Solta o cano que não cai

17/01/2017

17jan2017

Uma marchinha de carnaval que brinca com os vazamentos seletivos que poupam o PSDB

SOLTA O CANO QUE NÃO CAI

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Velha tradição popular, as marchinhas carnavalescas servem para criticar e debochar, transmitindo o que pensa a população sobre os personagens protegidos pela grande imprensa. A marchinha “Solta o cano que não cai” faz gozação com os vazamentos seletivos que, coincidentemente ou não, sempre poupam determinado partido.

SOLTA O CANO QUE NÃO CAI
(Vitor Velloso e Marcos Frederico)

Mais um dia, mais um vazamento
Segura o cano ou a casa cai
O furico tá na mão
E já não aguento
A pressão está demais

Eu já rezei, pedi pra Cristo
E finalmente achei a solução
Eu arrumei o meu registro
Agora a casa não cai mais não

Solta o cano que não cai
Solta o cano que não cai, meu irmão
Já vai baixar a pressão
Solta o cano que tá tranquilão

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COM AS CIFRAS

SOLTA O CANO QUE NÃO CAI

Em
Mais um dia mais um vazamento

D7 G
Segura o cano ou a casa cai

F#m7(5b) B7(9b)
O furico tá na mão

Em
E já não aguento

C7 B7
A pressão está demais!

Em
Eu já rezei pedi pra Cristo

D7
E finalmente achei a
G
solução

F#m7(5b) B7(9b) Em
Eu arrumei o meu registro

C7 B7
Agora a casa não cai mais
E B7
não

E Fdim F#m7
Solta o cano que não cai

B7 E
Solta o cano que não cai
E7
Meu irmão

A7M Am6 G#m7 C#7
Já vai baixar a pressão

C7(9) B7(9)
Solta o cano que tá
E
tranquilão

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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O BAILE DO PÓ ROYAL
Em 2013 a Polícia Federal apreendeu um helicóptero da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG), amigo pessoal e aliado político de Aécio Neves (PSDB-MG). O helicóptero levava meia tonelada de pasta base de cocaína e era abastecido com verba do gabinete do filho do senador, que era deputado estadual. Não tem ninguém preso. É lamentável, mas rendeu uma boa marchinha de carnaval.

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Helicoca – O helicóptero de 50 milhões de reais
um documentário que escapou da censura

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COMENTÁRIOS
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 01- Num cai nem vaza, kkkkkkk. Fernando Vasqs, São Paulo-SP – jan2017

02- Na hora de curtir fiquei na dúvida se colocava carinha de gargalhada de tristeza ou de Grrrrrr!!!!! Aline Cerqueira, Feira de Santana-BA – jan2017

03-


Narrador de queima de fogos

02/01/2017

02jan2017

Tamo aqui na praia transmitindo ao vivo. Já papocou o primeiro. Pa-pa-pa-pum!!!

narradordequeimadefogos-03

NARRADOR DE QUEIMA DE FOGOS

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E começa o espetáculo do ano-novo! Tamo aqui transmitindo ao vivo a queima de fogos. Já papocou o primeiro. Pa-pa-pa-pum!!! Eita, que coisa linda, fiquei todo arrupiado. Subiu outro, lá vai, tssssccchhhhhh, chegou lá irriba, pa-pa-pa-poooooouuu! Menino, que papoco medonho, até eu me tremi. Ó lá, ó lá o colorido, viiiiiiiixe, que coisa doida! Psicodelia toda pura, né não? Essas luzes se espraiando, essas cuspida multicor no breu do céu, parece até que a gente fumou um baseado desse tamanho, né não? Ó lá! Ó lá, ó lá!! Pa-pa-pa-pa-papuuummm!!! Que maravilha do outro mundo! O cerumano cria cada marmota paidégua, né não, diga aí se não é. Lá vai outro subindo, tsssccchhhhhh, eita, que é boniteza demais da conta. Olhali, olhali cumade Fransquinha correndo pra debaixo dos papocos, quem foi que deu cachaça pra essa infeliz, sai daí, condenada, senão esses negócio cai enriba de tu e queima teu cabelo, já pensou a disgraceira, mulher? Pa-poooouuu!!!! Como será que eles fazem essas luzes sair tudo certinha por um buraquim desse tamanhim assim, e formar esses desenhos bem arrumadim, né? Magia, só pode ser. Aproveitando pra mandar um abraço bem apertado pra dona Orestina, lá no Mucuripe, saudade, viu, dona Orestina, qualquer dia apareço pelaí. Pa-puuuuuummmmmmmmm!!!!!!!!!!! Aaaii! Eita… esse papocou bem aqui pertim. Vixe, tô mais ouvindo nada. Valha… Gente, fiquei mouco… tô escutando nadinha. Chama o comercial aí, chama logo! Gente, fiquei mouco mesmo, acode aqui…

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Comentarios01COMENTÁRIOS

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01- hahaha ô bicho marmoteiro esse kelmer! Clarisse Ilgenfritz, Fortaleza-CE – dez2016

02- Muito bom, aproveitando para lhe desejar boas passadas deste para o melhor abraço. Marcos Felix, Brasília-DF – dez2016

03- Puuuummm!!!..muito Puuuummm p nós! Shirlene Holanda, São Paulo-SP – dez2016

04- em Janeiro quero meu livro do Belchior ..rs. F Moreno Set, São Paulo-SP – dez2016

05- Feliz Ano Novo ❤ Kelminhoooooooooo 😍 Pah Pou Puh. Andrea Dal Castel, Rio de Janeiro-RJ – dez2016

06- Muito bom Kelmer, esse narrador é a tua cara.kkkkkkk. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – dez2016

07- Kkkkkkkkk Que 2017 seja de expansão e cada vez mais inspiração e espirituosidade pra tu!!! Mto papoco bom pra sua vida.!!! Feliz Ano Novo!!! Kitah Soares Vitoriosa, Fortaleza-CE – dez2016

08- Muntcho bom. Marcia Soares Fernandes, São Paulo-SP – dez2016

09- aê, kelmer….. por falar em fogos, clica no azul… abrsss… feliz ano novo! Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – dez2016

10- Feliz ano novo. Renan Alves, São Paulo-SP – dez2016

11- Tu não tens noção do tanto de pumm pumm pumm de cá! Feliz 2017! Virgínia Ludgero, Lourinhã-Portugal – dez2016

12- Feliz ano novo parceiro. Jose Leite Netto, Fortaleza-CE – dez2016

13- Um ano arretado pra tu, macho rei. Teofilo Lima, Parnaíba-PI – dez2016

14- 2017 já chegou aqui e já seguiu viagem…. Feliz ano novo! Pum! Susana X Mota, Leiria-Portugal – dez2016

15- Kelmim Feliz Ano Novoooo!!! Jessica Giambarba, Fortaleza-CE – dez2016

16- Já disse que os desocupados ainda vão salvar o mundo e você está na linha de frente. 😂😂😂 Elizabeth Holanda, Fortaleza-CE – jan2017

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Golpe de mestre à brasileira

05/12/2016

05dez2016

O processo seria custoso e traumático, e provocaria séria desestabilização na democracia, mas melhor isso que suportar mais um governo de esquerda no Brasil

golpedemestreabrasileira-01a

GOLPE DE MESTRE À BRASILEIRA

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Aconteceu logo após Dilma Rousseff ser reeleita, em 2014. Eram poucos, mas representavam todas as partes interessadas. Reuniram-se secretamente na sala de um prédio da Avenida Paulista e finalizaram o plano. Estavam cientes de que o processo seria custoso e traumático, e provocaria séria desestabilização na democracia, mas melhor isso que suportar mais um governo de esquerda no Brasil. No fim da reunião, o plano foi aprovado. E todos saíram discretamente como chegaram, sonhando com o momento em que dividiriam os lucros da operação.

Recentemente um esboço do plano vazou. Ei-lo:

1- Tiraremos Dilma por meio de um golpe parlamentar, com apoio da grande mídia, da FIESP e de setores do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal.
OBS: Alguém lembre ao Aécio Neves que se a Dilma cair, quem assume não é ele.

2- Teremos, obviamente, o apoio de todos que detestam o PT e dos que não aguentam mais viajar de avião ao lado de pobre e ver filho de doméstica se formando doutor. Mas é fundamental que a maioria da população também nos apoie. Para isso, será criado o projeto Zumbis da Mídia, liderado pela Globo, Folha, Estadão e Veja, que convencerá as pessoas de que elas estão lutando contra a corrupção.
OBS 1: Fechar patrocínio com CBF e fábricas de panelas.
OBS 2: O CCAD (Comitê de Contratação de Artistas de Direita) infelizmente não conseguiu bons nomes. Mas poderemos contar com Lobão, Alexandre Frota e Suzana Vieira. (Por favor, não riam)

3- O impeachment deve ter aparência de legalidade. Para isso, usaremos as pedaladas como pretexto. Sim, outros presidentes e vários governadores também pedalaram, mas nossos juristas tratarão de relativizar essa questão. Obviamente, logo após Dilma sair, legalizaremos as pedaladas.
OBS: Hélio Bicudo e Janaína Paschoal nos ajudarão. O primeiro está gagá e a segunda tem uns parafusos frouxos, mas não se preocupem, pois a mídia esconderá esses poréns.

4- É fundamental termos Eduardo Cunha na presidência da Câmara, pois ele garantirá a maioria necessária para aprovação do pedido de impeachment. Depois ele será fritado, mas já terá feito o serviço sujo. Passando na Câmara, no Senado será fácil.
OBS: Na votação, citar sempre “Deus” e “família brasileira”.

5- Devemos garantir que a operação Lava-Jato aja seletivamente, sempre contra o PT, e poupe o PSDB, inclusive os governos anteriores de FHC.
OBS 1: A mídia deve transformar o juiz Sergio Moro num herói nacional, mesmo que ele aja com abuso de autoridade e sem ética profissional.
OBS 2: Fechar patrocínio com fábricas de máscaras de carnaval.

6- Mesmo com as divisões do PMDB, Michel Temer na presidência será o boneco ideal para defender nossos interesses e dos nossos apoiadores. A grande mídia fechará os olhos para os problemas de seu governo.
OBS 1: Lembrar Michel de não escrever cartinhas.
OBS 2: Recompensa aos apoiadores: aprovar aumento salarial para Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal, impedir de vez a regulamentação da mídia, anular direitos trabalhistas e conquistas sociais promovidas pelos governos petistas, implantar o Estado mínimo, privatizar ao máximo e abrir o pré-sal para petrolíferas estrangeiras.
OBS 3: Segurar a ansiedade do PSDB, para que ele só traia o governo em 2018.

7- No momento certo estancaremos as investigações da Lava Jato, para que elas não avancem sobre nossos representantes.
OBS 1: Prevenir ministros do governo interino sobre o risco de vazamento de conversas. Muito cuidado com Sergio Machado.
OBS 2: Descartar Sergio Moro quando ele não for mais útil. Arrumar para ele um curso nos Estados Unidos.

8- Para controlar os gastos públicos, aprovaremos um rigoroso pacote de ajuste fiscal, sacrificando a saúde e a educação e pondo fim à atual política de aumento real do salário mínimo. E garantiremos uma reforma trabalhista que beneficie as grandes empresas.

9- Lula não pode, não pode, não pode se candidatar em 2018. O ideal seria prendê-lo, ainda que nada fosse provado contra ele, mas isso pode se virar contra nós. De todo modo, a grande mídia fabricará frequentemente todas as notícias possíveis que possam prejudicá-lo diante da opinião pública.
OBS: Nossos informantes descobriram estranhos pedalinhos num sítio em Atibaia. Conferir.

10- Como a sociedade estará fortemente polarizada entre direita e esquerda, e o projeto Zumbis da Mídia manterá hipnotizada a maior parte da população, teremos liberdade para agir. Se Temer cair, o Congresso elegerá nosso representante e o plano prosseguirá.

11- Para 2018, a prioridade segue a mesma: Lula não pode, não pode, não pode ser candidato.

