A Nova Consciência e o desafio das discordâncias

11/02/2015

11fev2015

Nesses vinte anos de Nova Consciência, aprendi muito sobre convivência e intolerância, e sobre mim

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A NOVA CONSCIÊNCIA E O DESAFIO DAS DISCORDÂNCIAS

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Neste Carnaval de 2015, completo vinte anos de Nova Consciência. A minha primeira vez foi em 1996, e desde então passei todos os meus carnavais em Campina Grande, na Paraíba, participando do Encontro da Nova Consciência, um festival multicultural que desde 1992 celebra a diversidade dos pensamentos reunindo, durante quatro dias, representantes das artes, ciências, filosofias, religiões e tradições em dezenas de eventos paralelos, todos empenhados em buscar um futuro melhor para a humanidade e o planeta. Não conheço nada igual no Brasil. É realmente um grande acontecimento.

Para mim, a Nova Consciência é uma rara oportunidade de ter contato com variados assuntos, e também de conviver por alguns dias com muitas pessoas que pensam diferente de mim sobre muitas coisas, mas que acreditam firmemente, como eu acredito, que os diferentes podem conviver em harmonia. Aproveito o Encontro também para intercâmbios com artistas de outros estados e outros países, isso é ótimo para enriquecer minha própria arte. E, obviamente, marco presença na feira para desfrutar da gastronomia paraibana, principalmente aquele velho e bom picado que, devidamente apimentado e acompanhado de uma cervejinha gelada, sempre me leva à mundana conclusão: viver é saboroso, ardente e embriagador.

Como escritor que sou, me interessa particularmente o Encontro de Literatura Contemporânea, onde nos reunimos nós, os fervorosos adoradores da palavra escrita. E, como sou ateu, adoro participar do Encontro de Ateus e Agnósticos, que muitíssimo me agrada pelo alto nível cultural e pelo tradicional bom humor. Rir ainda é o melhor remédio.

Mas não há lei, pelo menos ainda, que impeça um ateu de ter amigos religiosos, né, e eu adoro reencontrá-los em Campina Grande. Evidentemente, o que é sagrado para eles não me toca a alma, não no sentido religioso, porém há algo mais sagrado que qualquer coisa que eu e eles pensamos: o nosso direito de crer ou não crer, e de podermos nos expressar livremente, e de podermos discordar, e até de podermos desagradar. Porque a liberdade de ser inclui, necessariamente, a liberdade de expressão.

Nesses meus vinte anos de Nova Consciência, aprendi muito sobre convivência. Aprendi também sobre intolerância, pois infelizmente a proposta do Encontro desperta ódio nas mentes que se recusam a aceitar as diferenças. Aprendi, sobretudo, que preciso muito do diferente para me harmonizar com uma certa pessoa: eu mesmo. Sim, eu. Eu que, nesse longo caminho da aceitação, tenho de conviver todos os dias com as discordâncias dentro de mim.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com
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Site do Encontro da Nova Consciência
www.novaconsciencia.com.br

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Minha programação na Nova Consciência 2015:

NovaConsciencia2015Logo-01aLançamento do livro Indecências para o Fim de Tarde

Palestra: Maconha, Satanás e o escorredor de macarrão – A liberdade de expressão e o desrespeito ao sagrado (Encontro dos Ateus e Agnósticos)

Palestra: Sensualizando no sagrado – Erotismo, religião e opressão feminina (com Ivana Bastos)

Encontro de Literatura Contemporânea

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LEIA NESTE BLOG

DiversosEIguais-01aEncontro da Nova Consciência – Diversos e iguais – Não precisamos concordar com os outros. Mas podemos aceitá-los, tanto quanto quisermos também ser aceitos

O psicólogo, a Humanidade e a esperança – Os acontecimentos mostram que a Humanidade está se unificando, unindo seus opostos

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu

Pátria amada Terra – É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vim o todo

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O Reino Encantado de Jericoacoara

14/10/2014

14out2014

Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar…

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O REINO ENCANTADO DE JERICOACOARA

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Há certos lugares que a gente conhece e depois eles passam a morar naquele cantinho sagrado da alma, onde a gente pode se recolher quando quer descansar por uns instantes na doçura da saudade, sabe como é? Não sei se expliquei bem, mas para mim um desses lugares é Jericoacoara, no Ceará.

Quando cheguei a primeira vez em Jeri (só para os íntimos), em 1989, a pequena vila já era razoavelmente conhecida no circuito do turismo alternativo, mas não tanto como Canoa Quebrada, no litoral leste, que tinha um acesso muito mais fácil. Putz, foi amor à primeira maresia. Desde então, voltei lá algumas vezes, mas sempre é como se fosse a primeira vez. Eu estou sempre descobrindo Jeri.

Localizada a 300 quilômetros a oeste de Fortaleza e pertencente ao município de Jijoca de Jericoacoara, Jeri integra o Parque Nacional de Jericoacoara, o que impede a construção de estradas pavimentadas na região. Para chegar lá, ou você vai de helicóptero ou arrisca ir pela praia, respeitando as marés, ou enfrenta a areia das dunas (mas terá de deixar o carro numa área afastada do centro da vila). Ou então faz como a maioria, indo até Jijoca e, de lá, seguindo por quarenta minutos pelas dunas em carros especiais. O percurso, por si só, é uma autêntica preparação do espírito, um rito sagrado de iniciação para o viajante destemido ser aceito no Reino Encantado de Jericoacoara.

