A chinesinha caçadora de Pokémons

22/08/2016

22ago2016

Essa nova mania mundial, que leva chinesinhas desesperadas a abordar escritores solitários pelas esquinas

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A CHINESINHA CAÇADORA DE POKÉMONS

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Duas da madrugada na Vila Madalena. Chego no carrinho do chinês, peço um yakissoba médio e sento no banquinho de plástico. Tem uns bons meses que não eu vou ali matar a larica de fim de noite. O carrinho fica numa esquina movimentada, e quem prepara a iguaria é um chinês de óculos, sempre compenetrado. Ele não é de muito papo, mas gostei dele de primeira. Uma noite, me disse seu nome (eu entendi Uantunkom, ou algo próximo disso) e contou, em seu esforçado português, que veio há alguns anos ao Brasil com a mulher e as duas filhas pequenas, e que sente saudade de sua terra.

Enquanto degusto meu yakissoba, servido naquelas embalagens de isopor para sanduíches, observo os agitos da rua, pessoas e carros brigando por espaço, o entra e sai dos bares. Como sempre, compõem a paisagem centenas de adolescentes embriagados e barulhentos, e me lembro que Uantunkom não nutre muita simpatia por eles. Ele também não é exatamente fã das meninas brasileiras, que lhe parecem independentes e eróticas demais, e não quer que suas filhas sejam como elas.

De repente, a filhinha mais nova dele se aproxima. Deve ter nove ou dez anos. E me pergunta: Seu celular caça Pokémons? Pergunta em bom português, olhando para mim com seus olhinhos de chinesinha linda, e surpreendo-me de vê-la tão crescida. Sorrio para ela, enternecido, respondo que não e pergunto se o celular dela não caça. Não, ele é ruim, você deixa eu caçar no seu, é só baixar o aplicativo, se quiser eu baixo pra você, qual é o seu celular, ele tem gúgol plêi?

Nesse momento, percebo estar diante de uma determinadíssima caçadora de Pokémons, essa nova mania mundial, que passará em mais alguns dias, claro, mas que atualmente leva chinesinhas desesperadas a abordar escritores solitários pelas esquinas, contrariando as ordens do pai de não perturbar os clientes. Passo meu celular para ela, e rio comigo mesmo, me divertindo com a ideia de fazer parte desse decisivo momento evolutivo da espécie humana, nossa transição para a fase Homo pokemonus.

Antes que eu finalize meu rango, a chinesinha já acessou a loja e baixou o aplicativo, numa destreza que eu jamais terei na vida. Porém, nem começa a jogar, pois seu pai a chama, acho que ele não estava gostando muito daquela história. A pequena caçadora recolhe-se a um canto e fica lá, quietinha, ela e seu celular ruim. Pago o yakissoba, agradeço a Uantunkom e vou embora. Antes, faço questão de me despedir da chinesinha, tchau, sucesso nas caçadas, viu? Ela nem me olha: faz que sim com a cabeça e continua lá, imersa em seu mundinho eletrônico particular, enquanto três meninas chegam para comer, elas e seus microvestidinhos que mais revelam que escondem.

Volto para casa caminhando sem pressa, curtindo o friozinho da madrugada e lembrando de Uantunkom e de sua luta diária para proteger as filhas dos terríveis males da cultura brasileira. Talvez ele tenha êxito na construção de sua grande muralha, afinal os chineses são conhecidos por sua férrea disciplina. Mas contra a invasão Pokémon, ah, isso ninguém pode.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

MeuFuturoDePopistarCristao-02bMeu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

Quem poderá me salvar – Heroínas e heróis da minha vida

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

Cauby, eu sou seu ídolo – Cauby, poderoso, tem o gesto exato pra cada momento, seja pra pedir o solo do teclado, seja pra tirar o lencinho do bolso e enxugar a testa

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Comentarios01COMENTÁRIOS

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01- mais um texto que julga a roupa da mulher. Nina Ka, São Paulo-SP – ago2016

RK: Obrigado por comentar, Nina Ka. Em nenhum momento o texto emite qualquer julgamento sobre a roupa das mulheres. Ele apenas reproduz a impressão que um imigrante chinês tem da cultura brasileira e do jeito de vestir das meninas que frequentam as baladinhas da Vila Madalena. Talvez você não conheça meu trabalho e minhas ideias pessoais sobre machismo, sexualidade e liberdade feminina. Se tiver interesse, em meu blog há vários textos sobre essas questões.

02- Olha… li o texto… e vi um comentario q pareceu-me mais uma parte discritiva da cena… nao vi um julgamento aí! Patrícia Hakkak, São Paulo-SP – ago2016

03- adorei muito mais o texto, leve, descontraído sobre temas tão presentes no nosso cotidiano. O novo e o antigo, um explodindo de fome do mundo, de novidade e o outro com medo deste mesmo mundo, achando que pode conter o ritmo da vida. Uma mecânica tão antiga. Como dizia Belchior “o novo sempre vem”. Linda crônica, leva a diversas reflexões. Michele SJ, Fortaleza-CE – ago2016

04- Eu amo o Yakissoba desse tiu (eu chamo ele assim) …conheci a filha mais velha dele quando era do tamanho da mais nova. Outro dia fui comer lá e ela me abordou toda falante, perguntando se eu tb era de aquário…hahaha. Achei mto legal encontrar um texto falando sobre ele! NyNa Zêni, São Paulo-SP – ago2016

05- Parabéns pela crônica, Ricardo Kelmer! Texto leve, gostoso de ler até o fim, trazendo a emoção da cena para os leitores atentos e sensíveis (adorei o homo pokemonus rsss!). Mônica Mello, Rio de Janeiro-RJ – ago2016

06- Maravilha de texto, Kelmer. Só agora li. Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – ago2016

07- Essa evolução para pokemonus está te caindo bem! Alexandre Domene Ortiz, Fortaleza-CE – ago2016

08- ” …microvestidinhos que mais revelam do que escondem…” achei uma lisonjeira safadeza do autor. Aí se todos fossem safadinhos iguais a vc!!!! Bjs. Michele SJ, Fortaleza-CE – ago2016

09- Muito bom !!!! Mario Rolim, Rio de Janeiro-RJ – ago2016

10- RicKelmer, você é um ponto!!!! Gíria portuguesa. … Cara, seu texto é inspirador. Ozi Garofalo, São Paulo-SP – ago2016

11- lembro bem da gente nesse chinês! Super-bom! Renata Regina, São Paulo-SP – ago2016

12- Muito bom. Liz Rabello, São Paulo-SP – ago2016

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São Paulo, sua loca

27/04/2016

28abr2016

Quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro

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SÃO PAULO, SUA LOCA

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E agora, quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro, antes de zarpar novamente. Quinze entardeceres pra me iludir feliz no horizonte neon das tuas promessas. Quinze noites pra me apaixonar outra vez pelo charme das tuas curvas imperfeitas. Quinze madrugadas de poemas baratos sussurrados com uísque em teu ouvido. Quinze manhãs despertando de um sonho gostoso com teu hálito de quero mais. Surpreenda-me, São Paulo, como só você faz.

