Volte outro dia, beibe

20/09/2015

20set2015

Hoje, 50 anos depois, Satisfaction parece não ter envelhecido nadinha, pelo contrário, pois a cultura do consumismo se intensificou a níveis impensáveis

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VOLTE OUTRO DIA, BEIBE

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Era 1965 e os Rolling Stones faziam uma turnê pelos Estados Unidos. Keith Richards acordou no meio da noite possuído por uma ideia musical. Ele ligou o gravador, gravou uns acordes e voltou a dormir. Depois ele e Mick Jagger finalizaram a música, inspirados pela frustração de estarem confinados em seus quartos de hotel e não poderem tocar. A música foi batizada de Satisfaction e rapidamente virou um grande sucesso no mundo inteiro, tornando-se uma das canções mais emblemáticas da história. Ainda hoje, 50 anos depois, ela é bastante executada, e mesmo quem não gosta nem conhece rock muito provavelmente reconhecerá aqueles três acordes básicos, o riff, que iniciam a música e voltam a cada retomada do refrão.

Além do riff, a letra também encontrou imediata receptividade entre o público jovem. Talvez essa não tenha sido a principal motivação para os versos, mas eles soam perfeitamente como contestação à cultura de consumo, que persegue insistentemente o personagem no rádio e na TV. Na estrofe final, a frustração do personagem e a fala da garota (volte semana que vem, pois tô numa fase difícil) deslocam o foco para o terreno sexual, e aí a “satisfação” ganha novos significados, ampliando os horizontes interpretativos e seduzindo de vez os ouvintes jovens, que naqueles dias viviam a revolução sexual dos anos 1960. Some-se a isso tudo o jeitinho de Jagger de cantá-la e… buuummmm!, a música explodiu.

No início, várias rádios se recusaram a tocá-la por seu suposto apelo sexual. Mas não havia como deter a onda. E hoje, 50 anos depois, Satisfaction parece não ter envelhecido nadinha, pelo contrário, pois a cultura do consumismo se intensificou em níveis impensáveis. Hoje, buscamos sedentos a satisfação nas novidades que a cada dia surgem nos anúncios publicitários, mas quando as alcançamos, a novidade seguinte já nos acena à frente, para nossa frustração.

O consumismo do nosso tempo é uma garota linda e sorridente a nos seduzir o tempo todo com maravilhosas promessas de satisfação. Mas que repete sempre: volte outro dia, beibe, volte outro dia…

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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ROLLING STONES – SATISFACTION
Apresentação em set1965

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LEIA NESTE BLOG

APergunta-01A pergunta – Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

Paz e amor express – Durante cinco dias o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor

Lágrimas na chuva – E quando finalmente chegarem ao lugar para onde tanto correm, estarão em paz com as lembranças da vida que viveram?

Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra

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COMENTÁRIOS
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Lágrimas na chuva

11/09/2015

11set2015

E quando finalmente chegarem ao lugar para onde tanto correm, estarão em paz com as lembranças da vida que viveram?

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LÁGRIMAS NA CHUVA

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É uma espécie de ritual. Quando anoitece, faço uma pausa no trabalho, ponho para tocar a trilha sonora do filme Blade Runner (Caçador de Androides) e preparo um chazinho de hortelã. Vou tomá-lo à janela do apartamento, observando a paisagem cinzamente caótica de São Paulo. Enquanto bebo o chá quentinho, as canções se sucedem, misturando-se ao som da cidade lá fora e emprestando sua suave beleza melancólica ao movimento das ruas lotadas, todos apressados, um bando de autômatos correndo de um lado para outro…

Mas para mim tudo está em câmera lenta. Talvez porque nesse momento eu sou Rick Deckard no alto daquele prédio, salvo da morte pelo replicante Roy Batty, totalmente rendido diante do grande mistério que é estar vivo e não saber até quando.

Acho que as pessoas correm tanto porque não sabem se amanhã estarão vivas. Mas será que correr tanto assim não faz apenas acelerar a paisagem que passa, deixando para o presente um mero cantinho desprezado, quase imperceptível, entre o que já foi e o que talvez não virá? Correndo tanto assim e vivendo no modo automático, em que momento essas pessoas poderão lembrar que estão vivas? E quando finalmente chegarem ao lugar para onde tanto correm, estarão em paz com as lembranças da vida que viveram? Do alto do prédio, em sua resignada lucidez de quem está morrendo, o replicante Roy tem mais uma pergunta: De que valerá tanta pressa se no fim a vida se perdeu no tempo, como lágrimas na chuva?

Penso nisso enquanto tomo o último gole do chá. E renovo minha falta de fé no roteiro que criamos para esta nossa época frenética de humanos automatizados. Corram por mim, amigos, que eu prefiro curtir a paisagem do agora. Até a derradeira faixa do disco.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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BLADE RUNNER – O CAÇADOR DE ANDROIDES

FILMEBladeRunner-01Ficção científica – EUA, 1982
Baseado no conto Androides Sonham com Carneiros Elétricos?, de Philip K. Dick

DIREÇÃO: Ridley Scott
ROTEIRO: Hampton Francher e David Webb Peoples
ELENCO: Harrison Ford (Rick Deckard/narrador), Rutger Hauer (Roy Batty), Sean Young (Rachael), Edward James Olmos (Gaff), M. Emmet Walsh (Capitão Bryant), Daryl Hannah (Pris), William Sanderson (J.F. Sebastian)…
TRILHA SONORA: Vangelis

> Na Wikipedia

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Blade Runner
Rick Deckard e Roy Batty no alto do prédio

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LEIA NESTE BLOG

BladeRunnerDeusesHumanosEAndroides-01aDeuses, humanos e androides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

A pergunta – Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

Vade retro Satanás (filme: O Exorcista) – O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Em Dogma, Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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DICA DE LIVRO

Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

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 COMENTÁRIOS
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01- Eh verdade, eu ja participei desse ritual ai! Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – ago2016

02- maravilha de pensamentos!…de-sa-ce-le-ran-do.. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – ago2016

03- Muito bom Ricardo Kelmer.Correr pra quê?Vivamos o presente, de preferência ouvindo uma boa música e um chá quentinho.Viva a vida hoje. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – ago2016

04- Tua escrita me faz viajar nas imagens e ideias que vão se desenhando…. Que texto gostoso e instigador! Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – ago2016

05- Que lindo Kelmer! A sabedoria de quem sabe apreciar e sentir a vida. Renata Kelly, Fortaleza-CE – ago2016

06- Texto ❤❤❤ Barba 💕💕💕💕💕💕. Sabrina Nádia de Sousa, Fortaleza-CE – ago2016

07- eu me identifico. Tetê Macambira, Fortaleza-CE – ago2016

08- Vc escreve muito bem. Simone Matoso, Belo Horizonte-MG – ago2016

09- Excelente. Susana X Mota, Leiria-Portugal – ago2016

10- Grande Ricardo Kelmer. Luiz Antonio Lima Alencar, Fortaleza-CE – ago2016

11- Texto ótimo, como sempre, Ricardo. Mas, francamente, um detalhe: com Blade Runner combina mais chá de cogumelos! Abr. Luis Pellegrini, São Paulo-SP – ago2016

12- Adorei! Márcia de Oliveira, Fortaleza-CE – ago2016

13- Kelmer, brôu. Imaginava que só eu pensava assim, mas não consegui transmitir tão bem como tu. Obrigado por nos apresentar tal texto, está ótimo. P. S.: O meu hortelã foi diferente do teu… Francisco Fontenele Veras Neto, Lourinhã-Portugal – ago2016

14- Viva o ócio. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – ago2016

15- Grande Ricardo Kelmer !!!!! ❤ Oliveira Sidd, Fortaleza-CE – ago2016


O sonho que morreu na praia

04/09/2015

04set2015

O mar, que não liga para nacionalidades, aceitou receber o menino sonhador

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O SONHO QUE MORREU NA PRAIA

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Humanos são especialistas em separar humanos. Para isso, criam religiões e demarcam fronteiras. E elas nos convencem de que somos povos diferentes, uns eleitos por Deus, outros não, uns com visto de entrada, outros não.

Um garotinho de três anos, com seu irmão, sua mãe e seu pai. Alan, o nome dele. Fugindo do inferno na Síria. Tentando escapar do ódio religioso, que só perdoa aos que rezam para seus deuses. Alan e seu sonho de um lugar para viver, apenas isso, viver. Tentaram asilo no Canadá, mas as fronteiras infelizmente não entendem de sonhos, e menos ainda de sofrimento.

Munidos tão somente daquela que é a última a morrer, decidiram arriscar tudo. Num bote lotado de sonhadores, lançaram a sorte ao mar e tentaram chegar à Grécia. Mas nas águas da insensibilidade humana a sorte não passa de um frágil barquinho de papel. Naufragaram no litoral da Turquia. E o corpo de Alan foi parar na praia. O corpinho pequenino, estirado na areia, de roupa e sapato. Que nem as crianças que adormecem no tapete da sala, e depois as levamos para a cama.

Alan não tinha mais cama. Não tinha mais casa. Não tinha para onde ir, nenhum país rico o queria. Mas o mar, que não liga para nacionalidades, aceitou receber o menino sonhador. E as ondas foram beijar-lhe o rostinho afundado na areia, pedindo desculpas pela crueldade dos humanos.

Nas minhas lágrimas que agora mancham este texto, Alan, sinto o gosto de revolta e esperança. Revolta pelos sonhos das crianças que morrem na praia. E esperança de que seu triste destino ajude a humanidade a despertar para a verdade mais importante. Não, ela não está nos mandamentos das religiões. Nem nas leis sagradas dos países.

O fanatismo religioso e os patriotismos não a aceitam, mas essa verdade é a única que pode nos salvar neste momento. Ela parece um sonho, Alan, como o que você sonhava em seu barquinho de papel. Mas é real, e diz assim:

Somos todos um único povo. O Povo da Terra.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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> Você pode me ajudar a traduzir esta crônica para outras línguas? Entre em contato: rkelmer@gmail.com

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SAIBA MAIS

ImigrantesAlanKurdi201508-14De Damasco a Bodrum – A viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo – BBC Brasil

‘Nunca imaginei que uma foto pudesse ter esse impacto’, diz fotógrafa que clicou menino sírio – BBC Brasil

Como ajudar – Unicef, ongs e Caritas ajudam imigrantes, inclusive no Brasil – BBC Brasil

Brasil acolhe mais imigrantes sírios – BBC Brasil

10 fotos marcantes sobre o drama dos imigrantes – BBC Brasil

Para você que chora pela criança síria mas não se importa com a miséria a seu redor – Por Nathali Macedo, no Diário do Centro do Mundo

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LEIA NESTE BLOG

PatriaAmadaTerra-01aPátria amada Terra – É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo

WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

Eles estão na fronteira – Milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

A Humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a Humanidade está se unificando, unindo seus opostos

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COMENTÁRIOS
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01- Parabéns, pelo texto e principalmente pelos 2 últimos parágrafos!!! Isolda Mirante – set2015

02- é triste viu!!! Renata Louise Martins – set2015

03- Mensagem linda, me fez emocionar. Andreia Alencar – set2015

04- Belo texto. Suellen Gomes – set2015

05- Senhor piedade dessa crianca jesus. Juliana Silva – set2015

06- MUITO triste…Chega a ser desamnimador!!! Isolda Mirante – set2015

07- Deus cuide dessa criança pois ela e um anjo. Rafael Dos Anjos Carla Dos Anjos – set2015

08- Lindo a mensagem,mas a foto e triste. Selma Fernandes – set2015

09- E terrivel, e triste e doloroso,ver tudo isso acontecer como se fosse uma coisa qualquer sem valor, e sao ser humanos, todos temos o mesmo sentimentode dor imaginamos o seu sofrimento. Veraluciasantoscorreia Correia – set2015

10- Nossas possibilidades e sonhos se afundam nesse mundo de hipocrisia e corrupção… Triste realidade q preciso compartilhar… Marilei Moreira – set2015

11- Foi o texto mais tocante sobre o tema. O coração ficou apertado pela triste realidade…sem solução. Ma Virginia Pantani – set2015

12- Triste realidade…excelente texto! Vanessa Silveira – set2015

13- Muito triste tenho muito dó desse povo que sofre nas guerras … Ivone Ivone – set2015

14- onde esta nosso amor ao próximo?…a pior raça é a humana,pobre anjo inocente. Rayane Eduardo – set2015

15- Amém. Eliandra Nobre – set2015

16- que texto bonito. Monica Campos – set2015

17- Ah Ricardo Kelmer a imagem já nos sensibiliza ao extremo, mas suas palavras nos faz ir além… Cícera Souza Vidal – set2015

18- amigodaminhavida..mesmo sem nos falar, temos uma sincronia de pensamentos..me emocionou tb.bjao. Shirlene Holanda – set2015

19- Gostaria de saber quando e como essa guerra vai acabar… Leyla Dayane – set2015

20- Muito triste…que pecado. Andrea Pollastrini – set2015

21- Qual é o contexto do sonho de quem pega um bote e tenta atravessar o oceano com um filho de três anos para perder a vida junto com ele? Qual é sonho de quem é reprimido com crianças no colo em divisas territoriais e espremido em cercas de arame farpado? Qual o sonho de quem não tem vida na terra onde nasceu por conta da barbárie que lhe foi imposta pelos donos do mundo que lhes é negado? Thaís Guida, Rio das Ostras-RJ – set2015

22- O sonho é viver, sobreviver, escapar. Que lamentável, nós vítimas de nós mesmos. Existe coisa mais triste? Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – set2015

23- E a humanidade que parece nunca progredir, repetindo os mesmos erros desde sempre… Ana Velasquez, Corumbá-MS – set2015

24- Até quando precisaremos de mártires para que uma causa ganhe ouvidos?  Silvana Alves, Fortaleza-CE – set2015

25- Perfeito o seu texto!!! Isadora Fontão, Rio de Janeiro-RJ – set2015

26- ótimo texto… Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – set2015

27- Que pena ! Leonor Oliveira Moreira, Fortaleza-CE – set2015

28- Exato e sensível. ….chorando pelo povo da Terra, perdido dentro dessa “bolinha” até quando… Marialucia da Silveira, Campinas-SP – set2015

29- Belo texto caro Ricardo. Eduardo Macedo, Recife-PE – set2015

30- É lamentável. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – set2015

31- meu querido irmão…Meus olhos lacrimejaram com sua cronica…A verdade é cruel e dolorida….Inventaram um Deus que sapara, uma religiao que expulsa, um sexo que não tolera…..que seres imbecis nos tornamos…. Jacques Josir Ribeiro, Santo André-SP – set2015

32- Eu e minha dor. E mais essa dor do mundo. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – set2015

33- Sinceramente, não acredito na humanidade. Acredito em seres humanos que fazem diferença, se esforçam e inspiram outros. Mas o coletivo da raça sempre foi uma força cruel e sedenta. Triste demais. Belo texto de Ricardo Kelmer. Juliana Jucá de Vasconcellos, Fortaleza-CE – set2015

34- Ricardo, lindo e comovente esse seu preito de compaixão e respeito ao garotinho Aylan. Que destino o dessa criança! Dar a própria vida para poder emprestar seu pequeno corpo à criação de uma imagem que atravessará os tempos e ficará na história dos desatinos humanos. Luis Pellegrini, São Paulo-SP – set2015

35- Texto lindo! Santo Deus, como é lamentável a insensibilidade humana! Ana Clebia Rodrigues, Fortaleza-CE – set2015

36- Ricardo Kelmer… faço minhas suas palavras tocantes… peço aos meus amigos que mostrem para crianças… elas precisam saber que tem vida sensível, frágil e inteligente fora dos seus equipamentos e para além dos muros de suas escolas e condominios. Maria Di Lia Oliveira, Bananeira-PB – set2015

37- Por um mundo sem fronteiras. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – set2015

38- Somos todos um unico povo. O povo da terra! Nivea Gomes, Fortaleza-CE – set2015

39- Ricardo Kelmer, como não chorar com tudo que sabemos e assistimos causados ou proveniente por toda estúpida segregação? Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – set2015

40- Emocionante, Ricardo. Não dá pra dizer mais nada… Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – set2015

41- Luis, suas palavras também são emocionantes. Eu diria “que coragem desse espírito aceitar essa programação”, como a minha saudosa Célia do Carmo… Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – set2015

42- Triste muito triste,profundamente lamentável!!! Oneide Braga, Fortaleza-CE – set2015

43- Não é fácil falar com suavidade dessas facetas duras da realidade! Você o fez, Ricardo! Grata por beijar Aylan com suas palavras!! Kátia Valevski Sales Fernandes, Fortaleza-CE – set2015

44- E a face da ignorância da loucura dos seres humanos em nome de DEUS, São pedras atiradas em outras pessoas por não ser da mesma religião, seres que se acham superior pq ou outros são diferentes, matando, destruindo, a ganância, falta de respeito com natureza estamos regredindo a onde vamos parar!!!!! Michel Silva, Rio de Janeiro-RJ – set2015

45- Até quando? Diana Fontes

46- Deus só Deus. Juliana Mendes da Silva,  

47- Texto de que sanbem o que escreve Parabéns. Lucia Lucas, Cuioabá-MT – set2015

48- Belo texto para uma triste história… Paulo César Norões, Fortaleza-CE – set2015

49- Lamentável.Triste demais. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – set2015

50- Cara, chorei com seu texto. Simone Orlando, Rio de Janeiro-RJ – set2015

51- Sem palavras! Vanessa Machado Monte, Fortaleza-CE – set2015

52- Capitalismo cruel, egoismo exacerbado. Deus piedade pra nós humanos!!! Zildene Feitoza, Fortaleza-CE – set2015

53- Triste e lamentável. Suely Frazão, Taubaté-SP – set2015

54- Parabéns pelo texto lindo em homenagem a esse pequeno anjo. Claudia Melo – set2015

55- Meu Deus até quando vamos ver as pessoas sofrerem assim principalmente as crianças. Belo texto, bem escrito ta de parabéns. Leticia Macedo – set2015

56- Jesus veio ensinar o amor ao próximo, e 2000 depois a humanidade ainda não aprendeu. Altemar Feitosa, Natal-RN – set2015

57- Sem comentarios!! Beta De Oliveira Damasceno – set2015

58- Será que ainda podemos acreditar na bondade humana como disse Anne Frank ? Maria Vasconcelos, Fortaleza-CE – set2015

59- Que violência. Neuda de Paula – set2015 

60- Lamentavel. Socorro Pereira, Natal-RN – set2015

61- sa na rien voire avec les religions si homme seul qui responsable de se genre d action au nom de dieu. Arimas Kadri, Constatina-Argélia – set2015

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Pesquise antes de acreditar

06/08/2015

06ago2015

O ideal para a democracia é que esse imenso poder da mídia não se concentre nas mãos de poucos

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PESQUISE ANTES DE ACREDITAR

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Cada empresa de mídia tem seus interesses próprios e sempre tenderá a noticiar os fatos pelo ângulo e intensidade que lhe forem mais vantajosos, ou sequer os noticiará, fingindo que nada acontece. Elas têm esse direito, claro, até porque a total imparcialidade jornalística é algo que não existe, principalmente quando se trata de política. Em alguns casos, porém, o problema não é o ângulo, é a distorção do fato, ou seja, a mentira jornalística, o que é algo muito grave.

Caso deseje garantir para si próprio informações mais honestas, o cidadão só tem um caminho: pesquisar. Ele deve ter sempre em mente que a informação é um produto como outro qualquer, e que somente comparando as várias versões possíveis de um fato é que será possível adquirir uma compreensão mais abrangente da realidade.

O mercado da informação rende muito, muito dinheiro. Os grupos que o dominam convencem mais facilmente os políticos a defenderem leis que lhes beneficiam. Quanto mais poderoso é um grupo de mídia, mais ele pode influenciar eleições e direcionar os rumos de um país. Não é à toa que a imprensa é chamada de “o quarto poder”. Por isso, o ideal para a democracia é que esse imenso poder da mídia não se concentre nas mãos de poucos, e que a população tenha fácil acesso às várias versões possíveis dos fatos.

No Brasil, o mercado de mídia é bastante concentrado, principalmente por Rede Globo, Folha de São Paulo e Editora Abril, que dominam vários segmentos da mídia impressa e eletrônica, produzindo, distribuindo e exibindo informação e cultura. Como essas empresas também têm suas ideologias e preferências políticas, a versão dos fatos que elas apresentam todo dia para milhões de brasileiros obviamente jamais irá contra seus interesses, e em nome destes às vezes é preferível omitir, confundir e desinformar do que efetivamente esclarecer. É por isso que elas lutam contra a regulação da mídia no Brasil (tentando falsamente associá-la à censura, por exemplo), pois sabem que a regulação ocasionará, entre outras coisas, uma maior divisão de forças no mercado da informação, assim como ocorre nas grandes democracias, como França, Alemanha e Estados Unidos. Se o Brasil prosseguir avançando na consolidação de sua democracia, a regulação desse mercado acontecerá em breve, mas, independente disso, o que cabe ao cidadão é agir como o bom consumidor: pesquisar sempre antes de comprar, ou melhor, de acreditar.

Ao fim do texto seguem algumas sugestões para o consumidor que não se contenta apenas com as versões dos fatos vendidas pelos poderosos do mercado. Quem tiver outras, fique à vontade para sugerir, afinal quanto mais opções, melhor. Melhor para o consumidor, claro.

SUGESTÕES:

Observatório da Imprensa – Congresso em Foco – Jornalistas Livres
Diário do Centro do Mundo – Revista Fórum – El Pais Brasil
Jornal GGN – Carta Capital – Caros Amigos – Vi o Mundo
Conversa Afiada

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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Ilustração: Fernando Vasqs. Argumento: Ricardo Kelmer.

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SAIBA MAIS

Regulação da mídia não é censura – Por Pedro Ekman e Bia Barbosa, 03.06.14

Mudanças aceleram regulamentação da mídia no mundo – Reportagem do Opera Mundi, 2010

Por que a dívida da Globo não é manchete de jornal? – Por Bruno Marinoni, 31.07.14

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LEIA NESTE BLOG

DemocraciaERegualacaoDaMidia-02Democracia e regulação da mídia – A informação é um produto, e o mercado da informação precisa de regras, caso contrário o grupo que tem mais dinheiro monopolizará a informação, para prejuízo da sociedade em geral

WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

Acabou a paciência – O povo está enfim deixando de ser tão conformista e alcançando um novo nível de conscientização política. É gol do Brasil

O protesto da babá negra – Talvez ela saiba que quando um governo tem como objetivo a equidade social e a redistribuição da riqueza do país, automaticamente atrai o ódio das elites econômicas, que lutarão para manter seus privilégios

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COMENTÁRIOS
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01- Aff. Anna Melo, Teresina-PI – ago2015

02- É MUITA [DES]INFORMAÇÃO, NÉ?!… Maria Gama, Vitória-ES – ago2015

03- É muita informação para pouca formação. Jessica Giambarba, Fortaleza-CE – ago2015

04- Nossa sacanagem, perto dessa gente tratada no texto, é pinto. Fernando Vasqs, São Paulo-SP – ago2015

05- se for veja e globo, não precisa nem se informar, É MENTIRA. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – ago2015

06- DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO: É CLARO QUE HOJE AS COISAS ESTÃO BEM PIOR… [TÍNHAMOS SÓ TV… HOJE TEMOS DE ‘FILTRAR’ TAMBÉM A INTERNET, QUE É BEM MAIS ‘VASTA’… youtube.com/watch?v=MtQTejGeL4M Maria Gama, Vitória-ES – ago2015

07- Pesquisem mesmo!!!! Maria José Figueiredo, Brasília-DF – ago2015

08- Pra quem ainda não entendeu….. Daniele Nóbrega Cavalcante, Fortaleza-CE – ago2015

09- Para quem ainda não entendeu o espírito da coisa… Antonieta Figueiredo, Fortaleza-CE – ago2015

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Envelhecendo na paz da loucura

25/07/2015

25jul2015

Nossa missão é encontrar nosso público, mesmo que ele não encha uma kombi

DiaDoEscritor-02

ENVELHECENDO NA PAZ DA LOUCURA

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Escritor profissional? Logo no Brasil? Poizé, foi uma decisão difícil de tomar, e a empurrei com a barriga até os 30 anos. Meus pais, muito prudentes, sempre me aconselhando, seja escritor mas faça o concurso do Banco do Brasil… Alguns amigos, sempre querendo me ver mais rico, ainda hoje sugerindo, você devia trabalhar como roteirista de tevê, agência de publicidade, escrever para outros…

Superobrigado pelos conselhos, gente. Mas é que vivem em mim tantos universos simultâneos de histórias, e tantos personagens imploram diariamente que eu fale deles ao mundo, e a urgência de organizar o caos interior através das palavras é tanta, que dedicar metade do dia a um emprego formal me faria adoecer perigosamente. Sim, gente, eu tentei, tive empregos, me esforcei para ser como todo mundo. É por isso que eu bem sei o quanto não farei mais isso. Porque quero envelhecer em paz comigo mesmo, ainda que essa paz esteja na loucura da inquietude criativa. E porque sei que todo o dinheiro do mundo não pagaria essa paz.

Aos que, ao Kelmer escritor, preferem o Ricardo amigo, obrigado pela amizade que me faz tão bem. Mas hoje é o dia do escritor, e este ano comemoro vinte anos do livro de estreia! E como nossa missão é encontrar nosso público, mesmo que ele não encha uma kombi, quero agradecer especialmente a você, a quem finalmente encontrei. Muito muito muito obrigado. Por me ler e dar sentido à vida que me coube.

E um brinde a todos os escritores que não desistiram e, por isso, tanto nos enriquecem com suas criações.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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Indecências para o Fim de Tarde (contos eróticos)

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino (contos e crônicas)

Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos (contos)

Baseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha (contos + glossário de termos e expressões)

A Arte Zen de Tanger Caranguejos (crônicas e artigos)

O Irresistível Charme da Insanidade (romance)

Matrix e o Despertar do Herói – A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas (ensaio)

Blues da Vida Crônica (crônicas)

Guia do Escritor Independente – Como publicar livros e gerenciar a carreira literária (dicas)

 

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LEIA NESTE BLOG

ODilemaDoEscritorSeboso-01aO dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Pesadelos do além – O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Kelmer no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas

Obrigado, J K Rowling – Em todo o planeta milhões de crianças adquiriram o hábito de ler livros graças às aventuras de Harry Potter

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Quem tem sua riqueza intelectual, facilidade de transmitir a idéia, dinamismo na escrita, praticamente brinca com as letras, o sucesso como escritor é óbvio . Parabéns meu brother, você é inspiração para muitos, inclusive para mim !! Samuel Araujo, Vilhena-RO – jul2015

02- Parabéns, Ricardo Kelmer, q vc contonue neste caminho escolhido por vc e nos brindando com obras maravilhosas, como por exemplo, o irresistível charme da insanidade q eu amo. Um abraço. Luciana Brasileiro de Holanda, Campina Grande-PB – jul2015

03- Parabéns, Kelmer, por apimentar nossos dias com suas palavras! Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – jul2015

04- Nós, leitores, é que agradecemos sua dedicação Ter um texto para ler e poder viajar entre palavras precisas é nossa alegria! Obrigada, Kelmer! Por todas as histórias compartilhadas. Sandra Regina, Curitiba-PR – jul2015

05- Parabéns querido Ricardo Kelmer! Eu agradeço, como muitos outros eleitores, o prazer que vc nos dá com tuas experiências e imaginações contadas nesses teus livros tão nossos, que nos fazem viajarmos e nos libertarmos.
Que vc continue nesse caminho lindo e criativo da escrita e tenha com isso muito sucesso em tua vida….Ver mais. Renata Kelly, Fortaleza-CE – jul2015

06- Parabéns, Ricardo Kelmer, por sua perseverança. E sucesso! Maria Bulcão, Fortaleza-CE – jul2015

07- dá pra encher muitas kombis, mas vc sabe… os dois grupos… nem todos assumem que gostam… rss. Maria Gama, jul2015

08- Parabéns por nos enriquecer com suas palavras e seu talento! Maedir Coimbra, Rio das Ostras – jul2015

09- kkkkk meu pai tbm queria que eu fizesse o concurso do BB. Ainda bem que resolvi fincar pé… mas não tive sua coragem, estou sempre com um pé no jornalismo, outro na literatura. Mas não me arrependo: é ainda hj o que me dá tesão de viver… Parabéns, meu querido! Bjks. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – jul2015

10- Parabéns por ser você mesmo e doar seu dom ao mundo, que nem borboleta que espalha o pólen. Sou sua leitora. Acredito que a kombi esteja mais lotada do que vc pensa. Gratidão. Fátima Landim, Fortaleza-CE – jul2015

11- Danielle Gouveia Fernandes, veja um relato parecido com o seu. Fátima Landim, Fortaleza-CE – jul2015

12- A gente é que agradece por você ter tido a firmeza de assumir essa carreira! Parabéns, Kelmer! Obrigada pela viagens… Thais Machado, Fortaleza-CE – jul2015

13- Que Deus te dê muita saúde e muitos anos pra você para continuar realizando o seu sonho. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – jul2015

14- Obrigada por nos presentear com seus livros…tenho orgulho de ter seu nome entre os livros de meus melhores escritores na minha estante! Parabéns pelo seu dia!!! Celina Bezerra, Fortaleza-CE – jul2015

15- Que Deus ilumine sempre sua caminhada premiando sua dedicação pelos objetivos que o tornam feliz!parabéns pelo seu dia!! Landi Bravo Aires, Rio de Janeiro-RJ – jul2015

16- Ainda bem que você não desistiu… Parabéns, primo amado!…beijo no coração! Sílvia MedinaFortaleza-CE – jul2015

17- querido Rica… Susana X Mota, Leiria-Portugal – jul2015

18- Arriba Ricardo Kelmer! Emoticon smile Me gusta tu pluma, hermano. Felipe Obreer, Florianópolis-SC – jul2015

19- Querido Ricardo Kelmer!! Parabens ! Cd vez mais acredito q oque importa e ser honesto consigo! Muitas saudades de vc!! Bjos. Juliana Lyra, Dunedin-Nova Zelândia – jul2015

20- Parabéns!!!! Você com certeza escolheu o melhor caminho, da felicidade e paz espiritual. Caminho este que nós ,tidos como os ” normais” tanto buscamos. Raquel Bernardo, Maranguape-CE – jul2015

21- Vc é tão bom ,mas tão bom qdo escreve que às vezes tenho vontade de mergulhar em suas palavras e ir te dar um abraço. Minha homenagem discreta pra vc, meu querido escritor. Mas é verdade qto a me emocionar com seus escritos. Marina O, Fortaleza-CE – jul2015

22- Parabéns Ricardo Kelmer!!! Bjs. Iara Cristina, São Paulo-SP – jul2015

23- Parabéns RK! Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – jul2015

24- Parabéns ,Kelmer! Ainda bem que você seguiu sua vocação verdadeira! Presente pra nós que te admiramos! Feliz dia do Escritor! Vanessa Machado Monte, Fortaleza-CE – jul2015

25- :-)Parabéns Querido escritor Ricardo Kelmer! enquanto tiver e existirem amantes, apreciadores e admiradores da poesia, não morrerá, reviverá a cada dia! Viva os/as escritores(as) de todos os gêneros literários! Viva a poesia! beijos e abraços poético literários! Lidiane Santos Leite, Fortaleza-CE – jul2015

26- Parabenssss. Rosangela Dias Do Nascimento, Recife-PE – jul2015

27- Parabéns !!! Raquel Jolie Silva, Fortaleza-CE – jul2015

28- Parabéns! Vanderleia Santos, Santana de Parnaíba-SP – jul2015

29- Lindo texto e decisão de vida ! Lembra de mim? Gabriela Souza, Fortaleza-CE – jul2015

30- Parabéns meu querido. Que muitas inspirações brotem em seu coração. Cícera Souza Vidal, Fortaleza-CE – jul2015


A divertida mente da garotinha triste

23/07/2015

23jul2015

Um maravilhoso filme adulto para crianças que é um magistral filme infantil para adultos. Ou vice-versa

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A DIVERTIDA MENTE DA GAROTINHA TRISTE

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Como falar de psicologia para crianças? Como expor aos miúdos conceitos como personalidade, inconsciente e depressão? Como ensinar-lhes que, embora indesejada, a tristeza é um sentimento legítimo e importante na saúde psíquica do indivíduo? Impossível, né?