Sim, é uma aventura chegar lá. E estar lá é um sonho. E deixar Jeri é sempre uma tristeza por não ter ficado mais, misturada à esperança de voltar logo. Se você foi lá e não sentiu essas coisas, sinto muito, mas você não entendeu nada.

As publicações especializadas sempre elegem Jeri como uma das praias mais lindas e um dos melhores destinos do mundo para viajar. Não é nenhum exagero. Dotada de uma beleza semisselvagem, Jeri encanta por sua natureza preservada, dunas, mangues, rios e lagoas, e o mar, aquele marão imenso e azul, onde pode-se ver o sol e a lua nascerem e se porem, num poético espetáculo que é literalmente aplaudido pelas gentes abobalhadas no alto da duna, seus olhos brilhando de reverência e êxtase. Sim, um baseadinho nessas horas cai bem, mas Jeri já dá barato por si só, acredite.

Vou confessar uma falha de caráter: morro de ciúmes de Jeri. Quando vejo lá aqueles turistas tão caretas e convencionais, tenho saudade de quando apenas os malucos sabiam de Jeri. Saudade de quando não havia energia elétrica e nos hospedávamos nas próprias casinhas dos pescadores, compartilhando de sua comida e de suas histórias. Mas reconheço que é puro egoísmo essa minha nostalgia do que não tem como voltar. Hoje, Jeri vive do turismo, e, tirando certos poréns inerentes ao processo, felizmente os cuidados tomados ainda a mantêm bela e especial, harmonizada entre o simples e o moderno. Ainda.

Muitas línguas e sotaques se falam em Jeri, de tão cosmopolita que ela é, tantos os que lá aportam e não querem mais sair. Muitas línguas também se enroscam nas bocas, eheheh, tantos os convites que a brisa da noite sussurra no ouvido da gente, é um perigo. Jeri é assim, de repente um blues distante que o vento traz, uma fogueirinha que brilha na beira da praia, a noite que se insinua na poesia do luar.

O charme das pousadas, o aconchego dos cafés, os barzinhos tão graciosos… E os passeios além da vila? E aquela culinária saborosa? E os automóveis e as agências bancárias que não há? Impossível eleger o que é mais gostoso. Sem falar no clima, tanto o da Natureza como o de celebração da vida, sempre presente nos risos, brindes e olhares. Até mesmo se perder no labirinto daquelas ruazinhas de areia é bom.

Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar… Perca-se como eu me perdi. Porque um dia, como acontece com tudo na vida, Jeri nunca mais será o que é. E então ela virará um reino encantado dentro de você, sempre lhe chamando para voltar.

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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MAIS SOBRE JERI

O NOME – “Jericoacoara” é um termo da língua tupi e significa “toca das tartarugas-marinhas”, por meio da junção dos termos “îurukûá” (tartaruga-marinha) e “kûara” (toca).

Parque Nacional de Jericoacoara – Com uma área de 8.850 hectares, o Parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Impressões de viagem – Especial sobre Jeri no site do fotógrafo Fábio Arruda

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PERCA-SE EM JERI

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PousadaCasaDoAngelo-06aHOSPEDAGEM EM JERI

Pousada Casa do Ângelo – Charme rústico, aconchego, ótima localização, preço bom… Por essas e outras é que sempre me hospedo na pousada do meu amigo Ângelo Jorge, também conhecido no labirinto dos becos de Jeri por Baiano. Recomeeeendo.

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LEIA NESTE BLOG

IncultaEBelaDengosaECruel-8aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

O desejo da Deusa – Um encontro na praia, as forças da Natureza e um deus repressor

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

 

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Jeri e seus mistérios… aquelas ruas de areia sempre me levam de volta ao meu coração! Se eu voltar, eu fico… Susana Mota, Leiria-Portugal – abr2015

02- Parabéns pelo texto. Eu sou apaixonada por Jericoacoara. Erondina Lopes, Itapipoca-CE – mar2016

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A pergunta

23/09/2014

23set2014

Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

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A PERGUNTA

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Quando você estiver lendo esta crônica, eu talvez já esteja morto, meu corpo estirado no chão da sala e o vizinho desconfiando do mau cheiro. Ou talvez eu tenha sumido de repente, sem explicação, e neste exato instante estou sendo torturado numa sala sombria. Tudo é possível. Tudo pode acontecer agora que… descobri a verdade.

Ultimamente, eu vinha desconfiando. Porém, de um tempo para cá tudo ficou óbvio: a Inteligna existe. Parece papo de maluco, teorias da conspiração… Mas não é. A Inteligna existe sim. A Inteligência Maligna. E está cada vez mais poderosa. Ops! Acabo de escutar algo… Tem alguém aqui no apartamento… Eles chegaram! Nãããão! Aaaaaaahhhhhh!!!…

Eu exagerei, admito. Foi só um pouco de drama para chamar sua atenção. Mas a Inteligna existe. E sabe muita coisa. Sabe muito sobre você, por exemplo, pelas pistas que deixa por onde passa: seu cartão de crédito, o movimento da conta, navegação na internet, telefonemas… Sem falar nas câmeras de vigilância. Acha que exagero de novo, né? Ou que fumei daquele da lata. Eu entendo, é mesmo difícil conceber que somos monitorados por uma inteligência maquiavélica e invisível, que nos mantém sempre ocupados para que não façamos a pergunta.

Mas, que pergunta? Não posso dizer aqui… é perigoso. Mas posso dizer o motivo de não a fazermos: nós somos escravos. Escravos de uma realidade que nos cerca e cega o tempo todo com ideias e valores que fazem com que nos comportemos feito uma boiada. Numa boiada, todos seguem o movimento geral, ninguém se detém para pensar por que tem mesmo que seguir por aqui e não por ali. Se pensasse, perceberia coisas estranhas. Perceberia que, apesar da publicidade insistir no contrário, um celular novo não traz felicidade. Nem possuir o carro do ano. Nem ter vinte bolsas no armário, nem usar roupas de grife, nem frequentar o lugar da moda, nem ter o corpo igual ao daquela modelo.

Sutilmente, repetindo dia após dia, a Inteligna faz você se convencer que precisa de tudo isso para se autorrealizar. Então você compra isso e mais aquilo e se sente vivo, e brinda à sua felicidade, tim-tim! Mas aí o que você comprou saiu de moda. Aí lançam um modelo melhor e você ainda nem terminou de pagar o anterior. E aí você se endivida ainda mais. E não consegue alcançar a tal realização. Claro. A Inteligna não vende realização, vende ilusão. Se vendesse autorrealização, diria para você buscar onde ela sempre esteve: em você mesmo. Diria para você parar um pouco e deixar a boiada seguir sem você. Somente assim você se daria conta que não é apenas uma estatística de consumo, e se perceberia uma pessoa única. Então você diria oi para si mesmo e se faria a pergunta fatal.

O diabo é que isso nunca lhe ensinaram. Não se fala disso nos comerciais da novela, pois a Inteligna ocupa todos os espaços. Sim, uns livros falam disso, é verdade. Mas como encontrá-los?

Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável. A Inteligna sabe que os que fazem a pergunta automaticamente se desconectam da realidade criada por ela, feita de modismos, consumos, boiadas e ilusões. E o pior: esses que despertam acabam influenciando outros…

E qual é a pergunta que a Inteligna tanto teme? ‒ você já deve estar impaciente. Não posso dizer aqui, entenda. Melhor deixar a Inteligna na dúvida sobre se eu realmente sei ou não. Mas eu a escrevi neste texto, apenas está codificada. Se você já começou a virar o olhar para si mesmo, saberá encontrá-la.

Um boi que escapole da boiada é a verdadeira revolução. Porque o trabalho de trazê-lo de volta é maior que o de manter a boiada junta. Então seria melhor uma boiada inteira fugindo ‒ você pode concluir. Não. Porque ainda seria uma boiada. A única revolução possível é a individual. E começa com a pergunta que não querem que você faça.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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LEIA NESTE BLOG

WikiLeaksEONascimentoDaCidadaniaGlobal-01aJung – a jornada do autodescobrimento – Vídeo com um resumo da vida e das ideias de Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço criador da teoria do inconsciente coletivo

Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Seguir a boiada ou as próprias convicções? – Aos poucos podemos, cada um de nós, começar a agir de acordo com as nossas próprias verdades, aquelas que nos fazem sentir mais vivos, úteis e autênticos

A Matrix em cada um de nós – Em busca da realização mais íntima (tornar-se o Predestinado), o ego deve empreender uma longa jornada de autoconhecimento onde não faltarão medos e conflitos para fazê-lo desistir

Pequeno incidente em Hukat – Integrante do Projeto Sapiens de Monitoramento Planetário descobre irregularidades comprometendo a evolução da espécie humana e se envolve em rebelião contra Deus, o psicomputador.

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DICA DE LIVRO

MatrixEODespertarDoHeroiCapaEdicaoDoAutor-01Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Myitoooooooooo fodaaa esse texto Primo!!!! A inteligna está em tudo ao nosso redor, nos mantendo dentro do pasto cercado com grades e arames e concreto. A única forma de escapar é por um caminho que inicialmente é escuro, cheio de dúvidas. . O Caminho para Dentro. Rafa Moreira, Fortaleza-CE – jan2015

02- bacana, Kelmer!!! Tô de olho….rs. Teo Lorent, São Paulo-SP – jan2015

03- Sensacional como sempre. Jayme Akstein, Sidney-Austrália- jan2015

04- #Dalata. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2015

05- Identificação total. Que texto foda! ! ! Grande Ricardo! Alexsander Lepletier, Rio de Janeiro-RJ – jan2015

06- Quando encontramos a pergunta ja sabemos a resposta. Muito bom, Ricardo! Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – jan2015

07- cara, eu te curto demais….vc escreve coisas que eu penso! Mayara Nirley, Aracaju-SE – fev2015

08- Muito bom e bastante reflexivo! Fiquei um tempão subindo e descendo… lendo nas entre-linhas… Jean Nascimento, Aracaju-SE – fev2015

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A pior campanha antimaconha do mundo

12/09/2014

12set2014

Faltou bom senso e respeito aos criadores dos anúncios. Faltou noção das coisas. Faltou tudo

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A PIOR CAMPANHA ANTIMACONHA DO MUNDO

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Tem estupidez que é tão estúpida que se torna divertida. É o caso da campanha contra a legalização da maconha, promovida por um certo movimento Brasil sem Drogas. Os anúncios criados para a campanha abordam a questão das drogas de uma forma tão absurda que é impossível, para alguém de bom senso, levar a coisa a sério. Ou seja, o movimento criou uma campanha para ridicularizar a si próprio. E, pelo imediato efeito que provocou nas redes sociais, com piadas, paródias e galhofas de todo tipo, é uma séria candidata a entrar para o rol das piores campanhas de todos os tempos, um clássico do “como não se deve fazer”.

Os anúncios partem do princípio de que, uma vez legalizada a maconha, médicos, pilotos, professores e motoristas passarão automaticamente a trabalhar sob efeito da erva. É uma premissa tão estúpida que não deveria merecer respostas sérias. Exatamente por isso a campanha imediatamente tornou-se alvo de piadas e chacotas saborosas. Se a campanha buscava iniciar uma discussão séria, a falta de noção dos anúncios dificulta essa possibilidade.

DrogasMaconhaCampanhaRidicula-10

Analisando friamente os anúncios e tentando entender a lógica da campanha, rumamos inevitavelmente para duas possibilidades: ou os organizadores são altamente desqualificados para uma discussão legítima e profunda sobre o tema (ignorância moralista) ou eles tinham o propósito preestabelecido de confundir a opinião pública (desonestidade intelectual), apelando para uma mensagem alarmista e gerando ainda mais desinformação em torno de um tema delicado e polêmico.

Além de ser ridicularizado até por quem é contra a legalização, o movimento Brasil sem Drogas talvez precise arcar com o dissabor de processos judiciais, pois alguns profissionais se sentiram ofendidos pela campanha. De fato, os anúncios são muito grosseiros e desrespeitosos ao propor a ideia de que pilotos de avião, médicos, professores e motoristas são irresponsáveis a ponto de porem vidas em risco apenas pelo prazer de fumar um baseado. Faltou bom senso e respeito aos criadores dos anúncios. Faltou noção das coisas. Faltou tudo.

E o que leva uma agência de publicidade a participar de tamanha idiotice? A WCOM participou por realmente crer nas ideias da campanha? Ou foi só por dinheiro mesmo? Ou então, e isso às vezes acontece até numa sociedade onde a maconha é proibida, os caras mandaram ver num fumo estragado e criaram esses anúncios bizarros? Se foi isso, então pelo menos que aprendam a lição e da próxima vez procurem um fornecedor melhor.

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Indo além do ridículo da campanha, vale a pena insistir num ponto sério da questão: a atual política antidrogas já deu o que tinha que dar. A cada dia, mais médicos, cientistas, estudiosos e líderes políticos alertam para o fato de que o proibicionismo não resolveu o problema, o consumo e a violência só aumentam e a cada dia que passa as drogas estão cada vez mais baratas, potentes e acessíveis. Sejamos francos: a humanidade quer e sempre quis experimentar estados especiais de consciência, o que nos leva a deduzir que se trata de um anseio natural da espécie. Reprimir tal anseio não parece funcionar, e deixar o mercado na mão de bandidos também não.

No Brasil, há um projeto de lei de autoria do deputado federal Jean Wyllys que deverá ser votado em breve. Deixo que o próprio deputado o explique: “Legalizar e regulamentar a maconha e acabar com a guerra às drogas não é somente uma questão de liberdades individuais. É, também, uma questão de segurança pública e de direitos humanos. Por isso, meu projeto de lei 7270/2014 faz muito mais do que regulamentar a maconha: ele propõe uma série de mudanças radicais na política de drogas do Brasil. A legalização da maconha é um primeiro passo que, além de garantir as liberdades individuais dos usuários, será uma ferramenta fundamental para reduzir a violência, deixar de encher nossas prisões com a juventude mais pobre das periferias e acabar com uma guerra que já matou gente demais.”

Voltando ao ridículo dos anúncios… Pois bem, não resisti e criei minhas próprias versões:

DrogasMaconhaCampanhaRidicula-75

DrogasMaconhaCampanhaRidicula-76

Para quem não está familiarizado com o tema, essas receitas malucas (bolacha cream cracker com feijão gelado, miojo com doce de leite…) são típicas da larica, aquela fome que costuma acometer os humanos após fumar um baseado. Além de nos fazer rir bastante, a campanha também ajudou a divulgar excelentes receitas lariquentas.

Os anúncios da campanha são ridículos e agridem a inteligência das pessoas, é verdade. Mas talvez eles estejam apenas refletindo o desespero dos proibicionistas, que veem as políticas de legalização e regulação avançarem nos países democráticos. No Brasil, os debates ainda carregam o destempero das paixões, mas felizmente caminhamos para um amadurecimento da discussão, o que ficou claramente provado nesse caso da campanha do Brasil sem Drogas. Quando boa parte da sociedade reage imediatamente e com tal força a uma tentativa de convencer a opinião pública com argumentos absolutamente estúpidos, isso é um bom sinal.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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MAIS VERSÕES DOS ANÚNCIOS (selecionados nas redes sociais)

– Você entraria num avião cujo piloto se envolve com bandidos para poder fumar um baseado? Se a maconha for legalizada, isso não mais ocorrerá.
– Você teria coragem de delegar proteção da biodiversidade a quem pensa que essa diversidade foi criada num passe de mágica 6 mil anos atrás?

– Você teria coragem de entrar num avião pilotado por uma mulher que abortou? Se o aborto for legalizado, isso será normal.
– Você teria coragem de entrar num avião se Marina Silva fosse sua vice?
– Você teria coragem de ser operado por um médico que acabou de fazer uma oração?
– Você teria coragem de ser operado por um médico que dá um pulo vai pra frente e de peixinho vai pra trás?
– Você teria coragem de entrar em um avião cujo piloto é um feto num jarrinho? Se legalizarem o aborto isso será normal.
– Você entraria num avião cujo piloto não consegue se sentar para pilotar? Se o casamento gay for legalizado, isso será normal.
– Você entraria num avião cujo piloto é gato, porém escreve derrepente tudo junto?
– Você entraria num avião cujo piloto já pilotou helicóptero da família Perella?
– Você confiaria sua campanha a uma agência que faz um cartaz usando oito fontes diferentes?

SAIBA MAIS

Projeto de lei 7270/2014 – Conheça o projeto do Deputado Jean Wyllys

O guru do movimento – O movimento Brasil Sem Drogas cita bastante as ideias do ativista antidrogas Kevin Sabet, que luta contra a legalização da maconha no EUA. Conheça as contestações às suas ideias: aqui e aqui

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LEIA NESTE BLOG

SociedadeHipocritaAdolescentesDrogados-01aSociedade hipócrita, adolescentes drogados – Inês continuará se drogando e mentindo. Porque os pais e a sociedade mentem para ela

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado a gente não esquece

Quem tem a droga, tem o poder – Quem ganha e quem perde com a proibição das drogas?

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DICA DE LIVRO

baseadonissocapaa6aBaseado Nisso
Liberando o bom humor da maconha
Contos + glossário – Ilustrações: Hemetério

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado…
> Saiba mais,

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DICA DE VÍDEO

What if cannabis cured cancer – Este documentário de 2010, dirigido por Leo Richmond e com narração de Peter Coyote, mostra as numerosas possibilidades terapêuticas da maconha, principalmente na cura do câncer. Mostra também que sua proibição foi motivada e mantida até hoje por interesses capitalistas da indústria farmacêutica. Versão legendada em português (Maconha, a cura do câncer).

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O mundo transparente e a nova cidadania

07/11/2013

07nov2013

O povo não deve temer seus governos, os governos é que devem temer o povo

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O MUNDO TRANSPARENTE E A NOVA CIDADANIA

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Primeiro, foi Julian Assange, o australiano que criou o site Wikileaks para promover o vazamento de materiais secretos, como forma de combater a corrupção nos governos e nas empresas. Assange atualmente é perseguido pelo governo dos Estados Unidos e desde 2012 se encontra refugiado na embaixada do Equador em Londres.

Depois, veio Chelsea Manning (nascida Bradley Manning), a militar transexual do Exército dos Estados Unidos, que revelou documentos secretos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão e informações diplomáticas que expuseram a podridão do governo dos Estados Unidos. Manning foi presa, teve negados seus direitos constitucionais e foi condenada a 35 anos de cadeia.

E agora, surge Edward Snowden, estadunidense ex-funcionário da CIA que denunciou à imprensa os programas que Tio Sam, sob pretexto de combater o terrorismo, usa para espionar a internet e as ligações telefônicas de cidadãos seus e de outros países. Snowden refugiou-se em Hong Kong, depois na Rússia, e está sendo raivosamente perseguido pelo governo Obama, que não o perdoa por ter revelado a verdade.

Esses três casos são três furos na velha estrutura de sigilo e espionagem dos Estados. Por enquanto, os governos conseguem tapar um ou outro, mas em breve surgirão outros furos e será impossível conter tanto vazamento, pois o mundo é cada vez mais transparente, e até para os governos está difícil esconder suas ações, mesmo as mais secretas.

As facilidades das comunicações e dos transportes estão tornando as sociedades cada vez mais interconectadas. Atualmente, os países se organizam em blocos geopolíticos, dissolvendo suas fronteiras, e a internet, permitindo o intercâmbio multicultural diário, faz nascer nas novas gerações uma revolucionária noção de cidadania global, para a qual as guerras não fazem nenhum sentido e as diferenças não são meros pretextos para conflitos. Isso tudo motiva a luta por democracia e contra governos opressores, e aponta para um possível futuro onde não teremos mais países: a Terra será a pátria de todos. Sim, ainda há muitas diferenças a serem superadas, preconceitos, fanatismos religiosos, interesses capitalistas… Mas os acontecimentos se aceleram e, apesar das resistências da velha ordem, esse futuro já está acontecendo.

Julian Assange, Chelsea Manning e Edward Snowden tiveram a coragem de denunciar o que estava errado, mesmo sabendo que o preço por desafiar os interesses de empresas e governos poderosos pode ser jamais ter uma vida tranquila. Suas belas atitudes não mudam o mundo de uma hora para outra, mas nos fazem ampliar nossa noção de cidadania, de um nível nacional para um nível global. E também fazem as pessoas no mundo inteiro começarem a se dar conta de uma verdade óbvia: o povo não deve temer seus governos, os governos é que devem temer o povo.

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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O ATAQUE DOS HELICÓPTEROS

Em 12.07.07, na cidade de Bagdá, dois helicópteros do exército dos Estados Unidos executaram 12 homens durante um ataque surpresa. Os militares buscavam homens armados, mas confundiram dois funcionários da agência de notícias Reuters por causa de seus equipamentos e os mataram também, além de ferirem duas crianças. O site Wikileaks conseguiu o vídeo (gravado a partir da mira do helicóptero) e o divulgou em 2010, causando grande indignação em todo o mundo e contradizendo a versão do exército estadunidense mantida até então. O soldado Bradley Manning (que em 2013 viraria Chelsea Manning) foi preso sob a acusação de ter vazado o vídeo. Nesta versão do vídeo, o diálogo dos militares foi legendando em português e indicações mostram onde se encontravam os funcionários da Reuters. > Saiba mais sobre o ataque

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PatriaAmadaTerra-01aPátria amada Terra – É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo

WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

Eles estão na fronteira – Milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

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COMENTÁRIOS
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01- Muito bom Ric…o feitiço virando contra o feiticeiro… Emerson Boy Batista, São Paulo-SP – nov2013

 

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Por que defender o Estado laico

19/07/2013

19jul2013

Se você é religioso e crê na democracia, deve defender o Estado laico, pois somente ele garante que você sempre terá total liberdade de exercer suas crenças ou, se for o caso, sua não crença

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POR QUE DEFENDER O ESTADO LAICO

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No atual momento do processo de amadurecimento da democracia no Brasil, uma questão importante chama cada vez mais a atenção da sociedade: a laicidade do Estado. Afinal, quem ganha e quem perde com um Estado laico?

Para o bem da democracia, um Estado laico sempre será a melhor opção em relação a um Estado religioso (que possui uma religião oficial) ou ao seu oposto, um Estado ateu (que reprime todas as religiões). Sendo neutro e imparcial, o Estado laico permite e respeita igualmente todas as crenças religiosas e a não crença, desde que não atentem contra a ordem pública. Ele não privilegia este ou aquele credo e não apoia nem dificulta a difusão das ideias religiosas ou antirreligiosas, assim como não sofre interferência de nenhum dos lados na vida política.

A ideia da separação entre Estado e religião foi implementada pela primeira vez na Revolução Francesa, no fim do século 18, e desde então muitos países a adotaram, em variados graus. No Brasil, desde a independência em 1822, tivemos avanços e retrocessos nessa questão, e hoje vemos que o Estado brasileiro não é totalmente laico, mas vive um crescente processo de laicização, apesar dos permanentes perigos que rondam esse processo. A Constituição de 1988 não traz o termo “Estado laico”, mas defende a laicidade em vários pontos. Na prática, ainda temos muito que avançar. Num Estado laico, por exemplo, não faz sentido citar deuses nas cédulas ou haver símbolos religiosos nas repartições ou privilegiar esse ou aquele credo no ensino público.

Numa democracia, é saudável que as representações religiosas expressem suas opiniões, porém é péssimo quando se intrometem nos assuntos de Estado, buscando privilégios na vida política ou forçando seus dogmas nas áreas de educação e ciência, por exemplo. Se isso ocorre, o Estado fica refém da guerra das religiões que, na ânsia de arrebanhar fieis, fazem da esfera estatal seu campo de batalha. É legítimo que as entidades religiosas lutem por fieis na sociedade, mas não no ambiente político.

No Brasil, as entidades religiosas possuem vários privilégios que não deveriam existir num Estado laico, como a concessão de veículos de comunicação e a isenção de impostos (de renda, IPTU, IPVA, ISS), o que faz das igrejas um negócio perfeito para lavagem de dinheiro. Aliás, por que as religiões não pagam impostos e as escolas pagam? Alguns projetos de lei tramitam com a intenção de aumentar ainda mais esses privilégios, como um que livra de multa os carros dos fieis estacionados próximos de uma igreja ou outro que quer impedir que os bens de uma igreja sejam tomados por falta de pagamento ou por qualquer outro motivo.

Se você é religioso e crê na democracia, deve defender o Estado laico, pois somente ele garante que você sempre terá total liberdade de exercer suas crenças, ou, se for o caso, sua não crença. Muitos religiosos sonham com um Estado onde sua religião seja a oficial, mas isso é um grande perigo para a democracia, pois nos Estados religiosos os credos não oficiais costumam ser perseguidos e os direitos humanos e as liberdades individuais tendem a ser muito mais desrespeitados.

Com a laicização do Estado brasileiro, perdem as entidades religiosas que gozam de privilégios descabidos e os fanáticos religiosos que não sabem conviver com a diferença. E ganham a democracia e o bom convívio social.

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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HUMOR CONTRA O FANATISMO

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DICAS DE LEITURA

Observatório da Laicidade na Educação – Excelente trabalho a favor da laicidade no ensino público, com noções sobre Estado laico, religioso e ateu

A Caça às Bruxas na Europa Moderna – Brian P. Levack (Campus, 1988) – O estranho e terrível fenômeno da caça às bruxas é uma mancha de vergonha não só para a Igreja Católica como também para toda a cultura ocidental. Neste livro, o autor analisa as razões que levaram os tribunais eclesiásticos a julgar e matar milhares de pessoas pela suposta prática de magia maléfica e adoração ao Diabo. Por que tal fenômeno teve lugar justamente nessa época específica da História? Quem eram os acusados e seus acusadores? E por que motivo os julgamentos chegaram ao fim?

A Caminho da Fogueira – Michael Kunze (Campus, 1989) – Este é o impressionante relato de todo o processo de julgamento e condenação de uma família inteira de camponeses alemães do século XVII. O autor nos põe no interior de toda a trama e, com competência, nos leva a conhecer os meandros escuros dos processos inquisitórios da Idade Média

Inquisição: Prisioneiros do Brasil (Séculos XVI a XIX) – Anita Novinsky (Perspectiva, 2009) – A autora pesquisou arquivos em Portugal e, através da análise dos processos que a Inquisição moveu sobre mais de mil brasileiros, nos oferece um painel sobre a realidade das atividades do Tribunal do Santo Ofício no Brasil entre os séculos 16 e 19

Perseguição Religiosa – A história dos que morreram e mataram porque acreditavam em Deus – Revista publicada pela Mythos Editora

Inquisição na Wikipedia

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DICAS DE FILMES

Arquivos Secretos da Inquisição – Documentário. Produção: Canadá, 2006. Direção: Lauren Drewery. Foi exibido em formato de minissérie no canal The History Channel. Baseado em documentos inéditos e pesquisas que revelam inúmeros segredos do Vaticano, a minissérie tem intervenções de especialistas e retrata passagens obscuras da Santa Inquisição católica

Sombras de Goya – Longa-metragem de ficção histórica. Produção: EUA/Espanha, 2006. Direção: Milos Forman. Conta a história do grande pintor espanhol Francisco Goya dentro do contexto da Inquisição Espanhola do século 18

As Bruxas de Salem – Longa-metragem de ficção histórica. Produção: EUA, 1996. Diretor: Nicholas Hytner. Apesar de não ser sobre a Inquisição, este longametragem mostra como o fanatismo religioso pode facilmente promover uma histeria coletiva e levar a condenações injustas. O filme conta a história de um episódio real ocorrido no povoado estadunidense de Salem, Massachusetts, em 1692, que foi o último caso de condenação por bruxaria nos Estados Unidos. O filme é baseado em uma peça teatral, escrita em 1953 por Arthur Miller, que também fez a adaptação pro cinema

Giordano Bruno – Longa-metragem de ficção histórica. Produção: Itália/França, 1973. Direção: Giuliano Montaldo. O processo e a execução do astrônomo, matemático e filósofo italiano Giordano Bruno (1548-1600), queimado na fogueira pela Inquisição por causa de suas teorias contrárias aos dogmas da Igreja Católica

O Nome da Rosa – Longa-metragem de ficção. Produção: França/Itália/Alemanha, 1986. Direção: Jean-Jacques Annaud. Baseado no romance homônimo de Umberto Eco. Num mosteiro beneditino italiano do sec. 14, que guarda uma imensa e preciosa biblioteca, estranhas mortes começam a ocorrer, levando a Igreja a investigar. Nesse cenário instala-se a luta entre os valores da Santa Inquisição, representados pelo Inquisidor Geral Bernardo Gui, e a nova mentalidade renascentista, com sua postura humanista, representada pelo monge franciscano intelectual William de Baskerville

Para baixar estes filmes: filmesepicos.com

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LEIA NESTE BLOG

Bem vindo ao clube dos excomungados – Para a Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos – Crer que o ser supremo do Universo tá do meu lado e castigará quem discorda de mim e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo? ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

O armário dos ateus – Os dados da ONU desmentem uma velha crença dos religiosos e teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará pra criminalidade e infelicidade geral

Nem tudo evolui, Darwin – Para os religiosos radicais, por exemplo, o conhecimento deve continuar preso num calabouço medieval, de onde jamais deve sair

Quantas pessoas Deus já matou? – A grande maioria dos cristãos jamais se perguntou isso

Postagens sobre ateísmo/religião

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Ótimo texto ! Luce Galvão, Fortaleza-CE – jul2013

02- To tirando cidadania italiana. Nao de mora vamos ter um governo evangelico fundamentralista por aqui. Alberto Marsicano Rodrigues, São Paulo-SP – jul2013

03-  muito bom! Ana Erika Oliveira Galvao, Fortaleza-CE – jul2013

04- o pobre do adolescente não pode tomar uma cervejinha nem no aniversario, nem compra-la no supermercado, graças a lei da bancada evangelica. Alberto Marsicano Rodrigues, São Paulo-SP – jul2013

05- muy bueno, Ricardo, perdona si me he metido en tu muro… pero esto lo tenía que leer… y es que no hay casualidades…si no te importa…lo comparto en mi muro… y si te importa,ya no tendrá remedio porque ya lo habré echo… jajaja… Blanca Yo, Barcelona-Espanha – jul2013

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Onde baixar estes filmes:

http://www.filmesepicos.com


Acabou a paciência

19/06/2013

Ricardo Kelmer 2013

Cada um que protesta traz em si a frustração acumulada de tantas gerações por trabalhar dia após dia por um sistema econômico que finge querer o bem de todos mas concentra a renda

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Vemos neste momento as manifestações enchendo as ruas das cidades brasileiras e nos perguntamos: o que está acontecendo? Sabemos que os grandes grupos de mídia têm seus interesses corporativos a defender e mostram os fatos pelo lado que lhes é mais vantajoso. Em quem deve confiar o cidadão interessado em se informar?

Errou a mídia que acusou o movimento de ter apenas jovens riquinhos brincando de fazer revolução, que reduziu os manifestantes a mera massa de manobra de partidos e que supervalorizou os atos de vandalismo cometidos por uma minoria. Sim, há riquinhos e vândalos nas manifestações mas eles não representam a imensa maioria dos manifestantes, que são pacíficos, de classe média e apartidários.

Movimento Passe Livre é o nome do grupo que, convocando protestos pelo aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, acabou atraindo descontentes de toda parte e todos tinham algo mais para reivindicar. Como os protestos focam na melhoria do transporte público, isso forçará os governantes a priorizar essa questão em suas gestões, o que é ótimo. E como nos protestos não são poupados nem prefeitos, nem governadores e nem mesmo a presidenta, todos eles saem perdendo com as manifestações, o que é bem interessante.

