositores, e mantendo-os atiçados para irem às últimas consequências na defesa do governo, que contava com uma rede de distribuição sistemática de mentiras e notícias falsas. A situação do Brasil se tornara grotesca e surreal.

Adélio faz uma pequena pausa e esfrega o rosto com as mãos.

– Finalmente – ele retoma a história –, as reações se tornaram mais articuladas: muitos apoiadores do governo se afastaram e aumentaram as cobranças para punição aos crimes cometidos pelo presidente e seus filhos, que eram a cada dia mais evidentes, e eles foram denunciados. Percebendo que fatalmente seria afastado do cargo, o presidente tentou um golpe com apoio da ala militar de seu governo e as polícias milicianas dos Estados. O alto escalão das Forças Armadas não o apoiou e ele se refugiou no Palácio do Planalto com um grupo de apoiadores. Uma situação absurda, que escandalizou o mundo. Enquanto isso, nas cidades do país inteiro, grupos pró e contra o governo brigavam nas ruas. O Brasil mergulhara numa convulsão social.

Adélio faz outra pausa. Olho para Kátia e ela está sentada no braço do sofá, atenta ao relato.

– O presidente se chamava… Bozonaro.

– Jail Bozonaro – completa Marisa.

Finalmente, penso eu. Parece que chegamos ao ponto central da questão.

– Bozonaro resistiu, mas vendo que seria preso e julgado até por crimes contra a humanidade, preferiu o suicídio, atirando na cabeça. Mas, antes, matou a esposa. Morreu com uma arma na mão e a bíblia na outra.

Adélio para de falar e toma um gole dágua. Há um certo peso no ar.

– E a pandemia? – indago.

– Levaria muito tempo para ser totalmente controlada, pois sempre surgiam novas ondas que obrigavam a novas medidas para contenção. Foi uma imensa tragédia, que aumentou a distância entre ricos e pobres, mas que fatalmente faria a humanidade repensar muitas coisas, como a questão ecológica, os sistemas de saúde e seguridade social, as relações de trabalho, as leis de mercado…

– E vocês?

– Marisa e eu éramos um casal de velhinhos saudáveis, sem filhos, que gostava de passear na praça ao entardecer e de tomar vinho na varanda admirando as estrelas. Mas, agora, a vida se resumia a se proteger da pandemia e do caos social. Agora, o que víamos eram os confrontos nas ruas, muito desespero. Um dia, passou em frente ao nosso prédio uma carreata de apoio a Bozonaro, com muitas pessoas armadas, e um homem com a camisa da seleção brasileira de futebol deu vários tiros para o alto. Um deles atingiu Marisa, que estava na varanda. Foi assim que perdi minha companheira.

– Ela morreu? – Kátia pergunta, curiosa.

– Com os hospitais lotados, morreu no mesmo dia. Tinha sessenta e quatro anos. A idade que tenho hoje.

Eu quase digo um “sinto muito”, de tão envolvido que estou na história. Olho para Kátia e vejo que ela também está impactada.

– A vida para mim se tornou uma tristeza sem fim. Agora, estava sozinho para enfrentar os perigos da pandemia, sem família ou amigos por perto, mas o mais difícil era suportar o sofrimento de não ter mais Marisa comigo. Já não via sentido em continuar vivo. Marisa e eu ainda tínhamos um futuro juntos pela frente, e agora ele de repente não existia mais, um tiro acabou com ele…

Ele interrompe a fala. Parece emocionado.

– Então, uma noite, despertei de madrugada. Estava chorando, e entendi que chegara a minha hora. Fechei os olhos e, enquanto aguardava, pensei que se fosse possível ter de volta minha Marisa, eu faria o que tivesse que fazer para que isso acontecesse. Morri com esse pensamento.

Um silêncio estranho desce sobre nós todos. No colo de Marisa, Amanda mia baixinho, salta para o chão e vai para o jardim.

– Certo, morreu no sonho – comento, para que eu mesmo não me perca no relato.

– Sim, e acordei em 1988, ao lado de Marisa. Estava chorando, ainda envolvido por aquela imensa tristeza… E impressionado com o sonho, os detalhes…

– Ele ficou mudo por três dias – interrompe Marisa, rindo. – Quando tentava falar, desistia, e só dizia assim: Meu amor, você está aqui…

– Sim. O sonho foi tão forte que eu tinha medo de contá-lo, para não reviver aquela tristeza horrível que era a ausência de Marisa. Além disso, havia a angústia pela situação do país, o sofrimento do povo com a pandemia, todo o caos social… Então, de repente, compreendi que eu havia, de fato, acessado o futuro. Compreendi que naquela noite eu vivi no Brasil de 2022. Eu estive no fundo do poço da história brasileira.

– Seo Adélio… – prossigo, dividido entre seguir com o roteiro da entrevista e saber mais sobre o Brasil de 2022 – Esse seu sonho é muito interessante. Do ponto de vista ecológico, por exemplo. Ano passado, tivemos a gripe suína, e antes, em 2002, tivemos a SARS. Na minha opinião, é óbvio que o comportamento antiecológico da nossa espécie tem causado essas epidemias e talvez surja uma outra em breve, ainda mais perigosa. Mas nem imagino como é viver num cenário de pandemia como esse que o senhor sonhou.

– Em países ricos, com população bem informada, já é desesperador, mas em países como o Brasil, com grande desigualdade social, é ainda mais difícil. Porém, aprendi coisas importantes. Se aceitar, posso dar um conselho.

– Aceito, sim.

– Não se apegue ao que não é importante. Quando a vida que tínhamos, de repente não temos mais, e qualquer um pode morrer a qualquer momento, tudo vira supérfluo, menos o que é realmente fundamental.

– Entendi. Obrigado.

Por um instante, penso no que pode ser realmente fundamental em minha vida. Mas a entrevista tem que seguir.

– Voltando ao que eu estava dizendo… – continuo. – Do ponto de vista político, longe de mim desmerecer a experiência que o senhor teve nesse sonho, mas acho improvável que cheguemos, no Brasil, a uma situação assim tão catastrófica, um governo de extrema-direita, neofascista, violento…

– Eu estive lá, Leandro.

Tomo fôlego para prosseguir em minha argumentação. Não é fácil conversar com alguém que tem certeza de que já viveu no futuro.

– Sei que nossa democracia não é perfeita, seo Adélio, e temos muito a melhorar, mas, sinceramente, não vejo tal risco no horizonte.

– A chegada de Bozonaro à presidência não se deu de um dia para o outro. O ovo da serpente foi gerado por um conjunto de fatores que se avolumaram durante anos, incluindo a pusilanimidade das instituições diante dos avanços antidemocráticos. Anos antes, a banda podre do Congresso, usando de ardilosos malabarismos jurídicos e interessada apenas em vantagens pessoais, afastou a presidenta e isso rompeu o contrato da normalidade democrática, abrindo caminho para toda sorte de oportunismos extremistas. Bozonaro era a face brasileira de um fenômeno que ocorria também em outros países. Era o fascismo tentando ressuscitar, aproveitando-se das falhas da democracia em sua lida com os problemas do mundo.

Aproveito a pausa para beber água. Adélio relata os acontecimentos como se, de fato, os houvesse vivido, e sei que devo respeitar sua experiência, seja ela um mero sonho ou algo mais.

– Kátia e Leandro… – ele retoma sua fala, olhando para mim e minha namorada – O fascismo é um fenômeno histórico do século 20, mas suas ideias vivem na alma humana. É lá, nas sombras, que o fascismo aguarda, sorrateiro, pela situação propícia, com predileção pelas crises econômicas e políticas, esperando pelo messias que o representará. Ele é mutante e sutil, sabe se adaptar aos novos tempos. Suas ideias seduzem porque são simplistas, reluzem como um elixir mágico para os problemas, e legitimam todos os ódios e preconceitos latentes que, numa democracia, não têm espaço para se manifestar. Por natureza, ele é a antipolítica, pois despreza o diálogo e só entende a disputa pela ótica da violência. Nunca subestimem o fascismo. Ele está entre nós, agora mesmo, se espalhando pelas mentes suscetíveis, como um vírus.

– O senhor é historiador, seo Adélio, respeito muito seu conhecimento. Só acho que nossas instituições já amadureceram o suficiente para não permitir que a democracia retroceda a tal ponto. Mas sei dos perigos do fascismo, claro que sei.

– Eu também achava que sabia.

O olhar sério de Adélio me incomoda. Ele continua:

– O fascismo é como uma epidemia. Tudo o que fizermos antes para preveni-lo soará como exagero, e tudo que fizermos depois será tarde demais.

Na sala, fica um silêncio um tanto constrangedor. Desvio meu olhar para minhas anotações.

– Pronto, já dei minha aula de hoje – Adélio brinca, diminuindo a tensão no ar.

– Se deixar, ele vai até amanhã – Marisa emenda, dando uma boa risada.

– Foi uma aula curta e precisa, obrigado – comento, mais descontraído.

– Sim, foi ótima! – Kátia também reconhece.

– Mas precisamos seguir em frente com a entrevista, não é?

– Por favor, seo Adélio.

– Onde estávamos?

– Em 1988 – Marisa acode o marido nas lembranças.

– Sim – ele fala, ajeitando-se na poltrona e direcionando novamente o olhar para o jardim. – Uma semana depois, consegui contar o sonho para Marisa. Contei tudo, todos os detalhes, e ela ficou bastante impressionada. Quando terminei, nós dois chorávamos, eu pela dor de ter perdido minha grande companheira, com quem vivi por quarenta anos, e ela por ter me deixado sozinho naquele apocalipse. Então, tivemos medo, muito medo, do futuro. Eu sabia que ele chegaria, trazendo todo aquele pesadelo social e político, todas aquelas mortes que poderiam ter sido evitadas… Não posso explicar essa certeza, só posso dizer isso: eu sabia. Aquele futuro chegaria, e nem eu e nem Marisa queríamos vivê-lo.

As duas mortes de Jair Bolsonaro CAPA 4a

– A senhora acreditou na experiência que ele teve? – pergunto, curioso sobre o modo como Marisa compreende tudo aquilo.

– Sim. Eu vi em seus olhos que era tudo verdade.

– Ainda acredita?

– Mais do que antes – ela responde. Seu olhar encontra o de Adélio e eles sorriem. Parecem dois ímãs a se atrair onde quer que estejam.

– O que aconteceu depois, seo Adélio?

– Sentimos que deveríamos fazer algo para evitar aquele futuro cheio de trevas. Mas o quê, exatamente? Então, um dia, lendo o jornal, vimos uma notícia sobre Jail Bozonaro, um capitão reformado do Exército que era candidato a vereador no Rio de Janeiro. E a ficha caiu: ele representava o sinistro futuro. Por causa dele, duas décadas depois, o Brasil viveria uma imensa tragédia política e social. E por causa dele, Marisa e eu não envelheceríamos juntos.

– Vocês já o conheciam?

– Um pouco. Dois anos antes, em 1986, Bozonaro escrevera um artigo na revista Veja no qual reclamava melhores salários para a classe militar e isso lhe dera certa popularidade entre as baixas patentes. Porém, isso lhe valeu quinze dias de prisão. Depois, envolveu-se em outro caso de insubordinação, dessa vez com planos de atentados com bombas em dependências do Exército e numa adutora de água que abastece a cidade do Rio de Janeiro. Ele foi julgado por um tribunal militar e absolvido, mas o caso não ficou bem esclarecido. Após isso, foi para a reserva com a patente de capitão.

– Um capitão do Exército terrorista?

– Sim. Infelizmente, as escolas militares formam muitos deles, e não apenas no Brasil – Adélio responde. Toma mais água e continua. – Bozonaro era casado e tinha três filhos pequenos, todos homens. Então, fingi ter interesse em ajudá-lo em sua campanha eleitoral e ele me falou de suas ideias e me entregou folhetos de campanha. A impressão inicial que tive dele foi a de um indivíduo de personalidade forte e agressiva, com rígidos valores morais conservadores e com ideias políticas um tanto confusas. E me chamou a atenção o seu espírito ambicioso e determinado.

– Ele não desconfiou de nada?

– Desconfiava de todos, tinha certa mania de perseguição. Mas consegui levar o plano adiante. Pouco antes das eleições, pedi uma reunião com ele, a sós, e nela falei que tivera uma visão de seu futuro. Falei que se ele seguisse a carreira política, seria vereador e deputado federal, e que sua atuação seria medíocre, mas que, mesmo assim, ele seria eleito presidente da República. Falei do atentado que ele sofreria, e que quase o mataria. Falei que ele teria seguidores fanáticos que o veriam como a um messias, mas seria considerado uma aberração pela comunidade democrática internacional. Falei do quanto ele atacaria os grupos sociais vulneráveis e do quanto contribuiria para a destruição da Natureza em nome de sua exploração comercial. Falei também sobre sua péssima atuação na pandemia de covid-19 e que seria responsabilizado pela morte de milhares de pessoas. Falei sobre seu fim terrível, com muito sofrimento para ele e sua família.

– Ele não o interrompeu?

– Não. Escutou a tudo atento. Porém, enquanto eu falava, percebi que seus olhos brilhavam e tive medo de que tudo aquilo, em vez de lhe provocar repulsa ou medo, na verdade pudesse agradá-lo. O certo é que Bozonaro ficou encantado com tudo que o futuro lhe reservava. Hoje, sei que eu estava diante de um sádico psicopata, capaz de fazer tudo aquilo que o futuro me mostrou que ele faria. Ao fim, pedi que pensasse seriamente a respeito e avisei que estava abandonando a campanha. E saí da sala.