Não para a Pixar. Esta empresa de animação digital, comprada pela Disney em 2006, já ganhou muitos prêmios pela alta qualidade de seus filmes. Você certamente já viu alguns, como Toy StoryMonstros S.A. e Procurando Nemo. Pois com sua nova animação Divertida Mente (Inside Out), a Pixar foi além: ela conseguiu fazer um maravilhoso filme adulto para crianças que é um magistral filme infantil para adultos. Ou vice-versa.

Riley é uma garotinha de 11 anos que muda de cidade e enfrenta dificuldades na adaptação à nova vida. Parece um enredo bem simples, né? E é. Mas ele é só um coadjuvante para a grande atração do filme: a mente da garotinha. Paralelamente à vida cotidiana de Riley, vemos o funcionamento de sua vida psíquica, onde, numa sala de comando, atuam Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho, as personificações de seus pensamentos, sentimentos e sensações. São eles que monitoram e organizam a evolução da personalidade de Riley, determinando seu comportamento. A mudança de cidade, porém, trará o caos ao trabalho dessa turminha e uma crise para Riley.

Como estudioso da psicologia do inconsciente, fui ver Divertida Mente com um pé atrás na desconfiança. Mas ela se foi logo nas primeiras cenas. As alegorias usadas na tradução dos conceitos psicológicos para a linguagem infantil foram feitas, obviamente, de forma caricata, mas ficou ótimo. É um filme encantador, divertidíssimo e cheio de sacadas geniais. É tudo muito singelo e verdadeiro, e de uma profundidade surpreendente. Em nenhum momento o filme apela para o sentimentalismo barato, mas ainda assim é difícil não se emocionar. Eu me segurei bem, sim, mas só até o momento em que Bing Bong é esquecido ‒ aí também tenha paciência, né? A partir dessa cena, não mais contive as lágrimas, e quem assumiu minha sala de comando foi a criança que nunca deixei de ser, e que parece estar sempre mudando de cidade.

Pelos relatos dos pais, os pimpolhos gostam e entendem o filme. Como a história foi criada a partir da experiência real vivida por um dos roteiristas com a própria filha pré-adolescente, isso certamente foi fundamental no processo de criação. Deve ser bem interessante ver esse filme sendo uma criança e depois revê-lo adulto. Infelizmente, não terei essa chance, mas muitos poderão ter.

Interessante também foi perceber como Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho se parecem com pessoas reais que conheço (não adianta, não darei nomes), e isso me garantiu boas risadas. Evidentemente, nenhuma pessoa é apenas um tipo único de sentimento ou emoção, mas é natural que uma delas se destaque na personalidade, mesmo que por um tempo. E Nojinho, heim? Como tem Nojinho dando chilique nesse mundo! Elas são irritantemente lindas e fúteis, e odeiam brócolis, mas justamente por isso se parecem com eles, e você sabe que o bicho homem masculino adora um brócolis de vestidinho… Ops, tava demorando. Ricardinho, esta é uma crônica infantil. Corta.

Esse filme fala de autoconhecimento, de como é importante sabermos lidar com nosso mundo interior. É provável que haja uma continuação, mostrando Riley na adolescência. Se os roteiristas conseguirem manter a qualidade na estrutura narrativa, teremos a comprovação de que é possível mostrar a crianças e adolescentes toda a complexidade da vida psíquica de uma maneira lúdica e instigante, motivando-os desde cedo a se conhecerem psicologicamente. Bem, é claro que isso não é função da arte, mas depois de Divertida Mente eu me sinto no dever de descer lá no vale do esquecimento e resgatar meu Bing Bong pessoal. E viajar com ele na esperança de uma humanidade mais consciente de si mesma.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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FILMEDivertidaMente-03aDIVERTIDA MENTE

Divertida Mente (Inside Out) – EUA, 2015
Gênero: Animação
Realização: Walt Disney e Pixar Animation Studios
Direção: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen
Argumento: Pete Docter
Roteiro: Josh Cooley, Meg LeFauve, Pete Docter
Vozes na versão original: Amy Poehler, Bill Hader, Bob Bergen, Carlos Alazraqui, Diane Lane, Jess Harnell, Kyle MacLachlan, Laraine Newman, Lewis Black, Lori Alan, Mindy Kaling, Paula Poundstone, Phyllis Smith, Richard Kind, Teresa Ganzel
Vozes na versão brasileira: Kaitlyn Dias (Riley), Miá Mello (Alegria), Katiuscia Canoro (Tristeza), Otaviano Costa (Medo), Dani Calabresa (Nojinho), Leo Jaime (Raiva)
Produção: Jonas Rivera
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Duração: 102 min.

 

Trêiler do filme (português, dublado)

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LEIA NESTE BLOG

Jung – a jornada do autodescobrimento – Vídeo com um resumo da vida e das ideias de Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço criador da teoria do inconsciente coletivo

Livros: He, She, We – Os rios de nossas vidas correm, na verdade, por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, também percorreram

Mulheres na jornada do herói – Elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

Carma de mãe pra filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

A Humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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DICA DE LIVRO

MatrixEODespertarDoHeroiCapaEdicaoDoAutor-01Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Amei o que escreveu sobre o filme infantil. Fiquei duvidando se havia sido escrito por voce mesmo rsrsrs. Gostei desse lado Kelmer criança mizifio. Deu ate vontade de ver o filme. Ivonesete Rodrigues, Fortaleza-CE – jul2015

02- Mostrar que a tristeza tambem nos ajuda a passar por uma fase dificil foi genial! Debora Morais, Fortaleza-CE – jul2015

03- Ricardo Kelmer, ja tinha me programada para ver, mas depois desse belo artigo seu, se tornou imperdível! Abraço meu amigo! Cristina Balieiro, São Paulo-SP – jul2015

04- Achei o filme genial. ..as ilhas de personalidade da garotinha , o amigo imaginário…a mente dos pais..Vou ver novamente! Telma Parente, Fortaleza-CE – jul2015

05- consegui baixar o filme, louca para ver! Susana X Mota, Leiria-Portugal – jul2015

06- Tinha pensado em assisitr mas acabei deixando para la, agora assistirei com certeza! Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – jul2015

07- Poesia em forma de animação!!! Andeile Airam, Fortaleza-CE – jul2015

08- Que bacana Ricardo! Eu gostei muito do filme.. .impossível não refletir as nossas próprias emoções. .. ! Um filme que toca a alma se qualquer um .adulto ou criança. Adorei o seu texto …! Vou copiar…. bjs.
Compartilho essa analise do Ricardo Kelmer sobre o filme Divertida mente. Assisti e me tocou de forma profunda… é um filme que todos precisamos assistir qie nos leva ao auto conhecimento e melhor entendimento d as nossas emoções.. .mostra que emoções tidas como “negativas” também sao importantes para o nosso crescimento e devemos aceita-las… enfim. Leia e nao deixe de ver o filme! Sandra Macedo, Fortaleza-CE – jul2015

09- Para vc Paula Silvia. Fica a dica. Eliana Torres, Ponta Porã-MS – jul2015

10- Ah!…. MAS EU A-DO-RO BRÓCOLIS!!!! … kkkkkkkk…ainda não vi, mas estou muitíssima curiosa! Risos…mesmo porque Kelmer tem a liberdade de dizer tudo p/comigo, e…”detalhe” , Kelmer comenta ja me chamando (in box ) de ‘ NOJINHO! Bah! Já fui logo perguntando, né? kkkk … adorei o texto. Regina Zamora, São Paulo-SP – jul2015

11- Hehehe! Não podia faltar né mizifio , sua marca registrada! Kkkkkk. foi uma deliciosa dica e esse texto mais ainda! Ameeei! Eu tbém senti aperto no coração quando Big Bong se apagou no vale do esquecimento. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – jul2015

12- incrível! Eu quero assistir esse filme. Renata Regina, São Paulo-SP – jul2015

13- Esse filme realmente, é genial. Muito profundo e importante pra adultos e crianças refletirem, Vlw, Rica. Bjs. Anabela Alcântara, Fortaleza-CE – jul2015

14- Sim!!!Pra adultos e crianças! Isabela Alcântara, Fortaleza-CE – jul2015

15- Grande sacada! Assisti e adorei! Interessantíssimo! Dri Flores, São Paulo-SP – jul2015

16- Eu soh vih o traler e me emocionei!…lindo!Louca pra ver! Isabela Alcântara, Fortaleza-CE – jul2015

18- Sensacional sr kelmer! Jayme Akstein, Sidney-Austrália – jul2015

19- Ricardo eu adorei o filme.comentário de Clarinha:Mamãe a alegria é bom mais a tristeza tb é. Germana Mourão, Fortaleza-CE – jul2015

20- Prof. Jacinta, Achei esse filme a cara da disciplina Motivação e Emoção! Seria ótimo aprender mais assistindo filmes assim… Bjo ‪#‎ficadica‬. Glaina Santos Costa, Fortaleza-CE – jul2015

21- Ricardo Kelmer doooida para assistir. Marilene Neri, Fortaleza-CE – jul2015

22- Sim Ricardo !!!! Com a minha de 5 anos !!! Ela adorou ! Só não gostou na hora que bing bong foi esquecido tbm .. Mas fala dos personagens até hoje rss. Ana Kariny Gomes Rosa, Fortaleza-CE – jul2015

23- Taí, o Ricardo Kelmer disse tudo o que eu queria. Vale demais ler o texto e, sobretudo, assistir o filme. Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – jul2015

24- Ricardo Kelmer, finalmente fui assistir Divertida Mente (Inside Out), uma graca! Nem me fale de Bing Bong, nao posso assistir esses filmes sem dar vexame… rsrs. Obrigada pela dica! Ah, o que seria de nos sem a tristeza? Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – out2015


Uma faísca para tudo pegar fogo

06/07/2015

06jul2015

Se é necessário protestar sempre que nossos políticos cometerem erros, é igualmente necessário manter o equilíbrio nos momentos de crise

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UMA FAÍSCA PARA TUDO PEGAR FOGO

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O recente caso do grotesco adesivo da presidenta Dilma Rousseff de pernas abertas, sendo penetrada pela bomba de gasolina, nos revela algumas coisas sobre as quais vale a pena pensar:

1- Nas redes sociais, a maior parte das pessoas posicionou-se publicamente contra o adesivo, até mesmo as que não gostam do PT ou de Dilma. Isso mostra que, independente de ideologias políticas, ainda há pessoas EQUILIBRADAS o bastante para saber diferenciar o protesto legítimo e coerente do fanatismo político.

2- Muitas pessoas, inclusive mulheres e alguns sites, como o Mercado Livre, aplaudiram e até ajudaram a vender e espalhar o criminoso adesivo. Isso mostra que muitas pessoas, se for para atingir o PT, são capazes de QUALQUER COISA.

3- Muitas pessoas não apoiaram o adesivo, mas ficaram caladas (mesmo sendo mulheres, mães e avós, como Dilma), pois não gostam do PT. Isso mostra que há muitas pessoas que preferem ser CONIVENTES com as lamentáveis e crescentes atitudes de ódio político no país. A propósito, infelizmente ainda não vi líderes da oposição e veículos da grande mídia condenarem o adesivo, ao contrário do que aconteceu com a jornalista Maria Júlia Coutinho, da Rede Globo, que sofreu violência racista.

4- Se o presidente fosse homem, teriam feito um adesivo no mesmo modelo, mostrando um presidente da República de quatro, a receber uma bomba de gasolina? Certamente não. Fizeram isso com Dilma porque ELA É MULHER. É um triste caso de misoginia e que banaliza a violência sexual. Isso mostra muito sobre o que a direita fanática brasileira pensa sobre a mulher.

5- O ódio dos fanáticos antipetistas se manifesta em atitudes fascistas e cada vez mais violentas, como no caso do estudante brasileiro (admirador de Jair Bolsonaro), nos Estados Unidos, que driblou a segurança da comitiva e ameaçou a presidenta Dilma gritando: “Terrorista! Vai cair, hein! Terrorista que rouba a população tem mais é que ser morto. Comunista de merda!”. Ainda que o PT tenha suas culpas e ainda que o governo seja péssimo, nada justifica ataques pessoais, e manifestações de ódio como essas devem ser imediatamente combatidas, pois são um perigo para a LEGALIDADE DEMOCRÁTICA, e sabemos que é assim que começam muitos golpes de Estado. O massacre político faz parte da democracia, sim, mas este caso do adesivo é um crime, e ele nos mostra claramente que, se é necessário protestar sempre que nossos políticos cometerem erros, é igualmente necessário manter o equilíbrio nos momentos de crise. Porque é justamente nesses momentos que basta uma faísca para provocar um terrível acidente. Um acidente que beneficia tão somente a quem quer ver tudo pegar fogo.

 

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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SAIBA MAIS

A responsabilidade da imprensa – Por Celso Vicenzi

Ministro e ONU Mulheres repudiam ofensas sexistas a Dilma – Site ig.com.br

É pela dignidade feminina – Campanha pelo fim da violência de gênero, pelo respeito ao ser humano, por um debate político decente

Jovem que xingou Dilma é imbecil, diz professor de Stanford – Gazeta de Joinville

Para contrabalançar as versões da realidade da grande mídia:
Observatório da Imprensa – Congresso em Foco – El País Brasil
Diário do Centro do Mundo – Revista Fórum – BBC Brasil
Jornal GGN – Carta Capital – Vi o Mundo

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LEIA NESTE BLOG

DemocraciaERegualacaoDaMidia-02Democracia e regulação da mídia – A informação é um produto, e o mercado da informação precisa de regras, caso contrário o grupo que tem mais dinheiro monopolizará a informação, para prejuízo da sociedade em geral

Aécio Neves e o estranho caso do pó sem dono – Familiares e desembargadores amigos envolvidos com narcotráfico, aeroporto construído com dinheiro público nas terras da família… A coisa não está cheirando bem

Acabou a paciência – O povo está enfim deixando de ser tão conformista e alcançando um novo nível de conscientização política. É gol do Brasil

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COMENTÁRIOS
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01- Ricardo Kelmer.existe uma crescente numeros de pessoas NAZIFASCISTAS , no Brasil. uma coisa muito perigosa, e as pessoas estão totalmente caladas. A rede globo nem a oposição vão se manifestar contra isso, pq eles estão por trás de tudo isso que esta acontecendo, tanto do caso do adesivo , quanto no caso do neonazista que agrediu a Dilma Rousseff. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – jul2015

02- Combatendo com a mesma misoginia, porém mais legítima: “A cadela do fascismo está sempre no CIO”. Leite Neto, Fortaleza-CE – jul2015

03- Muito bom o pensamento Ricardo Kelmer. Rogers Tabosa, Fortaleza-CE – jul2015

04- Boa! Fernando Vasqs, São Paulo-SP – jul2015

05- Concordo com cada letra, Kelmer ! Vc sempre muito lúcido e coerente! Renata Damasceno, Fortaleza-CE – jul2015

06- Ricardo, querido, selecionei e copiei seu texto no meu timeline… não conseguiria postar essas fotos ridículas… nem que fossem impossíveis de se ver… Tetê Bastos, Fortaleza-CE – jul2015

07- Muito bem kelmer é um abuso e um absurdo aonde nós vamos parar. Se voltasse a estória Nietzsche é tão realista os chigamentos e o abuso faz agente rever o que é comunismo neste país já dizia ele em verdade filosófica. Lisa Mary, Fortaleza-CE – jul2015

08- Ótima reflexão e posicionamento, mas tb não publicaria as fotos. Magda Crudelli, São Paulo-SP – jul2015

09-  Pena que não dá para curtir mais de uma vez. Emoticon smile O duro é que certamente tudo estaria muito pior com o PSDB, mas mais bem maquiado e escondido pela mídia e com gastos absurdos de propaganda. Incrível é o quanto reclamam que o PT não está se comunicando direito (concordo), mas qq propaganda do governo federal já vem mil pedras na mão para detonar os gastos com propaganda. Eu vejo mesmo é muita esquizofrenia. O que uma mídia sem escrúpulos não faz. Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – jul2015

10- essas fotos são o cúmulo da agressão. Rossiley Maria Ponzilacqua, São Paulo-SP – jul2015

11- Excelente Ricardo! Abraços. Márcio Roger Braga, Fortaleza-CE – jul2015

12- tempos muitos sombrios e extremamente perigosos! Manifestações como a sua são fundamentais. Veronica Guedes, Fortaleza-CE – jul2015 

13- Ai já é… dexapralá! Bah! Regina Zamora, São Paulo-SP – jul2015

14- Vocês acreditam mesmo, que uma pré septuagenária está baqueada; e ainda consegue fazer duas longas viagens internacionais em menos de 15 dias? Tratando de temas e assuntos extremamente importantes, de caráter mundial? Quem tá tomando remédio é quem acha isso! Continuo insistindo esse golpe é balela, não se sustenta juridicamente. E se houvesse o mundo ficaria calado, a despeito que este golpe é de interesse internacional? Jefferson Souza, Fortaleza-CE – jul2015

15- Falta de planejamento e arrogância dão nisso. Vejo uma grave crise e pouco movimento no sentido de revertê-la! Está sendo preciso muito trabalho e acabar logo coma incompetência e o roubo dos cofres públicos! Amaury Candido Bezerra, Fortaleza-CE – jul2015

16- O que me choca mais é ver mulheres fazendo parte disso. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – jul2015

17- o que para aí vai! Susana X Mota, Leiria-Portugal – jul2015

18- Ricardo Kelmer, sábias palavras, ouvi falar destes repulsivos adesivos, mas nem fui atrás pra não dá ibope. Com certeza o cérebro de minhoca que o fez, nasceu de uma chocadeira! E os imbecis que compraram , são todos sócio patas certamente. Bjao pra vc. Valeska Pequeno, Fortaleza-CE – jul2015

19- Que tristeza…tanta agressão… Paloma Villela, Inca-Espanha – jul2015

20- Extremante agressivo… ! Ainda não dá para acreditar que pessoas circulem com esses adesivos…. (o que diz tudo sobre o seu caráter) Sandra Macedo, Fortaleza-CE – jul2015

21- hummm, Verônica Serra (sócia do Mercado Livre) sócia da Diletto? aquela sorveteria que se vende com uma história contada como verdade, mas que é uma mentirinha? Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – jul2015

22- É por aí, bem por aí mesmo!!! Kelzen Herbet, Fortaleza-CE – jul2015

23- Galera de pensamento tosco, conservadora, mesquinha e não tenho medo de dizer que não faço questão desse tipo de gente perto de mim. E não sou PT, SOU MULHER. Auria Rafael, Fortaleza-CE – jul2015

24- Excelente texto do Ricardo Kelmer. Merece a leitura, seja você eleitor de quem for, do partido que for… Emerson Damasceno, Fortaleza-CE – jul2015

25- Vergonhoso! Odair José dos Santos, Andrelândia-MG – jul2015

26- Vale a pena ler!! César Espíndola, Fortaleza-CE – jul2015

27- É… Flá Perez, Campinas-SP – jul2015

28- Parabéns, Ricardinho. É isso mesmo! Ana Cristina Souto, Fortaleza-CE – jul2015

29- Duro, difícil, lamentável é a gente ver autoridades e professores compartilhando essa coisa horrorosa. Depois querem ser respeitados. Teté Kuntz, São Paulo-SP – jul2015

30- Estamos prestes a um golpe de estado e multa gente aplaudindo….uma democracia forte e consolidada como a nossa prestes a ser jogada no lixo e mta gente aplaudindo…. Jana Araújo, São Paulo-SP – jul2015

31- E isso aí, Ricardo Kelmer ! Adriano Cavalcanti, São Luís-MA – jul2015

32- Onde vc se inclui? Cleison Mattza, Fortaleza-CE – jul2015

33- Eu repudiei o adesivo desde o início e fui chamado de “anti-democrático”.O texto relata bem o que penso. Wagner Luis Romera, São Paulo-SP – jul2015


Enroscando com Guilherme Lamounier

19/06/2015

19jun2015

A arte de Guilherme se abria magicamente para mim, feito as asas translúcidas de uma borboleta caleidoscópica

EnroscandoComGuilhermeLamounier-02

ENROSCANDO COM GUILHERME LAMOUNIER

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Patrícia enroscou o meu pescoço, deu um beijo no meu queixo e gemeu. O dia estava nascendo e nos chamava pra curtir com ele. Ah, eu adorava seu sorriso bobo na sua cara de assustada…

Era 1977, e eu curtia minha paixão por Patrícia, a filha bela e rebelde do rígido empresário Sérgio Mello. Real e imaginário se misturavam em minha mente adolescente, e a personagem vivida por Elizângela no folhetim Locomotivas, da Rede Globo, de algum modo existia de verdade, e era com ela que eu sonhava, embalado por Enrosca, sua música-tema, sucesso de Guilherme Lamounier que depois Fábio Jr. regravaria, ele que numa entrevista afirmou que se inspirou no jeito de cantar de Guilherme. Eu sei que só tenho 13 anos, Patrícia, mas vem, enrosca o meu pescoço e não queira mais pensar em nada…

O tempo passou, deixei de ver novelas, sonhei outras Patrícias, virei cinquentão. E aí dia desses lembrei de Enrosca e fui pesquisar outros sons de Guilherme Lamounier. Encontrei Seu Melhor Amigo, outro sucesso dele gravado também por Fábio Jr., que eu também adorava, e encontrei a sensacional Cabeça Feita, que a banda O Peso regravou e que considero um hino libertário mais atual que nunca, e encontrei mais músicas, e quanto mais ouvia, mais queria ouvir. A arte de Guilherme se abria magicamente para mim, feito as asas translúcidas de uma borboleta caleidoscópica. Baixei tudo que encontrei e desde então escuto direto. Putz, acho que o cara pôs um grilo em minha cabeça.

Guilherme gravou três discos, em 1970, 73 e 78, foi gravado por vários artistas, teve músicas suas em trilhas de novelas e filmes e experimentou certa notoriedade no fim dos anos 1970. Compôs sozinho e com vários parceiros, principalmente com Tibério Gaspar, corresponsável por seu melhor disco, o de 1973. Dotado de uma bela voz e de boa técnica vocal, ele fazia um pop cabeça-feita em harmoniosas melodias, com arranjos elaborados e orquestrados, onde se mesclavam rock, blues, folk, funk e progressivo, com uma deliciosa levada soul e um tempero de psicodelia. Suas letras falavam de paz e amor, cantavam a liberdade do viver a vida e dos cabelos soltos ao vento, e hoje podem soar algo ingênuas, mas mantêm um poético frescor, bem próprio dos que têm uma criança no olhar.

Quando pesquisei, havia poucas notícias disponíveis sobre ele na internet. Nascido no Rio de Janeiro em 1950, Guilherme herdou a veia musical da família, morou quando criança no Canadá, largou uma banda e lançou-se em carreira solo no fim dos anos 1960, apadrinhado pelo controverso Carlos Imperial. Atuou como ator numa filmagem estadunidense do romance Capitães de Areia, de Jorge Amado, e participou do Festival Internacional da Canção, em 1969, quando Tony Tornado venceu com BR3. Guilherme abandonou a carreira artística na metade dos anos 1980, já com sintomas de esquizofrenia. Hoje, cuidado pelos familiares, ele continua compondo, mas tem uma vida social muito restrita e é arredio a entrevistas.

Talvez a doença tenha atrapalhado no prosseguimento da carreira, ou talvez ele tenha se desiludido com as leis da indústria cultural. De todo modo, é uma pena, pois a genialidade de Guilherme poderia estar ainda hoje nos proporcionando maravilhosos deleites musicais.

Madrugada, quatro horas no meu quarto, alucinado estou a ouvir Guilherme. Viajando pelos telhados do mundo, voo até a casa onde Patrícia mora e agora sou um índio apache e ela é a mocinha lá do forte. Mas, putz, foi seu pai quem atendeu, dizendo que ela não estava… Depois dessa, quero mais é viver como bicho na terra, indo sempre atrás da vida que espera, podiscrer, que a cabeça feita não marca bobeira. Sim, viver do passado é viver enterrado entre coisas que não podem mais voltar, eu sei, mas a arte de Guilherme está fora do tempo, flutuando sobre os jasmins das serenatas perfumadas. Dançando com havaianas no céu. Derrapando pelas curvas de Patrícia. Enroscando em meu pescoço.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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MAIS SOBRE GUILHERME LAMOUNIER

Análise do disco de 1973 – Por Ricardo Schott

Havia um grilo na cabeça – Por Pedro Alexandre Sanches

Dicionário Cravo Albin da MPB
– Biografia e discografia

Artista baiano se junta à viúva de Guilherme Lamounier no resgate da obra do músico dono de ‘hits secretos’ e ídolo de outros artistas
Matéria do site G1

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Para ouvir Guilherme Lamounier

GuilhermeLamounier-03Seleção de 34 músicas
(1970-1983, arquivo zip, 124mb)

Disco de 1970Disco de 1973
Guilherme Lamounier – Enrosca
Guilherme Lamounier – Cabeça feita
Guilherme Lamounier – Patrícia
Guilherme Lamounier – Seu melhor amigo
Guilherme Lamounier – Sandra
Guilherme Lamounier – Passam anos, passam Anas
Guilherme Lamounier – Serenatas perfumadas com jasmim

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CABEÇA FEITA (1973)
Ouça no YouTube

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CABEÇA FEITA

Guilherme Lamounier/Tibério Gaspar

Hoje qualquer hora é hora
E por enquanto qualquer dia é dia
Não sei se fico ou se vou-me embora
É dando um tempo que outro tempo pia
 
Não sei se sei de tudo
Se falo ou fico mudo
Sou é a favor de um carnaval maneiro
Sou do calor do Rio de Janeiro
Vou da que pinta pra que vai pintar

Com a cabeça feita pra não dar bandeira
A cabeça feita não marca bobeira
Com a cabeça feita pra não dar bandeira

Por isso não sou eu quem chora
E ainda agora não sou eu quem dança
Naquela mesma de ficar por fora
Chupando o dedo e balançando a pança

Não sei se bem ou mal
Só sei que tô legal
Tenho um amor que me faz inteiro
Tô numa boa, quase sem dinheiro
Corpo presente e olhos no futuro

Com a cabeça feita pra não dar bandeira
A cabeça feita não marca bobeira
Com a cabeça feita pra não dar bandeira

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LEIA NESTE BLOG

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

A sociedade feladaputa de Geraldo Luz – Crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis

O brega não tem cura – Porque o senhor sabe, né, o brega sempre puxa uma dose, que puxa outra, que puxa a lembrança daquela ingrata, que puxa outra dose…

Odair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo brega pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

Paz e amor express – Durante cinco dias o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor

Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra

Eu, Ro Ro e lado B – Naquele momento o lado B do mundo sorria pra mim cantando blues, oferecendo tão somente seu calor e seu endereço

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Brilhante como sempre, Ricardo! Waldemar Falcão, Fortaleza-CE – jun2015

02- Ela “pos um grilo na sua cabeça”..rsrs. Alan Morais, Fortaleza-CE – jun2015

03- O dia está nascendo e nos chamando pra curtir com ele – e ainda por cima é sexta, Ricardo Kelmer. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – jun2015

04- E Guilherme vai renascendo através das palavras soltas e sinceras de Ricardo Kelmer, que nos convida a mergulhar nessa viagem musical. Maravilhoso! Renata Kelly, Fortaleza-CE – jun2015


Se todos fossem iguais a Neymar…

11/06/2015

11jun2015

Essa atitude de propagandear insistentemente a religião (ou qualquer outra coisa) em situações inapropriadas é deselegante e inconveniente

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SE TODOS FOSSEM IGUAIS A NEYMAR…

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Após o jogo em que o Barcelona sagrou-se campeão da Liga dos Campeões, no sábado 06.06.15, o jogador brasileiro Neymar amarrou uma faixa branca na cabeça com a inscrição “100% JESUS” e com ela posou para as fotos e as filmagens. Ao contrário de Neymar, seus colegas de time não alardearam publicamente sua fé ou não fé.

Sou fã do futebol de Neymar, mas ele cometeu uma falta, e ela tem nome: proselitismo religioso. Essa atitude de propagandear insistentemente a religião (ou qualquer outra coisa) em situações inapropriadas é deselegante e inconveniente. A liberdade de expressão é um direito de todos, claro, mas há situações mais e menos apropriadas. Se, durante um evento religioso, alguém insistisse em fazer propaganda de seu time, esse proselitismo seria muito inconveniente. O que Neymar fez foi a mesma coisa, de modo inverso. Ele usou o espaço laico do futebol como palco para a religião, e por isso ele ou seu clube poderão ser punidos pela organização do evento.

Se todos os esportistas usarem o esporte como vitrine para publicidade religiosa, o esporte virará um duelo entre deuses e perderá sua essência de confraternização. Sim, a expressão é livre, mas certos contextos não são os melhores para expressar nossas crenças ou preferências. Imagine se numa empresa todos os funcionários decidissem usar faixas e bottons para divulgar suas ideologias. Ou imagine que num batizado cristão alguém insiste em sair nas fotos usando uma faixa “100% Belzebu“. Ou que a nova Miss Universo, após receber a coroa, empunha um cartaz com os dizeres “O Monstro Macarrão Voador te ama.” A palavra-chave aqui é conveniência.

Muitos cristãos acham lindo quando alguém faz proselitismo religioso como o que Neymar fez, e o defendem com unhas e dentes. Mas esses mesmos cristãos detestam quando são vítimas de propaganda insistente de outras religiões, ou de produtos comerciais, ou quando recebem spam em seus e-mails, ou quando veem sua cidade enfeiada por tanta publicidade nas ruas. Ou seja, eles usam a razão para criticar a propaganda abusiva mas, se for em pró de seu deus, lutam por ela irracionalmente.

Se as crenças pessoais são importantes para quem as têm, ótimo, mas isso não as faz merecedoras de maiores privilégios, a ponto de poderem ocupar todo e qualquer espaço possível, inclusive espaços laicos. Sim, devemos ser livres para expressar nossas crenças, mas se todos fizerem como Neymar, será insuportável. Por isso, o custo a pagar por vivermos em sociedade será sempre aceitarmos que os outros tenham ideias diferentes das nossas e aguentarmos as zombarias em relação ao que acreditamos, além de, obviamente, frearmos nossos anseios de propagar a toda hora as nossas verdades. O resto é moleza.
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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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MAIS SOBRE O ASSUNTO

Neymar 100% mal assessorado – Por Marcelo Rubens Paiva, estadao.com.br (08.06.15)
Velho amuleto, faixa religiosa de Neymar foi vetada na chegada ao Santos – Uol.com.br (08.06.15)
Menos, brilhante Neymar, menos – Juca Kfouri, blogdojuca.uol.com.br (07.06.15)

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LEIA NESTE BLOG

ReligiaoNoEsporteEGolContra-01Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

Bem vindo ao clube dos excomungados – Para a Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto

Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu. O que pode sair disso?

Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos – Crer que o ser supremo do Universo está do meu lado e castigará quem discorda de mim, e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo?

