Durante um tempo, ali fiquei, em êxtase, me sentindo parte de tudo aquilo, em paz com a caverna e comigo
TERROR E ÊXTASE NA CAVERNA
. Anos atrás fui convidado a participar de uma expedição do Ibama à gruta de Ubajara, no Ceará. Mas não seria uma visita comum, de grupos de excursão, com limites fixados para se aventurar na gruta. Participariam apenas espeleólogos, agrônomos, geólogos e arqueólogos de vários estados, e o grupo estava autorizado a ultrapassar os limites turísticos e seguir até o mais distante ponto conhecido.
De manhã cedo, o chefe da expedição reuniu o grupo de vinte e três pessoas, distribuiu capacetes, lanternas, cordas, sacos de lixo e atentou para que não deixássemos nenhum objeto lá dentro. Explicou que seguiríamos por uma via de difícil acesso rumo à Sala das Maravilhas (67m de profundidade, percurso de 1.120m), local alcançado por poucos devido ao alto grau de dificuldade. Lembrou as técnicas básicas, a posição firme do pé de apoio, manter sempre à vista o colega da frente. Apresentou-nos o guia mestre, que conhecia bem a via e seguiria à frente de todos. Então dividiu-nos em três grupos, cada um com seu guia próprio, e lá fomos nós, fila indiana, desafiar os segredos da grande caverna.
Eu já visitara a gruta como turista. Agora era diferente. Desde o início, senti uma solenidade no ar, como se realizasse algo muito importante. À medida que descíamos, o ar se tornava mais úmido e pesado e a respiração mais difícil. A caverna nos envolvia em seu manto de escuridão silenciosa e tudo em nós era concentração, esforço e cuidado. E respeito, muito respeito por tudo aquilo que a Natureza criara havia milhares de anos e que, gentilmente, nos permitia explorar.
Logo, as dificuldades começaram. Certas passagens eram tão estreitas que alguém mais gordo não passaria. As encostas enlameadas, difíceis de escalar, provocavam quedas. Havia trechos onde o teto era tão baixo que nos arrastávamos pelo chão, meio corpo dentro dágua. Cada guia, por ser mais ágil e experiente, tinha a missão de ir à frente, fixar bem a corda e aguardar que o restante de seu grupo finalizasse a passagem. Senso de equipe era fundamental: todos tinham que ajudar e ser ajudados.
Aos poucos, a tensão, o cansaço e o medo minavam as forças, forçando a desistência de alguns. Esses paravam, sentavam e ali mesmo ficavam, sempre acompanhados, para aguardar o retorno dos que prosseguiam. E eu? Eu era o próprio entusiasmo. Sentia a caverna como algo vivo, dona de uma força imensa e sabedoria própria, e isso me enchia de uma profunda reverência. Alguns passaram maus bocados, mas eu me sentia muito à vontade, como se sempre tivesse feito aquilo.
De repente, nos deparamos com um estreito buraco no chão. Já caminhávamos por três horas e estávamos cansados, mas ainda teríamos que passar por ali para alcançar o nível inferior seguinte, que enfim nos levaria ao trecho final. O guia mestre, segurando a corda-escadinha, já nos aguardava lá embaixo para auxiliar na descida. Nesse momento, algo curioso aconteceu. A espeleóloga que ia à minha frente chegou-se junto do buraco e então… ficou imóvel. Esperei que iniciasse a descida, mas, em vez disso, ela deitou-se ao chão e ficou na posição fetal, contorcendo-se. Percebi que seu corpo todo tremia e ela choramingava: “Mamãe… mamãe…”
O guia do grupo, mais experiente, entendeu logo o que se passava e me explicou: “Ela vai ficar boa, isso acontece até com os experientes. Vou ficar com ela. Daqui pra frente você assume o grupo.” Engoli em seco, sem acreditar. Guia do grupo, eu?! Em minha primeira exploração? Ele sorriu e confirmou, “Você vai conseguir”, enquanto tomava conta da mulher em sua crise de choro.
Meio atordoado com tudo aquilo, passei à frente, me aproximei do tal buraco e toquei a corda-escadinha, por onde desceria dez metros na escuridão. Segurei firme, botei os pés e… fiz a besteira de olhar para baixo. Imediatamente um estremecimento me percorreu por inteiro, corpo e alma. O coração quis sair pela boca e um pavor imenso me tomou o pensamento, impedindo qualquer raciocínio ou movimento. Quase borrei as calças. Por um instante, achei que também teria um colapso nervoso. Mas fechei os olhos e respirei fundo, tentando me acalmar. Precisava me controlar para fazer a descida com toda a atenção.
Quando finalmente toquei o chão, senti uma enorme alegria, vontade de sair gritando. Mas agora eu era o guia do grupo e precisava ajudar os outros. Depois daí vieram mais dificuldades e mais colegas desistiram, esgotados física e mentalmente. Eu continuei e, quatro horas depois do início, alcancei o destino final, com mais oito pessoas.
A Sala das Maravilhas parecia a abóbada de uma catedral. Havia pouca luz, mas vi que tinha uns quarenta metros de altura e sua beleza e imponência me faziam ridiculamente pequeno. Deitei-me ao chão, maravilhado, e fiquei quieto, olhos fechados, escutando o som musical dos pingos dágua que caíam lá de cima. Eu vencera. Superara as dificuldades, o medo e a própria desconfiança em mim. Durante um tempo, ali fiquei, em êxtase, me sentindo parte de tudo aquilo, em paz com a caverna e comigo. Tive vontade de ficar ali para sempre.
No fim da tarde, ao sairmos da gruta, eu sentia que algo havia mudado em mim. De fato, a experiência me tornaria um homem mais forte e autoconfiante. Por outro lado, me faria também mais humilde perante a Natureza. Explorar cavernas tem seus perigos, sim, mas muito mais perigoso é nos considerarmos separados da Natureza, nos julgarmos superiores e acharmos que podemos controlá-la. Se você ainda pensa assim, recomendo uma descidinha a alguma caverna. Não esqueça de manter firme o pé de apoio. E não custa nada levar papel higiênico. Mas não deixe nada lá dentro, tá?
. A gruta de Ubajara está situada no leste do Estado do Ceará, no Parque Nacional de Ubajara, Serra da Ibiapaba, . Dista 3km do centro da cidade de Ubajara, possui uma área de 6.299 ha e é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O acesso à gruta se dá por meio de teleférico, que desce mais 550m. Também é possível chegar à gruta pela trilha dos Cafundós, numa descida de mais de 4km. No período de janeiro a junho, a temperatura média é de 16 a 18 graus durante a noite, e entre 20 e 24 graus durante o dia. No período de julho a dezembro, a temperatura média é de 28 graus durante o dia, e de 19 graus durante a noite.
.
. A gruta de Ubajara tem 1.120m de extensão, dos quais 420m estão abertos ao público com o acompanhamento de guias. A gruta de Ubajara possui galerias e salas com formações de estalactites e estalagmites, como a Pedra do Sino, a Sala das Rosas, a Sala dos Retratos e a Sala das Maravilhas.
Xamanismo de vida fácil – A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos
Minha noite com a Jurema – Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas
A vida na encruzilhada (filme: O Elo Perdido) – Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos
Carlos Castaneda (vídeo) – Especial da BBC sobre o polêmico antropólogo que estudou o xamanismo no México, escreveu vários livros e tornou-se um fenômeno do movimento Nova Era
O Elo Perdido (Missing Link) – Veja o filme. Homem-macaco tem sua família dizimada por espécie mais evoluída e vaga sozinho pelo planeta, conhecendo e encantando-se com a Natureza. Ao comer de uma planta, tem estranha experiência que o faz compreender o que aconteceu
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
A pior morte será sempre a das nossas próprias verdades, aquelas que nos fazem sentir mais vivos, úteis e autênticos.
SEGUIR A BOIADA OU AS PRÓPRIAS CONVICÇÕES
. A paquistanesa Malala Yousafzai, o israelense Nathan Blanc e o russo Sergey Balovin, com seus exemplos de vida, estão mostrando ao mundo que… sim, um outro mundo é possível. À sua maneira, agindo de acordo com suas convicções pessoais, eles simbolizam a grande luta que travam nesse momento muitas pessoas em todo o planeta: a luta contra a opressão e por um mundo mais justo e harmonioso.
Malala tem 15 anos e luta contra o fanatismo religioso dos talibãs no Paquistão, que impede que as mulheres tenham educação. Nathan Blanc tem 19 anos, recusa-se a prestar o serviço militar e por isso já foi preso várias vezes pelo governo de Israel. O pintor russo Sergey Balovin tem 29 anos e tenta viver sem dinheiro, trocando sua arte por bens e serviços. São jovens que vivem em culturas diferentes, mas ousaram desafiá-las, expressando sua discordância e mantendo-se leal aos seus próprios valores. E pagando o preço por isso.
Religião, dinheiro e guerra – as três coisas têm muito a ver. Em nome delas os humanos perdem a razão, tornam-se fanáticos e se oprimem e se matam. No entanto, desde pequenos nos ensinam que elas são necessárias, que sem religião vamos para o Inferno, que com dinheiro compraremos a felicidade e que precisamos destruir quem pensa diferente de nós. O ensinamento é tão eficaz e dogmático que as pessoas não conseguem imaginar um mundo sem religião, sem dinheiro e sem inimigos e, assim, repassam os velhos dogmas aos seus filhos, e o mundo segue o mesmo, cultuando deuses misóginos, injustos e sanguinários, que exigem vidas e mais vidas em seu nome.
Sim, é defendendo ferrenhamente seus valores culturais que as sociedades se afirmam no mundo. Porém, elas também precisam ser renovadas senão envelhecem e entram em colapso. Parece contraditório, mas essa tensão permanente entre o antigo e novo é que movimenta a cultura, levando-a a explorar suas potencialidades. E é justamente para renovar a sociedade que, vindos de dentro delas mesmas, surgem os indivíduos que a contestarão e trarão os novos valores, forçando as pessoas a erguerem-se um pouco acima de sua própria cultura e a ampliar sua visão da realidade.
A vida dos contestadores, porém, não é fácil, pois não é simples libertar-se dos condicionamentos culturais e religiosos aos quais somos submetidos desde que nascemos. Eles estão tão entranhados em nosso entendimento da realidade que abandoná-los é como morrer, pois morre em nós aquilo que nos liga à cultura ao redor. Mas a pior morte será sempre a das nossas próprias verdades, aquelas que nos fazem sentir mais vivos, úteis e autênticos.
O preço a pagar pela autenticidade pode ser a incompreensão e a solidão, pois a boiada não tolera os que se diferenciam. O preço a pagar pode ser a violência, pois essa é a única linguagem dos opressores e fanáticos. Porém, para os que cultuam a liberdade de ser, é libertando-se um pouco a cada dia que o espírito se fortalece e inspira outros espíritos.
. Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com
.
.
SOBRE MALALA, NATHAN E SERGEY .
Adolescente atacada por talibãs publicará sua história – Malala Yousafzai prossegue em sua luta contra o fanatismo religioso que impede a educação de mulheres. Ela foi baleada na cabeça em um ataque cometido no dia 09.10.13 contra o ônibus escolar no qual viajava no Vale do Swat (noroeste do Paquistão) por um grupo talibã que queria castigá-la por seu compromisso em favor da educação das meninas paquistanesas. Dias depois, foi transferida ao Reino Unido, onde foi tratada e submetida no início de fevereiro a duas cirurgias de reconstituição craniana. Em mar2013 a adolescente pôde voltar à escola, desta vez em Birmingham (centro da Inglaterra), onde a família viverá por algum tempo. Malala, que tem 15 anos, é uma das candidatas ao prêmio Nobel da Paz 2013.
Artista russo vive sem dinheiro trocando retratos por bens e serviços – O artista russo Sergey Balovin encontrou uma maneira de viver pura e simplesmente de sua arte. Ele vive sem dinheiro, pintando retratos de amigos, conhecidos e desconhecidos e usando as obras para pagar alimentação, serviços, hospedagens e outras necessidades básicas diárias.
Israel prende jovem que se recusa a entrar no exército – Nathan Blanc tem 19 anos e nas últimas 19 semanas foi preso oito vezes por ser contra serviço militar. Nathan sente uma forte conexão com seu país, do qual tem orgulho em vários aspectos. “Mas tenho uma aversão a nacionalismo”, explica. De qualquer modo, afirma não querer “lidar com política e conflitos minha vida toda”. O jovem quer estudar ciência ou tecnologia na universidade e sabe que pode ter prejudicado de algum modo seu futuro. “Mas isso é pequeno quando comparado aos meus princípios em risco”, conclui.
.
LEIA MAIS NESTE BLOG
Wikileaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país
Jung – a jornada do autodescobrimento– Vídeo com um resumo da vida e das ideias de Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço criador da teoria do inconsciente coletivo
Mulheres na jornada do herói – Elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas
Matrix e o Despertar do Herói, cap 5 – Se todos seguirem seu próprio caminho, não haverá mais boiada e, assim, a sociedade não conseguirá se organizar o suficiente. A diferenciação individual é um grande perigo para a sociedade coletiva, mas, por outro lado, ela precisa ser renovada
.
DICA DE FILME
Zeitgeist (Direção: Peter Joseph. EUA/2007) Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles
Veja também: Zeitgeist Addendum (2008) e Zeitgeist Moving Foward (2011)
.
DICA DE LIVRO
Matrix e o Despertar do Herói A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas Ricardo Kelmer, ensaio, 2005
Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
. .
Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.
Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso.
Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.
AS PRECIOSAS DO KELMER Dicas e pitacos para o mês
#6, mar2013
Imagem da capa: Chacrinha e suas chacretes. Do tempo em que as mulheres gostavam de ser carnudas. Ô saudade.
.
.
.
>>> NUA EM NOVA YORK
Fotógrafa francesa Erica Simone clica a si mesma no cotidiano da Big Apple sem nenhuma roupa. > Matéria da revista Trip
Uma mulher nua e de salto alto olhando as vitrines das lojas. O consumismo pelo avesso. O fetiche feminino pelas compras, o fetiche masculino de vê-las nuas. No reflexo da vitrine, a contradição de uma sociedade que paga caro para se vestir mas que gosta mesmo é de tirar a roupa. (RK) > Fotos da exposição no site oficial de Erica Simone
.
.
>>> LIVRANDO A SEMANA (52)
> ADULTÉRIO PARA INICIANTES (Sarah Duncan) Editora Record
Neste livro a inglesa Sarah Duncan faz uma divertida análise do sonho do matrimônio. Com diálogos afiados e muita ironia, ela acompanha as aventuras extraconjugais de Isabel e mostra as dificuldades de ser esposa e mãe neste início de século. > Adquira este livro na livraria Arte Paubrasil
.
ESCAPADINHA REAL (dica de filme)
O AMANTE DA RAINHA (2012): o adultério que ajudou a salvar um país. Longa dinamarquês indicado ao Oscar retrata história real da monarquia no século 18. > Saiba mais
.
.
>>> NO DIA DA MULHER, MUITAS LUAS PARA ELA
Sim, o feminino tem muitas luas, é menina e é mulher, é santa e é prostituta. Às vezes se expressa na mulher carente e vingativa, noutro dia na garota fútil no shopping center, depois na mulher guerreira ou na velha sábia. O feminino não é. O feminino são. (RK)
Edir Macedo, o gigolô de Cristo, anuncia: tem carne nova na casa. É a ex-globeleza Valéria Valenssa que, após perder o emprego para uma mulata mais jovem e tentar retomar o posto a todo custo, fez o que muitos artistas decadentes fazem: viu na religião um ótimo refúgio mercadológico. Valéria entrou pra Igreja Universal e já faz até pregação. Agora é aguardar o DVD de estreia. Estaremos diante de uma nova profissão, a de pastora globeleza? (RK) > Saiba mais, veja vídeo
.
.
>>> LIVRANDO A SEMANA (53)
COM AMOR, JANIS JOPLIN (Laura Joplin) Editora Madras
Janis Joplin nasceu em 1943, na cidade de Port Arthur, Texas, nos Estados Unidos, e morreu em 1970, aos 27 anos, por overdose de heroína. Com voz marcante, interpretações cheias de vigor e atitude rebelde, fez enorme sucesso como cantora de blues e imortalizou seu nome como um dos maiores expoentes desse gênero musical.
Escrito por sua irmã mais nova, este livro é uma carinhosa mas realista biografia de Janis, mostrando sua infância e adolescência na pequena e interiorana Austin, a mudança para a California, os bastidores das turnês e a vida na estrada entre shows e entrevistas. O livro traz várias cartas trocadas entre as duas irmãs e fotos de família. Mesmo sendo da família, a autora não poupa Janis e aponta seus erros e acertos como ser humano.
Muita gente (inclusive meus amigos, argh!) tem o péssimo hábito de repassar informações sem ter certeza de sua veracidade. Essas pessoas, mesmo bem intencionadas, estão contribuindo pra aumentar o nível de desinformação geral, que já é grande. Deve haver um lugar no Hades pra esse tipo de gente, tem que haver…
E textos com falsa autoria? Putz, que horror. Sendo escritor, isso me causa calafrios. Mas o que esperar de uma população que não lê livros? O que esperar de pessoas que não sabem diferenciar o estilo literário de Luis Fernando Veríssimo do estilo literário de Luciana Gimenez?
A essas pessoas, e a todos, recomendo o site E-farsas. Referência desde 2002 na pesquisa sobre as farsas que circulam pela internet, é mantido por Gilmar Lopes. Parabéns, Gilmar! (RK)
>>> O PASTOR-DEPUTADO RAIVOSO E A DEFESA DA DEMOCRACIA
O deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP) é uma das maiores aberrações políticas da história do Brasil. Homofóbico e racista declarado, ele usa de discursos raivosos em suas pregações para atacar não apenas homossexuais mas também adeptos de outras religiões. Apesar dessas notórias contraindicações, ele é o atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara, fato que mostra perfeitamente o quanto nossos parlamentares se preocupam com a ética da casa. Isso causou comoção em diversos setores da sociedade e mereceu críticas até mesmo de grupos evangélicos.
Pela Constituição, o Brasil é um Estado laico. Porém, na verdade, somos um país em processo de laicização pois a religião ainda está erroneamente presente de forma oficial em diversos aspectos da cena institucional, como o atestam crucifixos em gabinetes, ensino religioso em escolas públicas, privilégios da igreja Católica… E o que dizer da referência a Deus nas cédulas? Pensando bem, tem tudo a ver pois religião e dinheiro costumam falar a mesmíssima língua.
Se você defende a democracia, mesmo que você seja religioso, deve posicionar-se contra aberrações como a que representa o pastor-deputado Marco Feliciano na presidência do CDH. E deve também estar sepre atento para defender o Estado laico pois ele é a única garantia democrática que os direitos de todos os credos serão igualmente respeitados, inclusive o não-credo.
O fanatismo religioso, que a aberração Marco Feliciano tão bem representa, é um sério perigo para a democracia. Veja, por exemplo, este vídeo de uma de suas raivosas pregações. Qualquer semelhança com a histeria que tomou conta da Alemanha nazista, e que deu na garnde tragédia que deu, não é mera coincidência. (RK)
.
CASA PRÓPRIA DE JESUS TEM PODER
“Realize, em nome de Jesus, o sonho da casa própria. Com apenas R$ 300 por mês você adquire um consórcio que dará uma carta de crédito de R$ 30 mil.” Era com essa frase que o deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP) encerrava, até bem pouco tempo atrás, seu programa de pregações na TV.
A empresa GMF Consórcios, que Marco Feliciano criou em 2007 com mais três pastores, não consta na declaração de bens que ele apresentou à Justiça Eleitoral em 2010, assim como também não consta outra empresa sua, a Cinese – Centro de Inteligência Espiritual, um curso preparatório para concursos.
Além de sonegar imposto de renda, o pastor-deputado raivoso emprega amigos pastores em seu gabinete com salários de até R$ 7 mil. Eles devem ter o dom espiritual da invisibilidade pois ninguém os vê por lá.
