As joias de Rossana

14/11/2008

14nov2008

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A temporada cearense de lançamento do livro Vocês Terráqueas, que já contava com o apoio da Kingston e de Luce Galvão de Sá Arquitetura, agora tem também o apoio de Rossana Romcy.

Rossana é um dos novos nomes no ramo de design de joias. A criatividade aliada ao bom gosto de suas peças, que unem sementes, metais e pedras preciosas e são feitas a mão, já chamam a atenção não somente do mercado nacional mas de países como Itália e Portugal, pólos da moda mundial.

Trabalhando junto com seu marido e ourives Alexandre Ortiz, Rossana dá asas à criatividade na criação de peças únicas e exclusivas. A designer também trabalha sob encomenda, criando de acordo com a necessidade e o desejo do cliente.

Site Rossana Romcy

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Ricardo Kelmer 2008  – blogdokelmer.com

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Essa loirinha desmiolada de sol

10/11/2008

10nov2008

Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

ESSA LOIRINHA DESMIOLADA DE SOL

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Os leitores que ultimamente receberam livros meus pelo correio certamente perceberam que o endereço do remetente não é de São Paulo, mas de Fortaleza. Explico: tô passando uma temporada no Ceará e desde setembro despacho daqui meus livros vendidos pela internet. Vim finalizar em Fortaleza o novo livro, Vocês Terráqueas, e a nova edição de bolso dos demais, aproveitando a parceria que tenho com a Expressão Gráfica e com a Garin, e vim também pra participar da Bienal Internacional do Livro (12 a 21nov) e fazer umas palestras.

A ideia era retornar pra São Paulo até dezembro, mas como tô precisando de uma graninha urgente pra pagar os custos do novo livro e também pra comprar um notebook, decidi voltar a produzir festas temáticas, algo com que trabalhei por vários anos. Então adiei o retorno, possivelmente pra depois do Carnaval. Produzir uma festa não me dá tanto prazer quanto publicar um livro, mas dá menos trabalho. E sempre dá um dinheirinho muito bem-vindo que ajuda a bancar o RK escritor.

Fortaleza é assim, pro RK escritor ela não tem amplos horizontes a oferecer, mas pro RK festeiro ela escancara as pernas. Essa loirinha desmiolada de sol… Fortaleza será sempre assim, inculta, dengosa e bela. Sempre que venho, ela me vem com agradinhos, diz que eu deveria ficar, que mereço vida melhor do que a que levo sozinho em São Paulo, alugando quartinhos minúsculos, sem os amigos que tenho aqui, os dengos e as facilidades…

Ela diz isso mas tá cansada de saber que nosso amor é um amor impossível. E sabe muito bem que agora sou um cara compromissado com São Paulo, a quem ela desdenhosamente chama de Paulete Periguete. Ciúmes, claro, tem cidade que é muito ciumenta. E Paulete não tem nada de oportunista, pelo contrário. Ela pode até não ser tão calorosa quanto Fortaleza, mas é bem curvilínea e, aiai, são as curvas de seus horizontes que mais seduzem o RK escritor.

– Mas duvido que ela seja mais ecônomica que eu – Fortaleza começa a ladainha, enquanto brinca de sereia na areia da praia pros meus olhos. Cidade adora se comparar com a outra, ô mania horrível. De fato, Fortaleza não é dispendiosa como São Paulo. Mas finjo que não escuto a provocação e continuo olhando o mar, gosto de ver as ondas indo e vindo, é um dos meus mantras visuais favoritos.

– Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar.

– Duvido que ela faça gostoso como eu faço, duvideodó… – ela sussurra, sua voz sapeca sibilando em meu ouvido junto com o vento de outubro. E dessa vez eu concordo, claro, imagina se vou discordar. Não, loirinha, ninguém faz o que você faz, principalmente depois da terceira vodca.

Fortaleza é assim, a derradeira brisa de verão, um gosto de beijo roubado na fila do embarque, a felicidade com visto vencido.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

IncultaEBelaDengosaECruel-8aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Maior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e bela, dengosa e cruel) – E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Confissões de uma leitorinha nua (por Leitorinha) – Fiquei tão à vontade pra ler a página dele na net que agora o fazia completamente nua

São Paulo, sua loca – Quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro

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Amor em liberdade

06/11/2008

06nov2008

Os modelos tradicionais de relacionamento associam o amor à posse do outro e, por isso, ser livre ou deixar o outro livre é algo que soa logo como brincadeira, descompromisso, desrespeito…

AMOR EM LIBERDADE

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Tânia tem 47 anos, é pedagoga e recentemente separou-se do marido, com quem teve um filho. É uma mulher ligada à espiritualidade, gosta de ler sobre filosofia e psicologia e desde a separação vem mudando sua compreensão das relações humanas. Tânia não mais crê no tradicional modelo de relacionamentos que a sociedade impõe a homens e mulheres e busca encontrar alguém que entenda algo que para ela é fundamental: amar não significa querer a posse do outro.

Raissa tem 22 anos, é estudante de publicidade. Solteira e bonita, ela adora sair à noite para beber, dançar e se divertir com os amigos. Gosta de homens e também de mulheres. Apesar de não faltar pretendente, Raissa atualmente está solteira. Para ela, namoro é bom, sim, mas só se a outra pessoa não quiser prendê-la com ideias limitadas sobre sexualidade e relacionamentos. Ela quer alguém que a aceite como ela é: livre para viver e amar, sem enquadramentos comportamentais e ciúmes doentios. Se não for assim, prefere seguir solteira.

Duas mulheres, duas gerações, experiências diferentes de vida. Ambas, porém, estão insatisfeitas com as opções que a sociedade lhes oferece quando o assunto é relacionamento. Ambas querem liberdade para serem o que são e viverem o amor como acham que devem vivê-lo. Mas não tem sido fácil encontrar outras pessoas como elas. Onde estarão?

Tânia, nossa pedagoga, rompeu com o velho modelão quando entendeu que exigir fidelidade do outro pode até ser prova de amor, mas de amor possessivo, que não ama o outro mas a sua posse e controle. Ela sabe que fidelidade é uma invenção cultural e como não quer mais alimentar hipocrisia em suas relações, não mais exigirá fidelidade sexual de seu homem – ela apenas não quer saber caso aconteça e que ele tenha cuidado com doenças. Ela deseja um homem que seja atraído pela liberdade que ela oferece à relação, no entanto os homens que encontra não conseguem lidar bem com a ideia de uma relação franca e honesta assim. Eles parecem preferir o velho modelo, em que um engana o outro e ambos fingem não perceber. Tânia quer compromisso, sim, mas sem mentiras veladas. O amor e a liberdade não são excludentes – ela diz, do alto da sabedoria de sua maturidade.

Nossa publicitária, apesar da pouca idade, parece também já ter intuído que o amor com liberdade deve ser o verdadeiro guia de seus relacionamentos. Mas Raissa sabe também que sua liberdade pessoal assusta muita gente. Ela não disfarça a irritação quando fala das pessoas “tão normais”, essa gente que aceita para si os moldes de relações impostos, sem sequer considerar que tais moldes podem jamais lhes servir. Raissa quer se doar ao amor mas não quer se dar a regras que não foram feitas para ela. Ela quer voar a dois pelos céus do amor e não dividir a dois a prisão do amor. Ela quer amar mas não quer aprisionar o amor por medo de perdê-lo. Para Raissa, entre amor que controla e amor que liberta, ela prefere o segundo, mesmo com seus riscos. Mas o primeiro tem os seus riscos também, porra! – ela exclama, do alto de seu jeito rebelde.

Tânia e Raissa não se conhecem mas fazem parte da mesma tribo, o das pessoas que não aceitam velhos modelos de relacionamento baseados na propriedade e procuram viver de acordo com seu próprio entendimento de amor. Elas estão fartas de preconceitos e hipocrisias que levam as pessoas a mentir para quem amam e para si mesmas, a viver relacionamentos falsos, a prender e se prender em regras estúpidas e a deixar de viver a vida verdadeira em troca de aprovação social. Pessoas como Tânia e Raissa também desejam compromisso – mas com o outro e não com a posse do outro. Não tem sido fácil para elas encontrar parceiros mas, aos poucos, como sempre ocorre, os revolucionários acabam se atraindo.

Não é fácil mudar velhos conceitos. Porque as pessoas sempre esquecem que a verdade em que creem não é necessariamente verdade para todos. Os modelos tradicionais de relacionamento associam o amor à posse do outro e, por isso, ser livre ou deixar o outro livre é algo que soa logo como brincadeira, descompromisso, desrespeito… Esse velho modelo não entende que um casal é feito de duas individualidades, que casais podem ser harmoniosos e felizes vivendo separados e que as pessoas podem ter outras relações e continuar se amando. Esse modelo só aceita o amor se no pacote vier junto posse e exclusividade. Até mesmo mulheres que desejam relacionamentos mais verdadeiros sentem dificuldade em considerar outros modelos de viver o amor. Elas deveriam parar um pouquinho e pensar: como podemos viver relações verdadeiras se queremos antes ser donos do outro?

É esse velho e intransigente modelo que não serve para pessoas como Tânia e Raissa, que querem amar e ser amadas, como qualquer um de nós, mas querem ser amadas por serem livres e querem amar pessoas livres. Os outros, que vivam eles o seu amor de posse, esse que exige antes de tudo possuir o outro. O que elas querem é outro amor, aquele que exige antes de tudo… amar.
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Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – É esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam mas não se anulam em estúpidas noções de controle: amamos o outro e não a posse do outro

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido

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LIVROS

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

Mulheres que Correm com os Lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A Prostituta Sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As Brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

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ENTREVISTA

Regina Navarro Lins (revista TPM, set2012) – A psicanalista e sexóloga fala sobre relacionamentos, sexo e liberdade

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01 – Queridíssimo Ricardo, você parece que lê a alma das pessoas! Obrigada, muito obrigada pelo trecho do seu texto sobre Raísa (“AMOR EM LIBERDADE”), que você postou em meu scrapbook. Falou direto ao meu coração. Obrigada mesmo, foi um presentão de aniversário! Beijos, que você continue sempre tão abençoado. Branduir, Rio de Janeiro-RJ – dez2008

Os modelos tradicionais de relacionamento associam o amor à posse do outro e, por isso, ser livre ou deixar o outro livre é algo que soa logo como brincadeira, descompromisso, promiscuidade…


Farra no Cabaré Alheio 2008nov

31/10/2008

31out2008

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Farra no Cabaré Alheio (2)

21nov2008
Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Marquinhos, Guga de Castro e RKBaré

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SORTEIO DE INGRESSOS
Orkut – Comunidade Amicis
Clique aqui pra participar

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Esta festa é a união de duas festas de sucesso em Fortaleza: O Cabaré Soçaite e a Farra na Casa Alheia.

O Cabaré Soçaite foi criado por mim em 2003, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. A idéia é brincar com o tema da sensualidade e do erotismo de uma forma divertida, homenageando os antigos cabarés através das músicas, das imagens no telão, da decoração e da participação das pessoas com suas performances e suas vestimentas. A primeira edição da festa foi na boate do hotel Vila Galé (Praia do Futuro), em nov2003, com show do cantor Rossé Sabadia. Cristina Cabral fez a produção junto comigo. A segunda edição aconteceu em mar2008, no Buoni Amici´s, com a co-produção de Franciscus Galba.

>> Quer levar o Cabaré Soçaite pra sua cidade? Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com

A Farra na Casa Alheia integra a programação fixa do Amici´s desde 2003, sempre às sextas-feiras. Os DJs Marquinhos e Guga de Castro comandam o som e a produção é de Franciscus Galba. A música brasileira, em toda sua diversidade, é o mote da festa: samba, samba-rock, funk, soul e black-music compõem o cardápio musical. A própria longevidade da Farra (5 anos) por si só é um atestado da qualidade e do sucesso do evento.

Farra no Cabaré Alheio é a mistura das duas festas, mantendo os DJs da Farra e acrescentando o DJ RKBaré. A proposta é unir o melhor das duas propostas, alegria com sensualidade, música brasileira e internacional, música pra dançar e sofazinho pra namorar, oferecendo assim um supra-sumo de dois grandes sucessos da noite da cidade.

>> Veja fotos da Farra no Cabaré Alheio 1 (set2008)

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E em dezembro tem mais uma edição do Cabaré Soçaite (Amici´s, 18dez), com show da Baby Dolls e um instigante concurso masculino e feminino. Aguarde…

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IMAGENS DA FESTA

clique para ampliar a foto

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PRÓXIMA FESTA

CABARÉ SOÇAITE (Amici´s, 18dez), com show da banda Baby Dolls e um instigante concurso masculino e feminino.

>> Concorra a ingressos no Orkut (comunidade Amicis). Link em breve.

