O Kelmer endoidou e seus livros liberou

17/08/2010

Ricardo Kelmer 2010

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Liberei mesmo. Decidi disponibilizar todos os meus livros, gratuitamente, em meu blog e também em arquivo PDF.

NO BLOG DO KELMER – blogdokelmer.wordpress.com/livros
Os livros poderão ser lidos por qualquer pessoa, sem necessidade de senha.

NO FORMATO PDF
O arquivo será enviado gratuitamente aos Leitores Vips, que poderão imprimir ou ler na tela do computador. O primeiro é o Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino, que foi enviado esta semana. Os outros livros serão enviados até dez2010. Se você é Leitor Vip e não recebeu nenhum livro, solicite pelo rkelmer(arroba)gmail.com.

SORTEIO
Sortearei exemplares da obra entre os leitores que enviarem comentários sobre os livros que receberam.

DESCONTO É SEMPRE BOM
Leitor Vip tem 10% de desconto em qualquer pedido.

Não afasto a hipótese de voltar a publicar por editoras, e isso pode ocorrer em breve. Mas considero a internet uma aliada cada vez mais indispensável em meu trabalho.

Obrigado. Ser lido por você é uma honra pra mim. 🙂

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Seja Leitor Vip e ganhe:

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Promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Amo este livro!!! Amoooooooo- talvez pq ele seja um espelho fidedigno da alma feminina, escrito, magistralmente, por um elemento do sexo masculino. É a constatação de que temos, pelo menos, duas almas. Então, vc abre o livro e vai se encontrando nas outras almas(além das duas) e como um reflexo, se achando nos mais diversos personagens. Depois, já no finzinho, desejando que o livro não acabe… Mas isso é um outro segredo. 😉 – recomendadíssimo!!! ” Lucia Gonczy, São Paulo-SP – ago2010

02- Olá Kelmer. É sempre um prazer ler suas obras, tá… que fiquei um tempo sem ler quase nada, mas voltarei. Ainda mais que tenho em PDF ;D Bjão e muuuiiita sorte, sempre! Kelly Cristina, Fortaleza-CE – ago2010

03- “O Kelmer endoidou e seus livros liberou…será q vc inspirou-se naquele saudoso comercial televisivo, que falava: O gerente endoidou e o preço baixou…rsrs. de que loja era mesmo? Xepinha, era? kkkkkkkkkk.” Magah Costa, Thun-Suíça – ago2010

04- Nossa, você é bom mesmo, heim? Ia ler o primeiro conto para dar pprosseguimento depois, mas ainda não consegui parar…:-) Abraços. Tânia Contreiras, Salvador-BA – ago2010

05 Gostaria de lhe parabenizar pela grandiozidade dos textos que compõe o leu livro “Vocês Terráqueas”. Mas, em particular, gostaria de lhe parabenizar pela crônica “Medo de Mulher”. Poucos homens seriam tão capazes de reconhecer esse medo de forma tão explícita. Menos ainda seriam capazes de assumi-lo publicamente editando em um livro. Isso mostra, no mínimo, a segurança que você tem quanto a sua masculinidade, não tendo medo de expor o que pra muitos seria um “fraqueza”. Mostra também a cumplicidade que você tem com nós mulheres, nos orientando e esclarecendo os motivos pelos quais muitos homem não desceram da árvore. Talvez os “ETs” tenham maior domínio desse medo e por isso as mulheres brasileiras se deixam abduzir. Parabéns: pelo grande escritor, pelo grande homem e pela grande pessoa que você é. Maria do Carmo, São Paulo-SP – ago2010


As Terráqueas na Bienal de SP

13/08/2010

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Poizé. Minhas adoráveis e dadivosas terráqueas darão o ar da graça na 21a Bienal do Livro de São Paulo. Farei uma sessão de autógrafos do livro na 2a feira 16go, de 18 a 22h. O local é o estande do Espaço Cultural Alberico Rodrigues (estande 41, rua O). Obrigado, Alberix!

TRANSPORTE: Tem ônibus grátis saindo do Terminal Tietê pro Anhembi.

SAIBA MAIS SOBRE O LIVRO

16ago – seg, 18 a 22h – São Paulo-SP
Vocês Terráqueas – Noite de autógrafos
Bienal do Livro – Estande do Espaço Cultural Alberico Rodrigues
Estande 41, rua O

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Comentarios01>> COMENTÁRIOS
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01- muito boa haha! Jéssica Nayanne, Fortaleza-CE – ago2010

02- Essa foto é muito você!!!! kkkkkkkk. E você com cara e asa de anjinho. Lindo!!!! Vânia Cavalcante, Fortaleza-CE – ago2010


Guia do Escritor Independente cap 4

10/08/2010

GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05a
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Guia do Escritor Independente
Como publicar livros e gerenciar a carreira literária

(Dicas, Miragem Editorial/2007)

As mudanças na sociedade e as novas tecnologias possibilitam cada vez mais aos escritores a possibilidade de desenvolver suas carreiras sem necessariamente estarem ligados a alguma editora. Hoje é possível publicar, divulgar e vender os próprios livros usando-se a internet e outros meios alternativos, baratos e eficientes.

Com sua experiência no mercado editorial oficial e alternativo, o autor resume neste livro as ideias que divulga em suas palestras e oficinas, mostrando que os novos autores podem gerenciar a própria carreira, publicando e vendendo seus livros, conquistando seu público e realizando, assim, o velho sonho de ser escritor.

OBS: Esta obra é constantemente atualizada devido às rápidas mudanças trazidas pela tecnologia.

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Cap 4

OS 8 MANDAMENTOS DO OFÍCIO DE ESCRITOR

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1- Escreva, escreva

Para escrever bem, só há um caminho: escrever. Escreva muito, todos os dias, escreva sempre. Fique exausto de tanto escrever. Somente escrevendo bastante você conseguirá errar bastante, e somente errando muito é que você se aperfeiçoará, eliminando os pontos falhos. Escreva o que sentir vontade: crônica, artigo, conto, romance, poesia de guardanapo, pensamento de agenda. Somente escrevendo, seja lá o que for, você reconhecerá suas potencialidades e seu texto seguirá o caminho que lhe é destinado.

2- Missão ou maldição

Não se importe se um dia será ou não reconhecido, se será famoso ou se ganhará dinheiro ou não com suas letras. Não espere sequer elogios ou recompensas. Alimentar expectativas é meio passo para engordar desde logo uma futura frustração profissional. Simplesmente não espere nada. Quem escreve, escreve porque gosta. Ou porque sente necessidade – é algo orgânico e ao mesmo tempo espiritual. Alguns dizem que é missão e outros, maldição. Há escritores que dizem ser algo absolutamente inútil. Não importa o que significa. O que importa é que se você esperar algo dessa dama chamada Literatura, vai se dar mal. Ela é linda e encantadora… mas gosta de prometer o que não pode cumprir. Viva bons momentos, goze muito com ela, briguem bastante. Mas jamais espere que dona Literatura lhe sirva café na cama. Pagar seu aluguel, então…

3- Ler

Para qualquer leitor, a leitura é um poderoso ativador da imaginação. Para o escritor, porém, ela o enriquece em muitos aspectos. Um texto, qualquer que seja, pode conter coisas muito interessantes, pode detonar uma bomba de novas ideias. Lendo, o escritor conhece outros estilos, outras formas de se contar uma história e sente em qual água deve beber. Mesmo quando não agrada, a leitura pode descortinar amplos horizontes de possibilidades literárias. Matéria de jornal, bula de remédio, rabiscos de porta de banheiro – em qualquer texto pode se esconder um tesouro.

4- Arte da alma

A alma individual faz parte da alma coletiva. Assim, quanto mais fundo o artista expressa sua própria alma, mais fundo expressará a alma da humanidade. O artista que, por meio do autoconhecimento psicológico, se torna íntimo de si mesmo, saberá não apenas expressar a sua alma e a da humanidade, como também se tornará uma pessoa equilibrada e harmonizada consigo mesmo e com a vida. O autoconhecimento psicológico não faz necessariamente um grande escritor, é verdade, assim como não é função da arte torná-lo uma pessoa melhor, mas o autoconhecer-se traz uma imensa vantagem: ele jamais deixará que o escritor se perca nos caminhos e descaminhos de sua alma. Nem de sua arte.

 5- Regras, leis e prisão

A arte é para libertar. Então, estude gramática e aprenda as regras da língua. Consulte dicionários e manuais de estilo e redação. Nesse ponto, escritores e advogados se parecem: eles estudam as leis exatamente para se desviar delas. O conhecimento teórico lhe facilitará a criação de um estilo próprio, que surgirá aos poucos com a prática e se imporá dentro de sua arte, libertando-a cada vez mais. Quem sabe onde estão as grades, só caminha para a prisão se quiser.

6- Mostre

O melhor escritor do mundo jamais será o melhor escritor do mundo se ninguém o conhecer. Então perca a vergonha e sempre mostre o que você escreve, pois o retorno dos leitores o ajudará a definir seu caminho. Se terão saco de ler, isso é outra coisa, mas você precisa mostrar que escreve e o que escreve. Nunca espere nada, mas uma ou outra pessoa dirá exatamente aquilo que você precisa escutar. As críticas negativas são as melhores: elas têm o poder de lhe fazer ver aquilo que de outra forma jamais veria. Crie um blog, distribua seus textos por e-mail, imprima livretinhos para presentear nos aniversários, enfim, estabeleça algum tipo de rotina profissional e de estratégias de divulgação para que você se mantenha sempre comprometido com seu próprio sonho. Se você for um mau escritor, seguirá escrevendo porque gosta e não porque isso lhe dá fama ou dinheiro. Mas se for um bom escritor, então, de tanto insistir, o mundo poderá lhe abrir as portas.

7- Vergonha e aperfeiçoamento

O aperfeiçoamento nos faz melhores, sim, mas, por outro lado, sempre traz o desconforto de nos revelar o quanto éramos ruins. Só quem não se envergonha do que fez antes é aquele que não melhora. Se esse incômodo não acontece para o escritor, é sinal que ele não está mudando. E só melhora quem arrisca se transformar. Mas não se arrependa do que fez: você só melhorou sua escrita porque um dia percebeu que ela não era boa. Parabéns!

8- Sacrifício

A última das dicas é um grande ponto de interrogação que jogo em seu colo. Que tipo de sacrifício você está disposto a fazer em nome desse sonho de ser escritor? Pense nisso. Você aceitaria passar anos e anos levando uma vida difícil, de solidão e privações materiais, sem nenhuma garantia que um dia será descoberto pelo mercado e ganhará dinheiro com sua arte? Pense nisso com calma. Você aceitaria abdicar de ter uma família, filhos, e ter que ir morar longe, sozinho, sem amigos, tudo isso para poder dedicar a sua energia a esse sonho? Pense nisso com honestidade. Se uma bola de cristal lhe mostrasse que, após uma vida inteira dedicada a escrever, você vai morrer sem ter conseguido que nenhuma editora se interessasse por seu trabalho, ainda assim você continuaria sendo escritor? Se existe um segredo nessa história toda, é este: o sacrifício que você está disposto a empreender para ser escritor tem o mesmo tamanho das suas possibilidades de sucesso. E só você sabe a resposta.

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05aLEIA O LIVRO NA ÍNTEGRA

Cap 1:  Circuito oficial
Cap 2:  Circuito alternativo
Cap 3:  Autogerenciamento
Cap 4:  Os oito mandamentos do ofício de escritor

> ou compre aqui

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Guia do Escritor Independente cap 3

10/08/2010

GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05a
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Guia do Escritor Independente
Como publicar livros e gerenciar a carreira literária

(Dicas, Miragem Editorial/2007)

As mudanças na sociedade e as novas tecnologias possibilitam cada vez mais aos escritores a possibilidade de desenvolver suas carreiras sem necessariamente estarem ligados a alguma editora. Hoje é possível publicar, divulgar e vender os próprios livros usando-se a internet e outros meios alternativos, baratos e eficientes.

Com sua experiência no mercado editorial oficial e alternativo, o autor resume neste livro as ideias que divulga em suas palestras e oficinas, mostrando que os novos autores podem gerenciar a própria carreira, publicando e vendendo seus livros, conquistando seu público e realizando, assim, o velho sonho de ser escritor.

OBS: Esta obra é constantemente atualizada devido às rápidas mudanças trazidas pela tecnologia.

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Cap 3

AUTOGERENCIAMENTO

Este trabalho visa incentivar autores independentes a publicar seus livros, mas também a aprender a gerenciar a própria carreira. Sem esse autogerenciamento, a coisa é ainda mais difícil.

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o que é ser independente?

Pode-se dizer, de modo geral, que um escritor é independente se ele tem seu trabalho desvinculado das editoras tradicionais. Entretanto, ainda que possua livros publicados por editoras, o escritor pode adotar uma posição relativamente independente. Por exemplo, ele pode manter certos trabalhos fora do mercado oficial, publicando e vendendo seus livros no circuito alternativo. E por que faria isso? Talvez porque nenhuma editora tenha se interessado por esses trabalhos e ele não os deixaria no fundo da gaveta. Ou talvez porque deseja ter total controle sobre algum trabalho, o que não acontece quando se publica por editoras.

Um autor independente ou semi-independente pode vender seus livros mais barato por um site próprio, criar promoções e fazer sorteios e estabelecer algum tipo de contato direto com seus leitores. Isso é mais complicado no caso de escritores famosos, claro, mas mesmo para esses é possível manter certa postura independente.

Nem todo escritor, porém, gosta dessa ideia de independência, circuito alternativo e coisa e tal. Alguns querem apenas escrever seus livros, receber seus direitos autorais e o resto não lhe interessa. Mas há escritores, assim como certos artistas, que se sentem comprometidos com sua independência e com certos conceitos ligados ao mundo alternativo que falam de liberdade e democratização da informação. Para esses escritores, não basta vender seus livros: eles querem que os livros sejam mais acessíveis, que mais pessoas gostem de ler, que um dia ler seja entendido como necessidade básica. Muitos escritores e artistas famosos até desejam tudo isso, é verdade – mas não tomam qualquer atitude, o que é uma pena.

o escritor independente ideal

Se existe um escritor independente ideal, eu o imagino assim:

Tem bom conhecimento da língua e sabe se expressar através de variadas formas de linguagem como textos formais e informais, curtos e longos etc.

Conhece as leis do mercado editorial oficial e alternativo, mantém-se informado sobre muitos assuntos, é organizado, disciplinado, perseverante e ama o que faz.

Encara a tecnologia como aliada e sabe usar a internet e os programas de computador necessários à produção, divulgação e venda de seus livros.

Está atualizado quanto às políticas culturais, tem um bom senso de classe, conhece as pessoas certas nos lugares certos que podem ajudá-lo e sabe se relacionar;

Consegue manter-se em seu caminho de escritor e obtém bom retorno de seu trabalho.

Caramba, essa pessoa existe mesmo?! Bem, como falei no início, esse seria o perfil do profissional ideal. Talvez você não reúna todas essas qualidades, mas pode reunir boa parte delas com o tempo e a prática.

você é um(a) escritor(a)?

Não se iluda: ser escritor é para pouquíssimos. Tem muitos autores de livros por aí, poetas de botequins, gente que comete suas crônicas e até publica em jornal. Mas ser escritor é mais que isso.

Na vida de um verdadeiro escritor, a literatura é mais que sua companheira de viagem pela vida: ela é a própria viagem. É por ela e é nela que ele se move. O amor pela palavra escrita ilumina seus dias e suas noites e dá sentido à existência. Por esse amor o escritor será capaz de imensos sacrifícios, inclusive abdicar de todos os outros amores. Ele é absolutamente comprometido com essa relação. O verdadeiro escritor sabe que não tem outra opção na vida.

Se você está mesmo disposto a seguir esse difícil caminho, terá antes de tudo que desenvolver uma personalidade de escritor independente, ou seja, adquirir a força, a sagacidade e a flexibilidade de um lutador e temperar tudo isso com humildade, paciência, confiança na vida e a capacidade de recomeçar sempre que for necessário. E, além de tudo isso, terá de manter sempre viva a chama de encantamento, aquele mesmo encantamento que lhe tomou conta quando viu um livro pela primeira vez ou quando soube que precisava escrever senão morreria frustrado.

É muito difícil ser escritor independente. É preciso ser capaz de fazer outras coisas além de escrever bem: você poderá ter de ser seu próprio secretário, ilustrador, diagramador, marqueteiro, divulgador e vendedor. Escritores ricos e famosos podem pagar por esses serviços, mas você não pode.

E aí, você acha que consegue?

a força para prosseguir

Acho que agora é útil dizer algo que aprendi a duras penas, mas que me permitiu chegar ao ponto onde estou, mantendo-me até hoje como escritor independente. Estou falando de autoconhecimento.

Assumi esse comprometimento total com minha arte aos 30 anos. Cedo ou tarde, foi no momento que precisava ser. Porém, o importante é que, uma vez que entendi verdadeiramente que ser escritor era o meu destino, precisei de muita força para não abandonar o caminho. E de onde tirei essa força?