Não precisamos de religião – precisamos é de valores morais. Um líder religioso que prega a intolerância sexual e o preconceito racial, sonega impostos e emprega funcionários fantasmas não é o melhor nome para presidir uma Comissão de Direitos Humanos e Minorias. (RK) > Saiba mais
.
EVANGÉLICOS MIRAM COMISSÕES QUE TÊM PODER DE BARRAR TEMAS SENSÍVEIS À IGREJA
Para os religiosos fanáticos, os dogmas de sua religião são mais importantes que qualquer outra coisa. Por esse motivo, o Estado deve ser laico, para que nenhuma religião tenha mais privilégios que outra e também para que os temas religiosos não interfiram nas questões do dia a dia da esfera pública. Se você é a favor do Estado laico, ajude a divulgar essas intromissões indevidas da religião no cotidiano dos cidadãos. > Saiba mais
.
VEREADORES QUEREM LIVRAR ENTORNO DOS TEMPLOS RELIGIOSOS DE MULTAS DE TRÂNSITO
Mais um exemplo do quanto as religiões se acham no direito de ter privilégios absurdos (mais do que já possuem). Se depender de dois vereadores de Fortaleza, Leonelzinho Alencar (PTdoB) e Elpídio Nogueira (PSB), os fieis das igrejas poderão estacionar livremente seus carros no entorno dos templos nos dias úteis a partir das 19h e nos fins de semana a partir das 17h30. Jesus, sempre generoso, pagaria a multa.
As igrejas já são isentas de vários impostos (imposto de renda, IPTU e IPVA, por exemplo). Como a movimentação financeira das igrejas não é monitorada pela Receita Federal, elas são tranquilamente usadas para lavagem de dinheiro. Atualmente há vários projetos ampliando esses privilégios e esse de Fortaleza é mais um.
Se você é a favor do Estado laico, ajude a divulgar essas intromissões indevidas da religião no cotidiano dos cidadãos e seus privilégios absurdos. > Saiba mais
.
.
LIVRANDO A SEMANA (54)
O NOME DA ROSA (Umberto Eco) Record
Ficção de estreia de um dos mais respeitados teóricos da semiótica, “O Nome da Rosa” transformou-se em prodígio editorial logo após seu lançamento, em 1980. Tamanho sucesso não parecia provável para um romance cuja trama se desenrola em um mosteiro italiano na última semana de novembro de 1327. Ali, em meio a intensos debates religiosos, o frade franciscano inglês Guilherme de Baskerville e seu jovem auxiliar, Adso, envolvem-se na investigação das insólitas mortes de sete monges, em sete dias e sete noites. Os crimes se irradiam a partir da biblioteca do mosteiro – a maior biblioteca do mundo cristão, cuja riqueza ajuda a explicar o título do romance: “o nome da rosa” era uma expressão usada na Idade Média para denotar o infinito poder das palavras.
Narrado com a astúcia e a graça de quem apreciou (e explicou) como poucos as artes do romance policial, “O Nome da Rosa” encena discussões de grandes temas da filosofia europeia, num contexto que faz desses debates um ingrediente a mais da ficção. O livro de Eco é ainda uma defesa da comédia – a expressão do homem livre, capaz de resistir com ironia ao peso de homens e livros. (vestibular.uol.com.br)
Em Factótum, segundo romance de Charles Bukowski, publicado em 1975, encontramos mais uma vez Henry Chinaski, alter ego do autor, protagonista de vários dos seus livros e um dos mais célebres anti-heróis da literatura americana. Durante a Segunda Guerra Mundial, o “loser” Henry (que reaparece mais tarde em Misto-quente) é considerado inapto para o serviço militar e não consegue entrar para o exército. Assim, enquanto os Estados Unidos se unem em torno da guerra e os homens alistados são vistos como heróis, Chinaski, sem emprego, sem profissão nem perspectiva, cruza o país, arranjando bicos e trampos, fazendo de tudo um pouco – daí o nome do livro –, na tentativa de subsistir com empregos que não se interponham entre ele e seu grande amor: escrever. Em meio a tragos, perambulações por ruas marginais, tentativas de ser publicado, vivendo da mão para a boca, o autor iniciante Henry Chinaski come o pão que o diabo amassou. Tais trechos, que tratam do escritor em formação, estão entre os mais pungentes e interessantes do livro. Na sua versão do artista quando jovem, Bukowski vê tudo através da lente da desmistificação – desmistifica a imagem do artista romântico e o milagre americano – e faz desse olhar cínico a sua profissão de fé.
CHARLES BUKOWSKI – Henry Charles Bukowski Jr (nascido Heinrich Karl Bukowski; Andernach, 16.08.1920 – Los Angeles, 09.03.1994) foi um poeta, contista e romancista estadunidense nascido na Alemanha. Sua obra de caráter (incialmente) obsceno e estilo totalmente coloquial, com descrições de trabalhos braçais, porres e relacionamentos baratos, fascinaram gerações que buscavam uma obra com a qual pudessem se identificar. > Saiba mais
.
.
>>> PAPA FRANCISCO LAVA E BEIJA OS PÉS DE JOVENS INFRATORES
Melhor um papa pedólatra que um papa pedófilo. > Saiba mais
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer.(saiba mais)
Fantasiar ser estuprada é uma coisa – querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente
ME ESTUPRA, MEU AMOR
.
Muitas mulheres têm a fantasia de ser estuprada. Eu, particularmente, conheço várias, de espevitadas adolescentes a respeitáveis senhoras. Obviamente, elas não desejam sofrer estupro real, e na fantasia a lógica é invertida, com a história se desenrolando conforme a vontade e o prazer de quem fantasia, mas isso não deixa de ser muito curioso. Numa época em que a cultura machista, que incentiva os crimes de estupro, está em xeque, e as mulheres a cada dia avançam mais na conquista dos direitos que o patriarcado sempre lhes negou, assumir ou mesmo falar desse tipo de fantasia é mexer num vespeiro e arriscar ser mal interpretado. Mas vamos lá.
Um dos perigos que ronda esse tema é o fato de que algumas pessoas não conseguem distinguir fantasia de realidade. Fantasiar ser estuprada é uma coisa – querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente. Usar o argumento “as mulheres fantasiam ser estupradas” para justificar estupros é típico de quem não distingue fantasia de realidade, ou de quem é canalha mesmo. Talvez, para a mulher, por trás da fantasia de ser estuprada esteja a ideia de ser tão irresistível a ponto do outro não conseguir se controlar e, assim sendo, ser dominada e forçada ao sexo seria a comprovação de seus poderes de sedução. Talvez. Não é novidade que a violência consentida, comum nos jogos sexuais entre parceiros, tem um forte atrativo afrodisíaco. Muitas mulheres assumem que adoram uma dose de dor no sexo. E outras muitas não dispensam puxão de cabelo, tapa, chicote, submissão e outros fetiches masoquistas.
Porém, há mulheres que brincam em público de serem desejadas sexualmente, e agem e se vestem com essa deliberada intenção – mas é tudo brincadeirinha, pois elas não estão realmente dispostas a fazer sexo. Bem, até aí tudo bem, pois atiçar o tesão alheio, ainda que de brincadeira, não é crime. Porém… isso não seria algo discutível do ponto de vista da ética? Ou não?
As mulheres, pelo menos em nossa cultura, gostam de brincar de provocar sexualmente, sabemos disso. Desde cedo elas parecem ter boa noção do poder sexual que possuem. Seria um fator cultural ou algo inerente à psique feminina? Talvez as duas coisas. Se elas sabem do poder sexual que têm, seria justo culpá-las, ainda que em grau menor, por provocar deliberadamente o desejo alheio? Ou não tem nada a ver? E como poderíamos definir exatamente o que é provocação?
Acho que nem a mulher nem ninguém deve ser culpado por provocar, ainda que deliberadamente, o desejo sexual alheio, pois todos devem ter o direito de expressar sua sexualidade livremente. Se o homem concorda que a mulher é livre para brincar com seu poder sexual, deve aprender a relaxar com as brincadeiras delas. Se discorda, é um sério candidato a ter problemas com as mulheres e até com a polícia.
Não neguemos à mulher o prazer de sentir-se desejada, e compreendamos suas brincadeirinhas sádicas de nos provocar – elas são lindas também por isso. E quando elas quiserem, participemos de bom grado de suas fantasias, por estranhas que sejam. O prazer da mulher sempre faz as manhãs mais bonitas. .
Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com
.
.
MAIS SOBRE ESTUPRO
O que desperta o desejo sexual feminino? (por Ivan Martins e Francine Lima) – Boa matéria da revista Época (2009) sobre o desejo sexual feminino. Trecho da matéria: O desejo feminino parece depender diretamente da urgência demonstrada pelo homem em copular. Como ocorre com muitos elementos da vasta e contraditória psique humana, há consequências perversas na opção sexual das mulheres pelo prazer do outro. Uma delas é a divergência entre o que o corpo diz e o que a mente ouve, capturada no estudo de Meredith. A outra, perturbadora, é a fantasia do estupro. Os especialistas pisam em ovos ao falar sobre isso, mas o fato é que as mulheres têm fantasias recorrentes de serem submetidas pela força. Por trás disso, encontra-se, aparentemente, a ilusão narcisista (e excitante) de ser tão atraente, tão irresistível, que os homens seriam incapazes de conter sua luxúria. “As fantasias de estupro são muito mais recorrentes do que as pessoas imaginam”, diz o terapeuta Finotelli. Isso quer dizer que essas mulheres gostariam de ser estupradas? Não. Não. E, mais uma vez, não. Trata-se de uma fantasia íntima que dispara desejos sexuais. Ela não esconde a vontade oculta de sofrer a violência sórdida de um estupro. “As mulheres querem ser encostadas no muro, mas não colocadas em perigo”, diz Marta Meana. “Elas querem um homem das cavernas atencioso”. Quem seria capaz de cumprir tal papel?
O estupro de mulheres é prazeroso pra quem? (por Lola Aronovich) – Em Quando os Adams Saíram de Férias, romance de Mendal W. Johnson sobre um grupo de jovens de 10 a 17 anos que torturam e matam sua babá de 19, o narrador, embora critique a crueldade infantil, acaba culpando a vítima. Um livro como este pode ser considerado misógino apenas pelo material. É quase um manual de instruções de como se torturar alguém. Aliás, alguém assim, sem gênero, não. Uma mulher. As torturas inflingidas a Barbara são basicamente dedicadas a todas as mulheres.
Estupro leva Índia a exame de consciência em busca de respostas (Por Andrew North, da BBC News em Nova Déli) – O estupro e morte de uma estudante de 23 anos em Nova Déli espalhou uma onda de indignação pela Índia. Mas será que uma visita a uma área da cidade central nessa história oferece alguma pista sobre a direção para a qual se encaminha o país?
Guru diz que indiana que sofreu estupro coletivo foi culpada – Um guru espiritual provocou revolta na Índia por um causa de um comentário bizarro: segundo Asaram Bapu, a estudante de 23 anos que sofreu estupro coletivo em um ônibus e depois morreu em um hospital foi tão culpada pelo crime quanto os seus agressores.
Fetiches sórdidos que as mulheres não têm coragem de pedir – Entre as fantasias sexuais femininas, é muito comum a fantasia de ser pega à força. Há outras fantasias comuns mas muitas mulheres não as assumem perante seus parceiros, com medo de serem incompreendidas e rejeitadas. No site papodehomem.com.br há um texto bastante interessante, escrito por uma mulher.
10 filmes com estupro – Irreversível, Laranja Mecânica, Sob o Domínio do Medo, Pixote, a Lei do Mais Fraco, Saló ou Os 120 Dias de Gomorra, Acusados, Amargo Pesadelo, Preciosa, O Enigma do Mal, Meninos Não Choram, Ensaio Sobre a Cegueira.
O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?
Medo de mulher – Como não temer algo que tem o poder de gerar e nutrir a vida? E, caramba, como não temer um bicho que sangra durante dias e não morre?
Marchando com as vadias – Se ser vadia é ser livre para exercer a própria sexualidade, então todas as mulheres precisam urgentemente assumir sua vadiagem, para o seu próprio bem e o de suas filhas
Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou
A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…
A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…
O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina
Pimbando e discutindo a relação em 50 tons – Um romance pornográfico, fenômeno de vendas, escrito por uma mulher, milhões de mulheres no mundo inteiro lendo e comentando… É, eu teria mesmo que ler
Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.
A Entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação por meio da submissão no sexo anal
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS
.
01– Estupro como fantasia não é estupro de verdade, porque não há perigo real de morte e principalmente, a mulher provavelmente sentirá prazer e não medo. Nas fantasias, nós controlamos o que acontece, e num estupro de verdade o agressor não vai parar se a mulher pedir, só para dar um exemplo superficial. É importante que isso fique claro. A descrição da menina, pelo menos esse trecho destacado acima, deixa isso claro, na minha opinião. O problema é quando a sociedade acha que o estupro é justificável porque no fundo a vítima queria ou provocou a situação. Sheryda Lopes, Fortaleza-CE – jan2013
02- Arrasou, tio prof! Não tenho essa fantasia, mas acho até natural. Deve ser como brincar de polícia e ladrão na infância. Há pouco tempo pesquisei sobre p a conclusão de um livro, é totalmente comum essa fantasia. Pesquisem sobre GOR e encontrarão fantasias mais chocantes. Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – jan2013
03- Estupro é violência. Onde está a tão apregoada violência contra a mulher? Reclamar de uns tapas e desejar ser violentada?! Te estuprem. Meu querido Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos não te interpreto mal. Não interpreto esse desejo feminino. José Alberto Simonetti, Fortaleza-CE – mar2013
04- A maioria da mulheres no Brasil passa por momentos sufocantes. Um deles é ser ou não virgem. E essa situação é tão esmagadora e tirânica que muitas até desejam o estupro para poder se livrar da virgindade sem culpa. Acontece que às vezes o pensamento fica, mas é só uma fantasia. Como a maioria dos homens, que tem a fantasia de dá o furico a outro homem, mas não querem fazer isso realmente, é só fantasia. (ou querem?) Luciana Queiroz, Campina Grande-PB – mar2013
05- ter “fantasias” de um estupro é algo de DANTESCO para uma maioria puritana e suprimida. Particularmente passei anos tendo cá as minhas…kkkkkkkkkkkk e tenho sorte realizei todas. Inclusive a do moreno alto de olhos verdes na rua escura…aiaiaiaia. Ira de Guadalupe,Campina Grande-PB – mar2013
06- NAO PRECISAVA NEM SER NUMA RUA ESCURA, SO UM MORENO DE OLHOS VERDES JA ESTARIA OTIMO PRA MIM. Bruna Barros,Campina Grande-PB – mar2013
07- kkkkkkkkkkkkkkkkkk as ASSUMIDAS da rua escura e do moremo aiaiaia°/ Bruna Barros, vamos ser execradas pelas feministas marronmenuamadas. Ira de Guadalupe, Campina Grande-PB – mar2013
08- ahhh então és a favor do fio terra Ricardo Kelmer Do fim dos Tempos??? Zona erógena masculina… o que você acha de alguém sem você esperar, sem estar no teu jogo de sedução enfiar algo no teu cu, educadamente Anus…??? Aline Souza, Campina Grande-PB – mar2013
09- boa, Ricardo! Julia Caputi, Mirassol-SP – mar2014
11- mto bom viu. Gio Conda, Fortaleza-CE – mar2014
12- esse é o Rica que aprendemos a amar…rs. Magna Mastroianni, São Paulo-SP – mar2014
13- Texto ambíguo. Não consegui definir a sua opinião acerca do tema da moda. Russana Melo,Fortaleza-CE – mar2014
14- É verdade, estupro só “de mentirinha”, uma brincadeirinha a dois, só pra variar, nada a ver com ser obrigada fazer sexo, inclusive com o maridão, será que é tão difícil de entender isso?????? Marialucia da Silveira, Campinas-SP – mar2014
15- Nem sempre uma mulher de roupa curta está querendo ser sexy, assim como um homem sem camisa também não. Esse é outro mito que há muito já devia ter caído por terra. A avassaladora 24h é muito mais uma fantasia ( via de regra masculina) que qualquer outra coisa… Ciça Andrade, Fortaleza-CE – mar2014
16- Porque vc náo fala também do estupro masculino ou da violéncia sexual praticada contra os meninos ???!!! Seria um tema interessante pra se discutir….. Katia Mota, Beberibe-CE – mar2014
17- Também achei a opinião ambígua. Estamos falando a respeito do estupro como sendo uma forma de violência, poder e opressão masculina e não de desejo sexual. Fetiche feminino como brincadeirinhas de casal, mas, e muito mais, atrelamos a cultura machista e a forma consciente de manter sob as mulheres o prazer do poder e da dominação. Vamos “levar a sério” o trato do tema, despir esteriótipos e levar ao ápice do prazer desta “causa” o RESPEITO! Marília Cláudia, Campina Grande-PB – mar2014
18- Estupro entra nos primeiros lugares em todas as listas de fantasias femininas, só fica atrás de fantasias ligadas a exibicionismo! Estudos indicam que mais da metade das mulheres tem fantasias desse tipo. Quem não percebe isso deve estar engatinhando na caliginosa “arte do sexo” ou na misteriosa mente das mulheres. Alexandre Domene Ortiz, Fortaleza-CE – abr2014
19- Ouço opiniões de respaldo ou da cultura do “lepo-lepo”? kkkkkkk… lamentável! Marília Cláudia, Campina Grande-PB – abr2014
20- Marilia Claudia, seria bom termos acessos a essas pesquisas e listas de fantasias em q aparecem essas fantasias q são atribuídas às mulheres… Inclusive eu gostaria de saber se a arte do sexo envolve forçar brutalmente e violentamente pessoas que não querem fazer sexo, pois me parece que é um estupro. Se algumas mulheres têm essa fantasia de “estupro de mentirinha”, sendo forçadas brutalmente e violentamente pelos parceiros, então que se pronunciem… ou especifiquem o que elas estão chamando de “fantasia de estupro”… Miguel Leocádio Araújo,Fortaleza-CE – abr2014
21- Isso mesmo…e a credibilidade de tais pesquisas. Para ser sincera, li uma revista (tipo aquelas de “fofoca”) com uns resultados de “pesquisas” em que seria mesmo uma fantasia feminina. Lendo em detalhes, vê-se que estão falando do sadomasoquismo e do prazer da dominação masculina. Configura-se isto estupro? Marília Cláudia, Campina Grande-PB – abr2014
22- Pois é, eu tb já vi exatamente essa pesquisa, q não dá as fontes. Se é tudo de comum acordo entre os apreciadores do sado-masoquismo e da estilização do sexo violento, como pode ser estupro, se neste último a pessoa a pessoa é forçada a fazer o que ela não quer com querm ela não quer de forma violenta?? Sinceramente, creio que a fantasia se distancia e muito da realidade, nestes casos… Miguel Leocádio Araújo,Fortaleza-CE – abr2014
23- Não nego aqui a intencionalidade de algumas mulheres em gostar/gozar da submissão, entrega, sadomasoquismo e outras taras: vale qualquer coisa para pôr para escanteio os sentimentos que atrapalham o prazer sexual. Mas, enquanto a FANTASIA cria ambientes SEGUROS para deixarmos aflorar a excitação… o ESTUPRO, é perverso, violenta, fere… Marília Cláudia, Campina Grande-PB – abr2014
25- O subjugar a mulher na hora do sexo é muito mais fantasia do homem, do que da mulher. Daniele Bezerra, Fortaleza-CE – mar2014
26- Não confundam fantasias de dominação e sadomasoquismo com fantasias de estupro, que é sexo não consentido. As primeiras são mais comuns entre os homens, ( vc tem toda razão cara Daniele), mas fantasias com estupro é muitíssimo mais comum entre as mulheres. E não se envergonhem por isso moças e senhoras , no mundo da fantasia tudo é permitido. Alexandre Domene Ortiz, Fortaleza-CE – abr2014
27- Miguel Leocádio Araújo, VOCE É MUITO CHATO criatura! Der asas a sua imaginação e deixe de s e reter na palavra estupro rapaz! Ela pode ser enquadrada na categoria de muitas interpretações e não apenas no ato sexual entre a vitima e o criminoso. Coisa chata! Isso é uma crônica e não uma tese de doutorado. Você está sendo violentado pelo seu próprio EGO, com tanta defesa a seu favor e desejando se promover neste tópico e na sua página. Um olhar rápido foi suficiente para perceber. Que homem chato! Conheço pessoas maravilhosas do nordeste brasileiro, mas você é uma das exceções. Chatice em vastidão. O Ricardo na sua educação respondendo os comentários e você o afrontando com esse ar de “VOCÊ DEVERIA”. Quem é você para impor para um escritor o que ele deve ou não fazer? O escritor é livre… Dizia a Lispector que escrever é uma maldição que salva e outros escritores afirmam que é a maldição da entrega completa. O Ricardo escreve o que pensa… O que sente… O que vive… ou NÃO e compete ao leitor entender, aceitar ou não o texto sem que use de afronta. Está evidente que você estava no rastro (inclusive do tempo… rsrsrrsr) dos comentários do Ricardo. Nesta crônica a interpretação vai de acordo com a visão de cada pessoa. A sua está truncada pelos padrões de uma sociedade machista usando a mascara do bom samaritano em defesa do seu próprio ego. Nada ficou ambíguo Ricardo. Você deixou bem CLARO no inicio da sua crônica a diferença entre estupro criminoso e o desenrolar da sua cônica. Ambígua é a mente de quem não sabe entender as entrelinhas do seu texto e não leva a vida leve sem esses paradigmas que o mundo lhes impõe. Parabéns Ricardo Kelmer. Um brinde as fantasias e a palavra estupro sem criminalidade. Tim Tim! Amanda Pontes, Florianópolis-SC – abr2014
28- …a palavra estupro sem criminalidade… hahaha Miguel Leocádio Araújo,Fortaleza-CE – abr2014
29- Olha aí, Ricardo Kelmer, a sua amiga mandou eu me calar, rapaz!!! Que atitude bacana, vinda de uma mulher. Sinaliza que nem todas têm essas tendências à submissão. hahaha Pois então, vou fazer o seguinte, vou obedecê-la e vou me calar, embora eu ache que estava começando a entender um pouco do que quis dizer na sua crônica… Miguel Leocádio Araújo,Fortaleza-CE – abr2014
30- Miguel Leocadio Araujo, prefiro um milhão de vezes a tua suposta “chatice” a essa história de dizer, seja em tese de doutorado ou em ficção, mesmo com base em pesquisas, que mulheres têm a fantasia de serem estupradas. Cadu Bezerra,Fortaleza-CE – abr2014
31- Eu sinceramente não tive dificuldade em entender a proposta da crônica. Vamos a minha experiência, suponhamos que eu esteja sem o desejo sexual para com meu parceiro naquele momento. E ele vem até mim de forma brusca dizendo que me quer agora e que naquele momento eu não tenho escolha, já começo a desenvolver uma excitação discreta. Que tende a crescer quando eu permito em minha mente, a medida que mantenho o jogo dizendo que não quero (kkkkk) simulando a situação de vítima. Durante o ”jogo” existe situações que machucam, que deixam hematomas…esses detalhes deixam a brincadeira parecendo um estupro e isso me proporciona prazer. Para esse prazer acontecer os limites de dor tem que existir, bem como a comunicação minha com o parceiro. É nesse aspecto que o estupro deixa de ser violência e passa a ser fantasia. Vê bem, isso não quer dizer que se um maníaco fizer o mesmo eu vá me excitar. É preciso da atração sexual pela pessoa antes da vontade propriamente dita de fazer sexo. Maria Rosa Dorand, Campina Grande-PB – abr2014
32- Miguel Leocádio Araújo eu acredito que não são todas as mulheres que sentem prazer numa fantasia desse tipo. Ao comentar com amigas pude ver que a mesma situação causava frigidez a elas, mas essa fantasia existe e não diz respeito a andar na rua e ser pega, mas de descontrolar aquele que busco conquistar diariamente. Maria Rosa Dorand, Campina Grande-PB – abr2014
Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior
O TREM NÃO ESPERA QUEM VIAJA DEMAIS
. A maconha proporciona algo incrível: basta uma tragadinha para enxergar, bem à frente, a trilha da liberdade. É como se, de repente, uma trilha nítida surgisse no meio da mata espessa da vida e, ao caminhar por ela, nos libertássemos das limitações das regras sociais, abandonando a percepção padronizada da realidade e observando a vida sob um novo ângulo, bem mais interessante.
