As Preciosas do Kelmer – mar2017

30/03/2017

30mar2017

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As Preciosas do Kelmer
é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos, com ênfase no feminino. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim, o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

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AS PRECIOSAS DO KELMER

Dicas e pitacos para o mês
#54, mar2017
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Capa do mês: Kim Min-hee, atriz sul-coreana que interpreta a jovem herdeira no filme A Criada, de 2016.

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*** DIA INTERNACIONAL SEM MULHER

Prepare-se. No próximo 8 de Março, em muitos países do mundo, Brasil incluído, muitas mulheres farão greve e não trabalharão. O movimento vem crescendo em todo o mundo e visa protestar contra as desigualdades de gênero e a violência machista. A nova agenda feminista é antirracista, anti-imperialista, antineoliberal e anti-heteronormativa, e inclui as mulheres trans, que não são vistas com simpatia por algumas linhas do movimento feminista.

Tem meu apoio. Precisamos urgentemente equilibrar os princípios yin e yang na sociedade. Esse processo, porém, começa na psique individual, em cada um de nós. > Mais

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*** CPI PARA EXAMINAR AS CONTAS DA PREVIDÊNCIA

As mudanças nas regras da aposentadoria proposta pelo governo golpista de Michel Temer dificultará bastante a vida dos trabalhadores brasileiros. A justificativa dada é que a Previdência é deficitária. Porém, há especialistas que afirmam que isso não é verdade, e há suspeitas de que as novas regras da aposentadoria são um pretexto para favorecer grupos de saúde privados.

Talvez uma CPI esclareça a questão de uma vez por todas. > Mais

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*** OFENSAS A ELEITORES DO NORTE E NORDESTE DÁ CADEIA

“Parabéns especial para o povo nordestino, nortistas e para os cariocas também!!!! Mais uma vez vcs acabaram de f**** com o Brasil seus b*****!!!!!! Na hora de pedir comida, teto, saúde e o caramba a quatro, veem para SP pedir nossa ajuda. Meus parabéns povinho de m****!!!!”

As eleições serão em 2018. Mas é bom avisar desde já: discriminação pela internet também é crime. A mensagem acima foi postada por um homem em seu Facebook em outubro de 2014, após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. A Justiça Federal em Taubaté-SP, condenou-o a dois anos e quatro meses de reclusão por incitar a discriminação contra habitantes da cidade do Rio e das regiões Norte e Nordeste do Brasil. > Mais

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*** PADRES ARGENTINOS ABUSADORES DE CRIANÇAS

Na Argentina, continuam surgindo casos envolvendo abusos sexuais cometidos por padres com crianças. As vítimas, que costumam carregar seus traumas em silêncio durante muitos anos, revoltam-se contra a impunidade de seus abusadores.

Deixai vir a mim as criancinhas. Esses religiosos levam muito a sério essa frase. > Mais

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*** O CASO DANDARA

Em 15.02.17 a travesti Dandara dos Santos foi espancada e morta em Fortaleza. O vídeo com cenas do crime espalhou-se pela internet e chocou o país inteiro, provocando protestos e apelos por justiça, além de ações do Estado no sentido de assegurar os direitos da população LGBTT.

Que o sacrifício de Dandara não seja em vão. > Mais

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*** DANDARAS VIVEM

No mesmo local da violência e crueldade que resultaram na morte da travesti Dandara dos Santos em 15fev, tomam lugar a resistência, a luta e a diversidade. O bairro Bom Jardim, em Fortaleza, recebe hoje, 18mar, no CCBJ, o ato Dandaras Vivem, manifestação artística de repúdio à violência sofrida por LGBTs. É a arte contra a barbárie. > Mais

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*** OS SEIOS DAS FEMINISTAS

A atriz britânica Emma Watson foi acusada de trair seus ideais feministas por ter posado para uma foto mostrando parte dos seios. Ela reagiu: “Eu estou surpresa. As pessoas falaram que eu não posso ser feminista e ter seios. Isso sempre me revela quantas concepções equivocadas e quanto mal-entendido existe sobre o que é o feminismo. Feminismo é isso. É sobre dar as mulheres o poder de escolha. Não é uma vara com que se bate em outras mulheres. É sobre liberdade, sobre libertação, sobre igualdade.”

A questão da nudez é um velho ponto de controvérsia entre as linhas ideológicas do movimento feminista. Há feministas que consideram que a nudez das mulheres sempre prejudica a causa da emancipação, e há feministas que defendem a nudez como forma de protesto e resistência contra o machismo. Eu, particularmente, entendo os dois lados, e sei que a nudez feminina é bastante explorada comercialmente e de modo pouco digno, mas entendo que ela pode, sim, ser usada de modo artístico e como forma de reivindicação e luta pela igualdade. Todo apoio a Emma Watson. > Mais

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*** NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA

Em Fortaleza, pobre invade a praia com isopor. Rico invade a praia com prédio de luxo.

A praia do Mucuripe, imortalizada na bela canção de Belchior e Fagner, é lembrada pelas velas das jangadas que ainda hoje saem para pescar. Mas algumas construtoras querem a praia apenas para elas. Por isso, ergueram espigões à beira-mar, e um deles tem até pier particular. Os prédios são o hotel Golden Tulip, o flat Porto Jangada Business e os residenciais Ancoradouro, Costa Marina e Yacht Coast Residence. O MPF quer a demolição dos prédios, em vez de multa. Muito justo. Mas vai continuar querendo. > Mais

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*** TESTADOR DE MOTEL

Testador de motel. Essa profissão existe. E é no Brasil. Um testador de motel viaja pelo país, hospeda-se em um motel por dia (podendo levar acompanhante) e avalia a qualidade de seus serviços. Ganha um salário de R$ 2 mil, com carteira assinada pela CLT, com plano de saúde e odontológico, vale-refeição e reembolso de custos com automóvel. A contratante é a empresa Guia de Motéis. O anúncio publicado pela empresa chamou a atenção de muita gente, inclusive da imprensa. O melhor de tudo são os comentários na postagem do Facebook. > Mais

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AS PRECIOSAS DO KELMER

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As Preciosas do Kelmer – fev2017

28/02/2017

28fev2017

aspreciosasdokelmer201702.
As Preciosas do Kelmer
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AS PRECIOSAS DO KELMER

aspreciosasdokelmer201702Dicas e pitacos para o mês
#53, fev2017
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Capa do mês: Mata Hari (1876-1917), dançarina exótica dos Países Baixos acusada de espionagem e condenada à morte por fuzilamento.

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*** PUTAFEMINISMO

O feminismo das prostitutas acordou. E fala cada vez mais alto, em muitos países. Ao contrário do que muitos pensam, inclusive outras feministas, elas não se consideram vitimas coitadinhas e exploradas do machismo e do patriarcado. Tudo que querem é ser respeitadas em seus direitos de trabalhadoras do sexo.

Aqui você pode ler alguns textos sobre mais essa linha do pensamento feminista, que no Brasil é representada por Monique Prada, Amara Moira e outras prostitutas. > Mais

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*** MÉDICOS DA MORTE (1)

Imagine que você é internado num hospital, que seu caso é grave. E que o médico pega seus exames e, sem consentimento seu ou de sua família, divulga-os publicamente, para o país inteiro ficar sabendo.

Foi isso que fez a médica Gabriela Araujo Munhoz, com dona Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Lula. Seu ato, que fere profundamente a ética médica, causou-lhe a demissão do Hospital Sírio-Libanês, onde trabalhava. Por que ela fez isso? Apenas por não gostar de Lula?

Atitudes como estas são o resultado da campanha de ódio a Lula que a mídia de direita tem promovido nos últimos anos. Diariamente, feito um conta-gota, os noticiários inoculam pessoas como essa médica com o vírus do ódio e da intolerância, tornando-as zumbis de seus interesses políticos. > Mais

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*** MÉDICOS DA MORTE (2)

politicamortemarisaleticiarichamfaissalellakkis-01Com seu comentário sobre dona Marisa Letícia, o neurocirurgião Richam Faissal Ellakkis deu uma importante aula sobre ética médica a todo o povo brasileiro. Aliás, sobre falta de ética. Foram poucas palavras, mas elas resumem bem o que a campanha de ódio a Lula, feita há anos pelos grandes grupos de mídia, tem causado na mente de parte da população. Ao tomar conhecimento das informações sigilosas vazadas por outra médica, Gabriela Araujo Munhoz, sobre o estado clínico da ex-primeira dama, o médico comentou num grupo de Whatsapp, sugerindo procedimentos para matar a paciente: “Esses fdp vão embolizar ainda por cima. Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela”.

A direção da Unimed rescindiu o contrato com o médico, que atuava como terceirizado no hospital próprio da cooperativa em São Roque-SP. Anteriormente, o Hospital Sírio-Libanês demitira a médica Gabriela Araujo Munhoz, por divulgar dados sigilosos do diagnóstico de Marisa no mesmo grupo, formado por antigos colegas da faculdade.

“As demais medidas relacionadas ao caso estão sendo apuradas pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), conforme o Código de Ética Médica”, diz ainda a nota da Unimed São Roque.

Como a campanha de ódio a Lula não terminou, até porque ele é fortíssimo candidato à presidência, podemos esperar mais atitudes estúpidas com a desses dois médicos. O fato de ter curso superior não impede que muitas pessoas se tornem zumbis da mídia. > Mais

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*** MATA HARI

Mata Hari, que nasceu Margaretha Gertruida Zelle (em Leeuwarden, Holanda, em 7 de agosto de 1876), tornou-se Mata Hari quando começou a apresentar-se na França em sensuais e exóticos números de dança. Inventou para si um passado oriental de princesa javanesa, ficou famosa, colecionou vários amantes pela Europa e envolveu-se atrapalhadamente em episódios de espionagem durante a primeira guerra mundial. Foi julgada e declarada espiã num processo cheio de falhas e morreu fuzilada, em 15 de outubro de 1917, em Vincennes, na França.

Por onde passava, despertava imensa curiosidade e fascínio. A mistura de arte exótica, o passado obscuro e a sexualidade livre formaram uma das figuras públicas mais polêmicas do século 20. Suas relações com milionários, políticos e militares de vários países despertavam desconfiança de todos. Não é exagero dizer que ela foi vítima do próprio personagem que criou para si, com suas mentiras e dissimulações, mas também pode-se dizer que o mundo não estava preparado para seu espírito ousado e sua liberdade sexual. > Mais

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*** MÉDICOS DA MORTE (3)

Mário Munhoz, pai da médica reumatologista Gabriela Munhoz, de 31 anos, demitida do Hospital Sírio-Libanês suspeita de vazar dados sigilosos sobre o estado de saúde da ex-primeira-dama dona Marisa Letícia, negou que sua filha tenha divulgado exames ou feito comentários maldosos sobre a esposa do ex-presidente Lula nas redes sociais.

A versão que ele conta, na defesa que faz da filha, ainda que seja verdade, não a livra da quebra da ética médica. Aliás, o Dr. Munhoz, devidamente orientado por seus advogados e com a sua conta do Facebook cheia de posts sobre o amor por animais, se esqueceu, no entanto, de apagar um onde chama o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, de “crápula de toga”, por ter absolvido José Genoíno no processo que ficou conhecido como “mensalão”

A jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna na Folha de S. Paulo, informou que o ex-presidente Lula, ao saber do ocorrido com a médica, pediu que ela não fosse demitida, mas que em vez disso passasse por um curso de ética profissional, permanecendo no emprego. > Mais

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*** MOZART SUBLIME

Embora seja uma obra inconclusa, a “Missa em dó menor” é uma das obras mais importantes de Wolfang Amadeus Mozart no campo da música religiosa. Infelizmente não se sabe muito sobre sua criação, que ocorreu nos anos vienenses de 1782 e 1783, e nem sobre sua primeira apresentação, na igreja de Saint Pierre de Salzburg, em 26 de outubro de 1783.

Acho linda essa missa. Sim, sou ateu, mas isso não me impede de ver beleza em obras sacras, né? Além do mai, podemos focar na melodia e esquecer perfeitamente os dizeres. Meu trecho favorito é o de abertura, o Kyrie. Como é sublime…

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*** 26° ENCONTRO DA NOVA CONSCIÊNCIA

O Encontro Da Nova Consciência é um festival multicultural que acontece desde 1992 em Campina Grande-PB, reunindo atividades ligadas a arte, ciência, filosofia e religião. Além das palestras e dos debates, há passeios, vivências, atendimentos, feiras, lançamentos de livros e espetáculos artísticos. Eu participo desde 1996, ininterruptamente. Adoooro! 🙂 Confira a programação da edição 2017. > Mais

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AS PRECIOSAS DO KELMER

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O homem que preferia Satanás

13/02/2017

13fev2017

Uma homenagem a Aloísio Sansão, com quem dividi cachaças, músicas e muitas risadas nas noites decadentes da Praia de Iracema

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O HOMEM QUE PREFERIA SATANÁS

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Peguei a vodca no balcão da Órbita, virei de uma golada e fui para o palco. Era o lançamento de meu livro de contos Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos, maio de 2000. No caminho deixei a máquina com alguém e pedi que tirasse a foto daquele encontro especial. Então subi no palco, agradeci a presença do público e dei um abraço nele, que me dera a honra de se apresentar em meu lançamento, tocando umas músicas ao violão. Clic! A foto eu guardo comigo, um pequeno e singelo tesouro. É a prova de que nossos caminhos se cruzaram nessa vida loca.

Aloísio Sansão, o nome dele. Conhecemo-nos numa daquelas noites dengosas e decadentes da Praia de Iracema, durante um show da banda Matutaia. Eu sabia dele por causa de uma música sua que gerara polêmica com o Pirata Bar sobre direitos autorais. Depois li algo sobre ele numa pequena matéria do caderno cultural do jornal. E agora a Matutaia andava tocando duas músicas dele, Paranormal e Pecado da Vida. Naqueles primeiros dias do novo século a música eletrônica já imperava nas madrugadas de Fortaleza com seu tunts-tunts-tum, nos lembrando que o mundo estava diferente, estava todo modernizado… mas o bom e velho roquenrou seguia vivo. E muito bem representado nas músicas de Sansão.

Rápido como quem trepa em cajueiro para roubar caju para vender lá na feirinha, eu me encantei com Sansão. Descobri nele um cara simples, doce, o sorriso tímido. Ele era muito pobre e morava numa construção abandonada da Praia de Iracema. Trabalhava como pintor de parede, fazendo bicos. Mas seu grande trabalho era sua música, e nisso ele era muito rico. Eu adorava encontrá-lo pelas ruas, ele, seu velho violão e o fiel amigo Fofão, um cão grande e peludo que sempre o acompanhava. Eu sentava com ele na birosca e ouvia as histórias de sua vida incerta, suas aventuras por aí, a mulher que um dia o abandonou para seguir um caminhoneiro… Ele falou da vida e dos assuntos sociais. Reclamou da Amazônia e das igrejas universais. E disse que se Deus era desse jeito, ele preferia Satanás. Eu também, Sansão.

Nossos encontros se davam ali, nas ruas sujas e confusas da Praia de Iracema, entre patricinhas despudoradas e batidas policiais. Ele também percebia que tudo aquilo era um mundo de fantasia e ria de tanta loucura e de quanto tudo aquilo era natural, tão normal, tudo simplesmente genial. Nós dois descendo uma cachacinha, ele tocando suas músicas, todas incríveis, forró, brega, rock e até ópera. Em certos momentos me lembra Raul Seixas, outras vezes Elvis e em outras Odair José. Para no meio, conta como fez a música, ri das lembranças e volta a tocar. Peço mais uma dose para brindamos à sua arte. Depois comemos o velho cai-duro de carne moída e Sansão divide o seu com Fofão.

Relembro agora o quanto me agradeceu por tê-lo convidado para cantar no lançamento de meu livro. E como se desculpou por ter ficado nervoso e não ter cantado as músicas que eu mais gostava. Tá, eu desculpo, mas só se você tomar mais uma comigo. E lá vamos nós para o balcão, ele me contando da morena de sorriso agraciado que de longe viu seu passado e quis logo conquistá-lo. Sansão e suas histórias.

Chamei meu amigo Toinho Martan para conhecê-lo, e ele também se encantou. Nossa banda, a Intocáveis Putz Band, já não existia, e, ansiosos por voltar a compor e agitar, pensamos em ter Sansão como parceiro. Combinei com Sansão de levá-lo ao estúdio, registrar suas músicas maravilhosas. Mas ele nunca compareceu. E não apareceu mais nas noites da Praia de Iracema. Lamentei que não estivesse disposto, eu tinha tantos planos… A verdade, e eu só saberia depois, é que Sansão estava muito doente e passava dias internado. A Matutaia chegou a promover um show para ajudá-lo. Mas já era tarde.

Lamentavelmente parece que sua vasta produção se perdeu para sempre, com exceção de alguns registros, como os feitos pela Matutaia em seu CD Matutaia É Rock. Em certas noites, quando caminho pelas ruas da Praia de Iracema, tenho a sensação que as músicas de Sansão ainda estão por ali, esperando que o dono volte, do mesmo jeito que seu cão Fofão que, durante vários dias após sua morte foi visto circulando a praça, desnorteado e tristonho.

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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rk2000orbitaaloisiosansao-01com Aloísio Sansão (Órbita Bar, Fortaleza, mai2000)

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Matutaia – Paranormal (2000)

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Matutaia – Pecado da Vida (2000)

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LEIA NESTE BLOG

OSonhoDoVerdadeiroEu-01O sonho do verdadeiro eu – Entretanto, algo me dizia que na pauliceia eu poderia viver minha vida mais verdadeira, era só insistir

O mundo real da arte – O momento em que a magia do teatro se revela paradoxalmente em toda sua plenitude, expondo tanto sua maquiagem quanto seu avesso

O último blues de Lily – A lua nascendo no mar e os blues na voz de uma Lily que se rebola e se rebela e não ouve ninguém chamar

A celebração da putchéuris (Intocáveis Putz Band) – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Pelas coxias de Guaramiranga – Entre uma peça e outra sempre dá tempo de cruzar uns olhares, nativos e forasteiros, e exercitar o roteiro das abordagens

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

É o amor – E os outros zezés e lucianos por aí?

Mário Gomes, o poeta viralata – Era com suas errâncias quixotescas e os versos obscenos que o povo se encantava, ele lá, de paletó sem gravata, camarada e bonachão

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Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

As Preciosas do Kelmer – jan2017

30/01/2017

30jan2017

aspreciosasdokelmer201701

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As Preciosas do Kelmer
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AS PRECIOSAS DO KELMER

aspreciosasdokelmer201701Dicas e pitacos para o mês
#52, jan2017
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Capa do mês: Mafalda, personagem do cartunista argentino Quino.

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*** MÃES ARREPENDIDAS

A socióloga israelense Orna Donath sabia que estava colocando o dedo numa ferida quando ousou perguntar a um grupo de mães se elas se arrependiam de ter tido filhos. Mas nunca imaginou que iria provocar uma polêmica global que não dá sinais de trégua. Seu livro Regretting Motherhood (Arrependendo-se da Maternidade, inédito no Brasil) reúne depoimentos de 23 mulheres que sem dúvida amam seus filhos, mas, se pudessem decidir agora, sabendo o que a maternidade significa e implica, optariam por não tê-los. A tese de fundo que Donath desenvolve é que as mulheres precisam trilhar um caminho predeterminado; que, apesar de se supor que decidimos ser mães livremente, a pressão social para ter filhos é enorme, e o resultado é que algumas acabam se arrependendo. > Mais

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*** PRESOS PARA SEMPRE EM 2016

O voo da American Airlines saiu de Fortaleza para Nova York em 30dez. Os passageiros sonhavam em passar o réveillon na Times Square. Mas o voo teve tantos problemas, atrasos, cancelamentos, gente passando mal, desvio de rota… que só chegou em Nova York três dias depois, em 02jan. Os passageiros ficaram para sempre presos em 2016. > Mais

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*** PRIVATIZAÇÃO DOS PRESÍDIOS

Os presídios do Amazonas foram privatizados em 2003. Em nome do lucro, as empresas que os administram cortaram vagas de trabalho e achataram salários. E o nível de qualificação dos agentes contratados caiu. > Mais

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*** VIRGINDADE AO SOL NASCENTE

Segundo cálculos de dois pesquisadores da Universidade de Tohoku, no Japão, que se basearam em um algoritmo matemático e dados de população e fertilidade, se o Japão continuar no ritmo atual de interesse de seus habitantes por sexo, no ano de 3766 haverá… um único japonês no mundo. Recentes estatísticas do Instituto Nacional de Pesquisa da População e Seguridade Social revelaram que 44,2% das mulheres e 42% dos homens japoneses solteiros e com menos de 34 anos são virgens. Em 2010 os percentuais eram, respectivamente, 38,7% e 36,2%. Se depender do Japão, é o fim da humanidade. > Mais

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*** CHELSEA MANNING É LIBERTADA

Chelsea Manning era analista de inteligência militar dos Estados Unidos quando foi presa por, em 2010, revelar documentos secretos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão e informações diplomáticas que expuseram a podridão do governo dos Estados Unidos. Ela teve negados seus direitos constitucionais e foi condenada a 35 anos de prisão. Nesta terça-feira 17jan o presidente Barack Obama reduziu a pena para 7 anos e a ex-soldada será libertada em maio. A decisão é irreversível.

Um dos documentos vazados por Chelsea, que antes de um tratamento para mudança de gênero se chamava Bradley, é um vídeo de 2007, que mostra o ataque de um helicóptero do exército dos EUA em Bagdá, que matou doze civis e dois jornalistas da agência de notícias Reuters. O vídeo chocou o mundo e ajudou a mudar a opinião pública sobre a atuação dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Chelsea, como o australiano Julian Assange e o estadunidense Edward Snowden, fazem parte de um crescente número de pessoas que consideram que segredos governamentais e empresariais que atentem contra direitos humanos devem ser tornados públicos.

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*** MAFALDA

Mafalda, personagem do cartunista argentino Quino. As histórias, apresentando uma menina (Mafalda) preocupada com a Humanidade e a paz mundial que se rebela com o estado atual do mundo, apareceram de 1964 a 1973, usufruindo de uma altíssima popularidade na América Latina e Europa. Apesar de a maioria das histórias terem sido traduzidas em diferente línguas europeias, bem como em chinês tradicional e simplificado, elas foram raramente publicadas em inglês; na verdade, jamais nos Estados Unidos. (Wikipedia) > Mais

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*** PERFIL POLÍTICO DO PAULISTANO É CONFUSO

Pesquisadores da USP e Unifesp revelam um cidadão de São Paulo que se vê como um pouco conservador e solidário com as causas feministas. As entrevistas mostram que 83,8% dos paulistanos acreditam que todos deveriam trabalhar com regime de carteira assinada e 54,1% concordam que o Bolsa Família é um programa necessário para reduzir a desigualdade socioeconômica brasileira. A pesquisa mostra também que 86,5% das pessoas concordam que as mulheres devem ter o direito de se vestir como quiserem e 56,9% não concordam com a frase: “só pode ser considerada família a união de um homem uma mulher”.

“As pessoas têm dificuldade em se definir de esquerda ou de direita”, diz Esther Solano, uma das coordenadoras do levantamento e professora de Relações Internacionais na Unifesp. Quando essa pergunta é colocada, 54,3% dizem não se identificar com nenhum dos campos e 14,3% afirmam não saber. Segundo Solano, o que vem marcando posições conservadoras e de direita, neste momento, é o rechaço ao PT e o apoio ao impeachment. “São questões, contudo, circunstanciais. A pessoa pode se definir como conservadora ou de direita por concordar com o impeachment ou ser contra os Governos do PT, mas, quando confrontada com outras questões, não dá respostas características do espectro político”, diz. Isso, para ela, é prova da volatilidade de opiniões no espectro. > Mais

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*** ATEUS DO BRASIL, SAIAM DO ARMÁRIO

Pesquisa do Datafolha de dez2016 revela que 1% da população é ateia. É pouquíssimo em comparação com países da Europa, e até mesmo da América do Sul, como Uruguai, Chile e Argentina. Mas desconfio que boa parte desses 14% que se declaram sem religião na verdade não têm coragem de assumir sua não crença. É compreensível, afinal não é fácil ser parte de uma minoria tão estigmatizada. Mas é preciso que os ateus saiam do armário, para que possamos todos conviver melhor com as nossas diferenças.

PERCENTUAIS DA PESQUISA:

50% Católicos
22% Evangélicos neopentencostais
7% Evangélicos não neopentencostais
2% Kardecistas
1% Umbandistas
1% Ateus
1% Candomblecistas
2% Outras religiões
14% Não tem religião

> Mais

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*** SOLTA O CANO QUE NÃO CAI

Velha tradição popular, as marchinhas carnavalescas servem para criticar e debochar, transmitindo o que pensa a população sobre os personagens protegidos pela grande imprensa. A marchinha “Solta o cano que não cai” faz gozação com os vazamentos seletivos que, coincidentemente ou não, sempre poupam o PSDB.

SOLTA O CANO QUE NÃO CAI
(Vitor Velloso e Marcos Frederico)

Mais um dia, mais um vazamento
Segura o cano ou a casa cai
O furico tá na mão
E já não aguento
A pressão está demais

Eu já rezei, pedi pra Cristo
E finalmente achei a solução
Eu arrumei o meu registro
Agora a casa não cai mais não

Solta o cano que não cai
Solta o cano que não cai, meu irmão
Já vai baixar a pressão
Solta o cano que tá tranquilão

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*** O DIREITO DE VIVER SUA PRÓPRIA CULTURA

A tribo Mentawai, que atualmente conta com cerca de 60 mil membros, é uma rara cultura indonésia que não foi influenciada pelas correntes hindu, budista e muçulmana ao longo dos últimos dois milênios. Em vez disso, suas tradições e crenças lembram fortemente as dos povos austronésios que chegaram de Taiwan a este vasto arquipélago há cerca de 4.000 anos. Se a cultura da tribo desaparecer, um dos últimos elos com os primeiros habitantes da Indonésia desaparecerá com ela.

Há décadas eles resistem, assim como outros como eles, às políticas do governo indonésio para pressionar os grupos indígenas a abandonarem seus velhos costumes, aceitarem uma religião aprovada pelo governo e se mudarem para vilarejos do governo. Essa mudança, juntamente com a atração inevitável exercida pelo mundo moderno sobre seus filhos, tem provocado uma grande disjunção entre gerações de mentawai. > Mais

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AS PRECIOSAS DO KELMER

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Eu, minha paixão e meus casos

24/01/2017

24jan2017

A poligamia no futebol é algo comum, e até natural, pois vem do sentimento primevo de amor por esse esporte tão fascinante

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EU, MINHA PAIXÃO E MEUS CASOS

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Sabe, eu tenho uma grande paixão. É antiga e está sempre comigo, mesmo na distância, e ela é um sentido em minha vida. Mas como não sou monogâmico, tenho também dois casos, que não chegam a ser paixão, mas faço questão de mantê-los. Além disso, cultivo certas simpatias por aí nesse mundão. Não escondo nada de ninguém e assim vamos vivendo. Não, não são pessoas. Tô falando de futebol.

Ah, a paixão por um clube de futebol… Que coisa louca, isso. Dizem que é o único amor que não se troca por outro de jeito algum, nem sob tortura. Sim, há quem, quando criança, trocou de bandeira e nunca mais voltou, mas criança não conta.