O roteiro foi seguido à risca e o plano teve êxito. Foi realmente um golpe de mestre. Tudo ia bem, até o momento de dividir o butim. Foi quando a ganância os cegou e começaram os desentendimentos. E foi tanta confusão que tudo saiu do controle, a crise política virou crise institucional, a economia piorou e o país enguiçou. E entrou em cena o elemento que não foi citado no roteiro, a besta apocalíptica que desde o início estava à espreita, mas eles, sonhando com os lucros, não perceberam: a convulsão social.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Roubalheiras, desigualdade social e o reconhecimento popular – Se hoje o povo usa essa lógica para manter o PT no poder, o motivo reside justamente na histórica insensibilidade, ou incapacidade, dos outros governos perante as necessidades mais urgentes do povo

Acabou a paciência – Cada um que protesta traz em si a frustração acumulada de tantas gerações por trabalhar dia após dia por um sistema econômico que finge querer o bem de todos mas concentra a renda

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COMENTÁRIOS
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01- Muito bom! Olha aqui, José Manuel Cruz Cebola. Susana X Mota, Leiria-Portugal – dez2016

02- Perfeita análise. José Manuel Cruz Cebola, Sintra-Portugal – dez2016

03- Tudo ia bem, ate o momento de dividir o butim… kkkkkk Que planeta esse em que viemos parar, meu amigo… Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – dez2016

RK: Entende agora por que eu preferi transmigrar dormindo?

04- Quem acharia que um governo de esquerda iria durar no Brasil? Além disso desacreditar qualquer um que tenha potencial, pintando de corrupto. Próxima chance? Marcelino Pessoa Albuquerque, Fortaleza-CE – dez2016

05- Muito bem escrito, parabens. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – dez2016

06- Como sofrem os orfaos da Dilma… Messias Bimbo Siqueira, Fortaleza-CE – dez2016

07- Didático! 👏🏼👏🏼👏🏼 Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – dez2016

08- Faltou dizer, se alguém resolver fazer protesto soltamos bombas neles e manda a mídia dizer q é vândalos. Mas se o protesto nos beneficiar, então deixa…. Aline Cerqueira, Feira de Santana-BA – dez2016

RK: Podiscrer, Aline. Acho que essa parte foi acrescentada no esboço seguinte.

09- Esse Kelmer é danado, hein, kkkk!!! Iara Ramos Brito, São Paulo-SP – dez2016

10- Kelmais ainda?!!! É quase uma análise cronológica de um esquema. Há essa mosca que o Kelmer tem que sabe de tudo e conta. Daniel Motta, Fortaleza-CE – dez2016

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O verme incansável e os grilos zumbis

15/11/2016

15nov2016

O nematomorfo fará de um tudo para alcançar seu objetivo

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O VERME INCANSÁVEL E OS GRILOS ZUMBIS

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No fundo de um rio, a minúscula larva de um verme nematomorfo acalenta um sonho: chegar à superfície. Porém, a superfície está muito longe, impossível alcançá-la. O que o nematomorfo faz? Deixa-se ser engolido por uma larva maior, a de um mosquito. Esta larva chega à superfície, vira mosquito e sai voando por aí, e a larva do nematomorfo continua lá dentro, viva. Então, zapt, o mosquito é engolido por um grilo, que passa a ser hospedeiro da larva do verme. Sim, o danado continua vivo, e uma vez dentro do grilo, cresce e torna-se, agora sim, um verme, um belo nematomorfo, parecido com um fio grosso de cabelo, que pode alcançar 30 cm, e em alguns casos até um metro de comprimento. Bem instalado no interior do grilo, o verme passa a controlar mentalmente seu hospedeiro, alterando seu comportamento com o objetivo de manter-se vivo até chegar à fase adulta. O pobre do grilo, que agora é um zumbi, deixa até de dar seus cricris porque o verme sabe que isso consome muita energia e pode atrair predadores. Então, um dia, o verme ordena que o grilo zumbizado procure um rio. Uma vez no rio, o verme abandona o corpo do grilo, deixando para trás seu hospedeiro, que em breve morrerá. Mas, por que um rio? Porque é lá que o nematomorfo encontrará uma parceira para acasalar.

Uaaaau! E eu que achava que já fiz de tudo por uma pimbadinha…

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Conheça o verme parasita que transforma grilos em zumbis suicidas – Site Megacurioso

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Os pesadelos de Michel

06/09/2016

06set2016

O pior é que os pesadelos agora se materializam fora de sua mente. Para todo lugar que olhe, lá está a palavra golpe, que maldição

ospesadelosdemichel-01

OS PESADELOS DE MICHEL

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Michel acordou todo suado. Novamente aquele pesadelo horrível, milhões de pessoas gritando nas ruas: Golpista, golpista!!! Impossível dormir com aquilo ecoando sem parar dentro de sua cabeça. Enquanto enxuga o suor do rosto e ajeita a faixa presidencial, com a qual gosta de dormir, observa Marcela ao lado, dormindo seu sono belo e recatado. Vendo-a assim, tão inocente em seu mundo cor-de-rosa, Michel deseja por um segundo a bênção da ignorância. Mas não, não tem esse direito. Ao aliar-se a Cunha para derrubar Dilma, ele bem sabe, cruzou a última fronteira de sua dignidade, e já não é mais possível retornar.

Então levanta-se e bebe um pouco de água, mas ela não afoga os gritos de golpista que martelam dentro de sua cabeça. Vai até a janela, e observa os seguranças lá fora. Ele está protegido. As manifestações contra seu governo, que se espalham rapidamente pelo país, ali não chegarão. Ele tem o apoio dos barões da mídia, dos grandes grupos financeiros e de setores da Justiça e da Polícia Federal. A banda podre do Congresso fechou com ele. Está blindado, conforme todos eles combinaram. E Deus, que, como bem lembrou comadre Janaína, iniciou o processo de impeachment, haverá de ajudá-lo. Bem, há o PSDB, é verdade, que no momento certo o apunhalará, mas isso ainda demora um pouco.

O pior é que os pesadelos agora se materializam fora de sua mente. Para todo lugar que olhe, lá está a palavra golpe, que maldição. Proibiu Michelzinho de ver luta na tevê porque o narrador não para de falar em golpe. Avião da Gol na pista, então, é uma visão insuportável. Precisa fazer alguma coisa. Um decreto para excluir a palavra golpista da língua portuguesa ‒ quanto a Globo cobraria para convencer o povo disso?

As pedaladas agora não são mais crime, ufa. O mesmo pretexto que usaram para afastar Dilma já não podem mais usar contra ele. Ótimo. Mas não devia ter falado que não aceitaria ser chamado de golpista ‒ só piorou a situação. E essa campanha ridícula que criaram, Diga Fora Temer e ganhe desconto nisso e naquilo, ganhe um beijo, parcele até 2018… Para sacaneá-lo, todos são criativos, que merda.

Vai até a estante. Um bom livro ajudará a silenciar aqueles malditos gritos em sua cabeça. Não, Golpe de Mestre, não, melhor não. Talvez uma novelinha na tevê… Ah, não, estão reprisando A Usurpadora! Aquilo já é um complô, querem enlouquecê-lo. E os gritos não param: Golpista, golpistaaaa, golpistaaaaaaaa!!!…

‒ Mimi, o que você tá fazendo aí? ‒ pergunta Marcela, encontrando-o minutos depois no banheiro, com a cabeça dentro da privada.

‒ Essas vozes, amor… não me deixam em paz… Socorro…

Desesperada, Marcela corre e liga para um psiquiatra de plantão. A atendente fala: “Bom dia. Diga Fora Temer e seja atendida imediatamente.” Ela fica em dúvida. E se Mimi estiver possuído pelo demo? Talvez seja melhor chamar o Marco Feliciano. Não. Não confia em homem que seja mais vaidoso que ela.

‒ Fora Temer… ‒ diz Marcela, bem baixinho. Mas a atendente não escuta e pede para ela repetir. ‒ Fora Temer ‒ Marcela repete, um pouco mais alto. Mas a atendente novamente não escuta. Marcela vai até o banheiro, onde Michel continua com a cabeça dentro da privada, fecha a porta bem fechado e volta. Respira fundo, benze-se três vezes e grita ao telefone:

‒ Fora Temeeeeerrrrr!!!

A atendente repassa a ligação para o psiquiatra. Marcela explica a situação. Do outro lado da linha, o psiquiatra responde:

‒ Só tem um jeito, senhora. Dê descarga.

Foi assim que Michel entrou pelo ralo da história.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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> Imagem: montagem sobre o quadro O Grito, de Edvard Munch

OGritoEdvardMunch-01O Grito (no original Skrik) é uma série de quatro pinturas do norueguês Edvard Munch, a mais célebre das quais datada de 1893. A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial. O plano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo) ao pôr-do-Sol. O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci. (Wikipedia)

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Eu esfaqueei o deputado Não temem que as pessoas se revoltem e invadam seus lindos gabinetes, que os sequestrem, que joguem uma bomba no congresso?

Manual prático de autoenforcamento – Ameaça de morte a senador termina em autoenforcamento

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COMENTÁRIOS
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01- muuuuito booommm!! Shirlene Holanda, São Paulo-SP – set2016

02- Vaza, desgraça golpista. Golpista, golpista!! Fauhber Pinheiro, Fortaleza-CE – set2016

03- Sensacional !!! 👏👏👏👏👏 Auritânia Mendes, São Paulo-SP – set2016

04- Captou bem o momento do Temer, adorei! Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – set2016

05- Ótima leitura! Vânia Vieira, Fortaleza-CE – set2016

06- Esse Kelmer tem uns enredos da hora…kkkkk. Ana Saskia Tavares, Curitiba-PR – set2016

07- Leiam Leiam. Nicole Guilhon, Fortaleza-CE – set2016

08- kkkkkk Avião da Gol na pista… muito bom! Luciana Marques, Fortaleza-CE – set2016

09- Ótimo!! Cibele Baptista, Barretos-SP – set2016

10- Ricardo, já te adorei! Ana Paula Santos, São Paulo-SP – set2016

11- Delicioso! Elisabete Maria Ferreira, Lousã-Portugal – set2016

12- Muito bom!! Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – set2016

13- Muito bom!!! Lia Rocha, Belém-PA – set2016

14- Ele que diga para as vozes que não tolera ser chamado de golpista… Bom texto. Susana X Mota, Leiria-Portugal – set2016

15- Arregaçou!!!! Pedro Ismael Falcão, Fortaleza-CE – set2016

16- Fora pau velho! Cuidado com os cupins. José S Silva, Bananeiras-PB – set2016

17-  Singular … Renato Olga Arruda Cabral Ludvig, Brasília-DF – set2016

18- Kkkkk pesadelos de uma noite de verão… felizmente não é um pesadelo, é a realidade de um golpista. Ana Cristina Sousa, São Paulo-SP – set2016

19- Ponto para o conto!!! Kkkkkkkkk….. Kátia Valevski Sales Fernandes, Campos dos Goitacazes-RJ – set2016

20- Sensacional!! !! Jaqueline Resende, Campos dos Goitacazes-RJ – set2016

21- Dê descarga, kkkkkkkk… Cida Bertonceli, Nova Friburgo-RJ – set2016

22- Como sempre perfeito seu texto, rsrsrs…!!!😂😘 Leide de Assis, Belém-PA – set2016

23- Não leria crônica boa assim em blog nenhum. Excelente…e #foratemer. Hahahaha. Keite Moreira, Belém-PA – set2016

24- Muito bom Ricardo Kelmer !!!!!!!! Iara Cristina, São Paulo-SP – set2016

25- Fora caráter zero.golpistaaaaaaaaaaa. Tânia Benevides, Fortaleza-CE – set2016

26- Muito bom Ricardo Kelmer. E #ForaTemer🎤🚽💣 Iris Medeiros, Campina Grande-PB – set2016

27- Namastemer, não mais Temer… Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – set2016

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A chinesinha caçadora de Pokémons

22/08/2016

22ago2016

Essa nova mania mundial, que leva chinesinhas desesperadas a abordar escritores solitários pelas esquinas

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A CHINESINHA CAÇADORA DE POKÉMONS

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Duas da madrugada na Vila Madalena. Chego no carrinho do chinês, peço um yakissoba médio e sento no banquinho de plástico. Tem uns bons meses que não eu vou ali matar a larica de fim de noite. O carrinho fica numa esquina movimentada, e quem prepara a iguaria é um chinês de óculos, sempre compenetrado. Ele não é de muito papo, mas gostei dele de primeira. Uma noite, me disse seu nome (eu entendi Uantunkom, ou algo próximo disso) e contou, em seu esforçado português, que veio há alguns anos ao Brasil com a mulher e as duas filhas pequenas, e que sente saudade de sua terra.