É exatamente assim, seduzidos pelo raro vislumbre dessa dimensão interior, que muitos se iniciam no uso da maconha. Porém, passado o efeito, a trilha da liberdade se dissipa feito névoa, ela que era tão nítida, tão próxima. A vida volta ao que era antes, uma mata espessa e difícil de ser vencida. Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior. Percebem que para trilharem, de fato, o caminho da liberdade, terão de livrar-se de tudo que atrapalha essa jornada interna. Terão de detectar pontos fracos e autoenganos. Terão de se comprometer com a transformação interior, autoconhecendo-se, reformulando ideias e atitudes sempre que necessário.
Fascinados com o vislumbre dessa dimensão interior que a planta lhes proporciona, muitos se frustram ao perceber que não é fácil ser livre no mundo externo do dia a dia, cheio de todo tipo de dificuldades. Muitos se cansam de procurar por si só a trilha da liberdade e então retornam à planta. Mas esquecem que ela apenas lhes faz lembrar que podem ser livres. Ela apenas mostra a trilha: cada um é que deve percorrê-la e conquistar, por si mesmo, sua própria liberdade, assumindo a responsabilidade por sua vida no dia a dia.
Sim, claro que não há nada demais em parar um pouco, fumar um baseado, relaxar, divertir-se e curtir a paisagem ao redor. A maconha também tem seu lado lúdico e ninguém é de ferro, né? O problema é o viajante relaxar demais e perder o trem, esquecer que tem de prosseguir, que há novos desafios à frente. Ele desperdiça a preciosa lição que recebeu e termina usando a maconha para fugir da realidade cotidiana, escondendo-se de seus próprios problemas e, dessa forma, criando mais um: a dependência da planta. O que era para libertar acaba virando muleta.
A maconha é isso: uma planta sagrada que pode nos reconectar à trilha interior da liberdade. Mas é bom saber que desrespeitar sua sabedoria natural leva o viajante a se acomodar na paisagem. E nada para atrasar mais uma viagem que perder o trem.
Xamanismo de vida fácil – A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos
Rio Droga de Janeiro – Série de três artigos sobre a questão da proibição das drogas
Minha noite com a Jurema – Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas
A Jurema e as portas da percepção (VIP) – Relato detalhado da experiência narrada em Minha Noite com a Jurema. Exclusivo para Leitor Vip. Basta digitar a senha do ano da postagem
A vida na encruzilhada (filme: O Elo Perdido) – Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos
Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… O autor reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado. .
DICA DE FILME
Carlos Castaneda – Especial da BBC sobre o polêmico antropólogo que estudou o xamanismo no México, escreveu vários livros e tornou-se um fenômeno do movimento Nova Era
O Elo Perdido (Missing Link, 1988) Homem-macaco tem sua família dizimada por espécie mais evoluída e vaga sozinho pelo planeta, conhecendo e encantando-se com a Natureza. Ao comer de uma planta, tem estranha experiência que o faz compreender o que aconteceu. Roteiro e direção: Carol Hughes e David Hughes. Com Peter Elliott
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
Ela celebra a vida em rituais… Bendiz os ciclos naturais… Ela sabe, o ser não cabe na definição
ALMA SELVAGEM
. Ela tem a alma selvagem E o vento sopra liberdade Na mecha do cabelo Brinca de beijo, pede afago Mas cuidado Ela gosta de arranhar
Ela segue seu destino No fluxo feminino Deita com a lua nova E o seu corpo se renova À noite chora por amor Sonhos que ainda não realizou
Ela celebra a vida em rituais Bendiz os ciclos naturais Ela sabe, o ser não cabe na definição Abraça o mundo com carinho Mas só vai pelo caminho Onde tem um coração
Alma selvagem, liberdade de ser Alma selvagem, coragem de viver
A mulher selvagem– Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres
A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é
Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse
Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?
As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar
Medo de mulher– A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará
Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há
Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.
Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.
Mulheres que correm com os lobos– Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)
A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)
Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
Lembremos, porém, que os caminhos cruzam outros, e é justamente nesses cruzamentos que brilha mais forte a verdade do todo
CAMINHOS
. Nenhuma religião ou filosofia é a melhor. Porque não é o caminho que verdadeiramente importa ‒ é o caminhante. Todos os caminhos que há são apenas a infinita e complexa realidade brincando de se explicar para nós, e não fosse esse espírito lúdico, nós pobres humanos não teríamos como de fato acessá-la. Evidentemente, é impossível percorrer todos os caminhos, mas podemos escolher alguns e caminhar por eles com alegria. Há, porém, bem à entrada de cada um, um aviso aos navegantes que, embora de séria importância, a maioria não lê, empolgada com as maravilhas da via recém-escolhida. O aviso diz: Para o caminho não criar lodo, não perca a noção do todo.
Caminhos são sedutores porque cremos que neles está a verdade e ela nos libertará. Sim, a verdade liberta ‒ mas não cabe no caminho. O caminho é que faz parte da verdade. Quando perde isso de vista, o caminhante se entorpece, fica cego e crê que somente seu caminho é verdadeiro e os demais são ilusão. Especializa-se cada vez mais em suas paisagens e esquece que cria lodo a água que não corre. Paisagens são bonitas, sim, descansam a vista… mas se paramos muito tempo para admirar, tornamo-nos parte da paisagem, e assim o caminho perde seu maior sentido, o movimento.
Então experimentemos os caminhos, com entusiasmo, extraindo deles o máximo que pudermos. Escolhamos aqueles que ecoam alma adentro e nos fazem tremer, aqueles que fazem a vontade de viver correr pelas veias. Temos uma vida inteira para experimentá-los. Lembremos, porém, que os caminhos cruzam outros, e é justamente nesses cruzamentos que brilha mais forte a verdade do todo.
Por isso, quando você encontrar alguém que descobriu o único de todos os caminhos que leva à verdade, sorria e seja compreensivo. Esse alguém trilha seu caminho intensamente, com entusiasmo tanto que não consegue erguer-se um pouco acima dele e perceber o belo desenho que fazem os caminhos entrelaçados. A verdade liberta, sim, mas liberta ainda mais se conseguirmos enxergá-la onde ela sempre esteve: em tudo.
Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, o autor nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.
Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?
Carma de mãe para filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas
I Ching das patricinhas – Se alguém procura revelações com pressa e sem seriedade, jamais terá as revelações
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
.
Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.
Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso.
Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.
AS PRECIOSAS DO KELMER Dicas e pitacos para o mês
#5, fev2013
Imagem da capa: Manifestação a favor de Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que desafia o Taliban lutando pelo direito das mulheres à educação
.
>>> CONGRESSO MAL ASSOMBRADO
A LUTA CONTINUA
A maioria dos senadores ignorou as denúncias que pesam sobre Renan Calheiros e o elegeram para a presidência do Senado. Porém, se for condenado pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documento falso – pelos quais responde na Justiça – ele pode pegar até 23 anos de prisão.
Paralelamente a isso, a população mostra sua insatisafação. Algumas manifestações aconteceram em frente ao Congresso e a petição pública contra ele já reúne 400 mil assinaturas, um número bastante expressivo. Se os senadores não estão nem aí para a ética e a honestidade, a população demonstra estar cada vez mais ciente de seu papel no jogo democrático.
Você ainda não assinou a petição? Assine agora e junte-se aos que lutam por um Brasil menos corrupto. É o seu dinheiro que está em jogo.
– Compra de rádios por meio de “laranjas”
– Tráfico de influência junto à empresa Schincariol na compra de uma fábrica de refrigerantes
– Espionagem de parlamentares da oposição
– Desvio de verbas públicas em ministérios do PMDB
– Notas frias em nome de empresas fantasmas para comprovar rendimentos
Estas são algumas das nobres credenciais de Renan Calheiros para ocupar a presidência do Senado.
Nem no Carnaval a indignação popular dá descanso a Renan Calheiros. A nova petição pública que pede seu afastamento da presidência do Senado já conta com mais de 1.200.000, sim, um milhão e duzentos mil assinaturas. E você? Que tal se afastar do bloco da folia por um minuto e juntar-se ao bloco dos indignados que exigem um ficha-limpa na presidência do Senado? > Assine a petição
“Lolita” é uma das obras mais polêmicas da literatura contemporânea universal. Muito arrojado para a moral vigente na época, o romance de Vladimir Nabokov (1899-1977) foi inicialmente recusado por várias editoras. Ao ser finalmente lançado, em 1955, por uma editora parisiense, gerou opiniões antagônicas: houve quem definisse o livro como um dos melhores do ano; houve quem o considerasse pornografia pura. Nos Estados Unidos, onde só viria a ser publicado em 1958, rapidamente conquistou o topo das listas de mais vendidos.
Visto hoje, filtrado pelos anos e por uma verdadeira biblioteca de comentários e críticas, Lolita parece sobretudo uma apaixonada história de amor, escrita com elegante desespero. O protagonista é o obsessivo Humbert, professor de meia-idade. Da cadeia, à espera de um julgamento por homicídio, ele narra, num misto de confissão e memória, a irreprimível e desastrosa atração por Lolita, filha de 12 anos de sua senhoria.
Escrito num estilo inimitável – mas não intraduzível, como bem se verá -, “Lolita” é uma obra-prima da literatura do século 20. Aqui se cruzam alguns dos temas clássicos da arte de todos os tempos (a paixão, a juventude, o amadurecimento) com questões mais típicas da nossa modernidade, como as ambivalências eróticas e o exílio – que é uma questão tanto de geografia quanto da linguagem e do coração.
Vladimir Vladimirovich Nabokov (em russo: Влади́мир Влади́мирович Набо́ков; São Petersburgo, 22 de abril de 1899 — Montreux, Suíça, 2 de julho de 1977) foi um escritor russo-americano. Nabokov escreveu seus primeiros nove romances em russo e então chegou à fama internacional como um mestre estilista de prosa em inglês. Também fez contribuições para a entomologia e tinha interesse em problemas de xadrez.
Lolita (1955) é frequentemente citado entre seus romances mais importantes e é o mais conhecido, apresentando o amor por intrincado jogo de palavras e o detalhe descritivo que caracteriza todas as suas obras. O romance foi classificado na quarta posição na lista dos 100 melhores romances da Modern Library. Sua autobiografia intitulada Speak, Memory foi listado na oitava posição na lista dos livros de não-ficção da Library Modern.
Nascido numa família da antiga aristocracia, em 1919, a instabilidade produzida pela revolução bolchevique (1917) obrigou-o a abandonar a União Soviética. Estudou em Cambridge e licenciou-se em literatura russa e francesa. Mudou-se para Berlim, onde iniciou sua produção literária e intenso trabalho como tradutor.
Em 1926, foi publicado seu primeiro romance, Maria, acolhido com interesse e consideração. Fugindo dos exércitos nazistas e após uma estada em Paris, chegou em 1940 aos Estados Unidos, onde se dedicou ao ensino de língua e literatura russa em várias universidades. Embora continuasse a escrever na sua língua materna, começou também a escrever em inglês, publicando o seu primeiro romance nesta língua em 1941 (The Real Life of Sebastian Knight). Publicou, em 1955, o polêmico romance Lolita em inglês.
A partir de 1958, o sucesso alcançado por seus livros permitiu-lhe dedicar-se inteiramente aos seus principais interesses, a literatura e a entomologia.
A cena sempre me extasia, sua língua faceira saltando três vezes… Olho em silêncio enquanto ela lambe o papel, fecha o baseado e acende, segurando na ponta de seus dedinhos finos. Ela puxa a fumaça devagar, os olhinhos fechados, tão linda… E eu amo sua boca enquanto ela solta a fumaça. A boca. Que ela sempre esquece entreaberta, na medida exata, meio dedo, ela faz de propósito, sabe que não resisto. O que essas colegiais andam aprendendo no intervalo do recreio?
>>> TV BANDEIRANTES É CONDENADA POR OFENSAS A ATEUS
O juiz federal Paulo Cezar Neves Júnior, da 5.ª Vara Cível, condenou a TV Bandeirantes a exibir em rede nacional esclarecimentos à população sobre e a liberdade de consciência e de crença, assegurada pela Constituição. O quadro com os esclarecimentos deve ir ao ar no programa Brasil Urgente, apresentado por José Luiz Datena, e ter duração de 50 minutos. > Leia mais
.
2o ENCONTRO NACIONAL DOS ATEUS
Apenas uma coisa dois ateus têm necessariamente em comum: o fato de não crerem na existência real de divindades. No mais, ateus podem divergir completamente. Esse algo em comum, porém, já é o suficiente para que ateus procurem se unir de alguma forma pois somente um mínimo de ativismo político é que pode defendê-los dos preconceitos e perseguições do qual são vítimas em nossa sociedade, que é majoritariamente religiosa e, em boa parte, religiosamente fanática e intolerante para com as diferenças.
O Encontro Nacional dos Ateus, em sua 2a edição, acontecerá em várias cidades do país, simultaneamente, no domingo 17fev.
ERIC CLAPTON – A AUTOBIOGRAFIA (Eric Clapton) Editora Planeta do Brasil
Eric Clapton é muito mais que um rock star; apresentou-se ao redor do mundo em shows disputadíssimos e é um artista fundamental no desenvolvimento musical de toda uma era. Sua maneira de tocar o fez ser chamado de Deus. Composições como Layla, Sunshine of Your Love, Wonderful Tonight e Tears in Heaven são inesquecíveis para várias gerações de fãs de música. E agora, pela primeira vez, Clapton conta a história de sua viagem profissional e pessoal nesta pungente, inteligente e dolorosamente honesta autobiografia. Aqui, o músico conta a história como ela é, sem esconder nada. Sua objetividade e honestidade fazem deste livro uma das memórias mais arrebatadoras de nosso tempo.
Eric Patrick Clapton (Ripley, 30.03.1945) é um guitarrista, cantor e compositor britânico. Apelidado de Slowhand, foi considerado o segundo melhor guitarrista da história pela revista norte-americana Rolling Stone. Embora seu estilo musical tenha variado ao longo de sua carreira, Clapton sempre teve suas raízes ligadas ao blues. Clapton foi considerado inovador pelos críticos em várias fases distintas de sua carreira, atingindo sucesso tanto de crítica quanto de público e tendo várias canções listadas entre as mais populares de todos os tempos, tais como “Layla”, “Wonderful Tonight” e a regravação de “I Shot the Sheriff”, de Bob Marley. Em 2004 foi condecorado com o título de Comandante da Ordem do Império Britânico
Para criar uma igreja no Brasil você precisa de menos de R$ 500 e em uma semana sua igreja estará regularizada, com CNPJ e conta bancária para realizar aplicações financeiras livres de imposto de renda. Assim, você poderá depositar na conta da igreja o dinheiro oriundo de quisquer outras atividades, legais ou ilegais. E tudo dentro da lei.
É por isso que as igrejas são cada vez mais usadas por bandidos e contraventores, que as fazem de fachadas para seus negócios. E tudo em nome dos deuses.
Para mostrar o absurdo dessa falha em nossa constituição, uma equipe de repórteres da Folha de São Paulo criou a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio. Veja como eles fizeram.
.
PELA TRANSPARÊNCIA TRIBUTÁRIA RELIGIOSA
A sociedade organizada começa a se movimentar contra o absurdo privilégio das religiões, que são isentas do pagamento de impostos e, assim, são cada vez mais usadas para a lavagem de dinheiro e para enriquecer seus líderes desonestos.
