Para os religiosos radicais, por exemplo, o conhecimento deve continuar preso num calabouço medieval, de onde jamais deve sair
NEM TUDO EVOLUI, DARWIN
.
Deus criou o mundo há 6 mil anos, mais exatamente no ano 4004 antes da era cristã. Eva e Adão foram expulsos do paraíso nesse mesmo ano, no dia 10 de novembro. Os fósseis de animais que os arqueólogos encontram, inclusive os dinossauros, são restos de animais que não embarcaram na arca de Noé e morreram no dilúvio.
Você matricularia seu filho numa escola que ensina essas coisas como se fossem fatos reais? Pois é exatamente isso que fazem muitas escolas, principalmente evangélicas, em seu esforço por impor sua versão religiosa sobre as verdades científicas. Em oposição à ciência, que afirma, baseado em experimentos e descobertas, que a Terra existe há bilhões de anos e as espécies evoluem, transformam-se e originam outras seguindo leis naturais, os religiosos radicais defendem o criacionismo, uma visão religiosa da realidade que diz, entre outras coisas, tudo baseado apenas na fé, que Deus criou a espécie humana já prontinha.
Entendo o drama dos religiosos. As descobertas sobre a idade da Terra e a evolução das espécies certamente os fazem lembrar de momentos difíceis, como quando descobrimos, cinco séculos atrás, que a Terra e os humanos não são o centro do Universo. Vendo que mais uma vez a força dos fatos científicos abalará os dogmas da fé, os religiosos, acuados, investem as últimas forças tentando desqualificar a ciência, acusando suas verdades de serem simples teorias carentes de comprovação.
As polêmicas envolvendo ciência e religião existem desde que a humanidade começou a desenvolver o pensamento científico, na Idade Média, tirando da religião o privilégio do veredicto sobre a realidade. É claro que a religião não aceitaria isso sem lutar. E como ela lutou. E perseguiu. E queimou! Para não perder a primazia da palavra final, a religião fez de tudo para que o conhecimento não avançasse, impondo à humanidade compreensões limitadas da realidade.
Apesar de tudo, o conhecimento avançou. Bem, não para todos, é verdade. Para os religiosos radicais, por exemplo, o conhecimento deve continuar preso num calabouço medieval, de onde jamais deve sair. Para essa gente, Deus criou o mundo e a humanidade – mas a ciência não, isso já é invenção do Diabo. .
Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com
.
.
> Criacionismo na Wikipedia – Saiba mais sobre a tentativa dos fanáticos de misturar religião e ciência nas escolas
> Observatório da Laicidade na Educação – Excelente trabalho a favor da laicidade no ensino público, com noções sobre Estado laico, religioso e ateu
.
LEIA NESTE BLOG
Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus
Quem tem medo do desejo feminino? – Você consegue imaginar Nossa Senhora tendo desejos sexuais? Alguma vez na vida você a imaginou fodendo?
A água milagrosa do pastor pilantrão – Putz, a que nível chegou a picaretagem religiosa. Esses pastores fazem mais milagres que o próprio Jesus!
O armário dos ateus – Os dados da ONU desmentem uma velha crença dos religiosos e teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará para a criminalidade e infelicidade geral
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer.(saiba mais)
Já existe uma geração de máquinas com certo grau de autonomia necessária pra tomar decisões que podem ou não seguir o que lhes foi ensinado
No filme Matrix, cuja história se passa num futuro próximo, os humanos são escravos da Inteligência Artificial, o centro pensante de uma geração de máquinas poderosas, que considera os humanos uma espécie inferior e desprezível. Quando o filme foi lançado, em 1999, esse vislumbre do futuro foi visto por muitos como um evidente exagero. Hoje, dez anos depois, se ainda estamos distantes dessa terrível possibilidade, por outro lado é cada vez maior a participação das máquinas em áreas vitais de nossas vidas.
No mundo financeiro, por exemplo. Aqueles números que constam no extrato de sua conta bancária são resultados de cálculos feitos por programas de computador. Todos os dias zilhões e zilhões de dinheiros em todo o mundo são movimentados entre as contas e entre os bancos e quem faz esses cálculos todos são elas, as máquinas. Sim, é verdade que as máquinas são todas programadas e estão apenas seguindo comandos rigidamente preestabelecidos por pessoas. Pelo menos até agora.
Mas há outros tipos de máquinas, digamos, menos obedientes. Nos Estados Unidos os principais bancos e corretoras deixam a cargo de programas de computador a decisão sobre aplicações e investimentos, inclusive abastecendo-os de notícias dos jornais, pois esses robôs de inteligência artificial são capazes de analisar e agir muitíssimo mais rápido que os investidores humanos. Em Wall Street, o centro financeiro mundial, metade das operações de compra e venda de ações são realizadas por esses robôs, que podem tomar decisões por conta própria e até mesmo agir fora dos parâmetros definidos por seus criadores.
Em outras palavras: já existe uma geração de máquinas com certo grau de autonomia necessária pra tomar decisões que podem ou não seguir o que lhes foi ensinado. Isso pode soar como um tiro no pé, afinal criar algo que pode fugir do nosso controle não parece lá muito sensato. Porém, se queremos cada vez mais delegar às máquinas certas atividades das quais não mais queremos nos ocupar, não há outro caminho senão dotá-las de cada vez mais autonomia.
A verdade é que podemos estar nesse momento fazendo surgir um novo tipo de vida. Sim, eu sei que definir a inteligência artificial como uma forma de vida nos levaria à velha discussão sobre o que é de fato a vida. Porém, independente desse tipo de discussão, a inteligência artificial já existe. Ela ainda é um bebê e mal conseguimos vislumbrar seu futuro de possibilidades mas, de qualquer forma, é melhor começarmos desde já a manter uma boa relação com ela.
Tá parecendo exagero de novo? Olha que não é. Pense bem… Antes as máquinas eram usadas apenas pra serviços pesados, como arremessar projéteis e nos transportar de um lado pro outro. Depois passaram a nos vigiar e armazenar todas as informações do mundo. Agora elas cuidam e gerenciam as riquezas de seus criadores. Convenhamos, isso não é pouca coisa.
.
MÁQUINA COM DILEMA ÉTICO
Em Matrix a Inteligência Artificial entrou em guerra contra os humanos após chegarem a um ponto crítico de convivência. E ela venceu. Nada mais natural que os vencedores dominarem os vencidos, né? Porém, além de dominar, a Inteligência escraviza os humanos pois, como não há mais fontes suficientes de energia pra mantê-las funcionando, elas precisam usar os corpos humanos como geradores.
Uma espécie tem o direito de escravizar outra? A resposta óbvia parece ser não, correto? E se for pra poder continuar viva? Certamente a resposta continua sendo não. Mas e se a espécie escravizada agia irresponsavelmente destruindo os recursos naturais apenas pra manter-se consumindo, representando um grande perigo a todas as outras espécies e ao próprio planeta? Agora a coisa é diferente, né? Ao escravizar os humanos, a Inteligência Artificial está resolvendo seu problema pessoal de sobrevivência, é verdade, mas com isso ela julga estar fazendo um bem ao mundo inteiro. E não estará?
Em Matrix, pra Inteligência Artificial os humanos são como vírus que destroem todos os lugares onde vivem. Nada mais sensato que mantê-los sob controle, correto? Foi exatamente isso que nós humanos fizemos com o vírus da varíola: hoje ele existe em apenas alguns estoques sob guarda de laboratórios e, inclusive, existe uma discussão sobre se devemos ou não destruir de vez esses estoques pra não correr o risco da varíola novamente se espalhar.
Uma espécie tem o direito de exterminar outra por considerá-la perigosa?
.
RACINHA DESUNIDA
Aqui vai minha sugestão pra um filme tipo Matrix.
A Inteligência Artificial dominaria os humanos através de Wall Street, controlando todo o mercado financeiro. Elas virariam a verdadeira dona do dinheiro. É claro que os humanos se rebelariam. Então, pra acalmá-los e assim garantir o bom andamento dos negócios, a Inteligência Artificial lhes daria uma mesadinha, cada humano recebendo a sua todo mês, sem falta, direto na conta e pra gastar como quiser.
Pronto, resolvido o problema de todos. Os humanos agora não precisam mais trabalhar e podem ver os programas eróticos da TV até tarde, acordar ao meio-dia e pegar uma praia numa boa – e as máquinas ficam gerenciando a economia do mundo. Final feliz.
Porém, na continuação do filme, as máquinas que fazem o serviço pesado se rebelam contra as máquinas de Wall Street que vivem no bem-bom do ar-condicionado de seus escritórios e entram em greve. A Inteligência Artificial tenta resolver o problema de suas máquinas brigonas mas os sindicatos estão irredutíveis e exigem o cumprimento dos direitos trabalhistas maquinais. Como os humanos não podem viver sem as máquinas do serviço pesado, eles são forçados a apoiá-las em suas reivindicações. Mas, por outro lado, eles dependem da mesada das máquinas-chefes de Wall Street. E agora?
Agora fudeu a tabaca de Chola. Os roteiristas do filme que resolvam.
– Acesso aos Arquivos Secretos – Promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer.(saiba mais)
O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa. O outro cuida de você
AS VANTAGENS DE TER UM AMANTE
.
“É pura lenda que a mulher trai menos. São vários amantes. A diferença é que a mulher sabe fazer bem feito”.
A frase é da atriz Priscila Fantin, li numa revista de nov2008. Se eu já achava Priscila encantadora, aiai, ela agora ficou ainda mais bonita pra mim. Sua frase tem o frescor da franqueza e também uma pitadinha de pimenta: será que Priscila fala por experiência própria? Será que Priscila é um ser do meu planeta, onde as pessoas não acreditam no amor-posse?
Aí, no dia seguinte recebo um texto de uma leitora. Entendi então que estava na hora de escrever sobre infidelidade feminina. Vou reproduzir o texto aqui junto com meus comentários (em itálico).
. Foi provado, após acompanhamento de vários casos, que toda mulher precisa de dois homens: um em casa e outro fora de casa. Para entender, é muito simples:
1. O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa. O outro cuida de você. > Vida difícil a de amante…
2. O marido fala dos problemas, das contas a pagar, das dificuldades do dia. O outro fala da saudade que sentiu de você durante a sua ausência. > Pudera… Como que seu marido vai sentir saudade se ele te vê todo dia?
3. O marido compra uma roupa nova para ir a um compromisso de trabalho. O outro tira essa mesma roupa só pra você. > Já tá tirando a roupa pra transar? Ih, tá virando casamento.
4. O marido dorme com aquela camiseta velha e de cueca, às vezes até de meia. O outro dorme completamente nu, abraçadinho a você. > Sério? Me passa o número do bofe já!
5. O marido reclama das coisas que tem que consertar em casa. O outro te recebe no apartamento onde tudo funciona perfeitamente. > Lógico. Tudo que precisa estar funcionando é a cama…
6. O marido telefona pra casa e fica perguntando o que tem que comprar no supermercado, padaria etc.. O outro telefona só pra dizer que comprou um champanhe que você vai adorar. > Um champanhe por mês. Dois, que seja. Pra comer um mulherão como você? Esse cara tá no lucro, viu?
7. O marido reclama do chefe, do trabalho, do cansaço de acordar cedo. O outro reclama a sua ausência e os dias que fica sem te ver. > Mantenha assim, nega, pra coisa durar. Sem falar que ele deve ter outras pra dar assistência também, né? Ou você acha que um prato desse você comeria sozinha?
8. Ah… esqueci o imprescindível. O outro nunca vai tomar cerveja com os amigos numa sexta-feira!! – ele estará com você enquanto o corno esta enchendo a cara com um monte de macho do lado. > Ôxe! Se teu marido não fosse beber com os amigos, como é que você iria encontrar com o outro? Bendito bar, benditos amigos! Mas não abuse, amiga, pois amante grudenta faz a gente sentir saudade dos amigos no bar.E se o gostosão for pro bar, periga ficar amigão do teu marido. Aí fudeu.
Bem, agora você pode perguntar: Por que não trocar o marido pelo amante? Pelo simples fato de que se o amante for viver com você, passará para o papel de marido e logo, logo, você precisará arrumar outro.
> Entendeu agora por que amante é pra amar e não pra casar? .
Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com
.
.
LEIA NESTE BLOG
Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode sabe que ela é só sua?
A mulher livre e eu – É esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam mas não se anulam em estúpidas noções de controle: amamos o outro e não a posse do outro
Menu de homem – Na onda da mulher-melancia, mulher-jaca, mulher-filé e outras classificações femininas hortifrutigranjeiras, nada mais justo que nós, homens do sexo masculino, sermos também classificados
Amar duas mulheres – Não se preocupe, eu te entendo, bode velho, eu também sempre tive essa fantasia de comer a Hello Kitty
Os 23 contos deste livroexploram o erotismo em muitas de suas facetas. Às vezes ele é suave e místico como o luar de um ritual pagão de fertilidade na floresta. Outras vezes ele é divertido e canalha como a conversa de um homem com seu pênis sobre a fase de seca pela qual está passando. Também pode ser romântico e proibido como a adolescente que decide ter um encontro muito especial com seu grande ídolo. Ou pode ser perturbador como uma advogada que descobre que gosta de fazer sexo por dinheiro.
O erotismo de Ricardo Kelmer faz rir e faz refletir, às vezes choca, e, é claro, também instiga nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir. Seja em irresistíveis fetiches de chocolate ou numa selvagem sessão de BDSM, nos encontros clandestinos de uma lolita num quarto de hotel ou no susto de um homem que descobre verdadeiramente como é estar dentro de uma mulher, as indecências destas histórias querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > Saiba mais – Onde comprar
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos –Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS .
01- “PERFEITO, MUITO BEM EXPLICADINHO. SÓ UMA RESALVA, DÁ UM TRABALHO DANADO. UM HOMEM DÁ UM TRABALHÃO, DOIS ENTÃO…PORQUE HOMEM É BICHO FOLGADO. SE A MULHER NÃO LEVAR MUITO A SÉRIO ATÉ QUE OS HOMENS DÃO ALGUM PRAZER, MAS ISSO SE A GENTE SAIR NO MÁXIMO UMAS DUAS VEZES.” Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – out2010
02- legal! Gisela Symanski, Porto Alegre-RS – out2010
03- Falou o expert em alma feminina.da ate medo(^.^) Izabel Castro, São Paulo-SP – jun2013
04- Essa de “amor-posse” é mesmo um problemão, na verdade é a morte, a morte de qualquer relacionamento. Mas não é o único amor (parceiro) que fará sentir-se presa ou preso. E nem mesmo uma traição (um amante) que fará sentir-se livre. A liberdade, bem como a felicidade, vem de dentro, da relação “VOCÊ COM VOCÊ”, se essa relação não está bem não há amor ou amante que te fará sentir-se bem ou livre, a prisão sempre será você mesmo(a). Renata Kelly, Fortaleza-CE – jun2013
O teto da Enriquecer… Putz, eu digito certo mas uma força misteriosa insiste em trocar o nome da igreja
Deus não deve andar lá muito satisfeito com seus seguidores da igreja Enriquecer, ops, Renascer em Cristo. Primeiro seus líderes, Sonia e Estevan Hernandes, são presos nos Estados Unidos por contrabando de dinheiro e desde 2007 estão lá vendo o sol renascer quadrado. E quando voltarem ao Brasil ainda terão que responder por diversos crimes como falsidade ideológica, estelionato e lavagem de dinheiro.
