A revolta das peladonas

12/11/2014

12nov2014

Um dia elas começaram a correr peladas pelas ruas. Foi só o início…

ARevoltaDasPeladonas-01.

A REVOLTA DAS PELADONAS
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No futuro, nossos bisnetos comentarão na hora do recreio:

‒ Que aula incrível! Adoro história do Brasil.

‒ Você viu? Quando começou, ninguém entendeu nada.

‒ Mas quem poderia desconfiar, né?

‒ Ninguém. Eram apenas mulheres correndo peladas pelas ruas.

‒ Diziam que eram loucas, ou que estavam em busca de fama.

‒ Marketing de tênis esportivo.

‒ Muitas eram presas por atentado ao pudor. Mas logo eram liberadas. E faziam de novo.

‒ Minha avó foi presa doze vezes, e ela já tinha setenta anos. Os delegados não aguentavam mais. A senhora pelada na rua de novo, vovó?

‒ Sério? Que demais! Você deve ter muito orgulho, né?

‒ Sim, e meus pais também. Tanto que me batizaram com o mesmo nome dela.

‒ A primeira peladona na minha família foi minha tia. Ela aproveitou e nunca mais voltou pra casa. Largou o marido que batia nela e montou uma banda de rock, que era seu grande sonho.

‒ Além de marido, muitas largaram o trabalho. Por isso diziam também que era uma conspiração… como é mesmo?

‒ Feminista-naturista-comunista radical.

‒ Diziam também que estavam possuídas pelo demo.

‒ Que nem a amiga da minha mãe, coitada. Expulsaram o demo dela, mas ela largou a igreja e continuou correndo pelada, e fazia questão de passar em frente bem na hora da sessão de descarrego.

‒ A Revolta das Peladonas, foi assim que o fenômeno ficou conhecido. Ficar pelada era uma forma simbólica de se libertar das opressões machistas na família, no trabalho, na religião, e até no barzinho. Mas a coisa logo passou do simbolismo pras reivindicações.

‒ Ah, deve ter sido o máximo! De repente estavam todas peladonas, ofendendo os bons costumes. A mulher do cara, a filha, a vizinha, a diretora do colégio, a gerente do banco…

‒ E como não podiam prender milhões de mulheres, tiveram que aguentá-las peladas em todo canto, a exigir direitos iguais. E tanto fizeram, que conseguiram. Hoje o termo feminista nem faz mais sentido.

‒ Mas mantiveram a lei de atentado ao pudor pra nós homens. Pode uma coisa dessa?

‒ O povo daquela época era muito burro.

‒ Pois é, e deu no que deu: os homens também se revoltaram, exigindo direito de nudez igual. O deputado Tiririca fez um discurso histórico no plenário. Só de dentadura. Foi aí que ele virou patrono da Revolta dos Peladões.

‒ E acabou Presidente da República.

‒ Tem uma estátua dele no meu condomínio. Só de dentadura.

‒ Se a gente vivesse cinquenta anos atrás, algum adulto já teria vindo aqui mandar a gente vestir uma roupa. E eu certamente seria mandada pro Conselho Tutelar.

‒ Ainda bem que vivemos no tempo de hoje. Nem me imagino todo vestido nesse calor.

‒ Minha prima, como é muito religiosa, usa uma folhinha de parreira.

‒ Viver numa sociedade onde a nudez é pecado deve deixar a gente neurótico.

‒ O que você trouxe pra gente lanchar?

‒ Maçã. Quer uma?
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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O INÍCIO DA REVOLTA

Mulher é detida pela polícia ao correr nua em parque de Porto Alegre – Uol, 30.10.14

Outra mulher sai andando nua em Porto Alegre – Uol, 06.11.14

Em 11 dias, terceira mulher é flagrada pelada em Porto Alegre (RS) – Uol, 09.11.14

“Logo entrou em um carro”, diz testemunha de pelada no RS – Terra, 11.11.14

O que significa a onda de peladas em Porto Alegre – Zero Hora, 11.11.14

Google tira do ar game inspirado em mulheres nuas de Porto Alegre – Bol, 13.11.14

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 IMAGENS DA REVOLTA

 ARevoltaDasPeladonas20141030-01As pioneiras da Revolta das Peladonas surpreenderam a todos

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ARevoltaDasPeladonas20141030-02Vistas como um perigo à ordem estabelecida, muitas peladonas foram presas

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ARevoltaDasPeladonas20141106-01Cada vez mais ousadas, as peladonas desafiavam abertamente a lei

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Impotentes diante de tantas peladonas, os homens tiveram que aceitar as reivindicações por direitos iguais

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SOBRE NUDISMO E NATURISMO

Naturismo-02aO nudismo é uma prática integrada no conceito mais vasto de naturismo que consiste na não utilização de vestuário para actividades recreativas em ambiente social. A nudez total é vista como uma forma de contacto com a natureza e sem conotações sexuais ou morais de modéstia. A prática do nudismo poderá ser efetuada em praias, lagos, piscinas ou outros espaços – usualmente ao ar livre – normalmente em áreas designadas para o efeito. (fonte: Wikipedia)

O naturismo (não confundir com naturalismo) é um conjunto de princípios éticos e comportamentais que preconizam um modo de vida baseado no retorno à natureza como a melhor maneira de viver e defendendo a vida ao ar livre, o consumo de alimentos naturais e a prática do nudismo, entre outras atitudes. (fonte: Wikipedia)

Federação Brasileira de Naturismo

Corte Europeia rejeita pedido de andarilho britânico de caminhar nu – Folha de São Paulo, 28.11.14

 

SOBRE FEMINISMO E SEXUALIDADE FEMININA

AsCiclistasOrgasticasDaColombia-01aAs ciclistas orgásticas da Colômbia – Ciclistas usam a energia de seus orgasmos para vencer corridas

Os apuros do homem feminista – Minha busca por relações igualitárias foi dificultada também porque muitas mulheres, mesmo oprimidas, preferiam relações baseadas no velho modelo machista

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990) – Um livro belo e libertador, que celebra o sagrado na sexualidade

Lola Benvenutti e a coragem de viverA única salvação possível é sermos quem verdadeiramente somos. Parabéns, Lola, por sua coragem e autenticidade

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação pela submissão no sexo anal

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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COMENTÁRIOS
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01- Imaginação fértil Ricardo Kelmer. rsrsrs Mas pelo o que anda acontecendo, é bem provável que vá ser assim mesmo e aí a gente volte ao “paraíso”. Renata Kelly, Fortaleza-CE – nov2014

02- kkkkkkkkkkkkkkk adorei! Marici Silva, São Paulo-SP – nov2014

03- kkkkkkkkkkkkk! ótimo texto! Diana Sulamericana, Fortaleza-CE – nov2014

04- Muitoooo booommm!! Sergio Santos!! Leia isto!! E a sua cara!! Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – nov2014

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O Reino Encantado de Jericoacoara

14/10/2014

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Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar…

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O REINO ENCANTADO DE JERICOACOARA

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Há certos lugares que a gente conhece e depois eles passam a morar naquele cantinho sagrado da alma, onde a gente pode se recolher quando quer descansar por uns instantes na doçura da saudade, sabe como é? Não sei se expliquei bem, mas para mim um desses lugares é Jericoacoara, no Ceará.

Quando cheguei a primeira vez em Jeri (só para os íntimos), em 1989, a pequena vila já era razoavelmente conhecida no circuito do turismo alternativo, mas não tanto como Canoa Quebrada, no litoral leste, que tinha um acesso muito mais fácil. Putz, foi amor à primeira maresia. Desde então, voltei lá algumas vezes, mas sempre é como se fosse a primeira vez. Eu estou sempre descobrindo Jeri.

Localizada a 300 quilômetros a oeste de Fortaleza e pertencente ao município de Jijoca de Jericoacoara, Jeri integra o Parque Nacional de Jericoacoara, o que impede a construção de estradas pavimentadas na região. Para chegar lá, ou você vai de helicóptero ou arrisca ir pela praia, respeitando as marés, ou enfrenta a areia das dunas (mas terá de deixar o carro numa área afastada do centro da vila). Ou então faz como a maioria, indo até Jijoca e, de lá, seguindo por quarenta minutos pelas dunas em carros especiais. O percurso, por si só, é uma autêntica preparação do espírito, um rito sagrado de iniciação para o viajante destemido ser aceito no Reino Encantado de Jericoacoara.

Sim, é uma aventura chegar lá. E estar lá é um sonho. E deixar Jeri é sempre uma tristeza por não ter ficado mais, misturada à esperança de voltar logo. Se você foi lá e não sentiu essas coisas, sinto muito, mas você não entendeu nada.

As publicações especializadas sempre elegem Jeri como uma das praias mais lindas e um dos melhores destinos do mundo para viajar. Não é nenhum exagero. Dotada de uma beleza semisselvagem, Jeri encanta por sua natureza preservada, dunas, mangues, rios e lagoas, e o mar, aquele marão imenso e azul, onde pode-se ver o sol e a lua nascerem e se porem, num poético espetáculo que é literalmente aplaudido pelas gentes abobalhadas no alto da duna, seus olhos brilhando de reverência e êxtase. Sim, um baseadinho nessas horas cai bem, mas Jeri já dá barato por si só, acredite.

Vou confessar uma falha de caráter: morro de ciúmes de Jeri. Quando vejo lá aqueles turistas tão caretas e convencionais, tenho saudade de quando apenas os malucos sabiam de Jeri. Saudade de quando não havia energia elétrica e nos hospedávamos nas próprias casinhas dos pescadores, compartilhando de sua comida e de suas histórias. Mas reconheço que é puro egoísmo essa minha nostalgia do que não tem como voltar. Hoje, Jeri vive do turismo, e, tirando certos poréns inerentes ao processo, felizmente os cuidados tomados ainda a mantêm bela e especial, harmonizada entre o simples e o moderno. Ainda.

Muitas línguas e sotaques se falam em Jeri, de tão cosmopolita que ela é, tantos os que lá aportam e não querem mais sair. Muitas línguas também se enroscam nas bocas, eheheh, tantos os convites que a brisa da noite sussurra no ouvido da gente, é um perigo. Jeri é assim, de repente um blues distante que o vento traz, uma fogueirinha que brilha na beira da praia, a noite que se insinua na poesia do luar.

O charme das pousadas, o aconchego dos cafés, os barzinhos tão graciosos… E os passeios além da vila? E aquela culinária saborosa? E os automóveis e as agências bancárias que não há? Impossível eleger o que é mais gostoso. Sem falar no clima, tanto o da Natureza como o de celebração da vida, sempre presente nos risos, brindes e olhares. Até mesmo se perder no labirinto daquelas ruazinhas de areia é bom.

Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar… Perca-se como eu me perdi. Porque um dia, como acontece com tudo na vida, Jeri nunca mais será o que é. E então ela virará um reino encantado dentro de você, sempre lhe chamando para voltar.

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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MAIS SOBRE JERI

O NOME – “Jericoacoara” é um termo da língua tupi e significa “toca das tartarugas-marinhas”, por meio da junção dos termos “îurukûá” (tartaruga-marinha) e “kûara” (toca).

Parque Nacional de Jericoacoara – Com uma área de 8.850 hectares, o Parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Impressões de viagem – Especial sobre Jeri no site do fotógrafo Fábio Arruda

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PERCA-SE EM JERI

PARCPousadaCasaDoAngeloMapa-01

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PousadaCasaDoAngelo-06aHOSPEDAGEM EM JERI

Pousada Casa do Ângelo – Charme rústico, aconchego, ótima localização, preço bom… Por essas e outras é que sempre me hospedo na pousada do meu amigo Ângelo Jorge, também conhecido no labirinto dos becos de Jeri por Baiano. Recomeeeendo.

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LEIA NESTE BLOG

IncultaEBelaDengosaECruel-8aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

O desejo da Deusa – Um encontro na praia, as forças da Natureza e um deus repressor

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Jeri e seus mistérios… aquelas ruas de areia sempre me levam de volta ao meu coração! Se eu voltar, eu fico… Susana Mota, Leiria-Portugal – abr2015

02- Parabéns pelo texto. Eu sou apaixonada por Jericoacoara. Erondina Lopes, Itapipoca-CE – mar2016

03- Nossa muito mais muito obrigada pelas suas palavras sobre esse lugar que eu simplesmente amor só apaixonada jeri e sua magia ,como nativa agradeço. Juliana Martins, Jericoacoara-CE – jun2020

04- Texto aprovadíssimo, é um documentário. Você que chegou, reconhece o valor de um lugar tão mágico e convidativo que é. Imagine que o começo a 55 anos. Quantas mudanças! Mas continua lindo. Obrigada pelo registro, real e histórico. Valdenice Albuquerque, Jericoacoara-CE – jun2020

05- Obrigada pela linda homenagem a nossa Vila ao nosso parque nacional as nossas Lagoas… #vemprajeri ser feliz e ponto. Melhor terapia do planeta e sim é um encantamento. Lunna Dourado, São Paulo – jun2020

06- Aaaahhhhh Jeri… pra mim um refúgio, um refrigério da alma… e ainda hoje sinto o mesmo encantamento de qdo eu a conheci no réveillon de 1988 para 1989!!!! Isabella Cantal, Fortaleza-CE – jun2020

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Roubalheiras, desigualdade social e o reconhecimento popular

01/10/2014

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Se hoje o povo usa essa lógica para manter o PT no poder, o motivo reside justamente na histórica insensibilidade, ou incapacidade, dos outros governos perante as necessidades mais urgentes do povo
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ROUBALHEIRAS, DESIGUALDADE SOCIAL E O RECONHECIMENTO POPULAR

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Com os tantos escândalos sobre seu governo propagados diariamente pelos noticiários, por que diabos o Partido dos Trabalhadores ainda tem o apoio incondicional de metade do povo brasileiro e caminha para vencer mais uma eleição? Esta é a pergunta que se faz a outra metade, inconformada com a situação.

Não sou nenhum especialista, mas tentando analisar friamente a questão, cheguei a uma tese. Esse firme apoio ao PT vem do fato de que nenhum governo fez o que os três governos petistas efetivamente fizeram pela diminuição da desigualdade social, que sempre foi o maior e mais escandaloso de todos os problemas do país, e só isso já basta para que o PT tenha crédito de sobra com a imensa massa beneficiada, o que lhe garante os votos necessários.

E quanto aos escândalos no governo, por mais que a grande mídia grite sobre eles, isso não muda a situação, pois mesmo o povo simples percebe que falcatruas não são exclusivas do PT, que o nosso sistema político favorece a corrupção sistemática e que a grande maioria dos políticos preocupa-se apenas com seu próprio futuro. Assim sendo, se infelizmente é o caso de escolher entre partidos que não distinguem-se exatamente pela ética, o povo prefere aquele que aplicou o princípio da equidade na governança (todos são iguais perante a lei, porém aquele que mais necessita deverá ser atendido primeiro) e fez sua vida melhorar como nenhum antes fez.

Essa lógica pode soar absurda a alguns, principalmente a quem sempre teve boas oportunidades na vida, e, de fato, preferível seria que o destino de nossas eleições já não fosse guiado por esse tipo de raciocínio. No entanto, a fome e a miséria no Brasil sempre foram questões de máxima urgência, e, pensando além das simpatias partidárias, é preciso admitir que infelizmente os governos anteriores não lhes dedicaram a devida máxima atenção, como fizeram os petistas. Se hoje o povo usa essa lógica para manter o PT no poder, o motivo reside justamente na histórica insensibilidade, ou incapacidade, dos outros governos perante as necessidades mais urgentes do povo.

O crédito petista é tão grande que, independentemente de escândalos, ele poderá ser usado pelos próximos anos enquanto o povo sentir os efeitos imediatos da implementação urgente dessas políticas de equidade social. Porém, superadas a fome e a miséria, esse mesmo povo exigirá melhoras também em outras necessidades, e então, somente então, a questão da ética na política poderá finalmente ganhar mais peso nas eleições.

Este texto, obviamente, não defende a desonestidade na política, o “rouba mas faz”, nada disso. Que as roubalheiras sejam todas apuradas e os bandidos do dinheiro público condenados ‒ isso é muitíssimo importante. O que minha tese sustenta me parece ser tão somente o óbvio: para o povo cujas necessidades básicas nunca foram satisfatoriamente atendidas pelos outros governos, e para todos que reconhecem a prioridade da equidade social, o PT tem crédito e merece continuar no poder, por mais que a grande mídia não se conforme.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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Ilustração: quadro da série Retirantes, de Cândido Portinari

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A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

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COMENTÁRIOS
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 01- Não, xará! A tese do “rouba, mas faz” prevalece. Também se encaixa muito bem “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Traduzindo tudo, se eu tenho agora uma qualidade de vida, MINHA, melhor, podem fazer o que quiser com o Tesouro, com as finanças, com o meio ambiente, com a política externa, etc. Agora, se me tirarem esses benefícios, serão os piores políticos do país. Ricardo Campos, Fortaleza-CE – out2014

02- A cúpula do PT provavelmente leu : “O Príncipe” de Maquiavél de cabo a rabo e tentou lidar com essa cultura política massacrável em que vivemos desde sempre de maneira a aprovar projetos essenciais para o desenvolvimento do país. Porém eles se esqueceram que carregaram sempre a bandeira da ética e isso os fez pagar o pato. Qualquer pessoa razoavelmente informada sabe que sempre houve escândalos atrás de escândalos no Brasil e que o tal mensalão sempre existiu, o PT infelizmente deu continuidade, por falta de opção ou por falta de coragem. Minha maior crítica ao partido governista é o fazer tudo pela governabilidade infantil, cedendo tantos aos podres partidos da base aliada como aos bancos, acho que falta coragem em determinados segmentos ao PT e também falta inteligência em detectar no cenário político aliados que não os transformem em reféns. Faltou tato também quando expulsou do partidos pessoas importantes que tiveram a coragem de bater de frente com os arquitetos da corrupção e dos projetos que lesavam a sociedade. Hoje minha preferência é pelo PSOL, mas em determinados cargos tanto do executivo como do legislativo, o PT ainda é a opção menos maléfica. Cauê Procópio, São Paulo-SP – out2014

03- Ocorreu a diminuição vda miseria, o crescimento da classe média (sem entrarvno mérito da redução da renda para se considerar classe média). Mas não ocorreu uma redução na desigualdade social. Não falo isso pra me colocar contra seu texto ou qualquer outra coisa. Eu mesmo já uni os dois dados como se um estivesse ligado com o outro. Mas infelizmente em nosso país a diminuição da miséria não significou redução da desigualdade. Felipe Breier, Fortaleza-CE – out2014

04- Belo texto Ricardo Kelmer. Mas nada justifica manter essa quadrilha no poder. Vou de Marina. Vou torcer que com uma nova vertente esse rio sujo, que é a política no Brasil, torne- se menos poluído e que, no futuro, seja possível torna-lo potável! Hugo de Freitas, Fortaleza-CE – out2014

05- os políticos são reflexo do povo, pelo menos da maioria do povo. e nós somos, infelizmente, um povo corrupto, pelo menos uma minoria. mas nenhum governo foi tão vigiado quanto o do pt e não vi casos mais graves até serem punidos com tanto rigor quanto os que envolveram o pt. até porque eles foram julgados e condenados por antecipação por uma grande mídia poderosa e que tem seus interesses. apesar de tudo, nunca houve governos que apurassem e impedissem tanto a corrupção quanto os do pt. fora isso, q pra mim é questão importante, mas não é a principal, os caras fizeram o q realmente era prioridade: acabar com a fome, diminuir a desigualdade e preparar o terreno para o crescimento econômico, o q significa prosperidade, empregos, melhora da qualidade de vida. fizeram o que realmente precisava – há tanto tempo – ser feito e ninguém fez. vou votar na dilma, como votei no lula em todas as vezes em q ele foi candidato. com muito orgulho, e sentindo q aquilo q eu imaginava há 25 anos pro meu país, na medida do possível foi feito. ainda muito precisamos avançar, não quero ver este país dar um passo para trás. é dilma outra vez! Paulo Nunes, São Paulo-SP – out2014

06- Bela reflexão Ricardo Kelmer! Posso compartilhar? Jacques Martins Antunes, Fortaleza-CE – out2014

07- Lúcida análise, Ricardo! Essa parte, então, faz todo sentido: “Porém, superadas a fome e a miséria, esse mesmo povo exigirá melhoras também em outras necessidades, e então, somente então, a questão da ética na política poderá finalmente ganhar mais peso nas eleições.” Tete Bastos, Fortaleza-CE – out2014

08- Saímos de magnatas do petróleo do pré-sal para uma Petrobás falida em pouco tempo, do mesmo modo que caem Eikes Batistas da vida! Quando começar a faltar lá em cima, faltará muito mais lá embaixo… E é justamente o preço do petróleo que vem maquiando a verdadeira inflação, se é que já não estão sentindo no bolso. Investidor rico estrangeiro quer segurança, senão ele fecha a torneira… simples assim… Teo Lorent, São Paulo-SP – out2014

09- Adorei! Ana Erika Oliveira Galvao, Fortaleza-CE – out2014

10- ‘Grande Ricardp. Orgulho de um dia, por um maravilhoso acaso do destino, ter te conhecido! Fatima Carvalho, Santo André-SP – out2013

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A pergunta

23/09/2014

23set2014

Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

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A PERGUNTA

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Quando você estiver lendo esta crônica, eu talvez já esteja morto, meu corpo estirado no chão da sala e o vizinho desconfiando do mau cheiro. Ou talvez eu tenha sumido de repente, sem explicação, e neste exato instante estou sendo torturado numa sala sombria. Tudo é possível. Tudo pode acontecer agora que… descobri a verdade.

Ultimamente, eu vinha desconfiando. Porém, de um tempo para cá tudo ficou óbvio: a Inteligna existe. Parece papo de maluco, teorias da conspiração… Mas não é. A Inteligna existe sim. A Inteligência Maligna. E está cada vez mais poderosa. Ops! Acabo de escutar algo… Tem alguém aqui no apartamento… Eles chegaram! Nãããão! Aaaaaaahhhhhh!!!…

Eu exagerei, admito. Foi só um pouco de drama para chamar sua atenção. Mas a Inteligna existe. E sabe muita coisa. Sabe muito sobre você, por exemplo, pelas pistas que deixa por onde passa: seu cartão de crédito, o movimento da conta, navegação na internet, telefonemas… Sem falar nas câmeras de vigilância. Acha que exagero de novo, né? Ou que fumei daquele da lata. Eu entendo, é mesmo difícil conceber que somos monitorados por uma inteligência maquiavélica e invisível, que nos mantém sempre ocupados para que não façamos a pergunta.

Mas, que pergunta? Não posso dizer aqui… é perigoso. Mas posso dizer o motivo de não a fazermos: nós somos escravos. Escravos de uma realidade que nos cerca e cega o tempo todo com ideias e valores que fazem com que nos comportemos feito uma boiada. Numa boiada, todos seguem o movimento geral, ninguém se detém para pensar por que tem mesmo que seguir por aqui e não por ali. Se pensasse, perceberia coisas estranhas. Perceberia que, apesar da publicidade insistir no contrário, um celular novo não traz felicidade. Nem possuir o carro do ano. Nem ter vinte bolsas no armário, nem usar roupas de grife, nem frequentar o lugar da moda, nem ter o corpo igual ao daquela modelo.

Sutilmente, repetindo dia após dia, a Inteligna faz você se convencer que precisa de tudo isso para se autorrealizar. Então você compra isso e mais aquilo e se sente vivo, e brinda à sua felicidade, tim-tim! Mas aí o que você comprou saiu de moda. Aí lançam um modelo melhor e você ainda nem terminou de pagar o anterior. E aí você se endivida ainda mais. E não consegue alcançar a tal realização. Claro. A Inteligna não vende realização, vende ilusão. Se vendesse autorrealização, diria para você buscar onde ela sempre esteve: em você mesmo. Diria para você parar um pouco e deixar a boiada seguir sem você. Somente assim você se daria conta que não é apenas uma estatística de consumo, e se perceberia uma pessoa única. Então você diria oi para si mesmo e se faria a pergunta fatal.

O diabo é que isso nunca lhe ensinaram. Não se fala disso nos comerciais da novela, pois a Inteligna ocupa todos os espaços. Sim, uns livros falam disso, é verdade. Mas como encontrá-los?

Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável. A Inteligna sabe que os que fazem a pergunta automaticamente se desconectam da realidade criada por ela, feita de modismos, consumos, boiadas e ilusões. E o pior: esses que despertam acabam influenciando outros…

E qual é a pergunta que a Inteligna tanto teme? ‒ você já deve estar impaciente. Não posso dizer aqui, entenda. Melhor deixar a Inteligna na dúvida sobre se eu realmente sei ou não. Mas eu a escrevi neste texto, apenas está codificada. Se você já começou a virar o olhar para si mesmo, saberá encontrá-la.

Um boi que escapole da boiada é a verdadeira revolução. Porque o trabalho de trazê-lo de volta é maior que o de manter a boiada junta. Então seria melhor uma boiada inteira fugindo ‒ você pode concluir. Não. Porque ainda seria uma boiada. A única revolução possível é a individual. E começa com a pergunta que não querem que você faça.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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DICA DE LIVRO

MatrixEODespertarDoHeroiCapaEdicaoDoAutor-01Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Myitoooooooooo fodaaa esse texto Primo!!!! A inteligna está em tudo ao nosso redor, nos mantendo dentro do pasto cercado com grades e arames e concreto. A única forma de escapar é por um caminho que inicialmente é escuro, cheio de dúvidas. . O Caminho para Dentro. Rafa Moreira, Fortaleza-CE – jan2015

02- bacana, Kelmer!!! Tô de olho….rs. Teo Lorent, São Paulo-SP – jan2015

03- Sensacional como sempre. Jayme Akstein, Sidney-Austrália- jan2015

04- #Dalata. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2015

05- Identificação total. Que texto foda! ! ! Grande Ricardo! Alexsander Lepletier, Rio de Janeiro-RJ – jan2015

06- Quando encontramos a pergunta ja sabemos a resposta. Muito bom, Ricardo! Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – jan2015

07- cara, eu te curto demais….vc escreve coisas que eu penso! Mayara Nirley, Aracaju-SE – fev2015

08- Muito bom e bastante reflexivo! Fiquei um tempão subindo e descendo… lendo nas entre-linhas… Jean Nascimento, Aracaju-SE – fev2015

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As ciclistas orgásticas da Colômbia

15/09/2014

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Ciclistas adotam uniforme polêmico e usam a energia de seus orgasmos para vencer corridas

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AS CICLISTAS ORGÁSTICAS DA COLÔMBIA

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A equipe feminina de ciclismo colombiana RDI tem provocado polêmica por utilizar uma energia extra nas competições: o orgasmo. Orientadas pelo treinador Miro García, fisioterapeuta com especialização em Sexologia Desportiva, as seis atletas ganharam um uniforme desenhado especialmente para elas que deixa a genitália descoberta e permite o contato direto da vulva com o assento da bicicleta. O objetivo é excitar sexualmente a atleta durante a prova e utilizar a energia dos orgasmos obtidos para pedalar com mais rapidez.

Segundo o treinador, a média de cada atleta da RDI é de oito orgasmos por prova, sendo que a recordista é Cristina Rossy, que numa das etapas do Tour de l’Ardéche, na França, obteve vinte e sete orgasmos, e venceu a prova com folga. Desde que a nova técnica foi implantada, a velocidade média da equipe aumentou em 22%, o que a fez vencer todas as seis competições oficiais em que participou.

Apesar de reclamações de algumas equipes adversárias, que acusam a RDI de doping e falta de ética, a União Ciclística Internacional, que administra as competições, não vê motivo legal para impedir o uso do uniforme. Por outro lado, algumas equipes já demonstram interesse em experimentar a mesma técnica da equipe colombiana. As atletas da RDI afirmam que, se antes elas corriam atrás das adversárias, agora a equipe está sendo perseguida, tanto na pista como pelos moralistas de plantão. Segundo elas, ter orgasmos durante as práticas ciclísticas é comum entre muitas mulheres, e o que elas estão fazendo é tão somente direcionar a energia natural do corpo para pedalar mais rápido. Para não perder a conta dos orgasmos, as atletas os registram num pequeno aparelho instalado no guidom da bicicleta, que envia os dados em tempo real para o celular do treinador.

A polêmica já saiu do meio esportivo. Alguns grupos feministas demonstraram apoio à equipe, defendendo a livre sexualidade da mulher, enquanto outros condenaram o uniforme, alegando que se trata de exploração comercial do corpo feminino. A Liga das Senhoras Católicas do Cáucaso entrou com recurso para impedir que a equipe usasse o uniforme na Volta da Chechênia, o que não foi aceito pela Justiça. A prova foi vencida pela RDI, que dedicou a vitória a todas as chechenas.

Segundo García, o objetivo a longo prazo é capacitar as atletas a terem uma média de vinte orgasmos por prova, o que, segundo ele, daria condições à equipe de competir nas provas masculinas com chance de vitória. Indagado sobre se a técnica poderia transformar o ciclismo esportivo numa disputa de orgasmos, García diz que não está preocupado com isso, e que a tendência é que o orgasmo feminino seja reconhecido como um recurso legítimo das mulheres para a melhoria da saúde, da prática esportiva e também no trabalho. Ele apoia-se nas pesquisas do Centro de Saúde Sexual da Universidade de Indiana, nos EUA, que mostra que grande parte das mulheres já tiveram orgasmo induzido pelo exercício físico, e cita o caso da empresa alemã Hosth, que incentiva as funcionárias a se masturbarem no trabalho, e com a energia gerada pelos orgasmos passou a economizar 8% de energia elétrica, além de melhorar o ambiente profissional.

Cristina Rossy, a recordista de orgasmos da equipe, é uma entusiasta das ideias do treinador. Ela afirma, otimista: “O orgasmo feminino pode ser a solução do problema dos recursos energéticos do planeta, mas para isso as mulheres têm que se sentir livres para terem mais e melhores orgasmos, em qualquer lugar, a qualquer hora, sozinhas, em grupo ou com quem elas quiserem”. Sobre seu notável desempenho, Cristina, que desenhou o uniforme, explica que quando terminam as provas, ela e suas colegas estão eufóricas e bem-dispostas, e têm vontade de falar muito e discutir tudo relacionado à prova com o treinador. “Essa é a parte chata”, diz o treinador, divertindo-se, “pois tenho que escutar seis mulheres eletrizadas falando ao mesmo tempo durante horas”.

(fonte: Corriere di Napoli)
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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ESTA POSTAGEM INTEGRA A SÉRIE REAL PARALELO
Onde ficção e realidade se encontram no infinito
Mais postagens:

BarDoAraujoEASalvacao-04aBar do Araújo é a salvação – Espremido entre duas igrejas, o Bar do Araújo é a última resistência dos ateus. E do bom humor

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SOBRE ORGASMO FEMININO

17 curiosidades sobre o orgasmo feminino – Revista Superinteressante

Orgasmo na Wikipedia

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SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-05O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

Lola Benvenutti e a coragem de viver – A única salvação possível é sermos quem verdadeiramente somos

Me estupra, meu amor – Fantasiar ser estuprada é uma coisa – querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

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DICAS DE LIVROS

figlivrovocesterraqueas01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor, submissão e salvação por meio do sexo anal

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990) – Um livro belo e libertador, que celebra o sagrado na sexualidade

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COMENTÁRIOS
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01- Sensacional! Kkkk isso é sério? Rayan Lins, João Pessoa-PB – set2014

02- em tempos de polêmicas e ciclovias……ah se essaodair pega em Sampa city kkk. Paula Martins, São Paulo-SP – set2014

03- E eu pensando que já tinha visto de tudo! Dri Flores, São Paulo-SP – set2014

04- Que vergonha bota logo nua descarado este treinador nao vale nada. Maria Nilce Meireles, Jericoacoara-CE – set2014

05- Se esta moda pega,kkk. Debora Morais, Fortaleza-CE – set2014

06- “É possível ter orgasmos dançando?” nunca ouvi dizer, mas acredito que não. A dança exige uma energia diferente da sexual. embora seja vista como sensual, eh pra quem esta olhando e nao pra quem esta dançando. Sobre a postagem, acho que falam muito de sexo, usam sexo pra se promover, pra aparecer, pra ter fama….mas fazer sexo mesmo que eh bom, ta dificil neh….a maioria nao faz nada, so fala sobre. Como ja andaram dizendo por aí…qualquer gato vira-latas tem a vida sexual mais sadia que a nossa. Orgasmo deveria ser natural como dormir e não assunto de FB. Sandra Xavier Amarantha, Poá-SP – set2014

07- Fantástico! Daniel Perroni Ratto, São Paulo-SP – set2014

08- Olhem aí, mulheril, em tempos de falta de homens! José Milton Fontenelle, Fortaleza-CE – set2014

09- Ricardo Kelmer, pare de inventar estorias, menino… rsrs
O uniforme foi so um desastre de estilo, elas nao estao nuas. Eh no Brasil que inventam essas coisas ou essa foi sua criatividade mesmo? kkkkkkkkk (Veja a segunda foto: http://uolesporte.blogosfera.uol.com.br/2014/09/13/uniforme-colombiano-deixa-ciclistas-seminuas-e-causa-polemica)

10- Que criatividade Ricardo Kelmer vc tem! Seu menino, mais menino, só sendo um menino mesmo menino… Rute de Paula Tavares, João Pessoa-PB – set2014

11- achei o uniforme um desastre visual…se eu fosse homem broxava….kkkkkkkkkkk. Eu Ni CE, São Paulo-SP – set2014

12- e as pernas bambas? kkkkk. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – set2014

13- Uiuiui!! Aiaiai!! Kkkk, gente!! Tem que formar um grupo pra fazer chover em Sampa!! Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – set2014

14- O texto eh criatividade sua Ricardo Kelmer??? Michele SJ, Fortaleza-CE – set2014

15- hahahahaha … Muito bom o texto …. “A Liga das Senhoras Católicas do Cáucaso entrou com recurso para impedir que a equipe usasse o uniforme na Volta da Chechênia, o que não foi aceito pela Justiça. A prova foi vencida pela RDI, que dedicou a vitória a todas as chechenas”. Francisco Coelho, Rio de Janeiro-RJ – set2014

16- dilícia heim. Paulo Nunes, São Paulo-SP – set2014

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A pior campanha antimaconha do mundo

12/09/2014

12set2014

Faltou bom senso e respeito aos criadores dos anúncios. Faltou noção das coisas. Faltou tudo

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A PIOR CAMPANHA ANTIMACONHA DO MUNDO

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Tem estupidez que é tão estúpida que se torna divertida. É o caso da campanha contra a legalização da maconha, promovida por um certo movimento Brasil sem Drogas. Os anúncios criados para a campanha abordam a questão das drogas de uma forma tão absurda que é impossível, para alguém de bom senso, levar a coisa a sério. Ou seja, o movimento criou uma campanha para ridicularizar a si próprio. E, pelo imediato efeito que provocou nas redes sociais, com piadas, paródias e galhofas de todo tipo, é uma séria candidata a entrar para o rol das piores campanhas de todos os tempos, um clássico do “como não se deve fazer”.

Os anúncios partem do princípio de que, uma vez legalizada a maconha, médicos, pilotos, professores e motoristas passarão automaticamente a trabalhar sob efeito da erva. É uma premissa tão estúpida que não deveria merecer respostas sérias. Exatamente por isso a campanha imediatamente tornou-se alvo de piadas e chacotas saborosas. Se a campanha buscava iniciar uma discussão séria, a falta de noção dos anúncios dificulta essa possibilidade.

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Analisando friamente os anúncios e tentando entender a lógica da campanha, rumamos inevitavelmente para duas possibilidades: ou os organizadores são altamente desqualificados para uma discussão legítima e profunda sobre o tema (ignorância moralista) ou eles tinham o propósito preestabelecido de confundir a opinião pública (desonestidade intelectual), apelando para uma mensagem alarmista e gerando ainda mais desinformação em torno de um tema delicado e polêmico.

Além de ser ridicularizado até por quem é contra a legalização, o movimento Brasil sem Drogas talvez precise arcar com o dissabor de processos judiciais, pois alguns profissionais se sentiram ofendidos pela campanha. De fato, os anúncios são muito grosseiros e desrespeitosos ao propor a ideia de que pilotos de avião, médicos, professores e motoristas são irresponsáveis a ponto de porem vidas em risco apenas pelo prazer de fumar um baseado. Faltou bom senso e respeito aos criadores dos anúncios. Faltou noção das coisas. Faltou tudo.

E o que leva uma agência de publicidade a participar de tamanha idiotice? A WCOM participou por realmente crer nas ideias da campanha? Ou foi só por dinheiro mesmo? Ou então, e isso às vezes acontece até numa sociedade onde a maconha é proibida, os caras mandaram ver num fumo estragado e criaram esses anúncios bizarros? Se foi isso, então pelo menos que aprendam a lição e da próxima vez procurem um fornecedor melhor.

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Indo além do ridículo da campanha, vale a pena insistir num ponto sério da questão: a atual política antidrogas já deu o que tinha que dar. A cada dia, mais médicos, cientistas, estudiosos e líderes políticos alertam para o fato de que o proibicionismo não resolveu o problema, o consumo e a violência só aumentam e a cada dia que passa as drogas estão cada vez mais baratas, potentes e acessíveis. Sejamos francos: a humanidade quer e sempre quis experimentar estados especiais de consciência, o que nos leva a deduzir que se trata de um anseio natural da espécie. Reprimir tal anseio não parece funcionar, e deixar o mercado na mão de bandidos também não.

No Brasil, há um projeto de lei de autoria do deputado federal Jean Wyllys que deverá ser votado em breve. Deixo que o próprio deputado o explique: “Legalizar e regulamentar a maconha e acabar com a guerra às drogas não é somente uma questão de liberdades individuais. É, também, uma questão de segurança pública e de direitos humanos. Por isso, meu projeto de lei 7270/2014 faz muito mais do que regulamentar a maconha: ele propõe uma série de mudanças radicais na política de drogas do Brasil. A legalização da maconha é um primeiro passo que, além de garantir as liberdades individuais dos usuários, será uma ferramenta fundamental para reduzir a violência, deixar de encher nossas prisões com a juventude mais pobre das periferias e acabar com uma guerra que já matou gente demais.”

Voltando ao ridículo dos anúncios… Pois bem, não resisti e criei minhas próprias versões:

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DrogasMaconhaCampanhaRidicula-76

Para quem não está familiarizado com o tema, essas receitas malucas (bolacha cream cracker com feijão gelado, miojo com doce de leite…) são típicas da larica, aquela fome que costuma acometer os humanos após fumar um baseado. Além de nos fazer rir bastante, a campanha também ajudou a divulgar excelentes receitas lariquentas.

Os anúncios da campanha são ridículos e agridem a inteligência das pessoas, é verdade. Mas talvez eles estejam apenas refletindo o desespero dos proibicionistas, que veem as políticas de legalização e regulação avançarem nos países democráticos. No Brasil, os debates ainda carregam o destempero das paixões, mas felizmente caminhamos para um amadurecimento da discussão, o que ficou claramente provado nesse caso da campanha do Brasil sem Drogas. Quando boa parte da sociedade reage imediatamente e com tal força a uma tentativa de convencer a opinião pública com argumentos absolutamente estúpidos, isso é um bom sinal.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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MAIS VERSÕES DOS ANÚNCIOS (selecionados nas redes sociais)

– Você entraria num avião cujo piloto se envolve com bandidos para poder fumar um baseado? Se a maconha for legalizada, isso não mais ocorrerá.
– Você teria coragem de delegar proteção da biodiversidade a quem pensa que essa diversidade foi criada num passe de mágica 6 mil anos atrás?

– Você teria coragem de entrar num avião pilotado por uma mulher que abortou? Se o aborto for legalizado, isso será normal.
– Você teria coragem de entrar num avião se Marina Silva fosse sua vice?
– Você teria coragem de ser operado por um médico que acabou de fazer uma oração?
– Você teria coragem de ser operado por um médico que dá um pulo vai pra frente e de peixinho vai pra trás?
– Você teria coragem de entrar em um avião cujo piloto é um feto num jarrinho? Se legalizarem o aborto isso será normal.
– Você entraria num avião cujo piloto não consegue se sentar para pilotar? Se o casamento gay for legalizado, isso será normal.
– Você entraria num avião cujo piloto é gato, porém escreve derrepente tudo junto?
– Você entraria num avião cujo piloto já pilotou helicóptero da família Perella?
– Você confiaria sua campanha a uma agência que faz um cartaz usando oito fontes diferentes?

SAIBA MAIS

Projeto de lei 7270/2014 – Conheça o projeto do Deputado Jean Wyllys

O guru do movimento – O movimento Brasil Sem Drogas cita bastante as ideias do ativista antidrogas Kevin Sabet, que luta contra a legalização da maconha no EUA. Conheça as contestações às suas ideias: aqui e aqui

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LEIA NESTE BLOG

SociedadeHipocritaAdolescentesDrogados-01aSociedade hipócrita, adolescentes drogados – Inês continuará se drogando e mentindo. Porque os pais e a sociedade mentem para ela

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado a gente não esquece

Quem tem a droga, tem o poder – Quem ganha e quem perde com a proibição das drogas?

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DICA DE LIVRO

baseadonissocapaa6aBaseado Nisso
Liberando o bom humor da maconha
Contos + glossário – Ilustrações: Hemetério

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado…
> Saiba mais,

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DICA DE VÍDEO

What if cannabis cured cancer – Este documentário de 2010, dirigido por Leo Richmond e com narração de Peter Coyote, mostra as numerosas possibilidades terapêuticas da maconha, principalmente na cura do câncer. Mostra também que sua proibição foi motivada e mantida até hoje por interesses capitalistas da indústria farmacêutica. Versão legendada em português (Maconha, a cura do câncer).

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COMENTÁRIOS
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O golpe do papel higiênico

08/09/2014

08set2014

Querem explorar até o fiofó da gente

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O GOLPE DO PAPEL HIGIÊNICO

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No início, era o Verbo. Aí o Verbo teve uma dor de barriga desgraçada e, pofffff, mandou aquele barro federal. E fez-se o mundo. E viu-se que o mundo era uma merda. Mas como o papel higiênico só seria inventado muito tempo depois, o mundo ficou do jeito que estava mesmo, uma grande bola de merda. Quando o papel enfim foi inventado, a merda estava tão grande que não tinha mais papel que desse jeito. E assim estamos até hoje.

Há referências ao papel higiênico na China do século 6 da era comum. Como os chineses também inventaram a pólvora, imagino que a cada explosão eles se cagavam de medo, e aí uma coisa levou à outra. Mas como era antes do papel? Bem, a gente sempre se virou como pôde, né? Nossos antepassados também. Primeiro, descobrimos que folha de bananeira não é o ideal. Tentamos a folha de urtiga e resultado não foi muito bom, mas serviu para batermos o recorde mundial dos oitocentos metros. Por um tempo, nos viramos com sabugo de milho. Depois, com canjica. Mas nada dava certo. O melhor mesmo era na lagoa. Foi na água, por sinal, que descobrimos, como todo surfista sabe, uma verdade universal: a merda segue o dono.

Então, um dia alguém inventou o papel, e daí para o papel higiênico foi preciso apenas uma coxinha estragada. E depois, tchan, tchan, tchan, tchaaannn, inventaram o picote no papel. Ah, o picote… Se você é muito novo, vou dizer como se fazia antes do picote: a gente rasgava o papel! Sim, era uma coisa bárbara. E às vezes o cidadão estava meio afobado, dava um puxão no papel e não rasgava direito, e aí o rolo desembestava, o papel saía desenrolando, caía no chão e molhava, era um saco. Tempos pré-históricos.

O primeiro papel com picote foi uma revolução, vendeu horrores. De fato, arrear o barro é um momento sagrado na vida da pessoa humana. Expulsar para sempre uma parte de nós… Parte essa que, por sua vez, será enviada de volta à terra. E que se decomporá e depois formará a estrutura biológica de plantas, animais e… humanos. Exatamente. Ou você nunca se apercebeu disso? Não é a coisa mais cheirosa de se dizer por aí, mas a verdade é que somos todos feitos de merda. Eu, você, sua mãe, todo mundo. Sim, a Sandy também, até mesmo ela.

A praticidade do picote mostrou-se um sucesso estupendo. A cada tantos centímetros, um picote. Dois pedaços era a medida exata para o cidadão higienizar o fiofó. Porém… Um dia lá estava eu expulsando um pedaço de mim, ó metade amputada de mim, quando percebi algo estranho: os picotes do papel estavam mais espaçados entre si. Antes, dois pedaços eram suficientes. Agora, dois era mais que o necessário, e um era pouco. Que fazer? Ou eu usava mais papel do que precisava, ou então voltava à pré-história e rasgava o papel. Muito espertinhas essas empresas!

Mas esse cara vai criar confusão por causa de doze centímetros de papel? Vou sim. Doze hoje mais doze amanhã são cinco metros no fim do mês. Isso cagando só uma vez por dia. Cem mil pessoas desperdiçam quinhentos mil metros de papel por mês. Quinhentos quilômetros de papel! Dá para limpar merda do Rio até São Paulo. E se for folha dupla, dá para ir e voltar.

Não podemos nos calar diante de mais esse golpe no bolso de trás do consumidor. Por isso, convoco todos os meus leitores para protestar nos supermercados, vamos exigir que as fábricas respeitem a distância ecológica dos picotes. E como prova do crime, levemos cada um de nós o cesto de lixo com o papel usado.

É a tal lei primeva, aquela que vem desde o início dos tempos: eita mundinho de merda…

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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LEIA NESTE BLOG

Aviso prévio de traição – A partir de hoje poderei te trocar por outra a qualquer momento. Basta que ela sorria pra mim e que me faça agradinhos. E me dê o que você nunca quis me dar

Mordida na última sessão – A maioria dos vampiros são ilustres desconhecidos, gente como você que rala no dia a dia para pagar as contas e assiste ao Sexy Time antes de dormir.

Nosso Bar – Existe birita após a morte – Quando você chega na colônia extrafísica Nosso Bar, a primeira coisa que recebe é uma camiseta da sua birita predileta

Loiras, celulite e futebol – A mulher se sairá melhor se passar uma noite inteira numa mesa ao lado de duas Ex e três Loiras Burras e Gostosas do que se tentar derrotar o Futebol

O charme da vidalheia – Programas sensacionalistas, ligações rastreadas, câmeras por todo canto… A vidalheia parece ser mesmo irresistível

Estão abduzindo nossas mulheres – Abdução em massa de brasileiras! E bem debaixo do nosso nariz. Alguém precisa fazer algo, daqui a pouco só vai ter homem aqui

> Mais postagens no tema “humor”

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COMENTÁRIOS
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01- RA, RA, RA, RA, RA…………………. Meu amigo, essa foi fantastica, E sabe do que lembrei? Do tempo que o Jo Soares tinha o programa de humor e ele fazia esse personagem que era fiscal do Sarney, nao lembro o nome, mas lembro que ela foi ao supermercado reclamar que o papel higienico nao tinha vindo no tamanho certo, estava faltando e ela queria o dinheiro de volta 🙂 Tambem lembrei do filme-documentario que assiti essa semana, a palestra do Al Gore sobre o meio ambiente o o aquecimento da Terra. Tai, essa e uma maneira de prestar servicos a sociedade 🙂 Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – jun2006

02- Papel Higiêncio: nojentim mesmo… mas belo serviço de utilidade pública! Cagões do mundo, uni-vos! Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

03- Cara, muito bom esse texto! E você não sabe a coincidência que esse assunto acarretou ontem, justamente dentro de um banheiro, ao lado do papel… aquela merda toda. Estava eu no fretado voltando do trabalho pra casa, quando uma convulsão intestinal me acometeu e, por vitude dessas inebriantes cólicas, desci no meio do caminho para que pudesse me aliviar no assento limpo de um toalete de shopping. O fiz. Enquanto depositava ali o rendimento líquido da minha poupança, comecei a reler o seu livro sobre o Matrix (sensacional por sinal, depois mando um email pra comentar) Lia o começo, justamente na parte em que você escreveu que quando a luz acaba as pessoas ficam que nem baratas tontas. Exatamente nessa parte, fechei o livro para manusear o rolo de papel higienico para fazer a limpeza e as luzes se apagam. Exatamente no mesmo instante. E, depois, ao sair do banheiro, percebi que ele estava trancado. Se não fosse minha namorada ligar pra administração, eu estaria meditando ali até agora… hehe Abração. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – jul2006

04- Olá Ricardo Kelmer, Li o seu texto sobre o Golpe do Papel Higiênico e não resisti, tive que tecer um comentário.  Após a leitura, comecei a “merditar” sobre a quantas anda a busca desenfreada por lucro nos estabelecimentos. Estão empurrando sem cuspe mesmo. Não sei se percebeu, mas pelo menos aqui na minha cidade( a belíssima Fortaleza-CE), aquele cilindro interno de papelão que serve de suporte para o papel higiênico, está cada vez maior, ou seja, tem MENOS PAPEL HIGIÊNICO em cada rolo. O rolo fica foló,foló quando está girando ao puxarmos papel. É meu, tá complicando cada vez mais…água está ficando excassa, papel tá vindo menos, com a mudança do clima na terra tem menos sabugo de milho…Só há uma conclusão: Vamos arriar o barro cada vez menos e consequentemente aquela estrutura biológica citada no seu texto será quebrada. É O FIM DA HUMANIDADE… Marcio Amarildo, Fortaleza-CE – dez2006

05- HAHAHAHAHAH!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!UM BARATO A DO PAPEL HIGIENICO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!QUE  INTIMIDADE COM A ESCRITA HEIM?????????????????? Abraços. Gustavo Coelho, São Bernardo do Campo-SP – jan2007

06- Aquele lance do barro e do papel igienico diz tudo.Assim como vc tambem sou nordestino e como todo nordestino, a vida e vista de forma diferente do pessoal aqui do sul, eu diria com muito mais simplicidade . João Marcos Barboza, São Paulo-SP -jan2007

07- Vc não escreveu aquilo…rs… Mto bom! rsrs Sempre gosto de ler suas crônicas. Beijos! Giovana Millozo, Jaú-SP – jan2007

08- Oi Ricardo Recebi um email muito legal  com uma cronica de sua autoria . É um manifesto dos homens querendo mulheres carnudas. Achei muito legal. Ao fim do email tinha o endereço do orkut que foi criado a partir dessa crônica “Amamos Ricardo Kelmer” e o endereço de seu site. Fiquei super curiosa e acessei seu site. São muitos textos, ainda não consegui ler todos (divido o computador com dois “pirralhinhos”, rs…) . Mas li   “O dia em que papai e mamãe ficaram muito doidos” e ” O golpe do  papel higiênico” todos dois ótimos. Espero ler todos. Bjus. Eliana Trindade, Belo Horizonte-MG – jan2007

09- Oiiiii!!!!!!!!!!! Li um conto sobre o papel higiênico, achei muito legal, vc é muito criativo e engraçado. PARABÉNS!!! Tu podes me mandar alguns contos ou vai me dar um livro de brinde? Abraço. Vanessa Santini Vebber, Caxias do Sul-RS – fev2007

10- Hahaha, merda, q merda, q merda. Antonio Martins, Maceió-AL – set2014

11- Hahahahaha Só pra descontrair… Eliane Campos, Salto-SP – set2014

12- Dá aí uma checada na m… do Ricardo. Dá umas boas risadas. Tete Bastos, Fortaleza-CE – set2014

13- Texto inteligente e escrachado do meu amigo Ricardo Kelmer. Fatima Carvalho, Santo André-SP – set2014

14- Muito louco esse texto. …rachei. ….kkkkkkkk. Sandra Consuelo, Santo André-SP – set2014

15- Ele é muito bom mesmo Sandra, conheci declamando poesias do Vinicíus em um bar de Jericoacara. Apaixonei rs. Fatima Carvalho, Santo André-SP – set2014

16- Você sempre se superando, Ricardo! Que merda! rsrs. Tete Bastos, Fortaleza-CE – set2014

17- Ricardo vc doido!!! rsrsrsrs. Jerson De Jesus André, Luanda-Angola – set2014

18- Rsss puta merda, rsss. Claudia Maria Crivellente, São Paulo-SP – set2014

19- Pois não é que tive a paciência de ler tudinho…Valeu a pena… Neuma Paixão, Fortaleza-CE – set2014

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Democracia e regulação da mídia

16/08/2014

16ago2014

A informação é um produto, e o mercado da informação precisa de regras, caso contrário o grupo que tem mais dinheiro monopolizará a informação, para prejuízo da sociedade em geral

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DEMOCRACIA E REGULAÇÃO DA MÍDIA
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Alguns grupos de mídia no Brasil fazem questão de associar regulação da mídia com censura. Nada mais falso. Geralmente, essa associação forçada esconde o interesse em manter as coisas como estão, ou seja, manter o mercado desregulado para que os grupos mais poderosos continuem detendo uma espécie de oligopólio da informação.

Regular nada tem a ver com censura. Há leis de regulação da mídia nos países mais democráticos do mundo, como Estados Unidos, Inglaterra e França, pois suas sociedades entendem que a concentração de poder é prejudicial para a democracia. Censura é outra coisa, e ela, sim, é que é coisa de governos opressores nesses países, só o governo tem voz. Em países sem regulação da mídia, como o Brasil, prevalece a voz dos grupos mais ricos.

Assim como os órgãos de defesa do consumidor ajudam a regular o mercado, as leis de regulação da mídia ajudam a conciliar o direito à livre expressão e os interesses individuais e coletivos. A informação é um produto (talvez o mais valioso), e o mercado da informação precisa de regras, caso contrário o grupo que tem mais dinheiro monopolizará a informação, para prejuízo da sociedade em geral.

Vamos aos exemplos. Nos Estados Unidos, grupos que publicam jornais e revistas não podem ter também canais de rádio e TV (propriedade cruzada), pois isso gera concentração de poder e prejudica a livre concorrência de mercado. Uma empresa estadunidense não pode ultrapassar certo percentual médio de audiência na mesma localidade, porque isso teria forte impacto político. Essas leis nada têm a ver com censura, mas com desconcentração de poder.

Na França, nenhum grupo pode controlar mais de 30% da mídia impressa diária. As leis francesas garantem que a mídia audiovisual reflita a diversidade da cultura do país e que as concessões de TV e rádio sigam o pluralismo político e representem também os grupos minoritários. Isso é censura? Não, é pluralidade.

Em Portugal, a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) tem como objetivo garantir transparência na produção e veiculação dos conteúdos de comunicação, bem como o pluralismo cultural e a diversidade de expressão. As concessões de rádio e TV têm validade de 15 anos, mas são reavaliadas a cada cinco anos. Isso não é censura, mas representatividade cultural.

Regular não é censurar, mas criar leis justas para todos. A democracia necessita de regras. Por que o mercado de informação não as teria?
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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SUGESTÕES DE SITES, JORNAIS E REVISTAS

Observatório da Imprensa – Congresso em Foco – Jornalistas Livres
Diário do Centro do Mundo – Revista Fórum – El Pais Brasil
Jornal GGN – Carta Capital – Caros Amigos – Vi o Mundo
Conversa Afiada

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SAIBA MAIS

Regulação da mídia não é censura – Por Pedro Ekman e Bia Barbosa, 03.06.14

Mudanças aceleram regulamentação da mídia no mundo – Reportagem do Opera Mundi, 2010

Por que a dívida da Globo não é manchete de jornal? – Por Bruno Marinoni, 31.07.14

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LEIA NESTE BLOG

PesquiseAntesDeAcreditar-01Pesquise antes de acreditar – O ideal para a democracia é que esse imenso poder da mídia não se concentre nas mãos de poucos

Pátria amada Terra – É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo

WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

Eles estão na fronteira – Milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

Acabou a paciência – O povo está enfim deixando de ser tão conformista e alcançando um novo nível de conscientização política. É gol do Brasil

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Jesus e Maria Madalena convidam

09/08/2014

09ago2014

Pelo sagrado direito de um deus de se casar

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JESUS E MARIA MADALENA CONVIDAM

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Meu prezado deus dos cristãos. Podemos ter dois dedim de prosa? Não, sou cadastrado não. Mas olhe, é sobre seu filho. Sim, eu jurei que não ia me meter nesse babado de Jesus com Maria Madalena, mas um dia, veja o senhor, tava eu quieto no meu canto quando me chegou e-mail de um tal correio missionário não sei das quantas. O cidadão vociferava contra o filme O Código Da Vinci, conclamava os cristãos a não assistir e exigia a proibição do filme.

Ah, falou em proibir, pisou no meu calo. Lembrei da indignação que senti quando proibiram Je vous Salue, Marie e quando tentaram proibir A Última Tentação de Cristo. O senhor lembra, né? Então levantei, fui no armário e tirei de lá minha armadura de Cavaleiro da Orguli. O Senhor não conhece a Ordem dos Guardiões da Liberdade Individual? Ôxe, mas o senhor não é onisciente? Ah, tá, o senhor anda muito ocupado com o Oriente Médio, eu sei. Infelizmente, não posso falar muito sobre a Orguli, ela é meio secreta, tipo a Opus Dei, entende? Ah, tá, o senhor não quer nem ouvir falar de Opus Dei. Entendo. Bem que sempre desconfiei que se Deus existisse, ele seria mesmo contra a religião.

Decidi fazer uso da armadura de novo. Então aqui estou, descumprindo meu juramento de não entrar na fofoca, mas cumprindo o sagrado juramento da Ordem de sempre acudir ao chamado da liberdade. Não, dessa vez não é pra defender a liberdade de expressão. Agora é pra defender o direito de um deus se casar.

Apesar de não ser cristão, nasci e vivo imerso numa cultura cristã, então o tema me toca também. Por isso, o senhor não me leve a mal, mas, olhe, a história de seu filho não tá bem contada, não. Os padres dizem que ele não casou, mesmo sendo um tipão alto, forte, loiro, pele branquinha, olhos azuis… Aliás, como o senhor explica esse tipo físico naquele solzão da Palestina? Jesus tá mais pra ET do que pra galileu. Heim? Ah, é verdade, o senhor é um ET, já que não nasceu na Terra. Agora entendi.

Logicamente, a gente começa a pensar, né? O moço não casou, não teve namorada, nem filho… Ops, longe de mim insinuar que Jesus não era chegado, imagina. O que quero dizer é que a Igreja oficializou essa versão sobre a vida de Jesus pra endeusar ao máximo e humanizar ao mínimo o personagem. E inventou que Maria Madalena era puta pra desqualificar o fator feminino, e depois teve que negar que inventou, mas manteve os evangelhos e eles se contradizem, e aí a Igreja fica toda melindrada porque as pessoas questionam. Obviamente, a Igreja insistiu na solteirice de seu filho porque um Jesus casado incentivaria os discípulos a casarem também, e aí os filhos herdariam as riquezas da Igreja. Não ia dar certo, né? Oquei, o senhor não quer se meter, tudo bem.

Eu falei do fator feminino, né? Poizé. A Igreja jamais seria essa instituição masculina e patriarcal se Maria Madalena estivesse à frente do apostolado. Caça às bruxas certamente não teria havido. Se com a Maria mãe de seu filho, senhor, já foi difícil ceder e abrir espaço pra ela no panteão católico, coisa que oficialmente só aconteceu no século 20, imagine com uma mulher que a própria Igreja sempre pintou como prostituta, suja ou, na melhor das hipóteses, forte e independente? É, Maria Madalena é mesmo uma pedra no sapato.

Não sei como seria se ela e Jesus tivessem se casado e tido Jesuzinhos e Madaleninhas. No mínimo, os herdeiros estariam hoje numa briga louca pelos direitos relativos aos evangelhos. Um herdeiro de Jesus ‒ já pensou a boçalidade de um cidadão desse? Você sabe com o descendente de quem você tá falando, sabe, sabe? E Madalena, coitada dela… Não por Jesus, que me parece buona gente, mas… ter como sogro o senhor? Não deve ser fácil.

As religiões deveriam ter mais deusas. Isso traria mais equilíbrio ao mundo e ao espírito das pessoas. Mas já que não têm, vamos ao menos deixar que Jesus se case, coitado. Um gato daquele morrer vitalino! Vou até dar uma ideia à Igreja: Jesus casou com Maria Madalena, sim, mas com separação de bens. E depois se divorciaram. E os descendentes concordaram em jamais reivindicar qualquer bem. Pronto, resolvido. Ah, o senhor gostou? Ainda bem, pelo menos o senhor tem senso de humor. Aliás, já que estamos assim tão amigos, posso lhe fazer uma pergunta? Por que o senhor nunca casou?

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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Os Barbixas: Primeira Pedra

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Cara, eu vi essa introdução na sua comunidade do orkut e achei simplesmente do caralho. Já até tentei rascunhar sobre o assunto, mas não sei se conseguiria ser tão ácido… Parabéns, meu velho! Marcelo Gavini, São Paulo-SP – jun2006

02- kkkkkkkkkkkkkkkkkkk É verdade! eu assisti semana passada e achei bastante coerente, tb li o livro… Algumas coisas dali eu “acreditei”, assim como tb acredito que teve um babado forte entre Santa Clara e São Francisco de Assis… não sei pq os santos da igreja católica não faziam sexo, é como se isso os tornassem menos legais 😛  Jesus cristo foi um grande revolucionário, como São Francisco de Assis tb foi e concordo que sejam lembrados e tidos como exemplo, mas pq não faziam sexo? sexo é sinônimo de imprefeição,. é algo diabólico? entaum, nós que nascemos através da relação sexual, devemos ser uns diabinhos kkkkkkkkkkkkkkkkkk Gizelle Saraiva, Natal-RN – jun2006

03- Deus criou o sexo, e Ele mesmo disse que sexo era muito bom (Gn 1.27,31); de todas as bênçãos de Deus, o sexo  foi a primeira. (Gn 1.28); a primeira missão recebida pelo homem da parte de Deus, foi a respeito do sexo e pelo sexo: “crescei-vos e multiplicai-vos”.A Igreja (me perdoem os católicos) tem uma visão míope demais da Bíblia,colocando o sexo como “o fruto proibido”.Totalmente incoerente,já que no primeiro capítulo de Gêneses,a ordem é dada para que Adão e Eva povoem a Terra e pra fazer isso,teria que ser através de quê,se não existia ainda inseminação artificial?E,desculpem mais uma vez os amigos católicos mas,mesmo sendo batizada nesta religião, eu não acredito na existência desses dois (Adão e Eva).Mas que tá lá escrito na Bíblia,isso tá! Gostei muito da crônica,pois acho que o Pai não iria punir o Filho com um castigo desses.Até porque,se Ele foi o inventor da coisa, e ainda disse que era bom,porque não permitir que Madalena,ou outra mulher, fizesse Jesus feliz sem pecado,nem culpa? Sidiany Colares Alencar, Fortaleza – CE – jun2006

04- Acho que Jesus teve um lado humano sim, meteu o chicote nos mercadores, perdeu a paciência, era humano….Mas o grande senão são os padres…como a igreja vai exigir castidade, se nem o filho de Deus resistiu..Aliás, a história de Jesus até ganharia se ele tivesse amado uma mulher… Christina Alecrim, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

05- Sempre recebo tuas novidades e queria te parabenizar por esta crônica maravilhosa que você escreveu. Você conseguiu resumir, de forma inteligente e bem-humorada, toda a teoria do livro de Dan Brown. Continue nos brindando com tuas brilhantes idéias, Ricardo. Um grande abraço. Ana Cristina, Juiz de Fora-MG – jun2006

06- engracadissimo, perfeito, muito bom mesmo – alias, eu e o Robert estavamos falando o outro dia que alguem deveria abrir um processo contra a igreja catolica, mas um processo em que todos que quisessem pudessem aderir, em nome de todas as mulheres, indios, negros, por perdas e danos, difamacao e calunia, sem falar em tortura e assassinato… ja pensou, o maior processo de todos os tempos, suficiente para levar a falencia essa instituicao que tem feito nossos ouvidos de pinico por 2000 anos! Ta ai uma boa ideia para um texto, ne nao? Ana Claudia Domene, San Diego-EUA – mai2006

07- Quando eu morrer, quero ir direto pro inferno. Imagina? Viver sem sexo? Tô fora, tô dentro…E por aí vou. Abração. Maninho, Fortaleza-CE – set2006

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O médium, o marido, o morto e a amante

20/07/2014

20jul2014

Acho que Deus deveria controlar melhor as fronteiras do Além. Tá muito esculhambado

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O MÉDIUM, O MARIDO, O MORTO E A AMANTE

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Acabo de saber da última do Ageral, o bloco do Agora Esculhambou Geral. Veja só. Uma mulher é acusada de mandar matar o amante. O advogado usa como defesa uma carta psicografada num centro espírita, ditada pelo próprio amante morto, que, do além, inocenta a amante do crime. Se a carta foi determinante, eu não sei, mas o júri inocentou a mulher.

Se a moda pega nos tribunais, já pensou? Teremos agora, além dos advogados e testemunhas, a ilustre figura do médium de defesa. E nada impede que haja também o médium de ataque. Já que é assim, proponho, pra equilibrar o time, a escalação do médium-volante. E, logicamente, vale gol espírita.

Suponhamos que você é o morto de um crime envolvido em mistério, e que você, de onde quer que esteja, pode usar um médium pra ditar uma carta. Você obviamente aproveitaria pra esclarecer as circunstâncias do seu assassinato e apontaria o criminoso, né? Pois o infeliz do amante morto, que deuzutenha, não fez isso. Chamava-se Ercy e era tabelião. E a mensagem era endereçada… ao marido de sua amante Iara. Vixe! Exatamente, Iara era casada. Mas vamos a um trecho da dita cuja: “O que mais me peza no coração é ver a Iara acusada deste feito por mentes ardilosas como as dos meus algozes. Por isso tenho estado trizte e oro diariamente em favor de nossa amiga para que a verdade prevaleça e a paz retorne aos nossos corações”.

Vamos por partes. Pesa com Z? Triste com Z? Hummm, tem algo estranho aqui. Que diabo de tabelião é esse que não sabe escrever? Ou a gente desaprende a gramática depois que desencarna? Ou o tabelião foi pro inferno e o calor de lá atrapalha a concentração? Talvez o tabelião, uma vez do lado de lá, tenha virado o Zorro do Além, ferrenho defensor das ex-amantes dezamparadas.

Tudo bem, você acha que eu tô debochando de coisa séria. Mas, gente, essa história é muito cabeluda. O pior é que infelizmente tem mais. No fim da carta, o tabelião assina: Erci. Ops! Mas o nome dele não é Ercy, com Y? Socorro, manhêêê, a gente desaprende o próprio nome depois que morre!

Tá, vamos ter mais boa vontade com o caso. Vai que o médium lá do centro comeu uma coxinha estragada e por isso psicografou a carta apressado. Conclusão natural, ou sobrenatural: a culpa dos erros gramaticais é do médium. Entendi. O médium matava as aulas de português pra receber espírito.

Mas ainda tenho dúvidas. E se o morto estiver mentindo? Vai que Iara é realmente culpada e o morto-tabelião tá tentando salvar a pele da ex-amante. Ué, por que isso não pode acontecer? Faz anos que ele morreu, passou a raiva, já perdoou a amante assassina. Cá pra nós: na verdade ele ainda a ama e, lá onde está, escreve sonetos apaixonados e sente falta daquelas noites em que bebericavam licor de jenipapo escutando Vicente Celestino e coisital… Sei lá por que Vicente Celestino. Coisa de tabelião. Pois bem, os mortos não podem mentir? Ou depois que morre, a gente, além de analfabeto, vira santo?

Acho que Deus deveria controlar melhor as fronteiras do Além. Tá muito esculhambado. O Ageral se infiltrou no mundo pós-morte ‒ onde isso vai parar? Daqui a pouco entrarão lá com celulares. Minha proposta: morto só pode se comunicar com vivo após se cadastrar no Procecom (Programa Celeste de Comunicação), ter ficha limpa e pagar a taxa no Banco do Brasil. E não custa nada incluir também no programa um cursinho básico de gramática.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

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01- Muito engraçado… Com certeza tem um “zombeteiro” perto de vc, kkkkkk!!!! E o tabelião de pijama, huahuahuahua!!! So vc mesmo p me fazer rir tanto. Lua Morena, Brasília-DF – jun2006

02- amei, trocar advogados por médiuns, acho q ficará mais barato, mais emocionante e menos chato !!!!!kkkkkkkkkkkkk tomara q nenhuma advogada leia isso!!!! hehehe !!!! Marysol Rosso, Cocal-SC – jun2006

03- achei tipo assim: de muito bom gosto, inteligente, charmoso. gostei . Rosa Red, Jardins-MS – jun2006

04- Adorei o texto, com humor maravilhoso, bem conduzido. Merece entrar entrar num livro de crônicas. Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

05- Enfim , gostei muito . Voltando àquele papo de “ discurso polifônico”, essa tua sugestão de “ controlar melhor as fronteiras do Além ”, de cadastro no “Procecom ( Programa Celeste de Comunicação )”, de exigir o sujeito (a) ter “ ficha limpa e pagar a taxa no Banco do Brasil”, me lembrou também daquele aparente improviso do Vinicius de Morais ao final de Samba da Benção – lembra? “A vida é pra valer / E não se engane não , tem uma só / Duas mesmo que é bom / Ninguém vai me dizer que tem / Sem provar muito bem provado / Com certidão passada em cartório do céu / E assinado embaixo : Deus / E com firma reconhecida!” Marcelo Pinto, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

06- hoje entrei em seu site e li : o médium,o morto, o marido e a amante (desculpa se não for exatamente esse nome…hehe) pois é, e estou lhe escrevendo para contar que achei muito engraçado…adorei…seu trabalho é otimo…sempre dou uma espiadinha em seu site…Beijinhos. Fernanda Dias Castro, Ponta Grossa-PR – ago2006

07 – rsrsrs estive lá no seu site. a história do médium-volante é muto boa rsrsrs depois degustarei mais. aquele abraço. p.s. gostei do seu jeito de escrever. Aroeira, Belo Horizonte-MG – dez2006 

08- Olha aí Glauber Filho, isso não dá um bom roteiro? Eduardo Freire, Fortaleza-CE – jul2014

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Argentina, diz-me como é triste

14/07/2014

14jul2014

Uma resposta brasileira ao hino provocativo da torcida argentina na Copa do Brasil

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ARGENTINA, DIZ-ME COMO É TRISTE

Eu, particularmente, não ficaria triste se a Argentina fosse campeã da Copa do Brasil, afinal temos muitas afinidades com los hermanos. Mas já que não foi, também não podemos perder a piada, né?

Aliás, temos que agradecer à torcida argentina pela alegria que trouxeram, tornando a Copa do Mundo ainda mais divertida. Eles adaptaram uma cantiga usada pelas torcidas de clubes argentinos, cuja melodia foi inspirada na música Bad Moon Rising, da banda de rock estadunidense Creedence Clearwater Revival, e ela virou um hino de provocação bem-humorada aos brasileiros. Brasil, decime que se siente… Bastava dois argentinos se encontrarem, nem que fosse na imagem refletida do espelho, e já começavam a cantar. Se houvesse uma câmera de TV por perto, berravam tão alto que era impossível ouvir o repórter.

Era tudo com bom humor, sim, mas é interessante constatar que enquanto os argentinos, de modo geral, preferiam provocar os brasileiros, os outros estrangeiros se comportavam de modo mais simpático e amistoso, sem provocações. Talvez o comportamento dos hermanos não tenha sido exatamente cordial com os anfitriões, mas isso são coisas da rivalidade esportiva, tem-se que dar um desconto.

No fim das contas, brasileiros e argentinos terminamos a Copa chorando. Nós, pela humilhante surra tomada dos alemães e pelo choque de realidade quanto à qualidade do nosso futebol, e eles por terem chegado tão pertinho da taça. Algo me diz que a nossa dor é maior.

Bem, nessas horas só o humor pode nos salvar. Assim sendo, segue minha humilde contribuição à nossa folclórica e divertida rivalidade futebolística. Criei uma versão brasileira da cantiga dos hermanos.

Argentina, diz-me como é triste
Voltar a pé e a chorar
Não te deram o sonhado tri
Nem teu Messi, nem teu Papa

Manuel Neuer te parou, Mario Götze te estufou
Lavezzi rezou com pouca fé
Em 78 o Peru deixou, em 86 a mão roubou
Maradona pede a bênção ao Pelé

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Aqui, a cantiga-hino dos argentinos na Copa do Brasil:

Brasil decime que se siente
Tener en casa a tu papá
Te juro que aunque pasen los años
Nunca nos vamos a olvidar

Que el Diego los gambeteó, que Cani los vacunó
Están llorando desde Italia hasta hoy
A Messi vas a ver, la Copa va a traer
Maradona es más grande que Pelé

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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APRESENTAÇÃO NO EITA SARAU (São Paulo, jul2014)

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TORCIDA ARGENTINA EM COPACABANA

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Rockeiro Kelmer (Argentina, diz-me como é triste)

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RK201407RockeiroKelmer-105Rockeiro Kelmer (Argentina, diz-me como é triste)

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GiselleAEspiaNua-02aGiselle, a espiã nua que eliminou o Brasil – Giselle, aquele rostinho lindo, aquele sorriso meigo, na verdade era uma fria e sedutora agente secreta a serviço da seleção francesa

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Discutindo a Copa e a relação – Se você deseja minimizar os efeitos sobre sua relação, é bom saber algumas coisas sobre essa rival invencível

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01- Perder a piada jamais! Dri Flores, São Paulo-SP – jul2014

02- É muito boa. “Festa é o que nos resta”. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – jul2014

03- rsrsrs. Sidneia Fonseca, São Paulo-SP – jul2014

04- Tu é um artista mesmo.. hahahahhaha. Caroline Queiroz, Florianópolis-SC – ago2014

05- escuta, Kelmer… tô lendo seu livro de contos… gostei especialmente do ‘pequeno incidente em hukat’… é um ótimo roteiro pra cinema… abs! Shirlene Holanda, São Paulo-SP – ago2014

06- Arrasouuuu, tio prof! Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – ago2014

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A tragédia de Neymar e o futuro que você merece

07/07/2014

07jul2014

 No futuro, há duas versões dessa história, ambas aguardando em silêncio o momento em que uma delas, apenas uma, acontecerá

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A TRAGÉDIA DE NEYMAR E O FUTURO QUE VOCÊ MERECE
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A trágica saída antecipada de Neymar da Copa do Mundo causou uma comoção nacional, e também no mundo inteiro. Os brasileiros sabiam que não tinham o melhor time, mas contavam com a genialidade do garoto craque para fazer a diferença. Agora, sem Neymar, o que acontecerá com a seleção anfitriã da Copa? No futuro, há duas versões dessa história, ambas aguardando em silêncio o momento em que uma delas, apenas uma, acontecerá. Qual delas?

Na versão com final triste para os brasileiros, a seleção não consegue superar seus problemas e é derrotada. Porém, ela é poupada das críticas, afinal a derrota é plenamente justificável, pois se o time não estava muito bem com Neymar, sem ele é que não melhoraria mesmo. A torcida, conformada, compreende.

Mas há a versão com final feliz. Nela, a tragédia de Neymar faz com que, de repente, a torcida se livre de qualquer tentação ao pessimismo, perdoe as deficiências do time e se concentre tão somente em incentivar sua seleção. Nesta versão do futuro, os jogadores não se acovardam ante à comodidade de uma compreensível derrota. A ausência de Neymar, feito a morte, tem o paradoxal poder de torná-lo ainda mais presente, e assim, com apoio total e o espírito do craque maior a inspirar seus companheiros, o time supera o trauma e o Brasil conquista o hexa. A seleção dedica o título ao seu jovem guerreiro abatido, e Neymar, de uma maneira que nunca desejaria, é o herói simbólico da sofrida e mitológica conquista.

No horizonte das possibilidades, as duas versões do futuro enigmaticamente nos aguardam. Se você torce pela versão com final feliz, faça agora um exercício de imaginação e ponha-se nesse futuro. Nele, lá está você, vibrando de felicidade pela gloriosa vitória. Mas, espere um pouco… Você está feliz, sim, mas em seu íntimo, você se pergunta se realmente, realmente mesmo, merece essa felicidade, pois você foi um dos que, após a perda de Neymar, acovardou-se e não acreditou que a história teria final feliz. Você não cumpriu com sua parte na construção do futuro. Ou não? Ou você foi um dos que acreditaram?

É assim o futuro, sempre aberto a uma ou outra versão. Mas podemos, ainda no presente, saber se realmente merecemos, ou não, a versão feliz.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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O PIOR DOS FUTUROS (RK, 09.07.14)

E o futuro aconteceu. E ele era tão improvável que foi impossível visualizá-lo no horizonte das possibilidades. O time brasileiro não apenas não conseguiu superar seus problemas: ele mostrou, claramente, que não estava preparado para vencer. A vida continua, mesmo após um 7×1, e jogadores e comissão técnica ainda podem conquistar muitas vitórias, mas a ferida jamais cicatrizará, e todos eles infelizmente terão que conviver até o último dos seus dias com essa mancha tenebrosa em seus currículos.

A torcida fez a parte dela, intensificando o apoio ao time mesmo com a perda de seu grande craque. A torcida sabia que seria muito difícil, mas não se acovardou. O time também não. A explicação exata sobre que aconteceu é algo que sempre será difícil de explicar. Falarão de esquema tático, preparação psicológica, ausência de Neymar e Tiago Silva… Seja o que for, tudo que resta agora à seleção brasileira é terminar a Copa de forma honrosa, conquistando o terceiro lugar. Quem acredita?

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Matrix2012Capa14x21aDestino e intuição – A intuição pode nos conectar não apenas com o passado, onde estão as causas do que agora vivemos, mas também com o futuro, onde viveremos a consequência de nossa decisão no tempo presente

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01- Mt bom o texto. Cintia Lisboa, São Paulo-SP – jul2014

02- Um baita dum texto diga-se de passagem” do glorioso Ricardo Kelmer. Vale pra Copa e também pro resto dos seus dias. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – jul2014

03- Boa Kelmer!!! Meu querido Kelmer, eu não lembro de nenhuma copa que o atimismo fosse total, Neymar é um craque diferenciado, porem eu acredito que são profissionais que ganham milhões pra estarem ali, com Neymar ou não eles vão ter que honrar sua profissão e buscar a vitória. Eu acredito que podemos ganhar sem Neymar, mesmo sabendo que é um atleta diferenciado. Paulo Ricardy Dos Santos, Campina Grande-PB – jul2014

04- verdade amigo!! bj Rita Austregesilo, Fortaleza-CE – jul2014

05- Não me acho covarde se não participei de todo o trajeto da Copa…o momento que me mobilizou mesmo foi o da covardia que fizeram com o Neymar..mas se ele não voltar eu sinto muito, mas outros jogadores terão a chance de ser mais valorizados, porque um time de futebol não é feito com um jogador, como a mídia e o Sr. Galvão Bueno quer nos fazer crer…Sempre foi assim , elegem um ídolo e a mídia o coloca no topo…os outros são mero coadjuvantes e não recebem também os louros da vitória nas Copas…Teve uma Copa que o Brasil ganhou a Copa sem Pelé e o povo gostou tanto que fizeram uma marchinha com o fato que no final dizia assim…E,e,e eh! E e e éh. Brasil ganhou a Copa sem Pelé e quem foi visualizado foi o Garrincha, que teve sua gde chance (minha mãe que contava isso). Abssssssss Vera Helena, Vitória-ES – jul2014

06- Achei tbém mto covarde a atitude do jogador da Colômbia, mas agora o Neymar virou ídolo mesmo….ele criou um mito, um mártir, um ídolo da Copa 2014. Vera Helena, Vitória-ES – jul2014

07- Adorei, Ricardo Kelmer, e, claro q ficarei com o final feliz, pois na hora q Neymar se machucou tive a sensaçao de uma quase morte dele…E é isso q acredito q vai acontecer com os jogadores. Eles mais do q nunca vao lutar com unhas e dentes por ele e pelo hexa, pois o brasileiro reage melhor quando está em desvantagem do q quando está ganhando… A nossa vitória seria a melhor resposta p darmos ao mundo, sobretudo, ao jogador da Colombia… Luciana Brasileiro de Holanda, Campina Grande-PB – jul2014

08- Meu nobre e querido Primo.. muita sabedoria e discernimento em suas palavras… Como sempre… Versões Kelméricas me inspiraram!!!!!!!!!!! TAMO JUNTO!!!!!!!!!!!!!! Rafa Moreira, Fortaleza-CE – jul2014

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A mística daquelas camisas

14/06/2014

14jun2014

Eu, ainda menino, sem entender bem o que acontecia, já estava preso, para a vida inteira, à tal mística daquelas camisas

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A MÍSTICA DAQUELAS CAMISAS

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Eu era um menino de nove anos quando a magia daquelas camisas invadiu minha vida. Os radialistas falavam sobre a tal mística das camisas do Fortaleza Esporte Clube, mas eu ainda não podia entender o que era. No entanto, o azul-vermelho-e-branco já seduzia meus olhos de criança, e me fascinavam as histórias sobre as vitórias impossíveis. Corria o campeonato de 1974 e o aguerrido Leão do Pici mais uma vez realizava o improvável: vencia três vezes seguidas seu grande rival local e conquistava o bicampeonato estadual.

Pronto, eu estava fisgado, já não havia como voltar. Quando eu via o time entrando em campo, meu coração de criança batia tão forte, minha alma era tomada por um frisson tão grande… Naqueles momentos eu pressentia que algo muito importante estava acontecendo em minha vida. Hoje eu sei: através do Tricolor de Aço, a maravilhosa paixão pelo futebol entrava definitivamente em minha vida e eu, ainda menino, sem entender bem o que acontecia, já estava preso, para a vida inteira, à tal mística daquelas camisas.

O romantismo charmoso do uniforme, a torcida reconhecidamente mais vibrante e criativa, a garra histórica do time… Tudo me fascinava e eu não disfarçava o imenso orgulho que sentia. Torcer por um clube de futebol é levar sempre na alma o frescor da esperança, e no coração a chama de uma paixão imortal. Nesses longos anos de futebol, vivi todos os clichês dessa paixão: pulei de alegria, vibrei com cada gol, engoli o grito na garganta, ergui a bandeira para que todo o estádio visse, fui a carreatas, xinguei o centroavante, quebrei o radinho, chorei de tristeza e de felicidade…

Hoje, após tantos anos e emoções tantas, meu coração ainda se aperta quando vejo aquelas camisas entrarem em campo. Eu cresci, conheci outros lugares, vivi muita coisa. Aprendi o jogo duro da vida, treinei meu coração para suportar emoções e até esconder sentimentos. E sei que os tempos são outros, o futebol mudou e parece não mais haver espaço para certos romantismos… Mas não tem jeito. Posso até ficar algum tempo afastado ‒ porém, quando os primeiros jogadores surgem na saída do túnel a velha magia retorna com toda a força, invade minha alma e é como se fosse a primeira vez: a pele se arrepia… os olhos marejam… e em meu peito volta a bater o coração daquele menino que olhava para tudo encantado. O mesmo coração tricolor que bate no peito de tantos meninos e meninas que hoje, encantados, são também seduzidos por ela, a mística daquelas camisas.
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Ricardo Kelmer 1999 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

> Aquelas camisas mp3 – Ouça e baixe a versão áudio da crônica, na interpretação do autor
> Site oficial do Fortaleza Esporte Clube
> Fortaleza Esporte Clube na Wikipedia

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FEC1974-02O time bicampeão de 1974, que me fez ser tricolor. O artilheiro do campeonato foi Beijoca, com 26 gols.

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O HINO O primeiro hino do Fortaleza foi composto em 1959, por José Jatahy. Em 1967 é composto o hino oficial pelo poeta Jackson de Carvalho, sendo sua gravação em outubro do mesmo ano, tendo como arranjador o maestro Manuel Ferreira e como intérprete o cantor Manoel Paiva. Em entrevista à revista Veja, o cantor e compositor Chico Buarque afirma que considera o hino do Fortaleza o segundo hino mais belo do futebol brasileiro, sendo o primeiro o do seu clube, o Fluminense.

Fortaleza, clube de glória e tradição
Fortaleza, quantas vezes campeão
Fortaleza, querido idolatrado
Estás sempre guardado
Dentro do meu coração

Altivo, tua vida sempre foi um marco
Tua glória é lutar e vencer também
Salve o Tricolor de Aço
No campo, provaste mesmo que não tens rival
Tua turma valente é sensacional
Salve o Tricolor de aço

Soberbo, tua fibra representa um norte
Combativo, aguerrido, vibrante e forte
Sem demonstrar cansaço
Receba um sincero abraço da torcida tão leal
Meu Tricolor de Aço

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> Hino oficial do Fortaleza Esporte Clube
> Hino oficial (Fagner)
> Hino oficial, versão lírica (Ayla Maria e Raimundo Arraes)
> Hino oficial, versão forró (Neo Pi Neo)
> Hino oficial, versão rock (Voz: Alexandre Carvalho. Instrumentos: André Carvalho)
> Hino oficial em francês (Voz: Giselle Café)

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OImprovavel,OImpossivelEOInacreditavel-01aO improvável, o impossível e o inacreditável
Numa hora dessa, como ainda ter forças pra superar um rival que virou o jogo no fim com um jogador a menos, que já conseguiu o impossível? (Leia a crônica e veja o vídeo)

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HINO DO FORTALEZA EM DEZ VERSÕES

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LOUCOS DE FUTEBOL
documentário de Halder Gomes

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HINO DO FORTALEZA, POR NONATO LUIZ
(no fim, a surpresa…)

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Discutindo a Copa e a relaçãoSe você deseja minimizar os efeitos sobre sua relação, é bom saber algumas coisas sobre essa rival invencível

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Discutindo a Copa e a relação

07/06/2014

07jun2014

Se você deseja minimizar os efeitos sobre sua relação, é bom saber algumas coisas sobre essa rival invencível

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DISCUTINDO A COPA E A RELAÇÃO

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Querida leitora Katiane. Em sua singela cartinha, você conta como o futebol atrapalha a relação com seu namorado, e me pede conselhos. Bem, tenho uma boa e uma má notícia. A boa é que o campeonato brasileiro foi interrompido por um mês. Durante trinta dias, seu homem esquecerá dos problemas do time dele, a ameaça de rebaixamento. E a má notícia é que ele agora terá três jogos por dia pra ver, todos imperdíveis. Poizé, é tempo de Copa do Mundo. E se você não é chegada em futebol e deseja minimizar os efeitos sobre sua relação, é bom saber umas coisas sobre essa rival invencível.

Primeiro. A Copa do Mundo é o produto-mor da FIFA. É como a entrega do Oscar pro cinema, entende? A FIFA é a entidade criada no começo do século 20 pra organizar a brincadeira que se espalhava pelo mundo inteiro. Aliás, se espalhou tanto que hoje a FIFA tem mais países associados que a ONU, e o futebol movimenta trezentos bilhões de dólares por ano. Esta é a lição número um: futebol é uma brincadeira muito, muito séria. Por isso, nada de zombar do brinquedo dele.

Por favor, Katiane, não caia na besteira de argumentar que Trindade e Tobago versus Luxemburgo é um jogo que ele poderia perfeitamente deixar de ver. Não vai adiantar. Por quê? Tá, vamos lá. Cada país possui milhares de jogadores de futebol. Os melhores são contratados pelo clube da cidade e os melhores entre eles são contratados pelos melhores clubes do país. E os craques mais craques dessa elite são convocados pra seleção do país. No fim do funil, dos milhões de jogadores no mundo, só quinhentos vão à Copa. Ter esses caras num torneio só é como, de quatro em quatro anos, por um mês, ter na pia do banheiro os xampus e condicionadores e hidratantes mais caros do planeta. Em outras palavras: não dá pra desperdiçar nada.

Outra coisa: chegar à final da Copa é uma honra pra qualquer seleção, sim, menos pro Brasil. Pro brasileiro, só serve se for campeão. Por isso, você não conseguiu consolá-lo após a final contra a França em 98, lembra? Vou explicar melhor. Vamos supor que o grande amor de sua vida (se for o seu namorado, melhor ainda) finalmente tome vergonha na cara e te chame praquela conversa pela qual você tanto ansiava. Ele te convida pra um jantar à luz de velas na cobertura do restaurante daquele hotel cinco estrelas. Uau! Você fica noites sem dormir direito, fala pra todas as amigas e elas não disfarçam a inveja. Você se endivida toda, mas consegue alugar aquele longo caríssimo. O jantar é maravilhoso, o vinho francês divino, o harpista húngaro oferece uma música a você, e a lua, ah, a lua… Pois bem. O Brasil ser vice equivale a, depois disso tudo, esse cara dizer que não vai mais se separar da mulher. Entendeu agora?

Vamos aos lembretes importantes. Na Copa do Mundo homem já acorda com TPJ. Tensão pré-jogo. Que depois evolui para TDJ, tensão durante o jogo. E depois? Aí depende. Se o Brasil vence, ele tem a euforia típica da vitória, vai tomar todas, chegar em casa em coma e ainda vomitar no guarda-roupa, sobre os seus vestidos. Se o Brasil perde, ele tem a fossa típica da derrota, vai tomar todas, chegar em casa em coma e ainda vomitar no guarda-roupa, sobre os seus vestidos. Conclusão: melhor aguentar tudo isso com vitória, né? Então torça muito junto com ele.

Pra terminar, controle seus arroubos de romantismo, Katiane. Copa do Mundo é um encontro de guerreiros suados, destemidos e sanguinários. Beijinhos, abracinhos e denguinhos na hora do jogo definitivamente não combinam. Tudo bem, na hora do gol, vá lá. Mas olhe, não fique melindrada se ele abraça todos os amigos e esquece de você. Isso não quer dizer que ele não te ama mais, não seja dramática. Quer dizer apenas que, na verdade, ele é gay enrustido e sabe aproveitar bem essas ocasiões… Brincadeirinha, brincadeirinha! Viu? Podia ser pior.

Aguente, minha amiga. É só um mês. Depois ele volta inteirinho pra você, tá? Pra você e pro campeonato brasileiro.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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01- Ricardo, não sou muito de ler colunas, nem mesmo o noolhar… entrei no sitio só pra saber a hora da abertura da Copa.. Cai no seu espaço, e adorei o Manual de Conduta de companheiras durante a Copa. Será amplamente distribuido e lido em voz alta no dia dos namorados, que será talvez o dia mais tenso. Por muito pouco não caiu em dia de jogo da seleção.. pq ai seria fim de caso. hehe Abraço, e congratulações, Fábio Marques, Fortaleza-CE – jun2006

02- oi ricardo, li tua cronica sobre a copa, coopere, hein? Não tem jeito,né??? já sei, esse negócio é totalmente autobiográfico e vc ja escreveu para tua namorada não ficar te pentelhando, ne??? Bom, quanto a mim, junto com o Ed Mota, detesto futebol, a fifa, campeonato brasileiro e tudo o mais. Mas, já descobri o lance..a íltima vez que eu torci pelo brasil foi na copa de 82, ele era o favorito, lembra???ahahahahhah, pois vou torcer de novo, já comprei até blusa amarela a tudo..Vai ser a minha vingança,ahahahahhah. Gabrielle Sales, Alemanha – jun2006

03- AINDA BEM QUE EM CASA SOMOS 2 FANATICOS, PORTANTO , SEM PROBLEMAS, SO NAO PODE EH JOGAR BRASIL X EQUADOR, AI SIM VAI TER CONFUSAO. ELE EH EQUATORIANO… MAS O BOM EH Q JA COMEMORAMOS NESSA SEXTA.BOA COPA KELMER. Ana Lucia Castelo, Nova York-EUA – jun2006

04- Adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiii rsss beijocas. Thelma Lowen, Niterói-RJ – jun2006

05- Faaala Kelmer, Cara…muito bom esse texto hahaha…passei pra minha lista… Marquim Fonteles, Parnaíba-PI – jun2006

06- hahahahahaha ótimo! BRASIUIUIUIUIUIUIUIUIUIUIUIUIU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ana Claudia Calomeni, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

07- Parabéns Kelmer! Texto divertido e inteligente… Roberto Reial, São Paulo-SP – jun2006

08- MUITO BOM. Marly Rodrigues, São Paulo-SP – jun2006

09- KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Na verdade eu odeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio tudo isso, nem assisto. Meu namorado assiste,mas eu não dou a menor importância. Sou nacionalista roxa, mas acho que o Brasil ser campeão ao não, não é algo para se orgulhar, ficaria muito mais feliz e orgulhosa se usassem metade desse dinheiro inútil para amenizar um pouco os nossos inúmeros problemas sociais… Muito bem bolado o que vc escreveu(como sempre)… acho que é bem por aí sim, os homens se envolvem mesmo nessa época de copa, acho que dizem pra televisão tudo que gostariam de dizer pra sogra nos últimos 4 anos… e essa teoria do “Gay enrrustido” é boa viu, acho que é bem verdade! kkkkkkkkkkkkkkk Gizelle Christina Saraiva, Natal-RN – jun2006

10- Tudo bem, Ricardo, eu também adoro a Copa do Mundo e também fiquei engasgada com a derrota contra a França em 98. Mas por favor, os campeonatos dos times eu não vou conseguir suportar nunca. Sou Brasileira, mas não espere que eu seja a Ronaldinho de saias. Fátima Braga, Recife-PE – jun2006

11- Sensacional, Kelmer! Abraço. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – jun2006

12- Fantástico este teu texto! Rsss…… Parabéns! Um abraço. Ana Cristina Mokdeci, Juiz de Fora-MG – jun2006

13- Ricardo gosto muito do q/ escreve. Obrigada por sempre me enviar “novidades kelméricas”. Valeu as dicas da cronica sobre a copa, vou seguir a risca. Fico aquí torcendo pelo Brasil e p/ talentos como vc serem reconhecidos. Um abraço. Perpétua, Gov. Valadares-MG – jun2006

14- Por fim, acabei lendo o “Discutindo a Copa e a relação”… gostei! Afinal, deve ser isso mesmo q acontece com a maioria, né…hehehe O tapa na bundinha então…auhauhauhauhauh Gostei de teu jeito de escrever…tem bom humor… Beth Mieza, São Paulo-SP – jun2005

15- li tua cronica meu caro, e posso dizer que tudo é a mais pura verdade , mas so no resto do ano, pois copa é copa. eu vejo todo o campionato italiano pra vc ter ideia da minha abnegaçao. um bj baby. Michele Diamanti, Taranto-Itália – jun2006

16- Faaala Kelmer, Cara…muito bom esse texto hahaha…passei pra minha lista… Marcos Fonteles, Parnaíba-PI – jun2006

17- husuhsauhsauhshausauhshusahusahusahu, Ilana Dubiela, Fortaleza-CE – jun2014

18- Bons conselhos, mas faltou o melhor: aproveite que o bofe está com todos os olhos grudados no Mundial e vá fazer um treino com bola no CTM (Centro de Treinamento do Motel), com aquele homem bonito, charmoso e inteligente que não está nem um pouco interessado em 22 machos correndo num campinho, porque prefere MULHER. Luc Lic, São Paulo-SP – jun2014

19- Das duas uma: ou vc curte futebol p ficar azilada que nem ele, ou procura outro bofe viciado em outra coisa q vc goste:como vídeo game…Pq p mim , futebol…Dá não ó…kkkkk. Ilana Dubiela, Fortaleza-CE – jun2014

20- Ainda tem o fato do dia dos namorados ter caído na abertura dessa bendita copa. –‘ Amanda Lima, Fortaleza-CE – jun2014

21- Perfeita a colocação Rick. Mas tem homem que não liga para Futebol. E ai você tem duas opções ou não esquenta com a Copa do Mundo (curte junto) ou aproveita algum Boy Magia que não liga para uma bola. E bate um balão com ele. Rsrsrs. Laurinha Oliv, Fortaleza-CE – jun2014

22- Primo, a analogia das relações é genial. Gostei demais! Um abração do Leite. Leite Jr, Fortaleza-CE – jun2014

23- Ola Ricardo!!!! Parabéns, adorei SUCESSO!!!!!!!!!!!!!!! Luck, Campos do Jordão-SP – jun2014

> Postagem oficial no Facebook

DiscutindoACopaEARelacao-01a


Futebol artigo feminino

27/04/2014

27abr2014

Cá pra nós, já reparou como brasileira fica ainda mais linda em dia de jogo da seleção?

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FUTEBOL ARTIGO FEMININO

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Enquanto os fogos estouram pelas ruas do bairro e o gato vai se esconder embaixo da cama, visto minha camisa amarela feito um antigo guerreiro em seu solene ritual de preparação pra batalha. Boné da sorte, oquei. Cueca da sorte, oquei. É jogo de Copa do Mundo. Tô pronto.

Lotado, o bar que escolhi pra ver o jogo. Mas milagrosamente consigo uma cadeira pertinho do telão e bem ao lado de uma mesa com, não acredito, duas, quatro, seis, sete mulheres! Uau… O jogo promete.

Abrem-se as cortinas, começa o espetáculo, taí o que você queria, bola rolando. Ah, a emoção do futebol, a beleza plástica, a poesia… E a tática? É muito eficiente, já reparou? O jeans superjusto preenche com eficiência os espaços, reforça a retaguarda e aperta bem a marcação. A triangulação é perfeita e dá pra acompanhar bem a linha divisória da graminha… Ops. Mas esta crônica não é sobre futebol? Desculpe a falha, voltemos ao jogo.

Sai, goleiro, saaaaai!!! Ufa… Bolas aéreas são sempre um susto. Elas surgem de repente, insinuantes, e aí tem que pegar firme, com as duas mãos, segurar e não soltar mais, senão vão ficar cruzando sensualmente a área dos nossos olhos. Não pode dar decote, digo, rebote. Putz, tá difícil de prestar atenção no jogo, parece que todas as mulheres lindas decidiram ver o jogo aqui. Ver o jogo e não deixar a gente ver. Precisava desses decotes tão violentos? Isso é antijogo.

Nosso futebol-arte é reconhecido no mundo inteiro. O verde-amarelo brilha não apenas no uniforme, mas no brinco, na bandana, bracelete, sandalinha… Ops, cuidado, o short curtinho deixa o atacante enfiado atrás da zaga. E com a camiseta justinha na intermediária, o piercing, coitado, fica sozinho no ataque…

Ah, assim não dá! Impossível se concentrar no jogo. Quer saber de uma coisa? Vamos logo virar a câmera pra ela, pra torcedora brasileira, o produto mais belo e poético que o futebol gerou. Mais bonito até que aquele gol que Pelé não fez. Não fez porque uma brasileira gatíssima, não sei se você sabe, levantou-se na arquibancada e desconcentrou o Rei justamente quando ele ia tocar pro gol. Culpa dela.

Cá pra nós, já reparou como brasileira fica ainda mais linda em dia de jogo da seleção? O desenho tático fica evidente nos modelitos. Ela improvisa bem, mexe daqui, substitui dali e o conjunto não perde a harmonia. E quando avança toda jeitosa pra ir ao banheiro? Impedimento escandaloso! Mas ninguém marca e a jogada segue, ainda bem. E quando comete falta no entendimento futebolístico? Ninguém adverte. Pra quê? Importante é manter o rendimento. Brasileira só joga pra ganhar. E de goleada.

Outro dia, vi uma matéria mostrando que na Copa ela usa calcinha com motivos patrióticos. Aiai, ainda tem isso… São verdinhas, amarelinhas, e algumas têm uns avisos bem mimosos, já viu? Você toca daqui, recebe dali, vai avançando, invade a área e de repente tá lá escrito: Vai que é tua, gatão! Ou então: Pimba na gorduchinha! Com um incentivo desse, não é possível que você vá pipocar, né?

Pobre da unha dela, as bandeirinhas pintadas com tanto esmero já foram todas roídas. Ela fica nervosa, dá gritinho, se descabela com o gol perdido, pede mais garra, mais chute e mais chope. No meio da tensão geral, o adversário atacando, o maior perigo… ela tá lá tranquila retocando o batom, pra confundir o inimigo. E quando finalmente a rede adversária balança, uau, que delícia, ela grita, saltita, samba, abraça, fica ainda mais linda e cheia de graça, no doce balanço do gol.

A vida é mais gostosa com futebol. E futebol é ainda melhor com elas.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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01- Caríssimo Ricardo, Quem bate um bolão, no final das contas, é você. Parabéns mais uma vez. Um abraço. Marilia Boos Gomes, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

02- Rica, não tem nada mais adorável que homem que gosta de mulher assim, desse tantão … essa crônica está ótima!beijo. Beatriz Nogueira, Brasília-DF – jun2006

03- putz! o tesão – não o telão…- está a toda aí, hein, mermão? TE SEGURA, NÃO VÁ DAR UMA NA TRAVE, HEIN? Beijos. Clarice Mota, Aracaju-SE – jun2006

04- Esse tá bom demais!!!! bjs. Marcinha Sucupira, Fortaleza-CE- jun2006

05- Ricardo, Excelente sua crônica Futebol Artigo Feminino. Adorei. É leve, descontraída, cheia de bom humor e muito bem escrita. Márcia Milani, São Carlos-SP – jun2006

06- Como nao tenho tido muito tempo pra ler nenhum livro ou algo que ultrapasse 2 paginas, eh um prazer enorme ler suas cronicas. Mande sempre e obrigada! Boa Copa! * eh muito ruim ta longe do Brasil principalmente em epoca de copa, mas sabe de uma coisa, a gente acaba comemorando mais. Meu marido eh Equatoriano, se o Equador ganha eu comemoro. Moro perto de um bairro Portugues, se Portugal ganha eu comemoro. O marido da minha cunhada eh ingles, se Inglaterra ganha eu comemoro. E assim vai. Meus visinhos sao Italianos, todo jogo da Italia vamos pra la e vibramos juntos. Ate que esses times enfrentem o Brasil, vou seguir comemorando… … e nada como comemorar em verde e amarelo! Ana Lúcia Castelo, Nova York-EUA – jun2006

07- Aahuahauhuahuahuahuhauah muito bom!!! rs Beijos! Giovana Milozo, Jaú-SP – jun2006

08- Adorei “Futebol artigo feminino”, você é demais! Obrigado pelo envio, beijos. Majô Pasquinelli, São Paulo-SP – jun2006

09- oi ricardo, li tua cronica sobre a copa, coopere, hein? Não tem jeito,né??? já sei, esse negócio é totalmente autobiográfico e vc ja escreveu para tua namorada não ficar te pentelhando, ne??? Bom, quanto a mim, junto com o Ed Mota, detesto futebol, a fifa, campeonato brasileiro e tudo o mais. Mas, já descobri o lance..a íltima vez que eu torci pelo brasil foi na copa de 82, ele era o favorito, lembra???ahahahahhah, pois vou torcer de novo, já comprei até blusa amarela a tudo..Vai ser a minha vingança,ahahahahhah. Gabrielle Sales, Alemanha – jun2006

10- li tua cronica meu caro, e posso dizer que tudo é a mais pura verdade , mas so no resto do ano, pois copa é copa. eu vejo todo o campionato italiano pra vc ter ideia da minha abnegaçao. um bj baby. Michele Diamanti, Taranto-Itália – jun2006

11- Ricardo gosto muito do q/ escreve. Obrigada por sempre me enviar “novidades kelméricas”. Valeu as dicas da cronica sobre a copa, vou seguir a risca. Fico aquí torcendo pelo Brasil e p/ talentos como vc serem reconhecidos. Um abraço. Perpétua Marques, Governador Valadares-MG – jun2006

12- Eh Ricardinho,voltou mais “em forma”…melhoras e saudade,bjo californiano! Izabel Castro, São Paulo-SP – jun2014

13- Prefiro vôlei e tênis feminino; têm mais atrativos. Luc Lic, São Paulo-SP – jun2014

14- Gostei da praga que você rogou à fumante. kkkkkk! Maria Givanilde, Fortaleza-CE – jun2014

15- Esse Kelmer …. Figuraçaa! Jane Eyre Queiroz, Fortaleza – jun2014

16- Kelmer!!!!! Vindo de vc, um queridíssimo, é uma grande honra!!! hahaha Obrigada! Dri Flores, São Paulo-SP – jun2014

17- Grande RK, a crônica Futebol artigo feminino é eropoética e desportiva – um espetáculo! Agora temos muito mais motivos para torcer nas cores pátrias. Leite Jr., Fortaleza-CE – jul2014

FutebolArtigoFeminino-01a


O voo eterno do pássaro psicodélico

09/03/2014

09mar2014

OVooEternoDoPassaroPsicodelico-01a.

O vídeo abaixo é o registro da homenagem que fizemos a Alberto Marsicano. Aconteceu durante o show da banda Cabruêra, no 23° Encontro da Nova Consciência (Campina Grande-PB). Participam também os músicos Waldemar Falcão, Baixinho do Pandeiro e Vitor Harres, e o vídeo foi gravado por Antonio Carlos Harres, o Bola. O poema que interpreto foi parido no camarim, momentos antes de subir ao palco.

Alberto Marsicano nasceu em São Paulo, 31.01.1952, e morreu em 18.08.2013, em São Paulo. Era músico, tradutor, escritor, filósofo e professor. Foi um dos introdutores do Sitar indiano no Brasil, instrumento que requer muitos anos de estudo e dedicação. Era presença constante no Encontro da Nova Consciência.
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O VOO ETERNO DO PÁSSARO PSICODÉLICO
Ricardo Kelmer 2014
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Feito um satélite desorbitado
Nos céus da nova consciência
Lá se vai o pássaro psicodélico
Com seu bêbado voar poético
E sua alva cabeleira

Mas na cantiga certeira da cítara alucinante
A vida é um sonho andante que não segue planos…

Ouçam! Estão ouvindo? Vocês viram?
O pássaro psicodélico passou por perto
Ouçam! Nas asas do transe o som se chama Alberto

E sobre as mentes da plateia consciente
Seu voo sagrado flutua eternamente
E a música estremece de prazer insano
O gozo do voo se chama Alberto Marsicano

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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VÍDEO (4:44)

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Comentarios01COMENTÁRIOS

01- poxa que massa, dia desse foi o aniversario dele, ele chegou a me dar o cd cabruera que ele tocou, justa homenagem! Felipe Maia, São Paulo-SP – mar2014

02- Muito foda! Lembrei da primeira apresentação dele que eu vi na nova consciência. Sempre foi uma figura ímpar do evento. Encantador! Tayane Cristine, Campina Grande-PB – ago2014

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Cubalança mas não cai

18/02/2014

18fev2014

A falta de democracia em Cuba é um grande defeito do regime, mas isso não anula as conquistas sociais realizadas pela revolução cubana

CubalancaMasNaoCai-04

CUBALANÇA MAS NÃO CAI

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Lá estou eu em Cuba, abril de 2006, três meses antes de Fidel baixar hospital, o irmão Raúl assumir (a presidência, gente) e o mundo inteiro voltar os olhos para o futuro da ilha. Uma semana de turismo em Havana, arriba!

Indo pelo Malecón, a beira-mar de Habana, vi um out-door sensacional e não resisti. Parei para tirar foto. Era tipo publicidade de filme, o presidente Bush feito um vampiro e os dizeres: “El Asesino ‒ Próximamente em las cortes norte-americanas”, e bem em frente à oficina de interesses estadunidenses. Sim, pois o Tio Sam não possui embaixada em Cuba. Mas em compensación não largam Guantánamo. Cara de pau…

Bueno, foi uma semana intensa. Conheci mais sobre a história da ilha, visitei locais históricos, tomei mojitos y cubanitos, ouvi salsas e boleros, andei de coco-táxi, comi nos famosos paladares. E me apaixonei pela ilha. Enquanto escrevo esta crônica, por sinal, ouço os maravilhosos cantores cubanos e me dá vontade de voltar. Na verdade, o que mais me interessava era conhecer Cuba por dentro, hablar con los cubanos, me misturar a eles. Minha porção jornalista era maior que a porção turista. E a principal conclusão que tirei foi esta: é impossível entender Cuba em apenas uma semana. O comunismo cubano, aos meus olhos, se já era estranho, revelou-se um monstrengo surreal. Bem, vivendo no Brasil, um país de outro planeta, eu já deveria estar acostumado. Mas Cuba é demais. Lá tem três moedas! Como aquilo pode funcionar? Muitos cubanos me responderam assim: não funciona.

Em tese, o regime comunista cuida dos aspectos básicos da vida do povo: fornece moradia, comida, roupa, trabalho, escola e saúde. Mas na prática não é bem assim. Como a comida não dá para o mês todo, o cubano acaba comprando comida – do governo, claro. Se o cubano quer uma casa, o governo financia, mas é tão caro que grande parte acaba morando com os pais, com os sogros… E os médicos formados, que ganham trinta dólares por mês? Dá para comprar trinta sabonetes. Você morre de fome, mas morre cheiroso.

Evidentemente, não dá para analisar os problemas do país sem considerar o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. O povo cubano sofre diariamente, de várias formas, por conta dessa crueldade. Rodando pela cidade, vi muita pobreza, casas desmoronando por falta de conservação. Vi pedintes, vi prostituição masculina e feminina. Boa parte dos cubanos se agarra nos turistas, literalmente, como náufrago numa boia. Muito cubano trabalha como guia. Todo cubano tem um irmão ou amigo que trabalha numa fábrica de rum ou charuto e pode conseguir mais barato e coisital. Alguns te convidam para conhecer a casa deles, na maior simpatia. Você acha isso lindo, fica encantado… mas na despedida eles te pedem um trocadinho. E não tem como não dar, né?

Felizmente em Cuba não há miséria como no Brasil, não há favelas nem crianças bandidas, o narcotráfico internacional tem pouquíssima força lá e o sistema primário de saúde, assim como a educação básica, funciona de verdade. Ay, que inveja. Mas até lá tem corrupção, essa praga tão brasileira. E o que dizer da fome insaciável do governo? Ele é sócio de tudo na ilha, até daquele quartinho que você aluga no sótão de sua casa. Veja os tais paladares. São restaurantes caseiros, permitidos pelo governo, uma forma de garantir a muitas famílias uma rendinha extra. Mas o governo não permite mais que doze mesas. E não pode servir frutos do mar, para não concorrer com os restaurantes dos hotéis. E ainda tem que pagar quatrocentos dólares de imposto por mês, com ou sem cliente… Carajo! Essa quantia lá é uma fortuna! Um sócio desse acaba incentivando o jeitinho, que nós brasileiros tão bem conhecemos: não tem no cardápio do paladar, mas, se você pedir, servem camarão e lagosta à vontade. Só não pode discriminar na conta, claro. E ainda disfarçam uma mesinha a mais ali atrás da cortina… É aquela coisa: o cubano se faz de morto e o governo faz que não vê.

A pior coisa, porém, pelo menos para mim, é a asfixiante falta de liberdade. Sei que aqui caímos na velha discussão sobre o que é mais importante, pão ou liberdade. Eu, particularmente, apesar de aplaudir de pé a revolução cubana, prefiro morrer fugindo que viver preso de barriga cheia. Se alguém se ausenta mais de um ano da ilha, perde automaticamente a cidadania cubana, sabia? Criticar o governo, então, nem pensar. O cubano tem de ser um soldado do regime, um porta-voz da sagrada revolución. É obrigado a deixar a sala de aula ou o trabalho para ir à praça escutar Fidel falar por cinco horas. Não pode acessar sites na internet e seu correio eletrônico é censurado. Ser homossexual em Cuba, até pouco tempo, podia dar cadeia.

Depois que Fidel se for, o que vai acontecer? Como el pueblo se comportará? E os cubanos de Miami? Tio Sam cessará o cruel embargo econômico? A ONU intervirá para ajudar a democratizar o país? Quem pode dizer? Mas o futuro já chegou e em breve falará oficialmente. Só espero que esse futuro mantenha as conquistas sociais trazidas pela Revolução e traga mais conforto e liberdade aos hermanos cubanos, que, mesmo com todas as dificuldades, são festivos e hospitaleiros. Ah, ia esquecendo de contar: todo turista, quando sai de Cuba, deve pagar ao governo uma taxa de vinte e cinco dólares, como presente à Revolução. Sem recibo.

Não há democracia em Cuba, é verdade, o que é um grande defeito do regime, mas isso não anula as conquistas sociais realizadas pela revolução cubana, conquistas que mesmo países ricos e democratas jamais conseguiram. Talvez a implantação da democracia em Cuba trouxesse também o risco de algum tipo de piora nos indicadores sociais, tão arduamente conquistados, é, talvez, mas, ao meu ver, é algo que deveria ter acontecido. Como eu acredito na viabilidade de uma democracia socialista, torço para que os cubanos, e nós brasileiros também, possamos um dia vivê-la. Hasta la victoria, siempre.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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A propaganda oficial anti-EUA é onipresente no país. Esta placa está no Malecón. Equivaleria a estar no calçadão de Copacabana, no Rio, ou na Volta da Jurema, em Fortaleza, ou na Av. Paulista, em São Paulo.

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O isolamento do regime fez, em alguns aspectos, o tempo parar em Cuba. Para os colecionadores de carros antigos, Havana é um paraíso.

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Comitê de Defesa da Revolução. Espalhados pelos bairros, os CDRs são a mais poderosa das organizações cubanas não governamentais. Eles desempenham tarefas de vigilância coletiva contra atos de desestabilização do sistema político cubano.  Também participam em tarefas de saúde, higiene, de apoio à economia e de promoção da participação cidadã. Qualquer cidadão crítico do regime tem, obviamente, ficha suja nos CDRs.

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A santeria cubana e seu sincretismo religioso. O regime comunista da ilha não tem simpatia pela religião, mas boa parte da população pratica algum tipo.

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Vendo tudo borrado com Havana Club. Ah, o rum cubano… Na porta de um bar no centro de Havana fui abordado por um simpático cubano, que era fã do Ronaldinho Gaúcho e me ofereceu um Havana Club 7 Anos por U$ 10, uma pechincha que ele conseguia por ser amigos dos donos do bar. Empolgado, entreguei-lhe a grana, ele entrou no bar e fiquei esperando. Tô esperando até hoje, eu e meu chapéu de otário.

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Enchendo el cabezón com Bucanero.

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Os famosos paladares. Comida caseira, gostosa e barata.

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Uma família cubana.

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Mojitos com Christina no Malecón.

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BuenaVistaSocialClub1999CarnegieHall-01Buena Vista Social Club

Eu já sabia da existência do disco produzido por Ry Cooder. Aliás, eu já conhecia Ry Cooder pela trilha sonora dos filmes Paris Texas e Crossroads (A Encruzilhada). Porém, nunca havia procurado escutar as músicas. Após esta minha viagem a Cuba, baixei as músicas e… foi paixão imediata. A partir daí esse disco tornou-se trilha sonora da minha própria vida. O disco foi gravado em 1996, em Havana (e lançado em 1997), a partir da ideia de Ry Cooder de reunir músicos da era de ouro da música cubana. O nome do disco era uma homenagem ao Buena Vista Social Club, um lendário clube de Havana dos anos 1940-1950, onde esses músicos se apresentavam. O curioso é que vários deles estavam afastados dos palcos, alguns já aposentados, e o sucesso mundial instantâneo do disco os fez retomar a carreira, levando-os a se apresentar em vários países. Eles todos chegaram a tocar juntos em 10.07.98, no Carnegie Hall em Nova York, numa apresentação antológica que foi registrada em disco (2006) e consta no documentário Buena Vista Social Club, de 1999, dirigido por Win Wenders. Tanto os discos como o documentário são maravilhosos. Infelizmente a maioria dos artistas já estava em idade avançada, e um a um eles morreriam nos anos seguintes, mas felizmente puderam saborear o reconhecimento mundial de seu formidável talento.
> Baixe o disco (55mb)

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Recomendo … o texto , nao Cuba !!! Luciano Hamada, São Paulo – jul2015

02- Lindo! Michele SJ, Fortaleza-CE – nov2016

03- icardo Kelmer, muito bom vc compartilhar essa experiência. Realmente adorei ler! Clícia Karine Marques, Fortaleza-CE – nov2016

04- Q texto prazeroso de se ler! Shirlene Holanda, Fortaleza-CE – nov2016

05- Genial!!!! Melhor relato sobre a ilha desconheço!!! Kelzen Herbet, Fortaleza-CE – nov2016

06- Hasta Siempre Cuba.. Claudia Meirelles Bahia, Fortaleza-CE – nov2016

07- Muito bom, Ricardo! Virgínia Ludgero, Lourinhã-Portugal – nov2016

08- Atualíssimo! Cesar Veneziani, São Paulo-SP – nov2016

09- Bacana seu texto! Parabéns. Rosina Santana, Vitória da Conquista-BA – nov2016

10- Meu caro. Grande reportagem. Ótimo texto. Ailton D Angelo, São Paulo-SP – nov2016

11- Reli e mantenho minha admiração pelos teus textos Ricardo Kelmer. Sobre liberdade eu concordo muito. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – nov2016

12- Muito bom relato, bem verdadeiro. Ana Maria Castello, Nova Yok-EUA – nov2016

13- Sem nenhuma referencia a todo o historico da revolucao ou ideologias, nunca tive a menor vontade de ir para Cuba. A ideia de ser livre em um pais onde ninguem mais eh, de poder ir e vir qdo ninguem mais pode, sempre me causou repulsa. Nao, eu nao vou para Cuba. Otimo texto. =) Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – nov2016

RK: Tata, é certo que os cubanos não têm, ainda, a liberdade de ir e vir e nem a liberdade de expressão que nós temos, mas por que isso deveria invalidar que pessoas como eu e você, que lutamos por justiça social e liberdade, viajemos para Cuba para visitá-los? Visitar Cuba não significa necessariamente avalizar a repressão política ainda vigente lá nem os erros cometidos pelo regime. O país tem coisas lindas, e o povo cubano necessita desse intercâmbio com outras culturas. Você não acha? nov2016

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Sociedade hipócrita, adolescentes drogados

08/02/2014

08fev2014

Inês continuará se drogando e mentindo. Porque os pais e a sociedade mentem para ela

SOCIEDADE HIPÓCRITA, ADOLESCENTES DROGADOS

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Acontece assim. Sua filha Inês, menor de idade, lhe diz que vai dormir na casa de uma amiga porque tem que estudar ou então porque vão para o aniversário de outra amiga, algo assim dito de forma bem natural para você não se preocupar. Porque na verdade Inês vai é para a boate dançar, beber, beijar, ficar, talvez um sexozinho… E você sabe que boates são proibidas para menores, e que é proibido servir-lhes bebida alcoólica. Por isso, sua filha precisa mentir para você.

Geralmente a aventura que começa com uma mentirinha termina sem maiores consequências, todos os dias milhões de adolescentes fazem isso. O problema é que às vezes o amigo que dirige bebeu demais, e no dia seguinte sua filha entra para as estatísticas das mortes envolvendo álcool e direção. Uma desgraça.

Sempre que ocorre um caso mais impactante, ou seja, depois que Inês é morta, começam as providências: fiscalizar bares, reprimir ambulantes, blitz na madrugada… De fato, é preciso fiscalizar e punir. Mas bem mais eficaz e barato é educar. Educar certo ‒ porque educação careta nunca vai resolver. Temos que ser francos com nossos filhos e, principalmente, com nós mesmos. E é justamente isso que nossa sociedade morre e não aprende: ser sincera com ela própria. E assim todo dia morre Inês.

Não adianta dizer a ninguém, principalmente a adolescente, para não usar droga, seja legal ou ilegal. Embora não pareçam, vestidos daquele jeito e com aquelas gírias e atitudes, adolescentes são humanos, e os humanos são uma espécie que tem necessidade de droga, por vários motivos. Como adolescente precisa muito de autoafirmação e é rebelde por natureza, a droga é ferramenta para seus anseios. O problema então não é se seu filho vai usar droga: é como ele vai usar. É a relação com a droga, e não exatamente o mero fato de usar droga, qualquer que seja, que determina se há ou não problema. Conte entre seus amigos aqueles que consomem alguma droga, legal ou ilegal, e levam vida normal: são maioria. A minoria é que tem problema com droga.

O melhor é que adolescente não se envolva com droga nenhuma porque droga é coisa de adulto. Mas infelizmente eles se envolvem. E a proibição aguça ainda mais a curiosidade e traz o excitante sabor do proibido. E esse envolvimento começa em casa, vendo os pais fumando hipocritamente seu cigarrinho cancerígeno, bebendo sua cerveja ou tomando seus remédios para relaxar ou emagrecer.

Só há uma saída: informar honestamente, sem moralismos nem preconceitos. Mas infelizmente a sociedade insiste num comportamento que nunca vai funcionar porque é contraditório. Ela diz, em seu tom cinza e sisudo, que não devemos nos drogar ‒ mas os neons alegres e coloridos insistem no contrário. A sociedade não explica convincentemente por que uma droga pode e a outra não pode. Ela não esclarece por que incentiva tanto o uso de álcool e cigarro, drogas altamente letais, que lotam os cemitérios, e proíbe a maconha, comprovadamente menos nociva. Os pais, mal preparados, trocam a informação franca pela repressão moralista. Resultado: o adolescente capta toda essa contradição e percebe que o discurso oficial não é honesto nem faz sentido. Por que diabos seria ele o único a obedecer e se enquadrar a um esquema certinho e careta enquanto ao redor todos se drogam todo dia? Por que aceitaria ele ser o bobo da história?

Inês continuará se drogando e mentindo. Porque os pais e a sociedade mentem para ela. Porque é isso que merece uma sociedade hipócrita que lhe nega a verdade e tenta enganá-la com moralismos irritantes e contradições ridículas.

Não funciona proibir a droga. Mas funcionam as políticas de redução de danos, onde a sociedade admite que precisa conviver com a realidade das drogas em vez de varrê-la para baixo do tapete e, assim, fiscaliza e inibe o uso nocivo em vez de simplesmente proibir. Além de coerente, esta sim é uma mensagem clara e honesta aos nossos filhos, como se cada pai e mãe os chamasse para um papo e dissesse:

‒ A gente sabe que a droga existe e sempre vai existir. Se você já usa ou vai usar, então a gente quer que você use da melhor maneira e saiba exatamente o que pode acontecer.

Difícil dizer isso a seu filho ou sua filha, né? Difícil até imaginar que eles estejam por aí se drogando, legal ou ilegalmente. Mas é exatamente o que muitos pais agora desejariam ter dito para sua Inês e infelizmente não disseram. Agora é tarde.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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Quem tem a droga, tem o poder Quem ganha e quem perde com a proibição das drogas?

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DICA DE LIVRO

Baseado Nisso
Liberando o bom humor da maconha
Ricardo Kelmer – Contos + glossário – Ilustrações: Hemetério

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado…

> saiba mais

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01- Indiscutivelmente existe um mundo de Inês ao nosso redor. Acreditava que seria o único a vislumbrar a necessidade de se educar as Inês desse nosso Brasil. Já estive em vários outros países buscando por elas, sem saber o que estava fazendo, mas fazendo. Porém é no Brasil que elas existem com maior frequência. Se a questão for educacional, o que acredito que seja, sei onde elas estão. Na classe média. preocupe-se com isso, escreva sobre isso, alerte sobre o que elas se tornarão. Quando era jovem, em meus surtos de inveja por não conseguir a menina a qual desejava, pensava espraguejando, esse carro do pai vai acabar e quero ver elas, Inês, buscarem algo melhor, eu. Soa presunçoso, mas não é. Estudava cerca de 10h por dia, tinham-me como futuro louco, por ser humilde, pobre, da Barra do Ceará e tentar conseguir algo melhor. O que acontece é que fui e minha praga se confirmou antes mesmo de eu chegar. Vi várias Inês buscarem em mim um futuro melhor. Como disse soa presunçoso, mas não é. A verdade é que hoje vejo em um alerta de um, aparentemente sensato, jornalista o que vi há 15 anos: as Inês buscando espaço em um lugar de onde a volta é difícil e dolorosa. Samuel Lopes, Fortaleza-CE – nov2006

02- Sociedade sociedade sociedade… Tudo está errado porque se baseiam no que a sociedade vai pensar!!! E eles acabam educando jogando a verdade pra debaixo do tapete… Texto muito bem elaborado!!! Priscilla Uchoa, Fortaleza-CE – fev2014

03- Aplaudi de pé! Priscila Silva, Belém-PA – fev2014

04- Importante e a mais pura realidade…ate mesmo onde menos se imagina! Patrícia De Carli, Fortaleza-CE – fev2014

05- Excelente texto!!Parabéns! Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – fev2014

SociedadeHipocritaAdolescentesDrogados-01a


O dia em que o chinlone me pegou

02/02/2014

02fev2014

Assim como o chinlone, na vida é fundamental harmonizar-se com o mundo ao redor pra que o jogo fique bonito de se ver

ODiaEmQueOChinloneMePegou-01.

O DIA EM QUE O CHILONE ME PEGOU

Ou a arte zen de sair por aí à toa e encontrar o que se precisa
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E lá eu ia caminhando pela Visconde de Pirajá, seis da tarde. Apesar das pessoas apressadas e dos automóveis barulhentos, eu seguia leve e tranquilo. Na verdade, até me sentia meio em harmonia com toda aquela zorra. Levava uns exemplares do meu livro Baseado Nisso e uma missão ultrassecreta: deixá-los na La Cucaracha, uma loja em Ipanema que vende uns baratos ligados a cultura alternativa: roupas, livros, revistas, CDs e, é claro, sedinha para enrolar o baseado, maquininha de debulhar, essas coisas. Melhor lugar para vender meu livro só mesmo na passeata da legalização.

Na loja, meu livro ficou, mui honradamente, ao lado do sensacional Capitão Presença, livro do desenhista Arnaldo Branco. O Presença é o único super-herói que realmente salva. E foi inspirado no dono da loja, Matias Maxx, uma figuraça. Aí entraram dois caras e um deles foi direto no meu livro. Era simplesmente… o Arnaldo Branco. Uau! E o outro era o Allan Sieber, outro monstro dos quadrinhos. Fiquei tão abobalhado diante dos meus ídolos que depois de dez minutos é que consegui dizer algo além de dâââ…

Cessada a fase monga, troquei nossos contatos, combinei uma entrevista e nos despedimos. E segui caminhando de volta para casa, exercitando minhas pernas e admirando as das ipanemenses. Eis porém que, numa banca de revista, reconheço uma senhora… É Alzira, uma amiga recente, que dia desses me levou para ver uma peça sobre o Torquato Neto, que foi seu amigo. Você por aqui, que coisa boa, abraço, beijo. Ela me pegou pelo braço e saímos, ela comentando sobre um conto meu que havia lido. Depois falou que eu precisava conhecer o Álvaro, dono da Pororoca, uma famosa livraria especializada em misticismo. Mal fecha a boca, Álvaro se materializa bem à nossa frente. O susto foi tão grande que quase saí correndo.

O Álvaro é um cara simples, cinquentão com cara e jeito de garoto. Conversamos sobre livros e mercado editorial, ele disse que lembrava de meu primeiro livro e marcamos de continuar o papo outro dia em sua loja. E seguimos eu e Alzira, eu satisfeito com tantos bons encontros. Ela então me levou a uma galeria para conhecer o Estação Ipanema, com suas duas salas de cinema que eu, vergonhosamente, ainda não conhecia. Alzira me deu um puxão de orelha e subimos para conhecer.

No momento em que olhávamos a programação do Festival do Rio, um desconhecido chegou e… me ofereceu um ingresso de presente. Um ingresso para Mystic Ball, um filme do festival, última oportunidade de ver. Perguntei a Alzira se ela ficaria chateada se eu aceitasse aquele inesperado presente. Claro que não, aproveita que hoje você tá iluminado… Dei um abraço nela, depois te conto do filme, tchau, peguei o ingresso e entrei na sala escura, nem lembrava a última vez que eu fora ao cinema sem saber qual era o filme.

Tchan, tchan, tchan, tchan…. Que surpresa! Desde o instante em que sentei até o fim do filme, eu fiquei hipnotizado pelas imagens, fascinado, torcendo para não acabar. Como pude viver quarenta e dois anos sem saber que existia aquilo? O documentário conta a história de um canadense que se tornou o primeiro ocidental a praticar o chinlone ao lado dos mestres. E agora se dedica a divulgá-lo pelo mundo. Poizé, mas que diabo é chinlone?

Ronaldinho Gaúcho. Você certamente já o viu brincar com a bola, sem deixar cair no chão. Pois o chinlone é parecido. É um esporte tradicional de Mianmar, sudeste da Ásia, e existe há mil e quinhentos anos. Seis jogadores, homens ou mulheres, formam uma pequena roda e, usando apenas pés e pernas, passam a bola entre si, revezando-se como solista no meio da roda. A bola é oca, feita de feixes entrelaçados de ratan com espaços vazios formando pequenos buracos. Sem finalidade competitiva, o chinlone está mais para exibição artística, pois não basta não deixar a bola cair no chão – é preciso que as jogadas sejam plasticamente belas. Então o que se vê é uma espécie de dança coletiva regida pela própria bola, onde os movimentos combinam a graça delicada e sutil das danças do oriente com a rapidez e a precisão das artes marciais. Ou seja: Ronaldinho não daria nem para o começo.

O chinlone requer atenção aguda e permanente ao movimento da bola e dos outros jogadores. Requer também alto grau de leveza e elasticidade corporal. Mas, sobretudo, é indispensável que o grupo esteja totalmente harmonizado em torno da bola e funcione como uma única entidade feita de uma bola e doze pernas em contínua movimentação. O chinlone prioriza ao mesmo tempo a noção de grupo e o talento individual. E esses talentos não têm sexo ou idade: entre os melhores jogadores há garotas e velhinhos de setenta anos. Certas jogadas são tão curiosas e rápidas que só em câmera lenta pode-se entender como aconteceram. A habilidade dos jogadores é impressionante, e suas improváveis piruetas levam a pensar sobre onde afinal estão os limites da capacidade humana. Depois de ler os créditos finais, demorei a me levantar da poltrona ‒ estava inteiramente apaixonado pelo que acabara de conhecer. E louco de vontade de escrever a respeito. O mundo precisava conhecer aquilo.

Saí da sala com um sentimento de gratidão por uma noite tão generosa. Tantos encontros e surpresas incríveis… Mas ainda havia um último encontro a me esperar. E ele estava à minha frente, na saída da sala, segurando uma bola… de chinlone. Era Greg Hamilton, diretor e personagem principal do filme. Reconheci-o de imediato e, ignorando a timidez, fui falar com ele. Parabenizei-o, peguei a bola, fiz perguntas tolas em meu inglês capenga, ele me falou sobre o chinlone e ganhei um postal do filme. E fui embora para casa feliz, pensando… Assim como o chinlone, na vida é fundamental harmonizar-se com o mundo ao redor para que o jogo fique bonito de se ver. Não basta viver, é preciso encontrar-se.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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DOCUMENTÁRIO (em português)
Narração: Gilberto Gil

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CHINLONE, THE MYSTIC BALL

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DICA DE LIVRO

ICI2011Capa-01dO Irresistível Charme da Insanidade
Ricardo Kelmer – romance

Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal? Nesta história, repleta de suspense e reviravoltas, Luca é um músico obcecado pelo controle da vida, e Isadora uma viajante taoísta em busca de seu mestre e amante do século 16. A uni-los e desafiá-los, o amor que distorce a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

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É a Tao coisa – Uma maneira intuitiva de compreender a realidade através da harmonia com o Tao

Rumo à estação simplicidade – Jurei me manter sempre no caminho, sem pesos nem apegos excessivos, pronto pra pegar a estrada no momento em que a vida assim quisesse

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Eu, Ro Ro e o lado B

26/01/2014

26jan2014

Naquele momento, o lado B do mundo sorria pra mim cantando blues, oferecendo tão somente seu calor e seu endereço

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EU, RO RO E O LADO B

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Gamei quando a vi cantando no Chacrinha, 1979. Depois escutei suas músicas na FM e comprei o disco. Adorava aquela voz rouca, o jeito largado de cantar, o escracho… O nome dela: Ângela Ro Ro. Eu tinha 15 anos, era só um adolescente bobo e certinho. E ainda estudava no colégio militar. Mas naquele momento, o lado B do mundo sorria pra Ricardinho cantando blues. Oferecendo tão somente seu calor e seu endereço. E eu sorri de volta.

Ingênuo, eu nem sabia que aquilo era blues. E também demorei a perceber que minha musa era sapata. Quando descobri, gostei ainda mais. Transgressão, esta era a senha. Moça sem recato, desacato à autoridade. Já me atraíam os que ousam e assumem sua loucura. Eu escutava Ro Ro horas a fio, arrancando os blues só pra maltratar. Me divertia com seus escândalos, os amores ruidosos, os porres homéricos. Aliás, naquele mesmo ano tomei meu primeiro porre. E no ano seguinte mudei de colégio, fugi da convivência diária com a lógica militar, eu me sentia violentado. Ainda era bobo, mas começava a entender que eu só deveria prestar obediência verdadeira a mim e a mais ninguém.

O garoto bobo cresceu. Namoradas, sexo e poesia, faculdade de comunicação, baseados, meu mal é a birita e um violão. Agora lia Bukowski, escutava Janis e Doors, me encantava o submundo artístico, os bregas de cabaré, o alternativo sempre mais interessante que o oficial. Minha ídola seguia seu caminho, arrasada, acabada, maltratada, torturada, desprezada, liquidada. Novos escândalos, novos discos. Mas eu preferia as antigas músicas, que obrigava as namoradas a escutar enquanto praticávamos sexo bonsai, ou seja, no banco do fusca. Assim não vai dar, minha vontade é tão grande, não pode esperar…

Bem, o Ricardinho bobo agora é quarentão. Mas continua fiel ao lado B. E neste momento tá na plateia do seu primeiro show da Ro Ro, uma falha no currículo que ele hoje consertará. Cai uma chuvinha chata sobre o Rio de Janeiro, mas o Circo Voador recebe um público razoável. O show será gravado pro DVD, o primeiro da carreira. E eu presente, que honra.

Ela está toda de preto, calça e blusa, cabelo solto. Ro Ro deixou de beber, pelo menos oficialmente. Que coisa. Ela agora é uma senhora desrespeito. Abana-se com um leque, reclama do calor, bebe água e brinca com a plateia, sempre palhaça. Mas não tá muito à vontade com o esquema meio careta de gravação, câmeras, maquiadora… Ela chama o primeiro convidado. Entra Luz Melodia, outro legítimo representante do lado B, e juntos cantam Tola Foi Você. Quer dizer, ela canta e ele tenta, lendo a letra no pedestal. Melódia tá meio viajandão e erra a letra. Deve ter mandado um venenoso no camarim.

Mando uma golada de vodca pra esquentar, não tire da minha mão esse copo. A segunda convidada é Alcione e elas cantam Joana Francesa. Mas a Marrom tá tensa, não se solta, pede pra repetir, depois erra a letra. Só na quarta tentativa a música sai. Quem diria, a Marrom amarelando… Depois Frejat divide com Ro Ro A Mim e a Mais Ninguém. Esse não errou a letra, palmas pra ele. Ro Ro reclama do calor de novo, será que ela tá na menopausa? Bebe mais água. Deve ser água, não é possível que seja vodca disfarçada.

A ruidosa plateia atiça e Ro Ro responde às gracinhas com seu velho humor agudo. Mas uma gracinha é gracinha demaaais… e ela não resiste. Pergunta o nome da garota, é Alice, a idade, tem 22 aninhos, flerta com ela, Alice no país das maravilhas lá em casa, e no fim anota seu telefone num papel e pede pra gracinha ligar na segunda. É isso aí, Ro Ro, tem que organizar a agenda. Depois ela enche o saco de retocar a maquiagem e dispensa a maquiadora, o cabelo já meio desalinhado, baixou o caboco roquenrou. Depois se agacha pra pegar o leque e confessa: Putz, quase peidei. Esta é a Ro Ro que tanto aprendemos a amar…

No fim, Melódia volta pra cantar de novo Tola Foi Você. Ah, agora o homem tá mais aterrissado, não parece aquela tarântula chapada do começo do show. E dessa vez acerta a letra, ufa. Depois Ro Ro faz o bis e se despede. Pronto, sua parte ela fez, agora é com o pessoal da edição do DVD.

E Ricardinho, cadê ele? Ele corre e alcança Alice, quer conhecer a musa da artista. Hummm, é uma menina linda e charmosa, não é que a Ro Ro tem bom gosto? Dou meu cartão e ela me recebe com simpatia. E aí, como você se sentiu com aquela azaração pública? Ela ri e diz que tá muito lisonjeada. E será que esse número que ela deu tá certo? Tomara que sim, ela responde. E você vai ligar? Ela dá um sorrisinho maroto e diz talvez. Mulher quando diz talvez, quer dizer sim, eu brinco. Ela sorri e confirma: talvez.

Volto pra casa satisfeito. Finalmente vi um show da minha primeira musa do lado B, tá consertada a falha no currículo. E quanto à bela Alice Talvez… Bem, se Ro Ro estiver muito ocupada, qualquer coisa eu tô por aqui, viu, Alice? Ricardinho aceitaria com muita honra ser o lado B da Ro Ro.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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Ângela Ro Ro e Luiz Melodia cantam Tola Foi Você
(DVD Ângela Ro Ro ao vivo, Circo Voador, 2006)

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> Ângela Ro Ro na Wikipedia

> Ângela Ro Ro no programa Marília Gabriela

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