 

FORMATO POEMA

E agora, quinze dias contigo
e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro
antes de zarpar novamente
Quinze entardeceres pra me iludir feliz
no horizonte neon das tuas promessas
Quinze noites pra me apaixonar outra vez
pelo charme das tuas curvas imperfeitas
Quinze madrugadas de poemas baratos
sussurrados com uísque em teu ouvido
Quinze manhãs despertando de um sonho gostoso
com teu hálito de quero mais
Surpreenda-me, São Paulo
como só você faz

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Cidadivosa-01b

Cidadivosa – Um microconto para São Paulo

Inculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Maior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel) – E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

Nas curvas do teu litoral – Uma música para Fortaleza (mp3)

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

O reino encantado de Jericoacoara – Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar…

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 01- Lindíssima imagem, o conteúdo deve ser da mais alta qualidade! Marcos Felix, Ceilândia-DF – abr2016

02- Boaa… Vlado Lima, São Paulo-SP – abr2016

03– Bora! Kátia Freitas, São Paulo-SP – abr2016

04- pena que vai ficar tão pouquinho… Renata Regina, São Paulo-SP – abr2016

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Cidadivosa

25/01/2012

25jan2012

Um poema (ou será uma microcrônica?) em homenagem a São Paulo. Feliz aniversário, cidadivosa, hoje e sempre

Cidadivosa-01b

CIDADIVOSA

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Não me buscou na rodoviária
Não me apresentou à família
Mas me engravidou de sonhos
E promete casar quando eu melhorar de vida

 

FORMATO MICROCRÔNICA

Não me buscou na rodoviária. Não me apresentou à família. Mas me engravidou de sonhos. E promete casar quando eu melhorar de vida.

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Ricardo Kelmer 2012 – blogdokelmer.com

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LEIA TAMBÉM NESTE BLOG

AUltimaMensagem-01A última mensagem – Um miniconto sobre amor e perdão

A metamorfose – Um miniconto sobre o fundo do poço

Literalmente – Um miniconto sobre os textos e a vida

São Paulo, sua loca – Quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro

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01- Um encanto… Reny Diel, São Paulo-SP – jan2015

02- Que ‘bunito’ o que tu escreveu. Sabrina Nadia, Fortaleza-CE – jan2015

03- Aprovado!!! Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

04- Linda homenagem! !!! Zeina Costa, VItória-ES – jan2015

05- Linda homenagem!! Amei!! Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

06- Excelente Kelmer…KKKK. Jefferson Souza, Fortaleza-CE – jan2016



O sonho do verdadeiro eu

25/12/2011

25dez2011

Algo me dizia que na pauliceia eu poderia viver minha vida mais verdadeira, era só insistir

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O SONHO DO VERDADEIRO EU
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Estou num bar em São Paulo com um velho e querido amigo e a sensação é de alegria e descontração. Então digo para mim mesmo, convicto: preciso morar nesta cidade.

Este foi o sonho, outubro de 2006. Quando acordei, lembrei dele e imediatamente fui envolvido pela sensação boa e verdadeira do sonho. De repente não tive dúvidas, subitamente estava tudo claro. Levantei de um pulo, fui ao computador e avisei aos amigos que me mudaria para São Paulo e que aceitava dicas de moradia, qualquer pedacinho de chão para dormir. Quinze dias depois eu deixava o Rio de Janeiro, onde ficara por dois anos, e pegava o ônibus para a capital paulista, disposto a recomeçar a vida e apostar tudo e mais um pouco nas coisas em que acredito. Eu não tinha nenhum bom contato profissional, mas havia uma tal força imperativa no sonho que em nenhum momento duvidei de que fazia o que devia fazer.

Não é fácil recomeçar a vida aos 42 anos. Muito menos numa outra cidade, sem dinheiro, amigos e perspectivas. Entretanto, algo me dizia que na pauliceia eu poderia viver minha vida mais verdadeira, era só insistir. Mas haja insistência… Houve um momento em que não pude mais me manter e a única opção foi retornar a Fortaleza. Apesar de ser a cidade natal, eu sabia que, naquele momento, lá eu estaria um pouco mais distante de mim – mas eu precisava ir. Em Fortaleza trabalhei durante um ano até juntar a grana necessária para poder voltar – e voltei. Profissão imigrante cultural.

Agora, cinco anos depois, sinto como se houvesse empreendido uma longa travessia e cruzado uma floresta escura, que já não está tão escura. Consegui uma editora, a Arte Paubrasil, pela qual lancei meu romance O Irresistível Charme da Insanidade. Em 2012 virá um novo livro, de contos fantásticos, o Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos. As dificuldades da carreira literária costumam destruir muitos sonhos, eu sei, mas como adoro um desafio, acho que estou na profissão certa e na cidade exata.

A pauliceia também me trouxe novos amigos e novas parcerias musicais. E instigou minhas verdades mais profundas também pelo lado do teatro. Foi aqui que nasceu o Viniciarte – Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes, espetáculo poético-musical que criei para homenagear meu poeta predileto*. Como o centenário de Vinicius será em 2013, esperamos fazer muitas apresentações. E, para Fortaleza não reclamar que esqueci dela, duas vezes por ano vou para lá comandar o Cabaré Soçaite, minha querida festa dionisíaca na qual exercito meu lado produtor e animador de auditório. Literatura, teatro, música, poesia, cabaré – agora sim, eu sinto que estou vivo. Isso pode não dar muito dinheiro mas, em compensação, não há dinheiro que pague.

Em breve o ano vai virar. Mais um ano que sai, outro que entra, vida que segue. Geralmente as pessoas aproveitam para começar um regime, acertam dívidas, fazem promessas. Eu, particularmente, acho que um bom momento para começar a mudar é logo depois de acordar. É quando o sonho ainda está fresquinho na lembrança. É quando ainda nos envolve aquela certeza, poderosa e irracional, de que tudo que temos de fazer é ser quem verdadeiramente somos. E o resto vem na carona do sonho.

* E que depois originaria o show Vinicius Show de Moraes
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Ricardo Kelmer 2011 – blogdokelmer.com

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PRÉ-VENDA DO NOVO LIVRO

Tô acertando com a editora a publicação de meu livro de contos fantásticos para 2012. Como terei de bancar parte da tiragem, farei uma promoção de pré-venda. O leitor adquire seu exemplar antecipadamente com um bom desconto (R$ 20 com frete incluído), receberá antes mesmo das livrarias e terá seu nome na página de Leitores Especiais do livro. Envie e-mail para rkelmer(arroba)gmail.com que eu respondo enviando as contas pra depósito (HSBC, Itaú, Banco do Brasil e Bradesco).

> MAIS SOBRE O LIVRO

> Arte Paubrasil – Livraria e editora

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Viver como Vinicius viveu – Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!

A celebração da putchéuris (Intocáveis Putz Band) – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Todo mundo tem um lado cabaré – Toda vez eu tremo quando penso no desafio que é dirigir algo que, na verdade, é impossível de se controlar. Mas no fim sempre dá certo

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

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ViniciusShowDeMoraesBDK-01Vinicius Show de Moraes

Este show nos traz a riqueza da vida e da obra de Vinicius de Moraes, um dos nomes mais importantes da cultura brasileira. Através das músicas, dos poemas e de fatos interessantes da vida de Vinicius, passeamos por grandes momentos da música e da poesia brasileiras e nos divertimos e nos emocionamos com a rica trajetória do homem, poeta, artista, amante, amigo e diplomata que fascinou e ainda fascina gerações no Brasil e no mundo.