Esta petição pública, a ser enviada ao Congresso Nacional, foi criada pela ABRAVIPRE – Associação Brasileira de Vítimas de Preconceito Religioso, e está muito bem fundamentada em sua crítica à própria Constituição, que concede privilégios demais às igrejas. É preciso, pois, alterar a Constituição.
>>> JULIAN ASSANGE: É BOM QUE OS GOVERNOS TENHAM MEDO DAS PESSOAS
A Internet está se transformando no maior instrumento de vigilância já criado e a liberdade que ela representa estaria seriamente ameaçada. A avaliação é de Julian Assange, criador do Wikileaks e que, há sete meses, vive na embaixada do Equador em Londres. Para ele, a web redefiniu as relações de poder no mundo, se transformou no “sistema nervoso central hoje das sociedades” e chega a ser mais determinante que armas. O problema, segundo ele, é que esse poder está agora se virando contra as populações. > Leia a entrevista feita pelo jornal O Estado de São Paulo, fev2013
.
>>> MULHER É ACUSADA DE TENTAR MATAR O MARIDO COM VENENO NA VAGINA > Leia a notícia
.
A VAGINA VENENOSA (Ricardo Kelmer)
O medo de cavernas é um sentimento arquetípico, que nos acompanha desde os primórdios de nossa história como espécie. Penetrar no desconhecido, arriscar-se nas escuridões, descer nas profundezas do que não sabemos, isso dá medo mesmo – mas também tem algo de fascinante e irresistível. A vagina da mulher também é uma caverna. O que há lá dentro? Que perigos nos aguardam em suas escuridões? E se não conseguirmos nunca mais sair? E se ela, crau, nos morder ou, pior, nos decapitar? A vagina decapitadora. A vagilhotina.
Lembrei agora da vagina com dentes (vagina dentata), uma clássica imagem arquetípica que povoa o imaginário dos homens de todas as épocas. Eu mesmo já sonhei com um bicho desses a morder meu pingolim, o pobre do Jeitoso todo ensanguentado, coitado, acordei apavorado, que horror.
E agora essa vagina com veneno. Putz. Daqui a pouco teremos que entrar vestidos e protegidos como aqueles soldados do esquadrão antibombas. E em duplas. Vai você na frente. Não, vai você que é mais novo. Par ou ímpar? Melhor chamar mais um pra garantir.
.
>>> BLUES BRASILEIRO NO FESTIVAL CROSSROADS
Artur Menezes é um dos maiores nomes do blues brasileiro da atualidade. Compondo, cantando e tocando sua guitarra, ele leva o blues pelo Brasil em seus shows, cativando o público com sua técnica aliada à emoção, sua mistura de ritmos (inclusive o baião) e seu jeito especial de inteagir com a plateia. Já vi alguns shows dele e verei mais quantos puder – é muito bom!
Ele é um dos brasileiros cotados para participar do Crossroads, o maior festival de blues do mundo, criado por Eric Clapton, e que este ano acontecerá em Nova York, no Madison Square Garden. Os mais votados pelo público, em todo o mundo, serão avaliados pela organização e convidados a participar do festival.
Você quer Artur Menezes no Crossroads. Vote nele:
– Acesse o link do festival: playcrossroads.com/u/Menezes
– Clique no botão “add your support”, que fica abaixo da lista de votantes
– Digite nome e email, e clique em “support”
.
>>> LIVRANDO A SEMANA (51)
MEMÓRIAS DE ADRIANO (Marguerite Yourcenar) Nova Fronteira
Pouco antes de morrer, o imperador Adriano, Pontifex Maximus dos territórios romanos entre 117-138 d.C., decide escrever uma longa carta-testamento ao jovem Marco Aurélio, o futuro imperador-filósofo. Nela Adriano passa em revista os principais episódios de sua extraordinária existência: a relação de afeto com a mulher de Trajano, Plotina; as campanhas militares em diversas regiões da Europa; as viagens à Ásia Menor; a paixão pela caça; as discussões filosóficas com os principais pensadores do seu tempo; as relações com Trajano, seu antecessor; e o casamento com Sabina. No entanto, não são as façanhas públicas e heróicas que constituem o centro vital do relato do velho imperador, mas seu amor pelo belo jovem grego Antínoo, que se matara no auge do esplendor físico. A partir dessa perda, Adriano se interroga sobre o destino, a precariedade da vida e a inevitabilidade da morte, que não poupa senhores nem escravos. “Esforcemo-nos por entrar na morte com os olhos abertos”, escreve o imperador em seus últimos dias, seguindo os preceitos da filosofia estóica que sempre o nortearam.
Lançado em 1951, este romance de Marguerite Yourcenar consumiu quase 30 anos de pesquisas e logo se tornou um clássico da literatura moderna. Poucas vezes uma experiência histórica específica – a biografia de um homem ilustre e o prenúncio da decadência de Roma – foi transformada pela ficção de modo tão vivo quanto nestas “Memórias de Adriano”. (vestibular.uol.com.br)
O Parque Ecológico do Rio Cocó é uma área de conservação, de 1.155 hectares, situado na cidade de Fortaleza-CE. Tem esse nome devido ao rio que forma o bioma de mangue, o rio Cocó, que nasce na serra de Pacatuba, munícipio vizinho, corta vários bairros da capital e deságua no mar, no bairro da Praia do Futuro.
É uma região de rara beleza, um oásis natural encravado na área urbana de Fortaleza – mas que está perdendo a guerra contra a ganância imobiliária, que tem poder suficiente para desafiar as leis, subornar quem for preciso e construir prédios residenciais, empreendimentos comerciais e até mesmo shopping centers dentro da área do Parque.
Nos anos 1970-80 vivi minha infância e adolescência nessa área. É lá que meus pais ainda moram, apesar do assédio crescente das construtoras, ávidas por comprar os últimos terrenos resistentes. Elas estão em seu direito, sim, mas é necessário preservar o que resta de Natureza naquela área. Para isso, é necessário que a opinião pública se manifeste a fim de que o poder público se sensibilize e resista às ofertas suntuosas e aos subornos, que são as principais armas da ganância imobiliária. (RK)
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer.(saiba mais)
. .
Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.
Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso.
Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.
AS PRECIOSAS DO KELMER Dicas e pitacos para o mês
#4, jan2013
.
Imagem da capa: Milo Manara
.
*** ESTUPRA MAS NÃO MATA
ESTUPRO LEVA ÍNDIA A EXAME DE CONSCIÊNCIA EM BUSCA DE RESPOSTAS (Por Andrew North, da BBC News em Nova Déli)
O estupro e morte de uma estudante de 23 anos em Nova Déli espalhou uma onda de indignação pela Índia. Mas será que uma visita a uma área da cidade central nessa história oferece alguma pista sobre a direção para a qual se encaminha o país? > Leia mais
GURU DIZ QUE INDIANA QUE SOFREU ESTUPRO COLETIVO FOI “CULPADA”
Um guru espiritual provocou revolta na Índia por um causa de um comentário bizarro: segundo Asaram Bapu, a estudante de 23 anos que sofreu estupro coletivo em um ônibus e depois morreu em um hospital foi tão culpada pelo crime quanto os seus agressores. > Leia mais
CASAMENTO DE SAUDITA DE 90 ANOS COM MENINA DE 15 GERA REVOLTA NO PAÍS
Ele pagou U$ 17 mil pelo dote mas na noite de núpcias a menina trancou-se no quarto e depois fugiu. > Leia mais
ME ESTUPRA, MEU AMOR
Ricardo Kelmer
Algumas mulheres têm a fantasia de ser estuprada. Eu, particularmente, conheço várias. Isso é muito interessante e curioso. Numa época em que a cultura machista está em xeque e as mulheres a cada dia avançam mais na conquista dos direitos que o patriarcado sempre lhes negou, falar desse tipo de fantasia é tocar num nervo exposto e arriscar ser mal interpretado. Mas vamos lá.
Um dos perigos que ronda o tema é o fato de que algumas pessoas não conseguem distinguir fantasia de realidade. Fantasiar ser estuprada é uma coisa – querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente. Usar o argumento “as mulheres fantasiam ser estupradas” para justificar estupros é típico de quem não distingue a fantasia da realidade.
Para a mulher, talvez por trás da fantasia de ser estuprada esteja a ideia de ser tão irresistível a ponto do homem não conseguir se controlar e, assim sendo, ser dominada e forçada ao sexo seria a comprovação de seus poderes de sedução. Talvez. Porém, há mulheres que gostam muito de brincar de serem desejadas sexualmente e agem e se vestem com essa deliberada intenção. Até aí tudo bem pois atiçar o tesão alheio, ainda que seja só de brincadeirinha, não é crime. Porém… isso não seria uma brincadeirinha um tanto sádica?
As mulheres, pelo menos em nossa cultura, gostam de brincar de provocar sexualmente, sabemos disso. Desde cedo elas parecem ter boa noção do poder sexual que possuem. Seria um fator cultural ou algo inerente à psique feminina? Talvez um pouco das duas coisas. Se elas sabem do poder sexual que têm, seria justo culpá-las, ainda que em grau menor, por provocar deliberadamente o desejo dos homens? E como poderíamos definir exatamente o que é provocação?
Acho que nem a mulher nem ninguém deve ser culpado por provocar, ainda que deliberadamente, o desejo sexual alheio pois todos devem ser livres para expressar sua sexualidade livremente. Se o homem concorda que a mulher é livre para brincar com seu poder sexual, deve aprender a relaxar com as brincadeiras delas. Se discorda, é um sério candidato a ter problemas com as mulheres e até com a polícia.
Não neguemos à mulher o prazer de sentir-se desejada, e deixemos que continuem com suas brincadeirinhas sádicas de nos provocar – elas são lindas também por isso. E quando elas quiserem, participemos de bom grado de suas fantasias, por estranhas que sejam. O prazer da mulher sempre faz as manhãs mais bonitas.
O ESTUPRO DE MULHERES É PRAZEROSO PRA QUEM?
Lola Aronovich
Em Quando os Adams Saíram de Férias, romance de Mendal W. Johnson sobre um grupo de jovens de 10 a 17 anos que torturam e matam sua babá de 19, o narrador, embora critique a crueldade infantil, acaba culpando a vítima. Um livro como este pode ser considerado misógino apenas pelo material. É quase um manual de instruções de como se torturar alguém. Aliás, alguém assim, sem gênero, não. Uma mulher. As torturas inflingidas a Barbara são basicamente dedicadas a todas as mulheres. > Leia mais
PROCURA-SE HOMEM DAS CAVERNAS ATENCIOSO
Numa edição de 2009 a revista Época publicou matéria sobre o desejo sexual feminino. É comum que essas matérias mantenham-se apenas na superficialidade do tema mas esta traz informações bastante interessantes para quem se interessa pela sexualidade, em especial a da mulher. Recomendooo! (RK)
Trecho da matéria:
O desejo feminino parece depender diretamente da urgência demonstrada pelo homem em copular. Como ocorre com muitos elementos da vasta e contraditória psique humana, há consequências perversas na opção sexual das mulheres pelo prazer do outro. Uma delas é a divergência entre o que o corpo diz e o que a mente ouve, capturada no estudo de Meredith. A outra, perturbadora, é a fantasia do estupro. Os especialistas pisam em ovos ao falar sobre isso, mas o fato é que as mulheres têm fantasias recorrentes de serem submetidas pela força. Por trás disso, encontra-se, aparentemente, a ilusão narcisista (e excitante) de ser tão atraente, tão irresistível, que os homens seriam incapazes de conter sua luxúria. “As fantasias de estupro são muito mais recorrentes do que as pessoas imaginam”, diz o terapeuta Finotelli. Isso quer dizer que essas mulheres gostariam de ser estupradas? Não. Não. E, mais uma vez, não. Trata-se de uma fantasia íntima que dispara desejos sexuais. Ela não esconde a vontade oculta de sofrer a violência sórdida de um estupro. “As mulheres querem ser encostadas no muro, mas não colocadas em perigo”, diz Marta Meana. “Elas querem um homem das cavernas atencioso”. Quem seria capaz de cumprir tal papel? > Leia mais
FETICHES SÓRDIDOS QUE AS MULHERES NÃO TÊM CORAGEM DE PEDIR
Entre as fantasias sexuais femininas, é muito comum a fantasia de ser pega à força. Há outras fantasias comuns mas muitas mulheres não as assumem perante seus parceiros, com medo de serem incompreendidas e rejeitadas. No site papodehomem.com.br há um texto, escrito por uma mulher, bastante interessante. Destaquei este trecho (RK):
“Não foi surpresa nenhuma a enxurrada de “estupro consentido!” que recebi como resposta. Pois é, meus amigos… O fetiche que encabeça essa lista é justamente o mais “errado” moralmente. Estupro é crime. Fato. Você nunca deve comer uma menina que apagou de tão bêbada (aliás, isso nem graça tem). Você não deve desrespeitar uma mulher que não queira transar com você, por qualquer motivo que seja.
“Tudo posto em seu lugar, uma das melhores coisas do mundo é ser comida com força. Com urros bestiais que ecoam pelo quarto, gemidos que viram gritos de prazer, puxões no cabelo, uma foda animalesca que faz todos os seus instintos mais viscerais se espalharem do útero para o resto do corpo.” > Leia mais
FALSA DENÚNCIA DE ESTUPRO TAMBÉM É CRIME
Estupro é uma violência inadimissível. Porém, falsas denúncias de estupro também são um crime de violência inadimissível. E elas acontecem. A mulher quer se vingar do amante, a mãe quer impedir as visitas do pai e inventa que ele abusou da filha, a garota tem medo dos pais descobrirem que ela não é mais virgem e inventa que foi estuprada… Em alguns casos o acusado consegue provar sua inocência mas há casos mais complicados. Se um casal faz um sexo muito selvagem, daqueles que deixa marcas no corpo, e no outro dia, por algum motivo, ela o denuncia como estuprador, as marcas no corpo servirão para comprovar sua denúncia e dificilmente o homem conseguirá provar inocência.
O fato de existirem as falsas denúncias não justifica a violência dos homens nem livra a culpa dos verdadeiros estupradores, claro, mas esse tipo de atitude acaba sendo prejudicial para as próprias mulheres na luta contra a cultura machista.
GAROTA É PRESA APÓS FAZER DENÚNCIA FALSA DE ESTUPRO CONTRA AMANTE. > Leia aqui
MULHER FAZ DENÚNCIA FALSA DE ESTUPRO A ACABA CONDENADA A DOIS ANOS DE PRISÃO EM SC > Leia aqui
MULHER É CONDENADA APÓS FALSA ACUSAÇÃO DE ESTUPRO > Leia aqui
COM MEDO DA MÃE, JOVEM TENTA REGISTRAR FALSA DENÚNCIA DE ESTUPRO > Leia aqui
.
*** LIVRANDO A SEMANA (45)
SIDARTA (Herman Hesse) Editora Record
As histórias de Sidarta e de Buda se confundem. Nascido na Índia, no século 6º a.C., filho da aristocracia religiosa dos brâmanes, Sidarta passa a infância e a juventude isolado das misérias do mundo, gozando a existência calma e contemplativa que sua condição de casta lhe permitia. A certa altura, porém, abdica da vida luxuosa, protegida, e parte em peregrinação pelo país, onde a pobreza e o sofrimento eram regra.
Em sua longa parábola existencial, Sidarta experimenta de tudo, usufruindo tanto as maravilhas do sexo e da carne quanto a ascese e o jejum absolutos. Entre os intensos prazeres e as privações extremas, termina por descobrir “o caminho do meio”, libertando-se dos apelos dos sentidos e encontrando a senda da iluminação interior.
Este romance do alemão Hermann Hesse tornou-se livro de cabeceira de várias gerações, principalmente durante os anos 1960 e 1970, quando os beatniks e mais tarde os hippies o elegeram como libelo contra o American way of life, que ia tomando conta do Ocidente. A própria busca de Hesse pelas filosofias orientais já expressava essa recusa por uma cultura recém-saída do massacre da Primeira Guerra Mundial – e prestes a enfrentar outra carnificina ainda pior. (Sinopse: vestibular.uol.com.br)
Hermann Hesse (Calw, 2 de julho de 1877 – Montagnola, 9 de agosto de 1962) foi um escritor alemão, que em 1923 naturalizou-se suíço. Nascido no seio de uma família muito religiosa, filho de pais missionários protestantes (pietistas, como é típico da Suábia) que tinham pregado o cristianismo na Índia. Estudou no seminário de Maulbronn, mas não seguiu a carreira de pastor como era da vontade de seus pais. Tendo recusado a religião, ainda adolescente, rompeu com a família e emigrou para a Suíça em 1912, trabalhando como livreiro e operário. Acumula então sólida cultura autodidata e resolve dedicar-se à literatura. Travou contato com a espiritualidade oriental a partir de uma viagem à Índia em 1911 e com a psicanálise por meio de um discípulo de Carl Gustav Jung, em decorrência de uma crise emocional causada pela eclosão da Primeira Guerra Mundial. Estas duas influências seriam decisivas no posterior desenvolvimento da obra de Hesse.
Procurou construir sua própria filosofia, a partir de sua revolta pessoal (Peter Camenzind, 1904) e de sua interpretação pessoal das correntes filosóficas do Oriente (Sidarta), e em especial em O Lobo da Estepe (1927), que é também uma crítica contra o militarismo e o revanchismo vigente na sua terra natal depois da Primeira Guerra Mundial. Esta postura corajosa o fez bastante popular na Alemanha do pós-guerra, depois da desnazificação. Em 1946 recebeu o Prêmio Goethe e, passados alguns meses, o Nobel de Literatura.
ENTERREM MEU CORAÇÃO NA CURVA DE UM RIO (Dee Brown) L&PM
Este livro é o eloqüente e meticuloso relato da destruição sistemática dos índios da América do Norte. Lançando mão de várias fontes, como registros oficiais, autobiografias, depoimentos e descrições de primeira-mão, Dee Brown faz grandes chefes e guerreiros das tribos Dakota, Ute, Sioux, Cheyenne e outras contar com suas próprias palavras sobre as batalhas contra os brancos, os massacres e rompimentos de acordos, etc. Enfim, todo o processo que, na segunda metade do século XIX, terminou por desmoralizá-los, derrotá-los e praticamente extingui-los.
Publicado originalmente nos Estados Unidos em 1970, sob o título de “Bury my heart at Wounded Knee”, o livro de Dee Brown um dos maiores especialistas em história norte-americana da atualidade tornou-se rapidamente um divisor de águas da maneira de se pensar a conquista do Velho Oeste. Propondo uma visão totalmente diferente dos heróicos e falaciosos filmes de faroeste, este livro encontrou eco na consciência norte-americana de então, incomodada pela guerra do Vietnã e pelas disputas raciais. De lá para cá, foi traduzido para dezessete línguas e vendeu quatro milhões de cópias, tornando-se o livro número 1 sobre a conquista do Velho Oeste e a história do extermínio dos pele-vermelha. Uma obra que merece ser relida sob as conjunturas atuais, por lembrar sobre o alto custo e os baixos escrúpulos envolvidos nos chamados processos civilizatórios que forjaram o dito mundo desenvolvido de hoje.