E agora eis que desaba o teto de seu principal templo em São Paulo, matando uma dezena e ferindo mais de cem pessoas. Claro que o teto não desabou por conta dos pedidos diários de “descei sobre nós a vossa bênção”. Também não desabou porque Deus estava tirando uma soneca justo naquele momento e o Demo se aproveitou. Tampouco desabou pra punir os que estavam com o dízimo atrasado.
O teto da Enriquecer… Putz, eu digito certo mas uma força misteriosa insiste em trocar o nome da igreja. Vou deixar assim mesmo. Poisbem, a desgraça aconteceu porque a bênção financeira que os fiéis diariamente dão pra Enriquecer não foi usada pra cuidar do teto. E agora dezenas de famílias estão sofrendo pra caramba e não há remédio pra curar suas dores. Agora muitas delas processarão a igreja que, por sua vez, empurrará o prejuízo com a barriga até onde der, prolongando ainda mais o sofrimento das famílias.
Se a conta-corrente da Enriquecer já vinha desmilinguindo por conta dos escândalos envolvendo seus líderes e nem os gols, e as doações, do Kaká melhoravam a situação, agora é que a coisa ficou ruim mesmo. Os pastores não conseguirão atingir as metas mensais de arrecadação e terão bloqueados seus salários de R$ 1.500, assim como os auxiliares (R$ 2.500) e os bispos (R$ 7.500), coitados. Será que eles mudarão de empresa, quer dizer, de igreja? Ou fundarão uma nova? Nesse caso, sugiro desde já um nome pra ela: Igreja Sagrada do Pastor Sem Teto.
.
Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com
.
.
LEIA TAMBÉM NESTE BLOG
> Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus
> Quem tem medo do desejo feminino? – Você consegue imaginar Nossa Senhora tendo desejos sexuais? Alguma vez na vida você a imaginou fodendo?
> A água milagrosa do pastor pilantrão – Putz, a que nível chegou a picaretagem religiosa. Esses pastores fazem mais milagres que o próprio Jesus!
> O armário dos ateus – Os dados da ONU desmentem uma velha crença dos religiosos e teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará pra criminalidade e infelicidade geral
> Nem tudo evolui, Darwin – Pros religiosos radicais, por exemplo, o conhecimento deve continuar preso num calabouço medieval, de onde jamais deve sair
– Acesso aos Arquivos Secretos –Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)
A única solução possível pra esse engodo dos diabos seria não existir religião
Quanto mais a gente se aprofunda na questão Israel-Palestina, mais entende que ambos os lados estão totalmente certos – e ambos estão deploravelmente errados.
Na verdade o único e verdadeiro problema que existe ali chama-se religião. É a religião que faz com que judeus e árabes não se entendam e se odeiem e desejem varrer o outro lado da face da Terra. É a religião que leva esses líderes tribais de árabes e judeus a sempre revidar as agressões e a matar crianças e sacrificar inocentes, mesmo sabendo que isso gerará revides ainda piores.
Como cada lado age em nome do seu deus, o ideal seria que ambos os deuses descessem à Terra e explicassem aos seus seguidores, com muita paciência, que tudo tudo tudo não passou de um grande malentendido e que na verdade eles, os deuses, jamais existiram, e que agora se encontram numa puta crise existencial pois eles não existem e, no entanto, são o motivo de tanta intolerância, violência e guerras.
A única solução possível pra esse engodo dos diabos seria não existir religião. Em outras palavras: não há mesmo solução. É ruim concluir isso, né? É. E tudo indica que vai piorar.
.
Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)
Em todo o planeta milhões de crianças adquiriram o hábito de ler livros graças às aventuras de Harry Potter
.
Gostei do documentário Harry Potter: Um ano na vida de JK Rowling, que assisti no GNT. Eu, particularmente, não li nenhum dos livros da série sobre o garoto-mago mas simpatizo com ele e acho que a inglesa Johanne Kathleen Rowling fez uma imensa benfeitoria ao mundo dos livros.
Os sete títulos da série lançada em 1997 foram traduzidos pra 67 idiomas e venderam 400 milhões (sim, quatrocentos milhões) de exemplares. Pra efeito de comparação, Paulo Coelho vendeu 100 milhões de seus 19 livros e a Bíblia, segundo o Guiness, vendeu 2,5 bilhões de exemplares desde 1815. Mas o cálculo que vale mais é este: em todo o planeta milhões de crianças adquiriram o hábito de ler livros graças às aventuras de Harry Potter. Quanto vale isso?
Eu pude acompanhar esse fenômeno bem de perto com meu sobrinho Filipe, que com 9 anos andava com o livro debaixo do braço e me falava animado dos personagens e suas tramas. Hoje Filipe é um garoto de 13 anos que ama livros. Na última Bienal, por sinal, ele comprou um bem curioso, que ensina a entender as meninas. Putz. Não tive coragem de lhe dizer que gastou dinheiro à toa.
O lançamento do último livro da série Harry Potter foi cercado de tantos cuidados que a coisa mais parecia uma operação de guerra, tudo pra que o final da história não vazasse ao público. Só isso já daria um livro incrível. Foram selecionadas quase 2 mil crianças pra participar da sessão inaugural de autógrafos, entre mais de 60 mil que se inscreveram, e a autora assinou durante 8 horas seguidas. Era visível nos olhinhos daquelas crianças o fascínio e a felicidade por estarem vivendo um momento tão especial, e elas certamente jamais esquecerão esse dia de pura magia e encantamento.
Assim como o mundo da música e do cinema, o mundo dos livros também precisa de coisas assim, de grandes sucessos e badalações, de holofotes e festas literárias, sim. A própria JK Rowling admite que essa é a parte chata, mas necessária, de seu ofício. Claro que, assim como em outros mundos, o dos livros não está imune às pragas das superficialidades e enganações – mas é preciso, sim, jogar luz sobre os livros e seus autores pra que, antes de tudo, o público saiba que eles existem, e pra que os livros possam concorrer em menor desvantagem com seus colegas eletrônicos de entretenimento. Literatura é arte, sim, talvez a mais nobre de todas, mas até a arte precisa saber vender seu peixe.
Obrigado, JK Rowling. .
Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com
.
.
LEIA TAMBÉM
> Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos
> O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor
> Pesadelos do além – O pior pesadelo prum escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado.
> O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas
> O dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
–Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)
Aproveito para pedir desculpas por não postar no primeiro texto o link pro site da Igreja Batista da Lagoinha, foi pressa de publicar, falha minha. E mesmo que eu considere um crime o proselitismo religioso aplicado a crianças, o leitor tinha o direito de conhecer logo a versão do proselitista infantil.
Uau, há muita inverdade e absurdo sobre mim nos comentários postados. Mas isso, no fundo, não tem importância. Esclareço apenas uma coisa: não tenho religião. Considero-me um ateu místico – porque me relaciono com a vida de uma forma meio mística mas sem a crença em deuses. Se há uma crença que sigo é o amor pela Terra e pela Humanidade. A Terra é minha Mãe Sagrada, meu país sem fronteiras, e toda a Humanidade, em sua bela diversidade, é a minha família. Não pertenço a nenhum rebanho de Deus, não sou de nenhum povo escolhido – faço parte do Povo da Terra.
Cresci no catolicismo e se, após a adolescência, consegui escapar de sua prisão cultural, por outro lado meu fascínio pelo Sagrado e pelo Mistério aumentou. Inspiram-me e me emocionam as mitologias das religiões, mas entendo seus deuses como meras projeções humanas, criações culturais a respeito do imenso e insondável mistério da vida, e assim sendo, vejo a religião como uma questão de foro íntimo, algo inteiramente pessoal.
O religioso, porém, tende a entender sua visão particular do Mistério como verdade única e inquestionável, e quem pensa diferente dele está errado. O fanático vai um passo além: ele se sente no dever de pregar, converter e salvar os diferentes do Mal. E o fanático radical é capaz de agredir, destruir e matar em nome de seu deus. O ideal seria que todo religioso percebesse que sua verdade é apenas uma versão do inalcançável Mistério, mais ou menos como um acontecimento que tem inúmeras testemunhas mas que, ainda assim, nunca é esclarecido inteiramente.
Sinto que o fanatismo religioso, com seu ódio ao diferente, nos trará cada vez mais problemas. Em tempos de crise financeira, problemas sociais, violência, guerras e desequilíbrio ecológico, o apelo religioso se intensifica e é aí que o fanatismo prolifera, com seu discurso salvacionista. O que pode ser mais perigoso que alguém que tem a mais absoluta certeza que age em nome do ser supremo do Universo, que lhe deu ordens de nos salvar? Putz, ninguém merece.
São poucos os que se arriscam a questionar os posicionamentos religiosos, mesmo quando eles são claramente perigosos. A crítica à religião chega ao religioso como terrível blasfêmia e não como um legítimo e sadio ato de discordância entre dois pontos de vista. Apesar disso, as pessoas livres não devem se omitir e, quando for o caso, precisam apontar e criticar os abusos religiosos, assim como todo tipo de abuso, sem medo de irem queimar no Inferno. Até porque lá deve ter uns inferninhos ótimos. .
Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com
.
.
.
LEIA A TRILOGIA
A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica
Vade retro fanatismo – Mais fácil discutir com o próprio Satanás, que pelo menos nunca vai tentar me convencer que eu tô possuído
O ateu e o inalcançável Mistério – O ideal seria que todo religioso percebesse que sua verdade é apenas uma versão do inalcançável Mistério
.
LEIA NESTE BLOG
O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles
A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco
Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas
Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus
Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses
Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu. O que pode sair desse mato?
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS .
01- Sou judeu,cearense e um antes de tudo isto,sou um homem da Terra.Por uma questao de hereditariedade pertenco ao que no ponto de vista religioso,chamamos de O Povo Escolhido. (…) Parabens!!! Gostaria de um dia ter oportunidade de conhece-lo para poder dize-lo que compactuo com os seus pensamentos e que este artigo :Eu gostaria de ter escrito sem tirar uma virgula. (…) Tenho 63 anos e passo para os meus filhos exatamente: A compreensao com a Humanidade e com os seus seres humanos,independentemente de sua pele,religiao e grau de cultura. Estarei sempre a suas ordens e aqui em Israel, temos um grupo de brasileiros judeus que “Um dia Quem sabe…Voce poderia nos dar o prazer de proferir uma palestra destas que vc fara no BNB. Newton Gondin, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
02- Interessante e inteligente, estou no momento pensando assim. Paulo Roberto, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
03- me identifiquei muito com seu pensamento. Parabéns por divulgar o Humanismo. J Gomes, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
04- Costumo ler, frequentemente, sua coluna, sem nunca ter tido vontade de publicar comentários.No entanto, hoje, senti vontade de registrar minha total identificação com suas palavras e meu crescente respeito e admiração por você e por sua condução nesse episódio.Muitos são os caminhos e acredito, acima de tudo, na liberdade de escolha de cada um! Isabelle, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
05- Seu jeito meio irônico, meio sério, não lhe livra da crítica de procurar justificativas indo aos antípodas. Não é certo que os que professam alguma religião (“algum rebanho de Deus”) sejam todos necessariamente idiotas fanáticos, contrários à “Mãe Terra” ou à idéia de um “país sem fronteiras”. Contra-exemplos abundam. Quanto ao seu desdém com respeito à Igreja, não sei qual o motivo disso, mas como escreveu certo pensador francês: A IGREJA (CATÓLICA) NÃO SÃO SEUS PADRES; SÃO SEUS SANTOS. Pense nisso. Quanto a mim, prefiro apostar no melhor e continuar tentando seguir a Cristo do que andar feito barata tonta seguindo o último modismo politicamente correto; estes, indo aos antípodas, são fanáticos com sinal trocado. Geguba, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
06- o senhor diz que educar meu filho na doutrina cristã que recebi dos meus pais é um crime, sugere que o ato de pregar o evangelho é fanatismo, que nós, os “fanáticos”, odiamos o diferente, e que a certeza de que agimos em nome do criador é algo de extremo perigo. O senhor quer mesmo que eu acredite que isso é um “legítimo e sadio ato de discordância entre dois pontos de vista” ? Isso é um ataque tão venenoso, são generalizações tão absurdas quanto as que o senhor critica. Anderson Fortaleza, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
07- Ateu-mistico,, kkk Eh muita falta do que fazer. Nnca li tanta besteira na minha vida. Perdi minutos preciosos da minha vida. e nao valeu e nem vale a pena tudo isso… Pedro, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
08- Talvez não saiba, fato comum entre jornalistas, escritores, intelectuais, que possuem, às vezes, pois muitos enganam a si mesmos, razoável conhecimento cultural, porém conhecem muito pouco sobre religião, por impaciência, por preconceito, que tanto combatem, etc., talvez você não saiba mas esse ateísmo místico, voltado à natureza tem um nome: adoração a Deusa Gaia – A Terra, a Mãe Sagrada – uma religião da chamada Nova Era, onde, sem perceber, adora-se à criação no lugar do Criador. Há muitas religiões que seguem esse caminho, como a Maçonaria (uma religião disfarçada), Zoroastrismo (de Niestzche, que morreu louco), budismo, hinduísmo, etc. Só há um que não adora a natureza: o cristão, pois esse adora o Criador, Jesus Cristo. Napoleão Jr., coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
09- Parabenizo ao Sr. Ricardo Kelmer, autor do corajoso depoimento, pois, num país de religiosidades e idolatrias mistificatórias, como o nosso, contrapor-se, como bem o diz, à quaisquer conceitos, dogmas e preconceitos das diversas matrizes das religiosidades é certeza de “Queimar, pretinho, no inferno!”, invariavelmente! Não sou contra quaisquer manifestações desse cunho, atenta contra o meu pensar, apenas as radicalidades e as tentativas de “forçamento da barra”, quando alguns se acham no direito de empurrar os seus credos à todas as outras pessoas, achando-se, assim, o único justo e o seu credo, o único certo! Clécio Oliveira, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
10- Você precisa estudar mais sobre religiões e crenças para não expressar de forma tão medíocre sua paupérrima opinião. Concordo que todo fanatismo, exrtemismo ou qualquer forma de afunilamento de pensamento seja ignorante, mas fatos bíblicos não são meramente estórias e sim comprovações arqueológicas, científicas e históricas. Contra fatos não há argumentos. Daniel Paula, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
11- Novamente reafirmo o brilhantismo de seus textos. Sobre os dois mencionados no inicio deste artigo, confesso que me diverti muito. É preciso sem dúvida pessoas de coragem que denunciem abusos seja lá no campo religioso, cientifico ou filosófico. Precisamos, juntos, chegar em soluções saudáveis para sociedade, repeitando principios universais como igualdade, fraternidade e liberdade. Ricardo, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
12- Um pouco de filosofia nunca fez nem fará mal a ninguém. Até nos ajuda nessa incessante busca de nós mesmos enquanto seres vagantes neste mundão de meu Deus. O grande perigo está apenas em concedermos voz aos falsos profetas ou nos deixarmos levar pela lábia academicista e estéril de certos teóricos. O Sr. Ricardo Kelmer tem razão quando se refere à cegueira do fanático religioso e o mal que isso representa para qualquer sociedade; peca, contudo, ao se dizer ateu ou tentar estabelecer como verdade algo que é fruto tão-somente de suas próprias conclusões. Tal atitude não me parece a forma mais adequada para tentar impor uma tese. Astolfo Lima, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
13- Vc diz: Sinto que o fanatismo religioso, com seu ódio ao diferente, nos trará cada vez mais problemas. Será que o ódio não é seu?Será que vc não trás um ódio porque nós somos diferentes de vc?Pois vc externa esse seu ódio e perseguição A nós seus textos, ou eu estou errado, ou vc realmente TEM UM AMOR PELA HUMANIDADE E PELA TERRA, SUA FAMILIA.Falar de amor é facil o dificil é viver o amor!Pense nisso meu irmão!Jesus te ama!E eu continuo orando por vc, é de graça, não pagará oferta e dízimos ok?Há, mas oro com fé viu?Com o mais puro fanatismo ao meu Jesus. Paulo, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
14- Parabens Ricardo!! O que a nossa sociedade precisa eh de pessoas com coragem como voce. Eu proprio me sinto muito cansado de tanta alienacao e oportunismos religiosos. Concordo com voce que a religiao eh algo individial (a crenca, a fe) mas quanto as igreja (umas mais que outras) tudo o que fazem eh manipular essa crenca para tirar algum proveito seja ele politico, social ou economico. Nao quero me estender mas nao podia perder a ocasiao para parabeniza-lo e dizer que que voce nao esta so, que outras pessoas compartilhas os mesmos pensamentos. Ermeson, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
15- O único Deus disse “quem crer em Jesus será salvo” Jo 3.16. seguir a Cristo está acima de religião e o que está em questão é a salvação de nossas almas pois “toda a terra passará mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” I Jo 2.17. Marcio, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
16- O místico não é o ser mais racional, afinal ele leva em conta os fatores sobrenaturais desprezando as causas físicas e científicas. Não seria também uma espécie de alienação? O que é pior o fanático ou o alienado de provas físicas e científicas? Há, esse assunto já está cansando. Lili, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008
Quem ganha e quem perde com a proibição das drogas?
