Que tal um roLERzinho?

20/01/2014

20jan2014

Minha sugestão aos governos e prefeituras: criem roLERzinhos. Rolezinhos para ler

PorQueNaoUmRolerzinho-01a.

QUE TAL UM ROLERZINHO

Usando as redes sociais, adolescentes de bairros pobres marcam passeios em shoppings, os tais rolezinhos. Eles querem tão somente se divertir, paquerar, exibir suas roupas e penteados e celulares. Adolescente sempre fez isso, seja pobre ou rico, preto ou branco.

Tivessem mais dinheiro, os rolezeiros não assustariam tanto aos lojistas. Por outro lado, tivessem mais noção das coisas, não convocariam milhares de pessoas para se espremer nos corredores de um espaço privado. Tem preconceito social na história, claro, mas também tem ingenuidade própria da adolescência.

É verdade que faltam opções de lazer nas periferias, mas esses adolescentes são atraídos para os shoppings porque, assim como os muçulmanos têm que ir a Meca, os seguidores da religião Consumo têm que ir sempre ao shopping, caso contrário arderão no fogo do desprezo de seus próprios amigos. Que ironia… A sociedade de consumo hipnotiza diariamente os adolescentes com suas grifes, mas quando eles vão ao shopping, a administração chama a polícia.

Minha sugestão aos governos e prefeituras: criem roLERzinhos. Rolezinhos para ler. Façam parcerias com colégios, universidades, editoras e livrarias e criem eventos em espaços onde os adolescentes possam se reunir em torno de livros. Livros baratos, promoções, autores presentes, muito pode ser feito e a um custo baixo. Claro que boa parte dos adolescentes ainda vai preferir rolezar no shopping, mas o roLERzinho seria uma ótima opção de lazer nas periferias e motivaria o hábito da leitura entre os adolescentes. Ops… mas será que às elites políticas realmente interessa que os pobres leiam mais?
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Um aplicativo para amantes dos livros – Pensei então num aplicativo que aproximasse as pessoas por meio de… livros. Sim, livros, por que não?

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Gostei muito da idéia. Rogerio Brito Correia, Fortaleza-CE – jan2014

02- Boaaa!!! Michelle Costa, Fortaleza-CE – jan2014

03- Adorei!!!! Hildete Pinheiro, Campinas-SP – jan2014

04- Gostei do trocadilho… Francisco Coelho, Rio de Janeiro-RJ – jan2014

05- Show Kelmer! Renata Kelly, Fortaleza-CE – jan2014

06- Ô crítica lúcida, Ricardo! Sergio Nogueira, Fortaleza-CE – jan2014

07- Muito boa sua visão. Compartilhei. Marcia Palves, Juiz de Fora-MG – jan2014

08- Adorei a dica, Kelmer. Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – jan2014

09- A ideia é boa, independentemente das outras opções de lazer disponíveis. Mas tem que haver td uma mudança de cultura. O brasileiro lê mto pouco, em qq classe social. Na época da Bienal eu vi uma reportagem falando que aumentou o número de livros vendidos, mas foram entrevistar inúmeros frequentadores e mta gente disse que compra os livros na empolgação (pq viu a palestra do autor, por exemplo), mas que acaba não lendo nenhum. Mta coisa ainda tem que mudar.. Olívia Meireles, Rio de Janeiro-RJ – jan2014

10- Kelmer, desse jeito tu se elege!!! Marcelino Pequeno, Fortaleza-CE – jan2014

11- RK: Você tem razão, Olívia, muito tem que mudar. Mas é possível incluir esse tipo de ação cultural nas políticas públicas, canalizando a força natural da adolescência e seus anseios de diversão, e não custa caro. E cada indivíduo também pode fazer a sua parte, falando mais de livros nas redes sociais em vez de, por exemplo, se preocupar tanto em atualizar a foto do perfil. jan2014

12- 🙂 Flávia Lemos, São Paulo-SP – jan2014

13- É isso meu camarada, curto e grosso. Emerson Boy Batista, São Paulo-SP – jan2014

14- Num País em que o Capitalismo investe no anlfabetismo ! Isso não vai acontecer nunca.Quem poderia fazer isso seria os donos de Livraria e os Autores de livos, se tivessem sua cabeça,ou seu modo de pensar .A sua idéia é boa!. Frei Chico, Iguatu-CE – jan2014

15- Intaum! Suely Bezerra, Boa Vista-RR – jan2014

16- Excelente texto. Fica a dica. Cida Marques, João Pessoa-PB – jan2014

17- Não. A elite quer que tudo fique como está. Abelardo Rodrigues Rodrigues, São Paulo-SP – jan2014

18- na real eles preferem os jovens periféricos no shopping. É só chamar a polícia. Agora se começarem a ler o bicho pega! Eu Ni Ce, São Paulo-SP – jan2014

19- muito bom esse texto. Maria De Lourdes Vasconcelos, Itatiba-SP – jan2014

20- Bem por ai assim! Kaliza Holanda, Fortaleza-CE – jan2014

21- Aqui no Rio e em São Paulo, tem roLERzinhos desse tipo, mas só acontecem uma vez, de dois em dois anos: É a Bienal do Livro, onde comparecem leitores, autores, adultos e crianças, com várias promoções e livros pra todos os gostos e bolsos. É realmente uma festa, pena que só dura cinco dias. Aldo Mendonça, Rio de Janeiro-RJ – jan2014

22- Ótimo texto. Valéria Borges, Campinas-SP – jan2014

23- Interessante. Pra refletir. Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – jan2014

24- Eu tb prefiro um roLERzinho!! Josy Ramos, Pau dos Ferros-RN – jan2014

 


Eu esfaqueei o deputado

12/12/2013

12dez2013

Não temem que as pessoas se revoltem e invadam seus lindos gabinetes, que os sequestrem, que joguem uma bomba no congresso?

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EU ESFAQUEEI O DEPUTADO

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Eu assumo: fui eu quem esfaqueei aquele deputado lá em Salvador. E aviso: estou muito puta e vou esfaquear outros. E duvido que me prendam. Porque não tenho pulsos para me algemarem, nem rosto para ser fichada. Não podem me pegar porque não estou em nenhum lugar e grito em todos os lugares ao mesmo tempo. Eu sou a consciência indignada do cidadão brasileiro. Que não aguenta mais o que a classe política está fazendo com o povo desse país.

Esfaqueei o deputado, sim. Mas não se preocupe com ele, o homem tem as costas largas. Preocupe-se com a senhora que o golpeou: ela poderá apodrecer na cadeia sem ter culpa. Sim, pois ela foi apenas instrumento da minha ira sagrada, acumulada durante séculos. Aquela mão, empunhando a peixeira, você não percebeu?, é a mão do povo brasileiro. É a mesma mão persistente que todos os dias faz sinal para o ônibus lotado para ir ao trabalho, a mesma mão cansada que rastreia os classificados atrás de emprego. É a mesma mão impotente que acaricia o filho faminto, a mesma mão sem futuro que pede uma ajudinha no sinal. E é a mesma mão que votou nos políticos que aí estão, para que a representassem com decência.

É muita cara de pau. Num momento delicado desse, em que o governo precisa enxugar custos e toda a sociedade se concentra para fazer o país crescer, nossos indignos parlamentares se concedem um aumento de quase cem por cento de salário, como se já não ganhassem muito. E como o salário de senadores, deputados e vereadores é proporcional, todos ganharão aumento e isso custará à sociedade um custo extra anual de um bilhão e meio de reais. Isso sim é uma facada de respeito.

Agora, o bando dos federais quer ganhar vinte e quatro mil e quinhentos reais. Mais ajuda de custo para morar, comer, viajar e ir na esquina. Mais verba de gabinete e convocação extraordinária. Mais décimo-terceiro, décimo-quarto e décimo-quinto salário. São cem mil reais por mês para cada um. Sem falar que só trabalham três dias por semana. E têm impunidade parlamentar. E não vamos nem falar no mensalão e em tudo que rola nas malas e nas cuecas. São uns cínicos! Passarão à história como a pior de todas as legislaturas e continuam fazendo pose e falando bonito.

Eu estou muito, muito puta. Como podem gozar assim da cara do povo? Não temem que as pessoas se revoltem e invadam seus lindos gabinetes, que os sequestrem, que joguem uma bomba no congresso? Não, eles não temem, pois estão tranquilos em sua certeza de que o povo brasileiro é burro, medroso e acomodado. É por isso que num minutinho suas Excrescências votam para si mesmos um aumento de doze mil reais e ficam semanas discutindo se aumentam oito reais no salário mínimo. É desrespeito demais.

E você, cidadão eleitor? Onde está seu nobre deputado numa hora dessa? Ligue para ele, para ela, escreva, exija providências. Ou será que sua Excrescência é a favor do aumento? Se for, então é mais um dos que agora riem da sua cara de otário. Porque é você quem vai pagar a conta desse roubo.

Fui eu quem esfaqueei o deputado. Mas o golpe não foi dirigido a ele, especificamente. A facada foi contra toda a classe política. Certamente, há um ou outro que não tem o costume de cagar na cabeça de quem o elegeu, mas como todos fazem parte da classe, é sobre todos eles que avança a minha mão firme e indignada. Os políticos foram eleitos para representar e defender o povo, mas o esfaqueiam todos os dias quando legislam em interesse próprio. Assim sendo, aquela senhora nada mais fez que praticar um ato de legítima defesa.

O aumento ainda não foi pago, mas o primeiro deputado já recebeu o troco. Quem será o próximo?

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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AcabouAPaciencia-01Acabou a paciência – O povo está enfim deixando de ser tão conformista e alcançando um novo nível de conscientização política. É gol do Brasil

A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

Pátria amada Terra – É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo

WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

Eles estão na fronteira – Milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

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COMENTÁRIOS
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 01- Nem duvidem que a compensação existirá. Fato. Fataço. Rafa Silva, Campina Grande-PB – jun2013

02- Kkkjk, muito bom! Jana Moraes, Rio de Janeiro-RJ – jun2013

03- Ótimo texto, muito bem bolado. Parabéns! Antonio Carlos da Cruz, Mesquita-RJ – jun2013

04- Olá,Ricardo… Magnífico,brilhante composição.Realmente,é uma excelente retomada ao ano de 1789. Será que vamos aprender ou assimilar os discursos de neutralização da Globo… ab. Fateha Liza, Corumbá-MS – jun2013

05- Muito bom Kelmer! Adooooorei!! 🙂 Bjo. Patrícia Paes, Fortaleza-CE – jun2013

06- Muito inspirado e inspirador, RK. Humor profundo e fino, seja político-filosófico-psicológico-ontológico-ginecológico-andrógino é bárbaro… 🙂 Mas, se é vero o lugar comum, que se ouve por aí, que o governo, os políticos nos refletem como um grande espelho, ainda precisamos – nós, humanos demasiado humanos – ralar e desmembrar muiiiiiiiito, muitão para ver o nossos reflexo diferente do que hoje vemos refletido. Patrícia Lobo, Salvador-BA – jun2013

07- …meu voto é seu!!kkkkk..muito bom.. Katia Knox, São José dos Campos – jun2013

EuEsfaqueeiODeputado-01a


Um aplicativo para amantes dos livros

06/12/2013

06dez2013

Pensei então num aplicativo que aproximasse as pessoas por meio de… livros. Sim, livros, por que não?

AmorDeLivro-02

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UM APLICATIVO PARA AMANTES DOS LIVROS

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Sim, os aplicativos Lulu e Tubby são bobos e incentivam fofocas, inimizades e difamações. Mas se você acha que a criatividade humana para a bobagem chegou ao limite, desconfio que virá ainda mais baixaria por aí, é só aguardar. A polêmica em torno deles é útil para comentar sobre comportamento, sexualidade e feminismo, sim, mas farei isso em outro texto. Por enquanto, quero falar sobre uma ideia que tive dia desses.

E se alguém inventasse um aplicativo que unisse o desejo de conhecer pessoas com algo mais construtivo que fofocar sobre ex-namorados? Pensei então num aplicativo que aproximasse as pessoas por meio de… livros. Sim, livros, por que não? Afinal, quem gosta de ler procura conhecer pessoas que gostam de ler, e afinidades literárias podem funcionar como catalisador de amizades. Um livro em comum pode até ajudar a iniciar um namoro. Um aplicativo que seguisse essa lógica poderia atrair muita gente e, como o mercado de livros no Brasil está crescendo e tem muito a crescer, certamente livrarias e editoras se interessariam em anunciar, além dos bares que são tematizados em torno da literatura.

Os detalhes do funcionamento do aplicativo, isso seria um trabalho para os desenvolvedores, claro, mas acho que teria que ser algo simples e prático. Por exemplo: cada perfil traria informações do usuário como nome, idade, cidade e suas preferências literárias, e o sistema permitiria envio de mensagens e buscas por critérios como afinidades, idade, localização, livraria predileta etc.

Bem, a ideia está lançada, e até joguei-a nas redes sociais. Tomara que ela seduza desenvolvedores e investidores.

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

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Que tal um roLERzinho? Minha sugestão aos governos e prefeituras: criem roLERzinhos. Rolezinhos para ler

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- IA AMAR! Camila Régia, Fortaleza-CE – dez2013

02- Não acredito que esses aplicativos sejam assim, eu me diverti muito. E sim, teria publico para app literários tbm… Tudo depende de como vc vê :)) Saudades de vc Ricardo!!! PS: Adoro os livros do Ricardo Kelmer \o/ Graziely Camargo, São Paulo-SP – dez2013

03- Kelmer, fantástica ideia! Wescley Gomes, Fortaleza-CE – dez2013

04- Ótima Idéia Grande Ricardo Kelmer. Eslley Lopes, Fortaleza-CE – dez2013

05- Bela ideia com humor,impagavel caro Ricardo.Um bom fim de semana pra ti e os teus. Katia Gadelha, Fortaleza-CE – dez2013

06- E tem como não citar Ricardo Kelmer?! E As Aventuras de Diametral e Ninfa Jessi?! Adooooooro! Renata Kelly, Fortaleza-CE – dez2013

07- Grande Ricardo Kelmer já compartilhei e compartilho da idéia também!!!!! Daniel Sucupira Barreto, Fortaleza-CE – dez2013

08- Excelente!!!! Silvana Alves, Fortaleza-CE – dez2013

09- Maravilhoso! Lisa Mary, Fortaleza-CE – dez2013

10- Concordo! compartilho. Andrea Matta, Fortaleza-CE – dez2013

11- Enquanto o povo inventa coisas bobas e estúpidas, vamos nós, fazer algo de útil… Que tal um troca-troca? Na sua estante ou na minha? Renata Kelly, Fortaleza-CE – dez2013

 


O amor que ama o outro

24/11/2013

24nov2013

A maioria ama a posse do outro, mas também há o amor que ama a liberdade do outro

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O AMOR QUE AMA O OUTRO

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Não, o amor não é algo absoluto, imutável, uma lei que foi criada no início do mundo e que com ele morrerá. O amor é uma construção social. Nós aprendemos a amar seguindo as convenções da sociedade em que vivemos. Por essa razão, as diversas sociedades do mundo amaram e amam de maneiras diversas.

A maioria dos ocidentais do mundo atual entende que só é possível amar uma pessoa por vez, e grande parte acha que quando alguém ama, não tem ou não deveria ter desejo sexual por mais ninguém. Tudo isso são noções aprendidas, que podem ser desaprendidas. Para a maioria, só existe o amor exclusivista, mas a verdade é que o amor também pode ser inclusivo. A maioria ama a posse do outro, mas também há o amor que ama a liberdade do outro. Atualmente, cada vez mais pessoas deixam de seguir as convenções sociais que desde cedo lhes ensinaram como devem amar e, em vez disso, buscam amar do jeito que elas mesmas consideram melhor. São minoria, é verdade, mas de um jeito ou de outro acabam se encontrando e experimentando novas formas de viver o amor.

Todos os que ousam desafiar as convenções de sua época pagam caro por essa ousadia. Se hoje nossa sociedade é mais livre e menos preconceituosa em relação às diferenças étnicas, sexuais, de cor, de gênero ou de credo (ou não credo), é porque no passado houve pessoas que ousaram mostrar a cara, assumiram o que são e lutaram, e até morreram, por um mundo mais justo e verdadeiro.

Essas pessoas que amam o outro e não a posse do outro, que amam sem exclusividade sexual, que amam a mais de uma pessoa ao mesmo tempo, essas pessoas estão, neste momento, forçando a sociedade a reavaliar suas regras sobre o que é amar. No entanto, para a maioria, isso aí é qualquer coisa… menos amor. Essa maioria se julga dona do amor e, por isso, tenta sempre aprisioná-lo em supostos limites teóricos e diz que esse negócio de amor livre e relação aberta é ilusão, safadeza, doença, coisa do demo…

Que a maioria continue com seu velho amor que só consegue amar se puder controlar o outro. Eu sou da minoria. Prefiro o amor que ama o outro. Prefiro o amor que liberta.

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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Mais sobre amor e liberdade

EmBuscaDaMulherSelvagem-02base4cA mulher livre e eu – É esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam, mas não se anulam em estúpidas noções de controle: amamos o outro e não a posse do outro

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser, e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

ENTREVISTA

Regina Navarro Lins (revista TPM, set2012) – A psicanalista e sexóloga fala sobre relacionamentos, sexo e liberdade.