Alguns tiram sua força da religião, família ou pessoa amada. E há os que tiram de si mesmo, como eu. Na época em que assumi a sina, me interessei por psicologia junguiana e foram as ideias de Jung sobre autorrealização (que ele chama de individuação) que me forneceram a luz que iluminou meu caminho nos momentos de maior escuridão e incerteza. A psicologia junguiana me fez entender que se eu me conhecesse profundamente, saberia usar toda a força que há em mim para realizar a essência do que sou.

O processo de autoconhecimento não é fácil, pois exige muita coragem, honestidade consigo mesmo e total confiança no próprio processo. O autoconhecimento nos força a atravessar nossos infernos pessoais, mas as recompensas são grandiosas.

Graças ao conhecimento de mim mesmo adquiri o equilíbrio e a clareza de visão necessários para não me perder. Uma das coisas mais importantes que o autoconhecimento me deu, na verdade ele tirou: a autoimportância. Precisei me livrar de muitos pesos inúteis para prosseguir na jornada e um desses pesos era o excesso de importância que eu mesmo me dava. Para um escritor independente, é melhor se livrar cedo de certas vaidades. Quanto antes você compreender que não é a arte que tem de servi-lo, mas é você quem tem de servir à sua arte, menos você sofrerá.

GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05acomputador e programas

Em pleno século 21 ainda tem escritor que usa máquina de escrever ou que escreve apenas com caneta. Questão de preferência, claro. Mas se você deseja ter menos trabalho, ser mais organizado, gastar menos tempo, economizar e se preparar desde cedo para gerenciar sua própria carreira de escritor, ou seja, se você quer se aproximar ao máximo daquele perfil ideal de escritor independente, dê um jeito de possuir um computador pessoal. Ou, pelo menos, tenha um à sua disposição.

Antes de entregar seu livro à gráfica, o autor independente precisa digitá-lo, criar uma capa, inserir imagens. Uma opção é contratar os serviços de profissionais. Porém, se o autor souber usar os programas certos, ele mesmo poderá fazer tudo isso e economizar, reduzindo assim os custos de produção de seu livro.

Há editores de texto específicos para escrever livros, mas começar com o velho Word já está de bom tamanho. Para criar capas um bom programa é o Corel Draw. Para editar imagens há o Photoshop. Esses são programas bem conhecidos, mas há outros que podem substituí-los. Dominando-os, você poderá montar seus livros no computador, desde o miolo à capa, incluindo imagens. Poderá também criar cartazes, panfletos, convites de lançamento e projetos de patrocínio.

Não esqueça da revisão textual. Alguém, que não seja você, deve revisar todo o texto, de preferência um profissional. Por melhor que você escreva, não caia na besteira de pular essa parte.

contatos

Conhecer pessoas na imprensa é fundamental. Descubra quem são essas pessoas em sua cidade, faça amizades. Se conhecem você e seu trabalho, isso facilita a divulgação. Mas seja sensato, viu? Nunca force a barra, pedindo que leiam o que escreveu, e muito menos encha o saco para publicarem aquela sua crônica linda. A falta de simancol fecha portas rapidinho.

O circuito alternativo também oferece boas oportunidades de publicação. Publique textos em jornais de bairro, revistinhas alternativas e qualquer tipo de publicação que aparecer. Aos poucos, você chamará a atenção para seu trabalho e, se ele tiver qualidade, você passará a ser convidado a publicar.

No circuito alternativo nem pense em exigir pagamento por seus primeiros textos publicados. No início, o escritor é um desconhecido como muitos outros, todos buscando um espaço para mostrar seu valor, e nesse momento o mais importante é mostrar o trabalho, além de que publicações alternativas dificilmente dispõem de recursos para remunerar autores, sem falar que provavelmente durarão pouco tempo.

gráficas tradicionais

Existe também a opção de encomendar a edição de seu livro às gráficas tradicionais, que além de geralmente imprimirem com alta qualidade, também fazem um bom acabamento no livro (corte, montagem, laminação e refilamento). No entanto, para obter um preço razoável, que viabilize um bom preço final de venda, geralmente os autores precisam encomendar muitos exemplares (500 a 1.000), o que obriga o autor a investir uma alta quantia. Se há uma garantia de retorno desse investimento, de preferência rápido, ótimo. Mas, infelizmente, a grande maioria dos autores não tem como vender tanto livro. Até pouco tempo atrás, esta era a única opção em termos de gráfica.

gráficas rápidas

Então, a tecnologia fez surgir as máquinas fotocopiadoras. E algumas lojas, recentemente, passaram a oferecer serviços de edição de livros. Algumas se especializaram, tornando-se concorrentes das gráficas tradicionais. A qualidade de impressão e acabamento da maioria é mais baixa que as das tradicionais, mas há uma grande vantagem: o autor pode encomendar pequenas tiragens, investindo bem menos. Outra vantagem: o autor pode fazer alterações em seu livro a cada nova edição, revisando o texto, consertando falhas de diagramação ou incluindo um novo patrocinador. Numa alta tiragem ele também pode mas, nesse caso, terá que esperar vender todos os exemplares da edição.

Uma boa opção é imprimir o livro (miolo e capa) numa copiadora e fazer o acabamento numa gráfica tradicional. Esse acabamento inclui o corte e a montagem das folhas, a colagem, a laminação (película plástica que reveste a capa) e o refilamento (corte final). Outra opção é imprimir miolo na gráfica rápida (e reimprimir à medida que necessitar) e imprimir capa e fazer o acabamento numa gráfica tradicional (guardando as capas para usar à medida que reimprimir o miolo).

parcerias, apoios e patrocínios

Vamos primeiro nos entender sobre os termos que utilizarei. Patrocínio envolve dinheiro em troca de publicidade no livro. Apoio não envolve dinheiro, mas algum produto ou serviço em troca de publicidade no livro. E parceria é uma troca de interesses, e pode ou não envolver publicidade no livro.

PATROCINADOR – O patrocinador paga um valor em troca de publicidade no livro (na última capa e/ou no miolo) e nas peças de divulgação. Dividir o valor total que se necessita em várias cotas também funciona.

DICA: Estabeleça valores baixos, para fechar suas cotas mais facilmente. Lembre-se sempre que muitos aceitam patrocinar mais por vontade de ajudar do que por esperar um bom retorno de publicidade. Então, facilite.

APOIO – Às vezes o autor não consegue dinheiro, mas consegue algum tipo de apoio, como produtos ou serviços. Se eles depois puderem ser transformados em dinheiro, ótimo. Se ajudarem ao menos a diminuir os custos de produção do livro ou do evento de lançamento, muito bom. Se for algo que não está diretamente ligado ao livro mas que o autor necessita (crédito numa loja ou num restaurante), também pode ser bom. Talvez a própria copiadora ou gráfica aceite diminuir o preço de seus serviços em troca de publicidade no livro e na divulgação.

PARCERIAS – São feitas de várias formas. Ao autor, a parceria oferece alguma vantagem em termos de venda ou divulgação. Exemplo: o autor pode dar (ou vender com desconto) alguns exemplares de seu livro para um bar ou uma loja, que fará sorteios semanais entre os clientes. O estabelecimento ganha porque oferece algo interessante à clientela e o autor ganha com a divulgação de sua obra a um custo baixo.

financiamento coletivo

Uma forma de viabilizar a publicação de seu livro é usar os sistemas de financiamento coletivo, também conhecidos por crowdfunding. Há vários sites em que você pode apresentar seu projeto e receber doações e vender antecipadamente seu livro. Você também pode fazer isso por conta própria, criando uma promoção de pré-lançamento onde seus leitores adquirem antecipadamente seu livro e, em troca, ganham desconto no preço, têm seus nomes registrados na página de agradecimento e participam de sorteios de serviços e produtos que você pode conseguir com apoiadores.

alternativas de venda e distribuição

Após esbarrar nas tenebrosas dificuldades relativas a distribuição e venda, a maioria dos autores iniciantes desanima e desiste. Resultado: muitos exemplares encalhados, que mofarão no canto do armário ou servirão para presentear os amigos durante séculos. Para que isso não aconteça com você, é preciso encontrar alternativas além da tradicional venda em livrarias.

Há autores que também são professores e têm em seus alunos um bom público comprador, que se renova a cada ano letivo. Há autores que fazem palestras e cursos e vendem seus livros nesses eventos.

Outra forma de vender livros é participar de eventos ligados ao tema de sua obra como feiras culturais, gastronômicas, esportivas etc. Há empresas distribuidoras que poderão se interessar em distribuir seu livro em livrarias e eventos culturais, ganhando um percentual na venda. E há também a internet, onde você pode encontrar sites que vendem livros independentes, nos formatos impresso e eletrônico.

GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05apreço

O preço de seu livro deve estar dentro dos preços praticados pelo mercado. Há autores que, por considerar que seu livro requereu muito tempo de pesquisa e trabalho, estipulam um preço acima da média. É o ponto de vista do autor, claro. Mas é preciso considerar alguns fatores importantes.

Já foi dito aqui, mas não custa reforçar: o primeiro livro de um autor é um marco em sua carreira. Equivale ao lançamento de um novo produto de uma empresa. O que as empresas fazem nessas ocasiões? Elas estabelecem estratégias especiais de divulgação e venda porque sabem que precisam muito entrar no mercado daquele produto, chamar rapidamente a atenção do consumidor e fazer com que as pessoas experimentem seu produto.

O mesmo vale para o autor. O mais importante agora é que seu livro seja lido. Ele precisa ganhar dinheiro, claro, mas se o preço do livro estiver acima da média, ele perderá leitores em potencial. Portanto, nada de querer ganhar muito agora. Melhor vender muitos livros com lucro menor que ganhar mais mas vender poucos.

Faça uma pesquisa nas livrarias e veja o preço de livros do mesmo gênero que o seu e compare a qualidade do material e a quantidade de páginas para se certificar de que seu livro terá preço inferior aos livros das editoras. Faça isso, pois além da sua necessidade de ser lido, há o fato de que as pessoas tendem a desvalorizar autores locais e muitas compararão seu livro aos livros que elas veem nas livrarias, capas lindas, acabamento impecável, autores famosos… Então não lhes dê mais um motivo para não querer comprar seu livro.

Ah, e tem sempre aquele chato que acha que você deve dar um exemplar para ele. O argumento costuma ser o mesmo: vou fazer propaganda, conheço muita gente… Não dê, ofereça um desconto. É provável que não adiante, pois o chato quer porque quer o livro de graça e não entenderá que esse é o seu trabalho. Uma pessoa assim, por mais que diga o contrário, na verdade está desvalorizando seu trabalho. Há uma frase que geralmente é usada por artistas nessas ocasiões: Não me peça para dar a única coisa que eu tenho para vender. Às vezes funciona, mas chato que é chato nunca se manca.

Bem, há casos e casos, claro, mas com o tempo você aprenderá a detectar quem realmente valoriza seu livro.

outros trabalhos

Escrever dificilmente vai lhe dar dinheiro suficiente para ficar apenas escrevendo, principalmente no início. Então, se você não herdou uma boa grana ou possui outros recursos, a saída é arrumar um trabalho ou uns bicos, o que seja, para poder manter-se escrevendo, na esperança de que um dia seu ofício seja autossustentável.

Há escritores que só se tornaram escritores após certa idade, quando já ganharam dinheiro suficiente e puderam dedicar-se mais ao ofício. Há os que param de trabalhar e se dão um tempo para escrever um livro. E há aqueles que não conseguiriam abandonar sua arte, mesmo que apenas por alguns anos, e preferem enfrentar todas as dificuldades que surgirem.

A decisão é sua. Mas se decidir pela terceira opção, saiba que será preciso muita criatividade, perspicácia e jogo de cintura para manter-se escrevendo.

alternativas de trabalho

É relativamente comum que escritores assumam um estilo de vida simples, quase franciscano, com o objetivo de diminuir ao mínimo possível seu custo de sobrevivência. Então, largam mão de viagens e prazeres, deixam de sair à noite e até mesmo de comprar livros. Muitos abdicam de ter uma família, pois sabem que a obrigação de sustentá-la poderá afastá-los de seu sagrado ofício.

O ideal seria conseguir algum trabalho ligado ao trabalho de escritor. Eis algumas opções:

PROFESSOR PARTICULAR – Aqui, evidentemente, você precisará dominar bem alguma disciplina e ter vocação para ensinar.

REDATOR OU DIGITADOR – Redatores são criadores de textos que geralmente trabalham para agências de propaganda, veículos de comunicação ou instituições de ensino. Digitadores transcrevem textos para o computador ou organizam dados em planilhas para empresas.

REVISOR DE TEXTO – Não apenas estudantes, mas muitas pessoas em vários segmentos precisam produzir textos e nem sempre escrevem bem. Para essas pessoas, o serviço que prestam os revisores de texto é providencial. Vantagem: trabalhar em casa.

COLUNISTA – Manter uma coluna em jornal, revista ou site é ótimo, pois ao mesmo tempo que o escritor pratica seu ofício, também divulga seu trabalho. Às vezes a remuneração é direta, mas é comum que o colunista tenha liberdade de negociar a publicidade de seu espaço e, assim, ganhe por seu trabalho de modo indireto.

PALESTRANTE – O escritor pode se especializar em falar sobre algum assunto, não necessariamente sobre literatura, e vender palestras e cursos a colégios, faculdades, empresas, espaços culturais etc. Vantagem: poder vender livros nesses eventos.

EDITOR – É cada vez mais comum escritores se tornarem editores de publicações como zines, revistas, jornais e sites. Para isso, você precisará ter conhecimentos técnicos e de mercado, além de conhecer profissionais como outros autores, jornalistas, ilustradores etc. Se há venda de publicidade, você precisará de bons vendedores ou você mesmo assumir a função, coisa que geralmente escritores não sabem fazer bem.

ROTEIRISTA – Um roteirista escreve textos dirigidos para algum tipo de expressão artística ou veículo de comunicação. Há roteiristas de teatro, cinema, novelas, seriados, aulas na tevê etc. A linguagem dos roteiros é diferente da linguagem dita literária e às vezes envolve especificações técnicas ligadas às cenas, como posição de câmera, iluminação, direção de ator, inserção de imagens e outros detalhes. O mercado para roteiristas vem crescendo com as novas tecnologias voltadas para o entretenimento como tevê a cabo, internet e celular.

PRODUTOR CULTURAL – Esse termo envolve todas as atividades ligadas à produção de cultura, seja em forma de produtos como livros, CDs, peças de teatro ou eventos como festivais artísticos. Aqui é necessário ter muitos e bons relacionamentos, além de vocação para venda. É um ramo em expansão e algumas faculdades já oferecem cursos nessa área.

GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05alivretos

Uma boa estratégia de venda e divulgação é produzir livretos com textos seus que possam ser vendidos bem barato e que também sirvam para distribuir entre certas pessoas que você gostaria que conhecessem seu trabalho. Usarei o termo livreto para diferenciar dos livros propriamente ditos, que seriam os seus livros oficiais, com melhor acabamento, mais volumosos e mais caros.

Os livretos poderiam conter textos não utilizados nos seus livros ou você até poderia repeti-los, mas reunindo-os sob o mesmo gênero (contos, crônicas, poemas) ou sob o mesmo tema, por exemplo.

Monte um livreto simples, 48 páginas, tamanho bolso (1/4 de uma página de A4). Peça à gráfica uma capa em preto-e-branco e em papel cuchê numa espessura razoável, e solicite dois grampos na lombada para garantir que as folhas não se soltarão.

Fazendo tiragens de 30 ou 50 exemplares, o custo unitário fica mais baixo e o tamanho permite que você saia com alguns no bolso, estando preparado para a possibilidade de encontrar alguém a quem valha a pena dar ou vender um exemplar. Se você conseguir patrocínio ou apoio de alguma empresa, insira a publicidade na contracapa ou no miolo.

Você também poderá usar esses livretos como presente. Em vez de gastar dinheiro comprando outra coisa, você dá um livreto. Sai mais barato e ainda serve para divulgar seu trabalho.

DICA: Crie promoções. Por exemplo: se o leitor comprar dois livros seus, ele ganha um livreto de brinde. Ou ofereça aos leitores que lhe indicarem outros leitores ou potenciais apoios.

Como são mais baratos que seus livros oficiais, esses livretos são perfeitos para serem usados em certas promoções, onde você faz uma parceria com algum bar, loja ou espaço cultural.

Uma possibilidade interessante, não apenas nesses livretos de bolso mas também em qualquer livro independente, é que o autor pode oferecer uma edição especial, personalizada, para os patrocinadores. Estes, além de terem sua publicidade na obra, podem também escrever um texto de apresentação e inserir imagens. Dependendo da negociação, o autor pode até alterar o projeto gráfico original para que a edição fique mais a gosto do patrocinador.

publicando na internet

Antigamente, o escritor só podia publicar em livro ou em jornais e revistas. Hoje, está muito mais fácil, pois existe a internet. Comece então com um site ou um blog, há diversas opções gratuitas na rede, é só escolher. Há também sites onde você pode publicar textos gratuitamente. Publique na internet o que você escreve e só depois pense em publicar um livro impresso.