Enquanto degusto meu yakissoba, servido naquelas embalagens de isopor para sanduíches, observo os agitos da rua, pessoas e carros brigando por espaço, o entra e sai dos bares. Como sempre, compõem a paisagem centenas de adolescentes embriagados e barulhentos, e me lembro que Uantunkom não nutre muita simpatia por eles. Ele também não é exatamente fã das meninas brasileiras, que lhe parecem independentes e eróticas demais, e não quer que suas filhas sejam como elas.

De repente, a filhinha mais nova dele se aproxima. Deve ter nove ou dez anos. E me pergunta: Seu celular caça Pokémons? Pergunta em bom português, olhando para mim com seus olhinhos de chinesinha linda, e surpreendo-me de vê-la tão crescida. Sorrio para ela, enternecido, respondo que não e pergunto se o celular dela não caça. Não, ele é ruim, você deixa eu caçar no seu, é só baixar o aplicativo, se quiser eu baixo pra você, qual é o seu celular, ele tem gúgol plêi?

Nesse momento, percebo estar diante de uma determinadíssima caçadora de Pokémons, essa nova mania mundial, que passará em mais alguns dias, claro, mas que atualmente leva chinesinhas desesperadas a abordar escritores solitários pelas esquinas, contrariando as ordens do pai de não perturbar os clientes. Passo meu celular para ela, e rio comigo mesmo, me divertindo com a ideia de fazer parte desse decisivo momento evolutivo da espécie humana, nossa transição para a fase Homo pokemonus.

Antes que eu finalize meu rango, a chinesinha já acessou a loja e baixou o aplicativo, numa destreza que eu jamais terei na vida. Porém, nem começa a jogar, pois seu pai a chama, acho que ele não estava gostando muito daquela história. A pequena caçadora recolhe-se a um canto e fica lá, quietinha, ela e seu celular ruim. Pago o yakissoba, agradeço a Uantunkom e vou embora. Antes, faço questão de me despedir da chinesinha, tchau, sucesso nas caçadas, viu? Ela nem me olha: faz que sim com a cabeça e continua lá, imersa em seu mundinho eletrônico particular, enquanto três meninas chegam para comer, elas e seus microvestidinhos que mais revelam que escondem.

Volto para casa caminhando sem pressa, curtindo o friozinho da madrugada e lembrando de Uantunkom e de sua luta diária para proteger as filhas dos terríveis males da cultura brasileira. Talvez ele tenha êxito na construção de sua grande muralha, afinal os chineses são conhecidos por sua férrea disciplina. Mas contra a invasão Pokémon, ah, isso ninguém pode.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Comentarios01COMENTÁRIOS

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01- mais um texto que julga a roupa da mulher. Nina Ka, São Paulo-SP – ago2016

RK: Obrigado por comentar, Nina Ka. Em nenhum momento o texto emite qualquer julgamento sobre a roupa das mulheres. Ele apenas reproduz a impressão que um imigrante chinês tem da cultura brasileira e do jeito de vestir das meninas que frequentam as baladinhas da Vila Madalena. Talvez você não conheça meu trabalho e minhas ideias pessoais sobre machismo, sexualidade e liberdade feminina. Se tiver interesse, em meu blog há vários textos sobre essas questões.

02- Olha… li o texto… e vi um comentario q pareceu-me mais uma parte discritiva da cena… nao vi um julgamento aí! Patrícia Hakkak, São Paulo-SP – ago2016

03- adorei muito mais o texto, leve, descontraído sobre temas tão presentes no nosso cotidiano. O novo e o antigo, um explodindo de fome do mundo, de novidade e o outro com medo deste mesmo mundo, achando que pode conter o ritmo da vida. Uma mecânica tão antiga. Como dizia Belchior “o novo sempre vem”. Linda crônica, leva a diversas reflexões. Michele SJ, Fortaleza-CE – ago2016

04- Eu amo o Yakissoba desse tiu (eu chamo ele assim) …conheci a filha mais velha dele quando era do tamanho da mais nova. Outro dia fui comer lá e ela me abordou toda falante, perguntando se eu tb era de aquário…hahaha. Achei mto legal encontrar um texto falando sobre ele! NyNa Zêni, São Paulo-SP – ago2016

05- Parabéns pela crônica, Ricardo Kelmer! Texto leve, gostoso de ler até o fim, trazendo a emoção da cena para os leitores atentos e sensíveis (adorei o homo pokemonus rsss!). Mônica Mello, Rio de Janeiro-RJ – ago2016

06- Maravilha de texto, Kelmer. Só agora li. Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – ago2016

07- Essa evolução para pokemonus está te caindo bem! Alexandre Domene Ortiz, Fortaleza-CE – ago2016

08- ” …microvestidinhos que mais revelam do que escondem…” achei uma lisonjeira safadeza do autor. Aí se todos fossem safadinhos iguais a vc!!!! Bjs. Michele SJ, Fortaleza-CE – ago2016

09- Muito bom !!!! Mario Rolim, Rio de Janeiro-RJ – ago2016

10- RicKelmer, você é um ponto!!!! Gíria portuguesa. … Cara, seu texto é inspirador. Ozi Garofalo, São Paulo-SP – ago2016

11- lembro bem da gente nesse chinês! Super-bom! Renata Regina, São Paulo-SP – ago2016

12- Muito bom. Liz Rabello, São Paulo-SP – ago2016

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Meus formidáveis artistas de sucesso

14/05/2016

14mai2016

Vou virar empresário de artistas consagrados. E já tenho o nome e a história de cada um deles

MeusFormidaveisArtistasDeSucesso-01

MEUS FORMIDÁVEIS ARTISTAS DE SUCESSO

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Vou virar empresário de artistas consagrados. Já tenho os nomes, tudo registrado, falta só encontrar os que caberão na história que criei para cada um. Não tem como não ser sucesso.

DUPLA SERTANEJA: Giannini e Gian Nini. Nome charmoso, italiano, nome de violão bom. São dois irmãos hipergatíssimos, que enlouquecem as mulheres e lotam as casas de show. No auge do sucesso, porém, Giannini revela que é gay. Uau, babado forte. Parte do público o apoia, mas outra parte não o perdoa. Seu irmão, Gian Nini, muito machão, decide acabar com a dupla, e os dois seguem em carreira solo, cada um vendendo muito bem. Anos depois, em seu leito de morte, a mãe implora para que os filhos façam as pazes. Eles fazem suspense por algum tempo, mas voltam a se falar e ainda retomam a parceria. Agora o público deles é metade de mulheres enlouquecidas, que sonham que Giannini um dia descobrirá que esse negócio de gay foi só uma fase confusa, e a outra metade é de gays, que sonham com o dia em que Gian Nini descobrirá que também gosta da fruta. Nos shows, cada público vibra de um lado, e às vezes saem umas brigas feias. E as vendagens crescendo. Elementos-chave da história: conflitos de sexualidade e de família, promessa melodramática no leito de morte. Qualidade musical: depois pode-se ver isso.

BANDA DE AXÉ: Axé Xixoxú. Nome de boa sonoridade, simpático e rico de vogais. As dançarinas são uma loira e uma morena, lindas e turbinadas. Todo mundo desconfia que a loira é apaixonada pelo cantor, mas eles negam tudo. Um dia, o cantor anuncia que vai casar… com a morena. Pasmo geral, ninguém esperava. Chateada, a loira sai da banda, que contrata outra loira para o seu lugar. Mas o público não aceita a novata, coitada, e quer a primeira loira de volta. Caem as vendagens da banda, ninguém mais contrata o show. No programa da Luciana Gimenez, ao vivo, a morena pede para a loira voltar para a banda, e diz que até aceita dividir o marido com ela. Polêêêêmica, e das boas. O país inteiro dá sua opinião, uns apoiando e outros condenando a união a três. Para alegria dos conservadores, a loira não aceita o casamento a três, mas volta para a banda, que retoma o sucesso. Porém, um dia a loira é flagrada com o cantor num motel, e os conservadores a apoiam, pois é melhor trair que casar a três. Inconformada por não a terem chamado para a putaria, a morena pede o divórcio e sai da banda. A banda contrata outra morena, e dois meses depois o cantor finalmente assume que está namorando… a nova morena do Axé Xixoxú. E a pobre da loira, arrasada, mais uma vez sai da banda. Elementos-chave da história: mulheres lindas e gostosas, traições e baixarias de todo tipo. Qualidade musical: isso é o de menos.

BANDA DE AXÉ 2: Ivete com Bandana. Nome inspiradíssimo, que faz referência a dois ícones da música axexina, até porque trata-se de uma banda cover da Ivete Sangalo e do Chiclete com Banana. A cantora, obviamente, é uma morena do bocão e do pernão, que usa bandana. Até então, ninguém podia conceber a ideia de uma banda de duplo cover, mas a Ivete com Bandana veio para acabar com essa lenda e provar que na Bahia, o que não pode, aí é que nego faz mesmo. Elementos-chave da história: não precisa, pois enquanto Ivete e Chiclete estiverem vendendo bem, a Ivete com Bandana será sucesso garantido. Qualidade musical: para que isso?

BANDA DE FORRÓ: Forrozeiros do Forró. Nome mais óbvio, impossível. Mas por isso mesmo que é bom, não tem como esquecer. Aliás, depois deles, surgirão os Funkeiros do Funk, Os Pagodeiros do Pagode, os Novos Pagodeiros do Pagode, e a coisa não vai mais ter fim. Os Forrozeiros do Forró tocam uma coisa parecida com forró, que eles juram que é forró. Nada de sanfona, zabumba e triângulo. Em vez disso, guitarra, bateria e metais, e dançarinos com coreografias inacreditáveis. Um dia, a cantora anuncia que está grávida, mas não revela quem é o pai da criança. Todos fazem suas apostas: é o cantor, é o baterista, é o dançarino… Enquanto isso, a gravidez avança e a cantora segue se apresentando com o barrigão cada vez maior. Até que um dia, ela tem o bebê em pleno palco, com transmissão ao vivo no programa do Faustão, e a banda tocando. O menino é batizado com o nome de Forrozeiro Jr. O pai, descobre-se depois, é o Fábio Jr., por isso o nome do menino, entendeu? Elementos-chave da história: bizarrice muita. Qualidade musical: tá brincando, né?

BANDA GOSPEL 1: Sentada no Trono. BANDA GOSPEL 2: Cifras do Senhor. BANDA GOSPEL 3: Gospel em Mim. BANDA GOSPEL DE FORRÓ: Arrebatada com Macaxeira. Todas são bandas ligadas a igrejas evangélicas. Na Sentada no Trono, a cantora é uma ex-drogada, ex-presidiária e ex-lésbica. Na Cifras do Senhor, o cantor é um ex-macumbeiro que trazia seu amor de volta em dez prestações. Na Gospel em Mim, a cantora é uma ex-atriz pornô que transava com cavalos em movimento. Na Arrebatada com Macaxeira, as dançarinas dançam em línguas e atiram macaxeiras para a plateia, é uma loucura. Nos shows dessas bandas, o público mata a sede com água trazida diretamente do Rio Jordão, que é vendida em garrafinhas benzidas. Ao fim das apresentações, as toalhinhas molhadas de suor ungido dos cantores também estão à venda (como o calor é grande, cada um deles usa em média oitenta toalhas por música). Elementos-chave da história: faça muita putaria na vida, depois aceite Jesus e fique rico. Qualidade musical: absolutamente divina.