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01- Adoreiiiii! Tatá Guida, Rio de Janeiro-RJ – nov2013

02- Eh ricardo, segura meu “like” ae fera. Tárcio Meireles, São Paulo-SP – nov2013

03- Sou fã desse moço, que nos apresenta um texto delicioso… Como ele, “Prefiro o amor que ama o outro.” Sandra Regina, Curitiba-PR – nov2013

04- Gostei muito desta vez , adoro tudo sobre amor prefiro amor só amor. Lisa Mary, Fortaleza-CE – nov2013

05- A meu ver, se todos os envolvidos estiverem de acordo, não vejo mal nenhum, mesmo. Mas vejo como uma escolha das duas pessoas (ou mais..rs), pois todos tem direito de optar por como se sentem melhor, seja um amor monogâmico ou não. Dri Flores, São Paulo-SP – nov2013

06- Perfeito este seu texto Ricardo Kelmer, gosto de saber que não me enganei com a primeira impressão que tive de você naquele bar em Jericoacoara, não gosto que a sociedade defina o que eu penso, como vivo ou como amo, até mesmo porquê acredito que o amor é apenas um sentimento e não um relacionamento. O amor pode ser de uma via só, você pode amar até a um objeto, a um animal, a um ser dito humano e ele não corresponder ao que você sente. E o amor é só um sentimento não só quando você ama alguém que não te ama: o amor é só um sentimento mesmo quando você é amado por uma ou várias pessoas . É que você pode amar sozinho, sem reciprocidade, ou amar de um jeito e ser amado de outro. Também acredito nos amores que amam o outro e libertam. Com todo o meu amor! Fatima Carvalho, Santo André-SP – nov2013

07- Texto maravilhoso, marca registrada RK. E qdo se trata de amor esse qdo sai de nós já não nos pertence mais. É como um presente o outro fará dele o que desejar. Alguns compartilham, outros se apegam, outros largam num canto, as vezes não se dão conta que são amados! E assim seguimos: amando, esquecendo, dividindo e multiplicando o amor, o amores. Cada qual do seu jeito quer amar e ser amado. O amor que ama desapegado é um belo tipo de amor. Talvez o mais desinteressado e puro amor, amor que ama e deixa livre pra amar! Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – nov2013

08- Perfeito….kkkkk..me identifiquei. ….com a minoria! Erika Menezes, Fortaleza-CE – nov2013

09- Nossa Ricardo Kelmer!!! Adorei esse texto!!! Super concordo!!! Parabéns!!!!:) Sidneia Fonseca, São Paulo-SP – nov2013

10- “O amor é uma construção social.” É o que eu tenho dito… Arrasou… Juliana Silva, Paulo Afonso-BA – nov2013

11- Interessante!!! Marcos Vilena, Ubatuba-SP – nov2013

12- Ouvi uma palestra num congresso ( que tinha como tema Os Amores Líquidos) que o homem é um animal polígamo por natureza, e que somos forçados a crer na monogamia pressionados por algumas religiões. Me senti aliviada e “normal” depois disso. Izabel Castro, São Paulo-SP – nov2013

13- Concordo plenamente com o que ela escreveu!A sociedade não assume´,mas é verdade sim..bom dia Ricardo Kelmer.Bjs! Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – dez2013

14- A sociedade ainda não está preparada pra esse “tipo ” de amor..mas essa sociedade que te incita a fazê-lo é a mesma que abomina…então pq se preocupar cm ela? Marília Lima, Fortaleza-CE – dez2013

15- Belo texto, Ricardo Kelmer, assino embaixo. Somos uma sociedade diversa, formada por pessoas diversas com sentimentos e desejos diversos, e com diversas maneiras de amar. Aprender a respeitar e conviver com o diferente é o nosso maior desafio se quisermos realmente evoluir como pessoas e como sociedade. Antonio Elinaudo Barbosa, Fortaleza-CE – dez2013

16- Eita discusrão q nunca acaba por maíis q sejamos mudernos. Laissez-faire cada um q faça o q melhor achar! E aeh Thais achou algo? Bjs pra todos…especial pra ti Kelmer^.^ Izabel Castro, São Paulo-SP – dez2013

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As unhas sujas de Matrix

19/11/2013

19nov2013

Certas obras artísticas se baseiam nesses conteúdos, os arquétipos, e por isso pessoas de todo o mundo se identificam tanto com elas

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AS UNHAS SUJAS DE MATRIX

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Faça um buraco na terra, cave sem parar e você alcançará areia e rochas que, de tão profundas, não são de país algum. Ou melhor, pertencem a todos, são patrimônio de toda a humanidade. Assim também é o inconsciente coletivo da espécie: seus conteúdos são de todos nós. Certas obras artísticas se baseiam nesses conteúdos, os arquétipos, e por isso pessoas de todo o mundo tanto se identificam com elas. É o caso de Matrix. Apesar de toda a tecnologia, o filme tem cheiro de terra, pois escava fundo as profundezas coletivas da psique.

Esse filme vale tanto assim?, é o que ouço quando descobrem que escrevi um livro sobre Matrix. Sim, vale. Além de marco na história do cinema, a aventura do guerreiro cibernético Neo e seus amigos resistentes é um grande fenômeno cultural da atualidade, alcançando pessoas de raças, religiões e idades diversas, influenciando comportamentos, gerando discussões e lotando cinemas. Mas tem gente que torce o nariz para o filme e não entende tanto rebuliço. Que diabos Matrix tem de tão especial?

Muitas coisas. A base mitológica do enredo, por exemplo: o jovem que se vê confrontado com seu próprio destino, que precisa abandonar seu mundo seguro e partir numa aventura perigosa, lutar contra inimigos terríveis, arriscar a própria vida e salvar sua gente. A história de Neo é o antigo mito da jornada do herói recontado com roupas novas. Por nascerem do inconsciente coletivo e serem feitos de elementos arquetípicos, os mitos são parte de nossa psique individual, e é por isso que nos identificamos com eles. Todos nós vivemos os mitos em nosso dia a dia, sendo novos protagonistas de antiquíssimos dramas.

Na história há outros elementos mitológicos que revestem a trama de um caráter numinoso: o despertar da consciência, o salvador, o traidor, o oráculo, o amor, a morte. Esses arquétipos habitam o profundo de cada um de nós, e Matrix os aciona em nossa mente. Messianismo, ressurreição, a natureza ilusória da realidade, ser um com o mundo e assim entortar colheres ‒ Matrix une mitologia cristã e filosofia oriental. Quem não gosta desses temas da mente e do espírito tende a atirar contra o filme, porém Matrix manipula filosofia, religião e esoterismo com a destreza de um guerreiro tecno-zen e detém as balas no ar.

Ah, claro, tem os efeitos especiais, as cenas de luta, o figurino… Para nossos jovens, que nasceram e vivem numa Matrix onde a imagem é tudo e os cega para a essência das coisas, o apelo visual do filme é irresistível. O filme usa a si mesmo como isca para transmitir ideias profundas sobre a natureza da realidade, a importância do autoconhecimento para a realização do potencial, a necessidade de morrer para renascer mais forte… Pelo jeito, a isca funciona, pois a discussão sobre o que é real saiu dos círculos filosóficos e esotéricos e alcançou o shopping center. Enquanto tomam sorvete, adolescentes de piercing e boné para trás se perguntam: E se todos nós estivermos sonhando? Uau, isso é ótimo.

Mas será que os criadores de Matrix tiveram mesmo a intenção consciente de mexer com todos esses temas? Esse filme não seria um mero borrão de tinta no qual as pessoas, inclusive eu aqui do meu galho, veem o que querem ver? Bem, a mim, particularmente, essas unhas sujas não enganam: Matrix é feito de terra, lá do fundo, a mesma terra da qual somos todos feitos. Por isso Matrix é tão real.

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Ricardo Kelmer 2003 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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SOBRE O FILME

MatrixDVDCapa-1Matrix (The Matrix, EUA, 1999)

ARGUMENTO, ROTEIRO E DIREÇÃO: Lilly e Lana Wachowski
ELENCO: Keanu Reaves, Lawrence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving

No futuro, a humanidade é prisioneira de sua própria criação, a Inteligência Artificial, que criou a Matrix, uma realidade virtual onde foram inseridos todos os seres humanos para que eles não oponham resistência ao poder das máquinas. Todos não, pois um grupo de rebeldes mantém-se fora dessa realidade e luta para libertar o restante da humanidade. Eles creem na profecia do Oráculo que diz que um Predestinado um dia virá para vencer as poderosas máquinas e salvar a todos. Para eles, Neo, um jovem que vive na Matrix, é o Predestinado. Neo de fato desconfia que há algo errado com a realidade mas não pode aceitar que ele seja o tão aguardado salvador.

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TRÊILER OFICIAL


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MATRIX, PSICOLOGIA E MITOLOGIA NO LIVRO:

Matrix2012Capa14x21aMatrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, o autor compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

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Blade Runner: Deuses, humanos e androides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

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Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

Seguir a boiada ou as próprias convicções? – Aos poucos podemos, cada um de nós, começar a agir de acordo com as nossas próprias verdades, aquelas que nos fazem sentir mais vivos, úteis e autênticos

A Matrix em cada um de nós – Em busca da realização mais íntima (tornar-se o Predestinado), o ego deve empreender uma longa jornada de autoconhecimento onde não faltarão medos e conflitos para fazê-lo desistir

A pergunta – Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

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O mundo transparente e a nova cidadania

07/11/2013

07nov2013

O povo não deve temer seus governos, os governos é que devem temer o povo

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O MUNDO TRANSPARENTE E A NOVA CIDADANIA

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Primeiro, foi Julian Assange, o australiano que criou o site Wikileaks para promover o vazamento de materiais secretos, como forma de combater a corrupção nos governos e nas empresas. Assange atualmente é perseguido pelo governo dos Estados Unidos e desde 2012 se encontra refugiado na embaixada do Equador em Londres.

Depois, veio Chelsea Manning (nascida Bradley Manning), a militar transexual do Exército dos Estados Unidos, que revelou documentos secretos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão e informações diplomáticas que expuseram a podridão do governo dos Estados Unidos. Manning foi presa, teve negados seus direitos constitucionais e foi condenada a 35 anos de cadeia.

E agora, surge Edward Snowden, estadunidense ex-funcionário da CIA que denunciou à imprensa os programas que Tio Sam, sob pretexto de combater o terrorismo, usa para espionar a internet e as ligações telefônicas de cidadãos seus e de outros países. Snowden refugiou-se em Hong Kong, depois na Rússia, e está sendo raivosamente perseguido pelo governo Obama, que não o perdoa por ter revelado a verdade.

Esses três casos são três furos na velha estrutura de sigilo e espionagem dos Estados. Por enquanto, os governos conseguem tapar um ou outro, mas em breve surgirão outros furos e será impossível conter tanto vazamento, pois o mundo é cada vez mais transparente, e até para os governos está difícil esconder suas ações, mesmo as mais secretas.

As facilidades das comunicações e dos transportes estão tornando as sociedades cada vez mais interconectadas. Atualmente, os países se organizam em blocos geopolíticos, dissolvendo suas fronteiras, e a internet, permitindo o intercâmbio multicultural diário, faz nascer nas novas gerações uma revolucionária noção de cidadania global, para a qual as guerras não fazem nenhum sentido e as diferenças não são meros pretextos para conflitos. Isso tudo motiva a luta por democracia e contra governos opressores, e aponta para um possível futuro onde não teremos mais países: a Terra será a pátria de todos. Sim, ainda há muitas diferenças a serem superadas, preconceitos, fanatismos religiosos, interesses capitalistas… Mas os acontecimentos se aceleram e, apesar das resistências da velha ordem, esse futuro já está acontecendo.

Julian Assange, Chelsea Manning e Edward Snowden tiveram a coragem de denunciar o que estava errado, mesmo sabendo que o preço por desafiar os interesses de empresas e governos poderosos pode ser jamais ter uma vida tranquila. Suas belas atitudes não mudam o mundo de uma hora para outra, mas nos fazem ampliar nossa noção de cidadania, de um nível nacional para um nível global. E também fazem as pessoas no mundo inteiro começarem a se dar conta de uma verdade óbvia: o povo não deve temer seus governos, os governos é que devem temer o povo.

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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O ATAQUE DOS HELICÓPTEROS

Em 12.07.07, na cidade de Bagdá, dois helicópteros do exército dos Estados Unidos executaram 12 homens durante um ataque surpresa. Os militares buscavam homens armados, mas confundiram dois funcionários da agência de notícias Reuters por causa de seus equipamentos e os mataram também, além de ferirem duas crianças. O site Wikileaks conseguiu o vídeo (gravado a partir da mira do helicóptero) e o divulgou em 2010, causando grande indignação em todo o mundo e contradizendo a versão do exército estadunidense mantida até então. O soldado Bradley Manning (que em 2013 viraria Chelsea Manning) foi preso sob a acusação de ter vazado o vídeo. Nesta versão do vídeo, o diálogo dos militares foi legendando em português e indicações mostram onde se encontravam os funcionários da Reuters. > Saiba mais sobre o ataque

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01- Muito bom Ric…o feitiço virando contra o feiticeiro… Emerson Boy Batista, São Paulo-SP – nov2013

 

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Os alquimistas estão chegando

07/10/2013

07out2013

A sua ideia, onde está? O que você fez por ela hoje?

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OS ALQUIMISTAS ESTÃO CHEGANDO

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As ideias… Era sobre isso que eu queria falar.

Livros e filmes de sucesso, negócios milionários, religiões, tudo que existe nasceu de uma ideia, uma partícula microscópica de pensamento, um quase nada, um nadinha mesmo. Mas um nada pulsante. Que um belo dia, zapt!, cruza o céu negro do inconsciente feito um cometa e chama a atenção da consciência.

Tudo começa assim. É o momento mágico da concepção, o vir a ser de uma ideia. Mas isso não é o suficiente. Ideias surgem a todo instante, milhões de partículas cruzando os céus mentais das pessoas a cada segundo. E, como são voláteis, a maioria some na negritude do espaço interior e não volta mais. Para onde vão? Voltam ao limbo das ideias, um mundo silencioso onde elas vivem sua vidinha de não ser. Que triste isso para uma ideia que sonhava com o dia a dia agitado lá fora…

Então, não basta nascer: a ideia tem que se desenvolver, é preciso experimentá-la de vários modos, misturá-la a outras substâncias, provocar reações, explosões… É a alquimia das ideias. Você é um alquimista de ideias e ainda não havia percebido. Pois agora sabe.

Repare, toda ideia anseia por conhecer o mundão onde vivem os fatos. E quando uma ideia vira fato, seja uma música, um negócio ou uma invenção, então você, além de alquimista das ideias, passa a ser um empreendedor. Sua ideia agora pode ser lida, vista, sentida, tocada. A partícula cresceu e agora é um empreendimento.

Nunca na história houve tanta gente criando e trocando ideias. A facilidade e a instantaneidade das mídias nos põem em contato permanente com tudo ao redor. Estamos passando ao próximo nível evolutivo, o Homo conectadus, e nesse nível a ideia de um é a ideia de todos, e esta alquimia das ideias todas juntas pode ser usada de várias formas, gerando novas ideias, novas explosões…

A sua ideia, onde está? O que você fez por ela hoje? Ou vai me dizer que você a abandonou ao relento do que não será? Ah, não faça isso!

Troque agora a pilha de suas motivações e vá buscar sua ideia, vá logo. As ideias não gostam de ficar no limbo. Elas vão para lá quando seu criador se cansa de lutar por elas, sim, mas vez em quando escapolem e cruzam outros céus, em busca de alguém que as adote. Além de voláteis, ideias são bichinhos carentes, sabia?

Invista em sua ideia. Mesmo que o mundo oficial não lhe dê atenção, que o jornal não publique e nenhuma empresa aceite patrocinar, você precisa cuidar de sua ideia. Alimente-a com outras ideias, leve-a ao submundo do alternativo, onde as coisas sempre dão um jeito de acontecer. Outras pessoas a conhecerão, vocês misturarão tudo, farão uma suruba criativa e gozarão bons frutos. Ideias unidas jamais serão perdidas.

Você então verá, um tempo depois, que sua ideia encorpou, ficou forte. Está agora tão poderosa que o mundo oficial, que antes não a aceitava, será obrigado a lhe dar atenção. Pronto, sua ideia chegou lá, onde ela sonhava chegar. Graças à sua persistência de alquimista. Parabéns!

Os mundos aguardam o que você tem para mostrar. Talvez seja primeiro o submundo e depois o mundo oficial, a ordem não importa. O que importa é a desordem. A desordem criativa de sua mente. De onde, neste exato momento, está nascendo mais uma partícula de ideia…

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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01- Livia Queiroz…leia este texto…lembrei de você com sua mente criativa… Celina Bezerra, Fortaleza-CE – out2013

02- Muito bacana! GOSTEI GOSTEI *_* Livia Queiroz, Fortaleza-CE – out2013

03- Parabéns pelo texto tão motivador e inteligente…encantei-me a cada segundo que lia cada linha do seu texto…que mente linda e brilhante. Parabenizo-o e o aplaudo de pé. Grande dia…e forte abraço.. Vou compartilhar…penso que mais pessoas precisam ler o seu texto… Dayse Sene, Montes Claros-MG – out2013

04- Hehe Kelmer,q texto foda! O submundo ja me conhece…tenho q perseverar, jah sei mestre,bjs. Izabel Castro, São Paulo-SP – out2013

OsAlquimistasEstaoChegando-01a

Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

Entre rocks e feridos

05/09/2013

05set2013

De repente, caiu a ficha: Putz, vinte anos atrás eu estava no Rock in Rio

EntreRockEFeridos-01

ENTRE ROCKS E FERIDOS

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Dizem que o cara começa a envelhecer no dia em que acorda, se espreguiça diante do espelho e diz, todo satisfeito: Nunca me senti tão jovem! Pois tenho outra teoria. Você começa a ficar velho no dia em que vira objeto de arqueologia jornalística. Para ser exato, quando alguém te liga e diz assim: Oi, Ricardo, nosso jornal está fazendo uma matéria sobre os vinte anos do Rock in Rio e queremos entrevistar os que sobreviveram.

Generosas leitoras, diletos leitores, comunico oficialmente que acabo de ficar velho. Ou, para soar mais heróico, que sou um sobrevivente. De repente, caiu a ficha: Putz, vinte anos atrás eu estava no Rock in Rio! Rio de Janeiro, janeiro de 1985. Eu e meus febris vintanos, minhalma deslumbrada… Lembro como se fosse há duas décadas, eu e Paulo Marcio compramos a camiseta do festival, botamos a mochila nas costas e pegamos o semileito, dois dias e duas noites de estrada sem fim. Cheguei no Rio sem bunda, eu que já não tenho muita. Se fosse hoje, acho que eu surtaria antes de chegar em Minas, mas naqueles dias eu era super-homem, não precisava dormir e tinha fígado blindado. A viagem inteira na manguaça, cada parada uma festa. Até namorada arrumei no ônibus, acredita? A danada era noiva, e no escurinho do último banco me escolheu para sua despedida de solteira, que honra.

Confesso que não lembro muita coisa do festival. Quando penso que hoje as crianças já nascem com quinhentos giga de memória, que inveja. Eu, particularmente, não disponho de mais que um mói de vaga lembrança. Mas vamos lá, queimemos os últimos neurônios… Lembro que no caminho para Jacarepaguá perdi uma lente do meu oclim e tive que encarar o festival cego de um olho. Isso explica metade da minha amnésia. Que mais? Lembro que foi Vinicius de Moraes, falecido anos antes, quem abriu o festival. Não, não tomei um ácido e vi a alma dele no palco. É que Ney Matogrosso fez a abertura cantando Rosa de Hiroxima, letra do poeta.

Que mais? Lembro dos malucos do AC/DC, o new age do B52, a doidinha da Nina Hagen que tinha um leruaite com o, desculpe, Supla… Lembro também do Moraes Moreira, Paralamas… Ué, mas não era festival de rock? Era, né, mas isso é Brasil, minha filha, entenda. Que mais? Lembro de um torpedo desse tamanho que eu fumei e, inexperiente, entrei numa lombra de que todas as cem mil pessoas olhavam para mim com aquelas máscaras das crianças do filme The Wall, pense na paranoia. Apavorado, fui me esconder debaixo da catraca da bilheteria, Paulo Marcio rezando por mim. Acabei na enfermaria, glicose na veia, nunca mais na vida eu fumo maconha. Mas sejamos justos, a culpa não foi da planta, coitada, eu é que antes enxuguei meio litro de Tonel 01. O fato é que eu morri e lá no inferno ninguém me atendeu, todo mundo acompanhando o rock pela TV. Acordei recuperado e saí correndo de volta a tempo de ver o Rod Stewart. Ainda tomei uma cerva para comemorar. Jovem é assim, imortal.

Bem, agora que cumpri com meu dever de alertar a juventude sobre o perigo demoníaco das drogas, do rock’n’roll e das noivas taradas dos semileitos, dá licença que vou tomar um domecq e escutar meu Led Zeppelin. E fazer uma pajelança em honra da minha pessoa, eu, sobrevivente do primeiro Rock in Rio. Não tão imortal quanto naqueles dias, admito. Mas mais jovem que nunca.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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01- Se estar velho é ter vivênciado o primeiro Rock in Rio, que dirá ter curtido o Woodstock… Tô fudido. Um abraço primo. Jamiro Dias de Oliveira Junior, Fortaleza-CE – jan2005

02- Caro Ricardo, Foi delicioso ler sua crônica, pena que tenha sido tão curtinha de curtir. Num outro ônibus ia eu com as noivas daquele outro ônibus. E que viagem foi aquela… no ônibus para Jacarepaguá, onde até o cobrador fumava e nem cobrava nada. Na lama da cidade do rock, todo mundo se melando de alguma. Os amigos, as namoradas, as amigas… que viagem. Sucesso, feliz ano novo. E viva o rock’n’roll. Abraço. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2005

03- Oi Ric! Adorei a crônica…espero que estejas bem.Quando vens por aqui? Beijinhos brancos com sabor de PAZ. Viviane Avelar, Sobral-CE – jan2005

04- Oi velhinho, a anestesia de 85 era boa, né? Ainda bem que sim pq agora está difícil, tem que nas escolhas conscientes senão dançamos, não ao maravilhoso som do ROCK en ROLL mas na vida mesmo. Obrigada pelas boas risadas que dei. bj bem graaaaaandão! Dijé, Fortaleza-CE – jan2005

05- rickie boy, é, o peso dos ânus! Eles passam avoando… Lembra o tempo do… como é que chamava mesmo? Legal… O que conta é não perder o rumor, quer dizer, o humor! Abração. Max Krichanã, Fortaleza-CE – jan2005

06- Sensacional, Kelmer! Que inveja… neste tempo eu tava aprendendo a dançar forró numa cidadezinha do interior, tentando conseguir uma primeira namorada, perto dos meus 14 anos. Só assisti o Rock in Rio II que não chegou nem perto do primeiro. Acho que a coisa mais próxima do primeiro deve ter sido Woodstock! Abraço, Parabéns pelas excelentes lembranças. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – jan2005

07- Kelmo, Adorei a sua crônica sobre o Rock in Rio. Eu apesar de ser da sua mesma era geológica sofri muito mais porque morava em Quixeramobim, a muitos e muitos quilômetros de Jacarepaguá. Um grande abraço do seu eterno fã. Tibico Brasil, Fortaleza-CE – jan2005

08- Vc é um Gênio extrmamente criativo. Abrazos. Heloise Riquet, Fortaleza-CE – mar2005

09- Showwww de texto, viajei na história hehehe. Tbem estive no Rock in Rio, o q trouxe várias lembranças. Tem toda razão, quando jovens somos imortais ou ao menos pensamos que somos kkkk. Abner Rios de Alencar, Fortaleza-CE – set2013

10- Galera que vai pro Rock in Rio, se prepara que daqui há vinte anos quero ouvir as histórias! Ricardo Kelmer como sempre formidável! Jessika Thais, Fortaleza-CE – set2013

11- Muito boa, sorri e gargalhei….eu tb. usava oclinho e perdi a lente um dia, fora as lentes de contato perdidas no escurinho dos cinemas e “boites” (alguém sabe o que é/era isso?kkk) Marialucia da Silveira, Campinas-SP – set2013

12- Teu texto é uma viagem Ricardo!! Bjao. Liliana Araujo Moreira, Madri-Espanha, set2013

13- Bem que podia rolar ” Diários de Itapemirim” kkk. Francisco Coelho, Rio de Janeiro-RJ – set2013

14- Acho que vc não envelheceu tanto assim…continua o mesmo garoto com alma de poeta dos velhos tempos do Colégio Cearense. Yvana Oliveira, Fortaleza-CE – set2013


Profissão: sitcomicozinho

25/08/2013

25ago2013

Criatividade, senso de grupo e representatividade de talentos individuais: eis o segredo de uma boa equipe de sitcom

RK200503Roteiristas1

PROFISSÃO: SITCOMICOZINHO

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Galera, tem um pessoal aí de uma faculdade pesquisando sobre o trabalho de roteirista em equipe. Ah, legal, manda entrar. Oi, prazer, tudo bem? Senta aí. Vocês querem saber como funciona trabalhar em equipe, né? Então vamos lá.

Escrever roteiro de sitcom em equipe requer bem mais que talento criativo. Os integrantes da equipe devem formar um conjunto harmônico e eficiente e, para que isso seja possível, no grupo deve haver diferença de talentos: fulano é melhor criando piadas, sicrano na estrutura, beltrano nos diálogos e por aí vai. Criatividade, senso de grupo e representatividade de talentos individuais, eis o segredo de uma boa equipe de sitcom.

A equipe tem um líder. Sem ele, as ideias soltas do grupo ficam sem foco nem direção. Ele não é necessariamente o mais criativo ou o melhor piadista, mas deve reunir qualidades como liderança, senso de equipe, organização, disciplina, calma e paciência. Ele deve fazer com que todos se sintam inteiramente à vontade para criar e expor. Ele deve escutar todas as ideias e decidir qual é a melhor mas, caso fique em dúvida, todos votam para decidir. O melhor líder é aquele que sabe extrair o melhor de seus companheiros. Numa equipe de sitcom isso é fundamental: se o líder não incentiva ou se desrespeita o processo criativo, a equipe se desmotiva e o trabalho não rende.

Toda história nasce de uma entre as diversas ideias básicas que são apresentadas pelos integrantes da equipe. Os produtores analisam as ideias e selecionam a da vez. A ideia básica escolhida é então detalhada num texto curto, com começo, meio e fim. Após isso, a história é dividida em dois atos e as cenas são especificadas. A etapa seguinte é amplificar cada cena, detalhando as situações, marcando as piadas e citando os diálogos. Com a história finalmente estruturada em todas as suas cenas, monta-se o roteiro propriamente dito, com ações e diálogos especificados, além dos cenários e atores necessários para cada cena, a passagem exata do tempo e as orientações de dia ou noite para o pessoal da iluminação. A equipe de roteiristas tem ainda de fazer uma última leitura em conjunto, onde são corrigidas as falhas que restaram. Esse processo todo costuma acontecer em média em cinco ou seis dias.

A partir daí, entra-se em ritmo de ensaio e gravação. Numa reunião com atores, diretores e roteiristas, o roteiro é lido (cada ator lendo as falas de seu personagem), e então os roteiristas têm uma melhor noção das falas e das piadas, podendo alterar algo. Após as alterações, o roteiro é distribuído para elenco, direção e equipe técnica e começam os ensaios, que podem durar dois ou mais dias e são sempre acompanhados por um roteirista. Há um ensaio geral (o corridão) e depois acontece a gravação. O material é então levado à sala de edição, onde o episódio é montado cena a cena. O produto final de tudo isso é o que espectador vê na tela.

Não basta a história ser boa. É preciso que os atores saibam interpretá-la e que o diretor saiba conduzi-los em cena. É fundamental também o trabalho do pessoal da edição, que monta as cenas no computador, no tempo certo. Além disso há o trabalho de cenógrafos, maquiadores, figurinistas, iluminadores e assistentes e todos os profissionais que não aparecem na tela, mas que são imprescindíveis, desde o pessoal da limpeza e do refeitório até o motorista e o contínuo.

Algumas vezes a história é excelente, mas na gravação ela não é tão bem contada quanto poderia ser. Isso, evidentemente, é uma enorme frustração para os roteiristas. Outras vezes atores e diretores, com seu talento, conseguem transformar uma história, que no papel não era tão boa, em cenas tão divertidas que no fim a história acabou ficando melhor. Pode ocorrer também da edição final conter falhas e comprometer o esforço de roteiristas, diretores e atores. Enfim, são muitos detalhes envolvidos na qualidade do produto final – mas tudo começa na sala dos roteiristas, com uma boa história e com boas piadas.

Criar. Inventar. Puxar da cartola uma boa ideia. O trabalho de um roteirista de sitcom é por ideias para fora de sua mente, uni-las a outras ideias, lapidá-las e encaixá-las num determinado contexto. É uma tarefa cotidiana, que não pode parar, pois o cronograma tem de ser respeitado. Chova ou faça sol, os roteiristas devem ter ótimas ideias sempre, feito uma máquina de churros.

Mas nem sempre você está num bom dia, né? É aqui que entra a equipe. Se tudo dependesse de um roteirista apenas, no dia em que ele tivesse comido um acarajé estragado, as piadas não viriam, a história não andaria. Como são vários roteiristas, um acaba compensando o outro e a média de qualidade do trabalho é mantida. Outra coisa importante é o entrosamento e a confiança, ou seja, a capacidade de seus integrantes de funcionarem como uma equipe esportiva onde um passa a bola para o outro que faz o gol. O importante não é você fazer o gol, mas o gol acontecer. Você faz uma piadinha ruim, assumidamente ridícula, mas ela inspira o colega a fazer outra e você, por sua vez, a aperfeiçoa. O que vale é o produto final.

Se um roteirista se considera mais importante que os demais ou tem dificuldade de abdicar de sua ideia por uma ideia que a maioria considera melhor, não haverá harmonia na equipe e isso pode levar ou à saída do roteirista orgulhoso ou à queda de qualidade dos trabalhos. Trabalhar em equipe não é fácil. Quando os integrantes sabem abdicar de sua autoimportância e se entendem como partes integrantes de um mesmo organismo, pensando sempre em termos de grupo, então as boas ideias sempre vêm e os bons roteiros aparecem.

Pronto? Mais alguma informação? Então tá. Avisa quando for publicado, heim? Valeu. Tchau. Aí, galera, acabou a entrevista, todo mundo voltando ao trabalho, cadê aquela Playboy que eu tava lendo?

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

OS SITCOMICOZINHOS –  Roteiristas da foto, da esquerda para a direita: Ana Paul, Fábio Danesi Rossi, Ricardo Tiezzi, Ricardo Kelmer, Gustavo Melo, Luciana Bezerra e Macarrão (Alexandre Magalhães). Na equipe original constavam ainda os roteiristas Claudio Yosida, Nixxon Alves e Silva, Rinaldo Teixeira, Ricardo Barretto e Nina Crintzs. A equipe foi formada pela produtora americana Picante Pictures em 2003-2004 para a criação e produção de sitcons no Brasil, a partir de sua base no Rio de Janeiro. O sitcom Mano a Mano, criado pela equipe, teve sua primeira temporada de 12 episódios gravada na cidade do Rio de Janeiro e é considerado o primeiro sitcom brasileiro feito no formato tradicional do sitcom americano. Os episódios foram dirigidos por Vicente Barcellos, João Camargo e Estela Renner e exibidos e reprisados em 2005 pela RedeTV.
> Saiba mais sobre o Mano a Mano

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É o amor

07/08/2013

07ago2013

E os outros zezés e lucianos por aí?

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É O AMOR

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Como sou homem besta para chorar, é claro que ensopei a manga da camisa vendo 2 Filhos de Francisco (direção de Breno Silveira). Sempre me tocam histórias de superação, isso de lutar por um sonho. Não sou fã de música romaneja, mas é comovente acompanhar a trajetória do artista que, apesar das dificuldades, não desiste de sua arte. Mas então a pulga me coça a orelha: e os outros zezés e lucianos por aí?

A dupla do filme conseguiu chegar lá. Antes passaram muita necessidade, engraxando sapato, vendo a mãe chorar porque não tinha comida em casa, perderam um irmão. Palmas, eles merecem. Mas, que diacho, não consigo deixar de pensar nos outros. Todo mundo saindo do cinema cantando feliz, e eu, o estraga-prazer, pensando naqueles que lutam tanto ou até mais e, no entanto, não chegam lá. E aí?

E aí é isso mesmo, é a vida, uns chegam e outros não. É, você tem razão, se todos chegassem, não caberiam todos no palco. Cruel matemática a do sucesso artístico. Então a vida é injusta? É assim que ela trata seus artistas, aqueles que têm a sagrada missão de entreter e divertir o povo? O que afinal está errado com a arte? Por que para a grande maioria a arte nasce sonho bonito, mas aos poucos vira pesadelo e faz da vida um trágico erro de percurso?

Tenho um palpite. Ele é fruto de tudo que aprendi em minha própria vida, buscando ser escritor num país de não leitores. Não existe fracasso na arte. Porque a arte, por si só, é a eterna celebração da vida. Aqueles a quem a vida escolhe para serem artistas têm a missão de fazer arte e pronto. Se conseguirão se sustentar com ela, isso é outra coisa, a arte em si nada tem a ver com isso, não lhe peçam o que não é de sua competência.

A maioria dos artistas, de fato, não consegue se sustentar e desiste. Uma parte prossegue a duras penas, sempre maldizendo o sistema e envolta em amargura. Mas há aqueles que, mesmo com reconhecimento curto e dinheirinho minguado, continuam com sua arte, são felizes e não abrem mão dela ‒ porque não saberiam viver longe de seu grande amor. Jamais terão sua história contada no cinema, mas ela certamente é a melhor de todas as histórias. Esses encarnam o verdadeiro espírito artístico: fazer arte pela arte. Esses darão a volta completa na roda da experiência e chegarão, não necessariamente ao estrelado panteão das celebridades, mas ao ponto mágico de compreensão onde vida e arte se tornam uma coisa só, e dinheiro e fama não importam tanto quanto continuar… fazendo arte.

Eles olharão para trás e entenderão que a recompensa maior era a própria arte que faziam. E que mesmo devendo o aluguel, não deveram a alma. Que mesmo sem saber como seria o dia seguinte,  cumpriram seu destino. Por amor à arte. Que, no fundo, é o mesmo amor à vida. É o amor.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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01 Cara, li o texto sobre o filme…. vc disse tudo! Parabéns, ficou ducaralho! Vou ler o outro mais tarde, pois hoje tem banho mensal. Parabéns para nós, que arriscamos a vida com arte, e para vc escreveu tão bem a nossa labuta boa. Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – set2005

02- Linda crônica, além de me emocionar muitíssimo com o filme ( eu também ensopei não só a camisa mas também a saia, as meias, a fitinha do cabelo… ), agora você me fez reviver um pouco a emoção com as tuas tão bem empregadas palavras. Engraçado, depois que vi o filme, sempre falei muito bem dele, mas sempre completei meus comentários dizendo que o filme me fez pensar muito mais naqueles Zezés e Lucianos que estão por aí, vagando pela vida, e que por acasos ou não acasos do destino, não estão nem na telona, nem com suas vozes gravadas em CDs, e muitas vezes estão aí, vendendo bugingangas nas ruas sem que nos demos conta do sonho matado à força que existe por trás de cada um deles. Como você, também sai do cinema comentando como esse país deve estar repleto deles, e que dor que dá pensar nisso né ? Bem, só queria te dizer que teu texto veio em boa hora, quando estou justamente num momento de amor e ódio com a tal arte citada por você, pois por tabela vivo a peleja diária do Jayme na sua escalada para algum lugar que nem se sabe direito qual. E que justo hoje, estava num dia de descrença total, mas quando li tua crônica, me lembrei da essência dessa busca, do amor que move aqueles que buscam imprimir qualquer forma de arte nesse mundo nem sempre tão receptivo às nossas formas de expressão. Um beijo. Ilana Nahm Akstein, Rio de Janeiro-RJ – set2005

03- OLÁ RICARDO !!! COMO SEMPRE UMA POETA SENSÍVEL, PREOCUPADO COM O PRÓXIMO. CHEGAR AO SUCE$$O DEPENDE DO ESFORÇO E VONTADE DE CADA UM. SE TODOS OS ARTISTAS, POR MÉRITO CHEGASSEM AO TOPO, COM CERTEZA NÃO TERIA UM PALCO TÃO GRANDE QUE COUBESSE TODOS. O SEU JÁ ESTÁ PRONTO, É CERTO. SÓ FALTA UMA GRANDE CAMINHADA PRA CHEGAR ATÉ LÁ. AS DIFICULDADES EXISTEM, VOCÊ SABE. SE VOCÊ FÁCIL NÃO TERIA GRAÇA, NEM SATISFAÇÃO DE ATINGIR A META QUE CADA UM QUER PRA SUA VIDA. O CAMINHO É ESTE, SER AUTÊNTICO. PARABÉNS, MAIS UMA VEZ !!! NÃO O CONHEÇO, MAS, SINTO A PESSOA BOA, HUMANA QUE É, E PROCURA DEMONSTRAR NAS SUAS CRÔNICAS, POESIAS. UM PROFUNDO CONHECEDOR DO SEXO FEMININO. NÃO SEI ESCREVER BONITO, MAS, ESPERO TER PASSADO ENERGIAS POSITIVAS, NESTAS POUCAS PALAVRAS. SAUDAÇÕES. Lucimar Rabello, Vila Velha-ES – set2005

04- OI RICARDO… Que coincidência. Ontem, fui assistir o filme. Também saí de lá chorando. Até porque, conheci o Zezé na época em que ele vinha à Santos “mendigar “shows. Acho que realmente eles mereceram. È meu caro, se ficarmos falando das dificuldades de nossa área, levaria a noite toda. // Mas, como vc disse, é o amor… Mardito amor que só sabe fazer a gente sofrer… Seja qual for o tipo de amor… é o amor. Parabéns pela crônica. Cristiane Carvalho, São Vicente-SP – set2005

05- Muito legal, Rico. Como legítima representante dos não-artistas (com dor no coração, claro), faço minhas as suas sábias palavras. Grande beijo. Marta Crisóstomo Rosário, Brasília-DF – set2005

06- É isso aí mano. Para mim, os verdadeiros vencedores são aqueles que não abandonaram os seus ideais, mesmo com “reconhecimento curto e dinheirinho minguado”, os que não se entregaram ao sistema. Viva para eles… Claudio Roberto Azevedo, Fortaleza-CE – set2005

07- E ai, Ricardo… Você já imaginou, que é por algum motivo, muito especial, que algumas pessoas foram escolhidas, para percorrer este caminho, que realmente pode não ser fácil, é nem é pra ser. Que consigam transmitir sua arte, seja em que segmento for, para muitos, ou simplesmente poucos, não importa!!! O importante é que continuem, trazendo para nossas vidas: cores, risos, lagrimas, emoções, sentimentos, realidades e também muitos sonhos. Assim, como você, Meu Escritor Favorito!!! Rita de Cássia, São Paulo-SP – set2005

08- Fala Ricardo, gostei muito mesmo do seu texto, concordo com tudo o que você disse. Acho que todos concordariam se pudessem enxergar além das pretensões narcisisticas e da ignorância. A arte é a transmutação do sentimento urgente de viver que o artista sente e nada mais. Não deixa de me chamar pro lançamento do seu livro, abraço. Pedro Schprejer, Rio de Janeiro-RJ – set2005

09- Como é lindo esse teu lado, tua alma feminina. A vida é bem essa luta para aprendermos a ser verdadeiros. Os artistas sabem disso. É como você falou. Mas mesmo quem não é artista, muitas vezes tem que se vender um pouco (se é que existe isso) até encontrar seu limite e daí partir prá luta (como eu fiz), ou infelizmente se perder como muitos no furacão da insegurança e da ganância humana. No final nada há prá nos deixar mais em paz do que ser fiéis a nós mesmos. Eh…acho que eu vou ter que ver o filme…droga, detesto borrar a maquiagem. Lucilene Anderson, Fortaleza-CE – set2005

10- Ricardo, mais uma vez vc. fez Bingo!!!! Sinto-me uma das tais e ainda me pergunto se, nestes dias de total banalidade e baixa qualidade, lá no fundinho de nós, não há um sabotador esperto que prefere o anonimato e as dificuldades a vender barato nossa amante fiel de toda uma vida. Se não der pra estar próximo a uma Mona Lisa ou uma Capela Sistina, uma Divina comédia ou mesmo um ótimo romance do Saramago ou um poema do Pessoa, que nossa musa não vire consumo fácil do tipo imã de geladeira, a meu ver, o melhor ícone de nossos dias! Um grande abraço. Angela Schonoor, Niterói-RJ – set2005

11- podis crer… Fábio Morais, Rio de Janeiro-RJ – set2005

12- Putz, Ricardo, Sensacional. Tu é foda … Parabéns. Um grande abraço. Alvin, Fortaleza-CE – set2005

13- Excelente texto, sêo Ricardo! :D*. Susana Motta, Leiria-Portugal – set2005

14- É isso aí, Rika!!! Vc disse tudo; exatamente o que eu acho e a maioria ds pessoas sensíveis, artistas acham tbm. Quando existe mesmo a arte dentro de nós, quando a sentimos forte e latente , ela flui naturalmente, mesmo sem sabermos do seu retorno financeiro e profissional. Quando ela está enraizada dentro de nós, ela precisa sair de qualquer maneira e a nossa alma e a das pessoas ao nosso redor, agradecem. Anabela Alcântara Pinto, Fortaleza-CE – set2005

15- Ainda bem meu amigo (acho que já o posso chamar assim), que você não desistiu dos seus Sonhos, seguiu em frente e continua a escrever essas coisas tão bonitas, com tanta sensibilidade, que sempre nos toca fundo a alma. Um grande abraço, Heloisa Pontes, Fortaleza-CE – set2005

16- Ricardo, me sinto parte dessa crônica! Bj. Luciana P Martins, Rio de Janeiro-RJ – set2005

17- E aí, Ricardo? Não vi o filme, confesso que motivado por meu preconceito contra os sertanejos midiáticos, que passam o domingo a gemer nos Faustões e Gugus da vida. Pra minha surpresa, chega minha mulher, uma fã da boa música brasileira (leia-se Chico, Gil, Belchior) e alguma afinidade com o rock e o pop (Led, U2, santana, Sting, Phil Collins) e diz que viu e adorou. Você pode imaginar o quanto me senti duplamente traído, primeiro por ter ela ido ao cinema sem me consultar – ô cabra macho! – e segundo pela imperdoável escolha musical. Como todo corno que se preza, me conformei depois de alguns beijinhos e argumentos tais como: “a história é muito bonita…”, “os atores estão muito bem..;” etc. Mas o que interessa mesmo é essa sua bela visão do que seja o sucesso ou o fracasso, que transporto tanto para artistas quanto para o ser humano em geral. Há aqueles que procuram o sucesso a qualquer custo, e essas poucas linhas somente me permitem destacar duas categorias, mas há certamente muitas outras: aqueles sem nenhum talento e muito menos visão do processo a que se entregam ou participam, e que são pinçados por esta ou aquela gravadora, esta ou aquela empresa, este ou aquele partido ou grupo político como produto de uso e consumo, ou aqueles que têm talento, acreditam no que fazem e mesmo assim se deixam usar ou corromper por aquelas mesmas entidades e patrões. Tanto estes quanto aqueles, passarão pela vida, percebendo ao fim que por terem escolhido tal caminho, que não necessariamente é o mais fácil, ao perderem aquilo pelo que se venderam, como você mesmo disse, restará apenas o rancor de se sentirem abandonados, ou a cruel amargura de perceber o tempo perdido. Aos grandes homens, em todas as áreas, que não se venderam, não cederam ao apelo fácil de dizer sim a tudo e a todos, como você bem disse, não há fracasso. Poder caminhar a cada dia, construindo os seus sonhos e o dos outros, mesmo que estes nem saibam, nem agradeçam, é paga mais do que suficiente. Por isso meu camarada, sem pieguice nem baitolagem, como nos nossos tempos de menino, vai aí o meu quase inaudível aplauso a você mesmo, que me parece ter descoberto esse caminho da felicidade, de viver fazendo arte, vendo longe sem deixar de olhar pra dentro de si mesmo, ou melhor ainda; sem deixar de olhar pros próprios pés e dar valor a coisas simples como andar na areia e molhá-los na Praia de Iracema, Ipanema, no Leme ou Pontal… Um abraço. Paulo Marcelo, Brasília-DF – set2005

18- Adorei! Bom dia. Qdo vc aparece? Bj. Liége Xavier, Fortaleza-CE – set2005

19- Boa tarde! Olá Ricardo. Gostei de sua crônica, mas sabe o que acontece nós passamos pela vida com uma missão de aprender e ensinar. Sou uma apaixonada por arte, ela me faz sorrir e ser feliz. Gostei dessa frase: ” Porque a arte, por si só, é a eterna celebração da vida.”(Ricardo Kelmer) A diferença entre os que conquistam o sonho e os que ficam pelo caminho é a prova da existência de cada um. Devemos saber utilizar dos recursos conquistados para ajudar a humanidade, só assim a evolução acontece. Cacilda Luna, Fortaleza-CE – set2005

20- Ricardo, Eu ainda não assisti a este filme, talvez nem o vá, pois sei que como vc e todos os que assistiram, vou chorar, mas pensei tbem como vc, o que foram feitos dos outros “filhos de Chico” do mundo afora que nem sequer tiveram chance de sua expressão, com isso não quero desmerecer o poder de conquista destes dois irmãos, é que o mundo é muito estranho mesmo, por vezes carrasco. Mesmo assim a despeito de qualquer tristeza, dores ou eventuais problemas, eu continuo acreditando no amor e espero e desejo que você e todos os que sofrem diante de certas injustiças também continue a acreditar, porque basta que desejemos o amor… e haverá amor! Um abraço. Sandra A Dehn, Cuiabá-MS – set2005

21- Ô texto bom de se ler, bichorréi lindo!!! Como é gostoso seu jeito de pensar pra nós!!! Deus continue a te iluminar, que as musas te inspirem… Para que mais gente saiba que o que nos faz vivos…É O AMOOOOORRR!!!! Bjos. Karla Karenina, Fortaleza-CE – set2005

22- Parabéns, fazer arte não é para qualquer um. mas fazer boa arte é para poucos. Mesmo assim não desisto de fazer as minhas, como vc o faz. Dom não se compra na esquina, nasce com agente; somos abençoados pela vida. Beijos. Paula Rabelo, Rio de Janeiro-RJ – set2005

23- Valeu Ricardo, mais uma vez vc foi dez na sua forma de expressar seu pensamento, que na realidade compartilha com milhões de artistas que também tiveram que percorrer árduos caminhos para chegar ao sucesso. Os outros Zés da vida talvez não tenham tido dinheiro suficiente para produzir um filme e contar suas mazelas. Bjinhos. Mariucha Madureira, Brasília-DF – set2005

24- É O AMOR. Gostei muito do filme e confesso que chorei… Chorei porque é uma bela historia de vida. Marcia Morozoff, Brasília-DF – set2005

25- Cara, essa foi do caralho!!! Um grande abraço. Sergio Nogueira, Fortaleza-CE – set2005

26- Oi Ricardo! Muito boa essa critica!! Eu confesso que näo fui asssisti ao filme que todas as pessoas que eu conheco foram, por puro preconceito! Nao gosto da dupla. Nao so pelo estilo musical, mas por saber que eles sao pessoas que adoram destratar os outros sempre que nao tem nenhuma camera por perto. A ultima que fiquei sabendo foi de uma colega de trabalho que foi a um show deles aqui em Fortaleza, na vaquejada de Itapebussu. Eles passaram pelo camarote onde minha colega estava e ela, coitada, toda tiete, querendo conversar, tirar foto, foi surpreendida pela falta de educacao do Luciano (educacao nao se compre ) que foi bastante grosseiro. Bem, mas esse nao e o mais importante. O que mais me revolta nesse filme e saber que varias sao as pessoas que lutam dignamente, diariamente, por uma vida melhor, por um sonho, e que nao sao e nunca serao reconhecidas. So falta eles ganharem o Oscar. Tantos filmes bons ja tivemos, mas logico, nenhum a altura deste que conta uma historia tao bonita. Historia que e so olhar para o lado que veremos tantas outras, tao perto, tao sofrida, mas que nao merecem ser contadas , nem lembradas, muito menos admiradas, porque sao historias comuns, de pessoas comuns. Acho uma pena darmos tanto valor a pessoas tao futeis! Ana Karolina Nascimento, Fortaleza-CE – out2005

27- sou conteporâneo seu do santo inácio e do cearense. Depois de morar no rio e em sp hoje moro em brasilia. Quando estava em férias na nossa cidade ouvi uma crônica sua sobre o filme os dois filhos de francisco, depois passei a acompanhar sua coluna no jornal o povo (confesso que é a única coisa que leio). A tempos estou para solicitar seus livros mas só hoje venci a preguiça. Cláudio Gondim B. Farias, Brasília-DF – jan2007

28- Li várias crônicas ontem, mas, a que me fez ficar daquele jeito, foi: É o amor. Achei de uma beleza sem igual. Define muito bem a dureza que é a vida de um “artista”. Parabéns! Cada crônica tem um segredo escondido, até mesmo naquelas mais engraçadas! Acho que essa coragem que você tem de arriscar, mesmo com medo, você vai em frente e enfrenta os leões ferozes que aparecem e ainda consegue vencê-los. É essa coragem de ser você mesmo que encanta todos os que convivem com você e faz de você uma pessoa mais que especial! Obrigada pelas lágrimas de hoje! Obrigada por nos colocar em contato com o nosso eu mais profundo! E muito obrigada por não deixar a gente esquecer que esse mundo não é só matéria. Existe algo além disso… E é sobre isso que você sabe escrever muito bem! Um cheiro bem grande!!!! Vânia Vieira, Fortaleza-CE – jun2007

29- Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos ! vc conseguiu! emocionada! em extase! sem comentários para não perder a sençãção intraduzível do momento!UAU! Anosha Prema, Campinas-SP – ago2013

30- Puxa primo, você consegue colocar em palavras a realidade da vida por nós sentida com muita naturalidade e atentar para coisas imperceptível para muitos. Vânia Dias, Fortaleza-CE – ago2013

31- Grande Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos ! Seu texto está no ponto, maravilhoso e completamente real ! Abração forte! Erico Baymma, Fortaleza-CE – ago2013

32- Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos, grande texto em que eu concordo com cada palavra! Diego José, Fortaleza-CE – ago2013

33- Eu concordo com voce, mas se pensarmos direitinho, isso acontece em todas as areas, por exemplo, a gente tira pelos concursos publicos, pra juiz por exemplo… o cara estuda a vida toda, o salario é maravilhoso, pode mudar totalmente a vida, mas sao milhares de candidatos, e apensa algumas dezenas de vagas… Nem todos passam. Bruna Barros, Campina Grande-PB – ago2013

34- Ricardo Kelmer gostei muito desse filme! Vale à pena ver esta análise:http://www.cartacapital.com.br/…/view. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – nov2013

35- Texto sensacional!!!Como é bom ler suas escritas…. Bjks. Carla Falcão Bouth, São Paulo-SP – nov2013

36- Lindo texto !!! Tanto quanto vc !!! Joyce Lôbo, Brasília-DF – nov2013

Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

Crônica para cabelos rebeldes

26/07/2013

26jul2013

Então, descobri uma das maiores invenções da humanidade: o creme hidratante sem enxágue

CronicaParaCabelosRebeldes-05

CRÔNICA PARA CABELOS REBELDES

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Olhei no espelho e minha alma roqueira mandou: Deixa o cabelo crescer, maluco! É, pensei eu, por que não? A última vez fora aos vinte anos, tava com saudade de ter cabelão. O espelho, mais sensato, me alertou: Aí em cima já tá faltando telha, cabelo fino e quebradiço, tu vai ser o espantalho que fugiu da roça… Fiz que não ouvi. Então, com vocês, na sessão sem noção, O Quarentão Roqueiro.

No começo, tudo bem. Mas logo o cabelo não parava quieto. Eu passava em frente ao salão e o dilema me roía, corto ou não corto? Em nome do roquenrou, resisti e não cortei. Mas o espantalho fujão comprou um boné. De dia até resolvia, mas… sair de boné à noite? Comprei um preto, que é mais discreto. Depois comprei um com as cores do meu time. No vigésimo boné, quando vi que comprara um repetido, entendi as mulheres viciadas em sapatos.

Descobri o gel fixador. Ufa, meus fios rebeldes enfim se acalmaram. Mas fiquei com uma cara estranha, parecia que tinha levado uma lambida de vaca. Será por isso que as pessoas riam de mim na rua? Aí, no camelô, conheci um gorro simpático, paguei e já sai com ele na cabeça. Na esquina, uma garotinha apontou pra mim: Olha, mãe, o Ziggy do Mundo Bizarro! Desconheço o Ziggy, mas voltei pra casa arrasado. Comprei outro gorro, mas piorou, fiquei o próprio rapper em crise existencial. Então li algo sobre cabelos rebeldes e no dia seguinte, arrá!, o exterminador de cabelos indisciplinados invadiu raivosamente o banheiro, jogou fora o dois-em-um e trocou por um xampu decente e um condicionador. É, mas de dia ainda preciso do boné, e sempre atento pra não cruzar com a garotinha sádica, e à noite o gel – e aquela impressão de escutar um mugido…

Um ano sem cortar, o cabelo no meio do pescoço. Tentei usar liguinha pra prender atrás, mas sobravam fios na frente, não deu certo. Então, descobri uma das maiores invenções da humanidade: o creme hidratante sem enxágue. Fiquei encantado. A vida ganhou novo sentido. Infelizmente, na estreia exagerei na dose e fiquei a semana inteira com cara de quem saiu do banho.

Obsessão capilar: não podia ver uma farmácia que ia lá dar uma olhadinha nos cremes. Um dia, entrei pra perguntar se já tinham inventado calmante pra cabelo e… minha vida mudou. Conheci Geísa, ah, Geísa. Casei com ela? Não, ela era a atendente e se tornou minha conselheira capilar. Me explicou tudo, que eu devia substituir imediatamente o neutrox, usar hidratante com filtro solar, variar o xampu, me apresentou um oleozinho pra passar nas pontas e indicou a promoção do condicionador, paga quatro e leva cinco…

Faz ano e meio desde aquele dia no espelho. O cabelo tá no ombro, já posso montar a banda de rock. E tem todo um ritual: xampu duas vezes, condicionador, hidratante e depois o oleozinho nas pontas. Como é tudo marca boa, agora a grana só dá pra almoçar duas vezes por semana. Virei o Faquir Cabeludo. E não é que ontem uma amiga me recomendou, olha só, uma pomada à base dágua, diz que é uma maravilha pra usar após o oleozinho. Deve ser. Mas custa os olhos da cara. E agora, almoço ou pomadinha? Geísaaaaaaa!

Mulheres, por causa do roquenrou eu hoje entendo vocês. Perdoem todas as vezes que reclamei da demora pra se arrumar, aquele monte de creme na pia do banheiro… Sou um homem mais sábio. Aprendi o que é frizz. E sei que, assim como caneta e isqueiro, liguinha de cabelo também some misteriosamente. Noite dessas sonhei que uma ponta dupla queria me estrangular, olha que horror. Levei o sonho pra Geísa interpretar e ela disse que era hora de aparar o cabelo. Ok, vou aparar. Mas vou logo avisando que eu gosto de rock progressivo, sim, mas escova progressiva, aí já é demais, né?

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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GALERIA DO QUARENTÃO ROQUEIRO

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MemoriasDeUmaJubaRebelde-01Memórias de uma juba rebelde

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CronicaParaCabelosRebeldesElas-03Um brinde a você que aturou minha rebeldia capilar

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RK200704JeriTurma03 Quarentão roqueiro arrumou bico de garçom em Jericoacoara. Flagrante dele xavecando as holandesas.

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CronicaParaCabelosRebeldesRK-02. Quarentão roqueiro fazendo programa pra completar a renda de escritor. A vida não tá fácil pra ninguém.

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.RK200703JuazeiroDoNorte02Quarentão roqueiro aliviando a bexiga após noite de sexo selvagem e drogas pesadas no convento das Irmãzinhas do Santo Prepúcio.

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CronicaParaCabelosRebeldesRK-011- Foto pro concurso de sósia do Fábio Jr.
2- Ziggy, do Mundo Bizarro
3- Garoto-propaganda de cachaça. A vida não tá fácil
4- No meio do mato esperando o papel higiênico

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> Postagens no tema “biográfico”

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01- Quase morro de rir aqui com a briga tua com os cabelos, amei… Impossível compreender a alma feminina sem antes passar por uma experiência como essa. Definitivamente vc já é um PHD no assunto.:P Mas num corta o cabelo não… Eu também posso te dar vários toques. Se bem que já que vc conhece o creme sem inxague, seus problemas já estão praticamente resolvidos. Agora é só ficar aparando as pontas para não ter mais pesadelos, procurar fazer uma hidratação mensal e pelamordedeus exterminar o neutróquis, depois é só soltar a juba ao vento e partir para o roquenrou. Beijos, lindinho. Rafaela Almeida, Fortaleza-CE – jan2006

02- RICARDO TÁ MASSA, MUITO MASSA MESMO!!!! Adorei!!! Olha esse texto tá muito bom…quando eu voltar o traduzirei, adorei mesmo! Isabella Furtado, Modena-Itália – jan2006

03- kkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Hilariante! Lembrei da minha filhinha que passa os mesmo problemas seu. Mostrei a crônica, ela deu muita risada. Só que ela disse o seguinte, shampoo só pode passar uma vez kkkkk!!!! bjs. Marcia Morozoff, Brasília-DF – jan2006

04- (…Foi quando descobri uma das maiores invenções da humanidade: o creme hidratante sem enxágue. Fiquei encantado…) Caraca velho… A crônica sobre o cabelo é a minha cara… Estou entre 2 e 3 anos sem cortar e passei pelo mesmo problema da revolta do FRIZZ e também pela solução do creme!!! Só ainda não cheguei no óleo 😀 Até minha namorada já tá achando bonitinho o danado. O mais engraçado é que ela tem cabelo curto (tempos modernos!). Mas confessa… O pior mesmo é ter que APARAR depois de ter tido tanto cuidado!!! Parece que estão cortanto um pedaço de você! humm… mas pera aí! Eles estão! Abraço. Nigini Abilio Oliveira, Campina Grande-PB – jan2006

05- Kelmer, adorei a crônica para cabelos rebeldes…vc me deu “dicas” ótimas…hehehehehee. Leila Siqueira, Fortaleza-CE – jan2006

06- Crônica para cabelos rebeldes é realmente muito engraçado Meus parabéns pelas idéias brilhantes! Tenha um 2006 cheio de realizações,saúde e muitas idéias Kelméricas! Luciana Lopes, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

07- Qué isso, cara, sai dessa!! Cabelo zuado É O QUE HÁ! Eheheheh! Tá bonito assim! beijos!! Giovanna Milozo, Jaú-SP – jan2006

08- Ricardo querido, prepare-se agora para uma nova saga: o trauma do cabeleireiro caro! Sim, porque depois de tanto sacrifício e conhecimento acumulado, você não vai deixar suas madeixas aos cuidados de um barbeiro de dez real, né?! Acho que você estava se achando muito lindo de cabelão na foto que abre essa seção… tá até com um jeitinho daqueles efebeos efeminados da Roma antiga… sem ofensas! Beijos grandes, Myla, Brasília-DF – jan2006

