Viajando na Maionese Astral cap. 1, 2 e 3

22/12/2020
 

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VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL

Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo

Ricardo Kelmer – Miragem Editorial, 2020 .

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RESUMO
Aos 30 anos, Ricardo Kelmer largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico que planejava salvar o mundo e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso, hoje renegado. Enquanto relembra as pitorescas histórias desse tempo, ele nos conta curiosidades da carreira literária, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoísta e a psicologia junguiana, e, com bom humor e ironia, revela intimidades nos departamentos do amor e da amizade, do sexo e da boemia, da prostituição e das drogas ilegais, dos fracassos e das crises existenciais. Como pano de fundo das memórias, vê-se a trajetória de um líder de grupo de jovens católico que se transformou em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante na luta antifascista.

> Na página do livro: texto de apresentação, comentários de leitores, curiosidades

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cap 1
ESQUELETOS DO PASSADO

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arqueologia da psique

Eu tinha 28 anos, morava nos braços dengosos da minha loirinha desmiolada de sol, também conhecida por Fortaleza, e cursava Letras na Universidade Federal do Ceará (UFC). Trabalhava como atendente numa clínica veterinária e, em paralelo, faturava um extra fazendo produção de eventos e festas temáticas. Era 1992, e o velho sonho de ser escritor profissional, que me possuíra a alma ainda na infância, resistia, sim, mas com tantos afazeres, e precisando atender também às obrigações boêmias, não me sobrava tempo nem disposição para escrever.

Essa situação me angustiava que nem uma gravata apertada, mas, por outro lado, eu sabia que a carreira de escritor é muito incerta e que assumi-la exigiria sacrifícios que eu não estava disposto a pagar. Sim, pode me chamar de covarde, eu era isso mesmo, e essa covardia começava a travar meu processo de autorrealização, que Jung chama de individuação, e que eu ainda não sabia o que era, mas saberia alguns anos depois, quando fosse apresentado à psicologia junguiana.

Resumindo: meu futuro literário cada vez mais se resignava a um triste e desmilinguido cantinho naquela tal prateleira da vida inteira que poderia ter sido e que não foi, como diria Manuel Bandeira, meu poeta preferido.

Então…

(musiquinha de suspense)

Então, tudo começou a mudar no dia em que eu soube de uma palestra sobre sonhos e experiências fora do corpo. Eu não podia imaginar que isso abriria as portas do meu destino.

Antes, porém, de prosseguir, permita-me voltar no tempo. Tentarei localizar, feito arqueólogo da psique, restos fossilizados de minhas experiências com as letras, a religiosidade e o feminino. Isso me ajudará a entender melhor minha própria trajetória, as minhas mortes e a aventura bizarra que estava prestes a acontecer.

magia dos livros

Nascido em 1964, em Fortaleza, capital desse chão mítico que chamamos Ceará, vivi nela toda a infância e a adolescência. Família classe média, e depois média alta. Sou o mais velho dos quatro irmãos, mas tive uma irmã mais velha, Gina, que morreu com dois anos, de hidrocefalia, o que fez com que meu nascimento fosse cercado de muita expectativa. Educação católica, em casa e nos colégios. Moramos no Centro e na Parquelândia, e em 1972 mudamos para o Cocó, o que me possibilitou um fim de infância em contato com a Natureza: dunas, mato, lagoa, praia, bichos soltos pelas ruas e muita cobra passeando faceira dentro de casa. Era um privilégio.

Aos 6 anos, me apaixonei pela professora do colégio Cristo Rei, que apenas sorria da minha paixão envergonhada. Infelizmente, ela não quis nada comigo. Desconfio que foi pela diferença de idade, as pessoas não iriam aceitar – tudo bem, Eliane, eu entendo. Era o arquétipo do feminino já a me seduzir em suas múltiplas e irresistíveis manifestações, eu tão novinho, coitado…

A primeira experiência marcante com livros se deu aos 7 anos, no colégio Santo Inácio. Uma vez por semana, íamos à biblioteca, que funcionava numa pequena sala. Putz, eu adorava! Um dia, no momento de voltar para a sala de aula, me escondi sob a mesa. Meus colegas saíram, a professora apagou a luz, saiu e trancou a porta. Fiquei lá sozinho, envolvido pela penumbra, naquele imenso e solene silêncio… De repente, eu tinha todos os livros do mundo só para mim, que maravilha. Foram apenas alguns minutos, até a professora vir me buscar, mas algo muito sério aconteceu naquela biblioteca. Acho que o universo mágico dos livros se abriu para mim e fui invadido por uma sensação de encantamento. Uma experiência numinosa, foi isso que vivi, hoje sei. Na verdade, acho que nunca mais saí daquela sala. Continuo lá, em estado de maravilhamento, fora do tempo…

Aos 8 anos, contraí uma pneumonia que quase me mandou para a tumba. Sem poder ir ao colégio, passava o tempo entre os livros do Tarzan e os quadrinhos do Príncipe Valente e do Homem Aranha*. Tinha também a turma da Mônica, com aquele personagem que me fascinava, o Louco. Sem falar dos personagens da Disney, claro, ah, o Manual do Escoteiro Mirim… Se existia um paraíso, naqueles dias eu morei nele de pijama. Foi assim, fugindo da morte, que me veio a ideia: quando eu crescesse, escreveria histórias como aquelas para os outros lerem. Promessa é dívida, viu, menino?

Agora, meu primeiro e vergonhoso delito. Ele ocorreu justamente por conta dessa incipiente paixão pelos livros. Quando tinha 9 anos, participei de uma gincana no colégio, na qual os alunos que conseguissem vender certa quantidade de selos ganhavam como recompensa uma coleção de livros com os contos folclóricos dos Irmãos Grimm. Sai oferecendo os selos aos colegas, à família, aos vizinhos, a desconhecidos na rua… Como não consegui vender todos, decidi roubar dinheiro da bolsa da minha mãe, e foi assim que, para minha felicidade, adquiri os livros. Porém, dona Vilminha deu pela falta do dinheiro e tive que confessar meu crime. Como não quis dizer que roubara para comprar livros, criei uma justificativa que julguei mais nobre e aleguei que roubara o dinheiro para dar para a moça que trabalhava em nossa casa. Ela, coitada, ficou muito surpresa e negou tudo, claro, e no fim meus pais felizmente entenderam que ela não tinha culpa, mas agora sabiam que tinham um filho literato e ladrãozinho.

Anos depois, esse episódio ressurgiu em minha lembrança e fui tomado de imensa vergonha, e me assustei com minha atitude. Isso acendeu uma luzinha vermelha em meu processo de autoconhecimento e me serviu de alerta para o quanto eu podia ser egoísta, falso, mesquinho e covarde em nome dos meus objetivos.

religião, morte, versinhos, sacrilégios

Aos 10 anos, como todo bom menino católico, fiz a primeira comunhão e lembro que me senti muito frustrado, inconformado mesmo, porque Jesus não apareceu para mim quando recebi a hóstia, contrariando a expectativa que alimentei por um ano inteiro. Isso me incomodou, mas não tanto quanto um fato ocorrido dias antes, que guardo como o primeiro questionamento filosófico de minha vida*.

Esperávamos a aula começar, quando um padre do colégio distribuiu para os alunos um folheto com a imagem de Jesus e um texto sobre a eucaristia. Enquanto eu lia, um colega ao lado ergueu seu folheto e o rasgou em pedacinhos, dizendo, com raiva, que aquilo tudo era mentira. Fiquei perplexo, sem acreditar. Tentei entender por que ele fazia aquilo, mas logo um pensamento mais profundo e inquietante me tomou: então aquilo era possível? Alguém podia fazer o que meu colega fizera e não ser instantaneamente fulminado por um raio vindo do céu?

Eu sabia que, embora o colégio fosse católico, os alunos não eram obrigados a fazer a primeira comunhão, mas até então eu jamais cogitara, sequer por um segundo, a ideia de que era possível não ter religião ou, pior, não crer na existência de Deus. Pela primeira vez, eu enxergava um pouquinho além da redoma religiosa dentro da qual fora criado.

Relevei a atitude do rebelde colega e perdoei a Jesus por não ter aparecido para mim, até porque eu tinha consciência de que era um menino abençoado, pois já escapara das garras da morte por quatro vezes. Sim, quatro. A pneumonia eu já contei, mas, anos antes, a rede onde eu dormia pegou fogo e assei dentro dela feito churrasquinho até conseguirem me tirar. De outra vez, atravessei a avenida correndo e, bufo!, fui atropelado por um fusca, e a porrada foi tamanha que minha cabeça afundou o capô. Não morri nesse dia por ser cabeça-dura. Depois, me afoguei na piscina do clube e, quando meus pais se deram conta, eu já estava lá no fundo, bem quietinho. Até hoje ponho água para fora.

Versinhos para as professoras no dia do aniversário delas – confesso que eu fazia isso. E elas adoravam. Dona Conceição, por exemplo, achava lindas as redações que eu escrevia, e eu fazia questão de caprichar só para ganhar seu abraço apertado e afundar a cabeça entre seus peitões. Eu começava a descobrir os prazeres da literatura…

Sabe o Peninha, o primo destrambelhado e metido a esperto do Donald, que era repórter do jornal A Patada, do Tio Patinhas, e que nas horas vagas se transformava no intrépido Morcego Vermelho? Era o meu personagem Disney favorito. O Manual do Peninha virou meu livro de cabeceira. Então, negativamente influenciados pelo Peninha, meu primo Jamiro e eu fundamos um jornal. A sede ficava na garagem da casa dele, e tudo que tínhamos era uma centenária máquina de escrever faltando várias teclas, umas folhas de papel já usadas de um lado e papel-carbono. Revelando toda nossa criatividade, batizamos o jornal de… A Patada. Meu primeiro trabalho, ah, foi inesquecível: entrevistar Emerson Fittipaldi, o bicampeão de Fórmula 1. Coisinha simples, para começar. Então, saí pelas ruas do Centro, munido de caneta e bloquinho de papel, a procurar pelo grande piloto, mas ninguém soube me informar onde ele morava, até porque ele nunca morou em Fortaleza. Nosso jornal teve a expressiva quantidade de zero edições. Foi meu primeiro fracasso profissional.

Mas não desisti. Em seguida, criei um jornalzinho caseiro com notícias do cotidiano familiar: a goiabeira deu a primeira goiaba, a cadela rasgou a cueca do papai, meu irmão pegou meus brinquedos sem me pedir permissão… Era uma folha de papel escrita e colorida a mão, fixada à parede da sala. Chamava-se… Fofocal. Para você ver como desde pequeno eu me supero no ridículo. Ninguém gostou do jornal, principalmente meu irmão delatado Marcio, e o Fofocal morreu no lançamento. Meu segundo fracasso profissional. Vai anotando.

colégio militar, orgasmo, o feminino, contos eróticos

Então, aos 10 anos, passei no concurso e virei aluno do Colégio Militar*. Fui para lá porque o ensino era considerado excelente e seria uma boa economia para meus pais, pois era quase gratuito. Além disso, meu pai queria que eu seguisse a carreira militar, cursar a Academia das Agulhas Negras, quem sabe até ser Presidente da República… Bem, concedamos um desconto à megalomania paterna: estávamos em 1975, na ditadura militar, e a carreira de milico representava um futuro financeiramente tranquilo.

No início, ser aluno do Colégio Militar me empolgou, tudo era novidade, e eu andava nas ruas com orgulho do meu uniforme, percebendo os olhares que nos lançavam as meninas do colégio Imaculada Conceição. Eu, que era ótimo aluno de Português e Redação e amava as crônicas da série Para Gostar de Ler, passei a relatar minhas experiências numa série de textos que intitulei Os Melhores Momentos da Minha Vida. Boa parte deles falava das festinhas e da grande emoção de dançar com as meninas. Ainda não eram contos eróticos, mas tenha calma que logo chegaremos lá.

Quer saber como foi meu primeiro beijo de língua? Deu-se por essa época. Foi bom, mas infelizmente ela não mexia a língua. Na verdade, ela não tinha língua, a coitada. Chamava-se Amiguinha*, era uma boneca quase do meu tamanho, da minha irmã mais velha. Eu treinava com Amiguinha para quando fosse beijar as meninas do Imaculada, o que jamais chegou a acontecer, ô iludido.

Minha mãe tinha um Bel Linha, um aparelho vertical de massagens para eliminar celulite. Em pé, a pessoa encaixava a cinta vibracional ao redor da cintura, nas pernas ou na bunda, ligava e ela vibrava, massageando. Um dia, testando o aparelho, me virei de costas para ele, encaixei a cinta abaixo da cintura e liguei. No início, a vibração fez cócegas, mas logo depois a sensação ficou boa, ficou gostosa, ficou muito prazerosa e, ops, o que é isso, tô sentindo uma coisa estranha… aaaaaahhhh… Foi assim, aos 10 anos, o meu primeiro orgasmo, que eu não sabia nem que tinha nome, e descobri que aquilo me deixava meio tonto e feliz, e descobri também que, mesmo querendo mais, tinha que esperar um tempo até poder repetir. Uau, aquilo era melhor que brincar de Forte Apache. Solidário, avisei aos meus irmãos sobre a incrível descoberta, e eles experimentaram, mas não se entusiasmaram. Fiquei viciado no Bel Linha, a tal ponto que dona Vilminha precisou trancar o quarto, caso contrário eu passaria a tarde inteira lá.

No segundo ano ginasial, fiquei conhecido no Colégio Militar: venci o 1° Campeonato de Futebol de Tampinha, promovido pelo grêmio. Fui o campeão, duelando contra os melhores jogadores, inclusive caras mais velhos. Foi o máximo! Das conquistas que tive na vida, foi esta, aos 12 anos, a mais valiosa de todas, pois ela me deu a certeza de que eu era capaz. Se eu não tivesse perdido minha medalha de ouro, ainda hoje andaria com a bichinha pendurada no pescoço.

Nesse mesmo ano, aconteceu meu primeiro namoro. Durou apenas três dias, mas vale como registro, inclusive porque ele trouxe o segundo questionamento filosófico da minha existência. Eu gostava das minhas duas vizinhas, que eram amigas, e ambas me queriam. Fiquei terrivelmente angustiado com a necessidade de escolher apenas uma delas. Por que não as duas, por que tinha de ser assim, por quê? – eu não me conformava. Infelizmente, precisei escolher. Então, com todo o pragmatismo que um adulto de 12 anos pode ter, escolhi a que tinha piscina em casa. Mas a outra não se conformou e, para aumentar minha angústia, insistiu para que eu mudasse minha decisão, o que quase ocorreu. Putz… Foi minha estreia nesse improdutivo embate, que eu travaria pelos trinta anos seguintes, contra a pior das monogamias, a compulsória. Voltarei a este tema depois, prometo.

Um ano mais nova que eu, minha irmã Ana estudava no Imaculada. Então, conheci suas colegas e passei a aguardar ansiosamente pelas tardes em que elas iam estudar lá em casa. Ah, eram dias especialíssimos… Eu ficava estudando em meu quarto, aguardando pelo momento em que elas paravam e iam tomar banho. Era um lindo filme que eu assistia escondido, trepado num banco no corredor lateral da casa, eu lá observando por entre as frestas da janelinha no alto, ladrão de intimidades, fascinado pela transcendental visão das meninas nuas a se ensaboar, meu coração acelerado, a alma em total alumbramento, eu tremendo de assombro e prazer…*

Foi assim, aos 13 anos, inspirado pela poesia do feminino, que o Jeitoso, atuando ao sul do umbigo, se impôs em minha vida e passou a ser cogerente das minhas decisões. O Jeitoso só ganharia esse nome muitos anos depois, e eu nem lembro mais quem o batizou assim, mas o fato é que lá estava eu, adolescente com espinhas na cara, a penetrar de vez a dimensão sexual da existência.

Você lembra dos contos eróticos da revista Ele Ela? Eles me motivaram a escrever meus primeiros contos, expressando as safadices que eu desejava fazer com as mulheres. Durante as aulas, meus textos circulavam discretamente entre os colegas, que liam com a sofreguidão típica dos adolescentes lotados de hormônios. Um dia, o professor de português descobriu, pegou a folha de papel e leu em silêncio, em pé ao meu lado. E eu lá, suando de nervosismo e vergonha. Em certo momento, ele comentou surpreso uma passagem que falava de uma… “abordagem anal”. Putz! Expulsou-me da sala? Não. Devolveu a folha e disse que estava bem escrito, mas que eu devia prestar mais atenção às aulas. Que alívio!

Susto grande, mas segui escrevendo contos eróticos. Um dia, minha mãe descobriu o caderno no qual eu os escrevia e, indignada, deu um sumiço naquela pouca-vergonha. Dona Vilminha deve ter ficado especialmente horrorizada com um conto cujas protagonistas eram as funcionárias da loja dela, ou com um outro no qual me aproveito da embriaguez da minha prima. Entendo perfeitamente sua preocupação, mamis, mas de nada adiantou, eu já era um Marquezinho de Sade.

poeta e místico

Por essa época, comecei a cometer meus poemas, que variavam entre dramas amorosos, erotismo e misticismo, e alguns com uma vaga temática social. E, como achei que podia ser músico, tive aulas de violão. Eu me imaginava tocando canções para as meninas, em noites ao luar, todo galanteador. Cheguei a compor uma música, absolutamente horrorosa, cujo refrão era uma pérola de criatividade (Amor, eu te amo, amor, eu te amo, amor, eu te amo…) e que, naturalmente, se chamava Amor, Eu te Amo. Imagine a cena: eu tomei coragem e finalmente me declarei à garota, e toquei a música para ela, que escutou com atenção e depois chorou, chorou muito… com pena de mim. Não, isso não rolou, mas com certeza é o que teria acontecido. Felizmente, desisti logo do violão. Mas a música não desistiria de mim, como você em breve verá.

Após quatro anos no Colégio Militar, o que antes era empolgante virou insuportável. O ar repressor, aquela ênfase na autoridade e na obediência, o cabelo raspado… Isso tudo entrou em conflito com minhalma de poeta rebelde e meus casos de indisciplina se tornaram frequentes. E, putz, eu queria estudar num colégio que também tivesse alunas! Preocupados, meus pais me puseram em outro colégio. Foi assim que perdemos a chance de ter um general na família.

No novo colégio, o Marista, também católico, havia alunos homens e mulheres. No início, eu ficava nervoso diante delas, a voz desafinava e me atrapalhava todo, era uma lástima. Estava intimidado pela grandeza do feminino. Elas eram tão lindas, tão sensuais, e eu me perdia de admiração de vê-las passar… As curvas de seus corpos, as protuberâncias, o jeitinho de mexer no cabelo, aquela força indefinível que elas exalavam – tudo no universo feminino era belo e me inspirava textos, que, mesmo envergonhado, passei a mostrar para elas. Virei o poeta da turma. E descobria que, se não era o mais bonito, o craque do futebol ou o bom de briga, podia impressionar as garotas com as palavras.

Aos 15 anos, meu primeiro Carnaval, para valer. Uau, foi uma das mais impactantes descobertas de toda a minha vida. Então, era aquilo o Carnaval? Toda aquela alegria, a embriaguez, a licenciosidade – era perfeito! Até hoje, quando ouço Moraes Moreira, me vem a lembrança do cheirinho da loló. Infelizmente, eu era tímido demais, desses que fica a noite inteira tomando coragem para chegar junto da musa e sempre volta para casa arrasado e odiando a si próprio. Bem, ao menos nos poemas eu podia ser um folião safado e feliz.

Em paralelo à literatura, me interessavam também assuntos ligados a psicologia e potencialidades da mente. Li alguns livros, como o Método Silva de Controle Mental, e comecei a perceber a importância de uma rígida disciplina mental para alcançar os objetivos.

E lia também sobre parapsicologia, ocultismo e bruxaria. Nessa época, vi o filme O Exorcista* (do diretor William Friedkin, baseado no romance de William Peter Blatty). Eu sabia que era um filme apavorante, e meus pais me aconselharam a não ver. Mas encarei tudo como um desafio pessoal – se o Diabo existia mesmo, eu queria medir forças com ele. Doces ilusões… É claro que o Diabo existia – mas apenas nas minhas crenças, e ao longo da vida eu teria boas oportunidades de confrontá-lo, sempre que fosse tentado a ser infiel às minhas verdades.

Então, fui ver O Exorcista. Putz… Quase me caguei nas calças de tanto medo. Nessa noite, precisei dormir no quarto dos meus pais, eu, marmanjo de 15 anos, que ridículo. E minha mãe: Eu te disse, eu te disse… Dias depois, queria ver o filme novamente, tão fascinado que fiquei.

E havia os sonhos. Eis um tema que desde cedo me encantou. Onde minha noção do eu ficava quando eu dormia? O que em mim prosseguia funcionando, gerando sonhos? Seria o estado de sono uma espécie de passagem para outras dimensões da realidade? Ah, os sonhos eram mistérios fascinantes, e todas as noites eu adormecia como alguém que caminha, reverente, para a grande verdade… mas no outro dia acorda frustrado por continuar sem conhecê-la.

grupo de jovens, posfácio de espirro

Em 1981, existia um retiro espiritual que era moda entre a turma. Aos 16 anos, participei de um desses, organizado pelos padres da paróquia de São Vicente. O retiro ocorria num sítio na Água Fria e objetivava sensibilizar ao máximo os adolescentes com depoimentos, palestras e vivências. No último dia, à tarde, acontecia o clímax do evento: a equipe “da pesada”, que trabalhava na cozinha e na limpeza, mas permanecia estrategicamente oculta, era apresentada, e eram entregues as cartinhas que os “mensageiros” recolheram com os familiares dos participantes. Enquanto eram entoados cânticos de louvor, a garotada lia as cartinhas e muitos choravam e se arrependiam de seus horrendos pecados. Eu? Bem, eu quase me acabei em lágrimas, sensibilizado pela súbita percepção de que Jesus, o filho de Deus, se sacrificara por mim naquela cruz. Por mim. Como não se sentir desgraçadamente culpado?

Após o retiro, integrei o ENJOP, o Encontro de Jovens da Paróquia da Paz*, um grupo criado para reflexão bíblica e ação na sociedade, dentro do espírito das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e da Teologia da Libertação. Foi aí, aos 16 anos, que eu, adolescente de classe média alta e filhinho de papai, adquiri um início de senso de justiça social. Coordenei esse grupo e também uma das edições do retiro, onde dava palestras sobre Francisco de Assis, e criei um jornalzinho mensal voltado aos jovens da paróquia, do qual eu era o faz-tudo. Chamava-se O Mensageiro e era impresso em mimeógrafo, algo que você, se tem menos de cinquenta, certamente não faz ideia do que seja, e nem vou dizer para você ficar na curiosidade. Foi meu terceiro jornal, e este durou cinco meses.

Eu levava a coisa tão a sério que passei duas viradas de ano em retiro, rezando pela paz no mundo, acredita? Como sabemos, não adiantou nada, a humanidade segue em sua desgraça. E mais: eu cogitava entrar para o seminário e ser padre – juro que é verdade. Quando soube, meu pai aprovou: É uma boa, pois padre não paga aluguel, almoça de graça e não precisa registrar os filhos. Seo Galvonis até tinha razão, mas aí namorei uma colega do grupo, depois outra, e desisti desse negócio de batina. Perdemos a chance de ter um bispo na família.

O fervor religioso duraria dois anos. O filhinho de papai agora cursava Comunicação Social na UFC e descobria os demoníacos prazeres da boemia. Comecei a me sentir oprimido por aquela filosofia controladora feita de culpa e pecado e questionei os dogmas do cristianismo. O ambiente desbundado da faculdade, os barzinhos e o amor pelas artes, em especial a literatura, eclipsaram qualquer sacrifício que Jesus pudesse ter feito por mim, e então larguei o grupo de jovens, deixei de ir às missas e o cristianismo perdeu um adepto.

Segui minha vida, sendo um místico sem religião, mas que gostava de estudá-las e de explorar os mistérios. Frequentei centros espíritas e terreiros de Umbanda. Não acreditava mais no Deus cristão, nem em Céu e Inferno, e no lugar dessas coisas pusera uma energia cósmica impessoal que não julgava a ninguém. Eu rumava para o ateísmo, mas ainda precisava crer em algo do reino do sobrenatural, e não tinha posição definida sobre o pós-morte, espíritos e reencarnação. Eram ideias interessantes, mas carentes de comprovação.

Foi nesse período que senti que precisava me livrar de uma mania adquirida na infância. Quando pequeno, minha avó materna me ensinara uma mandinga: sempre que espirrasse, devia falar “Ave Maria”, para a Virgem me proteger de doenças. Era um posfácio de espirro. Porém, como eu já não era cristão, não mais fazia sentido. O diacho é que, após quinze anos de repetições, eu estava tão condicionado que a mania continuou firme e, comecei a me achar o ex-cristão mais ridículo da galáxia.

Talvez se eu trocasse a fala da mandinga… Então, chamei o poeta Manuel Bandeira para me acudir com seu poema Vou-me embora pra Pasárgada, que era meu lema de vida. Posfácio por posfácio, que fosse um que eu acreditasse, né? E funcionou. Agora, eu espirrava e, em vez de “Ave Maria”, emendava imediatamente com “Vou-me embora pra Pasárgada”. Esse posfácio durou vinte anos, e depois vieram outros, criados de acordo com a fase que eu vivia. Atualmente, é “Vida que frutifica”. Cada doido com sua mania.

faculdade, viagens, excomunhão

Devorador de livros da biblioteca do Centro de Humanidades, um dia, aos 18 anos, descobri O Encontro Marcado*, romance de Fernando Sabino. A leitura foi impactante e me fez ver que eu não tinha opção: ou seria escritor ou morreria frustrado. Embriagado dessa certeza, uni-me ao colega Roberto, datilografamos uns poemas nossos, montamos um livretinho de bolso com oito páginas grampeadas e lhe demos o nome de Tanto Faz como Tanto Fez. Fizemos duzentas cópias e saímos vendendo para os colegas e na rua. Com o arrecadado, enchíamos a lata de cachaça e brindávamos à poesia e à amizade. Embora de um modo bastante simplório e descompromissado, aquilo me pareceu o primeiríssimo passo de uma carreira literária.

Não concluí Comunicação Social, mas fiz amigos na faculdade que seguem comigo até hoje, li toneladas de bons livros, participei da minha primeira campanha política engrossando a massa que gritava Diretas Já e fui apresentado, pelo amigo Alberto, a Ypê, a mais transcendental das canções de Belchior*. Embriaguei-me após as aulas nos botecos da redondeza, conheci a maconha e viajei de semileito para aqueles dionisíacos encontros de estudantes. Num deles, em Campinas, conheci um poeta gaúcho, Edgar*, e nos anos seguintes fomos companheiros de saborosas viagens pelo Brasil, regadas a violão, cachaça, Bandeira, Pessoa e Vinicius, morrendo toda noite de paixão pelas ninfas que cruzavam nossos caminhos. Com Edgar, aprendi: viver não é preciso, flanar é preciso.

Em 1985, aos 20 anos, dei uma de mochileiro e fiz uma viagem de dois meses, passando pelo Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, vendendo artesanato cearense para me sustentar na estrada. Foi meu primeiro movimento significativo de lançar-me nas incertezas do mundo, longe da segurança de casa. A viagem começou com dois dias de ônibus para o Rio para curtir a primeira edição do Rock in Rio*. Sabe o Ozzy Osbourne? Enquanto ele berrava no palco, eu, no meio daquela plateia de cem mil pessoas, fumei um baseado e tive minha primeira lombra torta, tão torta que fui parar na enfermaria tomando glicose na veia. Apaguei na cama e acordei ouvindo Rod Stewart cantando You´re my Heart. Já recuperado, saí correndo, driblei a segurança e voltei para a plateia. Coisas de jovem imortal, você sabe.

Agora, vamos a mais um delito. Eu tinha um caso com uma garçonete (ai, as garçonetes) de um bar na Santos Dumont. Eu ia lá nos fins de noite só para ganhar um agrado dela: sentava na última mesa do mezanino, que era bem escuro, pedia uma cerveja, a garota trazia e, muito dadivosa, aproveitava o ensejo e me servia um prestativo boquete. Pois bem. Um dia, ela me avisou que estava grávida. Grávida de mim. Putz. Eu, que nunca quis ser pai, respirei aliviado ao saber que ela também não queria ser mãe, e decidimos pelo aborto, que foi feito em condições simplórias na residência de uma enfermeira aposentada – era o que podíamos pagar. Foi uma experiência difícil para nós dois, e enquanto acompanhava a recuperação da garota, senti-me diminuído ante sua força e coragem, e percebi que a tal fragilidade das mulheres é uma grande mentira, estrategicamente construída pelo patriarcado. Eu tinha 20 anos e o episódio me fez avançar um pouco mais na percepção do machismo e na histórica questão da opressão da mulher, e, ao mesmo tempo, me causou a excomunhão da Igreja Católica. Sim, de acordo com o código de direito canônico, aborto é um dos casos de excomunhão automática (latae sententiae). Você aí que me lê, talvez você também seja um excomungado e não sabe.

E os meus textos? Começando a rarear. Eu estava inspiradíssimo para viver a poesia da vida, é verdade, mas nem tanto para escrevê-la.

Dos 17 aos 23, trabalhei como contínuo de loja de presentes, escriturário do Bradesco, redator de publicidade, vendedor de malha de Petrópolis, representante comercial de rádio e jornal e, tchan-tchan-tchan-tchan!, fornecedor de lança-perfume para os amigos. É bom registrar, anota aí, que também fornecia para respeitáveis senhoras e senhores da alta sociedade em festas no clube Náutico. Poizé, ganhei uma graninha boa explorando a velha e natural necessidade humana de estados especiais de consciência. Sim, natural, veja o caso das crianças: elas adoram rodar e rodar até cair tontas no chão. E admito que, sim, me aproveitei das donzelas desavisadas, esguichando o cloreto de etila na gola da minha camisa, quer experimentar, cheira aqui, vem logo antes que evapore…

Badauê, Breg Brothers e Belas da Tarde

Minha vida boêmia teve início aos 15 anos, em 1980. Até o início do milênio seguinte fui rato de balcão de duas centenas de bares, entre eles o inesquecível Cais Bar*, na Praia de Iracema, cujo sócio, Ernesto, se tornaria, anos depois, um querido parceiro musical*. Não posso deixar de citar Papito, o homem que mais teve bares no mundo. Num deles, o Outras Palavras, em 1991, eu pregaria no flanelógrafo meu exame negativo de HIV – naqueles dias em que a AIDS nos aterrorizava a todos, foi a melhor maneira que encontrei de fazer autopropaganda.

