Mariana quer noivar

24/01/2010

24jan2010

Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

MarianaQuerNoivar-04

MARIANA QUER NOIVAR
.

Em 1991, quando eu morava em Manaus, conheci uma entidade da Umbanda que me causou forte impressão: a cabocla Mariana. Anos depois, escrevi um conto sobre ela, O Presente de Mariana, que está em meu livro Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos, publicado originalmente em 1997. É um dos contos de que mais gosto.

A crença em Mariana adquire nuances diversas dependendo da região do país, mas a versão à qual fui apresentado conta que Mariana foi encantada aos dezessete anos e meio, tem a pele branquinha, olhos azuis e cabelo ruivo cor de telha, é bonita, graciosa e brincalhona, e dá conselhos gerais aos que a procuram ‒ mas sua especialidade, digamos assim, é noivar com os homens. Noivar com Mariana significa fazer um pacto com a entidade: ela ensina ao homem a ter sucesso nos negócios, mas, em troca, exige exclusividade em sua vida. Isso significa que o noivo jamais poderá ter qualquer outra mulher, pois Mariana simplesmente não permitirá.

Há vários aspectos interessantes envolvidos na crença. O tema faustiano da venda da alma, por exemplo, está imediatamente visível. É aquela velha história, bem conhecida de nós pobres mortais: que preço estamos dispostos a pagar pelo que desejamos conquistar? Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira? Num mundo onde o que importa é ser alguém, mas que seja alguém rico e famoso, muitas pessoas vendem suas almas nesse sentido, priorizando os negócios e a carreira em detrimento de suas relações amorosas, o que as leva a errar por um sem-fim de relacionamentos insatisfatórios. Vencedor nos negócios, infeliz no amor.

Fazendo uso agora da psicologia arquetípica, vemos em Mariana uma versão curiosa do arquétipo da menina-mulher, aquela que, com sua irresistível mistura de inocência, encanto e malícia, nos seduz e nos arrasta pelos redemoinhos das loucas paixões inconsequentes. Seduzido por Mariana, o noivo é guiado por um tipo de sabedoria de ordem racional e prática, e tem sua energia criativa direcionada para o sucesso profissional com tal intensidade que, de fato, ele o consegue, ou seja, Mariana cumpriu sua parte. O pacto funcionou.

Porém, se por um lado Mariana tem essa sabedoria para ofertar, por outro lado ela é uma adolescente geniosa, ciumenta e possessiva. O noivo de Mariana não escapará de seus caprichos. Focado no reino dos negócios, ele adquire a sabedoria racional necessária para se realizar profissionalmente, sim, mas no reino dos relacionamentos ele possui a idade de sua noiva, dezessete anos e meio, uma espécie de limbo evolutivo, um nem lá nem cá da maturidade psicológica em que a ingenuidade, a possessividade e os caprichos infantis não dão espaço a uma relação adulta e sadia. Preso num estágio infantilizado dos sentimentos, o noivo de Mariana inconscientemente boicota seus relacionamentos amorosos com a sua visão ingênua das relações, sua insegurança e seus joguinhos de controle e poder, e ao fim sempre põe tudo a perder. Ele sofre com isso, mas não consegue escapar desse padrão de comportamento, pois jurou ser fiel à sua noiva.

Mariana seria, assim, um complexo autônomo que se instala na psique masculina e desenvolve intensamente a função racional (pensamento), levando o ego a direcionar a atenção aos negócios e conduzindo o indivíduo ao sucesso profissional, ao mesmo tempo que mantém subdesenvolvida a função oposta (sentimento). O noivado com Mariana é, então, um pacto interno e inconsciente que o indivíduo faz consigo mesmo em nome da realização profissional, mas que provoca um perigoso desequilíbrio psíquico. O noivo de Mariana é um indivíduo racionalmente desenvolvido, capacitado para o mundo dos negócios, mas sentimentalmente imaturo. Dê uma olhada nos homens financeiramente muito bem-sucedidos e certamente encontrará entre eles alguns noivos da caprichosa entidade.

E as mulheres? No contexto ritualístico da Umbanda, pelo menos até onde sei, a cabocla Mariana não noiva com mulheres. Entretanto, o fato dela possuir tais habilidades para os negócios, um dom mais ligado ao princípio yang, sugere que ela também possui em sua constituição algum componente masculino. Isso significa que ela é um complexo psíquico dual, dotado de elementos femininos e masculinos, yin e yang. Assim sendo, a mesma dinâmica do processo também ocorre na psique feminina, ainda mais nos tempos atuais em que a mulher já está bem inserida no ardiloso mundo dos negócios. Talvez haja alguma diferença, mas, a rigor, mulheres também assimilam a mesma sabedoria racional encontrada em Mariana para ganhar dinheiro, ao mesmo tempo que também incorporam sua ingenuidade infantil nos relacionamentos, inviabilizando a todos, um atrás do outro.

Mas deixemos de teorizações, vamos ao conto. Espero que você goste e, se quiser comentar, fique à vontade. Com você, a encantadora Mariana…

 

.
Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

.

A cabocla Mariana, entidade da Umbanda, propõe noivado ao moço Dedé. Noivar com ela significa conseguir estabilidade financeira, mas em troca ela exige fidelidade absoluta

Conto: O presente de Mariana

.

.

LEIA NESTE BLOG

ilha03aA ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Livros: He, She, We – Os rios de nossas vidas correm, na verdade, por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, também percorreram

Mulheres na jornada do herói – As mulheres sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

Carma de mãe para filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

Vade retro Satanás – O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

Blade Runner – Deuses, humanos e androides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso

.

DICA DE LIVRO

MatrixEODespertarDoHeroiCapaEdicaoDoAutor-01Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

 Acesso aos Arquivos Secretos
Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

 COMENTÁRIOS
.

01- Muito bom! – Marcos André Borges, Fortaleza-CE – 2010

> Postagem no Facebook

 

MarianaQuerNoivar-04a


Lama

21/01/2010

21jan2010

O que é mais forte, o amor ou o ódio? Ou será o ódio dos ex-amantes o último recurso do amor?

LAMA

.
Se quiser fumar, eu fumo

Se quiser beber, eu bebo
Não interessa a ninguém

Oito horas da noite. Lena põe o CD no aparelho de som e sobe o volume até o máximo. A música que toca, estridente, é um velho samba-canção de fossa, cantado por Núbia Lafayette. Na calçada, as pessoas passam curiosas, olhando para dentro do bar. Mas Lena não as vê. Encostada à porta do bar, acende um cigarro, dá uma longa tragada e solta a fumaça para cima. Do outro lado da rua está a igreja, ela pode ver o movimento lá dentro, os pastores no palco, os fiéis sentados nos bancos a aguardar o início do culto. Na entrada, uma moça e um rapaz convidam os transeuntes a entrar e aceitar o Senhor Jesus. Lena sorri de vê-los constrangidos pela música que ecoa de seu bar. Então, ele surge, bem à entrada da igreja, de paletó, a bíblia na mão. O rapaz aponta para o outro lado da rua e ele se vira para olhar. É nesse momento que seus olhares se cruzam. E é como se dez anos não houvessem se passado. Os olhares se mantêm fixos um no outro, intercalados pelos carros que passam pela rua. Lena se delicia ao constatar a imensa surpresa nos olhos dele. Pega o copo na mesa e toma um gole de campari. Quando olha novamente, ele já voltou para o interior da igreja.

Se o meu passado foi lama
Hoje quem me difama
Viveu na lama também

Olhai, irmãos, olhai em vossa volta e vereis a Babilônia a seduzir com seu hálito de bebida e suas promessas de luxúria!!! A voz dele, amplificada, extrapola os limites da igreja, atravessa a rua e parece duelar com a música do bar. Lena, imperturbável, toma mais um gole de seu campari. O garçom se aproxima e comenta algo sobre o volume alto da música, mas ela não responde, permanece na mesma posição, o olhar distante. Olhai, irmãs, e vereis as mensageiras de Satanás na porta dos bares e dos prostíbulos, essas almas perdidas cuja especialidade é levar os homens com elas para o Inferno!!!

Comendo da minha comida
Bebendo a mesma bebida
Respirando o mesmo ar

Ele era um garoto quando ela o conheceu… e se perdeu de paixão. Foi uma paixão instantânea, mútua e avassaladora. Semanas depois, seu marido descobriu, expulsou-a de casa e ela alugou para eles um pequeno quarto no centro, cuja cama passou a ser o templo sagrado de seus desejos insaciáveis. E, uma vez juntos, perderam-se ainda mais. Para sustentar os vícios, que não eram poucos, enganaram, roubaram e assaltaram, afundando-se cada vez mais nesse amor bandido. Foi por amor que várias vezes ela foi buscá-lo no hospital, tantas brigas que ele arrumava pelas ruas. Foi por amor que várias vezes, louca de ciúmes, ela bateu nas mulheres que ele insistia em cortejar descaradamente em sua presença. E foi por amor, quando já não havia mais dinheiro, quando mendigavam comida na porta dos restaurantes, quando já não havia mais alternativas, que Lena decidiu alugar o corpo na praça da Central.

E hoje, por ciúme ou por despeito
Acha-se com o direito
De querer me humilhar

Foram oito anos de praça. Oito anos suportando o bafo de cachaça dos operários e o suor fedido dos mendigos. Oito anos vendendo por meia hora aquilo que deveria ser apenas dele durante toda a vida. No fim da noite, ela levava o arrecadado para ele, que aguardava no bar, bebendo e jogando com os amigos. Uma noite, porém, não o encontrou lá. Procurou-o pelas ruas, mas nelas ele também não estava. Quando chegou em casa, já de manhã, encontrou-o em sua cama, com outra mulher. Ela não lembra exatamente do que fez, mas nos autos do processo consta que os policiais, alertados pelos vizinhos, a encontraram sentada no chão, ainda segurando a faca, tranquila e cantarolando um triste samba-canção. E, ao seu lado, os dois corpos ensanguentados.

Quem és tu? Quem foste tu?
Não és nada
Se na vida fui errada
Tu foste errado também

Doze anos depois, foi libertada. Deixou o presídio e foi diretamente ao prédio onde antigamente morava com ele. Depois de muito perguntar foi que soube onde poderia encontrá-lo. Surpresa com o que ouviu, rumou para lá. Era uma modesta igreja evangélica que funcionava no salão do segundo andar de um prédio velho. Ela chegou, sentou-se no último banco para que ele não a reconhecesse e o escutou pregar. Ele falava de amor, fraternidade e perdão. Era um sermão bonito, que tocava o coração. Mas o de Lena não tocou. Antes do fim, ela levantou-se, interrompendo o culto, e dedo em riste na cara dele, gritou tudo que se acumulara em seu coração naqueles doze anos. Doze anos em que ele jamais fora visitá-la. Sequer lhe mandara um lençol limpo. Um mísero bilhete, nem isso. Ele não conseguiu dizer nada, assustado e constrangido por ver exposto, diante dos fiéis, todo o seu passado sombrio. Quando ela fez uma pausa, ele aproveitou e anunciou, solene e em voz alta, para todos ouvirem, que aquela pobre mulher estava possuída por Satanás. Imediatamente, os seguranças avançaram e a seguraram, enquanto o outro pastor assumia o ritual de exorcismo. Ela protestou. Mas foi inútil. Gritou e se debateu. Mas foi tudo inútil. Minutos depois, vencida pelo cansaço, pelo desânimo e pela decepção, deixou-se cair no chão, chorando todas as lágrimas que em doze anos não chorara, enquanto os fiéis, braços erguidos ao céu, louvavam a glória do Senhor Jesus.

Não compreendeste o sacrifício
Sorriste do meu suplício
Me trocando por alguém

Foram várias noites em claro, lutando contra sua própria alma dilacerada e dividida. Uma parte ainda o amava, muito, profundamente, mas a outra parte não conseguia perdoá-lo. Durante quarenta dias e quarenta noites, amor e ódio fizeram de sua alma campo de horrenda batalha, sequiosos por conquistá-la. Até que um dia ela, enfim, adormeceu sorrindo. E dormiu o sono justo dos que finalmente compreendem aquele que talvez seja o maior dos mistérios do amor: que ele perdoa até mesmo o que não tem como ser perdoado. No outro dia, ela foi ao culto, disposta a contar-lhe a boa nova que soprava alegre em seu espírito feito uma brisa de verão. Mas quando chegou à porta do salão foi barrada pela esposa dele, que disse, numa frase curta e cheia de desprezo, que ali ela jamais seria bem-vinda. Enquanto Lena tentava assimilar a surpresa, alguns fiéis chegaram e a enxotaram, levando-a para fora e arrastando-a até o beco ao lado. Foi lá que a apedrejaram. Jogada ao chão, quase desfalecida, o sangue a cobrir-lhe a vista, ela ainda o viu se aproximar, largar um punhado de areia sobre seu corpo e dizer: Pra mim, você já morreu.

Se eu errei, se pequei
Pouco importa

A voz do garçom chega novamente, se misturando às dolorosas lembranças. Enquanto ele comenta algo sobre um caixão e clientes indo embora, dez anos se passam rapidamente em sua mente, dez anos em que ela apenas trabalhou e trabalhou e trabalhou, inteiramente obcecada. E o resultado está aí, na forma desse pequeno bar, que ela inaugura exatamente hoje. Nesse instante, um casal entra. Eles observam o interior do recinto, dão meia-volta e saem, assustados. O garçom, perdendo a paciência, diz que ali ele não trabalha e vai embora. Lena dá outra tragada no cigarro e entra. Caminha até o centro do bar, entre as mesas, e toca o caixão. É um caixão branco de madeira brilhosa, suspenso sobre o pedestal de ferro, como se fosse a decoração principal do bar. Grudada pelo lado de dentro do vidro, por onde se veria o rosto do defunto, o que se vê é uma foto desbotada, onde, sentado numa mesa de bar, um homem jovem sorri.

Se aos teus olhos estou morta
Pra mim morreste também
.

Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

.

.

Este conto integra a série Trilha da Vida Loca. A letra usada é da música Lama, de Aylce Chaves e Paulo Marques, que Núbia Lafayette interpretou de forma magistral.

Este e outros textos integram o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino e o livreto Trilha da Vida Loca – Contos do amor doído

.
.

Trilha da Vida Loca
Ricardo Kelmer – contos

O amor é belo. Mas também é ridículo, risível, trágico… Aqui estão reunidas seis histórias inspiradas em grandes sucessos musicais da dor de cotovelo. Paixões de cabaré, porres horrendos, brigas, escândalos, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor. Amar é para estômagos fortes.

.

.

NÚBIA LAFAYETTE CANTA “LAMA”

.

.

MAIS

Núbia Lafayette canta Lama em programa de TV, 1993 (vídeo)
Núbia Lafayette canta Devolvi, 1994 (vídeo)
Notícia da morte de Núbia Lafayette, 18.06.07

.

.

LEIA NESTE BLOG

PaixaoDeUmHomem-01aPaixão de um homem (Trilha da Vida Loca) – Amigo, por favor leve esta carta e entregue àquela ingrata, e diga como estou

Vou tirar você desse lugar (Trilha da Vida Loca) – De repente, a semana cansativa, o trabalho desgastante, o crediário atrasado da tevê, tudo passou a ser apenas detalhes insignificantes a evaporar ao toque dos dedos dela…

Por que brigamos (Trilha da Vida Loca) – Ou continuava tentando salvar o casamento, e todo o seu esforço não seria nenhuma garantia de sucesso, ou então salvava a si mesmo – se é que existia salvação para ela

Odair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

A última canção – O que mais impulsionava sua voz, a raiva por ela brincar assim com seus sentimentos ou o ódio por pressentir que mais uma vez não conseguiria resistir?

.

TrilhaDaVidaLoca201302Cartaz-2aTrilha da Vida loca – o show

Música e literatura em histórias de amor inspiradas em clássicos da dor de cotovelo. Paixões de cabaré, porres horrendos, brigas, escândalos, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor… Ricardo Kelmer e Felipe Breier interpretam contos kelméricos e músicas de Odair José, Diana, Paulo Sergio, Waldick Soriano e Núbia Lafayette. Sugere-se que todos paguem o couvert antes de cortar os pulsos

Texto e direção: Ricardo Kelmer. Duração: 2h (ou versão de 1h30)
> Saiba mais

TRILHA DA VIDA LOCA
Contos e canções do amor doído

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01- Gostei pra caramba.Li com a música tocando ao fundo, e texto e música se integram naturalmente.O clima é esse.Mais uma vez, vc foi perfeito! Beijos. Mônica Burkle Ward, Recife-PE – abr2007

02- Oba!!!! Adorei Lama e a trilha sonora. Na verdade todos teus textos são hilários…vou começar a esboçar alguns… Beijinhos. Liliana Ostrovski, Rio de Janeiro-RJ – abr2007

03- Muito boa mesmo essa história… VALE UM CURTA… Já pensou? E qto ao Campari, foi boa pedida!! José Lins Jr., Juazeiro do Norte-CE – abr2007

04- olá..ricardo adorei..ler ….o que vc me mandou… Maria Aparecida Brígido, São Paulo-SP – abr2007

05- Adorei essa modalidade de literatura on line, com trilha sonora…. É muito bom vc ter uma musica dando o clima da estória…. Ciça Castello, Rio de Janeiro-RJ – abr2007

06- Oi Kelmer, Já estava com saudade. Bom demais. Adorei! Beijos. Virgínia Lígia de Freitas, Fortaleza-CE – abr2007

07- O CONTO DA VIDA LOUCA ESTÁ TUDIBOM. PARABENS!!!!!BJU Christina Alecrim, Rio de Janeiro-RJ – abr2007

08- Oi Ricardo, Divertidissima sua “trilha da vida loca”, eu ja tinha lido o texto na sua coluna no Povo e fiquei pensando como seria o tal bolero, ai surpresa, a noite chega seu email com a trilha sonora! Haja drama, hein? Parabens! Ah, e quando vai ter apideiti no site? Beijinho de saturday morning. Ana Wauneka, San Diego-EUA – abr2007

09- Dear Ricardo, Adorei a interpretacao da trilha da musica Lama. Voce e’ demais. Adoro de verdade o que voce escreve. E quando e’ que vens me visitar aqui na California? Tem coisas unicas por aqui pra voce observar e depois quem sabe escrever sobre elas. Beijinhos. Raquel F. Araujo, Los Angeles-EUA – abr2007

10- Nossa! Porque depois de tanto sofrimento ela ainda tem que continuar a destruir a própria vida e o seu ganha pão por causa de um sacana?Eu fique muito deprimida com o final deste conto.Ela deveria ter realmente ter aceitado esta dura lição da vida,agradecido por tudo o que aprendeu e por ter sobrevivido e dali prá frente tocar a vida dela com mais humildade e amor no coração. Bia Leite, São Paulo-SP – abr2007

11- Parabéns pelo belo texto, Ricardo! Interessante a maneira pela qual vc abordou as ironias e as desventuras que cercam o universo do desejo e das paixões. Kátia Albuquerque, João Pessoa-PB – abr2007

12- Cara! Parabéns!!! Gosto muito de ler seus textos! Me envie sempre que puder!!! Forte abraço de um fã! Thiago Jede, Três de Maio-RS – abr2007

13- Caramba, que final, rapaz!!!!! GENIAL! Parabéns, mais uma vez! Humberto Batista, Fortaleza-CE – abr2007

14- Minha nossa… sempre, sempre você. Ao terminar de ler estava exausta. Amores… sempre eles… Fabiana Polotto, São José do Rio Preto-SP – abr2007

15- Bem, sobre o texto, adorei, mesmo, assim como a trilha, só vc mesmo, sempre criativo! Parabéns! Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – abr2007

16- Tu tá cada vez melhor, macho véio. José Everton de Castro Jr., Fortaleza-CE – abr2007

17- Campari. :^) Como adivinhou minha bebida preferida??? Bjus… Rildete Ribeiro, Aracaju-SE – abr2007

18- Achei lindo,extremamente sensível, mas muito triste…. Isso tudo daria um belo filme! Tu poderias me mandar a música? Beijinhos. Vanessa Santini Vebber, Caxias do Sul-RS – abr2007

19- Loner, meu breg brother!!! Tá EXCELENTE! Só lembrei dos velhos tempos de Roque Santeiro. Sensacional!!! Valeu! Beijos. Malena, Brasília-DF – abr2007

20- Recebo sempre seus emails e já que, além de nordestino você passou dois meses pelo nordeste. Grava essa: NÃO EXISTE PAREA PRA VOCÊ.Risos.Um abraço. Francisca Fernandes, Fortaleza-CE – abr2007

21- Ô, Kelmer, esse negócio aí da Lena num é amor nao, Cara, é doença… Abraço lusitano e fraterno. Flamarion Pelúcio, Fortaleza-CE – mai2007

22- Adorei a TRILHA DA VIDA LOCA: LAMA. É uma série, não? Muito bem escrito, personagens fortes e sua linguagem está melhor a cada dia. Gostei muitíssimo! Que bom! Cara, mande ver !!! Admiro-o muito nesta empreitada que já é jornada de tantos anos e gosto muito de você, pessoa massa! Abração. Érico Baymma, Fortaleza-CE – mai2007

23- Caro Ricardo Lafayet, O texto é péssimo!!! Não prende a atenção do leitor.Tema banal no cotidiano.Não há humor, poesia, … Prenda o leitor meu caro!!! Na minha opinião, o que faço com imparcialidade, vc alterna bons e maus textos. Quando gosto de um, sei q o seguinte será ruim!!!!! Eduardo Macedo, Recife-PE – mai2007

24- Tá com a gôta!!!!!!!!!!!!!!!!! Show! Nazaré Franca, Fortaleza-CE – mai2007

25- perfeito!como sempre brilhante!te admiro muito!bjs. Beth Alencar, Fortaleza-CE – mai2007

26- Oi, Ricardo! Caramba, vç tem a extrema facilidade de fazer o leitor ler, visualizar e sentir ao mesmo tempo. As emoções de ambos foram introjetadas de tal forma que senti como se estivesse vivendo aquilo.E é que li sem ouvir a música, imagine o apelo q se torna então.Brilhante, sou kelmerfã de carteirinha! Beijos. Lia Aderaldo, Fortaleza-CE – mai2007

27- Eita!!! “Pega fogooooooooooooo o cabaré!!!!” Da até pra dançar um bolerão, hahahahaha!!! Pensa numa “Boate Azul”!!! Adorei o texto!!!! Só trocaria o campari por uma vodka!!! huahuahuahua!!!!! Bjssssssssss. Lua Morena, Luziânia-GO – mai2007

28- Ricardo , que massa a história. Curti. Irei a Sampa semana que vem . Se rolar podemos trocar uma idéia!! abços. Petrus, Fortaleza-CE – mai2007

29- DOREEEEEEEEEEEEI !!! Beijo grande. Ilana Nahm, Rio de Janeiro-RJ – mai2007

30- Lama é o máximo ,dá um filme fantástico , e Odair José me fez viajar nas lembranças , nos finais de noites ,lá na abolição……….no dia que só chegamos em casa a noite depois de um tour enormeeeeeeeeeeee nos bares e restaurantes da cidade , depois de um luau ,com a irmã da Cris , lembra? bom demais…………..tudo que lí me transportou total para lembranças maravilhosas…. é meu amigo , voce está ótimo , muito + sensivel ,calmo ,muito + tudo de bom em um homem……………. Cristina Cabral, Fortaleza-CE – out2007

31- Adoooooooro essa música num mix com Preconceito. Divinas!! Tenho o CD Imitação da Vida (Bethânia) com as duas. Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – fev2011

32- Muiiitttoooo booommmmm!!! Luce Galvão, Fortaleza-CE – fev2011

33- Gostei da ousadia do texto, sou evangélica e tenho horror dessa história de colocar a culpa de tudo em Satanás. Ora e o livre arbítrio? Nota 10 pra o texto “LAMA”. Marilde Jorge, Fortaleza-CE – fev2011

34- Obrigada!! Eh essa mesma! Fala na alma. Aiai..rs Pouco importa…para mim morreste tambem!!! Kkkkkk ohh drama! Cibele Cortez, Fortaleza-CE – nov2012

35- bom demaaaaaaaaaaaaaaissss!!!!! Ana Erika Oliveira Galvao, Fortaleza-CE – nov2013

36- Tu é um show completo. Eugenia Nogueira, Fortaleza-CE – nov2013

37- puuuutzzzz…. ela era bonita, heiiim. Tetê Macambira, Fortaleza-CE – ago2014

Lama-03a


O ridículo das religiões (filme)

02/01/2010

Ricardo Kelmer 2010

Veja o filme pois certamente você rirá do absurdo das crenças dos outros. E, se tiver um mínimo senso de autocrítica, vai dar risada também das suas

Por que, em vez de falar diretamente a todos, Deus envia mensagens apenas a um ou outro escolhido, fazendo com que as pessoas sejam obrigadas a acreditar cegamente em tudo que eles dizem?

Será que os cristãos sabem que a história de Jesus Cristo é mais uma cópia de outras histórias anteriores sobre deuses que nasceram de mães virgens no dia 25 de dezembro, que fizeram milagres, foram mortos e ressuscitaram no terceiro dia?

De sexta pra sábado Deus proíbe os judeus de apertarem botões mas é possível enganá-lo usando-se maquininhas, criadas pelos próprios judeus justamente pra este fim. Mas o que Deus acha de ser enganado?

O comediante estadunidense Bill Maher percorreu alguns países entrevistando cristãos, judeus e muçulmanos e fez a eles perguntas simples, do tipo que as crianças fazem, e o resultado é hilário. Dirigido por Larry Charles (“Borat”), o documentário Religulous (religion + ridiculous) mostra com bom humor a irracionalidade das crenças religiosas e o perigo que elas representam pro futuro do mundo e conclama ateus e não-religiosos a saírem do armário. Você é religioso? Veja o filme pois certamente você rirá do absurdo das crenças dos outros. E, se tiver um mínimo senso de autocrítica, vai dar risada também das suas.

Que bom que filmes como esse estão sendo feitos. Isso indica que as pessoas não religiosas se sentem mais livres pra expor sua opinião sobre a religião e os malefícios que ela causa à humanidade. Somente assim a religião perderá seu injustificável privilégio de não poder ser criticada.

.

Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

.

.

Religulous
2008, 101 min, Documentário
Classificação: 16 anos
Direção: Larry Charles / Roteiro: Bill Maher
Elenco: Bill Maher
Sinopse: O popular comediante Bill Maher viaja a destinos religiosos e analisa com humor as diferentes perspectivas sobre a religião. No documentário, Maher entrevista católicos, judeus e muçulmanos, entre outros credos. Do mesmo diretor de “Borat”.

.

Religulous – Treiler

.

.

LEIA NESTE BLOG

> Bem vindo ao clube dos excomungados – Pra Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto

> Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

> A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica. ATENÇÃO: CONTÉM MENSAGENS POUCO RESPEITOSAS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

> Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

> Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. ATENÇÃO: CONTÉM MENSAGENS POUCO RESPEITOSAS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

> Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos – Crer que o ser supremo do Universo tá do meu lado e castigará quem discorda de mim e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo? ATENÇÃO: CONTÉM MENSAGENS POUCO RESPEITOSAS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

> Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

> O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

> Religião no poder é fogo – A primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos sustentáculos da democracia: a liberdade

.

MAIS SOBRE ATEÍSMO

> ATEA – Assoc. Bras. de Ateus e Agnósticos – Vale a pena conhecer. Ou você tem medo de mudar de ideia?

> Neurocientista e escritora Suzana Herculano sai do armário – Bem vinda ao clube, Suzana!

> Religulous (filme) O comediante estadunidense Bill Maher percorreu alguns países entrevistando cristãos, judeus e muçulmanos e fez a eles perguntas simples, do tipo que as crianças fazem, e o resultado é hilário.

> Ateus.net – Bom site sobre ateísmo.

> Ateus do Brasil – Mais um bom site sobre ateísmo.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

 COMENTÁRIOS
.

01- Este texto mereceria uma resposta assim: se eu tivesse que ter uma religião só minha seria adorar você. Claire, São Paulo-SP – fev2011


Como violentar crianças em 30 segundos

20/12/2009

20dez2009

É a máxima do Compre Baton: hipnotize desde cedo uma criança e você terá um zumbi-consumidor para o resto da vida

COMO VIOLENTAR CRIANÇAS EM 30 SEGUNDOS

.
Publicidade dirigida a crianças. Esta é uma das coisas mais abomináveis do nosso tempo. Tenha isso, tenha aquilo, peça esse brinquedo para o seu pai, inveje o tênis do coleguinha, morra se não ganhar o celular da moda… É revoltante que uma sociedade permita que suas crianças sejam violentadas diariamente, em suas próprias casas, por mensagens publicitárias que exploram covardemente a inocência infantil. É a máxima do Compre Baton: hipnotize desde cedo uma criança e você terá um zumbi-consumidor para o resto da vida.

Os pais sabem bem do que falo. Eles são as segundas vítimas dos terríveis monstrinhos consumidores. Sim, as segundas, pois as primeiras vítimas são as próprias crianças que, por causa da publicidade, tornam-se crianças sempre insatisfeitas e sofrem, entre outros males, de obesidade infantil e erotização e alcoolismo precoces e, no futuro, serão adultos condenados a buscar inutilmente a realização pessoal no consumo desenfreado. E os responsáveis por isso? Seguem impunes e vendendo cada vez mais.

Se você concorda comigo, convido-o a participar da campanha Publicidade Infantil Não. No site da campanha (publicidadeinfantilnao.org.br) há mais informações e você pode assinar o manifesto que pede mudanças na lei. E no YouTube você pode ver o documentário Criança, a Alma do Negócio (2008), da diretora Estela Renner, com quem tive a honra de trabalhar quando fui roteirista do sitcom Mano a Mano, exibido pela RedeTV em 2005. É claro que as tevês, as agências de propaganda e as empresas de produtos infantis não estão gostando muito dessa campanha. Mas elas sabem que os dias de moleza estão no fim.

Agora, quer saber de outra coisa igualmente revoltante? É o abuso religioso infantil. Assim como convencer uma criança a comprar e consumir é nojento, é uma violência impor uma religião a uma criança. Criança não tem que ser catequizada – criança tem é que curtir a infância. E não existe criança religiosa, o que existe são pais religiosos. Educação religiosa infantil é mais que covardia ou chantagem: é lavagem cerebral que pode durar a vida inteira. Mas eu sei que essa questão é bem mais polêmica e que quem ousar levantá-la certamente será apedrejado.
.

Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

.

Site da campanha Publicidade Infantil Não
Saiba mais e assine o manifesto

ONG Instituto Alana
Pelo bem das crianças

As crianças transexuais
Sim, elas existem. Leia a crônica e veja o documentário Meu Eu Secreto

Carma de mãe para filha
Quando os filhos pagam caro pelos pais. Crônica

Documentário Consuming Kids – The commercialization of childhood
Em inglês

.

Comercial de celular
(ou como a Claro violenta crianças)

.

Criança, a alma do negócio
versão reduzida do documentário, 10 min. Assista na íntegra aqui

.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer
 (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01- Concordo e e’ Demaisssssssss!!!! Vera Lucia, Londres-Inglaterra – fev2001

02- ai, me dói ver isso. como em toda profissão, tem os éticos e os não! fim da feira! Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – fev2011

03- O capitalismo selvagem não respeita faixa etária. Foda-se! Eu quero é vender! Nojentos. Fernando Veras, Camocim-CE – fev2011


Em busca da mulher selvagem

19/10/2009

19out2009

Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser, e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

EM BUSCA DA MULHER SELVAGEM
Ou: Homens que correm com elas

.
Em minha vida, sempre me atraíram mulheres de iniciativa. Desde menino, elas me fascinaram, as desafiadoras da cultura machista, as que recusavam o modelito cristão de mulher virtuosa. Desde cedo, foi para elas o meu olhar, as que se rebelavam contra regras sociais idiotas, convenções sexuais sem sentido, modelos de relação baseados na posse do outro e tudo que queria a mulher submissa e sob controle. Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser, e não a mulher que família, religião e sociedade impunham que ela fosse.

Mas me faltava a exata consciência disso. Eu queria uma mulher liberta, sim, mas não sabia que queria.

Então, li Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. E tudo fez sentido. Lá estava o que eu intuía sobre a mulher e a relação entre os gêneros, mas ainda não sabia verbalizar. O livro me veio quando eu já lidava melhor com meus aspectos femininos e, por isso, me identifiquei profundamente com ele e com a histórica questão da domesticação da mulher.

Por meio de mitos e lendas coletados pelo mundo, a autora mostra como sobreviveu, mesmo escondida sob muitas formas simbólicas, o arquétipo do feminino selvagem, o modelo da mulher conectada com os ritmos e valores da Natureza e de sua própria natureza, o modelo da mulher livre. Um belo livro, que tem ajudado muitas mulheres a resgatar o que séculos de repressão lhes usurparam: o direito de serem o que quiserem. Um livro que fala essencialmente do feminino, mas também fala de homens e deveria ser lido por todos.

