Bizarra vizinhança

06/06/2013

06jun2013

Qualquer dia darei minha contribuição e botarei no último volume o cedê do Geraldo Luz, aquela música que diz que o suicídio é a melhor solução

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BIZARRA VIZINHANÇA

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Finalmente consegui alugar um quarto-e-sala enquanto procuro um lugar definitivo para morar. É um pequeno apartamento, todo mobiliado. O prédio é mais velho que eu, mas está mais conservado. A dona do apê é uma artista plástica, por isso a sala é cheia de quadros estranhos, desses que a cada dia você vê uma coisa diferente. Ontem descobri um lobisomem saindo de uma concha, olhando feio pra mim…

Da janela dá pra ver o Cristo. Detesto aporrinhar os deuses, mas com uma semana pedi pro Cristo me ajudar. Sabe o que é, é o meu vizinho do sexto, ele é meio estressado, tem problema com a ex-mulher e vive gritando que a odeia e que vai matar a desgraçada, o prédio todo escuta. Minha vizinha de baixo, pra abafar os palavrões, bate carne na cozinha. A de cima berra umas músicas evangélicas, tão desafinada que Deus obviamente não vai aceitá-la. E eu no meio desse inferno.

Apesar dos queridos e bizarros vizinhos, estou gostando do bairro. Nas ruas tem muito carro, ônibus, moto, pedestre e camelô, mas de algum modo todos se entendem. Imagine um caminhão cheio de bode: na curva todos se amontoam, caem por cima dos outros, aquela confusão. Mas logo depois se ajeitam e tudo volta ao normal, né? Botafogo é parecido. A diferença é que aqui o caminhão está sempre fazendo a curva.

No primeiro passeio encontrei uma livraria, três cinemas e sete bancas de revista. E uma dúzia de bodegas. Me senti em casa. Perto do metrô vi uma banquinha de livros usados e parei pra olhar os títulos. E escutei sussurrarem meu nome… Era um livro do Castaneda, justamente o que faltava em minha coleção. O dono, um ex-hippie cinquentão, estava sentado lá dentro, incenso fumaçando, o três-em-um mandando ver no roquenrou. Ao saber que eu era do Ceará, se animou e me contou sua viagem pra Canoa Quebrada nos anos 70, mochila, carona na estrada, unzinho ao por do sol. Eu folheando o livro e ele lembrando de dunas, surubas e cogumelos, botou até uma fita do Led Zeppelin, gravação pirata. Saí de lá na maior maresia. Mas com o livro do Castaneda, e pela metade do preço. Botafogo, o bairro ideal.

Dias depois eu passava pela rua e escutei o grito: Ô, Ceará!!! Era o maluco psicodélico da banquinha, me acenando com um raro do Terence MacKenna, pechincha, dez real. Livro é mesmo uma droga perigosa. Assim como o alcoólatra não pode dar o primeiro gole, gente como eu não pode nem passar em frente a um sebo. Não resisti e levei o MacKenna. Botafogo é ideal, mas tem seus perigos.

Aos poucos, vou me ambientando no bairro, descobrindo atalhos, fazendo a simbiose. O jornaleiro guarda pra mim o JB das sextas. O dono da bodega na esquina é cearense e quando estaciono no balcão nas noites de frio, ele capricha na dose de Domecq. E na quarta-feira o cinema é mais barato, olha que bom. Só o meu vizinho estressado é que não tem jeito. Hoje, por exemplo, acordei outra vez com ele gritando e quebrando as coisas em casa, e embaixo o bate-bate na tábua de carne, e em cima os aleluias desafinados. Reclamei com o Cristo, mas ele anda ocupado desviando balas perdidas. Qualquer dia darei minha contribuição e botarei no último volume o cedê do Geraldo Luz, aquela música que diz que o suicídio é a melhor solução. Bizarro por bizarro…

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

> Pois o suicídio ainda é a melhor soluçãããooo…
Escute a música de Geraldo Luz (A droga)

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Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

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Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

Galinha ao molho conjugal – Então fizemos uma aposta. Qual dos três conseguiria resistir mais tempo ao casamento?

Confissões de um míope – O míope então restringe suas relações visuais com as pessoas a um raio de dez metros e quem estiver além disso não faz parte de seu mundo. E acaba ganhando uma imerecida fama de boçal

> Postagens no tema “biográfico”

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01- Kelmer, olha que “dunas, surubas e cogumelos”…. KKKKKKKK ADOREI!!! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK. Gustavo Lima Verde, Fortaleza-CE – jun2013

 


O major da China

08/05/2013

08mai2013

A folha em branco era o próprio Partido Comunista Chinês a me desafiar, ou você escreve trinta linhas ou então zapt!

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O MAJOR DA CHINA

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Com 11 anos, entrei para o Colégio Militar, e lá se foi meu cabelão anos 70. No início, até me empolguei com a novidade, mas aos poucos emergiram incompatibilidades com a filosofia militar. Eu era um aluno estudioso, sim, mas ali a minha energia criativa e os anseios de liberdade não tinham muito espaço. O colégio parecia desafiar minha natureza, ei, mocinho, esse lugar é pequeno demais para nós dois…

Passar por média era importante, mas bem melhor foi me sagrar campeão do Torneio de Tampinha de 1977, organizado pelo grêmio, uma final arduamente disputada entre eu e Celestino ‒ e a medalha, ostentei-a orgulhosamente no peito por meses. Havia uma máfia que protegia calouros em troca de lanche na cantina, e eu fiz parte, claro. E participava das excursões ao Colégio Imaculada Conceição para paquerar as alunas, e depois, inspirado nelas, escrevia contos eróticos que circulavam secretamente durante as aulas. Era divertido. Mas havia todas aquelas regras, hierarquias, a ênfase no obedecer ordens…

Então, na sétima série, o major professor de geografia, disciplina que eu adorava, marcou a prova final. E, como sempre, nos passou cinco temas para a redação, um deles cairia. Segui minha velha e infalível estratégia, inspirada na lei das probabilidades: estudar três temas, dar uma olhadinha no quarto e desprezar o quinto. Pois dessa vez falhou: caiu a China, o tema que eu não estudara. Putz, bateu logo a angústia. Eu, um dos melhores em geografia, tirar zero na redação, que vergonha. Respirei fundo, me concentrei. Mas a folha em branco era o próprio Partido Comunista Chinês a me desafiar, ou você escreve trinta linhas ou então zapt!

Aumentei logo o tamanho da letra, recurso básico. E tratei de errar aqui e ali, riscando e reescrevendo em seguida, tudo para preencher as trinta linhas. Sobre a China, nada de economia, clima, bacias hidrográficas, apenas o ridiculamente óbvio: era um país enorme, ficava na Ásia, capital Pequim, o Japão ao lado, e tinha a muralha. Estiquei bem o trivial, que nem os olhos dos chineses. No fim, percebi, desanimado, que ainda restavam sete intermináveis linhas. O que mais poderia dizer?

Resolvi apelar para o bom humor. O major, gente boa, ia entender. “Como já disse no primeiro parágrafo, caro professor, a China é o país mais populoso do mundo. Há quem diga por aí que isso se deve, veja só o senhor, ao fato dos chineses comerem com dois pauzinhos. Mas não há confirmação científica.” Pois é, juro por minha medalha de ouro de tampinha que escrevi isso. A piadinha cumpriu seu papel, sim, mas ainda restavam três malditas linhas. Então, aberta a porteira, soltei a boiada: “Bem, major, isso é tudo que sei. Se o senhor quiser saber mais, só me resta dizer: vá pra China!”

Entreguei a prova satisfeito, crente que minha espirituosidade renderia uma boa nota. Três dias depois, o major manda me chamar, eu deveria vestir a farda e ir até sua residência. Como morávamos próximos, fui caminhando até lá, sonhando com honras ao mérito. Ele me recebeu fardado, muito sério. Bati continência e ele me conduziu à sua sala. E me passou um sermão que jamais esquecerei. Falou de minha petulância e falta de respeito, que eu zombava da autoridade, que se eu pensava que podia mandá-lo para a China e ficar impune, estava muito enganado. “Por causa dessa estupidez, vou lhe dar um zero, não só na redação mas na prova inteira, e você vai para a recuperação! E só não será expulso do colégio por consideração a seu pai, de quem sou amigo!”

Expliquei que não quis ofender, só tentei por um pouco de humor… “Respeite a instituição, aluno! O Colégio Militar não é circo!”, ele metralhou, do alto de sua patente, os meus ingênuos 13 anos. Mas major, eu só estava brincando, o senhor não sentiu? “Eu não julgo as coisas pelo que sinto! Eu julgo pelo que vejo!”

Saí de lá humilhado. E decepcionado, pois gostava do major, era um bom professor. Mas o pior era a recuperação em geografia, que merda. Por essas e outras é que no ano seguinte saí do colégio. Por vontade própria, bom que se diga. Comemorei deixando o cabelo crescer por um tempão, viva a liberdade capilar!

Não guardo nenhum ressentimento, pelo contrário, tenho ótimas lembranças. O Colégio Militar me ensinou disciplina, me deu amigos e uma medalha de ouro. E o major? Nunca mais vi. Hoje rio do episódio e percebo que serviu para a fortalecer minhas convicções, por isso sou grato ao meu professor. Tornei-me escritor profissional e sempre lutei para que as regras não tolhessem minha criatividade e meus sonhos. A vida não é um quartel, mas há algo pelo qual vale a pena fazer uma guerra, ah, vale: é a essência do que somos.

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Ricardo Kelmer 2003 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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01- Kelmer, eu nao conhecia esta sua estoria. Parabens, e realmente foram anos incriveis! Helder Avila, Fortaleza-CE – jun2013

02- Histórias verídicas da época do Colégio Militar contadas pelo meu amigo Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos. Quem não acreditar, vá pra China. Rsrs João Ilo Barbosa, Fortaleza-CE – jun2013

03- Que legal!!! Gostei do que li!!! Adeli Timbó, Fortaleza-CE – jun2013

04- Lembro de uma discussão que tive com o Maj. Studart na sala, sobre o Rio Nilo. Eu não aceitava que o Nilo nascesse no centro sul da África e desaguasse no Mediterrâneo que fica bem ao norte. Caramba, foi metade da aula para entrar na minha cabeça que Sul, não sobe para o Norte e o Norte não desce para o Sul. rsrsrsrsrsrs. João Guy Almeida, Fortaleza-CE – jun2013


Trilha da Vida Loca – show e livro

25/02/2013

25fev2013

Um show que une literatura e clássicos da dor de cotovelo

TrilhaDaVidaLocaDiv-05.
Eu e meu parceiro Felipe Breier, que mora em Fortaleza, criamos um novo show musical-literário: Trilha da Vida Loca. Nesse show, homenageamos os amores decadentes e as paixões destemperadas por meio de contos e músicas. Os contos foram escritos por mim, inspirados em clássicos populares da dor de cotovelo, e eu e Felipe interpretamos (voz e violão) e comentamos as músicas, tudo num clima bem-humorado e com muita interação com o público. Fizemos duas apresentações-teste em 2013 e estreamos oficialmente em 2014.

TRILHA DA VIDA LOCA
Contos e canções do amor doído

Mesclando música e literatura, este show reúne clássicos da dor de cotovelo da MPB e histórias de amor inspiradas em sucessos de Odair José, Waldick Soriano, Diana, Reginaldo Rossi e Pimpinela, num formato divertido e interativo. As canções são executadas por Ricardo Kelmer e Felipe Breier (voz e violão) e também em trechos de suas gravações originais, com participação da plateia. Paixões de cabaré, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor… Favor pagar o couvert antes de cortar os pulsos.

Texto e direção: Ricardo Kelmer. Com Ricardo Kelmer e Felipe Breier.
Duração: 2h (ou versão de 1h30)

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APRESENTAÇÕES REALIZADAS

Fortaleza-CE: Creperia Ladeira Castro Alves, Boteco Vintage, Bar do Papai
Sousa-PB: CCBNB, Bar do Pelé
Jericoacoara-CE: Tortuga

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TrilhaDaVidaLocaDiv-04.

ROTEIRO DO SHOW (com variações a cada apresentação)

01- Deslizes (Michael Sullivan e Paulo Massadas)
02- Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
03- Eu vou rifar meu coração (Lindomar Castilho)
04- Falando sério (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
05- Garçom (Reginaldo Rossi)
06- Gota de sangue (Ângela Ro Ro)
07- Impossível acreditar que perdi você (Marcio Greyck)
08- Lembranças (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
09- Me dê motivo (Tim Maia)
10- Mentiras (Adriana Calcanhoto)
11- Nem assim (Sergio Sampaio)
12- Paixão de um homem (Waldick Soriano)
13- Paralelas (Belchior)
14- Retalhos de cetim (Benito di Paula)
15- Sessão das dez (Raul Seixas)
16- Trocando em miúdos (Chico Buarque)
17- Vou tirar você desse lugar (Odair José)

CONTOS
01- Vou tirar você desse lugar (c/ sonoplastia)
02- O brega não tem cura (c/ sonoplastia)

ANÁLISE SOFRENCIOLÓGICA ARGENTINA
01- Anúncio de jornal (Julia Graciela)
02- Siga seu rumo (Pimpinela)

TRILHA SONORA DO CONTO “O BREGA NÃO TEM CURA”
01- Cidadão no brega (Oswaldo Oliveira), 02- Tortura de amor (Waldick Soriano), 03- Eu vou rifar meu coração (Lindomar Castilho), 04- No toca-fita do meu carro (Bartô Galeno), 05- Fracasso (Núbia Lafayette), 06- Mulher de cabaré (Roberto Muller), 07- Por que brigamos (Diana), 08- She made me cry (Pholhas), 09- Secretária da beira do cais (Cesar Sampaio), 10- Garçom (Reginaldo Rossi), 11- Não tem jeito que dê jeito (Raimundo Soldado), 12- Abraçando você (Raimundo Soldado), 13- A desconhecida (Fernando Mendes), 14- Você não me ensinou a te esquecer (Fernando Mendes), 15- Cadeira de rodas (Fernando Mendes), 16- Sendo assim (Genival Santos), 17- Se errar outra vez (Genival Santos), 18- Pare de tomar a pílula (Odair José), 19- Cadê você (Odair José), 20- A noite mais linda do mundo (Odair José), 21- Se meu amor não chegar (Carlos André), 22- Não se vá (Jane & Heroni)

PAUSAS PROVIDENCIAIS
01- Para chorar escondido no banheiro
02- Para ligar para o(a) ex, implorando para voltar
03- Para cortar os pulsos. Favor pagar antes o couvert

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VÍDEO – CLIPE 1 (You Tube)
Trechos do show

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VÍDEO – CLIPE 1 (Vimeo)
Trechos do show
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VÍDEO (You Tube)
Trecho:  O Brega Não Tem Cura (conto c/ sonoplastia)

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Aperitivo literário do show

VouTirarVoceDesseLugar-03aLama – Se quiser fumar, eu fumo… Se quiser beber, eu bebo… Não interessa a ninguém

Vou tirar você desse lugar – Eu vou tirar você desse lugar… E não interessa o que os outros vão pensar

Paixão de um homem – Amigo, por favor leve esta carta… E entregue àquela ingrata… E diga como estou

A última canção – Esta é a última canção que eu faço pra você… Já cansei de viver iludido só pensando em você

Por que brigamos – Quanto mais eu penso eu penso em lhe deixar… Mais eu sinto que não posso…

O brega não tem cura – Porque o senhor sabe, né, o brega sempre puxa uma dose, que puxa outra, que puxa a lembrança daquela ingrata, que puxa outra dose…

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LIVRETO

Trilha da Vida Loca – O amor é belo. Mas também é ridículo, risível, trágico… Aqui estão reunidas seis histórias inspiradas em grandes sucessos musicais da dor de cotovelo. Paixões de cabaré, porres horrendos, brigas, escândalos, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor. Amar é para estômagos fortes.