A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica

> Textos sobre religião e ateísmo neste blog

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 COMENTÁRIOS
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01- E que achas de usar a imagem de Cristo na passeata gay? Eu já expressei minha opinião. Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – jun2015

RK: Ligia, a Parada Gay é uma festa popular e carnavalesca, aberta a todos, e por não ser organizada por uma entidade privada (ao contrário de um jogo de futebol organizado pela UEFA), não está sujeita às mesmas regras. Neymar agiu contra as regras da entidade organizadora. (jun2015)

02- Respeito demais sua opinião brother, mas discordo um pouco. Hehe. Reinaldo, grande jogador do Atlético Mineiro e da Seleção, comemorava os gols com o punho cerrado, protestando contra a ditadura. Sócrates criou a Democracia Corintiana, movimento conhecido mundialmente. Um diretor irlandês acabou de fazer um documentário sobre ele , afirmando q ele foi uma inspiração para seu sofrido povo nos anos 80. E tudo começou qnd ele assistiu Sócrates com uma faixa na cabeca na copa de 86. Ironia ser na Irlanda, pátria da banda U2, q sempre falou de religião e política em suas canções. E sinceramente a FIFA proibir alguma coisa é até brincadeira. Sei q o mundo tá muito violento, aliás o mundo não tem nada a ver com isso, o problema está na cabeça das pessoas. Conheço um pouco da sua, sou seu leitor e fã, mas daqui a pouco no futebol vão proibir até de comemorar o gol. Abraçao. Fauhber Pinheiro, Fortaleza-CE – jun2015

RK: Fauhber, se a Fifa puniu ou não os casos que você citou, ou se havia ou não punição naquele tempo, isso é outro assunto. O que está em questão é que se você é atleta de um campeonato, precisa respeitar as regras da competição, e Neymar as desrespeitou. Acho que a Fifa está certa. Sem essa regra, muitos jogadores aproveitariam os jogos para fazerem propaganda de um sem fim de coisas.

Obviamente a crenças pessoais são importantes para as pessoas, mas elas são exatamente isso, crenças pessoais, e não devem ter privilégios sobre outras ideias a ponto de merecerem palco livre em todas as situações da vida.

Mesmo que sejamos livres para expressar nossas ideias, há sempre a questão da conveniência. O que você acharia se, num evento organizado por você, alguém insistisse em sair nas fotos com uma faixa fazendo propaganda de uma crença pessoal ou uma ideia ou uma marca comercial que nada tem a ver com seu evento? (jun2015)

03- Acho isso liberdade, da mesma maneira que ele estava com a bandeira do Brasil na cintura. Ou a mesma liberdade que tem quem não gosta de se expor. (Seja o que for, Religião, Opção sexual, etc) Cada qual com suas crenças e valores. A única coisa que acho ruim é a falta de respeito com o outro. Isso é que deve está acima de tudo. Ser Religioso ou não, Crê num Deus ou Ser Ateu. É um direito de cada um. Da mesma maneira que ele colocou a faixa 100% JESUS, também poderia ter colocado 100% ATEU. Qual seria o problema? A vida é dele e a cabeça também. Laura Laurinha, Fortaleza-CE – jun2015

RK: Você está falando de liberdade de expressão, no que eu concordo. Mas eu estou falando de conveniência, que é o preço dessa liberdade. Qualquer pessoa é livre para chegar na tua loja, Laura, e pregar à vontade sua própria religião aos teus clientes? Sim, é. Mas fazer isso é conveniente? (jun2015)

04- Faz todo sentido, afinal as igrejas não pagam impostos e ele também não… Ana Pereira, São Paulo-SP – jun2015

05- Aliás, mais do que na hora das igrejas, essas instituições opulentas, pagarem impostos. Sâmara Paula, Fortaleza-CE – jun2015

06- Eu em particular sou um fã do futebol do Neymar, mas concordo plenamente com vc. Carlos Nugoli, Brasília-DF – jun2015

07- Jesus Cristo e para ser falado e lembrado toda hora. É por causa dele que nos estamos aqui se existe mais gente com essa mesma coragem que o jogador Neymar teve o mundo não restaria nesse caos. Jeronimo Barroso, Fortaleza-CE – jun2015

RK: Isso mesmo, Jeronimo. Que as pessoas falem de seus deuses a toda hora, e transformem o mundo numa imensa praça de pregação, todos brigando para converter todo mundo. Haja protetor de ouvido. (jun2015)

08- Zero porcento JESUS para quem perdeu ? Moacir Pamplona Bedê, Fortaleza-CE – jun2015

09- Sou fã de Neymar, e mais ainda de Jesus, mas isso foi 100% desnecessário. Alana Gabriela, Fortaleza-CE – jun2015

10- 99% Boticário !! Márcia Mattos, Fortaleza-CE – jun2015

11- Concordadíssimo, Kelmer. O mesmo para, por exemplo, pessoas que começam a enviar textos ou mensagens religiosas para todo mundo no trabalho. E nem falo dos que batem à sua porta no domingo de manhã com o mesmo fim. Ou começa a berrar dentro do ônibus ou do metrô. Proselitismo é chato. Se liguem! Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – jun2015

12- 100% concordo. Ana Maria Castello, Nova York-EUA – jun2015

13- No UFC é impressionante….QUando ganham, Jesus é o senhor…e quando perdem??? Jacques Josir, Santo André-SP – jun2015

14- Senão vira bagunça. Ângelo Jorge, Jericoacoara-CE – jun2015

15- E se a faixa fosse 100% gay? Seria polemica para todo lado. Ou 100 % ateu? Cláudio Picanço, Fortaleza-CE – jun2015

RK: Seria proselitismo do mesmo jeito, Cláudio. (jun2015)

16- Perfeito. Adorei o texto. Disse tudo o que penso e nao conseguia colocar em palavras. Bianca Leticia Giselle, Copenhague-Dinamarca – jun2015

17- Pelo contrário, eles estão cada vez mais intolerantes, radicais e onipresentes. Com certeza vc receberá comentários ainda mais raivosos do que em 2009. Vivemos uma nova Inquisição em pleno seculo 21… Roberto Vieira, Fortaleza-CE – jun2015

18- adorei o texto. Rildson Valmont, Fortaleza-CE – jun2015

19- O problema foi desrespeito as regras? Pois! Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – jun2015

RK: Ligia, o desrespeito às regras da competição é um aspecto menor da questão. O que está em jogo, acima disso, é o proselitismo, seja ele religioso ou não. Fazer propaganda abusiva é deselegante e inconveniente. Se outro jogador usasse a ocasião para propagandear qualquer outra coisa, também seria proselitismo. Certos contextos têm uma natureza laica, na qual a crença religiosa ou não religiosa das pessoas simplesmente não interessa. (jun2015)

20- Perfeito, Mr Kelmer! Jayme Akstein, Sidney-Austrália – jun2015

21- O problema foi uma religião invadindo o espaço de outra. Luc Lic, São Paulo-SP – jun2015

22- Ricardo, me desculpe, mas discordo 1.000% de sua opinião sempre tão contraria e agressiva à Deus e às pessoas que crêem Nele. Sinceramente, neste caso então do Neymar, não vejo motivo para isso ter lhe agredido tanto. Deixa o cara. Não quero com isso abrir aqui uma discussão, mas é difícil ficar calada diante do que vc coloca as vezes. Paz. Bj. Fernanda Philomeno, Fortaleza-CE – jun2015

RK: Obrigado por comentar, Fernanda. Sinto muito se você considera agressivas as minhas críticas aos aspectos negativos da religião. Considero legítimo e natural a religiosidade das pessoas, e luto pelo direito delas de tê-las e expressá-las, mas na ânsia de agradarem a seus deuses, muitas infelizmente exageram na publicidade e invadem espaços laicos, onde o que deve ter destaque são os interesses comuns e não a crença religiosa individual das pessoas. O exemplo de Neymar não é positivo porque se todos agissem como ele, a vida viraria um caótico palco religioso (mais do que já é), com todos fazendo publicidade abusiva de seus deuses e buscando novos fieis para eles. Tento levar a vida com bom humor, mas não consigo sentir simpatia por essa possibilidade. (jun2015)

23- Porisso que o Caio adora o Newmar. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – jun2015

24- AGORA QUE TIVE tempo de ler sua postagem e os comentários. Quero dizer que, vc está 100% correto. tudo que vc falou eu concordo. parabéns, não preciso nem comentar nada. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – jun2015

25- Também não vou. Rogers Tabosa, Fortaleza-CE – jun2015

26- Boa, Kelmer! Marcelino Pequeno, Fortaleza-CE – jun2015

CAMPANHA PROTEJA SEUS AMIGOS – Ao enviar mensagens coletivas de e-mail, jamais deixe os endereços dos destinatários expostos pois é justamente isso que municia os criminosos da rede, que catam endereços nas mensagens para enviar suas armadilhas e infectar nossos computadores. Ponha os endereços na <CÓPIA OCULTA> (cco ou bcc) pois, assim, quem recebe a mensagem não vê os endereços dos demais destinatários da mensagem.
Ricardo Kelmer
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Ventos do óbvio

07/06/2015

07jun2015

Ela tinha o controle de sua vida, ela e mais ninguém. Renascer. Renovar-se

VentosDoObvio-01

VENTOS DO ÓBVIO

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Zap! Seria tão bom se a vida tivesse controle remoto. Era só apertar um botãozinho para mudar a programação…

Olhando para o controle em suas mãos, ela sorriu. Sim, era dona de sua própria vida. Ela é quem tinha o poder de mudá-la. Ela e mais nada e mais ninguém. Então apontou o aparelho para a tevê, fechou os olhos e… zap!, desligou. Por que não? Por que não começar agora?

E foi assim que fez. Largou o controle no sofá, levantou e naquele exato momento começou vida nova. Sim, assim mesmo, de repente, aproveitar que chegava a Primavera. Mudanças, mudanças… Ela tinha o controle de sua vida, ela e mais ninguém. Renascer. Renovar-se.

Decidiu começar por uma faxina geral na casa, como havia tempo não fazia, escutando as músicas prediletas. Depois tirou do baú os vestidos de verão, leves e coloridos, tão lindos. E decidiu parar de fumar, dessa vez conseguiria. Há quanto tempo não se sentia tão disposta? Muito tempo. Aliás, disposta e bonita, ela completou, olhando-se no espelho. Faxina concluída, agora levaria os vestidos para lavar. E assim fez, seguindo pela calçada, bonita, feliz e inspirando o ar fresco da Primavera.

Eis, porém, que veio um vento. Forte e repentino. Invasor. Ela ainda não havia voltado da lavanderia. O vento estúpido desarrumou a casa toda, que ela tão bem ajeitara. E foi embora, rápido como chegou, levando com ele o rango que ela deixara na geladeira, a guitarra, a furadeira e o aparelho de dvd. Ainda bem que o dinheiro das contas, separadinho sobre a mesa, o desgraçado não viu.

Caramba… Quando ela entrou e acendeu a luz, demorou a acreditar. Quando, por fim, acreditou, encostou-se à parede, mais perplexa que desanimada, olhando para a casa inteira desarrumada, tudo fora de lugar. Por que esse vento? Por que logo agora que decidira mudar?

A guitarra era da filha roqueira, que por sinal já desistira da carreira. O dvd estava quebrado, só fazia volume na estante. A furadeira, o amigo esquecera lá tinha anos. E a comida… bem, um ou dois quilinhos a menos não fariam mal. Felizmente, o prejuízo material fora mínimo.

Mover-se, precisava mover-se, ela sabia. Lentamente, levantou-se, e tentando injetar ânimo nos próprios passos, foi pegar um cigarro. Sim, tinha decidido parar de fumar, sim… mas… ah, vai, não sejamos também tão radicais, numa hora dessas só os vícios nos salvam! Só os vícios nos salvam…, ela repetiu para si mesma, gostara da frase. Mas o diabo do cigarro também não estava lá, o vento invasor levara. Que desgraçado, podia ter lhe deixado ao menos os vícios.

A noite veio e a encontrou assim, do jeito que você a vê agora, em pé no meio da sala bagunçada, ainda inconformada com o roubo, buscando entender. Entender o quê? Que, de fato, faltava algo mais violento para o verdadeiro renascimento começar? Que precisa se livrar ainda mais das velharias que ocupam a estante de sua vida? Que antigos vícios podem salvar somente o que já não vive? Ou, na verdade, não há nada para entender além do óbvio? E qual é o óbvio? Será o óbvio isso, que ela tem que parar de buscar significados ocultos e se tornar uma mulher mais pé no chão? Prestar mais atenção no sinal que fecha do que nas cartas do tarô? Ou o verdadeiro óbvio nada tem a ver com os óbvios que a gente pensa que descobre?

Rindo da própria confusão mental, ela senta no chão, cruzando as pernas e juntando a barra do vestido entre as coxas. Sente na bunda o chão frio e isso parece despertá-la. Ela sorri da ideia, que a bunda a faz sentir-se viva, mas que hora de pensar sacanagem… Depois fecha os olhos e suspira, resignada. O pior de tudo, sabe o que é? Não é a casa de cabeça para baixo, não, amanhã arruma tudo outra vez. Também não é a incerteza do futuro, o futuro não existe, já sabe. O pior mesmo é sentir-se cercada da mais gritante obviedade… e não conseguir vê-la!

Intuição… Agora ela percebe que a intuição já vinha tentando dizer-lhe algo. Sonhos, presságios, coincidências… Deveria ter atentado mais aos ventos? Sim, os ventos, eles sempre trazem algo. Dessa vez trouxeram destruição. Trouxeram algo mais também, uma sensação estranha… de que mudar não é só tirar os vestidos do baú… Não, não, nada disso, tudo na verdade é só a confirmação do fim de um ciclo… Hummm, mas casa significa o eu, então isso tudo na verdade quer dizer que…

Sacudindo a cabeça, ela finalmente liberta o grito primal, até então preso nas entranhas da dor, Aaahhh!!! Mais forte, Aaaaaaahhhhhh!!! Então, o eco de seu berro ainda ecoando na sala, ela levanta, caminha até a janela e suplica ao mundo: Por favor, alguém aí tem um cigarro? Não, não, esquece. Alguém aí tem óbvio? Isso mesmo, óbvio. Sem filtro, por favor.

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

Kelmer Para Mulheres – Nesta seção do blog, homem fica de fora

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Insights e calcinhas – Uma calcinha rasgada pode mudar a vida de uma mulher? Ruth descobriu que sim

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

Carma de mãe para filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

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Bar do Araújo é a salvação

25/05/2015

25mai2015

Espremido entre duas igrejas evangélicas, o Bar do Araújo é a última resistência dos ateus. E do bom humor

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BAR DO ARAÚJO É A SALVAÇÃO

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É na pequena cidade de Jaguaribana, no Sertão Central do Ceará, que está localizado o Bar do Araújo. Espremidinho entre duas igrejas evangélicas, o bar lota quase todos os dias, graças à sua fiel clientela, feita de ateus, agnósticos, livres pensadores e até de religiosos moderados, que se divertem com o inusitado da situação. De passagem pela região, estiquei até a cidade, disposto a ver de perto aquele trio improvável. Mas não dei sorte no horário. Era meio-dia, e tanto as igrejas quanto o bar estavam fechados. Felizmente, consegui falar com os proprietários e alguns frequentadores do bar.

No início, o bar, que existe há sete anos, tinha pouco movimento, mas após a chegada das duas igrejas (no mesmo ano) ele foi fervorosamente adotado pelos ateus e livres-pensadores da cidade, que fizeram do local uma espécie de centro de resistência ateísta na região. A partir daí, o bar converteu-se ao bom humor e a sátira religiosa virou sua marca registrada, o que irritou bastante as igrejas. Entretanto, por contraditório que pareça, os frequentadores não querem que as igrejas saiam. “Os crentes querem expulsar o bar de qualquer jeito, pois pra eles ateu é seguidor do Diabo, mas nós queremos que eles fiquem. Isso aqui é uma bela mensagem de luta contra o fanatismo religioso, que não aceita nada que pense diferente deles”, diz Marcos, um ateu que já foi evangélico da igreja Deus, Eva e Adão no Paraíso. Sua namorada, Carol, uma ex-católica que hoje se define como espiritualista eclética, conta: “Primeiro, achei muito debochadas as piadas que o pessoal do bar faz com religião, mas depois achei muito pior a falta de humor dos meus irmãos de fé, e aí deixei de crer em religião”.

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Jaguaribana-CE

“Se Cristo morreu entre dois ladrões, este bar tá no lugar certo”, defende Rogério, seguidor do Pastafarianismo, que começou a frequentar o bar no dia em que soube que o pastor da Universal foi flagrado subornando um fiscal da prefeitura. Outra frequentadora assídua é Tomásia, que é agnóstica e filha de evangélicos. Ela conta que os pais e a irmã frequentam a Deus É Amor e que uma vez chegaram no culto e, ao saberem que o dízimo mínimo havia aumentado, foram ao bar lhe pedir dinheiro emprestado. A seguir, faz gozação com uma questão interessante: “Minha irmã diz que eu vou pro Inferno, e ela vai pro Céu porque paga o dízimo da igreja. Mas se ajudei a pagar, também posso ir, né?” Sua amiga Íris, que na adolescência frequentou a Congregação Cristã dos Fiéis Vencedores Salvos da Macumba, mas que hoje se diz neopagã, brinca com ela: “Deusa te livre! Se você chegar no Céu dos crentes, vão te barrar só pelo bafo de pinga.”

E o Araújo? Ele é uma entidade que nunca aparece. Na verdade, o bar já se chamava assim quando três irmãs o compraram e mantiveram o nome. Elas são três Marias: Auxiliadora, Madalena e Aparecida, filhas de pais muito católicos, já falecidos. Auxiliadora, a mais velha e ateia, explica que o bar recebe igualmente a todos, sem distinção de crença ou não crença, e que é amiga de vários fieis das igrejas vizinhas, mas faz uma ressalva: “Menos de uns fanáticos aí, que oram todo dia pra Deus mandar um raio bem em cima do bar. Quando eu pergunto se o raio não vai atingir também as igrejas, eles dizem que vai atingir a outra, não a deles.” Madalena é a filha do meio, batizada em homenagem à apedrejada personagem bíblica, mas é umbandista, e é mais conhecida pelo apelido, Madá das Pedras, por ser ela quem prepara a tradicional Sopa de Pedra, servida às terças. E Cida, a caçula, que já frequentou todas as igrejas evangélicas da cidade e não esquentou o banco em nenhuma, diz que adora trabalhar no bar porque os ateus e ateias aceitam sem problemas sua bissexualidade e sua alma livre. Indagada sobre suas crenças, ela responde: “Eu sei que Deus existe, mas Ele detesta religião e fica puto com essas louvações todas. Deus já passou dessa fase.”

As três Marias

As três Marias

O bar é simples e sem sofisticações, mas suas donas primam pelo tratamento criativo e bem-humorado dado aos frequentadores. A casa abre e fecha sempre ao som de trombetas e, obviamente, funciona também em dia santo. Toda noite, antes de fechar, rola uma rodada de Expulsadeira do Éden, cachaça artesanal da região. Após um ano, o cliente ganha a carteirinha de Testemunha de Araújo, que dá direito a pendurar a conta, ou melhor, crucificar a conta, pois ela é literalmente pregada num madeiro em X que fica atrás do balcão. Assim como seus vizinhos, no Bar do Araújo também existe o dízimo, com a diferença que quem cobra é o próprio cliente: toda dose dá direito a uma choradinha dizimal. Quanto aos banheiros, eles não são divididos por gênero masculino ou feminino, mas pela fé de cada um. Na porta de um, “Fé demais”, e na do outro, “Fé de menos”. O segundo é mais usado.

Antes, o bar sofria bastante com os cultos das igrejas, pois a zoadeira espantava os clientes, principalmente em dia de exorcismo. Como o poder público era indiferente à poluição sonora divina, o bar resolveu a questão fazendo shows com a banda de rock Lucy Feryna exatamente na hora dos cultos. A gritaria dos vizinhos combinou tão bem com o som pesado da banda que caravanas de roqueiros chegavam na cidade só para ver os shows. Incomodados, e cientes de que contribuíam para o sucesso da banda, os pastores instalaram isolamento acústico nas igrejas, o que fez os shows perderem a graça. Mas o episódio fez surgir um novo gênero musical, o demogospel metal, e inspirou o surgimento de várias bandas, como a Danação Eterna e a Hordas do Louvor, que se especializaram em fazer shows ao lado de igrejas evangélicas, aproveitando o coro dos cultos.

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Testemunha de Araújo faz manifestação em defesa do bar

Dos três estabelecimentos, apenas o bar paga impostos, pois igrejas são isentas por lei. Alegando desrespeito religioso, ambas as igrejas já tentaram fechar o bar várias vezes, sem êxito. Já tentaram também alugar o espaço, mas estão condenadas à convivência já que o dono do imóvel, que preferiu não ter o nome divulgado, pretende manter os aluguéis do jeito que está. Apesar de serem ambas evangélicas, as igrejas possuem diferenças entre si e são comuns desavenças entre seus fieis. Numa delas, um ano atrás, evangélicos dos dois lados discutiram e atiraram, uns contra os outros, dezenas de garrafas de água milagrosa do rio Jordão. “Foi um pandemônio, era vidro pra todo lado. E os nossos clientes, coitados, no meio do fogo, tiveram que se proteger embaixo das mesas”, conta Auxiliadora, relembrando o caso. Felizmente, ninguém se feriu seriamente, e depois desse dia os pastores passaram a vender a água milagrosa em garrafa de plástico. Desde então não houve mais grandes confusões. “Até agora, este é o único milagre comprovado da água milagrosa”, conclui Madá, a das pedras.

A seguir, uma amostra do cardápio, da programação e das promoções do Bar do Araújo.

CARDÁPIO:

Xis-Gospel (com e sem queijo) – Linguiça do Pastor – Pastel Convertido – Dogão de Salomão (duas salsichas) – Encosto de Moela – Amarradinho de Frango – Exuspetinho (com farofa e vinagrete) – Torresminho de Ateu – Chucrute na Santa – Pecadinho de Fígado – Línguas de Fogo ao Molho Madeira – Encruzilhada de Bode – Fornicadinho de Azeitona e Queijo – Benzidão de Porco na Chapa – Sarapatel da Arrependida – Condenada na Grelha (galinha assada) – Pimenta Braba do Anticristo – Heresia de Peixe com Fritas – Pomba com Ovos Dentro – Rabada da Crente – Arrebatada com Macaxeira – Vodu de Camarão no Palito – Ungido de Vatapá – Buchada Poderosa do Juízo Final – Blasfemo Cozido (tem espinha, cuidado) – Galeto Crucificado com Farofa – Patê de Ateu – Ressuscita Jesus (caldo de mocotó com tripa de surucucu) – Capetinha de Frutas – Vinho de Jurubeba Filhas de Ló – Ponche de Pilatos – Pinga Milagrosa do Rio Jordão – Mexidão do Moisés (com ketchup do Mar Vermelho) – Admoestada com Pepino e Cenoura – Possuída ao Molho Cabidela

PROGRAMAÇÃO:

Segunda do Arrependimento: quanto mais pecado, mais desconto
Terça da Salvação: sopão grátis para expulsos da igreja
Quartafobia: teatro com o grupo Os Ex-ex-gays
Quinta do Descarrego: a quinta cerveja é por conta do Cão
Sexta: show com as bandas Dizimados no Apocalipse e Jericos de Jericó
Sábado: Jesus não paga (mas tem que apresentar documento com foto)
Domingo: show de humor com a dupla Paifilho e Espírito Santo

BarDoAraujoEASalvacao-03PROMOÇÃO: ESTE COPO NÃO TE PERTENCE
Quem bebe no gargalo tem desconto (economia de água na lavagem dos copos)

AVISO SOB O RELÓGIO NA PAREDE:
Que oração? Hora que passa.

AVISO NO CARDÁPIO:
Aqui todos falamos em línguas (enroladas)

INVOCAÇÃO ETÍLICO-DEMONÍACA
(para ler refletido no espelho, à meia-noite)
SÁRBARREF, MIUR ASIOC, OSOHNIT
ZAPAR ORP AGNIP E AÇOM ARP AGNIP

BEBEU DEMAIS E NÃO PODE DIRIGIR?
Disque Arrebatação. Somente mototáxis credenciados.

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RESSUSCITA ARAÚJO
Em frente ao bar e desesperado, Testemunha de Araújo pede milagre

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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ESTA POSTAGEM INTEGRA A SÉRIE REAL PARALELO
Onde ficção e realidade se encontram no infinito
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FALARAM DO BAR DO ARAÚJO PELAÍ

Blog da Socaba (Sagrada Ordem dos Cavaleiros do Bar) – SOCABA Adota a Campanha: Resiste Bar do Araújo
Blog do Tiago Cabral – A verdadeira história do “Bar do Araujo”
Site Paulopes – Foto do Bar do Araújo se torna viral a favor da resistência laica


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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- kkkk. e depois, o exorcismo é no banheiro!!! Fernando Vasqs, São Paulo-SP – mai2015

02- cada um com sua lombra. Eduardo Freire, Fortaleza-CE – mai2015

03- KKKKKKKKKK. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – mai2015

04- Show de bola ! Carlos Almir, Fortaleza-CE – mai2015

05- Cerveja, deve se quente. HumbertoGirao Filho Girao, Fortaleza-CE – mai2015

06- esse exuspetinho me deu água na boca rsrsrsrsrsrsrsrsrs. Amaury Candido Bezerra, Fortaleza-CE – mai2015

07- Lembra me o livro “As Pelejas de Ojuara” do escritor Ney Leandro de Castro, avô da minha querida amiga Giselle Leandro Fleury! Ojuara (Araujo ao contrário)! O homem que desafiou o Diabo! Cauê Procópio, São Paulo-SP – mai2015

08- Boa Cp! Literalmente!!!!! Giselle Leandro Fleury, Rio de Janeiro-RJ – mai2015

09- Fabiano Souza, olha o cardápio do Herói Araujo rsrsrsrsrsrsrs. Fexx Efexx, São Paulo-SP – mai2015

10- Olha o cardápio e a programação, Ivo Pinto. Oriana Menescal, Fortaleza-CE – mai2015

11- O melhor é seguir o caminho do meio! Alexandre Domene Ortiz, Fortaleza-CE – mai2015

12- Kelmer o texto completo do blog tá sensacional, parabéns… eu já tinha visto a foto, mas com essa crônica acompanhando ficou incrível kkkkk. Christiane Ramos, Fortaleza-CE – mai2015

13- Seo Kelmer, isso é genial. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – mai2015

14- ótimo. Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – mai2015

15- tem que dar muita força pro Araujo. pq igreja da muito mais dinheiro do que um bar. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – mai2015

16- Ricardo Kelmer, meu poeta, achei q era so foto, nao tinha lido o texto. q phueda, crônica-reportagem de primeira. genial, amigo. bjo. Xico Sá, São Paulo-SP – mai2015

17- Procurando socios para montar uma igreja Ja tem o nome “Santa Sacolinha”.. kkkk. Marie Anne Bauer, Fortaleza-CE – mai2015

18- E esse cardápio do inferno tá de comer rezando. Paula Brito, Fortaleza-CE – fev2019

19- Sai um sarrabufado dizimal e uma cerva divinal? Parabéns Kelmer! Excelente o livro inteiro! Obrigado! Guga Cazagrande, Fortaleza-CE – fev2019

20- Bem sortido! Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – fev2019

21- Ponche pilatos. Rhany Costa, Manaus-AM – fev2019

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O improvável, o impossível e o inacreditável

06/05/2015

06mai2015

Numa hora dessa, como ainda ter forças pra superar um rival que virou o jogo no fim com um jogador a menos, que já conseguiu o impossível?

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O IMPROVÁVEL, O IMPOSSÍVEL E O INACREDITÁVEL

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Três de maio de 2015. Acompanharei o jogo pelo rádio, sozinho em meu apartamento aqui em São Paulo. Jogamos pelo empate, mas não tenho ilusões, sei que será difícil pra caramba. Por isso trato logo de imaginar um roteiro bem sofrido: meu time fará 1×0, no segundo tempo o rival empatará e, no fim do jogo, pênalti pra eles… que o nosso goleiro defenderá. Isso mesmo, dor e angústia até o fim. Pronto, estou preparado. Mas não. Ninguém poderia estar preparado pro que aconteceria.

O ano começou ruim pro Fortaleza Esporte Clube. O último título tricolor fora o tetracampeonato estadual de 2010. Agora, porém, o clube amargava cinco anos na Série C do Brasileiro, um pesadelo horroroso, enquanto o maior rival, Ceará, mais organizado e com mais dinheiro em caixa, se preparava pra um provável pentacampeonato. Restava ao Leão superar as próprias limitações e realizar o improvável. E, principalmente, evocar a tal “mística daquelas camisas”, uma força misteriosa e inexplicável que amedronta até o maior rival e que sempre esteve presente nas grandes conquistas do clube, mas que andava meio sumida.

Acesso a internet e ligo o rádio. Estou tão nervoso que nem lembro de beber algo pra relaxar, isso é incrível, e meu intestino, coitado, nem vou comentar. Mas a camisa tricolor está lá, hasteada no alto do armário, como a estrela-guia da esperança. No primeiro jogo das finais, um domingo antes, surpreendemos e vencemos por 2×1, revertendo a vantagem do Ceará, e agora jogamos pelo empate. Uau, estamos perto de realizar o que era improvável… A conquista da Copa do Nordeste pelo rival, quatro dias antes, o faz chegar pra esse segundo jogo com o merecido status de melhor time da região. É, não vai ser fácil. Mas estou preparado. Tsc, tsc… Ô ilusão.

O golaço de Daniel Sobralense me alivia. Agora eles têm que virar o jogo pra nos tomar o título. Mas continuo desconfiado, não pode ser assim tão facinho… Começa o segundo tempo e o jogo segue difícil, chances dos dois lados. Então eles têm um jogador expulso. Oba, ficou mais fácil. Sim, mas a desconfiança não me deixa relaxar. Chegamos aos 36 minutos. Agora só o impossível pra nos tirar o título.

E eles empatam. Aos 37 do segundo tempo. Que merda. Agora virão uns treze minutos de desespero. Segue o jogo. Mas o tempo não passa. Minhas mãos suam, o coração vai sair do peito, tenho certeza. E aos 45 eles viram o jogo. Não pode ser… Eles alcançaram o impossível. É o pior dos pesadelos pro meu Leão.

Prevejo os dias seguintes, as gozações, vai ser insuportável. Penso em desligar o rádio, me poupar dessa tortura. Mas isso seria covardia, não posso abandonar o time agora. Olho pra camisa lá no alto e me agarro ao último fiozinho de esperança. Mas numa hora dessa, como ainda ter forças pra superar um rival que virou o jogo no fim com um jogador a menos, que já conseguiu o impossível?

Quando o narrador grita o gol inacreditável de Cassiano, aos 47 minutos, demoro a crer, espero um tempo, vão anular o gol… Mas é verdade. É mágico, é inacreditável, mas é real, empatamos! O jogo termina, um jogo épico que entrará pra história. Quem poderia imaginar roteiro tão fantástico? Eu sou campeão, que maravilha! Mas ainda estou tão perplexo… Eu sei que é verdade, mas acho que não consigo acreditar que realmente aconteceu…

É um grande guerreiro aquele que realiza o improvável. É um gigante quem alcança o impossível. Mas como chamar quem consegue o inacreditável? Pode chamar de Fortaleza, é este o seu nome. Parabéns a nós tricolores. A mística daquelas camisas está de volta.
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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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> Site oficial do Fortaleza Esporte Clube
> Fortaleza Esporte Clube na Wikipedia

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CLIPE COM GOLS DAS DUAS FINAIS
edição: RK

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DETALHES DA CONQUISTA

01- Após o gol de Assisinho, aos 45 do segundo tempo, pondo o Ceará à frente do placar, enquanto seus companheiros pareciam sem forças para reagir, o lateral direito Tinga foi buscar a bola dentro do gol e a levou até o centro do gramado, posicionando-a para que o jogo recomeçasse logo. Na saída de bola, Daniel Sobralense tocou para Cassiano, que recuou para o volante Correa, e, enquanto vários jogadores avançavam para a área, ele tocou na esquerda para Wanderson (eleito o melhor lateral esquerdo do campeonato), que avançou, driblou Robinho com um giro de corpo, atraiu a marcação de mais dois adversários e fez um lançamento preciso na direita para Tinga, que cabeceou no meio para Cassiano, que entrara dez minutos antes, tocar para o gol. Tinga, que também participou do gol de Éverton, no primeiro jogo, cruzando para ele cabecear, era um dos jogadores mais questionados pela torcida, mas subiu de rendimento nas finais.

