Guia do Escritor Independente cap 1

10/08/2010

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Guia do Escritor Independente
Como publicar livros e gerenciar a carreira literária

(Dicas, Miragem Editorial/2007)

As mudanças na sociedade e as novas tecnologias possibilitam cada vez mais aos escritores a possibilidade de desenvolver suas carreiras sem necessariamente estarem ligados a alguma editora. Hoje é possível publicar, divulgar e vender os próprios livros usando-se a internet e outros meios alternativos, baratos e eficientes.

Com sua experiência no mercado editorial oficial e alternativo, o autor resume neste livro as ideias que divulga em suas palestras e oficinas, mostrando que os novos autores podem gerenciar a própria carreira, publicando e vendendo seus livros, conquistando seu público e realizando, assim, o velho sonho de ser escritor.

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Cap 1

CIRCUITO OFICIAL

Editoras

Ter uma boa editora, que lhe adiante dinheiro para escrever, que cuide da distribuição, venda e divulgação e que de três em três meses deposite em sua conta os direitos autorais. É o sonho dourado de todo escritor: Mas uma minimíssima parte o realiza. Por que é tão difícil?

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gráficas e editoras

De modo geral, editora é a empresa que reúne autores, publica e vende seus livros. E gráfica é a empresa que apenas imprime os livros. Mas há gráficas que se dizem editoras. E já existem editoras por demanda, onde o autor paga para publicar seu livro em pequenas quantidades sempre que precisar.

Como as editoras de modelo tradicional, que investem na publicação da obra, não se interessam nem dão conta da quantidade de autores que querem ser publicados, o mercado das editoras por demanda vem crescendo bastante e algumas dessas editoras já trabalham com modelos de negociação parecidos com as editoras tradicionais, inclusive vendendo os livros em seu site e distribuindo para as livrarias.

livro bom e livro ruim de venda

Você, autor, encontrará muitas editoras por demanda, onde será você quem investirá para publicar seu livro. Mas uma boa editora, que aceite investir em seu livro, você não encontrará facilmente. Como em todo negócio, no ramo dos livros os investidores (editoras tradicionais) buscam aquilo que lhes dê lucro e, por isso, não costumam arriscar demais.

Isso não quer dizer que todo editor só publica aquilo que considera que venderá bastante. Muitas vezes os editores publicam livros “difíceis de vender” porque pessoalmente eles gostam daqueles livros ou acham que devem publicá-lo por motivos que nada têm a ver com lucro comercial. Isso é ótimo para o autor e para o mercado – mas só é possível porque a editora dispõe em seu catálogo de livros “mais comerciais”, que vendem bem e, assim, compensam investimentos do editor em obras “difíceis de vender”.

As editoras tradicionais recebem, todo ano, centenas de originais. Os critérios de análise são variáveis, mas as maiores chances são dos autores já conhecidos do mercado ou daqueles que foram indicados por alguém conhecido do pessoal da editora. As chances de seu original ser devidamente lido e analisado, amiga autora ou amigo autor, são mínimas. Primeiro porque a maior parte do que chega às editoras é de baixa qualidade ou, se tem qualidade, não se adequa ao perfil de publicações ou se trata daquele tipo de livro que pode até ser bom mas é ruim de venda.

Então, como fazer? Bem, o ideal é que você conheça alguém na editora ou seja indicado por alguém. Não é o seu caso? Então só lhe resta seguir escrevendo e enviando seus originais. Mas tenha o cuidado de enviá-los a editoras que têm a ver com seu livro, o que você descobre visitando seus sites. Uma opção é assinar sites que prestam serviços de intermediação entre autores e editoras.

GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05anegociando seu livro

Há várias maneiras de negociar seu livro com as editoras tradicionais. O procedimento padrão das grandes editoras é fechar um contrato de exclusividade da obra por 5 anos, ao término do qual pode haver renovação ou não, e são elas que geralmente decidem sobre projeto gráfico e preço final do livro.

Quanto à divisão de valores, elas costumam arcar com os custos de produção, distribuição e divulgação e repassar ao autor 10% do valor das vendas, sempre tomando por base o preço final do livro ao consumidor. No preço de capa de um livro participam a editora, o ponto de venda, o autor e, quando há, o distribuidor. Geralmente 50% ou 60% desse valor ficam com a editora, que pagará os custos de produção e divulgação (20%) e direito autoral (10%), ficando com um lucro aproximado de 20% a 30%. Os outros 30% a 50% ficam para a livraria e, quando há, o distribuidor.

No modelo das editoras tradicionais, o autor recebe sua fatia pelas vendas a cada 3 meses. Caso ele deseje comprar exemplares de seu livro, geralmente ganha 40% ou 50% de desconto sobre o preço final. Há editoras que adiantam parte dos direitos autorais quando calculam que o livro venderá bem, o que permite ao autor escrever ou finalizar seu trabalho já com um dinheirinho no bolso.

Há outros sistemas de negociação. Algumas editoras pagam os 10% de direito autoral em forma de livros. Por exemplo: numa edição de 1.000 exemplares, o autor ganha 100 exemplares. Pode compensar se o autor tem como vendê-los.

Há editoras que aceitam dividir o investimento com o autor, ou seja, o autor banca a impressão e a editora fica com os custos de distribuição. Há várias possibilidades de negociação, cada uma com suas vantagens e desvantagens, dependendo das necessidades e dos interesses de autor e editora.

É importante saber que numa editora com muitos livros e autores, ela não os tratará igualmente da mesma forma em relação a divulgação e promoção. Cada editora tem seus critérios e quanto a isso não há muito que se fazer. Mas um autor inteligente e atuante, que não fica parado esperando o sucesso lhe chegar à porta, este tem mais chances de receber mais atenção de sua editora. E, evidentemente, do mercado.

livro digital

A negociação sobre a versão eletrônica da obra (também conhecida por e-book ou livro digital) envolve valores e percentuais diferentes do livro impresso. O ideal é que a editora ofereça ao autor as duas opções de publicação.

agente

Agente literário é o profissional que representa os interesses do autor. É o equivalente ao empresário para o artista. O agente é especialista em mercado editorial e deve saber o que é melhor e pior para seu autor representado, negociando contratos e participações em eventos e estando sempre atento às melhores oportunidades. Sua remuneração costuma ser feita em forma de comissão, paga pelo autor. Há também agentes que avaliam originais e os oferecem às editoras, sendo remunerados por serviço prestado.

Infelizmente, como o mercado editorial brasileiro ainda é pouco desenvolvido, há poucos agentes.
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(continua no próximo capítulo)

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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GuiaDoEscritorIndependenteAmazon-05aLEIA O LIVRO NA ÍNTEGRA

Cap 1:  Circuito oficial
Cap 2:  Circuito alternativo
Cap 3:  Autogerenciamento
Cap 4:  Os oito mandamentos do ofício de escritor

> ou compre aqui

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Odair José primeiro e único

07/08/2010

07ago2010

Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

ODAIR JOSÉ, PRIMEIRO E ÚNICO

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Sujeito interessante esse goiano de Morrinhos. Ele ri pouco, mas vê-se que é boa-praça. Tem cara de bandido de velho-oeste. Mas suas músicas possuem uma ternura que salta aos olhos. Odair José é remanescente dos tempos em que não havia FM, a música popular não era tão diversificada como hoje e o rótulo “brega” sequer existia – em 1972 todo mundo era brega. Mas ninguém sabia disso.

Sua entrevista no Jô Soares Onze e Meia, em 1996, foi memorável. Odair contou como começou a se apresentar em Goiânia e de lá, ainda adolescente, foi para o Rio de Janeiro, onde chegou no fim dos anos 1960 e foi artisticamente adotado pela zona. Ele e seu violão já dormiram pelos banheiros da rodoviária de Londres. Mas o melhor é a música. Jô pede que ele toque algo. Ele pega o violão, assume aquele ar compenetrado de não-riam-porque-é-sério e toca. Do fundo do coração. A plateia ainda ensaia uns risinhos. O entrevistador tenta inserir piadinhas. Mas é inútil: Odair continua sério, mesmo cantando coisas que a maioria só cantaria de gozação.

Suas canções destilam considerações filosóficas sobre Deus, a vida, o amor, a paternidade, a solidão. Cheias de óbvios risíveis como só as grandes verdades podem ser. Mas também falam de garotas de programa, pílulas anticoncepcionais e empregadas domésticas envergonhadas. Tudo numa franqueza admirável. Tem o cara que comprou uma revista masculina e encontrou a foto da ex, olha que maldade. Tem o outro que sabe que a garota dá para os amigos dele só para fazer ciúme, a ingrata. Temas delicados, mas que na boca de Odair ganham ternura e romantismo insuspeitados. Você escuta e pensa: será que ele está falando sério mesmo? Pois, para o seu governo, está.

Odair estourou logo no primeiro disco, em 1972, com Vou Tirar Você Desse Lugar. Em 1973, com o polêmico sucesso Pare de Tomar a Pílula (porque ela não deixa nosso filho nascer), Odair provocou uma confusão danada. Parte da Igreja até simpatizava com a música, pois ela parecia ser contra a pílula. Mas outra parte se incomodou bastante porque a música falava de sexo como se sexo, imagiiiina, fosse algo natural. Odair quase provocou um cisma na Igreja. E ainda incomodou também o governo por supostamente atrapalhar a campanha de natalidade. E agora, proíbe ou não proíbe o diabo da música? Proibiram.

Logo depois, com Deixa Essa Vergonha de Lado, ele se tornou o guru-terror das domésticas. Nessa época, a mídia alimentou uma polêmica: Odair José ou Caetano Veloso? Parece mentira, mas é verdade. Os dois, inclusive, chegaram a cantar juntos a clássica Vou Tirar Você Desse Lugar. Tempos loucos.

Nos anos 80 Odair andou meio esquecido, mas nos 90 voltou à tona graças a movimentos musicais bem-humorados como Os Necessários e a Banda Vexame, que o adotaram como padrinho. Os Titãs também declararam seu amor e lhe deram a música Baby. A partir daí, Odair ganhou uma certa aura cult e hoje sua obra bem que merecia ser relida como fizeram com a de Roberto Carlos. Mas atenção. Ele não é neossertanejo de calças apertadas. Não faz o gênero bonitinho de Daniel, nem é raposa velha como Reginaldo Rossi. Não tem o apelo de Roberta Miranda, e muito menos a breguice intelectualizada de Falcão. Odair é único. Mas é um pato desajeitado entre os cisnes da grande mídia: por isso ela não o adota. Inveja dessa gente, Odair.

A Globo-Universal lançou em 2001 o CD Odair José ao Vivo, com 18 canções. Lá estão velhos sucessos como Esta Noite Você Vai Ter que Ser Minha, Que Saudade de Você, A Noite Mais Linda do Mundo e Eu, Você e a Praça. Banda ensaiada, arranjos modernos, plateia empolgada. Tem também Vou Tirar Você Desse Lugar, claro. Você eu não sei, mas muita gente boa já chorou essa música num cabaré, agarrado numa garrafa de Dreher. Mas hoje não existem mais cabarés… Tempos estranhos.

“Encostei o meu carro na praça e você, um tanto sem graça, sorriu pra mim…” Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair. De preferência numa dessas noites em que está de saco cheio dessas mulheres sabidas demais das cidades grandes. Pegue sua bebida, sente ao sofá e entenda a mulher odaírica: ela certamente trabalha em loja de departamentos, tem um jeito simples, é discreta e honesta. Aborde-a com delicadeza. Ela tem um passado triste nos olhos e aceitará um drinque com reservas. E amará você do jeito que você é. Que, cá para nós, meu caro, é o que você anda precisando.

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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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> Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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VOU TIRAR VOCÊ DESSE LUGAR – O CURTA

Vou tirar você desse lugar (conto baseado na letra de Vou Tirar Você Desse Lugar. Um dia vai virar um curta-metragem, ah, vai)
De repente a semana cansativa, o trabalho desgastante, o crediário atrasado da tevê, tudo passou a ser apenas detalhes insignificantes a evaporar ao toque dos dedos dela…

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odairjose009SUCESSOS DE ODAIR JOSÉ

E depois volte pra mim (disco Praça Tiradentes, 2012)
Não me venda grilos (o disco censurado O Filho de José e Maria, 1977)
Nunca mais (disco O Filho de José e Maria, 1977)
Na minha opinião (1975)
Dê um chega na tristeza (1975)
A noite mais linda do mundo (1974)
Cadê você (1973)
Eu, você e a praça (1973)
Vou tirar você desse lugar (1972, original)

Vou tirar você desse lugar (ao vivo com Caetano Veloso, 1973)
Vou tirar você dsse lugar (2016)
Esta noite você vai ter que ser minha (1972)
Foi tudo culpa do amor (2017)

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LEIA

Discografia de Odair José

Vou tirar você desse patamar – Temática social na canção de Odair José – Trabalho acadêmico de Ana Karolina Cavalcante Assunção e Síria Mapurunga Bonfim (2011)

O trovador da luz vermelha – Entrevista com Odair José (jornal O Povo, Fortaleza, set2012)

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LEIA NESTE BLOG

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

A sociedade feladaputa de Geraldo Luz – Crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

O brega não tem cura – Porque o senhor sabe, né, o brega sempre puxa uma dose, que puxa outra, que puxa a lembrança daquela ingrata, que puxa outra dose…

Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra

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TrilhaDaVidaLocaDiv-04TRILHA DA VIDA LOCA
Contos e canções do amor doído

Mesclando música e literatura, este show reúne clássicos da dor de cotovelo da MPB e histórias de amor inspiradas em sucessos de Odair José, Waldick Soriano, Diana, Reginaldo Rossi e Fernando Mendes, num formato divertido e interativo. As canções são executadas por Ricardo Kelmer e Felipe Breier (voz e violão) e também em trechos de suas gravações originais, com participação da plateia. Paixões de cabaré, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor… Favor pagar o couvert antes de cortar os pulsos.

Texto e direção: Ricardo Kelmer. Com Ricardo Kelmer e Felipe Breier.

VÍDEO – CLIPE 1
Trechos do show

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Meu fantasma predileto

01/08/2010

01ago2010

Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

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MEU FANTASMA PREDILETO

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Alguém aí pode me dizer onde estão os fantasmas? Onde foram parar as almas penadas que rondavam os cemitérios em noite de lua? E aqueles bichos horrendos que vinham do canto escuro aterrorizar as crianças desobedientes, onde se meteram? De repente não existem mais. Parece que não há mais lugar para eles nesse mundo de assaltantes, sequestradores, assassinos e ladrões de órgãos. Em vez de alma penada, gangues que roubam tênis de crianças e terroristas religiosos que explodem prédios e espalham gases letais em nome de seu deus.

Nas pequenas cidades do interior talvez ainda seja possível encontrar algum fantasminha, resistindo bravamente à invasão dos novos terrores coletivos. Os fantasmas certamente se sentem constrangidos em viver num mundo onde ETs sanguinários estão infiltrados entre nós. Como rivalizar com um bicho gosmento que desce de poderosas naves e implanta chips na cabeça das pessoas para monitorar a raça humana? Isso, sim, é maldade. Assustar pessoas no silêncio das madrugadas é besteira.

Lá em casa morava um fantasma. Não tenho foto dele, mas pergunte para qualquer um lá de casa e terá a confirmação. Ele se manifestava em meu quarto e já havia naturalmente se incorporado ao folclore da família. Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos.

Todos da casa já haviam escutado o som de minha velha Remington, tec-tec-tec no meio da madrugada. No outro dia, ao saberem que eu sequer dormira em casa, constatavam: foi o fantasma novamente. E assim ele (ou ela, vai saber) passou a fazer parte da família. E quando algum hóspede desavisado comentava que ouvira o som de uma máquina de escrever de madrugada, minha mãe então contava do fantasma, de um jeito natural e até com certo orgulho, como uma avó fala das traquinices do neto. Todos tinham certo medo, é claro, e jamais entravam sozinhos em meu quarto à noite. Mas durante anos, ao almoço, a família reunida naqueles sagrados desentendimentos, o fantasma foi garantia de humor e descontração.

Eu, particularmente, adorava a ideia desse insólito companheiro de quarto e não sentia medo. Muitas vezes pedi-lhe encarecidamente que aparecesse, mas nunca vi nem escutei nada. Um belo dia, sumiu. Simplesmente sumiu, ninguém mais escutou o tec-tec-tec de suas visitas. Várias versões surgiram: ele cansou de tentar fazer-me um escritor de sucesso, ela não aturava as minhas namoradas, e por aí vai…

Minha versão, durante algum tempo, era que meu fantasma de estimação foi embora porque não gostou quando troquei minha máquina de escrever por um computador. Deduzi que a tecnologia o expulsara definitivamente deste mundo cada vez mais cheio de teclas e senhas digitais. Mas depois entendi que isso seria subestimar a classe dos fantasmas. E, assim, voltei à estaca zero, e o mistério do sumiço do fantasma prossegue até hoje.

Talvez os fantasmas estejam tão confusos quanto nós, tentando entender o que foi feito daquele mundo em que eles brincavam de nos assustar e nós adorávamos sentir medo. Hoje nosso medo não tem graça nenhuma.
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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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LEIA NESTE BLOG

ICI2011PirataoCapa-01Piratearam meu livro novo. Eu rio ou choro? – Já que tem cópia pirata solta por aí, prefiro que você, que é leitor do meu blog, leia a pirata certa

O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas

Você vem sempre aqui? (1) – Os termos que trazem as pessoas ao Blog do Kelmer

O dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

Kelmer Com K no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

O pop pornográfico de RK (André de Sena) – Pode-se afirmar que Kelmer já é dono de um estilo próprio (no fundo, uma das almejadas metas de todo escritor)

Pesadelos do Além – O pior pesadelo pra um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei para o mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

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01- Achei muitissimo bem escrito, tao engracado e tao triste ao mesmo tempo, e verdadeiro. SIMPLESMENTE O-TI-MO! Ana Claudia Domene, San Diego-EUA – jun2006

02- adorei a historia de seu fantasma predileto. Monica Campos, Fortaleza-CE – jan2016

03- Gostei. Bons tempos em que os sustos eram de mentirinha. Teo Ponciano, São Paulo-SP jan2016

04- Alguém sabe dizer onde se meteram os fantasmas? Teo Ponciano, São Paulo-SP – jan2016

05- Relembrei meus tempos de infância no interior onde cresci. As pessoas de fato se empolgavam ao contar os “causos”q envolviam fantasmas. Alguns lugares as pessoas evitavam de passar a noite. O Ribeirão era assombrado e isto alimentava a fantasia daquele povo simples e feliz. Saudade dos nossos fantasmas q nunca fizeram mal a ninguém. Carolina De Figueiredo, Içara-SC – mai2016


Só o crack salva

25/07/2010

25jul2010

Se os problemas relacionados ao crack ficassem restritos às camadas pobres da população, os ricos jamais se incomodariam e o horário nobre da tevê nem tocaria no assunto

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SÓ O CRACK SALVA
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Em maio assisti a um documentário que me trouxe, ao mesmo tempo, preocupação e esperança. Ele foi exibido no prédio da Fiesp, a Federação da Indústrias do Estado de São Paulo, que fica na avenida Paulista, o coração financeiro do país. Documentário sobre as modernas indústrias paulistas? Não. Sobre a retomada do ritmo industrial após a crise financeira? Não. Era um documentário chamado Selva de Pedra  A Fortaleza Noiada e mostrava a terrível realidade que envolve os usuários de crack na cidade de Fortaleza.

Após a exibição, Preto Zezé, que dirigiu o documentário com Edmar Jr., falou sobre a problemática do crack em Fortaleza e no Brasil. Fiquei agradavelmente surpreso com ele. Preto Zezé, coordenador da CUFA-CE (Central Única das Favelas), demonstrou ter uma rara abrangência de visão em relação à questão do crack mas também em relação a drogas em geral e justiça social. Não é à toa que ele já foi convidado a vir a São Paulo para falar sobre a problemática das drogas, inclusive para policiais. Dessa vez foi a Fiesp que o convidou.

Pela primeira vez tive real noção do problema  e vi que ele é monstruoso. O crack já é considerado uma epidemia nacional e a quantidade de usuários, hoje aproximadamente um milhão e meio de pessoas, aumenta velozmente, como nunca antes ocorreu com nenhuma droga. Se os problemas relacionados ao crack ficassem restritos às camadas pobres da população, os ricos jamais se incomodariam e o horário nobre da tevê nem tocaria no assunto. O problema, porém, já chegou às classes média e alta que, além de também contarem com usuários, sofrem com o aumento nos índices de roubo, assalto e assassinatos ligados ao crack, tanto nas capitais como em pequenas cidades.

Um orgasmo de quinze minutos  você já teve um? Nem eu. Mas é disso que falam os usuários de crack. A pedra é queimada, inalada e o prazer proporcionado é tão intenso mas tão intenso que, uma vez experimentado, tudo que se quer é ter de novo, e imediatamente, e mais uma vez, e mais uma. Nada contra orgasmos longos, muito pelo contrário. O problema é que o crack é altamente nocivo ao organismo, deixa sequelas terríveis e não raramente mata após poucos anos de uso. Por isso, ao contrário de outras drogas, é impossível usar crack ocasionalmente e de modo recreativo  o usuário é sempre um viciado e em nome desse vício ele perderá qualquer senso moral e será capaz de enganar, roubar, assaltar, agredir e matar. Muitos abandonam a família e os amigos, recorrem à prostituição, contraem dívidas e acabam engrossando a massa de farrapos humanos a perambular pelas ruas, adoecendo e morrendo à míngua. O baixo preço, o altíssimo nível de dependência e a degradação física, psicológica e familiar que o crack ocasiona fazem o cigarro, o álcool, a maconha e até mesmo a cocaína parecerem brincadeirinha de criança.

A sociedade, perplexa, não sabe o que fazer. Tirar das ruas os noias, como os usuários são chamados, não resolve pois eles logo retornam. Prisão também não resolve pois o problema não é apenas de contravenção mas principalmente de saúde pública. Nos Estados Unidos o crack afugentou os usuários de drogas mais rentáveis e causou tantos problemas ao tráfico que ele próprio baniu a droga do mercado. Especialistas consideram que no Brasil somente o próprio tráfico teria o poder de acabar com a epidemia. Aliás, em São Paulo o PCC não permite o crack nas cadeias, tamanho seu poder de destruição.

Mas… e quanto a tratamento? Sim, é possível tratar o viciado mas não é fácil pois primeiramente ele deve querer. Há também discordâncias sobre a metodologia do tratamento pois não há pesquisas suficientes. No entanto, todos concordam que, além do apoio de família e amigos, é necessário que o indivíduo em recuperação encontre em sua própria comunidade as condições que lhe permitam manter-se abstinente e isso envolve escola, emprego e atividades sociais, esportivas e artísticas que possam substituir o prazer do crack. Isso, porém, é impossível se não há investimentos na melhoria de qualidade de vida nos bairros pobres.

É justamente por isso que o documentário Selva de Pedra, ao mesmo tempo que me preocupou, também me deixou esperançoso pois deixa claro que o problema do crack é de responsabilidade de toda a sociedade. Além disso, o fato dele ter sido exibido num lugar como a Fiesp mostra também que as classes sociais estão dispostas a dialogar na busca por uma saída para o problema. A ironia é que seja o crack que esteja finalmente aproximando ricos e pobres e nos obrigando a discutir honestamente o tema da desigualdade social e também a questão do uso de drogas, sem ingenuidade e hipocrisia. É a salvação que vem do inferno.
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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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> Mais textos sobre DROGAS

Treiler do documentário Selva de Pedra

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Preto Zezé fala na TV sobre o crack

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Governo não sabe como tratar craqueiro, diz Drauzio Varella
(Folha de São Paulo, 21.05.2010)

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LEIA NESTE BLOG

Rio Droga de Janeiro – Quem ganha e quem perde com a proibição das drogas? Trilogia de artigos sobre a questão da legalização das drogas.

Minha noite com a JuremaNessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

A Jurema e as portas da percepção (VIP)Relato detalhado da experiência narrada em Minha Noite com a Jurema. Exclusivo para Leitor Vip. Basta digitar a senha do ano da postagem

Xamanismo de vida fácil – A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos

O trem não espera quem viaja demais – Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior

A metamorfose – Um miniconto sobre o fundo do poço

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DICA DE LIVRO

baseadonissocapaa6aBaseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha
Ricardo Kelmer

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado.

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Minha vida com Jim Morrison

25/07/2010

25jul2010

Acordar e pegar logo uma cerveja, pois o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto

MINHA VIDA COM JIM MORRISON

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Em julho de 1991 arrendei uma danceteria e fiz uma homenagem a Jim Morrison: A Noite do Rei Lagarto (ou Como Jim Morrison comemoraria em Fortaleza os 20 anos de sua morte). Assim mesmo, com toda a incoerência semântica, afinal Jim também não era lá de muitas coerências. Casa lotada, clima anos 60, modelitos paz e amor, sósias da Pamela Courson, cinco da manhã e Light my Fire tocando pela décima vez… Ai, ai, eu não imaginava tanta festa para um defunto. Não sei se ele gostou. Mas eu sim, e enchi o bolso.

Jim Morrison e sua urgência desatinada de viver foram meu guru por essa época. Álcool, música e literatura, sexo e poesia. Acordar e pegar logo uma cerveja, pois o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto. A ordem era experimentar-se pelo caminho dos excessos.

Sexta-feira, onze da noite. Meus 25 anos tinham um rito sagrado de iniciação noturna. Um bom banho acompanhado de uma dose de vodca pura, um poema vagabundo na velha Remington, mais uma vodca, L.A. Woman no volume máximo, mais uma dose e pronto, eu podia sair para a noite dengosa da cidade, atrás de lucky little ladies ou lost angels para acender meu fogo. Ai, ai. Não sei como o próprio Jim não surgiu noite dessas na rua a me pedir carona para o Badauê.

Depois dediquei-lhe um livro de contos que não publiquei, fiz outra festa para ele e, como performer da Intocáveis Putz Band, recitava o Manifesto das Bem-Aventuranças, onde distribuía bênçãos a putas, travestis, músicos, garçonetes e outros personagens da noite, declaradamente inspirado em Jim. Uma porra-louquice urbano-apocalíptica, dark e herética – demais para a cabeça de Fortaleza, tão sol e forró, a bichinha.

Se um dia Jim chutou o rock’n’roll e foi refugiar-se em Paris, eu um dia enchi o saco de tudo e vim atrás de mim aqui na cidade do Rio de Janeiro. Dei de presente o pôster da festa e não trouxe meus discos dos Doors. Até agora ainda não morri na banheira. Mas já não tenho mais intestino para velhos excessos.

Confesso que se qualquer noite dessas Jim aparecer pedindo carona para o Hipódromo Bar, ele, uma garrafa de Jack Daniel’s e três amigas barulhentas, eu… bem, eu lhe explicaria honestamente que foi bom enquanto durou, sabe como é, ando meio recolhido…

Ok, Jim, você venceu. Mas deixa eu dar uma olhada nas amigas. Você sabe, não dá para confiar muito em gosto de bêbado.

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Ricardo Kelmer 1996 – blogdokelmer.com

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Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos
Fotos da ilustração: Ricardo Batista (Cadinho)

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IntocaveisPutzBand1994-201aA celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

O dia em que Jim Morrison voltou do túmulo (em breve)

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Clipe: LA Woman (7:51)

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01- kkkkkkkkkkk, Kelmer Querido, Saudades dos seus contos e inspirações nostalgicas, é sempre bom lembrar!!!! e Viva o Lagarto Rei!!!! Abraço Querido lunático!!!! Lua Ahau Cândido, Fortaleza-CE – dez2013

02- E tu está no Rio? Fábio Campos Morais, Fortaleza-CE – dez2013

03- Muito bom, mano! Carlos Carlos, São Paulo-SP – dez2013

04- essa festa foi sensacional, eu fui de pamela morrison. fiz tanta putaria que quase fui expulso. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – dez2013

05- Fala kelmer !!! outro dia eu vi um doc. sobre o the doors muito legal!!! Ouvir the doors na estrada e fantastico ! Luciano Hamada, São Paulo-SP – dez2013

06- Olha só que coisa..estava ouvindo hoje ainda,e m deparo com esse post..com sempre maravilhoso!Boa noite meu amigo! http://www.youtube.com/watch?v=AMCl9eOBlsY. Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – dez2013

07- As portas de uma lembrança boa!! Hyara Ougez, São Paulo-SP – dez2013

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Naus de mim

18/07/2010

18jul2010

NausDeMim-02a

NAUS DE MIM
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Farol do meu porto eu sou
É que eu sou muitos demais
Naus a singrar pelo caos de mim
Buscando meus eus por onde eu vou
No vão de mim que a noite traz
E o eu que fica aqui no vazio do cais
Acena aos eus que no vento vão
Boa sorte, se percam não
Me achem a mim
E voltem em paz

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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01- Ri, nunca tinha lido Naus de Mim inteiro. É um poema que eu gostaria de ter escrito. Publiquei no meu mural. Quero que os amigos não-comuns conheçam. E nunca mais diga que não é poeta. É até sacanagem com a gente. rsrsrsrs. Bjo e boa-sorte. Se perca, não. Renata Regina, São Paulo-SP – jul2011

02- Tudo que este rapaz escreve toca o coração da gente. Eita! Silêda Franklin, Fortaleza-CE – jan2020

03- Que lindeza! Cristiana Medina de Albuquerque, Fortaleza-CE – jan2020

04- Muito lindo!!! Marta Bertoncini de Almeida, São José do Rio Preto-SP – jan2020

05- Que belo! Fabiana Azeredo, Fortaleza-CE – jan2020


Giselle, a espiã nua que eliminou o Brasil

11/07/2010

11jul2010

Giselle, aquele rostinho lindo, aquele sorriso meigo, na verdade era uma fria e sedutora agente secreta a serviço da seleção francesa

GiselleAEspiaNua-02

GISELE, A ESPIÃ NUA QUE ELIMINOU O BRASIL

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Faltava meia hora pro jogo começar. Brasil e França lutando por uma vaga na semifinal da Copa do Mundo de Futebol de 2006. Horácio tomou banho cantando o hino nacional, se enxugou em meio a uns passinhos de samba e foi ao quarto se vestir. Estava tranquilo e otimista. Abriu a gaveta do armário e fez uma pose solene enquanto esticava o braço para pegar sua arma, a arma mortífera, aquela que levou o Brasil ao título em 2002 e agora o consagraria hexacampeão.

Ué? Que estranho… A cueca da sorte não estava na gaveta. Procurou então na outra gaveta. Nada. Procurou na outra, depois na outra… E nada. Estaria no cesto de roupa suja? Correu para o cesto, jogou tudo no chão… mas também não estava lá. Voltou ao quarto e procurou mais uma vez nas gavetas, olhando com redobrada atenção. Remexeu no guarda-roupa inteiro, olhou embaixo e em cima. Procurou sob a cama, atrás dos livros… e nada. A cueca simplesmente sumira.

Horácio procurou se acalmar, precisava se acalmar, a seleção brasileira dependia disso. Quando fora a última vez que usou? No dia do último jogo, claro, só usava a cueca da sorte em dia de jogo da seleção. Na Copa de 2002 usara sete vezes, nas sete vitórias do Brasil. Nesta Copa usara quatro vezes, nas quatro vitórias, a última alguns dias antes. Repassou os acontecimentos feito um filme: o último jogo, a vitória brasileira, a comemoração no bar, os amigos, todo mundo festejando… E depois? Depois terminou a noite com Gisele, ai, Gisele, ali mesmo em seu quarto. Gisele, a gata que todos cobiçavam. Ele nem acreditou quando ela lhe deu bola no bar, achou até que ela brincava com ele. Mas era sério. Ela lhe sussurrou no ouvido, com aquele sotaque francês encantador, que o queria, que o queria muito, e urgente. E aí, bem, aí ele aproveitou a boa sorte e a levou ao seu apartamento, onde transaram bastante, sexo de alta qualidade. E depois ela foi embora. E ele dormiu feliz, pela vitória no campo e na cama.

Será que Gisele levara a cueca? Mas por que levaria? Ela não tinha cara de ser colecionadora de cuecas amarelas usadas. E por que levaria sem lhe pedir? Não, não fazia sentido. Gisele era uma mulher de classe, uma francesa supereducada, que escolhera o Brasil para morar e…

E de repente uma bigorna lhe caiu sobre a cabeça. E tudo ficou espantosamente claro. Gisele era francesa! Tinha pai brasileiro, sim, mas nascera na França. E ele havia comentado no bar sobre a cueca da sorte. Ela sabia de tudo!

Durante algum tempo ficou ali, sentado na cama, em estado de choque. Uma espiã francesa… Não, não podia ser, essas coisas só acontecem nos filmes. Uma agente secreta que se infiltra entre torcedores brasileiros e descobre a principal arma da seleção pentacampeã… Não, isso já era demais, estava alucinando. Uma espiã que o seduzira maquiavelicamente e agora estava de posse da principal arma brasileira, muito mais poderosa que as arrancadas do Ronaldo, as pedaladas do Robinho e os dribles do Ronaldinho. E se ela já houvesse dado fim à cueca, rasgado, incinerado, desmaterializado?

Não, não, não. Não queria nem pensar nessa hipótese. Talvez a cueca ainda existisse, devia estar em algum lugar. Mas onde? Perguntar para Gisele de nada adiantaria, ela não revelaria o segredo que daria ao Brasil a vaga na semifinal. Quem diria… Gisele, aquele rostinho lindo, aquele sorriso meigo, na verdade era uma fria e sedutora agente secreta a serviço da seleção francesa. Um sistema tático mil vezes mais eficiente que o 4-2-2-2. Definitivamente, o futebol perdera sua romântica inocência.

Ligou a tevê, nervoso. Os times estavam em campo, o jogo iria começar. Precisava fazer alguma coisa. Pegou o telefone e ligou. Do outro lado, ela atendeu. Precisava ser frio também, ela não podia desconfiar de nada. Oi, Gisele, tudo bem, vai ver o jogo onde, ah, tá, não, vou ver aqui mesmo, tá, então depois a gente se encontra por aí, heim, claro que vai dar Brasil, ahahah, claro, um beijo, macherri.

Cínica. Cínica e fria como toda espiã. Ela estava muito confiante, exageradamente confiante, ninguém fica tão confiante assim quando vai jogar contra o Brasil. Horácio respirou fundo, procurando se acalmar. Tentou analisar a situação de modo racional. A seleção brasileira tinha os melhores jogadores do planeta, era a grande favorita ao título. Somente um desastre poderia fazê-la perder aquele jogo. É, talvez dessa vez o time não precisasse da cueca da sorte. Só uma vezinha. Então vestiu outra cueca, botou uma bermuda, a camisa, pegou uma cerveja na geladeira e ligou a tevê. Não mais veria o jogo com os amigos, não estava a fim de barulho e confusão. Veria em casa mesmo, sozinho.

O time nunca precisou tanto da cueca. A seleção estava irreconhecível, totalmente travada, absolutamente apática. Um completo desastre. Quando o árbitro encerrou o primeiro tempo, o placar em zero a zero, ele ficou ali sentado na poltrona e parecia que lhe pesava sobre os ombros toda a frustração de centenas de milhões de torcedores no mundo inteiro com a seleção canarinho. Então, sem aguentar mais, levantou da cadeira de um pulo, decidido. Calçou o tênis, pegou a carteira e saiu correndo. Desceu as escadas de cinco em cinco degraus, atropelou uma senhora na portaria, correu até a avenida. Só então lembrou que àquela hora táxi nenhum estaria na rua. E agora?

GiselleAEspiaNua-02aA última vez que fizera exercício foi uma faxina no apartamento, quando a faxineira não pôde ir, isso seis meses atrás. Estava meio gordinho, fora de forma. Mas o dever cívico se impunha. E o segundo tempo já estava começando! Então encheu-se de disposição e pôs-se a correr.

Com cinco minutos de corrida, as pernas começaram a pesar. Mas precisava prosseguir, precisava. Com dez minutos, já estava difícil respirar. Mas precisava, precisava. Com quinze minutos, suado e ofegante, pensou em desistir. Com vinte minutos, não pensou mais: desistiu. E parou. E se encostou num poste, quase botando os bofes pra fora. Não aguentava mais dar um passo. Se ao menos passasse um táxi… Então, do outro lado da rua, viu um bar, muitas pessoas. E uma tevê a transmitir o jogo. Caminhou até lá e perguntou do placar. Um a zero França.

Ele não acreditou. Conferiu o placar na tela da tevê. Infelizmente era verdade, o Brasil estava perdendo. E aquelas pessoas nem desconfiavam que a culpa era dele…

Nesse instante, alguma força insuspeitada emergiu do mais profundo do seu ser, espalhou-se por seu sangue e lhe deu forças. E Horácio recomeçou a correr. Bem, é verdade que mais parecia uma corrida em câmera lenta, mas pra ele era o maior esforço do mundo. Trinta minutos do segundo tempo, talvez ainda desse tempo, tinha que dar, tamanho esforço não poderia ser em vão. Trinta e cinco minutos. Ele seguia em seu passinho curto e arrastado enquanto o tempo, implacável, prosseguia mais rápido que o normal.

Quando cruzava a praça tropeçou numa pedra e se espatifou no chão, cena grotesca. Quase ficou lá para o resto da vida, mas levantou e, feito um zumbi, continuou sua marcha obstinada. Aos quarenta minutos do segundo tempo avistou a casa e juntou o que lhe restava de força para chegar lá, o coração à beira de explodir. Lembrou do primeiro maratonista grego, aquele que concluiu o percurso e caiu morto. Não, não podia morrer agora, agora não.

Finalmente, chegou à casa. A campainha, tocar a campainha… estender o braço… pressionar o botão… blim-blom… baixar o braço… encostar-se no portão… Um senhor apareceu, apressado, vestindo bermuda e camisa amarela. Seo Valdemar, pai da Gisele.

Sem saber como dizer o que precisava dizer, Horácio começou perguntando por Gisele. À sua frente, seo Valdemar o observava e parecia tentar desvendar o que aquela figura bizarra teria a ver com sua filha. Desconfiado, ele respondeu que Gisele tinha ido ver o jogo num bar. E agora? Seo Valdemar, sua filha está com minha cueca da sorte e eu preciso urgentemente estar dentro dela, da cueca, claro, para o Brasil virar o jogo. Como dizer uma coisa dessa? Não, não conseguiria.

Mas precisava, precisava. Respirou fundo e começou: Seo Valdemar… o senhor acredita em… superstição? O pai da moça se aproximou um pouco mais e, olhando-o firme nos olhos, respondeu: O Brasil perdendo e você me faz vir aqui porque quer saber se eu acredito em superstição? E lhe deu as costas, voltando para a sala.

Horácio sentiu que era o fim. Nada mais a fazer.

Mas se quiser entrar para ver o fim do jogo, entra logo e fecha o portão. Era a voz de seo Valdemar, que já sumia casa adentro.

Horácio obedeceu rapidamente e no instante seguinte estava na sala, ao lado de seo Valdemar e de uma senhora que entendeu logo ser sua esposa francesa, a mãe da agente secreta, que acenou para ele rapidamente, absorta na tela da tevê. Coitada, nem desconfiava das verdadeiras atividades da filha…

Quarenta e quatro minutos do segundo tempo. O Brasil continuava perdendo. Perdendo e jogando incrivelmente mal, sem atitude de pentacampeão. Os jogadores pareciam anestesiados, perdidos, incapazes de reagir. Que falta fazia a cueca! Ele tinha três ou quatro minutos para salvar o país, não podia mais desperdiçar nenhum segundo.

Por favor, onde fica o banheiro? Seo Valdemar, concentrado na tevê, apontou o corredor e ele saiu. Em frente ao banheiro mudou de direção e entrou rapidamente num quarto. Pelas fotos na parede, era o quarto de Gisele. Abriu o guarda-roupa e começou a tirar todas as peças de roupa. Na primeira gaveta, nada. Na segunda, nada. Nada na terceira, nem na quarta. Nem na quinta, sexta, sétima, oitava, como um guarda-roupa podia ter tanta gaveta?

De repente, parou. Parou e pela primeira vez teve a exata noção do que fazia. Estava na casa de uma garota que mal conhecia, procurando por uma cueca que nem sabia se ainda existia e que supostamente seria a responsável pelas vitórias brasileiras… Que ridículo. E pensar que chegara mesmo a imaginar que Gisele era uma agente secreta francesa cuja missão era raptar uma cueca… Não devia estar muito bem da cabeça. O Brasil perdia porque a França jogava melhor, simplesmente por isso, não tinha nada a ver com mandingas e rituais de boa sorte.

Falta!

Ele escutou a voz do locutor.

Falta na entrada da grande área, é a última chance do Brasil!!!

Horácio lançou-se novamente sobre o guarda-roupa, determinado, abrindo a última gaveta, tirando de lá todas as roupas e jogando tudo no chão. O intrépido cavaleiro arrancando as tripas do dragão guardião do tesouro encantado. Então, surgindo lá no fundo, o que viu? O tesouro. A cueca. A cueca amarela da sorte. Por alguns segundos, ficou olhando, sem acreditar, como se estivesse diante do Santo Graal.

É a última chance!, o locutor repetiu, despertando-o do transe.

Ele então livrou-se rapidamente dos tênis que calçava.

Momento dramático!

Tirou a bermuda e a cueca de uma puxada só.

O árbitro autorizou!

Pegou a cueca amarela e vestiu com toda a rapidez do mundo.

Correu pra bola!

Mas no segundo pé a cueca enganchou…

Bateu!

… e ele se desequilibrou e caiu no chão…

Pra fora!

… metade da cueca numa perna e a outra metade enganchada no pé.

GiselleAEspiaNua-02aFim de jogo! O Brasil está fora da Copa!

Ficou imóvel, deitado seminu no chão do quarto. Da sala, vinha a voz do locutor feito o eco de um som distante. Ao seu redor, vestidos, blusas, meias e calcinhas espalhados pelo chão. O Brasil estava fora da Copa. Toda uma nação derrotada pela astúcia de Gisele, a nova encarnação da espiã nua que abalou Paris.

Levantou. Tirou a cueca amarela, vestiu-se e calçou os tênis. Ainda pensou em arrumar a bagunça que fizera, mas não, pelo menos aquele trabalho Gisele teria. Na sala, seo Valdemar arrasado, ainda de olho na tevê, nem o viu passar. Na cozinha, sua esposa cantava a Marselhesa. Caminhou pela rua devagar, evitando o olhar das pessoas. Se elas soubessem…

Pegou um ônibus e sentou no último banco, encolhido em sua vergonha. Tentou pensar em outra coisa, qualquer coisa que fosse, mas não conseguiu. Então, não resistindo mais, tirou do bolso a cueca. E olhou para ela como alguém que espera ser despertado de um pesadelo. Então, feito uma bola de cristal, as imagens começaram a se formar à sua frente… Pôde ver as manchetes do dia seguinte, os programas de tevê, os comentários inconformados, as análises do jogo, todos buscando as causas da derrota. Viu a incrível dimensão que aquela derrota tomou. Viu a população saindo às ruas, exigindo a cabeça dos culpados, um drama nacional. Viu os jogadores sendo interrogados, o técnico demitido. Viu a polícia envolvida, viu vários suspeitos de traição à pátria sendo detidos, estrangeiros envolvidos num meticuloso esquema de espionagem, entre eles uma garota francesa que admitia ser uma agente secreta a serviço da seleção de Zidane e que contara com um comparsa brasileiro chamado Horácio…

Voltou a si de repente, assustado. Olhou para um lado e para o outro, com medo de alguém também ter visto o que ele vira. Olhou para a cueca mais uma vez. E então não teve dúvidas: esticou o braço pela janela e atirou-a no meio da rua. Depois se encostou no banco e respirou fundo. Pegariam Gisele, mas pelo menos não o pegariam com a prova do crime.

O ônibus seguiu pela avenida, sumindo no movimento da cidade que aos poucos voltava ao normal, afinal a vida segue. No asfalto, ficou a cueca amarela, agora saco de pancada dos automóveis derrotados.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Este conto integra o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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GiselleAEspiaNua-02A GISELLE QUE INSPIROU ESTE CONTO
(E QUE ABALOU PARIS)

O conto Giselle, a Espiã Nua que Eliminou o Brasil (2006) foi inspirado na série literária de ficção Giselle, a Espiã Nua que Abalou Paris, que conta as aventuras da espiã francesa Giselle Montfort durante a Segunda Guerra Mundial. Giselle é uma integrante da Resistência francesa que usa sua beleza escultural para extrair informações dos oficiais nazistas na Paris ocupada e repassá-las aos companheiros de luta.

Com forte teor erótico e num estilo de diário de memórias, escritas pela própria heroína enquanto estava presa esperando a execução, a série foi escrita pelo brasileiro David Nasser, com a colaboração do fotógrafo francês Jean Manzon, e publicada em 59 capítulos em 1948 no jornal carioca Diário da Noite, obtendo enorme sucesso. Embora fosse pura ficção, o jornal tratava como verídicas as memórias de Giselle, o que aumentava a popularidade da história.

BrigitteMontfort-01Nos anos 1950, a série foi reescrita e publicada pela Editora Monterrey em livros de bolso populares, sempre com altíssimas vendas, e seguiu sendo reeditada até os anos 1980. Como a série termina com a morte de Giselle, e a Monterrey pretendia continuar apostando no filão, criou-se uma série (escrita sob o pseudônimo “Lou Carrigan” e publicada até o início dos anos 1990), sobre uma filha que Giselle tivera. Surge assim Brigitte Montfort, também linda e sexy, e espiã da CIA, atualizando o tema e vendendo ainda mais que a série da mãe. Não é nenhum exagero dizer que Giselle e Brigitte foram responsáveis pela iniciação de milhares de brasileiros nos prazeres da literatura erótica e, é claro, do sexo imaginativo. As voluptuosas mãe e filha ganharam corpo e rosto próprios pelo desenho genial de Benício, um dos grandes nomes da ilustração no Brasil. Hoje, os livros das duas séries são vendidos bem caros.

Eu, particularmente, não tive o prazer de ler as aventuras das admiráveis espiãs. Minha única lembrança de Giselle vem de um dos livros da série, que eu via na estante da casa de minha prima, que se chamava… Gisele. Era 1980, eu tinha os meus 14 anos e aquele livro me fascinava, me causando uma espécie de frisson. Não cheguei a lê-lo, apenas admirava a capa, lia a contracapa e fantasiava sobre o que ele poderia conter. O título era marcante e eu não o esqueceria jamais. Aliás, eu o considero um dos melhores de todos os tempos: evoca uma mulher linda e corajosa, que é espiã, está sempre nua, luta contra os nazistas e, com toda razão, abala Paris é perfeito. E, para completar, eu tinha nutria uma secreta paixonite por minha prima Gisele. Junte as duas Giseles e, pronto, está mais que explicado o frisson que aquele livro me causava. E, admito, ainda causa. (Ricardo Kelmer)

> Mais sobre a série

> Sobre o ilustrador Benício

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01– Achei muito legal!Fiquei cheia de expectativa pra saber que fim tinha levado aquela bendita cueca.Fiquei até cansada daquela correria do Horácio.Caramba,coitado!Na hora em que ele acha a cueca e começa a tentar vesti-la e acaba caindo no chão,imaginei que a mãe da Giselle fosse aparecer no quarto cantando a Marselhesa toda feliz…” Allons enfants de la Patrie,l e jour de gloire est arrivé…” e,derrepente, o encontraria deitado em cima dos vestidos,meias e calcinhas da filha,nu,com a cueca em uma das pernas.Que situação,heim? Adorei o texto do início ao fim.Muito bom.Vc descreveu muito bem as situações e emoções, me fazendo visualizar tudo como se fosse uma cena. Sidiany Colares, Fortaleza-CE – jul2006

02- Demais o texto!!!! Acertou em cheio na identificação do brasileiro com as superstições em copas. Ainda bem que os franceses não acaharm o meu gorrinho da sorte. Um abraço! Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – jul2006

03- Ahahahaha, delicioso, esse texto!! Olha, eu acho muito verosímil! Aliás, tenho quase a certeza que foi isso mesmo que aconteceu! Beijos. Susana Mota, Leiria-Portugal – jul2006

04- Hoje amanheci com nostalgia. Aos 59 anos acho ter este direito. Relembrei-me de meu início de carreira nas leituras. Gizele, a espiã nua que abalou pariz. Estou ao computador e apelo para o meu “santo” Google e eis que aparece em primeria página seu artigo da sua gizele nua que arrasou o Brasil… Leio, não leio, li! Cara, foi demais. Adorei. e tenho certeza que a gizele dos meus sonhos saudosos ainda está viva. A mesminha. Se bem que ela brigava mais era pelos Estados Unidos, não era? Não a sua Gizele, a outra. Ou era só contra a Rússia. Mas, está de parabens. Quem conheceu a outra, (octagenária por agora) sabe que seria bem capaz de abrir as pernas por uma boa causa (deles) é claro. Paulo Chinelate, Fortaleza-CE – set2007

05- Vc é muiiiito bom! risos Adoro … bjs Arlene, Rio de Janeiro-RJ – jul2010

06- muiiiiiiiiiiiito legal. este eu já li! beijosss. Lucia Gonczy, São Paulo-SP – jul2010

07- kkkkkkkkkkkkkk não fala mau da Giselle , eu era fã dela..alais fui fiel leitora da serie q fizeram de livro de bolso de uma filha(ficticia dela)A série ZZ7 Brigith Monfort , filha da espiã giselle com um genetal alemão… vc me trouxe lembranças…rsrs bjão. Beth Ghimel, Manaus-AM – jul2010

08- “kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk….Demais!!!” Lia Aderaldo Demétrio, Fortaleza-CE – jul2010

GiselleAEspiaNua-02a


Liberdade é não estar na moda

26/06/2010

26jun2010

Depois de muitas calças aprendi que a maior das liberdades é esta, é sermos quem verdadeiramente somos

LIBERDADE É NÃO ESTAR NA MODA

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Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada… Começava assim a musiquinha. Uma turma de jovens cabeludos e felizes esperando o trem na plataforma. Jeans desbotados, mochilas e o frescor da liberdade em seus semblantes. Era um filminho comercial do jeans US Top, de 1975, que fez muito sucesso, tanto o filme como o jeans. Fez tanto sucesso que a frase virou bordão e até hoje a geração daquela época se emociona quando canta a musiquinha.

Era o governo do general Geisel. As correntes da repressão da ditadura militar já se afrouxavam e o Brasil, ufa, começava a respirar ares mais democráticos. A palavra liberdade estava na moda. Liberdade de pensar e de falar. Liberdade de votar. E, é claro, de vestir. O comercial foi uma grande sacação, a musiquinha ganhou prêmio e muita gente vestia jeans US Top porque isso era um símbolo de liberdade.

Eu? Putz, eu era mais um menino louco para ter um US Top. E assistia ao comercial sonhando em embarcar no trem com aquela patota divertida. Mas não era um jeans dos mais baratos, e só pude ter o meu anos depois, quando até o termo liberdade já havia desbotado. Com o andamento da abertura política, a liberdade perdera o apelo publicitário que antes possuía e os comerciais passaram a seduzir o público com outra ideia: a de que ser feliz é ter muito, cada vez mais. E assim estamos até hoje, que beleza, tendo tudo que não precisamos para ser feliz.

E a liberdade, que foi feito dela? Minha velha US Top da adolescência que me perdoe, mas liberdade não é e nunca foi uma calça velha, azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser, não usa quem não quer. Para começo de história, eu não usava não porque não quisesse, mas porque simplesmente não podia. Então, pela lógica da publicidade, eu não poderia ser livre, pois não tinha grana para pagar por um jeans. Se alguém precisa estar na moda para ser livre, que liberdade é essa?

Infinitas noções de liberdade existem, eu sei. Para um adolescente, é voltar da balada à hora que quiser. Para outra pessoa, é ganhar seu próprio dinheiro. Para um presidiário, ser livre é tão somente não estar numa cela. Tudo isso é liberdade, sim, mas depois de muitas calças aprendi que a maior das liberdades é esta, é sermos quem verdadeiramente somos – e não quem a sociedade ou a moda quer que sejamos. E que a pior prisão que existe é justamente a ignorância de si próprio, que nos faz escravos dos quereres alheios.

Somente a essência do que somos pode nos libertar, e seguir a moda jamais nos conduzirá a essa essência, apenas nos levará junto com outros, feito uma boiada, durante o tempo que durar a moda, quando então teremos que seguir outra moda e assim por diante. Quem realmente somos nós por trás dos modismos que adotamos? O que há de permanente em nós por trás do transitório da fachada? A moda não poderá responder a essas perguntas, e nem mesmo você, enquanto a estiver seguindo. Aliás, a moda nem quer que você pense nisso. Ela quer apenas que você a siga – e pode pagar em até dez vezes.

Liberdade é sermos quem realmente somos em nossa essência mais legítima. É uma velha ideia, azul e desbotada. Mas que nunca vai estar na moda. Ainda bem.

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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> Como o jingle foi criado – Depoimento do autor no blog Pedra do Sol

SOBRE O JINGLE

No site do Prêmio Colunistas há uma referência ao comercial da US Top. Diz lá que ele ganhou Prata na categoria Fonograma, em 1976 (comerciais exibidos em 1975). Veja:

Agência: J. W. Thompson
Cliente: SPASA – U.S. Top
Título do Jingle: Liberdade
Criação: Joaquim Gustavo Pereira Leite e Helga Miethke
Música: Sérgio Mineiro e Beto Rushel
Letra: Joaquim Gustavo P. Leite, Zé Pedro e Sérgio Mineiro
Produtora: Prova
Arranjo: Hareton Salvanini
Duração: 45″
Texto: “Liberdade é uma calça velha / Azul e desbotada / Que você pode usar / Do jeito que quiser / Não usa quem não quer / US Top / Desbota e perde o vinco / Denin Índigo Blue / US Top / Seu jeito de viver / Não usa quem não quer / US Top / Desbota e perde o vinco.”

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Vídeo da US Top (1975)

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01- O assunto é antigo, porém a essência é dinâmica. Gosto como vc faz deslizar os assuntos. Sobre a dificuldade da homeostase fica por conta da subjetividade de cada um, pois só assim poderemos compreender o seu limiar diante dos impulsos. bjs. Marta Dourado, Fortaleza-CE – jun2010

02- Olá Kelmim, gostei da crônica! Leia este: Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada:publicidade, cultura de consumo e comportamento político no Brasil (1954-1964) Vale a pena, muito bom! Bjs. Jéssica Giambarba, Fortaleza-CE – jun2010

03- Boa crônica Ricardo, como sempre. um beijo. Danielle Alves, Fortaleza-CE – jun2010

04- Que show!!!!!!!como sempre. beijinho. Mônica Fuck, Fortaleza-CE – jun2010

05- Amei a sua crônica. Leve, prazerosa de se ler, supimpa! Sobretudo porque fala de um anseio que tive, tenho e terei sempre a liberdade, tão necessária para o nosso crescimento individual e em grupo, à nossa individuação, a nossa Felicidade rs. Fato é que sempre tive isso como prioridade para meus dias mas, com os ensinamentos dados pelas entidades de Umbanda, começo a senti-la em mim, e isso é muito legal. Você me emocionou também ao lembrar da US TOP, HUM! Foi muito bom lembrar desse período, adolescência, juventude e lembrar da minha essencia naquela época, rs que vejo que não mudou. Tive algumas calças US TOP e acredite, havia esquecido completamente disso. Abraços. Maria Amelia, Campina Grande-PB – jun2010

06- Meu amigo Ricardo Kelmer escreve cada vez melhor. Esse cearense cidadão do mundo, agora radicado em São Paulo, é assim: capaz de dizer as coisas mais essenciais usando as palavras mais simples. Isso se chama talento. Leia mais: luispellegrini.com.br. Luis Pellegrini, São Paulo-SP – jun2010

07- Ah como eu queria aquela calca US Top azul e novinha em folha pra eu desbota-la ao longo dos anos…, tambem fui ter a minha anos mais tarde e tambem ja nao tava mais nem ai pra ela, mas a propaganda eu lembro, assim como lembro a da coca-cola na contra=capa da revista POP que minha irma mais velha fazia assinatura e eu adorava ler e querer morar em Itatui cidade da musica… mas seguir moda mesmo nao sigo ate hoje e sinto muitissimo por tantas pessoas escravas da moda e dos crediarios em 12x. Ana Lucia Castelo, Nova York-EUA – jul2010

08- Mandou ver, grande Ricardo Kelmer! Marcelo Gavini, São Paulo-SP – abr2011

09- Compartilho sempre dos seus pensamentos….bjsss Kelmer!!!!!! Ana Luiza Cappellano, Jundiaí-SP – ago2011

10- Liberdade é não estar na moda!! Ricardo Kelmer, adoro seu texto! Luiza Ellery, Fortaleza-CE – set2012

11- Eu não faço parte de nenhuma moda. Séfora Tavares, Belém-PA – nov2013


Protegido: Por trás do sexo anal (1)

16/06/2010

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A Entrega – Memórias eróticas

14/06/2010

A Entrega – Memórias eróticas
Toni Bentley (editora Objetiva/2005)

Resumo extraído do site da editora:

Poucas mulheres praticam, e um número menor ainda admite fazê-lo. Desde “A História de O” até “O Beijo e A Vida Sexual de Catherine M.”, leitores se deixam fascinar por memórias subversivas escritas por mulheres. Mas nem mesmo esses clássicos eróticos ousaram desbravar o terreno que Toni Bentley explora em “A Entrega”. Ao conhecer um amante que lhe apresenta ao sexo anal, ato que ela define como “sagrado”, ela descobre um prazer radical e inesperado que a faz “despertar” e descobrir os caminhos de sua própria sexualidade. Nestas memórias ousadas e íntimas, escritas em primeira pessoa, a autora afasta o véu que esconde a experiência erótica proibida desde os tempos bíblicos e celebra “a felicidade que existe do outro lado das convenções, onde o risco é real e onde reside o êxtase”. Este livro é uma exploração sagaz, inteligente e eloquente da obsessão de uma mulher que fará os leitores questionarem seus próprios desejos. Trata-se de um relato sagaz e corajoso do percurso de uma mulher pelos labirintos do desejo e da alma.

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POUCOS E ESPERTOS LEITORES
Ricardo Kelmer 2007

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Uau, que livro!!! Erotismo subversivo de primeira. Dificilmente se verá tanta franqueza e coragem como no relato autobiográfico dessa bailarina que se aventura pelas possibilidades sexuais de seu corpo, fazendo-o altar sagrado e profano de sua busca angustiada por si mesma.

Solidão, insegurança, o trauma paterno, as categorias de homens, a competição com as mulheres, orgasmos, fetiches… está tudo lá, escancarado, feito as pernas de Toni dobradas para o alto, expondo toda sua intimidade ao deus-demônio que ela tanto busca. O mais interessante é a relação de Toni com o sexo anal, mostrando como a prática-tabu, inesperadamente surgida em sua vida, ensinou-lhe o caminho da libertação e da redenção através do prazer da submissão – olha que louco. Louco e deliciosamente pornográfico. Toni filosofa sobre sua irresistível preferência com graça, humor e profundidade (ops), mostrando como o homem certo pode quebrar os paradigmas de uma mulher, abrindo-lhe as portas para um mundo de prazeres que ela sequer sonhava existir.

É surpreendente a descontração com que Toni conta suas transas anais. É quase chocante a naturalidade com que ela fala de seu cu. Essa surpresa e esse choque que A Entrega provoca nos faz perceber que ele, o cu, está na fronteira de nossa sexualidade. Falamos de seios, paus e bucetas sem os velhos pudores de antigamente. No teatro há os monólogos da vagina e os diálogos dos pênis. Até mesmo o universo do sadomasoquismo é mostrado nos programas da tevê. Mas o cu não. Nem seu nome é bem vindo. E o sexo anal continua nos constrangendo nas rodas de conversa: quem não faz, diz que não gosta, e quem gosta, diz que não faz. Um tabu que resiste ao tempo.

O livro de Toni recebeu prêmios literários nos Estados Unidos, onde foi lançado em 2004, além de provocar certo escândalo. Aqui no Brasil, com a nossa fixação em bunda, ele provavelmente fará uma boa carreira, certo? Nem tanto. Talvez o tabu fale mais alto e a leitura de A Entrega fique restrita a poucos leitores. Poucos e espertos leitores.

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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LIVROAEntrega-02LIVROAEntrega-04aLIVROAEntrega-03a.

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Capa do livro de Toni em edições de outros países

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Entrevista com Toni Bentley – jan2004 (em inglês)

Baixe o livro (pdf, 750 kb)

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LEIA NESTE BLOG

Por trás do sexo anal (1) – Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-06O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

As Taras de Lara – Começando por trás – Por medo de engravidar, a menina Lara iniciou sua vida sexual pela porta dos fundos, e gostou

Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

O Diário de Marise – A vida real de uma garota de programa

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A ilha (uma fábula do autoconhecimento)

10/06/2010

10jun2010

Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua

A ILHA

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Era uma ilha que vivia no meio do oceano. Levava uma vida tranquila, sem grandes questionamentos. Conhecia outras ilhas e com elas se comunicava. Um dia, porém, uma ideia a inquietou: se toda vez que a maré baixava, uma porção de terra se descobria, então até que ponto haveria terra? Até onde a ilha existia?

Isso lhe tirou o sono por várias noites. De repente, seu conceito sobre si mesma começou a mudar. Sempre se considerara uma porção de terra boiando à superfície da água, todas as outras ilhas também pensavam assim. Mas agora já não podia crer nisso. Uma ilha não terminava logo abaixo da linha das ondas. Claro que não. Continuava para baixo. Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua.

Saber que continuava além daquilo que sempre julgou ser era algo espantoso de se pensar. Assim, dia após dia, a ilha prosseguiu em seus esforços de auto-investigação – precisava saber até onde existia. Mas à medida que sua atenção mergulhava em si mesma as águas ficavam mais escuras, e era preciso cada vez mais concentração para não se perder. Ela prosseguiu, mais atenta, e descobriu que aquilo que existia sob a superfície continuava sendo ela mesma, sim, mas parecia ter vida própria.

Cada vez mais surpresa, a ilha constatou que aquela parte mais profunda de si mesma levava uma existência semi-independente, porém interagindo com a superfície, influenciando e sendo influenciada por ela. A ilha, então, soube a razão por que se comportava dessa ou daquela maneira, e muitas coisas ficaram mais claras a respeito de si mesma, de seus relacionamentos com outras ilhas e da vida de modo geral. E a cada descoberta que fazia, outras mais se anunciavam, e era como se o Universo se expandisse para dentro dela mesma!

Muito tempo passou até que se convencesse, verdadeiramente, de que ela era mesmo uma montanha com o pico emerso. Estava presa a uma base, uma enorme extensão de terra que funcionava como chão. Vinham de lá todas as ilhas. E para lá voltariam todas quando os movimentos da terra, dos ventos e das águas as forçassem a isso. Mas a grande maioria das ilhas não sabia que todas elas continuavam para baixo, e por isso não entendiam as reais motivações de muito do que faziam. A parte acima da superfície era tudo que sabiam sobre si mesmas, e isso era pouco. A parte submersa, a montanha, era a parte inconsciente de cada ilha, aquilo que desconheciam de si mesmas. E o fundo do mar era o inconsciente maior, único, de todas elas, o lugar de onde vinham.

Ao entender esse fato, a ilha lembrou do tempo que sua autoconsciência se limitava àquela minúscula porção de terra à superfície. Todas as ilhas vêm do mesmo lugar – ela repetiu, intrigada com suas descobertas – porque são feitas da mesma terra… A areia e os nutrientes que as raízes de suas plantas colhem, vem tudo do mesmo chão… Todas as ilhas que existem são, no fundo, uma coisa só, que se experimenta em várias extensões de si própria… e cada extensão possui consciência de si, mas esta consciência é limitada, pois quase nunca desce em direção ao fundo, acomodando-se na parte mais superficial… Se cada ilha se aprofundasse em sua noção de si própria, acabaria se conhecendo melhor e, por virem todas do mesmo lugar, conheceria melhor a todas as outras ilhas.

A ilha viu que eram ideias grandes demais, confundiam a mente. Aquela autoinvestigação era importante, mas requeria muita atenção para não se perder durante o processo. Só assim poderia transitar com êxito entre as duas camadas de realidade, a que ficava à superfície e aquela mais escura e misteriosa que prosseguia rumo a seu próprio interior.

Enquanto tudo isso acontecia, as outras ilhas observavam seu comportamento e não entendiam o que ela tentava lhes dizer. A ilha sentiu-se só. Viu-se, então, pensando do ponto de vista da terra: se elas não se conhecem e elas todas são parte de mim, então eu ainda não me conheço tão bem… Assim sendo, como poderia condená-las? Não, não poderia. Deveria entender e aceitar o ritmo natural de cada uma das ilhas. Deveria agir com a mãe sábia e bondosa que incentiva todos os seus filhos, mas tem de respeitar o caminho individual de cada um deles…

Foi então que, subitamente, a ilha percebeu, num intenso clarão de compreensão, que toda aquela vasta extensão de terra lá embaixo funcionava como um útero a expulsar pedaços de si mesma, forçando-os à superfície. Uma vez lá, eles se entendiam ilhas e começavam sua aventura individual em busca de saber quem de fato eram, de onde vieram e por que existiam. Mas por que a terra fazia isso? Talvez para ela própria aprender com a experiência individual de cada ilha. Ao morrer, uma ilha levava à terra sua própria experiência que serviria para formar as futuras ilhas. Assim, toda ilha continha em si, sem se dar conta, a mesmíssima areia das que a antecederam. Através da vida de cada uma das ilhas, a terra como um todo estava aprendendo cada vez mais sobre si mesma…

Se isso era verdade, então cada ilha possuía uma enorme responsabilidade: conhecer-se a fundo, viver a vida da melhor forma possível e aprender o máximo que pudesse, pois tudo o que vivesse formaria o material do qual seriam feitas as ilhas que a sucederiam.

A vida é mesmo uma tremenda aventura! – pensou a ilha enquanto se divertia com os olhares estranhos que as outras lhe lançavam. Uma aventura de cada ilha. Mas também da terra inteira.

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Ricardo Kelmer 1997 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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SOBRE CARL JUNG

Carl Gustav Jung (26.07.1875 – 06.06.1961)
Psiquiatra e pensador suíço. Fundador da psicologia analítica, também conhecida como psicologia junguiana. Jung, assim como Joseph Campbell (1904-1987), ajudou a reacender o interesse sobre a mitologia, situando os mitos como elementos essenciais na busca do indivíduo por sua essência e completude

Jung – a jornada do autodescobrimento – Vídeo com um resumo da vida e das ideias de Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço criador da teoria do inconsciente coletivo

Jung na Wikipedia

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LEIA NESTE BLOG

MarianaQuerNoivar-03Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

Carma de mãe para filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

Livros: He, She, We – Os rios de nossas vidas na verdade correm por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, percorreram do mesmo modo

Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Oi Ricardo, parabéns pela concepção da ilha. Nem Jung teria feito melhor! Abraços. Angela Schnoor, Rio de Janeiro-RJ – nov2004

02- Caro Ricardo , Fiquei sendo seu fã desde que em 1999 qdo assiti a uma palestra tua no auditório do colegio capital sobre o filme MATRIX. Na tua palestra fizeste uma analogia de espelhos dentro de uma bola de vidro a refletir a luz do sol com nós seres humanos e perguntaste: O que é necessário fazer para mudar o modo do globo de vidro refletir a luz do sol? Ao que respondeste… basta mudar um só espelho. Assim querias dizer que não precisamos mudar ninguém somente a nós mesmo. Cara vc não sabe o quanto já falei de vc para as pessoas a quem conto esta analogia. O fato é que ouvir aquelas tuas palavras me levou a uma pesquisa igual “A ILHA”. Continue sempre assim… em constante questionamento consigo mesmo pois acredite foi assim que passei a ser uma pessoa melhor. Luiz Ferreira de Sousa Junior, Fortaleza-CE – nov2004

03- Mais um que a Amandinha aqui se Identifica… A Ilha!!! Belíssimo!!! hehehee Bkjão bom carnaaaaaaa aeeeeee hehehe. Amanda Gallindo Borges, Florianópolis-SC – fev/2007

04- Olá Xará, Há dias que quero te prestar um elogio. Encontrei em seu site um conto. A Ilha. Se eu pudesse limitar em uma única palavra o que dali absorvi, eu diria que INSPIRAÇÃO seria ela. Sua mensagem provoca o despertar. Oxalá o despertar coletivo. Mas, se assim não for, que seja o individual. Ilhas somos todos, alguns já sabem, outros ainda não. Gosto de pensar que já sei. Creio que cada um de nós tem um talento único, porém é muito difícil descobrir qual. Talvez o meu seja contemplar. Há tantas coisas belas por aqui nesta vida que muita gente não vê, ou se vê, não dá a atenção devida. Mas, quem sou eu para dizer quão atento alguém deve ser ?! Eu também procuro ser uma ilha que se diverte com esses pensamentos. Seu conto é uma coisa bela. Parabéns. Ricardo Rodriguez, São Bernardo do Campo-SP – fev2007

05- Li o primeiro texto do seu livro (“A Ilha”) e gostei da abordagem, da ilha como um ser pensante. Vou ler os outros com a calma que a leitura exige…rs De minha parte, tenho um blog (link no rodapé do e-mail) e um fotolog (http://cidadeembaixa.nafoto.net) ansiosos por comentários. Quando tiveres um tempinho, visite. Alessandro Pinesso, São Paulo-SP – ago2007

06- Que bom reler isso! Dos teus livros que eu li, o que eu mais gosto é o Arte Zen, porque lá eu encontro os meus dois RKs prediletos: aquele cara com um humor cruelmente puro e um outro, que me leva pra navegar nas águas densas da alma e da mente. Eu adoro essa crõnica da ilha que, como outros textos teus, tem sido um guia precioso nos mares que essa ilhazinha aqui habita. Beijos da tua leitora mais taradinha! Kdela, Fortaleza-CE – abr2009

07- Prarabéns Kelmer pelo texto da “ilha” Adorei! Seus escritos estão sempre contribuindo para meus estudos! Dóris Burlamaqui, Fortaleza-CE – nov2010

08- É muito difícil baixar a maré e enxergar toda a extensão de nós mesmos. Mas quando nos dispomos a fazer isso é muito recompensador. Maravilhoso texto!!! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – abr2011

09- Adorei esse trecho: “Se isso era verdade, então cada ilha possuía uma enorme responsabilidade: conhecer-se a fundo, viver a vida da melhor forma possível e aprender o máximo que pudesse pois tudo o que vivesse formaria o material do qual seriam feitas as ilhas que a sucederiam.” Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – abr2011

> Postagem oficial no Facebook


VÍDEO: Jung – A jornada do autodescobrimento

08/06/2010

Ricardo Kelmer 2010

Vídeo resume a vida e a obra de Carl Jung

Este vídeo, dividido em duas partes, traz um belo resumo da vida e das ideias de Carl Jung (1875-1961), o psicólogo suíço que se tornou um dos mais influentes pensadores do século 20.

Criador da teoria do inconsciente coletivo e do método “Imaginação ativa” pra contato direto com o inconsciente, Jung também criou a tipologia da personalidade, cruzando os tipos (introvertido e extrovertido) com as funções psicológicas (pensamento, sentimento, sensação e intuição). A teoria da sincronicidade, que relaciona fatos internos e externos pra explicar certas coincidências da vida diária, é outra contribuição sua pro entendimento que hoje possuímos sobre o funcionamento da psique.

Jung, assim como Joseph Campbell (1904-1987), ajudou a reacender o interesse sobre a mitologia, situando os mitos como elementos essenciais na busca do indivíduo por sua essência e completude.

> Jung na Wikipedia
> Joseph Campbell na Wikipedia

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Jung – A jornada do autodescobrimento (1) 9m12s

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Jung – A jornada do autodescobrimento (2) 9m03s

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> Livros: He, She, WeOs rios de nossas vidas na verdade correm por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, percorreram do mesmo modo

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> A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

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> Blade Runner: Deuses, humanos e andróides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Para mim, o maior sábio que o ocidente já produziu. Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – abr2011

02- Amplo e profundo.Uma das melhores ideias dele é o lance do inconsciente coletivo. Muito útil pra quem escreve narrativas. Gledson Shiva, Brasília-DF – abr2011

03- Dr Jung é mal visto como “psicólogo” alternativo, profissão que nunca teve. Jung escreve sobre metafísica, filosofia da religião, teoria do comhecimento, fenomenologia, noumenon kantiano, natureza da realidade, ética, arquétipos de Plotino, conhecimento não-racional e até psicologia. Para mm, Jung é um dos maiores filósofos que já existiram, mas ESSE seu lado só será compreendido daqui a uns 100 ou 200 anos, como é usual que ocorra com os grandes filósofos. Lázaro Freire, São Paulo-SP – abr2011

04- E eu na dolorosa jornada em busca de quem sou! Mas não desisto… (“Aquilo a que você resiste, persiste.” Carl Jung). Marcio Regis Galvão, Fortaleza-CE – abr2011


Bolão da Copa do Mundo 2010

07/06/2010

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TABELA DE JOGOS
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GRUPO A

01- 11.06  11h……….África do Sul 1×1 México
02-
11.06  15h30…..Uruguai 0x0 França
03-
16.06  15h30…..África do Sul 0x3 Uruguai
04-
17.06  15h30…..França 0x2 México
05-
22.06  11h……….México 0x1 Uruguai
06-
22.06  11h……….França 1×2 África do Sul

GRUPO B

07- 12.06  11h……….Argentina 1×0 Nigéria
08-
12.06  08h30…..Coreia do Sul 2×0 Grécia
09-
17.06  11h……….Grécia 2×1 Nigéria
10-
17.06  08h30…..Argentina 4×1 Coreia do Sul
11-
22.06  15h30……Nigéria 2×2 Coreia do Sul
12-
22.06  15h30……Grécia 0x2 Argentina

GRUPO C

13- 12.06  15h30…..Inglaterra 1×1 Estados Unidos
14-
13.06  08h30…..Argélia 0x1 Eslovênia
15-
18.06  11h……….Eslovênia 2×2 Estados Unidos
16-
18.06  15h30…..Inglaterra 0x0 Argélia
17-
23.06  11h……….Eslovênia 0x1 Inglaterra
18-
23.06  11h……….Estados Unidos 1×0 Argélia

GRUPO D

19- 13.06  15h30…..Alemanha 4×0 Austrália
20-
13.06  11h……….Sérvia 0x1 Gana
21-
18.06  08h30…..Alemanha 0x1 Sérvia
22-
19.06  11h……….Gana 1×1 Austrália
23-
23.06  15h30…..Gana 0x1 Alemanha
24-
23.06  15h30…..Austrália 2×1 Sérvia

GRUPO E

25- 14.06  08h30…..Holanda 2×0 Dinamarca
26-
14.06  11h……….Japão 1×0 Camarões
27-
19.06  08h30…..Holanda 1×0 Japão
28-
19.06  15h30…..Camarões 1×2 Dinamarca
29-
24.06  15h30…..Dinamarca 1×3 Japão
30-
24.06  15h30…..Camarões 1×2 Holanda

GRUPO F

31- 14.06  15h30…..Itália 1×1 Paraguai
32-
15.06  08h30…..Nova Zelândia 1×1 Eslováquia
33-
20.06  08h30…..Eslováquia 0x2 Paraguai
34-
20.06  11h……….Itália 1×1 Nova Zelândia
35-
24.06  11h…… …Eslováquia 3×2 Itália
36-
24.06  11h……….Paraguai 0x0 Nova Zelândia

GRUPO G

37- 15.06  11h……….Costa do Marfim 0x0 Portugal
38-
15.06  15h30…..Brasil 2×1 Coreia do Norte
39-
20.06  15h30…. Brasil 3×1 Costa do Marfim
40-
21.06  08h30…..Portugal 7×0 Coreia do Norte
41-
25.06  11h……….Portugal 0x0 Brasil
42-
25.06  11h……….Coreia do Norte 0x3 Costa do Marfim

GRUPO H

43- 16.06  08h30…..Honduras 0x1 Chile
44-
16.06  11h……….Espanha 0x1 Suíça
45-
21.06  11h……….Chile 1×0 Suíça
46-
21.06  15h30…..Espanha 2×0 Honduras
47-
25.06  15h30…..Chile 1×2 Espanha
48-
25.06  15h30…..Suíça 0x0 Honduras

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PALPITES
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Participante: Nino Cariello
01 1×3(2)
_02 2×1(0)_03 1×2(5)_04 1×2(7)_05 2×0(0)_06 3×1(0)
07 2×2(0)_
08 2×2(2)_09 1×3(0)_10 1×2(0)_11 2×1(2)12 1×3(5)
13 2×0(0)
_14 1×1(2)_15 2×1(2)_16 2×1(0)_17 1×3(5)__8 2×0(7)
19 3×0(7)
_20 2×2(0)_21 2×1(2)_22 2×0(0)_23 1×2(5)_24 0x2(0)
25 2×1(7)
_26 1×2(2)_27 3×1(5)_28 1×2(10) 29 3×0(0)_30 2×2(2)
31 2×0(0)_
32 0x2(0)_33 2×2(2)_34 4×0(0)_35 1×2(2)_36 2×0(2)
37 1×3(0)
_38 3×0(5)_39 3×1(10) 40 3×0(7)_41 1×3(0)_42 0x3(10)
43 0x2(7)
_44 3×0(0)_45 2×1(5)_46 3×1(5)_47 1×2(10)_48 2×1(0)

Participante: Fábio Bonfim
01 1×0(2)_02 2×2(5)_03 1×2(5)_04 1×1(0)_05 1×2(5)_06 1×0(2)
07 3×1(5)_08 1×2(0)_09 1×1(2)_10 2×1(7)_11 1×1(5)_12 1×2(7)
13 1×1(10) 14 2×1(2)_15 1×2(2)_16 2×0(2)_17 1×2(5)__8 2×2(0)
19 3×1(5)_20 1×1(2)_21 2×1(2)_22 1×0(2)_23 0x2(7)_24 1×1(2)
25 2×1(7)_26 1×1(2)_27 2×2(0)_28 1×1(2)_29 0x1(5)_30 1×2(10)
31 1×1(10) 32 0x1(2)_33 1×2(7)_34 2×0(0)_35 1×3(0)_36 2×1(0)
37 1×3(0)_38 3×0(5)_39 3×1(10) 40 2×0(7)_41 1×2(0)_42 2×1(0)
43 1×3(5)_44 2×0(0)_45 1×1(2)_46 3×0(7)_47 2×2(2)_48 1×0(2)

Participante: Ricardo Kelmer
01 2×1(2)_02 1×1(5)_03 1×1(0)_04 2×0(0)_05 1×2(5)_06 1×0(2)
07 1×1(2)_08 0x1(0)_09 0x2(0)_10 2×0(5)_11 2×0(2)_12 0x1(7)
13 2×1(2)_14 0x2(7)_15 2×1(2)_16 3×0(2)_17 1×1(2)_18 1×1(2)
19 2×0(7)_20 2×1(2)_21 1×1(2)_22 2×1(2)_23 0x1(10)_24 0x3(0)
25 2×1(7)_26 1×2(2)_27 1×0(10) 28 0x1(5)_29 2×0(0)_30 1×2(10)
31 1×0(2)_32 0x2(0)_33 2×1(0)_34 2×1(2)_35 2×1(5)_36 1×0(2)
37 0x1(2)_38 2×0(7)_39 3×0(7)_40 2×0(7)_41 1×1(5)_42 1×1(0)
43 0x2(7)_44 1×2(5)_45 1×1(2)_46 2×0(10) 47 1×1(2)_48 2×1(0)

Participante: André Barbacena
01 4×1(2)_02 2×1(0)_03 2×2(0)_04 0x1(7)_05 1×2(5)_06 2×1(0)
07 4×1(5)_08 0x1(0)_09 1×2(0)_10 3×0(5)_11 1×0(0)_12 0x2(10)
13 1×1(10) 14 0x3(7)_15 1×1(5)_16 1×2(0)_17 1×1(2)_18 2×0(7)
19 3×2(5)_20 3×0(0)_21 2×2(0)_22 1×1(10) 23 1×2(5)_24 0x1(2)
25 4×2(5)_26 2×1(5)_27 3×1(5)_28 2×2(2)_29 0x1(5)_30 1×3(7)
31 0x1(2)_32 0x2(0)_33 2×2(2)_34 2×0(2)_35 1×1(0)_36 3×0(2)
37 1×3(0)_38 4×0(5)_39 3×1(10) 40 1×1(0)_41 2×4(0)_42 0x2(7)
43 1×3(5)_44 3×1(2)_45 2×2(0)_46 3×0(7)_47 3×2(2)_48 2×0(0)

Participante: Carlinhos Papai
01
2×1(2)_02 1×1(5)_03 1×1(0)_04 2×2(2)_05 2×1(2)_06 1×1(2)
07
2×0(7)_08 1×1(0)_09 1×2(0)_10 2×0(5)_11 1×1(5)_12 0x2(10)
13
2×0(0)_14 1×2(5)_15 0x2(2)_16 2×0(2)_17 1×2(5)_18 2×1(5)
19
2×0(7)_20 2×2(0)_21 2×0(0)_22 1×2(2)_23 1×3(5)_24 1×2(0)
25
2×0(10) 26 0x1(0)_27 2×1(5)_28 1×2(10) 29 2×1(0)_30 0x2(7)
31
2×1(2)_32 1×2(2)_33 1×2(7)_34 2×0(0)_35 1×1(0)_36 2×0(2)
37
0x1(2)_38 3×0(5)_39 2×0(5)_40 2×0(7)_41 1×2(0)_42 1×2(5)
43
1×2(5)_44 2×0(0)_45 2×0(7)_46 2×0(10) 47 2×3(5)_48 2×2(5)

Participante: Henrique Baima
01 1×1(10) 02 0x1(2)_03 0x0(2)_04 1×1(0)_05 2×1(2)_06 1×2(10)
07
2×0(7)_08 1×2(0)_09 1×1(2)_10 4×1(10) 11 2×1(2)_12 1×2(7)
13
2×1(2)_14 0x0(2)_15 1×1(5)_16 1×0(2)_17 1×2(5)_18 1×0(10)
19
2×0(7)_20 1×1(2)_21 1×0(0)_22 3×1(2)_23 1×1(2)_24 0x1(2)
25
2×1(7)_26 1×1(2)_27 3×0(7)_28 1×2(10) 29 2×1(0)_30 2×3(5)
31
1×0(2)_32 0x2(0)_33 1×2(7)_34 2×0(0)_35 1×1(0)_36 3×0(2)
37
1×2(0)_38 2×0(7)_39 2×1(7)_40 3×1(5)_41 1×2(0)_42 2×2(0)
43
0x2(5)_44 1×0(0)_45 0x0(2)_46 3×0(7)_47 1×2(10)_48 1×0(2)

 

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PONTUAÇÃO

Acerto total: 10 pontos
Acerto de vitória ou empate: 5 pontos
Acerto de gols: 2 pontos

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CLASSIFICAÇÃO
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……….participante……pontos…..acertos totais

1o: Henrique Baima……….180………6
2o: Carlinhos Papai……….174……….4
3o: Fábio Bonfim…………….171………4
4o: Ricardo Kelmer…………169……….4
5o: André Barbacena…….164………4
6o: Nino Cariello…………….144……….4

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RK na Fundação Gol de Letra

07/06/2010

Ricardo Kelmer 2010

Em abril estive na Fundação Gol de Letra, criada pelos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo, convidado a falar num fórum sobre narcotráfico. Participamos eu e a psicóloga Vanessa Abdo, da ong Sou da Paz, que mostrou dados interessantes sobre jovens e narcotráfico. O tema do fórum, dirigido aos alunos adolescentes da Fundação e aberto à comunidade, foi escolhido pelos próprios alunos, que são moradores do bairro Vila Albertina, zona norte de São Paulo, onde fica a sede paulistana da Gol de Letra.

Recebi o convite com muita honra mas fiquei a me perguntar: o que alguém como eu poderia oferecer de útil a esses adolescentes, eles que vivenciam diariamente a realidade da violência ligada às drogas, dos toques de recolher impostos pelos traficantes, da triste omissão do Estado e da falta de boas oportunidades profissionais? Eu é quem tinha a aprender com a experiência deles.

Isso é verdade. Porém, o que eu levava praqueles adolescentes poderia ser útil. E eu levava pra eles a força do mito. E foi isso que tentei lhes mostrar, que o envolvimento com o narcotráfico pode ser emocionante, sim, mas o custo é alto e não raramente o custo é a própria vida. Falei que há uma outra aventura, ainda mais emocionante: a aventura da autorrealização, aquela em que seguimos nosso caminho mais honesto e verdadeiro, lutamos por nossos sonhos e realizamos a quem somos de verdade e não a quem os outros querem que sejamos. Aceitar essa aventura é viver, na própria vida, o mito da Jornada do Herói.

Não sei se fui realmente compreendido. Mas conheço bem a força do mito. Sei que ele pode, de repente, no meio de uma frase, começar a transformar pra sempre uma vida.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Fundação Gol de Letrawww.goldeletra.org.br
Reconhecida pela UNESCO como instituição modelo, a Fundação Gol de Letra desenvolve programas de Educação Integral para mais de 1.200 crianças, adolescentes e jovens de 7 a 24 anos. Com uma proposta pedagógica associada à assistência social, promove ainda atendimento às famílias e o fortalecimento das comunidades.
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DICA DE LIVROS

O poder do mito (Joseph Campbell, com Bill Moyers) – Editora Palas Athenas
A jornada do herói – Joseph Campbell vida e obra (org. Phil Cousineau) – Editora Ágora
Para viver os mitos (Joseph Campbell) – Editora Cultrix
O herói de mil faces (Joseph Campebll) – Editora Cultrix/Pensamento
Matrix e o despertar do herói (Ricardo Kelmer) – Miragem Editorial
O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatrix Del Picchia e Cristina Balieiro) – Editora Ágora

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Consulado da Caatinga estreia em São Paulo

02/06/2010

 

Ricardo Kelmer 2010

Homenagear a cultura nordestina através da música, da poesia e das artes em geral. Esta é a proposta do Consulado da Caatinga, um evento mensal que acontecerá todo mês em São Paulo, no bar-restaurante Minas Tutu e Prosa. A estreia foi no dia 22mai e a segunda edição acontecerá em 12jun. Veja aqui as datas das próximas apresentações.

Os músicos fixos do evento são MOACIR BEDÊ (violão e bandolim), MARÍLIA DUARTE (voz) e RAFAEL MOTA (percussão), que interpretam os clássicos e os modernos da música nordestina, com participação de convidados especiais. Há também exibição de vídeos e noites de autógrafos. Em cada edição rola sorteio de CDs e de uma hospedagem para casal na praia de Jericoacoara, no Ceará.

Bar-restaurante Minas Tutu e Prosa
Av. Brig. Luis Antonio, 2790 – Jardim Paulista – 3052.1830
300m abaixo da alameda Santos

APOIO
Pousada Casa do Ângelo
– Jericoacoara

REALIZAÇÃO
Letra de Bar

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Vídeo com trechos da estreia, 3:00

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Glossário de termos e expressões canábicos

31/05/2010

31mai2010

BaseadoNissoCapaMiragem-01a

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BaseadoNissoCapaMiragem-01aEste glossário integra o livro Baseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha,
de Ricardo Kelmer

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PARA COMPRAR

> E-book – Na Amazon

> Livro impresso e PDF

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GLOSSÁRIO DE TERMOS E EXPRESSÕES CANÁBICOS

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Por envolver algo proibido por lei, o universo cultural dos usuários de maconha é feito de comunicações sutis e muitas vezes codificadas. A necessidade de segurança os leva a serem criativos, e a espirituosidade e o bom humor são uma constante. Como ocorre com a língua de modo geral, os termos e expressões canábicos variam de acordo com os contextos social, temporal e geográfico do usuário, mas há aqueles de uso geral, e a todo momento surgem novos termos. Este trabalho, portanto, representa uma ínfima parcela da vasta cultura linguística da maconha no Brasil.

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A

Acontecedor. Fumo que atrai acontecimentos inusitados ou interessantes. Da última vez que fumei do acontecedor, peguei o mesmo elevador que o Clodovil e o Tiririca…

Algum. Cigarro de maconha. Tem algum aí?

Alguém vai? Discreta indagação ou convite para fumar. Vocês aí, alguém vai?

Alto. Pessoa que está sob razoável efeito da maconha. Quando ela começa a querer tirar a roupa, já sei que tá meio alta.

Apertar. Preparar o cigarro. Muitos usuários consideram isso uma arte. Vou apertar mas não vou acender agora…

Apresentar. Oferecer maconha para que outros possam também usufruir. Pô, ninguém vai apresentar nada?

Aquele. Cigarro de maconha. Cadê aquele?

Asilado. Pessoa que está ou é desesperada para fumar. A gata tá asilada!

Avião. Aquele que faz a intermediação da compra ou que compra a maconha onde ela é vendida e leva ao usuário. Aquele nosso avião da Rocinha dançou!

Azucrinado. Sob forte efeito da maconha. Cara, fiquei azucrinado aquele dia que esqueci meu próprio nome.

B

Baculejo. Revista feita por policiais à procura de drogas. O mesmo que geral. Porra, tão dando baculejo até na saída da missa!

Bagana. Resto do cigarro de maconha. Apesar de apreciada devido a uma maior concentração de THC, apresenta o inconveniente de proporcionar prova material para um possível flagrante. O mesmo que beata, bia ou guimba. Ih, rapaz, esqueci a bagana na caixa de fósforo do papai.

Bagulho. Maconha. E aí, quem trouxe o bagulho?

Bahia. A pessoa de quem se espera que tenha maconha e que não tem (em oposição a salvador). Usado também para saber se a pessoa tem ou não maconha. Tu é Bahia ou Salvador?

Bala. Pequena porção de maconha vendida nas bocas de fumo. O mesmo que dólar. Também usado no diminutivo balinha. Vai uma bala aí, bacana?

Balão. Ato de pagar pela maconha e não receber. Naquela boca mauricinho leva balão.

Bandeira. Ação comprometedora que permite que se perceba que alguém está sob efeito, falando sobre, manuseando ou qualquer coisa relacionada à maconha. Segura tua gata aí que ela tá dando a maior bandeira.

Bandeiroso. Aquele que dá bandeira. Nunca vi ninguém mais bandeiroso!

Banzo. Estado causado pela maconha, que deixa a pessoa lerda e sem ação. Semelhante a morgação. Essa coisa me deu um banzo desgraçado.

Barato. Denominação clássica para o efeito da maconha. Esse cigarrinho aqui é daquele tipo que dá barato?

Baseado. Denominação clássica para cigarro de maconha. Deixa de papo, Íris, e aperta logo esse baseado!

Bater. Acontecer (o efeito da maconha). Fumei faz meia hora e agora que a lombra bateu.

Bater uma bola. Fumar maconha. Vamos bater uma bola antes ou depois?

Baurete. Cigarro de maconha. Termo cuja criação é comumente atribuída ao músico Tim Maia. Ô, Nelson Mota, não vai rolar um baurete?

Beata. Resto do cigarro de maconha. O mesmo que guimba. Joga fora que em viagem a beata é sempre da estrada.

Beatriz. Resto do cigarro de maconha. Também utilizado na forma abreviada: bia. Por falar nisso, quem é que tá atualmente com a Beatriz?

Beque. Cigarro de maconha. Wanessinha adora um beque antes de transar.

Beise. Cigarro de maconha (derivado de baseado). O papo tá muito bom, mas e o beise, tá com quem?

Berlota. Cada inflorescência da planta de maconha no ponto para ser preparada para fumar. Aquela coisa tem cada berlota!

Besteirinha. Pequena quantidade de maconha. Só consegui uma besteirinha.

Bia. Resto do cigarro de maconha. Não acredito! Não sobrou nem a bia?

Boa-noite. Tradicional cigarro que se fuma antes de dormir. Também conhecido por dorminhoco. Vamos fumar o boa-noite?

Bobeira. 1. Ação involuntária que permite que outros percebam que alguém está sob efeito da maconha. O mesmo que bandeira. Quando o Marquinhos fuma, fica dando bobeira! 2. Bobagem que se faz ocasionada pelo efeito da maconha. Da última vez que fumei e bebi, fiz cada bobeira…

Boca. Local onde é vendida a maconha (também usado de forma abreviada: boca). Aquela boca tá a maior sujeira.

Bode. Indisposição momentânea causada pela maconha. Não vou sair mais não, me bateu um bode…

Bola. Ver Dar uma bola.

Bolar. Fumar maconha. Será que a gente vai pro inferno se bolar um aqui na igreja?

Boldinho. Maconha. Originado de boldo, planta da qual se faz chá terapêutico. Pra dor de estômago, indico um boldinho…

Bomba. Maconha de forte efeito. Tenho uma bomba aqui que vai te deixar de quatro.

Bom-dia. Tradicional cigarro que se fuma após acordar. Também conhecido por despertivo. Quem é que vai no bom-dia?

Boqueiro. Aquele que é dono de boca de fumo ou negocia com maconha. Eu nunca ia desconfiar que a dona Juju era boqueira.

Braço-de-Judas. Cigarro muito grosso. Em referência à madeira da qual é feito o braço do boneco que é queimado nas festas juninas. Eita que hoje só tá rolando braço-de-Judas!

Brancão. Desmaio passageiro ocasionado por forte efeito da maconha. Originado do fato de que se vê tudo branco logo antes do desmaio. Deu um brancão na coitada e ela caiu no meio do velório.

Brau. Clássica denominação para cigarro de maconha. Melhor deixar o brau com o Vitinho que ele tem cara de santo.

Braúlio. Designação discreta para brau. O Braúlio tá gordo!

Braulito. Entidade sobrenatural considerada o espírito da maconha, e que surge quando se fuma. Também conhecido, de modo mais solene, como Grande Braulito. Ver Mescalito. Ó Grande Braulito, mostre-nos onde conseguir mais dessa marofa.

Brisa. Efeito da maconha de pouca intensidade. Pra assistir o culto, recomendo só uma brisa, senão dá crise de riso.

Brocado. Sob efeito do apetite acentuado que surge após se fumar maconha. O mesmo que laricado. O cara tá brocado!

C

Cabeça. 1. Cada inflorescência da planta de maconha já preparada e pronta para tratar. O mesmo que berlota e camarão. Essa maconha só tem cabeça… 2. Cada pessoa que vai participar do cigarro de maconha. Só essa tripinha pra estas três cabeças?!

Cabeça feita. Sob efeito da maconha. Não, muito obrigado, já tô de cabeça feita.

Cabeça-feita. Aquele que é usuário. Geralmente utilizado de forma elogiosa, no sentido de que a pessoa é inteligente, de opiniões formadas e/ou de bem com a vida. Pode referir-se também à relação tranquila que se tem com a maconha. Nessa roda só tem cabeça-feita.

Cabeça grande. Motivo (ou pretexto) pelo qual certos maconheiros fumam bastante, pois é necessário muita fumaça para encher sua cabeça, ao contrário de quem tem a cabeça pequena (cabecinha). Vou fumar esse sozinho porque minha cabeça é muito grande…

Cabeção. 1. Aquele que adora fumar maconha. Só tem cabeção nesse show. 2. Conotação depreciativa para aquele que está sempre querendo fumar maconha e não perde uma rodada, podendo não raro adquirir fama de chato oportunista. Fuma logo que lá vem o cabeção!

Cabelo de punk. Maconha de baixa qualidade por ser proveniente da folha e não da flor da planta. Os pedaços das folhas lembram os cabelos espetados dos punks e podem atrapalhar a confecção do cigarro. Esse cara só traz cabelo de punk.

Cachimbo da paz. Designação solene para cigarro de maconha. Em referência ao hábito indígena de se fumar coletivamente em eventos importantes. Tenho a honra de comunicar aos nobres colegas que o cachimbo da paz vai rolar lá na casinha do motor.

Cadê? Discreta indagação que se faz para saber se alguém tem maconha. Esse papo tá muito bom mas… cadê?

Caixão. Maconha de forte efeito, que deixa a pessoa atordoada (originado de onda caixão, que derruba e atordoa o banhista). Pega leve que esse fumo é caixão.

Camarão. Inflorescência da planta de maconha que lembra um camarão. O mesmo que cabeça. Tu vai ver como só tem camarão.

Canabis. Denominação para maconha ou cigarro de maconha. Originada do termo científico Cannabis sativa. Ah, nada como uma canabis pra relaxar…

Canal. Pessoa que sabe onde encontrar a maconha ou que faz a intermediação da compra. Eu sei de um canal que nunca falha.

Carburar. Fumar. Até a professora de ginástica carbura um antes da aula.

Careta. 1. Aquele que não fuma, não gosta, se incomoda com usuários e/ou é contra o uso da maconha. Lá em casa todo mundo é careta. 2. Cigarro comum, que não é de maconha. Acende agora um careta pra disfarçar. 3. Estado do usuário quando não está sob efeito da maconha. Vou apertar outro que eu já tô careta de novo.

Careta esperto. Aquele que não fuma mas não se incomoda de ter amigos usuários nem condena o uso da maconha. Minha irmã é careta esperta, mas meu irmão é careta careta mesmo.

Cavidade bucal. Discreta denominação para boca de fumo. Abreviação (mais discreta ainda): cavidade. Descobri uma cavidade numa rua atrás da delegacia.

Cecília. Semente de maconha. Não esquece de tirar as cecílias.

Cemitério. Lugar reservado para guardar as guimbas do cigarro, geralmente uma caixa de fósforo ou similar. Muitos maconheiros, quando estão sem maconha, procuram o cemitério e desmancham as guimbas para formar quantidade suficiente para fazer um novo cigarro. Estratégia utilizada também quando se quer fumar uma maconha com maior quantidade de THC, pois o mesmo se concentra nas guimbas. Guarda a bia aqui no cemitério.

Cera. Maconha da melhor qualidade. Uau, essa aqui é uma cera!

Chapação. Estado provocado por forte efeito da maconha. Menina, foi uma chapação geral!

Chapado. Aquele que está sob forte efeito da maconha. Cheguei chapadão lá no batizado!

Chapar. Ficar sob forte efeito da maconha. Putz, chapei total, vou dormir.

Charlie Brown. Cigarro de maconha, em referência ao famoso personagem de quadrinhos e TV. Tá na hora do Charlie Brown.

Charo. Cigarro de maconha. Libera o charo aí.

Chia. Resto do cigarro de maconha. Onde mesmo que eu deixei a chia?

Cigarro de carnaval. Cigarro de maconha. Variações: cigarro de artista, cigarro do capeta e cigarro de índio. Comumente usado no diminutivo. Cerveja não tem, mas eu trouxe um cigarrinho de carnaval…

Cinquinho. Pequena porção de maconha no valor aproximado de cinco reais. Porra, cara, tu não salva nem cinquinho não?

Cocô. Pequenos pedaços de maconha desprendidos devido ao manuseio de pedaços maiores. Geralmente é usado no diminutivo. Boa notícia: ainda sobraram uns cocozinhos…

Coice de mula. Efeito atordoante da maconha. Menino, que coice de mula que eu levei ontem…

Coisa. Maconha. E a coisa, quem é que tem?

Coisero. Pessoa que ganha a vida negociando com maconha. Originado de coisa. Pois é, o Gilmar é coisero.

Coisinha. Pequena quantidade de maconha. Essa coisinha aí não faz nem um baseado.

Confeccionar. Preparar o cigarro de maconha. O mesmo que apertar. Me apaixonei quando te vi confeccionando um brau enquanto com a outra mão passava batom.

Cortar o rabo. Ato de iniciar alguém a fumar maconha, muitas vezes revestido de caráter cerimonial por ser considerado um momento antológico que o usuário nunca esquece (como o primeiro porre). Devidos a diversos fatores, como o nervosismo e a expectativa, que impedem o relaxamento, a primeira vez nem sempre ocasiona uma viagem. Paulinha cortou o rabo de todas as amigas lá em Canoa.

Cuspindo bala. Estado muito comum causado pela maconha, logo após fumar, caracterizado pela secura na boca e falta de saliva para cuspir. Pede logo duas cervejas que eu tô cuspindo bala.

D

BaseadoNissoCapaMiragem-01aDa Jamaica. Maconha ou cigarro de boa qualidade, em referência à maconha jamaicana. Ah, esse é da Jamaica!

Da lata. Maconha da melhor qualidade. Referência à maconha encontrada embalada em latas, jogada ao mar por tripulantes de um navio estrangeiro para se livrar da prova do delito, fato ocorrido em 1989 no litoral do estado do Rio de Janeiro. Quarta-feira vai chegar uma da lata!

Danada. 1. Maconha. Cadê a danada? 2. Maconha de boa qualidade. Essa é danada!

Dançada. Ato de dançar. Não passa por aquela estrada que é dançada certa.

Dançar. Ser pego em flagrante com maconha ou fumando, pela polícia, pais ou outras pessoas comprometedoras. Vocês souberam que o Zenon dançou?

Dar uma bola. Fumar maconha. Variações: dar um dois, dar um pau e dar um pega. E aí, vamo dar uma bola pra comemorar que hoje é segunda?

Dar uma goma. Passar saliva no cigarro de maconha para que ele queime por igual e/ou para que não levante chama. Dá uma goma no tcheuris senão o vento vai fumar tudinho!

De baixo. Qualidade de quem não tem maconha. Quando eu tô de baixo, nunca tem blitz na rua.

De bobeira. Estado de silêncio e quieta concentração causado pela maconha. Variação: de bobs. Ih, a Andrea tá de bobeira…

De bode. Estado de lerdeza ou preguiça física e mental causado pela maconha ou pelo término do efeito. O mesmo que morgado. Ele fumou um e ficou lá na rede, de bode.

Debulhar. Preparar a maconha para ser fumada, picotando-a e separando galhos e sementes. O mesmo que tratar e destrinchar. Que beleza, já tá debulhada.

De Cabrobó. Maconha da melhor qualidade. Referência ao município pernambucano de Cabrobó, conhecido produtor de maconha. Vai chegar uma remessa de Cabrobó pra Semana Santa!

De cara. Estado daquele que não se encontra sob efeito da maconha ou não pretende fumar. Hoje eu tô de cara.

Dechavar. O mesmo que destrinchar e debulhar.

De cima. Qualidade de quem tem maconha. Não ande de cima por aqui que é sujeira.

Defumar. Fumar em um ambiente ou lugar pela primeira vez ou em homenagem a algo. Vamos defumar o carro novo da Ticiane!

Delegado. Pessoa que, numa roda de fumo, retém, consciente ou não, o cigarro para si. Ei, delegado, tu tá prendendo o brau.

Delírio. Colírio. Usa-se colírio para eliminar a vermelhidão dos olhos, comum após fumar maconha. Alguém tem um delírio aí?

Descolar. Conseguir maconha. Vou lá no morro ver se descolo uma coisinha.

Despertivo. Tradicional cigarro de maconha que se fuma após acordar. Também conhecido por bom-dia. E aí, o despertivo rola antes ou depois do café?

Destrinchar. Preparar a maconha para ser fumada. O mesmo que debulhar e tratar. Deixa que eu destrincho, tu demora muito.

Detonado. 1. Sob forte efeito da maconha. Dei só dois pauzinhos e fiquei detonado! 2. Diz-se do fumo que já acabou. Tem mais nada, foi tudo detonado ligeirinho.

Detonar. 1. Acender o cigarro para ser fumado. Detona o brau!!! 2. Fumar muito ou rapidamente. A turma detonou duzentos gramas naquele fim de semana.

Dezinho. Porção de maconha no valor aproximado de dez reais. Quero muito não, só dezinho mesmo.

Diamba. Maconha. Cadê a diamba?

Dichavar. O mesmo que dechavar. Tu dichava e eu aperto.

Dificultar. Dizer ou fazer algo que ponha obstáculos ou impedimento ao ato de comprar, fumar ou qualquer coisa relacionada a maconha. Qualé, maninha, vai dificultar mesmo?

Digestivo. Tradicional cigarro de maconha que se fuma após as refeições. Né por nada não, mas um digestivo agora caía bem…

Dispensar. Jogar fora a maconha ou a guimba do cigarro. A dispensa ocorre geralmente para evitar o flagrante ou porque o que sobrou do cigarro é pouco. Pode dispensar que eu já tô doidão.

Doidaço. Ver doido.

Doidão. Ver doido.

Doideira. 1. Efeito da maconha. Me deu uma doideira tão grande que eu fiz cinco músicas só no intervalo da novela. 2. Diz-se daquilo que é estranho ou interessante. Aquela viagem foi uma doideira!

Doido. 1. Sob efeito da maconha. Fiquei doido só com aquele pauzinho. 2. Usuário de maconha. Nunca imaginei que a Tetê fosse doida. 3. Qualidade daquilo que é estranho ou interessante. Esse conto do Kelmer é doido!

Dólar. Pequena porção de maconha vendida nas bocas de fumo. Também usado no diminutivo dolinha. Porra, o cara quer me vender o dólar a vinte reais!

Dorminhoco. Tradicional cigarro de maconha que se fuma antes de dormir. Também conhecido por boa-noite. Agora é sério, vamos fumar o último dorminhoco!

Douglas. Maconha. É provável que uma quantidade incontável de nomes de pessoas sejam usados com este nobre fim. O Douglas mandou avisar que infelizmente não vai poder vir.

Dragão. Aquele que quando fuma maconha, fuma bem mais que todos. Fuma logo antes de chegar o dragão.

E

E aí? Clássica e discreta indagação dos usuários que objetiva saber se alguém tem maconha ou se está no momento de fumar. E aí?

Emaconhado. Sob efeito da maconha. Também usado na forma maconhado. Esse povo só pode estar emaconhado.

Empapuçar. Enjoar por fumar em excesso. Não quero mais, tô empapuçada.

Encarar uma social. Ver social.

Encaretar. 1. Diz-se do efeito da maconha que passou, repentinamente ou aos poucos. Fiquei tão nervoso que encaretei. 2. Tornar-se careta. Depois que casou, a Gigi encaretou de um dia pro outro.

Encomenda. Designação discreta para maconha. Pode vir que a encomenda já chegou.

Engolir. Último recurso do usuário na iminência de ser flagrado. Ih, sujou! Engole, engole!

Enrolar. Preparar o cigarro, acondicionando a maconha na folha de papel. Deixa de papo e enrola logo esse negócio!

Entregação. Qualidade de pessoa, lugar, situação ou objeto que compromete o usuário. Esse livro que tu tá lendo é a maior entregação.

Entregar. 1. Comprometer, intencionalmente ou não, quem fuma ou está fumando ou manuseando maconha. Te abaixa aí, Fernandinho, ou tu ainda vai entregar a gente… 2. Denunciar quem fuma maconha. Foi a vizinha aqui de cima quem me entregou.

Envernizar. Atingir certo ponto onde, por ter fumado demais, a maconha não faz mais efeito. Pode se referir a períodos de algumas horas ou anos. Depois do quinto eu envernizei.

Envernizado. Aquele que se envernizou. A Vaninha não precisa fumar porque já tá envernizada.

Erva. Clássica denominação para maconha. Variação: erva maldita. O melhor lugar pra queimar erva é lá no meio do chuchuzal.

Esconder o jogo. Não se manifestar ou dizer que não tem maconha quando na verdade tem e há pessoas querendo fumar. Ih, ó o cara, escondendo o jogo…

Esperto. 1. Aquele que fuma. Fica frio que aqui todo mundo é esperto. 2. Estado de atenção e segurança quando se fuma ou em qualquer situação relacionada a maconha. Fica espertinha aí que agora a gente vai passar pela Rodoviária. 3. Cigarro de maconha. Tem um esperto aí?

Estandarte. Ação exageradamente comprometedora por parte do usuário que permite que outros saibam sobre sua condição. Olha o estandarte passando na avenida!

Estojinho. Recipiente utilizado pelos usuários para guardar maconha e objetos úteis como seda, pilão, tesourinha, colírio e outros. Como bom virginiano, eu trouxe meu estojinho…

Estudantil. Cigarro de pequenas proporções. Tenho aqui um estudantil, só pra dar uma ligadinha.

F

BaseadoNissoCapaMiragem-01aFalsa-lombra. Aquele que finge ou exagera o efeito da maconha. Que nada, isso é coisa de falsa-lombra.

Fazer. Forma abreviada de fazer a cabeça. E aí, fez?

Fazer a base. Fumar antes de alguma situação específica, para vivê-la sob efeito da maconha. Antes de sair a gente faz a base lá em casa.

Fazer a cabeça. Clássica designação para fumar maconha. Vamos fazer a cabeça que o filme já vai começar.

Fazer a canoa. Ato de preparar o papel no qual o cigarro de maconha será feito. Consiste em friccionar as bordas do papel uma contra a outra, deixando-o no formato similar ao de uma canoa. Faz a canoa pra eu apertar o brau.

Fazer a social. Ver social.

Fazer uma sauna. Fumar maconha junto com outras pessoas em local pequeno e fechado. Ver sauna. Fecha a porta que a gente vai fazer uma sauna.

Fechar. Preparar o cigarrro de maconha. O mesmo que apertar. A fissura era tão grande que fecharam o brau num papel de embrulhar pão.

Fedorento. Cigarro de maconha. Ô Luciano, cadê o fedorento?

Finélio. Ver fino.

Finólio. Ver fino.

Fino. 1. Cigarro de maconha (comparativamente ao cigarro comum). Tem um fino aí pra gente?  2. Cigarro muito pequeno. Variação: finélio, finólio, finório e fino de cadeia (em referência aos pequenos e discretos cigarros de maconha conseguidos pelos presos nas cadeias). Também utilizado no diminutivo fininho. Pô, Alexandre, tanta maconha aí e tu faz um fino de cadeia!

Fissura. Desejo intenso de fumar maconha. A fissura era tão grande que ele comeu ela só pra fumar um brau.

Fissurado. Indivíduo que tem fissura. Esse cara vive fissurado.

Fumacê. 1. Ato de fumar. Tá rolando um fumacê lá na cozinha. 2. Fumaça do cigarro. Fecha a janela que o fumacê tá no mundo!

Fumo. O mesmo que maconha. Também utilizado no diminutivo “fuminho”. Ultimamente só tem pintado fumo ruim.

Fumódromo. 1. Local apropriado para fumar maconha. O fumódromo é lá atrás, debaixo do cajueiro. 2. Tradicional ponto de uma localidade aonde os usuários costumam ir para fumar ou passam fumando. Aquela rua é o melhor fumódromo da cidade.

Futum. Cheiro forte de maconha que fica no ar, em parte do corpo ou em um objeto que foi manuseado enquanto se fumou ou que é manuseado constantemente pelo usuário. Traz um Bom Ar que aqui tá o maior futum.

G

Game. O mesmo que jogo (originado do inglês). Toma aí meus vinte pra fazer um game.

Ganja. Maconha (do sânscrito ganjica). Uma das exigências da palestrante é uma ganja da boa antes de começar a palestra.

Garantir. 1. Assegurar a maconha. Deu pra garantir o do fim de semana. 2. Demonstrar eficiência em relação à maconha, como preparar, fumar, fazer comércio, manter-se discreto etc. Pô, meu irmão, se garanta aí!

Garantido. Certo, assegurado. Refere-se geralmente ao ato de conseguir maconha. Fique tranquilo que comigo é garantido.

Gelar. Ato de apagar, sem querer, o cigarro de maconha. Ih, o cara deixou o brau gelar.

Geral. Revista feita por policiais. Esconde bem que a gente vai passar por uma geral.

Goma. Saliva. Usada para umedecer o papel do cigarro para que ele queime por igual e/ou para que não acenda chamas. Passa uma goma no baseado.

Grande Braulito. Ver Braulito.

Guimba. Resto do cigarro de maconha. O mesmo que bia. O baseado era tão grande que a guimba ficou do tamanho de uma caneta!

H

Haxixe. Resina extraída da planta de maconha. Vamos fumar um com haxixe pra comemorar que hoje é terça.

História. 1. Conjunto de fatos e/ou ações marcantes no universo dos usuários. Aquela festa foi a maior história! 2. Maconha. Também utilizado no diminutivo. Só sobrou uma historinha aqui…

I

Impregnar. Insistir o tempo todo para fumar maconha. Leva essa menina que ela já tá impregnando!

Impregnado. Indivíduo, ambiente ou objeto que está com um forte cheiro de maconha. Esse teclado tá impregnado!

Intera (é). Pequena porção de maconha que será juntada a outra para formar quantidade suficiente para um cigarro. Alguém tem uma intera aí?

Intoca. Local onde a maconha está escondida. A parada tá numa intoca ali que só eu sei.

Intocar. Esconder a maconha. Ih, eu intoquei mas agora não sei mais onde foi…

Iracema. Apetite exagerado que surge após fumar. O mesmo que larica. Tô na maior iracema!

J

Jererê. Forma clássica para designar cigarro de maconha. Muito utilizado numa conhecida cantilena em carnavais ou ocasiões festivas. Ê, jererê, je-rê-rê-rê-rê-rê-rê… Viva a maconha!

Joana. Designação para maconha. Abreviado de marijuana. Como é, a Joana vem ou não vem?

Jogo. Transação que envolve o comércio da maconha. Vamos fazer um jogo legal pro fim de semana.

L

BaseadoNissoCapaMiragem-01aLarica. Apetite exagerado comum após fumar. Me deu uma larica tão desgraçada que eu comi feijão frio com sorvete.

Laricado. Com muito apetite após fumar maconha. Tranca a geladeira que tá todo mundo laricado!

Lariquento. 1. Diz-se do fumo que desperta a fome. A gente fumou aquele lariquento e depois foi direto pro supermercado. 2. Aquele que costuma ter muita fome depois que fuma. Fumar em casa com esse lariquento é o maior preju, minha geladeira não aguenta.

Laura. Forma discreta para larica. Pronto, chegou a Laura.

Leda. Discreta denominação para seda, o papel usado para confeccionar o cigarro. Não acredito que vamo deixar de fumar porque ninguém tem uma leda…

Lei seca. 1. Falta de maconha momentânea. A cidade tá numa lei seca horrível. 2. Impossibilidade de se fumar maconha. Quando meu irmão tá aqui, rola a lei seca.

Liberado. Livre para fumar tranquilamente. Vai na boa, galera, que aqui no escritório é liberado.

Liberar. Fornecer maconha. Pô, libera aí, Aninha, tá todo mundo na fissura…

Ligar. Acontecer (o efeito da maconha). O mesmo que bater. Ah, agora ligou.

Ligadeira. Efeito da maconha, oposto à morgação. Me bateu uma ligadeira que eu fiquei quatro horas jogando gamão sem nem piscar.

Ligado. Sob efeito da maconha. Silvana só gostava de transar ligada.

Light. Maconha que não é muito forte. Esse fumo é light, Luíza, pode dar até pra tua mãe…

Limpeza. Qualidade da pessoa, lugar, objeto ou situação em que é permitido fumar, falar sobre maconha e afins. Pode ficar despreocupado, todo mundo aqui é limpeza!

Livrar. Oferecer maconha para quem não tem e está com muita vontade de fumar. Se o Mazinho não tivesse livrado, eu tinha ficado o fim de semana de cara.

Livrar a cara. Fumar um cigarro de maconha. Diz-se em referência a de cara. Tem unzinho aqui pra gente livrar a cara.

Lombra. Efeito da maconha. Essa música é resultado de uma lombra que a gente teve subindo a serra.

Lombra torta. Ação estranha, sem sentido, inconveniente ou prejudicial a si próprio ou a outros causada pela maconha. Que lombra torta… O cara foi embora a pé!

Lombrado. Sob efeito da maconha. A Carmem tava tão lombrada que dizia que tinham mudado o mar de lugar.

Louco. Sob efeito da maconha. Eu fiquei tão louca que sentia cada nota da música na minha pele…

Luz. Fraco efeito da maconha. É, deu uma luz…

M

Maconhado. Sob efeito da maconha. Também usado na forma emaconhado. Quando ele trepa maconhado, fica me chupando por duas horas.

Maconheiro. 1. Usuário de maconha. Maconheiro é sempre o filho dos outros, nunca o seu. 2. Pé de maconha. Abacate vem do abacateiro, mamão do mamoeiro, maconha do maconheiro.

Maconheiro sem-vergonha. Designação genérica usada por antipatizantes da maconha para depreciar usuários. Variação: maconheiro safado. Isso é coisa de maconheiro sem-vergonha!

Mal-com-ele. Discreta designação para maconheiro. Aqui só tem mal-com-ele!

Malhação. Diminuição deliberada de uma porção de maconha em quantidade e/ou qualidade. Esse fumo tá a maior malhação.

Malhar. Ato de fazer com que a porção de maconha que está sendo negociada, perca em quantidade e/ou qualidade sem que a outra pessoa perceba. Vou malhar o fumo desse otário.

Maloca. Local onde se esconde a maconha. O mesmo que intoca. Eu tenho uma maloca lá no quintal.

Malocar. Ato ou ação de esconder a maconha. O mesmo que intocar. O cara malocou a maconha pra poder fumar sozinho!

Maluco. Usuário de maconha. O mesmo que doido. Todo ano a gente faz o racha: bebum contra maluco.

Manga rosa. Maconha da melhor qualidade. Tem uma cor avermelhada característica. O feriadão tá salvo, chegou da manga rosa!

Maquininha. Engenhoca própria para confeccionar cigarros de tabaco, também utilizada pelos usuários de maconha. Comprei esta maquininha numa feira esotérica.

Maresia. Fumaça do cigarro de maconha, que pode causar efeito também em quem não fumou. É comum que o usuário desenvolva uma alta capacidade de sentir o cheiro da fumaça, por menor que seja ou por mais longe de onde venha, e que isso lhe proporcione uma imediata e rápida sensação de esperança e felicidade. Vovó ficava doidona só com a maresia que vinha do quarto.

Mareado. Estado de quem fumou passivamente e ficou sob leve efeito da maconha. Ih, o gato ficou mareado…

Maria Joana. Maconha. Originado de marijuana. Faz tempo que eu não falo com a Maria Joana.

Marica. Piteira própria ou improvisada para fumar o cigarro, por conta da dificuldade de se fumar a guimba ou para não deixar cheiro forte nos dedos. Na sex-shop eu vi uma marica com o formato de uma piroca.

Marijuana. Clássica denominação para maconha (do espanhol). Tá chegando a marijuana!

Marofa. Maconha. Cadê a marofa?

Marola. Efeito de pouca intensidade da maconha. Ver onda. Foi só uma marola, mas valeu.

Massa. 1. Maconha. Tá na hora de servir a massa! 2. Maconha da melhor qualidade. O cara tem uma massa!

Matar. Fumar a guimba do cigarro de maconha até não sobrar mais nada. Às vezes dá-se a alguém a honra de matar a guimba, outras vezes é algo disputado. Pode matar que eu já tô doidão.

Matinal. O primeiro baseado do dia. O mesmo que despertivo ou bom-dia. Agora vai rolar o matinal que é pro dia nascer feliz.

Mato. Maconha. Geralmente utilizado no diminutivo. Ouvi dizer que você tem um matinho aí pra melhorar essa festa…

Merreca. Porção de maconha considerada insuficiente. Olha a merreca que sobrou daquele patuá todo.

Mescalito. Entidade sobrenatural considerada o espírito do cacto peiote, que produz a substância psicoativa mescalina. O termo popularizou-se nos anos 1960-70 pelos livros do antropólogo Carlos Castaneda e ganhou destaque nas histórias em quadrinhos dos Freak Brothers. O Mescalito seria primo do Braulito, e também pode aparecer para usuários de maconha, o que revelaria a interconexão dos universos das entidades psicobotânicas. O Mescalito tá dizendo que devemos apertar outro.

Mesclado. Cigarro de maconha preparado com pasta de cocaína. O efeito é uma mistura dos dois. Lá em Manaus rola muito mesclado.

Metro. Unidade de medida de maconha: 1 quilo = 1 metro. Tá chegando um metro pro carnaval.

Mike Tyson. Maconha ou cigarro de maconha de fortíssimo efeito. Em referência à potência do soco do famoso pugilista. Cuidado que esse aqui é um Mike Tyson.

Moçada. Amigos usuários. O mesmo que galera, rapeize etc. A moçada tá fumando demais, cara…

Mofado. Diz-se do fumo que mofou pela ação do tempo. Por conta disso ele perde o princípio ativo THC e causa pouco ou nenhum efeito. Galera, ontem encontrei uma paradona atrás do armário. Calma, calma… Tava mofada.

Monopolizar. Reter o fumo ou o cigarro de maconha, geralmente com fins egoístas. Como é, vai ficar monopolizando mesmo?

Morgação. Estado de lerdeza e preguiça causado pela maconha. Também pode se referir a uma situação. Essa festa ficou a maior morgação.

Morgado. Lerdo, com preguiça e/ou sem vontade para fazer qualquer coisa, em decorrência da maconha. Ele fuma, fica morgado e vai dormir.

Muito doido. 1. Sob forte efeito da maconha. Vai atrás que ela tá muito doida. 2. Aquele que fuma muito. Aqui nesse bar só tem muito doido. 3. Diz-se de algo estranho ou muito interessante. Este poema é muito doido.

Muito louco. O mesmo que muito doido. Também usado no espanhol mucho loco.

Muqueca. Considerável porção de maconha. O mesmo que parada. A Rose tá com uma muqueca!

Mutema. Sobrenome que se aplica a quem tem maconha quando ninguém mais tem. Referência a Sassá Mutema, famoso personagem da novela da Globo, O Salvador da Pátria. Acaba de chegar o André Mutema.

Mutuca. Porção razoável de maconha. Guardei uma mutuca bacana e ela mofou todinha.

N

Narguilê. Artefato adaptado dos narguilês comuns para ser usado por usuários de maconha, muitas vezes improvisado a partir de vários objetos, dependendo do espírito inventivo do usuário. Esse aqui merece a gente fazer um narguilê!

Nas internas. Situação em que o cigarro de maconha é oferecido somente para algumas pessoas e consumido discretamente, seja porque há pouco ou para privilegiar a alguns. Vai lá no estacionamento que tá rolando um nas internas.

Negócio. Maconha. Vai pintar um negócio de primeira pro reveiôm.

Noia. 1. Viagem ruim. Forma resumida de paranoia. Aquele fumo me deu a maior noia. 2. Estado continuado em que fica o usuário por fumar demais. O cara nem sai mais de casa, tá na maior noia.

Noiado. Pessoa que está com noia. Passei um tempão noiado por causa daquela dançada.

O

Onda. Efeito da maconha. Agora bateu uma onda legal!

Osvaldo. Denominação discreta para maconha ou cigarro de maconha. Só faltava o Osvaldo aqui…

O vento fuma. Expressão usada quando alguém demora a fumar, desperdiçando maconha. Alguns usuários entendem que o vento também merece ficar doidão, mas a maioria não gosta dessa ideia. Pô, Mariana, assim o vento vai fumar o bagulho todinho.

P

BaseadoNissoCapaMiragem-01aPagar uma social. Ver social.

Paia. Maconha de péssima qualidade. Mas que maconha paia!

Pala. O mesmo que bandeira. O Amaury tá dando pala.

Paludo. Pessoa que está dando pala. A Sandra hoje tá paluda que é uma beleza!

Parada. Porção de maconha. O cara ficou tão noiado que jogou a parada na privada e deu descarga.

Paranga. Porção considerável de maconha. O mesmo que mutuca. O Dudu mandou avisar que garantiu uma paranga pro feriado!

Passar a bola. Passar o cigarro de maconha. É comum pedir para passar a bola à pessoa que fica fumando o cigarro e não dá vez para que os outros também fumem. Pode ser complementado com o nome de algum jogador de futebol com fama de individualista, em evidência ou de nome folclórico, como Pelé, Mirandinha, Cafu, Ronaldinho, Edmundo, Maradona, Mazolinha etc. Passa a bola, Mirandinha!

Patuá. Razoável porção de maconha. Passei três meses fumando aquele patuá.

Pau. Cada trago que se dá no cigarro de maconha. O mesmo que tapa. Também utilizado no diminutivo. Só dei um pauzinho…

Paula. Forma abreviada de paulista.

Paulista. Modo característico de se fumar maconha com outras pessoas onde se dá apenas um trago e passa-se imediatamente o cigarro a quem está do lado. Fuma-se na paulista para um maior aproveitamento do cigarro. Sua origem pode estar ligada ao ritmo de vida apressado da capital paulistana, ou porque fumar em plena avenida Paulista é algo que requer rapidez e agilidade. Vamos fumar na paulista senão não vai chegar aqui.

Pegar. Fumar o cigarro de maconha. Ver dar um pega. Vamos pegar unzinho?

Perturbado. Sob razoável efeito da maconha. Aquele brau me deixou tão perturbada que eu falei duas horas com ela achando que era a Bebel.

Peruana. Modo característico de se fumar maconha que consiste em encher a boca de fumaça, sem tragar, e liberá-la devagar e aos poucos pelo nariz. Já fumou à peruana?

Picárdia. Mesquinhez. Usa-se geralmente quando o comprador sente-se lesado no negócio. Originado de picardia. Ah, maninha, deixa de picárdia.

Pilão. Qualquer objeto que se possa usar para socar o cigarro de maconha, geralmente um palito de fósforo, uma tampa de caneta ou similar. Alguém tem um pilão aí?

Pilar. Ato de socar cuidadosamente o cigarro de maconha. O baseado era tão grande que usaram um pincel atômico pra pilar.

Pilora (ô). Mal-estar ou leve desmaio causado pelo efeito da maconha. O mesmo que brancão. Deu uma pilora no coitado bem na hora de dizer sim.

Ping-pong. Monopolização do cigarro por duas pessoas, impedindo o restante de fumar. Como é, vão ficar mesmo nesse ping-pong aí?

Pitada. Rápida tragada no cigarro de maconha. Vou dar só uma pitadinha porque eu parei de fumar.

Poeira. Maconha transformada em pó devido ao manuseio. Não é apreciada por conta do fraco efeito. Só tem poeira naquela parada!

Ponta. Guimba do cigarro. O mesmo que bia. Vai dar pra fazer dois baseados com essas pontas.

Por falar nisso. Insinuação usada por maconheiros discretos quando desejam fumar ou para saber se alguém tem maconha. Sim, mas por falar nisso…

Prego. Pessoa muito chata quando está sob efeito da maconha. Equivale ao bêbado chato. Pense num cara prego: é o Dedé!

Pren-pren. Apelido carinhoso para prensado. Tive que cair com cinquentinha pros ômi e ainda levaram meu pren-pren.

Prensado. Fumo que é acondicionado em porções compactas para que ocupe menor espaço. Por esta razão ele normalmente é mais forte e mais caro. Tá chegando um prensado semana que vem.

Prensar. Acondicionar a maconha em quantidades compactas. Não é pouco não, é porque tá prensado.

Presença. Porção de maconha que se pede a outra pessoa. Dá pra arrumar uma presença?

Pressão. Ato de tragar e segurar a fumaça nos pulmões por muito tempo para conseguir um efeito maior. Dê um trago e faça pressão!

Preto. Maconha. Em comparação com a cocaína, que é branca. Deixei a branca, agora tô só no preto.

Produto. Maconha. Apareça lá que eu tenho um produto de primeira pra você experimentar.

Puxar fumo. Fumar maconha. O sobrinho da senhora toda noite puxa um fuminho na esquina com a filha do coronel.

Q

420. Número representativo do universo folclórico dos usuários, adotado a partir dos anos 1970. A origem, segundo a versão mais conhecida, estaria no fato de um grupo de jovens estadunidenses se reunirem frequentemente para fumar às 4:20 da tarde. O número foi usado para marcar o 20 de abril como data representativa e para a realização de eventos alusivos à maconha em todo o mundo. Também é caracterizado como uma espécie de código semissecreto de usuários, sendo usado em diversos contextos da vida cotidiana, assim como em obras artísticas e insinuações referentes à maconha. Quatro e vinte no terraço, beleza?

Queimar. Acender o cigarro. Queima logo esse brau que eu já tô me coçando todinho.

Quem vai? Discreto convite que se faz para saber quem vai participar do cigarro. E aí, quem vai?

Quem se habilita? Pergunta que se faz para saber quem pode preparar a maconha ou apertar o cigarro. E aí, moçadinha, quem se habilita?

R

Regular. Sujeitar a regras ou reprimir o uso de maconha. Qualé, meu irmão, tá regulando o brau?

Regulão. Aquele que regula o uso de maconha. Fumar junto com regulão é foda!

Resenha. Demora (para passar o baseado). Chegou na Shirlene, é uma resenha…

Rodada. 1. Passeio rápido para fumar. O mesmo que rolê ou rolé. A gente dá uma rodada e volta logo. 2. Giro completo que o cigarro faz num grupo que está fumando. Era tanta cabeça que só deu uma rodada!

Rodar. Passar o cigarro de maconha entre os que estão fumando. Esse negócio não roda não?

Rolar. Acontecer (a maconha). Vai rolar o baseado ou não vai?

S

Salvador. Pessoa que tem maconha e que oferece a quem não tem e está ávido para fumar. Pode ser complementado com “da pátria” em referência à novela da Globo O Salvador da Pátria. Chegou o nosso salvador!

Sauna. Diz-se do ambiente pequeno e fechado onde se reúnem pessoas para fumar. Esse carro tá a maior sauna!

Scud. 1. Maconha ou cigarro de maconha de excelente qualidade. Referência ao famoso míssil utilizado na Guerra do Golfo, em 1990-91. Tudo que eu queria agora era fumar um scud daqueles pra dormir. 2. Cigarro grande. Vai ver o tamanho do scud que tá rolando lá em cima da casa.

Se tocar. Aperceber-se de algo relacionado à maconha, geralmente comprometedor. A Dani tava com o baseado na orelha e nem se tocou.

Secura. 1. Forte desejo de fumar. Passei a semana toda na secura. 2. Falta de maconha. A cidade tá uma secura desgraçada. 3. Estado de baixa salivação causado pela maconha logo após fumar. Tem uma água aí pra matar essa secura?

Seda. Papel especial ou apenas mais apropriado para preparar o cigarro de maconha. Não acredito que a gente vai ter de parar numa lanchonete pra conseguir uma seda!

Segurar. Adquirir maconha. O cara segurou uma da massa!

Segura a coisa. 1. Expressão muito utilizada quando se quer fazer referência ao ato de fumar ou incentivar alguém a fumar. Vambora, menino, segura a coisa! 2. Bloco carnavalesco de Olinda que faz referências à maconha. O Segura a Coisa já tá saindo.

Social. Situação de caráter formal, geralmente envolvendo um ou mais não usuários, com a qual aquele que está sob efeito da maconha tem de lidar. Uma social costuma ser vista como algo incômodo e indesejado pelo fato de nela não se poder aproveitar devidamente o efeito da maconha, mas há usuários que apreciam lidar com tais situações e até se divertem. Usa-se: fazer a social, encarar uma social ou pagar uma social. A gente passa lá no velório, faz a social e vai embora.

Solto. Diz-se da maconha que não é prensada. Também usado no diminutivo. Ô saudade de um soltinho…

Só por causa disso. Expressão utilizada, por si só, como pretexto para se fumar. Só por causa disso eu vou apertar um.

Sugesta (é). 1. Susto desnecessário ou infundado que se leva por estar portando ou fumando maconha. Aquele carro da polícia me deu a maior sugesta! 2. Ação comprometedora por parte do usuário. Ei, Celsinho, te liga aí que tu tá dando a maior sugesta.

Sujar. 1. Comprometer. Para de andar com a Carol que tu vai te sujar rapidinho. 2. Ser flagrado com maconha, com usuários ou em situação afins. Ih, sujou!

Sujeira. Qualidade de pessoa, lugar, situação ou objeto comprometedor. Não acende agora que é sujeira!

Sugestivo. Cigarro de maconha. Vou apertar um sugestivo em homenagem à beatificação de Madre Paulina.

Sujo. 1. Qualidade da pessoa ou lugar ou objeto que possui caráter comprometedor e que por si só pode denunciar o usuário. Aquele bar já tá sujo. 2. Aquele que já teve problemas legais com relação a maconha. Metade dessa turma tá suja com a polícia. 3. Aquele que, por seu comportamento, não é bem visto entre os usuários e/ou entre os não usuários. Léo já fez tanta besteira que tá sujo em todos os bares daqui.

T

BaseadoNissoCapaMiragem-01aTapa. Cada tragada que se dá em um cigarro de maconha. Muitas vezes usado no diminutivo. Vou dar só um tapa e vocês fumam o resto.

Tapa na cascavel. Tragada no cigarro de maconha. O mesmo que tapa na pantera. Vou ali dar um tapa na cascavel e já volto.

Tarugo. Cigarro de maconha de grandes proporções. A Bel fumou sozinha um tarugo do tamanho do meu braço!

Tchauris. Cigarro de maconha. O mesmo que tcheuris. Quem foi que trouxe o tchauris?

Tchauri-tchuri. 1. Cigarro de maconha. Cadê o tchauri-tchuri? 2. Expressão vaga para se referir à maconha ou ao efeito da mesma, ou ainda sem qualquer significado específico, geralmente utilizada quando sob efeito.Tchauri-tchuri, cumade!

Tcheuri-tchuri. O mesmo que tchauri-thcuri.

Tcheuris. O mesmo que tchauris.

Tchonga. 1. Maconha. A pergunta que não quer calar: cadê a tchonga? 2. Cigarro de maconha de tamanho considerável. A gente carburou uma tchonga da grossura de um coqueiro.

Texto. Designação discreta para maconha. Passa aqui que eu tenho um texto bacana pra você ler.

THC. Tetrahidrocanabinol. Principal substância psicoativa da maconha. Nas aulas de ciência política, a melhor coisa que aprendi foi que THC é melhor que FHC.

Tirar a cara. Fumar um cigarro para sair do estado de cara, em que não se está sob efeito da maconha. O mesmo que livrar a cara. Informo à Vossa Majestade que os Beatles foram ao banheiro do palácio tirar a cara.

Tó. Forma resumida de toma, muito utilizada quando o usuário, ao fumar, quer passar o cigarro mas não quer deixar escapar a fumaça pela boca. Tó…

Toco. Cigarro grosso de maconha. Vou apertar um toco em homenagem às formigas.

Tora. Cigarro de grande proporção. Vai precisar de duas pessoas só pra acender essa tora.

Torpedo. Cigarro de grande proporção. A especialidade da Luíza é apertar torpedo.

Tragar. Engolir a fumaça do cigarro e fazê-la sair, a maior parte, pelo nariz. Bill Clinton fumou mas não tragou.

Trago. Ato de fumar maconha. O mesmo que pega e pau. Ah, relaxa, só esse trago e a gente sai.

Tratar. Preparar a maconha para a confecção do cigarro. Consiste em picar em pequenos pedaços após retirar galhos e sementes. O mesmo que triturar, debulhar e destrinchar. Você trata e eu aperto.

Tripinha. Pequeno e fino cigarro de maconha. Não se empolgue não que é só uma tripinha.

Triturar. Ver tratar.

Troncho. Aquele que fumou e ficou de tal modo que o corpo parece torto e a expressão aparvalhada. A Juliana tá toda troncha, olha lá.

Trouxinha. Pequenino embrulho de maconha em forma de trouxa. Um fim de semana inteiro pela frente e só tem essa trouxinha?!

U

Um. Cigarro de maconha. Alguém tem um?

Unzinho. Denominação carinhosa para o cigarro de maconha. Variação: unzito. Vai rolar unzinho lá no banheiro, quem vai?

Usuário. Denominação de caráter mais social para quem fuma maconha. Em certos contextos distingue quem fuma de quem trafica. Nas pesquisas eu sou usuário, nos programas policiais eu sou maconheiro.

V

Vacilão. 1. Aquele que comumente age sem cuidado em sua relação com a maconha. Nunca vi um cara mais vacilão! 2. Aquele que diz ou faz bobagens quando fuma, permitindo que outros percebam que ele está sob efeito da maconha. Olha a vacilona lá, estirada na grama!

Vacilar. Agir sem cuidado, de forma a comprometer-se em relação à maconha. Paulinha tá vacilando demais, daqui a pouco dança.

Vela. Cigarro de maconha comprido. Olha o tamanho da vela!

Veneno. Maconha da melhor qualidade. Às vezes é complementado com de rato, em referencia à potência do veneno. Pô, mas que veneno!

Viajandão. Aquele que se encontra inteiramente absorto no efeito da maconha, geralmente em estado de contemplação. Fui assistir The Wall e só tinha viajandão na plateia.

Viajar. 1. Usufruir plenamente do efeito da maconha. Vou fumar um e viajar naquele livro! 2. Dizer ou fazer algo estranho, interessante, engraçado ou sem sentido, por ter fumado. Esquece o que eu disse, viajei.

Voyage. O mesmo que viagem (originado do francês). Ih, ó o cara… Na maior voyage!

X

Xavier. Aquele que regula o fumo. Oriundo de Regulador Xavier, famoso preparado à base de extratos vegetais para distúrbios da menstruação. Ei, Xavier, aqui também tem gente querendo fumar, viu?

Z

Zé. Maconha ou cigarro de maconha. Ah, se o Zé estivesse aqui…

Ziquizira. Efeito incômodo da maconha. Saí no meio do filme porque me deu uma ziquizira…

Zoado. Sob efeito da maconha, levemente confuso e/ou atordoado. Ainda tô zoado.

Zoeira. Confusão sonora ou de ideias causada pela reunião de pessoas sob efeito da maconha. Putz, mas que zoeira!

Zumbi. Pessoa sob forte efeito da maconha, de gestos lentos ao modo de um zumbi. Variação: zumbizado. O bagulho era tão bom que ficou todo mundo zumbi.

Zureta. Sob efeito da maconha. Não me pergunte coisa difícil que eu tô zureta.

Zuruó. Sob efeito da maconha. Equivale a zoado e zureta. Tá dando pra notar que eu tô zuruó?

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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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Este texto integra o livro
Baseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Oi Ricardo Cara, eu ri demais “No Dia em que papai e mamãe ficaram muito doidos” hahahaha… isso já valeu o meu domingo. Beijos. Ana Cristina Souto, Fortaleza-CE – jan2006

02- Adorei o Mingo! Ele só destruiu todos os meus ídolos de infância, mas…tudo bem!Beijos Kelmérico. Cinthia Azevedo, Fortaleza-CE – mar2006

03- Pois eu ganhei o Baseado Nisso de presente de um amigo, na realidade ele sempre me mandava alguns textos seu por email e eu curtia muito então no meu aniversário ele me deu… inclusive está assinado … hehehehe Adorei dimais… a ponte dos pergaminhos metálicos… pirei… ahahahahaha. Julia – mai2006

04- bom pra começar o livro é da minha irmã e eu por mta curiosidade por conta do título não resisti… confesso que as histórias são fascinantes de modo que não se consegue parar de ler… bom eu acho q ela comprou na net… não sei bem Parabéns pelo sucesso…. Nycka, São Paulo-SP – mai2006

05- passei para lhe dizer que adorei ter lido um de seus livros foi a minha cunhada que me deu esta ai da sua lista de amigos a Rildete, ela virou fã mesmo e consequentemente eu também… (rsrs) abraços. Nanda Vasconcelos, Fortaleza-CE – mai2006

06- Terminei de ler “O Último Homem do Mundo” e confesso que eu me senti agradavelmente surpresa com o final. Na verdade, eu me encantei com toda esta estória que me parece tocar em sentimentos profundos de uma maneira simples e bem humorada. Acho que neste conto vc descreveu muito bem o horror e a solidão que podem acompanhar o prazer sem limites. Interessante que “ao acordar” o Agenor sentiu necessidade de pedir desculpas para a Dorinha. Muito meigo e belo…, sabia?! Bj_. Kátia Regis Albuquerque, João Pessoa-PB – out2006

07- beleza, muito bom o baseado! Cesar de Cesário, Campina Grande-PB – out2006

 


A travesti anã e sua irmã sapata

25/05/2010

25mai2010

Passeando pelas minhas comunidades no Orkut, ela encontrou uma chamada “Já dei pra um travesti” e aí, coitada, ficou apavorada

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A TRAVESTI ANÃ E SUA IRMÃ SAPATA
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Ricardo, que história é essa que você já deu pra travesti? Você é louco?! Isso foi antes ou depois da gente namorar? Pelo menos usou camisinha?

Esse aperreio todo aí era minha ex-namorada. Passeando pelas minhas comunidades no Orkut, ela encontrou uma chamada “Já dei pra um travesti” e aí, coitada, ficou apavorada. Ora, imagina se eu não ia entrar pra uma comunidade com um nome desse! Lógico. Ainda mais com aquela negona aloprada na capa, uma lapa de minhoca desse tamanho… Mas depois que entrei foi que descobri que ninguém lá mostrava o rosto, era só foto no escuro, foto do pingolim, da bunda, desenho e coisital. Só eu mostrando a cara. Já pensou, Katiuscia, se ingenuidade ganhasse prêmio?

Hummm… Pela sua expressão, minha amiga leitorinha, tô percebendo que você quer me perguntar alguma coisa, né? Tô certo ou tô errado? Então vá lá, perguntaí, tenha receio não, pode perguntar que eu respondo. Se eu já dei mesmo pra travesti, é isso? Ok. Respondendo: não sei, faz muito tempo, isso faz parte do meu passado obscuro, hoje eu me arregenerei, entrei pra igreja, aceitei o Senhor Jesus, comprei o sabonete do descarrego e deixei de ser homossexual de um dia pro outro. Satisfeita?

Lá na comunidade “Já dei pra um travesti” tem homem, mulher, menino, papagaio, o escambau. Até o papagaio, olhassó. Papagaio moderno não dá só o pé não. Tem uma tal de Daniela Cicarela Viadinho da Lapa, olha o nome da criatura desmantelada. Genial. Tem uns tópicos impagáveis, tipo “Dar pra travesti ao ar livre”. Ao ar livre? Caramba, essa modalidade esportiva eu não conhecia. E tem um tópico sobre um tal ativador de feromônio GLS com perfume Kamasutra e ativador APC. Menino, que babado forte! Vou montar uma barraquinha pra vender esse negócio na parada gay.

Mas o melhor tópico foi de um cidadão lá que anunciou assim: “Quem me comeria?” Olhassó o nível de desespero do povo brasileiro. Mas infelizmente não apareceu nenhum candidato. Nem o papagaio se manifestou. Coitado. Olha, Shirleny, se isso acontecesse comigo, eu te juro de pé junto que desistia da carreira e ia ser pizzaiolo.

Sessão Já Aconteceu Comigo. Uma vez eu tava numa festa dessas bem moderninhas. Pista lotada, luz negra, todo mundo louco, dançando… Uma menina linda me deu bola, sainha xadrez, meinha branca, a própria colegial sapeca matando a aula noturna. Tá pra nascer quem não tem tesão em colegial. Nesse dia eu tinha tomado umas e tava meio bruto. Então me cheguei na gata e nem perguntei nada: fui logo tascando o beijo nela. E ela correspondeu. Aí, no meio do amasso… percebi… um certo volume estranho… entre as pernas dela.

Putz, não acreditei. Olhaí, Pâmela, olhaí a situação pela qual pode passar o cidadão trabalhador e pagador dos seus impostos. Me afastei assustado. Tu é homem?, perguntei, torcendo pra ela dizer que não, que era mulher mesmo e que aquilo ali na verdade era um absorvente mal colocado. Mas ela respondeu, sorrindo: Sim, você tem algo contra? Fiquei tão abestalhado que balbuciei um pedido de desculpas, disse que infelizmente não rolava e saí, uma vodca por favor. Ô mundo doido.

No Orkut encontrei mais de duzentas comunidades relacionadas a travestis. Tem uma que diz que mulher sem celulite é travesti. Sério? Comassim? A Zuleika não tinha celulite. Humm, será por isso que ela nunca me deixou acender a luz? Xi… Será por isso que ela só queria atrás e de costas? Xapralá. Cadê minha vodca, cadê minha vodca?

Tem também aquelas comunidades que defendem que certas pessoas são travestis, como a Xuxa, a Claudia Raia, o atacante Fernandão e o Walter Mercado (ligue djá!). A Claudia Raia eu já sabia. Mas o Fernandão? Por isso que ele só joga enfiado entre os zagueiros…

Ciente do meu nobre dever de, como escritor, contribuir pra educação da juventude tupiniquim, pesquisei e separei algumas comunidades no Orkut sobre travestis. Afinal, entre meus queridos leitores pode haver alguém precisando sair do armário, sei lá. Tive o cuidado de manter o texto de apresentação, do jeitinho que foi escrito, pra preservar a originalidade da rica gramática orkútica. O texto em itálico após as setinhas (>>>) é o meu comentário. Viu, Melissa?
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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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COMUNIDADES DAS TRAVAS

Quero namorar uma Travesti – Para todos aqueles que amariam namorar, noivar e até mesmo casar-se com uma linda Tv. São Lindas deusas na Terra.
>>> Lindas deusas na Terra? Tudo bem, realmente tem umas que são fenomenais. Mas em compensação tem outras que, francamente, devem ter saltado do Olimpo sem paraquedas.

Sou Travesti mas não sou puta! – Essa comunidade é para todas as T-girls, que apesar de terem nascido em corpo de homem, são mulheres de verdade, e que não se prostituem somente por sua condição física.
>>> Putz, T-girl é muito, muito gay… Mas, falando sério, esse negócio faz sentido. Talvez boa parte das travestis não se prostituísse se a sociedade as aceitasse mais e elas pudessem ter empregos comuns como qualquer cidadão.

A She-ra é um travesti – Você acha que com toda aquela força ela nasceu mulher?? Não mesmo, saiba que She-ra é e sempre será uma travesti de primeira linha, com um irmão Barbie e que mora num castelo que é um luxo!
>>> O quê? Não acredito! O He-Man é biba? Então devia mudar o nome pra He-Nem-Tão-Man. Gente, acabam de destruir a minha infância!!!

Crossdresser NÃO é Travesti!! – Esses machos acham que se tornam feminina pelo simples fato de vestir roupas feminas, mas esquecem dos pelos, falta de peito, barba,cabelo, entre tantas outras coisas. por isso nao se comparam a nós travestis que damos um duro danado para nos tornarmos mulheres e levarmos uma vida como tal. Se manquem bixas pão com ovo enrrustidas!
>>> Ahahahah! Bicha pão-com-ovo deve ser assim uma bicha bem feia, banguela, desempregada e ainda devendo na bodega.

Vovó Mafalda,o travesti do bem – Você lembra da nossa querida Vovó Mafalda? Pois eh. Na verdade ela era um homem! Um homem travestido de mulher, por tanto, um travesti. E é com muita honra que crio esta comunidade: Vovó Mafalda, o travesti do bem!
>>> O quê?! Vovó Mafalda também é travesti? Não, Vovó Mafalda, a senhora não…

Tenhu medo de travesti, e dai? – Bom, quero deixar bem claro que essa comunidade não é pra pessoas que descriminaum os travestis, mas sim que tme um certo receio, medo pela forma de se makiarem, de se vestir ou enfim, isso tb serve para drague kuin (naum sei escrever esse nome)….
>>> Você tem medo de travesti, meu filho? Muito medo, é? Hummm… Fale mais sobre isso.

Transei com travesti e sou H – Gay é aquele que sente atração por (homem) masculinidade , não por feminilidade!!!!!!!!!
>>> Taí, caro leitor, é uma boa teoria pra você defender no bar hoje à noite. Mas daqui que você explique que pé de pato não é guardachuva, até o garçom já te zoou.

Mulher tb gosta de travesti!!! – Mulheres também têm a fantasia de fazer amor com uma travesti bem gostosa, com peitos, bunda e barriguinha de mulher, mas com um algo mais bem gostoso…
>>> É verdade, querida leitorinha? Sério? Olhassó, quem diria… Você, com essa carinha aí de santa imaculada…

Eu nunka vi um travesti anão – Vc ja ando na rua e viu um Travesti Anão?? Vc ja viro a esquina e viu um Travesti Anão de calcinha? Vc ja viu um Travesti Anão com os peito pra fora??
>>> Eu nunca vi mas deve ter. Se duvidar, existe até travesti anã, albina e eleitora do Enéas. E com irmã gêmea sapata. E elas ainda têm um caso. Ô mundo doido.

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LEIA NESTE BLOG

AbalouSobralEmChamas-1bAbalou Sobral em chamas – Abram as portas da esperança! Que entrem as candidatas a Cinderela!

Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres

A diversidade sexual pede passagem – A luta pela legitimação da diversidade sexual como característica humana não é mais apenas uma luta de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros

As crianças transexuais – Putz, que espécie louca, a humana. O que ainda haverá para descobrir sobre nós?

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite.

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o fim de tarde (Ricardo Kelmer, Arte Paubrasil) – Contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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COMENTÁRIOS
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01- Prezado Ricardo, Escrevo para dizer que adorei a sua coluna. A primeira que li foi sobre o Submundo Orkut. Há muito tempo não lia uma coluna tão divertida! Gostaria de saber com qual periodicidade a sua coluna é publicada. Caso possível, também gostaria de ter acesso aos preços e resenhas de seus livros. Um grande abraço, PS: Espero que meu namorado nunca entre na comunidade da qual você faz parte. Ou será que já entrou, com um fake profile, e eu, de besta, é que não sei? Valha, que desespero… Caroline Costa, Fortaleza-CE – set2006

02- li o teu artigo no o povo e vi teu video tb…como sempre, vc é brilhante. bj. Michele Diamanti, Taranto-Itália – set2006

03- Caro kelmer, li hj pela primeira vez a sua coluna no jornal o povo ! voce esta de parabens!! Depois de 4 anos morando fora do brasil e ,atualmente trabalhando ,literalmente, no fim do mundo, finalmente me reencontrei com o bom humor inteligente, ironico e muito divertido do nosso estado!!!!! Meus parabens e minhas recomendacoes! Ganhaste mais um fa cearense no sul do Sudao! abraco. Chico Furlani, Rumbek-Sudão – set2006

04- vc é ótimo! admirável ser, inteligente e com senso de humor maravilhoso. abraços, parabéns e obrigada por sua nobre presença nas páginas do jornal. Ana Virginia, Fortaleza-CE – set2006

05- valeu véio, gostei do texto!!! Luiz Sander, Rio de Janeiro-RJ – out2006

06- Adorei.Ri muito. Beijos. Mônica Burkle Ward, Niterói-RJ – out2006

07- Vc como sempre com o olhar fotografando tudo ligado em tudo e com esta facilidade de nos fazer imaginar as loucuras dos outros. VC É O MÁXIMOOOOOOOOOOOO Beijoss da sua amiga. EstrelaLouca, Rio de janeiro-RJ – out2006

08- AMEI , vc como sempre, muito criativo. bjs. Michele Diamanti, Taranto-Itália – out2006

09- Quase morro de rir da crônica, “A travesti anã e a irmã sapata.” Naquela parte “albina e eleitora do Eneás. E com irmã gêmea sapata.” kkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!!!!!!!!!!! Boa demais, sua imaginação é f… Lua Morena, Brasília-DF – out2006

10- KKKKKKKK, adorei a crônica Ricardo. Valeu. abs. Ailton Medeiros, Natal-RN – out2006

11- Você nem sabe o quanto me ajudou hoje, meu irmão. Eu tava numa tristeza, porque fazem 15 anos que meu melhor amigo morreu de aids. Pense como eu ri! Foi mesmo que tirar um vampiro de um caixão. Adorei! E olha o tema. Meu amigo velho iria adorar! Ele como todo gay era espirituoso, super. Mas infelizmente pegou essa doença lá pela década de 80 quando não havia ainda muito recurso. É isso aí. Obrigada. Me animei. Bjs. Virgínia Ligia Freitas, Fortaleza-CE – out2006

12- adorei o texto da travesti anã.. hahahaha parabéns Ricardo! beijos. Priscila Piffer, Rio de Janeiro-RJ – out2006

13- Que texto doido da travesti anã! Ótimo! Tudo bem né? Beijo! Mellina Farias, São Paulo-SP – out2006

14- e ai cumpade, rolou ou não com o traveco? (risos) Cesar de Cesário, Campina Grande-PB – out2006

15- Adorei a “A TRAVESTI ANÃ E A IRMÃ SAPATA” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk tou rindo até agora… kkkkkkkkkkkkkkkkk E o q vc falou é certíssimo, as pessoas não colocam suas caras,hipocrisia a flor da pele;) Muito bem abordado, crítico e espirituoso, como sempre;) valew!!!! Gizelle Saraiva, Natal-RN – out2006

16- Gostei demais da tua crônica sobre os travestis…Vc quase me matou de susto com essa estória de ter entrado pra uma comunidade com aquele título. Nem consigo imaginar este homem tão bonito, charmoso, inteligente,que eu beijei com tanto gosto (e ainda queria muito mais),sendo “devorado” por um traveco bem dotado.Ui!!!Que horror!!! Beijoqueira Saudosa, Fortaleza-CE – out2006

17- BOA TARDE, MEU CARO ESCRITOR!ADOREI” A TRAVESTI ANÃ EA IRMÃ SAPATA”!QUESE Ñ CONSIGO LER DE TANTO RIR,KKKKKKK. NÃO SE DESESPERE.SEUS FÃS LHE AJUDARÃO A PAGAR SEU ALUGUÉL, COMPRANDO SEUS BETESSELERS,RSRSRSRS.MUCHOS BESOS. Ângela Carvalho, Fortaleza-CE – out2006

18- Opa! Parabéns, adorei seu texto sobre travestis no orkut, eu ri muuuuuiiiitooooo! Beijos mil. Claudia Wonder, São Paulo-SP – jun2007

19- Meu amigo, que saudades de você escrevendo sobre o Matrix! Pela hóstia! Ana Paula Goes, Fortaleza-CE – abr2013

20- Muito bom! Ricardo, você tem umas tiradas ótimas! Taline Procópio, Fortaleza-CE – abr2013

21- Que bom que existam pessoas capazes de ir além destas caretices que a gente ver em redes sociais! Parabéns polêmico Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos. Michele SJ, Fortaleza-CE – abr2013


A profecia

18/05/2010

18mai2010

BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04a.

Este conto integra o livro Baseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha, de Ricardo Kelmer

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A PROFECIA

A maconha terráquea, melhor da galáxia, está faltando no mercado. Os culpados são os mulgélicos, fanáticos religiosos que tomaram o poder no planeta. O Conselho Galático precisa decidir o que fazer
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A SRA. ZIEGR, PRESIDENTA do Conselho da Confederação Galática, entrou na sala e ocupou sua poltrona à grande mesa. Ela trazia o semblante sério e nas mãos alguns envelopes.

– Conselheiros, bom dia. Convoquei-os a esta reunião extraordinária porque acabo de receber o relatório do Centro de Registros. Como é de conhecimento de todos, fatos preocupantes estão acontecendo no planeta Terra. Por causa deles seremos obrigados a cortar o suprimento da canabis terráquea a todos os planetas confederados por tempo indeterminado.

O rumor na sala foi geral.

– Silêncio, por favor, silêncio!

Mas os rumores cresciam e a presidenta Ziegr teve de bater na mesa. Ela entendia perfeitamente o porquê da indignação. Todos já haviam protestado em reuniões anteriores pela diminuição da cota de canabis terráquea para seus planetas e alertavam para o perigo do corte definitivo.

– Eu sabia que isso ia acontecer! – protestou o conselheiro Baqt. – Todos sabiam. Menos o Centro de Registros.

– Por favor, conselheiros. Deixem-me mostrar o relatório antes de discutir o que faremos.

As vozes se calaram e a presidenta Ziegr passou a ler o relatório. Ele dizia que a canabis já não podia ser encontrada com facilidade no planeta Terra e que já se estudava a possibilidade de pesquisar outros planetas para o plantio.

– Bobagem! – levantou-se Baqt, irritado. – Todo mundo está cansado de saber que, exceto a Terra, nenhum planeta desta zona da galáxia reúne condições perfeitas para o plantio da canabis!

– Isso mesmo! – complementou uma conselheira. – Por que gastar verbas com pesquisas inúteis? Precisamos intervir antes que a canabis terráquea seja totalmente extinta.

– Exatamente! Minha família, por exemplo, não fuma um baseado que preste faz mais de um ano disse Reuzaramon, o mais velho dos conselheiros.

Ziegr escutou com paciência mais algumas considerações. Estavam todos revoltados. Então prosseguiu:

– Conselheiros, a canabis terráquea é material estratégico para a galáxia, todos nós sabemos. Foi ela que propiciou o desenvolvimento ecológico dos planetas confederados e lhes permitiu superar a delicada fase do término dos combustíveis fósseis. Para isso, no entanto, durante milênios as naves da Confederação abordaram a Terra e, na calada da noite, de lá retiraram a canabis para abastecer nossos mundos.

– Eram os deuses astronautas? Não. Eram os deuses maconheiros – sussurrou Reuzaramon para o colega ao lado.

– Agimos assim porque precisávamos da canabis, claro, mas também porque os terráqueos não estavam preparados para nos conhecer – continuou Ziegr. – Agora, porém, grandes mudanças operam naquele planeta e exigem que tomemos uma posição.

– São os mulgélicos, aposto!

– Eles mesmos – respondeu Ziegr.

– Calhordas! – gritou Baqt, erguendo-se. – Por causa deles só estou fumando maconha de Fens, aquela porcaria.

– Conselheiros, semana passada a nave da Monitoria 54 resgatou, da órbita da Terra, uma pequena cápsula contendo informações valiosas. São textos e imagens sobre o momento atual da Terra e que confirmam as informações do relatório do Centro de Registros.

Ziegr entregou a cada um dos conselheiros um óculos projetor, pediu que cada um assistisse com atenção e encerrou a reunião, avisando que prosseguiriam à tarde.

Reuzaramon, o mais velho dos conselheiros, rumou para o jardim dos fundos do prédio, lá era mais agradável. Sentou-se num banco, pôs o óculos projetor e ligou. Enquanto as imagens tridimensionais se formavam à sua frente, ele escutava…

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A Ecologia toma impulso no planeta Terra no fim do segundo milênio da era cristã com a constatação de que a sociedade industrial e tecnológica produzia riqueza e conforto, mas também gerava um enorme perigo ao planeta e a todas as formas de vida. A partir daí uma crescente conscientização ecológica desenvolveu-se e direcionou os rumos de uma nova noção de desenvolvimento para o planeta: o desenvolvimento sustentável, onde a prioridade é manter os avanços tecnológicos sem abrir mão do equilíbrio ambiental.

No primeiro século do terceiro milênio um acontecimento crucial vem somar-se a toda essa revolução: a canabis, até então criminalizada em quase todo o planeta, é reconhecida oficialmente pela maioria dos blocos geopolíticos como matéria-prima estratégica para a sociedade. O baixo custo, a alta performance produtiva, a não necessidade de agrotóxicos e o seu caráter limpo e renovável a credenciam como a grande alternativa ecológica para a crise dos combustíveis fósseis que se instalara no mundo.

Assim, sob recomendação da ONU, os blocos geopolíticos mudam suas leis e legalizam a canabis. Cultivar, comercializar e consumir maconha deixa de ser crime, e as leis referentes a ela se inspiram nas leis que regulamentam outras drogas legalmente aceitas como o álcool. Dessa planta altamente estratégica extraem-se milhares de produtos essenciais ao dia a dia da sociedade, permitindo que o mundo respire aliviado após décadas de medo e incertezas quanto à saúde do planeta. A planta mostra-se eclética a ponto de ser utilizada também, e com muita eficácia, na medicina terapêutica.

Junto à canabis, outros recursos naturais também passam a ser utilizados dentro dos princípios do desenvolvimento ecológico. A canabis, porém, logo apresenta-se como carro-chefe dessa transformação, pois à sua intensa utilização industrial vem juntar-se o tema das liberdades individuais, gerando providenciais discussões sobre a relação do ser humano com as drogas e a questão do tráfico, da violência e dos interesses econômicos, além de questionar a eficácia dos programas de saúde pública e o tratamento policial dispensado ao usuário.

Nem todos, porém, concordam com isso. Ocorrem protestos em vários setores da sociedade e uma nova organização político-religiosa surge para combater o que ela entende por “exageros da democracia”, como o uso livre da maconha. São os autodenominados mulgélicos (multidões angelicais), fanáticos religiosos de caráter ultraconservador que cultuam a tecnologia máxima e defendem o terrorismo como forma de garantir seus valores. A eles se juntam todos aqueles que discordam da legalização da canabis, e assim a organização cresce e promove atos terroristas por todo o mundo, utilizando tecnologia química e biológica contra a população. Com discurso sedutor às mentes religiosas e amedrontando a muitos com sua política ultrarradical, tomam o poder em alguns blocos e aos poucos conseguem exterminar os principais líderes democráticos.

Estamos sob domínio dos mulgélicos há uma década. Eles governam o mundo globalizado, convocando todos a se entregar aos braços de seu deus, que em breve, creem eles, voltará para carregar os abençoados consigo rumo ao Paraíso, abandonando na Terra os seguidores de Satanás. Os mulgélicos perseguem aqueles que não comungam da crença de seu deus e castram as liberdades individuais conquistadas. Para eles, a canabis é a personificação do Mal e precisa ser combatida com toda a força e métodos possíveis. De nada adiantam os argumentos médicos e sociológicos, de nada valem os direitos humanos: os usuários passam a ser perseguidos pelo mundo inteiro e mortos com crueldade. E o cultivo da canabis, novamente proibido, abre caminho para o retorno de antigas, caras e poluentes formas de produção industrial, intoxicando novamente o planeta e pondo em risco o equilíbrio ambiental.

O culto exacerbado da tecnologia torna cegos os mulgélicos e eles não percebem que estão conduzindo a espécie humana ao seu extermínio. Contra esses argumentos, e até mesmo contra todos os fatos, eles respondem que seu deus está chegando para resgatá-los e assim ficará provado quem está certo.

Hoje, vivemos num planeta praticamente esgotado de recursos naturais e a grande alternativa foi bloqueada pela política repressora dos mulgélicos. O ar, os rios e os oceanos estão sujos. A preservação da fauna e da flora não é mais importante – importante é tentar converter os infiéis. Catástrofes naturais acontecem todos os dias, mas os mulgélicos veem nisso o legítimo cumprimento de suas profecias, o sinal dos últimos dias que antecedem a tão esperada chegada de seu deus.

A única possibilidade que nós, os resistentes dessa ditadura teocrática, vislumbramos foi pedir ajuda a outros planetas. Certamente, há vida em outros mundos, e talvez eles tenham passado por problemas semelhantes aos nossos. Talvez seus habitantes possam ajudar a Terra a reencontrar o caminho das liberdades individuais e do desenvolvimento autossustentável.

Isso é um pedido de socorro interplanetário. Talvez ainda haja tempo de salvar este planeta que já foi tão belo. Ainda podemos reaprender a respeitar as liberdades que pertencem ao ser humano. Clandestinamente, ainda cultivamos os últimos exemplares da canabis em plantações disfarçadas, o que nos proporciona raros momentos de prazer e a esperança de que ainda podemos retomar o crescimento interrompido. Mas tudo está por um fio, pois não sabemos até quando o planeta suportará.

Nosso plano é soltar esta mensagem no espaço, feito uma mensagem de náufrago. Talvez consigamos. É uma operação arriscada e com poucas chances de sucesso. Mas talvez alguma nave a recolha e esta mensagem alcance boas mãos.

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Reuzaramon retirou o óculos projetor e olhou para o céu. Terra…, sussurrou ele. Era realmente um belo planeta. Lembrou que seu planeta natal vivera problemas semelhantes aos que os terráqueos agora viviam e que a história da evolução das espécies era sempre marcada por momentos cruciais onde velhos e novos valores protagonizavam o dramático teatro do mito do Juízo Final. Antes da criação da Confederação Galática muitos planetas morreram, e com eles o seu povo, por não saber encontrar seu próprio caminho de democracia e desenvolvimento sustentável. Hoje, a Confederação, ciente de que a morte de um planeta empobrece o Universo, estava sempre atenta para tentar ajudar – mas somente quando isso representava a última chance, pois o sagrado princípio da soberania dos mundos regia a Constituição Galática.

O velho conselheiro levantou-se do banco, guardando o óculos no bolso. Olhou mais uma vez para o céu e depois seguiu para a sala. Talvez fosse mesmo o momento da Confederação intervir.

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BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04a– MUITO BEM, CONSELHEIROS – falou a presidenta Ziegr, contando os votos. – A maioria considerou que o Conselho deve intervir no planeta Terra. E que não podemos mais continuar roubando maconha de lá.

– Exatamente. O que está em jogo são os interesses da Galáxia.

– Isso mesmo! Os desvarios de um grupo de fanáticos religiosos não podem interromper a evolução do Universo.

– Mas como interviremos no planeta sem desrespeitar sua soberania? – insistiam os que não concordavam com a intervenção.

Reuzaramon pediu a palavra.

– Conselheiros, nenhum planeta é autônomo no último sentido do termo. Sabemos que todos os mundos estão ligados numa interdependência sutil, mas vital, e o que é feito a um repercute em todos. A Terra é apenas um dos elos dessa imensa corrente que se chama galáxia, que por sua vez é apenas um dos elos do Universo, que por sua vez é apenas um dos muitos universos possíveis. Quanto mais abrangemos nossa compreensão da realidade, mais percebemos o quanto tudo está ligado. O que acontece na Terra está influenciando o destino de outros mundos, e por isso a Confederação deve intervir.

– Você fala assim porque não é o seu mundo que será invadido!

– Conselheiros, por favor, deixem-me terminar. A espécie humana já está madura o suficiente para compreender que não está sozinha no Universo. Além disso, a canabis da Terra é a melhor de todas e ela é indispensável à evolução do planeta. Sem ela, não haverá desenvolvimento autossustentável. Sem ela, a Terra corre o risco de se destruir. E sem a Terra, senhoras e senhores deste Conselho, a Via Lactea enfrentará um grave desequilíbrio.

Reuzaramon foi aplaudido pela maioria. E mesmo os reticentes quanto à intervenção viram sentido em seus argumentos.

– A intervenção já foi decidida – falou Ziegr. – Mesmo assim, resta uma dúvida. Como faremos? Não podemos atacar os mulgélicos, nem podemos plantar canabis no planeta às escondidas.

– Que tal envolver o planeta numa grande baforada de maconha? – brincou alguém. – Assim todos finalmente experimentarão e tirarão suas próprias conclusões…

– O verdadeiro efeito estufa!

– Ou podemos fornecer armas com balas de canabis para os resistentes atirarem nos mulgélicos…

– Conselheiros, por favor. Precisamos de um plano de intervenção pacífica, sem comprometermos nossa carta de princípios. E não dispomos de muito tempo.

– Talvez possamos convencer os mulgélicos a retomar o crescimento ecológico – propôs uma conselheira. – Eles têm de entender que não há outra saída para o planeta deles.

– É inútil, minha senhora – falou Reuzaramon. – Para um fanático religioso, quem não está com ele, está de mãos dadas com o Mal.

Chegaram ao incômodo impasse. A intervenção se fazia necessária, mas parecia não haver maneira de realizá-la sem ferir os princípios éticos da Confederação. Até que Reuzaramon ergueu o braço.

– Amigos, acho que vislumbrei a saída do labirinto.

Todos olharam curiosos para ele.

– Nós sabemos o que pensam os terráqueos, sabemos sobre suas crenças e suas profecias. Isso é tudo que precisamos.

– Explique melhor, Reuzaramon – pediu Ziegr.

– Muitas profecias terráqueas falam do Juízo Final. Parte dos terráqueos já entendeu que a linguagem das profecias é simbólica, que “fim do mundo” é só o fim de uma fase, uma espécie de renascimento para a nova fase, tanto no âmbito individual quanto num âmbito social. Mas outros entendem ao pé da letra e acham que a salvação virá de fora. Estes se acham os eleitos e creem que seu deus, de fato, irá resgatá-los.

Todos ouviam atentos, curiosos por ver onde o velho conselheiro queria chegar.

– Ora, ora… As profecias se realizam porque no fundo as pessoas creem nelas. Se existe a profecia, então ela deve ser realizada.

– Sábias palavras, Reuzaramon. Mas quem vai realizar a profecia? E de que modo?

– Conselheiros… Esqueceram que quem acredita em deuses, precisa de deuses para viver?

Reuzaramon sorriu ao perceber que finalmente começava a ser compreendido.

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BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04aNAQUELA MANHÃ, as nuvens do planeta Terra se abriram e dos céus desceram naves gigantescas, milhares delas, espalhadas por todos os países. Trombetas soaram ensurdecedoras, para todos ouvirem, em todos os cantos do mundo. De cada uma delas saiu um anjo com roupa prateada e grandes asas reluzentes para avisar que o grande dia chegara e que os eleitos seriam levados.

– Aí está! – berravam os líderes mulgélicos com lágrimas nos olhos. – Aí está o Deus Todo Abençoado que veio resgatar seu rebanho querido!

A imprensa do mundo inteiro transmitia o fim do mundo. Nas residências, nas repartições, nas academias, todos se mantinham em frente à TV. Audiência total. Até os botequins estavam lotados.

– Ô, seo Manel! O fim do mundo chegou. Desce aí a saideira.

– Só se você primeiro pagar o que deve.

Os mulgélicos atenderam ao chamado e ocuparam rapidamente os assentos das naves, emocionados, gratificados por sua fé finalmente recompensada. Muitos tentaram se converter de última hora, mas não havia mais lugar nas naves.

– Eu até que queria ir, mas os cambistas estão explorando!

– Que dia pro fim do mundo! Deus podia pelo menos esperar passar o réveillon.

Ao fim da manhã, as naves partiram, levando todos os mulgélicos ao paraíso prometido. Uma nave, porém, a maior de todas, permaneceu no pátio da sede da ONU. Suspense. Bilhões de pessoas acompanhando pela TV. Uma voz ecoou, vinda da nave:

– Amigos terráqueos. Ouviremos agora o pronunciamento da excelentíssima presidenta do Conselho da Confederação Galática, sra. Ziegr.

A presidenta surgiu à porta da nave, de microfone à mão. Pigarreou discretamente e começou a falar:

– Serei breve, amigos terráqueos.

Ela fez uma pausa, juntou as mãos como quem implora, e perguntou:

– Alguém tem unzinho aí?

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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04a> Este conto integra o o livro
Baseado Nisso
– Liberando o bom humor da maconha

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O dia em que papai e mamãe ficaram muito doidos

18/05/2010

18mai2010

BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04a
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Este conto integra o livro Baseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha, de Ricardo Kelmer

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O DIA EM QUE PAPAI E MAMÃE
FICARAM MUITO DOIDOS

Juninho está preocupado. Seus pais decidiram experimentar um baseado para saber o que o filho via de tão bom nisso
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– Juninho, eu e sua mãe decidimos fumar um baseado com você.

O menino ficou olhando para os pais, sem acreditar no que escutava. Depois de tantos anos insistindo em conselhos, castigos e orações, seu pai e sua mãe resolveram experimentar para saber o que afinal o filho tanto via num cigarro de maconha. O importante era a união da família.

Juninho ficou tão surpreso, atordoado mesmo, que quando deu-se conta já havia entregue o baseado e seus pais estavam sentados em sua cama, fumando e tossindo. Juninho recusou-se a fumar também, inventou uma desculpa qualquer. Mas a verdade é que alguém tinha de ficar careta para segurar a onda.

– Não tô sentindo nada – reclamou a mãe.

– Calma, Vanda, demora um pouco – explicou o pai com ar de entendido. – Não é, Juninho?

– Você tá bem, mãe?

– Tô ótima, quer dizer, tô normal. Normalíssima – respondeu a mãe, rindo.

– Eu também – disse o pai. – Aliás, nunca me senti tão normal em toda a minha vida.

– Mãe, qualquer coisa tem leite na geladeira, viu?

– Vanda, há algo errado com minhas orelhas?

– Suas orelhas? – ela olhou curiosa para o marido. – Não, Afonso, por quê?

– Elas estão maiores, não?… – Ele apalpava as orelhas, intrigado.

– É normal, pai. É viagem.

– É normal as orelhas crescerem? – perguntou o pai, indo conferir no espelho do banheiro.

– Pois eu continuo normalíssima – observou a mãe, rindo. – Eu e minhas orelhas.

– Tem gente que não viaja da primeira vez, mãe.

– Vanda!!! Vem aqui correndo!

A mãe correu assustada. Chegou ao banheiro e deu com o marido se observando atentamente ao espelho.

– Eu sempre fui assim, Vanda? Sempre?

– Assim como? – Ela não compreendia. Juninho, atrás dela, muito menos.

– Como você pôde aturar essa barba horrorosa durante todos esses anos? Heim?

– Ué? Você sempre disse que era o seu charme…

– Sei não, acho que eu ficaria melhor sem barba.

– Pai… – Juninho começava a se preocupar.

– Não acredito! – exclamou a mãe, erguendo as mãos. – Minhas preces foram ouvidas!

– Mãe, não deixe… – pediu Juninho, assustado com o rumo das coisas. – Isso é viagem, mãe, é viagem…

– Então não se meta na viagem de seu pai – ralhou a mãe.

– Vanda, faz quantos anos que você não solta seu cabelo? – perguntou o pai de volta do banheiro, retirando de repente a fivela da cabeça da mulher. Ela tentou impedir, mas foi tarde.

– Afonso! Dá aqui, dá!

– Não fica melhor assim, filho? Sempre falei, mas ela nunca escutou.

– Pai, eu acho que… será que… vocês…

– Juninho, você tem algum CD aí pra eu dançar com sua mãe? O que é isso aqui?

– É rap. Acho que vocês não vão gostar muito não…

– Tá vendo, Vanda? Precisamos comprar uns CDs pra nós dois.

– Pai, bota um pouco desse colírio aqui…

– Afonso… – disse a mãe, o tom da voz levemente lânguido, como havia muito tempo ela não experimentava. – A noite está ótima… Bem que a gente podia ir dançar. Inaugurou um barzinho aqui perto…

– Sabe que você teve uma grande ideia?

– Não precisava pingar tanto, pai. Mãe, você tem certeza que…

– Vou tomar logo meu banho. Será que ainda sei dançar?

– E por que a gente não toma banho junto? Economiza água…

– Economiza água… Ahahahah!!! Economiza água… – repetiu a mãe, morrendo de rir.

Naquela noite, eles voltaram para casa às três da manhã. Juninho ainda rolava na cama, preocupado. Não conseguira dormir e muito menos estudar para a prova. Escutou abrirem a porta e experimentou um alívio imenso, que bom que estavam de volta. Os dois entraram se esforçando para não fazer barulho, mas não conseguiram.

– Afonso, você ficou um gato sem a barba…

– Aqui não, Vanda, vai acordar o Juninho…

Juninho virou para o outro lado. Não devia ter permitido, sabia que não devia. E se tivessem realmente gostado? E se ficassem viciados, o que podia acontecer? Seu pai tirara a barba depois de vinte anos, ficou tão estranho, não conseguiu olhar direito para ele. E se chamassem os amigos para fumar, o que eles achariam? E o trabalho deles, não podia prejudicar? E a mãe então, nunca vira a mãe rir tanto, parecia uma… uma louca. E se dessem muita bandeira e a polícia descobrisse, a vergonha que seria… Não podia fazer mal à saúde deles? Não era perigoso fumar e sair por aí?

Juninho puxou o lençol, fechando os olhos, tinha de acordar muito cedo. Bem, talvez fosse só empolgação, ele pensou, primeira vez é assim mesmo, pai e mãe são muitos inexperientes para fumar maconha.

Do corredor, ainda chegavam as vozes, abafadas:

– Afonso, onde será que ele guarda?
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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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01- Oi Ricardo Cara, eu ri demais “No Dia em que papai e mamãe ficaram muito doidos” hahahaha… isso já valeu o meu domingo. Beijos. Ana Cristina Souto, Fortaleza-CE – jan2006

02- adorooooooooooo muito bom…rs. Magna Mastroianni, São Paulo-SP – abr2011

03- Adorei!!! Aliás, tenho lido vários, e tá difícil não gostar de algum, viu?rsrs. Bjão!! Simone Marini, São Paulo-SP – abr2011

04- Esse Ricardão!!! ahahahah :* Gisela Symanski, Porto Alegre-RS – abr2011



Insana paixão

11/05/2010

Ricardo Kelmer 2010


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Eu tinha 25 anos. Ela tinha a mesma idade e estudava psicologia com minha irmã. Era morena clara e seus cabelos negros lhe desciam em ondas pelas costas. Tão bonita, tão charmosa… E tinha uns olhos azuis que, aiai, me perturbavam o juízo. Me apaixonei. E passei a sonhar acordado com ela, dias, semanas, meses. Desejava-a em silêncio, secretamente, sem coragem de me aproximar. Por algum motivo achei que ela era mulher demais pra mim – homem tímido é uma merda. Cheguei a escrever um conto de paixão, inspirado nela, que minha irmã, a meu pedido, lhe entregou. Quem sabe ela gosta e quer me conhecer melhor, eu esperançava, sonhando em meus sonhos azuis. E ela? Ela até leu o conto e mandou dizer que era bonito, e agradecia. E só. E só segui eu em minha pequena tragédia de homem ridículo.

Um dia eu soube que a moça cantava. Sim, além de tudo ainda era um rouxinol. Nem precisava tanto. E fazia os vocais de apoio nos shows do Beto Barbosa em Fortaleza. Decidi que iria a um show, só pra vê-la. E fui mesmo, eu que nem gostava de lambada, veja só o desespero do cidadão. Hoje gosto, acho que por causa dela. Fui ao show sozinho, comprei o ingresso, caríssimo, e me postei pertinho do palco, copo de vodca dupla na mão, me sentindo um ET naquele ambiente. E lá fiquei por todo o show, absolutamente extasiado com a visão à minha frente, ela adocicando sua louca magia no palco e eu babando minha paixão anônima na plateia. Ela de saia e blusinha brancas, uma rosa no cabelo, descalça, tão linda e brejeira, tão reluzente, tão cheia de graça… Uma deusa. Uma deusa inalcançável. Definitivamente era mulher demais pra minha timidez.

Restou-me escrever um poema pra fechar de vez o capítulo dessa paixão sem futuro. E assim saiu Insana paixão. Que não mandei pra ela. Mas, disfarçadim na última estrofe, quinto verso, pinguei seu nome no poema, Germana. Feito a gota final de um sonho azul. Aqueles sonhos que se desmancham pra sempre na praia dos amores que não puderam viver.
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INSANA PAIXÃO
Ricardo Kelmer 1989
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O azul dos olhos a marejar
O som de um blues
Meu cruzeiro do sul
Teu azul-íris do mar

Tão azul a luz dança no ar
Blues serpentina
Mas tão fugaz é a retina
Teu azul que eu quis sonhar

Por onde você se engana
Tão distantemente minha?
Pra quem mente tua luz cigana?
Teus olhos quem cegarão?
Desejo é o germe que emana
De toda insana paixão

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Cartaz com o poema.
Clique na imagem pra ampliar.

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> Mais poemas e letras

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