Conheça a vida e as circunstâncias da trágica morte da cantora, que completaria 70 anos neste sábado, 19
Já eram 18h e Janis Joplin ainda não havia aparecido no Sunset Sound Studios. Paul Rothschild, o produtor da cantora, teve uma sensação estranha e mandou John Cooke, um dos roadies da Full Tilt Boogie Band, até o Landmark Motor Hotel para ver por que ela não estava atendendo ao telefone. “Eu nunca tinha me preocupado com ela antes, apesar de seus atrasos. Normalmente era porque parava para comprar uma calça ou fazer alguma outra coisa de mulher”, disse Rothschild. Mas o dia 4 de outubro era um domingo e havia poucos lugares abertos, mesmo em Hollywood. O Landmark é uma construção grande de estuque na Franklin Avenue. Fica perto dos estúdios de gravação no Sunset Boulevard e é próximo aos escritórios das gravadoras e das editoras de música. Um ambiente bem tolerante a algazarras. Era o tipo de lugar de que Janis gostava. > Leia mais
JANIS NO FESTIVAL EXPRESS
Em 1970, pouco antes de morrer, Janis participou do Festival Express, uma turnê de vários artistas que cruzou o Canadá e que depois virou filme (Festival Express). É maravilhoso ver Janis no auge de sua forma, bebendo uns uísques, fumando uns baseados e se divertindo horrores. Este vídeo é um trecho do filme. Nele, Janis rasga as veias do blues cantando Cry Baby. Quando vi a primeira vez, no cinema, chorei que nem um bezerro desmamado. E sempre choro quando revejo. Obrigado por tudo, Janis. (RK)
> Veja um trecho do vídeo, onde Janis canta Cry Baby (Toronto, 28.06.70)
.
JOSS STONE HOMENAGEIA JANIS
Em 2005, aos 18 anos, Joss Stone participou de um show-tributo a Janis Joplin. Aqui você confere o número que ela fez com Melissa Etheridge, interpretando Peace of my Heart e Cry baby. Uma bela e emocionante homenagem. > Veja o vídeo
.
LIVRANDO A SEMANA (47)
UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES (Clarice Lispector) Editora Rocco
Loreley (ou Lóri) é uma moça rica de Campos que vai morar no Rio para ter um pouco de liberdade. Ela conhece Ulisses, professor de Filosofia, que começa a conduzi-la na aprendizagem do prazer. As duas personagens de Clarice trazem as características de seus modelos originais (ela, uma figura do folclore alemão; ele, o herói da epopéia grega) e envolvem o leitor numa trama que se torna ainda mais apaixonante por ser uma aventura no mundo da linguagem, sem começo nem fim. Como em todos os livros de Clarice, trata-se de um ponto de vista feminino a respeito da vida. Uma aprendizagem… conta, acima de tudo, a viagem empreendida por Lóri em busca de si própria e do prazer sem culpa. > Adquira este livro na Livraria Arte Paubrasil
.
RENAN CALHEIROS NÃO!
Renan Calheiros, assim como José Sarney, é a cara do Brasil das velhas oligarquias políticas, dos coronéis donos de cidades e estados inteiros, que mandam e desmandam, que beneficiam a família e os amigos por baixo dos panos e às vezes às vistas de todos.
Pois bem. Renan Calheiros, sobre quem pesam graves denúncias, trabalha nos bastidores para ser eleito no dia 1º de fevereiro para mais um mandato de dois anos na presidência do Senado. Até agora, o único adversário de Renan é o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) – mas a oposição e o grupo de “independentes” articula a candidatura de Pedro Taques (PDT-MT) ou outro peemedebista num contraponto a Renan.
Esses canalhas são muito fortes, é verdade. Mas nós temos a força da mobilização popular, a mesma força que criou a Lei da Ficha Limpa. Podemos impedir esse retrocesso. Assine a petição contra a volta de Renan Calheiros à presidência do Senado.
De forma sintética e dinâmica, Fernando Gabeira explica no livro o que é a maconha, quais são os prós e contras de seu uso e procura entender os motivos pelos quais se ataca ou se defende a droga. Em linhas gerais, o livro responde às perguntas mais frequentes recolhidas por Gabeira nos debates que participou em torno da elaboração da política nacional de drogas. “As pessoas querem saber, por exemplo, se a maconha é uma escada para outras drogas, se provoca dependência física e psíquica, se causa perda de neurônios e da memória, e se tem poder medicinal”, diz Gabeira.
Pessoalmente, Gabeira defendeu durante anos a legalização da maconha e seu uso industrial mais amplo possível. “São 350 subprodutos derivados da canabis”, diz. A atual política nacional de drogas não separa a maconha de outras drogas. Pela lei, o usuário não é preso, mas arca com penas alternativas e multas. Fernando Gabeira discute também o papel social que a planta desempenhou na escravidão e seu uso em rituais religiosos na selva amazônica.
Iniciativa inédita no mundo mostra que a Amazon pode ter estratégias diferenciadas para o país. > Leia a notícia
.
QUEREMOS MULHER EDUCADA
A jovem ativista paquistanesa Malala Yousafzai, de 15 anos, foi baleada na cabeça em outubro de 2012 por um militante do Taleban, que a vê como inimiga por lutar pelo direito das mulheres à educação.
Ela passará nos próximos dias por duas cirurgias para reconstrução do crânio, em um dos passos da recuperação de sua saúde. David Rosser, diretor médico do hospital Rainha Elizabeth, de Brimingham, na Inglaterra, disse que a recuperação da jovem é “extraordinária e um testemunho de sua força e desejo de melhorar”.
Essa menina merece ter sua saúde de volta. E merece também o Nobel da Paz. > Leia mais
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer.(saiba mais)
No drama da existência humana liberdade e opressão sempre duelarão, e o que decidimos agora reforçará a um ou a outro lado no futuro
AS ENCARNAÇÕES DA LIBERDADE E DA OPRESSÃO
. Todas as vidas, de todos os tempos, estão interconectadas. Esta é a mensagem básica do filme A Viagem (Cloud Atlas, baseado no livro Cloud Atlas Sextet, de David Mitchell), dos diretores Lilly Wachowski, Lana Wachowski e Tom Tykwer. As seis histórias que ele conta, passadas em épocas e lugares diferentes, ligam-se entre si pelas decisões individuais dos personagens que, sem saber, provocam drásticas mudanças nas vidas futuras e na própria história da Humanidade. O fato dos atores viverem vários personagens sugere que, de algum modo, somos todos os que nos antecederam e nos antecederão. Instigante, né?
Uma a uma, as histórias são contadas, alternando-se e entrelaçando-se: a escravidão de negros no século 19, o amor proibido de dois homens, o descaso da lógica capitalista pela vida humana, o cruel confinamento de idosos, a mecanização da existência numa sociedade totalitária e a prisão da mente às crenças religiosas, e em todas as histórias as pessoas lutam para libertar-se e libertar a sociedade de forças opressoras. O filme mostra que garantia de final feliz não há, pois os sistemas sociais são fortes e quem luta contra eles geralmente termina mal – mas mostra também que no drama da existência humana liberdade e opressão sempre duelarão, e o que decidimos agora reforçará a um ou a outro lado no futuro.
Desse tema da interconexão das vidas em diferentes épocas eu, particularmente, sou bem íntimo, pois gira exatamente sobre isso a trama de meu romance O Irresistível Charme da Insanidade. Em meu livro, porém, as vidas se cruzam por meio da sensação de déjà-vu, e passado e futuro influenciam-se mutuamente, numa lógica não linear do tempo. É uma metafísica difícil de conceber, eu sei, mas desconfio que logo os avanços tecnológicos nos trarão boas surpresas sobre a natureza do espaço-tempo e sobre a noção de eu. Em A Viagem, as conexões entre as vidas estão dentro da concepção comum do tempo linear, sim, mas elas também sugerem algo nesse sentido.
As irmãs Lilly e Lana Wachowski (antes, Andy e Larry) já mostraram, como diretoras, roteiristas e produtoras, que usam o cinema para nos fazer pensar criticamente sobre o mundo em que vivemos. Em Matrix e V de Vingança, há a luta incessante pela liberdade e pelo direito de todos sabermos a verdade. Agora, com A Viagem, ao mostrar as sutis conexões entre todas as vidas, elas nos incentivam a prosseguir na luta por liberdade e verdade, para que nossos esforços sejam captados no futuro pelos que lutam pela mesma causa.
Em um mundo onde as grandes corporações, que só visam ao lucro, têm mais força que os governos e estes precisam do apoio daquelas, o que pode o cidadão comum contra essa junção de poderes que vê nele apenas um eleitor ou um consumidor? Bem, pode votar mais consciente, protestar e lutar por mais transparência nas informações, democracia e respeito aos direitos humanos. Pode lutar contra o consumo exagerado e os preconceitos. Pode, e deve, fazer sua parte. Porém…
Um futuro melhor para a Humanidade e o planeta não é garantido, mesmo que você faça a sua parte, pois há outras forças envolvidas. Em A Viagem, foram em vão todos os esforços, já que a ganância destruiu a Terra? Vale mesmo a pena lutar por coisas como liberdade e verdade? Ou é mais vantajoso seguir a lei que diz que o fraco é a carne que o forte come?
Minha resposta para essas perguntas é a cena inicial do filme: se as histórias continuam a ser contadas, é porque a luta ainda não acabou.
. Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com
.
.
A VIAGEM
Cloud Atlas, EUA/ALE/Hong Kong/Cingapura, 2012 Direção: Andy Wachowski, Tom Tykwer, Lana Wachowski Roteiro: Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski Elenco: Tom Hanks, Halle Berry, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Susan Sarandon, Hugh Grant, Ben Whishaw, Keith David, Jim Broadbent, James D’Arcy, Doona Bae Produção: Stefan Arndt, Grant Hill, Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski Fotografia: Frank Griebe, John Toll Trilha Sonora: Reinhold Heil, Johnny Klimek, Tom Tykwer Duração: 172 min Distribuidora: Imagem Filmes Estúdio: Anarchos Productions / Media Asia Films / X-Filme Creative Pool / Asacine Produções / Five Drops / A Company Filmproduktionsgesellschaft
Treiler do filme
.
LEIA NESTE BLOG
Jung – a jornada do autodescobrimento– Vídeo com um resumo da vida e das ideias de Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço criador da teoria do inconsciente coletivo
Livros: He, She, We– Os rios de nossas vidas correm, na verdade, por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, também percorreram
Mulheres na jornada do herói – As mulheres sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas
Wikileaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país
Nos séculos 16 e 21, dois casais vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor. Ou será o mesmo casal?
Um músico obcecado pelo controle da vida. Uma viajante taoísta em busca da reencarnação de seu mestre-amante do século 16. O amor que desafia a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS .
01- acho que os irmãos Wachowski são bons candidatos a dirigir o filme do Insanidade. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – jan2013
02- bom cometário Ricardo, como dizia Platão discipulo de Socrates que o sucesso terreno (homicidas, tiranos,libertinos,…) e o insucesso terreno (Socrátes, atribuido a sua morte) não podem representar critérios de mensurabilidade do caráter de um homem (se justo ou se injusto) . No reino das aparências (mundo terreno, sensível) o que parece ser justo, em verdade, não o é, e o que parece ser injusto, em verdade, não o é.( Eduardo Bittar, professor da USP). Luis Carlos Linhares, Fortaleza-CE – jan2013
Desde seu início, o encontro prioriza o diálogo e a troca sadia de experiências, buscando o fio de unidade que permeia todas as coisas
OS ENSABOADOS DA NOVA CONSCIÊNCIA
. O Nordeste é mesmo uma terra curiosa. Nas ladeiras de Olinda chacoalha o mais divertido carnaval do planeta, e enquanto isso, a 200 km dali, na cidade serrana de Campina Grande, Paraíba, centenas de pessoas de todo o país e das mais diversas tendências se reúnem todo ano num grande evento onde se abraçam arte, filosofia, ciência e tradições. É o Encontro da Nova Consciência, um festival holístico que funciona, desde 1992, como um notável ponto de convergência da grande diversidade do pensamento humano.
Eu soube do evento em janeiro de 1996 por minha tia Liney, que de Recife me ligou para contar que sonhara que eu dava uma palestra no encontro. “Envia teu livro! Quem sabe eles te convidam…” Foi o que fiz, enviei um exemplar do Quem Apagou A Luz?, meu primeiro livro, recém-lançado. Dias depois lá estava eu dando a palestra, o sonho se realizara. O convite se repetiu, e pelos anos seguintes, no teatro municipal, falei sobre o filme Matrix, taoísmo, Jung, mitologia… Talvez minhas palavras tenham acrescentado algo de útil a alguém, mas muito mais aprendi que ensinei durante esses anos. Depois tornei-me apresentador dos eventos artísticos da noite, papel no qual me senti muito à vontade.
Em Campina Grande conheci pessoas que trouxeram mudanças significativas à minha vida. Escritores, artistas, cientistas, educadores, religiosos, líderes indígenas, gente simples do povo ‒ de todos eles absorvi conhecimentos e muitos tornaram-se meus amigos, maravilhosas amizades interdisciplinares. Foi lá também que vivenciei experiências com plantas de poder, como a ayahuasca e a jurema, e vi alargarem-se os horizontes de minha percepção da realidade e de mim mesmo.
À primeira vista, reunir tantas ideias diferentes no mesmo espaço pode soar caótico e inútil. No entanto, desde seu início, o encontro prioriza o diálogo e a troca sadia de experiências, buscando o fio de unidade que permeia todas as coisas. Isso me lembra o ato de escutar as várias testemunhas de um acontecimento: mesmo distintas entre si, as versões do mesmo fato contribuem para uma visão mais abrangente e precisa do todo.
Da plateia do teatro disparam flashes a toda hora: as pessoas querem uma recordação do dia em que sentaram à mesma mesa e se abraçaram representantes de diferentes religiões, todos acreditando que é possível sim transformar este mundo num lugar onde todas as crenças convivam em harmonia. Física quântica, psicologia, ecologia, medicina natural, educação, tarô, xamanismo – o evento é um colorido encontro das diversas versões da realidade. Lá a sociedade também discute seus problemas: loucura, alcoolismo, aids, prostituição, a questão indígena e os conflitos étnico-religiosos. Há espaço também para outros problemas como, por exemplo, decidir o melhor lugar para aguardar a chegada das naves extraterrestres que virão nos resgatar. Isso, é claro, para os que querem ser resgatados. Não sei informar quantos lugares há nessas naves, me desculpe a ignorância no assunto, mas no Encontro eu sei: tem espaço para tudo.
Lembra do ET de Varginha? Pois ele já esteve por lá, em slides. O evento também oferece passeio a sítios arqueológicos, há uma feira com vários expositores, um encontro de ateus e agnósticos e até mesmo um encontro mundial de, acredite, ex-ufólogos, só no Nordeste mesmo. Depois das palestras, debates e oficinas, vem a noite na praça, com seus bares e um grande palco onde se revezam dança, teatro, poesia, cinema e shows musicais que vão do forró ao metal mantra. Com direito a cervejinha gelada que ninguém é de ferro, né?
O evento possui um caráter naturalmente democrático, pois dele fazem parte até mesmo os que são contra. Isso pode ser aferido logo à entrada do teatro: de um lado, barulhentos e divertidos Hare Krishna, com suas roupas coloridas e instrumentos exóticos, entoando aqueles mantras dançantes, e do outro lado evangélicos distribuindo panfletos onde demonstram que esse negócio de Nova Era é coisa do demo.
No fim, vendo todas aquelas tradições, ciências, artes e filosofias dançando e celebrando de mãos dadas, vendo negros e brancos e índios, cristãos e muçulmanos entoando cânticos ao planeta e à humanidade, lembrei do festival de Woodstock. Passados 40 anos, cá estamos nós, no interior nordestino, buscando as mesmas coisas que aqueles pacíficos sonhadores: paz, amor, liberdade, união, respeito às diferenças…
Houve um ano em que fui para lá aproveitando a carona de meu amigo André Barbacena. Ele estava indo para Olinda, curtir aquele incrível carnaval que eu já conhecia de outros anos, e seguimos em seu fusca. André deu um gole na cerveja e logo enganchou seu coração na cintura de uma bela passista de frevo que descia a ladeira dos Quatro Cantos. Desejei-lhe felicidades e me despedi, combinando o reencontro para logo após o reinado de Momo. Botei a mochila nas costas e peguei o ônibus para Campina Grande, o coração no ritmo do frevo.
Na quarta-feira de cinzas lá estava eu de volta a Olinda. André, cansado mas alegre, trazia ainda uma cerveja na mão e um bocado de história para contar. Enquanto degustávamos uma tapioca com queijo, ele me falou do quanto se divertiu no bloco dos ensaboados, um bocado de gente descendo a ladeira ensaboando e passando xampu uns nos outros com um carro atrás jogando água, olha que coisa. Eu desatei a rir imaginando a cena.
Assim como nós em Campina Grande e os cabeludos de Woodstock, os ensaboados de Olinda, com sua alegoria, também desejam um mundo mais limpo, mais alegre e mais unido. Com muito frevo, amor e paz. Amém. Shalom. Oxalá. Axé.
Pátria amada Terra– É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária
A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS .
01- Adoro! Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – jan2013
02- gostaria de conhecer…. Dhara Bastos, Fortaleza-CE – jan2013
03- Reunião de todos os loucos do Brasil.. Andre Soares Pontes, Fortaleza-CE – jan2013
04- Lá tem espaço para mostrar trabalhos em arteterapia Kelmer? Ppue se der acho q vou programar uns dias nessa “loucura” como disse o Andre Soares3>. Izabel Castro, Fortaleza-CE – jan2013
05- “Assim como nós em Campina Grande e os cabeludos de Woodstock, os ensaboados de Olinda, com sua alegoria, também desejam um mundo mais limpo, mais alegre e mais unido. Com muito frevo, amor e paz. Amém. Shalom. Oxalá. Axé.” Esse encontro entre as diferenças é a prova de que ainda é possível extirpar o maior câncer da humanidade: a intolerância!!! Silvana Alves, Fortaleza-CE – jan2013
Por qual razão tantas pessoas ousam se submeter a uma experiência incerta, largando a segurança de sua mente cotidiana e desafiando o desconhecido de si mesmo?
O NOVO SALTO QUÂNTICO DA CONSCIÊNCIA
. A cada dia, mais pesquisadores ligados ao estudo da consciência, antropologia, psicologia e botânica se debruçam sobre uma possibilidade intrigante e polêmica. É provável que as plantas psicoativas (que induzem a mente a funcionar em estados especiais) possam ter contribuído significativamente para o surgimento da autoconsciência, fator decisivo que proporcionou aos nossos ancestrais, num determinado ponto da evolução, as condições para sobreviver e gerar a incrível espécie a qual pertencemos, o Homo sapiens.
Admitir tal hipótese é mexer num vespeiro. Muita gente se indagará: “Então nós humanos só existimos porque um bando de macacos comeram umas plantinhas e ficaram doidões?” Imagino os mais religiosos: “Era só o que faltava! Deixa só Deus escutar isso!” Pois infelizmente para muita gente, e até para alguns deuses, essa hipótese vem sendo estudada com seriedade e encontra ressonância positiva no meio científico.
Quem já passou por uma experiência com as tais plantas sagradas, como a Ayahuasca, o Peiote e a Jurema, sabe perfeitamente do imenso poder que elas guardam. E sabe também que elas não se prestam a um consumo recreativo, exatamente porque podem tocar muito fundo em nosso interior, abalando nossa compreensão da realidade e de nós mesmos e nos fazendo emergir da experiência profundamente transformados. Xamãs e pajés do mundo inteiro as utilizam há milhares de anos em contextos religiosos e terapêuticos. Atualmente, médicos e pesquisadores unem medicina acadêmica com antiquíssimas práticas xamânicas que envolvem o uso de plantas psicoativas e, com essa curiosa união, obtêm resultados animadores na cura de doenças, como a dependência química.
No Brasil, proliferam-se seitas que em seus rituais utilizam chás à base dessas plantas, chamando a atenção de estudiosos para o emergente fenômeno. Toma-se o chá para entrar num estado de consciência não ordinário, onde é possível viver experiências sensoriais e cognitivas as mais diversas. Há quem encontre pessoas vivas ou mortas, santos, entidades animais ou espíritos de plantas. Há os que experimentam capacidades psíquicas incomuns ou vivenciam uma intensa sensação de união com a Natureza e tudo que existe. Há quem passe por profundas experiências de autoinvestigação psicológica ou seja tocado por revelações importantes de caráter terapêutico e que podem mudar toda uma vida. Pode não acontecer nada, mas também pode ser prazeroso ou doloroso. Depende de cada um e de seu momento. Alguns religiosos radicais, sempre obcecados, diriam que é coisa do demônio. Alguns psicólogos talvez usassem o termo “terapia de choque”.