02- O goleiro Deola e o volante Dudu Cearense foram as contratações mais caras. O primeiro alternou boas atuações com falhas preocupantes, e o segundo demorou a entrar no ritmo, lesionou-se e decepcionou os que nele tanto acreditavam. Felizmente, os volantes Vinicius Hess e Auremir, ao lado de Correa, o grande maestro do time, tiveram bom rendimento e se entrosaram bem com os zagueiros e laterais, fazendo do sistema defensivo o ponto forte do time. O meio de campo melhorou com a subida de rendimento de Éverton e a chegada de Daniel Sobralense. Quanto ao ataque, nenhum dos jogadores se destacou, e esse foi o setor de pior rendimento.

03- Foram frequentes os problemas de contusão durante o campeonato, principalmente na primeira metade do certame, o que dificultou bastante o trabalho do técnico Nedo Xavier, demitido após derrota para o Ceará na segunda fase. Sem poder contar com jogadores como Romarinho e Radar, que quase não jogaram, o técnico Marcelo Chamusca também teve problemas com as contusões. Daniel Sobralense, por exemplo, precisou por duas vezes interromper sua sequência de jogos, voltando a atuar nas finais, sem muito ritmo de jogo. Seu talento, porém, compensou tudo.

04- O ressurgimento do caso David Madrigal no meio do campeonato e a polêmica decisão do TJDF-CE de excluir o Fortaleza do campeonato e rebaixá-lo para a segunda divisão, pegou a todos de surpresa. O clube agiu rápido e conseguiu o efeito suspensivo, o que lhe garantiu jogar as semifinais e as finais. O caso, porém, em vez de dificultar ainda mais a vida dos tricolores, pareceu injetar um novo ânimo no Pici e serviu para unir mais a torcida em torno do time. A solicitação de árbitro de fora para as finais, feita pelo Fortaleza, foi mais uma jogada inteligente, reforçando a ideia de que o clube, além do rival Ceará, lutava também contra a Federação e os interesses obscuros do TJDF-CE.

05- A invasão do campo por parte da torcida do Fortaleza, após o apito final, poderia ter sido evitada com a presença de mais policiais no campo, afinal era uma atitude perfeitamente previsível. A comemoração tricolor provocou a ira da torcida do Ceará, que soltou rojões sobre os torcedores tricolores no campo e invadiu o gramado para brigar. Erraram as duas torcidas. Falharam as autoridades da segurança. Perdeu o futebol e perderam os dois clubes, que tiveram de pagar pelo prejuízo dos assentos quebrado e certamente sofrerão penalidades nos tribunais.

06- FICHA TÉCNICA
– Local: Arena Castelão, Fortaleza-CE
– Data: 3 de maio de 2015, domingo, 16 horas
– Árbitro: Péricles Bassols-RJ
– Cartões amarelos: Charles, Uillian Correia, Ricardinho (Ceará); Daniel Sobralense, Deola, Pio e Lúcio Maranhão (Fortaleza)
– Cartões vermelhos: Uillian Correia (Ceará); Maranhão (Fortaleza)
– Público pagante: 50.002
– Público não-pagante: 1.000
– Renda: R$ 1.169.467,00
– ESCALAÇÕES:
FORTALEZA: Deola, Tinga, Adalberto, Lima e Wanderson; Pio (Maranhão), Auremir, Correa e Everton (Vinícius Hess); Daniel Sobralense e Lúcio Maranhão (Cassiano). Técnico: Marcelo Chamusca. BANCO: Erivélton, Genilson, Max Oliveira, Hudson, Radar, Vinícius Hess, Cassiano, Samuel, Maranhão, Márcio Diogo, Dudu Cearense e Cássio.
CEARÁ: Luis Carlos, Samuel Xavier, Gilvan, Charles e Fernandinho (Tiago Cametá); João Marcos (Robinho), Uillian Correia, Ricardinho e Marinho; Magno Alves e William (Assisinho). Técnico: Silas. BANCO: Tiago Campanaro, Sandro, Everton, Jean Cléber, Marcos Aurelio, Wellington Carvalho, Robinho, Eloir, Assisinho, Carlão e Wescley.

07- Onde você estava quando Cassiano fez o gol do título? – Na página oficial do clube no Facebook, dezenas de torcedores relatam suas experiências

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HINO DO FORTALEZA EM NOVE VERSÕES

00m00 – Original 1967 com Manoel Paiva
02m40 – Lírica com Ayla Maria e Raimundo Arraes
04m59 – Raimundo Fagner
08m44 – Reggae com banda Okolofé
12m10 – Voz e violão com Calé Alencar
14m22 – Forró com Neo Pi Neo
16m58 – Versão rock (Alexandre Carvalho. Instrumental: André Carvalho)
20m09 – Original regravação 2002
22m35 – Em francês (Voz: Giselle Café)
24m43 – Versão de Nonato Luiz (violão, com batucada nas cordas do violão)

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AMisticaDaquelasCamisas-01aA mística daquelas camisas (crônica) – Eu era um menino de nove anos quando a magia daquelas camisas invadiu minha vida. Os radialistas falavam sobre a tal mística das camisas do Fortaleza Esporte Clube, mas eu ainda não podia entender o que era. No entanto, o azul-vermelho-e-branco já seduzia meus olhos de criança, e me fascinavam as histórias sobre as vitórias impossíveis. 

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FECLeao-02O hino O primeiro hino do Fortaleza foi composto em 1959, por José Jatahy. Em 1967 é composto o hino oficial pelo poeta Jackson de Carvalho, sendo sua gravação em outubro do mesmo ano, tendo como arranjador o maestro Manuel Ferreira e como intérprete o cantor Manoel Paiva. Em entrevista à revista Veja, o cantor e compositor Chico Buarque afirma que considera o hino do Fortaleza o segundo hino mais belo do futebol brasileiro, sendo o primeiro o do seu clube, o Fluminense.

Fortaleza, clube de glória e tradição
Fortaleza, quantas vezes campeão
Fortaleza, querido idolatrado
Estás sempre guardado dentro do meu coração

Altivo, tua vida sempre foi um marco
Tua glória é lutar e vencer também
Salve o Tricolor de Aço
No campo, provaste mesmo que não tens rival
Tua turma é valente, é sensacional
Salve o Tricolor de aço

Soberbo, tua fibra representa um norte
Combativo, aguerrido, vibrante e forte
Sem demonstrar cansaço
Receba um sincero abraço da torcida tão leal
Meu Tricolor de Aço

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> Hino oficial do Fortaleza Esporte Clube
> Hino oficial (Fagner)
> Hino oficial, versão lírica (Ayla Maria e Raimundo Arraes)
> Hino oficial, versão forró (Neo Pi Neo)
> Hino oficial, versão rock (Voz: Alexandre Carvalho. Instrumentos: André Carvalho)

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Maravilha de crônica Kelmer! Viva o Tricolor de Aço! Bj saudoso. Madalena Bonfim, Fortaleza-CE – mai2015

02- A cronica estava linda demais e o futubol realmente surpreendeu! Michelle SJ, Fortaleza-CE – mai2015

03- Curti a crônica, não a “A mística daquelas camisas está de volta.” Rsrs. Parabéns, tricolor Kelmer. André Domene Ortiz, Fortaleza-CE – mai2015

04- Ai dentro. Carniça. Marcella Costa, Fortaleza-CE – mai2015

05- Beleza pura a crônica. Eugênio Oliveira, Fortaleza-CE – mai2015

06- Texto lindo e perfeito! Saudações tricolores! Jacqueline Moura, Fortaleza-CE – mai2015 

07- Saudações Cassianas! Halder Gomes, Fortaleza-CE – mai2015 

08- Parabens pela linda crônica,parabens pela vitória do Foraleza. Vilma Galvão, Fortaleza-CE – mai2015

09- bom demais, tricolor. bjo. Xico Sá, Rio de Janeiro-RJ – mai2015

10- Adorei a crônica. Saudações tricolores, tem que ser sofrido sim, porque torcer fortaleza é para os fortes, não é mesmo? Valeu! Ana Nathalia Simões, Fortaleza-CE – mai2015

11- Traduziu nossa angustia e ao mesmo tempo nossa grande conquista!!!! Parabéns a todos os tricolores!!! Eduardo Maranhão, Fortaleza-CE – mai2015

12- Caros amigos tricolores! Fantástico texto do meu amigo Ricardo Kelmer! Alfredo Junior Franco, Fortaleza-CE – mai2015

13- É isso, Ricardo Kelmer. Aproveito e coloco aqui sua observação:”A confusão e a violência entre torcedores arruaceiros entristecem o futebol, sim, mas o futebol em si é belo e emocionante. É justo separar uma coisa da outra, pois a imensa maioria dos torcedores é de bem e vai pro estádio apenas pra torcer por seu time.” Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – mai2015

14- O campeão voltou! Eugênio Oliveira, Fortaleza-CE – mai2015

15- Vale a leitura! Parabéns Ricardo Kelmer Fabio Mota, Fortaleza-CE – mai2015

15- Vale a leitura! Parabéns Ricardo Kelmer Fabio Mota, Fortaleza-CE – mai2015

16- Nossa.Me emocionei dnv. Otimo trabalho !! Paulo Jose, Fortaleza-CE – mai2015

17- Que texto massa!!! Todo tricolor tem que ler e conhecer Ricardo Kelmer! Mto show!!! Renata Damasceno, Fortaleza-CE – mai2015

18- Show. Stefany Sousa, Fortaleza-CE – mai2015

19- Bacana demais!!!somos tricolor de aço. Ereneide Viana, Fortaleza-CE – mai2015

20- Para os campeões ! Carlos Sampaio, Fortaleza-CE – mai2015

21- Parabéns Ricardo Kelmer. Emocionante seu texto. Senti exatamente o mesmo… Ao ler seu fantástico texto senti toda emoção de domingo mais uma vez. Esse é o nosso leão. Impossível, improvável e inacreditável! Hugo de Freitas, Fortaleza-CE – mai2015

22- O texto retrata o sentimento dos tricolores, que apesar de torcedores, sabem bem separar paixão e razão, e tinham consciência do melhor momento do rival. O receio, a desconfiança no que o time poderia fazer estavam presentes nesses tricolores e, ao que parece, o sentimento foi esse mesmo durante os 90 minutos. Marcos André, Fortaleza-CE – mai2015

23- Realmente retrata quase tudo que passei! Parabéns! Joao Batista Mota, Fortaleza-CE – mai2015

24- perfeito! AAIii meu coração!!! É verdade, meu Deus!!! Andrea Mesquita Lima, Fortaleza-CE – mai2015

25-  Eu também demorei a acreditar, nem vi direito pois já estava me sentindo derrotada. Mas valeu! Bom demais!! Te amo Leão!!! Cristiane Bastos, Taíba-CE – mai2015

26- Parabéns, grande Ricardo Kelmer. Eu senti tudo isso, só que às avessas, hehehe. Augusto Caminha, Fortaleza-CE – mai2015

27- Outra foi aquela que chegamos no segundo tempo de Fortaleza e Ceará aos 35m e o Fortaleza perdia de 3×0, não é q empatou.. Andre Soares Pontes, Fortaleza-CE – mai2015

28- Emocionante! Quase me transportei pro passado naquele dia! Emoções mil, eu vivi extasiado! José Milton Fontenelle, Fortaleza-CE – mai2015

29- Como eu estou com 60 anos, essa linda crônica fez-me lembrar do inesquecível Blanchard Girão, o criador da “mística daquelas camisas”. Francisco Celio Cavalcante Marinho, Fortaleza-CE – mai2015

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Druuna e a salvação pelo sexo

18/04/2015

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Com sua doçura e generosidade, ela simboliza a salvação através da verdadeira pureza, livre do pecado

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DRUUNA E A SALVAÇÃO PELO SEXO

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No futuro, num mundo hostil e decrépito, uma estranha doença ataca os pecadores, que se transformam em monstros e morrem vítimas de terríveis deformidades. Druuna é uma bela e voluptuosa garota que, para conseguir remédio para o namorado e descobrir as origens da doença, envolve-se em várias aventuras e faz sexo com as criaturas mais estranhas do Universo.

Este é o enredo dos quadrinhos de ficção científica-erótica Druuna, a obra-prima criada nos anos 1980 pelo desenhista italiano Paolo Serpieri, um mestre consagrado do desenho. O roteiro é ótimo e a técnica de Serpieri é um espetáculo visual, com seu traço inconfundível, a teatralidade das imagens, o jogo de luzes e sombras e o uso criativo dos ângulos de cena. E a morena Druuna, com sua tez ameríndia, com suas mesmerizantes curvas e protuberâncias e, particularmente, com sua bunda brasileiríssima, é um deleite para os olhos. As histórias são recheadas de sexo, pois Druuna, além de apetitosa, tem muito, mas muito apetite: ela aceita homens superdotados, mulheres de toda cor e sabor, mutantes depravados, monstros horripilantes e robôs insaciáveis, sempre dando e recebendo muito prazer.

À primeira vista, a história pode soar como mero pretexto para a sacanagem explícita e generalizada. Bem, ainda assim seria uma puta obra-prima da sacanagem, pela qualidade artística e pelas notáveis cenas de sexo. A saga de Druuna, porém, merece elogios também por sua profundidade temática: a garota que busca salvar seu namorado é o poder encarnado do sagrado feminino, que pode nos guiar no grande caos dos valores e nos religar à sabedoria instintiva. Os prazeres sexuais de Druuna nos remetem a todo instante à mítica tensão entre Eros e Tanatos, e sua imagem nua nos força o olhar para o contraste entre a beleza e a degradação num mundo que canta a mulher mas ao mesmo tempo a teme e a apedreja justamente… por ser mulher. O impacto que Druuna causa tem a típica força do mito: ela reverbera em nossa alma sensações de alumbramento, assombro, êxtase e reverência pela beleza e pela vida.

Uma história machista, violenta e pornográfica, que denigre a imagem feminina, e mais isso e aquilo mais… No início, Druuna recebia fortes críticas, principalmente de feministas radicais, que Serpieri sempre rebateu com segurança: sua história é uma alegoria da nossa própria realidade, em que somos ávidos por sexo mas, ao mesmo tempo, temos vergonha disso e envolvemos a nudez e o ato sexual num tenebroso clima de culpa, pecado e autonegação, o que nos torna neuróticos e violentos. Para Serpieri, sua heroína, sendo mulher, representa a vitória do belo, do natural e, principalmente, do prazer, sobre o mundo decadente em suas neuroses e contradições.

O contraste entre a imagem de Druuna e a decrepitude ao seu redor é a vitória da beleza e da vida diante da doença e da morte. Com sua doçura e generosidade, ela simboliza a salvação através da verdadeira pureza, livre do pecado, e redime o mundo pelo prazer. Boa sorte em sua missão, Druuna, e bons orgasmos.


Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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SAIBA MAIS

Blog Enochhaym – Bom texto sobre Serpieri e Druuna

Blog do Gutemberg – Druuna decide destino dos sobreviventes da tragédia nuclear

Blog HQ Quadrinhos – A arte maravilhosa de Serpieri

HQs eróticas de Manara miram a opressão da Igreja e do Estado, diz biógrafo – Entrevista com Gonçalo Junior, autor do livro “Subversão Pelo Prazer” (Editora Noir, 2017), sobre o desenhista Milo Manara

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

LolaBenvenutti-1Lola Benvenutti e a coragem de viver – A única salvação possível é sermos quem verdadeiramente somos

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

Bettie Page, nós te amamos – Ela é um ícone da moda, da arte erótica e também do universo BDSM, inspirando artistas e fetichistas

Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

Diametral,NinfaJessi19aAs aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir

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DICA DE LIVROS

IFTCapa-05aIndecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer, contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

A Entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação por meio do sexo anal

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A marmota do ano

26/02/2015

26fev2015

O dia em que Fortaleza aplaudiu um artista que nunca existiu

AMarmotaDoAno-05

A MARMOTA DO ANO

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Oi, recebi teu recado. Tô no orelhão, fala rápido. O quê? Sério? Não, eu não acredito… Quer dizer que atualmente o maior sucesso aí em Fortaleza é um artista japonês que nunca existiu? Não, vocestão de sacanagem comigo. Heim? Os jornais fizeram matéria de capa? O quê?! Entrevistaram o japa?! Não, assim vocês não querem que eu volte…

Yuri Firmeza? É um artista daí? Não sei, acho que não conheço. Ah, foi ele quem inventou o artista japonês. Tá. E acertou com o Centro Cultural Dragão do Mar uma exposição no Museu de Arte Contemporânea? Como se fosse do japa? Putz… Comué, ele criou um passado pro japa? Criou fotos das obras do cara, inventou uma assessoria de imprensa, enviou informações pros jornais? Deu entrevista por e-mail como sendo o japa? Que louco… Tá, mas o que tinha na exposição? Cópias de mensagens de e-mail? Ah, tá, que Yuri trocou com um filósofo, exatamente sobre a ideia da farsa. Ahahah! Sensacional! Isso sim é que é molecagem contemporânea!

Mas por que ele fez isso? Chamar a atenção sobre o quê? A questão da arte, tá. E denunciar a negligência da imprensa com os artistas locais? Hummm, olhassó… Danado esse Yuri, heim? E o público, o que achou? A maioria se manifestou favorável ao artista moleque? Certo. Os leitores do jornal o quê? Ah, criticaram o pedantismo dos jornalistas. Ok. E os jornalistas? Ahn? Apedrejaram o artista? Comassim? Quer dizer que não reconheceram o próprio erro? O quê? O jornalista afirmou que tudo isso era medíocre e que o objetivo do artista foi arranhar a credibilidade e a boa reputação dos jornalistas? Entendi. Peraí que aqui tá passando um caminhão limpa-fossa.

Pronto, já passou. Heim? O jornalista disse que muitos idiotas vão entender a coisa como um alerta sobre a cobertura jornalística da cultura no Ceará? Vixe, e é pra entender o quê? Ops, volta a fitaí, ele disse “idiotas”? Não, ele não disse isso, não é possível. Bem, então muito prazer, eu sou um dos idiotas. Corajoso o jornalista, né? Chamar o artista de medíocre, vá lá, é a opinião dele, apesar de ter um cheirinho de ressentimento. Mas chamar seus próprios leitores de idiotas? Uau! Afinal, o que tá havendo com a minha querida imprensa alencarina? Devem ter botado alguma coisa na bebida desse povo, não é possível.

Como é mesmo o nome do japa? Souzousareta Geijutsuka? Diabo de nome é esse? Quer dizer o quê em japonês? Artista inventado? Não, tu já tá sacaneando. Mas peraí… Nenhum jornalista se deu ao trabalho de pesquisar se esse Zé Sareta existia mesmo? Não tem internet nas redações do Ceará não? Heim? Os jornalistas disseram que o Dragão do Mar perdeu a credibilidade? Pois pra mim, isso que o Dragão fez foi uma benfeitoria pública. É. Afinal, tudo isso serviu pra mostrar que o rei tá pelado e que o pinto do rei é pequeno. Sim, todo mundo sabia. Menos o rei.

O papo tá bom, mas os créditos tão acabando, vamo ter que encerrar. Mas antes manda um recado aí pra turma. Diz que eu voto nessa história pro acontecimento jornalístico de 2006. Claro. A marmota do ano. De uma lapada só fez a cidade inteira discutir arte, lógica de mercado, subserviência cultural ao que vem de fora, o papel da imprensa e sua credibilidade, a postura dos jornalistas… Ah, é, e também serviu pra mostrar como são idiotas os tais leitores do jornal. Eu principalmente, que leio todo dia.

Olhassó, esse Yuri devia fazer uma estátua. Dele não, do Zé Sareta. Isso, no Dragão do Mar. O Ceará não é a terra da molecagem? Não foi Fortaleza quem uma vez vaiou o sol na Praça do Ferreira? Então. Uma estátua do japa lendo jornal. Pra gente nunca mais esquecer do dia em que Fortaleza aplaudiu um artista que nunca existiu.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica. A imagem que ilustra o texto é uma montagem feita a partir de trabalhos de Yuri Firmeza.

> A crônica A Marmota do Ano foi publicada em minha coluna Kelméricas, no site do jornal O Povo (Fortaleza), dez dias após a abertura da exposição de Yuri Firmeza. O texto a seguir, Quem Aprendeu, Aprendeu, foi publicado em meu site pessoal no mesmo ano, 2006. Minha defesa do artista e do Centro Cultural Dragão do Mar, junto às minhas críticas ao comportamento da imprensa, infelizmente não foram bem recebidas por alguns colegas jornalistas e me renderam antipatias. Fazer o quê?

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AMarmotaDoAno-05aQUEM APRENDEU, APRENDEU
Ricardo Kelmer, 2006

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Minha crônica A Marmota do Ano é um deboche, evidentemente, mas ela pretendeu também chamar a atenção para um fato que é tão absurdo que parece mentira, para que o leitor reflita sobre esse acontecimento riquíssimo de implicações artísticas, jornalísticas e sociais, e tire suas próprias conclusões.

É interessante notar que num primeiro momento, após a descoberta da farsa, o jornal O Povo, em seu editorial, chama o artista de “frustrado”, “recalcado” e “rancoroso” e a sua atitude de “mesquinha” e “irresponsável”. E chama de “deplorável” o comportamento do Centro Dragão do Mar por ser conivente com a proposta do artista. No único momento de mea culpa, o editorial do O Povo admite que não custava nada checar na internet informações sobre o artista japonês. Mea culpa? Hummm, nem tanto. Na verdade, era só um trampolim estilístico para a frase final que insinua que o Dragão não tem mais credibilidade.

Infelizmente, o editorial esqueceu de comentar que um dos objetivos da pegadinha era justamente denunciar a subserviência da mídia ao que vem de fora e seu descaso com os artistas locais. Mas, pensando bem, seria reforçar ainda mais o ridiculamente óbvio: a subserviência está estampada, em manchete, no espaço cedido ao forasteiro famoso… que jamais existiu. E quanto ao descaso, bem, se existia descaso, agora os artistas não têm mais do que reclamar. Ganharam até editorial!

Mas não sejamos injustos. Na última matéria, O Povo resume toda a marmota, informando corretamente, deixando o ressentimento de lado e atendo-se aos fatos. E no mesmo dia, no site, disponibiliza o fórum para que seus leitores se manifestem. E eles se manifestam: a imensa maioria aplaude o artista e critica duramente as atitudes do jornal e dos jornalistas, como se fosse um grito de inconformismo, guardado por muito tempo, contra a postura dos meios de comunicação e o pedantismo de seus profissionais. E, dez dias após o início do caso, o portal Noolhar, que é ligado ao jornal O Povo, publica minha crônica A Marmota do Ano, provando que, assim como o jornal, o site também entende o valor da multiplicidade de opiniões num veículo democrático. Ponto para o jornal e para o portal.

Há uma outra questão envolvida: a coragem do artista. Imagine se algum jornalista, antes de escrever sua matéria, resolve investigar algo sobre Souzousareta. Ou imagine se os planos de Yuri vazam por descuido ou delação de alguns dos envolvidos. A farsa fatalmente seria descoberta, os jornalistas se livrariam do ridículo e automaticamente o repassariam a Yuri Firmeza. O artista seria desmascarado e, certamente, criticado e ridicularizado pela imprensa e até por artistas. Talvez virasse persona non grata das redações (bem, talvez já o seja…). Seu esforço teria sido em vão. O público possivelmente não o apoiaria como agora faz. É, o artista foi muito corajoso. E assumiu um risco enorme, que quase ninguém ousaria assumir. Você assumiria?

Trabalho com comunicação e escrevo para jornais e sites. Como profissional da notícia, o episódio me deixou constrangido. Infelizmente estamos sujeitos a pegadinhas como essa. Mas, nesse caso, apoio o artista e o Centro Dragão do Mar. Eles foram muito úteis à sociedade e à imprensa. O que Yuri Firmeza fez, admitamos, foi genial, e, mesmo constrangendo a nós que fazemos jornalismo, nos ensinou coisas muito importantes. Quem aprendeu, aprendeu.

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CRONOLOGIA DA MARMOTA

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09.01.06 – Desconstruindo a arte
(jornal O Povo-CE)

Chamada para a exposição de Souzousareta Geijutsuka

10.01.06 – Arte, natureza e tecnologia (jornal Diário do Nordeste-CE)
Entrevista com o artista japonês e imagens de suas obras

11.01.06 – Pegadinha contemporânea de artista cearense (jornal O Povo-CE)
Notícia da farsa. Informação apenas, sem paixões

11.01.06 – Arte e molecagem (jornal O Povo-CE)
O jornalista ataca e desmerece o artista e critica o museu

11.01.06 – Exposição factóide compromete Instituto Dragão do Mar (jornal Diário do Nordeste-CE)
Notícia da farsa. O jornal tenta descredibilizar o Centro Dragão do Mar

12.01.06 – Provocação infeliz (jornal O Povo-CE)
O editorial do jornal O Povo ataca o artista, critica o Dragão do Mar e faz um meia-mea-culpa

12.01.06 – A arte do absurdo (jornal O Povo-CE)
Resumo do fato. O jornal informa sem julgar

12.01.06 – A arte no jornalismo (jornal O Povo-CE)
A editoria do Vida & Arte se manifesta. Nem contra nem a favor

13.01.06 – Fórum do leitor (portal Noolhar-CE)
O site do jornal abre espaço para que os leitores se manifestem, e a grande maioria apoia o artista e critica o jornal. Ponto para o jornal

17.01.06 – A arte inventada (jornal O Estado de São Paulo-SP – site Observatório da Imprensa)
A notícia corre o mundo

20.01.06 – A marmota do ano (portal Noolhar)
O site do jornal O Povo publica a crônica de Ricardo Kelmer (em sua coluna Kelméricas), onde ele critica a posição do jornal e dos jornalistas e apoia o artista e o Dragão do Mar. Ponto para o jornal

23.01.06 – A cilada do artista invasor (jornal O Globo-RJ)
O jornal carioca publica matéria de capa e página inteira. Dá voz ao artista, ao diretor do museu mas não ouve os jornalistas envolvidos

Comentários dos leitores (site pessoal do escritor Ricardo Kelmer)
Leitores comentam. Comentários também de pessoas e instituições envolvidas, como Yuri Firmeza, Centro Dragão do Mar e o jornalista Felipe Araújo, do jornal O Povo

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AMarmotaDoAno-05a

REPRODUÇÃO DAS MATÉRIAS

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CAPÍTULO 1

O jornal anuncia a exposição

O jornal O Povo publica, em seu caderno cultural, uma chamada para a abertura da exposição de Souzousareta Geijutsuka no dia seguinte. Provavelmente, o repórter copiou as informações diretamente do material de divulgação distribuído pelo MAC – Museu de Arte Contemporânea, um recurso muito comum em redações de jornal, preenchendo o resto com algumas considerações próprias. Vale registrar que.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
09.01.06 – Matéria sem assinatura

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DESCONSTRUINDO A ARTE

Imagine uma exposição onde as obras são flores e vegetais carbonizados e que isso representasse o equilíbrio entre a vida e a morte. Ficou difícil? Pode até ser, mas ousado como é o artista plástico japonês Souzousareta Geijutsuka, não se intimida como estranho. Tudo, alías, é bem moderno, ao olhos de sua arte. Usar e abusar da tecnologia e da ciência é sua marca, e transformar o que – nem de longe – parece arte, em arte, se tornou uma característica. Souzousareta chega a Fortaleza hoje, às 22h, para apresentar sua mais recente mostra intitulada Geijitsu Kakuu, que acontece dentro do projeto Artista Invasor, do Museu de Arte Comtemporânea do Ceará.

A exposição de Souzousareta busca a harmonia entre a natureza que nasce e morre, empregando equipamentos tecnológicos, para abordar a discussão em torno da fragilidade da vida e suas conseqüentes contradições. O artista conquistou fama mundo afora, exatamente por elencar assuntos tão distintos, como: arte, ciência e tecnologia em suas exposições. Souzousareta desenvolve pesquisas na Eletrônica e Telecomunicações, isso aliado aos conceitos de tempo real, simultaneidade, supressão de espaço e imaterialidade. O uso de objetos e tecnologias tão ousadas são influências da “desmaterialização” dos anos 60/70. “Esse fenômeno, com abandono do “objeto de arte” por muitos artistas, deu lugar a uma variedade e uma multiplicação de usos mediáticos”, explica.

De acordo com o artista, a arte eletrônica, apesar de não ter o reconhecimento e respeito dos historiadores de arte, é uma questão capital. “Freqüentemente contestada, seu endereçamento, entretanto, insere-se em nosso destino de participantes de uma época da história em que a tecnologia tornou-se parte de todos os atos da nossa vida. Acredito em sua importância humanizadora”. Seja como for, a arte de Souzousareta faz um paralelo entre o novo, o velho e o que está por vir. Ele desconstrói para, mais tarde, reconstruir de acordo com sua interpretação.

SERVIÇO: Artista Invasor – Souzousarta Geijutsuka apresenta a mostra Geijitsu Kakuu, a partir de 10 de janeiro, no Museu de Arte Contemporânea do Ceará, no CDMAC. Visitação de terça-feira a domingo, das 14h às 22h. Ingressos: R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (meia). Informações: 3488.8622.

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CAPÍTULO 2
A entrevista – Ô japonezinho pra falar…

O jornal Diário do Nordeste, além de divulgar a exposição, destaca um repórter para entrevistar o artista japonês. Como Souzousareta ainda não está em Fortaleza, a entrevista acontece por e-mail, com tradução de sua assessoria de imprensa (papel exercido no processo pela namorada de Yuri). Nas respostas do artista, podemos perceber várias pistas sobre a farsa. A matéria é ilustrada com imagens de suas obras, na verdade fotos simplórias feitas por Yuri, sendo uma de uma paisagem praiana, editada para parecer arte abstrata, e outra de um gato de rua, como se fosse cena de um videoarte.

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Reprodução – Jornal Diário do Nordeste (CE), Caderno 3
12.01.06 – Matéria de Dawlton Moura

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SOUZOUSARETA
Arte, natureza e tecnologia

Espaço aberto para a arte eletrônica. O Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar, abriga a partir de hoje, dentro do programa “Artista Invasor”, trabalhos do japonês Souzousareta Geijutsuka, reunidos na exposição ´Geijitsu Kakuu´. O olhar de um experimentador de linguagens atuais e novas tecnologias sobre fenômenos da natureza

Esta é a quarta vez em que Souzousareta, considerado um dos nomes mais importantes quanto à interface entre arte contemporânea, ciência e novas tecnologias, participa de eventos no Brasil. O sofisticado equilíbrio entre vida e morte na natureza é o fio temático de sua exposição “Geijitsu Kakuu”, em que flores e vegetais são revisitadas por meio de objetos carbonizados, em um convite a reflexões sensoriais sobre a fragilidade da vida.

Os trabalhos de Souzousareta, que entre outras cidades já expôs em Tóquio, Nova York, Berlim e São Paulo, incluem parcerias com cientistas e engenheiros, em pesquisas sobre eletrônica e telecomunicações. Entre os conceitos contemplados, estão os de operação em tempo real, simultaneidade, supressão do espaço e imaterialidade. A robótica é outra área explorada, em diálogo com esculturas e instalações ambientais. Ele também é responsável pelo desenvolvimento de uma nova técnica fotográfica, batizada “Shiitake”, que busca apreender fenômenos invisíveis ocorridos na atmosfera.

O pintor e escultor francês Marcel Duchamp (1887-1968) é citado por Souzousareta como uma de suas grandes influências, quanto à chamada “arte eletrônica”. Para o artista japonês, a arte eletrônica adquire uma importância fundamental, a partir do momento em que a tecnologia está presente em cada momento de nossas vidas – do mais banal, ao mais grandioso. Apesar disso, Souzousareta considera que as linguagens artísticas eletrônicas ainda são marginalizadas pela concepção mais tradicional de “história da arte”.

Em entrevista via e-mail ao Caderno 3, Souzousareta aborda esses e outros temas, criticando a acomodação do público e dos críticos, falando das influências que vem recebendo em sua descoberta do Brasil e apostando que a intensidade de uma proposta artística sempre será mais importante que os meios empregados para realizá-la. Confira:

Caderno 3 – Esta é a quarta vez que trabalhos seus são expostos em eventos no Brasil. Que importância esse contato com o País tem para o seu trabalho?

INFOGRAVURA DE Souzousareta, para quem “os historiadores da arte são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem”

INFOGRAVURA DE Souzousareta, para quem “os historiadores da arte são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem”

Souzousareta GeijutsukaAcabo de chegar ao País. Tenho aprendido muito sobre a cultura brasileiras em livros e vídeos aos quais tenho acesso no Japão. Inclusive, acabo de ler um livro e ver um filme fabulosos feitos no Brasil. “O povo brasileiro”, do (Darcy) Ribeiro, me parece ser esse o nome correto, e “Deus e o diabo na terra do sol”, do já conhecido Glauber Rocha. Até acredito que esses dois trabalhos me influenciaram de alguma maneira na preparação de minha exposição no Brasil. É claro que minha estadia aqui vai intensificar muito a influência dos elementos de brasilidade sobre o meu trabalho. Inclusive essa é uma constante em meu trabalho: a inclusão de elementos locais agenciados aos procedimentos eletrônicos.

Caderno 3 – Que resposta vem obtendo do público e das instituições de arte brasileiras?

SouzousaretaMuito pequena, como deve ser o caso da maioria dos artistas contemporâneos, pelo menos aqueles que ainda resistem a uma total subordinação dos procedimentos e problemas estéticos aos imperativos de cosumo. Não só no Brasil, mas me parece que em vários países desenvolvidos, as atividades da cultura precisam apresentar relevância mercadológica para encontrar linhas abertas de financiamento e incentivo. Acontece o mesmo com o público, sobretudo com a arte eletrônica. Precisamos estar o tempo todo brigando com nossa própria produção para não deixar que os clichês tomem conta de tudo. E é esse o problema, o público, em geral, adora clichês. Espero encontrar coisa diferente no Brasil.

Caderno 3 – Em que estágio o Brasil pode ser situado, dentro do contexto mundial da chamada ´arte tecnológica”?

SouzousaretaO Brasil ocupou um lugar de destaque no cenário artístico mundial durante os anos 60 e 70: Lígia Clark, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, de que já falamos, e outros. Mas acho que esse foi um momento de vitalidade estética em quase todo o mundo. Também no Japão tivemos reações importantes aos valores da civilização moderna através da arte. Pnesemos em Nam June Paik, por exemplo. Não sei em que pé estão as artes plásticas brasileiras nesse momento, nem mesmo a arte eletrônica. Temos o privilégio de poder contar, no Japão, com um parque tecnológico bastante desenvolvido e aberto; não sei se esse é o caso do Brasil. A dificuldade de acesso de uma sociedade à tecnologia implicará em dificuldades para o florescimento de uma boa arte tecnológica. Mas o Brasil conta com tantas ferramentas expressivas, que não vai ter problemas.

Caderno 3 – Falando nisso, que definição de ´arte tecnológica” é possível? De que modo esse conceito – que, você cita, vem desde Marcel Duchamp – se aplica aos dias de hoje?

SouzousaretaPode ser definida como arte tecnológica toda operação estética que conta com suportes tecnológicos do tipo computadores, sintetizadores, softwares dos mais variados para produzir campo de percepção e sensação. Nesse sentido, é óbvio que o que interessa não são os suportes materiais, que podem ser extremamente desenvolvidos e potentes, mas os agenciamentos em que entram, que também têm que ser poderosos. O que continua valendo hoje na arte, como há três mil anos atrás, é a intensidade que passa pela obra, e não a obra como representação de alguma coisa.

Caderno 3 – Há ainda uma forte resistência do público a esse tipo de arte, em formas não-convencionais, ou já é mais fácil aproximar a arte eletrônica do público em geral?

SouzousaretaO público sempre resiste ao que não é convencional. Por isso a arte necessita tanto do marketing nos dias de hoje.

Caderno 3 – Você já declarou que os “historiadores de arte” ainda vêem com reservas a arte tecnológica. Há possibilidades de se reverter esse quadro? Em que prazo?

SouzousaretaNormalmente os historiadores da arte, assim como os historiadores da filosofia, são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem.

Caderno 3 – Que diálogos são possíveis entre a arte eletrônica, que se vale das novas tecnologias, e as formas clássicas/convencionais de arte?

SouzousaretaTodas as conexões são possíveis, desde que o teu “problema próprio” necessite dessa ou daquela operação que pertence a um outro período da história da arte. Por exemplo, num certo momento, o encontro com as tradições milenares do Japão me foi necessário, como forma de explorar determinado problema a respeito do medo existente na cultura japonesa, e incrustado nos hábitos mais elementares. Foi só por isso que cruzei arte eletrônica com cultura milenar. Num outro projeto, essa referência à tradição não seria necessária.

Caderno 3 – Você falou da arte tecnológica como uma possibilidade de humanização, dentro de todo o universo tecnológico-informativo em que estamos cada vez mais imersos. Isso não vai de encontro ao velho receio de um “totalitarismo tecnológico”? De que modo a arte pode contribuir para “humanizar” a tecnologia?

YuriFirmezaSouzousaretaGeijutsuka-02

CENA DE VÍDEO do artista japonês Souzousareta Geijutsuka: “O que continua valendo na arte é a intensidade que passa pela obra”

SouzousaretaSe falei em humanização anteriormente, estava equivocado. O humanismo não tem nenhum problema de conviver com os piores tipos de atrocidades. Não é verdade que os direitos humanos criem algum tipo de constrangimento ao crescimento vertiginoso da pobreza e da angústia em parcelas importantes da população global. Humanismo e capitalismo selvagem fazem parte de uma mesma máquina. É preciso perguntar como a arte tecnológica, mas não só, pode mudar os usos que são feitos.

Caderno 3 – A arte tecnológica não correria também o perigo de se ater a limites do consumo (o mercado de novas tecnologias, produtos eletro-eletrônicos, computadores, sintetizadores, projetores)?

SouzousaretaSem dúvida!

Caderno 3 – Seria possível sintetizar o conceito e o objetivo da exposição “Geijitsu Kakuu”, que será mostrada aqui em Fortaleza? De que modo trabalha o contraste entre vida e morte, natureza e tecnologia?

SouzousaretaEssa exposição tem várias facetas, justamente para poder lidar com vários problemas. Tudo está integrado a um exercício do simulacro, cujo objetivo é retirar os hábitos de seu estado de evidência. Inclusive hábitos estéticos, do tipo “Por que gostamos de arte?”. É preciso ver a exposição. (DM)

SERVIÇO: “Geijitsu Kakuu”, exposição de Souzousareta Geijutsuka. Abertura hoje, no Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar. De terça a domingo, das 14h às 22h. Ingressos: R$ 2,00 e R$ 1,00 (meia). Info.: 3488-8622.

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CAPÍTULO 3
O Povo anuncia a farsa

O jornal O Povo noticia a farsa, no mesmo caderno da chamada do dia anterior, num texto meramente informativo, sem considerações, nem paixões. O jornal, porém, refere-se ao trabalho de Yuri usando aspas: “trabalho artístico”. No mesmo dia, publica também contundente artigo do jornalista Felipe Araújo.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
11.01.06 – Matéria sem assinatura

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EXPOSIÇÃO
Pegadinha contemporânea de artista cearense

A exposição Geijitsu Kakuu, que conforme matérias divulgadas ontem na imprensa local – inclusive no Vida & Arte, do O POVO – seria aberta no Museu de Arte Contemporânea (MAC) do Centro Dragão do Mar, não existe. A mostra fictícia, que seria de autoria de um artista plástico japonês, é na verdade uma criação do artista contemporâneo cearense Yuri Firmeza.

Na semana passada, Firmeza – com a conivência do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – divulgou para os jornais locais um press-release contendo informações sobre a suposta mostra e o currículo do artista japonês. Como parte de seu ”trabalho artístico”, Firmeza criou uma assessoria de imprensa também fictícia, que entrou em contato com as redações por telefone para reforçar a divulgação do material. Procurado, também na semana passada, pelo O POVO, em duas ocasiões, o Centro Dragão do Mar confirmou a realização da exposição no MAC.

Ontem, quando a farsa foi revelada para a imprensa, Yuri Firmeza explicou que a intenção da iniciativa foi ”pensar o que move o campo da arte, refletir o museu, a galeria, o jornal como meio de sedução”. Já o diretor do MAC, Ricardo Resende, afirmou não acreditar que o episódio fere a credibilidade do Centro Dragão do Mar. Segundo ele – que confirmou que a direção do Centro tinha ciência da divulgação das falsas informações – é papel do Museu dar condições para a criatividade dos artistas locais.

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CAPÍTULO 4
O jornalista não gostou da brincadeira

O jornalista Felipe Araújo, do jornal O Povo, ataca Yuri Firmeza, desmerece seu trabalho e critica o Centro Dragão do Mar. O artigo diz que são idiotas os leitores que concordam com o artista, em sua crítica à cobertura jornalística da cultura.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), seção Opinião
11.01.06 – Matéria de Felipe Araújo

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ARTIGO
Arte e molecagem

A recente molecagem do artista plástico Yuri Firmeza, que inventou o pseudônimo de Souzousareta Geijutsuka e divulgou para a imprensa local seu (dele, Souzousareta) brilhante currículo de exposições no exterior como forma de conseguir espaço na mídia, revelou alguns traços do espírito da arte contemporânea em Fortaleza. Com algumas caras exceções, uma arte pobre, recalcada e alienada, feita por moleques que confundem discurso (ou melhor, as facilidades conceituais de um discurso) com pichação; que acham que estão sendo corajosos quando não fazem mais do que espernear e gritar por uma mesadinha ou por uma berlinda oficial. Nelson Rodrigues é que estava certo: os idiotas perderam a modéstia.

Não há nenhuma novidade na invenção de pseudônimos como forma de afirmar determinados discursos artísticos. Yuri, aliás, tem todo o direito do mundo de fazer a brincadeira ou a provocação que quiser. Como ”artista contemporâneo”, sua provável falta de domínio sobre certos procedimentos criativos e o discurso esquálido naturalmente ampliam seu horizonte de atuação estética às raias da falsidade ideológica. O que estranha é o fato de a presidência do Dragão do Mar – principal centro cultural da Cidade – e a direção do Museu de Arte Contemporânea chancelarem uma irresponsabilidade desse tamanho.

A título de ”denúncia” sobre uma suposta negligência da imprensa com a produção local, Yuri tentou arranhar a credibilidade e a boa reputação de alguns profissionais. É fato que, demagogicamente, vai arregimentar a simpatia de uma classe artística boçal que (feitas as devidas exceções) projeta na imprensa a frustração de seu próprio fastio criativo. E é fato também que muitos idiotas vão entender esse gesto como um alerta oportuno sobre a cobertura jornalística da cultura em nosso Estado. A imprensa tem seus problemas e deve permanentemente questionar e ser questionada sobre sua responsabilidade com as artes e a cultura. Mas o que se viu nesse episódio foi apenas a face mais evidente da mediocridade.

O pecado dos jornalistas envolvidos no episódio talvez tenha sido o de acreditar na boa fé e no respeito que sempre pautou a relação entre as redações e o Dragão do Mar. E acreditar na reputação do Dragão como um centro que, através do MAC, quer promover exposições e discussões procedentes sobre a arte contemporânea. Não somente a credibilidade do Centro junto à imprensa, mas a própria credibilidade do Dragão junto à opinião pública estão gravemente arranhadas a partir de agora. Afinal, quem iria a uma exposição de Souzousareta sabendo que se trata de uma exposição de Yuri Firmeza?

FELIPE ARAÚJO é repórter especial do O POVO

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CAPÍTULO 5
O Diário do Nordeste anuncia a farsa

O jornal Diário do Nordeste noticia a farsa. O tom geral da matéria é de contenção, mas o texto tenta descredibilizar o Centro Dragão do Mar já a partir do título, sustenta que o episódio compromete sua credibilidade junto à imprensa e a sociedade e afirma ser bastante obscura a compreensão do trabalho de Yuri Firmeza. Ao contrário do jornal concorrente, o Diário do Nordeste não abordará mais o fato, limitando-se a esta pequena matéria. Agindo assim, o jornal perde ótima oportunidade de explorar um tema tão rico, ainda que tivesse de expor sua constrangedora participação no episódio.
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Reprodução – Jornal Diário do Nordeste (CE)
11.01.06 – Matéria sem assinatura

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GEIJITSU KAKUU
Exposição factóide compromete Instituto Dragão do Mar

Quem compareceu à abertura da exposição “Geijitsu Kakuu”, ontem, no Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar, se surpreendeu. Atribuída ao artista plástico japonês Souzousareta Geijutsuka a exposição não foi apresentada em nenhuma das salas da instituição. Também pudera: numa atitude inusitada, após a divulgação na mídia, a exposição não existia, isto porque seu autor simplesmente não existe.

Portanto, o que poderia ter passado como um atraso ou outra falha no processo de montagem da exposição, acabaria se revelando, na verdade, uma grande farsa engendrada pelo artista plástico Yuri Firmeza, em total concordância com o Museu de Arte Contemporânea e a direção do Centro Dragão do Mar. Assumindo a divulgação do evento, bem como a identidade fictícia do artista e de suas presumíveis obras (sacadas da internet), o artista e a instituição (Museu/Dragão do Mar) acabaram colocando em xeque ou até mesmo comprometendo o vínculo de credibilidade estabelecido junto aos veículos de comunicação e a sociedade cearense.

Na sala prevista para a montagem, o que se via era uma placa descrevendo: “exposição em desmontagem”. Em uma das paredes, um texto assinado pelo Diretor do Museu de Arte Contemporânea, Ricardo Resende, fazia alusão a um projeto artístico conceitual “que foge do puramente contemplativo e exige do público a reflexão sobre o que se vê ou o quê não se vê”. Em outro momento, o texto sugere que estamos diante de um “jovem artista que lida com a ‘ficção’ de se fazer arte na atualidade”, sem fazer qualquer menção a exatamente que arte estaria se referindo.

Na verdade, o texto de Ricardo Resende estará inserido entre uma série de reproduções de e-mails trocados entre o artista plástico e o sociólogo Tiago Themudo, discorrendo sobre os conceitos ocultos por trás da sua empreitada criativa, cuja compreensão o próprio artista deixa bastante obscura. Citando referências teóricas de artistas plásticos como Hans Jacke, Michel Duchamp e Alfredo Jaar, ele considera que sua obra é ele mesmo enquanto artista.

“Meu objetivo não é constranger o público, aliás, o público é uma das peças dessa engrenagem”, provoca. Yuri considera que sua “obra” discute questões como o sistema e a crítica da arte, a mídia e o papel dos espaços criativos.

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CAPÍTULO 6
A voz oficial do O Povo

Em editorial, o jornal O Povo ataca o artista, chamando-o de frustrado, recalcado e rancoroso, e diz ser mesquinho e irresponsável o que ele fez. O texto também critica fortemente o Centro Dragão do Mar, cita um caso parecido envolvendo a revista Veja e (finalmente) joga uma parcela da responsabilidade para os próprios jornalistas.
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Reprodução – Editorial do jornal O Povo (CE)
12.01.06 – Matéria sem assinatura

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EDITORIAL
Provocação infeliz

Estarrecedor é o diretor Ricardo Resende dizer que a direção do Dragão do Mar tinha conhecimento da divulgação das falsas informações e, o que é pior, achar que é papel do Museu dar condições para a criatividade dos artistas locais. Um estranho conceito de criatividade

Os meios jornalísticos e culturais de Fortaleza foram sacudidos ontem por um estranho e constrangedor episódio: a exposição de um artista plástico japonês, cuja abertura fora anunciada pela imprensa para terça-feira, no Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar, não se realizou porque o personagem principal, o autor dos trabalhos, simplesmente não existia.

Era fictício, ou virtual, para usar palavra da moda, criado pelo artista plástico Yuri Firmeza, que utilizou um factóide para provocar a imprensa. Uma forma de denunciar a ”negligência dos meios de comunicação locais com a produção artística da terra”. O próprio Dragão do Mar divulgou a mostra.

O caso merece reflexões e, de uma forma infeliz, servirá de advertência para a imprensa para evitar futuras aventuras irresponsáveis e, também, de parâmetro no relacionamento com entidades e produtores culturais.

O sr. Yuri Firmeza extravasou suas frustrações e recalques na mídia. Mas foi longe demais em suas elucubrações. Precisava usar de artifício tão mesquinho e irresponsável para divulgar seu trabalho e seu protesto? Mas ele tem liberdade para exercitar a sua “criatividade”. Não entramos nesse mérito.

Deplorável nisto tudo é o comprometimento do nome de uma instituição do porte do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, através do Museu de Arte Contemporânea. São estranhas as declarações do diretor do MAC, Ricardo Resende, publicadas na edição do O POVO de quarta-feira (Cotidiano, página 5), sobre o caso do artista plástico fictício. Para ele, o lamentável episódio não fere a credibilidade do Centro Dragão do Mar. Mas Resende esquece o seguinte: o caso fere o que um jornal tem de mais precioso: a credibilidade, a confiança dos leitores.

Estarrecedor é o diretor Ricardo Resende dizer que a direção do Dragão do Mar tinha conhecimento da divulgação das falsas informações e, o que é pior, achar que é papel do Museu dar condições para a criatividade dos artistas locais. Um estranho conceito de criatividade.

O próprio site oficial do Centro Dragão do Mar assume a travessura de Firmeza quando diz, ao divulgar o Projeto Artista Invasor, no Chá com Porradas: ”Yuri buscou repensar a arte contemporânea através da interferência na rede que constrói sua credibilidade, formada por museus, curadores, galerias e veículos de comunicação. A concretização dessa idéia se deu através da construção de um artista japonês fictício, Sousouzareta Geijutsuka”.

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, inaugurado em abril de 1999, é uma instituição respeitada dentro e fora do Ceará. A participação da entidade em devaneios de um artista rancoroso e irresponsável compromete um nome construído ao longo de quase sete anos de trabalho eficaz.

Embora não sirva de consolo, a imprensa cearense não é pioneira nesse tipo de episódio. Em 1983, a revista Veja, em sua edição de 27 de abril, reproduziu uma brincadeira de revista britânica New Science, feita para o Dia da Mentira, que divulgara estranha descoberta científica, fruto da fusão em laboratório de células vegetais e animais, isto é, de boi com tomate, o ”boimate”.

A tal conquista, feita na universidade alemã de Hamburgo, era atribuída aos biólogos Barry MacDonald e William Wimpey. A matéria da Veja louvava a experiência inédita que “permite sonhar com um tomate do qual já se colhe algo parecido com um filé ao molho de tomate. E se abre uma nova fronteira científica”. A New Science dava pistas: Hamburgo, MacDonald, Wimpey (outro nome de rede de lanchonetes)… Mas a revista brasileira embarcou na história.

É preciso reconhecer que a imprensa cearense também não sai ilesa do caso do japonês fictício. Em plena era da Internet, com sites de busca tão precisos, não custava nada uma checagem em torno do nome divulgado. Apenas a credibilidade no Dragão do Mar não era suficiente. Que sirva de lição.

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CAPÍTULO 7
O Povo resume o fato, atendo-se aos fatos

O jornal O Povo publica um resumo dos fatos, num ótimo texto informativo, sem análises ou julgamentos. Para o leitor, tudo fica mais claro a partir das falas do artista, de seu amigo filósofo e do diretor do museu.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
12.01.06 – Matéria sem assinatura

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POLÊMICA
A arte do absurdo

Divulgada pelo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, a exposição Geijitsu Kakuu e seu autor japonês Souzousareta Geijutsuka, na verdade, não existem. Tudo não passa de um “artista fictício” inventado pelo cearense Yuri Firmeza

Por essa, poucos esperavam. Uma exposição de arte contemporânea anunciada pela imprensa local era peça de ficção e seu autor, inexistente. Afinal de contas, quem iria de prontidão pôr em cheque a existência de um “renomado” artista plástico japonês, que viria ao Museu de Arte Contemporânea (MAC) do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – entidade-referência nas arte no Estado – para montar uma exposição sobre arte e tecnologia? Mas tanto a mostra Geijitsu Kakuu quanto o artista japonês Souzousareta Geijutsuka não passavam de um simulacro que ganhou um breve status de realidade. Após a veiculação de matérias de destaque nos principais jornais da cidade, o segredo é revelado: a tal exposição e o tal artista nada mais eram que invenções do artista plástico cearense (esse sim, real!) Yuri Firmeza.

Yuri não chega a definir o suposto artista japonês como pseudônimo nem como personagem. “Ambos são o meu trabalho, que basicamente procura questionar as regras do jogo que movem o campo da arte contemporânea”, explica. Yuri acrescenta que a tradução de Souzousareta Geijutsuka, do japonês para o português, significa ‘artista inventado’ e o nome da exposição Geijitsu Kakuu traduz-se por ‘arte e ficção’. “Na verdade, não se trata de uma crítica à arte contemporânea em geral, mas sim de revelar nas entrelinhas como se estrutura o sistema que vai desde museus, galerias e bienais até curadores, críticos de arte e imprensa. Esses elementos acabam legitimando a arte de tal forma, que para se criar um artista hoje não se leva mais em conta apenas o estético, mas sobretudo fatores mercadológicos. Boa parte da produção contemporânea se submete a isso”, afirma.

Segundo Yuri, a divulgação da exposição fictícia nos jornais foi uma das peças fundamentais para que seu trabalho desse certo. “Se não tivesse sido publicado no jornal, não conseguiria trazer à tona toda essa discussão. O trabalho corria riscos desde o início, porque era preciso publicar essa exposição como se fosse real na mídia. O jornal acaba sendo um meio de espetacularização da arte”, explica. O artista cearense apóia-se nas teorias do filósofo e sociólogo Pierre Bourdieu para argumentar que o jornalismo tem poder de sedução do público de massa. “Em Livre-Troca, Bourdieu diz que cinco minutos de jornal vale mais do que uma palestra de cinco mil pessoas. Todas as instituições querem visibilidade na mídia. A arte perde a autonomia e se rende ao capital”, afirma.

No entanto, para questionar tal visibilidade, era preciso fazer uso da mesma. Yuri chegou até a criar uma assessoria de imprensa – independente do Centro Dragão do Mar – com o intuito de tornar crível a divulgação da exposição aos meios de comunicação. Primeiro, escreveu um atraente press-release sobre a suposta exposição e o currículo do tal artista japonês, reafirmando sua importância no “panorama das relações entre arte, ciência e tecnologia”. Em anexo, foram enviadas algumas fotografias, que nada mais eram que imagens caseiras feitas por Yuri, manipuladas no photoshop. Depois, usando o codinome de uma assessora fictícia batizada de “Ana Monteja”, o próprio Yuri mandou o material à imprensa por e-mail. Já a assessoria do Centro Dragão do Mar divulgou o evento como se fosse uma exposição normal, sem qualquer conhecimento prévio de que tal exposição não existia. Yuri acrescenta que seu trabalho de “conotação política” não tem a intenção de denegrir qualquer jornal ou museu específicos, mas defende que “nenhuma instituição pode interferir na liberdade de criação do artista”.

Questionado sobre a possibilidade do episódio da “falsa exposição” afetar a credibilidade do Museu de Arte Contemporânea e do Centro Dragão do Mar enquanto instituições perante à imprensa e ao público, o diretor do MAC, Ricardo Resende, afirma que o museu tinha pleno conhecimento da iniciativa de Yuri, convidado para participar da quarta edição do projeto Artista Invasor, que já expôs obras de Jared Domício, Marta Neves e Solon Ribeiro. “Quando convidamos o Yuri para ser o artista invasor no período de janeiro a março, ele veio com essa proposta bastante provocadora do artista ficcional. Obviamente não sabíamos quais seriam as conseqüências e ainda estamos refletindo sobre isso. O trabalho de Yuri é conceitual e faz com que a gente repense a maneira como entendemos arte e como as informações são construídas. Não podemos reprimir essas experimentações”, explica. Até o fechamento desta edição, a reportagem do O POVO tentou contactar o presidente do Centro Dragão do Mar, Augusto César Costa, mas a assessoria da instituição afirmou que ele não concederia qualquer entrevista à imprensa e que só se pronunciaria sobre o assunto, durante o “Chá com Porradas”, bate-papo marcado para a noite de ontem com Yuri Firmeza e Ricardo Resende, no MAC. Yuri afirmou estar disposto inclusive a conversar abertamente com jornalistas sobre o episódio. “Dessa vez, será verdade”, brincou o artista.

Segundo a jornalista Adísia Sá, houve erro tanto por parte do Centro Dragão do Mar, que perpertuou a brincadeira, quanto dos próprios jornalistas, que acreditaram na fonte sem apurar sua veracidade. “O Dragão compactuou com a farsa, para fazer charme. Quem se desgasta é a fonte. Vai demorar muito para o Dragão restaurar sua credibilidade. Por outro lado, não há fonte absolutamente veraz. A informação deve ser buscada e investigada pelos jornalistas”, explica Adísia. Já Resende reafirma que a credibilidade do MAC não será afetada. “Yuri nos colocou nesse caldeirão. Nós assumimos esse risco, mas não vejo como seríamos desacreditados por causa do trabalho de um artista, que na verdade está provocando um simulacro. Se a exposição tivesse sido divulgada como sendo de Yuri Firmeza, talvez o artista não tivesse tido a repercussão que está tendo agora”, comenta. Resende diz que a direção do museu sentiu-se inclusive estimulada a criar em breve um curso de crítica de arte, para o segundo semestre de 2006. Segundo o diretor do MAC, a iniciativa polêmica de Yuri não é única no cenário da arte contemporânea. Ele lembra o trabalho do alemão Hans Haacke, que faz críticas severas à maneira como o Estado americano financia a cultura. Quando se fala de ludibriar a mídia com farsas bem elaboradas, os exemplos no campo da arte em geral são muitos: desde a transmissão radiofônica de A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, pelo cineasta Orson Welles como se fosse uma verídica invasão de alienígenas na Terra; até a criação do heterônimo Julinho da Adelaide, por Chico Buarque, em plena ditadura militar dos anos 70.

Para Yuri, poucos são os artistas contemporâneos que têm a coragem de fugir dos clichês. “A arte contemporânea corre sérios riscos de não exercitar mais sua criatividade. Ao ficar subordinada ao mercado, tudo se torna mais fácil, mas muitos trabalhos não tem força para causar frisson no público. A arte precisa revelar suas forças e potências estéticas. É claro que existe uma produção contemporânea que vai na contramão, mas muitos trabalhos que vejo não dizem nada para mim. Então, das duas uma: ou o problema está na obra ou está no público”, questiona. De acordo com Yuri, a arte contemporânea precisa estimular as sensações e fazer com que o público tenha uma percepção diferente do comum. “A arte deve transvalorizar o que está imposto como moda ou padrão, estimulando o pensamento como vagões desordenados. O meu trabalho não deixa o público indiferente”, argumenta.

Enquanto O POVO divulgou a abertura da exposição Geijitsu Kakuu em uma breve coordenada – que, por ironia do destino, foi intitulada de “desconstruindo a arte” – na capa da edição de terça-feira do caderno Vida & Arte, o Diário do Nordeste dedicou duas páginas com direito à entrevista por e-mail com o suposto artista japonês Souzousareta. Na entrevista ao Caderno 3, Yuri “na pele” de Souzousareta já vinha dando pistas das discussões que pretendia levantadar com seu feito. “Não só no Brasil, mas me parece que em vários países desenvolvidos, as atividades da cultura precisam apresentar relevância mercadológica para encontrar linhas abertas de financiamento e incentivo. Precisamos estar o tempo todo brigando com nossa própria produção para não deixar que os clichês tomem conta de tudo. E é esse o problema, o público, em geral, adora clichês. Espero encontrar coisa diferente no Brasil”, afirmou na entrevista. Segundo Yuri, o trabalho do artista existe no momento em que tal arte é definida como tal.

Farpas ao vento, nada do que foi divulgado como obra do artista japonês está exposto no Museu de Arte Contemporânea. O espaço abriga a singela reprodução da troca de e-mails que Yuri teve com o doutor em Filosofia, Tiago Themudo, durante todo o processo de construção da idéia. “Foram cerca de 30 e-mails trocados com o Tiago, pensando todas as questões da arte contemporânea que já citei”. Segundo Tiago Themudo, o trabalho de Yuri Firmeza chama a atenção para a indistinção entre os produtos da arte e o campo do entretenimento. “O lucro e a boa campanha de marketing acabam se sobrepondo aos critérios estéticos. Além disso, todos os dias os jornais publicam mentiras. Seria até um contrasenso exigir do artista a verdade”, argumenta. Tiago entende como “ressentimento editorial dos jornais” toda a repercussão depreciativa feita por alguns veículos de comunicação que chegaram a desclassificar Yuri e seu trabalho, além de pôr em cheque a credibilidade do Museu de Arte Contemporânea e do Dragão do Mar. “Espero que isso não se torne um mal-estar moral dentro das redações de jornal, mas uma oportunidade para fortalecer as discussões”.

Com a polêmica rolando solta no ar, Yuri ainda confirmou que novas surpresas ainda estão por vir. “Vou realizar performances que não tem data, horário nem local prévio, durante os próximos dois meses”, acrescenta o artista que, desde 2001, acumula no currículo performances polêmicas, como andar nu em locais públicos. Para quem duvida das proezas de Yuri, não custa nada conferir o site (http://yurifirmeza.multiply.com) ou o blog (www.yurifirmeza.zip.net) do artista.

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CAPÍTULO 8
A editoria do caderno Vida & Arte se manifesta

A editora Regina Ribeiro, do caderno Vida & Arte, comenta o episódio, faz considerações e sugere questões sobre a arte e o jornalismo. Não chega a apoiar o artista, mas reconhece a eficiência de sua estratégia.

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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
12.01.06 – Matéria de Regina Ribeiro

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PONTO DE VISTA
A arte no jornalismo

Regina Ribeiro
da Redação

A modernidade esgarçou ao infinito a possibilidade da arte nos moldes aristotélicos. Além do mais a chamada pós-modernidade, com todos os hibridismos e conexões entre o possível e o inverossímil, transforma tudo em arte. Que pode ser nada. No entanto a raiz do que se pode chamar de criação artística ganha força quando se observa pelo menos um dos argumentos do filósofo grego: a “idéia” que pode ser expressa em ação é um dos componentes vitais da arte. Existe algo mais cabível na arte contemporânea, mesmo a que nega toda e qualquer explicação?

Deixa pra lá essa pendenga, porque o que importa mesmo é o esse novo artista, o japonês Souzousareta Geijitsuka, que “desembarcou” na cidade trazendo na bagagem a vontade de pôr sobre a mesa alguns incômodos que cercam o mundo da arte e os suportes que ela utiliza para se estabelecer.

A começar pelo imbróglio em torno do real. Souzousareta aprendeu que o artista não tem nenhum compromisso com a verdade. Isso é coisa da História, a começar por Homero. O que a arte deve ter é verossimilhança. Precisa convencer. E ele não perdeu isso de vista quando contratou “assessores de imprensa” – a incômoda muleta do jornalismo pós-moderno – para construir a imagem de um artista múltiplo e pesquisador – quase horaciano – da virtualidade e da eletrônica. E acertou de novo. Deu entrevista por internet para uma imprensa ávida pela apresentação do novo, do estrangeiro e do discurso rebelde-planetário recheado de clichês.

Tanto no Japão, quanto no resto do mundo contemporâneo a exposição artística se viabiliza ou é referendada a partir da mediação dos espaços midiáticos. E isso não acontece só com a arte, que tem em si, a função de ser apreciada desde as imagens pictóricas das cavernas, passando pelos poetas que contavam a aventura de homens e deuses na disputa eterna pelos feitos heróicos. A política há muito tempo é subserviente às câmeras e jornalistas. O terrorismo, idem.

E aqui sim, chegamos ao ponto crítico em torno de Souzousareta, o artista japonês considerado pela imprensa local “um dos nomes mais importantes quanto à interface ente arte contemporânea, ciência e novas tecnologias”, que já “expôs em vários países” e chega ao Brasil pela “quarta vez”. Que fala de Glauber Rocha, Darcy Ribeiro e Hélio Oiticica com aquela proficiência dos verbetes de almanaque. Aquele que está em busca da “harmonia entre a natureza que nasce e morre empregando equipamentos tecnológicos”.

A questão é que Souzousareta só existe a partir da informação publicada. É uma invenção. Uma fábula.(Portanto, arte.) Não se materializa em torno de uma alma pensante, mas existe como discurso. É real enquanto informação.

Mesmo diante da possibilidade da infinitude da interpretação de uma obra de arte que se propõe “aberta” e que trafega no espaço singular do imprevisível e das descobertas, o jornalismo é convidado a participar, quando ele é suporte dessa arte. Pronto. O bosque está pronto para ser explorado.

E aqui estão alguns vales e muitos atalhos. Os recursos e sistemas da produção da notícia deixam o jornalismo vulnerável a que tipos de armadilhas ?Criamos ou fazemos parte de um exército de crédulos seguindo discursos pré-fabricados com interesses anteriores definidos sem nenhuma reflexão? Por que nos dobramos tão facilmente ao que é estrangeiro? Por que referendemos com tantos adjetivos (bons e maus) o que não conhecemos? Será que são todas essas questões que arrastam o jornalismo para o mero entretenimento? (Pelo menos lá não há motivos para indignações).

E a verdade – motivo da revolta em torno do japonês e a forma como ele se fez criar a partir da mídia local- se apequena diante do volume de outras “criações” políticas, bélicas, científicas que o jornalismo contemporâneo tem ajudado a tornar reais. Sem dúvida, Souzousareta existe.

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CAPÍTULO 9
A notícia da marmota cruza a cancela

Uma semana após a descoberta da farsa, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo e reproduzido no site Observatório da Imprensa, o jornalista e biografista Lira Neto resume o episódio, sem analisá-lo.
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Reprodução – Jornal O Estado de S. Paulo (SP) e site Observatório da Imprensa
17.01.06 – Matéria de Lira Neto

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Arte inventada
Lira Neto

Um artista ‘genial’. E ele nem existia

Seria um acontecimento. O japonês Souzousareta Geijutsuka, anunciado pela imprensa cearense como um dos principais nomes da arte contemporânea universal, era ansiosamente esperado semana passada em Fortaleza, para abrir a exposição Geijitsu Kakuu. Convidado especial da curadoria do Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Geijutsuka mostraria ao público cearense por que seu trabalho é aclamado em todo o planeta como uma obra revolucionária que, segundo o material de divulgação de sua eficiente assessoria de imprensa, incorpora ‘novos conceitos à arte’, como os de ‘operação em tempo real, simultaneidade, supressão do espaço e imaterialidade’. Os jornais locais deram amplos espaços para a divulgação da exposição. Um deles chegou a publicar, no dia marcado para a abertura do evento, uma entrevista de página inteira com Geijutsuka. Tudo perfeito, não fosse um detalhe: Souzousareta Geijutsuka não existe.

A idéia de inventar o tal japonês que – segundo informava um jornal de Fortaleza – ‘conquistou fama mundo afora por unir arte, ciência e tecnologia’ partiu de um jovem artista de 23 anos, Yuri Firmeza, paulistano radicado na capital cearense desde a infância. ‘A intenção foi mostrar como a arte hoje em dia encontra-se subordinada a exigências e manipulações mercadológicas e a modelos construídos e legitimados pela mídia, pelas galerias e pelos museus’, explica Firmeza. Para tornar sua história mais verossímil, ele conseguiu convencer especialistas a escreverem textos críticos sobre a obra do fictício Geijutsuka, incluindo aí o próprio diretor técnico do Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC), Ricardo Resende, 43 anos, ex-curador do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). ‘Vivemos uma era em que muitas outras forças, além daquelas que o artista naturalmente dispõe para criar, regem o sistema da arte’, já denunciava também Resende, de forma velada, no texto de apresentação da ‘exposição’.

Tudo foi planejado nos mínimos detalhes. A namorada de Yuri Firmeza se fez passar por assessora de imprensa e abasteceu os jornais locais com imagens de algumas das ‘obras’ de Geijutsuka. Entre elas, uma série de fotos prosaicas de um gato, que foram publicadas na imprensa local como sendo cenas de um ‘videoarte’ do ‘genial japonês’. ‘Era apenas um gatinho que vi na rua, num bairro aqui em Fortaleza, e fotografei com minha máquina digital doméstica’, revela Firmeza. Uma fotografia de uma ensolarada praia cearense, distorcida em um editor de imagens para parecer uma figura abstrata, foi estampada também pela imprensa local como um ‘infográfico’ de Geijutsuka. Na legenda da ilustração, uma frase pinçada da longa ‘entrevista’ que ele havia concedido, por e-mail, ao jornal: ‘Os historiadores da arte são iguais ao público: têm dificuldades de reagir ao que não entendem’.

Yuri deixou algumas pistas propositais, que não foram decodificadas pelos jornalistas. Em japonês, Souzousareta Geijutsuka significa exatamente ‘artista inventado’. E o nome da exposição, Geijitsu Kakuu, pode ser traduzido como ‘arte e ficção’. No material de divulgação repassado à imprensa, dizia-se ainda que o suposto artista havia criado a fotografia ‘Shiitake’, nome do cogumelo que pode ser encontrado em qualquer restaurante japonês, mas que foi definida por sua ‘assessoria de imprensa’ como uma ‘técnica que permite a captação dos fenômenos invisíveis ocorridos na atmosfera’.

No dia da abertura da anunciada exposição, em vez das obras revolucionárias de Souzousareta Geijutsuka, o público deparou-se apenas com uma série de e-mails pregados na parede da sala reservada ao evento pelo museu. Nas mensagens, Yuri Firmeza e um amigo trocavam idéias sobre arte contemporânea e discutiam animadamente a obra de autores como Gilles Deleuze, Antonin Artaud e Pierre Bordieu. Dessa troca de e-mails é que surgira a idéia de criar um artista imaginário. ‘O que me interessa é interrogar sobre a qualidade do que compõe todo esse sistema de legitimação estética: críticos, jornais, artistas, curadores, galerias, museus e o próprio público’, escreveu Firmeza em uma dos e-mails ao amigo. ‘Não sei como será a receptividade em relação ao Geijutsuka, mas acredito que suscitará saudáveis desconfortos’, previa.

Dito e feito. Revelado o simulacro, a reação da imprensa cearense foi violenta. Yuri Firmeza foi chamado de ‘moleque’ pelos jornais e foi alvo de editoriais indignados. Sobraram farpas também para a direção do MAC por ter ‘compactuado com a farsa’. ‘Em vez de irritar-se, a imprensa está perdendo uma ótima oportunidade para refletir sobre as provocações que Yuri Firmeza fez a todos nós’, avalia o diretor técnico do museu. ‘Não se tratou de uma ferroada à mídia local, o mesmo poderia ter ocorrido em qualquer lugar do país. No Brasil, somos deslumbrados pelo que vem de fora e pelo que nos é apresentado como algo novo e revolucionário, é nisso que todo esse episódio nos obriga igualmente a refletir’, analisa Resende.

‘Bastaria fazer uma rápida pesquisa no Google para que os jornalistas descobrissem que não havia, na internet, nenhuma menção ao tal Geijutsuka, apresentado como um artista famoso, com exposições consagradoras em Tóquio, Nova York, São Paulo e Berlim’, diz Yuri Firmeza. ‘Mas eu não quis provocar apenas a imprensa, isso seria reduzir o alcance da denúncia; a provocação foi extensiva a todo o circuito das artes em geral’, insiste ele, que mantém uma página pessoal na internet (http://yurifirmeza.multiply.com/) onde registra suas principais performances – ou suas ‘orgias multipoéticas’, como prefere definir. Não se estranhe nada do que for visto ali. Afinal, na pele de Souzousareta Geijutsuka, na ‘entrevista’ à imprensa de Fortaleza, ele já advertira: ‘Tudo está integrado a um exercício do simulacro, cujo objetivo é retirar os hábitos de seu estado de evidência’. Seja lá o que isso possa vir a significar.”

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CAPÍTULO 10
O Globo publica com destaque

Em matéria destacada em seu caderno cultural, o jornal O Globo dá voz ao diretor do museu e ao artista, mas infelizmente não ouve nenhum dos jornalistas envolvidos na farsa, deixando de informar melhor aos seus leitores. A matéria revela que os jornais de Fortaleza não deram importância às edições anteriores do Artista Invasor, nas quais participaram artistas locais, e nenhum japonês.
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Reprodução – Jornal O Globo (RJ), Cultura
23.01.06 – Matéria sem assinatura

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A CILADA DO ARTISTA INVASOR
Artista cearense engana imprensa inventando um colega japonês

A informação chegou aos cadernos de cultura do Ceará e foi ali reproduzida. Um célebre e renomado artista japonês, Souzousareta Geijutsuka, viria ao país pela quarta vez para abrir, no dia 10 deste mês, sua exposição “Geijitsu kakuu”, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Fortaleza. No dia seguinte à divulgação do evento pela imprensa local, veio a revelação: Souzousareta não existia. Era tudo uma invenção de um artista de 23 anos, Yuri Firmeza, que quis criar um trabalho justamente sobre os critérios para o reconhecimento da arte nos dias de hoje. Depois de pregada a peça, a imprensa cearense passou a discutir o assunto de forma apaixonada na semana passada, uns com louvores à idéia de Firmeza, outros — sobretudo os que caíram na cilada — atacando ferozmente o que seria uma molecagem de menino. Além da atitude do artista, foi criticada a participação do MAC, reconhecida instituição de arte contemporânea, por ter colaborado com a farsa.

— Quis questionar o papel do museu, da formação de artes visuais e da imprensa. O artista que criei é a própria obra, e o suporte do trabalho foi o jornal — diz Firmeza, recentemente selecionado para o projeto Rumos, do Itaú Cultural, que trará jovens talentos para uma exposição no Paço Imperial este ano. — Achava que os jornalistas teriam mais humor. Faltou reconhecer que eles têm esse interesse pelo que é de fora, querem ser seduzidos pelos mesmos artifícios com que seduzem o público. Eles provaram ainda mais o quanto são reacionários. Levaram para o lado pessoal, o ego foi ferido.

Não havia registro do artista na internet

Mas o humor ficou mesmo por conta da releitura dos textos publicados. Segundo o jornal local “O Povo”, o trabalho do artista era reconhecido no mundo todo e tinha como foco “a harmonia entre a natureza que nasce e morre, empregando equipamentos tecnológicos, para abordar a discussão em torno da fragilidade da vida e suas conseqüentes contradições”. Informações retiradas da assessoria de imprensa do artista, feita pela namorada de Firmeza.

Além de um texto exaltando a arte eletrônica de Souzousareta, a competente assessora enviou registros do trabalho: uma foto de um gato, que seria um trecho de um vídeo, e uma imagem, distorcida em photoshop, da Praia Porto das Dunas. Se passaram ao largo do fato de não haver qualquer registro do japonês na internet ou em textos impressos, é normal que ninguém tenha percebido as pistas deixada por Firmeza no próprio nome que deu ao artista, que em português significa “artista inventado”, e à exposição, “arte e ficção”. Diretor do MAC há 11 meses, Ricardo Resende não interferiu nessa divulgação, mas admite que passou por uma saia justa:

— Um jornalista do “Diário do Nordeste” me ligou para saber da mostra porque não estava encontrando informações. Fui pego de surpresa. Disse que pediria para o artista entrar em contato com ele.

Foi o que o artista fez. No papel de Souzousareta, respondeu a uma entrevista por e-mail, que foi publicada em página inteira. Foi uma repercussão da qual museu e artista não tinham idéia quando Firmeza propôs o artista inventado ao ser convidado para o projeto Artista Invasor.

— Procuro dar a máxima liberdade para o artista criar. Convidei o Yuri pensando em suas performances, que já achei que seriam bastante ousadas (ele faz muitas das performances nu). Mas ele foi mais ousado ainda e me testou, para ver até onde eu iria. Eu fui adiante, porque tive o apoio da presidência do museu. Sabíamos que poderia haver um conflito, mas a imprensa podia não ter publicado uma linha sobre o assunto — avalia o diretor do MAC de Fortaleza.

Para Resende, a divulgação só prova o preconceito da imprensa com os artistas cearenses, já que nas outras edições do Artista Invasor não houve qualquer reportagem:

— Há um certo deslumbramento com o que vem de fora no Brasil todo, não só no Ceará. A mídia insistiu em publicar a matéria, mesmo com dificuldades de achar informações. Foi uma ingenuidade, ou mesmo uma falta de conhecimento de arte contemporânea. Depois houve uma tentativa de jogar o erro para o outro, enquanto o grande erro foi da própria mídia.

Firmeza, apesar de enfatizar que o problema é da imprensa em geral, faz críticas à falta de especialização no estado.

— Acho que a imprensa de São Paulo e do Rio também poderia ter caído nessa. Mas o Ceará é uma província. Aqui os jornalistas não têm fundamentação teórica sobre arte, é uma verborragia — diz ele, citando o artigo “Arte e molecagem” do jornalista Felipe Araújo, de “O Povo”, que afirma que a arte contemporânea é, “com raras exceções, uma arte pobre, recalcada e alienada, feita por moleques que confundem discurso (ou melhor, as facilidades conceituais de um discurso) com pichação.” — Todo o preconceito está ali.

Para diretor, museu cumpriu seu papel

No museu, o visitante poderá ver a troca de e-mails entre Firmeza e um amigo sociólogo, com conversas sobre Bourdieu, Nietzsche e Deleuze, inspiradoras da idéia de se criar um artista inventado. Aos poucos, o local receberá ainda as fotos do suposto japonês, divulgadas para a imprensa, reportagens sobre o caso e performances e registros em vídeo de Yuri — que não sabe como a exposição teria sido montada se nada houvesse sido publicado nos jornais:

— Foi um risco que corri desde o início. Mas de qualquer modo estaria lá a troca de e-mails. As performances aconteceriam e também voltariam ao museu como registros. Só sei que se o Yuri tivesse enviado o material, nada teria sido publicado na imprensa.

Para Resende, o museu saiu fortalecido no meio artístico porque mostrou que funciona para ousar:

— Nossa credibilidade não está ferida. Acho que as pessoas se perguntam que mídia é esta, que informações estão lendo. O museu só está cumprindo seu papel de ser o espaço do artista. O trabalho deu muito certo porque chegou ao editorial do jornal e a outras áreas em que a arte contemporânea nunca é tratada. Ele foi realmente um invasor.

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ESCREVERAM SOBRE O CASO

O que a imprensa cearense publicou, antes e depois – Seleção de artigos e editoriais

Shiitake – Geijutsuka, o “desmaterializador” – Coluna da Mônica Bergamo, Folha de São Paulo, 21.01.2006

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YuriFirmeza2006-01Yuri Firmeza (2006)
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???????????????????????????????Yuri Firmeza (2006)
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YuriFirmeza2006-04Yuri Firmeza (2006)
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YuriFirmeza2013Yuri Firmeza (2013)

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- ADOREI… ABRAÇOS. José Alberto Simonetti, Fortaleza-CE – jan2006

02- Gostei!!!!!!!!! Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – jan2006

03- Olá grande e insano Ricardo … Há exatamente um ano atrás estava trabalhando na Produção do Festival Vida e Arte, quando as obras contemporãneas do Yuri causaram certa divergência quanto ao conceito  do evento que queria algo mais moderno. Resultado O Grande Yuri e suas idéias ficaram de fora do FESTIVAL, mas em menos de uno depois ele ressurge das cinzas, assim como fênix,ou melhor, ele não eles…rsrsrs…ele e seu Japa alencarino, e dão um show ( literalmente falando) !!! E eu perdi a chande cumprimentá-lo, pois estava no ponto de parada do coletivo ( Campus do pici-Unifor)…vulgo buzão, ao lado desta fera chamada Yuri, não sei se um só ou dois agora…e fiquei mumificado…não conseguia falar!!! mas o seu feito é maior que qualquer palavra. Seu artigo está show….aliás você é show!!! Um abraço e apareça aqui em Fortalville! É isso aí…Ana carolina e seu Jorge cantam: “Há quem acredite em milagres”. Fabiano Brilhante, Fortaleza-CE – jan2006

04- Aí, perfeito. Abraços. Júlio Cesar Montenegro, Fortaleza-CE – jan2006

05- Grande Kelmer, Que bom nos encontrarmos em mais uma presepada !!! Fico feliz que você tenha tido a compreensão da nossa séria brincadeira. Vamos promover alguns debates emum seminário sobre comunicação e cultura em março.Retomaremos este e outros assuntos.No mais obrigado pelos tão bem vindos apoios nestashoras de muitas incompreensões. Forte abraço. Luis Carlos Sabadia, Diretor de Ação Cultural, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza-CE – jan2006

06- Ducarái!! Adorei! Valdo Siqueira, Fortaleza-CE – jan2006

07- Fascinante! Eu não estava sabendo… Também, eu vivo em outro mundo. Que cara genial. Claudio Roberto Azevedo, Fortaleza-CE – jan2006

08- Muito boa Ricardo. Du cacete!!!. Rodrigo Grunewald, Campina Grande-PB – jan2006

09- Valeu! Inclusive, acabo de repassar tua marmota prum grupo de discussão sobre música do qual participo, cheio de gente boa — alguns de Fortaleza –, que saberá apreciar a ironia. Alexandre Feitosa, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

10- Pois num eh… Foi uma comédia mesmo! rsrs Uma comédia providencial, diga-se de passagem.. Jéssica Giambarba, Fortaleza-CE – jan2006

11- Boa, Ricardo, boa mesmo! Abraço. Felipe Costa, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

12- Ô, Ricardo Por essas e outras marmotas é que acredito que será 2006, realmente, um ano bom. E, aproveitando o contexto da confusão, me deu uma vontade muito grande de comer sushi… Raimundo Netto, Fortaleza-CE – jan2006

13- Ótima essa história, em? E esse Yuri é meu primo. Na verdade, filha da prima legítima da mamãe. Olha só o nome do japa, Sousa … e eu, Liliana de Sousa Costa. Tudo em família. Beijo grande em você. Liliana Costa, Lisboa-Portugal – jan2006

14- Uau! Demais. Giovanna Bressan, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

15- Hehehehe… Muito bom o artigo, camarada Kelmer! Temos que botar isso para frente. Esta história de estátua seria uma ótima! No Dragão seria perfeito, mas em qualquer outro lugar tá de bom tamanho. Um grande abraço. Nelson Eulálio, Fortaleza-CE – jan2006

16- Caraca, embora a idéia não seja muito original o que é triste é que jornalista sempre cai. Frô, São Paulo-SP – jan2006

17- Caro Ricardo, E veja só, que o jornal de maior circulação do Ceará abriu foto de três colunas na capa da edição de hoje para dar um artista plástico que faz greve de fome no calçadão da Beira Mar. Mais cearense e mais real impossível. Abraço, querido. Do amigo, cheio de novidades pra contar e morrendo de vontade de dar boas gargalhadas da vida e dos vivos. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2006

18- Ricardo, você provou que é um artista “antenado” ( no sentido poundiano), que está enxergando bem mais longe que os mais comuns dos mortais. Sua análise está perfeita e topa comprar uma briga com a mediocridade ainda reinante. Você pôs o dedo na ferida. Faltou apenas aprofundar um pouco derme a dentro. Eu acho que você conseguiu até ir longe demais. No mais, achei bom ler um resumo de tua gloriosa biografia e descobri que temos mais coisas em comum do que eu imaginava: primeiro, você fala de uma “santa pneumonia”. Eu falo de uma “santa hepatite” que tive aos 17 anos e que me fez passar uns trinta dias de cama e lendo livros que foram decisivos na minha formação cultural. Segundo, você morou em Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro. Eu também. Nosso placar, está 2 a 2. Fico contente em saber que o amigo continua lúcido, produzindo e deleitando os leitores com um papo inteligente e divertido. Um abraço do Francis Vale, Fortaleza-CE – jan2006

19- Bravo! Bravíssimo! grande abraço desse idiota que concorda em gênero, número e grau com vossa opinião. Fernando Costa, Fortaleza-CE – jan2006

20- eu adorei isso… hehehehe abração, cara! Adriano de Lavôr, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

21- É impressionante como o povo marmotoso se atrai! Pode até vir japonês, coreano o que for, mas a vaga de marmotoso-mór da terrinha aqui já tá preenchida:P Rafaela Almeida, Fortaleza-CE – jan2006

22- Muito bom, Kelmer! Li essa historia pelo Lira e depois diretamente nos jornais cabeca-chata e bolei de ri aqui. Abracos. Antonio Marinho, Fortaleza-CE – jan2006

23- Caro RK, valeu a crônica – “A marmota do ano”. Pensando bem, o Yuri Firmeza ninjou nos brios das torres gêmeas de nossa provinciana imprensa. E ambas caíram do salto. E você, como um bom e genuíno observador de uma virtual Praça do Ferreira, é que faz a verdadeira imprensa da contemporaneidade – a crônica -, não perdeu a brecha dessa saia-justa. Valeu e, pensando um pouco mais, aproveitano a foto, etc. vejo que o Yuri Firmeza é a cara do Bin Laden… Esteticamente falando, enfim,  ficou no ar a pólvora de uma molecagem que, no seu desconcerto, é nosso maior instrumento de exercício dionisíaco do Belo. Fica o abraço do Leite Jr., Fortaleza-CE – jan2006

24- Sobremaneira, os debates que decorreram do acontecido deixaram enfim espaço na imprensa jornalistica escrita para se falar de pensamento e que pensar faz parte da vida. Mesmo em tempos de sofisticadas tecnologias não se pode abrir mão do pensamento no sentido stricto e que a universidade, os intelectuais e as vanguardas têm ainda um papel na nossa sociedade. Sobretudo, valeu para furar as páginas já escritas dos jornais dos dias que virão. Terão ou tiveram obrigatóriamente que escrever ‘outra’ história. Foi muito inteligente. É importante também ressaltar que os museus (Dragão e de Arte do Ceará) fizeram um papel responsável. A função dessas instituições não deve ser a da perpetuação e reprodução das leis que compoem um campo de poder e sim o de se aliar as linhas de força que tentam resistir e provocar a reconfiguração deste campo. Foi muito profissional e responsável conceitualmente a acolhida que deram para Yuri. Agora é ler, ouvir, escrever, conversar. Viver. Um abraço. Rosângela Matos, Fortaleza-CE – jan2006

25- Me fez lembrar o “Porco” do Leiner, enviado ao Salão de artes plásticas de Brasília. Diuk Mourão, Brasília-DF – jan2006

26- Caro Ricardo, Como sempre acompanho com sincera admiração sua coluna, não me contive diante de seu texto sobre a marmota do Dragão e decidi escrever-lhe só para deixar claro alguns pontos. Primeiro, reafirmo o que escrevi no meu artigo (“Arte e molecagem”) sem tirar uma vírgula. Segundo, não me cabia pedir desculpas para ninguém já que não fui eu que escrevi as “barrigadas”. Essa é uma iniciativa que caberia, se eles assim entenderem, às editorias e aos jornais envolvidos no caso.  Minha colher nesse debate foi apenas o artigo. Mas é aquele negócio: uma coisa é uma coisa e um pneu é um pneu. Embora discorde de tudo que você escreveu (mas tenho que reconhecer que seu estilo continua muito afiado…), reconheço, ops… perdão, acaba de passar um limpa-fossa por aqui também…, peraí… Pronto. Devo dizer que adorei a expressão sobre a nudez do rei e o tamanho do pinto real. Mas me admira o fato de você, passado na casca do alho, ter achado que descobriram que o rei só ficou nu agora. Lagartão, muita gente já tinha visto o pau do rei há algum tempo por aqui. Não foi a intrujice do doidinho e do Dragão que nos fez ter esse “privilégio”. Vamos bater na imprensa (às vezes, é um troço saudável inclusive para os jornalistas, em especial para os sadomasoquistas), mas vamos aprender a socar primeiro e, se possível, de maneira leal. Dar uma “cabeçada” (eita!) por trás (EITA!) pode, às vezes, doer nos próprios cornos. Acho que é isso. Vou indo que o disco do Frankito Lopez, o índio apaixonado, terminou de tocar e tenho que procurar o CD do Carlos Santos. Sincero abraço e saudações alvinegras, Felipe Araújo, Fortaleza-CE – jan2006

27- Intervenção interessante. Um ensaio razoável de crítica, mas eu diria que de efeito bumerangue. Teria sido melhor se o autor não tivesse caído na tentação de dar explicações para o feito. Deixasse o pau troar, as carapuças serem vestidas e a obra falar por si. Mesmo assim,  acho que a participação do MAC compromete os objetivos inicias da crítica ou, melhor, traz o outro lado da mesma moeda. Ao tentar a crítica aos ‘ fatores mercadológicos ‘ que afetam a produção artística revelou o fator-estado que aprisiona a arte e seus produtores ( locais? e não-locais? ). Teria sido perfeito se o tento tivesse sido realizado sem a conivência do papai-estado , numa espécie de ensaio anti-sistêmico. Ai, sim, poderíamos começar a pensar a tal liberdade de cria –ação . Por enquanto, acho que o bom castigo para todos os envolvidos, inclusive nós ‘ idiotas’ leitores, é pensar mais e melhor sobre a questão. Lilia Costa, Fortaleza-CE – jan2006

28- Oi Ricardo Kelmer. Valeu pela força em relação ao japonês. Mesmo que a imprensa local não esteja reconhecendo (pelo menos não publicamente) a sua vulnerabilidade, a falta de compromisso, o descaso com os artistas locais… acho que o trabalho funcionou, justamente por estar conseguindo um espaço de discussão enorme aqui na net. Isso é maravilhoso!!!  Muito legal o seu texto Ricardo, incisivo e com humor. Humor que faltou por parte da imprensa local. Vi o fórum do jornal, legal ver o pessoal dando uma força, tenho recebido muitos e-mails de pessoas que não conheço, a maioria dando força e tal…  O artigo do Felipe foi péssimo, demonstrou o preconceito dele com a arte e artistas locais… que bom que o pessoal também entendeu dessa forma e começam a se manifestar…Você falou de um japonês no Orkut, eu conhecia a comunidade… o japonês realmente não sou eu, e concordo com você, o japa usou palavras agressivas demias… que eu realmente não usaria e não usei em momento algum… Parabéns novamente pelo seu texto!!! Obrigado pela força, massa!!! Abraços. Yuri Firmeza, Fortaleza – jan2006

29- ADOREI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! beijos da fã Armôndega Porvilho. Monica Buonfiglio, Campinas-SP – jan2006

30- É isso aí velho, a melhor resenha do fato é mesmo sua, com todas as letras e calafrios – e ainda um caminhão limpa-fossa passando ao fundo… Tem até cenário a marmota!  Parabéns! Max Krichanã, Fortaleza-CE – jan2006

31- Camarada Kelmer, Gostaria de lhe parabenizar pela crônica: “A MARMOTA DO ANO”. Parabenizar não só pelo texto em si, que diga-se de passagem: tá excelente, mas principalmente pela coragem de publicá-lo na imprensa cearense através do veículo que mais atacou Yuri Firmeza e toda a categoria artística cearense, o Museu de Arte Contemporânea – MAC – na pessoa de seu diretor Ricardo Resende (que tem tido uma gestão atípica, coisa que tem projetado o MAC em nível nacional e de forma positiva) e, por tabela o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, além de nós meros mortais consumidores dos produtos dos Deuses (ou pelo menos agem como se assim o fossem) da impressa cearense – os coronéis da mídia local. Como escrevi no fórum do “O Povo” sinto-me vingado! Isso antes de ler sua crônica. Depois, estou dando gargalhadas até agora da cara dos pseudo-jornalistas locais (sim, pois ainda acredito que existam jornalistas sérios, pena que são raros) quando viram sua iniciativa. Markus Markans, Fortaleza-CE – jan2006

32- Adorei do texto!! PERFEITO!!! Pra você ver a quantas anda a imprensa cearense… eu acho bem feito. Então a estratégia de guerra é desqualificar uma pessoa que põe em xeque as sagradas empresas jornalísticas? Até parece que elas são infalíveis… Muito bom mesmo o que o Iuri Firmeza fez. Esse jornalecos cearenses que se acham portadores da verdade mereciam mesmo uma lição. E não só os cearenses, bem sabemos. A imprensa nacional, mundial, inter-galática (sic! hehe) é pedante! “Sim, nós somos um veículo de denúncia em prol da comunidade”… Pois tá. Me engana se te faz feliz. Falo dos jornais do Ceará porque sei que não têm comprometimento com outra coisa que não seja o lucro. Já trabalhei em um deles, sei o que se passa lá dentro. Os “jornalistas” são na maioria estagiários, que se prejudicam na academia pra fazer trabalho grande. É assim que eles qualificam um profissional? Provavelmente, as fontes não foram checadas “direito” porque o cara responsável por isso tinha aula… Talvez se investissem e respeitassem mais o profissional a coisa fosse diferente…Não sei. Aliás, quem sou eu pra dizer alguma coisa que não seja carregada de juizo de valor? Enfim, o que o tal Firmeza fez não foi novo, mas na minha opinião foi justo. Patrícia, Fortaleza-CE – jan2006

33- Adorei o texto, o pior que isso acontece mesmo (risos). Um grande beijo. Mariucha Madureira, Brasília-DF – jan2006

34- Sobremaneira, os debates que decorreram do acontecido deixaram enfim espaço na imprensa jornalistica escrita para se falar de pensamento e que pensar faz parte da vida. Mesmo em tempos de sofisticadas tecnologias não se pode abrir mão do pensamento no sentido stricto e que a universidade, os intelectuais e as vanguardas têm ainda um papel na nossa sociedade. Sobretudo, valeu para furar as páginas já escritas dos jornais dos dias que virão. Terão ou tiveram obrigatóriamente que escrever ‘outra’ história. Foi muito inteligente. É importante também ressaltar que os museus (Dragão e de Arte do Ceará) fizeram um papel responsável. A função dessas instituições não deve ser a da perpetuação e reprodução das leis que compoem um campo de poder e sim o de se aliar as linhas de força que tentam resistir e provocar a reconfiguração deste campo. Foi muito profissional e responsável conceitualmente a acolhida que deram para Yuri. Agora é ler, ouvir, escrever, conversar. Viver. Um abraço. Rosângela Matos, Aracaju-SE – jan2006

35- Prezado Ricardo, Considero um  exagero esse massacre da imprensa cearense no episódio do artista japonês inexistente. Só quem não tem intimidade com pesquisas no Google é que pode acreditar que “bastava uma googlada” para descobrir a inexistência do artista. Como se fosse fácil !!! Criou-se esse mito de que o Google acha tudo. Nada mais enganoso. Não só o Google não acha tudo, como existe uma enorme fatia do planeta onde ele não penetra, pelo menos com pesquisas feitas usando o alfabeto latino. O fato de não se achar referências ao nome do artista não quer dizer que ele não exista! Será isto tão difícil de entender? Ainda mais se tratando de artista “japonês”. As buscas no Google usando o romaji (=japonês escrito com alfabeto latino) são totalmente inconclusivas, porque 99.99% do que está escrito em japonês não é transcrito para esta escrita fonética (que se usa mais para comunicar com ocidentais). Para uma busca precisa seria necessário digitar nos caracteres japoneses (ideogramas) e naturalmente entender o conteúdo. Uma pessoa pode ser uma celebridade local no Japão e não existir uma única menção acessível via romaji. Fica a questão: para ser jornalista é preciso falar e escrever em japonês? E se o “artista” fosse russo, coreano, tailandês, vietnamita ou grego? Cada uma dessas línguas tem o seu próprio alfabeto e portanto são mundos fechados para o Google digitado em alfabeto romano. Tem que saber a língua e digitar no seu alfabeto… E, como sabemos, são muito poucos os grupos de comunicação no Brasil que tem bala na agulha para manter uma rede de correspondentes internacionais. Acredito que muitos jornalistas tenham feito a pesquisa no Google, afinal isso é hábito na profissão. Mas na falta de confirmação, preferiram dar o benefício da dúvida e publicar a nota, afinal a fonte construiu uma relação de confiança ao longo de anos e centenas de releases verdadeiros. Não havia razão para duvidar. Abraços. Alan Romero, Lisboa-Portugal – jan2006

36- Oi, Kelmer, como está? Achei super bacana seu artigo sobre o Zé Sareta; comungo com sua idéia de erguer uma estátua dele. Um abraço! Jorge Ritchie, Fortaleza-CE – jan2006

AMarmotaDoAno-05a


A Nova Consciência e o desafio das discordâncias

11/02/2015

11fev2015

Nesses vinte anos de Nova Consciência, aprendi muito sobre convivência e intolerância, e sobre mim

ANovaConscienciaEODesafioDasDiscordancias-01

A NOVA CONSCIÊNCIA E O DESAFIO DAS DISCORDÂNCIAS

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Neste Carnaval de 2015, completo vinte anos de Nova Consciência. A minha primeira vez foi em 1996, e desde então passei todos os meus carnavais em Campina Grande, na Paraíba, participando do Encontro da Nova Consciência, um festival multicultural que desde 1992 celebra a diversidade dos pensamentos reunindo, durante quatro dias, representantes das artes, ciências, filosofias, religiões e tradições em dezenas de eventos paralelos, todos empenhados em buscar um futuro melhor para a humanidade e o planeta. Não conheço nada igual no Brasil. É realmente um grande acontecimento.

Para mim, a Nova Consciência é uma rara oportunidade de ter contato com variados assuntos, e também de conviver por alguns dias com muitas pessoas que pensam diferente de mim sobre muitas coisas, mas que acreditam firmemente, como eu acredito, que os diferentes podem conviver em harmonia. Aproveito o Encontro também para intercâmbios com artistas de outros estados e outros países, isso é ótimo para enriquecer minha própria arte. E, obviamente, marco presença na feira para desfrutar da gastronomia paraibana, principalmente aquele velho e bom picado que, devidamente apimentado e acompanhado de uma cervejinha gelada, sempre me leva à mundana conclusão: viver é saboroso, ardente e embriagador.

Como escritor que sou, me interessa particularmente o Encontro de Literatura Contemporânea, onde nos reunimos nós, os fervorosos adoradores da palavra escrita. E, como sou ateu, adoro participar do Encontro de Ateus e Agnósticos, que muitíssimo me agrada pelo alto nível cultural e pelo tradicional bom humor. Rir ainda é o melhor remédio.

Mas não há lei, pelo menos ainda, que impeça um ateu de ter amigos religiosos, né, e eu adoro reencontrá-los em Campina Grande. Evidentemente, o que é sagrado para eles não me toca a alma, não no sentido religioso, porém há algo mais sagrado que qualquer coisa que eu e eles pensamos: o nosso direito de crer ou não crer, e de podermos nos expressar livremente, e de podermos discordar, e até de podermos desagradar. Porque a liberdade de ser inclui, necessariamente, a liberdade de expressão.

Nesses meus vinte anos de Nova Consciência, aprendi muito sobre convivência. Aprendi também sobre intolerância, pois infelizmente a proposta do Encontro desperta ódio nas mentes que se recusam a aceitar as diferenças. Aprendi, sobretudo, que preciso muito do diferente para me harmonizar com uma certa pessoa: eu mesmo. Sim, eu. Eu que, nesse longo caminho da aceitação, tenho de conviver todos os dias com as discordâncias dentro de mim.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com
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Site do Encontro da Nova Consciência
www.novaconsciencia.com.br

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Minha programação na Nova Consciência 2015:

NovaConsciencia2015Logo-01aLançamento do livro Indecências para o Fim de Tarde

Palestra: Maconha, Satanás e o escorredor de macarrão – A liberdade de expressão e o desrespeito ao sagrado (Encontro dos Ateus e Agnósticos)

Palestra: Sensualizando no sagrado – Erotismo, religião e opressão feminina (com Ivana Bastos)

Encontro de Literatura Contemporânea

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DiversosEIguais-01aEncontro da Nova Consciência – Diversos e iguais – Não precisamos concordar com os outros. Mas podemos aceitá-los, tanto quanto quisermos também ser aceitos

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A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vim o todo

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ANovaConscienciaEODesafioDasDiscordancias-01a


No olho da loucura

28/01/2015

28jan2015

Ela está lá, insubornável feito um guardião de mistérios ancestrais, e zomba da nossa compreensão do mundo… E nada pode haver de mais perturbador

NoOlhoDaLoucura-01

NO OLHO DA LOUCURA

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Ah, a loucura… Que diabos tem essa senhora que tanto nos incomoda e seduz? Por que estamos sempre a espiar, feito menino curioso, o brilho estranho de seus olhos, e ao mesmo tempo dele só queremos fugir, para bem longe?

Ela está lá, vejam, está lá e nos ameaça com sua irresponsabilidade consentida. Está lá, no canto da sala, no canto do olho, inflando dentro de si mesma para explodir a qualquer momento sobre nossa mal disfarçada indiferença. Ela está lá, insubornável feito um guardião de mistérios ancestrais, e zomba da nossa compreensão do mundo… E nada pode haver de mais perturbador que essa zombaria.

Por que temos medo? Por que a insegurança? Será que é porque quem nos olha, lá de dentro daquele olho, não é como nós? Sentimos segurança quando nos vemos em outros e nos sabemos muitos, mas na loucura não nos enxergamos. Nosso olhar bate e volta, sem encontrar reciprocidade, sem ter quem lhe dê a mão e o conduza pelo universo estranho. Nosso olhar bate e volta, sem notícias confiáveis do mundo de lá.

Ou será o contrário? Nós nos vemos, sim, e é isso que mete medo! Nós nos vemos, e vemos exatamente o que nunca se mostra de nós mesmos. Pressentimos aquilo que se esconde por trás de nossas verdades tão bem construídas e avalizadas. Ali, no olho da loucura, brilha, distante e entre névoas, o reflexo de um pressentimento que nos incomoda e nos faz despertar à noite subitamente amedrontados, na vertigem de uma queda…

No olho da loucura, por trás dele, nos espreita essa vertigem, nascida do medo de olhar dentro de nós mesmos – e não gostar do que descobrir. Por isso, fugimos de seu olhar. E é exatamente por isso que dele não adianta fugir.

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Ricardo Kelmer 2012 – blogdokelmer.com

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AVertigem-01A vertigem – Dizem que seo Pepeu, o louco da cidade, possui dois bichinhos mágicos que localizam coisas perdidas e fazem as pessoas se encontrarem. Mas ele está velho e tem de passar a alguém a missão de cuidar dos bichinhos

Cristal – Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

A pergunta – Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

Um cara que acabou de acordar – Por isso esse olhar de quem ainda não entendeu,  esse clima de Morfeu, essa preguiça de explicar

 

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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NoOlhoDaLoucura-01a

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Suvinando priquita

21/01/2015

22jan2015

Pois você acredita que tem mulher que suvina priquita? Parece mentira, mas é verdade

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SUVINANDO PRIQUITA

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Pois não é que tem mulher suvinando priquita a essa altura do campeonato? Calma, eu explico. Lá naquele pedaço de chão mítico chamado Ceará há uma piada que as próprias mulheres fazem entre si, que eu adoro, e que só podia vir de lá mesmo, onde se faz graça com tudo que é sagrado e tudo que é desgraça. A piada é a da “suvinagem de priquita”.

Rio muito quando lembro dessa história. Mas vamos falar sério que o assunto mexe com coisa preciosa. Pra quem não sabe, suvinar é ser sovina com algo, e priquita é o mesmo que piriquita, xoxota, perereca, aquele negócio gostoso que tem dez mil nomes. Pois você acredita que tem mulher que suvina priquita? Parece mentira, mas é verdade.

Impossível, alguém vai dizer, afinal tá uma carestia danada de homem, a concorrência é cada dia mais acirrada e, pra piorar, os caras estão tudo virando gay. Poizé, não dá pra entender. Em vez de aproveitar o vento favorável e distribuir, tem mulher suvinando priquita. Mas elas suvinam por quê? Segundo a Discovery Channel, isso é normal, as fêmeas sapiens selecionam seus parceiros por meio de complexos joguinhos de sedução. Mas a suvinagem é um jogo tão complexo que o parceiro muitas vezes foge correndo.

Quelzinha, por exemplo. Quelzinha suvina porque não acha legal dar na primeira vez, que é pro gato, ou a gata, não pensar que ela é fácil, e nem dá na segunda, que é pro pretendente ficar na fissura, e nem dá na terceira, que é pra testar se a pessoa quer ela ou a priquita dela. Bem, desnecessário dizer que Quelzinha suvinou tanto que passou o Carnaval sozinha, ela e a priquita suvinada. Veja o caso de Rebeca, que desde o ano passado tá com a priquita guardada na geladeira. Por que ela faz isso? Porque tá esperando aparecer alguém melhor pra ela dar de comer. Segundo a Discovery Channel, quando ela se der conta que, quanto mais o tempo passa, mais o melhor fica pra trás, aí será tarde demais.

Uma prima minha suvinava priquita porque achava que era muito nova. Dezoito anos. Isso lá é idade pra alguém suvinar priquita. Hoje, vinte anos depois, ela ainda tá na ativa, mas já se arrepende da suvinagem da juventude. Poizé, mizifia, se a suvinagem não é recomendável quando você tá novinha, imagine quando a demanda cair.

Inconformadas. É assim que ficam certas mulheres quando descobrem que a amiga, mais bonita, não tá aproveitando devidamente as vantagens físicas que a Natureza lhe deu. Aí vem a frase típica: Mulher, eu não acredito não, tu tá suvinando priquita? E a fêmea suvinante, flagrada na descarada suvinagem, perde a esportiva: A priquita é minha ou é tua? E assim o mundo segue com suas injustiças, umas suvinando e outras carecendo.

Tem suvinagem de bilau? Eis um tema controverso. O bicho homem suvina pra esperar vir coisa melhor? Pra não pensarem que ele é fácil? Uma leitorinha me disse que alguns suvinam pra não se envolverem emocionalmente. Ahnn? Olha, nunca vi um caso assim, mas esse mundo é tão louco, né? O que sei é que às vezes o pênis sexual masculino não obedece ao desejo da cabeça de cima (um conflito fisiológico que a fêmea sapiens felizmente não tem), mas aí não é suvinagem, é fogo amigo mesmo.

A minha vó me ensinou que o que se guarda com fome, o gato, ou a gata, vem e come. Ops! É justamente isso que você quer, que comam, né? Que bom. Mas com a perseguida, o buraco é mais embaixo. Guardar sua fofolete na geladeira é muito arriscado, e se faltar energia? E se ela ficar com cheiro de estrogonofe? Olha, mizifia, se você aceita uma dica, faça o ritual da priquita sincera, é batata. Funciona assim: você põe um espelho que nunca foi usado na frente da querida ditacuja e pergunta, olhando sério pra ela: Amiga, eu tô te suvinando?, pode falar, amiga, se abra comigo. Se a amiga começar a chorar, aí você já sabe: tire imediatamente a pobrezinha da geladeira. E vamos economizar com água que é melhor, né?

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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VÍDEO-CRÔNICA

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APROFUNDANDO O TEMA…

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SUVINAGEM E CARIDADE

(Com informações gentilmente cedidas pelo Instituto Tábata de Pesquisas Alcovitais. Nossos agradecimentos à senhorita Tábata, sempre muito caridosa.)

De modo geral, entende-se por “suvinagem” o ato de negar um nheco-nheco a alguém quando o indivíduo não deveria fazê-lo. É um termo acusatório, com conotação negativa. Pra ocorrer a suvinagem, é preciso antes de tudo que exista o interesse por parte da outra pessoa. Se ninguém deseja sua priquita ou seu bilau ou seu furico, então você não pode ser acusado de estar suvinando nada. Entendeu, né? Espero que sim, pois não vou desenhar nada.

Os motivos da suvinagem podem ser:

Ausência de tesão – Nesse caso, o uso do termo suvinagem é controverso, pois se o indivíduo ou a indivídua não sente tesão, então não estaria havendo suvinagem. Porém, há uma corrente de pensamento, o bonobismo, que defende que, mesmo sem sentir vontade ou sentindo pouca vontade, devemos fazer a caridade, ou seja, temos o dever moral de fazer um nheco-nheco com quem nos deseja. Por que se chama bonobismo? Depois explico.

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Suvinagem por interesse – Algumas pessoas praticam a suvinagem pra certificar-se do grau de interesse do outro, pra atiçar o desejo do outro ou por puro prazer de torturar até a morte o ser desejoso. Pra alguns, a vingança é um bom motivo: primeiro provoca-se e depois suvina-se, o que se assemelha a deixar alguém com muita fome e depois levá-lo a um ótimo restaurante onde o coitado poderá tão somente olhar e cheirar os pratos. Tem gente muito ruim por aí que vive pra se vingar: atiça pra todo lado e pra todo mundo o tempo todo, mas na hora H, tome suvinagem. Há um projeto de lei que quer proibir que alguém suvine mais que três vezes por dia. Muito justo.

Economistas – Há os que suvinam porque acham que merecem coisa melhor. Evidentemente, têm todo o direito de achar. São os chamados economistas. O ato de economizar sexo pra usufruí-lo melhor no futuro é, evidentemente, um contrassenso, pois sabe-se que quanto mais se pratica, melhor se faz. Isso nos remete a uma natural constatação: os economistas trepam mal.

CARIDADE

A caridade é o oposto da suvinagem. Na caridade pura, o ato não contém qualquer outro interesse que não o de satisfazer o tesão do outro. Na caridade relativa, o ser caridoso tem algum tipo de satisfação ‒ passar o tempo, por exemplo. Porém, quanto mais houver prazer ou recompensa para a alma caridosa, menos caridoso será o ato. Se a caridade envolve sofrimento, não é mais caridade, e sim autotortura, mais ou menos como se obrigar a escutar por uma noite inteira a coletânea das pregações do pastor Feliciano.

Caridade por interesse – Se o indivíduo faz o nheco-nheco porque tenciona uma promoção no trabalho ou vingar-se do ex ou da ex, isso obviamente não é caridade. Um caso para se pensar é o da moça que apostou com as amigas que treparia 100 vezes num ano: quando faltava um dia para expirar o prazo, a conta estava em 99. O que ela fez? Deu para o pastor da igreja, que a perseguia fazia tempo. Isso é caridade? Evidente que não, pois a moça ganhou a grana da aposta e, de quebra, ainda vai para o céu. Quando morrer, claro.

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Bem para o mundo – Os defensores da caridade sexual argumentam que a prática alivia as tensões do mundo e promove uma sensação de bem-estar coletivo, além de friccionar e aquecer o mercado dos motéis e sex shops. A caridade, obviamente, nada tem a ver com violência sexual, pois é necessário que o indivíduo caridoso queira, de livre vontade, a realização do ato. A Cinta-Liga Caridosa, uma ONG que promove a prática da caridade em todo o mundo, sugere que a ONU incentive os líderes mundiais a fazer caridade antes de cada rodada de negociações. O Blog do Kelmer apoia a iniciativa.

Nheco-nheco sem vontade – Caridade é muito bonito mas… como fazer sem vontade? Para a fêmea sapiens, costuma ser mais fácil, ao menos teoricamente. Para o macho, caso o ato requeira um bilau ereto, costuma ser mais difícil. Machos sapiens jovens geralmente possuem boa disposição para a caridade mas, com o avançar da idade, encontram crescentes dificuldades para a prática pois, como sabemos, a fisiologia do tesão masculino requer que haja uma concordância entre a cabeça de cima e a cabeça de baixo, ou seja, entre a vontade consciente de fazer o nheco-nheco e o necessário interesse orgânico pelo ato. Quando não há esse entendimento, isso se chama discordância duplo-cabeçal. E é literalmente brochante.

Caridade masculina – A natureza duplo-cabeçal do tesão masculino é responsável por situações dramáticas, como a do sujeito que reserva a suíte presidencial do motel mais caro da cidade para uma noite de sexo selvagem com a amada e, na hora H, o máximo de selvageria que consegue é chutar o balde de gelo do champanhe, muito puto por ter brochado. O oposto também acontece: o macho sapiens é surpreendido por uma súbita e incontrolável ereção ao ver a própria mãe pelada ou ao ver a vizinha na piscina do prédio, sendo que a guria tem doze anos ‒ em ambos os casos, o desejo sexual partiu da cabeça de baixo e chocou-se com a moral da cabeça de cima, que o rejeita. Os bonobos, aqueles nossos primos macacos que trepam até em velório, não têm esse problema: quem não faz caridade é expulso da tribo. Por isso, os humanos caridosos também são chamados de bonobos. Daí a bonobice, a corrente que defende que devemos sempre fazer caridade, inclusive em velório.

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Dicas para a cidade masculina – Aos machos sapiens que não desejam ser acusados de suvinagem, seguem dicas para a prática da caridade. Se houver ausência de tesão, o fetiche pode ajudar a erguer o interesse do bilau. Fetiches existem aos zilhões, escolha o seu: pés, chicotes, fotinhas safadas, filminhos na TV, acessórios, falar como neném (sim, tem gente que se excita com isso)… Muito comum também é o uso da imaginação: feche os olhos e lembre daquela sua prima danadinha que fingia dormir enquanto você a bulinava, e ela não acordava nem quando você metia nela. Pense num sono pesado.

E as pilulazinhas subidoras de bilau? – Fármacos como o Viagra (que fazem aumentar a circulação de sangue no interior do bilau e, consequentemente, provocam a ereção, nem sempre resolvem o problema da discordância duplo-cabeçal. Se o sujeito quer o nheco-nheco mas o bilau não quer, as pilulazinhas, por si só, não farão o desgraçado traidor mudar de ideia. Porém, se o sujeito conseguir se concentrar em algum fetiche ou na lembrança da prima safadinha, o bilau acabará se animando e concordando com a cabeça de cima, e terá a seu favor um melhor fluxo sanguíneo proporcionado pelo remédio, o que acarretará numa ereção mais firme e prolongada. Conclusão: vai fazer caridade? Passe antes na farmácia.

Gemedores e paradinhos – Os praticantes da caridade podem ser divididos em dois grupos: os gemedores e os paradinhos. Os caridosos gemedores são os que se esforçam para agradar, e para isso gemem, gritam e aceitam experimentar posições estranhas, como a Ventania no Bambuzal. Alguns até fingem orgasmos mirabolantes, e há casos de gemedores tão competentes que eles mesmos ficam na dúvida se fingiram ou se realmente gozaram. Obviamente, se um gemedor goza, não é mais um gemedor, é um gozador mesmo, e os gozadores não estão fazendo caridade nenhuma. Há gemedores radicais que apelam e até dizem que amam e que querem casar, ou o contrário, que jamais jamais vão casar, um agrado que cada vez tem funcionado melhor. Já os caridosos paradinhos não fazem nada disso, no máximo esticam o braço e trocam o canal da TV. Como tem gosto para tudo, até os paradinhos fazem sucesso. Aliás, alguns paradinhos se especializam e se fingem de mortos, e só abrem os olhos e se mexem quando o outro vem avisar que a pizza chegou.

Dicas para caridade feminina – O Blog do Kelmer aceita sugestões das leitorinhas.

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CASOS DE SUVINAGEM E CARIDADE. OU NÃO

SuvinagemClaraMeadmore-01Virgem aos 105 anos – Clara Meadmore tem 105 anos e se orgulha de não precisar de dentadura. Nascida em Glasgow, na Escócia, no início do século 20, ela acredita que o segredo de sua longevidade é nunca ter feito sexo, pois, segundo ela, sexo envelhece. Para ela, o nheco-nheco sempre foi algo complicado, que atrapalharia sua vida. “Eu sempre estava ocupada fazendo outras coisas, e nunca tive tempo de pensar em sexo”, explica. Esse caso pode ser considerado como suvinagem?

SuvinandoPriquitaCaridadePeterLynagh-01Abstinência gera caridade no Camboja – O australiano Peter Lynagh apostou com um amigo que ficaria um ano sem sexo e, depois, a aposta se transformou em uma arrecadação para caridade, com a página Pete’s Chastity for Charity (Castidade de Pete para a Caridade) no Facebook, e levantou mais de US$ 50 mil para a instituição Free to Shine, que educa e salva meninas cambojanas do comércio sexual. Esse caso pode ser considerado como suvinagem?

SuvinandoSexoCaridadeMaríaCarolina-01Sexo pelas crianças pobres – María Carolina é uma prostituta chilena. Ela decidiu doar o dinheiro arrecadado com 27 horas de trabalho (cobrando U$ 300 por cada hora e meia) para uma campanha de caridade em favor de crianças pobres e deficientes. Esse caso pode ser considerado como caridade?

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

AsCiclistasOrgasticasDaColombia-01aAs ciclistas orgásticas da Colômbia – Ciclistas usam a energia de seus orgasmos para vencer corridas

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

Lola Benvenutti e a coragem de viver – A única salvação possível é sermos quem verdadeiramente somos

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor, submissão e salvação por meio do sexo anal

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990) – Um livro belo e libertador, que celebra o sagrado na sexualidade

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

Diametral,NinfaJessi03aAs aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir

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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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COMENTÁRIOS
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01- Ricardo Kelmer, me lembro tanto de ti quando escuto isso. Dou uma gargalhada imensa. Nely Rosa, Fortaleza-CE – jan2015

02- Amei essa de suvinar… kkk gente querendo dá… e doidinha suvinando. Pô… que desigual! Bjs Carol. Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

03- já li e adorei Ricardo Kelmer! Show! Solange Brito, Fortaleza-CE – jan2015

04- Sobre perder tempo com alguns preconceitos que depois podem pesar muito quando nos dermos conta de que a vida simplesmente passou! ( gostei, Kelmer, por mim, pode deixar de sovinagem com a nova postagem!!! ). Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – jan2015

05- Um absuuuurdo, essa suvinagem!!!kkkkkk. Ariane Araújo, Fortaleza-CE – jan2015

06- Ainda tem quem faça isso. Ninguém deve suvinar nem água quem dirá o resto. Valéria Assunção, Fortaleza-CE – jan2015

07- Não achei nada de engraçado e acrescento portanto je ne pa suis suvinando qualquer coisa…. Maria Socorro Lima Giambarba, Fortaleza-CE – jan2015

08- Suvinar piriquita é nova pra mim. Conheci como ‘regular’. Aqui em sampa… tb já vi: regular essa micharia. Hahaha. Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – jan2015

09- Não achei a crônica machista e tb não concordo q ela incite a mulher a fazer o q ela não está a fim, é apenas uma idéia bem humorada de não ser suvina, mas quem tem q decidir é ela, sabe, acho isso muito controverso e relativo Ricardo Kelmer! Solange Brito, Fortaleza-CE – jan2015

10- É por isso que eu não suvino não, dou e dou de coração e pernas abertos! Samara Do Vale, Fortaleza-CE – fev2015

11- ” cheiro de estrogonofe”? oh putaria! hahahahaha. Gerardo Lima, Fortaleza-CE – fev2015

12- Segundo discovery channel….kkkkkkkkkkkk, menino tu é uma figura, adoooorooooo, eta povo suvino!! Regia Alves, Fortaleza-CE – fev2015

13- está muito divertida com os ajustes para a publicação liberada. Kkkkkkkkkk falar como neném??? Brochante! Kkkkkkk eu me divirto com essas doidices Kelmicas! Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – fev2015

14- rsrsrs muito boa… Hugo de Freitas, Fortaleza-CE – fev2015

15- Pior que tem homem que sovina bilau sim… sabe, aquele papo de: – To me guardando pra minha musa. tenho um amigo que diz isso e bota defeito em todas q querem fazer caridade interesseira com ele ( elas só querem gozar), pois ele só quer uma mulher (a musa dele) que é sovina pra ele. Dorah Andrade, São Paulo-SP – fev2015

16- Vou enviar o e-mail mas eu particularmente ñ sou suvina kkkkk gosto de sexo … Luciene Maia, Fortaleza-CE – fev2015

17- Explica pra este gringo a suvinagem……….. Matthew Berigan, Campina Grande-PB – fev2015

18- Foi uma das coisas que mais me divertiram quando estive em fortaleza….além do Teatro do Humor, que este…não tem prá ninguém! Fatima Carvalho, Santo André-SP – fev2015

19- Eu ouvi assim: ” Ta regulando essa micharia?” Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – fev2015

20- Muito bom. Você montou uma enciclopédia erótica!! Pura sacanagem!! Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – fev2015

21- Pois é Ricardo Kelmer nessa suvinagem toda, ninguém come ninguém, e ninguém dá pra ninguém muito sem graça mesmo. Dorah Andrade, São Paulo-SP – fev2015

22- Ai…ai…Kelmer! Regina Zamora, São Paulo-SP – ago2015

23- Caro uy uy! Iris Salas, Granada-Espanha – ago2015

24- Kkkkkk. Marialucia da Silveira, Campinas-SP – ago2015

25- Parabéns, Kelmer! Giba C. Carvalho, Recife-PE – ago2015

26- Kkkkkkkkkkkkkkk! Demais! Dri Flores, São Paulo-SP – ago2015

27- kkkkkkkk. Nilzete Lalá Nascimento, São Paulo-SP – ago2015

28- Sensacional!! Espetacular demonstração da autêntica molecagem cearense!!! Henrique Daniel Carvalho, Fortaleza-CE – ago2015

29- Já li 10 vezes. Rogers Tabosa, Fortaleza-CE – ago2015

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Charlie Hebdo, racismo e liberdade de expressão

13/01/2015

13jan2015

Primeiro, acusam as próprias vítimas pelo massacre. Agora, espalham a mentira de que o jornal Charlie Hebdo é racista

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CHARLIE HEBDO, RACISMO E LIBERDADE DE EXPRESSÃO
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Alguém pegou uma charge do jornal satírico Charlie Hebdo com um desenho da ministra da Justiça Christiane Taubira no corpo de um macaco, tirou-a do contexto original e espalhou nas redes sociais que o jornal era racista. Muita gente não se deu ao trabalho de checar a informação, acreditou e repassou a mentira. E agora muita gente deve estar envergonhada.

O Charlie Hebdo, que tem um perfil de esquerda, nunca foi um jornal racista. Aliás, uma de suas maiores bandeiras é justamente a luta contra o racismo. A imagem macaqueada da ministra francesa foi publicada no jornal exatamente para expor o racismo do partido direitista Frente Nacional, cuja integrante em 2013 chamou a ministra de macaca. A labareda azul e vermelha no canto é uma referência ao símbolo do partido, e “Rassemblement Bleu Raciste” é uma paródia de “Rassemblement Bleu Marine”, a coalizão de partidos de direita franceses. O Charlie Hebdo é um feroz crítico da ideologia desses partidos, que promovem o ódio aos imigrantes e às minorias.

A ministra Taubira ficou grata ao jornal pelo apoio e processou o jornal de direita Minute que, este sim, a comparou a uma macaca. Logo após o massacre na redação do Charlie Hebdo, a ministra deu uma entrevista a uma rádio, em frente ao jornal, conclamando os franceses a se organizarem para que a próxima edição saísse. “Nós não podemos admitir que o Charlie Hebdo desapareça”, afirmou.

É inacreditável, mas algumas pessoas responsabilizam as próprias vítimas pelo massacre. Essas pessoas certamente também responsabilizam as próprias mulheres que são vítimas de estupro, por elas provocarem os fanáticos machistas. Os mortos do massacre na França não merecem isso, muito menos a acusação de racismo. Quem inventou essa mentira sem nenhum cuidado jornalístico, ou talvez não goste da linha satírica do jornal, que critica as grandes religiões, não poupa os poderosos, é a favor do casamento gay e combate o racismo e a xenofobia.

E quanto à liberdade de expressão, o jornal tem todo o direito de criticar e zombar das religiões, tanto quanto tem o direito de zombar de qualquer outra ideia, seja ela seguida por uma pessoa ou por milhões de fieis, pois zombar de ideias é diferente de zombar de uma pessoa. Por que a religião deveria ter o privilégio de ser intocável? Numa democracia, nós podemos zombar dela própria ‒ mas não podemos zombar da religião? A religião é mais sagrada que a democracia? Para algumas religiões, Satanás é divino – e agora, devemos parar de falar mal de Satanás? A maconha é sagrada em várias religiões ‒ e agora, ninguém deve mais fazer piada com a erva?

Temos o direito de não gostar das charges, mas o Charlie Hebdo deve ter o direito de publicá-las. Democracia é isso. Mas há quem não concorde com a democracia. Bem, o mundo tem vários países em que não há liberdade de expressão. Essas pessoas podem passar um tempo lá e comparar.
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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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SAIBA MAIS

Charlie Hebdo na Wikipedia – A história do jornal e suas lutas

Charlie Hebdo era racista? – Para esclarecer de vez a questão (Diário do Centro do Mundo, jan2015)

E se o Charlie Hebdo fosse no Brasil? – Especialistas em Direito Penal opinam sobre humor e religião no Brasil (Terra, jan2015)

Quem vai decidir quais são os limites? – O Ocidente deve se abster de publicar filmes ou charges que sensibilizem o mundo islâmico? (Uol, set12)

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CAPA DA EDIÇÃO DE 14.01.15

CharlieHebdoCharge201501-01Maomé é Charlie. E tudo está perdoado

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ReligiaoDiabo-04O Diabo também é sagrado

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ReligiaoPastafarianismo-01Se a liberdade de expressão deve se pautar pelo respeito ao sagrado, ninguém tem o direito de zombar do escorredor de macarrão, símbolo sagrado dos seguidores do Pastafarianismo

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LEIA NESTE BLOG

PorQueDefenderOEstadoLaico-01Por que defender o Estado laico – Se você é religioso e crê na democracia, deve defender o Estado laico pois somente ele garante que você sempre terá total liberdade de exercer suas crenças ou sua não crença

WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

Eles estão na fronteira – Milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

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COMENTÁRIOS
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01- Prezado Ricardo Kelmer gostei do seu ponto de vista. Gostaria de pedir ao amigo para publicar na página da APAVV. Estamos colocando várias opiniões. Exercício da democracia. Compromisso com a paz. Hermann Schimmelpfeng Landim, Fortaleza-CE – jan2015

 

 


Mário Gomes, o poeta viralata

06/01/2015

06jan2015

Era com suas errâncias quixotescas e os versos obscenos que o povo se encantava, ele lá, de paletó sem gravata, camarada e bonachão

MarioGomesOPoetaViraLata-02

MÁRIO GOMES, O POETA VIRALATA

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Era um burburinho que rodava dentro da cabeça dele, sem parar. Uma noite, rodou, rodou e pariu um poema. E ele riu da própria marmota. Descobriu-se poeta.

Rapaz, trabalhar com redemoinho no juízo não dá. Veio-lhe aí a revelação, aquilo que todo cão viralata sabe: se é pelas ruas que a vida livre escorre em poesia, bebamos de sua sagrada putaria. Então batizou-se boêmio e vagabundo.