Publicar na internet traz várias vantagens:

Você aprende cedo a lidar com a internet, ferramenta indispensável aos escritores do século 21.

Você perde a vergonha de mostrar o que escreve e se acostuma a ver seu trabalho publicado.

Você tem um mostruário permanente, 24h, de seu trabalho.

Você começa a formar seu público leitor e aprende a se relacionar com ele, recebendo o retorno imediato do que escreve.

Você chama a atenção do mercado.

direitos autorais e internet

Não perca seu tempo se preocupando se vão copiar o que você publicou na internet e reproduzir por aí sem seus créditos ou se algum sabidinho vai usar seu texto e assinar como se fosse dele. Hoje, esses riscos são naturalmente inerentes ao trabalho de qualquer pessoa e não apenas de escritores, e nem por isso as pessoas deixam de expor seu trabalho na grande rede. Além disso, se for o caso, você poderá provar a data de publicação original de seu texto. E não esqueça que se alguém copiou ou assinou o que você escreveu, isso é um termômetro: seu texto tem algo de bom e atrai a atenção do público.

Se, por um lado há o risco de ter a obra ou a autoria dela adulterada, por outro lado há uma imensa vantagem em publicar na internet: se as pessoas gostarem de seu trabalho, elas próprias se encarregarão de espalhá-lo pela rede, distribuindo seus textos aos amigos. Essa valiosa publicidade não tem preço.

central do autor

Ter um blog ou um site pessoal é muito importante. Ele funcionará como uma central de produção do escritor, uma referência permanente de seu trabalho. Atualize-o constantemente e incentive os visitantes a se cadastrarem para receber novidades e participar de promoções.

É possível também vender seus livros através de seu blog ou site. Para isso, você precisa organizar uma seção com as capas e trechos dos livros, preço, procedimento de compra etc. O sistema de compra pode ser por depósito bancário (quanto mais opções de banco oferecer, melhor), cartão de crédito ou débito ou o serviço de remessa de valores dos Correios.

Os Correios oferecem uma tarifa especial para envio de livros com registro, e você e o comprador ainda podem monitorar o percurso do produto. Há também a opção do comprador pagar após receber o produto. Informe-se sobre todos os serviços e condições e você encontrará os que melhor lhe convêm.

Uma opção interessante de venda são os portais de venda, que servem de intermediário entre quem vende e quem compra, oferecendo, inclusive, seu sistema de venda por cartão de crédito em troca de uma pequena taxa.

Outra opção de venda pela internet são os sebos afiliados do Estante Virtual. Procure um sebo em sua cidade e acerte uma parceria onde eles venderão seu livro, mesmo sendo novo, para todo o país.

GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05aagenda

Monte a sua agenda de contatos num editor de textos como o Word. Ela será um instrumento imprescindível em sua vida profissional, algo que você terá de usar todo dia. Ela deve conter os nomes e os e-mails de amigos e leitores e, em alguns casos, telefones e endereços físicos. Caso deseje maior organização, será útil algum tipo de referência como, por exemplo, a data e o modo como o leitor chegou até você.

Divida a agenda em seções como Amigos, Leitores, Estado, Cidade etc. e mantenha a ordem alfabética. Essa organização será vital quando sua agenda tiver milhares de contatos e você precisar localizar determinado leitor ou por ocasião do lançamento do livro em determinada cidade e quiser enviar o convite apenas a quem mora lá.

DICA: Crie uma seção com apenas os endereços de e-mails (sem quaisquer outros dados), separados por ponto-e-vírgula. Isso facilitará quando você for copiá-los para inserir nos e-mails que enviará.

Há programas de gerenciamento de e-mails, como o Outlook Express, que também organizam os contatos. Porém, a vantagem de fazê-lo num arquivo de editor de texto como o Word é que você pode copiá-lo e levá-lo com você, para abrir em qualquer computador. Melhor que isso: você pode enviá-lo para seu próprio e-mail e assim ter todos os seus contatos sempre atualizados e disponíveis a qualquer hora que precisar, bastando acessar a internet.

Você pode enviar periodicamente por e-mail um texto a seus leitores, mantendo-os informados sobre sua produção. Pode também enviar convites de lançamento ou avisar sobre sua participação em eventos ou naquele programa de tevê. Esse contato periódico criará um vínculo entre autor e leitor que poderá prosseguir ao longo de toda a sua carreira. Tenha cuidado, porém, para não abusar. Um ou dois textos por mês é um número razoável. Mais que isso pode provocar o efeito inverso e seu leitor se cansará de você.

assinaturas e redes sociais

Uma boa maneira de se manter atualizado sobre o mercado literário é assinar os boletins de notícias que são enviados por e-mail, como o da Publishnews e o da Libre (Liga das Editoras Brasileiras).

Como a internet é muito dinâmica, com novidades a cada mês, você precisa ficar atento para captar com rapidez as novas possibilidades que se apresentam para divulgação e venda de seus livros. Um exemplo são as redes de relacionamentos como Orkut, Facebook, Twitter e Instagram. Além de fazer amigos, você pode também usá-las para divulgar seu trabalho, publicando textos em comunidades, realizando promoções e convidando as pessoas a conhecerem seu site. Em sua página você pode manter um resumo do novo livro ou comunicados diversos.

Cuidado ao publicar textos inteiros nas redes sociais. Em alguns casos talvez seja melhor publicar trechos com link para seu site, pois se você precisar revisar o texto, revisará apenas o original que está no site e não todas as cópias que publicou nas redes sociais.

DICA: Promova sorteios de seus livros em comunidades de pessoas que gostam de ler ou que sejam relacionadas ao tema de sua obra. Além de divulgar seu livro, você pode cadastrar os participantes em sua agenda.

livro digital

Aprenda a converter seus livros para o formato PDF ou similar e disponibilize-os para venda nas livrarias virtuais ou diretamente com você. Alguns autores preferem disponibilizar gratuitamente seus livros para que seu trabalho seja conhecido mais rapidamente.

Há livrarias e editoras que aceitam vender seu livro digital, ganhando um percentual em cada venda e sem exigir exclusividade. Pesquise e encontre a que melhor se adequa às suas necessidades.

descentralizando o mercado

Cada vez mais o conceito de independente ganha força no mercado artístico. Artistas independentes, gravadoras independentes, produtoras independentes – a cada dia vemos o mercado se descentralizar, fazendo com que os grandes grupos dividam o bolo com grupos menores. A internet veio acelerar esse processo, permitindo aos profissionais chamar a atenção para seu trabalho, manter contato permanente entre si e ajudarem-se uns aos outros.

Você também pode contribuir para descentralizar ainda mais o mercado. Tente se unir a outros profissionais e formar um grupo que tenha os mesmos interesses, trocando ideias e experimentando novas estratégias de atuação. Uma boa ideia é criar uma espécie de cooperativa de escritores para chamar a atenção do mercado, organizar eventos e negociar melhores preços com gráficas e profissionais como desenhistas, fotógrafos, diagramadores etc.

Nesse exato momento há outros escritores como você, todos buscando publicar livros e vendê-los. Unindo as forças, o caminho de todos pode ficar mais fácil.

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(continua no próximo capítulo)

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05aLEIA O LIVRO NA ÍNTEGRA

Cap 1:  Circuito oficial
Cap 2:  Circuito alternativo
Cap 3:  Autogerenciamento
Cap 4:  Os oito mandamentos do ofício de escritor

> ou compre aqui

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Guia do Escritor Independente cap 2

10/08/2010

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Guia do Escritor Independente
Como publicar livros e gerenciar a carreira literária

(Dicas, Miragem Editorial/2007)

As mudanças na sociedade e as novas tecnologias possibilitam cada vez mais aos escritores a possibilidade de desenvolver suas carreiras sem necessariamente estarem ligados a alguma editora. Hoje é possível publicar, divulgar e vender os próprios livros usando-se a internet e outros meios alternativos, baratos e eficientes.

Com sua experiência no mercado editorial oficial e alternativo, o autor resume neste livro as ideias que divulga em suas palestras e oficinas, mostrando que os novos autores podem gerenciar a própria carreira, publicando e vendendo seus livros, conquistando seu público e realizando, assim, o velho sonho de ser escritor.

OBS: Esta obra é constantemente atualizada devido às rápidas mudanças trazidas pela tecnologia.

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Cap 2

CIRCUITO ALTERNATIVO

Livros independentes

E se nenhuma editora se interessar por seu trabalho? Ficará tentando editora atrás de editora e envelhecerá e morrerá sem ver seus livros publicados? Claro que não. Há outras opções. Mas antes vamos falar sobre o que você pode aprender para depender menos de outros profissionais para produzir seus próprios livros.

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concursos

Uma tradicional opção para publicação de livros independentes são os concursos promovidos por secretarias de cultura, colégios, associações, clubes, centros culturais etc. Neles, os vencedores costumam ganhar a edição paga de seus livros. Mesmo que a qualidade desses livros não seja de empolgar, essa é uma opção bastante válida no início da carreira.

Se puder bancar os custos ou tiver um patrocinador, você pode também imprimir seu livro nas tais editoras por demanda ou em gráficas (tradicionais ou rápidas). Adiante, no capítulo sobre autogerenciamento da carreira, veremos estas opções.

lançamento

Tem gente que prefere lançar seu livro numa livraria ou num clube social. Tem gente que prefere um barzinho descolado ou até mesmo uma praça. O local não importa muito. O que interessa mesmo é que o lugar tenha a ver com o público leitor de seu livro e que não haja falhas na organização. Lembre-se de que talvez você não terá outra oportunidade tão boa para divulgar e vender seu livro.

Programe o evento com muita antecedência para que você, caso necessite, possa alterar algum detalhe. Esse tempo também é útil para que várias pessoas possam ler seu livro e comentar na imprensa e redes sociais.

O ideal é que você consiga matérias e dê entrevistas. Se puder pagar por uma assessoria de comunicação, ótimo, senão você mesmo terá de ligar para muita gente, divulgar  pela internet e agendar entrevistas. Tente sempre citar seus patrocinadores e apoiadores, pois é essa publicidade que pode fazer com que eles repitam o apoio no próximo livro ou na próxima edição.

Com exceção de autores famosos, a grande maioria das pessoas que vai a lançamento de livro é parente ou amigo do autor e uma boa parte vai chateada por estar perdendo a novela ou o futebol. O que importa é que essas pessoas estão saindo de casa para ir ao lançamento de seu livro: você tem a obrigação de lhes proporcionar um evento agradável, onde elas se sintam à vontade e voltem para casa satisfeitas.

O tradicional é oferecer uns comes e bebes. Mas, se puder, ofereça mais, contrate um músico ou uma banda ou monte um telão para exibição de clips musicais ou um documentário interessante, faça sorteio de algum produto ou serviço ligado aos seus patrocinadores ou apoiadores, contrate um número de strip-tease… Faça algo diferente.

A fila da dedicatória é sempre um problema, pois a maioria das pessoas chega no mesmo horário. Ponha alguém para lhes servir algo e anotar o contato delas enquanto estão na fila, isso ajuda a tornar a coisa menos enfadonha. Seja simpático na hora da dedicatória, claro, mas não se alongue no papo. Aquela velha frase “Senta um pouquinho que já, já eu vou na tua mesa pra gente conversar” é uma mentirinha que funciona.

GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05adivulgação

Se o mundo não souber que seu livro existe, todo seu esforço de escrevê-lo e produzi-lo será em vão. Divulgação é fundamental e não adianta querer economizar muito nessa etapa.

Do total de exemplares da primeira edição, separe logo uma parte. A quantidade varia de acordo com a divulgação que o autor pode fazer, mas geralmente inclui exemplares para a imprensa e para formadores de opinião (pessoas cuja posição social ou trabalho influencia os gostos e as opiniões de muitas pessoas). Uma única matéria sobre seu livro na imprensa atingirá milhares de pessoas e por isso vale o custo de um ou mais exemplares.

Há inúmeros modos de divulgar, desde os tradicionais aos mais inusitados. Se o autor se mantiver atento ao que acontece em sua cidade, poderá usar certos fatos ou eventos para divulgar bem seu livro.

É compreensível que o autor deseje ganhar dinheiro rapidamente. Entretanto, se ele almeja uma carreira literária, nesse momento a divulgação é tão ou mais prioritária que a venda. Ele precisa que o mercado saiba que existe um novo escritor. O ideal é que as pessoas saibam disso comprando seu livro, claro, mas geralmente isso não ocorre de imediato. O autor deve entender que nesse momento importante, os exemplares dados às pessoas certas são, na verdade, um bom investimento que ele está fazendo em sua carreira.

Aqui é bom lembrar de algo fundamental: se você está nessa por dinheiro, é melhor mudar de profissão. Esteja nessa por amor ao ofício e por necessidade de escrever. Se o dinheiro vier, será muito bem vindo.

distribuição e venda

Se você acha que superou a pior parte, lamento dizer que ela vai começar agora. É na hora da distribuição e venda que o autor descobre porque as editoras escolhem a dedo seus autores e porque pagam apenas 10% de direito autoral.

Há várias maneiras de vender livros, mas a mais tradicional é através das livrarias. Se esse é seu caso, creio ser bastante útil lhe informar agora o que pode ocorrer…

Seu livro provavelmente não terá qualquer destaque entre os milhares de títulos expostos na livraria. Talvez ele vá para a seção de “autores locais”, o que geralmente significa desvalorização por parte do público de sua própria cidade.

A livraria não aceitará comprar seu livro. Mas ela poderá aceitar ficar com ele em forma de consignação: se vender, você recebe sua parte. Você diz por quanto o livro deve ser vendido ao consumidor e a livraria geralmente fica com 30% a 50% desse valor.

Você imaginará que venderá tantos exemplares por mês. Porém é mais provável que seu livro venda bem menos que suas projeções iniciais. Não porque ele seja ruim – a concorrência é que é forte demais. Após algum tempo, você deixará de ligar todo mês para saber se vendeu algum. Seu livro exposto se desgastará com o tempo e o manuseio (se houver manuseio, o que não deixa de ser bom sinal), e talvez você precise trocá-lo.

Há também a possibilidade da livraria fechar e depois você ter que ir atrás do dono ou do advogado para reaver seus preciosos exemplares. E talvez constate que o esforço não valerá a pena.

É isso que acontece com a maioria dos autores independentes, não só da sua cidade mas do mundo inteiro. Estou exagerando? Então me diga: quantas vezes você entrou numa livraria e comprou um livro de um “autor local”?

O que fazer então? É aqui que entra o conceito que é a base deste livro: o autogerenciamento.

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(continua no próximo capítulo)

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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Guia do Escritor Independente cap 1

10/08/2010

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Guia do Escritor Independente
Como publicar livros e gerenciar a carreira literária

(Dicas, Miragem Editorial/2007)

As mudanças na sociedade e as novas tecnologias possibilitam cada vez mais aos escritores a possibilidade de desenvolver suas carreiras sem necessariamente estarem ligados a alguma editora. Hoje é possível publicar, divulgar e vender os próprios livros usando-se a internet e outros meios alternativos, baratos e eficientes.

Com sua experiência no mercado editorial oficial e alternativo, o autor resume neste livro as ideias que divulga em suas palestras e oficinas, mostrando que os novos autores podem gerenciar a própria carreira, publicando e vendendo seus livros, conquistando seu público e realizando, assim, o velho sonho de ser escritor.

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Cap 1

CIRCUITO OFICIAL

Editoras

Ter uma boa editora, que lhe adiante dinheiro para escrever, que cuide da distribuição, venda e divulgação e que de três em três meses deposite em sua conta os direitos autorais. É o sonho dourado de todo escritor: Mas uma minimíssima parte o realiza. Por que é tão difícil?

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gráficas e editoras

De modo geral, editora é a empresa que reúne autores, publica e vende seus livros. E gráfica é a empresa que apenas imprime os livros. Mas há gráficas que se dizem editoras. E já existem editoras por demanda, onde o autor paga para publicar seu livro em pequenas quantidades sempre que precisar.

Como as editoras de modelo tradicional, que investem na publicação da obra, não se interessam nem dão conta da quantidade de autores que querem ser publicados, o mercado das editoras por demanda vem crescendo bastante e algumas dessas editoras já trabalham com modelos de negociação parecidos com as editoras tradicionais, inclusive vendendo os livros em seu site e distribuindo para as livrarias.

livro bom e livro ruim de venda

Você, autor, encontrará muitas editoras por demanda, onde será você quem investirá para publicar seu livro. Mas uma boa editora, que aceite investir em seu livro, você não encontrará facilmente. Como em todo negócio, no ramo dos livros os investidores (editoras tradicionais) buscam aquilo que lhes dê lucro e, por isso, não costumam arriscar demais.

Isso não quer dizer que todo editor só publica aquilo que considera que venderá bastante. Muitas vezes os editores publicam livros “difíceis de vender” porque pessoalmente eles gostam daqueles livros ou acham que devem publicá-lo por motivos que nada têm a ver com lucro comercial. Isso é ótimo para o autor e para o mercado – mas só é possível porque a editora dispõe em seu catálogo de livros “mais comerciais”, que vendem bem e, assim, compensam investimentos do editor em obras “difíceis de vender”.