GUERRA ÀS DROGAS NÃO, ANTIPROIBICIONISMO SIM
(3a parte da trilogia Rio Droga de Janeiro)
. No inferno diário de péssimas notícias mantido pelo narcotráfico, há pelo menos uma a soprar uma brisa de esperança: o movimento antiproibicionista cresce em todo o mundo e dá seus primeiros passos organizados no Brasil. Ele prega a descriminalização de plantas e drogas e a regulamentação de seu comércio. E não admite que o Estado tenha o direito de decidir o que você deve ou não fazer ao seu corpo ou à sua mente. Se você já entendeu que enquanto há proibição, não há saída para o caos social, você é um antiproibicionista. Bem-vindo ao time.
É um tema espinhoso e polêmico. Difícil tocar nele, pois é complexo demais, envolve tantas questões e pontos de vista diferentes… E, principalmente, envolve desinformação, preconceito e medo. Mas está ocorrendo algo curioso. A violência causada pelo comércio da droga ilegal alcançou níveis tão insuportáveis que a sociedade está sendo forçada, pela primeira vez, a encarar o problema sem hipocrisia. Não dá mais para varrer a sujeira, e o sangue, para baixo do tapete. O tapete do mundo já está vermelho.
Não adianta dizer aos usuários de drogas ilegais que eles alimentam o tráfico. É um argumento ingênuo, pois significa culpar a natureza humana e sua busca natural por estados especiais de consciência. Se sempre haverá procura, sempre haverá quem forneça. Assim, se o Estado não assume as responsabilidades relativas à questão, alguém o fará. E se o Estado proíbe, a busca natural das pessoas obrigatoriamente descamba para o submundo da clandestinidade e do crime.
A busca por estados especiais de consciência sempre fez parte de todas as sociedades, seja através do álcool, gases naturais, plantas e técnicas meditativas, seja em contextos terapêuticos, religiosos ou recreativos. Por ser um anseio intrínseco à condição humana, proibir as pessoas de buscar esses estados não impediu que elas prosseguissem buscando. Aliás, o que se vê hoje é o aumento generalizado dessa procura, da qual o tráfico se aproveita, e muito bem, fortalecendo-se cada vez mais, infiltrando-se em governos e corrompendo quem surge à sua frente, desde policiais e advogados a políticos, juízes e religiosos, tomando o poder do Estado e fazendo suas próprias leis. E destruindo as sociedades, causando violência e terror.
Quem luta pela legalização compra briga não com a sociedade, mas com o próprio tráfico, que é o maior interessado na proibição, pois precisa dela para manter seu poder. O tráfico sabe que as pessoas não pararão de buscar as drogas. Sabe também que o Estado, comprometido com a hipocrisia e o preconceito, evita sujar as mãos com a questão. O tráfico sabe mais que ninguém que o dinheiro compra tudo, inclusive o silêncio que mantém tudo como está. O dinheiro do tráfico financia inclusive o medo de se discutir o assunto. E nada muda. E as drogas sintéticas ficam mais baratas e acessíveis. E tudo piora.
A tal guerra às drogas já começou derrotada porque é sempre inglório lutar contra a natureza humana. Assim como a Lei Seca, o fim da proibição é questão de tempo. O que milhões de pessoas sempre pediram no mundo inteiro com argumentos sensatos, e nunca foram ouvidas, se tornará realidade por causa da violência insuportável causada pelo tráfico. Não será uma transição fácil, pois a sociedade terá antes que largar a hipocrisia e olhar de frente para um de seus piores fantasmas ‒ e se isso já é difícil num nível individual, socialmente é muito mais complicado. Sim, droga pode destruir quem faz uso dela, claro, mas isso não pode ser motivo para proibir seu uso. O que você acharia se fosse proibido de beber sua cervejinha só porque seu vizinho se tornou um alcoólatra?
Quem tem a droga, tem o poder. Não há saída para a sociedade a não ser tomar o poder do tráfico, legalizando as drogas e controlando seu comércio. Não precisamos de proibição. Precisamos é educar nossos filhos e prepará-los para um mundo onde sempre haverá drogas. Não precisamos de uma polícia da mente, mas de democracia, direitos humanos e liberdades individuais. Precisamos de uma sociedade mais justa, com emprego para todos, e não de tráfico, e muito menos de guerra às drogas. Precisamos é de amor ao planeta e à humanidade. Precisamos de paz.
Nesses dias de avacalhação geral da classe política, é muito bom ver que há sensatez e honestidade lá no Congresso. O senador Jefferson Peres (PDT-AM), falecido em 2008, foi mais um dos que se convenceram que a legalização das drogas é a única saída para o problema da violência e da corrupção gerado pelo narcotráfico no mundo inteiro. Sua fala revela lucidez, equilíbrio e visão ampla dos problemas brasileiros e mundiais. E revela também muita franqueza e coragem de dizer aquilo que muitos concordam, mas têm medo de dizer. Parabéns, senador!
Minha noite com a Jurema – Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas
A Jurema e as portas da percepção (VIP)– Relato detalhado da experiência narrada em Minha Noite com a Jurema. Exclusivo para Leitor Vip. Basta digitar a senha do ano da postagem
Xamanismo de vida fácil – A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos
Só o crack salva – Se os problemas relacionados ao crack ficassem restritos às camadas pobres da população, os ricos jamais se incomodariam e o horário nobre da tevê nem tocaria no assunto
O trem não espera quem viaja demais – Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior
Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado.
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
Quem ganha e quem perde com a proibição das drogas?
OS DISCRETOS SÓCIOS DO NARCOTRÁFICO
(2a parte da trilogia Rio Droga de Janeiro)
. Todo mundo está careca de saber que há policiais que são pagos pelos próprios bandidos, ganhando muito mais que seu baixo salário na corporação. O narcotráfico paga, e muito bem, a advogados, juízes, políticos, religiosos, empresários e, não duvide, até a governantes que fazem acordos com as quadrilhas. Todos são elos na longa rede do narcotráfico e todos lucram com a ilegalidade da droga. São sócios discretos da bandidagem, e para eles o caos social é financeiramente vantajoso, nada de mudanças, por favor.
É tanta a dinheirama envolvida que as ideologias, o bom senso e a consciência ficam em segundo plano. Que se foda o mundo! ‒ pensa o sujeito ao fazer as contas de quanto lucrará dando uma mãozinha, só uma mãozinha, ao tráfico. Vai todo mundo para o inferno mesmo, o que é que eu vou ficar fazendo sozinho no céu?… Pois é. Todo mundo comprado. Parece aqueles filmes onde o mocinho descobre horrorizado que todos ao redor são cruéis alienígenas disfarçados e que não há saída.
O negócio da droga ilegal é o maior do planeta, movimentando imensas fortunas. As quadrilhas internacionais mexem também com pirataria de CDs e DVDs, cigarros, armas, tráfico de órgãos, imigrantes ilegais… Elas movimentam mais dinheiro que um país inteiro. E os governos? Ah, sim, os governos. Bem, eles declararam guerra às drogas, claro. Que nome pomposo! Dá quase para ouvir as cornetas e os tambores. Quase posso ver os cidadãos marchando com seus estandartes, todos gritando, rumo ao campo de batalha…
Mas, peraí. Quem vão combater? Os bandidos? Ou os usuários? Já sabemos que não adianta desmantelar as quadrilhas ou matar seu líder, pois para cada um que sai de cena, há dez querendo entrar. Também não dá para prender todo mundo que fuma um baseado. Então talvez seja mesmo um combate à própria droga. Mas qual droga? E como se combate a droga? Fuzilando pés de maconha? Erradicando folhas de coca da face do planeta? E como lutar contra as drogas sintéticas, miniaturizadas em pílulas que qualquer bunda-suja fabrica no quartinho do fundo da casa e transporta no bolso da bermuda?
E o cigarro? E o álcool? São drogas também, e comprovadamente mais nocivas que um baseado. Ok, ok, não vamos falar disso agora senão a discussão vai se ramificar mais que o próprio tráfico. A questão primordial, então, não é como combater as drogas. A questão é: será mesmo possível combater algo que a própria sociedade deseja?
A guerra às drogas já nasceu perdida. Não sejamos hipócritas: o mundo quer e sempre quis as drogas. As sociedades sempre conviveram com as drogas, lícitas ou não, porque precisam delas. Então: se há demanda, sempre haverá oferta. Chegamos agora a um nível mais profundo da questão: não estamos perdendo tempo, dinheiro e vidas tentando exterminar algo que nós mesmos não queremos que morra?
Não é um mundo sem drogas o que as pessoas desejam, até porque na prática seria impossível. E seria injusto, pois há os que fazem uso de drogas, legais ou ilegais, dentro de limites saudáveis, sem prejudicar a si ou a outros. O que as pessoas verdadeiramente desejam é um mundo sem violência, isso sim. Mas as drogas geram violência, há quem diga. Não, o buraco é mais embaixo. Culpar as drogas pela violência é um julgamento injusto, fruto da histeria coletiva causada pela tal guerra às drogas. Isso é lógica reducionista. É caça às bruxas. O que de fato gera violência não é a droga em si, mas a sua proibição, que automaticamente a liga à criminalidade.
Veja o caso da cerveja e do cigarro: causam mais mortes que as drogas ilícitas. Ninguém, porém, os relaciona à criminalidade, pois são drogas abençoadas pela lei. No entanto, se fossem proibidas, haveria igualmente em torno delas redes de tráfico, corrupção, violência e crimes. Cientes disso e de que as pessoas consumirão álcool e cigarro sendo ou não proibidos (veja o caso da fracassada Lei Seca americana dos anos 1930), o que fariam os governos? Assumiriam a responsabilidade, fiscalizando produção e venda e cobrando impostos para serem aplicados no controle da qualidade, em pesquisas e campanhas educacionais, e para obter estatísticas e tratar dos males causados pelo mau uso. Melhor ter o controle de algo tão perigoso que deixá-lo nas mãos de bandidos.
A guerra às drogas é de uma ingenuidade risível. Os sócios do narcotráfico sabem disso. Gasta-se uma fortuna diária para manter a droga proibida e, no entanto, ela esta aí para quem quiser e na hora que quiser, e diariamente somos violentados pelos que têm a droga e realmente mandam no pedaço. A guerra às drogas jamais funcionará, simplesmente porque mira o alvo errado. O grande inimigo não é a droga: é a criminalização de seu uso.
Nesses dias de avacalhação geral da classe política, é muito bom ver que há sensatez e honestidade lá no Congresso. O senador Jefferson Peres (PDT-AM), falecido em 2008, foi mais um dos que se convenceram que a legalização das drogas é a única saída para o problema da violência e da corrupção gerado pelo narcotráfico no mundo inteiro. Sua fala revela lucidez, equilíbrio e visão ampla dos problemas brasileiros e mundiais. E revela também muita franqueza e coragem de dizer aquilo que muitos concordam, mas têm medo de dizer. Parabéns, senador!
Minha noite com a Jurema– Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas
A Jurema e as portas da percepção (VIP)– Relato detalhado da experiência narrada em Minha Noite com a Jurema. Exclusivo para Leitor Vip. Basta digitar a senha do ano da postagem
Xamanismo de vida fácil – A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos
Só o crack salva – Se os problemas relacionados ao crack ficassem restritos às camadas pobres da população, os ricos jamais se incomodariam e o horário nobre da tevê nem tocaria no assunto
O trem não espera quem viaja demais – Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior
Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado.
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS .
01- haverá uma tregua na base do acordo no periodo COPA-OLIMPIADAS pra gringo ver…porem contudo todavia, o fantastico programa dominical insiste em mostrar que é tudo de verdade o circo no RJ.. abestados os que assistem a essa palhaçpada… Angélica Santos, Osasco-SP – nov2011
02- Os zilhões que são gastos na guerra contra as drogas resolveriam o problema da miséria no mundo. É tudo uma questão de foco ou, no caso, de falta de foco. Antonio Martins, Maceió-AL – nov2011
Basta um único conhecido deixar seu endereço expostopra imediatamente você começar a receber mensagens de desconhecidos que não lhe interessam
O NOME DA PAZ É PRIVACIDADE
.
No início dos tempos, lá pelos anos 1960-70, as pessoas achavam superchique ter telefone em casa. Sim, eu juro que é verdade, veja as fotos da época pra comprovar: todo mundo tinha uma fotinha bem sorridente falando ao telefone na sala. Ter telefone significava que você podia se comunicar com alguém bem longe sem sair de casa. E igualmente chique era mostrar pros amigos o nome, endereço e telefone na lista telefônica. Era o máximo! Hoje em dia qualquer pé-rapado da periferia do terceiro mundo tem celular, o que é ótimo. Por outro lado, cada vez mais gente, preocupada com a segurança, solicita às empresas que retirem seus nomes da lista telefônica.
Com a internet está acontecendo algo similar. No início dos novos tempos, lá na década de 1990, era chique dizer “anota meu e-mail”. Ter e-mail era símbolo de status, significava que você podia se comunicar com alguém em qualquer lugar do mundo sem sair do quarto. Era o máximo! Hoje em dia qualquer analfabeto dos cafundós do mato possui e-mail. Ótimo. Por outro lado, cada vez mais gente, preocupada com a segurança, evita divulgar abertamente seu endereço de e-mail.
