Como violentar crianças em 30 segundos

20dez2009

É a máxima do Compre Baton: hipnotize desde cedo uma criança e você terá um zumbi-consumidor para o resto da vida

COMO VIOLENTAR CRIANÇAS EM 30 SEGUNDOS

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Publicidade dirigida a crianças. Esta é uma das coisas mais abomináveis do nosso tempo. Tenha isso, tenha aquilo, peça esse brinquedo para o seu pai, inveje o tênis do coleguinha, morra se não ganhar o celular da moda… É revoltante que uma sociedade permita que suas crianças sejam violentadas diariamente, em suas próprias casas, por mensagens publicitárias que exploram covardemente a inocência infantil. É a máxima do Compre Baton: hipnotize desde cedo uma criança e você terá um zumbi-consumidor para o resto da vida.

Os pais sabem bem do que falo. Eles são as segundas vítimas dos terríveis monstrinhos consumidores. Sim, as segundas, pois as primeiras vítimas são as próprias crianças que, por causa da publicidade, tornam-se crianças sempre insatisfeitas e sofrem, entre outros males, de obesidade infantil e erotização e alcoolismo precoces e, no futuro, serão adultos condenados a buscar inutilmente a realização pessoal no consumo desenfreado. E os responsáveis por isso? Seguem impunes e vendendo cada vez mais.

Se você concorda comigo, convido-o a participar da campanha Publicidade Infantil Não. No site da campanha (publicidadeinfantilnao.org.br) há mais informações e você pode assinar o manifesto que pede mudanças na lei. E no YouTube você pode ver o documentário Criança, a Alma do Negócio (2008), da diretora Estela Renner, com quem tive a honra de trabalhar quando fui roteirista do sitcom Mano a Mano, exibido pela RedeTV em 2005. É claro que as tevês, as agências de propaganda e as empresas de produtos infantis não estão gostando muito dessa campanha. Mas elas sabem que os dias de moleza estão no fim.

Agora, quer saber de outra coisa igualmente revoltante? É o abuso religioso infantil. Assim como convencer uma criança a comprar e consumir é nojento, é uma violência impor uma religião a uma criança. Criança não tem que ser catequizada – criança tem é que curtir a infância. E não existe criança religiosa, o que existe são pais religiosos. Educação religiosa infantil é mais que covardia ou chantagem: é lavagem cerebral que pode durar a vida inteira. Mas eu sei que essa questão é bem mais polêmica e que quem ousar levantá-la certamente será apedrejado.
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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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Site da campanha Publicidade Infantil Não
Saiba mais e assine o manifesto

ONG Instituto Alana
Pelo bem das crianças

As crianças transexuais
Sim, elas existem. Leia a crônica e veja o documentário Meu Eu Secreto

Carma de mãe para filha
Quando os filhos pagam caro pelos pais. Crônica

Documentário Consuming Kids – The commercialization of childhood
Em inglês

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Comercial de celular
(ou como a Claro violenta crianças)

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Criança, a alma do negócio
versão reduzida do documentário, 10 min. Assista na íntegra aqui

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Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer
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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Concordo e e’ Demaisssssssss!!!! Vera Lucia, Londres-Inglaterra – fev2001

02- ai, me dói ver isso. como em toda profissão, tem os éticos e os não! fim da feira! Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – fev2011

03- O capitalismo selvagem não respeita faixa etária. Foda-se! Eu quero é vender! Nojentos. Fernando Veras, Camocim-CE – fev2011

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17 Responses to Como violentar crianças em 30 segundos

  1. Roberto disse:

    Há tempos…Este tema e embate crescem e buscam ressonância na sociedade. Já está passando do momento da regularização, limitação da chamada “publicidade infantil” e dar uma basta na “coisificação” do mundo utilizando a criança como “foco”. Trata-se de uma brutalidade sem precedentes.
    Como advogado e Presidente da Comissão de Defesa da Criança e Adolescente da OAB/CE, participei de diversos debates e seminários para sensibilizar professores, alunos universitários, parlamentares e pais a fim de criar sensibilização ao problema extremamente sério da publicidade infantil que sectariza o mundo e ajuda a cultivar a falta de solidariedade e o distanciamento dos valores morais.

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  2. Eugenio Hertz disse:

    Não sou contra. Cada SER é um cliente em potencial. Daqui ha pouco vão inventar alguma coisa que ao ser transmitida, vai causar sensibilidade em cachorros e gatos, e você vai ser dirigido a comprar produto X ou Y por conta deles vendo as marcas e associando a cachorrada feliz do anúncio. Além do mais, não ha como lutar contra isso, não dessa maneira. A luta real se faz na construção da educação da criança, e não no “NÃO A ESSAS CAMPANHAS”.
    Ser partidário do “NÃO A ESSAS CAMPANHAS” é a mesma coisa que ter uma namorada “dada demais”, você saber disso e ainda ficar puxando ela a cada vez que algum maluco soltar uma cantada e ela ir ja caindo na do cara. Ou seja, ela é quem deveria dizer NÃO! Consequentemente, isso é trabalho de corno. A criança tem que ser educada a saber dizer não… e NÃO é trabalho dos páis se preocupar eternamente em dirigí-las para o caminho A ou B. Porra… até pra dizer um simples SIM, eu escrevi muitos NÃOS, não foi???

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  3. Ricardo, meu mano, já viu a pesquisa do ministério da saúde que mostra que 71% dos jovens de 13 a 15 anos já consumiu bebida alcoólica e que 22% já se embriagaram. O ministro da área disse que, de fato, há uma indução precoce a esse consumo por parte da publicidade. Essa galera da propaganda gosta muito de falar em democracia, em direito de expressão. O deles é claro! Xô, Marketing Pedófilo! Xô,ensino religioso nas escolas! E que atire a primeira pedra quem não gostou! Parabéns pelo texto! Luiz Prôa

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  4. Giovana disse:

    Não tenho opinião sólida a respeito, mas acredito que alguns pontos devem ser lembrados.