Por que a crescente procura atual pelas plantas de poder dos xamãs? Por qual razão tantas pessoas ousam se submeter a uma experiência incerta, largando a segurança de sua mente cotidiana e desafiando o desconhecido de si mesmo? Minha impressão é que isso tudo talvez signifique uma forma de religação à Natureza. Religação, sim, porque nós também fazemos parte da Natureza, mas infelizmente passamos a nos ver separados dela, nos distanciamos da sabedoria natural do planeta e agora, perdidos num mundo caótico e insano, buscamos experiências que nos reconectem às nossas verdades mais profundas. Entendo isso como um anseio natural e legítimo de uma espécie adoecida: o anseio de cura, liberdade, totalidade e harmonia com a Mãe Terra.
Por minha própria experiência, sei que plantas psicoativas podem ser muito úteis porque nos fazem olhar para dentro, nos reconectam às leis naturais e ao sagrado de nossas vidas, nos lembram de nosso potencial para a autocura e ajudam a nos libertarmos de medos, culpas e bloqueios. Não há como não se transformar após um profundo encontro consigo mesmo. É por isso que quem passa por tais experiências xamânicas engrossa a legião dos que entendem o mais importante: somente a profunda mudança interior de cada um é que fará finalmente com que o mundo mude para melhor.
Talvez nesse momento as plantas sagradas estejam nos alertando para o fato que quanto mais pessoas se religarem à sua verdade mais íntima, mais próxima a humanidade estará de seu ponto de equilíbrio. Porém, na busca angustiada pela cura, muitos exageram no remédio, caindo escravos justamente daquilo que um dia elegeram como libertador. As plantas sagradas não ficam de fora desse perigo. Tenho amigos que fazem parte de seitas que utilizam tais plantas e certamente discordarão. Respeito o que eles pensam e admiro sua busca pessoal, mas como tudo mais que existe, as plantas sagradas também possuem dois lados.
Religiões, seitas e gurus funcionam muito bem para os que necessitam de regras ou se sentem mais seguros pertencendo a um grupo. Porém, há pessoas que conseguem beber em todos os ensinamentos e usufruir do melhor que eles oferecem sem ter de se enquadrar em nenhum específico. É um caminho mais solitário, evidente, e exige um contínuo estar aberto ‒ mas que recompensa quem o trilha com a liberdade que nenhum outro caminho pode oferecer. As regras da seita ou as palavras do guru podem até iluminar por um tempo, sim, mas até mesmo essa luz pode cegar para os horizontes seguintes da jornada. É isso o que ensinam as plantas de poder, que devemos abandonar as muletas e aprender a caminhar por nós mesmos.
O atual processo coletivo de reconectar-se aos valores da Natureza pelas plantas psicoativas não significa uma espécie de retrocesso evolutivo e que devemos voltar a saltar pelas árvores. Nada disso. Uma vez ultrapassados, os marcos da evolução da consciência sempre nos impulsionam para o novo, jamais para trás. Porém, a verdadeira evolução avança em forma de espiral, e é por isso que quando o caminho parece retornar a um determinado ponto, ele está sim passando novamente por lá ‒ mas num novo nível, numa nova dimensão.
Talvez essas poderosas plantas, que acompanham nossa espécie desde seu nascimento numa impressionante relação simbiótica, estejam agora nos oferecendo a preciosa oportunidade de mais um salto quântico da consciência, uma intensa transformação da mente e de sua interpretação da realidade, como fizeram nossos peludos antepassados em algum ponto de sua jornada. Agora, porém, diferente deles, possuímos razão e discernimento. Possuímos milênios e milênios de experiência sedimentados no inconsciente comum da espécie e temos nossos próprios erros para nos guiar.
Retornaremos à Mãe Terra e ao sagrado, sim, porque não há outro caminho se quisermos de fato sobreviver como espécie. Mas o faremos num novo nível, porque agora estamos mais experientes para lidar com o grande mistério da vida, esse mistério que nos maravilha e assombra cada vez que olhamos para o sem-fim do Universo lá fora ou para o infinito interior de nós mesmos.
RK analizza le piante psicoattive e la loro importanza nel processo evolutivo della specie umana
Ogni giorno che passa più ricercatori legati allo studio della coscienza, antropologia, psicologia e botanica investigano su una possibilità almeno intrigante e polemica. Probabilmente le piante psicoattive (che inducono la mente a funzionare in stati speciali) possono aver contribuito di maniera significante al sorgere dell’autocoscienza, fattore decisivo che ha proporzionato ai nostri predecessori, in un determinato punto dell’evoluzione, le condizioni per sopravvivere e per generare l’incredibile specie alla quale apparteniamo: l’Homo sapiens. Ammettere tale ipotesi è come toccare un alveare. Molti si chiederanno: “Vuoi dire che noi umani esistiamo soltanto perché un gruppo di scimmie ha mangiato delle piantine e si sono sballati?”
Immagino i più religiosi: “Era quello che ci mancava! Vediamo cosa dirà Dio al sentire questo!” Per la sfortuna di molta gente, e anche di alcuni dei, questa ipotesi viene da qualche tempo studiata con serietà e trova risonanza positiva nell’ambiente scientifico.
Chi ha già avuto un’esperienza con queste “piante sacre”, come “l’ayahuasca” (tisana ricavata dal vino di Banisteriopsis caapi e dalle foglie di Psychotria viridis), il “peyote” (Lophophora williamsii e Lophophora diffusa) e la “jurema” (Mimosa tenuiflora e Mimosa verrucosa) conosce perfettamente l’incredibile potere che hanno. E sa anche che loro non servono ad un consumo ludico, esattamente perché di solito vanno molto a fondo nel nostro interiore, indebolendo la nostra comprensione della realtà e di noi stessi, e ci fanno invece emergere da quest’esperienza profondamente trasformati. “Pajés” (gli indigeni dell’Amazonia che applicano la “pajelança”)* e sciamani di tutto il mondo le utilizzano da migliaia di anni nei contesti religiosi e terapeutici. Attualmente medici e ricercatori di diversi paesi uniscono alla medicina accademica le pratiche sciamaniche che coinvolgono l’uso di piante psicoattive e, con questa curiosa unione, ottengono risultati incoraggianti nella cura di molte malattie come la dipendenza chimica.
Attualmente in Brasile c’è la proliferazione di sette e di altri gruppi dissidenti a queste sette che nei suoi rituali utilizzano tisane a base di queste piante, richiamando l’attenzione degli studiosi a questo emergente fenomeno. Si beve la tisana per entrare in uno stato di coscienza non ordinario, dove è possibile vivere le più diverse esperienze sensoriali e cognitive. Alcuni incontrano persone vive o morte, santi, entità animali o gli spiriti delle piante. Alcuni provano capacità paranormali non comuni o vivono un’intensa sensazione di unione con la Natura e con tutto quello che esiste. Alcuni passano per profonde esperienze di autoindagine psicologica così come di autoguarigione, o sono toccati da rivelazioni importanti che possono cambiare tutta la vita. Può darsi che non capiti niente, ma può essere piacevole o doloroso. Può essere infernale o divino ma sarà sempre costruttivo. Dipende da ognuno e dal suo momento. I religiosi radicali, sempre accecati, affermerebbero che è una cosa del demonio. Forse alcuni psicologi userebbero il termine “terapia d’urto”. Forse non è nient’altro che un provvidenziale rincontro con se stessi e con la sua verità più intima.
Perché la crescente ricerca delle piante di potere dei sciamani? Per quale motivo tante persone osano sottomettersi ad un’esperienza incerta, abbandonando la loro sicurezza quotidiana mentale e sfidando il lato sconosciuto di se stessi? La mia impressione è che tutto questo probabilmente significa, in ultima istanza, una forma di ricollegamento con la Natura perché, nella realtà, siamo una parte integrante. Purtroppo, è successo che ci siamo separati da lei e, per questo motivo, ci siamo allontanati troppo della saggezza del pianeta, ed adesso, persi in un mondo sempre più caotico ed insano, cerchiamo con avidità delle credenze ed esperienze che ci ricolleghino al più grande senso della vita e alle nostre verità più profonde. Capisco questo come un’ansia naturale e legittima di una specie ammalata: l’ansia di guarigione, libertà, totalità ed armonia con la Madre Terra.
Dalla mia esperienza personale, so che le piante psicoattive possono essere molto utili perché ci fanno guardare dentro, ci ricollegano alle leggi naturali e al sacro delle nostre vite, ci ricordano il nostro potenziale per l’autoguarigione e ci aiutano a liberarci dalle paure, colpe e blocchi. È impossibile non trasformarsi dopo un profondo incontro con se stessi. È per questo che chi passa per tali esperienze sciamaniche aumenta la legione di quelli che capiscono la cosa più importante: soltanto il profondo cambiamento interiore di ognuno di noi potrà finalmente cambiare il mondo in migliore.
Forse è questo l’invito che le piante sacre fanno in questo momento alla nostra specie: più persone si ricollegano alla loro verità più intima, più l’umanità sarà vicina dal suo punto di equilibrio. D’altra parte, so anche che la specie umana è ammalata e che, nella angosciata ricerca della guarigione, è capace di esagerare nella cura. Per questo, in questa urgente ricerca di valori spirituali, è necessario soprattutto, dare priorità alla libertà e prestare attenzione al rischio sempre presente di diventare schiavi esattamente da quello che un giorno abbiamo eletto come liberatore. Le piante sacre non sono escluse da questo pericolo. Ho amici che fanno parte di sette che utilizzano tali piante e che sicuramente non saranno d’accordo. Rispetto quello che pensano e ammiro la loro ricerca personale. Però, così come tutto quello che esiste, anche le piante sacre hanno due lati. Se un lato libera, l’altro è lì pronto a schiavizzare nel caso tu sia eccessivamente legato alle piante, non rimanga attento ed equilibrato.
Religioni, sette e guru funzionano molto bene con chi ha bisogno di regole o si sente più sicuro appartenendo ad un determinato gruppo. Loro sono nella tua strada e questo deve essere rispettato. Ma esistono persone che riescono a trarre degli insegnamenti ed approfittare del meglio di quello che offrono senza dover inquadrarsi in nessuno specifico. È un cammino più solitario, evidentemente, ed esige un continuo “essere aperto” – ma, giusto per questo, ricompensa chi segue questo cammino con la libertà che nessun’altro può offrire. Sì, le regole della setta o delle parole del guru possono addirittura illuminare per un tempo, ma questa stessa luce può accecare i successivi orizzonti del processo. Il principale insegnamento delle piante di potere (così come dovrebbe essere l’insegnamento di ogni guru) è questo: dobbiamo abbandonare tutte le stampelle ed imparare a camminare da soli.
Questo attuale processo collettivo di ricollegarsi ai valori della Natura tramite le piante psicoattive non significa una forma di retrocessione evolutiva e che ci fa tornare a vivere sugli alberi. Non è niente di questo. Una volta ultrapassati, i segni dell’evoluzione della coscienza ci spingono sempre verso il nuovo, mai indietro. Succede che la vera evoluzione avanza come una espirale ed è per questo che quando il cammino sembra ritornare ad un determinato punto, nella realtà lui sta passando nuovamente lì – però in un altro livello, superiore, in un’altra dimensione.
Forse queste potente piante, che accompagnano la nostra specie dalla nascita in un’impressionante relazione simbiotica, stiano adesso offrendoci la preziosa opportunità di un altro salto quantico della coscienza, un’intensa trasformazione della mente e della sua interpretazione della realtà – come hanno fatto i nostri pelosi predecessori in qualche punto del loro processo. Adesso, però, diversamente da loro, abbiamo la ragione e il discernimento. Possediamo millenni e millenni di esperienza sedimentati nell’incosciente comune della specie ed abbiamo i nostri propri errori che ci guidano.
Ritorneremo alla Madre Terra ed al sacro, sì, perché non esiste un’altro cammino se vogliamo di fatto sopravvivere come specie. Ma lo faremmo in un nuovo livello perché adesso siamo più capaci per affrontare il grande mistero della vita, questo mistero che ci meraviglia e spaventa ogni volta che guardiamo l’infinito mondo fuori e dentro noi stessi.
.
Ricardo Kelmer è scrittore, paroliere e sceneggiatore ed abita a São Paulo
.
* N.T.:
PAJELANÇA: una forma di culto sciamanico esistente nella regione Nord del Brasile, con rituali d’origine indigena mescolati ad elementi dello spiritismo, cattolicismo e dei culti afro-brasiliani. I celebranti sono chiamati “pajés”, termine d’origine tupi che significa sciamano. La pajelança coinvolge canti e balli per chiamare gli spiriti, accompagnati soltanto del “maracá” (semplice strumento di percussione). La principale finalità è ottenere la guarigione di malattie fisiche. La pajelança non deve essere confusa con i credi, rituali e pratiche mediche proprie di ogni popolo indigene.
SCIAMANO: è il personaggio delle religioni tradizionali dell’Asia settentrionale, anche se esistono sciamani in altre società, come in America settentrionale ad esempio; il termine “xamã” designava determinati stregoni dell’Africa tradizionale. Secondo il credo, quando cade in stato di trance, lo sciamano è posseduto dagli spiriti che parlano e agiscono tramite lui. È la stessa cosa per il “pajé” fra gli indigeni brasiliani.
Minha noite com a Jurema – Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas
Xamanismo de vida fácil – A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos
A vida na encruzilhada (filme: O Elo Perdido) – Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos
Carlos Castaneda (vídeo) – Especial da BBC sobre o polêmico antropólogo que estudou o xamanismo no México, escreveu vários livros e tornou-se um fenômeno do movimento Nova Era. Legendado
.
FILME: O Elo Perdido (Missing Link) Um milhão de anos atrás, na África, homem-macaco tem sua família dizimada por hominídeos e ele vaga sozinho pelo planeta, conhecendo e encantando-se com a Natureza. Ao comer de uma planta, tem estranha experiência que lhe traz importantes revelações.
O Elo Perdido (Missing link, EUA, 1988) Direção: David Hughes e Carol Hughes Elenco: Peter Elliot, Michael Gambon, Brian Abrahams, Clive Ashley
.
MISSING LINK – TRÊILER
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS .
01- “…porque nós também fazemos parte da Natureza mas infelizmente passamos a nos ver separados dela, nos distanciamos da sabedoria natural do planeta e agora, perdidos num mundo caótico e insano, buscamos experiências que nos reconectem às nossas verdades mais profundas…”!!!Amei isso!!! Texto fantástico!!!Silvana Alves, Fortaleza-CE – jan2013
02- mas quando a encontramos tudo fica iluminado e na mais perfeita harmonia… sinto-me connectada com a mae natureza e por isso pareço estar feliz o tempo todo mesmo nos piores momentos… Dhara Bastos, Fortaleza-CE – jan2013
Se ainda há deuses, como Dinheiro, que exigem vidas humanas em seu nome, é preciso então deixar de crer neles e tentar convertê-los
É HORA DE CONVERTER OS DEUSES
. Muito já foi dito sobre o delicado momento que agora vivemos, o terrorismo, as desigualdades, as intolerâncias… E eu, particularmente, não pretendo explicar a confusão toda. Meu objetivo com esta crônica é apenas dar voz a alguém que teria muito a contribuir caso lhe dessem atenção. Essa pessoa é Francisco, o pobrezinho de Assis.
A vida de Francisco de Assis possui um brilho contagiante. Além de consagrado santo pela Igreja Católica, ele é patrono da ecologia, e a revista americana Time o elegeu a personalidade do 2º milênio. Simplicidade, ternura, coragem, desprendimento e grandiosidade fazem deste homem uma das figuras mais admiradas de toda a história.
Francisco foi um revolucionário. Desprezou a vida cômoda de sua rica família italiana pela luta diária de viver, ao pé da letra, os ideais de seu mestre Jesus Cristo. Por isso, desfez-se de todos os bens e saiu pelo mundo a pregar simplicidade, desapego, paz, alegria e amor pela vida e pela Natureza. Seu estilo hippie em pleno século 13 representava uma incômoda subversão de valores, para a sociedade e para a rica e pomposa Igreja.
Espírito prático e direto, ele interpretou radicalmente a mensagem de seu mestre e, assim sendo, o modo obviamente correto de servi-lo seria ser como ele, um pregador pobre e andarilho, vivendo da caridade alheia e dividindo-a com seus amigos pobres, mendigos e leprosos. Para Francisco, isso era de uma obviedade gritante feito o sol do meio-dia. Como seu mestre, ele foi incompreendido e perseguido, contrariou interesses e desafiou poderosos. Da mesma forma que o nazareno, ele também lutou contra seus demônios íntimos para no fim apaziguá-los e arrebanhá-los dentro de sua alma bondosa e enluarada, fortalecendo-se ainda mais.
E o que isso tem a ver com atentados terroristas e a ameaça de guerras e hecatombes? Tudo. Contra o terror que se nutre do fundamentalismo religioso e mata em nome de seus deuses, e o outro terror, que se alimenta do fundamentalismo econômico e mata em nome do deus Mercado, somente outro tipo de fundamentalismo pode nos salvar: o do amor incondicional pela humanidade e por tudo que vive, amor que não possui deus em nome de quem matar. Um amor franciscano.
Francisco é um ícone católico, sim, mas ele não respeitava as estúpidas e perigosas fronteiras entre as religiões, e por isso fez amigos cristãos, judeus e muçulmanos. Francisco contagiou o mundo com sua imensa ternura fraternal e o absoluto respeito por tudo que é vivo, pessoas, bichos, árvores e montanhas. Pois é exatamente esse o desafio que agora se nos impõe. Nesse momento crítico da humanidade, a vida exige o nosso máximo respeito por ela, em todas as suas manifestações, para que possamos continuar a existir. Chega a ser ridiculamente óbvio. Mas essas coisas são óbvias mesmo, diria Francisco, sempre sorridente. Se ainda há deuses, como Dinheiro, que exigem vidas humanas em seu nome, é preciso então deixar de crer neles e tentar convertê-los, ensinar-lhes o amor e respeito à vida.
Converter um deus?! Sim, por que não? O deus cristão do antigo testamento, rancoroso, vingativo e lançador de pragas, não se tornou um deus do amor e do perdão? Bem, ele foi forçado a isso por suas próprias criaturas, é verdade, mas sendo assim, por que os outros deuses a quem atualmente veneramos também não podem se tornar mais justos? Não custa tentar. Sejamos um pouco ingênuos e práticos, como Francisco, e façamos como ele fez naquela inesquecível manhã de inverno na praça de Assis: renunciemos a esses deuses que não respeitam a vida, devolvamos-lhes o que conquistamos em seu nome e iniciemos uma nova caminhada, sem o peso limitante de velhas crenças que não nos servem mais.
Quem sabe assim esses deuses caducos se convençam do óbvio: é melhor que eles mudem para fazer parte do novo mundo que virá, do que sumirem de vez nas sombras do que não tem futuro.
Deuses, humanos e androides na berlinda (filme: Blade Runner) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso
Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!
Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?
Vade retro Satanás (filme: O Exorcista) – O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
Sua missão primeira será sempre descer e buscar o que implora por se revelar
O CHAMADO DA CAVERNA
. Olhar para a coisa pela primeira vez é como arrancar uma plantinha nova do vaso e tomá-la ao colo: tem-se de ter muito cuidado. E é preciso olhos limpos para enxergar o que a coisa nos mostrará. Porque ao olhar viciado escapam as verdades simples, você sabe, a beleza primordial. Olhar para a coisa com olhos de turista, é isso. Ou ao menos que se reconheça a aventura pela qual ela passou, vinda do fundo da caverna para chegar até você.