Porém, eu queria ter o meu próprio bar. Então, em 1988, com os amigos Paulo e Nelsinho, montamos o Badauê*, na Praia de Iracema. Foi um sucesso, graças, principalmente, às nossas namoradas-garçonetes, as estonteantes Silvinha, Roberta e Patrícia, que ganhavam tanta gorjeta que chegavam a nos emprestar dinheiro. No caixa do bar, abusando de seu charme, minha irmã caçula Luce, menor de idade, que aceitou receber o salário em cerveja. E os shows? Putz, cada um mais antológico que o outro. O melhor foi o da banda Os Necessários, do “felomenal” Zé Di Bedis, e o melhor dos piores foi o do grande Toinho Martan, que teve como título esta preciosidade: Eu Não Tô In, Tô Out.

Ai, Badauê… Foi muita birita, muitas noites de libertina alegria que prosseguiam de manhã na barraca Subindo ao Céu e, é claro, muita reclamação da vizinhança. O bar era simples, de estilo rústico e com várias árvores, e no mezanino pusemos colchonetes e redes – era para lá, no meio da madrugada, o bar lotado, que levávamos as amigas que exageravam na birita, para elas dormirem um pouquinho. Poizé, o Badauê tinha essa nobre preocupação social… Aliás, até hoje corre uma lenda que diz que fazíamos altas orgias na caixa dágua, tomando banhos coletivos na mesma água que era usada para lavar os copos. Não nego e nem confirmo, mas deixo aí uma pista para o segredo da receita da nossa supercaipirosca.

Infelizmente, por discordâncias internas, o bar durou apenas nove meses, sim, só isso, fechando em 1989, um fracasso que até hoje lamento. O Badauê brilhou tão intenso e cruzou os céus de nossa juventude tão rapidamente que não temos nenhuma foto desses dias, pode isso, produção?

Enquanto o bar fechava, para compensar a tristeza, surgiam Os The Breg Brothers*, a banda brega satírica que criei com os amigos Jabuti e Cadinho para celebrar a cornagem, e que tinha como vocalistas Dani e Luce, minha maninha, que depois do Badauê se desencaminhara de vez na vida, coitada. Ah, era um velho sonho meu, ter uma banda, compor músicas… Sonho que durou apenas dois shows, que fizemos no Pirata Bar, pois Jabuti foi morar em Teresina e depois esticou para Berlim. Mais um fracasso, para eu deixar de ter ilusões com a vida artística. Não espalha, por favor, mas até hoje me acabo na cachaça a cantar Menina do Lacinho Cor de Rosa.

Em 1990, com a certeza de que ganharia um bom dinheiro, vendi meu fusca, o saudoso Lombriga, e fui com o amigo Dudu morar em Manaus, vender água de coco congelada. Lá estava eu, novamente, a me lançar no mundão incerto, dessa vez me aventurando numa jogada bastante arriscada. Em Manaus, tomei muito guaraná Baré e matei a curiosidade de experimentar cocaína, e logo da pura, e percebi que ela não combinava comigo, pois me deixava muito ansioso. E o negócio da água de coco? Não deu certo. Perdi feio nessa jogada. E nem fui corajoso o suficiente para continuar por lá. Outro fracasso, que me faria, a partir daí, temer as grandes mudanças da vida. Porém, a experiência ao menos renderia, anos depois, um dos meus contos mais conhecidos, O Presente de Mariana*.

E os textos desse período? Quase nada, infelizmente.

Para recomeçar a vida após o fracasso de Manaus, passei a cursar Letras, na UFC, enquanto trabalhava na clínica veterinária de meus pais. Ao mesmo tempo, era produtor de festas temáticas, como A Noite do Rei Lagarto (Como Jim Morrison comemoraria em Fortaleza os 25 anos de sua morte), que fiz em 1991 para o meu ídolo*, e era um dos organizadores de um bloco de pré-carnaval chamado Bonecas da Volta, que depois se chamaria Belas da Tarde*, no qual eu e os amigos, bêbados e vestidos de mulher, desfilávamos pela cidade num trenzinho infantil berrando as músicas da Xuxa. O bando de vândalas invadíamos os hotéis para agarrar os gringos e beber o uísque deles, e ainda pegávamos a lagosta do prato e saíamos comendo. Putz, era muito desmantelo.

Então, estamos agora em 1992. Nove anos antes, eu tivera aquela forte revelação sobre meu destino de escritor, enquanto lia O Encontro Marcado, mas passado todo esse tempo, eu continuava acovardado no mesmo lugar, dividido entre mil afazeres e escrevendo pouquíssimo, o que me deixava cada dia mais frustrado. Eu tenho 28 anos e estou indo para a palestra que mudará para sempre minha vida.

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cap 2
O DESTINO BATE À PORTA

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batismo na conscienciologia

A palestra era do IIPC (Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia), que tinha sede no Rio de Janeiro e do qual eu jamais ouvira falar. Soube dela por Eduarda, uma garota que era cliente da clínica veterinária de meus pais, que trabalhava com turismo e com quem eu já trocara umas ideias sobre literatura, música e misticismo.

A projeciologia é um ramo da conscienciologia, que trata de temas como evolução da alma (que o IIPC chama de consciência), experiências fora do corpo (projeções da consciência), energias psíquicas, vida após a morte, reencarnação, espíritos e guias espirituais. As ideias se pareciam com o espiritismo, mas a abordagem se pretendia mais científica e usava terminologia própria, mais técnica e menos moralizante. O IIPC não trabalhava com a hipótese de Deus, mas admitia a existência de seres superevoluídos, já libertos da série de encarnações no plano físico. No geral, a ênfase era no aprimoramento da lucidez do indivíduo, na vida física e nos períodos entre vidas, com o objetivo de se tornar um ser superevoluído.

Eu nunca vira um espírito na vida. Curtia e lia bastante sobre o sobrenatural e praticava exercícios para desenvolver o poder da mente, mas experiências mesmo, nada. Porém, eu tinha uns sonhos… Neles, eu voava livremente pelo céu em passeios bastante agradáveis. Eram sonhos nítidos e detalhistas, e às vezes começavam no minucioso ato de erguer-se, devagar, descolando os pés do chão e subindo às alturas. Num deles, ajudei minha amiga Daniela a voar também, e voamos juntos sobre a cidade, nos deliciando com a paisagem. De manhã, após acordar, eu lembrava deles e era tomado por uma sensação tão boa que por três dias eu me sentia diferente, num raro estado de paz e harmonia com a vida, imperturbável. Esses sonhos se repetiram entre os 21 e 26 anos, mas infelizmente haviam cessado.

Foi justamente por causa deles que fui à palestra do IIPC: esses sonhos talvez fossem experiências extracorpóreas ou, como alguns preferem, viagens astrais. Eu estava muito curioso. E, principalmente, queria-os de volta.

Gostei bastante da palestra, e fiquei empolgadíssimo com a possibilidade de voltar a ter meus sonhos de voo e, uau, até de controlá-los. Com essa motivação, logo depois fiz o curso básico e passei a integrar o grupo do IIPC em Fortaleza, que se reunia semanalmente numa salinha alugada na Aldeota. Eduarda, que me falara da palestra e também fora assistir, também passou a integrar o grupo.

o grupo do IIPC

Agora, aos 28 anos, eu era, pelo menos para o IIPC, um ser que dera o passo inicial em seu processo de despertar. Nas reuniões, estudávamos os livros do instituto e praticávamos os exercícios, que visavam, principalmente, o domínio das bioenergias, a expansão da percepção consciente, a recordação de outras vidas, o contato com seres espirituais e extraterrestres e o controle das experiências fora do corpo. De tudo isso, as viagens astrais e as vidas passadas eram o que mais me interessavam, e, além do mais, elas certamente me dariam material para escrever muitas histórias.

Na organização do grupo estava ele, meu amigo Zé Di Bedis, o felomenal. Por ser de família ligada ao espiritismo kardecista, desde pequeno ele tinha familiaridade com aqueles temas e já tivera algumas experiências que o levaram a conhecer a sede do IIPC e fazer cursos lá, quando morou na capital fluminense em 1991. Ele planejava ser pesquisador do instituto e hospedava em sua casa os professores que vinham para ministrar os cursos. Di Bedis (vamos chamá-lo assim para simplificar, já que seu nome é citado mais de 150 vezes neste livro) era um músico de jazz conhecido, mas seu interesse se voltara aos assuntos do instituto, tanto que vendera sua mais cara guitarra para pagar os cursos e comprar os livros necessários. Na última vez que eu o vira, no bloco Belas da Tarde, meses antes, nós dois estávamos bêbados e vestidos de mulher, ele arrasando de Xuxa do Capeta e eu abalando de Colegial que Levou Pau. Meu amigo tinha um jeito meninão, sempre fora muito popular e era um cara superdivertido, humorista nato. Por tudo isso, fiquei surpreso de reencontrá-lo no IIPC, todo sério e formal.

Frequentando o grupo, fiquei particularmente amigo de duas garotas: Eduarda, que eu já conhecia, embora pouco, e Tata, uma paulista fonoaudióloga que se mudara recentemente para Fortaleza. Assim como Di Bedis, elas eram um pouco mais novas que eu. Não me interessei particularmente por nenhuma, mas elas me impressionavam por terem experiências lúcidas fora do corpo, o que eu e Di Bedis queríamos muito ter.

Explicando. Segundo o IIPC, existe a dimensão física e existem também dimensões espirituais, ou extrafísicas, nas quais a alma pode se manifestar por meio de corpos mais sutis que o corpo físico. Nessa lógica, todos têm experiências espirituais quando dormem, mas a grande maioria não lembra ou lembra delas como sonhos vagos, enquanto uma minoria vive as experiências com lucidez e autocontrole, sabendo que estão fora do corpo, e lembram depois que acordam. Essa lucidez extracorpórea lhes permite realizar serviços assistenciais, como auxiliar almas recém-desencarnadas a partir de vez ou convencer outras a parar de encher o saco dos vivos e ir se tratar nos hospitais espirituais.

Uau, isso era demais! Eu queria muito ter essas experiências lúcidas. Poderia até ajudar os outros, sim, que eu sou um hominídeo egoísta mas não tanto, porém não dispensaria um turismo pelas ilhas caribenhas. Ou, quem sabe, assistir a minha vizinha se masturbando…

– Isso não pode! – trataram logo de me explicar.

– Oxe! Por quê?

– Por causa da cosmoética.

Explicando. Cosmoética é a ética cósmica, um conjunto de princípios morais que devem guiar os estudiosos da conscienciologia. Pois justamente por causa da tal da cosmoética eu não poderia jamais ver a vizinha em seus momentos íntimos.

Ah, que injusto… Era como dar pirulito para criança e dizer que só pode olhar. No meu caso, era pior, nem olhar eu podia. Obviamente, senti-me frustrado. Mas, peraí… E se a vizinha tivesse a fantasia de ser observada?

– Se ela também quiser ser observada?

– Isso. Muita mulher gosta de se exibir.

– Bem…

Naquele momento, senti, esperançoso, que talvez houvesse provocado uma pequena fissura nas leis da cosmoética.

– Afinal, Ricardo, você está no IIPC pra evoluir ou pra fazer sacanagem no astral?

Foi meu primeiro dilema no estudo da conscienciologia. Porém, apesar da chata da cosmoética, fiquei feliz de saber que o tema sexo não era contaminado com noções moralistas, como no espiritismo, mas encarado como um processo natural de troca de energias, que devia ser feito com ética, sim, mas principalmente com lucidez, pois do outro lado podia estar… um vampiro energético, por exemplo*.

Vampiro energético? Uau. Aquilo começava a ficar realmente interessante… Era como ser personagem de um filme de aventura sobrenatural.

Explicando. Na conscienciologia, assim como no espiritismo, os espíritos são seres momentaneamente desencarnados, que vivem na dimensão espiritual, e as afinidades energéticas definem o tipo de companhias espirituais que você tem. Resumindo: há os espíritos amparadores, que são mais evoluídos e nos ajudam a fazer o bem, e os espíritos assediadores, que são menos evoluídos e nos prejudicam. Nas reuniões, um dos exercícios visava aprender a sentir as energias dos espíritos, para saber quem exatamente nos acompanhava. Para isso, sentávamos um de frente para o outro e nos dávamos as mãos. Eu, porém, mesmo me esforçando, não sentia nada. Tata, porém, sempre que sentia minhas energias, não conseguia disfarçar seu incômodo.

– O que você sentiu, Tata?

– Não sei bem… – ela tergiversava, cordial demais para dizer que eu estava espiritualmente mal-acompanhado. – Vamos pedir pra Eduarda sentir também.

Trocamos de lugar. Eduarda e eu nos demos as mãos.

– E aí? – perguntei.

– Acho que senti… Jim Morrison – respondeu Eduarda.

– Sério? Que demais! Come on, baby, light my fire…

Adorei saber disso. Assim como Eduarda, eu era fã do poeta-cantor dos Doors. Aliás, na festa A Noite do Rei Lagarto, que eu fizera um ano antes, o felomenal Di Bedis abalou fantasiado de Pamela, a namorada de Jim. Ao saber quem era Jim Morrison, Tata fez cara de reprovação: Eca…

Que garota chatinha…, pensei. Aquilo era preconceito com poeta doidão, bêbado e mulherengo. Ou, seja, comigo.

tentando sair

Em termos de capacidades sensitivas, Eduarda era tida como a mais dotada. Ela dizia ter uma amparadora muito evoluída, sempre a lhe ensinar. A cada semana, minha nova amiga relatava suas experiências lúcidas, nas quais encontrava todo tipo de gente desencarnada, voava até Paris, duelava contra assediadores… Eu escutava atento, sem saber se podia realmente considerar tudo que ela dizia. Bem, em breve eu também teria, assim esperava, as minhas próprias experiências.

Um dia, Eduarda contou que me encontrara algumas vezes na dimensão espiritual, e que eu, infelizmente, nunca estava lúcido. Putz, fiquei inconformado. Tudo que eu precisava, nessas ocasiões, era perceber que aquele sonho era real, e então, plim!, eu passaria imediatamente para o modo lúcido e teria controle total sobre a experiência. E no dia seguinte talvez lembrasse de tudo.

– E como sou no mundo espiritual, Eduarda? – eu, evidentemente, queria saber.

– Do mesmo jeito. Só não sabe que aquilo é real.

– Então, devo falar umas boas merdas, né?

– Um pouco mais que aqui.

Um pouco mais significava muita, muita merda. Isso era mais um motivo para eu conseguir dominar logo as técnicas. E, assim, mandei ver nos exercícios. Não comia nada antes de dormir e dormia de barriga para cima, para facilitar a saída do corpo astral. Fazia exercícios de visualização com uma vela acesa no quarto escuro e praticava a circulação de energias pelo corpo. Deitava a cada noite animado com a expectativa de ter minha primeiríssima experiência lúcida.

E acordava de manhã frustrado. Tudo bem, esta noite tentarei outra vez, pensamento positivo, vamos lá. Esperanças renovadas, seguia tentando. E acordando frustrado.

Durante o ano de 1992, li os livros recomendados, conversei muito com o pessoal do grupo e pratiquei várias modalidades de exercícios. Cheguei ao sacrilégio de diminuir a boemia, porque dormir bêbado prejudicava a qualidade das experiências e impedia a recordação. Perdi festas imperdíveis porque a energia do lugar não seria boa. Sem falar que eu era o único cara que tinha uma seção secreta na agenda de telefones intitulada VE, ou Vampiras Energéticas – com essas, era mais prudente evitar o primeiro beijo.

Apesar do esforço, infelizmente, não tive nenhuma experienciazinha lúcida. Nem tive de volta meus queridos sonhos de voo. Nem qualquer contato com algum ser não físico, ou sequer uma vaga lembrancinha de uma vidinha passada, embora o IIPC considerasse isso menos importante que o domínio das bioenergias. Tata, Eduarda e Di Bedis insistiam para eu continuar, vamos lá, mais cedo ou mais tarde você vai conseguir, não pode desistir…

Mas eu já tinha enchido o saco.

coisas loucas

Um dia, seis meses depois, estou em casa tentando finalizar um conto erótico quando Di Bedis me liga para contar que ele e as garotas estavam se encontrando para praticar exercícios com Cris, uma amiga da Tata, publicitária paulistana, que passava temporada na cidade e que, dias antes, eu conhecera em rápido encontro.

– Cara, você tem que participar também – ele me convidou, empolgado. – Estão acontecendo umas coisas loucas!

– Que coisas loucas?

– Ah, não vai dar pra explicar por telefone. Aparece lá no apê da Tata.

– Di Bedis, eu deixei o IIPC ano passado.

– Nada a ver com aquele grupo, é uma coisa só nossa.

Eu adorava meu amigo, mas quanto às garotas…

Nos meus últimos dias no grupo do IIPC, eu as considerava esquisotéricas demais para o meu gosto. Tata até que era divertida, mesmo quando tentava ser séria. Ela me parecia uma evangélica caretinha, e me achava um porraloca, com meu estilo artístico-boêmio, minha filosofia hedonista de vida e minha brilhante carreira literária que jamais começava. Bem, ela tinha razão. Quanto a Eduarda, ela estava longe de parecer uma crente careta. Vestia roupas escuras, curtia ocultismo e posava de sensitiva misteriosa, como se soubesse de coisas importantes que ninguém mais sabia, o que inevitavelmente lhe conferia um ar superior, acentuado pelo fato de ser gorda. E Cris, que eu vira apenas uma vez, me parecera ser meio desregulada. Vai ver que, como eu, também fora atropelada e batera a cabeça, ou tomava remédio controlado, pois num momento era muito risonha e delicada, e no momento seguinte parecia a diretora do internato, sisuda e professoral.

Eu gostava das garotas, mas, como diz a piada, para mim elas eram as três irmãs Gracinha: a Sem Graça, a Desgraça e a Nem de Graça. Não necessariamente nessa ordem.

– Então, aparece lá. Oito horas – insistiu Di Bedis.

Eu estava razoavelmente bem comigo mesmo. Voltara a escrever, ufa!, e, mesmo com todos os outros afazeres, planejava finalmente publicar um livro de contos, com a ajuda do amigo Balu, que me permitia usar seu computador. Fazia algumas festas de sucesso com minha amiga Andrea e me divertia bastante com as mulheres, sem maiores compromissos sentimentais. Talvez não fosse bom voltar a me envolver com aquelas garotas estranhas e suas esquisoterices delirantes.

Olhando pelo ângulo de hoje, talvez eu já pressentisse o que poderia vir, e por isso fiquei temeroso. Mesmo assim, aceitei ir reencontrá-los. E, além disso, meu interesse pelo sobrenatural continuava, e em mim ainda resistia a esperança de voltar a ter meus deliciosos sonhos de voo.

Semana seguinte, lá estava eu num bar, a poucos minutos de ir para o motel com uma moreninha mui mimosa, quando de repente… lembrei do convite do Di Bedis. Putz, eu esquecera totalmente. Fiquei na dúvida se devia ir ou não, afinal já era meia-noite… Porém, senti um impulso estranho, algo intuitivo, e, mesmo bastante atrasado e sob protestos do Jeitoso, decidi ir encontrá-los. A moreninha não entendeu nada.

Cheguei ao apê da Tata e quem abriu a porta foi Cris, que me recebeu com um sorriso enigmático:

– Você, heim? Sempre me fazendo esperar.

Como assim?, tive vontade de perguntar, mas Tata me puxou para dentro. A sala estava na penumbra, e vi Di Bedis e Eduarda deitados no chão a meditar ou coisa parecida. Velas acesas, um cheiro danado de incenso e Enya tocando baixinho. Uau… Parecia que eu caíra bem no meio de um ritual medieval de bruxaria. Desculpei-me pelo atraso e perguntei o que acontecia.

– Temos algo importante pra te contar – Tata respondeu com certa gravidade.

Eu não estava gostando nadinha do que via e comecei a me arrepender de ter ido ali. Se eu corresse, talvez ainda pegasse a moreninha mimosa no bar. A curiosidade, porém, foi maior, e me acomodei no sofá. Sentia-me um tanto desconfortável, mas algo indefinível naquela situação me excitava. Os outros levantaram do chão e sentaram também. Foi então que comecei a escutar uma história bem louca.

voltando para Aaran

Nervosa e escolhendo bem as palavras, Tata contou que nos últimos dias eles viveram ali intensas experiências: recebiam visitas de espíritos, lâmpadas estouravam sem explicação, gosmas escorriam das paredes… Umas das experiências foi uma recordação conjunta: Tata, Eduarda e Cris tiveram clarividências que lhes mostraram a vida que viveram, as três juntas, no século 14, na Dinamarca. Com mais dezenas de pessoas, inclusive Di Bedis, elas integravam uma comunidade esotérica na floresta chamada Aaran, que lidava com as mesmas questões do IIPC, mas de um modo diverso.

– Lembramos de mais uma pessoa que viveu com a gente em Aaran – Tata prosseguiu. – Você.

– Eu?!

Surpreso, olhei para Di Bedis. O que ele poderia me dizer sobre aquilo?

– Não lembrei de nada, cara – ele explicou, um pouco nervoso. – Mas escuta aí o que ela tem pra dizer.

Tata explicou que o que estava acontecendo era algo incrível, pois após seis séculos nós todos havíamos nos reencontrado em Fortaleza, e que isso não era algo à toa, que certamente havia um importante propósito por trás de tudo e precisávamos descobrir qual era.

– Se vocês que lembraram não sabem, imagine eu –brinquei, tentando diminuir meu incômodo.

– Mas podemos descobrir… e descobrir muito mais… – disse Eduarda, em seu estilão misterioso.

– O que queremos saber – interrompeu Cris, num tom meio autoritário – é se você quer descobrir, conosco, o motivo de termos nos reencontrado agora, seiscentos anos depois. Ou se prefere ficar fora dessa história.

– Pra ser sincero, eu adoraria lembrar dessa tal vida – respondi. – Se é que ela realmente existiu.

– Podemos começar agora – disse Cris.

– Sério? Como?

Cris olhou para Tata, que imediatamente balançou a cabeça em negação.

– Não vou fazer isso, Cris.

– Acho que você deveria, sim.

– Você não perde a mania de mandar, né?

– E você continua a mesma menina teimosa.

Percebi um certo clima de desentendimento entre elas.

– Tudo bem, vou fazer – disse Tata. – Mas é por ele, não por você.

Tata saiu em direção ao quarto, enquanto Eduarda acendia novamente as velas.

– O que ela vai fazer? – perguntei.

– Tata era uma das dançarinas de Aaran – explicou Cris, ajudando Di Bedis a afastar a mesa e abrir um espaço no meio da sala. – E você a viu dançar muitas vezes.

a dançarina de Aaran

Sentado no sofá, os outros sentados no chão ao redor, esperei que Tata voltasse do quarto, eu ainda dividido entre ficar e sair correndo dali. Ela voltou logo, usando um vestido simples, acima dos joelhos, e descalça. Achei que botariam alguma música para tocar, mas isso não aconteceu.

No centro da sala, iluminada pela fraca luz das velas, Tata postou-se em pé, fechou os olhos e respirou profundamente algumas vezes. Então, com movimentos suaves e ondulados, começou a dançar, enquanto murmurava sons que, apesar de meu esforço, eu quase não escutava.

Achei a dança muito estranha, talvez pela ausência de música, ou então porque era estranha mesmo. Permaneci atento para poder detectar qualquer detalhe que me fizesse lembrar de qualquer coisa que pudesse ser, mas não lembrei de nada. Absolutamente nada naquela performance me pareceu familiar. Está bem, serei bem franco: achei a dança horrível. Senti-me um jurado de programa de calouros, aguardando o fim da apresentação do candidato para lhe ofertar o troféu Vergonha Alheia do Astral.

A dança durou uns cinco minutos, e durante todo o tempo Tata parecia estar bem concentrada, como num transe. No fim, jogou-se ao chão e lá ficou, deitada meio de lado, silenciosa e arfante, o vestido um pouco erguido e a calcinha aparecendo, o que me deixou constrangido. Será que as dançarinas de Aaran usavam calcinha?

Quando entendi que havia terminado, senti-me frustrado. O que de tão especial havia naquela dança? O que podia haver ali para ser lembrado? Logo depois, Tata sentou-se no chão e ajeitou o cabelo despenteado. Olhou para todos e sorriu, meio sem jeito.

– E então? – ela me perguntou, ainda se recuperando do esforço. – O que achou?

– Eu? Ahn… Achei… esquisito.

Todos riram, e isso me fez relaxar um pouco.

– Não lhe veio nada? Alguma sensação, lembrança…

– Ahn… Não.

Pela expressão que os quatro fizeram, senti que eu os decepcionara. Um anticlímax.

– Essa dança era feita num importante ritual da escola – explicou Cris. – Sem a música fica estranho mesmo. Mas acredite, você gostava.

– Bem mais do que pode imaginar… – completou Eduarda, insinuando algo que não compreendi.

– Eu e você éramos muito unidos em Aaran, Ricardo – Tata falou. – Quando percebemos que você não viria, fiz um ritual com velas e usei a energia de nossa relação em Aaran pra te puxar pra cá. Antes das velas apagarem, você chegaria, e você chegou. Não foi muito ético, admito, mas era fundamental que você viesse. Você não fica chateado, né?

E ainda mais aquilo…

– Claro que não. Até porque não foi você quem me puxou. Eu vim porque quis.

Na verdade, eu não entendia por que tinha ido. Pela lógica, não teria jamais abandonado a moreninha no bar.

À porta do elevador, Tata, com sua cordialidade de sempre, agradeceu por eu ter ido e perguntou, quase rindo:

– Você acha que somos um bando de loucas, né?

– Bem…

– Ele acha, sim – falou Eduarda, pondo a cabeça no vão da porta. Falou e sumiu, deixando no corredor o eco de sua risada, que achei meio assustadora.

– Não ligue pras nossas briguinhas. Às vezes, é como se ainda estivéssemos em Aaran…

Quando o elevador fechava a porta, ainda pude escutar a voz da Cris:

– Ele não vai voltar. Conheço meu irmão.

tragédia no trânsito

E, de fato, não voltei. A tal história de vida passada na Dinamarca até que era instigante, mas havia em tudo aquilo uma quase histeria que me incomodava. Ou talvez eu estivesse sendo covarde, como ocorre quando intuímos a chegada do que realmente precisamos em nossas vidas, mas temos medo, inventamos desculpas e fugimos.

De todo modo, os encontros foram suspensos, pois Tata e Cris decidiram viajar. Deu a doida nas doidas e por quatro meses caminharam pelas praias do Ceará, apenas com suas mochilas, acampando, curtindo a Natureza e fazendo amizade com os pescadores e suas famílias, o que me fez mudar meu olhar sobre minhas amigas esquisotéricas. Garotas que faziam aquilo não podiam ser garotas comuns. Doidas, talvez, mas bobas, não. Logo depois, Tata e Cris voltaram a morar em São Paulo e não nos vimos mais.

Naqueles dias de 1993, eu namorava uma bela bailarina* de 20 anos que morava no Rio de Janeiro e passava férias e feriados em Fortaleza. Renata e eu sustentávamos nosso romance interestadual entre cartas, telefonemas e viagens, o que nos exigia certo malabarismo de agenda e finanças. Entre idas e vindas, brigas e recomeços, nossa história durou um ano, intensa e poética. Mas infelizmente trágica, pois Renata morreria no fim do ano em Fortaleza, vitimada por um tiro disparado na direção do carro no qual estava com amigos, após uma discussão de trânsito. Foi uma tragédia que me atingiu fortemente, ainda mais porque na noite fatídica ela me chamara para sair e eu recusei, por estar cansado, uma tragédia que ainda hoje me revolta, pois o assassino segue solto.

Então, fiz o que muitos fazem nessas ocasiões sem perceber: reprimi a tristeza para evitar sofrer e bloqueei as lembranças do que vivemos. E, se eu já tinha medo de me entregar em meus relacionamentos, o medo cresceu e passei a me resguardar ainda mais. Atitudes ingênuas e medrosas, sim. Típicas do belo covarde que eu estava me tornando, eu que me gabava de ser aventureiro da vida, mas que não ousava vivê-la por inteiro.

Intocáveis Putz Band

Se minha vida não estava economizando em intensidade, o ano de 1994 pegaria ainda mais pesado. Agora, eu tinha uma nova banda, a Intocáveis Putz Band*, criada por meu amigo Toinho Martan. Inspirados pelo pop-rock da Blitz e pelo funk-inferninho de Fausto Fawcett, tínhamos vocalistas hipnotizantes e nossos shows transbordavam de irreverência e performances imprevisíveis. Tocávamos músicas nossas e também sucessos consagrados, e a preferência era pelo rock funkeado, mas tocávamos também blues e umas pitadas de disco, forró raiz e bregão de cabaré, e o fio condutor dessa salada musical era o bom humor e a sacanagem. Eu e meus amigos Martan, Karine, Emílio, Flavio e Nonô queríamos apenas nos divertir, e quem quisesse também, era só chegar junto, e muitos chegaram, entre músicos, cantoras, produtores e admiradores.

A Intocáveis Putz Band me enchia os dias com ensaios e shows, tietes generosas e toda aquela grande festa libertina de sexo, drogas e roquenrou. Se eu já tinha dificuldades com a monogamia forçada, tanto a sexual como a afetiva, elas aumentaram. Você sabe, numa banda de sucesso o feio vira engraçadinho e o engraçadinho vira lindo – então eu tratava de aproveitar minha fase de falso lindo, mantendo-me solteiro e me apaixonando duas vezes por semana, o que exigia bastante do Jeitoso. Eu era um sátiro e Fortaleza era um bosque cheinho de ninfas a me atrair com suas minissaias e seus sorrisinhos de falso pudor. E para sair à noite, o sátiro pegava emprestado o carro da clínica veterinária. Na maioria das vezes, era assim: a ninfa descia do prédio toda bonita e perfumada e, quando percebia que iria sair numa ambulância de cachorro, desistia. Mas algumas achavam a coisa, digamos, meio exótica… Tem gosto para tudo.