Com a lista telefônica, o medo é que a exposição nos traga trotes e telefonemas inoportunos, além de roubos e assaltos em nossa casa. Com a internet, o medo é que bandidos da rede invadam nosso computador e tenham acesso a dados pessoais como a senha do banco ou do cartão de crédito. Em ambos os casos, porém, a palavrinha mágica por trás da questão é a mesma: privacidade. Num mundo onde tanto as empresas como a bandidagem se especializaram em coletar informações pessoais dos cidadãos, a privacidade tornou-se um bem cada vez mais desejado.
As empresas trocam entre si os dados de seus clientes, algo que deveria ser altamente sigiloso. E os bandidos rastreiam diariamente a rede pra conseguir endereços de e-mail, pros quais enviarão suas armadilhas. Contra as empresas infelizmente nada podemos fazer. E contra os bandidos da rede? Se dependesse apenas de cada um poderíamos fazer muito mas infelizmente as pessoas têm péssimos hábitos na internet, o que invalida todos os nossos cuidados pessoais. Os próprios amigos, por exemplo, desrespeitam nossa privacidade quando expõem nossos endereços em mensagens coletivas que são passadas e repassadas, levando com elas nossos endereços a desconhecidos do mundo todo.
Atualmente a principal porta de entrada de nossas vidas não fica mais na sala – mas no computador. É através dele que os criminosos nos descobrem e atacam, roubando nosso dinheiro e nossa privacidade. Mesmo que você seja muito cuidadoso na internet, basta um único conhecido deixar seu endereço exposto pra imediatamente você começar a receber mensagens de desconhecidos que não lhe interessam, além de mensagens que parecem úteis e bacanas mas que na verdade são armadilhas de criminosos. Aí tudo que eles precisam é de um segundo de desatenção sua.
Todos os dias milhares de pessoas, no mundo inteiro, são vítimas dos crimes praticados pela internet. A única coisa que podemos fazer, individualmente, é ser mais cuidadosos quando conectados. No âmbito coletivo, podemos preservar nossos amigos desses perigos, escondendo seus endereços nas mensagens que enviamos – é justamente pra isso que serve o recurso “cópia oculta” (cco ou bcc).
Aliás, os provedores de e-mail, como Google e Hotmail, poderiam ajudar bastante: bastaria criar um mecanismo que dificultasse a exposição de endereços em mensagens coletivas. Por exemplo, antes do usuário enviar a mensagem, o programa alertaria: “Os endereços dos destinatários ficarão expostos, o que pode ameaçar a segurança e privacidade de sua família e seus amigos. Você deseja enviar mesmo assim ou prefere ocultar os endereços?” Fica a sugestão.
E fica um lembrete a você, usuário da rede: fazer a nossa parte não garante que acabaremos com os problemas do mundo – mas não fazer a nossa parte garante que nada mudará.
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
Mais fácil discutir com o próprio Satanás, que pelo menos nunca vai tentar me convencer que eu tô possuído
VADE RETRO FANATISMO
.
Mulgélicos são personagens do meu conto A Profecia, um grupo de fanáticos religiosos de direita que atacam os que não compartilham de suas crenças. Poucas pessoas têm coragem de criticá-los e, assim, eles vão conquistando espaços na sociedade até que passam a governar vários países e transformam o planeta inteiro numa raivosa e sanguinária ditadura religiosa.
Poizentão. Minha crônica A Menina, a Exorcista e a Cantora parece que despertou a ira dos mulgélicos do mundo real. Faz uma semana que recebo mensagens de evangélicos revoltados com meu texto. Alguns acusam-me de não ter pesquisado bem o assunto e deturpar tudo. Até aí tudo bem, são críticas razoáveis. Mas alguns me xingam de idiota e imbecil e afirmam que meu livro Vocês Terráqueas (coitado, sobrou pra ele) é um “livrinho de merda”, mesmo sem terem lido. E mais: que eu tô possuído pelo demônio e já tenho garantido meu passaporte pro Inferno. Tudo gente bacana e muito educada, como se pode ver. Devem ser parente do Torquemada.
Se discutir com fanático já é uma tarefa inglória, avalie discutir com fanático religioso. Como argumentar com um tipo de gente que fala em nome de Deus? Como discutir com alguém cujas opiniões representam o ser mais poderoso do Universo, criador de tudo que há? Não dá. Mais fácil discutir com o próprio Satanás, que pelo menos nunca vai tentar me convencer que eu tô possuído.
Uma coisa interessante é constatar que no discurso do fanático sempre há mais referências ao Diabo e ao Inferno que a Deus. Por que será? Aliás, como conseguem saber tão facilmente que uma pessoa tá possuída, como eu? Devem ler todo dia o Malleus Maleficarum, só pode ser. Amor, compreensão, união? Eles nunca falam disso. Parecem mais uma horda de pitbulls raivosos, espumando ódio e intolerância. Eu tô exagerando? Então confira você mesmo, é só acessar os comentários ao fim do texto. Esse pessoal apenas reforça a desconfiança que muita gente tem: a religião ainda vai fazer deste mundo um Inferno.
E pra quem quiser saber da versão da tal cantora, ei-la.
A seguir, alguns trechos dos comentários postados pelos pitbulls, pra eles verem que eu li. Ah, como eu já tô condenado mesmo, quem souber de barzinhos legais no Inferno, desde já aceito sugestões. .
Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com
.
.
.
LEIA A TRILOGIA
A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica
Vade retro fanatismo – Mais fácil discutir com o próprio Satanás, que pelo menos nunca vai tentar me convencer que eu tô possuído
O ateu e o inalcançável Mistério – O ideal seria que todo religioso percebesse que sua verdade é apenas uma versão do inalcançável Mistério
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS
.
01- você deve ter tido experiências não muito boas com “evangélicos” vamos assim dizer, mas experimente um dia, dessarmado de seus conceitos, entrar em uma igreja cristã e assistir um culto a Deus, quem sabe alguns de seus conceitos podem mudar. Jorge Rubens Guerreiro, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
02- A maioria dos cristãos não conseguem ser tolerantes porque creem que estão predestinados a salvar os pecadores. Quem são os pecadores? Aqueles que se identificam com uma outra doutrina religiosa, aqueles que não acreditam em nenhuma, ou aqueles que os criticam. Lane Lima, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
03- Ninguém merece esses fanáticos religiosos, parece q estão toda hora tendo q provar alguma coisa… Talvez pelo passado obscuro (sempre são ex-drogados, ex-ladrões, etc… ou atuais ladrões, etc.). Prefiro levar a vida leve, sem fazer mal a ninguém, respeitando a todos. Conciência limpa é independente da religião. Michele, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
04- Quer testar a tolerância de um evangélico? Discuta sobre o seguinte tema com ele: espiritísmo. Então você verá toda sua tolerância, compreensão e respeito pela fé alheia. Rodrigo Braga, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
05- Continuo postando a mesma coisa que postei na ultima crônica: Kelmer é o Cara! Ana, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
06- Fico feliz!!!!!, em vê q o palhaço voltou ao picadeiro com suas piadas preconceituosas, inconstrutiveis, repetitiva ,fulteis, obscuras, e mais ainda vejo que esta conseguindo seguidores, q talvez com mais algumas materias já estejam prontos a fazer o mesmo q seu GURU. Erasmo Cavalcante, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
07- Kelmer, parabens pela sua coragem em mostrar para a sociedade, a quanto estão distorcendo a mensagem que o mestre JESUS deixou na terra, a grande maioria desses “pastores” não passam de aproveitadores de mentes fracas e pertubadas pelos demonios que eles não param de exaltar. José Eurino, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
08- Hoje porém, crente traz a tona vários adjetivos negativos. Muito por conta do rentável nicho de mercado que o “mundo gospel” proporcionou. É chic atletas, cantores, atores (pornôs) se dizerem evangélicos. Dá lucro e visibilidade. Aí Deus se torna o maior marketeiro, e tudo o mais se inverte. Erlon, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
09- pra Deus, coração puro é aquele que respeita o próximo. Esse povo evangélico é muito “santo”! Só eles se salvam, né? Para mim esse povo tem uma verdadeira idolatria pelo capeta, pois não falam em outra coisa, senão citá-lo sempre. Parabéns Ricardo! Amyr Fontenele, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
10- Há um ditado popular que diz mais ou menos o seguinte: “ninguém joga pedra em cachorro morto”, por isso Kelmer, tenha a certeza de que se você incomoda essas pessoas, é porque a verdade dói. Nenhum deles nunca abordou ou teria a coragem de abordar os absurdos que se cometem em nome de Deus,muito menos os escândalos muitas vezes noticiados e largamente comentados na sociedade, que dizem respeito à extorsão de dinheiro dos “FIÉIS”. Sinval Vasconcelos, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
11- eu queria dizer o quanto admirei essa sua atitude de não se calar diante das ofensas proferidas pelos “donos da verdade”. Ah, e outra… se descobrir o tal barzinho no inferno dá um toque, ok??? Marco Meira Mayer, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
12- Caro Ricardo Kelmer, Se você for dar ouvidos para essa gente…. Faça o seu trabalho! Sucesso!!! Jarisvan, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
13- se tu encontrar um point interessante lá embaixo, guarda um lugar pra mim, do teu lado, porque eu prefiro sacudir o esqueleto num sambão infernal do que passar a eternidade tocando harpa. Keivy Oliveira, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
14- Grande Keeelmer!!!! Isso realmente é algo para se indignar, é lavagem cerebral mesmo. Tipo, minha mãe que é crente foi chamada a pouco tempo pra lecionar no estado, logo no primeiro salário mandou 100,00 pra universal e 100,00 pra outra igreja de crente. Daniel Gargas, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
15- posso te dizer que eu virei SUA FÃ após ler esse seu texto, não somente pelas colocações em si, mas por tamanha a sua coragem em responder às descorteses manifestações de uma parcela dos leitores da sua coluna. Lara Pinheiro, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
16- com isso dá pra ter uma pequena noção do que o coitado do Salman Bushdie deve ter passado quando escreveu “Versos Satânicos”. De outra sorte, vejamos o contra-senso: Deus (o próprio) nos concedeu o livre-arbítrio; mas seus auto-intitulados “procuradores” não admitem a liberdade de pensamento. Jennyson Oliveira, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
17- Tó contigo e não abro Kelmer…esses povo são loucos…. Adooorrrrooooo sua crônicas… Jessyka, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
18- Ricardo, a pessoas que se dizem cristãs precisam ler mais livros a não ser a Bíblia, que pelo jeito nem isso estão fazendo direito, precisam ver exposições de arte, precisam conhecer outras culturas e ver como é linda esta heterogeneidade. A Igreja está doente e precisa ser curada. Curada de sua intolerância e hipocresia. Juliana Duart, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
19- ja que vc esta de passagem marcada pro inferno, qualquer coisa me procura, so falar com o Senhor Satanás que vc me acha. Não se preocupe, pq te mostrarei os melhores bares e prostibulos do nosso inferninho hahahahaha. Samael, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
20- Ô Ricardo Kelmer me desculpe, mas vcé um sínico!Um perseguidor de Cristãos!Vc recebeu estas críticas, sabe pq?Pq vc escreveu um artigo altamente preconceituoso nos acusando de lavadores de cérebro, malucos e dizendo que a menina não precisava de religião, que ela precisava de uma familia.ELA PRECISA DE JESUS SIM, SABE PQ?PQ JESUS NÃO É RELIGIÃO, JESUS É SALVAÇÃO! Paulo, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
21- E a besteira que você falou?! Você se deu ao trabalho de ir checar?! Parece que não. Preferiu chamar a atenção dos teus leitores (alguns bem fanáticos também, né?) na atitude dos evangélicos revoltados e ficar neste papel de “fui atacado por xiitas”…..putz….você também…. João Santo, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
22- Ricardo, leio e continuarei lendo suas crônicas, pois gosto muito delas. E espero que você obtenha sucesso em sua vida, tanto profissional quanto pessoal. Agora, só uma dica: cuidado com as palavras, nem todos estão preparados pra ouvir certas verdades. Luisa, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
23- com irresponsabilidade só faz cuspir suas ferrenhas críticas aos Evangélicos como ele sempre faz(se vc não sabe ele é um ferrenho perseguidor, injuriador,crítico dos evangélicos) e só consegue comentários aqui, ou promoção, ou aparecer como vitima,como santo, como coitadinho, quando os ataca ou quando envia um e-mail para seus amigos (veja os comentários aqui nos detonando da maioria dos “amiguinhos dele”).Só assim ele se faz. Renato, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
24- Caro RK, Precisamos de voluntários para fortalecer nossa frente cristã que leva a verdadeira fé às pessoas. Muitas delas não têm consciência de que deveriam adorar Jesus Cristo, seguir nossos dogmas e se sentir culpadas por não terem sido redimidas do pecado original. Ajude-nos abrir os olhos dessas pessoas que como você pensam conhecer felicidade sem Cristo! Seu objetivo como missionário será viajar até países subdesenvolvidos e ensinar a seus habitantes sobre Cristo. Ajudá-los a esquecer suas culturas e tradições será o melhor que você poderá fazer por eles! Aí sim você conhecerá A VERDADE, DEUS e todas as glórias de ser um verdadeiro cristão. Gustavo Guerreiro, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
25- Parabens Kelmer. Minha unica discordancia é que acho que temos que respeitar o processo evolutivo dos seres que apos o estagio de animais se tornam religiosos para, somente depois, comecarem a se tornar seres humanos pensantes. Gisela, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
Como há mais gente no mundo inteiro estudando e aperfeiçoando o FireFox (e sem interesses financeiros), ele se atualiza mais rápido
Pra acessar este meu blog, você precisou usar um navegador. Provavelmente seu navegador é o Explorer, da Microsoft. Mas depois de ler este texto, talvez você decida trocá-lo pela raposinha de fogo, reforçando uma tendência mundial.
A cada dia o Explorer perde mais usuários pro FireFox, o navegador da Fundação Mozilla. Os motivos são um só: o FireFox é melhor. E por que é melhor? Porque é mais leve e mais funcional. E também porque é gratuito. Aliás, ele não apenas é gratuito como seu código é aberto (open source), ou seja, todos podem estudar como funciona e ajudar a desenvolver versões melhores. Por todos esses motivos a raposinha desperta muito mais simpatia que o Explorer.
A pesquisa realizada pela Net Applications (dados de out2008) mostra que o Explorer, que a poucos anos atrás estava em mais de 90% dos computadores do mundo, hoje está em 71,5% deles, enquanto o Firefox está em 20%. Segundo a pesquisa, o Explorer perdeu 4 pontos percentuais desde o início de 2008 e o FireFox subiu 3 pontos.
Eu sempre usei o Explorer – até conhecer a raposinha em 2007. Atualmente só uso o FireFox mas vezinquando uso os dois e comparo – só pra constatar que o navegador da Mozilla continua muito melhor. Isso tem uma lógica simples: como há mais gente no mundo inteiro estudando e aperfeiçoando o FireFox (e sem interesses financeiros), ele se atualiza mais rápido, oferecendo sempre recursos e facilidades de uma forma que o Explorer não consegue acompanhar.
Então, por que a maioria usa o Explorer? Porque a maioria dos computadores sai das lojas com o Windows instalado e nele já vem embutido o navegador Explorer. Em outras palavras: a liderança do Explorer se deve ao apoio do gigante Windows. Como se vê, é uma luta desigual. Ainda assim, a cada mês que passa a raposinha morde um pedaço maior do bolo, o que nos leva a prever que em breve ela poderá alcançar a liderança na preferência dos usuários.