    O consumismo tem forte influência pelo marketing, mas há que ser considerado que pais consumistas criam filhos consumistas. Resumidamente, tudo vai do exemplo que a criança tem dentro de casa.

    Acho difícil “combater” as propagandas em si. Todavia, concordo que a da Claro é um abuso, principalmente por considerar as meninas dessa idade já “mocinhas” com toda liberdade de decisão e escolha por si próprias. No entanto, e se as mães acham “lindo” que as filhas se comportem dessa maneira? Não acha que os pais também devem ser conscientizados? Sendo que, ao mesmo tempo que são vítimas são também culpados quando adotam um comportamento abusivo, especialmente quando incentivam seu filho a fazer o mesmo.

    E a coisa não para por aí. Escolas que pressionam estudantes adolescentes a prestarem e passarem no vestibular apenas objetivando o marketing também merecem um puxão de orelha! Mas aí são outros 500.

    Com relação à educação religiosa, isso vai de cada família. É uma questão delicada, sendo que as crianças, no geral, terão poder de decisão apenas quando crescerem, optando por continuar com aquilo ou abandoná-lo de vez. Mas, se for considerar o ensino religioso dentro das escolas, sou totalmente contra, uma vez que vivemos em um estado LAICO.

    Sei que me alonguei em demasia, eheheh. Mas é mais ou menos isso.

    Ótima abordagem, Ricardo! Poucas pessoas e quase nenhum setor da sociedade pensa nisso. É uma boa iniciativa.

    Beijos!

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  5. Tiago disse:

    Caro Ricardo,

    Gostaria de sugerir ao amigo um documentário excelente sobre o tema citado. Seu nome é ‘Consuming Kids: The Commercialization of Childhood’ (Crianças do consumo: a comercialização da infância). Um documentário muito bom que trata exatamente desse assunto. Segue um link do DVD para que vc possa análisar se é do seu interesse: http://www.mediaed.org/cgi-bin/commerce.cgi?preadd=action&key=134

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  6. gesse almeida disse:

    Subscrevo e louvo-te a abordagem sucinta e sincera sobre dois temas que a sociedade podre e míope se deixa enlevar

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  7. Jana Lauxen disse:

    É por estas e por outras que joguei meu diploma de publicitária no lixo. Parabéns, Ricardo. Minha assinatura é de vocês! 😉

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  8. André Figueiredo disse:

    Ricardo, concordo plenamente com o que fala sobre a propaganda direcionada para crianças, é um absurdo total, como muitos que vemos todos os dias em nosso país e espalhados pelo mundo.

    É “CLARO” (para fazer um trocadilho com essa publicidade idiota que conseguiram produzir) que os detentores do poder político, jurídico e financeiro (sócios) nada farão quanto a isso, afinal só conseguem manter-se na “cópula” porque não investem, protegem e divulgam de forma adequada em educação e se um dia uma nova geração começar a pensar (em massa) por conta própria estarão perdidos.

    A base de tudo passa por aí: EDUCAÇÃO, coisa que não é nem de perto valorizada em nosso país e no mundo em geral, onde os valores “da moda” são totalmente antagônicos com os valores morais e da Natureza, inclusive e principalmente.

    Lembrei-me agora da música Perfeição do Renato Russo, que, por sinal, é perfeita para ilustrar o que é debatido aqui.

    Ou conseguimos mudar, não sei ainda de que forma, os valores de nossa sociedade, ou continuaremos caminhado rumo a extinção …

    Cordialmente

    André Figueiredo

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  9. André Figueiredo disse:

    Ah, esqueci de mencionar que assinei o manifesto e divulgarei o mesmo ao máximo.

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  10. Bruno Bazilio disse:

    Parabéns Kelmer e parabéns ao pessoal do Maria Farinha pela abordagem a um tema extremamente relevante à Humanidade. Sou publicitário e concordo plenamente com a responsabilização e observação da ética em todas as carreiras. Se queremos um mundo melhor, o caminho é pela concientização de nossas atitudes enquanto reforçadoras e formadoras de cultura. Sou totalmente contra a publicidade para crianças.
    abraço

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  11. João Carlos Teixeira disse:

    Caro Ricardo,

    Estou plenamente de acordo que é preciso limitar a publicidade dirigida às crianças. Acho que esse é um campo em que mais que se justifica a ação reguladora do Estado. Afinal, a TV é uma realidade poderosa e inegável (sem querer dar qualquer juízo de valor) e ela é uma janela aberta em todos os lares. Há que se proteger aqueles que precisam de proteção. Acho que é um movimento que deve ganhar corpo. Já assinei o abaixo-assinado.
    Por fim, gostaria de saber se há referências de artigos ou bibliografia sobre a influência da imposição de uma religião sobre as crianças. Eu sou partidário do lema: adote seu filho antes que um pastor o faça.
    João Carlos Teixeira

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    • ricardokelmer disse:

      > Sábias palavras, João Carlos. Vou pesquisar bibliografia sobre a questão do abuso religioso infantil e, se encontrar, divulgarei aqui, ok? E eu diria mais: adote seu filho antes que um pastor, ou padre, o façam.

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  12. Gledson disse:

    Minha professora de Novas Mídias relatou que esteve com um executivo da VIVO no qual lhe confessou que seus produtos e consequente plano de comunicação são pensados para pessoas a partir dos 6 anos. É nojento!

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