O dia em que morri no Rock in Rio

18/09/2011

18set2011

O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

O DIA EM QUE MORRI NO ROCK IN RIO

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Janeiro de 1985. Cidade do Rio de Janeiro. Missão Rock in Rio 1. Plano: burlar a segurança e entrar com uma garrafa de Tonel 21, cachaça da boa. Ok, plano bem sucedido. Agora eu e meu amigo Paulo podemos relaxar um pouco: um gole na bicha, um olho no palco, outro nas garotas. Cem mil pessoas em celebração. Outro gole. É um sonho pra mim. Vinte anos, estudante de comunicação, cabelão no ombro e oclinhos redondos à John Lennon. Todo pronto pra ver Rod Stewart, o ex-coveiro da voz rouca. Mais um gole. Putz, a vida é mesmo um filme emocionante!

Paralamas, Moraes Moreira, Rita Lee – no palco, o time doméstico dava seu recado. No gramado, eu e Paulo vivíamos intensamente o primeiro ano do resto de nossas vidas. E tentávamos prosseguir no plano: conseguir um baseado. Dizem que é pecado, mas não perderíamos a chance de começar a pecar em pleno Rock in Rio. Conseguimos um enorme e, aventureiros inexperientes, mandamos tudo de uma vez. Logo a mente e o corpo adentravam outro nível de realidade e tudo ficou diferente. Mas havia algo estranho, todos olhavam pra mim com aquelas máscaras das crianças em The Wall. Cem mil olhares inquisidores me perseguindo onde quer que eu fosse, inútil se esconder. Como todos podiam saber que eu estava doidão? Um real e amargo pesadelo.

Pouco depois comecei a me sentir enjoado e o enjoo foi piorando até que não me aguentei mais em pé. Revelei ao meu amigo: Paulo, eu tô morrendo…, e ele caiu na gargalhada, calma, Bete, calma. Bem, já que eu era um cabra marcado pra morrer, pelo menos morresse decentemente. Fraco e inteiramente chapado, me dirigi às bilheterias desertas. Arrumei uns papelões e deitei sob uma catraca. Meio litro de cana no sangue mais um torpedo canábico na mente tinha que dar nisso: todo o meu eu era uma rebelião em alto mar. Paulo, deixo pra você meu livro do Pessoa, e se encontrar a moça do ônibus, diga que eu a amo… Então, fechei os olhos e saudei Nick Beal, o agente do Inferno que chegava pra me levar à ilha das almas perdidas…

Mas Beal não veio. Preferiu curtir Ozzy Osbourne berrando lá no palco. Salvo pelo Ozzy, que ironia. Abri os olhos e percebi que estava vivo. E Paulo ao lado, vigiando minha morte. Dois perdidos numa noite suja. Das profundezas de minhalma uma voz ordenou que eu levantasse e fosse pra enfermaria. Meu amigo desaprovou: Tá louco, vão descobrir que você fumou, vão te prender! Amizade em conflito. Concordei e disse que então iria comprar algo pra comer. Saí… mas desviei pra enfermaria. Estava realmente decidido em minha tragédia de homem ridículo. Não me pergunte como, mas cheguei lá. Aí olhei a fila e desanimei: duzentas pessoas aguardavam atendimento.

Mas os lobos não choram. Furei a fila e balbuciei ao atendente: Eu tô morrendo… Acho que ele concordou, pois ato contínuo me botou pra dentro. Fui levado a uma saleta toda branca onde uma fria médica nazista me atendeu. Quis saber nome, endereço, idade, o tamanho do bagulho, ia anotando tudo. Era o terror kafkiano, eu morrendo e tendo que passar pela burocracia de um inquérito absurdo. Ah, mas aquela médica partidária do Grande Irmão não me pegaria tão fácil. Então menti em todas as respostas, eh, eh, eh. Depois estiquei o braço e puff!, injeção de glicose na veia. Deitei na maca e apaguei.

Súbito, percebi uns acordes… eram familiares… vinham de muito longe… Rod Stewart! Começando a cantar You´re in My Heart, uau! Despertei de um salto. Sentia-me bem, inteiramente revigorado. Quanto tempo se passara? A médica nazista não estava mais na sala. Na maca ao lado um rapaz se contorcia numa viagem pior que a minha, eu podia escutar os gritos do seu silêncio. Era preciso fugir daquele terrível asilo. A música estava acabando, o destino batia à minha porta e não havia muito tempo.

Boto meus oclinhos. A porta da saleta está aberta. Meto a cabeça no corredor e de lá avisto a saída do asilo. Brad Davis escapando daquela penitenciária turca. Deixo meu dublê de corpo lá na maca e saio em disparada pelo corredor, empurrando os enfermeiros. Corra, Lola, corra! Ah, não, me empolguei, desculpe, Lola é mais recente. Na saída, salto a corda e, nas asas da liberdade, me infiltro na multidão. Estou salvo. Já não precisam me mandar flores. Posiciono-me num lugar razoável e enfim concretizo meu sonho de ver o velho Rod. Missão cumprida.

Depois desse sufoco até o compadre 007 diria nunca mais outra vez. Mas Sua Majestade entenda: tenho apenas vinte anos e todo o pique do mundo. E sou eterno. Assim como os diamantes.

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica está cheinha de referências a filmes de 1985 e de anos anteriores. Quais você encontrou?

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Rod Stewart canta You’re in My Heart
no Rock in Rio de 1985
+ clipe do festival

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Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Cada história, hein, seo Kelmer. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – set2011

02- É uma figura!! Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – set2011

03- Peguei todas as referências cinéfilas dos anos 80, nesse Expresso da Meia-Noite no Rock-n-Rio entre dois Daunbailó! Divertido… Téo Lorent, São Paulo-SP – set2011

RK: Expresso da Meia-Noite (dir: Alan Parker, 1978). Ponto para Téo Lorent! Mas Daunbailó (Jim Jarmusch) eu não citei não, até porque não havia visto. 🙂

04- Não ligue para o seu passado, vai que ele atende!!! Nonato Freire, Salvador-BA – set2011

05- Adorei, ri de montão por aqui, vc a cada dia me surpreende mais. Bjokinhas. Mariucha Madureira, Brasília-DF – set2011

06- Ricardo, Valeu pela cronica meu velho ! Adorei … nesta época de Rock in Rio vale demais relembrar aonde e como cada um de nós estava no priemrio. Eu, por exemplo, estava em Quixeramobim assistindo tudo pela TV com uma sensaçao muito estranha de estar no lugar errado na hora certa ! um abraço forte. Tibico Brasil, Fortaleza-CE – set2011

07- muito boa, kelmer! adorei essa. lembrei quando fui ao meu primeiro hollywood rock ver bob dylan… e quando tomei todas na abertura do roger waters… quase perdi essa apresentação por causa de uma garrafa de roseira, uma pinga feita pela minha família lá no sul de MG… adorei a crônica! abç. Rodrigo Oliveira, Fortaleza-CE – set2011

08- hehehe, jóia! Giovanni Iemini, Brasília-DF – set2011

09- ‎”O dia em que morri no Rock in Rio” me deu espasmos de risos. Só tu mesmo, visse. Excelente! Rafaela Silva, Campina Grande-PB – set2011

10- Adorei! Ana Maria van Erven de Figueiredo, São Paulo-SP – set2011

11- Ótimo, Rico. Marta Crisóstomo Rosário, Brasília-DF – set2011

12- Se eu não tivesse nascido em meados dos anos 80, certamente teria pulado “o muro” com vocês “dois, perdidos numa noite suja”, e seria mais uma dando uma de “james bond”, nessa “ilha das almas perdidas” que descreveu… De fato, Kelmer, estaria também “marcada para morrer”. mas “os diamantes são eternos”, et voilà, aqui estamos nós! prontos para qualquer Rock in Rio que porventura possa acontecer… vou indo sr. dos labirintos descritivos, não fique triste. afinal, “lobos não choram”. Érika Zaituni, Fortaleza-CE – out2011


Quantas pessoas Deus já matou?

23/08/2011

23ago2011

Certamente a maioria dos cristãos jamais se perguntou isso

QUANTAS PESSOAS DEUS JÁ MATOU?

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Calcular o número de pessoas que morreram em nome do deus cristão é impossível, pois isso acontece desde o início dos tempos e continua acontecendo. Foram alguns milhões nas perseguições e guerras santas antigas e atuais e durante as Inquisições Católica e Protestante. Mais uns milhões no extermínio de povos ameríndios e africanos que não toparam se converter. Por questão de justiça, é bom incluir também os três milheiros do Onze de Setembro. É muita gente. E, pelo jeito, a matança vai continuar. Mas afastemos os amadores e vamos logo direto ao chefão. Quantas pessoas o próprio Deus matou ou ajudou a matar?

À primeira vista, a pergunta soa muito estranha. Certamente a maioria dos cristãos jamais se perguntou isso. Evidentemente, alguém pode vir com a argumentação teológica: foi o Diabo quem introduziu a morte no mundo e, por isso, Deus nunca matou ninguém. Bem, mas se o Diabo foi criado por Deus, então em último caso, Deus ainda é o responsável.

Quantas pessoas o próprio Deus matou ou ajudou a matar? O número exato só perguntando diretamente a ele. A Bíblia, porém, que é a sua palavra oficial, pode nos dar uma pista. Veremos que no Antigo Testamento Deus matava gente como se fosse formiga e por qualquer bobagem, era uma carnificina só. O que aconteceu depois? A humanidade melhorou? Ou ele entendeu que estava se cansando à toa e deixou que nós mesmos nos matássemos? O estudo da psicologia dos mitos oferece uma resposta interessante para essa questão. Mas por enquanto, vamos aos números de pessoas assassinadas por Deus, segundo ele próprio:

* Milhares de primogênitos do Egito – Êxodo 7 a 12
* Milhares durante as dez pragas do Egito – Êxodo 7 a 12
* Toda a humanidade no dilúvio, menos Noé e seus chegados – Gênesis 6:5
* A mulher de Ló, por olhar para trás – Gênesis 19:26
* Er, por ser mau aos olhos do Senhor – Gênesis 38:7
* Onan, por se masturbar – Gênesis 38:10
* 3.000 por adorarem um bezerro de ouro – Êxodo 32:27
* Por blasfemar – Levítico 24:10-23
* Por recolher lenha no sábado – Números 15:32-36
* Corá, Datá e Abrirão e suas famílias – Números 16:27-32
* Os dois filhos de Arão – Levitico 10:2
* 250 queimados vivos por oferecerem incenso – Números 16:35
* 14.700 mortos por reclamação – Números 16:41-49
* 24.000 por se prostituírem – Números 25:4-9
* Massacre dos Medianitas (32.000 virgens escravizadas) – Números 31:1-35
* Acá, seus filhos e filhas apedrejados – Josué 7:24-26
* Destruição da cidade de Ai – Josué 8:1-25
* Guerra a cananeus e ferezeus – Juízes 1:4
* Eúde mata em nome de Deus – Juízes 3:15-22
* Reis enforcados ao Senhor – Josué 10:22-25
* Destruição dos moabitas – Juízes 3:28-29
* Deus faz 120.000 midianitas matarem-se uns aos outros – Juízes 7:2-22
* Espírito do senhor faz Sansão matar 30 – Juízes 14:19
* Deus ajuda Sansão a matar 3.000 – Juízes 16:27-30
* Deus ajuda Israel a matar 25.100 benjamitas – Juízes 20:35-37
* Mais 25.000 benjamitas mortos – Juízes 20:44-46
* 50.070 por olharem dentro de um baú inútil – Samuel 6:19
* Deus ajuda Jonatas a matar 20 filisteus – Samuel 14:12-14
* Samuel esquarteja Apague em nome de Deus – Samuel 15:32-34
* Deus mata Nabal – Samuel 25:38
* Uzá, por não deixar o baú inútil cair no chão – Samuel 6:6-7
* Deus mata o bebê recém-nascido de Davi – Samuel 12:14-18
* 7 filhos de Saul enforcados ao Senhor – Samuel 21:6-9
* 70.000 mortos por Davi ter feito um censo – Samuel 25:15
* Por acreditar na mentira de um profeta – Reis 13:1-26
* 100.000 sírios em um só dia – Reis 20:28-29
* Deus faz um muro matar 27.000 pessoas – Reis 20:30
* Por não querer bater num profeta – Reis 20: 35-36
* Acazias, por adorar o deus errado – Reis 1:4
* 102 queimados vivos por Deus – Reis 1:9-12
* Pisoteado por não crer em Elias – Reis 7:20
* Jezabel devorada por cães – Reis 9:3-27
* Deus mata alguns estrangeiros – Reis 17:25-26
* 185.000 soldados enquanto dormiam – Reis 19:35
* 42 crianças, por zombarem da calvície de Eliseu – 2 Reis 23-24
* Saul, por não seguir a palavra de Deus – Crônicas 10:14
* 500.000 israelitas – Crônicas 13:15-17
* Jeroboão – Crônicas 13:20
* 1.000.000 de etíopes – Crônicas 14:9-14
* Jeorão, morto por tripas amaldiçoadas – Crônicas 21:14-19
* A mulher de Ezequiel – Ezequiel 24:15-18
* Ananias e sua mulher, por não darem todo o seu dinheiro à igreja – Atos 5:1-10
* Herodes morto por bichos – Atos 12:23
* População de Sodoma, Gomorra e cidades vizinhas, por fornicação – Judas 1:7

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Ricardo Kelmer 2011 – blogdokelmer.com

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Bem vindo ao clube dos excomungados – Pra Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos – Crer que o ser supremo do Universo tá do meu lado e castigará quem discorda de mim e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo? ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

Religião no poder é fogo – A primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos sustentáculos da democracia: a liberdade

> Mais textos sobre religião

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MAIS SOBRE ATEÍSMO

Os horrores da Bíblia – Por Huasca Terra do Valle

ATEA – Assoc. Bras. de Ateus e Agnósticos – Vale a pena conhecer. Ou você tem medo de mudar de ideia?

Ateus.net – O site conta também com uma comunidade para debates, encontros, bate-papos etc.

Ateus do Brasil – Ateus sem papas na língua, uni-vos aqui

Neurocientista e escritora Suzana Herculano sai do armário – Bem vinda ao clube, Suzana!

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COMENTÁRIOS
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01- Hoje li “Quantas pessoas Deus já matou” e me lembrei de um texto do Saramago, “O Fator Deus”. Ambos fazem refletir e nos deixam pensando ainda muito tempo depois de lê-los. Boa literatura, sejam romances, contos, artigos, poesias nos provoca, instiga, excita e permanece. Amplexos…. 😉 Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – ago2011

02- Gostei muito de todos os temas aqui propostos, porém um me chamou muita atenção: “Quantas pessoas Deus já matou?”
Deus vem sendo culpado por muita coisa ruim, vem sendo visto como aquele “senhor do exército” que fica no seu trono só dando ordens e fazendo os outros morrerem por ele. As religiões pintam em nossa mente esse deus, cruel, melindroso, irritadinho que se não fizermos o que ele quer, vem e nos dá os piores castigos. Cresci pensando assim e me perguntava onde estava aquele Deus justo e misericordioso que eu sentia em meu coração.
Deus não é esse ser que as religiões pregam, que usam como desculpa para matar uns aos outros, que usam para discriminar e humilhar, que usam para tirar dinheiro de quem pensa que tem fé. Isso aí chama-se interesse político e ganância por poder.
As pessoas ainda não sabem o que ou quem é Deus, eu mesma não sei. Mas sei sim, que há uma inteligência maior e imutável que está em conexão com o mundo inteiro, que nos dá o livre arbítrio para tomar as nossas próprias decisões e que nos tem imenso amor, pois o contrário já teria acabado com tudo isso aqui. O resto é “religião” e eu nem mesmo tenho a certeza de que isso seja coisa de Deus. Renata Kelly, Fortaleza-CE – abr2013


Livros e odaliscas

16/08/2011

16ago2011

Meia-noite. Volto do banho. Elas estão todas deitadas em minha cama, lânguidas odaliscas a me aguardar

LIVROS E ODALISCAS

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Putz, que perdição essas feiras de livros! Para um leitor compulsivo como eu, são verdadeira tortura. Tantos livros se oferecendo e tão pouco dinheiro… Mas sabe quando o diabo tenta, né? É aquela coceira que não deixa o cidadão em paz. E eu resisto a tudo, menos às tentações. Ai, a luxúria literária… Então lá vou eu. Respiro fundo e repito para mim mesmo: só tenho isso, só vou gastar isso. Neurolinguística, pensamento positivo, autocontrole. E seja o que o diabo quiser.

Das estantes, as tentações acenam e sorriem. Finjo que não é comigo. Para algumas, arrisco uma olhadinha de canto de olho, e passo reto. Mas tem umas ousadas: elas me puxam pelo braço e, quando dou conta, lá estou eu a acariciar sua celulose macia… E cheirar também, sim, adoro cheirar essas coisinhas. Um dia ainda inventarão livro eletrônico com cheiro. Então leremos O Perfume e sentiremos os odores da Paris antiga. As páginas do Brasil Nunca Mais federão a carne eletrocutada. Uau.

Saio da feira em êxtase, sete sacolas em cada braço, sacoleiro literário do Paraguai. Uma delas rasga próximo ao carro, livros caem, a capa de um deles amassa, eu quase choro. Sigo equilibrando dois Jung e um Campbell na cabeça, uma súbita admiração pelas lavadeiras. Chego em casa, sultão em seu harém: com qual odalisca começar? Esta. Não, aquela. Não, esta aqui que já está de páginas abertas. Bem, melhor tomar um banho antes. Ela não, eu.

Mas essas feiras não mexem apenas com minha porção leitor. Há também o escritor. E ele caminha silencioso, olhando os filhos dos outros nas vitrines. Termina comparando com os seus, não tem jeito. Então, acontece. De repente, ele surge na vitrine e, puff, somem todos os outros, só ele no mundo. O escritor passa em frente a seu livro, faz que não vê, para adiante, finge que esqueceu algo, passa de novo. A criatura está ali, e é claro que sabe que seu criador a observa. Se pudesse, desceria e lhe daria um bicudo na canela, protestar: Muito engraçado, eu te sustento e ainda sou obrigada a ficar aqui nessa posição ridícula o dia inteiro… Mas livro não dá bicudo. Sua vingança é botar mau olhado em si mesmo e não vender. Irgh!

O escritor então se afasta um pouco, quem sabe flagrará o momento exato em que o anônimo leitor se aproximará? Ah, o leitor, essa entidade mágica… O escritor o observa: ele se detém ante a vitrine, olha, estende o braço, toca sua criação, folheia seus primeiros segredos e, instante sublime!, chama o vendedor. Os dois conversam, não dá para ouvir o que dizem. Suspense. Rufam os tambores. Segundos depois, o leitor agradece e vai embora. Sem o livro. São cruéis, os leitores. Mas talvez não o fossem se o preço nas capas não desestimulasse tanto.

Filho não gosta que os pais o observem demais, analisem o tempo todo como se comporta. Então deixo o rebento lá, exposto em sua trágica solidão de quem não sabe o sentido da própria existência. E eu, por acaso, sei? Não sei se sei. Talvez não passe disso mesmo a minha sina: ser mensageiro das minhas profundezas, Mercúrio de mim mesmo. Seja o que for, não há mais retorno possível. Para mim, escrever é mais que prazer ou trabalho: é precisão. Se não botar para fora o que penso e sinto, enlouqueço de vez. E eu bem sei como tratam os loucos. Não quero ser mal tratado. Por isso sigo fingindo normalidade num mundo de reis nus e insanos.

Meia-noite. Volto do banho. Elas estão todas deitadas em minha cama, lânguidas odaliscas a me aguardar. Brinco de fechar os olhos e tentar adivinhá-las pelo cheiro, a textura da pele. Puxo uma delas e deslizo a língua em sua orelha, apoio o queixo no osso da lombada, deixo-me assim ficar, gozando as preliminares. Do inferno, me ameaçam os ecos de uma vaga preocupação com o cartão de crédito… Ela, porém, sussurra meu nome e é a visão de seu corpo seminu em minhas mãos que me salva. Sorrio agradecido e abro sua capa, devagar. Agora ela tem suas verdades escancaradas, e suspira. Agora sabe, finalmente, porque existe. Ela fecha os olhos e se delicia: de tanto saber que foi para esse sublime momento de entrega que foi criada, foi sim.

Quanto a mim, daqui a pouco tombarei para o lado e adormecerei, sua face pousada em meu peito. E sonharei um mundo lindo onde as sacolas não rasgam, nem preciso me endividar para ter os livros que nas vitrines sussurram meu nome.

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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O dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

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Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Kelmer Com K no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

Pesadelos do além – O pior pesadelo pra um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado.

O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas

Piratearam meu livro novo. Eu rio ou choro? – Já que tem cópia pirata solta por aí, prefiro que você, que é leitor do meu blog, leia a pirata certa

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01- Adorei esta crônica. Parece que vc leu meus sentimentos e emoções acerca das feiras de livros e livrarias em geral. Fico assim tb, qual viciada diante do vício. Não consigo ir a uma livraria só para olhar. Preciso possuir o livro! Nem emprestado tem o mesmo sabor. Eu quero o livro pra mim. Assim mesmo, egoísticamente. Gosto de tê-los à minha volta, em todos os cantos. E gosto de relê-los depois de tempos. Livros me emocionam… mas preciso tocá-los. pois é… sou tarada por livros. Adorei a sua crônica. De verdade. Mesmo! beijosssssss cá da Ilha da magia. Odete, Florianópolis-SC – abr2007

02- nossaaaaaaaa, Ricardo Kelmer eu amei =P. Rosana Pereira Marinho, Juazeiro do Norte-CE – ago2011

03- meu amigo kelmer.. sua imaginação domina sua criatividade. ou seria o inverso (rs_rs). Roberto Paiva, Fortaleza-CE – ago2011

04- seu olhar odalisca/diz no fundo/ah! deixa estar… Jules Laforgue. Alberto Marsicano, São Paulo-SP – ago2011

05- Gostei como gosto de várias coisas q vc escreve, começando pelo “Mulher Selvagem”, passando pelo livro e os textos frequentes. Nathalie Sterblitch, Resende-RJ – ago2011

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Estão abduzindo nossas mulheres

22/07/2011

22jul2011

Abdução em massa de brasileiras! E bem debaixo do nosso nariz. Alguém precisa fazer algo, senão só vai sobrar homem aqui

ESTÃO ABDUZINDO NOSSAS MULHERES

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Beleza? Sensualidade? O jeitinho de andar? Não sei exatamente o que a mulher brasileira tem, mas algo deve ter. Senão não tinha tanto ET cobiçando. Já reparou, meu amigo, que os ETs estão levando nossas mulheres? É um escândalo! Abdução em massa de brasileiras! E bem debaixo do nosso nariz. Alguém precisa fazer algo, senão só vai sobrar homem aqui.

Rumino sobre isso desde que fiz as contas e descobri, alarmado, que quinze amigas minhas já estavam vivendo com ETs. Quinze! É mais que um time inteiro. Elas levavam suas vidas normais e tinham suas profissões quando um dia… foram abduzidas. Num momento estavam ali, ao nosso lado, e no instante seguinte, puff, lá se iam na nave, pra sempre, viver em Modena, Boston, Munique…

Ah, não é nada agradável ver nossas meninas, tão lindas e poéticas, cultivadas com tanto carinho na estufa aconchegante da amizade tropical, de repente trocarem tudo pelo frio e por um branquelo gosmento que nem de futebol gosta. Que injustiça! Elas são alimentadas desde pequeninas com uma cultura alegre e morena, onde aprendem a ondular o corpo no ritmo natural das palmeiras ao vento, sabem deixar aquele cabelinho mimoso sobrando na nuca, têm aquele jeitinho brejeiro de chupar picolé de cajá enquanto falam no orelhão… e aí desce uma nave, sai lá de dentro uma criatura desengonçada com umas roupas estranhas e leva as meninas embora? Não, isso não tá certo. Tudo bem que fulana sempre teve fama de Maria Passaporte, só namorava ET. Mas a maioria não é assim.

Só pra piorar, um dia busquei quantos amigos homens foram abduzidos por ETeias. Encontrei um, unzinho. Quinze pra um? Tá desproporcional. As ETeias nada veem de interessante em nós homens brasileiros? Buáááá!

Imagino que sempre houve uniões entre pessoas de mundos diferentes, desde que, milhões de anos atrás, a tataravó da Chita viu aquele pitecanthropus pintosus da outra tribo se aproximando pra perguntar se ela tinha fogo. Mas a internet, a rapidez dos transportes e o aumento do turismo aproximaram mais as culturas e, com isso, as uniões interculturais aumentaram. Principalmente envolvendo as nossas chitas.

Lana, Fabiana, Isabella, Silvana, Michele, Andrea, Cris, Aninha… E as abduções prosseguem, mostrando que as brasileiras são altamente valorizadas no mercado abdutório. Antigamente, os ETs diziam: Leve-me ao seu líder. Eles eram meio gays. Hoje, eles endureceram a munheca e elas é que são levadas.

Estive pensando… Cá pra nós, meu amigo, será que não estamos dando conta do recado? Será que a exuberância da fauna local é tanta que nossos olhos já não a percebem como os de fora que aqui chegam? Estaremos sendo desatenciosos com nossas orquídeas?

Infelizmente a situação tá crítica, companheiro. Devemos reunir o alto comando e discutir o tema, urgente. Que tal sábado? Ah, é, não vai dar, tem a pelada. Hummm… Essas peladas, por exemplo. Todo sábado tem, são cinquenta e duas por ano. Que tal abdicarmos de uma pelada por um jantar romântico? Não, pra nós dois não, imbecil. Um jantar romântico com nossas mulheres. Vamos tentar, companheiros. Sacrificar uma pelada é muito? Você sugere meia pelada? Ah, entendi, a gente joga o primeiro tempo e sai no intervalo pro jantar. Claro, jantar romântico suado é o máximo.

Rudes… Será que somos brucutus demais? Mas rudeza é biológico, faz parte da natureza do macho. Menos dos ETs, claro, eles têm outra biologia. Então, derrotemo-los biologicamente! Hoje à noite, companheiro, você vai chegar batendo o pé na porta, pega ela pelos cabelos e arrasta pro jantar romântico. Aí, no motel, após o nheco-nheco, naquele doce momento do depois, você libera o cavalheiro que existe em você e diz assim: Amor, perdi a peladinha mas ganhei a peladona… Humm, esquece, essa foi péssima. Mas o importante é a bola dentro. Hummm, piorou.

Ah, quer saber? Elas gostam de ETs? Então que fiquem com eles. Nós ficaremos com as ETeias. Vamos atraí-las pro nosso país. Com subsídios e isenção de impostos. Isso mesmo! Vamos ensiná-las a ser como as brasileiras. Elas aprenderão a chupar picolé de cajá daquele jeitinho mimoso e a tirar piolho da nossa cabeça vendo a novela das seis. Saberão chegar na praia naquela poética alegria meio blasé, o andar deixando um rastro de bossa nova no ar, e depois estenderão jeitosamente a canga na areia e ajustarão o biquininho, mesmo o biquininho já estando no ponto, é só charme mesmo, e depois, e depois… Hummm, esquece. Jeitinho de brasileira não se aprende por decreto. Suspende os subsídios. Estamos fudidos.

Só nos resta partir pra ignorância: vamos junto com nossas meninas. É isso aí! A gente se esconde na bagagem. Lá a gente faz faxina, lava prato pro ET, dá-se um jeito. Longe delas é que não dá pra ficar…

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Este texto integra os livros Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino e Blues da Vida Crônica.

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Taí, não concordo com vc não. Os gringos têm mais é que levar a mulherada mesmo. Tem muita mulher nessa terra. Assim pelo menos diminui a concorrência rss. Agora falando sério, gostei do texto, assim como gosto de todos os seus textos. bjão. Sandi Nunes, Salvador-BA – jun2006

02- Gostei de “Estão abduzindo nossas mulheres”,mas isso é muito previsível,né?Achei o tema interessante e o questionamento do texto bem inteligente.Os marmanjos precisam ler isso. Sidiany Colares, Fortaleza-CE – jun2006

03- meu amor, vc foi brilhante!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! devo dizer que exprimiu perfeitamente a situação ! concordo com tudo o que vc falou, e na condição de menina com ET , devo dizer que o lance da pelada com os amigos me encheu muito o saco, mas por uma estranha sacanagem do destino encontrei um fanatico por futebol. o cara olha até o campeonato de futebol de botão da groelandia, pode? e eu volto a chupar o dedo ( não ria dessa expressão ! ) então devo dizer que se vc homen não uer ser trocado por qualquer outra raça ou não, domingo a tarde é bom pra ficar na cama ! mulher brasileira é tarada e todo mundo sabe ! quando estava com brasileiro, os caras ou eram doces demais ou selvagens demais…por que não um meio termo ? será pedir demais ? e quanto as femeas ETeias, posso dizer que são muito diferentes de nós tupiniquins. estão sempre preocupadas com a decoraçao da cama e etc. e nós só pensando e como arrancar a roupa dele , a nossa e os lençois ao mesmo tempo ! deu pra sacar a diferença? Michele Diamanti, Taranto-Itália – jul2006

04- O texto esta divino! Uma senhora homenagem a mulher brasileira. Adorei. Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – jul2006

05- Amigo, ficou maravilhoso! Sério mesmo. Suspeito que em muitas das suas leitoras – que por venturam já foram abduzidas – vai bater uma nostalgia do planeta natal… (Afinal, pegando carona nas associações tipo “troquei uma pelada mas ganhei uma pelada”, ou a da “bola dentro”, acrescentaria que é sempre bom levar na bagagem um ricardão) (Por acaso estava, Valéria ao meu lado quando abri seu e-mail. Daí foi só comentar com ela que era uma crônica sua que ela parou pra ouvir minha leitura – só foi interrompida pra darmos umas boas risadas e recuperarmos o fôlego, degustando cada linha até o desfecho de “macho derretido”. Valéria, que – ufa! -por pouco escapou de uma abdução no passado, mandou dizer que adorou.) Abração. Marcelo Pinto, Rio de Janeiro-RJ – jul2006

06- Li a crônica das abduzidas novamente e gostei, eu ja tinha gostado bastante do primeiro, mas ele era mais serio entao o final estava um pouco decepcionante porque acho que – ao menos nos mulheres – estavamos esperando uma solucao… agora ele esta mais leve e divertido de ler e o final acompanha o texto. Tantos causos no mundo sem solucao, por que eh que esse tem que ter uma, ne ? Mas seu questionamento foi muito valido, a ideia to texto eh original, e esqueci de comentar da outra vez o quanto adoro as surpresinhas nos seus escritos como a da bisavo da Chita pedindo fogo – hahaha! Eh tao inesperado no meio do texto, uma graca so, como a menina chupando picole de caja no orelhao… acho que para ver isso hoje em dia so no interior do Ceara, hein? Continue escrevendo e fazendo graca, ah, eu tenho visitado seu site mas nao tenho visto muitos apideiti… viciada no site do RK!!!!!!! KKKKKKKKKKK. Ana Claudia Domene, San Diego-EUA – jul2006

07- Olá! Olha, recebi seu artigo através de uma amiga e, sinceramente, tá show! Brilhante mesmo, interessante e super inteligente e olha q não perco tempo na net lendo coisas, rsrsrsrs Vc soube captar algo q é uma realidade em nosso país, o triste é a fama q se formou lá fora o q me deixou mt triste pq n sabia d nada disso, mas é isso aí, cada um escolhe seu destino.. De outra banda, falando como esposa d ET (rsrsrsr) s ele ver isso me mata (rsrsrs), olha nem todos são gosmentos e desengonçados, mt pelo contrário (toda regra tem excessão né) mas nós brasileiros somos especiais em todos os pontos pq somos uma perfeita miscigenação e disto se originou esse mix d qualidads q possuímos… quanto às Etéias (rsrsrs) n aconselho (rsrsrsr) são mesmo Etéias, algumas até mt belas, mas o q vale é o presente e não a embalagem (rsrsrs), são desengonçadas e nada femininas, não se iludam, nós brasileiras somos o q há d melhor neste mundo (ai caramba!!!!)! Mais uma vez Parabéns!!!! Anddy Sampaio – set006

08- POR FAVOR ETS: ABDUZAM MINHA SOGRA!!! Alberto Marsicano, São Paulo-SP – set2006

09- estava aqui me alegrando ao ler o delicioso texto de Ricardo Kelmer (é, seus textos são sempre deliciosos, a gente lê saboreando) desta vez de forma especial pelo fato de saber que já existe uma preocupação por parte do representante masculino brasileiro com relação às abduções de suas fêmeas. E enquanto indivíduo do sexo feminino posso atestar: O homem brasileiro é que nem o gordo iludido. Explico: Enquanto o magro saboreia lenta e atenciosamente seu prato favorito, ele (o gordo), falsamente reconhecido como expert gourmet, abocanha feroz e velozmente várias guloseimas, engolindo-as inteiras sem prestar atenção na quantidade, textura, tempero, temperatura e outras tantas nuances…todas apropriadas às suas papilas gustativas. Sem falar nos estímulos: visual, tátil, olfativo… Estão nos engolindo sem nos saborearem, enquanto os magros autênticos se deliciam com todas as nossas qualidades. O Homo Sapiens brasileiro perdeu sua conexão com seus instintos básicos e desenvolveu outra lógica e razão para sua existência. Vejam que sábio: Cerveja, futebol e rodinhas de outros homens. Desse jeito acabam mesmo “fodidos com u”. E nós, fêmeas com nossa peculiar malemolência brasileira, sabiamente, continuaremos a perpetuar a espécie preservando a miscigenação com os E.T’s “Uber Sexuais”. Refleti, homens brasileiros de boa vontade, antes que vós também sejais abduzidos!!!!!!! Karla Karenina, Fortaleza-CE – set2006

10- eu te adorei! adorei ler adorei que me mandou mail 🙂 obrigada querido! boa noite bom saber que existem pessoas maravilhosas como vc que da valor as mulheres brasileiras nem q seja…escrevendo heuheuh bju. Gisele Tavares, Porto Alegre-RS – set2006

11- Mto legal, eu mesma vou acabar indo para a Turquia…já estou com um pé lá. bjo. Christina Alecrim, Rio de Janeiro-RJ – set2006

12- Hahaha……adorei, e acho que você tem toda razão! Vou contar um segredo, eu a tempos atras, quase, quase fui abduzida, mas abri meus olhos a tempo. E agora tenho certeza, desta terra aqui, que chamamos Brasil, só saio pra fazer turismo. bjcas. Edna Mello, Fortaleza-CE – set2006

13- Maravihoso! Que texto leve , bem humoradíssimo e ao mesmo tempo sério , pque é a pura verdade . Nós somos mesmo tudo isso , mas , os brasileiros , cearenses principalmente esquecem de ser cavalheiros , romanticos e aí acabam dançando legal. Acho q. em qualquer lugar do mundo , nós gostamos de atenção , elogios , percepção aguçada … ser cortejadas , conquistadas a cada dia . Acho q. vc. vai namorar sempre brasileiras brejeiras . Pque vc. sabe bem do q. gostamos. Isabela Pinto, Fortaleza-CE – set2006

14- É… Estão abduzindo nossas mulheres e deixando a Heloísa Helena. Roberto Maciel, Fortaleza-CE – set2006

15- Caro Ricardo,Sensacionais seus textos !! Você está se superando. Eduardo Macedo, Recife-PE – set2006

16- É Kelmer, estou precisando ser abduzida mas não pra fazer trabalhos braçais, pesados sem graça. Queria sim se fosse para fazer algo em prol da humanidade; apesar de ter quase certeza que estamos chegando ao final e que as pessoas não estão muito preocupadas com isso! Mas eu ainda acredito na felicidade, na humanidade, na perseverança, na alegria e principalmente no altruismo. Estas pessoas que pensam que ir resolve problemas ou amenizam estão enganadas. Acho que são pessoas egoístas, preguiçosas e que passam por esta vida sem saber as suas missões, deveres e obrigações. Eu tento fazer da minha vida um paraíso! Beijosssssss! Paula Rabello, Rio de Janeiro-RJ – set2006

17- oi meu querido adorei, muito engraçado aliás eu adoro os tudo que vc faz vc sabe. como esta o meu escritor? olha eu não sei se foi só impressão mais acho que pelo ou menos 1% de ” estão abduzindo nossas mulheres” tem um pouco a ver comigo não???? rsrs kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk bjsssssssssss. Bell Rodrigues, Rio de Janeiro-RJ – set2006

18- ESSA SUA CRÔNICA SE É QUE EU POSSO CHAMAR ASSIM SOBRE MULHERES SENDO ABDUZIDAS POR ETS. SE DEVE AO FATO DE NOSSOS HOMENS NÃO ESTAR SABENDO COMO CUIDAR E TRATAR BEM DE UMA MULHER ACHO QUE NÃO É O SEU CASO MAS VAMOS COMBINAR QUE ESSE PAPO QUE ELES DIZEM DE PEGAR A MULHER NÃO ESTÁ COM NADA ENTÃO FAÇA UMA CAMPANHA PRA SERMOS MAIS VALORIZADAS COMO VC FAZ CONOSCO E NÃO SEREMOSA MAIS LEVADAS DAQUIIII BJOS. Silvia Helena Souza, Sta. Bárbara do Oeste-SP – set2006

19- Fui abduzida e com orgulho!!!!! Fui seduzida, não pelo gringo maravilhoso, alto, loiro de olho azul, educado, com grana, falando 5 línguas, viajado e inteligente, mas sim por um país, cultura, oportunidade de trabalho, valorizacão pessoal, direitos humanos e civilizacão adiantada. Acho que as mulheres que fizeram opcão por serem abduzidas são as mulheres desbravadoras, que nao querem pertencer a um só espaço. Fomos abduzidas não só pelo amor do homem que amamos, mas pelo amor a nós próprias, pela procura de respostas para todas as perguntas em todas as línguas que pudermos falar e se expressar, para que sejamos ouvidas nos quatro cantos do mundo. Amo meu país, e muito mais a minha cidade, sempre disse (engracado pensar nisso agora) que só sairia de Fortaleza se fosse para o mundo, como fiz… Quanto aos homens… A vantagem de ser abduzida por outro país é que além do descobrimento próprio, tem ainda a vantagem de encontrarmos o tal homem, maravilhoso, loiro de olho azul, educado, com grana, falando 5 linguas, viajado e inteligente. E como estamos morando na nave-mãe, tem muito mais alien interessante aqui do que aí. Nao é nada pessoal homem brasileiro, é só uma questao de aventura. Ivna, abdicada de Fortaleza – CE, no ano de 1997. Ivna Ramos, Boston-EUA – set2006

20 – Ricardo, adorei seus textos. Gostaria de saber se vc permite que eu publique aqui no Jornal de Hoje. Abs. Ailton Medeiros, Natal-RN – set2006

21- ei kelmer, o pobrema é a falta do material testoterônico brasileurooooo quem nao é viado é podi di feio barrigudo ou entao casado e tem a desproporcao das contas do ibge o negocio tá feio pras nossas muié inda bem q eu tenho meu macho e nao vendo nem troco bjs adoro receber teus escrito, leio sempre tudim e dou risada. Clarisse Ingelfritz, Fortaleza-CE – set2006

22- Porra! Se eu chamar um negro de negro, vão olhar torto pra mim. Se eu chamar de neguinho, vão dizer que é preconceito. Se eu chamar de neguinho catinguento … vou preso por racismo. E você, candidamente, chama os meus de “branquelo gosmento” E acha que vai ficar impune? Vai uma ova. Vou meter processo. Vou à TV. Vou me queixar pro Mainardi. E chega! Scaico, o ancião branquelo e revoltado. Marcos Scaico, Serra Negra-SP – set2006

23- Kelmer, adorei! Ana Lúcia Castelo, Newark-EUA – set2006

24- Olá, Adorei seu texto sobre abdução,hehehe, simplesmente ótimo. Patrícia Costa Pinto, Barbacena-MG – set2006

25- Acredito que estejam abduzindo a delicadeza dos brasileiros, que acabo por entender o porquê de nossas meninas estarem se encantando com os ETS que encontram pela frente . Afinal, muitas delas são ou foram mal tratadas pela vida e pela ilusão do amor. Minha constatação deve-se ao fato d?eu ser uma pessoa madura, independente, criando filho sozinha, esperando outro, inteligente, bonita, mas que vez por outra passa por situações muito esquisitas junto ao ?macharal?- Olha que fico atenta!- e vez por outra testemunho outras, inacreditáveis. Uma vez estava num salão de belezas daqui, em Fortaleza. Um local freqüentado pelas peruas mais endinheiradas da capital alencarina. ( O que não é o meu caso). Havia uma mulher de meia idade, bonita, escovando os cabelos. Quando ela se dirigiu para o balcão de pagamento, depois do cabelo arrumado e da maquiagem discreta, entra um homem, rude, mal educado e feio fazendo o seguinte comentário em sua direção: _ Esta demora todinha para ficar com esta cara! A senhora quedou-se tão constrangida que esqueceu de efetuar o pagamento, para voltar em seguida, mais constrangida ainda, pelo o que passou e pelo pagamento que esquecera de efetuar diante da sensibilidade rinocerontica do marido. (Suponho que seja!) Diante desses fatos Kelmer, viva os ETs! É bem verdade que muitas vezes essas meninas-jovens-senhoras se estrepam junto aos alienígenas, mas saiba que qualquer mulher, independente da idade, corre o risco que for para se saber amada, mesmo que ela uma dia perceba que fora só ilusão. Já valeu a tentativa! Daniele Bezerra, Prof/ Escritora/Gente/ Mãe/ Mulher/ Ser pensante/Carente/Forte/ Eu mesma/Alegre/Triste. Daniele Bezerra, Fortaleza-CE – set2006

26- gostei pra te ser franca,s nao entendi de que lado vc estar..mas pensando bem achoq ue vc nao estar de lado nenhum……mas gostei bem escrito bem pensado carol(cearensce-estudante de Iternacoinal Business ,levada pelo um ET com as mais pura e perigosas da doencas AMOR)rsrsrssrsr….. Carolina Holanda, Munster-Alemanha – set2006

27- Adorei…hehe muito engraçadinho…tambm não vejo sentido mulheres quererem “ets” rsrs…sou muito mais os brasileiros,belos,animados e com um toq de safadesa… e não acho que homens brasileiros não sejam romanticos,só falta se entregarem ao amor,quando isso acontece, vcs homens esquecem até a pelada… Amei sua crônica….beijos. Fernanda Dias de Castro, Ponta Grossa-PR – set2006

28- Bastante interessante o seu artigo !!!! Irei prestar mais atenção para ver se ao meu redor tem algum ET. rsrsrs……. Afinal…eles não curtem o futebol,né??? beijos. Fabiana Santos, Campo Grande-MS – set2006

29- Adorei o texto, muito bom, parabéns, tbm fui abduzida por vontade propria, mas detalhe: meu ET adora futebol, nao larga por nada sao duas vezes por semana, mas enfim tô satisfeita. Nao posso mentir que os Ets aqui olham mais pras mulheres que abduzem afinal as tiraram de seu planeta, e as valorizam por isso, nao sei se todos, mas nos casos em que conheco. Uma crítica inteligente, mas nao acho que os homens brasileiros estao nem aí pra isso, afinal o que nao falta é mulher no Brasil, quando se olha apenas pra embalagem sem se preocupar com o conteúdo, e há sempre uma embalagem mais bonita,especialmente se a que tinha antes já estava gasta…ai…ai…ai… a troca é constante, acho que isso as brasileiras coitadinhas bem conhecem. Um forte abraco e parabéns pela valorizacao da populacao feminina do Brasil. Risa, Augsburg-Alemanha – set2006

30- Amei o texto do comeco ao fim. Fui abduzida mas sou eu que tenho o nome “Alien” nos documentos. Os homens brasileiros nao estao piores ou estao se esquecendo de gostar e cuidar mais das mulheres. Eles nunca foram de fazer isso. Sao as mulheres que estao mais seletivas. Nao somos mais tao passivas e vamos em busca de um amor verdadeiro. Vamos a luta. E procuramos antes de tudo alguem que alem de ser bom amante seja bom marido e bom pai. No melhor sentido da frase “perpetuacao da especie”. E as diferencas culturais??? Dividimos curiosidades e adaptacoes culturais com outras “abduzidas” pelo orkut (comunidade “Meu Marido e Gringo). E Viva o novo planeta!! Etiene Sayger, Chicago-EUA – set2006

31- Li a sua crônica, achei sua visão analítica, poética, porém, real, proveitosa, eternizada no ponto de vista masculino.srsr Se Isaac Newton ainda estive entre nós , diria que , a gravidade da “Pelada” é o resultado que faz alguns homens “NUS” e nos deixam à busca dos “ET’s”, que crescem e nos acompanham na evolução humana! Ah! Se todos fossem “Ricardos” não iríamos na nave..srsr Beijão, estou na comunidade “Meu namorado é italiano” no orkut.srsr. Conceição Henrique Santos, Campinas-SP – set2006

32- rsrsrs quando entrei no site dele foi a primeira crônica que li… realmente esse cara sabe das coisas… e dá-lhe valor à essa mulherada de fibra e cheia de graça. Andréa, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – set2006

33- Putz,adorei este texto.Recebi-o no meu email e fiquei feliz em vê-lo aqui. Eu fui abduzida meninas ahahaha que delícia. Só ele mesmo. Acho que o Ricardo deveria estar nesta comunidade,porque ele fala a mesma linguagem das mulheres apesar de ser homem.Eu adoraria! Celinha, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – set2006

34- kkkkkkkkkk Agora li o texto completo..Adorei.Muito bem escrito. Os homens que se cuidem. Silene, Orkut, Comunidade Ich Liebe einen Deutschen – set2006

35- O rapaz fez uma cronica bem humorada e ao mesmo tempo crítica sobre a atitude de muitos homens brasileiros, que costumam serem exigentes com as mulheres sem no entanto oferecerem nada em troca.Estou generalizando, claro, mas posso dizer isso por experiencia própria e por experiencia de amigas, algumas esperando ja ha muitos anos por uma definicao do „namoro eterno“. Inês, Orkut, Comunidade Ich Liebe einen Deutschen – set2006

36- isto é realmente interessante! Deve-se mesmo refletir sobre o fato. Rejane, Orkut, Comunidade Meu amor é Alemão – set2006

37- eu nao troco meu E.T. por brasileiro nenhum nesse mundo! Gostei da abducao! Lígia, Orkut, Comunidade Meu amor é Alemão – set2006

38- Achei o texto machista, mas o cara escreve bem, em um tom jocoso sem ser ofensivo e uma coisa ele tem razão, é impressionante como há brasileiras casadas com estrangeiros. Érica, Orkut, Comunidade Meu amor é Alemão – set2006

39- aABDUZIDA??? è uma mistura de ABDICAR + SEDUZIDA???? Ana Flávia, Orkut, Comunidade Divã – set2006

40- rsrsrs quando entrei no site dele foi a primeira crônica que li… realmente esse cara sabe das coisas… e dá-lhe valor à essa mulherada de fibra e cheia de graça. Andréa Magnoni, São Paulo-SP – Comun. Orkut Mulheres Repensando Conceitos – set2006

41- Amei receber um texto seu! Quem sabe, com tantas abduções vcs aprendem a nos tratar um pouco melhor. Nada pessoal!!!! rsrsrs Manda sempre, assim eu mato as saudades. Qdo vc vem à São Paulo? bj no coração. Iara Cristina Costa Pinto, São Paulo-SP – out2006

42- Calma, amigo Kelmer. Isso acontece. É uma… polinização natural das espécies. Pois eu conheço quatro mulheres que abduziram, isto é, trouxeram seus ETs para vir morar aqui. E conheci dois homens que foram abduzidos. Talvez eu conheça mais casos, só estou lembrando estes poucos agora. Acho que mulher se desloca mais porque faz parte daquele velho paradigma do príncipe encantado, aquela definição paternalista de “homem”, que pega a mulher e meio que “adota”, e ela vai viver mais a vida dele que a vida própria. Acho que isso acontece mais com mulheres e, vejamos… já faz uns séculos. Sempre foi assim. Mas seu texto é maravilhoso como sempre! “meninas, tão lindas, tão poéticas, cultivadas com tanto carinho na estufa aconchegante da amizade tropical, de repente trocarem tudo pelo frio e por um branquelo gosmento que nem de futebol gosta” Quá quá qua! Tu tens a manha, companheiro. Luciano Es, São Paulo-SP – jul2011

43- Os rapazes brasileiros estão ameaçados hein! kkkkkk Cuidem bem dessas preciosidades rapazes, pois mulher brasileira é joia rara que o mundo todo quer: de biquini fio dental, pele bronzeada, andar dançante, cheiro de pirraça, olhar travesso e jeitinho alegre de ser. Quem não quer?! Renata Kelly, Fortaleza-CE – jun2014

44- hahahaha!Minhas amigas estão nessa mesma onda de sair pra passear e ver os gringos!hahaha.Mas não sei sabe, acho q eles têm um certo preconceito com a gente, de sermos saidinhas demais, e não feitas para casar, para não dizer outra coisa…Não sei até que ponto muitos gostariam de estar com minhas amigas.hehe. Ilana Dubiela, Fortaleza-CE – jun2014

45- Bom, muito bom, Kelmer! Cristiana Moura, Fortaleza-CE – jun2014

46- Todas as paga-pau de gringo que eu conheci tinham cabeça oca e rei na barriga. Deixe que levem, é um favor que nos fazem. Luc Lic, São Paulo-SP – jun2014

47- Não troco o homem brasileiro, principalmente o nordestino por homem de lugar nehum! Sou afortunada de ser brasileira e nordestina!hehe! Anosha Prema, Campinas-SP – jun2014

48- escreve muito bem esse carinha! Gisela Symanski, Porto Alegre-RS – jun2014

49- É por aí!!! Celina Beserra, Fortaleza-CE – jul2014

50- Nossa, incrível. Atenção rapazes… Suelen Brasil, Fortaleza-CE – jul2014

51- Achei um ótimo texto. Raquel Paiva, Fortaleza-CE – jul2014


Crônica de um romance não fumante

13/04/2011

13abr2011

Se vejo o cigarro entre os dedos, já sei: mesmo que haja interesse mútuo, jamais seríamos felizes juntos

CRÔNICA DE UM ROMANCE NÃO FUMANTE

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Nada contra os vícios, por favor, também cultuo os meus. E não me interessa o que os outros fazem ao próprio corpo e espírito, a gente é livre pra viver e morrer. Mas comigo não dá. Não dá mesmo. Tô falando de mulheres fumantes. Me desculpe se você fuma, mas sabe como é, essa nossa convivência, tantas crônicas, acho que posso ser franco.

Dizem que homem, quando conhece uma mulher, sempre pensa em sexo: transaria ou não com ela? Mas sempre pensa. Bem, admito que tal hábito não me é estranho. Mas vou além. Como sou um cara meio romântico, às vezes penso em romance: será que eu e ela, um dia, nós dois… No entanto, se ela fuma, ah, que pena, desanimo no terceiro segundo do primeiro encontro, antes do quarto. Se vejo o cigarro entre os dedos, já sei: mesmo que haja interesse mútuo, jamais seríamos felizes juntos, a vida não é perfeita, beibe. Dividir algumas noites, talvez, anda mesmo fazendo frio. Mas compartilhar o dia a dia? Impossível. No máximo, um romance de mentirinha. Porque sei que não vai dar certo nunca, melhor não nos iludirmos.

E não me acuse de radical, pois eu já tentei, bem sei do que falo, ela tá de prova. Quando a conheci, ela estava fumando – ainda assim me apaixonei pela moça. Felizmente a paixão é cega, senão ninguém se apaixonaria. Mas depois a visão volta e a gente tem que lidar com a realidade. O que aconteceu? Não demos certo, é óbvio. Como que dá certo se não aguento a fumaça, me sinto sufocado, espirro, arde o olho… Por favor, não preciso de mais um risco de câncer. E ela responde: e eu não preciso de mais um chato. E você tá comigo por quê? Pronto, começou, a velha discussão.

Já reparou? Fumante sempre acha que controla a direção da fumaça: estica o braço, abana o ar, bafora pra cima, vai pra janela… E o fedor horroroso que fica na roupa dela, na pele, no cabelo? E no outro dia até eu tenho que pendurar minhas roupas ao sol. Exagero seu, não tô sentindo nenhum fedor, ela diz, magoada. Claro que não sente, com esse olfato comprometido. Ah é, e essa sua mania ridícula de arrotar, heim? Ridículas são as guimbas que você deixa por aí. Tô jogando no vaso sanitário, seo idiota! Mas não dá descarga, sua burra!

Tá vendo? Não dá, minha linda, melhor não insistir. Por mais que você evite fumar quando comigo ou que fume escondido e depois passe o bom-ar, uma hora bate a secura. Aí eu já sei o roteiro da tragicomédia: saio de perto pra você fumar tranquila, vou dar uma volta, você se chateia e, pronto, estragou a noite. Isso tudo sem falar no maldito hálito. Beijo com gosto de cinzeiro, francamente… Pra encarar, só misturando muito desejo com cinco doses pra anestesiar a língua. Sem falar que você vai acabar se chateando de tanto que vou lhe oferecer ráus extra-forte. Enfim, não dá, não dá.

Há mulheres que se irritam com não fumantes, chegam a insultar nossa masculinidade, que coisa feia. E há amigos que dizem que isso é frescura, pô, mermão, botou no sol e fez sombra, a gente traça. No meio dos extremos só me resta dar de ombros, fazer o quê se com a idade a gente se valoriza mais e fica mais seletivo? Bem, é verdade que, biologicamente falando, não sou nenhum representante exemplar da raça pra botar tanta banca. Sem falar que sou viciado em futebol, desses que colam a tabela de classificação na parede – coisa que muita mulher jamais entenderá. Mas mesmo com todos os meus defeitos, acho que também tenho direito a uma exigenciazinha, né?

Semana passada conheci uma fumante. Ela é tão linda… O olhinho, o jeitinho… Ai, ai. Pena que a vida não é perfeita. Durante um tempão fiquei olhando, admirando… Até que tomei coragem e fui lá. Oi, você já ouviu falar das realidades paralelas? Não? Ah, então deixa eu explicar, posso sentar aqui do teu lado? Obrigado. Garçom, uma vodca, por favor. Tripla. Onde a gente tava mesmo? Isso, os deuses. Poizentão, os deuses que criaram essa realidade também criaram outras. E numa delas você deixou de fumar, sabia? Sim, definitivamente. Sério que você anda pensando em largar? Que bom. Então. A gente invade o prédio dos deuses, acessa o arquivo e faz a substituição da realidade. Eles nem vão perceber, andam muito preocupados com o Oriente Médio. Tem que ser à noite, claro. Hoje é um dia bom. Você tem compromisso?

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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 COMENTÁRIOS
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01- Oi, Ricardo, gosto muito do jeito como vc escreve! Em especial, este trecho de crônica sua mexe muito diretamente comigo pq sou fumante. Já deixei várias vezes e volto sempre qdo alguma coisa me aperreia. Fazer o quê? Esquecer de beijar e esperar deixar de fumar. Vich, tá parecendo o filme “Confidências Muito Íntimas”! Só que aqui, peguei foi um desavisado escritor para analista. Me perdoe. Abraço. Maria Juraci, Fortaleza-CE – ago2005

02- Concordo em gênero, número e grau: perderia facilmente o grande amor da minha vida no terceiro segundo do encontro, bastaria que ele acendesse o cigarro. Poderia ser o Brad Pitt. E Free Light. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – ago2005

03- Olá Ricardo! Já li todos os seu livros, sou sua admiradora. Amo o seu jeito inteligente e leve de escrever. Adorei a crônica de um romance não fumante, só ficou faltando especificar que o gosto do beijo é de cinzeiro é sujo. Quem já beijou sabe disso hahahahahahaha… Atualmente não tenho este problema, tb não agüentaria. Bj p/ vc genial escritor, Jussara Santana, Salvador – BA – ago2005

04- Kelmer, Gostei muito da crônica e, inclusive, me identifiquei. É osso mesmo agüentar, por mais que haja a própria mulher, é claro, + chiclete, pastilhas, whysky, incenso, bom-ar etc e tal… Um dia a fumaça entra, e onde há fumaça…., no caso, apaga o fogo! Abraço. Ronald de Paula , Fortaleza-CE – ago2005

05- Olá Rk, Bom dia. Somos um pouco parecidos em relação aos fumantes, mas se for só fumante de Cannabis não me incomoda… Você já sabe que adoro seus artigos, crônicas, textos, etc e tal, sempre que quiser me escreve tá? Se cuida e que o Universo te proteja! Com carinho e paz. Marúsia, Fortaleza-CE – ago2005


Shopping das vidas passadas

06/04/2011

06abr2011

Quer dizer que mil anos depois eis-me aqui fazendo a mesma coisa que eu fazia naquelas noites frias das estepes russas, conjeturando sobre o tempo?

SHOPPING DAS VIDAS PASSADAS

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Descobri uma vida passada minha. Foi por volta do ano 875 da era comum, numa região central da Rússia. Fui uma sacerdotisa pagã, que fazia uso da magia para curar. Eu tinha uma visão da vida voltada para a procura da verdade e da sabedoria. Através do conhecimento atingi a certeza de uma vida futura. Embora fosse vista como uma sonhadora, nunca perdi a fé.

Esta era eu. Pelo menos foi o que o Mago disse. Conheci o Mago quando passeava pelo shopping, tentando esquecer o aluguel atrasado. Deparei-me com ele à entrada de uma loja de produtos místicos e religiosos, era um boneco enorme com um cartaz pregado nele: “Conheça sua vida passada”.

Não resisti. Entrei na loja e comprei uma ficha, que enfiei na barriga do Mago. Na pequena tela de computador surgiram as orientações, digite seu nome, sexo e data de nascimento. Digitei, aguardei e saiu um papel. O Mago me dizia que eu estava viajando no tempo através dos segredos contidos nas tabelas de Rama-Mu, elaboradas pelos antigos sacerdotes da Ilha de Páscoa, e que eu poderia obter respostas para muitos de meus por quês, assim mesmo, por quês separado. Vamos relevar, talvez os sacerdotes pascoais não dominassem muito bem o português.

Li a descrição da minha vida passada, guardei o papel no bolso e saí, eu e os meus velhos porquês de sempre, que os sacerdotes não conseguiram explicar. Pelo contrário, agora eu tinha mais uma dúvida a me coçar a orelha: como aquela bruxa que eu fui conseguiu a tal da certeza da vida futura? Ela sabia que, mil anos depois, renasceria como homem?

Bruxa poderosa. Sentada diante da fogueira, ela viajou no tempo e se viu homem, vivendo num país que se chamaria Brasil, escrevendo crônicas sobre… sobre o tempo. Hummm, quer dizer que mil anos depois eis-me aqui fazendo a mesma coisa que eu fazia naquelas noites frias das estepes russas, conjeturando sobre o tempo, exercitando as possibilidades, buscando atalhos nas conexões temporais?

Se é assim, então talvez eu esteja agora fechando o círculo. A bruxa que fui acessou sua vida futura, e agora eu acesso a dela. Círculo fechado. Mas e agora? Era para acontecer algo, não? Um clarão, um raio a iluminar tudo em volta…

Hummm, talvez não seja um círculo… Talvez seja uma espiral… Isso mesmo, uma espiral que me faz passar pelo mesmo ponto de compreensão, mas num nível acima, onde mudarei minha percepção da realidade e despertarei fora da Matrix…

Uau! Captei! Meu aluguel atrasado não existe. Era tão somente criação da minha mente. Uau, uau! É isso mesmo! Agora tudo faz sentido!

Obrigado, sacerdotes da Ilha de Páscoa. Vocês não imaginam como aquele aluguel atrasado estava me tirando o sono. Ufa. Agora só preciso convencer a proprietária do apartamento a dar uma voltinha no shopping. Ela precisa bater um papo com o Mago.
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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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LEIA TAMBÉM

O redemoinho do fim do mundo – É provável que estejamos à beira de um grandioso marco evolutivo, onde a humanidade alcançará o clímax dessa aceleração das transformações

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Alma una (clipe musical) – Na doce magia da noite, minha alma é noiva desse ritual

Quando os homens não voltam pra casa – Javier Viegas é tarólogo e resolve problemas do Além. Dessa vez uma moça deseja reencontrar o namorado que foi supostamente atraído por uma bela princesa para dentro de um quadro de parede

O menino e o feminino misterioso – Esse instante numinoso em que o Feminino Sagrado mostrou-se para mim, sob a meia-luz de seu imenso mistério

O presente de Mariana – A cabocla Mariana, entidade da Umbanda, propõe noivado ao moço Dedé. Noivar com ela significa conseguir estabilidade financeira mas em troca ela exige fidelidade absoluta
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DICA DE LIVRO

ICI2011Capa-01dO Irresistível Charme da Insanidade

Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal?

Luca é um músico, obcecado pelo controle da vida, que se envolve com Isadora, uma viajante taoísta que acredita ser ele a reencarnação de seu mestre e amante do século 16. Ele inicia uma estranha aventura onde somem os limites entre sanidade e loucura, real e imaginário e, por fim, descobre que para merecer a mulher que ama terá antes de saber quem na verdade ele é.

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Parabens,Ricardo Kelmer. Vilma Galvão, Braga-Portugal – mai2015

02- rsrsrs… ….. não sei não, mas algo me diz que é melhor vc arrumar logo essa grana e pagar o aluguel… ..abs! Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – mai2015

03- que maravilhaaa, vamos falar sobre ? Bianka Emiliano, João Pessoa-PB – mai2015

04- Saudades dos seus contos mirabolantes, Ricardo Kelmer. Kd o guru sem futuro? Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – mai2015

05- Muito bom! Fez-me lembrar um sonho recente que acordei rindo da minha viagem onírica! Adoro essa tua pegada literária surreal! Kkkkk. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – mai2015

06- Haha, e ela foi lá se consultar com o Mago, Ricardo?… Espero que sim. Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – mai2015

ShoppingDasVidasPassadas-01c

 


Você vem sempre aqui? (1)

30/03/2011

Ricardo Kelmer 2011

Os termos que trazem as pessoas ao Blog do Kelmer

Pesquisando os termos pelos quais os internautas chegam até meu blog, que em jun2011 completa três anos, dá pra ter uma ideia dos temas que mais atraem os leitores: sexualidade, misticismo e cor do cabelo em primeiro lugar. Em breve mostrarei os termos mais curiosos, esdrúxulos e bizarros.

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taras – É o termo campeão, com a média de dois por dia. Bem, o que poderia se esperar de um blog escrito por um tarado véi seboso como eu? Hoje, se você digita “taras” nas buscas do Google, minha querida Lara aparece na primeira página, em 5o lugar. Lara é a protagonista da série erótica As Taras de Lara.

ricardo kelmer / blog do kelmer – Depois de “taras”, são os termos mais usados. Média de uma vez por dia.

cabocla mariana – O Blog do Kelmer surge em 4o lugar no Google. O motivo é o conto O Presente de Mariana, sobre uma entidade da umbanda que noiva com os homens e, em troca de fidelidade absoluta, lhes confere sucesso profissional.

loiras ou morenas – A crônica Loiras ou Morenas que caiu no gosto tanto das loiras quanto das morenas. Elas leem e depois deixam seus comentários, puxando a brasa pra suas sardinhas.

transexuais / travesti – A sexualidade é um tema muito presente em meu trabalho, seja através do humor (A Travesti Anã e sua Irmã Sapata) ou em reflexões mais sérias (As Crianças Transexuais).

natalie dylan – É a americana que em 2008 leiloou sua virgindade. Na crônica O Ataque das Virgens Estudiosas mostro o caso dela, da italiana Raffaella Fico e da inglesa Rosie Reid.

mulher selvagem – Meu interesse pelo arquétipo do feminino livre guia grande parte de meu trabalho. Um marco dessa minha relação com o tema é a crônica A Mulher Selvagem, de 2004, que é o meu texto mais conhecido, reproduzido e comentado.

as brumas de avalon – A saga arturiana contada sob uma ótica feminina, escrita pela inglesa Marion Zimmer Bradley, é uma das leituras marcantes de minha vida. Escrevi sobre o livro em Livros – As Brumas de Avalon.

como publicar um livro independente – Meu livro Guia do Escritor Independente, disponiblizado na íntegra aqui no blog, atrai constantemente novos autores interessados em publicar livros. Espero que minha experiência esteja sendo útil a eles.

ter um amante – Deve ter muita mulher interessado nisso. Elas acabam batendo no texto As Vantagens de Ter um Amante. Se continuar assim, corro seriamente o risco de ser condecorado com a medalha Amigo dos Motéis.

íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres pra copular com elas – uma difundida crença medieval. Isso inspirou o conto O Íncubo. Há algo nele que atrai as mulheres que nem abelha pro mel.

ilha – Meu conto A Ilha é uma fábula sobre o autoconhecimento. Talvez eu tenha encontrado um modo interessante de mostrar o processo de autodescoberta psicológica. Será que Jung ficaria orgulhoso de mim?

o diario de marise – Este termo se refere ao meu texto sobre o livro de Vanessa de Oliveira,  O Diário de Marise – A Vida Real de uma Garota de Programa. A prostituição continua fascinando.

amar duas mulheres – Sou um poliamorista, ou seja, alguém que sabe que o amor é algo que pode existir entre mais de duas pessoas ao mesmo tempo. Escrevi vários textos sobre amor e posse , entre eles Amar Duas Mulheres, Amor em Liberdade e A Mulher Livre e Eu.

baseado nisso – Como este termo é mais frequente nas buscas que “maconha” ou “droga”, quem o digita tá buscando mesmo meu livro Baseado Nisso – Liberando o Bom Humor da Maconha.

escrava sexual – Linda, culta e escrava sexual. Ela é Graziela, do conto A Professora de Literatura do meu Marido. Bote fetiche nisso!

sexo anal – Todo jundo sabe que sou tarado em bunda. Pelo jeito, não apenas eu: a série Por Trás do Sexo Anal é uma campeã de acessos.

sitcom – Como roteirista, especializei-me em sitcom. Em 2007 criei a Oficina Online de Sitcom.

cabaré soçaite – Escritor e dono de cabaré. Nunca existiu um? Bem, não me incomodo de inaugurar a linhagem. A festa Cabaré Soçaite teve nove edições desde 2003, em Fortaleza e São Paulo.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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taras 2.038
ricardo kelmer 991
blog do kelmer 707
cabocla mariana 691
blog masculino 547
loiras ou morenas 404
transexuais 396
travesti 391
natalie dylan 374
mulher selvagem 307
as brumas de avalon livro 288
como publicar um livro independente 271
kelmer 221
ter um amante 208
pitty 201
não saia com ele 186
incubo 173
ilha 159
as brumas de avalon 159
mulheres selvagens 157
o diario de marise 146
brumas de avalon 144
amar duas mulheres 127
baseado nisso 126
ricardo kelmer escritor 119
íncubo 119
rosie reid 113
homens infieis 110
crianças transexuais 106
travesti anão 105
razão e sentimento 104
escrava sexual 104
loira ou morena 103
sexo anal 99
morenas 96
bar de ontem 85
travesti anao 84
sitcom 81
cabaré soçaite 80
brumas de avalon livro 79
sexo 76
loiras ou louras 75
selvagem 75
nao saia com ele 72
escritor independente 72

Cabaré Soçaite dez2010 – Fotos

20/03/2011

Ricardo Kelmer 2011

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Mais imagens do Cabaré Soçaite de 03dez2010, em Fortaleza, no Acervo Imaginário. Fotos: Henrique Kardozo.

PARCEIROS:

Pousada Casa do Ângelo (Jericoacoara-CE)
Pousada Roane (Praia da Taíba-CE)
Barong Sushi Bar e Café (Praia da Taíba-CE)
Acervo Imaginário (Fortaleza-CE)
Via Libido Sex Shop (Fortaleza-CE)
Degusti Bar e Restaurante (Fortaleza-CE)
Confraria São Tomé (Fortaleza-CE)

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VÍDEOS
Veja os vídeos
das edições do Cabaré Soçaite em Fortaleza e São Paulo

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TWITTER :  @cabaresocaite

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PRÓXIMA EDIÇÃO
Fortaleza, 25.03.11, no Acervo Imaginário

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FOTOS
clique pra ampliar

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Menina nova na casa sempre faz sucesso

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Essa vida de dono de cabaré me mata…

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As caberetes-tigresas começam a se animar

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Rapaz guloso…

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Moça tarada, cliente acabado e segurança meigo

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CabareSocaite201012Foto194bCabarete vendendo seu peixe

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CabareSocaite201012Foto134bQuanto custa meia hora desses bíceps, bonitão?

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CabareSocaite201012Foto196bO sagrado e o profano no cabaré

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Concurso Casal Sexsação

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Esse trenzinho prometememete…

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E aí, dona Maria, vai levar ou não vai?

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Dançarina Fadinha machucando corações

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Quem quer sentar nessa cadeirinha?

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Machuca, Fadinha, machuca

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CabareSocaite201012Foto157aBig Mac Soçaite Duplo Feliz

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Posso me melar no seu brigadeiro, moço?

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Candidatos do concurso Muso do Cabaré

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Todo o  charme e a poesia dos candidatos a Muso do Cabaré

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Vale tirar a calça do candidato?

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A cueca também

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Degustando o Muso do Cabaré

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Candidatas do concurso Musa do Cabaré

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CabareSocaite201012Foto192bCandidata arrebentando as coronárias

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Candidatas brigando por seu voto

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Palmas pra Musa do Cabaré

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CabareSocaite201012Foto206aMusa do Cabaré agradecendo à torcida

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Tô com sede, Musa, tô com sede…

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MAIS FOTOS
FaceBook do fotógrafo Henrique Kardozo

VÍDEOS
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das edições do Cabaré Soçaite em Fortaleza e São Paulo

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Mulheres que adoram

18/02/2011

18fev2011

Dar prazer a uma mulher, fazê-la dizer adoro mil vezes por dia…

MulheresQueAdoram-02

MULHERES QUE ADORAM

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Elas agora estão com uma mania que eu, particularmente, acho saborosa. É o tal do “Adoro”. Quando querem dizer que gostam de algo, elas dizem simplesmente: adoro. Às vezes marcam bem as sílabas, pra serem enfáticas, a-do-ro. E quando gostam mesmo, puxam na sílaba tônica, adoooooooooro, o que ocasiona um ligeiro e lindo biquinho. Algumas preferem adorar de um jeitinho diferente, deslocando a tônica pro final, adorooooo. E se gostam muito mesmo, alucinadamente, capricham nas duas sílabas, adoooooroooooo!!! E as mais exageradas, aquelas que não querem deixar qualquer dúvida, descarregam a adoração na palavra inteira, aaaaadooooorooooo!!!

Já flagrei algumas a dizer adoro enquanto balançam a cabeça e reviram os olhinhos, como se estivessem em transe. Ou será que estão mesmo em transe e nós homens, tão limitados em nossa capacidade de entendê-las, achamos que estão fazendo tipo? E elas não apenas falam, mas também escrevem adoro em seus recadinhos pelo celular e na internet, perfumando a comunicação mundial com suas mimosas expressões de prazer. Dá vontade de agarrar a criatura, eu também te adoooroooooo!!!

Dar prazer a uma mulher, fazê-la dizer adoro mil vezes por dia… O que pode haver de mais recompensador na vida? Fazê-la rir, gargalhar, deixá-la toda molinha de tanto dar risada ‒ isso é uma diliça. Talvez eu tenha alma de palhaço, é bem provável, mas o fato é que mulher rindo é uma coisa maravilhosa de se ver, você não acha? Ouso dizer que uma mulher rindo é tão bonito e poético quanto uma mulher gozando. Bem, há gozos e gozos, eu sei, e há até os que vêm misturados com choro. Aliás, que louco isso, há mulheres que choram tanto quando gozam… Que prazer louco será esse que leva alguém às lágrimas? E por que só elas têm direito a esse nível de prazer? No começo, quando eu via uma mulher chorando no gozo, não sabia o que fazer e achava que estava machucando a moça ou que, sei lá, vai ver ela é louca. Mas ela dizia que não, tá machucando não, continua. Tem certeza?, eu perguntava, desconfiado. E ela, enfática: Continuaaaa!!!

E eu continuava, claro, doido é quem não obedece a uma mulher nesse momento.

Putz, desviei demais do assunto. Comecei falando da mania do adoro e terminei em orgasmos chorosos. Pensando bem, as duas coisas até que têm um pouco a ver. Só não pode é querer entender, aí já é pedir demais.

– Sninf…

– Tô te machucando, Jéssica Priscila?

– Sninf… sninf…

– O que foi, meu amor?

– Adoro.

– Ahn?

– Sninf…

– Não tô entendendo.

– Buááááá!!!

– O que foi agora?

– Aaaaadoooooorooooo!!!
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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

InsightsECalcinhas-03Insights e calcinhas Uma calcinha rasgada pode mudar a vida de uma mulher? Ruth descobriu que sim

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Marchando com as vadias – Se ser vadia é ser livre para exercer a própria sexualidade, então todas as mulheres precisam urgentemente assumir sua vadiagem, para o seu próprio bem e o de suas filhas

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente, as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina, era bem mais que isso…

Suvinando priquita – Pois você acredita que tem mulher que suvina priquita? Parece mentira, mas é verdade

Me estupra, meu amor – Fantasiar ser estuprada é uma coisa – querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente

Kelmer Para Mulheres – Nesta seção do blog, homem fica de fora

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 COMENTÁRIOS
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01- simmmm, muito bom é assim mesmo. adoroooo! existem homens como vc, chico buarque, que observam muito o universo feminino e acabam sabendo mais de nós, do que nós mesmas. Arlene Amorim, Rio de Janeiro-RJ – fev2011

02- Ah, Ricardo Kelmer, se todos fossem no mundo iguais a você…Que maravilha viver! :)))) Parabéns pelo texto, pela leveza (liberdade) e pela sensibilidade. Adooooooooooooooro! :D. Márcia Oliveira, Fortaleza-CE – jul2011

03- Kelmer, eu adooooooooro essa sua crônicas!!!!!! Bjssssssssss. Ana Luiza Cappellano, Juandiaí-SP – jul2011

04- Ai, Kelmer, até você já percebeu isso? Pois eu ADORO, a-do-ro, adorooooooooooooo !!! rsrsr. Meire Viana, Fortaleza-CE – jul2011

05- A-DOOOO-ROOOOOO. Luciana Pessoa, São Paulo-SP – jul2011

06- Só agora, depois de “curiar” o seu blog é que entendi a história de mulheres que adoram….rs…pois é, aaaaddddoooooorrrrooooo seus textos. Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – ago2011

07- Adorei… Aliás Adooooooro Kkk muito boas palavras e vc tem razão! Compartilhei no meu face. Emile Rodrigues, Mogi das Cruzes-SP – jul2015


Entrevista com o ateu

30/01/2011

30jan2011

Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu

ENTREVISTA COM O ATEU

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Paulo Cesar Cândido é um leitor que acompanha meu trabalho há alguns anos. Ele é cristão evangélico (não sei qual é sua igreja), estudante de teologia e tem um blog (Web Cristo) onde prega a palavra de seu deus.

Meses atrás Paulo César me convidou pra ser entrevistado pro seu blog. Convite inusitado. Que interesse teria um religioso atuante como ele em entrevistar um escritor ateu como eu, que tenho posições reconhecidamente críticas em relação à religião e sou alvo frequente de xingamentos e ameaças de religiosos fanáticos? Bem, independente de qualquer interesse que houvesse por trás do convite, entendi que poderia ser uma experiência interessante e aceitei, desde que eu lesse o material antes de ser publicado.

A seguir você confere a entrevista na íntegra, incluindo o texto de apresentação do próprio entrevistador. A imagem que ilustra o texto aqui no blog fui eu mesmo quem criei. Paulo César fala de amar o diferente, o que acho elogiável. Mas ao falar de “vaso escolhido” e “grande candidato”, demonstra que me vê como uma alma que pode ser convertida, uma ovelha que precisa ser trazida de volta ao rebanho.

Também te vejo como um vaso escolhido, Paulo César, mas no sentido de você ser alguém que um dia poderá entender que devemos aceitar e amar o diferente pelo que ele é – e não pela possibilidade dele um dia ser igual a nós.

ENTREVISTA COM O ATEU
webcristo.blogspot.com
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…..Disse-lhe, porém, o Senhor: “Vai, porque este é para mim um vaso escolhido”.

Usei a primeira parte desta passagem contida no livro de Atos capitulo 9 versículo 15 para introduzir as nossas considerações a respeito de Ricardo Kelmer, escritor, roteirista e dono de cabaré, como ele mesmo se intitula. Ricardo Kelmer é polêmico, porém não deixa de exercer sua liberdade de expressão e doa a quem doer, chore quem chorar, ele “solta as suas idéias” e opiniões sobre qualquer assunto, e quando o assunto é criticar as religiões, Jesus Cristo e o Kaká (risos) ele não mede esforços, se tornando um campeão de comentários (muitos o elogiando, porém muitos o condenando) quando os aborda em sua coluna no OPOVO online, Jornal do Ceará.

Você pode estar se perguntando por que Web Cristo foi entrevistá-lo? Respondemos: existe uma frase que diz que “se você não pode com ele, junte-se a ele”, porém não foi por este motivo que o entrevistamos, a questão aqui não é poder humano, exercer uma função superior as idéias de Ricardo Kelmer e muito menos o combate, a questão aqui é amor mesmo, coisa que tenho certeza, muitos que se dizem Cristãos e dou até uma estatística, pois não vejo só com ele, vejo com muitos, que de 10 críticos Cristãos a sua conduta 2 oram por ele e dizem que Jesus lhe ama, ou que tem um plano na sua vida e o restante lhe condenam, exercendo o papel de Deus e até lhe mandando para o inferno e confesso, eu até já fiz isso, porém a Faculdade de Teologia me fez pensar diferente, graças a Deus.

A verdade, e ela têm que ser dita, é que muitos de nós Cristãos esquecemos a maior mensagem de Jesus e qual foi à maior mensagem de Jesus?O amor!Jesus disse mais ou menos assim: amai-vos uns aos outros como eu vos amei, perdoai para que sejais perdoados, o que adianta amar seu pai e sua mãe e seus irmãos, isso é muito fácil, difícil é amar seus inimigos.

Não concordamos com todas as opiniões de Ricardo, a maioria delas, porém não temos o direito de mandá-lo para o inferno e muito menos tê-lo como um inimigo, porque não orar e amar e acima de tudo respeitar?Esse pensamento é excelente e tem que ser posto em prática, só sabemos amar quem nos ama, porém muitas vezes somos intolerantes com os que são diferentes, não concebemos que alguém possa não crer em Deus, de que esse mesmo alguém prefira ser, além de outras coisas,por exemplo, dono de cabaré do que ser um bom Pastor, dirigente de Igreja Evangélica e andar com uma Bíblia na mão pregando sobre Jesus.

É o amor minha gente!O maior exemplo de tudo isso está na Bíblia Sagrada, existem vários deles, porém para finalizar, citaremos o exemplo de um dos maiores apóstolos bíblicos, um dos responsáveis pelo Evangelho de Jesus ter chegado até as nossas mãos. O apóstolo Paulo era perseguidor de Cristãos, concedia sobre as suas mortes (isso passa longe da mente de Ricardo que ama o ser humano, estamos somente exemplificando), vivia pregando contra a seita dos Nazarenos, como era conhecido o Cristianismo na Igreja Primitiva pelos Judeus, porém, havia lá no céu, bem longe da imaginação humana, um ser independente de mente, de preconceito, de crítica carnal humana, um alguém que conhece o seu filho como um Pai, que tudo sabe antes de lhes pedir, que escuta a voz do coração e sabe seus desejos, um Deus que amava o apóstolo Paulo e que dizia: este é para mim um vaso escolhido.

Quem poderá dizer que o Ricardo não pode também ser um?Ninguém, só Deus!Se ele é um grande candidato?Creio 100% nesta idéia!Se ele está certo e nós o errados?Não compete nos julgar uns aos outros.Então, façamos a nossa parte.Oremos e amemos.

Equipe Web Cristo

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Web Cristo: Ricardo sabemos que você tem uma maneira diferente de ver Deus. Quem é Deus para você?

RK: A crença em Deus é uma maneira de lidar com o Mistério, que os humanos sempre buscaram explicar. O Mistério, porém, não se explica, senão deixaria obviamente de ser o Mistério. O máximo que podemos fazer é elaborar hipóteses e discuti-las de modo racional, mantendo sempre a humildade que somente a dúvida proporciona. Ninguém sabe, e eu também não sei, o que há por trás do Mistério, mas em meu modo particular de lidar com ele, essa ideia de uma entidade invisível que criou e administra a realidade, escuta nossos pensamentos e atende a alguns pedidos e a outros não, simplesmente não faz sentido.

Web Cristo: Podemos discuti-las? Essa é sua hipótese racional?

RK: Qual hipótese?

Web Cristo: A sua. A do seu modo particular de ver Deus…..

RK: Eu não tenho um modo particular de ver Deus porque a ideia da existência de Deus não faz sentido para mim. A hipótese Deus não se sustenta pela razão e pela lógica – só se sustenta pela fé, e a fé é algo inteiramente pessoal, é algo que pertence ao âmbito da intimidade de cada um, e é assim que a questão da fé deveria ser encarada por todos, o que infelizmente não acontece. Infelizmente a maioria dos teístas não entende que alguém possa não aceitar a hipótese Deus e se sentem muito incomodados com isso.

Web Cristo: Em seu livro “Quem apagou a luz” você declara certas coisas que devemos saber sobre a morte para não dar-mos vexame do lado de lá(depois da morte).Esse livro é admirado por muitos espíritas, você é espírita?

RK: Deus me livre. Não poderia ser espírita, pois esse negócio de espíritos a zanzar pelo mundo dos vivos não faz sentido para mim. O “Quem apagou a luz?”, que foi meu primeiro livro publicado, em 1995, é um resumo das minhas ideias espiritualistas da época. Ele fala de projeção astral, guias espirituais, vida pós-morte e reencarnação, mas sem estar ligado a nenhuma religião específica. Eu particularmente nunca havia vivido nada que comprovasse essas teorias, apenas uns sonhos de voo maravilhosos, mas queria demais que elas fossem verdade pois isso faria a vida mais emocionante. Porém, após lançar o livro, comecei a me envolver com outras ideias, como psicologia junguiana, xamanismo e taoísmo, e isso me levou a um outro caminho, o que sigo hoje, que, por sinal, é muito emocionante e feito de experiências reais, que realmente vivo. Os espíritas e os esotéricos de modo geral gostam desse livro. Mesmo numa editora pequena, ele vendeu muito bem. A editora Record, inclusive, tentou comprar os direitos, o que certamente significaria maior vendagem. Dei várias entrevistas, fiz palestras e algumas pessoas me tratavam como um guru da nova era, olha que ridículo. Então em 1998 enchi o saco dessas coisas e não o republiquei mais. E se, depois que eu morrer, aparecer alguém psicografando livro meu, é mentira, viu?

Web Cristo: (Risos)….seu humor é bem interessante e ele é repassado muitas vezes em suas Crônicas.É verdade que você já foi um católico fervoroso?

RK: Fui batizado cristão, fiz primeira comunhão e fui dirigente de grupo de jovens. Lia os textos na missa, editava o jornalzinho do grupo e dava palestras sobre Francisco de Assis, a quem admiro até hoje. Mas quando comecei a entender o que realmente é a Igreja, e Francisco tem muito a ver com isso, e comecei também a perceber que a religião ameaçava minha liberdade de pensar e de ser eu mesmo, caí fora e passei a seguir a Cristo do meu jeito. Isso lá pelos 20 anos. No grupo de jovens cheguei a propor ao pároco, Monsenhor Amarílio, de quem tenho boas lembranças, que montássemos uma banda para tocar na missa e nas reuniões do grupo. Eu achava que isso atrairia os jovens. Mas ele vetou, era muito modernoso para o gosto dele. Eu hoje poderia ser um pop-star cristão, já pensou? Com vocês, Kelmer de Arimatéia e as Noviças Viçosas!

Web Cristo: (Risos) Com um nome destes né?Será que o Padre não sabia o que estava fazendo?

RK: Sabia. Acho que ele já percebia minha alma livre de artista. Ele gostava de mim, tanto que me apoiou quando eu quis montar um jornalzinho para o nosso grupo de jovens. Fornecia papel, mimeógrafo e tinta, e eu rodava lá mesmo o jornal e distribuía na missa. Mas banda de rock, ah, isso não, em 1982 isso em Fortaleza era coisa do Demo. Hoje não é mais. Conclusão: ou o rock nunca foi coisa do Diabo ou então o Diabo cedeu o rock a Deus. Deve ter sido interessante essa negociação.

Web Cristo: Essa “alma” de artista: cantor, ator e escritor creio que permaneça em você …é muito difícil ser escritor no Brasil?Você enfrenta barreiras por ser nordestino?

RK: Ser escritor profissional é difícil em qualquer lugar do mundo. No Brasil é ainda mais difícil porque o hábito da leitura não é incentivado. A situação tem melhorado, mas precisamos melhorar muito mais. A quase totalidade dos escritores não consegue viver apenas da venda de seus livros. Então eles precisam ganhar dinheiro em outras atividades e isso impede que eles se dediquem mais a seu trabalho de escritores. Quanto a ser nordestino, o preconceito diminuiu, mas ainda existe. No entanto, os escritores e artistas nordestinos possuem uma vantagem: como a cultura nordestina é muito rica, a bagagem cultural que trazemos naturalmente nos diferencia – aí é só saber usá-la.

Web Cristo: Em seu artigos, parece-nos que você incomoda bastante e até é bastante comentado quando critica a religião, principalmente a Cristã e os Cristãos como o Kaka, certo?Em seu artigo: RELIGIÃO NO ESPORTE É GOL CONTRA, você se manifestou contra as mensagens religiosas, que chamou de proselitismo que Jogadores como Kaká e cia (Cristãos) fazem ou fizeram, pode resumir esse o assunto deste artigo para nossos leitores?

RK: Meus textos irritam os religiosos radicais porque eles são fanáticos e um fanático não consegue dialogar com a diferença. Mas também incomodo aos religiosos amenos, pois alguns param para pensar e começam a ver sua religião por outros ângulos – aleluia! Por que podemos criticar qualquer pessoa, ideologia ou instituição e não podemos criticar as religiões? Esse privilégio descabido deve acabar, mas só vai acabar quando avançarmos mais na democracia e quando mais pessoas tiverem a coragem de dizer o que pensam sobre a religião. Sobre o proselitismo religioso no esporte, ele não é saudável para o esporte, pois mais divide que une. Sim, é claro que devemos ter a liberdade de expressão, mas até isso é relativo pois existem as regras de convívio social. O esporte não é lugar de fazer propaganda de religião, assim como a igreja não é lugar de fazer propaganda de um time de futebol.

Web Cristo: Então esporte é lugar para fazer propaganda de uma droga liberada como o álcool?

RK: Não concordo com publicidade de drogas no esporte, mesmo a cervejinha nossa de cada dia. Isso é uma questão de saúde pública na qual os governos devem ser rígidos. O caso da propaganda religiosa também é uma questão grave, mas aqui já é uma questão de impedir a prática do proselitismo, o uso indevido de espaços e eventos públicos para divulgação de ideias ou produtos particulares. Religião é produto? Sim, é um produto cultural, que se vende como qualquer outro: tem lojas, distribuição, marketing, briga por clientes… Aliás, a ideia de céu e inferno é um marketing muito eficiente, que seduz a quem necessita de autoridade e julgamento. O dízimo então, nem se fala. Mas voltando ao proselitismo, se eu usasse o espaço de uma missa ou de um culto para divulgar minhas crenças pessoais ou meu livro, isso não seria falta de senso? Por que a religião deveria ter esse privilégio de poder ser divulgada em qualquer ocasião?

Web Cristo: Não é só religião que não pode ser criticada, você já criticou o Movimento Gay para sentir a sua falta de privilégios e sua liberdade de expressão ameaçada?

RK: Por que eu criticaria o movimento gay?

Web Cristo: Não sei, nós é que lhe perguntamos…. porque você critica e parece combater a religião, a igreja, os Cristãos?

RK: Nada tenho contra o movimento gay. Não tenho por que criticá-lo. Quanto à religião, eu sou um crítico de vários aspectos relativos a ela, mas defendo o direito de todos exercerem sua religiosidade, assim como defendo o direito de todos viverem sua sexualidade.

Web Cristo: Sabemos que existem “Pastores Pilantrões”, pois o próprio Jesus disse que eles existiriam em (Mateus 7:15) mas ao criticar os vários aspectos relativos a religião como você mesmo citou você não generaliza colocando até os bons nesta “cova”?

RK: Sei que existem religiosos honestos. Sou amigo de vários. Mas mesmo entre eles encontro atitudes lamentáveis, que a religião provoca. Um exemplo é a condescendência em relação aos abusos cometidos em nome da religião. Se o padre abusa de crianças, boa parte dos católicos o perdoam porque ele é um sacerdote de Deus. Se o pastor extorque os fiéis, deve ser perdoado porque ao menos ele faz as pessoas lerem a Bíblia. Se aquele crucifixo na parede do Congresso fere o princípio constitucional do estado laico, isso não importa pois Deus está sendo louvado. Se as culturas indígenas são violentadas pelos missionários, isso é o de menos, desde que eles aceitem a Jesus. Essa vista grossa equivaleria a eu relevar um crime cometido por um escritor só porque ele ama e glorifica a Literatura. O extremo dessa atitude são os genocídios e as guerras em nome de Deus. Os religiosos devem perguntar a si mesmos: eu mataria em nome do meu Deus? Se a resposta for sim, estaremos diante de criador e criatura moralmente desprezíveis.

Web Cristo: O Jornal O POVO protege a Maria dos Católicos que Ricardo Critica, mas não defende os Crentes e outros religiosos que Ricardo Critica, pode nos explicar esse Jornalismo Pseudoparcial?Ou Crente para eles é sinal de escarnio mesmo?

RK: Não posso responder pelo O Povo Online. Sou apenas um colunista do portal.

Web Cristo: Para você, qual seria o mundo ideal?

RK: Em meu mundo ideal a humanidade se entende como um único povo, o povo da Terra, e as diferenças físicas, culturais, religiosas e sexuais não são combatidas, mas festejadas. A relação com o Mistério e o Sagrado é algo íntimo e pessoal e ninguém pretende convencer a ninguém que sua relação é a única verdadeira. Hummm, exagerei no ideal, né? Nem Deus conseguiria isso.

Web Cristo: Não, não exagerou não, Jonh Lennon e o fundador do Titanic, por exemplo e alguns ateístas já falaram algo parecido com “nem Deus conseguiria isso”, sua visão é muito boa, mas mas não é utópica e até certo ponto demagoga?

RK: Claro que é utópica, pois a humanidade nunca viveu esse nível de respeito às diferenças. Mas as utopias nos movem, né? E essa ideia não é demagógica, pois muitos acreditam e lutam por ela.

Web Cristo: Você, no seu mais recente artigo diz que Religião no Poder é fogo e que a primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos sustentáculos da democracia, isso é a liberdade. Você “festeja e exalta” as diferenças e diversidades sexuais em seu outro artigo que diz que “a diversidade sexual pede passagem“. No meio político e Senado, onde líderes que se dizem democráticos defendem vêementemente Projeto de Lei PL122/06, projeto esse totalmente anticonstitucional e consequentemente antidemocrático, pois ele “exalta”, “festeja” e pede direitos as “diferenças” ( homossexuais, lesbicas, travestis etc direitos estes já garantidos na Constituição no Art 5°) mas priva, entre muitas questões o maior de todos os direitos: a liberdade de expressão. Perguntamos: que liberdade é essa que você defende, exalta e festeja?

RK: Liberdade de expressão é sagrado. Claro que defendo o direito de todos serem o que são e de dizerem o que pensam. Mas se alguém prega o ódio e o preconceito contra homossexuais ou contra evangélicos ou contra qualquer pessoa ou grupo de pessoas, isso deve ser crime, caso contrário viveremos todos em clima de guerra contra todos. O problema é que a religião se considera intocável e acha que seus dogmas devem prevalecer sobre as leis civis.

Web Cristo: Se te parassem na rua e te dissessem: Jesus te ama o que você diria?

RK: Pode me amar à vontade. Mas sem exclusividade.

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

Bem vindo ao clube dos excomungados – Pra Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica. ATENÇÃO: CONTÉM MENSAGENS POUCO RESPEITOSAS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. ATENÇÃO: CONTÉM MENSAGENS POUCO RESPEITOSAS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos – Crer que o ser supremo do Universo tá do meu lado e castigará quem discorda de mim e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo? ATENÇÃO: CONTÉM MENSAGENS POUCO RESPEITOSAS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

Religião no poder é fogo – A primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos sustentáculos da democracia: a liberdade

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MAIS SOBRE ATEÍSMO

ATEA – Assoc. Bras. de Ateus e Agnósticos – Vale a pena conhecer. Ou você tem medo de mudar de ideia?

Neurocientista e escritora Suzana Herculano sai do armário – Bem vinda ao clube, Suzana!

Religulous (filme)O comediante estadunidense Bill Maher percorreu alguns países entrevistando cristãos, judeus e muçulmanos e fez a eles perguntas simples, do tipo que as crianças fazem, e o resultado é hilário.

Os iraquianos que se tornaram ateus – Em meio aos conflitos interreligiosos, a tendência de afastar-se da religião cresce entre os jovens

A religião perde força no Brasil e na América Latina – Pesquisa do instituto Latinobarometro mostra que o ateísmo é maior em países com melhores economias

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COMENTÁRIOS
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01- Excelente …Noviças Viçosas rs. André Ortiz, Fortaleza-CE – jan2011

02- Valeu Kelmer! Ótima entrevista. Fernando Veras, Fortaleza-CE – jan2011

03- lembrei do cordel o encontro entre o bebado e o pastor evangélico. Eduardo Macedo, Recife-PE – jan2011

04- Porreta! Se houvesse uma ruma de caba macho como tu – tirando a cabeça do buraco – eu voltaria a acreditar na possibilidade de soluções coletivas. Marcos Scaico, Serra Negra-SP – fev2011


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Cabaré Soçaite paulistano nov2010 – vídeo e fotos

07/01/2011

Ricardo Kelmer 2011

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Em 06nov2010, após seis edições em Fortaleza, o Cabaré Soçaite estreou em São Paulo. A festa aconteceu no Espaço Atelier, Vila Madalena. A dançarina Najla executou um número de dança árabe e os concursos Musa e Muso do Cabaré divertiram bastante o público. Marcio March fez as fotos e Gilberto Vieira a filmagem. A data da próxima edição paulistana do Cabaré será divulgada em breve. Em Fortaleza, a próxima edição será em 25mar, no Acervo Imaginário, Praia de Iracema.

APOIADORES DO CABARÉ PAULISTANO

Doc.Sex sex shop – rua Fco. Leitão, 502 – Pinheiros – SP-SP
Rio Quente Resort (Rio Quente-GO)
Pousada Casa do Ângelo (Jericoacoara-CE)

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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vai degustar agora ou quer que embrulhe?

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os encantos da dançarina Najla

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ô povo gozado

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cabaretes poderosas

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cabaretes abalando na salinha

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momento de empolgação na salinha

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cabaretes classe A

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casal que bebe unido

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casquinha no dono do cabaré

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Que bonita a festa, Ricardo!!!!!!!!!!! Adorei o video. São Paulo festeja a importação de pau d… muito feliz. Feliz 2011!! Bração! Emiliano Castro, São Paulo-SP – jan2011

02- Obrigada amore….ta muito lindoooooooooooo. Nana Bruxa, Poá-SP – jan2011


Protegido: Por trás do sexo anal (2)

11/11/2010

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Roque Santeiro, o meu bar do coração

07/11/2010

07nov2010

Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

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ROQUE SANTEIRO, O MEU BAR DO CORAÇÃO
Ricardo Kelmer 2005
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Em Fortaleza tem um bar
Que é boteco companheiro
Não tem nada similar
Já pesquisei o mundo inteiro
Por isso escrevo essa carta
Pra matar a saudade ingrata
Do meu bom Roque Santeiro

O Roque abre ao raiar do dia
Pense num boteco ideal
O cidadão chega se avicia
Pois não acha outro igual
A primeira vez vai curioso
Ouviu falar do bar famoso
Que é notícia de jornal

O Roque é patrimônio da cidade
Do Mucuripe é pura tradição
Acolhe gente de toda idade
Serve bem o liso e o barão
Vá de carro, a pé ou de charrete
Pare no quatro meia quatro sete
Da avenida Abolição

Quem atende é seo Moacir
Com alegria e sem estorvo
Traz logo o que você pedir
Sua presteza eu sempre louvo
Lá vem ele com a cerveja
Olha a panelada na bandeja
No capricho o pão com ovo

Se o freguês é bem tratado
A freguesa não pode reclamar
Na mesa ganha o melhor lado
O copo melhor que tem no bar
Moça bela que chega com sorriso
Ganha versinho de improviso
Seo Moacir é poeta popular

O cuscuz com boi ralado
Não pode faltar em sua mesa
O caldo de carne é um pecado
Levanta defunto com certeza
Cura até chiado no peito
Pela revista Veja foi eleito
O mais melhor de Fortaleza

A trilha sonora é o brega
Só os clássicos, sim senhor
Odair e Núbia Lafayette
Genival, Diana e Bartô
Pra curtir dor de cotovelo
Pra se acabar no desmantelo
E lembrar de um velho amor

No sucesso dessa casa
Brilha a alma feminina
Tem jeito sério de invocada
Mas o sorriso é de menina
A cozinha vai comandando
E os namoros combinando
Ela é a dona Orestina

Por favor sirva uma aqui
Enquanto que o sol não sai
Me apaixonei por aquela ali
Mas que pena, ela já vai
Agora eu não tenho escolha
Bote logo o CD dos Pholhas
Toque She Made Me Cry

Bem distante e com saudade
Lembro de tudo com emoção
A caninha, o brega, a amizade
O amor escorado no balcão
Muito momento verdadeiro
Vivi no Roque Santeiro
O meu bar do coração
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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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FLAGRANTES DO ROQUE
ou: Não aguenta, então não vem brincar

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RK201403RoqueS,VaninhaV,MarjorieRamos-01Guardiães do balcão do Roque. Só passa aqui se me der um beijo

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RoqueSanteiroOrestinaMoacir-01Dona Orestina fisgando o melhor partido do Mucuripe. Atenção para a gola discreta do paletó

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RoqueSCarlao,Paulinha01Dona Orestina dando conta das novidades. Nesse dia ela avisou que não aguentava mais essa vida e que ia morar na Paraíba. E que o Moacir é só bebendo…

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RoqueSanteiro-01Seis da manhã, o Serviluz passando, a pinga descendo, os namoro começando, os namoro acabando, e esse povo num trabalha não?

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???????Equipe de atendentes altamente qualificados para oferecer ao visitante uma experiência única, regada ao melhor bafo de pinga do Mucuripe

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Momento exato em que dona Orestina é presa pelo fiscal do MNBC (Movimento Nacional pelos Bons Costumes). Acusações: corrupção de maiores abandonados e alcovitagem de donzelas recém-separadas

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RoqueSanteiro-03Cinco horas da manhã e essa gente bronzeada e alegre contribuindo pro crescimento do PIB da zona leste

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RK201404RoqueS,Orestina-01Dona Orestina e o troféu Caboca 1999, prêmio pela contribuição cultural à cidade de Fortaleza. Mais que merecido!

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O SOM DO ROQUE SANTEIRO

01. Alípio Martins – Lá vai ele
02. Bartô Galeno – O grande amor da minha vida
03. Cesar Sampaio – Secretária da beira do cais
04. Diana – Por que brigamos (I am… i said)
05. Genival Santos – Eu lhe peguei no flagra
06. Jane & Herondi – Não se vá
07. Kátia – Lembranças
08. Luiz Carlos Magno – Ave Maria pro nosso amor
09. Odair José – Vou tirar você desse lugar
10. Pholhas – She made me cry
11. Raimundo Soldado – Abraçando você
12. Reginaldo Rossi – Garçom
13. Roberto Muller – Mulher de cabaré
14. Waldick Soriano – Tortura de amor
15. Wando – Moça

Roberto Carlos

As flores do jardim de nossa casa (69) – 120… 150… 200 km por hora (70) – Amada amante (71) – A distância (72) – À janela (72) – Atitudes (73) – Palavras (73) – Proposta (73) – Jogo de damas (74) – O show já terminou (75)Os seus botões (76) – Cavalgada (77) – Falando sério (77) – Pra ser só minha mulher (77)

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TRILHA DA VIDA LOCA
Contos e canções do amor doído

Meu grande sonho: fazer este show em frente ao Roque

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LEIA NESTE BLOG

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

A volta da Intocáveis – Oh não! – Um show com os restos mortais da Intocáveis Putz Band

A sociedade feladaputa de Geraldo Luz – Suas músicas são baladas de melodias simplórias, conduzidas por uma inacreditável verborragia que mistura crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis

Ser mulher não é pra qualquer um  – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

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COMENTÁRIOS
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01- Muito bom, Ricardo Kelmer! Tayane Cristine, Campina Grande-PB – jan2014

02- Realmente um lugar pra ser feliz!!! Lucinha Simões, Fortaleza-CE – ago2014


O mistério da cearense pornô da Califórnia

28/10/2010

28out2010

Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

OMisterioDaCearensePornoDaCalifornia-03

O MISTÉRIO DA CEARENSE PORNÔ DA CALIFÓRNIA

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Sasha Grey. Ela é a atual musa pornô dos Estados Unidos. Mas isso é pouquíssimo para defini-la. Além de ser diabolicamente linda e divinamente competente em seu ofício, com duzentos filmes e vários prêmios no currículo, Sasha é culta, estudou teatro e cinema, canta, tem uma banda, foi capa da Playboy, posa para grifes internacionais, lançou um livro de fotografias e montou sua própria produtora – e ela só tem 22 aninhos.

Sasha, cujo nome verdadeiro é Marina Ann Hantzis, também brilha em filmes de diretores consagrados como Steven Soderbergh e está no elenco da premiada série televisiva Entourage. Ela tem um inacreditável corpinho de porcelana, não é siliconada nem tatuada e sua beleza de lolita exala uma petulante frieza: a gente olha e vê uma adolescente, sim, mas que sabe muito bem o que está fazendo.

Quando a conheci, foi um susto: uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina? Putz, quero casar com ela! Mas susto maior eu tive ao ler sua entrevista de 2006 na extinta revista Ele Ela e saber que… a moça é cearense. Nascida em Fortaleza. Uau! Aquilo era a prova de que começa a se cumprir a antiga profecia que diz que um dia os cearenses dominarão o mundo. A profecia só falhou no artigo masculino: são as cearenses que vão quebrar tudo.

Curioso e orgulhoso da minha mais nova conterrânea, vesti mais uma vez a capa do investigador Errikelmer, pedi a Tábata que anotasse os recados e fui pesquisar. Tábata é minha barata voadora de estimação, que nas horas vagas atua de secretária em troca de doce de amendoim. Pois bem. Errikelmer descobriu tudo isso que contei. E mais: que Sasha teria nascido na Maternidade São Raimundo, uaaaaau, a mesma onde eu nasci. Putz. E pensar que por causa de uns míseros vinte e três anos eu e ela não fomos íntimos coleguinhas de berço…

Porém, descobri que no Myspace de Sasha ela se diz americana, informação constante também na Wikipédia e em todos os sites de língua inglesa que pesquisei. E numa entrevista para um site brasileiro, ela desmente que seja brasuca, e diz que nasceu em Sacramento, Califórnia. Hummm… Então a brasilidade de Sasha não passara de uma brincadeira da Ele Ela, ou dela própria? A pegadinha enganou até mesmo a revista Rolling Stone, a Globo.com e um jornal do Ceará.

Passei no bar e tomei um conhaque para ajudar a engolir a decepção. Que pena, a Sasha conterrânea fora apenas um sonho de uma noite de mormaço. No outro dia, contei para Tábata o resultado da investigação e ela me gozou:

– Tu é muito bobo. Esqueceu que toda atriz é uma fingidora? E que, sendo pornô, finge tão completamente que chega a fingir que é prazer o gozo que deveras sente?

Essa barata metida andava lendo Fernando Pessoa, é o fim do mundo. Mas o fato é que faz sentido, sim, talvez Sasha considere mais estratégico declarar-se californiana que cearense. Se assim for, a própria profecia cuidará do caso. E assim, um dia, Sashinha não mais resistirá à força da ancestralidade, e então a veremos no programa do David Letterman vestida com a camisa do Fortaleza, empunhando um litrão de Ypióca e contando piada. E revelando que adoooora uma fuleragem.

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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RK,Tabata-02Investigador Errikelmer e sua adorável assistente Tábata
(ilustração: Liliana Ostrovsky)

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SashaGrey-01aO mistério da cearense pornô da California (VIP)
Exclusivo para Leitor Vip (digite a senha de 2010)

Veja nesta postagem:

– Seleção de cenas especiais de Sasha Grey
– Primeira sessão remunerada, 2007

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MAIS SOBRE SASHA GREY

Site oficial de Sasha Grey

Sasha Grey na Wikipedia (ing.)

Matéria da revista Status, out2012 (port.)

Matéria da revista Rolling Stone, jun2009 (port.)

Entrevista para o site brasileiro GoGo Pornville, mar2009 (port.)

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CASOS DO INVESTIGADOR ERRIKELMER

O mistério da morena turbinada – Aí um dia ela, inocentemente, leva o computador numa loja pra consertar. Algum tempo depois dezenas de fotos suas estão na rede, inclusive fotos íntimas

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e entre uma orgia e outra luta pela liberação feminina

Tábata, a mulher barata – Não fazia parte dos meus planos ter uma secretária ninfômana, alcoólatra e escandalosa mas fazemos uma boa dupla no mundo das investigações sexuais

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso, ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja, pois você pode conseguir

Por trás do sexo anal (1) – Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-06O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir, mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaca

A prostituição na sala de estar – Quem resiste ao fetiche de acompanhar o cotidiano de uma lolita que vende sexo?

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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o fim de tarde
Ricardo Kelmer – contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação por meio da submissão no sexo anal

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COMENTÁRIOS
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01- Nosssssssssssssssssa, vc apaixonou!!!!!!!!!!!!!!!!! Márcia Palves, Belo Horizonte-MG – out2010

02- Faaaaaala, Ricardo Kelmo! Rapá, só muito beba mermo é q ela botaria um abadá colorido da lioa estela terceirona, viu! Vôte, meu camarada: ela é VOZÃO do coração do meu povão desde q nasceu, isso sim!Vale! Wander Nunes Frota, Fortaleza-CE – out2010

03- Olá, Kelmer, tudo bem? Gostei muito desse textinho. Queira postá-lo no meu blog. Gostei do inusitado da crônica: “Quando a conheci, foi um susto: uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina?”, tudo isso somado a possibilidade dessa super mulher ser nordestina-cearense… enfim, gosto desses ‘contrastes’ que indicam formas diferentes de viver. Além da sua escrita, super fluente e bem atual. =) Abs! Valdívia Costa, Campina Grande-PB – out2010

04- Oi Klmer! Então a informação sobre a tal moça foi uma barrigada? rsrsrs bjs. Joanice Sampaio, Fortaleza-CE – out2010

05- GENIAL!!!!!!! André de Sena, Recife-PE – out2010

06- Texto sensacional!!! Sou sua fã!!! Bjs. Karla Karenina, Fortaleza-CE out2010

07- Rs,rs,rs … Muito bom, meu escritor cearense preferido … Lindo fim de semana ! Bjk. Kenya Costta, Rio de Janeiro-RJ-out210

08- Essa é boa! Mas que a Sasha tem cara de americana, isso tem. A propósito, não será a sua barata Tábata muito religiosa?… Abração. Felipe Moreno, São Paulo-SP – out2010

09- ô desgraçada, linda e nova!!!!!!!! ah, e culta a infeliz……argh. Magna Mastroianni, São Paulo-SP – out2010

10- Muito foi o “sonho de uma noite de mormaço”! KKKKK. André Rola, Rio de Janeiro-RJ – nov2010

11- Sasha Gray/Marina é a tua cara, uma capeta em forma de fêmea ultra fatal. Surta qualquer cristão. Surta qualquer herege. Bote fatal nisto… Tua Lolita interna, a de dentro, a que te cabe, lhe dá a deep dimensão do poder diabólico das Lolitas de fora, né? Quem não deseja ir pro inferno com uma capeta Lolita? Patrícia Lobo, Salvador-BA – nov2010

12- Muito bom o texto da Sasha Grey. Essa coca é fanta. abçs. Emerson Boy, São Paulo-SP – nov2010

13- Nem conhecia esse seu lado de “escritor erótico”. kkkkkk Acompanho seus textos de outrora, mas foi uma surpresa. 🙂 Giancarlo Kind Schmid, Rio de Janeiro-RJ – nov2011

14- como não amar Sasha Grey? Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – nov2011

15- Cearenses lindas e gostosas… Adooooro! Luciano ES, São Paulo-SP – nov2011

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Cabaré Soçaite fev2010 – Sâmia e Rodrigo

26/10/2010

O palco da festa CABARÉ SOÇAITE é aberto a todos que desejarem dançar, fotografar ou fazer suas performances. Além das performances espontâneas há sempre apresentações especiais, combinadas previamente. No Cabaré de fev2010, em Fortaleza, Sâmia e Rodrigo protagonizaram um dos grandes momentos da história da festa ao interpretar, com humor e erotismo, a música Desabafo, de Roberto e Erasmo. Na mesma edição eles interpretaram maravilhosamente Vou Tirar Você Desse Lugar, de Odair José, com um casal amigo.

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NÚMEROS SUGERIDOS pras próximas edições do Cabaré Soçaite:

– Dança: tango, lambada, dança do ventre, dança dos sete véus e dança do poste (pole dance)
– Strip-tease tradicional ou burlesco (com humor)
– Homenagens musicais (cantando ao vivo, dublando, interpretando ou parodiando): Odair José, Waldick Soriano, Sidney Magal, Gretchen, Núbia Lafayette, Wando, Fernando Mendes, Genival Santos, Falcão, Abba, Vanusa e Pimpinela
– Homenagens cinematográficas: imitação de cenas famosas do cinema
– Imitações diversas

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PARCEIROS do Cabaré de fev2010:

Pousada Casa do Ângelo (Jericoacoara-CE)
Acervo Imaginário (Fortaleza-CE)
Via Libido Sex Shop (Fortaleza-CE)
Q Tentação (Fortaleza-CE)

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PRÓXIMAS EDIÇÕES

São Paulo: 06nov – Espaço Atelier
Rua Purpurina, 534 – Vila Madalena
Quer ganhar 2 ingressos? Deixe postagem com seu nome/sobrenome. Divulgarei o resultado aqui mesmo na 4a feira 03nov.
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Fortaleza: 03dez – Acervo Imaginário
Rua José Avelino, 226 – Praia de Iracema

PARTICIPE

Você tem um número interessante pra apresentar no Cabaré Soçaite? Fale com a gente: cabaresocaite(arroba)gmail.com. Pode ser uma performance de dança, poesia, teatro, música… Mas tem que haver algo de erotismo ou humor, ok?

PARCERIAS

Fazemos parcerias com empresas, divulgando suas marcas na festa e nas peças publicitárias, inclusive nos vídeos. Gostaria de participar? Fale com a gente: cabaresocaite(arroba)gmail.com.

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MAIS CABARÉ SOÇAITE

FACEBOOK – Grupo Cabaré Soçaite
Arte erótica, sorteio de livros, CDs e DVDs e ingressos

NO TWITTER
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MAIS FOTOS E VÍDEOS E A HISTÓRIA DA FESTA

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COMENTÁRIOS
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O mistério da morena turbinada

01/10/2010

01out2010

Aí um dia ela, inocentemente, leva o computador numa loja pra consertar. Algum tempo depois dezenas de fotos suas estão na rede, inclusive fotos íntimas

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O MISTÉRIO DA MORENA TURBINADA

1ª parte

Tem sempre um mistério na fila. E o mistério da vez me chegou através do Orkut, num pedido de adicionar. Fernanda, o nome dela. Olhei a foto da moça: morena, sorridente, cabelão preto liso, um decote generoso… Queria ser minha amiga. Que meigo. Mas não deixara recado. E Errikelmer não adiciona sem recado, são normas da empresa. Mas o diabo é que um decote daquele desestrutura a vida do cidadão trabalhador. Aceito.

Um clique e lá tô eu na página da morena. Hummm, na foto ampliada da capa a moça ficou ainda mais atraente. Dou uma sacada na apresentação e vejo que ela mora em Santos, tem 28 aninhos, humm, é psicóloga, humm, e modelo fotográfico, hummmm…. Ops. Modelo e psicóloga? Estranho, né? É, eu sei, mas não sejamos tão rígidos, esse mundo é louco mesmo. Então clico pra ver as fotos do álbum da Fernanda Fuschini, vamos conhecer melhor a moça que deseja ser minha amiga.

Raramente me surpreendo no Orkut, sou macaco velho. Mas daquela vez engoli seco. O que é isso?, eu me perguntava enquanto via as fotos. A morena realmente era violenta. Linda, gostosa, bundão, peitão, bocão, tudo ão. Um olho cinza-azulado e um sorriso manga-larga daqueles. Lá estava morena de shortinho, morena num impossível vestidinho branco tomara que caia, morena indo às compras, morena na balada com as amiguinhas e morena de biquíni, sentada assim, como direi, beeem descontraída pros olhos do internauta.

Babei nas doze fotos, logo eu que sou passado e cozido na casca do alho. No começo, pelas roupas desconcertantes que ela usava, sempre valorizando curvas e protuberâncias, sem falar na marquinha assassina do biquíni, achei que fosse alguma superatriz de cinema pornô ou uma garota de programa classe AA pra cavalheiros de fino trato. Mas logo me condenei por estar sendo tão preconceituoso. Por que uma psicóloga não pode também ser modelo, heim? Por que psicóloga não pode ser turbinada, usar roupitchas criminosas e ter um doce jeitinho brejeiro, heim, heim? Oh, como sou vil! Que mentalidade curta tenho eu! Sim, eu mereço apodrecer junto aos vermes rastejantes na lama fétida dos umbrais, sim, eu mereço! A moça era apenas espontânea, só isso. E queria ser minha amiga. Certamente gostou do meu singelo jeitão de batráquio de ressaca, talvez deseje me conhecer pessoalmente… Isso. Aí ela me ligará e eu a convidarei a visitar meu duplex com vista pra Paulista, e aí ela aceitará uma dose de blequilêibou, nós dois lá na varanda, aí ela dirá que pareço o Fábio Jr., ah, que é isso, Fernanda, assim você me deixa encabulado… Só um instante, Fernanda, meu celular tá tocando, só um instantinho, não vai fugir, heim? Alô? Alô?

Iludido, ô iludido, acorda! Fernanda não existe. Ela não passa de um personagem do Orkut, mais um dos milhares de perfis falsos criados pra sacanear com tarados sebosos como você, que passam o dia na internet atrás de mulher pelada. Entendeu, vagabundo? Agora desliga o celular e vê se cai na real.

Roupitcha básica pra ir na padaria

No instante seguinte, Fernanda sumiu no ar e o copo que ela segurava espatifou-se no chão. O duplex na Paulista evaporou-se e dei por mim de volta ao meu quartinho alugado nesse pombal do centro, que divido com Tábata, minha barata voadora de estimação, que, por sinal, é minha assistente. Quer dizer que Fernanda é uma miragem? Pô, sacanagem! Um demente que não tem o que fazer armou a arapuca e eu caí direitinho. Você, não, os seus hormônios masculinos caíram ‒ me corrige Tábata, que entende bem de instintos animais. Então, de volta à dura realidade, me achando o idiota dos idiotas, fui fuçar o Orkut da personagem Fernanda. E vi que ela gosta de ler, e até cita uns escritores que nunca ouvi falar na vida. Na tevê, curte telejornais, programas de entrevistas e… Ana Maria Braga?! Eclética, a moça. Demonstrando todo o seu lado sofisticado, ela curte jazz, blues e concerto de piano. Frequenta academia, claro, e, surpresa, mora com os pais. E uma de suas paixões é sua família, ô, que meigo. Meigo mas incongruente. O inventor da Fernanda Fuschini passaria fome se trabalhasse com perfil de personagens. A não ser que fosse uma história de esquizofrênicos.

Aí, curioso pra saber se alguém mais tinha caído na pegadinha, fui fuçar os recados dela. Putz! Como tem homem idiota nesse mundo! Rimos muito, eu e Tábata, olhando pra cara dos abestados, todos babando pela morena e deixando seus recadinhos melosos e ridículos. Um tal de Dica mandou essa: “oi.vc arrasa.cuida bem desse corpao que deus te deu.benza deus.ufa…….” Detalhe: o Dica é casado. Tome tenência, seo Dica! Tem medo da tua mulher descobrir essas tuas galinhagens não? E esse outro, um tal de Voltei: “nao sei o que falar suas fotos travaram minha boca,meu inconciente esta dentro de vc no meio das suas pernas fazendo vc gozar com a língua”. Ahahahah! Inconsciente agora tem língua e faz sexo oral. Que pena que Jung não conheceu o Orkut.

Decididamente, o melhor foi o Allan Genaro, de Santos, esse bateu o recorde: “ola fernanda….td bem???? me desculpe entrar sem permissao no seu orkut, mais nossa vc nao existe …… to bobo …..vc é muito linda, e o melhor vc mora perto de mim sabia?” Ahahahah! Pode uma coisa dessa? O cara já tá se imaginando saindo de casa, todo cheiroso, caminhando duas quadras e pegando a Fernanda pra sair. Vai ser iludido assim lá na Baixada!

Aliviado por não ser o único tarado seboso idiota do mundo, deixei um recadinho parabenizando o criador da pegadinha, sim, só pode ser homem, só homem faz essas merdas. Tábata quis também deixar recado, dizendo que era óbvio que a moça era siliconada, que se ela tivesse dinheiro também teria bunda e peitos maravilhosos como aqueles. Pense numa baratinha despeitada… Não permiti, claro. Pois não é que dias depois recebo recado de uma senhora, de sobrenome Fuschini, me parabenizando! Por desmascarar a tal fulaninha. A senhora afirmava que não existia nenhuma sem-vergonha como aquela na família dela e coisa e tal. Ahahahah! A incansável defensora da moralidade dos Fuschini. Não respondi ao recado, mas ele me atiçou de vez a curiosidade. Talvez a incrível morena não se chamasse Fernanda Fuschini, isso era bem provável. Mas ela existia, sim, estava ali na tela, em carne e osso ‒ e peitos. E se ela existia, agora eu queria descobrir quem ela era. Mais um mistério pro investigador Errikelmer. Atenda os telefonemas, Tábata, vou dar uma boa volta pela rede.

2ª parte

Maria Fernanda Fuschini. Encontrei alguém com esse nome numa lista de chamada pra matrícula da Unesp de Lorena, estado de São Paulo, vestibular de 2003, curso de Engenharia de Materiais. Arrá! Existia, de fato, uma Fernanda Fuschini. Mas como saber se era a morena das roupitchas impossíveis?

Insisti mais um pouco e encontrei outra Fernanda Fuschini no Orkut, mas esta era de Guarujá. Infelizmente não tinha nenhuma foto e quase nenhuma informação pessoal. Não parecia ter ligação com o caso. Hummm… Aquela estratégia não estava me levando longe, talvez eu devesse tomar uma outra linha investigativa. Mas qual? Tudo que eu tinha eram umas fotos e um nome que podia ser falso. Bem, já eram nove da noite e eu estava faminto. Então desci pro boteco, me encostei no balcão e pedi o velho xizégui. Com um joguinho da terceira divisão na tevê. Nada mal. O cidadão trabalhador também merece, né?

Nem precisava tanto

Sorte. Bom investigador tem que ter sorte. Alguns dias depois, acidentalmente, vi uma foto no Orkut e achei familiar… Caramba, era a morena! A mesma pessoa, mas com outro nome: Paula Marques. E esta morava no Rio Grande do Sul. As fotos eram as mesmas da Fernanda. Mas dados como idade e altura eram diferentes, assim como outras informações pessoais. Mais um perfil falso, certamente. Deduzi que os dois perfis foram criados por pessoas diferentes, dois caras que decidiram homenagear a morena turbinada reproduzindo suas fotos no Orkut. E talvez até houvesse mais perfis além daqueles dois, com outros nomes. A morena certamente não se chamava Fernanda nem Paula. Oquei. Mas não era muita coisa pra minha investigação. Eu precisava de algo novo.

Três semanas depois, quando eu já desanimava, a informação que eu buscava me chegou. Sem eu pedir. Sorte de bom investigador. Sabe esses amigos que não têm nada pra fazer na vida e todo dia te enviam foto de amadora, vídeo de sexo bizarro, essas coisas bem educativas? Pois é, eu tenho vários desse tipo, tanto amigos como amigas. Uau, que expressão mais curiosa: como amigas. Preciso dizer isso mais vezes. Mas voltemos ao prato principal. Um amigo tarado seboso me enviou um arquivo com uma centena de fotos de uma tal Maria da Graça Mello. Abri o arquivo, assim meio desinteressado, só pra dar uma conferida e… arrááá! Adivinha quem era a tal Maria da Graça. Adivinhooooou. Era a morena turbinada.

Entre as fotos, estavam todas as que eu já vira no Orkut. O resto, porém, era novidade. E que novidade! Agora dava pra conhecer bem melhor a moça. Analisando as fotos, desconfiei que ela seria mesmo do Rio Grande do Sul, pois numa delas havia uma cuia de chimarrão e em outra a placa do carro era de Porto Alegre. Mas quem teria conseguido todas aquelas fotos, e como? E o nome da moça? Será que Maria da Graça Mello também era outro nome falso? Atenda os telefones, Tábata.

Rô-rô-rô… Pois não é que esse era mesmo o nome verdadeiro? Maria da Graça é um desses casos de sucesso instantâneo da grande rede, uma lenda da internet. Veja só o que descobri: gaúcha de Cachoeira do Sul, 26 aninhos, 1,60m, Maria da Graça é formada em Direito pela Ulbra e trabalhava como bancária, sendo também modelo. Olhaí, modelo e advogada. E eu cismando porque a outra era modelo e psicóloga… Aí um dia ela, inocentemente, leva o computador numa loja pra consertar e algum tempo depois dezenas de fotos suas estão na rede, inclusive fotos íntimas: dois funcionários da loja copiaram as fotos de seu computador e publicaram na internet, os calhordas. As fotos se espalham e rapidamente a linda morena das roupitchas inacreditáveis se torna conhecida entre os internautas. Essa é a história. Que coisa, a gente não pode mais nem levar o computador pra consertar, é o fim do mundo. Ah, parece que ela processou a loja.

Insisti um pouco mais na pesquisa e descobri dezenas de sites que republicaram as fotos, com comentários ultra-apaixonados, de homens e mulheres. Descobri vídeos com suas fotos, realizados por admiradores anônimos. Descobri até um vídeo curtinho feito por um cara, de dentro de um carro, que a filmou saindo de casa e caminhando na calçada. Por aí você tira a paixão que a moça desperta na torcida. Sem ter a intenção, e a um custo que ela certamente jamais imaginou ter de pagar, Maria da Graça virou não apenas lenda ‒ virou musa da internet.

O que ela disse sobre isso tudo? Não sei, não encontrei nada. Mas encontrei uma matéria no Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, de 2005, onde ela comenta sobre por que chama a atenção: “Sou um pouco diferente das outras meninas, não sigo padrões comuns para me vestir e uso roupas mais ousadas.” Bem, pelo menos ela reconhece. Ela diz que nas idas frequentes a um shopping em Porto Alegre, sempre volta com muitos cartões de agências de modelos. Não duvido, não duvido. Mas diz que nunca ouviu nada ofensivo por causa das roupas que usa. Ofensivo? Claro que não. Ela é tão bonita e vistosa, e suas roupas tão ousadas, pra usar sua própria expressão, e o conjunto da obra é tão impressionante, que se alguém por acaso pensasse mesmo em ofendê-la, daqui que passasse o assombro ela já estaria longe.

Modelito pra lavar louça

Modelito caseiro pra lavar louça

Satisfeito com a missão cumprida, ponho o caso na pasta Mistérios Resolvidos e me despeço de Maria da Graça, ainda meio encantado com toda essa mistura ambígua de sensualidade, inocência e perdição que ela inspira. Parece uma personagem do Manara. Então percebo Tábata me olhando com seu velho olhar pidão. Claro, garota, você também merece. E dou-lhe um docinho de amendoim, que ela adora. Quanto a mim, desço no boteco pra comemorar com um conhaque duplo mais uma lenda da internet desvendada. E quanto a você, Maria da Graça, gostaria que soubesse que agora você faz parte do time das minhas heroínas, junto a Druuna, Vampirella e Karine Alexandrino. Espero sinceramente que ganhe o processo contra a loja, que seja feliz e continue sendo a gracinha que você é. Será impossível controlar a publicação de suas fotos na rede pois, como você sabe, caiu na rede, é da rede. Mas, quem sabe, as mesmas fotos que te trouxeram constrangimento não te trarão alguma oportunidade interessante, né?

Ah, e quanto aos meus honorários, nem pense nisso, senhorita, por favor. Fiz por amor à profissão. Como? A gente se conhecer? Ahn… bem… claro que podemos. Mas olhe, eu fico tímido diante das minhas heroínas, é capaz de me dar gagueira, começar a tremer e sair correndo, vai ser vergonhoso. Como? Você me amarra numa cadeira? Super-Graça, não diga essas coisas… Heim? Você vai com aquele vestidinho branco da foto do balcão? Ah, não, o vestidinho branco não, assim você já tá abusando do cidadão trabalhador, tenha paciência. Tá pensando o quê, heim, heim? Aceito.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Este conto integra o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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Investigador Errikelmer passando mal.

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> Matéria com Maria da Graça Mello (RBS TV, 18.03.07)

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MGM057aVeja aqui as fotos proibidas da morena turninada e os vídeos com o making of dos ensaios eróticos. Exclusivo para Leitor Vip: basta digitar a senha de 2010.

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MAIS CASOS DO INVESTIGADOR ERRI KELMER

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e entre uma orgia e outra luta pela liberação das mulheres

Tábata, a mulher barata – Não fazia parte dos meus planos ter uma secretária ninfômana, alcoólatra e escandalosa, mas fazemos uma boa dupla no mundo das investigações sexuais

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DICA DE LIVRO

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Ricardo Kelmer – contos eróticos

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir

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COMENTÁRIOS
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01- vc arrasa sempre..parabéns!!! Feliz Ano novo pra vc, que Deus o abençoe sempre e nos permita conviver com tal humor e inteligência por muitas décadas(se não se importar em ficar velhinho, claro) beijos de uma de suas … fãs – Ana Virgínia, Fortaleza-CE – dez2006

02- meu……………….. .fantastico somplismente fantastico a coluna da fernanda q vc fez magnifico…….sem palavras responde ai c puder Abraços. Gustavo Coelho, São Bernardo do Campo-SP – dez2006

03- Olá Ricardo!!! Amei o texto, divertido e real. Infelizmente. Eu já fui uma desses taradas de plantão, rs, qse caí na lábia dum “galã” orkutiano… Sorte, que desconfiava, um cara lindo, descente, inteligente…e não era viado? Só podia ser invençao dum barrigudo punheteiro que não tinha nada melhor a fazer do que sacanear mocinhas incautas como eu…rs Bom, é isso! Beijo pra vc e aceno pra sua assistente(de longe, não sou fã de baratas). Daniela Polvani, São Paulo-SP – dez2006

04- Comentário: Meu caro colega tarado seboso idiota da internet, também faço parte desta categoria e acho que sei de quem se trata esta morena turbinada, o nome da maravilhosa criatura é: Maria da Graça Mello. Sempre gostei (e quem não gosta?) de humor e sacanagem e vc escreve isso numa mistura bem dosada. Só que agora passarei a mandar os links dos seus textos pras listas que participo com maior afinco. Tarados unidos jamais serão detidos… Rubens, Fortaleza-CE – dez2006

05- keeeeeeeeeeeeeeeeeeeee !!!!!!!! FELIZ ANO NOVOOOOOOOOOOOOOOOO… Se a TURBINADA é psicólogaaaaaa…eu sou um mico de circoooooooooo…rsss… bjs Ro PS. Pelo menos meus turbos são verdadeiroooooooooooosssss…. .rsss… Rosângela Letty, São Paulo-SP – jan2007

06- Olá Ricardo estás bem?ADOREI O TEXTO,SAUDADES!!!!!!!!!!!! Silvana Reis, Lisboa-Portugal – jan2007

07- Ilustre Kelmer Entrou meses atras wem Marsicano 3 uma nifeta sexi chamada Marry Jane (Marijuana). Começou a me escrever tietando, texcendo elogios. Respondi com depoimentos erotixcos. E a coisa foi crescendo ate que sugeri um encontro. Mas a coisa nao rolava nunca. Era sempre aquela bolinação intwerminavel. Ate que um dia uma voz feminina surge no meu telefone e reconheci ser da (…), uma chinesinha anã cocainomana inveterada e psicoide. Falei; O que voce quer (…)??? E ela desligou. Depois num recado, a voz dizia-se da Marry Jane, mas pude sacar que o perfil Marry Jane era falso, e a ninfeta nao era outra senão a fronteiriça paranoica da (…). Que Puta Alugação!!! Alberto Marsicano, São Paulo-SP – jan2007

08- INDA RAI NEGORREI! ADOREI!!!!!!!!!!!! Ana Lúcia Castelo, Newark-EUA – jan2007

09- Ricardo! Você é mesmo um incansável observador das coisas do mundo! Grata pelo envio do convite ao seu texto. Aproveito para lhe desejar um 2007 pleno de inspiração e reconhecimento! Juraci Maia, Lisboa-Portugal – jan2007

10- Bom demais!!!! Marcos André Borges, Fortaleza-CE – jan2007

11- adoreeeeeeeeeeeeeeeeei txiuuuuuuuuu, o negócio lá da Gracinha kkkkkkkkkk A-D-O-R-E-I!!!!!!!!!!!!!!!! é tu e mais ninguem viu? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk bjs bjs bjsssssssssssssssssssssssssss. Gizelle Saraiva, Natal – jan2007

12- hahahhhahahahaha.rs eu dei tanta risada lendo seu texto, mas que coisa né, impressionante como nos engamos nos deixamos seduzir e se não fossem pessoas inteligente como vce, para investigar estes casos, imagine só quantas babadas ja não teria o seu e outros monitores, fico imaginando a cara da sua baratinha tabatha rindo e pensando ai este galã parecido com o fabio junior fuçou fuçou e acabou descobrindo uma heroína da net que apenas tinha ido levar seu computador sem imaginar que suas fotos pudessem ser extraviadas. Achei sensacional e muito bem humorado o texto, parabens Ricardo pela investigação e por seu espírito crítico, bjus. Érika Ortiz, São Bernardo do Campo-SP – jan2007

13- Como tem passado? Adorei este conto! É bem real!!!!!! Tenha um feliz 2007! De coração! Danila Gomes, Fortaleza-CE – jan2007

14- Valeu, meu camaradinha! Continue mandando q eu vou lá e leio! Bom Ano Novo pr’ocê! Palmas pro novo L.F. Verissimo… Engate uma reduzida e mande bala q vc chega lá!Só podia vir mesmo é da capital do nosso Ceará — eu só num digo o nome da cidade pq, diferentemente de vc, sou VOZÃO do coração do meu povão!!! Mas tudo bem; sei reconhecer o talento alheio qdo vejo um q nem vc, mesmo q seja torcedor do “stela”, seu único “defeito”… Rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs! E vamo pa frente pq a campanha do BI tá só começano… Wander Nunes Frota, Fortaleza-CE – jan2007

15- Erri Kelmer , parabéns pelo caso resolvido e não esquecendo a ajudante voadora, Tábata, envio um abraço bem virtual, ajudante é ajudante e merece cumprimentos, né?Bem de longe, bem de longe.Adorei o mistério e seu decorrer.Qualquer mistério insolúvel pedirei humildemente a ajuda do investigador e sua, hã…, ajudante.Beijo.Feliz 2007. Lia Aderaldo, Fortaleza-CE – jan2007

16- SEU TEXTO SOBRE A MORENA É SIMPLESMENTE: I N C R Í V E L!!! Andrea Menge, Niterói-RJ – jan2007

17- Ricardo, Incrível o teu senso de humor e a tua capacidade para descrever tão bem os encantos e os mistérios que cercam a Maria das Graças! Parabéns! E quanto ao resultado da soma entre a “mistura ambígua de sensualidade, inocência e perdição que ela inspira” e os teus instintos animais em ebulição, sem comentários!!!! kkkkk. Kátia Regis, João Pessoa-PB – jan2007

18- Eu adorei o Mistério da morena turbinada. Modelo e Psicóloga. Há.Há. Na verdade Orkut é um grande divã de pobre. Ô povo pra suvinar analista. E aquelas autodefinições me matam. Neura pra todo lado. E quem se define nem percebe. Por isso mesmo adorei o investigador que desvenda mistérios no Orkut. Grande contribuição para a sociedade. Há . Há. Dê noticias. bjs. Marcinha Sucupira, Fortaleza-CE – jan2007

19- Adorei o texto da morena do Orkut. Mariucha Madureira, Brasília-DF – ja/2007

20- esse texto é muuuuuito bom!!!! hauhauahuaha dei muitas gargalhadas.. saudades de vc, qdo vem ao Rio?? Beeeijos meus e da Lívia. Daniela Cecchi, Rio de Janeiro-RJ – jan2007

21- Oiiii, vim te dar os parabéns =] adoreiii “O mistério da morena turbinada”, ótimo!!! aproveitando a oportunidade, feliz 2007! beijos : * Priscila Piffer, Rio de Janeiro-RJ – jan2007

22- Adorei a história rsssssssss… Ora, sou tua amiga no orkut há tanto tempo e vc nunca reparou que sou linda??? Rssssssssssssssss…… Afffff…. homem é tudo igual mesmo rssssssssss…. Um 2007 de muito sucesso pra vc, ricardo. Beijão. Ana Cristina Souto, Fortaleza-CE – jan2007

23- sei nao meu irmao, + continuo achando que e uma traveca do piaui!!!! melhor da rua joao pessoa, aqui em campina!!!! Cesar de Cesário, Campina Grande-PB – jan2007

24- Bom, muito bom, excelente uso das palavras, das imagens, dos aspectos sedutores da criação nesse exercício, tá tudo no lugar, como na morena… Outra coisa: com temas assim, até eu… Pense numa coisinha inspiradora! é, é mesmo um material pra te dar um milhão de dólares, de um milharal americano Abs. Max Krichanã, Fortaleza-CE – jan2007

25- Muito elogiado o “morena turbinada ” inclusive pela citada Karine Alexandrino que te manda um bj. bjão bonequinho ! Michele Diamanti, Fortaleza-CE – jan2007

26- Muito bom Ricardo! Esse é o seu estilo.Tema interessante e atual, humor e criatividade. Eu torcí para que fosse uma mensagem “real”. Pensando bem !!!! Eduardo Macedo, Recife-PE – jan2007

27- Oi Kelmer, To te lendo aqui de Paris acredita? Nada me separa de ti. Como sempre ri demais. Foi bom, pq hoje nao to la muito bem, em Paris, pode? So eu mesmo! Bjs. Lígia Virgínia, Paris-França – jan2007

28- kelmer, s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l, sampa tá te inspirando. fiquei até com vontade de conhecer a tábata e tomar um conhaques desses. bjs. Ihvna Chacon, Fortaleza-CE – jan2007

29- PARABENS!!! seu artigo é muito bem escrito e inteligente! a maria adorou o texto. Site Maria da Graça On Line – fev2007

30Eta crônica boa!! Mede forças com L.F.Veríssimo ou Fernando Sabino nos bons tempos. Adriano Petrachi, Ferrara, Itália – out2010


Odair José primeiro e único

07/08/2010

07ago2010

Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

ODAIR JOSÉ, PRIMEIRO E ÚNICO

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Sujeito interessante esse goiano de Morrinhos. Ele ri pouco, mas vê-se que é boa-praça. Tem cara de bandido de velho-oeste. Mas suas músicas possuem uma ternura que salta aos olhos. Odair José é remanescente dos tempos em que não havia FM, a música popular não era tão diversificada como hoje e o rótulo “brega” sequer existia – em 1972 todo mundo era brega. Mas ninguém sabia disso.

Sua entrevista no Jô Soares Onze e Meia, em 1996, foi memorável. Odair contou como começou a se apresentar em Goiânia e de lá, ainda adolescente, foi para o Rio de Janeiro, onde chegou no fim dos anos 1960 e foi artisticamente adotado pela zona. Ele e seu violão já dormiram pelos banheiros da rodoviária de Londres. Mas o melhor é a música. Jô pede que ele toque algo. Ele pega o violão, assume aquele ar compenetrado de não-riam-porque-é-sério e toca. Do fundo do coração. A plateia ainda ensaia uns risinhos. O entrevistador tenta inserir piadinhas. Mas é inútil: Odair continua sério, mesmo cantando coisas que a maioria só cantaria de gozação.

Suas canções destilam considerações filosóficas sobre Deus, a vida, o amor, a paternidade, a solidão. Cheias de óbvios risíveis como só as grandes verdades podem ser. Mas também falam de garotas de programa, pílulas anticoncepcionais e empregadas domésticas envergonhadas. Tudo numa franqueza admirável. Tem o cara que comprou uma revista masculina e encontrou a foto da ex, olha que maldade. Tem o outro que sabe que a garota dá para os amigos dele só para fazer ciúme, a ingrata. Temas delicados, mas que na boca de Odair ganham ternura e romantismo insuspeitados. Você escuta e pensa: será que ele está falando sério mesmo? Pois, para o seu governo, está.

Odair estourou logo no primeiro disco, em 1972, com Vou Tirar Você Desse Lugar. Em 1973, com o polêmico sucesso Pare de Tomar a Pílula (porque ela não deixa nosso filho nascer), Odair provocou uma confusão danada. Parte da Igreja até simpatizava com a música, pois ela parecia ser contra a pílula. Mas outra parte se incomodou bastante porque a música falava de sexo como se sexo, imagiiiina, fosse algo natural. Odair quase provocou um cisma na Igreja. E ainda incomodou também o governo por supostamente atrapalhar a campanha de natalidade. E agora, proíbe ou não proíbe o diabo da música? Proibiram.

Logo depois, com Deixa Essa Vergonha de Lado, ele se tornou o guru-terror das domésticas. Nessa época, a mídia alimentou uma polêmica: Odair José ou Caetano Veloso? Parece mentira, mas é verdade. Os dois, inclusive, chegaram a cantar juntos a clássica Vou Tirar Você Desse Lugar. Tempos loucos.

Nos anos 80 Odair andou meio esquecido, mas nos 90 voltou à tona graças a movimentos musicais bem-humorados como Os Necessários e a Banda Vexame, que o adotaram como padrinho. Os Titãs também declararam seu amor e lhe deram a música Baby. A partir daí, Odair ganhou uma certa aura cult e hoje sua obra bem que merecia ser relida como fizeram com a de Roberto Carlos. Mas atenção. Ele não é neossertanejo de calças apertadas. Não faz o gênero bonitinho de Daniel, nem é raposa velha como Reginaldo Rossi. Não tem o apelo de Roberta Miranda, e muito menos a breguice intelectualizada de Falcão. Odair é único. Mas é um pato desajeitado entre os cisnes da grande mídia: por isso ela não o adota. Inveja dessa gente, Odair.

A Globo-Universal lançou em 2001 o CD Odair José ao Vivo, com 18 canções. Lá estão velhos sucessos como Esta Noite Você Vai Ter que Ser Minha, Que Saudade de Você, A Noite Mais Linda do Mundo e Eu, Você e a Praça. Banda ensaiada, arranjos modernos, plateia empolgada. Tem também Vou Tirar Você Desse Lugar, claro. Você eu não sei, mas muita gente boa já chorou essa música num cabaré, agarrado numa garrafa de Dreher. Mas hoje não existem mais cabarés… Tempos estranhos.

“Encostei o meu carro na praça e você, um tanto sem graça, sorriu pra mim…” Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair. De preferência numa dessas noites em que está de saco cheio dessas mulheres sabidas demais das cidades grandes. Pegue sua bebida, sente ao sofá e entenda a mulher odaírica: ela certamente trabalha em loja de departamentos, tem um jeito simples, é discreta e honesta. Aborde-a com delicadeza. Ela tem um passado triste nos olhos e aceitará um drinque com reservas. E amará você do jeito que você é. Que, cá para nós, meu caro, é o que você anda precisando.

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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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> Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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VOU TIRAR VOCÊ DESSE LUGAR – O CURTA

Vou tirar você desse lugar (conto baseado na letra de Vou Tirar Você Desse Lugar. Um dia vai virar um curta-metragem, ah, vai)
De repente a semana cansativa, o trabalho desgastante, o crediário atrasado da tevê, tudo passou a ser apenas detalhes insignificantes a evaporar ao toque dos dedos dela…

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odairjose009SUCESSOS DE ODAIR JOSÉ

E depois volte pra mim (disco Praça Tiradentes, 2012)
Não me venda grilos (o disco censurado O Filho de José e Maria, 1977)
Nunca mais (disco O Filho de José e Maria, 1977)
Na minha opinião (1975)
Dê um chega na tristeza (1975)
A noite mais linda do mundo (1974)
Cadê você (1973)
Eu, você e a praça (1973)
Vou tirar você desse lugar (1972, original)

Vou tirar você desse lugar (ao vivo com Caetano Veloso, 1973)
Vou tirar você dsse lugar (2016)
Esta noite você vai ter que ser minha (1972)
Foi tudo culpa do amor (2017)

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LEIA

Discografia de Odair José

Vou tirar você desse patamar – Temática social na canção de Odair José – Trabalho acadêmico de Ana Karolina Cavalcante Assunção e Síria Mapurunga Bonfim (2011)

O trovador da luz vermelha – Entrevista com Odair José (jornal O Povo, Fortaleza, set2012)

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Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

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A sociedade feladaputa de Geraldo Luz – Crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

O brega não tem cura – Porque o senhor sabe, né, o brega sempre puxa uma dose, que puxa outra, que puxa a lembrança daquela ingrata, que puxa outra dose…

Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra

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TrilhaDaVidaLocaDiv-04TRILHA DA VIDA LOCA
Contos e canções do amor doído

Mesclando música e literatura, este show reúne clássicos da dor de cotovelo da MPB e histórias de amor inspiradas em sucessos de Odair José, Waldick Soriano, Diana, Reginaldo Rossi e Fernando Mendes, num formato divertido e interativo. As canções são executadas por Ricardo Kelmer e Felipe Breier (voz e violão) e também em trechos de suas gravações originais, com participação da plateia. Paixões de cabaré, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor… Favor pagar o couvert antes de cortar os pulsos.

Texto e direção: Ricardo Kelmer. Com Ricardo Kelmer e Felipe Breier.

VÍDEO – CLIPE 1
Trechos do show

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Meu fantasma predileto

01/08/2010

01ago2010

Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

MeuFantasmaPredileto-02

MEU FANTASMA PREDILETO

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Alguém aí pode me dizer onde estão os fantasmas? Onde foram parar as almas penadas que rondavam os cemitérios em noite de lua? E aqueles bichos horrendos que vinham do canto escuro aterrorizar as crianças desobedientes, onde se meteram? De repente não existem mais. Parece que não há mais lugar para eles nesse mundo de assaltantes, sequestradores, assassinos e ladrões de órgãos. Em vez de alma penada, gangues que roubam tênis de crianças e terroristas religiosos que explodem prédios e espalham gases letais em nome de seu deus.

Nas pequenas cidades do interior talvez ainda seja possível encontrar algum fantasminha, resistindo bravamente à invasão dos novos terrores coletivos. Os fantasmas certamente se sentem constrangidos em viver num mundo onde ETs sanguinários estão infiltrados entre nós. Como rivalizar com um bicho gosmento que desce de poderosas naves e implanta chips na cabeça das pessoas para monitorar a raça humana? Isso, sim, é maldade. Assustar pessoas no silêncio das madrugadas é besteira.

Lá em casa morava um fantasma. Não tenho foto dele, mas pergunte para qualquer um lá de casa e terá a confirmação. Ele se manifestava em meu quarto e já havia naturalmente se incorporado ao folclore da família. Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos.

Todos da casa já haviam escutado o som de minha velha Remington, tec-tec-tec no meio da madrugada. No outro dia, ao saberem que eu sequer dormira em casa, constatavam: foi o fantasma novamente. E assim ele (ou ela, vai saber) passou a fazer parte da família. E quando algum hóspede desavisado comentava que ouvira o som de uma máquina de escrever de madrugada, minha mãe então contava do fantasma, de um jeito natural e até com certo orgulho, como uma avó fala das traquinices do neto. Todos tinham certo medo, é claro, e jamais entravam sozinhos em meu quarto à noite. Mas durante anos, ao almoço, a família reunida naqueles sagrados desentendimentos, o fantasma foi garantia de humor e descontração.

Eu, particularmente, adorava a ideia desse insólito companheiro de quarto e não sentia medo. Muitas vezes pedi-lhe encarecidamente que aparecesse, mas nunca vi nem escutei nada. Um belo dia, sumiu. Simplesmente sumiu, ninguém mais escutou o tec-tec-tec de suas visitas. Várias versões surgiram: ele cansou de tentar fazer-me um escritor de sucesso, ela não aturava as minhas namoradas, e por aí vai…

Minha versão, durante algum tempo, era que meu fantasma de estimação foi embora porque não gostou quando troquei minha máquina de escrever por um computador. Deduzi que a tecnologia o expulsara definitivamente deste mundo cada vez mais cheio de teclas e senhas digitais. Mas depois entendi que isso seria subestimar a classe dos fantasmas. E, assim, voltei à estaca zero, e o mistério do sumiço do fantasma prossegue até hoje.

Talvez os fantasmas estejam tão confusos quanto nós, tentando entender o que foi feito daquele mundo em que eles brincavam de nos assustar e nós adorávamos sentir medo. Hoje nosso medo não tem graça nenhuma.
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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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ICI2011PirataoCapa-01Piratearam meu livro novo. Eu rio ou choro? – Já que tem cópia pirata solta por aí, prefiro que você, que é leitor do meu blog, leia a pirata certa

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Pesadelos do Além – O pior pesadelo pra um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei para o mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

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01- Achei muitissimo bem escrito, tao engracado e tao triste ao mesmo tempo, e verdadeiro. SIMPLESMENTE O-TI-MO! Ana Claudia Domene, San Diego-EUA – jun2006

02- adorei a historia de seu fantasma predileto. Monica Campos, Fortaleza-CE – jan2016

03- Gostei. Bons tempos em que os sustos eram de mentirinha. Teo Ponciano, São Paulo-SP jan2016

04- Alguém sabe dizer onde se meteram os fantasmas? Teo Ponciano, São Paulo-SP – jan2016

05- Relembrei meus tempos de infância no interior onde cresci. As pessoas de fato se empolgavam ao contar os “causos”q envolviam fantasmas. Alguns lugares as pessoas evitavam de passar a noite. O Ribeirão era assombrado e isto alimentava a fantasia daquele povo simples e feliz. Saudade dos nossos fantasmas q nunca fizeram mal a ninguém. Carolina De Figueiredo, Içara-SC – mai2016


Minha vida com Jim Morrison

25/07/2010

25jul2010

Acordar e pegar logo uma cerveja, pois o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto

MINHA VIDA COM JIM MORRISON

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Em julho de 1991 arrendei uma danceteria e fiz uma homenagem a Jim Morrison: A Noite do Rei Lagarto (ou Como Jim Morrison comemoraria em Fortaleza os 20 anos de sua morte). Assim mesmo, com toda a incoerência semântica, afinal Jim também não era lá de muitas coerências. Casa lotada, clima anos 60, modelitos paz e amor, sósias da Pamela Courson, cinco da manhã e Light my Fire tocando pela décima vez… Ai, ai, eu não imaginava tanta festa para um defunto. Não sei se ele gostou. Mas eu sim, e enchi o bolso.

Jim Morrison e sua urgência desatinada de viver foram meu guru por essa época. Álcool, música e literatura, sexo e poesia. Acordar e pegar logo uma cerveja, pois o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto. A ordem era experimentar-se pelo caminho dos excessos.

Sexta-feira, onze da noite. Meus 25 anos tinham um rito sagrado de iniciação noturna. Um bom banho acompanhado de uma dose de vodca pura, um poema vagabundo na velha Remington, mais uma vodca, L.A. Woman no volume máximo, mais uma dose e pronto, eu podia sair para a noite dengosa da cidade, atrás de lucky little ladies ou lost angels para acender meu fogo. Ai, ai. Não sei como o próprio Jim não surgiu noite dessas na rua a me pedir carona para o Badauê.

Depois dediquei-lhe um livro de contos que não publiquei, fiz outra festa para ele e, como performer da Intocáveis Putz Band, recitava o Manifesto das Bem-Aventuranças, onde distribuía bênçãos a putas, travestis, músicos, garçonetes e outros personagens da noite, declaradamente inspirado em Jim. Uma porra-louquice urbano-apocalíptica, dark e herética – demais para a cabeça de Fortaleza, tão sol e forró, a bichinha.

Se um dia Jim chutou o rock’n’roll e foi refugiar-se em Paris, eu um dia enchi o saco de tudo e vim atrás de mim aqui na cidade do Rio de Janeiro. Dei de presente o pôster da festa e não trouxe meus discos dos Doors. Até agora ainda não morri na banheira. Mas já não tenho mais intestino para velhos excessos.

Confesso que se qualquer noite dessas Jim aparecer pedindo carona para o Hipódromo Bar, ele, uma garrafa de Jack Daniel’s e três amigas barulhentas, eu… bem, eu lhe explicaria honestamente que foi bom enquanto durou, sabe como é, ando meio recolhido…

Ok, Jim, você venceu. Mas deixa eu dar uma olhada nas amigas. Você sabe, não dá para confiar muito em gosto de bêbado.

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Ricardo Kelmer 1996 – blogdokelmer.com

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Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos
Fotos da ilustração: Ricardo Batista (Cadinho)

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IntocaveisPutzBand1994-201aA celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

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Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

O dia em que Jim Morrison voltou do túmulo (em breve)

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Clipe: LA Woman (7:51)

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01- kkkkkkkkkkk, Kelmer Querido, Saudades dos seus contos e inspirações nostalgicas, é sempre bom lembrar!!!! e Viva o Lagarto Rei!!!! Abraço Querido lunático!!!! Lua Ahau Cândido, Fortaleza-CE – dez2013

02- E tu está no Rio? Fábio Campos Morais, Fortaleza-CE – dez2013

03- Muito bom, mano! Carlos Carlos, São Paulo-SP – dez2013

04- essa festa foi sensacional, eu fui de pamela morrison. fiz tanta putaria que quase fui expulso. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – dez2013

05- Fala kelmer !!! outro dia eu vi um doc. sobre o the doors muito legal!!! Ouvir the doors na estrada e fantastico ! Luciano Hamada, São Paulo-SP – dez2013

06- Olha só que coisa..estava ouvindo hoje ainda,e m deparo com esse post..com sempre maravilhoso!Boa noite meu amigo! http://www.youtube.com/watch?v=AMCl9eOBlsY. Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – dez2013

07- As portas de uma lembrança boa!! Hyara Ougez, São Paulo-SP – dez2013

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Giselle, a espiã nua que eliminou o Brasil

11/07/2010

11jul2010

Giselle, aquele rostinho lindo, aquele sorriso meigo, na verdade era uma fria e sedutora agente secreta a serviço da seleção francesa

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GISELE, A ESPIÃ NUA QUE ELIMINOU O BRASIL

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Faltava meia hora pro jogo começar. Brasil e França lutando por uma vaga na semifinal da Copa do Mundo de Futebol de 2006. Horácio tomou banho cantando o hino nacional, se enxugou em meio a uns passinhos de samba e foi ao quarto se vestir. Estava tranquilo e otimista. Abriu a gaveta do armário e fez uma pose solene enquanto esticava o braço para pegar sua arma, a arma mortífera, aquela que levou o Brasil ao título em 2002 e agora o consagraria hexacampeão.

Ué? Que estranho… A cueca da sorte não estava na gaveta. Procurou então na outra gaveta. Nada. Procurou na outra, depois na outra… E nada. Estaria no cesto de roupa suja? Correu para o cesto, jogou tudo no chão… mas também não estava lá. Voltou ao quarto e procurou mais uma vez nas gavetas, olhando com redobrada atenção. Remexeu no guarda-roupa inteiro, olhou embaixo e em cima. Procurou sob a cama, atrás dos livros… e nada. A cueca simplesmente sumira.

Horácio procurou se acalmar, precisava se acalmar, a seleção brasileira dependia disso. Quando fora a última vez que usou? No dia do último jogo, claro, só usava a cueca da sorte em dia de jogo da seleção. Na Copa de 2002 usara sete vezes, nas sete vitórias do Brasil. Nesta Copa usara quatro vezes, nas quatro vitórias, a última alguns dias antes. Repassou os acontecimentos feito um filme: o último jogo, a vitória brasileira, a comemoração no bar, os amigos, todo mundo festejando… E depois? Depois terminou a noite com Gisele, ai, Gisele, ali mesmo em seu quarto. Gisele, a gata que todos cobiçavam. Ele nem acreditou quando ela lhe deu bola no bar, achou até que ela brincava com ele. Mas era sério. Ela lhe sussurrou no ouvido, com aquele sotaque francês encantador, que o queria, que o queria muito, e urgente. E aí, bem, aí ele aproveitou a boa sorte e a levou ao seu apartamento, onde transaram bastante, sexo de alta qualidade. E depois ela foi embora. E ele dormiu feliz, pela vitória no campo e na cama.

Será que Gisele levara a cueca? Mas por que levaria? Ela não tinha cara de ser colecionadora de cuecas amarelas usadas. E por que levaria sem lhe pedir? Não, não fazia sentido. Gisele era uma mulher de classe, uma francesa supereducada, que escolhera o Brasil para morar e…

E de repente uma bigorna lhe caiu sobre a cabeça. E tudo ficou espantosamente claro. Gisele era francesa! Tinha pai brasileiro, sim, mas nascera na França. E ele havia comentado no bar sobre a cueca da sorte. Ela sabia de tudo!

Durante algum tempo ficou ali, sentado na cama, em estado de choque. Uma espiã francesa… Não, não podia ser, essas coisas só acontecem nos filmes. Uma agente secreta que se infiltra entre torcedores brasileiros e descobre a principal arma da seleção pentacampeã… Não, isso já era demais, estava alucinando. Uma espiã que o seduzira maquiavelicamente e agora estava de posse da principal arma brasileira, muito mais poderosa que as arrancadas do Ronaldo, as pedaladas do Robinho e os dribles do Ronaldinho. E se ela já houvesse dado fim à cueca, rasgado, incinerado, desmaterializado?

Não, não, não. Não queria nem pensar nessa hipótese. Talvez a cueca ainda existisse, devia estar em algum lugar. Mas onde? Perguntar para Gisele de nada adiantaria, ela não revelaria o segredo que daria ao Brasil a vaga na semifinal. Quem diria… Gisele, aquele rostinho lindo, aquele sorriso meigo, na verdade era uma fria e sedutora agente secreta a serviço da seleção francesa. Um sistema tático mil vezes mais eficiente que o 4-2-2-2. Definitivamente, o futebol perdera sua romântica inocência.

Ligou a tevê, nervoso. Os times estavam em campo, o jogo iria começar. Precisava fazer alguma coisa. Pegou o telefone e ligou. Do outro lado, ela atendeu. Precisava ser frio também, ela não podia desconfiar de nada. Oi, Gisele, tudo bem, vai ver o jogo onde, ah, tá, não, vou ver aqui mesmo, tá, então depois a gente se encontra por aí, heim, claro que vai dar Brasil, ahahah, claro, um beijo, macherri.

Cínica. Cínica e fria como toda espiã. Ela estava muito confiante, exageradamente confiante, ninguém fica tão confiante assim quando vai jogar contra o Brasil. Horácio respirou fundo, procurando se acalmar. Tentou analisar a situação de modo racional. A seleção brasileira tinha os melhores jogadores do planeta, era a grande favorita ao título. Somente um desastre poderia fazê-la perder aquele jogo. É, talvez dessa vez o time não precisasse da cueca da sorte. Só uma vezinha. Então vestiu outra cueca, botou uma bermuda, a camisa, pegou uma cerveja na geladeira e ligou a tevê. Não mais veria o jogo com os amigos, não estava a fim de barulho e confusão. Veria em casa mesmo, sozinho.

O time nunca precisou tanto da cueca. A seleção estava irreconhecível, totalmente travada, absolutamente apática. Um completo desastre. Quando o árbitro encerrou o primeiro tempo, o placar em zero a zero, ele ficou ali sentado na poltrona e parecia que lhe pesava sobre os ombros toda a frustração de centenas de milhões de torcedores no mundo inteiro com a seleção canarinho. Então, sem aguentar mais, levantou da cadeira de um pulo, decidido. Calçou o tênis, pegou a carteira e saiu correndo. Desceu as escadas de cinco em cinco degraus, atropelou uma senhora na portaria, correu até a avenida. Só então lembrou que àquela hora táxi nenhum estaria na rua. E agora?

GiselleAEspiaNua-02aA última vez que fizera exercício foi uma faxina no apartamento, quando a faxineira não pôde ir, isso seis meses atrás. Estava meio gordinho, fora de forma. Mas o dever cívico se impunha. E o segundo tempo já estava começando! Então encheu-se de disposição e pôs-se a correr.

Com cinco minutos de corrida, as pernas começaram a pesar. Mas precisava prosseguir, precisava. Com dez minutos, já estava difícil respirar. Mas precisava, precisava. Com quinze minutos, suado e ofegante, pensou em desistir. Com vinte minutos, não pensou mais: desistiu. E parou. E se encostou num poste, quase botando os bofes pra fora. Não aguentava mais dar um passo. Se ao menos passasse um táxi… Então, do outro lado da rua, viu um bar, muitas pessoas. E uma tevê a transmitir o jogo. Caminhou até lá e perguntou do placar. Um a zero França.

Ele não acreditou. Conferiu o placar na tela da tevê. Infelizmente era verdade, o Brasil estava perdendo. E aquelas pessoas nem desconfiavam que a culpa era dele…

Nesse instante, alguma força insuspeitada emergiu do mais profundo do seu ser, espalhou-se por seu sangue e lhe deu forças. E Horácio recomeçou a correr. Bem, é verdade que mais parecia uma corrida em câmera lenta, mas pra ele era o maior esforço do mundo. Trinta minutos do segundo tempo, talvez ainda desse tempo, tinha que dar, tamanho esforço não poderia ser em vão. Trinta e cinco minutos. Ele seguia em seu passinho curto e arrastado enquanto o tempo, implacável, prosseguia mais rápido que o normal.

Quando cruzava a praça tropeçou numa pedra e se espatifou no chão, cena grotesca. Quase ficou lá para o resto da vida, mas levantou e, feito um zumbi, continuou sua marcha obstinada. Aos quarenta minutos do segundo tempo avistou a casa e juntou o que lhe restava de força para chegar lá, o coração à beira de explodir. Lembrou do primeiro maratonista grego, aquele que concluiu o percurso e caiu morto. Não, não podia morrer agora, agora não.

Finalmente, chegou à casa. A campainha, tocar a campainha… estender o braço… pressionar o botão… blim-blom… baixar o braço… encostar-se no portão… Um senhor apareceu, apressado, vestindo bermuda e camisa amarela. Seo Valdemar, pai da Gisele.

Sem saber como dizer o que precisava dizer, Horácio começou perguntando por Gisele. À sua frente, seo Valdemar o observava e parecia tentar desvendar o que aquela figura bizarra teria a ver com sua filha. Desconfiado, ele respondeu que Gisele tinha ido ver o jogo num bar. E agora? Seo Valdemar, sua filha está com minha cueca da sorte e eu preciso urgentemente estar dentro dela, da cueca, claro, para o Brasil virar o jogo. Como dizer uma coisa dessa? Não, não conseguiria.

Mas precisava, precisava. Respirou fundo e começou: Seo Valdemar… o senhor acredita em… superstição? O pai da moça se aproximou um pouco mais e, olhando-o firme nos olhos, respondeu: O Brasil perdendo e você me faz vir aqui porque quer saber se eu acredito em superstição? E lhe deu as costas, voltando para a sala.

Horácio sentiu que era o fim. Nada mais a fazer.

Mas se quiser entrar para ver o fim do jogo, entra logo e fecha o portão. Era a voz de seo Valdemar, que já sumia casa adentro.

Horácio obedeceu rapidamente e no instante seguinte estava na sala, ao lado de seo Valdemar e de uma senhora que entendeu logo ser sua esposa francesa, a mãe da agente secreta, que acenou para ele rapidamente, absorta na tela da tevê. Coitada, nem desconfiava das verdadeiras atividades da filha…

Quarenta e quatro minutos do segundo tempo. O Brasil continuava perdendo. Perdendo e jogando incrivelmente mal, sem atitude de pentacampeão. Os jogadores pareciam anestesiados, perdidos, incapazes de reagir. Que falta fazia a cueca! Ele tinha três ou quatro minutos para salvar o país, não podia mais desperdiçar nenhum segundo.

Por favor, onde fica o banheiro? Seo Valdemar, concentrado na tevê, apontou o corredor e ele saiu. Em frente ao banheiro mudou de direção e entrou rapidamente num quarto. Pelas fotos na parede, era o quarto de Gisele. Abriu o guarda-roupa e começou a tirar todas as peças de roupa. Na primeira gaveta, nada. Na segunda, nada. Nada na terceira, nem na quarta. Nem na quinta, sexta, sétima, oitava, como um guarda-roupa podia ter tanta gaveta?

De repente, parou. Parou e pela primeira vez teve a exata noção do que fazia. Estava na casa de uma garota que mal conhecia, procurando por uma cueca que nem sabia se ainda existia e que supostamente seria a responsável pelas vitórias brasileiras… Que ridículo. E pensar que chegara mesmo a imaginar que Gisele era uma agente secreta francesa cuja missão era raptar uma cueca… Não devia estar muito bem da cabeça. O Brasil perdia porque a França jogava melhor, simplesmente por isso, não tinha nada a ver com mandingas e rituais de boa sorte.

Falta!

Ele escutou a voz do locutor.

Falta na entrada da grande área, é a última chance do Brasil!!!

Horácio lançou-se novamente sobre o guarda-roupa, determinado, abrindo a última gaveta, tirando de lá todas as roupas e jogando tudo no chão. O intrépido cavaleiro arrancando as tripas do dragão guardião do tesouro encantado. Então, surgindo lá no fundo, o que viu? O tesouro. A cueca. A cueca amarela da sorte. Por alguns segundos, ficou olhando, sem acreditar, como se estivesse diante do Santo Graal.

É a última chance!, o locutor repetiu, despertando-o do transe.

Ele então livrou-se rapidamente dos tênis que calçava.

Momento dramático!

Tirou a bermuda e a cueca de uma puxada só.

O árbitro autorizou!

Pegou a cueca amarela e vestiu com toda a rapidez do mundo.

Correu pra bola!

Mas no segundo pé a cueca enganchou…

Bateu!

… e ele se desequilibrou e caiu no chão…

Pra fora!

… metade da cueca numa perna e a outra metade enganchada no pé.

GiselleAEspiaNua-02aFim de jogo! O Brasil está fora da Copa!

Ficou imóvel, deitado seminu no chão do quarto. Da sala, vinha a voz do locutor feito o eco de um som distante. Ao seu redor, vestidos, blusas, meias e calcinhas espalhados pelo chão. O Brasil estava fora da Copa. Toda uma nação derrotada pela astúcia de Gisele, a nova encarnação da espiã nua que abalou Paris.

Levantou. Tirou a cueca amarela, vestiu-se e calçou os tênis. Ainda pensou em arrumar a bagunça que fizera, mas não, pelo menos aquele trabalho Gisele teria. Na sala, seo Valdemar arrasado, ainda de olho na tevê, nem o viu passar. Na cozinha, sua esposa cantava a Marselhesa. Caminhou pela rua devagar, evitando o olhar das pessoas. Se elas soubessem…

Pegou um ônibus e sentou no último banco, encolhido em sua vergonha. Tentou pensar em outra coisa, qualquer coisa que fosse, mas não conseguiu. Então, não resistindo mais, tirou do bolso a cueca. E olhou para ela como alguém que espera ser despertado de um pesadelo. Então, feito uma bola de cristal, as imagens começaram a se formar à sua frente… Pôde ver as manchetes do dia seguinte, os programas de tevê, os comentários inconformados, as análises do jogo, todos buscando as causas da derrota. Viu a incrível dimensão que aquela derrota tomou. Viu a população saindo às ruas, exigindo a cabeça dos culpados, um drama nacional. Viu os jogadores sendo interrogados, o técnico demitido. Viu a polícia envolvida, viu vários suspeitos de traição à pátria sendo detidos, estrangeiros envolvidos num meticuloso esquema de espionagem, entre eles uma garota francesa que admitia ser uma agente secreta a serviço da seleção de Zidane e que contara com um comparsa brasileiro chamado Horácio…

Voltou a si de repente, assustado. Olhou para um lado e para o outro, com medo de alguém também ter visto o que ele vira. Olhou para a cueca mais uma vez. E então não teve dúvidas: esticou o braço pela janela e atirou-a no meio da rua. Depois se encostou no banco e respirou fundo. Pegariam Gisele, mas pelo menos não o pegariam com a prova do crime.

O ônibus seguiu pela avenida, sumindo no movimento da cidade que aos poucos voltava ao normal, afinal a vida segue. No asfalto, ficou a cueca amarela, agora saco de pancada dos automóveis derrotados.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Este conto integra o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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GiselleAEspiaNua-02A GISELLE QUE INSPIROU ESTE CONTO
(E QUE ABALOU PARIS)

O conto Giselle, a Espiã Nua que Eliminou o Brasil (2006) foi inspirado na série literária de ficção Giselle, a Espiã Nua que Abalou Paris, que conta as aventuras da espiã francesa Giselle Montfort durante a Segunda Guerra Mundial. Giselle é uma integrante da Resistência francesa que usa sua beleza escultural para extrair informações dos oficiais nazistas na Paris ocupada e repassá-las aos companheiros de luta.

Com forte teor erótico e num estilo de diário de memórias, escritas pela própria heroína enquanto estava presa esperando a execução, a série foi escrita pelo brasileiro David Nasser, com a colaboração do fotógrafo francês Jean Manzon, e publicada em 59 capítulos em 1948 no jornal carioca Diário da Noite, obtendo enorme sucesso. Embora fosse pura ficção, o jornal tratava como verídicas as memórias de Giselle, o que aumentava a popularidade da história.

BrigitteMontfort-01Nos anos 1950, a série foi reescrita e publicada pela Editora Monterrey em livros de bolso populares, sempre com altíssimas vendas, e seguiu sendo reeditada até os anos 1980. Como a série termina com a morte de Giselle, e a Monterrey pretendia continuar apostando no filão, criou-se uma série (escrita sob o pseudônimo “Lou Carrigan” e publicada até o início dos anos 1990), sobre uma filha que Giselle tivera. Surge assim Brigitte Montfort, também linda e sexy, e espiã da CIA, atualizando o tema e vendendo ainda mais que a série da mãe. Não é nenhum exagero dizer que Giselle e Brigitte foram responsáveis pela iniciação de milhares de brasileiros nos prazeres da literatura erótica e, é claro, do sexo imaginativo. As voluptuosas mãe e filha ganharam corpo e rosto próprios pelo desenho genial de Benício, um dos grandes nomes da ilustração no Brasil. Hoje, os livros das duas séries são vendidos bem caros.

Eu, particularmente, não tive o prazer de ler as aventuras das admiráveis espiãs. Minha única lembrança de Giselle vem de um dos livros da série, que eu via na estante da casa de minha prima, que se chamava… Gisele. Era 1980, eu tinha os meus 14 anos e aquele livro me fascinava, me causando uma espécie de frisson. Não cheguei a lê-lo, apenas admirava a capa, lia a contracapa e fantasiava sobre o que ele poderia conter. O título era marcante e eu não o esqueceria jamais. Aliás, eu o considero um dos melhores de todos os tempos: evoca uma mulher linda e corajosa, que é espiã, está sempre nua, luta contra os nazistas e, com toda razão, abala Paris é perfeito. E, para completar, eu tinha nutria uma secreta paixonite por minha prima Gisele. Junte as duas Giseles e, pronto, está mais que explicado o frisson que aquele livro me causava. E, admito, ainda causa. (Ricardo Kelmer)

> Mais sobre a série

> Sobre o ilustrador Benício

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01– Achei muito legal!Fiquei cheia de expectativa pra saber que fim tinha levado aquela bendita cueca.Fiquei até cansada daquela correria do Horácio.Caramba,coitado!Na hora em que ele acha a cueca e começa a tentar vesti-la e acaba caindo no chão,imaginei que a mãe da Giselle fosse aparecer no quarto cantando a Marselhesa toda feliz…” Allons enfants de la Patrie,l e jour de gloire est arrivé…” e,derrepente, o encontraria deitado em cima dos vestidos,meias e calcinhas da filha,nu,com a cueca em uma das pernas.Que situação,heim? Adorei o texto do início ao fim.Muito bom.Vc descreveu muito bem as situações e emoções, me fazendo visualizar tudo como se fosse uma cena. Sidiany Colares, Fortaleza-CE – jul2006

02- Demais o texto!!!! Acertou em cheio na identificação do brasileiro com as superstições em copas. Ainda bem que os franceses não acaharm o meu gorrinho da sorte. Um abraço! Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – jul2006

03- Ahahahaha, delicioso, esse texto!! Olha, eu acho muito verosímil! Aliás, tenho quase a certeza que foi isso mesmo que aconteceu! Beijos. Susana Mota, Leiria-Portugal – jul2006

04- Hoje amanheci com nostalgia. Aos 59 anos acho ter este direito. Relembrei-me de meu início de carreira nas leituras. Gizele, a espiã nua que abalou pariz. Estou ao computador e apelo para o meu “santo” Google e eis que aparece em primeria página seu artigo da sua gizele nua que arrasou o Brasil… Leio, não leio, li! Cara, foi demais. Adorei. e tenho certeza que a gizele dos meus sonhos saudosos ainda está viva. A mesminha. Se bem que ela brigava mais era pelos Estados Unidos, não era? Não a sua Gizele, a outra. Ou era só contra a Rússia. Mas, está de parabens. Quem conheceu a outra, (octagenária por agora) sabe que seria bem capaz de abrir as pernas por uma boa causa (deles) é claro. Paulo Chinelate, Fortaleza-CE – set2007

05- Vc é muiiiito bom! risos Adoro … bjs Arlene, Rio de Janeiro-RJ – jul2010

06- muiiiiiiiiiiiito legal. este eu já li! beijosss. Lucia Gonczy, São Paulo-SP – jul2010

07- kkkkkkkkkkkkkk não fala mau da Giselle , eu era fã dela..alais fui fiel leitora da serie q fizeram de livro de bolso de uma filha(ficticia dela)A série ZZ7 Brigith Monfort , filha da espiã giselle com um genetal alemão… vc me trouxe lembranças…rsrs bjão. Beth Ghimel, Manaus-AM – jul2010

08- “kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk….Demais!!!” Lia Aderaldo Demétrio, Fortaleza-CE – jul2010

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