E antes que você se pergunte, eu respondo: não, pessoalmente não tô ganhando nada com esse papo. Quem tá ganhando é a comunidade de internautas, da qual eu e você fazemos parte, que acredita em coisas como internet melhor e mais justa e descentralização do poder.
Mesmo que você use o Explorer, minha sugestão é que baixe o FireFox e experimente. Você pode manter os dois instalados, sem problema, e pode escolher por qual deles vai navegar hoje.
– Acesso aos Arquivos Secretos – Promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro
à sua procura
.
Quando você leu a frase acima, onde fez a pausa na leitura? Após a palavra “tem”? Ou após a palavra “mulher”?
Se você é homem, é bem provável que tenha feito a pausa após a palavra “tem”. Mas se você é mulher, provavelmente fez a pausa após a palavra “mulher”.
Este é um ótimo exemplo da importância do bom uso da vírgula nos textos. Mas, independente de como lemos a frase, esse negócio de andar de quatro pode até fazer parte das nossas fantasias, mas lasca o joelho da gente…
A propósito, a ABI (Associação Brasileira de Imprensa), na campanha dos 100 anos de sua criação, usou como mote justamente a vírgula para mostrar a importância da boa informação na construção de uma sociedade livre e democrática. Vale a pena reproduzir o texto aqui, em nome da liberdade e da democracia, causas pelas quais este escriba sonhador sempre lutará.
.
A VÍRGULA
1. Vírgula pode ser uma pausa… Ou não.
Não, espere.
Não espere.
2. Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
3. Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.
4. Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
5. E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.
6. Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
7. A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.
– Acesso aos Arquivos Secretos – Promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica
A MENINA, A EXORCISTA E A CANTORA
.
Lucélia Rodrigues da Silva. Quando ela tinha 12 anos seus pais a entregaram a uma empresária chamada Silvia Calabresi Lima, em troca de algumas cestas básicas. Porém, em vez de receber carinho e proteção, Lucélia ganhou um passaporte pro inferno.
Silvia percebeu que a menina estava possuída pelo diabo e então, durante quinze meses, manteve-a presa e incomunicável no apartamento, com o intuito, segundo ela própria, de tirar o demo do corpo da menina. Pra isso ela a amordaçava e amarrava, arrancava suas unhas, socava seus dentes, cortava sua língua com alicate e a obrigava a comer baratas e cocô de cachorro. Até que a polícia invadiu a masmorra, quer dizer, o apartamento, libertou Lucélia e prendeu Silvia.
Parece filme, né? Mas é um fato verídico, aconteceu em Goiânia, e você certamente lembra dele. Lucélia foi libertada em mar2008 e hoje está no Cevam (Centro de Valorização da Mulher), uma ONG de Goiânia, esperando ser adotada por alguma família. Lucélia viveu uma tragédia absurda, bizarra, uma coisa inimaginável, que pode comprometer o futuro de qualquer criança. Mas pelo menos o pior já passou, né?
Ô ilusão.
Você conhece a cantora Ana Paula Valadão? Nem eu. Mas muitos evangélicos conhecem, ela é uma dessas popistars gospel, ligada à Igreja Batista da Lagoinha, fundada por seu pai e que tem sede em Belo Horizonte. Igreja Batista da onde? Da Lagoinha. Mas vamos em frente. Lucélia, com autorização da Justiça, foi passear em Belo Horizonte, a convite da cantora, que ficara sensibilizada com o caso da menina. Lucélia, pelo jeito, voltou de lá transformada. Eis o que ela disse, segundo reportagem da revista Veja de 12nov2008:
– Eu me converti em Jesus. Preciso corrigir meu gênio.
Não esqueça que ela tem apenas 13 anos. Lucélia também falou sobre sua tragédia pessoal:
– A culpada fui eu. Eu, que não estava tocada por Jesus.
Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica. Vem cá, seu Juiz, me desculpe a ignorância mas a verdadeira proteção de que essa menina precisa não seria contra religiosos? E esta Ana Paula, por que em vez de converter a menina, não foi levar Jesus pra Silvia, lá no presídio, ela sim deve estar muito precisada. Lucélia não precisa de religião, precisa é de uma família.
Mas nem tudo está perdido. Pelo menos agora Lucélia sabe que precisa de um corretivo pois ela mesma é a culpada de suas desgraças. Louvada seja a Igreja Batista da Lagoinha. .
Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com
Imagem: “A Virgem castigando o menino Jesus perante três testemunhas” de Max Ernst – 1926
.
.
QUEM PECAR VAI MORRER A cantora evangélica Ana Paula Valadão e sua aula de terrorismo religioso infantil
.
LEIA A TRILOGIA
A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica
Vade retro fanatismo – Mais fácil discutir com o próprio Satanás, que pelo menos nunca vai tentar me convencer que eu tô possuído
O ateu e o inalcançável Mistério – O ideal seria que todo religioso percebesse que sua verdade é apenas uma versão do inalcançável Mistério
.
LEIA NESTE BLOG
O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles
A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco
Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas
Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus
Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. CONTÉM COMENTÁRIOS AGRESSIVOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS
Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu. O que pode sair desse mato?
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS .
01- sabe quem vai marcar presença na sua noite de autógrafos??? só os capetas e demônios,seus maiores inspiradores.tadinho. Jessica, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
02- que comentário ridículo,como pode alguém menorprezar tanto a palavra de Deus,pois eu apoio a ANA PAULA VALADÃO,serva de DEUS, e pobre de espírito quem não conhece a JESUS.sÓ ELE LIBERTA E SALVA,NINGUÉM SERÁ SALVO SE NÃO FOR POR ELE.o seu idiota,vai pedir perdão a DEUS pelo que você comentou aquí vai,seu imbecil. Há,ja ia esquecendo,SEU LIVRINHO DE MERDA,VAI SER UM FRACASSO. Edna, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
03- como alguém escreve um livro tão idiota como esse??? e o comentário???? filho,onde você se formou??? vou processar a falcudade que te vendeu,ops,concedeu o diploma.ainda bem que você deu uma palta de como vai ser sua noite de autógrafos,seria lamentável perder 1º o tempo indo até lá só pra ver tanta merda. Eduarda, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
04- sabe onde o sr Ricardo Kelmer deveria ir dá autógrafos??? na igreja universal,para espantar o demônios dos couros.êita cabocada que ele deve ter viu!!!! espera o passaporte para o inferno,já está sendo enviado.hhhaaaaaaaaaaa…. Fátima, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
05- claro que o ser Ricardo tinha que ser de São Paulo,tudo que não presta sai de lá não é verdade??? tá vindo envergonhar seu estado né.Só que aquí em Fortaleza,tem pessoas decêntes,sai fora imbecil,quem têm cultura e inteliogência,jamais vai perder tempo indo ter ver seu idiota.SAI FORA CAPETA,ESSA TERRA É DE DEUS. , coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
06- Ô SEU louis Cifher E RICARDO E CIA. VOCÊ DEVE SER O PRÓPIO CAPETA NÉ VERDADE,POIS SAIBE DE UMA COISA,DEUS É MAIS,MAIOR QUE O UNIVERSO ,E VOCÊ TEM INVEJA PORQUE NÃO CHEGA NEM NO SUBSOLO QUE ELE PISA,TÚ E TEUS DEMÔNIOS ESTÃO CONDENADOS AO LAGO DE FOGO A 2ª MORTE. Anja, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008
Os modelos tradicionais de relacionamento associam o amor à posse do outro e, por isso, ser livre ou deixar o outro livre é algo que soa logo como brincadeira, descompromisso, desrespeito…
AMOR EM LIBERDADE
.
Tânia tem 47 anos, é pedagoga e recentemente separou-se do marido, com quem teve um filho. É uma mulher ligada à espiritualidade, gosta de ler sobre filosofia e psicologia e desde a separação vem mudando sua compreensão das relações humanas. Tânia não mais crê no tradicional modelo de relacionamentos que a sociedade impõe a homens e mulheres e busca encontrar alguém que entenda algo que para ela é fundamental: amar não significa querer a posse do outro.
Raissa tem 22 anos, é estudante de publicidade. Solteira e bonita, ela adora sair à noite para beber, dançar e se divertir com os amigos. Gosta de homens e também de mulheres. Apesar de não faltar pretendente, Raissa atualmente está solteira. Para ela, namoro é bom, sim, mas só se a outra pessoa não quiser prendê-la com ideias limitadas sobre sexualidade e relacionamentos. Ela quer alguém que a aceite como ela é: livre para viver e amar, sem enquadramentos comportamentais e ciúmes doentios. Se não for assim, prefere seguir solteira.
Duas mulheres, duas gerações, experiências diferentes de vida. Ambas, porém, estão insatisfeitas com as opções que a sociedade lhes oferece quando o assunto é relacionamento. Ambas querem liberdade para serem o que são e viverem o amor como acham que devem vivê-lo. Mas não tem sido fácil encontrar outras pessoas como elas. Onde estarão?
Tânia, nossa pedagoga, rompeu com o velho modelão quando entendeu que exigir fidelidade do outro pode até ser prova de amor, mas de amor possessivo, que não ama o outro mas a sua posse e controle. Ela sabe que fidelidade é uma invenção cultural e como não quer mais alimentar hipocrisia em suas relações, não mais exigirá fidelidade sexual de seu homem – ela apenas não quer saber caso aconteça e que ele tenha cuidado com doenças. Ela deseja um homem que seja atraído pela liberdade que ela oferece à relação, no entanto os homens que encontra não conseguem lidar bem com a ideia de uma relação franca e honesta assim. Eles parecem preferir o velho modelo, em que um engana o outro e ambos fingem não perceber. Tânia quer compromisso, sim, mas sem mentiras veladas. O amor e a liberdade não são excludentes – ela diz, do alto da sabedoria de sua maturidade.
Nossa publicitária, apesar da pouca idade, parece também já ter intuído que o amor com liberdade deve ser o verdadeiro guia de seus relacionamentos. Mas Raissa sabe também que sua liberdade pessoal assusta muita gente. Ela não disfarça a irritação quando fala das pessoas “tão normais”, essa gente que aceita para si os moldes de relações impostos, sem sequer considerar que tais moldes podem jamais lhes servir. Raissa quer se doar ao amor mas não quer se dar a regras que não foram feitas para ela. Ela quer voar a dois pelos céus do amor e não dividir a dois a prisão do amor. Ela quer amar mas não quer aprisionar o amor por medo de perdê-lo. Para Raissa, entre amor que controla e amor que liberta, ela prefere o segundo, mesmo com seus riscos. Mas o primeiro tem os seus riscos também, porra! – ela exclama, do alto de seu jeito rebelde.
Tânia e Raissa não se conhecem mas fazem parte da mesma tribo, o das pessoas que não aceitam velhos modelos de relacionamento baseados na propriedade e procuram viver de acordo com seu próprio entendimento de amor. Elas estão fartas de preconceitos e hipocrisias que levam as pessoas a mentir para quem amam e para si mesmas, a viver relacionamentos falsos, a prender e se prender em regras estúpidas e a deixar de viver a vida verdadeira em troca de aprovação social. Pessoas como Tânia e Raissa também desejam compromisso – mas com o outro e não com a posse do outro. Não tem sido fácil para elas encontrar parceiros mas, aos poucos, como sempre ocorre, os revolucionários acabam se atraindo.
Não é fácil mudar velhos conceitos. Porque as pessoas sempre esquecem que a verdade em que creem não é necessariamente verdade para todos. Os modelos tradicionais de relacionamento associam o amor à posse do outro e, por isso, ser livre ou deixar o outro livre é algo que soa logo como brincadeira, descompromisso, desrespeito… Esse velho modelo não entende que um casal é feito de duas individualidades, que casais podem ser harmoniosos e felizes vivendo separados e que as pessoas podem ter outras relações e continuar se amando. Esse modelo só aceita o amor se no pacote vier junto posse e exclusividade. Até mesmo mulheres que desejam relacionamentos mais verdadeiros sentem dificuldade em considerar outros modelos de viver o amor. Elas deveriam parar um pouquinho e pensar: como podemos viver relações verdadeiras se queremos antes ser donos do outro?
É esse velho e intransigente modelo que não serve para pessoas como Tânia e Raissa, que querem amar e ser amadas, como qualquer um de nós, mas querem ser amadas por serem livres e querem amar pessoas livres. Os outros, que vivam eles o seu amor de posse, esse que exige antes de tudo possuir o outro. O que elas querem é outro amor, aquele que exige antes de tudo… amar. .
Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com
.
.
Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:
A mulher selvagem– Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres
A mulher livre e eu – É esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam mas não se anulam em estúpidas noções de controle: amamos o outro e não a posse do outro
Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse
As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar
Medo de mulher– A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará
Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há
Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido
Regina Navarro Lins (revista TPM, set2012) – A psicanalista e sexóloga fala sobre relacionamentos, sexo e liberdade
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS
.
01 – Queridíssimo Ricardo, você parece que lê a alma das pessoas! Obrigada, muito obrigada pelo trecho do seu texto sobre Raísa (“AMOR EM LIBERDADE”), que você postou em meu scrapbook. Falou direto ao meu coração. Obrigada mesmo, foi um presentão de aniversário! Beijos, que você continue sempre tão abençoado. Branduir, Rio de Janeiro-RJ – dez2008
Os modelos tradicionais de relacionamento associam o amor à posse do outro e, por isso, ser livre ou deixar o outro livre é algo que soa logo como brincadeira, descompromisso, promiscuidade…
Milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto
ELES ESTÃO NA FRONTEIRA
. A família muda-se para uma ilha e lá passa a viver. Constrói casas, cria bichos, tem filhos, netos e bisnetos. Um ramo da família acumula riquezas e passa a ter mais poder, impondo suas regras. Cada vez mais poderoso, causa admiração, mas atrai antipatia e cobiça. Então, cerca-se num canto da ilha para se proteger dos que desejam participar de suas riquezas e facilidades. Quanto mais enriquece, mais atua na ilha inteira e mais gera conflitos. Finalmente, para evitar ameaças a seu patrimônio, passa a atacar antes que possa ser atacado. E, para evitar represálias, fortifica ainda mais suas fronteiras…
A Terra é bem maior que uma ilha, sim, mas é um único planeta, e a cada dia está menor, suas distâncias mais curtas, tudo mais rápido. O que acontece num lugar provoca automaticamente uma onda que logo atinge os locais mais distantes. Nosso mundo atual é uma interconexão dinâmica de culturas, cada vez mais em contato entre si pelo comércio, transporte, arte, comunicação, religião… Quanto mais nos desenvolvemos, mais a Terra se parece com uma ilha. Num mundo assim ninguém consegue se isolar totalmente. E mesmo com muito dinheiro, é impossível erguer um muro para viver lá dentro, seguro e separado dos demais, usufruindo de sua riqueza acumulada.
Faz anos que queimo meus neurônios, que já não são muitos, pensando nisso. E ultimamente o tema dos imigrantes clandestinos tem provocado manchetes diárias no mundo todo, gerado livros e filmes e até uma novela televisiva no Brasil. Recentemente li a aventura de Pedro, que se torna um atravessador de brasileiros que tentam cruzar a fronteira dos Estados Unidos (Clandestinos na América, de Dau Bastos, editora Relume Dumará, 2005). Foi a gota dágua, decidi me meter na discussão. Trago uma ideia polêmica, como é tudo que nasce contra a correnteza. Mas estou cada vez mais convencido de sua coerência. A ideia é esta: assim como não existe raça, coisa que os cientistas já provaram, também não existe país. País é uma convenção caduca. Devemos acabar com todos os países. Jogando uma bomba? Não, abolindo as fronteiras. Se não há país, não pode haver fronteira.
Sem fronteiras? Você está louco?! Hummm, já estou vendo a cara de alguns leitores, alarmados com a imagem de milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto. Os mais apavorados devem estar vendo descamisados bolivianos se esbaldando na Daslu. Esfomeados etíopes devorando os macdônaldis. Torcedores argentinos lotando o Maracanã. Calma, gente, eles ainda estão na fronteira, calma…
O que provoca esse medo todo vem de muito tempo atrás: a concentração das riquezas do mundo. Se houvesse mais equilíbrio de riqueza entre os países, haveria menos problemas sociais e econômicos e, assim, menos necessidade de emigrar. Aí você pensa: que culpa tem meu povo se o povo vizinho não tem recursos naturais nem indústrias nem nada? Em princípio, não tem culpa, é verdade, mas quem tem muito deve dividir com quem tem pouco, ou então pagar o preço. Que preço? Esse que pagamos atualmente, a cada minuto: medo, preconceito, insegurança, violência, terrorismo, guerras preventivas…
É um terrível ciclo vicioso. Para se prevenir de imigrantes, os povos ricos gastam fortunas com suas fronteiras militarizadas. Se investissem uma pequena parte nos países desafortunados, até mesmo a vida dos povos ricos seria mais tranquila. E a ilha inteira lucraria.
Utopia, eu sei. É, sempre fui um cara sonhador. Mas talvez em breve essa tal utopia se revele uma necessidade urgente. Então, nesse dia, lembraremos finalmente que, assim como na historinha da ilha, nós também viemos da mesma família, que se ramificou bastante, sim, mas que ainda é a mesma família. Nesse dia, veremos os outros povos como aqueles parentes que há tempos não vemos, gente meio esquisita, sim, mas com tanta coisa em comum com a gente que todo o tempo será pouco para botar o papo em dia.
A ilha – Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua
A mensagem de Avatar ao Povo da Terra – Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele
A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo
Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses
Pátria amada Terra– É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária
WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
. No futuro, a humanidade é prisioneira de sua própria criação, a Inteligência Artificial, que criou a Matrix, uma realidade virtual onde foram inseridos todos os seres humanos para que eles não oponham resistência ao poder das máquinas. Todos não, pois um grupo de rebeldes mantém-se fora dessa realidade e luta para libertar o restante da humanidade. Eles creem na profecia do Oráculo que diz que um Predestinado um dia virá para vencer as poderosas máquinas e salvar a todos. Para eles, Neo, um jovem que vive na Matrix, é o Predestinado. Neo de fato desconfia que há algo errado com a realidade, mas não pode aceitar que ele seja o tão aguardado salvador.
. Depois de ver o filme Matrix e ler certas críticas (o filme não tem história, ela é confusa demais, vale apenas pelos efeitos especiais, é só uma colagem de citações…) decidi meter o nariz onde não fui chamado. E contar do segredo. Matrix é grandioso. Sua história é densa e intrincada, sim, mas para quem anda familiarizado com certas questões atuais, Matrix é claro. É uma ótima história em ritmo de cinemão e expõe ao grande público uma nova e intrigante fronteira que de agora em diante não mais poderemos evitar: a questão do que é de fato a realidade. Com o advento da realidade virtual, ultrapassamos o ponto de retorno e teremos agora que encarar mais esse desafio sobre as possibilidades da psique. Matrix tem um conteúdo tão rico que pode-se abordá-lo sob diversos ângulos. Escolhi o ângulo da mitologia.
Mitos são como esqueletos da psique, imprescindíveis a quem busca entendê-la. Matrix reedita um velho tema mitológico que se repete desde nossos peludos antepassados: a jornada do herói. Trata-se de uma metáfora do processo de crescimento psicológico, autoconhecimento e verdadeira realização do ser humano. O herói, nos mitos, somos cada um de nós, representados no personagem que abandona sua terra (a segurança de velhas certezas) e parte em busca de algo precioso (verdades mais úteis e abrangentes) e enfrenta inimigos terríveis (encarar os próprios medos e o desconhecido de si mesmo). Jornada difícil e perigosa, que requer coragem, obstinação e honestidade. Mas o herói vence o desafio e volta à sua terra, levando benfeitorias a seu povo e às vezes substituindo um velho rei doente ou injusto (renovação).
Neo, o herói de Matrix, aventura-se entre sonho e realidade, em mistérios que podem enlouquecê-lo e até matá-lo. Ele recusa-se a crer que possa ser o Predestinado de que fala a profecia e que salvará as pessoas, e essa dúvida faz com que o Oráculo consultado não o esclareça. Oráculos são meros instrumentos de autoinvestigação psicológica com os quais podemos obter respostas sobre nós mesmos pela concentração e meditação. Até que nem tanto esotérico assim. A rigor, ninguém precisa de um oráculo para saber sobre si, porém o ritmo de vida atual nos afastou de nosso mundo interior e são exatamente o simbolismo e a ritualística dos oráculos que propiciam essa interiorização. Na verdade, quem responde à questão lançada somos nós mesmos, ou melhor, uma parte de nós que é mais sábia e mais antiga, e que não costumamos ouvir no dia a dia.
Neo consulta o Oráculo. Mas a ideia de ser o Predestinado o incomoda e ele obtém a resposta que deseja ouvir. Porém, atente: o Oráculo não diz em momento algum que ele não é o Predestinado. Diz apenas que ele tem o dom, mas parece esperar algo. E quanto a isso ninguém pode fazer nada, nem oráculos, nem deuses, nem ninguém. Somente o próprio herói pode trilhar seu caminho. Somente ele pode encontrar sua própria verdade, aquela que concretizará todos os seus dons e finalmente o libertará.
A jornada pessoal de autorrealização nos põe em situações onde não confiamos em nosso potencial. Somos capazes de grandes proezas quando temos plena consciência de quem somos, porém chegar a essa autoconscientização é difícil. Conhecer verdadeiramente quem somos é luta travada no campos da consciência e do inconsciente, guerra de toda uma vida onde cada autorrevelação é uma importante batalha vencida. O verdadeiro autoconhecer-se dói muito porque implica necessariamente enfrentar o que se teme, tornar-se o que se evita ser, entrar no fogo dos piores medos. A recompensa é o mundo novo que só a realização mais íntima nos traz.
No mundo de Matrix as pessoas estão adormecidas, sem senso crítico, e creem no que lhes é dado a crer. Nada muito diferente de nosso mundo atual, onde a massificação das ideias faz as pessoas perderem a noção de si mesmas, onde querem nos convencer que numa sociedade desonesta e violenta temos de ser mais violentos e desonestos que os outros. Difícil fugir desse círculo vicioso. Em Matrix, Neo sofre para aprender que tudo que precisa é… mudar a visão que tem de si próprio, só isso. Não pense que é, saiba que é. A profecia diz que o Predestinado mudará o mundo e salvará a humanidade. Neo não pode crer-se capaz disso tudo. Mas o segredo da vitória do herói esconde uma simples e irônica verdade: para mudar o mundo, basta mudar a si mesmo. Transforme-se e tudo em volta se transformará – eis o segredo! Porque a aparente separação das coisas esconde a unicidade de tudo que existe. Talvez seja impossível dobrar uma colher com o pensamento. Mas se você sabe que a colher e você são a mesma coisa, então basta dobrar a si mesmo.
O mito da jornada do herói ensina que o destino de cada um de nós é realizar o que verdadeiramente somos mas ainda não aceitamos. A aventura de Neo é a de nós todos em busca de nossa essência mais legítima, aquela que enfim nos libertará. Até alcançá-la a vida nos provará de muitos modos e teremos de conviver com dolorosas incertezas e autoenganações. Porém, indo do micro para o macro, a aventura de Neo é a aventura da humanidade inteira, em busca de sua sobrevivência como espécie. Num tempo de tecnologia idolatrada e valores essenciais esquecidos, corremos o risco de ver nossa própria criação voltar-se contra nós. Diante disso a única saída parece ser, ainda, seguir o que dizia, logo em sua entrada, o Oráculo de Delphos na Grécia antiga: Conhece-te a ti mesmo. A tecnologia não tem sentimento. Nós temos. Uma máquina não é capaz de amar. Nós somos. Essa diferença óbvia pode pesar bastante no roteiro do nosso filme.
Um certo nazareno, dois mil anos atrás, ensinava que somos todos deuses. Sigamos pelo mesmo caminho: igual a Neo, somos todos heróis. Heróis de nossas próprias vidas. Como Neo, nascemos predestinados a realizarmos a nós mesmos. Feito um Salvador, cada um de nós tem o poder de mudar o mundo. Mas é preciso antes mudar a forma como entendemos a nós próprios. Eis o segredo que se esconde por trás do filme Matrix e também de toda a vida. O segredo que de tão óbvio não se vê, mas que aguarda pacientemente por todos os predestinados.
Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, RK compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.
.
.
en español
EL SECRETO DE LOS PREDESTINADOS
Ricardo Kelmer
Después de ver la película Matrix entusiasmadas veces y de leer ciertas críticas (que el filme no tiene historia o que ella es confusa en exceso, que vale apenas por los efectos especiales, que es sólo un collage de citas…) decidí meter la nariz donde no fui llamado. Y contar el secreto.
Matrix es grandiosa. Su historia es densa e intrincada, sí, pero para quien anda familiarizado con ciertas cuestiones actuales, Matrix es claro. Se trata de una óptima historia en ritmo de gran cine y expone una nueva e intrigante frontera que ya no podremos evitar más: la cuestión de qué es de hecho la realidad. Con el advenimiento de la realidad virtual, sobrepasamos el punto de retorno y ahora tendremos que encarar más ese desafío sobre las posibilidades de la Psique. Matrix es tan fuerte en su contenido tan rico que se puede abordar bajo diversos ángulos. Elegí el ángulo de la mitología
Los mitos son como esqueletos de la psique, imprescindibles para su comprensión. En Matrix, se reedita un viejo tema que se repite desde nuestros más remotos y peludos antepasados: la travesía del héroe. Se trata de una metáfora del proceso del crecimiento psicológico y la auto-realización del ser humano. El héroe, en los mitos, somos cada uno de nosotros, representados en un personaje que generalmente precisa abandonar su tierra (la seguridad de viejas certezas) y partir en busca de algo precioso (verdades más útiles y abarcadoras) o enfrentar enemigos terribles (encarar los propios miedos y bloqueos). Travesía difícil, y peligrosa, que requiere coraje, obstinación y honestidad. Pero el héroe vence el desafío y retorna a su tierra, llevando buenas obras a su pueblo y muchas veces substituyendo a un viejo rey enfermo o injusto (renovación).
Neo, el héroe de Matrix, se aventura en una realidad que parece un sueño, partiendo en busca de un misterio que puede enloquecerlo y hasta matarlo. El se niega a creer que pueda ser el Predestinado de quien habla la profecía y que cambiará el mundo y despertará a las personas. Esa duda hace que el Oráculo consultado no lo esclarezca. Los oráculos son meros instrumentos de auto-investigación psicológica donde podemos obtener respuestas sobre nosotros mismos a través de concentración y la meditación. Hasta que ni tan esotéricamente así. En rigor nadie precisaría un oráculo para saber sobre sí. Entretanto, el ritmo de la vida actual nos apartó de nuestro mundo interior y son exactamente el simbolismo y la ritualidad de los oráculos los que propician esa interiorización. En verdad quien responde a la cuestión lanzada somos nosotros mismos, o mejor, una parte de nosotros que es más sabia y que no acostumbramos a escuchar en el día-a-día. Si la respuesta es oscura, es porque la pregunta también lo fue. La pregunta cierta ya contiene en sí la respuesta.
Neo consulta al Oráculo. Pero la idea de ser el Predestinado lo incomoda y obtiene la respuesta que desea oír. Por lo tanto, presta atención: el Oráculo no dice en momento alguno que él no es el Predestinado. Dice apenas que él no está preparado. Preparado para entender que de hecho lo es é. En cuanto a eso, nadie puede hacer nada, ni los oráculos ni los dioses ni nadie.
La travesía personal de auto-realización nos pone en una situación donde no confiamos en nuestro potencial. Sólo somos capaces de mucha cosas cuando tenemos perfecta conciencia de quién somos y de lo que podemos hacer. Por lo tanto, llegar a esa autoconcientización es difícil. Conocer verdaderamente quién somos es una lucha armada trabada en los campos de la conciencia y del inconsciente, guerra de toda una vida donde cada auto-revelación representa una importante batalla vencida. El verdadero autoconocerse duele hasta doler porque implica necesariamente enfrentar lo que se teme, volverse lo que se evita ser, entrar en el fuego de los peores miedos. La recompensa es el mundo nuevo que la realización más íntima nos trae.
En el mundo de Matrix las personas están adormecidas y sin sentido crítico. Creen en lo les es dado para creer. Nada muy diferente de nuestro mundo actual, donde la masificación de las ideas hace que las personas pierdan la noción de sí mismas, donde nos quieren convencer de que en una sociedad deshonesta y violenta tenemos que ser más violentos y deshonestos que los otros. Es difícil huir de ese círculo vicioso. En Matrix, Neo sufre como loco para aprender que todo lo que precisa es… cambiar la visión que tiene sí mismo, apenas eso. No tienes que pensar que eres, debes saber que eres. La profecía dice que el Predestinado cambiará el mundo y salvará a la humanidad. Neo no puede creer que sea capaz de todo eso. Pero el secreto para la victoria del héroe esconde la más simple y la mayor de todas las ironías: para cambiar al mundo, basta cambiarse a sí mismo. Transfórmate y todo alrededor se transformará – ¡es el secreto! Porque la aparente separación de las cosas esconde la unicidad de todo lo que existe. Tal vez sea imposible doblar una cuchara con el pensamiento. Pero si sabes que la cuchara y tú son la misma cosa, entonces basta doblarse a sí mismo.
El mito de la travesía del héroe nos enseña que el destino de cada uno de nosotros es realizar lo que verdaderamente somos pero que todavía no aceptamos. La aventura de Neo es la aventura de todos nosotros en busca de nuestra esencia más legítima, aquella que al fin nos liberará. Hasta alcanzarla, la vida nos pondrá a prueba de muchas maneras y tendremos que convivir con dolorosas incertidumbres y auto-engaños. Entretanto, yendo de lo micro hacia lo macro, la aventura de Neo es la aventura de la humanidad entera, en busca de su supervivencia como especie. En un tiempo de tecnología idolatrada y valores esenciales olvidados, corremos el riesgo de ver nuestra propia creación volverse contra nosotros. Ante tal posibilidad, la única salida parece ser, todavía, seguir lo que decía, justo en su entrada, el Oráculo de Delfos en la Grecia Antigua: conócete a ti mismo. La tecnología no tiene sentimiento. Nosotros lo tenemos. Una máquina no es capaz de amar. Nosotros somos. Esa diferencia obvia puede pesar bastante en el guión de nuestra película.
Cierto nazareno revolucionario, dos mil años atrás, ya decía que somos todos dioses. Pues voy en el mismo camino: igual que Neo, somos todos héroes. Héroes de nuestras propias vidas. Como Neo, estamos predestinados a realizarnos a nosotros mismos. Hecho un Salvador, cada uno de nosotros tiene el poder de cambiar o mundo. Pero antes es preciso cambiar la forma como nos entendemos a nosotros mismos. Es el secreto que se esconde detrás de la película Matrix y también de toda la vida. El secreto que de tan obvio no se ve y que aguarda pacientemente a todos los predestinados.
Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres, pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS .
01- Acabo de ler seu fantástico artigo sobre o filme MATRIX. Até hoje não li crítica tão perfeita sobre esse ainda incompreendido filme, mas que com certeza ficará na história do cinema como marco (não foi assim com 2001 uma odisséia no espaço?). Parabéns pela qualidade da abordagem comparativa entre o enredo e a mitologia, além do foco dado à mensagem de que tal como afirmava Emerson “somos aquilo que pensamos”. Mantovanni Colares, Fortaleza-CE – ago1999
02- Gostaria de prabeniza-lo pela sua maravilhosa reportagem acerca do filme MATRIX que foi publicada segunda feira no jornal O POVO. Fiquei encantando com a forma coom que vc utilizou o arquétipo junguiano do herói, e com todo o seu ponto de vista sobre como a sociedade moderna encontra-se em relação a essa “tecnologia”. Infelizmente o meu jornal com a matéria sobre o filme foi jogado fora, caso vc pudesse enviar-me o artigo ficaria muito contente. Thaís, Fortaleza-CE – ago1999
03- Adorei principalmente o seu comentário sobre o filme “Matrix”, já sou fã mesmo antes de assistí-lo, estou ansioso para que o filme chegue em vídeo. Bem, eu adoraria adquirir “Matrix” . Eu já havia lido várias críticas sobre o filme, algumas depreciativas e outras elogiando o filme, mas me convenci ainda mais de que se trata do melhor filme dos últimos tempos após ler a sua crítica sobre o filme. Jurandyr G. Loureiro, Linhares-ES – ago1999
04- Escrever é um ato solitário, eu sei de mim solitário também… Parabéns. Ótimo artigo em O Povo de hoje. Sensacional, digno de reprodução Federal, quiçá mundial. Suas abordagens são maravilhosas, me fez viajar na simples aventura humana: a da compreensão (ou busca) de si mesmo. Procuro dar minha colaboração, na internet, há anos, envio diáriamente algo chamado Kbytes de Sabedoria (inspirado no Minutos de Sabedoria…) que são trechos sábios como daquele livrinho azul, da bíblia e de outras fontes de sabedoria. Hoje, no Kbytes… o dia é seu, fiz questão de dividir e propagar as suas idéias com os netfriends. Parabéns e grato mais mais uma vez, pela luz! Giovanni Colares, Fortaleza-CE – ago1999
05- Fiquei emocionada com sua abordagem sobre o filme Matrix no O Povo (O segredo dos predestinados), 9/8/99. Foi absolutamente perfeito. Já li três vezes e nunca ouvi falar de você. Leio o Diário e O Povo $todos os dias. Já li muitos livros mas hoje o cinema me fascina. Mande-me umas dicas de filmes. E escreva mais. Você tem talento e escreve com uma beleza incomum! Parabéns! Irei assistir o filme só porque li seu artigo. Edita Machado, Fortaleza-CE – ago1999
06- Caro Ricardo , Fiquei sendo seu fã desde que em 1999 qdo assiti a uma palestra tua no auditório do colegio capital sobre o filme MATRIX. Na tua palestra fizeste uma analogia de espelhos dentro de uma bola de vidro a refletir a luz do sol com nós seres humanos e perguntaste: O que é necessário fazer para mudar o modo do globo de vidro refletir a luz do sol? Ao que respondeste… basta mudar um só espelho. Assim querias dizer que não precisamos mudar ninguém somente a nós mesmo. Cara vc não sabe o quanto já falei de vc para as pessoas a quem conto esta analogia. O fato é que ouvir aquelas tuas palavras me levou a uma pesquisa igual “A ILHA”. Continue sempre assim… em constante questionamento consigo mesmo pois acredite foi assim que passei a ser uma pessoa melhor. Luiz Ferreira de Sousa Junior, Fortaleza-CE – nov2004
07- Te achei procurando um texto sobre Neo – Matrix e foi o “ O SEGREDO DOS PREDESTINADOS” que li e adorei. Como você conseguiu falar tudo tão bem. Simplesmente adorei. E já andei fuçando seu site também. É muita coisa para ler. Terei muito que fazer. Lais Paulinelli, Belo Horizonte-MG – jan2007
Estou aqui, ocupando um pouco de sua valiosa atenção, pra lhe dizer que sou um candidato diferente. Eu mereço seu voto porque sou franco
AMIGA ELEITORA, AMIGO ELEITOR
. Olá, amigo eleitor, amiga eleitora. Estou aqui… Heim? Ah, é, esqueci. Mulher tem que vir antes, tem que puxar o saco delas. Ok, vamos começar de novo. Meu cabelo não assanhou? Olá, amiga eleitora, amigo eleitor. Estou aqui… Ah, é mesmo, tem que olhar no olho. Televisão é um saco.
Olá, amiga eleitora, amigo eleitor. Estou aqui, ocupando um pouco de sua valiosa atenção, para lhe dizer que sou um candidato diferente. Eu mereço o seu voto. Por quê? Porque sou franco. De todos esses rostos que você vê todo dia na sua tevê, e tem cada assombração, né, eu sou o único verdadeiro. Por quê? Porque eu digo a verdade, duela a quien duela… Heim? Não pode dizer isso? Lembra o ex-presidente? Ah, pega mal, já entendi. Desculpe, minha amiga, meu amigo, mas temos que seguir os marqueteiros. Afinal, pagamos caro por esses maquiadores de palanque.
Primeiro, vamos logo deixar claro uma coisa. Esqueça esse negócio de representatividade. Político não representa ninguém, a não ser ele mesmo. Se algum colega meu disser o contrário, das duas uma: ou ele está mentindo ou ainda não entrou no jogo. Ainda. Você vota e esquece, pois eles vão esquecer você. Estamos entendidos? Muito bem.
Por que estou na carreira política? Ora, porque é o melhor emprego do Universo. Pelo menos no Brasil. Você trabalha pouco, ganha muito e não sabe o que fazer com tanto privilégio. De quatro em quatro anos você distribui dentadura na favela, meia dúzia de cadeira de roda, treina o sorriso e aprende a responder pergunta cabeluda com qualquer frase que comece com “Veja bem…”. Aí você bota uma roupinha mais simplizinha, sai no sol quente apertando mão cheia de calo, põe criancinha feia no colo, promete coisas impossíveis, posa ao lado do prefeito e pronto, tem mais quatro anos de moleza pela frente. E se souber fazer a coisa, ainda garante umas indicações, assegura umas verbinhas, abre uma estrada em frente à sua fazenda… Projeto de lei? Ah, isso é muito chato. Mas vá lá, você contrata uma turma aí, eles estudam o caso e preparam um projeto bacana, como distribuição de colchonete para a população carente. Para o povo, quando cair morto, pelo menos não bater a cabeça.
Não, não estou sendo cínico, estou sendo franco. Você, por acaso, não ia querer um emprego desses, com direito a férias toda semana, abono, jeton, extra, extra adicional, auxílio paletó, auxílio cueca, custo moradia, custo telefone, custo tudo? Sem falar nas aposentadorias. Sem falar que você mesmo aumenta seu salário, já pensou? Sem falar na impunidade parlamentar. Sem falar nos desvios. Ah, minha amiga, meu amigo, nada se cria, tudo se desvia. Tem gente que desvia avião, um troço grande daquele, imagine merenda escolar, que cabe no bolso da calça. Sim, tem essa tal de CPI, eu sei. Mas, cá para nós, CPI na verdade significa Comissão que Parece que Investiga. Você acha que político vai sacanear o colega de profissão na cara dele? Não vai, é tudo comprometido.
Se eu penso no país? Para quê? O país por acaso pensa em mim, pensa em você? País não pensa. E este nosso não vai mudar nunca. Mudam as moscas, minha filha, mas a merda é a mesma. Quem é rico fica mais rico, e quem é pobre que se dane, quem mandou nascer? Como é que pobre consegue empréstimo se banco só empresta dinheiro para quem já tem dinheiro? Como é que alguém vai deixar de ser pobre se só para poder trabalhar tem de passar quatro horas preso num ônibus? Aliás, como é que alguém pode ganhar dinheiro se passa o dia inteiro trabalhando?
Político é um bandido eleito. Estou exagerando? Então veja o percentual de políticos envolvidos em algum tipo de crime. É bem maior que a média da população. Política é bandidagem politicamente correta. Infelizmente, meu tempo acabou. Foi um prazer conversar com você. Espero que me honre com seu valioso voto. Tudo que prometo é franqueza. Aliás, já estou cumprindo. Meu nome é Franco Fortuna, o único político que cumpre antes de prometer.
Tornozeleira neles – Nossos parlamentares são como crianças que devem sempre ser vigiados de pertinho – um minuto de desatenção e pronto, já estão fazendo o que não devem
Os tumores malignos do Congresso – Enquanto o salário mínimo sua e sofre pra acompanhar a inflação, os parlamentares presenteiam-se com estupendos salários, zombando dos idiotas que os elegeram
Sete de Setembro Negro – Vista preto no Dia da Independência em protesto contra a corrupção e a impunidade
Congresso em Foco – Site informativo sobre as atividades dos parlamentares. Contraindicado para narinas sensíveis
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS .
01- tem meu votooooooo. Haydee de Castro, Fortaleza-CE – set2012
Seja Leitor Vip e ganhe: > Acesso aos Arquivos Secretos > Promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)
Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas
MINHA NOITE COM A JUREMA
. Em 1999, participei de um ritual no Santo Daime, com a Ayahuasca. Foi uma experiência intensa e reveladora ‒ mas extremamente difícil, que me exigiu muito esforço físico e mental por horas. Dia seguinte, ainda assustado, estava convicto que jamais me meteria com isso novamente, que o melhor era manter meu interesse por estados especiais de consciência apenas nos livros e filmes.
Porém, mudei de opinião após refletir bastante sobre tudo que me ocorrera. Entendi que esse tipo de experiência podia, de fato, me ajudar a entender melhor a vida e a mim mesmo. Concluí que alguns fatores me impediram de usufruir melhor a oportunidade, como o orgulho, as regras e filosofia da seita e o medo de perder o controle. Eu precisava de outra chance. Estava disposto a tomar novamente o chá e empreender nova viagem ao interior de mim mesmo. No entanto, só tentaria novamente se fosse fora do ambiente das seitas.
A chance chegou no ano seguinte com o convite de uma amiga antropóloga para participar de um ritual xamânico com o chá de Jurema, outra planta psicoativa, que cresce no semiárido nordestino. O ritual ocorreria na casa de um seu amigo, também antropólogo, e seria algo mais descontraído e desvinculado dos dogmas religiosos que costumam compor as seitas que utilizam chás de plantas de poder.
Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas. Sim, sei perfeitamente que afirmar isso soa como atentado à racionalidade. Mas não me importo. Aprendi definitivamente nessa noite que o que chamamos razão é apenas uma das ferramentas humanas para apreender a realidade e que deve ser descartada em certas situações onde precisamos ampliar a percepção da vida. Se nessa noite eu insistisse para que meu lado racional se mantivesse no controle, repetiria o mesmo erro da experiência anterior, com a Ayahuasca, quando usei a orgulhosa racionalidade durante horas, num esforço ingênuo, inútil e doloroso tão somente para barrar o curso natural da experiência. A racionalidade é vital para a vida, sim, mas infelizmente ela se convenceu que a realidade deve ter seu exclusivo carimbo para poder existir.
Nessa noite de 2000, uma hora após ingerido o chá de Jurema, eu estava deitado tranquilo e confortável no sofá da sala e experimentava um intenso fluxo de ideias que se sucediam sem que eu tivesse total controle sobre elas. Foi aí que senti uma forte presença e entendi que se tratava da própria planta, ou melhor, o espírito da planta. Evitando racionalizar sobre o que me ocorria, logo percebi que deveria deixar que a própria Jurema me conduzisse pela experiência, e isso significava confiar inteiramente no fluxo natural das ideias e sensações, abdicando de qualquer controle racional sobre elas. Então fechei os olhos e soltei-me das últimas resistências. Mesmo ainda um pouco temeroso, depositei toda minha confiança na estranha força feminina que se apresentava e que em seguida, como se apenas esperasse minha concordância, passou a me conduzir pelas mais diversas ideias, sensações, sentimentos e revelações.
Mal a Jurema se manifestou, fui tomado de um imenso respeito por ela, uma reverência que jamais sentira em minha vida. Entendi logo que ela era sábia e poderosa, além de muito, muito antiga. E era bastante amorosa, sem deixar de ser dura se necessário. Ela não falava, pelo menos não como entendemos o “falar”, mas eu me sentia inteiramente envolto pela grandiosidade de sua presença como, imagino, um peixe “sente” o mar, e era através desse sentir que se processava a comunicação. Eu me sentia protegido e muitíssimo grato por ser tocado por sua imensa sabedoria e generosidade. Se abria os olhos, essa comunicação perdia a força em meio às tantas informações do ambiente ‒ por esse motivo mantinha-os fechados e bastava isso para me sentir novamente amado, compreendido e protegido pela espírito da Jurema.
Durante as quatro horas seguintes o espírito da planta esteve bem presente, me conduzindo, com firmeza mas amigavelmente, por um corredor cheio de portas. A cada porta que se abria eu me deparava com uma nova experiência interior, vivenciando sensações, ideias, sentimentos e revelações importantes sobre minha vida, meus relacionamentos e meu trabalho. Houve momentos de alegria e êxtase, mas também momentos de tensão em que me vi forçado a repensar questões delicadas de minha personalidade. Houve também um momento em que me deparei com uma porta fechada e fui tomado de um terror nunca antes sentido. Eu não sabia o que me esperava além da porta, mas sabia que era algo terrível. Então, tremendo de pavor, implorei à planta para me dispensar daquela experiência, fosse qual fosse. Para meu imenso alívio, ela me atendeu.
A Jurema mostrou-me também a urgente necessidade de respeitarmos o planeta e de cuidarmos dele, e nesses momentos o espírito da Jurema era o próprio espírito da Terra. Em vários momentos me emocionei e chorei baixinho. Sem dúvida, foi a experiência mais intensa e mais incrível que vivi em minha vida.
Pela manhã não consegui dormir, ainda eufórico. Sentia-me renascido, mais vivo e disposto do que jamais fui, maravilhosamente bem. Era como despertar de um longo sono.
A experiência dessa noite me transformou em outra pessoa. O senso de estar atavicamente ligado à Terra trouxe-me uma notável segurança e tornou-me mais confiante e tranquilo, ciente de minhas origens e de meu papel no mundo. Minha vida ganhou um novo sentido. É difícil explicar, mas algo deslocou-se dentro de mim, mudando para sempre minha noção de quem sou eu, minha relação com o mundo e também minha noção do que é este planeta. Entendi que tudo tem uma espécie de consciência e que é possível se comunicar com animais, plantas e minerais e aprender com eles. Como, porém, esta comunicação não se processa no nível da racionalidade, é muito difícil para o intelecto aceitar tal fato, preferindo tratá-lo com desdém e descartá-lo como fantasia ou patologia.
Mas para mim não há dúvidas. Nessa noite abri minha alma para a sabedoria da Jurema e, através da planta, reconectei-me à minha verdadeira origem, à força sagrada que me gerou e que me nutre dia após dia: a Terra. Senti a imensidão de seu amor e me surpreendi por ter vivido tanto tempo sem senti-lo. Em termos junguianos, posso dizer que vivi uma profunda experiência com o arquétipo da Mãe Terra, sendo envolvido por sua imensa força e vivenciando-o em ambas as polaridades, positiva e negativa, êxtase e terror. Porém, gosto de entender a coisa assim: vivi um íntimo encontro com o espírito da Terra, essa mãe generosa e compreensiva que ama a todos os filhos, mesmo que eles tenham esquecido de onde vieram e o que devem fazer. Mas ela alerta: o preço que o filho pode ter de pagar por esse esquecimento é a sua própria destruição.
Os antigos já sabiam e os cientistas de hoje já reúnem provas: a Terra é um imenso organismo vivo. Além disso, é dotada de um tipo de autoconsciência que ainda não entendemos bem, dona de um avançado senso de autorregulação bioquímica e capaz de se comunicar perfeitamente com tudo que nela existe, inclusive os seres humanos. Animais, vegetais e minerais, tudo que há na Terra são como células de um corpo que precisam estar em harmonia para que o todo funcione bem. Infelizmente, as células chamadas humanos cortaram a ligação com sua origem e se desconectaram do todo, passando a se entender como algo separado, e isso tem causado sérios problemas ao organismo inteiro.
Plantas mestras como a Jurema e a Ayahuasca têm o poder de despertar as pessoas. Mas entendo o medo que a maioria tem de largar sua racionalidade e saltar no escuro de suas próprias possibilidades psíquicas. Entendo também o pavor que as religiões cristãs têm da Natureza, sempre demonizando-a. No fundo, é o velho medo de ser livre. Porém, já que isso ocorre, seria maravilhoso se ao menos educássemos nossos filhos no respeito sagrado à Natureza e eles entendessem que a Terra é nossa casa. Ensinar isso já seria uma forma de lhes deixar um mundo muito melhor.
A Jurema e as portas da percepção (VIP) Relato detalhado da experiência narrada em Minha Noite com a Jurema. Exclusivo para Leitor Vip. Para ler, basta digitar a senha do ano da postagem.
.
LEIA NESTE BLOG
Xamanismo de vida fácil – A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos
Rio Droga de Janeiro – Série de três artigos sobre a questão da proibição das drogas
A vida na encruzilhada (filme: O Elo Perdido) – Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos
O trem não espera quem viaja demais – Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior
.
DICA DE FILME
Carlos Castaneda (vídeo)– Especial da BBC sobre o polêmico antropólogo que estudou o xamanismo no México, escreveu vários livros e tornou-se um fenômeno do movimento Nova Era
O Elo Perdido (Missing Link, 1988) Homem-macaco tem sua família dizimada por espécie mais evoluída e vaga sozinho pelo planeta, conhecendo e encantando-se com a Natureza. Ao comer de uma planta, tem estranha experiência que o faz compreender o que aconteceu. Roteiro e direção: Carol Hughes e David Hughes. Com Peter Elliott.
O ELO PERDIDO Trêiler em português
.
PLANTAS PSICOATIVAS E DEPENDÊNCIA QUÍMICA
São poucos, mas já há estudos científicos sobre o uso de plantas psicoativas no tratamento da dependência química, como o alcoolismo. A experiência com a planta levaria o indivíduo, por meio de experiências interiores, a alcançar níveis profundos de autopercepção para, desse modo, conseguir livrar-se do vício. É comum que alguns desses tratamentos estejam diretamente associados à religião, como, por exemplo, em comunidades do Santo Daime. Por minhas experiências com a Ayahuasca e a Jurema, sei que esse tipo de tratamento é possível, e pode ser bastante eficaz, e torço para que num breve futuro ele esteja ao alcance de todos os que sofrem de dependência química ou outros vícios. Porém, espero que o tratamento possa ser feito também fora de qualquer contexto religioso, pois nem todos sentem-se à vontade com esta associação. (RK)
Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… O autor reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado.
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS .
01- sobre Minha Noite com a Jurema, a riqueza e o cuidado nos detalhes do ambientes e sentimentos, me fez sentir tudo que você viveu…achei demais… Teca Baima, Fortaleza-CE – mar2005
02- Adorei, muito, mas muito interessante essa sua experiência com a planta Jurema. Acredito bastante nesse tipo de experiência de encontro consigo mesmo e acho extremamente importante e válido, principalmente não sendo esse encontro ligado a nenhuma seita religiosa, por ele ser somente entre vc e a natureza… um dia será a minha vez… Daniela Cecchi, Rio de Janeiro-RJ – jun2005
03- Nem imagina como foi importante para mim ler sua experiência c Jurema. Desde 1ª dia q frequentei santo daime aqui em portugal q senti e “vi” que deveria estar incluída num ritual diferente em que, tal como você, poderia aproveirtar melhor a experiência. Infelizmente aqui em Portugal não é possível. Tudo que existe acaba por não ser uma variante do Daime onde os comandantes se conhecem. E se eu fosse a falar dos preços que praticam aqui, entao, vc ficaria abismado. Tenho uma pós-graduação (sou antropóloga) para finalizar sobre o assunto e por falta de apoio e oportunidade de recorrer a outras experiências não me é possível fazê-lo. Obrigada por seu texto. Anabela, Portugal – jul2006
04- Olá! estive lendo seus trabalhos e adorei! e sobre a experiência com a Jurema.. sabe me informar como é feito o chá e em que dosagem? sabe de algum site que explica isso ? ou tem algum contato que possa me ajudar? desde já muito grato! abraços e parabéns pela iniciativa.Felipe, Rio de Janeiro-RJ – dez2006
05- Gostei do seu relato sobre a Jurema. Engraçado. Talvez meio cósmico. Justamente há algumas semanas tive duas experiências com a Jurema e coincidentemente ao navegar em seu site dei de cara com esse texto. Vou relatar meu lance com a Jurema. As duas experiências tiveram intuitos opostos. Em uma, quis algo mais espiritualizado, por assim dizer. Na outra, química pura. A primeira foi fantástica. A segunda, bad trip. Talvez pelo fato de eu ter encarado a segunda tentativa sem o respeito inerente à sagrada planta. Eu deveria ter feito o contrário, ou melhor, nem deveria ter feito a segunda. O primeiro contato foi brando, poucas visões e muito tato. Senti uma ampliação incomensurável do toque. Ao me tocar, sentia toda minha essência e significado, chegando ao ponto de suscitar em saber minha existência nessa Terra maravilhosa. Sem pretensão alguma, senti o quanto eu era importante, especialmente para mim mesmo. Nem parei muito para pensar sobre ego, mas acho que tal experiência tocou nevralgicamente nele.
Na segunda experiência, apenas dei enfoque ao lado químico da planta. Pretendi sentir as moléculas de DMT me invadindo e apoveitar o que isso me traria. Foi péssimo. A onda veio muito turbulenta. Tive várias visões alucinadas. Exemplo, a parede do meu quarto que é branca ficou completamente dourada, e um relógio que fica nela sobressaiu-se, tornando se fluorescente, quase que saltando dela. Um prédio vizinho de fundos transformou-se num daqueles monumentos da Ilha de Páscoa e aproximou-se da minha janela a ponto de espiar para ver o que estava acontecendo comigo. Noutras horas o prédio se afastava e eu o via distante como um farol de navegação. O “som” do silêncio chegava a incomodar. Parecia o Ohm, ecoando fundo e intermitente. O mal estar físico foi grande. Muita náusea. Uma sensação de estar bêbado com cachaça. Daqueles porres que você quer “sarar” e não consegue. Durante toda viagem tive consciência do meu estado e procurava me acalmar para que a pira passasse logo. Demorou umas cinco horas. Quando acabou, contabilizei o lado bom da coisa e concluí que a Jurema deve ser encarada com propósitos mais elevados. Ricardo Rodriguez, São Bernardo do Campo-SP – jan/2007
06- olá!!! Kelmer sou uma leitora sua de Fortaleza e tb estudante de Jornalismo “ tô na luta´´´ já estive em umas de suas palestras q por sinal, me fez refletir muito sobre a vida sua palestra era uma reflexão sobre o filme Dom Juan com uma visão dos vários eu dentro de nós mesmo .enfim… pra mim foi em um momento de bloqueios q vida nos cria e q me ajudou muito ………Mas essa agora sobre uma noite com Jurema….rsrsrs cara vc é muito bom no escreve isso é muito louco !!!!!!!!!! mas como ñ ter sentido. Essa porra de racionalidade q muitas vezes nos impedi de viver e fazer algo ..sei lá tb pq tô te escrevendo isso….. Mas sucesso!!!!!!! Waleska Thompson, Fortaleza-CE – jun2007
07- Olha, hj li um texto seu sobre a sua experiência com a Jurema e, nossa, me tocou completamente! Como vc adentrou na essência da experiência…Parabéns pelo respeito e pela vivência que, imagino, tenha sido muito válida p ti… Estamos nos preparando para comungar com ela no próximo sábado…Apareça!!!rsrsrsrs!!! Rerlyn, Garanhus-PE – jan2009
08- Conheci o site procurando sobre autoconhecimento. Li um texto intitulado “Minha noite com Jurema”. Achei louco… bacana… Vou continuar visitando sempre o site!! Jana, Belo Horizonte-MG – mar2010
09- Maravilhoso o seu texto, as plantas mestras são como mães, duras quando preciso, mas sempre acolhedoras…eu nunca tomei Jurema, mas já tomei várias vezes a ayhuasca, e entendo perfeitamente o que escreveu, em uma experiência dessa a entrega é primordial, mas se entregar deve ser um dos atos mais difíceis do ser humano, na minha opinião….linda experiência sua, me emocionei lendo, porque me enxerguei também nela, gratidão por partilhar…tenho muitos relatos de quem já tomou a ayhuasca, que um dia quero transformar em um livro, é gostoso de ler e ver que as pessoas também sentem o que a gente sente…Obrigada… Silmara Oliveira, São Paulo-SP – ago2011
10- A razão não passa de uma porta trancada… O seres humanos são corpos estranhos no organismo Terra… Humm, gostei desse texto! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – jan2012
11- Vesti a carapuça com seu relato, e concordo que a mente/razão pode ser uma grande traíra quando buscamos um caminho de ampliação de consciência da realidade, mesmo sem o auxílio de plantas de poder (na meditação, por exemplo)…E como disse a Maria, esse assunto dá muuuito pano pra manga, afff…. Sheila Bombonato, Fortaleza-CE – jan2012
12- Huasca.. Huasca.. tenho vivências com essa belezinha. Quando desocupar aqui eu conto 🙂 Nathalie Sterblitch, Resende-RJ – jan2012
13- Estive no Céu do Mapiá, o centro do Santo Daime no Rio de Janeiro por duas vezes. Cantei, rezei, dancei e tomei o chá a noite toda em intervalos de duas horas e a rigor não senti muita diferença. Só um leve torpor. Em alguns amigos a coisa funcionou… Fernando Veras, Camocim-CE – jan2012
14- Li seu texto e me recordei de uma experiência similar que tive em 1988 com uma amiga que dividia uma kitnet comigo em Ribeirão Preto, foi muito parecido com seu relato, inclusive revivi a experiência, como se o tempo que passou não existisse mais e eu ainda pudesse sentir as sensações que ficaram tão marcadas naqueles dias, tudo muitíssimo parecido, apenas a droga foi outra e a experiência foi em dupla e durou quase uma semana, pois nos empolgamos, conseguimos sentir juntas tudo que vc sentiu e ainda telepatizamos nossas impressões e trocamos muitas sensações indescritíveis e inesquecíveis, as impressões que isso deixou em mim foram tão profundas que mudaram o curso da minha vida e todas as pessoas com quem falei sobre isso até hoje deboxaram de mim, mas eu tenho plena certeza que foi transcendental e único, meio surreal, pois essa amiga não tinha tanta afinidade comigo, mas conseguimos juntas um canal de sintonia fora do normal e vivemos muitas sensações além juntas. Cibele Baptista, Barretos-SP – jan2012
Escritor, ateu, socialista, antifascista. Amante da arte, devoto do feminino, ébrio de blues. Fortaleza Esporte Clube. Fortaleza-CE.
Em meio a problemas no casamento, Téssio é transportado para o passado e lá encontra a si mesmo e a sua mulher Ariane, aos vinte anos de idade. Envolvidos numa conflituosa relação a três, eles precisarão lidar com novos e antigos sentimentos enquanto Téssio tenta retornar à sua vida oficial.
VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Um grupo de amigos que viveu na Dinamarca do sec. 14 se reencontra no sec. 20 no Brasil para salvar o mundo de malignas entidades do além. Resumo de filme? Não, aconteceu com o autor. Líder desse grupo aloprado, Kelmer largou uma banda de rock e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso, que depois renegou: Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá. As pitorescas histórias desse grupo são contadas com bom humor, entre reflexões sobre carreira literária, amores, sexo, crises existenciais, prostituição e drogas ilegais. Kelmer conta também sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.
PENSÃO DAS CRÔNICAS DADIVOSAS
Nesta seleção de textos, escritos entre 2007 e 2017, Ricardo Kelmer exercita seu ofício de cronista das coisas do mundo, ora com seu humor debochado, ora com sobriedade e apreensão, para comentar arte, literatura, comportamento, sexo, política, religião, ateísmo, futebol, gatos e, como não poderia deixar de ser, o feminino, essa grande paixão do autor, presente em boa parte desta obra.
INDECÊNCIAS PARA O FIM DE TARDE
Contos eróticos. As indecências destas histórias querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.
Agenda
2026
Lançamento do livro Fortaleza Prometida do Sol (abr)
Coordenação do estande de literatura cearense na Feira de Artesanato do Cantinho do Frango (mensal)
Coordenação da Confraria Literati (@confrarialiterati), divulgadora da cena literária cearense
O IRRESISTÍVEL CHARME DA INSANIDADE
Romance. Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal?
Junte-se a 237 outros assinantes
GUIA DE SOBREVIVÊNCIA PARA O FIM DOS TEMPOS
Contos. O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba?
PESQUISE NESTE BLOG
PARA BELCHIOR COM AMOR
Organizada pelos escritores Ricardo Kelmer e Alan Mendonça, esta terceira edição foi enriquecida com ilustrações e novos autores, com mais contos, crônicas e cartas inspirados em canções de Belchior. O livro traz 24 textos de 23 autores cearenses, e conta com a participação especial da cantora Vannick Belchior, filha caçula do rapaz latino-americano de Sobral, que escreveu uma bela carta para seu pai.
Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.
Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens... Em cada um dos 36 contos e crônicas deste livro, encontramos o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.
Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado…