A Entrega – Memórias eróticas

14/06/2010

A Entrega – Memórias eróticas
Toni Bentley (editora Objetiva/2005)

Resumo extraído do site da editora:

Poucas mulheres praticam, e um número menor ainda admite fazê-lo. Desde “A História de O” até “O Beijo e A Vida Sexual de Catherine M.”, leitores se deixam fascinar por memórias subversivas escritas por mulheres. Mas nem mesmo esses clássicos eróticos ousaram desbravar o terreno que Toni Bentley explora em “A Entrega”. Ao conhecer um amante que lhe apresenta ao sexo anal, ato que ela define como “sagrado”, ela descobre um prazer radical e inesperado que a faz “despertar” e descobrir os caminhos de sua própria sexualidade. Nestas memórias ousadas e íntimas, escritas em primeira pessoa, a autora afasta o véu que esconde a experiência erótica proibida desde os tempos bíblicos e celebra “a felicidade que existe do outro lado das convenções, onde o risco é real e onde reside o êxtase”. Este livro é uma exploração sagaz, inteligente e eloquente da obsessão de uma mulher que fará os leitores questionarem seus próprios desejos. Trata-se de um relato sagaz e corajoso do percurso de uma mulher pelos labirintos do desejo e da alma.

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POUCOS E ESPERTOS LEITORES
Ricardo Kelmer 2007

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Uau, que livro!!! Erotismo subversivo de primeira. Dificilmente se verá tanta franqueza e coragem como no relato autobiográfico dessa bailarina que se aventura pelas possibilidades sexuais de seu corpo, fazendo-o altar sagrado e profano de sua busca angustiada por si mesma.

Solidão, insegurança, o trauma paterno, as categorias de homens, a competição com as mulheres, orgasmos, fetiches… está tudo lá, escancarado, feito as pernas de Toni dobradas para o alto, expondo toda sua intimidade ao deus-demônio que ela tanto busca. O mais interessante é a relação de Toni com o sexo anal, mostrando como a prática-tabu, inesperadamente surgida em sua vida, ensinou-lhe o caminho da libertação e da redenção através do prazer da submissão – olha que louco. Louco e deliciosamente pornográfico. Toni filosofa sobre sua irresistível preferência com graça, humor e profundidade (ops), mostrando como o homem certo pode quebrar os paradigmas de uma mulher, abrindo-lhe as portas para um mundo de prazeres que ela sequer sonhava existir.

É surpreendente a descontração com que Toni conta suas transas anais. É quase chocante a naturalidade com que ela fala de seu cu. Essa surpresa e esse choque que A Entrega provoca nos faz perceber que ele, o cu, está na fronteira de nossa sexualidade. Falamos de seios, paus e bucetas sem os velhos pudores de antigamente. No teatro há os monólogos da vagina e os diálogos dos pênis. Até mesmo o universo do sadomasoquismo é mostrado nos programas da tevê. Mas o cu não. Nem seu nome é bem vindo. E o sexo anal continua nos constrangendo nas rodas de conversa: quem não faz, diz que não gosta, e quem gosta, diz que não faz. Um tabu que resiste ao tempo.

O livro de Toni recebeu prêmios literários nos Estados Unidos, onde foi lançado em 2004, além de provocar certo escândalo. Aqui no Brasil, com a nossa fixação em bunda, ele provavelmente fará uma boa carreira, certo? Nem tanto. Talvez o tabu fale mais alto e a leitura de A Entrega fique restrita a poucos leitores. Poucos e espertos leitores.

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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Capa do livro de Toni em edições de outros países

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Entrevista com Toni Bentley – jan2004 (em inglês)

Baixe o livro (pdf, 750 kb)

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LEIA NESTE BLOG

Por trás do sexo anal (1) – Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-06O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

As Taras de Lara – Começando por trás – Por medo de engravidar, a menina Lara iniciou sua vida sexual pela porta dos fundos, e gostou

Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

O Diário de Marise – A vida real de uma garota de programa

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Quem tem medo do desejo feminino? (1)

04/05/2010

04mai2010

Você consegue imaginar Nossa Senhora tendo desejos sexuais? Alguma vez na vida você a imaginou fodendo?

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Na Idade Média o desejo sexual feminino foi demonizado pela Igreja Católica, servindo de pretexto para levar muita mulher ao fogo da Santa Inquisição. Coisa de homem que morre de medo de mulher. Coisa de uma religião altamente repressora da natureza, inclusive a natureza humana. Coisa de uma sociedade comandada por homens que não conseguem lidar bem com o princípio feminino em si próprios e, por consequência, ao redor deles.

Mas a Igreja Católica não está sozinha nessa perseguição ao tesão feminino. Em todas as culturas patriarcalistas o feminino é reprimido e o tesão das mulheres então, nem se fala. Essas sociedades fazem de conta que suas mulheres não sentem desejo, não pensam em sexo, e assim tratam de convencê-las de que mulher deve apenas casar, ser uma esposa prendada e fiel, cuidar do marido e dos filhos… E isso não se discute, tá, minha senhora, é assim porque Deus quer, e agora reze dois pai-nossos e três ave-marias pra senhora tirar esses pensamentos malignos da cabeça.

O mais triste é que a maioria das mulheres dessas tais sociedades, ao menos no nível da consciência, realmente se convence de que seu desejo sexual é algo errado. E como não se discute o assunto, pronto, está criado o tabu, um bicho que se alimenta do silêncio. E se o desejo feminino é um tabu, o prazer feminino é um tabu ainda maior…

– Senhores do Conselho. Não podemos permitir que esse assunto seja sequer comentado. Perderemos as rédeas de nossos casamentos se as mulheres descobrirem que podem ter prazer.

– Pior. Perderemos as rédeas do mundo!

– E vamo levar chifre pra caramba…

Esse último comentário aí foi do faxineiro, que estava varrendo o corredor e escutou o papo. Foi despedido no mesmo dia.

Se você é muito jovem, leitorinha querida, talvez se surpreenda, mas até algumas décadas atrás ainda discutíamos seriamente sobre se existia ou não orgasmo feminino. Eu juro!

bendita sois vós

Como todos os arquétipos, o arquétipo feminino possui variados aspectos. Em nossa cultura ocidental, que ainda é patriarcal-cristã, o aspecto mais valorizado do feminino sempre foi o maternal, aquele ligado à reprodução e ao cuidado com a prole. Durante séculos o maior ícone feminino foi Maria, a mãe de Jesus. Você consegue imaginar Nossa Senhora tendo desejos sexuais? Alguma vez na vida você a imaginou fodendo? Certamente não. Porque Nossa Senhora é um símbolo que evoca apenas aspectos do feminino ligados não somente a maternidade mas também a pureza e castidade, além de mansidão e passividade. Nossa Senhora é uma imagem inteiramente assexuada.

Se maternidade é apenas um aspecto do arquétipo feminino, onde estão outros aspectos como força, sabedoria e desejo sexual? Afinal sabemos que uma mulher também é e sempre foi capaz de ser forte, sábia e de sentir tesão. Esses outros aspectos foram reprimidos, tão reprimidos que só lhes restou morar no inconsciente das mulheres. E mais: a Igreja, estrategicamente, as projetou em imagens negativas, principalmente na da prostituta, o que fez dela o maior símbolo da sexualidade feminina, ela e toda a negatividade automaticamente associada. Estava formada a dicotomia: a maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.

Pra reforçar a repressão sobre o feminino sexualmente livre, a Igreja ainda transformou a Madalena dos evangelhos numa puta pecadora – mas uma puta que se arrepende, aaah bom, e que por isso tem seus pecados perdoados, ooohhh, e de bandida vira mocinha, louvado seja Deus!!! Bastante didático, admitamos. E que funcionou durante muito tempo. Porém…

dominando a natureza selvagem

Hoje, com a mudança dos valores, a emancipação das mulheres e a Igreja e seus ditames enfraquecidos, esses outros aspectos do arquétipo feminino se manifestam mais facilmente. As mulheres atuais podem exercer sua sexualidade de forma bem mais livre, sem medo de serem vistas como putas, pois aspectos como força, independência e desejo sexual não são mais privilégios das prostitutas. As mulheres podem agora ser fortes, ativas e senhoras de seus desejos livremente, e podem ser tudo isso ao mesmo tempo que são doces e maternais. A dicotomia foi finalmente quebrada, que bom.

A sexualidade livre e a independência são aspectos que ligam a mulher à sua natureza selvagem, ao seu lado animal, naturalmente livre, forte e sábio, conectado aos ciclos de crescimento. É o arquétipo do feminino selvagem, que durante séculos esteve reprimido no inconsciente. É por isso que os homens medrosos, o cristianismo e a sociedade patriarcal temem e reprimem o tesão feminino, porque sabem que não se domestica facilmente o que é selvagem. Uma mulher que tem consciência de sua natureza selvagem – como convencê-la a se aprisionar?

Para manter o domínio, a sociedade teve que fazer as mulheres esquecerem de sua natureza selvagem. E ainda hoje faz isso pois o medo da mulher independente continua existindo entre os homens – e até entre muitas mulheres. Mas mesmo presa e amaldiçoada, a mulher selvagem nunca morreu. O feminino selvagem está vivo, como sempre esteve. A diferença agora é que seus valores deixam o escuro do inconsciente das mulheres e aos poucos são incorporados pela consciência, tornando-as mulheres mais livres e independentes, mais fortes e ligadas à sabedoria natural. O mundo será mais belo e mais justo quanto mais o arquétipo do feminino selvagem for reativado em nossas mulheres, quanto mais elas perderem o medo de correr com os lobos.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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O texto a seguir foi publicado em 04.06.10, em minha coluna Kelméricas, no O Povo Online.
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O DESEJO FEMININO APRONTOU DE NOVO
Ricardo Kelmer

Esta semana usarei o espaço da Kelméricas pra me desculpar. Tenho um grande respeito por meus leitores e sei que aqueles que acompanham de perto meu trabalho acessam O POVO Online às sextas-feiras pra ler a coluna atualizada, bem fresquinha. Portanto, você que tá aí me lendo, desculpa pela coluna não ter sido atualizada semana passada. Vou explicar.

O texto não publicado se chama “Quem tem medo do desejo feminino?” e fala sobre a histórica repressão à sexualidade feminina. Ele foi enviado ao O Povo On Line mas não foi publicado. A resposta oficial do portal foi:

“Todas as colunas são lidas e publicadas apenas se estivem de acordo com a linha editorial do grupo. A coluna Kelméricas que deveria ter ido ao ar sexta-feira passada no O POVO Online continha expressões ofensivas aos devotos de Maria e palavrões e, portanto, optamos em não publicar em respeito aos leitores que professam o catolicismo.”

Foi-me sugerido que eu reescrevesse o texto. Decidi não reescrever. Agradeci e expliquei que não posso pautar meu trabalho pelo receio de que algumas pessoas se sintam ofendidas. Pra mim, escrever pensando nisso é um tipo de contorcionismo ideológico mais difícil que lamber o próprio cotovelo. E olhe que eu tenho a língua grande.

Sou leitor do jornal O Povo há 37 anos e desde 1993 escrevo em suas páginas. Do O Povo Online sou colunista desde 2004, com quase 300 textos publicados. Somando tudo, são muitos anos de uma boa relação de parceria que, mesmo sem envolver dinheiro, me traz muita satisfação e me mantém ligado às minhas raízes cearenses. E tenho um orgulho danado por todos os leitores que conquistei ao longo de todos esses anos, cada um deles. Sim, inclusive os religiosos raivosos que adoram me insultar, afinal eles também vêm aqui me dar a honra de sua leitura.

Mas e o tal texto? Ele tá em meu blog, disponível pra ser lido, avaliado e criticado.

O jornal tem suas razões, eu sei. E eu tenho as minhas. Mas entre as duas razões, estará sempre o leitor, a nossa razão maior.

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-06O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou…

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

Lola Benvenutti e a coragem de viver – A única salvação possível é sermos quem verdadeiramente somos. Parabéns, Lola, por sua coragem e autenticidade

Me estupra, meu amor – Fantasiar ser estuprada é uma coisa – querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente

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MAIS SOBRE LIBERDADE E O FEMININO SELVAGEM

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Os apuros do homem feminista – Minha busca por relações igualitárias foi dificultada também porque muitas mulheres, mesmo oprimidas, preferiam relações baseadas no velho modelo machista

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LIVROS

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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Essa vida de dono de cabaré…

18/04/2010

18abr2010

Aí eu descobri essa verdade transcendental: melhor que ter um bar é ter um cabaré

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ESSA VIDA DE DONO DE CABARÉ

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Em 1991 eu tava de bobeira pela vida, que nem bosta nágua. Dois anos antes eu tinha um bar de sucesso em Fortaleza, o Badauê, junto com Paulo Marcio e Nelsinho. Ai, o Badauê… Aquilo era uma loucura, muita gente interessante, shows maravilhosos, frequentadoras mais maravilhosas ainda, noites sem fim, beijos de maresia, paixões embriagadas… O bar combinava bem com minha natureza de agitador cultural e, além disso, era uma ótima fonte de inspiração para o RK escritor. Mas a sociedade não deu certo e o bar fechou. Logo em seguida montei uma banda, Os The Breg Brothers, que durou uns meses e também acabou. Sem bar e sem banda, eu fiquei de bobs pela vida.

Até que fui salvo pelo diretor Oliver Stone. Em 1991 ele lançou seu filme The Doors e eu, fanzão de Jim Morrison, decidi aproveitar a onda e homenagear meu ídolo com uma festa bem loca. O nome dela: A Noite do Rei Lagarto. O lugar: uma danceteria na Praia de Iracema chamada Periferia. Só músicas dos anos 60, muito rock e psicodelia. A festa foi sensacional, superando as expectativas, e eu ganhei uma boa grana. E tomei gosto pela coisa.

Segui criando festas temáticas, como A Noite do Cinema e a festa do Casarão Mal Assombrado. Mudei o nome da festa do Jim Morrison para Os Lagartos Não Morrem em Paris e ela aconteceu durante vários anos, sempre com uma banda tocando Doors. Até hoje me pedem pra realizá-la novamente. Quem sabe algum dia.

Aí em 2002 tive a ideia de fazer uma festa cujo tema fosse a sensualidade. Nascia assim o Cabaré Soçaite, cuja primeira edição aconteceu no Hotel Vila Galé, com show do inigualável Rossé Sabadia. A proposta era brincar com o tema da sensualidade e do erotismo: ambiente com clima de cabaré, pessoas vestidas a caráter, telão com cenas de filmes, performances no palco e no som uma mistura de pop, rock, disco, brega e ritmos latinos, além dos clássicos da música lenta para dançar coladinho… E um concurso em que o público escolhe a Musa e o Muso do Cabaré, com prêmios para os vencedores. A festa foi um sucesso, e eu descobri essa verdade transcendental: melhor que ter um bar é ter um cabaré.

Em 2008, já morando em São Paulo, fui a Fortaleza e aproveitei para realizar a segunda edição do Cabaré Soçaite, cinco anos após a primeira. E foi novamente um sucesso. E vi que não poderia mais viver sem meu cabaré querido. Então voltei lá mais vezes para fazer a festa e em junho rolará a sexta edição, o Cabaré na Copa, no Acervo Imaginário. E no segundo semestre, tchan-tchan-tchan-tchaaannn, o Cabaré Soçaite chegará a São Paulo, aguarde. Você, leitorinha paulistana, pode ir logo preparando o corpete e a cinta-liga, viu?

Mas agora você me dê licença, por favor, que chegaram aqui duas candidatas a Musa e eu tenho que analisá-las bem direitim. Vida dura, essa de dono de cabaré…

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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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> Próximas edições do Cabaré Soçaite

São Paulo, 06nov2010, no Espaço Atelier, Vila Madalena
Fortaleza, 03dez2010, no Acervo Imaginário, Dragão do Mar
Fortaleza, 25mar2011, no Acervo Imaginário, Dragão do Mar
e brevemente em Natal-RN

Saiba mais

> Crônica: Todo mundo tem um lado cabaré

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NÚMEROS SUGERIDOS para as próximas edições do Cabaré Soçaite:

– Dança: tango, lambada, dança do ventre, dança dos sete véus e dança do poste (pole dance)
– Strip-tease tradicional ou burlesco (com humor)
– Homenagens musicais (cantando ao vivo, dublando, interpretando ou parodiando): Odair José, Waldick Soriano, Sidney Magal, Gretchen, Núbia Lafayette, Wando, Fernando Mendes, Genival Santos, Falcão, Abba, Vanusa e Pimpinela
– Homenagens cinematográficas: imitação de cenas famosas do cinema
– Imitações diversas
Sasha Grey, quando você virá ao Cabaré Soçaite?

PARTICIPE

Você tem um número interessante para apresentar no Cabaré Soçaite? Fale com a gente: cabaresocaite@gmail.com. Pode ser uma performance de dança, poesia, teatro, música… Mas tem que haver algo de erotismo ou humor, ok?

PARCERIAS

Fazemos parcerias com empresas, divulgando suas marcas na festa e nas peças publicitárias, inclusive nos vídeos. Gostaria de participar? Fale com a gente: cabaresocaite@gmail.com

TODAS AS EDIÇÕES DO CABARÉ SOÇAITE

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> Vídeos do Cabaré Soçaite

Clipe da festa 1
Fortaleza, 27fev2010 –
Acervo Imaginário, Praia de Iracema

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Clipe da festa 2
Fortaleza, 26jun2010 – Acervo Imaginário, Praia de Iracema

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Clipe da festa 3
São Paulo, 06nov2010 – Espaço Atelier, Vila Madalena

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Clipe da festa 4
Fortaleza, 03dez2010 – Acervo Imaginário, Praia de Iracema

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Samia e Rodrigo interpretam Desabafo
Fortaleza, 26fev2010 – Acervo Imaginário, Praia de Iracema

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Carol do Terminal homenageia a cantora Diana
(Fortaleza, 26jun2010. Acervo Imaginário Bar Cultural)

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PARCEIROS DO CABARÉ SOÇAITE


Atelier (São Paulo-SP) – atelier.producoes(arroba)gmail.com
Rio Quente Resort (Rio Quente-GO)
Doc.Sex sex shop – rua Fco. Leitão, 502 – Pinheiros – SP-SP
Maria Babado de Chita Moda e Design – 2339-4088 – SP-SP
Pousada Casa do Ângelo (Jericoacoara-CE)
Pousada Roane (Taíba-CE)
Barong Sushi Bar e Café (Taíba-CE) – 85-8675.0505
Acervo Imaginário (Fortaleza-CE)
Via Libido Sex Shop (Fortaleza-CE)

> Grupo Cabaré Soçaite no FaceBook – Arte erótica, sorteio de livros, CDs e DVDs e ingressos pras festas

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Camisetas da Coleção Cabaré Soçaite
clique para ver em tamanho maior
Preço: R$ 24 (frete incluído). Masc e fem/baby look. Entre em contato: cabaresocaite(arroba)gmail.com

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Bacana! Curiosidade de ir a um cabaré, não sei de nenhum em BH. Poderia abrir uma filial aqui, rs Abs. Aline Pinheiro Brettas, Belo Horizonte-MG – abr2010

02- Vida horrível essa sua… kkkkkkkkk. Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – abr2010

03- OLHA SÓ VC! rsrsrs… ARRASOU!!! Parabénss!!! Adorei! Muuito legal saber dessa notícia! SUCESSO SEMPRE! BJOSS!Sabrina Carvalho, São Paulo-SP – abr2010

04- Olá Cortesão/ã. Eu não disse que tu é um ser de mil e ums talentos…. de mil e umas diabruras!!! Reúne a loucura do macho, da fêmea e dos bichos…. Dons andróginos e animal. 😉 É mole? Pois é….. Beeeeijo. Patrícia Lobo, Salvador-BA – abr2010

05- Muito bom!Gostei do texto e do vídeo.Dá vontade de estar lá!:) Agora,me diz uma coisa: pq vc se enfeiou colocando aquela touca enterrada na cabeça,hein?Faz isso nãooooooooooo! Bjs mil. Mônica Burkleward, Recife-PE – abr2010

06- kkkkkkkkkkkkkkk…vc me acaba!!!!!!!!!!!!kkkkkkkkkkkkkkkk… Tatiana Falcon, Lake Ozark-EUA – abr2010

07- parabens pela putaria de primeira!estamos aguardando versão paulistana!!abraço. Fábio Fernandes Cruz, São Paulo-SP – abr2010

08- Estou aguardando vc para curtir o cabare. Marta Peixoto, Fortaleza-CE – abr2010

09- hahahahahahaha! putz, tio! ficou muito massa! só fui ver agora, cara. esse mês de abril foi uma loucura pra mim, fiz uma super viagem (de fortaleza pra vitória e de lá pra bel’zonte) com o teatro máquina. ficou muito legal! a thalita vai morrer de vergonha quando vir aquela cena da gente se beijando! hahahahaha! um abração! Levy Mota, Fortaleza-CE – mai2010

10- dono de cabaré não!!! empresario da noite!!! César de Cesário, Campina Grande-PB – mai2010

11- Que idéia boa voce teve desse cabaré! Sônia Weil, Londrina-PR – out2010

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Inspiración, essa vadia

12/04/2010

12abr2010

E não adianta argumentar, seu signo é a urgência. Desejo não é coisa que se adie, ela sempre diz

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INSPIRACIÓN, ESSA VADIA

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Inspiración… Os poetas de todos os tempos, eles sabem: não há nada, absolutamente nada igual a uma noite com ela. Por isso é que, apesar de não estar quente, achei necessário um bom banho. Troquei as calças e a camisa, mas mantive o cabelo molhado e sem pentear, do jeito que ela gosta. Pus lençóis novos na cama e até pedi a uma das meninas da taberna, a Ruiva, que me emprestasse a escova de cabelos, uma do cabo de osso trabalhado, bem bonita, que ela ganhou do marroquino.

Eu empresto, mas só se o poeta fizer um verso pra mim – a Ruiva negociou. As meninas adoram poesia. Sorri, fingindo que não esperava por aquilo. Mas era uma troca justa, uma escova por um verso. Então improvisei quatro linhas, a dona da escova sentada em meu colo, e, ao fim, ganhei um beijo e a escova. E deixei a taberna, levando uma garrafa de vinho debaixo do braço e uma alegria mal disfarçada no canto da boca. Que ficassem e se divertissem eles, os amigos lascivos e as amigas embriagadas. Eu iria para casa, esperar por Inspiración. Nada como uma boa isca para atrair a cigana do imprevisível, os poetas sabem.

Maria de la Inspiración… Foram as meninas que me contaram que ela andava pelas ruas do povoado hoje de manhã. Que bela notícia…, pensei enquanto o som de seu nome me remetia às tantas alegrias que essa cigana desatinada me proporcionou durante a vida. Quantos versos lhe dediquei, cavalgando-a com paixão noites adentro? Poemas de saliva, rimas de sêmen, sonetos de suor…

É uma vadia, eu sei, eu sei, não precisa repetir. Todos sabem, e não há poeta que não o saiba deveras. O povoado inteiro a conhece, e as nossas pudicas mulheres a evitam quando ela, para alegria dos homens daqui, resolve aparecer. Mas isso certamente se trata de uma inassumida inveja por parte dessas respeitáveis senhoras recatadas e sem graça. Por não terem os homens na mão como os tem a cigana adorável. Tão bonita que nem precisava tanto. Ardente como nenhuma delas jamais poderá ser, de tão preocupadas com a vida alheia. E o vinho mais forte, creia, não embriaga tanto quanto a visão de seu corpo nu.

Mas, vadia. Dona de uma inconstância irritante. Como adivinhar o que pensa, saber o que realmente quer? Costumo dizer-lhe que ela é como são todos os felinos: aparecem quando não se espera, e se os chamamos, não vêm. Ela? Apenas ri, vaidosa da própria crueldade. Sim, ela é muito cruel. Usa e abusa de decotes generosos, servindo os seios em bandeja para a fome da noite. E se realiza, sim, como se realiza, sob os olhares dos homens. Então creio mesmo que deva se alimentar dos desejos alheios, a danada.

É fácil percebê-la numa festa: duas ou três canecas de vinho e lá está Inspiración a caminhar por entre as mesas, toda faceira e provocante, aceitando de bom grado tragos e elogios. Claro, desnecessário dizer que sua simples presença deixa enlouquecidos os árabes: da última vez presenciei meia dúzia de confusões. Os mais velados arregalam os olhos e coçam os bigodes – mas lhes transparece na cara o que lhes passa pela cabeça. Não creia, no entanto, ser possível subjugá-la. Ouse dominá-la e verá que escapole feito água entre os dedos. Submete-se apenas se lhe for vantajoso. Inspiración é tão fugaz quanto o brilho daquela estrela cadente.

E quando tenho a certeza de que homem nenhum a fará abrir as pernas dessa vez, eu inclusive, eis que vejo a vadia deixar a taberna de braços com o embriagado catalão, tão deslumbrado com a sorte que pagou bebida a meio mundo.

Eu a amo. Com desprezo, doçura e paixão, não nego. Mas essa sua volubilidade eterna nunca me dá tempo de me preparar. Aparece de surpresa em lugares ou situações que eu jamais esperaria. Surge de repente e eu, desprevenido, sinto-a insinuar-se lânguida pela minha virilha, as costas, o pescoço. E não adianta argumentar, seu signo é a urgência. Desejo não é coisa que se adie, ela sempre diz. E não é mesmo, não é mesmo, descobre a cada vez meu corpo vertido em beijos, minha alma convertida em versos.

Às vezes me enche de ciúmes, a diaba. Vejo-a na mesa de outros homens, sorridente, generosa. Mas não me permito levá-la tão a sério. Sorrio e entendo sua alma alegre e infantil. E quando inventa de dançar? Aí sim, é a própria expressão da felicidade. Solta os cabelos negros e com eles chicoteia o ar. Joga longe os sapatos e vai, rodopiando ao ritmo das palmas, tão cheia de graça e tão exata que penso se realmente não terá sido a dança inventada para ela. Seus movimentos aprisionam os olhares, e os homens se deliciam com a mais remota possibilidade de possuírem-na, e babam e gesticulam e se ensurdecem de tantos gritos e exclamações desvairadas. As meninas da casa são suas amigas, e ela sempre lhes traz roupas e enfeites e faz revelações pelas cartas sem cobrar. É uma dádiva essa cigana.

Marca encontros e me faz esperar em vão. Outras vezes acha de aparecer na pior hora possível. Rejeita meus versos em noites sem lua e em outras noites se deleita com eles e os deposita carinhosa em seu decote enluarado. Não tem jeito, previsível é coisa que Inspiración jamais conseguirá ser.

Mas certas iscas costumam dar resultado, sim. Por isso é que vim para casa mais cedo, deixei para trás a festa na taberna. A noite agradável, o vinho, o azeite da candeia renovado, meu corpo de banho tomado… Mel de atrair abelha.

“Armadilha”…, Inspiración dirá, já posso ouvir, o sorriso que eu bem sei nos lábios vermelhos. Então servirei mais vinho, apaixonado pelo seu pentear-se ao espelho, o cabelo negro dengosamente acariciado pela escova bonita a que ela não resiste. O corpo inflamável sob o vestido de pano fino… Candeia acesa em monte de feno seco… – eu já me vejo escrevendo depois sobre suas costas nuas, inspirado.

“O poeta está ficando ordinário” – ela sussurrará, virando-se na cama e me roubando um beijo. E eu, que certos escrúpulos já perdi:

“A gente se merece…”

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Ricardo Kelmer 1989 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros:

> Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
> Indecências para o Fim de Tarde

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MAIS SOBRE LIBERDADE E O FEMININO SELVAGEM

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

Sexo tinto – Palmas para a musa dos inebriados

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido
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MAIS SOBRE INSPIRAÇÃO

O chamado da caverna – Mas talvez não, talvez se decida por entregá-la ao mundo, mãe que não pode criar o filho porque sua missão termina em parir

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DICA DE LIVROS

vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
Ricardo Kelmer – contos/crônicas

Com que propriedade um homem pode falar sobre o universo feminino? Neste livro RK ousou fazer isso, reunindo 36 contos e crônicas escritos entre 1989 e 2007, selecionados em suas colunas de sites e jornais, além dos textos inéditos. Usando o humor e o erotismo, eles celebram a Mulher em suas diversas e irresistíveis encarnações, seja através de instigantes personagens femininos ou através do olhar e do discurso masculinos.

Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01– Achei lindo o conto da cigana. Como diria Oswaldo Montenegro em sua musica, “Virtuosa e profana Pra cantar o sol. Dança, dança, dança pra cantar o sol Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol Fiz do meu corpo cabana Pra cantar o sol…” e por aí vai. Acho que essa coisa de mistério que envolve os nômades é que faz tudo ficar ainda mais encantador, lindo!! Marcia Morozoff, Brasília-DF – jan2006

02- Viva a você, caro amigo. Nos delicia com tuas linhas sempre sinuosas como uma bela e incomível cigana. Viva o Phoder da palavras bem ditas e mal ditas idem Só para te passar um grande abraço. Maninho (Aluisio Martins), Fortaleza-CE – jan2007

03- costumo fugir do mundo real ás madrugadas no bate papo do meu estado…meu personagem é esssa mulher sobre quem ecreveu…assim me visto assim me imponho. sou conhecida como “vadia”. meus devaneios ficam apenas alimentando ou atormentando espíritos inocentes me sinto gostosa faço meus parceiros delirarem…é tudo virtual, não permito encontros mas eles só descobrem isso quando já estão envolvidos enebriados, seduzidos…e eu me vou deixando-os livres…para sonharem comigo. bjs amigo. Diva, Macapá-AP – abr2007

04- Curioso. Será a musa, sempre feminina? Se pensarmos nela como “Inspiracion”, sim. Sempre sim. Alma, fada, algo diáfano que se deixa penetrar pelo espírito masculino. Mas quem (ou o quê) inspira as mulheres a escrever? Levanto a peteca porque o Ricardo nos dá uma imagem feminina da inspiração assim como fizeram os escritores de todo o Mundo. Digamos então que existe a ECLOSÃO. E que esta, apesar de substantivo feminino, é notoriamente masculina. Assim se chama meu “muso”. E ele chega como um Cavaleiro do Fogo, um Príncipe de Bastões me obrigando a fazer sua vontade. E escrever que nem uma louca, num astral de emergência. Por falar nisso, por onde andará meu cavaleiro? Monica Berger, Curitiba-PR – ago2007

05- A colocação da mulher, que mesmo sendo vadia, tem todo o encantamento do homem… lindo! Será que todas nós temos um pouco de Inspiración? Mulheres masculinizadas… isso no sexo masculino agora tem até nome, e é: metrossexualismo! Concordo no ponto em que mulheres devem exigir direitos iguais, mas não perder o jeito feminino! Talvez isso pareça contraditório para algumas pessoas… Pamela Bathory, Juiz de Fora-MG – set2007

06- O texto da Inspiración é um de meus favoritos. Aprecio a Espanha (que duplo sentido! rs) e, como danço Salão, já me arrisquei no flamenco…Enfim. O conto é maravilhoso e, ao contrário da comentarista anterior, eu não diria ‘apesar de ser vadia’, mas justamente por sê-la. Engraçado como as pessoas sempre intepretam um sentido pejorativo nisto… Estou ansiosa pelo novo livro, e sempre estarei passando por aqui para conferir os novos escritos. Abraços. Mariana Melo, Maceió-AL – set2007

07- Talvez todas mulheres sejam Inspiración, não que sejam vadias, mas que seja mulher, que não sejam marrentas; mulheres que tem suas curvas, saliências e reentrâncias. Um bom conto. Abraços! Kelly Cristina, Fortaleza-CE – set2007

08- Correndo o risco de estar um pouco atrasada, mas gostaria de dizer que achei muito lindo o texto sobre a Inspiração, rsrs, uma vadia! a frase que mais gostei foi: “à minha maneira eu a amo. Com desprezo, doçura e paixão”. Essa mulher me lembra Lilith. Adoro Lilith. Um abraço, e que Inspiración te acompanhe! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – set2007

09- Inspiración vadia é tão linda!!!!!! CIGANA DO IMPRVISÍVEL É DEMAIS!!!! Beeeijo calliente na tua Alma Cigana Na tua Bela e Perigosa Inspiración. Patrícia Lobo, Salvador-BA – jun2011

10- O texto “Inspiracion,essa vadia”,lido na faculdade, me despertou curiosidade para ler o Vocês Terráqueas. Rita Queiroz, Fortaleza-CE – jun2012

11- É incrível esse texto. O sentimento do personagem para com Inspiracion, é o que me chama mais atenção. É um desejo carnal que entrelaça com um sentimento que foge dos preconceitos e esteriótipos social. INSPIRACION, me faz recordar alguns episódios da vida cotidiana. Wescley Gomes, Fortaleza-CE – fev2014

12- Incrivelmente sensacional… Carla Falcão Bouth, São Paulo-SP – fev2014

13- Está bem romântico. Mais que o seu habitual. Luc Lic, São Paulo-SP – fev2014

14- Gostei… Erika Menezes, Fortaleza-CE – fev2014

15- Adoro este texto !!! Há uma ambiguidade no nome da personagem…Todo escritor, poeta para escrever/criar precisa de inspiração. Então nada melhor do que esse habilidade ser retratada como uma mulher cheia de mistérios, indomável…Lindo!!!Adoooooro. Michele Nagle, Fortaleza-CE – fev2014

16- adoooru. Sandra Xavier Amarantha, Poá-SP – fev2014

17- Huuuuuuum, obrigada pela homenagem Ricardo Kelmer. Esse poema deixa a gente suspirando, pois encontramos sempre um tanto de Inspiración dentro de nós. Essa alma de cigana dançante há sim em todas as mulheres, mas , infelizmente, nem todas a expressam, nem todas conseguem ser inspiração. Felizes aquelas que dançam a vida, encantam os corações dos seus espectadores e levam ao mundo a sua alegria! Sandra Xavier Amarantha, Fortaleza-CE – fev2014

18- Inspiración… Adoooooro! Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2014

19- E perfeito! Amei. Amanda Rangel Ryback Lobo, Carlópolis-PR – fev2017

20- Meu “signo é a urgência”… Adoro esse texto. Christiane Oliveira, Rio de Janeiro-RJ – fev2017

21- Nossa gostei de mais principalmente da parte que fala que o poeta e está ficando ordinario e você com certos escrúpulos rsrsrsrsrd parabéns lindas palavras e pensamentos bem certos gosto dos seus poemas são bastante inspiradores 😀 uma boa tarde querido amigo. Silvanna Carvalho – fev2017

22- Uau. Que texto esplêndido. Adorei. Ana Paula Mayer, Boa Vista-RR – fev2017

23- Maravilhoso amei. Anairda Dry Lima, Rio de Janeiro-RJ – fev2017

24- Adorei amigo parabéns e obrigado por compartilhar. Lili Liliane, Poços de Caldas-MG – fev2017

25- Uau! sim!! Maravilha de cigana que encanta e deslumbra a todos e aparece sem pedir e faz da vida a liberdade de seguir seus desejos e emoções irresistível e urgente, está sempre presente quando é preciso ser feliz e esquecer dos padrões e se deixar levar pelo seu pulso vibrante da paixão. Eu já vivi muitas vidas assim…faz parte de mim faz parte de nós. Gratidão pela fuga poética que me embriagou…bjos!!! Bya Blanco, Rio de Janeiro-RJ – mar2017

26- Maravilhoso me indentifiquei kkkk muito bom!!! Gostei da parte que ela não consegue ser previsível. Anabela Simões, Feira de Santana-BA – mar2017

27- Que lindo. Elizandria Vieiro, mar2017

28- Adorável cigana imprevisível… Muito bom texto! Neyane Macedo Infurna, Rio de Janeiro-RJ – mar2017

29- Encantada, amigo! Sarah Carvalho, Campo Maior-PI – mar2017

30- Inspiración o verdadeiro espelho de muitas mulheres… Que no qual eu me incluo. Perfeito! 👌💃 Vivi Oliveira, Seropédica-RJ – mar2017

31- mto bom. Aline Lira, São Caetano do Sul – mar2017

32- Lindo amei. Lucineia Seiberth Kamke, mar2017

InspiracionEssaVadia-02a



Insights e calcinhas

15/03/2010

15mar2010

Uma calcinha rasgada pode mudar a vida de uma mulher? Ruth descobriu que sim

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INSIGHTS E CALCINHAS

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Ruth era uma folclórica colega da faculdade. Não muito bonita, mas dona de uma vaidade enorme, dessas que nunca dispensam um batonzinho. Sempre impecável. O visual bem cuidado, a roupa certinha. Corria até o boato que ela ia para as aulas com lingerie de cetim. Apesar de achá-la um tanto fútil e não termos assuntos em comum, ficamos amigos.

Pois um dia descobri que era verdade sim, a coisa da lingerie. Mas não foi desse modo que você pode estar pensando. Foi assim: um dia, após a aula, falávamos sobre medo e ela me confidenciou que tinha um medo terrível, que surgiu no dia em que leu sobre um assalto a um banco onde os clientes foram feitos reféns dentro do cofre, todos em trajes íntimos. Ela ficara alarmada. Com a violência do caso? Não. Com a insegurança das agências? Que nada.

– Já pensou você no meio de um bocado de gente estranha, e com uma calcinha rasgada? – ela me explicou, séria. – E se aparece uma equipe de tevê? Gente, que vergonha!

Pois era esse seu terrível medo: ser pega desprevenida num assalto a banco com a calcinha rasgada, o sutian encardido, já pensou? Ruth então renovou toda a gaveta de peças íntimas e passou a ir aos bancos com a melhor lingerie, escolhida com esmero, afinal nunca se sabe quando seremos reféns. E assim minha vaidosa colega resolveu o problema.

Porém, com os bandidos assaltando até padaria, Ruth decidiu estender sua prevenção a todos os lugares. Fosse onde fosse, lá estava ela devidamente preparada, metida em sua bela lingerie, segura e confiante. Inclusive na faculdade? Claro, por que não?, ela confirmou. Achei a história bem divertida. E passei a achar minha amiga mais fútil ainda.

Um tempo depois, Ruth deixou de ir às aulas. Liguei para ela e escutei uma história estranha. Ruth dizia que descobrira algo muito importante que estava mudando sua vida. Não entendi patavina. Ela usava termos como “insight” e “potencial de realização”, e dizia que todo mundo devia sempre usar a melhor calcinha que tivesse. Ou algo assim. Não consegui levar a sério nada do que ela falou, e até desconfiei que minha colega não estava bem do juízo. E desliguei, rindo de me imaginar de calcinha. Depois disso, soube que ela abandonara o curso, e perdemos o contato.

Semanas atrás, surpresa!, eu a encontrei no shopping. Dez anos que não a via, quase não reconheci, tão diferente que estava. Mais bonita e com um astral contagiante. Preparei-me para escutar mais bobagens, mas o que vi foi uma pessoa equilibrada e consciente. Conversamos, lembramos dos colegas e ela contou que vivia com um australiano em Melbourne e estava de férias. Brinquei com a tal história da lingerie e ela, rindo, disse que fora exatamente sua vaidade que a fez chegar à compreensão mais importante de sua vida. Foi aí que Ruth repetiu aquilo que me falara ao telefone dez anos antes e então, somente então, o profundo significado de sua experiência me atingiu.

– Um dia, tive um clarão repentino de compreensão – ela explicou. – Um insight tão forte que fiquei dias feito boba. Eu estava experimentando lingerie quando de repente, pá!, entendi tudo. É isso! É isso mesmo que eu tenho de fazer, viver cada momento com o melhor de mim, mesmo que não haja plateia.

Ela prosseguiu dizendo que depois dessa revelação sua vida mudou radicalmente. Passou a lidar melhor com sua vaidade, largou a faculdade que não gostava, terminou um relacionamento que a limitava, juntou dinheiro e realizou seu grande sonho: foi à Austrália e conheceu o deserto, e lá viveu experiências tão gratificantes que decidiu ficar, no lugar que ela descobriu ser sua verdadeira casa e onde se sente feliz.

Escutei com atenção e me senti envergonhado por não ter captado, daquela primeira vez, a profundidade de sua experiência. Ruth me parecia uma pessoa mais interessante. Ou eu é que realmente nunca a percebera? Ela contou que continuava vaidosa e ainda usava lingerie, sim, mas agora não era mais por medo de passar vergonha durante um assalto.

– É porque a vida é para ser vivida do melhor modo em todos os momentos – ela esclareceu, sorridente. – Com o melhor espírito e o melhor sorriso. E a melhor calcinha.

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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

Kelmer Para Mulheres – Nesta seção do blog, homem fica de fora

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LEIA NESTE BLOG

Mulheres que adoram – Dar prazer a uma mulher, fazê-la dizer adoro mil vezes por dia…

Mulheres na jornada do herói – Elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

Carma de mãe para filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

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Comentarios01

COMENTÁRIOS
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01- Adoro a sua amiga da calçinha , entendí isto quando eu me separei A PRIMEIRA VEZ , POIS TINHA MANIA DE SÓ USAR AS COISAS NOVAS SE TIVESSE ALGUÉM PARA VER , UMA FESTA ,OCASIÃO ESPECIAL , ETC….MAS VÍ MUITO CEDO ,TINHA 19 ANOS ,QUE EU TINHA QUE FAZER TUDO POR MIM MESMA , POR MEU PRAZER , BEM ESTAR ,ME SENTIR MARAVILHOSA SEMPRE ,TOTALMENTE INDEPENDENTE DOS OUTROS[namorados , amigos[as] , etc…],QUE SÓ SE FICA DE BEM COM A VIDA , COM AS PESSOAS , SE ESTIVERMOS BEM COM NÓS MESMOS,POR DENTRO E POR FORA… Cristina Cabral, Fortaleza-CE – out2007

02- Gostei muito!!!!hoje em dia na hora em que acordo eu já automaticamente coloco em ação essa teoria aí!!!!e geralmente as pequenas coisas é que me encantam mais ,como um beijo de bom dia na grissou que sempre está me esperando acordar com aquela carinha de danada,daí já começa um otimo dia e quanto a mensagem dela o que fica pra mim é que mensagens interessantes nós temos a toda hora,mas o momento certo de entendê-las nem sempre depende de mim só se eu estiver com meu espírito preparado!!cada minuto da minha vida é muito precioso!!não sei se vc vai ler essas minhas baboseiras mas foi bom pra mim ler sua crônica!!!bjsssss. Ana Alcântara, Rio de Janeiro-RJ – mar2010

03- Eu amei esta…as pessoas acabam se encontrando nem que seja pela calcinha. Bjs. Sirlei Moletta, Ponta Grossa-PR – mar2010

04- Os poetas, artistas, cientistas e holísticos sempre extraem leite da pedra! Você é um desses cabras! Já estou gostando dessa sua amiga! Abraços. Nonato Ferreira, Fortaleza-CE – mar2010

05- cara. isso é perversão!! tu ve sexo em tudo!!! Cesar de Cesário, Campina Grande-PB – mar2010

06- LINDA RUTH! OLÁ DOIDINHO BELEZA TÃO AMANTE DA ALMA FÊMEA! ESTEJA BEM, IRMÃO! De fútil à ctônica, uma abissal jornada. Sabia, feticeiro escritor? Pois é…., critura, quem ver cara não ver tripas. Beeeeijo, Patrícia Lobo, Salvador-BA – mar2010

07- mas como assim??? “Corria até o boato que ela ia para as aulas de lingerie.”?? — alguém no mundo, sendo da espécie humana e do sexo feminino, não usa lingerie??? ou será q “vcs” chamam de lingerie só as calcinhas e os sutiãs bonitos? Então o normal é usar os feios??? ou será q tou tão desatualizada q não tou sabendo q as meninas agora vão pra facu sem nada por baixo?? Tive uma aluna q sempre usava calcinha e sutiã combinados, por medo de ser atropelada e levada às pressas prum hospital. Como a sua amiga, ela queria ficar bem na fita. Digo: na maca. Me preocupo mais em ter uma alça q combine com a roupa q estou usando, para se por acaso a alça resolver aparecer, no ombro. E aí, já q escolhi a cor da parte de cima da lingerie, não custa botar uma parte de baixo q combine, né? Mas, caraca!, nunca pensei q isso fosse futilidade…… Achei q fosse tão normal como usar o sapato direito combinando com o do pé esquerdo! bjks. Betty Vidigal, São Paulo-SP – mar2010

08- Parabéns! Bem relaxante a crônica da Ruth. Não li na íntegra, mas valeu. Você é um gênio… Gilvanilde Falcão, Fortaleza-CE – mar2010

09- A nossa preferida! 🙂 Adorei a Ruth! Dalu Menezes, Fortaleza-CE – mar2012

10- Muito legal, Ricardo Kelmer! Que bom que você “viu” a moça. Amei o texto! Abraço. Tete Bastos, Fortaleza-CE – mar2012

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Cerejas ao meio-dia

28/02/2010

28fev2010

Linda e poética, ela dá a volta no carro e todas as buzinas se calam. Claro, um poema de cereja em plena avenida, não é todo dia

CEREJAS AO MEIO-DIA

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Alto meio-dia de sábado. Converso com um amigo, à porta de sua loja, os carros passando na avenida, quando de repente ela surge. Caminhando na calçada, devagar e tranquila, aquele jeitinho avoado dela. Cabelinho solto. Sandalinha. E o vestidinho vermelho. Hummm, o vestidinho… Sabe cereja de bolo? Dessa cor. Quando vejo, a cereja sorri pra mim, aquele olharzinho sapeca que já desconcentrou muita estátua importante. Aquele sorrisinho doce que eu conheço e que me faz ficar derretido. Que nem chantili na boca.

Mas para o mundo um pouquinho, por favor, para. Devo estar vendo coisas. Aceno pra ver se é verdade. É verdade, ela dá com a mãozinha assim, meio torto, cereja é adoravelmente desajeitadinha. A brusca poesia da cereja que passa, diria o poeta. Mas talvez seja miragem, digo eu. Nunca se sabe, esse sol forte na moleira, melhor conferir. Num impulso, deixo o amigo falando sozinho, entro no carro e acelero. Anteontem ela estava na fila do cinema, o mesmo vestidinho, e eu fiquei louco pra puxar papo, mas fico tímido quando me interesso por uma mulher, é uma desgraça. E agora ela de novo, o destino dando uma forcinha, convém não rejeitar. Se por causa de um grito se perde a boiada, imagine uma cereja.

Crau! Cem metros depois lá está a cereja caminhando. Encosto devagarinho pra ela não assustar, os carros buzinando atrás: A dama de vermelho quer carona? Ela para, sorri chantili e ajeita o cabelinho que o vento despenteia, ajeita de novo, despenteia, ô vento chato, né? Ela imediatamente faz piada com o fato de estar com o mesmo vestido da noite do cinema. Deixe disso, cereja, por mim você pode usar esse vestido todos os dias, viu, usar e tirar, usar e tirar… Não, eu não digo isso, claro, só penso. Minha canalhice não vai a tanto. Lembre-se, sou um sujeito tímido.

Linda e poética, ela dá a volta no carro e todas as buzinas se calam. Claro, um poema de cereja em plena avenida, não é todo dia. Não era pra estar ali, é uma falha na Matrix. Ela entra e senta, perninhas juntas. Tento não olhar, juro, mas não dá. De perto é ainda mais suculenta. Ai, ai, somos dois desajeitados num momento crucial da vida. Como são ridículos os terráqueos… Procuro algo pra dizer, mas tenho a mais absoluta certeza que direi bobagem. Penso em coisas triviais, mas subitamente me toco que tudo que penso tem conotações sexuais, que coisa impressionante a minha mente. De carro é mais gostoso, né? Ou: se quiser reclinar o banco…

As opções são péssimas. Decido então falar do tempo. Mas quando abro a boca… ela pede pra eu parar, havíamos chegado. Já?! Que pena, eu ainda tentava sintonizar uma FM. Ela agradece, beijinho no rosto e desce. O lobo mau fica no carro, tristonho, olhando Vestidinho Vermelho atravessar a rua, sem entender o sentido de tudo isso. Não, tem que haver algo mais, as deusas do destino têm muito o que fazer, elas não se dariam ao trabalho de promover esse reencontro e tudo terminar assim, não, não faz sentido…

Os impulsos, ah, os impulsos… Ei, tenho um presente pra ti!, grito de repente, é a primeira coisa que me vem. Ela se vira e vem até a porta. Entrego-lhe um exemplar de Indecências para o Fim de Tarde, digo que é presente de aniversário. Ainda está longe, ela responde, e eu contra-ataco: o tempo é relativo, beibe. Hummm, que idiotice. Ela sorri sem jeito, e diz um obrigado daqueles que entra por um ouvido e não sai mais. Aí acontece algo incrível, algo que nem mesmo minha mente pecaminosa ousaria prever: cereja se inclina… aproxima seu rosto e… me beija levemente… no cantinho… da boca. E vai-se embora, faceira e cruel como só as aparições do meio-dia podem ser. Não. Isso não se faz com o cidadão trabalhador e pagador dos seus impostos. Não se faz.

Babando chantili. Ainda estou lá, sentado dentro do carro, babando chantili. E séculos se passam. Nascem e morrem os impérios… Eras glaciais… O sol se apaga… Quando dou por mim, ela já sumiu. Cerejinha se foi. Dessa vez, pra sempre. Ou pelo menos até o nunca mais do quem sabe quando. Mas quando? Eu sei. Quando ela, súbita falha na Matrix, surgirá atrapalhando o trânsito, vindo novamente suculenta em seu vestido vermelho. Sim, o vestidinho vermelho, que ela não sabe, e nem vocês vão dizer, é segredo, mas ela veste especialmente pra mim.

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro
Vocês Terráqueas
Seduções e perdições do feminino

Com que propriedade um homem pode falar sobre o universo feminino? Neste livro RK ousou fazer isso, reunindo 36 contos e crônicas escritos entre 1989 e 2007, selecionados em suas colunas de sites e jornais, além dos textos inéditos. Com humor e erotismo, eles celebram a Mulher em suas diversas e irresistíveis encarnações. Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido. Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

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Insights e calcinhas – Uma calcinha rasgada pode mudar a vida de uma mulher? Ruth descobriu que sim

Mulheres que adoram – Dar prazer a uma mulher. O que pode haver de mais recompensador na vida?

Kelmer Para Mulheres – Nesta seção do blog, homem fica de fora

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01 – Muito fofo!!!! Christina, Rio de Janeiro-RJ – mai2006

02- adoreeeii. Danielle Freire Milfont, Fortaleza-CE – mar2011

03- Gostei tbm… rsrsrsrss. Michelle Costa, Fortaleza-CE – mar2011

04- Adoro todo vestido vermelho… Já li este conto p um grupo de internos de uma casa de saúde mental. Só uma louca p levar a obra de um louco p os outros. Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – mar2011

05- adorei a ‘cereja’. Gloria Sousa, Fortaleza-CE – mar2011

06- Uma delícia, adorei!! 🙂 Mabel Amorim, Campina Grande-PB – mar2011

07- Essa história aconteceu de verdade? Lindalva Barbosa, Fortaleza-CE – nov2013

08- Sempre trabalho esse texto em sala. Eles adoram! Dalu Menezes, Fortaleza-CE – nov2013

09- Adorei! Hummmm… porque o texto tem aquele flerte meio sapeca nele, o tipo que deixa o dia da gente mais feliz, sabe? Não aquela coisa forçada de pegação, mas só aquele gostinho, que faz a gente querer mais. Só que não pode, muita cereja doce de uma vez só da dor de barriga… Marina LF, Porto Alegre-RS – nov2013

10- Será que realmente os homens reparam em mulheres na rua assim? Ou só reparam em cerejinhas mesmo? Marina LF, Porto Alegre-RS – nov2013

11- Rsss…. imaginação fértil. Claudia Maria Crivellente, São Paulo-SP – nov2013

12- amei demais!!! Luciene Maia, Fortaleza-CE – nov2013

13- Nesse, como em outros contos RK Eu sempre fico vendo a cena, imaginando as pessoas exatamente com cada palavra, respiração… Enfim dou bastante risada com o desastrado sedutor da história… E tem códigos embutidos é? kkkkk Cereja má mesmo, mas quem manda ele ser lento? Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – nov2013

14- Hummmm bom. Sandra Allegreti, Fortaleza-CE – nov2013

15- Continuas sonhando, nem Freud explica. A gente continua o mesmo, so o tempo passa hehehe. Roberto Studart Soares, Fortaleza-CE – nov2013

16- Ricardo meu parabéns adorei, vestidinho cereja e sorriso chantili… Grazy Ribeiro, Orlândia-SP – jan2017

17- Viagei …Ricardo rs muito Lindoooo. Jeane Russo, Praia Grande-SP – jan2017


CerejasAoMeioDia-07a


O chamado da mulher selvagem (03)

22/02/2010

22fev2010


O CHAMADO DA MULHER SELVAGEM (3)

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Rasteiras, salto estruturado, salto médio, sandália meia-pata, sandália plataforma…

Não, eu não abri uma sapataria. É que a VSK Brasil lançou sua coleção Primavera Verão 2010, com sandálias e saltos, e na campanha de lançamento ela usou trechos de uma crônica para acompanhar as fotos. As fotos da campanha foram feitas em meio à Natureza, aproveitando o visual da mata, dos riachos e cascatas. Adivinha qual foi a crônica. Isso mesmo, A Mulher Selvagem. Ela ataca novamente…

Evidente que eu tô muito orgulhoso da minha mulher selvagem. E, de quebra, ainda fiquei sabendo o que é uma meia-pata…

OBS.: As fotos originais da postagem foram excluídas em atendimento a uma solicitação.

Campanha da Coleção Primavera Verão 2010 da VSK 

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.Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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A MULHER SELVAGEM – crônica A Mulher Selvagem fala, de um modo poético, sobre o arquétipo da mulher livre e conectada à sabedoria natural. É um dos meus textos mais conhecidos, reproduzidos e comentados, o que indica que ele toca em algo muito precioso nas mulheres e também nos homens que não temem o feminino. > Leia aqui

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“Você se assusta, olha de novo… e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim.

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Vídeo-crônica A Mulher Selvagem

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Lama

21/01/2010

21jan2010

O que é mais forte, o amor ou o ódio? Ou será o ódio dos ex-amantes o último recurso do amor?

LAMA

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Se quiser fumar, eu fumo

Se quiser beber, eu bebo
Não interessa a ninguém

Oito horas da noite. Lena põe o CD no aparelho de som e sobe o volume até o máximo. A música que toca, estridente, é um velho samba-canção de fossa, cantado por Núbia Lafayette. Na calçada, as pessoas passam curiosas, olhando para dentro do bar. Mas Lena não as vê. Encostada à porta do bar, acende um cigarro, dá uma longa tragada e solta a fumaça para cima. Do outro lado da rua está a igreja, ela pode ver o movimento lá dentro, os pastores no palco, os fiéis sentados nos bancos a aguardar o início do culto. Na entrada, uma moça e um rapaz convidam os transeuntes a entrar e aceitar o Senhor Jesus. Lena sorri de vê-los constrangidos pela música que ecoa de seu bar. Então, ele surge, bem à entrada da igreja, de paletó, a bíblia na mão. O rapaz aponta para o outro lado da rua e ele se vira para olhar. É nesse momento que seus olhares se cruzam. E é como se dez anos não houvessem se passado. Os olhares se mantêm fixos um no outro, intercalados pelos carros que passam pela rua. Lena se delicia ao constatar a imensa surpresa nos olhos dele. Pega o copo na mesa e toma um gole de campari. Quando olha novamente, ele já voltou para o interior da igreja.

Se o meu passado foi lama
Hoje quem me difama
Viveu na lama também

Olhai, irmãos, olhai em vossa volta e vereis a Babilônia a seduzir com seu hálito de bebida e suas promessas de luxúria!!! A voz dele, amplificada, extrapola os limites da igreja, atravessa a rua e parece duelar com a música do bar. Lena, imperturbável, toma mais um gole de seu campari. O garçom se aproxima e comenta algo sobre o volume alto da música, mas ela não responde, permanece na mesma posição, o olhar distante. Olhai, irmãs, e vereis as mensageiras de Satanás na porta dos bares e dos prostíbulos, essas almas perdidas cuja especialidade é levar os homens com elas para o Inferno!!!

Comendo da minha comida
Bebendo a mesma bebida
Respirando o mesmo ar

Ele era um garoto quando ela o conheceu… e se perdeu de paixão. Foi uma paixão instantânea, mútua e avassaladora. Semanas depois, seu marido descobriu, expulsou-a de casa e ela alugou para eles um pequeno quarto no centro, cuja cama passou a ser o templo sagrado de seus desejos insaciáveis. E, uma vez juntos, perderam-se ainda mais. Para sustentar os vícios, que não eram poucos, enganaram, roubaram e assaltaram, afundando-se cada vez mais nesse amor bandido. Foi por amor que várias vezes ela foi buscá-lo no hospital, tantas brigas que ele arrumava pelas ruas. Foi por amor que várias vezes, louca de ciúmes, ela bateu nas mulheres que ele insistia em cortejar descaradamente em sua presença. E foi por amor, quando já não havia mais dinheiro, quando mendigavam comida na porta dos restaurantes, quando já não havia mais alternativas, que Lena decidiu alugar o corpo na praça da Central.

E hoje, por ciúme ou por despeito
Acha-se com o direito
De querer me humilhar

Foram oito anos de praça. Oito anos suportando o bafo de cachaça dos operários e o suor fedido dos mendigos. Oito anos vendendo por meia hora aquilo que deveria ser apenas dele durante toda a vida. No fim da noite, ela levava o arrecadado para ele, que aguardava no bar, bebendo e jogando com os amigos. Uma noite, porém, não o encontrou lá. Procurou-o pelas ruas, mas nelas ele também não estava. Quando chegou em casa, já de manhã, encontrou-o em sua cama, com outra mulher. Ela não lembra exatamente do que fez, mas nos autos do processo consta que os policiais, alertados pelos vizinhos, a encontraram sentada no chão, ainda segurando a faca, tranquila e cantarolando um triste samba-canção. E, ao seu lado, os dois corpos ensanguentados.

Quem és tu? Quem foste tu?
Não és nada
Se na vida fui errada
Tu foste errado também

Doze anos depois, foi libertada. Deixou o presídio e foi diretamente ao prédio onde antigamente morava com ele. Depois de muito perguntar foi que soube onde poderia encontrá-lo. Surpresa com o que ouviu, rumou para lá. Era uma modesta igreja evangélica que funcionava no salão do segundo andar de um prédio velho. Ela chegou, sentou-se no último banco para que ele não a reconhecesse e o escutou pregar. Ele falava de amor, fraternidade e perdão. Era um sermão bonito, que tocava o coração. Mas o de Lena não tocou. Antes do fim, ela levantou-se, interrompendo o culto, e dedo em riste na cara dele, gritou tudo que se acumulara em seu coração naqueles doze anos. Doze anos em que ele jamais fora visitá-la. Sequer lhe mandara um lençol limpo. Um mísero bilhete, nem isso. Ele não conseguiu dizer nada, assustado e constrangido por ver exposto, diante dos fiéis, todo o seu passado sombrio. Quando ela fez uma pausa, ele aproveitou e anunciou, solene e em voz alta, para todos ouvirem, que aquela pobre mulher estava possuída por Satanás. Imediatamente, os seguranças avançaram e a seguraram, enquanto o outro pastor assumia o ritual de exorcismo. Ela protestou. Mas foi inútil. Gritou e se debateu. Mas foi tudo inútil. Minutos depois, vencida pelo cansaço, pelo desânimo e pela decepção, deixou-se cair no chão, chorando todas as lágrimas que em doze anos não chorara, enquanto os fiéis, braços erguidos ao céu, louvavam a glória do Senhor Jesus.

Não compreendeste o sacrifício
Sorriste do meu suplício
Me trocando por alguém

Foram várias noites em claro, lutando contra sua própria alma dilacerada e dividida. Uma parte ainda o amava, muito, profundamente, mas a outra parte não conseguia perdoá-lo. Durante quarenta dias e quarenta noites, amor e ódio fizeram de sua alma campo de horrenda batalha, sequiosos por conquistá-la. Até que um dia ela, enfim, adormeceu sorrindo. E dormiu o sono justo dos que finalmente compreendem aquele que talvez seja o maior dos mistérios do amor: que ele perdoa até mesmo o que não tem como ser perdoado. No outro dia, ela foi ao culto, disposta a contar-lhe a boa nova que soprava alegre em seu espírito feito uma brisa de verão. Mas quando chegou à porta do salão foi barrada pela esposa dele, que disse, numa frase curta e cheia de desprezo, que ali ela jamais seria bem-vinda. Enquanto Lena tentava assimilar a surpresa, alguns fiéis chegaram e a enxotaram, levando-a para fora e arrastando-a até o beco ao lado. Foi lá que a apedrejaram. Jogada ao chão, quase desfalecida, o sangue a cobrir-lhe a vista, ela ainda o viu se aproximar, largar um punhado de areia sobre seu corpo e dizer: Pra mim, você já morreu.

Se eu errei, se pequei
Pouco importa

A voz do garçom chega novamente, se misturando às dolorosas lembranças. Enquanto ele comenta algo sobre um caixão e clientes indo embora, dez anos se passam rapidamente em sua mente, dez anos em que ela apenas trabalhou e trabalhou e trabalhou, inteiramente obcecada. E o resultado está aí, na forma desse pequeno bar, que ela inaugura exatamente hoje. Nesse instante, um casal entra. Eles observam o interior do recinto, dão meia-volta e saem, assustados. O garçom, perdendo a paciência, diz que ali ele não trabalha e vai embora. Lena dá outra tragada no cigarro e entra. Caminha até o centro do bar, entre as mesas, e toca o caixão. É um caixão branco de madeira brilhosa, suspenso sobre o pedestal de ferro, como se fosse a decoração principal do bar. Grudada pelo lado de dentro do vidro, por onde se veria o rosto do defunto, o que se vê é uma foto desbotada, onde, sentado numa mesa de bar, um homem jovem sorri.

Se aos teus olhos estou morta
Pra mim morreste também
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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Este conto integra a série Trilha da Vida Loca. A letra usada é da música Lama, de Aylce Chaves e Paulo Marques, que Núbia Lafayette interpretou de forma magistral.

Este e outros textos integram o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino e o livreto Trilha da Vida Loca – Contos do amor doído

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Trilha da Vida Loca
Ricardo Kelmer – contos

O amor é belo. Mas também é ridículo, risível, trágico… Aqui estão reunidas seis histórias inspiradas em grandes sucessos musicais da dor de cotovelo. Paixões de cabaré, porres horrendos, brigas, escândalos, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor. Amar é para estômagos fortes.

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NÚBIA LAFAYETTE CANTA “LAMA”

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MAIS

Núbia Lafayette canta Lama em programa de TV, 1993 (vídeo)
Núbia Lafayette canta Devolvi, 1994 (vídeo)
Notícia da morte de Núbia Lafayette, 18.06.07

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LEIA NESTE BLOG

PaixaoDeUmHomem-01aPaixão de um homem (Trilha da Vida Loca) – Amigo, por favor leve esta carta e entregue àquela ingrata, e diga como estou

Vou tirar você desse lugar (Trilha da Vida Loca) – De repente, a semana cansativa, o trabalho desgastante, o crediário atrasado da tevê, tudo passou a ser apenas detalhes insignificantes a evaporar ao toque dos dedos dela…

Por que brigamos (Trilha da Vida Loca) – Ou continuava tentando salvar o casamento, e todo o seu esforço não seria nenhuma garantia de sucesso, ou então salvava a si mesmo – se é que existia salvação para ela

Odair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

A última canção – O que mais impulsionava sua voz, a raiva por ela brincar assim com seus sentimentos ou o ódio por pressentir que mais uma vez não conseguiria resistir?

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TrilhaDaVidaLoca201302Cartaz-2aTrilha da Vida loca – o show

Música e literatura em histórias de amor inspiradas em clássicos da dor de cotovelo. Paixões de cabaré, porres horrendos, brigas, escândalos, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor… Ricardo Kelmer e Felipe Breier interpretam contos kelméricos e músicas de Odair José, Diana, Paulo Sergio, Waldick Soriano e Núbia Lafayette. Sugere-se que todos paguem o couvert antes de cortar os pulsos

Texto e direção: Ricardo Kelmer. Duração: 2h (ou versão de 1h30)
> Saiba mais

TRILHA DA VIDA LOCA
Contos e canções do amor doído

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Gostei pra caramba.Li com a música tocando ao fundo, e texto e música se integram naturalmente.O clima é esse.Mais uma vez, vc foi perfeito! Beijos. Mônica Burkle Ward, Recife-PE – abr2007

02- Oba!!!! Adorei Lama e a trilha sonora. Na verdade todos teus textos são hilários…vou começar a esboçar alguns… Beijinhos. Liliana Ostrovski, Rio de Janeiro-RJ – abr2007

03- Muito boa mesmo essa história… VALE UM CURTA… Já pensou? E qto ao Campari, foi boa pedida!! José Lins Jr., Juazeiro do Norte-CE – abr2007

04- olá..ricardo adorei..ler ….o que vc me mandou… Maria Aparecida Brígido, São Paulo-SP – abr2007

05- Adorei essa modalidade de literatura on line, com trilha sonora…. É muito bom vc ter uma musica dando o clima da estória…. Ciça Castello, Rio de Janeiro-RJ – abr2007

06- Oi Kelmer, Já estava com saudade. Bom demais. Adorei! Beijos. Virgínia Lígia de Freitas, Fortaleza-CE – abr2007

07- O CONTO DA VIDA LOUCA ESTÁ TUDIBOM. PARABENS!!!!!BJU Christina Alecrim, Rio de Janeiro-RJ – abr2007

08- Oi Ricardo, Divertidissima sua “trilha da vida loca”, eu ja tinha lido o texto na sua coluna no Povo e fiquei pensando como seria o tal bolero, ai surpresa, a noite chega seu email com a trilha sonora! Haja drama, hein? Parabens! Ah, e quando vai ter apideiti no site? Beijinho de saturday morning. Ana Wauneka, San Diego-EUA – abr2007

09- Dear Ricardo, Adorei a interpretacao da trilha da musica Lama. Voce e’ demais. Adoro de verdade o que voce escreve. E quando e’ que vens me visitar aqui na California? Tem coisas unicas por aqui pra voce observar e depois quem sabe escrever sobre elas. Beijinhos. Raquel F. Araujo, Los Angeles-EUA – abr2007

10- Nossa! Porque depois de tanto sofrimento ela ainda tem que continuar a destruir a própria vida e o seu ganha pão por causa de um sacana?Eu fique muito deprimida com o final deste conto.Ela deveria ter realmente ter aceitado esta dura lição da vida,agradecido por tudo o que aprendeu e por ter sobrevivido e dali prá frente tocar a vida dela com mais humildade e amor no coração. Bia Leite, São Paulo-SP – abr2007

11- Parabéns pelo belo texto, Ricardo! Interessante a maneira pela qual vc abordou as ironias e as desventuras que cercam o universo do desejo e das paixões. Kátia Albuquerque, João Pessoa-PB – abr2007

12- Cara! Parabéns!!! Gosto muito de ler seus textos! Me envie sempre que puder!!! Forte abraço de um fã! Thiago Jede, Três de Maio-RS – abr2007

13- Caramba, que final, rapaz!!!!! GENIAL! Parabéns, mais uma vez! Humberto Batista, Fortaleza-CE – abr2007

14- Minha nossa… sempre, sempre você. Ao terminar de ler estava exausta. Amores… sempre eles… Fabiana Polotto, São José do Rio Preto-SP – abr2007

15- Bem, sobre o texto, adorei, mesmo, assim como a trilha, só vc mesmo, sempre criativo! Parabéns! Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – abr2007

16- Tu tá cada vez melhor, macho véio. José Everton de Castro Jr., Fortaleza-CE – abr2007

17- Campari. :^) Como adivinhou minha bebida preferida??? Bjus… Rildete Ribeiro, Aracaju-SE – abr2007

18- Achei lindo,extremamente sensível, mas muito triste…. Isso tudo daria um belo filme! Tu poderias me mandar a música? Beijinhos. Vanessa Santini Vebber, Caxias do Sul-RS – abr2007

19- Loner, meu breg brother!!! Tá EXCELENTE! Só lembrei dos velhos tempos de Roque Santeiro. Sensacional!!! Valeu! Beijos. Malena, Brasília-DF – abr2007

20- Recebo sempre seus emails e já que, além de nordestino você passou dois meses pelo nordeste. Grava essa: NÃO EXISTE PAREA PRA VOCÊ.Risos.Um abraço. Francisca Fernandes, Fortaleza-CE – abr2007

21- Ô, Kelmer, esse negócio aí da Lena num é amor nao, Cara, é doença… Abraço lusitano e fraterno. Flamarion Pelúcio, Fortaleza-CE – mai2007

22- Adorei a TRILHA DA VIDA LOCA: LAMA. É uma série, não? Muito bem escrito, personagens fortes e sua linguagem está melhor a cada dia. Gostei muitíssimo! Que bom! Cara, mande ver !!! Admiro-o muito nesta empreitada que já é jornada de tantos anos e gosto muito de você, pessoa massa! Abração. Érico Baymma, Fortaleza-CE – mai2007

23- Caro Ricardo Lafayet, O texto é péssimo!!! Não prende a atenção do leitor.Tema banal no cotidiano.Não há humor, poesia, … Prenda o leitor meu caro!!! Na minha opinião, o que faço com imparcialidade, vc alterna bons e maus textos. Quando gosto de um, sei q o seguinte será ruim!!!!! Eduardo Macedo, Recife-PE – mai2007

24- Tá com a gôta!!!!!!!!!!!!!!!!! Show! Nazaré Franca, Fortaleza-CE – mai2007

25- perfeito!como sempre brilhante!te admiro muito!bjs. Beth Alencar, Fortaleza-CE – mai2007

26- Oi, Ricardo! Caramba, vç tem a extrema facilidade de fazer o leitor ler, visualizar e sentir ao mesmo tempo. As emoções de ambos foram introjetadas de tal forma que senti como se estivesse vivendo aquilo.E é que li sem ouvir a música, imagine o apelo q se torna então.Brilhante, sou kelmerfã de carteirinha! Beijos. Lia Aderaldo, Fortaleza-CE – mai2007

27- Eita!!! “Pega fogooooooooooooo o cabaré!!!!” Da até pra dançar um bolerão, hahahahaha!!! Pensa numa “Boate Azul”!!! Adorei o texto!!!! Só trocaria o campari por uma vodka!!! huahuahuahua!!!!! Bjssssssssss. Lua Morena, Luziânia-GO – mai2007

28- Ricardo , que massa a história. Curti. Irei a Sampa semana que vem . Se rolar podemos trocar uma idéia!! abços. Petrus, Fortaleza-CE – mai2007

29- DOREEEEEEEEEEEEI !!! Beijo grande. Ilana Nahm, Rio de Janeiro-RJ – mai2007

30- Lama é o máximo ,dá um filme fantástico , e Odair José me fez viajar nas lembranças , nos finais de noites ,lá na abolição……….no dia que só chegamos em casa a noite depois de um tour enormeeeeeeeeeeee nos bares e restaurantes da cidade , depois de um luau ,com a irmã da Cris , lembra? bom demais…………..tudo que lí me transportou total para lembranças maravilhosas…. é meu amigo , voce está ótimo , muito + sensivel ,calmo ,muito + tudo de bom em um homem……………. Cristina Cabral, Fortaleza-CE – out2007

31- Adoooooooro essa música num mix com Preconceito. Divinas!! Tenho o CD Imitação da Vida (Bethânia) com as duas. Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – fev2011

32- Muiiitttoooo booommmmm!!! Luce Galvão, Fortaleza-CE – fev2011

33- Gostei da ousadia do texto, sou evangélica e tenho horror dessa história de colocar a culpa de tudo em Satanás. Ora e o livre arbítrio? Nota 10 pra o texto “LAMA”. Marilde Jorge, Fortaleza-CE – fev2011

34- Obrigada!! Eh essa mesma! Fala na alma. Aiai..rs Pouco importa…para mim morreste tambem!!! Kkkkkk ohh drama! Cibele Cortez, Fortaleza-CE – nov2012

35- bom demaaaaaaaaaaaaaaissss!!!!! Ana Erika Oliveira Galvao, Fortaleza-CE – nov2013

36- Tu é um show completo. Eugenia Nogueira, Fortaleza-CE – nov2013

37- puuuutzzzz…. ela era bonita, heiiim. Tetê Macambira, Fortaleza-CE – ago2014

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Medo de mulher

16/01/2010

16jan2010

Como não temer algo que tem o poder de gerar e nutrir a vida? E, caramba, como não temer um bicho que sangra durante dias e não morre?

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MEDO DE MULHER

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Homens que agridem mulheres… Homens que atacam prostitutas, saem na rua atirando em travestis… O que leva um homem a tais selvagerias? Diversos fatores podem estar envolvidos. Mas há um fator mais profundo que todos, mais antigo… É o medo da mulher.

Instintivamente, todo homem teme a mulher. É claro que a maioria dos homens, se perguntado, certamente negará, ou levando a coisa para o lado da piada jocosa ou se irritando com o que ele pensa ser um questionamento de sua masculinidade, oh, a sagrada masculinidade. Calma, meu amigo macho. Esse medo nada tem a ver com homossexualidade. Trata-se do velho temor do feminino, um sentimento arquetípico, que sempre esteve em nossa psique, tão natural quanto o desejo sexual que sentimos pela mulher.

Esse temor existe, sim, e se não o reconhecemos, o danado nos acompanha vida afora, se refletindo em nossa relação com as mulheres. Pior que isso: o medo do feminino faz surgir religiões e sociedades machistas, que reprimem violentamente as mulheres, negando-lhes direitos básicos, tornando-as propriedade dos homens e até mesmo queimando-as em fogueiras. Mas… por que esse temor?

A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará. É o mistério sagrado da própria vida. É através do corpo feminino que a vida se concretiza no plano físico. A mulher é a Natureza humanamente representada em suas curvas, saliências e reentrâncias: ela é o rio sinuoso que hipnotiza o olhar, montes que se elevam graciosos da superfície, cavernas escuras que guardam segredos… É feita de ciclos a mulher, renovando-se a cada lua para em seguida oferecer-se novamente fértil e receptiva. Como não temer algo que tem o poder de gerar e nutrir a vida? E, caramba, como não temer um bicho que sangra durante dias e não morre?

É bem antigo o medo da mulher. Milhões de anos atrás, percebemos que viemos todos de dentro dela – e até hoje isso nos maravilha e assusta. Percebemos também que ela se comporta como a Natureza em suas estações, alternando ciclos, e isso nos fez entender que o masculino é Sol enquanto o feminino é Lua. Se aquele é o mesmo todos os dias, esta não cansa nunca de se experimentar em sua natureza mutante. Se elas são naturalmente iniciadas pela vida, eles não, eles precisam inventar iniciações.

Ao menstruar, a mulher está a repetir, mesmo sem consciência disso, seu íntimo ritual sagrado de fertilidade. Isso tem o poder de conectá-la com a sabedoria instintiva de seu corpo e com os ciclos naturais do planeta. O sangue é o fluxo da vida, que vem da caverna escura, lá onde se guarda o feminino misterioso e profundo. E são poucos, bem poucos, os homens que têm coragem de ir lá. Fisicamente eles vão, sim, mas apenas tocam o feminino, nunca dançam com seu mistério. Homens fazem guerra porque a guerra vem do Sol. Mas poucos, bem poucos, são homens o suficiente para fazer amor com a Lua.

E, no entanto… a Lua sempre esteve dentro deles!, desde o momento em que os princípios masculino e feminino se uniram para gerá-los. São homens simplesmente porque neles a porção masculina é a dominante, e é isso que os faz mais agressividade e razão e menos suavidade e sentimento – mas se não houvesse também em sua alma a porção feminina, seriam uma inconcebível aberração psicológica. Ao negar o feminino em si, esses pobres homens negam também, sem perceber, sua própria totalidade, e assim buscarão inutilmente mil coisas pela vida, sem que nada os possa completar, e morrerão frustrados, sem sequer entender o que lhes faltou. E o que lhes faltou foi sua própria alma inteira.

Homens agridem mulheres porque elas são o próprio princípio feminino encarnado diante de seus olhos fascinados e temerosos. Sua presença os faz lembrar, inconscientemente, do que eles temem admitir. Sim, temer o feminino é normal, é humano. Mas negá-lo, não. O homem que nega o feminino, meu amigo macho, declara guerra contra si próprio. Bem melhor, mas muuuito melhor, é fazer amor com o feminino.
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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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Este e outros textos
integram o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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MEDO DE MULHER
Esta crônica foi lida pelo autor no encerramento do 21o Encontro da Nova Consciência (Campina Grande-PB, fev2012) e dedicada às mulheres violentadas e mortas em Queimadas-PB (12.02.12)

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MAIS SOBRE LIBERDADE E O FEMININO SELVAGEM

EmBuscaDaMulherSelvagem-02base1aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido

Marchando com as vadias – Se ser vadia é ser livre para exercer a própria sexualidade, então todas as mulheres precisam urgentemente assumir sua vadiagem, para o seu próprio bem e o de suas filhas

LIVROS

LivroMulheresQueCorremComOsLobos-01Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010)

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- achei muito linda! Andrea Boni, Brasília-DF – jul2007

02- Ai, Rica… o cerrado te deu muita inspiracao hein? Discutir o principio feminino… se saiu bem na escolha do tema. Vai atrair o maior publico, de mulheres, todas querendo ser desvendadas pelas palavras do escritor. Vai dar pano pra muita manga histerica 😉 Beijo. Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – ago2007

03- Belíssimo texto. Como só vc sabe escrever. Ah, agora que vc parou pra respirar, quero ver as nossas fotinhas!!!!!! Beijos e saudades. Patrícia Meireles, Fortaleza-CE – ago2007

04- bacana rick… André Monteiro, Campinas-SP – ago2007

05 – Adorei o texto. Inspiradíssimo Ricardo. Poucos são os homens que conseguem esta sintonia vibratória conosco, por nos conhecer tão bem. Bom saber que existem! Um bj grande. Helga Lima, Rio de Janeiro-RJ – ago2007

06- Rapá, por causa das chatices e duns quilinhos a mais (dela e… meus tb!), eu já tava aqui na peinha de nada pra plantar a mãozada na muié — q me prometeu ser sempre linda, com aquele corpinho enxuto, como era qdo eu a conheci — qdo chegou esse seu email e me livrou de tirar umas férias vendo o sol nascer quadrado… Isso é q é amigo, viu! Wander Frota, Fortaleza-CE – ago2007

07- Kelmerrr! Amei seu texto! E puxa vida…tava com saudades de ler suas crônicas. Marisa Vieira, Rio de Janeiro-RJ – ago2007

08- Ainda mais quando essa mulher é cearense! Aí o homem tem é que correr de medo! Bjs. Gatalôca, Rio de Janeiro-RJ – ago2007

09- Lindo, como sempre. O texto, e você, claro! Fabiana Polotto Figueira, São José do Rio Preto-SP – ago2007

10- Parabéns pelo blog, pelo belo texto e também pela sua intensidade! Gosto do jeito que vc fala do feminino… ajuda-me a fazer as pazes com a minha própria feminilidade e também com os princípios do Sol. Quando eu te dei aquele Sol e fiquei com uma Lua, eu não pensei -ao menos conscientemente- na união entre o masculino e o feminino…rsrs. Kátia, João Pessoa-PB – ago2007

11- Ricardo. Achei maravilhoso este texto que você escreveu e me tocou profundamente. Beatris Rocha, Campinas-SP – ago2007

12- A sua cronica mais linda ate hj…. Christina Alecrim, Rio de Janeiro-RJ – ago2007

13- Rapá, por causa das chatices e duns quilinhos a mais (dela e… meus tb!), eu já tava aqui na peinha de nada pra plantar a mãozada na muié — q me prometeu ser sempre linda, com aquele corpinho enxuto, como era qdo eu a conheci — qdo chegou esse seu email e me livrou de tirar umas férias vendo o sol nascer quadrado… Isso é q é amigo, viu! Desleixo é falta de amor, é o contrário ou são os dois na mesma medida, pergunto eu? Vale! Wander Nunes Frota, Fortaleza-CE – ago2007

14- tambem tenho tenho medo!! e tu?? ainda lembro quando rosalia berrava, cesarinhooooooooo pra dentro!!!cara, corria p não apanhar!! (risos) concordo com a cronica!! +, e se no àpice do sexoroller (sexo no skate) mui bom, camarada!!! ela, olha na tua cara e ordena, bate porra!! quero gozar apanhando, +, bate devagar, que fazes??? hem, hem??? (risos) César de Cesário, Campina Grande-PB – ago2007

15- Olá Ricardo…tudo em Paz? Li e amei esta cronica…afinal como não temer o que nunca se tentou aprender? Como não fugir daquilo que nunca se transparece por inteiro…que nunca se desnuda do sabor de se ver tão diferente? Parabens e bom te ler novamente…um abraço carinhoso!!!! Sandra Abou Dehn, Cuiabá -MT – ago2007

16- Olá Ricardo. tudo bem? Parabéns, adorei sua crônica, muito inteligente e profunda. Todos nos temos nosso lado feminino hibernado. Poucos são aqueles que vivem em paz. Com sua permissão vou passar essa crônica para meus amigos interautas. Obrigado pela lembrança. Abs. Liano Silva Veríssimo, Fortaleza-CE – ago2007

17- QUER CASAR COMIGO??? Isso é tudo que tenho a dizer sobre sua crônica, linda de morrer… melhor, linda de viver. Vc já leu Cartas do caminho sagrado, que fala do xamanismo e da “carta da lua” (a “função” da menstruação no “eu” da mulher)? Outro livro que eu achei interessante, cujo autor é um homem que pensa como nós, é “A corrida do membro”. Saiu no Jô, mas não lembro o nome do jornalista. Ainda não li mas deve ser interessante. Sempre me disseram que todos os homens que amei (e amo) só falta um chip para gay. Não sou chegada a aberrações psicológicas que me jogariam na parede e chamariam (se tivessem chance) de lagartixa! Tô fora! Beijim daquela que está se viciando nas suas crônicas. No meu próximo curso sobre crônica, onde quer que seja, vou apresentar à turma um autor que desmente categoriacamente essa história dos estudiosos de literatura que dizem que a crônica morreu: Ricardo Kelmer é o nome dele. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – ago2007

18- Dear Ricardo, Fico a imaginar como consegues escrever com tanta clareza sobre um assunto tao dificil pra muitos que e’ essa relacao de homem e mulher. Quase todos os meus clientes estao completamente perdidos , e’ um trabalho arduo mostrar-lhes alguma outra visao das coisas vividas por eles. Adorei o seu texto , sou sua tiete e por isso suspeita mas acredito ser Super!!! Raquel Araújo, Los Angeles-EUA – ago2007

19- Posso incluir este artigo no meu blog? http://poderosamentemulher.blogspot.com. Izilda, Salvador-BA – ago2007

20- depende kelmer , kkkkkkkkkkkkk. Alyson Amâncio, Fortaleza-CE – ago2007

21- Esse texto tá bom demais,Ricardo.Adorei! Mônica Burkle Ward, Recife-PE – ago2007

22- É as vezes tm homens que sõa muito machões mais na hora que tem que ser homem mesmo não é digo iso num termo geral. E os homens principalmente falam que nós mulheres somos frageis e é ao contrario, vcs homens que são frageis por ex: vcs não tão a luz e gera uma criança durante nove meses ae nos mulheres temos essa benção e a graça divina. Bom quero ler mais coisas que vc escreve e se quizer mandar pra mim eu leu pode ter certeza ah!! fiz um blog para colocar as minhas histórias se quizer dar uma lida e uma opinião é sempre bom saber mais. Olha o endereço do meu blog: http//amandareisgomes .arteblog.com.br. Amanda Reis, Osório-RS – ago2007

23- Oi, Ricardo… Crônica pouco poética. São Paulo, às vezes, nem é Sol nem Lua… é assim, digamos… quase sempre nublada. Será que percebes a influência na (ou falta) de poesia? Que tal escrever uma crônica biológica para “eles” informando a partir da fecundação até aquele momento em que por definição génetica os órgãos sexuais determinantes se desenvolvem e se atrofiam simultaneamente… mas, com poesia. Beijos. Marly Rodrigues, São Paulo-SP – ago2007

24- Olá Ricardo! Recebi seu e-mail com a sua crânica sobre o Medo que os homens têm das mulheres, e achei uma obra de arte, achei que você falou tudo sem fiucar cansativo e monótono… na minha humilde opinião de leitora hehe! Além de ser um assunto que me chama muita atenção, essa coisa toda do machismo que perdura até hoje em uma sociedade tão moderna como é a que vivemos, fico boquiaberta com esse tipo de coisa que ainda acontece no mundo! Não há como entender!! Eu li, e adorei seu texto, achei que não podia deixar passar em branco no meu e-mail, não resisti em responder, embora não à altura do seu texto! Achei magnífica a forma como vc trata o corpo da mulher em constante ligação com a natureza (o que não deixa de ser verdade em nada), ficou sensacional! Vc escreve por hobby ou por profissão mesmo? No mais, seguem meus singelos elogios… achei que você tem um grande futuro (se é que já não o tem)! Caso haja mais alguma coisa que tenha em mãos, mande-me, é sempre bom ler esse tipo de coisa e saber que a situação também incomoda a outrs pessoas!Abraços! Pamela Bathory, Juiz de Fora-MG – set2007

25- adorei a crônica, vc sempre escreve o que gosto de ler sou sua fa bj. Lu Resende, Fortaleza-CE – set2007

26- MOCINHO COMO VC ESCREVE GOSTOSO!!! LIVRE, LEVE E SOLTO RSRS ADOREI. E VOU REPASSAR… UM OTIMO FIM DE SEMANA BEIJO Junia Drummond, Brasília-DF – set2007

27- caraaaaaaaaa !!!!!!!!!!!!!!!!! eu não me engano. Apasar de ter conversado muito pouco com vc tive a carteza de q vc é um cara muito sensível . e esse texto so vema confirmar . beijos. Júnia Turturro, Brasília-DF – set2007

28- Crônica interessante… Vc gosta muito de falar sobre as mulheres, não? Um abraço. Fernanda da Silva Xavier, Rio de Janeiro-RJ – set2007

29- amei, obrigada ….. bjs. Marysol Rosso, Cocal do Sul-SC – set2007

30- Parabéns menino! Só quem tem sua porção feminina bem resolvida pode ser o super homem que tão bem cantou Gil. Abraço carinho procê! Regina Coeli Carvalho, Rio de Janeiro-RJ – set2007

31- Tá bom vou começar. Recém cheguei da ópera Carmem de Bizet, apresentada ao ar livre pelo bobão do Silvio Barbato… o espetáculo foi lindo, os comentários dele, absolutamente desnecessários. Mas, não é isso para agora. Uma sugestão: que tal o título ser: Medo do Homem: Mulheres. Pq o medo? o medo é o pai de todas as dores e essencialmente nasce da necessidade de proteção diante da ameaça da morte…O nascimento é, se não o primeiro, um dos mais importantes eventos ameaçadores à vida, visto q apresenta de cara o desconhecido. Ao nascer, homens e mulheres CAEM no desconhecido absoluto… entretanto, a mulher traz consigo o potencial de parir, de continuar o ciclo… o homem nasce com o vazio do sentido da existência. Será? Este medo é primitivo, e inerente ao ser humano, mas segue se desenvolvendo no macho, será? este ódio, este repúdio, esta resistência de entrega do macho – confiar… não sei, tudo isso está me ocorrendo agora… vou sentir mais um pouco depois escrevo mais. Obrigada pela oportunidade. Não houve ritual da Lua. Eu me empaturrei de macarrão e dormi. Um beijo. Suely Andrade, Brasília-DF – set2007

32- Kra, muito legal essa crônica!!! Axu muita coisa legal na mitologia pagã tb. Daniel Gargas, Fortaleza-CE – set2007

33- muito bom! pena q apenas uma parcela mínima de homens se toca disso… Luciana, São José dos Campos-SP – set2007

34- Linda, sábia e profunda sua crônica Medo de Mulher. Parabéns por mais esta pérola! Gilvanilde Oliveira Falcão, Fortaleza-CE – set2007

35- Muito bacana, primo. Parabéns ! Beijos. Virgínia Galvão, Brasília-DF – set2007

36- Olá Kelmer, Muito interessante o seu texto. A Mãe Natureza é grandiosa, mas também esconde muito tesouros. Acho que a mulher tem um pouco disso, claro, dessa coisa incomensurável que nos faz tremer nas bases. E talvez Freud quisesse também dizer que o Complexo de Édipo é, para o menino, a grande ameaça que ele precisa passar para descobrir que sua mãe é uma caverna oculta aos seus propósitos libidinais. O primeiro obstáculo que vai precisar remover sem nunca conseguir transpor o mistério, talvez por isto, como você mesmo escreve, surja o medo. É realmente surpreendente. Um grande abraço e parabéns pelo texto. Felipe Moreno, São Paulo-SP – set2007

37- Graaaaaaaaaaaaaande verdade!!! Disse tudo meu Guru!!! Marcos André Borges, Fortaleza-CE – set2007

38- Oi bom dia !!! adorei essa crônica sua, linda !! adorei o uso dos conceitos do sol e da lua , do sagrado feminino, da fertilidade !! lindo!! por isso que eu sou sua fã!! Se puder me mandar de novo mulher selvagem(que eu adoro) e estou louca pra mandar pras minhas amigas eu agradeço!! Como sempre vc é como o vinho: a cada dia que passa fica melhor !!! beijos. Josylene, São Paulo-SP – set2007

39- Oi Ricardo..obrigada por agraciarnos com estas pérolas…adorei a palestra e mais ainda, adorei saber que ainda existem homens assim…deste jeitinho…da forma que deve ser…vc percorreu o caminho p/ o feminino que existe dentro de todos os homens… Li ” Para GAIA com Amor” …adorei tb…vc pensa muito parecido comigo…só que não consigo traduzir em “letrinhas”…meus sentimentos…Bjs e até a próxima!!!!! Mônica Rivera, Brasília-DF – set2007

40- OI, Kelmer! Muito legal a cronica sobre Medo de mulher! Adorei! Fabrícia Viana, Fortaleza-CE – set2007

41- Muito bom Morga, já estou copiando e mandando pra alguém especial. Ainda n tinha lido nada de Ricardo Kelmer, fiquei encantada… Angélica Belchote Trocoli, Salvador-BA – Comun. Orkut Mulheres Repensando Conceitos – set2007

42- lindo! vai de encontro a tudo que acredito sobre a natureza da mulher. Devíamos enviar este artigo para todos os homens que conhecemos. Obrigada pela oportunidade de tomar conhecimento deste autor.Cadê o endereço do blog dele?beijo. Kátia G, Belo Horizonte-MG – Comun. Orkut Mulheres Repensando Conceitos – set2007

43- Lindo! Cris, Florianópolis-SC – Comun. Orkut Mulheres Repensando Conceitos – set2007

44- o cara é simplesmente demais cada vez que o lei ele me surpreende e anima… lindo demais Ricardo Kelmer ! Parabéns! Andréa Magnoni, São Paulo-SP – Comun. Orkut Mulheres Repensando Conceitos – set2007

45- Adorei a cronica Ricardo!!! eh a pura verdade! beijao. Carmen Rangel, Barcelona-Espanha – set2007

46- Se as mulheres ainda se sentem oprimidas e agredidas, depois de tudo o que conquistaram, é porque elas permitem, mtas vezes até escolhem. Pois, perante todos estes problemas mtas ainda insistem em igualar-se aos machos, fazendo o que eles fazem, falando como eles falam, vestindo-se como eles se vestem, brigando como eles brigam. São verdadeiros homens debaixo de belas roupas, maquiagem e salto alto. E se há sensibilidade é puramente interesseira e vítima. Giovana Milozo, São Carlos-SP – set2007

47- Você é muito talentoso e escreve muito bem. Considere isso mesmo um elogio, porque eu já li à beça e tenho faro pra essas coisas. abraço forte. Deco, Rio de Janeiro-RJ – set2007

48- Já divulguei para minha lista de amigos. abraços. Regina Coeli, Rio de Janeiro-RJ – set2007

49- Kélmer, gostei muito desse texto, parabéns!! Só você consegue nos fazer pensar em assuntos importantes de maneira irônica e divertida. Sheryda Lopes, Fortaleza-CE – set2007

50- Obrigada pelo texto com interessantes reflexões!!! Parabéns!!! Aproveito a oportunidade e compartilho com você a indicação de um livro que acabei de ler. Chama-se “A Ciranda das Mulheres Sábias”. Dê-se a oportunidade de ler este livro. É da Clarissa, mesma autora do livro “Mulheres que Correm com os Lobos”. Abraço. Iolanda Santos, Fortaleza-CE – set2007

51- Lendo seu texto, lembrei-me menininho, escondendo-me quando a prima bonitinha entrava lá em casa. Como um bichinho que se esconde do predador na mata, mas fica observando-o da penumbra, envolto naquele sentimento novo, inexplicável naquele primeiro momento, de medo e fascínio. Enquanto não aprendermos a conviver com esse sentimento, o que você tão bem descreve e ensina, estaremos sempre no meio termo entre algoz e vítima, julgando-as santas ou profanas, causadoras de nossa tragédia ou fortuna, nossa salvação ou desgraça. Por isso quando eu nasci, veio um anjo e disse: – Vai, Paulo, vai ser voyeur na vida… Paulo Marcelo, Brasília-DF – set2007

52- Ricardo, como é bom sentir vc se superar cada vez mais!Esta crônica nos anima e acalenta em um mundo tão desconectado com nossos princípios naturais. Muitos beijus das “Rosas do Cariri” para nosso cearense querido. Lisiene Bezerra, Juazeiro do Norte-CE – out2007

53- já tinha gostado do livro que me enviaste, o “Blues da vida crônica”, mas esse texto gosto de reler, principalmente nos tais meandros cíclicos em que até nós mesmas tememos o dito “feminino”, rs. Um abraço! Jamile Mileipe, Recife-PE – dez2007

54- Gostaria de lhe parabenizar pela grandiozidade dos textos que compõe o leu livro “Vocês Terráqueas”. Mas, em particular, gostaria de lhe parabenizar pela crônica “Medo de Mulher”. Poucos homens seriam tão capazes de reconhecer esse medo de forma tão explícita. Menos ainda seriam capazes de assumi-lo publicamente editando em um livro. Isso mostra, no mínimo, a segurança que você tem quanto a sua masculinidade, não tendo medo de expor o que pra muitos seria um “fraqueza”. Mostra também a cumplicidade que você tem com nós mulheres, nos orientando e esclarecendo os motivos pelos quais muitos homem não desceram da árvore. Talvez os “ETs” tenham maior domínio desse medo e por isso as mulheres brasileiras se deixam abduzir. Parabéns: pelo grande escritor, pelo grande homem e pela grande pessoa que você é. Maria do Carmo, São Paulo-SP – ago2010

55- lindo,lindo lindo…vc diz o que eu gostaria de ter dito. KELMER querido, em sua homenagem vou soltar a minha loba…rsrs mudar minha fotinha… Maria Sá Xavier, Niterói-RJ – fev2011

56- Puta merda!!!! Tão seguro da sua masculinidade foi muito profundo. Rsrsrsrsr… Rsrsrsrsrsrsr… Rsrsrsrsrs… Essa eu vou contar na próxima rodada de pôquer. Rsrsrsrsr…. Mardonio Veras, São Luís-MA – fev2011

57- Ah, vai, Mardonio, ele sabe das qualidades dele, não precisa de incentivo. Mas como lider da ALK – Associação das Leitorinhas Kelméricas, faço qualquer coisa pra ele continuar enchendo nossos olhos com suas hitórias deliciosas. Kel, bota a imaginação pra funcionar! Maria do Carmo, São Paulo-SP – ago2010

58- Lindo texto, Kelmer… Lílian Rocha, Fortaleza-CE – fev2012

59- Que texto lindo, Ricardo Kelmer! Sempre percebi esse medo dos homens em relação às mulheres. Alguns mais, outros menos. Um homem que tem medo de mulher, nunca vai amá-la plenamente, porque não se entrega, não confia, não relaxa. Amor e medo são antagônicos.Que bom que vc tocou nesse assunto, pois é a causa de muita desgraça entre homens e mulheres! Vanessa Martins de Souza, Curitiba-PR – fev2012

60- veja o exemplo na idade media, depois joana dárc… as mulheres q faziam parto, sabiam o segredo das ervas… e estoria eh lon ga… sempre o medo da caverna escura dos ancestrais… a mulhr eh yin eh ternura e força… nao devemos querer parecer homem. Dhara Bastos, Fortaleza-CE – fev2012

61- achei tão fantástico, que joguei lá no V&P, prá modo daqueles brucutos ignaros aprenderem alguma coisa… – rsrsrsrsrsrs. Eduardo Ramos, Rio de Janeiro-RJ – fev2012

62- Maravilha! Não lembro de ter lido algo tão profundo sobre nossas ‘diferenças’ (prosapoética da melhor qualidade!); grata por compartilhar, e vamos compartilhar! : ) Mônica Mello, São Paulo-SP – fev2012

63- eu li. É TDO DE BOM. Renata Regina, São Paulo-SP – fev2012

64- Parabéns pelo texto e pela sensibilidade. Mob Cranb, Campina Grande-PB – fev2012

65- Rios sinuosos que hipnotizam o olhar… Se todos fossem iguais a você,q maravilha seria. Izabel Castro, São Paulo-SP – dez2013

66- Risos…até eu tenho medo de mulher, mulher é muito perigosa, se não te pega acordado, te pega dormindo. Mas lhe vinga! Por isso, bato em homem, espanco até…mas não relo o dedo numa mulher. Regina Zamora, São Paulo-SP – dez2013

67- (…) a mulher é a natureza humanamente representada em suas curvas, saliências e reentrâncias (…) aaaaadorei Kelmer brilhante como sempre. Cynthia Martins, Fortaleza-CE – dez2013

68- Como diz um ditado antigo “Falou e disse ” ou seja falou tuuuuuuuuuuudo. Marcos Felix, Ceilândia-DF – dez2013

69- Belíssimo, Ricardão. Sergio Nogueira, Fortaleza-CE – dez2013

70- “Se elas são naturalmente iniciadas pela vida, eles não, eles precisam inventar iniciações.” Absolutamente genial!!! Meu amigo Ricardo Kelmer, apesar de eu ter ido a esse ENC, não ouvi o texto lá. Estou lendo pela primeira vez e não encontro palavras para comentá-lo. Talvez o melhor texto seu que eu já li, e com certeza está dentre os melhores sobre esse tema. Minhas reverências, meu querido! Rógeres Bessoni, Recife-PE – dez2013

71- Estupro é a prova de não saber nada sobre conquistas é uma condição de reprovar a si mesmo na condição de ser comunicável é retirar a capacidade de inteligência nas entrelinhas! Resumindo: __ FALTA DE COMPREENSÃO !!!!!!!! Hyara Ougez, São Paulo-SP – dez2013

72- Lindo texto Ricardo! O mais triste é ver mulheres negando também a sua ligação com a natureza, sentindo nojo e vergonha de seus corpos e dos seus ciclos, e colaborando para que uma visão sexista seja mantida. O machismo não tolhe apenas as mulheres, mas também os homens que passam a ter que se mutilar emocionalmente e espiritualmente para se encaixar em uma visão limitada do masculino. O masculino e o feminino são lindos, cada um da sua forma. Marina LF, Porto Alegre-RS – dez2013

73- Bravo! Reflexão consistente, sincera, densa, verdadeira, profunda, ampla, EM SINTONIA COM A REALIDADE NACIONAL. PARABÉNS!! ASSINO EMBAIXO. EM COMUNHÃO. Luca Vianni, Fortaleza-CE – dez2013

74- Gratidão Ricardo!! Sou fã de teus escritos, sabes. Clordana Aquino, Campina Grande-PB – abr2014

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Protegido: As taras de Lara – Começando por trás

28/11/2009

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Protegido: As taras de Lara – Começando por trás (VIP)

28/11/2009

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O crime

26/11/2009

26nov2009

Trago em mim a chama e o perigo. Um calor na coxa. Quer tomar alguma coisa?

O Crime 05c

O CRIME

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Você logo vai perceber que eu não sou uma pessoa fácil. Vou me virando aí pelas avenidas, mudando de pensão e ideologias conforme a luz. Gosto dos venenos lentos e das bebidas mais fortes. Converso com sapos. Ouço boleros na madrugada e caminho nu pelo quarto. E nem sempre é santa a minha ira.

Mas é que explode em mim uma liberdade que te fascina: vodcas, olheiras, buscar nos bares todos os olhares… Trago em mim a chama e o perigo. Um calor na coxa. Quer tomar alguma coisa?

Creio no fascínio, nas doentias obstinações, as paixões mais absurdas. Sou desses que carregam sempre o lado oculto de um forte desejo. Cúmplice, louco e delirante, ah, você não me conhece. O limite, o crime, o desatino! Nada que me tente tanto.

Homem de opinião e nenhum caráter. Eu uso máscaras, garota, você não vai me entender a alma. Um ator na vida, meio canalha como todos são – à luz do dia acho tudo indecente. Palavras sem pudor, essa roupa rasgada que é preciso esconder… Olha, entre meu signo e o seu há uma possibilidade de veneno. Eu sei.

Quero tudo que é estilete, faca, lâmina, metal. Quero te dar um beijo na boca ou pelo menos dormir com você. Mas percebo sua resolução de não ceder, você é uma mulher séria. Olhe que se preciso fosse, eu te mataria a sangue-frio e com cuidado… Nem tanto pelo amor, mas pelo insólito. Ai, ai, eu sempre terminarei meus filmes como o bandido. Mas é isso mesmo o que sou, uma mistura dos cheiros da festa. E foda-se se você me detesta.

Confesso que mal te conheço, mas sei muito bem das tentações dos sortilégios. Você tentará se domar, disciplinar, pensará ser mais forte que os ciclos e a força dos mistérios. Tsc, tsc… Não, garota, não se doma o mar. Então nisso é que consistirá o meu crime: você não saberá o que fazer e acabará abrindo a blusa.

Como faria qualquer mulher confusa em seu lugar.

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Ricardo Kelmer 1992 – blogdokelmer.com

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Texto compilado e adaptado de poemas do livro O Perigo do Dragão (Ed. Record, 1984), de Bruna Lombardi.

> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos, de 2003

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Dueto de poemas com Sandra Regina, no Eita Sarau, 2012

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Bruna Lombardi na Wikipedia

Página oficial de Bruna Lombardi no Facebook

Livros de Bruna Lombardi:

O Signo da Cidade, roteiro do filme (Imprensa Oficial de SP, 2008)
Meu Ódio Será Tua Herança, romance (Guanabara Koogan, 2004)
Filmes Proibidos, romance (Companhia das Letras, 1990)
Apenas Bons Amigos, infantil (Globo, 1987)
Diário do Grande Sertão, registro poético das filmagens (Record, 1986)
O Perigo do Dragão, poemas (Record, 1984)
Gaia, poemas (Codecri, 1980)
No Ritmo Dessa Festa, poemas (Editora Tres, 1976)

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LEIA NESTE BLOG

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Mulheres que adoram – Dar prazer a uma mulher. O que pode haver de mais recompensador na vida?

Insights e calcinhas – Uma calcinha rasgada pode mudar a vida de uma mulher? Ruth descobriu que sim

Kelmer Para Mulheres – Nesta seção do blog, homem fica de fora

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Nem tanto pelo amor mas pelo insólito… Legaaal… Juliana Galdino, São Paulo-SP – dez2005

02- bom texto do ricardo. ele tá se transformando num belo de um “boca maldita”! Paulo Nunes, São Paulo-SP – ago2013

03- Aplausos! Aluisio Martins, Fortaleza-CE – set2023

04- Maravilhoso!!!! Soraya Freire, Fortaleza-CE – set2023 

05- Aplausos! Marcus Dias, Fortaleza-CE – set2023

OCrime-05a


Ser mulher não é pra qualquer um

31/10/2009

31out2009

É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

BelasDaTarde-02b

SER MULHER NÃO É PRA QUALQUER UM

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Era no último dia do ano. Uns caras desciam pra avenida Beira-Mar com roupas de mulher, pra beber e jogar bola. Ideia genial, de uma só vez homenagear o melhor da vida: mulher, futebol e cerveja. Não necessariamente nessa ordem, é claro.

Avisei os amigos e em 1988 participamos da festa das bonecas da Volta da Jurema, tudo empolgado querendo ser mulher por um dia. Euzinha botei uma sainha, blusinha de alça com enchimento, meia tarrafa, uma maquiagem assim bem básica e calcei… o conga. Bicha pobre, tadinha. Nem peruca tinha. Mas descolei uma bolsa escândalo pra levar a garrafa de Ypióca. Mulher moderna é assim, pinguça e pragmática.

Meu batismo feminino foi de sangue: subi no carro, ele arrancou e saí bolando pelo asfalto, que nem tatu-bola, eu e a cachaça. Levantei zonza, procurando meu brinco, a saia toda torta, um peito no chão, a própria mulamba. Na mão, o gargalo da garrafa, tudo que restou da companheira. E no braço, hummm, um corte horrível, que me custaria doze pontos externos e oito internos. Hoje mostro a cicatriz com orgulho: Tá vendo, eu estive lá.

Aí o grupo cresceu e uma multidão ia assistir ao desfile das bonecas, uma centena de ensandecidas aprontando na Beira-Mar, desfilando em carroça de jumento, invadindo ônibus, agarrando os bofes, gritinhos, xiliques e coreografias. Um verdadeiro carnaval fora de época.

Anos depois, a festa tinha trio elétrico, axé music, muita bicha legítima e político querendo aparecer, ô racinha… Criamos então, em 93, um bloco dissidente: As Belas da Tarde. E elegemos como paraninfa Catherine Deneuve, claro. Ela foi convidada, mas seus compromissos não permitiram, tudo bem. Passamos a desfilar no pré-carnaval e a cada ano escolhíamos a Bela Rainha, que botava a faixa e abria o desfile, glória máxima na vida de uma Bela. Nosso ritual era sagrado: concentração ao meio-dia, modelitos-arraso, batons, brilhos e, por favor, qualquer coisa pra beber, o que é isso, licor de ovos, serve. As amigas e namoradas ajudavam na produção, lutando pelo título de Bela Madrinha. Diferente desses blocos onde os caras botam um limão no sutian e se acham mulher, a gente fazia questão de ficar bonita. Pra entrar no bloco tinha que ser convidada, isso mesmo, era coisa séria. Afinal ser mulher não é pra qualquer um.

É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro. Quarenta belas, uma parte já totalmente alucinada e a outra já clinicamente morta. O trenzinho percorre faceiro as avenidas ao som de Frenéticas, Xuxa e Ney Matogrosso, e quem está na rua corre pra não ser violentado pelo bando de taradas. As tevês cobrem a pouca-vergonha: “Estamos aqui na avenida Abolição e o trânsito está um caos, os policiais são impotentes diante do furor uterino das belas enlouquecidas!” A passagem pela Beira-Mar é apoteótica, e as Belas invadem os hotéis gritando “Ar-ren-ti-nos! Ar-ren-ti-nos!” Os gerentes ficam em estado de choque. Os seguranças tentam barrar a turba, mas, você sabe, é impossível deter um magote de bonecas bárbaras, tudo doida pra sentar no colo do gringo, tomar o uísque dele e detonar a lagosta.

BelasDaTarde-1993-03bUma vez, pegaram um banhista e levaram a sunga dele, deixaram o coitado pelado no meio do calçadão. Ninfômanas! Outra vez, o bloco invadiu o Náutico, interrompeu o jogo de tênis e levou as bolas. Vândalas! A outra desmiolada, debutando no bloco com seus primaveris 16 anos, bicha linda mas inexperiente na vidaloca, saltou de bico na piscina sem perceber que tinha apenas meio metro de fundo: foi direto pro hospital com a testa aberta, bem feito, quem manda dar desgosto à família! E a outra que caiu do trenzinho? Foi salva da morte pelo pai que levou a filha transviada pra farmácia, e enquanto ele comprava soro fisiológico, não é que a condenada se apaixona por um creme de queratina e cai por cima da prateleira, derrubando tudo? Ô mulherzinha, deixa de ser desgovernada! E você não vai crer, mas teve um ano que uma Bela absolutamente sem juízo pegou no pingolim do soldado, acredita? Pois foi. Enquanto o soldado corria atrás dela, a Bela gritava: Mal-agradecido, não te chupo mais! Que coisa. Botavam o quê na bebida dessas moças?

No fim do percurso, a gente contabilizava as sobreviventes. E os namoros que restavam. Algumas Belas iam tomar glicose, outras esticavam a noite, insaciáveis. Mas a maioria não sabia mais nem em que ano estava. Uma vez, no dia seguinte, encontraram uma Bela semimorta no jardim de uma casa, ô vontade de ser uma orquídea… Outras conseguiam a incrível façanha de arrumar namorada, isso mesmo, namorada, vestido de quenga, a peruca parecendo um guaxinim molhado, o rímel escorrendo, aquele lastimável estado de embriaguez. É, tem gosto pra tudo. Pensando bem, nossas amigas mulheres eram mesmo sabidas: se aproveitavam da confusão pra fisgar aquele gatinho que nunca dava bola pra elas.

Em 96, o bloco desfilava pela Praia de Iracema, seguindo a bandinha de metais. Ao passar pela igrejinha, na hora da missa, as Belas, mui beatas e respeitosas, suspenderam a música, caminhando em silêncio. Uma até baixou o vestido, escondendo a peruca chanel que levava na parte da frente da calcinha. Porém… uma Bela isprito-de-porco não resistiu e soltou o refrão: “Na casa do Senhor não existe Satanás!” Pronto, as outras acompanharam, “Xô, Satanás, xô, Satanás”, a bandinha se animou, a festa voltou e os fiéis, apavorados, saíram correndo da igreja pensando que o próprio demo chegava com sua horda de dementes. Um ano depois, o Tribunal do Santo Ofício excomungaria todas as Belas, bem feito. Com exceção de uma que se arrependeu da vida pecaminosa e virou Carmelita.

A essa altura, o bloco já estava em franca decadência, as Belas todas velhas, barrigudas, cheias de pelanca. A época áurea dos corpinhos malhados havia passado e já tinha Bela pai de família levando os filhos pro desfile. Hummm, melhor parar. E assim as Belas da Tarde desceram a cortina, encerrando sua vistosa história de purpurina e alegria. Mas tem muito marmanjo aí que, por via das dúvidas, ainda guarda a meia arrastão no fundo da gaveta – eu, por exemplo. Sei lá, vai que um dia bate assim um revival. Já estamos excomungadas mesmo…
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Ricardo Kelmer 2005  – blogdokelmer.com

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Foto 1: Concentração no bar Suspeito, do lendário Carlinhos Papai, 1993. Valmir Jr (Bela Rainha 1993 com o modelito A Perestroika da Fanta Uva), RK (Angelly Cabrita) e Rian Batista (Inês Fiúza Cover). A repórter é Selma Vidal.

Foto 2: Concentração no bar Suspeito, 1993. Valmir Jr, André Barbacena (A Filha de Glorinha) e RK.

Foto 3: O famigerado trenzinho, 1990. RK, Fred Schlaepffer (de biquinho), Emílio Schlaepffer (a bicha galinha), Marcio Régis (a bicha bêba), Nelsinho Machado (bicha séria), Vicente Vieira (bichinha de óculos) e Fábio Fabão (bicha toda-toda). A bela de chapéu, afff, até hoje não sei quem é esta criatura risonha. Será o Beká?

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FOTOS
(clique para ampliar)

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foto 4

O primeiro ano da putaria organizada, ainda Bonecas da Volta. Concentração, esperando o trenzinho chegar (1989)

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foto 5Concentração. Dr. Galvão à esquerda, um entusiasta incentivador da bicholice alheia (1989)

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foto 6Tá no DNA. Família Vieira bem representada: Paula Dark, Vicentina e Marcela, a bicha debutante – que duas horas depois saltaria de cabeça na piscina infantil do Náutico (que tem meio metro de fundura) e terminaria seu debut no hospital (1989)

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foto 7Fredulina e Emília, as bichas arreganhadas (1989)

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foto 8Abalando a Beira-Mar em chamas. Emília toda linda no trenzinho e Vicentina arreganhando a perereca. E a bicha Ricardina de sainha de bolinha, tão meiga (1989)

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foto 9
Pirâmide Purpurina. As bichas manifestando toda a sua classe e doçura no calçadão da Volta da Jurema (1989)

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1993 – Concentração no bar Suspeito, do lendário Carlinhos Papai

foto 10André Barbacena (A Filha de Glorinha), Valmir Jr (A Perestroika da Fanta Uva) e Carlinhos Papai sentindo algo estranho na retaguarda (1993)

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foto 11RK (Angelly Cabrita) com a maquiagem ainda funcionando (1993)

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foto 12

RK1993Belas1Angelly Cabrita e as pernas que um dia abalaram a Volta da Jurema (1993)

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foto 13Invasão do Imperial Othon Hotel. Da esq. p/ dir.: Marcus Lima, Zá, ?, Pedro Neto, André Barbacena, ?, Rian Batista, RK, ?, Henrique Baima, Leão, Rossé Sabadia, Vicente Vieira e Humberto Pinho. Atrás, os turistas sem acreditar (1993)

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foto 14Invasão do Imperial Othon Hotel. Belas saudando Yemanjá. Um bando de bichas embriagadas dançando num pedacim de muro, como é que ninguém nunca despencou dali de cima? Milagre de São Sebastião Flechado (1993)

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foto 15Invasão do Imperial Othon Hotel. Em primeiro plano, RK (Angelly Cabrita) segura a peruca enquanto comanda a retirada. À esquerda, Humberto Pinho (Sherazeda) levando o uísque que roubou da mesa de um hóspede. Bem atrás da garotinha aterrorizada, Marcus Braga encarna uma madame levando na coleira seu lindo poodle imaginário. E à direita, Luís Sabadia com a cerveja que ganhou de um turista alemão que se apaixonou por ele – esses gringos têm um mau gosto… (1993)

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1994 – Concentração na casa do Humberto

Em 1994, as Belas mais uma vez deram o ar da graça. A concentração foi na casa do Humberto Pinho. Reza a lenda que no outro dia, de manhã, a mãe dele foi no jardim e encontrou dormindo entre as plantas uma bela vestida de chapeuzinho vermelho, semimorta: era o Pedro Rogério, coitado, que bebeu tanto na concentração que sequer conseguiu sair no trenzinho pro desfile.

foto 16Paulo Marcio (A Noiva do Chuck), Nelsinho Machado tendo um chilique, Vicente Vieira (Bonequinha de Luxo) e Sean (Oncinha Irlandesa) adorando o fon-fon em seu peitinho (1994)

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foto 17Valmir Jr todo orgulhoso com sua faixa de Bela Rainha 1993, Vicente Vieira (Madame Vicentina) e Tibico Brasil (Ânus Dourado) (1994)

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foto 18A da esquerda é o Gaúcho, a bicha la playa. A do meio é o Claudio Vignoli, futura bela pizzaiola. E a bela vitaminada da direita é o Fred Schlaepfer. Ao fundo, Romeu Duarte doido pra assumir e Chiquinho Aragão se embriagando pra tomar coragem (1994)

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foto 19João Netto (antes de virar servo do Senhor, claro) encarnando A Viúva do Xinim Carecido, ao lado de Humberto Pinho,  A Louca do Cemitério (1994)

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foto 20Wilsinho Pinto (Afrodite Pokemon) toda meiga no trenzinho (1994)

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foto 21Celsinho Rocha e sua Radical Chota (1994)

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foto 22Sean, a Oncinha Irlandesa, achando o Brasil uma coisa assim muito exótica (1994)

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foto 23Vicente Vieira, Valmir Jr e Paulo Marcio, a Nojenta do Hospício (1994)

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foto 24Nelsinho Machado em seu glorioso momento de concentração. Tem que raspar esse sovaco, viu, mizifia? (1994)

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foto 25Volta da Jurema dominada (1994)

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foto 26A Noiva do Chuck e Madame Vicentina, irmãs unidas pela causa bicholítica (1994)

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Você tem fotos das Belas? Manda que eu publico

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LEIA NESTE BLOG

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COMENTÁRIOS
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01- Lonner, lembra que eu tenho MUITAS fotos das Belas da Tarde… Se eu abrir o baú, serei uma mulher morta! Carmem Távora, Brasília-DF – jan2011

02- Loucas eram as mulheres que aceitavam namorar esses caras! Fazer o que? Tem gosto pra tudo, kkkkkkkk – Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – jan2011

03- Kelmer eu li o texto no Vocês, terráqueas e morri de rir e de cuiriosidade de ver vcs pagando essemico! amei! vc fica ‘deliciosA! kkkkk. beijão! Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – jan2011

04- A Rosane pediu prá dizer que se ela fosse homem,ela pegaria a loira.rs. Bia Rocha, São Paulo-SP – jan2011

05- Kelmer, adoooro essa sua obseção (ou será obceção, ou obcessão?) pelas mulheres. Vc curte todas, as livres, as loucas, e ate as falsas. bjo, saudade. Renata Regina, São Paulo-SP – jan2011

06- Meu Deus, quando lembro dessas coisas, me pergunto como foi que a gente sobreviveu, kkkk! Putz, Ricardo, está muito boa essa crônica! Claro que ela tem um lado especial para mim, pois vivenciei tudo isso. Mas, procurando me abstrair da minha participação disso tudo, ficou bem escrito e interessante de se ler. Um registro digno de um tempo bom! Vou mostrar para a Synthia, quero ver a cara dela, hahaha! Aquele abraço, meu amigo, e obrigado pela lembrança! Antonio Martins, Maceió-AL – mai2012

07- Texto adorável!!!!E não desgrudo dessa palavra(adorei,vicio já)..kkkKK..Mas não acho nenhuma melhor pra dfinir..adorei as fotoss!!!kkkkkkkkkkkkkk…Bora ser feliz!!! Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – nov2013

08- Ricardo Kelmer de peruca loira, arrasO! Uma cabarete e tanto! Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – nov2013

09- o chico cesar é cirúrgico….afirma -“já fui mulher, eu sei,” mas , depois , mostrou admiração pelo caeteno “tan5as almas esticadas no curtume”…e mais adiante exigiu_”respeitem, pelo menos os meus cabelos.BRANCOS”. Stefenson Pinheiro, Fortaleza-CE – nov2013

10- Cadê a Dilma Bulhões que não tá aí? #Escândalo. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – nov2013

11- Muito massa esse artigo do Ricardo Kelmer! Quem não lembra das Bonecas da Volta? Acho que aquele de chapéu é o Carlo Romero. Ricardo Campos, Fortaleza-CE – nov2013

12- Olha isso Marina Sabino como eu já andava mal acompanhado. Alberto Perdigão, nov2013 – Fortaleza-CE

13- As Belas da Tarde. Ricardo que legal meu irmao. Show de bola. Celso Rocha, Jericoacoara-CE – nov2013

14- Você ficou muito bem Ricardo Kelmer….Deve ter sido uma época maravilhosa… Raquel Maria, Maranguape-CE – nov2013

15- Euzinha Alberto .Acompanhei por várias anos as belas.Era a repórter oficial da TV Manchete.kkkk. Selma Vidal, Fortaleza-CE – dez2013

16- O que acho o máximo na foto das 3 belas é o biquinho da toda cheia de charme loiríssima! Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – dez2013

17- Que pitéuzinho! Luc Lic, São Paulo-SP – dez2013

18- Saudade deste tempo muito assisti este desfile.TDB meu amigo. Cearucha Míriam Costa, Porto Alegre-RS – dez2013

19- podia ter de novo, viu? Juliana Melo, Fortaleza-CE – dez2013

20- Ri muito, bandidaaaa! Heraldo Goez, São Paulo-SP – dez2013

21- Gostei não..adoreiiii!!kkk..seu bom humor,sua mente livre..seus escritos..adoroooo!!!Mas ja´fico sem graça de falar toda hora que “adoreiii”””…kkkkk..bom domingo querido amigo!!!! Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – nov2013

22- Essa crônica é show.Sempre bom relê-la! Monica Bürkle, Recife-PE – dez2013

23- Bom demais!! Cris Boscarato, São Pauço-SP – dez2013

24- Amei! Adorei as fotos. Se não fossem as legendas não te reconheceria Ricardo Kelmer. Selma Vidal, Fortaleza-CE – abr2019

SerMulherNaoEPraQualquerUm-01a

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Em busca da mulher selvagem

19/10/2009

19out2009

Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser, e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

EM BUSCA DA MULHER SELVAGEM
Ou: Homens que correm com elas

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Em minha vida, sempre me atraíram mulheres de iniciativa. Desde menino, elas me fascinaram, as desafiadoras da cultura machista, as que recusavam o modelito cristão de mulher virtuosa. Desde cedo, foi para elas o meu olhar, as que se rebelavam contra regras sociais idiotas, convenções sexuais sem sentido, modelos de relação baseados na posse do outro e tudo que queria a mulher submissa e sob controle. Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser, e não a mulher que família, religião e sociedade impunham que ela fosse.

Mas me faltava a exata consciência disso. Eu queria uma mulher liberta, sim, mas não sabia que queria.

Então, li Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. E tudo fez sentido. Lá estava o que eu intuía sobre a mulher e a relação entre os gêneros, mas ainda não sabia verbalizar. O livro me veio quando eu já lidava melhor com meus aspectos femininos e, por isso, me identifiquei profundamente com ele e com a histórica questão da domesticação da mulher.

Por meio de mitos e lendas coletados pelo mundo, a autora mostra como sobreviveu, mesmo escondida sob muitas formas simbólicas, o arquétipo do feminino selvagem, o modelo da mulher conectada com os ritmos e valores da Natureza e de sua própria natureza, o modelo da mulher livre. Um belo livro, que tem ajudado muitas mulheres a resgatar o que séculos de repressão lhes usurparam: o direito de serem o que quiserem. Um livro que fala essencialmente do feminino, mas também fala de homens e deveria ser lido por todos.

Esse livro me fez entender o que eu apenas intuía: a mulher da minha vida é e sempre foi a mulher livre. E que foi essa mulher que, mesmo sem saber, eu sempre busquei em minhas relações, ainda que às vezes a temesse. E que foi por ela que a muitas eu deixei, ao perceber, mesmo sem saber explicar, que eu jamais poderia ser totalmente eu ao lado de uma mulher domesticada.

Mas como aceitar e amar essa mulher liberta sem, antes, eu mesmo me libertar do que também me limitava? Para merecê-la, era preciso me livrar de qualquer pretensão de controlá-la, esse resquício maldito de minha herança cultural-religiosa.

A ficha caiu após ler o livro de Clarissa. Ele me ajudou a assimilar o feminino em meu ser e foi exatamente isso que me fez deixar de temê-lo, me fez mais selvagem no sentido psicológico-arquetípico, me fez mais livre. O efeito prático disso tudo é que eu finalmente me abri para relações mais igualitárias e, principalmente, para receber a mulher livre que eu tanto procurava em minhas relações. Primeiro, eu a libertei em mim. Aí ela veio de fato, enfim ela pôde vir. Veio linda, plena e radiante, e eu vi em seus olhos o reflexo dela própria em mim. E desde então continua vindo, e eu e ela somos lobos que cruzam florestas, atraindo-se pela fome louca que temos um do outro.

E eu sei que ela sempre virá. Pois esse amor que trazemos em nós, incompreendido por simplesmente não erguer cercas de posse e jaulas de controle, é o amor que aprendemos a respeitar em nossa própria natureza e que nos alimenta de alegria e liberdade a alma selvagem.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido

LIVROS

vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
Ricardo Kelmer – contos e crônicas

Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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en español

EN BÚSQUEDA DE LA MUJER SALVAJE
Ricardo Kelmer

EmBuscaDaMulherSelvagem-02base1aFue Marilia quien me prestó ese libro en el 2002, cuando yo ya andaba con curiosidad por leerlo. Después Rafaela me lo regaló. Y después conseguí la versión digital. O sea, ese libro quería que yo lo leyera, y fueron las mujeres quienes me lo trajeron. Lo leí y me encantó. En las páginas de Mujeres que Corren con Lobos estaba lo que yo intuía sobre las mujeres y la relación entre los géneros, pero que aún no sabía verbalizar. Leí el libro en una etapa de mi vida en la cual yo lidiaba mejor con mis aspectos femeninos, y por eso me identifiqué profundamente con él y con el tema histórico de la domesticación de la mujer.

Terminé la lectura sintiendo en mi alma una avalancha de ideas y sensaciones, y sintiendo también que llevaría un buen tiempo hasta que todo aquello asentase y yo consiguiera organizar mis pensamientos y reagrupar las verdades que, aunque no eran tan nuevas para mí, ahora eran evidentemente claras. Usando mitos y leyendas recolectados en varias partes del mundo, la autora muestra como sobrevivió, escondido bajo muchas formas simbólicas, el arquetipo del femenino salvaje, el modelo de la mujer conectada con los ritmos y valores de la naturaleza y de su propia naturaleza, el modelo de la mujer libre. Un libro bellísimo que ha ayudado a muchas mujeres a rescatar lo que siglos de represión les usurparon: el derecho de ser lo que quisieran. Un libro que habla esencialmente del femenino, pero también habla de los hombres y debería ser leído por ellos igualmente.

A mí, el libro de Clarissa me hizo especialmente entender que, en mi vida, desde temprano, me fascinó el arquetipo del femenino salvaje. A causa de eso siempre me atraían las mujeres con iniciativa, las desafiadoras de la cultura machista y las que rehusaban el modelito cristiano de mujer virtuosa, las que se rebelaban contra las normas sociales idiotas, convenciones sexuales sin sentido, modelos de relación basados en poseer al otro y todo lo que hacía mantener a la mujer sometida y bajo control. Era por ella que yo siempre me enamoraba, por esa mujer que era quien ella misma deseaba ser y no la mujer que la familia, religión o sociedad imponían que ella fuera.

Ese libro me trajo una de las más importantes revelaciones que he tenido, que la mujer de mi vida es y siempre será una sola: una mujer libre. Y que fue esa mujer, aún sin saberlo, la que yo siempre busqué en mis relaciones, aunque la temiera. Y que fué por ella que abandoné a muchas mujeres al intuir, sin saber explicar, porque yo jamás podría convivir al lado de una mujer domesticada.

Sin embargo, ¿cómo aceptar y amar a esa mujer libre sin liberarme antes yo mismo de lo que también me limitaba? Para merecerla, yo también necesitaba liberarme de cualquier pretensión de controlarla, de ese resquicio maldito de mi herencia cultural y religiosa.

Tomé consciência después de leer Mujeres que Corren con Lobos: ese libro me ayudó a asimilar la parte femenina de mi ser, y fue exactamente eso lo que me hizo dejar de temerlo, me hizo más salvaje en el sentido de los arquetipos psicológicos, me hizo más libre. El efecto práctico es que ahora finalmente estoy abierto para relaciones más igualitarias y principalmente para recibir a la mujer libre que tanto buscaba en mis relaciones. Entonces ella vino, al fin pudo venir. Vino hermosa, plena y radiante, y vi en sus ojos el reflejo de sí misma en mí. Y desde entonces sigue llegando, y ella y yo somos lobos que cruzan bosques atraídos por el hambre salvaje que tenemos el uno del otro.

Y sé que ella siempre va a venir, porque este amor que llevamos en nosotros, por lo general incomprendido por no tener alambrados de posesión y jaulas de control, es el amor que aprende a respetar a nuestra propia naturaleza, y que nos alimenta con alegría y libertad el alma salvaje.

(Traducción: Silvia Polo. Revisón: Felipe Ubrer)

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Não tenho a menor dúvida, RK, que é pelas mulheres Lilith – mulheres serpentes, que tu é fascinado e arriadinho. Tua alma é Lilithiana, criatura de Deus e do Diabo, de Abraxas!!!! Tava com saudade de tu. Rauariú, sacerdote do Grande Mistério Andrógino? Onde mora o perigo, querido, também mora a salvação, a conjunção. Pat Maria, Salvador-BA – out2009

02- Gostei do que vc escreveu. Ando relendo de novo o livro e vejo quantas coisas se assemelham a mim. Parabens. Um abraço. Christina Costa, Brasília-DF – out2009

03- Li há pouco tempo a biografia de Leyla Diniz.Essa sim é a personificação do feminino selvagem. Bjs. Mônica Burkleward, Recife-PE – out2009

04- Nossa adorei o trecho. Síntese do que venho exercitando na minha vida. Jamille Abdalah, São Paulo-SP – out2009

05- Grande Kelmer, você, como sempre, produzindo textos bacanas e bem bolados. Esse do feminino, então, show de bola, a foto foi por demais bem feita. parabéns!!! Forte abraço. Luís Olímpio Ferraz Melo, Fortaleza-CE – out2009

06- Kelmer, vou correndo ler o livro Mulheres que correm com os lobos. Essa mulher, livre, que dá banana pro machismo, que vive plenamente todos os prazeres hedonistas que lhe interessam, que toma iniciativa (mesmo sabendo do preço que paga por isso), essa mulher, sou eu! Beijão e.. valeu o toque. Vou xeretar teu blog pra saber mais. Meire Viana, Fortaleza-CE – out2009

07- Meninas, vale entrar no blog e dar uma conferida… Beijos. Ana Zanelli, Rio de Janeiro-RJ – out2009

08- Kelmer, até que enfim um homem entendeu o livro da Clarisse… (!) Claudia Santiago de Abreu, Rio de Janeiro-RJ – out2009

09- Que crônica ótima,gostei,só nÂo sei se me encaixo ‘100% nesse modelo de MULHER SELVAGEM viu. bjo parabéns pelo o trabalho fantástico. Eunyce Fragoso, Campina Grande-PB – out2009

10- Ei amigo,que bom que você descobriu as mulheres que correm com lobos… Que elas sempre estejam presentes no seu mundo! Se cuida tá! Lua, Fortaleza-CE – out2009

11- vc é especial, realmente quer e gosta de conhecer a alma feminina. faz de um tudo para compreender!!! Uma tarefa um tanto complicada,,,, Haja paciência!!! rs. Vânia Farah, São Paulo-SP – out2009

12- Quem tem medo da mulher livre?? O homem preso, oras (risos) Beijos ternurentos Tô adorando o livro…pena estar na correria e estar com tempo reduzido a zero…. mas logo termino… Beijos, outros. Clau Assi, São Paulo-SP – out2009

13– Ricardo, eu sou tua fã demais!!!! Vc é http://www.tudodebom.com.br/quehomeéesse!!!!! O sonho de consumo de toda mulher selvagem, incluindo eu mesma, claro! Bjs;. Karla K, Fortaleza-CE – out2009

14- Hoje tive oportunidade de entrar no seu blog, por indicação de uma amiga. Fizemos parte de um grupo de vivências apoiadas na leitura do Mulheres que correm com lobos e ela me recomendou a leitura da sua crônica Em busca da mulher selvagem. Fiquei encantada. Acabei lendo também os contos As fogueiras de Beltrane, que amei, Um ano na seca e a crônica Homens perfeitos também alopram. Interessante como você circula com competência rara entre o sagrado/mítico/profano/humor… Será com prazer que voltarei à sua página. Parabéns belos belos textos e por suas múltiplas artes. Elvira, Brasília-DF – out2009

15- Adoro esse teu texto. Um bj e saudades. Ana Cristina Souto, Fortaleza-CE – jan2011

16 – Adorei seu texto… amei.. ahahha. Della Kopf, Fortaleza-CE – jan2011

17- Eita que coincidencia nao existe! Peguei mulheres que correm com os lobos para re-ler ONTEM e vi o seu post hoje. ‘A selvagem’ esta no ar… Marília Bezerra, Nova York-EUA – jan2011

18- adoro mulheres q correm com lobos! a minha está resgatando…. Maria Sá Xavier, Niterói-RJ – jan2011

19- Parabéns pela resenha! Muito bem produzia! Tecendo um pequeno comentário sobre a obra eu diria que de fato, Clarissa consegue em “Mulheres que correm com os lobos”, retratar aspectos do ser mulher, em seu sentido – eu diria mais primitivo do SER, antes de tudo do ser humana, em sua forma primeira, inacabada e cheia de conflitos, de forma rica, cativante e única. Uma boa leitura para quem quer se descobrir mulher ou mesmo se redescobrir enquanto tal. PARABÉNS! Alda Batista, Mossoró-RN – ago2011

20- Uiiiii, isto é forte, grande lobo!!! Muito bom!!! Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – jan2013

21- Também estou lendo esse livro! Amando! Dri Flores, São Paulo-SP – jan2013

22- Um dia vou criar coragem e ler esse livro 🙂 Chacomcreme, São Paulo-SP – jun2013

23- Amei sua resenha. Tenho o livro já faz 3 anos. Preciso começar a leitura. Mais uma vez, parabéns pela resenha. Greice Araras-SP – jul2013

24- Um dia vou criar coragem e ler esse livro 🙂 Chacomcreme (skoob.com.br), São Paulo-SP – jun2013

25- Amei sua resenha. Tenho o livro já faz 3 anos. Preciso começar a leitura. Mais uma vez, parabéns pela resenha. Greice (skoob.com.br), Araras-SP – jul2013

26- Parabéns pela resenha! Muito bem produzia! Tecendo um pequeno comentário sobre a obra eu diria que de fato, Clarissa consegue em “Mulheres que correm com os lobos”, retratar aspectos do ser mulher, em seu sentido – eu diria mais primitivo do SER, antes de tudo do ser humana, em sua forma primeira, inacabada e cheia de conflitos, de forma rica, cativante e única. Uma boa leitura para quem quer se descobrir mulher ou mesmo se redescobrir enquanto tal. PARABÉNS! Alda (skoob.com.br), Mossoró-RN – mai2014

27- Amei seu comentário sobre a visão a respeito não somente dessa obra,mas a sua sensibilidade perceptíva da sociedade.e te digo pensamos iguais sério.em relação com os dois universos feminino e masculino devem ter respeito antes de tudo. Barbie Wolf (skoob.com.br), São Paulo-SP – set2020

28- sério, esse foi a melhor resenha referente à está obra que já li.Concordo com tudo que foi escrito. Aline (skoob.com.br), Recife-PE – out2020

29- Cara, nem li o livro, mas depois dessa resenha, serei obrigada a ler. Monique Costa (skoob.com.br), São Luís-MA – dez2020

30- Obrigada por ter escrito essa resenha… enxe a alma de esperança e a certeza de q nada esta perdido. O livro é explendido, estou terminando, e cada página é uma lição e força para continuar a busca da Mulher Selvagem adormecida. Renata Prandini (skoob.com.br), São Paulo-SP – jan2021

31- Comentário sensacional. Fabrícia Leal (skoob.com.br), Teresina-PI – jan2021

32- apenas uma palavra descreve essa resenha: “uau”. Nathalia Nadesko (skoob.com.br), Brasília-DF – mar2021

33- Que resenha mais linda e recheada de emoção e compreensão do universo feminino. Estou começando o livro agora e a sua resenha me encheu de energia… Muito obrigada !!🙏 Tati (skoob.com.br), Vinhedo-SP – abr2021

34- No Tantra, chamamos de “masculino curado”, quando o homem reverencia o feminino em pé de igualdade, respeito e amorosidade. Miguel Costa, Rio de Janeiro-RJ – jul2021

35- Show. Clea Fragoso, Fortaleza-CE – jul2021

36- Para encontrar precisa ter certeza…jamais será o mesmo..! Lucivanea De Souza Borges, Beberibe-CE – jul2021

37- Adoro esse livro. Luiza Perdigão, Fortaleza-CE – jul2021

38- Amo esse livro, transformador. Valéria Rosa Pinto, Rio de Janeiro-RJ – jul2021

39- Próxima leitura. Francisco Antonio Mota, Fortaleza-CE – jul2021

40- Ahh que maravilhosa!! Esse livro é incrível, Ricardo. Vc é o primeiro homem que sei que o leu. Ahh como seria bom se tantos mais o lessem. Vc certamente é um Manawe. Obrigada pela partilha de sua experiência com a Mulher Selvagem! Aline Matias, Fortaleza-CE – jul2021


Mulheres que correm com os lobos

17/10/2009

LivroMulheresQueCorremComOsLobos-01Mulheres que correm com os lobos
Clarissa Pinkola Estés (Editora Rocco)
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Os lobos foram pintados com um pincel negro nos contos de fada e até hoje assustam meninas indefesas. Mas nem sempre eles foram vistos como criaturas terríveis e violentas. Na Grécia antiga e em Roma, o animal era o consorte de Artemis, a caçadora, e carinhosamente amamentava os heróis. A analista junguiana Clarissa Pinkola Estés acredita que na nossa sociedade as mulheres vêm sendo tratadas de uma forma semelhante. Ao investigar o esmagamento da natureza instintiva feminina, Clarissa descobriu a chave da sensação de impotência da mulher moderna. Seu livro, Mulheres que Correm com os Lobos, ficou durante um ano na lista de mais vendidos nos Estados Unidos.

Abordando 19 mitos, lendas e contos de fada, como a história do patinho feio e do Barba-Azul, Estés mostra como a natureza instintiva da mulher foi sendo domesticada ao longo dos tempos, num processo que punia todas aquelas que se rebelavam. Segundo a analista, a exemplo das florestas virgens e dos animais silvestres, os instintos foram devastados e os ciclos naturais femininos transformados à força em ritmos artificiais para agradar aos outros. Mas sua energia vital, segundo ela, pode ser restaurada por escavações “psíquico-arqueológicas” nas ruínas do mundo subterrâneo. Até o ponto em que, emergindo das grossas camadas de condicionamento cultural, apareça a corajosa loba que vive em cada mulher.

(Sinopse extraída do site da Editora Rocco)

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RK COMENTA
trecho da crônica Em busca da mulher selvagem

Então, li Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. E tudo fez sentido. Lá estava o que eu intuía sobre a mulher e a relação entre os gêneros, mas ainda não sabia verbalizar. O livro me veio quando eu já lidava melhor com meus aspectos femininos e, por isso, me identifiquei profundamente com ele e com a histórica questão da domesticação da mulher.

Por meio de mitos e lendas coletados pelo mundo, a autora mostra como sobreviveu, mesmo escondida sob muitas formas simbólicas, o arquétipo do feminino selvagem, o modelo da mulher conectada com os ritmos e valores da Natureza e de sua própria natureza, o modelo da mulher livre. Um belo livro, que tem ajudado muitas mulheres a resgatar o que séculos de repressão lhes usurparam: o direito de serem o que quiserem. Um livro que fala essencialmente do feminino, mas também fala de homens, e deveria ser lido pelos dois. (RK 2009)
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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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> Para ler na íntegra a crônica Em busca da mulher selvagem

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Este e outros textos
integram o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-06O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

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MAIS SOBRE LIBERDADE E O FEMININO SELVAGEM

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade, mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido

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LIVROS

vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Contos e crônicas sobre a mulher (Ricardo Kelmer, 1998)

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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COMENTÁRIOS
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Dois morros

01/10/2009

01out2009

Quando o seio dela finalmente surgiu, meio à mostra na blusa entreaberta, minha mão vacilou. Ela então disse: Fecha os olhos

DoisMorros-04

DOIS MORROS

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Minha mão vacilou quando o seio dela surgiu, meio à mostra… Não, não, melhor começar pelo morro, o outro. Vamos lá. No início, era o simples, o natural. Não era chique nem tinha futuro. No alto do morro, só umas casinhas pequenas e um espaço de grama e areia, uns arbustos, um pé de pau acolá. Era 1984 e eu garoto fuçador de recantos descobria o mirante natural do Morro Santa Terezinha, e subia lá para tocar violão com os amigos, luarada, namorar, fogueirinha de papel…

A gente sentava na grama, o litrão de rum no centro da roda. Os namorados iam para o carro, mais afastado, economizar o motel. Quem se apertava, fazia xixi na ribanceira. Ir aonde ninguém havia ido, era excitante. Sem medo de assalto, sem pensar no tempo, a vida era agora.

Um dia, agora sim, um dia os seios dela surgiram. Aonde você tá me levando?, Isabella perguntou, provocante. O fusca véi subia o morro, se peidando todo, serpenteando pelas ruazinhas, as casinhas simples, o povo na calçada, o charme suburbano. Pro céu, minha linda… Não, falei isso não, só tive vontade. Mas na última curva, pedi: Fecha o olho. Quando ela abriu, era o postal noturno da cidade, em cima o céu piscante de estrelas, e lá embaixo os prédios, as luzes, o neon dos letreiros coloridos. Ela boba: Como você descobriu isso? Eu mais bobo: E você, como eu descobri você?

Aí a tiazinha botou umas cervejas na geladeira de sua casinha, uns refrigerantes. A gente ia lá no portão e batia palma. Ela levantava do sofá onde via tevê e, sonolenta, trazia uma cerva e uns copinhos. Quanto é, tia? É só tanto. Tem mais gelada não? Tem não, meu fi, a geladeira tá desmantelada. A gente pagava e ela dizia: Pode deixar os cascos lá que depois eu pego. E aconselhava as meninas: Quando vier de novo, traz um agasalho, mode o vento frio.

Um dia, a cerveja veio com isopor. Estava melhorando. Outra noite cheguei lá e tomei um susto: a tia espalhara umas mesinhas, umas cadeiras de reclinar. Mode as menina não sujar o vestido, né, meu fi? Aí o vizinho começou a vender cerveja também. Já dava para escolher se ficava na tia ou no tio. Depois já dava para tomar caipirinha, beliscar um peixinho frito com tomate e cebola. O movimento aumentou e a filharada da tia veio ajudar. O mirante lotava, às vezes nem lugar para sentar, um imenso bar ao ar livre, gente interessante, sempre aparecia um violão, um Pink Floyd no toca-fita… Tudo ainda simples e delicioso. O tempo ainda era agora.

Perdida entre beijos incontidos e abraços descontrolados, minha mão percorreu as curvas do corpo dela, serpenteando, errando aqui, acertando mais na frente. Quando o seio dela finalmente surgiu, meio à mostra na blusa entreaberta, minha mão vacilou. Ela então disse: Fecha os olhos. Quando abri, a paisagem nua de seus seios reluzia à minha frente, dois morros a conquistar. E lá fui eu, garoto fuçador de recantos, legítimo ocupador do morro.

Nos anos 90 os moradores venderam suas casas para os empresários, tudo de olho no bolo que crescia. Todo mês abria bar, pastelaria, restaurante. Virou chique subir o morro. Gente bacana bem vestida, turista tirando foto. Tinha restaurante limpinho, peixe na telha, música ao vivo, artesanato. O progresso invadiu o morro com alvará. Mas… havia algo estranho. Pescadores e rendeiras agora eram comerciantes. Não havia lugar para tanto automóvel. O barulho incomodava os moradores. Menina nova alugava o corpo magrinho nas quebradas da noite. Garoto trazia cocaína para o motorista. E a tal da urbanização asfaltou as ruazinhas e jogou uma praça feia por cima da grama.

Reivindicando seu pedaço do bolo, a violência também subiu o morro, claro. Roubos, assaltos, mortes. Os empresários resistiram, se organizaram, clamaram por segurança. Mas ela, mouca, não escutou. E, assim, a gente bacana desceu o morro e não voltou mais. O bolo murchou. E o futuro se foi, deixando o gosto bom do que devia ter ficado só no agora.

O morro não é mais chique, Isabella, mas ainda está lá. E eu queria que você soubesse que aquela noite também, continua no mesmo lugar, sem amanhecer, seus seios em minhas mãos, dois morros conquistados, eu turista já pensando em voltar. Tudo está lá ainda, meu nome gemido em sua boca, eu errando e acertando as ruas de seu corpo, indo aonde ninguém fora. Nossa história ainda se conta lá em cima, na grama, suburbana, pegando cerveja na tiazinha. Nossa história, juvenil, desmantelada e urgente, mode a hora. Com tomate e cebola. No mirante perfeito do nós dois agora.

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o o livro Blues da Vida Crônica
> Esta crônica integra o o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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PS: Dois Morros é um conto? Ou uma crônica? Por anos, convivi com esta dúvida. Até que entendi que era uma coisa e outra ao mesmo tempo. Eu escrevera um croniconto. E ainda tinha elementos de carta. Um croniconto missivístico.

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LEIA NESTE BLOG

LolitaLolita-04Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou…

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

O mistério da morena turbinada – Aí um dia ela, inocentemente, leva o computador numa loja pra consertar. Algum tempo depois dezenas de fotos suas estão na rede, inclusive fotos íntimas

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Caro primo, Nunca vi tão bem “retratado”, apesar de escrito, nossas noitadas no antigo mirante. Recordei ao ler, várias passagens inusitadas e até folclóricas que aconteceram por lá. Ai também vêm lembranças de outros lugares como o antigo “Rasgo de Lua”, “Ponto de luz” (que ainda resiste ao tempo), Tinha um ali na Rui barbosa que não me lembro o nome. Era quase na esquina da Torres Câmara, “tinha um andar de cima ao ar livre bem legal e reservado”. Para não falar do “Canto verde”, “Madelon” e outros que permearam a nossa juventude. Sinto saudades de um passado muito bem vivivo por nós e por vários amigos. Será que estamos ficando velhos? Carlos Marcos Severo de Oliveira, Fortaleza-CE – dez2004

02- Rica, você é um homem de muitas histórias… E continua paradoxal. Bjs. Lêka, Fortaleza-CE – dez2004

03- espetacular. Tonico Caminha, São Paulo-SP – dez2004

04- Oi Rika!!!! Que saudade…. saudade de você, saudade do Morro de Santa Terezinha, saudade de ouvir Pink Floyd, um violãozinho com os amigos…. Ler a sua crônica me fez relembrar exatamente tudo isso que você descreveu, tudo isso que eu também tive a sorte de viver… Parabéns, Rika! Amei… muito bem escrito, como sempre!!! E o natal, vai passar aqui? Precisamos nos ver,hein? Se vier, nos avisa,tá? Beijos…. Anabela Alcântara, Fortaleza-CE – dez2004

05- Putz!!! voltei no tempo. Otros abrazos. Roberto Maciel, Fortaleza-CE – dez2004

06- Lindo, adorei! Clícia Karine, Crateús-CE – dez2004

07- Eh Ricardo, essa deu saudade mesmo! Bons tempos aquele do Mirante – anos 80. Valeu a leitura. Abraços. Mauro Sérgio, Fortaleza-CE – dez2004

08- Kelmer, meu amigo querido… você me redimiu! Fiquei maravilhado! Obrigado por esta crônica, ela me resgata a antiga Fortaleza. Abraço e tudo de bom. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – dez2004

09- Caro Ricardo, Saudade… do mirante, do morro, de 1984, dos seios. Com todo res”peito”, Eu preciso dum seio assim, mágico!?. Surgiu como? Me explique… Eli Miranda, Fortaleza-CE – dez2004

10- vi uma cronica sua sobre o morro do Mirante….achei-a linda! Como voce, tambem na minha juventude costumava ir àquele lugar olhar a lua e beber uns copos com os amigos….tambe dei muitos “amassos” nos meus gatinhos, amores que pensava durariam uma eternidade mas depois de 1 semana era passado(coisas da vida) bem, lhe escrevi apenas para agredece-lo pela bela recordaçao e dizer-lhe que suas palavras me fizeram retornar ao tempo e me fez bem, a cidade cresceu e mudou muito, o morro ficou perigoso ,as ainda me arrisco a frequentar o restaurante do Osmar e comer uma bela lagosta…sempre que vou ali lembro das minhas aventuras, uma patricinha que adorava se apaixonar por caras “perigosos”….tempos bons! Tenha um otimo dia e mais uma vez obrigada. Cacia Linhares, Fortaleza-CE – dez2004

11- Tb tive um morro durante minha adolescência…íamos todas as sextas feiras…ouvir os amigos tocando violão, os beijos e amassos também decoravam o ambiente ;em noite de lua cheia, a beleza era completa pois do alto víamos além da bela lua olhando aqui em baixo para nós; podíamos contemplá-la …através de sua imagem espelhada nas águas do Rio Tocantins…quantas lembranças!!!! lembranças maravilhosas “seu” morro trouxe do “meu morro”…Por favor nunca pare de escrever sua palavras resgatam minha alma…e me tornam mais sensível…que poder vc tem! morei em Tucuruí no interior do Pará durante a construção de barragem hidrelétrica, foi a melhor fase deminha vida…bjs… Diva, Macapá-AP – abr2007

12- Parabéns pelo texto DOIS MORROS, ele é de uma beleza e singularidade fantástica. Li com muito cuidado para encontrar as suas nuances de poesia e de realidade. Confesso ter achado simplismente belo, real, nu e cru, porém belo. P.S.: A partir desta descoberta prometo procurar outros textos teus para que através dele venha deliciar-me com tuas letras e com teu estilo. FS Garcia, Fortaleza-CE – ago2008

13- Oi, Ricardo. Tô sem net em casa , mas vim numa lan so pra te falar umas coisas…. Desde ontem eu tava toda depre( nao sei por que/ na verdade, sei, mas nao vou falar aqui…rsrsrsr), acordei e tirei o “vocês Terráqueas” da estante e fui ver os textos que ainda nao havia lido….Fiquei encantada com aquele que você fala do mirante…. poxa! quanta sensibilidade e romantismo… queria ter uns 15 anos a mais e ser aquela menina….  nao lembro quanto paguei nesse livro, mas valeu a pena!!!! Irlane Alves, Fortaleza-CE – jul2011

14- Confesso que li e me apaixonei no ato! Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – ago2011

15- Morro dos Mamilos!!!rsrsrs. Hotojunior Hoto, Fortaleza-CE – jan2013

16- Eita, o velho Morro do Mirante, vc me relembrar a comemoração do meu primeiro mês de namoro com a mulher q está casada comigo a 23 anos e que nós namoramos 04 anos. Lembro da felicidade vivida em cada subida e da paz que sentíamos estando a ima da cidade. Lembro da tia e das conversas regadas a muita birita.. Amigo, como é bom voltar no tempo através de palavras que nos fazem flutuar nas emoções. Obrigado por suas palavras me fazerem relembrar dos prazer de se divertir solado de grandes amigos com vc, Paulo Márcio, Nelsinho, Valmir, Amaury e outros tantos .. Não acho q estamos velhos, apenas o passado correu demais… Paulo Helmut B Simões, Fortaleza-CE – jan2013

17- vc é muito bom no que escolheu fazer, Ricardo Kelmer: teus contos (cronicontos): têm ‘alma’… ‘são vivos’, ‘conversam’ – dialogam – com o leitor. Maria Gama, Serra-ES – ago2015

18- Eu me entendo por gente quando vivi o fim dos anos 80 e o início da punjança dos anos 90, ainda quando o bolo estava crescendo. Que saudade daquele lugar tão tranquilo de tantas madrugadas insones e alegres! Regadas a caipirinhas e cervejas nas mesinhas ao lado da ribanceira. Tempo bom que a violência levou! José Epifanio, Fortaleza-CE – ago2015


Homens perfeitos também alopram

21/09/2009

21set2009

O homem beijou a mão da moça, abraçou a moça, beijou no rosto, beijou mais, beijou mais ainda, depois abraçou mais forte, deu uma encoxada federal, dobrou a moça no meio…

HomensPerfeitosTambemAlopram-1

HOMENS PERFEITOS TAMBÉM ALOPRAM

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Meu xará Richard Gere é mesmo um partidão. Bonito, charmoso, classudo, sexy, culto, inteligente, bom ator, rico, antenado com causas humanitárias, amigão do Dalai Lama… Putz, que mais um terráqueo poderia ser? Não é à toa que tanta mulher sonha com ele.

Tive uma namorada que era absolutamente alucinada por este cidadão. Ela tinha uma pasta com tudo sobre ele, fotos, matérias, entrevistas… A danada tinha até a corda do banjo que ele tocava nos tempos do ginásio, nem sei como conseguiu. Durante meses, por causa desse namoro, eu fui ao banheiro com o bonitão lá me observando das paredes, ele e aquele seu olhar doce-safado, que as mulheres adoooram.

Mas até mesmo um cara perfeito como Richard Gere pisa na bola. Você certamente se lembra. Em 2007, ele simplesmente não se aguentou nas calças diante da beleza de Shilpa Shetty, a atriz indiana vencedora do Big Brother da Inglaterra. Num evento na Índia, mostrado pela tevê pro mundo inteiro, ele foi parabenizá-la e, de repente, pufff, bateu o neandertal tarado. E aí o todo-cavalheiro Richard não ficou só nos parabéns…

O homem beijou a mão da moça, abraçou a moça, beijou no rosto, beijou mais, beijou mais ainda, depois abraçou mais forte, deu uma encoxada federal, dobrou a moça no meio, mordeu a orelha dela, engoliu o brinco, os dois quase caem no chão… Por pouco, Richard não gera um indianozinho ali mesmo. Ele devia estar à procura de Mr. Goodbar no cangote da moça, só pode. Depois o Lancelote da Filadélfia ainda genuflexou-se e fez umas reverências à donzela. A indiana, realmente uma linda mulher, tomou um puta susto, e quem não tomaria. Sobre isso, uma amiga me afirmou, cheia de certeza, que ela adorou, e que deve ter tido doces sonhos durante semanas.

Poizé. Mas pelas leis indianas, esses atos carinhosos em público têm limite, e muito limite. Resultado: o ainda enxuto gigolô americano teve decretada uma ordem de prisão contra ele na Índia – se pisasse lá de novo iria em cana. Olha que mancha terrível no currículo do nosso Lancelote… E a indiana teve que prestar esclarecimentos sobre por que não impediu que Richard fizesse o que fez. Putz. Depois o Brasil é que é um país machista. E mesmo que a moça quisesse, seu dotô, ela ia fazer o quê, o homem parecia um polvo alucinado!

Mas a força do destino sempre protege os homens perfeitos. Para o bem do currículo do meu xará, a justiça da Índia revogou a ordem de prisão. Deve ter sido influenciada pelos gritos de revolta das fãs indianas. Agora, ele pode voltar lá. E se a moça não tiver ficado chateada, rever a bela Shilpa.

Aliás, Shilpa é uma terráquea bem mimosa. E ainda tem esse nome assim, assim meio estiloso, né? E nomes estilosos como esse atraem coisas estranhas mesmo. Quer ver? Tem alguém perto de você agora, leitorinha? Tem? Então, pronuncie o nome dessa moça em voz alta, três vezes: Shilpa, Shilpa, Shilpa. E veja o que acontece.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Veja o vídeo do assustador ataque

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Menu de homem – Na onda da mulher-melancia, mulher-jaca, mulher-filé e outras classificações femininas hortifrutigranjeiras, nada mais justo que nós, homens do sexo masculino, sermos também classificados

As vantagens de ter um amante – O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa. O outro cuida de você

Amar duas mulheres – Não se preocupe, eu te entendo, bode velho, eu também sempre tive essa fantasia de comer a Hello Kitty

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

Mulheres que adoram – Dar prazer a uma mulher, fazê-la dizer adoro mil vezes por dia…

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01- “Bateu o neandertal” kkkkkkkkkkkkkkk… Bjão, querido. E muito sucesso em 2013! Mara Monteiro, Fortaleza-CE – jan2013

02- Eu me considero um aloprado..no bom sentido da coisa né! Andre Soares Pontes, Fortaleza-CE – jan2013

03- Graças a Deus alopram de vez em quando!!! Polidez demais estraga. Karla Karenina Sales Fernandes, Fortaleza-CE – jan2013

O homem beijou a mão da moça, abraçou a moça, beijou no rosto, beijou mais, beijou mais ainda, depois abraçou mais forte, deu uma encoxada federal, dobrou a moça no meio

Recaídas da paixão

06/09/2009

06set2009

No dia seguinte, após uma noite sem fim de comemorações, você acorda. Abre o olho e ela está ao seu lado, bem juntinho, linda e sorridente

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RECAÍDAS DA PAIXÃO

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Não lembro exatamente como começou nosso caso. Mas lembro quando meus olhos de criança viram pela primeira vez aquelas camisas entrando em campo. Meu padrinho me levara ao estádio, era decisão de campeonato, a cidade toda no clima do jogo. Aquele estádio imenso, o gramado verdinho, a festa das torcidas, a emoção à flor da pele – eu descobrira um mundo encantado. Infelizmente meu time perdeu, mas eu já estava fisgado: voltei para casa com uma tristeza de adulto, a primeira dor de cotovelo. E na alma levava uma coisa nova, uma paixão vibrante, um sentido a mais a me acompanhar.

Tem gente que morre e não entende uma paixão assim. Mas paixão nunca foi para se entender. Tem quem veja futebol como doença. Mas doença é viver sem paixão. Tem mulher que quando seu homem sai para o estádio, ela se sente trocada por onze marmanjos. Nada a ver, Bete, são coisas incomparáveis, entenda… Felizmente tem mulher que entende. Tem até as que também vivem a sua paixão. Quando é pelo time rival, putz, é um problema: dia de clássico é dia de briga, pode apostar. Mas quando o casal torce pelo mesmo time, ah, que suprema compatibilidade! Sabe lá o que é se vestir junto para ir ao estádio, escutar agarradinho os gols da campanha vitoriosa, o hino do clube, ver os gols da rodada no motel… Que romântico!

Em nome da paixão a gente faz de um tudo. Um amigo meu namorava uma garota que detestava futebol. Um dia, cansada de se sentir trocada, ela deu-lhe as contas e foi embora. Meu amigo, desesperado, foi atrás. Ela relutou, mas aceitou voltar, com uma condição, que ele fosse menos fanático por futebol. Sim, claro, meu amor, ele concordou, aliviado. Na semana seguinte ela apareceu com dois ingressos para o teatro. Uma peça bem romântica para comemorar nossa volta, disse ela. Quando ele viu a data, não acreditou. Seria no mesmo dia e hora de um jogão decisivo. E agora, como fazer? O amigo apelou: foi ao teatro, mas levou um radinho escondido na calça e acompanhou o jogo pelo fone de ouvido, torcendo e suando loucamente em silêncio, sentadinho, comedido, que tortura. Tudo para satisfazer a dois amores geniosos.

– Tá gostando da peça, amor?

– Claro, meu bem. Impedimento!

– Heim?

– Impedimento. Nada será impedimento pro nosso amor…

Às vezes essa paixão faz da vida um inferno: time ruim, gols perdidos, derrotas para o maior rival. Além da dor, ainda tem que aguentar a gozação. Por outro lado, quando o time está bem e é campeão, ah, a vida se transforma num sonho maravilhoso, e até acordar cedo para trabalhar é gostoso, acredite. Nesses momentos, somem as dívidas do cartão, desaparecem inquietações existenciais e até os programas evangélicos da madrugada ficam bons de ver.

Como todo romance, tem também as brigas, claro. Às vezes você passa anos distante, magoado. Quer nem ouvir falar. Mas um dia você decide ir ao jogo, é dia de clássico. Manda lavar a velha camisa e liga para os amigos. Chega ao estádio e aos poucos retornam detalhes esquecidos de um antigo ritual: as bandeiras feito estandartes, as batucadas, o grito de guerra, a cervejinha antes de subir, nada mudou. O time entra em campo e você levanta para aplaudir, a torcida rival vaia, o coração aperta, pede mais uma cerveja – a velha magia está de volta. No intervalo, desce para o banheiro e discute o pênalti não marcado. Depois é o segundo tempo, o nervosismo crescente, o impedimento escandaloso, o gol que não sai. Lá está você esfregando as mãos, suando, mordendo todas as unhas, torcendo, torcendo, e de repente… gooooooooool!!! Vixe, você vira ninguém no turbilhão da alegria. Atira longe o chinelo e beija o vendedor de amendoim. Paga cerveja para todo mundo. Que bonito as bandeiras tremulando, a torcida delirando, vendo a rede balançar…

No dia seguinte, após uma noite sem fim de comemorações, você acorda. Abre o olho e ela está ao seu lado, bem juntinho, linda e sorridente, toda carinhosa, pedindo para ser tocada mais uma vez, a camisa do seu time. Você sorri de volta, beija a camisa, se ajeita sob o lençol e fecha os olhos, buscando novamente aquele sonho gostoso onde o centroavante dribla dois e toca na saída do goleiro.

Mas não era você quem dizia que vocês dois não tinham mais nada a ver? – prepare-se que alguém vai perguntar. Pois não tente explicar, colega. Paixão antiga é assim mesmo, não tem explicação. Um dia ela reaparece, mais bonita e desejável que nunca, e você se vê na marca do pênalti. Aí só tem um jeito: é tocar com firmeza e correr para o abraço.

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Ricardo Kelmer 2002 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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Lolita, Lolita

03/09/2009

03set2009

A calcinha desce suave pelas coxas finas, beija os joelhos, pousa nos pezinhos… Engulo seco. Diante de mim a luz dos meus dias, fogo em minha alma

LolitaLolita-04

LOLITA, LOLITA

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A cena sempre me extasia, sua língua faceira saltando três vezes… Olho em silêncio enquanto ela lambe o papel, fecha o baseado e acende, segurando na ponta de seus dedinhos finos. Ela puxa a fumaça devagar, os olhinhos fechados, tão linda… E eu amo sua boca enquanto ela solta a fumaça. A boca. Que ela sempre esquece entreaberta, na medida exata, meio dedo, ela faz de propósito, sabe que não resisto. O que essas colegiais andam aprendendo no recreio?

Vai, fuma, minha amiga quem me deu, você vai gostar. Hoje não, meu anjo, obrigado. Ah, é, pois só de mal não vou fazer aquilo. Então cumpro minha parte no trato, dou uma tragadinha, o suficiente para que a doce chantagista se satisfaça. Ela me mostra a língua, me chama de velho careta. Entendam, quero sóbrios os meus sentidos, para depois passar todas as imagens, uma por uma, e recordar… e recordar… até que seja novamente terça-feira.

Trancada a porta da suíte. Cerradas as cortinas. Os pequenos cuidados de sempre. Mas as cortinas, eu sei, ela depois abrirá para olhar a cidade, ela e seu prazer de me desobedecer. E eu paciente a puxarei para dentro, perigoso ficar na sacada, meu anjinho, eu já disse, principalmente assim de calcinha. Ela protestará, claro: Seu chato, parece meu pai! E citará probabilidades, uma chance em mil de alguém reconhecê-la ali no vigésimo andar. Mas vocês hão de convir, já foi sorte demais encontrá-la, não tenho mais idade para abusar do destino.

No frigobar, ela se diverte: iogurtes, suquinhos e chocolates que devora e guarda na mochila, levará para a amiga. Na TV, vibra com os clipes musicais, essas bandas modernas com nomes estranhos e garotos idiotas que ela adora, e zomba do meu ciúme cantarolando em seu inglês vacilante, o que me faz lembrar de seu curso, justamente onde ela deveria estar agora. Mas vocês vão entender, as terças são minhas.

Ela vem para a cama, lânguida e relaxada. Tira minha camisa e brinca com os pelos brancos do meu peito, me aperta as sobras da barriga. Com meu cinto, brinca de me chicotear, rindo como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Depois, salta da cama: Me dispa, escravo, é uma ordem. Sim, minha princesa.

Fico na ponta da cama, ela à minha frente. Tiro seu uniforme com cuidado, da outra vez rasguei a saia. Desabotoo a camisa e os seios pequenos me olham. Pergunto se estão com saudade e ela os move para cima e para baixo: Siiiim, estamos… E outra vez morre de rir. As meias brancas mantenho no lugar, quase no joelho, gosto assim. A fita no cabelo também. Ela ergue a saia plissada e surge a calcinha, hoje é azul claro, combina com a tarde. A vontade é de arrancá-la, me controlo, o coração quer sair do peito. A calcinha desce suave pelas coxas finas, beija os joelhos, pousa nos pezinhos… Engulo seco. Diante de mim, a luz dos meus dias, fogo em minha alma.

É nas curvas de seu corpo quase infantil que eu me desgoverno: tento dirigi-la, mas ela faz o que tem vontade e minhas juntas sofrem para segui-la. Ela geme sob o peso de meu corpo, dança sobre ele, senta em meu rosto, vira de costas, sim, sou tua Lolita, para sempre, siiiim… Lembro do trato e ela cumpre a promessa, bebendo-me até a última gota, adora observar minhas reações. Depois, na telinha da máquina, ela apaga as fotos em que está feia e zomba da minha expressão apaixonada, manda por e-mail, pliiis, você nunca manda, malvado. Ela me oferece chiclete, e diz que a amiga quer um dia participar também… Paro, sem acreditar no que ouço. Você não devia ter contado, nossa felicidade não precisa de mais ninguém! Mas ela é minha amiga… Foda-se sua amiga, já falamos disso, quer estragar tudo, tem merda na cabeça?!

Vamos em silêncio até o shopping, uma lágrima escorre de seu olho. Que eu não vejo porque não ouso olhar, mas sei, porque é a mesma lágrima que tremula no meu. Paro e ela sai do carro, fecha a porta. Três passos e retorna, e emoldura o rosto na janela, e sussurra: Fica assim não, desculpa… A boca. Por favor, não quero que acabe, pliiis… A boca entreaberta, meio dedo. Meu coração se derrete. Entrego-lhe o dinheiro do cinema e do lanche, mais um pouco para gastar com bobagens. Te amo, ela diz sorrindo, e eu respondo eu também. Ela conta orgulhosa que verá seu primeiro filme de catorze anos e, como se revelasse um segredo mortal, diz que a amiga entrará com carteira falsa. Não precisa correr, meu anjo, tem tempo. Mas ela já se virou. E lá se vai minha Lolita, correndo estabanada pelo estacionamento, mochila às costas, as pernas, as meias brancas. Tão linda em seu prazer de me contrariar.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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– Este conto integra o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
– Este conto integra o livro
Indecências para o Fim de Tarde

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LOLITA E VLADIMIR NABOKOV

VladimirNabokov-01Vladimir Nabokov nasceu em 22 de abril de 1899 em São Petersburgo, na Rússia. Morou na Inglaterra, Alemanha e a partir de 1940 viveu nos Estados Unidos. Morreu em 1977, na Suíça. Seu romance Lolita, publicado originalmente em 1955, é seu livro mais conhecido. A história do amor entre o quarentão desequilibrado e sua enteada de doze anos foi traduzida em dezenas de línguas, gerou duas versões cinematográficas (1962 e 1997) e deu origem aos termos lolita e ninfeta, significando meninas adolescentes ou menores de idade sexualmente precoces.

> Covering Lolita – Sessão do site do estudioso alemão de literatura Dieter Zimmer, que reúne capas de edições de Lolita, publicadas desde 1956 em dezenas de países.

A menina que teria inspirado “Lolita” – Um novo livro aprofunda a relação entre o romance de sucesso de Nabokov e a história real de Sally Horner, de 11 anos, sequestrada e maltratada por um pedófilo em 1948
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O PRIMEIRO PARÁGRAFO de Lolita é considerado por muitos como uma das mais belas introduções da literatura ocidental.  Eu, particularmente, concordo.

“Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.”

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-06O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir, mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

Bettie Page, nós te amamos – Ela é um ícone da moda, da arte erótica e também do universo BDSM, inspirando artistas e fetichistas

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o fim de tarde
Ricardo Kelmer, contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Rica, Lolita merece todas as homenagens. Amor de perdição, amor de redenção – e não é sempre assim? Mas você ainda vai demorar para virar um Humbert Humbert, um velhinho tarado. Quarenta anos é uma idade ótima, ótima! Ana Beatriz Nogueira, Brasília-DF – jul2005

02- Caraca , mermão! Fiquei zonzo. Sem saber o que pensar. Sem saber o que dizer. Mas cheio de imagens retidas na retina da memória. Se eu fosse fazer algum comentário, arriscaria um que é um grande lugar-comum, eu sei, mas foi o que me bateu: senti falta de conhecer um pouco mais essa Lolita, de perscrutar algumas de suas motivações, ainda que difusas, próprias de uma adolescente, uma adolescente que já é muito diferente das adolescentes de quando estávamos no segundo grau, quanto mais em relação àquela criada por Nabokov. Acho que o amigo fez uma crônica-conto, que deixa no leitor a sensação de que há muito mais pra contar. Aliás, percebo que já estava entregue ao prazer do conto, tanto é que nas linhas finais já me via na expectativa de alguma surpresa, alguma reviravolta típica de conto. Mas o final teve sabor de crônica-poesia. Como diria Leminski, a vida é mesmo crônica. O que “ falta ” neste texto provavelmente só atesta sua qualidade. Marcelo Pinto, Rio de Janeiro-RJ – jul2005

03- Tá ótimo! Deu bem a idéia da estória toda numa página só! Eu não li o livro mas vi o primeiro filme e o remake. E gostei, é muito perverso porém. Isabella Furtado, Modena-Itália – jul2005

04- Quarentão, careca, e agora perdido por garotinhas! Esse não é o Ricardo Kelmer que conheci. Um beijo saudoso, e lembre-se de que, ao meu lado, voce sempre serah o garoto… Clotilde Tavares, Natal-RN – jul2005

05- Bela… Lolita. Bjo. Graça Carpes, Rio de Janeiro-RJ – jul2005

06- He,he,he, As Lolitas de hoje não são “tão puras” como a do nosso nobre Nabokov, né? Sinal dos tempos … Álvaro de Paula, Fortaleza-CE – jul2005

07- Oi, Ricardo. Bem que poderia haver a versão homo de lolita..já pensou eu iria adorar e se eu fosse o lolito seria melhor ainda…rsrsrsrr. Abraços. Fabiano, Fortaleza-CE – jul2005

08- Adorei a crônica, achei bem sensual, mas talvez incentive o assedio a jovens meninas. Cacilda Luna, Fortaleza-CE – jul2005

09- Primoroso… Nelson Neraiel, Rio de Janeiro-RJ – jul2005

10- Uma menina, só mesmo uma menina. Pobres velhinhos…kkkkkkkk! Muito bom. Adorei. Mas uma pergunta cretina: o texto é só uma homenagem mesmo? Desculpa, não resisti 🙂 Luana Patrícia, Fortaleza-CE – jul2005

11- Olha, adorei essse texto da Lolita…Parabéns! Pela sua criatividade!!! Clécio Rhustem, Crateús-CE – jul2005

12- O filme é maravilhoso. Já vivi um amor louco desse. Lisa Mary, Fortaleza-CE – jul2005

13- oi, ricardo. li o teu texto “lolita, lolita”. gostei muito. escrevi algo num clima parecido. talvez queiras ver: http://www.fotolog.net/daimon/?photo_id=8958936 . abraço. Paulo Amoreira, Fortaleza-CE – jul2005

14- Oi Ricardo, Adorei o texto da ninfa (Nabokov ‘2005) principalmente o ” beija os joelhos e pousa…”. Puta tesão,,,. Agora que já tô quase acabando as 130 ou mais páginas da minha tese (parece ridículo pelo número!) talvez possa te devotar a atenção devida… a merecida, jamais!!!. Beijos. Valmir Menezes, Lisboa-Portugal – ago2005

15- Tornei-me sua fã recentemente desde que li um texto seu na página do IG. semanalmente abro seu site para ver as novidades. Você parece ser um estilo raro de homem não o conheço,mas mesmo assim me identifiquei algumas de suas produções,outras fiquei um pouco cismada como no caso de “lolita” me senti agredida não se foi porque já pasei dos trinta, ou se porque como mãe de duas garotas e ainda mais sendo professora tive a impressão de que estava lendo uma apologia ao sexo com menores de idade. De qualquer forma voltei outras vezes para desfrutar de suas idéias,li e vi sua revelação nos quarenta anos,Adorei seu texto suas fotos então…. bjs e muito sucesso!!!! Sua fã. Diva645 – Rio de Janeiro-RJ – out2005

16- li um texto seu (Lolita, lolita) e gostei muito… Trabalho com produção cultural, sou apaixonada por literatura e bons textos sempre me impedem de ficar calada, porisso tive que fazer essa pequena invasão pra lhe trazer as minhas congratulações! realmente é um texto polemico, mas gostei do seu jeito de escrever sobre um assunto tão polemico tornando a coisa assustadoramente natural… Um grande beijo! Wania Alvarez, Santos-SP – mar2006

17- Caramba, que realismo!Deus me vi quando ainda aos treze… Tanbém escrevo e deveras fiquei anestesiada, o comportamento de uma ninfeta é esse mesmo! Parabéns! Nádia Rosa de Castilho, São Francisco do Sul-SC – jul2006

18- O primeiro conto q li foi sobre a Lolita… sorriso… fiquei um pouco incomodada, sabe aquela coisa hipócrita de achar a menina mto nova, mas no fundo sentindo maior tesão pela coisa??? Pois é, lembrei também q sempre tive uma queda, não, um TOMBO, por homens assim 15, 20 anos mais velhos (e hj isto me é complicado… rsss). Ilde Nascimento, São Luís-MA – abr2009

19- E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R! sensacional!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Literatura pura, com romance, erotismo e poesia. Camila Briganti, São Paulo-SP – mai2011

 


Ela no espelho

03/08/2009

03ago2009

ElaNoEspelho-09

ELA NO ESPELHO

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No espelho ela se olha
De um outro tempo ela se vê
E no reflexo a que se olha
Não é quem pensa ser

Ela vê que ainda é
Aquela que um dia não se foi
Uma não se reconhece
A outra espera no depois

Elas se olham e se escondem
E se perguntam outra vez
Mas o espelho não responde
Ao olhar dos seus porquês

Quem é a aquela que se olha?
Quem olha a outra e não se vê?
E o seu olhar só lhe devolve
O mistério de crescer

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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MÚSICAS
Músicas de RK e parceiros. Com letras e links pra ouvir e baixar.

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COMENTÁRIOS
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01- não foi para mim, mas eu me identifiquei demais! Marcellee Sousa, Fortaleza-CE – dez2011

02- Adoro tudo! Tem que escolher um? Poema então, Ela no espelho, que por sinal está grudado no meu! Paulinha Koppe, Guarapuava-SC – jun2012

03- Que lindinho! Crescer, ooooooh bicho esquisito! rs! Quando a gente se olha no espelho ama muito o que se vê agora que cresceu. É uma imagem bela, cheia de curvas, expressa todas as experiências e as vezes tem alguma coisa daquele sorriso infantil, mas se foi aquela criança que se via suada e corada de tanto brincar e que se olhava esperançosa em crescer tendo um lindo futuro. É lindo e confuso crescer e muitas vezes podemos enxergar isso no espelho. Renata Kelly, Fortaleza-CE – fev2014

04- Muito correto e lindo! Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – fev2014

05- Show! Celia R Domingos, São Paulo-SP – fev2014

06- Show de bola, Xará! Pega melodia… Ricardo Alcântara, Fortaleza-CE – fev2014

07- Lindo, lindo!!! Perfeito!!! Ana Luiza Cappellano, Jundiaí-SP – fev2014

ElaNoEspelho-09c