Os monogâmicos futebolísticos não entendem situações como a minha, mas a poligamia no futebol é algo comum, e até natural, pois vem desse sentimento primevo de amor por esse esporte tão fascinante. Antes da popularização nacional da televisão, nos anos 1970, a imensa maioria torcia apenas pelo time de sua cidade ou de seu estado, e era feliz ou infeliz na exclusividade dessa paixão. Mas aí vieram as transmissões dos jogos dos grandes clubes do Sul e Sudeste, e mesmo para quem já tinha sua paixão, ficou difícil ficar alheio àquela sedução toda. Os adultos até que resistiram mais, porém boa parte das crianças e adolescentes, se não foram de todo fisgados pelos clubes mais ricos do país, ao menos assumiram o caso extraconjugal. Hoje, algo parecido ocorre em relação aos grandes clubes europeus.

Eu fui uma dessas crianças. Aos 10 anos, em 1974, me apaixonei perdidamente pelo azul, vermelho e branco do Fortaleza Esporte Clube, e a partir daí o mundo encantado do futebol se abriu para mim, trazendo um novo e gostoso sabor de viver. Nessa época, os campeonatos estaduais tinham mais importância que hoje, e para um menino como eu, que acompanhava pelo rádio em detalhes a todos os campeonatos do país, foi inevitável surgirem simpatias aqui e ali. Com as frequentes transmissões da tevê, gostei do Corinthians-SP e do Fluminense-RJ, e curtia seus títulos e lamentava suas derrotas, mas o envolvimento mantinha-se num nível superficial. Só o Fortaleza é que, de fato, me trazia as vibrantes e fortes emoções, que me fazia chorar de raiva e enlouquecer no indizível prazer de ser campeão.

E assim estamos nós quatro até hoje, na alegria e na tristeza. Não, não há traição, nem rola ciúme, pois todos entendemos que meu coração é do Leão do Pici, e que o maravilhamento transbordante pelo futebol me permite outros bem-quereres. Mas, e quando, num domingo qualquer, preciso optar por um dos outros dois? Aí eu me abstenho, melhor assim.

Você agora pode achar que eu seria mais feliz se ficasse apenas com um deles dois, pois são bem mais ricos e poderosos. Verdade, são mesmo. Mas, caso não tenha percebido, esta crônica é sobre paixão, e não sobre negociações. Sim, sei que na vida também há os amores interesseiros, sei bem. Mas no mundo encantado do futebol, a paixão por um clube é paixão pura de coração. Para o resto da vida.

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Ricardo Kelmer 2017 – blogdokelmer.com

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Aquelas camisas mp3 – Ouça e baixe a versão áudio da crônica, na interpretação do autor
Site oficial do Fortaleza Esporte Clube
Fortaleza Esporte Clube na Wikipedia

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FEC1974-02O time bicampeão de 1974, que me fez ser tricolor. O artilheiro do campeonato foi Beijoca, com 26 gols.

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O HINO O primeiro hino do Fortaleza foi composto em 1959, por José Jatahy. Em 1967 é composto o hino oficial pelo poeta Jackson de Carvalho, sendo sua gravação em outubro do mesmo ano, tendo como arranjador o maestro Manuel Ferreira e como intérprete o cantor Manoel Paiva. Em entrevista à revista Veja, o cantor e compositor Chico Buarque afirma que considera o hino do Fortaleza o segundo hino mais belo do futebol brasileiro, sendo o primeiro o do seu clube, o Fluminense.

Fortaleza, clube de glória e tradição
Fortaleza, quantas vezes campeão
Fortaleza, querido idolatrado
Estás sempre guardado
Dentro do meu coração.

Altivo, tua vida sempre foi um marco
Tua glória é lutar e vencer também
Salve o Tricolor de Aço
No campo, provaste mesmo que não tens rival
Tua turma valente é sensacional
Salve o Tricolor de aço

Soberbo, tua fibra representa um norte
Combativo, aguerrido, vibrante e forte
Sem demonstrar cansaço
Receba um sincero abraço da torcida tão leal
Meu Tricolor de Aço

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Hino do Fortaleza em nove versões
00m00 – Original 1967
02m40 – Lírica com Ayla Maria e Raimundo Arraes
04m59 – Fagner
08m44 – Reggae com banda Okolofé
12m10 – Voz e violão com Calé Alencar
14m22 – Forró com Neo Pi Neo
16m58 – Rock
20m09 – Oficial regravação 2002
22m35 – Em francês

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Hino oficial do Fortaleza Esporte Clube
Hino oficial (Fagner)
Hino oficial, versão lírica (Ayla Maria e Raimundo Arraes)
Hino oficial, versão forró (Neo Pi Neo)
Hino oficial, versão rock (Voz: Alexandre Carvalho. Instrumentos: André Carvalho)
Hino oficial em francês (Voz: Giselle Café)

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OImprovavel,OImpossivelEOInacreditavel-01aO improvável, o impossível e o inacreditável
Numa hora dessa, como ainda ter forças pra superar um rival que virou o jogo no fim com um jogador a menos, que já conseguiu o impossível?

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Fortaleza campeão cearense 2015

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Gol de Gabriel Pereira
Fortaleza 1×0 Ceará (22.01.17)

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LEIA NESTE BLOG

FutebolArtigoFeminino-01Futebol artigo feminino – Cá pra nós, já reparou como brasileira fica ainda mais linda em dia de jogo da seleção?

O menino e o feminino misterioso – Esse instante numinoso em que o Feminino Sagrado mostrou-se pra mim, sob a meia-luz de seu imenso mistério

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

Discutindo a Copa e a relação – Se você deseja minimizar os efeitos sobre sua relação, é bom saber algumas coisas sobre essa rival invencível

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01- Que beleza! Sou do tempo de ir ao Pici pra ver os treinos. Raul Meneleu Mascarenhas, Fortaleza-CE – jan2017

02- Fortaleaaaaaaaaaaaaaa. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – jan2017

03- Lindo gooooool do nosso Leão Ricardo Kelmer, valeu! Eugênio Oliveira, Fortaleza-CE – jan2017

04- Vai safadão!!!!!! Michele SJ, Fortaleza-CE – jan2017

05- Olha a Caboquinha!!! Clícia Karine Marques, Fortaleza-CE – jan2017

06- Parabens pela vitória . Adorei a cronica. Marcia Soares Fernandes, São Paulo-SP – jan2017

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O verme incansável e os grilos zumbis

15/11/2016

15nov2016

O nematomorfo fará de um tudo para alcançar seu objetivo

overmeincansaveleosgriloszumbis-01

O VERME INCANSÁVEL E OS GRILOS ZUMBIS

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No fundo de um rio, a minúscula larva de um verme nematomorfo acalenta um sonho: chegar à superfície. Porém, a superfície está muito longe, impossível alcançá-la. O que o nematomorfo faz? Deixa-se ser engolido por uma larva maior, a de um mosquito. Esta larva chega à superfície, vira mosquito e sai voando por aí, e a larva do nematomorfo continua lá dentro, viva. Então, zapt, o mosquito é engolido por um grilo, que passa a ser hospedeiro da larva do verme. Sim, o danado continua vivo, e uma vez dentro do grilo, cresce e torna-se, agora sim, um verme, um belo nematomorfo, parecido com um fio grosso de cabelo, que pode alcançar 30 cm, e em alguns casos até um metro de comprimento. Bem instalado no interior do grilo, o verme passa a controlar mentalmente seu hospedeiro, alterando seu comportamento com o objetivo de manter-se vivo até chegar à fase adulta. O pobre do grilo, que agora é um zumbi, deixa até de dar seus cricris porque o verme sabe que isso consome muita energia e pode atrair predadores. Então, um dia, o verme ordena que o grilo zumbizado procure um rio. Uma vez no rio, o verme abandona o corpo do grilo, deixando para trás seu hospedeiro, que em breve morrerá. Mas, por que um rio? Porque é lá que o nematomorfo encontrará uma parceira para acasalar.

Uaaaau! E eu que achava que já fiz de tudo por uma pimbadinha…

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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SAIBA MAIS

Conheça o verme parasita que transforma grilos em zumbis suicidas – Site Megacurioso

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LEIA NESTE BLOG

MeuFuturoDePopistarCristao-02bMeu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

Quem poderá me salvar – Heroínas e heróis da minha vida

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Galinha ao molho conjugal – Então fizemos uma aposta. Qual dos três conseguiria resistir mais tempo ao casamento?

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

Diametral,NinfaJessi19aAs aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

Por trás do sexo anal (1) – Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo

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01- 


A chinesinha caçadora de Pokémons

22/08/2016

22ago2016

Essa nova mania mundial, que leva chinesinhas desesperadas a abordar escritores solitários pelas esquinas

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A CHINESINHA CAÇADORA DE POKÉMONS

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Duas da madrugada na Vila Madalena. Chego no carrinho do chinês, peço um yakissoba médio e sento no banquinho de plástico. Tem uns bons meses que não eu vou ali matar a larica de fim de noite. O carrinho fica numa esquina movimentada, e quem prepara a iguaria é um chinês de óculos, sempre compenetrado. Ele não é de muito papo, mas gostei dele de primeira. Uma noite, me disse seu nome (eu entendi Uantunkom, ou algo próximo disso) e contou, em seu esforçado português, que veio há alguns anos ao Brasil com a mulher e as duas filhas pequenas, e que sente saudade de sua terra.

Enquanto degusto meu yakissoba, servido naquelas embalagens de isopor para sanduíches, observo os agitos da rua, pessoas e carros brigando por espaço, o entra e sai dos bares. Como sempre, compõem a paisagem centenas de adolescentes embriagados e barulhentos, e me lembro que Uantunkom não nutre muita simpatia por eles. Ele também não é exatamente fã das meninas brasileiras, que lhe parecem independentes e eróticas demais, e não quer que suas filhas sejam como elas.

De repente, a filhinha mais nova dele se aproxima. Deve ter nove ou dez anos. E me pergunta: Seu celular caça Pokémons? Pergunta em bom português, olhando para mim com seus olhinhos de chinesinha linda, e surpreendo-me de vê-la tão crescida. Sorrio para ela, enternecido, respondo que não e pergunto se o celular dela não caça. Não, ele é ruim, você deixa eu caçar no seu, é só baixar o aplicativo, se quiser eu baixo pra você, qual é o seu celular, ele tem gúgol plêi?

Nesse momento, percebo estar diante de uma determinadíssima caçadora de Pokémons, essa nova mania mundial, que passará em mais alguns dias, claro, mas que atualmente leva chinesinhas desesperadas a abordar escritores solitários pelas esquinas, contrariando as ordens do pai de não perturbar os clientes. Passo meu celular para ela, e rio comigo mesmo, me divertindo com a ideia de fazer parte desse decisivo momento evolutivo da espécie humana, nossa transição para a fase Homo pokemonus.

Antes que eu finalize meu rango, a chinesinha já acessou a loja e baixou o aplicativo, numa destreza que eu jamais terei na vida. Porém, nem começa a jogar, pois seu pai a chama, acho que ele não estava gostando muito daquela história. A pequena caçadora recolhe-se a um canto e fica lá, quietinha, ela e seu celular ruim. Pago o yakissoba, agradeço a Uantunkom e vou embora. Antes, faço questão de me despedir da chinesinha, tchau, sucesso nas caçadas, viu? Ela nem me olha: faz que sim com a cabeça e continua lá, imersa em seu mundinho eletrônico particular, enquanto três meninas chegam para comer, elas e seus microvestidinhos que mais revelam que escondem.

Volto para casa caminhando sem pressa, curtindo o friozinho da madrugada e lembrando de Uantunkom e de sua luta diária para proteger as filhas dos terríveis males da cultura brasileira. Talvez ele tenha êxito na construção de sua grande muralha, afinal os chineses são conhecidos por sua férrea disciplina. Mas contra a invasão Pokémon, ah, isso ninguém pode.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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MeuFuturoDePopistarCristao-02bMeu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

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Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

Cauby, eu sou seu ídolo – Cauby, poderoso, tem o gesto exato pra cada momento, seja pra pedir o solo do teclado, seja pra tirar o lencinho do bolso e enxugar a testa

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01- mais um texto que julga a roupa da mulher. Nina Ka, São Paulo-SP – ago2016

RK: Obrigado por comentar, Nina Ka. Em nenhum momento o texto emite qualquer julgamento sobre a roupa das mulheres. Ele apenas reproduz a impressão que um imigrante chinês tem da cultura brasileira e do jeito de vestir das meninas que frequentam as baladinhas da Vila Madalena. Talvez você não conheça meu trabalho e minhas ideias pessoais sobre machismo, sexualidade e liberdade feminina. Se tiver interesse, em meu blog há vários textos sobre essas questões.

02- Olha… li o texto… e vi um comentario q pareceu-me mais uma parte discritiva da cena… nao vi um julgamento aí! Patrícia Hakkak, São Paulo-SP – ago2016

03- adorei muito mais o texto, leve, descontraído sobre temas tão presentes no nosso cotidiano. O novo e o antigo, um explodindo de fome do mundo, de novidade e o outro com medo deste mesmo mundo, achando que pode conter o ritmo da vida. Uma mecânica tão antiga. Como dizia Belchior “o novo sempre vem”. Linda crônica, leva a diversas reflexões. Michele SJ, Fortaleza-CE – ago2016

04- Eu amo o Yakissoba desse tiu (eu chamo ele assim) …conheci a filha mais velha dele quando era do tamanho da mais nova. Outro dia fui comer lá e ela me abordou toda falante, perguntando se eu tb era de aquário…hahaha. Achei mto legal encontrar um texto falando sobre ele! NyNa Zêni, São Paulo-SP – ago2016

05- Parabéns pela crônica, Ricardo Kelmer! Texto leve, gostoso de ler até o fim, trazendo a emoção da cena para os leitores atentos e sensíveis (adorei o homo pokemonus rsss!). Mônica Mello, Rio de Janeiro-RJ – ago2016

06- Maravilha de texto, Kelmer. Só agora li. Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – ago2016

07- Essa evolução para pokemonus está te caindo bem! Alexandre Domene Ortiz, Fortaleza-CE – ago2016

08- ” …microvestidinhos que mais revelam do que escondem…” achei uma lisonjeira safadeza do autor. Aí se todos fossem safadinhos iguais a vc!!!! Bjs. Michele SJ, Fortaleza-CE – ago2016

09- Muito bom !!!! Mario Rolim, Rio de Janeiro-RJ – ago2016

10- RicKelmer, você é um ponto!!!! Gíria portuguesa. … Cara, seu texto é inspirador. Ozi Garofalo, São Paulo-SP – ago2016

11- lembro bem da gente nesse chinês! Super-bom! Renata Regina, São Paulo-SP – ago2016

12- Muito bom. Liz Rabello, São Paulo-SP – ago2016

> Postagem no Facebook


25 de julho, dia do escritor

25/07/2016

25jul2016

Muito obrigado a você, que voa comigo

DiaDoEscritor-05a

25 DE JULHO, DIA DO ESCRITOR

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Hoje, 25jul, é o Dia do Escritor. Um brinde a todos que fazem da palavra seu sagrado ofício! 🙂

Eu, particularmente, quero agradecer a você que me dá a honra de sua leitura, nesses dias de zilhões de informações a passar a todo instante diante dos nossos olhos. Hoje, são infinitas ofertas de entretenimento ao alcance de um toque, é verdade, mas o prazer de uma boa leitura e a sensação libertadora de ser conduzido pelas asas da imaginação ainda têm os seus adeptos. Muito obrigado a você, que voa comigo.

A propósito. Em agosto, farei em São Paulo dois lançamentos do Versos Safadinhos para Noites Românticas ou Vice-versa. O primeiro será em 20ago, na Festa do Bordel (bar Dominatrix, prox à rua Augusta), e o segundo em 27ago, no sarau Sopa de Letrinhas (Julinho Clube, em Pinheiros). Amigos e leitores paulistanos, todos convidados!

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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VersosSafadinhosCapa-06aVersos Safadinhos para Noites Românticas ou Vice-versa
Ricardo Kelmer – poemas

Escritos entre 1989 e 2016, os 35 poemas deste livro versam sobre amor, paixão, desejo e erotismo. Neles, o autor canta os sabores das aventuras amorosas e celebra o êxtase dionisíaco dos enlaces carnais, mas também diverte-se com os irônicos descaminhos das relações e não esquece de louvar a musa unânime dos poetas, a língua portuguesa. Os desenhos são do artista húngaro Mihály Zichy.

> Pag oficial no Facebook (com sorteio de livros)

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LEIA NESTE BLOG

ODilemaDoEscritorSeboso-01aO dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Pesadelos do além – O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Kelmer no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas

Obrigado, J K Rowling – Em todo o planeta milhões de crianças adquiriram o hábito de ler livros graças às aventuras de Harry Potter

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01- Muito bom. Marcos Felix, Ceilândia-DF – jul2016

02- Já tenho o livro, mas quero ir à festa, suponho, meio safadinha. Sucesso de Sempre – Paulinho das frases. Paulo Mayr Cerqueira, São Paulo-SP – jul2016

03- Viva!!!! Carla Falcão Bouth, São Paulo-SP – jul2016

04- Parabens pelo seu dia, pelo seu sucesso e pela sua capacidade de seduzir os seus eleitores.Você tem muito talento, bom demais. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – jul2016

05- “O escritor original não é aquele que não imita ninguém, mas aquele a quem ninguém consegue imitar.” [Visconde de Chateaubriand]. Rogers Tabosa, Fortaleza-CE – jul2016

06- Estou esperando ansiosamente pelo proximo, aquele da maionese… =D. Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – jul2016

07- E vc é um escritor nota 10! Carla Falcão Bouth, São Paulo-SP – jul2016 

08- Parabéns!!! Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – jul2016

09- Parabéns a todos os escritores, pelas suas vibrações e palavras que simbolizam tanto sentimento, que muitas vezes estão adormecidos em nosso mundo. Hugo Paz, São Paulo-SP – jul2016 

10- Parabéééééns! Fernanda Benine, São Paulo-SP – jul2016 

11- Parabéns amore. Lena Silveira, São Pedro da Aldeia-RJ – jul2016


E o poeta me retratou

22/06/2016

22jun2016

Eu, meu trabalho e minhas ideias no retrato do bardo Arnaldo

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E O POETA ME RETRATOU

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A coluna de Arnaldo Afonso, Sarau, Luau e o Escambau, no jornal O Estado de S. Paulo, vulgo Estadão, é um interessante retrato da produção artística da capital paulista, mostrando o que acontece além dos padrões da indústria cultural. Na edição de hoje, a coluna dedicou um generoso espaço ao meu trabalho, o que muito me honrou. Fiquei surpreso, pois não esperava, e muito gratificado pela qualidade da matéria, bastante fiel ao sentido do que faço e penso. Segue um trecho, em que me vejo, e realmente me vejo, retratado na deliciosa prosa poética do bardo Arnaldo:

“O Kelmer canta, conta causos, interpreta, diverte a gente. Tem raciocínio rápido e humor aguçado: a marca dos inteligentes. Mais um grande artista do fértil solo cearense. Humorista antenado, tirador de sarro e ativista, dá voz a quem não tem. Escreve bem o que vê e o que imagina: é ficcionista também. Seus contos estão prontos pra serem filmados. Observador nato, é cronista (e romancista, claro). Tem ampla visão da cidade e sertão, da política e cultura. Depura a opinião dos amigos, conserta os equívocos da imprensa, comenta sem ranço. Pacientemente nos convence. Esclarece as mil e uma obscuridades do poder. Dá leveza às ditas obscenidades físicas: só o falso moralista vê maldade quando se brinca. Brinda à Vinicius e denuncia: no grande bordel da vida real, imoral e vergonhoso é roubar o dinheiro do povo. Não foge ao combate, polemiza, pisa em terreno minado: nomeia os tiranos de rosto abstrato. Didático, desenha pra quem não capta: leia, saiba. Seu texto denso alarga os pensamentos estreitos. Antifanático, Kelmer defende o estado laico, as liberdades civis e os direitos democráticos (tão ameaçados). Escancara o silêncio da selva domesticada e encara a turba ignara conectada ao atraso: é o puxador da alegria no bloco dos filósofos anárquicos. Kelmer absorve os conceitos, tritura e nos oferece sua água pura. Alquimista da utopia, destila a dor e nos alivia com suas doses de quimera fria. Sonhador sereno, seu blog pé-no-chão nos ilumina. Kelmer é um ponto de luz nas trevas de nossa idade mídia.” (Arnaldo Afonso)

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ArnaldoAfonsoBlogEstadao201606-101

Leia a matéria na íntegra

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ODilemaDoEscritorSeboso-01aO dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Pesadelos do além – O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Kelmer no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas

Obrigado, J K Rowling – Em todo o planeta milhões de crianças adquiriram o hábito de ler livros graças às aventuras de Harry Potter

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01- Merecido!! Fauhber Pinheiro, Fortaleza-CE – jun2016

02- Partilho inteiramente da opinião de Arnaldo Afonso. Do trabalho do kelmer que tenho lido/ouvido/visto (ainda em fase de descoberta para mim) ,o que desde logo sobressai é a força da ironia inteligente,e, por isso, desconcertante e deliciosamente cómica, sem qualquer registo de superioridade presunçosa. Por outro lado, também, assombra a maneira como pode usar clichés (tão gastos já por muitos que se dizem humoristas) sem ser nunca vulgar ou brejeiro. Não é para muitos! Elisabete Maria Ferreira, Lousã-Portugal – jun2016

03- Muito bom! 🙂 Juliana Melo, Fortaleza-CE – jun2016

04- Fantástico e muito merecedor de tudo isso que o Arnaldo Afonso falou. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – jun2016


São Paulo, sua loca

27/04/2016

28abr2016

Quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro

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SÃO PAULO, SUA LOCA

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E agora, quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro, antes de zarpar novamente. Quinze entardeceres pra me iludir feliz no horizonte neon das tuas promessas. Quinze noites pra me apaixonar outra vez pelo charme das tuas curvas imperfeitas. Quinze madrugadas de poemas baratos sussurrados com uísque em teu ouvido. Quinze manhãs despertando de um sonho gostoso com teu hálito de quero mais. Surpreenda-me, São Paulo, como só você faz.

 

FORMATO POEMA

E agora, quinze dias contigo
e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro
antes de zarpar novamente
Quinze entardeceres pra me iludir feliz
no horizonte neon das tuas promessas
Quinze noites pra me apaixonar outra vez
pelo charme das tuas curvas imperfeitas
Quinze madrugadas de poemas baratos
sussurrados com uísque em teu ouvido
Quinze manhãs despertando de um sonho gostoso
com teu hálito de quero mais
Surpreenda-me, São Paulo
como só você faz

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Cidadivosa-01b

Cidadivosa – Um microconto para São Paulo

Inculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Maior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel) – E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

Nas curvas do teu litoral – Uma música para Fortaleza (mp3)

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

O reino encantado de Jericoacoara – Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar…

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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 01- Lindíssima imagem, o conteúdo deve ser da mais alta qualidade! Marcos Felix, Ceilândia-DF – abr2016

02- Boaa… Vlado Lima, São Paulo-SP – abr2016

03– Bora! Kátia Freitas, São Paulo-SP – abr2016

04- pena que vai ficar tão pouquinho… Renata Regina, São Paulo-SP – abr2016

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Envelhecendo na paz da loucura

25/07/2015

25jul2015

Nossa missão é encontrar nosso público, mesmo que ele não encha uma kombi

DiaDoEscritor-02

ENVELHECENDO NA PAZ DA LOUCURA

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Escritor profissional? Logo no Brasil? Poizé, foi uma decisão difícil de tomar, e a empurrei com a barriga até os 30 anos. Meus pais, muito prudentes, sempre me aconselhando, seja escritor mas faça o concurso do Banco do Brasil… Alguns amigos, sempre querendo me ver mais rico, ainda hoje sugerindo, você devia trabalhar como roteirista de tevê, agência de publicidade, escrever para outros…

Superobrigado pelos conselhos, gente. Mas é que vivem em mim tantos universos simultâneos de histórias, e tantos personagens imploram diariamente que eu fale deles ao mundo, e a urgência de organizar o caos interior através das palavras é tanta, que dedicar metade do dia a um emprego formal me faria adoecer perigosamente. Sim, gente, eu tentei, tive empregos, me esforcei para ser como todo mundo. É por isso que eu bem sei o quanto não farei mais isso. Porque quero envelhecer em paz comigo mesmo, ainda que essa paz esteja na loucura da inquietude criativa. E porque sei que todo o dinheiro do mundo não pagaria essa paz.

Aos que, ao Kelmer escritor, preferem o Ricardo amigo, obrigado pela amizade que me faz tão bem. Mas hoje é o dia do escritor, e este ano comemoro vinte anos do livro de estreia! E como nossa missão é encontrar nosso público, mesmo que ele não encha uma kombi, quero agradecer especialmente a você, a quem finalmente encontrei. Muito muito muito obrigado. Por me ler e dar sentido à vida que me coube.