As editoras tradicionais recebem, todo ano, centenas de originais. Os critérios de análise são variáveis, mas as maiores chances são dos autores já conhecidos do mercado ou daqueles que foram indicados por alguém conhecido do pessoal da editora. As chances de seu original ser devidamente lido e analisado, amiga autora ou amigo autor, são mínimas. Primeiro porque a maior parte do que chega às editoras é de baixa qualidade ou, se tem qualidade, não se adequa ao perfil de publicações ou se trata daquele tipo de livro que pode até ser bom mas é ruim de venda.

Então, como fazer? Bem, o ideal é que você conheça alguém na editora ou seja indicado por alguém. Não é o seu caso? Então só lhe resta seguir escrevendo e enviando seus originais. Mas tenha o cuidado de enviá-los a editoras que têm a ver com seu livro, o que você descobre visitando seus sites. Uma opção é assinar sites que prestam serviços de intermediação entre autores e editoras.

GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05anegociando seu livro

Há várias maneiras de negociar seu livro com as editoras tradicionais. O procedimento padrão das grandes editoras é fechar um contrato de exclusividade da obra por 5 anos, ao término do qual pode haver renovação ou não, e são elas que geralmente decidem sobre projeto gráfico e preço final do livro.

Quanto à divisão de valores, elas costumam arcar com os custos de produção, distribuição e divulgação e repassar ao autor 10% do valor das vendas, sempre tomando por base o preço final do livro ao consumidor. No preço de capa de um livro participam a editora, o ponto de venda, o autor e, quando há, o distribuidor. Geralmente 50% ou 60% desse valor ficam com a editora, que pagará os custos de produção e divulgação (20%) e direito autoral (10%), ficando com um lucro aproximado de 20% a 30%. Os outros 30% a 50% ficam para a livraria e, quando há, o distribuidor.

No modelo das editoras tradicionais, o autor recebe sua fatia pelas vendas a cada 3 meses. Caso ele deseje comprar exemplares de seu livro, geralmente ganha 40% ou 50% de desconto sobre o preço final. Há editoras que adiantam parte dos direitos autorais quando calculam que o livro venderá bem, o que permite ao autor escrever ou finalizar seu trabalho já com um dinheirinho no bolso.

Há outros sistemas de negociação. Algumas editoras pagam os 10% de direito autoral em forma de livros. Por exemplo: numa edição de 1.000 exemplares, o autor ganha 100 exemplares. Pode compensar se o autor tem como vendê-los.

Há editoras que aceitam dividir o investimento com o autor, ou seja, o autor banca a impressão e a editora fica com os custos de distribuição. Há várias possibilidades de negociação, cada uma com suas vantagens e desvantagens, dependendo das necessidades e dos interesses de autor e editora.

É importante saber que numa editora com muitos livros e autores, ela não os tratará igualmente da mesma forma em relação a divulgação e promoção. Cada editora tem seus critérios e quanto a isso não há muito que se fazer. Mas um autor inteligente e atuante, que não fica parado esperando o sucesso lhe chegar à porta, este tem mais chances de receber mais atenção de sua editora. E, evidentemente, do mercado.

livro digital

A negociação sobre a versão eletrônica da obra (também conhecida por e-book ou livro digital) envolve valores e percentuais diferentes do livro impresso. O ideal é que a editora ofereça ao autor as duas opções de publicação.

agente

Agente literário é o profissional que representa os interesses do autor. É o equivalente ao empresário para o artista. O agente é especialista em mercado editorial e deve saber o que é melhor e pior para seu autor representado, negociando contratos e participações em eventos e estando sempre atento às melhores oportunidades. Sua remuneração costuma ser feita em forma de comissão, paga pelo autor. Há também agentes que avaliam originais e os oferecem às editoras, sendo remunerados por serviço prestado.

Infelizmente, como o mercado editorial brasileiro ainda é pouco desenvolvido, há poucos agentes.
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(continua no próximo capítulo)

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05aLEIA O LIVRO NA ÍNTEGRA

Cap 1:  Circuito oficial
Cap 2:  Circuito alternativo
Cap 3:  Autogerenciamento
Cap 4:  Os oito mandamentos do ofício de escritor

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Acesso aos Arquivos Secretos .
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Odair José primeiro e único

07/08/2010

07ago2010

Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

ODAIR JOSÉ, PRIMEIRO E ÚNICO

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Sujeito interessante esse goiano de Morrinhos. Ele ri pouco, mas vê-se que é boa-praça. Tem cara de bandido de velho-oeste. Mas suas músicas possuem uma ternura que salta aos olhos. Odair José é remanescente dos tempos em que não havia FM, a música popular não era tão diversificada como hoje e o rótulo “brega” sequer existia – em 1972 todo mundo era brega. Mas ninguém sabia disso.

Sua entrevista no Jô Soares Onze e Meia, em 1996, foi memorável. Odair contou como começou a se apresentar em Goiânia e de lá, ainda adolescente, foi para o Rio de Janeiro, onde chegou no fim dos anos 1960 e foi artisticamente adotado pela zona. Ele e seu violão já dormiram pelos banheiros da rodoviária de Londres. Mas o melhor é a música. Jô pede que ele toque algo. Ele pega o violão, assume aquele ar compenetrado de não-riam-porque-é-sério e toca. Do fundo do coração. A plateia ainda ensaia uns risinhos. O entrevistador tenta inserir piadinhas. Mas é inútil: Odair continua sério, mesmo cantando coisas que a maioria só cantaria de gozação.

Suas canções destilam considerações filosóficas sobre Deus, a vida, o amor, a paternidade, a solidão. Cheias de óbvios risíveis como só as grandes verdades podem ser. Mas também falam de garotas de programa, pílulas anticoncepcionais e empregadas domésticas envergonhadas. Tudo numa franqueza admirável. Tem o cara que comprou uma revista masculina e encontrou a foto da ex, olha que maldade. Tem o outro que sabe que a garota dá para os amigos dele só para fazer ciúme, a ingrata. Temas delicados, mas que na boca de Odair ganham ternura e romantismo insuspeitados. Você escuta e pensa: será que ele está falando sério mesmo? Pois, para o seu governo, está.

Odair estourou logo no primeiro disco, em 1972, com Vou Tirar Você Desse Lugar. Em 1973, com o polêmico sucesso Pare de Tomar a Pílula (porque ela não deixa nosso filho nascer), Odair provocou uma confusão danada. Parte da Igreja até simpatizava com a música, pois ela parecia ser contra a pílula. Mas outra parte se incomodou bastante porque a música falava de sexo como se sexo, imagiiiina, fosse algo natural. Odair quase provocou um cisma na Igreja. E ainda incomodou também o governo por supostamente atrapalhar a campanha de natalidade. E agora, proíbe ou não proíbe o diabo da música? Proibiram.

Logo depois, com Deixa Essa Vergonha de Lado, ele se tornou o guru-terror das domésticas. Nessa época, a mídia alimentou uma polêmica: Odair José ou Caetano Veloso? Parece mentira, mas é verdade. Os dois, inclusive, chegaram a cantar juntos a clássica Vou Tirar Você Desse Lugar. Tempos loucos.

Nos anos 80 Odair andou meio esquecido, mas nos 90 voltou à tona graças a movimentos musicais bem-humorados como Os Necessários e a Banda Vexame, que o adotaram como padrinho. Os Titãs também declararam seu amor e lhe deram a música Baby. A partir daí, Odair ganhou uma certa aura cult e hoje sua obra bem que merecia ser relida como fizeram com a de Roberto Carlos. Mas atenção. Ele não é neossertanejo de calças apertadas. Não faz o gênero bonitinho de Daniel, nem é raposa velha como Reginaldo Rossi. Não tem o apelo de Roberta Miranda, e muito menos a breguice intelectualizada de Falcão. Odair é único. Mas é um pato desajeitado entre os cisnes da grande mídia: por isso ela não o adota. Inveja dessa gente, Odair.

A Globo-Universal lançou em 2001 o CD Odair José ao Vivo, com 18 canções. Lá estão velhos sucessos como Esta Noite Você Vai Ter que Ser Minha, Que Saudade de Você, A Noite Mais Linda do Mundo e Eu, Você e a Praça. Banda ensaiada, arranjos modernos, plateia empolgada. Tem também Vou Tirar Você Desse Lugar, claro. Você eu não sei, mas muita gente boa já chorou essa música num cabaré, agarrado numa garrafa de Dreher. Mas hoje não existem mais cabarés… Tempos estranhos.

“Encostei o meu carro na praça e você, um tanto sem graça, sorriu pra mim…” Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair. De preferência numa dessas noites em que está de saco cheio dessas mulheres sabidas demais das cidades grandes. Pegue sua bebida, sente ao sofá e entenda a mulher odaírica: ela certamente trabalha em loja de departamentos, tem um jeito simples, é discreta e honesta. Aborde-a com delicadeza. Ela tem um passado triste nos olhos e aceitará um drinque com reservas. E amará você do jeito que você é. Que, cá para nós, meu caro, é o que você anda precisando.

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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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> Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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VOU TIRAR VOCÊ DESSE LUGAR – O CURTA

Vou tirar você desse lugar (conto baseado na letra de Vou Tirar Você Desse Lugar. Um dia vai virar um curta-metragem, ah, vai)
De repente a semana cansativa, o trabalho desgastante, o crediário atrasado da tevê, tudo passou a ser apenas detalhes insignificantes a evaporar ao toque dos dedos dela…

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odairjose009SUCESSOS DE ODAIR JOSÉ

E depois volte pra mim (disco Praça Tiradentes, 2012)
Não me venda grilos (o disco censurado O Filho de José e Maria, 1977)
Nunca mais (disco O Filho de José e Maria, 1977)
Na minha opinião (1975)
Dê um chega na tristeza (1975)
A noite mais linda do mundo (1974)
Cadê você (1973)
Eu, você e a praça (1973)
Vou tirar você desse lugar (1972, original)

Vou tirar você desse lugar (ao vivo com Caetano Veloso, 1973)
Vou tirar você dsse lugar (2016)
Esta noite você vai ter que ser minha (1972)
Foi tudo culpa do amor (2017)

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LEIA

Discografia de Odair José

Vou tirar você desse patamar – Temática social na canção de Odair José – Trabalho acadêmico de Ana Karolina Cavalcante Assunção e Síria Mapurunga Bonfim (2011)

O trovador da luz vermelha – Entrevista com Odair José (jornal O Povo, Fortaleza, set2012)

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LEIA NESTE BLOG

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

A sociedade feladaputa de Geraldo Luz – Crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

O brega não tem cura – Porque o senhor sabe, né, o brega sempre puxa uma dose, que puxa outra, que puxa a lembrança daquela ingrata, que puxa outra dose…

Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra

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TrilhaDaVidaLocaDiv-04TRILHA DA VIDA LOCA
Contos e canções do amor doído

Mesclando música e literatura, este show reúne clássicos da dor de cotovelo da MPB e histórias de amor inspiradas em sucessos de Odair José, Waldick Soriano, Diana, Reginaldo Rossi e Fernando Mendes, num formato divertido e interativo. As canções são executadas por Ricardo Kelmer e Felipe Breier (voz e violão) e também em trechos de suas gravações originais, com participação da plateia. Paixões de cabaré, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor… Favor pagar o couvert antes de cortar os pulsos.

Texto e direção: Ricardo Kelmer. Com Ricardo Kelmer e Felipe Breier.

VÍDEO – CLIPE 1
Trechos do show

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Meu fantasma predileto

01/08/2010

01ago2010

Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

MeuFantasmaPredileto-02

MEU FANTASMA PREDILETO

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Alguém aí pode me dizer onde estão os fantasmas? Onde foram parar as almas penadas que rondavam os cemitérios em noite de lua? E aqueles bichos horrendos que vinham do canto escuro aterrorizar as crianças desobedientes, onde se meteram? De repente não existem mais. Parece que não há mais lugar para eles nesse mundo de assaltantes, sequestradores, assassinos e ladrões de órgãos. Em vez de alma penada, gangues que roubam tênis de crianças e terroristas religiosos que explodem prédios e espalham gases letais em nome de seu deus.

Nas pequenas cidades do interior talvez ainda seja possível encontrar algum fantasminha, resistindo bravamente à invasão dos novos terrores coletivos. Os fantasmas certamente se sentem constrangidos em viver num mundo onde ETs sanguinários estão infiltrados entre nós. Como rivalizar com um bicho gosmento que desce de poderosas naves e implanta chips na cabeça das pessoas para monitorar a raça humana? Isso, sim, é maldade. Assustar pessoas no silêncio das madrugadas é besteira.

Lá em casa morava um fantasma. Não tenho foto dele, mas pergunte para qualquer um lá de casa e terá a confirmação. Ele se manifestava em meu quarto e já havia naturalmente se incorporado ao folclore da família. Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos.

Todos da casa já haviam escutado o som de minha velha Remington, tec-tec-tec no meio da madrugada. No outro dia, ao saberem que eu sequer dormira em casa, constatavam: foi o fantasma novamente. E assim ele (ou ela, vai saber) passou a fazer parte da família. E quando algum hóspede desavisado comentava que ouvira o som de uma máquina de escrever de madrugada, minha mãe então contava do fantasma, de um jeito natural e até com certo orgulho, como uma avó fala das traquinices do neto. Todos tinham certo medo, é claro, e jamais entravam sozinhos em meu quarto à noite. Mas durante anos, ao almoço, a família reunida naqueles sagrados desentendimentos, o fantasma foi garantia de humor e descontração.

Eu, particularmente, adorava a ideia desse insólito companheiro de quarto e não sentia medo. Muitas vezes pedi-lhe encarecidamente que aparecesse, mas nunca vi nem escutei nada. Um belo dia, sumiu. Simplesmente sumiu, ninguém mais escutou o tec-tec-tec de suas visitas. Várias versões surgiram: ele cansou de tentar fazer-me um escritor de sucesso, ela não aturava as minhas namoradas, e por aí vai…

Minha versão, durante algum tempo, era que meu fantasma de estimação foi embora porque não gostou quando troquei minha máquina de escrever por um computador. Deduzi que a tecnologia o expulsara definitivamente deste mundo cada vez mais cheio de teclas e senhas digitais. Mas depois entendi que isso seria subestimar a classe dos fantasmas. E, assim, voltei à estaca zero, e o mistério do sumiço do fantasma prossegue até hoje.

Talvez os fantasmas estejam tão confusos quanto nós, tentando entender o que foi feito daquele mundo em que eles brincavam de nos assustar e nós adorávamos sentir medo. Hoje nosso medo não tem graça nenhuma.
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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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LEIA NESTE BLOG

ICI2011PirataoCapa-01Piratearam meu livro novo. Eu rio ou choro? – Já que tem cópia pirata solta por aí, prefiro que você, que é leitor do meu blog, leia a pirata certa

O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas

Você vem sempre aqui? (1) – Os termos que trazem as pessoas ao Blog do Kelmer

O dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

Kelmer Com K no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

O pop pornográfico de RK (André de Sena) – Pode-se afirmar que Kelmer já é dono de um estilo próprio (no fundo, uma das almejadas metas de todo escritor)

Pesadelos do Além – O pior pesadelo pra um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei para o mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

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01- Achei muitissimo bem escrito, tao engracado e tao triste ao mesmo tempo, e verdadeiro. SIMPLESMENTE O-TI-MO! Ana Claudia Domene, San Diego-EUA – jun2006

02- adorei a historia de seu fantasma predileto. Monica Campos, Fortaleza-CE – jan2016

03- Gostei. Bons tempos em que os sustos eram de mentirinha. Teo Ponciano, São Paulo-SP jan2016

04- Alguém sabe dizer onde se meteram os fantasmas? Teo Ponciano, São Paulo-SP – jan2016

05- Relembrei meus tempos de infância no interior onde cresci. As pessoas de fato se empolgavam ao contar os “causos”q envolviam fantasmas. Alguns lugares as pessoas evitavam de passar a noite. O Ribeirão era assombrado e isto alimentava a fantasia daquele povo simples e feliz. Saudade dos nossos fantasmas q nunca fizeram mal a ninguém. Carolina De Figueiredo, Içara-SC – mai2016


Só o crack salva

25/07/2010

25jul2010

Se os problemas relacionados ao crack ficassem restritos às camadas pobres da população, os ricos jamais se incomodariam e o horário nobre da tevê nem tocaria no assunto

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SÓ O CRACK SALVA
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Em maio assisti a um documentário que me trouxe, ao mesmo tempo, preocupação e esperança. Ele foi exibido no prédio da Fiesp, a Federação da Indústrias do Estado de São Paulo, que fica na avenida Paulista, o coração financeiro do país. Documentário sobre as modernas indústrias paulistas? Não. Sobre a retomada do ritmo industrial após a crise financeira? Não. Era um documentário chamado Selva de Pedra  A Fortaleza Noiada e mostrava a terrível realidade que envolve os usuários de crack na cidade de Fortaleza.