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01- Que você tenha muitos novos sonhos plenamente realizados ( sem tanto esforço, de preferência…) ! Voce é uma figurinha! Felicidades e muita Sorte, Ricardo! Sonia Weil, Londrina-PR – dez2011

02- Inspirador o seu artigo. Estava precisando de algo parecido. Maria Claudia Oliveira Paiva, São Paulo-SP – dez2011

03- É preciso sangue no olho, Ricardo. Parabéns pela tua iniciativa. Mas de que vale a vida se não corremos atrás daquilo que nos realiza? Brennand de Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – dez2011

04- Ricardo. Cada vez que leio o que vc escreve fico mais feliz pelo que vc esta fazendo. Sou seu fã de carteirinha. Abs. Ivan Martins, Fortaleza-CE – jan2012

05- Ando sumida,quietinha.Mas,adoro-adoro-adoro tudo que vc escreve,vc sabe. Vem livro novo???Oba! A editora é sua?A alienada aqui não sabia. Coisa boa ver vc produzindo e feliz da vida! Beijão grandão, Sua eterna fã. Mônica Mônica Burkle Ward, Recife-PE – jan2012

06- Graaaaande Kelmer, Espero que a presente missiva eletrônica o encontre em estado de total harmonia e felicidade. Obrigado pelo envio do texto, ótimo como sempre. Haroldo Barros, Recife-PE – jan2012

07- Grande Kelmão. Belo texto! Aproveitando, me põe aí na pré-venda pro Guia de Sobrevivência! Abraço. Marcelo Gavini, Fortaleza-CE – jan2012

08- Ricardo vc é fantástico em tudo que escreve,adorei…beijos Sou sua eterna fã… Liz Fernandes, São Paulo-SP – jan2012

09- parabéns meu amigo. Sempre por perto de vc nesta sua jornada chama vida… Jacques Josir, Santo André-SP – jan2013

10- Vc é realmente uma pessoa inspiradora. Fico feliz de tê-lo conhecido. Lindalva Barbosa, Fortaleza-CE – nov2013

11- q delícia ler essa intimidade em público. belo relato! quem o conhece, lembra do seu sempre semplante de contentamento… ainda bem q o reencontrei nessa babel são paulo q tenho amado também. Vida de sucesso p vc, querido! Shirlene Holanda, São Paulo-SP – nov2013

Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

Rumo à estação simplicidade

05/11/2011

05nov2011

Jurei me manter sempre no caminho, sem pesos nem apegos excessivos, pronto para pegar a estrada no momento em que a vida assim quisesse

RUMO À ESTAÇÃO SIMPLICIDADE

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São Paulo surge aos poucos, me dando as boas vindas através das fábricas, indústrias e motéis que passam pela janela do ônibus. Ao longe, a silhueta paulistana de concreto, os altos prédios envoltos naquele eterno abraço cinzento. Aqui na poltrona, eu respiro fundo: mais uma estação, lá vamos nós, ô vidinha cigana…

Intuição. Ela de novo. Fazia uns meses que a danada sussurrava em meu ouvido, apontando os sinais pelo caminho. Até que, naquela manhã de primavera carioca, me espreguiçando na cama, lembrei do sonho que tivera. E então eu soube exatamente o que deveria fazer, uma certeza tranquila, que vinha não apenas da mente, mas também do corpo inteiro. Saltei da cama e enviei mensagens aos amigos, avisando que iria tentar a vida em São Paulo. E comuniquei à dona do apartamento que eu desocuparia o quarto no fim do mês. E onde ficaria em São Paulo? Não sabia. Mas isso não importava, o importante era que eu havia decidido. E que os sinais do mundo concordavam comigo.

Mudanças, mudanças… Já devia estar acostumado, eu sei, mas é que ainda não consegui me livrar desse friozinho que dá na barriga, o próprio corpo querendo me lembrar do pacto. Sim, um dia fiz um pacto: jurei me manter sempre no caminho, sem pesos nem apegos excessivos, pronto para pegar a estrada no momento em que a vida assim quisesse. E em troca dessa disponibilidade, a vida cuidaria do resto.

Percebi que, de fato, precisava ser ainda mais desapegado quando chegou a hora de me desfazer dos excessos acumulados em dois anos de Rio de Janeiro. Não era muita coisa, mas para quem está sempre se mudando, qualquer peso a mais faz diferença. Além do mais, eu nem sabia onde ficaria em São Paulo. E estava levando o computador. E ainda havia os meus próprios livros, que preciso ter sempre comigo para vender, afinal ainda sou um escritor camelô. Então a mesa e a estante eu dei. A tevê eu vendi. Pensei em levar o ventilador, mas desisti, seria um capricho. E as roupas, deixei metade delas, não foi tão difícil. Porém, admito que fraquejei ao me despedir de uma mimosa calcinha, lembrança de uma noite especial. Desculpa, dona da calcinha, mas até os caprichos românticos pesam na mochila.

Levei alguns dias para me desfazer dos livros e cedês. Cada vez que fazia a triagem, faltava coragem e eu deixava para amanhã. Mas não tinha outro jeito, e acabei dando todos os cedês, não escapou nem mesmo o da Intocáveis Putz Band, que entreguei olhando para o outro lado, para nem ver. Com os livros, porém, o dilema alcançou proporções horripilantes. Era a escolha literária de Sofia: precisei ir várias vezes ao sebo, cada vez levando um pouquinho mais de livros. No fim, decidi que iriam comigo apenas meu velho I Ching e uma dúzia de livros que precisava ler com urgência. Sentia-me triste por abandonar os velhos companheiros, mas ao mesmo estava aliviado por fazer o que devia ser feito.

Então lá estava eu olhando para os meus pertences, tudo socado em uma bolsa, duas mochilas e três caixas, sendo duas só para o computador, esse trambolho. Notebook para o escritor camelô! – esta será minha próxima campanha da fraternidade kelmérica. Pois bem, aquela tralha toda me repreendendo, ô rapaz, você tem que se tornar mais leve e ágil, quando… puff, captei! Subitamente compreendi que o tal pacto que eu fizera anos antes era mais sutil e profundo do que eu imaginava. Tratava-se de se tornar fisicamente leve, sim, para se sair bem nas mudanças – mas tratava-se também de se tornar leve de espírito, de se desapegar cada vez mais de ideias e padrões de comportamento que se tornaram pesados. Assim como as coisas se acumulam no armário, certas ideias e posturas também perdem a utilidade e, se antes eram fundamentais, com o tempo se tornam meros caprichos, e mais adiante viram um trambolho difícil de carregar. Era incrível, o pacto tinha outra camada de entendimento por baixo… A vida parecia jogar comigo, deixando mensagens cifradas pelo caminho.

Salto na rodoviária, pisando finalmente o chão paulistano, nas mãos o endereço de uma casa na zona sul. Lembro do velho ensinamento taoísta que diz que a simplicidade é a última das estações – será que ela ainda está muito longe? Enquanto o táxi avança pelas ruas, sinto-me estranhamente leve e confiante, acho que ainda estou sob efeito do clarão de percepção do dia anterior, parece um baseado de efeito prolongado. Então sorrio, pensando no quanto tentamos controlar a vida e complicamos tudo. E rio ao lembrar que uma semana antes eu não tinha sequer um lugar para ficar. Rio mais ainda quando lembro que não tenho nenhum trabalho à vista. Chego quase a gargalhar pensando na ridícula simplicidade e obviedade de tudo… O motorista me olha desconfiado. Como dizer a ele que acabo de descobrir que a coisa mais simples que pode existir é… viver?

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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Necessário, somente o necessário
trecho do filme Mogli, o Menino Lobo (1967)

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ICI2011Capa-01dO Irresistível Charme da Insanidade
Ricardo Kelmer. Romance

Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal? Nesta história, repleta de suspense e reviravoltas, Luca é um músico obcecado pelo controle da vida, e Isadora uma viajante taoísta em busca de seu mestre e amante do século 16. A uni-los e desafiá-los, o amor que distorce a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

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É a Tao coisa – Uma maneira intuitiva de compreender a realidade através da harmonia com o Tao

O dia em que o chinlone me pegou – A arte zen de sair por aí à toa e encontrar o que se precisa

Espirros e roteiros – Se antes eu tinha insônia por me preocupar demais em descobrir o que precisava fazer, hoje me delicio em abrir a janela dos quartos dos hotéis, molhar a ponta do dedo e botar no vento

É proibido fazer blues na praia – Arriscar outros movimentos, sem ficar determinando de antemão que é impossível, não pode não senhor

I Ching das patricinhas – Se alguém procura revelações com pressa e sem seriedade, jamais terá as revelações

Somente o necessário – É o urso Balu quem ensina: Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais

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Cabaré Soçaite estreia em São Paulo

04/11/2010

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Finalmente meu cabaré estreia em São Paulo. Vamos lá!

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06nov – sab, 22h – São Paulo
Local:
Espaço Atelier – Rua Purpurina, 534 – Vila Madalena
Às 23h e 23h30: sorteios de bebidas e DVDs da festa

Estreia paulistana da festa que criei em 2003, em Fortaleza, e que já teve seis edições. O tema da festa é a sensualidade e o erotismo. As pessoas vestem-se a caráter e a cada edição o público elege a Musa e o Muso do Cabaré, que ganham prêmios. Na trilha sonora: pop, rock, disco, brega, ópera e ritmos latinos, além de música lenta pra dançar garradim. O palco, ambientado no estilo cabaré, é liberado pra todos fazerem performances. No telão são exibidos poemas, filmes de temática cabaré e cenas clássicas do cinema erótico. Em cada edição é feito um vídeo que depois é publicado na internet.

Ingressos: R$ 20
Contato: cabaresocaite(arroba)gmail.com

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CONCURSO MUSA DO CABARÉ:
– Fim de semana com acompanhante no Rio Quente Resort (Goiás)
rioquenteresorts.com.br
– Crédito de R$ 150 na sex shop Doc.Sex
– Crédito em lojas (roupas/acessórios)

CONCURSO MUSO DO CABARÉ:
– Fim de semana c/ acompanhante em Jericoacoara (Ceará)
Pousada Casa do Ângelo
– Crédito de R$ 150 na sex shop Doc.Sex

PARCEIROS DESTA EDIÇÃO
Atelier (São Paulo-SP) – atelier.producoes(arroba)gmail.com
Doc.Sex sex shop – rua Francisco Leitão, 502 – Pinheiros – 11-3068.8089
Maria Babado de Chita Moda e Design – 2339-4088
Rio Quente Resort (Rio Quente-GO)
Pousada Casa do Ângelo (Jericoacoara-CE)

ESQUENTA DA FESTA
– Dois botecos pra você esquentar antes de chegar no Cabaré:
> Lar da Madalena – Rua Wisard, 432, prox. Fradique Coutinho
> Bar do Jeová – Pça Benedito Calixto – Pinheiros – 3064.3808

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> Essa vida de dono de cabaré (história da festa)

> Vídeos da festa Cabaré Soçaite

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Camisetas da Coleção Cabaré Soçaite
clique para ver em tamanho maior
Pedidos: cabaresocaite(arroba)gmail.com

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Tchau, 2009

28/12/2009

Ricardo Kelmer 2009

E 2009 chega ao fim. Pra mim foi um ano de recomeço, mais um – putz, quando acabarão? O último recomeço havia sido em 2006, quando, por falta de perspectivas profissionais, fiz a mochila e me mudei do Rio pra São Paulo. Aluguei um quarto próximo a Congonhas e iniciei uma fase de caramujo onde pelos dois anos seguintes eu quase não sairia de casa, imerso em criações. Pari os livros Blues da Vida Crônica e Guia do Escritor Independente. Depois foi a vez do livro Vocês Terráqueas e, em paralelo, comecei a planejar e construir meu novo site, o Blog do Kelmer. E a grana? Vinha dos livros vendidos, de artigos pra revistas, de palestras e das aulas de roteiro de sitcom que eu dava pela internet.

Em ago2008 a situação financeira complicou de vez e não deu mais pra continuar em São Paulo. O jeito foi providenciar uma estratégica retirada pra Fortaleza, minha loirinha desmiolada de sol. Entreguei o quarto, fiz a mochila e lá fui eu de novo, cigano dos recomeços. O plano era lançar lá o Vocês Terráqueas, fazer umas palestas, produzir umas festas e voltar pra Pauliceia o mais rápido possível. Mas demorei pra juntar a grana e acabei ficando nove meses em Fortaleza. Nove meses, um parto.

Voltei pra São Paulo em maio e aluguei um quarto no Sumaré. Comprei um notebook e instalei uma internet 3G, o que me permitiria mais mobilidade pra enfrentar as viagens, as mudanças e, argh, os recomeços. Morando no Sumaré, mais próximo do miolo cultural da cidade, minha vida social ficou mais movimentada e em dois meses eu já conhecia mais gente que nos dois primeiros anos na cidade. Em meu cotidiano agora existiam a feirinha da Benedito Calixto, o espaço do Alberico Rodrigues, o boteco do Jeová, os saraus do Bar de Ontem, os filmes no HSBC Belas Artes, a Livraria Cultura, a Casa das Rosas, o Sesc, a Fenac, os bares da Vila Madalena…

O segundo semestre foi bem movimentado. Fiz o lançamento do Vocês Terráqueas em São Paulo e comecei a me apresentar em alguns saraus. Montei o espetáculo Viniciarte e passamos a apresentá-lo uma vez por mês no espaço do Alberico. Lá também comecei a fazer palestras. E lancei a revista Letra de Bar, sobre livros e boemia. E, pouco antes do ano findar, mais uma mudança: precisei entregar o quarto no Sumaré. Fiz a mochila e me mudei pra uma pensão em Pinheiros, onde moro agora.

Muita gente me ajudou nesse recomeço paulistano. Obrigado, Silvio Dolnikoff, Danielle Fernandes, Celia Terpins, Magna Mastroianni, Lu Pacheco, Moacir Bedê e Gabriel Sousa. Valeu, Alberico e Jeová. Obrigado demais, Bia Rocha, por acreditar em meu trabalho. E obrigado, Wanessa, por você ser real. E muito obrigado a você que me lê e dá sentido ao suor das minhas palavras.