Rebelando-se contra tudo que não rima com liberdade, um dia ele fugiu do manicômio. Lá no alto, a lua se apaixonou, a andarilha do céu, e jurou protegê-lo em suas perambulanças e traquinagens. Assim, sempre sem dinheiro mas abençoado, fez-se aventureiro: em São Paulo foi preso, mas escapuliu, por se fingir cineasta para as mulheres, em Minas se atrasou e não embarcou no ônibus que viraria na estrada, e lá nos cafundós da Bahia escapou de morrer no veneno de um vatapá na encruzilhada.

Ah, ele sumia por meses, mas Fortaleza sempre o recebia de volta. Todo lascado de surras e prisões, mas uma ruma de história mirabolante para contar. À tarde, na Praça do Ferreira, o vento malandro a brincar de subir a saia das moças, era com suas errâncias quixotescas e os versos obscenos que o povo se encantava, ele lá, de paletó sem gravata, camarada e bonachão. Fiel se manteve ao ofício de sua nobre vagabundagem, vivendo sem amanhãs, e sempre o acudia um troco para a janta e o cigarro. De tanto encarnar o surreal da vida, ainda vivo virou lenda. Assim foi que um dia, ele contando orgulhoso da aposentadoria por invalidez mental, que os amigos entenderam: cidade bendita a que provê seus poetas mais puros.

Nos seus livros publicados, a arte intuitiva brincava longe dos parâmetros, feito criança travessa que, sem atinar, aponta o absurdo da existência. Era por isso que ele podia colher uvas no pé de cana até chegar o homem das laranjas. Por isso, ele, só ele, foi comido vivo em banquete por Odete, Judite e Maria Helena. Por isso que em seu braço a formiga bebia água e de sua merda uma tarde voaram borboletas. Porque só o poeta que reflete a lucidez primitiva do desconexo sabe que na vitrine a manequim tem fome.

Tua amada, cadê?, as estrelas lhe indagam na solidão das madrugadas. Ela não veio, responde magoado, e vira a cachaça. Agora, debilitado e maltrapilho, defende-se como pode de velhas assombrações, os eletrochoques, aquela virgem ingrata que lhe negou um nheco-nheco, a surra da multidão em Salvador por lhe confundirem com um bandido… Agora, veja só, lhe proíbem de recitar seus versos onde antes era aplaudido, como se atrevem? E esses moleques idiotas, que lhe acordam com pedradas, acham que é mendigo, não sabem que saiu no jornal, que o mulherio gama só de olhar? A mãe, tadinha, morrera, ela que cuidava de lhe dar os remédios que sossegavam os burburinhos, e que agora já não parem poemas. Dizem que virou espectro vagante, que é melhor ir para a casa de repouso, que morreu mês passado, ah, não entendem porra nenhuma. Aquele bar ali, outro dia lhe negaram um resto de pão que sobrou na mesa, vão tomar no cu. Felizmente, as ruas sabem quem ele é. E pode lavar a calça no banheiro do teatro. E embaixo da passarela ainda lhe deixam dormir. E descansar a carcaça. E sonhar seu sonho louco de liberdade radical…

Ele se foi numa tarde sem vento, com os fogos do ano-novo a ignorar sua partida. Como não tinha documento, não podiam liberar o corpo para o velório na biblioteca. Mas ele é o poeta Mário Gomes, os amigos tiveram de explicar. Era a sua credencial, de mais não carecia para adentrar a posteridade. Lá no alto, a lua grávida dele não quis falar. Por detrás do Universo, Jesus tomou uma com Satanás. E mais além, na Praça do Ferreira, um viralata rodou, rodou e mijou um minuto de silêncio.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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À memória de Mário Ferreira Gomes (Fortaleza, 23.07.1947 – Fortaleza, 31.12.2014)

Foto preto e branco da montagem: Érika Fonseca. Obrigado a todos que conheceram o poeta e registraram sua vida por meio de relatos, fotos e vídeos. Obrigado a Érika Menezes, por me comunicar da morte de Mário.

REPRODUZIRAM ESTA CRÔNICA:

Blog do Eliomar – Blog do jornalista Eliomar de Lima, jan2015

Roberto Maciel – Blog do jornalista Roberto Maciel, jan2015

Jornal O Estado – Caderno Arte & Diversão, jan2015

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VÍDEO-CRÔNICA
MÁRIO GOMES, O POETA VIRALATA

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MÁRIO GOMES EM IMAGENS

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MarioGomesPoeta-15Mário recita seus poemas (por volta de 2000)

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MarioGomesPoeta,VilmaMatos2002-01Mário Gomes entrevistado na praça por Vilma Matos (2002)

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MarioGomesPoeta-18O poeta em seu nobre ofício na Praça do Ferreira

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MarioGomesPoeta-06O poeta na praça, já bem debilitado

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MarioGomesPoeta-07Com o livro de Márcio Catunda, Mário Gomes, poeta, santo e maldito

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MarioGomesPoeta-01Foto de Mika Holanda, vencedora de concurso da revista National Geographic, feita em set2014, cem dias antes de sua morte

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MarioGomesMuralNoVelorio-01Mural com fotos de Mário em seu velório

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MarioGomesPoeta-14Os muros da cidade celebram Mário Gomes (Praia de Iracema)

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MarioGomesPoetaLivros-01Ensaio biográfico de Márcio Catunda e cordel sobre Mário Gomes, de Rouxinol do Rinaré

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CRÔNICA

AoMestreVagabundoComCarinho-01a.

AO MESTRE VAGABUNDO, COM CARINHO
Ricardo Kelmer, 2015

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Nos anos 1980, em Fortaleza, corriam histórias divertidas sobre um tal Mário Gomes e sua poesia mirabolante. Elas me alcançaram na faculdade ou em alguma mesa de bar. Eu não sabia se eram reais e nem se Mário existia de fato ou era um personagem da imaginação popular. Ou seja, ele para mim era uma lenda, como certamente o era para muitas pessoas.

Provavelmente, cheguei a vê-lo em algum evento cultural ou em algum bar, ou nas Rodas de Poesia e Percussão, no Dragão do Mar, mas talvez não tenha associado sua imagem ao seu nome, ou talvez eu estivesse muito bêbado. Tirando o tempo em que trabalhei como contínuo, em 1982-84, e ia quase todo dia ao centro, nunca fui muito assíduo da Praça do Ferreira, mas talvez o tenha visto lá alguma vez. Será que ele chegou a ir ao Badauê, um bar que eu tinha na Praia de Iracema em 1988-89?

Deixei Fortaleza em 2004. Anos depois, numa visita à cidade, surpreendi-me de saber que era ele aquela figura comovente que passeava no Dragão do Mar, bêbado e maltrapilho, discursando sozinho, e nos anos seguintes voltei a vê-lo por lá, deslizando solitário pelas noites, às vezes acompanhado da jornalista Ethel de Paula. Em 2013-14, acompanhei à distância a piora de seu estado, mas sabia que pouco podia ser feito, por sua recusa em deixar as ruas e tratar da saúde.

Naquela tarde de 31 de dezembro, eu estava em casa, em São Paulo, quando fui avisado de sua morte por minha amiga Érika Menezes. Eu sabia que dias antes ele fora encontrado desmaiado no Dragão, e que enfim o convenceram a ir para o hospital. Senti uma súbita tristeza e chorei. Tomei uma dose de uísque e homenageei o poeta, gargarejando um verso seu: Como era gostoso esse Mário Gomes! E fui buscar na internet o poema inteiro, para recitar. Putz… Bastaram poucos minutos de pesquisa para descobrir o imensamente quanto eu não sabia quem era Mário Gomes. Fiquei envergonhado da minha ignorância e ali mesmo comecei a catar tudo sobre ele, entrevistas, relatos de quem o via nas ruas, vídeos, a biografia de Marcio Catunda… Quanto mais descobria, mais me fascinavam sua história e sua arte. Perdi o ânimo para a festa do réveillon ‒ a vontade era de estar em Fortaleza e ajudar nas preparações para o velório.

Descobri um grandioso personagem, a perfeita encarnação do arquétipo do louco malandro, presente em tantas culturas do mundo. Ao ser avesso a regras e limites e recusar-se a trabalhar, Mário personificou o vagabundo que todos, no fundo, temos vontade de ser. Flanar livre por aí pelas ruas, fazendo poesia e vivendo incríveis aventuras, aceitando o que lhe dessem como ajuda e sem importunar ninguém, era essa a sua bela filosofia. Desconfio que um dia sua vida virará filme, uma comédia dramática burlesca, e estreará no Cine São Luís, na Praça do Ferreira. Nada mais justo.

Durante sete dias, me alimentei de Mário, quase não saí de casa, e, ao fim, vomitei a crônica Mário Gomes, o Poeta Viralata. Era o mínimo que eu tinha a fazer por sua memória, mas sei que meu texto não apagará minha sensação de débito com o poeta, por conhecê-lo somente após já ter ido embora. Quanto aos seus problemas mentais, talvez eles não lhe permitissem ter a exata consciência de sua condição, dos riscos de viver assim, da morte iminente na próxima esquina. Ou o contrário, talvez Mário soubesse mais que todos, quem pode ter certeza? Quem pode julgá-lo? E quem está livre de morrer na próxima esquina?

Não tenho a mesma coragem que Mário, mas busco todos os dias priorizar a minha liberdade e viver para a minha arte. Não durmo nas ruas, mas conheço a grande incerteza do tempo para quem decidiu ser escritor na vida. Mário Gomes se foi, e seu exemplo agora me fortalece em minha própria loucura. Obrigado, mestre vagabundo.

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MarioGomesPoeta2014-01a.

ANDARILHO
Ricardo Kelmer, 2015

Eu sempre fui andarilho
Mas é assim que prefiro
Viver desse vento que eu sou
Tanto tempo que deixei a trilha
Que hoje nem a minha mochila
Sabe mais para onde vou

Todo dia quando acordo
Sopro no ar a minha sorte
E ganho tudo que preciso ter
O que não preciso, que o vento leve
Porque nunca se perde
Quem não tem o que perder

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O poema Andarilho integra a trilogia que fiz em homenagem a Mário Gomes, com as crônicas Mário Gomes, o poeta viralata e Ao mestre vagabundo, com carinho. O poema foi inspirado numa fala de Mário, durante a gravação da matéria Poeta de Rua, da TV O Povo, de Fortaleza, em 2009. Tomei a liberdade de transcrever a fala em formato de poema e dei-lhe o título de Mora. Fiz isso para destacar o quanto Mário Gomes vivia a poesia, naturalmente, em sua vida cotidiana, mesmo tendo, nos últimos anos, deixado de escrever e publicar. Quando comparo os dois poemas, o dele se revela tão autêntico e o meu me soa tão artificial… Talvez por que Mário era poesia em estado bruto.

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MORA
Mário Gomes

Eu sempre fui andarilho
Eu sempre andei do jeito que eu sou
Eu nunca mudei minha personalidade
Esse negócio de dizer que eu moro na rua é papo furado
Se por acaso eu tô por aí, com muito sono, embriagado
O que é que tem eu dormir?
Eu moro na rua por quê?
Eu moro na rua onde?
A gente mora dentro de si, rapaz
A gente mora dentro da cuca da gente
Eu moro em qualquer canto onde eu chegar
O que é morar?
Agora eu que te pergunto: o que quer dizer morar?
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VEJA O VÍDEO

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MarioGomesPoeta-05aFoto de Raymundo Netto

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POEMAS DE MÁRIO GOMES

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SOU UM CACHORRO VIRA-LATA

Sou um cachorro vira-lata
Não tenho residência fixa
Não tenho responsabilidades
Não tenho dono.
Mas, também, não me falta sexo
Porque conheço lindas cadelas
De tipos diversos.
Onde chego procuro alimentos
Fumo na hora em que me é propício
Um cigarrinho com filtro ou sem.
Sou um cachorro fiel e valente
(Só na aparência)
Pois, sou um cachorro vira-lata.

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ANTROPOFAGISMO

Eu, sem ser antropófago,
já saboreei muita gente por aí.
Minhas preferências são os esbeltos
violônicos corpos femininos: a mulher.
Ah! Se a humanidade fosse toda antropófoga
como eu teria o prazer de ser devorado
em um banquete ou bacanal de lindas garotas
sexys, histéricas, eróticas
e eu, em cima de uma mesa qualquer totalmente nu.
Assado ou cozido.
Recheado de cebolas, tomates e farofas.
Enquanto Odete espetava um dos meus esverdeados olhos
que outrora foram profanos,
Judite arrancava minha língua e mastigava furiosamente.
Depois Maria Helena
pegava uma faquinha de mesa e cortava
delicadamente meu pênis ereto e dizia entre-dentes:
– Como é gostoso esse Mário Gomes.

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UMA VIOLENTA ORGIA UNIVERSAL

Olhei o sol.
Me irritei
E larguei a mão na cara dele.
No qual ele ficou
Desacordado por 12 horas ininterruptas.
Dei um ponta-pé nos ovos da terra.
Afastei São Jorge
E mantive relações sexuais com a lua.
Pisoteei o cadáver de satanás
Numa esquina encontrei-me com Deus
E saímos abraçados: rindo e cantando…. Chovia

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METAMORFOSE

Ontem,
Ao meio-dia,
Comi um prato de lagartas
Passei a tarde defecando borboletas.

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AÇÃO GIGANTESCA

Beijei a boca da noite
E engoli milhões de estrelas.
Fiquei iluminado.
Bebi toda a água do oceano.
Devorei as florestas.
A Humanidade ajoelhou-se aos meus pés,
Pensando que era a hora do Juízo Final.
Apertei, com as mãos, a terra,
Derretendo-a.
As aves em sua totalidade,
Voaram para o Além.
Os animais caíram do abismo espacial.
Dei uma gargalhada cínica
E fui descansar na primeira nuvem
Que passava naquele dia
Em que o sol me olhava assustadoramente.
Fui dormir o sono da eternidade.
E me acordei mil anos depois,
Por detrás do Universo.

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A LOUCA E O MANEQUIM

A menina louca, maltrapilha e suja,
Parou em frente à vitrine da Casa Parente,
E estática olhava para um manequim feminino.
Olhou… olhou… pensou… pensou…
Dado momento perguntou:
“ta com fome, égua?”
Esta pergunta causou-me
Certa impressão, o poeta,
Que também já conversou com os manequins.
Eu dissera: “se fosse realmente mulher
Como és de gesso,
Te daria um prato de comida.”
Será que essa louca é
A personificação da poesia?

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QUANDO EU MORRER

Quando eu morrer
Irão distribuir minhas camisas,
Minhas calças, minhas meias, meus sapatos.
As cuecas jogarão fora.
Ninguém usa cueca de defunto.
Irão vasculhar minha gaveta.
Vão encontrar muita poesia,
Documentos e documentários.
Só sei dizer
Que foi gostoso viver.
Sentir o amor e proteção de minha mãe.
De conhecer meus irmãos, meus amigos.
De ver de perto as mulheres.
Só posso deixar escrito:
“obrigado vida”.

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LIVROS PUBLICADOS

Lamentos do Ego (1981)

Aprendizes da Morte (1982, com Márcio Catunda e Cristiane Marinho)

Emoção Poética (1983)

Resquícios de uma Paisagem da Vida (1988)

Devaneios das Lamentações (1991, com Márcio Catunda)

Terno de Poesia (1997, com Alcides Pinto)

Uma Violenta Orgia Universal (1999, antologia poética)

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MarioGomesPoeta2010-01Mário Gomes na Casa Juvenal Galeno (Semana da Poesia, 2010)

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SAIBA MAIS

Mário Gomes Poeta – Blog em homenagem ao poeta, com poemas, depoimentos, vídeos e reprodução do livro Mário Gomes, poeta, santo e maldito, de Marcio Catunda

Entrevista com Mário Gomes – Vilma Matos entrevista o poeta para a publicação Cá Estamos Nós (2002)

Tributo ao Mário Gomes: Comendo lagartas e defecando Borboletas – Crônica de Raymundo Netto (2009)

A vida dentro dos sapatos – Artigo da jornalista Ethel de Paula, que tem Mário Gomes como tema de sua dissertação de mestrado (2014)

Procura-se Mário Gomes – Crônica de Raymundo Netto, escrita na noite da morte do poeta

Ricardo Guilherme fala de Mário Gomes – Belo e digno texto escrito pelo ator e amigo do poeta (2015)

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MarioGomesPoeta,AuribertoCavalcante-01Mário Gomes na praça, com o amigo Auriberto Cavalcante (2013)

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VÍDEOS

Poeta de rua – Programa Viva Fortaleza, da TV O Povo, entrevista Mário Gomes (2009)

Mário Gomes, o poeta da Praça do Ferreira – Bela homenagem ao poeta, com depoimentos. Direção de Zebaptista (2014)

Que Mário – Vídeo da Cia Pã de Teatro, com imagens de Mário Gomes na Praça do Ferreira

Repórter encontra Mário Gomes de madrugada – Matéria do programa sensacionalista Cidade 190 (2013)

Mário na Praça do Ferreira – Admirador encontra Mário Gomes e compra um cordel sobre sua vida (2013)

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LEIA NESTE BLOG

 

OSonhoDoVerdadeiroEu-01O sonho do verdadeiro eu – Entretanto, algo me dizia que na pauliceia eu poderia viver minha vida mais verdadeira, era só insistir

O mundo real da arte – O momento em que a magia do teatro se revela paradoxalmente em toda sua plenitude, expondo tanto sua maquiagem quanto seu avesso

O último blues de Lily – A lua nascendo no mar e os blues na voz de uma Lily que se rebola e se rebela e não ouve ninguém chamar

A celebração da putchéuris (Intocáveis Putz Band) – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Pelas coxias de Guaramiranga – Entre uma peça e outra sempre dá tempo de cruzar uns olhares, nativos e forasteiros, e exercitar o roteiro das abordagens

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

É o amor – E os outros zezés e lucianos por aí?

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Comentarios01COMENTÁRIOS

 

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01- Que triste. Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

02- Linda homenagem meu querido Ricardo Kelmer. Juliana Melo, Fortaleza-CE – jan2015

03- Muito legal…a eloquência da loucura… Adil Chaves, Fortaleza-CE – jan2015

04- Erika Menezes Obrigada, Ricardo Kelmer, por ter deixado eu ler seu texto. Bj.

05- Vou levar..Gracias.. Claudia Bahia, Fortaleza-CE – jan2015

06- Kelmer, você fala a língua dos homens. Parabéns! André Marinho, Fortaleza-CE – jan2015

07- Que texto massa Ricardo!! Cristiane Bastos, Fortaleza-CE – jan2015

08- Fizeste uma homenagem linda, me emocionei. Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

09- Genial! Thayssa Gabriela, Fortaleza-CE – jan2015

10- Só mesmo poetas pra entender e falar sobre poetas. Parabéns pelo texto Ricardo Kelmer, posso compartilhar? Márcia Rodrigues, Fortaleza-CE – jan2015

11- Excelente texto ,Ricardo. Fraterno abraço. Dunga Odakam, Fortaleza-CE – jan2015

12- Seus textos agarram a gente pelos olhos e nos puxa pela sonoridade das palavras bem ditas! Tenho gostado. Bjs. Ana Maria Costa Lima, Fortaleza-CE – jan2015

13- Nesse pré carnaval eu quero musicar um samba em homenagem ao bêbado e o vagabundo. Quem se habilita em escrever uma letra? O título já foi dado pelo Ricardo. André Marinho, Fortaleza-CE – jan2015

14- Perfeito. Willa Lima, Fortaleza-CE – jan2015

15- ei, tio! tá foda, a crônica! me arrepiei todo como o final. e a impressão que dá é que a crônica nasce Ricardo Kelmer e vai morrendo Mario Gomes. parabéns!! Levy Mota, Fortaleza-CE – jan2015

16- Oi Ricardo. Adorei a crônica. Eu o vi, várias vezes, pelo centro. Nem desconfiava que era o Poeta Mario Gomes até que soube de sua morte pelo jornal e a foto que ilustrava. O mundo ficou um pouco menos louco e, consequentemente, mais chato. Abraços. Fabiano Brilhante, Fortaleza-CE – jan2015

17- tá é lindo, esse texto/essa homenagem. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – jan2015

18- É de arrepiar!! Linda homenagem… Izadora Castelo, Fortaleza-CE – jan2015

19- Acho que vou trocar essa dissertação pelos textos do Kelmer e do Ricardo Guilherme – e não quero troco rsrs Ai, ai, como é gostoso mesmo esse Mário Gomes devorando a gente ao avesso!!! rs. Ethel de Paula, Fortaleza-CE – jan2015

20- Lindíssimo!!!!! Emocionante!!!!! Envolvente!!!!! Zeina Costa, Vitória-ES – jan2015

21- O encontro dos poetas …… João Moreira, Fortaleza-CE – jan2015

22- Sempre que ia ao Dragão o observava e respeitava seu espaço…interessante era que ele não pedia nada. Ando por lá desde que foi inaugurado, mas de 2006 pra cá foi que soube que ele era poeta, desde então sempre que o via ia logo dizendo: ” óh ú poeta!” Nem sempre ele falava, mas sempre ele sorria… Tiago Bandeira, Fortaleza-CE – jan2015

23- Ei, eu tinha lido no Eliomar. 🙂 Me deu saudades! beijo. Verônica Guedes, Fortaleza-CE – jan2015

24- Cara, q texto lindo! Bela forma de homenagear o poeta. Que a sua poesia seja eterna! Mariela Mei, Campinas-SP – jan2015

25- massa kelmer! bela homenagem ao mais rico dos poetas de fustaleza! um dia chegamos lá… Marcos Maia, São Paulo-SP – jan2015

26- Que lindo Ricardo! Grande homenagem a um grande poeta. Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – jan2015

27- Lindo coMtexto! Sugiro que juntem todas as homenagens feitas à ele em versos, poemas e divagações e organizem em um livro. .. será delicioso bebê-las e devorá-las. Gratidão! Abçs. Maria Castro, Fortaleza-CE – jan2015

28- Muito bem elaborado. Parabéns, Ricardo! Rejane Porto Cult, Fortaleza-CE – jan2015

29- Muito bom! Alexandre Domene Ortiz, Fortaleza-CE – jan2015

30- chorei. parabens pelo texto. de uma delicadeza incrivel. Dimitri Bitu de Araújo, Fortaleza-CE – jan2015

31- Sempre com sensibilidade pra escrever sobre outras sensibilidades Ricardo Kelmer. Belissimo texto. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – jan2015

32- Mt bom! Belíssimo e emocionante texto! A morte do poeta me comoveu bastante. Eu que também escrevo meus versos, de tão comovido escrevi também um poema em homenagem ao grande Mario Gomes. João Batista Júnior, Fortaleza-CE – jan2015

33- Adorei! Regina Zamora, São Paulo-SP – jan2015

34- Parabéns, Ricardo, bela homenagem! Antonio Martins, Maceió-AL – jan2015

35- Nobre homenagem Ricardo Kelmer! Parabéns pelo texto. Gizelle Gi, Fortaleza-CE – jan2015

36- legal, kelmer… um brinde ao poeta!…. abração! Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – jan2015

37- Boa. Olhai Christiane Glasner. Ruth Hernández Boscán, no se si comprenderas, pero dos de tus pasiones en una persona: poesia y psique. Jose Paulo Araujo, Caracas-Venezuela – jan2015

38- Quando as latas tinham poesia. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2015

39- Fantástica homenagem do meu amigo Ricardo Kelmer ao poeta Mário Gomes, que todos víamos pelo Dragão do Mar, embarcado em sua loucura, sempre elegantemente maltrapilho, chamava a atenção. Fica a letra, rastro no mundo e na história da cidade. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – jan2015

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MarioGomesOPoetaViraLata-03a

 

Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

 

 


Meu Natal inesquecível

27/12/2014

26dez2014

Shopping lotado, crianças gritando e, oh, a música da Simone

MeuNatalInesquecivel-04

MEU NATAL INESQUECÍVEL

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Shopping center não é dos meus lugares preferidos, mas precisei comprar um cabo pro meu celular e, como tinha um shopping pertinho, fui caminhando até lá. Quando cheguei foi que me toquei que, putamerda, era véspera de Natal… Estava tão lotado que me arrependi e quis voltar, mas fui arrastado pela multidão e, na confusão, perdi um chinelo. Então lá estou eu, na escada rolante entupida de gente, descalço, segurando um chinelo, e a escada trava. Que maravilha, né? Quando penso que não pode ficar pior, escuto uma música familiar… É Simone, onipresente nas centenas de caixas de som do shopping, cantando Então é Natal.

O fim dessa história é trágico, mas vamos em frente, o que importa é que sobrevivi pra contar. Pois bem, aguentei firme Simone cantando Então é Natal, espremido entre quinhentas pessoas na escada rolante travada. Porém, a música toca de novo, e depois de novo, e fica tocando sem parar. Eu fecho os olhos, sem acreditar no que acontece.

Crianças. Adoro essas criaturinhas, mas às vezes elas servem às forças malignas, você não acha? Pois não é que um grupo delas, que se divertiam por estarem presas na escada rolante, começa a cantar com a Simone? E, pro meu desespero, a insanidade infantil se alastra e, de repente, todos na escada estão cantando, não, estão berrando a plenos pulmões: Então é Nataaaaaal… E eu começo a suar frio.

O coro chamou a atenção de todos, claro, e me vi vivendo um pesadelo real: preso na escada rolante, com quinhentas pessoas metidas a anjo cantando celestialmente Então é Natal, e ao redor e embaixo e em cima, por todo lado, uma multidão maravilhada com o nosso singelo e espontâneo coro natalino, todos tirando fotos e filmando. E eu lá no meio do filme de terror, passando mal, uma coisa muito ruim me subindo pelo estômago, pelo peito, pela garganta…

Rô, rô, rô, ele está vivo! Foi isso que ouvi quando minha consciência voltou. Era um enfermeiro magricela, vestido de Papai Noel, a me oferecer um copo dágua. Putz, eu estava na enfermaria do shopping.

Recusei a água (não acredito em papainoeis magricelas) e ele me explicou o que aconteceu: eu tivera um surto na escada rolante e comecei a dar chinelada nas crianças, gritando “Leve-me à sua líder, seu Pokémon do Mal!”, e logo depois desmaiei. Uau… Fiquei impressionado, pois sou um cara da paz, mas o enfermeiro disse que não era o primeiro caso, e que foi justamente por isso que muitos shoppings deixaram de tocar Então é Natal. Agradeci e me levantei pra ir embora, mas ele avisou que a música ainda estava tocando, e que tocaria também nas versões com Luan Santana e padre Marcelo Rossi, e só pararia no dia seguinte. Quando eu já ia desmaiar novamente, ele me entregou um par de protetores de ouvido: Tome, isso vai ajudar. E foi assim, auditivamente protegido, que finalmente consegui escapar daquele pesadelo.

O cabo do celular, acabei não comprando, fui direto pra casa. Ainda assustado e sem os meus chinelos. Os protetores de ouvidos, ah, eles eu guardei, pra usar sempre que for a um shopping no fim do ano. Nunca se sabe, né?

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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A música Então é Natal é uma versão feita pelo compositor Claudio Rabello da canção Happy Xmas (War is over), de John Lennon e Yoko Ono, e foi gravada pela cantora Simone em 1995.  A música original, gravada em 1971, é uma canção de protesto contra a Guerra no Vietnã, e com o tempo tornou-se um famoso tema de Natal. No Brasil, a versão cantada pela cantora Simone, ainda que tenha no fim a citação de Hiroshima e Nagasaki, afastou-se do tom de protesto, revestiu-se de um caráter mais religioso (a canção original em nenhum momento fala de cristianismo) e adquiriu um notável espírito de pieguice, o que, associado ao apelo hiperconsumista do Natal, acabou fazendo a música ser insuportável para muitas pessoas. Veja o clipe oficial (e perceba que o mundo não mudou nadinha…):

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Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

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Comentarios01COMENTÁRIOS

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01- Ahahaha!!!! Muito bommmm! Em SAMPA ou FORTAL? Reny Diel, Fortaleza-CE – dez2014

02- Kkkkkkkkkkkk boa. Alessandra Corrêa, Fortaleza-CE – dez2014

03- Bom kkkk. Roberto Studart Soares, Fortaleza-CE – dez2014

04- Imaginei o Cinderelo natalino uma mistura de Belo desmaecido,usando o pé que restou pra dar chineladas na molecada, kkkkkkkk acordado por um Papai Noel magricela!!! kkkkkkkk. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – dez2014

05- chorei. Flávia Castelo Batista, Fortaleza-CE – dez2014 

06- kkkkkkkkkkkk. Imaginei a cena se passando na escada rolante da parte velha lá do Iguatemi!!! Dava um ótimo curta!! Elaine Luz, Fortaleza-CE – dez2014

07- Ana Lucia Castelo Adorei kkkkkkk feliz ano Ricardo Kelmer!!!!!

08- Kkkkķk so tu mermo, nao nega a raça em todos os “sentidos” kkkkk. Izabel Castro, São Paulo-SP – dez2014

09- Nossa, que terror! veja o link que Mob Cranb colocou aqui. Com todo o nosso carinho! A parte da chinelada é demais! Kkkkkkkkkkk Sorry. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – dez2014

10- Marcelo é o “artista” brasileiro que mais vende discos no Brasil: http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_best-selling_albums_in_Brazil Luc Lic, São Paulo-SP – dez2014

11- Que sufoco hem? Edna Pontes, Fortaleza-CE – dez2014

12- Kkkkkkkkkkkl. Kcal Claudia Rocha GorDivah, Rio de Janeiro-RJ – dez2014

13- muito bom…isso da enredo (e dos bons) p esses filmes de fim de tarde sobre o natal…seria um filme descente….engraçado (me desculpe mas eu ri kkkk) e finalmente quissá o primeiro filme Honesto sobre natal e seus afins! Patrícia Hakkak, São Paulo-SP – dez2014

14- Putz Kelmer. Não consegui parar de rir até agora! Jefferson Souza, Fortaleza-CE – dez2014

15- Muito legal!!!rsrs! Joana Darc Pedrosa, Fortaleza-CE – dez2014

16- Kkkkkkk Deuzulivi eu jogava tudo da escada fingindo que era chaminé: “- Então é Natal e o q vc fez?” Hilbana Fig Jamacaru, Fortaleza-CE – dez2014

17- passei por isso essa semana até vontade de vomitar eu tive e a musiquinha dos sinos tocando… Angélica Nogueira, Salgueiro-PE – jan2015

18- Então é Natal!!! ninguem merece. tadinho. Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

19- Kelmer, tô rindo muito imaginando a cena… e pq esse povo não desceu as escadas normalmente??? Estranho é isso… Ahora a música, nem comento! E como tú conseguio perder o chinelo logo no começo??? Agora, o melhor deve ter sido tua cara qd te disseram que tava dando chineladas nas crianças… muito engraçado… kkkk Um beijão e 2015 com muita coisa boa, paz, saúde e sem shoping. Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

20- Kkkk. Adriana Alves, São Paulo-SP – jan2015

21- FELIZ ANO NOVÍSSIMO !! TE AMO !! BJ. Rita Austregesilo, Fortaleza-CE – jan2015

22- Rapaz , parabéns, como você aprendeu a fazer isso. Jose Leite Netto, Fortaleza-CE – jan2015

23- KELMER, o jeito mesmo é ficar longe de shoping… e o tal lance que ía comprar? Bjs, bjs… Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

24- kkkkkkkkkkkkkkk. Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – jan2015

25- kkkkkkkkk. Leite Neto, Fortaleza-CE – dez2015

26- kkkkkkkkkkk. Onde é que João Lenon estava com a cabeça quando fez essa música, hein? Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – dez2015

27- Que falta de sorte, heim?Perder o único chlinelo!.Merece dizer esse palavrão mesmo. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – dez2015

28- acredita que o skank regravou essa musica maldita ??? outro dia ouvi na radio com eles cantando e eu disse nãaaaoooooooo….. Adriana Alves, São Paulo-SP – dez2015

29- Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Vanessa Machado Monte, Fortaleza-CE – dez2015

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