Após a exibição, Preto Zezé, que dirigiu o documentário com Edmar Jr., falou sobre a problemática do crack em Fortaleza e no Brasil. Fiquei agradavelmente surpreso com ele. Preto Zezé, coordenador da CUFA-CE (Central Única das Favelas), demonstrou ter uma rara abrangência de visão em relação à questão do crack mas também em relação a drogas em geral e justiça social. Não é à toa que ele já foi convidado a vir a São Paulo para falar sobre a problemática das drogas, inclusive para policiais. Dessa vez foi a Fiesp que o convidou.

Pela primeira vez tive real noção do problema  e vi que ele é monstruoso. O crack já é considerado uma epidemia nacional e a quantidade de usuários, hoje aproximadamente um milhão e meio de pessoas, aumenta velozmente, como nunca antes ocorreu com nenhuma droga. Se os problemas relacionados ao crack ficassem restritos às camadas pobres da população, os ricos jamais se incomodariam e o horário nobre da tevê nem tocaria no assunto. O problema, porém, já chegou às classes média e alta que, além de também contarem com usuários, sofrem com o aumento nos índices de roubo, assalto e assassinatos ligados ao crack, tanto nas capitais como em pequenas cidades.

Um orgasmo de quinze minutos  você já teve um? Nem eu. Mas é disso que falam os usuários de crack. A pedra é queimada, inalada e o prazer proporcionado é tão intenso mas tão intenso que, uma vez experimentado, tudo que se quer é ter de novo, e imediatamente, e mais uma vez, e mais uma. Nada contra orgasmos longos, muito pelo contrário. O problema é que o crack é altamente nocivo ao organismo, deixa sequelas terríveis e não raramente mata após poucos anos de uso. Por isso, ao contrário de outras drogas, é impossível usar crack ocasionalmente e de modo recreativo  o usuário é sempre um viciado e em nome desse vício ele perderá qualquer senso moral e será capaz de enganar, roubar, assaltar, agredir e matar. Muitos abandonam a família e os amigos, recorrem à prostituição, contraem dívidas e acabam engrossando a massa de farrapos humanos a perambular pelas ruas, adoecendo e morrendo à míngua. O baixo preço, o altíssimo nível de dependência e a degradação física, psicológica e familiar que o crack ocasiona fazem o cigarro, o álcool, a maconha e até mesmo a cocaína parecerem brincadeirinha de criança.

A sociedade, perplexa, não sabe o que fazer. Tirar das ruas os noias, como os usuários são chamados, não resolve pois eles logo retornam. Prisão também não resolve pois o problema não é apenas de contravenção mas principalmente de saúde pública. Nos Estados Unidos o crack afugentou os usuários de drogas mais rentáveis e causou tantos problemas ao tráfico que ele próprio baniu a droga do mercado. Especialistas consideram que no Brasil somente o próprio tráfico teria o poder de acabar com a epidemia. Aliás, em São Paulo o PCC não permite o crack nas cadeias, tamanho seu poder de destruição.

Mas… e quanto a tratamento? Sim, é possível tratar o viciado mas não é fácil pois primeiramente ele deve querer. Há também discordâncias sobre a metodologia do tratamento pois não há pesquisas suficientes. No entanto, todos concordam que, além do apoio de família e amigos, é necessário que o indivíduo em recuperação encontre em sua própria comunidade as condições que lhe permitam manter-se abstinente e isso envolve escola, emprego e atividades sociais, esportivas e artísticas que possam substituir o prazer do crack. Isso, porém, é impossível se não há investimentos na melhoria de qualidade de vida nos bairros pobres.

É justamente por isso que o documentário Selva de Pedra, ao mesmo tempo que me preocupou, também me deixou esperançoso pois deixa claro que o problema do crack é de responsabilidade de toda a sociedade. Além disso, o fato dele ter sido exibido num lugar como a Fiesp mostra também que as classes sociais estão dispostas a dialogar na busca por uma saída para o problema. A ironia é que seja o crack que esteja finalmente aproximando ricos e pobres e nos obrigando a discutir honestamente o tema da desigualdade social e também a questão do uso de drogas, sem ingenuidade e hipocrisia. É a salvação que vem do inferno.
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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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> Mais textos sobre DROGAS

Treiler do documentário Selva de Pedra

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Preto Zezé fala na TV sobre o crack

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Governo não sabe como tratar craqueiro, diz Drauzio Varella
(Folha de São Paulo, 21.05.2010)

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LEIA NESTE BLOG

Rio Droga de Janeiro – Quem ganha e quem perde com a proibição das drogas? Trilogia de artigos sobre a questão da legalização das drogas.

Minha noite com a JuremaNessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

A Jurema e as portas da percepção (VIP)Relato detalhado da experiência narrada em Minha Noite com a Jurema. Exclusivo para Leitor Vip. Basta digitar a senha do ano da postagem

Xamanismo de vida fácil – A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos

O trem não espera quem viaja demais – Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior

A metamorfose – Um miniconto sobre o fundo do poço

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DICA DE LIVRO

baseadonissocapaa6aBaseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha
Ricardo Kelmer

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado.

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Minha vida com Jim Morrison

25/07/2010

25jul2010

Acordar e pegar logo uma cerveja, pois o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto

MINHA VIDA COM JIM MORRISON

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Em julho de 1991 arrendei uma danceteria e fiz uma homenagem a Jim Morrison: A Noite do Rei Lagarto (ou Como Jim Morrison comemoraria em Fortaleza os 20 anos de sua morte). Assim mesmo, com toda a incoerência semântica, afinal Jim também não era lá de muitas coerências. Casa lotada, clima anos 60, modelitos paz e amor, sósias da Pamela Courson, cinco da manhã e Light my Fire tocando pela décima vez… Ai, ai, eu não imaginava tanta festa para um defunto. Não sei se ele gostou. Mas eu sim, e enchi o bolso.

Jim Morrison e sua urgência desatinada de viver foram meu guru por essa época. Álcool, música e literatura, sexo e poesia. Acordar e pegar logo uma cerveja, pois o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto. A ordem era experimentar-se pelo caminho dos excessos.

Sexta-feira, onze da noite. Meus 25 anos tinham um rito sagrado de iniciação noturna. Um bom banho acompanhado de uma dose de vodca pura, um poema vagabundo na velha Remington, mais uma vodca, L.A. Woman no volume máximo, mais uma dose e pronto, eu podia sair para a noite dengosa da cidade, atrás de lucky little ladies ou lost angels para acender meu fogo. Ai, ai. Não sei como o próprio Jim não surgiu noite dessas na rua a me pedir carona para o Badauê.

Depois dediquei-lhe um livro de contos que não publiquei, fiz outra festa para ele e, como performer da Intocáveis Putz Band, recitava o Manifesto das Bem-Aventuranças, onde distribuía bênçãos a putas, travestis, músicos, garçonetes e outros personagens da noite, declaradamente inspirado em Jim. Uma porra-louquice urbano-apocalíptica, dark e herética – demais para a cabeça de Fortaleza, tão sol e forró, a bichinha.

Se um dia Jim chutou o rock’n’roll e foi refugiar-se em Paris, eu um dia enchi o saco de tudo e vim atrás de mim aqui na cidade do Rio de Janeiro. Dei de presente o pôster da festa e não trouxe meus discos dos Doors. Até agora ainda não morri na banheira. Mas já não tenho mais intestino para velhos excessos.

Confesso que se qualquer noite dessas Jim aparecer pedindo carona para o Hipódromo Bar, ele, uma garrafa de Jack Daniel’s e três amigas barulhentas, eu… bem, eu lhe explicaria honestamente que foi bom enquanto durou, sabe como é, ando meio recolhido…

Ok, Jim, você venceu. Mas deixa eu dar uma olhada nas amigas. Você sabe, não dá para confiar muito em gosto de bêbado.

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Ricardo Kelmer 1996 – blogdokelmer.com

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Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos
Fotos da ilustração: Ricardo Batista (Cadinho)

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LEIA NESTE BLOG

IntocaveisPutzBand1994-201aA celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

O dia em que Jim Morrison voltou do túmulo (em breve)

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Clipe: LA Woman (7:51)

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01- kkkkkkkkkkk, Kelmer Querido, Saudades dos seus contos e inspirações nostalgicas, é sempre bom lembrar!!!! e Viva o Lagarto Rei!!!! Abraço Querido lunático!!!! Lua Ahau Cândido, Fortaleza-CE – dez2013

02- E tu está no Rio? Fábio Campos Morais, Fortaleza-CE – dez2013

03- Muito bom, mano! Carlos Carlos, São Paulo-SP – dez2013

04- essa festa foi sensacional, eu fui de pamela morrison. fiz tanta putaria que quase fui expulso. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – dez2013

05- Fala kelmer !!! outro dia eu vi um doc. sobre o the doors muito legal!!! Ouvir the doors na estrada e fantastico ! Luciano Hamada, São Paulo-SP – dez2013

06- Olha só que coisa..estava ouvindo hoje ainda,e m deparo com esse post..com sempre maravilhoso!Boa noite meu amigo! http://www.youtube.com/watch?v=AMCl9eOBlsY. Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – dez2013

07- As portas de uma lembrança boa!! Hyara Ougez, São Paulo-SP – dez2013

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Naus de mim

18/07/2010

18jul2010

NausDeMim-02a

NAUS DE MIM
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Farol do meu porto eu sou
É que eu sou muitos demais
Naus a singrar pelo caos de mim
Buscando meus eus por onde eu vou
No vão de mim que a noite traz
E o eu que fica aqui no vazio do cais
Acena aos eus que no vento vão
Boa sorte, se percam não
Me achem a mim
E voltem em paz

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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> Ouça e baixe a música (Ricardo Kelmer/Heraldo Goez)

> Mais poemas e músicas

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01- Ri, nunca tinha lido Naus de Mim inteiro. É um poema que eu gostaria de ter escrito. Publiquei no meu mural. Quero que os amigos não-comuns conheçam. E nunca mais diga que não é poeta. É até sacanagem com a gente. rsrsrsrs. Bjo e boa-sorte. Se perca, não. Renata Regina, São Paulo-SP – jul2011

02- Tudo que este rapaz escreve toca o coração da gente. Eita! Silêda Franklin, Fortaleza-CE – jan2020

03- Que lindeza! Cristiana Medina de Albuquerque, Fortaleza-CE – jan2020

04- Muito lindo!!! Marta Bertoncini de Almeida, São José do Rio Preto-SP – jan2020

05- Que belo! Fabiana Azeredo, Fortaleza-CE – jan2020


Giselle, a espiã nua que eliminou o Brasil

11/07/2010

11jul2010

Giselle, aquele rostinho lindo, aquele sorriso meigo, na verdade era uma fria e sedutora agente secreta a serviço da seleção francesa

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GISELE, A ESPIÃ NUA QUE ELIMINOU O BRASIL

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Faltava meia hora pro jogo começar. Brasil e França lutando por uma vaga na semifinal da Copa do Mundo de Futebol de 2006. Horácio tomou banho cantando o hino nacional, se enxugou em meio a uns passinhos de samba e foi ao quarto se vestir. Estava tranquilo e otimista. Abriu a gaveta do armário e fez uma pose solene enquanto esticava o braço para pegar sua arma, a arma mortífera, aquela que levou o Brasil ao título em 2002 e agora o consagraria hexacampeão.

Ué? Que estranho… A cueca da sorte não estava na gaveta. Procurou então na outra gaveta. Nada. Procurou na outra, depois na outra… E nada. Estaria no cesto de roupa suja? Correu para o cesto, jogou tudo no chão… mas também não estava lá. Voltou ao quarto e procurou mais uma vez nas gavetas, olhando com redobrada atenção. Remexeu no guarda-roupa inteiro, olhou embaixo e em cima. Procurou sob a cama, atrás dos livros… e nada. A cueca simplesmente sumira.

Horácio procurou se acalmar, precisava se acalmar, a seleção brasileira dependia disso. Quando fora a última vez que usou? No dia do último jogo, claro, só usava a cueca da sorte em dia de jogo da seleção. Na Copa de 2002 usara sete vezes, nas sete vitórias do Brasil. Nesta Copa usara quatro vezes, nas quatro vitórias, a última alguns dias antes. Repassou os acontecimentos feito um filme: o último jogo, a vitória brasileira, a comemoração no bar, os amigos, todo mundo festejando… E depois? Depois terminou a noite com Gisele, ai, Gisele, ali mesmo em seu quarto. Gisele, a gata que todos cobiçavam. Ele nem acreditou quando ela lhe deu bola no bar, achou até que ela brincava com ele. Mas era sério. Ela lhe sussurrou no ouvido, com aquele sotaque francês encantador, que o queria, que o queria muito, e urgente. E aí, bem, aí ele aproveitou a boa sorte e a levou ao seu apartamento, onde transaram bastante, sexo de alta qualidade. E depois ela foi embora. E ele dormiu feliz, pela vitória no campo e na cama.

Será que Gisele levara a cueca? Mas por que levaria? Ela não tinha cara de ser colecionadora de cuecas amarelas usadas. E por que levaria sem lhe pedir? Não, não fazia sentido. Gisele era uma mulher de classe, uma francesa supereducada, que escolhera o Brasil para morar e…

E de repente uma bigorna lhe caiu sobre a cabeça. E tudo ficou espantosamente claro. Gisele era francesa! Tinha pai brasileiro, sim, mas nascera na França. E ele havia comentado no bar sobre a cueca da sorte. Ela sabia de tudo!

Durante algum tempo ficou ali, sentado na cama, em estado de choque. Uma espiã francesa… Não, não podia ser, essas coisas só acontecem nos filmes. Uma agente secreta que se infiltra entre torcedores brasileiros e descobre a principal arma da seleção pentacampeã… Não, isso já era demais, estava alucinando. Uma espiã que o seduzira maquiavelicamente e agora estava de posse da principal arma brasileira, muito mais poderosa que as arrancadas do Ronaldo, as pedaladas do Robinho e os dribles do Ronaldinho. E se ela já houvesse dado fim à cueca, rasgado, incinerado, desmaterializado?

Não, não, não. Não queria nem pensar nessa hipótese. Talvez a cueca ainda existisse, devia estar em algum lugar. Mas onde? Perguntar para Gisele de nada adiantaria, ela não revelaria o segredo que daria ao Brasil a vaga na semifinal. Quem diria… Gisele, aquele rostinho lindo, aquele sorriso meigo, na verdade era uma fria e sedutora agente secreta a serviço da seleção francesa. Um sistema tático mil vezes mais eficiente que o 4-2-2-2. Definitivamente, o futebol perdera sua romântica inocência.

Ligou a tevê, nervoso. Os times estavam em campo, o jogo iria começar. Precisava fazer alguma coisa. Pegou o telefone e ligou. Do outro lado, ela atendeu. Precisava ser frio também, ela não podia desconfiar de nada. Oi, Gisele, tudo bem, vai ver o jogo onde, ah, tá, não, vou ver aqui mesmo, tá, então depois a gente se encontra por aí, heim, claro que vai dar Brasil, ahahah, claro, um beijo, macherri.

Cínica. Cínica e fria como toda espiã. Ela estava muito confiante, exageradamente confiante, ninguém fica tão confiante assim quando vai jogar contra o Brasil. Horácio respirou fundo, procurando se acalmar. Tentou analisar a situação de modo racional. A seleção brasileira tinha os melhores jogadores do planeta, era a grande favorita ao título. Somente um desastre poderia fazê-la perder aquele jogo. É, talvez dessa vez o time não precisasse da cueca da sorte. Só uma vezinha. Então vestiu outra cueca, botou uma bermuda, a camisa, pegou uma cerveja na geladeira e ligou a tevê. Não mais veria o jogo com os amigos, não estava a fim de barulho e confusão. Veria em casa mesmo, sozinho.

O time nunca precisou tanto da cueca. A seleção estava irreconhecível, totalmente travada, absolutamente apática. Um completo desastre. Quando o árbitro encerrou o primeiro tempo, o placar em zero a zero, ele ficou ali sentado na poltrona e parecia que lhe pesava sobre os ombros toda a frustração de centenas de milhões de torcedores no mundo inteiro com a seleção canarinho. Então, sem aguentar mais, levantou da cadeira de um pulo, decidido. Calçou o tênis, pegou a carteira e saiu correndo. Desceu as escadas de cinco em cinco degraus, atropelou uma senhora na portaria, correu até a avenida. Só então lembrou que àquela hora táxi nenhum estaria na rua. E agora?

GiselleAEspiaNua-02aA última vez que fizera exercício foi uma faxina no apartamento, quando a faxineira não pôde ir, isso seis meses atrás. Estava meio gordinho, fora de forma. Mas o dever cívico se impunha. E o segundo tempo já estava começando! Então encheu-se de disposição e pôs-se a correr.

Com cinco minutos de corrida, as pernas começaram a pesar. Mas precisava prosseguir, precisava. Com dez minutos, já estava difícil respirar. Mas precisava, precisava. Com quinze minutos, suado e ofegante, pensou em desistir. Com vinte minutos, não pensou mais: desistiu. E parou. E se encostou num poste, quase botando os bofes pra fora. Não aguentava mais dar um passo. Se ao menos passasse um táxi… Então, do outro lado da rua, viu um bar, muitas pessoas. E uma tevê a transmitir o jogo. Caminhou até lá e perguntou do placar. Um a zero França.

Ele não acreditou. Conferiu o placar na tela da tevê. Infelizmente era verdade, o Brasil estava perdendo. E aquelas pessoas nem desconfiavam que a culpa era dele…

Nesse instante, alguma força insuspeitada emergiu do mais profundo do seu ser, espalhou-se por seu sangue e lhe deu forças. E Horácio recomeçou a correr. Bem, é verdade que mais parecia uma corrida em câmera lenta, mas pra ele era o maior esforço do mundo. Trinta minutos do segundo tempo, talvez ainda desse tempo, tinha que dar, tamanho esforço não poderia ser em vão. Trinta e cinco minutos. Ele seguia em seu passinho curto e arrastado enquanto o tempo, implacável, prosseguia mais rápido que o normal.

Quando cruzava a praça tropeçou numa pedra e se espatifou no chão, cena grotesca. Quase ficou lá para o resto da vida, mas levantou e, feito um zumbi, continuou sua marcha obstinada. Aos quarenta minutos do segundo tempo avistou a casa e juntou o que lhe restava de força para chegar lá, o coração à beira de explodir. Lembrou do primeiro maratonista grego, aquele que concluiu o percurso e caiu morto. Não, não podia morrer agora, agora não.

Finalmente, chegou à casa. A campainha, tocar a campainha… estender o braço… pressionar o botão… blim-blom… baixar o braço… encostar-se no portão… Um senhor apareceu, apressado, vestindo bermuda e camisa amarela. Seo Valdemar, pai da Gisele.

Sem saber como dizer o que precisava dizer, Horácio começou perguntando por Gisele. À sua frente, seo Valdemar o observava e parecia tentar desvendar o que aquela figura bizarra teria a ver com sua filha. Desconfiado, ele respondeu que Gisele tinha ido ver o jogo num bar. E agora? Seo Valdemar, sua filha está com minha cueca da sorte e eu preciso urgentemente estar dentro dela, da cueca, claro, para o Brasil virar o jogo. Como dizer uma coisa dessa? Não, não conseguiria.

Mas precisava, precisava. Respirou fundo e começou: Seo Valdemar… o senhor acredita em… superstição? O pai da moça se aproximou um pouco mais e, olhando-o firme nos olhos, respondeu: O Brasil perdendo e você me faz vir aqui porque quer saber se eu acredito em superstição? E lhe deu as costas, voltando para a sala.

Horácio sentiu que era o fim. Nada mais a fazer.

Mas se quiser entrar para ver o fim do jogo, entra logo e fecha o portão. Era a voz de seo Valdemar, que já sumia casa adentro.

Horácio obedeceu rapidamente e no instante seguinte estava na sala, ao lado de seo Valdemar e de uma senhora que entendeu logo ser sua esposa francesa, a mãe da agente secreta, que acenou para ele rapidamente, absorta na tela da tevê. Coitada, nem desconfiava das verdadeiras atividades da filha…

Quarenta e quatro minutos do segundo tempo. O Brasil continuava perdendo. Perdendo e jogando incrivelmente mal, sem atitude de pentacampeão. Os jogadores pareciam anestesiados, perdidos, incapazes de reagir. Que falta fazia a cueca! Ele tinha três ou quatro minutos para salvar o país, não podia mais desperdiçar nenhum segundo.

Por favor, onde fica o banheiro? Seo Valdemar, concentrado na tevê, apontou o corredor e ele saiu. Em frente ao banheiro mudou de direção e entrou rapidamente num quarto. Pelas fotos na parede, era o quarto de Gisele. Abriu o guarda-roupa e começou a tirar todas as peças de roupa. Na primeira gaveta, nada. Na segunda, nada. Nada na terceira, nem na quarta. Nem na quinta, sexta, sétima, oitava, como um guarda-roupa podia ter tanta gaveta?

De repente, parou. Parou e pela primeira vez teve a exata noção do que fazia. Estava na casa de uma garota que mal conhecia, procurando por uma cueca que nem sabia se ainda existia e que supostamente seria a responsável pelas vitórias brasileiras… Que ridículo. E pensar que chegara mesmo a imaginar que Gisele era uma agente secreta francesa cuja missão era raptar uma cueca… Não devia estar muito bem da cabeça. O Brasil perdia porque a França jogava melhor, simplesmente por isso, não tinha nada a ver com mandingas e rituais de boa sorte.

Falta!

Ele escutou a voz do locutor.

Falta na entrada da grande área, é a última chance do Brasil!!!

Horácio lançou-se novamente sobre o guarda-roupa, determinado, abrindo a última gaveta, tirando de lá todas as roupas e jogando tudo no chão. O intrépido cavaleiro arrancando as tripas do dragão guardião do tesouro encantado. Então, surgindo lá no fundo, o que viu? O tesouro. A cueca. A cueca amarela da sorte. Por alguns segundos, ficou olhando, sem acreditar, como se estivesse diante do Santo Graal.

É a última chance!, o locutor repetiu, despertando-o do transe.

Ele então livrou-se rapidamente dos tênis que calçava.

Momento dramático!

Tirou a bermuda e a cueca de uma puxada só.

O árbitro autorizou!

Pegou a cueca amarela e vestiu com toda a rapidez do mundo.

Correu pra bola!

Mas no segundo pé a cueca enganchou…

Bateu!

… e ele se desequilibrou e caiu no chão…

Pra fora!

… metade da cueca numa perna e a outra metade enganchada no pé.

GiselleAEspiaNua-02aFim de jogo! O Brasil está fora da Copa!

Ficou imóvel, deitado seminu no chão do quarto. Da sala, vinha a voz do locutor feito o eco de um som distante. Ao seu redor, vestidos, blusas, meias e calcinhas espalhados pelo chão. O Brasil estava fora da Copa. Toda uma nação derrotada pela astúcia de Gisele, a nova encarnação da espiã nua que abalou Paris.

Levantou. Tirou a cueca amarela, vestiu-se e calçou os tênis. Ainda pensou em arrumar a bagunça que fizera, mas não, pelo menos aquele trabalho Gisele teria. Na sala, seo Valdemar arrasado, ainda de olho na tevê, nem o viu passar. Na cozinha, sua esposa cantava a Marselhesa. Caminhou pela rua devagar, evitando o olhar das pessoas. Se elas soubessem…

Pegou um ônibus e sentou no último banco, encolhido em sua vergonha. Tentou pensar em outra coisa, qualquer coisa que fosse, mas não conseguiu. Então, não resistindo mais, tirou do bolso a cueca. E olhou para ela como alguém que espera ser despertado de um pesadelo. Então, feito uma bola de cristal, as imagens começaram a se formar à sua frente… Pôde ver as manchetes do dia seguinte, os programas de tevê, os comentários inconformados, as análises do jogo, todos buscando as causas da derrota. Viu a incrível dimensão que aquela derrota tomou. Viu a população saindo às ruas, exigindo a cabeça dos culpados, um drama nacional. Viu os jogadores sendo interrogados, o técnico demitido. Viu a polícia envolvida, viu vários suspeitos de traição à pátria sendo detidos, estrangeiros envolvidos num meticuloso esquema de espionagem, entre eles uma garota francesa que admitia ser uma agente secreta a serviço da seleção de Zidane e que contara com um comparsa brasileiro chamado Horácio…

Voltou a si de repente, assustado. Olhou para um lado e para o outro, com medo de alguém também ter visto o que ele vira. Olhou para a cueca mais uma vez. E então não teve dúvidas: esticou o braço pela janela e atirou-a no meio da rua. Depois se encostou no banco e respirou fundo. Pegariam Gisele, mas pelo menos não o pegariam com a prova do crime.

O ônibus seguiu pela avenida, sumindo no movimento da cidade que aos poucos voltava ao normal, afinal a vida segue. No asfalto, ficou a cueca amarela, agora saco de pancada dos automóveis derrotados.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Este conto integra o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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GiselleAEspiaNua-02A GISELLE QUE INSPIROU ESTE CONTO
(E QUE ABALOU PARIS)

O conto Giselle, a Espiã Nua que Eliminou o Brasil (2006) foi inspirado na série literária de ficção Giselle, a Espiã Nua que Abalou Paris, que conta as aventuras da espiã francesa Giselle Montfort durante a Segunda Guerra Mundial. Giselle é uma integrante da Resistência francesa que usa sua beleza escultural para extrair informações dos oficiais nazistas na Paris ocupada e repassá-las aos companheiros de luta.

Com forte teor erótico e num estilo de diário de memórias, escritas pela própria heroína enquanto estava presa esperando a execução, a série foi escrita pelo brasileiro David Nasser, com a colaboração do fotógrafo francês Jean Manzon, e publicada em 59 capítulos em 1948 no jornal carioca Diário da Noite, obtendo enorme sucesso. Embora fosse pura ficção, o jornal tratava como verídicas as memórias de Giselle, o que aumentava a popularidade da história.

BrigitteMontfort-01Nos anos 1950, a série foi reescrita e publicada pela Editora Monterrey em livros de bolso populares, sempre com altíssimas vendas, e seguiu sendo reeditada até os anos 1980. Como a série termina com a morte de Giselle, e a Monterrey pretendia continuar apostando no filão, criou-se uma série (escrita sob o pseudônimo “Lou Carrigan” e publicada até o início dos anos 1990), sobre uma filha que Giselle tivera. Surge assim Brigitte Montfort, também linda e sexy, e espiã da CIA, atualizando o tema e vendendo ainda mais que a série da mãe. Não é nenhum exagero dizer que Giselle e Brigitte foram responsáveis pela iniciação de milhares de brasileiros nos prazeres da literatura erótica e, é claro, do sexo imaginativo. As voluptuosas mãe e filha ganharam corpo e rosto próprios pelo desenho genial de Benício, um dos grandes nomes da ilustração no Brasil. Hoje, os livros das duas séries são vendidos bem caros.

Eu, particularmente, não tive o prazer de ler as aventuras das admiráveis espiãs. Minha única lembrança de Giselle vem de um dos livros da série, que eu via na estante da casa de minha prima, que se chamava… Gisele. Era 1980, eu tinha os meus 14 anos e aquele livro me fascinava, me causando uma espécie de frisson. Não cheguei a lê-lo, apenas admirava a capa, lia a contracapa e fantasiava sobre o que ele poderia conter. O título era marcante e eu não o esqueceria jamais. Aliás, eu o considero um dos melhores de todos os tempos: evoca uma mulher linda e corajosa, que é espiã, está sempre nua, luta contra os nazistas e, com toda razão, abala Paris é perfeito. E, para completar, eu tinha nutria uma secreta paixonite por minha prima Gisele. Junte as duas Giseles e, pronto, está mais que explicado o frisson que aquele livro me causava. E, admito, ainda causa. (Ricardo Kelmer)

> Mais sobre a série

> Sobre o ilustrador Benício

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01– Achei muito legal!Fiquei cheia de expectativa pra saber que fim tinha levado aquela bendita cueca.Fiquei até cansada daquela correria do Horácio.Caramba,coitado!Na hora em que ele acha a cueca e começa a tentar vesti-la e acaba caindo no chão,imaginei que a mãe da Giselle fosse aparecer no quarto cantando a Marselhesa toda feliz…” Allons enfants de la Patrie,l e jour de gloire est arrivé…” e,derrepente, o encontraria deitado em cima dos vestidos,meias e calcinhas da filha,nu,com a cueca em uma das pernas.Que situação,heim? Adorei o texto do início ao fim.Muito bom.Vc descreveu muito bem as situações e emoções, me fazendo visualizar tudo como se fosse uma cena. Sidiany Colares, Fortaleza-CE – jul2006

02- Demais o texto!!!! Acertou em cheio na identificação do brasileiro com as superstições em copas. Ainda bem que os franceses não acaharm o meu gorrinho da sorte. Um abraço! Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – jul2006

03- Ahahahaha, delicioso, esse texto!! Olha, eu acho muito verosímil! Aliás, tenho quase a certeza que foi isso mesmo que aconteceu! Beijos. Susana Mota, Leiria-Portugal – jul2006

04- Hoje amanheci com nostalgia. Aos 59 anos acho ter este direito. Relembrei-me de meu início de carreira nas leituras. Gizele, a espiã nua que abalou pariz. Estou ao computador e apelo para o meu “santo” Google e eis que aparece em primeria página seu artigo da sua gizele nua que arrasou o Brasil… Leio, não leio, li! Cara, foi demais. Adorei. e tenho certeza que a gizele dos meus sonhos saudosos ainda está viva. A mesminha. Se bem que ela brigava mais era pelos Estados Unidos, não era? Não a sua Gizele, a outra. Ou era só contra a Rússia. Mas, está de parabens. Quem conheceu a outra, (octagenária por agora) sabe que seria bem capaz de abrir as pernas por uma boa causa (deles) é claro. Paulo Chinelate, Fortaleza-CE – set2007

05- Vc é muiiiito bom! risos Adoro … bjs Arlene, Rio de Janeiro-RJ – jul2010

06- muiiiiiiiiiiiito legal. este eu já li! beijosss. Lucia Gonczy, São Paulo-SP – jul2010

07- kkkkkkkkkkkkkk não fala mau da Giselle , eu era fã dela..alais fui fiel leitora da serie q fizeram de livro de bolso de uma filha(ficticia dela)A série ZZ7 Brigith Monfort , filha da espiã giselle com um genetal alemão… vc me trouxe lembranças…rsrs bjão. Beth Ghimel, Manaus-AM – jul2010

08- “kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk….Demais!!!” Lia Aderaldo Demétrio, Fortaleza-CE – jul2010

GiselleAEspiaNua-02a


Liberdade é não estar na moda

26/06/2010

26jun2010

Depois de muitas calças aprendi que a maior das liberdades é esta, é sermos quem verdadeiramente somos

LIBERDADE É NÃO ESTAR NA MODA

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Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada… Começava assim a musiquinha. Uma turma de jovens cabeludos e felizes esperando o trem na plataforma. Jeans desbotados, mochilas e o frescor da liberdade em seus semblantes. Era um filminho comercial do jeans US Top, de 1975, que fez muito sucesso, tanto o filme como o jeans. Fez tanto sucesso que a frase virou bordão e até hoje a geração daquela época se emociona quando canta a musiquinha.

Era o governo do general Geisel. As correntes da repressão da ditadura militar já se afrouxavam e o Brasil, ufa, começava a respirar ares mais democráticos. A palavra liberdade estava na moda. Liberdade de pensar e de falar. Liberdade de votar. E, é claro, de vestir. O comercial foi uma grande sacação, a musiquinha ganhou prêmio e muita gente vestia jeans US Top porque isso era um símbolo de liberdade.

Eu? Putz, eu era mais um menino louco para ter um US Top. E assistia ao comercial sonhando em embarcar no trem com aquela patota divertida. Mas não era um jeans dos mais baratos, e só pude ter o meu anos depois, quando até o termo liberdade já havia desbotado. Com o andamento da abertura política, a liberdade perdera o apelo publicitário que antes possuía e os comerciais passaram a seduzir o público com outra ideia: a de que ser feliz é ter muito, cada vez mais. E assim estamos até hoje, que beleza, tendo tudo que não precisamos para ser feliz.

E a liberdade, que foi feito dela? Minha velha US Top da adolescência que me perdoe, mas liberdade não é e nunca foi uma calça velha, azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser, não usa quem não quer. Para começo de história, eu não usava não porque não quisesse, mas porque simplesmente não podia. Então, pela lógica da publicidade, eu não poderia ser livre, pois não tinha grana para pagar por um jeans. Se alguém precisa estar na moda para ser livre, que liberdade é essa?

Infinitas noções de liberdade existem, eu sei. Para um adolescente, é voltar da balada à hora que quiser. Para outra pessoa, é ganhar seu próprio dinheiro. Para um presidiário, ser livre é tão somente não estar numa cela. Tudo isso é liberdade, sim, mas depois de muitas calças aprendi que a maior das liberdades é esta, é sermos quem verdadeiramente somos – e não quem a sociedade ou a moda quer que sejamos. E que a pior prisão que existe é justamente a ignorância de si próprio, que nos faz escravos dos quereres alheios.

Somente a essência do que somos pode nos libertar, e seguir a moda jamais nos conduzirá a essa essência, apenas nos levará junto com outros, feito uma boiada, durante o tempo que durar a moda, quando então teremos que seguir outra moda e assim por diante. Quem realmente somos nós por trás dos modismos que adotamos? O que há de permanente em nós por trás do transitório da fachada? A moda não poderá responder a essas perguntas, e nem mesmo você, enquanto a estiver seguindo. Aliás, a moda nem quer que você pense nisso. Ela quer apenas que você a siga – e pode pagar em até dez vezes.

Liberdade é sermos quem realmente somos em nossa essência mais legítima. É uma velha ideia, azul e desbotada. Mas que nunca vai estar na moda. Ainda bem.