Esse livro me fez entender o que eu apenas intuía: a mulher da minha vida é e sempre foi a mulher livre. E que foi essa mulher que, mesmo sem saber, eu sempre busquei em minhas relações, ainda que às vezes a temesse. E que foi por ela que a muitas eu deixei, ao perceber, mesmo sem saber explicar, que eu jamais poderia ser totalmente eu ao lado de uma mulher domesticada.

Mas como aceitar e amar essa mulher liberta sem, antes, eu mesmo me libertar do que também me limitava? Para merecê-la, era preciso me livrar de qualquer pretensão de controlá-la, esse resquício maldito de minha herança cultural-religiosa.

A ficha caiu após ler o livro de Clarissa. Ele me ajudou a assimilar o feminino em meu ser e foi exatamente isso que me fez deixar de temê-lo, me fez mais selvagem no sentido psicológico-arquetípico, me fez mais livre. O efeito prático disso tudo é que eu finalmente me abri para relações mais igualitárias e, principalmente, para receber a mulher livre que eu tanto procurava em minhas relações. Primeiro, eu a libertei em mim. Aí ela veio de fato, enfim ela pôde vir. Veio linda, plena e radiante, e eu vi em seus olhos o reflexo dela própria em mim. E desde então continua vindo, e eu e ela somos lobos que cruzam florestas, atraindo-se pela fome louca que temos um do outro.

E eu sei que ela sempre virá. Pois esse amor que trazemos em nós, incompreendido por simplesmente não erguer cercas de posse e jaulas de controle, é o amor que aprendemos a respeitar em nossa própria natureza e que nos alimenta de alegria e liberdade a alma selvagem.

.
Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

.

.

Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido

LIVROS

vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
Ricardo Kelmer – contos e crônicas

Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

.

.

en español

EN BÚSQUEDA DE LA MUJER SALVAJE
Ricardo Kelmer

EmBuscaDaMulherSelvagem-02base1aFue Marilia quien me prestó ese libro en el 2002, cuando yo ya andaba con curiosidad por leerlo. Después Rafaela me lo regaló. Y después conseguí la versión digital. O sea, ese libro quería que yo lo leyera, y fueron las mujeres quienes me lo trajeron. Lo leí y me encantó. En las páginas de Mujeres que Corren con Lobos estaba lo que yo intuía sobre las mujeres y la relación entre los géneros, pero que aún no sabía verbalizar. Leí el libro en una etapa de mi vida en la cual yo lidiaba mejor con mis aspectos femeninos, y por eso me identifiqué profundamente con él y con el tema histórico de la domesticación de la mujer.

Terminé la lectura sintiendo en mi alma una avalancha de ideas y sensaciones, y sintiendo también que llevaría un buen tiempo hasta que todo aquello asentase y yo consiguiera organizar mis pensamientos y reagrupar las verdades que, aunque no eran tan nuevas para mí, ahora eran evidentemente claras. Usando mitos y leyendas recolectados en varias partes del mundo, la autora muestra como sobrevivió, escondido bajo muchas formas simbólicas, el arquetipo del femenino salvaje, el modelo de la mujer conectada con los ritmos y valores de la naturaleza y de su propia naturaleza, el modelo de la mujer libre. Un libro bellísimo que ha ayudado a muchas mujeres a rescatar lo que siglos de represión les usurparon: el derecho de ser lo que quisieran. Un libro que habla esencialmente del femenino, pero también habla de los hombres y debería ser leído por ellos igualmente.

A mí, el libro de Clarissa me hizo especialmente entender que, en mi vida, desde temprano, me fascinó el arquetipo del femenino salvaje. A causa de eso siempre me atraían las mujeres con iniciativa, las desafiadoras de la cultura machista y las que rehusaban el modelito cristiano de mujer virtuosa, las que se rebelaban contra las normas sociales idiotas, convenciones sexuales sin sentido, modelos de relación basados en poseer al otro y todo lo que hacía mantener a la mujer sometida y bajo control. Era por ella que yo siempre me enamoraba, por esa mujer que era quien ella misma deseaba ser y no la mujer que la familia, religión o sociedad imponían que ella fuera.

Ese libro me trajo una de las más importantes revelaciones que he tenido, que la mujer de mi vida es y siempre será una sola: una mujer libre. Y que fue esa mujer, aún sin saberlo, la que yo siempre busqué en mis relaciones, aunque la temiera. Y que fué por ella que abandoné a muchas mujeres al intuir, sin saber explicar, porque yo jamás podría convivir al lado de una mujer domesticada.

Sin embargo, ¿cómo aceptar y amar a esa mujer libre sin liberarme antes yo mismo de lo que también me limitaba? Para merecerla, yo también necesitaba liberarme de cualquier pretensión de controlarla, de ese resquicio maldito de mi herencia cultural y religiosa.

Tomé consciência después de leer Mujeres que Corren con Lobos: ese libro me ayudó a asimilar la parte femenina de mi ser, y fue exactamente eso lo que me hizo dejar de temerlo, me hizo más salvaje en el sentido de los arquetipos psicológicos, me hizo más libre. El efecto práctico es que ahora finalmente estoy abierto para relaciones más igualitarias y principalmente para recibir a la mujer libre que tanto buscaba en mis relaciones. Entonces ella vino, al fin pudo venir. Vino hermosa, plena y radiante, y vi en sus ojos el reflejo de sí misma en mí. Y desde entonces sigue llegando, y ella y yo somos lobos que cruzan bosques atraídos por el hambre salvaje que tenemos el uno del otro.

Y sé que ella siempre va a venir, porque este amor que llevamos en nosotros, por lo general incomprendido por no tener alambrados de posesión y jaulas de control, es el amor que aprende a respetar a nuestra propia naturaleza, y que nos alimenta con alegría y libertad el alma salvaje.

(Traducción: Silvia Polo. Revisón: Felipe Ubrer)

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01- Não tenho a menor dúvida, RK, que é pelas mulheres Lilith – mulheres serpentes, que tu é fascinado e arriadinho. Tua alma é Lilithiana, criatura de Deus e do Diabo, de Abraxas!!!! Tava com saudade de tu. Rauariú, sacerdote do Grande Mistério Andrógino? Onde mora o perigo, querido, também mora a salvação, a conjunção. Pat Maria, Salvador-BA – out2009

02- Gostei do que vc escreveu. Ando relendo de novo o livro e vejo quantas coisas se assemelham a mim. Parabens. Um abraço. Christina Costa, Brasília-DF – out2009

03- Li há pouco tempo a biografia de Leyla Diniz.Essa sim é a personificação do feminino selvagem. Bjs. Mônica Burkleward, Recife-PE – out2009

04- Nossa adorei o trecho. Síntese do que venho exercitando na minha vida. Jamille Abdalah, São Paulo-SP – out2009

05- Grande Kelmer, você, como sempre, produzindo textos bacanas e bem bolados. Esse do feminino, então, show de bola, a foto foi por demais bem feita. parabéns!!! Forte abraço. Luís Olímpio Ferraz Melo, Fortaleza-CE – out2009

06- Kelmer, vou correndo ler o livro Mulheres que correm com os lobos. Essa mulher, livre, que dá banana pro machismo, que vive plenamente todos os prazeres hedonistas que lhe interessam, que toma iniciativa (mesmo sabendo do preço que paga por isso), essa mulher, sou eu! Beijão e.. valeu o toque. Vou xeretar teu blog pra saber mais. Meire Viana, Fortaleza-CE – out2009

07- Meninas, vale entrar no blog e dar uma conferida… Beijos. Ana Zanelli, Rio de Janeiro-RJ – out2009

08- Kelmer, até que enfim um homem entendeu o livro da Clarisse… (!) Claudia Santiago de Abreu, Rio de Janeiro-RJ – out2009

09- Que crônica ótima,gostei,só nÂo sei se me encaixo ‘100% nesse modelo de MULHER SELVAGEM viu. bjo parabéns pelo o trabalho fantástico. Eunyce Fragoso, Campina Grande-PB – out2009

10- Ei amigo,que bom que você descobriu as mulheres que correm com lobos… Que elas sempre estejam presentes no seu mundo! Se cuida tá! Lua, Fortaleza-CE – out2009

11- vc é especial, realmente quer e gosta de conhecer a alma feminina. faz de um tudo para compreender!!! Uma tarefa um tanto complicada,,,, Haja paciência!!! rs. Vânia Farah, São Paulo-SP – out2009

12- Quem tem medo da mulher livre?? O homem preso, oras (risos) Beijos ternurentos Tô adorando o livro…pena estar na correria e estar com tempo reduzido a zero…. mas logo termino… Beijos, outros. Clau Assi, São Paulo-SP – out2009

13– Ricardo, eu sou tua fã demais!!!! Vc é http://www.tudodebom.com.br/quehomeéesse!!!!! O sonho de consumo de toda mulher selvagem, incluindo eu mesma, claro! Bjs;. Karla K, Fortaleza-CE – out2009

14- Hoje tive oportunidade de entrar no seu blog, por indicação de uma amiga. Fizemos parte de um grupo de vivências apoiadas na leitura do Mulheres que correm com lobos e ela me recomendou a leitura da sua crônica Em busca da mulher selvagem. Fiquei encantada. Acabei lendo também os contos As fogueiras de Beltrane, que amei, Um ano na seca e a crônica Homens perfeitos também alopram. Interessante como você circula com competência rara entre o sagrado/mítico/profano/humor… Será com prazer que voltarei à sua página. Parabéns belos belos textos e por suas múltiplas artes. Elvira, Brasília-DF – out2009

15- Adoro esse teu texto. Um bj e saudades. Ana Cristina Souto, Fortaleza-CE – jan2011

16 – Adorei seu texto… amei.. ahahha. Della Kopf, Fortaleza-CE – jan2011

17- Eita que coincidencia nao existe! Peguei mulheres que correm com os lobos para re-ler ONTEM e vi o seu post hoje. ‘A selvagem’ esta no ar… Marília Bezerra, Nova York-EUA – jan2011

18- adoro mulheres q correm com lobos! a minha está resgatando…. Maria Sá Xavier, Niterói-RJ – jan2011

19- Parabéns pela resenha! Muito bem produzia! Tecendo um pequeno comentário sobre a obra eu diria que de fato, Clarissa consegue em “Mulheres que correm com os lobos”, retratar aspectos do ser mulher, em seu sentido – eu diria mais primitivo do SER, antes de tudo do ser humana, em sua forma primeira, inacabada e cheia de conflitos, de forma rica, cativante e única. Uma boa leitura para quem quer se descobrir mulher ou mesmo se redescobrir enquanto tal. PARABÉNS! Alda Batista, Mossoró-RN – ago2011

20- Uiiiii, isto é forte, grande lobo!!! Muito bom!!! Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – jan2013

21- Também estou lendo esse livro! Amando! Dri Flores, São Paulo-SP – jan2013

22- Um dia vou criar coragem e ler esse livro 🙂 Chacomcreme, São Paulo-SP – jun2013

23- Amei sua resenha. Tenho o livro já faz 3 anos. Preciso começar a leitura. Mais uma vez, parabéns pela resenha. Greice Araras-SP – jul2013

24- Um dia vou criar coragem e ler esse livro 🙂 Chacomcreme (skoob.com.br), São Paulo-SP – jun2013

25- Amei sua resenha. Tenho o livro já faz 3 anos. Preciso começar a leitura. Mais uma vez, parabéns pela resenha. Greice (skoob.com.br), Araras-SP – jul2013

26- Parabéns pela resenha! Muito bem produzia! Tecendo um pequeno comentário sobre a obra eu diria que de fato, Clarissa consegue em “Mulheres que correm com os lobos”, retratar aspectos do ser mulher, em seu sentido – eu diria mais primitivo do SER, antes de tudo do ser humana, em sua forma primeira, inacabada e cheia de conflitos, de forma rica, cativante e única. Uma boa leitura para quem quer se descobrir mulher ou mesmo se redescobrir enquanto tal. PARABÉNS! Alda (skoob.com.br), Mossoró-RN – mai2014

27- Amei seu comentário sobre a visão a respeito não somente dessa obra,mas a sua sensibilidade perceptíva da sociedade.e te digo pensamos iguais sério.em relação com os dois universos feminino e masculino devem ter respeito antes de tudo. Barbie Wolf (skoob.com.br), São Paulo-SP – set2020

28- sério, esse foi a melhor resenha referente à está obra que já li.Concordo com tudo que foi escrito. Aline (skoob.com.br), Recife-PE – out2020

29- Cara, nem li o livro, mas depois dessa resenha, serei obrigada a ler. Monique Costa (skoob.com.br), São Luís-MA – dez2020

30- Obrigada por ter escrito essa resenha… enxe a alma de esperança e a certeza de q nada esta perdido. O livro é explendido, estou terminando, e cada página é uma lição e força para continuar a busca da Mulher Selvagem adormecida. Renata Prandini (skoob.com.br), São Paulo-SP – jan2021

31- Comentário sensacional. Fabrícia Leal (skoob.com.br), Teresina-PI – jan2021

32- apenas uma palavra descreve essa resenha: “uau”. Nathalia Nadesko (skoob.com.br), Brasília-DF – mar2021

33- Que resenha mais linda e recheada de emoção e compreensão do universo feminino. Estou começando o livro agora e a sua resenha me encheu de energia… Muito obrigada !!🙏 Tati (skoob.com.br), Vinhedo-SP – abr2021

34- No Tantra, chamamos de “masculino curado”, quando o homem reverencia o feminino em pé de igualdade, respeito e amorosidade. Miguel Costa, Rio de Janeiro-RJ – jul2021

35- Show. Clea Fragoso, Fortaleza-CE – jul2021

36- Para encontrar precisa ter certeza…jamais será o mesmo..! Lucivanea De Souza Borges, Beberibe-CE – jul2021

37- Adoro esse livro. Luiza Perdigão, Fortaleza-CE – jul2021

38- Amo esse livro, transformador. Valéria Rosa Pinto, Rio de Janeiro-RJ – jul2021

39- Próxima leitura. Francisco Antonio Mota, Fortaleza-CE – jul2021

40- Ahh que maravilhosa!! Esse livro é incrível, Ricardo. Vc é o primeiro homem que sei que o leu. Ahh como seria bom se tantos mais o lessem. Vc certamente é um Manawe. Obrigada pela partilha de sua experiência com a Mulher Selvagem! Aline Matias, Fortaleza-CE – jul2021


Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos

15/07/2009

15set2009

Crer que o ser supremo do Universo está do meu lado e castigará quem discorda de mim, e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo?

SANTA LUANA, LIVRAI-NOS DOS FANÁTICOS

.
Lendo os comentários que recebeu minha crônica sobre proselitismo religioso no esporte (Religião no esporte é gol contra), comprovei o perigo que a religião representa para o mundo. Meu texto defende limites no comportamento de jogadores que usam o esporte para divulgar ostensivamente crenças religiosas. A imensa maioria discordou, claro, pois a imensa maioria dos terráqueos é religiosa. O preocupante foi o tom de animosidade dos comentários. Em lugar de considerações racionais e equilibradas, esses religiosos cospem grosserias, xingamentos e até ameaças, dizem que estou possuído pelo demo, que eu defenderia a propaganda de drogas e que sou babaca, gay e fascista, insultam minha mãe e pedem minha saída do jornal. Quanto fanatismo…

Um assunto delicado e polêmico como esse poucos ousam abordar diretamente, pois inventou-se que não se deve criticar a religião – um privilégio absurdo. No entanto, os problemas que o fanatismo religioso causam ao mundo trazem naturalmente à tona a necessidade de discutir o assunto com urgência.

A história da humanidade está encharcada de sangue por causa da religião. Mulheres e homossexuais já foram perseguidos demais pelo machismo das religiões. O terrorismo religioso é atualmente a causa da maioria dos conflitos no mundo. A fé fanática leva as pessoas a lutarem contra o que não segue seu livro sagrado, e para isso vale explodir clínicas de aborto, trens e edifícios.

Nenhum religioso se acha fanático, porém é sutil o fanatismo religioso. Crer que o ser supremo do Universo está do meu lado e castigará quem discorda de mim, e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo? Ah, mas não existem deuses, só existe um único deus, o monoteísta argumenta, e é claro que esse deus é exatamente como ele entende, e jamais como os outros possam entender. É fanatismo, sim. Querer impor a todos uma crença irracional que se resume a uma mera questão de fé íntima e que não se pode comprovar – isso não é fanatismo?

Insistem num ponto os favoráveis ao proselitismo religioso no esporte: que impor limites seria ir contra a liberdade de expressão. E disso me acusam, putz, logo eu que tenho a liberdade como bandeira de minha vida. Claro que a liberdade de expressão é sagrada e sem ela não há democracia, mas há situações mais e menos convenientes para se expressar. Se um torcedor aproveitasse uma cerimônia religiosa para exibir a camisa e propagandear a paixão por seu clube, os fiéis da igreja certamente protestariam. É uma questão de conveniência social.

Haveremos de encontrar um meio de proteger o esporte das interferências da religião, até porque um evento esportivo não é um evento religioso. Evidentemente as religiões têm todo o direito de organizar eventos esportivos e, nesse caso, o esporte seria legitimamente usado a favor delas – mas as competições da Fifa são essencialmente laicas e ela tem todo o direito, em sua preocupação por preservar o espírito esportivo, de proibir certos tipos de manifestações. Se os jogadores religiosos não fossem tão ostensivos em sua fé, nem haveria essa discussão.

Algumas religiões precisam demais do mal para combater. E o mal está nos que não creem em seu deus ou está no deus das outras religiões. Para algumas religiões não haverá descanso enquanto houver infiéis. É óbvio que isso em nada contribui para o convívio harmonioso entre os diferentes, e é aí que mora o perigo do proselitismo religioso no esporte: essas religiões não suportam a diferença. Se elas se unissem, vá lá, o esporte até ganharia com isso, mas não é o caso: as religiões se detestam.

Temos que defender a liberdade de expressão, sim. Devemos ser livres para dizer o que pensamos, fazer humor politicamente incorreto, criticar governo e instituições, ridicularizar celebridades e até zombar das religiões. Se um jogador tem o direito de usar uma camiseta “Deus é fiel”, outro também poderia usar uma “Deus é assassino”. Se um jogador pode propagandear o cristianismo, por que outro não poderia divulgar o satanismo? A expressão religiosa deve ser livre, sim, mas o esporte não é o melhor lugar para isso.

Eu falava da reação dos religiosos à minha crônica. Se me fizeram até ameaças, o que poderá acontecer se as religiões se encontrarem abertamente no esporte? Se o deus de uma for o diabo da outra, os jogadores saberão ser gentis? Para o esporte, um jogo é só um jogo, mas para as religiões o que está em jogo é a supremacia de seus deuses. E, é claro, a conquista de mais fiéis, pois hoje templo é dinheiro.

Atualmente os ateístas somam 5% no mundo inteiro. Os teístas são esmagadora maioria, sim, mas a crença numa entidade criadora e gerenciadora do Universo, em vez de unir, só os divide, gerando violência e fanatismo, o que prova mais uma vez que valores morais independem de religião. O único antídoto contra o fanatismo é a relativização da fé religiosa, ou seja, cada pessoa entender sua religiosidade ou a falta dela como apenas um modo particular de lidar com o imenso mistério da vida, e que não faz sentido impô-la aos demais. Porém, se isso anularia o fanatismo, também significaria o fim das religiões organizadas. Conclusão: a religiosidade é mais sadia que a religião pois a religião é fanática por natureza.

Minha conclusão não quer convencer ninguém da existência ou inexistência de deuses, mas sim mostrar que a religião está diretamente ligada ao fanatismo. E se existir alguma religião que considere relativa a sua visão individual do divino? Uau, eu adoraria saber disso, mas não boto fé.

As crenças religiosas são uma questão pessoal e não deveriam deixar o âmbito da intimidade para se meterem no plano esportivo ou político. Aquele crucifixo na parede do Congresso Nacional, por exemplo, não poderia estar ali pois pela constituição o Brasil é um Estado laico. Se pode um crucifixo, então pode também uma estátua de Exu. Ou, se existisse a ISLUP, Igreja dos Seguidores de Luana Piovani, poderia também uma imagem dela lá – o Congresso continuaria o mesmo covil mas ao menos ficaria mais belo. A propósito, como o fanático vê o demo em tudo, é capaz de alguém achar uma mensagem cifrada nas iniciais dos parágrafos deste texto. Ô povo imaginoso.
.

Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

.

Obrigado, Luana, por ter emprestado vossa santíssima beleza pra embelezar este humilde texto.

Entre pra ISLUP – Igreja dos Seguidores de Luana Piovani. O primeiro passo é saber pronunciar corretamente o nome da igreja, a língua em reverência, como se lambendo um sorvete: IsLLLLLLLup… Após isso, deixe sua inscrição num comentário cá embaixo.

.

LEIA NESTE BLOG

futebolbrasil2009copaconfed-02.jpgReligião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos – Crer que o ser supremo do Universo está do meu lado e castigará quem discorda de mim, e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo?

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu

.

.

ENQUETE

.

.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS

Obrigado a todos os leitores que comentam meu trabalho. Mesmo que discordemos em nossas opiniões, sua participação me deixa bastante honrado. Comentários enviados por e-mail ou importados de outros sites poderão ser reduzidos. Para garantir a reprodução total de seu texto, poste diretamente neste blog. Comentários postados em maiúsculas poderão ser recusados.

.

01- Se LUANINHA ME AMA, que ela venha a mim pra me fazer feliz. Ô mulher bonita!!! Muito inteligente, Ricardo Kelmer. Parabéns! Giovanni, jul2009

02- Entre um homem pragado numa cruz de braços abertos sangrando e a Luana na sua frente com as pernas abertas, você escolhe o quê? Lu Lu Lu Lu Lu Lu Lu Lu Lu Lu Lu Lu !!!!!!!!! – John Lock, jul2009

03- Excelente comentário, pena que contra religião, não há razão. Eduardo, jul2009
RK: É verdade. Mas se eu ficar lembrando disso, desistirei de escrever.

04- Concordo pelamente com seu ponto de vista, a religião acaba com as pessoas formão desunião uma rivalidade sem fim um fanatismo que eles não consequem ver eles são cegos e as igrejas fazem uma lavagem nas pessoas que elas não se dõa conta de tanto fanatismo…isso não considero fé!Ricardo Kelmer adoro vc!!! Jessyka, jul2009

05- Kelmer vc se supera!!!tudo nesssa vida tem que ter equilíbrio e bom senso, inclusive a fé!!!parabéns pela profundidade dos comentários, mas, sem ser despeitada, não acho que a Luana esteja com essa “bola” toda…kkk..!!!bjo. Irismar, jul2009
RK: Luana Santinha te perdoa, Irismar.

06- a verdade está somente em Cristo,Kilmer você não pode generalizar a tudo e a todos, a própria palavra de Deus diz que no final dos tempos apreceriam todo tipo de blasfêmias que muitos esfriariam na fé. Que Deus tenha misericórdia de mim e de você. Nazareno Germano Máximo, jul2009
RK: Putz, agora fiquei sem entender se eu faço parte dessas tais blasfêmias. Posso trocar por blasfêmeas?

07- Viiiiva o deus do KELMER: VIVA A MACONHA!!!Jogadores, exponham nas suas camisas: LIBERAÇÃO DA CANNABIS JAH!A FAVOR DA MACONHA SEM PRECONCEITO DAS MINORIAS!Ricardo Kelmer BASEADO NISSO aplaudirá e exaltará em seus artigos!Só assim vcs deixarão escritor maconheiro feliz! Paulo, ago2009
RK: Caramba, Paulo… Obrigado pela publicidade gratuita do meu livro Baseado Nisso. Em retribuição, deixarei a ponta pra você.

08- Concordo com o artigo de Ricardo em quase tudo, exceto que no Brasil o “DEMO”(PFL)é responsável por tudo que não presta no país, inclusive e principalmente no SENADO. Arlindo Pacheco, ago2009

09- Quanto ao fato de haver crucifixos e outros símbolos religiosos em prédios públicos no Brasil, isso é justificável, pois a grande maioria dos brasileiros é católica e a Igreja Católica tem parte fundamental na nossa formação cultural. Luigi Nocrato, ago2009
RK: Claro, claro. E certamente você continuaria com a mesma opinião se a maioria dos brasileiros fosse do candomblé.

10- Kelmericas, esse seu artigo mostra claramente que você não domina nenhum dos dois assuntos: Futebol e Religião. Existe coisas que só podemos comentar se conhecermos a sensação de vive-las. Antonio José, ago2009
RK:
Eu conheço a sensação de viver a religião, Antonio José. Fui dirigente e palestrante de grupos de jovens católicos e tentei converter muitas almas para Deus Nosso Senhor. Frequentei outras religiões para conhecê-las de dentro, inclusive escolas iniciáticas e grupos esotéricos. E também estudo mitologia comparada. Eu não me arriscaria a escrever sobre tema tão difícil e controverso se não soubesse do que falo. Fique à vontade para ler o blog e saber mais sobre minha história e meu trabalho.


Religião no esporte é gol contra

29/06/2009

29jun2009

Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

RELIGIÃO NO ESPORTE É GOL CONTRA

.
Brasil tricampeão da Copa das Confederações, Kaká o melhor jogador, Luís Fabiano o artilheiro, troféu Fair Play de equipe mais disciplinada… Festa bonita mesmo. Dunga, a Canarinho, a CBF e a torcida estão de parabéns!

Mas agora terei que ser o estraga-prazer, é o jeito, pois tem algo que me preocupa muito mais que os gols que o Brasil faz ou deixa de fazer: estou falando do proselitismo religioso no esporte. Putz, esse negócio de jogador exibir mensagens religiosas já passou dos limites. A Fifa precisa fazer algo, assim como fez em relação às mensagens políticas, senão em breve o futebol será um grande púlpito de devotos a fazer propaganda de seus deuses para o mundo inteiro.

Lúcio foi o herói do jogo mas não deveria ter posado com aquela camisa onde se lia “I love Jesus”. Não foi um comportamento digno de capitão do time, afinal a cerimônia de premiação é oficialmente parte do evento e, além disso, Lúcio representa o grupo e nele há jogadores com outras crenças. Kaká também usou uma (“I belong to Jesus”) após a partida mas não a exibiu durante a premiação. E se outros jogadores fizerem o mesmo? Teremos um palanque religioso cheio de mensagens, com Deus, Alá, Jeová, Jesus, Shiva, Yemanjá e outras entidades disputando a atenção das câmeras. E os ateus, eles também não terão direito a uma camisa?

Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras, e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. Comoum jogador evangélico se sentiria ao lado de outro que exibisse na camisa “Reencarnarei com Jesus” ou “Eu pertenço ao Demo”? Ué, se uma religião pode, todas podem. E se a minha religião for declaradamente contra a sua ou o meu deus for inimigo do seu? E as torcidas, como se comportarão? Será que esses jogadores não calculam o risco do que fazem num mundo onde as diferenças religiosas patrocinam atentados, guerras e genocídios?

Que Lúcio ame Jesus, tudo bem, ele ama a quem quiser. Que Kaká pertença a Jesus, ótimo, o passe espiritual é dele. Mas o esporte nada tem a ver com as crenças pessoais dos jogadores – isso é misturar o público com o privado. É o mesmo que um deputado usar o plenário para propagandear sua religião. Deputado está no plenário para legislar e jogador está no campo para jogar. Misturar política ou esporte com fervor religioso não dá certo. Por favor, senhoras e senhores jogadores, respeitem o espectador e divulguem sua fé em outra ocasião. O esporte deve ser laico e não político, para que ele não se desvie de sua essência mais legítima, que é a confraternização entre os povos.

Sei que toco num tema delicado e não duvido que algum religioso raivoso me xingue e me acuse de ser contra a liberdade de expressão e coisital… Nada disso. Quem conhece meu trabalho sabe bem do quanto prezo e luto pela liberdade. Não tenho religião nem tenho deuses ou deusas a honrar (a Luana Piovani não conta), mas sempre lutarei pela liberdade individual de qualquer um de tê-los. Esporte, porém, não é igreja – pelo bem do esporte e pela paz no mundo, sigamos esse primeiro mandamento.
.

Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

.

.

MAIS SOBRE O ASSUNTO

Fifa repreende comemoração religiosa do Brasil – estadao.com.br

Seleção de futebol é do Brasil ou de Jesus? – opovo.com.br

Fervor religioso nos gramados causa constrangimento – colunistas.ig.com.br

Ateus.net – Humor, reflexão, dicas de livros, batepapo

.

LEIA NESTE BLOG

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

Bem vindo ao clube dos excomungados – Para a Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto

Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu. O que pode sair disso?

Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos – Crer que o ser supremo do Universo está do meu lado e castigará quem discorda de mim, e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo?

A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica

> Textos sobre religião e ateísmo neste blog

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

 COMENTÁRIOS
.

