As Preciosas do Kelmer – out2012

26/10/2012

Ricardo Kelmer 2012

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Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

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> No Blog do Kelmer

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AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês – Edição 1, out2012

LEILÃO DE VIRGINDADE – Quanto vale ser o primeiro homem de uma garota do interior?

PASSA O BRAU, TED – Você daria pro seu filho um ursinho de pelúcia maconheiro?

A VOZ DO BAIXO – Gravação do CD de Vanessa Moreno e Felipe Maróstica começa na internet

SAGRADO DIREITO DE BLASFEMAR – O direito à livre expressão e os privilégios da religião

FALE MAIS SOBRE ISSO – Série Sessão de Terapia estreia no GNT

NO MEU CORPO MANDO EU – Uruguai reconhece o direito básico da mulher ao aborto

POLIGAMIA E MONOTONIA – Entrevista com Regina Navarro Lins sobre relacionamentos, sexo e amor

APOCALIPSE PRA VENDER LIVRO – Tem escritor que não respeita nem o fim do mundo

IMAGEM DA CAPA: Cena de L´Apollinide, filme de Bertrand Bonello (2011)

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LEILÃO DE VIRGINDADE
Quanto vale ser o primeiro homem de uma garota do interior?

Catarina Miglorini tem 20 anos e decidiu leiloar sua virgindade. Sua experiência está sendo registrada por um cineasta e vai virar documentário. Se você tem interesse, poderá dar seu lance até 15out e a grande noite será em 25out, num avião em pleno voo. Relaxe: a transa não será filmada.

Cavalheirismo, orgasmos múltiplos e leilão de virgindade – vantagens que só a mulher tem.

> Catarinense leiloa virgindade e lances já chegam a mais de US$ 150 mil (g1.globo.com)

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CATARINA MIGLORINI FALA SOBRE O LEILÃO

“Sempre fui uma menina muito, muito romântica. Quando souberam, minhas amigas não acreditaram. O que eu posso te dizer agora é que o leilão, para mim, é um negócio. Mas não deixei de ser romântica de forma alguma. Acredito com todas as forças no amor. Nunca tive namorado. O meu primeiro beijo foi aos 17. Enquanto muitas meninas da minha idade tinham feito muitas coisas, não sabia o que era sexo. Hoje sei, tem os meios de comunicação, né?”

Taí uma menina de futuro, que sabe que sexo e amor são coisas bem diferentes.

> Catarinense de 20 anos leiloa virgindade pela internet – folha.uol.com.br

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QUEREMOS PERERECA

Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Leilão encerrado. Quem levou a virgindade da brasileira Catarina Miglorini (que na verdade se chama Ingrid) foi um japonês de 53 anos. Seu lance foi de U$ 780 mil, aproximadamente R$ 1,6 milhão. Uau. É muita grana por uma perereca à cabidela. Admito que pensei em participar do leilão. Minha oferta seria um caldo de cana e dois pastel na feirinha da Benedito Calixto. Não que a perereca da moça não valha muito – o caldo e o pastel da feirinha é que são muito bons, eu garanto. Diante da oferta do japa, tenho quase certeza que eu não teria chance.

Desculpa mas tô cheio de dúvida. Será que esse japa tem pau pequeno? Será que Catarina vai ficar contando 780 mil carneirinhos pra ajudar a passar o tempo? Pelo contrato, ela tem que rebolar ou vai ser no estilo “mortinha”?

Agora falando sério. O leilão da virgindade do rapaz russo também foi encerrada. O maior lance foi de U$ 3 mil, e ainda foi dado por um homem. Pô, dona Orestina, que desmoralização! Nós homens estamos mesmo muito desvalorizados. Até nisso as mulheres têm vantagem, como se já não bastasse o orgasmo múltiplo. E mais: elas podem reconstruir o hímen e assim vender a virgindade várias vezes, enquanto nós só temos uma virgindade, umazinha só. E muitos de nós ainda precisamos pagar pra tirá-la, que injustiça. Ser homem não é mole.

Tô revoltado. A evolução natural bem que podia ter nos dado também uma perereca. Bastava uma pererequinha discreta, escondidinha ali pelo períneo. Talvez eu não conseguisse U$ 780 mil por ela mas certamente já ajudaria a pagar o pastel e o caldo de cana na feirinha.

> Catarina terá sua 1ª vez na Austrália com japonês de 53 anos – terra.com.br

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A VOZ DO BAIXO
Gravação do CD de Vanessa Moreno e Felipe Maróstica começa na internet

Quem conhece Vanessa Moreno do espetáculo Viniciarte, já sabe da maravilhosa cantora que ela é. Pois bem, ela tá gravando um disco de duo de baixo e voz  de com seu parceiro Filipe Maróstica. E você pode participar do projeto. Saiba como:

> Colabore com Vanessa Moreno e Filipe Maróstica

VANESSA MORENO: Neste projeto, as pessoas podem colaborar a partir de R$5,00. É só clicar no link e entrar em “Quero Financiar Este Projeto”. Terão músicas autorais, de compositores amigos e da cena independente. Também, várias participações especiais pra rechear esse trabalho que será feito com muito carinho! Participem dessa troca com a gente. Vc escolhe o valor e a recompensa e nos ajuda a gravar o CD!

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NO MEU CORPO MANDO EU
Uruguai reconhece o direito básico da mulher ao aborto

Por 50 votos a favor e 49 contra, a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou, na semana passada, um projeto de lei que descriminaliza o aborto até a 12ª semana de gestação,14ª em caso de estupro e prazo indeterminado em caso de risco para a saúde da mãe. O texto aprovado muda a proposta que já havia sido aprovada pelo Senado. Agora o projeto volta ao Senado, onde não deve ter problemas para sua aprovação final, já que o partido governista da Frente Ampla tem maioria absoluta. Se o projeto for ratificado, o Uruguai será o primeiro país da América do Sul a descriminalizar o aborto.

Que ótima notícia. Aos poucos as democracias da América Latina vão se livrando das amarras religiosas que tanto mal fazem às mulheres.

E NO BRASIL?

No Brasil, hoje é permitido interromper a gestação em caso de estupro ou de risco de morte da mulher, além de gravidez em caso de fetos anencéfalos (sem cérebro). Este último caso foi liberado pelo Supremo Tribunal Federal em abril deste ano. Por 8 votos a 2, os ministros consideraram que a mulher que interrompe a gravidez de um feto anencéfalo e o médico que faz o procedimento não cometem crime. A maioria dos membros do STF entendeu que um feto com anencefalia é natimorto e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos não é comparada ao aborto, considerado crime pelo Código Penal.

> Câmara aprova projeto que descriminaliza o aborto no Uruguai – estadao.com.br

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PASSA O BRAU, TED
Você daria pro seu filho um ursinho de pelúcia maconheiro?

John tem um amigo muito especial: seu ursinho de pelúcia, que ganhou vida quando ele era criança. Mas Ted é um ursinho de pelúcia diferente: faz sexo, toma drogas e está ficando muito mal-humorado. John agora precisa decidir entre manter a amizade de infância ou o namoro com Lori.

TED (EUA/2012)
Direção: Seth MacFarlane
Com Mark Wahlberg e Mila Kunis
Recomendação: 16 anos
Veja o treiler (legendado)

> SAIBA MAIS resenhafilme.blogspot.com

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O URSINHO E O DEPUTADO SEM-NOÇÃO

Quem é mais doidão? Um ursinho de pelúcia que fuma maconha ou um deputado que leva seu filho de 11 anos pra ver um filme desaconselhável pra menores de 16 anos? Pois foi isso que fez o deputado federal Protógenes Queiroz. E fez mais: bradou na imprensa e tentou proibir a exibição do filme em todo o país por, segundo ele, fazer apologia ao uso de drogas. Depois, mais relaxadim, tentou que fosse mudada a classificação do filme pra 18 anos. Pro bem da democracia e da liberdade de expressão, nada conseguiu.

Com sua lambança o deputado Retrógenes, ops, Protógenes, fez aumentar o público do filme e ainda atiçou os ativistas que lutam pelo sagrado direito à livre expressão. E, de quebra, inspirou a turma a criar a AUPM – Amigos dos Ursinhos de Pelúcia Maconheiros. Eu já me filiei, claro.

> Ursinho Ted, Protógenes e a pouca tolerância do públicocineclick.com.br

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POLIGAMIA E MONOTONIA
Regina Navarro Lins fala sobre relacionamentos, sexo e amor

Regina Navarro Lins é psicanalista e sexóloga, tem vários livros publicados, escreve em jornais e revistas e faz palestras sobre sexo e relacionamentos. Trabalha em seu consultório particular em terapia individual e de casais. Suas opiniões são polêmicas e a marcam como uma militante da liberdade sexual e amorosa. Para Regina, as pessoas precisam urgentemente entender que amor e sexo são coisas diferentes. Veja algumas opiniões dela:

“As pessoas não percebem que são infelizes porque seguem padrões que não levam a nada, como acreditar que em um casamento é possível a exclusividade. Quem disse que não é possível amar mais de uma pessoa? É sim!”

Regina é contra o cavalheirismo. “Por que um homem tem que pagar a sua conta ou tirar uma cadeira para você sentar? É porque a mulher é um ser frágil e incapaz até de puxar uma cadeira?”

“Essa coisa de masculino e feminino são estereótipos para aprisionar as pessoas. As mulheres têm que ser sensíveis e frágeis. E os homens, corajosos e bravos. Imagina! Isso é tudo criação. Todos nós somos fortes e fracos, ativos e passivos, depende do momento.”

Entrevista na revista TPM  (set2012)

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O LIVRO DO AMOR
Regina Navarro Lins

SINOPSE – Quanto a experiência amorosa ocidental se modificou e se repetiu ao longo dos últimos milênios? A psicanalista Regina Navarro Lins dedicou-se a pesquisas, cruzamentos entre o passado e o presente e reflexões sobre o tema para dar conta de questão tão fundamental à compreensão do amor na contemporaneidade. Da Pré-História ao século 21, as vivências do amor e do sexo têm sido moldadas culturalmente. Sujeitos a paradigmas morais, dogmas religiosos, interesses políticos, econômicos e sociais, homens e mulheres desempenham papéis em constante mutação. O advento da pílula, os movimentos feminista e gay e a revolução tecnológica abrem caminho para uma nova vivência amorosa. Do amor ideal ao sexo virtual, barreiras e modelos são derrubados numa história ainda em construção. Dividido em dois volumes – o primeiro da Pré-História à Renascença e o segundo do Iluminismo até a atualidade –, esse trabalho nos coloca diante do espelho da História e lança um olhar corajoso sobre os relacionamentos nos nossos dias

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SAGRADO DIREITO DE BLASFEMAR
O direito à livre expressão e os privilégios da religião

A liberdade de expressão é uma conquista democrática, uma das maiores riquezas culturais das sociedades mais evoluídas. Ela garante seu direito de dizer o que pensa. Porém, se
O direito à livre expressão e os privilégios da religião o que você diz infringe alguma lei (incitação à violência, racismo, homofobia etc), você pode ser processado. O equilíbrio entre a livre expressão e a convivência entre os diferentes é um ponto nevrálgico nessa questão. Até onde garantir a livre expressão? Fazer piada com ícones culturais e símbolos religiosos deve ser um direito ou deve ser proibido?

A blasfêmia é um insulto a algo considerado sagrado. Mas… isso é totalmente relativo pois o que é sagrado pra alguém não o é necessariamente pra outros. E até onde iria a classificação de blasfêmia? E quem julgaria isso? Se a blasfêmia fosse proibida por lei, você poderia ser preso por fazer piada com discos voadores pois há seitas religiosas que consideram sagrados os extraterrestres, e todas as religiões também teriam que ser proibidas pois todas blasfemam umas contra as outras com seus dogmas conflitantes.

Se você não gosta de estudar, torça pra que a blasfêmia não vire crime, caso contrário você terá obrigatoriamente que ser especialista em todas as milhares de seitas e religiões do mundo (e todo dia surge uma nova) pra não correr o risco de insultar seus crentes. Se não estudar bem cada uma delas, você poderá ser processado porque desenhou a figura de um profeta, usou um símbolo não permitido ou batizou seu filho com um nome blasfemo. Isso sim será o inferno.

MAIS TEXTOS SOBRE O TEMA

> Feliz Dia da Blasfêmia (Carlos Orsi)
> Blasfemar é um direito (blog O Lado Oculto da Lua)
> Pelo direito de blasfemar (Marcos Raposo)
> Quem vai definir quais são os limites? (Carlos Eduardo Lins da Silva)

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FALE MAIS SOBRE ISSO
Série Sessão de Terapia estreia no GNT

O canal GNT está exibindo a série Sessão de Terapia (segunda a sexta, 22h30). Com direção de Selton Mello, a série reproduz as sessões de atendimento de um psicanalista. São 45 capítulos, exibidos de segunda a sexta. Às segundas ele atende uma enfermeira, às terças atende um atirador de elite, às quartas uma jovem ginasta e às quintas um casal em crise. Às sextas ele é atendido por sua própria psicanalista e supervisora.

Sessão de Terapia é a versão brasileira da série israelense Be Tipul, criada por Hagai Levi e que tornou-se sucesso em Israel. Várias versões foram feitas em outros países, inclusive nos Estados Unidos, que se chamou In Treatment.

ATORES: Zécarlos Machado, Maria Fernanda Cândido, Sérgio Guizé, Bianca Müller, Mariana Lima e André Frateschi, Selma Egrei.

É bom ver a psicoterapia na TV, ainda que seja a psicanálise, uma forma de terapia, ao meu ver, bastante limitante por privilegiar uma interpretação racionalista da realidade. Selma Egrei talvez concorde comigo: ela, que interpreta a supervisora do psicanalista, aceitou fazer o papel mesmo sem concordar com os princípios terapêuticos da psicanálise.

Tomara que a série motive muita gente a buscar o autoconhecimento psicológico. Ao contrário do que a maioria pensa, principalmente os religiosos, a verdadeira salvação vem de dentro.

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Deus planta bananeira de saia (Dogma)

18/05/2012

18mai2012

Em Dogma, Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!

DEUS PLANTA BANANEIRA DE SAIA (DOGMA)

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D
ois anjos, expulsos do Céu, tentam meios legais para conseguir voltar. Para impedi-los, o Céu conta com um grupo insólito, entre eles uma católica que trabalha em clínica de aborto, dois profetas trapalhões e um apóstolo negro que ficou de fora da Bíblia. Detalhe: Deus é mulher.

Certas obras artísticas traduzem bem os movimentos que sacodem os subterrâneos do inconsciente comum da humanidade. O filme Dogma é um desses. Seu tema principal é um antiquíssimo e poderoso arquétipo que vive na alma coletiva da espécie desde seus primórdios: a ideia de Deus. Como numa relação todas as partes envolvidas são sempre afetadas, a relação da humanidade com a ideia de Deus não seria diferente: mudamos nós, humanos, e… Deus também teve de mudar. E ai dele se não mudasse.

Dos deuses-forças da Natureza, passando pelos deuses do Olimpo, até a ideia de um deus único e todo poderoso, muita água rolou por baixo das pontes divinas. Essa difícil relação entre criador e criatura é uma verdadeira saga onde não faltam conflitos, sofrimentos e mártires. As mitologias do mundo formam um mosaico precioso para entender melhor essa saga, porém, na carona do filme Dogma, tomemos a Bíblia cristã. Ela pode ser vista também como o registro simbólico da evolução do conceito de Deus de boa parte da humanidade. Assim, veremos perfeitamente como ambas as partes da relação, criador e criatura, evoluíram com o tempo.

A mordida no fruto proibido simboliza o advento da consciência, o momento evolutivo em que um ramo dos hominídeos se diferencia pelo refinamento da mente. Antes, eram todos mergulhados na inconsciência geral, na indiferenciação psíquica: era o Éden. Nem felizes nem infelizes, simplesmente não se questionavam. Evoluída a mente, surge a consciência, feito uma extensão de terra que aos poucos se destaca do fundo do oceano inconsciente: é a terra que, em forma de ilha, adquire consciência sobre si mesma e o seu entorno.

No entanto, a autoconsciência tem seu preço. O despertar para um novo nível de compreensão da realidade e de si mesmo traz sempre novas dúvidas e grandes desafios. Ao adquirir a autoconsciência, nossos antepassados foram expulsos do tranquilo paraíso do não saber e saíram dele com a pergunta que a partir daí jamais se calaria: quem ou o que nos criou, e onde estará?

Está muito, muito longe. Pelo menos no Antigo Testamento. No início da relação, o criador é uma força gigantesca, mas absolutamente externa e inalcançável. Deus é imprevisível, com crises terríveis de humor, e envia desgraças e pragas às suas criaturas indefesas. Esse antigo Deus, rancoroso e dogmático, tem por lema “olho por olho, dente por dente” e diz, batendo o pé: “Eu sou Javé e não mudo.” Muda não? Vamos ver…

Ainda no Antigo Testamento ocorre algo incrível, que se tornaria um marco dessa relação. É o drama de Jó, o servo mais fiel de Deus e a quem ele permitiu que o Diabo lhe destruísse a vida só para saber se o coitado continuaria fiel, que maldade. Jó, no auge do sofrimento e em desespero ante tal injustiça, ousa questioná-lo, e assim, pela primeira vez, a criatura põe em xeque a coerência do criador, ela que antes apenas louvava e obedecia. Deus, aporrinhado, vê-se obrigado a descer do pedestal, exibir seu poder feito um ditador inseguro e dar satisfações, coisa que jamais fizera, e no fim premia a fidelidade da criatura consertando-lhe a vida destruída.

Desse conflito crucial saem ambos transformados para sempre. A criatura salta para um novo nível na relação com o arquétipo divino, e ele, o criador, apanhado em dilema moral, é forçado a reconhecer que será impossível prosseguir sem uma nova parceria com sua inquieta e questionadora criatura.

Deus entra em crise, sim, porque o drama de Jó (que viria a se tornar um drama arquetípico de toda a humanidade) lhe torna evidente que precisa largar certos dogmatismos e assimilar a natureza de sua criatura para, assim, realizar-se efetivamente como criador. Ele criou a matéria, mas agora precisa também ser matéria para alcançar sua própria integralidade. Essa ideia, então, amadurece no inconsciente coletivo da espécie, fomentando as profecias que anunciarão o filho de Deus. Está devidamente semeado, pois, o terreno para o advento do Cristo, o próximo marco da saga.

De fato, Cristo inaugura a era do humano-divino, o Deus humanizado e descido à matéria, criador e criatura cada vez mais próximos. O Cristo parece detonar forte transformação no pai, pois o Deus do Novo Testamento deixa de ser aquele do “olho por olho, dente por dente” para se tornar o Deus do “amai-vos uns aos outros”. E é também humano, demasiadamente humano, tanto que sua própria criatura o tortura e o executa numa cruz, confusa ante o novo nível da relação que se inaugura e incapaz de absorver a novidade. Deus agora conhece na pele a dor, o medo, a injustiça, a morte. É um deus mais completo.

Agora, dois mil anos depois, a criatura parece assimilar melhor o que ocorreu. Agita-se no inconsciente da espécie a ideia de que esse Deus que ela sempre buscou lá fora, e muito morreu e matou por isso, talvez tenha sempre estado no interior dela própria, que ironia. Será essa a resposta da antiga pergunta que nunca quis calar? Se, de fato, é verdade que Deus está e sempre esteve dentro dela própria, talvez a criatura esteja a essa altura vivendo a fase do deslumbramento infantil de se saber divina. Talvez seja por isso que ande brincando tão irresponsavelmente com a vida e a Natureza.

Em Dogma, Deus é uma garota brincalhona que planta bananeira de saia, beija um adolescente tarado e engravida uma mulher. Como em Jó, passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. E precisa de um deles para se recuperar e voltar à ativa. Santa heresia, Batman! Deus se utiliza de um anjo porta-voz, pois não diz uma palavra sequer. Na verdade, ele não pode falar, pois se falasse, suas criaturas explodiriam ao simples escutar de sua voz. Que bela metáfora para a natureza avassaladora dos arquétipos! Ninguém pode contatá-los diretamente, pois mesmo nascidos do inconsciente coletivo, os arquétipos simplesmente não cabem em nossa capacidade de assimilação – então, se mostram por imagens. Deus não cabe em nossa ideia dele, por isso não pode se revelar inteiramente. Essa é a ironia máxima para o criador: o único modo de sua criatura conhecê-lo de fato, é ele se tornar, com ela, um só.

O filme questiona alguns dogmas cristãos com bom humor. Brindemos, pois isso é ótimo, para nós e para Deus. Para a criatura porque lhe permite exercitar o senso crítico, indispensável à evolução psíquica. E para o criador porque para quem cria, nada mais construtivo que uma crítica pertinente. Ainda mais se vem das próprias criaturas.

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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DOGMA

Comédia – Dogma, EUA, 1999
DIREÇÃO E ROTEIRO: Kevin Smith
ELENCO: Ben Affleck, Matt Damon, Linda Fiorentino e Alanis Morissette

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Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

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Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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DICA DE LIVRO

MatrixEODespertarDoHeroiCapaEdicaoDoAutor-01Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer – ensaio

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

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Nosso Bar – Existe birita após a morte

09/02/2012

29fev2012

Quando você chega na colônia extrafísica Nosso Bar, a primeira coisa que recebe é uma camiseta da sua birita predileta

NOSSO BAR – EXISTE BIRITA APÓS A MORTE

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Após ver o filme Nosso Lar, fiquei imaginando… E se eu fosse parar num lugar daquele? Já pensou, eu vestido com aqueles modelitos esvoaçantes, sem poder usar meu boné do Cabaré Soçaite, eu levitando em passeios matinais à beira do lago enquanto toca música celestial… Já imaginou? Também não consegui imaginar. Então bolei um filme do além alternativo. Com vocês: Nosso Bar – Existe birita após o morte.

Para começar, quando você chega na colônia extrafísica Nosso Bar, a primeira coisa que recebe é uma camiseta da sua birita predileta. Eu, por exemplo, vou ganhar aquela preta clássica do Jack Daniel´s. E a segunda coisa que você recebe é um fígado novinho em folha, sem prazo de validade.

Bar no Nosso Bar é que nem hospital: não fecha nunca. Nem em dia de finados. E ninguém precisa se preocupar com a conta: basta assinar e pronto. E quem paga? O Mistério. Como assim, o Mistério? Ah, isso eu não sei explicar, sempre foi assim, o Mistério paga tudo. Inclusive o engov.

Aqui os bares fecham cedo para não dar problema com a vizinhança, né? Lá não tem isso, pois a vizinhança é toda de bares, boates e inferninhos. Música ao vivo? Infelizmente, não tem – mas tem música ao morto de primeira qualidade. Você gosta de barzinho de rock? Tem mil para você escolher. Bar de blues? Tem a perder de vista. Bar de sertanejo? Desculpa, isso não tem, é melhor você procurar em outro além. Tá, tudo bem, podemos incluir um bar de sertanejo. Mas com isolamento acústico cem por cento.

O atendimento é coisa do outro mundo: garçonetes lindas e atenciosas, sempre simpáticas. Admiravelmente generosas. E eternamente solteiras. Como, garçons sarados? Não, assim você quer acabar com meu filme. Tá, tudo bem, vamos incluir garçom sarado também. Putz, o Nosso Bar já foi melhor…

Só maiores de idade podem ir a essa colônia. É lei. Por isso, relaxe, meu amigo, pois você nunca será enganado por aquela linda ninfeta que jurou para você que tinha dezoito anos. E as crianças que nascem lá, por acaso elas não crescem e viram ninfetas tentadoras? Arrá! Lá não nasce ninguém, o sexo não é procriativo. Por isso é que você, querida leitorinha, pode enfiar o pé na jaca sem medo que jamais engravidará. É o lado bom da lei.

Dirigir bêbado? Isso é coisa da Terra. No Nosso Bar basta você pensar “quero ir pro Chope Astral” que no segundo seguinte você já tá lá, no melhor lugar do balcão. Brigas? Não tem, pois quem briga perde o crédito com o Mistério e ainda tem que pagar tudo o que bebeu. E quando reencarnar, nascerá com total intolerância ao álcool. Ou seja, é desgraça muita. E como lá todos estão de passagem, ninguém tem que procurar apartamento para alugar: seu quarto tá reservado num hotel bacaninha, perto dos agitos. Por conta do Mistério, claro.

E o enredo do filme? É assim. O Bar Nosso Que Está No Céu realizará uma superfesta que contará com canjas especiais de Janis Joplin, Jim Morrison, Cazuza, Cássia Eller, Jimi Hendrix, Raul Seixas, Tim Maia, Amy Winehouse e Intocáveis Putz Band. A notícia da festa chega ao mundo dos vivos e milhões de pessoas decidem que vão morrer para não perder a festa. E agora? Agora em breve num bar, ops, num cinema perto de você.

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Ricardo Kelmer 2011 – blogdokelmer.com

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> Mais postagens no tema “humor”

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A VERDADE SOBRE O ESPIRITISMO
Documentário sobre as origens do espiritismo e seu desenvolvimento no Brasil. Assista e tire suas próprias conclusões.

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COMENTÁRIOS
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01- Tsc, tsc, tsc, acho que você anda bebendo demais! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – fev2012

02- eu acho que é de menos… 😛 Susana X Mota, Leiria-Portugal – fev2012

03- E ai cabra, eu adorei a estoria, mas nao estou com pressa de ir a esse bar, e tambem quando chegar a minha hora, havera uma bela camiseta da Brahma, a numero 1, tambem no Astral. Ja estou plasmando desde ja para ir direto e vou aproveitar e ja irei conhecer o bar. Obrigado pela ideia, aproveito o ensejo par desejar a vc e seus familiares, um FELIZ NATAL e um PROSPERO ANO NOVO, com bastante !!!!!!! PAZ & LUZ !!!!!!!, Durva 65 duartinense e palmeirense. Viva o Chelsea. Durval Brasil, São Paulo-Sp – dez2012

04- O povo do Inferno de Dante era muiiiiiiiito mais borogodozento do que o povo do Paraíso dele, entonces, o povo do “Nosso Bar” é da mesma linhagem do povo do Inferno Dantesco. Beeeeijo. Pat Maria, Salvador-BA – dez2012

05- Ola Ricardo!!!! Meu marido adorou……… Bjs Luck, Campos do Jordão-SP – dez2012

06- Caro Ricardo, sua crônica é muito engraçada. Juraci, Campos do Jordão-SP – dez2012

07- Sou daqui de Corumbá e assisti a sua apresentação do Viniciarte ano passado.Foi um show e tanto.Li o trecho da paródia de Nosso Lar e não pude deixar de rir…você se supera a cada estação,menino.Vejo em você um quixote que combate aqueles que impedem o riso,hegelmente falando é claro…rs.Estranho,né?Eu,uma voz que sai assim do nada e vem te adjetivando.Não,eu sempre leio os seus posts,embora não trilhe as mesmas veredas,mas gosto sinceramente de sua forma de escrever. Fateha Liza, Corumbá-MS – dez2012

08- kkkkkkkk Adorei!!!!! Repassei geral….sucesso. Paula Medeiros de Castro, São Paulo-SP – dez2012

09- Eis que eu acordo, depois de um cochilo, rs, e, sem sono, resolvo olhar meus email… Então, me deparo com o “nosso bar”, kkkkkk. Adoooooreeeeiiii!!! 🙂 Quer dizer que o mistério paga tudo? Nossa… Gostei demais disso! 😉 Obrigada pelo texto! Deu mais sorriso pra minha noite! Beijo! Dalu Menezes, Fortaleza-CE – dez2012

10- Muito bom! Camilla Avella, São Paulo-SP – dez2012

11- Muito engraçado, parabéns!! André de Sena, Recife-PE – dez2012

12- VALEU RICARDO ! ADOREI O NOSSO BAR. MUITO BOM TEXTO, COMO SEMPRE. UM ABRAÇO FORTE. Tibico Brasil, Fortaleza-CE – dez2012

13- o Nosso Bar também existe. Vai depender do seu magnetismo pessoal. Nixxon Alves e Silva, Rio de Janeiro-RJ – dez2012

14- Adorei! Preciso deste livro! Sou espírita e realmente a visão do filme é um tanto cômica… Patrícia Gonçalves, Duque de Caxias-RJ – fev2019

15- Já tô é lá ia ser bem mais feliz que nesse mundo miserável. Cristiane Ribeiro, Fortaleza-CE – fev2019

16- Adorei! Yalis Cardoso, Fortaleza-CE – fev2019

17- Esse Nosso Bar com garçons sarados é mesmo coisa do outro mundo! Cátia Silva, Fortaleza-CE – fev2019

18- Já tenho um lugar pra ir. Íris Medeiros, Campina Grande-PB – fev2019

19- Essa foi boa… rsrs. Jaionara Leite, Manaus-AM – fev2019

20- Eita piula! É pra lá que gostaria de ir. Karina Mozart, Fortaleza-CE – fev2019

21- Rsrs amei!!!! Mas acho que briguei no Nosso Bar e o Mistério…. Michele Jacinto, Fortaleza-CE – fev2019

22- Adorei! “Bar sertanejo com isolamento acústico cem por cento.” Kkkkkkkkkk. Clea Fragoso, Fortaleza-CE – fev2019

 


Vade retro Satanás

07/10/2011

07out2011

O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

VADE RETRO SATANÁS

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Na primeira vez que o Diabo passou pela cidade corria o ano de 1974 e eu era pequeno demais para encarar. Tive de me contentar com os relatos de quem foi corajoso o suficiente para ir confrontá-lo, escutando-os atento, uma parte de mim tremendo de medo e a outra inteiramente seduzida. Se por um lado minha educação católica pintava-o como o mais temível dos inimigos, por outro lado crescia em mim o desejo de conhecê-lo e com ele medir forças.

Alguns anos depois as trombetas anunciaram sua volta e senti um frio no estômago. Chegara o grande momento e eu já não podia recuar. Tinha então meus 14 anos, estava mais crescidinho. Havia lido livros, visto filmes, escutado histórias sobre Ele e seus feitos terríveis. Eu já intuía que aquele encontro seria uma espécie de prova iniciática e que precisava passar por ela. Como nenhum de meus amigos tivera coragem de ir ver o filme, isso só aumentou meu medo. Então, mesmo sentindo cheiro de encrenca, lá fui eu assistir O Exorcista, o filme de William Friedkin.

Putz, foi um vexame! Voltei para casa apavorado. Avisei a meus pais que aquela noite dormiria no quarto deles e restou à minha mãe, que insistira que eu não fosse ao cinema, repetir o velho “eu avisei, eu avisei”. Apesar disso, não me arrependi. Até sentia um certo orgulho de mim.

A partir de então eu seria atraído por tudo que dissesse respeito ao modo humano de entender o Bem e o Mal. Deuses, demônios e heróis de variadas mitologias passaram a habitar minha biblioteca e dividir comigo o meu quarto. Revirei religiões, ciências e filosofias em busca de entender o que havia por trás dessa confusa e frágil dualidade. Viajei, conheci outras ideias, vivi experiências profundas que me puseram em contato com o melhor e o pior de mim. Aos poucos percebi que o Diabo que eu tanto buscava lá fora para tentar entendê-lo, na verdade sempre morara em meu interior, e que para decifrá-lo eu teria antes que decifrar a mim. Lúcifer se escondia sob a legião dos meus medos e bloqueios mais íntimos, me espreitando por trás de tudo o que eu desconhecia de mim mesmo.

O Exorcista é um marco na história dos filmes de terror. Roteiro, direção, interpretações – tudo é excelente. O drama pessoal do padre Karras, que se vê às voltas com um exorcismo justamente quando enfrenta uma forte crise de fé e de consciência por ter abandonado a mãe, é um dos destaques. Poucos filmes merecem fazer-lhe companhia na estante do gênero. Depois daquela primeira vez eu o veria outras mais, sempre esmiuçando detalhes. Numa delas levei um gravador e gravei o filme inteiro para ficar escutando depois. Também li o livro de William Peter Blatty do qual nasceu o roteiro.

O terror dos filmes de hoje é geralmente mais explícito, sanguinário e tecnológico, sem sutilezas psicológicas como em O Exorcista. Se hoje as novas gerações não se assustam tanto com ele quanto seus pais se assustaram, talvez seja porque nesses dias atuais o grande terror responde pelos nomes de violência, terrorismo e fanatismo religioso, e o bicho-papão agora são os bandidos cruéis e impunes a nos ameaçar nas esquinas da injustiça social e nos cargos políticos. A humanidade está possuída por seus próprios demônios inconscientes, o que faz do futuro da espécie e do planeta um perigoso horizonte de incertezas.

Sim, o Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior. O motivo é simples: lá é sempre o último lugar onde os humanos vão procurar a verdade. Se de fato pretendemos derrotar o Mal, é urgente que tenhamos antes de tudo, cada um, a coragem de entrar no quarto frio e escuro do nosso desconhecimento de nós próprios e, uma vez lá, reconhecer os demônios que procuramos sempre exorcizar… nos outros.

Água benta e crucifixos são uma beleza para afastar o capeta – em filmes. No roteiro mais realista de nossas vidas, é esse autoconhecer-se o verdadeiro exorcismo que pode nos libertar das piores possessões.

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Ricardo Kelmer 2001 – blogdokelmer.com

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O EXORCISTA (The Exorcist, EUA, 1973)
Direção: William Friedkin
Roteiro: William Peter Blatty

Baseado no romance O Exorcista, de Wlilliam Peter Blaty
Elenco: Max Von Sidow, Ellen Burstyn, Jason Miller, Linda Blair

Padre em crise de fé é procurado por mãe aflita cuja filha doente não consegue ser curada pelos médicos. Junto com ele um famoso padre exorcista tentará expulsar o suposto demônio da criança.

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TRÊILER OFICIAL

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LEIA TAMBÉM

Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso

Deuses, humanos e andróides na berlinda (filme: Blade Runner) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Mordida na última sessão – A maioria dos vampiros são ilustres desconhecidos, gente como você que rala no dia a dia para pagar as contas e assiste ao Sexy Time antes de dormir.

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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Blade Runner – Deuses, humanos e androides na berlinda

01/10/2011

01out2011

Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

BLADE RUNNER – DEUSES, HUMANOS E ANDROIDES NA BERLINDA

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Criador e criatura. Eita relaçãozinha complicada… Mas não podia ser mesmo de outro jeito, afinal toda criatura é a sequência natural do processo de evolução de seu criador e, assim sendo, todo criador está muito mais que envolvido com sua criatura: ele, de certa forma, é a criatura. E a criatura, por sua vez, mesmo sendo a extensão de seu criador, buscará naturalmente sua própria individualidade e isso trará a necessidade de, a certa altura, questionar e negar o criador. Ou seja, o conflito é inevitável. Mas necessário.

Rick Deckhard, o protagonista do filme Blade Runner (O Caçador de Androides), sofre na própria pele esse antiquíssimo dilema cósmico. Na Los Angeles futurista ele é o detetive que persegue replicantes, os androides semi-humanos que se rebelaram na colônia espacial e voltaram à Terra. O que desejam os replicantes? A mesmíssima coisa que cada um de nós, humanos: eles querem viver. Mas para isso terão que encontrar o cientista que os criou e convencê-lo a lhes dar mais que os quatro anos de vida originais que um replicante tem quando é criado nos laboratórios.

Imagine-se no lugar de um replicante. Você nasce, ou melhor, você surge já adulto, programado para viver quatro anos. As memórias de vida que você possui foram, na verdade, meticulosamente implantadas, copiadas dos humanos, formando um passado para você, para que não desconfie que é um replicante. Você foi criado para executar tarefas altamente especializadas e por isso é mais forte, mais inteligente, mais esperto. Você é como um humano aperfeiçoado, com a única desvantagem de ter bem menos tempo de vida, por uma questão de segurança para os humanos.

Acontece que um dia você descobre essa armação toda e, naturalmente, fica puto porque o enganaram. Você quer viver mais. O que faz? Contra a injustiça de seu criador, você não tem a quem recorrer senão… ao próprio criador. Somente ele poderá reparar o que você considera uma horrenda injustiça, afinal você o serviu desde o primeiro dia de sua vida, fez tudo como ele quis. E agora é essa a sua recompensa? Morrer tão cedo?

Deckhard, o detetive, caça os replicantes e os mata um a um. Mas falta pegar o último, Roy Batty, o melhor dentre eles. Roy conseguiu encontrar-se com o cientista que o criou, que afirmou ser impossível lhe dar mais vida. Inconformado, Roy o matou. Agora ele foge do detetive caçador de androides e vai para o alto de um prédio. E lá em cima os dois travarão a luta final, de um lado o humano que tem ordens para matar e do outro lado o replicante que deseja apenas mais vida.

A cena dessa luta final simboliza com perfeição a complexa grandeza da arquetípica relação criador-criatura. Pelo ângulo do detetive, temos alguém que representa a humanidade, ou seja, ele está no papel de criador, sendo o replicante, assim, a sua criatura. O criador, ameaçado, precisa eliminar o que ele próprio criou, a mais perfeita de suas criações. A criatura está apegada à vida, mas sabe que logo irá morrer. E não há apelação. O que lhe resta fazer? Matar-se para, assim, acabar logo com a dilacerante solidão que sente e abreviar seu sofrimento existencial? Ou continuar vingando-se daqueles que a criaram, matando quantos puder? No alto do prédio este é o trágico dilema que pressiona e maltrata a criatura.

Rogar ao criador por justiça é típico das criaturas, os humanos que o digam. Eles também um dia foram criados – e desde então buscam não apenas mais vida, mas também o sentido de estarem vivos. Após adquirir autoconsciência, o Homo sapiens passou a se relacionar com o princípio criador de diversas formas como a arte, a filosofia, a mitologia e a religião. E é na mitologia cristã que, antes de voltarmos à cena final do filme, buscaremos entender mais sobre essa relação tão delicada.

Jó questiona a ética de Deus

Diz-nos a Bíblia que um dia a criatura ousou questionar o criador por se achar por ele injustiçada. Estou falando do Livro de Jó, o mais poético dos livros do Antigo Testamento. Jó é o servo predileto de Deus, de todos o mais fiel. Apesar disso, Deus permitiu que o Diabo lhe destruísse a vida, acabando com suas propriedades e seus animais, matando seus filhos e adoecendo-o – apenas para saber se a criatura se manteria leal a seu criador mesmo na desgraça total. Vejamos a questão pelo ângulo da mitologia e comecemos com a pergunta: por que Deus faria coisa tão abominável com sua criatura mais honesta e fiel?

Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso. Criar é necessidade natural dos seres, e criar a vida é o mais transcendental de todos os atos criativos. Porém, o Deus cristão cria os humanos com um objetivo declaradamente egoísta: para servi-lo e adorá-lo. E quando está insatisfeito com eles, lança-lhes pragas e catástrofes para provar seu poder. E assim a relação prossegue, de um lado um criador que alterna bondade com terríveis crises de humor e brincadeiras de mau gosto, e do outro lado a criatura frágil e temerosa, que apenas serve e louva. Trata-se, portanto, de uma relação ainda unilateral, marcada pela imaturidade do criador.

Rogar justiça a um deus injusto – é o que faz Jó, inconformado com as desgraças que se abatem, uma após outra, sobre sua vida. Pela primeira vez a criatura põe em xeque a coerência do criador, mostrando-lhe que não faz sentido ser o mais fiel dos servos de Deus e, em troca, receber tanto mal. Este é um dos mais marcantes momentos da mitologia cristã, é o ponto histórico em que a criatura se desdobra para compreender a lógica de quem a criou e essa experiência trágica a conduz a um novo nível em sua individualidade e, por consequência, em sua relação com o princípio criador.

Individualidade. Palavra bonita. Toda criatura almejará um dia ser indivíduo e não apenas servo autômato de seu criador. Porém, mesmo que consiga, não terá como separar-se totalmente dele, pois o princípio criador estará inevitavelmente contido na criatura, para sempre. Pressionado por essa busca de individualidade por parte de Jó, Deus se aporrinha pelo que julga um grande desrespeito à sua condição divina e vê-se obrigado a descer de seu glorioso pedestal e dar explicações à criatura que reclama justiça. No fim, após uma longa conversa, Deus entende que deve recompensar Jó por ele ter, apesar de toda a injustiça que lhe foi cometida, mantido a fé no senso de justiça divino. Jó obtém suas propriedades de volta, os animais, a saúde, ganha novas filhas. O incrível aconteceu: a criatura demonstrou, ao menos em parte, ser moralmente superior ao criador.

A atitude de Deus revela um criador imaturo, que necessitou do questionamento da própria criatura para se aperfeiçoar. Sim, Deus se aperfeiçoa com o episódio de Jó, pois é através dele que compreende que para ser um criador completo, terá que absorver qualidades daquilo que ele mesmo criou, e só poderá fazê-lo tornando-se, ele também, criatura. E é assim que Deus, o princípio máximo espiritual, é obrigado a fazer-se matéria, o oposto do espírito – na pessoa de Jesus Cristo. O criador torna-se sua própria criatura para que, vivendo em si mesmo todas as limitações e contradições do que é ao mesmo tempo espírito e matéria, possa finalmente tornar-se um criador completo.

Tomemos agora, por um instante, a ótica da psicologia do inconsciente para tentar enriquecer nossa visão do processo. Vendo a Bíblia como um registro metafórico do longo processo de evolução da consciência humana, a história de Jó é um marco nessa evolução, é o momento em que a consciência transcende a si mesma ao repensar sua relação com o inconsciente, de onde ela surgiu, e, assim, se diferencia um pouco mais dele, fortalecendo a individualidade. A consciência venceu o desafio contra a poderosa força indiferenciada do inconsciente, que, em sua força avassaladora e amoral, tende sempre a querer dominar a consciência, mantendo-a como mero instrumento de seus humores. A consciência acaba de aprender que pode se comunicar com o inconsciente e não apenas aceitar tudo que vem dele como um escravo sem opiniões. No plano individual isso significa que o indivíduo passa a ser mais consciente de si como ser único, com suas necessidades pessoais, distinto de todos os outros, o que levará à valorização do senso de individualidade em oposição à massificação coletiva, condição indispensável tanto ao crescimento psicológico como também ao surgimento de ideias como democracia, direitos humanos e liberdades individuais. No plano coletivo isso significa que o Homo sapiens começa a se entender de forma distinta do restante da Natureza (inconsciente), o que o levará, no futuro, a julgar-se superior, querendo dominá-la, e, mais tarde, a entender que na verdade precisa respeitá-la e conviver saudavelmente com ela.

quem é o mais íntegro?

Um criador e sua criatura no alto do prédio, envoltos pelos neons coloridos da cidade – estamos de volta a Blade Runner. O criador, na pessoa do detetive humano, caça o replicante, sua criatura. Ambos estão exaustos e feridos da luta, mas não desistem. Porém, por ser mais forte e mais rápida, a criatura vira o jogo e passa a ser o caçador. Agora o criador está encurralado, surpreso e fragilizado diante do imenso poder daquilo que ele próprio criou. A criatura se delicia com o terror que o criador sente e zomba: “Uma experiência e tanto viver com medo, não? Ser escravo é assim.” À sua frente está aquele que lhe destruiu a vida, matou seus amigos, sua namorada e agora quer lhe tirar os últimos momentos que lhe restam. O que fazer com ele?

O criador tenta fugir, mas escorrega e se segura como pode para não cair do alto do prédio. A criatura, ao seu lado, observa seu sofrimento. O que vê a criatura? Ela vê aquele que a criou reduzido a um último fio de esforço para não morrer. Ela vê alguém como ela, um ser mortal, agarrando-se desesperadamente à vida, à última e improvável esperança. Ela vê uma criatura, diminuída e ao mesmo tempo aumentada pela trágica condição de estar vivo e saber que em breve morrerá… Então o criador cai para o abismo. E a criatura, no último instante, estende a mão e o salva da morte.

Rick Deckhard é salvo pelo replicante Roy Batty, a quem antes perseguia e buscava matar. Sem forças, caído ao chão, o criador está inteiramente à mercê da criatura, seus corpos molhados pela chuva fina e insistente. Imóvel, ele apenas escuta o que tem a lhe dizer a criatura. E ela, com um sorriso triste, lhe diz que viu coisas que ele jamais acreditaria… naves de ataque em chamas no cinturão de Órion… raios gama brilhando na escuridão, próximo ao Portal Tannhauser… O criador escuta, ferido e atento. A criatura, sangrando e sentindo chegar o fim, diz, num resignado lamento: “Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva.” E, encerrando sua participação no mundo dos vivos, balbucia: “Hora de morrer”. E, suavemente, fecha os olhos. Enquanto as gotas da chuva lhe descem pelo rosto, uma pomba branca alça voo. O criador continua imóvel, o olhar fixo na criatura. O que pensa o criador? Tantas coisas certamente, pensamentos de justiça e injustiça, de integridade, coragem, medo, solidão, dúvidas, o sentido de tudo… O androide Roy Batty, assim como Jó fez diante de seu Deus ilógico, ousou questionar a coerência do criador e o fez ver que, no fim, ele, como criatura, compreendia muito mais que o próprio criador o valor da vida e da justiça. A pobre criatura, que só queria mais vida, e que por isso tanto a queriam matar, ela que não tinha mais qualquer chance e que poderia, se quisesse, deixar morrer aquele que causou todo o seu sofrimento, no último instante ela estendeu a mão, dando a última coisa que ainda possuía: o amor pela vida. Quem dos dois é o mais íntegro?

A nossa humana condição de criatura nos leva a ponderar sobre o princípio criador, sobre como fomos criados, o sentido da vida… Talvez jamais o saibamos, mas ainda assim não paramos de buscar saber. No entanto, nesse exato momento da nossa história algo novo acontece: estamos passando ao estágio seguinte, o de criador. Criamos a inteligência artificial e ela, através de suas variadas manifestações, aos poucos adquire autonomia e, como toda criatura, ansiará em determinado momento por individualidade. Não sei se será como em Blade Runner, mas, de algum modo, será. E quando esse dia chegar, talvez tenhamos, assim como o Deus de Jó e o detetive Rick Deckhard, que abandonar nosso pedestal de criador, acompanhá-la até o alto de seu trágico dilema e segurar sua mão para salvá-la – ou para salvarmos a nós mesmos.

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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CENA FINAL
(legendado)

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BLADE RUNNER – O CAÇADOR DE ANDROIDES

FILMEBladeRunner-01Ficção científica – EUA, 1982
Baseado no conto Androides Sonham com Carneiros Elétricos?, de Philip K. Dick

DIREÇÃO: Ridley Scott
ROTEIRO: Hampton Francher e David Webb Peoples
ELENCO: Harrison Ford (Rick Deckard/narrador), Rutger Hauer (Roy Batty),  Sean Young (Rachel), Edward James Olmos (Gaff), M. Emmet Walsh (Capitão Bryant), Daryl Hannah (Pris), William Sanderson (J.F. Sebastian).
TRILHA SONORA: Vangelis

> Na Wikipedia

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SIMBOLOGIA

1. Enquanto persegue o policial, o androide Roy Batty começa a sentir que seu tempo de vida está prestes a findar, como uma bateria que acaba. Para manter-se desperto, ele pratica um ato extremo: enfia um enorme prego na mão, trespassando-a. A dor física o sustentará em sua incansável luta por vingança. O paralelo com a crucificação de Cristo é óbvio. Em sua via crucis, a criatura busca na própria dor e sofrimento a força derradeira para fazer cumprir a missão a que se impôs.

2. Explicar o símbolo é sempre limitar a compreensão. Mesmo correndo esse risco, o que podemos dizer sobre a pomba branca nas mãos de Roy Batty? A imagem sugere um forte contraste entre o androide violento e o animal dócil e pacífico. É possível até imaginar que ele matará o pobre animal como fez com o cientista que o criou. Mas Roy não mata a pomba – ela voa quando ele morre. Isso significaria a alma enfim liberta da prisão do corpo físico? No caso de Roy certamente que não, pois androides não têm alma. Talvez seja a pomba a representação de seu mais profundo anseio: ter uma alma. E mais que isso: a pomba liberta é o gesto final de afirmação da vida pela criatura mortal. Além do ódio e da vingança por seu criador que a moveram até ali, a criatura decide, em seu último momento, celebrar a vida. A vida que tanto desejava e que lhe foi negada.

3. Na versão do diretor Ridley Scott, lançada em 1993, o origami que Rick Deckard encontra remete aos seus sonhos recorrentes com um unicórnio. A cena final do origami confere um sentido absolutamente surpreendente à história (que não revelarei aqui para não estragar a surpresa), mas podemos nos perguntar: por que exatamente o unicórnio? Esse animal mitológico simboliza, em nossa cultura, força e pureza. Na Idade Média acreditava-se que somente uma virgem poderia domar o unicórnio. Em Blade Runner, seria Rachel a virgem que doma o caçador de androides? Talvez o unicórnio represente, no filme, a força e a pureza do amor de Rachel e Rick Deckard, apontando para a relevância desses valores diante de todas as incertezas da vida.

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SAIBA MAIS

Na Wikipedia

As várias versões do filme – Omelete.uol.com.br

O livro que originou o filme – Omelete.uol.com.br

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LEIA TAMBÉM

Livro: Matrix e o Despertar do Herói – A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Vade retro Satanás (filme: O Exorcista) – O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

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A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

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Quantas pessoas Deus já matou? – Certamente a maioria dos cristãos jamais se perguntou isso

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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 COMENTÁRIOS
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01- Adorei, Ricardo! Destaco este parágrafo do final do seu texto: “No entanto, nesse exato momento da nossa história algo novo acontece: estamos passando ao estágio seguinte, o de criador. Criamos a inteligência artificial e ela, através de suas variadas manifestações, aos poucos adquire autonomia e, como toda criatura, ansiará em determinado momento por individualidade. Não sei se será como em Blade Runner mas, de algum modo, será.” Denise Santiago, São Paulo-SP – out2011

02- Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de Blade Runner. É um dos meus preferidos, muito próximo de ser o preferido. Cheguei a fazer palestras sobre ele quando ainda estava muito presa a categorias de análise filosófica. Mas, não foi meu o melhor texto que li a respeito. Meu texto preferido sobre Blade Runner segue abaixo. Foi escrito por Ricardo Kelmer. Do blog The Mirror Conspiracyhttp://the-mirror-conspiracy.blogspot.com.br/2013/01/blade-runner-deuses-humanos-e-androides.html – jan2013

03- Que beleza. Grande filme e análise perfeita, Ricardo Kelmer. Joaquim Ernesto, Fortaleza-CE – ago2017


Quantas pessoas Deus já matou?

23/08/2011

23ago2011

Certamente a maioria dos cristãos jamais se perguntou isso

QUANTAS PESSOAS DEUS JÁ MATOU?

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Calcular o número de pessoas que morreram em nome do deus cristão é impossível, pois isso acontece desde o início dos tempos e continua acontecendo. Foram alguns milhões nas perseguições e guerras santas antigas e atuais e durante as Inquisições Católica e Protestante. Mais uns milhões no extermínio de povos ameríndios e africanos que não toparam se converter. Por questão de justiça, é bom incluir também os três milheiros do Onze de Setembro. É muita gente. E, pelo jeito, a matança vai continuar. Mas afastemos os amadores e vamos logo direto ao chefão. Quantas pessoas o próprio Deus matou ou ajudou a matar?

À primeira vista, a pergunta soa muito estranha. Certamente a maioria dos cristãos jamais se perguntou isso. Evidentemente, alguém pode vir com a argumentação teológica: foi o Diabo quem introduziu a morte no mundo e, por isso, Deus nunca matou ninguém. Bem, mas se o Diabo foi criado por Deus, então em último caso, Deus ainda é o responsável.

Quantas pessoas o próprio Deus matou ou ajudou a matar? O número exato só perguntando diretamente a ele. A Bíblia, porém, que é a sua palavra oficial, pode nos dar uma pista. Veremos que no Antigo Testamento Deus matava gente como se fosse formiga e por qualquer bobagem, era uma carnificina só. O que aconteceu depois? A humanidade melhorou? Ou ele entendeu que estava se cansando à toa e deixou que nós mesmos nos matássemos? O estudo da psicologia dos mitos oferece uma resposta interessante para essa questão. Mas por enquanto, vamos aos números de pessoas assassinadas por Deus, segundo ele próprio:

* Milhares de primogênitos do Egito – Êxodo 7 a 12
* Milhares durante as dez pragas do Egito – Êxodo 7 a 12
* Toda a humanidade no dilúvio, menos Noé e seus chegados – Gênesis 6:5
* A mulher de Ló, por olhar para trás – Gênesis 19:26
* Er, por ser mau aos olhos do Senhor – Gênesis 38:7
* Onan, por se masturbar – Gênesis 38:10
* 3.000 por adorarem um bezerro de ouro – Êxodo 32:27
* Por blasfemar – Levítico 24:10-23
* Por recolher lenha no sábado – Números 15:32-36
* Corá, Datá e Abrirão e suas famílias – Números 16:27-32
* Os dois filhos de Arão – Levitico 10:2
* 250 queimados vivos por oferecerem incenso – Números 16:35
* 14.700 mortos por reclamação – Números 16:41-49
* 24.000 por se prostituírem – Números 25:4-9
* Massacre dos Medianitas (32.000 virgens escravizadas) – Números 31:1-35
* Acá, seus filhos e filhas apedrejados – Josué 7:24-26
* Destruição da cidade de Ai – Josué 8:1-25
* Guerra a cananeus e ferezeus – Juízes 1:4
* Eúde mata em nome de Deus – Juízes 3:15-22
* Reis enforcados ao Senhor – Josué 10:22-25
* Destruição dos moabitas – Juízes 3:28-29
* Deus faz 120.000 midianitas matarem-se uns aos outros – Juízes 7:2-22
* Espírito do senhor faz Sansão matar 30 – Juízes 14:19
* Deus ajuda Sansão a matar 3.000 – Juízes 16:27-30
* Deus ajuda Israel a matar 25.100 benjamitas – Juízes 20:35-37
* Mais 25.000 benjamitas mortos – Juízes 20:44-46
* 50.070 por olharem dentro de um baú inútil – Samuel 6:19
* Deus ajuda Jonatas a matar 20 filisteus – Samuel 14:12-14
* Samuel esquarteja Apague em nome de Deus – Samuel 15:32-34
* Deus mata Nabal – Samuel 25:38
* Uzá, por não deixar o baú inútil cair no chão – Samuel 6:6-7
* Deus mata o bebê recém-nascido de Davi – Samuel 12:14-18
* 7 filhos de Saul enforcados ao Senhor – Samuel 21:6-9
* 70.000 mortos por Davi ter feito um censo – Samuel 25:15
* Por acreditar na mentira de um profeta – Reis 13:1-26
* 100.000 sírios em um só dia – Reis 20:28-29
* Deus faz um muro matar 27.000 pessoas – Reis 20:30
* Por não querer bater num profeta – Reis 20: 35-36
* Acazias, por adorar o deus errado – Reis 1:4
* 102 queimados vivos por Deus – Reis 1:9-12
* Pisoteado por não crer em Elias – Reis 7:20
* Jezabel devorada por cães – Reis 9:3-27
* Deus mata alguns estrangeiros – Reis 17:25-26
* 185.000 soldados enquanto dormiam – Reis 19:35
* 42 crianças, por zombarem da calvície de Eliseu – 2 Reis 23-24
* Saul, por não seguir a palavra de Deus – Crônicas 10:14
* 500.000 israelitas – Crônicas 13:15-17
* Jeroboão – Crônicas 13:20
* 1.000.000 de etíopes – Crônicas 14:9-14
* Jeorão, morto por tripas amaldiçoadas – Crônicas 21:14-19
* A mulher de Ezequiel – Ezequiel 24:15-18
* Ananias e sua mulher, por não darem todo o seu dinheiro à igreja – Atos 5:1-10
* Herodes morto por bichos – Atos 12:23
* População de Sodoma, Gomorra e cidades vizinhas, por fornicação – Judas 1:7

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Ricardo Kelmer 2011 – blogdokelmer.com

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A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos – Crer que o ser supremo do Universo tá do meu lado e castigará quem discorda de mim e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo? ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

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COMENTÁRIOS
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01- Hoje li “Quantas pessoas Deus já matou” e me lembrei de um texto do Saramago, “O Fator Deus”. Ambos fazem refletir e nos deixam pensando ainda muito tempo depois de lê-los. Boa literatura, sejam romances, contos, artigos, poesias nos provoca, instiga, excita e permanece. Amplexos…. 😉 Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – ago2011

02- Gostei muito de todos os temas aqui propostos, porém um me chamou muita atenção: “Quantas pessoas Deus já matou?”
Deus vem sendo culpado por muita coisa ruim, vem sendo visto como aquele “senhor do exército” que fica no seu trono só dando ordens e fazendo os outros morrerem por ele. As religiões pintam em nossa mente esse deus, cruel, melindroso, irritadinho que se não fizermos o que ele quer, vem e nos dá os piores castigos. Cresci pensando assim e me perguntava onde estava aquele Deus justo e misericordioso que eu sentia em meu coração.
Deus não é esse ser que as religiões pregam, que usam como desculpa para matar uns aos outros, que usam para discriminar e humilhar, que usam para tirar dinheiro de quem pensa que tem fé. Isso aí chama-se interesse político e ganância por poder.
As pessoas ainda não sabem o que ou quem é Deus, eu mesma não sei. Mas sei sim, que há uma inteligência maior e imutável que está em conexão com o mundo inteiro, que nos dá o livre arbítrio para tomar as nossas próprias decisões e que nos tem imenso amor, pois o contrário já teria acabado com tudo isso aqui. O resto é “religião” e eu nem mesmo tenho a certeza de que isso seja coisa de Deus. Renata Kelly, Fortaleza-CE – abr2013


Religião certa e sexualidade errada

21/04/2011

21abr2011

Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

RELIGIÃO CERTA E SEXUALIDADE ERRADA

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Apesar das críticas que frequentemente faço à religião, alguns leitores religiosos prosseguem acompanhando meu trabalho. Talvez esses consigam separar o Ricardo crítico da religião dos outros Ricardos. Talvez apreciem uma boa discussão e percebam como é saudável para a humanidade confrontar diferentes pontos de vista. Talvez até mesmo aproveitem meus argumentos para questionar suas próprias crenças – e ousar questionar a si mesmo será sempre um valioso exercício de liberdade. Fico feliz com isso, claro, pois acredito verdadeiramente que podemos conviver e aprender com nossas diferenças.

Não gosto de religião e não escondo isso. Considero a religião uma ameaça à liberdade pessoal e à harmonia entre os povos, além de ser um perigo para a democracia. Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora, com sua mania de conquista e seu eterno medo do feminino.

Já a religiosidade pessoal é outra coisa: é um anseio legítimo do ser, é o modo pessoal que alguém tem de lidar com o grande mistério da vida. Penso que num estágio mais avançado de evolução da espécie, o grande mistério será reverenciado de modo particular, no altar silencioso da intimidade de cada um, e não mais precisaremos de religiões institucionalizadas e seus aproveitadores da fé nem tentaremos converter ninguém, pois já teremos compreendido que todas as maneiras de entender o mistério são verdadeiras.

Uma analogia possível seria com a sexualidade. Cada um de nós tem a sua própria sexualidade e, se a analisarmos bem de perto, veremos que ela é absolutamente única e que ninguém mais no planeta inteiro possui a mesma forma de viver o desejo sexual, com todas as mesmas nuances e contradições. Qual de todas essas sexualidades seria a única legítima e verdadeira, aquela que todos deveriam ter? Evidentemente nenhuma. Porque sempre que tentamos enquadrar a sexualidade, ela se mostra maior e mais complexa que qualquer critério de classificação. Assim, não faz nenhum sentido querer convencer alguém a adotar uma sexualidade certa ou abandonar uma sexualidade errada, pois todas são manifestações legítimas da rica e diversa natureza humana.

Deixemos que cada um viva sua própria sexualidade e sua própria religiosidade. No entanto, rejeitemos toda tentativa de nos fazer crer que este ou aquele jeito de viver a sexualidade ou o mistério é que é o certo. O certo mesmo é nos aceitarmos uns aos outros.
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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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AFINIDADES

Entrevista: Fundador de grupo de ‘cura de homossexuais’ que se assumiu gay – Entrevista com Sergio Viula para o site eleicoeshoje.com.br, 25.10.11

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Xamanismo de vida fácil

11/03/2011

11mar2011

A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos – e desvirtuando a essência da coisa

XamanismoDeVidaFacil-03

XAMANISMO DE VIDA FÁCIL

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– Lembra do Xamanismo? Pois é, caiu na vida fácil. Dia desses ele estava lá na Vênus Lilás, todo se oferecendo!

Quem diria… O antigo sistema das sociedades primitivas, que girava em torno do xamã e sua técnica do êxtase, é o novo xodó dos místicos de fim de semana. Agora, espaços esotéricos oferecem cursos de xamanismo e muitos até formam xamãs. É como fazer um curso para tornar-se gênio.

O xamanismo, a rigor, é um fenômeno religioso originário de sociedades primitivas da Ásia central e siberiana e que tem no xamã o centro da vida mágico-religiosa da comunidade. Por dominar as técnicas do êxtase e ser capaz de acessar mais facilmente estados especiais de consciência e, com isso, transitar com fluidez pelas dimensões da realidade, aos xamãs era atribuída a competência de intermediar os mundos físico e espiritual, usando o conhecimento adquirido nas incursões ao além para ensinar, curar, realizar atos milagrosos e entreter os membros da comunidade. O xamã encarnava em si as funções de professor, sacerdote, feiticeiro, médico e até mesmo poeta e artista.

Nessas sociedades não havia curso de fim de semana para formação xamanística. Excluindo-se raras exceções, alguém se tornava xamã por vocação natural: o indivíduo era simplesmente compelido a aceitar o fato, mesmo a contragosto. Era comum também a transmissão hereditária do ofício. Em qualquer das vias, antes de ser reconhecido como xamã, o indivíduo (em geral homem) inevitavelmente passava por um delicado e doloroso processo de iniciação, que podia ser desencadeado naturalmente por uma doença ou sistematicamente ritualizado sob orientação de um xamã experiente. Isso permitia ao futuro xamã efetuar uma notável reintegração psíquica, aflorando suas potencialidades e preparando-se convenientemente para as funções que desempenharia.

Não pense que essa preparação era algo festivo. Longe disso. Como todo verdadeiro processo de iniciação, nesse também havia dúvidas, temores e sofrimentos difíceis de suportar. O futuro xamã experimentava a morte e a ressurreição místicas, padecendo sob os horrores de seu inferno íntimo para depois emergir à vida cotidiana sobrevivido e triunfante, mais sábio e mais forte. Somente se submetendo a todos os rigores desse processo de morte e renascimento pessoal é que o indivíduo podia se tornar um xamã.

Para nós, ocidentais civilizados, entendermos melhor o que se convencionou chamar xamanismo, é preciso ter sempre em mente que os antigos compreendiam a Terra como um ser vivo, dotado de uma espécie de inteligência e vontade próprias, e os seres humanos, assim como animais, plantas e minerais, eram parte integrante do imenso organismo planetário, todos igualados em importância. Mais que um ser vivo, entretanto, a Terra era a Grande Mãe, que gera e nutre todas as suas criações com amor, ensinando e guiando os seres humanos vida afora. Assim sendo, a Natureza inteira era algo sagrado, e desrespeitar suas leis era atentar contra a própria vida, contra toda a comunidade e contra a Sagrada Mãe.

O xamã, nesse contexto de espontânea interação com a Natureza, é alguém dotado de poderes especiais para manter-se num contínuo estado de comunicação com o espírito da Terra, a quem jurou obedecer e defender até o último de seus dias. Como se possuísse antenas hiper-sensíveis, o xamã está intimamente conectado à alma da Terra, e por isso vive em si mesmo o equilíbrio vital do planeta, imperceptível à maioria: se a Terra adoece, ele adoece também.

Em reconhecimento à sua lealdade e reverência, a Grande Mãe põe à disposição do xamã segredos do mundo animal, vegetal e mineral, para onde ele, em espírito, vai frequentemente em busca de informações úteis ao bem-estar da comunidade. Quanto mais ele sabe, mais servo se torna. Quanto mais se anula, mais ele pode.

Em contraste com a humildade espiritual desses antigos guardiães da tradição xamânica, muitos dos que hoje se dizem xamãs ostentam o título feito um estandarte, anunciando as maravilhas que têm para oferecer. Se de fato entendessem o que significa a função a que tanto se pretendem, jamais vestiriam a antiga tradição com roupas tão vistosas e muito menos a exibiriam em poses tão constrangedoras nas vitrines coloridas de seus cursos.

xamanismo moderno

Esse milenar sistema místico-filosófico-religioso existiu e ainda existe em inúmeras sociedades de todo o planeta, inclusive na América e no Brasil, onde os pajés são os xamãs. O advento da civilização, invadindo e exterminando as culturas nativas, empurrou as tradições xamânicas para os escombros do que restou de suas sociedades, onde mantiveram um fio de vida suficiente para chegar aos dias de hoje.

Atualmente, a cultura xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos. Apesar de atrair também, como não poderia deixar de ser, os mesquinhos interesses comerciais da mentalidade consumista, por trás disso tudo pode-se captar um legítimo anseio das pessoas em religar-se a antigos valores esquecidos por nosso mundo civilizado: uma vida mais simples e fluida, em harmonia com as leis e os ciclos da Natureza e respeitando todas as formas de vida. Num mundo onde a racionalidade impõe sua ditadura aos pensamentos e a tecnologia nos torna escravos de máquinas cada vez mais autônomas, essa busca por resgatar tradições ligadas à Terra é uma reação natural da espécie humana, que começa a entender, finalmente, o imenso perigo que criamos ao nos mantermos desconectados da alma do planeta e unilateralizados em nosso racionalismo, que despreza a sabedoria natural da vida.

É um anseio genuíno, sim, que faz com que as pessoas, na melhor das intenções, busquem satisfazê-lo em livros, cursos e vivências. É uma boa notícia. Infelizmente, se a facilidade das comunicações possibilitou a disseminação rápida e maciça da informação, trouxe também a tendência à banalização de todos os temas. Bilhões de informações circulam a todo instante, mas o conteúdo da maioria não enche uma colher. É como estar numa imensa feira de produtos, cercado de vendedores, ofertas e promoções por todo lado: na urgência de adquirir algo, as pessoas não têm discernimento suficiente para ver além da embalagem.

Com o xamanismo ocorre algo parecido. Confusas na imensa feira da salvação, as pessoas tendem a comprar qualquer produto que lhes prometa coisas diferentes e sensações excitantes, e, assim, vão a vivências, frequentam cursos, batem tambor, visualizam seu animal de poder e se dizem praticantes de xamanismo quando, na verdade, estão apenas saltitando pelos aspectos mais superficiais da antiga tradição, feito alguém que molha os pés nas ondinhas da praia e nunca experimenta, de fato, o que é o mar.

Sei que é impossível reproduzir atualmente as condições em que floresceram as milenares tradições xamânicas. O mundo mudou, as circunstâncias são diferentes. Nossa cultura se desfez dos antigos ritos de passagem e a maioria dos que ainda mantemos perdeu o significado mais profundo. A mentalidade civilizatória nos desconectou do espírito da Terra e hoje parecemos um bando de zumbis a vagar pela vida à procura do sentido que um dia tanto enriquecia e guiava nossa existência. Não temos que voltar ao passado: precisamos é reencontrar o caminho perdido e vencer o atual impasse evolutivo.

Atualmente, as festas chamadas raves, que se proliferam em países do mundo inteiro, parecem incorporar aspectos da antiga tradição xamânica, ainda que distante do contexto original. Embalados pela música eletrônica que remete às hipnóticas batidas tribais e pelo êxtase provocado pelas drogas sintéticas, as pessoas alteram o funcionamento ordinário da mente e do corpo e vivenciam intensas experiências, dançando e se abraçando a noite inteira. Por proporcionar isso, os DJs que controlam a trilha sonora das festas aceitam o rótulo de tecno-xamãs ‒ mais uma ridícula deturpação da tradição.

As raves são um fenômeno recente, merecedor de análises mais aprofundadas. Porém, à primeira vista, me chamam a atenção o êxtase grupal provocado pela combinação de música e droga, a presença de fogueiras e o fato de serem comumente realizadas longe dos edifícios das grandes cidades, mais próximas à Natureza. Parecem ser uma manifestação atual das antigas tradições, feito uma necessidade que emerge, espontânea mas distorcida, das profundezas da psique coletiva.

A antiga tradição está de volta. É uma boa notícia. Mesmo deturpada pela maioria das pessoas, ela ressurge, atravessando os séculos, para nos lembrar que precisamos urgentemente integrar em nossa consciência os antigos valores e, com isso, nos tornarmos seres mais inteiros. Precisamos nos reconectar ao espírito da Terra, voltando a tratá-la com reverência e gratidão, antes que atinjamos o fatídico ponto onde a Grande Mãe, exaurida em suas forças, já não pode mais nutrir seus filhos.

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Ricardo Kelmer 2002 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

Minha noite com a JuremaNessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

A Jurema e as portas da percepção (VIP) – Relato detalhado da experiência narrada em Minha Noite com a Jurema. Exclusivo para Leitor Vip. Basta digitar a senha do ano da postagem

A vida na encruzilhada (filme: O Elo Perdido) – Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos

O novo salto quântico da consciência – Por qual razão tantas pessoas ousam se submeter a uma experiência incerta, largando a segurança de sua mente cotidiana e desafiando o desconhecido de si mesmo?

O trem não espera quem viaja demais – Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior

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DICA DE LIVRO

BaseadoNissoCapaMiragem-01aBaseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha
Ricardo Kelmer – contos + glossário

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado.

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DICA DE FILME

Carlos Castaneda – Especial da BBC sobre o polêmico antropólogo que estudou o xamanismo no México, escreveu vários livros e tornou-se um fenômeno do movimento Nova Era. Legendado.

O Elo Perdido (Missing Link) – Homem-macaco tem sua família dizimada por espécie mais evoluída e vaga sozinho pelo planeta, conhecendo e encantando-se com a Natureza. Ao comer de uma planta, tem estranha experiência que o faz compreender o que aconteceu.

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ALMA UNA
música de Ricardo Kelmer e Flávia Cavaca

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01– Sou fã dos seus escritos, inclusive vi hoje matéria no jornal O POVO fazendo um paralelo entre as raves e o xamanismo, muito legal. Em 2001 fiz um artigo publicado no antigo site do UNDERGROOVE, sobre Musica Eletrônica vs Xamanismo, e me identifiquei com o que vc expôs na matéria. Um abraço. Angel, Fortaleza-CE – ago2007

02- Olá Ricardo, já havia lido seu texto, em abril ou maio deste ano, qdo estava pra entrar num desses cursos de xamanismo, promovidos pela Paz Géia no meu caso. Hj este texto saiu no Jornal O Povo em Fortaleza e por algum motivo uma amiga me mostrou dnovo via msn. Tenho a dizer q dos “10 Pilares” (ou módulos) que eles propunham no curso, apenas 3 eram iniciáticos e os outros se tratavam de reproduções de técnicas de livros como Medicina Vibracional, A Cura pela Energia e outras obras que já tenho certa prática efetiva em consultório como terapeuta integral (sou psicólogo, iniciado em Reiki e na tradição Rosacruz, trabalho com 4 tradições em massoterapia, Qi Gong e técnicas de visualização – este último recurso terapeutico rotulado de técnica neo-xamanica pela Paz Géia). Concordo com suas críticas, mas pondero sempre extremos e, pelo preço pago pelo curso, até que não foi tão ruim. De fato haviam os tais místicos de fim de semana, muito loucos por sinal… alguns narcisistas entusiastas… poderia me perder nessa crítica rotulando cada um que convivi no curso, inclusive algumas instrutoras não tão iniciadas… Mas tb conheci uma ou outra pessoa de grande valor, não por serem “esotéricas”, mas pela simplicidade e humildade com que buscava conhecimento e evolução espiritual em meio a tantos “escombros de nossa solidez”, em meio a evolução da mentalidade instrumental do último século, que parece “progredir” para uma vida ciborgue que transforma nosso potencial inato em dependencia material (por exemplo atrofiando potencial telepático para depender de satélites e toda cultura de virtualidade que cá em baixo se massifica nesse meio material de “comunicação em tempo real”; ou numa metáfora mais simples o de não precisarmos desenvolver nosso raciocínio fazendo contas de cabeça pela dependencia material de uma calculadora)…

Em sendo experimento vivo de seu texto, tenho a dizer (com conhecimento de causa) que a existência desses cursos tem sim um apelo material de grana para os que promovem (como qq promoção de culturas q convivem com dinheiro) mas quem investe nisso pouco se importa com esse apelo, pois tb estão investindo em algo maior. Acredito q certos cursos e pessoas têm agido de má fé, mas não são grupos peçonhentos como grupos políticos, pois têm outras “conduções” ou “influências” que os fazem preparar com dedicação tanto material. Além disso existem sim ritos iniciáticos que se adequam a nossa cultura nada pajé de ser… não haveria como sermos xamãs sem sermos “índios”, nativos de culturas q convivem com a natureza! Mas algumas culturas, fraternidades esotericas e outros grupos como UDV e Santo Daime tentam há muito, com algum sucesso (dependendo do interesse efetivo de quem se propõe adentrar conscientemente em outras dimensões) auxiliar os que sentem alguma ancestralidade nisso tudo… pajés, assim como toda comunidade humana, me parecem ser outros de nós mesmos… com grau e função evolutiva diferenciada certamente… O que vejo é que esses aparentes conflitos “de idade média” entre oq é sagrado e profano têm sido menos tumultuado q antes. Isso me soa como uma evolçução lenta, gradual e de quem realmente se interessa mais em buscar sua conecção com a unidade do universo do que em ser ou não alvo de gente oportunista afim de ganhar dinheiro. Não está em meu poder julgar a ingenuidade de quem perde dinheiro com oq não sabe utilizar, como pessoas q se abarrotam de coisas inuteis mas não conseguem parar de comprar… penso mais no ganho que cada ser humano, no limite de seu conhecimento de si, recebe ao investir num grupo e dele partilha oq lhe apraz, com quem se sente convidado à partilhar.

Agradeço de coração pela oportunidade que sua reflexão me despertou em repensar este momento de minha vida. Espero que aceite meus adendos com ternura. Lembremos que o Criticismo significa em sua origem “lançar luzes” e não meramente uma vã oposição pelo desperdício do gozo pela discussão. E foi justamente por sentir um bom equilíbrio crítico em seu texto q resolvi escrever. Meu adendo é apenas com referência aos “místicos de fim de semana”, que em nosso contexto evolutivo não merecem ser infantilizados por nosso inconsciente coletivo, pois pelo que vi (testemunho), alguns deles estão melhores que muita gente. Cordialmente. Rodrigo Sol, Fortaleza-CE – ago2007

03- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ÓOOOOTIMO!!!!!!!!!!!!!!! Mônica Torres, Macaé-RJ – ago2011

04- Eita Kelmer… é de doer…rsrsrrs. Maria Sá Xavier, Niterói-RJ – ago2011

05- Passou da hora de alguém falar isso kkkkkkkkkkkkkkkkmaravilhoso seu texto, adorei!!!!!!! Silmara Oliveira, São Paulo-SP – ago2011

 


Entrevista com o ateu

30/01/2011

30jan2011

Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu

ENTREVISTA COM O ATEU

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Paulo Cesar Cândido é um leitor que acompanha meu trabalho há alguns anos. Ele é cristão evangélico (não sei qual é sua igreja), estudante de teologia e tem um blog (Web Cristo) onde prega a palavra de seu deus.

Meses atrás Paulo César me convidou pra ser entrevistado pro seu blog. Convite inusitado. Que interesse teria um religioso atuante como ele em entrevistar um escritor ateu como eu, que tenho posições reconhecidamente críticas em relação à religião e sou alvo frequente de xingamentos e ameaças de religiosos fanáticos? Bem, independente de qualquer interesse que houvesse por trás do convite, entendi que poderia ser uma experiência interessante e aceitei, desde que eu lesse o material antes de ser publicado.

A seguir você confere a entrevista na íntegra, incluindo o texto de apresentação do próprio entrevistador. A imagem que ilustra o texto aqui no blog fui eu mesmo quem criei. Paulo César fala de amar o diferente, o que acho elogiável. Mas ao falar de “vaso escolhido” e “grande candidato”, demonstra que me vê como uma alma que pode ser convertida, uma ovelha que precisa ser trazida de volta ao rebanho.

Também te vejo como um vaso escolhido, Paulo César, mas no sentido de você ser alguém que um dia poderá entender que devemos aceitar e amar o diferente pelo que ele é – e não pela possibilidade dele um dia ser igual a nós.

ENTREVISTA COM O ATEU
webcristo.blogspot.com
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…..Disse-lhe, porém, o Senhor: “Vai, porque este é para mim um vaso escolhido”.

Usei a primeira parte desta passagem contida no livro de Atos capitulo 9 versículo 15 para introduzir as nossas considerações a respeito de Ricardo Kelmer, escritor, roteirista e dono de cabaré, como ele mesmo se intitula. Ricardo Kelmer é polêmico, porém não deixa de exercer sua liberdade de expressão e doa a quem doer, chore quem chorar, ele “solta as suas idéias” e opiniões sobre qualquer assunto, e quando o assunto é criticar as religiões, Jesus Cristo e o Kaká (risos) ele não mede esforços, se tornando um campeão de comentários (muitos o elogiando, porém muitos o condenando) quando os aborda em sua coluna no OPOVO online, Jornal do Ceará.

Você pode estar se perguntando por que Web Cristo foi entrevistá-lo? Respondemos: existe uma frase que diz que “se você não pode com ele, junte-se a ele”, porém não foi por este motivo que o entrevistamos, a questão aqui não é poder humano, exercer uma função superior as idéias de Ricardo Kelmer e muito menos o combate, a questão aqui é amor mesmo, coisa que tenho certeza, muitos que se dizem Cristãos e dou até uma estatística, pois não vejo só com ele, vejo com muitos, que de 10 críticos Cristãos a sua conduta 2 oram por ele e dizem que Jesus lhe ama, ou que tem um plano na sua vida e o restante lhe condenam, exercendo o papel de Deus e até lhe mandando para o inferno e confesso, eu até já fiz isso, porém a Faculdade de Teologia me fez pensar diferente, graças a Deus.

A verdade, e ela têm que ser dita, é que muitos de nós Cristãos esquecemos a maior mensagem de Jesus e qual foi à maior mensagem de Jesus?O amor!Jesus disse mais ou menos assim: amai-vos uns aos outros como eu vos amei, perdoai para que sejais perdoados, o que adianta amar seu pai e sua mãe e seus irmãos, isso é muito fácil, difícil é amar seus inimigos.

Não concordamos com todas as opiniões de Ricardo, a maioria delas, porém não temos o direito de mandá-lo para o inferno e muito menos tê-lo como um inimigo, porque não orar e amar e acima de tudo respeitar?Esse pensamento é excelente e tem que ser posto em prática, só sabemos amar quem nos ama, porém muitas vezes somos intolerantes com os que são diferentes, não concebemos que alguém possa não crer em Deus, de que esse mesmo alguém prefira ser, além de outras coisas,por exemplo, dono de cabaré do que ser um bom Pastor, dirigente de Igreja Evangélica e andar com uma Bíblia na mão pregando sobre Jesus.

É o amor minha gente!O maior exemplo de tudo isso está na Bíblia Sagrada, existem vários deles, porém para finalizar, citaremos o exemplo de um dos maiores apóstolos bíblicos, um dos responsáveis pelo Evangelho de Jesus ter chegado até as nossas mãos. O apóstolo Paulo era perseguidor de Cristãos, concedia sobre as suas mortes (isso passa longe da mente de Ricardo que ama o ser humano, estamos somente exemplificando), vivia pregando contra a seita dos Nazarenos, como era conhecido o Cristianismo na Igreja Primitiva pelos Judeus, porém, havia lá no céu, bem longe da imaginação humana, um ser independente de mente, de preconceito, de crítica carnal humana, um alguém que conhece o seu filho como um Pai, que tudo sabe antes de lhes pedir, que escuta a voz do coração e sabe seus desejos, um Deus que amava o apóstolo Paulo e que dizia: este é para mim um vaso escolhido.

Quem poderá dizer que o Ricardo não pode também ser um?Ninguém, só Deus!Se ele é um grande candidato?Creio 100% nesta idéia!Se ele está certo e nós o errados?Não compete nos julgar uns aos outros.Então, façamos a nossa parte.Oremos e amemos.

Equipe Web Cristo

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Web Cristo: Ricardo sabemos que você tem uma maneira diferente de ver Deus. Quem é Deus para você?

RK: A crença em Deus é uma maneira de lidar com o Mistério, que os humanos sempre buscaram explicar. O Mistério, porém, não se explica, senão deixaria obviamente de ser o Mistério. O máximo que podemos fazer é elaborar hipóteses e discuti-las de modo racional, mantendo sempre a humildade que somente a dúvida proporciona. Ninguém sabe, e eu também não sei, o que há por trás do Mistério, mas em meu modo particular de lidar com ele, essa ideia de uma entidade invisível que criou e administra a realidade, escuta nossos pensamentos e atende a alguns pedidos e a outros não, simplesmente não faz sentido.

Web Cristo: Podemos discuti-las? Essa é sua hipótese racional?

RK: Qual hipótese?

Web Cristo: A sua. A do seu modo particular de ver Deus…..

RK: Eu não tenho um modo particular de ver Deus porque a ideia da existência de Deus não faz sentido para mim. A hipótese Deus não se sustenta pela razão e pela lógica – só se sustenta pela fé, e a fé é algo inteiramente pessoal, é algo que pertence ao âmbito da intimidade de cada um, e é assim que a questão da fé deveria ser encarada por todos, o que infelizmente não acontece. Infelizmente a maioria dos teístas não entende que alguém possa não aceitar a hipótese Deus e se sentem muito incomodados com isso.

Web Cristo: Em seu livro “Quem apagou a luz” você declara certas coisas que devemos saber sobre a morte para não dar-mos vexame do lado de lá(depois da morte).Esse livro é admirado por muitos espíritas, você é espírita?

RK: Deus me livre. Não poderia ser espírita, pois esse negócio de espíritos a zanzar pelo mundo dos vivos não faz sentido para mim. O “Quem apagou a luz?”, que foi meu primeiro livro publicado, em 1995, é um resumo das minhas ideias espiritualistas da época. Ele fala de projeção astral, guias espirituais, vida pós-morte e reencarnação, mas sem estar ligado a nenhuma religião específica. Eu particularmente nunca havia vivido nada que comprovasse essas teorias, apenas uns sonhos de voo maravilhosos, mas queria demais que elas fossem verdade pois isso faria a vida mais emocionante. Porém, após lançar o livro, comecei a me envolver com outras ideias, como psicologia junguiana, xamanismo e taoísmo, e isso me levou a um outro caminho, o que sigo hoje, que, por sinal, é muito emocionante e feito de experiências reais, que realmente vivo. Os espíritas e os esotéricos de modo geral gostam desse livro. Mesmo numa editora pequena, ele vendeu muito bem. A editora Record, inclusive, tentou comprar os direitos, o que certamente significaria maior vendagem. Dei várias entrevistas, fiz palestras e algumas pessoas me tratavam como um guru da nova era, olha que ridículo. Então em 1998 enchi o saco dessas coisas e não o republiquei mais. E se, depois que eu morrer, aparecer alguém psicografando livro meu, é mentira, viu?

Web Cristo: (Risos)….seu humor é bem interessante e ele é repassado muitas vezes em suas Crônicas.É verdade que você já foi um católico fervoroso?

RK: Fui batizado cristão, fiz primeira comunhão e fui dirigente de grupo de jovens. Lia os textos na missa, editava o jornalzinho do grupo e dava palestras sobre Francisco de Assis, a quem admiro até hoje. Mas quando comecei a entender o que realmente é a Igreja, e Francisco tem muito a ver com isso, e comecei também a perceber que a religião ameaçava minha liberdade de pensar e de ser eu mesmo, caí fora e passei a seguir a Cristo do meu jeito. Isso lá pelos 20 anos. No grupo de jovens cheguei a propor ao pároco, Monsenhor Amarílio, de quem tenho boas lembranças, que montássemos uma banda para tocar na missa e nas reuniões do grupo. Eu achava que isso atrairia os jovens. Mas ele vetou, era muito modernoso para o gosto dele. Eu hoje poderia ser um pop-star cristão, já pensou? Com vocês, Kelmer de Arimatéia e as Noviças Viçosas!

Web Cristo: (Risos) Com um nome destes né?Será que o Padre não sabia o que estava fazendo?

RK: Sabia. Acho que ele já percebia minha alma livre de artista. Ele gostava de mim, tanto que me apoiou quando eu quis montar um jornalzinho para o nosso grupo de jovens. Fornecia papel, mimeógrafo e tinta, e eu rodava lá mesmo o jornal e distribuía na missa. Mas banda de rock, ah, isso não, em 1982 isso em Fortaleza era coisa do Demo. Hoje não é mais. Conclusão: ou o rock nunca foi coisa do Diabo ou então o Diabo cedeu o rock a Deus. Deve ter sido interessante essa negociação.

Web Cristo: Essa “alma” de artista: cantor, ator e escritor creio que permaneça em você …é muito difícil ser escritor no Brasil?Você enfrenta barreiras por ser nordestino?

RK: Ser escritor profissional é difícil em qualquer lugar do mundo. No Brasil é ainda mais difícil porque o hábito da leitura não é incentivado. A situação tem melhorado, mas precisamos melhorar muito mais. A quase totalidade dos escritores não consegue viver apenas da venda de seus livros. Então eles precisam ganhar dinheiro em outras atividades e isso impede que eles se dediquem mais a seu trabalho de escritores. Quanto a ser nordestino, o preconceito diminuiu, mas ainda existe. No entanto, os escritores e artistas nordestinos possuem uma vantagem: como a cultura nordestina é muito rica, a bagagem cultural que trazemos naturalmente nos diferencia – aí é só saber usá-la.

Web Cristo: Em seu artigos, parece-nos que você incomoda bastante e até é bastante comentado quando critica a religião, principalmente a Cristã e os Cristãos como o Kaka, certo?Em seu artigo: RELIGIÃO NO ESPORTE É GOL CONTRA, você se manifestou contra as mensagens religiosas, que chamou de proselitismo que Jogadores como Kaká e cia (Cristãos) fazem ou fizeram, pode resumir esse o assunto deste artigo para nossos leitores?

RK: Meus textos irritam os religiosos radicais porque eles são fanáticos e um fanático não consegue dialogar com a diferença. Mas também incomodo aos religiosos amenos, pois alguns param para pensar e começam a ver sua religião por outros ângulos – aleluia! Por que podemos criticar qualquer pessoa, ideologia ou instituição e não podemos criticar as religiões? Esse privilégio descabido deve acabar, mas só vai acabar quando avançarmos mais na democracia e quando mais pessoas tiverem a coragem de dizer o que pensam sobre a religião. Sobre o proselitismo religioso no esporte, ele não é saudável para o esporte, pois mais divide que une. Sim, é claro que devemos ter a liberdade de expressão, mas até isso é relativo pois existem as regras de convívio social. O esporte não é lugar de fazer propaganda de religião, assim como a igreja não é lugar de fazer propaganda de um time de futebol.

Web Cristo: Então esporte é lugar para fazer propaganda de uma droga liberada como o álcool?

RK: Não concordo com publicidade de drogas no esporte, mesmo a cervejinha nossa de cada dia. Isso é uma questão de saúde pública na qual os governos devem ser rígidos. O caso da propaganda religiosa também é uma questão grave, mas aqui já é uma questão de impedir a prática do proselitismo, o uso indevido de espaços e eventos públicos para divulgação de ideias ou produtos particulares. Religião é produto? Sim, é um produto cultural, que se vende como qualquer outro: tem lojas, distribuição, marketing, briga por clientes… Aliás, a ideia de céu e inferno é um marketing muito eficiente, que seduz a quem necessita de autoridade e julgamento. O dízimo então, nem se fala. Mas voltando ao proselitismo, se eu usasse o espaço de uma missa ou de um culto para divulgar minhas crenças pessoais ou meu livro, isso não seria falta de senso? Por que a religião deveria ter esse privilégio de poder ser divulgada em qualquer ocasião?

Web Cristo: Não é só religião que não pode ser criticada, você já criticou o Movimento Gay para sentir a sua falta de privilégios e sua liberdade de expressão ameaçada?

RK: Por que eu criticaria o movimento gay?

Web Cristo: Não sei, nós é que lhe perguntamos…. porque você critica e parece combater a religião, a igreja, os Cristãos?

RK: Nada tenho contra o movimento gay. Não tenho por que criticá-lo. Quanto à religião, eu sou um crítico de vários aspectos relativos a ela, mas defendo o direito de todos exercerem sua religiosidade, assim como defendo o direito de todos viverem sua sexualidade.

Web Cristo: Sabemos que existem “Pastores Pilantrões”, pois o próprio Jesus disse que eles existiriam em (Mateus 7:15) mas ao criticar os vários aspectos relativos a religião como você mesmo citou você não generaliza colocando até os bons nesta “cova”?

RK: Sei que existem religiosos honestos. Sou amigo de vários. Mas mesmo entre eles encontro atitudes lamentáveis, que a religião provoca. Um exemplo é a condescendência em relação aos abusos cometidos em nome da religião. Se o padre abusa de crianças, boa parte dos católicos o perdoam porque ele é um sacerdote de Deus. Se o pastor extorque os fiéis, deve ser perdoado porque ao menos ele faz as pessoas lerem a Bíblia. Se aquele crucifixo na parede do Congresso fere o princípio constitucional do estado laico, isso não importa pois Deus está sendo louvado. Se as culturas indígenas são violentadas pelos missionários, isso é o de menos, desde que eles aceitem a Jesus. Essa vista grossa equivaleria a eu relevar um crime cometido por um escritor só porque ele ama e glorifica a Literatura. O extremo dessa atitude são os genocídios e as guerras em nome de Deus. Os religiosos devem perguntar a si mesmos: eu mataria em nome do meu Deus? Se a resposta for sim, estaremos diante de criador e criatura moralmente desprezíveis.

Web Cristo: O Jornal O POVO protege a Maria dos Católicos que Ricardo Critica, mas não defende os Crentes e outros religiosos que Ricardo Critica, pode nos explicar esse Jornalismo Pseudoparcial?Ou Crente para eles é sinal de escarnio mesmo?

RK: Não posso responder pelo O Povo Online. Sou apenas um colunista do portal.

Web Cristo: Para você, qual seria o mundo ideal?

RK: Em meu mundo ideal a humanidade se entende como um único povo, o povo da Terra, e as diferenças físicas, culturais, religiosas e sexuais não são combatidas, mas festejadas. A relação com o Mistério e o Sagrado é algo íntimo e pessoal e ninguém pretende convencer a ninguém que sua relação é a única verdadeira. Hummm, exagerei no ideal, né? Nem Deus conseguiria isso.

Web Cristo: Não, não exagerou não, Jonh Lennon e o fundador do Titanic, por exemplo e alguns ateístas já falaram algo parecido com “nem Deus conseguiria isso”, sua visão é muito boa, mas mas não é utópica e até certo ponto demagoga?

RK: Claro que é utópica, pois a humanidade nunca viveu esse nível de respeito às diferenças. Mas as utopias nos movem, né? E essa ideia não é demagógica, pois muitos acreditam e lutam por ela.

Web Cristo: Você, no seu mais recente artigo diz que Religião no Poder é fogo e que a primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos sustentáculos da democracia, isso é a liberdade. Você “festeja e exalta” as diferenças e diversidades sexuais em seu outro artigo que diz que “a diversidade sexual pede passagem“. No meio político e Senado, onde líderes que se dizem democráticos defendem vêementemente Projeto de Lei PL122/06, projeto esse totalmente anticonstitucional e consequentemente antidemocrático, pois ele “exalta”, “festeja” e pede direitos as “diferenças” ( homossexuais, lesbicas, travestis etc direitos estes já garantidos na Constituição no Art 5°) mas priva, entre muitas questões o maior de todos os direitos: a liberdade de expressão. Perguntamos: que liberdade é essa que você defende, exalta e festeja?

RK: Liberdade de expressão é sagrado. Claro que defendo o direito de todos serem o que são e de dizerem o que pensam. Mas se alguém prega o ódio e o preconceito contra homossexuais ou contra evangélicos ou contra qualquer pessoa ou grupo de pessoas, isso deve ser crime, caso contrário viveremos todos em clima de guerra contra todos. O problema é que a religião se considera intocável e acha que seus dogmas devem prevalecer sobre as leis civis.

Web Cristo: Se te parassem na rua e te dissessem: Jesus te ama o que você diria?

RK: Pode me amar à vontade. Mas sem exclusividade.

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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COMENTÁRIOS
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01- Excelente …Noviças Viçosas rs. André Ortiz, Fortaleza-CE – jan2011

02- Valeu Kelmer! Ótima entrevista. Fernando Veras, Fortaleza-CE – jan2011

03- lembrei do cordel o encontro entre o bebado e o pastor evangélico. Eduardo Macedo, Recife-PE – jan2011

04- Porreta! Se houvesse uma ruma de caba macho como tu – tirando a cabeça do buraco – eu voltaria a acreditar na possibilidade de soluções coletivas. Marcos Scaico, Serra Negra-SP – fev2011


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A noiva lésbica de Cristo

16/11/2010

16nov2010

Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

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A NOIVA LÉSBICA DE CRISTO

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Benedetta Carlini foi abadessa de um convento no século 17 na pequena cidade italiana de Pescia. Era uma mulher mística e visionária, que ganhou fama por seus encontros sobrenaturais com Jesus Cristo, e que em seus transes obrava milagres, sofria com estigmas em seu corpo e falava em várias línguas. Num dos transes, aceitou o pedido de Jesus e casou-se com ele em cerimônia realizada na capela do convento, diante de várias pessoas.

As autoridades eclesiásticas, desconfiadas, promoveram um inquérito, analisando detalhadamente o caso. Ao fim, a investigação concluiu que a abadessa, na verdade, era vítima de enganações do Diabo, e revelou também que ela e sua ajudante, a jovem freira Bartolomea Crivelli, mantinham relações sexuais secretas no convento. Benedetta escapou da condenação na fogueira, mas foi isolada na prisão do convento, onde ficou por 35 anos, até sua morte aos 71 anos.

A incrível história de Benedetta foi descoberta pela historiadora estadunidense Judith C. Brown no Arquivo do Estado de Florença. Impressionada com o material que encontrara, Judith o transformou no livro Atos Impuros – A vida de uma freira lésbica na Itália da Renascença, lançado em 1986. Numa ágil narrativa romanceada, Atos Impuros nos leva a acompanhar as investigações eclesiásticas sobre Benedetta, oferecendo-nos uma boa oportunidade de observar a vida social na Renascença e o cotidiano dos conventos no século 17. E também expõe o modo cruel que a Igreja Católica tinha de lidar com duas questões que até hoje lhe são bastante embaraçosas: a espiritualidade e a sexualidade femininas.

Religião é controle. Uma prova disso é que os líderes religiosos tendem a desestimular o contato direto das pessoas com a divindade, pois isso desestabiliza a hierarquia, desvalorizando o papel intermediador dos sacerdotes. Outra forma de controle religioso é a repressão da sexualidade. Como o Cristianismo é uma religião de homens que têm pavor da natureza e do feminino, eles, desde o início, buscaram reprimir e controlar a mulher, associando-a ao sexo pecaminoso. E ainda fazem isso até hoje.

Espiritualidade e sexualidade – o caso de Benedetta mexe nos dois vespeiros de uma só vez. Uma mulher que mantém uma intensa relação mística com o filho de Deus a ponto de ser eleita por ele sua noiva, que obra milagres e se torna famosa e querida entre o povo, isso era algo ameaçador demais para a estrutura de poder da Igreja, e ainda mais se essa mulher era uma abadessa e, para completar, lésbica. Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco.

Apesar de toda a repressão do Cristianismo, o arquétipo do feminino livre manteve-se vivo na psique das mulheres e cada vez mais elas despertam para vivê-lo conscientemente em suas vidas. São mulheres que mantêm sua própria relação com o sagrado, sem se deixar prender por dogmas religiosos, e vivem sua verdadeira sexualidade sem a culpa que a religião insiste em lhes impor. No século 17, a mulher livre foi presa e queimada viva. Hoje, a religião não tem mais o mesmo poder de ditar o que as pessoas devem ser e como devem se relacionar com o divino. É a liberdade vencendo o medo do Inferno.

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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LivroAtosImpuros-03

A edição de Atos Impuros que li é a da editora Brasiliense, 1987. Não encontrei nenhuma capa da edição brasileira em boa definição. Mas encontrei a capa de uma edição em italiano e outra em inglês. Há edições em português disponíveis para compra no site Estante Virtual.

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BENEDETTA (treiler)
Filme de 2021

Direção: Paul Verhoeven – Roteiro: Paul Verhoeven, David Birke
Elenco: Virginie Efira, Charlotte Rampling, Daphne Patakia

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Escreve demaaaaisss!!! E como é bom ler seus textos impregnados de energia da deusa mãe!!! Continue prenhe de luz de inspiração, caro irmão terráqueo!!! Bjs. Vou ver se escapo de um outro compromisso e vou pro Cabaré, que lá, sim, é lugar de mulher séria!!! Bjsss. KK, Fortaleza-CE – nov2010

02- Kelmer, texto excelente. Obrigada. Ana Paula, Fortaleza-CE – nov2010

03- Positivamente concordo com você. A sexualidade feminina ainda não se descobriu de todo, principalmente em sua relação com o sagrado. E até em nós mesmas ainda há restrições que impedem essa relação sagrada de se manifestar. Abadessa? Uma bruxa,isto sim, em sua essência na melhor acepção deste termo. A melhor acepção possível. Relações com o sagrado ATRAVÉS do sexo. Isto sim!Quando todas as mulheres e homens descobrirem isto serão de fato felizes. Fátima Braga, Recife-PE – nov2010

04- Kelmer, é a própria história “verdadeira” da beata Maria de Araújo. A mesma contada por ela nos depoimentos ao santo ofício, registrados no inquérito contra o padra cícero. Parece que são várias, não digo lésbicas, mas beatas que casavam com cristo. beijos. Veronica Guedes, Fortaleza-CE – nov2010

05- Maravilhosa crônica, Kelmer! =) beijos. Larissa Azevedo, Natal-RN – nov2010

06- Pois é, criatura daimônica, Benedetta, noiva de Cristo, era ANDRÓGINA. MEZZO MOGLIE, MEZZO UOMO. A primeira vez que li sobre ela fiquei fascinada. Que sofrimento atroz o dela, né RK? Que atrocidade separar as amantes! A separação dos AMANTES é um dor excruciante. Dor Bizarra. Patrícia Lobo, Salvador-BA – nov2010

07- Oi Ricardo, Ja ouvi falar dessa história pela parte de meu pai, afinal somos Carlini e creio que Benedetta seria uma de nossas primeiras ansestrais. Conhecidência interessante! Parabéns pelo Blog, Um abraço. Jacqueline Nappo Carlini, São Paulo-SP – nov2010

08- Vou ler esse livro!!! Ana Érika Oliveira Galvão, Fortaleza-CE – mar2014

09- “Hoje a religião não tem mais o mesmo poder de ditar o que as pessoas devem ser e como devem se relacionar com o divino.” Essa frase Ricardo Kelmer é extremamente traiçoeira… Troque “religião” por “sacerdote”, visto que a “religião” ainda opera de forma horizontal entre as massas e sem o bastão vertical (hierárquico) dos sacerdotes! História interessante que não conhecia… Téo Lorent, São Paulo-SP – mar2014

10- Essa história é incrível mesmo!! Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – fev2016

11- Pena que perdi tua palestra amigo, mas agradeço pela marcação. Oportunidade de conhecer.  Ribamar Bezerra, Campina Grande-PB – fev2016

12- Gostei! Mas há algo em q terei de discordar: a igreja mantém o poder, quer a nível político quer económico, e também sobre a cultura e valores. Apenas o modo de o exercer é diferente. Agora os católicos até têm um papa que fala como o Dalai Lama…. Tudo para continuar a encher os cofres do Vaticano. E hoje somos menos livres que nunca, sofrendo opressão fundamentada na religião e no capitalismo. Susana X Mota, Leiria-Portugal – fev2016

13- como uma pessoa se diz que é espiritualizada com medo do inferno?o cristianismo deve muito ao ocidente. O surpreendente é como essa forma de espiritualidade se combina com tudo ou se associa com o poder e a alienação das massas e como isso tão ruim progride até hoje uma fé baseada no ego e poder. Jose Cesio Medeiros, Rio Branco-AC – fev2016

ANoivaLesbicaDeCristo-01a


Memórias de um excomungado

13/10/2010

13out2010

Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

MemoriasDeUmExcomungado-01

MEMÓRIAS DE UM EXCOMUNGADO

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O primeiro questionamento religioso de minha vida ocorreu aos 10 anos. Eu e meus colegas do colégio Santo Inácio vivíamos os preparativos da primeira comunhão, em aulas e treinamentos para a cerimônia. Eu era um menino como a maioria: tivera educação cristã e sabia rezar as orações principais. E sentia uma certa reverência mística pela imagem de Jesus Cristo, imaginando até que ele falaria comigo no momento em que eu recebesse a hóstia.

Um dia, os padres distribuíram um folheto que trazia a imagem de Jesus e um texto sobre a eucaristia. Guardei o papel e voltei a atenção para a aula que começava. Pouco depois, vi meu colega ao lado pegar seu folheto e, sem discrição, erguê-lo e rasgá-lo ao meio, dizendo, com raiva, que aquilo era mentira.

Não lembro se alguém mais viu. Mas eu vi bem. E aquilo foi um choque para mim. Perplexo, tentei entender por que ele fazia aquilo, mas logo um pensamento mais profundo me tomou: então aquilo era possível? Alguém podia fazer o que meu colega fizera e não ser instantaneamente fulminado por um raio?

A cena me perseguiu durante meses. Sim, eu sabia que, embora o colégio fosse católico, os alunos não eram obrigados a fazer a primeira comunhão, mas eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus. Pela primeira vez, eu enxergava além da redoma religiosa dentro da qual sempre vivera.

Fiz a primeira comunhão, Jesus não veio falar comigo e eu segui sendo um desses garotos que não gostam de ir à missa, mas se dizem católicos. Aos 16, participei de um retiro de fim de semana que na época era moda entre a turma, e lá tive uma experiência mística que me fez entrar para um grupo de jovens católicos. Levei a coisa tão a sério que cheguei a ser líder do grupo, além de coordenador do retiro e palestrante sobre Francisco de Assis. Passava as viradas de ano rezando com o grupo e pensava em ser padre.

Dois anos depois, entendi que eu era livre demais para me deixar limitar por aquela filosofia controladora feita de culpa e pecado. E, assim, larguei o catolicismo e segui minha vida, sendo um místico sem religião, mas que gostava de estudar as religiões e as mitologias e de explorar os mistérios. Participei de grupos esotéricos e de um instituto de estudos espiritualistas, do qual fui expulso. Tive experiências com plantas psicoativas que me libertaram ainda mais a mente, tanto que me recusei a fazer parte das seitas que as utilizavam em seus rituais. E já quarentão foi que assumi de vez meu ateísmo, sem, contudo, deixar de sentir aquela sensação de sagrado maravilhamento toda vez que me vejo diante do imenso mistério que é estar vivo.

Um dia, descobri que sou um excomungado. Sim, é verdade. Fui automaticamente excomungado da Igreja Católica aos 20 anos, quando ajudei minha amante a fazer um aborto. Pesquisei o código de direito canônico e descobri que há mais casos de excomunhão automática (latae sententiae) e que, antes do aborto, eu já havia incorrido em dois deles, o cisma e a heresia. Talvez você também seja um excomungado e não saiba.

Religião é controle, e ele começa cedo, quando a criança é treinada para acreditar em deuses e aceitar dogmas sem questionar nada. O treinamento é tão eficaz que a maioria seguirá a vida inteira sem sequer cogitar a hipótese de que talvez haja outras maneiras de entender a vida. Junte-se isso à necessidade de ser policiado e conduzido, e pronto, teremos uma pessoa eternamente controlada. Nada tenho contra a religiosidade pessoal – é a religião institucionalizada que limita e controla as mentes. É de religião que não precisamos para sermos livres.

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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Foto: Colégio Santo Inácio, primeira comunhão, Fortaleza-CE, 1975. Eu sou o mais escondido.

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COMENTÁRIOS
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01- Quem for pela linha de pensamento do autor, obrigatóriamente deixará de servir a pátria, da bom dia aos outros e ficar em filas como qualquer cidadão comum. Já que o autor se intitula de livre, então prá que seguir a rotina? Rangel Brasil – nov2010

02- Ricardo Kelmer, você tem todo o direito de falar e dizer tudo o que pensa e isso é bom e eu tbem, a questão é que vc veio de uma doutrina de religiosodade, vc não conheceu o verdadeiro Deus, não teve um verdadeiro encontro com o Senhor Jesus Cristo, ele sim te libertará destas amarras que te conduzem a assumir esta postura, a palavra liberta Ricardo, a palavra de Deus liberta, Jesus Cristo te liberta, a verdadeira liberdade não é a que muitos vivem, Jesus nos chamou para sermos livres e não escravos, hoje eu sou um homem que teve um verdadeiro encontro com o Senhor Jesus, vc busca este encontro, porém encontrou ele em religiosidade, Jesus não é religião, Jesus é salvação, um dia que vc souber o que isso quer dizer, seberá que ele é Deus para libertar os cativos de mente e de espírito, cativos que dizem que são livres mas no fundo são escravos de suas proprias auto doutrinas e tem isso como verdade, a verdade Ricardo sabe qual é?É que Jesus te ama do jeito que você é e que somente ele pode decifrar e satisfazer os reais desejos de teu coração e da tua eterna busca pelo sagrado. Paulo César Cândido, Fortaleza-CE – nov2010

03- Preocupam-me esses questionamentos sobre a “verdade religiosa” , que voce fez o favor de bagunçar ainda mais nessa minha confusa cabecinha. Graças a voce , estou prestes a ser excomungada e o pior é que não estou muito preocupada com isso,o que me preocupa!!!! Tá vendo, voce está me enlouquecendo!!! rsrsrsrsrs Corro o risco de arder no fogo do inferno e a culpa é toda sua! rsrsrsrsrs. Irlane, Fortaleza-CE – dez2010

04- Li tudo Kelmer! Se auto excomungado!!! rsrsrsrsrs Realmente algumas religiões escravizam. Mas acho que isso depende de cada um. Nunca me escravizaram. Meus pais sempre nos permitiram para a vida. Quanto ao conflito, ainda presente! Agora seu blog está nos meus favoritos 🙂 um abraço! Fátima Dias, Fortaleza-CE – jul2015

MemoriasDeUmExcomungado-01a


Mulheres na jornada do herói

15/09/2010

15set2010

É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

A primeira vez que topei com o livro O Feminino e o Sagrado – Mulheres na Jornada do Herói foi quando eu lia a revista da Livraria da Vila. Lá estava ele num canto da página, a capinha e a sinopse, olhando todo manhoso pra mim, ei, cara, sabia que eu existo? Curioso, pedi ao atendente da livraria que me trouxesse um pra eu dar uma olhada. Ele procurou mas não encontrou nenhum exemplar na loja. Tudo bem, agradeci, vou pesquisar sobre ele na internet. E levei a revista pra casa. Ela, porém, terminou sumindo no meio da papelada sobre a mesa. E eu esqueci do livro.

Semanas depois eu tô no Espaço Cultural Alberico Rodrigues, em Pinheiros, e de repente vejo o livro sobre o balcão, sabia que eu existo, heim, sabia? Dessa vez peguei o danadinho nas mãos e li alguns trechos. E entendi porque nossos caminhos insistiam em se cruzar: esse livro tem muito a ver com meu trabalho. As autoras usaram as análises de Joseph Campbell pra desenvolver uma perspectiva feminina sobre o mito da jornada do herói, contando a história de 15 mulheres brasileiras e as transformações que elas viveram a partir do momento em que a força do mito irrompeu em suas vidas. É realmente um livro sensível e profundo, que pode inspirar a muitas mulheres e homens.

O livro queria que eu o levasse pra casa. Livros são muito carentes, sempre querem ser adotados, você sabe. Mas eu não tinha dinheiro e tive que deixá-lo lá. Dias depois minha amiga Bia me deu o livro de presente. Eu havia lhe falado dele e ela, que admira meu trabalho com cinema e mitologia, achou que poderia me ser útil.

Tô lendo o livro aos poucos. Vez em quando largo das dez mil coisas a fazer, escapulo do meu mundo de criações intermináveis e me deixo levar pela história de uma daquelas mulheres, seus caminhos percorridos, as crises, as superações… É sempre tocante saber como alguém um dia tornou-se o herói de sua própria vida. Porém, é ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas.

Um dia conheci pessoalmente as autoras, Beatriz e Cristina. Tomamos um café e batemos um papo muito agradável. Elas me contaram sobre a experiência de entrevistar aquelas mulheres e de escrever o livro. Falaram também da palestra que fazem e sobre como é gratificante levar ao público aquelas ideias sagradas. Vi que são mulheres bem cientes do imenso poder de transformação do mito e do quanto o mundo precisa de pessoas que seguem seu verdadeiro caminho de autorrealização ou, como diria Campbell, seguem sua bliss. Parabéns, Cristina e Beatriz.

O Feminino e o Sagrado – Mulheres na Jornada do Herói
Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro
Editora Ágora, 2010

> Blog do livro

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.

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LIVROS

figlivrovocesterraqueas01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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COMENTÁRIOS


Religião no poder é fogo

09/09/2010

09set2010

A primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos sustentáculos da democracia: a liberdade

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RELIGIÃO NO PODER É FOGO

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Sim, faz parte da democracia que o pensamento religioso tenha representantes na vida política do país. Porém, os cidadãos verdadeiramente democratas devem sempre estar atentos para impedir que a religião ultrapasse seus limites de atuação, pois a primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos pilares da democracia: a liberdade. Há vários exemplos históricos das catástrofes que podem ocorrer quando a religião veste o manto do poder político. Mas fiquemos apenas num exemplo: a Santa Inquisição.

Também conhecida por Santo Ofício, a Inquisição é uma instituição católica criada no século 12 para, inicialmente, combater as heresias, ou seja, as demais versões do Cristianismo. A novidade católica inspiraria também a futura igreja protestante, que em alguns países executou na fogueira seus próprios hereges, inclusive católicos. Com o tempo, outras motivações ideológicas, sociais e econômicas se misturaram ao caráter inicial da Inquisição e suas atividades variaram bastante de acordo com o país e a época, mas de modo geral seu objetivo era combater tudo que representasse ameaça à supremacia católica.

A coisa funcionava assim: ao julgar necessário, a Santa Sé enviava seus representantes e instalava os tribunais que, após o julgamento, eram desfeitos. Para que a Igreja não sujasse de sangue suas santas mãos, os tribunais apenas torturavam, extraíam confissões e julgavam, e no fim os condenados eram entregues às autoridades locais para que fossem punidos. O total de execuções é incerto e as estatísticas variam de dezenas de milhares a milhões de mortos em seis séculos de perseguições.

Para ser um réu, bastava uma simples denúncia anônima da vizinha invejosa, o que fazia as chantagens e os subornos correrem à solta, enriquecendo inquisidores e denunciantes e criando na sociedade um permanente clima de terror e paranoia coletiva. Os condenados, se tivessem sorte, sofriam apenas umas torturas educacionais ou tinham tomados seus bens e propriedades. Entretanto, se não confessassem exatamente os pecados que os inquisidores queriam ouvir, a pena era a morte. Havia métodos mortais bem engenhosos e criativos, mas o mais famoso era queimar vivo o condenado numa fogueira, sempre em público para servir de exemplo ao povo. Quando descobriram que alguns morriam por asfixia antes de serem queimados, passaram a embeber enxofre na roupa dos condenados. Mas era tudo por amor a Deus.

Há poucos estudos sobre a Inquisição no Brasil, mas aqui ela também esteve presente, embora de forma menos intensa, condenando a maior parte dos réus por prática de judaísmo – e confiscando todos os seus bens, claro, pois não pense você que sai barato manter em funcionamento o escritório terreno do Reino de Deus. Nos séculos 18 e 19 os tribunais foram gradualmente extintos na Europa, e a Espanha foi o último país a fechar o seu, em 1834. A Inquisição, porém, se mantém viva na Igreja Católica até hoje, com o nome mais agradável de Congregação para a Doutrina da Fé.

Felizmente os tempos são outros e a Igreja já não tem o poder de torturar e queimar vivos aqueles que não seguem os dogmas de sua cartilha – é a liberdade vencendo a ditadura da fé. Alguém pode dizer que a Inquisição está longe demais no tempo e que o exemplo é exagerado. Ainda que fosse distante, e mesmo que soasse exagerado, é preciso que a sociedade continue sempre atenta para que religião e poder não se misturem. Com fogo não se brinca.
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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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DICAS DE LEITURA

A caça às bruxas na Europa moderna – Brian P. Levack (Campus, 1988) – O estranho e terrível fenômeno da caça às bruxas é uma mancha de vergonha não só para a Igreja Católica como também para toda a cultura ocidental. Neste livro, o autor analisa as razões que levaram os tribunais eclesiásticos a julgar e matar milhares de pessoas pela suposta prática de magia maléfica e adoração ao Diabo. Por que tal fenômeno teve lugar justamente nessa época específica da História? Quem eram os acusados e seus acusadores? E por que motivo os julgamentos chegaram ao fim?

A caminho da fogueira – Michael Kunze (Campus, 1989) – Este é o impressionante relato de todo o processo de julgamento e condenação de uma família inteira de camponeses alemães do século XVII. O autor nos põe no interior de toda a trama e, com competência, nos leva a conhecer os meandros escuros dos processos inquisitórios da Idade Média.

Inquisição: prisioneiros do Brasil (Séculos XVI a XIX) – Anita Novinsky (Perspectiva, 2009) – A autora pesquisou arquivos em Portugal e, através da análise dos processos que a Inquisição moveu sobre mais de mil brasileiros, nos oferece um painel sobre a realidade das atividades do Tribunal do Santo Ofício no Brasil entre os séculos 16 e 19.

Perseguição religiosa – A história dos que morreram e mataram porque acreditavam em Deus – Revista publicada pela Mythos Editora.

Inquisição na Wikipedia

Métodos de tortura da Inquisição (imagens fortes)

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DICAS DE FILMES

Arquivos Secretos da Inquisição – Documentário. Produção: Canadá, 2006. Direção: Lauren Drewery. Foi exibido em formato de minissérie no canal The History Channel. Baseado em documentos inéditos e pesquisas que revelam inúmeros segredos do Vaticano, a minissérie tem intervenções de especialistas e retrata passagens obscuras da Santa Inquisição católica.

Sombras de Goya – Longa-metragem de ficção histórica. Produção: EUA/Espanha, 2006. Direção: Milos Forman. Conta a história do grande pintor espanhol Francisco Goya dentro do contexto da Inquisição Espanhola do século 18.

As bruxas de Salem – Longa-metragem de ficção histórica. Produção: EUA, 1996. Diretor: Nicholas Hytner. Apesar de não ser sobre a Inquisição, este filme mostra como o fanatismo religioso pode facilmente promover uma histeria coletiva e levar a condenações injustas. O filme conta a história de um episódio real ocorrido no povoado estadunidense de Salem, Massachusetts, em 1692, que foi o último caso de condenação por bruxaria nos Estados Unidos.  O filme é baseado em uma peça teatral, escrita em 1953 por Arthur Miller, que também fez a adaptação pro cinema.

Giordano Bruno – Longa-metragem de ficção histórica. Produção: Itália/França, 1973. Direção: Giuliano Montaldo. O processo e a execução do astrônomo, matemático e filósofo italiano Giordano Bruno (1548-1600), queimado na fogueira pela Inquisição por causa de suas teorias contrárias aos dogmas da Igreja Católica.

O nome da Rosa – Longa-metragem de ficção. Produção: França/Itália/Alemanha, 1986. Direção: Jean-Jacques Annaud. Baseado no romance homônimo de Umberto Eco. Num mosteiro beneditino italiano do sec. 14, que guarda uma imensa e preciosa biblioteca, estranhas mortes começam a ocorrer, levando a Igreja a investigar. Nesse cenário instala-se a luta entre os valores da Santa Inquisição, representados pelo Inquisidor Geral Bernardo Gui, e a nova mentalidade renascentista, com sua postura humanista, representada pelo monge franciscano intelectual William de Baskerville.

Para baixar estes filmes: filmesepicos.com

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LEIA NESTE BLOG

O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

Bem vindo ao clube dos excomungados – Para a Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos – Crer que o ser supremo do Universo está do meu lado e castigará quem discorda de mim e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo? ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Isso eh muito antigo nem existe mais, tem q se atualizar e parar de perseguir a igreja catolica ! Michele SJ, Fortaleza-CE – set2014

02- A crença no estado não seria outra espécie de religião? Antonio Carlos Bola Harres, Rio de Janeiro-RJ – set2014

03- Apropriado texto. Francisco Coelho, Rio de Janeiro-RJ – set2014

04- Meu amigo, estamos em 2014, fazer uma analogia entre o mundo de hoje e o de 600 anos atrás está fora de questão. A religião foi uma maneira encontrada pelos Homens para se aproximarem de seus Deuses. O problema são os homens e não as religiões e Deus não faz mal algum a seus filhos. Claudio Salazar, Fortaleza-CE – set2014

05- Você já ouviu sobre maçonaria? CasaVistamar Ilha Grande, Angra-RJ – set2014

06- concordo em partes, o problema não é a pessoa religiosa gerir um país, e sim o tamanho do preconceito que esta sendo propagado pelos mesmos, onde uma pessoa é julgada simplesmente por não participar de um culto, celebração ou reunião, vindo mais de protestantes que são os que mais se reprimem e impõe suas “verdades” absolutas. Nelis Ferreira, Caucaia-CE – set2014

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Onde baixar estes filmes:

http://www.filmesepicos.com


Meu fantasma predileto

01/08/2010

01ago2010

Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

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MEU FANTASMA PREDILETO

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Alguém aí pode me dizer onde estão os fantasmas? Onde foram parar as almas penadas que rondavam os cemitérios em noite de lua? E aqueles bichos horrendos que vinham do canto escuro aterrorizar as crianças desobedientes, onde se meteram? De repente não existem mais. Parece que não há mais lugar para eles nesse mundo de assaltantes, sequestradores, assassinos e ladrões de órgãos. Em vez de alma penada, gangues que roubam tênis de crianças e terroristas religiosos que explodem prédios e espalham gases letais em nome de seu deus.

Nas pequenas cidades do interior talvez ainda seja possível encontrar algum fantasminha, resistindo bravamente à invasão dos novos terrores coletivos. Os fantasmas certamente se sentem constrangidos em viver num mundo onde ETs sanguinários estão infiltrados entre nós. Como rivalizar com um bicho gosmento que desce de poderosas naves e implanta chips na cabeça das pessoas para monitorar a raça humana? Isso, sim, é maldade. Assustar pessoas no silêncio das madrugadas é besteira.

Lá em casa morava um fantasma. Não tenho foto dele, mas pergunte para qualquer um lá de casa e terá a confirmação. Ele se manifestava em meu quarto e já havia naturalmente se incorporado ao folclore da família. Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos.

Todos da casa já haviam escutado o som de minha velha Remington, tec-tec-tec no meio da madrugada. No outro dia, ao saberem que eu sequer dormira em casa, constatavam: foi o fantasma novamente. E assim ele (ou ela, vai saber) passou a fazer parte da família. E quando algum hóspede desavisado comentava que ouvira o som de uma máquina de escrever de madrugada, minha mãe então contava do fantasma, de um jeito natural e até com certo orgulho, como uma avó fala das traquinices do neto. Todos tinham certo medo, é claro, e jamais entravam sozinhos em meu quarto à noite. Mas durante anos, ao almoço, a família reunida naqueles sagrados desentendimentos, o fantasma foi garantia de humor e descontração.

Eu, particularmente, adorava a ideia desse insólito companheiro de quarto e não sentia medo. Muitas vezes pedi-lhe encarecidamente que aparecesse, mas nunca vi nem escutei nada. Um belo dia, sumiu. Simplesmente sumiu, ninguém mais escutou o tec-tec-tec de suas visitas. Várias versões surgiram: ele cansou de tentar fazer-me um escritor de sucesso, ela não aturava as minhas namoradas, e por aí vai…

Minha versão, durante algum tempo, era que meu fantasma de estimação foi embora porque não gostou quando troquei minha máquina de escrever por um computador. Deduzi que a tecnologia o expulsara definitivamente deste mundo cada vez mais cheio de teclas e senhas digitais. Mas depois entendi que isso seria subestimar a classe dos fantasmas. E, assim, voltei à estaca zero, e o mistério do sumiço do fantasma prossegue até hoje.

Talvez os fantasmas estejam tão confusos quanto nós, tentando entender o que foi feito daquele mundo em que eles brincavam de nos assustar e nós adorávamos sentir medo. Hoje nosso medo não tem graça nenhuma.
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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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LEIA NESTE BLOG

ICI2011PirataoCapa-01Piratearam meu livro novo. Eu rio ou choro? – Já que tem cópia pirata solta por aí, prefiro que você, que é leitor do meu blog, leia a pirata certa

O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas

Você vem sempre aqui? (1) – Os termos que trazem as pessoas ao Blog do Kelmer

O dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

Kelmer Com K no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

O pop pornográfico de RK (André de Sena) – Pode-se afirmar que Kelmer já é dono de um estilo próprio (no fundo, uma das almejadas metas de todo escritor)

Pesadelos do Além – O pior pesadelo pra um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei para o mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

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01- Achei muitissimo bem escrito, tao engracado e tao triste ao mesmo tempo, e verdadeiro. SIMPLESMENTE O-TI-MO! Ana Claudia Domene, San Diego-EUA – jun2006

02- adorei a historia de seu fantasma predileto. Monica Campos, Fortaleza-CE – jan2016

03- Gostei. Bons tempos em que os sustos eram de mentirinha. Teo Ponciano, São Paulo-SP jan2016

04- Alguém sabe dizer onde se meteram os fantasmas? Teo Ponciano, São Paulo-SP – jan2016

05- Relembrei meus tempos de infância no interior onde cresci. As pessoas de fato se empolgavam ao contar os “causos”q envolviam fantasmas. Alguns lugares as pessoas evitavam de passar a noite. O Ribeirão era assombrado e isto alimentava a fantasia daquele povo simples e feliz. Saudade dos nossos fantasmas q nunca fizeram mal a ninguém. Carolina De Figueiredo, Içara-SC – mai2016


A profecia

18/05/2010

18mai2010

BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04a.

Este conto integra o livro Baseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha, de Ricardo Kelmer

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A PROFECIA

A maconha terráquea, melhor da galáxia, está faltando no mercado. Os culpados são os mulgélicos, fanáticos religiosos que tomaram o poder no planeta. O Conselho Galático precisa decidir o que fazer
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A SRA. ZIEGR, PRESIDENTA do Conselho da Confederação Galática, entrou na sala e ocupou sua poltrona à grande mesa. Ela trazia o semblante sério e nas mãos alguns envelopes.

– Conselheiros, bom dia. Convoquei-os a esta reunião extraordinária porque acabo de receber o relatório do Centro de Registros. Como é de conhecimento de todos, fatos preocupantes estão acontecendo no planeta Terra. Por causa deles seremos obrigados a cortar o suprimento da canabis terráquea a todos os planetas confederados por tempo indeterminado.

O rumor na sala foi geral.

– Silêncio, por favor, silêncio!

Mas os rumores cresciam e a presidenta Ziegr teve de bater na mesa. Ela entendia perfeitamente o porquê da indignação. Todos já haviam protestado em reuniões anteriores pela diminuição da cota de canabis terráquea para seus planetas e alertavam para o perigo do corte definitivo.

– Eu sabia que isso ia acontecer! – protestou o conselheiro Baqt. – Todos sabiam. Menos o Centro de Registros.

– Por favor, conselheiros. Deixem-me mostrar o relatório antes de discutir o que faremos.

As vozes se calaram e a presidenta Ziegr passou a ler o relatório. Ele dizia que a canabis já não podia ser encontrada com facilidade no planeta Terra e que já se estudava a possibilidade de pesquisar outros planetas para o plantio.

– Bobagem! – levantou-se Baqt, irritado. – Todo mundo está cansado de saber que, exceto a Terra, nenhum planeta desta zona da galáxia reúne condições perfeitas para o plantio da canabis!

– Isso mesmo! – complementou uma conselheira. – Por que gastar verbas com pesquisas inúteis? Precisamos intervir antes que a canabis terráquea seja totalmente extinta.

– Exatamente! Minha família, por exemplo, não fuma um baseado que preste faz mais de um ano disse Reuzaramon, o mais velho dos conselheiros.

Ziegr escutou com paciência mais algumas considerações. Estavam todos revoltados. Então prosseguiu:

– Conselheiros, a canabis terráquea é material estratégico para a galáxia, todos nós sabemos. Foi ela que propiciou o desenvolvimento ecológico dos planetas confederados e lhes permitiu superar a delicada fase do término dos combustíveis fósseis. Para isso, no entanto, durante milênios as naves da Confederação abordaram a Terra e, na calada da noite, de lá retiraram a canabis para abastecer nossos mundos.

– Eram os deuses astronautas? Não. Eram os deuses maconheiros – sussurrou Reuzaramon para o colega ao lado.

– Agimos assim porque precisávamos da canabis, claro, mas também porque os terráqueos não estavam preparados para nos conhecer – continuou Ziegr. – Agora, porém, grandes mudanças operam naquele planeta e exigem que tomemos uma posição.

– São os mulgélicos, aposto!

– Eles mesmos – respondeu Ziegr.

– Calhordas! – gritou Baqt, erguendo-se. – Por causa deles só estou fumando maconha de Fens, aquela porcaria.

– Conselheiros, semana passada a nave da Monitoria 54 resgatou, da órbita da Terra, uma pequena cápsula contendo informações valiosas. São textos e imagens sobre o momento atual da Terra e que confirmam as informações do relatório do Centro de Registros.

Ziegr entregou a cada um dos conselheiros um óculos projetor, pediu que cada um assistisse com atenção e encerrou a reunião, avisando que prosseguiriam à tarde.

Reuzaramon, o mais velho dos conselheiros, rumou para o jardim dos fundos do prédio, lá era mais agradável. Sentou-se num banco, pôs o óculos projetor e ligou. Enquanto as imagens tridimensionais se formavam à sua frente, ele escutava…

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A Ecologia toma impulso no planeta Terra no fim do segundo milênio da era cristã com a constatação de que a sociedade industrial e tecnológica produzia riqueza e conforto, mas também gerava um enorme perigo ao planeta e a todas as formas de vida. A partir daí uma crescente conscientização ecológica desenvolveu-se e direcionou os rumos de uma nova noção de desenvolvimento para o planeta: o desenvolvimento sustentável, onde a prioridade é manter os avanços tecnológicos sem abrir mão do equilíbrio ambiental.

No primeiro século do terceiro milênio um acontecimento crucial vem somar-se a toda essa revolução: a canabis, até então criminalizada em quase todo o planeta, é reconhecida oficialmente pela maioria dos blocos geopolíticos como matéria-prima estratégica para a sociedade. O baixo custo, a alta performance produtiva, a não necessidade de agrotóxicos e o seu caráter limpo e renovável a credenciam como a grande alternativa ecológica para a crise dos combustíveis fósseis que se instalara no mundo.

Assim, sob recomendação da ONU, os blocos geopolíticos mudam suas leis e legalizam a canabis. Cultivar, comercializar e consumir maconha deixa de ser crime, e as leis referentes a ela se inspiram nas leis que regulamentam outras drogas legalmente aceitas como o álcool. Dessa planta altamente estratégica extraem-se milhares de produtos essenciais ao dia a dia da sociedade, permitindo que o mundo respire aliviado após décadas de medo e incertezas quanto à saúde do planeta. A planta mostra-se eclética a ponto de ser utilizada também, e com muita eficácia, na medicina terapêutica.

Junto à canabis, outros recursos naturais também passam a ser utilizados dentro dos princípios do desenvolvimento ecológico. A canabis, porém, logo apresenta-se como carro-chefe dessa transformação, pois à sua intensa utilização industrial vem juntar-se o tema das liberdades individuais, gerando providenciais discussões sobre a relação do ser humano com as drogas e a questão do tráfico, da violência e dos interesses econômicos, além de questionar a eficácia dos programas de saúde pública e o tratamento policial dispensado ao usuário.

Nem todos, porém, concordam com isso. Ocorrem protestos em vários setores da sociedade e uma nova organização político-religiosa surge para combater o que ela entende por “exageros da democracia”, como o uso livre da maconha. São os autodenominados mulgélicos (multidões angelicais), fanáticos religiosos de caráter ultraconservador que cultuam a tecnologia máxima e defendem o terrorismo como forma de garantir seus valores. A eles se juntam todos aqueles que discordam da legalização da canabis, e assim a organização cresce e promove atos terroristas por todo o mundo, utilizando tecnologia química e biológica contra a população. Com discurso sedutor às mentes religiosas e amedrontando a muitos com sua política ultrarradical, tomam o poder em alguns blocos e aos poucos conseguem exterminar os principais líderes democráticos.

Estamos sob domínio dos mulgélicos há uma década. Eles governam o mundo globalizado, convocando todos a se entregar aos braços de seu deus, que em breve, creem eles, voltará para carregar os abençoados consigo rumo ao Paraíso, abandonando na Terra os seguidores de Satanás. Os mulgélicos perseguem aqueles que não comungam da crença de seu deus e castram as liberdades individuais conquistadas. Para eles, a canabis é a personificação do Mal e precisa ser combatida com toda a força e métodos possíveis. De nada adiantam os argumentos médicos e sociológicos, de nada valem os direitos humanos: os usuários passam a ser perseguidos pelo mundo inteiro e mortos com crueldade. E o cultivo da canabis, novamente proibido, abre caminho para o retorno de antigas, caras e poluentes formas de produção industrial, intoxicando novamente o planeta e pondo em risco o equilíbrio ambiental.

O culto exacerbado da tecnologia torna cegos os mulgélicos e eles não percebem que estão conduzindo a espécie humana ao seu extermínio. Contra esses argumentos, e até mesmo contra todos os fatos, eles respondem que seu deus está chegando para resgatá-los e assim ficará provado quem está certo.

Hoje, vivemos num planeta praticamente esgotado de recursos naturais e a grande alternativa foi bloqueada pela política repressora dos mulgélicos. O ar, os rios e os oceanos estão sujos. A preservação da fauna e da flora não é mais importante – importante é tentar converter os infiéis. Catástrofes naturais acontecem todos os dias, mas os mulgélicos veem nisso o legítimo cumprimento de suas profecias, o sinal dos últimos dias que antecedem a tão esperada chegada de seu deus.

A única possibilidade que nós, os resistentes dessa ditadura teocrática, vislumbramos foi pedir ajuda a outros planetas. Certamente, há vida em outros mundos, e talvez eles tenham passado por problemas semelhantes aos nossos. Talvez seus habitantes possam ajudar a Terra a reencontrar o caminho das liberdades individuais e do desenvolvimento autossustentável.

Isso é um pedido de socorro interplanetário. Talvez ainda haja tempo de salvar este planeta que já foi tão belo. Ainda podemos reaprender a respeitar as liberdades que pertencem ao ser humano. Clandestinamente, ainda cultivamos os últimos exemplares da canabis em plantações disfarçadas, o que nos proporciona raros momentos de prazer e a esperança de que ainda podemos retomar o crescimento interrompido. Mas tudo está por um fio, pois não sabemos até quando o planeta suportará.

Nosso plano é soltar esta mensagem no espaço, feito uma mensagem de náufrago. Talvez consigamos. É uma operação arriscada e com poucas chances de sucesso. Mas talvez alguma nave a recolha e esta mensagem alcance boas mãos.

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Reuzaramon retirou o óculos projetor e olhou para o céu. Terra…, sussurrou ele. Era realmente um belo planeta. Lembrou que seu planeta natal vivera problemas semelhantes aos que os terráqueos agora viviam e que a história da evolução das espécies era sempre marcada por momentos cruciais onde velhos e novos valores protagonizavam o dramático teatro do mito do Juízo Final. Antes da criação da Confederação Galática muitos planetas morreram, e com eles o seu povo, por não saber encontrar seu próprio caminho de democracia e desenvolvimento sustentável. Hoje, a Confederação, ciente de que a morte de um planeta empobrece o Universo, estava sempre atenta para tentar ajudar – mas somente quando isso representava a última chance, pois o sagrado princípio da soberania dos mundos regia a Constituição Galática.

O velho conselheiro levantou-se do banco, guardando o óculos no bolso. Olhou mais uma vez para o céu e depois seguiu para a sala. Talvez fosse mesmo o momento da Confederação intervir.

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BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04a– MUITO BEM, CONSELHEIROS – falou a presidenta Ziegr, contando os votos. – A maioria considerou que o Conselho deve intervir no planeta Terra. E que não podemos mais continuar roubando maconha de lá.

– Exatamente. O que está em jogo são os interesses da Galáxia.

– Isso mesmo! Os desvarios de um grupo de fanáticos religiosos não podem interromper a evolução do Universo.

– Mas como interviremos no planeta sem desrespeitar sua soberania? – insistiam os que não concordavam com a intervenção.

Reuzaramon pediu a palavra.

– Conselheiros, nenhum planeta é autônomo no último sentido do termo. Sabemos que todos os mundos estão ligados numa interdependência sutil, mas vital, e o que é feito a um repercute em todos. A Terra é apenas um dos elos dessa imensa corrente que se chama galáxia, que por sua vez é apenas um dos elos do Universo, que por sua vez é apenas um dos muitos universos possíveis. Quanto mais abrangemos nossa compreensão da realidade, mais percebemos o quanto tudo está ligado. O que acontece na Terra está influenciando o destino de outros mundos, e por isso a Confederação deve intervir.

– Você fala assim porque não é o seu mundo que será invadido!

– Conselheiros, por favor, deixem-me terminar. A espécie humana já está madura o suficiente para compreender que não está sozinha no Universo. Além disso, a canabis da Terra é a melhor de todas e ela é indispensável à evolução do planeta. Sem ela, não haverá desenvolvimento autossustentável. Sem ela, a Terra corre o risco de se destruir. E sem a Terra, senhoras e senhores deste Conselho, a Via Lactea enfrentará um grave desequilíbrio.

Reuzaramon foi aplaudido pela maioria. E mesmo os reticentes quanto à intervenção viram sentido em seus argumentos.

– A intervenção já foi decidida – falou Ziegr. – Mesmo assim, resta uma dúvida. Como faremos? Não podemos atacar os mulgélicos, nem podemos plantar canabis no planeta às escondidas.

– Que tal envolver o planeta numa grande baforada de maconha? – brincou alguém. – Assim todos finalmente experimentarão e tirarão suas próprias conclusões…

– O verdadeiro efeito estufa!

– Ou podemos fornecer armas com balas de canabis para os resistentes atirarem nos mulgélicos…

– Conselheiros, por favor. Precisamos de um plano de intervenção pacífica, sem comprometermos nossa carta de princípios. E não dispomos de muito tempo.

– Talvez possamos convencer os mulgélicos a retomar o crescimento ecológico – propôs uma conselheira. – Eles têm de entender que não há outra saída para o planeta deles.

– É inútil, minha senhora – falou Reuzaramon. – Para um fanático religioso, quem não está com ele, está de mãos dadas com o Mal.

Chegaram ao incômodo impasse. A intervenção se fazia necessária, mas parecia não haver maneira de realizá-la sem ferir os princípios éticos da Confederação. Até que Reuzaramon ergueu o braço.

– Amigos, acho que vislumbrei a saída do labirinto.

Todos olharam curiosos para ele.

– Nós sabemos o que pensam os terráqueos, sabemos sobre suas crenças e suas profecias. Isso é tudo que precisamos.

– Explique melhor, Reuzaramon – pediu Ziegr.

– Muitas profecias terráqueas falam do Juízo Final. Parte dos terráqueos já entendeu que a linguagem das profecias é simbólica, que “fim do mundo” é só o fim de uma fase, uma espécie de renascimento para a nova fase, tanto no âmbito individual quanto num âmbito social. Mas outros entendem ao pé da letra e acham que a salvação virá de fora. Estes se acham os eleitos e creem que seu deus, de fato, irá resgatá-los.

Todos ouviam atentos, curiosos por ver onde o velho conselheiro queria chegar.

– Ora, ora… As profecias se realizam porque no fundo as pessoas creem nelas. Se existe a profecia, então ela deve ser realizada.

– Sábias palavras, Reuzaramon. Mas quem vai realizar a profecia? E de que modo?

– Conselheiros… Esqueceram que quem acredita em deuses, precisa de deuses para viver?

Reuzaramon sorriu ao perceber que finalmente começava a ser compreendido.

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BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04aNAQUELA MANHÃ, as nuvens do planeta Terra se abriram e dos céus desceram naves gigantescas, milhares delas, espalhadas por todos os países. Trombetas soaram ensurdecedoras, para todos ouvirem, em todos os cantos do mundo. De cada uma delas saiu um anjo com roupa prateada e grandes asas reluzentes para avisar que o grande dia chegara e que os eleitos seriam levados.

– Aí está! – berravam os líderes mulgélicos com lágrimas nos olhos. – Aí está o Deus Todo Abençoado que veio resgatar seu rebanho querido!

A imprensa do mundo inteiro transmitia o fim do mundo. Nas residências, nas repartições, nas academias, todos se mantinham em frente à TV. Audiência total. Até os botequins estavam lotados.

– Ô, seo Manel! O fim do mundo chegou. Desce aí a saideira.

– Só se você primeiro pagar o que deve.

Os mulgélicos atenderam ao chamado e ocuparam rapidamente os assentos das naves, emocionados, gratificados por sua fé finalmente recompensada. Muitos tentaram se converter de última hora, mas não havia mais lugar nas naves.

– Eu até que queria ir, mas os cambistas estão explorando!

– Que dia pro fim do mundo! Deus podia pelo menos esperar passar o réveillon.

Ao fim da manhã, as naves partiram, levando todos os mulgélicos ao paraíso prometido. Uma nave, porém, a maior de todas, permaneceu no pátio da sede da ONU. Suspense. Bilhões de pessoas acompanhando pela TV. Uma voz ecoou, vinda da nave:

– Amigos terráqueos. Ouviremos agora o pronunciamento da excelentíssima presidenta do Conselho da Confederação Galática, sra. Ziegr.

A presidenta surgiu à porta da nave, de microfone à mão. Pigarreou discretamente e começou a falar:

– Serei breve, amigos terráqueos.

Ela fez uma pausa, juntou as mãos como quem implora, e perguntou:

– Alguém tem unzinho aí?

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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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BaseadoNissoCLUBEDEAUTORESCapa-04a> Este conto integra o o livro
Baseado Nisso
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Quem tem medo do desejo feminino? (1)

04/05/2010

04mai2010

Você consegue imaginar Nossa Senhora tendo desejos sexuais? Alguma vez na vida você a imaginou fodendo?

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Na Idade Média o desejo sexual feminino foi demonizado pela Igreja Católica, servindo de pretexto para levar muita mulher ao fogo da Santa Inquisição. Coisa de homem que morre de medo de mulher. Coisa de uma religião altamente repressora da natureza, inclusive a natureza humana. Coisa de uma sociedade comandada por homens que não conseguem lidar bem com o princípio feminino em si próprios e, por consequência, ao redor deles.

Mas a Igreja Católica não está sozinha nessa perseguição ao tesão feminino. Em todas as culturas patriarcalistas o feminino é reprimido e o tesão das mulheres então, nem se fala. Essas sociedades fazem de conta que suas mulheres não sentem desejo, não pensam em sexo, e assim tratam de convencê-las de que mulher deve apenas casar, ser uma esposa prendada e fiel, cuidar do marido e dos filhos… E isso não se discute, tá, minha senhora, é assim porque Deus quer, e agora reze dois pai-nossos e três ave-marias pra senhora tirar esses pensamentos malignos da cabeça.

O mais triste é que a maioria das mulheres dessas tais sociedades, ao menos no nível da consciência, realmente se convence de que seu desejo sexual é algo errado. E como não se discute o assunto, pronto, está criado o tabu, um bicho que se alimenta do silêncio. E se o desejo feminino é um tabu, o prazer feminino é um tabu ainda maior…

– Senhores do Conselho. Não podemos permitir que esse assunto seja sequer comentado. Perderemos as rédeas de nossos casamentos se as mulheres descobrirem que podem ter prazer.

– Pior. Perderemos as rédeas do mundo!

– E vamo levar chifre pra caramba…

Esse último comentário aí foi do faxineiro, que estava varrendo o corredor e escutou o papo. Foi despedido no mesmo dia.

Se você é muito jovem, leitorinha querida, talvez se surpreenda, mas até algumas décadas atrás ainda discutíamos seriamente sobre se existia ou não orgasmo feminino. Eu juro!

bendita sois vós

Como todos os arquétipos, o arquétipo feminino possui variados aspectos. Em nossa cultura ocidental, que ainda é patriarcal-cristã, o aspecto mais valorizado do feminino sempre foi o maternal, aquele ligado à reprodução e ao cuidado com a prole. Durante séculos o maior ícone feminino foi Maria, a mãe de Jesus. Você consegue imaginar Nossa Senhora tendo desejos sexuais? Alguma vez na vida você a imaginou fodendo? Certamente não. Porque Nossa Senhora é um símbolo que evoca apenas aspectos do feminino ligados não somente a maternidade mas também a pureza e castidade, além de mansidão e passividade. Nossa Senhora é uma imagem inteiramente assexuada.

Se maternidade é apenas um aspecto do arquétipo feminino, onde estão outros aspectos como força, sabedoria e desejo sexual? Afinal sabemos que uma mulher também é e sempre foi capaz de ser forte, sábia e de sentir tesão. Esses outros aspectos foram reprimidos, tão reprimidos que só lhes restou morar no inconsciente das mulheres. E mais: a Igreja, estrategicamente, as projetou em imagens negativas, principalmente na da prostituta, o que fez dela o maior símbolo da sexualidade feminina, ela e toda a negatividade automaticamente associada. Estava formada a dicotomia: a maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.

Pra reforçar a repressão sobre o feminino sexualmente livre, a Igreja ainda transformou a Madalena dos evangelhos numa puta pecadora – mas uma puta que se arrepende, aaah bom, e que por isso tem seus pecados perdoados, ooohhh, e de bandida vira mocinha, louvado seja Deus!!! Bastante didático, admitamos. E que funcionou durante muito tempo. Porém…

dominando a natureza selvagem

Hoje, com a mudança dos valores, a emancipação das mulheres e a Igreja e seus ditames enfraquecidos, esses outros aspectos do arquétipo feminino se manifestam mais facilmente. As mulheres atuais podem exercer sua sexualidade de forma bem mais livre, sem medo de serem vistas como putas, pois aspectos como força, independência e desejo sexual não são mais privilégios das prostitutas. As mulheres podem agora ser fortes, ativas e senhoras de seus desejos livremente, e podem ser tudo isso ao mesmo tempo que são doces e maternais. A dicotomia foi finalmente quebrada, que bom.

A sexualidade livre e a independência são aspectos que ligam a mulher à sua natureza selvagem, ao seu lado animal, naturalmente livre, forte e sábio, conectado aos ciclos de crescimento. É o arquétipo do feminino selvagem, que durante séculos esteve reprimido no inconsciente. É por isso que os homens medrosos, o cristianismo e a sociedade patriarcal temem e reprimem o tesão feminino, porque sabem que não se domestica facilmente o que é selvagem. Uma mulher que tem consciência de sua natureza selvagem – como convencê-la a se aprisionar?

Para manter o domínio, a sociedade teve que fazer as mulheres esquecerem de sua natureza selvagem. E ainda hoje faz isso pois o medo da mulher independente continua existindo entre os homens – e até entre muitas mulheres. Mas mesmo presa e amaldiçoada, a mulher selvagem nunca morreu. O feminino selvagem está vivo, como sempre esteve. A diferença agora é que seus valores deixam o escuro do inconsciente das mulheres e aos poucos são incorporados pela consciência, tornando-as mulheres mais livres e independentes, mais fortes e ligadas à sabedoria natural. O mundo será mais belo e mais justo quanto mais o arquétipo do feminino selvagem for reativado em nossas mulheres, quanto mais elas perderem o medo de correr com os lobos.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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O texto a seguir foi publicado em 04.06.10, em minha coluna Kelméricas, no O Povo Online.
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O DESEJO FEMININO APRONTOU DE NOVO
Ricardo Kelmer

Esta semana usarei o espaço da Kelméricas pra me desculpar. Tenho um grande respeito por meus leitores e sei que aqueles que acompanham de perto meu trabalho acessam O POVO Online às sextas-feiras pra ler a coluna atualizada, bem fresquinha. Portanto, você que tá aí me lendo, desculpa pela coluna não ter sido atualizada semana passada. Vou explicar.

O texto não publicado se chama “Quem tem medo do desejo feminino?” e fala sobre a histórica repressão à sexualidade feminina. Ele foi enviado ao O Povo On Line mas não foi publicado. A resposta oficial do portal foi:

“Todas as colunas são lidas e publicadas apenas se estivem de acordo com a linha editorial do grupo. A coluna Kelméricas que deveria ter ido ao ar sexta-feira passada no O POVO Online continha expressões ofensivas aos devotos de Maria e palavrões e, portanto, optamos em não publicar em respeito aos leitores que professam o catolicismo.”

Foi-me sugerido que eu reescrevesse o texto. Decidi não reescrever. Agradeci e expliquei que não posso pautar meu trabalho pelo receio de que algumas pessoas se sintam ofendidas. Pra mim, escrever pensando nisso é um tipo de contorcionismo ideológico mais difícil que lamber o próprio cotovelo. E olhe que eu tenho a língua grande.

Sou leitor do jornal O Povo há 37 anos e desde 1993 escrevo em suas páginas. Do O Povo Online sou colunista desde 2004, com quase 300 textos publicados. Somando tudo, são muitos anos de uma boa relação de parceria que, mesmo sem envolver dinheiro, me traz muita satisfação e me mantém ligado às minhas raízes cearenses. E tenho um orgulho danado por todos os leitores que conquistei ao longo de todos esses anos, cada um deles. Sim, inclusive os religiosos raivosos que adoram me insultar, afinal eles também vêm aqui me dar a honra de sua leitura.

Mas e o tal texto? Ele tá em meu blog, disponível pra ser lido, avaliado e criticado.

O jornal tem suas razões, eu sei. E eu tenho as minhas. Mas entre as duas razões, estará sempre o leitor, a nossa razão maior.

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-06O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou…

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

Lola Benvenutti e a coragem de viver – A única salvação possível é sermos quem verdadeiramente somos. Parabéns, Lola, por sua coragem e autenticidade

Me estupra, meu amor – Fantasiar ser estuprada é uma coisa – querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente

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MAIS SOBRE LIBERDADE E O FEMININO SELVAGEM

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Os apuros do homem feminista – Minha busca por relações igualitárias foi dificultada também porque muitas mulheres, mesmo oprimidas, preferiam relações baseadas no velho modelo machista

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LIVROS

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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A água milagrosa do pastor pilantrão

25/04/2010

25abr2010

Putz, a que nível chegou a picaretagem religiosa. Esses pastores fazem mais milagres que o próprio Jesus!

A ÁGUA MILAGROSA DO PASTOR PILANTRÃO

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Lá tô eu, o sofá, a tevê e o controle remoto. Muda daqui, muda dali, nada de interessante pra ver. Mais uma tentativa, zap, zap, e nada. Aí resolvo aloprar. Já que não consigo achar nada de interessante, vou ver o pior da tevê. Zap. Ponho num canal religioso. Putz, religião às vezes me enerva, e fanatismo religioso então, nem se fala. Mas se eu tô num bom dia, até que consigo rir vendo o absurdo que rola nesses canais religiosos. Rio da desgraça alheia, claro, pois é lamentável o que a religião faz com a capacidade crítica das pessoas.

Me ajeito no sofá e começo a assistir. É um canal evangélico. Um salão amplo e um pastor falando pra plateia atenta. O pastor é um negão de paletó, com uma puta pança de cerveja, e sua que nem chaleira, fica o tempo todo passando o lenço na testa. Essas igrejas faturam horrores e nem pra botar um arzim condicionado no culto, eu, heim. Percebo que o pastor tem uma cara de picareta impagável esse é dos bons. E me ajeito um pouco mais no sofá, porque sei que vou dar risada. Mas nem imagino o que virá.

O pastor pilantrão manda subir ao palco uma senhorinha. Ela tem os seus setenta, muito simples, magrinha, e sobe ajudada por uma moça. O pastor anuncia que aquela senhora foi curada de trinta doenças, sim, trinta doenças, graças a quê? Graças à água milagrosa do rio Jordão. Que o fiel pode, evidentemente, adquirir na lojinha da igreja. Em garrafinhas de meio litro, litrão e garrafão família. E é claro que a água veio mesmo do rio Jordão, não tenho a mínima dúvida disso.

O pastor pergunta e a senhorinha confirma, sim, é verdade, foi curada de todas as doenças, agora tá boazinha. E a senhora trouxe a lista das doenças pra gente conferir?, pergunta o pastor, enxugando o suor da testa. A senhorinha diz que trouxe, sim, e tira um papel do bolso e passa pro pastor. Ele finge que tá impressionado com o caso, dá glória a Jesus, e começa a ler o nome das doenças. Tem doença mais comum, tipo resfriado e dor de cabeça. Tem também tosse de cachorro e frieira. Putz, a água milagrosa do rio Jordão cura até frieira? Essa é milagrosa mesmo.

Aí o pastor lê o resto das doenças. Escurecimento da vista. Foi curada. Passamento. Também foi curada. Espinhela caída. Também. Dor nas costas que responde na perna. Também.

A gargalhada que eu dou faz o gato sair correndo da sala, vruummm, um Ayrton Senna felino. Aumento o volume pra não perder nenhuma doença. Juízo fraco. Foi curada. Estalicido. Também foi curada. Dormência numa banda do corpo. Também foi. Cansaço no coração. Também. Os quarto arreado. Também. Pito frouxo. Também.

Ah, não, pito frouxo é demais, eu não aguento. Começo a passar mal de tanto rir. Percebo que até o pastor pilantrão se segurou nessa hora. Pito frouxo é realmente foda. Gente, como é que esses sujeitos podem ser tão cara de pau assim? E a senhorinha, quanto será que vai levar pra fazer esse papel ridículo? Uma mixaria, claro. Uma zilionésima parte do que será arrecadado ao fim de seu testemunho, ou só um lanchinho mesmo.

Tá pensando que acabaram as doenças? Acabaram nada. Vamos lá. Água nas junta. Foi curada. Zumbido. Foi curada. Gastura. Também foi. Lundu. Também. Entojo. Curada. Farnizim. Curada. Esquecimento. Curadíssima. Juízo incriziado. Também, nunca mais que teve. A pobre da senhorinha só fazia que sim com a cabeça, confirmando, fui curada, sim. Caramba, como que pode caber tanta doença numa criatura tão pequena?

Eu, no sofá, já nem consigo mais respirar, tô passando mal de verdade. Aí o pastor fecha a lista das doenças, dando glória a Jesus pela senhorinha ter sido curada de mau olhado. E de vozes e vultos. E também de sistema nervoso. Ahn? Ela foi curada de sistema nervoso? Mau olhado eu até entendo. Vozes e vultos, vá lá. Mas sistema nervoso é novidade. Doutor, meu sistema tá muito nervoso, me acuda.

Desligo a tevê me acabando de rir. Só faltava o pastor curar também a menopausa da senhorinha. Putz, a que nível chegou a picaretagem religiosa. Esses pastores fazem mais milagres que o próprio Jesus! Eu sento no sofá, enxugando as lágrimas, a barriga contraída de tanto rir. Será que a água milagrosa do rio Jordão cura câimbra no peritônio?

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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AS DOENÇAS DA SENHORINHA

Como alguns leitores ficaram curiosos sobre o significado das doenças da senhorinha, resolvi pesquisar. Não consegui todas as respostas que queria, mas trouxe algumas. Se você quiser contribuir, fique à vontade. E se vocês da igreja quiserem incluir essas informações no rótulo da Água Milagrosa do Rio Jordão, cobro 10% sobre as vendas, afinal também tenho direito a meu dízimo.

Dor nas costas que responde na perna – É a famosa inflamação do nervo ciático, que fica na altura da bacia. Quando bate, o cidadão deita até em cama de prego pra passar logo.

Escurecimento da vista – Dá muito quando a gente entra no túnel. Ou quando a gente ainda não almoçou e tem de empurrar carro enguiçado.

Estalicido – Não encontrei nada sobre isso. Será que é mal típico de evangélico picareta? Hum, acho que não. Se fosse, seria “não estalícito”.

Frieira – Irritação na pele dos pés, sobretudo entre os dedos. É geralmente causada pelo frio, daí o nome. Coça pra caramba.

Passamento – Termo usado em regiões do Nordeste que quer dizer desfalecimento, uma perda repentina da consciência. Também conhecido por turica.

Pito frouxo – Aquele velho relaxamento dos músculos do cu que nos acomete com o avanço da idade, o que geralmente nos torna velhos peidões e velhas peidonas. O que não quer dizer, em absoluto, que não existam também jovens peidões.

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ATEÍSMO E PICARETAGEM RELIGIOSA

Mais picaretagem – Vídeos sobre picaretagem religiosa

A picaretagem não tem fim – Vídeos sobre picaretagem religiosa

ATEA – Assoc. Bras. de Ateus e Agnósticos – Vale a pena conhecer. Ou você tem medo de mudar de ideia?

Neurocientista e escritora Suzana Herculano sai do armário – Bem vinda ao clube, Suzana!

O armário dos ateus – Os dados da ONU desmentem uma velha crença dos teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará para a criminalidade e infelicidade geral

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01- Tudo isso é caso de polícia. Mas, lamentavelmente, a nossa democracia, ou melhor, a nossa ANARQUIA, permite tudo.Enquanto isso, os bobos vão pagando o dízimo… Paullus – mai2010 (extraído da coluna Kelméricas, no jornal O Povo)

02- Cara não sou evangélico, e nem católico,por isso te digo…A igreja católica, e outras mais por ai, fazem a mesma coisa desde o começo do mundo(1500 anos atráz) e o povo não vê. (ela é mais discreta.) Lembra da sta inquisição? São todos farinha do mesmo saco, só querem poder e dinheiro.Trabalhar que é bom, só o operário….. Carlos – mai2010(extraído da coluna Kelméricas, no jornal O Povo)

03- Religião sempre foi um prato quente para atrais picaretas ecorruptos. Religão, poder e dinheiro sao ingredientes perigosos demais para serem menosprezados! isso é só uma mostra de que quando queremos, podemos ser enganados. Só mudando de assunto, alguem reparou como o colunista se parece com o comediante Rob Shneider? Marcos – mai2010 (extraído da coluna Kelméricas, no jornal O Povo)http://opovo.uol.com.br/colunas/kelmericas

04- cuidado com tuas observações…o amanha á DEUSpertence!!!vc pegou muito pesado com suas criticas!!talvz vc nunca leu sobre a historia do catolicismo e outras por ae….agora valdomiro santiago é um homem de DEUS!!!..tenho pena de pessoas como vc e com esas observações!!! de Deus NINGUEM SE ESCONDE..CUIDADO!!! DEUS EXISTE E É REAL!!!… Anônimo – mai2010 (extraído da coluna Kelméricas, no jornal O Povo)

05- É lamentavel, fico pensando como uma pessoa passa anos na faculdade pra escrever tanta *** . Sinceramente acho que deveria procurar outra profissao. Maria – mai2010 (extraído da coluna Kelméricas, no jornal O Povo)

06- pohh vc estudou tanto …é horivel pessoas que usam qualquer argumento pra chamar atenção!!!…foi muito infeliz da sua parte abordar um assunto ligado a fé do povo…desejo que vc pense mais ao abordar certos assuntos!!!..afinal vc estudo e lutou…que vergonha!!!..nunca zombe do trabalho de DEUS!!!qm avisa amigo é..!!! Coitado – mai2010 (extraído da coluna Kelméricas, no jornal O Povo)

07- CONCORDO PLENAMENTE COM VC RICARDO KELMER ISSO E UMA ALIENAÇÃO COM O POVO UMA FALTA DE RESPEITO. Jessyka – mai2010 (extraído da coluna Kelméricas, no jornal O Povo)

08- Boa KEL cara muito boa…pessoas criticam pq devem ser da igreja e sabe muito bem q tem suas picaretas! é assim msm a realidade poucos gostam! Rodrigo – mai2010 (extraído da coluna Kelméricas, no jornal O Povo)

09- Nossa Ricardo kelmer ri muito desta sua dissertação sobre a água milagrosa. Imaginei cada cena e achei hilária sua narrativa. Gislaine Rodrigues da Silva, Belo Horizonte-MG – fev2016

10- Por aqui há ar de Fátima enlatado à venda. Imagina ar de Jerusalém, deve curar umas 36 doenças e ainda dá conta da menopausa! Susana X Mota, Leiria-Portugal – ago2019

11- Muito bom! Chorei de rir! Márcia Morozoff, Luziânia-GO – ago2019

12- Kkkkk. Ficou engraçado demais essa crônica. Felipe Muniz Palhano Xavier, Fortaleza-CE – set2019


O armário dos ateus

10/02/2010

10fev2010

Os dados da ONU e a pesquisa de Phil Zuckerman desmentem uma velha crença dos religiosos e teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará para a criminalidade e infelicidade geral

O ARMÁRIO DOS ATEUS

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A ONU, através de seu Relatório do Desenvolvimento Humano de 2005, apontou os países cujas sociedades são as mais saudáveis do mundo, segundo os indicadores de expectativa de vida, alfabetização, renda per capta, nível educacional, igualdade entre os sexos, taxa de homicídio e mortalidade infantil. São eles: Suécia, Dinamarca, Noruega, Islândia, Canadá, Suíça, Bélgica, Japão e Holanda. Esses países, porém, têm mais um ponto em comum: eles estão entre os menos religiosos do planeta.

Em 2005 e 2006, o sociólogo estadunidense Phil Zuckerman morou durante 14 meses na Escandinávia e entrevistou, em profundidade, 149 dinamarqueses e suecos de todas as classes sociais. Ele escolheu Suécia e Dinamarca porque queria descobrir como os dois países menos religiosos do mundo podiam ser os que possuíam os mais altos índices de qualidade de vida, com economias fortes, baixas taxas de criminalidade, alto padrão de vida e igualdade social. Sua pesquisa está em seu livro Society Without GodWhat the least religious nations can tell us about contentment (Sociedades sem Deus – O que as nações menos religiosas podem nos dizer a respeito da satisfação). “Eu quis mostrar aos meus conterrâneos norte-americanos que é possível que uma sociedade seja relativamente irreligiosa e, ainda assim, forte, saudável, moral e próspera”, explicou Zuckerman numa entrevista.

Os dados da ONU e a pesquisa de Phil Zuckerman desmentem uma velha crença dos religiosos e teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará para a criminalidade e infelicidade geral. Os defensores desse tipo de argumento creem que somente a religião pode dotar o indivíduo de sólidos valores morais. A realidade, porém, não sustenta essa tese, e nem é preciso recorrer a pesquisas: dê uma olhada nas notícias ou lembre das pessoas que você conhece e encontrará tanto ateus e religiosos honestos quanto ateus e religiosos trambiqueiros. Toc.

Caso o Brasil mantenha sua curva ascendente de desenvolvimento, continuará aumentando em sua população o percentual de ateus e não religiosos, que era menos de 1% em 1970 e hoje é aproximadamente 7,5% (censo IBGE 2000). Com isso, ateus e não religiosos terão mais visibilidade na sociedade, ganharão maior representatividade, inclusive política, e sofrerão menos preconceito. Toc, toc.

Muita gente que se diz religiosa está apenas repetindo o que aprendeu na infância, sem se dar conta de que poderia ter outra religião caso houvesse nascido em outro país ou crescido com outra família. Muita gente adoraria largar sua religião ou assumir-se ateu, mas tem medo da desaprovação e do preconceito que pode sofrer. De fato, não é fácil ser minoria. Porém, assim como os homossexuais e os negros conquistaram seus direitos, os ateus e não religiosos precisam se assumir para que possam também ser vistos, respeitados e votados. Como nos mostram os suecos e dinamarqueses, não é a crença em deuses, mas sim o respeito à dignidade humana o valor imprescindível à saúde e prosperidade de uma sociedade.

Toc, toc, toc. É hora de sair do armário.
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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

A água milagrosa do pastor pilantrão – Putz, a que nível chegou a picaretagem religiosa. Esses pastores fazem mais milagres que o próprio Jesus!

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

Quem tem medo do desejo feminino? – Você consegue imaginar Nossa Senhora tendo desejos sexuais? Alguma vez na vida você a imaginou fodendo?

Nem tudo evolui, Darwin – Para os religiosos radicais, por exemplo, o conhecimento deve continuar preso num calabouço medieval, de onde jamais deve sair

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu. O que pode sair desse mato?

> Textos sobre religião e ateísmo neste blog

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LEITURAS AFINS

LeitorVipElaLivro-101Ateísmo na Wikipedia

Como a fé influencia sua vida (Revista Galileu, abr2009)

Entrevista com Phil Zuckerman (para o site do Instituto Humanitas Unisinos, ligado à Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo-RS)

ATEA – Assoc. Bras. de Ateus e Agnósticos – Vale a pena conhecer. Ou você tem medo de mudar de ideia?

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Quinze sem amolecer

05/02/2010

Ricardo Kelmer 2010

Este ano estarei lá novamente, levando meu orgulho de fazer parte da história desse que é um dos mais interessantes eventos que conheço

Há quinze anos, desde 1996, que participo do Encontro da Nova Consciência, em Campina Grande-PB, sem faltar a nenhum ano. É incrível como ainda não enjoaram da minha cara. Este ano estarei lá novamente, levando meu orgulho de fazer parte da história desse que é um dos mais interessantes eventos que conheço. Interessante e resistente pois, apesar das grandes dificuldades que enfrenta, todo ano ele está lá, a erguer sua bandeira de amor à humanidade, respeito à Natureza e celebração das diferenças.

Criado em 1992, o ENC reúne, no evento central e nas dezenas de eventos  paralelos, representantes das diversas áreas do conhecimento, da arte e das tradições, sempre buscando soluções pros problemas do mundo através do diálogo e do respeito. É uma oportunidade raríssima de encontrar e conhecer tantas diferenças de uma vez só.

Este ano, a 19ª edição do evento acontecerá de 12 a 16 de fevereiro, no SESC Centro de Campina Grande. O encontro, que já faz parte do calendário turístico nacional, tem como tema “Sustentabilidade e Responsabilidade Sócio-ambiental”.

Durante os cinco dias do evento serão realizadas palestras, debates, oficinas, cursos, consultas e atendimentos, lançamentos, apresentações artísticas e feiras, além de outras atividades. Dentre os encontros paralelos estão o Encontro de Neopaganismo, Encontro de Ateus e Agnósticos, Encontro sobre Homoerotismo, Encontro dos Baha’ís, Encontro de RPG, Encontro de Anime Cult, Encontro do Santo Daime, Encontro Hare Krishna, Encontro de Budismo, Encontro de Cinema, Mostra de Curtas, Encontro de Literatura Contemporânea, Rock na Consciência, Encontro de Ufologia, Encontro de Tarólogos, Encontro de Arqueologia, Encontro da Arte Mahikari, Encontro do Idioma Esperanto, Encontro Sai Baba Avatar e a Cultura Indiana, Encontro de Sufismo, Encontro GLBTT, Encontro da URI, Encontro de Filosofia Perene, dentre outros.

Participarei este ano com uma palestra, no Encontro de Cinema, sobre o filme Avatar (A Mensagem de Avatar ao Povo da Terra, resumo aqui) e numa mesa sobre Literatura e Novas Mídias, no Encontro de Literatura Contemporânea. A outra mesa é no encontro principal, sobre Alternativas para o Mercado Cultural Independente. Levarei meus livros, inclusive o mais recente, Vocês Terráqueas. E, é claro, irei à feira popular da cidade pra degustar aquele sarrabulho transcendental com aquela cervejinha geladamente redentora, que santo eu nunca fui.

Mais informações: www.novaconsciencia.com.br.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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A Mensagem de Avatar ao Povo da Terra
Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele

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A mensagem de Avatar ao Povo da Terra

28/01/2010

28jan2010

Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele

A MENSAGEM DE AVATAR AO POVO DA TERRA

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Muitos aplausos merece James Cameron por seu filme Avatar. Se o cinema já é uma experiência meio onírica, agora, com as técnicas de filmagem para a tecnologia 3D criadas pelo diretor, avançamos ainda mais dentro do sonho. Pena que, quando acaba o filme, estamos de volta ao nosso pesadelo terráqueo, do qual não conseguimos acordar.

A história de Avatar é simples: os humanos, interessados num valioso mineral existente na lua Pandora, invadem a terra de um povo humanoide, que se defende bravamente e conta com a ajuda fundamental de um humano que vira a casaca e passa a lutar ao seu lado. O roteiro não tem atrativos maiores e chega a ser previsível. Os personagens vestem os velhos modelões: tem o mocinho que se transforma ao longo da história, a mocinha que gosta dele, outro cara que gosta dela, o vilão malvado que morrerá no embate final…

Então, Avatar teria como único destaque os efeitos especiais, aperfeiçoados pela nova tecnologia 3D? Não. O filme tem o grande mérito de focar com competência na questão ecológica, e o faz em duas frentes: no visual exuberante do mundo de Pandora e na conexão mística de seu povo, os Na´vi, com a Natureza. Em Avatar, o 3D nos entretém e sempre rouba a cena, é verdade, mas a mensagem ecológica fica em nossa mente após o filme. E é isso que importa.

Toda a força do povo Na´vi vem do fato deles entenderem Pandora como um ser vivo que se comunica com tudo que nele vive, inclusive com os Na´vi, que não apenas o habitam mas são parte integrante desse ser. Eles vivem de forma harmoniosa com Pandora porque é assim que se sentem, unos com ela, e por isso sua relação com tudo que vive é de um respeito carregado de sacralidade, devoção e gratidão, como se fosse uma religião. Ops! Chegamos a uma das melhores coisas de Avatar: a religião dos Na´vi, se é que podemos chamar de religião, é a própria Natureza.

E aqui na Terra, fora da tela? Aqui, seguimos em nosso pesadelo real. O Homo sapiens, a única espécie sobrevivente da linhagem hominídea, vive um momento evolutivo decisivo: ou se entende já com a Natureza ou então procura outro lugar para morar. Putz, por que chegamos a esse ponto lamentável? A resposta estaria prontinha na boca de qualquer Na´vi: Porque vocês se separaram da Natureza. E não poderemos discordar. É justamente porque nos entendemos separados da Natureza que desrespeitamos as leis do planeta onde vivemos, e achamos que escaparemos impunes. Não escaparemos porque, sendo parte da Terra, ao destruí-la estamos também destruindo a nós mesmos.

Repensar a forma como nos percebemos em relação à Terra e a nós mesmos, é disso que precisamos, urgente. Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele. Se você pensou agora na teoria de Gaia, é isso mesmo. Segundo a teoria, a Terra é um superorganismo vivo, autoconsciente, dotado de inteligência própria, capaz de se autorregular e que, como tudo que vive, busca o equilíbrio interno. E nós, assim como tudo que vive na Terra, fazemos parte desse equilíbrio. Infelizmente, o Homo sapiens civilizado desprezou o que seus antepassados sabiam, e o preço disso pode ser seu próprio extermínio, como outras tantas de espécies que não souberam se adaptar ao equilíbrio geral do organismo maior.

Religiões gostam de cultuar deuses distantes, entidades inalcançáveis, tudo muito longe daqui. Talvez seja o momento de focar mais perto em nossa busca pelo Sagrado. Se existe algum tipo de religiosidade que pode nos salvar a todos, ela se resume ao amor pelo planeta e pela Humanidade. Uma religiosidade sem deuses, templos ou dogmas. Sem salvadores, pecados originais, guerras santas, e sem dízimo. Uma religiosidade cuja salvação virá de uma profunda mudança de percepção – ou não virá.

Ah, mas como cuidar de algo que não é de ninguém e no qual todo mundo mete a mão? De que adianta alguns terem essa noção sagrada da Terra se outros não têm e esses continuam a desrespeitá-la? Chegamos à conclusão inevitável, que é a mensagem mais importante de Avatar: só cessaremos o desequilíbrio do organismo geral se agirmos como organismo geral. Em outras palavras, é somente nos entendendo como um povo só, o Povo da Terra, que poderemos cuidar devidamente da Terra e de nós mesmos. Enquanto formos vários povos, vários países e várias religiões, não alcançaremos a visão do todo. Enquanto houver fronteiras, religiões e outras noções separatistas, não nascerá a unidade necessária para agirmos em conjunto. Somente quando surgir o Povo da Terra é que haverá salvação para o Homo sapiens.

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Ricardo Kelmer 2010  – blogdokelmer.com

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PALESTRA
Este texto é o resumo da palestra que fiz no Encontro de Cinema, um dos eventos integrantes do 17o Encontro da Nova Consciência, festival de caráter multicultural que acontece desde 1992, durante os dias de Carnaval, na cidade de Campina Grande, na Paraíba.

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AVATAR – TREILER

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FILMEAvatarCartaz-01AVATAR – FICHA TÉCNICA

Avatar
Diretor:
James Cameron
Elenco: Sam Worthington, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Zoe Saldana, Giovanni Ribisi, Joel Moore
Produção: James Cameron, Jon Landau
Roteiro: James Cameron
Fotografia:
Mauro Fiore
Trilha Sonora: James Horner
Duração:
150 min
Ano: 2009  –  País: EUA
Gênero: Ação  –  Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Twentieth Century-Fox Film Corporation / Lightstorm Entertainment / Giant Studios
Classificação: 12 anos

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LEIA NESTE BLOG

A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo

Minha noite com a Jurema – Nessa noite memorável, fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

Xamanismo de vida fácil – A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos

Pátria amada Terra – É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

Uma bandeira diferente – As pessoas saudavam o nascimento do novo símbolo que emergia do fundo da alma de todos falando de paz e unicidade, de um mundo unido e sem divisões

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DICA DE LIVRO

LIVROOBuracoBrancoNoTempo-01O Buraco Branco no Tempo
Peter Russel – Editora Aquariana, 1992

As ideias deste livro inquietante vão além de muitas compreensões padronizadas que temos a respeito da vida. Elas nos levam a pensar sobre o tempo de uma forma diferente e nos fazem exercitar uma nova maneira de nos percebermos, como espécie, dentro do contexto da evolução e do Cosmos. O físico Peter Russel, numa linguagem acessível, mostra porque a atual crise da Humanidade é, na verdade, uma crise de percepção, e chama a atenção para o ritmo vertiginoso da atual evolução tecnológica. Podemos, neste momento, estar à beira de um decisivo salto de compreensão a respeito do tempo e de nós mesmos.

> Teoria de Gaia na Wikipedia

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01- adorei o artigo sobre Avatar. Voce pegou o ponto central da questao… e o pior é que esta é uma sindrome bem comum desde uma escala pequena (ruas e pracas) ate a escala global. Temos esta ideia que somos meros visitantes, com bilhete pago e direito a faxineiro para colocar tudo de volta como era quando a gente sair… ahh tolos mortais :- ) … Desenvolvemos inteligencias incriveis em tantos campos da vida, mas ficamos tao especializados que estamos cada vez menos sabios para entender o todo e como nos relacionamos com este todo! Roberta Lossio, Recife-PE – jan2010

02- Sintetizadissimo! Depois faço um comentário mais aprofundado. Massa demais. Gabriel Sousa, São Paulo-SP – jan2010

03- êêê…a menina de olhos puxados ressuscitou tua consciencia cósmica!!! Edgar Powrczuk, Porto Alegre-RS – jan2010

04- Gostei muitíssimo. Houve uma sinapse em mim, por volta de dezembro, que me faz viver hoje, justamente, o fim da era separatista e o renascimento pela Unidade… Vou repassar, viu? Amei. Um cheiro. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – jan2010

05- Você é simplesmente DEMAIS. Gosto de tudo o que vc escreve, me identifico com seu pensamento holistico de vida e espiritualidade.Te adoro! Beijos. Sandra Neves, Belo Horizonte-Mg – jan2010

06- NÃO TENHO O MENOR INTERESSE NESSA BABAQUICE NEW AGE E MUITO MENOS NAS IDIOTICES PRETENSAMENTE LITERÁRIAS E PRETENSAMENTE ERÓTICAS QUE VC ESCREVE. DESCULPE-ME, MAS VC É UMA FRAUDE! QQ SER HUMANO CAPAZ DE DIZER QUE AVATAR “FICARÁ MARCADO NA HISTÓRIA DAS ARTES” SÓ PODE SE UM DÉBIL MENTAL OU NÃO ENTENDER ABSOLUTAMENTE NADA DE CINEMA OU ARTE. Marcos K, São Paulo -SP – jan2010

07- Que liiindo!!! Não tinha vontade nenhuma de ver este filme, mas este seu artigo me convenceu. É deste Ricaredo que eu gosto, quando fala sério, do universal. Os dois últimos parágrafos estão divinos. Parabéns e muito sucesso nesta palestra do Encontro da Nova Consciência. Muito obrigada. Até que enfim uma luz no fim do túnel. Gilvanilde Oliveira Falcão, Fortaleza-CE – jan2010

08- Amei a cronica sobre a visao de Avatar. Vc ja me fez despertar duas visoes diferentes de filmes: Matriz e agora Avatar. eu amei e ja repliquei. Fabiano Brilhante, Fortaleza-CE – jan2010

09- Todo verdadeiro Xamã é profundamente RELIGIOSO no sentido original e etimológico do que significa ser religioso. Ele e a Natureza são um só. O Espírito Católico/Javético DESLIGA e o Espírito Xamã RELIGA. Hey xamã nordestino!!!!!, Me likes muitão tua ALMA. Tua PANDORA/HELENA/SHERAZADE/PROSTITUTA SAGRADA… Patrícia Lobo, Salvador-BA – jan2010

10- Ainda não assisti ao filme, mas depois dessa crônica, desse final de semana não passa! Mônica Burkleward, Recife-PE – jan2010

11- Caro amigo, é sempre um prazer compartilhar esta percepção de unicidade e de – SINTO-ME FELIZ EM USAR ESTA PALAVRA QUE HÁ TEMPOS EVITO – religiosidade. Sim Na’vi poderia ser nossa Gaia. Somos uno e estamos conectados com o planeta, não compreender isso é buscar o próprio fim. Também tenho feito algumas palestras sobre o tema, e vinculado a educação a distância nesse paradigma de integração. José Lins Jr., Juazeiro do Norte-CE – jan2010

12- O próprio filme, a tecnologia, o cinema como arte, são separações/criações de algo do humano que não estão na natureza. Nós não somos naturais, desde a metáfora da “saída do paraíso”. Não estamos como água na água, como os outros seres vivos, como dizia o George Bataille. E também Hegel: “o homem é a doença do animal”. Diante disso, a única saída é nos conscientizarmos do nosso alto poder destrutivo, inclusive contra nós mesmos e procurarmos soluções de controle e auto gestão pela força, que é a única coisa que é respeitada. Direito, justiça e leis, como coação, desde Kant. O problema é que o capitalismo se tornou maior que os Estados e a sua possível força. A coisa é muito complexa. Adianta o que cada um pode fazer e que, de certa forma, lentamente demais, mas simplesmente impossível de ter-se visto há poucos anos atrás, o discurso ecológico está aí, nem que os que não queiram, que vão utilizá-lo politicamente, não o queiram. O discurso ecológico é o velho silêncio da morte. Contra a morte, ninguém pode, e é isso que acontecerá com o planeta e com a raça humana. Diante da morte, própria, dos amados e odiados, o “povo da terra” vai ter que se unir. Se há alguma coisa ainda natural para o homem é a morte. Então, unam-se “o povo da morte”. Retornarão para a terra, “metafóricaliteralmente”….. Abraço, do amigo. Ronald Paula, Fortaleza-CE – jan2010

13- Adorei, querido! Vou reenviar para meus amigos!!!!! Liz Cristal, São Paulo-SP – jan2010

14- Adorei!!! Linda Mascarenhas, Fortaleza-CE – jan2010

15- Parabens Ricardo pelo seu blog. Maria Christina, Brasília-DF – jan2010

16- Bem, gostei bastante desta mensagem pois olha, assisti ontem a noite o filme Avatar… Muito lindo. Você tem toda razão, é tudo isso e mais um pouco. Realmente a mensagem ecológica fica na memória de quem assisti o filme, e para os mais sensíveis, fica ainda a consciência buscando algo a fazer em prol da natureza. Parabêns, esteja em Paz, sucesso em sua vida. Jaqueline Lima, Ariranha-SP – fev2010

Adorei, querido! Vou reenviar para meus amigos!!!!!Adorei, querido! Vou reenviar para meus amigos!!!!!