09- É cara, vc nao é o único quarentão a passar por isso. Sente o meu drama. Separado, doido pra voltar ao mercado, malhando na academia todo dia, 5 e maia da manhã (só dá tempo nessa hora). Imagina o esforço. Deu resultado, saradão, arrumo uma namorada 16 anos mais nova (e ainda psicóloga, te analisa até dormindo). Bom, aí ela vem: amor, vc tem cara de menino, deixa o cabelo crescer, vai… eu acho lindo, que nem piloto de fórmula 1… ai meu Deus, só faltava essa. Bom o que um ego disposto não faz. Aí deixei. Um mês, dois, três, quaaaatro…O cabelo não se entendia mais, ondulado na frente, liso atrás, um horror. E ela achando liiiiindo! Bota um boné, amor! Meu pai puto! Isso não é cabelo de empresário, cadê a credibilidade! 41 anos! Vc vai deixar de fechar negócio por causa desse cabelo! Minhas filhas, então… a mais velha (de 13) disse: pai, vc tá querendo paquerar minhas amigas é? Por que filha? A Diana disse que vc tá um gato! Que absurdo! Bom, foi aí que eu também apelei pros gelzinhos e pro “redutor de volume capilar”. É mole? Até que gostei do resultado. O bicho (o cabelo) até ficou mais comportado (mas cabelo grande não é rebeldia? Rebelde comportado? Ah quarentão indeciso…) Bom, aí veio o golpe fatal. Fui ao lanámento de uma livro de uma tia, num centro cultural aqui em Fortaleza. Muita gente cabeça, intelectuais, umas gatas…(tava de namorada a tiracolo, bem entendido). Aí chega uma amiga (linda) de uma prima e solta essa: Vc é metrossexual? (Pense no sangue esquentando)… Bom, eu disse, o Bilau é grande mas não tem um metro não…Quer saber duma coisa, chega de creminhos, cabelo enorme… Meu barbeiro (bom é cabelereiro mesmo, frescura de macho) tava com uma saudade de mim…Cara, vc voltou? Tem uns seis meses que eu cortei teu cabelo. Era promessa? Tá bom, corta logo essa p…Mas muito curto não! Deixa cobrindo o orelha porque minha gatinha acha que eu fico parecido com piloto de F1! Mas a grana…ainda tá meio longe… Valeu Ricardão! Um abraço com saudade! Sergio Nogueira, Fortaleza-CE – jan2006

10- Muito bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! A crônica do cabelo é ótima!!!!!!!!!!!! Luce Érida Galvão de Sá, Fortaleza-CE – jan2006

11- Oi Ricardo Fiquei totalmente solidária com você, também tenho cabelos finos, rebeldes e quebradiços. Pior que isso, tenho um redemoinho no alto da cabeça, bem no vértice do ângulo de 90%, que forma um aclive súbito, no formato de alça… detona qualquer visual chique. Teve até uma chapinha que já andou surfando nas minhas ondas, domou-as completamente, uma única vez, mas quando olhei no espelho e não vi aquele mar crespo e revolto, morri de tédio e de saudades dos meus cachos cheios de vida e rebeldia. Mas, segundo o último boletim fashion, chapinha é coisa do passado, pelo menos no momento “… os cabelos da estação apresentarão um visual muito mais descontraído e as ondas desalinhadas estarão em alta…” Então, relaxa (não os cabelos), a moda finalmente nos alcançou. Beijos. Marli Myllius, Curitiba-PR – jan2006

12- ricardo, adorei, nunca passei por esse processo não, até por que tenho calvice e os cabelos depois dos 30 sempre curtos, mais o damito deixou os cabelos uma epoca crescer e foi exatamente isso, e depois de curtos nunca mais deixou de usar o tal creme, muito bom. parabens. Glaucia Costa, Fortaleza-CE – jan2006

13- Cara, lí uma crônica tua, mto boa, excelente, vim aki te parabenizar, rolei de rir com a tua briga com os cabelos hauahauhaua, parabéns, vc eh mto bom!!!! Yve Santana do Nascimento, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

14- Hummmmmmmmm… agora vc entende as mulheres? o creme para pentear sem enxague é uma maravilha não? 🙂 hihihihhihihihihi Beijos, lindo! Teu cabelo tá gigante! 🙂 Mellina Farias, Campina Grande-PB – jan2006

15- Ô comédia… Meu pai me chamou hj todo preocupado e pediu pra eu explicar umas coisas a ele. Quando eu vejo, uma sacola xeia de tubos de produtos de cabeleireiro e eu explicando como era que usava o creme sem enxágue…hehehhehe Daí nem resisti e botei a ele ler tua crônica e pra variar, adorou:P Rafaela Almeida, Fortaleza-CE – jan2006

16- Há um tempinho conheço seu trabalho e gosto muito do seu jeito de escrever. Por sinal, a sua saga para deixar o cabelo crescer foi demais!!!! Passamos por isso aqui em casa, quando meu marido, analista de uma empresa super careta, resolver dar uma de roqueiro também! Meus filhos e eu quase piramos. Passamos por todas aquelas etapas, como você, porém, com um agravante: ele se recusava a reconhecer os cabelos brancos! Pronto, lá fui eu tentar uma tinta, que não fizesse cair os poucos cabelos que lhe restavam! Fizemos muitas tentativas. Ficou castanho, achou escuro! Daí resolvi apelar para o dourado. Do louro ao louríssimo foi um pulo!!! Hoje, dois anos depois, muitos cremes, reparadores de pontas(o oleozinho), mousses, arquinhos( aqueles diademas fininhos, prá prender o cabelo da franja), liguinhas e toda a parafernália que só a minha menina e eu usávamos, ele resolveu que dá muito trabalho. Resolveu cortar o cabelo. AH! Ele nem briga mais com as minhas idas ao salão de beleza todos os sábados….rsrs Quando ele leu seu texto, quase morreu de rir e disse: “Viu? não sou o único louco no mundo!!!” Vanessa Campos, Uberlândia-MG – mai2006

17- Adorei, mas seus cabelos te conferem muito charme, mesmo ralinhos. Bjo. Christina, Rio de Janeiro-RJ – mai2006

18- Prefiro do jeito que tá agora… Samara Do Vale, Fortaleza-CE – jul2013

19- Kkkkkkkkk Tentei a uns 10 anos atrás também. Mas meus cabelos ficaram mais rebeldes ainda e foram embora… Francisco Junior, Fortaleza-CE – jul2013

20- Meu querido, esse é seu visual hoje? Deixou o cabelo crescer depois de Campina Grande, ou essa foto é antiga? Rógeres Bessoni, Recife-PE – jul2013

21- Amei! Aliás, to rindo muito no seu blog! rs. Isa Suzartt, São Paulo-SP – jul2013

22- Amei! A crônica, o cabelo!!! ahh, me envia o contato da Geisa? hehe. Marisa Vieira, Rio de Janeiro-RJ – jul2013

23- ahahahahahahah ri alto de algumas cenas que te vi. Adorei a leitura! Magna Mastroianni, São Paulo-SP – jul2013

24- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Ana Claudia Domene Ortiz, San Diego-EUA – jul2013

25- Boa! Magna Vanuza Araujo, Boqueirão-PB – jul2013

26- Muito bom RK! Eu lembro desse cabelo numa palestra tua ( talvez não igual a essa foto…. Tinha bem menos ). Fiquei curiosa pra saber quem é Ziggy Kkkkk. Ivonesete Zete Nizete, Fortaleza-CE – jul2013

27- “Sou um homem mais sábio. Aprendi o que é frizz.” KKKKKKKKKKKKKK ADOREI!!! Débora Araújo, Fortaleza-CE – jul2013

28- Mais uma preciosidade! Ana Erika Oliveira Galvao, Fortaleza-CE – jul2013

29- Kkkkkkk… ADOREI!!!!!! Denise Borges, Fortaleza-CE – jul2013

30- Toma jeito Kelmer e compra um pente. Alberto Marsicano Rodrigues, São Paulo-SP – jul2013

31- Curtinho, e “faltando telha” em cima, com pêlos caindo na testa: adoro! Combina mais com seu jeito “escritor quarentão” safado. Samara Do Vale, Fortaleza-CE – jul2013

32- Boa demais! Pedro Machado, Fortaleza-CE – jul2013

33- Ainda bem que passou. Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – jul2013

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Por que defender o Estado laico

19/07/2013

19jul2013

Se você é religioso e crê na democracia, deve defender o Estado laico, pois somente ele garante que você sempre terá total liberdade de exercer suas crenças ou, se for o caso, sua não crença

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POR QUE DEFENDER O ESTADO LAICO

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No atual momento do processo de amadurecimento da democracia no Brasil, uma questão importante chama cada vez mais a atenção da sociedade: a laicidade do Estado. Afinal, quem ganha e quem perde com um Estado laico?

Para o bem da democracia, um Estado laico sempre será a melhor opção em relação a um Estado religioso (que possui uma religião oficial) ou ao seu oposto, um Estado ateu (que reprime todas as religiões). Sendo neutro e imparcial, o Estado laico permite e respeita igualmente todas as crenças religiosas e a não crença, desde que não atentem contra a ordem pública. Ele não privilegia este ou aquele credo e não apoia nem dificulta a difusão das ideias religiosas ou antirreligiosas, assim como não sofre interferência de nenhum dos lados na vida política.

A ideia da separação entre Estado e religião foi implementada pela primeira vez na Revolução Francesa, no fim do século 18, e desde então muitos países a adotaram, em variados graus. No Brasil, desde a independência em 1822, tivemos avanços e retrocessos nessa questão, e hoje vemos que o Estado brasileiro não é totalmente laico, mas vive um crescente processo de laicização, apesar dos permanentes perigos que rondam esse processo. A Constituição de 1988 não traz o termo “Estado laico”, mas defende a laicidade em vários pontos. Na prática, ainda temos muito que avançar. Num Estado laico, por exemplo, não faz sentido citar deuses nas cédulas ou haver símbolos religiosos nas repartições ou privilegiar esse ou aquele credo no ensino público.

Numa democracia, é saudável que as representações religiosas expressem suas opiniões, porém é péssimo quando se intrometem nos assuntos de Estado, buscando privilégios na vida política ou forçando seus dogmas nas áreas de educação e ciência, por exemplo. Se isso ocorre, o Estado fica refém da guerra das religiões que, na ânsia de arrebanhar fieis, fazem da esfera estatal seu campo de batalha. É legítimo que as entidades religiosas lutem por fieis na sociedade, mas não no ambiente político.

No Brasil, as entidades religiosas possuem vários privilégios que não deveriam existir num Estado laico, como a concessão de veículos de comunicação e a isenção de impostos (de renda, IPTU, IPVA, ISS), o que faz das igrejas um negócio perfeito para lavagem de dinheiro. Aliás, por que as religiões não pagam impostos e as escolas pagam? Alguns projetos de lei tramitam com a intenção de aumentar ainda mais esses privilégios, como um que livra de multa os carros dos fieis estacionados próximos de uma igreja ou outro que quer impedir que os bens de uma igreja sejam tomados por falta de pagamento ou por qualquer outro motivo.

Se você é religioso e crê na democracia, deve defender o Estado laico, pois somente ele garante que você sempre terá total liberdade de exercer suas crenças, ou, se for o caso, sua não crença. Muitos religiosos sonham com um Estado onde sua religião seja a oficial, mas isso é um grande perigo para a democracia, pois nos Estados religiosos os credos não oficiais costumam ser perseguidos e os direitos humanos e as liberdades individuais tendem a ser muito mais desrespeitados.

Com a laicização do Estado brasileiro, perdem as entidades religiosas que gozam de privilégios descabidos e os fanáticos religiosos que não sabem conviver com a diferença. E ganham a democracia e o bom convívio social.

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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HUMOR CONTRA O FANATISMO

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DICAS DE LEITURA

Observatório da Laicidade na Educação – Excelente trabalho a favor da laicidade no ensino público, com noções sobre Estado laico, religioso e ateu

A Caça às Bruxas na Europa Moderna – Brian P. Levack (Campus, 1988) – O estranho e terrível fenômeno da caça às bruxas é uma mancha de vergonha não só para a Igreja Católica como também para toda a cultura ocidental. Neste livro, o autor analisa as razões que levaram os tribunais eclesiásticos a julgar e matar milhares de pessoas pela suposta prática de magia maléfica e adoração ao Diabo. Por que tal fenômeno teve lugar justamente nessa época específica da História? Quem eram os acusados e seus acusadores? E por que motivo os julgamentos chegaram ao fim?

A Caminho da Fogueira – Michael Kunze (Campus, 1989) – Este é o impressionante relato de todo o processo de julgamento e condenação de uma família inteira de camponeses alemães do século XVII. O autor nos põe no interior de toda a trama e, com competência, nos leva a conhecer os meandros escuros dos processos inquisitórios da Idade Média

Inquisição: Prisioneiros do Brasil (Séculos XVI a XIX) – Anita Novinsky (Perspectiva, 2009) – A autora pesquisou arquivos em Portugal e, através da análise dos processos que a Inquisição moveu sobre mais de mil brasileiros, nos oferece um painel sobre a realidade das atividades do Tribunal do Santo Ofício no Brasil entre os séculos 16 e 19

Perseguição Religiosa – A história dos que morreram e mataram porque acreditavam em Deus – Revista publicada pela Mythos Editora

Inquisição na Wikipedia

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DICAS DE FILMES

Arquivos Secretos da Inquisição – Documentário. Produção: Canadá, 2006. Direção: Lauren Drewery. Foi exibido em formato de minissérie no canal The History Channel. Baseado em documentos inéditos e pesquisas que revelam inúmeros segredos do Vaticano, a minissérie tem intervenções de especialistas e retrata passagens obscuras da Santa Inquisição católica

Sombras de Goya – Longa-metragem de ficção histórica. Produção: EUA/Espanha, 2006. Direção: Milos Forman. Conta a história do grande pintor espanhol Francisco Goya dentro do contexto da Inquisição Espanhola do século 18

As Bruxas de Salem – Longa-metragem de ficção histórica. Produção: EUA, 1996. Diretor: Nicholas Hytner. Apesar de não ser sobre a Inquisição, este longametragem mostra como o fanatismo religioso pode facilmente promover uma histeria coletiva e levar a condenações injustas. O filme conta a história de um episódio real ocorrido no povoado estadunidense de Salem, Massachusetts, em 1692, que foi o último caso de condenação por bruxaria nos Estados Unidos. O filme é baseado em uma peça teatral, escrita em 1953 por Arthur Miller, que também fez a adaptação pro cinema

Giordano Bruno – Longa-metragem de ficção histórica. Produção: Itália/França, 1973. Direção: Giuliano Montaldo. O processo e a execução do astrônomo, matemático e filósofo italiano Giordano Bruno (1548-1600), queimado na fogueira pela Inquisição por causa de suas teorias contrárias aos dogmas da Igreja Católica

O Nome da Rosa – Longa-metragem de ficção. Produção: França/Itália/Alemanha, 1986. Direção: Jean-Jacques Annaud. Baseado no romance homônimo de Umberto Eco. Num mosteiro beneditino italiano do sec. 14, que guarda uma imensa e preciosa biblioteca, estranhas mortes começam a ocorrer, levando a Igreja a investigar. Nesse cenário instala-se a luta entre os valores da Santa Inquisição, representados pelo Inquisidor Geral Bernardo Gui, e a nova mentalidade renascentista, com sua postura humanista, representada pelo monge franciscano intelectual William de Baskerville

Para baixar estes filmes: filmesepicos.com

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LEIA NESTE BLOG

Bem vindo ao clube dos excomungados – Para a Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos – Crer que o ser supremo do Universo tá do meu lado e castigará quem discorda de mim e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo? ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

O armário dos ateus – Os dados da ONU desmentem uma velha crença dos religiosos e teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará pra criminalidade e infelicidade geral

Nem tudo evolui, Darwin – Para os religiosos radicais, por exemplo, o conhecimento deve continuar preso num calabouço medieval, de onde jamais deve sair

Quantas pessoas Deus já matou? – A grande maioria dos cristãos jamais se perguntou isso

Postagens sobre ateísmo/religião

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Ótimo texto ! Luce Galvão, Fortaleza-CE – jul2013

02- To tirando cidadania italiana. Nao de mora vamos ter um governo evangelico fundamentralista por aqui. Alberto Marsicano Rodrigues, São Paulo-SP – jul2013

03-  muito bom! Ana Erika Oliveira Galvao, Fortaleza-CE – jul2013

04- o pobre do adolescente não pode tomar uma cervejinha nem no aniversario, nem compra-la no supermercado, graças a lei da bancada evangelica. Alberto Marsicano Rodrigues, São Paulo-SP – jul2013

05- muy bueno, Ricardo, perdona si me he metido en tu muro… pero esto lo tenía que leer… y es que no hay casualidades…si no te importa…lo comparto en mi muro… y si te importa,ya no tendrá remedio porque ya lo habré echo… jajaja… Blanca Yo, Barcelona-Espanha – jul2013

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Onde baixar estes filmes:

http://www.filmesepicos.com


A cruz da paixão

12/07/2013

12jul2013

O crescimento só virá se o ego se entregar ao sacrifício da paixão, mandando Judas fazer logo a sua parte e aceitando o sofrimento inerente ao processo

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A CRUZ DA PAIXÃO

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Os religiosos costumam ver os mitos de sua religião como fatos históricos, que realmente aconteceram. Limitar a compreensão a essa mera questão diminui a beleza do mito e esconde a essência metafórica da história. Mitos são metáforas, e uma metáfora não é uma mentira, mas um outro modo de expressar a realidade. Ao insistir na questão factual e desprezar o simbolismo da narrativa, o crente se afasta da verdade psicológica contida no mito e perde a chance de aplicá-la em sua vida.

Talvez Jesus Cristo, historicamente, não tenha existido e sua vida seja, na verdade, uma mistura de relatos posteriormente agrupados. Porém, o mito Jesus Cristo é rico de simbolismo e nele há profundas verdades psicológicas que podem ser úteis a crentes e não crentes. Uma delas diz respeito à cruz, que é o símbolo maior da mitologia cristã. No filme A Paixão de Cristo, do diretor Mel Gibson, há uma cena representativa da força desse símbolo: é o momento em que Jesus é apresentado à cruz onde será pregado. Exausto pela tortura, o corpo uma chaga só, ele vê o madeiro e, curiosamente, ajoelha-se e o abraça em meio a uma súbita crise de choro. Enquanto alguém zomba do ato aparentemente despropositado, ele mantém-se abraçado à cruz, acariciando-a e chorando feito criança.

Mas que insano… Por que ele abraça a cruz onde morrerá? Porque simplesmente não lhe resta outra coisa a qual se agarrar. Jesus foi traído por seus discípulos, seu próprio povo o condenou, seus amigos se escondem, sua família não pode ajudá-lo e seu Pai Celestial não afastou dele o terrível cálice. Nenhuma ajuda ele pode esperar. Em que se agarrar num desamparo desses? Ao destino. Sim, porque por paradoxal que pareça, o destino é a única coisa certa. Por isso Jesus se agarra à cruz, o símbolo mor de sua missão. É um ensinamento difícil de assimilar, pois é natural fugir do sofrimento, mas é preciso confiar nas forças da vida e do crescimento psíquico, por mais que as dores se anunciem no horizonte do que nos espera. O sofrimento de Jesus ensina a quem quiser aprender: no momento de maior abandono, em que tudo parece perdido, é preciso abraçar a cruz e aceitar o que nos aguarda. Este é o único modo possível de não afundar em desespero antes de cumprir o que deve ser feito.

Só há vida se houver morte. E não há morte sem dor. Para alcançar novos níveis de percepção e relacionamento com a vida, o ego tem de atravessar o fogo da transformação. Ele sempre resistirá até onde puder, afinal morrer não é fácil, mas há um momento em que o crescimento só virá se o ego se entregar ao sacrifício da paixão, mandando Judas fazer logo a sua parte e aceitando o sofrimento inerente ao processo. É assim que transmutamos o que nos aterroriza naquilo que nos salvará. De outra forma, viveremos num exílio psíquico, fugindo do que verdadeiramente somos.

Os crentes não deveriam se preocupar com a possibilidade de Jesus não ter existido historicamente, pois isso em nada desmerece o mito. O sagrado e o numinoso não residem na factualidade das histórias religiosas, mas nos símbolos que elas guardam. O que importa é que o Cristo mitológico vence o desamparo toda vez que alguém abraça com firmeza seu destino. O que realmente vale é que o mistério de sua paixão se renova toda vez que alguém morre para um velho e limitado eu e ressuscita psicologicamente na vida nova.

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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Este texto integra o livro Blues da Vida Crônica

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MATRIX, PSICOLOGIA E MITOLOGIA NO LIVRO:

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A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, RK compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

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LEIA NESTE BLOG

Blade Runner: Deuses, humanos e androides na berlinda Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso.

Esses deuses que adoram nascer em 25 de dezembro – Como todo deus solar, a história desses deuses é baseada na importância do Sol para a vida no planeta, especialmente em seu percurso pelo céu

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

Seguir a boiada ou as próprias convicções? – Podemos, cada um de nós, começar a agir de acordo com as nossas próprias verdades, aquelas que nos fazem sentir mais vivos, úteis e autênticos

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Fantástico meu irmão….Deixar morrer o ego e ressucitar no seu verdadeiro destino…..Agarrar-se a sua missão…..Adorei seu texto…… Jacques Josir, Santo André-SP – jul2013

02- Eu amei demais esse artigo. Porque as pessoas querem explicar mesmo tudo. Se existe, se não existe, se deve acreditar, se não deve… E há tantas possibilidades a partir desses simbolos. Rainha Frágil, Fortaleza-CE – jul2013

03- Tudo a ver, Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos e que lindo texto: ADOREI! Cristina Balieiro, São Paulo-SP – jul2013

04- Oi,amigo Ricardo! Interessante mesmo o trecho.Muitos se perdem pelo caminho sabendo que se perdem.O homem desde sempre,Ricardo,contou histórias para justificar algo…e eis o mito.E dessa necessidade surgiu a hagiografia para sustentar a função religiosa e não a beleza da fé por si só.E fez um belo estrago…rs.Eu já li alguns livros do Jiddu Krishnamurti e você me recordou umas palavras dele. Fateha Liza, Dourados-MS – jul2013

05- Ótimos textos, Ricardo Kelmer! Ana Velasquez, Corumbá-MS – abr2015

06- Excelente texto Entendo e sinto a Vida dessa maneira, inclusive os mitos, deuses e demônios, que criamos. Dorah Andrade, São Paulo-SP – abr2015

07- É bom ver você em plena forma!… Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – abr2015

08- Amei ler esse texto claro e sincero agora. Ser senhor do seu destino é uma leitura fantástica do mito Jesus. Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – abr2015

09- Meu querido, BELÍSSIMO!! E chega até mim numa hora tão necessária que você nem imagina. Terá sido porque Deus mandou você me dizer isso? Ou por acaso? Não, não falemos nem em Deus nem em acaso, mas, permanecendo nos domínios junguianos que tanto nos inspiram, digamos que foi mais um momento de encantadora sincronicidade. Inclusive, um beijo no seu coração, meu brother! Rógeres Bessoni, Recife-PE – abr2015

10- Grandioso texto, Ricardo Kelmer! Giba C. Carvalho, Recife-PE – abr2015

11- Belo texto, Ricardo. E bota belo nisso! Obrigado por esta dádiva de Páscoa! Pedro Camargo, Rio de Janeiro-RJ – abr2015

12- Belíssimo texto, Ricardo. Se me permite acrescentar, acrescento, com muito menos elegância, que o problema todo está na covardia e desonestidade das pessoas. A grande maioria não está interessada no *trabalho* de aperfeiçoamento moral, mental ou espiritual. A maioria só quer fazer parte de algum clube, bando ou coletivo que lhe dê razão e proteção contra inimigos e adversidades. A grande maioria só quer mesmo fazer média com Deus, porque acha que assim será protegida. Animais são mais fortes em bando, logo todos têm que aderir a alguma religião, filosofia, ideologia, partido, time de futebol, escola de samba, ter parente na polícia, parente advogado, conhecidos em Brasília, amigo na favela e diversos outros esquemas de se garantir pela força de um coletivo, um bando, uma máfia. (As pessoas defendem seus coletivos com unhas e dentes porque assim defendem, em última instância, uma ferramenta da sua própria segurança e bem-estar. Nada mais egoísta que o coletivismo.) Tá cheio de “cristão” que nem sonha em amar o próximo, mas faz sinal da cruz quando passa na frente da igreja, que é pra puxar o saco do Patrão mesmo. E vivem pedindo coisas. Putzgrila, como essa gente pede!

Toda essa lógica fica mais evidente no Brasil, onde as pessoas são católicas e devotas de algum santo *protetor*, mas também são filhas de algum orixá, fazem despacho, descarrego, vão a centro kardecista tomar passe, andam com amuletos pendurados no corpo e tratam muito bem a benzedeira do bairro, tudo isso e muito mais, que é pra garantir. Mané fé coisa nenhuma, é medo da vida mesmo. Sempre digo: a grande maioria de quem se considera religioso é apenas supersticioso.

Concluindo: as pessoas se prendem à interpretação factual porque, sem ela, sua proteção fica desmoralizada. Sem a autoridade dos fatos, resta apenas o ensinamento. A ilusão da proteção se esfarela, e o devoto de uma figa se vê diante do que mais teme: estar só e ser responsável pelo próprio destino. Namastê, anauê, katinguelê e Salve Jorge pra você. Luc Lic, São Paulo-SP – abr2015

12- Texto cheio de sabedoria e beleza, Ricardo. Obrigado. Mas acho que vc é ateu só na religião. Não no Espírito… Abr e ótima Páscoa. Luis Pellegrini, São Paulo-SP – abr2015

13- Luis Pellegrini, Waldemar, eu acho que Kelmer é ateu não praticante! Hahahaha Abraços a todos e excelente Páscoa. Rógeres Bessoni, Recife-PE – abr2015

14- Perfeito Ricardo Kelmer. Texto muito, muito bom. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – abr2015

15- Profundo Ricardo Kelmer, qdo nos agarramos a nossa cruz ela deixa de ser um sofrimento! Numa sociedade q proclama apenas a ” felicidade sempre” é preciso rever a questao da cruz. Talvez tivessemos menos depressoes e outros males da alma! Michele SJ, Fortaleza-CE – abr2015

16- Brilhante Abordagem!! Marcelo Figueiredo, Rio de Janeiro-RJ – abr2015

17- Muito louvável o que se tenta passar. E, com a licença de um comentário meu, e não tendo de longe entendido mal, é sempre bom relembrar que é justamente paralelo a este medo onde trabalham as trevas, negando a simbologia, antes do ser (tanto de Jesus como nossa). Tanto que o que existe, no que se refere a Jesus, é justamente o contrário: correntes materialistas tentando provar a existência de um Jesus histórico mas terreno, para negar o Jesus “Cósmico”. Tendo o cuidado, como no trecho “não deveriam se preocupar com a possibilidade de Jesus não ter existido historicamente” é um bom texto para entender um pouco a questão de como Jesus, existindo como ser unigenito, desceu a terra para, junto a nós, dar esse exemplo único da lição do crescimento. O texto tenta explicar, com muito esplendor, que não é no nosso “ser” (estático) e sim no nosso “estar sendo”, na dinamica ser-dor-redescoberta-crescer-ser, que nós existimos. Quando a humanidade descobrir isso, muitos dos dramas e artificialismos emocionais deixarão de existir. Todos nós torcemos para que isso aconteça. Muito legal! Valeu ! Ney José, Recife-PE – abr2015

18- Muito bom o texto, é auto-explicativo, quando induz o leitor a uma refkexão do seu existir como simbolo metafórico de si mesmo, afinal o mito Jesus Cristo está inserido no inconsciente coletivo da humanidade ao percebermos que nós precisamos de mitos para suplantar os nossos medos existenciais e nisso o simbolo da cruz quando verdadeiramente compreendido nos leva ao patamar da nossa redenção espiritual nessa jornada cósmica. Texto para ser lido e relido, vou compartilhar o mesmo. Francisco Souza Bonifacio, Recife-PE – abr2015

19- Como seria importante que todos pudessem compreender. Obrgada Giba C. Carvalho por esse belo presente. Elizabeth Costa Carvalho Andrade, Recife-PE – abr2015

20- muito bom gostei mesmo do seu domínio com as palavras do seu pensar! pena que não podemos mais criar outro mito como esse que mudou ate o calendário o tempo contado da nova história criado por esse mito! gostaria de usar minha consciência para uma nova história agregada a tecnologia e que não fosse uma tragedia como a de cristo que convenceu a humanidade que na dor seremos salvos! o destino que temos que nos agarrar! obrigado amigo gostei de ler! Luis Carlos Pedrosa, Fortaleza-CE – abr2018

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Destino e intuição

06/07/2013

06jul2013

A intuição pode nos conectar não apenas com o passado, onde estão as causas do que agora vivemos, mas também com o futuro, onde viveremos a consequência de nossa decisão no tempo presente

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DESTINO E INTUIÇÃO

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Algumas pessoas creem em destino, no sentido de que, não importa o que façamos, nossas vidas correm inevitavelmente para um determinado ponto no futuro, já programado de antemão. Para outras pessoas, porém, o futuro está sempre aberto e é formado a cada decisão tomada no presente. Eu, particularmente, desconfio que, sendo uma coisa ou outra, nosso futuro está de algum modo ligado à intuição, essa coisa misteriosa.

Para a psicologia junguiana, a intuição é uma função psíquica que nos permite perceber as possibilidades inerentes a determinada questão de uma forma não racional, pois apreende a realidade instintivamente, por meio do inconsciente, sem a participação do pensamento lógico consciente. É a intuição que nos fornece súbitas revelações e novas perspectivas: de repente intuímos, sem qualquer lógica envolvida, que é melhor fazer desse jeito que de outro jeito, e isso, depois, se revela a decisão acertada. Qual foi a sensação, o pensamento ou o sentimento que nos levou a tomar a decisão correta? Nenhum deles. Foi outra coisa. Foi um entendimento súbito e não racional da totalidade da questão. A intuição é, assim, uma função psíquica que nos conecta com o todo. Uma função holística.

E o futuro? É aquela possibilidade que se realizará dentre todas as possíveis. Como as possibilidades se ramificam a partir do presente em direção ao futuro, decidir por uma é anular automaticamente as demais e, ao mesmo tempo, abrir uma nova teia de ramificações. Assim, existem muitos futuros hipotéticos, cada um esperando nossa decisão para acontecer. Há futuros bons e ruins a nos aguardar, e o que determina qual deles se realizará é a decisão individual – ainda assim ela não é o único fator envolvido, pois o que pensamos e fazemos depende do que outros pensam e fazem, numa inter-relação muito dinâmica e complexa. Porém, o que está ao nosso alcance é justamente a nossa parte na infinita teia das possibilidades: a decisão pessoal.

Diante da necessidade de escolha, geralmente seguimos a lógica do pensamento racional (irei por esta rua, pois é mais seguro), do sentimento (gosto mais de fulano que de sicrano) ou da sensação (aqui está mais quente que ali). Às vezes, porém, algo nos parece avisar que nenhuma dessas funções é o melhor guia e, assim, decidimos seguindo uma espécie de conselho interior misterioso, que às vezes vai contra a lógica das demais funções. É assim que a intuição age.

Ora, quem tem mais informações tem, obviamente, condições de analisar melhor e tomar a melhor decisão. Se a razão ou o sentimento ou a sensação apreendem parte por parte da teia de possibilidades, separando, discriminando e julgando, a intuição apreende de imediato a teia como um todo, e o todo da questão inclui também o tempo. Como não está ligada à mente consciente, mas ao inconsciente, que não respeita a lógica do tempo linear, a intuição pode nos conectar não apenas com o passado, onde estão as causas do que agora vivemos, mas também com o futuro, onde viveremos a consequência de nossa decisão no tempo presente. Assim sendo, se buscamos o nosso melhor futuro, a intuição não pode ser desprezada sob pena de limitarmos a avaliação da questão ao agora.

Talvez a intuição seja isso, uma espécie de atalho atemporal. Entre a inevitabilidade do futuro e a incerteza do que virá, a intuição pode ser justamente o passaporte que nos levará ao melhor destino possível. Porém, é necessário confiar nela. Você confia?

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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Este texto integra o livro Blues da Vida Crônica

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MATRIX, PSICOLOGIA E MITOLOGIA NO LIVRO:

Matrix2012Capa14x21aMatrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, RK compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

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01- linda plataforma. Marcos Felix, Ceilândia-DF – jul2013

02- Eu confio na minha!!!!! Ana Maria Alcantara, Rio de Janeiro-RJ – jul2013

03- Posso compartilhar??? Adoro este tema… Luciana Brasileiro de Holanda, Campina Grande-PB – jul2013

04- “Eis o mistério, o que está por trás da intuição? Será o inconsciente mais poderoso que o “limitado” consciente? Sein und zeit, já questionava Heidegger… Esse assunto não me abandona por mais que tente, grande Kelmer. Abraços!” Teo Lorent, São Paulo-SP – ago2013


Resposta dos políticos ao povo brasileiro

23/06/2013

Ricardo Kelmer 2013

Protestar na internet, vá lá, mas na rua atrapalha o trânsito. E estraga o happy hour da gente

RespostaDosPoliticosAoPovoBrasileiro-04.

Amado povo. Nós, políticos brasileiros, fomos surpreendidos pela notícia de que vocês estão protestando nas ruas pelo preço da passagem. Vocês não têm vinte centavos para pegar ônibus? Ora, que comam brioches.

Francamente, estamos muito desapontados. Vocês acham que só vocês sofrem com o transporte? Nós também sofremos com o trânsito dos helicópteros. Mas tudo bem, seremos generosos. Aqui estão os vinte centavos, venham pegar, vinte centavos para todos, viva!!! Como faremos para compensar essa baixa na receita? Não se preocupem. Criaremos o ICRT. Imposto Compensatório sobre a Redução da Tarifa.

Protestar na internet, vá lá, mas na rua atrapalha o trânsito. E estraga o happy hour da gente. Sem falar nos gritos que, além de terem rimas pobres, não nos deixam ouvir a novela. Por esse motivo aprovaremos a lei que torna obrigatório nas passeatas políticas o uso da linguagem de sinais.

Vimos muitos protestos contra nossos salários. Estamos absolutamente perplexos com essa injustiça. Em média, cada um de nós custa todo mês ao país apenas R$ 130 mil, entre salários, salários extras, verbas e gratificações. Isso é menos do que qualquer igrejinha mixuruca fatura numa sessão de descarrego ou de cura gay. E em relação a trabalhar apenas 3 dias por semana, faltar sem ser punido, foro privilegiado, imunidade parlamentar, concessões de rádio e TV, caixa dois na campanha e poder aumentar o próprio salário… Bem, nós seremos muito sinceros: não sabemos como vazaram essas informações. Mas prometemos abrir uma sindicância para averiguar.

Alguns perguntam por que não estamos nas manifestações junto com o povo que tanto amamos. É que ainda não chegamos a um consenso sobre como dividir os cargos entre os partidos, principalmente a tesouraria. Não tem tesouraria? E como vocês faturam nessas passeatas? Quer dizer que ninguém ganha nada? Mas que diabo de movimento é esse? Bem, nesse caso exigiremos uma comissãozinha básica de vinte por cento dos ambulantes que vendem água. E metade ficará com vocês se permitirem as bandeiras dos nossos partidos.

E que mau gosto fazer essas manifestações durante a Copa, heim! O país gasta uma fortuna para construir estádios no padrão Fifa e agora vocês querem gritar do lado de fora? Os turistas vêm nos visitar e em vez de tocar caxirola, vocês os recebem reclamando de hospitais, escolas e corrupção? É muita ingratidão. O que vão dizer de nós no exterior? Estamos seriamente pensando em não passar o próximo fim de semana em Paris, com medo da chacota.

Para finalizar, fazemos um apelo. Nas próximas manifestações exibam cartazes contra essa tal de reforma política. Quem já fez reforma em casa sabe o quanto sobra de lixo. Prometemos que se as coisas continuarem como estão, criaremos mais um feriado para vocês irem curtir a praia. Que tal o dia do político brasileiro? Seria no primeiro de abril. Combinado? Não, não precisa assinar compromisso, nossa palavra basta. Contamos com vocês.

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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AcabouAPaciencia-01> Acabou a paciência – O povo está enfim deixando de ser tão conformista e alcançando um novo nível de conscientização política. É gol do Brasil

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> A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisõe. Não vimos este ou aquele país: vim o todo

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> Eles estão na fronteiraMilhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

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COMENTÁRIOS
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01- vc é PH! Celia R Domingos, São Paulo-SP – jun2013

02- Nem duvidem que a compensação existirá. Fato. Fataço. Rafa Silva, Campina Grande-PB – jun2013

03- Kkkjk, muito bom! Jana Moraes, Rio de Janeiro-RJ – jun2013

04- Ótimo texto, muito bem bolado. Parabéns! Antonio Carlos da Cruz, Mesquita-RJ – jun2013

05- Olá,Ricardo… Magnífico,brilhante composição.Realmente,é uma excelente retomada ao ano de 1789. Será que vamos aprender ou assimilar os discursos de neutralização da Globo… ab. Fateha Liza, Corumbá-MS – jun2013

06- Muito bom Kelmer! Adooooorei!! 🙂 Bjo. Patrícia Paes, Fortaleza-CE – jun2013

07- Muito inspirado e inspirador, RK. Humor profundo e fino, seja político-filosófico-psicológico-ontológico-ginecológico-andrógino é bárbaro… 🙂 Mas, se é vero o lugar comum, que se ouve por aí, que o governo, os políticos nos refletem como um grande espelho, ainda precisamos – nós, humanos demasiado humanos – ralar e desmembrar muiiiiiiiito, muitão para ver o nossos reflexo diferente do que hoje vemos refletido. Patrícia Lobo, Salvador-BA – jun2013

08- …meu voto é seu!!kkkkk..muito bom.. Katia Knox, São José dos Campos – jun2013


Acabou a paciência

19/06/2013

Ricardo Kelmer 2013

Cada um que protesta traz em si a frustração acumulada de tantas gerações por trabalhar dia após dia por um sistema econômico que finge querer o bem de todos mas concentra a renda

AcabouAPaciencia-01.

Vemos neste momento as manifestações enchendo as ruas das cidades brasileiras e nos perguntamos: o que está acontecendo? Sabemos que os grandes grupos de mídia têm seus interesses corporativos a defender e mostram os fatos pelo lado que lhes é mais vantajoso. Em quem deve confiar o cidadão interessado em se informar?

Errou a mídia que acusou o movimento de ter apenas jovens riquinhos brincando de fazer revolução, que reduziu os manifestantes a mera massa de manobra de partidos e que supervalorizou os atos de vandalismo cometidos por uma minoria. Sim, há riquinhos e vândalos nas manifestações mas eles não representam a imensa maioria dos manifestantes, que são pacíficos, de classe média e apartidários.

Movimento Passe Livre é o nome do grupo que, convocando protestos pelo aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, acabou atraindo descontentes de toda parte e todos tinham algo mais para reivindicar. Como os protestos focam na melhoria do transporte público, isso forçará os governantes a priorizar essa questão em suas gestões, o que é ótimo. E como nos protestos não são poupados nem prefeitos, nem governadores e nem mesmo a presidenta, todos eles saem perdendo com as manifestações, o que é bem interessante.

Podemos ver pelos índices econômicos que o país melhorou em vários aspectos, sim. Porém, ainda há tanto a melhorar e as mudanças têm sido tão lentas que as manifestações que explodem pelo país inteiro sugerem algo que cedo ou tarde teria mesmo que acontecer: a população perdeu a paciência. O povo começa a perceber que, além do voto, o pleno exercício da cidadania inclui a fiscalização e a cobrança. Ponto para a democracia!

Raramente vimos na história uma mobilização popular de tal magnitude, espalhando-se espontaneamente e tão rápido por tantas cidades, sem lideranças definidas. A motivação inicial, que foi o preço da passagem, encontra eco mais que legítimo nas camadas populares, que precisam diariamente de transporte público, e agora os protestos miram também em questões como corrupção, reforma política, saúde, educação… Mas por que justamente agora?

As frases dos cartazes não o dizem diretamente mas arrisco afirmar que cada um que protesta traz em si a frustração acumulada de tantas gerações por trabalhar dia após dia por um sistema econômico que finge querer o bem de todos mas concentra a renda.

Revoltados por se sentirem injustiçados e não representados por seus políticos e governantes, os brasileiros parecem agora crer que podem mudar a situação indo às ruas. Se podem ou não, é o futuro que dirá, mas o presente já nos diz que o povo está enfim deixando de ser tão conformista e alcançando um novo nível de consciência política. É gol do Brasil!

Ultimamente vemos os protestos aumentando em muitos países. Com o mundo cada vez mais interconectado, a consciência coletiva passa a evoluir no mesmo ritmo e é assim que dia após dia as manifestações públicas por liberdade, democracia e direitos humanos se espalham pelo mundo. A humanidade parece exausta do capitalismo e dos atuais sistemas políticos.

A população brasileira, assim como em outros países, talvez esteja neste momento finalmente se dando conta de uma verdade óbvia: não é o povo que deve temer o governo, é o governo que deve temer o povo.

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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AHumanidadeOPsicologoEAEsperanca-02> A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

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> A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisõe. Não vimos este ou aquele país: vim o todo

> WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

> Eles estão na fronteiraMilhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

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COMENTÁRIOS
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01- Disse tudo, primo!!! Vânia Dias, Fortaleza-CE – jun2013

02- Ricardo! Amei o texto! Vc disse tudo mesmo! Bjs! Isabella Furtado, Modena-Itália – jun2013

03- massa, tio! dá uma lida nesse outro texto: http://incandescencia.org/2013/06/18/isso-e-sim-sobre-20-centavos-conservadorismo-nos-movimentos-sociais. já vinha pensando sobre isso e esse texto me esclareceu algumas idéias. não concordo inteiramente com o autor, mas acho o texto valioso para o momento. hoje, por exemplo, vi o jornal da emissora cidade (eu acho) e eles faziam uma clara e obvia puxada das manifestações para um viés conservador e anti-dilma. logo após rechaçar os momentos de violência das manifestações e falar que os alvos agora são a corrupção e a violência, mostraram uma queda da dilma nas pesquisas de opinião. claro que, como diz o autor do texto, se fosse para algo mais à esquerda do PT, ótimo! mas não é! ‘é preciso estar atento e forte!’ abraço! Levy Mota, Fortaleza-CE – jun2013

04- PROPONHO UMA “nOVA CAMPANHA/MANIFESTO” INCLUSIVE, A SE ESPALHAR PELA NET COMO UM VIRAL: VAMOS REDUZIR EM PELO MENOS 50% O SALARIO DE TODA A CLASSE POLITICA,,,,,e aplica esta “economia” naquilo que o País realmente precisa… DUVIDO SE OS POLITICOS VIRIAM A PUBLICO PARA APOIAR ALGO ASSIM… E NADA JUSTIFICA OS SALARIOS ASTRONOMICOS DELES..NA-DA…. José Carlos Neves, Belo Horizonte-MG – jun2013

05- Concordo e compartilho Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos. Ivonesete Rodrigues, Fortaleza-CE – jun2013

06- Dez o seu texto,mesmo!Você pergunta ao final o porquê do MPL agora,né?Inúmeras situações históricas surgiram de coisas banalíssimas.Tipo aquela máxima do mosquitinho na garganta quando já passaram até elefantes…rs.O que estou admirada é que a herança getulista dos jogos associados à política(arghhhh…isto te lembra alguma coisa,tipo Roma????),estão por um fio.O Brasil pode até AMAR futebol,mas a chancela de alienado não está mais tão aderente assim. Quase uma primavera árabe porque pode ser esquecido na entrada do outono…rs. Fateha Liza, Corumbá-MS – jun2013

07- Bacana! E o pior de tudo, Kelmer, é que entre os países emergentes, o Brasil foi o que menos cresceu economicamente, ficando atrás de Rússia, China e Índia. Ou seja, só crescemos em comparação a nós mesmos. Sobre “os movimentos”, como dizia um moderno filósofo da Revolução Francesa (Iluminismo): “Estamos saindo da menoridade, do acomodo que sempre nos assolou.”
Revolução Francesa (1789 – 1799) – Estopim: O aumento no preço do pão.
Revolução Brasileira (2013 – ) – Estopim: O aumento no preço daquilo que nos leva ao pão – o transporte público. Abraços escritor, sucesso! Rômero Barbosa Sérgio, Porto Nacional-TO – jun2013

 


Espirros e roteiros

14/06/2013

14jun2013

Se antes eu tinha insônia por me preocupar demais em descobrir o que precisava fazer, hoje me delicio em abrir a janela dos quartos dos hotéis, molhar a ponta do dedo e botar no vento

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ESPIRROS E ROTEIROS

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Foi minha saudosa avó Waltrudes, muito católica, quem me ensinou a, depois de espirrar, dizer sempre “Ave Maria”. E se espirrasse três vezes seguidas? Ave Maria, Ave Maria, Ave Maria. Foi com essa simpática mandinga que, durante a infância, eu pedia boa saúde. Tempos depois, achei que era hora de trocar de mandinga. Agradeci à Virgem os serviços prestados e adotei um verso de Manuel Bandeira que, por aqueles dias, virou meu lema de vida. Assim, depois do espirro, passei a proclamar, solene: “Vou-me embora pra Pasárgada”. Ah, ser amigo do rei e ter as mulheres que quiser na cama que escolher… Poesia, prazeres e paixões. Saúde é isso aí!

O rei era gente boa e nossa amizade durou alguns anos. Até o momento em que o taoísmo me abriu os olhos para a necessidade de ser mais fluido com a vida, captar seus ciclos e me harmonizar com seu ritmo. Então adaptei a mandinga à ideologia taoísta: “Vou-me embora pra onde tiver de ir”. Uma frase bem simples, mas que a partir daí nortearia minha vida, sempre me lembrando que é preciso confiar e estar inteiramente disponível para a vida a cada momento.

Corta para 2004. Lá estou eu largadão em casa, fazendo as contas da classificação do time, quando recebo um convite inesperado: escrever roteiros de TV para uma produtora americana. Precisava apenas tomar o avião no dia seguinte e passar uns tempos na cidade do Rio de Janeiro, onde havia morado dez anos antes. O Rio da violência, da guerra de traficantes, daquele casal de desgovernadores… Mas não precisei pensar muito, nem espirrar, para perceber que sim, devia aceitar o desafio.

Então cá estou no Rio de Janeiro, hospedado num hotel em Copacabana. Hoje é sábado de aleluia. Daqui da janela do quarto observo o trânsito nas ruas e lembro que combinara de ir ver um velho amigo que mora em São Conrado. Acontece que o acesso ao bairro passa pela Rocinha. Alguma daquelas balas do tiroteio entre policiais e traficantes pode ter o meu nome, sei lá, nunca se sábado o que pode acontecer.

Decidi ficar no hotel. Refém da guerra do tráfico, quem diria. Vendo TV e enchendo o cinzeiro de meleca. Mas não posso reclamar. Muito pior é a situação dos moradores da Rocinha que têm suas casas invadidas por bandidos e policiais indelicados e morrem de bala perdida na sexta-feira santa simplesmente porque escolheram a hora errada de devolver a fita na locadora. Isso sim ninguém merece. Tem mais: você segue em seu carro pela avenida e, de repente, um bando de homens armados surge na pista, aí instintivamente você pisa no acelerador e por conta disso morre metralhado no volante. Os assassinos planejavam roubar carros para com eles invadir a favela, destronar o chefe do tráfico e assumir o controle dos pontos de venda. De posse desses pontos, lucrariam mais e teriam mais poder para subornar policiais, políticos e juízes. Daria um bom roteiro para Por um Punhado de Pó, né? Ou Infiltração Máxima. Mas infelizmente esse é o roteiro da vida real da cidade maravilhosa.

Minha mãe liga, preocupada com as notícias. Lamenta a hora infeliz que escolhi para morar no Rio de Janeiro. Fazer o quê, mãe, sou apenas um operário de meu próprio destino. E estou sempre aprendendo que os interesses imediatistas do ego nem sempre constroem os melhores caminhos. Por isso é que abdiquei do controle racional sobre a vida, permitindo que o próprio caminho se manifeste. É um estilo arriscado de viver, eu sei, parece não oferecer nenhuma segurança. No entanto, é assim, me dispondo para a vida, que sinto a vida mais presente, ela e seus desígnios misteriosos e sábios, e o que ela traz é tudo o que eu preciso. Se antes eu tinha insônia por me preocupar demais em descobrir o que precisava fazer, hoje me delicio em abrir a janela dos quartos dos hotéis, molhar a ponta do dedo e por no vento.

É preciso estar no mundo, mãe, ainda que ele seja um lugar violento e só haja incertezas em suas estradas. O mundo é o que ele é, bom ou ruim, e é assim que sempre foi e será. Esconder-se das dores e dos perigos do mundo é se esconder da própria vida. Pasárgada é o melhor lugar que existe, mas melhor ainda é viver no lugar onde a gente deve estar. Melhor é confiar nos ventos do próprio destino e entrar em tal harmonia com eles que o roteiro que os ventos traçarem será sempre o mesmo que você precisa – justamente porque você não deseja nada, a não ser, é claro, ir para onde tiver de ir. Atchim!

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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Bizarra vizinhança

06/06/2013

06jun2013

Qualquer dia darei minha contribuição e botarei no último volume o cedê do Geraldo Luz, aquela música que diz que o suicídio é a melhor solução

BizarraVizinhanca-01

BIZARRA VIZINHANÇA

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Finalmente consegui alugar um quarto-e-sala enquanto procuro um lugar definitivo para morar. É um pequeno apartamento, todo mobiliado. O prédio é mais velho que eu, mas está mais conservado. A dona do apê é uma artista plástica, por isso a sala é cheia de quadros estranhos, desses que a cada dia você vê uma coisa diferente. Ontem descobri um lobisomem saindo de uma concha, olhando feio pra mim…

Da janela dá pra ver o Cristo. Detesto aporrinhar os deuses, mas com uma semana pedi pro Cristo me ajudar. Sabe o que é, é o meu vizinho do sexto, ele é meio estressado, tem problema com a ex-mulher e vive gritando que a odeia e que vai matar a desgraçada, o prédio todo escuta. Minha vizinha de baixo, pra abafar os palavrões, bate carne na cozinha. A de cima berra umas músicas evangélicas, tão desafinada que Deus obviamente não vai aceitá-la. E eu no meio desse inferno.

Apesar dos queridos e bizarros vizinhos, estou gostando do bairro. Nas ruas tem muito carro, ônibus, moto, pedestre e camelô, mas de algum modo todos se entendem. Imagine um caminhão cheio de bode: na curva todos se amontoam, caem por cima dos outros, aquela confusão. Mas logo depois se ajeitam e tudo volta ao normal, né? Botafogo é parecido. A diferença é que aqui o caminhão está sempre fazendo a curva.

No primeiro passeio encontrei uma livraria, três cinemas e sete bancas de revista. E uma dúzia de bodegas. Me senti em casa. Perto do metrô vi uma banquinha de livros usados e parei pra olhar os títulos. E escutei sussurrarem meu nome… Era um livro do Castaneda, justamente o que faltava em minha coleção. O dono, um ex-hippie cinquentão, estava sentado lá dentro, incenso fumaçando, o três-em-um mandando ver no roquenrou. Ao saber que eu era do Ceará, se animou e me contou sua viagem pra Canoa Quebrada nos anos 70, mochila, carona na estrada, unzinho ao por do sol. Eu folheando o livro e ele lembrando de dunas, surubas e cogumelos, botou até uma fita do Led Zeppelin, gravação pirata. Saí de lá na maior maresia. Mas com o livro do Castaneda, e pela metade do preço. Botafogo, o bairro ideal.

Dias depois eu passava pela rua e escutei o grito: Ô, Ceará!!! Era o maluco psicodélico da banquinha, me acenando com um raro do Terence MacKenna, pechincha, dez real. Livro é mesmo uma droga perigosa. Assim como o alcoólatra não pode dar o primeiro gole, gente como eu não pode nem passar em frente a um sebo. Não resisti e levei o MacKenna. Botafogo é ideal, mas tem seus perigos.

Aos poucos, vou me ambientando no bairro, descobrindo atalhos, fazendo a simbiose. O jornaleiro guarda pra mim o JB das sextas. O dono da bodega na esquina é cearense e quando estaciono no balcão nas noites de frio, ele capricha na dose de Domecq. E na quarta-feira o cinema é mais barato, olha que bom. Só o meu vizinho estressado é que não tem jeito. Hoje, por exemplo, acordei outra vez com ele gritando e quebrando as coisas em casa, e embaixo o bate-bate na tábua de carne, e em cima os aleluias desafinados. Reclamei com o Cristo, mas ele anda ocupado desviando balas perdidas. Qualquer dia darei minha contribuição e botarei no último volume o cedê do Geraldo Luz, aquela música que diz que o suicídio é a melhor solução. Bizarro por bizarro…

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

> Pois o suicídio ainda é a melhor soluçãããooo…
Escute a música de Geraldo Luz (A droga)

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01- Kelmer, olha que “dunas, surubas e cogumelos”…. KKKKKKKK ADOREI!!! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK. Gustavo Lima Verde, Fortaleza-CE – jun2013

 


Marchando com as vadias

25/05/2013

25mai2013

Se ser vadia é ser livre para exercer a própria sexualidade, então todas as mulheres precisam urgentemente assumir sua vadiagem, para o seu próprio bem e o de suas filhas

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MARCHANDO COM AS VADIAS

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A cultura patriarcal e as religiões cristãs sempre temeram a sexualidade da mulher. Durante séculos, a união do machismo com a religião fez as mulheres reprimirem sua própria liberdade, tudo em nome da família e de Deus, claro. As que ousavam viver naturalmente sua sexualidade, como os homens heterossexuais sempre viveram a sua, eram xingadas, perseguidas, agredidas, execradas, expulsas, estripadas, assassinadas, queimadas em fogueiras. E, evidentemente, iam para o Inferno, arder eternamente pelo pecado de serem livres.

Hoje, a repressão diminuiu, pois a cultura machista e a religião felizmente já não têm tanta força. Mas, de modo geral, a sociedade ainda teme a sexualidade feminina e, infelizmente, grande parte das próprias mulheres contribui para a manutenção dos valores machistas, aceitando certas vantagens que eles oferecem e esquecendo que essas vantagens cobram um alto preço no balanço geral. E muitas mulheres ainda não conseguem aceitar a independência sexual de outras mulheres, e assim unem-se aos estupradores ao criticá-las por serem… livres.

A apropriação do termo “vadia” pelas próprias mulheres é uma boa estratégia de luta, pois usa a força do agressor contra ele mesmo. Se ser vadia é ser livre para exercer a própria sexualidade, então todas as mulheres precisam urgentemente assumir sua vadiagem, para o seu próprio bem e o de suas filhas. Muitas se sentem incomodadas com o termo, e isso é compreensível, mas o significado das palavras muda com o tempo e talvez as mulheres da próxima geração não tenham qualquer problema em dizer que são vadias, e o homem que não teme o feminino terá orgulho da vadiagem de sua companheira.

Com os termos “louco” e “maluco” aconteceu algo parecido. Cansados de serem assim estigmatizados, os artistas, os transgressores e os inconformistas se apropriaram dos termos e hoje é comum que eles mesmos se autodenominem loucos, malucos e vagabundos, e não apenas eles, mas muitas outras pessoas que discordam da normalidade. A imposição ditatorial de normas de comportamento, principalmente sexual, gera inevitavelmente esse tipo de repúdio e revolta. Mais justo seria respeitar as diferenças e aplaudir a liberdade de sermos quem somos.

Eu sou louco e vadio. Por isso, prefiro as loucas e vadias, as putas, as vagabas e todas as que desafiam a cultura e a religião em busca da própria liberdade de ser. E é por isso que marcho feliz e orgulhoso ao lado delas.

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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IMAGENS DA MARCHA DAS VADIAS

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DICAS DE LIVROS

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor, submissão e salvação por meio do sexo anal

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990) – Um livro belo e libertador, que celebra o sagrado na sexualidade

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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COMENTÁRIOS
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01- legal o texto, mas essa foto com a modelo branca, magra, de calcinha e super sensualizada me cheira a objetificação. principalmente porque o texto foi escrito por um homem. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – mai2013

RK: Adorei o comentário, Wanessa. Escolhi essa imagem provocativa por dois motivos. Primeiro, porque ela atrai a atenção de muitos homens, que devem ser provocados pelo assunto e rever seus conceitos sobre a sexualidade feminina (não é fácil falar de feminismo para homens). E, depois, porque é o tipo de imagem que instiga justamente este aspecto da questão: é válido usar o corpo da mulher para divulgar as lutas feministas? Na Marcha das Vadias, vemos muitas mulheres bonitas exibindo seus seios. Elas estariam objetificando a si próprias? Elas podem, mas um homem não pode? (mai2013)

02- mostrar os seios na Marcha é uma questão de empoderamento, de dizer “isso é meu e de mais ninguém” e muito disso de mostrar os seios é justamente pra dessexualizá-los. muitas feministas são contra a imagem das glândulas mamárias como órgão sexual porque isso não acontece com os mamilos masculinos. Wanessa Bentowski, mai2013 – Fortaleza-CE

RK: Feministas mostram os seios na Marcha das Vadias como forma de afirmar o poder sobre o próprio corpo. Muito justo. Mas dessexualizar os seios da mulher apenas porque os seios do homem não são igualmente sexualizados? Isso não faz sentido, e acho que não seria possível, pois os seios femininos são naturalmente sexualizados por serem zonas erógenas e darem prazer sexual a homens e mulheres, além de estarem ligados a um dos prazeres primários da vida, que é o de mamar. (mai2013)

03- tenho visto muitas criticas cegas. a maiora que critica nao sabe nem o que ta acontecendo, mas como todas as coisas em nosso país, os professores tambem foram criticados pela greve e ninguém sabia ao certo do que estava falando. Sandra Xavier Amarantha, Poá-SP – mai2013

04- se a Herlene tivesse usado essa imagem na postagem do blog dela, eu iria estranhar porque isso não é habitual na comunidade feminista, onde se prefere imagens reais de mulheres comuns, mas isso não iria me incomodar muito porque ela não é o gênero opressor, você sim, e simbolicamente isso tem muita força. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – mai2013

RK: Então a imagem da minha crônica te incomoda porque foi um homem que a postou? Sim, eu sei que por ser homem, sou do mesmo gênero que oprime as mulheres. Mas o machismo oprime também a homens como eu, e as mulheres são oprimidas também pelas próprias mulheres. Isso mostra que o que oprime não é o gênero masculino, mas a cultura machista e patriarcal.

Algumas feministas sustentam que uma mulher pode usar uma imagem de uma mulher bonita e sensual para defender o feminismo, mas os homens, por pertencerem ao gênero opressor, não podem. Se, por exemplo, eu usar, estarei sendo um instrumento da ditadura da beleza ou contribuindo para a objetificação feminina – mas se uma mulher usar, tudo bem. Seguindo essa lógica, só posso usar imagens de mulheres feias ou comuns e nada sensuais. Isso seria terrível para mim particularmente, pois o erotismo faz parte do meu trabalho. E soa um tanto… opressor. No mínimo, seria um tipo de ditadura do comum e do insosso. Não me parece o melhor caminho. (mai2013)

05- só pra encerrar, o problema não tá em mostrar imagens de meninas no padrão de beleza vigente, o problema tá em SÓ mostrar meninas nesse padrão. eu não me referi a todos os seus textos, só a essa imagem nesse texto específico. eu sei que o erótico tá muito presente no seu trabalho. acho que a erotização da mulher em todo e qualquer contexto não é uma atitude feminista. eu te conheço bem, sei que vc não é oportunista, mas eu não bato palma pra homem porta-voz de feminismo porque a imensa maioria só é feminista quando convem. sei que posar de bonzinho na internet é bem diferente de combater o machismo em ambientes claramente machistas e onde quem é homem leva vantagem, no meio de amigos homens por exemplo. e isso eu sei que vc faz. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – mai2013

06- e assim como existem críticas cegas, existem defesas cegas vindas de pessoas sem conhecimento sobre o assunto, misturando assuntos que não cabem nesse contexto com o único intuito de agradar, né, queridinha? Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – mai2013

RK- Algumas feministas radicais afirmam que nenhum homem tem legitimidade suficiente para defender o feminismo pelo simples fato de que é homem. Sim, sou homem e meu gênero é o do opressor, mas isso por si só me desqualifica a defender a igualdade de direitos entre mulheres e homens? Seguindo essa lógica, nenhum branco teria moral para lutar contra o racismo, nenhum heterossexual estaria qualificado para marchar a favor da diversidade sexual e nenhum civilizado poderia defender os índios. Levando essa lógica mais adiante, nem os próprios ecologistas teriam legitimidade para defender a Natureza e os animais, pois todos fazemos parte da espécie destruidora.

Há homens machistas e homens feministas, assim como há mulheres machistas e feministas. Percebo que, na ânsia de destruírem o machismo, muitas mulheres veem em cada homem um inimigo emboscado pronto para oprimi-la e, assim, todos nós viramos farinha do mesmo saco. Entendo a revolta das mulheres e o ódio acumulado por tanto tempo de opressão, mas essas mulheres precisam compreender que há homens que também são oprimidos pela mesma cultura que estupra a mulher, e eles também lutam pela mesma causa que elas. Por que não nos unirmos?

O feminismo é uma luta humana e não apenas das mulheres, e ela integra o contexto maior da luta pela liberdade de ser e por um mundo mais justo. Se o feminismo tem um rosto, ele é humano. (mai2013)

07- não conheço nenhuma feminista que não adore homens que se dizem feministas. homens são aliados muito bem-vindos, mas acho que o feminismo tem que ser protagonizado por mulheres, assim como o movimento negro vai ser sempre protagonizado por pessoas negras. o que eu noto em muito homem feminista é uma necessidade do cara de dizer “olha aqui como eu sou legal”, mas botar a mão na massa de fato ele não faz e ainda assim leva mérito por isso. é um sintoma triste que até no feminismo, um homem seja mais ouvido do que uma mulher. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – mai2013

RK- Superobrigado por comentar, Wanessa. Aprendo bastante com suas observações.

Conheço mulheres que afirmam que nenhum homem, mesmo que seja feminista, tem moral para criticar o movimento feminista, justamente por ser homem. Isso mostra que elas consideram os homens insuficientemente qualificados para lutar pelo feminismo, já que a luta inclui também apontar equívocos do próprio movimento.

Quanto aos homens feministas da boca para fora, é claro que existem, assim como existe muita mulher que critica o machismo mas que acha certo que o homem sempre pague sozinho a conta do motel. Porém, quando o assunto é feminismo, que homem é mais lido ou ouvido que Rose Marie Muraro, Regina Navarro Lins ou Lola Aronovich? Mas mesmo que seja, se esse homem defende a igualdade de direitos entre gêneros, é bom que ele seja ouvido, não? E que, evidentemente, seja o próprio exemplo do que prega.

Sabe, acho que um dia a consciência coletiva estará madura o suficiente para perceber que o feminismo, assim como as antigas lutas abolicionistas e as atuais lutas contra o racismo e a discriminação sexual, são lutas que se misturam e fazem parte da grande luta contra os sistemas opressores da liberdade de ser, e que todos os que lutam são, sim, protagonistas.

Se nenhum homem pode ter qualquer tipo de protagonismo no movimento feminista, mesmo que as feministas concordem com tudo o que ele diz e faz, então o que devem fazer escritores como eu, que são declaradamente feministas e estão sempre escrevendo sobre igualdade de direitos? Devemos escrever menos para não correr o risco de sermos considerados ilegítimos protagonistas do movimento? Ou devemos criar uma dissidência do feminismo, uma espécie de feminismo sem gênero, onde possamos escrever à vontade, sem medo de ser muito lido? Bem, eu não quero criar dissidência nenhuma, nem quero ser protagonista de nada.

Acho que seguirei escrevendo, que é o que sei fazer. E defendendo não apenas o feminismo, mas também a diversidade humana. E combatendo a imposição de modelos de amor e todos os tipos de opressão que limitam a liberdade de ser. Se minha voz é masculina, a causa é humana, e é a causa que importa. (mai2013)

09- é claro que você deve continuar escrevendo, e eu vou continuar lendo, elogiando quase tudo e criticando as coisas destoantes, como essa imagem. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – mai2013

RK- Wanessa, vou contratar você como consultora de imagens feministas. Esta aqui embaixo tá aprovada? https://blogdokelmer.com/2010/05/04/quem-tem-medo-do-desejo-feminino-1 (mai2013)

10- haha sim, passou pelo controle de qualidade porque você tá falando de desejo sexual e claro que a imagem tinha que fazer jus ao contexto da crônica. o que me incomoda é a hiperssexualização da figura feminina todo o tempo sem nenhuma justificativa, isso me incomoda especialmente em um texto feminista. agora peço licença pra me retirar da discussão porque já tô virando a feminazi chata do teu facebook. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – mai2013

11- Aí é cabeção, grande abraço brother. Welington Lopes Silva, Ceilândia-DF – mai2013

12- #WillPirouNaImagemDoPost. Will Simões, Campina Grande-PB – mai2013

13-  Adoro ver as mulheres lutando pelos os seus direitos, assumindo-se e conquistando espaços. O que me incomoda é essa exposição desnecessária, falo de saírem nuas e vestindo-se de frases vulgares para tentar impor as outras pessoas respeito. Mulheres têm todo o direito de vestirem-se como querem, de ficarem nuas quando bem entenderem, independente de ser uma “gostosona” ou não, o problema é que muitas fazem isso só mesmo pelo o fato de radicalizarem ou aparecer, e esse pra mim que é o problema. Infelizmente em todos os protestos há os falsos protestantes e aí está o motivo de muitas lutas não serem levadas à sério. Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

RK- Obrigado por comentar, Renata Kelly. Eu acho necessária, sim, a exposição da nudez, pois a nudez dessas mulheres nos protestos é, acima de tudo, um ato de resistência (o corpo é meu e não abrirei mão do meu direito sobre ele) e também é um modo eficaz de atacar o machismo num ponto nevrálgico, usando justamente o que atrai os homens para fazê-los aprender que uma mulher vestida dessa ou daquela forma, ou mesmo nua, não é um convite para a violência. Elas estão querendo aparecer? Ótimo! Quanto mais visibilidade, mais a questão será discutida.

Sobre a vulgaridade… Isso é muito relativo. Vulgaridade está no olho de quem vê. Eu, particularmente, nada vejo de vulgar na Marcha das Vadias. Palavras de ordem como “A buceta é o meu poder” estão num contexto de legítima afirmação do corpo e, verdade seja dita, a buceta realmente é o poder da mulher. Se o corpo é o símbolo desse movimento de protesto antimachista, a buceta é o que melhor representa o corpo da mulher que protesta. A buceta é o paraíso profano do prazer, o portal sagrado da vida, viemos todos dela. Aliás, há homens, como eu, que estão sempre querendo retornar, mas isso é outro assunto.

Por ser tão poderosa, é justamente ela, a buceta, o que os estupradores almejam como troféu ensanguentado de sua força opressora. Assim sendo, nada mais simbólico que fazer da buceta a bandeira da resistência e do protesto e de ter orgulho de exibi-la na cara dos machistas. Enxergar vulgaridade nisso pode denotar um tipo de vergonha de si próprio e do que é natural, um resquício maldito de nossa colonização cristã, que sempre associou o corpo e a Natureza ao pecado.

Nas passeatas dos anos 1960, as feministas queimavam sutians. Não foram poucas as mulheres que acharam isso vulgar e prejudicial ao feminismo. Pois bem, hoje a situação social da mulher é muito melhor, graças também aos sutians queimados. Muitos homens, porém, e muitas mulheres, ainda hoje culpam a própria mulher que é estuprada. Contra essa mentalidade estúpida, só mesmo atos radicais como a nudez e os protestos na Marcha das Vadias. (jun2013)

14- Verdade Ricardo Kelmer, a mulher tem uma grande arma, o seu corpo, como vc falou, a sua “buceta”, e como essa é poderosa viu. rs! E também é verdade que a vulgaridade está no olho de quem ver, infelizmente a sociedade ainda é bastante “cega” e atrasada diante as conquistas femininas. Falei da exposição desnecessária, devido muitas fazerem uso dessa exposição sem ter uma causa ou algo a protestar, como vi algumas conhecidas fazerem isso na marcha aqui em Fortaleza, só mesmo pelo o fato de “Eu vou ficar famosa!”. Como falei, há hoje tantos falsos protestantes, por isso sempre há grande desrespeito e confusões nesses protestos. Seria maravilhoso se levássemos mais as nossas causas à sério e respeitássemos o espaço de cada um. Na verdade se começássemos nos respeitando mais e nos amando mais, teríamos esses sentimentos também pelo o outro e viveríamos em um mundo com menos desigualdade, sem preconceitos e mais livre… É um sonho a ser realizado! 😉 Renata Kelly, Fortaleza-CE – jun2013

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A Matrix em cada um de nós

20/05/2013

20mai2013

Em busca da realização mais íntima (tornar-se o Predestinado), o ego deve empreender uma longa jornada de autoconhecimento onde não faltarão medos e conflitos para fazê-lo desistir

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A MATRIX EM CADA UM DE NÓS

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Em termos psicológicos, a aventura de Neo, o herói do filme Matrix, é uma reedição moderna da antiga jornada humana rumo à autorrealização, ou seja, à realização do si-mesmo, o mais importante dos arquétipos, aquilo que há de mais profundo e verdadeiro em nós. Autorrealizar-se significa desenvolver o potencial adormecido e nos tornarmos quem somos destinados a ser, porque é isso o que sempre fomos: a semente que já traz em si a árvore futura. Para isso, porém, a pessoa deve primeiro despertar, diferenciar-se da mentalidade comum da massa e conhecer quem de fato é ‒ uma grande aventura da vida inteira.

No primeiro filme mora a essência da história, e ela é uma metáfora da luta cotidiana de cada um de nós para nos realizarmos. O personagem principal é Neo, que, psicologicamente, representa o ego, centro da consciência, o arquétipo do eu. Em busca da realização mais íntima (tornar-se o Predestinado), o ego deve empreender uma longa jornada de autoconhecimento onde não faltarão medos e conflitos para fazê-lo desistir.

Mas o ego não está só na jornada. Na verdade, ele é apenas o gerente da psique, administrando os vários aspectos pelos quais ela é formada e que fazem o “eu maior”. Esses aspectos, por viverem no escuro do inconsciente (fora da percepção do ego), agem influenciando as ideias e atitudes, para o bem ou para o mal. Por isso, para autorrealizar-se a pessoa terá de reconhecer e lidar muito bem com eles. Os personagens principais de Matrix representam esses aspectos.

Morfeu é o incentivador, o componente yang da psique, que é associado ao masculino. Ele tem força, acredita e realiza. É a parte do eu que não se cansa de lutar pelos nossos sonhos, por mais loucos que pareçam, e é capaz de mover o mundo para torná-los reais. Quando tudo parece perdido é essa parte que permanece alerta, impulsiona e nos faz crer em nosso potencial.

Cypher é o traidor interno. Representa o componente sabotador do processo de crescimento psíquico. É a força retrógrada do eu total que sente falta do tempo em que tínhamos menos autoconsciência e, exatamente por isso, menos responsabilidades. Cypher está no poder quando desistimos de lutar e achamos mais cômodo permanecer onde estamos ou, se possível, regressar a um estágio anterior, menos comprometido com mudanças pessoais e novas verdades. Cypher tem medo de arriscar o novo e prefere a segurança do velho, o que provoca estagnação e crise. Ironicamente, o ego precisa desse perigoso aspecto para ser testado.

Trinity é o aspecto yin da psique, que é associado ao feminino, e representa o sentimento, a paciência e o cuidado. Ela é a porta para a dimensão do amor, imprescindível para que o ser se complete. A experiência dramática do amor, com todas as suas facetas, pode impulsionar o ego rumo a níveis avançados de autoconhecimento e autoaceitação. Mas o amor não poderá fazer tudo sozinho: é preciso assumi-lo e cuidar dele no dia a dia, fato que a maioria dos homens, ao contrário das mulheres, demora a assimilar. Trinity aceita seus sentimentos no fim, e é isso que ressuscita Neo, trazendo-a de volta à vida mais forte e capaz.

O Oráculo soa como contrassenso na história: num mundo supertecnológico, onde a ciência atingiu seu apogeu e tudo depende de máquinas e programas, que importância teria uma senhora vidente, cheia de mistérios e ditando profecias? O Oráculo é a dimensão do sagrado em nossas vidas, o arquétipo do divino, o numinoso, algo pelo que nutrimos sentimentos de profunda fé e respeito. Pode ser uma religião formal, uma antiga tradição espiritual ou uma crença religiosa particular. Pode ser uma conexão intuitiva com a natureza, com o cosmos ou a humanidade. Pode ser a arte, e até mesmo a própria vida. Mas sempre será algo diante do qual nos tornamos reverentes, justamente por ser muito mais antigo e maior que nós. O sagrado é obscuro, misterioso, arredio ao intelecto, e jamais o definiremos com exatidões científicas – mas sem ele ficamos à deriva no grande caos da existência. Que seria dos resistentes de Matrix sem a fé no Oráculo?

Há ainda os agentes, sempre buscando eliminar os que se diferenciam. São representantes da própria sociedade, que age como boiada para melhor se organizar e se proteger, pois para ela é melhor que todos ajam e pensem de forma igual. A estratégia é natural e eficiente para a sobrevivência da espécie, sim, mas tem um alto custo: a anulação do indivíduo e a negação de sua singularidade. A maioria dos que tentam se diferenciar é dissuadida pela força da cultura ou por seu próprio sabotador interno e, com medo, volta à segurança da massa.

Mas alguns não desistem e, apesar das dificuldades externas e dos conflitos internos, prosseguem em sua transformação pessoal rumo ao si-mesmo, à realização de sua potencialidade. São esses os predestinados que, com seu exemplo, incentivam outros a fazerem o mesmo. Assim como Neo, aquele que se autorrealiza provoca a sociedade do melhor modo possível, forçando-a a reavaliar suas regras e transformando-a.

Tudo, porém, tem início com o despertar, aquele toc-toc-toc na porta da consciência: acorde!

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Ricardo Kelmer 2003 – blogdokelmer.com

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> Este texto integra o livro Blues da Vida Crônica

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SOBRE O FILME

MatrixDVDCapa-1Matrix (The Matrix, EUA, 1999)

ARGUMENTO, ROTEIRO E DIREÇÃO: Lilly e Lana Wachowski
ELENCO: Keanu Reaves, Lawrence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving

No futuro, a humanidade é prisioneira de sua própria criação, a Inteligência Artificial, que criou a Matrix, uma realidade virtual onde foram inseridos todos os seres humanos para que eles não oponham resistência ao poder das máquinas. Todos não, pois um grupo de rebeldes mantém-se fora dessa realidade e luta para libertar o restante da humanidade. Eles creem na profecia do Oráculo que diz que um Predestinado um dia virá para vencer as poderosas máquinas e salvar a todos. Para eles, Neo, um jovem que vive na Matrix, é o Predestinado. Neo de fato desconfia que há algo errado com a realidade mas não pode aceitar que ele seja o tão aguardado salvador.

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MATRIX, PSICOLOGIA E MITOLOGIA NO LIVRO:

Matrix2012Capa14x21aMatrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente, e usando uma linguagem simples e descontraída, RK compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

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Blade Runner: Deuses, humanos e androides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres, pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

Seguir a boiada ou as próprias convicções? – Podemos, cada um de nós, começar a agir de acordo com as nossas próprias verdades, aquelas que nos fazem sentir mais vivos, úteis e autênticos

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Profundo hein Ricardo Kelmer! Amo tudo o que fala do “Si Mesmo”, deste mundo grandioso de possibilidades que levamos dentro de nós mesmo, mas que muitos não acreditam ter ou ser. Também acredito que somos essa “a semente que já traz em si a árvore futura”. Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2013

02- Me lembrei agora de Por uma cultura de paz!!! Kathia Albuquerque, Fortaleza-CE – mai2013

03- Toc-Toc-Toc… Robert Pereira, Salvador-BA – mai2013

04- Excelente artigo. Exercer o eu é poder, liberdade, transformação e unidade. Sorrisos de êxtase lendo o texto. Nayanna Freitas, Fortaleza-CE – mai2013