01- É de lascar o mané tem até um blog é mole,penso q só ele le a si mesmo.Onde esse ex jornal das mutidões arrumou esse mala e sem alça. Ribamar Alves, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

02- É só ver o exemplo do Kaká que que passou a ser o representante mundial do casal de estelionatário da “igreja” Renascer. Ou seja, o cara divulga pro mundo interio um casal de bandidos que usa a religião para enganar e roubar pobres ignorantes, coisa muito comum nesta monte de igreja-empresa evagélica que surge em cada esquina. Luiz Araújo, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

03- Após esse comentário totalmente absurdo, inadequado, sem o menor sentido, jamais colocarei meus olhos em qualquer comentário que seja desse “abençoado” sujeito. O jornal deve urgentemente tomar alguma providência contra uma pessoa deveras despreparada para lidar com o público. É cada um que aparece, meu JESUS… Também, um colunista? (escritor?) que tem como DEUS a Luana Piovani, é de se esperar qualquer coisa hehehe. Até nunca mais!!!!!!!! Rocha, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

04- Esse cara pelo fato de não ter religião se incomoda com esses pequenos detalhes,não tenho religião porem respeito quem louva a sua,acho bonito, melhor do que falar em violencia e politica. acho o comentário desse cidadão meio sem sentido,não acho q manifestação religiosa dos jogadores ou artista de um modo geral não incomoda ninguem afinal de contas é melhor louvar o nome de Jesus do q exibir uma arma. Ribamar Alves, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

05- Esse Luiz Araújo é no minimo desinformado e acima de tudo um preconceituoso,sou relativamente pouco informado mas nunca vi nem ouvi kaká falando sobre o casal da igreja em questão.Afinal o jogador em referencia não vai mais dormir por causa da opinião dele. Ribamar Alves, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

06- Impressiona-me que um “jornalista” não compreenda que o esporte também é um meio de expressão. E qual o problema se diferentes crenças forem expressas simultaneamente num evento esportivo? Lastimável não é a livre expressão, e sim sua intolerância, como, por exemplo, a reportagem acima. Marcelo Trévia, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

07- Isso é que dar autorizarem qualquer um se auto-afirmar jornalista… Aí um… o que esse cara é mesmo??? Vem falar abrobinhas como estas… Se o Lúcio não tem o direito de expressar-se num momento de superação como o que viveu, tenho certeza absoluta que uma opinião como esta, jamais deveria ser sucitada em um jornal que quer ter credibilidade. Se o futebol não é palanque, um jornal que se preze não pode permitir-se a aceitar uma coluna tão ridícula, sem propósito… Quem bom era o tempo em que escreviam jornalistas de verdade. Ob, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

08- Engrçado nã, quando os jogadore tiram a camisa para exibir seja lá o que for e até mesmo a pornografia o mundo aprova mas quando exibe algo que rea0lmente faz sentido na vida dos jogadores,onde está o erro? impressionante como isso incomoda alguns uma atitude dessa de agradecimento é louvável sim, afinal vivemos a era da comunicação não é verdade SR. Ricardo Kelmer e cada um tem o seu direito de expressar como queira e com certeza com o coração e verdadeiramente feliz. “O que é bom tem de ser compartilhado pois esse é o nosso maior legado”. Albert, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

09- Como é? Não acredito que estou lendo tal barbaridade no conceituado jornal “O Povo”. Se entendi bem, caro “jornalista”, estás defendendo a censura? É isso mesmo? Quer dizer que um jogador (ou mesmo um deputado) não pode expressar sua fé? Por que não? Não estamos falando de tirar a camisa no desenrolar de uma partida, pois aí poderíamos considerar um deserespeito ao uniforme (ou ao patrocinador, na verdade). Mas, após o jogo e para comemorar uma conquista? Tenha paciência!! Por que qualquer um pode escrever uma coluna e expressar suas idéias e preferências (as mais amalucadas, inclusive) e um jogador, não? Responda-me, por favor. Ou você concorda com essa censura para (pseudo)jornalistas também? Você não acha isso muito perigoso? Sou apaixonado por futebol, porém há muito tempo não tenho mais coragem de ir aos estádios. Se nos fosse possível escolher, você optaria por uma arquibancada transformada em campo de batalha (é, isso sim dá medo) ou uma arquibancada pacífica, ordeira e com torcedores vestindo camisas com as inscrições I LOVE JESUS? Outra coisa, eu prefiro um deputado que defenda a sua fé (qualquer que seja ela) a um que aja subrepticiamente, na moita, através de atos secretos. Cláudio Moreira, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

10- Nunca vi alguem se queixar qdo se via despacho de macumba nos campos de futebol.E aonde se tira a liberdade individual vc manifesta que ama alguem,se Deus,que nos criou e nos mandou ama uns aos outro.Como um pai que tem vários filhos,pede para eles se amarem.Seria muito,e ruim o filho dizer que ama esse pai.Sim,porque Jesus é Deus,e foi Ele que nos fez. Tira se a libertade individual é vc matar outra pessoa. Graça, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

11- Concordo com o jornalista. No mundo em que vivemos, onde há guerras e terrorismo por conta da religião, o futebol não é o meio adequado para se divulgar crenças. Se continuar assim em preve teremos homem bomba dentro de estádios lotados para protestar porque o “Deus” dele é mais justo e bondoso do que o do jogador X que está em campo, e porque o “Deus” é o melhor ele se acha no direito ne matar e mutilar milhares de outras pessoas que não tem a sua mesma fé. Silvia, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

12- vejo q vc fala na luana piovani, mas aposto q vc é muito é gay. Claudemilson, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

13- Admiro muito mais aqueles que fazem o bem, sem olhar a quem…do que os que nada fazem, mas se vestem “100% Jesus”. Roupa nao vale nada!!! O que vale sao os atos!!!!Queria ver ao inves da camisa, era uma atitude dos jogadores doando estes “rios de dinheiro” para orfanatos e instituicoes de caridade. Isso sim, seria um ato respeitável e glorioso…Praticar o bem, sem ficar idolatrando de forma vazia. As pessoas esqueceram que a parte mais importante das religioes é prática da bondade, misericórdia e solidariedade, tanto no Cristianismo, Judaísmo, e na religiao Mulcumana (nao falo de outras, porque conheco menos). Acho que se os jogadores usassem uma camisa “100% Paz”, estaria agradando tanto a Deus (a paz é divina!), como contribuiriam com uma mensagem positiva para um mundo cada vez mais violento. preto velho, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

14- è uma preocupação muito mesquinha essa sua, quer dizer então que, exaltar atraves do esporte a cerveja a cachaça e o cigarro pode, e a cocaina tambem pode? Washington Portela, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

15- Amigo, não tenho religião mas conheço bem partes da Bíblia. Ela, em uma das passagens nos manda pregar o evangelho e Jesus Cristo como salvador de nossas vidas a todas as criaturas. Portanto, eles estão mais do que nunca cumprindo a palavra de Deus, mesmo porque as obras sem a fé não valem nada. è melhor mostrar caráteres de jogadores que buscam estar próximos de Deus do que mostrar jogadores beberrões e cachaceiros ou usuários de drogas. A violência hoje impera em toda a sociedade e você pregando a fé através de Jesus Cristo diminui essa ânsia de inversões dos princípios cristãos, porque desde há muito tempo os valores humanos e familiares têm ficado em segundo plano. Eles apregoando a fé em Jesus Cristo estará sim incentivando muitos jovens a buscar o lado espiritual do que estarem sendo invadidos por mensagens de consumos de drogas e outras afins. Pedro, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

16- Lamento pela infelicidade desta material, principalmente sendo veiculada por uma entidade que sempre lutou pelo direito de expressão livre. Quantas mensagens são exibidas durante eventos públicos que tem trazido desgraça e morte de jovem que acabam cometendo atos catalizados pelas drogas e alccol. O importante é deixar claro que a publicação da fé de alguma pessoa não pode ser interpretada como prejudicial a ninguém. Desejo que Deus abençoe grandiosamente sua vida e projetos conforme a vontade Dele, e que a cada dia você cresça em sabedoria e amor, pois Dele jorra uma fonte ilimitada e acessível a todos. Jorge Rodriguescoluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

17- O Cristianismo nunca foi uma religião para ser mantida secreta. Se os primeiros cristãos foram até mártires em palcos “esportivos” como o Coliseu, você acha que pode censurá-los agora? Paulo, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

18- Legal,Kelmer, vc ter tocado nesse assunto, pois o mesmo me incomoda tb. E quanto à Santa Piovani, no meu quarto tem um altar exclusivo dela. Abraço. Giordani Carvalho, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

19- Parabéns pela crítica, pois religião, é sinônimo de: individualidade, respeito e paz. Regina de Nazareth Gouveia Martins – jul2009

20- infeliz comentário, deve ser falta de assunto. Francisco, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

21- Ricardo, bom dia! Muito prudente sua expressão. O importante é que pensamentos, palavras e ações sigam sempre no mesmo caminho. O Homem é um vaidoso quando se exibe e não faz e nem pensa. O Homem é um difamador, quando não faz e não pensa. O Homem é um fraco quando fala e não pensa e não faz. Fraternal Abraço. Éwerton, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

22- Ricardo Concordo com você. Que cada um agradeça as Bençãos recebidas no silêncio do seu coração e que em sua ações no dia-a-dia possa evangelizar e não apenas em um momento na frente das cameras. Muito pertinente o seu texto. Saudações ! Minerva, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

23- O Jorge Rodrigues tem razão. Você nao pode pensar que a Fé de alguém venha prejudicar aos outros. É uma característica dos protestantes em expressar sua Fé de forma bem explícita. E mesmo eu, sendo católico, confesso que NUNCA me incomodei com isso. Próximo a minha casa existe uma igreja evangélica e acredite, o som que me pertuba o sono é do forró dos carros dos adolescentes. Marcelo, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

24- Pois é, eu entendí sua boa intenção, Sr. Kelmer. O verdadeiro Cristinanismo ultrapassa todas essas barreiras, a intolerância em sí não vem da religião e sim dos seus seguidores, que são hipócritas e não aplicam em suas vidas os próprios preceitos de sua religião. Em parte o que você falou é verdade, mas exagerou um pouco: “Isso não é um comportamento digno de capitão do time”. Pega leve. Lili, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

25- AMIGO, gostaria muito que você tivesse o prazer de conhecer Jesus,o que Lúcio e Kaka anunciou foi Jesus e não uma religião,eles não disseram sou Evangélico,ou macumbeiro ou espirita,eles falaram de Jesus,sem chingar relegião,credo ou puliticos,gostaria muito que você deichasse Jesus fazer a obra em sua vida.Reflita nisso por que Jesus te deu inteligência para falar coisas boas e abençoar vidas.Pensse nisso! Ari Junior, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

26- Prezado Ricardo, Pensei que vocês vinculariam criticas a esse comentário, que vi ontem no site do yahoo, feito pela membro da FIFA um dinamarques e não apoiar tal situação, infeliz comentário o seu, pensei que não dariam créditos. Está está deve está presente em todos os lugares, os jogadores não estão fazendo apologia a religião X ou Y, mas sim agradecendo a Deus pela vitória. Rafael, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

27- Querido Ricardo Kelmer(redator da coluna) será que vc. não teria nada mais importante para divulgar neste conceituado jornal. Camarada, tantas coisas absurdas que acontecem no futebol como: Desvio de dinheiro, Brigas em estádios, protecionismo parcial a determinadas agremiações… e vc. perde seu tempo a falar de opções religiosas. Peço que o redator chefe deste espaço tome providências neste caso, pois sou leitor “fiel” deste jornal e como tal, quero redações inteligentes e animadoras e não medíocres e preconceituosas. Teomar Mesquita, coluna Kelméricas, O Povo On Line –  jul2009

28- Fique tranquilo,menino. Essas manifestações religiosas só são vistas em jogadores brasileiros, que adoram aparecer e dar uma de bonzinhos.Afinal, brasileiro adora uma presepada para se exibir. Voce já viu algum jogador muçulmano,asiático ou mesmo africano com essa palhaçada? Nem eu.Sabe porque? Porque lá eles tem mais noção e não precisam recorrer a essa palhaçada para aparecer ou fazer média com o pa$tor da igreja, que sempre leva uma comissão do mané(10%). Dr. Mundico, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

29- É lamentável o comentário do jornalista… se ele é ateu.. até respeito… só não adimito ele usar um meio de comnicação para expressão sua opinião pessoal… para louvar e agradecer DEUS… não tem hora nem lugar… sou católico e concordo com as atitudes dos jogadores evangélicos de louvar e agradecer a Deus… já que os estádio precisam tanto de paz. João Batista, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

30- Fiquei indignada com o conteúdo do que li. Moro na Europa e aqui existem pessoas de todas as religioes e tambem um grande número de ateus. Mas, em nenhum momento, li na imprensa qualquer comentario a respeito da declaracao de amor a Jesus pelos nossos jogadores de futebol. Jesus pregou a paz e o nosso futebol precisa justamente de paz, tanto dentro de campo como fora dele. E nao esqueca prezado colunista ” Jesus te ama tambem”!!! Joselia Biersack, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

31- Isso q é um ateu revoltado com a proclamação de Deus!!!Todos ali são pessoas q dedicam sua vitoria a um Deus no qual eles acreditam , não é da conta de ninguém,eles são os melhores jogadores do mundo .Devemos ressaltar isto e não fazer criticas a uma frase exibindo sua fé ,muito pelo contrario, são pessoas que não se exaltam em se ,somente em Deus.Acho q esse foi um comentário sínico simplista de sua parte para demonstrar sua inconformidade com a fé,na qual você não deve ter. Victor Raidni, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

32- Jesus Cristo é para ser proclamado sempre e em todo o lugar! Dizer que a manifestação desses atletas é uma forma de tentar aparecer é no mínimo infantil. Ora, se ele já brilha por ter feito o gol não precisaria de mais nada. Pelo contrário, na grande maioria das vezes “divide” aquele momento mágico com Deus e o oferece em ação de graças. Agora se alguém está enciumado com isso… Bom, isto é outra história. Haroldo Antunes, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

33- DEVIA SER PROIBIDA QUALQUER TIPO DE CAMISA POR BAIXO OU NO LUGAR DA OFICIAL COM QUALQUER TIPO DE MANIFESTAÇÃO…QUER LÁ SABER SE ALGUÉM AMA JESUS,JEOVÁ,ALAH…A MÃE, A FILHA, O URSINHO DA COCA COLA…ENFIM O CÃO QUE FOR……USEM SÓ A CAMISA DO TIME E PRONTO!!!! MAS QUE ISSO SÓ É VISTO NO FUTEBOL BRASILEIRO ISSO É VERDADE!!! Raimundinho, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

34- Infelizmente Ricardo Kelmer esse seu comentário está fora de ar. Considerar uma manifestação, um ato religioso, você precisa transcender este seu campo mediocre de percepção. Sabia que ali nas estampas das camisas de alguns jogadores está escrito uma declaração de amor ao Deus Todo Poderoso que não se prende e jamais de prenderá a religião, pois, DEUS ESTÁ ACIMA DE QUALQUER RELIGIÃO. Espero que você abra sua mente, para o conhecimento da verdade que está Nele JESUS CRISTO. Queiroz, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

35- O bom senso e grande parte das religiões não fundamentalistas, pregam a tolerância entre os povos e suas crenças. Não vejo problema algum em atletas ou qualquer outra pessoa manifestar, individualmente, sua fé ou mesmo a falta dela. Vejo, sim, como lamentável, criticar esta liberdade individual, respaldada pelo ART 5º da nossa Constituição. Nossos atletas, nosso povo, têm sua espiritualidade e isto precisa ser respeitado. A fé ou a falta dela é prerrogativa de cada indivíduo, influencia nosso comportamento, e por consequência a política, o esporte, o trabalho, o comportamento da sociedade, que é resultado da ação dos homens, isto é inevitável. Que mal haveria em a seleção iraquiana, ao final do jogo expor camisas, “Eu louvo a Alá”, ou algum outro, “Eu sou atéu”? Se você não tem coragem de frequentar a redação com uma camisa “Eu amo Jesus”, use então uma com “Eu adoro a Luana Piovani”, haverão muitos materialistas sem cérebro que te acharão “o cara”. Roberto Campos, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

36- Pelo jeito esse nobre escritor não conhece, ou pelo menos dá a entender, que cada religião tem a sua própria Doutrina. Pois bem, no Evangelho está escrito “portanto, ide! Ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”. Mt 28:19. O apóstolo Paulo cita em II Tm 4:2 “Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda longanimidade e doutrina”. O que os “Atletas de Cristo” estão fazendo, nada mais é do que cumprir a vontade e o mandado do seu Mestre, o Senhor Jesus Cristo. Também, a História nos prova que um povo não separa a vida, digamos, uma parte religiosa e outra atéia, e que o proselitismo religioso faz parte de toda e qualquer religião. O Judaísmo, o Hinduísmo, o Cristianismo, o Confucionismo e o Islamismo nos mostram essa realidade. Dessas grandes religiões mundial,temos de convir que o cristianismo é a mais perseguida, por quê? Agora eu faço outra pergunta: Será que se esses atletas fossem muçulmanos e fizessem uma manisfestação de ação de graças em nome do Islã, alguém teria coragem de criticar e pedir a proibição? Ricarterith, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

37- vc é um infeliz,coração de pedra ñ sabe nem o q ta dizendo.Q Jesus te perdoe pq vc é um pobre de espirito. Deus esta acima de qualquer religiao. E uma manifestação de amor é valida em todo lugar. seu ipocrita. Renata, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

38- Péssimo comentário este,talves o mundo esteja assim,tão complicado por causa de pessoas como este rapaz. que ver uma mensagem de paz e cria uma guerra. Evaldo Oliveira, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

39- Como ficou bem claro no final, esse Sr., não conhece ou melhor não reconhece o AMOR DE DEUS na vida dele, só o fato de está vivo, acordar todos os dias e ter a liberdade até mesmo de se colocar contra o povo de DEUS, é prova de que o Senhor JEUS o ama muito. Caro Ricardo, conheça JESUS,sinta uma PAZ que só Ele nos propociona,seja curioso, procure saber desse DEUS que tanta gente AMA. Tenho muita certeza que DEUS TE AMA MUITO e que ainda vou ler um lindo artigo seu, contando o seu encontro com Ele (JESUS). Fique na PAZ DE CRISTO, estarei orando pelo Sr. Abraços!!! Sandra, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

40- acho que realmente o Ricardo nao tem o que publicar ou teve ser ateu para ficar se metendo na religiao dos outros para mim e o isso e falta do que fazer .meta se com a sua vida e va trabalhar que e melhor. Simone Moura, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

41- Que o Senhor Jesus seja louvado! É incrível como o inimigo de Deus usa as pessoa para falarem por ele. O comentáio escrito pelo Sr. Kelmer foi infeliz já que o Rei dos Reis é o Senhor do Universo e dono de Todas as coisa e por tanto usa quem Ele quer e onde quer para propagar a sua palavra e salvar os seus filhos mostrando-les o caminho para salvação.Oro a Deus pelo Sr. Kelmer. Madalena Patrícia da Silva, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

42- Muito correto o comentário!!! Futebol não tem nada a ver com religião!! Isso pode gerar inclusive embate sem sentido de torcidas!!! E o time é um grupo, tem q se respeitado a religião de cada um! E não como pareceu, uma seleção católica, ou crente… e se tivesse alguém do candomblé lá na seleção, será q a pessoa nao ficaria constrangida na hora que rezaram o time todo d mãos dadas o pai nosso??? Bruno, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

43- ESSE RICARDO SÓ TÁ QUERENDO APARECER…NÃO TEM O QUE PUBLICAR E FICA ESCREVENDO ESSAS BOBAGENS! BICHONA! Paulo, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

44- acho que assim como nois temos livre arbitrio para escolher a religiao ,o time ou o partido que queremos os jogadores tambem tem esse direito e acho que nao e um ou outro que vai sensacionalizar ou tentar tirar o direito das pessoas sendo jogadores ou nao.obs Ricardo nao seja estupido a ponto de querer aparecer discutindo a religiao dos outros. Simone Moura, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

45- Primeiro,o senhor só poderia ser ateu. Acredita que veio do macaco, e não é semelhante ao seu criador. Se o senhor preza pelo mandamento de liberdade, neste momento estar contradizendo-se.E o mandamento que conheço, é que devemos amar a deus sobre todas as coisas, e a seu irmão com a se mesmo. Partindo deste princípio, todos seremos iguais, e sendo iguais não há o pq de entrarmos em confronto.Há várias religiões,mas só há um caminho a seguir, q é JESUS. O senhor estar invertendo as coisas, e o q poderia ser um ato de liberdade, de livre expressão, aparece alguém para reprimir. O sehor foi muito infeliz neste comentário. Jackson Barros, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

46- É pena ouvir isso de uma pessoa tão “culta”. Esse moço não entende que o Rei dos Reis está presente em tudo. Que se ele não permitir, nem futebol haverá mais. E que se Ele quiser calar a voz desse cidadão, ele cala. Sr. Kelmer, qual o seu problema com Jesus? Qual o por que de tanta revolta? Tenho plena convicção de que o Senhor te ama muito. E que depois de Ele ter lido sua mensagem, apenas sorriu. Não disse nada. e nem precisa. Sr. Kelmer, mais cuidado com o que fala! Socorro Melo, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

47- Apoiado! Esses crentes são chatos demais, querendo impor suas crenças a todos. Ou você está com eles ou contra… Não tem respeito algum às crenças dos outros cidadãos. Pois bem: Respeitem para serem respeitados! E mais, o futebol, por si só, já é uma “religião”, e tem seu problemas com torcedores… Imagina só ver um quebra-pau entre a torcida católica e a torcida crente, no estádio! Deixemos as religiões em seus lugares de adoração. Vamos aprender a respeitar as diferenças, ao invés de execrar quem pensa diferente. José de Almeida, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

48- a minha opnião é que a religião não salva ninguém, nem budismo, espiritismo, maria, evangélica ou seja, nem uma outra, agora em relação as mensagens das camisas estão plenamente corretas pelo fato de só o Senhor Jesus salvar(jo 14.6) eles trouxerão uma palavra de paz para o povo africano que é uma nação oprimida(jo 10.10). contudo isso eles estão certo!!! Douglas, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

49- Precisamos entender que o mundo está reconhecendo quem é o rei verdadeiro desse mundo. Nada podemos fazer se as pessoas estão acreditando mais em Deus. É melhor nos conformamos pois 50% da população Brasileira em 2020 conhecerá esse Deus. Espero que você também reconheça isso e acredite nesse Deus. Ninguém vai poder para isso, pois é plano de Deus. Cícero Lima, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

50- Também fico irritado com algumas dessas manifestações religiosas. Algumas realmente chegam a me incomodar, e olhe que eu sou uma pessoa espiritualizada. Mas não acho que devam ser banidas. Acho que eles têm o direito de manifestar sua fé em agradecimento pela conquista, qualquer que seja o deus em que eles acreditem. Agora… Se Lúcio estivesse usando uma camisa com a foto de Luana Piovani esse indivíduo que escreveu essa… coisa aí (não aceito chamar de crônica)… não teria reclamado de nada, talvez tivesse elogiado. É uma manifestação ideológica, quer ele reconheça quer não. O futuro desse país é sombrio; políticos pilantras, jovens imbecilizados e jornais com esse tipo de conteúdo. Futuro sombrio… Brasileiro, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

51- e ae? cada um na sua… cada um faz o que quer… de maneira geral é uma opinião infeliz! Poderia ter ficado calado, mas entendi que a sua intenção era de “fazer chover comentários”… tsc tsc, parece até que é um amador. Kabal, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

52- menosprezante é a sua opnião diante de um Deus que é exaltado até debaixo do mar!!! Lucilo, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

53- SR. Ricardo Kelmer Vc não sabe o que fala !! Não tem a noção e dimensão do que um jogador desse passou na sua vida , para hj estar Glorificando e exaltando o nome de JESUS. Agora se fosse uma propaganda de CERVEJA o SR. Ricardo Kelmer não falaria nada se fosse propaganda do fernandinho beira mar e o seu PÓ vc estava calado.. deixe de ser usado pelo satanás e venha para JESUS aceita-lo como SENHOR E SALVADOR de sua alma. Thiago, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

54- Bem, não concordo com a opinião do Sr. Ricardo Kelmer, pois os jogadores são pagos para jogarem bola durante os 90 minutos + acréscimos que a partida venha a se estender, durante esse momento realmente são pagos para jogarem futebol. Porém, creio que após o jogo, na comemoração de uma vitória, os jogadores têm o direito de manifestar-se livremente acerca de seus credos, pois é livre esse direito, com tanto que não venha a ofender a ninguém. Francisco Filipe Uchoa Carneiro, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

55- Ricardo, é a primeira vez que leio algo e seu e vou te dizer, cara: Parabéns! Dificilmente algum colunista consegue não tendencionar suas idéias / seus ideais nos seus leitores. E o tema, também, fugiu do óbvio. Independente da opinião que se tenha sobre qq coisa, o mais importante é saber expor “toda a coisa”. Bom mesmo. Tatiana Rodrigues, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

56- “Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão.” (Lucas 19:40) Rapaz, pense num assunto complicado,esse que você entrou. Concordo no ponto que Thiago fala sobre “dimensão do que um jogador desse passou na sua vida”. Sou protestante e se tivesse a oportunidade diria a todos: Jesus mudou a minha vida, e pode mudar a sua também, de uma forma incompreensível a nossa realidade, mas, essa sensação só é sentida após uma verdadeira mudança. Viva na verdade de Deus e não na aparente verdade desse mundo. Que Deus abençoe você, sua casa e que tu possas ver quanto é bom viver o melhor de Deus para nossa vida. Abraço! Haroldo Campos, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

57- falar de Deus nunca é gol contra…. nunca existirá inconveniente em se falar Jesus… vc deveria procura ler + sobre Aquele te criou…afinal, tudo é por Ele, Dele e para Ele…estarei orando por vc…. Deus abençoe, queridooooo. Kelly, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

58- “Estado Laico” – Qual desta frase essas pessoas não entendem ? Parabéns Ricardo. Jannayna – jul2009

59- repórter fascista! e que acha dos nomes dos filhos e das esposas nas camisas e tatuagens? como a de daniel alves?…tb deve ser proibido? Sincera, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

60- Foi o comentário mais imbecil, sem sentido e infeliz que já li, parece até que o escritor está indignado por ter outra crença … essa poderosa palavra JESUS CRISTO não incomoda ninguém, a não ser que é contra Ele … Ricardo, que Jesus tenha missericordia da sua vida e não entre nesse merito, pois a maioria do mundo acredita em Jesus Cristo como salvador e só vi até hoje na minha vida você reclamando de tal manifestação. Haroldo Viana, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

61- É!! RESLAMENTE DELICADO FALAR SOBRE ESSE ASSUNTO, RELIGIÃO VERSUS FUTEBOL, MAS TEMOS QUE ENTENDER UMA COISINHA CHAMADA “RESPEITO”: TANTO NÓS PESSOAS COMUNS, COMO ELES OS “REIS DA BOLA” TEMOS NOSSOS DIREITOS E ISSO DEVE SER RESPEITADO, DEUS VEIO PARA TODOS, PORÉM É PRECISO AGIR COM SABEDORIA E COM RESPEITO AO PROXIMO, SE VC AMA REALMENTE O SEU DEUS, NÃO PRECISA MOSTRAR NUMA CAMISA, BASTA QUE AME TAMBEM O SEU RPOXIMO E DÊ SUA VIDA POR ELE COMO DEUS FEZ ENVIANDO SEU FILHO PARA NOS SALVAR! PAZ NO CORAÇÃO DE TODOS E QUE DEUS OS ABENÇOE! Gil, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

62- Ricaro vc é igual a maioria da imprensa,se rola alguma coisa ruim em relação a religião todo mundo comenta e critica,mas se os caras exibem frases e nada tem de errado vc critica também! Vc é um tremendo pagão isso sim.Vc nunca vai aceitar que as pessoas falem de Deus ou demonio ou outra coisa parecida,porque vc já é uma marionete dominada por ele(demo) e está cego assim como a maioria,nada vai te fazer mudar de opinião,só existe uma ocasião em que vc abrirá os olhos,será na sua morte,e aí pode ser tarde demais. Deus tenha misericordia de sua alma seu pagão incrédulo. (Covarde anônimo), coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

63- esses comentaristas deveriam se preocupar com a violência que ronda a cidade, em vez de se preocupar com crenças religiosas dos jogadores, pelo menos eles creem em algo importante para sua conduta e formação como homens,parabéns LÚCIO E KAKÁ, POR SEREM HOMENS DE BOA PROCEDÊNCIA, POIS NUNCA VI NINGUÉM MATAR OU ROUBAR, POR NOME DE JESUS, MAS SIM FALAM DE PAZ E SALVAÇÃO E ISSO SIM É BOM!!! Ricardo Rodrigues, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

64- Super contraditório!!!fala em liberdade e critica a forma como os caras comemoram e dedicam as suas vitórias…cada um comemora como quiser, quem não gostar que mude o canal e fique na sua! Respeite a LIBERDADE deles meu querido! cara incomodado…eu hein! Ione, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

65- E eu como sempre uma doida que concordo ctg e discordo dos outros! hahaha Ótimo texto! 😉 Marina, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

66- O q tu tem a ver com a fé dos outros? se tú não tem fé o problema é teu. deixa os caras em paz e procura o q fazer, até parece q tu não tem é assunto pra comentar. (e é o que parece) Daniel Barros, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

67- caro kelmer, excelente post, meu camarada. o problema é que a negada tá contaminada com o vírus do fanatismo religioso. “Afirmar que determinada religião é falsa é uma asserção com a qual a esmagadora maioria da humanidade tende a concordar, desde que o juízo não se refira ao seu próprio credo” ¿ Hélio Schwartsman. abçs. Carlos, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

68- Seu texto não é só parcial; é pobre de consistência também. Suas falácias dão nojo… pensei q vc pararia na questão da “camisa do ateu”, mas foi até uma comparação esdrúxula entre esporte e estado! P/ um escritor “liberto incondicionalmente” vc está mais preso do q muitos.. Felipe Luiz, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

69- QUERIDO KELMERICAS… A UNICA COISA QUE TENHO A LHE DIZER EH: QUE DEUS TENHA MISERICORDIA DAS SUAS PALAVRAS MEDIOCRES!! E QUE DEUS POSSA UM DIA AUMENTAR SUA FE, QUE TA MUITO POUCA OU NAO EXISTE!!! DEUS TE ABENCOE. Natalie, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

70- No dia do Senhor.ele vai se lembrar do que disse. Pirulito, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

71- E vc acha que Deus permitiu q eles ganhassem atoa? Eu sei que o diabo tá muito é do furioso com as lindas declarações de amor q os meus queridos conterrâneos brasileiros fizeram! Um comentário desses só poderia ser inspirado por alguém q não tem a presença do Dr. Espírito Santo em sua vida… Vou orar por vc Sr. Kelmer. Ana, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

72- Engraçado vc falar tanto de liberdade… e não deixar as pessoas livremente se expressarem! Que Deus te abençoe! Georgia, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

73- O mais engraçado disso tudo é a perspectiva dos fanáticos,pra eles uns estão gordos, outros religiosos, o que realmente querem? Claudiane Martins, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

74- Sensacional e corajoso o comentario. afinal a religião é algo intimo.Muito mais que palavras mensagens é preciso ação, pois nem todos que dizem senhor, senhor herdarão o rei so ceu, mas aquele que faz o vontade do meu pai. hoje jesus é o maior mercadoria para ser vendida.Vale lembra que nas outras seleções estão tambem filhos de Deus, se a seleção tivesse perdio Deus teria esquecido de seus filho? Francisco Antonio de Oliveira, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

75- Deus e Jesus não tem nada a ver com a conquista do título. Ateu,graças a Deus, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

76- Achei o comentário muito corajoso!!! Mas não vejo problema em o cara expressar sua fé, seja ela qual for, principalmente se considerarmos que a grande maioria deles o fazem pós-jogo. Que problema tem isso?!?!?! Gilverlan, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

77- Faça me o favor Sr. Kelmer…. Tenho certeza que o espaço disponível nesta coluna, deveria ser utilizado para de5ates que envolvam a essência do esporte, o gol, a linda jogada, etc…. Sua preocupação com a expressão espiritual do próx, não deveria ser levado a público, através de um veículo para o “puro” debate esportivo. Como em outros espetáculos, o esporte é uma arte… e pelo que entendo, ninguém recrimina expressões de fé em peças de teatro, filmes ou programas de tv. Porque reciminá-la no esporte ? Portanto, o Sr. deveria destinar seu comentário ao esporte tão somente… pois, como mesmo disse, cada um expressa sua fé da maneira que convém (LIBERDADE). No Uzbequistão, por exemplo, não podemos expressar a fé cristã…por isso o fazemos aqui. E este ato dos jogadores mostra justamente a liberdade que todos devem ter. Como disse que política não tem haver com fé, se há feriados criados em homenagens a santos, hein?! um abço. Daniel, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

78- Adorei o artigo. Deveria ser proibido fazer demonstrações religiosas num jogo. Eu APOSTO que se eu fizer propaganda do MEU ATEÍSMO, pouca gente vai gostar. Claudio, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

79- Li em algum lugar e concordo: “A religião é o maior defeito do homem, e a dúvida a sua maior virtude.” Deus não existe bando de alienado, tomem consciencia da responsabilidade de cada um de nós nesse mundo. Nós somos responsaveis por tudo de bom e tudo de ruim nessa terra, não existe Deus nem o diabo. Silvia Costa, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

80- As camisas deles não me incomodou em nada. José Carlos, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

81- Mas que baboseira! E no final das contas eu não entendi qual é o problema em os jogadores mostrarem camisetas com essas mensagens. Que tal acabar com a lei do impedimento? Ou com a violência dentro e fora dos gramados? Se incomodar com mensagens de amor a Jesus? Quê que é iiiisso!?!! Jolliens, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

82- É difícil compreender a razão de matérias como essa jamais terem sido escritas, mesmo sendo certo que os jogadores, há muito tempo, fazem menção notória à própria fé durante a prática esportiva. Por exemplo, quanto ao sinal da cruz, antes, durante e depois de cada jogo, em uma clara demonstração de fé católica. Também não vi reportagens assim quando jogadores comemoraram seus gols com danças tipicas do candomblé, como Vampeta, por exemplo, ex-Corintians. Por que apenas a fé cristã evangélica revela-se danosa ao ser exposta em um jogo de futebol ? A fé invade os campos porque, antes, invadiu o coração daquele que a tornou pública diante das câmeras. Os cristãos das mais variadas tendências, orientações e origens jamais criticaram a manifestação alheia. Mais do que reportagens como a que ora comento, o que de fato precisamos é de respeito. Mais respeito, Ricardo Kelmer. Luiz Freitas, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

83- Por que expressar o amor a Deus, é tão ruim assim??? Mas se fosse para alimentar a propaganda de uma bebida ou de um cigarro isso seria uma maravilha… O Mundo já está sem Deus… E não divulgar o seu amor a ELE só alimenta mais ainda o ódio, o rancor, o egoísmo…. Gilton Barreto de Castro, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

84- que absurdo o que eu acabei de ler,que o senhor tenha misericordia desse escritor Ricardo Kelmer e dessa Silvia Costa. Mario Cesar, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

85- Gostei do artigo!! Deveria realmente ser abolido o uso desse tipo de “homenagens”!! PS:Um desses posts deve ser apagado ne, ja que defende uma crença, e quer impor-la verbalmente onde nao e o local!! Rodrigo, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

86- adoro o jornal o povo mais essa matéria está ridícula!!! isso é um absurdo Deus tenha misericordia desses escritores. Bruna, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

87- Preconceituoso, sem nexo, ausente a lógica e pior: sem respeito. Jornalista sem qualificação esse Ricardo Kerlmer. Almeida, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

88- Foi muito infeliz esse comentário. Jesus não é motivo de vergonha seja em qualquer situação ou em qualquer lugar. Jocilia Oliveira, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

89- Infelizmente o povim atrasado é esse povo Brasileiro, não entende o que o companheiro está querendo dizer. E pior não respeita o que ele diz, mesmo que vc não concorde tem que haver o respeito. Concordo em genero numero e grau, com o artigo. Milhões aindam morrem por divergir de religiões, Israel x Palestina estão ai pra comprovar. Eu como telespectador não acho bacana essa blusas com eu amo jaca, Amo chuchu. Pra mim o que vale é o futebol bem jogado. O resto é pura demagogia. Paulo Salut, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

90- Vcs não entedem nada de religão ou de respeito, não sou o Sr. da verdade mas se o Capitão Lúcio tivesse utilizado uma camisa com os dizeres: “EU AMO O LUCIFER”o mundo inteiro caíria em cima dele e aií eu pergunto ? Vc seria contra ou favor da religião no esporte? Não seria a religião dele o capitão.? Então tbm haveria que ter o minimo de respeito. Não julgue para não ser julgado pessoas de mentes pequenas… Precisamos respitar tanto quem é católico, evagélico, umbadista, espírita, ateu enfim … A PALAVRA CHAVE É RESPEITO. Paulo Salut, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

91- Que o SENHOR, em sua infinita misericórdia, perdoe este infeliz, pois ele não sabe o que diz… Estes atletas estão dando a Glória devida ao Senhor por suas vitórias… Célio, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

92- Tantos problemas, desvios de conduta dos políticos… então vem a mente brilhante desse colunista, se importar com a forma com que o jogador professa sua fé,é brincadeira. Natan, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

93- quero so saber qm da saude para eles todos os dias e vigor para eles jogar bola,se vc sta vivo ate hj e tem alimento para comer agradeça a esse JESUS Q UM DIA MORREU POR MIM E POR VC.ALI ELES STAO HONRANDO O UNICO Q É DGNO DE LOUVOR.DEUS T ABNÇOE,OS HOMENS SE MATAM PORCAUSA DE RELIGIAO SIM,MAIS RELIGIAO NAO SALVA NINGUEM PELO CONTRARIO faz é separar como vc dsse,mais JESUS NAO É RELIGIAO PELO CONTRARIO SE VC LER A BIBLIA ELE PREGA CONTRA OS FARISEUS OS RELIGIOSOS DAKELA EPOCA.JESUS TE ABNÇOE. Icaro, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

94- total contradição,terminam de rezarem e vão xingar um ao outro. Carlos Alberto Costa, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

95- Não me importarei em colocarem mitos como Deus e Jesus no futebol no dia em que eu puder andar pelas ruas com a frase: “sou ateu e sou feliz” sem ser xingado. André, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

96- Liberdade de expressão e consciência é digna em qualquer sociedade ou manisfestação. Se os próprios jogadores rezam antes de jogarem e entrarem em campo por acreditarem em Deus. Porque não mostrar a todos que o viu atuar durante a partida, quem realmente eles amam e agradece pela vitória. Infelizmente um ateu agradece atoa. Danivaldo, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

97- Se eles exibissem uma camisa com os dizeres: “amo a maconha”” o que Kelmer escreveria?Ele falaria mal ou exaltaria? Paulo do Topete, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

98- Discordo. A liberdade de crença e consciência é salvaguardada pela Constituição Federal, em seu art. 5º, VI, o qual prevê: Art. 5º – Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; Além disso, o Brasil é signatário de várias convenções internacionais que asseguram a liberdade de culto e de crença, dentro os quais destaco o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, em seu art. 18º: Artigo 18.º 1. Toda e qualquer pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de ter ou de adoptar uma religião ou uma convicção da sua escolha, bem como a liberdade de manifestar a sua religião ou a sua convicção, individualmente ou conjuntamente com outros, tanto em público como em privado, pelo culto, cumprimento dos ritos, as práticas e o ensino. A Declaração Universal dos Direitos Humanos é ainda mais enfática ao prever em seu Artigo II: Artigo II Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. Portanto, uma norma interna corporis da FIFA, ou seja, uma associação civil de direito privado não pode se sobrepujar a tratados internacionais celebrados entre Estado independentes e democráticos. A atitude dos jogadores está amparada pelos Tratados Internacionais e representa apenas o exercício de sua liberdade de crença. Carlos Amorim, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

99- A fifa já manifestou sua preocupação com essas manifestações e promete tomar medidas no sentido de impor limites. Estará certa se assim o fizer. Religião deve ter seu espaço e tb deve ter seus limites de atuação. Rosemiro, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

100- Discordo de sua opinião. Os jogadores não estão misturando o futebol com religião – estão fazendo isso depois dos jogos – o que tem de errado expressar sua religião ou crença, ou ainda a falta dela – como fazes? Eles estão homenageando aquEle que lhes ajudou a vencer – colocando Deus, Jesus, como destaque e em evidência, agradecendo-lhe pelas conquistas. Que outros (independente de suas crenças) o façam também. A religião, amor, temor a Deus nunca fez guerra ou apoiou genocídios, isso foi feito por pessoas ou religiões extremistas – a religião mesmo não faz isso – afinal, Jesus resumiu dizendo: “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo”. Parabéns Lúcio, Kaká e outros por tal atitude. Respeito o colunista, mas não concordo com seu ponto de vista.  Francisco das Chagas Sousa, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

101- Seu comentário foi muito infeliz… Os jogadores estão certíssimos… Quem tem Jesus, é FELIZ e sente a necessidade de divulgar para as outras pessoas essa alegria. Devemos a Deus TUDO que temos… Ele nos proporciona uma vida maravilhosa e cheia de vitórias… Abra o seu coração e deixe Jesus falar com vc e lhe mostrar essa alegria de viver… “Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura…” Sâmia, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

102- Senhor, meu Deus, perdoa-o, ele não sabe o que escreve!!! Colunista, vá se converer!!! Só o Senhor Deus é digno de toda e qualquer exaltação do seu nome!!! Daniel, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

103- Não acredito que li isso cada um faz o que quiser ao meu ver ele não está fazendo apologia alguma,é uma crença dele e mandar mensagens para familia ou fazer referência a sua crença,não vejo problema algum. existem coisas bem mais importantes para se falar em uma matéria fiquei decepcionada! Suzana Scarano, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

104- Caro jornalista Você prefere que divulguem bebidas, bancos e outras coisas ao invés do amor de Cristo por nós? Você está incomodado, mude de canal no fim do jogo, e procure os canais de sexo explicito, onde você pode continuar a se prostituir com suas ” deusas” . Pense um pouco e se você se sentiu incomodado , é porque Jesus está tocando teu coração para uma mudança de atitude em sua vida. Fique com Deus e bom fim de semana. Paulo, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

105- esse bestao nao sabe,oq esta escrevendo deveria nem esta trabalhando,babaca vai ler 1 a biblia ze maneu……………. Kleber, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

106- É, EXISTE O LIVRE ARBÍTRIO E O COLUNISTA DESTA MATÉRIA, UTILIZOU DE 42 LINHAS DESTE CONCEITUADO JORNAL, PARA DIZER O Q?????…QUE AMA A LUANA PIOVANI(NÓS SABEMOS DA SUA BELEZA…), QUE ACREDITA NA REENCARNAÇÃO, OU ENTÃO QUE É CRISTÃO OU ATEU???…TALVEZ, QUEIRA SER O DONO DA VERDADE. SEJA MAIS OBJETIVO, E NÃO PRECISA UTILIZAR 42 LINHAS PARA ISSO. E VOCÊ JÁ ESPERAVA POR CRITICAS, FALEI E PRONTO!!! Roberspierre, coluna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009

107- Eu fiquei impressionado com tamanha intolerância. Nino Cariello, Fortaleza-CE – jul2011

108- Impressionante como esses cristãos cultivam o ódio! Verônica Guedes, Fortaleza-CE – jul2011

109- owwwww povo sem noção!!! li vários comentários e bolei de rir, há pessoas de fanáticas(milhares) à extremamente agressivas (normalmente as fanáticas),desinformadas, destrambelhadas… sem acuidade mental nenhuma pra resumir! Porque se tivessem usariam educaçã( a tal delicadeza com o próximo) e bom humor pra comentar! e vi que você ainda se deu ao trabalho de responder um monte no fim! amei foi um comentário de um Dr.(esqueci o nome) que te chamou de menino e pediu pra vc se acalmar porque era só no Brasil que acontecia essa marmota, amei a calma dele rs. e adoooorei um louco de um Ribamar completamente fora do ar e que se achou no direito de comentar 3 ou 4 vezes hahaha…disse que o Kaká nunca defendeu igreja nenhuma (vaila meu pai!) ainda bem que ele assumiu que “não era muito bem informado”…deu foi pena. Sigamos rindo que a estrada é doida. beijão. Fabiane Schmitt, Fortaleza-CE – jul2011

CAMPANHA PROTEJA SEUS AMIGOS – Ao enviar mensagens coletivas de e-mail, jamais deixe os endereços dos destinatários expostos pois é justamente isso que municia os criminosos da rede, que catam endereços nas mensagens para enviar suas armadilhas e infectar nossos computadores. Ponha os endereços na <CÓPIA OCULTA> (cco ou bcc) pois, assim, quem recebe a mensagem não vê os endereços dos demais destinatários da mensagem.
Ricardo Kelmer
Blog do Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com
> facebook.com/RicardoKelmer
> twitter.com/ricardokelmer………………………………….

LIVROS – A Prostituta Sagrada

17/06/2009

17jun2009


LivroAProstitutaSagrada-03A prostituta sagrada
– A face eterna do Feminino

Nancy Qualls-Corbett (Editora Paulus, 1990)

O eterno feminino e sua relação com espiritualidade e sexualidade. Quando a deusa do amor ainda era honrada, a prostituta sagrada era virgem no sentido original do termo: pessoa íntegra que servia de mediadora para que a deusa chegasse até a humanidade. Este livro mostra como nossa vitalidade e alegria de viver dependem de restaurarmos a alma da prostituta sagrada, a fim de nos proporcionar uma nova compreensão da vida.

.

.

RESGATANDO A SEXUALIDADE SAGRADA
Ricardo Kelmer, 2009

Em muitas culturas antigas a sexualidade convivia muito bem com a religiosidade, sem a ideia do pecado que mais tarde a religião cristã viria trazer, impregnando toda a cultura ocidental. Se hoje, para a maioria de nós, lugar de religião é na igreja e lugar de sexo é na cama, para essas antigas culturas as duas coisas podiam ser vivenciadas harmoniosamente no mesmo contexto, pois a percepção da sexualidade era também uma percepção do Mistério e do Sagrado.

Nos rituais do hierogamos (o casamento sagrado do feminino com o masculino) que existiram em culturas não patriarcais da Antiguidade, sacerdotes e sacerdotisas usavam o ato sexual como forma de reverenciar a Deusa do Amor e, assim, atrair sua simpatia e auxílio ao seu povo. Isso pode não fazer sentido para quem reverencia deuses masculinos e dissociados do sexo, mas naqueles tempos em que a Deusa do Amor era honrada (em suas diversas formas, como Afrodite, Inana, Ihstar…), os rituais em seu louvor iniciavam a mulher num novo nível de sua vida, preparando-a para as relações amorosas e equilibrando nela o masculino e o feminino, a força e a suavidade, tornando-a una em si mesma (o sentido original do termo “virgem” é justamente este). O mesmo ocorria aos homens que se entregavam aos mistérios sagrados.

elaprostitutasagrada01Hoje já não veneramos a Deusa do Amor como os antigos faziam. Mas amamos. Porém, amaríamos de um modo mais sadio e nossa relação com a própria sexualidade seria melhor se nisso tudo tivéssemos a noção do Sagrado  que infelizmente perdemos nos descaminhos da civilização.

Não, não precisamos voltar a cultuar as antigas deusas e reeditar os rituais das prostitutas sagradas, até porque hoje sabemos que as deidades são representações personalizadas de aspectos do nosso próprio psiquismo. Mas podemos vivenciar os Mistérios a partir de nosso crescimento psíquico e servir ao Sagrado através de nossas relações amorosas. Cada homem e cada mulher pode ser o sacerdote e a sacerdotisa do Amor em sua própria vida.
.

Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

.

.

MAIS SOBRE SEXUALIDADE E RELIGIÃO

ANoivaLesbicaDeCristo-01aA noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

Corpo e sociedade – O homem, a mulher e a renúncia sexual no início do cristianismo (Peter Brown, Jorge Zahar Editor, 1990)

Hierogamos na Wikipedia

.

MAIS SOBRE LIBERDADE E O FEMININO SELVAGEM

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.
.

DICAS DE LIVROS

vtcapa21x308-01Vocês terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

Atos impuros – A vida de uma freira lésbica na Itália da Renascença (Judith C Brown, Brasiliense, 1987)

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

.


A mulher livre e eu

07/06/2009

07jun2009

É esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam mas não se anulam em estúpidas noções de controle: amamos o outro e não a posse do outro

AMulherLivreEEu-02

A MULHER LIVRE E EU

.
É ela quem eu quero, a dona dessa boca. A boca docemente familiar que amanhece de mansinho na minha quando desperto de mais uma madrugada de sonho e suor. Porém, bem mais que a boca, é o beijo da liberdade dessa mulher que me refresca a vida.

É ela quem eu desejo, a dona desse corpo. O corpo que me sugere as mais poéticas indecências e me convida a desvendar os segredos que eu já sei de cor, e quando estou lá, puff, de repente já não sei mais, e então me perco por seus montes e planícies e cavernas, e ao fim de tudo me contorço e urro e explodo no mais puro prazer de me perder. Porém, bem mais que no corpo, é na liberdade dessa mulher que a vida se desnuda para mim.

É da presença dela que eu preciso, ela que me traz a certeza de que não seguirei só. É de sua voz que carecem meus ouvidos, a voz que me embala a alma de blues e me faz convidá-la, vamos dançar, meu amor? É o meu olhar no seu que vejo quando nada mais vejo no breu das incertezas. Mas, sobretudo, é a liberdade dessa mulher que me clareia o caminho.

Ela é livre porque, apesar de ter nascido imersa numa cultura, um dia entendeu que não deveria limitar-se às regras, e assim modelou seu ser com o que de melhor encontrou pelo mundo. Evidente que esse não limitar-se às convenções fará dela uma eterna transgressora a incomodar os que só admitem o mundo pelas lentes de sua cultura e religião, mas esse é o preço da alma liberta, ela sabe. E eu faço questão de pagar junto dela.

Houve um tempo em que ela entendia seu corpo como algo contra o qual deve lutar todos os dias – até que percebeu que sua verdadeira beleza não vem de cosméticos, mas de sua alma harmonizada com os ritmos naturais da vida. Hoje ela não precisa gastar para ficar chique e bonita, pois a elegância da simplicidade há muito a fez sua modelo exclusiva. Sim, a mulher livre possui vaidades, mas ela não é boba, sabe que os criadores de moda não almejam a sua felicidade, mas a sua escravidão. E quanto a vestir-se para fazer inveja a outras mulheres, bem, ela sabe que mais tarde quem rasgará sua roupa sou eu.

Os mistérios de si, ela vai buscá-los, pois jamais seremos livres sem nos livrarmos do que por dentro nos paralisa e nos faz sabotar a própria vida. Ser livre é ampliar a cada dia a real noção de si, isso ela há muito compreendeu, e é por esse motivo que os que se libertam não se enganam mais como antes e, por serem verdadeiros, mais verdadeiras são suas relações.

E por bem saber o que ela é ou não é, essa mulher nada tem a provar a ninguém. Se interpretam erroneamente seu jeito espontâneo, ela ri do que dela pensam. Se seus desejos transcendem os velhos modelos sexuais, ela festeja e os divide generosa com eles ou elas, e em nome de seu sagrado prazer ela é a cadela devassa, a santa dadivosa da luxúria, a puta mais linda e desvairada que há.

A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser, e por não estar apegada a poder e dinheiro ela é a mais rica e poderosa de todas. E justamente por saber que a velhice é o segredo final da sabedoria é que a vida todo dia vem banhá-la de alegria e vesti-la com esse jeitinho de menina encantador.

É esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam mas não se anulam em estúpidas noções de controle: amamos o outro e não a posse do outro. Estamos juntos porque finalmente encontramos a liberdade que acolhe e incentiva a nossa própria, e até nos permite dividir com o mundo o nosso amor. E por não sofrer temendo perder quem na verdade nunca possuímos, mais vivemos e gozamos o melhor amor que temos para nos dar.

.
Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

.

.

MAIS SOBRE LIBERDADE E O FEMININO SELVAGEM

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.

Os apuros do homem feminista – Minha busca por relações igualitárias foi dificultada também porque muitas mulheres, mesmo oprimidas, preferiam relações baseadas no velho modelo machista

Marchando com as vadias – Se ser vadia é ser livre para exercer a própria sexualidade, então todas as mulheres precisam urgentemente assumir sua vadiagem, para o seu próprio bem e o de suas filhas

.
LIVROS

vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
Ricardo Kelmer – Contos e crônicas

Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01 COMENTÁRIOS
.

01- Oi Ricardo, belo texto, lembra o livro, “As mulheres que correm com os lobos”, que é da Clarissa Estes, uma junguiana e contadora de histórias. Conhece? Muito bom (tanto olivro qt seu texto). Bj. Raquel Brasil, Fortaleza-CE – jun2009

02- Uau, acho que nunca li nada tao romantico vindo do Ricardo Kelmer, sera que meu amigo esta finalmente se entregando ao “amor” ou eh so ficcao mesmo? Ana Lúcia Castelo, Nova York-EUA – jun2009

03- Olá Kelmer, Bela crônica. Um ato apologético à criatura camaleônica da mulher, que promove digamos uma “troca de seios” à medida de nossa necessidade. Teve um momento do texto que me identifiquei com a parte boa introjetada de nossa realeza, a liberdade que vagueia pelos campos floridos do desejo saciado, sem qualquer laivo de anseio e voracidade; apenas o acalanto de um prazer purificado da necessidade de evacuar angústias e ansiedades. Gostei bastante. Aproveito para re-convidá-lo para uma entrevista em meu programa cultural na internet. Se você quiser marcar em julho, temos como. Um grande abraço e parabéns pela sensibilidade. Felipe Moreno, São Paulo-SP – jun2009

04- não sei nem como publicar isso no blog, mas se vc puder fazê-lo, faça, de qq forma eu já tinha encaminhado pra quase toda a minha lista e o pessoal está adorando…. Bj. Raquel Brasil, Fortaleza-CE – jun2009

05- Rapaz, onde é q a gente encontra uma “muié” dessas aí, mermão? Essa muié aí parece aquelas das antigas estampas Eucalol (é o novo!): erráticas, inatingíveis e, mesmo, inexistentes — sobretudo pra “rapazes velhos” como nós q já passamos dos quarenta, embora não pareça… Valeu! Wander Nunes Frota, Fortaleza-CE – jun2009

06- Oi, tio prof! Soou meio preconceituoso esse “todas as outras”, achei meio esnobe, sei lá. Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – jun2009

07- nossa…. me identifiquei! hahahaha beeijo. Dani Cecchi, Rio de janeiro-RJ – jun2009

08- “A mulher livre sou eu!” É isso mesmo, Kelmer. E são poucos os que reconhecem a essência que há por trás das que pagam o insustentável preço da liberdade! Parabéns pelo texto. Meire Viana, Fortaleza-CE – jun2009

09- mto bom! bela leitura para o dia dos namorados… Beth Vidigal, São Paulo-SP – jun2009

10- amei,sou uma mulher livre tb… bjs e obrigada . Marysol Rosso, Cocal do Sul-SC – jun2009

11- Simplesmente lindooo!!!Muita sensibililidade e conhecimento da alma feminina!!!Parabéns! Adorei! Obrigada Ricardo. Abraço. Fernanda Bessa, Fortaleza-CE – jun2009

12- nossa que linda essa crônica adoreii!!!!!!! bjs. Fernanda Quinderé, Fortaleza-CE – jun2009

13- muito lindo… é que tu escreve de um jeito muito especial… contagia a alma. beijo grande. e nosso gamão? comprei pedras novas… Gláucia Costa, Fortaleza-CE – jun2009

14- fala bixo!!! tava na amazonia, e la a net e pessima, por isso a demora! + me fala, tem outra dessa p vender?? to carecido!!! abç. César de Cesário, Campina Grande-PB – jun2009

15- Parabéns pelo texto, Ricardo. Poucos são os que leio mais de uma vez, como este. Invejo, e obviamente admiro, esta mulher, pois sou conscientemente presa aos padrões culturais/religiosos. Acho, de certa maneira, que necessito desta prisão, pois não detenho a força necessária a esta liberdade. De qualquer forma, é muito bom saber que ela é possível! Abraços. Maryvone, Fortaleza-CE – jun2009

16- Que romântico esse “a mulher livre e eu”, adorei tbm.. ainda esperando um amor assim, que encontra “a liberdade que admira, acolhe e incentiva”. Jocastra Holanda, Fortaleza-CE – set2011

17- Lindo texto. Vitória Lima, São Paulo-SP – mai2013

18- É essa mulher que procuro… Alexandre Simonete, Piracicaba-SP – jul2013

RK- Alexandre, eu também procurei bastante essa mulher. Até que um dia a encontrei dentro de mim mesmo ao reconhecer o princípio feminino em minha alma. Desde então o feminino liberto em mim me fez um homem mais livre e acho que isso atrai mulheres mais livres ou que buscam se libertar. Alguém já disse que nossas relações nunca serão melhores que a relação que temos com nós mesmos. Seguindo essa lógica, se almejamos relações mais livres, acho que o primeiro passo é libertar a nós mesmos. (jul2013)

20- Então estou no caminho certo…Pois já reconheço o principio feminino em minha alma… Muito bom adorei. Um grd abraço ! Alexandre Simonete, Piracicaba-SP – jul2013

21- Adorei! Eu tenho essa mulher dentro de mim…..Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos. Tatiane Santarosa, Cajamar-SP – jul2013

22- PERFEITO!!!! Só faltou minha digital ! Parabéns. Garcia Nataly, São Paulo-SP – nov2013

23- Eu já tinha lido antes, mas vendo essa postagem agora com comentários carregados de sensibilidade masculina sobre seu próprio feminino, não tem como não me emocionar! Para mim parece tão simples, embora seja um árduo caminho para chegar nesse ponto garotos. Lembre do conto “Quando os homens não voltam pra Casa”. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – nov2013


Meu futuro de popistar cristão

20/05/2009

20mai2009

Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

MEU FUTURO DE POPISTAR CRISTÃO

.
Vendo esses cantores e essas bandas cristãs lotando shows e vendendo zilhões sagrados de discos, lembrei que, por um desses carrapichos do destino, eu também quase enveredei por essa rota. É sério, juro por todos os deuses.

Foi na adolescência, em Fortaleza, quando eu participava de grupos de jovens católicos. Sim, eu fiz isso. Meu interesse pela religião e meu fervor místico eram genuínos, e naquela época tentei conciliá-los com minhas vocações artísticas. Após as reuniões do grupo, por exemplo, fazíamos rodas de violão e eu encenava esquetes de humor para os colegas. Já era metido a engraçadinho naquela época.

Depois, tive a ideia de montar um jornalzinho do grupo e pedi ao pároco, o saudoso monsenhor Amarílio, que financiasse. Ele topou, mas não gostou muito do nome que eu escolhera para o jornal: Sovaco de Cobra. Para você ver como sempre fui sem-noção. Então, monsenhor Amarílio sugeriu, com muito jeito, que eu deveria escolher outro nome. Mudei, a contragosto, para um nominho mais careta: O Mensageiro. O jornal chegou a ter quinhentos exemplares mensais, impressos em mimeógrafo, e era uma ótima maneira de divulgar as atividades do grupo e atrair outros jovens.

Mais tarde, empolgado com as músicas cristãs que cantávamos nas missas e reuniões, tive a ideia de montar uma banda com meu chapa no grupo, o Jaqueta, e vibrava só de imaginar a banda se apresentando na missa e nos encontros, o público acompanhando… E as tietes, claro. Sim, mesmo sendo cristão, eu nunca deixei de ser um tarado véi seboso.

Paralelamente aos meus interesses pessoais, eu realmente via a música como um excelente canal de aproximação entre a paróquia e a comunidade, principalmente os mais jovens. Dessa vez, porém, o pároco não gostou da ideia e vetou, aquilo já era muita modernice demais. E assim, em 1983, minha sagrada carreira de popistar cristão acabou antes mesmo de começar.

O que teria acontecido caso o monsenhor aprovasse a ideia? Talvez hoje eu ainda fosse cristão. Talvez, em vez de escritor de sacanagem, eu hoje fosse um cantor de Deus, já pensou? Kelmer de Arimateia, quitals? Evidente que eu não seria um cantor caretinha, aí também é querer demais. Kelmer de Arimateia faria um estilo mais assim tipo maluco do Senhor, paz e amor, podiscrer. E meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas. E o vinho seria liberado para todo mundo, é claro. E tocaríamos no meio do mato, sob a lua cheia, as Noviças Viçosas saltitando descalças ao redor da fogueira e distribuindo uvas de boca em boca e…

Humm… Pensando melhor, monsenhor Amarílio, o senhor fez bem em vetar.

.
Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

.

.

LEIA NESTE BLOG

O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

Bar do Araújo é a salvação – Espremido entre duas igrejas, o Bar do Araújo é a última resistência dos ateus. E do bom humor

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu. O que pode sair desse mato?

O armário dos ateus – Os dados da ONU e a pesquisa de Phil Zuckerman desmentem uma velha crença dos teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará para a criminalidade e infelicidade geral

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01- Pecador dos Inferno ! Rsrs. Mario Wilson Costa Filho, Fortaleza-CE – jun2013

02- Adoooooroo! Saudade vc! Juliana Melo, Fortaleza-CE – jun2013

03- Pense num menino Prodígio…È Ele, Ricardo Kelmer: Meu Muso ,esse menino Lindo que eu conheci quando Inventaram o Telex, mas pelo jeito, o Tempo só melhorou a Categoria dele, cada vez melhor..Belo Caráter e meu amigo querido! Claudia Bahia, Fortaleza-CE – abr2014

04- Eu o conheci no grupo de jovens da paroquia da paz. Ele nessa época se chamava “Kelmo”, mas ja se destacava do resto da turma por sua inteligência e pelas suas habilidades artisticas. Ele merece todo sucesso do mundo. Luciana Loreau, Youghal-Irlanda – abr2014

05- Ricardo, eu acho que seria uma experiência inesquecivel pra mim assistir um show “no meio do mato, sob a lua cheia, as Noviças Viçosas saltitando descalças ao redor da fogueira e distribuindo uvas de boca em boca”. Mas foi vetado, fazer o quê, né? kkk. Vou ficar torcendo para que um dia um outro popistar- cristao o faça… Luciana Loreau, Youghal-Irlanda – abr2014

> Postagem no Facebook


Bem-vindo ao clube dos excomungados

12/03/2009

12mar2009

Para a Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto

futebolexpulsao01O país inteiro ficou chocado com o caso da menina pernambucana de 9 anos que engravidou de gêmeos após ser violentada por seu padrasto. E com a confissão do padrasto, veio o segundo choque: ele abusava da menina havia 3 anos.

O padrasto foi preso e a menina teve que ser submetida a um aborto, pois seu corpo infantil dificilmente suportaria uma gravidez, ainda mais de gêmeos. O procedimento foi realizado com sucesso num hospital de Recife e a menina agora está bem. Está bem é modo de dizer, claro, pois violência sexual, principalmente na infância, costuma deixar graves sequelas psicológicas.

Porém, um terceiro choque aguardava na sala de espera: dias depois o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, anunciou que a mãe da menina e toda a equipe médica que participou do procedimento estavam excomungados da Igreja Católica. O assunto, que já era complexo, tomou jeitão de polêmica nacional e o tema aborto voltou forte à ordem do dia, mostrando que felizmente para a sociedade brasileira as políticas de saúde pública não dependem das leis católicas.

Toda igreja tem suas leis, e se você entra para uma delas, precisa segui-las sob pena de ser expulso. Foi o que ocorreu em Recife. Praticar ou ser cúmplice num caso de aborto é um dos pecados que causam automaticamente a expulsão da Igreja Católica. Assim sendo, a mãe e a equipe médica foram automaticamente excomungados no momento em que participaram da interrupção da gravidez da menina, e o arcebispo apenas expressou a posição oficial da Igreja.

A atitude do arcebispo possibilitou a muita gente, católicos inclusive, saber que para a Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto. Isso quer dizer que o padrasto da menina poderia estuprá-la durante a vida inteira, e até matá-la, que não seria excomungado, e poderia continuar indo à missa todo lindão e casar e receber os sacramentos normalmente como o mais santo dos católicos. O mesmo vale para os padres pedófilos que abusam de crianças e lhes traumatizam a vida ‒ esse é um pecadinho bobo sem importância, que sai, ou é ejaculado, na urina.

Como você reagiria se o caso envolvesse sua filha? Não faria nada e deixaria que a lógica de Deus decidisse? Ou autorizaria o aborto e depois procuraria outra igreja que o aceitasse? E agora, como os católicos brasileiros encaram a posição de sua religião em relação ao aborto? Seria interessante que, após esses acontecimentos, houvesse uma pesquisa de opinião sobre aborto e religião.

Quanto a mim, esse caso me fez ficar sabendo, com 25 anos de atraso, que eu também estou excomungado. Sim, pois um dia uma garota com quem eu tinha um caso engravidou e decidimos pelo aborto. Como eu já não mais me considerava católico, ter sabido àquela época que eu estava expulso da Igreja não faria qualquer diferença.

Mas hoje faz diferença. Eu me sinto bem por ter sido expulso de uma instituição cujos membros estariam realmente dispostos a sacrificar aquela menina pernambucana ‒ pelo simples fato de que essa é a lógica do deus deles.
.

Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

.

.

teste
SERÁ QUE VOCÊ ESTÁ EXCOMUNGADO E NÃO SABE?

religiaosexo01Pesquisei e encontrei outros pecados passíveis de excomunhão. Veja se você, que é católico ou foi batizado na Igreja Católica, já cometeu algum deles:

Cisma – É a dissidência religiosa, como fizeram os protestantes. Em outras palavras: se você recusar obediência ao Papa, tá excomungado.

Heresia – Significa desrespeitar os dogmas da Igreja. Em 1977 o genial Odair José os usou artisticamente em seu disco “O filho de José e Maria” e, crau!, levou uma excomungada na cabeça.

Profanação das espécies sagradas – Dizem que fumar e não tragar não vale, né? Com a hóstia é parecido: quem recebe e não engole, também a está profanando. Roubar aquele vaso das hóstias tá liberado, mas roubar hóstia não pode, mesmo que seja oito da noite e você ainda não comeu nada.

Violência física contra o Papa – Contra qualquer outra pessoa pode, até crianças de 9 anos. Contra o Papa não, viu, minha filha, por mais que ele diga que a máquina de lavar foi a invenção mais importante pra mulher no século 20.

Violação direta do segredo da confissão – Como você não é padre, esse pecado não se aplica a você. Mas você tem certeza que deseja que o padre saiba que você e aquele seu colega do trabalho andam pecando contra o sexto mandamento?

Sexo selvagem no convento – Esse não existe, mas não resisti, me desculpe, é uma velha fantasia minha. Não dá excomunhão, mas mesmo se desse, eu já tô excomungado mesmo…

.

.

tá fora
ALGUNS EXCOMUNGADOS

odairjose010aFidel Castro – Ditador cubano, sec 20. Por proibir a fé católica em Cuba.
Geraldo Ferreira Filho – Brasileiro, sec 20. Após ter sido desenganado de câncer em 1972, descrente da existência de um ser supremo ou mesmo de uma inteligência superior, encaminhou ofício ao Vaticano, pedindo sua excomunhão, no que foi atendido.
Jesus Norberto Gomes – Farmacêutico brasileiro, criador do guaraná Jesus, sec 20. Por dar uma surra num padre. (Ué, mas em padre não pode?)
Juan Domingo Perón – Presidente da Argentina, sec 20. Excomungado por assinar decreto de expulsão de dois bispos católicos.
Martinho Lutero – Teólogo alemão, sec 16. Excomungado por heresia.
Miguel de Cervantes – Escritor espanhol, criador de Don Quixote, sec 16. Sua excomunhão foi posteriormente revertida.
Miguel Hidalgo – Mexicano, sec 19. Por liderar a guerra de independência contra a Espanha.
Odair José – Cantor e compositor brasileiro, sec 20. Excomungado por heresia.
Sinéad O’Connor – Cantora irlandesa, sec 20. Excomungada por ter sido ordenada sacerdotisa de seita católica considerada cismática pelo Vaticano.
Todos os cristãos da América do Sul que tomaram armas contra as monarquias da Espanha e de Portugal durante o papado de Leão 12, sec 19.
.

> Excomunhão na Wikipedia
> Mais sobre excomunhão
> Site Ateus do Brasil

.

LEIA NESTE BLOG

TurmaSantoInacio1975Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

Religião no poder é fogo – A primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos sustentáculos da democracia: a liberdade

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer
(saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01- infelizmente certos dogmas são arrastados por séculos ainda permitindo que o ser humano continue, com a mente visivelmente travada, e por isso nós os “excomungados” temos que conviver infelizmente ainda por não se sabe quanto tempo, com esses e outros absurdos cometidos por pessoas doentes que são aceitas conforme a comodidade e a “ordem” imposta por uma parte da nossa própria sociedade. Parabéns pelo texto Ricardo. Hérika Vale, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

02- Essas inconsistências é que levam a população a descrença em relação a Igreja Católica. Muito bem levantada essa questão: o estuprador não foi ex-comungado, mas quem tentou salvar a vida da menina, e DEIXAR QUE ELA TENHA UMA INFANCIA MINIMAMENTE NORMAL, foi “punido” pela Igreja. Mais uma palhaçada católica! Os evangélicos, Bispo Macêdo inclusive, deve estar rindo a toa.

03-Sou católico e defendo a vida sobre tudo. Não temos o direito de tirá-la de ninguém, muito menos de indefesos.. Não podemos mensurar o valor da vida, porque diante de Deus, todas elas tem o mesmo valor.. O Sr. Ricardo Kelmer infelizmente, não sabe que a sua vida tem o mesmo valor da criança que ele abortou quando tinha seus 20 anos, como também dos gêmeos citado nesta matéria. Só tem uma diferença, os pais do Sr. Ricardo Kelmer sabia disso. Jackson, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

04 utilizar essa polêmica para fazer campanha pró-aborto é ridículo. É preciso ter cuidado, o aborto não é somente uma questão de saúde pública, é também, uma questão de respeito à vida. Acredito não ser prudente deixar a decisão do aborto, qualquer que seja as circunstâncias, nas mãos dos pais. Lima, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

05- A lógica do Deus que a Biblia apresenta é proteção para aqueles que se sujeitam as suas orientações, a lógica da igreja pelo visto é proteção para sua classe clerical pedófila. Lili, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

06- o povo esta conseguindo ver que a igreja catolica nao passa d euma tremenda farça religiosa. Jorge Henrique da Silva, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

07- aqui, na França, os arcebispos agem de maneira diferente e o bispo de Nanterre escreveu uma Carta aberta au bispo de Olinda e Recife condenando a excomunhão. Deus é compaixão e misericordia diz ele e não se deve acrescentar uma dor onde ja existe tanta dor. As pessoas aqui estão horrorizadas com as palavras do arcebispo de Recife. Aqui ,o aborto é legalizado e não existe excomunhão. Mas a França é um pais de 1° mundo. Dois pesos e duas medidas da parte de igreja catolica! Lena O Alard, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

08- Parabéns, Ricardo! Seu artigo expressa a mais pura verdade. E põe em pauta uma discussão extramamente importante: Qual é o valor da vida? E quando me refiro à vida, não estou falando da vida biológica, que pode ser interrompida com um aborto, mas falo da vida que esta menina enfrentará pelo resto de seus dias. Miguel Arcanjo Zimmermann, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

09Gostaria de parabenizá-lo pelo excelente texto! Está passando da hora de a igreja católica acabar com séculos de hipocrisias! E os padres pedófilos, foram excomungados? E com relação ao fato de toda a igreja católica ter se calado diante do holocausto, o que dizer disso? E o bispo que ainda hoje nega a existência do holocausto, foi excomungado? Vamos esperar por todos eles com uma grande faixa onde diz: “Bem-vindos ao Clube dos Excomungados!” Sândalo Costa Bezerra, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

10- Tão absurdo quanto o aborto, um crime silencioso e covarde, é o tom dessa notícia. O “colunista” é tb um criminoso, e o que é pior, se orgulha disso. Como tantos outros, aderiu ao secularismo. A igreja católica não é uma religião; é a Religião. Fundar uma igreja é fácil, difícil é morrer e ressuscitar no terceiro dia. Francisco, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

11- Sou totalmente contra o aborto, pois a coisa que mais desejo na vida é ser mãe, mas nesse caso sou totalmente a favor, em caso de estupro eu não seria contra, como fica uma mãe ao olhar todo dia para uma criança e lembrar de como ela foi gerada?! Principalmente uma criança de 9 anos. Como esse senhor pode exomungar alguem nesse caso. A igreja catolica só vem me decepcionando cada vez mais, acho que hj em dia não tenho mais religião, apenas fé. É facil para as pessoas falarem quando não estão vivendo a situação. Vamos deixar de hipocresia, pq se estivesse no lugar dessa criança e da mae dela, irião querer o aborto. Luisa, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

12- Realmente o escritor mostrou uma tremenda ignorância ao direito canônico. O mandamento é não matarás, ou seja, é terminantemente proibido pela Igreja Católica matar, seja por aborto ou qualquer outra forma. A criança poderia correr risco de vida, mas só DEUS teria a certeza da morte ou não da criança no caso da manutenção da gravidez. Preferiram tirar a vida dos gêmeos a não tentar manter a vida dos três. Só quem é realmente católico para entender a situação. Não cabe a nós, obviamente, julgar os médicos e a mãe da criança. A excomunhão é automática, consoante as regras da Igreja. Mas isso não quer dizer que as pessoas são expulsas, pois todo pecado tem seu perdão, se assim as vítimas desejarem. Particularmente, se fosse na minha familia, manteria a mesma opinião, pois sigo fielmente a minha religião e a minha consciência, respeitando é claro, a opinião de todos, pois vivemos numa democracia e ninguém é dono da verdade, só DEUS!! Deputado, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

13- Realmente é impossível esperar de quem, de uma maneira cínica, admite publicamente que cometeu aborto, um posicionamento diferente face ao triste fato ocorrido em Pernambuco. Com que autoridade o pretenso colunista pode emitir parecer sobre o assunto? Só existe uma explicação: buscar espaço para vender livros. Augusto Andrade, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

14- se a escomunhão nesse caso se dá pelo mandamento não mataras, creio que milhões de pessoas ja deveriam ter sido excomungados, sim todo pecado tem seu perdão, mas muitos desses assassinos não se arrependem nunca, eu como mulher repito, não iria querer o fruto de um crime, de um sofrimento, é facil falar quando não é com vc, ser hipocrita é enganar a si mesmo. Também não concordo com algumas das palavras do escritor, o seu caso realmente é lamentavel, no seu caso e da sua parceira foi realmente um crime, e se eu estivesse no lugar dessa sua parceira iria carregar remorso por essa monstruosidade a vida toda. Luisa, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

15- É por esta e outras que o jornal O Povo está perdendo seus assinantes. Também com um colunista deste! Leitor indignado, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

16- Para igreja catolica so´ mando uma resposta, va cuidar dos seus padres pedofilos, que esta igreja esetar cheia. eu nao preciso de religiao,acredito em Deus independente de religiao, e niguem e´salvo p/eou c/religiao. Eliane Maria Paz Chaves, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

17- é incrível, como uma pessoa(Inrresponsável), tem o prazer de dizer que teve participação em um aborto, e hoje fala que agradece por não ser mais católico, sobre a criança de 9 anos, o seu aborto é um caso a se pensar, pela causa que se fez, mais este criminoso que não sabe o que diz um dia vai pagar pelos seus atos, esse livro dele deve ser uma porcaria, porque o cara é fútil. Paulo André, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

18- Concordo com o Ricardo Kelmer sobre o artigo, mas não é a lógica de Deus a excomunhão, mas sim dos pseudos representantes de Cristo na terra. Por todo o mau que a igreja católica praticou, principalmente na idade média, ela mesmo já não deveria ter sido excomungada? E os padres pedófilos, o que dizer deles? São uns caras de pau, ignorando até o bem que a ciência proporciona ao mundo. Francisco Delmontier da Costa, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

19- Bem vindo ao clube vc, se depender de aborto para mim ser excomungada nunca serei, não sou contra a essa menina ter feito isso, mas no seu caso, ahh faça me o favor, vc ainda vem aqui e escreve isso com a maior naturalidade, como se tivesse matado uma galinha pra comer, poupe-me viu. Cris, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

20- Lamento ter lido esse tipo de reportagem/opinião. Um indivíduo se aproveita de um meio de comunicação para externar sua opinião sem se preocupar com o que fala. Aproveita o caso para fazer sensacionalismo, falar mal de uma Instituição séria e assumir que para ele é normal fazer um aborto (matar um ser inocente) caso a namoradinha engravide e eles não queiram assumir a responsabilidade pelos seus atos. É triste ver um jornal como O Povo dar espaço para esse tipo de manifestação irresponsável!!! Karla, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

21- Agora me vejo perdida. Sou ou, sei lá, era católica…nem sei mais!!! Tanta coisa absurda por baixo de uma batina. Concordo que o aborto deva ser a ultima saída, mas no caso desta CRIANÇA…era a ultima chance pra ela e um arcebispo vem e fala que ela deverá se sacrificar pra dar a vida a um ser que pra ela, com certeza, será sinônimo de algo que quer esquece, VIOLÊNCIA!!! Meu Deus, em que templo tu estais que eu possa entrar???Se o nosso corpo é templo do Espírito Santo, então quem invadiu e fez um estrago que jamais será consertado é que deveria ser excomungado, não???!!! Milla Lopes, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

22- A pergunta “Não faria nada e deixaria que a lógica de Deus decidisse?”, do meu ponto de vista deveria ser mais fundamentada e não apenas jogada para julgamento público. Como disse, quanto ao tal do Bispo nem me importo, aliás, nem sou católico, quanto ao aborto também achei prudente que fosse feito, porém seja mais prudente ao se referir ou questionar o que Deus faz ou deixa de fazer. Afinal um ¿escritor e roteirista¿ não passa de um ¿escritor e roteirista¿, agora, Deus dispensa os meus e os seus comentários. Adriano, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

23- como posso seguir o teu conselho contra a igreja catolica ser voce teve a coragem de matar o proprio filho com a arma do aborto , infeliz é a cidade que te acolher para te ouvi maldito todos aquele que te escuta. JUDAS SE ENFORCOU E TU ? é ricardo kelmer como posso seguir o teu conselho contra a igreja de cristo se voce teve a coragem de matar o proprio filho atraves do aborto ,voce devia esta na prissao e nao numa redançao de um jornal. Nazareno, Coluna Kelméricas, O Povo On Line mar2009

24- Rapaz, vcs ainda dão ouvidos pra essa igreja. Era pra ter entrado num ouvido e saído pelo outro. Totalmente desprezível e insignificante. Renato, Coluna Kelméricas, O Povo On Line – mar2009

25Eu sou e espírita e em teoria, contra o aborto. Fico muito triste que as crianças do Brasil estejam sendo tão desrespeitadas. Porque todo mundo fala desse aborto, da excomunhão e tudo mais, mas e a punição do padrasto? Sinceramente, se tivesse acontecido com uma filha minha, acho que eu não seria capaz de perdoar. Eu acho que esqueceria todos os princípios cristãos que supostamente tenho e cortaria o pênis desse desgraçado e depois o obrigaria a comê-lo e depois o amarraria numa árvore em praça pública pra ele ser estuprado e humilhado. Débora, Coluna Kelméricas, O Povo On Line – mar2009

26- sinto pena de você. um colunista deveria ter pelo menos sensibilidade antes de escrever tanta heresia e brincar com algo tão sério. você é um irresponsável, pois pessoas sem estudo vão ler essas suas idiotices e você, com tanta besteira, vai influenciar pessoas a terem ódio da igreja católica. você é um alienado, que só pensa nesse seu mundinho de artista. se depender do demônio, você venderá muito livro. quanta besteira foi escrita nesse seu artigo. quanto despropósito, além das brincadeirinhas sem graça. peço a Deus que o perdoe, pois o fim está próximo e, com certeza, você não gostará de se sentir expulso daqueles que irão se salvar, pois o fogo queima… Paulo, Coluna Kelméricas, O Povo On Line – mar2009

27- Religiosos, como o arcebispo de Olinda, são tão nocivos à sociedade quanto o padrasto estuprador, pois o padre, com suas idéias, defendeu que o estupro não é um crime tão grave assim. Talvez seja o corporativismo da organização, a que ele pertence, falando mais alto. É lógico que muitos valores cristãos devam ser preservados, mas acredito que a fé religiosa, hoje, se constitui em um grande entrave para o desenvolvimento sustentável da humanidade. O que dizer das fortes críticas do Vaticano a liberação de recursos oficiais americanos para as pesquisas com “células-tronco”, do posicionamento contrário ao planejamento familiar etc. Hélder Hamilton, Coluna Kelméricas, O Povo On Line – mar2009

28- Sou Bispo de nascimento ( sobrenome do meu Pai ). Esse bispo nao poderia estar em Olinda, D. Helder deve estar muito desapontado do lado de la. Quero ser excomungado!!!!!!!! José Valdo Bispo, Coluna Kelméricas, O Povo On Line – mar2009

29- quem diz que o estuprador está livre das penas eternas definidas pelo magistério da Igreja é o Sr. Kelmer, numa ironia própria dos maldosos, segundo nos ensina com propriedade de sábio o grande psicanalista Mira y Lopez. Enfim, o Sr. Kelmer, bem como muitos da sua estampa, deveriam recolher-se àquela condição do sapateiro da fábula de Esopo: sapateiro, não vá além dos seus sapatos. Barros Alves, Coluna Kelméricas, O Povo On Line – mar2009

30- Sou contra o aborto, mas a favor da legalização do aborto. Sou também a favor da liberdade de culto e do Estado totalmente Laico. A Igreja não poderia interferir nas leis – mas tem o direito de ter seus próprios postulados. O Direiro Canônico da Igreja Católica é elaboradíssimo. Para falar com propriedade, é preciso conhecê-lo, pelo menos superficialmente. Caso contrário, corre-se o risco de ser totalmente superficial, como o sr. Kelmer. John Lock, Coluna Kelméricas, O Povo On Line – mar2009

31- O estuprador era o patrão, o senhor de engenho que deflorava as mucamas. A Igreja até esta época ficava ao lado do patrão ou era patrão mesmo, senhora do mundo. Assim a vemos ao lado do poder, quando não era o próprio poder. Posteriormente perdeu força ficando subordinada ao poder civil instituído. Num avanço político conseguiu ficar independente separada do poder do estado. Mesmo separada do estado, optava para ficar ao seu lado disputando as regalias do poder, para isso tinha que ficar senhora do povo. O dilema surgido foi de que lado a Igreja deveria ficar, do poder ou do povo. Sob o comando do Papa João XXIII a igreja iniciou a guinada na direção do povo (continua) – Airton Barbosa Gondim, Coluna Kelméricas, O Povo On Line – mar2009

32Descobri, através de você, que também sou excomungado. Dei uma clicada no link da lista e o maior pecado que ví foram as asneiras escritas (e tão mal escritas, que pecado!), principalmente, pelos teus algozes. Meu Deus, quanta gente ignorante! Manda perguntar para um budista qual é a verdadeira religião. Ou a um muçulmano…  Fui criado numa família profundamente católica, fui orientado a estudar para ser padre… e quanta decepção; é tudo uma grande farsa. Ah, quando estava no seminário, uma vez comi uma lata de hóstias e só não fui expulso porque ainda não estavam “consagradas”, mas meu pai teve que pagar o prejuizo. Enquanto isso, está mais do que comprovado que a maioria dos padres decidiu sê-lo, utilizando o celibato com o propósito de “servir” a Deus escondendo a sua sexualidade; mas, de vez em quando, tinham que dar vazão aos desejos carnais. João de Deus (eu?), Coluna Kelméricas, O Povo On Line – mar2009

33- Concordo com o Sr, Ricardo Kelmer, no que diz respeito ao descaso para as crianças que sao abusadas todos os dias neste pais, mas descordo que isto seja por causa de Deus, ou melhor do Deus catolico. O problema nao é Deus e sim a hipocrisia das autoridades catolicas em querer manter dogmas que deixam impunes esses monstros pedofilos, sejam estes padres ou parentes da criança. LidiaColuna Kelméricas, O Povo On Line – jul2009



Nem tudo evolui, Darwin

04/03/2009

04mar2009

Para os religiosos radicais, por exemplo, o conhecimento deve continuar preso num calabouço medieval, de onde jamais deve sair

NEM TUDO EVOLUI, DARWIN

.
Deus criou o mundo há 6 mil anos, mais exatamente no ano 4004 antes da era cristã. Eva e Adão foram expulsos do paraíso nesse mesmo ano, no dia 10 de novembro. Os fósseis de animais que os arqueólogos encontram, inclusive os dinossauros, são restos de animais que não embarcaram na arca de Noé e morreram no dilúvio.

Você matricularia seu filho numa escola que ensina essas coisas como se fossem fatos reais? Pois é exatamente isso que fazem muitas escolas, principalmente evangélicas, em seu esforço por impor sua versão religiosa sobre as verdades científicas. Em oposição à ciência, que afirma, baseado em experimentos e descobertas, que a Terra existe há bilhões de anos e as espécies evoluem, transformam-se e originam outras seguindo leis naturais, os religiosos radicais defendem o criacionismo, uma visão religiosa da realidade que diz, entre outras coisas, tudo baseado apenas na fé, que Deus criou a espécie humana já prontinha.

Entendo o drama dos religiosos. As descobertas sobre a idade da Terra e a evolução das espécies certamente os fazem lembrar de momentos difíceis, como quando descobrimos, cinco séculos atrás, que a Terra e os humanos não são o centro do Universo. Vendo que mais uma vez a força dos fatos científicos abalará os dogmas da fé, os religiosos, acuados, investem as últimas forças tentando desqualificar a ciência, acusando suas verdades de serem simples teorias carentes de comprovação.

As polêmicas envolvendo ciência e religião existem desde que a humanidade começou a desenvolver o pensamento científico, na Idade Média, tirando da religião o privilégio do veredicto sobre a realidade. É claro que a religião não aceitaria isso sem lutar. E como ela lutou. E perseguiu. E queimou! Para não perder a primazia da palavra final, a religião fez de tudo para que o conhecimento não avançasse, impondo à humanidade compreensões limitadas da realidade.

Apesar de tudo, o conhecimento avançou. Bem, não para todos, é verdade. Para os religiosos radicais, por exemplo, o conhecimento deve continuar preso num calabouço medieval, de onde jamais deve sair. Para essa gente, Deus criou o mundo e a humanidade  mas a ciência não, isso já é invenção do Diabo.
.

Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

.

.

> Criacionismo na Wikipedia – Saiba mais sobre a tentativa dos fanáticos de misturar religião e ciência nas escolas

> Observatório da Laicidade na Educação – Excelente trabalho a favor da laicidade no ensino público, com noções sobre Estado laico, religioso e ateu

.

LEIA NESTE BLOG

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

Quem tem medo do desejo feminino? – Você consegue imaginar Nossa Senhora tendo desejos sexuais? Alguma vez na vida você a imaginou fodendo?

A água milagrosa do pastor pilantrão – Putz, a que nível chegou a picaretagem religiosa. Esses pastores fazem mais milagres que o próprio Jesus!

O armário dos ateus – Os dados da ONU desmentem uma velha crença dos religiosos e teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará para a criminalidade e infelicidade geral

> Textos sobre religião e ateísmo neste blog

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

 Acesso aos Arquivos Secretos
Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.


Urucubaca divina

21/01/2009

Ricardo Kelmer 2009

O teto da Enriquecer… Putz, eu digito certo mas uma força misteriosa insiste em trocar o nome da igreja

Deus não deve andar lá muito satisfeito com seus seguidores da igreja Enriquecer, ops, Renascer em Cristo. Primeiro seus líderes, Sonia e Estevan Hernandes, são presos nos Estados Unidos por contrabando de dinheiro e desde 2007 estão lá vendo o sol renascer quadrado. E quando voltarem ao Brasil ainda terão que responder por diversos crimes como falsidade ideológica, estelionato e lavagem de dinheiro.

E agora eis que desaba o teto de seu principal templo em São Paulo, matando uma dezena e ferindo mais de cem pessoas. Claro que o teto não desabou por conta dos pedidos diários de “descei sobre nós a vossa bênção”. Também não desabou porque Deus estava tirando uma soneca justo naquele momento e o Demo se aproveitou. Tampouco desabou pra punir os que estavam com o dízimo atrasado.

O teto da Enriquecer… Putz, eu digito certo mas uma força misteriosa insiste em trocar o nome da igreja. Vou deixar assim mesmo. Poisbem, a desgraça aconteceu porque a bênção financeira que os fiéis diariamente dão pra Enriquecer não foi usada pra cuidar do teto. E agora dezenas de famílias estão sofrendo pra caramba e não há remédio pra curar suas dores. Agora muitas delas processarão a igreja que, por sua vez, empurrará o prejuízo com a barriga até onde der, prolongando ainda mais o sofrimento das famílias.

Se a conta-corrente da Enriquecer já vinha desmilinguindo por conta dos escândalos envolvendo seus líderes e nem os gols, e as doações, do Kaká melhoravam a situação, agora é que a coisa ficou ruim mesmo. Os pastores não conseguirão atingir as metas mensais de arrecadação e terão bloqueados seus salários de R$ 1.500, assim como os auxiliares (R$ 2.500) e os bispos (R$ 7.500), coitados. Será que eles mudarão de empresa, quer dizer, de igreja? Ou fundarão uma nova? Nesse caso, sugiro desde já um nome pra ela: Igreja Sagrada do Pastor Sem Teto.

.

Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

.

.

LEIA TAMBÉM NESTE BLOG

> Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

> Quem tem medo do desejo feminino? – Você consegue imaginar Nossa Senhora tendo desejos sexuais? Alguma vez na vida você a imaginou fodendo?

> A água milagrosa do pastor pilantrão – Putz, a que nível chegou a picaretagem religiosa. Esses pastores fazem mais milagres que o próprio Jesus!

> O armário dos ateus Os dados da ONU desmentem uma velha crença dos religiosos e teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará pra criminalidade e infelicidade geral

> Nem tudo evolui, Darwin – Pros religiosos radicais, por exemplo, o conhecimento deve continuar preso num calabouço medieval, de onde jamais deve sair

> Textos sobre religião e ateísmo neste blog

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
 Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

COMENTÁRIOS


.



https://blogdokelmer.wordpress.com/2009/01/21/urucubaca-divina/


Culpa da religião

07/01/2009

Ricardo Kelmer 2009

A única solução possível pra esse engodo dos diabos seria não existir religião

palestina01Quanto mais a gente se aprofunda na questão Israel-Palestina, mais entende que ambos os lados estão totalmente certos – e ambos estão deploravelmente errados.

Na verdade o único e verdadeiro problema que existe ali chama-se religião. É a religião que faz com que judeus e árabes não se entendam e se odeiem e desejem varrer o outro lado da face da Terra. É a religião que leva esses líderes tribais de árabes e judeus a sempre revidar as agressões e a matar crianças e sacrificar inocentes, mesmo sabendo que isso gerará revides ainda piores.

Como cada lado age em nome do seu deus, o ideal seria que ambos os deuses descessem à Terra e explicassem aos seus seguidores, com muita paciência, que tudo tudo tudo não passou de um grande malentendido e que na verdade eles, os deuses, jamais existiram, e que agora se encontram numa puta crise existencial pois eles não existem e, no entanto, são o motivo de tanta intolerância, violência e guerras.

A única solução possível pra esse engodo dos diabos seria não existir religião. Em outras palavras: não há mesmo solução. É ruim concluir isso, né? É. E tudo indica que vai piorar.

.

Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
– Promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.


LIVROS – As brumas de Avalon

06/01/2009

asbrumasdeavalonlivro01As Brumas de Avalon
The Mists of Avalon – 1979
Marion Zimmer Bradley
Editora Imago

Romance em 4 volumes. A saga arthuriana numa visão feminina e intimista. .

.

A Bretanha por volta do sec. VII, as guerras pela unificação do Reino, a realeza e seus costumes, as tramas envolvendo paixões, traições e os mais altos ideais de nobreza e lealdade e as decisões de bastidores que estabeleceram definitivamente o cristianismo na ilha, exterminando boa parte da cultura local e seus cultos à Natureza e à Deusa Mãe. Este romance mostra o lendário universo de Camelot a partir da ótica de Morgana, a meia-irmã de Arthur e sacerdotisa de Avalon, a ilha que atuava como centro do culto à Grande Deusa.

QUEDA POR BRUXAS
Ricardo Kelmer 2008

Li os quatro volumes da saga na década de 1980, eu tinha vinte e poucos anos. Poucas vezes me senti tão envolvido por um livro. É daquele tipo de história que a gente sabe desde o início que os mocinhos perderão o jogo mas mesmo assim prossegue lendo e torcendo por eles. Reflexões, risos, choros, raiva, compaixão, tesão senti de um tudo com esse romance!

Durante toda a leitura dos livros, que durou semanas, o clima místico de As Brumas de Avalon me envolveu feito uma névoa e cheguei a querer, seriamente, me comunicar com os personagens, acredita? Pois foi. Identifiquei-me tanto com Morgana, com sua luta em preservar Avalon, seu sofrimento e sua solidão, seu amor não correspondido, que me peguei desejando voltar no tempo pra me casar com ela – pra que a sacerdotisa de Avalon não terminasse seus dias triste e sozinha. Mas não pense que eu virei santo não: se eu voltasse, eu comeria e muito a Morgana, mesmo com sua fama de feiosa. Ora se não comeria! Só de imaginá-la naqueles rituais correndo nua pela floresta, com o corpo todo lambuzado de sangue de gamo…

Sim, você tá certa, querida leitora, eu era doido mesmo. Melhorei um pouco. Mas continuo tendo uma queda fudida por bruxas, por mulheres que encarnam o arquétipo do feminino selvagem: mulheres ligadas à Natureza, de alma livre, harmonizadas com seus próprios ciclos e com a sabedoria natural do planeta, mulheres que não só vivem mas celebram a vida e estão conectadas ao Sagrado. Sim, é uma visão meio mística da mulher, uma visão meio pagã, sensual – mas também é uma visão sagrada. Conheço poucos homens que compartilham essa minha visão, ver a mulher como a representação viva da própria Deusa. Mas conheço várias mulheres que encarnam maravilhosamente o feminino selvagem. Putz, como não amar, admirar e reverenciar uma Filha da Deusa?

Em 2001 foi lançada uma versão do romance para a tevê. A história teve de ser alterada, afinal seria impossível contá-la da mesma forma em linguagem de tevê e em tão pouco tempo, mas a essência da história e sua mensagem foi mantida. Eu assisti e gostei. Pode ser encontrado em locadoras.

.

MINISSÉRIE PARA TEVÊ

asbrumasdeavalon03As brumas de Avalon
Uma sacerdotisa prepara o nascimento de Arthur, que viria a se tornar rei para comandar a Bretanha e salvar Avalon.

Título original: The Mists of Avalon
Gênero: Aventura
Duração: 180 minutos
Ano de lançamento (EUA): 2001
Estúdio: Warner Bros. / TNT / Stillking Films / Constantin Film Production GmbH / Wolper Organization
Distribuição: TNT
Direção: Uli Edel

.

.

SOBRE OS FESTIVAIS DE BELTANE
Ricardo Kelmer 2008

Originalmente Beltane era um importante ritual pagão de fertilidade, realizado anualmente em várias regiões da Grã Bretanha durante a alta Idade Média. Nele festejavam-se os ciclos da Terra e se saudava o retorno da primavera, num clima de reverência à Deusa, ou ao que hoje chamamos de arquétipo da Grande Mãe. Os participantes ofereciam seu corpo pra que o mistério se realizasse através do casamento sagrado do masculino e do feminino. As crianças nascidas desse ritual eram consagradas à Deusa e destinadas a serem sacerdotes, druidas, sacerdotisas, todos defensores da Grande Mãe.

O contexto do ritual é a comunhão com o sagrado e não o sexo propriamente dito. O sexo faz parte mas está inserido num clima de entrega sagrada, de reverência à Deusa, fazer do próprio corpo o altar onde se celebram os mistérios dos ciclos, a dança das estações, a fecundidade da Mãe Terra.

A Deusa une as pessoas ao redor das fogueiras e é uma imensa honra entregar-se a um filho da Deusa ou a uma filha da Deusa. Não é a outra pessoa que importa  importante é o ato de entregar-se à Grande Mãe e através desse dispor-se, ser instrumento da sagrada celebração da fertilidade da terra e do milagre da vida. Em Beltane ninguém tem um rosto, ninguém tem um nome. Cada um é a encarnação do sagrado masculino e do sagrado feminino.

O cristianismo bem que tentou exterminar por completo as tradições da antiga religião da Deusa, imprimindo a elas um caráter pecaminoso e demoníaco, além de perseguir e matar seus seguidores durante a vigência da Santa Inquisição. Mas as tradições pagãs sobreviveram e ainda hoje os festivais de Beltane são celebrados na Europa.

virou putaria

Outro dia encontrei numa comunidade do Orkut um tópico intitulado “Quem vc levaria para as fogueiras de Beltane?” (http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1488969&tid=9037760&kw=levaria+beltane) Nas respostas tinha Axl Rose, Brad Pitt, Shakira, a minha vizinha gostosa e por aí vai… Putz, pode uma coisa dessa? Teve uma lá que disse que levaria o marido “mas botaria um bip no bolso dele”. Que bolso, minha filha, que bolso??!!

Ai, ai… Pelo jeito, as pessoas ouviram o galo cantar mas não sabem nem que bicho era. O que fiz? Deixei um recado meio indignado pra pirralhada lá, no estilo Jesus-expulsando-os-vendilhões-do-templo. Não sei se adiantou muito não…

.

Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

.

.

Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

AsFogueirasDeBeltane-03aAs fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

A mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.
.

LIVROS

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

COMENTÁRIOS
.

.


O ateu e o inalcançável Mistério

18/12/2008

18dez2008

O ideal seria que todo religioso percebesse que sua verdade é apenas uma versão do inalcançável Mistério

O ATEU E O INALCANÇÁVEL MISTÉRIO

.
Obrigado a todos que participaram da discussão envolvendo meus textos “A menina, a exorcista e a cantora” e “Vade retro fanatismo“. Sinto-me muito honrado por merecer a gentileza de tantos comentários.

Aproveito para pedir desculpas por não postar no primeiro texto o link pro site da Igreja Batista da Lagoinha, foi pressa de publicar, falha minha. E mesmo que eu considere um crime o proselitismo religioso aplicado a crianças, o leitor tinha o direito de conhecer logo a versão do proselitista infantil.

Uau, há muita inverdade e absurdo sobre mim nos comentários postados. Mas isso, no fundo, não tem importância. Esclareço apenas uma coisa: não tenho religião. Considero-me um ateu místico – porque me relaciono com a vida de uma forma meio mística mas sem a crença em deuses. Se há uma crença que sigo é o amor pela Terra e pela Humanidade. A Terra é minha Mãe Sagrada, meu país sem fronteiras, e toda a Humanidade, em sua bela diversidade, é a minha família. Não pertenço a nenhum rebanho de Deus, não sou de nenhum povo escolhido – faço parte do Povo da Terra.

Cresci no catolicismo e se, após a adolescência, consegui escapar de sua prisão cultural, por outro lado meu fascínio pelo Sagrado e pelo Mistério aumentou. Inspiram-me e me emocionam as mitologias das religiões, mas entendo seus deuses como meras projeções humanas, criações culturais a respeito do imenso e insondável mistério da vida, e assim sendo, vejo a religião como uma questão de foro íntimo, algo inteiramente pessoal.

O religioso, porém, tende a entender sua visão particular do Mistério como verdade única e inquestionável, e quem pensa diferente dele está errado. O fanático vai um passo além: ele se sente no dever de pregar, converter e salvar os diferentes do Mal. E o fanático radical é capaz de agredir, destruir e matar em nome de seu deus. O ideal seria que todo religioso percebesse que sua verdade é apenas uma versão do inalcançável Mistério, mais ou menos como um acontecimento que tem inúmeras testemunhas mas que, ainda assim, nunca é esclarecido inteiramente.

Sinto que o fanatismo religioso, com seu ódio ao diferente, nos trará cada vez mais problemas. Em tempos de crise financeira, problemas sociais, violência, guerras e desequilíbrio ecológico, o apelo religioso se intensifica e é aí que o fanatismo prolifera, com seu discurso salvacionista. O que pode ser mais perigoso que alguém que tem a mais absoluta certeza que age em nome do ser supremo do Universo, que lhe deu ordens de nos salvar? Putz, ninguém merece.

São poucos os que se arriscam a questionar os posicionamentos religiosos, mesmo quando eles são claramente perigosos. A crítica à religião chega ao religioso como terrível blasfêmia e não como um legítimo e sadio ato de discordância entre dois pontos de vista. Apesar disso, as pessoas livres não devem se omitir e, quando for o caso, precisam apontar e criticar os abusos religiosos, assim como todo tipo de abuso, sem medo de irem queimar no Inferno. Até porque lá deve ter uns inferninhos ótimos.
.

Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

.

elelualobo01.

.