DUPLA SERTANEJA 2: Zé Gerúndio e João Antônimo. BANDA DE REGGAE: Reggae Jah. GRUPO DE FUNK OSTENTAÇÃO (só com garotos lindos e sarados): Os Tentação. GRUPO DE PAGODE: E Falta Samba. BANDA DE PROTESTO VEGETARIANA: Black Brócolis. BANDA DE DRAG QUEENS: Damas de Paus. DUPLA DE HUMOR CATÓLICA: Pai Filho & Espírito Santo.
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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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MeuFuturoDePopistarCristao-02bMeu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

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01- Forrozeiros do Forró é sensacional. Rogers Tabosa, Fortaleza-CE – mai2016

02- Sensacional!! 😄😄😄 Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – mai2016

03- Ótimo! Ri muito! Monica Bürkle, Recife-PE – mai2016

04-  Kkkkkk. Rosina Santana, Vitória da Conquista-BA – mai2016

05- kkkkkkkkkk adooooooro! (bora tomar umas caipiroskas!). Clarisse Ilgenfritz, Fortaleza-CE – mai2016

06- hahahaha… Muito bom! Adriano De Lavor, Rio de Janeiro-RJ – mai2016

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Protegido: A rabada da turca loca

24/02/2016

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Tábata, a mulher barata

24/02/2016

24fev2016

Não fazia parte dos meus planos ter uma secretária ninfômana, alcoólatra e escandalosa, mas fazemos uma boa dupla no mundo das investigações sexuais

TÁBATA, A MULHER BARATA

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Errikelmer Investigações Sexuais, bundiiiiinhaaa… É assim que minha secretária Tábata atende o telefone, toda sexy. Eu adoro. Aliás, ela atendia, pois o telefone tá cortado por falta de pagamento. É, essa vida de investigador sexual é emocionante, mas não é fácil. Moro e trabalho numa quitinete alugada, num prédio velho aqui no centrão. É tanta putaria que rola no prédio que ele já devia ter caído, mas a reza forte da minha vizinha macumbeira mantém o danado de pé.

Claro que não recebo a clientela aqui, não ia pegar bem. Recebo numa lanchonete embaixo do prédio chamada Miami Mix. Nome horrível, né? Também acho. Mas todo mundo conhece por Cu Frito. Esse nome é por causa do petisco mais vendido de lá, anéis de lula na chapa, aliás, muito bom, recomendo. O local nunca ganhou qualquer prêmio por sua limpeza, é verdade, mas lá toca sempre Roberto Carlos dos anos 70 (antes dele virar Roberto Carola) e, além disso, o Jéovas, que é o dono, fez um acordo legal comigo: atendo minha clientela lá e o Cu Frito pra mim sai de graça. Nada mal.

Já investiguei uns casos famosos, como o da morena turbinada, aquela gaúcha que virou musa da internet quando suas fotos íntimas vazaram na rede. Outro caso é o da ex-atriz pornô americana Sasha Grey, que descobri que na verdade é cearense e torcedora do Fortaleza. Mas minha especialidade são os segredos de alcova, no que sou imbatível, modéstia à parte. E devo isso ao auxílio luxuoso de minha prestimosa secretária Tábata, que saca o ramo como ninguém. Não sei o que seria de mim sem essa danada.

Conheci Tábata no Cu Frito. Foi num dia em que eu almoçava lá com minha namorada Jimena. Lembro bem, Robertão cantava Vista a Roupa Meu Bem. De repente, uma barata passou voando por sobre as mesas. As mulheres começaram a berrar e os caras tentaram pegá-la, mas a barata driblou o time inteiro e pousou… onde? Bem na minha mesa. Jimena ficou imediatamente muda e paralisada. Quando eu me preparava pra esmagá-la com o cardápio (a Jimena não, a barata), percebi que ela era assim um tanto, ahn, sexy. A barata usava meia e cinta-liga, e eu tenho um fraco horrível por essa invenção do demônio. Ela olhou pra mim, piscou o olho e falou: Ai, se eu te pego.

Uma barata falante. E romântica. Achei aquilo tão mimoso que protegi a barata dos seus perseguidores e a trouxe aqui pra casa. Jimena recusou-se a vir comigo e terminou o namoro ali mesmo. Uma pena, nunca mais achei um boquete chicabom como o de Jimena. Mas não se pode ter tudo, né? Pois bem. Agradecida, a barata me contou sua história: chamava-se Tábata e nascera sobre uma calcinha usada que fora descartada no lixão de uma usina nuclear. Sim, as cientistas atômicas também tiram suas calcinhas, ora, por que não? A radiação alterou seu DNA e ela tornou-se meio barata e meio mulher, e agora pode viver cem anos. Aí ela foi ficando por aqui e acabou ficando. E, em troca de barrinhas de doce de amendoim, que ela adora, e de poder dormir dentro do meu tênis (ela ama o meu chulé), Tábata me passa as mais quentes novidades sexuais, ela que conhece todos os inferninhos da cidade. A danada fotografa tudo com sua visão hipersensível de barata mutante e me envia os arquivos, pois suas antenas captam sinais da internet.

Mas Tábata é de veneta, tipo mulher mesmo. Tem um humor do cão, principalmente quando tá perto de menstruar. Às vezes some e eu fico dias sem saber dela. Aí, de repente, ela entra pela janela e cai em minha cama, exausta, uma cara de ressaca desse tamanho, e ronca o dia inteiro. Então já sei que andou novamente se esbaldando aí pelos bueiros, tomando todas e dando que nem uma doida condenada na masmorra, ô mulher barata.

Ela é apaixonada por mim, diz que foi à primeira vista, naquele momento em que desisti de esmagá-la e Robertão cantava Vista a Roupa Meu Bem. Aliás, Tábata diz que essa é a nossa música, que sou eu cantando pra ela, é mole? Já lhe repeti mil vezes que gosto dela como amiga e que nunca daríamos certo por causa da diferença de altura. Bem, admito que da minha parte rola um tesãozinho, sim, principalmente quando ela dorme de bruços. Mas minha saudosa avó Valtrudes me ensinou que onde se ganha o pão não se come a carne, principalmente carne de barata. Aí ela chora, faz drama, arruma sua trouxinha e vai embora – e volta uma hora depois, arrependida, e jura se comportar. Aí, no dia seguinte, cisma com minhas amigas do Facebook e me xinga, dizendo que tenho péssimo gosto pra mulher, que mereço mesmo é uma quenga fulerage que me passe chifre com o borracheiro e outras baixarias do tipo. Então lhe atiro um doce de amendoim e ela se aquieta. E assim vamos.

Não fazia parte dos meus planos ter uma secretária ninfômana, alcoólatra e escandalosa, mas fazemos uma boa dupla no submundo das investigações sexuais. Isso, evidentemente, quando ela não tá de porre ou menstruada, não tá em suas crises de ciúme ou não tá dando feito doida por aí pelos bueiros, ô mulher barata. Fora isso, ela é ótima. E adoro quando ela atende o telefone, com sua vozinha sexy: Errikelmer Investigações Sexuais, bundiiiiinhaaa… E semana passada comprou meia nova, com uns desenhos tribais, um escândalo. Vou te contar, se Tábata fosse mais altinha, acho que eu pegava.

(Leia aqui a continuação deste capítulo. Exclusivo para leitor vip)

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Ricardo Kelmer 2012 – blogdokelmer.com

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Ilustração: Liliana Ostrovsky

> A rabada da turca loca – O primeiro caso da dupla Errikelmer e Tábata. Acesso exclusivo para Leitores Vips (basta digitar a senha correspondente ao ano da postagem). Ainda não é Leitor Vip? Vamos resolver isso agora, clique aqui.

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CASOS DA DUPLA ERRIKELMER E TÁBATA

RK201009-800O mistério da morena turbinada – Aí um dia ela, inocentemente, leva o computador numa loja pra consertar. Algum tempo depois dezenas de fotos suas estão na rede, inclusive fotos íntimas

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e entre uma orgia e outra luta pela liberação das mulheres?

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

Por trás do sexo anal (1) – Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo

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COMENTÁRIOS
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01- hahahahaha sensacional! tava com saudade desse seu lado mais sacana, sei lá. já tava achando que vc tava ficando mais careta. quer dizer que toda vez que vc chega em casa a barata da Tabata tá na tua cama? muito fofa e muito carismática ela, vai fazer o maior sucesso. hehe bjs. Wanessa Bentowkski, Fortaleza-CE – nov2012

02- É muita criatividade num texto só!!! Genial! Alice Alba, Blumenau-SC – fev2016

03- Grande texto, Ricardo Kelmer. Parabéns, meu velho! Giba Carvalho, Recife-PE – fev2016

04- Muito bom. Texto alucinado, do jeito que eu gosto. A ilustração tá ótima também. Teo Ponciano, São Paulo-SP – fev2016

05- essa tábata é um barato! … ôps… não exatamente… rsrsr… Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – fev2016

06- Sou fã demais da Tábata! – Nem Kafka alcança esse barato! Dayane Moura Herculano, Fortaleza-CE – fev2016

07- Risos…texto grande e grande texto. ShoW! Regina Zamora, São Paulo-SP – fev2016

08- Ótimo! Cristiane Bastos, Taíba-CE – fev2016

09- Adorei!!! Celina Bezerra, Fortaleza-CE – fev2016

10- kkkkkkkkk !! Tive que ler ao som de “Vista a roupa meu bem” mesmo. Leite Neto, Fortaleza-CE – fev2016

11- Minha personagem kelmérica preferida. Kkkk. Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – fev2016

12- otimo, parabéns! Jan Hillen, Foz do Iguaçu-PR – fev2016

13- Nunca me lembraria de chamar cu frito aos calamares Emoticon tongue gosto dessa Tábata, principalmente porque voa! Aqui não há baratas voadoras…. Susana X Mota, Leiria-Portugal – fev2016

14- Brasileiro tem alcunha para tudo! Francisco Fontenele Veras Neto, Lourinhã-Portugal – fev2016

15- Só tu! Ô cara criativo da gota. Virgínia Ludgero, Lourinhã-Portugal – fev2016

16- Ricardo Kelmer, tu é fera! Roberto Maciel, Fortaleza-CE – fev2016

17- Quem é o autor dos desenhos? 🙂 oh Kelmo, tu promete-me que nem por influência de mulher barata deixas de lavar o cabelo! Adoro Vininha, mas ele era um pouco seboso, convenhamos 😛. Susana X Mota, Leiria-Portugal – fev2016

18- Ooo..mulher barata rsrsr. ..fantástico! !! Shirlene Holanda, São Paulo-SP – fev2019

19- Ricardo Kafkelmer????? Bacana… Teo Lorent, São Paulo-SP – fev2016

20- Sensacional! E “Kafkelmer” cai muito bem! Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – fev2016

21- Amei Só Não Posso Curtir,Pois Fui Bloqueada,Segundo Fontes,Não tenho Um Padrão Adequado para as Normas de Comportamento vigentes. Claudia Meirelles Bahia, Fortaleza-CE – mai2019

22- Genial criativo inventivo um tipo original de literatura coloquial brilhante querido Ricardo Kelmer. Luiz Antonio Alencar, Fortaleza-CE – mai2019

23- Tábata! Elixa Beth, Fortaleza-CE – mai2019

24- Hahahahahahahah. Flá Perez, Campinas-SP – mai2019

25- Hahaha! Míriam Costa Cearucha, Fortaleza-CE – mai2019

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A pequena notável da prostituição

05/12/2015

05dez2015

Bela, graciosa e muito espontânea, a anã Dafne faz a gente rir gostoso

DafneAnazinha-302

A PEQUENA NOTÁVEL DA PROSTITUIÇÃO

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Dafne Anãzinha tem 25 anos, é uma menina bonita e graciosa, mora em Curitiba e divide seu tempo entre as aulas do curso de Direito e os programas sexuais que faz com seus clientes. Até aí nenhuma novidade, pois é comum jovens universitárias recorrerem à prostituição para custear seus estudos. O diferencial de Dafne, além de ser anã (ele tem 1.30m de altura), é o seu jeitinho adolescente de lidar com isso, numa deliciosa mistura de bom humor, espontaneidade e brejeirice. E muita coragem, claro.

Em setembro de 2015 ela começou a publicar vídeos no You Tube, onde fala sobre seu trabalho e conta detalhes de seus programas, com uma naturalidade que chama a atenção. Isso a tornou uma celebridade da internet. A clientela aumentou e o cachê subiu. Rapidamente vieram entrevistas para jornais e, agora, os programas de tevê.

Detalhe interessante: Dafne era virgem até os 22 anos, e passou a prostituir-se aos 24. “Se você já está transando de graça com todo mundo agora, é melhor ganhar dinheiro com isso” ‒ foi o que ela ouviu de sua mãe, ao revelar que começaria a se prostituir para poder pagar a faculdade. Dafne tem duas irmãs e um irmão (ela é a única anã), e, segundo ela, seus pais se preocupam mas não a recriminam por ser prostituta.

Dafne explica que, por conta de sua constituição física, dificilmente aguenta mais de um programa por dia. Para ela, os caras mais velhos são os melhores clientes, e alguns homens vêm de outras cidades especialmente para conhecê-la. De um fazendeiro, uma vez ganhou brócolis, couve-flor, morango e feijão, o que fez sua mãe dar pulos de alegria.

Vi os vídeos de Dafne e adorei. Gravados no ambiente simples de seu quarto, os vídeos não têm edição, e por isso às vezes Dafne interrompe sua fala para gritar para a mãe que não quer ver a novela, ou reclama com Bolota, sua poodle, que teima em lamber-lhe a perna. Ao fundo, ouve-se o celular tocando, o aviso de vírus do computador, o zap-zap chamando, e Dafne lá, explicando como gosta de gozar sentada por cima, ou como tem um fraco por caras carecas e grisalhos, ou ainda como um dia saiu correndo para atender um cliente e esqueceu de tirar a toalha da cabeça.

Dafne talvez se torne advogada e siga carreira no Direito, ou talvez continue na prostituição por mais alguns anos ‒ ela por enquanto está na dúvida. Bem, eu particularmente não conheço o talento dela para esses dois ofícios, mas pelo que vi nos vídeos, acho que é especialmente na tela, falando com as pessoas, no seu jeitinho lolita de ser, que realmente se revela seu talento de seduzir e entreter, e também ensinar, e até contribuir para diminuir o estigma que pesa sobre o ofício da prostituição. Estamos diante de uma futura apresentadora de programa erótico? Não. Futura, não. Ela já é, mas talvez ainda não saiba.

Selecionei um dos vídeos de Dafne, em que ela comenta sobre como está lidando com a fama, além de falar sobre alguns programas e também sobre o tamanho do pau no sexo anal. Divirta-se.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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DAFNE ANÃZINHA
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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

AProstituicaoNaSalaDeEstar-02aA prostituição na sala de estar – Quem resiste ao fetiche de acompanhar o cotidiano de uma lolita que vende sexo?

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Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o fim de tarde
Ricardo Kelmer – Contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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COMENTÁRIOS
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Não vote em fanático religioso

16/11/2015

16nov2015

Fanático religioso não é apenas aquele que mata e explode bombas em atentados, mas também quem tenta impor a todos as leis do seu deus

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NÃO VOTE EM FANÁTICO RELIGIOSO

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Você se preocupa com o fanatismo religioso na Europa e no Oriente Médio? É para se preocupar mesmo. Porém, aqui no Brasil o fanatismo está crescendo e espalhando seu veneno dia após dia. No Congresso Nacional, a religião teima em se misturar à política, desrespeitando os princípios do Estado laico. Os ateus lutam contra isso, mas precisam do apoio dos religiosos moderados, que não deveriam se calar diante dos absurdos cometidos por seus irmãos de fé.

Fanático religioso não é apenas aquele que mata e explode bombas em atentados, mas também quem tenta impor a todos as leis do seu deus. Nas próximas eleições, não vote em pessoas que falam em nome de deuses, mesmo que seja o mesmo deus que você crê. Não vote nelas, por mais santas que possam parecer. Vote em quem defende a laicidade do Estado e respeita a diversidade humana, feita também de crenças e não-crenças. Somente numa sociedade plural os diferentes podem conviver em paz.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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Pastor organiza ataques a festas de Umbanda – O pastor Lucinho (Lúcio Barreto Júnior), da Igreja da Lagoinha, de Belo Horizonte-MG, treina jovens para invadir eventos de outras religiões. Veja o vídeo.

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PorQueDefenderOEstadoLaico-01Por que defender o Estado laico – Se você é religioso e crê na democracia, deve defender o Estado laico pois somente ele garante que você sempre terá total liberdade de exercer suas crenças ou sua não crença

WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

Eles estão na fronteira – Milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

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COMENTÁRIOS
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01- O Pior perigo atual da Humanidade!!!! Jan Hillen, Foz do Iguaçu-PR – nov2015

02- Desse jeito. Stella Soares, Campina Grande-PB – nov2015

03- perfeito maravilhosa charge. Jose Cesio Medeiros, Rio Branco-AC – nov2015

04- TEMPLO É DINHEIRO. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – nov2015

05- medo… qqer dia amanheço queimada… e sem precisar sair de casa. Sandra Xavier Amarantha, Poá-SP – nov2015

06- Mas estão sendo coerentes, ué… a religião deles manda fazer tudo isso aí mesmo… Alexandre Sampaio, São Paulo-SP – nov2015

07- Tenho horror… arrrghhh. Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – nov2015

08- eu nem concebo sequer a obrigatoriedade do voto… é um desrespeito para quem não acredita no sistema eleitoral. Kelmer, são os mulgélicos…! Susana X Mota, Leiria-Portugal – nov2015

09- É uma doença que se alastra, o fanatismo religioso. Religião é pra dar sossego, equilibrar, tornar o cara mais tolerante, caridoso, pelo menos é esta a proposta. Religião pra matar, perseguir, encher o saco dos outros, meu Deus! Menino, se Deus quisesse interferir em nossas vidas Ele o faria, pois com todo o Seu poder não tinha nem discussão, mas o Todo Poderoso na sua imensa sabedoria nos deixa resolver nossos pepinos sem se meter. Por que Ele faz isso? Simples, já imaginou Deus sendo chato, metido, nojento? Não, senão não seria Deus. Pra mim é simples assim. Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – nov2015

10- de repente passam-me pela cabeça tantos livros e filmes que já avisavam, mostravam as consequências da ganância e crueldade humanas…foda-se… se alguém disser que não sabia, que não se poderia prever, que era apenas ficção, foi porque não quiseram perceber. E ainda a procissão vai no adro. Susana X Mota, Leiria-Portugal – nov2015

11- É isso. Inês Nóbrega, Fortaleza-CE – nov2015

12- Sensacional! Renata Damasceno, Fortaleza-CE – nov2015

13- Cuidado com quem você elege….O futuro pode ficar sombrio.. Jacques Josir Ribeiro, Santo André-SP – nov2015

14- Todo tipo de fanatismo é maléfico… Neide Oliveira, Ananindeua-PA – nov2015

15- Indignado com o fanatismo religioso do Oriente Médio? Filipe Luiz, São Paulo-SP – nov2015

16- Bem assim… Angela Fuoco, João Pessoa-PB – nov2015

17- Gosto do que ele escreve… Russana Melo, Fortaleza-CE – nov2015

18- Fanatismo religioso: a gente tem também por aqui. E em fase assustadoramente crescente. Sonia Mara Valkovics, São Paulo-SP – nov2015

19- Vamos parar de eleger esses patifes de igrejas antes que se instaure um Estado Radical Religioso no Brasil. Vania Lessa, Brasília-DF – nov2015

20- Pense nisso! Zaíra Viard Borges, Recife-PE – nov2015

21- Sem dúvidas é um perigo iminente, algo nocivo que deve ser repudiado. Por outro lado, está cada vez mais difícil “conscientizar” a populaçao sobre esse perigo porque as igrejas vêm fazendo um trabalho de base. Na minha cidade, a cada esquina tem uma igreja evangélica, e eles chegam junto às comunidades, auxiliam jovens dependentes químicos na luta contra vícios, distribuem cestas básicas, dao conselhos em casos de conflitos familiares e muitas outras intervenções que a gente sabe que a maioria deles faze por diversos interesses próprios (dinheiro, poder, voto etc), mas que pra populaçao representa um consolo e um auxílio. Se quisermos combater essa invasão do fanatismo religioso, a gente vai ter que aprender a chegar junto do povo também, e também fazer trabalhos de base. Anna Cecília Freitas, Fortaleza-CE – nov2015

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Pesquise antes de acreditar

06/08/2015

06ago2015

O ideal para a democracia é que esse imenso poder da mídia não se concentre nas mãos de poucos

PesquiseAntesDeAcreditar-01

PESQUISE ANTES DE ACREDITAR

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Cada empresa de mídia tem seus interesses próprios e sempre tenderá a noticiar os fatos pelo ângulo e intensidade que lhe forem mais vantajosos, ou sequer os noticiará, fingindo que nada acontece. Elas têm esse direito, claro, até porque a total imparcialidade jornalística é algo que não existe, principalmente quando se trata de política. Em alguns casos, porém, o problema não é o ângulo, é a distorção do fato, ou seja, a mentira jornalística, o que é algo muito grave.

Caso deseje garantir para si próprio informações mais honestas, o cidadão só tem um caminho: pesquisar. Ele deve ter sempre em mente que a informação é um produto como outro qualquer, e que somente comparando as várias versões possíveis de um fato é que será possível adquirir uma compreensão mais abrangente da realidade.

O mercado da informação rende muito, muito dinheiro. Os grupos que o dominam convencem mais facilmente os políticos a defenderem leis que lhes beneficiam. Quanto mais poderoso é um grupo de mídia, mais ele pode influenciar eleições e direcionar os rumos de um país. Não é à toa que a imprensa é chamada de “o quarto poder”. Por isso, o ideal para a democracia é que esse imenso poder da mídia não se concentre nas mãos de poucos, e que a população tenha fácil acesso às várias versões possíveis dos fatos.

No Brasil, o mercado de mídia é bastante concentrado, principalmente por Rede Globo, Folha de São Paulo e Editora Abril, que dominam vários segmentos da mídia impressa e eletrônica, produzindo, distribuindo e exibindo informação e cultura. Como essas empresas também têm suas ideologias e preferências políticas, a versão dos fatos que elas apresentam todo dia para milhões de brasileiros obviamente jamais irá contra seus interesses, e em nome destes às vezes é preferível omitir, confundir e desinformar do que efetivamente esclarecer. É por isso que elas lutam contra a regulação da mídia no Brasil (tentando falsamente associá-la à censura, por exemplo), pois sabem que a regulação ocasionará, entre outras coisas, uma maior divisão de forças no mercado da informação, assim como ocorre nas grandes democracias, como França, Alemanha e Estados Unidos. Se o Brasil prosseguir avançando na consolidação de sua democracia, a regulação desse mercado acontecerá em breve, mas, independente disso, o que cabe ao cidadão é agir como o bom consumidor: pesquisar sempre antes de comprar, ou melhor, de acreditar.

Ao fim do texto seguem algumas sugestões para o consumidor que não se contenta apenas com as versões dos fatos vendidas pelos poderosos do mercado. Quem tiver outras, fique à vontade para sugerir, afinal quanto mais opções, melhor. Melhor para o consumidor, claro.

SUGESTÕES:

Observatório da Imprensa – Congresso em Foco – Jornalistas Livres
Diário do Centro do Mundo – Revista Fórum – El Pais Brasil
Jornal GGN – Carta Capital – Caros Amigos – Vi o Mundo
Conversa Afiada

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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Ilustração: Fernando Vasqs. Argumento: Ricardo Kelmer.

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SAIBA MAIS

Regulação da mídia não é censura – Por Pedro Ekman e Bia Barbosa, 03.06.14

Mudanças aceleram regulamentação da mídia no mundo – Reportagem do Opera Mundi, 2010

Por que a dívida da Globo não é manchete de jornal? – Por Bruno Marinoni, 31.07.14

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LEIA NESTE BLOG

DemocraciaERegualacaoDaMidia-02Democracia e regulação da mídia – A informação é um produto, e o mercado da informação precisa de regras, caso contrário o grupo que tem mais dinheiro monopolizará a informação, para prejuízo da sociedade em geral

WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

Acabou a paciência – O povo está enfim deixando de ser tão conformista e alcançando um novo nível de conscientização política. É gol do Brasil

O protesto da babá negra – Talvez ela saiba que quando um governo tem como objetivo a equidade social e a redistribuição da riqueza do país, automaticamente atrai o ódio das elites econômicas, que lutarão para manter seus privilégios

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COMENTÁRIOS
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01- Aff. Anna Melo, Teresina-PI – ago2015

02- É MUITA [DES]INFORMAÇÃO, NÉ?!… Maria Gama, Vitória-ES – ago2015

03- É muita informação para pouca formação. Jessica Giambarba, Fortaleza-CE – ago2015

04- Nossa sacanagem, perto dessa gente tratada no texto, é pinto. Fernando Vasqs, São Paulo-SP – ago2015

05- se for veja e globo, não precisa nem se informar, É MENTIRA. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – ago2015

06- DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO: É CLARO QUE HOJE AS COISAS ESTÃO BEM PIOR… [TÍNHAMOS SÓ TV… HOJE TEMOS DE ‘FILTRAR’ TAMBÉM A INTERNET, QUE É BEM MAIS ‘VASTA’… youtube.com/watch?v=MtQTejGeL4M Maria Gama, Vitória-ES – ago2015

07- Pesquisem mesmo!!!! Maria José Figueiredo, Brasília-DF – ago2015

08- Pra quem ainda não entendeu….. Daniele Nóbrega Cavalcante, Fortaleza-CE – ago2015

09- Para quem ainda não entendeu o espírito da coisa… Antonieta Figueiredo, Fortaleza-CE – ago2015

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O strip-tease

13/07/2015

13jul2015

OStripTease-02

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GuiaDeSobrevivenciaCAPA-1bCriaturas do futuro que voltam no tempo para garantir que elas mesmas, no passado, não cancelem o futuro – esses são os Observadores.

Fantástico, ficção-científica

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Este conto integra o livro Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

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O STRIP-TEASE

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– VOCÊ DEVIA BEBER MENOS, Zeca.

– Quer uma dose?

– Não, obrigado. Por que você anda bebendo tanto, Zeca?

– Tá na pauta, espera que vou contar.

– Tô esperando.

– Você tá muito bonita.

– Obrigado. E você, ainda farreando muito?

– Naquela época que a gente se conheceu eu tava no auge. Mas agora dei um tempo na noite.

– Aquela época faz só um ano.

– Pois é.

– …

– Gisele, eu pedi pra você vir aqui porque tenho uma coisa importante pra contar.

– Desde o início, eu sempre desconfiei que você me escondia algo.

– Vai ser a coisa mais estranha que você já escutou na vida. Vai achar que eu enlouqueci.

– Sei que muita gente acha que você é louco, mas eu sei que não é. É só um pouco excêntrico. E meio fechado.

– Vai achar sim. Mesmo assim eu vou falar.

– Zeca, eu gosto muito de você. Sei que você tem suas esquisitices, todo mundo tem. Só acho que podia se abrir um pouco mais…

– Eu sei, você já me falou isso. Eu vou lhe contar tudo. Mas tenho certeza que depois você vai dizer que preciso fazer um tratamento e não vai mais querer saber de mim.

– Você por acaso tá vendo alguém aí do seu lado?

– Como?

– Aí do seu lado tem alguém? Você fica olhando e sorrindo como se tivesse alguém aí…

– Hummm… Esse é o problema, Gisele. Tem alguém aqui do meu lado.

– Como assim?

– É exatamente sobre isso que vou lhe falar. Escute, por favor. Primeiro escute.

– Tô escutando.

– Vamos lá. Ahnn… Tudo começou numa noite em que eu estava aqui com uma garota. Foi antes de eu conhecer você. A gente tinha chegado da boate e ela tava no banheiro. E eu na cama, esperando. Foi aí que eu vi pela primeira vez. Não quer mesmo tomar nada?

– Não, obrigado.

– Ele tava sentado na cadeira da minha escrivaninha. Na hora pensei: assalto, putaquipariu. Eu nu na cama e um assaltante no meu quarto. Mas não fiquei muito nervoso não, acho que foi porque eu tava bêbado. Então falei: Ok, meu irmão, pode levar o que quiser, minha carteira taí, tem um som legal lá na sala, mas por favor não faça nada com a gente… Pois bem, quem tomou susto foi ele. Levantou, me olhou de perto e perguntou se eu realmente tava vendo ele. Era como se não estivesse acreditando. “Você tá me vendo mesmo, Zeca? Tá realmente me vendo?” Eu fiquei sem entender, achei que podia ser algum conhecido, ou que ele tava muito doidão… Então perguntei de onde me conhecia e ele levantou os braços dizendo: “Finalmente!!!” Quer continuar a ouvir?

– Claro. Eu tô ouvindo. Não era um assaltante?

– Não. Era o Observador.

– Quem?

– O Observador.

– Ah, o Observador. Deve ser novo no bairro, ainda não conheci.

– Nem queira.

– Afinal, era amigo seu?

– Era o Observador, já disse.

– Ah, sim…

– Sério, Gisele. É assim que ele mesmo se chama.

– Tá. E quem é o Observador?

– Vamos lá. Observadores são seres que vivem em outra dimensão de tempo e espaço. Levam uma vida normal por lá. Só que eles têm amigos aqui e às vezes têm de vir ajudar o amigo. Enquanto não conseguem, não podem retornar ao seu mundo, ficam presos aqui neste tempo-espaço. É isso. Pelo menos foi isso que ele me disse.

– Ah, você viu seu anjo da guarda.

– Não, não, tá mais pra demônio. Um demônio muito, muito chato.

– Era isso que você queria me falar?

– Tô falando sério, juro.

– Tá. E aí?

– Bem, isso tudo ele me explicaria depois, mas antes a garota entrou no quarto e perguntou com quem eu tava falando, e eu apontei pra ele. Mas ela não viu ninguém. Foi então que ele disse que somente eu podia vê-lo e escutá-lo, ninguém mais, que a coisa funcionava assim mesmo. O sujeito parecia superfeliz e dizia que seus dias de solidão haviam terminado. Bem, no fim a garota achou a coisa tão estranha que se vestiu e foi embora.

– E o cara?

– Ficou lá. Tentei tocar nele, mas minha mão atravessou a imagem. Aí eu disse pra mim mesmo que aquilo era um sonho muito louco e tratei de dormir. No outro dia, acordei e ele continuava me observando.

– Zeca, eu…

– Eu sei que você não tá acreditando, mas deixe eu contar até o fim. Você prometeu.

– …

– Ele disse que tinha uma missão secreta. Que era algo que dependia de mim, e que se eu fizesse a coisa certa, ele poderia ir embora.

– Olha, Zeca, eu…

– Espere…

– Eu não sei o que tá acontecendo com você, mas…

– Gisele, eu juro que é verdade. Eu não tô louco. Acho até que seria melhor se estivesse mesmo, seria mais fácil de aguentar esse pentelho o tempo todo ao meu lado…

– Quer dizer que você tá falando sério.

– Tô.

– Não tá me gozando.

– Não.

– Então diz pra mim: eu tô falando sério.

– Eu tô falando sério.

– Sem rir, Zeca!

– Desculpa, é que essa situação é meio ridícula.

– Ridícula sou eu aqui escutando essas, essas…

– Você quer ir embora?

– …

– Se quiser, pode ir na boa que eu…

– Vai, continua, eu quero escutar.

– Onde que eu parei?

– O Observador lhe disse que tinha uma missão.

– Isso. Que eu precisava fazer algo, e ele tava ali pra me ajudar a fazer esse algo.

– E você não sabia do que se tratava.

– Continuo sem saber.

– Nem desconfia?

– Bem, ele me conhece como ninguém, é incrível. Tem me feito pensar muito sobre minha vida, me faz ver onde que eu tô errando, os meus defeitos… Isso me deixa muito mal.

– Todo mundo tem defeito, Zeca.

– Mas eu é que tenho um cobrador de atitudes vinte e quatro horas por dia, infalível. É como se fosse uma parte de mim.

– Ele tá com você desde antes da gente começar a namorar?

– Sim, há um ano.

– Então quando você me conheceu ele tava junto?

– Tava. Ele não larga do meu pé, Gisele. Lembra de como a gente se conheceu?

– No balcão do Pai Herói.

– Lembra de como eu tava?

OStripTease-02– Calça preta e camisa azul. Um gato.

– Não, tô falando do meu estado.

– Bêbado, claro.

– E morrendo de rir, não era?

– Tava um tanto risonho.

– Por causa dele. Ele antecipava tudo que eu ia dizer, sabia de cor todas as minhas abordagens. “Oi. Você não se sente uma sardinha nesses bares tão lotados?” Eu abria a boca pra falar e ele falava antes. E eu começava a rir.

– Ah, era por isso?

– É um sádico gozador, me sacaneia bastante. De repente, se esconde entre as pessoas e eu acho que fiquei livre dele. Quando menos espero, surge com um comentário bem cretino. Lembra de uma vez que a gente tava numa mesa lá no Papillon e eu tive um acesso incontrolável de riso?

– Parecia um demente.

– Por causa dele. Naquela noite, ele apareceu de repente com a cabeça bem aqui do meu lado e falou assim, muito sério: “Você está olhando tanto que eu vim segurá-lo pra você não cair dentro do decote dela…”

– Meu decote?!

– Eu estourei de rir. Você tava com um decote assim bem chamativo, e aí fiquei imaginando eu caindo lá dentro… Você sem entender nada e eu morrendo de rir.

– Quer dizer que foi pelo meu decote…

– Na hora foi engraçado. Mas esse pentelho tornou minha vida um inferno. Por isso tem muita gente achando que eu sou doido.

– Muita gente mesmo.

– Pudera. No começo, até que eu me divertia, mas depois fui ficando irritado. Aí mandava a compostura pros diabos e discutia com ele na frente de quem fosse, dizia que ele não tinha o direito de fazer aquilo, que era uma coisa que ia contra a liberdade individual e a ética cósmica, e que…

– Ética cósmica?

– Eu tava desesperado, valia qualquer coisa.

– Realmente.

– Comecei a ficar com muita raiva dele. Sabe o que é ter de conviver com alguém que conhece você profundamente e vive lhe jogando seus defeitos na cara, ironizando suas atitudes? Pois é o que ele fazia. Não perdia uma oportunidade. Você se sente nu. Você não consegue se concentrar em mais nada. Vai ler um livro ou ver um filme e não consegue, é um inferno. De tanto ele falar, de um tempo pra cá comecei a perceber um bocado de coisa que tenho de mudar em mim.

– Por exemplo?

– Ah… Ele me fez ver o quanto eu tava sendo frívolo, superficial, o quanto era falso comigo mesmo. E me fez ver também o quanto sou dono da verdade.

– Ele fez isso?!

– Fez.

– E você reconheceu?!

– Tive, né? Ele não deixa passar nada. Eu tô conversando com alguém e dou uma opinião… Pronto, lá vem ele me alfinetando. No começo, eu fingia não escutar, mas a coisa ficou insuportável. Se ele fosse de carne e osso a gente já tinha saído na porrada.

– E ele sempre esteve perto, mesmo nos momentos em que a gente tava junto?

– Hum, hum.

– Até mesmo… naqueles momentos?

– Até naqueles momentos.

– Então ele me viu nua várias vezes.

– Eu não podia fazer nada, Gisele, entenda.

– Ele viu tudo?

– Ele tá pregado na minha alma, na minha energia. Também não pode fazer nada.

– Era só o que me faltava…

– Agora entende porque nunca consegui relaxar com você? Ele tava sempre perto observando… A única maneira de poder esquecer um pouco era enchendo a cara. Era mais conveniente ficar bêbado pra não pensar sobre certas coisas.

– Olha, Zeca… eu… não sei nem o que pensar. Não sei se me irrito com você, se rio dessa história absurda…

– Pode rir, não vou me importar.

– Não sei se continuo aqui escutando essas… essas loucuras… Não sei.

– Eu tinha de lhe contar.

– Por que eu? A gente não se fala há semanas.

– Foi ele quem sugeriu. Achou que você compreenderia. “Por que você não conta pra Gisa? Ela é uma pessoa sensível, pode ajudar…”

– Ele me chama de Gisa?

– É. Ainda tem essa intimidade.

– Ele tá aqui agora?

– Sentadinho aqui. Morrendo de rir dessa situação ridícula, o sádico. Pergunta algo pra ele.

– Eu?

– É, pergunta alguma coisa.

– Ah… Sei lá.

– Ele tá dizendo que você dança muito bem.

– E ele já me viu dançar?

– Ele foi comigo na apresentação do seu grupo.

– Ah… Que bom. Agradeça a ele.

– Agradeça você, ele tá ouvindo.

– Ahnn… Obrigado, seo Observador… Ai, Zeca! Essa situação realmente…

– Ah, ah, ah, ah!

– …

– Desculpa. É que foi engraçado.

– Zeca, você me chamou aqui pra conversar sério. Eu vim porque acreditei. Aí chego e você me vem com esse papo de Observador. Porra!

– …

– Zeca, se você estivesse em meu lugar, o que faria agora? Diga sinceramente.

– …

– Diga, o que você faria?

– Sinceramente? Acho que levantaria, sairia por aquela porta e tchau.

– Pois é o que vou fazer. Mas antes deixa eu dizer uma coisa: pare de beber, Zeca. Ou pelo menos diminua, se não quiser piorar tudo. E se estiver bebendo pra não ter de encarar certas coisas sobre você mesmo, então lamento dizer que tá indo pelo pior caminho.

– …

– Tchau, Zeca. E tchau pro seu amigo…

– …

– Ele tem nome?

– Eu chamo de Hóbis.

– Hóbis?

– É, Hóbis. Bonitinho, não?

– Hóbis, o Observador… Tchau, Hóbis. Não deixa o Zeca beber demais.
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OStripTease-02– EU AVISEI. Não era pra você contar assim, de uma vez só. Tinha de ser devagar.

– Agora já tá feito, Hóbis.

– E se você tiver perdido a Gisa de vez?

– O que tiver de ser, será.

– Você parece que fez isso pra se livrar dela.

– Se ela gosta de mim como você diz, então ela teria entendido melhor a coisa.

– Ela precisa de tempo, Zeca.

– Agora já tá feito.

– Ligue pra ela de novo. Agora que ela já sabe de mim, deixe que pense que você é louco mesmo. Ela também não é muito normal. Não pode tomar duas cervejas que quer fazer piruetas pelo meio da rua…

– Pelo menos ela dança bem.

– Você ainda não viu nada…

– Ei! O que você sabe sobre ela que eu não sei?

– Esqueça, pensei alto. Vá, Zeca, ligue pra ela.

– Eu não posso ligar de novo, Hóbis! Você viu, ela tem certeza que eu pirei.

– Ela gosta de você.

– Eu também gosto dela. Desde o começo, você sabe. Mas só fiz besteira.

– Claro, sempre bêbado…

– Por sua causa.

– E eu tô aqui por sua causa. Então é você quem tem de fazer alguma coisa.

– E tô fazendo. Tô bebendo pra ver se morro logo de uma vez e me livro de sua chatice.

– Zeca, seu tapado imbecil. Gisa é a mulher que pode te ajudar, te incentivar a seguir o melhor caminho. Acontece que você morre de medo daquilo que mais precisa. É um tolo.

– Se ela puder, me manda pro manicômio.

– Ligue pra ela, marque um local agradável.

– Papa-Tudo Motel. Suítes com cadeira erótica.

– Marque no Spy, convide pra tomar um suco. Por favor, nada de álcool.

– Já falei pra não me pedir isso. Bebo se eu quiser.

– Como posso deixar de pedir isso, seu burro?! A bebida tá estragando sua vida.

– Quem tá estragando minha vida é você!

– É você quem estraga a minha, incompetente! Eu poderia estar em casa, com minha família! Mas não, tenho de estar aqui com você, você que prefere viver personagens em vez de ser você mesmo!

– …

– …

– Escute, Hóbis, eu já passei uma semana sem beber e não adiantou nada, você continuou me pentelhando.

– Não são sete dias sóbrios que vão resolver os seus problemas, cretino. Olhe pra dentro de você mesmo e veja o que é que tem de mudar.

– Se soubesse, eu mudaria.

– Você sabe.

– Eu não sei, já disse!

– Sabe sim!

– Se soubesse, já teria mudado só pra me livrar de você, palhaço!

– Ah, você pensa que é agradável pra mim ficar assistindo seus porres idiotas, suas abordagens sem graça, “Oi, veja só, eu um sujeito simples e você tão cheia de predicados…” Sem falar nas suas performances sexuais horrorosas…

– Então vá pra merda! Aliás, fique aí mesmo. Pouco me importa se eu morrer de um coma alcoólico. Sabendo que você vai junto, eu vou me divertir bastante. Vamos os dois pro Inferno.
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– OI, GISELE.

– Você me convidando pra tomar um suco… Você não deve estar nada bem.

– Desde aquele dia que eu tô sem beber.

– Sério?

– Sério.

– E o que aconteceu?

– Resolvi dar um tempo. O que você quer?

– Maçã. Sem açúcar, por favor.

– Então dois. O meu com.

– E aí, o Hóbis veio?

– Claro.

– Ele tá aqui?

– Sentou agora. Mas a gente não tá se falando.

– Por quê?

– Divergências. Acontece.

– Ah.

– …

– …

– Não adianta olhar pra ele, Gisele, você não pode ver.

– Olhei sem querer. Ai, Zeca, esse papo vai me botar maluca igual a você, sabia?

– Pelo menos você vai me entender.

– Quer dizer que brigaram? Ele falou algo que você não gostou?

– Vamos mudar de assunto? Você vai bem?

– Ótima.

– Tô vendo. Linda como sempre.

– Você também tá bem.

– …

– Rindo de quê, Gisele?

– Besteira.

– Diz.

– Ah, besteira. Tava pensando na ironia da coisa.

– Que coisa?

– No dia em que finalmente conheço um cara interessante, ele tem um caso com um homem invisível.

– É muito azar mesmo…

– Eu fui um pouco indelicada da última vez. Queria lhe pedir desculpas.

– Seria a reação de qualquer um.

– Eu ia telefonar pra você.

– Ia?

– Fiquei curiosa sobre o Hóbis.

– Foi?

– Fiquei pensando… Ele não dorme?

– Dorme quando eu durmo. Acorda quando eu acordo. Mas não sente fome, nem sede, não consegue fazer nada a não ser me observar.

– Não deve ser um serviço muito agradável.

– Eu não queria estar no lugar dele.

– Ele gosta de você?

– Nossa relação é estranha. A gente se gosta e se detesta. No início era pior, eu nem dormia direito com ele olhando pra mim. Imagina fazer tudo com alguém olhando, tomar banho, fazer cocô, uma punhetinha… E trepar? Impossível, né? Ou então você toma todas e esquece.

– O que ele acha dessa sua bebedeira?

– Ele diz que eu tô fugindo.

– E tá?

– Pode ser. Mas acho que seria mais fácil sem ele por perto.

– Aí você não teria chegado às conclusões que chegou sobre sua vida. Acho que o Hóbis, se é que ele existe…

– Ele existe.

– Certo. Acho que o Hóbis tá fazendo você economizar a grana que pagaria por uma boa terapia, sabia?

– E quem disse que eu pagaria por uma terapia?

– Zeca, por que você não vem passar um fim de semana comigo na serra? Ia ser tão bom.

– Sério?

– Eu ia adorar.

– Não sei, Gisele. Tenho uns trabalhos…

– Ah, Zeca, vamos, eu cozinho pra você.

– Que mais?

– Deixo você ficar com o controle da tevê.

– Não pedi sua opinião.

– Como?

– Falei com o chato aqui.

– Com o Hóbis? O que ele disse?

– Disse que se eu fosse pra serra com você, ele esqueceria por uma semana dos meus defeitos.

– …

– Olhando pra ele de novo, Gisele?

– Heim? Ah, é. Já tô me comportando como se realmente tivesse alguém aí. Acho que é uma boa proposta a dele, Zeca.

– Como que você sabe que ela tem esse CD?

– Heim?

– O cretino aqui. Tá falando besteira.

– O que ele disse?

– Pra você não esquecer de levar seu CD de músicas eróticas. Você tem um cedê assim?

– Peraí, como que ele sabe?

– É, como que você sabe disso, Hóbis? Hum… Ah, tá. Ele disse que não sabia, que foi um palpite.

– Muito estranho…

 – Não sei se a gente pode acreditar em tudo que esse maluco diz. Mas deixa ele pra lá, Gisele. Então, posso ficar mesmo com o controle da tevê?
.

.

– ELE TÁ OLHANDO AGORA?

– Com certeza.

– Tá ou não tá, Zeca?

– Ah, Gisele, eu não vou me virar agora pra ver. Tenha paciência.

– Ele não é gay, é?

– Que eu saiba, não.

– O que ele achou de mim?

– Ele gosta de você. Não percebeu lá no Spy? Era o mais animado com essa história da gente vir aqui pra serra.

– Você não se incomoda dele observar a gente transando?

– Eu já havia esquecido disso, Gisele.

– Desculpa…

– …

– …

– Vem cá, vem…

– Peraí, Zeca, Vou botar o CD de novo…

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– PARABÉNS, CHATO, você cumpriu a promessa. Uma semana caladinho.

– Fiz por nós dois, companheiro.

– Eu até consegui me concentrar em outras coisas, você viu?

– Vi. Foi uma semana bastante positiva.

– Você acha que a gente dá certo?

– A gente? Definitivamente não.

– Eu e Gisele, engraçadinho.

– Claro que sim. Não existe nada melhor pra você que essa mulher, meu rapaz. Gisa é maravilhosa. Bonita, inteligente, carinhosa… E tem um corpinho muito alinhado, cá pra nós.

– Ela dança desde os quinze.

– Você deveria pedir pra ela dançar pra você.

– Hummm… Boa ideia.

– Algo me diz que alguém tá apaixonado…

– Mais ou menos.

– Assuma, homem.

– Puta merda. Assumir o quê, Hóbis?

– Que você é doido por ela.

– Vou pensar no seu caso.

– Assuma logo, homem. Quer enganar quem?

– Hóbis, dá um tempo.

– Hoje, enquanto você falava ao telefone, encheu uma folha inteira com o nome dela, percebeu?

– Tava testando a caneta.

– Ah, sim, claro.

– …

– Então, assume ou não assume?

– Putaquipariu, Hóbis, você é um pentelho!

– Assume ou não assume?

– Já disse que vou pensar no seu caso.

– Pensar pra quê, homem? Tá na cara. Já viu sua cara no espelho? Viu?

– Eu mereço…
.

.

– NÃO QUER QUE EU SIRVA uma tacinha de vinho pra você também?

– Não, obrigado, hoje você vai beber sozinha.

– Só uma tacinha não faz mal, Zeca…

– Depois, depois.

– Então tá bom. Vou servir mais uma pra mim. Escuta, você se importaria se eu conversasse com o Hóbis também?

– Por mim, tudo bem.

– Ótimo. Hóbis, o que você tá achando do meu apartamento?

– Ele respondeu que você tem muito bom gosto.

– Humm, obrigado. E o que ele acha de nós namorarmos sério?

– Nós quem, Gisele?

– Eu e você, né, Zeca? Com o Hóbis é que não é.

– Essa pergunta não tava no roteiro…

– Ah, então tem censura pra falar com ele, é?

– Ok, ok. O que você acha disso, Hóbis?

– Eu acho uma ótima ideia!

– Gisele, não atrapalha! Você quer ou não quer que ele responda?

– Desculpa, não resisti… Vai, pergunta de novo.

– Ele tá rindo de sua imitação dele. Horrível, por sinal.

– Que bom que ele tem senso de humor.

– Até que tem. Quando não tá preocupado em me dar lições de moral.

– Ele já parou de rir?

– Ele disse que se eu não namorar, ele namora.

– Então se decidam. Não tenho a noite toda.

– Acho que você tá um pouquinho alta…

– E você tá vermelho! Falou em namoro, você perde o rebolado… Viu o meu vinho por aí?

– Hóbis tem um recado pra você.

– Oba! Sou toda ouvidos.

– Ele tá dizendo que só tem um jeito dele não olhar pra você enquanto a gente transa.

– E qual é?

– É transarmos eu, você e outra garota. Assim, em respeito a você, ele fica olhando pra ela.

– Você disse isso mesmo, Hóbis?

– Ele acaba de dizer: “Claro, meu docinho de coco…”

– Ah, quer saber? Eu não ligo se ele quiser ficar olhando pra mim… Pode olhar, viu, Hóbis.

– Pois eu ligo.