– Pelo jeito, ele não seguiu seu conselho.

– Não. Quando soubemos que manteve a candidatura, Marisa e eu ficamos muito tristes. Todo o nosso esforço foi em vão.

– O senhor não teve medo dele lhe fazer algo?

– Consideramos essa hipótese. Tanto que nunca lhe informei meus dados verdadeiros. Sumi da vida dele tão rápido quanto me aproximei.

Aproveito que Adélio acaricia Amanda, que voltou do jardim, e faço anotações no caderno. Eu achava que, nessa altura da entrevista, teria uma boa noção sobre a saúde psíquica do meu entrevistado e saberia dizer se ele era louco ou não. Mas me enganei. Ainda não sei o que concluir. Em meu trabalho de jornalista estou acostumado com relatos estranhos e alguns totalmente fantasiosos, mas, apesar de parecer filme de ficção científica, a história de Adélio está me parecendo sincera. Pelo menos até agora.

Eu pesquisei sobre o vereador assassinado. Jail Bozonaro tinha um perfil conservador, e nos dois anos em que atuou na Câmara foi pouco participativo. Usou o mandato, principalmente, em pró de causas militares. Tive acesso a documentos do Exército, feitos na década de 1980, que mostram que os superiores do então tenente Bozonaro o avaliaram como sendo dono de uma “excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente”. Um coronel, seu superior na época, afirmou que Bozonaro “tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos”. Portanto, o que Adélio falou a respeito da personalidade do capitão parece concordar totalmente com a opinião dos seus superiores militares.

– Marisa e eu analisamos a situação – Adélio prossegue – e percebemos que fomos ingênuos em nossa estratégia. Os argumentos que usei, em vez de fazê-lo desistir de seguir a carreira política, provavelmente serviram como combustível. Então, decidimos que mudaríamos o futuro de outra forma e começamos a nos programar para viver fora do Brasil. Se não podíamos evitar aquele futuro terrível para nosso país, ao menos podíamos estar longe quando acontecesse. Estudamos possibilidades em vários países, mas dois anos depois, em 1990, quando soubemos que Bozonaro se candidatara a deputado federal, desistimos.

– Por quê?

– Porque entendemos que seria egoísmo de nossa parte. O sonho havia deixado em nossas mãos uma missão. Ele havia nos revelado o futuro para que pudéssemos mudá-lo, e nós não tínhamos o direito de fugir dessa responsabilidade, mesmo que fosse para proteger o nosso futuro particular.

Uma missão… É um termo comum no discurso de muitos loucos. Eles se consideram predestinados a realizar algo importante para seu povo, para a humanidade, ou para o deus em que acreditam. Nas entrevistas que fiz no manicômio em que Adélio esteve, ouvi esse termo de alguns internos.

– Então, pensamos num novo plano – ele continua. – Dessa vez, estudamos os hábitos de Bozonaro e analisamos com atenção sua agenda de compromissos. Descobrimos que ele marcava encontros secretos no Hotel Brilhante, no centro da cidade. Chegava sozinho, pegava a chave do quarto na recepção e subia, sempre no décimo sétimo andar. Nossa primeira suspeita foi de que se tratava de negócios ilegais, mas depois desconfiamos que ele poderia ter uma amante.

– Vocês descobriram isso sozinhos ou contrataram um detetive?

– Achamos arriscado envolver outras pessoas naquilo. Então, fizemos tudo nós dois. E decidimos nós mesmos registrar as imagens. Nosso plano consistia numa chantagem: ou ele desistia da candidatura a deputado federal ou nós enviaríamos o material para a imprensa. Bozonaro planejava eleger a esposa como vereadora nas eleições de 1992. Se fosse eleito deputado federal, isso ajudaria nos planos dele. Um escândalo de traição conjugal naquele momento, sendo ele o moralista cristão que era, poderia lhe custar a eleição e até mesmo o casamento.

– Mas mesmo que ele concordasse, poderia se candidatar nas eleições seguintes, e assim seguiria normalmente na carreira política.

– É verdade. Mas nossa ação poderia ser o suficiente para alterar o futuro.

Que história louca…, eu penso. Agora, ela já parece um filme de suspense policial. Será tudo um grande delírio? Será Adélio tão criativo a ponto de inventar tudo isso que me conta? Bem, ele ficou vinte anos preso, é tempo suficiente para criar muitas histórias, com infinitos detalhes. E Marisa? Se ele é louco, o que dizer dela? Todas essas ideias me passam pela mente ao mesmo tempo, mas sei que preciso estar atento ao relato.

– Então, soubemos que Bozonaro se hospedaria novamente no Hotel Brilhante – Adélio retoma a narrativa. – Dessa vez, Marisa e eu decidimos nos hospedar lá também. Era véspera do feriado de Sete de Setembro. Chegamos de manhã. À noite, na hora de sempre, Bozonaro chegou, pegou a chave do quarto e tomou o elevador para o décimo sétimo andar. Marisa, que aguardava na recepção, fez uma ligação para o nosso quarto, no mesmo andar. O telefone tocou apenas uma vez, era o sinal. Saí do quarto e fui até o vaso de plantas que ficava no fim do corredor, próximo à porta do quarto que ele reservara.

– Que quarto era?

– Acho que… 1709.

– Sim, era o 1709 – confirmou Marisa. – E nós estávamos no 1701. Ambos ficavam nas pontas do corredor. E o elevador ficava no meio.

Anoto os números no caderno. Mas sei que ela fala a verdade.

– A câmera filmadora já estava lá no vaso – prossegue Adélio –, camuflada entre as folhas, devidamente posicionada para a porta do 1709. Pressionei o botão e ela começou a filmar. Corri e entrei no quarto. Como não havia câmeras de vigilância nos corredores, pude agir tranquilamente. Meia hora depois, o telefone tocou outra vez. Então, abri um pouco a porta do quarto e ouvi a porta do elevador se abrindo. Espiei com cuidado e vi uma mulher caminhando pelo corredor, de costas para mim e de frente para a filmadora. Lembro bem do som de seus saltos no chão, poc, poc, poc… Não consegui ver bem seu rosto, mas era ruiva e alta, e usava um minivestido preto. Imaginei que pudesse ser uma prostituta. Ela passou pela porta do 1709 e se aproximou do vaso de plantas. Tive medo de que ela houvesse visto a filmadora, mas o que ela queria era jogar algo na lixeira, talvez um chiclete. Após isso, ela voltou, foi até a porta do 1709, bateu e esperou. A porta se abriu e ela entrou. Logo depois, surgiu a cabeça de Bozonaro, ele olhando para um lado e para o outro do corredor, certificando-se de que ninguém havia visto nada. Pensei comigo: perfeito.

De fato, é uma história muito interessante, eu penso enquanto Adélio bebe um pouco dágua. E, como li o processo e sei de alguns detalhes do que aconteceu aquela noite, fica mais interessante ainda, pois posso acompanhar o relato e, ao mesmo tempo, compará-lo com as informações oficiais. Até agora, tudo se encaixa perfeitamente.

– Peguei a filmadora e fui para o quarto e, logo depois, Marisa chegou. Vimos as imagens com atenção e ela também achou que era uma prostituta. Fosse ou não, consideramos que já tínhamos o material que precisávamos. Como ficaríamos no quarto até a manhã seguinte, agora era hora de relaxar. Abri a janela do quarto para podermos respirar o ar da noite e fui tomar banho. Pouco tempo depois, escuto uma voz de homem. Era ele, Bozonaro. Do lado de fora da janela, no parapeito que circundava o prédio, ele apontava uma arma para Marisa. Nesse momento, eu já havia desligado o chuveiro e fiquei escutando em silêncio, apavorado e calculando como agir.

– E a visitante?

– Ele a mandara embora. Provavelmente, foi ela quem o avisou sobre a filmadora no vaso de plantas.

– Ele entrou e me mandou sentar na cama – Marisa segue com o relato, revelando sua visão dos fatos. – Estava espumando de ódio, os olhos vermelhos, e seu hálito cheirava a bebida. Com a pistola apontada para mim, falou assim: “Não conheço aquela travesti, ela errou de quarto, tá ok, tá ok?”. Disse e repetiu várias vezes. Depois, perguntou quem havia me contratado, citando alguns nomes.

– Que nomes ele falou?

– Não lembro, eu estava muito nervosa. Só pensava em Adélio e torcia para que ele continuasse quieto no banheiro, pois temia que Bozonaro o matasse.

– Também não lembro – Adélio emenda. – Certamente, eram adversários políticos. Mas como ele tinha mania de perseguição, podia ser qualquer pessoa.

– Sem saber o que dizer, falei que fui contratada pela esposa dele – continua Marisa. – Ele pareceu ficar confuso. Então, pegou a filmadora e a minha bolsa e disse que se eu contasse a alguém sobre aquela noite, mandaria me matar. Pensei que sairia pela porta, mas ele parou e me olhou de um jeito estranho. E me mandou tirar a roupa e ficar nua. Achei melhor fazer o que ele queria. Porém, ele desistiu, e disse que eu era muito feia, que não merecia ser estuprada. Quando tocou a maçaneta para sair, viu as roupas de Adélio e perguntou se havia alguém no banheiro. Respondi que estava sozinha. Ele foi até o banheiro e tentei impedi-lo, e caímos sobre a cama. Nesse momento, Adélio saiu e se jogou sobre ele.

– Ele o reconheceu, seo Adélio?

– Não nesse momento – responde Adélio, retomando a narrativa. – No meio da briga, consegui pegar a pistola e o golpeei na cabeça. Ele cambaleou e ficou encostado na parede, tonto, com a cabeça sangrando. Apontei-lhe a arma, falei quem eu era e disse que não queríamos matá-lo, apenas propor um acordo. Ele riu com sarcasmo e disse que ninguém o impediria de cumprir seu glorioso destino, que Deus o escolhera para guiar o Brasil. Então, virou-se e passou uma perna para fora da janela. Marisa e eu nos olhamos, nervosos, sem saber o que fazer. Ele passou a outra perna e ficou lá, do lado de fora, de pé no parapeito. Falei para ele que entrasse, pois podia cair, mas ele respondeu fazendo um gesto com os braços, me dando uma banana, e saiu caminhando pelo parapeito na direção de seu quarto. Nós vimos tudo da nossa janela. Ele parou na janela do 1709, ficou imóvel por alguns segundos e, em seguida, despencou no vazio. Foi horrível.

Adélio para de falar. Agora, olha novamente para o jardim. Sua expressão é calma e suas mãos estão juntas novamente, as pontas dos dedos se tocando. Marisa se levanta, posta-se ao lado dele e toca delicadamente seu ombro. Olho para Kátia, que olha para eles aparentemente impressionada.

– Você me disse que leu o processo – diz Adélio, agora olhando para mim. – Está tudo lá.

– Sim. O corpo dele foi encontrado logo depois no pátio dos fundos do prédio – falo, expondo o que sei. – Como a janela do 1709 estava aberta, a polícia suspeitou logo da travesti, que ela o teria empurrado pela janela. Porém, nunca conseguiu localizá-la, nem descobriu seu nome verdadeiro, apenas o nome que deixou no registro da recepção: Zarla Cambelli, que ela, provavelmente, não mais usou. Dias depois, o senhor se apresentou à delegacia com a pistola de Bozonaro e contou que veio do futuro com a missão de evitar que ele se tornasse presidente do Brasil, e sustentou isso por todo o processo. Dona Marisa confirmou sua versão e chegou a ser considerada suspeita, mas não havia provas contra ela. O senhor realmente achava que havia matado Bozonaro? Ainda pensa assim?

– Não sabemos se ele perdeu o equilíbrio ou se ele se atirou, nem jamais saberemos o que pensou em seus últimos momentos. Talvez o golpe na cabeça o tenha feito se desequilibrar, ou talvez não. De todo modo, a sensação de culpa me atormentava, e foi por isso que me entreguei à polícia.

As duas mortes de Jair Bolsonaro CAPA 4aAnoto a palavra “suicídio” e penso na relação entre as mortes de Bozonaro. No sonho de Adélio, ele, derrotado, se mata com um tiro na cabeça. Na vida real, ele é golpeado na cabeça e cai do alto de um prédio. Do alto de suas ambições políticas…

– O que fizeram com a filmadora e o filme?

– Destruímos.

– O senhor foi diagnosticado como sendo portador de transtornos psicológicos, e por isso considerado inimputável. Ficou por vinte anos num manicômio judiciário. Como foi essa experiência?

– Não foi fácil. Precisei conviver diariamente com pessoas com muitos sofrimentos mentais e existenciais. Vivi, na própria pele, a imensa dificuldade que a sociedade tem de lidar com aquilo que ela não compreende. Mas tive o apoio de Marisa, que nunca faltou nos dias de visita.

Neste momento, por trás do casal, Kátia os fotografa: Adélio sentado na poltrona e Marisa em pé ao seu lado, a mão em seu ombro, a silhueta deles contra a luz que vem da porta aberta, e ambos a olhar na direção do jardim lá fora… Acho que será uma bela foto.

– E para a senhora, dona Marisa, como foi?

– Ele sofreu muito mais do que eu naquele lugar.

– Claro que não – rebate Adélio. – Ela chorava todos os dias.

– Vamos morrer bem velhinhos, discordando – brinca Marisa, e em seguida eles se beijam.

– Bem, acho que estou satisfeito – falo, e Kátia me faz um sinal de positivo. – O senhor gostaria de dizer algo mais?

– Sim – responde Adélio. – Você lembra que, quando conversei a primeira vez com Bozonaro, falei que, caso seguisse na carreira política, ele sofreria um atentado que quase o mataria?