Podemos ver pelos índices econômicos que o país melhorou em vários aspectos, sim. Porém, ainda há tanto a melhorar e as mudanças têm sido tão lentas que as manifestações que explodem pelo país inteiro sugerem algo que cedo ou tarde teria mesmo que acontecer: a população perdeu a paciência. O povo começa a perceber que, além do voto, o pleno exercício da cidadania inclui a fiscalização e a cobrança. Ponto para a democracia!

Raramente vimos na história uma mobilização popular de tal magnitude, espalhando-se espontaneamente e tão rápido por tantas cidades, sem lideranças definidas. A motivação inicial, que foi o preço da passagem, encontra eco mais que legítimo nas camadas populares, que precisam diariamente de transporte público, e agora os protestos miram também em questões como corrupção, reforma política, saúde, educação… Mas por que justamente agora?

As frases dos cartazes não o dizem diretamente mas arrisco afirmar que cada um que protesta traz em si a frustração acumulada de tantas gerações por trabalhar dia após dia por um sistema econômico que finge querer o bem de todos mas concentra a renda.

Revoltados por se sentirem injustiçados e não representados por seus políticos e governantes, os brasileiros parecem agora crer que podem mudar a situação indo às ruas. Se podem ou não, é o futuro que dirá, mas o presente já nos diz que o povo está enfim deixando de ser tão conformista e alcançando um novo nível de consciência política. É gol do Brasil!

Ultimamente vemos os protestos aumentando em muitos países. Com o mundo cada vez mais interconectado, a consciência coletiva passa a evoluir no mesmo ritmo e é assim que dia após dia as manifestações públicas por liberdade, democracia e direitos humanos se espalham pelo mundo. A humanidade parece exausta do capitalismo e dos atuais sistemas políticos.

A população brasileira, assim como em outros países, talvez esteja neste momento finalmente se dando conta de uma verdade óbvia: não é o povo que deve temer o governo, é o governo que deve temer o povo.

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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AHumanidadeOPsicologoEAEsperanca-02> A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

> Pátria amada TerraÉ animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

> A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisõe. Não vimos este ou aquele país: vim o todo

> WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

> Eles estão na fronteiraMilhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

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COMENTÁRIOS
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01- Disse tudo, primo!!! Vânia Dias, Fortaleza-CE – jun2013

02- Ricardo! Amei o texto! Vc disse tudo mesmo! Bjs! Isabella Furtado, Modena-Itália – jun2013

03- massa, tio! dá uma lida nesse outro texto: http://incandescencia.org/2013/06/18/isso-e-sim-sobre-20-centavos-conservadorismo-nos-movimentos-sociais. já vinha pensando sobre isso e esse texto me esclareceu algumas idéias. não concordo inteiramente com o autor, mas acho o texto valioso para o momento. hoje, por exemplo, vi o jornal da emissora cidade (eu acho) e eles faziam uma clara e obvia puxada das manifestações para um viés conservador e anti-dilma. logo após rechaçar os momentos de violência das manifestações e falar que os alvos agora são a corrupção e a violência, mostraram uma queda da dilma nas pesquisas de opinião. claro que, como diz o autor do texto, se fosse para algo mais à esquerda do PT, ótimo! mas não é! ‘é preciso estar atento e forte!’ abraço! Levy Mota, Fortaleza-CE – jun2013

04- PROPONHO UMA “nOVA CAMPANHA/MANIFESTO” INCLUSIVE, A SE ESPALHAR PELA NET COMO UM VIRAL: VAMOS REDUZIR EM PELO MENOS 50% O SALARIO DE TODA A CLASSE POLITICA,,,,,e aplica esta “economia” naquilo que o País realmente precisa… DUVIDO SE OS POLITICOS VIRIAM A PUBLICO PARA APOIAR ALGO ASSIM… E NADA JUSTIFICA OS SALARIOS ASTRONOMICOS DELES..NA-DA…. José Carlos Neves, Belo Horizonte-MG – jun2013

05- Concordo e compartilho Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos. Ivonesete Rodrigues, Fortaleza-CE – jun2013

06- Dez o seu texto,mesmo!Você pergunta ao final o porquê do MPL agora,né?Inúmeras situações históricas surgiram de coisas banalíssimas.Tipo aquela máxima do mosquitinho na garganta quando já passaram até elefantes…rs.O que estou admirada é que a herança getulista dos jogos associados à política(arghhhh…isto te lembra alguma coisa,tipo Roma????),estão por um fio.O Brasil pode até AMAR futebol,mas a chancela de alienado não está mais tão aderente assim. Quase uma primavera árabe porque pode ser esquecido na entrada do outono…rs. Fateha Liza, Corumbá-MS – jun2013

07- Bacana! E o pior de tudo, Kelmer, é que entre os países emergentes, o Brasil foi o que menos cresceu economicamente, ficando atrás de Rússia, China e Índia. Ou seja, só crescemos em comparação a nós mesmos. Sobre “os movimentos”, como dizia um moderno filósofo da Revolução Francesa (Iluminismo): “Estamos saindo da menoridade, do acomodo que sempre nos assolou.”
Revolução Francesa (1789 – 1799) – Estopim: O aumento no preço do pão.
Revolução Brasileira (2013 – ) – Estopim: O aumento no preço daquilo que nos leva ao pão – o transporte público. Abraços escritor, sucesso! Rômero Barbosa Sérgio, Porto Nacional-TO – jun2013

 


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