Guerra às drogas não, antiproibiconismo sim

15dez2008

Quem ganha e quem perde com a proibição das drogas?

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GUERRA ÀS DROGAS NÃO, ANTIPROIBICIONISMO SIM

(3a parte da trilogia Rio Droga de Janeiro)

No inferno diário de péssimas notícias mantido pelo narcotráfico, há pelo menos uma a soprar uma brisa de esperança: o movimento antiproibicionista cresce em todo o mundo e dá seus primeiros passos organizados no Brasil. Ele prega a descriminalização de plantas e drogas e a regulamentação de seu comércio. E não admite que o Estado tenha o direito de decidir o que você deve ou não fazer ao seu corpo ou à sua mente. Se você já entendeu que enquanto há proibição, não há saída para o caos social, você é um antiproibicionista. Bem-vindo ao time.

É um tema espinhoso e polêmico. Difícil tocar nele pois é complexo demais, envolve tantas questões e pontos de vista diferentes… E, principalmente, envolve desinformação, preconceito e medo. Mas está ocorrendo algo curioso. A violência causada pelo comércio da droga ilegal alcançou níveis tão insuportáveis que a sociedade está sendo forçada, pela primeira vez, a encarar o problema, sem hipocrisia. Não dá mais para varrer a sujeira, e o sangue, para baixo do tapete. O tapete do mundo já está vermelho.

Não adianta dizer aos usuários de drogas ilegais que eles alimentam o tráfico. É um argumento ingênuo, pois significa culpar a natureza humana e sua busca natural por estados especiais de consciência. Se sempre haverá procura, sempre haverá quem forneça. Assim, se o Estado não assume as responsabilidades relativas à questão, alguém o fará. E se o Estado proíbe, a busca natural das pessoas obrigatoriamente descamba para o submundo da clandestinidade e do crime.

A busca por estados especiais de consciência sempre fez parte de todas as sociedades, seja através do álcool, gases naturais, plantas e técnicas meditativas, seja em contextos terapêuticos, religiosos ou recreativos. Por ser um anseio intrínseco à condição humana, proibir as pessoas de buscar esses estados não impediu que elas prosseguissem buscando. Aliás, o que se vê hoje é o aumento generalizado dessa procura, da qual o tráfico se aproveita, e muito bem, fortalecendo-se cada vez mais, infiltrando-se em governos e corrompendo quem surge à sua frente, desde policiais e advogados a políticos, juízes e religiosos, tomando o poder do Estado e fazendo suas próprias leis. E destruindo as sociedades, causando violência e terror.

Quem luta pela legalização compra briga não com a sociedade, mas com o próprio tráfico, que é o maior interessado na proibição, pois precisa dela para manter seu poder. O tráfico sabe que as pessoas não pararão de buscar as drogas. Sabe também que o Estado, comprometido com a hipocrisia e o preconceito, evita sujar as mãos com a questão. O tráfico sabe mais que ninguém que o dinheiro compra tudo, inclusive o silêncio que mantém tudo como está. O dinheiro do tráfico financia inclusive o medo de se discutir o assunto. E nada muda. E as drogas sintéticas ficam mais baratas e acessíveis. E tudo piora.

A tal guerra às drogas já começou derrotada porque é sempre inglório lutar contra a natureza humana. Assim como a Lei Seca, o fim da proibição é questão de tempo. O que milhões de pessoas sempre pediram no mundo inteiro com argumentos sensatos, e nunca foram ouvidas, se tornará realidade por causa da violência insuportável causada pelo tráfico. Não será uma transição fácil, pois a sociedade terá antes que largar a hipocrisia e olhar de frente para um de seus piores fantasmas ‒ e se isso já é difícil num nível individual, socialmente é muito mais complicado. Sim, droga pode destruir quem faz uso dela, claro, mas isso não pode ser motivo para proibir seu uso. O que você acharia se fosse proibido de beber sua cervejinha só porque seu vizinho se tornou um alcoólatra?

Quem tem a droga tem o poder. Não há saída para a sociedade a não ser tomar o poder do tráfico, legalizando as drogas e controlando seu comércio. Não precisamos de proibição. Precisamos é educar nossos filhos e prepará-los para um mundo onde sempre haverá drogas. Não precisamos de uma polícia da mente, mas de democracia, direitos humanos e liberdades individuais. Precisamos de uma sociedade mais justa, com emprego para todos, e não de tráfico e muito menos de guerra às drogas. Precisamos é de amor ao planeta e à humanidade. Precisamos de paz.
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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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.Foto: Psicotropicus

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Textos da trilogia Rio Droga de Janeiro

Quem tem a droga tem o poder
Os discretos sócios do narcotráfico
Guerras às drogas não, antiproibicionismo sim

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JeffersonPeres-01As drogas chegam ao senado

Nesses dias de avacalhação geral da classe política, é muito bom ver que há sensatez e honestidade lá no Congresso. O senador Jefferson Peres (PDT-AM), falecido em 2008, foi mais um dos que se convenceram que a legalização das drogas é a única saída para o problema da violência e da corrupção gerado pelo narcotráfico no mundo inteiro. Sua fala revela lucidez, equilíbrio e visão ampla dos problemas brasileiros e mundiais. E revela também muita franqueza e coragem de dizer aquilo que muitos concordam, mas têm medo de dizer. Parabéns, senador!

> Para ler a entrevista
> Vídeo de discurso no Senado

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Ricardo Kelmer

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4 Responses to Guerra às drogas não, antiproibiconismo sim

  1. silvianny disse:

    legal essa atitude assim mostramos ao mundo o verdadeiro causador

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    • ricardokelmer disse:

      > Isso mesmo, Silvianny. A droga mata? Mata. Mas a proibição mata muito mais. Claro que a sociedade terá custos com a legalização, assim como tem com a proibição. A questão é escolher pelo custo menor, custo de vidas e de dinheiro público.

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  2. Guilherme disse:

    Finalmente as pessoas cresceram e estao prontas para encarar o bixo-papao de frente, se ficar com medo e se escondendo ele vem e te da um tiro de fuzil… enfrentem as drogas de frente

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    • ricardokelmer disse:

      > Podiscrer. Na verdade não temos que enfrentar as drogas, assim como não enfrentamos o cigarro e a bebida: temos é que aprender a conviver com eles da melhor forma possível, com o menor custo pra sociedade.

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