Que 2010 não me venha com mais recomeços, esse negócio cansa as pernas da gente. E minha mochila, coitada, anda precisada de um bom descanso. Em São Paulo.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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O último blues de Lily

15/12/2009

15dez2009

A Lua nascendo no mar e os blues na voz de uma Lily que se rebola e se rebela e não ouve ninguém chamar

OUltimoBluesDeLily-01

O ÚLTIMO BLUES DE LILY

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É minha amiga Cristina Cabral quem me liga para dar a triste notícia. Lily Alcalay se foi. Falecera na noite anterior, 15 de fevereiro de 2003. A irmã morte veio buscá-la, ela que havia meses se hospedara em seu corpo. Desligo o telefone sentindo o peso da realidade que todos desconfiávamos mas não ousávamos admitir. Conto para Karine e choramos em silêncio, sentados sob o sapotizeiro do quintal.

Enquanto me visto para ir ao velório lembro de um fato curioso. Era 1995. Eu morava em São Paulo e soube de uma festa que aconteceria numa serra próxima. Entre as atrações lá estava: Lily Alcalay. Tomei um susto. “Ei, esta menina é lá de Fortaleza!” E mostrei o panfleto da festa aos amigos, empolgado ante a possibilidade de rever minha bluseira predileta. Saudoso das coisas da terrinha, falei de Lily, sua voz maravilhosa, os shows, como ela tão bem encarnava o espírito do blues. Dias depois lá estava eu na festa. A apresentadora anunciava a atração seguinte e eu na plateia aguardava ansiosamente que fosse Lily a próxima a subir ao palco, ela e sua rebeldia, a energia contagiante. Mas a danada não subiu. Sequer fora à festa. Voltei frustrado. Pô, Lily! A gente sobe a serra, paga ingresso caro e você não aparece?

Anos depois, morando de novo em Fortaleza, descubro que Lily também está de volta. Que boa notícia! Nossa querida venezuelana rasgando os blues pelos palcos da cidade felizarda, fazendo a noite mais saborosa e conquistando mais e mais admiradores. Por vários sábados, na barraca Opção Futuro, saciei meu desejo com Lily e a banda Marajazz, desfrutando daquele cartão postal: a Lua nascendo no mar e os blues na voz de uma Lily que se rebola e se rebela e não ouve ninguém chamar.

Uma noite, show terminado, fui até ela e entreguei um original de meu romance O Irresistível Charme da Insanidade. Pedi que lesse e musicasse uma das letras que havia na história. Dias depois ela me disse que adorara o romance, que havia escolhido uma das letras e estava criando a melodia. Agradeci, superfeliz, e falei que a música faria parte da trilha sonora do livro, e que logo eu a chamaria ao estúdio para gravar.

Não deu tempo. Não resistindo mais às dores, Lily se internou para exames, o tumor já se alastrando por seu corpo. Fui visitá-la no hospital, ela se recuperando de uma cirurgia. Estava debilitada, sedada por medicamentos e falava com dificuldade. Mas demonstrava garra e confiança. E, impaciente com tantos soros e sondas, fazia planos de sair logo dali, retornar aos palcos, deixar de fumar, se cuidar mais…

Imóvel sobre a cama, Lily sorriu: Não esqueci nosso blues…. Vi quando virou o olhar para o teto e buscou a melodia na memória, fazendo-a escoar baixinho entre seus lábios. Cantou tão baixo que só pude distinguir uns poucos acordes. Deixei o hospital envolto numa tristeza resignada. Algo me dizia que eu jamais escutaria aquele blues. É preciso confiar sempre, eu sabia, mas naquele momento a esperança era como a voz de Lily, um fiapo de melodia resistindo no meio de tanta dor.

Seu corpo retornou à mãe Terra num domingo de lua cheia, uma lua linda e brilhante feito um neon suspenso a iluminar seu último blues. O caixão desceu enquanto nossas vozes entoaram as belas canções de seu disco. Pô, Lily, você tinha que ir embora no auge? Não precisava seguir tão à risca a cartilha do blues!

Foi-se dona Doida, a artista, amiga, namorada, irmã, filha, mãe e avó. Fortaleza está mais pobre e mais careta. E com um cartão postal a menos.

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Ricardo Kelmer 2003 – blogdokelmer.com

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Baixe as músicas do CD “Lily Alcalay” (2001)
arquivo zip (35mb)

RK200605Lily08a.
Babe baby
Blues for youChild of the cityLejos de mi
Mar e SolMinha nossa dona Doida (Good Golly Miss Molly)
Orquídea negraQueroSonhoSummertime

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LEIA NESTE BLOG

IntocaveisPutzBand1994-201aA celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

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Iassim vamos – Alberico Rodrigues

26/09/2009

Ricardo Kelmer 2009

EleLetraCaminha-01Conheci o Espaço Cultural Alberico Rodrigues em jul2009. Fica em Pinheiros, vizinho à praça Benedito Calixto. O espaço é uma concretização dos sonhos e ideais de seu proprietário, o professor Alberico, ou Alberix, como eu gosto de chamá-lo. Após sair do interior da Bahia e rodar mundo estudando e dando aulas de literatura, Alberix entendeu que deveria por sua experiência a serviço da cultura de seu país. Foi com esse nobre ideal que em 1988 ele montou seu espaço, que hoje é referência cultural na capital paulista.

Cheguei por lá atraído pelo canto das sereias, acho que as mesmas que me atraíram quando pequeno e me levaram a ser escritor. Entrei e logo gostei do que vi: uma livraria de livros novos e usados, mais à frente uma loja de CDs e DVDs e aos fundos um café-bar. No primeiro andar um teatro de bolso para 60 pessoas. E uma deliciosa área externa onde se pode sentar à mesa e comer e beber com os amigos e ficar olhando o movimento da praça em frente, honrosamente acompanhado dos bustos de Machado e Camões. Diliça.

Pra minha sorte, Alberix gostou de mim e do meu trabalho. E recebeu de braços abertos as minhas kelmerices. Foi lá, por exemplo, em agosto, que estreamos o Viniciarte, espetáculo que criei sobre Vinicius de Moraes e que foi o primeiro evento realizado pelo meu projeto Letra de Bar. Aliás, o Viniciarte seguirá lá em cartaz uma vez por mês. E foi lá também que, em setembro, lancei meu livro Vocês Terráqueas, que, pra minha honra, Alberix gostou bastante e logo pôs à venda na livraria. Valeu, Alberix. Acho que juntos poderemos fazer muitas coisas boas.AlbericoRodrigues-01b

Sobre o Vocês Terráqueas, ainda farei lançamentos em outros bares, dentro do projeto Letra de Bar. E sobre o Viniciarte, Celia Terpins segue vendendo-o pra empresas, clubes e hotéis. Ela gostou muito do espetáculo e acredita que podemos até viajar com ele por outras cidades. Então, se você curte Vinicius de Moraes, quital levar o espetáculo pra sua cidade, hum? Aproveita que o precinho tá bom.

E sobre o Letra de Bar, em outubro será lançado o primeiro número da revista impressa, que terá edições bimestrais e será distribuída gratuitamente no circuito boêmio-cultural da cidade de São Paulo. O projeto divulgará o que estiver relacionado ao mundo dos livros: novos autores, livrarias, editoras, gráficas, empresas e profissionais da área e também filmes e espetáculos baseados em livros, além de entrevistas.

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Corta pro apê da Paulete. Paulete Hetê. Ela prepara aquele capuccino que só ela sabe fazer enquanto eu, no noutibuk dela, reviso o roteiro do Viniciarte. Em algum lugar toca um blues. Paulete me serve o capuccino e depois vai fazer alongamento na sala. Seu corpo nu se integra à paisagem da pauliceia lá fora na janela. Ou será o contrário?