– Sim, lembro.

– Foi durante a campanha presidencial. Num comício na rua, um homem o esfaqueou e ele precisou ser operado. As investigações da Polícia Federal concluíram que o homem agiu sozinho, mas ficaram muitas dúvidas, inclusive suspeitas de que o atentado foi forjado. O fato é que isso virou o jogo a favor de Bozonaro, serviu de motivo para ele não comparecer a nenhum debate e foi fundamental para ele vencer as eleições no segundo turno. Sabe como se chamava o homem que o esfaqueou? Adélio.

– Adélio? Tinha o mesmo nome do senhor?

– Sim.

Penso um pouco. O que isso pode significar?

– Coincidência? – pergunto.

– Não sei. Assim como eu, ele também foi considerado inimputável por ter transtornos mentais. Mas há algumas diferenças entre ele e eu. Aquele Adélio foi missionário evangélico e afirmou que agiu a mando de Deus. E eu sou ateu. Ele tentou matar Bozonaro. Em nenhum momento, Marisa e eu pensamos nisso. O que fizemos foi tentar convencê-lo por argumentos e, depois, por chantagem. Se aquele Adélio tentou evitar o futuro tenebroso que se anunciava muito próximo no horizonte do Brasil, seu ato teve o efeito contrário: ele ratificou o futuro. O futuro que eu anulei.

Penso um pouco sobre o que ele acaba de falar. São ideias instigantes.

– E sabe em que cidade ocorreu o atentado? Juiz de Fora.

– Foi por isso que vieram morar aqui?

– Na verdade, conhecemos Juiz de Fora no início do namoro, antes do sonho, e adoramos a cidade. Desde então, planejávamos vir morar aqui. Coincidência? Não sei.

Mais um detalhe intrigante na história… Então, anoto algumas informações no caderno, agradeço e dou por encerrada a entrevista. Em seguida, é servido um café, que tomamos enquanto o casal nos mostra as árvores do terreno, orgulhosos delas. O sol se põe por trás da casa quando deixamos o sítio.

Enquanto dirijo de volta para a cidade do Rio de Janeiro, é impossível não pensar sobre tudo que escutamos naquela sala. Penso que demorarei um bom tempo até chegar a uma conclusão sobre a incrível história de Adélio e Marisa. Ou talvez jamais chegue.

O que Adélio falou sobre o fascismo me deixou com a pulga atrás da orelha, mas continuo achando que uma desgraça daquele tamanho não tem condições de acontecer no Brasil, nem agora em 2010 e nem nos próximos anos. Um governo neofascista de extrema-direita… Não, não mesmo. Pelo menos desse perigo estamos livres.

Porém, quanto a uma pandemia mundial devastadora, acho que, infelizmente, é só uma questão de tempo para acontecer. Espero que quando ela chegar, nosso sistema público de saúde esteja melhor do que hoje e que os políticos e empresários entendam que a economia demora mas se recupera, mas os mortos não ressuscitam.

– Como ficaram as fotos? – pergunto para Kátia, enquanto ela observa no visor as fotos que fez.

– Parecem boas. As fotinhas da Amanda estão ótimas, ela é superfotogênica.

– Você acha que ele é louco, meu amor? – devolvo-lhe a pergunta que ela me fez na ida.

– Claro que não, Leandro. Você acha?

– Não sei.

– Acho que eles são muito lúcidos. E acho que ele acessou mesmo o futuro, e eles conseguiram alterá-lo. Você não acredita?

– Também não sei.

– Pois eu acredito. Naquele futuro de 2022 eles não puderam ficar juntos na velhice, mas nesse eles podem. E numa casinha linda.

– Parece que eles se amam, né?

– Com certeza, e é uma história de amor maravilhosa. Ela esperou vinte anos por ele!

De fato, é algo admirável, penso eu.

– Você faria isso por mim, Leandro?

– Eu?

– Sim, você.

– Sinceramente?

Kátia olha para mim, aguardando a resposta. Eu rio, e aperto sua bochecha.

– Esperei por você durante quarenta anos, meu amor. Vinte a mais não será problema.

Ela ri. E rimos juntos.

Ligo os faróis para enxergar melhor a estrada. Temos um futuro pela frente para nós dois. E quando a pandemia vier, espero lembrar do conselho de Adélio.

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Ricardo Kelmer 2020 – blogdokelmer.com

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OBS.: Este conto foi escrito, originalmente, em maio de 2020 para um concurso promovido pela livraria Lello, de Portugal (não foi classificado). Um ano depois eu o reescrevi, com algumas alterações. Qualquer semelhança com a realidade, infelizmente, poderá ser mais que uma trágica coincidência.

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Cristina sem vergonha de ser feliz

16/08/2021

16ago2021

Alegre e festeira, autêntica e de personalidade forte, ela marcou o entretenimento de Fortaleza

Cristina Cabral 20210812 1

CRISTINA SEM VERGONHA DE SER FELIZ

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Cristina Cabral se foi. Vítima da doença de Parkinson, nos últimos anos isolara-se. Fomos muito amigos e trabalhamos juntos. Baiana arretada e formada em Jornalismo, Cristina morou em São Paulo e, após mudar para Fortaleza, trabalhou como produtora de eventos, tornando-se referência por seu profissionalismo.

Conheci-a em 1999, no inesquecível Luau da Opção (1999-2000) que ela organizava na barraca Opção Futuro, de Carlinhos Aragão, uma festa maravilhosa que chegava a reunir duas mil pessoas num clima alto astral de beira de praia. Também na barraca Opção Futuro, ela produziu aos sábados, no fim de tarde, inesquecíveis shows com Lily Alcalay (falecida em 2003) e Banda Marajazz.

Em 2002 e 2003, fizemos juntos a festa Lua Loka, na barraca Biruta. Em 2008, Cristina produziu na boate do Restaurante Docentes & Decentes (Varjota) algumas edições da festa 30 e Alguns Anos, com a banda Baby Dolls. Em 2009, criei um evento literário-musical chamado Letra de Bar, no Bar do Papai (rua Torres Câmara), tendo ela como produtora e Ricardo Black como entrevistador. Seu irmão mais novo, Paulinho, era DJ e morreu em 2001 num trágico acidente enquanto trabalhava, fato que a marcou profundamente.

Cristina era alegre e festeira, autêntica e de personalidade forte. Sabia receber muito bem as pessoas e era querida pelos músicos e DJs. Impossível resumir aqui tudo que ela proporcionou para o entretenimento de Fortaleza.

Viver e não ter a vergonha de ser feliz…, ela adorava essa música do Gonzaguinha, dizia que lembrava seu irmão querido. Cristina deixa três filhos e muita saudade em nós que tivemos a sorte de conviver com ela. Obrigado por tantos bons momentos, Cris.

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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RK 200905 Cristina Ca, Black 1

Ricardo Black, Cristina Cabral e eu no evento Letra de Bar (Bar do Papai, Fortaleza-CE, 2009)

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Não quero dinheiro

11/08/2021

11ago2021

Vivo uma vida simples, adoro carne moída com ovo mexido, compro óculos no camelô… Mas, na verdade…

Não quero dinheiro 01.

NÃO QUERO DINHEIRO

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Diante dos recentes casos de golpes financeiros pelo Whatsapp, informo aos amigos:

Nunca, jamais em tempo algum, pedirei dinheiro emprestado pelo Whatsapp. Nem por Instagram, Facebook, Twitter, e-mail ou qualquer rede social. Acho isso tão deselegante.

Porém, há outro motivo. É, acho que tá na hora de revelar meu segredo. Seguinte. Tenho esse jeitão mulambo, né? Vivo uma vida simples, adoro carne moída com ovo mexido, compro óculos no camelô… Mas, na verdade… sou um milionário. Poizé. Tempos atrás, ganhei uma bolada na mega sena.

Então, serei eu um milionário excêntrico? Não. Na verdade, sou um milionário esquecido. Eu sempre esqueço que sou podre de rico, acredita? É sério. É por isso que uso roupa até desbotar e adoro pesquisar promoção de miojo.

Portanto, se algum dia chegar mensagem minha pedindo dinheiro, não empreste. E denuncie à polícia. Estamos combinados, né? Ótimo. E se você precisar de miojo, outro dia vi uma promoção de compre 15 e pague 10. Sai muito em conta.

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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DICA DE LIVRO

Viajando na Maionese Astral CAPA 07aVIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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02- Adoro você. Um abç meu amigo. Bruna Torres Nepomuceno, Floriano-PI – ago2021

03- Por isso é bom ser bilionário!!!! Francisco Lopes Bonfim, Fortaleza-CE – ago2021

04- eu sempre desconfiei que tu enviavas os lucros de escritor ricaço para paraísos fiscais. Ivone Zete, Fortaleza-CE – ago2021

05- Você é incrível, meu querido sobrinho . Mi Brother. ! Leonor Oliveira Moreira, Fortaleza-CE – ago2021

06- Prefiro cuscuz que miojo. Rosangela Primo, Fortaleza-CE – ago2021

07- Achei massa o “jeitão mulambo”. Quanto ao “miojo” ñ pode exagerar pelo sódio! Régis Aragão, Fortaleza-CE – ago2021

08- ah meu primo como eu te admiro kkkkkkk. Maria Célia Oliveira Garcia, Fortaleza-CE – ago2021

09- OH Menino Danado ! Love U. Edith V Dragaud, Fortaleza-CE – ago2021

10- Passa aí o endereço de onde tem essa promoção? Leve 15 paga 10… Marcos Antonio Ribeiro Santos, Fortaleza-CE – ago2021

11- Isso é uma caipirinha ou caipirosca? Saúde! Haroldo Aragão, Fortaleza-CE – ago2021

12- Maravilha!! Cesar Di Cesario, Campina Grande-PB – ago2021

13- O meu foi clonado hj. Tatiana Santos Moreira, Fortaleza-CE – ago2021

14- “essa aparẽncia de mero vagabundo e mera coincidência”, deve-se ao fato de ter vindo ao mundo com a incubência: ser rocheda. A proposito, onde acho o “baseado nisso”? José Roger Barros, Fortaleza-CE – ago2021

15- Tamo junto nessa idéia. Quando se tem a si mesmo. Pra quê dinheiro? Sou do troca tudo por coisas criativas e úteis. Marcos Pacoli, Fortaleza-CE – ago2021

16- Kkkk. Ticiana Castelo, Fortaleza-CE – ago2021

17- Vc é o nosso Guimarães Rosa moderno… abraços. Maria Ines Ramalho, Fortaleza-CE – ago2021

18- Eu queria era essa Caipirinhas aí. Magah Costa, Tune-Suíça – ago2021

19- Oh Ricardo Kelmer …miojo não por favor…dá uma pesquisada no que provoca o consumo de miojo… Danila Gomes, Fortaleza-CE – ago2021

20- Adorei a prosa! Glau Mota Brasil, Fortaleza-CE – ago2021

21- Poxa, eu também sou milionária, pensei que era só que vivesse assim, kkkk. Cristiane Ribeiro, Fortaleza-CE – ago2021

22- Ganhou na Mega Sena e não me disse nada.Me admiro muito, nem joga, sua mãe sim, joga e nunca ganhou nada. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – ago2021

23- Você gosta também de um franguinho assado, farofa e feijoada. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – ago2021

24- Sei não, viu? Acho que milionários não usam a expressão “em conta”. 🤔 @elinaudobarbosa, Fortaleza-CE – ago2021

25- Se chegar uma mensagem minha pedindo dinheiro, pode depositar! Já já mando o PIX! @martacrisostom0, Brasília-DF – ago2021

26- Pois eu estou pobre, pobre, pobre… tem como arranjar aí 20 mil pra eu pagar meu aluguel? 😎😎😎😎😎 @ana.eufrazio.5, Fortaleza-CE – ago2021

27- Tirando o miojo (que eu acho totalmente deselegante! 😂), eu estou na mesma, uma milionária mulambenta que curte demais uma caipirinha! 😍😂 @renatakelly_ce, Fortaleza-CE – ago2021

28- 😂😂😂😂😂😂 @soniamvcastro3010, Fortaleza-CE – ago2021

29- 😂😂😂😂 @sandra_macedobr, Fortaleza-CE – ago2021

30- Fechou!!! Hasta La Victoria!!! @ten.prof.edvaldo, Fortaleza-CE – ago2021

31- 😂😂😂 @fabiana.azeredo, Fortaleza-CE – ago2021

32- Kkkkkkkkk ….bom demais. @p_ardal, Fortaleza-CE – ago2021

33- Pena…já iria quebrar meu… cofrinho! Márcia Matos, Fortaleza-CE – ago2021


Receita de neném

30/07/2021

30jul2021

Germânia e Pablo querem um bebê, mas está difícil…

RECEITA DE NENÉM

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Após sete anos de casamento, Germânia e Pablo queriam muito ter um filho, mas as tentativas não logravam êxito, o que já causava desgaste na relação. Decidiram-se, enfim, pela inseminação artificial. No dia marcado, acordaram cedo e se dirigiram à clínica. Após alguns minutos de espera, a funcionária avisou que Pablo deveria acompanhá-la à sala de coleta.

‒ O material está sobre a mesa, seo Pablo, e aqui ao lado há um banheiro. ‒ explicou a funcionária. ‒ Fique à vontade.

Ela saiu e fechou a porta. Sobre a mesa, além do material para coleta do esperma, Pablo viu várias revistas de mulheres nuas. Escolheu uma delas, sentou-se no sofá, esticou as pernas e começou a folhear. De repente, toc, toc, toc, alguém batia à porta. Ele levantou-se, pôs a camisa para fora para disfarçar o volume sob a calça e abriu a porta. Era Germânia. Por trás dela, a funcionária sorria sem graça, desculpando-se:

‒ Eu avisei à sua esposa que o senhor já estava em processo de coleta, seo Pablo.