LEIA A TRILOGIA

A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica

Vade retro fanatismo – Mais fácil discutir com o próprio Satanás, que pelo menos nunca vai tentar me convencer que eu tô possuído

O ateu e o inalcançável Mistério – O ideal seria que todo religioso percebesse que sua verdade é apenas uma versão do inalcançável Mistério

.

LEIA NESTE BLOG

O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu. O que pode sair desse mato?

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01- Sou judeu,cearense e um antes de tudo isto,sou um homem da Terra.Por uma questao de hereditariedade pertenco ao que no ponto de vista religioso,chamamos de O Povo Escolhido. (…) Parabens!!! Gostaria de um dia ter oportunidade de conhece-lo para poder dize-lo que compactuo com os seus pensamentos e que este artigo :Eu gostaria de ter escrito sem tirar uma virgula. (…) Tenho 63 anos e passo para os meus filhos exatamente: A compreensao com a Humanidade e com os seus seres humanos,independentemente de sua pele,religiao e grau de cultura. Estarei sempre a suas ordens e aqui em Israel, temos um grupo de brasileiros judeus que “Um dia Quem sabe…Voce poderia nos dar o prazer de proferir uma palestra destas que vc fara no BNB. Newton Gondin, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

02- Interessante e inteligente, estou no momento pensando assim. Paulo Roberto, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

03- me identifiquei muito com seu pensamento. Parabéns por divulgar o Humanismo. J Gomes, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

04- Costumo ler, frequentemente, sua coluna, sem nunca ter tido vontade de publicar comentários.No entanto, hoje, senti vontade de registrar minha total identificação com suas palavras e meu crescente respeito e admiração por você e por sua condução nesse episódio.Muitos são os caminhos e acredito, acima de tudo, na liberdade de escolha de cada um! Isabelle, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

05- Seu jeito meio irônico, meio sério, não lhe livra da crítica de procurar justificativas indo aos antípodas. Não é certo que os que professam alguma religião (“algum rebanho de Deus”) sejam todos necessariamente idiotas fanáticos, contrários à “Mãe Terra” ou à idéia de um “país sem fronteiras”. Contra-exemplos abundam. Quanto ao seu desdém com respeito à Igreja, não sei qual o motivo disso, mas como escreveu certo pensador francês: A IGREJA (CATÓLICA) NÃO SÃO SEUS PADRES; SÃO SEUS SANTOS. Pense nisso. Quanto a mim, prefiro apostar no melhor e continuar tentando seguir a Cristo do que andar feito barata tonta seguindo o último modismo politicamente correto; estes, indo aos antípodas, são fanáticos com sinal trocado. Geguba, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

06- o senhor diz que educar meu filho na doutrina cristã que recebi dos meus pais é um crime, sugere que o ato de pregar o evangelho é fanatismo, que nós, os “fanáticos”, odiamos o diferente, e que a certeza de que agimos em nome do criador é algo de extremo perigo. O senhor quer mesmo que eu acredite que isso é um “legítimo e sadio ato de discordância entre dois pontos de vista” ? Isso é um ataque tão venenoso, são generalizações tão absurdas quanto as que o senhor critica. Anderson Fortaleza, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

07- Ateu-mistico,, kkk Eh muita falta do que fazer. Nnca li tanta besteira na minha vida. Perdi minutos preciosos da minha vida. e nao valeu e nem vale a pena tudo isso… Pedro, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

08- Talvez não saiba, fato comum entre jornalistas, escritores, intelectuais, que possuem, às vezes, pois muitos enganam a si mesmos, razoável conhecimento cultural, porém conhecem muito pouco sobre religião, por impaciência, por preconceito, que tanto combatem, etc., talvez você não saiba mas esse ateísmo místico, voltado à natureza tem um nome: adoração a Deusa Gaia – A Terra, a Mãe Sagrada – uma religião da chamada Nova Era, onde, sem perceber, adora-se à criação no lugar do Criador. Há muitas religiões que seguem esse caminho, como a Maçonaria (uma religião disfarçada), Zoroastrismo (de Niestzche, que morreu louco), budismo, hinduísmo, etc. Só há um que não adora a natureza: o cristão, pois esse adora o Criador, Jesus Cristo. Napoleão Jr., coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

09- Parabenizo ao Sr. Ricardo Kelmer, autor do corajoso depoimento, pois, num país de religiosidades e idolatrias mistificatórias, como o nosso, contrapor-se, como bem o diz, à quaisquer conceitos, dogmas e preconceitos das diversas matrizes das religiosidades é certeza de “Queimar, pretinho, no inferno!”, invariavelmente! Não sou contra quaisquer manifestações desse cunho, atenta contra o meu pensar, apenas as radicalidades e as tentativas de “forçamento da barra”, quando alguns se acham no direito de empurrar os seus credos à todas as outras pessoas, achando-se, assim, o único justo e o seu credo, o único certo! Clécio Oliveira, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

10- Você precisa estudar mais sobre religiões e crenças para não expressar de forma tão medíocre sua paupérrima opinião. Concordo que todo fanatismo, exrtemismo ou qualquer forma de afunilamento de pensamento seja ignorante, mas fatos bíblicos não são meramente estórias e sim comprovações arqueológicas, científicas e históricas. Contra fatos não há argumentos. Daniel Paula, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

11- Novamente reafirmo o brilhantismo de seus textos. Sobre os dois mencionados no inicio deste artigo, confesso que me diverti muito. É preciso sem dúvida pessoas de coragem que denunciem abusos seja lá no campo religioso, cientifico ou filosófico. Precisamos, juntos, chegar em soluções saudáveis para sociedade, repeitando principios universais como igualdade, fraternidade e liberdade. Ricardo, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

12- Um pouco de filosofia nunca fez nem fará mal a ninguém. Até nos ajuda nessa incessante busca de nós mesmos enquanto seres vagantes neste mundão de meu Deus. O grande perigo está apenas em concedermos voz aos falsos profetas ou nos deixarmos levar pela lábia academicista e estéril de certos teóricos. O Sr. Ricardo Kelmer tem razão quando se refere à cegueira do fanático religioso e o mal que isso representa para qualquer sociedade; peca, contudo, ao se dizer ateu ou tentar estabelecer como verdade algo que é fruto tão-somente de suas próprias conclusões. Tal atitude não me parece a forma mais adequada para tentar impor uma tese. Astolfo Lima, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

13- Vc diz: Sinto que o fanatismo religioso, com seu ódio ao diferente, nos trará cada vez mais problemas. Será que o ódio não é seu?Será que vc não trás um ódio porque nós somos diferentes de vc?Pois vc externa esse seu ódio e perseguição A nós seus textos, ou eu estou errado, ou vc realmente TEM UM AMOR PELA HUMANIDADE E PELA TERRA, SUA FAMILIA.Falar de amor é facil o dificil é viver o amor!Pense nisso meu irmão!Jesus te ama!E eu continuo orando por vc, é de graça, não pagará oferta e dízimos ok?Há, mas oro com fé viu?Com o mais puro fanatismo ao meu Jesus. Paulo, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

14- Parabens Ricardo!! O que a nossa sociedade precisa eh de pessoas com coragem como voce. Eu proprio me sinto muito cansado de tanta alienacao e oportunismos religiosos. Concordo com voce que a religiao eh algo individial (a crenca, a fe) mas quanto as igreja (umas mais que outras) tudo o que fazem eh manipular essa crenca para tirar algum proveito seja ele politico, social ou economico. Nao quero me estender mas nao podia perder a ocasiao para parabeniza-lo e dizer que que voce nao esta so, que outras pessoas compartilhas os mesmos pensamentos. Ermeson, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

15- O único Deus disse “quem crer em Jesus será salvo” Jo 3.16. seguir a Cristo está acima de religião e o que está em questão é a salvação de nossas almas pois “toda a terra passará mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” I Jo 2.17. Marcio, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008

16- O místico não é o ser mais racional, afinal ele leva em conta os fatores sobrenaturais desprezando as causas físicas e científicas. Não seria também uma espécie de alienação? O que é pior o fanático ou o alienado de provas físicas e científicas? Há, esse assunto já está cansando. Lili, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – dez2008


Vade retro fanatismo

10/12/2008

10dez2008

Mais fácil discutir com o próprio Satanás, que pelo menos nunca vai tentar me convencer que eu tô possuído

religiosoevangelico03

VADE RETRO FANATISMO

.
Mulgélicos são personagens do meu conto A Profecia, um grupo de fanáticos religiosos de direita que atacam os que não compartilham de suas crenças. Poucas pessoas têm coragem de criticá-los e, assim, eles vão conquistando espaços na sociedade até que passam a governar vários países e transformam o planeta inteiro numa raivosa e sanguinária ditadura religiosa.

Poizentão. Minha crônica A Menina, a Exorcista e a Cantora parece que despertou a ira dos mulgélicos do mundo real. Faz uma semana que recebo mensagens de evangélicos revoltados com meu texto. Alguns acusam-me de não ter pesquisado bem o assunto e deturpar tudo. Até aí tudo bem, são críticas razoáveis. Mas alguns me xingam de idiota e imbecil e afirmam que meu livro Vocês Terráqueas (coitado, sobrou pra ele) é um “livrinho de merda”, mesmo sem terem lido. E mais: que eu tô possuído pelo demônio e já tenho garantido meu passaporte pro Inferno. Tudo gente bacana e muito educada, como se pode ver. Devem ser parente do Torquemada.

Se discutir com fanático já é uma tarefa inglória, avalie discutir com fanático religioso. Como argumentar com um tipo de gente que fala em nome de Deus? Como discutir com alguém cujas opiniões representam o ser mais poderoso do Universo, criador de tudo que há? Não dá. Mais fácil discutir com o próprio Satanás, que pelo menos nunca vai tentar me convencer que eu tô possuído.

Uma coisa interessante é constatar que no discurso do fanático sempre há mais referências ao Diabo e ao Inferno que a Deus. Por que será? Aliás, como conseguem saber tão facilmente que uma pessoa tá possuída, como eu? Devem ler todo dia o Malleus Maleficarum, só pode ser. Amor, compreensão, união? Eles nunca falam disso. Parecem mais uma horda de pitbulls raivosos, espumando ódio e intolerância. Eu tô exagerando? Então confira você mesmo, é só acessar os comentários ao fim do texto. Esse pessoal apenas reforça a desconfiança que muita gente tem: a religião ainda vai fazer deste mundo um Inferno.

E pra quem quiser saber da versão da tal cantora, ei-la.

A seguir, alguns trechos dos comentários postados pelos pitbulls, pra eles verem que eu li. Ah, como eu já tô condenado mesmo, quem souber de barzinhos legais no Inferno, desde já aceito sugestões.
.

Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

.

diabo04a.

.

LEIA A TRILOGIA

A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica

Vade retro fanatismo – Mais fácil discutir com o próprio Satanás, que pelo menos nunca vai tentar me convencer que eu tô possuído

O ateu e o inalcançável Mistério – O ideal seria que todo religioso percebesse que sua verdade é apenas uma versão do inalcançável Mistério

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01- você deve ter tido experiências não muito boas com “evangélicos” vamos assim dizer, mas experimente um dia, dessarmado de seus conceitos, entrar em uma igreja cristã e assistir um culto a Deus, quem sabe alguns de seus conceitos podem mudar. Jorge Rubens Guerreiro, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

02- A maioria dos cristãos não conseguem ser tolerantes porque creem que estão predestinados a salvar os pecadores. Quem são os pecadores? Aqueles que se identificam com uma outra doutrina religiosa, aqueles que não acreditam em nenhuma, ou aqueles que os criticam. Lane Lima, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

03- Ninguém merece esses fanáticos religiosos, parece q estão toda hora tendo q provar alguma coisa… Talvez pelo passado obscuro (sempre são ex-drogados, ex-ladrões, etc… ou atuais ladrões, etc.). Prefiro levar a vida leve, sem fazer mal a ninguém, respeitando a todos. Conciência limpa é independente da religião. Michele, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

04- Quer testar a tolerância de um evangélico? Discuta sobre o seguinte tema com ele: espiritísmo. Então você verá toda sua tolerância, compreensão e respeito pela fé alheia. Rodrigo Braga, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

05- Continuo postando a mesma coisa que postei na ultima crônica: Kelmer é o Cara! Ana, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

06- Fico feliz!!!!!, em vê q o palhaço voltou ao picadeiro com suas piadas preconceituosas, inconstrutiveis, repetitiva ,fulteis, obscuras, e mais ainda vejo que esta conseguindo seguidores, q talvez com mais algumas materias já estejam prontos a fazer o mesmo q seu GURU. Erasmo Cavalcante, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

07- Kelmer, parabens pela sua coragem em mostrar para a sociedade, a quanto estão distorcendo a mensagem que o mestre JESUS deixou na terra, a grande maioria desses “pastores” não passam de aproveitadores de mentes fracas e pertubadas pelos demonios que eles não param de exaltar. José Eurino, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

08- Hoje porém, crente traz a tona vários adjetivos negativos. Muito por conta do rentável nicho de mercado que o “mundo gospel” proporcionou. É chic atletas, cantores, atores (pornôs) se dizerem evangélicos. Dá lucro e visibilidade. Aí Deus se torna o maior marketeiro, e tudo o mais se inverte. Erlon, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

09- pra Deus, coração puro é aquele que respeita o próximo. Esse povo evangélico é muito “santo”! Só eles se salvam, né? Para mim esse povo tem uma verdadeira idolatria pelo capeta, pois não falam em outra coisa, senão citá-lo sempre. Parabéns Ricardo! Amyr Fontenele, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

10- Há um ditado popular que diz mais ou menos o seguinte: “ninguém joga pedra em cachorro morto”, por isso Kelmer, tenha a certeza de que se você incomoda essas pessoas, é porque a verdade dói. Nenhum deles nunca abordou ou teria a coragem de abordar os absurdos que se cometem em nome de Deus,muito menos os escândalos muitas vezes noticiados e largamente comentados na sociedade, que dizem respeito à extorsão de dinheiro dos “FIÉIS”. Sinval Vasconcelos, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

11- eu queria dizer o quanto admirei essa sua atitude de não se calar diante das ofensas proferidas pelos “donos da verdade”. Ah, e outra… se descobrir o tal barzinho no inferno dá um toque, ok??? Marco Meira Mayer, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

12- Caro Ricardo Kelmer, Se você for dar ouvidos para essa gente…. Faça o seu trabalho! Sucesso!!! Jarisvan, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

13- se tu encontrar um point interessante lá embaixo, guarda um lugar pra mim, do teu lado, porque eu prefiro sacudir o esqueleto num sambão infernal do que passar a eternidade tocando harpa. Keivy Oliveira, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

14- Grande Keeelmer!!!! Isso realmente é algo para se indignar, é lavagem cerebral mesmo. Tipo, minha mãe que é crente foi chamada a pouco tempo pra lecionar no estado, logo no primeiro salário mandou 100,00 pra universal e 100,00 pra outra igreja de crente. Daniel Gargas, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

15- posso te dizer que eu virei SUA FÃ após ler esse seu texto, não somente pelas colocações em si, mas por tamanha a sua coragem em responder às descorteses manifestações de uma parcela dos leitores da sua coluna. Lara Pinheiro, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

16- com isso dá pra ter uma pequena noção do que o coitado do Salman Bushdie deve ter passado quando escreveu “Versos Satânicos”. De outra sorte, vejamos o contra-senso: Deus (o próprio) nos concedeu o livre-arbítrio; mas seus auto-intitulados “procuradores” não admitem a liberdade de pensamento. Jennyson Oliveira, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

17- Tó contigo e não abro Kelmer…esses povo são loucos…. Adooorrrrooooo sua crônicas… Jessyka, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

18- Ricardo, a pessoas que se dizem cristãs precisam ler mais livros a não ser a Bíblia, que pelo jeito nem isso estão fazendo direito, precisam ver exposições de arte, precisam conhecer outras culturas e ver como é linda esta heterogeneidade. A Igreja está doente e precisa ser curada. Curada de sua intolerância e hipocresia. Juliana Duart, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

19- ja que vc esta de passagem marcada pro inferno, qualquer coisa me procura, so falar com o Senhor Satanás que vc me acha. Não se preocupe, pq te mostrarei os melhores bares e prostibulos do nosso inferninho hahahahaha. Samael, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

20- Ô Ricardo Kelmer me desculpe, mas vcé um sínico!Um perseguidor de Cristãos!Vc recebeu estas críticas, sabe pq?Pq vc escreveu um artigo altamente preconceituoso nos acusando de lavadores de cérebro, malucos e dizendo que a menina não precisava de religião, que ela precisava de uma familia.ELA PRECISA DE JESUS SIM, SABE PQ?PQ JESUS NÃO É RELIGIÃO, JESUS É SALVAÇÃO! Paulo, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

21- E a besteira que você falou?! Você se deu ao trabalho de ir checar?! Parece que não. Preferiu chamar a atenção dos teus leitores (alguns bem fanáticos também, né?) na atitude dos evangélicos revoltados e ficar neste papel de “fui atacado por xiitas”…..putz….você também…. João Santo, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

22- Ricardo, leio e continuarei lendo suas crônicas, pois gosto muito delas. E espero que você obtenha sucesso em sua vida, tanto profissional quanto pessoal. Agora, só uma dica: cuidado com as palavras, nem todos estão preparados pra ouvir certas verdades. Luisa, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

23- com irresponsabilidade só faz cuspir suas ferrenhas críticas aos Evangélicos como ele sempre faz(se vc não sabe ele é um ferrenho perseguidor, injuriador,crítico dos evangélicos) e só consegue comentários aqui, ou promoção, ou aparecer como vitima,como santo, como coitadinho, quando os ataca ou quando envia um e-mail para seus amigos (veja os comentários aqui nos detonando da maioria dos “amiguinhos dele”).Só assim ele se faz. Renato, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

24- Caro RK, Precisamos de voluntários para fortalecer nossa frente cristã que leva a verdadeira fé às pessoas. Muitas delas não têm consciência de que deveriam adorar Jesus Cristo, seguir nossos dogmas e se sentir culpadas por não terem sido redimidas do pecado original. Ajude-nos abrir os olhos dessas pessoas que como você pensam conhecer felicidade sem Cristo! Seu objetivo como missionário será viajar até países subdesenvolvidos e ensinar a seus habitantes sobre Cristo. Ajudá-los a esquecer suas culturas e tradições será o melhor que você poderá fazer por eles! Aí sim você conhecerá A VERDADE, DEUS e todas as glórias de ser um verdadeiro cristão. Gustavo Guerreiro, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

25- Parabens Kelmer. Minha unica discordancia é que acho que temos que respeitar o processo evolutivo dos seres que apos o estagio de animais se tornam religiosos para, somente depois, comecarem a se tornar seres humanos pensantes. Gisela, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008


A menina, a exorcista e a cantora

18/11/2008

18nov2008

Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica

A MENINA, A EXORCISTA E A CANTORA

.
Lucélia Rodrigues da Silva. Quando ela tinha 12 anos seus pais a entregaram a uma empresária chamada Silvia Calabresi Lima, em troca de algumas cestas básicas. Porém, em vez de receber carinho e proteção, Lucélia ganhou um passaporte pro inferno.

Silvia percebeu que a menina estava possuída pelo diabo e então, durante quinze meses, manteve-a presa e incomunicável no apartamento, com o intuito, segundo ela própria, de tirar o demo do corpo da menina. Pra isso ela a amordaçava e amarrava, arrancava suas unhas, socava seus dentes, cortava sua língua com alicate e a obrigava a comer baratas e cocô de cachorro. Até que a polícia invadiu a masmorra, quer dizer, o apartamento, libertou Lucélia e prendeu Silvia.

Parece filme, né? Mas é um fato verídico, aconteceu em Goiânia, e você certamente lembra dele. Lucélia foi libertada em mar2008 e hoje está no Cevam (Centro de Valorização da Mulher), uma ONG de Goiânia, esperando ser adotada por alguma família. Lucélia viveu uma tragédia absurda, bizarra, uma coisa inimaginável, que pode comprometer o futuro de qualquer criança. Mas pelo menos o pior já passou, né?

Ô ilusão.

Você conhece a cantora Ana Paula Valadão? Nem eu. Mas muitos evangélicos conhecem, ela é uma dessas popistars gospel, ligada à Igreja Batista da Lagoinha, fundada por seu pai e que tem sede em Belo Horizonte. Igreja Batista da onde? Da Lagoinha. Mas vamos em frente. Lucélia, com autorização da Justiça, foi passear em Belo Horizonte, a convite da cantora, que ficara sensibilizada com o caso da menina. Lucélia, pelo jeito, voltou de lá transformada. Eis o que ela disse, segundo reportagem da revista Veja de 12nov2008:

– Eu me converti em Jesus. Preciso corrigir meu gênio.

Não esqueça que ela tem apenas 13 anos. Lucélia também falou sobre sua tragédia pessoal:

– A culpada fui eu. Eu, que não estava tocada por Jesus.

Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica. Vem cá, seu Juiz, me desculpe a ignorância mas a verdadeira proteção de que essa menina precisa não seria contra religiosos? E esta Ana Paula, por que em vez de converter a menina, não foi levar Jesus pra Silvia, lá no presídio, ela sim deve estar muito precisada. Lucélia não precisa de religião, precisa é de uma família.

Mas nem tudo está perdido. Pelo menos agora Lucélia sabe que precisa de um corretivo pois ela mesma é a culpada de suas desgraças. Louvada seja a Igreja Batista da Lagoinha.
.

Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

Imagem: “A Virgem castigando o menino Jesus perante três testemunhas” de Max Ernst – 1926

.

.

QUEM PECAR VAI MORRER
A cantora evangélica Ana Paula Valadão e sua aula de terrorismo religioso infantil

.

LEIA A TRILOGIA

A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica

Vade retro fanatismo – Mais fácil discutir com o próprio Satanás, que pelo menos nunca vai tentar me convencer que eu tô possuído

O ateu e o inalcançável Mistério – O ideal seria que todo religioso percebesse que sua verdade é apenas uma versão do inalcançável Mistério

.

LEIA NESTE BLOG

O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. CONTÉM COMENTÁRIOS AGRESSIVOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu. O que pode sair desse mato?

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01 COMENTÁRIOS
.

01- sabe quem vai marcar presença na sua noite de autógrafos??? só os capetas e demônios,seus maiores inspiradores.tadinho. Jessica, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

02- que comentário ridículo,como pode alguém menorprezar tanto a palavra de Deus,pois eu apoio a ANA PAULA VALADÃO,serva de DEUS, e pobre de espírito quem não conhece a JESUS.sÓ ELE LIBERTA E SALVA,NINGUÉM SERÁ SALVO SE NÃO FOR POR ELE.o seu idiota,vai pedir perdão a DEUS pelo que você comentou aquí vai,seu imbecil. Há,ja ia esquecendo,SEU LIVRINHO DE MERDA,VAI SER UM FRACASSO. Edna, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

03- como alguém escreve um livro tão idiota como esse??? e o comentário???? filho,onde você se formou??? vou processar a falcudade que te vendeu,ops,concedeu o diploma.ainda bem que você deu uma palta de como vai ser sua noite de autógrafos,seria lamentável perder 1º o tempo indo até lá só pra ver tanta merda. Eduarda, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

04- sabe onde o sr Ricardo Kelmer deveria ir dá autógrafos??? na igreja universal,para espantar o demônios dos couros.êita cabocada que ele deve ter viu!!!! espera o passaporte para o inferno,já está sendo enviado.hhhaaaaaaaaaaa…. Fátima, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

05- claro que o ser Ricardo tinha que ser de São Paulo,tudo que não presta sai de lá não é verdade??? tá vindo envergonhar seu estado né.Só que aquí em Fortaleza,tem pessoas decêntes,sai fora imbecil,quem têm cultura e inteliogência,jamais vai perder tempo indo ter ver seu idiota.SAI FORA CAPETA,ESSA TERRA É DE DEUS. , coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008

06- Ô SEU louis Cifher E RICARDO E CIA. VOCÊ DEVE SER O PRÓPIO CAPETA NÉ VERDADE,POIS SAIBE DE UMA COISA,DEUS É MAIS,MAIOR QUE O UNIVERSO ,E VOCÊ TEM INVEJA PORQUE NÃO CHEGA NEM NO SUBSOLO QUE ELE PISA,TÚ E TEUS DEMÔNIOS ESTÃO CONDENADOS AO LAGO DE FOGO A 2ª MORTE. Anja, coluna Kelméricas, Jornal O Povo – nov2008


O presente de Mariana

15/11/2008

15nov2008

.

A cabocla Mariana, entidade da umbanda, propõe noivado ao moço Dedé. Ela garante estabilidade financeira, mas, em troca, exige fidelidade absoluta


GuiaDeSobrevivenciaCAPA-1b.

Fantástico, mistério

.

Este conto integra o livro Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

.

.

O PRESENTE DE MARIANA

.
ESTAMOS FAZENDO DEZ ANOS de casados, eu e Mirley. É uma mulher incrível, faço questão de lhe dizer, e continua bela e fascinante como no dia em que a conheci. Para comemorar a data, viemos passar o fim de semana em nossa casa de praia. Trouxemos vinho, velas aromáticas e nossos discos preferidos. Dez anos de alegrias. Dois filhos maravilhosos. Houve dificuldades, é claro, mas nosso amor superou tudo.

Neste momento, Mirley está na praia com as crianças. Preferi ficar aqui na rede da varanda, escutando Julio Iglesias, olhando as árvores do terreno, me deliciando com o vento, o som chacoalhento que ele faz nas folhas. Dez anos. Tantas coisas vividas…

Recordei fatos, sensações, dizeres e pequenos eventos banais. Recordei os dias difíceis, um fraquejando, o outro segurando a barra… Ri sozinho de tantos encontros e desencontros, interessantes acasos e as brigas homéricas que o tempo sempre faz tornarem-se ridículas. Em dez anos de convivência acumula-se o inevitável pó das coisas corriqueiras, eu sei, mas um olhar ainda apaixonado, acredite, é capaz de captar poesia por trás da mais empoeirada rotina.

E foi nesta manhã, aqui na rede a vasculhar o passado, que súbito me veio a lembrança de Mariana. Foi como se um vento soprasse a areia de cima do acontecimento esquecido. Soprou e surgiu Mariana, ela e seu jeito gracioso de menina, o sorriso franco… E eu recordei tudo.
.

ERA UMA QUARTA-FEIRA, o dia em que botavam mesa na casa de dona Neide, uma médium conhecida no bairro. Joca perguntara se eu gostaria de conhecer uma sessão de umbanda manauara, eu disse que sim e lá fomos nós.

Eu havia deixado Recife para ir morar em Manaus, onde investira todas as minhas economias num negócio de exportação. Minha namorada Mirley foi comigo, mas infelizmente não se deu com o clima da região e voltou. Eu fiquei, eu e a promessa de que em breve faria algum dinheiro e voltaria também. Mas por aqueles dias, quase um ano depois, os negócios seguiam muito difíceis e o dinheiro e a esperança cada vez mais curtos. As perspectivas não eram nada positivas. E a saudade de Mirley me incomodava demais, feito um espinho encravado na alma. Sem ela ao meu lado, tudo era mais difícil de suportar. Quem sabe então alguma entidade poderia me dar uma mãozinha?

Formou-se a mesa. Estava concorrida a sessão daquela noite, algumas pessoas tiveram de ficar em pé, ao redor. Como era minha primeira vez, deixaram-me sentar, e bem ao lado de dona Neide, a médium, uma senhora muito distinta, corpo moreno e mirrado, cabelos e olhos bem pretos. Num canto da sala ficava a mesa do congá, e nela pude distinguir imagens de Jesus Cristo, são Jorge, são Sebastião, são Cosme e são Damião e a da Virgem. A médium pediu a bênção de Oxalá, do mestre Jesus, da entidade responsável pelo terreiro, que não lembro mais quem era, e de alguns orixás.

Nunca acreditei nessas coisas, acho que se pode explicá-las pela autossugestão. Mas como sou tímido, aquela experiência nova me deixou pouco à vontade. Via as pessoas expondo seus problemas às entidades e aquilo me soava estranho. Vi que umas conversavam ao ouvido delas, reservadamente, mas nem assim arrumei coragem. Sentia-me ridículo só de me imaginar falando ao ouvido de um imaginário preto velho baforando fumaça de fumo de palha, com aquelas pessoas fazendo um fundo sonoro de cantigas meio desafinadas.

Por ocasião da visita das entidades não senti nenhuma mudança mais significativa na médium. Observava-a com discrição, mas atentamente, procurando falhas ou comprovações do além. Uma coisa, porém, me chamou a atenção: foram as sete doses, isso mesmo, sete doses de cachaça que ela tomou durante a visita de um caboclo não-sei-quem. Sem falar nas cervejas que outras entidades pediram e tomaram. Pela lógica, dona Neide, com sua fraca compleição física, terminaria a sessão bastante embriagada.

Foi no fim que Mariana apareceu. Eu já interpelava Joca de canto de olho, demonstrando minha impaciência, quando dona Neide mais uma vez estremeceu, fechou os olhos e entrou em transe. De imediato percebi uma fragrância suave no ambiente, um cheiro de madeira, de mato fresco, e olhei discretamente ao redor para ver quem estaria usando perfume tão agradável.

Todos saudaram a entidade que chegava.

– Salve, Mariana.

– Salve, cabocla Mariana. Bem-vinda.

– Bem-vinda, Mariana do cabelo cor de telha.

– Salve, salve! – dona Neide respondeu, falando para todos. E percebi que sua voz se tornara mais juvenil.

– Quanto tempo que não aparece, Mariana.

– Êta, hoje tá cheio. Gente nova, homem bonito, que bom. Êta, felicidade!

Achei aquilo tudo ridículo e tive vontade de rir. Nesse exato instante, porém, o olhar de dona Neide cruzou com o meu. E tomei um susto. Aquele não era seu olhar, era outro. Estava diferente, mais brilhante, mais vivo. Tentei desviar, incomodado, mas algo me impediu.

– Esse é meu amigo Dedé – Joca tratou logo de me apresentar. – Tá vindo pela primeira vez.

– Tem um olho bonito, ele – dona Neide falou, meio séria, meio sorrindo.

Fiquei sem saber o que dizer, as atenções todas sobre mim. Procurava algo para fazer com as mãos sobre a mesa e evitar os olhares, principalmente o de dona Neide. Era estranho: dona Neide continuava ali, ao meu lado, mas ao mesmo tempo… não parecia ser ela. Não podia ser ela.

– O moço é encabulado, é? – ela perguntou, falando a poucos centímetros de meu rosto. Tinha um olhar meigo, mas nele havia qualquer coisa de dominador. Era algo sutil, mas que prendia meu olhar. Ela tocou meu rosto, sorriu e se virou, buscando os velhos conhecidos da mesa. Respirei aliviado.

Dona Neide, ou Mariana, cumprimentou a todos os presentes. Pude perceber que se demorava mais nos homens. Pediu notícias sobre conhecidos, perguntou sobre um e outro, riu de casos e se divertiu com uma confusão ocorrida dias antes na rua. Eu estava tão sem jeito com a situação que nem lembrei de pedir que também desse uma forcinha nos meus negócios. Contentei-me em admirar seus modos graciosos e seu bom humor. Decididamente, era uma entidade cativante.

Havia algo, porém, que me chamava a atenção desde o início de seus falares. Ela perguntava por seu noivo fulano e seu outro noivo beltrano, e pelo jeito parecia ter muitos noivos. Curioso, cutuquei Joca e ele me explicou, falando baixinho ao meu ouvido:

– A cabocla Mariana não morreu, foi encantada, com 17 anos e meio. Ela é muito bonita. Tem a pele branca e o cabelo ruivo, da cor de telha. E o olho azulzinho. Quando se engraça de um homem, pergunta se ele quer ser noivo dela. Homem que é noivo de Mariana consegue o que quiser nos negócios, sobe rapidinho na vida.

Senti um frio no estômago. Ajeitei-me na cadeira, mais para perto do meu amigo.

– Meu irmão é noivo dela. Tu conheceu a loja dele, Dedé. Pois dois anos atrás não tinha nem onde cair morto. Enriqueceu rapidinho.

– E o que faz ela se engraçar de um homem?

– Ah, não sei. Ela gosta e pronto.

– E o que ela pede em troca?

– Ela é ciumenta, exige exclusividade total. Homem que noiva com Mariana não tem mais mulher nenhuma.

– Mas… como assim?

Alguém fez psiiiiuuu… Sorri um pedido de desculpas e me recompus. Mas o assunto era irresistível.

– Ela estraga qualquer xodó teu – prosseguiu Joca. ‒ Olha aquele ali, o Luís. Noivou com ela. Foi ele quem comprou esta casa e deu de presente pra dona Neide fazer as sessões. Era um pé-rapado e hoje é dono de supermercado. Em compensação nunca mais se ajeitou com mulher nenhuma, Mariana sempre estraga o namoro.