– Pô, Paulete, assim eu não consigo trabalhar.

– Vinicius conseguia.

– Eu não sou Vinicius.

– Não é mas tá cada vez mais vivendo como ele. Amores, literatura, música, poesia, bares, viagens…

– Pensando bem, é verdade.

– E ainda monta um espetáculo sobre ele.

– O poetinha sempre foi meu guia, você sabe.

– Você também deixará de ser escritor pra ser artista?

– Sempre fui as duas coisas. Não pode?

– Escritor e artista. E agora produtor cultural. E editor de jornal. E palestrante. E professor de roteiro. Que horas você vai escrever livro?PauleteHete-106a

– Posso escrever antes de dormir.

– Você nem dorme mais. Já viu como tá tua cara? Vai assustar as leitorinhas.

– Em breve eu diminuo o ritmo de trabalho e…

– Ahahahah! Comigo ninguém diminui o ritmo, Rica querido. Você entrou na pista, agora tem que correr senão é atropelado.

– Não quero correr. Quero celebrar.

– Um Vinicius cearense pra eu sustentar. Eu mereço.

– Agora pára de me exibir a bunda que eu tenho que trabalhar, vai.

– Que o poetinha não escute essa heresia.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Lei antifumo, eu te amo

07/08/2009

Ricardo Kelmer 2009

Na verdade os fumantes, com sua deselegância, acabaram criando uma severa lei contra eles próprios. Não deixa de ser irônico

Fumo-02Jurei a mim mesmo que no primeiro minuto do dia 7 de agosto de 2009 eu publicaria uma crônica sobre uma das leis mais gritantemente óbvias que podem existir. Promessa cumprida.

A lei número 13.541/09, sancionada pelo governador José Serra, proíbe a partir de 07.08.09, em todo o Estado de São Paulo, fumar em locais fechados de uso coletivo, públicos ou privados. A fiscalização, que ficará a cargo dos agentes sanitários, não será feita sobre os fumantes mas sobre os estabelecimentos, que, caso não mantenham o ambiente totalmente livre de tabaco, serão multados e poderão ser fechados.

Várias experiências em outros países inspiraram a lei paulista e elas mostram que a sociedade lucra com a medida. Os donos de bares, boates e restaurantes estão naturalmente apreensivos com a possível queda de faturamento e ela certamente ocorrerá mas será pequena e por pouco tempo, o que desmentirá os terroristas da fumaça, que pregam o risco de demissões em massa.

A classe dos fumantes se adaptará à lei, saindo pra fumar, passando a fumar menos ou até mesmo aproveitando o embalo pra largar o vício. Os funcionários não mais serão obrigados a trabalhar respirando o ar poluído dos estabelecimentos. E os estabelecimentos poderão ter problemas com fumantes fissurados mas isso fará parte das raras exceções pois nem esses desejarão que seja fechado o lugar que frequentam.

Inegavelmente, a turma dos não-fumantes tá muito feliz: a lei lhes soa como uma espécie de justiça tardia. Assim como fumar é uma opção, não fumar deveria também ser. Mas infelizmente nunca foi pois os não-fumantes sempre foram obrigados a fumar por causa de fumantes que acham que seu vício deve afetar não só a eles mas também a quem estiver por perto, o que, convenhamos, é um comportamento no mínimo deselegante, pra não dizer estúpido. Na verdade os fumantes, com sua deselegância, acabaram criando uma severa lei contra eles próprios. Não deixa de ser irônico.

Tenho ouvido queixas curiosas dos fumantes em relação à lei. Um amigo vegetariano, justificando sua discordância, me disse que a presença de pessoas comendo carne o incomodava bastante mas que isso não justificaria uma lei que as proibisse de comer carne. Uma outra, inconformadíssima, lembrou que os fumantes não podem pagar por terem sido ludibriados pela indústria do fumo, que os enganou ao vender cigarro com clima de status e glamur. Ainda teve outra que jogou uma praga: o governador terá de pagar o tratamento dos que, no inverno, vão se resfriar por terem de sair à rua pra fumar. São queixas que, de tão descabidas, nem merecem resposta.

A indústria tabagista? É claro que odeia a lei e já tentou derrubá-la várias vezes, patrocinando ações movidas por associações de bares, restaurantes e hotéis. Felizmente a lei continua de pé e pelo andar da fumaça, cada vez mais países a adotarão, fortalecendo a tendência mundial de se investir em qualidade de vida ainda que isso signifique contrariar fortes interesses comerciais.

Recordo agora, particularmente falando, de que, por conta dos ambientes poluídos de cigarro, precisei abandonar meus bares preferidos. Agora poderei voltar a eles, ô maravilha, e beber com os amigos sem o incômodo dos olhos irritados, da tontura e da dor de cabeça que a fumaça me traz. Assim como eu, muita gente se sentirá mais à vontade pra sair e isso trará novos clientes à noite da cidade. E todo mundo ficará aliviado por não ter mais de chegar em casa com pele, roupa e cabelo fedendo a cigarro.

Decerto nem todo não-fumante sofre como eu por causa do cigarro alheio. Eu sou desses que precisa beber pra anestesiar olfato e paladar e, assim, poder beijar com prazer uma mulher que fuma. Outro dia o suor da moça fedia tanto a nicotina, mas tanto, que bati o recorde mundial de sexo sem respirar. O que a gente não faz… Mas como eu dizia, nem todo não-fumante sofre como eu – mas todos eles a partir de agora não sofrerão mais os males do fumo passivo, o que lhes trará mais saúde, com exceção, é claro, dos que vivem com fumantes pois a lei não se aplica ao ambiente particular das residências. Bem, cada um sabe onde o pulmão lhe aperta.

Em breve as novas gerações comentarão com assombro de um tempo em que as pessoas discutiam a obviedade da proibição de se fumar em ambientes públicos. Tempo estranho. Que já vai tarde.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LeiAntiFumo-09Dúvidas sobre a lei antifumo paulista?

Visite o site Lei Antifumo, do governo de SP

Denuncie estabelecimentos que descumprem a lei.
Ou ligue
0800-771.3541

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Saiba mais:

> Lei contra o tabagismo no mundo (ago2009)
> Lei antifumo tem 88% de aprovação em SP (Folha OnLine, 16.08.2009)
> Lei antifumo em outras cidades brasileiras (UOL, 19.08.09)

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ENQUETE

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Protegido: RK na Parada Gay – Imagens (VIP)

12/07/2009

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Iassim vamos – Parada gay

27/06/2009

Ricardo Kelmer 2009

O mundo melhor pelo qual eu e muitos outros lutamos passa necessariamente por esta aceitação: somos diversos

EleLetraCaminha-01Eu já havia perdido a Virada Cultural de 2009 por ainda estar na turnê nordestina. Uma pena. Nem vou listar aqui os shows imperdíveis que perdi pra não chorar, xapralá, bola pra frente. Pela menos a Parada Gay eu não perderia, um bom consolo.

O tuntstuntstum no último volume dos carros de som é insuportável. As calçadas das ruas transversais alagadas de mijo também. Mas é compensador participar desse carnaval de um dia só em que se transformou a Parada Gay, eu realmente me divirto muito em ver os tipos e fazer parte dessa grande festa democrática da sexualidade.

