É hora de converter os deuses

15dez2012

Se ainda há deuses, como Dinheiro, que exigem vidas humanas em seu nome, é preciso então deixar de crer neles e tentar convertê-los

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É HORA DE CONVERTER OS DEUSES

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Muito já foi dito sobre o delicado momento que agora vivemos, o terrorismo, as desigualdades, as intolerâncias… E eu, particularmente, não pretendo explicar a confusão toda. Meu objetivo com esta crônica é apenas dar voz a alguém que teria muito a contribuir caso lhe dessem atenção. Essa pessoa é Francisco, o pobrezinho de Assis.

A vida de Francisco de Assis possui um brilho contagiante. Além de consagrado santo pela Igreja Católica, ele é patrono da ecologia, e a revista americana Time o elegeu a personalidade do 2º milênio. Simplicidade, ternura, coragem, desprendimento e grandiosidade fazem deste homem uma das figuras mais  admiradas de toda a história.

Francisco foi um revolucionário. Desprezou a vida cômoda de sua rica família italiana pela luta diária de viver, ao pé da letra, os ideais de seu mestre Jesus Cristo. Por isso, desfez-se de todos os bens e saiu pelo mundo a pregar simplicidade, desapego, paz, alegria e amor pela vida e pela Natureza. Seu estilo hippie em pleno século 13 representava uma incômoda subversão de valores, para a sociedade e para a rica e pomposa Igreja.

Espírito prático e direto, ele interpretou radicalmente a mensagem de seu mestre e, assim sendo, o modo obviamente correto de servi-lo seria ser como ele, um pregador pobre e andarilho, vivendo da caridade alheia e dividindo-a com seus amigos pobres, mendigos e leprosos. Para Francisco, isso era de uma obviedade gritante feito o sol do meio-dia. Como seu mestre, ele foi incompreendido e perseguido, contrariou interesses e desafiou poderosos. Da mesma forma que o nazareno, ele também lutou contra seus demônios íntimos para no fim apaziguá-los e arrebanhá-los dentro de sua alma bondosa e enluarada, fortalecendo-se ainda mais.

E o que isso tem a ver com atentados terroristas e a ameaça de guerras e hecatombes? Tudo. Contra o terror que se nutre do fundamentalismo religioso e mata em nome de seus deuses, e o outro terror, que se alimenta do fundamentalismo econômico e mata em nome do deus Mercado, somente outro tipo de fundamentalismo pode nos salvar: o do amor incondicional pela humanidade e por tudo que vive, amor que não possui deus em nome de quem matar. Um amor franciscano.

Francisco é um ícone católico, sim, mas ele não respeitava as estúpidas e perigosas fronteiras entre as religiões, e por isso fez amigos cristãos, judeus e muçulmanos. Francisco contagiou o mundo com sua imensa ternura fraternal e o absoluto respeito por tudo que é vivo, pessoas, bichos, árvores e montanhas. Pois é exatamente esse o desafio que agora se nos impõe. Nesse momento crítico da humanidade, a vida exige o nosso máximo respeito por ela, em todas as suas manifestações, para que possamos continuar a existir. Chega a ser ridiculamente óbvio. Mas essas coisas são óbvias mesmo, diria Francisco, sempre sorridente. Se ainda há deuses, como Dinheiro, que exigem vidas humanas em seu nome, é preciso então deixar de crer neles e tentar convertê-los, ensinar-lhes o amor e respeito à vida.

Converter um deus?! Sim, por que não? O deus cristão do antigo testamento, rancoroso, vingativo e lançador de pragas, não se tornou um deus do amor e do perdão? Bem, ele foi forçado a isso por suas próprias criaturas, é verdade, mas sendo assim, por que os outros deuses a quem atualmente veneramos também não podem se tornar mais justos? Não custa tentar. Sejamos um pouco ingênuos e práticos, como Francisco, e façamos como ele fez naquela inesquecível manhã de inverno na praça de Assis: renunciemos a esses deuses que não respeitam a vida, devolvamos-lhes o que conquistamos em seu nome e iniciemos uma nova caminhada, sem o peso limitante de velhas crenças que não nos servem mais.

Quem sabe assim esses deuses caducos se convençam do óbvio: é melhor que eles mudem para fazer parte do novo mundo que virá, do que sumirem de vez nas sombras do que não tem futuro.

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Ricardo Kelmer 2001 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

> Francisco de Assis na Wikipedia

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