CONTOS: Vou tirar você desse lugar – Por que brigamos – Paixão de um homem – Lama – A última canção – O brega não tem cura

Versão impressa – formato bolso, 48 pag

Versão eletrônica – PDF, 48 pag

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CARTAZES

TVLShow201410BotecoVintage-02a.TVLShow20140403BotecoVintage-01a

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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OUTROS SHOWS E ESPETÁCULOS

ViniciusShowDeMoraesBDK-01Vinicius Show de Moraes
Cantando, recitando e falando de Vinicius

Este show nos traz a riqueza da vida e da obra de Vinicius de Moraes, um dos nomes mais importantes da cultura brasileira. Através das músicas, dos poemas e de fatos interessantes da vida de Vinicius, passeamos por grandes momentos da música e da poesia brasileiras e nos divertimos e nos emocionamos com a rica trajetória do homem, poeta, artista, amante, amigo e diplomata que fascinou e ainda fascina gerações no Brasil e no mundo.

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01- Foi muito bom ter ido. O difícil mesmo foi tirar a trilha sonora do juízo, o dia todo hoje trabalhando e a radiola tocando na minha cabeça. kkkk! Lançamento aprovado. Vou aguardar o próximo. abraços. Ivonesete Rodrigues, Fortaleza-CE – fev2013

02- Foi muito booooooom!!! a ideia dos contos, a “chamada” dos clássicos bregas, uma delícia!! E rever vc, que é sempre maravilhoso. Adoro!!!!bjks. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – fev2013

03- Pessoal vi uma apresentação de Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos…confesso é muito bom, nunca tinha visto nada igual M A R A V I L H O S O…vale a pena ir ao show desse homem parabéns. Sim demais demais,,,perde quem não for ver…amei. Por isso digo que você é um super show…se a globo fosse seu patrocinador seria mundialmente conhecido e quem ganharia seria nós o povo, em vez disso temos que engolir umas coisas muito ruim pq tem patrocinador forte, pen, pena mesmo.Sucesso vc é muito bom. Penélope Lsteak, São Paulo-SP – ago2013

04- Ando tao ocupada, mas tu sabe que vai ser difícil pra “moi” resistir a uma nova temporada da trilha da vida louca…. kkkk adoooooro! Ivonete, Fortaleza-CE – mar2014

05- Perfeitoooo, é vc fazendo o que gosto, sendo o que sempre foi. Na versão voz e violão…amei. Karina Mozart, Fortaleza-CE – abr2014

06- Kkkkkkkk comédia viu!!!! Brega nem com reza braba passa!!! Del Montenegro, Fortaleza-CE – abr20134

07- Ricardo, meu amigo, continuas com a craitividade a toda prova. Helder Modesto, São Paulo-SP – abr2014

08- Hauhauahua muito bom !! Adorei Ric, vc é criativo e leve. Beka Zaleski, São Paulo-SP – abr2014

09- Noooooossa que show!!!! Lucinha Simões, Fortaleza-CE – abr2014

10- OSPB, Fernando Mendes, Ricardo Kelmer show! Celia R Domingos, São Paulo-SP – abr2014

11- Ricardo Kelmer, seu baitola. Valeu. Sinto-me honrado com tamanha homenagem. Abraços. Mardonio Veras, Parnaíba-PI – abr2014

12- Imperdível!!! Ana Erika Oliveira Galvao, Fortaleza-CE – abr2014

13- Ficou ótimo! A parte preferida: o Felipe cantando e brincando com as piadinhas e tua cara em todas as falas na musica da Diana. Cara esse show é por demais terapeutico!! Kkkk. Ivonesete Rodrigues, Fortaleza-CE – abr2014

14- Amei o show! Parabéns ao Felipe pelo violão e a vc pela criatividade! Amei também O Ultimo Homem do Mundo!!! Isabela Furtado, Modena-Itália – mai2014

15- Hahaha… Amei demais! Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – mai2014

16- Achei legal sua apresentação no bar Vintage. Achei legal a composição toda. O fato de vc intercalar as músicas com as histórias E distribuir o livretinho. Sâmila Braga, Fortaleza-CE – mai2014

17- demais. Glauce Vanderlei Mota, Fortaleza-CE – mai2014

18- Eu adoro um brega e adorei demais esse vídeo, Ivonesete!!! Obrigada por essas ótimas gargalhadas, tava mesmo precisando disso. Celia Vaz, Teresina-PI – jun2014

19- Show de bola mano. Jacques Josir, Santo André-SP – ago2014

20- cool… José Carlos Neves, Belo Horizonte-MG – ago2014

21- Muito bom, muito bom, muito bom!!! ri à bessa! Maria Gilvanilde, Fortaleza-CE – ago2014

22- mas o show foi maravilhoso. foi muito bom rever vcs no palco. Muito interessante a transição entre conto/música E as pausas com as músicas, que traziam à tona o cenário da história. Ana Paula Pereira Gomes, Sousa-PB – set2014

23- Olá! Tive a oportunidade de vê-los tocar sábado no Tortuga, em Jeri. Devo confessar que foi impressionante. Vcs são sensacionais!, tudo lindo! As declamações anterior as mucicas, a harmonia musical, as técnicas vocais…
Bem emocionante Vou ver se consigo ouvir-los aqui em Fortaleza. Sucesso! Eleniza Gois, Caucaia-CE – mar2016

24- Gente sem palavras pra agradecer o tanto que foi legal o show do Ricardo Kelmer e Felipe Breier no Tortuga essa sábado, chamado Trilha da Vida Loca com repetório suuuper legal! Sejam sempre bem vindos e obrigada também ao Angelo pela conexão, e gratidão ao público lindo que tava lá!! Foi tãooo legal! Rob´s Lima, Jericoacoara-CE – mar2016

25- RECOMENDO. Ângelo Jorge, Jericoacoara-CE – mar2016

26- Boa noite procês, Ricardo Kelmer é tudo de bom. Laerte Duarte, Fortaleza-CE – mar2016


A putinha do quartinho do fundo

06/02/2013

06fev2013

Dei um gole na vodca e tentei me convencer que eu não estava enciumado pelo fato da minha namorada naquele momento estar tirando a roupa pra um gordão punheteiro lá do interior do Paraná

APutinhaDoQuartinhoDoFundo-3.

A PUTINHA DO QUARTINHO DO FUNDO
As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi
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Striputinha. Foi o nome que Jessi escolheu pra sua personagem no serviço de strip-tease pela internet que ela criara. Striputinha, sua amante virtual, performance de vinte minutos, o cliente escolhe se ela será uma enfermeira, garçonete, policial e por aí vai. Ele deposita a grana e na hora marcada Jessi liga sua web cam no quartinho do fundo do apartamento, vestida conforme o gosto do freguês. Ninfa Jessi não presta.

Putz. Em menos de um mês de trabalho com strip cam minha pequena faturara o que eu ganhava em seis meses como jornalista. Sim, ganhava, pois não ganho mais: tô desempregado desde que o último jornal pro qual eu escrevia sucumbiu às pressões do MNBC, o famigerado Movimento Nacional pelos Bons Costumes, que nos persegue desde que eu e Jessi iniciamos nossa campanha pela ampliação do diâmetro do mundo.

– Agora sou eu quem vou te sustentar, meu amor – ela anunciou, toda animada, me mostrando o belo saldo da conta. – Diametral vai poder escrever o que quiser, na tranquilidade. E nunca mais vai pensar no aluguel na hora errada, viu?

Ela se referia a uma triste broxada que ocorrera comigo dias antes. Sim, broxar é sempre triste, mas daquela vez foi tristérrimo. Vou contar, mas vê se não sai espalhando por aí. Era aniversário da Dinda, uma ninfeta muito sapeca que Jessi conhecera na sex shop. Mês passado a danada fez 18 aninhos e a gente a chamou pra comemorar num motel, a três. Pois no meio do bem-bom, taças de vinho, no som um blues sensual, clima maravilhoso… eu de repente broxei. E não teve jeito que desse jeito. A sorte é que Jessi continuou o serviço por mim, com o pau artificial, e nossa vizinha voltou pra casa com seu diâmetro devidamente ampliado, bem satisfeitinha da vida. Não sou do tipo encucadão com esse tipo de coisa, e não foi a primeira broxada da minha vida, mas que foi chato, foi. E a culpa eu botei no aluguel atrasado, na ameaça de despejo, na cara feia da síndica, essas aporrinhações que afetam o desempenho até de um galo. Mas voltemos ao assunto principal.

Pra encarnar Striputinha e assegurar o anonimato, Jessi usa perucas, lentes de contato, máscaras e maquiagem. Sempre me impressiono quando a vejo produzidona, parece outra pessoa. Algumas roupas e acessórios ela possuía do tempo que trabalhou como garçonete no Bukowski, onde fazia números eróticos, e o restante ela comprou baratinho na liquidação de uma sex shop.

A estreia foi com um cara de Cambé, que vira as fotos e o vídeo no blog da Striputinha e escolheu a personagem Colegial. Pois bem. Meia hora antes do encontro Jessi já andava pelo apartamento toda paramentada: sainha plissada, meias até o joelho, blusinha com gravatinha, caderno junto ao peito. E ainda tinha a indefectível caneta na boca semiaberta. Perfeito. Tão perfeito que senti uma coisa estranha, uma mistura de tesão, fascínio e… ciúme.

– Caramba, Jessi, você nunca se vestiu assim pra mim.

– Você nunca pediu… – ela respondeu enquanto se abaixava e fingia ajeitar a meia abaixo do joelho só pra que eu percebesse a calcinha da Hello Kitty enfiada na bunda. Ninfa Jessi não presta.

Na hora marcada com o cliente, quando ela entrou no quartinho, eu já estava lá, estrategicamente posicionado num canto ao lado da mesa do notebook. Estava ansioso, na verdade nervoso mesmo, pra ver a estreia da minha pequena no ramo do strip cam. Até parecia que eu nunca a havia visto dançar nua no Bukowski.

– Te manda, Gatão.

– Ahn?

– Dá licença eu ficar sozinha com meu cliente?

Ainda tentei argumentar, que eu ficaria quietinho, que o cara não me veria… Não teve jeito. Saí do quartinho e Jessi, ou melhor, Striputinha trancou a porta. E aí, fazer o quê numa situação dessa? Enchi um copo de vodca, claro, e fui beber na sala, enquanto do quartinho vinha a voz sussurrante de April Stevens cantando Teach me Tiger, que foi a música escolhida por Jessi pra estreia da Colegial. Dei um gole na vodca e tentei me convencer de que eu não estava enciumado pelo fato da minha namorada naquele momento estar tirando a roupa pra um gordão punheteiro lá do interior do Paraná. Ciúme por quê? Era só um trabalho.

Vinte minutos e oito Teach me Tiger depois escutei sua voz.

– Gatão…

Virei-me e o que vi? Vi a mulher mais linda do mundo. Já meio desmontada da roupa de colegial, uma meia faltando, um peito fora do sutiã… Parada na entrada da sala, encostada na parede, ela me olhava e se acariciava com a mão entre as coxas. Ainda era Striputinha? Ou já era Jessi novamente? Acho que era as duas ao mesmo tempo. E eu conhecia muito bem aquela expressão…

– Me come. Agora.

Não foi um pedido. Foi uma intimação. Do tipo que mortal nenhum pode negar a uma mulher como Jessi. E não neguei. Puxei-a pelo braço e joguei-a no sofá, como bem merece toda colegial safadinha. Comi-a com violência e desespero, como se come a mulher que se ama mais que tudo na vida.

(continua)

Ricardo Kelmer 2012 – blogdokelmer.com

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> Leia a continuação (exclusivo para Leitor Vip)

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APutinhaDoQuartinhoDoFundo-4A putinha do quartinho do fundo (vip) – Confira os bastidores e as imagens desta aventura de Diametral e Ninfa Jessi (exclusivo para Leitor Vip)

Ainda não é Leitor Vip? Vamos resolver isso agora!

Mais aventuras de Diametral e Ninfa Jessi

April Stevens canta Teach me Tiger

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – Um casal apaixonado vive seu amor libertino com bom humor e muita safadeza

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir

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LEIA NESTE BLOG

Por trás do sexo analHá algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres

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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o fim de tarde
Ricardo Kelmer – Contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação pela submissão no sexo anal

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COMENTÁRIOS
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01- saudade de te ler nesse tom do Diametral! e que profissão interessante essa da Ninfa Jessi… queria ver essa performance. tenho um carinho especial por esses dois personagens. adorei a aventura nova. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – fev2013

02- Bem melhor que essa coisa de Tons de Cinza. É tudo mais colorido e faz a nossa imaginação nos levar numa história sensual e sexualmente ingênua. Renata Kelly, Fortaleza-CE – mar2013

03- a Putinha do quartinho fundo.. A-M-E-I.. Paulla Sousa Barros, Fortaleza-CE – mar2013

Jessi passou o gel e a fantasia de Rahbe foi devidamente realizada, enquanto minha pequena fazia o complemento, beijando e masturbando nossa generosa vizinha

Protegido: A putinha do quartinho do fundo (VIP)

06/02/2013

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As Preciosas do Kelmer – out2012

26/10/2012

Ricardo Kelmer 2012

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Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

> No Facebook

> No Blog do Kelmer

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AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês – Edição 1, out2012

LEILÃO DE VIRGINDADE – Quanto vale ser o primeiro homem de uma garota do interior?

PASSA O BRAU, TED – Você daria pro seu filho um ursinho de pelúcia maconheiro?

A VOZ DO BAIXO – Gravação do CD de Vanessa Moreno e Felipe Maróstica começa na internet

SAGRADO DIREITO DE BLASFEMAR – O direito à livre expressão e os privilégios da religião

FALE MAIS SOBRE ISSO – Série Sessão de Terapia estreia no GNT

NO MEU CORPO MANDO EU – Uruguai reconhece o direito básico da mulher ao aborto

POLIGAMIA E MONOTONIA – Entrevista com Regina Navarro Lins sobre relacionamentos, sexo e amor

APOCALIPSE PRA VENDER LIVRO – Tem escritor que não respeita nem o fim do mundo

IMAGEM DA CAPA: Cena de L´Apollinide, filme de Bertrand Bonello (2011)

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LEILÃO DE VIRGINDADE
Quanto vale ser o primeiro homem de uma garota do interior?

