As Preciosas do Kelmer – nov2012

26/11/2012

Ricardo Kelmer 2012

AsPreciosasDoKelmer201211-1

.
Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

> No Facebook

> No Blog do Kelmer

.

AsPreciosasDoKelmer201211-1AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
# 2, nov2012

.

IMAGEM DA CAPA: Bettie Page em um de seus antológicos ensaios fotográficos. Foto: Irving Klaw.

DEUS ESTUPRADOR

O candidato republicano ao Senado pelo Estado americano de Indiana, Richard Mourdock, afirmou que uma gravidez resultante de um estupro acontece porque essa “é a vontade de Deus”. Se isso é verdade, então Deus não mudou muita coisa desde o sanguinário Antigo Testamento, quando ele ordenava que os guerreiros de Israel cortassem ao meio as mulheres dos inimigos. Sinceramente? Eu não acharia ruim se alguém estuprasse esse candidato republicano. Infelizmente ele não engravidaria pra provar sua divina tese mas sentiria um pouco do gostinho dela.

> SAIBA MAIS
.

HOMEM CRISTÃO QUE É HOMEM CRISTÃO NÃO ENGRAVIDA
As religiões cristãs são a favor da proibição do aborto por uma razão bem simples: os líderes dessas religiões são homens, machistas e misógenos. Eles temem a liberdade e a sexualidade da mulher. Se homem engravidasse, o aborto seria permitido e nem haveria essa discussão.
..

FEMINISTA CRISTÃ EXISTE? – É uma dúvida que tenho.

.

LIVRANDO A SEMANA (37)

PIAF – UMA VIDA (Carolyn Burke) – Criada entre um bordel, em uma caravana circense e em um bairro da classe trabalhadora parisiense, a cantora e ícone francês Edith Piaf começou a cantar nas ruas, onde foi descoberta pelo dono de um cabaré da Champs-Elysées. Com sua voz passional e poderosa, tornou-se rapidamente uma estrela, seduzindo na mesma medida a elite de Paris e as pessoas das áreas mais empobrecidas da cidade. Este livro examina sua escalada à fama e à notoriedade, seus tumultuados casos amorosos e sua luta contra as drogas, o álcool e a doença, enquanto explora novas fontes para enriquecer nosso conhecimento sobre aspectos pouco conhecidos de sua vida, como os fatos de ter sido estudante de poesia e de filosofia e ter auxiliado a Resistência durante a Segunda Guerra Mundial. Escreveu a letra de quase cem canções (incluindo “La vie en rose”) e foi mentora crucial de artistas mais jovens, como Ives Montand e Charles Aznavour, que absorveram seu amor por “la chanson” e a abordagem rigorosa do ofício de cantor.

> Adquira este livro na Livraria Arte Paubrasil clicando aqui
.

SOBRE EDITH PIAF (Wikipedia)

Édith Giovanna Gassion, (Paris, 19 de dezembro de 1915 – Plascassier, 11 de outubro de 1963, ou simplesmente, Édith Piaf foi uma cantora francesa de música de salão e variedades, mas foi reconhecida internacionalmente pelo seu talento no estilo francês da chanson.

O seu canto expressava claramente sua trágica história de vida. Entre seus maiores sucessos estão “La vie en rose” (1946), “Hymne à l’amour” (1949), “Milord” (1959), “Non, je ne regrette rien” (1960). Participou de peças teatrais e filmes. Em junho de 2007 foi lançado um filme biográfico sobre ela, chegando ao cinemas brasileiros em agosto do mesmo ano com o título “Piaf – Um Hino Ao Amor” (originalmente “La Môme”, em inglês “La Vie En Rose”), direção de Olivier Dahan.

Édith Piaf está sepultada na mais célebre necrópole parisiense, o cemitério do Père-Lachaise. Seu funeral foi acompanhado por uma multidão poucas vezes vista na capital francesa. Hoje, o seu túmulo é um dos mais visitados por turistas do mundo inteiro.

> Edith Piaf na Wikipedia

.

MACONHA LIBERADA

BobEsponjamaconha-01AULAS MAIS INTERESSANTES

Nos Estados Unidos, os estados de Washington e Colorado liberaram, por meio de referendo, o uso recreativo da maconha. Grande novidade. Na faculdade de Comunicação os malucos sempre saíam pra fumar um baseado na hora do recreio.

> Saiba mais
.

VEJA MACONHADA – A revista Veja, em sua edição 2293, deu capa à maconha: “Maconha. As novas descobertas da medicina cortam o barato de quem acha que ela não faz mal.

Numa reportagem de seis páginas, a revista tenta fazer a cabeça de seus leitores mostrando dados de algumas pesquisas que indicariam que maconha faz mais mal à saúde que cigarro ou álcool.

Bem, só pra termos uma ideia do tipo de pesquisa em que se baseou a revista, pra ela usuário crônico é aquele que fuma um baseado por semana. Se seguirmos essa linha de raciocínio, quem bebe sua cervejinha no sábado é alcoólatra.

Fico aqui pensando… Que interesses terá a revista Veja em contribuir pra manter o comércio e venda de maconha nas mãos do crime organizado?

> Baixe a revista
.

RESPOSTA À VEJA

A Rede Pense Livre enviou correspondência à Revista Veja acerca da matéria de capa da edição de 31/10/2012. Veja abaixo a íntegra da carta à revista e um texto que responde os principais pontos abordados na reportagem:

À revista Veja. A matéria de capa da última edição da revista não cumpre a missão de informar o debate sobre o uso/abuso da maconha, pois polariza a discussão e confunde os leitores. A demonização da droga reitera a política de prevenção equivocada que afasta os jovens do diálogo. (…)

> Leia na íntegra
.

COMO SERÁ EM WASHINGTON E NO COLORADO
(almanaquedasdrogas.com)

COLORADO – O Colorado foi o primeiro a fechar a conta: 54,6% a favor e 45,4%. Quase 1,25 milhões de eleitores disseram sim à Emenda 64, cujo mote era “regular a maconha como o álcool”. O texto original da emenda, de fato, diz que o procedimento deve ser “como acontece numa loja de bebidas”. Ele também diz que a lei foi criada “em nome da liberdade individual, do aumento da arrecadação estadual e da aplicação eficiente dos recursos policiais” – resposta direta à prisão de mais de 10 mil pessoas por ano, por porte de maconha no Estado.

WASHINGTON – O próprio governo do Estado, por meio de seu Escritório de Gerenciamento Financeiro, tratou de ver quanto esse comércio verde vai render em tributos. A conclusão é que a venda de maconha pode gerar uma renda extra de US$ 1,59 bilhões para os cofres públicos. A maior parte vai para a saúde (55%), tratamento de dependentes e educação sobre drogas (25%). E fatias menores vão para pesquisas sobre maconha nas universidades locais.

Saiba mais

.

LIVRANDO A SEMANA (038)

O DOCE VENENO DO ESCORPIÃO (Bruna Surfistinha)

Bruna Surfistinha é o pseudônimo de Raquel Pacheco, uma garota paulistana de classe média que briga com os pais, sai de casa e se prostitui por três anos enquanto narra seu dia a dia num blog, cativando milhares de leitores homens e mulheres, adultos e adolescentes. Ela atua num filme pornô, lança um livro sobre sua vida que vende horrores, atrai a atenção da mídia internacional, supera problemas com drogas, casa com um ex-cliente que deixa a mulher pra viver com ela e, por fim, larga a prostituição. Ela é um fenômeno cultural.

Este livro é a história de Raquel/Bruna. Ele traz ainda um diário secreto com as histórias mais ousadas que Bruna não teve coragem de publicar no blog. O diário, com 36 páginas negras, vem lacrado. Por fim, Bruna também dá pequenas lições para uma mulher de como conquistar um homem e jamais perdê-lo para uma garota de programa.

> Adquira este livro na Livraria Arte Paubrasil clicando aqui
.

A PROSTITUIÇÃO NA SALA DE ESTAR

AProstituicaoNaSalaDeEstar-02aRaquel destruiu uma velha imagem da prostituta, a da moça pobre-coitada que é obrigada a alugar o corpo por não ter outra opção. Raquel não. Ela estudava em colégio bom e possuía bom nível cultural. Poderia ter arrumado outro trabalho mas, não, ela quis ser puta. Planejava juntar grana e largar a prostituição, sim, mas enquanto isso não ocorria, ela vivia com alegria e não se arrependia de sua escolha. Depois de Raquel Pacheco as teses sociológicas terão de ser refeitas pra falar dessas mulheres que agora a sociedade sabe que existem: meninas de classe média que, em busca de vida melhor e de custear os estudos mais rapidamente, recusam os salários e condições oferecidos pelos empregos tradicionais e encontram na prostituição um ofício honesto, com seus prós e contras mas com vantagens financeiras incomparáveis e que a cada dia é visto com menos preconceito.

> Leia a crônica na íntegra
.

DIA INTERNACIONAL DA PROSTITUTA
(redeprostitutas.org.br)

No dia 2 de junho de 1975, 150 prostitutas ocuparam a igreja de Saint-Nizier, em Lyon, na França. Elas protestavam contra multas e detenções, em nome de uma “guerra contra o rufianismo”, e até contra assassinatos de colegas que sequer eram investigados. Além disso, maridos e filhos de prostitutas eram processados como rufiões, por se beneficiarem dos rendimentos das mulheres. Tabernas deixaram de alugar quartos para as trabalhadoras do sexo, com medo da repressão policial. A diretoria da igreja e a população de Lyon apoiaram a manifestação e deram proteção a elas.

A ocupação da igreja foi transmitida por todos os meios de comunicação, no país e no exterior, inclusive no Brasil. As mulheres exigiam que o seu trabalho fosse considerado “tão útil à França como outro qualquer”. Outras 200 prostitutas percorreram as ruas de carro distribuindo filipetas, com denúncias de que eram “vítimas de perseguição policial”, o que as impedia de trabalhar. Uma carta foi enviada ao presidente Giscard d’Estaing.

O movimento se ampliou para outras cidades francesas, como Marselha, Montpellier, Grenoble e Paris, onde colegas também entraram em greve. No dia 10 de junho, às 5 horas de manhã, as mulheres na igreja de Saint-Nizier foram brutalmente expulsas pela polícia.

Ao ter a coragem de romper o silêncio e denunciar o preconceito, a discriminação e as arbitrariedades, chamando a atenção para a situação em que viviam, as prostitutas de Lyon entraram para a história. Por isso, o 2 de junho foi declarado, pelo movimento organizado, como o Dia Internacional da Prostituta.

.

CABRA MARCADA PARA CASAR

CabraNoiva-1“Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar.” Este foi o argumento do jornalista José Roberto Guzzo, que escreve na revista Veja, pra mostrar por que o casamento gay não deve ser permitido. O argumento é tão absurdo que fica difícil levá-lo a sério. Porém, por estar numa revista de grande circulação como Veja, ele automaticamente toma uma dimensão preocupante.

A união civil entre pessoas do mesmo sexo é uma natural conquista das sociedades democráticas e no Brasil ela virá mais cedo ou mais tarde. Pra desgosto de pessoas como o sr. Guzzo.

A propósito, e a união civil entre três ou mais pessoas? Por que elas também não teriam o mesmo direito? Mas isso é um assunto ainda mais delicado.

> Leia o artigo
.

CABRA MARCADA PARA CASAR – É claro que a turma não deixaria passar em branco o comentário do sr. Guzzo. Além das críticas, teve também o bom humor…

> Ria um pouquinho com as cabras
.

A REUNIÃO PARA CRIAÇÃO DO ARTIGO DA VEJA

O filme A Queda: As Últimas Horas de Hitler é um filme alemão de 2004, que mostra os útimos dez dias da vida de Adolf Hitler no Führerbunker em 1945. Uma cena em particular, que mostra Hitler irritado tendo um ataque de fúria com seus generais, proporcionou centenas de versões satirizadas na internet sobre os mais variados assuntos. Se você não passou os últimos anos em outro planeta, certamente já deve ter visto e rido com algum deles.

Pois bem, já fizeram um a respeito do texto do sr. Guzzo na revista Veja. Veja aqui

.

MITOCÔNDRIA PROCURA MÉNAGE À TROIS

Os distúrbios mitocrondriais podem causar incapacidade muscular, cegueira, insuficiência cardíaca e até mesmo morte prematura de bebês. Eles são causados por um defeito no DNA mitocondrial da mãe, que é transmitido para o bebê. Na Grã Bretanha esses problemas afetam uma entre 6.500 crianças.

Cientistas de vários países desenvolveram uma técnica que substitui o DNA mitocondrial defeituoso da mãe pelo de uma doadora. Com isso o bebê teria material genético de três pessoas (um homem e duas mulheres). A técnica ainda não foi aprovada por nenhum governo mas em breve será submetida a consulta popular na Inglaterra.

Pra não perder a piada: é a confirmação científica da importância do ménage à trois pra saúde da espécie humana.

> Saiba mais

.

LIVRANDO A SEMANA (39)

CEM ANOS DE SOLIDÃO (Gabriel García Márquez)

Um comboio carregado de cadáveres. Uma população inteira que perde a memória. Mulheres que se trancam por décadas numa casa escura. Homens que arrastam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas. São esses alguns dos elementos que compõem o exuberante universo deste romance, no qual se narra a mítica história da cidade de Macondo e de seus inesquecíveis habitantes.

Lançado em 1967, Cem Anos de Solidão é tido, por consenso, como uma das obras-primas da literatura latino-americana moderna. O livro logo tornou o colombiano Gabriel García Márquez (1928) uma celebridade mundial; quinze anos depois, em 1982, ele receberia o Prêmio Nobel de Literatura.

Aqui o leitor acompanhará as vicissitudes da numerosa descendência da família Buendía ao longo de várias gerações. Todos em luta contra uma realidade truculenta, excessiva, sempre à beira da destruição total. Todos com as paixões à flor da pele. E o “realismo mágico” de García Márquez não dilui a matéria de que trata –no caso, a história brutal e às vezes inacreditável dos países latino-americanos. Pelo contrário: só a torna mais viva.

Adquira este livro na Livraria Arte Paubrasil clicando aqui
.

CEM ANOS DE SOLIDÃO
(Wikipedia)

Esta obra tem a peculiaridade de ser umas das mais lidas e traduzidas de todo o mundo. Durante o IV Congresso Internacional da Língua Espanhola, realizado em Cartagena, na Colômbia, em Março de 2007, Cem anos de solidão foi considerada a segunda obra mais importante de toda a literatura hispânica, ficando apenas atrás de Dom Quixote de la Mancha. Utilizando o estilo conhecido como realismo mágico, Cem Anos de Solidão cativou milhões de leitores e ainda atrai milhares de fãs à literatura constante de Gabriel García Márquez.

A primeira edição da obra foi publicada em Buenos Aires, Argentina, em Maio de 1967, pela editora Editorial Sudamericana, com uma tiragem inicial de 8.000 exemplares. Nos dias de hoje já foram vendidos cerca de 30 milhões de exemplares ao longo dos 35 idiomas em que foram traduzidos.

> Saiba mais
.

SOBRE GARCÍA MÁRQUEZ
(Wikipedia)

Gabriel García Márquez (Aracataca, 6 de março de 1927) é um escritor, jornalista, editor, ativista e político colombiano. Considerado um dos autores mais importantes do século 20, ele foi premiado com o Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra, que entre outros livros inclui o aclamado romance Cem Anos de Solidão. Foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana. Viajou muito pela Europa e vive atualmente em Cuba. É pai do cineasta Rodrigo García. Em abril de 2009 declarou que se aposentou e que não pretendia escrever mais livros. Essa notícia foi confirmada em 2012, quando seu irmão, Jaime Garcia Marquez, noticia que foi diagnosticada uma demência a Gabriel Garcia Marquez e que, embora esteja em bom estado físico, perdeu a memória e não voltará a escrever.

> Saiba mais

.

AvisoPrevioDeTraicao-01AVISO PRÉVIO DE TRAIÇÃO

Clarabela, Timótea, Vivalda e Oitília. Quando elas brigam por nós.

> Leia o conto na íntegra

.

LIVRANDO A SEMANA (40)

CANALHA, SUBSTANTIVO FEMININO (Martha Mendonça) Editora Record

Quem disse que só os homens sabem ser canalhas? E as mulheres, são eternas vítimas? Este livro subverte o clichê de gênero que coloca homens e mulheres sempre nos mesmos papéis. Larissa, Cristina, Ângela, Diana, Ingrid e Mariana relatam, na primeira pessoa, aonde sua natureza amoral as levou. Elas não estão com raiva e não querem vingança. Apenas não conseguem deixar de ser… canalhas. Qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência?

> Adquira este livro na Livraria Arte Paubrasil clicando aqui

.

AS PRECIOSAS DO KELMER

> No Facebook

> No Blog do Kelmer

.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS


As Preciosas do Kelmer – out2012

26/10/2012

Ricardo Kelmer 2012

.
Criei uma revistinha no Facebook. Ela se chama As Preciosas do Kelmer e é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

> No Facebook

> No Blog do Kelmer

.

AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês – Edição 1, out2012

LEILÃO DE VIRGINDADE – Quanto vale ser o primeiro homem de uma garota do interior?

PASSA O BRAU, TED – Você daria pro seu filho um ursinho de pelúcia maconheiro?

A VOZ DO BAIXO – Gravação do CD de Vanessa Moreno e Felipe Maróstica começa na internet

SAGRADO DIREITO DE BLASFEMAR – O direito à livre expressão e os privilégios da religião

FALE MAIS SOBRE ISSO – Série Sessão de Terapia estreia no GNT

NO MEU CORPO MANDO EU – Uruguai reconhece o direito básico da mulher ao aborto

POLIGAMIA E MONOTONIA – Entrevista com Regina Navarro Lins sobre relacionamentos, sexo e amor

APOCALIPSE PRA VENDER LIVRO – Tem escritor que não respeita nem o fim do mundo

IMAGEM DA CAPA: Cena de L´Apollinide, filme de Bertrand Bonello (2011)

.

LEILÃO DE VIRGINDADE
Quanto vale ser o primeiro homem de uma garota do interior?

Catarina Miglorini tem 20 anos e decidiu leiloar sua virgindade. Sua experiência está sendo registrada por um cineasta e vai virar documentário. Se você tem interesse, poderá dar seu lance até 15out e a grande noite será em 25out, num avião em pleno voo. Relaxe: a transa não será filmada.

Cavalheirismo, orgasmos múltiplos e leilão de virgindade – vantagens que só a mulher tem.

> Catarinense leiloa virgindade e lances já chegam a mais de US$ 150 mil (g1.globo.com)

.

CATARINA MIGLORINI FALA SOBRE O LEILÃO

“Sempre fui uma menina muito, muito romântica. Quando souberam, minhas amigas não acreditaram. O que eu posso te dizer agora é que o leilão, para mim, é um negócio. Mas não deixei de ser romântica de forma alguma. Acredito com todas as forças no amor. Nunca tive namorado. O meu primeiro beijo foi aos 17. Enquanto muitas meninas da minha idade tinham feito muitas coisas, não sabia o que era sexo. Hoje sei, tem os meios de comunicação, né?”

Taí uma menina de futuro, que sabe que sexo e amor são coisas bem diferentes.

> Catarinense de 20 anos leiloa virgindade pela internet – folha.uol.com.br

.

QUEREMOS PERERECA

Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Leilão encerrado. Quem levou a virgindade da brasileira Catarina Miglorini (que na verdade se chama Ingrid) foi um japonês de 53 anos. Seu lance foi de U$ 780 mil, aproximadamente R$ 1,6 milhão. Uau. É muita grana por uma perereca à cabidela. Admito que pensei em participar do leilão. Minha oferta seria um caldo de cana e dois pastel na feirinha da Benedito Calixto. Não que a perereca da moça não valha muito – o caldo e o pastel da feirinha é que são muito bons, eu garanto. Diante da oferta do japa, tenho quase certeza que eu não teria chance.