Deixe-me tentar explicar. Primeiro é o chamado, esse som que se agita vindo lá de baixo. Existe algo no escuro lá embaixo, agora o explorador sabe. E já não pode fugir, pois o chamado está nos ouvidos, cutucando por dentro das entranhas do pensamento, que nem uma loucura. É preciso, pois, descer a caverna e trazer o que se agita e implora por luz. Então o explorador respira fundo e começa a descer.
A caverna é escura. A visão cotidiana de nada adianta. Sua lógica estranha é iluminada apenas pela lanterna da intuição, e mesmo ela mal pode com tanto breu. O chão escorregadio zomba de todo equilíbrio, forçoso conviver com as quedas. Ele avança, sentidos aguçados, à procura de algo que não sabe bem o que pode ser, mas sabe que é algo que o aguarda ‒ e ao mesmo tempo foge dele.
Na caverna, o explorador todo é um estado de alerta. Nesse mundo de coisas impalpáveis, as dúvidas coçam feito mosquito. A corda da razão está amarrada à cintura e é a única certeza de que poderá voltar à superfície. Mas ele não pode ficar pensando em voltar. Toda a atenção tem de estar na busca, pois é nos detalhes que a coisa se esconde. De qualquer lugar pode vir algo, ele sabe. Assim, o silêncio pesado se torna som e ele aprende a escutar aquilo que não se ouve, mas pode-se pressentir.
Ops! Algo se moveu ali. Não, não era nada. Mais adiante, ops, dessa vez ele viu algo, sim. Ou não? O explorador mete-se por novas trilhas em busca do que lhe escapa, e é um arrastar-se pelo chão enlameado, um esgueirar-se por frestas sem fim, um meter-se por virgens e estimulantes escuridões… Há de se entender com morcegos e escorpiões e aprender com eles a lógica amoral da caverna. Cada vez mais distante de onde partiu, confuso entre tantas bifurcações, ele sabe que somente o encontro dará sentido a tudo aquilo.
Algo se move lá na frente, uma sombra no meio das sombras da noite eterna da caverna. O explorador vai atrás… e se perde pelo labirinto dos recônditos… e mais adiante reconhece o caminho, por ali já passou. Ou não? Pensa em desistir, a sede, o sono, o cansaço, o raciocínio embaçado, a impotência ante a imensidão da caverna, as dúvidas sobre a utilidade do que faz…
Ali! Logo adiante, ali! Encurralada, lá está ela, a coisa. Finalmente. Ele se aproxima, devagar. A coisa o observa, arisca. Imprevisível feito um bicho ferido. Mas linda, indescritivelmente perfeita, inútil conter o entusiasmo que lhe acelera o coração. No entanto, é preciso ir com jeito, a coisa é frágil, às vezes se quebra ao menor toque. Então, aconchegando-a ao colo, com imenso cuidado, o explorador faz meia-volta e sobe o caminho. Ainda não pode festejar, é preciso atenção nos detalhes da subida. Se foi a luz da intuição que o conduziu até a coisa, agora é a corda da razão que o fará retornar.
Lá em cima, o dia claro ofusca a vista e ele necessita de uma pausa para se acostumar novamente à claridade da superfície. Ele sabe que a luz racional do dia dissolve os contornos daquilo que vive lá embaixo e muitas vezes pulveriza seu sentido. Mas são os riscos do ofício: sua missão primeira será sempre descer e buscar o que implora por se revelar.
Agora, o explorador olha para a coisa que traz ao colo. Está suja, enlameada, carece de uns cuidados. Ele a levará para casa e a alimentará, até que esteja forte o suficiente para ganhar o mundo. Mas não será fácil a convivência, e muitas vezes será tentado a sacrificá-la no silêncio das madrugadas, como fez com tantas outras. Com esta, o que acontecerá?
É assim que escritores e artistas nos trazem suas criações, esses visionários do que ainda não existe. Convém recebê-las com igual cuidado, desarmar o olhar para poder ver. Ainda que escapem da ira assassina de seu criador, ou ainda que tenham mil anos e rodem o mundo, criações, como esta crônica, são coisinhas frágeis quando se olha a primeira vez.
Meu fantasma predileto– Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos
Inspiración, essa vadia – E não adianta argumentar, seu signo é a urgência. Desejo não é coisa que se adie, ela sempre diz
O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei para o mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor
Pesadelos do além – O pior pesadelo pra um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado
O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas
Livros e odaliscas– Meia-noite. Volto do banho. Elas estão todas deitadas em minha cama, lânguidas odaliscas a me aguardar
O dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer(saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS .
01- “Olhar para a coisa pela primeira vez…”. Todo aquele “resgate” me lembrou o Hades, da Eneida, a descida ao nosso eu… E eu senti isso no seu texto… O olhar para dentro para poder olhar para fora… Adorei o texto. Mesmo. Dalu Menezes, Fortaleza-CE – dez2012
Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….
Estaremos mesmo irremediavelmente sós, confinados aqui neste planetinha, no meio de toda a vastidão cósmica lá fora?
O RASTRO LUMINOSO DA SOLIDÃO
. Li dia desses a entrevista de um astrônomo que duvida que exista vida inteligente similar à nossa fora da Terra. Ele sustenta que os fatores astrofísicos e bioquímicos que propiciaram as condições de vida em nosso planeta são tão únicos e difíceis de ocorrer no Universo que é altamente improvável que os mesmos tenham se repetido em outra galáxia, ainda que elas existam aos bilhões, como de fato existem. A espécie humana, segundo o cientista, seria fruto de circunstâncias tão difíceis de se reproduzirem em conjunto que se poderia dizer que nossa existência se deve a um grande golpe de sorte e que, por isso, os esforços em contatar supostas inteligências extraterrestres são inúteis ‒ nós simplesmente estamos sozinhos no Universo.
Sozinhos no Universo… A frase explodiu em minha mente feito um foguete sinalizador, deixando um rastro luminoso de solidão pelo espaço sideral do pensamento. Sozinhos no imenso Mar Universo… O coração apertou, e creio ter experimentado, enquanto lia a entrevista, uma espécie de angustiante solidão cósmica. Estaremos mesmo irremediavelmente sós, confinados aqui neste planetinha, no meio de toda a vastidão cósmica lá fora? Somente nós?
Bem, mesmo que de fato não exista mais nenhuma espécie com um grau de evolução similar ao nosso, ainda assim nós humanos nos teríamos uns aos outros como sempre tivemos, e não estaríamos verdadeiramente sós, não é verdade?
Hummm, em termos. A evolução da espécie fez mudar os parâmetros. Hoje, já conhecemos todos os povos existentes e o planeta tornou-se pequeno para nossos anseios de expansão. Somos os únicos terráqueos dotados da capacidade de autoquestionamento (pelo menos assim nos vemos) e isso nos traz um tipo estranho de solidão. Agora que atingimos esse ponto de autoconhecimento, sentimos a necessidade de redefinir nosso lugar não mais em termos de planeta, mas de Universo.
Da mesma forma que a criança precisa do outro para construir sua própria definição e os povos da Terra precisaram conhecer outros povos para entenderem melhor a si mesmos, acho que a espécie humana necessita, neste momento histórico de sua evolução, confrontar-se com outra forma de inteligência para entender melhor a vida e galgar novos estágios em sua definição como espécie. Claro que ainda há muito que aprender sobre a natureza humana, mas estamos acelerando as descobertas e cada vez mais rápido as novidades surgem, num ritmo vertiginoso que faz com que a História afunile como num redemoinho, em voltas cada vez mais rápidas, cada vez mais, girando cada vez mais próximo do vórtice…
Não sei aonde chegaremos com esse tal ritmo de transformações. Talvez estejamos nos aproximando perigosamente do vórtice do redemoinho, esse ponto em que algo ocorrerá, algo que mudará a História e inclusive nossa própria compreensão do espaço e do tempo, da vida e de nós mesmos. Fará parte dessa mudança a descoberta de outros seres inteligentes no Universo? Por enquanto, temos apenas nossas próprias dúvidas a nos impulsionar rumo ao desconhecido, como sempre fizemos, com a diferença que agora tudo gira a cada dia mais rápido.
Se o cientista da entrevista estiver certo, prosseguiremos irremediavelmente sós e teremos de nos aguentar sozinhos. Mas prefiro acreditar que ele está equivocado. No fundo de minha alma grita a esperança de que não, não estamos sozinhos, e que em algum lugar lá fora existem seres mais ou menos como nós, talvez com dúvidas parecidas, talvez mais sábios, talvez até saibam de nós…
Não sei. Tudo são dúvidas que faço ecoar por meio dessas linhas, exatamente como a espécie humana também faz com seus foguetes espaciais, lançando à escuridão do espaço nossa ardente incerteza, feito um sinalizador que sobe aos céus e, em seu rastro luminoso, não se cansa de repetir a mesma pergunta angustiante: há alguém mais aí fora?
Deuses, humanos e androides na berlinda (filme: Blade Runner) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso
A vida na encruzilhada (filme: O Elo Perdido) – Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos
Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Em Dogma, Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!
Minha noite com a Jurema – Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas
.
FILME: O ELO PERDIDO (Missing Link) Um milhão de anos atrás, na África, homem-macaco tem sua família dizimada por hominídeos e ele vaga sozinho pelo planeta, conhecendo e encantando-se com a Natureza. Ao comer de uma planta, tem estranha experiência que lhe traz importantes revelações.
O Elo Perdido (Missing link, EUA, 1988) Direção: David and Carol Hughes Elenco: Peter Elliot, Michael Gambon, Brian Abrahams e Clive Ashley
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
Assim como esoterismo superficial é um contrassenso e esoterismo pop jamais será esoterismo de verdade, seu sucesso teria necessariamente que decretar sua deturpação
O ESOTERISMO MORREU
.
Esoterismo significa, originalmente, a parte mais oculta de uma filosofia, religião ou tradição, que requer sincera dedicação para ser alcançada. Essa dificuldade torna-se uma barreira natural aos aspectos mais profundos do aprendizado, e assim eles prosseguem exclusivos aos que persistem. Foi assim que os ensinamentos esotéricos se protegeram das perseguições e chegaram ao mundo contemporâneo.
Em contrapartida, a parte mais simples e visível das tradições sempre foi abertamente oferecida a todos, e as pessoas que se contentavam com sua simplicidade não precisavam passar por severos ritos de iniciação nem se dedicar durante anos ao aprofundamento. Esses aspectos mais triviais são a parte exotérica (exo, do grego fora, exterior), exatamente o contrário da parte esotérica (eso, do grego dentro, interior).
No Ocidente, as antigas tradições místicas e religiosas se mantiveram vivas mesmo sob extrema perseguição por parte das religiões oficiais, como fez a Igreja Católica, entre os séculos 14 e 18 com sua impiedosa Santa Inquisição. No século 19, a facilidade crescente dos transportes e das comunicações as tornou mais conhecidas, e mais ainda no século 20. Nos anos 1960, com a explosão da contracultura, as bandeiras de paz, amor e igualdade ganharam a mídia, e a espiritualidade, desatrelada das religiões formais, ganhou espaço.
E foi justamente num dos aspectos da espiritualidade, o esoterismo, que a mentalidade mercantilista do Ocidente farejou grande potencial de consumo. Porém, como tornar popular (para vender mais) algo que necessita de tempo, estudo e dedicação? A saída foi vestir o esoterismo com uma roupinha mais leve, que desse para usar em qualquer ocasião. Foi assim que a cultura esotérica tornou-se popular e, mais que isso, massificada. Uns aproveitaram a quantidade de informações circulante para, de fato, se aprofundar no esoterismo, mas a grande maioria ateve-se aos aspectos superficiais.
Assim como esoterismo superficial é um contrassenso e esoterismo pop jamais será esoterismo de verdade, seu sucesso teria necessariamente que decretar sua deturpação. Foi o que ocorreu. A maior parte do que se vê por aí como esotérico são apenas aspectos caricatos de ensinamentos profundos que durante séculos foram passados de iniciado a iniciado, com cuidado e reverência. Porém, mesmo disseminadas e desvirtuadas na promiscuidade da mídia e da internet, as profundas tradições místicas e religiosas continuam com sua essência guardada aos que se dispõem ao esforço do aprendizado. São como algo valioso que pode até circular entre muitos mas que, para alcançá-lo de verdade, tem-se de passar pelo inevitável e insubornável guardião da iniciação.
Os anos 1970 vieram com John Lennon avisando que o sonho acabara e o movimento hippie percebendo que flores, de fato, não venceriam canhões. Porém, a espiritualidade, despertada nos anos 60 e vivenciada agora sem tantas formalidades religiosas, já se incorporara à cultura ocidental. Foi o esoterismo pop, no entanto, esse monstrengo ideológico, que se mostrou mais vendável, e assim tudo passou a ser esotérico para poder vender: era a sensação consumista dos anos 1990. Shirley McLaine, no cinema, falou de vidas passadas, e o mago Paulo Coelho, nos livros, tornou-se fenômeno mundial de vendas. Agora, início do novo milênio, para desespero de seus críticos, o furacão do esoterismo pop ainda mostra fôlego, explorando (e deturpando) aspectos das tradições milenares.
A espiritualidade do novo milênio é multifacetada, reflexo do caos de valores e informações. Anjos, pirâmides e vidas passadas ainda vendem horrores, mas é interessante ver que em muitas pessoas a espiritualidade mostra-se mais madura e menos bitolada, chegando, em alguns momentos, a abranger questões bioéticas, sociopolíticas e ecológicas, e a flertar com valores como diversidade das crenças e autoconhecimento psicológico. Até que nem tanto esotérico assim. .
Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, o autor nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.
Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?
Carma de mãe para filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas
I Ching das patricinhas –Se alguém procura revelações com pressa e sem seriedade, jamais terá as revelações
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
As qualidades e defeitos que você supervaloriza em algo ou alguém, na verdade quem os possui é você mesmo
O MELHOR INVESTIMENTO DO MERCADO
. Certa empresa de calçados, disposta a montar uma fábrica em outro país, enviou para lá um técnico para sondar o mercado local. Ele foi, estudou as possibilidades e escreveu um relatório onde concluía: “Péssimo mercado! Ninguém usa sapatos.” A empresa então, seguindo suas recomendações, desistiu da ideia de montar a fábrica por lá. Por que investir tanto num lugar onde as pessoas sequer usavam sapatos?
Anos depois, outro técnico foi enviado ao mesmo país para mais uma sondagem, talvez as coisas houvessem mudado por lá. Ele foi, estudou as possibilidades e escreveu um relatório onde concluía: “Excelente mercado! Ninguém usa sapatos.” A empresa então, seguindo sua conclusão, decidiu montar a fábrica, empolgada com o enorme mercado à espera de ser conquistado.
Qual dos dois técnicos tinha razão? Eu diria que ambos, pois a realidade nada mais é que nossa interpretação dela. A maneira como vemos as coisas já determina, por si só, o que essas coisas serão para nós. Se entendemos o mundo como um lugar violento onde somente a violência dita as regras, terminaremos sendo mais um aspecto dessa violência e teremos de seguir suas regras e sermos mais violentos para sobreviver ‒ está formado o círculo vicioso. Claro que existe violência, sim, mas o mundo também é um lugar bonito, com coisas boas. Infelizmente, algumas pessoas valorizam tanto a violência dentro de si mesmas que terminam regendo sua vida com base no competivismo, na ganância e na violência. Valorize uma coisa e ela existirá para você cada vez mais forte, e você, consequentemente, a valorizará ainda mais e assim por diante.
O primeiro técnico compreendeu a realidade ao seu modo e a partir daí tomou suas decisões, e assim aquele país continuou sendo um péssimo mercado para a empresa. E continuaria sendo até que outro alguém compreendesse a realidade de outro modo e assim… a transformasse. A psicologia do inconsciente descobriu que projetamos sem perceber, nas pessoas e coisas ao redor, tudo o que não sabemos bem de nós mesmos. Isso significa que as qualidades e defeitos que você supervaloriza em alguém, na verdade quem os possui é você mesmo, pois se não possuísse, não valorizaria tanto nos outros.
Claro que, independente de nós, existem pessoas maldosas e violentas. Tem gente que é capaz de matar pai e mãe só para não perder o baile dos órfãos. Mas o que importa aqui é o quanto valorizamos as coisas no sentido de exagerar-lhes a importância. Ninguém pode ver, no mundo externo, algo que, de certa forma, já não exista em seu interior. É estranho dizer isso, mas a realidade precisa de nossa compreensão dela para existir. O que conhecemos por realidade, então, não passa de uma compreensão intensamente compartilhada que desde pequenos aprendemos a sedimentar em nossas mentes. E para mudar a realidade, tudo que precisamos é mudar… o modo como a vemos.
A vida é um péssimo mercado? Se essa foi a conclusão que um dia se sedimentou em sua mente, então é melhor mesmo não investir nada, pois você só terá prejuízo. Mas você pode ver a vida como um excelente mercado, sim. Nesse caso, não perca tempo. Termine logo esta crônica e olhe ao redor com melhores olhos. É lucro garantido.
Pesadelos reais – A realidade, em si, não existe – o que existe é nossa interação com ela. Filme: Alucinações do Passado
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
. Meu super-herói da infância foi o Tarzan. Eu adorava ler os livros com as aventuras do homem-macaco criado por Edgar Rice Burroughs, e o imitava até quando queria chamar meu vizinho para brincar: subia no muro, punha as mãos em torno da boca e mandava o famoso berro: Ôôô-uôôô-uôôôôô!!! Como você pode ver, desde pequeno que me falta a noção do ridículo.
Na adolescência, veio o Homem-Aranha, criação de Stan Lee e Steve Ditko. Desajeitado com as mulheres e sempre à volta com dilemas existenciais, o Aranha era eu. Felizmente, nunca precisei lutar contra o cruel Duende Verde preocupado com a hora de chegar em casa porque cuidava da tia doente.
Aí eu cresci e meus heróis passaram a ser feitos de arte. Primeiro, Raul Seixas e sua sociedade alternativa, com quem perdi o medo da chuva. Depois, Jim Morrison, o cantor da banda The Doors. Poeta, literato, pinguço – eu agora era Jim pelas noites da cidade. E veio também Bukowski, o escritor que bebia, vomitava e publicava o próprio vômito, e eu sorvia tudo com gosto.
O herói seguinte era feito de vento, e nas manhãs de domingo me ensinava sobre autossuperação e não desistir jamais: Ayrton Senna. Aos 30, descobri Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço que nos legou um valioso mapa para a autoexploração psicológica, e que me guiaria pelas tempestades do amadurecimento. Jung me levou ao mitologista Joseph Campbell e nunca mais esqueci que devo seguir a minha bem-aventurança, onde quer que ela esteja.
Overman é outro super-herói querido. Criação da genial Laerte, Overman mora numa pensão do Ipiranga, vive grilado com seu uniforme e tem inimigos como o Passador de Trote e o Maníaco Flatulento, que matou seus pais num elevador. Quando não venta, ele precisa do ajudante para balançar sua capa. Infelizmente, até hoje Overman não sabe qual é sua identidade secreta, pois sempre que vai tirar a máscara em frente ao espelho… a campainha toca. Ah, tem também o Capitão Presença, o único super-herói que assume que fuma maconha. Sim, pois o que tem de herói maconheiro no armário é um horror. Criado por Arnaldo Branco, o corajoso Presença é o único super-herói que realmente salva: sempre chega trazendo um baseado para livrar a humanidade da secura. Ele bem que podia passar por aqui no sábado…
E heroínas? Tive algumas. Morgana, a sacerdotisa pagã, irmã do rei Arthur. Taí, eu casaria com Morgana, e morreríamos juntinhos, defendendo Avalon da invasão do cristianismo. Personificando a beleza e a poesia, Bruna Lombardi foi outra heroína: me vali muito de seus poemas para amolecer certas resistências femininas. Casaria também, claro, mas o Riccelli chegou primeiro. E também teve Druuna, ai, Druuna. Personagem da série de quadrinhos de ficção científica-erótica do Serpieri, ela é uma gostosa linda e ninfômana que encara o que vier, sem importar a galáxia do pretendente ou da pretendente ou de quantos sejam. Eu casava facim, e sem exigir exclusividade.
