Confissões de uma leitorinha nua

Por: Leitorinha, 2010

Fiquei tão à vontade pra ler a página dele na net que agora o fazia completamente nua

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Uma mulher tem um sonho: encontrar um ser da espécime macho que a compreenda nas suas mais variadas formas de pensar e sentir o mundo. Casar com esse homem? Talvez. Tê-lo em sua cama para dividir gemidos e conversas? Hum… Isso agradaria muito um coração feminino. Compartilhar segredos e levá-lo à tira colo para qualquer parte? Seria perfeito.

Foi assim que Ricardo Kelmer apareceu na minha vida. Um convite irrecusável, uma proposta indecente para conhecer seu blog sobre mulheres. Mulher é um bicho curioso por natureza, gostamos de investigar as coisas, e o rapaz parece ser tão engraçadinho… Custa nada… Comecei a leitura de umas crônicas que tinham o poder de derrubar meu queixo, de tão maravilhosas e bem sacadas. Percebi uma sintonia mágica. “Não acredito que ele saiba sobre isso também! Só pode ter parte com o demo um homem desses… ” RK virou leitura obrigatória, uma atividade de reencontro com minha essência humano-feminina. Ele me fazia rir como uma louca, depois vieram as mordidas nos lábios motivados pelo descaramento em certos textos mais picantes. Eram muitas as sensações, depois te digo mais.

A caixa de pandora havia sido aberta, mas ao contrário da mitologia, não libertou o mal, operou-se uma outra libertação. Eu indicava meu vício para outras viventes precisadas daquela diversão, daquela compreensão. E me orgulho de dizer que algumas amigas o dividem comigo atualmente (dividem o blog, tá?). Escapava nos intervalos do trabalho para ler os textos e me deliciar com cada palavra. Minha sobremesa, ora veja só.

Nunca sabemos em que exato momento começamos a admirar alguém, qual gesto ou palavra daquela pessoa nos cativou. Nesse meu caso de amor literário era qual a palavra poderosa me prendeu, mas a verdade era que não estava buscando respostas pra isso, eu, incrivelmente, apenas gostava de tudo o que o tal escritor produzia. E ponto final. “Afemaria, que agora tu deu pra ler essas doidices… Cadê teus clássicos românticos, maluca?” Eu, doida? Perturbada mentalmente estaria se trocasse a pintura da mulher de carne e osso, desejante e desejada por mulheres artificializadas dos folhetins de mil e oitocentos e me esqueci. Meu momento era de descoberta, experiências ao mesmo tempo pé no chão e fantásticas. Queria respirar novos ares na literatura brasileira, queria conhecer gente nova que me inspirasse tanto ou mais que os catedráticos imortais que estudei na universidade.

Descobri muito mais do que busquei. Achei humor, misticismo, erotismo, beleza, paixão, reflexões sobre a humanidade e tanta identificação com meu dia-a-dia que desconfiei que eu mesma, na calada da noite, assumia a persona de um escritor e produzia tudo aquilo. Aí a pessoa já entrou no nível de fã número zero, né? Exatamente.

Lembro que fui em um evento na cidade para, entre outras literaturices, ver de perto o tal Kelmer. “Bora saber se ele existe mesmo é hoje! Aposto que é uma mulher que assumiu esse pseudônimo aí.” A feira tava uma delícia, muita gente circulando, o povo guajarinando livros e afins, eu paquerando o moço dos dicionários pra ver se ele me dava um desconto, quando de repente ouço falar que em poucos minutos ia haver o lançamento do livro “Vocês Terráqueas”. Aham, era a minha chance. Momento mais apropriado que aquele não haveria. Compraria o livro, ganharia um autógrafo, quem sabe uma dedicatoriazinha marota? A própria glória. Acontece que a Lei de Murphy é minha guru espiritual; a amiga que me acompanhava disse que tava na hora de irmos, que tinha que estar em casa tal hora, que eu demorava demais pra escolher as coisas… Tudo bem, fia, eu já tô indo, deixa eu só passar naquele estande acolá.

E Ricardo era humano. E se movimentava, possuía cores. Acabei perdendo a aposta pra mim mesma. Uau! Figura interessantíssima… Amiga da gente nessas horas só atrapalha, ô derrota. Era ela andando pra saída dizendo que ia me deixar lá e eu andando em direção ao meu muso, resoluta. Cheguei perto e ele me olhou com simpatia. A minha timidez gritava, eu precisava dizer o quanto o sentia próximo, o quanto era precioso e prazeroso ler seus escritos. Mas a boba aqui não conseguiu falar quase nada. Só o parabenizei pelo lançamento do livro e pronunciei o velho “adoro o teu trabalho, viu?”. Contato de terceiro grau com um ser saltado das linhas pro mundo real! Achei que não podia abraçá-lo (vai que RK significasse o nome de um elemento químico radioativo…), mas o abracei ainda meio sem jeito. Ele me agradeceu por estar ali, eu ri amarelo e me despedi. Dois minutos de experiência-quase-morte. Dois minutos!

Saí do local da feira feliz e saltitante. Era o primeiro escritor amado que estava vivo e que ainda por cima tinha me abraçado. Tá, eu sei, deve ser bem piegas dizer tudo isso, mas se aprendi uma coisa com seo Kelmer é que não devemos sentir medo e muito menos vergonha de sentir o que quer que seja. E eu sinto que é uma beleza! A liberdade já existia em mim, eu que ainda tava me acostumando devagar com ela. Perder um pouco a minha timidez característica já era um grande passo.

O tempo passou e fui me tornando uma militante kelmérica das boas. Confessei publicamente minha preferência por músicas bregas, adotei o amor e a liberdade como bandeiras de vida, até tirei do armário o vestidinho que não usava mais por achar que minhas pernas não valiam a pena pra tanto. Virei uma habitué do blog, orkut, coluna d’O Povo, quê mais… Confessar uma coisa: fiquei tão à vontade pra ler a página dele na net que agora o fazia completamente nua, sem temor algum do olhar incisivo que me encarava no canto esquerdo da tela do computador. Intimidade é uma coisa louca.

E eis que num dia desses em que a gente não espera muitas surpresas da vida, o meu escritor cruzou novamente o meu caminho. E aí pude conhecer o homem por trás das letras e dos óculos charmosos. Eu já mais mulher, mais segura de mim, dessa vez não tinha mais motivos para ir embora. Não precisava e não queria ir embora da sua presença. Agora queria saber tudo sobre o ser que não era mais tão lendário, mítico, muito pelo contrário, era vivíssimo e cheio de sangue quente correndo pelas veias.

“Meu maior prazer é te ler, sabia?”

“Pois o meu é saber que você me lê.”

Bem, mas a partir daí já é uma outra história…

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

IncultaEBelaDengosaECruel-6aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Maior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel)E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Cristal – Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

Desconstruindo Kelmer (por Wanessa, inspirado no conto Cristal) – Totalmente metida e curiosa, eu me debrucei sobre o conto e fiz minha própria interpretação

Canalha Kelmer (por Rômero Barbosa) – Cara, essa tal de Cibele queria era te dar. Queria ler sacanagens escritas por você pra depois tu comer ela todinha

O pop pornográfico de Ricardo Kelmer (por André de Sena) – Os contos e crônicas reunidos nesta obra, que poderiam ser catalogados, grosso modo, como “pop/pornográficos”, mostram que a literatura é mais camaleônica do que se supunha

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Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

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Comentarios01COMENTÁRIOS


01- Uma mulher que me lê nua… O que um escritor safado pode querer mais? Obrigado, Leitorinha! Ricardo Kelmer, São Paulo – set2010

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9 Responses to Confissões de uma leitorinha nua

  1. warning disse:

    O ministério da saúde adverte, ler os textos do Rk podem causar reações diversas como, ler sem roupa…rs
    Cuidado hein, os maridos de plantão vão ficar com medo deste blog, ou podem se beneficiar com ele né, a patroa pode ficar mais interessante…rs.

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  2. Lia disse:

    Essa Leitorinha existe realmente mesmo????????? Ou é apenas mais uma das fantasias do sr Kelmer?

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  3. Nana Bruxa disse:

    Que azar o meu…porque só agora te achei?

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  4. Brunno Lopez disse:

    A princípio eu acreditava que era mais um texto egocêntrico em terceira pessoa. Ainda bem que logo me enganei. O Blog é conceitual e você não é um aspirante a escritor. Tem conteúdo, conceito e bagagem. Fico feliz de ter encontrado isso ainda em 2010.

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    • ricardokelmer disse:

      > Me gratifica saber que você gostou, Brunno. E obrigado pela ideia, tentarei escrever algo fingindo que sou outra pessoa falando bem de mim. Porque falando mal eu já fiz, é mais divertido. 🙂

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  5. Ivonesete disse:

    Adoreeeeii! Eu entendo essa leitorinha, Como entendo! Sendo a mesma real ou fruto da imaginação do escritor, afinal faz mesmo diferença? Quem sabe muitas leitorinhas compõe-na. Mas eu ainda continuo lendo com roupas, Ainda! 🙂

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