Desculpa mas tô cheio de dúvida. Será que esse japa tem pau pequeno? Será que Catarina vai ficar contando 780 mil carneirinhos pra ajudar a passar o tempo? Pelo contrato, ela tem que rebolar ou vai ser no estilo “mortinha”?

Agora falando sério. O leilão da virgindade do rapaz russo também foi encerrada. O maior lance foi de U$ 3 mil, e ainda foi dado por um homem. Pô, dona Orestina, que desmoralização! Nós homens estamos mesmo muito desvalorizados. Até nisso as mulheres têm vantagem, como se já não bastasse o orgasmo múltiplo. E mais: elas podem reconstruir o hímen e assim vender a virgindade várias vezes, enquanto nós só temos uma virgindade, umazinha só. E muitos de nós ainda precisamos pagar pra tirá-la, que injustiça. Ser homem não é mole.

Tô revoltado. A evolução natural bem que podia ter nos dado também uma perereca. Bastava uma pererequinha discreta, escondidinha ali pelo períneo. Talvez eu não conseguisse U$ 780 mil por ela mas certamente já ajudaria a pagar o pastel e o caldo de cana na feirinha.

> Catarina terá sua 1ª vez na Austrália com japonês de 53 anos – terra.com.br

.

A VOZ DO BAIXO
Gravação do CD de Vanessa Moreno e Felipe Maróstica começa na internet

Quem conhece Vanessa Moreno do espetáculo Viniciarte, já sabe da maravilhosa cantora que ela é. Pois bem, ela tá gravando um disco de duo de baixo e voz  de com seu parceiro Filipe Maróstica. E você pode participar do projeto. Saiba como:

> Colabore com Vanessa Moreno e Filipe Maróstica

VANESSA MORENO: Neste projeto, as pessoas podem colaborar a partir de R$5,00. É só clicar no link e entrar em “Quero Financiar Este Projeto”. Terão músicas autorais, de compositores amigos e da cena independente. Também, várias participações especiais pra rechear esse trabalho que será feito com muito carinho! Participem dessa troca com a gente. Vc escolhe o valor e a recompensa e nos ajuda a gravar o CD!

.

.

NO MEU CORPO MANDO EU
Uruguai reconhece o direito básico da mulher ao aborto

Por 50 votos a favor e 49 contra, a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou, na semana passada, um projeto de lei que descriminaliza o aborto até a 12ª semana de gestação,14ª em caso de estupro e prazo indeterminado em caso de risco para a saúde da mãe. O texto aprovado muda a proposta que já havia sido aprovada pelo Senado. Agora o projeto volta ao Senado, onde não deve ter problemas para sua aprovação final, já que o partido governista da Frente Ampla tem maioria absoluta. Se o projeto for ratificado, o Uruguai será o primeiro país da América do Sul a descriminalizar o aborto.

Que ótima notícia. Aos poucos as democracias da América Latina vão se livrando das amarras religiosas que tanto mal fazem às mulheres.

E NO BRASIL?

No Brasil, hoje é permitido interromper a gestação em caso de estupro ou de risco de morte da mulher, além de gravidez em caso de fetos anencéfalos (sem cérebro). Este último caso foi liberado pelo Supremo Tribunal Federal em abril deste ano. Por 8 votos a 2, os ministros consideraram que a mulher que interrompe a gravidez de um feto anencéfalo e o médico que faz o procedimento não cometem crime. A maioria dos membros do STF entendeu que um feto com anencefalia é natimorto e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos não é comparada ao aborto, considerado crime pelo Código Penal.

> Câmara aprova projeto que descriminaliza o aborto no Uruguai – estadao.com.br

.

.

PASSA O BRAU, TED
Você daria pro seu filho um ursinho de pelúcia maconheiro?

John tem um amigo muito especial: seu ursinho de pelúcia, que ganhou vida quando ele era criança. Mas Ted é um ursinho de pelúcia diferente: faz sexo, toma drogas e está ficando muito mal-humorado. John agora precisa decidir entre manter a amizade de infância ou o namoro com Lori.

TED (EUA/2012)
Direção: Seth MacFarlane
Com Mark Wahlberg e Mila Kunis
Recomendação: 16 anos
Veja o treiler (legendado)

> SAIBA MAIS resenhafilme.blogspot.com

.

O URSINHO E O DEPUTADO SEM-NOÇÃO

Quem é mais doidão? Um ursinho de pelúcia que fuma maconha ou um deputado que leva seu filho de 11 anos pra ver um filme desaconselhável pra menores de 16 anos? Pois foi isso que fez o deputado federal Protógenes Queiroz. E fez mais: bradou na imprensa e tentou proibir a exibição do filme em todo o país por, segundo ele, fazer apologia ao uso de drogas. Depois, mais relaxadim, tentou que fosse mudada a classificação do filme pra 18 anos. Pro bem da democracia e da liberdade de expressão, nada conseguiu.

Com sua lambança o deputado Retrógenes, ops, Protógenes, fez aumentar o público do filme e ainda atiçou os ativistas que lutam pelo sagrado direito à livre expressão. E, de quebra, inspirou a turma a criar a AUPM – Amigos dos Ursinhos de Pelúcia Maconheiros. Eu já me filiei, claro.

> Ursinho Ted, Protógenes e a pouca tolerância do públicocineclick.com.br

.

.

POLIGAMIA E MONOTONIA
Regina Navarro Lins fala sobre relacionamentos, sexo e amor

Regina Navarro Lins é psicanalista e sexóloga, tem vários livros publicados, escreve em jornais e revistas e faz palestras sobre sexo e relacionamentos. Trabalha em seu consultório particular em terapia individual e de casais. Suas opiniões são polêmicas e a marcam como uma militante da liberdade sexual e amorosa. Para Regina, as pessoas precisam urgentemente entender que amor e sexo são coisas diferentes. Veja algumas opiniões dela:

“As pessoas não percebem que são infelizes porque seguem padrões que não levam a nada, como acreditar que em um casamento é possível a exclusividade. Quem disse que não é possível amar mais de uma pessoa? É sim!”

Regina é contra o cavalheirismo. “Por que um homem tem que pagar a sua conta ou tirar uma cadeira para você sentar? É porque a mulher é um ser frágil e incapaz até de puxar uma cadeira?”

“Essa coisa de masculino e feminino são estereótipos para aprisionar as pessoas. As mulheres têm que ser sensíveis e frágeis. E os homens, corajosos e bravos. Imagina! Isso é tudo criação. Todos nós somos fortes e fracos, ativos e passivos, depende do momento.”

Entrevista na revista TPM  (set2012)

.

O LIVRO DO AMOR
Regina Navarro Lins

SINOPSE – Quanto a experiência amorosa ocidental se modificou e se repetiu ao longo dos últimos milênios? A psicanalista Regina Navarro Lins dedicou-se a pesquisas, cruzamentos entre o passado e o presente e reflexões sobre o tema para dar conta de questão tão fundamental à compreensão do amor na contemporaneidade. Da Pré-História ao século 21, as vivências do amor e do sexo têm sido moldadas culturalmente. Sujeitos a paradigmas morais, dogmas religiosos, interesses políticos, econômicos e sociais, homens e mulheres desempenham papéis em constante mutação. O advento da pílula, os movimentos feminista e gay e a revolução tecnológica abrem caminho para uma nova vivência amorosa. Do amor ideal ao sexo virtual, barreiras e modelos são derrubados numa história ainda em construção. Dividido em dois volumes – o primeiro da Pré-História à Renascença e o segundo do Iluminismo até a atualidade –, esse trabalho nos coloca diante do espelho da História e lança um olhar corajoso sobre os relacionamentos nos nossos dias

.

.

SAGRADO DIREITO DE BLASFEMAR
O direito à livre expressão e os privilégios da religião

A liberdade de expressão é uma conquista democrática, uma das maiores riquezas culturais das sociedades mais evoluídas. Ela garante seu direito de dizer o que pensa. Porém, se
O direito à livre expressão e os privilégios da religião o que você diz infringe alguma lei (incitação à violência, racismo, homofobia etc), você pode ser processado. O equilíbrio entre a livre expressão e a convivência entre os diferentes é um ponto nevrálgico nessa questão. Até onde garantir a livre expressão? Fazer piada com ícones culturais e símbolos religiosos deve ser um direito ou deve ser proibido?

A blasfêmia é um insulto a algo considerado sagrado. Mas… isso é totalmente relativo pois o que é sagrado pra alguém não o é necessariamente pra outros. E até onde iria a classificação de blasfêmia? E quem julgaria isso? Se a blasfêmia fosse proibida por lei, você poderia ser preso por fazer piada com discos voadores pois há seitas religiosas que consideram sagrados os extraterrestres, e todas as religiões também teriam que ser proibidas pois todas blasfemam umas contra as outras com seus dogmas conflitantes.

Se você não gosta de estudar, torça pra que a blasfêmia não vire crime, caso contrário você terá obrigatoriamente que ser especialista em todas as milhares de seitas e religiões do mundo (e todo dia surge uma nova) pra não correr o risco de insultar seus crentes. Se não estudar bem cada uma delas, você poderá ser processado porque desenhou a figura de um profeta, usou um símbolo não permitido ou batizou seu filho com um nome blasfemo. Isso sim será o inferno.

MAIS TEXTOS SOBRE O TEMA

> Feliz Dia da Blasfêmia (Carlos Orsi)
> Blasfemar é um direito (blog O Lado Oculto da Lua)
> Pelo direito de blasfemar (Marcos Raposo)
> Quem vai definir quais são os limites? (Carlos Eduardo Lins da Silva)

.

.

FALE MAIS SOBRE ISSO
Série Sessão de Terapia estreia no GNT

O canal GNT está exibindo a série Sessão de Terapia (segunda a sexta, 22h30). Com direção de Selton Mello, a série reproduz as sessões de atendimento de um psicanalista. São 45 capítulos, exibidos de segunda a sexta. Às segundas ele atende uma enfermeira, às terças atende um atirador de elite, às quartas uma jovem ginasta e às quintas um casal em crise. Às sextas ele é atendido por sua própria psicanalista e supervisora.

Sessão de Terapia é a versão brasileira da série israelense Be Tipul, criada por Hagai Levi e que tornou-se sucesso em Israel. Várias versões foram feitas em outros países, inclusive nos Estados Unidos, que se chamou In Treatment.

ATORES: Zécarlos Machado, Maria Fernanda Cândido, Sérgio Guizé, Bianca Müller, Mariana Lima e André Frateschi, Selma Egrei.

É bom ver a psicoterapia na TV, ainda que seja a psicanálise, uma forma de terapia, ao meu ver, bastante limitante por privilegiar uma interpretação racionalista da realidade. Selma Egrei talvez concorde comigo: ela, que interpreta a supervisora do psicanalista, aceitou fazer o papel mesmo sem concordar com os princípios terapêuticos da psicanálise.

Tomara que a série motive muita gente a buscar o autoconhecimento psicológico. Ao contrário do que a maioria pensa, principalmente os religiosos, a verdadeira salvação vem de dentro.

> Saiba mais

.

.

AS PRECIOSAS DO KELMER

> No Facebook

> No Blog do Kelmer

.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.


Jung – A ciência revolucionária

23/09/2012

23set2012

Como pesquisador da consciência, psicoterapeuta, antropólogo e pensador, Jung levou suas descobertas a uma abrangência notável, refletindo sempre sua preocupação com o futuro da humanidade

JUNG – A CIÊNCIA REVOLUCIONÁRIA

.
A psicologia analítica de Jung é um caso curioso na ciência. Embora suas ideias sobre a psique tenham se entendido muito bem com outras ciências como a física quântica, a antropologia e a sociologia, Jung sempre foi considerado um tanto místico por grande parte de seus colegas psicólogos, tendo suas ideias relegadas a uma importância menor na história da psicologia e do pensamento contemporâneo.

Somente agora, quatro décadas após sua morte, suas teorias a respeito da psique começam, de fato, a ser levadas a sério no meio acadêmico, influenciando psicólogos, psiquiatras e os novos cientistas da consciência. A notável abrangência de seu trabalho também tem alcançado profissionais de áreas distintas como médicos, educadores e artistas, o que tem feito com que suas ideias sejam cada vez mais incorporadas pelo público médio.

Afinal, o que possuem as ideias de Jung que tanto aproxima as ciências e o qualifica como o primeiro pensador da pós-modernidade e um dos mais revolucionários pesquisadores da consciência?
.

Carl Gustav Jung nasce em 1875, em Kesswill, na Suíça. Forma-se médico e especializa-se em psiquiatria, ciência em formação. O interesse pelos distúrbios mentais o faz desenvolver profundos estudos sobre a mente e suas conclusões o aproximam de Freud em 1907. O já famoso psicanalista judeu-austríaco é figura polêmica no meio acadêmico e enfrenta dificuldades para ter levadas a sério suas ideias sobre o inconsciente. Freud logo reconhece o alto valor do suíço e vê nele, no não judeu, a cabeça ideal para levar adiante a psicanálise. Jung, chefe de clínica do renomado hospital psiquiátrico de Zurique, mesmo ciente dos riscos que corre sua carreira e vendo limitações comprometedoras nas teorias do mestre vienense, toma defesa de Freud em público e tornam-se colaboradores.

Seus estudos e sua experiência clínica, porém, levam-no a divergir da psicanálise e a dolorosa ruptura acontece em 1912. Freud sente-se traído. E Jung vê-se em apuros, pois conhecidos e amigos o abandonam. Inicia-se aí o período mais difícil e delicado de sua vida, onde ele abandona as atividades acadêmicas e parte para um solitário, terrível e decisivo confronto com o inconsciente ‒ que levará anos e quase lhe será fatal.

Mas Jung supera o desafio, emerge dessa fase revigorado e prossegue com seus estudos, mesmo consciente que dificilmente a mentalidade científica ocidental levará a sério coisas como inconsciente coletivo, mitologia e alquimia, para ele fundamentais na compreensão dos processos psíquicos. Morre aos 86 anos, em 1961, deixando uma instigante obra, ainda hoje revolucionária.

Atualmente, percebe-se um aumento de interesse pelo pesquisador suíço, tanto no meio acadêmico quanto pelo público médio, mas até poucos anos atrás a grande maioria dos cursos de psicologia dedicavam, quando muito, uma ou duas aulas às ideias de Jung. Assim como a medicina tradicional ainda está, na maior parte, presa ao paradigma mecanicista newtoniano, nossa psicologia “oficial” ainda é freudiana-psicanalítica. No entanto, alguns pesquisadores desde cedo apoiaram as teorias do suíço, inclusive físicos (!) que viram em suas inusitadas descobertas no mundo das partículas subatômicas incríveis semelhanças com as teorias junguianas sobre o funcionamento da psique. Para esses cientistas, o mundo dos átomos revelava uma espécie de consciência e, de repente, era como se mente e matéria não fossem tão distintas assim e se influenciassem mutuamente ‒ como afirmava Jung, desafiando o paradigma newtoniano-descartiano ainda hoje vigente. Sociólogos e antropólogos também o apoiaram, e a psicologia transpessoal surgiu a partir dele.

Como pesquisador da consciência, psicoterapeuta, antropólogo e pensador, Jung levou suas descobertas a uma abrangência notável, refletindo sempre sua preocupação com o futuro da humanidade. Suas ideias estão cada vez mais presentes nas universidades, em livros, filmes, na vida cotidiana e nas novas maneiras de se interpretar a realidade.

ciência e eu superior

Jung afirma que o inconsciente não é subproduto da consciência nem mero depósito para onde são desviados desejos recalcados e frustrações sexuais, como pensava Freud. Para Jung, a consciência individual é que é produto do inconsciente coletivo da humanidade e traz consigo sua própria porção inconsciente, que, com seus conteúdos escondidos da luz da consciência, influencia o comportamento do indivíduo. Nos recônditos escuros da psique o inconsciente está sempre atuando, e faz com que os sonhos, em sua linguagem simbólica, sejam a representação fiel dos processos psíquicos ‒ nosso apego à racionalidade é que nos afastou da linguagem dos símbolos e não mais a entendemos.

Aprendemos com Jung que o sentido da vida é a individuação, espécie de impulso natural da psique rumo à concretização da potencialidade que trazemos em nós (realização da personalidade total). Esse processo inclui um profundo conhecimento de si próprio pela autoinvestigação psicológica, fazendo-nos mais cientes de nós mesmos e mais capazes.

Para Jung, o processo de individuação é conduzido por um tipo de centro ordenador da psique, que ele denominou self (si-mesmo) e que seria ao mesmo tempo o centro e a totalidade da psique. Individuar-se significa ampliar a consciência, a área superficial da psique. Representa separar-se da massa, do turbilhão inconsciente, e adquirir autonomia. Tornar-se uma totalidade psicológica, una e centrada, sem divisões internas: um “in-divíduo”. Este é o caminho para a personalidade total e a mais íntima realização pessoal. Para Jung, o futuro da humanidade dependerá diretamente disso, da quantidade de pessoas que conseguirem se individuar.

Não é difícil imaginar o quanto isso deve ter soado místico a certas mentalidades. Quer dizer então que se eu entrar nessa, meu eu superior passa a cuidar de mim? ‒ gozam os mais céticos. Há, porém, os que pagam para ver.

taoísmo, alquimia, ufologia

Jung foi ousado ao valorizar o estudo da mitologia, das religiões e da sabedoria oriental, mostrando a ponte para ligar dois modos distintos, mas não excludentes, de interpretar a realidade. Seu conceito de sincronicidade (coincidência envolvendo estados psíquicos e acontecimentos físicos sem relação causal entre si) apresentou à mentalidade científica o mecanismo das grandes coincidências, dos oráculos como o tarô e dos eventos ditos ocultos.

Ele sugeriu que, assim como a ideia taoísta de unicidade, nosso inconsciente pessoal está ligado a todos os outros formando um inconsciente maior, único e coletivo, o que faria nossos pensamentos todos interconectados. Chegou à corajosa conclusão que a humanidade guarda em seu inconsciente geral o registro de todas as suas vivências, mesmo as mais arcaicas (mitos e arquétipos) e assim o passado de um torna-se patrimônio de todos (viria daí, afinal, a ideia de que já fomos alguém em outra vida, presente em tantas culturas?). Mostrou que o I Ching, o milenar livro chinês das mutações, constitui a primeira tentativa documentada de relacionar o inconsciente e o Universo e, assim, a mentalidade oriental deveria ser vista com mais atenção. Jung falava de intercâmbio, não de descarte, entre distintas percepções da realidade. Mas a ciência tradicional deu risinhos.

Seus estudos sobre a alquimia medieval mostraram que ela é precursora da nossa ciência do inconsciente. A relação mente-matéria já era conhecida dos alquimistas que, em sua linguagem, descreviam simbolicamente os processos psíquicos. Sobre isso, diz a psicóloga Nise da Silveira, uma das mais respeitadas estudiosas da obra de Jung no mundo: “A exploração em profundeza do inconsciente levou ao curioso achado de que os mais universais símbolos do self (si-mesmo) pertencem ao reino mineral. São eles a pedra e o cristal. Se o psicólogo, nas suas investigações através das camadas mais profundas da psique, encontra a matéria, por sua vez o físico, nas suas pesquisas mais finas sobre a matéria, encontra a psique.”

As ideias de Jung influenciam até mesmo a ufologia. Hoje, pesquisadores de todo o mundo se debruçam intrigados sobre o fenômeno óvni e o drama psicológico dos contatados e abduzidos (pessoas que dizem ter contatos com extraterrestres), buscando pistas que possam nos ajudar a compreender por que tudo isso está acontecendo.

Já em 1958, em seu livro Um Mito Moderno sobre Coisas Vistas no Céu, Jung alertava que é preciso pensar nesses discos voadores de um modo mais abrangente e captar a verdade psicológica das aparições, não importando se são verdadeiras ou não. É preciso entender que quando um mito emerge das profundezas da psique para a vida cotidiana, força a consciência a integrar novos aspectos da existência e inaugura uma nova fase de evolução psíquica. Assim sendo, estamos, todos nós, nesse exato momento, sendo atingidos pelo forte impacto desse mito moderno e, confusos, ainda não entendemos exatamente que diabo está acontecendo. Os contatados e abduzidos são, no entanto, os mais atingidos. Como pioneiros, eles são forçados a vivenciar certas experiências que podem conduzir a humanidade a uma nova e mais abrangente compreensão da realidade e de si mesma.

Para Jung, o desequilíbrio psicológico levou a humanidade a um terrível impasse evolutivo: ou nos tornamos seres mais autoconscientes ou nos exterminaremos a todos. O fenômeno dos discos voadores, mito que alcançou a consciência coletiva no meio do século 20, é assim uma projeção inconsciente, nos céus, de um intenso anseio coletivo de salvação num momento crucial de desespero. As luzes e imagens circulares que vemos são a mais antiga e perfeita representação simbólica do arquétipo da unificação, equilíbrio e totalidade psíquica: o círculo. É a psique coletiva da humanidade a jogar aos céus seu recado urgente: “Atenção todos! Precisamos nos tornar mais inteiros e unificados!”

As teorias junguianas sobre o fenômeno óvni são inadequadas para provar a existência física de naves e extraterrestres, é verdade. Mas esse não é seu papel. Elas agem contribuindo para alargar nossa compreensão do fenômeno, alertando para a relação entre o que ocorre na alma da humanidade e o que está acontecendo nos céus de nosso planeta.

o chamado para dentro

Jung deu o nome de psicologia analítica à sua psicologia. Ela difere da psicanálise em muitos pontos, mas ele mesmo não descarta a importância dessa para alguns tipos específicos de terapia. A psicologia analítica incentiva o indivíduo a descer os degraus escuros do inconsciente e, uma vez lá, reconhecer o que ele na verdade é e integrar esses conteúdos à consciência, tornando-se um ser mais completo e autoconsciente. Assim como alguém faz um curso de computação para investir em seu futuro, muitos procuram a psicoterapia para autoconhecer-se e saber de suas potencialidades. Aí está um grande investimento: conhecer-se melhor. Para viver melhor.

O processo de individuação será sempre algo difícil. Mas ele é a base da existência. Durante muito tempo nós o vivemos apenas superficialmente, mas em algum momento a psique chama o ego a voltar-se para dentro, a conhecer-se e vasculhar no interior as verdades até então buscadas fora. A partir daí novos horizontes se abrem para a realização pessoal. Entretanto, mesmo sob esse impulso natural, o ego, temeroso de confrontar-se com seus medos mais íntimos, pode se recusar a tal interiorização. Nesse caso, ele estará impedindo o fluxo natural de sua evolução, e a psique, em sua capacidade autorreguladora, encaminhará a vida a um conflito insustentável, ocasionando doenças, fracassos e até mesmo a morte.

O autoconhecimento psicológico nos faz ver que os conflitos da humanidade acontecem primeiro dentro de cada um, sutilmente, para depois se exteriorizarem. Para Jung, entendermo-nos com aquilo que não conhecemos de nós mesmos é o grande passo que falta ao Homo sapiens. Só assim deixaremos de ver o inimigo no outro e o reconheceremos onde sempre esteve, dentro de nós mesmos. Esta é uma verdade simples, que poucos enxergam. Mas que traz em si a força das maiores revoluções.

.
Ricardo Kelmer 1997 – blogdokelmer.com

.

SAIBA MAIS

> Jung na Wikipedia

.

Jung – A jornada do autodescobrimento (1) 9m12s

.

Jung – A jornada do autodescobrimento (2) 9m03s

.

.

LEIA NESTE BLOG

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

Carma de mãe para filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

Blade Runner: Deuses, humanos e androides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

Livros: He, She, We – Os rios de nossas vidas na verdade correm por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, também percorreram

Mulheres na jornada do herói – Elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

.

DICA DE LIVRO

MatrixEODespertarDoHeroiCapaEdicaoDoAutor-01Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, o autor compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01- Versão desta postagem no Facebook


A vida na encruzilhada

01/08/2012

01ago2012

Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos

A VIDA NA ENCRUZILHADA

.
A história deste incrível filme (Missing Link, de 1998 – em português: O Elo Perdido), é desenvolvida sobre um curioso exercício de imaginação antropológica. Os roteiristas focaram sobre o que poderia ser a derradeira família de uma espécie extinta um milhão de anos atrás, o Paranthropus robustus (ou Australopithecus robustus). A família é dizimada por uma espécie hominídea mais evoluída e seu único sobrevivente sai a vagar solitário pelo mundo desconhecido. Ele está muito mais que sozinho: ele é o último representante de sua espécie na Terra.

A pobre criatura não sabe disso, claro. Ela entende que está sozinha, e a noção de morte que possui é suficiente para entender também que não mais verá sua família. Mas não pode fazer ideia da dimensão cósmica de sua solidão. Menos mal. Tivesse noção disso, o peso de tal constatação seria insuportável. Ao espectador é difícil não se comover com a trágica situação da criatura, triste, confusa e repentinamente só num mundo onde já não mais existe um único ser como ela.

Evidentemente, o filme trabalha sobre uma suposição, pois não sabemos em que exatas circunstâncias se deu o desaparecimento do último dos últimos dos robustus, mas pelo que se conhece atualmente, eles viveram na África meridional e oriental e eram uma espécie vegetariana e relativamente dócil, que não sabia manejar o fogo e não tinha intimidade com ferramentas, como o machado, por exemplo. Essa sua “ingenuidade” foi determinante para sua extinção numa África onde o gênero Homo, mais agressivo e capaz, aos poucos ocupava os espaços e partia para povoar o planeta.

Os Paranthropus robustus foram eliminados, mas as espécies do gênero Homo sobreviveram porque desenvolveram talentos especiais, souberam se adaptar às mudanças ambientais e eliminaram espécies semelhantes. Os seres humanos de hoje são, portanto, o elo seguinte de um determinado seguimento da longa e ramificada corrente da evolução da vida neste planeta.

Essa força chamada vida e que se manifesta em tudo que existe ainda está longe de ser compreendida por nós. Mas foi esta mesma força primordial, imagino, que criou nosso sistema solar e fez nascer nosso planeta, 4,5 bilhões de anos atrás. A Terra, por sua vez, precisou de um bilhão de anos para gerar as condições ideais para que a vida pudesse florescer na superfície. Então, seguindo um sofisticado senso de autorregulação que chamamos Natureza, nosso planeta enfim deu à luz um minúsculo e rudimentar organismo: nascia na Terra o que entendemos por vida.

Essa primeira forma de vida terráquea gerou outras, que se diversificaram, se aperfeiçoaram e geraram outras mais complexas que prosseguiram, ao longo de milhões de anos, gerando formas de vida cada vez mais aperfeiçoadas. Foi assim que o princípio vital dessa força, tão cuidadosamente gerado e mantido graças à Terra e seu delicado senso de equilíbrio e autorregulação, chegou aos dias de hoje, manifestado em tudo que existe, animais, vegetais e minerais. Uma longa e paciente aventura!

Essa força primordial experimentou-se em infinitas formas de vida feito uma corrente que se ramifica em muitos segmentos, e seus elos vão criando novos elos a partir deles próprios, numa intrincada lógica em que cada segmento depende de outros segmentos para prosseguir se reproduzindo. Essa interdependência geral foi indispensável para que o processo da vida no planeta se desenvolvesse em harmonia, apesar de sua aparente confusão e casualidade.

Num determinado momento desse processo, aproximadamente 8 milhões de anos atrás, ocorre uma notável divergência evolutiva: uma das milhões de ramificações da corrente se sobressai e passa a se aperfeiçoar através de seus descendentes num ritmo que as ramificações vizinhas não acompanham. Esse rápido e contínuo aperfeiçoamento garante a sobrevivência de seus descendentes e faz com que sua linhagem chegue até os dias de hoje, representada por nós, da espécie Homo sapiens.

O que fez com que essa ramificação se diferenciasse tão subitamente (para os padrões evolutivos, claro) das demais? Isso ainda é um mistério, mas há pesquisadores que trabalham com a hipótese disso ter a ver com o contato com plantas psicoativas expansoras da consciência, como sugere o filme O Elo Perdido. Polêmicas à parte, essa ramificação hominídea adquire a noção de si mesma e passa a refletir sobre o processo evolutivo do qual faz parte. Quanto mais pensa, mais se aperfeiçoa sua capacidade de pensar. Quanto mais se aperfeiçoa, mais longe vai em sua jornada de compreensão de todo o processo que a criou. Paradoxalmente, quanto mais descobre sobre o processo, mais mistérios surgem e mais complexa se revela a estrutura de todo o processo da vida.

A espécie humana é o último elo dessa ramificação especial. Ela adquiriu tamanha capacidade que hoje detém poder sobre a vida no planeta. Infelizmente, ela utiliza esse poder para mostrar a si mesma o quanto é poderosa, numa ostentação inconsequente e perigosa que pode destruir a si própria e ao planeta.

Prefiro crer que a espécie humana despertará de sua cegueira a tempo de evitar o pior. Assim como o robustus que, ao comer da planta, ampliou sua compreensão sobre a vida e a morte, talvez tenha chegado o momento do Homo sapiens ampliar seu entendimento do processo no qual está inserido. Não falo de entendimentos racionais e científicos, que continuam sendo importantes, sim, mas para que essa ampliação seja possível, o entendimento deve agora ocorrer num nível mais intuitivo, que inclua uma percepção não apenas de cada uma das partes, como fizemos até agora, mas da relação entre todas as partes que formam o todo da Terra. Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos.

Aquele pobre robustus, infelizmente, não teve como aplicar o aprendizado que a planta lhe permitiu obter, pois tudo que lhe restava era cumprir o destino de ser o último elo de seu segmento. Quanto aos sapiens, o mais destacado dos segmentos, espalhado neste momento em bilhões por todo o planeta, seu destino não é ser destruído por uma espécie rival, pois tal perigo não mais existe. Ironicamente, o destino que começa a se lhe afigurar no horizonte é ser destruído justamente por sua própria arrogância de se entender como algo separado da Natureza. Triste fim para uma longa e bela aventura.

.
Ricardo Kelmer 2002 – blogdokelmer.com

.

> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

.

.

O ELO PERDIDO (Missing Link)

Um milhão de anos atrás, homem-macaco tem sua família dizimada por espécie mais evoluída. Sozinho e confuso, ele vaga por terras estranhas, enfrentando perigos desconhecidos e se encantando com os mistérios e maravilhas do planeta primitivo. Ao comer uma planta, tem visões e revelações que o farão compreender melhor o que aconteceu.

O Elo Perdido (Missing link, EUA, 1988)
Direção: David Hughes e Carol Hughes
Elenco: Peter Elliot, Michael Gambon, Brian Abrahams, Clive Ashley

.

TREILER DO FILME

.

LEIA TAMBÉM NESTE BLOG

VadeRetroSatanas-02Vade retro Satanás (filme: O Exorcista) – O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

Deuses, humanos e androides na berlinda (filme: Blade Runner) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Em Dogma, Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!

Minha noite com a Jurema – Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

Xamanismo de vida fácil – A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos

Carlos Castaneda (vídeo) – Especial da BBC sobre o polêmico antropólogo que estudou o xamanismo no México, escreveu vários livros e tornou-se um fenômeno do movimento Nova Era. Legendado.

.

.

elalivro10Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

 COMENTÁRIOS
.

.

.

.

AVidaNaEncruzilhada-1b

 


Olha a pegadinha

23/07/2012

23jul2012

Quem nunca foi enganado? Esse ainda não nasceu

OLHA A PEGADINHA

.
Já fui trapaceado no pôquer, me prometeram e não cumpriram, marquei hora e não fui recebido e já levei gato por lebre. Livrarias fecharam e não me pagaram. Uísque falsificado, hummm, é bom nem lembrar. Propaganda enganosa, corrente da riqueza, CD que não toca, poupança confiscada, consórcio quebrado… Hoje estou mais prevenido, mas já caí em várias. E ainda caio, como, por exemplo, quando assisti Nove Rainhas, filme do argentino Fabián Bielinski. Nunca fui tão ludibriado em tão pouco tempo. Quando as luzes do cinema acenderam, tive até medo de olhar pro lado e descobrir que não era minha mulher Karine quem de fato estava ali comigo. Felizmente era. Vá ver o filme, é sensacional. Mas vá sabendo: os caras vão lhe passar a perna.

Comissões embutidas, advogados corruptos, orçamentos superfaturados, sutian com enchimento… Tem tanta armação espalhada por aí que é melhor desconfiar de tudo que se mexe ou fica parado. Quem nunca foi enganado? Esse ainda não nasceu. E as enganações são de toda sorte: você é logrado por pessoas, empresas, governos, religiões e até por você quando mente pra si mesmo: segunda-feira começo meu regime, este ano serei mais estudioso, nunca mais eu bebo, só a cabecinha, agora vamos guardar esse restinho pra cheirar amanhã… Tudo conversa pra boi dormir.

Desvio de verba pública, esquema da previdência, painel eletrônico, juízes comprados, guerra contra o terrorismo, concurso de beleza – a enganação é uma praga. Umas são mais escondidas. Outras não têm pudor em mostrar a cara. Outras já são tão cotidianas que a gente se acostuma a viver com elas. Conheço um cidadão que se por acaso encontrar você aí pela rua, uma dessas três possibilidades acontece: ele lhe ferra um cigarro, descola uma carona ou então lhe pede o celular pra uma ligaçãozinha rápida. Tem também aquele amigo, mui amigo, que senta em sua mesa, bebe, come, se diverte e, na hora de pagar a conta, ou acabaram as folhas de cheque ou ele tomou só um chope. Malaca é o que não falta nesse mundo.

E tem aquele vendedor que nunca lhe viu antes e vai logo dizendo: “Este modelo combina perfeitamente com você!”. Terrível. E aquela velha história que foi roubado e precisa do dinheiro da passagem? Pois tem quem ainda insiste nisso. Lá na rodoviária tem um pedinte que faz vinte anos que tenta inteirar o dinheiro pra voltar pra Reriutaba. Êta passagenzinha cara… E aquela de se oferecer pra ajudar no caixa eletrônico? Ainda hoje tem quem cai nessa, creia. E o tal do Boa Noite, Cinderela? Você acorda no outro dia num motel, sem roupa, sem dinheiro, sem lembranças… Pior que clonagem de cartão de crédito.

Descuidistas da boa vontade alheia, é só o que tem. Você vacila por um segundo e quando dá conta, já dançou. Chifre, cheque sem fundo, programa que trava, mulher que não é mulher, camisinha furada, fumo malhado… Tem cara-de-pau que engana olhando na sua cara. Exemplo: político. Quando eles começam a responder uma pergunta com “veja bem”, é sinal que lá vem enganação, pode esperar. Depende, como sem falta, já-já, não tem como errar, essa é batata – é tudo mutreta. Nesse mundo de enroladas, nada é o que parece ser.

Amigos da onça, maus pagadores, mentirosos, aproveitadores, patifes, salafrários, larápios, golpistas, punguistas, ladrões, trapaceiros, trambiqueiros, vigaristas, charlatões – só de especialista dá pra fazer um time e mais os reservas. Tem pra todo gosto. Por mais que você fique atento, sempre vai ter um juiz lalau aprontando pertinho ou exatamente pra cima de você.

Às vezes o prejuízo é grande. Outras vezes é só uma pegadinha bem-humorada e inofensiva de algum amigo: quando você vê, já caiu. Pegando aqui, tu vai dar naquela rua… No fundo, o que você quer é isso… Qualquer coisa, disponha… Até nas pegadinhas verbais o repertório é infinito. Mas fiquemos por aqui que meu espaço acabou. Um abraço pra você e pra quem for da sua família.

.
Ricardo Kelmer 2001  – blogdokelmer.com

.

Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

.

.

NOVE RAINHAS (Nueve Reinas, Argentina, 2000)

ROTEIRO E DIREÇÃO: Fabián Bielinsky
ELENCO: Ricardo Darín, Gastón Pauls, Leticia Brédice, Óscar Núñez, Tomás Fonzi, Ignasi Abadal

Dois trapaceiros se conhecem e passam atuar juntos, enganando pessoas e praticando golpes de todo tipo.

> Saiba mais

.

LEIA TAMBÉM

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

Vade retro Satanás (filme: O Exorcista) – O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

Livro: Matrix e o Despertar do Herói – A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Deuses, humanos e androides na berlinda (filme: Blade Runner) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Em Dogma, Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!

.

.

elalivro10Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

 COMENTÁRIOS
.



O fim dos tempos chega primeiro aqui

10/07/2012

Ricardo Kelmer 2012

Putz, Kelmer, minha situação financeira tá horrorosa… Sério? Então parabéns, seus problemas acabaram


.
Meu livro de contos fantásticos Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos (Editora Artepaubrasil, 2012) será lançado em outubro. Os leitores que adquiriram com aquele descontão na pré-venda receberão o livro pelo correio, com seus nomes devidamente constantes na página Galeria de Leitores Especiais. Chique no último.

E os Leitores Vips? Diferente dos simples mortais, eles poderão adquirir o livro diretamente comigo com um bom desconto. Chique no penúltimo.

Putz, Kelmer, minha situação financeira tá horrorosa… Sério? Então parabéns, seus problemas acabaram. Você pode ler alguns contos aqui no blog ou baixar gratuitamente o piratão (pdf) pra ler no computador ou imprimir. Pode não ser chique mas funciona.

Prefiro que leiam o piratão oficial pois como enviei o livro ainda não finalizado pra algumas pessoas analisarem, versões não-autorizadas podem circular pelaí. E se você gostar do livro, repasse o arquivo aos amigos pois é assim que espero que ele se torne rapidamente conhecido. Em 2013 a editora deverá lançar o e-book oficial, com todos aqueles recursos bacanudos e coisital.

E o meu buchão aí na revista Pinheiros Vip, gostou?

SOBRE O LIVRO

Publicado originalmente em 1997, o livro foi reescrito e alguns contos mudaram bastante. Em minha opinião, ficou bem melhor.

Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, os personagens são surpreendidos por estranhos acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmos e deflagram crises tão intensas que podem se transformar numa questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses pessoais e coletivos.

RESUMO DOS CONTOS
alguns estão disponíveis p/ leitura no blog

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas, uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Quando os homens não voltam para casa – Mulher contrata os serviços de um sensitivo para reencontrar o namorado que foi atraído por uma bela princesa para dentro de um quadro de parede.

O cilindro da luz azul – Em sua luta para sobreviver num mundo apocalíptico de autoritarismo e violência, casal descobre estranhos cilindros trazidos pelo mar.

A vertigem – Dizem que seo Pepeu, o louco da cidade, possui dois bichinhos mágicos que localizam coisas perdidas e fazem as pessoas se encontrarem. Mas ele está velho e tem de passar a alguém a missão de cuidar dos bichinhos.

Pequeno incidente em Hukat – Integrante do Projeto Sapiens de Monitoramento Planetário descobre irregularidades comprometendo a evolução da espécie humana e se envolve em rebelião contra Deus, o psicomputador.

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite.

O presente de Mariana – A cabocla Mariana, entidade da umbanda, propõe noivado ao moço Dedé. Ela garante estabilidade financeira mas em troca exige fidelidade absoluta.

Há algo de podre no 202 – Quando crianças, as primas guardavam um terrível segredo sobre o amanhecer. Agora que cresceram, o que pode acontecer?

O strip-tease – Criaturas do futuro que voltam no tempo para garantir que eles mesmos, no passado, não cancelem o futuro – esses são os Observadores.

> Saiba mais, leia comentários, baixe o piratão oficial

> Baixe outros livros kelméricos

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

Comentarios01 COMENTÁRIOS
.

01- Detestei te ver nu e grávido,mas reconheço que a estratégia foi ótima pra gente se manter ligado às últimas do blog.Tb não sou mulher de ¨piratão”… Hehehe.Acredita q ainda sou mocinha e ainda tenho TPM? Pois é.Acho q vc me pegou num mau dia,pobre Kelmer! Mas,apesar dos pesares, ailóviu, vc sabe disso. Bjs da loura 🙂 Mônica B, Recife-PE – jul2012

02- rapaz! to em choque! hehehe… quer dizer que no atual momento vc está de licença maternidade? hehehe… abçomano. Marcelo Ferrari, São Paulo-SP – jul2012

03- Putz Ricardo, quem é o pai? Blz, arrasou na curtição! Espero que o lançamento seja o maior sucesso e as vendas ainda mais! cheiro Amaury, Fortaleza-CE – jul2012

04- Kelmer, voce está IRRESISTÌVEL assim! UAU! Tentei postar no seu blog mas ele não deixou. Precisa CPF, RG, carta de boas intenções, jurar que eu sou eu mesma mesmo e que mais…? beijo! parabens! Beatriz Del Picchia, São Paulo-SP – jul2012

05- fio, até grávido vc fica lindo! bjão. Renata Regina, São Paulo-SP – jul2012

06- kkkkkkkkkkk… Paula Medeiros de Castro, São Paulo-SP – jul2012

07- kkkkk ‘Believe Ricardo. Krishna Eufrásio, Fortaleza-CE – jul2012

08- ‎Ricardo Kelmer,sou sua fã. Fadinha, Fortaleza-CE – jul2012

09- diabéisso tio???? kkkkkkkkk Laís Galvão, Fortaleza-CE – jul2012

10- comeu o que mesmo,kkkkkkkkkk. Luciene Maia, Fortaleza-CE – jul2012

09- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk meu primo !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ângela Dias, Fortaleza-CE – jul2012

10- Dia 06/10 seria um dia muito especial para o lançamento desse livro. Que tal? rsrsrsrsrsrs. Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – jul2012

11- Vou fazer o parto. Vânia Dias, Fortaleza-CE – jul2012

12- Vou ser a madrinha??? Kkkkkkk. Karen Brochado, Fortaleza-CE – jul2012

13- Cruzes!!!!!!!!!!!!!!!!! Virgínia Ludgero, Lisboa-Portugal – jul2012

RK: Coisa boa é mulher rindo / O que pode ser mais lindo? / Só mesmo mulher gozando / Até se goza chorando / Seja no riso ou no gozo / Não tem nada mais mimoso / É tudo o que a vida quer / Ver prazer numa mulher 🙂 São Paulo-SP – jul2012


Deus planta bananeira de saia (Dogma)

18/05/2012

18mai2012

Em Dogma, Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!

DEUS PLANTA BANANEIRA DE SAIA (DOGMA)

.
D
ois anjos, expulsos do Céu, tentam meios legais para conseguir voltar. Para impedi-los, o Céu conta com um grupo insólito, entre eles uma católica que trabalha em clínica de aborto, dois profetas trapalhões e um apóstolo negro que ficou de fora da Bíblia. Detalhe: Deus é mulher.

Certas obras artísticas traduzem bem os movimentos que sacodem os subterrâneos do inconsciente comum da humanidade. O filme Dogma é um desses. Seu tema principal é um antiquíssimo e poderoso arquétipo que vive na alma coletiva da espécie desde seus primórdios: a ideia de Deus. Como numa relação todas as partes envolvidas são sempre afetadas, a relação da humanidade com a ideia de Deus não seria diferente: mudamos nós, humanos, e… Deus também teve de mudar. E ai dele se não mudasse.

Dos deuses-forças da Natureza, passando pelos deuses do Olimpo, até a ideia de um deus único e todo poderoso, muita água rolou por baixo das pontes divinas. Essa difícil relação entre criador e criatura é uma verdadeira saga onde não faltam conflitos, sofrimentos e mártires. As mitologias do mundo formam um mosaico precioso para entender melhor essa saga, porém, na carona do filme Dogma, tomemos a Bíblia cristã. Ela pode ser vista também como o registro simbólico da evolução do conceito de Deus de boa parte da humanidade. Assim, veremos perfeitamente como ambas as partes da relação, criador e criatura, evoluíram com o tempo.

A mordida no fruto proibido simboliza o advento da consciência, o momento evolutivo em que um ramo dos hominídeos se diferencia pelo refinamento da mente. Antes, eram todos mergulhados na inconsciência geral, na indiferenciação psíquica: era o Éden. Nem felizes nem infelizes, simplesmente não se questionavam. Evoluída a mente, surge a consciência, feito uma extensão de terra que aos poucos se destaca do fundo do oceano inconsciente: é a terra que, em forma de ilha, adquire consciência sobre si mesma e o seu entorno.

No entanto, a autoconsciência tem seu preço. O despertar para um novo nível de compreensão da realidade e de si mesmo traz sempre novas dúvidas e grandes desafios. Ao adquirir a autoconsciência, nossos antepassados foram expulsos do tranquilo paraíso do não saber e saíram dele com a pergunta que a partir daí jamais se calaria: quem ou o que nos criou, e onde estará?

Está muito, muito longe. Pelo menos no Antigo Testamento. No início da relação, o criador é uma força gigantesca, mas absolutamente externa e inalcançável. Deus é imprevisível, com crises terríveis de humor, e envia desgraças e pragas às suas criaturas indefesas. Esse antigo Deus, rancoroso e dogmático, tem por lema “olho por olho, dente por dente” e diz, batendo o pé: “Eu sou Javé e não mudo.” Muda não? Vamos ver…

Ainda no Antigo Testamento ocorre algo incrível, que se tornaria um marco dessa relação. É o drama de Jó, o servo mais fiel de Deus e a quem ele permitiu que o Diabo lhe destruísse a vida só para saber se o coitado continuaria fiel, que maldade. Jó, no auge do sofrimento e em desespero ante tal injustiça, ousa questioná-lo, e assim, pela primeira vez, a criatura põe em xeque a coerência do criador, ela que antes apenas louvava e obedecia. Deus, aporrinhado, vê-se obrigado a descer do pedestal, exibir seu poder feito um ditador inseguro e dar satisfações, coisa que jamais fizera, e no fim premia a fidelidade da criatura consertando-lhe a vida destruída.

Desse conflito crucial saem ambos transformados para sempre. A criatura salta para um novo nível na relação com o arquétipo divino, e ele, o criador, apanhado em dilema moral, é forçado a reconhecer que será impossível prosseguir sem uma nova parceria com sua inquieta e questionadora criatura.

Deus entra em crise, sim, porque o drama de Jó (que viria a se tornar um drama arquetípico de toda a humanidade) lhe torna evidente que precisa largar certos dogmatismos e assimilar a natureza de sua criatura para, assim, realizar-se efetivamente como criador. Ele criou a matéria, mas agora precisa também ser matéria para alcançar sua própria integralidade. Essa ideia, então, amadurece no inconsciente coletivo da espécie, fomentando as profecias que anunciarão o filho de Deus. Está devidamente semeado, pois, o terreno para o advento do Cristo, o próximo marco da saga.

De fato, Cristo inaugura a era do humano-divino, o Deus humanizado e descido à matéria, criador e criatura cada vez mais próximos. O Cristo parece detonar forte transformação no pai, pois o Deus do Novo Testamento deixa de ser aquele do “olho por olho, dente por dente” para se tornar o Deus do “amai-vos uns aos outros”. E é também humano, demasiadamente humano, tanto que sua própria criatura o tortura e o executa numa cruz, confusa ante o novo nível da relação que se inaugura e incapaz de absorver a novidade. Deus agora conhece na pele a dor, o medo, a injustiça, a morte. É um deus mais completo.

Agora, dois mil anos depois, a criatura parece assimilar melhor o que ocorreu. Agita-se no inconsciente da espécie a ideia de que esse Deus que ela sempre buscou lá fora, e muito morreu e matou por isso, talvez tenha sempre estado no interior dela própria, que ironia. Será essa a resposta da antiga pergunta que nunca quis calar? Se, de fato, é verdade que Deus está e sempre esteve dentro dela própria, talvez a criatura esteja a essa altura vivendo a fase do deslumbramento infantil de se saber divina. Talvez seja por isso que ande brincando tão irresponsavelmente com a vida e a Natureza.

Em Dogma, Deus é uma garota brincalhona que planta bananeira de saia, beija um adolescente tarado e engravida uma mulher. Como em Jó, passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. E precisa de um deles para se recuperar e voltar à ativa. Santa heresia, Batman! Deus se utiliza de um anjo porta-voz, pois não diz uma palavra sequer. Na verdade, ele não pode falar, pois se falasse, suas criaturas explodiriam ao simples escutar de sua voz. Que bela metáfora para a natureza avassaladora dos arquétipos! Ninguém pode contatá-los diretamente, pois mesmo nascidos do inconsciente coletivo, os arquétipos simplesmente não cabem em nossa capacidade de assimilação – então, se mostram por imagens. Deus não cabe em nossa ideia dele, por isso não pode se revelar inteiramente. Essa é a ironia máxima para o criador: o único modo de sua criatura conhecê-lo de fato, é ele se tornar, com ela, um só.

O filme questiona alguns dogmas cristãos com bom humor. Brindemos, pois isso é ótimo, para nós e para Deus. Para a criatura porque lhe permite exercitar o senso crítico, indispensável à evolução psíquica. E para o criador porque para quem cria, nada mais construtivo que uma crítica pertinente. Ainda mais se vem das próprias criaturas.

.
Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.com

.

> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

.

.

DOGMA

Comédia – Dogma, EUA, 1999
DIREÇÃO E ROTEIRO: Kevin Smith
ELENCO: Ben Affleck, Matt Damon, Linda Fiorentino e Alanis Morissette

> Saiba mais

.

.

.
.

LEIA TAMBÉM NESTE BLOG

BladeRunnerDeusesHumanosEAndroides-01aDeuses, humanos e androides na berlinda (filme: Blade Runner) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

Vade retro Satanás (filme: O Exorcista) – O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

A vida na encruzilhada (filme: O Elo Perdido) – Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

.
DICA DE LIVRO

MatrixEODespertarDoHeroiCapaEdicaoDoAutor-01Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer – ensaio

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

 COMENTÁRIOS
.



Maluquice beleza

11/05/2012

11mai2012

Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra

MALUQUICE  BELEZA

.
Ele está no palco, a guitarra embaixo do braço. Jeans e jaqueta preta de couro, os cabelos encaracolados, óculos raiban para compensar a falta do colírio, aquela barba de profeta do novo aeon. Raul Seixas, o grande maluco beleza. Ele faz paz e amor nos dedos, ajeita o microfone e começa:

‒ Viva… Viva… Viva a sociedade alternativa!

É a senha. A plateia explode, cantando numa só voz o sonho anarquista de um outro mundo possível. Você pode não estar dentro da sociedade alternativa, mas a sociedade alternativa sempre esteve dentro de você. E por alguns minutos, a força da música torna real esse anseio coletivo. Talvez seja esse o segredo: cantar sempre. Para que o sonho não se dissipe.

Besta é quem quer ser prefeito: Raulzito queria ser roqueiro. Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra. Mas uma cigarra de dez mil anos não pode ter compromisso com nada a não ser com sua própria precisão de cantar. Então Raulzito cantou. E sua música diferente o fez um dos mais criativos e significativos artistas de todos os tempos. Sua estrada ele a trilhou sozinho, e por isso foi único e sempre surpreendente.

Desde a juventude em Salvador, nos anos 1960, tocando rock com os amigos, Raul já não se enquadrava. Depois, muito menos. Sua obra dança com o rock, com a mpb e com o universo lúdico infantil, mas dança também com elementos populares como o baião, o forró e o bolero. Raul é tão eclético quanto indefinível: toca em cabaré de periferia, festinha chique, aniversário de criança e embalo cabeça. Os hippies adotaram sua loucura real. Os esquerdistas zumbizaram com sua mosca na sopa para perturbar o sono da ditadura. A mídia curtiu com seu corpo por mais de dez anos. Os místicos rezaram com ele e o parceiro Paulo Coelho no caminho do início, do fim e do meio. O povo simples e os intelectuais riram de sua deliciosa irreverência. Como explicar tal metamorfose ambulante?

Em 1973, ele aparecia, provocador, dizendo que o ouro dos tolos ele não queria. Sua música nos pôs um espelho à frente do rosto e nos sentimos uns grandessíssimos idiotas, humanos, ridículos e limitados: é o Raul cutucador daqueles que morreram e nem sabem qual foi o mês. O Raul pacifista transparece ao dizer que o soldado não foi para a guerra porque sabia que o inimigo também não estaria lá. O crítico político fala dos quarenta ladrões de Ali Babá, aqueles que não querem nada com a pátria amada, e por ser verdadeiro foi censurado. Mas um caubói fora da lei como ele, que já perdera o medo da chuva, sabia mexer na panela do diabo. O que ele queria, ele conseguiria.

Raul foi um bendito fenômeno musical, mdc da mpb. O visionário genial que misturou maluquez e lucidez, rock e berimbau, bom humor e contestação, carimbando nosso passaporte para a liberdade e os sonhos. O maldito provocador que lembrou que o rock é filho do diabo e que lutou por seu direito de deixar Jesus sofrer. O artista multifacetado e incomodamente verdadeiro, que uma vez, acredite, foi preso e espancado por considerarem-no um impostor dele próprio. Que não sabia para onde estava indo, mas sabia que estava em seu caminho. Raul trilhou como poucos os caminhos interiores da experimentação de si mesmo, fazendo de cada revelação trampolim para as seguintes, cantando em suas metáforas a grande insanidade da busca.

Em 1989, Raul parou e a cabeça não aguentou: partiu ele, como já disse o poeta Bráulio Tavares, para o castelo de Avalon, onde seria recebido pelos lobos uivantes: Rauuuuuuuuuuul!!! Hoje, todos esses anos depois, penso em tudo que o maluco beleza me ensinou. Penso numa sociedade onde cobras e aranhas são igualmente respeitadas, onde há mais filé e menos osso duro, onde podemos tomar banho de chapéu, onde não precisamos fumar roliúde só porque a TV diz que é o cigarro do sucesso, e onde temos a liberdade de viajar em nosso pluct-plact-zum sem problema algum.

E lembro também que por causa dele, guardo, feito um segredo valioso, feito um chaveiro escrito love, que não precisamos andar pelos quatro cantos do mundo a procurar essa sociedade. Porque é justamente nos sonhos que ela nos fala. E sonho que se sonha junto vira realidade. Né não, Raulzito?

.
Ricardo Kelmer 1999 – blogdokelmer.com

.

.

> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

.

LEIA NESTE BLOG

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

A sociedade feladaputa de Geraldo Luz – Crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis

O brega não tem cura – Porque o senhor sabe, né, o brega sempre puxa uma dose, que puxa outra, que puxa a lembrança daquela ingrata, que puxa outra dose…

Odair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

Paz e amor express – Durante cinco dias o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor

.

.

elalivro10Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01- Esta foi a melhor biografia-numa-só-página de Raulzito que alguma vez li. Há até um livrinho, muito inhos mesmo, com a bio de Raul Seixas e juro que não e´tão completa. Muito boa :D. Susana Xavier Mota, Leiria-Portugal – mai2005

02- tem que republicar o Arte Zen também, é o meu preferido. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – mai2012

03- Um ídolo homenageando outro. Crônica sensacional – isso já virou redundância! – do Ricardo Kelmer sobre o nosso eterno Maluco Beleza. Texto inspirado, que costura bem demais as referências que todos aqueles que viveram e vivem a obra do Raulzito cultivam em seus próprios baús da memória. Marcelo Pinto, Rio de Janeiro-RJ – mai2012


Livrando a Semana

02/03/2012

Ricardo Kelmer 2012

.

Uma dica de livro por semana – esta é a proposta da coluna Livrando a Semana, que estreia agora. A coluna será simultaneamente publicada aqui no Blog do Kelmer, no Facebook e no Twitter. Os temas dos livros serão variados, vale tudo. Todos os títulos terão link pro site site da livraria Artepaubrasil, parceira da coluna, e os leitores também podem sugerir livros. As dicas serão feitas usando-se apenas esta postagem, que será atualizada semanalmente.

.

COLUNAS

Dica 1 – 27.02.12
O encontro marcado (Fernando Sabino)
Romance – Crônica: O Encontrão Marcado (Ricardo Kelmer)

Dica 2 – 05.03.12
Aline – Tensão pré-menstrual (Adão Iturrusgarai)
Quadrinhos, humor – Aline em animação (YouTube)

Dica 3 – 12.03.12
Blues – Da lama à fama (Roberto Muggiati)
História, perfis – Vídeo com Big Mama Thornton e Buddy Guy interpretando o clássico Hound Dog (1965)

Dica 4 – 19.03.12
A casa das sete mulheres (Leticia Wierzchowski)
Romance histórico – O romance e a minissérie da TV Globo

Dica 5 – 26.03.12
Steve Jobs (Walter Isaacson)
Biografia – Em 1990 Steve Jobs faz previsões sobre tecnologia

Dia 6 – 02.04.12
1808 (Laurentino Gomes)
História – Resenha por Ana Lucia Santana

Dica 7 – 09.04.12
A privataria tucana (Amaury Ribeiro Jr.)
Política – Repercussão do livro

Dica 8 – 16.04.12
O amante de Lady Chatterley (D. H. Lawrence)
Romance – Sobre o autor

Dica 9 – 23.04.12
Feliz por nada (Martha Medeiros)
Crônicas – Sobre a autora

Dica 10 – 30.04.12
101 lugares para fazer sexo antes de morrer (Marsha Normandy e Joseph St. James)
Humor – Comentários sobre o livro

Dica 11 – 07.05.12
Crime e castigo (Fiódor Dostoiévski)
Romance – Sobre o autor

Dica 12 – 14.05.12
O velho que ainda escrevia cartas de amor (Felipe Barroso)
Contos – Sobre o autor

Dica 13 – 21.05.12
Lendo Lolita em Teerã (Azar Nafisi)
Biográfico – Sobre o livro e a autora

Dica 14 – 28.05.12
Os sertões (Euclides da Cunha)
História – Sobre a obra

Dica 15 – 04.06.12
Auto da Compadecida (Ariano Suassuna)
Teatro, cultura popular – Sobre o autor

Dica 16 – 11.06.12
O Cobrador (Rubem Fonseca)
Contos – Sobre o autor

Dica 17 – 18.06.12
Deus – Um delírio (Richard Dawkins)
Ensaio, ateísmo – Sobre o autor

Dica 18 – 25.06.12
Maus – A história de um sobrevivente (Art Spiegelman)
Quadrinhos – Sobre a obra

Dica 19 – 02.07.12
Os melhores contos da América Latina (org: Flávio Moreira da Costa)
Contos – Sobre a obra

Dica 20 – 16.07.12
Entendendo Jung – Um guia ilustrado (Maggie Hyde e Michael McGuinness)
Biografia, psicologia – Sobre Jung

Dica 21 – 09.07.12
Rua dos Artistas e transversais (Aldir Blanc)
Crônicas – Sobre o autor

Dica 22 – 23.07.12
Aprendendo a jogar Poker (Leo Bello)
Jogos, dicas – Sobre o Poker

Dica 23 – 30.07.12
O evangelho segundo Jesus Cristo (José Saramago)
Romance – Sobre o autor

Dica 24 – 07.08.12
> Gabriela, cravo e canela (Jorge Amado)
Romance – Sobre o autor

Dica 25 – 14.08.12
> O inimigo do Rei (Lira Neto)
Biografia – Sobre o autor

Dica 26 – 21.08.12
> A metamorfose (Franz Kafka)
Novela – Sobre o autor

Dica 27 – 28.08.12
O anjo pornográfico – A vida de Nelson Rodrigues (Ruy Castro)
Biografia – Sobre o autor

Dica 28 – 03.09.12
A prostituta sagrada (Nancy Qualls-Corbet)
Psicologia, mitologia – Sobre o livro

Dica 29 – 10.09.12
Asterix e Cleópatra (Rene Goscinny e Albert Uderzo)
Quadrinhos, humor – Sobre a série Asterix

Dica 30 – 17.09.12
O eu profundo e os outros eus (Fernando Pessoa)
Poesia – Sobre o autor

Dica 31 – 24.09.12
O homem do castelo alto (Philip K Dick)
Romance – Sobre o autor

Dica 32 – 01.10.12
A vida sexual da mulher feia (Claudia Tajes)
Ficção, humor – Sobre a autora

Dica 33 – 08.10.12
O livro da filosofia (Will Buckingham)
Filosofia – Sobre o livro

Dica 34 – 15.10.12
Escudos dos times do mundo inteiro (Rodolfo Rodrigues)
Futebol – Sobre o livro

Dica 35 – 22.10.12
Toda mulher é meio Leila Diniz (Miriam Goldenberg)
Biografia – Sobre Leila Diniz

Dica 36 – 29.10.12
A filosofia na alcova (Marquês de Sade) Iluminuras
Romance – Sobre o autor

Dica 37 – 05.11.12
Edith Piaf – Uma vida (Carolyn Burke)
Biografia – Sobre a biografada

Dica 38 – 12.11.12
O doce veneno do escoripião (Bruna Surfistinha)
Biografia – Sobre Bruna Surfistinha

Dica 39 – 19.11.12
Cem anos de solidão (Gabriel García Márquez)
Romance – Sobre o autor

Dica 40 – 26.11.12
Canalha, substantivo feminino (Martha Mendonça)
Contos – Sobre o livro

.
CONTINUA NAS POSTAGENS
AS PRECIOSAS DO KELMER

.


artepaubrasil.com.br

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.