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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> Como o jingle foi criado – Depoimento do autor no blog Pedra do Sol

SOBRE O JINGLE

No site do Prêmio Colunistas há uma referência ao comercial da US Top. Diz lá que ele ganhou Prata na categoria Fonograma, em 1976 (comerciais exibidos em 1975). Veja:

Agência: J. W. Thompson
Cliente: SPASA – U.S. Top
Título do Jingle: Liberdade
Criação: Joaquim Gustavo Pereira Leite e Helga Miethke
Música: Sérgio Mineiro e Beto Rushel
Letra: Joaquim Gustavo P. Leite, Zé Pedro e Sérgio Mineiro
Produtora: Prova
Arranjo: Hareton Salvanini
Duração: 45″
Texto: “Liberdade é uma calça velha / Azul e desbotada / Que você pode usar / Do jeito que quiser / Não usa quem não quer / US Top / Desbota e perde o vinco / Denin Índigo Blue / US Top / Seu jeito de viver / Não usa quem não quer / US Top / Desbota e perde o vinco.”

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Vídeo da US Top (1975)

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01- O assunto é antigo, porém a essência é dinâmica. Gosto como vc faz deslizar os assuntos. Sobre a dificuldade da homeostase fica por conta da subjetividade de cada um, pois só assim poderemos compreender o seu limiar diante dos impulsos. bjs. Marta Dourado, Fortaleza-CE – jun2010

02- Olá Kelmim, gostei da crônica! Leia este: Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada:publicidade, cultura de consumo e comportamento político no Brasil (1954-1964) Vale a pena, muito bom! Bjs. Jéssica Giambarba, Fortaleza-CE – jun2010

03- Boa crônica Ricardo, como sempre. um beijo. Danielle Alves, Fortaleza-CE – jun2010

04- Que show!!!!!!!como sempre. beijinho. Mônica Fuck, Fortaleza-CE – jun2010

05- Amei a sua crônica. Leve, prazerosa de se ler, supimpa! Sobretudo porque fala de um anseio que tive, tenho e terei sempre a liberdade, tão necessária para o nosso crescimento individual e em grupo, à nossa individuação, a nossa Felicidade rs. Fato é que sempre tive isso como prioridade para meus dias mas, com os ensinamentos dados pelas entidades de Umbanda, começo a senti-la em mim, e isso é muito legal. Você me emocionou também ao lembrar da US TOP, HUM! Foi muito bom lembrar desse período, adolescência, juventude e lembrar da minha essencia naquela época, rs que vejo que não mudou. Tive algumas calças US TOP e acredite, havia esquecido completamente disso. Abraços. Maria Amelia, Campina Grande-PB – jun2010

06- Meu amigo Ricardo Kelmer escreve cada vez melhor. Esse cearense cidadão do mundo, agora radicado em São Paulo, é assim: capaz de dizer as coisas mais essenciais usando as palavras mais simples. Isso se chama talento. Leia mais: luispellegrini.com.br. Luis Pellegrini, São Paulo-SP – jun2010

07- Ah como eu queria aquela calca US Top azul e novinha em folha pra eu desbota-la ao longo dos anos…, tambem fui ter a minha anos mais tarde e tambem ja nao tava mais nem ai pra ela, mas a propaganda eu lembro, assim como lembro a da coca-cola na contra=capa da revista POP que minha irma mais velha fazia assinatura e eu adorava ler e querer morar em Itatui cidade da musica… mas seguir moda mesmo nao sigo ate hoje e sinto muitissimo por tantas pessoas escravas da moda e dos crediarios em 12x. Ana Lucia Castelo, Nova York-EUA – jul2010

08- Mandou ver, grande Ricardo Kelmer! Marcelo Gavini, São Paulo-SP – abr2011

09- Compartilho sempre dos seus pensamentos….bjsss Kelmer!!!!!! Ana Luiza Cappellano, Jundiaí-SP – ago2011

10- Liberdade é não estar na moda!! Ricardo Kelmer, adoro seu texto! Luiza Ellery, Fortaleza-CE – set2012

11- Eu não faço parte de nenhuma moda. Séfora Tavares, Belém-PA – nov2013


Protegido: Por trás do sexo anal (1)

16/06/2010

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A Entrega – Memórias eróticas

14/06/2010

A Entrega – Memórias eróticas
Toni Bentley (editora Objetiva/2005)

Resumo extraído do site da editora:

Poucas mulheres praticam, e um número menor ainda admite fazê-lo. Desde “A História de O” até “O Beijo e A Vida Sexual de Catherine M.”, leitores se deixam fascinar por memórias subversivas escritas por mulheres. Mas nem mesmo esses clássicos eróticos ousaram desbravar o terreno que Toni Bentley explora em “A Entrega”. Ao conhecer um amante que lhe apresenta ao sexo anal, ato que ela define como “sagrado”, ela descobre um prazer radical e inesperado que a faz “despertar” e descobrir os caminhos de sua própria sexualidade. Nestas memórias ousadas e íntimas, escritas em primeira pessoa, a autora afasta o véu que esconde a experiência erótica proibida desde os tempos bíblicos e celebra “a felicidade que existe do outro lado das convenções, onde o risco é real e onde reside o êxtase”. Este livro é uma exploração sagaz, inteligente e eloquente da obsessão de uma mulher que fará os leitores questionarem seus próprios desejos. Trata-se de um relato sagaz e corajoso do percurso de uma mulher pelos labirintos do desejo e da alma.

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POUCOS E ESPERTOS LEITORES
Ricardo Kelmer 2007

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Uau, que livro!!! Erotismo subversivo de primeira. Dificilmente se verá tanta franqueza e coragem como no relato autobiográfico dessa bailarina que se aventura pelas possibilidades sexuais de seu corpo, fazendo-o altar sagrado e profano de sua busca angustiada por si mesma.

Solidão, insegurança, o trauma paterno, as categorias de homens, a competição com as mulheres, orgasmos, fetiches… está tudo lá, escancarado, feito as pernas de Toni dobradas para o alto, expondo toda sua intimidade ao deus-demônio que ela tanto busca. O mais interessante é a relação de Toni com o sexo anal, mostrando como a prática-tabu, inesperadamente surgida em sua vida, ensinou-lhe o caminho da libertação e da redenção através do prazer da submissão – olha que louco. Louco e deliciosamente pornográfico. Toni filosofa sobre sua irresistível preferência com graça, humor e profundidade (ops), mostrando como o homem certo pode quebrar os paradigmas de uma mulher, abrindo-lhe as portas para um mundo de prazeres que ela sequer sonhava existir.

É surpreendente a descontração com que Toni conta suas transas anais. É quase chocante a naturalidade com que ela fala de seu cu. Essa surpresa e esse choque que A Entrega provoca nos faz perceber que ele, o cu, está na fronteira de nossa sexualidade. Falamos de seios, paus e bucetas sem os velhos pudores de antigamente. No teatro há os monólogos da vagina e os diálogos dos pênis. Até mesmo o universo do sadomasoquismo é mostrado nos programas da tevê. Mas o cu não. Nem seu nome é bem vindo. E o sexo anal continua nos constrangendo nas rodas de conversa: quem não faz, diz que não gosta, e quem gosta, diz que não faz. Um tabu que resiste ao tempo.

O livro de Toni recebeu prêmios literários nos Estados Unidos, onde foi lançado em 2004, além de provocar certo escândalo. Aqui no Brasil, com a nossa fixação em bunda, ele provavelmente fará uma boa carreira, certo? Nem tanto. Talvez o tabu fale mais alto e a leitura de A Entrega fique restrita a poucos leitores. Poucos e espertos leitores.

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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LIVROAEntrega-02LIVROAEntrega-04aLIVROAEntrega-03a.

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Capa do livro de Toni em edições de outros países

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Entrevista com Toni Bentley – jan2004 (em inglês)

Baixe o livro (pdf, 750 kb)

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Por trás do sexo anal (1) – Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo

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A ilha (uma fábula do autoconhecimento)

10/06/2010

10jun2010

Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua

A ILHA

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Era uma ilha que vivia no meio do oceano. Levava uma vida tranquila, sem grandes questionamentos. Conhecia outras ilhas e com elas se comunicava. Um dia, porém, uma ideia a inquietou: se toda vez que a maré baixava, uma porção de terra se descobria, então até que ponto haveria terra? Até onde a ilha existia?

Isso lhe tirou o sono por várias noites. De repente, seu conceito sobre si mesma começou a mudar. Sempre se considerara uma porção de terra boiando à superfície da água, todas as outras ilhas também pensavam assim. Mas agora já não podia crer nisso. Uma ilha não terminava logo abaixo da linha das ondas. Claro que não. Continuava para baixo. Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua.

Saber que continuava além daquilo que sempre julgou ser era algo espantoso de se pensar. Assim, dia após dia, a ilha prosseguiu em seus esforços de auto-investigação – precisava saber até onde existia. Mas à medida que sua atenção mergulhava em si mesma as águas ficavam mais escuras, e era preciso cada vez mais concentração para não se perder. Ela prosseguiu, mais atenta, e descobriu que aquilo que existia sob a superfície continuava sendo ela mesma, sim, mas parecia ter vida própria.

Cada vez mais surpresa, a ilha constatou que aquela parte mais profunda de si mesma levava uma existência semi-independente, porém interagindo com a superfície, influenciando e sendo influenciada por ela. A ilha, então, soube a razão por que se comportava dessa ou daquela maneira, e muitas coisas ficaram mais claras a respeito de si mesma, de seus relacionamentos com outras ilhas e da vida de modo geral. E a cada descoberta que fazia, outras mais se anunciavam, e era como se o Universo se expandisse para dentro dela mesma!

Muito tempo passou até que se convencesse, verdadeiramente, de que ela era mesmo uma montanha com o pico emerso. Estava presa a uma base, uma enorme extensão de terra que funcionava como chão. Vinham de lá todas as ilhas. E para lá voltariam todas quando os movimentos da terra, dos ventos e das águas as forçassem a isso. Mas a grande maioria das ilhas não sabia que todas elas continuavam para baixo, e por isso não entendiam as reais motivações de muito do que faziam. A parte acima da superfície era tudo que sabiam sobre si mesmas, e isso era pouco. A parte submersa, a montanha, era a parte inconsciente de cada ilha, aquilo que desconheciam de si mesmas. E o fundo do mar era o inconsciente maior, único, de todas elas, o lugar de onde vinham.

Ao entender esse fato, a ilha lembrou do tempo que sua autoconsciência se limitava àquela minúscula porção de terra à superfície. Todas as ilhas vêm do mesmo lugar – ela repetiu, intrigada com suas descobertas – porque são feitas da mesma terra… A areia e os nutrientes que as raízes de suas plantas colhem, vem tudo do mesmo chão… Todas as ilhas que existem são, no fundo, uma coisa só, que se experimenta em várias extensões de si própria… e cada extensão possui consciência de si, mas esta consciência é limitada, pois quase nunca desce em direção ao fundo, acomodando-se na parte mais superficial… Se cada ilha se aprofundasse em sua noção de si própria, acabaria se conhecendo melhor e, por virem todas do mesmo lugar, conheceria melhor a todas as outras ilhas.

A ilha viu que eram ideias grandes demais, confundiam a mente. Aquela autoinvestigação era importante, mas requeria muita atenção para não se perder durante o processo. Só assim poderia transitar com êxito entre as duas camadas de realidade, a que ficava à superfície e aquela mais escura e misteriosa que prosseguia rumo a seu próprio interior.

Enquanto tudo isso acontecia, as outras ilhas observavam seu comportamento e não entendiam o que ela tentava lhes dizer. A ilha sentiu-se só. Viu-se, então, pensando do ponto de vista da terra: se elas não se conhecem e elas todas são parte de mim, então eu ainda não me conheço tão bem… Assim sendo, como poderia condená-las? Não, não poderia. Deveria entender e aceitar o ritmo natural de cada uma das ilhas. Deveria agir com a mãe sábia e bondosa que incentiva todos os seus filhos, mas tem de respeitar o caminho individual de cada um deles…

Foi então que, subitamente, a ilha percebeu, num intenso clarão de compreensão, que toda aquela vasta extensão de terra lá embaixo funcionava como um útero a expulsar pedaços de si mesma, forçando-os à superfície. Uma vez lá, eles se entendiam ilhas e começavam sua aventura individual em busca de saber quem de fato eram, de onde vieram e por que existiam. Mas por que a terra fazia isso? Talvez para ela própria aprender com a experiência individual de cada ilha. Ao morrer, uma ilha levava à terra sua própria experiência que serviria para formar as futuras ilhas. Assim, toda ilha continha em si, sem se dar conta, a mesmíssima areia das que a antecederam. Através da vida de cada uma das ilhas, a terra como um todo estava aprendendo cada vez mais sobre si mesma…

Se isso era verdade, então cada ilha possuía uma enorme responsabilidade: conhecer-se a fundo, viver a vida da melhor forma possível e aprender o máximo que pudesse, pois tudo o que vivesse formaria o material do qual seriam feitas as ilhas que a sucederiam.

A vida é mesmo uma tremenda aventura! – pensou a ilha enquanto se divertia com os olhares estranhos que as outras lhe lançavam. Uma aventura de cada ilha. Mas também da terra inteira.

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Ricardo Kelmer 1997 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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SOBRE CARL JUNG

Carl Gustav Jung (26.07.1875 – 06.06.1961)
Psiquiatra e pensador suíço. Fundador da psicologia analítica, também conhecida como psicologia junguiana. Jung, assim como Joseph Campbell (1904-1987), ajudou a reacender o interesse sobre a mitologia, situando os mitos como elementos essenciais na busca do indivíduo por sua essência e completude

Jung – a jornada do autodescobrimento – Vídeo com um resumo da vida e das ideias de Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço criador da teoria do inconsciente coletivo

Jung na Wikipedia

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01- Oi Ricardo, parabéns pela concepção da ilha. Nem Jung teria feito melhor! Abraços. Angela Schnoor, Rio de Janeiro-RJ – nov2004

02- Caro Ricardo , Fiquei sendo seu fã desde que em 1999 qdo assiti a uma palestra tua no auditório do colegio capital sobre o filme MATRIX. Na tua palestra fizeste uma analogia de espelhos dentro de uma bola de vidro a refletir a luz do sol com nós seres humanos e perguntaste: O que é necessário fazer para mudar o modo do globo de vidro refletir a luz do sol? Ao que respondeste… basta mudar um só espelho. Assim querias dizer que não precisamos mudar ninguém somente a nós mesmo. Cara vc não sabe o quanto já falei de vc para as pessoas a quem conto esta analogia. O fato é que ouvir aquelas tuas palavras me levou a uma pesquisa igual “A ILHA”. Continue sempre assim… em constante questionamento consigo mesmo pois acredite foi assim que passei a ser uma pessoa melhor. Luiz Ferreira de Sousa Junior, Fortaleza-CE – nov2004

03- Mais um que a Amandinha aqui se Identifica… A Ilha!!! Belíssimo!!! hehehee Bkjão bom carnaaaaaaa aeeeeee hehehe. Amanda Gallindo Borges, Florianópolis-SC – fev/2007

04- Olá Xará, Há dias que quero te prestar um elogio. Encontrei em seu site um conto. A Ilha. Se eu pudesse limitar em uma única palavra o que dali absorvi, eu diria que INSPIRAÇÃO seria ela. Sua mensagem provoca o despertar. Oxalá o despertar coletivo. Mas, se assim não for, que seja o individual. Ilhas somos todos, alguns já sabem, outros ainda não. Gosto de pensar que já sei. Creio que cada um de nós tem um talento único, porém é muito difícil descobrir qual. Talvez o meu seja contemplar. Há tantas coisas belas por aqui nesta vida que muita gente não vê, ou se vê, não dá a atenção devida. Mas, quem sou eu para dizer quão atento alguém deve ser ?! Eu também procuro ser uma ilha que se diverte com esses pensamentos. Seu conto é uma coisa bela. Parabéns. Ricardo Rodriguez, São Bernardo do Campo-SP – fev2007

05- Li o primeiro texto do seu livro (“A Ilha”) e gostei da abordagem, da ilha como um ser pensante. Vou ler os outros com a calma que a leitura exige…rs De minha parte, tenho um blog (link no rodapé do e-mail) e um fotolog (http://cidadeembaixa.nafoto.net) ansiosos por comentários. Quando tiveres um tempinho, visite. Alessandro Pinesso, São Paulo-SP – ago2007

06- Que bom reler isso! Dos teus livros que eu li, o que eu mais gosto é o Arte Zen, porque lá eu encontro os meus dois RKs prediletos: aquele cara com um humor cruelmente puro e um outro, que me leva pra navegar nas águas densas da alma e da mente. Eu adoro essa crõnica da ilha que, como outros textos teus, tem sido um guia precioso nos mares que essa ilhazinha aqui habita. Beijos da tua leitora mais taradinha! Kdela, Fortaleza-CE – abr2009

07- Prarabéns Kelmer pelo texto da “ilha” Adorei! Seus escritos estão sempre contribuindo para meus estudos! Dóris Burlamaqui, Fortaleza-CE – nov2010

08- É muito difícil baixar a maré e enxergar toda a extensão de nós mesmos. Mas quando nos dispomos a fazer isso é muito recompensador. Maravilhoso texto!!! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – abr2011

09- Adorei esse trecho: “Se isso era verdade, então cada ilha possuía uma enorme responsabilidade: conhecer-se a fundo, viver a vida da melhor forma possível e aprender o máximo que pudesse pois tudo o que vivesse formaria o material do qual seriam feitas as ilhas que a sucederiam.” Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – abr2011

> Postagem oficial no Facebook


VÍDEO: Jung – A jornada do autodescobrimento

08/06/2010

Ricardo Kelmer 2010

Vídeo resume a vida e a obra de Carl Jung

Este vídeo, dividido em duas partes, traz um belo resumo da vida e das ideias de Carl Jung (1875-1961), o psicólogo suíço que se tornou um dos mais influentes pensadores do século 20.