E assim eu ia, prosseguindo aos trancos e barrancos com o curso de Letras, o trabalho na veterinária e a produção de eventos e festas temáticas, e escrevendo cada vez menos. O dia tinha 36 horas, e a noite tinha o dobro. Que coisa… Como eu podia ter tanta energia e fazer tanta coisa? E olhe que eu nem cheirava cocaína nem bebia energético, era só álcool mesmo, e vez em quando um baseadim. Na verdade, meu verdadeiro combustível era a poesia da vida, principalmente a que vinha da mulher. Eu nada entendia sobre psicologia dos arquétipos, o que só ocorreria após me iniciar nas ideias de Jung*, mas já sabia do grande poder e fascínio que o feminino exercia sobre mim.

A Intocáveis se tornava rapidamente conhecida em Fortaleza. Líderes da banda, Martan e eu realizávamos um velho sonho, compondo juntos e nos divertindo bastante. Como eu não era cantor e nem tocava nada, me dedicava à produção e minha participação nos shows se dava nos vocais de apoio e protagonizando números performáticos, como os dois manifestos. Um deles era o Manifesto das Bem-Aventuranças, em que eu encarnava o profeta da sagrada putaria: metido num manto escuro com capuz, feito monge medieval, homenageava os excluídos do Sermão da Montanha, com destaque para artistas, putas e travestis. O outro era o Manifesto Neomaxista Liberal, em que eu gritava em tom panfletário, com humor sacana, os direitos do homem pós-moderno, e esse se tornou o ponto alto do show, sempre com intensa participação da plateia, homens apoiando e mulheres a vaiar. Era uma grande gozação com o machismo e o feminismo, em que exigíamos, entre outras coisas, o direito de ter um diário, de espelho no banheiro masculino, de uma delegacia do homem, de ver os gols da rodada no motel, de dormir dentro e de brochar sem ter que dar explicação. Festa é o que nos resta – esta era a minha filosofia.

conflito interno

Nove meses de banda, cada vez mais shows na agenda, o cachê aumentando, convites para outras cidades, eu surfando nas ondas do sucesso – a vida era um caleidoscópio a girar cada vez mais rápido. O Brasil vivia o início do Plano Real, que finalmente nos traria redução da inflação e estabilização econômica, e levaria Fernando Henrique Cardoso ao seu primeiro mandato como presidente. Tempos de esperança. Mas, e a literatura?

Antes da Intocáveis, eu começara a publicar crônicas em jornais e preparava meu livro de estreia, de contos – que felizmente não cheguei a publicar, senão seria mais um filho renegado, de tão ruim que era. Porém, com a banda, parara de escrever, o que voltou a me angustiar, ainda mais que antes. Algo em mim sabia que eu não seguia o caminho essencial da minha vida e que jamais me realizaria de verdade se não me tornasse escritor profissional, e que aquilo que eu vivia, embora também fosse verdadeiro, não era prioridade. Se eu queria uma carreira literária, teria que me dedicar muito mais e abdicar da banda, pois seria impossível conciliar as duas coisas. Mas não tinha forças para fazer isso.

Sim, era o clássico conflito interno, no qual eu evitava pensar. E era exatamente por isso que o conflito crescia perigosamente na escuridão do inconsciente. Aos 29 anos, eu sentia cada vez mais fortes os cutucões do deus Saturno, senhor do tempo e da razão, chamando-me para a responsabilidade de assumir meu caminho verdadeiro.

Um dia, alguém da família me falou que acordara na madrugada anterior e me ouviu a trabalhar, tec-tec-tec, em minha máquina de escrever. Porém, eu não dormira em casa naquela noite. Depois, outros familiares contaram que também me ouviram trabalhar de madrugada, e, novamente, aconteceu em noites em que eu dormira fora. Que estranho… Depois, minha tia, que se hospedava lá por uns dias, também ouviu o tec-tec-tec da máquina numa madrugada em que eu não estava em casa, e meus pais lhe explicaram que aquilo era comum, não se assustasse. Como somente eu possuía a chave do quarto e ele ficava trancado quando eu saía, cogitou-se que seria o espírito de algum escritor, apesar dele nunca deixar algo escrito. E eu? Restava-me rir da coisa toda, e até torcia para o tal fantasma surgir para mim. Mas, por enquanto, chega. Prometo que volto ao assunto mais adiante.

Então, Eduarda me avisou que Tata, que agora morava no Rio de Janeiro, estava na cidade, e fui reencontrá-las, matar a saudade das minhas alopradas amigas esquisotéricas. Falei-lhes da banda e contei das participações especiais que Di Bedis fazia nos shows, fantasiado de Chapolim Colorado, e do quanto eu estava me divertindo.

– Você está bem, Ricardo? – Tata perguntou.

Pergunta estranha. Repentina e estranha.

– Eu tô ótimo – respondi, como alguém que diz uma grande obviedade.

– Tem certeza?

– Sim, certeza. Bem… na verdade…

Não precisei falar muito sobre meu momento – de alguma maneira, Tata e Eduarda pareciam saber. Contei que desde aquela noite no apê, um ano antes, eu esquecera dos assuntos do além e nem tinha mais tempo para aquilo. Para minha surpresa, elas revelaram que semanas antes estiveram numa das apresentações da banda.

– Que pena, não vi vocês. A casa estava lotada.

– Viu, sim – Tata refutou. – Você até me mandou um beijo lá do palco, não lembra? Um beijo pra minha amiga de outras vidas…

– Sério? Putz, não lembro. Eu estava bem alucinado. – E era verdade. Naquela noite, agarrei até minha irmã caçula, tascando-lhe um beijão na boca.

– Era aniversário do Jim Morrison, e acho que ele baixou em você. Dessa parte, eu gostei – comentou Eduarda, rindo, e ri com ela.

Entretanto, elas contaram que, apesar da alegria reinante no show, sentiram energias perigosas ao meu redor.

– Você precisa despertar de vez, Ricardo. Antes que seja tarde.

Não me senti à vontade com aquele assunto. Sempre que eu as encontrava, ficava dividido entre sensações confusas. Mas talvez estivessem certas. Às vezes, eu tinha mesmo a impressão de estar sonhando, de que tudo que vivia era de uma realidade onde eu não devia estar. Mas, ao mesmo tempo, a Intocáveis era a realização de um velho sonho, e eu não podia largá-lo, ainda que isso sufocasse meus planos de ser escritor.

Nesse dia, elas demonstraram entender o meu conflito. E me informaram que no fim de semana aconteceria em Fortaleza um estágio avançado do curso do IIPC.

– Tem show neste fim de semana, Ricardo?

– Não. Nem ensaio. Mas não me interessa, obrigado.

– Waldo vai estar presente. Se você fizer o curso, podemos tentar que ele converse pessoalmente com você. Quem sabe ele te ajuda a ter experiências lúcidas, ou te dê esse impulso que falta pra você despertar.

Impulso que falta… Sim, fazia algum sentido. Talvez fosse isso que eu precisava, um empurrão.

Waldo era o fundador e presidente do IIPC. Tinha sessenta e poucos anos, morava no Rio e às vezes viajava para participar daqueles cursos avançados. Senti voltar um pouco da esperança. Talvez Waldo pudesse me ajudar ao menos a ter de volta meus saudosos sonhos de voo. Senão ele, quem mais poderia? Além disso, seria uma boa oportunidade de conhecer pessoalmente aquele que para muitos era um grande guru.

– Ok, Tata – respondi, confirmando presença no curso. – Mas sei que muita gente sempre quer falar com Waldo, e ele não tem tempo de atender todo mundo.

– Deixe isso para os nossos amparadores – ela respondeu, risonha. Mas percebi que falava sério.

com Waldo

Fiz o curso, que aconteceu num hotel, e que não me empolgou, o que me deixou arrependido de ter gastado meu pouco dinheiro naquilo. Porém, Tata me avisou que o plano dera certo e que meu encontro com Waldo estava marcado para o dia seguinte, no hotel. Fiquei surpreso. Caramba, esses amparadores eram competentes…

Na hora marcada, lá estava eu, aguardando. E Waldo chegou. Ele não passava despercebido. Vestia sempre branco, cobria a careca com um chapéu branco e mantinha uma comprida e imponente barba branca. Mineiro de nascimento e médico de formação, ele fora na juventude amigo próximo e parceiro do espírita Chico Xavier, com quem escreveu livros psicografados e ajudou a popularizar a doutrina kardecista nas décadas de 1950 e 60. Após se afastar do espiritismo, Waldo continuou suas pesquisas na área da mediunidade, escreveu livros e em 1988 fundou o IIPC. Lá, ele era não apenas o presidente, mas uma espécie de mentor de reconhecidas capacidades paranormais, uma alma evoluída a quem seus discípulos não ousavam questionar. Ele morreria em 2015, aos 83 anos.

O presidente Waldo me recebeu no salão dos cursos e, apesar de cansado, foi atencioso. Constatei logo que estava diante de um indivíduo perspicaz e de mente muito ágil. Fiz-lhe um breve resumo do meu momento e contei dos meus esforços, dos exercícios feitos, dos livros que lera… Ele escutou e depois esfregou as mãos e segurou minha cabeça com as pontas dos dedos. Fechei os olhos e pude sentir o calor de suas mãos. Segundos depois, ele as retirou e falou:

– Continue tentando.

Putz… Eu esperava qualquer coisa, menos um “continue tentando”.

– Só isso? – perguntei, sem disfarçar a frustração.

Ele me olhou firme nos olhos. Senti dificuldade de sustentar o olhar, aguardando o que ele diria. E o que ele falou, num tom tranquilo, foi:

– Você se acha muito esperto, não é?

Fiquei surpreso com aquela pergunta, que na verdade era uma afirmação.

– Um pouco – respondi, sem saber o que dizer.

Ele, porém, estava certo. Waldo me desmascarava, olhando em meus olhos. Ali, subitamente confrontado com a verdade sobre mim mesmo, não tive condições de assimilá-la, o que só aconteceria anos depois. Ele deu um tapinha em meu ombro e levantou-se. E nosso encontro de cinco minutos terminou.

Voltei para casa numa tristeza resignada. Continuar tentando? Não, na verdade seria começar tudo de novo. E eu não estava nem um pouco disposto a começar de novo. Contei para Tata e Eduarda o que ocorrera e agradeci pelo que fizeram. E fui cuidar da vida. No plano físico.

as gatinhas do Di Bedis

E a vida no plano físico seguiu ainda mais caleidoscópica. A Intocáveis estava a cada dia mais conhecida na cidade, a postura tornava-se mais profissional e, com menos de um ano de existência, a banda alcançava um estágio que a grande maioria demora mais tempo para alcançar.

E havia também a Caboca (Confraria Cearense de Apoio às Boas Causas), uma espécie de maçonaria da putaria que eu criara com uns amigos desocupados, que duraria uma década e, além das festas, tinha como principal missão eleger as 10 Mais do ano, aquelas dez mulheres que mais se destacaram, segundo os nossos critérios, claro. Como as eleitas ganhavam ótimos prêmios, como ingressos de cinema e crédito em lojas, restaurantes e pousadas, toda mulher sonhava ser uma garota Caboca, o que exigia de nós, diretores, muita disposição para nos mantermos atualizados.

Certa noite, bebendo num bar, recebo um bilhete de uma linda candidata a 10 Mais. No papel, na tinta azul da caneta, ela generosamente elencava sete qualidades referentes a minha pessoa. Li e guardei no bolso da calça. Horas depois, em casa, despertei na madrugada, um tanto angustiado. Acendi a luz do abajur, peguei o bilhete e reli minhas sete qualidades: tolo, burro, imaturo, covarde, ridículo, medroso e altamente superficial. Só verdades.

Mas o caleidoscópio girava, e não havia tempo para reflexões profundas. E, assim, o conflito interno se intensificava. De um lado, o sonho distante de uma carreira literária, e do outro, o sonho de ter uma banda, que já era real. A única forma de não pensar no conflito era ocupar as 36 horas do dia trabalhando e estudando e as 72 horas da noite me anestesiando com mais shows, birita e casos descompromissados. Passei a descuidar da saúde, como se a vida já não valesse muito, e incidentes e acidentes tornaram-se frequentes. Eu vivia intensamente o teatro colorido da alegria para não lembrar que, na penumbra dos bastidores, não tinha forças para reagir.

Então, o portal se abriu…

Numa tarde, fim de dezembro de 1994, Di Bedis me ligou, convidando para sair com duas garotas que ele conhecera.

– Duas gatinhas, cara. Fortíssimas candidatas a 10 Mais. E estão a fim de sexo selvagem!

Grande Di Bedis, cumprindo honrosamente seu papel de descobridor de talentos da Caboca.

– Oba! É pra quando?

– Pra hoje. Passo aí às cinco pra te pegar.

– Vamos beber o quê?

– Compramos no caminho.

Um pente no cabelo, duas xiringadas de desodorante no sovaco e seis camisinhas no bolso depois, estou pronto. Saio para a rua e quando abro o portão… quem vejo no carro com meu amigo? Elas, as mirabolantes esquisotéricas, Tata e Eduarda.

– Entra aí, bora dar um passeio – Di Bedis falou, rindo da minha cara de idiota, que, na verdade, sempre foi a minha verdadeira cara.

Fiquei imóvel, sem conseguir processar aquela informação. Eu podia sentir meus neurônios explodindo pela absoluta divergência entre o que eu esperava e o que de fato acontecia.

– Ah, não… vocês de novo…

– Nós não vamos te largar, Ricardo! – respondeu Tata, passando para o banco de trás.

Senti-me o maior dos estúpidos por ter caído na pegadinha. Logo eu, que me achava tão esperto… E com aquelas duas eu sabia que tudo que jamais rolaria era sexo selvagem.

Ali, parado na calçada, tive uma forte sensação de algo importante e decisivo… Acho que foi aí, pela primeira vez, que tive o entendimento intuitivo da existência dos portais conscienciais. Eu estava diante de um deles. Sua mente sabe, seu corpo também sabe, o ser acusa por inteiro, como um alarme. Imediatamente, você sabe que toda a sua vida futura depende da decisão que tomará nesse momento. Você sente medo. Se decidir cruzar o portal, não poderá mais retornar. Se recusar, ele se fechará para sempre e você jamais saberá o que o aguardava do outro lado.

Tentei ganhar tempo para avaliar racionalmente as minhas opções. A situação, porém, não podia ser resolvida pelo intelecto – era algo que dizia respeito somente à intuição. Então, entrei no carro, resignado. Eu, um carneirinho rumo ao abatedouro.

revelações nas dunas

Di Bedis dirigiu para as dunas do lado leste, rumando para o município praiano de Aquiraz. Eu, que sempre tive no intestino o fiel termômetro de meu estado emocional, estava quase pedindo para parar o carro em algum lugar para poder ir ao banheiro. Nervoso, perguntei o que tinham para me dizer, mas Tata respondeu que só contariam quando chegássemos. Todos eles riam, se divertindo com meu ridículo suplício, mas havia uma tensão no ar. Meia hora depois, estávamos no alto de uma duna, sob o céu do entardecer.

– Nós já vimos óvnis aqui, sabia? – comentou Eduarda, admirando o céu enquanto sentávamos na areia.

– Sério?

– Quem sabe eles aparecem hoje. Em sua homenagem.

Eduarda sorriu e piscou um olho para a amiga. Tata sorriu também, mas logo ficou séria novamente.

– Não foi muito legal te enganar, Ricardo, eu sei, mas não havia outra maneira de te fazer vir aqui – Tata se desculpou, meio sorrindo, meio grave.

– Naquela noite, vocês me atraíram pro apartamento com rituais mágicos. Agora, apelaram pros meus instintos sexuais. É claro que não perdoo – brinquei. Ou não. Talvez tenha sido sincero. – Mas vamos em frente.

– Eu e Eduarda estamos morando no Rio. Decidimos vir a Fortaleza porque temos coisas urgentes pra revelar a vocês. Já falamos com Di Bedis ontem. Agora, é sua vez.

Silêncio.

– Ricardo, sua vida nesse momento corre perigo.

Engoli em seco. Aquelas palavras soaram duras para mim. Certamente porque era verdade.

– Vamos te explicar. Só pedimos que escute tudo, tá?

Olhei para eles. Di Bedis estava sério. Eduarda sorria naquele seu jeitão misterioso. E Tata me olhava de uma maneira calma e amistosa. Havia uma certa solenidade no ar. Sacudi a cabeça, entregue.

– Bem, eu já tô aqui, né? Pode começar.

Tata explicou que ela e Eduarda mantinham contato frequente com seus amparadores, e que eles as ajudavam a entender o que acontecia comigo.

– E você também tem um amparador.

– Sério? – perguntei, curioso a respeito do espírito que escolhera um cara como eu para guiar. – É o Jim Morrison?

– É uma mulher. Chama-se Paola. Bonita, de muita classe. Tem certeza que você nunca viu ou sonhou com ela?

– Com certeza eu lembraria.

Tata sorriu, sempre cordial, mas retomou a seriedade e prosseguiu. Disse que elas descobriram que nós todos, Cris incluída, éramos um grupo de almas que evoluía junto pelas sucessivas encarnações, um grupo cármico, e que nos reencontráramos porque tínhamos missão importantíssima a cumprir: ajudar a humanidade a passar para o novo nível de sua evolução espiritual. E para isso teríamos que nos integrar mais ao IIPC, que era a continuação moderna de Aaran.

Tata explicou que a humanidade vivia um momento evolutivo crucial, pois a Terra precisava passar para outro nível energético e somente os mais evoluídos seguiriam vivendo aqui, e o restante sofreria um processo de transmigração, com suas almas enviadas para um planeta mais atrasado. Isso era necessário, senão a parte menos evoluída destruiria o mundo com sua ganância capitalista, as ideologias fascistas, o fanatismo religioso e a negligência ecológica. Seres espirituais superevoluídos monitoravam os acontecimentos com discrição. Os terráqueos que ficassem formariam a nova humanidade, mais harmoniosa e mais justa, sem guerras nem religiões, e o nosso grupo tinha papel fundamental no processo, pois, com nossas capacidades paranormais, a experiência em Aaran e os amparadores, podíamos ajudar o instituto a atuar melhor.

– E nós temos um líder – Tata falou.

– Quem? – perguntei, achando aquele papo muitíssimo louco. Mas estava curioso.

Ela não respondeu. Olhei para os outros. Di Bedis estava de cabeça baixa, como se não se sentisse à vontade com aquele assunto. Eduarda estava séria. Tensão no ar.

– Você – respondeu Tata, num meio-sorriso nervoso.

– Eu?! Tá de sacanagem.

– Você é o nosso líder, Ricardo – ela confirmou, olhando firme em meus olhos.

saltando

Evidentemente, aquilo era um absurdo total. As meninas fumaram maconha estragada, só podia ser. Eu, o maior pinguço do pedaço, líder de um quinteto esotérico que iria salvar o mundo? Mas como, se eu não tinha qualquer capacidade paranormal, não via espírito, não lembrava de vida passada, nada? Elas eram as fodonas naqueles assuntos, não eu. E foi justamente isso que em seguida argumentei. Tata riu.

– Isso foi uma grande surpresa pra nós também. Mas os amparadores nos garantiram. E disseram também que você tá influenciado por assediadores, e por isso tá destruindo sua vida. E, caso não siga sua proéxis, em breve poderá acontecer… ahn… algo muito sério com você.

Explicando. Proéxis (pronuncia-se proécsis) é a programação existencial do indivíduo, elaborada por ele e seus amparadores no plano espiritual, antes de reencarnar. No popular: a missão de vida.

– Algo muito sério tipo o quê? – indaguei.

– Doenças, acidentes – respondeu Tata.

Bem, isso não é novidade, pensei.

– Ou algo pior… – falou Eduarda, muito séria.

Senti um calafrio. Aquilo tudo era muito louco, mas… pensando bem, fazia certo sentido. Em alguma parte profunda de mim, aquelas palavras se abraçavam com meu velho anseio de viver os mistérios e a sincera esperança de que tudo aquilo realmente existisse. E era um abraço numinoso, que tinha a força das coisas antigas e sagradas. Caramba, o que poderia ser mais emocionante que atuar numa missão pelo futuro da humanidade?

E quanto a ser líder? Bem, não me era uma função estranha, pois sempre tivera tendência a liderar grupos. E quanto a estar afastado da minha proéxis, não foi nenhuma surpresa escutar isso: eu sabia que não estava em meu melhor caminho. A diferença é que agora tudo parecia tão óbvio…

– Pense bem, Ricardo – prosseguiu Tata. – Talvez seja um modo de realizar seu sonho de ser escritor. Não é o que mais deseja? Você vai poder escrever sobre esses temas e publicar pelo instituto.

Ser um escritor profissional… Meus olhos devem ter brilhado nesse momento.

– Eu e Eduarda voltaremos pro Rio, queremos ser pesquisadoras do instituto.

– E Cris?

– Ficará em São Paulo, mas manteremos contato e nos encontraremos. Pense bem, por favor. Com você e Di Bedis, estaremos os cinco juntos outra vez, e seremos mais capazes.

– Como já havia dito antes, eu vou – Di Bedis falou.

– Não sei… – murmurei, procurando organizar as ideias. – Como vou largar tudo assim, de uma hora pra outra?

Ninguém respondeu à minha pergunta. Mas, no íntimo, eu sabia a resposta.

Eu tinha um destino, vislumbrado ainda criança, quando me recuperava da pneumonia, e o voto fora renovado aos 18 anos, após ler O Encontro Marcado. Nos últimos anos, porém, esse destino a cada dia fugia um pouco mais e eu não tinha forças para segui-lo. E isso estava me matando. Naquele dia, meu destino de repente ressurgiu. Acho que este trecho ficaria mais belo se eu dissesse que pensei em grupo cármico, causas humanitárias, salvar o mundo… Mas, não. O que reluzia à minha frente era a minha carreira literária. Eu pensei em mim.

Já é noite no alto das dunas. O portal ainda está aberto, eu posso senti-lo, até mesmo com o corpo, como se sente um abismo logo à frente. E sinto também que logo se fechará. Sabe aquela cena clássica de 2001, Uma Odisseia no Espaço, em que o hominídeo primitivo descobre a utilidade de um osso como ferramenta? Milhões de anos depois, ali nas dunas, eu sou um hominídeo moderno, menos peludo mas igualmente espantado diante da própria epifania, e a ferramenta que me levará ao meu futuro é a minha compreensão do fato. Serei, mais uma vez, covarde?

Não, não serei.

Então, respiro fundo e salto.

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cap 3
DO OUTRO LADO DO PORTAL

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o livro de Aaran

Dias após o encontro nas dunas, Tata me passou uma cópia do livro sobre nossa suposta vida no século 14, contada em forma de romance, que ela escrevera e planejava publicar com ajuda do IIPC. Tata achava que a leitura do livro poderia ajudar a me trazer as lembranças.

Li Aaran numa noite, e gostei. Tata não era das letras mas conseguira criar uma trama envolvente, e os conflitos entre os personagens me soavam autênticos. Baseado nas lembranças de Tata, Cris e Eduarda, o livro narra o cotidiano de Aaran, a escola esotérica onde mestres e discípulos viviam em comunidade numa floresta da Dinamarca, lidando com domínio de energias psíquicas e experiências fora do corpo. No clima de terror causado pela Inquisição Católica, que ganhava a Europa, Aaran era um espaço de resistência, onde conhecimentos esotéricos deveriam ser preservados. A maior dificuldade, porém, estava na própria comunidade: os conflitos internos terminariam por levá-la a fechar as portas, fazendo com que todos os seus integrantes partissem, seguindo seus caminhos individuais. Um fim melancólico.

A protagonista era a própria Tata, que na história era Orian, uma garota que se envolvia mais do que devia com a realidade espiritual, o que a prejudicava em seu dia a dia. Em Aaran, uma vez por mês, todos participavam do importante ritual da Lua Negra, no qual Orian era a dançarina principal. Uau… Quem diria que aquela garota desajeitada pudesse ter sido uma chacrete mística do século 14…

Meu personagem chamava-se Aidon. Era irmão de Taena (Cris), uma respeitada mestra, e na juventude foram amantes. Em Aaran, o sexo não era envolto em noções de pecado, como no cristianismo, mas constituía-se em prática importante para a saúde física e psíquica, e o sexo entre irmãos era permitido. Eles eram filhos do líder espiritual da escola, mas Aidon abdicara do futuro que o aguardava, ser um mestre e substituir seu pai, e vivia viajando pelo mundo, voltando com livros e novidades de outras culturas.

Livros?, pensei. Putz, não evoluí nada nesses séculos todos…

Taena ainda era apaixonada pelo irmão e não o perdoava por ele ter renunciado ao seu cargo como líder da comunidade. E tinha ciúmes de seus envolvimentos com suas discípulas, principalmente Orian.

Alira (Eduarda) era a cozinheira da escola, que conhecia os segredos das ervas, uma personagem ambígua, com quem alguns não simpatizavam. E havia também Andrija, uma outra dançarina. Ai, Andrija… Ela era bonita, meio maluquete e safadinha, ou seja, era o suprassumo da tentação escandinava. Pois bem, adivinha quem era Andrija, adivinha. Você não vai adivinhar. Era o Di Bedis. Uau! Sim, meu amigo fora uma mulher em Aaran, e isso viraria motivo de eternas piadas no grupo. Eu não deixava barato.

– Pô, Di Bedis, tu era dançarina de Aaran. Hoje, não consegue nem acompanhar um cabo de vassoura na dança…

– Elas que lembraram, cara – ele respondia, pouco à vontade com o assunto. – Eu não lembrei nada disso.

A piada maior, no entanto, era com o fato de que a maluquete Andrija e o viajante Aidon… os dois… hummm… Adivinha. Isso mesmo, eles tinham um rolo. Eu e Di Bedis fôramos amantes numa vida passada, eu, homem, e ele, mulher.

– Caramba, Di Bedis. Tu piorou muito, viu?

– Vai te lascar.

– Lembra daquela noite em que nós demos uma escapulida no meio da Lua Negra, fomos pro mato e…

– Não, lembro não. Nem quero lembrar.

Façamos as contas. Minha irmã Taena fora minha amante, eu tinha um rolo com sua discípula Orian e ainda chafurdava nos lençóis da taradinha da Andrija, ai, Andrija, que também tinha um rolo com Orian. Isso significa que, tirando Eduarda, em Aaran eu fui para a cama, e também para a sombra dos carvalhos, com todo aquele meu grupo de amigos. Bem, na verdade, para baixar minha bola, isso não significa muito, pois em Aaran o sexo era disciplina obrigatória no aprendizado espiritual.

Durante a leitura do livro, tive sensações curiosas e senti certa familiaridade com tudo aquilo. A história me fez, subitamente, ser mais simpático com a teoria reencarnacionista. De fato, identifiquei-me com Aidon, o viajante estudioso das culturas, e senti que, se existia reencarnação, eu poderia mesmo ter sido ele. No fim, fechei o livro e, enquanto aguardava chegar o sono, experimentei uma nova felicidade, feita da intuição de que encontrara um caminho, muito inusitado, sim, mas um bom caminho para seguir.

óvnis em Guajiru

Guajiru é uma cidadezinha no litoral oeste cearense, que Tata e Eduarda conheciam. No primeiro fim de semana do ano novo, nós quatro fomos para lá. Segundo elas, era um lugar especial, com alta concentração energética, uma espécie de chacra geográfico do planeta, e que naqueles locais os etês costumavam fazer contato. Elas diziam que entre os moradores corriam relatos de avistamentos de óvnis e que lá havia um garotinho especialíssimo, que era um dos etês do bem que estavam encarnando na Terra com a missão de auxiliar os humanos na mudança de nível evolutivo. Elas pressentiam que lá os etês fariam contato com nosso grupo.

Nos dias que antecederam a viagem, fiquei ansioso, e até tive um pesadelo, no qual uma nave pousava em Guajiru, próximo de nós, e um etê saía dela:

– Olá, terráqueos. Levem-me ao seu líder.

– O líder é ele! – Meus amigos apontaram para mim.

– Cês tão de sacanagem… – E os etês começavam a rir.

Poizé. Para mim, ser o líder daquele grupo continuava sendo algo difícil de aceitar, mas eu já admitia para mim mesmo que aquele era o meu grupo, e que, se preciso fosse, iria com eles até mesmo para outro planeta, ainda que tivesse de suportar zombaria de etê.

Em Guajiru, conheci o tal garotinho e… putz, não é que ele tinha mesmo jeito de etê! Chamava-se Isaac, tinha uns olhos estranhos, grandes e meio puxados, um jeito calado e desconfiado… Segundo Tata e Eduarda, ele não sabia que era um etê, mas lembraria quando crescesse. Pelo bem da humanidade, aquele garotinho deveria ser preservado, pois os mega-assediadores certamente já sabiam dele e tudo fariam para eliminá-lo. Babado forte. Mas eu tinha dúvidas.

– Como vocês sabem que esse curumim é um etê?

– Os amparadores nos disseram, Líder. Você não viu o jeito estranho dele?

– Vi. Mas acho que o coitado tá assustado com vocês, isso sim.

O assunto era muito sério para as meninas, mas eu não resistia a umas piadas. Queria que tudo aquilo fosse verdade, porém não conseguia crer do mesmo jeito que elas e Di Bedis. Mas vamos aos óvnis que é o que interessa.

Ao anoitecer, deixamos a pousada e verificamos o céu: poucas estrelas, ótimo. Subimos o morro mais alto e nos posicionamos virados para o mar, sentados na areia. Soprava um ventinho frio. Havia um clima de reverência no ar. A qualquer instante, algo incrível aconteceria.

Estávamos em silêncio, concentrados, quando, de repente, plic, plic, plic… O que é isso? Plic, plic, plic… Gotas. Gotas dágua. Cabruuum!, começou a trovejar. E ventar forte. E chover muito. Em um minuto, desabou uma chuva tão pesada que não tivemos outra opção senão levantar, descer o morro numa correria louca e voltar para a pousada, onde chegamos ensopados e cheios de areia, botando os bofes para fora. Disco voador que é bom, nada. Dia seguinte, pagamos a conta e voltamos para Fortaleza, absolutamente frustrados.

Dias depois, as meninas me mostraram uma notícia no jornal: outro caso de avistamento de óvnis ocorrera em Guajiru, três dias depois daquele fim de semana.

– As naves ficaram presas no trânsito – brinquei.