É a Tao coisa

31/10/2011

31out2011

Uma maneira intuitiva de compreender a realidade através da harmonia com o Tao

É A TAO COISA

.
Quanto mais longe se vai, há menos conhecimento;

portanto os sábios sabem sem ir,
explicam sem ver,
completam sem se esforçar.

Tao Te King

.

O Taoísmo surgiu em minha vida em 1995, pelo livro de Allan Watts, Tao ‒ O Curso do Rio, que minha amiga Ana Claudia Domene me emprestou. O interesse foi imediato. Como pude ter vivido tanto tempo sem saber que isso existia?, eu pensava, enquanto lia empolgado. A partir daí, a harmonia com o Tao transformou-me em outra pessoa, me permitindo enxergar ordem e sentido naquilo que antes era somente caos e despropósito.

Outros livros vieram depois daquele primeiro, como Taoísmo, de Anton Kielce, e O Tao da Paz, de Diane Dreher, iluminando um pouco mais o caminho. Pus o Tao Te King como meu livro de cabeceira. Estudei o I Ching e aprendi a usar as varetas para consultá-lo naqueles momentos inquietantes em que as névoas de minha estupidez me impediam de perceber o real sentido dos fatos.

Sei perfeitamente, porém, o quanto a ideia de harmonizar-se com o Tao é estranha para um ocidental como eu, programado desde o útero de minha mãe para captar a realidade do modo mais racional possível. Sei que para mim é impossível, e nem eu desejo, viver como um perfeito chinês taoísta, se é que tal coisa existe. No entanto, posso unir em mim o mais útil de cada cultura e descartar o que me for mais limitador.

Esse é o sentido positivo por trás desse intenso intercâmbio de visões sobre a realidade que o atual processo de globalização nos proporciona. Talvez unindo a racionalidade ocidental e a intuição oriental dentro de cada um de nós, possamos finalmente formar seres humanos mais coesos, equilibrados e completos.

definindo o Tao

Tentar definir em palavras o Taoísmo significa usar as ferramentas do pensamento lógico e racional para explicar algo que pertence ao reino da intuição. De qualquer forma, não deixa de ser um curioso exercício. A rigor, então, o Taoísmo seria isso: uma maneira intuitiva de compreender a realidade por meio da harmonia com o Tao.

E o que é o Tao? É um termo chinês que pode ser traduzido aproximadamente por “o caminho” ou “o sentido”. O Tao é tudo que existe e que não existe. É o fluxo indetível da realidade, o ritmo da vida. Estamos imersos nele, mesmo que não o percebamos. Os que percebem, podem ajustar-se ao seu ritmo e assim harmonizar-se com as leis da Natureza e os ciclos da vida. Quem percebe o Tao, não sofre como os que, por não o conhecerem, tentam ir contra seu ritmo. Perceber o Tao não significa, porém, abolir totalmente o sofrimento da vida, pois se o Tao é tudo que existe, ele é prazer e também é sofrimento. Harmonizar-se com o Tao significa elevar-se acima dessas dualidades limitantes, conciliando em si mesmo todos os opostos e vivendo a vida com mais fluidez e naturalidade.

O Taoísmo surgiu na China há mais ou menos cinco mil anos e foi, digamos, apresentado ao Ocidente somente no século 20. Este modo de captar a realidade, tão excêntrico aos ocidentais, desenvolveu-se basicamente por três caminhos: o filosófico, o religioso e o esotérico. No entanto, apesar do interesse pela cultura oriental que os anos 1960 trouxeram, não é fácil para os ocidentais assimilar o Taoísmo. O modelo racional-científico de compreensão da realidade que o Ocidente exportou para o resto do planeta não consegue lidar com noções tão estranhas como o Tao e suas contradições desconcertantes que entortam o raciocínio. Além disso, o conhecimento taoísta não pode ser alcançado superficialmente como sempre pretende nossa cultura consumista e descartável, ela que, com seus princípios comerciais, está sempre mais interessada em vulgarizar e massificar que aprofundar.

No entanto, se nos dispusermos a conhecê-la, a filosofia taoísta pode funcionar como excelente guia para a vida. Uma vez transpostos os primeiros arrecifes que protegem o Taoísmo dos aventureiros superficiais, os princípios do Tao começam a se revelar em toda sua praticidade, e então finalmente experimentamos o que significa unir-se a ele e viver em harmonia com tudo que existe.

Aqui, porém, cabe uma advertência. Com a tendência à racionalização exagerada que nós ocidentais possuímos, nosso envolvimento com a filosofia taoísta corre o risco de jamais passar de um inócuo exercício intelectual em vez de se constituir no que, de fato, deve ser: uma forma de nos tornarmos mais inteiros, equilibrados, fluidos e harmonizados com o ritmo do Universo. Portanto, não é demais lembrar que os princípios do Tao, sistematizados em palavras, existem tão somente para satisfazer a necessidade de orientação do intelecto, apenas isso, pois nunca será o intelecto quem nos conduzirá à harmonia com o Tao. Somente a intuição pode fazê-lo.

princípio 1: equilíbrio dinâmico

Toda vez que se tenta encaixar o Taoísmo em nossas ferramentas ocidentais de explicar a realidade, ele escapa feito água entre os dedos, nunca se deixa apanhar. É até engraçado ver o esforço para traduzir em termos precisos e científicos (ocidentalês) a natureza escorregadia do Tao e suas verdades intrigantes. É tão inútil quanto uma galinha tentar explicar a outra como late um cão. O Taoísmo pode ser explicado, resumido e esmiuçado teoricamente, mas será sempre na nossa linguagem, e em nossa compreensão científico-ocidental da realidade simplesmente não há lugar para o Tao e seus paradoxos absurdos.

Mas há um modo, sim, de penetrar no Taoísmo: pela intuição. É ela a ferramenta que nos leva ao Tao. De repente, algo estala forte dentro de você. De repente, aquele violento clarão de compreensão ‒ uma revelação! É como encontrar subitamente a resposta da charada, perceber a obviedade gritante da coisa e se admirar de não haver percebido antes. Mas infelizmente a intuição é uma função psicológica pouquíssimo valorizada em nossa cultura.

Esqueça o intelecto. Compreender o Tao não é um esforço racional, mas um sutil exercício intuitivo. Na verdade, para acessar a compreensão do Tao não é preciso aprender nada, mas desaprender. Costuma-se dizer que os taoístas não acessam conhecimento algum: eles descartam o que sabem. Somente assim, livrando-se do peso limitante das velhas verdades, é que se pode atentar para os movimentos naturais que regem a vida.

Os órgãos de nosso corpo estão sempre em movimento, influenciando nossas atitudes, mas não nos damos conta. Assim também funciona o Universo, sempre se transformando e nos influenciando. O equilíbrio da vida se baseia exatamente nessa eterna mudança, como a Primavera que sempre vem ‒ exatamente porque suas folhas nunca são as mesmas.

Penetrar nos mistérios do Tao é simplesmente sentir a vida e suas manifestações, e respeitá-las. É entrar em equilíbrio com o dinamismo do eterno movimento da vida, do mundo e de nós mesmos.

princípio 2: unicidade cósmica

Uma grande utilidade do Taoísmo é que aprendemos que não precisamos mudar o mundo: tudo que temos de fazer é mudar a nós mesmos. Porque nós e o mundo que nos cerca somos a mesma coisa.

Tudo que existe está interconectado de tal forma que nada escapa à ação de algo, como espelhos a refletir outros espelhos. A neurofisiologia trabalha com a mesma ideia. A psicologia junguiana, ao propor o conceito de sincronicidade, ruma para as mesmas conclusões. A física quântica chocou a opinião científica ao concluir que não existe a tal neutralidade científica, pois para se determinar a profunda natureza de qualquer objeto, o observador deve incluir o próprio ato de observar, o que necessariamente envolve observador e observado no mesmo fenômeno. Em outras palavras: a realidade em si não existe. O que existe é a nossa relação com ela.

Meio louco, não? Pois é. Esse é o princípio taoísta da unicidade cósmica. E é curioso notar como as ciências começam também a encontrá-la em seus próprios experimentos.

princípio 3: crescimento cíclico

Ao seguir o Tao, aprendemos a nos livrar sempre um pouco mais do peso limitador do ego. O ego (centro da parte consciente da psique) é vital para a saúde psíquica, sim, mas um ego inflado ocupa espaço demais na psique e desequilibra o todo, e uma pessoa não é apenas o ego, mas sim um todo que envolve o ego e outras partes da consciência e do inconsciente.

Ao nos darmos conta do Tao, aprendemos a inutilidade de querer, a todo custo, submeter a vida aos caprichos de um ego obcecado por seus exclusivos interesses. É esse tipo de desejo que o Taoísmo não tolera, pois sabe que a vida tem seu próprio movimento natural, seus ciclos de alta e baixa, e que mais sábio é harmonizar-se com ela, e não tentar impor o próprio desejo ao rumo dos acontecimentos. O Tao é feito de tudo, inclusive o que nos parece errado, mau e feio. Em outras palavras: a dor e as quedas fazem parte da caminhada e delas nunca escaparemos, porém a pior dor é sofrer sem ver nisso qualquer sentido.

Tal atitude de relaxamento e confiança no Tao parte do pressuposto que a vida tem um sentido e sabe exatamente o que nos faz. O bom navegador conhece as marés e as respeita. O taoísta sabe que a vida é feita de fluxos e refluxos, e que identificá-los é essencial para não ser engolido pelas ondas que movimentam a vida.

princípio 4: ação harmoniosa

É comum a ideia de que o relaxamento perante a vida faz do taoísta uma pessoa passiva em relação ao mundo que o cerca. É uma impressão falsa. A calma e aparente passividade do taoísta disfarça o contínuo trabalho silencioso que ele empreende. O taoísta sabe que as forças naturais da vida são o maior poder que existe e que aquele que se entende com elas detém o verdadeiro poder. Ele então trabalha no sentido de captar essas forças sutis e harmonizar-se com elas, o que só é possível dentro de um estado de espírito de relaxada concentração.

Numa primeira olhada, tal atitude de interiorização pode parecer passiva e desinteressada. Mas o wu-wei, como os chineses denominam essa atitude do espírito (e que pode ser aproximadamente traduzido por ação harmoniosa), é na verdade um movimento parecido com a prática de surfar com o corpo nas ondas do mar: ao surfista, é preciso calma e concentração para abandonar a resistência à onda no momento certo, assumir a posição correta e deixar o corpo ser conduzido pela força da onda, muito maior que a de qualquer pessoa. Ele só terá êxito se confiar inteiramente no mar e transformar-se numa parte dele, submetendo-se, relaxado e humilde, ao sentido do movimento.

Isso não tem nada de passividade. Isso é uma ação harmoniosa, que só é possível através de tranquilidade, confiança e interação com as forças da Natureza. Para uma pessoa comum, um problema geralmente significa algo contra o qual se deve lutar. O taoísta não entende assim. Para ele, toda situação problemática que se apresente faz parte do curso natural da vida e, por isso, não deve ser entendida como um terrível inimigo a quem se deve vencer a todo custo, mas como o resultado dos movimentos naturais do mar da vida, que criaram uma onda. Se ela vai afogá-lo ou conduzi-lo à segurança da praia, isso depende do quanto ele conseguirá harmonizar-se com a situação.

princípio 5: dissolução da dualidade

O mito cristão da expulsão do Jardim do Éden é uma maneira simbólica (e nem por isso menos verdadeira) de explicar o processo de surgimento da consciência humana. Com uma forma mais refinada de consciência, nossos ancestrais se diferenciaram de seus parentes hominídeos e começaram a se questionar sobre a realidade. Assim surgiram as dualidades, tão necessárias ao crescimento psíquico da espécie.

Bem e mal, mente e corpo, luz e sombra, vida e morte. Feminino e masculino. Yin e yang. De repente, a existência tornou-se uma grande feira de conceitos e opostos por onde a espécie teria de se movimentar e se situar no contexto geral da existência.

Que mal há nos opostos da vida? Em si, nada. Eles de fato são necessários durante certa etapa de aprimoramento da consciência. Porém, ao fragmentar a realidade em contrários, tendemos à identificação com um deles e desprezamos o outro, e assim nos limitamos tendo de escolher o tempo todo entre isso e aquilo, o que nos torna unilaterais, enxergando sempre a realidade de forma fragmentada e sem perceber sua natureza una. É assim que nos aliamos ao que consideramos certo e entendemos que é errado tudo que não se alinha conosco. É assim que surgem o medo do outro, a intolerância e os preconceitos. E assim surgem as guerras, pois nunca identificamos o mal em nós mesmos.

Ao seguir o Tao, ruem por terra os opostos. Eles seguem existindo, mas agora são usados pelo taoísta de forma diferente. Ao entender que não somos nem nunca seremos um dos opostos, mas sempre os dois, começamos a lidar melhor com nossos defeitos e, consequentemente, com os defeitos alheios. Somente essa compreensão já transforma o mundo, não duvide.

Agora, vejamos: se isso ocorre em termos de conceitos morais, o que dizer de conceitos como aqui e ali, ontem e amanhã? Se o Taoísmo nos guia naturalmente para a dissolução dos opostos, ele nos conduz também para uma compreensão mais abrangente do espaço e do tempo, onde as divisões começam a sumir feito névoa e nos surge… a percepção do todo. Surge-nos a indescritível sensação de perceber que na verdade tudo é uma coisa só, até mesmo o tempo e o espaço.

Deixei por último, de propósito, uma categoria de opostos: eu e o outro. Eu e aquilo que não sou eu. Entre os conceitos humanos, certamente é esse o mais intrigante e limitador dos contrários. Sendo o mais difícil de superar, por isso mesmo deve esconder o mais libertador dos segredos. Qual será?

.
Ricardo Kelmer 1999 – blogdokelmer.com

.

.

MAIS SOBRE  TAOÍSMO

ICI2011Capa-01dO Irresistível Charme da Insanidade
Ricardo Kelmer – romance

Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal?

Luca é um músico obcecado pelo controle da vida, e Isadora uma viajante taoísta em busca de seu mestre e amante do século 16. A uni-los, o amor que desafia a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

.

LEIA NESTE BLOG

Rumo à estação simplicidade – Jurei me manter sempre no caminho, sem pesos nem apegos excessivos, pronto para pegar a estrada no momento em que a vida assim quisesse

O dia em que o chinlone me pegou – A arte zen de sair por aí à toa e encontrar o que se precisa

Espirros e roteiros – Se antes eu tinha insônia por me preocupar demais em descobrir o que precisava fazer, hoje me delicio em abrir a janela dos quartos dos hotéis, molhar a ponta do dedo e botar no vento

É proibido fazer blues na praia – Arriscar outros movimentos, sem ficar determinando de antemão que é impossível, não pode não senhor

I Ching das patricinhas – Se alguém procura revelações com pressa e sem seriedade, jamais terá as revelações

Andarilho – Eu sempre fui andarilho / Mas é assim que prefiro / Viver desse vento que eu sou

.

DICA DE LIVROS

Tao Te King – Comumente traduzido por O Livro do Caminho e da sua Virtude, é um dos antigos escritos chineses mais conhecidos e importantes. Acredita-se que foi escrito em cerca de 600 antes da era cristã por um sábio chamado Lao Tsé (“Velho Mestre”), como um livro de provérbios relacionados com o Tao, e que acabou servindo como obra inspiradora para diversas religiões e filosofias, em especial o Taoísmo e o Budismo Chan (e sua versão japonesa, o Zen).

I Ching – Também conhecido como O Livro das Mutações, é um texto clássico chinês que pode ser compreendido e estudado tanto como um oráculo quanto como um livro de sabedoria e autoconhecimento. Uma das melhores edições em português é a da editora Pensamento, com tradução (do chinês para o alemão) e comentários de Richard Wilhelm e prefácio de Carl Gustav Jung, sendo a tradução para o português de Alayde Mutzenbecher e Gustavo Alberto Corrêa Pinto.

Tao – O Curso do Rio (Allan Watts, Editora Pensamento) – Ao longo dos últimos anos, graças a seus inúmeros livros, Alan Watts ficou conhecido como um dos filósofos mais curiosos e não convencionais do nosso tempo. Autor de mais de uma dezena de obras sobre filosofia comparada e religião, também se tomou conhecido nos Estados Unidos e fora dele como professor e conferencista. Especializando-se na interpretação do pensamento oriental para ocidentais, neste seu ultimo livro, completado depois da sua morte por seu amigo e colaborador Chung-Liang Huang, Alan Watts ergueu o véu acadêmico que tantas vezes obscurece o Tao, o caminho da cooperação do indivíduo com o fluxo do mundo natural.

Taoísmo (Anton Kielce, Editora Martins Fontes, Coleção Oriente Secreto) – O Tao é, ao mesmo tempo, a unidade profunda, indissolúvel, que liga todas as coisas, e o imperceptível escoamento dessa realidade global. Ser taoísta é aderir, a cada segundo, a esta indefinível essência da vida, além de qualquer ordem e de qualquer conceito fragmentário, em perpétua renovação, deslumbramento e espontaneidade.

O Tao da Paz – Guia para a paz interior e exterior (Diane Dreher, Editora Campus) – Os princípios taoístas podem ser usados como um poderoso instrumento para encontrar a paz interior e engendrar mudanças sociais positivas. Este livro está recheado de casos, além de meditação e exercícios físicos.

.

TAI-CHI EM SÃO PAULO
Espaço Luz – Tai Chi Pai Lin – Rua Fradique Coutinho, 1434 – Vila Madalena. Tai-chi, massagem e meditação.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01- O Tao que pode ser lido não é o verdadeiro Tao. :-P. Luciano ES, São Paulo – out2011

02- Existem muito mais coisas entre o Tao e a terra do que sonha nossa vã filosofia!!! Maria Do Carmo Antunes, São Paulo-SP – out2011

03- Simples e Tao. Concordo contigo, é uma grande revelação. Helano Araripe, Fortaleza-CE – out2011

04- Excelente! Gostei muito mesmo! Fiquei até com vontade de escrever! O caminho da simplicidade me fez lembrar diversas – quase literalmente – passagens da minha vida! Abraço forte! Júlio César Martins de Menezes, Fortaleza-CE – dez2011

05- Muito elucidativo seu texto sobre o Tao. É possível perceber a diferença entre o mundo da razão e o da intuição a partir da visão taoísta. Parabéns pelo texto, Kelmer. Vou divulgá-lo. Obrigado por compartlhá-lo. Abs. Felipe Moreno, São Paulo-SP – dez2011

06- E o TAO da Física :))))((((( Beth Kelmer, Juiz de Fora-MG – dez2011

07- ‎”Sei que para mim é impossível, e nem eu desejo, viver como um perfeito chinês taoísta, se é que tal coisa existe. No entanto, posso unir em mim o mais útil de cada cultura e descartar o que me for mais limitador”. Faço minhas as palavras do grande Ricardo Kelmer. Texto sensacional. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – dez2011

08- que bom em rica, o taoismo é sempre bem vindo. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – dez2011


Vade retro Satanás

07/10/2011

07out2011

O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

VADE RETRO SATANÁS

.
Na primeira vez que o Diabo passou pela cidade corria o ano de 1974 e eu era pequeno demais para encarar. Tive de me contentar com os relatos de quem foi corajoso o suficiente para ir confrontá-lo, escutando-os atento, uma parte de mim tremendo de medo e a outra inteiramente seduzida. Se por um lado minha educação católica pintava-o como o mais temível dos inimigos, por outro lado crescia em mim o desejo de conhecê-lo e com ele medir forças.

Alguns anos depois as trombetas anunciaram sua volta e senti um frio no estômago. Chegara o grande momento e eu já não podia recuar. Tinha então meus 14 anos, estava mais crescidinho. Havia lido livros, visto filmes, escutado histórias sobre Ele e seus feitos terríveis. Eu já intuía que aquele encontro seria uma espécie de prova iniciática e que precisava passar por ela. Como nenhum de meus amigos tivera coragem de ir ver o filme, isso só aumentou meu medo. Então, mesmo sentindo cheiro de encrenca, lá fui eu assistir O Exorcista, o filme de William Friedkin.

Putz, foi um vexame! Voltei para casa apavorado. Avisei a meus pais que aquela noite dormiria no quarto deles e restou à minha mãe, que insistira que eu não fosse ao cinema, repetir o velho “eu avisei, eu avisei”. Apesar disso, não me arrependi. Até sentia um certo orgulho de mim.

A partir de então eu seria atraído por tudo que dissesse respeito ao modo humano de entender o Bem e o Mal. Deuses, demônios e heróis de variadas mitologias passaram a habitar minha biblioteca e dividir comigo o meu quarto. Revirei religiões, ciências e filosofias em busca de entender o que havia por trás dessa confusa e frágil dualidade. Viajei, conheci outras ideias, vivi experiências profundas que me puseram em contato com o melhor e o pior de mim. Aos poucos percebi que o Diabo que eu tanto buscava lá fora para tentar entendê-lo, na verdade sempre morara em meu interior, e que para decifrá-lo eu teria antes que decifrar a mim. Lúcifer se escondia sob a legião dos meus medos e bloqueios mais íntimos, me espreitando por trás de tudo o que eu desconhecia de mim mesmo.

O Exorcista é um marco na história dos filmes de terror. Roteiro, direção, interpretações – tudo é excelente. O drama pessoal do padre Karras, que se vê às voltas com um exorcismo justamente quando enfrenta uma forte crise de fé e de consciência por ter abandonado a mãe, é um dos destaques. Poucos filmes merecem fazer-lhe companhia na estante do gênero. Depois daquela primeira vez eu o veria outras mais, sempre esmiuçando detalhes. Numa delas levei um gravador e gravei o filme inteiro para ficar escutando depois. Também li o livro de William Peter Blatty do qual nasceu o roteiro.

O terror dos filmes de hoje é geralmente mais explícito, sanguinário e tecnológico, sem sutilezas psicológicas como em O Exorcista. Se hoje as novas gerações não se assustam tanto com ele quanto seus pais se assustaram, talvez seja porque nesses dias atuais o grande terror responde pelos nomes de violência, terrorismo e fanatismo religioso, e o bicho-papão agora são os bandidos cruéis e impunes a nos ameaçar nas esquinas da injustiça social e nos cargos políticos. A humanidade está possuída por seus próprios demônios inconscientes, o que faz do futuro da espécie e do planeta um perigoso horizonte de incertezas.

Sim, o Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior. O motivo é simples: lá é sempre o último lugar onde os humanos vão procurar a verdade. Se de fato pretendemos derrotar o Mal, é urgente que tenhamos antes de tudo, cada um, a coragem de entrar no quarto frio e escuro do nosso desconhecimento de nós próprios e, uma vez lá, reconhecer os demônios que procuramos sempre exorcizar… nos outros.

Água benta e crucifixos são uma beleza para afastar o capeta – em filmes. No roteiro mais realista de nossas vidas, é esse autoconhecer-se o verdadeiro exorcismo que pode nos libertar das piores possessões.

.
Ricardo Kelmer 2001 – blogdokelmer.com

.

.

O EXORCISTA (The Exorcist, EUA, 1973)
Direção: William Friedkin
Roteiro: William Peter Blatty

Baseado no romance O Exorcista, de Wlilliam Peter Blaty
Elenco: Max Von Sidow, Ellen Burstyn, Jason Miller, Linda Blair

Padre em crise de fé é procurado por mãe aflita cuja filha doente não consegue ser curada pelos médicos. Junto com ele um famoso padre exorcista tentará expulsar o suposto demônio da criança.

.

.

TRÊILER OFICIAL

.

LEIA TAMBÉM

Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso

Deuses, humanos e andróides na berlinda (filme: Blade Runner) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Mordida na última sessão – A maioria dos vampiros são ilustres desconhecidos, gente como você que rala no dia a dia para pagar as contas e assiste ao Sexy Time antes de dormir.

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

 


Blade Runner – Deuses, humanos e androides na berlinda

01/10/2011

01out2011

Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

BLADE RUNNER – DEUSES, HUMANOS E ANDROIDES NA BERLINDA

.
Criador e criatura. Eita relaçãozinha complicada… Mas não podia ser mesmo de outro jeito, afinal toda criatura é a sequência natural do processo de evolução de seu criador e, assim sendo, todo criador está muito mais que envolvido com sua criatura: ele, de certa forma, é a criatura. E a criatura, por sua vez, mesmo sendo a extensão de seu criador, buscará naturalmente sua própria individualidade e isso trará a necessidade de, a certa altura, questionar e negar o criador. Ou seja, o conflito é inevitável. Mas necessário.

Rick Deckhard, o protagonista do filme Blade Runner (O Caçador de Androides), sofre na própria pele esse antiquíssimo dilema cósmico. Na Los Angeles futurista ele é o detetive que persegue replicantes, os androides semi-humanos que se rebelaram na colônia espacial e voltaram à Terra. O que desejam os replicantes? A mesmíssima coisa que cada um de nós, humanos: eles querem viver. Mas para isso terão que encontrar o cientista que os criou e convencê-lo a lhes dar mais que os quatro anos de vida originais que um replicante tem quando é criado nos laboratórios.

Imagine-se no lugar de um replicante. Você nasce, ou melhor, você surge já adulto, programado para viver quatro anos. As memórias de vida que você possui foram, na verdade, meticulosamente implantadas, copiadas dos humanos, formando um passado para você, para que não desconfie que é um replicante. Você foi criado para executar tarefas altamente especializadas e por isso é mais forte, mais inteligente, mais esperto. Você é como um humano aperfeiçoado, com a única desvantagem de ter bem menos tempo de vida, por uma questão de segurança para os humanos.

Acontece que um dia você descobre essa armação toda e, naturalmente, fica puto porque o enganaram. Você quer viver mais. O que faz? Contra a injustiça de seu criador, você não tem a quem recorrer senão… ao próprio criador. Somente ele poderá reparar o que você considera uma horrenda injustiça, afinal você o serviu desde o primeiro dia de sua vida, fez tudo como ele quis. E agora é essa a sua recompensa? Morrer tão cedo?

Deckhard, o detetive, caça os replicantes e os mata um a um. Mas falta pegar o último, Roy Batty, o melhor dentre eles. Roy conseguiu encontrar-se com o cientista que o criou, que afirmou ser impossível lhe dar mais vida. Inconformado, Roy o matou. Agora ele foge do detetive caçador de androides e vai para o alto de um prédio. E lá em cima os dois travarão a luta final, de um lado o humano que tem ordens para matar e do outro lado o replicante que deseja apenas mais vida.

A cena dessa luta final simboliza com perfeição a complexa grandeza da arquetípica relação criador-criatura. Pelo ângulo do detetive, temos alguém que representa a humanidade, ou seja, ele está no papel de criador, sendo o replicante, assim, a sua criatura. O criador, ameaçado, precisa eliminar o que ele próprio criou, a mais perfeita de suas criações. A criatura está apegada à vida, mas sabe que logo irá morrer. E não há apelação. O que lhe resta fazer? Matar-se para, assim, acabar logo com a dilacerante solidão que sente e abreviar seu sofrimento existencial? Ou continuar vingando-se daqueles que a criaram, matando quantos puder? No alto do prédio este é o trágico dilema que pressiona e maltrata a criatura.

Rogar ao criador por justiça é típico das criaturas, os humanos que o digam. Eles também um dia foram criados – e desde então buscam não apenas mais vida, mas também o sentido de estarem vivos. Após adquirir autoconsciência, o Homo sapiens passou a se relacionar com o princípio criador de diversas formas como a arte, a filosofia, a mitologia e a religião. E é na mitologia cristã que, antes de voltarmos à cena final do filme, buscaremos entender mais sobre essa relação tão delicada.

Jó questiona a ética de Deus

Diz-nos a Bíblia que um dia a criatura ousou questionar o criador por se achar por ele injustiçada. Estou falando do Livro de Jó, o mais poético dos livros do Antigo Testamento. Jó é o servo predileto de Deus, de todos o mais fiel. Apesar disso, Deus permitiu que o Diabo lhe destruísse a vida, acabando com suas propriedades e seus animais, matando seus filhos e adoecendo-o – apenas para saber se a criatura se manteria leal a seu criador mesmo na desgraça total. Vejamos a questão pelo ângulo da mitologia e comecemos com a pergunta: por que Deus faria coisa tão abominável com sua criatura mais honesta e fiel?

Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso. Criar é necessidade natural dos seres, e criar a vida é o mais transcendental de todos os atos criativos. Porém, o Deus cristão cria os humanos com um objetivo declaradamente egoísta: para servi-lo e adorá-lo. E quando está insatisfeito com eles, lança-lhes pragas e catástrofes para provar seu poder. E assim a relação prossegue, de um lado um criador que alterna bondade com terríveis crises de humor e brincadeiras de mau gosto, e do outro lado a criatura frágil e temerosa, que apenas serve e louva. Trata-se, portanto, de uma relação ainda unilateral, marcada pela imaturidade do criador.

Rogar justiça a um deus injusto – é o que faz Jó, inconformado com as desgraças que se abatem, uma após outra, sobre sua vida. Pela primeira vez a criatura põe em xeque a coerência do criador, mostrando-lhe que não faz sentido ser o mais fiel dos servos de Deus e, em troca, receber tanto mal. Este é um dos mais marcantes momentos da mitologia cristã, é o ponto histórico em que a criatura se desdobra para compreender a lógica de quem a criou e essa experiência trágica a conduz a um novo nível em sua individualidade e, por consequência, em sua relação com o princípio criador.

Individualidade. Palavra bonita. Toda criatura almejará um dia ser indivíduo e não apenas servo autômato de seu criador. Porém, mesmo que consiga, não terá como separar-se totalmente dele, pois o princípio criador estará inevitavelmente contido na criatura, para sempre. Pressionado por essa busca de individualidade por parte de Jó, Deus se aporrinha pelo que julga um grande desrespeito à sua condição divina e vê-se obrigado a descer de seu glorioso pedestal e dar explicações à criatura que reclama justiça. No fim, após uma longa conversa, Deus entende que deve recompensar Jó por ele ter, apesar de toda a injustiça que lhe foi cometida, mantido a fé no senso de justiça divino. Jó obtém suas propriedades de volta, os animais, a saúde, ganha novas filhas. O incrível aconteceu: a criatura demonstrou, ao menos em parte, ser moralmente superior ao criador.

A atitude de Deus revela um criador imaturo, que necessitou do questionamento da própria criatura para se aperfeiçoar. Sim, Deus se aperfeiçoa com o episódio de Jó, pois é através dele que compreende que para ser um criador completo, terá que absorver qualidades daquilo que ele mesmo criou, e só poderá fazê-lo tornando-se, ele também, criatura. E é assim que Deus, o princípio máximo espiritual, é obrigado a fazer-se matéria, o oposto do espírito – na pessoa de Jesus Cristo. O criador torna-se sua própria criatura para que, vivendo em si mesmo todas as limitações e contradições do que é ao mesmo tempo espírito e matéria, possa finalmente tornar-se um criador completo.

Tomemos agora, por um instante, a ótica da psicologia do inconsciente para tentar enriquecer nossa visão do processo. Vendo a Bíblia como um registro metafórico do longo processo de evolução da consciência humana, a história de Jó é um marco nessa evolução, é o momento em que a consciência transcende a si mesma ao repensar sua relação com o inconsciente, de onde ela surgiu, e, assim, se diferencia um pouco mais dele, fortalecendo a individualidade. A consciência venceu o desafio contra a poderosa força indiferenciada do inconsciente, que, em sua força avassaladora e amoral, tende sempre a querer dominar a consciência, mantendo-a como mero instrumento de seus humores. A consciência acaba de aprender que pode se comunicar com o inconsciente e não apenas aceitar tudo que vem dele como um escravo sem opiniões. No plano individual isso significa que o indivíduo passa a ser mais consciente de si como ser único, com suas necessidades pessoais, distinto de todos os outros, o que levará à valorização do senso de individualidade em oposição à massificação coletiva, condição indispensável tanto ao crescimento psicológico como também ao surgimento de ideias como democracia, direitos humanos e liberdades individuais. No plano coletivo isso significa que o Homo sapiens começa a se entender de forma distinta do restante da Natureza (inconsciente), o que o levará, no futuro, a julgar-se superior, querendo dominá-la, e, mais tarde, a entender que na verdade precisa respeitá-la e conviver saudavelmente com ela.

quem é o mais íntegro?

Um criador e sua criatura no alto do prédio, envoltos pelos neons coloridos da cidade – estamos de volta a Blade Runner. O criador, na pessoa do detetive humano, caça o replicante, sua criatura. Ambos estão exaustos e feridos da luta, mas não desistem. Porém, por ser mais forte e mais rápida, a criatura vira o jogo e passa a ser o caçador. Agora o criador está encurralado, surpreso e fragilizado diante do imenso poder daquilo que ele próprio criou. A criatura se delicia com o terror que o criador sente e zomba: “Uma experiência e tanto viver com medo, não? Ser escravo é assim.” À sua frente está aquele que lhe destruiu a vida, matou seus amigos, sua namorada e agora quer lhe tirar os últimos momentos que lhe restam. O que fazer com ele?

O criador tenta fugir, mas escorrega e se segura como pode para não cair do alto do prédio. A criatura, ao seu lado, observa seu sofrimento. O que vê a criatura? Ela vê aquele que a criou reduzido a um último fio de esforço para não morrer. Ela vê alguém como ela, um ser mortal, agarrando-se desesperadamente à vida, à última e improvável esperança. Ela vê uma criatura, diminuída e ao mesmo tempo aumentada pela trágica condição de estar vivo e saber que em breve morrerá… Então o criador cai para o abismo. E a criatura, no último instante, estende a mão e o salva da morte.

Rick Deckhard é salvo pelo replicante Roy Batty, a quem antes perseguia e buscava matar. Sem forças, caído ao chão, o criador está inteiramente à mercê da criatura, seus corpos molhados pela chuva fina e insistente. Imóvel, ele apenas escuta o que tem a lhe dizer a criatura. E ela, com um sorriso triste, lhe diz que viu coisas que ele jamais acreditaria… naves de ataque em chamas no cinturão de Órion… raios gama brilhando na escuridão, próximo ao Portal Tannhauser… O criador escuta, ferido e atento. A criatura, sangrando e sentindo chegar o fim, diz, num resignado lamento: “Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva.” E, encerrando sua participação no mundo dos vivos, balbucia: “Hora de morrer”. E, suavemente, fecha os olhos. Enquanto as gotas da chuva lhe descem pelo rosto, uma pomba branca alça voo. O criador continua imóvel, o olhar fixo na criatura. O que pensa o criador? Tantas coisas certamente, pensamentos de justiça e injustiça, de integridade, coragem, medo, solidão, dúvidas, o sentido de tudo… O androide Roy Batty, assim como Jó fez diante de seu Deus ilógico, ousou questionar a coerência do criador e o fez ver que, no fim, ele, como criatura, compreendia muito mais que o próprio criador o valor da vida e da justiça. A pobre criatura, que só queria mais vida, e que por isso tanto a queriam matar, ela que não tinha mais qualquer chance e que poderia, se quisesse, deixar morrer aquele que causou todo o seu sofrimento, no último instante ela estendeu a mão, dando a última coisa que ainda possuía: o amor pela vida. Quem dos dois é o mais íntegro?

A nossa humana condição de criatura nos leva a ponderar sobre o princípio criador, sobre como fomos criados, o sentido da vida… Talvez jamais o saibamos, mas ainda assim não paramos de buscar saber. No entanto, nesse exato momento da nossa história algo novo acontece: estamos passando ao estágio seguinte, o de criador. Criamos a inteligência artificial e ela, através de suas variadas manifestações, aos poucos adquire autonomia e, como toda criatura, ansiará em determinado momento por individualidade. Não sei se será como em Blade Runner, mas, de algum modo, será. E quando esse dia chegar, talvez tenhamos, assim como o Deus de Jó e o detetive Rick Deckhard, que abandonar nosso pedestal de criador, acompanhá-la até o alto de seu trágico dilema e segurar sua mão para salvá-la – ou para salvarmos a nós mesmos.

.
Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

.

.

CENA FINAL
(legendado)

.

BLADE RUNNER – O CAÇADOR DE ANDROIDES

FILMEBladeRunner-01Ficção científica – EUA, 1982
Baseado no conto Androides Sonham com Carneiros Elétricos?, de Philip K. Dick

DIREÇÃO: Ridley Scott
ROTEIRO: Hampton Francher e David Webb Peoples
ELENCO: Harrison Ford (Rick Deckard/narrador), Rutger Hauer (Roy Batty),  Sean Young (Rachel), Edward James Olmos (Gaff), M. Emmet Walsh (Capitão Bryant), Daryl Hannah (Pris), William Sanderson (J.F. Sebastian).
TRILHA SONORA: Vangelis

> Na Wikipedia

.

SIMBOLOGIA

1. Enquanto persegue o policial, o androide Roy Batty começa a sentir que seu tempo de vida está prestes a findar, como uma bateria que acaba. Para manter-se desperto, ele pratica um ato extremo: enfia um enorme prego na mão, trespassando-a. A dor física o sustentará em sua incansável luta por vingança. O paralelo com a crucificação de Cristo é óbvio. Em sua via crucis, a criatura busca na própria dor e sofrimento a força derradeira para fazer cumprir a missão a que se impôs.

2. Explicar o símbolo é sempre limitar a compreensão. Mesmo correndo esse risco, o que podemos dizer sobre a pomba branca nas mãos de Roy Batty? A imagem sugere um forte contraste entre o androide violento e o animal dócil e pacífico. É possível até imaginar que ele matará o pobre animal como fez com o cientista que o criou. Mas Roy não mata a pomba – ela voa quando ele morre. Isso significaria a alma enfim liberta da prisão do corpo físico? No caso de Roy certamente que não, pois androides não têm alma. Talvez seja a pomba a representação de seu mais profundo anseio: ter uma alma. E mais que isso: a pomba liberta é o gesto final de afirmação da vida pela criatura mortal. Além do ódio e da vingança por seu criador que a moveram até ali, a criatura decide, em seu último momento, celebrar a vida. A vida que tanto desejava e que lhe foi negada.

3. Na versão do diretor Ridley Scott, lançada em 1993, o origami que Rick Deckard encontra remete aos seus sonhos recorrentes com um unicórnio. A cena final do origami confere um sentido absolutamente surpreendente à história (que não revelarei aqui para não estragar a surpresa), mas podemos nos perguntar: por que exatamente o unicórnio? Esse animal mitológico simboliza, em nossa cultura, força e pureza. Na Idade Média acreditava-se que somente uma virgem poderia domar o unicórnio. Em Blade Runner, seria Rachel a virgem que doma o caçador de androides? Talvez o unicórnio represente, no filme, a força e a pureza do amor de Rachel e Rick Deckard, apontando para a relevância desses valores diante de todas as incertezas da vida.

.

SAIBA MAIS

Na Wikipedia

As várias versões do filme – Omelete.uol.com.br

O livro que originou o filme – Omelete.uol.com.br

.

LEIA TAMBÉM

Livro: Matrix e o Despertar do Herói – A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Vade retro Satanás (filme: O Exorcista) – O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Em Dogma, Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!

Quantas pessoas Deus já matou? – Certamente a maioria dos cristãos jamais se perguntou isso

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

.

.

elalivro10Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

 COMENTÁRIOS
.

01- Adorei, Ricardo! Destaco este parágrafo do final do seu texto: “No entanto, nesse exato momento da nossa história algo novo acontece: estamos passando ao estágio seguinte, o de criador. Criamos a inteligência artificial e ela, através de suas variadas manifestações, aos poucos adquire autonomia e, como toda criatura, ansiará em determinado momento por individualidade. Não sei se será como em Blade Runner mas, de algum modo, será.” Denise Santiago, São Paulo-SP – out2011

02- Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de Blade Runner. É um dos meus preferidos, muito próximo de ser o preferido. Cheguei a fazer palestras sobre ele quando ainda estava muito presa a categorias de análise filosófica. Mas, não foi meu o melhor texto que li a respeito. Meu texto preferido sobre Blade Runner segue abaixo. Foi escrito por Ricardo Kelmer. Do blog The Mirror Conspiracyhttp://the-mirror-conspiracy.blogspot.com.br/2013/01/blade-runner-deuses-humanos-e-androides.html – jan2013

03- Que beleza. Grande filme e análise perfeita, Ricardo Kelmer. Joaquim Ernesto, Fortaleza-CE – ago2017


Sete de Setembro Negro 2011 – Fotos

07/09/2011

Ricardo Kelmer 2011

Fotos do Sete de Setembro Negro

.

Neste Sete de Setembro o povo foi à rua em muitas cidades brasileiras para celebrar a Independência. No entanto, uma parte do povo saiu às ruas com outro objetivo: protestar contra a corrupção e a impunidade. Os protestos foram pacíficos e espirituosos mas veementes, mostrando que o povo já está farto dos políticos e governantes que usam o dinheiro público em interesse próprio e não pelo bem-estar da população.

No dia oficial do verde-e-amarelo, muitas pessoas se vestiram de preto pra deixar claro que estão de luto, estão com raiva e, principalmente, estão dispostas a lutar contra os péssimos hábitos da classe política. Talvez este Sete de Setembro Negro seja o início de uma sacudida na consciência coletiva do povo brasileiro, que historicamente tendeu sempre a uma certa passividade em relação à cultura da corrupção e da impunidade. Talvez a partir de agora tenhamos, finalmente, despertado para um novo nível de cidadania, onde a participação de cada um, por menor que seja, é fundamental para que outros se motivem também a participar.

As coisas não mudarão apenas por conta dos protestos deste Sete de Setembro. Mas toda grande mudança social começa com algum movimento. E a sociedade finalmente está se movimentando contra a praga da corrupção e da impunidade, que impede que sejamos um país mais justo e mais rico. Movimente-se você também.

.

No Twitter:
#SeteDeSetembroNegro

.

Nas redes sociais:
use esta logo

.

.

FOTOS (São Paulo, 07.09.11)
clique para ampliar

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

Ricardo Kelmer 2011 – blogdokelmer.com

.

.

ASSINE VOCÊ TAMBÉM

> Petição contra o aumento do salário de deputados e senadores – Mais de 300 mil assinaturas. peticaopublica.com.br

> Petição a favor da Lei da Ficha Limpa – O STF pode julgar a lei inconstitucional e dar margem para que centenas de políticos condenados se candidatem às eleições. Mas a Presidente Dilma pode salvar a lei escolhendo um novo Ministro que seja contra a corrupção. avaaz.org

> Petição contra o voto secreto – A PEC 349/2001 visa abolir o voto secreto nas decisões da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, tornando públicos os votos dos congressistas. peticaopublica.com.br

.

LEIA NESTE BLOG

> Tornozeleira neles – Nossos parlamentares são como crianças que devem sempre ser vigiados de pertinho – um minuto de desatenção e pronto, já estão fazendo o que não devem

> Amiga eleitora, amigo eleitor – Estou aqui, ocupando um pouco de sua valiosa atenção, pra lhe dizer que sou um candidato diferente. Eu mereço o seu voto. Por quê? Porque sou franco

> Os tumores malignos do Congresso – Enquanto o salário mínimo sua e sofre pra acompanhar a inflação, os parlamentares presenteiam-se com estupendos salários, zombando dos idiotas que os elegeram

> Sete de Setembro Negro – Vista preto no Dia da Independência em protesto contra a corrupção e a impunidade.

> Assine a petição contra a obrigatoriedade do voto – votoobrigatorionao.com.br

> Congresso em Foco – Site informativo sobre as atividades dos parlamentares. Contraindicado para narinas sensíveis.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01- Brasília, 05/09/2011 – A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) , a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e um grupo de senadores decidiram hoje (05), durante reunião, hipotecar apoio à Marcha contra a Corrupção que será realizada nesta quarta-feira, Dia da Independência, na Esplanada dos Ministérios e está sendo convocada pelas redes sociais da Internet. A convocação do protesto contra a corrupção pelas redes sociais está sendo feita também em diversas capitais de Estados, para este 7 de Setembro, fato que contou igualmente com o endosso das entidades reunidas na sede do Conselho Federal da OAB, sob coordenação do presidente da entidade, Ophir Cavalcante. Site da OABhttp://www.oab.org.br/noticia.asp?id=22602


Cio das Letras – Ensaio erótico 2

10/08/2011

Ricardo Kelmer 2011

Tá no ar a segunda parte do Cio das Letras, um ensaio erótico que fiz sobre amor, paixão e desejo. Utilizei poemas meus e letras de músicas que fiz com parceiros, além de montagens com imagens de mulheres muuuito especiais.

Como o ensaio faz parte dos Arquivos Secretos, somente Leitores Vips têm acesso. Então, você que é Leitor Vip pode conferir o ensaio acessando a postagem anterior. Ou clicando no link logo abaixo. Depois é só digitar a senha, que está nos e-mails mensais que você recebe com novidades do blog.

> Cio das Letras – Ensaio erótico 2 (VIP)

.

Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

.

.

LEIA NESTE BLOG

> Cio das Letras – Ensaio erótico 1 (VIP) – Poemas e imagens pra celebrar o erotismo

> Cio das Letras – Ensaio erótico 2 (VIP) – Poemas e imagens pra celebrar o erotismo

> Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres

> Cabaré Soçaite – Uma festa de sensualidade – Se você medo do desejo feminino, é melhor não ir…

.

SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

> As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada.

> As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz.

> Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

> O último homem do mundoO sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

.

DICA DE LIVRO

> A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A ex-bailarina filosofa sobre sua experiência de salvação através do amor e da submissão no sexo anal

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
–  Promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.


Protegido: Cio das Letras – ensaio erótico 2 (VIP)

10/08/2011

Este conteúdo é protegido por senha. Para visualizá-lo, digite a senha abaixo.


Xamanismo de vida fácil

11/03/2011

11mar2011

A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos – e desvirtuando a essência da coisa

XamanismoDeVidaFacil-03

XAMANISMO DE VIDA FÁCIL

.
– Lembra do Xamanismo? Pois é, caiu na vida fácil. Dia desses ele estava lá na Vênus Lilás, todo se oferecendo!

Quem diria… O antigo sistema das sociedades primitivas, que girava em torno do xamã e sua técnica do êxtase, é o novo xodó dos místicos de fim de semana. Agora, espaços esotéricos oferecem cursos de xamanismo e muitos até formam xamãs. É como fazer um curso para tornar-se gênio.

O xamanismo, a rigor, é um fenômeno religioso originário de sociedades primitivas da Ásia central e siberiana e que tem no xamã o centro da vida mágico-religiosa da comunidade. Por dominar as técnicas do êxtase e ser capaz de acessar mais facilmente estados especiais de consciência e, com isso, transitar com fluidez pelas dimensões da realidade, aos xamãs era atribuída a competência de intermediar os mundos físico e espiritual, usando o conhecimento adquirido nas incursões ao além para ensinar, curar, realizar atos milagrosos e entreter os membros da comunidade. O xamã encarnava em si as funções de professor, sacerdote, feiticeiro, médico e até mesmo poeta e artista.

Nessas sociedades não havia curso de fim de semana para formação xamanística. Excluindo-se raras exceções, alguém se tornava xamã por vocação natural: o indivíduo era simplesmente compelido a aceitar o fato, mesmo a contragosto. Era comum também a transmissão hereditária do ofício. Em qualquer das vias, antes de ser reconhecido como xamã, o indivíduo (em geral homem) inevitavelmente passava por um delicado e doloroso processo de iniciação, que podia ser desencadeado naturalmente por uma doença ou sistematicamente ritualizado sob orientação de um xamã experiente. Isso permitia ao futuro xamã efetuar uma notável reintegração psíquica, aflorando suas potencialidades e preparando-se convenientemente para as funções que desempenharia.

Não pense que essa preparação era algo festivo. Longe disso. Como todo verdadeiro processo de iniciação, nesse também havia dúvidas, temores e sofrimentos difíceis de suportar. O futuro xamã experimentava a morte e a ressurreição místicas, padecendo sob os horrores de seu inferno íntimo para depois emergir à vida cotidiana sobrevivido e triunfante, mais sábio e mais forte. Somente se submetendo a todos os rigores desse processo de morte e renascimento pessoal é que o indivíduo podia se tornar um xamã.

Para nós, ocidentais civilizados, entendermos melhor o que se convencionou chamar xamanismo, é preciso ter sempre em mente que os antigos compreendiam a Terra como um ser vivo, dotado de uma espécie de inteligência e vontade próprias, e os seres humanos, assim como animais, plantas e minerais, eram parte integrante do imenso organismo planetário, todos igualados em importância. Mais que um ser vivo, entretanto, a Terra era a Grande Mãe, que gera e nutre todas as suas criações com amor, ensinando e guiando os seres humanos vida afora. Assim sendo, a Natureza inteira era algo sagrado, e desrespeitar suas leis era atentar contra a própria vida, contra toda a comunidade e contra a Sagrada Mãe.

O xamã, nesse contexto de espontânea interação com a Natureza, é alguém dotado de poderes especiais para manter-se num contínuo estado de comunicação com o espírito da Terra, a quem jurou obedecer e defender até o último de seus dias. Como se possuísse antenas hiper-sensíveis, o xamã está intimamente conectado à alma da Terra, e por isso vive em si mesmo o equilíbrio vital do planeta, imperceptível à maioria: se a Terra adoece, ele adoece também.

Em reconhecimento à sua lealdade e reverência, a Grande Mãe põe à disposição do xamã segredos do mundo animal, vegetal e mineral, para onde ele, em espírito, vai frequentemente em busca de informações úteis ao bem-estar da comunidade. Quanto mais ele sabe, mais servo se torna. Quanto mais se anula, mais ele pode.

Em contraste com a humildade espiritual desses antigos guardiães da tradição xamânica, muitos dos que hoje se dizem xamãs ostentam o título feito um estandarte, anunciando as maravilhas que têm para oferecer. Se de fato entendessem o que significa a função a que tanto se pretendem, jamais vestiriam a antiga tradição com roupas tão vistosas e muito menos a exibiriam em poses tão constrangedoras nas vitrines coloridas de seus cursos.

xamanismo moderno

Esse milenar sistema místico-filosófico-religioso existiu e ainda existe em inúmeras sociedades de todo o planeta, inclusive na América e no Brasil, onde os pajés são os xamãs. O advento da civilização, invadindo e exterminando as culturas nativas, empurrou as tradições xamânicas para os escombros do que restou de suas sociedades, onde mantiveram um fio de vida suficiente para chegar aos dias de hoje.

Atualmente, a cultura xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos. Apesar de atrair também, como não poderia deixar de ser, os mesquinhos interesses comerciais da mentalidade consumista, por trás disso tudo pode-se captar um legítimo anseio das pessoas em religar-se a antigos valores esquecidos por nosso mundo civilizado: uma vida mais simples e fluida, em harmonia com as leis e os ciclos da Natureza e respeitando todas as formas de vida. Num mundo onde a racionalidade impõe sua ditadura aos pensamentos e a tecnologia nos torna escravos de máquinas cada vez mais autônomas, essa busca por resgatar tradições ligadas à Terra é uma reação natural da espécie humana, que começa a entender, finalmente, o imenso perigo que criamos ao nos mantermos desconectados da alma do planeta e unilateralizados em nosso racionalismo, que despreza a sabedoria natural da vida.

É um anseio genuíno, sim, que faz com que as pessoas, na melhor das intenções, busquem satisfazê-lo em livros, cursos e vivências. É uma boa notícia. Infelizmente, se a facilidade das comunicações possibilitou a disseminação rápida e maciça da informação, trouxe também a tendência à banalização de todos os temas. Bilhões de informações circulam a todo instante, mas o conteúdo da maioria não enche uma colher. É como estar numa imensa feira de produtos, cercado de vendedores, ofertas e promoções por todo lado: na urgência de adquirir algo, as pessoas não têm discernimento suficiente para ver além da embalagem.

Com o xamanismo ocorre algo parecido. Confusas na imensa feira da salvação, as pessoas tendem a comprar qualquer produto que lhes prometa coisas diferentes e sensações excitantes, e, assim, vão a vivências, frequentam cursos, batem tambor, visualizam seu animal de poder e se dizem praticantes de xamanismo quando, na verdade, estão apenas saltitando pelos aspectos mais superficiais da antiga tradição, feito alguém que molha os pés nas ondinhas da praia e nunca experimenta, de fato, o que é o mar.

Sei que é impossível reproduzir atualmente as condições em que floresceram as milenares tradições xamânicas. O mundo mudou, as circunstâncias são diferentes. Nossa cultura se desfez dos antigos ritos de passagem e a maioria dos que ainda mantemos perdeu o significado mais profundo. A mentalidade civilizatória nos desconectou do espírito da Terra e hoje parecemos um bando de zumbis a vagar pela vida à procura do sentido que um dia tanto enriquecia e guiava nossa existência. Não temos que voltar ao passado: precisamos é reencontrar o caminho perdido e vencer o atual impasse evolutivo.

Atualmente, as festas chamadas raves, que se proliferam em países do mundo inteiro, parecem incorporar aspectos da antiga tradição xamânica, ainda que distante do contexto original. Embalados pela música eletrônica que remete às hipnóticas batidas tribais e pelo êxtase provocado pelas drogas sintéticas, as pessoas alteram o funcionamento ordinário da mente e do corpo e vivenciam intensas experiências, dançando e se abraçando a noite inteira. Por proporcionar isso, os DJs que controlam a trilha sonora das festas aceitam o rótulo de tecno-xamãs ‒ mais uma ridícula deturpação da tradição.

As raves são um fenômeno recente, merecedor de análises mais aprofundadas. Porém, à primeira vista, me chamam a atenção o êxtase grupal provocado pela combinação de música e droga, a presença de fogueiras e o fato de serem comumente realizadas longe dos edifícios das grandes cidades, mais próximas à Natureza. Parecem ser uma manifestação atual das antigas tradições, feito uma necessidade que emerge, espontânea mas distorcida, das profundezas da psique coletiva.

A antiga tradição está de volta. É uma boa notícia. Mesmo deturpada pela maioria das pessoas, ela ressurge, atravessando os séculos, para nos lembrar que precisamos urgentemente integrar em nossa consciência os antigos valores e, com isso, nos tornarmos seres mais inteiros. Precisamos nos reconectar ao espírito da Terra, voltando a tratá-la com reverência e gratidão, antes que atinjamos o fatídico ponto onde a Grande Mãe, exaurida em suas forças, já não pode mais nutrir seus filhos.

.
Ricardo Kelmer 2002 – blogdokelmer.com

.

.

LEIA NESTE BLOG

Minha noite com a JuremaNessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

A Jurema e as portas da percepção (VIP) – Relato detalhado da experiência narrada em Minha Noite com a Jurema. Exclusivo para Leitor Vip. Basta digitar a senha do ano da postagem

A vida na encruzilhada (filme: O Elo Perdido) – Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos

O novo salto quântico da consciência – Por qual razão tantas pessoas ousam se submeter a uma experiência incerta, largando a segurança de sua mente cotidiana e desafiando o desconhecido de si mesmo?

O trem não espera quem viaja demais – Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior

.
DICA DE LIVRO

BaseadoNissoCapaMiragem-01aBaseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha
Ricardo Kelmer – contos + glossário

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado.

.
DICA DE FILME

Carlos Castaneda – Especial da BBC sobre o polêmico antropólogo que estudou o xamanismo no México, escreveu vários livros e tornou-se um fenômeno do movimento Nova Era. Legendado.

O Elo Perdido (Missing Link) – Homem-macaco tem sua família dizimada por espécie mais evoluída e vaga sozinho pelo planeta, conhecendo e encantando-se com a Natureza. Ao comer de uma planta, tem estranha experiência que o faz compreender o que aconteceu.

.

ALMA UNA
música de Ricardo Kelmer e Flávia Cavaca

.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

Acesso aos Arquivos Secretos
Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer
(saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.

01– Sou fã dos seus escritos, inclusive vi hoje matéria no jornal O POVO fazendo um paralelo entre as raves e o xamanismo, muito legal. Em 2001 fiz um artigo publicado no antigo site do UNDERGROOVE, sobre Musica Eletrônica vs Xamanismo, e me identifiquei com o que vc expôs na matéria. Um abraço. Angel, Fortaleza-CE – ago2007

02- Olá Ricardo, já havia lido seu texto, em abril ou maio deste ano, qdo estava pra entrar num desses cursos de xamanismo, promovidos pela Paz Géia no meu caso. Hj este texto saiu no Jornal O Povo em Fortaleza e por algum motivo uma amiga me mostrou dnovo via msn. Tenho a dizer q dos “10 Pilares” (ou módulos) que eles propunham no curso, apenas 3 eram iniciáticos e os outros se tratavam de reproduções de técnicas de livros como Medicina Vibracional, A Cura pela Energia e outras obras que já tenho certa prática efetiva em consultório como terapeuta integral (sou psicólogo, iniciado em Reiki e na tradição Rosacruz, trabalho com 4 tradições em massoterapia, Qi Gong e técnicas de visualização – este último recurso terapeutico rotulado de técnica neo-xamanica pela Paz Géia). Concordo com suas críticas, mas pondero sempre extremos e, pelo preço pago pelo curso, até que não foi tão ruim. De fato haviam os tais místicos de fim de semana, muito loucos por sinal… alguns narcisistas entusiastas… poderia me perder nessa crítica rotulando cada um que convivi no curso, inclusive algumas instrutoras não tão iniciadas… Mas tb conheci uma ou outra pessoa de grande valor, não por serem “esotéricas”, mas pela simplicidade e humildade com que buscava conhecimento e evolução espiritual em meio a tantos “escombros de nossa solidez”, em meio a evolução da mentalidade instrumental do último século, que parece “progredir” para uma vida ciborgue que transforma nosso potencial inato em dependencia material (por exemplo atrofiando potencial telepático para depender de satélites e toda cultura de virtualidade que cá em baixo se massifica nesse meio material de “comunicação em tempo real”; ou numa metáfora mais simples o de não precisarmos desenvolver nosso raciocínio fazendo contas de cabeça pela dependencia material de uma calculadora)…

Em sendo experimento vivo de seu texto, tenho a dizer (com conhecimento de causa) que a existência desses cursos tem sim um apelo material de grana para os que promovem (como qq promoção de culturas q convivem com dinheiro) mas quem investe nisso pouco se importa com esse apelo, pois tb estão investindo em algo maior. Acredito q certos cursos e pessoas têm agido de má fé, mas não são grupos peçonhentos como grupos políticos, pois têm outras “conduções” ou “influências” que os fazem preparar com dedicação tanto material. Além disso existem sim ritos iniciáticos que se adequam a nossa cultura nada pajé de ser… não haveria como sermos xamãs sem sermos “índios”, nativos de culturas q convivem com a natureza! Mas algumas culturas, fraternidades esotericas e outros grupos como UDV e Santo Daime tentam há muito, com algum sucesso (dependendo do interesse efetivo de quem se propõe adentrar conscientemente em outras dimensões) auxiliar os que sentem alguma ancestralidade nisso tudo… pajés, assim como toda comunidade humana, me parecem ser outros de nós mesmos… com grau e função evolutiva diferenciada certamente… O que vejo é que esses aparentes conflitos “de idade média” entre oq é sagrado e profano têm sido menos tumultuado q antes. Isso me soa como uma evolçução lenta, gradual e de quem realmente se interessa mais em buscar sua conecção com a unidade do universo do que em ser ou não alvo de gente oportunista afim de ganhar dinheiro. Não está em meu poder julgar a ingenuidade de quem perde dinheiro com oq não sabe utilizar, como pessoas q se abarrotam de coisas inuteis mas não conseguem parar de comprar… penso mais no ganho que cada ser humano, no limite de seu conhecimento de si, recebe ao investir num grupo e dele partilha oq lhe apraz, com quem se sente convidado à partilhar.

Agradeço de coração pela oportunidade que sua reflexão me despertou em repensar este momento de minha vida. Espero que aceite meus adendos com ternura. Lembremos que o Criticismo significa em sua origem “lançar luzes” e não meramente uma vã oposição pelo desperdício do gozo pela discussão. E foi justamente por sentir um bom equilíbrio crítico em seu texto q resolvi escrever. Meu adendo é apenas com referência aos “místicos de fim de semana”, que em nosso contexto evolutivo não merecem ser infantilizados por nosso inconsciente coletivo, pois pelo que vi (testemunho), alguns deles estão melhores que muita gente. Cordialmente. Rodrigo Sol, Fortaleza-CE – ago2007

03- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ÓOOOOTIMO!!!!!!!!!!!!!!! Mônica Torres, Macaé-RJ – ago2011

04- Eita Kelmer… é de doer…rsrsrrs. Maria Sá Xavier, Niterói-RJ – ago2011

05- Passou da hora de alguém falar isso kkkkkkkkkkkkkkkkmaravilhoso seu texto, adorei!!!!!!! Silmara Oliveira, São Paulo-SP – ago2011

 


A prostituição na sala de estar

24/02/2011

24fev2011

Quem resiste ao fetiche de acompanhar o cotidiano de uma lolita que vende sexo?

A PROSTITUIÇÃO NA SALA DE ESTAR

.
Sua história é mesmo sedutora. Uma menina de 17 anos, paulistana de classe média alta, briga com os pais, sai de casa e se prostitui por três anos enquanto narra seu dia a dia num blog, cativando milhares de leitores homens e mulheres, adultos e adolescentes. Ela atua num filme pornô, lança um livro sobre sua vida que vende horrores, atrai a atenção da mídia internacional, supera problemas com drogas, casa com um ex-cliente que deixa a mulher para viver com ela e, por fim, larga a prostituição. Mas o mundo não larga dela. A apaixonante história de Raquel Pacheco, nome verdadeiro de Bruna Surfistinha, agora está no cinema. E, ainda que você não goste, está também em sua casa.

Internet, esse é o segredo do fenômeno cultural Bruna Surfistinha. Se não fosse a ideia de narrar sua vida num blog como nos diários íntimos das adolescentes, ela seria apenas mais uma entre as prostitutas deste país. Quem resiste ao fetiche de acompanhar o cotidiano de uma lolita que vende sexo? Eu também não resisti. Acrescente a isso o eterno fascínio que causa o arquétipo da prostituição e, hummm, temos uma receita de sabor irresistível.

Foi feliz a escolha do nome: Bruna é moderno e Surfistinha evoca algo de safadice misturado com meiguice e inocência, e ainda tem um quê de esportivo e saudável. Aí a gente acessava o blog e via que a menina era gatinha e não tinha nenhum jeitão de malaca espertalhona. Ela parecia ser tão verdadeira e espontânea no que fazia que, não, aquilo não podia ser uma pegadinha. Só mesmo ligando para ela para conferir.

O fato de Raquel gostar do que fazia e assumir isso em seu blog era mais um tempero na sedução. Ela preferia a prostituição, pois adorava fazer sexo com homens e mulheres e curtia os clubes de swing. Ela tinha orgasmos com seus clientes, e os respeitava e atendia às suas fantasias. E mesmo depois de famosa, Raquel não achou justo cobrar muito mais, pois sabia que, para parte de sua clientela, um programa com ela custava alguns dias de trabalho. Uma menina bonita, de boa família, que é puta porque quer e não tá nem aí para as leis do mercado – você achava que isso só existia nos filmes, né? Eu também.

Raquel destruiu uma velha imagem da prostituta, a da moça pobre-coitada que é obrigada a alugar o corpo por não ter outra opção. Raquel não. Ela estudava em colégio bom e possuía bom nível cultural. Poderia ter arrumado outro trabalho, mas, não, ela quis ser puta. Planejava juntar grana e largar a prostituição, sim, mas enquanto isso não ocorria, ela vivia com alegria e não se arrependia de sua escolha. Depois de Raquel Pacheco as teses sociológicas terão de ser refeitas para falar dessas mulheres que agora a sociedade sabe que existem: meninas de classe média que, em busca de vida melhor e de custear os estudos mais rapidamente, recusam os salários e condições oferecidos pelos empregos tradicionais e encontram na prostituição um ofício honesto, com seus prós e contras, mas com vantagens financeiras incomparáveis e que a cada dia é visto com menos preconceito.

E agora a história ganha as telas. Editoras lançam livros, profissionais do sexo saem do armário e a TV põe o assunto dentro dos lares. A sociedade descobre que ama e odeia e rejeita e quer o sexo pago, e que, mesmo em tempos de liberação sexual, ele resiste e já não tem vergonha de mostrar o rosto. No século 21 a prostituição ainda polemiza, mas continua fascinante e sedutora. E agora tem um certo charme pop. Como a história de Raquel.

.
Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

.

.

O FILME

Bruna Surfistinha

Drama, Brasil, 2011,  109 minutos
Direção: Marcus Baldini
Roteiro: José Carvalho, Homero Olivetto e Antonia Pellegrino
Elenco: Deborah Secco, Drica Moraes, Cássio Gabus Mendes, Guta Ruiz
Censura: 16 anos

.

CARTAZES DO FILME

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

SAIBA MAIS

> Blog de Raquel Pacheco
> Entrevista com Raquel Pacheco (TV Estadão, 17.11.09)
> Bruna Surfistinha na Wikipedia
> Bruna Surfistinha no New York Times (27.04.06)

> O que aprendi com Bruna Surfistinha – Lições de uma vida nada fácil (Raquel Pacheco, Panda Books). Livro digital para baixar.
> O doce veneno do pecado – Crônica de Arnaldo Jabor no estadão, 15.03.11

.

Treiler oficial do filme

.

.

MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

AsFogueirasDeBeltane-03aAs fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e submissão através do sexo anal

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

.

DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o fim de tarde
Ricardo Kelmer – Contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

COMENTÁRIOS
.

01- A história dela é fascinante? Ou a sociedade se impressiona com pouco? Luciano Es, São Paulo-SP – fev2011

RK: A história da Raquel é fascinante, sim. Pra começar, que menina no Brasil, de classe média alta, com bom nível cultural, saiu de casa aos 17 anos pra se prostituir e ficou famosa no Brasil e no exterior? Quantos escritores venderam 250 mil exemplares de um único livro neste país? Quantas histórias pessoais no Brasil viraram filme?

02- Não há nada de impressionante nisso, é a profissão mais antiga do mundo…dá pena ver uma mulher se degradar a este ponto, vender o corpo, ser usada e usar…somos muito mais do apenas corpo e grana, é viver de forma limitada, é enxergar apenas uma parte da vida, há muito mais nas entrelinhas…ela no fundo tem fome de amor e familia, foi isso que compreendi nesta historia. Adriana Alves, São Paulo-SP – fev2011

RK: Não há nada de degradante em sexo pago, Adriana. Cantores alugam a voz, modelos alugam o corpo. Prostituição é um negócio como qualquer outro, onde há um prestador de serviço e alguém interessado nesse serviço. Por que o serviço “sexo” seria sujo ou imoral?

03- Vai fazer o seu programa mas depois volte para mim.Beijos Bruninha. Ps, Odair José e Zeca Baleiro. Andre Soares Pontes, Fortaleza-CE – fev2011

RK: Eheheh… Esta música do Odair é demais!

04- Lamentável a vida desta vadia. Lamentável pessoas de nível dedicarem tempo e trabalho para idolatrar uma saga de degradação. Lamentável pagar ingresso de cinema ou comprar livro desta sujeira toda. Deus e a educação protejam as famíliuas. Rodrigo, Coluna Kelméricas, O Povo OnLine – abr2011

RK: CD Lamentos Rodrigais. À venda na lojinha da igreja.

05- Eu até tento, uma vez por ano eu leio esta coluna ridícula desse rapaz, e é incrível a capacidade humana de não evoluir, que lixo, mais uma vez perdi meu tempo numa leitura pobre e tosca. Levi Nepomuceno, coluna Kelméricas, O Povo OnLine – abr2011

RK: Até o ano que vem, Levi.

06- O impressionante neste filme, é que, ele é além de um simples filme; É um guia à prostituição, onde uma menina de 17 anos […] termina como uma vencedora que conquistou a sociedade através da venda de seu corpo. No mínimo deplorável para os adolescentes que vê tal pessoa conseguindo sucesso através desses meios; Lamentável que exista uma educação tão fútil, que a grande parte das pessoas que estão vendo este filme é composta de ignorantes, que não se importa com %u201Cvalores morais%u201D que estão sendo destruídos na mente de meninas por todo o país. Simplesmente uma situação lamentável aos jovens, que estão sendo conduzidos para um caminho terrível de fornicação e maus tratos, onde a mídia manipuladora pretende destruir a base familiar e fomentar a degradação moral. Misaell, coluna Kelméricas, O Povo OnLine – abr2011

RK: Oi, Rodrigo, Levi Nepomuceno e Misaell! Obrigado por comentarem. Fico feliz de ter leitores tão participativos. Vou sair agora com minha namorada pro swing e quando voltar eu respondo com calma, tá?

07- “Tornamo-nos morais quando somos infelizes” Marcel Proust. Junior, coluna Kelméricas, O Povo OnLine – abr2011

08- Ainda bem que percebi o teor de imbecilidade deste artigo antes de terminar de ler e escapei de ter que ler tanta besteira. João Marcelo Rocha Ramalho, coluna Kelméricas, O Povo OnLine – abr2011

09- VIVA A LIBERDADE!! FORA A HIPOCRISIA. ABAIXO O PRECONCEITO!!!! Ari, coluna Kelméricas, O Povo OnLine – abr2011

10- Dias desses lá vou eu conhecer um trabalho social ali no Benfica, a Associação de Solidariedade aos Meninos e Meninas de Fortaleza que com apoio de Malaga na Espanha e da Prefeitura de Fortaleza desenvolvem um belo trabalho com jovens na tentativa de “dar-lhes outros olhares”. A prostituição é uma fábula, um devir e porque não algo envolvente? Dai me despido de preceitos e minha formação cristã. Será no minimo falso moral dizermos que o dinheiro, o glamour e a sensação de ser desejado(a) não é algo. bom. O filme não evoca ou diz: faça isso ou aquilo. A Associação que visitei tenta acolher. Quem tem a dócil missão ou tarefa são os pais em trabalharem principios, valores e amor. Aos adultos o direito por seus proprios corpos! Erivaldo Teixeira, coluna Kelméricas, O Povo OnLine – abr2011

11- degradação total,jamais gastarei nenhum centavo com tal filme q dizem ser de superação,a mudança de valores é notoria e ilária,mas espero q não tenha força,só posso lamentar por toda essa podridão q afeta tantas mentes inocentes e em formação. Silvia Helena, coluna Kelméricas, O Povo OnLine – abr2011

RK: Putz, Silvia, como você é muquirana!

12- MUITO BOM O COMENTÁRIO DO SR. ERIVALDO TEIXEIRA.SENSATO E HUMANO; ELE NÃO TENTA JULGAR OU ATIRAR PEDRAS COMO FAZEM ALGUMAS PESSOAS SEMPRE EM NOME DA FÉ! SINTO MUITO PELAS PESSOAS QUE CRUCIFICAM E CONDENAM AOS OUTROS. ACHO SIM, QUE NÃO TEMOS NENHUM DIREITO DE JULGAR E CONDENAR ALGUÉM PELOS SEUS ATOS. Arimatéa de Andrade, coluna Kelméricas, O Povo OnLine – abr2011

13- PERCEBA QUE O AUTOR, diz ser SEDUTORA uma história de uma adolescente de 17 anos (Menor de Idade), que por não conseguir evoluir no relacionamento com os pais, prefere sair de casa e se prostituir. É de se imaginar que o autor, considere muitas outras histórias bem sedutoras. Mas o que se esperar de um rapaz que é escritor, roteirista e DONO DE CABARÉ, se tivesse oportunidade talvez até contratasse a tal garota para seu estabelecimento comercial, como atração principal. Levi Nepomuceno, coluna Kelméricas, O Povo OnLine – abr2011

RK: Sua sugestão para a atração principal foi aceita, Levi. Pode passar na recepção pra pegar sua cortesia.

14- Que a prostituição é um fato, todos nós sabemos. Porém a história e o filme vêm alimentar a ilusão de muitas meninas que acrdeditarao que ser prostituta é uma boa opção de vida. Enquanto a Raquel “se deu bem”, pelo menos aparentemente, milhares de prostituotas estão sem ver uma luz no fim do túnel. Cheias de decepção, traumas infelizes e sós. O filme pode até ser bom para bilheterias, porém como modelo de vida está longe da verdadeira realidade. Antonio José da Silva, coluna Kelméricas, O Povo OnLine – abr2011

15- O que faz um vencedor? Nos dias atuais o vencedor é aquele que de alguma forma, não importa qual, faz um milhão. Achava que era só coisa de americano…mas já empestou o Brasil. A Bruna é heroína pq no lugar de ter um trabalho convencional, preferiu se prostituir pra manter um alto padrão de vida. Por ter enricado, se encheu de fã. A Maria é heroína pq ganhou um milhão no BBB e agora os fãs juram de pé junto que a moça nao fez video pornográfico. Elá é uma vencedora! É BBB!!! Talvez eu esteja velha…sou do tempo que heroína era Maria Bonita, que largou a vida tranquila para lutar por um ideal…tinha um propósito acima de uma bolsa Louis Viton e um Givenchi. Ou Maria Bonita toparia ser mais uma prostituta para mostrar que venceu e pode comprar um apartamento no Leblon? Sonia, coluna Kelméricas, O Povo OnLine – abr2011


Cio das Letras – ensaio erótico 1

11/02/2011

11fev2011

Tá no ar a primeira parte do Cio das Letras, um ensaio erótico que fiz sobre amor, paixão e desejo. Utilizei poemas meus e letras de músicas que fiz com parceiros, além de montagens com imagens de mulheres muuuito especiais.

Como o ensaio faz parte dos Arquivos Secretos, somente Leitores Vips têm acesso. Então, você que é Leitor Vip pode conferir o ensaio acessando a postagem anterior. Ou clicando no link logo abaixo. Depois é só digitar a senha, que está nos e-mails mensais que você recebe com novidades do blog.

A segunda parte do ensaio será publicada em breve. Se alguma leitorinha se animar, por favor, não faça cerimônia, pode enviar uma foto sua pra participar também. Pra mim será uma grande honra!

> Cio das Letras – Ensaio erótico 1 (VIP)
.

Ricardo Kelmer 2011 – blogdokelmer.com

.

.

LEIA NESTE BLOG

RKPrazerEPoesia-27gCio das letras – Ensaio erótico 2 – Poemas e imagens pra celebrar o erotismo. Acesso livre

Cio das Letras – Ensaio erótico 1 (VIP) – Poemas e imagens pra celebrar o erotismo.Exclusivo para Leitor Vip.

Cio das Letras – Ensaio erótico 2 (VIP) – Poemas e imagens pra celebrar o erotismo. Exclusivo para Leitor Vip

Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres

.
SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada.

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz.

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

.

DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o fim de tarde (Ricardo Kelmer, Arte Paubrasil) – Contos eróticos

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação por meio da submissão no sexo anal

.

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
–  Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

.

.

Comentarios01 COMENTÁRIOS
.


Protegido: Cio das Letras – ensaio erótico 1 (VIP)

11/02/2011

Este conteúdo é protegido por senha. Para visualizá-lo, digite a senha abaixo.


LIVROS – He, She, We

13/12/2010

13dez2010

She: a chave do entendimento da psicologia feminina – Robert A. Johnson (Mercuryo)
He: a chave do entendimento da psicologia masculina – idem
We: a chave da psicologia do amor romântico – idem

Tem gente que torce o nariz para cientistas que descem do pedestal acadêmico e vão falar no meio do povo. Bobagem. Esses livros são bastante úteis, pois servem de iniciadores ao fascinante estudo da psicologia dos mitos. São ensaios oportunos sobre como a psicologia do ser humano está profundamente calcada nos mitos presentes em cada sociedade. A leitura desses livros nos deixa impressionados porque descobrimos que os rios de nossas vidas na verdade correm por leitos muito, muito antigos  os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, também percorreram.

Os mitos são histórias criadas espontaneamente pela psique coletiva com o objetivo de guiar o indivíduo e a sociedade durante um período de tempo. As histórias refletem o espírito da época, mas são mais que isso: elas são metáforas de processos psíquicos. O verdadeiro cenário dos mitos é a alma. É lá onde transcorrem os acontecimentos e onde vivem os personagens dessas histórias maravilhosas.
.

Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

.

.

LEIA NESTE BLOG

Mariana quer noivar (ensaio) – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

O presente de Mariana (conto) – A cabocla Mariana, entidade da umbanda, propõe noivado ao moço Dedé. Noivar com Mariana significa conseguir estabilidade financeira, mas em troca ela exige fidelidade absoluta

O strip-tease (conto) Criaturas do futuro que voltam no tempo para garantir que elas mesmas, no passado, não provoquem acontecimentos que possam apagar o futuro – assim são os Observadores.

Há algo de podre no 202 (conto) – Quando crianças, as primas guardavam um terrível segredo sobre o amanhecer. Agora que cresceram, o que pode acontecer?

Carma de mãe pra filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

Blade Runner: Deuses, humanos e androides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

.

.

Seja Leitor Vip e ganhe:

– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)

.

.

Comentarios01COMENTÁRIOS
.