‒ Vim só ver se tá tudo bem com meu maridinho.

‒ Tá tudo bem, meu amor ‒ respondeu Pablo, envergonhado. ‒ Pode voltar pra recepção.

‒ E essas revistas aí?

‒ O que é que tem?

‒ Mulher pelada? Não acredito. Que coisa mais brega.

‒ Germânia…

‒ Dá licença ‒ ela falou, entrando e pegando uma revista. ‒ Magda Cotrofe? Gente, essa mulher deve estar com 90 anos.

‒ Germânia, por favor…

‒ Rita Cadillac??!! Vocês acharam essas revistas num museu, foi? Olha, as folhas tudo colada, que horror…

‒ Cuidado pra não rasgar, Germânia.

‒ E essa bebê aqui, quem é?

‒ É a Luciana Vendramini.

‒ Minha filha, isso já é pedofilia, vocês podem ser processados, sabia?

A funcionária sorriu, sem saber o que dizer.

‒ Essas aqui eu conheço. A loira e a morena do Tchan. Até meu pai comprou essa revista.

‒ É uma das mais solicitadas.

‒ Solicitadas? Como assim?

‒ Enviamos a relação das revistas e o cliente escolhe.

‒ Quer dizer que foi você quem escolheu, Pablinho? Que mau gosto…

‒ Meu amor, isso já está ficando um pouco ridículo…

‒ Ridículo é gerarmos uma criança com meu marido pensando nesse mulherio de papel, isso sim. Bora, vamo recolhendo essas breguices.

‒ Deixa pelo menos a edição especial com as trigêmeas.

‒ Nem trigêmea, nem bigêmea. Eu, heim, Pablinho. Tome, minha filha, pode levar tudo embora. Ele vai olhar é pra mim, que sou a mulher dele.

‒ Desculpe, mas a senhora não pode ficar aí dentro, são as normas.

‒ Já que é assim…

Germânia retirou da bolsa o celular.

‒ Acessa aí teu zap, Pablinho.

‒ Pra quê?

‒ Tô mandando a minha foto na praia da Peroba. Você não disse que eu fico linda naquele maiô?

‒ Senhora, temos um horário…

‒ Vai dar tempo, minha filha. Meu marido é ligeirinho. Até demais, acredite em mim.

Pablo sentiu uma gota de suor lhe descer pelo rosto.

‒ Posso deixar meu celular aqui pra filmar?

‒ Infelizmente, não, senhora.

‒ Afff, quanta regra. Tá bom. Pablinho, posso confiar em você?

Pablo fechou os olhos. Não acreditava que aquilo estava acontecendo.

‒ Posso ou não posso?

‒ Pode, meu amor.

Ela sorriu, satisfeita, e o beijou na boca.

‒ Eu e nossa futura filha agradecemos. ‒ E, sussurrando para a funcionária, acrescentou: ‒ Eu sei que vai ser menina, sou bruxa. Vai se chamar Clara.

Germânia saiu e Pablo fechou a porta, suspirando. Pegou o celular e o material de coleta e dirigiu-se ao banheiro. Ele tentou, tentou novamente, deu um tempo, tentou outra vez… mas não conseguiu. Muita pressão, coitado.

Na recepção, ele procurava disfarçar a vergonha.

‒ Não se preocupe, senhor, isso é comum ‒ a recepcionista procurou tranquilizá-lo. ‒ Para quando agendo a nova data?

‒ Daqui a trinta dias ‒ respondeu Germânia.

‒ Não preciso desse tempo todo, meu amor.

‒ Mas eu preciso. Vou fazer umas fotos novas. Tô precisando.

Já faz seis meses e a data é sempre remarcada. É que Germânia é muito exigente com foto. Nesse tempo, um casal amigo os levou numa aula de dança de salão e eles tomaram gosto pela coisa. No embalo da novidade, Germânia voltou para a academia e Pablinho iniciou uma dieta. Não é que o casamento deu uma esquentada? Ontem, inclusive, ela sentiu uns enjoos…

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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DICA DE LIVRO

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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LEIA NESTE BLOG

Faxina Summer Show

Faxina Summer Show – A namorada do Pedrão exigiu que ele contratasse uma faxineira. E ele contratou

O namorado perfeito – Gabi só queria um namorado que realizasse seu grande fetiche

A putinha do quartinho do fundo – Ninfa Jessi agora faz strip tease pela internet. Guenta firme, Diametral…

A cidade das almas boas – Arlindo de dia, Michele de noite. De dia no banco, de gravata. De noite, fazendo caridade na esquina

O brinquedo – Quando criança, ele viveu uma relação abusiva com uma mulher mais velha. Agora, um novo envolvimento traz à tona esse passado de dor, humilhação e… prazer

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Crônica de uma morte evitável

30/06/2021

30jun2021

Galvonis 20210628 01

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CRÔNICA DE UMA MORTE EVITÁVEL

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Meu pai, um saudável idoso de 89 anos, tomou as duas doses da vacina em março. No início de junho, teve febre leve por 3 dias, descobriu que estava com covid e foi para o hospital da Unimed, onde a tomografia dos pulmões mostrou que ele poderia se tratar em casa. No hospital, a médica lhe receitou ivermectina e azitromicina (do kit covid, só faltou a cloroquina). Voltou para casa, não melhorou e no sábado 05jun retornou ao hospital, sendo internado com 50% dos pulmões comprometidos, e 3 dias depois foi intubado e transferido para a UTI. Ele morreu neste domingo à noite, após três semanas internado.

Meus sentimentos se misturam entre a tristeza e a indignação pelo atendimento ineficiente que meu pai recebeu quando foi a primeira vez ao hospital (a médica que o atendeu se chama Patrícia Mesquita Vilas Boas, otorrinolaringologista), o que só aumenta minha raiva do presidente genocida, que continua a incentivar o uso de medicamentos sem eficácia, a desrespeitar as medidas sanitárias e a zombar dos mortos. Se meu pai tivesse tomado as medicações corretas, provavelmente seria tratado em casa, sem precisar voltar ao hospital.

Obrigado a todos que cuidaram dele, em especial ao doutor Guilherme Dourado. Aos que aderiram à campanha #Vaidarcerto, deixo uma indagação: Vai dar certo para quem? Para meio milhão de brasileiros que morreram, como meu pai, deu muito errado, e dará muito errado para outros milhares que morrerão.

A nós, que seguimos vivos, um alerta: a vacina contra covid é necessária, mas como qualquer outra vacina, não garante 100% de imunização. Portanto, mesmo vacinados, precisamos seguir muito cuidadosos enquanto o vírus estiver circulando. E, igualmente importante: continuemos a denunciar os crimes desse governo genocida. Os responsáveis precisam pagar pelas desgraças que causaram e continuam causando.
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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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ESCLARECIMENTO – Optei por não citar o nome da vacina que meu pai tomou porque essa é uma informação que não tem importância para o relato. Como já não bastasse lutarmos contra o negacionismo de parte da população, ainda há os que querem escolher que vacina tomar. Essas pessoas não entendem que a nossa estratégia de sobrevivência à pandemia é coletiva, e não individual. Precisamos atingir o mais rápido possível um alto percentual de imunização grupal, e qualquer vacina ajuda nessa estratégia. Querer escolher vacina é uma postura egocêntrica e mesquinha, quase negacionista, que reforça a desinformação geral e em nada contribui para a diminuição da nossa tragédia.

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DICA DE LIVRO

Viajando na Maionese Astral CAPA 07aVIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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A omissão do cidadão de bem

16/06/2021

16jun2021

Resistência Antifascista Artista 01

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A OMISSÃO DO CIDADÃO DE BEM

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Até hoje, muitos se perguntam como Adolf Hitler pôde fazer todo o mal que fez e por que a maioria dos alemães aceitou as ações do nazismo, por mais cruéis que fossem.

O contexto social e político da época contribuiu, mas houve algo fundamental: a omissão dos que poderiam ter feito algo e não fizeram. Muitos “cidadãos de bem” fecharam os olhos para os crimes dos nazistas, pois não mexiam com suas famílias ou seu dinheiro. Mesmo discordando totalmente do governo, pessoas influentes se calaram, por receio de desagradar, por interesses comerciais, por covardia.

A situação do Brasil tem muitos pontos em comum com a Alemanha de Hitler. Quando o governo genocida de Jair Bolsonaro for devidamente julgado, o que já está ocorrendo, o posicionamento dos brasileiros influentes também será julgado. É por isso que não se deve tentar ser neutro em tempos de crise como a que vivemos, pois a neutralidade significa aceitar passivamente o que acontece ou pode acontecer, ou seja, é um posicionamento.

Há artistas, esportistas e outros famosos que não se posicionam contra o genocídio do governo Bolsonaro por medo de perder público ou prejudicar seus valiosos contratos. Hoje, ganham fama e dinheiro, sim, mas a covardia ficará marcada em sua testa com o sangue dos inocentes e seu nome apodrecerá eternamente na lata de lixo da história.

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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Viajando na Maionese Astral CAPA 07aVIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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A cidade das almas boas

27/05/2021

27mai2021

Arlindo de dia, Michele de noite. De dia no banco, de gravata. De noite, fazendo caridade na esquina

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A CIDADE DAS ALMAS BOAS

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Arlindo de dia. Michele de noite. Das dez às quatro na agência da Caixa da avenida Santos Dumont, todo sério, camisa social fechada no punho, gravata, cabelo penteado. Depois das nove da noite numa esquina da rua Clarindo de Queiroz, salto plataforma e uma minissaia de couro sem nada por baixo, para facilitar na hora de mostrar o pauzão enorme aos carros que passam pela esquina diminuindo a velocidade.

Uma noite, passava pouco das nove, quando o fusca parou, e ele, ou melhor, ela foi lá falar com o sujeito. Era um velhinho. Michele sorriu, hummm, velhinho que curte travesti, faltava um desse em sua clientela. Putz, sujeira, era aquele velhinho da agência, setenta e seis anos, que todo mês ia lá receber a aposentadoria com a mulher, seu Claudemiro e dona Núbia, os dois sempre juntinhos de braços dados, gostavam tanto dele que queriam que namorasse a neta, uma tal de Ilana, quem sabe não saía um casamento.

Mas o velhinho felizmente não reconheceu Arlindo naquela esquina penumbrosa. Também pudera, toda montada com aquela roupa, peruca, maquiagem. Michele abriu a porta do carro e o velhinho afastou o pacote de pão para ela sentar. Depois, no motel ali pertinho, ele pediu que ela fosse com jeito, era sua primeira vez. Michele foi com jeito, claro, mas seo Claudemiro, de quatro na cama, com o fundo de garantia para cima, logo largou de besteira e disse que ela podia depositar tudo, tudo que ele tinha direito, e Michele, sempre profissional, seguiu as ordens do cliente. Uma hora depois o velhinho pagou os cem reais, agradeceu e a deixou de volta na esquina, muito distinto ele.

No mês seguinte, quando o casal voltou à agência para receber a aposentadoria, Arlindo não notou nada de diferente no comportamento dele, tudo normal. Ainda bem. Horas depois, à noite, não é que lá estava o velhinho novamente parando o fusca na esquina penumbrosa? Michele sorriu, satisfeita pelo retorno do cliente. Ele afastou o pacote de pão para ela sentar e tomou o rumo do motel, e repetiram a dose.

Um mês depois, na agência, enquanto seo Claudemiro contava o dinheiro sacado, dona Núbia comentou com Arlindo que qualquer dia levaria a Ilana para ele conhecer, que ele ia ver só a belezura de neta que ela tinha, que ele ia se apaixonar, e depois falou que Fortaleza estava cada vez mais violenta, que seu marido, coitado, fora assaltado duas vezes nos dois últimos meses quando voltava da padaria, nas duas vezes lhe levaram cem reais, coitado, não respeitavam mais nem um pobre velho. Arlindo escutava, solícito. E era um dinheiro que fazia muita falta, prosseguiu dona Núbia, pois a aposentadoria era pouca, os remédios caros, o filho era doente e não podia ajudar, ô mundo ingrato, ninguém dá a mão a ninguém. Tenha fé, Arlindo consolou-a, tenha fé que Deus vai prover.

Pois não é que Deus proveu mesmo? Desde então, seo Claudemiro nunca mais foi assaltado na volta da padaria. Coincidentemente, e isso cá para nós, é claro, também nunca mais pagou pelo programa com Michele. É que ela passou a sortear, todo mês, um cliente para ganhar um programa grátis, e o velhinho tem uma sorte danada, ganha todas.

A senhora tem razão, dona Núbia, a cidade está muito violenta. Mas, se procurar, a gente encontra umas almas boas por aí.

(Este conto integra a série Interações da Sacanagem, com contos baseados em termos de busca no Blog do Kelmer. Divirto-me bastante vendo os termos que as pessoas usam nos mecanismos de busca e que as fazem chegar em meu blog. Termos deste conto: travesti michele em fortaleza.)

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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Quarentena Erótica
Ricardo Kelmer – contos

Nos contos de Ricardo Kelmer, o erótico pode vir com variados temperos: romantismo, humor, misticismo, bizarro, horror… Às vezes, vem doce e sutil, ou estranho e avassalador, e às vezes brinca com nossas próprias expectativas sobre o que seja erótico. Explorando fetiches, fantasias, delírios e tabus, e até mesmo experiências reais do autor e de seus leitores, as estórias deste livro acabam de chegar até você para apimentar seus dias, e suas noites, de quarentena. > saiba mais

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O lábio aberto de Laisa

11/05/2021

11mai2021

Abram as cortinas. Com vocês, Laisa Kaos…

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O LÁBIO ABERTO DE LAISA

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E cá estou, nesta tarde nublada, lisonjeado por me ver num poema de Laisa, em seu livro Lábio Aberto. Deu até vontade de escrever um conto.