E um brinde a todos os escritores que não desistiram e, por isso, tanto nos enriquecem com suas criações.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

ODilemaDoEscritorSeboso-01aO dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Pesadelos do além – O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Kelmer no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas

Obrigado, J K Rowling – Em todo o planeta milhões de crianças adquiriram o hábito de ler livros graças às aventuras de Harry Potter

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Quem tem sua riqueza intelectual, facilidade de transmitir a idéia, dinamismo na escrita, praticamente brinca com as letras, o sucesso como escritor é óbvio . Parabéns meu brother, você é inspiração para muitos, inclusive para mim !! Samuel Araujo, Vilhena-RO – jul2015

02- Parabéns, Ricardo Kelmer, q vc contonue neste caminho escolhido por vc e nos brindando com obras maravilhosas, como por exemplo, o irresistível charme da insanidade q eu amo. Um abraço. Luciana Brasileiro de Holanda, Campina Grande-PB – jul2015

03- Parabéns, Kelmer, por apimentar nossos dias com suas palavras! Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – jul2015

04- Nós, leitores, é que agradecemos sua dedicação Ter um texto para ler e poder viajar entre palavras precisas é nossa alegria! Obrigada, Kelmer! Por todas as histórias compartilhadas. Sandra Regina, Curitiba-PR – jul2015

05- Parabéns querido Ricardo Kelmer! Eu agradeço, como muitos outros eleitores, o prazer que vc nos dá com tuas experiências e imaginações contadas nesses teus livros tão nossos, que nos fazem viajarmos e nos libertarmos.
Que vc continue nesse caminho lindo e criativo da escrita e tenha com isso muito sucesso em tua vida….Ver mais. Renata Kelly, Fortaleza-CE – jul2015

06- Parabéns, Ricardo Kelmer, por sua perseverança. E sucesso! Maria Bulcão, Fortaleza-CE – jul2015

07- dá pra encher muitas kombis, mas vc sabe… os dois grupos… nem todos assumem que gostam… rss. Maria Gama, jul2015

08- Parabéns por nos enriquecer com suas palavras e seu talento! Maedir Coimbra, Rio das Ostras – jul2015

09- kkkkk meu pai tbm queria que eu fizesse o concurso do BB. Ainda bem que resolvi fincar pé… mas não tive sua coragem, estou sempre com um pé no jornalismo, outro na literatura. Mas não me arrependo: é ainda hj o que me dá tesão de viver… Parabéns, meu querido! Bjks. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – jul2015

10- Parabéns por ser você mesmo e doar seu dom ao mundo, que nem borboleta que espalha o pólen. Sou sua leitora. Acredito que a kombi esteja mais lotada do que vc pensa. Gratidão. Fátima Landim, Fortaleza-CE – jul2015

11- Danielle Gouveia Fernandes, veja um relato parecido com o seu. Fátima Landim, Fortaleza-CE – jul2015

12- A gente é que agradece por você ter tido a firmeza de assumir essa carreira! Parabéns, Kelmer! Obrigada pela viagens… Thais Machado, Fortaleza-CE – jul2015

13- Que Deus te dê muita saúde e muitos anos pra você para continuar realizando o seu sonho. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – jul2015

14- Obrigada por nos presentear com seus livros…tenho orgulho de ter seu nome entre os livros de meus melhores escritores na minha estante! Parabéns pelo seu dia!!! Celina Bezerra, Fortaleza-CE – jul2015

15- Que Deus ilumine sempre sua caminhada premiando sua dedicação pelos objetivos que o tornam feliz!parabéns pelo seu dia!! Landi Bravo Aires, Rio de Janeiro-RJ – jul2015

16- Ainda bem que você não desistiu… Parabéns, primo amado!…beijo no coração! Sílvia MedinaFortaleza-CE – jul2015

17- querido Rica… Susana X Mota, Leiria-Portugal – jul2015

18- Arriba Ricardo Kelmer! Emoticon smile Me gusta tu pluma, hermano. Felipe Obreer, Florianópolis-SC – jul2015

19- Querido Ricardo Kelmer!! Parabens ! Cd vez mais acredito q oque importa e ser honesto consigo! Muitas saudades de vc!! Bjos. Juliana Lyra, Dunedin-Nova Zelândia – jul2015

20- Parabéns!!!! Você com certeza escolheu o melhor caminho, da felicidade e paz espiritual. Caminho este que nós ,tidos como os ” normais” tanto buscamos. Raquel Bernardo, Maranguape-CE – jul2015

21- Vc é tão bom ,mas tão bom qdo escreve que às vezes tenho vontade de mergulhar em suas palavras e ir te dar um abraço. Minha homenagem discreta pra vc, meu querido escritor. Mas é verdade qto a me emocionar com seus escritos. Marina O, Fortaleza-CE – jul2015

22- Parabéns Ricardo Kelmer!!! Bjs. Iara Cristina, São Paulo-SP – jul2015

23- Parabéns RK! Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – jul2015

24- Parabéns ,Kelmer! Ainda bem que você seguiu sua vocação verdadeira! Presente pra nós que te admiramos! Feliz dia do Escritor! Vanessa Machado Monte, Fortaleza-CE – jul2015

25- :-)Parabéns Querido escritor Ricardo Kelmer! enquanto tiver e existirem amantes, apreciadores e admiradores da poesia, não morrerá, reviverá a cada dia! Viva os/as escritores(as) de todos os gêneros literários! Viva a poesia! beijos e abraços poético literários! Lidiane Santos Leite, Fortaleza-CE – jul2015

26- Parabenssss. Rosangela Dias Do Nascimento, Recife-PE – jul2015

27- Parabéns !!! Raquel Jolie Silva, Fortaleza-CE – jul2015

28- Parabéns! Vanderleia Santos, Santana de Parnaíba-SP – jul2015

29- Lindo texto e decisão de vida ! Lembra de mim? Gabriela Souza, Fortaleza-CE – jul2015

30- Parabéns meu querido. Que muitas inspirações brotem em seu coração. Cícera Souza Vidal, Fortaleza-CE – jul2015


O improvável, o impossível e o inacreditável

06/05/2015

06mai2015

Numa hora dessa, como ainda ter forças pra superar um rival que virou o jogo no fim com um jogador a menos, que já conseguiu o impossível?

OImprovavel,OImpossivelEOInacreditavel-01

O IMPROVÁVEL, O IMPOSSÍVEL E O INACREDITÁVEL

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Três de maio de 2015. Acompanharei o jogo pelo rádio, sozinho em meu apartamento aqui em São Paulo. Jogamos pelo empate, mas não tenho ilusões, sei que será difícil pra caramba. Por isso trato logo de imaginar um roteiro bem sofrido: meu time fará 1×0, no segundo tempo o rival empatará e, no fim do jogo, pênalti pra eles… que o nosso goleiro defenderá. Isso mesmo, dor e angústia até o fim. Pronto, estou preparado. Mas não. Ninguém poderia estar preparado pro que aconteceria.

O ano começou ruim pro Fortaleza Esporte Clube. O último título tricolor fora o tetracampeonato estadual de 2010. Agora, porém, o clube amargava cinco anos na Série C do Brasileiro, um pesadelo horroroso, enquanto o maior rival, Ceará, mais organizado e com mais dinheiro em caixa, se preparava pra um provável pentacampeonato. Restava ao Leão superar as próprias limitações e realizar o improvável. E, principalmente, evocar a tal “mística daquelas camisas”, uma força misteriosa e inexplicável que amedronta até o maior rival e que sempre esteve presente nas grandes conquistas do clube, mas que andava meio sumida.

Acesso a internet e ligo o rádio. Estou tão nervoso que nem lembro de beber algo pra relaxar, isso é incrível, e meu intestino, coitado, nem vou comentar. Mas a camisa tricolor está lá, hasteada no alto do armário, como a estrela-guia da esperança. No primeiro jogo das finais, um domingo antes, surpreendemos e vencemos por 2×1, revertendo a vantagem do Ceará, e agora jogamos pelo empate. Uau, estamos perto de realizar o que era improvável… A conquista da Copa do Nordeste pelo rival, quatro dias antes, o faz chegar pra esse segundo jogo com o merecido status de melhor time da região. É, não vai ser fácil. Mas estou preparado. Tsc, tsc… Ô ilusão.

O golaço de Daniel Sobralense me alivia. Agora eles têm que virar o jogo pra nos tomar o título. Mas continuo desconfiado, não pode ser assim tão facinho… Começa o segundo tempo e o jogo segue difícil, chances dos dois lados. Então eles têm um jogador expulso. Oba, ficou mais fácil. Sim, mas a desconfiança não me deixa relaxar. Chegamos aos 36 minutos. Agora só o impossível pra nos tirar o título.

E eles empatam. Aos 37 do segundo tempo. Que merda. Agora virão uns treze minutos de desespero. Segue o jogo. Mas o tempo não passa. Minhas mãos suam, o coração vai sair do peito, tenho certeza. E aos 45 eles viram o jogo. Não pode ser… Eles alcançaram o impossível. É o pior dos pesadelos pro meu Leão.

Prevejo os dias seguintes, as gozações, vai ser insuportável. Penso em desligar o rádio, me poupar dessa tortura. Mas isso seria covardia, não posso abandonar o time agora. Olho pra camisa lá no alto e me agarro ao último fiozinho de esperança. Mas numa hora dessa, como ainda ter forças pra superar um rival que virou o jogo no fim com um jogador a menos, que já conseguiu o impossível?

Quando o narrador grita o gol inacreditável de Cassiano, aos 47 minutos, demoro a crer, espero um tempo, vão anular o gol… Mas é verdade. É mágico, é inacreditável, mas é real, empatamos! O jogo termina, um jogo épico que entrará pra história. Quem poderia imaginar roteiro tão fantástico? Eu sou campeão, que maravilha! Mas ainda estou tão perplexo… Eu sei que é verdade, mas acho que não consigo acreditar que realmente aconteceu…

É um grande guerreiro aquele que realiza o improvável. É um gigante quem alcança o impossível. Mas como chamar quem consegue o inacreditável? Pode chamar de Fortaleza, é este o seu nome. Parabéns a nós tricolores. A mística daquelas camisas está de volta.
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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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> Site oficial do Fortaleza Esporte Clube
> Fortaleza Esporte Clube na Wikipedia

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CLIPE COM GOLS DAS DUAS FINAIS
edição: RK

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DETALHES DA CONQUISTA

01- Após o gol de Assisinho, aos 45 do segundo tempo, pondo o Ceará à frente do placar, enquanto seus companheiros pareciam sem forças para reagir, o lateral direito Tinga foi buscar a bola dentro do gol e a levou até o centro do gramado, posicionando-a para que o jogo recomeçasse logo. Na saída de bola, Daniel Sobralense tocou para Cassiano, que recuou para o volante Correa, e, enquanto vários jogadores avançavam para a área, ele tocou na esquerda para Wanderson (eleito o melhor lateral esquerdo do campeonato), que avançou, driblou Robinho com um giro de corpo, atraiu a marcação de mais dois adversários e fez um lançamento preciso na direita para Tinga, que cabeceou no meio para Cassiano, que entrara dez minutos antes, tocar para o gol. Tinga, que também participou do gol de Éverton, no primeiro jogo, cruzando para ele cabecear, era um dos jogadores mais questionados pela torcida, mas subiu de rendimento nas finais.

02- O goleiro Deola e o volante Dudu Cearense foram as contratações mais caras. O primeiro alternou boas atuações com falhas preocupantes, e o segundo demorou a entrar no ritmo, lesionou-se e decepcionou os que nele tanto acreditavam. Felizmente, os volantes Vinicius Hess e Auremir, ao lado de Correa, o grande maestro do time, tiveram bom rendimento e se entrosaram bem com os zagueiros e laterais, fazendo do sistema defensivo o ponto forte do time. O meio de campo melhorou com a subida de rendimento de Éverton e a chegada de Daniel Sobralense. Quanto ao ataque, nenhum dos jogadores se destacou, e esse foi o setor de pior rendimento.

03- Foram frequentes os problemas de contusão durante o campeonato, principalmente na primeira metade do certame, o que dificultou bastante o trabalho do técnico Nedo Xavier, demitido após derrota para o Ceará na segunda fase. Sem poder contar com jogadores como Romarinho e Radar, que quase não jogaram, o técnico Marcelo Chamusca também teve problemas com as contusões. Daniel Sobralense, por exemplo, precisou por duas vezes interromper sua sequência de jogos, voltando a atuar nas finais, sem muito ritmo de jogo. Seu talento, porém, compensou tudo.

04- O ressurgimento do caso David Madrigal no meio do campeonato e a polêmica decisão do TJDF-CE de excluir o Fortaleza do campeonato e rebaixá-lo para a segunda divisão, pegou a todos de surpresa. O clube agiu rápido e conseguiu o efeito suspensivo, o que lhe garantiu jogar as semifinais e as finais. O caso, porém, em vez de dificultar ainda mais a vida dos tricolores, pareceu injetar um novo ânimo no Pici e serviu para unir mais a torcida em torno do time. A solicitação de árbitro de fora para as finais, feita pelo Fortaleza, foi mais uma jogada inteligente, reforçando a ideia de que o clube, além do rival Ceará, lutava também contra a Federação e os interesses obscuros do TJDF-CE.

05- A invasão do campo por parte da torcida do Fortaleza, após o apito final, poderia ter sido evitada com a presença de mais policiais no campo, afinal era uma atitude perfeitamente previsível. A comemoração tricolor provocou a ira da torcida do Ceará, que soltou rojões sobre os torcedores tricolores no campo e invadiu o gramado para brigar. Erraram as duas torcidas. Falharam as autoridades da segurança. Perdeu o futebol e perderam os dois clubes, que tiveram de pagar pelo prejuízo dos assentos quebrado e certamente sofrerão penalidades nos tribunais.

06- FICHA TÉCNICA
– Local: Arena Castelão, Fortaleza-CE
– Data: 3 de maio de 2015, domingo, 16 horas
– Árbitro: Péricles Bassols-RJ
– Cartões amarelos: Charles, Uillian Correia, Ricardinho (Ceará); Daniel Sobralense, Deola, Pio e Lúcio Maranhão (Fortaleza)
– Cartões vermelhos: Uillian Correia (Ceará); Maranhão (Fortaleza)
– Público pagante: 50.002
– Público não-pagante: 1.000
– Renda: R$ 1.169.467,00
– ESCALAÇÕES:
FORTALEZA: Deola, Tinga, Adalberto, Lima e Wanderson; Pio (Maranhão), Auremir, Correa e Everton (Vinícius Hess); Daniel Sobralense e Lúcio Maranhão (Cassiano). Técnico: Marcelo Chamusca. BANCO: Erivélton, Genilson, Max Oliveira, Hudson, Radar, Vinícius Hess, Cassiano, Samuel, Maranhão, Márcio Diogo, Dudu Cearense e Cássio.
CEARÁ: Luis Carlos, Samuel Xavier, Gilvan, Charles e Fernandinho (Tiago Cametá); João Marcos (Robinho), Uillian Correia, Ricardinho e Marinho; Magno Alves e William (Assisinho). Técnico: Silas. BANCO: Tiago Campanaro, Sandro, Everton, Jean Cléber, Marcos Aurelio, Wellington Carvalho, Robinho, Eloir, Assisinho, Carlão e Wescley.

07- Onde você estava quando Cassiano fez o gol do título? – Na página oficial do clube no Facebook, dezenas de torcedores relatam suas experiências

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HINO DO FORTALEZA EM NOVE VERSÕES

00m00 – Original 1967 com Manoel Paiva
02m40 – Lírica com Ayla Maria e Raimundo Arraes
04m59 – Raimundo Fagner
08m44 – Reggae com banda Okolofé
12m10 – Voz e violão com Calé Alencar
14m22 – Forró com Neo Pi Neo
16m58 – Versão rock (Alexandre Carvalho. Instrumental: André Carvalho)
20m09 – Original regravação 2002
22m35 – Em francês (Voz: Giselle Café)
24m43 – Versão de Nonato Luiz (violão, com batucada nas cordas do violão)

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AMisticaDaquelasCamisas-01aA mística daquelas camisas (crônica) – Eu era um menino de nove anos quando a magia daquelas camisas invadiu minha vida. Os radialistas falavam sobre a tal mística das camisas do Fortaleza Esporte Clube, mas eu ainda não podia entender o que era. No entanto, o azul-vermelho-e-branco já seduzia meus olhos de criança, e me fascinavam as histórias sobre as vitórias impossíveis. 

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FECLeao-02O hino O primeiro hino do Fortaleza foi composto em 1959, por José Jatahy. Em 1967 é composto o hino oficial pelo poeta Jackson de Carvalho, sendo sua gravação em outubro do mesmo ano, tendo como arranjador o maestro Manuel Ferreira e como intérprete o cantor Manoel Paiva. Em entrevista à revista Veja, o cantor e compositor Chico Buarque afirma que considera o hino do Fortaleza o segundo hino mais belo do futebol brasileiro, sendo o primeiro o do seu clube, o Fluminense.

Fortaleza, clube de glória e tradição
Fortaleza, quantas vezes campeão
Fortaleza, querido idolatrado
Estás sempre guardado dentro do meu coração

Altivo, tua vida sempre foi um marco
Tua glória é lutar e vencer também
Salve o Tricolor de Aço
No campo, provaste mesmo que não tens rival
Tua turma é valente, é sensacional
Salve o Tricolor de aço

Soberbo, tua fibra representa um norte
Combativo, aguerrido, vibrante e forte
Sem demonstrar cansaço
Receba um sincero abraço da torcida tão leal
Meu Tricolor de Aço

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> Hino oficial do Fortaleza Esporte Clube
> Hino oficial (Fagner)
> Hino oficial, versão lírica (Ayla Maria e Raimundo Arraes)
> Hino oficial, versão forró (Neo Pi Neo)
> Hino oficial, versão rock (Voz: Alexandre Carvalho. Instrumentos: André Carvalho)

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Maravilha de crônica Kelmer! Viva o Tricolor de Aço! Bj saudoso. Madalena Bonfim, Fortaleza-CE – mai2015

02- A cronica estava linda demais e o futubol realmente surpreendeu! Michelle SJ, Fortaleza-CE – mai2015

03- Curti a crônica, não a “A mística daquelas camisas está de volta.” Rsrs. Parabéns, tricolor Kelmer. André Domene Ortiz, Fortaleza-CE – mai2015

04- Ai dentro. Carniça. Marcella Costa, Fortaleza-CE – mai2015

05- Beleza pura a crônica. Eugênio Oliveira, Fortaleza-CE – mai2015

06- Texto lindo e perfeito! Saudações tricolores! Jacqueline Moura, Fortaleza-CE – mai2015 

07- Saudações Cassianas! Halder Gomes, Fortaleza-CE – mai2015 

08- Parabens pela linda crônica,parabens pela vitória do Foraleza. Vilma Galvão, Fortaleza-CE – mai2015

09- bom demais, tricolor. bjo. Xico Sá, Rio de Janeiro-RJ – mai2015

10- Adorei a crônica. Saudações tricolores, tem que ser sofrido sim, porque torcer fortaleza é para os fortes, não é mesmo? Valeu! Ana Nathalia Simões, Fortaleza-CE – mai2015

11- Traduziu nossa angustia e ao mesmo tempo nossa grande conquista!!!! Parabéns a todos os tricolores!!! Eduardo Maranhão, Fortaleza-CE – mai2015

12- Caros amigos tricolores! Fantástico texto do meu amigo Ricardo Kelmer! Alfredo Junior Franco, Fortaleza-CE – mai2015

13- É isso, Ricardo Kelmer. Aproveito e coloco aqui sua observação:”A confusão e a violência entre torcedores arruaceiros entristecem o futebol, sim, mas o futebol em si é belo e emocionante. É justo separar uma coisa da outra, pois a imensa maioria dos torcedores é de bem e vai pro estádio apenas pra torcer por seu time.” Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – mai2015

14- O campeão voltou! Eugênio Oliveira, Fortaleza-CE – mai2015

15- Vale a leitura! Parabéns Ricardo Kelmer Fabio Mota, Fortaleza-CE – mai2015

15- Vale a leitura! Parabéns Ricardo Kelmer Fabio Mota, Fortaleza-CE – mai2015

16- Nossa.Me emocionei dnv. Otimo trabalho !! Paulo Jose, Fortaleza-CE – mai2015

17- Que texto massa!!! Todo tricolor tem que ler e conhecer Ricardo Kelmer! Mto show!!! Renata Damasceno, Fortaleza-CE – mai2015

18- Show. Stefany Sousa, Fortaleza-CE – mai2015

19- Bacana demais!!!somos tricolor de aço. Ereneide Viana, Fortaleza-CE – mai2015

20- Para os campeões ! Carlos Sampaio, Fortaleza-CE – mai2015

21- Parabéns Ricardo Kelmer. Emocionante seu texto. Senti exatamente o mesmo… Ao ler seu fantástico texto senti toda emoção de domingo mais uma vez. Esse é o nosso leão. Impossível, improvável e inacreditável! Hugo de Freitas, Fortaleza-CE – mai2015

22- O texto retrata o sentimento dos tricolores, que apesar de torcedores, sabem bem separar paixão e razão, e tinham consciência do melhor momento do rival. O receio, a desconfiança no que o time poderia fazer estavam presentes nesses tricolores e, ao que parece, o sentimento foi esse mesmo durante os 90 minutos. Marcos André, Fortaleza-CE – mai2015

23- Realmente retrata quase tudo que passei! Parabéns! Joao Batista Mota, Fortaleza-CE – mai2015

24- perfeito! AAIii meu coração!!! É verdade, meu Deus!!! Andrea Mesquita Lima, Fortaleza-CE – mai2015

25-  Eu também demorei a acreditar, nem vi direito pois já estava me sentindo derrotada. Mas valeu! Bom demais!! Te amo Leão!!! Cristiane Bastos, Taíba-CE – mai2015

26- Parabéns, grande Ricardo Kelmer. Eu senti tudo isso, só que às avessas, hehehe. Augusto Caminha, Fortaleza-CE – mai2015

27- Outra foi aquela que chegamos no segundo tempo de Fortaleza e Ceará aos 35m e o Fortaleza perdia de 3×0, não é q empatou.. Andre Soares Pontes, Fortaleza-CE – mai2015

28- Emocionante! Quase me transportei pro passado naquele dia! Emoções mil, eu vivi extasiado! José Milton Fontenelle, Fortaleza-CE – mai2015

29- Como eu estou com 60 anos, essa linda crônica fez-me lembrar do inesquecível Blanchard Girão, o criador da “mística daquelas camisas”. Francisco Celio Cavalcante Marinho, Fortaleza-CE – mai2015

OImprovavel,OImpossivelEOInacreditavel-01a


A marmota do ano

26/02/2015

26fev2015

O dia em que Fortaleza aplaudiu um artista que nunca existiu

AMarmotaDoAno-05

A MARMOTA DO ANO

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Oi, recebi teu recado. Tô no orelhão, fala rápido. O quê? Sério? Não, eu não acredito… Quer dizer que atualmente o maior sucesso aí em Fortaleza é um artista japonês que nunca existiu? Não, vocestão de sacanagem comigo. Heim? Os jornais fizeram matéria de capa? O quê?! Entrevistaram o japa?! Não, assim vocês não querem que eu volte…

Yuri Firmeza? É um artista daí? Não sei, acho que não conheço. Ah, foi ele quem inventou o artista japonês. Tá. E acertou com o Centro Cultural Dragão do Mar uma exposição no Museu de Arte Contemporânea? Como se fosse do japa? Putz… Comué, ele criou um passado pro japa? Criou fotos das obras do cara, inventou uma assessoria de imprensa, enviou informações pros jornais? Deu entrevista por e-mail como sendo o japa? Que louco… Tá, mas o que tinha na exposição? Cópias de mensagens de e-mail? Ah, tá, que Yuri trocou com um filósofo, exatamente sobre a ideia da farsa. Ahahah! Sensacional! Isso sim é que é molecagem contemporânea!

Mas por que ele fez isso? Chamar a atenção sobre o quê? A questão da arte, tá. E denunciar a negligência da imprensa com os artistas locais? Hummm, olhassó… Danado esse Yuri, heim? E o público, o que achou? A maioria se manifestou favorável ao artista moleque? Certo. Os leitores do jornal o quê? Ah, criticaram o pedantismo dos jornalistas. Ok. E os jornalistas? Ahn? Apedrejaram o artista? Comassim? Quer dizer que não reconheceram o próprio erro? O quê? O jornalista afirmou que tudo isso era medíocre e que o objetivo do artista foi arranhar a credibilidade e a boa reputação dos jornalistas? Entendi. Peraí que aqui tá passando um caminhão limpa-fossa.

Pronto, já passou. Heim? O jornalista disse que muitos idiotas vão entender a coisa como um alerta sobre a cobertura jornalística da cultura no Ceará? Vixe, e é pra entender o quê? Ops, volta a fitaí, ele disse “idiotas”? Não, ele não disse isso, não é possível. Bem, então muito prazer, eu sou um dos idiotas. Corajoso o jornalista, né? Chamar o artista de medíocre, vá lá, é a opinião dele, apesar de ter um cheirinho de ressentimento. Mas chamar seus próprios leitores de idiotas? Uau! Afinal, o que tá havendo com a minha querida imprensa alencarina? Devem ter botado alguma coisa na bebida desse povo, não é possível.

Como é mesmo o nome do japa? Souzousareta Geijutsuka? Diabo de nome é esse? Quer dizer o quê em japonês? Artista inventado? Não, tu já tá sacaneando. Mas peraí… Nenhum jornalista se deu ao trabalho de pesquisar se esse Zé Sareta existia mesmo? Não tem internet nas redações do Ceará não? Heim? Os jornalistas disseram que o Dragão do Mar perdeu a credibilidade? Pois pra mim, isso que o Dragão fez foi uma benfeitoria pública. É. Afinal, tudo isso serviu pra mostrar que o rei tá pelado e que o pinto do rei é pequeno. Sim, todo mundo sabia. Menos o rei.

O papo tá bom, mas os créditos tão acabando, vamo ter que encerrar. Mas antes manda um recado aí pra turma. Diz que eu voto nessa história pro acontecimento jornalístico de 2006. Claro. A marmota do ano. De uma lapada só fez a cidade inteira discutir arte, lógica de mercado, subserviência cultural ao que vem de fora, o papel da imprensa e sua credibilidade, a postura dos jornalistas… Ah, é, e também serviu pra mostrar como são idiotas os tais leitores do jornal. Eu principalmente, que leio todo dia.

Olhassó, esse Yuri devia fazer uma estátua. Dele não, do Zé Sareta. Isso, no Dragão do Mar. O Ceará não é a terra da molecagem? Não foi Fortaleza quem uma vez vaiou o sol na Praça do Ferreira? Então. Uma estátua do japa lendo jornal. Pra gente nunca mais esquecer do dia em que Fortaleza aplaudiu um artista que nunca existiu.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica. A imagem que ilustra o texto é uma montagem feita a partir de trabalhos de Yuri Firmeza.

> A crônica A Marmota do Ano foi publicada em minha coluna Kelméricas, no site do jornal O Povo (Fortaleza), dez dias após a abertura da exposição de Yuri Firmeza. O texto a seguir, Quem Aprendeu, Aprendeu, foi publicado em meu site pessoal no mesmo ano, 2006. Minha defesa do artista e do Centro Cultural Dragão do Mar, junto às minhas críticas ao comportamento da imprensa, infelizmente não foram bem recebidas por alguns colegas jornalistas e me renderam antipatias. Fazer o quê?

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AMarmotaDoAno-05aQUEM APRENDEU, APRENDEU
Ricardo Kelmer, 2006

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Minha crônica A Marmota do Ano é um deboche, evidentemente, mas ela pretendeu também chamar a atenção para um fato que é tão absurdo que parece mentira, para que o leitor reflita sobre esse acontecimento riquíssimo de implicações artísticas, jornalísticas e sociais, e tire suas próprias conclusões.

É interessante notar que num primeiro momento, após a descoberta da farsa, o jornal O Povo, em seu editorial, chama o artista de “frustrado”, “recalcado” e “rancoroso” e a sua atitude de “mesquinha” e “irresponsável”. E chama de “deplorável” o comportamento do Centro Dragão do Mar por ser conivente com a proposta do artista. No único momento de mea culpa, o editorial do O Povo admite que não custava nada checar na internet informações sobre o artista japonês. Mea culpa? Hummm, nem tanto. Na verdade, era só um trampolim estilístico para a frase final que insinua que o Dragão não tem mais credibilidade.

Infelizmente, o editorial esqueceu de comentar que um dos objetivos da pegadinha era justamente denunciar a subserviência da mídia ao que vem de fora e seu descaso com os artistas locais. Mas, pensando bem, seria reforçar ainda mais o ridiculamente óbvio: a subserviência está estampada, em manchete, no espaço cedido ao forasteiro famoso… que jamais existiu. E quanto ao descaso, bem, se existia descaso, agora os artistas não têm mais do que reclamar. Ganharam até editorial!

Mas não sejamos injustos. Na última matéria, O Povo resume toda a marmota, informando corretamente, deixando o ressentimento de lado e atendo-se aos fatos. E no mesmo dia, no site, disponibiliza o fórum para que seus leitores se manifestem. E eles se manifestam: a imensa maioria aplaude o artista e critica duramente as atitudes do jornal e dos jornalistas, como se fosse um grito de inconformismo, guardado por muito tempo, contra a postura dos meios de comunicação e o pedantismo de seus profissionais. E, dez dias após o início do caso, o portal Noolhar, que é ligado ao jornal O Povo, publica minha crônica A Marmota do Ano, provando que, assim como o jornal, o site também entende o valor da multiplicidade de opiniões num veículo democrático. Ponto para o jornal e para o portal.