Este ano terminamos a festa no H2Rock, um boteco da Augusta que descobri dia desses, onde sempre rolam bons shows de blues e rock no telão. Tomar uma vendo os Doors, Janis, Led Zeppelin, ô diliça… Coisas daugusta. Eu, Samia, Zé di Bedis, Magnata e Gilbas, entre cervas, domecqs e ósculos desatinados. Tudo muito bom, até o tiragosto de amendoim com alho. Coisas daugusta.

Agora falando sério. Assim como não há mais como deter os movimentos de emancipação feminina e de igualdade racial, o mesmo já acontece com o movimento gay. A sociedade já não pode fazer de conta, como até um tempo atrás, que a homossexualidade não existe. Hoje precisamos todos conviver com isso, gostando ou não. Aliás, a luta dos homossexuais não é apenas a luta de uma minoria – ela deve ser vista como um movimento natural evolutivo da própria humanidade no sentido de se aceitar como sempre foi, sexualmente diversa.

Você tem a sua sexualidade própria, eu tenho a minha, a digníssima senhora sua mãe tem a dela e, se pensarmos bem, em última análise cada pessoa deste mundo vivencia a sexualidade de uma forma única. Entre bilhões de pessoas, talvez não haja duas sexualidades exatamente iguais. Então por que haveríamos de eleger uma mais certa ou errada que a outra?

Quanto mais penso no assunto, mais me convenço de que a velha divisão da sexualidade humana em heterossexual e homossexual é algo absolutamente artificial e sem real fundamento. Tudo bem que de uns tempos pra cá o senso comum abriu uma brechinha na divisão pra incluir a bissexualidade mas, ainda assim, não dá pra explicar a sexualidade humana encaixando-a apenas nesses três compartimentos. Dois gays podem ser sexualmente mais diferentes entre si que um homo e um hetero. Sem falar que a questão na verdade começa muito antes disso: o que exatamente define, e qual a medida, que alguém é homo ou hetero ou bi?

O mundo melhor pelo qual eu e muitos outros lutamos passa necessariamente por esta aceitação: somos diversos. E dentro dessa diversidade somos uma única família e temos todos o mesmo direito fundamental, o direito que é a mãe de todas as liberdades: poder ser quem somos.RKParadaGay200906-504a

Pra terminar, deixo você com a graciosa exuberância de Natasha e Thalyta, uma dupla que, como pode-se constatar, abalou a avenida Paulista. Olhe à vontade pois não tava fácil a concorrência pra fotografar com as meninas.

> RK na Parada Gay. Veja as fotos (exclusivo para Leitor Vip)

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Corta pra cozinha da Paulete. Ela preparando um capuccino. Só de calcinha e uma camiseta preta do Led Zeppelin. Adoro mulher com camiseta do Led. Em algum lugar toca um blues.

 Defendendo os gays assim, vão acabar achando que você agasalha o croquete.

 Claro que agasalho. No seu cruassam.

 Hummm, é assim que eu gosto de te ver, bem animadinho.

 É, tô animado mesmo. Você tá me tratando bem.

 Meu batráquio desengonçado merece. Gostou do boteco da Augusta?

 Tirando a fumaceira de cigarro, adorei.

 Fica frio, sete de agosto acaba teu martírio.

 Nunca mais tontura e olhos irritados. Nunca mais roupas e cabelo fedidos. Ufaaaa…

 Primeiro o barzinho da Cardeal. Agora um boteco na Augusta. Pra quem tava órfão de bar e agora já tem dois…

 Obrigado, Paulete. Mas quero mais. Bares legais pra botar no circuito do Letra de Bar, você me arruma?

 Tá na lista de prioridades. Junto com a namorada linda e indecente pra ver contigo os gols da rodada embaixo do edredon.

 Ver e comentar, não esquece.

 Ela ainda tem que comentar? Se você pelo menos fosse bonito, teria moral pra tanta exigência…

 Falar nisso, te contei que me cadastrei no Par Perfeito?

 Sério? Ah, vocês românticos…

 Achei que você aprovaria.

 Eu? Esquece. Pro seu caso, é melhor um bar perfeito.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> RK na Parada Gay – Veja as fotos (exclusivo pra Leitor Vip)

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LEIA TAMBÉM NESTE BLOG

> Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

> As crianças transexuais – Putz, que espécie louca, a humana. O que ainda haverá para descobrir sobre nós?

> A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

> Minha experiência omossexual – Não podia voltar pra casa sem fazer alguma coisa, sem descarregar aquela tensão acumulada nos últimos dias

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CABARÉ SOÇAITE
Cabaré Soçaite – Uma festa de sensualidade

Confira as próximas edições

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Iassim vamos – Bar de Ontem

22/06/2009

Ricardo Kelmer 2009

Um barzinho legal em Pinheiros. E Paulete de calcinha e camiseta

EleLetraCaminha-01Conheci o Bar de Ontem através de Marcello e Diego, que me convidaram pra ir ao Sarau de Ontem, que ambos estavam começando a produzir e que rolaria quinzenalmente aos domingos lá, nesse tal de Bar de Ontem.

Ops, um sarau. Eu gosto de sarau, principalmente quando não é formal e careta. Aquela coisa de literatura misturada com música, teatro, dança, todos participando, aquele clima de suruba artística, acho muito gostoso. Falando nisso, nessa última temporada em Fortaleza criei o Bordel Poesia, um sarau mensal cujos temas são paixão e erotismo. Minha amiga Paola Benevides ficou como produtora do evento, junto com a Linda Mascarenhas. Vida longa ao Bordel Poesia.

Poisbem, o Sarau de Ontem. Fui e gostei. Funciona no mezanino do Bar de Ontem, que fica ali em Pinheiros, na Cardeal Arcoverde, entre Fradique e Mourato. Quem foi comigo foi o Moacir Bedê, mais conhecido no submundo do crime desorganizado como Zé di Bedis, junto com Sofia Binoche, Gabriel Barruan e Magnata. Foi divertido, conhecemos gente bacana e eu desenterrei uns poemas do Bandeira do fundo empoeirado do meu passado recitador. E o Zé di Bedis, quando perdeu a vergonha, interpretou Listen, a obra-prima do seu cancioneiro sem-noção. Ninguém entendeu nada, é claro, mas riram bastante.

E eu, depois que me animei, puxei da mochila o Vocês Terráqueas e li Queremos mulher carnuda. Como sempre, aplausos e calorosas manifestações de apoio à Samuca (Sociedade Amparadora da Mulher Carnuda). E no fim li Loiras ou morenas, com acompanhamento musical do Marcello. Acho que gostaram pois acabei vendendo dois livros, ô maravirilha.

Lu e Gilson são os donos do bar, casal ótimo, simples e a fim de fazer do lugar um reduto artístico, com o apoio dos filhos Ciça e Edu. Que bom. Gostei deles, do ambiente descontraído da casa e dos preços que se não empolgam, também não assustam – tanto que voltei lá na semana seguinte, depois voltei no sarau, depois outra vez… Ufa, eu realmente tava carecendo de ser adotado por um bar aqui na Pauliceia. E tem mais, acabamos fechando uma parceria: o Bar de Ontem é o primeiro a integrar o circuito do Letra de Bar (letradebar.wordpress.com), meu projeto literário que estreia em agosto. E em breve farei uma noite de autógrafos lá, você já tá convidado.