Abram as cortinas. Com vocês, Laisa Kaos…

CRISE DE ANSIEDADE

É no meio vão das angústias da madrugada
Que me deparo com incertezas vis, cruéis
Levanto acompanhando o estalar de dedos
Batendo sincronizadamente descompassadas
as unhas arranhando as almofadas
acendo um cigarro na varanda de vento quente
Será mais uma longa madrugada
Entre um trago e outro a face molha sem porquês
E possuindo em si, todos os porquês possíveis
Observo de longe a todos, manias de quem sofre demais
É como um conforto para todos, causar um desconforto a mim
Será que essa face ainda molhará por outros motivos?
Que não as iniquidades dos que gratuitamente
Me cospem farpas de fogo, dia após dia
As indiferenças mundanas
As solidões de mesas de bar
As novamente necessárias doses incertas de zolpidem
O que fora feito para mim? Qual espécie cruel de loucura queriam-me causar?
O meu suicídio talvez?
O final certeiro e bonito para um dos contos de Kelmer!
E depois de dois, talvez três semanas…
As vidas todas, seguindo com seus rumos,
Eu teria sido, como Tânia, o travesti de mais um conto,
apodrecendo e definhando em um sepulcro esquecido
Desço as escadas em mais um cigarro
um rato atravessa a rua, companhia certeira da madrugada
Os porquês, ainda infindáveis porquês
Da falta de concentração, consideração
amizade, respeito, afeto-fato
Sem interesses somente no bife posto a mesa
É desse cansaço que falo…

Vai amanhecer
Apaga o cigarro, sobe as escadas
Afaga o rato, sim!
Apaga os lampejos
Engole a pílula
E deita,

Guarda o banquinho para um outro dia,

Quem sabe?

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Laisa Kaos

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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Laisa Kaos é natural de Belém-PA. Formou-se em História no Pará e estudou História da Arte pela PUC em São Paulo, cidade onde reside atualmente (2021). Além de poeta, é fotógrafa.

Site de Laisa Kaos: laisakaos.com.br

Facebook: facebook.com/laisakaospoeta

Instagram: @lai_kaos

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CONTOS DE KELMER? AQUI TEM:
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Vocês Terráqueas
Seduções e perdições do feminino
contos/crônicas

Com que propriedade um homem pode falar sobre o universo feminino? Neste livro RK ousou fazer isso, reunindo 36 contos e crônicas escritos entre 1989 e 2007, selecionados em suas colunas de sites e jornais, além dos textos inéditos. Com humor e erotismo, eles celebram a Mulher em suas diversas e irresistíveis encarnações. Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido. Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração. > saiba mais

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Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos
contos

O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba? Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, as pessoas são surpreendidas por acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmas e deflagram crises tão intensas que viram uma questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses coletivos e pessoais. > saiba mais

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Baseado Nisso
Liberando o bom humor da maconha
contos + glossário. Ilustrações: Hemetério

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado… > saiba mais

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Indecências para o Fim de Tarde
contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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Quarentena Erótica
contos

Nos contos de Ricardo Kelmer, o erótico pode vir com variados temperos: romantismo, humor, misticismo, bizarro, horror… Às vezes, vem doce e sutil, ou estranho e avassalador, e às vezes brinca com nossas próprias expectativas sobre o que seja erótico. Explorando fetiches, fantasias, delírios e tabus, e até mesmo experiências reais do autor e de seus leitores, as estórias deste livro acabam de chegar até você para apimentar seus dias, e suas noites, de quarentena. > saiba mais

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Nas cavernas da pandemia

14/04/2021

14abr2021

Em alguns anos, olharemos para trás e encontraremos o que foi pintado nas cavernas desses dias tenebrosos

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NAS CAVERNAS DA PANDEMIA

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Um ano de pandemia… Tenho pensado sobre o papel do artista em tempos como o que vivemos. Como teria sido enfrentar tantos dias difíceis sem a companhia da arte? Você já parou para pensar nisso?

Nossos peludos antepassados pintavam as paredes das cavernas sem saber por que faziam isso. Era um impulso instintivo a que simplesmente obedeciam. Hoje, suas belas criações são fundamentais para compreendermos o nosso passado e o nosso presente. Em alguns anos, olharemos para trás e encontraremos o que foi pintado nas cavernas desses dias tenebrosos. Sim, os escritores e os artistas não pararam de produzir, mesmo em meio a tanto sofrimento, mesmo sem saber se eles sobreviveriam. Era um impulso instintivo. Era a vida se debatendo contra a morte.

Valorizemos nossos artistas enquanto estão vivos. Talvez eles não saibam bem por que fazem o que fazem, mas nós sabemos que sem o que eles fazem seria impossível sobreviver.

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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01- Importante reflexão. Gostei! Isadora Dias Gomes, Fortaleza-CE – mar2021

02- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA GENIAL! Pati Rabelo, Fortaleza-CE – mar2021

 


Vai dar muito errado

02/04/2021

VAI DAR MUITO ERRADO

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À primeira vista, essa campanha #vaidarcerto, lançada em Fortaleza, parece louvável. Podemos vê-la nas redes sociais, nas fachadas das lojas… Quem seria contra uma mensagem tão simpática em meio à tragédia da pandemia de covid-19?

Lamento lembrar que nem tudo que reluz é ouro. Apesar da boa intenção de alguns que aderiram à campanha, infelizmente estão se aproveitando de uma mensagem positiva de otimismo para desviar a atenção da população para o centro do problema. É muito cinismo. Na defesa da campanha, alguns chegam a exibir o número de recuperados, o que nada significa, pois até os recuperados podem se reinfectar. Outros apelam para a necessidade de fé, a mesma fé que faz muita gente contrair o vírus nas igrejas. E há os empresários que fazem de tudo para furar a fila da vacina, para dar certo logo para eles.

É claro que é importante manter a esperança e é ótimo que as empresas incentivem práticas saudáveis. Porém, só o distanciamento social e a vacinação em massa é que têm o real poder de frear o avanço da pandemia. Infelizmente, a imunização demorará a atingir um número satisfatório, pois o governo federal recusou-se a comprar as vacinas quando teve a oportunidade ainda em agosto de 2020 e segue boicotando os melhores esforços com seu negacionismo científico e sua insistência no falso dilema saúde-economia.

No fim do ano, a coisa terá dado errado, muito errado para 800 mil pessoas. Talvez eu ou você que agora me lê nem estejamos vivos para chorar essas mortes. Mas o importante é que vai dar certo, né?

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Ricardo Kelmer, abr2021 – blogdokelmer.com

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Resistência antifascista

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01- 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼 Juliana Ricarte, Fortaleza-CE – abr2021

02- Dia desses, noutro grupo, houve um debate sobre essa expressão “Vai dar certo”. Eu reviro os olhos quando a ouço ou vejo, pelo menos no contexto dessa pandemia. Essa e “vai passar”. Já deu tudo muito errado, vivemos o caos e um desastre completo. Claro que em um momento isso vai passar, mas é um saco ter que ouvir isso quando você está cercado de morte por todos os lados. Cupertino Freitas, Fortaleza-CE – abr2021

03- Sinceramente, não tem como dar certo. Estamos morrendo pelas mais diversas causas. Não temos vacina para todos, não temos hospital para todos e, muito provavelmente, não teremos cemitério para todos. Bevenuta Sales, Fortaleza-CE – abr2021

04- É verdade! O marketeiro apropria-se de uma expressão popular e a transforma num jargão político para expressar um interesse político! Carlos Bonfim, Fortaleza-CE – abr2021

05- Realmente, nada está dando certo, e se der, já vai ser tarde demais. 😓😓 Vânia Dias, Fortaleza-CE – abr2021

06- Excelente texto, perfeito. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – abr2021


Bullying de putaria

23/03/2021

23abr2021

As amigas de Milena adoravam sacaneá-la por sua inexperiência sexual. Mas Milena jurou que isso acabaria no Cabaré do Papai

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BULLYING DE PUTARIA

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Milena sofria de bullying de putaria. Não é dos mais divulgados pela mídia, mas é um tipo de bullying terrível, estigmatizante ao extremo e causador de males difíceis de suportar, em especial para os adolescentes. Algumas pessoas superam o problema e seguem com suas vidas, mas outras infelizmente não, e para elas a vida se transforma num inferno diário.

O caso de Milena é exemplar. Mais novinha da turma, dezessete anos, todos os seus namoros haviam sido bem comportadinhos, com exceção do último, que durou apenas um mês mas, em compensação, lhe levou a virgindade, o que serviu para aliviar um pouco a pecha de santinha que ela carregava entre as amigas. Mas só um pouco mesmo, pois em comparação com o que elas faziam por aí, era como se ainda continuasse virgem. As amigas não tinham dó: aproveitavam toda oportunidade para humilhá-la com suas inacreditáveis histórias de putaria, cada uma mais deliciosa que a outra. Milena, arrasada, chorava de inveja na solidão de seu quarto. E, para piorar a depressão, ela era a única que nunca tinha ido ao Cabaré do Papai.

Ah, o Cabaré do Papai… As amigas enchiam a boca para dizer que era a festa mais maravilhosa da cidade, que só acontecia uma vez por ano, que era isso, que era aquilo e aquilo mais. Menor de idade e proibida por lei de frequentar certos lugares, à menina Milena só lhe restava sofrer seu bullying resignada, vendo as fotos e os vídeos das amigas na festa, em seus modelitos provocantes, todas elas sensualizando horrores e vivendo gloriosos momentos de diva. O jeito era esperar a maioridade, fazer o quê?

Por isso, quando foi anunciada a edição seguinte do Cabaré do Papai, Milena não pôde acreditar na odiosa coincidência: seria exatamente no dia anterior ao seu aniversário de dezoito anos. Ah, não, um dia antes? Era muito, muito azar. Teria que esperar pela edição do ano seguinte. Mais um ano inteiro de bullying. Mais doze meses de depressão.

Não, não, que azar que nada, Milena pensou melhor, sorte, isso sim, muita sorte. Iria à festa, iria sim, mas… tchan, tchan, tchan, chegaria à meia-noite, ninguém poderia proibir sua entrada. O Cabaré do Papai seria o carimbo oficial de sua nova vida.

E assim fez. Foi a sua tão sonhada iniciação na festa que as cruéis amigas tanto usavam para sacaneá-la. E foi uma iniciação, digamos, mais que completa. A santinha apareceu lá vestida como uma diabinha sexy, com tridente e chifrinhos vermelhos piscantes, fez um puta sucesso, todos queriam tirar foto com ela, recebeu mil cantadas, dançou com o barman em cima do balcão e, como se não bastasse, ainda ganhou o concurso Musa do Papai. As amigas, boquiabertas, não acreditavam no que viam.

A festa deixou Milena tão inspirada que ela decidiu iniciar-se também, naquela mesma noite, em outro tipo de festinha, já conhecida das amigas: o ménage à trois. E foi assim que a santinha, já não mais tão santinha, terminou a noite no motel com ninguém menos que o supergato cantor da banda e a namorada dele, lindíssima. E no motel, aproveitando o embalo dos seguidos orgasmos, decidiu que já era hora também de iniciar-se no sexo anal, pois, entre as amigas, só ela ainda não havia dado o bendito cu. Então, animada com o coroamento de sua noite de estreia na sagrada putaria, Milena pôs-se de quatro na cama e arrebitou bem a bunda, assessorada pela namorada do cantor supergato, que foi muito solidária e lhe deu todas as dicas para ela aproveitar bem a primeira visita pela porta de trás. Porém, após duas horas de show pesado e mais três horas de motel com um par de mulheres com o diabo nos couros, o coitado do cantor não tinha mais força nem para abrir o tubo de gel, de forma que Milena teve que se virar com a namorada mesmo, que acoplou à cintura um pau de silicone e, com muita competência, finalmente a livrou do triste time das virgens anais, missão cumprida.

Naquela manhã, Milena, agora com dezoito anos, chegou em casa feliz e realizada com sua tripla iniciação: Cabaré, ménage à trois e anal. Sim, anal com pau artificial de mulher, é verdade, mas onde estava escrito que precisava ser pau natural de homem? Sem falar que agora era vip permanente do Cabaré do Papai, não pagaria mais para entrar, que chique, heim, já pensou a cara de inveja das amigas? A ex-santinha Milena nem quis tirar a roupa: dormiu vestida de diabinha mesmo, com um sorriso maroto nos lábios e os chifrinhos vermelhos pendurados na porta do guarda-roupa, ainda lhe piscando os parabéns. Bullying de putaria nunca mais.

(Este conto integra a série Interações da Sacanagem, com contos baseados em termos de busca no Blog do Kelmer. Divirto-me bastante vendo os termos que as pessoas usam nos mecanismos de busca e que as fazem chegar em meu blog. Termos deste conto: iniciação anal em cabaré.)

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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Quarentena Erótica
Ricardo Kelmer – contos

Nos contos de Ricardo Kelmer, o erótico pode vir com variados temperos: romantismo, humor, misticismo, bizarro, horror… Às vezes, vem doce e sutil, ou estranho e avassalador, e às vezes brinca com nossas próprias expectativas sobre o que seja erótico. Explorando fetiches, fantasias, delírios e tabus, e até mesmo experiências reais do autor e de seus leitores, as estórias deste livro acabam de chegar até você para apimentar seus dias, e suas noites, de quarentena. > saiba mais

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A verdade vencerá

09/03/2021

09mar2021

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A VERDADE VENCERÁ

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Justiça tardia não é justiça. É verdade que a anulação das condenações de Lula deixa claro que ele sofreu uma absurda perseguição política e lhe oferece, enfim, a chance de um julgamento justo, além de lhe restituir os direitos políticos e revelar cada vez mais a podridão da Lava Jato. Mas tudo isso não apaga a imensa injustiça feita. Quem devolverá a Lula os 580 dias passados na prisão? Quem ressuscitará dona Mariza, que morreu assistindo ao massacre diário do marido? Quem fará voltar a roda do tempo para nos livrar de um presidente genocida? Quem consertará a estátua da Justiça brasileira?

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rk – blogdokelmer.com 2021

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Resistência antifascista

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O feminino livre em mim

08/03/2021

08mar2021

Avancei na compreensão do arquétipo feminino e aprendi a detectar melhor o machismo que em mim sobrevive e a reconhecer os privilégios do patriarcado dos quais usufruo

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O FEMININO LIVRE EM MIM

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Neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, renovo minha esperança num mundo onde as mulheres possam viver livremente o que são, sem a opressão da cultura, da religião e da família. Aproveito para deixar aqui um trecho do livro Viajando na Maionese Astral, lançado em 2020.

“Essa fase pós 2004 representou também um novo nível em minha relação com o feminino. Com as leituras de Jung e Campbell, avancei na compreensão do arquétipo feminino e aprendi a detectar melhor o machismo que em mim sobrevive e a reconhecer os privilégios do patriarcado dos quais usufruo.

“Você conhece o livro Mulheres que Correm com os Lobos, da analista junguiana Clarissa Pinkola Estés? Se não conhece, recomendo. Fui presenteado com este livro por três vezes, por três mulheres diferentes. Não foi coincidência, pois elas sabiam de meu interesse sobre o universo feminino, desde cedo manifestado nos textos e outros trabalhos. Nesse belo livro, vemos, por meio de mitos e lendas coletados pelo mundo, como sobreviveu, apesar da repressão do patriarcado, e escondida sob muitas formas simbólicas, o arquétipo do feminino selvagem, o modelo da mulher conectada com os ritmos e valores da Natureza e de sua própria natureza, o modelo da mulher livre.

“O livro de Clarissa me inspirou a escrever A Mulher Selvagem, uma das minhas crônicas mais conhecidas, e vários outros textos, e me ajudou a assimilar mais o princípio yin em meu ser, o que me permitiu viver relações amorosas mais honestas, livres e igualitárias.”

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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Quem Apagou a Luz?
Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá
(ensaio)

Lançado em 1995, este livro resume, numa linguagem descontraída, as crenças e vivências que norteavam o grupo esotérico do qual o autor participou nos anos 1990, abordando temas como experiências fora do corpo, reencarnação, vida após a morte, extraterrestres e guias espirituais.

A partir de 2000, quando o autor assumiu seu ateísmo, este livro deixou de ser publicado, interrompendo uma trajetória de sucesso. Porém, em 2020, para divulgar seu livro Viajando na Maionese Astral – Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo, ele decidiu relançá-lo numa edição especial, junto com o Maionese.

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Amadoras

02/03/2021

02mar2021

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AMADORAS

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Nunca contei isso pra ninguém, Verinha. Só vou te contar porque tu me contou aquela doidice que tu aprontou no casamento da Jardênia, é uma troca justa. Lembra daquele congresso de Psicologia em Natal, dez anos atrás, que tu, vacilona, não foi? Tá, eu sei que o idiota do Heitor não deixou, eu sei. Aliás, a melhor coisa que tu fez foi acabar aquele namoro, já te disse isso? Pois tá dito. Aquele Heitor era um galinha nojento, sabia, deu em cima até de mim. Eu sei, mulher apaixonada fica cega. Pois voltando ao congresso. Foi lá que aconteceu minha história bizarra. Não, eu ainda não tinha casado com o Nelson, mas já tava noiva. Fiquei num quarto com a Irene, lembra, que deu o golpe e casou com aquele deputado escroto, que este ano foi cassado. Ela mesma. Mas como ele foi cassado, é capaz dela agora querer o divórcio.

Deixa eu contar. Ficamos hospedadas num hotel bacana, pertinho da praia. Aquele esquema, a gente dava uma passadinha nas palestras, ia pra praia e depois caía nos agitos da noite com aquele bando de psicólogas taradas, tudo doida pra provar da culinária local. Irene, logicamente, fez a festa. Pra tu ter uma ideia, na sexta à tarde, na praia, ela ficou com um menino que devia ter no máximo quinze anos, sério, de noite agarrou o amigo dele no bar e de madrugada me expulsou do quarto pra dar pro taxista que levava a gente pros lugares. Tudo bem que o taxista era um gato, jeitão de surfista, mas tive que ficar lá embaixo na recepção esperando por duas horas, morrendo de sono. O que a gente não faz pela periquita das amigas, né?

Se eu tava comportada? Tu sabe que só quem fica comportado nesses congressos é o porteiro do hotel, né? E olhe lá. Mas até que eu tava quieta, acho que eu tava era exigente, sei lá. Aí, no sábado, quem eu vejo chegar no hotel, na hora que eu tava terminando o café? Então sinta, viaje, voe nesse toooooommm, foi pra você, meu bem, que compus esse blues de luz neon… Exatamente, a Bluz Neon. Eram eles, chegando do aeroporto. Tu sabe que eu tinha uma tara violenta no Luca, né, ia pros shows só pra ver ele cantando. Pois quando eu vi a banda chegando e soube que eles iam tocar num bar em Natal aquela noite, me deu uma coisa. Sabe quando, de repente, te dá uma intuição bem forte? De quê? Ora, de que naquela noite eu finalmente ia pegar o safado do Luca. Ia ser minha despedida de solteira.

Então, à noite, lá estava eu no Som de Cristal, o bar em que eles iam tocar, eu e meu pretinho básico, as coxas de fora, os peitos saindo, superconfiante na minha intuição. Eu no esplendor dos meus vinte e cinco anos, tudo durinho. Irene não quis ir, saiu com o filho do dono do hotel, um gatão lá que era cheio da grana. Fui sozinha mesmo pro bar, vi o show, que foi ótimo, e dispensei uns vinte chatos, tudo em nome do meu ídolo. No fim, toquei direto pro camarim, mas tinha muita gente, e quando consegui entrar, a banda já tava saindo de volta pro hotel. Ah, minha filha, eu dei uma de tiete descabelada, né, gritei, fiz escândalo. Mas o Luca nem olhou pra mim. Claro que tava bêbado, aliás, ele nunca fez um show sóbrio na vida, né?

Não, desisti não. Peguei rapidinho um táxi, fui pro hotel e esperei no saguão, sentadinha no sofá. Aí percebi que tinha uma moça no sofá da frente, uma morena bonita, da minha idade, e tava vestida ainda mais provocante que eu. Ela olhou pra mim, me analisou descaradamente e perguntou se eu também esperava pelo Luca. Pois é, outra tiete teve a mesma ideia, foi o que eu também imaginei. Na hora, pensei assim, ah, não, competir por homem é baixaria. Aí respondi que tava sim, mas que a gente podia resolver a questão no par ou ímpar. Falei de sacanagem, claro, mas era o que me restava, né, levar a coisa na gozação e sair de cabeça erguida. Aí ela riu e me explicou a situação. O nome dela era Gabriela, mais conhecida por Gabi, era puta e o Luca tinha contratado um programa com ela. Acredita? Sério, Verinha, um gato daquele pagando por mulher, pode? Só que ele tava demorando demais e ela tinha outro programa na sequência, e não podia faltar pois era um cliente supervip e coisa e tal. Tá, e eu com isso?, perguntei, sem entender onde a tal da Gabriela queria chegar. Pois ela disse assim, a gente tem um corpo parecido, o cabelo também, se você topar, você vai no meu lugar, ele não vai perceber, nunca me viu pessoalmente, esses caras de banda de rock são tudo maluquinho, bebem pra caramba, querem mais é fazer festa. Acredita nisso, Verinha? Pois foi. Eu? Fiquei passada, né, amiga? Claro que não topei. Agradeci a honra, levantei e subi pro quarto, deixei ela lá no saguão esperando o cliente.

Só que eu cheguei no quarto e tive uma revelação: putaquipariu, essa menina foi enviada por Deus! Ou pelo Diabo, né? Pra fazer cumprir a intuição que eu havia tido. Tchuuumm, desci correndo. Mas ela não estava mais no saguão. Corri pra frente do hotel e encontrei a menina já dentro de um táxi. Disse a ela que tinha mudado de ideia e que topava a parada. Ela me deu o cartão dela, disse que tinha acertado por quatrocentos reais. Voltei pro saguão, peguei o celular, acessei o site dela e vi as fotos. Eram bonitas, mas em nenhuma ela mostrava o rosto direito. Aí vi a ficha dela, vinte e dois anos, nível universitário, atende em hotel e motel, aceita homem, mulher e casal, e curte anal. Vixe, vou ter que fazer o sacrifício de dar o cu pro Luca, rá, rá, rá. Sim, ela tinha nível universitário, pelo menos na ficha do site. Mas tu sabe que elas põem isso pra valorizar mais o cachê, né? Tu acha que o cara vai pedir pra ela mostrar a carteirinha de estudante?

Logo depois o Luca chegou no saguão. Veio direto falar comigo, você deve ser a Gabi, né, desculpa a demora, o show atrasou. Juro que me deu vontade de dizer: agora só por quinhentos, garotão. Mas dei um sorrisinho meigo e falei que tudo bem. Ele se despediu dos outros caras da banda, que ficaram bebendo no bar do hotel, e subimos pro quarto dele. Nervosa? Eu tava nervosíssima, amiga, sozinha no elevador com meu ídolo e morrendo de medo dele descobrir que eu não era a Gabi. No elevador, meu coração pulava tanto que eu tinha certeza que ia ter um troço. Mas ele não percebeu nada, tava bem bebinho, rindo de tudo. E eu lá, sem saber o que falar. O que uma puta fala subindo no elevador com o cliente? Pelo que saquei da Gabriela, ela até tinha um certo nível, falava bem, então achei melhor ser eu mesma, só que falando menos. Eu era praticamente uma puta muda. E ele lá, você é mais bonita que no site, e eu: obrigado. Esse vestido fica perfeito em você, e eu: obrigado. Você é tímida mesmo ou tá jogando charminho? E eu: ahn, é que eu tenho medo de elevador. Rá, rá, rá. Já viu puta com medo de elevador, Verinha? Essa não sobe nunca na vida.

Entramos no quarto e a grana já tava separadinha, em cima da mesa. Quatrocentos paus, Verinha. Num só programa aquela menina faturava mais que eu o dia inteiro atendendo doido no consultório. Luca deixou a luz do quarto fraquinha, botou um DVD do Eric Clapton, pegou uma garrafa de uísque e serviu pra ele e pra mim. Todo gentil, o safado. Me deu de presente um CD da Bluz Neon e perguntou se Gabriela era meu nome verdadeiro, pra ele poder autografar. Fiquei no maior dilema. E aí, o que eu ia dizer? Na hora me bateu um medo e acabei dizendo que era, sim. Por isso que aquele meu CD tá autografado pra Gabriela, entendeu agora?

Ele perguntou se eu queria tomar banho também e eu disse que não, mas que ele não se preocupasse pois eu tava bem limpinha. Me arrependi na mesma hora, ah, sei lá, acho que uma puta jamais ia dizer isso, né? Mas ele achou engraçado, ainda bem. Eu virei a dose rapidinho, pra relaxar, precisava, né, tava a centímetros de transar com meu ídolo do underground. Ele voltou, todo cheirosinho, tirou a minha roupa e começou a chupar meus peitos. Ah, chupou bem, sim, sem machucar. Depois me deu um banho de língua, olha, fazia tempo que ninguém me dava um banho daquele, viu, foi tão bom que passou o nervosismo e… Quem? Nelson? Que Nelson o quê, minha filha, desde que a gente casou que o Nelson esqueceu que tem língua, ô tristeza. Mas quanto a isso, eu tenho minhas alternativas, ah, claro que eu tenho, e tu conhece quem é a alternativa. Mas isso é outra história, depois eu conto, deixa eu voltar pra Natal. Aí o Luca começou a chupar minha buceta, e eu pensava assim, caramba, ele faz isso com uma puta? Depois me toquei que puta não é necessariamente uma mulher suja, né, aliás, se elas não forem limpas e bem cuidadas, quem vai querer, a concorrência é grande.

Então. Aquele safado me deixou num tesão tão grande que caí de boca no pau dele sem pedir licença nem nada, tchum, exatamente, abocanhei o choquito do Luca. Ah, eu achei bonito, e do tamanho certo pras minhas necessidades. Pois eu tava lá com a boca no material, ao som de Eric Clapton, toda entretida, quando de repente… a porta do quarto abre. E entra um cara. Era o Junior Rível, o guitarrista. Fiquei paralisada, segurando o pau do outro, parecia uma criança flagrada roubando o pirulito. Junior riu, deu boa noite e passou reto pro banheiro. Perguntei baixinho pro Luca se o amigo dele ia demorar e o Luca disse assim: não se preocupe que em quinze minutos você terá os dois só pra você.