Putz. Num só parágrafo casei três vezes. Deve ser influência dele, Vinicius de Moraes, que em 2009 ressurgiu direto da minha adolescência, romântico e eternamente apaixonado, e hoje é meu guru. Foi ele que me reconduziu aos palcos, para falar de poesia, amor, amizade e alegria. E assim como ele, entendo finalmente que se a arte dá sentido à minha vida, é só a mulher que pode, de verdade, me salvar. Se é que ainda tenho salvação.
. Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com
.
.
VINICIUS, O GURU
Vinicius Show de Moraes – Um show que homenageia Vinicius com suas músicas, seus poemas e as histórias da sua vida .
.
.
HERÓIS E HEROÍNAS
Jung: a ciência revolucionária – Como pesquisador da consciência, psicoterapeuta, antropólogo e pensador, Jung levou suas descobertas a uma abrangência notável, refletindo sempre sua preocupação com o futuro da Humanidade
Minha vida com Jim Morrison – Acordar e pegar logo uma cerveja pois o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto
As Brumas de Avalon – Identifiquei-me tanto com Morgana, com sua luta em preservar Avalon, seu sofrimento e sua solidão, seu amor não correspondido, que me peguei desejando voltar no tempo pra me casar com ela
Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra
Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro
A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?
Galinha ao molho conjugal – Então fizemos uma aposta. Qual dos três conseguiria resistir mais tempo ao casamento?
Confissões de um míope – O míope então restringe suas relações visuais com as pessoas a um raio de dez metros e quem estiver além disso não faz parte de seu mundo. E acaba ganhando uma imerecida fama de boçal
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
.
.
COMENTÁRIOS .
01- os heróis do meu herói. = ) Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – out2013
Concorra a um fim de semana pra casal numa das praias mais lindas do mundo
.
Criei uma promoção pra divulgar o lançamento de meu livro de contos Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos. Ela brinca com a crença que o mundo vai acabar em 21 de dezembro de 2012. A promoção acontece no Facebook e pra participar, basta compartilhar a postagem da promoção e deixar nome e cidade. Obrigado à Pousada Casa do Ângelo, que tem o saudável hábito de apoiar causas culturais. Eis o texto:
.
FIM DO MUNDO INESQUECÍVEL EM JERICOACOARA
> sorteio de pacote para casal (3 dias + transporte + livro)
Se o mundo vai mesmo acabar no fim do ano, melhor estar numa praia paradisíaca, hospedado numa pousada aconchegante e acompanhado do novo livro de contos de Ricardo Kelmer. E se o mundo não acabar, você terá boas histórias pra contar…
SORTEIO – A Pousada Casa do Ângelo, em Jericoacoara-CE, sorteará um pacote de 3 dias (21 a 23.12.12) para casal, incluindo transporte ida e volta Fortaleza-Jericoacoara-Fortaleza, além de 1 exemplar do livro Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos (contos fantásticos, Editora Arte Paubrasil), de Ricardo Kelmer. Para participar compartilhe esta postagem e deixe seu nome e cidade. Sorteio: 31.10.12 pela Loteria Federal. O prêmio nao é transferível. Se você curtir a página do livro, ganhará mais dois livros do autor (à sua escolha).
DESCONTO – Participantes da promoção podem adquirir o livro por R$ 22, com dedicatória e frete incluído.
LEITORES QUE ADQUIRIRAM NA PRÉ-VENDA receberão o livro pelo correio até o início de novembro
CE – Alyson Fernandes Basilio, Bruna Braun, Camila Souza, Cledson Ramos Bezerra, Danielle Freire, Esther de Paula, Fabio Oliveira, Felipe Araújo, Gustavo Lima Verde, Hawylla Gonçalves, Jefferson Roberto, Lano Lima, Letícia Silva, Linda Mascarenhas, Michele SJ, Paulo Costa, Quel Raquel, Rochelle Araujo, Sandra Alves Ribeiro, Soraya Aquino (Fortaleza), Adryanno Ferreira, Paula Izabela (Juaz. do Norte)
PB – Samantha Pimentel (Campina Grande)
PR – Ana Cristina Suzina (Ponta Grossa)
PI – Teresinha Itapirema (Parnaíba)
RR – Suely Bezerra (Boa Vista)
SP – Juliana Martins (SB do Campo), Barbara Leite, Durval Brasil, Maria Do Carmo Antunes, Maria Pimentel (São Paulo)
.
SOBRE O LIVRO
Publicado originalmente em 1997, o livro foi reescrito e alguns contos mudaram bastante. Em minha opinião, ficou bem melhor. Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, os personagens são surpreendidos por estranhos acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmos e deflagram crises tão intensas que podem se transformar numa questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses pessoais.
LANÇAMENTOS – Em breve divulgarei as datas e locais dos lançamentos em São Paulo, Fortaleza e outras cidades.
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer.(saiba mais)
Como pesquisador da consciência, psicoterapeuta, antropólogo e pensador, Jung levou suas descobertas a uma abrangência notável, refletindo sempre sua preocupação com o futuro da humanidade
JUNG – A CIÊNCIA REVOLUCIONÁRIA
. A psicologia analítica de Jung é um caso curioso na ciência. Embora suas ideias sobre a psique tenham se entendido muito bem com outras ciências como a física quântica, a antropologia e a sociologia, Jung sempre foi considerado um tanto místico por grande parte de seus colegas psicólogos, tendo suas ideias relegadas a uma importância menor na história da psicologia e do pensamento contemporâneo.
Somente agora, quatro décadas após sua morte, suas teorias a respeito da psique começam, de fato, a ser levadas a sério no meio acadêmico, influenciando psicólogos, psiquiatras e os novos cientistas da consciência. A notável abrangência de seu trabalho também tem alcançado profissionais de áreas distintas como médicos, educadores e artistas, o que tem feito com que suas ideias sejam cada vez mais incorporadas pelo público médio.
Afinal, o que possuem as ideias de Jung que tanto aproxima as ciências e o qualifica como o primeiro pensador da pós-modernidade e um dos mais revolucionários pesquisadores da consciência? .
Carl Gustav Jung nasce em 1875, em Kesswill, na Suíça. Forma-se médico e especializa-se em psiquiatria, ciência em formação. O interesse pelos distúrbios mentais o faz desenvolver profundos estudos sobre a mente e suas conclusões o aproximam de Freud em 1907. O já famoso psicanalista judeu-austríaco é figura polêmica no meio acadêmico e enfrenta dificuldades para ter levadas a sério suas ideias sobre o inconsciente. Freud logo reconhece o alto valor do suíço e vê nele, no não judeu, a cabeça ideal para levar adiante a psicanálise. Jung, chefe de clínica do renomado hospital psiquiátrico de Zurique, mesmo ciente dos riscos que corre sua carreira e vendo limitações comprometedoras nas teorias do mestre vienense, toma defesa de Freud em público e tornam-se colaboradores.
Seus estudos e sua experiência clínica, porém, levam-no a divergir da psicanálise e a dolorosa ruptura acontece em 1912. Freud sente-se traído. E Jung vê-se em apuros, pois conhecidos e amigos o abandonam. Inicia-se aí o período mais difícil e delicado de sua vida, onde ele abandona as atividades acadêmicas e parte para um solitário, terrível e decisivo confronto com o inconsciente ‒ que levará anos e quase lhe será fatal.
Mas Jung supera o desafio, emerge dessa fase revigorado e prossegue com seus estudos, mesmo consciente que dificilmente a mentalidade científica ocidental levará a sério coisas como inconsciente coletivo, mitologia e alquimia, para ele fundamentais na compreensão dos processos psíquicos. Morre aos 86 anos, em 1961, deixando uma instigante obra, ainda hoje revolucionária.
Atualmente, percebe-se um aumento de interesse pelo pesquisador suíço, tanto no meio acadêmico quanto pelo público médio, mas até poucos anos atrás a grande maioria dos cursos de psicologia dedicavam, quando muito, uma ou duas aulas às ideias de Jung. Assim como a medicina tradicional ainda está, na maior parte, presa ao paradigma mecanicista newtoniano, nossa psicologia “oficial” ainda é freudiana-psicanalítica. No entanto, alguns pesquisadores desde cedo apoiaram as teorias do suíço, inclusive físicos (!) que viram em suas inusitadas descobertas no mundo das partículas subatômicas incríveis semelhanças com as teorias junguianas sobre o funcionamento da psique. Para esses cientistas, o mundo dos átomos revelava uma espécie de consciência e, de repente, era como se mente e matéria não fossem tão distintas assim e se influenciassem mutuamente ‒ como afirmava Jung, desafiando o paradigma newtoniano-descartiano ainda hoje vigente. Sociólogos e antropólogos também o apoiaram, e a psicologia transpessoal surgiu a partir dele.
Como pesquisador da consciência, psicoterapeuta, antropólogo e pensador, Jung levou suas descobertas a uma abrangência notável, refletindo sempre sua preocupação com o futuro da humanidade. Suas ideias estão cada vez mais presentes nas universidades, em livros, filmes, na vida cotidiana e nas novas maneiras de se interpretar a realidade.
ciência e eu superior
Jung afirma que o inconsciente não é subproduto da consciência nem mero depósito para onde são desviados desejos recalcados e frustrações sexuais, como pensava Freud. Para Jung, a consciência individual é que é produto do inconsciente coletivo da humanidade e traz consigo sua própria porção inconsciente, que, com seus conteúdos escondidos da luz da consciência, influencia o comportamento do indivíduo. Nos recônditos escuros da psique o inconsciente está sempre atuando, e faz com que os sonhos, em sua linguagem simbólica, sejam a representação fiel dos processos psíquicos ‒ nosso apego à racionalidade é que nos afastou da linguagem dos símbolos e não mais a entendemos.
Aprendemos com Jung que o sentido da vida é a individuação, espécie de impulso natural da psique rumo à concretização da potencialidade que trazemos em nós (realização da personalidade total). Esse processo inclui um profundo conhecimento de si próprio pela autoinvestigação psicológica, fazendo-nos mais cientes de nós mesmos e mais capazes.
Para Jung, o processo de individuação é conduzido por um tipo de centro ordenador da psique, que ele denominou self (si-mesmo) e que seria ao mesmo tempo o centro e a totalidade da psique. Individuar-se significa ampliar a consciência, a área superficial da psique. Representa separar-se da massa, do turbilhão inconsciente, e adquirir autonomia. Tornar-se uma totalidade psicológica, una e centrada, sem divisões internas: um “in-divíduo”. Este é o caminho para a personalidade total e a mais íntima realização pessoal. Para Jung, o futuro da humanidade dependerá diretamente disso, da quantidade de pessoas que conseguirem se individuar.
Não é difícil imaginar o quanto isso deve ter soado místico a certas mentalidades. Quer dizer então que se eu entrar nessa, meu eu superior passa a cuidar de mim? ‒ gozam os mais céticos. Há, porém, os que pagam para ver.
taoísmo, alquimia, ufologia
Jung foi ousado ao valorizar o estudo da mitologia, das religiões e da sabedoria oriental, mostrando a ponte para ligar dois modos distintos, mas não excludentes, de interpretar a realidade. Seu conceito de sincronicidade (coincidência envolvendo estados psíquicos e acontecimentos físicos sem relação causal entre si) apresentou à mentalidade científica o mecanismo das grandes coincidências, dos oráculos como o tarô e dos eventos ditos ocultos.
Ele sugeriu que, assim como a ideia taoísta de unicidade, nosso inconsciente pessoal está ligado a todos os outros formando um inconsciente maior, único e coletivo, o que faria nossos pensamentos todos interconectados. Chegou à corajosa conclusão que a humanidade guarda em seu inconsciente geral o registro de todas as suas vivências, mesmo as mais arcaicas (mitos e arquétipos) e assim o passado de um torna-se patrimônio de todos (viria daí, afinal, a ideia de que já fomos alguém em outra vida, presente em tantas culturas?). Mostrou que o I Ching, o milenar livro chinês das mutações, constitui a primeira tentativa documentada de relacionar o inconsciente e o Universo e, assim, a mentalidade oriental deveria ser vista com mais atenção. Jung falava de intercâmbio, não de descarte, entre distintas percepções da realidade. Mas a ciência tradicional deu risinhos.
Seus estudos sobre a alquimia medieval mostraram que ela é precursora da nossa ciência do inconsciente. A relação mente-matéria já era conhecida dos alquimistas que, em sua linguagem, descreviam simbolicamente os processos psíquicos. Sobre isso, diz a psicóloga Nise da Silveira, uma das mais respeitadas estudiosas da obra de Jung no mundo: “A exploração em profundeza do inconsciente levou ao curioso achado de que os mais universais símbolos do self (si-mesmo) pertencem ao reino mineral. São eles a pedra e o cristal. Se o psicólogo, nas suas investigações através das camadas mais profundas da psique, encontra a matéria, por sua vez o físico, nas suas pesquisas mais finas sobre a matéria, encontra a psique.”
As ideias de Jung influenciam até mesmo a ufologia. Hoje, pesquisadores de todo o mundo se debruçam intrigados sobre o fenômeno óvni e o drama psicológico dos contatados e abduzidos (pessoas que dizem ter contatos com extraterrestres), buscando pistas que possam nos ajudar a compreender por que tudo isso está acontecendo.
Já em 1958, em seu livro Um Mito Moderno sobre Coisas Vistas no Céu, Jung alertava que é preciso pensar nesses discos voadores de um modo mais abrangente e captar a verdade psicológica das aparições, não importando se são verdadeiras ou não. É preciso entender que quando um mito emerge das profundezas da psique para a vida cotidiana, força a consciência a integrar novos aspectos da existência e inaugura uma nova fase de evolução psíquica. Assim sendo, estamos, todos nós, nesse exato momento, sendo atingidos pelo forte impacto desse mito moderno e, confusos, ainda não entendemos exatamente que diabo está acontecendo. Os contatados e abduzidos são, no entanto, os mais atingidos. Como pioneiros, eles são forçados a vivenciar certas experiências que podem conduzir a humanidade a uma nova e mais abrangente compreensão da realidade e de si mesma.
Para Jung, o desequilíbrio psicológico levou a humanidade a um terrível impasse evolutivo: ou nos tornamos seres mais autoconscientes ou nos exterminaremos a todos. O fenômeno dos discos voadores, mito que alcançou a consciência coletiva no meio do século 20, é assim uma projeção inconsciente, nos céus, de um intenso anseio coletivo de salvação num momento crucial de desespero. As luzes e imagens circulares que vemos são a mais antiga e perfeita representação simbólica do arquétipo da unificação, equilíbrio e totalidade psíquica: o círculo. É a psique coletiva da humanidade a jogar aos céus seu recado urgente: “Atenção todos! Precisamos nos tornar mais inteiros e unificados!”
As teorias junguianas sobre o fenômeno óvni são inadequadas para provar a existência física de naves e extraterrestres, é verdade. Mas esse não é seu papel. Elas agem contribuindo para alargar nossa compreensão do fenômeno, alertando para a relação entre o que ocorre na alma da humanidade e o que está acontecendo nos céus de nosso planeta.
o chamado para dentro
Jung deu o nome de psicologia analítica à sua psicologia. Ela difere da psicanálise em muitos pontos, mas ele mesmo não descarta a importância dessa para alguns tipos específicos de terapia. A psicologia analítica incentiva o indivíduo a descer os degraus escuros do inconsciente e, uma vez lá, reconhecer o que ele na verdade é e integrar esses conteúdos à consciência, tornando-se um ser mais completo e autoconsciente. Assim como alguém faz um curso de computação para investir em seu futuro, muitos procuram a psicoterapia para autoconhecer-se e saber de suas potencialidades. Aí está um grande investimento: conhecer-se melhor. Para viver melhor.
O processo de individuação será sempre algo difícil. Mas ele é a base da existência. Durante muito tempo nós o vivemos apenas superficialmente, mas em algum momento a psique chama o ego a voltar-se para dentro, a conhecer-se e vasculhar no interior as verdades até então buscadas fora. A partir daí novos horizontes se abrem para a realização pessoal. Entretanto, mesmo sob esse impulso natural, o ego, temeroso de confrontar-se com seus medos mais íntimos, pode se recusar a tal interiorização. Nesse caso, ele estará impedindo o fluxo natural de sua evolução, e a psique, em sua capacidade autorreguladora, encaminhará a vida a um conflito insustentável, ocasionando doenças, fracassos e até mesmo a morte.
O autoconhecimento psicológico nos faz ver que os conflitos da humanidade acontecem primeiro dentro de cada um, sutilmente, para depois se exteriorizarem. Para Jung, entendermo-nos com aquilo que não conhecemos de nós mesmos é o grande passo que falta ao Homo sapiens. Só assim deixaremos de ver o inimigo no outro e o reconheceremos onde sempre esteve, dentro de nós mesmos. Esta é uma verdade simples, que poucos enxergam. Mas que traz em si a força das maiores revoluções.
Livros: He, She, We– Os rios de nossas vidas na verdade correm por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, também percorreram
Mulheres na jornada do herói – Elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas
Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, o autor compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.
.
.
Seja Leitor Vip e ganhe:
– Acesso aos Arquivos Secretos – Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
Escritor, ateu, socialista, antifascista. Amante da arte, devoto do feminino, ébrio de blues. Fortaleza Esporte Clube. Fortaleza-CE.
Em meio a problemas no casamento, Téssio é transportado para o passado e lá encontra a si mesmo e a sua mulher Ariane, aos vinte anos de idade. Envolvidos numa conflituosa relação a três, eles precisarão lidar com novos e antigos sentimentos enquanto Téssio tenta retornar à sua vida oficial.
VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Um grupo de amigos que viveu na Dinamarca do sec. 14 se reencontra no sec. 20 no Brasil para salvar o mundo de malignas entidades do além. Resumo de filme? Não, aconteceu com o autor. Líder desse grupo aloprado, Kelmer largou uma banda de rock e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso, que depois renegou: Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá. As pitorescas histórias desse grupo são contadas com bom humor, entre reflexões sobre carreira literária, amores, sexo, crises existenciais, prostituição e drogas ilegais. Kelmer conta também sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.
PENSÃO DAS CRÔNICAS DADIVOSAS
Nesta seleção de textos, escritos entre 2007 e 2017, Ricardo Kelmer exercita seu ofício de cronista das coisas do mundo, ora com seu humor debochado, ora com sobriedade e apreensão, para comentar arte, literatura, comportamento, sexo, política, religião, ateísmo, futebol, gatos e, como não poderia deixar de ser, o feminino, essa grande paixão do autor, presente em boa parte desta obra.
INDECÊNCIAS PARA O FIM DE TARDE
Contos eróticos. As indecências destas histórias querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.
Agenda
2026
Lançamento do livro Fortaleza Prometida do Sol (abr)
Coordenação do estande de literatura cearense na Feira de Artesanato do Cantinho do Frango (mensal)
Coordenação da Confraria Literati (@confrarialiterati), divulgadora da cena literária cearense
O IRRESISTÍVEL CHARME DA INSANIDADE
Romance. Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal?
Junte-se a 238 outros assinantes
GUIA DE SOBREVIVÊNCIA PARA O FIM DOS TEMPOS
Contos. O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba?
PESQUISE NESTE BLOG
PARA BELCHIOR COM AMOR
Organizada pelos escritores Ricardo Kelmer e Alan Mendonça, esta terceira edição foi enriquecida com ilustrações e novos autores, com mais contos, crônicas e cartas inspirados em canções de Belchior. O livro traz 24 textos de 23 autores cearenses, e conta com a participação especial da cantora Vannick Belchior, filha caçula do rapaz latino-americano de Sobral, que escreveu uma bela carta para seu pai.
Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.
Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens... Em cada um dos 36 contos e crônicas deste livro, encontramos o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.
Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado…