O golpe do papel higiênico

08set2014

Querem explorar até o fiofó da gente

OGolpeDoPapelHigienico-01

O GOLPE DO PAPEL HIGIÊNICO

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No início, era o Verbo. Aí o Verbo teve uma dor de barriga desgraçada e, pofffff, mandou aquele barro federal. E fez-se o mundo. E viu-se que o mundo era uma merda. Mas como o papel higiênico só seria inventado muito tempo depois, o mundo ficou do jeito que estava mesmo, uma grande bola de merda. Quando o papel enfim foi inventado, a merda estava tão grande que não tinha mais papel que desse jeito. E assim estamos até hoje.

Há referências ao papel higiênico na China do século 6 da era comum. Como os chineses também inventaram a pólvora, imagino que a cada explosão eles se cagavam de medo, e aí uma coisa levou à outra. Mas como era antes do papel? Bem, a gente sempre se virou como pôde, né? Nossos antepassados também. Primeiro, descobrimos que folha de bananeira não é o ideal. Tentamos a folha de urtiga e resultado não foi muito bom, mas serviu para batermos o recorde mundial dos oitocentos metros. Por um tempo, nos viramos com sabugo de milho. Depois, com canjica. Mas nada dava certo. O melhor mesmo era na lagoa. Foi na água, por sinal, que descobrimos, como todo surfista sabe, uma verdade universal: a merda segue o dono.

Então, um dia alguém inventou o papel, e daí para o papel higiênico foi preciso apenas uma coxinha estragada. E depois, tchan, tchan, tchan, tchaaannn, inventaram o picote no papel. Ah, o picote… Se você é muito novo, vou dizer como se fazia antes do picote: a gente rasgava o papel! Sim, era uma coisa bárbara. E às vezes o cidadão estava meio afobado, dava um puxão no papel e não rasgava direito, e aí o rolo desembestava, o papel saía desenrolando, caía no chão e molhava, era um saco. Tempos pré-históricos.

O primeiro papel com picote foi uma revolução, vendeu horrores. De fato, arrear o barro é um momento sagrado na vida da pessoa humana. Expulsar para sempre uma parte de nós… Parte essa que, por sua vez, será enviada de volta à terra. E que se decomporá e depois formará a estrutura biológica de plantas, animais e… humanos. Exatamente. Ou você nunca se apercebeu disso? Não é a coisa mais cheirosa de se dizer por aí, mas a verdade é que somos todos feitos de merda. Eu, você, sua mãe, todo mundo. Sim, a Sandy também, até mesmo ela.

A praticidade do picote mostrou-se um sucesso estupendo. A cada tantos centímetros, um picote. Dois pedaços era a medida exata para o cidadão higienizar o fiofó. Porém… Um dia lá estava eu expulsando um pedaço de mim, ó metade amputada de mim, quando percebi algo estranho: os picotes do papel estavam mais espaçados entre si. Antes, dois pedaços eram suficientes. Agora, dois era mais que o necessário, e um era pouco. Que fazer? Ou eu usava mais papel do que precisava, ou então voltava à pré-história e rasgava o papel. Muito espertinhas essas empresas!

Mas esse cara vai criar confusão por causa de doze centímetros de papel? Vou sim. Doze hoje mais doze amanhã são cinco metros no fim do mês. Isso cagando só uma vez por dia. Cem mil pessoas desperdiçam quinhentos mil metros de papel por mês. Quinhentos quilômetros de papel! Dá para limpar merda do Rio até São Paulo. E se for folha dupla, dá para ir e voltar.

Não podemos nos calar diante de mais esse golpe no bolso de trás do consumidor. Por isso, convoco todos os meus leitores para protestar nos supermercados, vamos exigir que as fábricas respeitem a distância ecológica dos picotes. E como prova do crime, levemos cada um de nós o cesto de lixo com o papel usado.

É a tal lei primeva, aquela que vem desde o início dos tempos: eita mundinho de merda…

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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COMENTÁRIOS
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01- RA, RA, RA, RA, RA…………………. Meu amigo, essa foi fantastica, E sabe do que lembrei? Do tempo que o Jo Soares tinha o programa de humor e ele fazia esse personagem que era fiscal do Sarney, nao lembro o nome, mas lembro que ela foi ao supermercado reclamar que o papel higienico nao tinha vindo no tamanho certo, estava faltando e ela queria o dinheiro de volta 🙂 Tambem lembrei do filme-documentario que assiti essa semana, a palestra do Al Gore sobre o meio ambiente o o aquecimento da Terra. Tai, essa e uma maneira de prestar servicos a sociedade 🙂 Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – jun2006

02- Papel Higiêncio: nojentim mesmo… mas belo serviço de utilidade pública! Cagões do mundo, uni-vos! Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

03- Cara, muito bom esse texto! E você não sabe a coincidência que esse assunto acarretou ontem, justamente dentro de um banheiro, ao lado do papel… aquela merda toda. Estava eu no fretado voltando do trabalho pra casa, quando uma convulsão intestinal me acometeu e, por vitude dessas inebriantes cólicas, desci no meio do caminho para que pudesse me aliviar no assento limpo de um toalete de shopping. O fiz. Enquanto depositava ali o rendimento líquido da minha poupança, comecei a reler o seu livro sobre o Matrix (sensacional por sinal, depois mando um email pra comentar) Lia o começo, justamente na parte em que você escreveu que quando a luz acaba as pessoas ficam que nem baratas tontas. Exatamente nessa parte, fechei o livro para manusear o rolo de papel higienico para fazer a limpeza e as luzes se apagam. Exatamente no mesmo instante. E, depois, ao sair do banheiro, percebi que ele estava trancado. Se não fosse minha namorada ligar pra administração, eu estaria meditando ali até agora… hehe Abração. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – jul2006

04- Olá Ricardo Kelmer, Li o seu texto sobre o Golpe do Papel Higiênico e não resisti, tive que tecer um comentário.  Após a leitura, comecei a “merditar” sobre a quantas anda a busca desenfreada por lucro nos estabelecimentos. Estão empurrando sem cuspe mesmo. Não sei se percebeu, mas pelo menos aqui na minha cidade( a belíssima Fortaleza-CE), aquele cilindro interno de papelão que serve de suporte para o papel higiênico, está cada vez maior, ou seja, tem MENOS PAPEL HIGIÊNICO em cada rolo. O rolo fica foló,foló quando está girando ao puxarmos papel. É meu, tá complicando cada vez mais…água está ficando excassa, papel tá vindo menos, com a mudança do clima na terra tem menos sabugo de milho…Só há uma conclusão: Vamos arriar o barro cada vez menos e consequentemente aquela estrutura biológica citada no seu texto será quebrada. É O FIM DA HUMANIDADE… Marcio Amarildo, Fortaleza-CE – dez2006

05- HAHAHAHAHAH!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!UM BARATO A DO PAPEL HIGIENICO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!QUE  INTIMIDADE COM A ESCRITA HEIM?????????????????? Abraços. Gustavo Coelho, São Bernardo do Campo-SP – jan2007

06- Aquele lance do barro e do papel igienico diz tudo.Assim como vc tambem sou nordestino e como todo nordestino, a vida e vista de forma diferente do pessoal aqui do sul, eu diria com muito mais simplicidade . João Marcos Barboza, São Paulo-SP -jan2007

07- Vc não escreveu aquilo…rs… Mto bom! rsrs Sempre gosto de ler suas crônicas. Beijos! Giovana Millozo, Jaú-SP – jan2007

08- Oi Ricardo Recebi um email muito legal  com uma cronica de sua autoria . É um manifesto dos homens querendo mulheres carnudas. Achei muito legal. Ao fim do email tinha o endereço do orkut que foi criado a partir dessa crônica “Amamos Ricardo Kelmer” e o endereço de seu site. Fiquei super curiosa e acessei seu site. São muitos textos, ainda não consegui ler todos (divido o computador com dois “pirralhinhos”, rs…) . Mas li   “O dia em que papai e mamãe ficaram muito doidos” e ” O golpe do  papel higiênico” todos dois ótimos. Espero ler todos. Bjus. Eliana Trindade, Belo Horizonte-MG – jan2007

09- Oiiiii!!!!!!!!!!! Li um conto sobre o papel higiênico, achei muito legal, vc é muito criativo e engraçado. PARABÉNS!!! Tu podes me mandar alguns contos ou vai me dar um livro de brinde? Abraço. Vanessa Santini Vebber, Caxias do Sul-RS – fev2007

10- Hahaha, merda, q merda, q merda. Antonio Martins, Maceió-AL – set2014

11- Hahahahaha Só pra descontrair… Eliane Campos, Salto-SP – set2014

12- Dá aí uma checada na m… do Ricardo. Dá umas boas risadas. Tete Bastos, Fortaleza-CE – set2014

13- Texto inteligente e escrachado do meu amigo Ricardo Kelmer. Fatima Carvalho, Santo André-SP – set2014

14- Muito louco esse texto. …rachei. ….kkkkkkkk. Sandra Consuelo, Santo André-SP – set2014

15- Ele é muito bom mesmo Sandra, conheci declamando poesias do Vinicíus em um bar de Jericoacara. Apaixonei rs. Fatima Carvalho, Santo André-SP – set2014

16- Você sempre se superando, Ricardo! Que merda! rsrs. Tete Bastos, Fortaleza-CE – set2014

17- Ricardo vc doido!!! rsrsrsrs. Jerson De Jesus André, Luanda-Angola – set2014

18- Rsss puta merda, rsss. Claudia Maria Crivellente, São Paulo-SP – set2014

19- Pois não é que tive a paciência de ler tudinho…Valeu a pena… Neuma Paixão, Fortaleza-CE – set2014

OGolpeDoPapelHigienico-01a


 

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2 Responses to O golpe do papel higiênico

  1. Ivonesete disse:

    Você é o “sem noção” mais genial que me faz rir de uma besteira dessa! rsrsrsrs. E deve ser por isso também que eu gosto demais das tuas doidices. kkkkk. E eu que penso já ter lido todas tuas sandices, mas não tinha visto isso ainda! Protestemos contra o golpe!

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