Verinha, eu gelei. Exatamente, a Gabriela tinha acertado de dar pros dois, e a filha da mãe não me avisou. Não sei se ela me sacaneou ou se esqueceu, só sei que entrei em pânico total, né? Tu já deu pra dois caras de uma vez, Verinha? Nem eu. Quer dizer, até aquela noite nunca tinha dado. É, o Junior Rível também era um gato, eu sei, mas o foda é que o Luca tinha aquele jeitinho de cafajeste na medida exata que eu gosto, né? Naquela noite eu tava preparada pra ser puta, sim, mas, pô, pra um cara só, e não pra dois. Quase que eu desisto, claro, mas já tinha ido longe demais, concorda? Aí o Luca disse assim: ele é um cara legal, você vai ser muito bem tratada. E me deu um beijo na boca. E eu adorei o beijo.

Pois, minha filha, quando o outro voltou do banho, eu tava lá na cama, de quatro, e o Luca atrás metendo em mim, e eu adorando ele me chamando de Gabi. Ah, claro, já tinha incorporado a putinha, né, tava toda solta, muito mais do que normalmente sou. Junior serviu um uísque pra ele, botou um CD do Artur Menezes e foi se chegando, se chegando… Quando vi, ele tava batendo com o pau no meu rosto, o pauzão duro, parecia de ferro. Surra de pau na cara, é bom demais, né, também gosto muito. Aí a festa começou de verdade, o Luca me pegando por trás e o outro fodendo minha boca, me segurando pelo cabelo, e eu me sentindo a devassa toda poderosa, né? Não sei se eles dois abusaram de mim ou se fui que eu abusei dos dois. Só sei que eles fizeram tudo que queriam, era um tal de abre as pernas, Gabi, de quatro, Gabi, me chupa, Gabi, ai, como você é gostosa, você é maravilhosa, até dupla penetração a gente fez, acredita? Sim, na buceta e no cu. Não, foi minha primeiríssima vez. Ah, eu gostei, sim. A sensação? Ah, a pessoa se sente assim aquele pão do dogão com duas salsichas, sabe? Mas foi meio desajeitado, eles já tavam muito bêbados. Mas, olha, eu gozei suuuupergostoso, e o Luca no meu ouvido, goza, Gabizinha, goza pra eu ver. Tão lindo, adorei. Eles? Gozaram também, e sabe como? Na minha cara, os dois esporrando no meu rosto, eu aperreada pra não desperdiçar nenhuma gota, a própria sedenta do Saara, rá, rá, rá. Te cuida, Sasha Grey,

Depois disso, eles apagaram, e eu me mandei rapidinho pro meu quarto. Dormi superfeliz com a minha despedida de solteira. No outro dia eu e Irene almoçamos, eu de óculos escuros e chapéu, morrendo de medo dos caras me reconhecerem, já pensou? Ainda bem que não vi nenhum deles. Não, claro que não contei nada pra Irene, aquela doida nunca foi de confiança. Durante o voo foi que eu me toquei: caramba, esqueci de pegar a grana. Exatamente, deixei lá no quarto deles, ficou em cima da mesa. Como que eu esqueci? Ora, esquecendo. Se fosse puta de verdade, com certeza tinha botado logo a grana na bolsa. Eles? Ah, sei lá, devem ter pensado que a Gabizinha fez uma cortesia pra eles.

História bizarra, né? Pior que tem mais. Dias depois eu mandei e-mail pra Gabriela, agradeci, falei que tinha gostado, mas que eu tinha esquecido de pegar a grana, que se ela quisesse, podia cobrar deles e ficar com tudo. Ela respondeu que eles tinham ligado pra ela, pedindo o número da conta pra depositar, mas ela disse que não havia sido ela, que ela havia ido embora porque eles tavam demorando pra chegar no hotel. Olha que loucura, Verinha… Os caras devem ter pirado, né? Acho que estão até hoje pensando quem foi aquela doida que apareceu do nada pra dar de graça pra eles.

Espera que tem mais. Não é que a Gabriela tinha mesmo nível universitário? Fazia Sociologia. Sim, Sociologia, minha filha. Pois dia desses vi uma notícia que uma tal Gabriela não sei das quantas, socióloga de Natal, tava lançando um livro, uma dissertação de mestrado, contando sua experiência pessoal como prostituta. Ela mesma, a própria, eu vi a foto dela. Pois é, amiga, é como tu diz, não tem mais espaço nesse mundo pra amadora.

(Este conto integra a série Interações da Sacanagem, com contos baseados em termos de busca no Blog do Kelmer. Divirto-me bastante vendo os termos que as pessoas usam nos mecanismos de busca e que as fazem chegar em meu blog. Termos deste conto: psicólogas nuas fotos amadoras.)

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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Quarentena Erótica
Ricardo Kelmer – contos

Nos contos de Ricardo Kelmer, o erótico pode vir com variados temperos: romantismo, humor, misticismo, bizarro, horror… Às vezes, vem doce e sutil, ou estranho e avassalador, e às vezes brinca com nossas próprias expectativas sobre o que seja erótico. Explorando fetiches, fantasias, delírios e tabus, e até mesmo experiências reais do autor e de seus leitores, as estórias deste livro acabam de chegar até você para apimentar seus dias, e suas noites, de quarentena. > saiba mais

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A crueldade do Capitão Cloroquina

25/02/2021

25fev2021

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A CRUELDADE DO CAPITÃO CLOROQUINA

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A tragédia que ora vivemos seria menor não fosse a incompetência do governo Bolsonaro. Incompetência? Não, não foi apenas isso. No início, Jair Bolsonaro menosprezou o perigo do coronavirus e contribuiu para o negacionismo científico, espalhando desinformação e teorias conspiratórias e incentivando a desobediência às medidas de distanciamento social. E assim 50 mil brasileiros perderam a vida. E daí?, zomba o presidente.

Depois, guiou-se pelo falso dilema “economia versus saúde”, acreditando que seria mais vantajoso que o vírus agisse livremente para eliminar logo os mais frágeis, visando a imunidade de rebanho − que jamais viria, pois o vírus pode vitimar as pessoas mais de uma vez. Outros 50 mil perderam a vida, e tudo que o presidente tem a dizer é que todos um dia vão morrer. Para piorar, insistiu o máximo que pôde em falsos tratamentos preventivos e gastou uma fortuna em remédios ineficazes. Mais 50 mil mortos, aos quais o presidente responde, insensível: “Eu não sou coveiro”.

Em 2020, Bolsonaro teve a chance de garantir as doses de vacina necessárias e que agora tanto nos fazem falta, mas negou-se a fazê-lo. Com isso, ajudou a empurrar mais 100 mil para a tumba. E ele continua dificultando. E ele segue gerando aglomerações. Não é apenas incompetência – é crueldade. É um projeto criminoso. Se depender do Capitão Cloroquina, em 2022 ainda haverá muitos brasileiros a vacinar, e até lá choraremos meio milhão de mortos.

Parabéns a você que ajudou a eleger o presidente genocida. Parte desses mortos vai também para a sua conta.

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

Um futuro pela frente – Após ter uma visão do futuro, Adélio quer impedir que Dijair Coronaro, um jovem e ambicioso capitão do Exército, não se torne presidente do Brasil.

No museu da pandemia – Definitivamente, a humanidade fracassou…, ela pensou, triste

Robinho, Bolsonaro, Deus e a cultura do estupro – Culpado por estupro, Robinho diz que Deus está no comando e que fará um gol para homenagear Jair Bolsonaro.

A alma fascista do governo Bolsonaro – Roberto Alvim apenas escancarou a alma fascista do governo Bolsonaro. Mas a alma fascista continua lá

O beijo da resistência contra a besta do fascismo – O fascismo não faz política ‒ ele é a negação da política, pois não dialoga, apenas agride, persegue e censura

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Resistência antifascista

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Reencarnação e ateismo (vídeo)

17/02/2021

17fev2021

Trinta anos depois, dois escritores conversam sobre o grupo esotérico que mudou seus destinos

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REENCARNAÇÃO E ATEÍSMO

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O Encontro da Nova Consciência é um festival multicultural que acontece em Campina Grande-PB desde 1992 e do qual participo desde 1996. Este ano, ele acontece por transmissões de vídeos via YouTube.
Participei com um batepapo com a escritora Ana Claudia Domene, que mora nos Estados Unidos, falando sobre o grupo esotérico que integramos nos anos 1990 e que mudou para sempre nossos destinos.

Segundo as lembranças do grupo, somos a reencarnação de pessoas que viveram na Dinamarca no século 14 numa comunidade mística que se escondia da Santa Inquisição (em meu livro Viajando na Maionese Astral, conto em detalhes toda essa história). Tivemos ainda os comentários do músico Moacir Bedê, que integrava o grupo e que no século 14 era uma bela, e safada, dançarina chamada Andrija. Ai, Andrija…

Considerando as duas vidas, é uma história de amizade, mistério e autoconhecimento, com sexo selvagem na floresta e muito humor.

Ana Claudia se define como espiritualista sem religião. Eu sou ateu. Como entendíamos tudo isso à época? E como agora entendemos? Experiências fora do corpo, guias espirituais, reencarnação – foi tudo real ou foi viagem na maionese?

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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Viajando na Maionese Astral
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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Quem Apagou a Luz?
Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá
(ensaio)

Lançado em 1995, este livro resume, numa linguagem descontraída, as crenças e vivências que norteavam o grupo esotérico do qual o autor participou nos anos 1990, abordando temas como experiências fora do corpo, reencarnação, vida após a morte, extraterrestres e guias espirituais.

A partir de 2000, quando o autor assumiu seu ateísmo, este livro deixou de ser publicado, interrompendo uma trajetória de sucesso. Porém, em 2020, para divulgar seu livro Viajando na Maionese Astral – Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo, ele decidiu relançá-lo numa edição especial, junto com o Maionese.

> SAIBA MAIS

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O Caminho para Aaran
Ana Claudia Domene
(romance)

Na Dinamarca do século 14, a menina Orian é aceita como aprendiz de Aaran, uma escola secreta que guarda a sabedoria mística de antigas tradições. Ela aprende que é possível decifrar seus sonhos, sentir a energia sutil de seus chacras, entrar em contato com guias espirituais e relembrar outras vidas. Porém, à medida que enfrenta o desafio de seguir sua voz interior, ela começa a se perguntar se o conhecimento que adquiriu irá salvá-la ou destruí-la…

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Noturna
Ana Claudia Domene
(romance)

No caminho de iniciação mística no qual é iniciada, Luna passa a questionar sua vida pessoal, seu namoro e seu trabalho, e decide seguir sua voz interior. Sua jornada a leva ao México e ao encontro com um índio feiticeiro, que lhe apresenta um mundo novo e surpreendente no qual imperam a vontade pessoal, a comunhão com a Natureza e a liberdade sem limites. Um mundo tão simples quanto assustador.

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Protegido: As taras de Lara – Pneu furado (VIP)

14/02/2021

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As taras de Lara – Pneu furado

14/02/2021

14fev2021

Lara só queria provar a si mesma que tinha controle sobre si, mas…

AS TARAS DE LARA – PNEU FURADO

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Naquela manhã, antes de ir para o colégio, a menina Lara olhou-se no espelho do quarto. Conferiu o uniforme e ajeitou o laço no cabelo. Já estava acostumada com sua cara de meninota pré-adolescente, apesar de já ter 16 anos, e até gostava de se ver mais nova do que era. Porém, naquela vez, algo havia mudado. Do outro lado do espelho não era mais a mesma meninota quem a olhava. Ela estava diferente. O quê, exatamente, não sabia. Mas estava.

Na noite anterior, finalmente perdera a virgindade. A bucetal, claro, pois a anal se fora dois anos antes com o namorado da época, com quem transava na sala enquanto os pais, no quarto, ignoravam as safadezas da filha que julgavam tão santinha. Na noite anterior, fora, enfim, desvirginada na frente. Por um… urso. Sim, o Nicolau, seu ursinho de pelúcia, que agora, sentado no canto da cama, olhava para ela como se pensasse: Humana taradinha…

Não era para ter sido assim. Nossa menina bem que tentara do modo convencional, verdade seja dita. Tentara com Jorge, primo da ex-amiga do colégio, e com Berel, o surfista otário, mas não fora feliz. Quis o destino que fosse com Nicolau. Aliás, precisava decidir o que faria com ele, pois manchara o pelo do ursinho com seu sangue. Mesmo após a lavagem, continuava manchado. Jogar no lixo? Não, não podia fazer isso, afinal ele fora seu primeiro homem. Ou homem só prestava para isso mesmo?

No colégio, cruzou com Didica, a ex-amiga, e novamente fez que não viu. Não conseguia perdoá-la pelo que fizera. Veio-lhe a lembrança da noite no Sabrina´s Motel, ela, Didica e o primo Jorge, as duas virgens, prontinhas para serem desvirginadas por ele… Ela despertando no sofá da suíte, bêbada e ainda virgem, enquanto a amiga toda feliz na cama com o primo… Aquilo fora uma traição de alto grau, a amiga a deixara dormindo no sofá para ter Jorge só para si. Imperdoável.

Bem, isso era passado. Agora, Lara era uma ex-virgem completa. Vida nova. O mundo cheio de homens interessantes por aí. Paus de todas as cores e sabores.

Conhecendo-se como conhecia, ela sabia que, mesmo que tentasse se controlar, em poucos dias estaria implorando por sexo, e sempre que ficava nesse estado era capaz de cometer as piores doidices. Sim, masturbar-se com o vibrador que ganhara da amiga Geísa aliviava a tensão, mas não era suficiente: quando o cio chegava, ela virava a Lara Tara, e essa outra Lara nunca a escutava. Só havia uma maneira de manter Lara Tara quieta: transando. Porém, no momento estava sem namorado e não queria voltar a namorar tão cedo.