Criador da teoria do inconsciente coletivo e do método “Imaginação ativa” pra contato direto com o inconsciente, Jung também criou a tipologia da personalidade, cruzando os tipos (introvertido e extrovertido) com as funções psicológicas (pensamento, sentimento, sensação e intuição). A teoria da sincronicidade, que relaciona fatos internos e externos pra explicar certas coincidências da vida diária, é outra contribuição sua pro entendimento que hoje possuímos sobre o funcionamento da psique.

Jung, assim como Joseph Campbell (1904-1987), ajudou a reacender o interesse sobre a mitologia, situando os mitos como elementos essenciais na busca do indivíduo por sua essência e completude.

> Jung na Wikipedia
> Joseph Campbell na Wikipedia

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Jung – A jornada do autodescobrimento (1) 9m12s

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Jung – A jornada do autodescobrimento (2) 9m03s

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LEIA NESTE BLOG

> Livros: He, She, WeOs rios de nossas vidas na verdade correm por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, percorreram do mesmo modo

> Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

> A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

> Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

> Carma de mãe pra filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

> Blade Runner: Deuses, humanos e andróides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Para mim, o maior sábio que o ocidente já produziu. Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – abr2011

02- Amplo e profundo.Uma das melhores ideias dele é o lance do inconsciente coletivo. Muito útil pra quem escreve narrativas. Gledson Shiva, Brasília-DF – abr2011

03- Dr Jung é mal visto como “psicólogo” alternativo, profissão que nunca teve. Jung escreve sobre metafísica, filosofia da religião, teoria do comhecimento, fenomenologia, noumenon kantiano, natureza da realidade, ética, arquétipos de Plotino, conhecimento não-racional e até psicologia. Para mm, Jung é um dos maiores filósofos que já existiram, mas ESSE seu lado só será compreendido daqui a uns 100 ou 200 anos, como é usual que ocorra com os grandes filósofos. Lázaro Freire, São Paulo-SP – abr2011

04- E eu na dolorosa jornada em busca de quem sou! Mas não desisto… (“Aquilo a que você resiste, persiste.” Carl Jung). Marcio Regis Galvão, Fortaleza-CE – abr2011


Bolão da Copa do Mundo 2010

07/06/2010

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TABELA DE JOGOS
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GRUPO A

01- 11.06  11h……….África do Sul 1×1 México
02-
11.06  15h30…..Uruguai 0x0 França
03-
16.06  15h30…..África do Sul 0x3 Uruguai
04-
17.06  15h30…..França 0x2 México
05-
22.06  11h……….México 0x1 Uruguai
06-
22.06  11h……….França 1×2 África do Sul

GRUPO B

07- 12.06  11h……….Argentina 1×0 Nigéria
08-
12.06  08h30…..Coreia do Sul 2×0 Grécia
09-
17.06  11h……….Grécia 2×1 Nigéria
10-
17.06  08h30…..Argentina 4×1 Coreia do Sul
11-
22.06  15h30……Nigéria 2×2 Coreia do Sul
12-
22.06  15h30……Grécia 0x2 Argentina

GRUPO C

13- 12.06  15h30…..Inglaterra 1×1 Estados Unidos
14-
13.06  08h30…..Argélia 0x1 Eslovênia
15-
18.06  11h……….Eslovênia 2×2 Estados Unidos
16-
18.06  15h30…..Inglaterra 0x0 Argélia
17-
23.06  11h……….Eslovênia 0x1 Inglaterra
18-
23.06  11h……….Estados Unidos 1×0 Argélia

GRUPO D

19- 13.06  15h30…..Alemanha 4×0 Austrália
20-
13.06  11h……….Sérvia 0x1 Gana
21-
18.06  08h30…..Alemanha 0x1 Sérvia
22-
19.06  11h……….Gana 1×1 Austrália
23-
23.06  15h30…..Gana 0x1 Alemanha
24-
23.06  15h30…..Austrália 2×1 Sérvia

GRUPO E

25- 14.06  08h30…..Holanda 2×0 Dinamarca
26-
14.06  11h……….Japão 1×0 Camarões
27-
19.06  08h30…..Holanda 1×0 Japão
28-
19.06  15h30…..Camarões 1×2 Dinamarca
29-
24.06  15h30…..Dinamarca 1×3 Japão
30-
24.06  15h30…..Camarões 1×2 Holanda

GRUPO F

31- 14.06  15h30…..Itália 1×1 Paraguai
32-
15.06  08h30…..Nova Zelândia 1×1 Eslováquia
33-
20.06  08h30…..Eslováquia 0x2 Paraguai
34-
20.06  11h……….Itália 1×1 Nova Zelândia
35-
24.06  11h…… …Eslováquia 3×2 Itália
36-
24.06  11h……….Paraguai 0x0 Nova Zelândia

GRUPO G

37- 15.06  11h……….Costa do Marfim 0x0 Portugal
38-
15.06  15h30…..Brasil 2×1 Coreia do Norte
39-
20.06  15h30…. Brasil 3×1 Costa do Marfim
40-
21.06  08h30…..Portugal 7×0 Coreia do Norte
41-
25.06  11h……….Portugal 0x0 Brasil
42-
25.06  11h……….Coreia do Norte 0x3 Costa do Marfim

GRUPO H

43- 16.06  08h30…..Honduras 0x1 Chile
44-
16.06  11h……….Espanha 0x1 Suíça
45-
21.06  11h……….Chile 1×0 Suíça
46-
21.06  15h30…..Espanha 2×0 Honduras
47-
25.06  15h30…..Chile 1×2 Espanha
48-
25.06  15h30…..Suíça 0x0 Honduras

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PALPITES
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Participante: Nino Cariello
01 1×3(2)
_02 2×1(0)_03 1×2(5)_04 1×2(7)_05 2×0(0)_06 3×1(0)
07 2×2(0)_
08 2×2(2)_09 1×3(0)_10 1×2(0)_11 2×1(2)12 1×3(5)
13 2×0(0)
_14 1×1(2)_15 2×1(2)_16 2×1(0)_17 1×3(5)__8 2×0(7)
19 3×0(7)
_20 2×2(0)_21 2×1(2)_22 2×0(0)_23 1×2(5)_24 0x2(0)
25 2×1(7)
_26 1×2(2)_27 3×1(5)_28 1×2(10) 29 3×0(0)_30 2×2(2)
31 2×0(0)_
32 0x2(0)_33 2×2(2)_34 4×0(0)_35 1×2(2)_36 2×0(2)
37 1×3(0)
_38 3×0(5)_39 3×1(10) 40 3×0(7)_41 1×3(0)_42 0x3(10)
43 0x2(7)
_44 3×0(0)_45 2×1(5)_46 3×1(5)_47 1×2(10)_48 2×1(0)

Participante: Fábio Bonfim
01 1×0(2)_02 2×2(5)_03 1×2(5)_04 1×1(0)_05 1×2(5)_06 1×0(2)
07 3×1(5)_08 1×2(0)_09 1×1(2)_10 2×1(7)_11 1×1(5)_12 1×2(7)
13 1×1(10) 14 2×1(2)_15 1×2(2)_16 2×0(2)_17 1×2(5)__8 2×2(0)
19 3×1(5)_20 1×1(2)_21 2×1(2)_22 1×0(2)_23 0x2(7)_24 1×1(2)
25 2×1(7)_26 1×1(2)_27 2×2(0)_28 1×1(2)_29 0x1(5)_30 1×2(10)
31 1×1(10) 32 0x1(2)_33 1×2(7)_34 2×0(0)_35 1×3(0)_36 2×1(0)
37 1×3(0)_38 3×0(5)_39 3×1(10) 40 2×0(7)_41 1×2(0)_42 2×1(0)
43 1×3(5)_44 2×0(0)_45 1×1(2)_46 3×0(7)_47 2×2(2)_48 1×0(2)

Participante: Ricardo Kelmer
01 2×1(2)_02 1×1(5)_03 1×1(0)_04 2×0(0)_05 1×2(5)_06 1×0(2)
07 1×1(2)_08 0x1(0)_09 0x2(0)_10 2×0(5)_11 2×0(2)_12 0x1(7)
13 2×1(2)_14 0x2(7)_15 2×1(2)_16 3×0(2)_17 1×1(2)_18 1×1(2)
19 2×0(7)_20 2×1(2)_21 1×1(2)_22 2×1(2)_23 0x1(10)_24 0x3(0)
25 2×1(7)_26 1×2(2)_27 1×0(10) 28 0x1(5)_29 2×0(0)_30 1×2(10)
31 1×0(2)_32 0x2(0)_33 2×1(0)_34 2×1(2)_35 2×1(5)_36 1×0(2)
37 0x1(2)_38 2×0(7)_39 3×0(7)_40 2×0(7)_41 1×1(5)_42 1×1(0)
43 0x2(7)_44 1×2(5)_45 1×1(2)_46 2×0(10) 47 1×1(2)_48 2×1(0)

Participante: André Barbacena
01 4×1(2)_02 2×1(0)_03 2×2(0)_04 0x1(7)_05 1×2(5)_06 2×1(0)
07 4×1(5)_08 0x1(0)_09 1×2(0)_10 3×0(5)_11 1×0(0)_12 0x2(10)
13 1×1(10) 14 0x3(7)_15 1×1(5)_16 1×2(0)_17 1×1(2)_18 2×0(7)
19 3×2(5)_20 3×0(0)_21 2×2(0)_22 1×1(10) 23 1×2(5)_24 0x1(2)
25 4×2(5)_26 2×1(5)_27 3×1(5)_28 2×2(2)_29 0x1(5)_30 1×3(7)
31 0x1(2)_32 0x2(0)_33 2×2(2)_34 2×0(2)_35 1×1(0)_36 3×0(2)
37 1×3(0)_38 4×0(5)_39 3×1(10) 40 1×1(0)_41 2×4(0)_42 0x2(7)
43 1×3(5)_44 3×1(2)_45 2×2(0)_46 3×0(7)_47 3×2(2)_48 2×0(0)

Participante: Carlinhos Papai
01
2×1(2)_02 1×1(5)_03 1×1(0)_04 2×2(2)_05 2×1(2)_06 1×1(2)
07
2×0(7)_08 1×1(0)_09 1×2(0)_10 2×0(5)_11 1×1(5)_12 0x2(10)
13
2×0(0)_14 1×2(5)_15 0x2(2)_16 2×0(2)_17 1×2(5)_18 2×1(5)
19
2×0(7)_20 2×2(0)_21 2×0(0)_22 1×2(2)_23 1×3(5)_24 1×2(0)
25
2×0(10) 26 0x1(0)_27 2×1(5)_28 1×2(10) 29 2×1(0)_30 0x2(7)
31
2×1(2)_32 1×2(2)_33 1×2(7)_34 2×0(0)_35 1×1(0)_36 2×0(2)
37
0x1(2)_38 3×0(5)_39 2×0(5)_40 2×0(7)_41 1×2(0)_42 1×2(5)
43
1×2(5)_44 2×0(0)_45 2×0(7)_46 2×0(10) 47 2×3(5)_48 2×2(5)

Participante: Henrique Baima
01 1×1(10) 02 0x1(2)_03 0x0(2)_04 1×1(0)_05 2×1(2)_06 1×2(10)
07
2×0(7)_08 1×2(0)_09 1×1(2)_10 4×1(10) 11 2×1(2)_12 1×2(7)
13
2×1(2)_14 0x0(2)_15 1×1(5)_16 1×0(2)_17 1×2(5)_18 1×0(10)
19
2×0(7)_20 1×1(2)_21 1×0(0)_22 3×1(2)_23 1×1(2)_24 0x1(2)
25
2×1(7)_26 1×1(2)_27 3×0(7)_28 1×2(10) 29 2×1(0)_30 2×3(5)
31
1×0(2)_32 0x2(0)_33 1×2(7)_34 2×0(0)_35 1×1(0)_36 3×0(2)
37
1×2(0)_38 2×0(7)_39 2×1(7)_40 3×1(5)_41 1×2(0)_42 2×2(0)
43
0x2(5)_44 1×0(0)_45 0x0(2)_46 3×0(7)_47 1×2(10)_48 1×0(2)

 

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PONTUAÇÃO

Acerto total: 10 pontos
Acerto de vitória ou empate: 5 pontos
Acerto de gols: 2 pontos

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CLASSIFICAÇÃO
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……….participante……pontos…..acertos totais

1o: Henrique Baima……….180………6
2o: Carlinhos Papai……….174……….4
3o: Fábio Bonfim…………….171………4
4o: Ricardo Kelmer…………169……….4
5o: André Barbacena…….164………4
6o: Nino Cariello…………….144……….4

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RK na Fundação Gol de Letra

07/06/2010

Ricardo Kelmer 2010

Em abril estive na Fundação Gol de Letra, criada pelos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo, convidado a falar num fórum sobre narcotráfico. Participamos eu e a psicóloga Vanessa Abdo, da ong Sou da Paz, que mostrou dados interessantes sobre jovens e narcotráfico. O tema do fórum, dirigido aos alunos adolescentes da Fundação e aberto à comunidade, foi escolhido pelos próprios alunos, que são moradores do bairro Vila Albertina, zona norte de São Paulo, onde fica a sede paulistana da Gol de Letra.

Recebi o convite com muita honra mas fiquei a me perguntar: o que alguém como eu poderia oferecer de útil a esses adolescentes, eles que vivenciam diariamente a realidade da violência ligada às drogas, dos toques de recolher impostos pelos traficantes, da triste omissão do Estado e da falta de boas oportunidades profissionais? Eu é quem tinha a aprender com a experiência deles.

Isso é verdade. Porém, o que eu levava praqueles adolescentes poderia ser útil. E eu levava pra eles a força do mito. E foi isso que tentei lhes mostrar, que o envolvimento com o narcotráfico pode ser emocionante, sim, mas o custo é alto e não raramente o custo é a própria vida. Falei que há uma outra aventura, ainda mais emocionante: a aventura da autorrealização, aquela em que seguimos nosso caminho mais honesto e verdadeiro, lutamos por nossos sonhos e realizamos a quem somos de verdade e não a quem os outros querem que sejamos. Aceitar essa aventura é viver, na própria vida, o mito da Jornada do Herói.

Não sei se fui realmente compreendido. Mas conheço bem a força do mito. Sei que ele pode, de repente, no meio de uma frase, começar a transformar pra sempre uma vida.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Fundação Gol de Letrawww.goldeletra.org.br
Reconhecida pela UNESCO como instituição modelo, a Fundação Gol de Letra desenvolve programas de Educação Integral para mais de 1.200 crianças, adolescentes e jovens de 7 a 24 anos. Com uma proposta pedagógica associada à assistência social, promove ainda atendimento às famílias e o fortalecimento das comunidades.
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DICA DE LIVROS

O poder do mito (Joseph Campbell, com Bill Moyers) – Editora Palas Athenas
A jornada do herói – Joseph Campbell vida e obra (org. Phil Cousineau) – Editora Ágora
Para viver os mitos (Joseph Campbell) – Editora Cultrix
O herói de mil faces (Joseph Campebll) – Editora Cultrix/Pensamento
Matrix e o despertar do herói (Ricardo Kelmer) – Miragem Editorial
O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatrix Del Picchia e Cristina Balieiro) – Editora Ágora

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Consulado da Caatinga estreia em São Paulo

02/06/2010

 

Ricardo Kelmer 2010

Homenagear a cultura nordestina através da música, da poesia e das artes em geral. Esta é a proposta do Consulado da Caatinga, um evento mensal que acontecerá todo mês em São Paulo, no bar-restaurante Minas Tutu e Prosa. A estreia foi no dia 22mai e a segunda edição acontecerá em 12jun. Veja aqui as datas das próximas apresentações.

Os músicos fixos do evento são MOACIR BEDÊ (violão e bandolim), MARÍLIA DUARTE (voz) e RAFAEL MOTA (percussão), que interpretam os clássicos e os modernos da música nordestina, com participação de convidados especiais. Há também exibição de vídeos e noites de autógrafos. Em cada edição rola sorteio de CDs e de uma hospedagem para casal na praia de Jericoacoara, no Ceará.

Bar-restaurante Minas Tutu e Prosa
Av. Brig. Luis Antonio, 2790 – Jardim Paulista – 3052.1830
300m abaixo da alameda Santos

APOIO
Pousada Casa do Ângelo
– Jericoacoara

REALIZAÇÃO
Letra de Bar

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Vídeo com trechos da estreia, 3:00

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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