>> Indique a festa a algum possível patrocinador. Se o patrocínio for fechado, você ganha 20% de comissão. Entre em contato: rkelmer@gmail.com

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Farra no Cabaré Alheio 2008set

31/10/2008

31out2008

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Farra no Cabaré Alheio

19set2008
Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Marquinhos, Guga de Castro e RKBaré

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Esta festa é a união de duas festas de sucesso em Fortaleza: O Cabaré Soçaite e a Farra na Casa Alheia.

O Cabaré Soçaite (veja fotos e vídeos das edições) foi criado por mim em 2003, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. É uma festa temática cabaret com elementos de programa de auditório, que celebra a sensualidade e o erotismo num delicioso clima Moulin Rouge, sempre de maneira artística e divertida. A primeira edição da festa foi na boate do hotel Vila Galé (Praia do Futuro), em nov2003, com show do cantor Rossé Sabadia e coprodução de Cristina Cabral. A segunda edição aconteceu em mar2008, no Buoni Amici´s, com coprodução de Franciscus Galba.

A Farra na Casa Alheia integra a programação fixa do Amici´s desde 2003, sempre às sextas-feiras. Os DJs Marquinhos e Guga de Castro comandam o som e a produção é de Franciscus Galba. A música brasileira, em toda sua diversidade, é o mote da festa: samba, samba-rock, funk, soul e black-music compõem o cardápio musical. A própria longevidade da Farra (5 anos) por si só é um atestado da qualidade e do sucesso do evento.

Farra no Cabaré Alheio é a mistura das duas festas, mantendo os DJs da Farra e acrescentando o DJ RKBaré. A proposta é unir o melhor das duas propostas, alegria com sensualidade, música brasileira e internacional, música pra dançar e sofazinho pra namorar, oferecendo assim um suprassumo de dois grandes sucessos da noite da cidade.

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clique nas fotos para ampliar

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Vocês Terráqueas – Lançam. Fortaleza 2

28/10/2008

28out2008

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No dia 21out, no Buoni Amici´s (Centro Cultural Dragão do Mar – Fortaleza), aconteceu o lançamento do meu novo livro, Vocês Terráqueas. Obrigado a todos que compareceram e me proporcionaram uma noite memorável. Espero que gostem da obra. Obrigado também aos apoiadores: Célio do Amici´s, Cristina Cabral, Luce Galvão de Sá Arquitetura e Kingston.

O próximo lançamento em Fortaleza será durante a Bienal Internacional do Livro (Centro de Convenções), no dia 19nov, às 20h, no estande da Secult. Mas antes levarei o livro a bares, faculdades e espaços culturais, fazendo sessões de autógrafos itinerantes.

Como parte da estratégia de divulgação, criei clips musicais com trechos do livro e imagens de arquétipos femininos. O dvd com os clips será exibido em alguns bares e casas noturnas da cidade. Utilizei músicas famosas que falam da mulher e também músicas minhas. Caso deseje adquirir, é só entrar em contato: rkelmer@gmail.com

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Eles estão na fronteira

25/10/2008

25out2008

Milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

ElesEstaoNaFronteira-02

ELES ESTÃO NA FRONTEIRA

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A família muda-se para uma ilha e lá passa a viver. Constrói casas, cria bichos, tem filhos, netos e bisnetos. Um ramo da família acumula riquezas e passa a ter mais poder, impondo suas regras. Cada vez mais poderoso, causa admiração, mas atrai antipatia e cobiça. Então, cerca-se num canto da ilha para se proteger dos que desejam participar de suas riquezas e facilidades. Quanto mais enriquece, mais atua na ilha inteira e mais gera conflitos. Finalmente, para evitar ameaças a seu patrimônio, passa a atacar antes que possa ser atacado. E, para evitar represálias, fortifica ainda mais suas fronteiras…

A Terra é bem maior que uma ilha, sim, mas é um único planeta, e a cada dia está menor, suas distâncias mais curtas, tudo mais rápido. O que acontece num lugar provoca automaticamente uma onda que logo atinge os locais mais distantes. Nosso mundo atual é uma interconexão dinâmica de culturas, cada vez mais em contato entre si pelo comércio, transporte, arte, comunicação, religião… Quanto mais nos desenvolvemos, mais a Terra se parece com uma ilha. Num mundo assim ninguém consegue se isolar totalmente. E mesmo com muito dinheiro, é impossível erguer um muro para viver lá dentro, seguro e separado dos demais, usufruindo de sua riqueza acumulada.

Faz anos que queimo meus neurônios, que já não são muitos, pensando nisso. E ultimamente o tema dos imigrantes clandestinos tem provocado manchetes diárias no mundo todo, gerado livros e filmes e até uma novela televisiva no Brasil. Recentemente li a aventura de Pedro, que se torna um atravessador de brasileiros que tentam cruzar a fronteira dos Estados Unidos (Clandestinos na América, de Dau Bastos, editora Relume Dumará, 2005). Foi a gota dágua, decidi me meter na discussão. Trago uma ideia polêmica, como é tudo que nasce contra a correnteza. Mas estou cada vez mais convencido de sua coerência. A ideia é esta: assim como não existe raça, coisa que os cientistas já provaram, também não existe país. País é uma convenção caduca. Devemos acabar com todos os países. Jogando uma bomba? Não, abolindo as fronteiras. Se não há país, não pode haver fronteira.

Sem fronteiras? Você está louco?! Hummm, já estou vendo a cara de alguns leitores, alarmados com a imagem de milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto. Os mais apavorados devem estar vendo descamisados bolivianos se esbaldando na Daslu. Esfomeados etíopes devorando os macdônaldis. Torcedores argentinos lotando o Maracanã. Calma, gente, eles ainda estão na fronteira, calma…

O que provoca esse medo todo vem de muito tempo atrás: a concentração das riquezas do mundo. Se houvesse mais equilíbrio de riqueza entre os países, haveria menos problemas sociais e econômicos e, assim, menos necessidade de emigrar. Aí você pensa: que culpa tem meu povo se o povo vizinho não tem recursos naturais nem indústrias nem nada? Em princípio, não tem culpa, é verdade, mas quem tem muito deve dividir com quem tem pouco, ou então pagar o preço. Que preço? Esse que pagamos atualmente, a cada minuto: medo, preconceito, insegurança, violência, terrorismo, guerras preventivas…

É um terrível ciclo vicioso. Para se prevenir de imigrantes, os povos ricos gastam fortunas com suas fronteiras militarizadas. Se investissem uma pequena parte nos países desafortunados, até mesmo a vida dos povos ricos seria mais tranquila. E a ilha inteira lucraria.

Utopia, eu sei. É, sempre fui um cara sonhador. Mas talvez em breve essa tal utopia se revele uma necessidade urgente. Então, nesse dia, lembraremos finalmente que, assim como na historinha da ilha, nós também viemos da mesma família, que se ramificou bastante, sim, mas que ainda é a mesma família. Nesse dia, veremos os outros povos como aqueles parentes que há tempos não vemos, gente meio esquisita, sim, mas com tanta coisa em comum com a gente que todo o tempo será pouco para botar o papo em dia.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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LEIA NESTE BLOG

AHumanidadeOPsicologoEAEsperanca-02O psicólogo, a humanidade e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

A ilha – Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua

A mensagem de Avatar ao Povo da Terra – Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele

A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

Pátria amada Terra – É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

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Obrigado do tio

22/10/2008

22out2008

Este espaço é pequeno, mas ele representa minha gratidão a todos que lembraram de meu aniversário (21out), me ligaram, imeiaram, postaram recadinhos, me enviaram pela estrada da distância sua amizade, seu amor e seu carinho. Como não posso responder a cada um individualmente, faço dos meus braços um imenso laço e assim envolvo a todos num amasso bem gostoooooso.

Adentrei o 45o. ano de minha vida. De tio eu sou chamado faz muito tempo, já me acostumei. Até de Tio Sukita já me chamaram, é mole? Tio Sukita é foda. Eu preferiria Tio Jack Daniel´s.

Barzinho lotado, banda de blues tocando. Ninfa Jessi foi ao banheiro, mas volta já, ela gosta de me deixar sozinho só pra ver o que acontece. Ninfa Jessi não presta. E eu amo essa liberdade que reluz em seu amor por mim. Então me encosto no balcão e peço uma cerveja. Uma ninfeta simpática e jeitosinha se aproxima.

 Iaí, Tio Sukita… Me paga uma cerveja?

Não me chame de Tio Sukita e eu prometo que penso no assunto.

Eheheh. Me paga uma cerveja, tio?

Vem cá, precisa mesmo me chamar de tio?

Claro, você deve ter o dobro da minha idade. E mais uns quebrados.

E nem por isso eu te chamo de sobrinha.

Vai pagar ou não vai?

E ainda é abusada.

Difícil o tio, heim! Acho que tu não tem mais idade de ficar botando banca não…

E eu acho que você devia pegar o beco. Minha namorada tá chegando.

Por quê? Ela é ciumenta?

Não. É ninfomaníaca. E vai te chamar pra gente ir prum motel. Ela adora sexo a três com ninfetinhas desconhecidas no meio da noite.

Caraca! Tchau.

Quem era aquela, gatão?

Outra ninfeta interesseira que adora beber às custas dos tios nas festas.

O que você disse pra ela?

Mandei a tática 2. Ela se assustou e caiu fora.

Que pena…

Ninfa Jessi não presta.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada.

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz.

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundoO sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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LEIA NESTE BLOG

Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres

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DICA DE LIVRO

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor, submissão e salvação pelo sexo anal

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CABARÉ SOÇAITE

Cabaré Soçaite – Uma festa de sensualidade – Se você tem medo do desejo feminino, é melhor não ir…

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O menino e o feminino misterioso

20/10/2008

20out2008

Esse instante numinoso em que o feminino sagrado mostrou-se para mim, sob a meia-luz de seu imenso mistério

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O MENINO E O FEMININO MISTERIOSO

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Não sei dizer quando o mistério do Feminino me atingiu pela primeira vez na vida. Talvez na adolescência, quando vi, pela janelinha do banheiro, num misto de fascínio e assombro, as amigas de minha irmã trocando de roupa, e seus movimentos de se olhar no espelho, virando de um lado e virando do outro, me deixaram a certeza que, sim, as mulheres estão sempre a dançar naturalmente uma linda música que não se ouve, é um mistério.

Não, não. Certamente foi bem antes. Talvez quando me apaixonei por minha professora da alfabetização, que saudade da professoriiiinhaaaaa, eu menino véi amarelo do buchão, ficava olhando para ela e me esquecia da aula, admirando seu jeitinho de ajeitar o cabelo enquanto nos ensinava o beabá. Quase reprovado na alfabetização, que belo início para um escritor. Depois, vieram outras professoras apaixonantes e eu demoraria muito até entender que as mulheres estão sempre a me ensinar, mas eu só aprendo mesmo se elas na hora não ajeitam o cabelo, senão eu confundo tudo. É um mistério.

Não, não, já sei. Foi bem mais cedo. Na verdade, o feminino misterioso me foi revelado ainda no útero de minha mãe. Foi naquele momento mágico em que o óvulo materno recebeu o zoide paterno e então, pufff, nesse exatíssimo instante, o que a partir de então seria eu passou de repente a existir, uma infinitesimal fagulha zigótica de autoconsciência que, uma vez existindo, automaticamente percebeu-se imerso num organismo vivo e foi logo se animando: “Hummm, será que a dona desse organismo não tem umas amigas…?”

A suposição é absurda, claro, um zigoto taradão querendo conhecer as amigas da mãe. Vai ser precoce assim lá no líquido amniótico! Mas consideremos que haja, sim, algum momento na vida em que sejamos tocados pela primeira vez pela noção do feminino misterioso. E que pudéssemos lembrar desse instante, o que sentimos, pensamos, intuímos…

Eu adoraria localizar esse momento de alumbramento em minha vida, feito um arqueólogo da própria psique, e fazer dele a capa de meu livro Vocês Terráqueas. Meus leitores olhariam a capa e veriam a fotografia psíquica desse instante numinoso em que o feminino sagrado mostrou-se para mim, sob a meia-luz de seu imenso mistério. Mas não sei onde ele está, em que ponto exato se deu. Assim sendo, na falta da imagem primeva, a capa de meu livro exibe a imagem de uma mulher, seu rosto banhado pela luz suave da Lua crescente, o beijo lunar acariciando sua pele. Ela e a Lua, o eterno feminino que se revela e se esconde, e reaparece e resplandece, e obscurece novamente, a Sofia que brinca de ensinar a se perder, a Prostituta Sagrada que abençoa, a Santa que faz amor com tudo que há.