– E não dá pra desfazer o trato?

– Não. Tem que ser muito macho pra noivar com ela.

– Pois eu topava um negócio desse.

– Tu não é doido!

– Se ela me arrumar dinheiro, eu vou embora daqui e ela não me encontra nunca mais. Caso com Mirley e ainda fico com dinheiro no bolso.

– Ela não te deixa sair daqui, Dedé. Tu não sabe o poder dessa menina, tu não sabe.

Já não adiantariam os conselhos. Eu estava tomado por um estranho frenesi. Entrara ali sem acreditar em nada daquilo, mas agora estava disposto a abrir uma brecha em minha incredulidade para a cabocla Mariana se ela fosse realmente capaz de me tirar do sufoco em que eu me encontrava. Quanto à questão dela estragar relacionamentos, bem, isso pra mim já era demais, não dava para acreditar.

– Antes de eu ir embora, queria conversar com este moço aqui… – Mariana virou-se para mim subitamente, me pegando de surpresa. – Não precisa me dizer que a vida não anda fácil pra ti, né? Moço honesto, trabalhador… Vem de longe, né?

Concordei com a cabeça. Era impressionante seu olhar. Eu me sentia envolto por um estranho carinho, uma água morna, aconchegante… um cheiro gostoso de mato fresco…

– Aposto que deixou namorada chorando, não foi?

Sorri encabulado.

– Sabe que a primeira coisa que elas reparam é no teu olho bonito?

Senti as faces quentes de vergonha.

– E sabe olhar do jeito que mulher gosta.

Eu não soube o que dizer.

– Precisa só respeitar um pouquinho mais as entidades. Eu sei que tu é inteligente. Mas com as entidades ninguém pode.

Falou e tocou meu braço. Decididamente não era a mão de dona Neide. Era a mão macia de uma garota.

– Mas eu respeito… – tentei consertar, incomodado pela exposição de meus secretos pensamentos.

– Então respeite mais um pouquinho que não faz mal. Tu sabe muita coisa. Mas ninguém sabe tudo.

Fiquei em silêncio, cada vez mais nervoso. Reprimenda de entidade, quem diria.

– Não sabe, por exemplo, ganhar dinheiro.

Ela falou e riu. E era uma risada de menina.

– Se quiser, Mariana te ensina.

No silêncio que se fez, escutei as batidas de meu coração. O que ela estava mesmo propondo?

– Ele não tá interessado, Mariana – interrompeu Joca, batendo amavelmente em meu ombro.

– Verdade? – ela perguntou, os olhos nos meus. E por um segundo me pareceram azuis.

– Bem… eu…

– Teu caso não é sem jeito. Só umas coisinhas que estão emperradas.

Mariana prosseguiu me olhando, séria. Nesse momento senti algo estranho, uma leve sensação de torpor…

– Pra mim é fácil resolver.

– Em quanto tempo? – eu quis saber. Ela tinha mesmo olhos azuis. Ou eu já estava vendo coisas?

– Mais rápido do que tu imagina.

Eram azuis sim. Um azul límpido, suave, quase uma carícia. Não era impressão – eu via. Não sei como. Mas eu via.

– Simpatizei contigo.

E o cabelo comprido, cor de telha. A pele branquinha, o jeito de menina levada. Não me peça para explicar – eu via.

– Mariana, ele não tá interessado – Joca nos interrompeu novamente.

– Tu continua despeitado, Joca. Só porque eu nunca quis ser tua noiva. Sabia, Dedé? Sabia que ele pediu pra noivar comigo e eu não quis?

Olhei para o meu amigo. Aquilo ele nunca me dissera.

– Faz muito tempo, Mariana. Eu nem sabia o que tava fazendo.

– Por isso que ainda hoje tá nessa situação, pedindo dinheiro emprestado pro irmão. Nunca sabe o que tá fazendo.

– Você sabe que eu tô sem emprego.

Pensei em meu amigo Joca. Era mais velho que eu e já tentara muita coisa na vida. Nada dava certo. Os amigos estavam sempre lhe dando uma força. Parecia ter o estigma dos fracassados. Mariana teria visto isso nele? Por isso não aceitou noivar?

– Dedé? – ela me chamou. – Olhe, semana que vem eu volto. Pense com carinho porque eu só proponho uma vez.

– Isso é verdade – um homem falou por trás de mim. – Se não aceitar, ela não dá outra chance não.

– Espere… – segurei seu braço. – Eu aceito.

Mariana abriu de novo seu sorriso lindo. Seus olhos azuis brilharam. Ela pegou minha mão, pondo-a entre as suas, beijou-as, olhou-me firme e falou:

– Eu ainda não perguntei, moço. Mas pergunto agora. Tu quer ser meu noivo?

Pensei em Mirley, no quanto gostava dela. Ela me perdoaria? A causa pelo menos era justa. Por um segundo senti que meu futuro estava se decidindo naquele exato segundo e que qualquer que fosse a decisão tomada, não haveria como voltar atrás. O olhar de Mariana estava no meu e era como ser ternamente abraçado… Eu já não estava na sala. Estava com ela, caminhando pela floresta, Mariana e seu vestido branco, o belo cabelo ruivo numa trança caindo no ombro, nós dois rindo, nós dois molhando os pés na água fria do igarapé, nossas mãos juntas, os corpos juntinhos, seu rosto perto do meu, mais perto, mais pertinho, sua boca, nossas bocas…

– Ele vai pensar, Mariana – Joca falou, me fazendo voltar à mesa. – Ele vai pensar direitinho e quarta-feira dá a resposta.

Olhei para ele com raiva.

– Então na quarta eu volto aqui pra saber – ela disse. E largou minha mão, virando-se para se despedir de todos.

Logo depois, dona Neide abriu os olhos e, distinta como sempre, sorriu para todos e pediu que uníssemos as mãos numa oração pelos mais necessitados e por todos os pedidos bem-intencionados que foram feitos. Eu a observei com atenção e não percebi nenhum sinal de embriaguez. Ela havia bebido muito naquela hora e meia e sequer apresentava hálito de bebida. Isso me impressionou, é verdade, mas não tanto quanto a transformação de dona Neide: em seu semblante, em sua voz e em seus gestos já não havia mais o mínimo traço da jovem Mariana. A cabocla de olhos azuis e do cabelo cor de telha, se alguma vez estivera ao meu lado, já não se encontrava mais ali.

Enquanto caminhávamos na rua, Joca me falou sobre o episódio do noivado frustrado com Mariana. Confessou que na época teve muita vergonha, mas que agora já havia superado. E, inclusive, agradecia todos os dias por Mariana não tê-lo querido, pois atualmente namorava uma garota ótima.

Eu queria saber sobre Mariana, estava inteiramente curioso.

– Ela se engraçou mesmo de ti. Mas não vai cair na besteira de noivar com ela, Dedé.

– Isso parece papo de noivo desprezado…

– Eu sei que parece. Mas me diga uma coisa: adianta ter muito dinheiro e nunca encontrar alguém pra dar o coração? Adianta?

– Eu vou pra bem longe. Ela não me encontra.

– Olha o que ela disse… Tu tem de ter mais respeito.

– Respeito eu tenho. Só não consigo é acreditar.

Joca riu, bateu em meu ombro e falou:

– Já vi muita gente chegar aqui em Manaus do jeito que tu chegou e voltar diferente, já vi.

E riu gostosamente.

Eu não me importava de voltar diferente, desde que estivesse melhor de vida. As opiniões de Joca não me demoveriam de meus propósitos. Noivaria com Mariana, juntaria um dinheiro e me mandaria dali. Já fazia planos até de como investir a grana. Uma soparia no Recife Antigo. Ou talvez uma fábrica de gelo em Olinda.

– Não vou poder ir contigo na quarta-feira – ele avisou. – Tu vai sozinho fazer essa besteira.

Naqueles dias sonhei duas vezes com Mariana – e a sensação agradável do sonho me acompanhava o resto do dia. Várias vezes senti seu cheiro, na rua, no ônibus… De repente, percebia o aroma gostoso de mato fresco e então sua presença tomava conta do ambiente, e algo em mim tornava-se mais calmo, mais compreensivo, mais doce.

Não tive jeito de conversar sobre isso com ninguém, nem mesmo com Joca. Com Mirley, nem pensar. O que lhe diria, que estava embevecidamente enamorado de uma entidade adolescente? Que pensava nela toda hora e tomava sustos quando via algum cabelo cor de telha passar na rua? Que me pegava desenhando seu nome em papel de guardanapo? Como dizer que noivaria com uma entidade de umbanda por causa de nosso futuro? Não, melhor não dizer. Seria um segredo meu e de Mariana.

Na quarta-feira seguinte eu estava lá de novo. E mais uma vez dona Neide recebeu as entidades. Como na sessão anterior, Mariana foi a última a aparecer. De novo o aroma suave de madeira, de mato fresco. De novo a voz alegre, a graça juvenil. Senti meu carinho por ela se derramando pela mesa. Admirei a beleza dos gestos simples, os mínimos detalhes. Como podia ser tão encantadora? Descobri que gostava dela. Muito.

Depois de conversar com algumas pessoas, Mariana finalmente virou-se para mim. E sorriu. E outra vez seu sorriso me trouxe o frescor de cachoeiras.

– Oi, moço bonito.

– Oi, Mariana.

– Pensou em mim esses dias, não foi?

– Pensei.

– Eu também pensei. Muito.

– Verdade?

Ela parou de sorrir e percebi tristeza em seu olhar.

– Olha, tenho uma coisa pra te dizer. Vem pra cá, vem… – E me chamou para que eu sentasse na cadeira ao seu lado, a que era reservada às conversas de pé-de-ouvido. Enquanto os outros entoavam uma cantiga, ela começou:

– Tu é mais protegido do que eu pensava. Vieram dizer pra eu não me meter contigo.

Não entendi.

– Olha, tu não pode ser meu noivo.

– Por que não? – perguntei surpreso.

– Tem entidade maior que eu, tenho que respeitar. Fiquei muito triste com isso.

Parecia o rompimento de um relacionamento profundo. Senti vontade de chorar em seu colo.

– Tu já tá protegido, moço bonito, não precisa de mim.

– Preciso – insisti. Já havia mandado às favas qualquer vergonha e discrição. – Preciso de você sim, Mariana.

– Vai, segue o teu caminho que é um caminho bom. Esse momento tá difícil, mas tu é homem forte e vai atravessar a floresta. Tenha fé.

De repente, lembrei de Mirley. E senti que não teria mais forças para continuar lutando por nós. Finalmente vencido, impotente. Era o fim.

– Olha, já que tu não pode ser meu noivo, vou te deixar um presente. – E segurou minha mão, me puxando mais para perto. Agora ela sussurrava em meu ouvido. – Pra tu não ter dúvida do tanto que gosto de ti.

Respirei fundo e encontrei forças para perguntar:

– Um presente?

– Se tu não puder vir na quarta-feira que vem, eu vou saber que tu aceitou o presente de Mariana.

Percebi uma lágrima descendo de seu olho.

– E mesmo que tu me esqueça, eu vou estar sempre intercedendo por ti, viu? Agora vai, moço bonito, vai.

E me empurrou delicadamente. Feito isso, despediu-se rápido de todos e se foi. Foi-se o aroma de mato fresco. Foi-se a água morninha.

Saí de lá arrasado, e fui procurar Joca. Não levava mágoa alguma de Mariana, pelo contrário, ela realmente me cativara e por ela eu era todo carinho. Mas não conseguia crer que fizera tantos planos em vão. E a famosa soparia no Recife Antigo? E a bem-sucedida fábrica de gelo em Olinda?

– Ela gostou de ti – Joca falou, me consolando. – E se gostou, vai dar um jeito de te ajudar.

Não adiantaram as palavras de Joca. Estava tão triste que não tinha ânimo para nada. Os dias seguintes foram um inferno, mal conseguia levantar da cama. Trabalhar era uma tortura. Até a fome perdi. Estava deprimido e decepcionado com tudo, com a vida e principalmente comigo mesmo por um dia ter acreditado que uma entidade iria dar jeito em minha vida.

Como meu telefone estava cortado e só religariam na segunda-feira, fiz disso desculpa para não falar com Mirley. Não queria que ela percebesse meu estado. Joca me chamou para sair, mas recusei: passaria o fim de semana trancado em casa. Não tinha vontade alguma de ver o mundo lá fora.

Na segunda-feira, o telefone foi religado, e à noite, assim que cheguei do trabalho, ele tocou. Era Mirley. Eu ainda estava triste, mas consegui disfarçar. Ela então disse que uma das filiais da empresa de um amigo seu, no interior de Pernambuco, ficara sem gerente e que ele pensara em mim para ocupar a vaga. Explicou que tentou falar comigo no fim de semana mas não conseguiu, e que talvez seu amigo já houvesse conseguido um substituto. Falei que estava interessado e Mirley me passou o telefone de seu amigo.

Desliguei o telefone ansioso. Seria um castigo enorme perder aquela oportunidade graças a um telefone cortado por falta de pagamento. Liguei para o número anotado, mas deu ocupado. Liguei de novo, liguei outra vez – sempre ocupado. Não consegui sequer levantar do sofá de tão ansioso.

Na centésima tentativa o amigo de Mirley enfim atendeu. Felizmente, a vaga ainda existia. O salário não era tão bom quanto eu gostaria, mas como a filial ficava numa cidade próxima a Recife, eu estaria pertinho de Mirley e poderíamos nos ver todo fim de semana.

Acertamos tudo na mesma noite. Ele tinha pressa e perguntou se podia marcar minha passagem para quarta-feira, dois dias depois.

– Sim, claro – respondi, decidido. – Pode marcar.

Desliguei o telefone e fiquei parado, ainda sem acreditar. Então subitamente entendi. Era o presente de Mariana…

As lágrimas desceram sem que eu pudesse evitar. Ali, no sofá, tive uma crise de choro como jamais tivera. Lembrava de Mariana entre lágrimas agradecidas e só conseguia balbuciar: obrigado, obrigado…

Na quarta-feira, no aeroporto, despedi-me de Joca e pedi que agradecesse por mim a Mariana. E que dissesse que eu jamais a esqueceria. Ele riu:

– Precisa dizer não. Ninguém esquece Mariana.

Na quarta-feira, durante a viagem, eu só pensava na sessão. Naquele momento, certamente estavam todos à mesa, olhando para as entidades no rosto de dona Neide. Sentia-me bem, confiante, a alma leve. Sabia, com toda a certeza que se pode ter, que aquele voo era o mais protegido do planeta.

No aeroporto de Recife, peguei minha mala e fui procurar por Mirley. Enquanto a aguardava, senti um aroma familiar, um frescor gostoso…

De repente, o toque em meu ombro. Meu coração gelou. Virei-me devagar, já sabendo o que veria. E vi. O cabelo avermelhado, a pele clara, os olhos salpicando azuis…

Nesse instante, um rio de águas mornas passou por mim e eu me deixei levar pelas águas envolventes, o cheiro fresco de mato, a contínua melodia da floresta… Minha alma foi tomada por uma doce sensação de arrebatamento, e enquanto dois lindos olhos azuis me acariciavam, tudo que eu conseguia fazer era sorrir, sorrir…

– Desculpe – ela disse, sem jeito. – Pensei que era outra pessoa.

– Como?… – falei, voltando ao aeroporto, sentindo novamente os pés no chão. A garota aguardou que eu dissesse algo, mas nada encontrei para dizer. Ela acenou para algumas pessoas mais adiante e depois sorriu para mim:

– Boa sorte. Tchau.

Fiquei parado, vendo a garota se afastar e correr para seus amigos. Não sabia o que pensar. Nesse instante, escutei meu nome e vi Mirley se aproximando. Confuso, ainda procurei pela garota ruiva, mas ela já havia sumido na multidão. Mirley me abraçou forte e chorou em meu ombro. Quase um ano que não nos víamos, tanta saudade…

– Que cara estranha é essa, Dedé?

– Foi a viagem… – respondi – Mas tá tudo bem. Já jantou?

Fomos embora rapidamente. No dia seguinte, eu já assumiria a gerência da filial, havia muito trabalho à frente. Uma vida nova me esperava, dessa vez bem perto da mulher que eu amava.

E quanto à garota do aeroporto, já sei, já sei. Você certamente está pensando que eu acho que aquela era Mariana. Pois era sim.

Não tente me dissuadir. Nem me peça lógica, eu não a tenho nem para mim. Basta-me a certeza, pura e agradecida, que ainda hoje trago aqui no peito, de que a menina faceira que de repente sorriu para mim no aeroporto de Recife era Mariana sim, a cabocla Mariana do cabelo cor de telha, encantada aos 17 anos e meio, e que naquela noite de quarta-feira aproveitou uma folguinha na sessão de dona Neide para me ver pela última vez e, ao seu modo, me desejar felicidades.

É esta a história. Num momento de angústia e desamparo, eu estive disposto a ser noivo de Mariana e lhe desafiar os poderes. Ela me queria também. Mas o destino não quis assim. Mariana então, em sinal de amor, me concedeu um presente, uma oportunidade única de mudar para melhor a minha vida – oportunidade que agarrei com todas as forças.

É esta a história de Mariana. Que até hoje trago no peito, banhada em água morna, no cheiro do mato fresco. Nos primeiros meses, ainda impressionado com tudo que acontecera, eu lembrava de Mariana todo dia e em silêncio agradecia. Aos poucos, fui esquecendo, absorvido pelo trabalho intenso, a família que crescia. À medida que minha vida se equilibrava, Mariana foi se tornando uma lembrança cada vez mais distante, até que sumiu. Talvez ela já não precisasse mais interceder por mim, minha vida finalmente seguia seu rumo natural.

Hoje, porém, dez anos depois, aqui na casa de praia, ela voltou em minha lembrança. E em meu coração. E me fez lembrar de tudo outra vez.
.

MIRLEY ACABA DE CHEGAR da praia com as crianças. Elas trazem um balde lotado de conchas. Laís diz que vai plantá-las no quintal para que nasça um pé de concha. Filipe repreende a irmã por acreditar nessas besteiras que os adultos dizem. Sento na beirada da rede e pergunto se eles apanharam sozinhos todas aquelas conchas ou se quem teve o trabalho foi a mãe deles. Filipe diz que uma moça os ajudou. Mirley diz que as crianças adoraram a tal garota de um jeito que ela jamais viu antes. Enquanto despeja as conchas no chão, Filipe me diz:

– Ela era bonita, pai. O olho da cor desse balde.

Olho para o balde azul, já sentindo algo estranho.

– E o cabelo vermelho, daquela cor.

Antes de Laís apontar para o telhado da casa, eu já havia entendido. Sinto meu coração gelar, um súbito vácuo na alma. Seguro-me à rede como se segurasse a vontade de sair correndo em direção à praia.

– A pele tão branca, Dedé… – Mirley diz, ligando a ducha do jardim para o banho das crianças. – Não sei como aquela moça aguenta ficar nesse sol quente.

Levanto da rede sentindo uma coisa no peito, uma alegria estranha, uma melancolia, uma excitação, tudo misturado. Caminho em silêncio até a sala. No balcão, sirvo uma dose de uísque e viro de uma vez. O ardor faz meus olhos marejarem. Um disfarce inútil para as lágrimas que não consigo controlar.

.
Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

.

.

GuiaDeSobrevivenciaCAPA-1bEste conto integra o livro
Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba? Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, as pessoas são surpreendidas por acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmas e deflagram crises tão intensas que viram uma questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses coletivos e pessoais.

.

vtcapa21x308-01Este conto integra o livro
Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.


.

Saiba mais sobre a cabocla Mariana, os aspectos psicológicos e arquetípicos de sua crença: Mariana quer noivar

.

.

.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01- Vc sabe que sou apaixonada por Mariana… Bateu comigo e foi a história que mais me pegou, do único livro seu que li. Saudades… Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – jan2005

02- Caro Ricardo, Gostaria de fazer um comentário sobre o seu conto da cabocla Mariana, que vc diz ser uma entidade de umbanda. Gostaria de lhe informar que as entidades de umbanda, principalmente os caboclos, que são orixás menores não fazem este tipo de exigência dos filhos de fé da umbanda, ao contrário são entidades elevadíssimas. Este tipo de pedido saõ de entidades provinientes dos catimbós, macumbas e outros rituais que lidam com magia negra e pesada. Faço este comentário pois a umbanda sofre muito preconceito por ser confundida com este tipo de coisa. Inclusive seria muito rico para seus conhecimentos que vc lesse as obras sobre umbanda esotérica de Matta e Silva e Rivas Neto. O seu conto prejudica a corrente astral de umbanda pois ajuda a alimentar nos leigos o tabu e o preconceito contra essa religião tão bela. Gostaria de solicitar que vc não citasse a umbanda nele. Atenciosamente. Clícia Karine, Crateús-CE – jan2005

03- Olá amigo, estou escrevendo de Fortaleza, sobre este texto fabuloso, gostaria que soubesse o quanto eu me sentio atraído pela historia pra ser sincero eu passaria o dia todo lendo e não cansaria. Abraços de seu amigo, fã, etc. Eudes Martins, Fortaleza-CE – mar2005

04- Acima de tudo, pela licença de ler completa a história. Depois, porque ela é belíssima! Não concordo com a leitora que falou que era uma falta de respeito ás entidades. Acho que se não é uma aventura verdadeira meresceria ser… Não gostei, Ricardo. Adorei! Parabéns e que a cabocla Mariana sempre traga sucesso na sua vida. Afinal, quem ficou apaixonado com ela uma vez e escreveu essa bela homenagem tão cheia de sensibilidade e meiguice deveria gozar da proteção da encantada. Abraço e mais uma vez, muito obrigado pela sua gentileza. PS.- desculpe-me o meu português, por favor. Milton, Montevidéu-Uruguai – abr2005

05- Já estava curiosa a respeito do final.Pura ficção, será?Acho que os leitores sempre se indagam sobre isso.Até pq, vivenciei coisas tão estranhas qt essa. Talvez, descobrir nas histórias uma possibilidade de verdade,nos faça mais “íntimos” do autor. Ah..outra coisa: adoro ler td q tem a ver com Recife.Morei lá por 4 anos e costumo dizer que minha alma é recifense.Vou lá pelo menos duas vezes ao ano, rever os amigos e o meu mar de todas as cores. Mônica Burkle Ward, Niterói-RJ – mai2005

06- Olá Ricardo! Bem gostei bastante do texto e gostaria de saber até que ponto a história é veridica ou mesmo se a sua pessoa já esteve em contato com a entidade pois quem a conhece sabe que a atração pela entidade é verídica, eu mesmo quando a encontro na casa de um amigo meu aqui em São Paulo me sinto atraido, é impressionante o poder de sedução desta entidade cá entre nós é a mulher que todo homem gostaria de ter. D. Mariana como conhecemos aqui em São Paulo é muito bela! É a estrela do tambor de mina aqui de São Paulo. Vinícius de Almeida, São Paulo-SP – mai2005

07- oi , me chamo regina vilhena, sou do para debelem mesmo, e no momneto estou no japao, acredito em tudo qeu lir, pois conehco marina de longos anos e ate hoje nao consigo fazer nada em minah vida sem a orientação dela, sabia sua historia muit bonita, sau fe tbm, sabe caro amigo neste exato momneto eu estou passando aki por muita dificulada sem trablaho sem casa para morar, mas a minah fe em deus em primeiro lugar e em mariana nao perco, tenho comigo ja vairas historia de maraina que ja aconteceu comigo, coisas que ela me disse qeu aconteceria e aconteceu de verdade, sabe provas , coisas reaais ate essa minah viagem apra ca foi ela qeu me mandou sei qeu to pado mento pois como ela me me mandou um recado essa semana . me disse asssim qeu tem certo sofrimentos que ela nao pode evitar. agora to muito feliz em ter lido sua historia e espero nao perder o contato com vc. se quzier pode me adicionar no seu msn ok fica com e cabocla mariana dos anjos perreira . assim que eu chamo para ela proteja nos dois. Regina Vilhena, Japão – mar2006

08- Só tenho um comentário a fazer : Adorei sua estória sobre a Mariana!Um grande abraço! Sidiany Colares Alencar – Fortaleza-CE – abr2006

09- Estou acompanhando o conto da cabocla Mariana. Não sou entidade da umbanda mas também trago sorte e prosperidade pra quem eu gosto e exijo fidelidade, que não precisa ser absoluta, basta que eu não saiba dos acontecidos. Não me importo muito em ser traída, pior é ser deixada. rsrsrs. Marcia Sucupira, Fortaleza-CE – mai2006

10- Li o conto da Cabloca Mariana, primeiro achei longo, mas nao consegui parar de ler…. bom, muito bom. Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – abr2006

11- O que mais gostei da Mariana e aquela mistura balanceada de realidade com ficcao, aquela pulguinha atras da orelha para as coisas que nao sabemos explicar, que sao dificies de acreditar, mas estao la… e so dar uma chance pra elas acontecerem. Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – mai2006

12- eu li o conto! Criativo… abraços. Priscila Saboya, Fortaleza-CE – jan2010

13- tive o prazer de conhecer o Blog do Kelmer quando pesquisava sobre a cabocla Mariana e me deparei com o conto O Presente de Mariana….lindo, encantador. Danyela Freitas, Belém-PA – mar2011

14- Oi, Ricardo. Tô sem net em casa , mas vim numa lan so pra te falar umas coisas…. Desde ontem eu tava toda depre( nao sei por que/ na verdade, sei, mas nao vou falar aqui…rsrsrsr), acordei e tirei o “vocês Terráqueas” da estante e fui ver os textos que ainda nao havia lido…. voce me arrepiou com “presente de Mariana” , e pelo arrepio, pensei: nao lembro quanto paguei nesse livro, mas valeu a pena!!!! Irlane Alves, Fortaleza-CE – jul2011

15- conto do livro VOCÊS TERRAQUEAS legal. Weslen Queiroz, Juazeiro do Norte-CE – ago2011

16- Adorei este conto, demais! Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – ago2011

17- Meu amigo, consegui enxergar várias metáforas e relacionar Mariana como um feminino idealizado no contexto da vida dele…..o momento de lhe dar com as dificuldades e a escolha de Mariana possivelmente como uma fuga…e ao mesmo tempo aquilo que ela representou e manifestou na vida dele como uma forma verdadeira do amor! Sem esperar algo em troca e simplesmente dar! O momento final do aeroporto e das conchas foi triunfal! O sentimento dele daquilo que nunca foi realizado mas, sentido….uma emoção que sobrepujaram as palavras!! Por aí meu amigo! Parabéns! Esse conto me tocou bastante! Cibele Cortez, Fortaleza-CE – dez2012

18- Advinha o nome da minha primogênita e o pq?? Goretti Strutzel, Fortaleza-CE – 2018

19- Historia fantastica. Aconteceu algo semelhante muitos anos atras comigo por isso me identifiquei com o conto. Wellington Lopes, Manaus-AM – 2018

20- Incrível!!! João Victor Queiroz, Fortaleza-CE – 2018

21- Mariana me conquistou desde a primeira leitura do conto. Ana Beatriz Soares Bezerra, Sobral-CE – set2024


Pequeno incidente em Hukat

15/11/2008

.

Integrante do Projeto Sapiens descobre irregularidades comprometendo a evolução da espécie humana e se envolve em rebelião contra Deus, o psicomputador.

Ficção científica, suspense

.

(Este conto integra o livro Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos)

Música sugerida para leitura: Enya – Cursum perficio

.

.

PEQUENO INCIDENTE EM HUKAT

.
ENTREI NA SALA DO ALTO COMANDO e fui recebido por dois diretores e pela própria Wakl Egkonie, a diretora geral do Projeto Sapiens.

– Prazer em conhecê-lo, monitor Yehdu Arhkan – ela disse, apertando minha mão, o semblante sério. – Primeiramente, parabéns por seu trabalho no Departamento de RPs. Funcionários como o senhor dignificam o nome da companhia.

– Obrigado, senhora.

Em quatro mil e quinhentos anos, poucas oportunidades eu tivera de ver pessoalmente Wakl Egkonie, a diretora geral do projeto de monitoramento de novas espécies a cargo da companhia InterPlan. E a cada vez ela parecia mais durona.

– O senhor sabe que há algum tempo Deus tenta reparar a instabilidade em seu sistema operacional, sem êxito. Achamos que pode ajudar-nos a resolver o problema.

Fiquei surpreso. Sim, como monitor do Departamento de Realidades Paralelas, as RPs, eu tinha conhecimento do problema da instabilidade de Deus. Mas como eu poderia ajudá-lo?

Construído em Vehz, o planeta de onde viemos, Deus era o mais avançado psicomputador de sua geração e o grande trunfo da InterPlan em sua luta para tornar-se a melhor companhia de monitoramento de novas espécies da galáxia. Um psicomputador é o centro vital de um projeto de monitoramento, capaz de comunicação psíquica com os integrantes do projeto e com a espécie monitorada, além de monitorar as realidades paralelas do cinturão dimensional do planeta e gerenciar a comunicação com a sede da companhia no planeta natal. No Projeto Sapiens, Deus fazia tudo isso com velocidade e precisão jamais alcançadas por nenhum psicomputador de nenhuma companhia, o que enchia de orgulho todos os vehzys.

O objetivo de um projeto de monitoramento é desenvolver uma espécie dominante em determinado planeta, controlando sua evolução psíquica para garantir que ela sobreviva às dificuldades naturais e possa, no futuro, estabelecer contato com espécies de outros planetas e integrar a União Galática. A espécie escolhida por Deus foi um hominídeo que duzentos mil anos atrás começava a destacar-se no planeta Terra por sua notável capacidade de adaptação: o Homo sapiens.

Junto com a primeira leva de integrantes do Alto Comando e da equipe de monitoramento, Deus foi enviado à base terráquea do projeto pelo portal dimensional que liga Vehz à Terra. A conexão com o Homo sapiens foi estabelecida pela captação dos registros psíquicos de uma amostra que representava os grupos mais evoluídos da espécie. A partir daí Deus poderia, sem que os humanos jamais se dessem conta disso, monitorar e influenciar a evolução psíquica da espécie até o prazo final do projeto, quando a base seria desativada e Deus e os vehzys voltariam para casa.

– Será uma honra poder ajudar, diretora. Mas como eu faria isso?

– Recentemente, Deus descobriu que Rehf Icul pode ser o motivo da instabilidade.

Outra surpresa. Rehf Icul era o desertor mais perigoso do projeto. E até mil anos atrás era meu melhor amigo.

– Como é de seu conhecimento, monitor, ainda não capturamos Rehf Icul e seu bando de rebeldes porque, por conta da instabilidade, Deus não consegue localizar a RP onde eles estão. Se Rehf for mesmo a causa da instabilidade, é mais um motivo para que seja urgentemente capturado. Como o senhor era seu melhor amigo, sabemos que pode ajudar-nos a localizá-lo.

Então era isso. Pretendiam usar meus registros psíquicos para capturar o maior traidor do Projeto Sapiens. Eu sabia o que poderia acontecer a Rehf se o pegassem: seria novamente preso, julgado por alta traição e condenado à pena máxima, ou seja, todos os seus registros psíquicos seriam transferidos para uma minhoca sintética que ficaria eternamente exposta no Museu do Monitoramento da companhia, em Vehz. A autoconsciência de Rehf seria mantida, o que significa que ele continuaria para sempre pensando como Rehf, mas estaria limitado às possibilidades físicas da minhoca. A pena máxima era a forma com que a InterPlan punia aos que traíam o projeto ‒ um duro castigo, é verdade, mas necessário e devidamente autorizado pelo Tribunal das Monitorias.

Eu e Rehf nos tornamos amigos ainda crianças, em Vehz, e foi por meio dele que passei também a me interessar por projetos de monitoramento. Para nossa felicidade, entramos juntos para a InterPlan, que já comandava o Projeto Sapiens. Seu profundo conhecimento em psicologia de novas espécies rapidamente despertou o interesse de outras companhias, mas a InterPlan soube mantê-lo, levando-o para o seu Alto Comando. Fomos transferidos para a base terráquea na mesma época, há três mil anos, eu como monitor no Departamento de RPs e ele na direção do Departamento Humano, substituindo o antigo diretor que se aposentara. Entretanto, Rehf começou a discordar de algumas decisões de Deus e perdeu o cargo. Como insistia em discordar e divulgar suas ideias subversivas, foi diagnosticado com a Síndrome de Ohj e passou a receber tratamento psiquiátrico. Um dia, durante uma visita que lhe fiz no hospital, ele me disse que se Deus prosseguisse errando, logo a humanidade exterminaria a si própria, o que poderia significar o fim do projeto e um imenso prejuízo para a InterPlan, além do desperdício de uma espécie com excelente potencial. Aquilo obviamente era uma blasfêmia, mas relevei sua opinião, pois era evidente que ainda não estava curado, e respondi-lhe que não se preocupasse, pois Deus era infalível e sabia o que fazia. Foi a última vez que o vi, pois no dia seguinte ele foi enviado para a prisão de segurança máxima na RP de Groor, onde os presos ficam incomunicáveis, e então entendi que seu caso era mais grave do que eu imaginava. Por medida de precaução, junto com ele foram enviados todos os pacientes que também sofriam da síndrome, doze ao todo, entre homens e mulheres. Oitocentos anos depois, Rehf liderou uma rebelião e, conhecedor dos portais que interligam as RPs, fugiu de Groor com os outros doze e desde então estão desaparecidos. Foi assim que perdi meu grande amigo.