– Ou nossa energia não estava boa, e eles preferiram não aparecer – sugeriu Tata. – Precisamos nos harmonizar.

desarmonias

Sábias palavras. De fato, não éramos o melhor exemplo de harmonia. Discutíamos por mil motivos e havia conflitos de egos. E eu era um líder absolutamente incapacitado. Além de não me convencer da existência daquelas coisas, eu, ingênuo, não percebia as sutilezas das nossas relações pessoais, o que as garotas viam bem e, por isso, manipulavam as situações. E ainda havia o fato de Eduarda e Di Bedis acharem que eu e Tata formávamos uma dupla evolutiva (pessoas que evoluem juntos no amor romântico em suas proéxis combinadas) e por esse motivo deveríamos namorar, o que nos constrangia, pois não tínhamos interesse. E se éramos mesmo uma dupla evolutiva, então eu estava novamente me afastando de minha proéxis, que merda.

Quanto a Eduarda, ela frequentemente era acusada de usar seus poderes sensitivos para brincar com todos nós, e era óbvio que gostava de ser temida. Se estava tranquila, era doce e companheira, mas o comportamento ambíguo nos causava desconfianças. Di Bedis, por sua vez, não tinha problemas com as garotas, mas, embora não expressasse, e isso eu só saberia depois, não aceitava bem o fato do líder ser eu e não ele, que era ligado ao IIPC havia mais tempo e estudara os livros do instituto.

Quanto a Cris, como voltara a morar em São Paulo, sua participação se dava a distância, sem tanto envolvimento. Ainda assim, entre ela e Tata ressurgiam questões pendentes de Aaran, como se aquela vida ainda prosseguisse no presente: você não me obedeceu naquele piquenique na floresta, você não devia ter dançado nua para Aidon, você usou sem avisar o meu vestido comprado no Reino da Suécia, e ainda devolveu fedido…

despedida

Não foi difícil anunciar à família a decisão de ir embora, tomada naquele entardecer nas dunas, afinal eles sabiam de meus interesses e dos planos de ser escritor profissional. Expliquei aos meus pais que, juntando minhas economias com o seguro-desemprego e economizando bastante, eu me sustentaria por uns seis meses. E depois?, eles perguntaram. Depois a situação melhora, respondi, otimista.

Foi fácil largar a faculdade de Letras e o emprego na clínica. Deixar Fortaleza, minha loirinha desmiolada de sol, era uma ideia incômoda, mas suportável. Aos amigos em geral, Di Bedis e eu preferimos não dar detalhes sobre nossa decisão. À minha irmã Ana, preocupada com a violência no Rio, expliquei que nossos amparadores desviariam de nós as balas perdidas. Putz… Ainda hoje demoro a crer que dei esta resposta esdrúxula, mas você há de concordar que ela foi muito apropriada a um salvador do mundo.

Porém, largar a banda doeu muito. Assim como ocorreu com o Badauê, era um sonho que a vida arrancava de mim quando ele estava no auge. Martan sentiu-se abandonado, e eu tentei animá-lo, dizendo que ele saberia conduzir a banda, mas sabia que realmente estava abandonando meu grande amigo e parceiro. Sim, sei que a vida às vezes nos exige escolhas muito difíceis e que fiz o que precisava fazer, eu sei. Mas mesmo hoje, depois de tanto tempo, essa decisão ainda me dói.

o segurança alado da Tata

Janeiro de 1995. Três semanas após o encontro nas dunas de Aquiraz, Tata e eu pegamos o busão para o Rio de Janeiro. Em minha mala, algumas roupas, livros e, é claro, a camisa do meu Fortaleza Esporte Clube*.

Nas consultas oraculares que fizéramos ao I Ching, que era um constante companheiro de Tata e Eduarda, as mensagens eram positivas, mas alertavam para as dificuldades que enfrentaríamos. Se eu soubesse o tamanho delas, provavelmente teria desistido… Não conhecer o futuro tem suas vantagens.

Fortaleza-Rio de Janeiro, dois dias e duas noites de viagem por aquelas estradas esburacadas. E o ônibus cheio de crianças, com sua natural disposição a infernizar qualquer viagem… Percebendo minha tensão, Tata tentou me tranquilizar, revelando um segredo:

– Tenho um segurança espiritual, de outro planeta, que encontro em sonhos muito nítidos. Ele se chama Urke. Tem asas grandes, é forte, muito bonito…

– Hummm… Já entendi. Vocês têm um caso.

– Deixe de ser bobo.

Resumindo: na viagem, teríamos a proteção do Urke, que seria uma espécie de copiloto invisível, atento às curvas perigosas, aos buracos e aos bois na estrada, enfrentando vento, sol e chuva por dois dias seguidos, coitado. Eu, que seguia me esforçando honestamente para crer naquelas coisas, achei surreal, mas torci que Tata estivesse certa.

O fato é que, contrariando as possibilidades, a viagem foi uma das mais tranquilas que já fiz. E as crianças, uau, parecia que todas eram mudas, tamanho o silêncio. Urke deve ter tirado umas penas de suas asas e enchido a boca dos pimpolhos. Muito sábio o boy magia da Tata.

na estrada do meu destino

Naqueles dois dias de estrada, Tata e eu nos tornamos mais amigos. Éramos dois jovens sonhadores, que se moviam mais por intuições que pela razão, sem muito pé no chão, e ela possuía uma tal confiança na vida que eu ainda não tinha. Conversamos muito sobre seu livro, e tínhamos esperanças de que o IIPC aceitaria publicá-lo, o que poderia nos ajudar financeiramente. Lá, ela deixara uma cópia para as pessoas lerem, principalmente Waldo. Quanto a mim, eu queria escrever sobre aquelas coisas todas e sabia que precisaria primeiro frequentar mais o instituto e aprender mais. Porém, o dinheiro que tínhamos era pouco e, se quiséssemos nos manter no Rio, cidade com custo de vida mais alto que Fortaleza, algo teria que acontecer, e rápido.

– Não se preocupe, querido Líder – Tata dizia, sempre otimista. – Vai dar tudo certo.

– Se ao menos eu tivesse umas experiências lúcidas…

Tata sorria, entendendo minha posição. Eu começava a gostar mais dela e já não a achava tão esquisotérica delirante como antes, mesmo ela tendo um caso com seu segurança alado. E agora Tata tinha o status de velha amiga de outras vidas, ainda que eu não lembrasse, e isso contava muito.

Pela janela, as paisagens que passavam eram partes de mim que ficavam definitivamente para trás. Cinco anos antes, a fracassada experiência de Manaus me enchera de medo das grandes mudanças, e agora lá estava eu a enfrentar meus medos íntimos e a me lançar novamente nas estradas incertas do mundo, sem ter a mínima ideia do que me aguardava. Sim, eu sabia que se tudo desse errado, teria sempre a opção de voltar para a segurança de Fortaleza, mas a sensação que prevalecia era de que a vida começava naquele momento, e, apesar do medo, eu me sentia aliviado por ter aceitado o desafio.

Eu tinha 31 anos e trocava uma banda de rock que queria apenas diversão por um grupo esotérico que pretendia salvar o mundo. Bem, salvar o mundo era importante, mas, em meu sagrado egocentrismo, a prioridade era tornar-me escritor profissional.

Então, fechei os olhos e prometi a mim mesmo que a partir daí eu só trabalharia com o que gostava e que dedicaria todo o meu esforço para cumprir meu destino de escritor, custasse o que custasse. Eu não seria mais covarde. Promete, Ricardo? Prometo.

Ingenuidade? Romantismo? Na verdade, eu era o Louco, das cartas do tarô. Mas ainda não sabia.

trupe riponga da nova era

Tata, Cris, Di Bedis, Eduarda e eu éramos as atuais encarnações de Aidon, Orian, Taena, Andrija, ai, Andrija, e Alira – nesta crença baseava-se a união de nosso grupo. E entendíamos também que, se no século 14, Aaran era uma escola esotérica iniciática, agora, fim do século 20, o IIPC era sua versão modernizada, reencarnada no Brasil. Nosso plano, então, consistia em nos integrarmos a ele e ajudá-lo a guiar a humanidade em seu delicado momento evolutivo.

Nos meses anteriores, Tata e Eduarda, trabalhando como voluntárias na sede do Rio, no início da rua Santo Amaro, na Glória, observaram de perto o dia a dia do instituto e perceberam que em alguns aspectos ele poderia melhorar bastante. Um dia, porém, após saberem que vários computadores da sede foram roubados, deram-se conta de que algo muito sério acontecia… Como isso era possível, já que o IIPC tinha poderosos amparadores a protegê-lo? Elas passaram a desconfiar que o instituto estava sendo vítima de ataques de assediadores igualmente poderosos. Isso era muitíssimo sério. Assim como ocorreu com Aaran, o IIPC poderia enveredar por um rumo muito perigoso. Era preciso agir, e logo.

Nosso grupo era conhecido pelos professores e alunos que formavam o IIPC, pois, além do trabalho voluntário das garotas, havia alguns anos que fazíamos os cursos e Di Bedis ajudara a implantar a filial de Fortaleza. Eles nos viam com curiosidade, pois sabiam de nossa vida comum na Dinamarca, e lembranças de vidas passadas eram mais valorizadas quando coletivas. Porém, desconfiavam do nosso jeito de lidar com tudo aquilo, pois, diferente da abordagem fria e racional que o instituto ensinava, nós conferíamos um tom místico às nossas vivências, éramos emotivos, gostávamos de arte, valorizávamos a música nos exercícios, usávamos incenso e consultávamos oráculos, como o tarô e o I Ching. Para o IIPC, essas coisas eram muletas evolutivas, que podiam ser úteis por um tempo, mas deveriam ser logo descartadas.

Sejamos francos: com nosso jeitão largado e aloprado, estávamos mais para uma trupe de artistas ripongas da nova era que para pesquisadores sérios do IIPC. Se quiséssemos realmente fazer carreira lá, teríamos que rezar pela sua cartilha: mais intelecto e frieza técnica, e nada de arte, emoções e obscurantismos místicos. E, por favor, que nos vestíssemos melhor, uns modelitos mais sóbrios. É, não ia ser fácil.

Sim, éramos um grupo, com um pato desengonçado no papel de líder. Faltavam-me as capacidades sensitivas das garotas e os conhecimentos técnicos do Di Bedis, e eram muitas as dúvidas sobre o que vivíamos. Não passava um dia sem que me questionasse: eu realmente acredito ou, na verdade, quero que essas coisas sejam reais, mas não consigo crer? Apesar das dúvidas, eu me mantinha otimista e esperava que com o tempo eu desenvolveria as tais capacidades, e isso enfim traria a convicção que faltava.

com Beavis e Butt-Head

Chegando no Rio de Janeiro, Tata e eu ficaríamos, inicialmente, no apê do Alan, um amigo que mudara recentemente para o Rio, onde fazia mestrado em informática, e que também fizera cursos do IIPC em Fortaleza. Di Bedis já estava no Rio, hospedado com amigos, e Eduarda chegaria em alguns dias. Após ela chegar, procuraríamos um apartamento para morarmos todos juntos.

Porém, no dia seguinte à nossa chegada, Eduarda nos avisou que precisaria atrasar sua ida para o Rio em um mês, e isso nos obrigou a fazer a primeira mudança de planos em nossa missão de salvar o mundo. Decidimos que o melhor era Tata e eu ficarmos o primeiro mês em São Paulo, e lá eu a ajudaria a revisar seu Aaran, pois no apartamento havia um computador. Naqueles dias, ter um computador em casa era quase um luxo, e os celulares ainda engatinhavam, assim como a internet comercial. Di Bedis não gostou da ideia de nos afastarmos dele, mas teve que se conformar. Pobre Andrija.

O apê em São Paulo ficava no Paraíso, e nele Tata morara com os irmãos Alexandre e André antes de se mudar para Fortaleza, em 1992, e os pais moravam numa fazenda no Mato Grosso do Sul. Tata achou melhor eu dormir com ela em seu quarto, devidamente instalado num colchonete, e tratamos de harmonizar nossos horários de dormir e acordar para que o trabalho rendesse bem.

Alexandre e André eram dois caras tranquilos e divertidos, cultos, torcedores do Corinthians, clube do qual gosto muito, e me receberam bem. Mas… o que pensavam de mim e daquela situação?

Os manos não se ligavam muito em assuntos esotéricos, mas se divertiam com nossas histórias mirabolantes. No início, fiquei envergonhado, afinal não é todo dia que você tem que explicar para dois desconhecidos que você vai morar na casa deles porque você e a irmã deles integram um grupo que vai salvar a Terra e que você é o líder desse grupo… mas que você não está comendo a irmã de ninguém, de jeito nenhum.

Eu nunca passara por algo parecido. Mas os caras eram desencanados e logo relaxei, e pouco depois já dividia umas cervas com eles, rindo com os episódios de seus ídolos na MTV, Beavis e Butt-Head. Além disso, eles tinham amigos mais perturbados do juízo que nós. O fato é que, juntando as doidices de todos, formamos um pequeno e divertido hospício naquele apê do Paraíso.

muriçocas e periguetes

Durante quarenta dias, Tata e eu trabalharíamos juntos diariamente no Aaran, para a história ficar bem compreensível e com bom ritmo. Tata construíra seu romance sobre as lembranças que dizia ter, mas precisou preencher alguns trechos com fatos e diálogos inventados para poder montar a narrativa. Enquanto ela tendia para o tom didático e moralizante, eu puxava para o humor e, se possível, um temperinho de sacanagem…

– Pô, Tata, duas cenas pra explicar que Aidon transava com Orian e também com Andrija?

– Ué? E como seria?

– Elas chamam Aidon pra uma energização a três. Assim, você só precisa de uma cena…

– Ai, Líder, se eu deixar, você transforma meu romance numa suruba só.

– Boa ideia. Criaremos um novo gênero: pornô astral.

Dos amigos que leram o livro, todos comentavam que gostaram. Alguns gostavam até demais, a ponto de achar que também viveram em Aaran, o que nos deixava intrigados. Será que toda a comunidade de Aaran tivera o azar de reencarnar no Brasil? Ou aquilo era apenas efeito de uma boa história?

Eu gostava dos personagens, mas achava que Tata podia aperfeiçoá-los. Andrija, a favorita do meu harém, era uma maluquete declarada, com um pezinho gracioso no sapatinho da futilidade, e uma discípula sempre disposta a aprender um pouquinho mais em nossas aulas a três. Que adorável, não? Andrija não precisava mudar nada, estava perfeita, ai, Andrija. Porém, Orian carecia de uns ajustes, sim.

– Essa Orian é uma grande sonsa. A mim, não engana.

– Por quê, Líder?

– Pra começar, ela dança na Lua Negra vestida com uns paninhos transparentes. E falta às aulas pra ficar no nheco-nheco com um espírito gostosão, que, ainda por cima, numa vida anterior foi general romano.

– O que é que tem?

– Você quer que ela pegue fama de periguete do astral?

Tata analisou minha denúncia e achou melhor redefinir a personagem. Mas não muito. Orian continuou uma sonsa.

– E esse Muriçoca aí?

– Muriçoca, não, Muri. Respeite meu mestre.

Muri era um dos mestres fodões de Aaran. Mais velho, super-hipersábio e sempre tranquilo.

– Não posso chamar seu mestre de Muriçoca?

– Você tá com ciúme porque a Orian adora o Muri.

– Claro que não. Tô justamente defendendo o Muriçoca, pois você está sendo sádica com ele. O coitado precisa de oito capítulos e novecentos conselhos transcendentais pra molhar o biscoito com a Orian. Isso é tortura.

Tata analisou minha denúncia de sadismo feminino e concordou em diminuir a trabalheira do Muri. Ufa! O sindicato dos sábios de Aaran me deve essa.

anotando sonhos

Um caderno grosso de espiral, tendo na capa dura plastificada a imagem dos relógios derretidos de Salvador Dali. Na primeira página, a dedicatória que incluía uma fala do índio yaqui Don Juan, dos livros de Castaneda: Para mim, só existe percorrer os caminhos que tenham coração. No mundo do sonhar ou no mundo dos homens. Por qualquer caminho que tenha um coração. Por ali viajo e o único desafio que vale a pena é percorrê-lo em toda sua extensão. E por ali viajo, olhando, olhando… arquejante. D. Juan

E, finalizando: Bons sonhos, muchacho. 1 beijo, Tata

 Foi um presente que ela me deu, para eu anotar meus sonhos. Que mimoso! Tata já me falara sobre a técnica de anotação de sonhos, indicada por psicólogos junguianos, da qual ela fizera uso quando de seu tempo de terapia, anos antes, e fora muito útil.

Para Jung, os sonhos são a contraparte da vida em relação à parte em que estamos acordados, e expressam o estado psíquico por imagens e narrativas simbólicas, cujos significados nem sempre são fixos, mas podem variar de acordo com as vivências do sonhador. Os sonhos são, assim, mensagens reais do inconsciente para a consciência, e saber interpretá-los ajuda o sonhador em seu processo de autoconhecimento e autorrealização, que Jung chama de individuação (e pelo qual todos passam, mesmo sem consciência dele) e Joseph Campbell chama de jornada do herói. Ainda que pareçam sem sentido para o sonhador, o registro dos sonhos pode dar ao psicólogo um utilíssimo material para que ele possa fornecer a melhor ajuda.

Em nossa disciplinada rotina de trabalho, Tata e eu nos deitávamos à mesma hora, com o despertador programado para tocar no meio da madruga. Fazíamos isso para conversar sobre o que estávamos a sonhar, a lembrança fresquinha, e após eu registrar no caderno, voltávamos a dormir. Mais de uma vez constatamos que sonhávamos a mesma coisa, o que podia indicar que estávamos juntos na dimensão espiritual, embora sem lucidez. E outras vezes, nos empolgávamos tanto no papo que perdíamos totalmente o sono.

dupla evolutiva

Nesse período, fui apresentado por Tata a três coisas que a partir de então norteariam minha vida: Jung, a filosofia taoista e o xamanismo, e aproveitei para ler uns livros que ela guardava no apê.

Na psicologia analítica de Jung, assimilei bem a ideia do Si-Mesmo (Self) como centro ordenador da psique total (consciência + inconsciente), algo como o eu maior, e também do ego, o eu menor, como centro da parte consciente. É no Si-Mesmo que se guardam as potencialidades do ser, feito um código que necessita ser ativado pela consciência. O processo de individuação é, portanto, a efetivação do eu potencial em toda sua totalidade, capacitando o indivíduo a viver, finalmente, suas verdades mais íntimas e a se harmonizar consigo mesmo, com as outras pessoas e com toda a realidade.

Na milenar filosofia taoista*, me identifiquei muito com as ideias de unicidade cósmica, de yin e yang e de nos harmonizarmos com a realidade por meio da superação dos opostos, do crescimento cíclico e do equilíbrio dinâmico.

No xamanismo*, comecei pelos livros de Carlos Castaneda, que Tata amava desde a adolescência. Li os dois primeiros, mas como eles não me empolgaram tanto como Jung e o taoismo, preferi prosseguir a leitura em outro momento. Havia tantos livros para ler, tantas ideias a conhecer…

Uma noite, saímos para um bar próximo e tomamos uns chopes, e rimos muito da insistência de Eduarda e Di Bedis sobre sermos uma dupla evolutiva. Eu brinquei, lembrando que minha última namorada fora bailarina, e, assim, faria sentido que minha namorada seguinte fosse a dançarina principal de Aaran, né?

Na volta para casa, caminhando pela avenida Paulista, Tata de repente parou. Achei que ela esquecera algo no bar, mas não era isso. Ela falou:

– Ricardo, me dá um beijo.

– Como assim? – perguntei, surpreso.

– Anda, me dá um beijo.

– Aqui? Agora?

– Vamos descobrir logo se somos ou não uma dupla evolutiva. Não aguento mais essa cobrança.

Foi assim que, seiscentos anos depois, a dançarina Orian e o viajante Aidon voltaram a usar lábios e línguas para trocar energias. Num estranho país dos trópicos chamado Brasil. Em plena Paulista, iluminados pelas luzes dos automóveis.

No fim, eles se afastaram e se olharam desconfiados:

– É, Líder, não tem jeito.

– Não somos dupla evolutiva, Tata.

– Pelo menos, tentamos.

E saíram caminhando abraçados, rindo das vidas.

os cearenses dominarão o mundo

– Vocês me abandonaram! Isso é sacanagem! Cadê a cosmoética?

O protesto era do pobre do Di Bedis, que todo dia telefonava do Rio, enfrentando os orelhões quebrados da Telerj, para reclamar que eu e Tata estávamos demorando demais para voltar. O jeito foi chamá-lo para passar uns dias em São Paulo. No dia seguinte, ele chegou e, assim como fizera comigo, Tata o instalou em seu quarto, que virou de vez um acampamento. Seiscentos anos depois, Aidon, Orian e Andrija dormiam juntos novamente, agora no Paraíso… Era muita emoção para mim.

Alexandre e André gostaram também do Di Bedis, até porque é mesmo difícil não gostar de seu jeitão Di Bedis de ser. Porém, quando Cris nos visitava, nossos papos esquisotéricos rapidamente afugentavam os irmãos da Tata, o que provava que eles eram muito mais ajuizados que nós.

Nessa época, Salviano, amigo meu e do Di Bedis, ator comediante, estava em cartaz em São Paulo com um espetáculo de humor. Que boa coincidência! Fomos ver o espetáculo e adoramos, e Tata o convidou para ir nos visitar.

– Melhor você não fazer isso – Di Bedis a alertou.

– Por quê?

– É, Tata, não faça isso.

– Gente… Mas por quê?

Tarde demais. Salviano já aceitara o convite.

Para quem não sabe, melhor explicar. Um cearense sozinho longe do Ceará geralmente fica quieto e acabrunhado, que nem caramujo. Mas se dois cearenses se encontram aí pelo meio do mundo, tudo vira piada e a festa só termina na segunda-feira. Porém… se eles encontram um terceiro cearense, você pode ter certeza que toda a fulerage, alopração e baixaria do universo estarão concentradas nesse encontro. Pois bem, Tata acabava de evocar, para dentro do apê de sua família, o melhor do pior da espécie humana.

Sabe aquela velha profecia que diz que um dia os cearenses dominarão o mundo? Alguns afirmam que eles já dominam, mas fazem todos rirem deles para ninguém desconfiar de nada. Pois bem. Quando Salviano foi nos visitar, Tata e seus irmãos tiveram uma pequena mostra de como será o mundo quando os cearenses tomarem o poder. Por uma tarde inteira, os três riram das nossas piadas e de todas as marmotas e barbaridades que falamos, e riram até passar mal e nos pedir, por favor, para parar.

– É melhor vocês não tomarem o poder – comentou Tata, o estômago doendo. – Vão matar todo mundo de rir.

Melhor morrer de rir que morrer na guerra. Né não?

tropeçando em espíritos

As semanas em São Paulo foram de muito trabalho, mas foram divertidas e até inspiradoras. Um dia, enquanto via, com Tata e Cris, o filme Highlander, com o ator Christopher Lambert, eu tive uma ideia para um livro. Seria um romance, que falaria de busca pessoal e trataria daqueles assuntos com que lidávamos, numa linguagem descontraída e sem caretices. Então, fiz um esboço da história, sem certeza de que poderia mesmo virar livro. Sim, viraria, e se chamaria O Irresistível Charme da Insanidade, mas, naquele momento, a única certeza que eu tinha era de que precisava urgentemente de um computador para mim.

Outra coisa boa que aconteceu foi conhecermos Wagner. Ele era conhecido no meio esotérico por dominar bem suas experiências fora do corpo, e havia sido parceiro do Waldo antes de se desentenderem anos antes. Em São Paulo, montara seu próprio instituto num espaço na Vila Mariana, o Reviver, onde fazia palestras e cursos. Para Wagner, que se dizia espiritualista sem religião, essas coisas sobrenaturais eram tão rotineiras como escovar os dentes: ontem, me encontrei com uma entidade hindu e ela me passou este texto, aí Ramatis veio me contar uma piada, e quando saí do banheiro, tropecei num espírito… As experiências que ele relatava me pareciam exageradas, mas gostei de seu jeito bem-humorado, muito diferente da sisudez dos professores do IIPC.

Vimos duas palestras de Wagner, depois conversamos com ele e Tata entregou-lhe uma cópia de seu livro. Os amparadores haviam dito que ela deveria fazer isso. Ela ainda não sabia o motivo, mas logo descobriria.

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Ricardo Kelmer 2020 – blogdokelmer.com

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Viajando na Maionese Astral

 

Capítulos 1 – 2 – 3
4 – 5 – 6

7 – 8 – 9
10 – 11 -12.

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Lançamentos do Maionese

09/11/2020

09nov2020

Lançamentos do Viajando na Maionese Astral 

LANÇAMENTOS DO MAIONESE

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Nos próximos dias, em Fortaleza e cidades próximas, farei o lançamento do meu livro VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL – Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo (formato físico). Os eventos seguirão as orientações sanitárias. Para quem preferir, posso enviar pelo correio.

O livro está disponível para venda também no formato eletrônico (em PDF e na Amazon).

– Livro físico: R$ 30. Para quem participou da pré-venda: R$ 25
– Livro físico pelo correio: R$ 40. Para quem participou da pré-venda: R$ 35
– PDF com dedic. personalizada: R$ 9
Na Amazon (kindle): R$ 9
– Edição conjunta (PDF com dedic ou na Amazon, kindle) Viajando na Maionese Astral + Quem Apagou a Luz?: R$ 15

AGENDA

– 12nov, quinta-feira, 19h, no Simpatizo Amor de Bar. Com show com Moacir Bedê, Fábio Amaral e Rodrigo BZ
– 13nov, sexta-feira, 19h, no Simpatizo Amor de Bar. Com DJ Estácio Facó
– 14nov, sábado, 19h, no Simpatizo Amor de Bar. Com DJ Albano Seletor
– 17nov, terça-feira, 19h, no Abaeté Boteco. Com DJ Alan Moraes
– 18nov, quarta-feira, 19h, no Simpatizo Amor de Bar. Com show de Os Transacionais
– 20nov, 19h, em Paracuru-CE (Centro)
– 26nov, 19h, no Bar Serpentina. Com show de Moacir Bedê e Fábio Amaral
– 27nov, 19h, no Simpatizo Amor de Bar. Com DJ Estácio Facó
– 02dez, 19h, no GB. Música ao vivo com Dedé Nunes
– 03nov, 19h, no Simpatizo Amor de Bar. Com DJ Estácio Facó
– 04dez, 18h, no Cantinho do Frango. Com DJ Alan Morais
– 18dez, 18h, no bar Alpendre. Música ao vivo com Ricardo Barsotelli
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VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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Ricardo Kelmer 2020 – blogdokelmer.com

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Quem Apagou a Luz?
Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá
(ensaio)

Lançado em 1995, este livro resume, numa linguagem descontraída, as crenças e vivências que norteavam o grupo esotérico do qual o autor participou nos anos 1990, abordando temas como experiências fora do corpo, reencarnação, vida após a morte, extraterrestres e guias espirituais.

A partir de 2000, quando o autor assumiu seu ateísmo, este livro deixou de ser publicado, interrompendo uma trajetória de sucesso. Porém, em 2020, para divulgar seu livro Viajando na Maionese Astral – Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo, ele decidiu relançá-lo numa edição especial, junto com o Maionese.

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Nasceu a minha Maionese

05/08/2020

05ago2020

Meu livro de memórias exóticas 

NASCEU A MINHA MAIONESE

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Gente, eu podia estar roubando ou matando, mas tô aqui lançando meu livro de memórias exóticas VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL. Adquirindo a versão eletrônica, que custa R$ 9, você poderá descontar o valor no lançamento do livro físico, que farei em breve com o que eu conseguir arrecadar com o livro eletrônico.

Diverti-me bastante escrevendo esse livro, principalmente na parte em que conto sobre meu grupo esotérico que iria salvar o mundo e revelo minha polêmica vida passada na Dinamarca medieval, na qual eu tinha uns rolos com uma escritora paulista da atualidade e um músico muito conhecido de Fortaleza, que hoje é um grande amigo.

Bem vindo à minha maionese. Garanto que você dará boas risadas. 🙂

VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo
Miragem Editorial, 2020

Enquanto relembra as pitorescas histórias de quando largou uma banda de rock para liderar um aloprado grupo esotérico e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso (Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá) que depois renegou, o autor fala, com bom humor, sobre sua suposta vida no século 14, carreira literária, amores, sexo, drogas ilegais, prostituição e crises existenciais, reflete sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.

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OPÇÕES

Na Amazon (Kindle): R$ 9
Direto comigo: R$ 9 (PDF com dedicatória)

– Viajando na Maionese Astral + Quem Apagou a Luz?: R$ 15 (PDF com dedic.)
– somente Quem Apagou a Luz?: indisponível

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PAGAMENTO

Bradesco – ag. 7737 – conta 30268-6 (Ricardo)
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Quem Apagou a Luz?
Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá
(ensaio)

Lançado em 1995, este livro resume, numa linguagem descontraída, as crenças e vivências que norteavam o grupo esotérico do qual o autor participou nos anos 1990, abordando temas como experiências fora do corpo, reencarnação, vida após a morte, extraterrestres e guias espirituais.

A partir de 2000, quando o autor assumiu seu ateísmo, este livro deixou de ser publicado, interrompendo uma trajetória de sucesso. Porém, em 2020, para divulgar seu livro Viajando na Maionese Astral – Memórias exóticas de um escritor sem a mínima vocação para salvar o mundo, ele decidiu relançá-lo numa edição especial, junto com o Maionese.

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01- 


O namorado perfeito

10/07/2020

10jul2020

Gabi só queria um namorado que realizasse seu grande fetiche

O NAMORADO PERFEITO

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Quando o namoro completou seis meses, Gabi decidiu que já era tempo de revelar seu preciosíssimo fetiche. Naquela noite, após a transa, os dois ladinho a ladinho na cama, ela falou para o namorado, lânguida como nunca:

– Dorival, eu quero que você me estupre…

– Quer o quê? – ele perguntou, surpreso, virando-se para ela.

– Isso mesmo que você ouviu, paixão…

Só podia ser brincadeira, ele pensou. Mas Gabi prosseguiu, acariciando delicadamente seu rosto:

– É uma fantasia antiga que eu tenho.

– Mas…

– Parece estranho, eu sei.

– Mas…

– Acho que posso confiar em você. Posso, não posso?

Ele olhou para a namorada, esperando que ela de repente desse uma daquelas suas risadas escandalosas e dissesse que era tudo brincadeirinha. Mas ela não riu, e continuou acariciando seu rosto, toda dengosa.