Há uma outra questão envolvida: a coragem do artista. Imagine se algum jornalista, antes de escrever sua matéria, resolve investigar algo sobre Souzousareta. Ou imagine se os planos de Yuri vazam por descuido ou delação de alguns dos envolvidos. A farsa fatalmente seria descoberta, os jornalistas se livrariam do ridículo e automaticamente o repassariam a Yuri Firmeza. O artista seria desmascarado e, certamente, criticado e ridicularizado pela imprensa e até por artistas. Talvez virasse persona non grata das redações (bem, talvez já o seja…). Seu esforço teria sido em vão. O público possivelmente não o apoiaria como agora faz. É, o artista foi muito corajoso. E assumiu um risco enorme, que quase ninguém ousaria assumir. Você assumiria?

Trabalho com comunicação e escrevo para jornais e sites. Como profissional da notícia, o episódio me deixou constrangido. Infelizmente estamos sujeitos a pegadinhas como essa. Mas, nesse caso, apoio o artista e o Centro Dragão do Mar. Eles foram muito úteis à sociedade e à imprensa. O que Yuri Firmeza fez, admitamos, foi genial, e, mesmo constrangendo a nós que fazemos jornalismo, nos ensinou coisas muito importantes. Quem aprendeu, aprendeu.

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CRONOLOGIA DA MARMOTA

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09.01.06 – Desconstruindo a arte
(jornal O Povo-CE)

Chamada para a exposição de Souzousareta Geijutsuka

10.01.06 – Arte, natureza e tecnologia (jornal Diário do Nordeste-CE)
Entrevista com o artista japonês e imagens de suas obras

11.01.06 – Pegadinha contemporânea de artista cearense (jornal O Povo-CE)
Notícia da farsa. Informação apenas, sem paixões

11.01.06 – Arte e molecagem (jornal O Povo-CE)
O jornalista ataca e desmerece o artista e critica o museu

11.01.06 – Exposição factóide compromete Instituto Dragão do Mar (jornal Diário do Nordeste-CE)
Notícia da farsa. O jornal tenta descredibilizar o Centro Dragão do Mar

12.01.06 – Provocação infeliz (jornal O Povo-CE)
O editorial do jornal O Povo ataca o artista, critica o Dragão do Mar e faz um meia-mea-culpa

12.01.06 – A arte do absurdo (jornal O Povo-CE)
Resumo do fato. O jornal informa sem julgar

12.01.06 – A arte no jornalismo (jornal O Povo-CE)
A editoria do Vida & Arte se manifesta. Nem contra nem a favor

13.01.06 – Fórum do leitor (portal Noolhar-CE)
O site do jornal abre espaço para que os leitores se manifestem, e a grande maioria apoia o artista e critica o jornal. Ponto para o jornal

17.01.06 – A arte inventada (jornal O Estado de São Paulo-SP – site Observatório da Imprensa)
A notícia corre o mundo

20.01.06 – A marmota do ano (portal Noolhar)
O site do jornal O Povo publica a crônica de Ricardo Kelmer (em sua coluna Kelméricas), onde ele critica a posição do jornal e dos jornalistas e apoia o artista e o Dragão do Mar. Ponto para o jornal

23.01.06 – A cilada do artista invasor (jornal O Globo-RJ)
O jornal carioca publica matéria de capa e página inteira. Dá voz ao artista, ao diretor do museu mas não ouve os jornalistas envolvidos

Comentários dos leitores (site pessoal do escritor Ricardo Kelmer)
Leitores comentam. Comentários também de pessoas e instituições envolvidas, como Yuri Firmeza, Centro Dragão do Mar e o jornalista Felipe Araújo, do jornal O Povo

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REPRODUÇÃO DAS MATÉRIAS

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CAPÍTULO 1

O jornal anuncia a exposição

O jornal O Povo publica, em seu caderno cultural, uma chamada para a abertura da exposição de Souzousareta Geijutsuka no dia seguinte. Provavelmente, o repórter copiou as informações diretamente do material de divulgação distribuído pelo MAC – Museu de Arte Contemporânea, um recurso muito comum em redações de jornal, preenchendo o resto com algumas considerações próprias. Vale registrar que.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
09.01.06 – Matéria sem assinatura

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DESCONSTRUINDO A ARTE

Imagine uma exposição onde as obras são flores e vegetais carbonizados e que isso representasse o equilíbrio entre a vida e a morte. Ficou difícil? Pode até ser, mas ousado como é o artista plástico japonês Souzousareta Geijutsuka, não se intimida como estranho. Tudo, alías, é bem moderno, ao olhos de sua arte. Usar e abusar da tecnologia e da ciência é sua marca, e transformar o que – nem de longe – parece arte, em arte, se tornou uma característica. Souzousareta chega a Fortaleza hoje, às 22h, para apresentar sua mais recente mostra intitulada Geijitsu Kakuu, que acontece dentro do projeto Artista Invasor, do Museu de Arte Comtemporânea do Ceará.

A exposição de Souzousareta busca a harmonia entre a natureza que nasce e morre, empregando equipamentos tecnológicos, para abordar a discussão em torno da fragilidade da vida e suas conseqüentes contradições. O artista conquistou fama mundo afora, exatamente por elencar assuntos tão distintos, como: arte, ciência e tecnologia em suas exposições. Souzousareta desenvolve pesquisas na Eletrônica e Telecomunicações, isso aliado aos conceitos de tempo real, simultaneidade, supressão de espaço e imaterialidade. O uso de objetos e tecnologias tão ousadas são influências da “desmaterialização” dos anos 60/70. “Esse fenômeno, com abandono do “objeto de arte” por muitos artistas, deu lugar a uma variedade e uma multiplicação de usos mediáticos”, explica.

De acordo com o artista, a arte eletrônica, apesar de não ter o reconhecimento e respeito dos historiadores de arte, é uma questão capital. “Freqüentemente contestada, seu endereçamento, entretanto, insere-se em nosso destino de participantes de uma época da história em que a tecnologia tornou-se parte de todos os atos da nossa vida. Acredito em sua importância humanizadora”. Seja como for, a arte de Souzousareta faz um paralelo entre o novo, o velho e o que está por vir. Ele desconstrói para, mais tarde, reconstruir de acordo com sua interpretação.

SERVIÇO: Artista Invasor – Souzousarta Geijutsuka apresenta a mostra Geijitsu Kakuu, a partir de 10 de janeiro, no Museu de Arte Contemporânea do Ceará, no CDMAC. Visitação de terça-feira a domingo, das 14h às 22h. Ingressos: R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (meia). Informações: 3488.8622.

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CAPÍTULO 2
A entrevista – Ô japonezinho pra falar…

O jornal Diário do Nordeste, além de divulgar a exposição, destaca um repórter para entrevistar o artista japonês. Como Souzousareta ainda não está em Fortaleza, a entrevista acontece por e-mail, com tradução de sua assessoria de imprensa (papel exercido no processo pela namorada de Yuri). Nas respostas do artista, podemos perceber várias pistas sobre a farsa. A matéria é ilustrada com imagens de suas obras, na verdade fotos simplórias feitas por Yuri, sendo uma de uma paisagem praiana, editada para parecer arte abstrata, e outra de um gato de rua, como se fosse cena de um videoarte.

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Reprodução – Jornal Diário do Nordeste (CE), Caderno 3
12.01.06 – Matéria de Dawlton Moura

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SOUZOUSARETA
Arte, natureza e tecnologia

Espaço aberto para a arte eletrônica. O Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar, abriga a partir de hoje, dentro do programa “Artista Invasor”, trabalhos do japonês Souzousareta Geijutsuka, reunidos na exposição ´Geijitsu Kakuu´. O olhar de um experimentador de linguagens atuais e novas tecnologias sobre fenômenos da natureza

Esta é a quarta vez em que Souzousareta, considerado um dos nomes mais importantes quanto à interface entre arte contemporânea, ciência e novas tecnologias, participa de eventos no Brasil. O sofisticado equilíbrio entre vida e morte na natureza é o fio temático de sua exposição “Geijitsu Kakuu”, em que flores e vegetais são revisitadas por meio de objetos carbonizados, em um convite a reflexões sensoriais sobre a fragilidade da vida.

Os trabalhos de Souzousareta, que entre outras cidades já expôs em Tóquio, Nova York, Berlim e São Paulo, incluem parcerias com cientistas e engenheiros, em pesquisas sobre eletrônica e telecomunicações. Entre os conceitos contemplados, estão os de operação em tempo real, simultaneidade, supressão do espaço e imaterialidade. A robótica é outra área explorada, em diálogo com esculturas e instalações ambientais. Ele também é responsável pelo desenvolvimento de uma nova técnica fotográfica, batizada “Shiitake”, que busca apreender fenômenos invisíveis ocorridos na atmosfera.

O pintor e escultor francês Marcel Duchamp (1887-1968) é citado por Souzousareta como uma de suas grandes influências, quanto à chamada “arte eletrônica”. Para o artista japonês, a arte eletrônica adquire uma importância fundamental, a partir do momento em que a tecnologia está presente em cada momento de nossas vidas – do mais banal, ao mais grandioso. Apesar disso, Souzousareta considera que as linguagens artísticas eletrônicas ainda são marginalizadas pela concepção mais tradicional de “história da arte”.

Em entrevista via e-mail ao Caderno 3, Souzousareta aborda esses e outros temas, criticando a acomodação do público e dos críticos, falando das influências que vem recebendo em sua descoberta do Brasil e apostando que a intensidade de uma proposta artística sempre será mais importante que os meios empregados para realizá-la. Confira:

Caderno 3 – Esta é a quarta vez que trabalhos seus são expostos em eventos no Brasil. Que importância esse contato com o País tem para o seu trabalho?

INFOGRAVURA DE Souzousareta, para quem “os historiadores da arte são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem”

INFOGRAVURA DE Souzousareta, para quem “os historiadores da arte são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem”

Souzousareta GeijutsukaAcabo de chegar ao País. Tenho aprendido muito sobre a cultura brasileiras em livros e vídeos aos quais tenho acesso no Japão. Inclusive, acabo de ler um livro e ver um filme fabulosos feitos no Brasil. “O povo brasileiro”, do (Darcy) Ribeiro, me parece ser esse o nome correto, e “Deus e o diabo na terra do sol”, do já conhecido Glauber Rocha. Até acredito que esses dois trabalhos me influenciaram de alguma maneira na preparação de minha exposição no Brasil. É claro que minha estadia aqui vai intensificar muito a influência dos elementos de brasilidade sobre o meu trabalho. Inclusive essa é uma constante em meu trabalho: a inclusão de elementos locais agenciados aos procedimentos eletrônicos.

Caderno 3 – Que resposta vem obtendo do público e das instituições de arte brasileiras?

SouzousaretaMuito pequena, como deve ser o caso da maioria dos artistas contemporâneos, pelo menos aqueles que ainda resistem a uma total subordinação dos procedimentos e problemas estéticos aos imperativos de cosumo. Não só no Brasil, mas me parece que em vários países desenvolvidos, as atividades da cultura precisam apresentar relevância mercadológica para encontrar linhas abertas de financiamento e incentivo. Acontece o mesmo com o público, sobretudo com a arte eletrônica. Precisamos estar o tempo todo brigando com nossa própria produção para não deixar que os clichês tomem conta de tudo. E é esse o problema, o público, em geral, adora clichês. Espero encontrar coisa diferente no Brasil.

Caderno 3 – Em que estágio o Brasil pode ser situado, dentro do contexto mundial da chamada ´arte tecnológica”?

SouzousaretaO Brasil ocupou um lugar de destaque no cenário artístico mundial durante os anos 60 e 70: Lígia Clark, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, de que já falamos, e outros. Mas acho que esse foi um momento de vitalidade estética em quase todo o mundo. Também no Japão tivemos reações importantes aos valores da civilização moderna através da arte. Pnesemos em Nam June Paik, por exemplo. Não sei em que pé estão as artes plásticas brasileiras nesse momento, nem mesmo a arte eletrônica. Temos o privilégio de poder contar, no Japão, com um parque tecnológico bastante desenvolvido e aberto; não sei se esse é o caso do Brasil. A dificuldade de acesso de uma sociedade à tecnologia implicará em dificuldades para o florescimento de uma boa arte tecnológica. Mas o Brasil conta com tantas ferramentas expressivas, que não vai ter problemas.

Caderno 3 – Falando nisso, que definição de ´arte tecnológica” é possível? De que modo esse conceito – que, você cita, vem desde Marcel Duchamp – se aplica aos dias de hoje?

SouzousaretaPode ser definida como arte tecnológica toda operação estética que conta com suportes tecnológicos do tipo computadores, sintetizadores, softwares dos mais variados para produzir campo de percepção e sensação. Nesse sentido, é óbvio que o que interessa não são os suportes materiais, que podem ser extremamente desenvolvidos e potentes, mas os agenciamentos em que entram, que também têm que ser poderosos. O que continua valendo hoje na arte, como há três mil anos atrás, é a intensidade que passa pela obra, e não a obra como representação de alguma coisa.

Caderno 3 – Há ainda uma forte resistência do público a esse tipo de arte, em formas não-convencionais, ou já é mais fácil aproximar a arte eletrônica do público em geral?

SouzousaretaO público sempre resiste ao que não é convencional. Por isso a arte necessita tanto do marketing nos dias de hoje.

Caderno 3 – Você já declarou que os “historiadores de arte” ainda vêem com reservas a arte tecnológica. Há possibilidades de se reverter esse quadro? Em que prazo?

SouzousaretaNormalmente os historiadores da arte, assim como os historiadores da filosofia, são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem.

Caderno 3 – Que diálogos são possíveis entre a arte eletrônica, que se vale das novas tecnologias, e as formas clássicas/convencionais de arte?

SouzousaretaTodas as conexões são possíveis, desde que o teu “problema próprio” necessite dessa ou daquela operação que pertence a um outro período da história da arte. Por exemplo, num certo momento, o encontro com as tradições milenares do Japão me foi necessário, como forma de explorar determinado problema a respeito do medo existente na cultura japonesa, e incrustado nos hábitos mais elementares. Foi só por isso que cruzei arte eletrônica com cultura milenar. Num outro projeto, essa referência à tradição não seria necessária.

Caderno 3 – Você falou da arte tecnológica como uma possibilidade de humanização, dentro de todo o universo tecnológico-informativo em que estamos cada vez mais imersos. Isso não vai de encontro ao velho receio de um “totalitarismo tecnológico”? De que modo a arte pode contribuir para “humanizar” a tecnologia?

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CENA DE VÍDEO do artista japonês Souzousareta Geijutsuka: “O que continua valendo na arte é a intensidade que passa pela obra”

SouzousaretaSe falei em humanização anteriormente, estava equivocado. O humanismo não tem nenhum problema de conviver com os piores tipos de atrocidades. Não é verdade que os direitos humanos criem algum tipo de constrangimento ao crescimento vertiginoso da pobreza e da angústia em parcelas importantes da população global. Humanismo e capitalismo selvagem fazem parte de uma mesma máquina. É preciso perguntar como a arte tecnológica, mas não só, pode mudar os usos que são feitos.

Caderno 3 – A arte tecnológica não correria também o perigo de se ater a limites do consumo (o mercado de novas tecnologias, produtos eletro-eletrônicos, computadores, sintetizadores, projetores)?

SouzousaretaSem dúvida!

Caderno 3 – Seria possível sintetizar o conceito e o objetivo da exposição “Geijitsu Kakuu”, que será mostrada aqui em Fortaleza? De que modo trabalha o contraste entre vida e morte, natureza e tecnologia?

SouzousaretaEssa exposição tem várias facetas, justamente para poder lidar com vários problemas. Tudo está integrado a um exercício do simulacro, cujo objetivo é retirar os hábitos de seu estado de evidência. Inclusive hábitos estéticos, do tipo “Por que gostamos de arte?”. É preciso ver a exposição. (DM)

SERVIÇO: “Geijitsu Kakuu”, exposição de Souzousareta Geijutsuka. Abertura hoje, no Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar. De terça a domingo, das 14h às 22h. Ingressos: R$ 2,00 e R$ 1,00 (meia). Info.: 3488-8622.

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CAPÍTULO 3
O Povo anuncia a farsa

O jornal O Povo noticia a farsa, no mesmo caderno da chamada do dia anterior, num texto meramente informativo, sem considerações, nem paixões. O jornal, porém, refere-se ao trabalho de Yuri usando aspas: “trabalho artístico”. No mesmo dia, publica também contundente artigo do jornalista Felipe Araújo.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
11.01.06 – Matéria sem assinatura

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EXPOSIÇÃO
Pegadinha contemporânea de artista cearense

A exposição Geijitsu Kakuu, que conforme matérias divulgadas ontem na imprensa local – inclusive no Vida & Arte, do O POVO – seria aberta no Museu de Arte Contemporânea (MAC) do Centro Dragão do Mar, não existe. A mostra fictícia, que seria de autoria de um artista plástico japonês, é na verdade uma criação do artista contemporâneo cearense Yuri Firmeza.

Na semana passada, Firmeza – com a conivência do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – divulgou para os jornais locais um press-release contendo informações sobre a suposta mostra e o currículo do artista japonês. Como parte de seu ”trabalho artístico”, Firmeza criou uma assessoria de imprensa também fictícia, que entrou em contato com as redações por telefone para reforçar a divulgação do material. Procurado, também na semana passada, pelo O POVO, em duas ocasiões, o Centro Dragão do Mar confirmou a realização da exposição no MAC.

Ontem, quando a farsa foi revelada para a imprensa, Yuri Firmeza explicou que a intenção da iniciativa foi ”pensar o que move o campo da arte, refletir o museu, a galeria, o jornal como meio de sedução”. Já o diretor do MAC, Ricardo Resende, afirmou não acreditar que o episódio fere a credibilidade do Centro Dragão do Mar. Segundo ele – que confirmou que a direção do Centro tinha ciência da divulgação das falsas informações – é papel do Museu dar condições para a criatividade dos artistas locais.

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CAPÍTULO 4
O jornalista não gostou da brincadeira

O jornalista Felipe Araújo, do jornal O Povo, ataca Yuri Firmeza, desmerece seu trabalho e critica o Centro Dragão do Mar. O artigo diz que são idiotas os leitores que concordam com o artista, em sua crítica à cobertura jornalística da cultura.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), seção Opinião
11.01.06 – Matéria de Felipe Araújo

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ARTIGO
Arte e molecagem

A recente molecagem do artista plástico Yuri Firmeza, que inventou o pseudônimo de Souzousareta Geijutsuka e divulgou para a imprensa local seu (dele, Souzousareta) brilhante currículo de exposições no exterior como forma de conseguir espaço na mídia, revelou alguns traços do espírito da arte contemporânea em Fortaleza. Com algumas caras exceções, uma arte pobre, recalcada e alienada, feita por moleques que confundem discurso (ou melhor, as facilidades conceituais de um discurso) com pichação; que acham que estão sendo corajosos quando não fazem mais do que espernear e gritar por uma mesadinha ou por uma berlinda oficial. Nelson Rodrigues é que estava certo: os idiotas perderam a modéstia.

Não há nenhuma novidade na invenção de pseudônimos como forma de afirmar determinados discursos artísticos. Yuri, aliás, tem todo o direito do mundo de fazer a brincadeira ou a provocação que quiser. Como ”artista contemporâneo”, sua provável falta de domínio sobre certos procedimentos criativos e o discurso esquálido naturalmente ampliam seu horizonte de atuação estética às raias da falsidade ideológica. O que estranha é o fato de a presidência do Dragão do Mar – principal centro cultural da Cidade – e a direção do Museu de Arte Contemporânea chancelarem uma irresponsabilidade desse tamanho.

A título de ”denúncia” sobre uma suposta negligência da imprensa com a produção local, Yuri tentou arranhar a credibilidade e a boa reputação de alguns profissionais. É fato que, demagogicamente, vai arregimentar a simpatia de uma classe artística boçal que (feitas as devidas exceções) projeta na imprensa a frustração de seu próprio fastio criativo. E é fato também que muitos idiotas vão entender esse gesto como um alerta oportuno sobre a cobertura jornalística da cultura em nosso Estado. A imprensa tem seus problemas e deve permanentemente questionar e ser questionada sobre sua responsabilidade com as artes e a cultura. Mas o que se viu nesse episódio foi apenas a face mais evidente da mediocridade.

O pecado dos jornalistas envolvidos no episódio talvez tenha sido o de acreditar na boa fé e no respeito que sempre pautou a relação entre as redações e o Dragão do Mar. E acreditar na reputação do Dragão como um centro que, através do MAC, quer promover exposições e discussões procedentes sobre a arte contemporânea. Não somente a credibilidade do Centro junto à imprensa, mas a própria credibilidade do Dragão junto à opinião pública estão gravemente arranhadas a partir de agora. Afinal, quem iria a uma exposição de Souzousareta sabendo que se trata de uma exposição de Yuri Firmeza?

FELIPE ARAÚJO é repórter especial do O POVO

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CAPÍTULO 5
O Diário do Nordeste anuncia a farsa

O jornal Diário do Nordeste noticia a farsa. O tom geral da matéria é de contenção, mas o texto tenta descredibilizar o Centro Dragão do Mar já a partir do título, sustenta que o episódio compromete sua credibilidade junto à imprensa e a sociedade e afirma ser bastante obscura a compreensão do trabalho de Yuri Firmeza. Ao contrário do jornal concorrente, o Diário do Nordeste não abordará mais o fato, limitando-se a esta pequena matéria. Agindo assim, o jornal perde ótima oportunidade de explorar um tema tão rico, ainda que tivesse de expor sua constrangedora participação no episódio.
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Reprodução – Jornal Diário do Nordeste (CE)
11.01.06 – Matéria sem assinatura

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GEIJITSU KAKUU
Exposição factóide compromete Instituto Dragão do Mar

Quem compareceu à abertura da exposição “Geijitsu Kakuu”, ontem, no Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar, se surpreendeu. Atribuída ao artista plástico japonês Souzousareta Geijutsuka a exposição não foi apresentada em nenhuma das salas da instituição. Também pudera: numa atitude inusitada, após a divulgação na mídia, a exposição não existia, isto porque seu autor simplesmente não existe.

Portanto, o que poderia ter passado como um atraso ou outra falha no processo de montagem da exposição, acabaria se revelando, na verdade, uma grande farsa engendrada pelo artista plástico Yuri Firmeza, em total concordância com o Museu de Arte Contemporânea e a direção do Centro Dragão do Mar. Assumindo a divulgação do evento, bem como a identidade fictícia do artista e de suas presumíveis obras (sacadas da internet), o artista e a instituição (Museu/Dragão do Mar) acabaram colocando em xeque ou até mesmo comprometendo o vínculo de credibilidade estabelecido junto aos veículos de comunicação e a sociedade cearense.

Na sala prevista para a montagem, o que se via era uma placa descrevendo: “exposição em desmontagem”. Em uma das paredes, um texto assinado pelo Diretor do Museu de Arte Contemporânea, Ricardo Resende, fazia alusão a um projeto artístico conceitual “que foge do puramente contemplativo e exige do público a reflexão sobre o que se vê ou o quê não se vê”. Em outro momento, o texto sugere que estamos diante de um “jovem artista que lida com a ‘ficção’ de se fazer arte na atualidade”, sem fazer qualquer menção a exatamente que arte estaria se referindo.

Na verdade, o texto de Ricardo Resende estará inserido entre uma série de reproduções de e-mails trocados entre o artista plástico e o sociólogo Tiago Themudo, discorrendo sobre os conceitos ocultos por trás da sua empreitada criativa, cuja compreensão o próprio artista deixa bastante obscura. Citando referências teóricas de artistas plásticos como Hans Jacke, Michel Duchamp e Alfredo Jaar, ele considera que sua obra é ele mesmo enquanto artista.

“Meu objetivo não é constranger o público, aliás, o público é uma das peças dessa engrenagem”, provoca. Yuri considera que sua “obra” discute questões como o sistema e a crítica da arte, a mídia e o papel dos espaços criativos.

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CAPÍTULO 6
A voz oficial do O Povo

Em editorial, o jornal O Povo ataca o artista, chamando-o de frustrado, recalcado e rancoroso, e diz ser mesquinho e irresponsável o que ele fez. O texto também critica fortemente o Centro Dragão do Mar, cita um caso parecido envolvendo a revista Veja e (finalmente) joga uma parcela da responsabilidade para os próprios jornalistas.
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Reprodução – Editorial do jornal O Povo (CE)
12.01.06 – Matéria sem assinatura

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EDITORIAL
Provocação infeliz

Estarrecedor é o diretor Ricardo Resende dizer que a direção do Dragão do Mar tinha conhecimento da divulgação das falsas informações e, o que é pior, achar que é papel do Museu dar condições para a criatividade dos artistas locais. Um estranho conceito de criatividade

Os meios jornalísticos e culturais de Fortaleza foram sacudidos ontem por um estranho e constrangedor episódio: a exposição de um artista plástico japonês, cuja abertura fora anunciada pela imprensa para terça-feira, no Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar, não se realizou porque o personagem principal, o autor dos trabalhos, simplesmente não existia.

Era fictício, ou virtual, para usar palavra da moda, criado pelo artista plástico Yuri Firmeza, que utilizou um factóide para provocar a imprensa. Uma forma de denunciar a ”negligência dos meios de comunicação locais com a produção artística da terra”. O próprio Dragão do Mar divulgou a mostra.

O caso merece reflexões e, de uma forma infeliz, servirá de advertência para a imprensa para evitar futuras aventuras irresponsáveis e, também, de parâmetro no relacionamento com entidades e produtores culturais.

O sr. Yuri Firmeza extravasou suas frustrações e recalques na mídia. Mas foi longe demais em suas elucubrações. Precisava usar de artifício tão mesquinho e irresponsável para divulgar seu trabalho e seu protesto? Mas ele tem liberdade para exercitar a sua “criatividade”. Não entramos nesse mérito.

Deplorável nisto tudo é o comprometimento do nome de uma instituição do porte do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, através do Museu de Arte Contemporânea. São estranhas as declarações do diretor do MAC, Ricardo Resende, publicadas na edição do O POVO de quarta-feira (Cotidiano, página 5), sobre o caso do artista plástico fictício. Para ele, o lamentável episódio não fere a credibilidade do Centro Dragão do Mar. Mas Resende esquece o seguinte: o caso fere o que um jornal tem de mais precioso: a credibilidade, a confiança dos leitores.

Estarrecedor é o diretor Ricardo Resende dizer que a direção do Dragão do Mar tinha conhecimento da divulgação das falsas informações e, o que é pior, achar que é papel do Museu dar condições para a criatividade dos artistas locais. Um estranho conceito de criatividade.

O próprio site oficial do Centro Dragão do Mar assume a travessura de Firmeza quando diz, ao divulgar o Projeto Artista Invasor, no Chá com Porradas: ”Yuri buscou repensar a arte contemporânea através da interferência na rede que constrói sua credibilidade, formada por museus, curadores, galerias e veículos de comunicação. A concretização dessa idéia se deu através da construção de um artista japonês fictício, Sousouzareta Geijutsuka”.

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, inaugurado em abril de 1999, é uma instituição respeitada dentro e fora do Ceará. A participação da entidade em devaneios de um artista rancoroso e irresponsável compromete um nome construído ao longo de quase sete anos de trabalho eficaz.

Embora não sirva de consolo, a imprensa cearense não é pioneira nesse tipo de episódio. Em 1983, a revista Veja, em sua edição de 27 de abril, reproduziu uma brincadeira de revista britânica New Science, feita para o Dia da Mentira, que divulgara estranha descoberta científica, fruto da fusão em laboratório de células vegetais e animais, isto é, de boi com tomate, o ”boimate”.

A tal conquista, feita na universidade alemã de Hamburgo, era atribuída aos biólogos Barry MacDonald e William Wimpey. A matéria da Veja louvava a experiência inédita que “permite sonhar com um tomate do qual já se colhe algo parecido com um filé ao molho de tomate. E se abre uma nova fronteira científica”. A New Science dava pistas: Hamburgo, MacDonald, Wimpey (outro nome de rede de lanchonetes)… Mas a revista brasileira embarcou na história.

É preciso reconhecer que a imprensa cearense também não sai ilesa do caso do japonês fictício. Em plena era da Internet, com sites de busca tão precisos, não custava nada uma checagem em torno do nome divulgado. Apenas a credibilidade no Dragão do Mar não era suficiente. Que sirva de lição.

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CAPÍTULO 7
O Povo resume o fato, atendo-se aos fatos

O jornal O Povo publica um resumo dos fatos, num ótimo texto informativo, sem análises ou julgamentos. Para o leitor, tudo fica mais claro a partir das falas do artista, de seu amigo filósofo e do diretor do museu.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
12.01.06 – Matéria sem assinatura

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POLÊMICA
A arte do absurdo

Divulgada pelo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, a exposição Geijitsu Kakuu e seu autor japonês Souzousareta Geijutsuka, na verdade, não existem. Tudo não passa de um “artista fictício” inventado pelo cearense Yuri Firmeza

Por essa, poucos esperavam. Uma exposição de arte contemporânea anunciada pela imprensa local era peça de ficção e seu autor, inexistente. Afinal de contas, quem iria de prontidão pôr em cheque a existência de um “renomado” artista plástico japonês, que viria ao Museu de Arte Contemporânea (MAC) do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – entidade-referência nas arte no Estado – para montar uma exposição sobre arte e tecnologia? Mas tanto a mostra Geijitsu Kakuu quanto o artista japonês Souzousareta Geijutsuka não passavam de um simulacro que ganhou um breve status de realidade. Após a veiculação de matérias de destaque nos principais jornais da cidade, o segredo é revelado: a tal exposição e o tal artista nada mais eram que invenções do artista plástico cearense (esse sim, real!) Yuri Firmeza.

Yuri não chega a definir o suposto artista japonês como pseudônimo nem como personagem. “Ambos são o meu trabalho, que basicamente procura questionar as regras do jogo que movem o campo da arte contemporânea”, explica. Yuri acrescenta que a tradução de Souzousareta Geijutsuka, do japonês para o português, significa ‘artista inventado’ e o nome da exposição Geijitsu Kakuu traduz-se por ‘arte e ficção’. “Na verdade, não se trata de uma crítica à arte contemporânea em geral, mas sim de revelar nas entrelinhas como se estrutura o sistema que vai desde museus, galerias e bienais até curadores, críticos de arte e imprensa. Esses elementos acabam legitimando a arte de tal forma, que para se criar um artista hoje não se leva mais em conta apenas o estético, mas sobretudo fatores mercadológicos. Boa parte da produção contemporânea se submete a isso”, afirma.

Segundo Yuri, a divulgação da exposição fictícia nos jornais foi uma das peças fundamentais para que seu trabalho desse certo. “Se não tivesse sido publicado no jornal, não conseguiria trazer à tona toda essa discussão. O trabalho corria riscos desde o início, porque era preciso publicar essa exposição como se fosse real na mídia. O jornal acaba sendo um meio de espetacularização da arte”, explica. O artista cearense apóia-se nas teorias do filósofo e sociólogo Pierre Bourdieu para argumentar que o jornalismo tem poder de sedução do público de massa. “Em Livre-Troca, Bourdieu diz que cinco minutos de jornal vale mais do que uma palestra de cinco mil pessoas. Todas as instituições querem visibilidade na mídia. A arte perde a autonomia e se rende ao capital”, afirma.

No entanto, para questionar tal visibilidade, era preciso fazer uso da mesma. Yuri chegou até a criar uma assessoria de imprensa – independente do Centro Dragão do Mar – com o intuito de tornar crível a divulgação da exposição aos meios de comunicação. Primeiro, escreveu um atraente press-release sobre a suposta exposição e o currículo do tal artista japonês, reafirmando sua importância no “panorama das relações entre arte, ciência e tecnologia”. Em anexo, foram enviadas algumas fotografias, que nada mais eram que imagens caseiras feitas por Yuri, manipuladas no photoshop. Depois, usando o codinome de uma assessora fictícia batizada de “Ana Monteja”, o próprio Yuri mandou o material à imprensa por e-mail. Já a assessoria do Centro Dragão do Mar divulgou o evento como se fosse uma exposição normal, sem qualquer conhecimento prévio de que tal exposição não existia. Yuri acrescenta que seu trabalho de “conotação política” não tem a intenção de denegrir qualquer jornal ou museu específicos, mas defende que “nenhuma instituição pode interferir na liberdade de criação do artista”.

Questionado sobre a possibilidade do episódio da “falsa exposição” afetar a credibilidade do Museu de Arte Contemporânea e do Centro Dragão do Mar enquanto instituições perante à imprensa e ao público, o diretor do MAC, Ricardo Resende, afirma que o museu tinha pleno conhecimento da iniciativa de Yuri, convidado para participar da quarta edição do projeto Artista Invasor, que já expôs obras de Jared Domício, Marta Neves e Solon Ribeiro. “Quando convidamos o Yuri para ser o artista invasor no período de janeiro a março, ele veio com essa proposta bastante provocadora do artista ficcional. Obviamente não sabíamos quais seriam as conseqüências e ainda estamos refletindo sobre isso. O trabalho de Yuri é conceitual e faz com que a gente repense a maneira como entendemos arte e como as informações são construídas. Não podemos reprimir essas experimentações”, explica. Até o fechamento desta edição, a reportagem do O POVO tentou contactar o presidente do Centro Dragão do Mar, Augusto César Costa, mas a assessoria da instituição afirmou que ele não concederia qualquer entrevista à imprensa e que só se pronunciaria sobre o assunto, durante o “Chá com Porradas”, bate-papo marcado para a noite de ontem com Yuri Firmeza e Ricardo Resende, no MAC. Yuri afirmou estar disposto inclusive a conversar abertamente com jornalistas sobre o episódio. “Dessa vez, será verdade”, brincou o artista.

Segundo a jornalista Adísia Sá, houve erro tanto por parte do Centro Dragão do Mar, que perpertuou a brincadeira, quanto dos próprios jornalistas, que acreditaram na fonte sem apurar sua veracidade. “O Dragão compactuou com a farsa, para fazer charme. Quem se desgasta é a fonte. Vai demorar muito para o Dragão restaurar sua credibilidade. Por outro lado, não há fonte absolutamente veraz. A informação deve ser buscada e investigada pelos jornalistas”, explica Adísia. Já Resende reafirma que a credibilidade do MAC não será afetada. “Yuri nos colocou nesse caldeirão. Nós assumimos esse risco, mas não vejo como seríamos desacreditados por causa do trabalho de um artista, que na verdade está provocando um simulacro. Se a exposição tivesse sido divulgada como sendo de Yuri Firmeza, talvez o artista não tivesse tido a repercussão que está tendo agora”, comenta. Resende diz que a direção do museu sentiu-se inclusive estimulada a criar em breve um curso de crítica de arte, para o segundo semestre de 2006. Segundo o diretor do MAC, a iniciativa polêmica de Yuri não é única no cenário da arte contemporânea. Ele lembra o trabalho do alemão Hans Haacke, que faz críticas severas à maneira como o Estado americano financia a cultura. Quando se fala de ludibriar a mídia com farsas bem elaboradas, os exemplos no campo da arte em geral são muitos: desde a transmissão radiofônica de A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, pelo cineasta Orson Welles como se fosse uma verídica invasão de alienígenas na Terra; até a criação do heterônimo Julinho da Adelaide, por Chico Buarque, em plena ditadura militar dos anos 70.

Para Yuri, poucos são os artistas contemporâneos que têm a coragem de fugir dos clichês. “A arte contemporânea corre sérios riscos de não exercitar mais sua criatividade. Ao ficar subordinada ao mercado, tudo se torna mais fácil, mas muitos trabalhos não tem força para causar frisson no público. A arte precisa revelar suas forças e potências estéticas. É claro que existe uma produção contemporânea que vai na contramão, mas muitos trabalhos que vejo não dizem nada para mim. Então, das duas uma: ou o problema está na obra ou está no público”, questiona. De acordo com Yuri, a arte contemporânea precisa estimular as sensações e fazer com que o público tenha uma percepção diferente do comum. “A arte deve transvalorizar o que está imposto como moda ou padrão, estimulando o pensamento como vagões desordenados. O meu trabalho não deixa o público indiferente”, argumenta.

Enquanto O POVO divulgou a abertura da exposição Geijitsu Kakuu em uma breve coordenada – que, por ironia do destino, foi intitulada de “desconstruindo a arte” – na capa da edição de terça-feira do caderno Vida & Arte, o Diário do Nordeste dedicou duas páginas com direito à entrevista por e-mail com o suposto artista japonês Souzousareta. Na entrevista ao Caderno 3, Yuri “na pele” de Souzousareta já vinha dando pistas das discussões que pretendia levantadar com seu feito. “Não só no Brasil, mas me parece que em vários países desenvolvidos, as atividades da cultura precisam apresentar relevância mercadológica para encontrar linhas abertas de financiamento e incentivo. Precisamos estar o tempo todo brigando com nossa própria produção para não deixar que os clichês tomem conta de tudo. E é esse o problema, o público, em geral, adora clichês. Espero encontrar coisa diferente no Brasil”, afirmou na entrevista. Segundo Yuri, o trabalho do artista existe no momento em que tal arte é definida como tal.

Farpas ao vento, nada do que foi divulgado como obra do artista japonês está exposto no Museu de Arte Contemporânea. O espaço abriga a singela reprodução da troca de e-mails que Yuri teve com o doutor em Filosofia, Tiago Themudo, durante todo o processo de construção da idéia. “Foram cerca de 30 e-mails trocados com o Tiago, pensando todas as questões da arte contemporânea que já citei”. Segundo Tiago Themudo, o trabalho de Yuri Firmeza chama a atenção para a indistinção entre os produtos da arte e o campo do entretenimento. “O lucro e a boa campanha de marketing acabam se sobrepondo aos critérios estéticos. Além disso, todos os dias os jornais publicam mentiras. Seria até um contrasenso exigir do artista a verdade”, argumenta. Tiago entende como “ressentimento editorial dos jornais” toda a repercussão depreciativa feita por alguns veículos de comunicação que chegaram a desclassificar Yuri e seu trabalho, além de pôr em cheque a credibilidade do Museu de Arte Contemporânea e do Dragão do Mar. “Espero que isso não se torne um mal-estar moral dentro das redações de jornal, mas uma oportunidade para fortalecer as discussões”.

Com a polêmica rolando solta no ar, Yuri ainda confirmou que novas surpresas ainda estão por vir. “Vou realizar performances que não tem data, horário nem local prévio, durante os próximos dois meses”, acrescenta o artista que, desde 2001, acumula no currículo performances polêmicas, como andar nu em locais públicos. Para quem duvida das proezas de Yuri, não custa nada conferir o site (http://yurifirmeza.multiply.com) ou o blog (www.yurifirmeza.zip.net) do artista.

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CAPÍTULO 8
A editoria do caderno Vida & Arte se manifesta

A editora Regina Ribeiro, do caderno Vida & Arte, comenta o episódio, faz considerações e sugere questões sobre a arte e o jornalismo. Não chega a apoiar o artista, mas reconhece a eficiência de sua estratégia.

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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
12.01.06 – Matéria de Regina Ribeiro

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PONTO DE VISTA
A arte no jornalismo

Regina Ribeiro
da Redação

A modernidade esgarçou ao infinito a possibilidade da arte nos moldes aristotélicos. Além do mais a chamada pós-modernidade, com todos os hibridismos e conexões entre o possível e o inverossímil, transforma tudo em arte. Que pode ser nada. No entanto a raiz do que se pode chamar de criação artística ganha força quando se observa pelo menos um dos argumentos do filósofo grego: a “idéia” que pode ser expressa em ação é um dos componentes vitais da arte. Existe algo mais cabível na arte contemporânea, mesmo a que nega toda e qualquer explicação?

Deixa pra lá essa pendenga, porque o que importa mesmo é o esse novo artista, o japonês Souzousareta Geijitsuka, que “desembarcou” na cidade trazendo na bagagem a vontade de pôr sobre a mesa alguns incômodos que cercam o mundo da arte e os suportes que ela utiliza para se estabelecer.

A começar pelo imbróglio em torno do real. Souzousareta aprendeu que o artista não tem nenhum compromisso com a verdade. Isso é coisa da História, a começar por Homero. O que a arte deve ter é verossimilhança. Precisa convencer. E ele não perdeu isso de vista quando contratou “assessores de imprensa” – a incômoda muleta do jornalismo pós-moderno – para construir a imagem de um artista múltiplo e pesquisador – quase horaciano – da virtualidade e da eletrônica. E acertou de novo. Deu entrevista por internet para uma imprensa ávida pela apresentação do novo, do estrangeiro e do discurso rebelde-planetário recheado de clichês.

Tanto no Japão, quanto no resto do mundo contemporâneo a exposição artística se viabiliza ou é referendada a partir da mediação dos espaços midiáticos. E isso não acontece só com a arte, que tem em si, a função de ser apreciada desde as imagens pictóricas das cavernas, passando pelos poetas que contavam a aventura de homens e deuses na disputa eterna pelos feitos heróicos. A política há muito tempo é subserviente às câmeras e jornalistas. O terrorismo, idem.

E aqui sim, chegamos ao ponto crítico em torno de Souzousareta, o artista japonês considerado pela imprensa local “um dos nomes mais importantes quanto à interface ente arte contemporânea, ciência e novas tecnologias”, que já “expôs em vários países” e chega ao Brasil pela “quarta vez”. Que fala de Glauber Rocha, Darcy Ribeiro e Hélio Oiticica com aquela proficiência dos verbetes de almanaque. Aquele que está em busca da “harmonia entre a natureza que nasce e morre empregando equipamentos tecnológicos”.

A questão é que Souzousareta só existe a partir da informação publicada. É uma invenção. Uma fábula.(Portanto, arte.) Não se materializa em torno de uma alma pensante, mas existe como discurso. É real enquanto informação.

Mesmo diante da possibilidade da infinitude da interpretação de uma obra de arte que se propõe “aberta” e que trafega no espaço singular do imprevisível e das descobertas, o jornalismo é convidado a participar, quando ele é suporte dessa arte. Pronto. O bosque está pronto para ser explorado.

E aqui estão alguns vales e muitos atalhos. Os recursos e sistemas da produção da notícia deixam o jornalismo vulnerável a que tipos de armadilhas ?Criamos ou fazemos parte de um exército de crédulos seguindo discursos pré-fabricados com interesses anteriores definidos sem nenhuma reflexão? Por que nos dobramos tão facilmente ao que é estrangeiro? Por que referendemos com tantos adjetivos (bons e maus) o que não conhecemos? Será que são todas essas questões que arrastam o jornalismo para o mero entretenimento? (Pelo menos lá não há motivos para indignações).

E a verdade – motivo da revolta em torno do japonês e a forma como ele se fez criar a partir da mídia local- se apequena diante do volume de outras “criações” políticas, bélicas, científicas que o jornalismo contemporâneo tem ajudado a tornar reais. Sem dúvida, Souzousareta existe.

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CAPÍTULO 9
A notícia da marmota cruza a cancela

Uma semana após a descoberta da farsa, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo e reproduzido no site Observatório da Imprensa, o jornalista e biografista Lira Neto resume o episódio, sem analisá-lo.
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Reprodução – Jornal O Estado de S. Paulo (SP) e site Observatório da Imprensa
17.01.06 – Matéria de Lira Neto

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Arte inventada
Lira Neto

Um artista ‘genial’. E ele nem existia

Seria um acontecimento. O japonês Souzousareta Geijutsuka, anunciado pela imprensa cearense como um dos principais nomes da arte contemporânea universal, era ansiosamente esperado semana passada em Fortaleza, para abrir a exposição Geijitsu Kakuu. Convidado especial da curadoria do Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Geijutsuka mostraria ao público cearense por que seu trabalho é aclamado em todo o planeta como uma obra revolucionária que, segundo o material de divulgação de sua eficiente assessoria de imprensa, incorpora ‘novos conceitos à arte’, como os de ‘operação em tempo real, simultaneidade, supressão do espaço e imaterialidade’. Os jornais locais deram amplos espaços para a divulgação da exposição. Um deles chegou a publicar, no dia marcado para a abertura do evento, uma entrevista de página inteira com Geijutsuka. Tudo perfeito, não fosse um detalhe: Souzousareta Geijutsuka não existe.

A idéia de inventar o tal japonês que – segundo informava um jornal de Fortaleza – ‘conquistou fama mundo afora por unir arte, ciência e tecnologia’ partiu de um jovem artista de 23 anos, Yuri Firmeza, paulistano radicado na capital cearense desde a infância. ‘A intenção foi mostrar como a arte hoje em dia encontra-se subordinada a exigências e manipulações mercadológicas e a modelos construídos e legitimados pela mídia, pelas galerias e pelos museus’, explica Firmeza. Para tornar sua história mais verossímil, ele conseguiu convencer especialistas a escreverem textos críticos sobre a obra do fictício Geijutsuka, incluindo aí o próprio diretor técnico do Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC), Ricardo Resende, 43 anos, ex-curador do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). ‘Vivemos uma era em que muitas outras forças, além daquelas que o artista naturalmente dispõe para criar, regem o sistema da arte’, já denunciava também Resende, de forma velada, no texto de apresentação da ‘exposição’.

Tudo foi planejado nos mínimos detalhes. A namorada de Yuri Firmeza se fez passar por assessora de imprensa e abasteceu os jornais locais com imagens de algumas das ‘obras’ de Geijutsuka. Entre elas, uma série de fotos prosaicas de um gato, que foram publicadas na imprensa local como sendo cenas de um ‘videoarte’ do ‘genial japonês’. ‘Era apenas um gatinho que vi na rua, num bairro aqui em Fortaleza, e fotografei com minha máquina digital doméstica’, revela Firmeza. Uma fotografia de uma ensolarada praia cearense, distorcida em um editor de imagens para parecer uma figura abstrata, foi estampada também pela imprensa local como um ‘infográfico’ de Geijutsuka. Na legenda da ilustração, uma frase pinçada da longa ‘entrevista’ que ele havia concedido, por e-mail, ao jornal: ‘Os historiadores da arte são iguais ao público: têm dificuldades de reagir ao que não entendem’.

Yuri deixou algumas pistas propositais, que não foram decodificadas pelos jornalistas. Em japonês, Souzousareta Geijutsuka significa exatamente ‘artista inventado’. E o nome da exposição, Geijitsu Kakuu, pode ser traduzido como ‘arte e ficção’. No material de divulgação repassado à imprensa, dizia-se ainda que o suposto artista havia criado a fotografia ‘Shiitake’, nome do cogumelo que pode ser encontrado em qualquer restaurante japonês, mas que foi definida por sua ‘assessoria de imprensa’ como uma ‘técnica que permite a captação dos fenômenos invisíveis ocorridos na atmosfera’.

No dia da abertura da anunciada exposição, em vez das obras revolucionárias de Souzousareta Geijutsuka, o público deparou-se apenas com uma série de e-mails pregados na parede da sala reservada ao evento pelo museu. Nas mensagens, Yuri Firmeza e um amigo trocavam idéias sobre arte contemporânea e discutiam animadamente a obra de autores como Gilles Deleuze, Antonin Artaud e Pierre Bordieu. Dessa troca de e-mails é que surgira a idéia de criar um artista imaginário. ‘O que me interessa é interrogar sobre a qualidade do que compõe todo esse sistema de legitimação estética: críticos, jornais, artistas, curadores, galerias, museus e o próprio público’, escreveu Firmeza em uma dos e-mails ao amigo. ‘Não sei como será a receptividade em relação ao Geijutsuka, mas acredito que suscitará saudáveis desconfortos’, previa.

Dito e feito. Revelado o simulacro, a reação da imprensa cearense foi violenta. Yuri Firmeza foi chamado de ‘moleque’ pelos jornais e foi alvo de editoriais indignados. Sobraram farpas também para a direção do MAC por ter ‘compactuado com a farsa’. ‘Em vez de irritar-se, a imprensa está perdendo uma ótima oportunidade para refletir sobre as provocações que Yuri Firmeza fez a todos nós’, avalia o diretor técnico do museu. ‘Não se tratou de uma ferroada à mídia local, o mesmo poderia ter ocorrido em qualquer lugar do país. No Brasil, somos deslumbrados pelo que vem de fora e pelo que nos é apresentado como algo novo e revolucionário, é nisso que todo esse episódio nos obriga igualmente a refletir’, analisa Resende.

‘Bastaria fazer uma rápida pesquisa no Google para que os jornalistas descobrissem que não havia, na internet, nenhuma menção ao tal Geijutsuka, apresentado como um artista famoso, com exposições consagradoras em Tóquio, Nova York, São Paulo e Berlim’, diz Yuri Firmeza. ‘Mas eu não quis provocar apenas a imprensa, isso seria reduzir o alcance da denúncia; a provocação foi extensiva a todo o circuito das artes em geral’, insiste ele, que mantém uma página pessoal na internet (http://yurifirmeza.multiply.com/) onde registra suas principais performances – ou suas ‘orgias multipoéticas’, como prefere definir. Não se estranhe nada do que for visto ali. Afinal, na pele de Souzousareta Geijutsuka, na ‘entrevista’ à imprensa de Fortaleza, ele já advertira: ‘Tudo está integrado a um exercício do simulacro, cujo objetivo é retirar os hábitos de seu estado de evidência’. Seja lá o que isso possa vir a significar.”

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CAPÍTULO 10
O Globo publica com destaque

Em matéria destacada em seu caderno cultural, o jornal O Globo dá voz ao diretor do museu e ao artista, mas infelizmente não ouve nenhum dos jornalistas envolvidos na farsa, deixando de informar melhor aos seus leitores. A matéria revela que os jornais de Fortaleza não deram importância às edições anteriores do Artista Invasor, nas quais participaram artistas locais, e nenhum japonês.
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Reprodução – Jornal O Globo (RJ), Cultura
23.01.06 – Matéria sem assinatura

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A CILADA DO ARTISTA INVASOR
Artista cearense engana imprensa inventando um colega japonês

A informação chegou aos cadernos de cultura do Ceará e foi ali reproduzida. Um célebre e renomado artista japonês, Souzousareta Geijutsuka, viria ao país pela quarta vez para abrir, no dia 10 deste mês, sua exposição “Geijitsu kakuu”, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Fortaleza. No dia seguinte à divulgação do evento pela imprensa local, veio a revelação: Souzousareta não existia. Era tudo uma invenção de um artista de 23 anos, Yuri Firmeza, que quis criar um trabalho justamente sobre os critérios para o reconhecimento da arte nos dias de hoje. Depois de pregada a peça, a imprensa cearense passou a discutir o assunto de forma apaixonada na semana passada, uns com louvores à idéia de Firmeza, outros — sobretudo os que caíram na cilada — atacando ferozmente o que seria uma molecagem de menino. Além da atitude do artista, foi criticada a participação do MAC, reconhecida instituição de arte contemporânea, por ter colaborado com a farsa.

— Quis questionar o papel do museu, da formação de artes visuais e da imprensa. O artista que criei é a própria obra, e o suporte do trabalho foi o jornal — diz Firmeza, recentemente selecionado para o projeto Rumos, do Itaú Cultural, que trará jovens talentos para uma exposição no Paço Imperial este ano. — Achava que os jornalistas teriam mais humor. Faltou reconhecer que eles têm esse interesse pelo que é de fora, querem ser seduzidos pelos mesmos artifícios com que seduzem o público. Eles provaram ainda mais o quanto são reacionários. Levaram para o lado pessoal, o ego foi ferido.

Não havia registro do artista na internet

Mas o humor ficou mesmo por conta da releitura dos textos publicados. Segundo o jornal local “O Povo”, o trabalho do artista era reconhecido no mundo todo e tinha como foco “a harmonia entre a natureza que nasce e morre, empregando equipamentos tecnológicos, para abordar a discussão em torno da fragilidade da vida e suas conseqüentes contradições”. Informações retiradas da assessoria de imprensa do artista, feita pela namorada de Firmeza.

Além de um texto exaltando a arte eletrônica de Souzousareta, a competente assessora enviou registros do trabalho: uma foto de um gato, que seria um trecho de um vídeo, e uma imagem, distorcida em photoshop, da Praia Porto das Dunas. Se passaram ao largo do fato de não haver qualquer registro do japonês na internet ou em textos impressos, é normal que ninguém tenha percebido as pistas deixada por Firmeza no próprio nome que deu ao artista, que em português significa “artista inventado”, e à exposição, “arte e ficção”. Diretor do MAC há 11 meses, Ricardo Resende não interferiu nessa divulgação, mas admite que passou por uma saia justa:

— Um jornalista do “Diário do Nordeste” me ligou para saber da mostra porque não estava encontrando informações. Fui pego de surpresa. Disse que pediria para o artista entrar em contato com ele.

Foi o que o artista fez. No papel de Souzousareta, respondeu a uma entrevista por e-mail, que foi publicada em página inteira. Foi uma repercussão da qual museu e artista não tinham idéia quando Firmeza propôs o artista inventado ao ser convidado para o projeto Artista Invasor.

— Procuro dar a máxima liberdade para o artista criar. Convidei o Yuri pensando em suas performances, que já achei que seriam bastante ousadas (ele faz muitas das performances nu). Mas ele foi mais ousado ainda e me testou, para ver até onde eu iria. Eu fui adiante, porque tive o apoio da presidência do museu. Sabíamos que poderia haver um conflito, mas a imprensa podia não ter publicado uma linha sobre o assunto — avalia o diretor do MAC de Fortaleza.

Para Resende, a divulgação só prova o preconceito da imprensa com os artistas cearenses, já que nas outras edições do Artista Invasor não houve qualquer reportagem:

— Há um certo deslumbramento com o que vem de fora no Brasil todo, não só no Ceará. A mídia insistiu em publicar a matéria, mesmo com dificuldades de achar informações. Foi uma ingenuidade, ou mesmo uma falta de conhecimento de arte contemporânea. Depois houve uma tentativa de jogar o erro para o outro, enquanto o grande erro foi da própria mídia.

Firmeza, apesar de enfatizar que o problema é da imprensa em geral, faz críticas à falta de especialização no estado.

— Acho que a imprensa de São Paulo e do Rio também poderia ter caído nessa. Mas o Ceará é uma província. Aqui os jornalistas não têm fundamentação teórica sobre arte, é uma verborragia — diz ele, citando o artigo “Arte e molecagem” do jornalista Felipe Araújo, de “O Povo”, que afirma que a arte contemporânea é, “com raras exceções, uma arte pobre, recalcada e alienada, feita por moleques que confundem discurso (ou melhor, as facilidades conceituais de um discurso) com pichação.” — Todo o preconceito está ali.

Para diretor, museu cumpriu seu papel

No museu, o visitante poderá ver a troca de e-mails entre Firmeza e um amigo sociólogo, com conversas sobre Bourdieu, Nietzsche e Deleuze, inspiradoras da idéia de se criar um artista inventado. Aos poucos, o local receberá ainda as fotos do suposto japonês, divulgadas para a imprensa, reportagens sobre o caso e performances e registros em vídeo de Yuri — que não sabe como a exposição teria sido montada se nada houvesse sido publicado nos jornais:

— Foi um risco que corri desde o início. Mas de qualquer modo estaria lá a troca de e-mails. As performances aconteceriam e também voltariam ao museu como registros. Só sei que se o Yuri tivesse enviado o material, nada teria sido publicado na imprensa.

Para Resende, o museu saiu fortalecido no meio artístico porque mostrou que funciona para ousar:

— Nossa credibilidade não está ferida. Acho que as pessoas se perguntam que mídia é esta, que informações estão lendo. O museu só está cumprindo seu papel de ser o espaço do artista. O trabalho deu muito certo porque chegou ao editorial do jornal e a outras áreas em que a arte contemporânea nunca é tratada. Ele foi realmente um invasor.

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ESCREVERAM SOBRE O CASO

O que a imprensa cearense publicou, antes e depois – Seleção de artigos e editoriais

Shiitake – Geijutsuka, o “desmaterializador” – Coluna da Mônica Bergamo, Folha de São Paulo, 21.01.2006

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YuriFirmeza2006-01Yuri Firmeza (2006)
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YuriFirmeza2006-04Yuri Firmeza (2006)
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01- ADOREI… ABRAÇOS. José Alberto Simonetti, Fortaleza-CE – jan2006

02- Gostei!!!!!!!!! Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – jan2006

03- Olá grande e insano Ricardo … Há exatamente um ano atrás estava trabalhando na Produção do Festival Vida e Arte, quando as obras contemporãneas do Yuri causaram certa divergência quanto ao conceito  do evento que queria algo mais moderno. Resultado O Grande Yuri e suas idéias ficaram de fora do FESTIVAL, mas em menos de uno depois ele ressurge das cinzas, assim como fênix,ou melhor, ele não eles…rsrsrs…ele e seu Japa alencarino, e dão um show ( literalmente falando) !!! E eu perdi a chande cumprimentá-lo, pois estava no ponto de parada do coletivo ( Campus do pici-Unifor)…vulgo buzão, ao lado desta fera chamada Yuri, não sei se um só ou dois agora…e fiquei mumificado…não conseguia falar!!! mas o seu feito é maior que qualquer palavra. Seu artigo está show….aliás você é show!!! Um abraço e apareça aqui em Fortalville! É isso aí…Ana carolina e seu Jorge cantam: “Há quem acredite em milagres”. Fabiano Brilhante, Fortaleza-CE – jan2006

04- Aí, perfeito. Abraços. Júlio Cesar Montenegro, Fortaleza-CE – jan2006

05- Grande Kelmer, Que bom nos encontrarmos em mais uma presepada !!! Fico feliz que você tenha tido a compreensão da nossa séria brincadeira. Vamos promover alguns debates emum seminário sobre comunicação e cultura em março.Retomaremos este e outros assuntos.No mais obrigado pelos tão bem vindos apoios nestashoras de muitas incompreensões. Forte abraço. Luis Carlos Sabadia, Diretor de Ação Cultural, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza-CE – jan2006

06- Ducarái!! Adorei! Valdo Siqueira, Fortaleza-CE – jan2006

07- Fascinante! Eu não estava sabendo… Também, eu vivo em outro mundo. Que cara genial. Claudio Roberto Azevedo, Fortaleza-CE – jan2006

08- Muito boa Ricardo. Du cacete!!!. Rodrigo Grunewald, Campina Grande-PB – jan2006

09- Valeu! Inclusive, acabo de repassar tua marmota prum grupo de discussão sobre música do qual participo, cheio de gente boa — alguns de Fortaleza –, que saberá apreciar a ironia. Alexandre Feitosa, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

10- Pois num eh… Foi uma comédia mesmo! rsrs Uma comédia providencial, diga-se de passagem.. Jéssica Giambarba, Fortaleza-CE – jan2006

11- Boa, Ricardo, boa mesmo! Abraço. Felipe Costa, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

12- Ô, Ricardo Por essas e outras marmotas é que acredito que será 2006, realmente, um ano bom. E, aproveitando o contexto da confusão, me deu uma vontade muito grande de comer sushi… Raimundo Netto, Fortaleza-CE – jan2006

13- Ótima essa história, em? E esse Yuri é meu primo. Na verdade, filha da prima legítima da mamãe. Olha só o nome do japa, Sousa … e eu, Liliana de Sousa Costa. Tudo em família. Beijo grande em você. Liliana Costa, Lisboa-Portugal – jan2006

14- Uau! Demais. Giovanna Bressan, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

15- Hehehehe… Muito bom o artigo, camarada Kelmer! Temos que botar isso para frente. Esta história de estátua seria uma ótima! No Dragão seria perfeito, mas em qualquer outro lugar tá de bom tamanho. Um grande abraço. Nelson Eulálio, Fortaleza-CE – jan2006

16- Caraca, embora a idéia não seja muito original o que é triste é que jornalista sempre cai. Frô, São Paulo-SP – jan2006

17- Caro Ricardo, E veja só, que o jornal de maior circulação do Ceará abriu foto de três colunas na capa da edição de hoje para dar um artista plástico que faz greve de fome no calçadão da Beira Mar. Mais cearense e mais real impossível. Abraço, querido. Do amigo, cheio de novidades pra contar e morrendo de vontade de dar boas gargalhadas da vida e dos vivos. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2006

18- Ricardo, você provou que é um artista “antenado” ( no sentido poundiano), que está enxergando bem mais longe que os mais comuns dos mortais. Sua análise está perfeita e topa comprar uma briga com a mediocridade ainda reinante. Você pôs o dedo na ferida. Faltou apenas aprofundar um pouco derme a dentro. Eu acho que você conseguiu até ir longe demais. No mais, achei bom ler um resumo de tua gloriosa biografia e descobri que temos mais coisas em comum do que eu imaginava: primeiro, você fala de uma “santa pneumonia”. Eu falo de uma “santa hepatite” que tive aos 17 anos e que me fez passar uns trinta dias de cama e lendo livros que foram decisivos na minha formação cultural. Segundo, você morou em Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro. Eu também. Nosso placar, está 2 a 2. Fico contente em saber que o amigo continua lúcido, produzindo e deleitando os leitores com um papo inteligente e divertido. Um abraço do Francis Vale, Fortaleza-CE – jan2006

19- Bravo! Bravíssimo! grande abraço desse idiota que concorda em gênero, número e grau com vossa opinião. Fernando Costa, Fortaleza-CE – jan2006

20- eu adorei isso… hehehehe abração, cara! Adriano de Lavôr, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

21- É impressionante como o povo marmotoso se atrai! Pode até vir japonês, coreano o que for, mas a vaga de marmotoso-mór da terrinha aqui já tá preenchida:P Rafaela Almeida, Fortaleza-CE – jan2006

22- Muito bom, Kelmer! Li essa historia pelo Lira e depois diretamente nos jornais cabeca-chata e bolei de ri aqui. Abracos. Antonio Marinho, Fortaleza-CE – jan2006

23- Caro RK, valeu a crônica – “A marmota do ano”. Pensando bem, o Yuri Firmeza ninjou nos brios das torres gêmeas de nossa provinciana imprensa. E ambas caíram do salto. E você, como um bom e genuíno observador de uma virtual Praça do Ferreira, é que faz a verdadeira imprensa da contemporaneidade – a crônica -, não perdeu a brecha dessa saia-justa. Valeu e, pensando um pouco mais, aproveitano a foto, etc. vejo que o Yuri Firmeza é a cara do Bin Laden… Esteticamente falando, enfim,  ficou no ar a pólvora de uma molecagem que, no seu desconcerto, é nosso maior instrumento de exercício dionisíaco do Belo. Fica o abraço do Leite Jr., Fortaleza-CE – jan2006

24- Sobremaneira, os debates que decorreram do acontecido deixaram enfim espaço na imprensa jornalistica escrita para se falar de pensamento e que pensar faz parte da vida. Mesmo em tempos de sofisticadas tecnologias não se pode abrir mão do pensamento no sentido stricto e que a universidade, os intelectuais e as vanguardas têm ainda um papel na nossa sociedade. Sobretudo, valeu para furar as páginas já escritas dos jornais dos dias que virão. Terão ou tiveram obrigatóriamente que escrever ‘outra’ história. Foi muito inteligente. É importante também ressaltar que os museus (Dragão e de Arte do Ceará) fizeram um papel responsável. A função dessas instituições não deve ser a da perpetuação e reprodução das leis que compoem um campo de poder e sim o de se aliar as linhas de força que tentam resistir e provocar a reconfiguração deste campo. Foi muito profissional e responsável conceitualmente a acolhida que deram para Yuri. Agora é ler, ouvir, escrever, conversar. Viver. Um abraço. Rosângela Matos, Fortaleza-CE – jan2006

25- Me fez lembrar o “Porco” do Leiner, enviado ao Salão de artes plásticas de Brasília. Diuk Mourão, Brasília-DF – jan2006

26- Caro Ricardo, Como sempre acompanho com sincera admiração sua coluna, não me contive diante de seu texto sobre a marmota do Dragão e decidi escrever-lhe só para deixar claro alguns pontos. Primeiro, reafirmo o que escrevi no meu artigo (“Arte e molecagem”) sem tirar uma vírgula. Segundo, não me cabia pedir desculpas para ninguém já que não fui eu que escrevi as “barrigadas”. Essa é uma iniciativa que caberia, se eles assim entenderem, às editorias e aos jornais envolvidos no caso.  Minha colher nesse debate foi apenas o artigo. Mas é aquele negócio: uma coisa é uma coisa e um pneu é um pneu. Embora discorde de tudo que você escreveu (mas tenho que reconhecer que seu estilo continua muito afiado…), reconheço, ops… perdão, acaba de passar um limpa-fossa por aqui também…, peraí… Pronto. Devo dizer que adorei a expressão sobre a nudez do rei e o tamanho do pinto real. Mas me admira o fato de você, passado na casca do alho, ter achado que descobriram que o rei só ficou nu agora. Lagartão, muita gente já tinha visto o pau do rei há algum tempo por aqui. Não foi a intrujice do doidinho e do Dragão que nos fez ter esse “privilégio”. Vamos bater na imprensa (às vezes, é um troço saudável inclusive para os jornalistas, em especial para os sadomasoquistas), mas vamos aprender a socar primeiro e, se possível, de maneira leal. Dar uma “cabeçada” (eita!) por trás (EITA!) pode, às vezes, doer nos próprios cornos. Acho que é isso. Vou indo que o disco do Frankito Lopez, o índio apaixonado, terminou de tocar e tenho que procurar o CD do Carlos Santos. Sincero abraço e saudações alvinegras, Felipe Araújo, Fortaleza-CE – jan2006

27- Intervenção interessante. Um ensaio razoável de crítica, mas eu diria que de efeito bumerangue. Teria sido melhor se o autor não tivesse caído na tentação de dar explicações para o feito. Deixasse o pau troar, as carapuças serem vestidas e a obra falar por si. Mesmo assim,  acho que a participação do MAC compromete os objetivos inicias da crítica ou, melhor, traz o outro lado da mesma moeda. Ao tentar a crítica aos ‘ fatores mercadológicos ‘ que afetam a produção artística revelou o fator-estado que aprisiona a arte e seus produtores ( locais? e não-locais? ). Teria sido perfeito se o tento tivesse sido realizado sem a conivência do papai-estado , numa espécie de ensaio anti-sistêmico. Ai, sim, poderíamos começar a pensar a tal liberdade de cria –ação . Por enquanto, acho que o bom castigo para todos os envolvidos, inclusive nós ‘ idiotas’ leitores, é pensar mais e melhor sobre a questão. Lilia Costa, Fortaleza-CE – jan2006

28- Oi Ricardo Kelmer. Valeu pela força em relação ao japonês. Mesmo que a imprensa local não esteja reconhecendo (pelo menos não publicamente) a sua vulnerabilidade, a falta de compromisso, o descaso com os artistas locais… acho que o trabalho funcionou, justamente por estar conseguindo um espaço de discussão enorme aqui na net. Isso é maravilhoso!!!  Muito legal o seu texto Ricardo, incisivo e com humor. Humor que faltou por parte da imprensa local. Vi o fórum do jornal, legal ver o pessoal dando uma força, tenho recebido muitos e-mails de pessoas que não conheço, a maioria dando força e tal…  O artigo do Felipe foi péssimo, demonstrou o preconceito dele com a arte e artistas locais… que bom que o pessoal também entendeu dessa forma e começam a se manifestar…Você falou de um japonês no Orkut, eu conhecia a comunidade… o japonês realmente não sou eu, e concordo com você, o japa usou palavras agressivas demias… que eu realmente não usaria e não usei em momento algum… Parabéns novamente pelo seu texto!!! Obrigado pela força, massa!!! Abraços. Yuri Firmeza, Fortaleza – jan2006

29- ADOREI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! beijos da fã Armôndega Porvilho. Monica Buonfiglio, Campinas-SP – jan2006

30- É isso aí velho, a melhor resenha do fato é mesmo sua, com todas as letras e calafrios – e ainda um caminhão limpa-fossa passando ao fundo… Tem até cenário a marmota!  Parabéns! Max Krichanã, Fortaleza-CE – jan2006

31- Camarada Kelmer, Gostaria de lhe parabenizar pela crônica: “A MARMOTA DO ANO”. Parabenizar não só pelo texto em si, que diga-se de passagem: tá excelente, mas principalmente pela coragem de publicá-lo na imprensa cearense através do veículo que mais atacou Yuri Firmeza e toda a categoria artística cearense, o Museu de Arte Contemporânea – MAC – na pessoa de seu diretor Ricardo Resende (que tem tido uma gestão atípica, coisa que tem projetado o MAC em nível nacional e de forma positiva) e, por tabela o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, além de nós meros mortais consumidores dos produtos dos Deuses (ou pelo menos agem como se assim o fossem) da impressa cearense – os coronéis da mídia local. Como escrevi no fórum do “O Povo” sinto-me vingado! Isso antes de ler sua crônica. Depois, estou dando gargalhadas até agora da cara dos pseudo-jornalistas locais (sim, pois ainda acredito que existam jornalistas sérios, pena que são raros) quando viram sua iniciativa. Markus Markans, Fortaleza-CE – jan2006

32- Adorei do texto!! PERFEITO!!! Pra você ver a quantas anda a imprensa cearense… eu acho bem feito. Então a estratégia de guerra é desqualificar uma pessoa que põe em xeque as sagradas empresas jornalísticas? Até parece que elas são infalíveis… Muito bom mesmo o que o Iuri Firmeza fez. Esse jornalecos cearenses que se acham portadores da verdade mereciam mesmo uma lição. E não só os cearenses, bem sabemos. A imprensa nacional, mundial, inter-galática (sic! hehe) é pedante! “Sim, nós somos um veículo de denúncia em prol da comunidade”… Pois tá. Me engana se te faz feliz. Falo dos jornais do Ceará porque sei que não têm comprometimento com outra coisa que não seja o lucro. Já trabalhei em um deles, sei o que se passa lá dentro. Os “jornalistas” são na maioria estagiários, que se prejudicam na academia pra fazer trabalho grande. É assim que eles qualificam um profissional? Provavelmente, as fontes não foram checadas “direito” porque o cara responsável por isso tinha aula… Talvez se investissem e respeitassem mais o profissional a coisa fosse diferente…Não sei. Aliás, quem sou eu pra dizer alguma coisa que não seja carregada de juizo de valor? Enfim, o que o tal Firmeza fez não foi novo, mas na minha opinião foi justo. Patrícia, Fortaleza-CE – jan2006

33- Adorei o texto, o pior que isso acontece mesmo (risos). Um grande beijo. Mariucha Madureira, Brasília-DF – jan2006

34- Sobremaneira, os debates que decorreram do acontecido deixaram enfim espaço na imprensa jornalistica escrita para se falar de pensamento e que pensar faz parte da vida. Mesmo em tempos de sofisticadas tecnologias não se pode abrir mão do pensamento no sentido stricto e que a universidade, os intelectuais e as vanguardas têm ainda um papel na nossa sociedade. Sobretudo, valeu para furar as páginas já escritas dos jornais dos dias que virão. Terão ou tiveram obrigatóriamente que escrever ‘outra’ história. Foi muito inteligente. É importante também ressaltar que os museus (Dragão e de Arte do Ceará) fizeram um papel responsável. A função dessas instituições não deve ser a da perpetuação e reprodução das leis que compoem um campo de poder e sim o de se aliar as linhas de força que tentam resistir e provocar a reconfiguração deste campo. Foi muito profissional e responsável conceitualmente a acolhida que deram para Yuri. Agora é ler, ouvir, escrever, conversar. Viver. Um abraço. Rosângela Matos, Aracaju-SE – jan2006

35- Prezado Ricardo, Considero um  exagero esse massacre da imprensa cearense no episódio do artista japonês inexistente. Só quem não tem intimidade com pesquisas no Google é que pode acreditar que “bastava uma googlada” para descobrir a inexistência do artista. Como se fosse fácil !!! Criou-se esse mito de que o Google acha tudo. Nada mais enganoso. Não só o Google não acha tudo, como existe uma enorme fatia do planeta onde ele não penetra, pelo menos com pesquisas feitas usando o alfabeto latino. O fato de não se achar referências ao nome do artista não quer dizer que ele não exista! Será isto tão difícil de entender? Ainda mais se tratando de artista “japonês”. As buscas no Google usando o romaji (=japonês escrito com alfabeto latino) são totalmente inconclusivas, porque 99.99% do que está escrito em japonês não é transcrito para esta escrita fonética (que se usa mais para comunicar com ocidentais). Para uma busca precisa seria necessário digitar nos caracteres japoneses (ideogramas) e naturalmente entender o conteúdo. Uma pessoa pode ser uma celebridade local no Japão e não existir uma única menção acessível via romaji. Fica a questão: para ser jornalista é preciso falar e escrever em japonês? E se o “artista” fosse russo, coreano, tailandês, vietnamita ou grego? Cada uma dessas línguas tem o seu próprio alfabeto e portanto são mundos fechados para o Google digitado em alfabeto romano. Tem que saber a língua e digitar no seu alfabeto… E, como sabemos, são muito poucos os grupos de comunicação no Brasil que tem bala na agulha para manter uma rede de correspondentes internacionais. Acredito que muitos jornalistas tenham feito a pesquisa no Google, afinal isso é hábito na profissão. Mas na falta de confirmação, preferiram dar o benefício da dúvida e publicar a nota, afinal a fonte construiu uma relação de confiança ao longo de anos e centenas de releases verdadeiros. Não havia razão para duvidar. Abraços. Alan Romero, Lisboa-Portugal – jan2006

36- Oi, Kelmer, como está? Achei super bacana seu artigo sobre o Zé Sareta; comungo com sua idéia de erguer uma estátua dele. Um abraço! Jorge Ritchie, Fortaleza-CE – jan2006

AMarmotaDoAno-05a


A Nova Consciência e o desafio das discordâncias

11/02/2015

11fev2015

Nesses vinte anos de Nova Consciência, aprendi muito sobre convivência e intolerância, e sobre mim

ANovaConscienciaEODesafioDasDiscordancias-01

A NOVA CONSCIÊNCIA E O DESAFIO DAS DISCORDÂNCIAS

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Neste Carnaval de 2015, completo vinte anos de Nova Consciência. A minha primeira vez foi em 1996, e desde então passei todos os meus carnavais em Campina Grande, na Paraíba, participando do Encontro da Nova Consciência, um festival multicultural que desde 1992 celebra a diversidade dos pensamentos reunindo, durante quatro dias, representantes das artes, ciências, filosofias, religiões e tradições em dezenas de eventos paralelos, todos empenhados em buscar um futuro melhor para a humanidade e o planeta. Não conheço nada igual no Brasil. É realmente um grande acontecimento.

Para mim, a Nova Consciência é uma rara oportunidade de ter contato com variados assuntos, e também de conviver por alguns dias com muitas pessoas que pensam diferente de mim sobre muitas coisas, mas que acreditam firmemente, como eu acredito, que os diferentes podem conviver em harmonia. Aproveito o Encontro também para intercâmbios com artistas de outros estados e outros países, isso é ótimo para enriquecer minha própria arte. E, obviamente, marco presença na feira para desfrutar da gastronomia paraibana, principalmente aquele velho e bom picado que, devidamente apimentado e acompanhado de uma cervejinha gelada, sempre me leva à mundana conclusão: viver é saboroso, ardente e embriagador.

Como escritor que sou, me interessa particularmente o Encontro de Literatura Contemporânea, onde nos reunimos nós, os fervorosos adoradores da palavra escrita. E, como sou ateu, adoro participar do Encontro de Ateus e Agnósticos, que muitíssimo me agrada pelo alto nível cultural e pelo tradicional bom humor. Rir ainda é o melhor remédio.

Mas não há lei, pelo menos ainda, que impeça um ateu de ter amigos religiosos, né, e eu adoro reencontrá-los em Campina Grande. Evidentemente, o que é sagrado para eles não me toca a alma, não no sentido religioso, porém há algo mais sagrado que qualquer coisa que eu e eles pensamos: o nosso direito de crer ou não crer, e de podermos nos expressar livremente, e de podermos discordar, e até de podermos desagradar. Porque a liberdade de ser inclui, necessariamente, a liberdade de expressão.

Nesses meus vinte anos de Nova Consciência, aprendi muito sobre convivência. Aprendi também sobre intolerância, pois infelizmente a proposta do Encontro desperta ódio nas mentes que se recusam a aceitar as diferenças. Aprendi, sobretudo, que preciso muito do diferente para me harmonizar com uma certa pessoa: eu mesmo. Sim, eu. Eu que, nesse longo caminho da aceitação, tenho de conviver todos os dias com as discordâncias dentro de mim.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com
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Site do Encontro da Nova Consciência
www.novaconsciencia.com.br

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Minha programação na Nova Consciência 2015:

NovaConsciencia2015Logo-01aLançamento do livro Indecências para o Fim de Tarde

Palestra: Maconha, Satanás e o escorredor de macarrão – A liberdade de expressão e o desrespeito ao sagrado (Encontro dos Ateus e Agnósticos)

Palestra: Sensualizando no sagrado – Erotismo, religião e opressão feminina (com Ivana Bastos)

Encontro de Literatura Contemporânea

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LEIA NESTE BLOG

DiversosEIguais-01aEncontro da Nova Consciência – Diversos e iguais – Não precisamos concordar com os outros. Mas podemos aceitá-los, tanto quanto quisermos também ser aceitos

O psicólogo, a Humanidade e a esperança – Os acontecimentos mostram que a Humanidade está se unificando, unindo seus opostos

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu

Pátria amada Terra – É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vim o todo

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ANovaConscienciaEODesafioDasDiscordancias-01a


Mário Gomes, o poeta viralata

06/01/2015

06jan2015

Era com suas errâncias quixotescas e os versos obscenos que o povo se encantava, ele lá, de paletó sem gravata, camarada e bonachão

MarioGomesOPoetaViraLata-02

MÁRIO GOMES, O POETA VIRALATA

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Era um burburinho que rodava dentro da cabeça dele, sem parar. Uma noite, rodou, rodou e pariu um poema. E ele riu da própria marmota. Descobriu-se poeta.

Rapaz, trabalhar com redemoinho no juízo não dá. Veio-lhe aí a revelação, aquilo que todo cão viralata sabe: se é pelas ruas que a vida livre escorre em poesia, bebamos de sua sagrada putaria. Então batizou-se boêmio e vagabundo.

Rebelando-se contra tudo que não rima com liberdade, um dia ele fugiu do manicômio. Lá no alto, a lua se apaixonou, a andarilha do céu, e jurou protegê-lo em suas perambulanças e traquinagens. Assim, sempre sem dinheiro mas abençoado, fez-se aventureiro: em São Paulo foi preso, mas escapuliu, por se fingir cineasta para as mulheres, em Minas se atrasou e não embarcou no ônibus que viraria na estrada, e lá nos cafundós da Bahia escapou de morrer no veneno de um vatapá na encruzilhada.

Ah, ele sumia por meses, mas Fortaleza sempre o recebia de volta. Todo lascado de surras e prisões, mas uma ruma de história mirabolante para contar. À tarde, na Praça do Ferreira, o vento malandro a brincar de subir a saia das moças, era com suas errâncias quixotescas e os versos obscenos que o povo se encantava, ele lá, de paletó sem gravata, camarada e bonachão. Fiel se manteve ao ofício de sua nobre vagabundagem, vivendo sem amanhãs, e sempre o acudia um troco para a janta e o cigarro. De tanto encarnar o surreal da vida, ainda vivo virou lenda. Assim foi que um dia, ele contando orgulhoso da aposentadoria por invalidez mental, que os amigos entenderam: cidade bendita a que provê seus poetas mais puros.

Nos seus livros publicados, a arte intuitiva brincava longe dos parâmetros, feito criança travessa que, sem atinar, aponta o absurdo da existência. Era por isso que ele podia colher uvas no pé de cana até chegar o homem das laranjas. Por isso, ele, só ele, foi comido vivo em banquete por Odete, Judite e Maria Helena. Por isso que em seu braço a formiga bebia água e de sua merda uma tarde voaram borboletas. Porque só o poeta que reflete a lucidez primitiva do desconexo sabe que na vitrine a manequim tem fome.

Tua amada, cadê?, as estrelas lhe indagam na solidão das madrugadas. Ela não veio, responde magoado, e vira a cachaça. Agora, debilitado e maltrapilho, defende-se como pode de velhas assombrações, os eletrochoques, aquela virgem ingrata que lhe negou um nheco-nheco, a surra da multidão em Salvador por lhe confundirem com um bandido… Agora, veja só, lhe proíbem de recitar seus versos onde antes era aplaudido, como se atrevem? E esses moleques idiotas, que lhe acordam com pedradas, acham que é mendigo, não sabem que saiu no jornal, que o mulherio gama só de olhar? A mãe, tadinha, morrera, ela que cuidava de lhe dar os remédios que sossegavam os burburinhos, e que agora já não parem poemas. Dizem que virou espectro vagante, que é melhor ir para a casa de repouso, que morreu mês passado, ah, não entendem porra nenhuma. Aquele bar ali, outro dia lhe negaram um resto de pão que sobrou na mesa, vão tomar no cu. Felizmente, as ruas sabem quem ele é. E pode lavar a calça no banheiro do teatro. E embaixo da passarela ainda lhe deixam dormir. E descansar a carcaça. E sonhar seu sonho louco de liberdade radical…

Ele se foi numa tarde sem vento, com os fogos do ano-novo a ignorar sua partida. Como não tinha documento, não podiam liberar o corpo para o velório na biblioteca. Mas ele é o poeta Mário Gomes, os amigos tiveram de explicar. Era a sua credencial, de mais não carecia para adentrar a posteridade. Lá no alto, a lua grávida dele não quis falar. Por detrás do Universo, Jesus tomou uma com Satanás. E mais além, na Praça do Ferreira, um viralata rodou, rodou e mijou um minuto de silêncio.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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À memória de Mário Ferreira Gomes (Fortaleza, 23.07.1947 – Fortaleza, 31.12.2014)

Foto preto e branco da montagem: Érika Fonseca. Obrigado a todos que conheceram o poeta e registraram sua vida por meio de relatos, fotos e vídeos. Obrigado a Érika Menezes, por me comunicar da morte de Mário.

REPRODUZIRAM ESTA CRÔNICA:

Blog do Eliomar – Blog do jornalista Eliomar de Lima, jan2015

Roberto Maciel – Blog do jornalista Roberto Maciel, jan2015

Jornal O Estado – Caderno Arte & Diversão, jan2015

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VÍDEO-CRÔNICA
MÁRIO GOMES, O POETA VIRALATA

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MÁRIO GOMES EM IMAGENS

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MarioGomesPoeta-15Mário recita seus poemas (por volta de 2000)

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MarioGomesPoeta,VilmaMatos2002-01Mário Gomes entrevistado na praça por Vilma Matos (2002)

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MarioGomesPoeta-18O poeta em seu nobre ofício na Praça do Ferreira

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MarioGomesPoeta-06O poeta na praça, já bem debilitado

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MarioGomesPoeta-07Com o livro de Márcio Catunda, Mário Gomes, poeta, santo e maldito

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MarioGomesPoeta-01Foto de Mika Holanda, vencedora de concurso da revista National Geographic, feita em set2014, cem dias antes de sua morte

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MarioGomesMuralNoVelorio-01Mural com fotos de Mário em seu velório

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MarioGomesPoeta-14Os muros da cidade celebram Mário Gomes (Praia de Iracema)

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MarioGomesPoetaLivros-01Ensaio biográfico de Márcio Catunda e cordel sobre Mário Gomes, de Rouxinol do Rinaré

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CRÔNICA

AoMestreVagabundoComCarinho-01a.

AO MESTRE VAGABUNDO, COM CARINHO
Ricardo Kelmer, 2015

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Nos anos 1980, em Fortaleza, corriam histórias divertidas sobre um tal Mário Gomes e sua poesia mirabolante. Elas me alcançaram na faculdade ou em alguma mesa de bar. Eu não sabia se eram reais e nem se Mário existia de fato ou era um personagem da imaginação popular. Ou seja, ele para mim era uma lenda, como certamente o era para muitas pessoas.

Provavelmente, cheguei a vê-lo em algum evento cultural ou em algum bar, ou nas Rodas de Poesia e Percussão, no Dragão do Mar, mas talvez não tenha associado sua imagem ao seu nome, ou talvez eu estivesse muito bêbado. Tirando o tempo em que trabalhei como contínuo, em 1982-84, e ia quase todo dia ao centro, nunca fui muito assíduo da Praça do Ferreira, mas talvez o tenha visto lá alguma vez. Será que ele chegou a ir ao Badauê, um bar que eu tinha na Praia de Iracema em 1988-89?

Deixei Fortaleza em 2004. Anos depois, numa visita à cidade, surpreendi-me de saber que era ele aquela figura comovente que passeava no Dragão do Mar, bêbado e maltrapilho, discursando sozinho, e nos anos seguintes voltei a vê-lo por lá, deslizando solitário pelas noites, às vezes acompanhado da jornalista Ethel de Paula. Em 2013-14, acompanhei à distância a piora de seu estado, mas sabia que pouco podia ser feito, por sua recusa em deixar as ruas e tratar da saúde.

Naquela tarde de 31 de dezembro, eu estava em casa, em São Paulo, quando fui avisado de sua morte por minha amiga Érika Menezes. Eu sabia que dias antes ele fora encontrado desmaiado no Dragão, e que enfim o convenceram a ir para o hospital. Senti uma súbita tristeza e chorei. Tomei uma dose de uísque e homenageei o poeta, gargarejando um verso seu: Como era gostoso esse Mário Gomes! E fui buscar na internet o poema inteiro, para recitar. Putz… Bastaram poucos minutos de pesquisa para descobrir o imensamente quanto eu não sabia quem era Mário Gomes. Fiquei envergonhado da minha ignorância e ali mesmo comecei a catar tudo sobre ele, entrevistas, relatos de quem o via nas ruas, vídeos, a biografia de Marcio Catunda… Quanto mais descobria, mais me fascinavam sua história e sua arte. Perdi o ânimo para a festa do réveillon ‒ a vontade era de estar em Fortaleza e ajudar nas preparações para o velório.

Descobri um grandioso personagem, a perfeita encarnação do arquétipo do louco malandro, presente em tantas culturas do mundo. Ao ser avesso a regras e limites e recusar-se a trabalhar, Mário personificou o vagabundo que todos, no fundo, temos vontade de ser. Flanar livre por aí pelas ruas, fazendo poesia e vivendo incríveis aventuras, aceitando o que lhe dessem como ajuda e sem importunar ninguém, era essa a sua bela filosofia. Desconfio que um dia sua vida virará filme, uma comédia dramática burlesca, e estreará no Cine São Luís, na Praça do Ferreira. Nada mais justo.

Durante sete dias, me alimentei de Mário, quase não saí de casa, e, ao fim, vomitei a crônica Mário Gomes, o Poeta Viralata. Era o mínimo que eu tinha a fazer por sua memória, mas sei que meu texto não apagará minha sensação de débito com o poeta, por conhecê-lo somente após já ter ido embora. Quanto aos seus problemas mentais, talvez eles não lhe permitissem ter a exata consciência de sua condição, dos riscos de viver assim, da morte iminente na próxima esquina. Ou o contrário, talvez Mário soubesse mais que todos, quem pode ter certeza? Quem pode julgá-lo? E quem está livre de morrer na próxima esquina?

Não tenho a mesma coragem que Mário, mas busco todos os dias priorizar a minha liberdade e viver para a minha arte. Não durmo nas ruas, mas conheço a grande incerteza do tempo para quem decidiu ser escritor na vida. Mário Gomes se foi, e seu exemplo agora me fortalece em minha própria loucura. Obrigado, mestre vagabundo.

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MarioGomesPoeta2014-01a.

ANDARILHO
Ricardo Kelmer, 2015

Eu sempre fui andarilho
Mas é assim que prefiro
Viver desse vento que eu sou
Tanto tempo que deixei a trilha
Que hoje nem a minha mochila
Sabe mais para onde vou

Todo dia quando acordo
Sopro no ar a minha sorte
E ganho tudo que preciso ter
O que não preciso, que o vento leve
Porque nunca se perde
Quem não tem o que perder

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O poema Andarilho integra a trilogia que fiz em homenagem a Mário Gomes, com as crônicas Mário Gomes, o poeta viralata e Ao mestre vagabundo, com carinho. O poema foi inspirado numa fala de Mário, durante a gravação da matéria Poeta de Rua, da TV O Povo, de Fortaleza, em 2009. Tomei a liberdade de transcrever a fala em formato de poema e dei-lhe o título de Mora. Fiz isso para destacar o quanto Mário Gomes vivia a poesia, naturalmente, em sua vida cotidiana, mesmo tendo, nos últimos anos, deixado de escrever e publicar. Quando comparo os dois poemas, o dele se revela tão autêntico e o meu me soa tão artificial… Talvez por que Mário era poesia em estado bruto.

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MORA
Mário Gomes

Eu sempre fui andarilho
Eu sempre andei do jeito que eu sou
Eu nunca mudei minha personalidade
Esse negócio de dizer que eu moro na rua é papo furado
Se por acaso eu tô por aí, com muito sono, embriagado
O que é que tem eu dormir?
Eu moro na rua por quê?
Eu moro na rua onde?
A gente mora dentro de si, rapaz
A gente mora dentro da cuca da gente
Eu moro em qualquer canto onde eu chegar
O que é morar?
Agora eu que te pergunto: o que quer dizer morar?
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VEJA O VÍDEO

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MarioGomesPoeta-05aFoto de Raymundo Netto

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POEMAS DE MÁRIO GOMES

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SOU UM CACHORRO VIRA-LATA

Sou um cachorro vira-lata
Não tenho residência fixa
Não tenho responsabilidades
Não tenho dono.
Mas, também, não me falta sexo
Porque conheço lindas cadelas
De tipos diversos.
Onde chego procuro alimentos
Fumo na hora em que me é propício
Um cigarrinho com filtro ou sem.
Sou um cachorro fiel e valente
(Só na aparência)
Pois, sou um cachorro vira-lata.

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ANTROPOFAGISMO

Eu, sem ser antropófago,
já saboreei muita gente por aí.
Minhas preferências são os esbeltos
violônicos corpos femininos: a mulher.
Ah! Se a humanidade fosse toda antropófoga
como eu teria o prazer de ser devorado
em um banquete ou bacanal de lindas garotas
sexys, histéricas, eróticas
e eu, em cima de uma mesa qualquer totalmente nu.
Assado ou cozido.
Recheado de cebolas, tomates e farofas.
Enquanto Odete espetava um dos meus esverdeados olhos
que outrora foram profanos,
Judite arrancava minha língua e mastigava furiosamente.
Depois Maria Helena
pegava uma faquinha de mesa e cortava
delicadamente meu pênis ereto e dizia entre-dentes:
– Como é gostoso esse Mário Gomes.

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UMA VIOLENTA ORGIA UNIVERSAL

Olhei o sol.
Me irritei
E larguei a mão na cara dele.
No qual ele ficou
Desacordado por 12 horas ininterruptas.
Dei um ponta-pé nos ovos da terra.
Afastei São Jorge
E mantive relações sexuais com a lua.
Pisoteei o cadáver de satanás
Numa esquina encontrei-me com Deus
E saímos abraçados: rindo e cantando…. Chovia

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METAMORFOSE

Ontem,
Ao meio-dia,
Comi um prato de lagartas
Passei a tarde defecando borboletas.

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AÇÃO GIGANTESCA

Beijei a boca da noite
E engoli milhões de estrelas.
Fiquei iluminado.
Bebi toda a água do oceano.
Devorei as florestas.
A Humanidade ajoelhou-se aos meus pés,
Pensando que era a hora do Juízo Final.
Apertei, com as mãos, a terra,
Derretendo-a.
As aves em sua totalidade,
Voaram para o Além.
Os animais caíram do abismo espacial.
Dei uma gargalhada cínica
E fui descansar na primeira nuvem
Que passava naquele dia
Em que o sol me olhava assustadoramente.
Fui dormir o sono da eternidade.
E me acordei mil anos depois,
Por detrás do Universo.

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A LOUCA E O MANEQUIM

A menina louca, maltrapilha e suja,
Parou em frente à vitrine da Casa Parente,
E estática olhava para um manequim feminino.
Olhou… olhou… pensou… pensou…
Dado momento perguntou:
“ta com fome, égua?”
Esta pergunta causou-me
Certa impressão, o poeta,
Que também já conversou com os manequins.
Eu dissera: “se fosse realmente mulher
Como és de gesso,
Te daria um prato de comida.”
Será que essa louca é
A personificação da poesia?

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QUANDO EU MORRER

Quando eu morrer
Irão distribuir minhas camisas,
Minhas calças, minhas meias, meus sapatos.
As cuecas jogarão fora.
Ninguém usa cueca de defunto.
Irão vasculhar minha gaveta.
Vão encontrar muita poesia,
Documentos e documentários.
Só sei dizer
Que foi gostoso viver.
Sentir o amor e proteção de minha mãe.
De conhecer meus irmãos, meus amigos.
De ver de perto as mulheres.
Só posso deixar escrito:
“obrigado vida”.

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LIVROS PUBLICADOS

Lamentos do Ego (1981)

Aprendizes da Morte (1982, com Márcio Catunda e Cristiane Marinho)

Emoção Poética (1983)

Resquícios de uma Paisagem da Vida (1988)

Devaneios das Lamentações (1991, com Márcio Catunda)

Terno de Poesia (1997, com Alcides Pinto)

Uma Violenta Orgia Universal (1999, antologia poética)

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MarioGomesPoeta2010-01Mário Gomes na Casa Juvenal Galeno (Semana da Poesia, 2010)

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SAIBA MAIS

Mário Gomes Poeta – Blog em homenagem ao poeta, com poemas, depoimentos, vídeos e reprodução do livro Mário Gomes, poeta, santo e maldito, de Marcio Catunda

Entrevista com Mário Gomes – Vilma Matos entrevista o poeta para a publicação Cá Estamos Nós (2002)

Tributo ao Mário Gomes: Comendo lagartas e defecando Borboletas – Crônica de Raymundo Netto (2009)

A vida dentro dos sapatos – Artigo da jornalista Ethel de Paula, que tem Mário Gomes como tema de sua dissertação de mestrado (2014)

Procura-se Mário Gomes – Crônica de Raymundo Netto, escrita na noite da morte do poeta

Ricardo Guilherme fala de Mário Gomes – Belo e digno texto escrito pelo ator e amigo do poeta (2015)

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MarioGomesPoeta,AuribertoCavalcante-01Mário Gomes na praça, com o amigo Auriberto Cavalcante (2013)

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VÍDEOS

Poeta de rua – Programa Viva Fortaleza, da TV O Povo, entrevista Mário Gomes (2009)

Mário Gomes, o poeta da Praça do Ferreira – Bela homenagem ao poeta, com depoimentos. Direção de Zebaptista (2014)

Que Mário – Vídeo da Cia Pã de Teatro, com imagens de Mário Gomes na Praça do Ferreira

Repórter encontra Mário Gomes de madrugada – Matéria do programa sensacionalista Cidade 190 (2013)

Mário na Praça do Ferreira – Admirador encontra Mário Gomes e compra um cordel sobre sua vida (2013)

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LEIA NESTE BLOG

 

OSonhoDoVerdadeiroEu-01O sonho do verdadeiro eu – Entretanto, algo me dizia que na pauliceia eu poderia viver minha vida mais verdadeira, era só insistir

O mundo real da arte – O momento em que a magia do teatro se revela paradoxalmente em toda sua plenitude, expondo tanto sua maquiagem quanto seu avesso

O último blues de Lily – A lua nascendo no mar e os blues na voz de uma Lily que se rebola e se rebela e não ouve ninguém chamar

A celebração da putchéuris (Intocáveis Putz Band) – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Pelas coxias de Guaramiranga – Entre uma peça e outra sempre dá tempo de cruzar uns olhares, nativos e forasteiros, e exercitar o roteiro das abordagens

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

É o amor – E os outros zezés e lucianos por aí?

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Comentarios01COMENTÁRIOS

 

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01- Que triste. Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

02- Linda homenagem meu querido Ricardo Kelmer. Juliana Melo, Fortaleza-CE – jan2015

03- Muito legal…a eloquência da loucura… Adil Chaves, Fortaleza-CE – jan2015

04- Erika Menezes Obrigada, Ricardo Kelmer, por ter deixado eu ler seu texto. Bj.

05- Vou levar..Gracias.. Claudia Bahia, Fortaleza-CE – jan2015

06- Kelmer, você fala a língua dos homens. Parabéns! André Marinho, Fortaleza-CE – jan2015

07- Que texto massa Ricardo!! Cristiane Bastos, Fortaleza-CE – jan2015

08- Fizeste uma homenagem linda, me emocionei. Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

09- Genial! Thayssa Gabriela, Fortaleza-CE – jan2015

10- Só mesmo poetas pra entender e falar sobre poetas. Parabéns pelo texto Ricardo Kelmer, posso compartilhar? Márcia Rodrigues, Fortaleza-CE – jan2015

11- Excelente texto ,Ricardo. Fraterno abraço. Dunga Odakam, Fortaleza-CE – jan2015

12- Seus textos agarram a gente pelos olhos e nos puxa pela sonoridade das palavras bem ditas! Tenho gostado. Bjs. Ana Maria Costa Lima, Fortaleza-CE – jan2015

13- Nesse pré carnaval eu quero musicar um samba em homenagem ao bêbado e o vagabundo. Quem se habilita em escrever uma letra? O título já foi dado pelo Ricardo. André Marinho, Fortaleza-CE – jan2015

14- Perfeito. Willa Lima, Fortaleza-CE – jan2015

15- ei, tio! tá foda, a crônica! me arrepiei todo como o final. e a impressão que dá é que a crônica nasce Ricardo Kelmer e vai morrendo Mario Gomes. parabéns!! Levy Mota, Fortaleza-CE – jan2015

16- Oi Ricardo. Adorei a crônica. Eu o vi, várias vezes, pelo centro. Nem desconfiava que era o Poeta Mario Gomes até que soube de sua morte pelo jornal e a foto que ilustrava. O mundo ficou um pouco menos louco e, consequentemente, mais chato. Abraços. Fabiano Brilhante, Fortaleza-CE – jan2015

17- tá é lindo, esse texto/essa homenagem. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – jan2015

18- É de arrepiar!! Linda homenagem… Izadora Castelo, Fortaleza-CE – jan2015

19- Acho que vou trocar essa dissertação pelos textos do Kelmer e do Ricardo Guilherme – e não quero troco rsrs Ai, ai, como é gostoso mesmo esse Mário Gomes devorando a gente ao avesso!!! rs. Ethel de Paula, Fortaleza-CE – jan2015

20- Lindíssimo!!!!! Emocionante!!!!! Envolvente!!!!! Zeina Costa, Vitória-ES – jan2015

21- O encontro dos poetas …… João Moreira, Fortaleza-CE – jan2015

22- Sempre que ia ao Dragão o observava e respeitava seu espaço…interessante era que ele não pedia nada. Ando por lá desde que foi inaugurado, mas de 2006 pra cá foi que soube que ele era poeta, desde então sempre que o via ia logo dizendo: ” óh ú poeta!” Nem sempre ele falava, mas sempre ele sorria… Tiago Bandeira, Fortaleza-CE – jan2015

23- Ei, eu tinha lido no Eliomar. 🙂 Me deu saudades! beijo. Verônica Guedes, Fortaleza-CE – jan2015

24- Cara, q texto lindo! Bela forma de homenagear o poeta. Que a sua poesia seja eterna! Mariela Mei, Campinas-SP – jan2015

25- massa kelmer! bela homenagem ao mais rico dos poetas de fustaleza! um dia chegamos lá… Marcos Maia, São Paulo-SP – jan2015

26- Que lindo Ricardo! Grande homenagem a um grande poeta. Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – jan2015

27- Lindo coMtexto! Sugiro que juntem todas as homenagens feitas à ele em versos, poemas e divagações e organizem em um livro. .. será delicioso bebê-las e devorá-las. Gratidão! Abçs. Maria Castro, Fortaleza-CE – jan2015

28- Muito bem elaborado. Parabéns, Ricardo! Rejane Porto Cult, Fortaleza-CE – jan2015

29- Muito bom! Alexandre Domene Ortiz, Fortaleza-CE – jan2015

30- chorei. parabens pelo texto. de uma delicadeza incrivel. Dimitri Bitu de Araújo, Fortaleza-CE – jan2015

31- Sempre com sensibilidade pra escrever sobre outras sensibilidades Ricardo Kelmer. Belissimo texto. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – jan2015

32- Mt bom! Belíssimo e emocionante texto! A morte do poeta me comoveu bastante. Eu que também escrevo meus versos, de tão comovido escrevi também um poema em homenagem ao grande Mario Gomes. João Batista Júnior, Fortaleza-CE – jan2015

33- Adorei! Regina Zamora, São Paulo-SP – jan2015

34- Parabéns, Ricardo, bela homenagem! Antonio Martins, Maceió-AL – jan2015

35- Nobre homenagem Ricardo Kelmer! Parabéns pelo texto. Gizelle Gi, Fortaleza-CE – jan2015

36- legal, kelmer… um brinde ao poeta!…. abração! Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – jan2015

37- Boa. Olhai Christiane Glasner. Ruth Hernández Boscán, no se si comprenderas, pero dos de tus pasiones en una persona: poesia y psique. Jose Paulo Araujo, Caracas-Venezuela – jan2015

38- Quando as latas tinham poesia. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2015

39- Fantástica homenagem do meu amigo Ricardo Kelmer ao poeta Mário Gomes, que todos víamos pelo Dragão do Mar, embarcado em sua loucura, sempre elegantemente maltrapilho, chamava a atenção. Fica a letra, rastro no mundo e na história da cidade. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – jan2015

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MarioGomesOPoetaViraLata-03a

 

Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

 

 


Meu Natal inesquecível

27/12/2014

26dez2014

Shopping lotado, crianças gritando e, oh, a música da Simone

MeuNatalInesquecivel-04

MEU NATAL INESQUECÍVEL

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Shopping center não é dos meus lugares preferidos, mas precisei comprar um cabo pro meu celular e, como tinha um shopping pertinho, fui caminhando até lá. Quando cheguei foi que me toquei que, putamerda, era véspera de Natal… Estava tão lotado que me arrependi e quis voltar, mas fui arrastado pela multidão e, na confusão, perdi um chinelo. Então lá estou eu, na escada rolante entupida de gente, descalço, segurando um chinelo, e a escada trava. Que maravilha, né? Quando penso que não pode ficar pior, escuto uma música familiar… É Simone, onipresente nas centenas de caixas de som do shopping, cantando Então é Natal.

O fim dessa história é trágico, mas vamos em frente, o que importa é que sobrevivi pra contar. Pois bem, aguentei firme Simone cantando Então é Natal, espremido entre quinhentas pessoas na escada rolante travada. Porém, a música toca de novo, e depois de novo, e fica tocando sem parar. Eu fecho os olhos, sem acreditar no que acontece.

Crianças. Adoro essas criaturinhas, mas às vezes elas servem às forças malignas, você não acha? Pois não é que um grupo delas, que se divertiam por estarem presas na escada rolante, começa a cantar com a Simone? E, pro meu desespero, a insanidade infantil se alastra e, de repente, todos na escada estão cantando, não, estão berrando a plenos pulmões: Então é Nataaaaaal… E eu começo a suar frio.

O coro chamou a atenção de todos, claro, e me vi vivendo um pesadelo real: preso na escada rolante, com quinhentas pessoas metidas a anjo cantando celestialmente Então é Natal, e ao redor e embaixo e em cima, por todo lado, uma multidão maravilhada com o nosso singelo e espontâneo coro natalino, todos tirando fotos e filmando. E eu lá no meio do filme de terror, passando mal, uma coisa muito ruim me subindo pelo estômago, pelo peito, pela garganta…

Rô, rô, rô, ele está vivo! Foi isso que ouvi quando minha consciência voltou. Era um enfermeiro magricela, vestido de Papai Noel, a me oferecer um copo dágua. Putz, eu estava na enfermaria do shopping.

Recusei a água (não acredito em papainoeis magricelas) e ele me explicou o que aconteceu: eu tivera um surto na escada rolante e comecei a dar chinelada nas crianças, gritando “Leve-me à sua líder, seu Pokémon do Mal!”, e logo depois desmaiei. Uau… Fiquei impressionado, pois sou um cara da paz, mas o enfermeiro disse que não era o primeiro caso, e que foi justamente por isso que muitos shoppings deixaram de tocar Então é Natal. Agradeci e me levantei pra ir embora, mas ele avisou que a música ainda estava tocando, e que tocaria também nas versões com Luan Santana e padre Marcelo Rossi, e só pararia no dia seguinte. Quando eu já ia desmaiar novamente, ele me entregou um par de protetores de ouvido: Tome, isso vai ajudar. E foi assim, auditivamente protegido, que finalmente consegui escapar daquele pesadelo.

O cabo do celular, acabei não comprando, fui direto pra casa. Ainda assustado e sem os meus chinelos. Os protetores de ouvidos, ah, eles eu guardei, pra usar sempre que for a um shopping no fim do ano. Nunca se sabe, né?

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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A música Então é Natal é uma versão feita pelo compositor Claudio Rabello da canção Happy Xmas (War is over), de John Lennon e Yoko Ono, e foi gravada pela cantora Simone em 1995.  A música original, gravada em 1971, é uma canção de protesto contra a Guerra no Vietnã, e com o tempo tornou-se um famoso tema de Natal. No Brasil, a versão cantada pela cantora Simone, ainda que tenha no fim a citação de Hiroshima e Nagasaki, afastou-se do tom de protesto, revestiu-se de um caráter mais religioso (a canção original em nenhum momento fala de cristianismo) e adquiriu um notável espírito de pieguice, o que, associado ao apelo hiperconsumista do Natal, acabou fazendo a música ser insuportável para muitas pessoas. Veja o clipe oficial (e perceba que o mundo não mudou nadinha…):

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ARevoltaDasPeladonas-01aA revolta das peladonas – Um dia, elas começaram a correr peladas pelas ruas. Foi só o início…

As ciclistas orgásticas da Colômbia – Ciclistas usam a energia de seus orgasmos para vencer corridas

Quem poderá me salvar – Heroínas e heróis da minha vida

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

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Comentarios01COMENTÁRIOS

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01- Ahahaha!!!! Muito bommmm! Em SAMPA ou FORTAL? Reny Diel, Fortaleza-CE – dez2014

02- Kkkkkkkkkkkk boa. Alessandra Corrêa, Fortaleza-CE – dez2014

03- Bom kkkk. Roberto Studart Soares, Fortaleza-CE – dez2014

04- Imaginei o Cinderelo natalino uma mistura de Belo desmaecido,usando o pé que restou pra dar chineladas na molecada, kkkkkkkk acordado por um Papai Noel magricela!!! kkkkkkkk. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – dez2014

05- chorei. Flávia Castelo Batista, Fortaleza-CE – dez2014 

06- kkkkkkkkkkkk. Imaginei a cena se passando na escada rolante da parte velha lá do Iguatemi!!! Dava um ótimo curta!! Elaine Luz, Fortaleza-CE – dez2014

07- Ana Lucia Castelo Adorei kkkkkkk feliz ano Ricardo Kelmer!!!!!