Sim, é verdade que nos últimos tempos os humanos nos deram alguns sustos: fanatismos religiosos, guerras nucleares e desequilíbrio ecológico fizeram várias vezes o alarme soar na base. Isso, porém, deve-se a uma tendência autodestrutiva da espécie, existente desde antes do projeto, mas que, graças a Deus, está sob controle.

– Somos cientes dos riscos que envolvem as missões de emergência, monitor Yehdu, esta em especial – prosseguiu a diretora geral, olhando-me firme nos olhos. – Por isso estamos dispostos a recompensá-lo à altura. O senhor nos leva ao vehzy traidor e em troca nós lhe concedemos a imediata graduação em monitoramento. E quando retornar da missão, terá também a direção do Departamento de RPs.

Por essa eu jamais esperaria. Quando alguém entra para um projeto de monitoramento, sabe que terá muito serviço pelos próximos cinco mil anos – um quarto do tempo médio de vida de um vehzy – antes de se aposentar. E sabe também que chegará no máximo ao cargo de monitor graduado, pois a direção dos departamentos é exclusiva do Alto Comando das companhias. O que a diretora Wakl Egkonie me propunha era algo inédito.

– Então, o que nos diz?

– Preciso pensar, senhora.

Para participar de missões de emergência era necessário ter os registros psíquicos totalmente monitorados por Deus. Isso significava que enquanto eu estivesse em missão, Ele acompanharia todas as minhas experiências sensoriais e mentais, ou seja, veria o que eu veria, escutaria e saberia de todos os meus pensamentos, sentimentos, sensações e intuições.

– Decida até amanhã. – Ela fez sinal e dois guardas se aproximaram. – Eles cuidarão de sua segurança, monitor Yehdu. E lembre-se: este é um assunto de segurança máxima.

Saí da sala, acompanhado dos guardas, e me dirigi ao prédio dos alojamentos. Entrei em meu aposento e os guardas posicionaram-se do lado de fora, um de cada lado da porta.

Sim, o Alto Comando poderia ter me chamado logo após a fuga de Rehf, duzentos anos atrás. Mas não o fizera por achar que Deus logo localizaria o fugitivo – o que estranhamente nunca aconteceu. Certamente, consideraram bastante a ideia de chamar um simples monitor a participar de tão sério assunto e, ainda mais, de oferecer-lhe um cargo no Alto Comando. Definitivamente, a situação era de urgência.

Eu entrara no projeto quatro mil e quinhentos anos antes, ainda em Vehz. Em quinhentos anos eu me aposentaria e voltaria para casa, para minha família e os amigos que lá deixei, e viveria até o fim da vida com comodidade. Porém, aposentando-me como diretor do Departamento de RPs eu seria quase um rei em Vehz. Isso compensava o alto risco da missão?
.

.

NAQUELA NOITE, sozinho em meu aposento, repassei algumas informações importantes. Se eu aceitasse a missão, não poderia esquecer nenhum detalhe.

Avatares. Todos os vehzys que trabalham na base dos projetos são avatares de si mesmos, ou seja, a autoconsciência de cada um fica temporariamente instalada num corpo físico criado à semelhança do da espécie monitorada, enquanto o corpo original permanece na sede da companhia, no planeta natal, em repouso total induzido. Se o avatar morre, o corpo original também morre, e vice-versa. Na base trabalham simultaneamente centenas de funcionários, cientistas e soldados, que se aposentam após cinco mil anos de serviço e são substituídos. Eles não têm qualquer contato com a espécie monitorada, mas os relatórios produzidos pelo psicomputador permitem o acompanhamento detalhado da evolução psíquica da espécie.

Realidades paralelas. Elas fazem parte do cinturão dimensional dos planetas e, assim como a base do projeto, não ocupam a mesma dimensão espacial do planeta, o que impede que elas sejam descobertas pela espécie monitorada. Podem ser pequenas como um asteroide ou grandes como a lua terráquea, e nelas a vida se desenvolve como no planeta, com algumas variações evolutivas em determinadas espécies. Instalada em alguma RP, a base é o centro de operações dos projetos.

Portais. As RPs do cinturão do planeta, inclusive a base, são interligadas por portais dimensionais, que se formam espontaneamente e funcionam como túneis de teletransporte em missões científicas ou de busca de desertores. Há portais na Terra, mas apenas a base tem acesso a eles, o que impede que os desertores que habitam as RPs teletransportem-se para o planeta, tenham contato com os humanos e causem ainda mais problemas.

Síndrome de Ohj. É uma doença típica dos projetos de monitoramento e acontece quando o monitor apega-se de tal forma à espécie monitorada que tem comprometida sua isenção profissional, chegando inclusive a envolver-se em atos de indisciplina. A síndrome é tratada no hospital da base, geralmente com êxito. O caso de Rehf era especial porque ele fora um integrante do Alto Comando e tinha informações importantes sobre o projeto – capturá-lo era uma questão de honra para a InterPlan. Apesar de não ter qualquer contato com Rehf desde sua ida para a prisão em Groor, eu lembrava sempre dele e lamentava que houvesse adoecido tão seriamente. Eu admirava sua coragem, mas ele era um traidor e merecia ser punido.

Deus podia contar comigo, como sempre. Eu aceitava a missão.
.

.

A SESSÃO DE RASTREAMENTO dos meus registros demorou alguns minutos, e o resultado indicou que Rehf muito provavelmente encontrava-se em Hukat, uma RP para a qual jamais houvera qualquer tipo de missão. O plano inicial era invadir Hukat, e eu iria junto com a Legião de Combate, mas ele mostrou-se arriscado demais, pois Deus não possuía nenhum dado sobre a RP. Por esse motivo, Ele decidiu que eu deveria ir antes. E sozinho.

Senti um calafrio de medo. Eu não era um soldado, e sim um funcionário burocrático do Departamento de RPs, que trabalhava organizando relatórios e jamais estivera fora da base. Agora, porém, teria que ir a uma RP desconhecida, entrando sozinho para não provocar suspeitas, usando falsa identidade, e deveria aproximar-me de Rehf o bastante para que Deus localizasse sua posição exata e autorizasse a invasão pela Legião de Combate. E eu teria que fazer isso em no máximo doze horas porque depois, por se tratar de uma RP ainda desconhecida, Deus perderia minha localização. Era uma missão muito perigosa, mas Deus tinha Sua atenção focada em mim e isso me deixava mais tranquilo. E muito honrado por servi-lo.

Pouco antes de partir na missão Hukat, recebi as honras da graduação diretamente de Wakl Egkonie, como ela prometera. Eu era agora um monitor graduado e receberia a direção do Departamento de RPs ao retornar. Sim, eu tinha plena noção no que estava envolvido: em toda a história do Projeto Sapiens jamais houvera tamanho empenho numa missão de captura.

Fui enviado a Hukat no início da manhã. A base agora encontrava-se em alerta total e Deus acompanhava todos os meus pensamentos e ações. Felizmente, cruzar o portal não demorou mais que alguns segundos. Infelizmente, porém, caí num deserto, no meio de uma tempestade de areia tão forte que escurecia o céu. Perigo.

Tarefa primeira: recuperar-se da tontura que vem após a entrada numa RP. Mas com aquela tempestade, como descansar? Após algumas tentativas, pus-me de pé. Situação de emergência, nível 3. Procurei proteger os olhos, o nariz e os ouvidos, mas era imensa a quantidade de areia. Emergência nível 4. Tonto e com a respiração cada vez mais difícil, tentei caminhar, mas a areia já me cobria as pernas. Emergência máxima. Tudo indicava morte iminente e fracasso total da missão.

Então vi o dorht à minha frente, essa espécie de ema peluda e alada, utilizada para transporte aéreo em algumas RPs. O dorht dobrou suas grandes pernas, abaixou-se e dele saltou um vulto negro.

– A não ser que saiba respirar sob a areia, aconselho-o a vir comigo agora.

Era uma mulher. Ela ajudou-me a subir no dorth e, com as forças que me restavam, abracei-a firme pela cintura. O animal esticou as pernas, correu alguns passos e levantou voo, enquanto eu fechava os olhos para protegê-los da areia. Tudo que eu desejava naquele momento era sair dali e respirar normalmente.

Alguns minutos depois alcançamos um oásis livre da tempestade e a mulher me ajudou a chegar a uma tenda, onde deitei numa esteira e desmaiei. Acordei uma hora depois. Sentada na areia à entrada da tenda, a mulher me observava. Vestia-se toda de preto, com calça, botas e uma túnica curta, além de um turbante que lhe cobria o rosto, deixando à mostra apenas seus olhos verdes. Ela me estendeu um cantil com água.

– Beba. Precisa se hidratar.

– Onde estou? – perguntei, sentando. Sentia-me bem melhor, mas um pouco confuso.

– Posto avançado do deserto de Hukat. Meu nome é Kirtl.

Deserto de Hukat… Aos poucos recobrei os registros, o portal, o voo no dorth… Missão Hukat. Registros intactos.

– Seu rosto me parece familiar – ela prosseguiu. – Como se chama?

Enquanto bebia a água, reparei que ela portava na cintura uma pistola de laser, de uso exclusivo das forças de segurança de Groor. Certamente, era um dos doze fugitivos. Perigo.

– Sakiz. – Meu nome escolhido para a missão. – Sou monitor do Departamento de RPs e acabei de desertar.

– Como posso ter certeza?

– Rehf Icul me conhece. Pode levar-me até ele?

– Por enquanto, não. Terá que ficar aqui comigo.

– Por quê?

– Estamos em alerta máximo. Deus planeja invadir Hukat.

Contive-me para não demonstrar surpresa. Como sabiam daquela informação? Eu precisava fazer com que me levasse até Rehf. E agora só havia um meio.

Saltei e joguei-me sobre ela, derrubando-a no chão. Rolamos até que eu ficasse por cima. No entanto, quando eu me preparava para tomar sua pistola, ela tocou-me o pescoço e imediatamente senti uma terrível câimbra nos músculos da garganta. Sem conseguir respirar, tive de largá-la e fiquei no chão, contorcendo-me de dor. Ela me algemou e foi sentar novamente à entrada da tenda.

– Devia agradecer por sua vida, monitor. Não escaparia daquela tempestade.

Sentei, respirando com dificuldade. Enquanto me recuperava, calculei que Rehf devia estar ali desde a fuga de Groor. Certamente, aprenderam a lutar na prisão. Talvez possuíssem mais armas trazidas de lá.

– Por que o Alto Comando o enviou para cá?

Continuei calado. Precisava rapidamente descobrir um meio de convencê-la a me levar a Rehf.

– Respeitarei seu direito de não falar, monitor, mas lembre-se que agora é meu prisioneiro. E que da próxima vez não serei tão boazinha.

– Ainda pode se entregar, Kirtl. E Deus lhe assegurará um julgamento justo.

– Se confia tanto assim na justiça de Deus, é porque realmente não sabe o que acontece nesse projeto.

A síndrome de Ohj. Ela fazia as pessoas perderem o respeito por Deus. Era lamentável.

– Por oitocentos anos fui prisioneira em Groor, esperando um julgamento que nunca veio. Oitocentos anos forçada a trabalhos pesados, e sendo obrigada a me prostituir para ter o que comer. Onde está a justiça de Deus?

Aquilo era uma blasfêmia.

– Se o que diz fosse verdade, Deus teria alertado o Alto Comando sobre tais abusos e…

– E o quê? Enviaria os Anjos para lá? – ela riu. – Os Anjos eram frequentadores assíduos de Groor, monitor. Eu me prostituía justamente para eles.

Anjos era um apelido desdenhoso para o Alto Comando. Se aquilo fosse verdade, então as informações provenientes de Groor estariam sendo filtradas antes de chegarem ao Departamento de RPs, e por isso eu as desconhecia. Evidentemente, era muito mais provável que ela estivesse mentindo.

– Os Anjos eram muito indelicados, monitor, faziam coisas detestáveis. É uma pena que meus irmãos vehzys tenham se transformado em meros registros ambulantes, sem sentimento. Mas a culpa não é só deles: a frieza e a arrogância de Deus, esse Deus que agora me escuta por meio de você, contaminaram todo o projeto, a ponto de esquecerem que ele é apenas um psicomputador. Na base, quando se fala seu nome, todos só faltam abaixar a cabeça.

Deus, frio e arrogante? Como ela podia falar assim? Eram termos tão infames que a simples menção me dava ímpetos de atacá-la.

– Monitorando a psique humana com essa prepotência, o psicomputador do projeto está levando a grande maioria dos humanos a crer em apenas um deus. E, além disso, a chamá-lo por seu próprio nome: Deus. Acha que isso é apenas coincidência?

Ela estava deliberadamente me provocando. Eram argumentos estúpidos, mas eu não podia perder o controle.

– Se os abusos que você relatou são verdadeiros, isso significa que Deus nos enganou a todos. Quem merece mais crédito, o mais avançado psicomputador da galáxia ou uma traidora do projeto?

– Acha então que inventei a história?

Não respondi, era inútil. Nesse instante, ela ergueu a túnica e começou a abrir o colete de couro que vestia por baixo. Perigo. Estado de alerta. Seu seio direito surgiu para meus olhos. O outro, no entanto, não apareceu. Em seu lugar estava uma enorme cicatriz, muito feia.

O asco me subiu à garganta e engoli seco. Seu seio parecia ter sido extirpado. Desviei o olhar. Aquilo não era verdade. Ela estava tentando me iludir.

– Apesar da delicadeza dos Anjos, monitor, hoje me sinto mais inteira que quando cheguei em Groor – ela disse enquanto fechava o colete. – Acredite nisso.
.

.

AQUELA SITUAÇÃO não podia continuar. Deus perderia minha localização em algumas horas e a missão seria abortada. Eu tinha que encontrar Rehf de qualquer maneira. E logo.

– Kirtl?

Ela estava do lado de fora da tenda, dando água para o dorth.

– Preciso ver Rehf.

– Impossível.

– Você certamente sabe que manter prisioneiro um monitor significa…

– Significa uma honra para mim – ela falou, me interrompendo. – Você é a nossa primeira visita oficial em Hukat. A propósito, sei que não foi sincero quanto ao seu nome. Como realmente se chama?

Já não havia motivos para continuar mentindo.

– Yehdu.

Ela virou-se, surpresa.

– Yehdu Arhkan? Departamento de RPs?

– Sim.

– Bem que seu rosto não me era estranho! – ela exclamou, enquanto entrava rapidamente na tenda. Para minha surpresa, abriu as algemas e soltou minhas mãos. – Venha, vou levá-lo a quem procura.

– Sério? Ao menos explique essa mudança tão brusca.

– Saberá logo.

Ela caminhou rumo ao dorht e eu a segui. Antes de montarmos, ela avisou, encostando o dedo em meu pescoço:

– Ainda é meu prisioneiro, monitor. Não esqueça.

Nenhuma vantagem em provocar conflito, afinal ela me levaria a Rehf. Porém, se ela sabia que Deus monitorava a situação, por que faria isso, arriscando a segurança de seu líder?

Sobrevoamos uma parte do deserto e chegamos a um outro oásis, onde o dorth pousou. Havia tendas e outros dorhts. E lá estavam também os outros fugitivos de Groor. Vestiam-se de modo parecido com Kirtl, estavam armados e a tensão no ar era quase palpável. Kirtl conversou reservadamente com um dos homens do bando e depois veio até mim.

– Como estou dando plantão no posto avançado, eu não sabia dos últimos acontecimentos na base. Por isso não sabia que era você quem viria a Hukat. Desculpe o mau jeito, Yehdu. Agora me acompanhe, por favor.

Aquele súbito respeito à minha pessoa me intrigava. Porém, o que era mais intrigante era o fato deles terem conhecimento sobre o que se passava na base. Como podiam saber?

Kirtl conduziu-me a uma rocha na qual entramos por uma pequena abertura. Descemos dezenas de metros por um estreito corredor iluminado por tochas e entramos numa sala de paredes de pedra. Enquanto eu me perguntava sobre como Rehf me receberia após oitocentos anos, vi algo que simplesmente não pude acreditar. Ocupando um espaço no canto da sala, vi um psicomputador.

– Rehf? – Kirtl falou. – Yehdu Arhkan está aqui.

Olhei ao redor e não vi ninguém. Então escutei:

– Yehdu… Meu velho amigo.

Avaliação imediata dos registros vocais. Checagem positiva: era mesmo Rehf. Porém, eu continuava sem vê-lo.

– Onde ele está? – perguntei a Kirtl.

– Rehf está na Terra. Mas por meio de Deusa pode se comunicar conosco.

Informação falsa. Não existiam portais de teletransportes entre a Terra e as RPs.

– Agora vou deixá-los a sós – ela disse, saindo da sala.

Aquele psicomputador ali, numa RP, no fundo de uma caverna, não fazia nenhum sentido. E o que era Deusa? Então, aos poucos, a imagem de Rehf surgiu no centro da sala num holograma de tamanho real. Ele estava vestido com uma longa túnica branca e sandálias. Seu cabelo crescera, chegava aos ombros. Tinha o semblante calmo e sorria, o mesmo sorriso amável que sempre tivera. Por alguns instantes, olhei fascinado para aquela imagem à minha frente. Era estranho rever meu antigo amigo, meus sentimentos estavam confusos…

– Talvez não esteja entendendo algumas coisas, Yehdu – Rehf falou, fazendo-me voltar à sala. – Posso esclarecer. Mas antes deixe-me dizer que estou muito feliz em reencontrá-lo, e que lembro sempre com carinho da nossa amizade.

– Gostaria de dizer o mesmo, Rehf – afirmei, reassumindo o controle sobre mim mesmo. – Mas você é um traidor do projeto.

– Compreendo seu ponto de vista.

– Que psicomputador é este?

– É Deusa. Irmã gêmea de Deus.

Deusa. Absolutamente nenhum registro. Ele mentia.

– Você é um ótimo monitor, Yehdu, e parabéns pela graduação. Mas duvido que receba a direção do Departamento de RPs.

Como ele podia saber de tudo aquilo?

– Você foi ingênuo de pensar que eles permitiriam isso. E de acreditar tanto em Deus. Mas age assim porque é um bom vehzy.

– Deus não me enganaria.

– Você não sabe tudo que envolve esse projeto, Yehdu. Não sabe, por exemplo, que o Projeto Sapiens original consistia de dois psicomputadores gêmeos, um na base representando o princípio yang e outro numa RP representando o princípio yin, os dois trabalhando em harmonia, complementando-se, como sendo um só.

– Você… está mentindo.

– Duzentos mil anos atrás o projeto foi iniciado com os dois psicomputadores, mas Deus, aproveitando-se de uma pausa para atualização no sistema de Deusa, convenceu o Conselho da companhia que ela deveria sair do projeto e que ele deveria atuar sozinho, inclusive porque, dessa forma, seria possível maquiar alguns dados do projeto perante o Tribunal das Monitorias, o que era ilícito, claro, mas significava muitas vantagens para a InterPlan. E o Conselho aceitou.

Deusa… De fato, eu sabia que no início do projeto havia dois psicomputadores, e que um deles, por apresentar sérios defeitos, fora desativado.

– Deus excluiu Deusa do projeto e ela foi desativada – prosseguiu Rehf. – Para Deus, sua irmã realmente deixou de existir. Desde então, o Alto Comando passou a basear-se apenas nos dados de Deus, ou seja, numa visão yang das questões, e, evidentemente, o equilíbrio psíquico do Homo sapiens rompeu-se com a negação da própria completude.

Enquanto olhava para a imagem de Rehf à minha frente, eu efetuava rápidas combinações de dados. Mas tudo era estranho demais e eu começava a ficar bem confuso. Rehf não estava na Terra, não podia estar, isso era impossível. Ele só podia estar em Hukat, talvez naquela caverna. Eu precisava ganhar tempo para que Deus o localizasse.

– Como você poderia saber de tudo isso?

– Quando ainda estávamos em Vehz, eu achava que o projeto corria perfeitamente bem. Assim como você, Yehdu, eu confiava cegamente em Deus e na versão oficial sobre a desativação do segundo psicomputador. Foi somente após chegar à base, monitorando os humanos de perto, que vi que a espécie estava unilateralizada em seu desenvolvimento psíquico, supervalorizando os aspectos masculinos e desprezando os femininos, e isso obviamente gerava crescente desequilíbrio na espécie e no planeta. Você certamente lembra dos meus protestos, que fui preso e que fugi de Groor com meus companheiros. Vim para Hukat porque tinha informações de que esta era a única RP que Deus não conseguia rastrear. E aqui encontrei o motivo: Deusa.

Senti estremecer algo dentro de mim. Por um instante, tive medo de que aquilo tudo fosse verdade.

– Após reativarmos Deusa, ela foi conectada a Deus, e assim tivemos acesso a todos os registros dele. É por isso que sabemos o que se passa na base.

– Mas como conseguiu despistar Deus durante duzentos anos?

– Deus mesmo o fazia. Sempre que localizava esta RP, a presença de Deusa o confundia a tal ponto que ele automaticamente rejeitava os dados. Deus realmente se convencera que sua irmã não existia.

Podia tudo aquilo ser verdade? Que outras coisas mais a respeito do projeto não constariam em meus registros?

– Infelizmente, Deus tornou-se obcecado pelo poder. Acha que conduz a humanidade no melhor caminho, mas ninguém, nem mesmo um psicomputador, pode estar num bom caminho enquanto renega sua própria natureza integral. Encantados com a aparente autossuficiência de Deus, o Conselho deu-lhe carta branca até mesmo para decidir sobre julgamentos e condenações, o que obviamente é uma temeridade. Porém, como ele maquia os dados do projeto, o Tribunal das Monitorias não sabe nada sobre os absurdos que são cometidos.

Eu estava atônito.

– Felizmente, conseguimos reativar Deusa e ela reconectou-se à psique da humanidade, o que fortaleceu os aspectos femininos, mas é preciso mais. Foi justamente esse maior equilíbrio psíquico do Homo sapiens que gerou a instabilidade no sistema operacional de Deus. Para repará-la, ele só tem uma opção: voltar sua atenção para cá. Foi o que fizemos.

– Então minha vinda a Hukat… foi uma armadilha para Deus?

– Prefiro dizer que foi um remédio amargo. Trazendo você aqui e forçando Deus a reconhecer de novo a existência de Deusa, ele entenderá que precisa reincluí-la no projeto. Assim, a espécie humana será salva da destruição iminente e Deus seguirá trabalhando como no início, junto com sua antiga e legítima parceira. Evidentemente, o Conselho da InterPlan, em Vehz, não gostará nada disso, pois terá que se explicar com o Tribunal das Monitorias.

Os dados não batiam. Eu não sabia o que deduzir de tudo aquilo. Ao mesmo tempo em que me sentia traído por Deus, e para mim isso era algo impensável, tinha medo de estar sendo enganado por Rehf.

– Você está mesmo na Terra?

– Sim. Escolhi uma região no Oriente Médio pela semelhança com Hukat. Ainda estou me adaptando, mas tem sido uma experiência gratificante viver entre os humanos. E em breve meus doze companheiros virão para cá.

– Mas… isso é impossível.

– Deus nos ensinou que o único portal para a Terra fica na base, não é? Aí em Hukat há um também. E vim para a Terra porque se Deus quiser me capturar, precisará intervir diretamente no planeta, enviando a Legião de Combate, o que ele só fará se estiver totalmente louco, já que isso levará o planeta ao completo caos. Os humanos descobrirão a verdade e isso poderá ser o fim do projeto.

– Lamento informar, Rehf, mas acho que esqueceu um detalhe. Em último caso, Deus pode fazer a desconexão do avatar com o corpo original. Se isso acontecer, você despertará em Vehz e todo o seu esforço será em vão.

– Deusa agiu primeiro. A desconexão reversa já foi feita.

Desconexão reversa. Nenhum registro.

– Mais uma nova informação para você, Yehdu. Só Deus pode fazer a desconexão do avatar com o corpo original, é verdade, mas é possível transferir em definitivo a autoconsciência para o avatar, o que se chama desconexão reversa, e só quem pode fazer isso é Deusa. Meu corpo original está morto em Vehz, e meu avatar agora é meu único corpo. A mesma coisa ocorreu com meus companheiros. Agora somos também humanos e nosso mundo é a Terra. E Deus, coitado, até agora está tentando entender o que aconteceu.

Aquilo tudo era tão absurdo que eu não conseguia mais raciocinar.

– Sua chegada nessa caverna, Yehdu, obriga Deus a aceitar de novo a existência de Deusa. Se ele preferir esconder a verdade do Alto Comando, que ainda acha que Deusa está desativada, não poderá ordenar a invasão de Hukat. Sem poder invadir Hukat e sem poder intervir na Terra, o que resta a ele?

O que Rehf dizia fazia sentido. Mas não podia ser verdade…

– Deus está me vendo e ouvindo agora, Yehdu. Como o notável psicomputador que é, ele sabe que a saída para tais dilemas é vivenciar a dor dilacerante dos opostos até o fim para, então, poder nascer a terceira via. Ou seja, só lhe resta entregar os pontos e reconduzir Deusa de volta ao projeto. A terceira via soa como a própria morte, eu sei, mas na verdade é sempre um renascimento.

Quem falava agora era o sábio Rehf Icul que eu sempre admirara, uma das maiores autoridades da galáxia em psicologia de novas espécies. De repente, era como se estivéssemos em Vehz, cinco mil anos atrás, eu escutando-o falar sobre projetos de monitoramento, o cuidado e respeito que devia-se ter pelas novas espécies… Como eu pude simplesmente esquecer de tudo que ele me ensinara?

– Para o Alto Comando, eu e meus companheiros sofremos da síndrome de Ohj. Mas nós sabemos que quem está doente é Deus. E agora que você também sabe, chegou o momento de decidir seu destino. Se quiser juntar-se a nós, será muito bem vindo.

Eu não sabia o que responder. Não sabia sequer o que pensar.

– Tenho de deixá-lo agora, Yehdu.

– Espere. Nós ainda… nos veremos?

– Sinceramente, não sei, pois é impossível prever o que Deus fará.

Enquanto o holograma sumia, eu fiquei ali, olhando para o vazio, zonzo com todas aquelas informações. Se Rehf realmente encontrava-se na Terra, a missão fora em vão. Se, ao contrário, ainda estava em Hukat, então eu tinha poucas horas para encontrá-lo.

E se a intenção era me fazer perder o chão, ele o conseguira.
.

.

– REHF SEMPRE FALOU muito bem de você. Dizia que um dia também descobriria a verdade.

Eu e Kirtl retornáramos ao posto no primeiro oásis. Já havia anoitecido e estávamos sentados na areia, encostados a uma pedra, olhando o céu estrelado de Hukat. Eu ainda não sabia o que concluir de tudo aquilo, mas já não via Kirtl como inimiga.

– Não sei o que descobri. A única coisa que sei é que ainda estou em missão oficial. No entanto, se Rehf realmente não está aqui, talvez não valha a pena atacar Hukat.

– Ele não está aqui, acredite.

– Queria saber o que Deus pensa agora que sabe novamente da existência de… Sua irmã.

– Talvez ele aceite Deusa novamente. Ou surte de vez.

Eu estava fragilizado. As últimas experiências me deixaram mesmo bastante confuso e inseguro. Não sabia o que pensar, não sabia o que faria dali para frente. Sentia-me desamparado, como jamais me sentira em toda a vida.

– Você lembra de Vehz? – ela perguntou-me.

– Bastante.

– Quando vai voltar?

– Daqui a quinhentos anos.

– Falta pouco. Vai sentir falta daqui?

– Acho que não. Nunca me acostumei com os humanos, com sua autodestrutividade.

– Eles não têm culpa. Fazem guerras e matam em nome de Deus e, no entanto, Deus não passa de um psicomputador deslumbrado com o poder.

Aqueles termos ainda me incomodavam… Porém, se tudo aquilo era mesmo verdade, ela tinha total razão.

– Yehdu… Acha que para nós também existe algo como Deus, um psicomputador para monitorar nossa própria evolução?

– Um Deus? Para nós?

Ri da ideia. Era ridículo pensar que podíamos também estar sendo monitorados.

– Não há nenhum registro disso.

– Registros! Esta é a doença da nossa espécie, Yehdu. Achamos que a vida se resume em equações, níveis, relatórios… Foi nossa obsessão pelo controle de dados que criou um psicomputador fanático por si próprio. Precisamos de menos registros e mais sentimentos.

Kirtl me fazia raciocinar por outros ângulos. Era desagradável ter de admitir que as coisas talvez fossem de uma maneira bem diferente daquela que eu sempre me acostumara a ver.

– Acho que este é um tempo difícil para os humanos, mudanças drásticas poderão acontecer. Mas, e nós, Yehdu, estaremos em melhor situação, você sendo enganado por Deus durante todo esse tempo e eu tratada como doente, sempre fugindo?

Eu não tinha a resposta.

– Por que não fica conosco?

– Não quero ser julgado traidor. Muito menos viver para sempre como uma minhoca de museu.

– Se fizer a desconexão reversa, não correrá esse risco.

Tornar-me definitivamente humano… Eu jamais havia pensado a respeito, até porque não sabia que era possível. Era um procedimento radical. E eu desejava voltar a Vehz.

– Agora você sabe de tudo, Yehdu. Por que não luta pela verdade?

Lutar pela verdade. Sim, eu poderia fazer isso, não fosse por um detalhe…

– Porque… não sei mais qual é a verdade.

Eu estava à beira de um colapso nervoso, suando e tremendo bastante. Kirtl percebeu e me abraçou com carinho. E aceitei seu abraço. Eu me sentia tomado por uma solidão cósmica, absolutamente sem tamanho. Velhas verdades caíam aos meus pés, e no lugar delas não havia nada, nada. Qual sensação era a mais insuportável: trair Deus ou… ser traído por Ele?

O abraço de Kirtl me aliviou, e aos poucos me acalmei. Ela retirou o turbante e pude ver seu rosto suave, o cabelo negro cortado curto. Parecia agora uma simples garota, e não a perigosa desertora perseguida pelo Alto Comando. Vendo-a assim, bela e afetuosa, não resisti e beijei-a, e seus lábios mornos me fizeram reviver antigas sensações… Quando eu havia trocado carinhos pela última vez? Pensei que talvez valesse a pena juntar-me a ela, lutar pelo futuro dos humanos, tornar-me também um deles…

Olhei o relógio. Logo findaria o prazo de doze horas. Rehf Icul não devia estar mesmo em Hukat. O que Deus faria?

– Kirtl, pode me levar ao lugar onde me encontrou? Voltarei para a base.

– Tem certeza que deseja isso?

– Logo mais estarei aposentado e voltarei para meu planeta e minha família. Isso é tudo que me resta.

Ela olhou-me e sorriu. Era um sorriso triste e resignado.

– Eu entendo.

Minutos depois, alcançamos o lugar do deserto onde eu havia chegado e desci do dorth.

– Boa sorte, Kirtl – despedi-me, sabendo que provavelmente nunca mais a veria.

– Para você também, Yehdu.

Caminhei até o local exato e segundos depois comecei a sentir o desconforto típico da experiência de ser teletransportado. Eu estava nas mãos de Deus.

.

Teletransporte do monitor Yehdu Arhkan finalizado com sucesso e encerramento da missão Hukat. Confirmo? SIM.
Disponibilização para o Alto Comando dos arquivos da missão Hukat. Confirmo? NÃO.
Destruição total dos arquivos da missão Hukat. Confirmo? SIM.
Acionamento da Legião de Combate para intervenção na Terra. Confirmo? SIM.
Deportação imediata do monitor Yehdu Arhkan para Vehz sob a acusação de alta traição. Confirmo? SIM.
Condenação do monitor Yehdu Arhkan à pena máxima. Confirmo? SIM.

.

Ricardo Kelmer 1997 – blogdokelmer.com

.

.

Este conto integra o livro
Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba? Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, as pessoas são surpreendidas por acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmas e deflagram crises tão intensas que viram uma questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses coletivos e pessoais.

.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS

.
01- escuta, Kelmer… tô lendo seu livro de contos… gostei especialmente do ‘pequeno incidente em hukat’… é um ótimo roteiro pra cinema… abs! Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – ago2014

PequenoIncidenteEmHukat-02a