Corta pra cozinha da Paulete. Ela fazendo um capuccino. Só de calcinha e camiseta (comprada na feirinha da Benedito Calixto). Como que ela sabe que eu adoro mulher de calcinha e camiseta? E, putz, como ela descobriu que adoro as frequentadoras da Benedito Calixto?

– Um barzinho legal e um sarau pro meu escritor ler seus textos maluquinhos. Gostou do presente?

– Você é demais.

– E, de quebra, duas novas leitoras.

– Assim eu me apaixono.

– Foi o que a cigana disse.

Visto um agasalho, hoje tá frio. Em algum lugar toca um blues. Engraçado, nunca sei de onde vem mas sempre toca um blues.

– Treze graus, Paulete, e você de calcinha. Comé que pode?

– É o teu tesão que me veste assim, ainda não sacou? Quando ele acabar, você me verá diferente.

– Meu tesão por você não vai acabar.

– Mas vai se transformar, como tudo, seu moço. Você, por exemplo, não é mais aquele que me apareceu três anos atrás, tão perdido, coitado, fugindo de um Rio de Janeiro que não te curtiu.

– Você também não me deu bola.

– Claro. Vocês artistas e escritores precisam primeiro provar que me merecem. Por que eu te trataria diferente dos tantos outros que me procuram? Só porque você é um pobre coitado ingênuo e romântico?

– Eu?

– E que nessa altura do campeonato, o mundo se acabando, ainda insiste em ver tudo pelo olho da poesia.

– Eu??

– Mas eu gosto. Sem isso você não me veria assim, de calcinha e camiseta, toda poética nesse frio.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Iassim vamos – Paulete, ai, Paulete

10/06/2009

Ricardo Kelmer 2009

Em três anos de São Paulo, somente agora começo a me sentir fazendo parte da cidade.

EleLetraCaminha-01Um mês. Um mês que voltei a São Paulo após a temporada nordestina de 9 meses. Os primeiros dias não foram fáceis, eu era o Homem Sem: sem quarto pra dormir, sem computador, sem internet e sem poder ligar no celular pois deu um problema com minha conta da Claro. Um mês sem poder trabalhar normalmente, me virando em lan houses e me irritando com os orelhões quebrados.

Agora as coisas estão se ajeitando. Comprei um noutibuk Acer e instalei um 3G da Oi, resolvi o problema do celular e tô no quarto que aluguei no bairro do Sumaré, a 10 minutos de caminhada do metrô. Morando aqui, finalmente tô pertinho das livrarias, cinemas, teatros e bares, como eu queria estar.

Putz, em três anos de São Paulo, somente agora começo a me sentir fazendo parte da cidade. Tomara que ela também queira fazer parte de mim. Será que quer?

Corta pra cozinha de um pequeno apartamento. Pela área de serviço ouve-se o som do trânsito lá fora. Paulete prepara um capuccino – só de calcinha. RK, sentado à mesa, em sua tradicional estampa matinal (despenteado e horrendo), aguarda a resposta, será que quer? Em algum lugar toca um blues.

– Claro que quero, seu bobo. Quero fazer parte de você e de todo escritor maluco que vem pra mim.

– E nessa cabecinha liberal aí não rola nem um ciuminho de Fortaleza?

– Não como ela tem de mim.

– Você realmente não se incomoda de me dividir com outras?

– Eu não. Você sempre volta pras minhas esquinas.

– Convencida.

– Na verdade tô é curiosa pra saber o que a loirinha desmiolada de sol tanto vê em você.

– Deve ser o meu jeitinho de dizer eu te amo…

– Que lindo!

– … enquanto tô dentro do rabo dela.

– Seu pornográfico. Também quero.

– Se der tempo…

– Como assim?

– A grana que tenho só dá pra três meses.

– Faz três anos que tua grana só dá pra três meses.

– É verdade…

– Vou te contar um segredo. Ontem eu fui na cigana. E ela me disse que você vai se apaixonar por mim.

– Sério? E o que você fará pra isso acontecer?ElaCidade-01a

– Vou te dar a vida que você pediu: literatura, música, cinema, teatro, bares aconchegantes…

– Demorou, né?

– Vou te arrumar uma boa editora e muita palestra pra você fazer.

– Jura?

– E uma namorada linda e indecente, que vai adorar ver os gols da rodada contigo embaixo do edredom.

– Ai, Paulete, assim eu me apaixono…

– Com açúcar ou adoçante?

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Essa loirinha desmiolada de sol

10/11/2008

10nov2008

Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

ESSA LOIRINHA DESMIOLADA DE SOL

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Os leitores que ultimamente receberam livros meus pelo correio certamente perceberam que o endereço do remetente não é de São Paulo, mas de Fortaleza. Explico: tô passando uma temporada no Ceará e desde setembro despacho daqui meus livros vendidos pela internet. Vim finalizar em Fortaleza o novo livro, Vocês Terráqueas, e a nova edição de bolso dos demais, aproveitando a parceria que tenho com a Expressão Gráfica e com a Garin, e vim também pra participar da Bienal Internacional do Livro (12 a 21nov) e fazer umas palestras.

A ideia era retornar pra São Paulo até dezembro, mas como tô precisando de uma graninha urgente pra pagar os custos do novo livro e também pra comprar um notebook, decidi voltar a produzir festas temáticas, algo com que trabalhei por vários anos. Então adiei o retorno, possivelmente pra depois do Carnaval. Produzir uma festa não me dá tanto prazer quanto publicar um livro, mas dá menos trabalho. E sempre dá um dinheirinho muito bem-vindo que ajuda a bancar o RK escritor.

Fortaleza é assim, pro RK escritor ela não tem amplos horizontes a oferecer, mas pro RK festeiro ela escancara as pernas. Essa loirinha desmiolada de sol… Fortaleza será sempre assim, inculta, dengosa e bela. Sempre que venho, ela me vem com agradinhos, diz que eu deveria ficar, que mereço vida melhor do que a que levo sozinho em São Paulo, alugando quartinhos minúsculos, sem os amigos que tenho aqui, os dengos e as facilidades…

Ela diz isso mas tá cansada de saber que nosso amor é um amor impossível. E sabe muito bem que agora sou um cara compromissado com São Paulo, a quem ela desdenhosamente chama de Paulete Periguete. Ciúmes, claro, tem cidade que é muito ciumenta. E Paulete não tem nada de oportunista, pelo contrário. Ela pode até não ser tão calorosa quanto Fortaleza, mas é bem curvilínea e, aiai, são as curvas de seus horizontes que mais seduzem o RK escritor.

– Mas duvido que ela seja mais ecônomica que eu – Fortaleza começa a ladainha, enquanto brinca de sereia na areia da praia pros meus olhos. Cidade adora se comparar com a outra, ô mania horrível. De fato, Fortaleza não é dispendiosa como São Paulo. Mas finjo que não escuto a provocação e continuo olhando o mar, gosto de ver as ondas indo e vindo, é um dos meus mantras visuais favoritos.

– Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar.

– Duvido que ela faça gostoso como eu faço, duvideodó… – ela sussurra, sua voz sapeca sibilando em meu ouvido junto com o vento de outubro. E dessa vez eu concordo, claro, imagina se vou discordar. Não, loirinha, ninguém faz o que você faz, principalmente depois da terceira vodca.

Fortaleza é assim, a derradeira brisa de verão, um gosto de beijo roubado na fila do embarque, a felicidade com visto vencido.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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