08- Kkkkķk so tu mermo, nao nega a raça em todos os “sentidos” kkkkk. Izabel Castro, São Paulo-SP – dez2014

09- Nossa, que terror! veja o link que Mob Cranb colocou aqui. Com todo o nosso carinho! A parte da chinelada é demais! Kkkkkkkkkkk Sorry. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – dez2014

10- Marcelo é o “artista” brasileiro que mais vende discos no Brasil: http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_best-selling_albums_in_Brazil Luc Lic, São Paulo-SP – dez2014

11- Que sufoco hem? Edna Pontes, Fortaleza-CE – dez2014

12- Kkkkkkkkkkkl. Kcal Claudia Rocha GorDivah, Rio de Janeiro-RJ – dez2014

13- muito bom…isso da enredo (e dos bons) p esses filmes de fim de tarde sobre o natal…seria um filme descente….engraçado (me desculpe mas eu ri kkkk) e finalmente quissá o primeiro filme Honesto sobre natal e seus afins! Patrícia Hakkak, São Paulo-SP – dez2014

14- Putz Kelmer. Não consegui parar de rir até agora! Jefferson Souza, Fortaleza-CE – dez2014

15- Muito legal!!!rsrs! Joana Darc Pedrosa, Fortaleza-CE – dez2014

16- Kkkkkkk Deuzulivi eu jogava tudo da escada fingindo que era chaminé: “- Então é Natal e o q vc fez?” Hilbana Fig Jamacaru, Fortaleza-CE – dez2014

17- passei por isso essa semana até vontade de vomitar eu tive e a musiquinha dos sinos tocando… Angélica Nogueira, Salgueiro-PE – jan2015

18- Então é Natal!!! ninguem merece. tadinho. Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

19- Kelmer, tô rindo muito imaginando a cena… e pq esse povo não desceu as escadas normalmente??? Estranho é isso… Ahora a música, nem comento! E como tú conseguio perder o chinelo logo no começo??? Agora, o melhor deve ter sido tua cara qd te disseram que tava dando chineladas nas crianças… muito engraçado… kkkk Um beijão e 2015 com muita coisa boa, paz, saúde e sem shoping. Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

20- Kkkk. Adriana Alves, São Paulo-SP – jan2015

21- FELIZ ANO NOVÍSSIMO !! TE AMO !! BJ. Rita Austregesilo, Fortaleza-CE – jan2015

22- Rapaz , parabéns, como você aprendeu a fazer isso. Jose Leite Netto, Fortaleza-CE – jan2015

23- KELMER, o jeito mesmo é ficar longe de shoping… e o tal lance que ía comprar? Bjs, bjs… Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

24- kkkkkkkkkkkkkkk. Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – jan2015

25- kkkkkkkkk. Leite Neto, Fortaleza-CE – dez2015

26- kkkkkkkkkkk. Onde é que João Lenon estava com a cabeça quando fez essa música, hein? Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – dez2015

27- Que falta de sorte, heim?Perder o único chlinelo!.Merece dizer esse palavrão mesmo. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – dez2015

28- acredita que o skank regravou essa musica maldita ??? outro dia ouvi na radio com eles cantando e eu disse nãaaaoooooooo….. Adriana Alves, São Paulo-SP – dez2015

29- Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Vanessa Machado Monte, Fortaleza-CE – dez2015

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MeuNatalInesquecivel-04a

 


O Reino Encantado de Jericoacoara

14/10/2014

14out2014

Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar…

OReinoEncantadoDeJericoacoara-02

O REINO ENCANTADO DE JERICOACOARA

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Há certos lugares que a gente conhece e depois eles passam a morar naquele cantinho sagrado da alma, onde a gente pode se recolher quando quer descansar por uns instantes na doçura da saudade, sabe como é? Não sei se expliquei bem, mas para mim um desses lugares é Jericoacoara, no Ceará.

Quando cheguei a primeira vez em Jeri (só para os íntimos), em 1989, a pequena vila já era razoavelmente conhecida no circuito do turismo alternativo, mas não tanto como Canoa Quebrada, no litoral leste, que tinha um acesso muito mais fácil. Putz, foi amor à primeira maresia. Desde então, voltei lá algumas vezes, mas sempre é como se fosse a primeira vez. Eu estou sempre descobrindo Jeri.

Localizada a 300 quilômetros a oeste de Fortaleza e pertencente ao município de Jijoca de Jericoacoara, Jeri integra o Parque Nacional de Jericoacoara, o que impede a construção de estradas pavimentadas na região. Para chegar lá, ou você vai de helicóptero ou arrisca ir pela praia, respeitando as marés, ou enfrenta a areia das dunas (mas terá de deixar o carro numa área afastada do centro da vila). Ou então faz como a maioria, indo até Jijoca e, de lá, seguindo por quarenta minutos pelas dunas em carros especiais. O percurso, por si só, é uma autêntica preparação do espírito, um rito sagrado de iniciação para o viajante destemido ser aceito no Reino Encantado de Jericoacoara.

Sim, é uma aventura chegar lá. E estar lá é um sonho. E deixar Jeri é sempre uma tristeza por não ter ficado mais, misturada à esperança de voltar logo. Se você foi lá e não sentiu essas coisas, sinto muito, mas você não entendeu nada.

As publicações especializadas sempre elegem Jeri como uma das praias mais lindas e um dos melhores destinos do mundo para viajar. Não é nenhum exagero. Dotada de uma beleza semisselvagem, Jeri encanta por sua natureza preservada, dunas, mangues, rios e lagoas, e o mar, aquele marão imenso e azul, onde pode-se ver o sol e a lua nascerem e se porem, num poético espetáculo que é literalmente aplaudido pelas gentes abobalhadas no alto da duna, seus olhos brilhando de reverência e êxtase. Sim, um baseadinho nessas horas cai bem, mas Jeri já dá barato por si só, acredite.

Vou confessar uma falha de caráter: morro de ciúmes de Jeri. Quando vejo lá aqueles turistas tão caretas e convencionais, tenho saudade de quando apenas os malucos sabiam de Jeri. Saudade de quando não havia energia elétrica e nos hospedávamos nas próprias casinhas dos pescadores, compartilhando de sua comida e de suas histórias. Mas reconheço que é puro egoísmo essa minha nostalgia do que não tem como voltar. Hoje, Jeri vive do turismo, e, tirando certos poréns inerentes ao processo, felizmente os cuidados tomados ainda a mantêm bela e especial, harmonizada entre o simples e o moderno. Ainda.

Muitas línguas e sotaques se falam em Jeri, de tão cosmopolita que ela é, tantos os que lá aportam e não querem mais sair. Muitas línguas também se enroscam nas bocas, eheheh, tantos os convites que a brisa da noite sussurra no ouvido da gente, é um perigo. Jeri é assim, de repente um blues distante que o vento traz, uma fogueirinha que brilha na beira da praia, a noite que se insinua na poesia do luar.

O charme das pousadas, o aconchego dos cafés, os barzinhos tão graciosos… E os passeios além da vila? E aquela culinária saborosa? E os automóveis e as agências bancárias que não há? Impossível eleger o que é mais gostoso. Sem falar no clima, tanto o da Natureza como o de celebração da vida, sempre presente nos risos, brindes e olhares. Até mesmo se perder no labirinto daquelas ruazinhas de areia é bom.

Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar… Perca-se como eu me perdi. Porque um dia, como acontece com tudo na vida, Jeri nunca mais será o que é. E então ela virará um reino encantado dentro de você, sempre lhe chamando para voltar.

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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MAIS SOBRE JERI

O NOME – “Jericoacoara” é um termo da língua tupi e significa “toca das tartarugas-marinhas”, por meio da junção dos termos “îurukûá” (tartaruga-marinha) e “kûara” (toca).

Parque Nacional de Jericoacoara – Com uma área de 8.850 hectares, o Parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Impressões de viagem – Especial sobre Jeri no site do fotógrafo Fábio Arruda

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PERCA-SE EM JERI

PARCPousadaCasaDoAngeloMapa-01

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PousadaCasaDoAngelo-06aHOSPEDAGEM EM JERI

Pousada Casa do Ângelo – Charme rústico, aconchego, ótima localização, preço bom… Por essas e outras é que sempre me hospedo na pousada do meu amigo Ângelo Jorge, também conhecido no labirinto dos becos de Jeri por Baiano. Recomeeeendo.

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LEIA NESTE BLOG

IncultaEBelaDengosaECruel-8aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

O desejo da Deusa – Um encontro na praia, as forças da Natureza e um deus repressor

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Jeri e seus mistérios… aquelas ruas de areia sempre me levam de volta ao meu coração! Se eu voltar, eu fico… Susana Mota, Leiria-Portugal – abr2015

02- Parabéns pelo texto. Eu sou apaixonada por Jericoacoara. Erondina Lopes, Itapipoca-CE – mar2016

03- Nossa muito mais muito obrigada pelas suas palavras sobre esse lugar que eu simplesmente amor só apaixonada jeri e sua magia ,como nativa agradeço. Juliana Martins, Jericoacoara-CE – jun2020

04- Texto aprovadíssimo, é um documentário. Você que chegou, reconhece o valor de um lugar tão mágico e convidativo que é. Imagine que o começo a 55 anos. Quantas mudanças! Mas continua lindo. Obrigada pelo registro, real e histórico. Valdenice Albuquerque, Jericoacoara-CE – jun2020

05- Obrigada pela linda homenagem a nossa Vila ao nosso parque nacional as nossas Lagoas… #vemprajeri ser feliz e ponto. Melhor terapia do planeta e sim é um encantamento. Lunna Dourado, São Paulo – jun2020

06- Aaaahhhhh Jeri… pra mim um refúgio, um refrigério da alma… e ainda hoje sinto o mesmo encantamento de qdo eu a conheci no réveillon de 1988 para 1989!!!! Isabella Cantal, Fortaleza-CE – jun2020

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OReinoEncantadoDeJericoacoara-01a


Por trás do sexo anal (3)

21/06/2014

21jun2014

Algumas mulheres relatam que no sexo anal são justamente os maiores paus que lhe dão a tal sensação arrebatadora de preenchimento absoluto, que o sexo vaginal não dá

PorTrasDoSexoAnal3-03

POR TRÁS DO SEXO ANAL (3)

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A convite da repórter Yannik D’Elboux, do UOL, respondi a algumas perguntas para uma matéria sobre sexo anal, que foi publicada na seção Mulher em 10.06.14. Leia a matéria aqui.

01- Por que você acha que os homens têm tanta fixação por sexo anal?
RK: Porque, de fato, é muito prazeroso.

02- O que existe de tão prazeroso para o homem no sexo anal com uma mulher?
RK: Um dos fatores é o prazer físico, causado pela pressão do cu em torno do pau. Os outros fatores são psicológicos, ligados a fantasias de dominação-submissão, e também aos tabus culturais, afinal o que é proibido é mais gostoso. Há um outro fator, este ligado ao próprio prazer feminino: existem mulheres que sentem um prazer mais intenso no sexo anal, mais selvagem, mais safado, e isso as transforma, o que também intensifica o prazer do homem.

03- O prazer é por causa da sensação física ou pela situação de submissão da mulher?
RK: Acho que respondi na pergunta anterior. Mas tem algo curioso sobre a questão da submissão. Há mulheres que relatam que no sexo anal elas se sentem mais poderosas. Sim, isso soa contraditório, mas talvez se sintam assim por ver o forte efeito desse tipo de sexo no homem, e por perceber que, de certa forma, no sexo anal são elas que estão no comando da situação, inclusive porque, se a iniciativa não costuma ser delas, a palavra final sempre é.

04- Suas parceiras geralmente topam fazer sexo anal facilmente?
RK: Sim. E nem sempre sou eu quem toma a iniciativa.

05- Será que a pornografia, em que o sexo anal é frequente, não é uma influência forte para os homens de hoje nesse desejo?
RK: Talvez seja uma influência atual, mas a prática do sexo anal é bem anterior à pornografia massificada que temos hoje.

06- Sexo anal é mais gostoso do que vaginal?
RK: Eu adoro sexo vaginal, mas acho sexo anal mais gostoso e excitante. E como, para mim, o prazer dela é fundamental para o meu próprio, é preciso que a mulher também goste.

07- As mulheres geralmente reclamam que sexo anal dói muito, por essa razão acabam não querendo satisfazer o desejo do homem. Causar dor e sofrimento a uma mulher não incomoda?
RK: A mim, não só incomoda como inviabiliza tudo. Mas sexo anal requer ainda mais cuidado e paciência, e é comum que as mulheres topem com homens indelicados ou inexperientes, e aí temos a figura clássica da mulher traumatizada com sexo anal, que abomina a prática e acha impossível que uma mulher possa verdadeiramente sentir prazer pelo cu.

08- Na sua experiência, existem mulheres que apreciam o sexo anal? O prazer depende da habilidade do homem?
RK: Claro que existem, mas como é um tabu, são pouquíssimas as mulheres que assumem que gostam. Um sexo anal prazeroso depende da habilidade do homem, claro, mas também da mulher, de seu desejo, capacidade de relaxar e conhecimento do próprio corpo. Para os casais iniciantes, é um aprendizado a dois, e isso requer tempo e intimidade. É comum a ideia de que homens bem dotados sempre machucam a mulher no sexo anal, mas isso não é necessariamente verdade. Algumas mulheres relatam que no sexo anal são justamente os maiores paus que lhe dão a tal sensação arrebatadora de preenchimento absoluto, de um modo que o sexo vaginal não dá.

09- Não acha que hoje em dia sexo anal virou muito obrigação, no sentido de que se não ceder fazer o homem irá procurar outra mulher que faça?
RK: Espero que não, sexo por obrigação não é muito agradável. Se o sexo anal é muito doloroso para uma mulher, acho difícil que ela consiga suportá-lo apenas por medo de perder o parceiro. E que homem é esse, que não percebe que está machucando sua parceira? Aliás, que relacionamento é esse?

10- A maioria dos homens quer fazer sexo anal, mas poucos aceitam também experimentar o prazer anal. Se é tão bom, por que os homens também não topam experimentar? Não acha isso incoerente e machista?
RK: Acho que a maioria dos homens heterossexuais teme a própria a sexualidade, com medo da possibilidade de ser ou de pensarem que ele é homossexual. Na cultura machista em que vivemos, é mesmo difícil para os homens entender que o corpo inteiro é uma fonte natural de prazer, e que homossexualidade significa sentir atração por homens, e nada tem a ver com o modo como se sente prazer com uma mulher.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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AsTarasDeLara-01As taras de Lara – Começando por trás – Lara tinha 13 anos quando o fogo avassalador dos desejos lançou suas primeiras labaredas sobre ela

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Por trás do sexo anal 2 – Muito homem faz sexo anal com outras mulheres mas não faz com sua própria mulher – ele simplesmente não consegue transcender, na imagem da mãe de seus filhos, os opostos arquetípicos da santa e da puta

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

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IndecenciasParaOFimDeTardeCAPA-01aIndecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer, contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-06O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou

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O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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DICA DE LIVROS E SITES

A entrega – memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação por meio da submissão no sexo anal

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbett, Editora Paulus, 1990) – Este livro mostra como nossa vitalidade e alegria de viver dependem de restaurarmos a alma da prostituta sagrada, a fim de nos proporcionar uma nova compreensão da vida

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A mística daquelas camisas

14/06/2014

14jun2014

Eu, ainda menino, sem entender bem o que acontecia, já estava preso, para a vida inteira, à tal mística daquelas camisas

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A MÍSTICA DAQUELAS CAMISAS

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Eu era um menino de nove anos quando a magia daquelas camisas invadiu minha vida. Os radialistas falavam sobre a tal mística das camisas do Fortaleza Esporte Clube, mas eu ainda não podia entender o que era. No entanto, o azul-vermelho-e-branco já seduzia meus olhos de criança, e me fascinavam as histórias sobre as vitórias impossíveis. Corria o campeonato de 1974 e o aguerrido Leão do Pici mais uma vez realizava o improvável: vencia três vezes seguidas seu grande rival local e conquistava o bicampeonato estadual.

Pronto, eu estava fisgado, já não havia como voltar. Quando eu via o time entrando em campo, meu coração de criança batia tão forte, minha alma era tomada por um frisson tão grande… Naqueles momentos eu pressentia que algo muito importante estava acontecendo em minha vida. Hoje eu sei: através do Tricolor de Aço, a maravilhosa paixão pelo futebol entrava definitivamente em minha vida e eu, ainda menino, sem entender bem o que acontecia, já estava preso, para a vida inteira, à tal mística daquelas camisas.

O romantismo charmoso do uniforme, a torcida reconhecidamente mais vibrante e criativa, a garra histórica do time… Tudo me fascinava e eu não disfarçava o imenso orgulho que sentia. Torcer por um clube de futebol é levar sempre na alma o frescor da esperança, e no coração a chama de uma paixão imortal. Nesses longos anos de futebol, vivi todos os clichês dessa paixão: pulei de alegria, vibrei com cada gol, engoli o grito na garganta, ergui a bandeira para que todo o estádio visse, fui a carreatas, xinguei o centroavante, quebrei o radinho, chorei de tristeza e de felicidade…

Hoje, após tantos anos e emoções tantas, meu coração ainda se aperta quando vejo aquelas camisas entrarem em campo. Eu cresci, conheci outros lugares, vivi muita coisa. Aprendi o jogo duro da vida, treinei meu coração para suportar emoções e até esconder sentimentos. E sei que os tempos são outros, o futebol mudou e parece não mais haver espaço para certos romantismos… Mas não tem jeito. Posso até ficar algum tempo afastado ‒ porém, quando os primeiros jogadores surgem na saída do túnel a velha magia retorna com toda a força, invade minha alma e é como se fosse a primeira vez: a pele se arrepia… os olhos marejam… e em meu peito volta a bater o coração daquele menino que olhava para tudo encantado. O mesmo coração tricolor que bate no peito de tantos meninos e meninas que hoje, encantados, são também seduzidos por ela, a mística daquelas camisas.
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Ricardo Kelmer 1999 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

> Aquelas camisas mp3 – Ouça e baixe a versão áudio da crônica, na interpretação do autor
> Site oficial do Fortaleza Esporte Clube
> Fortaleza Esporte Clube na Wikipedia

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FEC1974-02O time bicampeão de 1974, que me fez ser tricolor. O artilheiro do campeonato foi Beijoca, com 26 gols.

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O HINO O primeiro hino do Fortaleza foi composto em 1959, por José Jatahy. Em 1967 é composto o hino oficial pelo poeta Jackson de Carvalho, sendo sua gravação em outubro do mesmo ano, tendo como arranjador o maestro Manuel Ferreira e como intérprete o cantor Manoel Paiva. Em entrevista à revista Veja, o cantor e compositor Chico Buarque afirma que considera o hino do Fortaleza o segundo hino mais belo do futebol brasileiro, sendo o primeiro o do seu clube, o Fluminense.

Fortaleza, clube de glória e tradição
Fortaleza, quantas vezes campeão
Fortaleza, querido idolatrado
Estás sempre guardado
Dentro do meu coração

Altivo, tua vida sempre foi um marco
Tua glória é lutar e vencer também
Salve o Tricolor de Aço
No campo, provaste mesmo que não tens rival
Tua turma valente é sensacional
Salve o Tricolor de aço

Soberbo, tua fibra representa um norte
Combativo, aguerrido, vibrante e forte
Sem demonstrar cansaço
Receba um sincero abraço da torcida tão leal
Meu Tricolor de Aço

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> Hino oficial do Fortaleza Esporte Clube
> Hino oficial (Fagner)
> Hino oficial, versão lírica (Ayla Maria e Raimundo Arraes)
> Hino oficial, versão forró (Neo Pi Neo)
> Hino oficial, versão rock (Voz: Alexandre Carvalho. Instrumentos: André Carvalho)
> Hino oficial em francês (Voz: Giselle Café)

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OImprovavel,OImpossivelEOInacreditavel-01aO improvável, o impossível e o inacreditável
Numa hora dessa, como ainda ter forças pra superar um rival que virou o jogo no fim com um jogador a menos, que já conseguiu o impossível? (Leia a crônica e veja o vídeo)

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HINO DO FORTALEZA EM DEZ VERSÕES

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LOUCOS DE FUTEBOL
documentário de Halder Gomes

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HINO DO FORTALEZA, POR NONATO LUIZ
(no fim, a surpresa…)

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LEIA NESTE BLOG

FutebolArtigoFeminino-01Futebol artigo feminino – Cá pra nós, já reparou como brasileira fica ainda mais linda em dia de jogo da seleção?

O menino e o feminino misterioso – Esse instante numinoso em que o Feminino Sagrado mostrou-se pra mim, sob a meia-luz de seu imenso mistério

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

Discutindo a Copa e a relaçãoSe você deseja minimizar os efeitos sobre sua relação, é bom saber algumas coisas sobre essa rival invencível

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Futebol artigo feminino

27/04/2014

27abr2014

Cá pra nós, já reparou como brasileira fica ainda mais linda em dia de jogo da seleção?

FutebolArtigoFeminino-01.

FUTEBOL ARTIGO FEMININO

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Enquanto os fogos estouram pelas ruas do bairro e o gato vai se esconder embaixo da cama, visto minha camisa amarela feito um antigo guerreiro em seu solene ritual de preparação pra batalha. Boné da sorte, oquei. Cueca da sorte, oquei. É jogo de Copa do Mundo. Tô pronto.

Lotado, o bar que escolhi pra ver o jogo. Mas milagrosamente consigo uma cadeira pertinho do telão e bem ao lado de uma mesa com, não acredito, duas, quatro, seis, sete mulheres! Uau… O jogo promete.

Abrem-se as cortinas, começa o espetáculo, taí o que você queria, bola rolando. Ah, a emoção do futebol, a beleza plástica, a poesia… E a tática? É muito eficiente, já reparou? O jeans superjusto preenche com eficiência os espaços, reforça a retaguarda e aperta bem a marcação. A triangulação é perfeita e dá pra acompanhar bem a linha divisória da graminha… Ops. Mas esta crônica não é sobre futebol? Desculpe a falha, voltemos ao jogo.

Sai, goleiro, saaaaai!!! Ufa… Bolas aéreas são sempre um susto. Elas surgem de repente, insinuantes, e aí tem que pegar firme, com as duas mãos, segurar e não soltar mais, senão vão ficar cruzando sensualmente a área dos nossos olhos. Não pode dar decote, digo, rebote. Putz, tá difícil de prestar atenção no jogo, parece que todas as mulheres lindas decidiram ver o jogo aqui. Ver o jogo e não deixar a gente ver. Precisava desses decotes tão violentos? Isso é antijogo.

Nosso futebol-arte é reconhecido no mundo inteiro. O verde-amarelo brilha não apenas no uniforme, mas no brinco, na bandana, bracelete, sandalinha… Ops, cuidado, o short curtinho deixa o atacante enfiado atrás da zaga. E com a camiseta justinha na intermediária, o piercing, coitado, fica sozinho no ataque…

Ah, assim não dá! Impossível se concentrar no jogo. Quer saber de uma coisa? Vamos logo virar a câmera pra ela, pra torcedora brasileira, o produto mais belo e poético que o futebol gerou. Mais bonito até que aquele gol que Pelé não fez. Não fez porque uma brasileira gatíssima, não sei se você sabe, levantou-se na arquibancada e desconcentrou o Rei justamente quando ele ia tocar pro gol. Culpa dela.

Cá pra nós, já reparou como brasileira fica ainda mais linda em dia de jogo da seleção? O desenho tático fica evidente nos modelitos. Ela improvisa bem, mexe daqui, substitui dali e o conjunto não perde a harmonia. E quando avança toda jeitosa pra ir ao banheiro? Impedimento escandaloso! Mas ninguém marca e a jogada segue, ainda bem. E quando comete falta no entendimento futebolístico? Ninguém adverte. Pra quê? Importante é manter o rendimento. Brasileira só joga pra ganhar. E de goleada.

Outro dia, vi uma matéria mostrando que na Copa ela usa calcinha com motivos patrióticos. Aiai, ainda tem isso… São verdinhas, amarelinhas, e algumas têm uns avisos bem mimosos, já viu? Você toca daqui, recebe dali, vai avançando, invade a área e de repente tá lá escrito: Vai que é tua, gatão! Ou então: Pimba na gorduchinha! Com um incentivo desse, não é possível que você vá pipocar, né?

Pobre da unha dela, as bandeirinhas pintadas com tanto esmero já foram todas roídas. Ela fica nervosa, dá gritinho, se descabela com o gol perdido, pede mais garra, mais chute e mais chope. No meio da tensão geral, o adversário atacando, o maior perigo… ela tá lá tranquila retocando o batom, pra confundir o inimigo. E quando finalmente a rede adversária balança, uau, que delícia, ela grita, saltita, samba, abraça, fica ainda mais linda e cheia de graça, no doce balanço do gol.

A vida é mais gostosa com futebol. E futebol é ainda melhor com elas.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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01- Caríssimo Ricardo, Quem bate um bolão, no final das contas, é você. Parabéns mais uma vez. Um abraço. Marilia Boos Gomes, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

02- Rica, não tem nada mais adorável que homem que gosta de mulher assim, desse tantão … essa crônica está ótima!beijo. Beatriz Nogueira, Brasília-DF – jun2006

03- putz! o tesão – não o telão…- está a toda aí, hein, mermão? TE SEGURA, NÃO VÁ DAR UMA NA TRAVE, HEIN? Beijos. Clarice Mota, Aracaju-SE – jun2006

04- Esse tá bom demais!!!! bjs. Marcinha Sucupira, Fortaleza-CE- jun2006

05- Ricardo, Excelente sua crônica Futebol Artigo Feminino. Adorei. É leve, descontraída, cheia de bom humor e muito bem escrita. Márcia Milani, São Carlos-SP – jun2006

06- Como nao tenho tido muito tempo pra ler nenhum livro ou algo que ultrapasse 2 paginas, eh um prazer enorme ler suas cronicas. Mande sempre e obrigada! Boa Copa! * eh muito ruim ta longe do Brasil principalmente em epoca de copa, mas sabe de uma coisa, a gente acaba comemorando mais. Meu marido eh Equatoriano, se o Equador ganha eu comemoro. Moro perto de um bairro Portugues, se Portugal ganha eu comemoro. O marido da minha cunhada eh ingles, se Inglaterra ganha eu comemoro. E assim vai. Meus visinhos sao Italianos, todo jogo da Italia vamos pra la e vibramos juntos. Ate que esses times enfrentem o Brasil, vou seguir comemorando… … e nada como comemorar em verde e amarelo! Ana Lúcia Castelo, Nova York-EUA – jun2006

07- Aahuahauhuahuahuahuhauah muito bom!!! rs Beijos! Giovana Milozo, Jaú-SP – jun2006

08- Adorei “Futebol artigo feminino”, você é demais! Obrigado pelo envio, beijos. Majô Pasquinelli, São Paulo-SP – jun2006

09- oi ricardo, li tua cronica sobre a copa, coopere, hein? Não tem jeito,né??? já sei, esse negócio é totalmente autobiográfico e vc ja escreveu para tua namorada não ficar te pentelhando, ne??? Bom, quanto a mim, junto com o Ed Mota, detesto futebol, a fifa, campeonato brasileiro e tudo o mais. Mas, já descobri o lance..a íltima vez que eu torci pelo brasil foi na copa de 82, ele era o favorito, lembra???ahahahahhah, pois vou torcer de novo, já comprei até blusa amarela a tudo..Vai ser a minha vingança,ahahahahhah. Gabrielle Sales, Alemanha – jun2006

10- li tua cronica meu caro, e posso dizer que tudo é a mais pura verdade , mas so no resto do ano, pois copa é copa. eu vejo todo o campionato italiano pra vc ter ideia da minha abnegaçao. um bj baby. Michele Diamanti, Taranto-Itália – jun2006

11- Ricardo gosto muito do q/ escreve. Obrigada por sempre me enviar “novidades kelméricas”. Valeu as dicas da cronica sobre a copa, vou seguir a risca. Fico aquí torcendo pelo Brasil e p/ talentos como vc serem reconhecidos. Um abraço. Perpétua Marques, Governador Valadares-MG – jun2006

12- Eh Ricardinho,voltou mais “em forma”…melhoras e saudade,bjo californiano! Izabel Castro, São Paulo-SP – jun2014

13- Prefiro vôlei e tênis feminino; têm mais atrativos. Luc Lic, São Paulo-SP – jun2014

14- Gostei da praga que você rogou à fumante. kkkkkk! Maria Givanilde, Fortaleza-CE – jun2014

15- Esse Kelmer …. Figuraçaa! Jane Eyre Queiroz, Fortaleza – jun2014

16- Kelmer!!!!! Vindo de vc, um queridíssimo, é uma grande honra!!! hahaha Obrigada! Dri Flores, São Paulo-SP – jun2014

17- Grande RK, a crônica Futebol artigo feminino é eropoética e desportiva – um espetáculo! Agora temos muito mais motivos para torcer nas cores pátrias. Leite Jr., Fortaleza-CE – jul2014

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