As histórias desse livro, no fundo elas não passam disso: tentativas de resgatar a magia desse momento irresgatável. São isso, meros fragmentos desajeitadamente recompostos do instante essencial. Ecos de um encontro sublime que se renova a cada dia, quando a plenitude do feminino misterioso ressurge em minha janela e me deixa assim, sem entender nada da Lua – mas sempre uivando para ela.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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> Mais textos sobre o Feminino Sagrado

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vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino

Com que propriedade um homem pode falar sobre o universo feminino? Neste livro RK ousou fazer isso, reunindo 36 contos e crônicas escritos entre 1989 e 2007, selecionados em suas colunas de sites e jornais, além dos textos inéditos. Com humor e erotismo, eles celebram a Mulher em suas diversas e irresistíveis encarnações. Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido. Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

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LIVROS SOBRE O FEMININO SAGRADO

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

O Feminino e o Sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres, pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Ah! Kelmer!! Vocês terráqueas foi nosso primeiro flerte! Eu eu nem te conhecia obrigada por trazer um texto de lá!! Beijos saudosos. Sandra Regina, São Paulo-SP – mar2016

02- Amei texto Ricardo Kelmer! Oseneide Alves, Fortaleza-CE – mar2016

03- É sempre bom reler. Grande Ricardo!!! Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – mar2016

04- ♥ Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – mar2016

05- Beleza Kelmer. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – mar2016

06- ♥ Erika Menezes, Fortaleza-CE – mar2016

07- obrigada! Renata Regina, São Paulo-SP – mar2016

08- Obrigado meu querido!!! Thaís Guida, Rio das Ostras-RJ – mar2016

09- Kelmer você é um lindo! Muito obrigada! Ana Lucia Castelo, Newark-EUA – mar2016

10- “A plenitude do feminino”. Saudades de ti,amigo Ricardo Kelmer!!! Muito obrigada!!! Beijos meus!!! Rochelle Melo, Campina Grande-PB – mar2016

11- Beeeijos “Mizi” RK. Tu é um bicho lindo amado e querido. Tu sabe que eu rio igual mesmo relendo essas histórias. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – mar2016

12- O amigo e escritor que sempre admirei, desde uns anos atrás em um tempo que, juntos, lutávamos para fazer ” as coisas acontecerem”… Minha eterna admiração por você, meu amigo! Vânia Vieira, Fortaleza-CE – mar2016

13- Pra quem quer ler sobre a alma feminina, escrito por uma alma masculina, recomendo qualquer coisa escrita por Ricardo Kelmer. E em particular a crônica abaixo. Jayme Akstein, Sidney-Austrália – mar2016

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Lançamento em Fortaleza 21out

14/10/2008

Ricardo Kelmer 2008

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Desde o final de agosto que me encontro em Fortaleza, a loirinha desmiolada de sol. Vim pra cuidar do lançamento de meu livro Vocês Terráqueas, participar da Bienal Internacional do Livro (nov2008) e fazer umas palestras. Sempre delicioso voltar à terrinha.

O evento oficial de lançamento do livro será em 21out, no Buoni Amici´s (Centro Cultural Dragão do Mar). Coincidentemente, será no dia de meu aniversário, quando iniciarei meu glorioso e inesquecível 45o. ano de vida. Haverá um telão onde serão exibidos clips com trechos e imagens da obra e a apresentação será feita pela artista visual e curadora Ana Valeska Maia. O evento conta com o apoio cultural da Kingston, da produtora Cristina Cabral e do escritório de arquitetura Luce Galvão de Sá.

Ainda não acertei outros eventos de lançamento mas logo que acertar, divulgarei aqui. Adoraria lançar este livro em muitas outras cidades mas eventos desse tipo requerem apoio financeiro e logístico (divulgação, passagens, hospedagem etc.) e isso tem que ser feito com cuidado. Posso, por exemplo, incluir na negociação uma palestra. Você ou sua empresa tem interesse? Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com

LANÇAMENTO VOCÊS TERRÁQUEAS – Fortaleza

DIA: 21out (terça-feira), 19 a 23h
LOCAL: Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar)
INF: 85-3219.5454
Preço do livro: R$ 20. Os outros livros do autor também estarão à venda (R$ 10)

> Mais sobre o livro

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O segredo dos predestinados

13/10/2008

13out2008

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O SEGREDO DOS PREDESTINADOS

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No futuro, a humanidade é prisioneira de sua própria criação, a Inteligência Artificial, que criou a Matrix, uma realidade virtual onde foram inseridos todos os seres humanos para que eles não oponham resistência ao poder das máquinas. Todos não, pois um grupo de rebeldes mantém-se fora dessa realidade e luta para libertar o restante da humanidade. Eles creem na profecia do Oráculo que diz que um Predestinado um dia virá para vencer as poderosas máquinas e salvar a todos. Para eles, Neo, um jovem que vive na Matrix, é o Predestinado. Neo de fato desconfia que há algo errado com a realidade, mas não pode aceitar que ele seja o tão aguardado salvador.

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Depois de ver o filme Matrix e ler certas críticas (o filme não tem história, ela é confusa demais, vale apenas pelos efeitos especiais, é só uma colagem de citações…) decidi meter o nariz onde não fui chamado. E contar do segredo. Matrix é grandioso. Sua história é densa e intrincada, sim, mas para quem anda familiarizado com certas questões atuais, Matrix é claro. É uma ótima história em ritmo de cinemão e expõe ao grande público uma nova e intrigante fronteira que de agora em diante não mais poderemos evitar: a questão do que é de fato a realidade. Com o advento da realidade virtual, ultrapassamos o ponto de retorno e teremos agora que encarar mais esse desafio sobre as possibilidades da psique. Matrix tem um conteúdo tão rico que pode-se abordá-lo sob diversos ângulos. Escolhi o ângulo da mitologia.

Mitos são como esqueletos da psique, imprescindíveis a quem busca entendê-la. Matrix reedita um velho tema mitológico que se repete desde nossos peludos antepassados: a jornada do herói. Trata-se de uma metáfora do processo de crescimento psicológico, autoconhecimento e verdadeira realização do ser humano. O herói, nos mitos, somos cada um de nós, representados no personagem que abandona sua terra (a segurança de velhas certezas) e parte em busca de algo precioso (verdades mais úteis e abrangentes) e enfrenta inimigos terríveis (encarar os próprios medos e o desconhecido de si mesmo). Jornada difícil e perigosa, que requer coragem, obstinação e honestidade. Mas o herói vence o desafio e volta à sua terra, levando benfeitorias a seu povo e às vezes substituindo um velho rei doente ou injusto (renovação).

Neo, o herói de Matrix, aventura-se entre sonho e realidade, em mistérios que podem enlouquecê-lo e até matá-lo. Ele recusa-se a crer que possa ser o Predestinado de que fala a profecia e que salvará as pessoas, e essa dúvida faz com que o Oráculo consultado não o esclareça. Oráculos são meros instrumentos de autoinvestigação psicológica com os quais podemos obter respostas sobre nós mesmos pela concentração e meditação. Até que nem tanto esotérico assim. A rigor, ninguém precisa de um oráculo para saber sobre si, porém o ritmo de vida atual nos afastou de nosso mundo interior e são exatamente o simbolismo e a ritualística dos oráculos que propiciam essa interiorização. Na verdade, quem responde à questão lançada somos nós mesmos, ou melhor, uma parte de nós que é mais sábia e mais antiga, e que não costumamos ouvir no dia a dia.

Neo consulta o Oráculo. Mas a ideia de ser o Predestinado o incomoda e ele obtém a resposta que deseja ouvir. Porém, atente: o Oráculo não diz em momento algum que ele não é o Predestinado. Diz apenas que ele tem o dom, mas parece esperar algo. E quanto a isso ninguém pode fazer nada, nem oráculos, nem deuses, nem ninguém. Somente o próprio herói pode trilhar seu caminho. Somente ele pode encontrar sua própria verdade, aquela que concretizará todos os seus dons e finalmente o libertará.

A jornada pessoal de autorrealização nos põe em situações onde não confiamos em nosso potencial. Somos capazes de grandes proezas quando temos plena consciência de quem somos, porém chegar a essa autoconscientização é difícil. Conhecer verdadeiramente quem somos é luta travada no campos da consciência e do inconsciente, guerra de toda uma vida onde cada autorrevelação é uma importante batalha vencida. O verdadeiro autoconhecer-se dói muito porque implica necessariamente enfrentar o que se teme, tornar-se o que se evita ser, entrar no fogo dos piores medos. A recompensa é o mundo novo que só a realização mais íntima nos traz.

No mundo de Matrix as pessoas estão adormecidas, sem senso crítico, e creem no que lhes é dado a crer. Nada muito diferente de nosso mundo atual, onde a massificação das ideias faz as pessoas perderem a noção de si mesmas, onde querem nos convencer que numa sociedade desonesta e violenta temos de ser mais violentos e desonestos que os outros. Difícil fugir desse círculo vicioso. Em Matrix, Neo sofre para aprender que tudo que precisa é… mudar a visão que tem de si próprio, só isso. Não pense que é, saiba que é. A profecia diz que o Predestinado mudará o mundo e salvará a humanidade. Neo não pode crer-se capaz disso tudo. Mas o segredo da vitória do herói esconde uma simples e irônica verdade: para mudar o mundo, basta mudar a si mesmo. Transforme-se e tudo em volta se transformará – eis o segredo! Porque a aparente separação das coisas esconde a unicidade de tudo que existe. Talvez seja impossível dobrar uma colher com o pensamento. Mas se você sabe que a colher e você são a mesma coisa, então basta dobrar a si mesmo.

O mito da jornada do herói ensina que o destino de cada um de nós é realizar o que verdadeiramente somos mas ainda não aceitamos. A aventura de Neo é a de nós todos em busca de nossa essência mais legítima, aquela que enfim nos libertará. Até alcançá-la a vida nos provará de muitos modos e teremos de conviver com dolorosas incertezas e autoenganações. Porém, indo do micro para o macro, a aventura de Neo é a aventura da humanidade inteira, em busca de sua sobrevivência como espécie. Num tempo de tecnologia idolatrada e valores essenciais esquecidos, corremos o risco de ver nossa própria criação voltar-se contra nós. Diante disso a única saída parece ser, ainda, seguir o que dizia, logo em sua entrada, o Oráculo de Delphos na Grécia antiga: Conhece-te a ti mesmo. A tecnologia não tem sentimento. Nós temos. Uma máquina não é capaz de amar. Nós somos. Essa diferença óbvia pode pesar bastante no roteiro do nosso filme.

Um certo nazareno, dois mil anos atrás, ensinava que somos todos deuses. Sigamos pelo mesmo caminho: igual a Neo, somos todos heróis. Heróis de nossas próprias vidas. Como Neo, nascemos predestinados a realizarmos a nós mesmos. Feito um Salvador, cada um de nós tem o poder de mudar o mundo. Mas é preciso antes mudar a forma como entendemos a nós próprios. Eis o segredo que se esconde por trás do filme Matrix e também de toda a vida. O segredo que de tão óbvio não se vê, mas que aguarda pacientemente por todos os predestinados.


Ricardo Kelmer 1999 – blogdokelmer.com

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Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

Este texto no site Adoro Cinema

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FILMEMatrix-012Matrix (The Matrix, EUA, 1999)

ARGUMENTO, ROTEIRO E DIREÇÃO: Lilly e Lana Wachowski
ELENCO: Keanu Reaves, Lawrence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving

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Matrix2012Capa14x21aMatrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, RK compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

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en español

EL SECRETO DE LOS PREDESTINADOS

Ricardo Kelmer

Después de ver la película Matrix entusiasmadas veces y de leer ciertas críticas (que el filme no tiene historia o que ella es confusa en exceso, que vale apenas por los efectos especiales, que es sólo un collage de citas…) decidí meter la nariz donde no fui llamado. Y contar el secreto.

Matrix es grandiosa. Su historia es densa e intrincada, sí, pero para quien anda familiarizado con ciertas cuestiones actuales, Matrix es claro. Se trata de una óptima historia en ritmo de gran cine y expone una nueva e intrigante frontera que ya no podremos evitar más: la cuestión de qué es de hecho la realidad. Con el advenimiento de la realidad virtual, sobrepasamos el punto de retorno y ahora tendremos que encarar más ese desafío sobre las posibilidades de la Psique. Matrix es tan fuerte en su contenido tan rico que se puede abordar bajo diversos ángulos. Elegí el ángulo de la mitología

Los mitos son como esqueletos de la psique, imprescindibles para su comprensión. En Matrix, se reedita un viejo tema que se repite desde nuestros más remotos y peludos antepasados: la travesía del héroe. Se trata de una metáfora del proceso del crecimiento psicológico y la auto-realización del ser humano. El héroe, en los mitos, somos cada uno de nosotros, representados en un personaje que generalmente precisa abandonar su tierra (la seguridad de viejas certezas) y partir en busca de algo precioso (verdades más útiles y abarcadoras) o enfrentar enemigos terribles (encarar los propios miedos y bloqueos). Travesía difícil, y peligrosa, que requiere coraje, obstinación y honestidad. Pero el héroe vence el desafío y retorna a su tierra, llevando buenas obras a su pueblo y muchas veces substituyendo a un viejo rey enfermo o injusto (renovación).

Neo, el héroe de Matrix, se aventura en una realidad que parece un sueño, partiendo en busca de un misterio que puede enloquecerlo y hasta matarlo. El se niega a creer que pueda ser el Predestinado de quien habla la profecía y que cambiará el mundo y despertará a las personas. Esa duda hace que el Oráculo consultado no lo esclarezca. Los oráculos son meros instrumentos de auto-investigación psicológica donde podemos obtener respuestas sobre nosotros mismos a través de concentración y la meditación. Hasta que ni tan esotéricamente así. En rigor nadie precisaría un oráculo para saber sobre sí. Entretanto, el ritmo de la vida actual nos apartó de nuestro mundo interior y son exactamente el simbolismo y la ritualidad de los oráculos los que propician esa interiorización. En verdad quien responde a la cuestión lanzada somos nosotros mismos, o mejor, una parte de nosotros que es más sabia y que no acostumbramos a escuchar en el día-a-día. Si la respuesta es oscura, es porque la pregunta también lo fue. La pregunta cierta ya contiene en sí la respuesta.

Neo consulta al Oráculo. Pero la idea de ser el Predestinado lo incomoda y obtiene la respuesta que desea oír. Por lo tanto, presta atención: el Oráculo no dice en momento alguno que él no es el Predestinado. Dice apenas que él no está preparado. Preparado para entender que de hecho lo es é. En cuanto a eso, nadie puede hacer nada, ni los oráculos ni los dioses ni nadie.

La travesía personal de auto-realización nos pone en una situación donde no confiamos en nuestro potencial. Sólo somos capaces de mucha cosas cuando tenemos perfecta conciencia de quién somos y de lo que podemos hacer. Por lo tanto, llegar a esa autoconcientización es difícil. Conocer verdaderamente quién somos es una lucha armada trabada en los campos de la conciencia y del inconsciente, guerra de toda una vida donde cada auto-revelación representa una importante batalla vencida. El verdadero autoconocerse duele hasta doler porque implica necesariamente enfrentar lo que se teme, volverse lo que se evita ser, entrar en el fuego de los peores miedos. La recompensa es el mundo nuevo que la realización más íntima nos trae.

En el mundo de Matrix las personas están adormecidas y sin sentido crítico. Creen en lo les es dado para creer. Nada muy diferente de nuestro mundo actual, donde la masificación de las ideas hace que las personas pierdan la noción de sí mismas, donde nos quieren convencer de que en una sociedad deshonesta y violenta tenemos que ser más violentos y deshonestos que los otros. Es difícil huir de ese círculo vicioso. En Matrix, Neo sufre como loco para aprender que todo lo que precisa es… cambiar la visión que tiene sí mismo, apenas eso. No tienes que pensar que eres, debes saber que eres. La profecía dice que el Predestinado cambiará el mundo y salvará a la humanidad. Neo no puede creer que sea capaz de todo eso. Pero el secreto para la victoria del héroe esconde la más simple y la mayor de todas las ironías: para cambiar al mundo, basta cambiarse a sí mismo. Transfórmate y todo alrededor se transformará – ¡es el secreto! Porque la aparente separación de las cosas esconde la unicidad de todo lo que existe. Tal vez sea imposible doblar una cuchara con el pensamiento. Pero si sabes que la cuchara y tú son la misma cosa, entonces basta doblarse a sí mismo.

El mito de la travesía del héroe nos enseña que el destino de cada uno de nosotros es realizar lo que verdaderamente somos pero que todavía no aceptamos. La aventura de Neo es la aventura de todos nosotros en busca de nuestra esencia más legítima, aquella que al fin nos liberará. Hasta alcanzarla, la vida nos pondrá a prueba de muchas maneras y tendremos que convivir con dolorosas incertidumbres y auto-engaños. Entretanto, yendo de lo micro hacia lo macro, la aventura de Neo es la aventura de la humanidad entera, en busca de su supervivencia como especie. En un tiempo de tecnología idolatrada y valores esenciales olvidados, corremos el riesgo de ver nuestra propia creación volverse contra nosotros. Ante tal posibilidad, la única salida parece ser, todavía, seguir lo que decía, justo en su entrada, el Oráculo de Delfos en la Grecia Antigua: conócete a ti mismo. La tecnología no tiene sentimiento. Nosotros lo tenemos. Una máquina no es capaz de amar. Nosotros somos. Esa diferencia obvia puede pesar bastante en el guión de nuestra película.

Cierto nazareno revolucionario, dos mil años atrás, ya decía que somos todos dioses. Pues voy en el mismo camino: igual que Neo, somos todos héroes. Héroes de nuestras propias vidas. Como Neo, estamos predestinados a realizarnos a nosotros mismos. Hecho un Salvador, cada uno de nosotros tiene el poder de cambiar o mundo. Pero antes es preciso cambiar la forma como nos entendemos a nosotros mismos. Es el secreto que se esconde detrás de la película Matrix y también de toda la vida. El secreto que de tan obvio no se ve y que aguarda pacientemente a todos los predestinados.

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Blade Runner: Deuses, humanos e androides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso.

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Pesadelos reais (filme Alucinações do Passado) – A realidade, em si, não existe – o que existe é nossa interação com ela

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres, pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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01- Acabo de ler seu fantástico artigo sobre o filme MATRIX. Até hoje não li crítica tão perfeita sobre esse ainda incompreendido filme, mas que com certeza ficará na história do cinema como marco (não foi assim com 2001 uma odisséia no espaço?). Parabéns pela qualidade da abordagem comparativa entre o enredo e a mitologia, além do foco dado à mensagem de que tal como afirmava Emerson “somos aquilo que pensamos”. Mantovanni Colares, Fortaleza-CE – ago1999

02- Gostaria de prabeniza-lo pela sua maravilhosa reportagem acerca do filme MATRIX que foi publicada segunda feira no jornal O POVO. Fiquei encantando com a forma coom que vc utilizou o arquétipo junguiano do herói, e com todo o seu ponto de vista sobre como a sociedade moderna encontra-se em relação a essa “tecnologia”. Infelizmente o meu jornal com a matéria sobre o filme foi jogado fora, caso vc pudesse enviar-me o artigo ficaria muito contente. Thaís, Fortaleza-CE – ago1999

03- Adorei principalmente o seu comentário sobre o filme “Matrix”, já sou fã mesmo antes de assistí-lo, estou ansioso para que o filme chegue em vídeo. Bem, eu adoraria adquirir “Matrix” . Eu já havia lido várias críticas sobre o filme, algumas depreciativas e outras elogiando o filme, mas me convenci ainda mais de que se trata do melhor filme dos últimos tempos após ler a sua crítica sobre o filme. Jurandyr G. Loureiro, Linhares-ES – ago1999

04- Escrever é um ato solitário, eu sei de mim solitário também… Parabéns. Ótimo artigo em O Povo de hoje. Sensacional, digno de reprodução Federal, quiçá mundial. Suas abordagens são maravilhosas, me fez viajar na simples aventura humana: a da compreensão (ou busca) de si mesmo. Procuro dar minha colaboração, na internet, há anos, envio diáriamente algo chamado Kbytes de Sabedoria (inspirado no Minutos de Sabedoria…) que são trechos sábios como daquele livrinho azul, da bíblia e de outras fontes de sabedoria. Hoje, no Kbytes… o dia é seu, fiz questão de dividir e propagar as suas idéias com os netfriends. Parabéns e grato mais mais uma vez, pela luz! Giovanni Colares, Fortaleza-CE – ago1999

05- Fiquei emocionada com sua abordagem sobre o filme Matrix no O Povo (O segredo dos predestinados), 9/8/99. Foi absolutamente perfeito. Já li três vezes e nunca ouvi falar de você. Leio o Diário e O Povo $todos os dias. Já li muitos livros mas hoje o cinema me fascina. Mande-me umas dicas de filmes. E escreva mais. Você tem talento e escreve com uma beleza incomum! Parabéns! Irei assistir o filme só porque li seu artigo. Edita Machado, Fortaleza-CE – ago1999

06- Caro Ricardo , Fiquei sendo seu fã desde que em 1999 qdo assiti a uma palestra tua no auditório do colegio capital sobre o filme MATRIX. Na tua palestra fizeste uma analogia de espelhos dentro de uma bola de vidro a refletir a luz do sol com nós seres humanos e perguntaste: O que é necessário fazer para mudar o modo do globo de vidro refletir a luz do sol? Ao que respondeste… basta mudar um só espelho. Assim querias dizer que não precisamos mudar ninguém somente a nós mesmo. Cara vc não sabe o quanto já falei de vc para as pessoas a quem conto esta analogia. O fato é que ouvir aquelas tuas palavras me levou a uma pesquisa igual “A ILHA”. Continue sempre assim… em constante questionamento consigo mesmo pois acredite foi assim que passei a ser uma pessoa melhor. Luiz Ferreira de Sousa Junior, Fortaleza-CE – nov2004

07- Te achei procurando um texto sobre Neo – Matrix e foi o “ O SEGREDO DOS PREDESTINADOS” que li e adorei. Como você conseguiu falar tudo tão bem. Simplesmente adorei. E já andei fuçando seu site também. É muita coisa para ler. Terei muito que fazer. Lais Paulinelli, Belo Horizonte-MG – jan2007

OSegredoDosPredestinados-03a


Não saia com ele – Titiko

13/10/2008

Ricardo Kelmer 2008

É, parece que a Renata tava mais interessada em restaurante chique do que em namorar… Coitadinha

O site se chama Não Saia Com Ele (www.naosaiacomele.com). O Sindicato das Coitadas publica o perfil do calhorda, com foto e tudo, pra que as meninas saibam quem na verdade ele é e, assim, possam se prevenir. Vamos conhecer um pouco dos canalhas?

Titiko, 1.82m, São Paulo. Teve algum lance com uma tal de Renata que não deve ter ficado muito satisfeita e aí, tchum!, fichou o canalhudo no site. “No começo era tudo lindo e maravilhoso, mas depois jah viu neh!! Sair pra jantar??? Ah, no máximo ele me levava pra comer um dogão na towner do Zé Porcalhão e ainda era a filosofia do cada um pague o seu!!! Presente??? Tá bom!!! Quando muito ele me trazia uma lembrancinha safada dos camelôs da 25 de março e ainda tinha a cara de pau de me falar q o tio dele tinha trazido do estrangeiro!!! Agora, na hora de brincar de bate côxa comigo, eu tinha q estar sempre ali a disposição!!! Aí ele ficava “todo todo” neh!!!” Garotas, cudado!!!”

É, parece que a Renata tava mais interessada em restaurante chique do que em namorar… Coitadinha. E esse negócio de escrever cudado em vez de cuidado, heim? Terá sido um ato falho? Será que o Titiko também só queria saber do rabanete da Renata? Nesse caso a advertência “Garotas, cudado!!!” na verdade conteria a seguinte mensagem implícita: “Garotas, cuidado que esse é um tarado sem-vergonha enrabador de mulheres indefesas.”

Putz, eu quero é distância de uma mulher dessa! O cidadão trabalhando duro pra subir de vida, ralando que nem um condenado na masmorra, economizando pra casa própria, pro colégio dos futuros filhos, e a desgraçada ainda reclama porque ele acha justo dividir a conta? Deixa de ser machista, dondoca! E ainda quer presente, a merecida. E presente caro. Vai trabalhar, folgada! Titiko, meu fi, cai fora dessa que é roubada. Não saia com ela.

Taí. Eu queria uma mulher pra me trazer presentinho da 25 de Março. Ô se não queria! Em troca eu ficaria todo-todo à disposição pro bate-coxa, sem problema, oi, amor, eu trouxe presentinho pro meu escritorzinho lindinho cheirosinho gostosinho, menino, tu já tá pelado, e já tá assim todo-todo, ei, calma, deixa eu te mostrar o que comprei, aai, calma, menino, o que tu andou tomando, heim, deixa eu pelo menos fechar a porta, aaaiii!!!

Voltando pra Renata, a coitadinha. Poxa, Kelmer, você tá sendo muito radical, entenda a situação da moça, ela apenas acha que merecia mais.

Ah, tá. Merecia mais. Claro, a moça tá no direito dela. Então, Renata, vou convocar todas as leitoras do blog pra fazer uma corrente de oração pra você arrumar um homem que te leve pra jantar no Fasano e compre teus presentes na Daslu. Mas acho melhor vocezinha esperar sentada, viu?

É cada uma.

No próximo capítulo conheceremos outro canalha. E outra coitada.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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OBS.: Aparentemente, o site naosaiacomele.com.br foi retirado do ar, certamente por conta de reclamações por parte dos homens que tiveram seus dados e fotos expostos. Prevendo que isso pudesse acontecer, felizmente copiei alguns depoimentos. Eles são ótimo material pra escrever crônicas sobre os universos feminino e masculino.

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LEIA TAMBÉM

> Não saia com ele (1) – Bons tempos em que a gente podia ser cafajeste à vontade, sem medo de ser fichado pelo Sindicato das Coitadas.

> Não saia com ele – Titiko – Parece que a Renata tava mais interessada em restaurante chique do que em namorar… Coitadinha

> Menu de homem – Na onda da mulher-melancia, mulher-jaca, mulher-filé e outras classificações femininas hortifrutigranjeiras, nada mais justo que nós, homens do sexo masculino, sermos também classificados.

> Como afugentar um homem – Velha tendência feminina, essa ansiedade louca pelo amor, essa mania de fazer a relação ocupar todo o espaço na vida de ambos…

> Amar duas mulheres – Não se preocupe, eu te entendo, bode velho, eu também sempre tive essa fantasia de comer a Hello Kitty

> Sexo neles, beleza nelas – Sexo pros homens. Beleza pras mulheres. O mundo muda, tudo muda – menos isso

> A garçonete rolante – E como ela já tem nome de vodca, uau, nosso Stone deve ficar louco sem saber se come ou se bebe a moça

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O chamado da Mulher Selvagem (1)

02/10/2008

02out2008
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Criei este espaço pra prosseguir com o tema da Mulher Selvagem, o arquétipo da mulher livre e conectada à sabedoria natural. A crônica A Mulher Selvagem é um dos meus textos mais conhecidos, reproduzidos e comentados de minha obra, o que indica que ele toca em algo muito precioso nas mulheres, no bom sentido –  e também nos homens que não temem o Feminino.

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>> amei de paixão a sua crônica – A mulher selvagem. Em poucas palavras você conseguiu entender e preencher todo o universo feminino tão pouco entendido pelos homens. É muito bom saber que ainda existem homens sensíveis como você e acima de tudo homens com coragem de assumir sua sensibilidade. Marisa Feliciano, Belo Horizonte-MG

RK: De mulher pra mulher, Mariiisaaa… Obrigado pelos elogios, fia, mas não tô com essas bolas todas não. Ainda tenho muito que ralar com a minha sensibilidade, nem sempre sei como lidar com ela. Por exemplo, sempre que o Fortaleza perde, eu fico muito sensível. E aí, pra me acalmar, roubo um carro e atropelo uma daquelas velhinhas que vendem rosas na Jabaquara. Mas antes eu compro a rosa, claro, não me julgue tão mal.

>> Parabéns pelo texto da mulher selvagem. É de admirar que um homem o tenha escrito, pois não conheço nenhum com sensibilidade para enxergar além da textura da pele. Marli Myllius, Curitiba-PR

RK: Além da textura da pele? Marlindinha, menina, você quer um homem ou um microscópio? Ah, vai, não seja injusta. Dá outra olhadinha ao redor, vai, olha pros caras com mais carinho e compreensão que você identificará neles a sensibilidade que tanto busca. E quem sabe você mesma não os ajuda a libertá-la, né? Já posso até ver o anúncio colado nos orelhões: Marli, libertadora de homens sensíveis.

>> puxa, li sua crônica quase sem querer e reli algumas vezes. não acreditava. Era eu. Nunca ninguem me descreveu tão bem. Lara, São Paulo-SP

RK: Sério, Larita? Então a honra é toda minha por ter encontrado uma loba tão inspiradora!!! Quando quiser posar novamente, é só dar uma rosnadinha…

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“Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível… mas que também agride o olhar.”

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Leia a crônica A Mulher Selvagem

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LEIA NESTE BLOG

Mulheres que adoram – Dar prazer a uma mulher. O que pode haver de mais recompensador na vida?

Insights e calcinhas – Uma calcinha rasgada pode mudar a vida de uma mulher? Ruth descobriu que sim

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Kelmer Para Mulheres – Nesta seção do blog, homem fica de fora

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Protegido: O primeiro Viagra a gente não esquece (VIP)

16/09/2008

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Amar duas mulheres

15/09/2008

15set2008

Não se preocupe, eu te entendo, bode velho, eu também sempre tive essa fantasia de comer a Hello Kitty

AMAR DUAS MULHERES

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05/08/2008 –
Viciado em sexo, guitarrista dos Rolling Stones é internadoRonnie Wood, 61, guitarrista dos Rolling Stones, está atualmente internado em uma clínica de reabilitação no sul da Inglaterra, informou hoje (5) o tablóide britânico “The Sun”. Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones, deixou mulher por uma russa de 18 anos. Wood está internado por uma tripla dependência: ao álcool, às drogas e, segundo o jornal, também ao sexo.

Fazer sucesso, perder o prumo, enfiar o pé na jaca, queimar o filme e se internar em clínica de reabilitação. Esse roteiro das celebridades tá ficando tão previsível… Quem será a próxima?

Mas agora inventaram também esse negócio de dependência de sexo. O cara é pego pulando a cerca e, sem ter mais como justificar, explica pra mulher: Ok, querida, eu assumo, eu assumo. Assume o quê, seo calhorda, que gosta dela, que tem um filho com a ordinária? Não, querida, assumo que preciso me tratar, sou um sexo-dependente.

Muito bem bolado, como diria Silvio Santos. De bandido passa a ser vítima, muito bem bolado. O chato é se a mulher perguntar: E por que você só não é sexo-dependente comigo, seo fuleragem?

Mas eu tô do seu lado, viu, Ronnie? Melhor você se tratar numa clínica do que numa dessas igrejas especialistas em lavagem cerebral que ficam catando famosos na lama pra botar em suas vitrines da salvação. Você não precisa de lavagem cerebral, Ronnie. Até porque você talvez nem tenha mais cérebro – sabe lá o que é passar quarenta anos tocando Satisfaction… E essa camisetinha da russinha, heim, Ronnie, heim, heim, falaí. Eheheheh… Não se preocupe, eu te entendo, bode velho, eu também sempre tive essa fantasia de comer a Hello Kitty. A diferença é que te pegaram e eu continuo solto…

“Sua mulher há 23 anos, Jo se nega a visitá-lo no centro onde está internado, na localidade de Old Woking, no condado de Surrey, por causa de um relacionamento extraconjugal do músico. Segundo o jornal, Ronnie Wood iniciou um relacionamento com a jovem russa Ekaterina Ivanova, 18, com a qual esteve no mês passado na Irlanda e que agora está hospedada em um hotel próximo à clínica. No fim de julho, Wood disse em entrevista que ama ‘duas mulheres’, referindo-se a sua mulher Jo e à garçonete russa Ivanova. O guitarrista afirmou pretender salvar o seu casamento, mas que, ao mesmo tempo, gostaria de continuar a ver a jovem russa.”

Você amar duas mulheres não me surpreende, meu chapa. Eu também faço parte dessa gente evoluída que sabe que é perfeitamente possível e viável e honroso amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. O que me surpreende é você afirmar isso assim em público, pro mundo inteiro ouvir, inclusive suas duas mulheres. Putz! Você ganhou 10 pontos por sua franqueza. A russinha talvez até tope te dividir com outra mulher, sacomué, desse povo que bebe vodca no gargalo a gente espera tudo. Mas a Jo, humm, sei não. Ela não quer nem te visitar na clínica! Seja compreensivo com a Jo, cumpade Ronnie. Imagine se fosse você quem tivesse de dividi-la com um surfista de 18 anos… argentino. Já pensou?

Hummm… Sei que isso não é hora de te confundir a cuca, coitado, você aí internado. Mas e se isso rolasse mesmo, a Jo te propor direitos iguais: Tudo bem, Ron, você fica com nós duas mas eu também fico com você e outro cara, combinado? E aí, parceiro, você toparia? Calma, eu já disse que tô do teu lado. É que as leitoras do Kelmer Para Mulheres são muito, como dizer, opinativas, e elas certamente devem estar doidinhas pra te fazer essa pergunta. Então eu fiz por elas. Mas não precisa responder agora, meu chapa. Primeiro toma teus remédios e volta pra casa. Pra casa da russinha, claro, pois a Jo é capaz de te mandar imediatamente de volta, não pra clínica mas pro pronto-socorro.

“O The Sun também flagrou Ekaterina concentrada na leitura de uma carta enviada por Wood, que escreveu frases como ‘Sabe que eu sempre penso em você com carinho’. O guitarrista também desenhou, na mesma carta, um rosto sorridente na forma de coração. ‘A garota sorria, como todas as jovens quando estão com as cartas de amor dos seus namorados. É estranho pensar que tenha sido escrita por um homem 40 anos mais velho que ela’, disse o jornal, citando uma fonte.”

Quarenta anos de diferença… Ronnie, e quando você tiver 90 e ela 50, já pensou nisso? Ela estará com a idade aproximada da Jo. Como? Ah, tá, você vai trocá-la por outra garçonete Hello Kitty. Entendi. Sim, claro que sei que com o Viagra a coisa agora é diferente (ler O primeiro Viagra a gente não esquece). Mas será algo interessante de se ver: você aos 120 trocando de mulher e elas trocando tua fralda.

Ronnie, meu chapa, eu sou um gozador, você sabe. Não posso perder a oportunidade de chafurdar em cima dessa história. Mas, brincadeiras à parte, sabe o que eu acho de verdade dessa coisa toda, cara? Eu acho que você, assim como todos os outros Stones, já fizeram tanto pela música, pelo roquenrôu e por nós todos, que vocês estão noutro patamar, vocês são semideuses, é sério, e nem sempre devem ser julgados pela mesma lógica dos simples mortais. Você merece tudibom, meu cumpade, até mesmo duas mulheres. Aliás, duas é pouco, a Jo que me perdoe, você merece quantas puder aguentar.

Mas manera na birita, véi. Senão as mulheres que você ama não terão satisfaction e, você sabe, não tem quem aguente uma mulher sem satisfaction, argh!

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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O Blog do Kelmer concorre ao Prêmio BlogBooks 2009!

categoria Universo Masculino

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LEIA NESTE BLOG

Menu de homem – Na onda da mulher-melancia, mulher-jaca, mulher-filé e outras classificações femininas hortifrutigranjeiras, nada mais justo que nós, homens do sexo masculino, sermos também classificados

As vantagens de ter um amante – O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa. O outro cuida de você

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

Homens perfeitos também alopram – Até tu Richard Gere?

Homens infiéis, mulheres inconformadas – Há quem negue esse papo de biologia, afirmando que é desculpa fajuta, que os machos se aproveitam da cultura machista pra mijarem fora do seu peniquinho caseiro

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O Irresistível Charme da Insanidade – cap 3

03/09/2008

O amor insano. O amor desafiador do tempo. O amor que descortina as mais absurdas possibilidades do ser.
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Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal? Nesta história, repleta de suspense e reviravoltas, Luca é um músico obcecado pelo controle da vida, e Isadora uma viajante taoista em busca de seu mestre e amante do século 16. A uni-los e desafiá-los, o amor que distorce a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

> Para adquirir: rkelmer@gmail.com – Instagram: @ricardo_kelmer

> Todos os livros

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O IRRESISTÍVEL CHARME DA INSANIDADE

CAPÍTULO 3
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A AGENDA DA SEMANA estava animada. Na quinta a Bluz Neon faria um show no Papalégua, barzinho famoso no bairro da boêmia Praia de Iracema. Na sexta seria o aniversário do Balu, o tecladista da banda. E no sábado a Bluz Neon tocaria num festival de rock na praia do Cumbuco, a meia hora da cidade. Para Luca seriam boas oportunidades para se refugiar sob o manto generoso da noite e esquecer que o dia o aguardava do outro lado.

– Tenho a honra de apresentar… – Carlito, o dono do Papalégua, anunciou. – Junior na guitarra, Ranieri no baixo, Balu nos teclados, Ninon na bateria, Luca na voz e no violão.

– E no uísque! – alguém gritou da plateia.

– Com vocês, a nossa atração de toda quinta… Bluz Neon!

Todos no palco, Luca cumpriu o velho ritual: virou uma dose de uísque e depois cumprimentou o público.

– Boa noite. Festa é o que nos resta.

Fizeram, como sempre, um show bastante alegre, tocando as músicas próprias e alguns clássicos do rock e do blues. Luca homenageou a Praia de Iracema, falou de suas meninas bonitas, dos personagens folclóricos do bairro e da magia que se espalhava pelas ruas feito maresia. Desceu do palco e cantou sentado numa mesa de garotas, bebendo no copo delas. No fim anunciou que estava à venda o CD demo, gravado durante um show em Canoa Quebrada. Encerraram, como sempre faziam, com o Umbigo Blues, quando chamavam para o palco as meninas que estivessem com o umbigo à mostra e todos dançavam numa divertida mistura de blues com baião. Festa é o que nos resta.

Depois do show, voltando do camarim, Luca estacionou no balcão e pediu um uísque duplo. Tomou um gole e cantarolou o rock que andava compondo.

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No balcão há um lugar
Pra quem não sabe aonde ir
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Nesse momento lembrou de Isadora… Isadora e seus beijos, seus peitos, sua loucura. Aqueles papos de Tao, sonhos, abismos, vidas passadas… Três dias com ela e agora três semanas sem ideia de onde pudesse estar. Será que ainda a veria outra vez?

– Oi, Luca.

Ele tomou um susto e virou-se, buscando a dona da voz. E deu de cara com uma garota. Tinha o cabelo vermelho e estava sentada ao lado no balcão. Ela sorria e dizia ser fã da banda, tinha o CD gravado em Canoa Quebrada, será que podia autografar?

Claro que sim, respondeu Luca, despedindo-se da lembrança de Isadora e pedindo uma caneta ao barman. A menina era simpática, ele reparou, e tinha um jeitinho delicioso de safada. Mas, caramba, devia ter uns dezesseis anos, como deixavam aquelas ninfetas entrar ali?

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Festa é o que nos resta
E eu tô com pressa, beibe
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Ele tomou um longo gole, sentindo o líquido descer pela garganta, ah, a bendita ardência, a fronteira proibida da noite… Aquela era a entrada no nível seguinte da realidade, onde tudo podia acontecer.

– Gosta de uísque? – ele perguntou.

– Adoooro.

Luca deu mais um gole em seu uísque, puxou rapidamente a garota pela cintura e a beijou na boca, passando-lhe devagar a bebida de sua boca para a dela.

– Putaquipariu… – ela murmurou depois, ainda surpresa. – Foi o beijo mais embriagante da minha vida!

Uma hora depois, enquanto Ângela Ro-Ro cantava Mares da Espanha na sala do apartamento de Luca, a garota acendeu um baseado enquanto ele pela segunda vez abaixava o volume do som.

– Ah, cara, desencana! Festa é o que nos resta! – ela protestou, passando o cigarro para ele.

– Também acho. Mas tem um vizinho que não concorda comigo.

– Então canta um blues pra mim, vai…

– Pô, gatinha, já canto blues demais na banda.

– Então vou botar o CD pra gente ouvir!

Ele pensou em acender um incenso mas não encontrou a caixinha. Como conseguira perder se estava com ela um minuto antes? Abriu outra cerveja e se divertiu ouvindo a garota cantar as músicas da Bluz Neon, sabia todas de cor, até os comentários nos intervalos, incrível. A banda não tá precisando de uma vocalista ruiva?, ela perguntou. Ruiva, loira, morena…, ele respondeu, rindo. Onde diabos estava o incenso? Ela pôs para tocar novamente a primeira música e ele foi sentar no sofá. Mas errou o cálculo e caiu no chão, derramando a cerveja.

– Caramba… acho que a faxineira mudou o sofá de lugar.

Ele riu da própria piada e saiu cambaleando para pegar um pano de chão. Na volta escorregou na cerveja derramada e quase caiu de novo.

– Caramba, o que é isso, um complô?

Após enxugar o chão, sentou no sofá e fez sinal para a garota sentar ao seu lado. Quero ver de perto seu famoso umbigo blues, ela disse. Ele riu e suspendeu a camisa, mostrando o umbigo. Ela sorriu, passou a língua provocantemente entre os lábios e foi se ajoelhar entre suas pernas.

– Ei, psiu… Quantos anos você…

– Eu já disse, Luca.

Ela beijou seu umbigo e lhe fez cócegas com o piercing da língua. Depois puxou o zíper da calça.

– Disse mesmo? Então eu esqueci.

– Dezoito.

– Ah… claro… – Ele esticou o braço em busca da latinha de cerveja mas não encontrou. Definitivamente os objetos estavam de sacanagem com ele. – Que tal dezesseis?

– Tá bom, Juizado. Dezessete e meio.

A latinha estava no chão. Como fora parar lá? Aquele piercing na língua dela, era estranho… Mas era bom.

– Acho que não acredito.

Ajoelhada entre suas pernas, ela interrompeu os carinhos e ergueu o rosto, meio sorrindo, meio impaciente. Pôs o cabelo para trás da orelha e o encarou:

– Última oferta, Luca. Dezessete. Vai querer ou não?

– Fechado.

Ele tomou outro gole, largado no sofá. E sentiu-se relaxar… A sala era uma penumbra agradável e a garota estava novamente absorta em seus carinhos, entre suas pernas, o cabelo feito uma cortina vermelha à frente do rosto. É, pensando bem, não seria má ideia ter umas vocalistas na banda. Botariam anúncio no jornal, banda muito próxima do estrelato procura vocalistas de fino trato, tratar com Luca à noite… Afastou a cortina vermelha para o lado e surgiu o olhinho azulado dela, sorrindo para ele. Não lembrava que ela tinha olhos azuis… Não, mulher na banda não ia dar certo. Melhor deixar as meninas como estavam, na plateia. E por trás das cortinas. Por trás das cortinas… das cortinas…

Tchum! De repente deu-se conta. Onde estava? Que horas eram? Estava bêbado demais, que merda. Pela janela entrava um pouco da claridade da rua. À frente, umas luzinhas verdes… piscando… dizendo que ali havia um… aparelho de som…

Em casa! Claro, estava em casa. Na sala do seu apartamento, no sofá, claro. Luca suspirou, ufa, que alívio. Só um princípio de brancão, tudo bem, já passou. Muita birita, estômago vazio. E aquelas duas ali, ajoelhadas no chão, entre suas pernas…

Duas?! Ele esfregou os olhos, intrigado. Procurou lembrar… Uma era a ruivinha do bar, tiete da banda. Mas e a outra? Não fazia a menor ideia. A vizinha de baixo, talvez? Tentou fixar o olhar mas não a reconheceu. Talvez amiga da ruivinha. Quem abrira a porta para ela entrar?

Finalmente entendeu: estava tão louco que via tudo em duplicata. E desatou a rir. Sexo com duas mulheres era uma delícia, mas não exatamente daquela forma…

A garota suspendeu os carinhos e perguntou se ele estava mesmo a-fim.

– Só um instante, lírou beibi… – Ele ajeitou-se no sofá, rindo da própria chapação. – Teu nome… como é mesmo?

– Ah, não, Luca. Não digo mais.

– Bem… eu não queria te assustar, mas… tem outra gata aí do teu lado.

E voltou a rir. Aquilo era a coisa mais engraçada do mundo.

– É minha irmã gêmea. – Ela sorriu contrariada. – Você também pode ver?

– Heim?

– Ela morreu quando eu era pequena. Vez em quando aparece.

Luca parou de rir. Irmã gêmea? Morta? Aquilo era sério mesmo? Olhou mais uma vez para as duas mulheres ajoelhadas entre suas pernas e sentiu-se incomodado.

– É só não ligar que ela vai embora.

Ah, não. Transar com espírito já era rock´n´roll demais.

– Desculpa… – ele disse, afastando a cabeça dela de seu colo. Depois levantou-se e subiu a calça. – Hoje tá complicado.

Foi à cozinha e abriu a geladeira. Ainda havia uma cerveja, pelo menos isso. Tem dia que não é dia. Devia mesmo era ter ficado no bar com os caras.

Quando voltou à sala, elas olhavam a cidade, os corpos nus encostados à janela, displicentes, ambas na mesma posição. Por um instante admirou-os, tão belos e convidativos. Ainda pensou em reconsiderar a decisão… mas não. Pedofilia astral não era brincadeira.

– Posso dormir aqui, Luca?

– Ahn… Melhor eu deixar vocês em casa. Vamos.

Meia hora depois ele parou o carro em frente ao prédio delas.

– Não é por mal que minha irmã faz isso, Luca.

– Tudo bem.

– Não sabia que você era sensitivo.

– Eu?

– A gente se vê de novo?

– Se sua irmã deixar…

Ele esperou que elas entrassem no prédio e ligou o fusca. E saiu, vendo as primeiras luzes da sexta-feira surgindo por cima da cidade. E lamentou. Como sempre, a claridade intrometida do dia dissipando a magia da noite.

Às oito tinha que estar na gráfica. Dava para dormir uma horinha. Irmã gêmea do além… Melhor nem contar, ninguém ia acreditar mesmo.

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– LEVANTA, TIGRÃO! Três horas!

Uma voz feminina… vindo de longe…

Luca abriu os olhos devagar, reconhecendo o quarto. Aos poucos sentiu conectar-se àquela súbita realidade. Sábado… Ou seria sexta? Não, sábado mesmo, três da tarde… show à noite na praia do Cumbuco…

– Luz queimada, pia entupida! E esse espelho rachado? A gente fica um monstro se olhando nele! Por que você não pega o cachê de hoje e ajeita esse banheiro, heim?

– Fala mais baixo, Soninha, por favor…

Ele cobriu a cabeça com o travesseiro, protegendo-se daquela tempestade sonora. Que merda, devia ser proibido acordar um ser humano assim, principalmente se o ser humano tivesse ido dormir ao meio-dia…

– Viu minha outra bota por aí, Tigrão?

Levantou-se ainda grogue, uma sede assombrosa a lhe rasgar a garganta. Foi até a cozinha para beber água mas lembrou de Jim Morrison, acordar e pegar logo uma cerveja, porque o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto…

Enquanto Soninha calçava suas botas pretas de salto, ele sentou na beira da cama, deu um bom gole na cerveja e pôs-se a admirá-la. Soninha… Bonita, gostosa, mas absolutamente destemperada, caso de polícia. Corpo musculoso de professora de ginástica, viciada em academia e anfetamina, dava aula até no domingo. Tinha também outro vício: sexo. Com muito álcool, escândalos e arranhões. De família rica, frequentava as colunas sociais, mas achava excitante caçar roqueiros cabeludos no submundo alternativo. Quando ele a via na plateia dos shows da banda, já sabia o roteiro da noite: tomariam todas, ela faria questão de pagar tudo e depois o levaria a um cinco-estrelas da orla onde ele rasgaria sua roupa, deixando-a apenas com as botas pretas, e fariam sexo feito dois bichos alucinados, no chão, na janela, na bancada da cozinha, e de manhã ela seguiria direto para a academia, sem dormir. Ou poderia ser o roteiro B: ela beberia demais e daria defeito, estragando a noite.

Na festa de aniversário do Balu, na noite anterior, ela aparecera usando um vestidinho curto e as famosas botas pretas, que sempre usava quando estava mal-intencionada. Ele mandava um papo mole com uma amiga do Ninon, estava até interessado na menina… mas, hummm, aquele olhar que ele já sabia, aquelas botas, como resistir?

Uma hora depois Balu abriu um uísque e serviu a todos. Depois botou para tocar sua coletânea Blues do Balu Volume 9 e apertou um natural, fazendo a festa engatar a quinta marcha. Às sete da manhã Iana, a namorada do Balu, teve de bater na porta do banheiro para avisar aos dois animadinhos que todo mundo já havia ido embora.

– Ah, qualé?! – Soninha argumentou lá de dentro. – Hoje é sexta!

– Nada disso – Iana discordou, paciente. – Já é sábado.

A porta abriu e surgiu Luca, a camisa desabotoada, o cabelo sem um fio no lugar.

– O amanhã só chega quando a gente acorda – ele filosofou, solene.

Luca serviu mais uma dose, bebeu metade e Soninha bebeu a outra. Então despediram-se e esticaram para o Roque Santeiro, um boteco no bairro do Mucuripe que tinha o caldo de carne e a cerveja ideais para finalizar as noites sem fim, ao som de Genival Santos, Diana e Odair José. Soninha ia bem, até o momento em que cismou que uma garota paquerava Luca e partiu para cima dela, derrubando-a no chão junto com as garrafas de cerveja. Aí não houve mais clima e tiveram que ir embora. Típico roteiro B.

– Aquela de ontem no banheiro da casa do Balu não valeu, viu, Tigrão? Você não conseguia nem ficar em pé.

Luca deu mais um gole na cerveja e continuou admirando-a. As coxas musculosas, a marca do biquíni minúsculo, os seios pequenos… Ela estava em pé, ao lado da cama, nua e deliciosa. Com as botas pretas.

– Vai se atrasar pra aula, professora…

– Dá tempo.

Instantes depois, enquanto era lentamente penetrada por Luca, ela esticou o braço, pegou o celular na bolsa, digitou, errou, digitou de novo e, de olhos fechados e falando pausadamente, explicou à recepcionista da academia que chamasse o professor substituto pois… acontecera um… um… só um momento… ai… um pequeno imprevisto… é, imprevisto… só um momento… hummm… e só poderia dar a aula das… ai… das cinco.

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LUCA PEGOU UMA CANETA e, enquanto os outros afinavam os instrumentos, sentou-se num canto do camarim e pôs-se a rabiscar num papel de guardanapo.

– Saiu do forno agora, Junior – ele disse. E cantarolou para o amigo escutar.

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No balcão há um lugar
Pra quem não sabe aonde ir
Festa é o que nos resta
E eu tô com pressa, beibe
Uma dose agora
Preciso beber pra me dirigir
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– Gostei. Mas não te empolga que o repertório de hoje já tá fechado, viu, cidadão?

– Prometo.

Minutos depois Ninon bateu no bumbo da bateria e Luca entrou no palco. Dali de cima ele podia ver a plateia espalhada pela areia da praia, o mar do lado direito, a lua imponente no céu… Ele virou a dose de uísque e pegou o microfone:

– Boa noite.

– Boa noite! – responderam algumas garotas próximas ao palco.

– Festa…

– É o que nos resta! – elas completaram, animadas.

O show transcorreu normal. Mas no fim, após o tradicional Umbigo Blues, Luca tirou um guardanapo do bolso e anunciou, a voz rouca pelos excessos dos últimos dias:

– Essa se chama Uma Dose Agora. Ainda não tá ensaiada. Os caras vão me esganar lá no camarim mas, porra, a gente tá na praia, essa lua…

Ele pegou o violão, sentou no banquinho, dedilhou um pouco e parou. Deu a indicação para Ninon, na bateria, começar. Os outros balançaram a cabeça, resignados, e acompanharam. A música saiu péssima, claro. Mas havia um grupo de garotas animadas e barulhentas bem em frente ao palco e elas aplaudiram e gritaram tanto que felizmente ninguém atentou muito para a música.

Terminada a apresentação, Ranieri apareceu no camarim com uma das animadas, que disse ter adorado o show e que tinha umas amigas que queriam demais conhecer os caras da Bluz Neon.

– Os neons solteiros, né, minha filha?… – consertou Celina, puxando o namorado Ninon pelo braço. – A gente já vai pra pousada. E você também, Balu, porque é hora dos casados irem dormir.

Uma dúzia de cervejas depois lá estavam os neons solteiros com as novas amigas na areia da praia. A lua do Cumbuco, o vento nos coqueiros, o quebrar das ondas, todos falando ao mesmo tempo. Junior no violão faltando uma corda, Ranieri na latinha de cerveja amassada e Luca na quase voz. Mais músicas, mais cerveja. Alguém tem seda? Ah, Junior, toca aquela, vai. Fumar aqui não é sujeira? A gente vai ser multado por excesso de prazer. Arruma umas cortesias pro Papalégua pra gente, vai. Esta cerva é a minha? O umbigo mais lindo é o do Ranieri. Banho à noite no mar não faz mal. Não faz mal… faz mal…

Tchum! De repente Luca deu por si. Em volta, tudo escuro. Um calor dos diabos. Estava numa sauna. Não, não, numa cama. Mas onde? E sob seu corpo suado havia uma… uma mulher. Entrava e saía de dentro dela com violência e ela dizia coisas que ele não compreendia. Assustou-se. Simplesmente não sabia quem era a mulher.

Sem interromper os movimentos de vai e vem, ele tentou lembrar… mas só conseguiu recordar do show. O que acontecera depois não tinha nenhum registro. Olhou para o rosto sob seu corpo e nada viu, estava escuro demais. Atentou para o que ela dizia, mas não entendeu uma só palavra. Seria estrangeira? Ou uma extraterrestre?

Ainda estava muito bêbado. Fez um esforço para tentar lembrar alguma coisa, qualquer coisa… mas nada, não lhe acorria nenhuma imagem. Simplesmente não sabia com quem estava transando naquela cama. Que merda.

O suor escorria pela pele, colando seu corpo ao da mulher anônima. O gozo não vinha e já não tinha forças para continuar por mais tempo. Para completar, alguém pusera para tocar bem próximo uma axé music qualquer, aê, aê, ô, ô. Pensou em levantar e ligar o ventilador. Pensou em gritar para que abaixassem o volume daquela música insuportável. Não. Tudo que precisava mesmo era terminar logo com aquilo, voltar para a pousada e cair em sua cama. Apagar.

Fechou os olhos para se concentrar e esquecer do calor, da música, da mulher sem rosto. Mas logo abriu novamente, pois o quarto todo rodou. Não, vomitar agora não…
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(continua)

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

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CAPÍTULOS
Prólogo
cap 1 cap 2 cap 3 – cap 4

cap 5 – cap 6 – cap 7 – cap 8
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Amiga eleitora, amigo eleitor

26/08/2008

26ago2008

Estou aqui, ocupando um pouco de sua valiosa atenção, pra lhe dizer que sou um candidato diferente. Eu mereço seu voto porque sou franco

Franco Fortuna 01

AMIGA ELEITORA, AMIGO ELEITOR

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Olá, amigo eleitor, amiga eleitora. Estou aqui… Heim? Ah, é, esqueci. Mulher tem que vir antes, tem que puxar o saco delas. Ok, vamos começar de novo. Meu cabelo não assanhou? Olá, amiga eleitora, amigo eleitor. Estou aqui… Ah, é mesmo, tem que olhar no olho. Televisão é um saco.

Olá, amiga eleitora, amigo eleitor. Estou aqui, ocupando um pouco de sua valiosa atenção, para lhe dizer que sou um candidato diferente. Eu mereço o seu voto. Por quê? Porque sou franco. De todos esses rostos que você vê todo dia na sua tevê, e tem cada assombração, né, eu sou o único verdadeiro. Por quê? Porque eu digo a verdade, duela a quien duela… Heim? Não pode dizer isso? Lembra o ex-presidente? Ah, pega mal, já entendi. Desculpe, minha amiga, meu amigo, mas temos que seguir os marqueteiros. Afinal, pagamos caro por esses maquiadores de palanque.

Primeiro, vamos logo deixar claro uma coisa. Esqueça esse negócio de representatividade. Político não representa ninguém, a não ser ele mesmo. Se algum colega meu disser o contrário, das duas uma: ou ele está mentindo ou ainda não entrou no jogo. Ainda. Você vota e esquece, pois eles vão esquecer você. Estamos entendidos? Muito bem.

Por que estou na carreira política? Ora, porque é o melhor emprego do Universo. Pelo menos no Brasil. Você trabalha pouco, ganha muito e não sabe o que fazer com tanto privilégio. De quatro em quatro anos você distribui dentadura na favela, meia dúzia de cadeira de roda, treina o sorriso e aprende a responder pergunta cabeluda com qualquer frase que comece com “Veja bem…”. Aí você bota uma roupinha mais simplizinha, sai no sol quente apertando mão cheia de calo, põe criancinha feia no colo, promete coisas impossíveis, posa ao lado do prefeito e pronto, tem mais quatro anos de moleza pela frente. E se souber fazer a coisa, ainda garante umas indicações, assegura umas verbinhas, abre uma estrada em frente à sua fazenda… Projeto de lei? Ah, isso é muito chato. Mas vá lá, você contrata uma turma aí, eles estudam o caso e preparam um projeto bacana, como distribuição de colchonete para a população carente. Para o povo, quando cair morto, pelo menos não bater a cabeça.

Não, não estou sendo cínico, estou sendo franco. Você, por acaso, não ia querer um emprego desses, com direito a férias toda semana, abono, jeton, extra, extra adicional, auxílio paletó, auxílio cueca, custo moradia, custo telefone, custo tudo? Sem falar nas aposentadorias. Sem falar que você mesmo aumenta seu salário, já pensou? Sem falar na impunidade parlamentar. Sem falar nos desvios. Ah, minha amiga, meu amigo, nada se cria, tudo se desvia. Tem gente que desvia avião, um troço grande daquele, imagine merenda escolar, que cabe no bolso da calça. Sim, tem essa tal de CPI, eu sei. Mas, cá para nós, CPI na verdade significa Comissão que Parece que Investiga. Você acha que político vai sacanear o colega de profissão na cara dele? Não vai, é tudo comprometido.

Se eu penso no país? Para quê? O país por acaso pensa em mim, pensa em você? País não pensa. E este nosso não vai mudar nunca. Mudam as moscas, minha filha, mas a merda é a mesma. Quem é rico fica mais rico, e quem é pobre que se dane, quem mandou nascer? Como é que pobre consegue empréstimo se banco só empresta dinheiro para quem já tem dinheiro? Como é que alguém vai deixar de ser pobre se só para poder trabalhar tem de passar quatro horas preso num ônibus? Aliás, como é que alguém pode ganhar dinheiro se passa o dia inteiro trabalhando?

Político é um bandido eleito. Estou exagerando? Então veja o percentual de políticos envolvidos em algum tipo de crime. É bem maior que a média da população. Política é bandidagem politicamente correta. Infelizmente, meu tempo acabou. Foi um prazer conversar com você. Espero que me honre com seu valioso voto. Tudo que prometo é franqueza. Aliás, já estou cumprindo. Meu nome é Franco Fortuna, o único político que cumpre antes de prometer.

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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Tornozeleira neles – Nossos parlamentares são como crianças que devem sempre ser vigiados de pertinho – um minuto de desatenção e pronto, já estão fazendo o que não devem

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01- tem meu votooooooo. Haydee de Castro, Fortaleza-CE – set2012

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Pesadelos do Além

21/08/2008

21ago2008

O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

pesadelosdoalem-01Nada pode ser mais aterrorizante para um escritor que a seguinte situação: dia do lançamento de seu novíssimo livro, ele sentado na mesinha, o lugar todo preparado, a pilha de livros em espiral, o fotógrafo ao lado para registrar as presenças ilustres… e ninguém aparece. Putz, que horror.

Acabo de descobrir, porém, que existe um pesadelo bem pior. Não, não falo desses textos com falsa autoria que analfabetos literários repassam aí pela internet, matando o escritor de vergonha por ver que milhares de pessoas acham mesmo que ele escreveu aquele texto horroroso. Isso é de lascar, mas nesse caso pelo menos podemos ir à tevê e nos defender.

O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado. Putz, me dá uma fininha de nervoso só de imaginar essa possibilidade… Não acredito em Deus, mas se um troço desse me acontecer, juro que entrarei com um processo contra ele por permitir tal barbaridade. Espíritos, reencarnação, psicografias, todo mundo é livre para acreditar no que quiser, até em promessa de político. Mas fazer isso com a pessoa depois que ela já bateu as botas, aí é muita covardia.

Foi dia desses. Alguém me enviou uma letra musical que teria sido escrita por John Lennon depois de morto. A letra era tão cheia de beatitudes e bem-aventuranças, uma pieguice espiritual tão grande, que das duas, uma: ou John de repente virara coroinha ou então onde ele estava só rolava fumo da pior espécie. Putz! Só alguém que não conhece porra nenhuma de John Lennon poderia supor que aquela coisa horrenda seria obra dele. Poisbem. Depois desse dia o alerta vermelho foi acionado e percebi a gravidade da situação: e se eu morresse e alguém psicografasse uma crônica minha que falasse de seres de luz, jardins celestiais e coisitais? Argh!

Mania horrorosa a desse povo, de converter a gente depois que a gente morre. Magali, por exemplo. Além de ateia, Magali sempre foi uma grande escrota e nunca nem botou os pés numa igreja. Aí um dia Magali morre, e uma semana depois, no centro espírita, recebem uma mensagem dela: Queridos paizinhos, amada irmãzinha, que a graça de Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo ilumine vossos corações e… Como é? Amada irmãzinha?! Mas um dia antes de morrer ela queria decapitar a irmã e jogar a cabeça no lixão! Vossos corações?! Mas Magali não tinha nem primeiro grau completo! Então ela, além de se converter e virar santa assim que morreu, ainda fez um superintensivo de português?

Imagino que nesse ponto do texto haja algum espírita indignado comigo. Paciência. Particularmente, para mim até faz sentido que após a morte haja algum tipo de continuação da vida tipo Matrix ou que, após morrer, o cidadão desperte e entenda que tudo foi uma viagem de LSD mucho loca, sei lá. Mas, psicografia? Bem, isso até poderia ser interessante caso a vida pós-morte fosse tão tediosa que a única diversão de um escritor como eu se resumisse a ditar contos de sacanagem para seu público encarnado. Mas acho que ainda não existe centro espírita moderninho assim para topar receber esse tipo de cartinha.

Então, quero desde já deixar claro, claríssimo, que eu, Ricardo Kelmer, terráqueo nascido em 1964 na província de Fortaleza Desmiolada de Sol, atribuído da autoridade a mim concedida por eu ser eu mesmo, e de plena posse de minhas faculdades mentais, não, melhor tirar essa última parte, eu não autorizo ninguém, absolutamente ninguém, a psicografar, psicoaudializar ou canalizar ou receber, seja como for, quaisquer textos de minha autoria, na íntegra ou em parte. Heim? Não, nem mesmo se o texto for de sacanagem, não dá para confiar. Ninguém está autorizado e pronto. E quem disser que recebeu, meus representantes legais poderão processar o engraçadinho.

Ufa. Agora já posso partir em paz. Mas… e se um dia eu, lá dos cafundós do Além, sentir uma vontade danada de escrever um novo livro? Como farei se ninguém estará autorizado a psicografar? Não tem problema: escreverei o livro e darei um jeito de publicar no Além mesmo, não se preocupem, até porque por essa época certamente alguns leitores meus já estarão por lá. Mas novos leitores desencarnados serão sempre bem-vindos, claro. Afinal, já pensou eu, sentado na mesinha do Além, a pilha de livros toda linda em espiral, a equipe de tevê do CulturAlém a postos… e nenhuma alma aparece? Que horror.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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01- Adorei, Ricardo! Denise Santiago, São Paulo-SP – jan2012

02- genial… Glaucia Costa, Fortaleza-CE – jan2012

03- Ai ai, ai, essa Jurema te fez um belo estrago! kkkkkkkk, tô aqui rolando de rir! Lindão, se você for primeiro do que eu pode sussurrar seus textos no meu ouvido que eu prometo ser fiel às suas sacanagens, será um imenso prazer psicografar suas criações! E desde já te prometo ser fiel nas insanidades e nas filosofias! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – jan2012

04- De fato, Kelmer. Quero inclusive te informar que dentre o próprio meio espírita se reconhece que muita abobrinha foi e vem sendo escrita na área da psicografia. Hoje ando afastado do movimento, mas mesmo quando fui parte integrante dele questionava esses absurdos. Só vejo um contra-senso em teu texto. Se você não crê nessa possibilidade comunicativa, não deveria, teoricamente, incomodar-se em nada quanto à fidedignidade das mesmas num futuro batimento de botas. rsrsrsrs A não ser é claro, que você tenha se utilizado da licença poética. Brennand de Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – jan2012

05- O escritor transmite as ideias q lhe vem à cabeça. Cabe ao leitor optar pela interpretação que mais lhe agrade… ou mesmo discordar de tudo q está escrito. Denise Santiago, São Paulo-SP – jan2012


O Despertar do Herói (treiler da palestra)

15/08/2008

15ago2008

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Está no ar o treiler da palestra O Despertar do HeróiA jornada sagrada de autorrealização nos mitos, no cinema e em nossas vidas.

Esta é uma das minhas palestras mais solicitadas, tanto por empresas quanto por colégios e faculdades. Nela, falo de Mitologia, Psicologia, Autoconhecimento e Realização Pessoal numa linguagem simples para mostrar que o mito da Jornada do Herói, presente nas histórias de tantas culturas, nos livros e nos filmes, é uma metáfora do processo de autorrealização, a jornada individual de todos nós rumo à nossa essência mais verdadeira.

Da mesma forma que os heróis dos mitos e do cinema, cada um de nós está predestinado a se realizar verdadeiramente e, com isso, tornar-se o grande herói de sua própria vida. Mas antes é preciso, como o herói de Matrix, despertar, distinguir-se da massa, conhecer-se e assumir a tarefa que dará sentido à existência.

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Profissão Escritor – Pergunte aqui

14/08/2008

14ago2008

Você gostaria de perguntar algo sobre a profissão de escritor, processo de criação etc?

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01- Amanda, Belo Horizonte-MG – dez2006
primeira curiosidade que tenho: quando você decidiu expor sua arte, tinha quantos anos? E, seus familiares davam palpites sobre você ter decidido trabalhar com a escrita? segunda: suas lindas obras sobre mulheres são baseadas em mulheres reais ou você imagina elas? (parei de numerar) Como você faz pra escrever um texto? Tipo, você tem a idéia e começa a escrever ou você escreve a todo tempo, “tudo” pode ser um tema para seu texto? Já fez algum texto em dupla? …eu poderia encher essa página, mas me responde primeiro essas.. tem mais…

01a (quando você decidiu expor sua arte, tinha quantos anos?)
RK – Comecei a mostrar o que escrevia aos 10 anos, eram redações do colégio e historinhas curtas. Na adolescência escrevia poemas, letras de música e contos eróticos (já era tarado naquele tempo). Eu mostrava tudo pra amigos e namoradas. Aos 18, na faculdade, publiquei um livretinho de poemas xerografado, junto com o comparsa Roberto Maciel, e a gente vendia de mão em mão – com a grana ia tomar umas no boteco depois da aula. Nessa época comecei a escrever crônicas. Com 27 anos comecei a publicar crônicas em jornal. Aos 30 publiquei o primeiro livro.

01b (seus familiares davam palpites sobre você ter decidido trabalhar com a escrita?)
RK – Meus pais gostavam de ver meu interesse pelos livros e pela literatura, mas como sabiam que a carreira de escritor era algo muito difícil e incerto, preferiam pro filho algo mais convencional e seguro, como uma carreira militar (estudei dos 11 aos 14 anos em colégio militar) ou que eu trabalhasse com meu pai, que era dono de uma clínica veterinária, ou então que eu prestasse concurso pro Banco do Brasil, essas coisas. Faziam isso sem me pressionar. Mas eu insisti em ser escritor, e ainda hoje pago um alto preço pela decisão. Vilma e Galvão respeitaram minha escolha, e sempre que eu precisei, eles me ajudaram. Isso foi fundamental. Mesmo temerosos, foram os meus pais meus maiores incentivadores.

01c (suas lindas obras sobre mulheres são baseadas em mulheres reais ou você imagina elas?)
RK – Obrigado pelo “lindas obras”, você é muito generosa. Meus trabalhos sobre mulheres são baseados em mulheres “reais” e “não reais”. No primeiro caso, são textos que nasceram da minha história individual, das mulheres que conheci. Alguns são registros fiéis de determinada experiência, outros misturam lembrança e fantasia. Quando a personagem da história é “não real”, eu imaginei a mulher. Nesse caso, ela pode ser uma reunião de aspectos femininos de várias mulheres que conheci pessoalmente ou que só conheço de longe.

01d (Como você faz pra escrever um texto? Tipo, você tem a idéia e começa a escrever ou você escreve a todo tempo)
RK – Eu engravido da ideia e tenho que botar pra fora. Às vezes o texto sai rápido, outras vezes demora muito e o parto é difícil e doloroso, principalmente quando o texto envolve aspectos psicológicos meus dos quais ainda não estou bem consciente. Nesse caso, além de um trabalho profissional e artístico, é também algo terapêutico, de autoconhecimento. Por outro lado, quando tento parir um texto sem passar por esse processo natural de gravidez, estou então escrevendo algo que não pediu pra nascer e, muitas vezes, que não quer nascer mesmo. O resultado é quase sempre um texto ruim, pelo menos pra mim. Por isso não gosto de aceitar escrever sobre temas que não me pediram, eles mesmos, pra serem escritos.

01e (Já fez algum texto em dupla?)
RK – Em dupla não, mas já criei roteiros de sitcom pra tevê em equipes de cinco, sete pessoas. Funciona, mas é preciso metodologia, disciplina e um líder pra guiar a equipe pela viagem das ideias. Só funciona mesmo se cada um trabalhar pra equipe, e não valorizando apenas suas próprias ideias.

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02- Milani Iskandar, Goiânia-GO – dez2006
oq te levou a começar a escrever?! qnd foi q descobriu q qria ser escritor?! e q tipo d texto foi o primeiro pra vc falar é isso q qro!? Li a cronica em q vc fala do livro do Fernando Sabino e tals… tava vendo a sua resposta falando q vc engravida da ideia e tals… eu já sou diferente só consigo escrever qnd to muito triste, na maioria das vezes eu escrevo entre lágrimas e dps de alguns dias pego o texto pra ler e nem acredito q fui eu q escrevi… ja aconteceu isso com vc?!

02a (qq te levou a começar a escrever?!)
RK – Antes de pensar em escrever, eu fui fisgado pela leitura. Eu tinha 7 anos e havia aprendido a ler. E adorava ficar na biblioteca do colégio Santo Inácio, em Fortaleza, folheando os livros infantis. Havia algo de mágico naquele ambiente, nos livros… Eu estava encantado com a descoberta da leitura. Acho que foi aí que a literatura me fisgou. Ainda na infância, contraí uma pneumonia que me obrigou a ficar vários dias de cama e meu pai teve a brilhante ideia de me dar livros e revistas pra eu me ocupar durante a recuperação. Ainda hoje lembro da sensação de felicidade por ter aquelas coisas todas pra ler. Foi então que me deu vontade de também criar histórias como as que eu lia.

02b (qnd foi q descobriu q qria ser escritor?! e q tipo d texto foi o primeiro pra vc falar é isso q qro!?)
RK –
Aos 9 anos eu tentava escrever versinhos pras minhas professoras. Como não sabia, um dia pedi ajuda ao meu pai. Ele, muito gozador, escreveu num papel e me mostrou: Pra minha professora / Dona Conceição / Receba em seu aniversário / Este caroço de feijão. Putz, fiquei puto, claro. Quanto desrespeito pra com um poeta iniciante! Mas foi aos 10 que comecei a escrever minhas primeiras historinhas, curtinhas, geralmente de aventura. Aí a ficha caiu e eu vi que era aquilo mesmo que eu queria pra minha vida.

02c (só consigo escrever qnd to muito triste, na maioria das vezes eu escrevo entre lágrimas e dps de alguns dias pego o texto pra ler e nem acredito q fui eu q escrevi… Ja aconteceu isso com vc?!)
RK –
Muita gente escreve apenas se estiver motivado por emoções. Porém, se você deseja realmente ser uma escritora profissional, não pode depender de estados emocionais propícios. Terá que aprender a escrever profissionalmente, ou seja, produzir textos como um artesão produz suas peças pra vendê-las e assim se sustentar. Essa mecanização do processo às vezes decepciona os candidatos a escritor, pois muitos ainda estão iludidos com a ideia romântica de escrever sob as ordens do coração e coisital. Mas a mecanização do ato de escrever é importante porque prepara o escritor pras exigências do mercado. Quanto a se surpreender com o que se escreve, isso ocorre porque durante o processo criativo a consciência se abre pro inconsciente e expressa em forma de arte os conteúdos desconhecidos que vêm de lá, desse lado de nós mesmos que não conhecemos. Nesse momento você está num estado especial de consciência, como sob efeito de uma droga, e cria. Depois você volta ao estado de consciência ordinário, onde geralmente não há tanto contato direto com o inconsciente, e então se surpreende com o que criou, mais ou menos quando lembra do que fez durante um porre. Sua missão agora é integrar devidamente à consciência os novos conteúdos de seu ser que vieram à tona. Se conseguir, você alargará sua consciência, tornando-se mais consciente de si mesma, de suas potencialidades, seus medos, e se tornará cada vez mais íntima de si mesma. E conhecerá melhor suas potencialidades criativas. Estará no caminho pra ser uma pessoa autoconsciente e equilibrada, e também uma escritora criativa e competente.

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03- Gabriel de Fassio, Brasília-DF – abr2007
Oi, tudo bem! Tenho algumas dúvidas sobre o processo de criação da obra literária. Quando você começa a escrever, mesmo ser for um texto longo (romance, por exemplo), já sabe o destino das personagens e o que ocorrerá durante a trama? Não sei o que é melhor: ter uma idéia inicial e desenvolver o tema até chegar ao final, ou realizar um esboço das idéias e apenas começar a escrever quando a trama já estive bem desenvolvida na mente do escritor. Como você procede?

RK – Não existe um método melhor que outro quando o assunto é processo de criação. Cada escritor acaba desenvolvendo seus próprios métodos. No meu caso, na maioria das vezes os textos (curtos ou longos) nascem de uma ideia inicial e eu começo a escrever sem saber exatamente como terminará. Gosto de deixar que o próprio texto mostre o caminho, e confio tanto nesse processo que jamais tenho qualquer dúvida que dará certo. E sempre dá. De uns anos pra cá, porém, passei a unir o RK escritor com o RK roteirista e em alguns textos longos de ficção (conto ou romance) prestabeleço um esquema de apoio, determinando de antemão o percurso da história, as viradas da trama e até mesmo o fim.

Pra você ver como esse lance de processo criativo é louco, vou te contar algo bem curioso. Enquanto escrevia meu romance O Irresistível Charme da Insanidade empaquei num determinado ponto do desenvolvimento do personagem Luca. Como na história ele lia o I Ching, tive a ideia de tirar um I Ching pro personagem – quem sabe o oráculo chinês não me clarearia as coisas? Sei que parece estranh,o mas como eu estudo o I Ching e sei de suas potencialidades, achei que poderia funcionar. E, de fato, o hexagrama que saiu me deu a ideia que eu precisava pra finalizar a construção do personagem. No seu caso, talvez seja interessante testar os dois métodos e ver como eles funcionam: numa história você deixa a história se escrever por si própria, e em outra você prestabelece um roteiro.

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