Lara entrou em sua sala, sentou-se e aguardou que o professor de história começasse a aula. Ele tinha seus 30 anos, e Lara não o achava bonito, mas ultimamente percebia uns certos olhares da parte dele… Ou seria impressão sua?

Não, isso não pode estar acontecendo…, nossa menina pensou, desviando o olhar do professor. Não fazia nem 24 horas que fora comida por um urso e já estava pensando em sexo?

Os dias seguintes foram uma rotina de casa e colégio, colégio e casa. Período de provas, precisava se concentrar nos estudos. Para isso, até escondeu Nicolau no guarda-roupa, não queria nenhum urso olhando para ela com cara de pidão. Quinze dias depois, passadas as provas, ela saiu com duas garotas da sala, que conhecera naquele ano. Foram a um shopping, viram um filme, lancharam e falaram mal dos homens. Voltaram para casa com Pedro, o irmão de uma delas, que fora buscá-las. Lara não viu nada demais nele: vinte anos, baixinho, narigudo, feio mesmo. Mas ele viu nela. E enquanto se despediam, Pedro perguntou se ela aceitaria sair com ele no fim de semana seguinte. Lara ia dizer não, mas pensou que poderia ser uma oportunidade de provar a si mesma que tinha controle sobre seus hormônios, e aceitou. Ela entrou no prédio rindo de si mesma e pensando: Lara Tara, você tá precisada, eu sei, mas você não vai dar pra esse feioso…

No fim de semana, foram passear no calçadão da beira-mar. Tomaram caipirosca enquanto viram o cair do sol por trás dos prédios da orla. Lara percebia que Pedro estava interessado, fazia esforço para agradar… mas ele não provocava absolutamente nada nela, mesmo com aquelas três semanas de abstinência. Isso deixou nossa menina aliviada. Ela não era tão ninfomaníaca assim…

No trajeto de volta, Pedro comportou-se como um cavalheiro, não forçou nada. Lara achou bonita sua atitude, mas só isso mesmo. Quando passavam em frente a uma praça, perceberam que o pneu furara e Pedro parou o carro. Enquanto ele se preparava para fazer a troca, Lara sentou-se no banco e reconheceu o lugar, costumava brincar naquela praça até poucos anos atrás, não mudara nada. Tirou o celular da bolsa e conferiu as mensagens no celular. À sua frente, Pedro, agachado, girava a chave em forma de cruz para retirar o pneu furado. Era a primeira vez que ela via um homem trocar o pneu de um carro. Nesse momento, Lara percebeu que ele suava… e o suor escorria por seu rosto…

Sentada no banco, Lara não respondeu à mensagem da amiga. Estava hipnotizada pela visão daquele homem suado, fazendo força, os músculos enrijecidos, o suor escorrendo do rosto… Ela viu a camisa molhada, as mãos sujas, e nesse momento sentiu o alvoroço no meio das pernas, aquele velho comichão tão conhecido. Pensou em perguntar se ele queria ajuda, mas logo desistiu, queria vê-lo naquele trabalho braçal, fazendo força e suando e se sujando ainda mais. Pedro, concentrado, parecia querer terminar logo com aquilo, como se estivesse envergonhado por a noite terminar de maneira tão ridícula. Lara, porém, estava encantada. De repente, o irmão de sua nova amiga já não parecia tão feio. Parecia outro homem…

Quando Pedro recolheu as ferramentas, guardou o pneu e bateu a porta do bagageiro, Lara respirou fundo.

‒ Desculpe pela demora, Lara. Agora podemos ir.

Ela ergueu-se do banco devagar. À sua frente, aquele homem suado e arfante, limpando num pedaço de pano as mãos enegrecidas, pedindo-lhe desculpas… Lara percebeu-se excitadíssima, e soube que não havia mais retorno. Avançou, puxou o pano das mãos de Pedro e o atirou longe.

‒ Fica melhor assim ‒ ela disse, séria.

‒ Mas…

‒ Vamos ‒ ela ordenou, dando a volta no carro. ‒ Do outro lado da praça tem um cantinho seguro.

Pedro hesitou, sem entender o que ela queria dizer e surpreso pela mudança de comportamento na garota que até um minuto antes era a delicadeza em pessoa.

‒ Vai ficar aí parado, Pedro? ‒ ela perguntou, entrando no carro e fechando a porta. E Pedro foi obrigado entrar, ligar o carro e dirigir até o outro lado da praça, onde parou sob as sombras das árvores. Ao seu lado, a ex-doce garotinha já estava quase sem roupa.

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(continua na área vip)
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Ricardo Kelmer 2019 – blogdokelmer.com

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AsTarasDeLaraLogo-01aAs Taras de Lara – capítulos publicados

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LEIA NESTE BLOG

Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres
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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – Um casal apaixonado vive seu amor libertino com bom humor e muita safadeza

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir
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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação por meio da submissão no sexo anal

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Contracenando com Franzé

10/02/2021

10fev2021

Ele sempre daquele jeitão bonachão dele, o humor fino e irônico, a risada gostosa. Seu amor pelo cinema era contagiante

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CONTRACENANDO COM FRANZÉ

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Conheci Franzé Santos em 1996. Ele era Relações Públicas do Shopping Aldeota e fizemos lá o lançamento do meu romance O Irresistível Charme da Insanidade, iniciando uma bela amizade. Em 2000, ele dirigia o Espaço Unibanco Dragão do Mar e acertamos parceria com a CABOCA (Confraria Cearense de Apoio às Boas Causas), que eu criara e que dava ingressos de cinema para as mulheres eleitas 10 Mais do Ano.

Durante anos, no meio da semana, era sagrado: lá estava eu no Espaço Unibanco, unzinho na cabeça, a saborear um dos filmes da programação que Franzé selecionava com louvável esmero, e ao fim papeávamos sobre o filme e a cena cultural da cidade, ele sempre naquele jeitão bonachão, o humor fino e irônico, a risada gostosa. Sua paixão pelo cinema era contagiante.

Franzé dirigiu o Cinema de Arte da Credimus nos anos 1980 e foi Diretor de Promoções do Sistema Verdes Mares, e nos últimos anos exerceu o cargo de Diretor do Museu da Fotografia de Fortaleza. Era um agitador cultural por natureza, culto e de alma nobre. Fortaleza deve muito a ele.

Em 2017, quando voltei à terra natal após 13 anos fora, foi Franzé quem me indicou um flat na Pinto Madeira, onde ele morava. Era um vizinho sempre generoso. Nesses dois anos de vizinhança, várias vezes me salvou, levando as comidinhas saborosas que preparava, com a repetida recomendação de devolver o prato, pois fora herdado de sua querida mãe, dona Mazé. Virávamos horas em bons papos sobre cinema e literatura, e ele fazia questão de adquirir meus novos livros, comentava meus textos… Quando fui a São Paulo, trouxe-lhe de presente os filmes La La Land, Manchester à Beira-mar e Moonlight, que ele solicitara, e incluí no pacote o sul-coreano A Criada, do diretor Park Chan-Wook, que ele adorou, especialmente a trilha sonora.

Em setembro de 2020, eu já morando em outro lugar, enviei-lhe meu novo livro, Viajando na Maionese Astral, e ele comentou: “O pouco que li, adorei, aliás, bem à sua maneira…” Foi nossa última conversa.

Sabe, Franzé, o mundo deu outra volta e virei novamente dono de bar. Você não chegou a conhecer, é o Simpatizo Amor de Bar, na Aldeota. Quando a situação melhorasse, eu te convidaria para ir conhecer, tomar umas comigo e falar dos agitos culturais. Mas façamos uma pequena mudança no roteiro. Esta semana irei lá, sentarei naquela mesinha do canto e brindaremos, eu e você, à vida, à arte e à amizade, e te agradecerei por tudo. Na mesa ao lado, alguém rirá de me ver falando sozinho e fazendo tim-tim com um outro copo invisível. Na sequência, a câmera abrirá o plano e mostrará o cajueiro do outro lado da rua, onde os pássaros se reúnem ao fim da tarde para gorjear as novidades. E os créditos subirão na tela.

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Ricardo Kelmer 2021 – blogdokelmer.com

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VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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01- Muito triste com a morte do Franzé. Jane Soares Cruz Cabral, Fortaleza-CE – fev2021

02- Como você descreveu bem seu amigo, uma homenagem linda. Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – fev2021

03- Linda homenagem! Ernesto Enrique Hernández, Rio de Janeiro-RJ – fev2021

04- Meus sentimentos. Celia Sporrer, Fortaleza-CE – fev2021

05- Conheci o Franzé numa campanha politica. Depois o encontrei varias vezes no Espaco Unibanco.Vez ou outra trocava um ideia com ele. Muito culto realmente. Tales Alexandre Lula Haddad, Fortaleza-CE – fev2021

06- Como ele gostava de compartilhar receitas e filmes. A cara dele.   muito bem escrito Ricardo. Nucia Costa Melo, Fortaleza-CE – fev2021

07- Um abraço pra tu. Veronica Guedes, Fortaleza-CE – fev2021

08- Estive com Franzé , deveras (o via sempre no Cine Dragão), duas vezes: uma para cumprimentá-lo e, na dura, sensibilizá-lo para uma exibição gratuita para os educando/as da EFA dom Efa Dom Fragoso que não conheciam uma sala de cinema, ele topou! A segunda vez foi no dia da exibição. Fiquei muito grato. Ivo Sousa, Fortaleza-CE – fev2021

09- O pouco que conheci do Franze Santos; desde a CREDIMUS, até o cinema do Dragão do Mar; sempre foi muito agradável e de informações preciosas pra mim. Bela descrição e homenagem que você faz Ricardo Kelmer; Luz e paz pra o Franze Santos. Fernando Piancó, Fortaleza-CE – fev2021

10- Meu amigo querido. Jane Azeredo, Fortaleza-CE – fev2021

11- Meus sentimentos. Soares Oliveira Soares Oliveira, Fortaleza-CE – fev2021

12- Que bonito, Kelmito. Sinta-se abraçado, que Sr.Franzé esteja em um bom lugar. Marta Pinheiro, Fortaleza-CE – fev2021

13- Lindo texto! Que bom deixar lembranças preciosas, que pena perder amigos dessa forma… Verônica Oliveira, Fortaleza-CE – fev2021

14- Fizemos trabalho juntos.. aprovou pelo SVM a.produção “Agosto dos homens” no Obá Obá do amigo Erivaldo Alves…sucesso total. É tanto q teve mais 2 edições. Dessa forma como vc o descreveu. Adil Chaves, Fortaleza-CE – fev2021

15- Sublime seu texto  Franze inesquecível. Andre Marinho, Fortaleza-CE – fev2021

16- Que lindo, Ricardo… Só você para fazer esta perda ter imagens. Selma Santiago, Fortaleza-CE – fev2021

17- Belo depoimento Jornalista. José Anderson Freire Sandes, Fortaleza-CE – fev2021

18- Que belezura. Ricardo Andrés Bessa, Fortaleza-CE – fev2021

19- Momento triste retratado num texto emocionante, que me remeteu ao percurso e à amizade de vcs ( mesmo sem conhecê- los). Kátia Lula da Silva, Fortaleza-CE – fev2021

20- Bela e justa homenagem. Walber Steffano, Fortaleza-CE – fev2021

21- Franze ,siga em paz!. Tete Vieira, Fortaleza-CE – fev2021

22- Franzé Presente! Uma destas figuras humanas que justificam sua passagem na Terra! Agora só não entendi porque iria esperar a pandemia passar para lhe convidar a tomar uns tragos, já que o bar está aberto e com muita frequência normal de pessoas que gostam de conversar, beber e ouvir uma boa música mesmo na Pandemia. Agora mesmo o bar continuando aberto em meio a um lockdown absurdo e sem qualquer base científica, Franzé não está mais entre nós para degustar uma breja gelada… Candido Alvarez, Fortaleza-CE – fev2021

23- Espaço Unibanco foi tocado por ele muito bem. O café da manhã de domingo muito legal. Saudades. Luiza Perdigão, Fortaleza-CE – fev2021

24- Gente , o Franze morreu? Eu não tô acreditando. Arrasado. Apesar dele virar Bolsominion no final, eu amava o Franze. Entrevista que fiz com ele em Canoa: https://youtu.be/0Bw4IQdgE7c Felipe Muniz Palhano Xavier, Fortaleza-CE – fev2021

25- Nunca esqueço das pré estreias glamourosas do cinema nacional no Espaço Unibanco, as fofocas com ele quando encontrava…papo bom demais, era verdadeiro , falava o q pensa. Franze foi um dos maiores produtores culturais de Fortaleza! Viva o Franze! um dos melhores papos de Fortaleza, super articulado, admirava ele muito. Eu tô chorando. Poxa Franze. Felipe Muniz Palhano Xavier, Fortaleza-CE – fev2021 

26- Franze tinha muita história pra contar. o cara teve cara a cara com Janis Joplin. Joanice Sampaio, Fortaleza-CE – fev2021

27- Quando moramos longe da terrinha há um bom tempo e alguém falece, algo volta no tempo, uma certa nostalgia, talvez pq um pouco de nós se vai também… Ana Cristina Baptista Teixeira, Porto Alegre-RS – fev2021

28- 😢 Silêda Franklin, Fortaleza-CE – fev2021

29- Fará falta e, sim, Fortaleza lhe deve uma cena muito inteligente com suas curadorias. Suzana Costa, Fortaleza-CE – fev2021


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