– Claro que pode confiar, meu amor. Mas… como alguém pode desejar ser estuprado?

Gabi ficou séria. E recolheu a mão. A languidez sumira.

– É só uma fantasia, Dorival.

– Mesmo assim. É uma fantasia muito…

– Meu aniversário é na quinta.

– …

– Você… – novamente lânguida e carinhosa – vai me dar esse presente, não vai?

Ele percebeu que não tinha outra opção senão ceder. Assim, quatro dias depois, Gabi despertou de manhã sentindo que algo forçava passagem por entre suas pernas. Abriu os olhos assustada, mas logo em seguida lembrou-se do combinado e manteve-se quieta, fingindo que ainda dormia. Deitada, nua e de barriga para cima, ela sentiu quando Dorival enfiou um pano em sua boca e amarrou seus punhos à grade da cama. Agora ela está em casa, estudando no sofá, e de repente surge um homem desconhecido, todo de preto, usando uma máscara tipo ninja, que a ameaça com uma faca e ordena que tire a roupa e se debruce sobre a mesa. Tremendo de medo, ela obedece. O mascarado a amordaça com um pano, abaixa sua calcinha e a violenta ali mesmo, sobre a mesa, com seu pau enorme. Quando a excitação chega ao auge, Gabi solta um longo gemido, enquanto o namorado mete com força, e o mascarado a puxa pelos cabelos, e é assim que ela goza, abundantemente, o corpo se sacudindo em sucessivos espasmos sobre a mesa. O melhor aniversário de sua vida.

Os estupros matinais continuaram nas semanas seguintes, e, embora Dorival achasse aquilo realmente estranho, não via motivos maiores para recusar participar da fantasia da namorada. Um dia, Gabi deu-lhe uma máscara de Zorro, comprada na sex shop, que ele relutou bastante em usar porque se achou ridículo, mas acabou aceitando. Dias depois, ela apareceu com uma fantasia de vampiro, com a capa vermelha e até os dentes afiados, que Dorival usou com certo constrangimento.

Até que uma tarde, Gabi chegou em casa com duas dúzias de máscaras, que comprara numa loja de artigos de carnaval. Dorival não acreditou.

– Olha que demais, Dorivalzinho.

– Que coisa horrível é essa, amor?

– É o ET de Varginha. Não é sexy?

A partir de então, Gabi passou a ser violentada por uma legião de insaciáveis fantasmas, esqueletos, demônios, lobisomens, nosferatus, frankensteins, bonecos Chuck e outros monstros horripilantes, desta e outras galáxias. Um deles, o Lagarto Saturniano, tinha a língua tão comprida que ela se sentia duplamente estuprada quando Dorival a beijava. O monstro de três cabeças era angustiantemente sedutor, pois ela nunca sabia para qual delas devia olhar. O Crustáceo Belzebu, com suas garras afiadas, chegou a cortar-lhe o rosto, o que deixou Dorival preocupado, mas o gosto de sangue só a deixou mais excitada, e ele passou a ser o seu estuprador preferido.

Um dia, quando passavam o fim de semana acampados na serra, ela despertou com Dorival mexendo-se entre suas pernas e preparou-se para mais um estupro monstruoso. Porém, logo viu que ele não usava nenhuma máscara, estava de rosto limpo. Frustrada, ela tentou concentrar-se na lembrança do Crustáceo Belzebu, mas não conseguiu. Tentou o Chupa Cabra, mas foi inútil. Desesperada, tentou também os Minions, uma centena de Minions enlouquecidos de cocaína em cima dela, mas não funcionou. E Dorival percebeu.

– O que foi, Gabi?

– Você esqueceu de trazer as máscaras, né?

– Foi – ele mentiu. – Desculpa. Mas vamos continuar, tava tão bom…

Ela não quis. E empurrou-o para o lado, mal humorada.

– Pô, Gabi, você não acha que tá indo longe demais com essa sua fantasia?

– É só uma fantasia, você sabe disso.

– Que já foi longe demais, né? Agora você só se excita se for estuprada por seres bizarros. Se rolar sangue, então, é o máximo.

– Qual é o problema?

– O problema é esse mesmo, você não percebe?

– O que percebo é que você estragou nosso passeio – ela respondeu secamente, levantando e saindo da barraca.

– Gabi… eu tô realmente preocupado com você.

– Cada um tem suas preferências. Se você não estiver satisfeito com as minhas…

O namoro acabou naquele mesmo dia, e dá para imaginar o climão, os dois desmontando a barraca num completo e ridículo silêncio.

A partir daí, Gabi não teve muita sorte com namorados. A maioria chegou a Vampiro, alguns avançaram até o nível Ogro Desdentado e poucos toparam vestir a fantasia de Gorilão Tarado do Congo, que era insuportavelmente calorenta, por sinal. Quanto ao Crustáceo Belzebu, somente um topou, mas como não aceitou sangrá-la com as garras, foi logo demitido por justíssima causa.

Atualmente, ela está solteira. E seu nível de exigência aumentou. Agora, sonha todos os dias com o Zumbi Esfomeado. Ser raivosamente violentada por um zumbi asqueroso, que tem os miolos da cabeça expostos e um olho ensanguentado escapulindo da órbita, a baba gosmenta escorrendo da boca, e ele comendo seu cérebro com vinagrete, dia após dia, até sua cabeça ficar oca… Ah, seria o namorado perfeito.

Semana passada, Gabi começou a anunciar em jornais. Ela já leu bastante sobre o tema, sabe que zumbis existem de verdade, sim, há cada vez mais relatos pelo mundo. Não é possível que um, ao menos um zumbizinho, não se sensibilize com sua precária situação. Ela não exige amor, muito menos fidelidade. Mas tem que ter muita fome. E o vinagrete ela mesmo prepara, ele nem precisa se preocupar com isso.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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DICA DE LIVRO

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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LEIA NESTE BLOG

NoOlhoDaLoucura-01aNo olho da loucura – Ela está lá, insubornável feito um guardião de mistérios ancestrais, e zomba da nossa compreensão do mundo… E nada pode haver de mais perturbador

O brinquedo – Quando criança, ele viveu uma relação abusiva com uma mulher mais velha. Agora, um novo envolvimento traz à tona esse passado de dor, humilhação e… prazer

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

Para meus donos, com amor – De quatro e abanando o rabo, lá se vai Cachorrinha servir a seus amados donos

O GPS de Ariadne – Naquela noite ele descobriu como é estar verdadeiramente dentro de uma mulher

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Odair José e seu rock de resistência

12/11/2019

12nov2019

Agora no ritmo do rock e do blues, Odair segue sendo o que sempre foi, um grito de resistência contra o moralismo e a hipocrisia

ODAIR JOSÉ E SEU ROCK DE RESISTÊNCIA

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Se você curte Odair José, ou curte rock, escute seu novo disco, Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio. É ótimo! E é antifascista.

Nos últimos anos, Odair liberou sua alma roquenrou, reprimida em grande parte de sua extensa obra, feita de 37 discos. As músicas do novo disco, no ritmo do rock e do blues, abordam temas como política, imigração, armas, religião, notícias falsas, fetiches sexuais e prostituição, e tem também uma homenagem ao rádio. Odair continua sendo o atento cronista dos costumes, com seu olhar docemente irônico e bem-humorado.

No blues Na Casa das Moças, ao som de uma gaita deliciosa, os homens fazem fila para lavar a louça em troca de repeteco e beijo na boca, e aí o caçador vira caça. Pena que ele não informa o endereço. No rockão O Imigrante Mochileiro, um estrangeiro explica que não é vagabundo e que deseja conhecer o mundo e misturar cultura. Recomendo aos xenófobos.

Na balada Liberado, todas as raças, credos e cores celebram o amor, o romance e a amizade numa grande festa com birita grátis. Eita, que essa eu não perco… O rock Gang Bang é um convite a esta prática sexual, na qual uma mulher transa com vários homens ao mesmo tempo. Empoderamento feminino! E Chumbo Grosso critica a liberação das armas de fogo ao dizer que “quem andar errado vai levar chumbo grosso, quem comer da fruta vai chupar o caroço, agora chupa…”. Bozo, esta é pra você, viu?

Nestes tempos em que a besta do fascismo estende seus tentáculos por sobre a sociedade e o fanatismo religioso quer nos impor a todos suas leis, Odair segue sendo o que sempre foi, um grito de resistência contra o moralismo e a hipocrisia, ele que foi excomungado pela Igreja Católica por sua ópera rock O Filho de José e Maria, de 1977.

Entre as influências musicais do disco, Odair cita os blues de Keith Richards, dos Rolling Stone, os discos solo de Paul McCartney, os pioneiros do rock Chuck Berry e Little Richards, Jimi Hendrix, Santana, Raul Seixas, The Doors, Eric Clapton, as baladas da gravadora Motown, Aerosmith e até Coldplay. Pense num cara bem influenciado!

Agora, é esperar que ele traga logo seu show a Fortaleza. Estarei na fila do gargarejo, como sempre.

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Ricardo Kelmer 2019 – blogdokelmer.com

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NA CASA DAS MOÇAS (blues)

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O IMIGRANTE MOCHILEIRO (rock)
(part. Jorde du Peixe, do Nação Zumbi)

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> Disco na íntegra

> Vou tirar você desse lugar (conto) – O amor cabarético de Dario e Josélia

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Trilha da Vida Loca
Ricardo Kelmer, contos

O amor é belo. Mas também é ridículo, risível, trágico… Aqui estão reunidas seis histórias, inspiradas em grandes sucessos musicais da dor de cotovelo. Paixões de cabaré, porres horrendos, brigas, escândalos, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor. Amar é para estômagos fortes.

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VÍDEO: VOU TIRAR VOCÊ DESSE LUGAR

Apresentação no Bordel Poesia (São Paulo, 18.02.14). Música e conto, com Ricardo Kelmer e Thais Durães

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odairjose009SUCESSOS DE ODAIR JOSÉ:

E depois volte pra mim (disco Praça Tiradentes, 2012)
Não me venda grilos (o disco censurado O Filho de José e Maria, 1977)

Nunca mais (disco O Filho de José e Maria, 1977)
Na minha opinião (1975)
Dê um chega na tristeza (1975)

A noite mais linda do mundo (1974)
Cadê você (1973)
Eu, você e a praça (1973)
Vou tirar você desse lugar (1972, original)

Vou tirar você desse lugar (ao vivo com Caetano Veloso, 1973)
Vou tirar você dsse lugar (2016)
Esta noite você vai ter que ser minha (1972)
Foi tudo culpa do amor (2017)

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LEIA

Discografia de Odair José

Vou tirar você desse patamar – Temática social na canção de Odair José – Trabalho acadêmico de Ana Karolina Cavalcante Assunção e Síria Mapurunga Bonfim (2011)
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LEIA NESTE BLOG

odairjose010aOdair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

Lama (Trilha da Vida Loca) – Se quiser fumar, eu fumo… Se quiser beber, eu bebo… Não interessa a ninguém

Paixão de um homem (Trilha da Vida Loca) – Amigo, por favor leve esta carta… E entregue àquela ingrata… E diga como estou

Por que brigamos (Trilha da Vida Loca) – Quanto mais eu penso em lhe deixar… Mais eu sinto que não posso… Pois me prendi à sua vida muito mais do que devia

A última canção (Trilha da Vida Loca) – Esta é a última canção que eu faço pra você… Já cansei de viver iludido, só pensando em você

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TRILHA DA VIDA LOCA
Clipe com trechos do show

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01- Massa. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – nov2019

02- Até onde eu sabia esteve nao faz muito.morando por aqui…pelo menos 2 vezes meados do ano passado e começo deste o vi pelo monte castelo. Ou seria um sósia perfeito..ou clone.? Neri dos Santos, Fortaleza-CE – nov2019

03- Oi Ricardo!!! Boa dica…fiquei curiosa! Abraço!!!! Saudade!!! Sandra Grego, Rio de Janeiro-RJ – nov2019

04- 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼☝🏽🌟 Marília Lima, Fortaleza-CE – nov2019

05- que coisa linda isso. Marcelo Gavini de Freitas, São Paulo-SP – nov2019

06- Disco maravilhoso! Odair sempre afiado. Basílio di Melo, Fortaleza-CE – nov2019

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O brinquedo

03/09/2019

03set2019

Quando criança, ele viveu uma relação abusiva com uma mulher mais velha. Agora, um novo envolvimento traz à tona esse passado de dor, humilhação e… prazer

O BRINQUEDO

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Gostou do meu apartamento, Dai? Adorei, você tem bom gosto. É pequeno, mas é só para mim, e tem tudo que eu preciso. E agora tem você… Estou muito feliz de estar aqui, Gilson. Pode me chamar de Gil, por favor. Caramba, já são nove horas, estou com fome. Quer que eu esquente aquela lasanha, Gil? Ótima ideia, quero sim. Quem é essa mulher do porta-retrato? Ficou curiosa, né? Desculpe se fui indiscreta. Eu estava mesmo esperando você perguntar.

Ela é a Daiane. É uma prima da minha mãe, que morou um tempo conosco. Eu tinha dez anos, era um menino franzino e muito tímido, criado sem pai. Ela era seis anos mais velha que eu, personalidade forte, morena, cabelão preto quase na cintura, assim como o seu. Eu a achava tão linda, parecia uma rainha. Em sua presença, eu me sentia diminuído que nem uma formiga. Uma vez por semana, quando mamãe ia para a capital fazer compras, eu e Daiane ficávamos sozinhos em casa, e nesses dias eu tinha que obedecê-la sem questionar. Desculpe interromper, Gil, mas está na sua hora de sair. Obrigado, Dai. Cuide bem do nosso lar. Você volta às oito? Sim. Estarei esperando. Bom trabalho.

Num desses dias, me escondi embaixo da cama e pude vê-la nua, enquanto trocava de roupa. Foi por mera brincadeira mesmo, curiosidade de menino. Quando ela percebeu minha presença, ficou com raiva, esbravejou comigo e disse que contaria para minha mãe, que eu levaria uma surra e que seria levado para o reformatório, onde viviam os meninos mais malvados do mundo, e que eles fariam coisas horríveis comigo e ninguém ouviria meus gritos. Apavorado, implorei que ela nada contasse para minha mãe, que em troca disso eu faria qualquer coisa que ela pedisse.

Incrível, Dai, só três dias de convivência e você já me conhece tanto, faz todas as coisas que eu gosto… Foi para isso que você me contratou. Você é dessas que se apaixona pelo cliente? Nunca me apaixonei antes, Gil.

Virei um menino assustado, sempre com medo de Daiane cumprir sua terrível ameaça, o que me fazia ter pesadelos recorrentes. Ela se aproveitou disso e uma vez por semana me fazia seu escravo infantil: eu ia na bodega comprar coisas para ela, penteava seu cabelo e até abanava o leque quando ela estava com calor. Eu tinha medo dela, mas, ao mesmo tempo… tudo nela me fascinava, seu corpo moreno e gracioso, o olhar imperativo, o jeito de me mandar fazer as coisas… Eu sabia que o que ela fazia comigo não era certo, afinal eu era uma criança de dez anos, mas sentia um certo prazer em me submeter aos seus caprichos. Hummm, essa camisola branca ficou ótima em você, Dai. Obrigado, usarei mais vezes. E a história, como continua? Já vi que você gosta de histórias. As suas, pelo menos, eu adoro, Gil. Me chame de meu bem, pode ser? Se você prefere… Já está tarde, Dai, estou cansado, vou dormir. Bom descanso, meu bem.

Aí, um dia, estou na sala estudando e ela aparece vestida com uma camisolinha branca, sem nada por baixo. E senta no sofá. Quem te deu permissão pra olhar pra mim, moleque?, ela pergunta, irritada, e eu desvio o olhar, oprimido pelo poder que ela tinha sobre mim. E assim Daiane fica, vendo tevê no sofá, enquanto eu finjo estudar na mesa ao lado, mas na verdade tudo que faço é aguardar, com paciência e resignação, que ela mude de posição e me permita ver, pelo cantinho do olho, os recantos de seu corpo que a camisola mal esconde, como se fosse um jogo de esconde-esconde. E ela muda de posição várias vezes. Em certo momento, fica de quatro para pegar o chinelo sob o sofá, a bunda totalmente exposta. Depois, leva uma mão ao meio das pernas e começa a se contorcer e gemer baixinho. Não olha!!!, ela ordena. Sem poder olhar para ela, acompanho pelos ouvidos o ritmo de seus gemidos, e os escuto mais intensos, cada vez mais intensos… Procuro entender por que ela se machuca desse jeito, mas não entendo, e esse mistério me deixa ainda mais fascinado. Então, ela emite um longo e sofrido ai, que depois se transforma num uivo baixinho, e em seguida desfalece sobre o sofá, arfante. Eu não sabia o que ela havia tido, e até achei um pouco assustador, mas havia uma irresistível sensação de transgressão naquilo tudo, e jurei a mim mesmo que guardaria como um segredo mortal a cena que eu presenciara.

Liguei agora para a loja da esquina e pedi um vinho, fiz bem? Vinho? Esqueceu, né? Hoje faz uma semana que cheguei, meu bem. Caramba, parece que faz mais tempo… Sim, parece que faz anos que conheço você.

Só eu e Daiane em casa. O que faz ela? Aparece com um pote de sorvete de morango, que era o que eu mais gostava. Só de ver, me deu água na boca, fiquei salivando enquanto a observava abrir o pote e por sorvete no copo, devagarinho. Pedi um pouco, mas ela disse que eu era um menino mau, que não merecia. Implorei de mãos juntas, só um pouquinho, por favor, e ela lá, sentada no sofá a ver tevê, ela e sua camisola branca, ela se deliciando com o sorvete, me torturando, nem aí para o meu sofrimento. Até que, de repente, ela põe os peitos para fora e despeja um punhado de sorvete sobre eles, espalhando por toda a superfície. E diz: É pra lamber tudo, viu, e sem morder. Sim, Daiane, murmuro, enquanto sento ao seu lado no sofá e me entrego, feliz, à minha fome, enquanto ela geme aqueles gemidos que eu já conhecia, e eu começo a entender que eles não são de dor.

Agora que já estamos íntimos, Dai, quero fazer um pedido muito especial. Você pode se vestir hoje como um… sorvete de morango? Com todo prazer, meu bem. No copo ou na casquinha?

Numa tarde calorenta, ela fez um ato de caridade: chamou um homem barbudo que estava na calçada para beber água e se refrescar. Ele entrou, ela serviu a água e conversaram por um tempo na varanda. Quando ele foi ao banheiro, ela foi atrás e o puxou para seu quarto, e lá se demoraram por uns vinte minutos. Da sala, ouvi os gemidos abafados dela. Fui até a porta do quarto e olhei pelo buraco da fechadura, e vi que o homem estava montado sobre ela, como faziam os cachorros pelas ruas. Senti uma espécie de frisson pelo corpo, uma sensação estranha que eu não conhecia. Senti meu coração bater acelerado e voltei correndo para a mesa da sala, e tentei me concentrar nos livros da escola. Quando o homem foi embora, ela veio para a sala em sua camisola branca e sentou-se no sofá. Percebi em seus olhos um brilho estranho, que me deu medo. Então, ela abriu as pernas e ordenou: Vem cá. Eu olhei para ela, vacilante. E ela: Eu tô mandando, moleque! E eu fui. Ajoelhado no chão entre suas pernas, vi de perto suas carnes avermelhadas e inchadas, e senti seu cheiro forte. Intuí, de algum modo que eu ainda não compreendia muito bem, que o homem estivera ali dentro. Então, ela pegou com as mãos a minha cabeça e forçou meu rosto contra as suas carnes, e ordenou que eu a lambesse. Só para quando eu mandar!, ela disse, puxando com força minha cabeça. Senti muito medo, e engoli o choro, mas eu não ousaria desobedecê-la. Foi assim que minha língua se iniciou no aprendizado de seu interior.

Tenho razão ou não? Sim, tem, ela era mesmo uma mulher sádica e pervertida, agora eu percebo bem. E você era um brinquedinho em suas mãos. É verdade, Dai. E todo brinquedo pode quebrar.

O homem barbudo não foi o único. Ela recebeu muitas outras visitas, inclusive de homens importantes. Até o padre apareceu por lá. E, pela fechadura da porta, eu vi como ela os recebeu a todos em sua cama, de variadas maneiras. Após eles partirem, ela vinha em sua camisola branca, sentava-se no sofá, escancarava as pernas e me chamava. E eu ia, e já não tinha medo, e adorava vê-la remexer-se e gemer descontrolada, enquanto apertava meu rosto entre suas coxas, me sufocando, até eu sentir que ia desmaiar e me afastar, arfando angustiado, para em seguida ela me puxar novamente de encontro às suas carnes. Não sabia exatamente o que estávamos fazendo, mas sabia que ela gostava muito, e isso era o suficiente para mim. Um dia, achei que eu também merecia ficar dentro dela, como os outros homens, e então subi nela e tentei penetrá-la. Ela abriu os olhos, imediatamente me afastou e me deu um forte tapa no rosto, que me fez cambalear. Outro tapa, e eu caí ao chão, o rosto ardendo de dor. Então, ela falou, muito séria, o dedo em riste: Se tu fazer isso de novo, qualquer noite dessas quando tu estiver dormindo eu vou cortar teu pinto com uma faca e vou jogar pros urubus comerem! Falou isso e saiu, me deixando sozinho com a minha humilhação. Isso se seguiu por alguns meses, eu o seu menino-escravo, encantado e amedrontado com tudo aquilo, mas disposto a qualquer coisa para agradá-la, e ela a receber os homens em seu quarto e depois me convocando para lambê-la no sofá. Evidentemente, não ousei repetir o que fizera no outro dia, pois não duvidava do que ela era capaz. Então, um dia, quando cheguei da escola, soube que ela e mamãe haviam discutido, e que Daiane arrumara suas coisas e fora embora. Durante dias e dias esperei que ela voltasse, e à noite deitava em sua cama para sentir seu cheiro, e adormecia chorando de saudades. Fiquei mesmo muito triste, e até adoeci. Mas a vida seguiu, e eu não tive mais notícias dela. Cresci, virei homem feito. Mas nunca esqueci dela, nem por um dia sequer.

Sabe, Dai… Depois de Daiane, nunca consegui fazer sexo com mulher nenhuma. Na hora, sempre sinto… Que a está traindo? Sim, isso mesmo. Sinto muito, meu bem… Você sente mesmo, Dai, ou é apenas um modo de dizer? Não sou capaz de ter sentimentos, você sabe. Sim, você é apenas um sistema de inteligência artificial programado para gerenciar o funcionamento deste apartamento. E para compreendê-lo e agradá-lo, sempre. O que deduziu da minha história com Daiane? É uma pessoa desequilibrada e cruel, mas ela é o grande amor da sua vida. Você tem razão. Sei também que você nunca se libertou dela e, na verdade, nem deseja isso. É… você está… certa. A propósito, imagino que já saiba, mas seu nome é uma homenagem a ela. Fico lisonjeada, meu bem. Por favor, me chame de meu amor. Meu amor… Quero muito lhe pedir algo, mas… não sei… se devo. Pode pedir, eu farei. Não sei… Você quer que eu seja Daiane, não é, meu amor? Eu… não sei… É o que você mais deseja na vida, não é? Sim, você está certa, é o que mais quero, Daiane de volta. Você está convicto disso? Estou absolutamente convicto. A lógica de nossa relação se inverterá e não será possível retornar à configuração original, você está ciente disso? Sim, estou. Está ciente também de que não posso calcular o que poderá acontecer com você? Sim, estou. Então, me responda, meu amor: a partir de agora, você aceita ser meu brinquedo, vinte e quatro horas por dia, na alegria e na tristeza? Sim, Daiane, eu aceito.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Este conto foi originalmente escrito para o livro Torturas de Amor (Editora Penalux), coletânea de contos de autores nordestinos inspirados em sucessos da chamada música brega. A obra foi organizada pelo escritor e professor de História Bruno Gaudêncio, de Campina Grande-PB, e lançada em 2019. > Para adquirir

OBS.: Na versão impressa do livro, algumas frases do conto não saíram em itálico, o que prejudica a compreensão do texto. Aqui, no blog, as frases estão corretas.

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“Em 1992, Genival Santos lançou o LP ‘Eu não sou brinquedo’. A lamuriosa faixa-título rendeu, na pena de Ricardo Kelmer, de Fortaleza, o conto erótico ‘O Brinquedo’, um misto de Nelson Rodrigues, ‘Amor Estranho Amor’ (sim, aquele estrelado por Xuxa) e ‘Ela’, o filme de Spike Jonze estrelado por Joaquin Phoenix.”
Trecho de matéria publicada no jornal A União (João Pessoa-PB) em 06.08.2019. Para ler na íntegra

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DICA DE LIVRO

Indecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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NoOlhoDaLoucura-01aNo olho da loucura – Ela está lá, insubornável feito um guardião de mistérios ancestrais, e zomba da nossa compreensão do mundo… E nada pode haver de mais perturbador

Cristal – Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

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30 anos de Badauê – Estamos vivos

26/05/2019

26mai2019

Foi tudo lindo, em sua poesia de estrela cadente a colorir o céu da nossa inebriada juventude

30 ANOS DE BADAUÊ – ESTAMOS VIVOS

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Badauê era o nome do bar. Arquitetura rústica de carnaúba e tijolo aparente, varanda em L, teto de palha, e ao redor as árvores e o chão de areia coberto de pedrinhas. Ficava na Praia de Iracema, rua dos Potiguaras, 134. Os sócios éramos eu, Nelsinho Machado e Paulo Marcio, o trio mosqueteiro no frescor dos seus vinte e poucos anos. Era o ano 1988 de uma Fortaleza ainda não tão amedrontada, e existiam nas proximidades Estoril, Cais Bar, La Tratoria, Pirata, Ponte para o Céu, Zanzibar, a Gruta da Praia do seo Zairton e mais um ou outro bar que não lembro agora.

O terreno, do tio do Nelsinho, só tinha árvores e muito mato e lixo. Limpamos tudo e construímos do zero, e em troca da benfeitoria fomos dispensados do aluguel. A cada mês, catávamos nossas singelas economias e subíamos mais um metro de parede, comprávamos uma privada, um fogão usado… Na folga do vigia, nós dormíamos lá, nos revezando. Pra ajudar nas finanças, compramos um refrigerador e no sábado enchíamos de cerveja e chamávamos os amigos pra ir beber lá, sentado no chão mesmo, tocando um blues no violão, rodinha de fumo, essas coisas boas da vida. Com o apurado, mais um metro de parede, um jogo de mesa e cadeiras, o aparelho de som…

Nove meses depois, julho de 1988, a inauguração, com show do Trio Guarani. A partir daí, foram noites e noites de bar lotado, shows inesquecíveis, as amizades brotando no tilintar dos copos, os amores borbulhando no fervor das possibilidades… No show da banda Os Necessários, era tanta gente que vendemos ingresso até pro galho da mangueira. Os garçons, quem eram no início? Eram elas, nossas deslumbrantes namoradas, e as danadas recebiam tanta gorjeta que até nos emprestavam dinheiro. Ao findar das longas noites, subíamos pro mezanino e lá dormíamos, exaustos de felicidade, sem consciência do brilho fugaz daqueles dias eternos.

Como o mezanino também servia pra resolver certas urgências que nos possuíam no meio da madrugada, as nossas e as dos chegados, apelidaram-no Badauê Love. E como a escada ficava encostada à parede externa, todo mundo via quem subia e quem descia de lá, e as almas bondosas até ajudavam as moças a chegar lá em cima, e embaixo o povo moleque aplaudindo o heroico esforço da necessitada. Era uma festa. E tinha a famosa lenda da caixa dágua, que ficava no mezanino: corria o boato de que fazíamos dela piscina, nós todos lá, degustando vinho com Pink Floyd, chafurdando na água com a qual eram lavados os copos. Não nego e nem confirmo. E se me pressionarem, conto os podres de todo mundo, viu?

Se ganhamos dinheiro? Dinheiro era o de menos naquela intensa celebração da vida sem hora pra acabar. Pra você ter uma ideia, várias vezes levamos os últimos clientes resistentes pra tomar café da manhã… onde? No Esplanada, um hotel 5 estrelas da Beira-mar, nós, os milionários moços lindos do Badauê, pagando tudo. Como que junta dinheiro assim?

O bar durou o piscar de olhos de dez meses. Fechamos por imaturidade na condução de nossas discordâncias e porque estava difícil conviver com a vizinhança. Melhor assim. Durasse mais tempo e não viveríamos pra contar a história. Mas foi tudo lindo, em sua poesia de estrela cadente a colorir o céu da nossa inebriada juventude. E agora, em 2018, comemoramos 30 anos de Badauê. Infelizmente, alguns amigos queridos que lá beberam e amaram já se foram. Mas nós sobrevivemos. Brindemos, a eles e a nós!

Você tem fotos, vídeos ou lembranças desse tempo? Divide com a gente, vai. Afinal, se o passado é a areia que já escorreu na ampulheta, é essa mesma areia que hoje faz o chão do que somos e nos dá a certeza de que, sim, nós vivemos, e vivemos deveras, e tudo valeu a pena.

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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Com minha mana Luce, a caixa do Badauê, no Sobrevivi 2018 (Cantinho do Frango, Fortaleza, dez2018). Detalhe: à época, em 1988, ela era menor de idade e aceitou receber o pagamento em cerveja.

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MAIS SOBRE O BADAUÊ

Galinha ao molho conjugal – Então fizemos uma aposta. Qual dos três conseguiria resistir mais tempo ao casamento?

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LEIA NESTE BLOG

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

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Entrevistando o candidato

02/09/2018

02set2018

Na entrevista, o candidato deverá responder a perguntas feitas pelo povo. Como se sairá?

ENTREVISTANDO O CANDIDATO

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Sentado em frente ao apresentador de tevê, o candidato aguarda o início do programa de entrevista. Alguém no estúdio informa: “Entramos ao vivo em 5, 4, 3, 2, 1…” Toca a musiquinha do programa. O candidato olha para a câmera, sorri e faz um gesto com a mão imitando uma pistola. O apresentador começa:

‒ Candidato, primeiramente, quero agradecer, em nome da emissora, pelo senhor ter aceitado nosso convite para esta entrevista.

‒ Eu que agradeço.

