Salve, guerreira Tremembé

23mar2023

Telma Pacheco Tremembé 1

SALVE, GUERREIRA TREMEMBÉ

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Toquem os maracás: a guerreira está presente
Ei-la, sorridente e obstinada
Lutando e dançando na lagoa encantada
Mulher de doçura brava, jaçanã
Artesã de sonhos que ousam persistir

Toquem os maracás pra ela ouvir
Riso fácil, flecha certeira da alegria
Ela se encontrou na ancestralidade
Misturando em si mato e cidade
E enriquecendo o mundo inteiro
Mora agora na sombra do cajueiro
Bela como sempre foi e como é
É ela, a guerreira Telma Tremembé

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Fiz este poema em homenagem a minha amiga Telma Pacheco Tremembé, que conheci em 2017, em Fortaleza. Ela morreu em 18 de março de 2023. Segue a apresentação que escrevi para seu livro Raízes do Meu Ser, de 2018:
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Conheci Telma em 2017, durante a reorganização do FLLLEC, o Forum de Literatura, Livro, Leitura e Biblioteca do Estado do Ceará. Imediatamente, cativou-me sua simpatia, o sorriso hospitaleiro, o jeito divertido. Telma é daquele tipo de gente que alegra e ilumina nosso dia com sua simples presença.

Com o tempo, passei a admirar sua disposição de lutar por aquilo que ela elegeu como uma espécie de missão: os direitos dos povos indígenas. Uma missão complexa, nós sabemos, mas que ela abraçou com a força e a determinação de seus antepassados Tremembés, que habitavam o Ceará (região de Almofala) quando da chegada dos europeus, no século 16.

Eu falei chegada? Bem, o termo que ficou consagrado foi descobrimento, seguindo a lógica eurocentrista. Porém, para os povos que aqui viviam naqueles dias, o termo mais apropriado é invasão. O Brasil, que ainda não tinha esse nome, foi conquistado pelos portugueses, que exploraram comercialmente as terras com trabalho escravo e submeteram os povos indígenas a um processo de aculturamento, que nunca cessou. Os primeiros habitantes da terra brasilis não viviam em paz entre si 365 dias por ano, é verdade, assim como os povos no restante do mundo, mas a chegada dos europeus atingiu violentamente a todos eles, e foi determinante para a quase extinção dos nossos povos originários.

O livro de Telma nos conta a história dessa conquista pela ótica de seu próprio povo, e nos conta também sobre seu processo de autoaceitação como Tremembé. É uma iniciativa muitíssimo bem-vinda e que merece todo o apoio, pois carecemos de uma literatura indígena que nos permita contar a história do nosso país de um modo mais abrangente, pela voz daqueles que foram perseguidos, escravizados, convertidos à força ao Cristianismo, declarados extintos por decreto e executados dos modos mais cruéis.

Eu falei foram? Infelizmente o tempo correto do verbo é são. Os povos indígenas ainda são massacrados, sofrendo diariamente o preconceito, a violência, a cristianização e o descaso dos governos. Espero que o livro de Telma, para o qual tenho a honra de fazer esta apresentação, contribua para que a cultura indígena, que também nos faz brasileiros, seja mais valorizada, e para que tenhamos em nossas bibliotecas e salas de aula mais e mais livros escritos por índios.

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Ricardo Kelmer 2023 – blogdokelmer.com

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Telma Pacheco livro 01b

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