Catarina Miglorini tem 20 anos e decidiu leiloar sua virgindade. Sua experiência está sendo registrada por um cineasta e vai virar documentário. Se você tem interesse, poderá dar seu lance até 15out e a grande noite será em 25out, num avião em pleno voo. Relaxe: a transa não será filmada.

Cavalheirismo, orgasmos múltiplos e leilão de virgindade – vantagens que só a mulher tem.

> Catarinense leiloa virgindade e lances já chegam a mais de US$ 150 mil (g1.globo.com)

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CATARINA MIGLORINI FALA SOBRE O LEILÃO

“Sempre fui uma menina muito, muito romântica. Quando souberam, minhas amigas não acreditaram. O que eu posso te dizer agora é que o leilão, para mim, é um negócio. Mas não deixei de ser romântica de forma alguma. Acredito com todas as forças no amor. Nunca tive namorado. O meu primeiro beijo foi aos 17. Enquanto muitas meninas da minha idade tinham feito muitas coisas, não sabia o que era sexo. Hoje sei, tem os meios de comunicação, né?”

Taí uma menina de futuro, que sabe que sexo e amor são coisas bem diferentes.

> Catarinense de 20 anos leiloa virgindade pela internet – folha.uol.com.br

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QUEREMOS PERERECA

Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Leilão encerrado. Quem levou a virgindade da brasileira Catarina Miglorini (que na verdade se chama Ingrid) foi um japonês de 53 anos. Seu lance foi de U$ 780 mil, aproximadamente R$ 1,6 milhão. Uau. É muita grana por uma perereca à cabidela. Admito que pensei em participar do leilão. Minha oferta seria um caldo de cana e dois pastel na feirinha da Benedito Calixto. Não que a perereca da moça não valha muito – o caldo e o pastel da feirinha é que são muito bons, eu garanto. Diante da oferta do japa, tenho quase certeza que eu não teria chance.

Desculpa mas tô cheio de dúvida. Será que esse japa tem pau pequeno? Será que Catarina vai ficar contando 780 mil carneirinhos pra ajudar a passar o tempo? Pelo contrato, ela tem que rebolar ou vai ser no estilo “mortinha”?

Agora falando sério. O leilão da virgindade do rapaz russo também foi encerrada. O maior lance foi de U$ 3 mil, e ainda foi dado por um homem. Pô, dona Orestina, que desmoralização! Nós homens estamos mesmo muito desvalorizados. Até nisso as mulheres têm vantagem, como se já não bastasse o orgasmo múltiplo. E mais: elas podem reconstruir o hímen e assim vender a virgindade várias vezes, enquanto nós só temos uma virgindade, umazinha só. E muitos de nós ainda precisamos pagar pra tirá-la, que injustiça. Ser homem não é mole.

Tô revoltado. A evolução natural bem que podia ter nos dado também uma perereca. Bastava uma pererequinha discreta, escondidinha ali pelo períneo. Talvez eu não conseguisse U$ 780 mil por ela mas certamente já ajudaria a pagar o pastel e o caldo de cana na feirinha.

> Catarina terá sua 1ª vez na Austrália com japonês de 53 anos – terra.com.br

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A VOZ DO BAIXO
Gravação do CD de Vanessa Moreno e Felipe Maróstica começa na internet

Quem conhece Vanessa Moreno do espetáculo Viniciarte, já sabe da maravilhosa cantora que ela é. Pois bem, ela tá gravando um disco de duo de baixo e voz  de com seu parceiro Filipe Maróstica. E você pode participar do projeto. Saiba como:

> Colabore com Vanessa Moreno e Filipe Maróstica

VANESSA MORENO: Neste projeto, as pessoas podem colaborar a partir de R$5,00. É só clicar no link e entrar em “Quero Financiar Este Projeto”. Terão músicas autorais, de compositores amigos e da cena independente. Também, várias participações especiais pra rechear esse trabalho que será feito com muito carinho! Participem dessa troca com a gente. Vc escolhe o valor e a recompensa e nos ajuda a gravar o CD!

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NO MEU CORPO MANDO EU
Uruguai reconhece o direito básico da mulher ao aborto

Por 50 votos a favor e 49 contra, a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou, na semana passada, um projeto de lei que descriminaliza o aborto até a 12ª semana de gestação,14ª em caso de estupro e prazo indeterminado em caso de risco para a saúde da mãe. O texto aprovado muda a proposta que já havia sido aprovada pelo Senado. Agora o projeto volta ao Senado, onde não deve ter problemas para sua aprovação final, já que o partido governista da Frente Ampla tem maioria absoluta. Se o projeto for ratificado, o Uruguai será o primeiro país da América do Sul a descriminalizar o aborto.

Que ótima notícia. Aos poucos as democracias da América Latina vão se livrando das amarras religiosas que tanto mal fazem às mulheres.

E NO BRASIL?

No Brasil, hoje é permitido interromper a gestação em caso de estupro ou de risco de morte da mulher, além de gravidez em caso de fetos anencéfalos (sem cérebro). Este último caso foi liberado pelo Supremo Tribunal Federal em abril deste ano. Por 8 votos a 2, os ministros consideraram que a mulher que interrompe a gravidez de um feto anencéfalo e o médico que faz o procedimento não cometem crime. A maioria dos membros do STF entendeu que um feto com anencefalia é natimorto e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos não é comparada ao aborto, considerado crime pelo Código Penal.

> Câmara aprova projeto que descriminaliza o aborto no Uruguai – estadao.com.br

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PASSA O BRAU, TED
Você daria pro seu filho um ursinho de pelúcia maconheiro?

John tem um amigo muito especial: seu ursinho de pelúcia, que ganhou vida quando ele era criança. Mas Ted é um ursinho de pelúcia diferente: faz sexo, toma drogas e está ficando muito mal-humorado. John agora precisa decidir entre manter a amizade de infância ou o namoro com Lori.

TED (EUA/2012)
Direção: Seth MacFarlane
Com Mark Wahlberg e Mila Kunis
Recomendação: 16 anos
Veja o treiler (legendado)

> SAIBA MAIS resenhafilme.blogspot.com

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O URSINHO E O DEPUTADO SEM-NOÇÃO

Quem é mais doidão? Um ursinho de pelúcia que fuma maconha ou um deputado que leva seu filho de 11 anos pra ver um filme desaconselhável pra menores de 16 anos? Pois foi isso que fez o deputado federal Protógenes Queiroz. E fez mais: bradou na imprensa e tentou proibir a exibição do filme em todo o país por, segundo ele, fazer apologia ao uso de drogas. Depois, mais relaxadim, tentou que fosse mudada a classificação do filme pra 18 anos. Pro bem da democracia e da liberdade de expressão, nada conseguiu.

Com sua lambança o deputado Retrógenes, ops, Protógenes, fez aumentar o público do filme e ainda atiçou os ativistas que lutam pelo sagrado direito à livre expressão. E, de quebra, inspirou a turma a criar a AUPM – Amigos dos Ursinhos de Pelúcia Maconheiros. Eu já me filiei, claro.

> Ursinho Ted, Protógenes e a pouca tolerância do públicocineclick.com.br

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POLIGAMIA E MONOTONIA
Regina Navarro Lins fala sobre relacionamentos, sexo e amor

Regina Navarro Lins é psicanalista e sexóloga, tem vários livros publicados, escreve em jornais e revistas e faz palestras sobre sexo e relacionamentos. Trabalha em seu consultório particular em terapia individual e de casais. Suas opiniões são polêmicas e a marcam como uma militante da liberdade sexual e amorosa. Para Regina, as pessoas precisam urgentemente entender que amor e sexo são coisas diferentes. Veja algumas opiniões dela:

“As pessoas não percebem que são infelizes porque seguem padrões que não levam a nada, como acreditar que em um casamento é possível a exclusividade. Quem disse que não é possível amar mais de uma pessoa? É sim!”

Regina é contra o cavalheirismo. “Por que um homem tem que pagar a sua conta ou tirar uma cadeira para você sentar? É porque a mulher é um ser frágil e incapaz até de puxar uma cadeira?”

“Essa coisa de masculino e feminino são estereótipos para aprisionar as pessoas. As mulheres têm que ser sensíveis e frágeis. E os homens, corajosos e bravos. Imagina! Isso é tudo criação. Todos nós somos fortes e fracos, ativos e passivos, depende do momento.”

Entrevista na revista TPM  (set2012)

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O LIVRO DO AMOR
Regina Navarro Lins

SINOPSE – Quanto a experiência amorosa ocidental se modificou e se repetiu ao longo dos últimos milênios? A psicanalista Regina Navarro Lins dedicou-se a pesquisas, cruzamentos entre o passado e o presente e reflexões sobre o tema para dar conta de questão tão fundamental à compreensão do amor na contemporaneidade. Da Pré-História ao século 21, as vivências do amor e do sexo têm sido moldadas culturalmente. Sujeitos a paradigmas morais, dogmas religiosos, interesses políticos, econômicos e sociais, homens e mulheres desempenham papéis em constante mutação. O advento da pílula, os movimentos feminista e gay e a revolução tecnológica abrem caminho para uma nova vivência amorosa. Do amor ideal ao sexo virtual, barreiras e modelos são derrubados numa história ainda em construção. Dividido em dois volumes – o primeiro da Pré-História à Renascença e o segundo do Iluminismo até a atualidade –, esse trabalho nos coloca diante do espelho da História e lança um olhar corajoso sobre os relacionamentos nos nossos dias

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SAGRADO DIREITO DE BLASFEMAR
O direito à livre expressão e os privilégios da religião

A liberdade de expressão é uma conquista democrática, uma das maiores riquezas culturais das sociedades mais evoluídas. Ela garante seu direito de dizer o que pensa. Porém, se
O direito à livre expressão e os privilégios da religião o que você diz infringe alguma lei (incitação à violência, racismo, homofobia etc), você pode ser processado. O equilíbrio entre a livre expressão e a convivência entre os diferentes é um ponto nevrálgico nessa questão. Até onde garantir a livre expressão? Fazer piada com ícones culturais e símbolos religiosos deve ser um direito ou deve ser proibido?

A blasfêmia é um insulto a algo considerado sagrado. Mas… isso é totalmente relativo pois o que é sagrado pra alguém não o é necessariamente pra outros. E até onde iria a classificação de blasfêmia? E quem julgaria isso? Se a blasfêmia fosse proibida por lei, você poderia ser preso por fazer piada com discos voadores pois há seitas religiosas que consideram sagrados os extraterrestres, e todas as religiões também teriam que ser proibidas pois todas blasfemam umas contra as outras com seus dogmas conflitantes.

Se você não gosta de estudar, torça pra que a blasfêmia não vire crime, caso contrário você terá obrigatoriamente que ser especialista em todas as milhares de seitas e religiões do mundo (e todo dia surge uma nova) pra não correr o risco de insultar seus crentes. Se não estudar bem cada uma delas, você poderá ser processado porque desenhou a figura de um profeta, usou um símbolo não permitido ou batizou seu filho com um nome blasfemo. Isso sim será o inferno.

MAIS TEXTOS SOBRE O TEMA

> Feliz Dia da Blasfêmia (Carlos Orsi)
> Blasfemar é um direito (blog O Lado Oculto da Lua)
> Pelo direito de blasfemar (Marcos Raposo)
> Quem vai definir quais são os limites? (Carlos Eduardo Lins da Silva)

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FALE MAIS SOBRE ISSO
Série Sessão de Terapia estreia no GNT

O canal GNT está exibindo a série Sessão de Terapia (segunda a sexta, 22h30). Com direção de Selton Mello, a série reproduz as sessões de atendimento de um psicanalista. São 45 capítulos, exibidos de segunda a sexta. Às segundas ele atende uma enfermeira, às terças atende um atirador de elite, às quartas uma jovem ginasta e às quintas um casal em crise. Às sextas ele é atendido por sua própria psicanalista e supervisora.

Sessão de Terapia é a versão brasileira da série israelense Be Tipul, criada por Hagai Levi e que tornou-se sucesso em Israel. Várias versões foram feitas em outros países, inclusive nos Estados Unidos, que se chamou In Treatment.

ATORES: Zécarlos Machado, Maria Fernanda Cândido, Sérgio Guizé, Bianca Müller, Mariana Lima e André Frateschi, Selma Egrei.

É bom ver a psicoterapia na TV, ainda que seja a psicanálise, uma forma de terapia, ao meu ver, bastante limitante por privilegiar uma interpretação racionalista da realidade. Selma Egrei talvez concorde comigo: ela, que interpreta a supervisora do psicanalista, aceitou fazer o papel mesmo sem concordar com os princípios terapêuticos da psicanálise.

Tomara que a série motive muita gente a buscar o autoconhecimento psicológico. Ao contrário do que a maioria pensa, principalmente os religiosos, a verdadeira salvação vem de dentro.

> Saiba mais

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Quem poderá me salvar?

15/10/2012

15out2012

Heroínas e heróis da minha vida

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QUEM PODERÁ ME SALVAR

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Meu super-herói da infância foi o Tarzan. Eu adorava ler os livros com as aventuras do homem-macaco criado por Edgar Rice Burroughs, e o imitava até quando queria chamar meu vizinho para brincar: subia no muro, punha as mãos em torno da boca e mandava o famoso berro: Ôôô-uôôô-uôôôôô!!! Como você pode ver, desde pequeno que me falta a noção do ridículo.

Na adolescência, veio o Homem-Aranha, criação de Stan Lee e Steve Ditko. Desajeitado com as mulheres e sempre à volta com dilemas existenciais, o Aranha era eu. Felizmente, nunca precisei lutar contra o cruel Duende Verde preocupado com a hora de chegar em casa porque cuidava da tia doente.

Aí eu cresci e meus heróis passaram a ser feitos de arte. Primeiro, Raul Seixas e sua sociedade alternativa, com quem perdi o medo da chuva. Depois, Jim Morrison, o cantor da banda The Doors. Poeta, literato, pinguço – eu agora era Jim pelas noites da cidade. E veio também Bukowski, o escritor que bebia, vomitava e publicava o próprio vômito, e eu sorvia tudo com gosto.

O herói seguinte era feito de vento, e nas manhãs de domingo me ensinava sobre autossuperação e não desistir jamais: Ayrton Senna. Aos 30, descobri Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço que nos legou um valioso mapa para a autoexploração psicológica, e que me guiaria pelas tempestades do amadurecimento. Jung me levou ao mitologista Joseph Campbell e nunca mais esqueci que devo seguir a minha bem-aventurança, onde quer que ela esteja.

Overman é outro super-herói querido. Criação da genial Laerte, Overman mora numa pensão do Ipiranga, vive grilado com seu uniforme e tem inimigos como o Passador de Trote e o Maníaco Flatulento, que matou seus pais num elevador. Quando não venta, ele precisa do ajudante para balançar sua capa. Infelizmente, até hoje Overman não sabe qual é sua identidade secreta, pois sempre que vai tirar a máscara em frente ao espelho… a campainha toca. Ah, tem também o Capitão Presença, o único super-herói que assume que fuma maconha. Sim, pois o que tem de herói maconheiro no armário é um horror. Criado por Arnaldo Branco, o corajoso Presença é o único super-herói que realmente salva: sempre chega trazendo um baseado para livrar a humanidade da secura. Ele bem que podia passar por aqui no sábado…

E heroínas? Tive algumas. Morgana, a sacerdotisa pagã, irmã do rei Arthur. Taí, eu casaria com Morgana, e morreríamos juntinhos, defendendo Avalon da invasão do cristianismo. Personificando a beleza e a poesia, Bruna Lombardi foi outra heroína: me vali muito de seus poemas para amolecer certas resistências femininas. Casaria também, claro, mas o Riccelli chegou primeiro. E também teve Druuna, ai, Druuna. Personagem da série de quadrinhos de ficção científica-erótica do Serpieri, ela é uma gostosa linda e ninfômana que encara o que vier, sem importar a galáxia do pretendente ou da pretendente ou de quantos sejam. Eu casava facim, e sem exigir exclusividade.

Putz. Num só parágrafo casei três vezes. Deve ser influência dele, Vinicius de Moraes, que em 2009 ressurgiu direto da minha adolescência, romântico e eternamente apaixonado, e hoje é meu guru. Foi ele que me reconduziu aos palcos, para falar de poesia, amor, amizade e alegria. E assim como ele, entendo finalmente que se a arte dá sentido à minha vida, é só a mulher que pode, de verdade, me salvar. Se é que ainda tenho salvação.

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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VINICIUS, O GURU

Vinicius Show de Moraes – Um show que homenageia Vinicius com suas músicas, seus poemas e as histórias da sua vida
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HERÓIS E HEROÍNAS

Jung: a ciência revolucionária – Como pesquisador da consciência, psicoterapeuta, antropólogo e pensador, Jung levou suas descobertas a uma abrangência notável, refletindo sempre sua preocupação com o futuro da Humanidade

Minha vida com Jim Morrison – Acordar e pegar logo uma cerveja pois o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto

O herói e a princesa – Para Ayrton Senna, herói do Reino da Terra

As Brumas de Avalon – Identifiquei-me tanto com Morgana, com sua luta em preservar Avalon, seu sofrimento e sua solidão, seu amor não correspondido, que me peguei desejando voltar no tempo pra me casar com ela

Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra

Druuna (Blog do Gutemberg) – (Blog HQ Quadrinhos)

Charles Bukowski na Wikipedia

Tarzan na Wikipedia

Homem Aranha na Wikipedia

Bruna Lombardi na Wikipedia

Capitão Presença – Herói às avessas (texto do blog Almanaque Virtual)

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LEIA NESTE BLOG

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

A volta da Intocáveis – Oh não! – Um show com os restos mortais da Intocáveis Putz Band

Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

Galinha ao molho conjugal – Então fizemos uma aposta. Qual dos três conseguiria resistir mais tempo ao casamento?

Confissões de um míope – O míope então restringe suas relações visuais com as pessoas a um raio de dez metros e quem estiver além disso não faz parte de seu mundo. E acaba ganhando uma imerecida fama de boçal

> Postagens no tema “biográfico”

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01- os heróis do meu herói. = ) Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – out2013

02- Postagem oficial no Facebook



Olha a pegadinha

23/07/2012

23jul2012

Quem nunca foi enganado? Esse ainda não nasceu

OLHA A PEGADINHA

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Já fui trapaceado no pôquer, me prometeram e não cumpriram, marquei hora e não fui recebido e já levei gato por lebre. Livrarias fecharam e não me pagaram. Uísque falsificado, hummm, é bom nem lembrar. Propaganda enganosa, corrente da riqueza, CD que não toca, poupança confiscada, consórcio quebrado… Hoje estou mais prevenido, mas já caí em várias. E ainda caio, como, por exemplo, quando assisti Nove Rainhas, filme do argentino Fabián Bielinski. Nunca fui tão ludibriado em tão pouco tempo. Quando as luzes do cinema acenderam, tive até medo de olhar pro lado e descobrir que não era minha mulher Karine quem de fato estava ali comigo. Felizmente era. Vá ver o filme, é sensacional. Mas vá sabendo: os caras vão lhe passar a perna.

Comissões embutidas, advogados corruptos, orçamentos superfaturados, sutian com enchimento… Tem tanta armação espalhada por aí que é melhor desconfiar de tudo que se mexe ou fica parado. Quem nunca foi enganado? Esse ainda não nasceu. E as enganações são de toda sorte: você é logrado por pessoas, empresas, governos, religiões e até por você quando mente pra si mesmo: segunda-feira começo meu regime, este ano serei mais estudioso, nunca mais eu bebo, só a cabecinha, agora vamos guardar esse restinho pra cheirar amanhã… Tudo conversa pra boi dormir.

Desvio de verba pública, esquema da previdência, painel eletrônico, juízes comprados, guerra contra o terrorismo, concurso de beleza – a enganação é uma praga. Umas são mais escondidas. Outras não têm pudor em mostrar a cara. Outras já são tão cotidianas que a gente se acostuma a viver com elas. Conheço um cidadão que se por acaso encontrar você aí pela rua, uma dessas três possibilidades acontece: ele lhe ferra um cigarro, descola uma carona ou então lhe pede o celular pra uma ligaçãozinha rápida. Tem também aquele amigo, mui amigo, que senta em sua mesa, bebe, come, se diverte e, na hora de pagar a conta, ou acabaram as folhas de cheque ou ele tomou só um chope. Malaca é o que não falta nesse mundo.

E tem aquele vendedor que nunca lhe viu antes e vai logo dizendo: “Este modelo combina perfeitamente com você!”. Terrível. E aquela velha história que foi roubado e precisa do dinheiro da passagem? Pois tem quem ainda insiste nisso. Lá na rodoviária tem um pedinte que faz vinte anos que tenta inteirar o dinheiro pra voltar pra Reriutaba. Êta passagenzinha cara… E aquela de se oferecer pra ajudar no caixa eletrônico? Ainda hoje tem quem cai nessa, creia. E o tal do Boa Noite, Cinderela? Você acorda no outro dia num motel, sem roupa, sem dinheiro, sem lembranças… Pior que clonagem de cartão de crédito.

Descuidistas da boa vontade alheia, é só o que tem. Você vacila por um segundo e quando dá conta, já dançou. Chifre, cheque sem fundo, programa que trava, mulher que não é mulher, camisinha furada, fumo malhado… Tem cara-de-pau que engana olhando na sua cara. Exemplo: político. Quando eles começam a responder uma pergunta com “veja bem”, é sinal que lá vem enganação, pode esperar. Depende, como sem falta, já-já, não tem como errar, essa é batata – é tudo mutreta. Nesse mundo de enroladas, nada é o que parece ser.

Amigos da onça, maus pagadores, mentirosos, aproveitadores, patifes, salafrários, larápios, golpistas, punguistas, ladrões, trapaceiros, trambiqueiros, vigaristas, charlatões – só de especialista dá pra fazer um time e mais os reservas. Tem pra todo gosto. Por mais que você fique atento, sempre vai ter um juiz lalau aprontando pertinho ou exatamente pra cima de você.

Às vezes o prejuízo é grande. Outras vezes é só uma pegadinha bem-humorada e inofensiva de algum amigo: quando você vê, já caiu. Pegando aqui, tu vai dar naquela rua… No fundo, o que você quer é isso… Qualquer coisa, disponha… Até nas pegadinhas verbais o repertório é infinito. Mas fiquemos por aqui que meu espaço acabou. Um abraço pra você e pra quem for da sua família.

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Ricardo Kelmer 2001  – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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NOVE RAINHAS (Nueve Reinas, Argentina, 2000)

ROTEIRO E DIREÇÃO: Fabián Bielinsky
ELENCO: Ricardo Darín, Gastón Pauls, Leticia Brédice, Óscar Núñez, Tomás Fonzi, Ignasi Abadal

Dois trapaceiros se conhecem e passam atuar juntos, enganando pessoas e praticando golpes de todo tipo.

> Saiba mais

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LEIA TAMBÉM

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

Vade retro Satanás (filme: O Exorcista) – O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

Livro: Matrix e o Despertar do Herói – A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Deuses, humanos e androides na berlinda (filme: Blade Runner) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Em Dogma, Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!

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elalivro10Seja Leitor Vip e ganhe:

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Confissões de um míope

30/06/2012

30jun2012

O míope então restringe suas relações visuais com as pessoas a um raio de cinco metros e quem estiver além disso não faz parte de seu mundo. E acaba ganhando uma imerecida fama de boçal

CONFISSÕES DE UM MÍOPE

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Um dia contei para minha mãe que estava com dificuldade de enxergar o que o professor escrevia na lousa. Foi aí que descobri que era deficiente visual, um míope, e precisaria usar óculos. Míope. Palavra estranha. Não combinava comigo. Oi, meu nome é Ricardo e sou míope… Muito estranho. O óculos então, nem fale. Agora eu era um garoto de 12 anos que usava um artefato sobre o nariz e precisava viver com dois pedaços de vidro o tempo todo bem diante de meus olhos. É como acordar e descobrir que há um novo órgão em seu corpo que antes não existia. Como se já não bastassem as espinhas no rosto e a voz desafinando…

Nos primeiros dias você se sente meio idiota e se olha o tempo todo no espelho, sem qualquer intimidade com aquela pessoa ridícula que insiste em ser você. Agora você é uma mistura desengonçada de humano com, digamos, um pato. Você entra no ônibus e todos olham para o pato de calças. Em outros casos você se torna um pato invisível, principalmente para a garota da outra classe que de repente deixou de olhar para você.

Não consegui me acostumar com minha nova condição. Sempre que podia, tirava o óculos, escondia no bolso. Sem falar nas vezes em que esqueci no banheiro ou, crec!, sentei sobre o desgraçado. E a cada vez que fazia o exame de vista, me descobria mais cego, três graus, quatro, cinco… Onde ia parar?

Com o tempo, aprendi a conviver com o inimigo, uma relação de amor e ódio. Amor quando precisava ler as legendas no cinema ou ver de longe o Circular se aproximando. Ódio quando esquecia de tirá-lo e a gatinha do segundo ano achava de passar justamente nesse momento. Com óculos eu era o patinho feio, sem óculos o mundo virava uma coisa desfocada: você percebe que tem alguém olhando para você, mas não sabe quem é, nem se está olhando mesmo para você. Se responder ao aceno, poderá estar acenando justamente para aquele chato insuportável. Melhor fingir que não viu.

Nessa fase do processo o míope descobre que o menos pior é não olhar para ninguém, andar de farol baixo. Melhor fulano achar que você não o viu que achar que não quis falar com ele. O míope então restringe suas relações visuais com as pessoas a um raio de cinco metros, e quem estiver além disso não faz parte de seu mundo. E acaba ganhando uma imerecida fama de boçal.

Já adulto, passei a usar lentes de contato. Elas me prometiam um mundo novo, onde eu enxergaria tudo normalmente. Mas lentes requerem adaptação. Você deixa de ser um pato com óculos fundo-de-garrafa e se torna uma dondoca, sempre com unhas cortadas para não riscar a lente, estojinho com soro fisiológico e outros produtos e tendo que ir lavar as lentes bem no meio do filme. Isso quando elas não caem do olho no melhor da festa e você tem de pedir para acender a luz e todo mundo parar de dançar… Sei de um caso em que a moça, após ardente noite de amor, encontrou uma lente de contato na entrada de sua xana. Ela ainda pensou em ligar para o sujeito para ele devolver, mas desistiu, podia não ser dele… Fosse quem fosse, era um cavalheiro: preferiu ficar cego a interromper o ato e estragar o romantismo do momento. Se fui eu? Não estou autorizado a falar sobre o caso.

E os olhos vermelhos? Qualquer ventinho e, pronto, lá vai a dondoca para o banheiro. As lentes irritavam tanto que meus olhos eram uma constante tocha vermelha. Pô, cara, quantos baseados tu fumou? No início, eu ainda explicava, mas depois desencanei. E por que não usava colírio? Porque não podia, estragava a lente. Decidi que era melhor passar por maconheiro que enxerga que por careta cego.

E o ritual de tirar as lentes antes de dormir? Lavar bem as mãos com sabão, não enxugar, encher o estojinho com conservante, tirar a lente do olho, lavar e enxaguar, por as lentes no conservante, fechar com cuidado… Imagine esse meticuloso ritual depois de uma noitada daquelas. Várias vezes acordei no dia seguinte sem lembrar como conseguira fazer. E várias vezes descobri que não conseguira mesmo, pois o diabo da lente não estava no estojinho, putz, o que me fazia sair de quatro, cego e de ressaca, procurando uma coisa minúscula e transparente pelo chão do quarto, que ridículo.

Cheguei ao ponto em que trabalhava apenas para comprar novas lentes. Então desisti e, sem dinheiro para comprar óculos novo, resgatei um velho óculos de grau, de lentes escuras. Deixei de ser o doidão dos olhos vermelhos para ser o doidão que usa óculos escuro à noite. Mas como o grau estava defasado, eu agora era o doidão boçal que não falava com as pessoas. A situação estava cada vez pior.

Depois veio a fase das lentes descartáveis. Todo ano eu me consultava com a dra. Wélia e comprava seis pares de lentes. Mais finas e flexíveis, elas não irritavam tanto. Que maravilha da tecnologia oftalmológica! Eu deixaria de ser o doidão boçal e, aos 32 anos, seria finalmente um sujeito normal. Bem, quase, pois é difícil se livrar de um hábito de duas décadas – apesar de agora enxergar perfeitamente, eu sem perceber ainda evitava encarar as pessoas. Teria de reaprender a olhar nos olhos do mundo.

Pausa para o Discovery Channel Maravilhas do Corpo Humano. Uma coisa curiosa é que quando estava sem lentes, eu não entendia bem o que as pessoas diziam. Descobri que além de cego, ficava meio surdo. É que somos incrivelmente dependentes da linguagem visual que vem dos gestos sutis do corpo, e inconscientemente nos guiamos por eles para reforçar o sentido da palavra falada. Sem os gestos auxiliares, a recepção da mensagem pode ficar comprometida, como era o meu caso.

Ano passado, após seis anos de visão descartável, decidi fazer a tal cirurgia de miopia. Você deita, arregalam seu globo ocular, pingam um colírio alucinógeno e enquanto você viaja pelo cosmos o raio laser faz o serviço. Vinte minutinhos, coisa simples, sem dor. Entrei na sala com sete graus e saí com um, incrível. Melhorou bastante, é claro, mas agora tenho uma nova dificuldade. Ela se chama cegueira noturna. É relativamente comum nesses casos: durante o dia enxerga-se bem, mas à noite o mundo fica desfocado, as luzes confundem. Parece que preciso voltar à mesa de cirurgia para uma pequena correção. Putz, quando essa saga vai terminar?

Enquanto isso, não me leve a mal se naquela noite não respondi a seu sorriso. Apesar dos progressos, ainda sou um deficiente visual e necessito do apoio da sociedade…

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Ricardo Kelmer 2003 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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Elas estão entre nós

30/05/2012

30mai2012

Existiria uma espécie de buraco negro invisível, feito um dragão insaciável a devorar lindas e inocentes (e às vezes virgens) canetinhas?

ELAS ESTÃO ENTRE NÓS

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Por que diabos as canetas somem? É um grande mistério que sempre me afligiu. Num momento estão aqui, bem ao lado… e no momento seguinte, inexplicavelmente, não estão mais, sumiram. E aí ficamos feito idiotas, fuçando os papéis e apalpando os bolsos sem entender. Mistério. Existiria uma espécie de buraco negro invisível, feito um dragão insaciável a devorar lindas e inocentes (e às vezes virgens) canetinhas?

E isso não ocorre apenas com gente desligada como eu. Pergunte a qualquer pessoa e verá que com ela as canetas também somem. Já cogitei que talvez seja coisa do Estilista Maquiavélico: ele contrata milhares de pessoas no mundo inteiro para roubar canetas para ele, e na véspera do desfile, calada da noite, ele invade os camarins e despeja toda a tinta sobre os modelitos do estilista rival.

Tá bom, é uma hipótese meio dramática, admito. Mas também já testei outras mais simples, como esta: as canetas não somem, apenas são passadas adiante. Você acha que perdeu a caneta, mas não, você a emprestou para fulano anotar algo e ele simplesmente esqueceu de devolver. É, isso acontece, eu sei, mas se fosse só isso todas as fábricas de caneta já teriam falido, pois em vez de comprar, as pessoas apenas trocariam canetas entre si.

Outra hipótese é que as canetas, na verdade, saem para dar uma voltinha, respirar ar puro, talvez um encontro romântico com aquela bonitona de ponta porosa. Tudo bem, elas têm esse direito. Porém, as ingratas nunca voltam desse passeio, já percebeu? E aí, onde vão parar? Haveria um esquema secreto nos motéis para sequestrar canetas amantes? Mas com qual objetivo? Ora, para operar a fusão do tungstênio e construir armas que equiparão milícias ultradireitistas nos Estados Unidos. Hummm… Ok, exagerei outra vez. O que você me diz então de organizadores de abaixo-assinado, eles sempre precisam de canetas, não?

Outro aspecto desse enigma é que as canetas nunca estão à mão quando mais precisamos, já notou? De repente, parado no sinal vermelho, você lembra que sonhou com a milhar do jogo do bicho. Caneta urgente! Você procura no bolso da camisa, no porta-luva, embaixo do banco. Nada. O sinal esverdeia, você tem que seguir e perde a chance de ficar rico. Dia seguinte, a caneta surge, com a maior cara de pau, onde deveria estar. Mistério.

Você amarra a caneta ao telefone: ela se solta feito um Houdini e some. Você escreve seu nome num papelzinho e mete no interior da caneta: ela se vinga dessa intimidade forçada e nunca mais aparece. Você apela e compra uma caixa com cem canetas: em um mês só restará metade, como pode? Já cheguei a imaginar que as fábricas instalam nas canetas um potente micro-imã e assim, quando estamos desatentos, elas são atraídas de volta à fábrica, para serem recarregadas e revendidas, gerando lucros fabulosos. Parece absurdo? Então me responda: quando foi a última vez que você usou uma caneta até a última gota de tinta, heim?

Noite dessas despertei com a solução do enigma: as canetas são uma espécie extraterrestre, muito brincalhona, que em seu planeta natal brincavam a vida inteira de esconde-esconde. Um dia a brincadeira perdeu a graça, pois ninguém queria mais procurar, só se esconder. Foi aí que souberam de um inacreditável planeta Terra onde as pessoas chegam a fixar nas paredes das cidades cartazes de “Procura-se”. É o paraíso, elas pensaram. E assim vieram todas, aos bilhões, brincar de esconde-esconde com os terráqueos.

Mas claro!, entusiasmei-me com a súbita revelação. Extraterrestres, é isso mesmo! E, como sou desses otimistas bobos que creem em equilíbrio cósmico, logo imaginei que existe, em algum planeta por aí, seres especializados em encontrar… canetas sumideiras. É só questão de tempo até chegarem aqui. E nossos problemas estarão resolvidos. Lógico! Agora tudo se encaixava perfeitamente.

Respirei aliviado. Eu podia voltar a dormir, estava finalmente resolvida a questão. Então, satisfeito, liguei o abajur para anotar a ideia. Mas não encontrei a caneta.

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Ricardo Kelmer 2002 – blogdokelmer.com

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Galinha ao molho conjugal

03/05/2012

03mai2012

Então fizemos uma aposta. Qual dos três conseguiria resistir mais tempo ao casamento?

GALINHA AO MOLHO CONJUGAL

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O ano era 1988 e o bar era o Badauê, na Praia de Iracema. Lá estou eu e meus sócios, Paulo Marcio e Nelsinho, dividindo o lucro da noite e brindando ao estrondoso sucesso de nosso negócio.  E rindo à toa, pois realizávamos o velho sonho de ter o próprio bar. O dinheiro era bem vindo, claro, afinal aqueles papeizinhos retangulares facilitavam muita coisa, porém bom mesmo era um tipo de dividendo mais curvilíneo que o Badauê nos proporcionava: mulheres. Muitas, de toda cor e sabor, jeito e qualidade. Mulheres anônimas, famosas, loucas, deliciosas… Não tínhamos dúvida: o Paraíso ficava ali na rua Potiguaras.

Então fizemos uma aposta. Qual dos três conseguiria resistir mais tempo ao casamento? É claro que, legítimos representantes da mais fina galinhagem, entusiasmados em nossos vinte e poucos anos, cada um votou em si. E agora? Resolvemos assim a questão: os dois que casassem primeiro dariam, cada um, um Jack Daniel’s para o vencedor, um justo troféu para o último resistente dos três mosqueteiros, derradeiro baluarte do sagrado cocoricó.

Pausa para reflexão sociológica. A galinhagem é um fenômeno que geralmente se manifesta cedo na vida do homem quando, na volta do recreio, ele descobre escrito em seu caderno que fulana é galinha, sendo fulana a sua digníssima irmã. Nesse momento crucial da vida o peso da verdade desce sem dó sobre os ombros do homem. Não porque a irmã seja realmente galinha, vai ver até é mesmo, mas porque agora ele sabe que existe a galinhagem. É um instante decisivo que norteará o comportamento masculino. Há os que assumem o papel de guardião das virtudes morais da irmã, coitados, mas há quem parta empolgado para saber o que diabo tem de tão bom nesse negócio que a irmã dele pelo jeito já descobriu. Fim da pausa para reflexão.

Eu, particularmente, descobri a galinhagem na pré-adolescência, estudante do Colégio Militar. Um colega apostou um sabacu como eu não tinha coragem de segui-lo numa aventura com as alunas do colégio Imaculada Conceição, ninfas que povoavam nossas púberes fantasias. Eu apostei, claro, e lá fui eu. Os colegas mais velhos compraram um saquinho de milho na bodega e rumaram para o Imaculada. Algumas salas de aula ficavam abaixo do nível da rua, de modo que suas janelinhas gradeadas surgiam aos passantes à altura da canela. Pois os malvados enchemos a mão de milho e passamos jogando os caroços pelas janelas enquanto emitíamos aquele som de quem alimenta galinha no terreiro: “Ti-tiii-tiiiiiii…” Depois saímos na disparada, excitados e felizes. E meu colega levou um tremendo sabacu, claro, aposta é aposta.

Foi a primeira e última vez que joguei milho para galinhas desse tipo ‒ achei muito perigoso. Mais tarde, já crescidinho, entendi que a verdadeira galinhagem não era nada daquela molecagem de estudante, mas sim um modo eficiente de experimentar todos os docinhos da festa. E há aqueles que se especializam e se tornam galinhas profissionais. A esses não basta provar de todos os quitutes: é preciso ser discreto, paciente, estratégico e, principalmente, ficar até o fim da festa… para deixar a garçonete em casa.

Depois daquela primeira experiência com as imaculadas, a galinhagem ainda me proporcionaria boas festas por muitos anos, disso jamais poderei me queixar. Mas docinho engorda, sabe como é, e com o tempo não se tem mais estômago para tanto excesso. Sem falar que garçonete larga o serviço muito tarde e foi-se a época em que dava para dormir até meio-dia.

Por essas e outras é que este ano meu amigo Paulo Marcio jogou a toalha e… casou. Incrível mas verdadeiro. E no fim do ano será a vez do Nelsinho. A cultura galinácea perde dois estupendos profissionais. Em compensação, suas belas mulheres ganham invejáveis maridos.

E eu? Bem, eu ganhei a aposta, catorze anos depois. Sempre fui bom jogador, pergunte lá no pôquer. Quanto ao Jack Daniel’s, espero que eles honrem a palavra pois é meu uísque preferido. E aproveito para avisar aos amigos que em breve será minha vez. Isso mesmo, já faz um tempo que ando pensando em jogar a toalha. Poderia ter sido um pouco antes, é verdade, mas sabe como é: aposta é aposta

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Ricardo Kelmer 2002 – blogdokelmer.com

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Sobrevivi 2018 Badaue cartaz 22

30 anos de Badauê – Estamos vivos – Badauê era o nome do bar. Arquitetura rústica de carnaúba e tijolo aparente, varanda em L, teto de palha, e ao redor as árvores e o chão de areia coberto de pedrinhas. Ficava na Praia de Iracema, rua dos Potiguaras, 134. Os sócios éramos eu, Nelsinho Machado e Paulo Marcio, o trio mosqueteiro no frescor dos seus vinte e poucos anos. Era o ano 1988 de uma Fortaleza ainda não tão amedrontada, e existiam nas proximidades Estoril, Cais Bar, La Tratoria, Pirata, Ponte para o Céu, Zanzibar, a Gruta da Praia do seo Zairton e mais um ou outro bar que não lembro agora.
(leia na íntegra)

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Comentarios01 COMENTÁRIOS

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01- Uhuu!!! Como se alguem tivesse tido alguma duvida! Bons tempos andar “encangada! c os três. Todos com cabelo!!!! Andrea Reis, Fortaleza-CE – mai2012

02- Kelmo ganhou !!!! E o bar … BADAUÊ … dispensa comentários … Saudades !!! Isabela Cantal, Fortaleza-CE – mai2012

03- vamos reativar o badauê. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – mai2012

04- Tudo certo!mas sem banho na caixa D`água OK Ricardinho! Germana Mourão, Fortaleza-CE – mai2012

05- meu Deus….. Tete Vieira, Fortaleza-CE – mai2012

06- Não tenho nada, não sei de nada, não me lembro de nada…….só ficava trabalhando no caixa a noite toda!! Como vocês tinham coragem?!! Luce Galvão, Fortaleza-CE – mai2012

07- nossa quantas saudades dessa época!!! Karla Zeidan, Fortaleza-CE – mai2012

08- Badauê ??!!! Onde era mesmo ? Crisostomo Frota, Fortaleza-CE – mai2012

09- que pena que não sou dessa época… esse rapaz do lado direito era conhecido como ‘a máquina’? Ihvna Chacon, Fortaleza-CE – mai2012

 

10- Só bons meninos… Representantes do Movimento Uga! Sandra Freire, Fortaleza-CE – mai2012

11- eu ainda sou frango nessa galinhagem. Israel Salsicha Campos Souza, Fortaleza-CE – mai2012

12- Muito, muito bom o texto. Paolo Rogers Tabosa, Fortaleza-CE – mai2012

13- Querido Ricardo Kelmer, Por que não reabrir o Badauê??? A vida te deu muitas novas experiências que irão contribuir para teu sucesso. Como dizem : o universo está conspirando a teu favor! A Orla de Iracema já está sendo revitalizada, o Aquário já está vindo por aí. A Lupus Beer da Rossicléia é um sucesso, tá sempre lotada de turista de toda parte, foi ela mesma quem disse num programa do Falcão ( um tal de Programa Leruaite). Revitalizar a praia de Iracema é discurso de palanque de todos os candidatos à prefeitura. Sem contar com o vazio que ficou com a morte do dono do Pirata. Tá faltando um novo pirata ou “novo pirado” na praia de Iracema!!! Engravide-se desta idéia.Pense, planeje, rumine…. Mas volta, fazendo favor!!!Volta para a alegria das mulheres ex-frequentadoras da Praia de Iracema!! O que tem de mulher solteira em Fortaleza sem saber para onde ir no fim de semana, dá na canela!! O mulheril agradece!!! bjosss, suas fãs. Mimi desesperada, Fortaleza-CE – mai2012


Cabaré Soçaite mar2012 – Vídeo

21/04/2012

Ricardo Kelmer 2012

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Tá no ar o vídeo oficial do Cabaré Soçaite de mar2012 (11a edição em Fortaleza), que aconteceu no Órbita Bar. As imagens foram captadas por Levy Mota e Davi Lázaro e eu fiz a edição (Pinnacle Studio 12). A próxima edição em Fortaleza será em out2012, novamente no Órbita.

Músicas do vídeo: Por que brigamos (int: Diamante Cor de Rosa), Mercy (int: Duffy), cancan (int: ?), Voulez vous coucher avec moi (int: La Belle), Melô do piripiri (int: Grtechen), Tema da vitória (int: Eduardo Souto Maior e Roupa Nova), Moça (int: Wando), Tenho (int: Sidney Magal), Ai se eu te pego (int: Michel Teló), Siga seu rumo (int: Diamante Cor de Rosa).

Foi a 3a. parceria da festa mais sensual e divertida do Brasil com o Órbita. E foi bom demais – casa lotada, clima alegre, figurinos e performances incríveis…

O VJ foi Spin e o DJ foi Guga de Castro – e os caras mandaram bem demais. A banda foi a Diamante Cor de Rosa, que sacudiu a plateia com seu tradicional pop-trash. As meninas do grupo Sued encantaram a todos com seu número de cancan. E o concurso Musa e Muso do Cabaré premiou os vencedores com um fim de semana em Jericoacoara-CE (Pousada Casa do Ângelo), vale-compra na sex shop Via Libido e o livro kelmérico Um Ano na Seca. A Via Libido, por sinal, montou um estúdio de fotos e as melhores concorreram a uma cesta erótica no valor de R$ 400, além de crédito de R$ 100 no bar Butiquim.

A dançarina Fadinha abalou novamente o Cabaré com duas sensualíssimas performances, uma delas com um casal escolhido diretamente da plateia. O Comandante Kelmer, junto com as Cabaretes Dadivosas, interpretaram “Ai se eu te pego”, com direito a coreografia e tudo. O telão exibiu cenas de filmes, vídeos de edições anteriores da festa e literatura erótica. E rolou tequila grátis pras mulheres com figurino sensual. Na lojinha da festa estavam à venda livros, DVDs da festa e camisetas – quem comprava a camiseta, ganhava automaticamente ingresso pro próximo Cabaré e concorria a um fim de semana com acompanhante na Praia das Fontes (Hotel das Falésias).

Denise Borges e Íris de Oliveira fizeram as fotos oficiais da festa. Maya Lessa foi a assistente de palco e Flavia Talita comandou a lojinha.

> Fotos desta edição

> Trilha sonora do Cabaré Soçaite

E a 2a edição paulistana ainda não tem data pra acontecer. Se você deseja sugerir um local, entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com.

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PARCEIROS DESTA EDIÇÃO:

Pousada Casa do Ângelo (Jericoacoara-CE)
Via Libido Sex Shop (Fortaleza-CE)
Bar Butiquim (Fortaleza-CE)
Hotel das Falésias (Praia das Fontes-CE)

FACEBOOK – Grupo Cabaré Soçaite
– Arte erótica, sorteio de livros, CDs e DVDs e ingressos

NO TWITTER
– @cabaresocaite

MAIS FOTOS E VÍDEOS E A HISTÓRIA DA FESTA

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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 COMENTÁRIOS
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01- nossa, super lotadoooooooooo, animadoo! todo mundo entrou no clima, super gostei! na proxima com certeza estarei, com a minha performance, ainda mais kkk. Ysabelle Paes, Fortaleza-CE – abr2012

02- MUITO BOM. DELICIAAAAAA SRRSRSRSRSR. Ângelo Jorge, Jericoacoara-CE – abr2012

03- Quando vai ter o próximo??Ricardo Kelmer vc sabe que adoro!!! e a sua pessoa tbm curto D++! obrigado pelo o lembrete amei! um super beijão! Flávia Souza, Fortaleza-CE – abr2012

04- ‎Ricardo Kelmer, muito obrigada pelo convite! Foi um prazer conhecer o Comandante Kelmer, sua adorável assistente Bat-Girl, os jurados do concurso e todas as figuraças que fizeram essa festa linda! Nos sentimos em casa: Sensualidade, energia, gente bonita e alegre… Do jeitinho que a gente gosta! Olha, no palco ou na pista… NÃO PERCO MAIS NENHUMA EDIÇÃO! Davi Lázaro, arrasaste, meu bem! Obrigada pelas lindas imagens! Só você pra arrumar o “melhor ângulo” desses 5! Afinal, os demais cabaretes(como diz o Kelmer), são todos umas belezuras! Beijos enormes e até a próxima festa no Cabaré! #Aguardando ansiosa! 😉 Claudine Albuquerque (Banda Diamante Cor de Rosa), Fortaleza-CE – abr2012

04- Como sempre: pura maldade! A festa troando e eu chupando dedo em casa… hahaha Parabéns meu comandante, a festa foi um arraso!!! Beijão. Lolita kelmérica, Fortaleza-CE – mai2012

05- Delícia, delícia. DELÍCIA DIONISÍACA. Pat Maria Lobo, Salvador-BA – mai2012



Canalha Kelmer

23/03/2012

Rômero Barbosa, 2012

Cara, essa tal de Cibele queria era te dar. Queria ler sacanagens escritas por você pra depois tu comer ela todinha

CANALHA KELMER

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Por: Rômero Barbosa, 2012


Escrevia Contos, contos sobre minha vida interiorana; andar de bicicleta no final do dia, pescar com papai de canoa a remo, etc. Porém os conteúdos predominantes nessas curtas estórias vinham recheados de dilemas éticos, repúdio às injustiças humanas e falta de respeito ao meio ambiente.

Após escrevê-los, compartilhava via e-mail com meus amigos. Cibele, colega de curso, encostou em mim quando criava um desses contos. Fitou-me sensualmente:

 Tá escrevendo o quê?

 Só mais um conto enquanto a aula não acaba  respondi.

Ela permaneceu me olhando diferente, sorrindo maliciosa. Eu, ingênuo (ou idiota mesmo), levei na esportiva. Cibele continuou, direta:

 Você não escreve nada erótico?

Espontaneamente sorri, refutei espantado:

 Não. Meus Contos geralmente falam de conceitos morais, éticos. Sobre como viver bem em sociedade.

A moça fechou o viso, se encolheu no canto. Antes soltou um murmúrio:

 Vou voltar a assistir aula.

Sentido culpado, buscando me redimir, toquei no ombro dela e salientei (provavelmente o maior erro que cometi):

 Eu sei de um cara que escreve sacanagem de maneira legal, até…

 É, e quem é?  Perguntou ela ansiosa.

 Um tal de Ricardo Kelmer, ele tem um blog, mora em São Paulo eu acho. Entre lá e dê uma olhada.

Anotei num papel o endereço eletrônico pra ela.

Semanas depois conversando com amigos na mesa de bar, relatei o ocorrido. Os filhos da puta riram da minha cara, e pior, com razão. Ainda falaram “cara, essa tal de Cibele queria era te dar. Queria ler sacanagens escritas por você pra depois tu comer ela todinha.” Desesperado, corri ao telefone e liguei para Cibele. O celular deu fora de área. Lembrei do número residencial, liguei. Logo sua mãe atendeu e me relatou sua ausência, havia saído de férias para São Paulo. Foi o fim. Tenho certeza, Cibele foi dar ao tal Ricardo Kelmer. Que merda!
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> Rômero Barbosa mora em Porto Nacional, Tocantins

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Cristal-03Cristal – Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

Desconstruindo Kelmer (por Wanessa, inspirado no conto Cristal) – Totalmente metida e curiosa, eu me debrucei sobre o conto e fiz minha própria interpretação. Bem, a presença da Mestra, a vida, a Deusa, o Tao, o fluxo irrevogável de tudo, não me espanta que seja uma figura feminina…

Inculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Maior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel)E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Confissões de uma leitorinha nua (por Leitorinha) – Fiquei tão à vontade pra ler a página dele na net que agora o fazia completamente nua

> Quer escrever um texto também? Envie para rkelmer@gmail.com

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Nosso Bar – Existe birita após a morte

09/02/2012

29fev2012

Quando você chega na colônia extrafísica Nosso Bar, a primeira coisa que recebe é uma camiseta da sua birita predileta

NOSSO BAR – EXISTE BIRITA APÓS A MORTE

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Após ver o filme Nosso Lar, fiquei imaginando… E se eu fosse parar num lugar daquele? Já pensou, eu vestido com aqueles modelitos esvoaçantes, sem poder usar meu boné do Cabaré Soçaite, eu levitando em passeios matinais à beira do lago enquanto toca música celestial… Já imaginou? Também não consegui imaginar. Então bolei um filme do além alternativo. Com vocês: Nosso Bar – Existe birita após o morte.

Para começar, quando você chega na colônia extrafísica Nosso Bar, a primeira coisa que recebe é uma camiseta da sua birita predileta. Eu, por exemplo, vou ganhar aquela preta clássica do Jack Daniel´s. E a segunda coisa que você recebe é um fígado novinho em folha, sem prazo de validade.

Bar no Nosso Bar é que nem hospital: não fecha nunca. Nem em dia de finados. E ninguém precisa se preocupar com a conta: basta assinar e pronto. E quem paga? O Mistério. Como assim, o Mistério? Ah, isso eu não sei explicar, sempre foi assim, o Mistério paga tudo. Inclusive o engov.

Aqui os bares fecham cedo para não dar problema com a vizinhança, né? Lá não tem isso, pois a vizinhança é toda de bares, boates e inferninhos. Música ao vivo? Infelizmente, não tem – mas tem música ao morto de primeira qualidade. Você gosta de barzinho de rock? Tem mil para você escolher. Bar de blues? Tem a perder de vista. Bar de sertanejo? Desculpa, isso não tem, é melhor você procurar em outro além. Tá, tudo bem, podemos incluir um bar de sertanejo. Mas com isolamento acústico cem por cento.

O atendimento é coisa do outro mundo: garçonetes lindas e atenciosas, sempre simpáticas. Admiravelmente generosas. E eternamente solteiras. Como, garçons sarados? Não, assim você quer acabar com meu filme. Tá, tudo bem, vamos incluir garçom sarado também. Putz, o Nosso Bar já foi melhor…

Só maiores de idade podem ir a essa colônia. É lei. Por isso, relaxe, meu amigo, pois você nunca será enganado por aquela linda ninfeta que jurou para você que tinha dezoito anos. E as crianças que nascem lá, por acaso elas não crescem e viram ninfetas tentadoras? Arrá! Lá não nasce ninguém, o sexo não é procriativo. Por isso é que você, querida leitorinha, pode enfiar o pé na jaca sem medo que jamais engravidará. É o lado bom da lei.

Dirigir bêbado? Isso é coisa da Terra. No Nosso Bar basta você pensar “quero ir pro Chope Astral” que no segundo seguinte você já tá lá, no melhor lugar do balcão. Brigas? Não tem, pois quem briga perde o crédito com o Mistério e ainda tem que pagar tudo o que bebeu. E quando reencarnar, nascerá com total intolerância ao álcool. Ou seja, é desgraça muita. E como lá todos estão de passagem, ninguém tem que procurar apartamento para alugar: seu quarto tá reservado num hotel bacaninha, perto dos agitos. Por conta do Mistério, claro.

E o enredo do filme? É assim. O Bar Nosso Que Está No Céu realizará uma superfesta que contará com canjas especiais de Janis Joplin, Jim Morrison, Cazuza, Cássia Eller, Jimi Hendrix, Raul Seixas, Tim Maia, Amy Winehouse e Intocáveis Putz Band. A notícia da festa chega ao mundo dos vivos e milhões de pessoas decidem que vão morrer para não perder a festa. E agora? Agora em breve num bar, ops, num cinema perto de você.

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Ricardo Kelmer 2011 – blogdokelmer.com

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COMENTÁRIOS
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01- Tsc, tsc, tsc, acho que você anda bebendo demais! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – fev2012

02- eu acho que é de menos… 😛 Susana X Mota, Leiria-Portugal – fev2012

03- E ai cabra, eu adorei a estoria, mas nao estou com pressa de ir a esse bar, e tambem quando chegar a minha hora, havera uma bela camiseta da Brahma, a numero 1, tambem no Astral. Ja estou plasmando desde ja para ir direto e vou aproveitar e ja irei conhecer o bar. Obrigado pela ideia, aproveito o ensejo par desejar a vc e seus familiares, um FELIZ NATAL e um PROSPERO ANO NOVO, com bastante !!!!!!! PAZ & LUZ !!!!!!!, Durva 65 duartinense e palmeirense. Viva o Chelsea. Durval Brasil, São Paulo-Sp – dez2012

04- O povo do Inferno de Dante era muiiiiiiiito mais borogodozento do que o povo do Paraíso dele, entonces, o povo do “Nosso Bar” é da mesma linhagem do povo do Inferno Dantesco. Beeeeijo. Pat Maria, Salvador-BA – dez2012

05- Ola Ricardo!!!! Meu marido adorou……… Bjs Luck, Campos do Jordão-SP – dez2012

06- Caro Ricardo, sua crônica é muito engraçada. Juraci, Campos do Jordão-SP – dez2012

07- Sou daqui de Corumbá e assisti a sua apresentação do Viniciarte ano passado.Foi um show e tanto.Li o trecho da paródia de Nosso Lar e não pude deixar de rir…você se supera a cada estação,menino.Vejo em você um quixote que combate aqueles que impedem o riso,hegelmente falando é claro…rs.Estranho,né?Eu,uma voz que sai assim do nada e vem te adjetivando.Não,eu sempre leio os seus posts,embora não trilhe as mesmas veredas,mas gosto sinceramente de sua forma de escrever. Fateha Liza, Corumbá-MS – dez2012

08- kkkkkkkk Adorei!!!!! Repassei geral….sucesso. Paula Medeiros de Castro, São Paulo-SP – dez2012

09- Eis que eu acordo, depois de um cochilo, rs, e, sem sono, resolvo olhar meus email… Então, me deparo com o “nosso bar”, kkkkkk. Adoooooreeeeiiii!!! 🙂 Quer dizer que o mistério paga tudo? Nossa… Gostei demais disso! 😉 Obrigada pelo texto! Deu mais sorriso pra minha noite! Beijo! Dalu Menezes, Fortaleza-CE – dez2012

10- Muito bom! Camilla Avella, São Paulo-SP – dez2012

11- Muito engraçado, parabéns!! André de Sena, Recife-PE – dez2012

12- VALEU RICARDO ! ADOREI O NOSSO BAR. MUITO BOM TEXTO, COMO SEMPRE. UM ABRAÇO FORTE. Tibico Brasil, Fortaleza-CE – dez2012

13- o Nosso Bar também existe. Vai depender do seu magnetismo pessoal. Nixxon Alves e Silva, Rio de Janeiro-RJ – dez2012

14- Adorei! Preciso deste livro! Sou espírita e realmente a visão do filme é um tanto cômica… Patrícia Gonçalves, Duque de Caxias-RJ – fev2019

15- Já tô é lá ia ser bem mais feliz que nesse mundo miserável. Cristiane Ribeiro, Fortaleza-CE – fev2019

16- Adorei! Yalis Cardoso, Fortaleza-CE – fev2019

17- Esse Nosso Bar com garçons sarados é mesmo coisa do outro mundo! Cátia Silva, Fortaleza-CE – fev2019

18- Já tenho um lugar pra ir. Íris Medeiros, Campina Grande-PB – fev2019

19- Essa foi boa… rsrs. Jaionara Leite, Manaus-AM – fev2019

20- Eita piula! É pra lá que gostaria de ir. Karina Mozart, Fortaleza-CE – fev2019

21- Rsrs amei!!!! Mas acho que briguei no Nosso Bar e o Mistério…. Michele Jacinto, Fortaleza-CE – fev2019

22- Adorei! “Bar sertanejo com isolamento acústico cem por cento.” Kkkkkkkkkk. Clea Fragoso, Fortaleza-CE – fev2019

 


Loiras, celulite e futebol

30/01/2012

30jan2012

A mulher se sairá melhor se passar uma noite inteira numa mesa ao lado de duas Ex e três Loiras Burras e Gostosas do que se tentar derrotar o Futebol

LOIRAS, CELULITE E FUTEBOL

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Foi lendo essas revistas femininas na espera pra cortar o cabelo que descobri, impressionado, os terríveis inimigos com os quais a mulher moderna tem de lidar no dia a dia. Bem, na verdade só ela vê esses inimigos. Mas o médico disse que é melhor não contrariar. Então levemos o assunto a sério.

Veja o caso da Ruga e da Celulite. Inimigos clássicos. Homem geralmente nem percebe, mas a mulher está lá, sempre na maior luta, gastando tempo, dinheiro e energia. É por isso que vez em quando elas vêm com aquela perguntinha aparentemente despretensiosa: “Você acha que estou gorda?” Hoje, gato escaldado, sei que isso é uma sutil armadilha. Se o homem é sincero ou desatento e cai na besteira de responder sim, ela terá raiva dele e não da gordura, brigará e desistirá de sair. Sugiro ir ganhando tempo: “Comparado com o quê, amor?”

Outro velho inimigo é a Ex. Entidade cruel, mais ainda quando se conserva bonita. A mulher passeia com seu homem e, súbito, aparece a Ex. Pronto, extragou o dia. A Ex legítima é meio metida e dissimulada, tanto que seu nome é pronunciado de duas maneiras: “eis” e “équis”. Ela se acha a tal e sempre assume aquele arzinho de vaga cumplicidade como quem diz “Eu já aproveitei, fofa, agora você cuida dele pra mim, tá?” O homem nem liga, mas a mulher está diante de um monstro sádico a zombar dela. Cruzar com duas Ex no mesmo dia então, é enxaqueca na certa.

São mesmo inimigos poderosos. Por isso é que todo mês, nas bancas, é descarregado um verdadeiro arsenal, sempre anunciado com destaque na capa das revistas: bumbum durinho em trinta dias, xampu antirresíduo (que diabo será isso?), roupa ideal pra toda ocasião, técnicas de revitalização do casamento e teste pra saber se está envelhecendo mais rápido que deveria. Há também dez dicas pra curtir o carnaval sem engordar. E, é claro, as incríveis bolsas mágicas: pequenas, bonitas e cabe tudo.

Contra o Futebol, porém, não tem revista que dê jeito. Pra se ter ideia da força deste inimigo na vida masculina, a mulher se sairá melhor se passar uma noite inteira numa mesa ao lado de duas Ex e três Loiras Burras e Gostosas do que se tentar derrotar o Futebol. Eu nem deveria citar essa parte, mas ele é mais forte até que A Outra, inimigo cujo nome é um verdadeiro tabu, o qual não se pode nem pronunciar. Mas pulemos essa parte.

Pior é que, além do jogo em si, que transforma o homem num zumbi imprestável, o Futebol abrange ainda a concentração pro jogo, boteco depois do jogo, pagode depois do boteco, sabe-se lá o quê depois do pagode, camisas suadas penduradas no armário, aquele pôster ridículo na porta do banheiro, caderno de esporte, gols da rodada e, martírio supremo, aquelas intermináveis mesas redondas. Ufa! E ouse passar na frente da TV no instante do gol…

Outro dia uma revista ensinava às mulheres como convencer o homem a não assistir às mesas redondas. Não caia nessa, minha amiga, é perda de tempo. O melhor é torcer muito e se agarrar até com seus santos pro time dele ser campeão. Mas torça muito mesmo, pois com tantos inimigos por aí azucrinando sua vida, você não vai querer ainda um homem derrotado e mal humorado em casa, né, santa?

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Ricardo Kelmer 2002 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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O charme da vidalheia

03/12/2011

03dez2011

Programas sensacionalistas, ligações rastreadas, câmeras por todo canto… A vidalheia parece ser mesmo irresistível

O CHARME DA VIDALHEIA

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Você entra no elevador, aperta o botão, a porta se fecha. Dá aquela olhadinha no espelho, arruma o cabelo, tira uma melequinha… Só então percebe o aviso na parede: Sorria, você está sendo filmado. Você automaticamente se recompõe e faz uma cara assim de natural. Mas quanto mais tenta, mais fica com cara de ridículo. Como ficar natural num elevador sendo filmado?

Se por um lado, as pessoas não gostam de ser observadas no elevador, por outro lado elas adoram aqueles programas de lavar roupa suja em público. A mulher que traiu o marido com a cunhada e o entregador de pizza que engravidou três irmãs… São ilustres desconhecidos, mas a gente não resiste e assiste a baixaria. Talvez o interesse pela vida alheia seja mesmo algo inerente à espécie. Quem nunca teve vontade de ler um diário secreto? Você não? Ah, você é uma pessoa séria, desculpe.

E aquelas câmeras transmitindo pela internet, 24 horas por dia, imagens do cotidiano de uma fulana qualquer lá no interior da Letônia? Não tem nada demais: é a pessoa lendo, passando daqui para lá, arrumando a gaveta… Mas o que não falta é gente para ficar olhando.

Uma vez uma amiga me revelou algo que não acreditei: é possível rastrear ligações telefônicas usando um simples celular. Você digita a sequência tal e capta as ligações daquela marca de celular num raio de tantos quilômetros. Fiquei passado. Quer dizer que nem uma traiçãozinha ao telefone se pode mais? Minha amiga me passou o celular para eu comprovar, mas eu recusei. Toma, experimenta, é o maior barato – ela insistiu.

– Não, obrigado – respondi convicto. – Isso não é ético.

Minhas convicções duraram vinte segundos. Pensando bem, vou dar só uma experimentadinha… Peguei o aparelho, digitei o código, esperei um pouco e… Putz, era mesmo verdade! Fui captando as ligações como no dial de um rádio. Subitamente, todas aquelas pessoas estavam ali, à minha disposição, conversando, sem imaginar que eram ouvidas. Se o tema não interessava, era só procurar outra conversa. Assuntos familiares, negócios, confidências – tinha de um tudo!

Simplesmente não consegui largar o celular, eu, o cruel auscultador de intimidades. O coração batia forte enquanto as conversas se sucediam. Lembrei de quando era adolescente e brechava as amigas de minha irmã tomando banho lá em casa, fascinado, o coração saindo pela boca. Pois lá estava eu de novo brechando os outros, tomado de um estranho frenesi. Dr. Jekyl, o senhor está com uma cara estranha…

Eu queria escutar tudo. Sim, eu sabia que praticava algo nada ético, claro que sabia. Mas foi impossível resistir àquele voyeurismo auditivo.

– Ei, já chega! Essa ligação vai sair cara…

Era minha amiga atrapalhando a festa, que chata. Mas aquela estranha luxúria já havia me fisgado e afastei-a com o braço: Eu pago, eu pago!

Programas sensacionalistas, ligações rastreadas, câmeras por todo canto… A vidalheia parece ser mesmo irresistível. E o tal código do celular, você não quer saber qual é? Claro que não, você é uma pessoa séria, não tem interesse nenhum na vida dos outros. Né?
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Ricardo Kelmer 2001 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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01- Ouvi dizer que o código de rastreamento não funciona em linhas digitais … 🙂 Abraço! Júlio César Martins de Menezes, Fortaleza-CE – dez2011


O brega não tem cura

26/11/2011

26nov2011

Porque o senhor sabe, né, doutor, o brega sempre puxa uma dose, que puxa outra, que puxa a lembrança daquela ingrata, que puxa outra dose…

O BREGA NÃO TEM CURA

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Pois é, doutor… essa coisa do brega. Sei explicar não. Sou chegado sim, assumo. Já tentei largar várias vezes e nada. Até na igreja fui. O pastor disse que tinha um demônio dentro de mim, se eu fosse lá no culto ele tirava. Mas não fui com a cara daquele pastor não. Foi aí que me falaram desse negócio de terapia. Tem cura pro brega, doutor?

Se lembro de algo na infância? Deixa eu ver… Lá em casa tinha uma empregada. Marluce o nome dela. Eu na sala fazendo o dever de casa e lá na cozinha a Marluce ligava o radinho e mandava ver no brega. E tome Waldick Soriano, Lindomar Castilho, Bartô Galeno, Núbia Lafayette, Roberto Muller, Diana, a tarde inteira. Eu estudando OSPB e pensando na menina da cadeira de rodas, tudo eu daria pra ver novamente feliz…

Depois eu cresci e a coisa piorou. Porque o senhor sabe, né, o brega sempre puxa uma dose, que puxa outra, que puxa a lembrança daquela ingrata, que puxa outra dose… Quando a gente vê, está lá no Roque Santeiro se esgulepando na cachaça, sábado seis da manhã, virado da noite, escutando os Pholhas e ligando praquela ex que casou, botando o celular pra ela ouvir She Made me Cry, ô desgraceira. Tem cura pra isso, doutor?

Pois foi exatamente por conta desses desmantelos que larguei o brega. Larguei. Dei meus discos tudinho, deixei de cantar Secretária da Beira do Cais debaixo do chuveiro, não quis mais saber. E nunca mais dei trabalho pros garçons, deitando no chão dos bares, como na música do Reginaldo Rossi. Arreneguei aquela vida pregressa, virei outro homem, me regenerei.

Mas semana passada, doutor… tive uma recaída. Foi terrível. Genival Santos no BNB Clube. Com Fernando Mendes e Raimundo Soldado, olha a tentação. E sabe quem mais? Ele, o homem da pílula: Odair José. Me deu logo uma coceira no juízo. Quando vi, já estava lá dentro tomando montilla, todo empolgado. Tinha muita gente sim, aquele cheiro de Contouré no meio do mundo. Moça velha? Vixe, tinha de puxar de rodo. “Não tem jeito que dê jeito, pra você viver comigo…” É, Raimundo Soldado. Trinta anos de peleja e o homem ainda tá com essa patente, ô injustiça.

E o Fernando Mendes? “Numa tarde tão linda de sol, ela me apareceu…” Esta o senhor conhece, né? Marluce caía no chão por esta música. Cadeira de Rodas? Cantou também, claro. Nessa hora me deu até saudade de estudar OSPB, pro senhor ver o que o brega não faz… E a cabeleira do Fernando, rapaz! Essas técnicas modernas de alongamento são uma coisa…

E o Genival, homem de Deus! “Sendo assim, vou acabar ficando louco…” Clássica, né? “Meu coração está em greve…” Ai, meu Jesus Cristino! “Se errar uma vez dou castigo pra não se acostumar, se errar outra vez mando embora pra saber me respeitar…” Isso é que é bonito, doutor, melhor mandar embora que dar um tiro na desgraçada, né?

E o Odair… Ah, doutor, o homem tem aquela cara de bandido de velho-oeste, mas é um cavalheiro, sempre distinto, gestos elegantes, precisa ver. Eu era um olho no palco e outro no chão pra não escorregar nas latas de cerveja. Da próxima vez eu mesmo pago um servente pra limpar aquela sujeira. Mas o Odair bem ali na frente compensava tudo. Pare de Tomar a Pílula, Cadê Você?, A Noite Mais Linda do Mundo… Cantou tudo. Qual? Eu, Você e a Praça? Cantou sim. O senhor parece que é chegado também, né? Vou Tirar Você desse Lugar… Também cantou, claro.

Aliás, esta música só me lembra a Mardônia, lá do Crateús. Menina boa, educada, tinha ginásio. Muito mimosa. Mas o pai bulinava ela, o senhor sabe, e a mãe vivia por aí embriagada, nem ligava pra menina. Não deu outra: ela fugiu de casa, se mandou pro rumo de cá. Menor de idade. Acabou lá no Farol, no Hamburg Bar, o senhor chegou a frequentar? Não? Pois não sabe o que perdeu. Foi lá que eu conheci ela. Novinha, bonitinha, cheirosa que era uma beleza. Botei uma ficha na máquina e a gente dançou juntinho Eu Hoje Quebro esta Mesa, do Carlos André. Me apaixonei, né? Como é que não se apaixona? Vixe, deixei muito dinheiro naquele cabaré, o senhor nem imagina. Até chamei ela pra morar comigo, mas ela não quis não. Até emprego de balconista na Lobrás eu arrumei pra ela. Quem disse que quis? Quis nada. Preferiu se juntar com um fulerage lá, mais liso que eu. Depois sumiu. Nunca mais que vi.

Pois sabe quem eu encontrei lá no show? Justamente: a Mardônia. Dez anos depois. De shortinho jeans e batinha frente-única, pense… Um pouco mais gordinha, mas ainda bem aprumada. Ah, eu não me aguentei. Fui lá, paguei-lhe um saco de jujuba e comecei a cantar Não se Vá pra ela. Ahn? Acabou o tempo? Puxa, passou rápido. Mas diga ao menos se tem cura pro brega, doutor, diga, eu preciso saber. Tem não, né? Tem nada. Eu sabia.
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Ricardo Kelmer 2001 – blogdokelmer.com

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– Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos
Esta crônica integra o livreto e o show Trilha da Vida Loca

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Na Wikipedia

Genival SantosFernando Mendes
Raimundo SoldadoOdair José

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VÍDEO
O Brega Não Tem Cura (conto c/ sonoplastia)
Boteco Vintage, Fortaleza-CE, 03.04.14

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TrilhaDaVidaLocaShowDiv-02aTRILHA DA VIDA LOCA O SHOW
Contos e canções para celebrar o amor doído

Mesclando música e literatura, este show reúne clássicos da dor de cotovelo da MPB e histórias de amor inspiradas em sucessos de Odair José, Waldick Soriano, Diana, Reginaldo Rossi e Fernando Mendes, num formato divertido e interativo. As canções são executadas por Ricardo Kelmer e Felipe Breier (voz e violão) e também em trechos de suas gravações originais, com participação da plateia. Paixões de cabaré, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor… Favor pagar o couvert antes de cortar os pulsos. SAIBA MAIS

Texto e direção: Ricardo Kelmer. Com Ricardo Kelmer e Felipe Breier
Duração: 2h (ou versão de 1h30)

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01- Adorei! Kelmer, voce é o cara! bjs de fã. Sandra Ribella, Limeira-SP – nov2011

02- quero me curar não, ó doutor… Flávia Castelo Batista Magalhães, Fortaleza-CE – nov2011

03- eu sou brega!!!!!!!!! Magna Mastroianni, São Paulo-SP – nov2011

04- Eu escuto brega desde que me entendo por gente !!!! Adoro. Monalisa Serafim, Fortaleza-CE – nov2011

05- Maravilha Kelme!!! Só tu pra escreve dessa forma! Adoro! Lendo a crônica, parecia que tu tava falando o repertório de ontem do Roque Santeiro, inclusive, vamos em você na hora da “cadeira de rodas”… Vania Vieira, Fortaleza-CE – nov2011

06- E se tivesse eu ficava doente pra sempre. Eduardo Lima, Fortaleza-CE – nov2011

07- Adorei! Bjs. Carmem Távora, Brasília-DF – nov2011

08- Kkkkkkkk comédia viu!!!! Brega nem com reza braba passa!!! Del Montenegro, Fortaleza-CE – abr2014

09- o “brega não tem cura” foi ótimo!!! PARABÉNS, pelo trabalho!!! Paula M Castro, São Paulo-SP – mar2015


Mordida na última sessão

14/11/2011

14nov2011

A maioria dos vampiros são ilustres desconhecidos, gente como você que rala no dia a dia para pagar as contas e assiste ao Sexy Time antes de dormir

MORDIDA NA ÚLTIMA SESSÃO

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Eu a conheci na fila do Entrevista com o Vampiro, última sessão. Linda, sensual e misteriosa ‒ foi paixão à primeira olhada. Depois do filme, ela me convidou para um uísque no bar. Aceitei, claro, encantado com seus olhos lânguidos. Algumas horas depois, virei o rosto para o lado e, na escuridão do quarto, procurei o relógio digital. Quase cinco da manhã, em breve amanheceria. Sobre meu corpo, ela se contorcia freneticamente, os cabelos negros balançando. Sua bela silhueta a me cavalgar foi a última imagem que vi, pois logo depois uma onda de prazer incontido me invadiu e fechei os olhos, rendido. Senti que ela prendia meus braços à cama, beijava-me a boca e tchum!, cravava os dentes em meu pescoço. Na confusão de sensações só deu tempo de pensar: Uma vampira… E apaguei.

Pela carinha que você está fazendo, minha amiga, vejo que não acredita em mim, né? Você é uma mulher moderna, não acredita em vampiros. Bem, melhor para eles. Pois eu lhe digo: eles existem. E estão por aí, espalhados entre as pessoas comuns, selecionando o próximo pescoço. Evidente que não dá para reconhecê-los apenas olhando. Na maioria dos casos, só se percebe um vampiro quando já é tarde demais. Como no primeiro parágrafo.

Claro, há vampiros e vampiros. Com o passar dos séculos, muitas linhagens se desenvolveram e hoje já não dá para agrupá-los num só rótulo. Tem vampiro que até vai à missa, acredita? Tem vampiro cuja imagem não reflete no espelho, e ainda assim é hipervaidoso. Há os que dormem em caixões refrigerados e há também, creia, os que fazem bronzeamento artificial para disfarçar a falta de sol. Tem de um tudo nesse mundo de caninos afiados.

Nosferatu, Drácula, Vampirella, algum desses famosos você conhece. Mas a maioria dos vampiros são ilustres desconhecidos, gente como você que rala no dia a dia para pagar as contas e assiste ao Sexy Time antes de dormir. Sim, tem aqueles que se transformam em morcegos e dormem num caibro, pendurados de cabeça para baixo, tudo para fugir do aluguel. Em compensação, ninguém dorme com eles. Só no cinema é que vampiro não trabalha, se veste superbem e ainda mora em cobertura. Conheci uma vampira, garçonete num bar da Praia de Iracema, que mandou botar vidro fumê e ar condicionado no seu fusca para poder dormir dentro dele durante o dia. Para você ver como vida de vampiro não é mole.

No filme Fome de Viver, Catherine Deneuve, ai, ai, é uma linda e charmosa vampira que seduz a homens e mulheres. Ah, minha amiga, nem você resistiria àquele charme francês… Vampiros sabem conquistar como ninguém. Muita gente boa já caiu na lábia vamp. Exemplo? Lucélia Santos. Isso mesmo, pode conferir em As Sete Vampiras. Brad Pitt, Wynona Rider e David Bowie também caíram. Nem Xena, a guerreira, escapou. Se eles que são tão chiques caíram, por que você estaria imune? Ninguém está. Um belo dia, querida, você vai acordar e lá estarão as duas marquinhas no pescoço. Ou na virilha, pelas coxas que você tem…

Como é que sei dessas coisas? Não importa. O que interessa é: o que fazer se você levar uma dentada? Eu lhe digo: relaxe e goze. Aceite o fato e prepare-se para um mundo novo, cheio de novidades. Você é uma mulher bonita, vai aproveitar à beça. Sim, tem vida eterna. Mas cuidado, há sempre um caça-vampiros de plantão, desses bem neuróticos, cheio de frustrações, doido para lhe enfiar a estaca no coração. Por isso, vampiro tem de ser discreto. Vantagem mesmo é que a maioria não envelhece, não adoece, não tem ressaca nem pega aids. A vida vira uma festa, toda noite na gandaia, já pensou? O diabo é o cartão de crédito que vive estourado.

Você já viu Quente como Licor? É uma história de amor entre vampiros que se prostituem para conseguir sangue. Está em cartaz no Cine Franzé. Que tal irmos esta semana? Ótimo! Então está marcado, a gente se encontra na entrada. Podemos ir na última sessão?

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Ricardo Kelmer 2001 – blogdokelmer.com

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FILMES CITADOS

FILMEFomeDeViver-01Entrevista com o Vampiro – The Vampire Chronicles. EUA, 1994, Terror. Direção: Neil Jordan. Roteiro: Anne Rice, baseado em livro de Anne Rice. Elenco: Tom Cruise, Brad Pitt, Antonio Banderas, Stephen Rea.

Fome de Viver – The Hunger. EUA/Inglaterra, 1983, Terror. Direção: Tony Scott. Roteiro: James Costigan, Ivan Davis e Michael Thomas, baseado em livro de Whitley Strieber. Elenco: Catherine Deneuve, David Bowie, Susan Sarandon, Cliff De Young.

As Sete Vampiras – Brasil, 1987, Comédia. Direção: Ivan Cardoso. Roteiro: R. F. Luchetti. Elenco: Andréa Beltrão, Ivon Cury, Danielle Daumerie, Wilson Grey, John Herbert, Leo Jaime, Zezé Macedo, Nuno Leal Maia, Lucélia Santos.

Drácula de Bram Stocker – Bram Stoker’s Dracula. EUA, 1992, Terror. Direção: Francis Ford Coppola. Roteiro: James V. Hart, baseado em livro de Bram Stoker. Elenco: Gary Oldman, Winona Ryder, Keanu Reeves, Anthony Hopkins.

Quente como Licor – Todas as informações sobre este filme foram misteriosamente apagadas da internet.

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DOCE VAMPIRO (Rita Lee)
Vídeo com imagens do filme Drácula de Bram Stocker

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Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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01- hum…adoreiii. Carol Nobre, Fortaleza-CE – nov2011

02- Uhnnn….sabe que sempre gostei bastante dessas histórias a respeito de meus ancestrais, rs…. Paula Medeiros de Castro, São Paulo-SP – nov2011


Todo mundo tem um lado cabaré

24/10/2011

24out2011

Toda vez eu tremo quando penso no desafio que é dirigir algo que, na verdade, é impossível de se controlar. Mas no fim sempre dá certo

TODO MUNDO TEM UM LADO CABARÉ

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Escrever e publicar livros é um grande desafio, que exige de mim muita entrega e dedicação. Também é algo muito desafiante me apresentar num palco para homenagear meu guru Vinicius de Moraes – além de agradar ao público, é preciso que tudo seja digno de Vinicius, como se ele também estivesse assistindo.

No entanto, o Cabaré Soçaite é o meu desafio profissional mais delicado e complexo. Produzir essa festa é coordenar um evento onde centenas de pessoas não apenas dançam, bebem e se divertem – elas também se vestem e encenam suas fantasias sensuais, cada uma a seu modo, sem ensaio, e todas ao mesmo tempo. É um grande teatro ao vivo, espontâneo e dionisíaco, e que sempre traz surpresas.

Toda vez eu tremo quando penso no desafio que é dirigir algo que, na verdade, é impossível de se controlar. Mas no fim dá certo, pois o clima de leveza e alegria sempre prevalece e todos se unem harmoniosamente na celebração do erotismo e da sensualidade. No fim o frio na barriga passou, ufa, e foi realmente uma experiência maravilhosa.

O evento possui um roteiro, claro, pois há atrações pré-acertadas, como shows musicais e números teatrais e de strip-tease, e há o concurso Musa e Muso do Cabaré, o ponto alto da festa. A trilha musical é selecionada com cuidado para não fugir do clima de alegria, sensualidade e romantismo. O palco é ambientado no estilo salinha-de-cabaré e todos podem subir para tirar fotos e serem filmados. No telão, cenas de filmes no tema cabaret contribuem para formar o clima. Tudo que acontece no palco é registrado em foto e vídeo e, depois, um clipe com os melhores momentos da festa é disponibilizado na internet. Porém, apesar do roteiro, as surpresas sempre vêm, pois é o público a grande atração, com suas vestimentas e suas performances, e a qualquer momento algo incrível pode acontecer. E sempre acontece.

Como mestre de cerimônias, preciso saber apresentar as atrações e deixar todos à vontade, e, como diretor geral do evento, tenho que conduzir da melhor forma os acontecimentos. Preciso saber equilibrar tudo isso, seguindo o roteiro mas, ao mesmo tempo, valorizando o inesperado. Como estamos lidando com sexualidade, qualquer descuido pode comprometer a harmonia da festa. Felizmente isso não acontece, pois o clima geral de leveza e alegria contagia a todos e o que poderia ser tenso e arriscado acaba sendo belo e divertido.

Acho que o sucesso da festa se deve principalmente a dois aspectos. O primeiro é que todo mundo tem um lado cabaré. E o segundo é o cuidado com o público feminino: no Cabaré Soçaite são elas as clientes principais. As músicas e as imagens no telão são pensadas para elas, e lá elas se sentem seguras e à vontade para viver suas fantasias de diva, colegial ou cortesã. Se elas se reprimem, preocupadas com o que os outros vão pensar, a festa fica travada, mas se elas se soltam e se divertem, então os homens as acompanham, encantados, e tudo vira uma brincadeira deliciosa. Como deveria ser sempre o erotismo.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

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Edição em Fortaleza: 29.10.11, Órbita
(clique pra ampliar)

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NO TELÃO DO CABARÉ

> Fotos e vídeos das edições do Cabaré Soçaite – Será que você aparece em algum?
> Marylin Monroe – Um arquétipo da sensualidade
> Dita Von Teese – A dançarina que reavivou o erotismo burlesco
> Chicago – O musical com Catherine Zeta-Jones, Renée Zellweger e Richard Gere
> Burlesque – O musical com Cher e Christina Aguillera
> Lua de Fel – Cenas do incrível filme de Roman Polasnki
> De Olhos Bem Fechados – Cenas do misterioso e sensual filme de Stanley Kubrick

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CabareSocaite201103-906

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> Vídeos, fotos e história da festa

> Discoteca do Cabaré Soçaite – conheça a trilha sonora da festa

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Pelas coxias de Guaramiranga

26/09/2011

26set2011

Entre uma peça e outra sempre dá tempo de cruzar uns olhares, nativos e forasteiros, e exercitar o roteiro das abordagens

PELAS COXIAS DE GUARAMIRANGA

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Desde pequeno, confesso, que me sacodem uns arroubos de artista. Quando criança, queria ser ator. Sabe aquela boneca Amiguinha, tamanho G? Minha irmã tinha uma que era do meu tamanho e eu treinava beijo com a boneca, escondido. Treinando beijo pra ser ator da novela Locomotivas. Um dia, minha irmã nos flagrou e findou aí meu intensivo oscular. Fiz-me ator? Não pude, Amiguinha. Sou escritor menor, perdoai.

Tudo isso pra dizer que estou em Guaramiranga, 7ª edição do Festival Nordestino de Teatro. É ator pra todo lado, de puxar de rodo. Ar puro, verde exuberante, friozinho gostoso, uma semana longe da poluição política de Fortaleza… Maravilha de cenário. Imagine uma grande quermesse, gente na rua, nos bares, pousadas, violão aqui, roda de flautas ali, cerveja acolá… Sabe cidadezinha do interior, né? Tem a rua principal, a pracinha, a matriz pra um lado, a zona pro outro e acabou. E todo mundo se conhece.

Entre uma peça e outra sempre dá tempo de cruzar uns olhares, nativos e forasteiros, e exercitar o roteiro das abordagens assobiando Luiz Gonzaga, a todo mundo eu dou psiu, perguntando por meu bem… Paralela à pontuação oficial das peças, corre outra pontuação, onde ficar com alguém local, por exemplo, vale 50 pontos mais que com alguém de Fortaleza. Mais um motivo pra ir ali na mesa da morena. E depois das peças, tem os shows musicais, a feirinha alternativa, uma batucada na Ilha de Caras (só dá artista…), Pink Floyd no som do treiler. De dia, visitar o Pico Alto, um banho na cachoeira, a sinuca do hotel. Guaramiranga é uma festa que dura nove dias. Uma grande celebração da arte. Da vida, por que não dizer?

Dito assim, parece que a coisa toda é mero pretexto pra festa. Não é. A proposta é séria e a organização se supera pra fazer do evento uma referência nacional. Aqui respira-se, bebe-se e vomita-se teatro. Além das peças, há debates, exposições e oficinas. O povo da cidade e arredores vê espetáculos que de outra forma não veria, e a preços populares. E aproveita pra travar contato com esse povo diferente das cidades grandes, o figurino esquisito, a performance assim meio assim. Dona Leninha do treiler de sanduíche é quem me confidencia, rindo: O cara chega, pede uma cerveja, todo homem, e uma hora depois parece uma moça…, mas a gente já acostumou, sete anos, né?

Quatro da madruga. Forro o estômago com um sandubão. Não tem gosto de nada, mas é ótimo. Vejo lá em cima, no meio do nevoeiro, a torre da igreja do mosteiro, pairando iluminada no meio da serração. Que nem uma visagem. Aliás, o mosteiro é uma atração à parte. O que atrapalha são aqueles degraus todos pra subir. São tantos que quando a gente chega lá, a língua já tá toda de fora, pronta pra receber a hóstia da absolvição.

E as lindas pinturas das paredes do mosteiro, quem as teria feito? Bisbilhotei e descobri a história de Marcio. Chegou adolescente, vindo de Limoeiro, fazer o noviciado. O frei diretor concluiu que ele, com aquela delicadeza toda… bem, concluiu que ele não tinha vocação pra frade capuchinho. Então foi pra Fortaleza, viajou, conheceu o mundo. Muitos anos depois, voltou a Guaramiranga. Aí Marcio já havia virado Marcia, de alma e corpo também – cirurgia muito bem feita, atesta quem viu. Uma mulher culta, viajada, fluente em vários idiomas. Um tanto excêntrica e transbordante de dons artísticos. Foi ela quem fez as pinturas do mosteiro, inclusive o teto da capela. Também cantou e atuou como a beata Mocinha no filme Milagre em Juazeiro, e ainda contribuiu pros textos em latim. Marcia faleceu recentemente, ainda nova, purpurina que o vento soprou pelo maciço afora. Mas deixou sua bela marca.

O festival está no fim, logo descerão as cortinas. O clima já é de saudade. Eu boto o blusão, dou um gole na vodca e encaro o frio de 16 graus. Moletons e cachecóis caminhando pela rua, de um lado pro outro. Na esquina, um carro com o porta-mala aberto mandando um pagode nas alturas. Irgh, nem aqui esses poluidores sonoros nos dão sossego. Jogo uma praga no desgraçado e sigo, mãos no bolso, assobiando Luiz Gonzaga. Ainda dá tempo ver uma peça. Ou, quem sabe, pontuar um pouco mais, ando precisando. Não virei ator, Amiguinha. Requer mais que saber beijar. Mas sou chegado numas coxias…

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.com

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01- É sempre um prazer ler Ricardo Kelmer! Adorei a referência à boneca Amiguinha 🙂 Bjs. Alzira Aymoré, Fortaleza-CE – ago2011

02- É… Ricardo Kelmer…! Muita coisa mudou em Guaramiranga, a Ilha de Caras não existe mais, por exemplo! Mas muita coisa boa permanece, como o próprio FNT! São 18 anos de Festival, com muita gente boa das artes cênicas do Nordeste e de outras regiões se encontrando, fazendo, discutindo e trocando conhecimentos de TEATRO! É de um riqueza sem tamanho…! E esse ano é tudo de graça, mas ruas, praças… Essa edição vai ser histórica! Sonia Lage, Fortaleza-CE – ago2011