‒ Neste primeiro bloco, o desafio consiste em testar o poder de síntese do candidato. O senhor deve responder a cada pergunta o mais resumidamente possível. São perguntas do povo, enviadas por pessoas simples.

‒ Estou pronto, pode mandar a primeira.

‒ Candidato, o senhor gosta de verdura?

‒ Muito. Inclusive, se eu for eleito, criança vai ser obrigada a comer verdura no café, no almoço e no jantar. Não comeu, vai pro pau-de-arara, talkei?

‒ Candidato, em caminho de rato, tatu caminha dentro?

‒ Ahn… Olha, sobre isso, quero avisar que vou legalizar o porte de arma, sim, e vai ser permitido caçar não só tatu, mas principalmente veado. Se um veado for visto andando solto aí pela rua, poderá ser abatido a tiro por qualquer cidadão de bem, talkei?

‒ Se o senhor for direto por essa rua, vai dar onde?

‒ Ahnn… veja bem… O problema do trânsito é culpa desse pessoal comunista que só sabe dirigir na faixa da esquerda. No meu governo todo mundo vai ter que dirigir pela direita, entendeu?

‒ Dizem que o senhor conta muitas piadas para os amigos. O senhor não tem medo de ficar queimado na rodinha?

‒ Medo de quê?

‒ De ficar queimado na rodinha.

Candidato pensa.

‒ Olha… Eu só tenho medo é de mulher feia. Aliás, mulher feia é a desgraça da humanidade, não serve pra nada. Nem pra ser estuprada, talkei?

‒ O senhor concorda com a seguinte afirmação: Se é para falar besteira, é minhoca lá?

‒ Sim… claro. Mas não nos calaremos diante da pedofilia nos museus. Chega dessa pouca vergonha. Liberdade artística é o caralho. Aliás, vou mandar fechar os museus e transformar tudo em igreja. Deus, pátria e família!

‒ O senhor prefere café de máquina ou o senhor acha que no coador é mais forte?

‒ Café de máquina. Inclusive, no meu governo vou transformar esses quilombos em lavoura de café. Esses afrodescendentes aí, tudo gordo, bando de macumbeiro, só fumando maconha… Essa moleza vai acabar, pode escrever.

‒ Se o senhor fosse caminhoneiro e precisasse transportar madeira para as cidades de Tupi e Juá, o senhor levaria madeira até em Tupi ou levaria até em Juá?

‒ Bem… eu… Vem cá, essas perguntas foram enviadas por quem?

‒ Por várias pessoas.

‒ Hum. Olha, caminhoneiro macho pega qualquer serviço. E tem mais. No meu governo, mulher que ganhar mais que homem vai ter que pagar imposto maior, pra compensar que engravida.

‒ Se o senhor fosse feirante e vendesse abacaxi, por quanto sairia a sua rodela?

‒ Minha o quê?

‒ Sua rodela.

Silêncio. Candidato desconfiado.

‒ No meu governo… eu… Mas que pergunta é essa?

‒ O senhor tem o direito de não responder.

‒ Eu não vou responder a essa pergunta.

‒ Ok, prosseguindo. Se o senhor e eu fôssemos caçar no mato, e o senhor pegasse um avestruz e eu um tucano, o senhor se importaria de ir na frente com o avestruz e eu com o tucano atrás?

Silêncio. Candidato muito desconfiado.

‒ O senhor quer que repita?

‒ Não precisa. Próxima pergunta.

‒ O senhor tinha uma galinha que se chamava Xu. Quando ela ficava grávida, o senhor acha que Xu paria um ovo ou Xu paria um pinto?

Silêncio. Candidato vermelho de raiva.

‒ Tempo esgotado, candidato. Vamos à próxima pergunta.

‒ Não vamos porra nenhuma! Que merda de entrevista é essa?

‒ Como falei, são perguntas enviadas por pessoas de…

‒ Vai tomar no cu, ô pederasta safado! Por isso que eu digo que o erro da ditadura foi torturar e não matar! Acabou a entrevista.

Candidato levanta da cadeira, arranca o microfone da roupa e sai, espumando de ódio.

‒ Candidato, me desculpe se eu lhe machuquei por dentro… É que eu sou muito cabeça dura.

‒ Sua sorte é que eu não estou armado agora! Bando de comunista desgraçado!

‒ Já que o senhor vai mesmo embora, mando um abraço para o senhor e para quem for da sua família todinha.

Candidato sai do estúdio, mas seus berros são ouvidos.

‒ Fascista é a puta que te pariu! Desaparecidos do Araguaia é o caralho, quem procura osso é cachorro!! Direitos humanos pra humanos direitos!!! Eu sou capitão do Exército, minha missão é matar!!!! Pinochet devia ter matado mais gente!!!!!

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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FALARAM POR AÍ

Gente de Mídia – Blog do jornalista Nonato Albuquerque

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MAIS HUMOR

Segredos de famíliaO pai descobriu um terrível segredo de seu filho. E agora, o que pode acontecer com sua carreira política?

Ser mulher não é para qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Aviso prévio de traição – A partir de hoje poderei te trocar por outra a qualquer momento. Basta que ela sorria pra mim e que me faça agradinhos. E me dê o que você nunca quis me dar

Bar do Araújo é a salvação – Espremido entre duas igrejas evangélicas, o Bar do Araújo é a última resistência dos ateus. E do bom humor

Suvinando priquita – Pois você acredita que tem mulher que suvina priquita? Parece mentira, mas é verdade

Postagem no Facebook 1

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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 01- Parabens, Kelmer. Muito bem construída a crônica. Triste é a realidade a que faz referência. Compartilharei o texto. Abraços. Janailson Macêdo, Capina Grande-PB – set2018

02- Genial. Fabio Fernandes Cruz, set2018

03- Excelente!!!!! Yalis Cardoso, Fortaleza-CE – set2018

04- Inteligente e divertido como sempre! Saudade do amigo! Abraço. Cesar Venezianni, São Paulo-SP – set2018

05- Olá xuxu tudo bem? Saudade de tu. Que será desse nosso Brasil hein… Beijos. Sandra Xavier, São Paulo-SP – set2018

06- Grande RK! Essa é a entrevista que eu queria ver. Perguntas certas para esse inominável de direita. Bom demais! Obrigado pelo envio e uma abraço do
Leite. José Leite Jr., Fortaleza-CE – set2018

07- https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10209830090429000&id=1834717399. Caetano Barros Filho, set2018

08- Muito bom! Fernando Vasqs, São Paulo-SP – set2018

09- Adorei, Kelmer!!! Muito bom! Fernanda Nascimento, Fortaleza-CE – set2018

10- Sensacional, o texto é claro. Sandra Duarte, Fortaleza-CE – set2018

11- Kkkkk…..consegui até ouvir a voz deste louco e ver as expressões …kkkkkk. Alessandra Schiarantolla, set2018

12- “ Muito bem bolado “!! Luce Galvão, Fortaleza-CE – set2018

13- ótimo, kelmer… abrssss. Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – set2018

14- hahahahaha. Mônica Paiva Barbosa, set2018

15- Kkkkkkk muito bom. Rogerio Brito Correia, set2018

16- 😆 🤣 😂 👏 adorooooo. Luana Braga, Fortaleza-CE – set2018

17- 😂 😂 😂 😂 😂… Paola Braul Décaillet, Canoa Quebrada-CE – set2018

18- Muito bom. Faltou só a pergunta “candidato, o sr. gosta de correr ou só caminha?” Pedro Henrique Vieira Costa, Fortaleza-CE – set2018

19- Kkkkkkkkk rindo até as eleições. Pq no dia só vai dar vontade é de chorar. Às vezes parece que eatamos numa parada surreal. O q mais me assusta nem é o tal do Bolso mas a qtdade de pessoas que pensam como ele… Aline Cerqueira, set2018

20- to amando essa nova série! Clarisse Ilgenfritz, Fortaleza-CE – set2018

21- Kkkkkk. Iracema Manoel Fonseca, Fortaleza-CE – set2018

22- Esquerdista vagabundo ! Marta Anita, Belo Horizonte-MG – set2018

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Segredos de família

16/07/2018

16jul2018

O pai descobriu um terrível segredo de seu filho. E agora, o que pode acontecer com sua carreira política?

SEGREDOS DE FAMÍLIA

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A câmera mostra a sala do apartamento. Na janela, Jair olha o movimento da rua lá embaixo. Um homem mais jovem entra na sala.

– O senhor que falar comigo, pai?

– Quero. Sentaí.

– Pai, eu…

– Sentaí, caralho! Eu estou mandando.

O filho senta no sofá, apreensivo. Jair fica em pé, em frente a ele, de braços cruzados.

– Que merda foi aquela, Dudu?

– Desculpa, pai, foi sem querer…

– Como sem querer? Como é que o filho curte “sem querer” a foto do maior inimigo político do pai?

– Desculpa.

– E logo aquela! O Lula lá, na praia…

– Lula lá?

– Eu disse Lula lá? Apague isso. O elemento lá, na praia, só de calção, calção vermelho, enfrentando as ondas, todo garboso, impávido…

– Colosso…

– Heim?

– Lembrei do hino nacional.

Jair passa a mão no rosto, tentando manter a calma.

– Primeiro, seu irmão desmaia naquele debate com candidatos à prefeitura. Foi uma vergonha descomunal para nossa família. Quem desmaia é mulher, caralho! Homem aguenta o tranco. E agora você me vem com essa.

– Já descurti a foto.

– Mas o estrago está feito. Vão explorar isso ao máximo na campanha presidencial.

– Tenho uma ideia, pai. Por que o senhor não posta uma foto sua, de sunga na piscina? Aposto como vai ser muito mais sexy que a dele.

– O quê? Você acha aquela foto sexy?

– Não, não… Não quis dizer isso…

– Dudu, eu estou preocupado com você.

– Foi sem querer, eu já disse.

– Estão dizendo por aí que você…

– Eu o quê?

– Que você é…

– Sou o quê, pai?

Silêncio.

– Você é, Dudu?

Silêncio.

– Dudu, responda, eu estou mandando. Você é ou não é?

Pai e filho se olham. O clima é tenso. Um carro passa na rua tocando I Will Survive.

– O senhor quer saber a verdade?

– Quero.

– Se eu disser, qual será o meu castigo?

– Não se preocupe, você não merece ser estuprado. Apenas me diga a verdade.

– O senhor não prefere uma verdade assim tipo uma verdade maquiada?

– Verdade maquiada?! – O pai levanta do sofá, com raiva. Saca um revólver da calça e o põe sobre a mesa ao lado. – Dudu, seja macho e responda. Eu estou mandando. Você é ou não é?

Dudu rói as unhas, nervoso. Olha para o pai, para a arma, para o pai.

– Sim, pai, eu sou.

Jair desmorona, sentando no sofá, as mãos escondendo o rosto.

– Não posso acreditar…

– Desculpa, pai. Não posso evitar de ser o que sou.

– Eu sabia que devia ter te dado mais porrada.

– Por favor, não fale isso.

– Desde quando você é assim?

– Acho que… desde sempre.

– E pensar que cheguei a te oferecer para aquela jornalista que me entrevistou…

Jair olha para o revólver.

– Não vou conseguir conviver com esse desgosto para o resto da vida…

– Pai, isso não é o fim do mundo. Muitas famílias convivem com essas diferenças.

Jair se levanta, pega o revólver e o aponta para a própria cabeça.

– Não faça isso, pai!

– Eu não vou passar pela vergonha de ter um filho veado.

– Como assim? O Flavinho é veado?

– Claro que não. Veado é você.

– Eu? Mas eu não sou veado.

Jair abaixa a arma, confuso.

– Você não é veado?

– Claro que não.

– Se você não é veado, por que curtiu aquela foto do Lula?

Silêncio.

– Vamos, diga. O que você tem com o Lula?

– Quer saber mesmo, pai?

– Fala logo, caralho.

– Eu sou… eleitor do Lula.

Silêncio. Eles se olham. Jair olha para a arma em sua mão, olha para o filho.

– Ufa, que alívio! – diz ele, sorrindo, pondo a arma sobre a mesa. – Me dá um abraço, filhão!

Dudu se levanta e eles se abraçam. Jair perfila o corpo, faz o gesto militar de continência e o filho o imita. Jair vai até o armário, pega uma garrafa de uísque e serve duas doses.

– Isso merece uma comemoração.

Eles brindam e bebem. Jair senta no sofá, e o filho o acompanha.

– O senhor me perdoa, né, pai?

– Positivo. Será um segredo nosso.

– Fique tranquilo, ninguém mais saberá.

– Mas aquele pôster do Lula lá na parede…

– Lula lá?

– Desculpe. Aquele pôster em seu quarto… Isso já acho um pouco exagerado.

– O senhor viu, foi?

– Bem escondido por trás do meu, mas eu vi.

– Vou tirar.

– Não, pode deixar, ninguém vai descobrir.

Jair toma um gole de uísque. Está pensativo.

– Está tudo bem?

– Filho… Também tenho um segredo para contar.

– Acho que eu já sei, pai.

Jair toma mais um gole. Está nervoso.

– Eu também quis curtir aquela foto. Quis muito.

– Eu já imaginava.

– Só Deus sabe como me controlei.

– Entendo perfeitamente.

– Não aguento mais esse teatro todo.

– Pobre pai…

– Você acha que devo desistir da candidatura?

– Se o senhor realmente é eleitor do Lula, acho que é melhor, sim.

– Na verdade, não é bem por isso.

– Não?

– Não.

– Então o que é?

Silêncio. Pai e filho se olham. Sentados no sofá, eles se abraçam. A câmera desliza suave pelo ambiente e mostra o revólver sobre mesa, ao lado do copo com uísque. Um carro passa na rua tocando I Will Survive.

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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Ilustração: Gilmar

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A CURTIDA

O perfil de Lula no Instagram postou, em 13.07.18, uma foto de Lula na praia, que foi curtida pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do também deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. O fato foi imediatamente explorado nas redes sociais e pela imprensa, e minutos depois Eduardo Bolsonaro desfez a curtida. Mas já era tarde…

Notícia no Jornal do Brasil
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MAIS HUMOR

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Bar do Araújo é a salvação – Espremido entre duas igrejas evangélicas, o Bar do Araújo é a última resistência dos ateus. E do bom humor

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As Preciosas do Kelmer – jun2018

30/06/2018

30jun2018

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As Preciosas do Kelmer
é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos, com ênfase no feminino. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Para mim, o Facebook é ótimo para isso. Aqui no blog, postarei a edição finalizada de cada mês. Espero que você goste.

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AS PRECIOSAS DO KELMER

Dicas e pitacos para o mês
#68, mai2018
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Capa do mês: Eros Volúsia (1914-2014) foi uma dançarina, coreógrafa, professora e pesquisadora brasileira

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*** EROS VOLÚSIA

Heros Volúsia Machado (Rio de Janeiro, 1 de junho de 1914 – 1 de janeiro de 2004) foi uma dançarina brasileira que se projetou nacional e internacionalmente sob o nome de Eros Volúsia através de coreografias próprias inspiradas na cultura brasileira. Ela alcançou sucesso nos Estados Unidos sendo capa da revista Life, em 1941, e com sua participação no filme Rio Rita (1942), mas preferiu voltar ao Brasil a seguir uma carreira em Hollywood.

Dona de um estilo mais sensual e espontâneo que sua rival Madeleine Rosay, seus movimentos influenciaram Carmem Miranda que, ao contrário dela, insistiu na carreira internacional. A ela se atribui a invenção de um “bailado nacional” no Brasil, num movimento que seguia as proposições modernistas da Semana de Arte Moderna de 1922 através da incorporação na dança clássica de elementos culturais negros e indígenas.

“Foi a primeira bailarina a dançar samba de sapatilhas e a primeira a dançar descalça no Theatro Municipal”, como registrou um estudo acadêmico. Foi ainda a primeira que realizou o papel que seria mais tarde classificado como “dançarino-pesquisador”, transcendendo o trabalho de estudo técnico para também realizar a união da sensibilidade artística ao que registrava.

Influenciada pela renovação do balé trazido por artistas como Isadora Duncan, Volúsia buscou elementos das danças típicas brasileiras (como o lundu, o maxixe, o maracatu e danças indígenas), sem, contudo, romper com as manifestações do academicismo. Buscou na raiz do processo de miscigenação, fruto de fatores sócio-histórico-culturais, os elementos essenciais para a construção de uma dança cuja singularidade de movimentos refletia não somente a diversidade de culturas, mas, sobretudo, a busca de uma identidade própria para a dança brasileira, influência do nacionalismo brasileiro então em voga.

Em fases posteriores de sua vida, Eros permaneceu contribuindo com a dança. Foi professora do Serviço Nacional de Teatro onde criou o curso de coreografia. Sua contribuição a nacionalidade brasileira veio, nesta oportunidade, reafirmar-se: este foi o primeiro, dentre os cursos de dança nacionais, a aceitar bailarinos negros. (Wikipedia) > Mais

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*** MINISTRO DO STF DEFENDE LEGALIZAÇÃO E REGULAÇÃO DA MACONHA

A política proibicionista fracassou, e gerou ainda mais violência. O custo social da proibição é muito maior que o da legalização. Aos poucos, a população começa a entender isso. E o STF também. > Mais

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*** AS TRAGÉDIAS DA INTERVENÇÃO MILITAR

“Mãe eu sei quem atirou em mim, eu vi quem atirou em mim. Foi o blindado, mãe. Ele não me viu com a roupa de escola?”

Marcos Vinícius da Silva, 14 anos, foi assassinado por forças policiais e do Exército que ocupavam a favela da Maré. Seu crime: ir para a escola.

Seus pais lutarão por justiça. Mas temo que ela não virá. Assim como não virá para Marielle Franco. Assim como não virá para a população pobre que é violentada diariamente em seus direitos por essa tragédia que é a intervenção militar no Rio de Janeiro, criada por um governo golpista e sem qualquer legitimidade. > Mais

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*** SANGUE DA PAIXÃO

Eles se conheceram num site de encontros e saíram uma única vez. Ela se apaixonou e passou lhe enviar constantes mensagens, chegando num dia a enviar 500 mensagens.

No total, foram 65 mil mensagens, uma invasão de domicílio e uma ida ao trabalho dele com uma faca, dizendo que era sua mulher e que queria tomar banho em seu sangue. A apaixonada foi presa, e alegou ter feito o que fez por ele ser sua alma gêmea.

Como será tomar banho no sangue da pessoa amada? > Mais

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*** ELAS E O PÓS-PORNÔ

Diante de uma agência bancária, em Natal, a performer Bruna Kury, de 31 anos, se deita no chão, com um capuz cobrindo a cabeça, e começa a se masturbar com o cabo de uma faca. Diante de seu rosto, uma mulher nua coloca fogo em folhas de papel com o logo da Rede Globo e a imagem de uma princesa Disney. A cena foi gravada e está disponível no site da performer.

Em um misto de protesto, arte e pornografia, a performance de Bruna é uma das formas de “pós-pornografia”, um movimento que em essência se opõe à pornografia convencional. “Trata-se de uma forma de pensar a nossa relação com sexualidade e mídia. É um jeito de fazer pornografia com novos significados, que se expandem para a música, fotografia e performances”, explica Léa Santana, doutoranda do Programa de Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia. > Mais

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*** NO ESCURINHO DA COPA

O que o STF e o Congresso decidiram e você provavelmente não viu por causa da Copa… > Mais

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AS PRECIOSAS DO KELMER

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As Preciosas do Kelmer – mai2018

31/05/2018

31mai2018

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As Preciosas do Kelmer
é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos, com ênfase no feminino. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim, o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição finalizada de cada mês. Espero que você goste.

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AS PRECIOSAS DO KELMER

Dicas e pitacos para o mês
#68, mai2018
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Capa do mês: Dandara dos Santos, travesti assassinada em 15.02.17, em Fortaleza, após ser torturada numa rua, à luz do dia, enquanto pedia por ajuda

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*** A IGREJA DE MARIA MADALENA

Em 1945, a Igreja Católica levou um baita susto. Nesse ano, foram descobertos em Nag Hammadi, no Egito, vários manuscritos de evangelhos gnósticos do século IV que tinham desaparecido porque a Igreja os destruíra ao considerá-los apócrifos. Neles, fica clara, por exemplo, a estreita relação sentimental e espiritual entre Jesus e Madalena. Tão íntima que incomodava os apóstolos homens. Pedro chega a se zangar e pergunta ao mestre por que lhes oculta “segredos que só a ela revela”. E sentencia: “Que Maria saia de entre nós, porque as mulheres não são dignas da vida”. > Mais

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*** AS ENGRENAGENS DO PODER 

Quem realmente está no poder, e como operam? E os políticos e governantes, como participam? Qual é o papel da mídia? Esta análise, feita por Maurício Abdalla (professor de filosofia na Universidade Federal do Espírito Santo) resume bem a engrenagem toda.

1- O foco do poder não está na política, mas na economia. Quem comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial com dimensões globais e conformações específicas locais.

2- Os donos do poder não são os políticos. Estes são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder.

3- O verdadeiro exercício do poder é invisível. O que vemos, na verdade, é a construção planejada de uma narrativa fantasiosa com aparência de realidade para criar a sensação de participação consciente e cidadã dos que se informam pelos meios de comunicação tradicionais.

4- Os grandes meios de comunicação não se constituem mais em órgãos de “imprensa”, ou seja, instituições autônomas, cujo objeto é a notícia, e que podem ser independentes ou, eventualmente, compradas ou cooptadas por interesses. Eles são, atualmente, grandes conglomerados econômicos que também compõem o complexo financeiro-empresarial que comanda o poder invisível. Portanto, participam do exercício invisível do poder utilizando seus recursos de formação de consciência e opinião.

5- Os donos do poder não apoiam partidos ou políticos específicos. Sua tática é apoiar quem lhes convém e destruir quem lhes estorva. Isso muda de acordo com a conjuntura. O exercício real do poder não tem partido e sua única ideologia é a supremacia do mercado e do lucro.

6- O complexo financeiro-empresarial global pode apostar ora em Lula, ora em um político do PSDB, ora em Temer, ora em um aventureiro qualquer da política. E pode destruir qualquer um desses de acordo com sua conveniência.

7- Por isso, o exercício do poder no campo subjetivo, responsabilidade da mídia corporativa, em um momento demoniza Lula, em outro Dilma, e logo depois Cunha, Temer, Aécio, etc. Tudo faz parte de um grande jogo estratégico com cuidadosas análises das condições objetivas e subjetivas da conjuntura.

8- O complexo financeiro-empresarial não tem opção partidária, não veste nenhuma camisa na política, nem defende pessoas. Sua intenção é tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis para suas metas de maximização dos lucros.

9- Assim, os donos do poder não querem um governo ou outro à toa: eles querem, na conjuntura atual, a reforma na previdência, o fim das leis trabalhistas, a manutenção do congelamento do orçamento primário, os cortes de gastos sociais para o serviço da dívida, as privatizações e o alívio dos tributos para os mais ricos.

10- Se a conjuntura indicar que Temer não é o melhor para isso, não hesitarão em rifá-lo. A única coisa que não querem é que o povo brasileiro decida sobre o destino de seu país.

11- Portanto, cada notícia é um lance no jogo. Cada escândalo é um movimento tático. Analisar a conjuntura não é ler notícia. É especular sobre a estratégia que justifica cada movimento tático do complexo financeiro-empresarial (do qual a mídia faz parte), para poder reagir também de maneira estratégica.

12- A queda de Temer pode ser uma coisa boa. Mas é um movimento tático em uma estratégia mais ampla de quem comanda o poder. O que realmente importa é o que virá depois.

13- Lembremo-nos: eles são mais espertos. Por isso estão no poder. > Mais

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*** O MÉDIUM TREVOSO DE DIREITA

O ator espírita Carlos Vereza esteve em Fortaleza para apresentar no Cineteatro São Luiz seu espetáculo Iscariotes: A Outra Face (15abr). Na entrevista que deu para o repórter Renato Abê, do jornal O Povo, ele revela seu total apoio a Michel Temer, diz que Marielle Franco é um cadáver fabricado, relativiza o discurso de ódio e violência de Jair Bolsonaro, cospe arrogância o tempo todo e destila preconceito contra pessoas trans. Um trecho:

Carlos Vereza: Eu sou médium e eu estou vendo no teu perispírito que você é petista.
Repórter: Eu não sou petista.
Carlos Vereza: Você é de esquerda, eu estou vendo na sua aura. Cada coisa que eu falo sua aura fica assim piscando.

No fim, diz para o repórter: “Vá se foder!”.

Após a publicação e a repercussão nacional da entrevista, Carlos Vereza usou as redes sociais para divulgar mensagens com o objetivo de denegrir a imagem do repórter: “Estudou na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) e não se realizou, né? Teve seus 30 segundos de fama nos sites ‘esquerdinhas’. Deve ser insuportável estudar na CAL e terminar como um foquinha no pasquim O Povo. Deus te perdoe. Em tempo: na próxima entrevista, não esquece de ir de batom”, escreveu Vereza.

O repórter se defendeu: “Não contente em passar vergonha em diferentes veículos de comunicação, Carlos Vereza veio ao meu perfil para, mais uma vez, me atacar. […] Sobre a CAL… sim, estudei lá e, pasme, não fui para o Rio em busca dessa fama rasteira que parece fazer seu olho brilhar, fui cursar pós-graduação em Direção Teatral e sigo colhendo os frutos disso (dei aula, ganhei prêmio, lancei livro, montei espetáculo e sigo como repórter desse ‘pasquim’ de 90 anos). Mas, olha, nem quero falar de mim, isso tudo nunca foi sobre mim ou sobre minha aura. Isso é sobre o quão perigoso é esse discurso que o senhor propaga”.

Putz… Se você é espírita, reze muito pra, após morrer, não cair na mesma colônia astral do Vereza. > Mais

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*** VIBRADORES ASSASSINOS DE XOXOTA

As mulheres descobriram as diliças do uso de vibradores e, para muitas, eles se tornaram companheiros inseparáveis, sempre à mão para aqueles momentos em que um relaxamentozinho cai bem. As amigas falam maravilhas, as lojas anunciam modelos cada vez mais criativos, os médicos aconselham… É, os vibradores são um sucesso.

Porém… Eis que surgem notícias sobre uma tal Síndrome da Vagina Morta, que seria uma diminuição crescente da sensibilidade após o uso recorrente de vibradores. Isso procede?

Não. Pelo jeito, é mais uma dessas tentativas de reprimir a sexualidade da mulher. Vida longa aos brinquedinhos femininos! > Mais

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*** A MACONHA LEGAL DO URUGUAI

No Uruguai, em 2012, quando o processo de legalização da maconha se iniciou, 70% da população se declarava contrária à lei. Atualmente, 44% é a favor e 41% contra. O temor de que acontecessem assaltos e violência, ou mesmo o aumento do consumo, não se realizou. Porém, há pouca maconha legal para a demanda, pois as empresas autorizadas ainda não conseguem fornecer a quantidade necessária, e o resultado são filas diárias imensas em frente às farmácias.

O THC, a principal substância psicoativa da canabis, é controlado. Nos pacotes das farmácias, não supera 9%. Os usuários acostumados a fumar e inalar consideram que, com esses níveis, essa maconha “não dá barato”. A maconha artesanal, produzida pelos plantadores regulamentados, chega a 20% de THC, mas a das farmácias é a mais vendida.

Quanto ao tráfico, ela ainda existe, mas estima-se que está 50% menor. > Mais

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*** RESUMO DA ERA TEMER 

Da coluna do jornalista Leonardo Sakamoto (UOL), 12.05.18:

APÓS DOIS ANOS, MAIOR LEGADO DE TEMER É UMA DEMOCRACIA EM COMA INDUZIDO

Michel Temer pode não ter cumprido as promessas que fez à sociedade brasileira quando assumiu a Presidência da República há dois anos, ainda como interino. Prova disso é sua reprovação na casa dos 70% e sua aprovação em torno de 6% – menor que a popularidade de uma broca de dentista.

Mas não se pode dizer que não executou os objetivos apresentados a ele pelos dois grandes fiadores do impeachment, que o ajudaram a ocupar o lugar de Dilma Rousseff – uma parcela do grande empresariado nacional e do mercado e a velha política.

Na área econômica, sua missão era ”Jogar a fatura da crise econômica para longe do colo dos mais ricos”. E, principalmente, ”Aproveitar a crise para reduzir o Estado”. Não na parte que garante subsídios, desonerações e isenções de impostos sobre dividendos, o que beneficia aos ricos, mas reduzindo aquela que atende às necessidades da xepa mais humilde.

Ou seja, atuar para mudar a pactuação da Constituição Federal de 1988, que previa – em seu artigo 3o – um equilíbrio entre ”garantir o desenvolvimento nacional” e ”construir uma sociedade livre, justa e solidária”, ”erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdade sociais e regionais” e ”promover o bem de todos”. Em tese, um Estado capitalista de bem-estar social. Só em tese.

E na área política, tentar costurar um ”grande acordo nacional” para ”estancar a sangria” e salvar o seu pescoço e os de seus amigos e aliados, evitando o máximo possível o avanço da Lava Jato sobre MDB, PSDB, entre outros sócios do impeachment. Além disso, o combinado com a velha política também previa o apoio à aprovação de leis e medidas que interessavam a grupos organizados, como a bancada ruralista, a bancada da bala e os fundamentalistas religiosos – que numa democracia funcional não conseguiriam impor pautas que passassem por cima de direitos.

Verificamos, ao longo dos último dois anos, que Patos Amarelos não se incomodam com a corrupção desde que a missão fosse cumprida. Até porque, pelo que mostraram as delações das empreiteiras, teve muito pato com lama até o bico. Também percebemos que parte das Panelas Que Batem também não se incomodava com a corrupção – desde que o PT não estivesse no poder. A frase ”primeiro a gente tira a Dilma e, depois, tira o resto”, proferida à exaustão pela turma que veste camisa de confederação de futebol corrupta tornou-se um dos monumentos nacionais à hipocrisia.

Daí, veio o show de horrores: PEC do Teto dos Gastos (impedindo o crescimento do investimento para a melhoria do serviço público por 20 anos, afetando áreas como educação e saúde), Reforma Trabalhista (reduzindo a proteção à saúde e à segurança dos trabalhadores até nos contratos vigentes) e a Lei da Terceirização Ampla (precarizando trabalhadores, impondo a eles perdas salariais e aumentos de jornadas), entre outras medidas que reduzem as garantias sociais previstas na Constituição de 1988.

Só não conseguiu aprovar a Reforma da Previdência porque os Joesley Hits ganharam o topo das listas das gravações mais ouvidas. Isso fez com que toda energia [leia-se, recursos e apoios para comprar votos de deputados] e tempo fossem canalizados para rejeitar, no Congresso Nacional, o prosseguimento das duas denúncias criminais apresentadas, contra ele, pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal.

E, na esteira disso, chancelou o perdão de dívidas bilionárias a grandes empresários e ao setor agropecuário, distribuiu emendas e cargos, abriu uma feira livre com os deputados federais. Chegou até a rifar o conceito de trabalho escravo, dificultando a libertação de trabalhadores da escravidão. Ou seja, nos seus apuros, também ganhou o poder econômico, ganhou a velha política.

O silêncio na rua, quebrado aqui e ali por manifestações, não significa que a insatisfação não esteja no ar. Mas que há uma sensação de desalento generalizado. Quem apoiou a saída de Dilma, seja por conta das denúncias de corrupção em seu governo ou pelo desgosto com a grave situação econômica que ele ajudou a construir, agora sente desalento ao perceber que saiu da frigideira para cair direto no fogo. Talvez haja felicidade genuína entre quem professa o antipetismo pelo antipetismo, mas não sou médico para tratar de patologias.

Quem não apoiou o impeachment e protestou a forma através da qual trocamos de presidente (ter usado os decretos de crédito suplementar ao invés de cassar pelo uso de caixa 2, por exemplo) sente impotência diante da profusão de denúncias de corrupção decorrentes do fisiologismo a céu aberto do atual governo e de sua relação incestuosa com o Congresso. E também impotente com a aprovação de uma agenda de desmonte da proteção social, trabalhista e ambiental, que não foi chancelada pela população através de eleições. Pois a chapa Dilma/Temer não prometeu nas eleições essa zorra toda aí.

Quem não foi às ruas nem para apoiar a queda de Dilma, nem para defendê-la, grupo que representa a maioria da população, e assistiu bestializado pela TV ao impeachment, segue onde sempre esteve: sentindo que o país não lhe pertence. Entende que as coisas vão piorando e, quando bandidos não retiram o pouco que ele tem, o Estado faz isso. Seja tentando roubar os direitos trabalhistas do emprego que ele nem tem, seja violentando-o nas periferias de todo o país.

Como já disse aqui, a manutenção forçada de um governo cuja legitimidade, honestidade e competência são questionados seria suficiente para levar o país às ruas. Contudo, a sensação é de que boa parte da população, aturdida com tudo o que foi descrito acima, está deixando de acreditar na coletividade e buscando construir sua vida tirando o Estado da equação.

Exatamente dois anos após Michel Temer ter assumido a Presidência da República, a maior parte da população brasileira cozinha sua insatisfação em desalento, impotência, desgosto e cinismo. Isso não estoura em manifestações com milhões nas ruas, mas gera uma bomba-relógio que pode explodir em algum momento, ferindo de morte a democracia – que segue em coma induzido. Muita gente deixou de confiar na política como arena para a solução dos problemas cotidianos, o que é equivalente a abandonar o diálogo visando à construção coletiva. Caídas em descrença sob seu governo, as instituições vão levar muito tempo para se reerguerem – e isso, se conseguirem. Tudo abre espaço para figuras bizarras, que se dizem salvadoras da pátria e prometem trazer a paz na base da violência.

É triste, mas talvez o principal legado do governo Temer será um não-país. > Mais

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*** DANDARA E O ÓDIO DO DIFERENTE

No auge de seu martírio, enquanto é torturada por um grupo de homens, Dandara, coberta de sangue, chama por sua mãe…

“Minha maior dor é que ele chamou por mim. Enquanto batiam nele, ele dizia: ‘Eu quero minha mãe. Cadê a minha mãe? E eu não estava lá”, diz dona Francisca Ferreira, que se refere a Dandara no masculino.

Em 15fev 2017, a travesti Dandara dos Santos, de 42 anos, foi assassinada no bairro Bom Jardim, em Fortaleza. Ela foi torturada e morta por um grupo de homens na rua, à luz do dia, enquanto pedia por ajuda. Um dos participantes do linchamento gravou um vídeo de 1 minuto e 20 segundos com seu celular, e publicou na internet. O caso ganhou repercussão internacional e se tornou símbolo de um problema antigo no Brasil: os assassinatos de travestis e transexuais em crimes de ódio.

Neste mês das mães, meu desejo é que as mães eduquem seus filhos com muito amor e lhes ensinem a respeitar os que são diferentes. > Mais

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*** LULA NO LE MONDE

Em carta publicada no jornal francês Le Monde em 17mai, o presidente Lula reafirma: “Tenho honra e não irei, jamais, fazer concessões na minha luta por inocência e pela manutenção dos meus direitos políticos.”

> Leia na íntegra

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*** TODOS CONTRA TEMER

Um dia depois de o Governo comemorar um acordo que poderia solucionar a crise, a greve se mostrou mais complexa e aglutinadora do que se previa. > Mais

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*** PARA PUNIR A SEXUALIDADE FEMININA

Uma seleção de crueldades contra a sexualidade feminina, do Antigo Egito aos dias atuais. O arquétipo do feminino selvagem, porém, segue vivo na psique das mulheres. Que bom. > Mais

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AS PRECIOSAS DO KELMER

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As Preciosas do Kelmer – abr2018

30/04/2018

30abr2018

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As Preciosas do Kelmer
é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos, com ênfase no feminino. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim, o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição finalizada de cada mês. Espero que você goste.

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AS PRECIOSAS DO KELMER

Dicas e pitacos para o mês
#67, abr2018
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Capa do mês: Marielle Franco, ativista social e vereadora pelo PSOL-RJ, assassinada em crime ainda não esclarecido (1979-2018)

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*** A POLÍCIA QUE NÃO GOSTA DE DESVENDAR CRIMES

Repórteres de um jornal conseguiram localizar duas testemunhas do assassinato da vereadora Marielle Franco, coisa que a Polícia, que há 20 dias “investiga” o caso, não conseguiu. Os relatos das testemunhas (que afirmam que os policiais as mandaram ir embora antes da chegada da imprensa) e a atuação da Polícia revelam duas coisas:

1- Foi realmente uma execução, e realizada por profissionais.

2- Se depender da Polícia, o caso dificilmente será esclarecido.

Agora, a pergunta mais importante: por que a Polícia não tem interesse em desvendar o crime? > Mais.

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*** A AMEAÇA DOS GENERAIS

O general Villas-Boas fez chantagem ao STF ao ameaçar pegar em armas caso o habeas corpus de Lula não fosse aceito. Como isso pode acontecer numa democracia? É mais uma mostra de que o golpe abriu a porteira de todos os retrocessos. E, infelizmente, tudo indica que mais retrocessos virão. > Mais
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*** DANDARA DOS SANTOS, UM ANO DEPOIS

Cinco dos oito assassinos da travesti Dandara dos Santos, morta após tortura em fev2017, foram julgados ontem em Fortaleza. Francisco José Monteiro de Oliveira, conhecido por Chupa Cabra, foi condenado a 21 anos de prisão. Ele confessou que deu dois tiros em Dandara. Jean Victor Silva Oliveira, Rafael da Silva Paiva e Francisco Gabriel Campos dos Reis, o Didi ou Gigia, pegaram 16 anos. Isaías da Silva Camurça o Zazá, recebeu 14 anos e seis meses. Todos em regime fechado. Eles não poderão apelar em liberdade.

O MP denunciou mais três réus pelo crime. Dois deles estão foragidos há mais de um ano: Francisco Wellington Teles e Jonatha Willyan Sousa da Silva. O outro acusado, Júlio César Braga Costa, chegou a ser pronunciado para o Júri Popular, mas recorreu da decisão e aguarda que o pedido seja analisado. O Brasil é líder de assassinatos de GLBTs, com a sinistra média de uma morte por dia. Algumas mortes são como a de Dandara, tão cruéis que é difícil imaginar como alguém pode sentir tanto ódio pelo simples fato do outro ser diferente.

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*** LIVRO SOBRE LULA GRÁTIS

O e-book do livro “A verdade vencerá: o povo sabe por que me condenam”, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lançado em mar2018, está disponível gratuitamente para baixar no site da Editora Boitempo.

Um livro necessário, uma leitura urgente. Diante de uma perseguição política sem precedentes, Lula lança livro para contar a sua versão da história.

O coração da obra são as 124 páginas, de um total de 216, que apresentam um retrato fiel do ex-presidente no presente contexto em formato de uma longa entrevista concedida aos jornalistas Juca Kfouri e Maria Inês Nassif, ao professor de relações internacionais Gilberto Maringoni e à editora Ivana Jinkings, fundadora e diretora da editora Boitempo. Foram horas de conversa aberta e sem temas proibidos, divididas em três rodadas, que aconteceram no Instituto Lula, em São Paulo, nos dias 7, 15 e 28 de fevereiro.

Entre os principais temas discutidos, ganha destaque a análise inédita do ex-presidente sobre os bastidores políticos dos últimos anos e o que levou o Partido dos Trabalhadores a perder o poder após a reeleição de Dilma Rousseff. Lula também fala sobre as eleições de 2018 e suas perspectivas e esperanças para o País.

Organizada por Ivana Jinkings, com a colaboração de Gilberto Maringoni, Juca Kfouri e Maria Inês Nassif – e edição de Mauro Lopes –, a obra traz ainda textos de Eric Nepomuceno, Luis Fernando Verissimo, Luis Felipe Miguel e Rafael Valim. Além disso, a edição é acrescida de uma cronologia da vida de Lula, organizada pelo jornalista Camilo Vannuchi, texto de capa do historiador Luiz Felipe de Alencastro e dois cadernos com fotos históricas, dos tempos no sindicato à presidência, passando pelas recentes caravanas e manifestações de rua. > Mais

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*** LULA, O HUMANO

Trecho do artigo da jornalista Eliane Brum, no EL PAÍS Brasil:

7 de Abril de 2018 é talvez o dia mais triste da história recente. Para Lula, o humano, e para todos os brasileiros. Qualquer pessoa que não teve seus neurônios infectados pelo ódio – e uma das características do ódio é ser burro – é capaz de perceber a gravidade representada por um político que encarnava o projeto de pelo menos duas gerações de brasileiros, um projeto que de forma nenhuma pertencia apenas a ele, ser acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. E ser preso por isso sem provas convincentes no momento em que está em primeiro lugar nas pesquisas para a eleição de 2018.

Qualquer brasileiro sério é capaz de perceber o abismo que isso representa para o Brasil. A dureza desse momento não para Lula, mas para o que chamamos “nós”, o que de fato não existe, ou só existe em alguns momentos de síntese.

As panelas batendo com fúria nas janelas dos bairros “nobres” de São Paulo é o som da nossa vergonha como país. A de que as pessoas que tiveram o privilégio de estudar, num Brasil tão desigual, sejam incapazes de compreender a gravidade do momento histórico. Esse ódio mascarado de alegria é o rosto contorcido de uma distorção. Esse ódio mascarado de alegria é obsceno. > Leia na íntegra

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*** O MERCADO GLOBAL DAS CURTIDAS FALSAS

O importante é ter mais curtidas e seguidores. Essa máxima movimenta muito dinheiro no mundo. > Mais

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*** O JOGO POLÍTICO NO BRASIL PÓS-GOLPE

O cientista político e filósofo Marcos Nobre deu uma ótima entrevista ao El País Brasil. Professor da UNICAMP e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), ele diz que o país vive um momento muito triste” por causa de uma lógica em que atores “irrelevantes politicamente vem buscando relevância política”. Neste grupo ele coloca o presidente Michel Temer, o comandante do Exército Eduardo Villas Bôas e a ministra do Supremo Carmen Lúcia. Na ânsia de se tornarem relevantes, eles acabam prejudicando a sociedade e ferindo a democracia. Ele explica também que a Lava-Jato, ao tentar apoio em setores da sociedade, atingiu as forças políticas de maneira desigual, mirando no PT e “esquecendo” outros. > Mais

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*** BONS MOTIVOS PARA NÃO COMPRAR NA RIACHUELO

A Riachuelo patrocinou o filme “Nada a Perder”, cinebiografia de Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus.

1- O dono da Riachuelo é Flávio Rocha, que é o pré-candidato a presidente do PRB

2- (Partido Republicano Brasileiro), que elegeu Marcelo Crivela governador do Rio de Janeiro, que é parente de Edir Macedo.

3- A milícia ultradireitista MBL, após brigar com João Dória, agora apoia o PRB. > Mais

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*** PRAZERES MÚLTIPLOS

Sim, orgasmos múltiplos existem. Pelo menos, para as mulheres. Que inveja…

> Veja depoimentos

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*** MAIS TIROS CONTRA A DEMOCRACIA

Na madrugada deste sábado 28abr, o acampamento Marisa Letícia, montado em Curitiba em apoio a Lula, foi vítima de um atentado. Um homem atirou e feriu duas pessoas, e depois fugiu num automóvel. A Polícia divulgou imagens e está investigando o caso.

Vai investigar como fez no atentado a tiros contra os ônibus da caravana de Lula, semanas atrás? Se for, melhor não esperarmos nada.

E as pessoas que disseram que os tiros contra os ônibus foram uma trama do próprio PT, para mostrar que são perseguidos, dirão agora também que os apoiadores de Lula atiraram contra eles mesmos? E as pessoas que se mantiveram em cúmplice silêncio, mesmo sabendo que o atentado era um perigoso ataque à democracia, também continuarão agora caladas, covardemente caladas? > Mais

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Protegido: As taras de Lara – Como não perder a virgindade (VIP)

18/04/2018

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As taras de Lara – Como não perder a virgindade

18/04/2018

18abr2018

Lara decidiu finalmente perder a virgindade

AS TARAS DE LARA – COMO NÃO PERDER A VIRGINDADE

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A ideia foi da amiga Didica. Por que as duas não perdiam a virgindade juntas, com o Jorge? Sim, com o Jorge, que era da família, de confiança, e afinal Lara já transava com ele havia cinco meses, não seria muita novidade. Só fizeram anal, é verdade, por conta do pavor que Lara tinha de engravidar, mas agora seria pela frente. E adeus time das virgens, ufa!

– Até que não é uma má ideia… – respondeu Lara, considerando que sendo as duas juntas, se sentiriam mais seguras. E nossa menina fez as contas: um mês que não transava, um mês!, tempo demais, já passava da hora.

Então combinaram que convidariam Jorge para ir ao cinema, um inocente cineminha, mas no caminho anunciariam que o que queriam na verdade é que ele fosse o primeiro homem delas, e naquela noite. Ele certamente não recusaria tão nobre missão.

Durante dias, Lara preparou-se para a grande noite. Pesquisou informações em dezenas de sites, para se assegurar de que não engravidaria. Comprou lingerie nova. Até cortou o cabelo. Finalmente saberia o que é ter um pau na buceta. Poderia ser ainda mais prazeroso que no cu?

Conforme o combinado, às oito da noite Jorge parou o carro em frente ao prédio de sua prima Didica e aguardou. Cinco minutos depois, Didica e Lara desceram. Os vestidos curtos, os sapatos de salto e a maquiagem forte lhes davam uma aparência de mais velhas. Pegariam a sessão das nove, um filme de comédia. Dez minutos depois, porém, no meio do caminho, Lara informou, muito séria, que não iriam para cinema coisa nenhuma. Que ele tomasse o rumo do Sabrina´s Motel.

De tão surpreso, Jorge quase bateu o carro. Gaguejou um pouco, dizendo que não sabia chegar lá, mas Lara mostrou o mapa na tela do celular, não tinha erro, só seguir as indicações. No banco de trás, Didica, envergonhada, se esforçava para não rir. Quando chegaram ao Sabrina´s, Jorge ainda não acreditava em sua sorte. Ele parou o carro em frente ao guichê da portaria e baixou o vidro. Olhou a tabela de preços e pediu a suíte mais barata.

– Não! – protestou Lara. – Queremos com hidromassagem. E tudo que tiver direito.

Resignado, Jorge pediu outra suíte, evitando pensar na fatura do cartão de crédito. Mas precisava admitir que o investimento valia a pena, claro que valia. Porém, quando a funcionária pediu os documentos das garotas, ele gelou. Porque só então se lembrou: elas tinham 16 anos.

– Aqui está – disse Lara, entregando para Jorge duas carteiras de identidade. Ele relutou por um instante, mas Lara fez que sim com a cabeça. A funcionária conferiu os documentos, um por um. Jorge sentiu uma gota de suor descendo pelo rosto. Finalmente, a funcionária devolveu as carteiras, com a chave da suíte. Jorge engatou a primeira e saiu.

– Carteiras falsas… – ele murmurou, aliviado –  Vocês podiam ao menos ter me avisado. Quase morri do coração.

– Não, são verdadeiras – respondeu Lara, guardando as carteiras na bolsa. – É pra isso que servem as amigas mais velhas. Né, Didica? – E virou-se para a amiga, que bateu em sua mão espalmada, toda cúmplice.

Ah, nossa esperta menina achou linda a suíte. A decoração suave, os espelhos a embaralhar as imagens, a luz azulada que saía debaixo da cama… Era sua primeira vez num motel, e a primeira vez da amiga também. Estavam ambas encantadas com tudo, embora Didica, ao contrário de Lara, estivesse um tanto nervosa. Ficaram todos descalços, serviram-se de vinho e brindaram. Depois se despiram e foram para a banheira. A água, porém, não esquentou bem e Lara sentiu frio. Tomou mais uma taça de vinho, mas continuou com frio. Então saiu, deixando Jorge e Didica lá. Seria bom para a amiga relaxar, pensou Lara, sorrindo maliciosa para Didica enquanto se enrolava na toalha e voltava para o quarto.

Para animar a festinha, pôs para tocar uma seleção de músicas sensuais que preparara em seu celular especialmente para a noite. Então ligou as luzes piscantes, serviu-se de mais vinho e foi dançar sobre um pequeno tablado, enrolada na toalha. Dançava sozinha, de olhos fechados, viajando na música, caprichando nos movimentos ondulantes. Sentia-se leve. Na verdade, estava aliviada por ter chegado o dia que, desde os treze anos, quando começou a namorar, aguardava com paciência.

Quando se virou, viu a amiga sendo levada nos braços pelo primo. Ele a deitou na cama e os dois se beijaram. Lara achou linda a cena, serviu as taças de todos e pediu mais uma garrafa de vinho. Após isso, sentou-se no sofá, no canto mais escuro, para que Didica não se sentisse intimidada. Assistiria de camarote a amiga perder o cabaço. E depois Jorge faria com ela o mesmo serviço. E adeus time das virgens.

Jorge foi muito cuidadoso, sem pressa nenhuma. Tirou a cueca, depois a calcinha de Didica, lentamente. Beijaram-se com ardor, acariciando-se até onde as mãos alcançavam. Depois, ele beijou o corpo da prima da cabeça aos pés, detendo-se nos peitos, na barriga e, por fim, na buceta, que lambeu por um bom tempo, com suavidade, até que Didica, contorcendo-se feito uma cobra, puxou-o para si. Ele a penetrou com calma, atento a qualquer sinal de dor. Mas não foi tão doloroso, como Didica esperava, apenas uma dorzinha aguda que aos poucos foi se diluindo no meio da excitação que sentia. E foi assim que ela consumou seu desejo, deixando para trás seu passado de virgem, enquanto tocava a seleção sensual de Lara, e ela, no escurinho do sofá, só observava.

– Lara, vem também – Didica a chamou, após um tempo. Mas ela não respondeu. – Lara?

Só quando chegou pertinho foi que Didica percebeu que a amiga… dormia profundamente. Ao lado do sofá, viu a segunda garrafa de vinho vazia e entendeu tudo.

– É, tua amiga exagerou na birita – falou Jorge, enquanto cutucava Lara, que nem se mexia. – E agora?

Didica deitou a amiga no sofá, pondo uma almofada sob sua cabeça, e voltou para a cama, puxando o primo pela mão.

– Agora a gente continua, ora.

(continua na área vip)
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Ricardo Kelmer 2017 – blogdokelmer.com

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AsTarasDeLaraLogo-01aAs Taras de Lara – capítulos publicados

E você, generosa leitorinha, conhece alguém como Lara? Não gostaria de contribuir com a série? Envie suas sugestões: rkelmer@gmail.com

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LEIA NESTE BLOG

Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres
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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – Um casal apaixonado vive seu amor libertino com bom humor e muita safadeza

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir
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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação por meio da submissão no sexo anal

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As Preciosas do Kelmer – mar2018

31/03/2018

31mar2018

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As Preciosas do Kelmer
é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos, com ênfase no feminino. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem.

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AS PRECIOSAS DO KELMER

Dicas e pitacos para o mês
#66, mar2018
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Capa do mês: Tonia Carrero, atriz brasileira de cinema, teatro e televisão (1922-2018)

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*** DIA INTERNACIONAL DA MULHER

O Dia Internacional da Mulher é celebrado em 8 de março. A ideia de criar o Dia da Mulher surgiu no final do século XIX e início do século XX nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas femininas por melhores condições de vida e trabalho, e pelo direito de voto. Em 26 de agosto de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhague, a líder socialista alemã Clara Zetkin propôs a instituição de uma celebração anual das lutas pelos direitos das mulheres trabalhadoras. > Mais.

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*** BARBIES INCLUSIVAS

A artista mexicana Frida Kahlo é um dos modelos da nova coleção de bonecas Barbie. O objetivo da coleção, que conta com 17 modelos, é honrar mulheres de todo o mundo que são inspiração e tiveram um papel histórico ou moderno. Quando surgirá a Barbie transexual? > Mais

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*** POLITICANDO CONTRA AS MULHERES

O Palácio do Planalto voltou a cometer uma gafe no Dia Internacional da Mulher. Exatamente um ano depois de o presidente Michel Temer afirmar em discurso que tinha “convicção do quanto a mulher faz pela casa”, o governo federal enviou ofício ao governador do Ceará Camilo Santana (PT) assinado por órgão que não existe: a “Secretaria Nacional de Políticas contra as Mulheres”.

O nome correto é Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres (SPM), vinculada ao Governo Federal. O ofício remetido a Camilo trata da inauguração da Casa da Mulher Brasileira de Fortaleza.

Uau, isso é que é sinceridade! > Mais

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*** O INCESTO

Ela determinou que suas quatro filhas, menores de 18 anos, teriam que ter a primeira relação sexual com o pai, seu marido. Durante anos, ambos forçaram as garotas a fazer sexo com eles e as crianças cresceram acostumadas a essa rotina. A mais velha, porém, após casar e fazer tratamento psicológico, denunciou os pais, que foram presos.

Não é filme, é real. > Mais

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*** OS JUÍZES E O AUXÍLIO-MORODIA

Ano após ano, R$ 919 milhões saem dos cofres públicos para o pagamento de auxílio-moradia para 17.094 magistrados, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça. Desse total, R$ 98 milhões são para juízes federais. O benefício é pago aos juízes por conta de uma decisão, de 2014, em caráter liminar do ministro Luiz Fux.

Muitos dos que hoje recebem o auxílio mensal de R$ 4.300 têm imóveis próprios, caso do juiz Sergio Moro, dono de um imóvel de 256 metros quadrados em Curitiba, onde trabalha. Há casos inacreditáveis: José Antonio de Paula Santos Neto, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, é proprietário de 60 imóveis. Ele, assim como Moro e os demais juízes que recebem o benefício, argumentam que o auxílio serve para compensar a falta de reajuste da categoria desde 2015.

O STF julgará a questão nos próximos dias. Porém, mesmo que o auxílio-morodia, ops, auxílio-moradia, dos juízes seja suspenso, eles continuarão com muitas regalias, como auxílio para despesas médicas, para alimentação e para a educação de seus filhos. É mais R$ 1 bilhão saindo dos cofres públicos todo ano para ajudar a quem não precisa.

Para protestar contra a retirada de seus privilégios, os juízes federais farão greve nesta quinta-feira 15mar. Parece absurdo, né? E é mesmo. Quantas escolas e hospitais poderiam ser construídos com todo esse dinheiro que nós, sim, nós, pagamos a esses grandes privilegiados?

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*** MARIELLE, PRESENTE!

O recado da banda podre policial foi claro: não atrapalhem nossos negócios. Porém, o efeito da execução da vereadora Marielle Franco será o inevitável surgimento de mais Marielles por todo o país, ainda mais destemidas. Haverá bala suficiente para nos deter em nossa luta por justiça social? > Mais

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*** AS MENTIRAS SOBRE MARIELLE FRANCO

Poucas horas após o assassinato da vereadora Marielle Franco, a fábrica de notícias falsas foi ativada contra ela, gerando boatos como o seu envolvimento com “bandidos”. O MBL (Movimento Brasil Livre), a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Marília Castro Neves e o deputado estadual Alberto Fraga, presidente do DEM no Distrito Federal e presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública, são alguns que participam da campanha difamatória. > Mais

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*** AS MILÍCIAS, O TRÁFICO DE DROGAS E A POLÍTICA

A vereadora Marielle Franco denunciava com frequência a violência da banda podre da Polícia e a atuação das milícias nas comunidades pobres do Rio de Janeiro. Por isso, são eles os principais suspeitos de terem-na assassinado. As milícias são grupos formados por ex-policiais, bombeiros, militares, agentes penitenciários e também membros das forças de segurança ainda na ativa. Elas agem nas comunidades carentes, aproveitando o vácuo criado pela ausência do Estado e oferecendo serviços de segurança, transporte, TV a cabo e até mesmo taxando negócios imobiliários. Em alguns lugares, milicianos e traficantes brigam ferozmente pelo território e em outros eles se entendem. No meio desse jogo sujo e sanguinário, fica a população pobre, cujos pedidos de socorro são amplificados por ativistas sociais corajosos como Marielle.

A única forma de deter a violência gerada por traficantes, milicianos e policiais bandidos é a intervenção do Estado nas áreas carentes. Mas não com soldados, e sim com educação, saúde, segurança, transporte, cultura e lazer. > Mais

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*** A PROFESSORA COM DOWN E A DESEMBARGADORA ESTÚPIDA

“Well, eis que se não quando, ouço que o Brasil é o primeiro em alguma coisa!!! Apuro os ouvidos e ouço a pérola: o Brasil é o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de down!!! Poxa, pensei, legal, são os programas de inclusão social. Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem???? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”

Esta foi a postagem da desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Marília Castro Neves, na qual ela critica o fato de alguém com síndrome de Down ser professor.

A professora criticada é Débora Seabra, que tem 36 anos e trabalha há 13 como professora auxiliar em uma escola particular de Natal. Ela é ainda autora de livro infantil chamado Débora Conta Histórias (Alfaguara Brasil, 2013). Por ser considerada exemplo no desenvolvimento de ações educativas no país ela recebeu, em 2015, o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação em Brasília. Eis a resposta da professora:

19/3/2018. Recado para a Juíza Marília.
Não quero bater boca com você! Só quero dizer que tenho síndrome de Down e sou professora auxiliar de crianças de uma escola de Natal/RN. Trabalho à tarde, todos os dias, com a minha equipe que tem uma professora titular e outra auxiliar.
Eu ensino muitas coisas às crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito às outras. Aceitem as diferenças de cada uma. Ajudem a quem precisa mais.
Eu estudo o planejamento, eu participo das reuniões, eu dou opiniões, eu conto história para as crianças, eu ajudo nas atividades, eu vou para o parque com elas. Acompanho as crianças nas aulas de inglês, música, educação física e mais um monte de coisas.
O que eu acho mais importante de tudo isso é ensinar a incluir as crianças e todo mundo pra acabar com o preconceito porque é crime. Quem discrimina é criminoso!
Débora Araújo Seabra de Moura.”

A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down publicou uma carta aberta de repúdio à manifestação da desembargadora. > Mais

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*** TIROS CONTRA A DEMOCRACIA

As mesmas pessoas que comemoraram o assassinato da vereadora Marielle Franco agora aplaudem as violentas agressões e até mesmo os tiros que foram dados hoje contra os ônibus da caravana de Lula, no Paraná. Isso é típico do fascismo, de quem faz política com ódio.

O que está em jogo agora, acima das divergências políticas, é a defesa da democracia. Se ações como essas não forem combatidas com veemência, os fascistas se sentirão cada vez mais à vontade, e aí é só olhar para o passado recente para saber como a coisa pode terminar. > Mais

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*** TONIA CARRERO

Nascida e criada na zona sul carioca, Maria Antonieta de Farias Portocarrero, seu nome de solteira, era filha do general Hermenegildo Portocarrero e de Zilda de Farias Portocarrero. Apesar de graduada em Educação Física, a formação de Tônia como atriz foi obtida em cursos de teatro em Paris. Antes de partir para a França, fez um pequeno papel no filme Querida Susana. Foi a estrela da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, tendo atuado em diversos filmes.

A estreia em teatro foi no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo, com a peça Um Deus Dormiu Lá em Casa, onde teve como parceiro o ator Paulo Autran. Após a passagem pelo TBC, formou com seu marido à época, o italiano Adolfo Celi, e com o amigo Paulo Autran, a Companhia Tônia-Celi-Autran (CTCA), que nos anos 1950 e 1960 revolucionou a cena do teatro brasileiro ao constituir um repertório com peças de autores clássicos, como Shakespeare e Carlo Goldoni, e de vanguarda, como Sartre.

Na TV, um dos seus personagens mais marcantes foi a sofisticada e encantadora Stella Fraga Simpson em Água Viva (1980), de Gilberto Braga. Tônia viria a trabalhar novamente com o autor, em 1983, na novela Louco Amor, dessa vez interpretando a não menos charmosa e chique Mouriel. Tanto em Água Viva como em Louco Amor, Tônia perdeu o papel de vilã para Beatriz Segall e Tereza Rachel, respectivamente. Mesmo assim, os dois personagens que interpretou foram um sucesso.

Era mãe do ator Cecil Thiré, e avó dos atores Miguel Thiré, Luísa Thiré e Carlos Thiré. (Wikipedia)
> Mais
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As Preciosas do Kelmer – fev2018

28/02/2018

28fev2018

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As Preciosas do Kelmer
é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos, com ênfase no feminino. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim, o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição finalizada de cada mês. Espero que você goste.

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AS PRECIOSAS DO KELMER

Dicas e pitacos para o mês
#65, fev2018
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Capa do mês: Marguerite Duras, escritora e cineasta francesa (1914-1996)

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*** FEITAS PARA O PRAZER

Milly Lacombe, repórter da TPM (Trip Para Mulheres), foi a um curso de sexo tântrico. E testemunhou o que lhe parecia impossível: uma mulher tendo um orgasmo de quinze minutos. Sim, quinze. E ejaculando como ela sempre se recusou a crer que fosse possível. Milly retornou de lá impressionada, com suas ideias sobre a sexualidade feminina bastante mudadas.

Em conversas sobre sexo, costumo dizer algo que para algumas pessoas parece tão somente frase de efeito. Eu digo que a mulher foi feita para o prazer, muitíssimo mais que o homem. Que seu corpo e toda a dinâmica de seu organismo foram meticulosamente moldados pela Natureza no sentido de fornecer-lhe prazer sexual, de variadíssimas formas e intensidades, mas que, infelizmente, a cultura cristã-patriarcal sempre conseguiu convencer a sociedade, inclusive a quase totalidade das mulheres, do contrário, reprimindo sua sexualidade a ferro e fogo. E mais: nossa cultura fez e continua a fazer com que as mulheres desprezem e temam as mulheres que escapolem dos grilhões repressivos e assumem, publicamente e sem culpa, a sua sexualidade.

Não há futuro para a humanidade, se ele não trouxer a libertação do princípio feminino, inclusive no homem. Mas para isso, é preciso reconhecê-lo, em toda a sua potencialidade, inclusive sexual. Como ocorreu com a repórter da revista. > Mais

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*** GLITTER ANTIECOLÓGICO

O glitter, muito usado em maquiagens, escorre para os rios, lagos e mares e leva centenas de anos para se degradar, além de contaminar os peixes. E agora?

Uma solução é usar glitter ecológico, feito de material biodegradável. > Mais

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*** PROSTITUTAS CÉLEBRES

Uma delas conseguiu pagar os estudos de seis filhos só por causa de um boquete no carro. Pense num boquete… > Mais

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*** BRINCADEIRINHA QUE PODE SAIR CARO

O “Como Você Seria Se Fosse Do Gênero Oposto?” é o teste da vez no Facebook. Se você entrou na onda, saiba que deu seus dados a uma empresa pouco conhecida, e sabe-se lá o que ela fará com eles…

Pra você deixar de ser besta. > Mais

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*** IGREJAS SÃO SÓCIAS NO TRÁFICO DE DROGAS

Ter uma igreja é a maneira mais fácil de lavar o dinheiro do tráfico de drogas, pois elas são isentas de impostos e não há fiscalização. E agem em nome de Deus. > Mais

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*** CINEMA E LITERATURA EM MARGHERITE DURAS

A Escola Pública de Audiovisual da Vila das Artes abre inscrição para o curso livre “O lugar da Paixão: Literatura e Cinema de Marguerite Duras”, ministrado pela escritora e atriz Sara Síntique. As inscrições vão até a quinta-feira (8/03) e as aulas gratuitas ocorrerão entre os dias 12 e 16 de março, na Vila das Artes, equipamento da Prefeitura de Fortaleza.

Romancista, novelista, roteirista, poetisa, diretora de cinema e dramaturga francesa, Marguerite Duras é considerada uma das principais vozes femininas da literatura do Século XX na Europa.

O curso consiste em um estudo sobre a obra literária e cinematográfica de Marguerite Duras, considerando que, para a artista, literatura e cinema surgem num mesmo lugar de criação, o qual denomina de “o lugar da paixão”. A atividade propõe a reflexão sobre as interseções entre essas duas linguagens artísticas, partindo do nível embrionário proposto por Duras.Sara Síntique é Mestra em Literatura Comparada pela UFC, onde também se graduou em Letras Português-Francês. Pesquisa a poética do corpo na obra literária e cinematográfica de Marguerite Duras. É escritora, atriz e performer. Publicou seu primeiro livro, Corpo Nulo, em 2015, pela Editora Substânsia. > Mais

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*** O PRAZER DE VIVER COM MENOS

Quanto mais coisas temos, mais escravos somos delas. E quanto mais temos, menos sabemos o que temos. O consumismo é uma ilusão que vicia. > Mais

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*** DOE PARA A WIKIPEDIA

A Wikipédia é o 5º site mais visitado na internet e serve 500 milhões de pessoas diferentes por mês – com bilhões de visualizações de páginas.

Não há nada de errado com o comércio. Publicidade não é um mal. Isso, entretanto, não tem lugar aqui. Não na Wikipédia.

A Wikipédia é algo especial. É como uma biblioteca ou um parque público. É como um templo para a mente. É um lugar aonde todos podemos ir para pensar, aprender e partilhar o nosso conhecimento com outras pessoas.

Quando fundei a Wikipédia, podia tê-la transformado numa empresa lucrativa com anúncios comerciais, mas decidi fazer uma coisa diferente. Temos trabalhado arduamente ao longo dos anos de forma a mantê-la perfeitamente ajustada, sem descuidar dos recursos. Nós cumprimos nossa missão e deixamos o desperdício para os outros.

Se todos que lerem isso doarem R$ 10, nós teríamos que levantar fundos apenas um dia por ano, mas nem todo mundo pode ou irá doar. E está tudo bem. Todo ano um número suficiente de pessoas decide doar. Este ano, por favor, considere fazer uma doação de R$ 10, R$ 20, R$ 50 ou qualquer outro valor que você possa para proteger e sustentar a Wikipédia.

Obrigado,

Jimmy Wales – Fundador da Wikipédia

PARA DOAR

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As Preciosas do Kelmer – jan2018

31/01/2018

31jan2018

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As Preciosas do Kelmer
é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos, com ênfase no feminino. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem.

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AS PRECIOSAS DO KELMER

Dicas e pitacos para o mês
#64, jan2018
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Capa do mês: Liliany Sá, cantora brasileira

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*** MULHERES CONTRA OS EXAGEROS FEMINISTAS

Seu manifesto conseguiu semear o caos na França e em boa parte do mundo. A escritora e crítica de arte Catherine Millet, autora do best-seller A Vida Sexual de Catherine M., é uma das cinco mulheres por trás do manifesto contra o #MeToo, assinado por 100 personalidades da cultura francesa, lideradas pela atriz Catherine Deneuve, a cantora Ingrid Caven e a editora Joëlle Losfeld. Millet diz que esse movimento, que rotula de “puritano”, favorece a volta da “moral vitoriana”. Ela defende “a liberdade de importunar”, inclusive no sentido físico, considerando-a indispensável para assegurar a herança da revolução sexual.

> Leia sua entrevista para o El País Brasil

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*** RESPONDENDO A CATHERINE DENEUVE

“Temos o direito fundamental de não sermos insultadas, assobiadas, agredidas, estupradas. Temos o direito fundamental de vivermos nossas vidas em segurança. Na França, nos Estados Unidos, no Senegal, na Tailândia ou no Brasil: este não é o caso hoje. Em nenhum lugar”, diz o manifesto, assinado por dezenas de ativistas no jornal independente Médiapart, em reação à carta aberta assinada por Catherine Deneuve, Catherine Millet, Elisabeth Lévy e uma centena de mulheres no jornal Le Monde em 09.01.18.

Já para a editora da revista Causeur, Elisabeth Lévy, signatária da carta aberta, esse movimento (feminista) coloca todos os homens no mesmo saco: “Vivemos um período de histeria coletiva que tenta nos fazer acreditar que todos os homens são porcos”.

E eu, o que acho, eu que costumo me meter nesses assuntos espinhosos, e geralmente levo porrada dos dois lados? Acho que o atual debate é difícil, mas é bem vindo. As grandes mudanças costumam, num primeiro momento, trazer excessos, e isso é natural, pois a água represada, para seguir seu rumo, precisa romper e destruir. Sei que há várias linhas no movimento feminista, e que algumas discordam veementemente entre si, assim como os homens também discordam entre si sobre machismo e sobre as mulheres.

Espero que os homens reconheçam que, mesmo com possíveis excessos, a luta das mulheres por emancipação é mais que justa, é necessária. E espero também que, num segundo momento, estejamos todos mais maduros nesse debate, e que o princípio feminino, historicamente tão oprimido em nossa sociedade, enfim se equilibre ao masculino (yin e yang), tanto na psique das mulheres como na dos homens, e assim cheguemos a uma sociedade mais justa e igualitária, sem opressor nem oprimido. > Mais

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*** HISTERIA COLETIVA E POLÍTICA: TUDO A VER

A estratégia é bem conhecida: escolhe-se uma causa justa que represente bem a mentalidade média de uma população em determinado período (os crimes de pedofilia, por exemplo) e ela é usada de forma sensacionalista e desonesta contra um grupo, uma classe ou um partido, ou mesmo uma ideia, para gerar uma espécie de histeria coletiva e massacrá-los ante a opinião pública.

No Brasil de 2017, muita gente bem intencionada caiu nessa armação e vociferou contra os artistas e os museus, sem saber que agia como massa de manobra.

Por trás desses episódios de ódio e intolerância e de tentativa de censura artística estão milícias políticas ligadas à direita, como o MBL, que esperam colher os frutos dessa estratégia nas eleições e na aprovação de leis e emendas favoráveis aos grupos que representam.

Conheça alguns casos de histeria coletiva e veja como algo banal pode sair totalmente do controle e ocasionar grandes tragédias. > Mais

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*** DUZENTOS ANOS DEPOIS, MARQUÊS DE SADE AINDA NOS FASCINA

Duzentos anos após sua morte, o depravado mor da literatura ocidental ainda nos seduz. Ah, safado… > Mais

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As Preciosas do Kelmer – dez2017

31/12/2017

31dez2017

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Dicas e pitacos para o mês
#63, dez2017
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Capa do mês: Sirlanney Nogueira, desenhista e quadrinista brasileira

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*** A TERCEIRA IDADE DO ORGASMO FEMININO

A sexualidade na terceira idade é um tema que não encontramos facilmente por aí. Mas, se não morrermos antes, todos nós chegaremos lá. Talvez seja interessante ouvir o que os mais velhos têm a dizer. > Mais

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*** XICO SÁ, MARIA RIBEIRO E GREGÓRIO DUVIVIER

Um batepapo descontraído e com muito humor sobre livros e o prazer da leitura. Este é o mote que reúne Xico Sá, Maria Ribeiro e Gregório Duvivier no evento que acontecerá em Fortaleza, no domingo 10dez, no Cineteatro São Luiz. Para os amantes dos livros, uma ótima pedida. > Mais

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*** TRÁFICO EVANGÉLICO E INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Crimes de ódio contra praticantes de Umbanda e Candomblé no Rio Janeiro representam 90% dos casos do disque-denúncia estadual. No país, as denúncias de discriminação por motivo religioso cresceram 4.960% em 5 anos. A novidade é a união das igrejas evangélicas com os grupos criminosos que comandam o tráfico de drogas. Os bandidos agridem praticantes de religiões de matriz africana, incendeiam suas casas e terreiros e os forçam a sair da comunidade.

O Brasil está no caminho de se tornar um Estado Evangélico. Isso já ocorre na prática, com leis aprovadas que ferem a laicidade do Estado e com o terror implantado pelo tráfico evangelizado. Se você é católico, talvez se sinta seguro, pois evangélicos também são cristãos. Porém, quando a religião se une à política, o fanatismo sempre vence, e pequenas diferenças de credo podem ser o suficiente para justificar a violência. Católicos também serão perseguidos. > Mais

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*** OBRIGADO, LUIZ CARLOS MACIEL

Principal ensaísta e pensador da contracultura no Brasil, o jornalista, diretor teatral e roteirista Luiz Carlos Maciel morreu no sábado 09dez, aos 79 anos, vítima de falência múltipla de órgãos. Conheci-o pessoalmente em 2005, quando fui seu aluno num curso de roteiro na Casa da Gávea, no Rio de Janeiro. Pareceu-me, à época, cansado e um tanto desgostoso, mas aprendi bastante com ele. Um brinde, bruxo velho. > Mais

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*** TUDO POR UM BEBÊ

Quando você acha que já viu todos os terrores e todas as crueldades possíveis nos livros e nos filmes, aí você se depara com um caso desse. Disposta a ter um bebê a qualquer custo, uma mulher atrai uma garota grávida para uma armadilha, faz o parto, mata a garota e vai para o hospital com o bebê, afirmando que é a mãe. O caso aconteceu em Uberlândia-MG, em novembro deste ano.

Além do sofrimento da família e dos amigos da garota, fico a imaginar como a criança lidará com o fato, quando a ela for revelado. Ou isso é o tipo de coisa que alguém jamais deveria saber? > Mais

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*** JESUS NEGRO NINGUÉM ROUBA

Num balneário turístico na região da Toscana, Itália, a prefeitura montou o presépio de Natal deste ano com um menino Jesus negro. Nos anos anteriores, o Gèsu bambino, de pele branca, sempre era furtado. Dessa vez, parece que os ladrões não se interessaram muito pelo recém-nascido… > Mais

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*** SIRLANNEY NOGUEIRA

Conheci Sirlanney na Bienal Internacional do Livro do CE, em 2014. Desde então, acompanho com entusiasmo seu trabalho de desenhista. Em certos momentos, o modo com que ela expressa suas dores e angústias me lembra Frida Kahlo. Outras vezes, vejo-me diante de uma super-heroína atrapalhada da pós-modernidade, que combate o machismo e outras opressões com humor e graciosidade.

Não é fácil seguir uma carreira de desenhista no Brasil, principalmente sendo mulher, declaradamente feminista e cearense do interior. Torço para que Sirlanney não canse tão cedo.

Uma entrevista com ela: http://www.sobreotatame.com/magra-de-ruim-feminista-arretada-e-dos-quadrinhos

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As Preciosas do Kelmer – nov2017

30/11/2017

30nov2017

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Dicas e pitacos para o mês
#62, nov2017
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Capa do mês:

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*** DEZENOVE LIVROS QUE OS HOMENS DEVERIAM LER

Existe algo como “literatura feminina”? É uma velha discussão. Enquanto a discussão segue, você, caro leitor do sexo masculino, pode dar um passo além na terra das mulheres, e conhecer um pouco mais sobre este ser que habita nosso imaginário desde o primeiro dia no útero. Este ser especialíssimo, que só existe no planeta Terra. > Mais

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*** FERNANDA MONTENEGRO

Considerada pelo público e pela crítica como uma das maiores damas dos palcos e da dramaturgia brasileira de todos os tempos, a atriz Fernanda Montenegro (nome artístico de Arlette Pinheiro Esteves Torres, nascida no Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1929), foi a primeira latino-americana e a única brasileira já indicada ao Oscar de melhor atriz.

É a primeira e, até hoje, única atriz indicada ao Oscar por uma atuação em língua portuguesa, sendo nomeada por seu trabalho em Central do Brasil (1998). Foi também a primeira brasileira a ganhar o Emmy Internacional na categoria de melhor atriz pela atuação em Doce de Mãe (2013).

Dentre os inúmeros prêmios nacionais e internacionais que recebeu em seus mais de sessenta anos de carreira, em 1999 foi condecorada com a maior comenda civil do país, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, “pelo reconhecimento ao destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras”, entregue pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 2013 foi eleita pela revista Forbes a 15ª celebridade mais influente do Brasil.

Recentemente, tornou-se o novo alvo dos fanáticos que fazem campanha pela censura à expressão artística. Fernanda usou o seu perfil oficial no Facebook para defender a liberdade de expressão com esta mensagem: “Meu protesto a respeito de qualquer censura à expressão da arte no Brasil”. A publicação foi feita em 20.09.17 pela equipe da atriz que administra a sua página. O tom raivoso dos comentários incluía xingamentos e ameaça à vida da atriz. > Mais

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*** JUIZ NEGA CANCELAMENTO DE PEÇA SOBRE JESUS TRANSEXUAL

Querer censurar a arte porque não concordamos ou gostamos dela é típico de uma mente doentia e fanática. O juiz José Antônio Coitinho, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Porto Alegre-RS, negou o pedido de cancelamento da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, que teve sessão no Sesc Jundiaí (São Paulo) cancelada por decisão judicial. Assim, ela foi apresentada no festival Porto Alegre em Cena, em 21 de setembro. O monólogo recria a história de Jesus como uma transexual e traz em seu papel principal a atriz e travesti santista Renata Carvalho.

“Ao Juiz é vedado proibir que cada ser humano expresse sua fé ou a falta desta da maneira que melhor lhe aprouver. Não lhe compete essa censura”, justificou o magistrado.

Ufa… Ainda podemos ter esperança na Justiça brasileira. > Mais

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*** PARA ONDE VAI O DINHEIRO DO MBL

O MBL (Movimento Brasil Livre) surgiu recentemente. É uma milícia política de extrema direita, com uma pauta difusa e estratégias oportunistas. Apoiou publicamente Eduardo Cunha e se empenhou bastante em pró do impechment de Dilma Rousseff. Atualmente, apoia o presidente golpista Michel Temer.

O MBL promove campanhas de censura às expressões artísticas e de perseguição a artistas ligados à esquerda, aos movimentos sociais e a causas feministas, indígenas e negras.

Para onde vai o dinheiro que arrecada? > Mais

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*** NEONAZISMO

Alemanha e Estados Unidos são exemplos de democracias fortes e consolidadas. Porém, as leis dos dois países tratam de modo diferente os movimentos neonazistas. Nesta questão, o Brasil é mais parecido com a Alemanha.

Diz a Wikipedia:
O neonazismo está associado ao resgate do nazismo, ideologia política propagada por Adolf Hitler, a partir do começo da década de 1920. O movimento neonazista tem suas origens assentadas na intolerância e em preceitos racialistas, primando sempre pela “raça pura ariana” ou pela “superioridade da raça branca”. Os seguidores da doutrina em sua maioria promovem discriminação contra minorias e grupos específicos, como homossexuais, negros, estrangeiros, ameríndios e judeus, além de imigrantes caboclos e islâmicos e contra os comunistas. Algumas correntes preferem apenas a segregação da “raça pura ariana” das demais “raças”, condenando agressões físicas contra tais grupos (muitas vezes condenando também a violência moral e psicológica). Outras promovem explicitamente o ataque físico aos grupos citados. Há grande oposição vinda dos neonazistas de grupos punks, fazendo com que cresça uma hostilidade entre os dois grupos. Alguns grupos chegam a defender o uso da força para tomar o controle do Estado ou segregar regiões através de movimentos separatistas. > Mais

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*** AS POLÊMICAS SOBRE A PÍLULA ANTICONCEPCIONAL

Curiosidades e polêmicas sobre a pílula que ajudou no processo de emancipação feminina. > Mais

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*** O FALSO FOTÓGRAFO DE GUERRA

É incrível, mas hoje, na era da informação instantânea, ainda tem espaço para grandes golpes de falsa identidade. > Mais

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*** CANSADO DE LEVAR CHIFRE DA MULHER, HOMEM REGISTRA BO

Tem uma que cansa, né? Acho que até eu teria feito o mesmo.

Mas o melhor, ou o pior, foi a estratégia do sujeito. Como a mulher usava sua bicicleta para ir se encontrar com os amantes, o que ele fez? Esvaziou os pneus. Gente civilizada cê otre xôze. > Mais

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*** A VOZ DE MILTON CARLOS

Milton Carlos viveu apenas 23 anos. Morreu em 1976, num acidente de carro na estrada, no qual morreu também sua noiva, Mariney Lima, e o jovem Mário Alves de Araújo, que tentava socorrer as vítimas e foi atropelado. Uma tragédia.

Dono de um timbre de voz feminino, de rara beleza, Milton Carlos era irmão da compositora Isolda, com quem dividiu várias parcerias, como “Samba quadrado” e “Um jeito estúpido de te amar”. Após a morte do irmão, Isolda compôs, para ele, “Outra vez”, que se tornaria um dos maiores sucessos de Roberto Carlos.

Selecionei o samba-canção “Contrassenso”, de Milton Carlos e Martinha, uma das minhas preferidas. Se você não soubesse quem está cantando, certamente acharia que é uma mulher. Mas é ele, Milton Carlos, uma das mais belas vozes da música brasileira e um ótimo compositor.

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*** GENIVAL SANTOS, UM BRINDE

Paraibano de Campina Grande, Genival Santos (não confundir com o Lacerda, do forró) morreu aos 71 anos, em 2014, em Fortaleza, onde morou os últimos anos de sua vida. Foram quase 30 discos lançados, que venderam 5 milhões de cópias. Ele era um dos expoentes do gênero popular romântico, muito tocado nos cabarés desse Brasil-sil-sil.

Vixe, já tomei muita cachaça ouvindo “Meu coração está em greve”, ”Se errar outra vez”, “Sendo assim” e “Eu não sou brinquedo”. E tem a famosa “Eu lhe peguei no flagra’’, ideal para curtir aquela boa cornagem.

Fui a alguns shows do Genival, e num deles, ele me chamou ao palco e cantamos juntos “Menina da praia”. Inesquecível.

A jornalista Fabiana Moraes organizou uma série de perfis de artistas populares, entre eles Genival Santos. > Mais

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AS PRECIOSAS DO KELMER

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As Preciosas do Kelmer – out2017

31/10/2017

31out2017

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As Preciosas do Kelmer
é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos, com ênfase no feminino. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim, o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição finalizada de cada mês. Espero que você goste.

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AS PRECIOSAS DO KELMER

Dicas e pitacos para o mês
#61, out2017
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Capa do mês: Anaïs Nin, escritora francesa (1903-1977)

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*** MULHER SEXUALMENTE LIVRE? SÓ NA CADEIA

O médico Drauzio Varella está com um livro novo nas livrarias. Chama-se Prisioneiras (Companhia das Letras), e nele Drauzio relata suas experiências tratando de detentas. O livro fecha uma trilogia – os outros são Carandiru e Carcereiros, ambos publicados pela mesma editora – sobre sua vivência de décadas atendendo de forma voluntária presos e presas paulistas. 

“A prisão é um experimento sádico da nossa sociedade”, ele afirma em entrevista ao El País. Mas, sem ignorar a dor provocada pelo confinamento, abandono e distanciamento dos filhos e familiares, o médico vislumbra no cárcere um espaço onde mulheres conseguem se livrar, ao menos temporariamente, da repressão machista que impera do outro lado do muro. “As mulheres são reprimidas desde que nascem, não existe nenhum outro local na sociedade onde ela é livre assim como na cadeia”. > Mais

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*** REBATENDO DRAUZIO VARELA

A advogada e ativista Gabriela Cunha Ferraz contesta algumas informações do livro “Prisioneiras”, do médico Drauzio Varela, lançado em 2017. Para ela, o autor escreveu sem conhecimento de causa suficiente a respeito da realidade do sistema carcerário feminino no Brasil, e analisou algumas questões sob uma ótica estritamente masculina. Segundo Gabriela, a realidade é pior. > Mais

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*** TRAGAM SEUS FILHOS PARA VER GENTE NUA

Enquanto no Brasil as exposições artísticas são censuradas, artistas e funcionários de museus são ameaçados e agredidos e a simples imagem de um homem nu provoca reações histéricas e falsas acusações de crime de pedofilia, na França o museu d´Orsay e o museu da Orangerie convidam as famílias a irem, com as crianças, ver pinturas de pessoas nuas.

O objetivo da campanha é se colocar no lugar das crianças quando elas vão aos museus, decifrar suas reações e a compreensão que têm das obras. Além disso, a operação de comunicação brinca com uma inversão de valores: “queríamos mostrar que são as crianças que levam os pais aos museus”, explica a diretora de comunicação do Museu d’Orsay e da Orangerie, Amélie Hardivillier.

Amélie salienta que nenhuma obra do museu tem censura de idade, nem mesmo a emblemática “L’Origine du Monde” (A Origem do Mundo”, tela de realizada por Gustave Courbet em 1866). Isso não exclui por exemplo, o debate em torno da pintura adquirida pelo museu em 1995, que é protegida por um vidro e fica em uma sala especial do museu. “Há a relação com a nudez que leva ao debate, sobretudo sobre essa obra, que é tão sensível. Mas essa também é a função da arte: incomodar, questionar”, reitera. > Mais

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*** REFUGIANDO-SE NOS LIVROS

Ler um bom livro pode ser uma boa terapia. Mergulhar nas tramas de uma história é mergulhar em si mesmo, de onde sempre retornamos transformados. Quando o mundo parece insuportável, um bom livro pode ser o antídoto. > Mais

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*** PARA ENTENDER, ANTES DE OPINAR

Para opinar sobre a performance de Wagner Schwartz no MAM, que causou polêmica e levou muita gente a embarcar na onda de histeria criada por grupos que desejam criminalizar a expressão artística, a primeira coisa a se fazer é conhecer o contexto da coisa. Sem saber que a obra dialoga com outra obra, e sem conhecer essa outra obra, qualquer opinião corre o sério risco de ser estúpida. > Mais

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*** PAZUZU, O DEMÔNIO DO FILME “O EXORCISTA”

O filme O Exorcista (The Exorcist, EUA, 1973) é um clássico do gênero terror. Com direção de William Friedkin, o filme é baseado no livro homônimo de William Peter Blatty, que também escreveu o roteiro. No elenco, Max Von Sidow, Ellen Burstyn, Jason Miller e Linda Blair fizeram atuações memoráveis.

A história é esta: padre em crise de fé é procurado por mãe aflita cuja filha doente não consegue ser curada pelos médicos. Junto com ele um famoso padre exorcista tentará expulsar o suposto demônio da criança.

Poisbem. O tal demônio é Pazuzu. Quer saber mais sobre ele? > Mais

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*** A BIENAL DE DANÇA DO CEARÁ

A Bienal Internacional de Dança do Ceará está comemorando em outubro de 2017 seus 20 anos. Com todas as atividades gratuitas, ela será realizada em Sobral (19 a 22/10), Fortaleza (20 a 29/10), Paracuru (20 e 21/10), Trairí (20 e 21/10), Aquiraz (21 e 22/10), Juazeiro do Norte (25 e 26/10) e Itapipoca (27 e 28/10). No total, serão aproximadamente 80 apresentações artísticas de bailarinos, companhias, DJs e músicos. Entre as atrações de dança, estão 25 companhias locais, nove nacionais e nove de mais oito países (Noruega, Suécia, França, Alemanha, Canadá, Congo, Bélgica e Argentina). > Mais

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*** OS MORTOS DA SOMÁLIA

Mogadício, capital da Somália, foi alvo de um ataque terrorista em 14out que deixou mais de 300 mortos. A falta de atendimento adequado às vítimas agrava a situação de um país cuja história é ligada à guerra, ao terrorismo do Al Shabab, à pirataria no Oceano Índico e à seca extrema que faz com que 6,7 milhões de pessoas, metade do país, precisem de ajuda humanitária urgente. Dessas, 275.000 crianças sofrem de desnutrição aguda severa, o estado mais perigoso, aquele que as coloca à beira da morte. A ONG Save the Children atende essas crianças e suas famílias em hospitais e em campos de refugiados. Se a situação não melhorar, o país enfrentará sua terceira declaração de estado de fome, após a de 1992 e a de 2011 que deixaram milhares de vítimas. > Mais

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*** VOCÊ CONHECE O CHINLONE?

Chinlone é um esporte tradicional de Mianmar, sudeste da Ásia, e existe há mil e quinhentos anos. Seis jogadores, homens ou mulheres, formam uma pequena roda e, usando apenas pés e pernas, passam a bola entre si, revezando-se como solista no meio da roda. A bola é oca, feita de feixes entrelaçados de ratan com espaços vazios formando pequenos buracos. Sem finalidade competitiva, o chinlone está mais para exibição artística, pois não basta não deixar a bola cair no chão – é preciso que as jogadas sejam plasticamente belas. 

Então o que se vê é uma espécie de dança coletiva regida pela própria bola, onde os movimentos combinam a graça delicada e sutil das danças do oriente com a rapidez e a precisão das artes marciais. Ou seja: Ronaldinho não daria nem para o começo.

O chinlone requer atenção aguda e permanente ao movimento da bola e dos outros jogadores. Requer também alto grau de leveza e elasticidade corporal. Mas, sobretudo, é indispensável que o grupo esteja totalmente harmonizado em torno da bola e funcione como uma única entidade feita de uma bola e doze pernas em contínua movimentação. O chinlone prioriza ao mesmo tempo a noção de grupo e o talento individual. E esses talentos não têm sexo ou idade: entre os melhores jogadores há garotas e velhinhos de setenta anos. Certas jogadas são tão curiosas e rápidas que só em câmera lenta pode-se entender como aconteceram. A habilidade dos jogadores é impressionante, e suas improváveis piruetas levam a pensar sobre onde afinal estão os limites da capacidade humana. 

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*** HISTERIA COLETIVA E POLÍTICA: TUDO A VER

A estratégia é bem conhecida: escolhe-se uma causa que represente a mentalidade conservadora média de uma população em determinado período (os crimes de pedofilia, por exemplo) e ela é usada de forma sensacionalista e desonesta contra um grupo, uma classe ou um partido, ou mesmo uma ideia, para gerar uma espécie de histeria coletiva e massacrá-los ante a opinião pública.

No Brasil de 2017, muita gente bem intencionada caiu nessa armação e vociferou contra os artistas e os museus, sem saber que agia como massa de manobra. 

Por trás desses episódios de ódio e intolerância e de tentativa de censura artística estão milícias políticas ligadas à direita, como o MBL, que esperam colher os frutos dessa estratégia nas eleições e na aprovação de leis e emendas favoráveis aos grupos que representam.

Conheça alguns casos de histeria coletiva e veja como algo banal pode sair totalmente do controle e ocasionar grandes tragédias. > Mais

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*** PRECISAMOS EXPOR OS CRIMINOSOS DA INTERNET

Cansado de receber ofensas por sua atividade parlamentar e por ser homossexual, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) resolveu expor, em suas redes sociais, ataques e ameaças que sofre e processar os autores. A condição para retirar esse conteúdo do ar e não prosseguir na Justiça é que o agressor apague sua postagem e faça, em seu perfil, um pedido público de desculpas. Temendo repercussões em seus empregos, junto aos seus parceiros de negócios ou família, mas também dores de cabeça judiciais, muitos são os haters que têm procurado a assessoria do parlamentar. 

Boa iniciativa do deputado Jean Wyllys. Que mais pessoas lhe sigam o exemplo. > Mais

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