– Acho que o Hóbis não falou nada disso, seu bobo… Você é quem quer realizar essa sua fantasia da gente transar com outra mulher e fica botando palavra na boca do pobre do Hóbis…

– É sério, ele disse.

– Mentira. Você falou mesmo, Hóbis?

– Falei sim, meu sorvetinho de duas bolas…

– Deixa ele falar, Zeca!

– Tô só repetindo o que ele diz.

– Vamos, Zeca, o que ele disse?

– Ele não vai responder porque tá rolando de rir do seu porre, Gisele.

– Pois agora eu vou mostrar a ele que tenho outras qualidades… Deixa primeiro eu apagar a luz. Onde foi que eu deixei o meu vinho?

– O que é que você vai fazer?

– Uma musiquinha especial pra vocês… Dá licença, deixa eu ligar o abajur. Ah, agora tá perfeito.

– Hóbis tá dizendo que eu também devia tomar algo, que eu tô muito tenso…

– Também acho. Cadê o CD?

– Você tá quase sentada em cima dele.

– Ai! É mesmo! Hummm, deixa eu ver… Acho que é a sete… Exatamente!

– Não acredito. Você vai fazer um strip-tease pra mim?

– Pra vocês dois. Hóbis, pode sentar, viu, fique à vontade.

– Ele já sentou há muito tempo.
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OStripTease-02– ELE TÁ OLHANDO AGORA?

– Tô com preguiça de virar o pescoço.

– Ele gostou do strip?

– Não desgrudou o olho.

– Sério?

– Até se emocionou.

– E você?

– Se eu gostei? Caramba! Não vou esquecer jamais.

– …

– Você é tão linda, Gisa…

– …

– Gisa?

– Hum.

– Ainda tá valendo aquela proposta?

– Qual?

– A do namoro.
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– ZECA…

– Hum…

– Escute, tenho que ir agora, meu ônibus chegou. Quando você acordar, já não estarei mais aqui.

– Humm…

– Um abraço, amigão. Você é um cara legal. Desculpe se fui rude algumas vezes, mas é que estávamos no mesmo barco, entenda. Mas estou orgulhoso de você.

– Hummm…

– Essa mulher lhe quer bem, não a deixe ir embora. Gisa ainda vai lhe dar muitas alegrias, você vai ver, filhos maravilhosos… Agarre sua chance agora, homem. O futuro é só uma questão de escolha. E não é qualquer uma que faz um strip daquele…

– Hummmm…

– Adeus, amigão.
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– BOM DIA, meu filho.

– Bom dia, seo Nestor. Pra casa?

– Pra casa, sim, que você já deve estar com saudade, né? Um ano fora.

– Pois é. O Outro me deu trabalho.

– Imagino. Pensei até que você ia pedir prorrogação. Pegue uma cervejinha pra você aí na geladeira, meu filho.

– Obrigado. Ônibus vazio, seo Nestor.

– Esta semana está assim.

– Não tem mais ninguém pro senhor pegar?

– Tinha a Felícia. Mas ela pediu prorrogação.

– Então ela ainda não conseguiu? Que pena.

– Felícia é aquela arquiteta, você sabe.

– Sei. Veio pra garantir que a Outra dela não abandonasse o curso. Humm, cervejinha boa.

– Pois a Outra abandonou. Foi fazer Direito. Felícia só não matou a Outra porque enfim não pode.

– Dá vontade de matar mesmo.

– Mas Felícia já pediu prorrogação. Disse que não vai desistir enquanto a Outra não voltar pra Arquitetura.

– Prorrogação é faca de dois gumes. Ou a gente consegue na marra ou deixa o Outro louco, e aí não tem mais jeito. Se eu tivesse pedido prorrogação, meu Outro também enlouqueceria e acabaria deixando a Gisa escapar de vez.

– Cá pra nós, filho, acho que não veremos mais nossa amiga Felícia. A coisa pra ela está difícil.

– Isso é muito triste.

– Tenho dó quando a pessoa descobre que seu futuro será anulado. Ultimamente tem aumentado, sabe? Quando as pessoas entram neste ônibus, eu já sei que muitas não vão voltar e sinto pena. Eu não sei como é a experiência de não poder voltar, mas imagino que seja a coisa mais terrível do mundo.

– É. Mas quando a gente recebe o chamado pra vir pro passado, já sabe que sempre tem a chance de não voltar.

– O diabo é que a gente tem sempre a esperança de que o nosso futuro é o que vai vingar, né?

– É. Só de imaginar que aquele cabeça-dura podia deixar a Gisa escapulir, já me dá um frio na barriga…

– Mas me conte, como foi?

– Rapaz teimoso o meu Outro, seo Nestor.

– Ah, mas todos já fomos assim.

– E deu pra tomar todas depois que eu apareci, o senhor precisava ver.

– Se não me engano, você também gostava de um copinho…

– É, gostava.

– Foi a Gisele quem botou você no prumo.

– Verdade. Mas o Outro tava bebendo bem mais que eu.

– E ele vai ficar com ela mesmo?

– Vai. Já tá no papo.

– Então está bom. Mas me diga, como é que foi ver a Gisele mais novinha?

– Ah, seo Nestor, achei que eu ia ter um troço…

– Eheheh, imagino.

– Eu faria qualquer coisa pra garantir nossa hipótese de futuro, o senhor sabe.

– Ora se sei.

– Posso lhe contar um segredinho, seo Nestor?

– Pode, filho.

– Embarquei nessa missão porque se eu não viesse, eu e a Gisa seríamos desativados, nós e os nossos filhos. Mas eu também tava doido pra rever o strip-tease que ela fez pra mim quando a gente começou o namoro… Ah, como eu queria!

– Mas veja só!

– Ah, seo Nestor, o senhor nem imagina… Foi aquele strip que me fez namorar sério com ela.

– E ela fez de novo?

– Fez. Essa noite mesmo. Igualzinho como foi, igualzinho…

– Ah, por isso que você chegou com essa cara… Então, missão encerrada?

– Claro! Depois daquela performance, o Outro casa até amanhã se ela pedir.

– Então está bom.

– O que a gente não faz por uma mulher…

– O que não faz!

– Faz de tudo.

– Ora!

– Até aguentar a si mesmo no passado o cara aguenta.

– Aguenta.

– Até casar a gente casa, seo Nestor.

– É o que eu digo.

– Ora se não casa.

– Ora se.

– Casa mesmo.

– Casa.

– Pois é.

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Ricardo Kelmer 1997 – blogdokelmer.com

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GuiaDeSobrevivenciaCAPA-1cEste conto integra o livro
Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba? Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, as pessoas são surpreendidas por acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmas e deflagram crises tão intensas que viram uma questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses coletivos e pessoais. > Mais

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Bar do Araújo é a salvação

25/05/2015

25mai2015

Espremido entre duas igrejas evangélicas, o Bar do Araújo é a última resistência dos ateus. E do bom humor

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BAR DO ARAÚJO É A SALVAÇÃO

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É na pequena cidade de Jaguaribana, no Sertão Central do Ceará, que está localizado o Bar do Araújo. Espremidinho entre duas igrejas evangélicas, o bar lota quase todos os dias, graças à sua fiel clientela, feita de ateus, agnósticos, livres pensadores e até de religiosos moderados, que se divertem com o inusitado da situação. De passagem pela região, estiquei até a cidade, disposto a ver de perto aquele trio improvável. Mas não dei sorte no horário. Era meio-dia, e tanto as igrejas quanto o bar estavam fechados. Felizmente, consegui falar com os proprietários e alguns frequentadores do bar.

No início, o bar, que existe há sete anos, tinha pouco movimento, mas após a chegada das duas igrejas (no mesmo ano) ele foi fervorosamente adotado pelos ateus e livres-pensadores da cidade, que fizeram do local uma espécie de centro de resistência ateísta na região. A partir daí, o bar converteu-se ao bom humor e a sátira religiosa virou sua marca registrada, o que irritou bastante as igrejas. Entretanto, por contraditório que pareça, os frequentadores não querem que as igrejas saiam. “Os crentes querem expulsar o bar de qualquer jeito, pois pra eles ateu é seguidor do Diabo, mas nós queremos que eles fiquem. Isso aqui é uma bela mensagem de luta contra o fanatismo religioso, que não aceita nada que pense diferente deles”, diz Marcos, um ateu que já foi evangélico da igreja Deus, Eva e Adão no Paraíso. Sua namorada, Carol, uma ex-católica que hoje se define como espiritualista eclética, conta: “Primeiro, achei muito debochadas as piadas que o pessoal do bar faz com religião, mas depois achei muito pior a falta de humor dos meus irmãos de fé, e aí deixei de crer em religião”.

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Jaguaribana-CE

“Se Cristo morreu entre dois ladrões, este bar tá no lugar certo”, defende Rogério, seguidor do Pastafarianismo, que começou a frequentar o bar no dia em que soube que o pastor da Universal foi flagrado subornando um fiscal da prefeitura. Outra frequentadora assídua é Tomásia, que é agnóstica e filha de evangélicos. Ela conta que os pais e a irmã frequentam a Deus É Amor e que uma vez chegaram no culto e, ao saberem que o dízimo mínimo havia aumentado, foram ao bar lhe pedir dinheiro emprestado. A seguir, faz gozação com uma questão interessante: “Minha irmã diz que eu vou pro Inferno, e ela vai pro Céu porque paga o dízimo da igreja. Mas se ajudei a pagar, também posso ir, né?” Sua amiga Íris, que na adolescência frequentou a Congregação Cristã dos Fiéis Vencedores Salvos da Macumba, mas que hoje se diz neopagã, brinca com ela: “Deusa te livre! Se você chegar no Céu dos crentes, vão te barrar só pelo bafo de pinga.”

E o Araújo? Ele é uma entidade que nunca aparece. Na verdade, o bar já se chamava assim quando três irmãs o compraram e mantiveram o nome. Elas são três Marias: Auxiliadora, Madalena e Aparecida, filhas de pais muito católicos, já falecidos. Auxiliadora, a mais velha e ateia, explica que o bar recebe igualmente a todos, sem distinção de crença ou não crença, e que é amiga de vários fieis das igrejas vizinhas, mas faz uma ressalva: “Menos de uns fanáticos aí, que oram todo dia pra Deus mandar um raio bem em cima do bar. Quando eu pergunto se o raio não vai atingir também as igrejas, eles dizem que vai atingir a outra, não a deles.” Madalena é a filha do meio, batizada em homenagem à apedrejada personagem bíblica, mas é umbandista, e é mais conhecida pelo apelido, Madá das Pedras, por ser ela quem prepara a tradicional Sopa de Pedra, servida às terças. E Cida, a caçula, que já frequentou todas as igrejas evangélicas da cidade e não esquentou o banco em nenhuma, diz que adora trabalhar no bar porque os ateus e ateias aceitam sem problemas sua bissexualidade e sua alma livre. Indagada sobre suas crenças, ela responde: “Eu sei que Deus existe, mas Ele detesta religião e fica puto com essas louvações todas. Deus já passou dessa fase.”

As três Marias

As três Marias

O bar é simples e sem sofisticações, mas suas donas primam pelo tratamento criativo e bem-humorado dado aos frequentadores. A casa abre e fecha sempre ao som de trombetas e, obviamente, funciona também em dia santo. Toda noite, antes de fechar, rola uma rodada de Expulsadeira do Éden, cachaça artesanal da região. Após um ano, o cliente ganha a carteirinha de Testemunha de Araújo, que dá direito a pendurar a conta, ou melhor, crucificar a conta, pois ela é literalmente pregada num madeiro em X que fica atrás do balcão. Assim como seus vizinhos, no Bar do Araújo também existe o dízimo, com a diferença que quem cobra é o próprio cliente: toda dose dá direito a uma choradinha dizimal. Quanto aos banheiros, eles não são divididos por gênero masculino ou feminino, mas pela fé de cada um. Na porta de um, “Fé demais”, e na do outro, “Fé de menos”. O segundo é mais usado.

Antes, o bar sofria bastante com os cultos das igrejas, pois a zoadeira espantava os clientes, principalmente em dia de exorcismo. Como o poder público era indiferente à poluição sonora divina, o bar resolveu a questão fazendo shows com a banda de rock Lucy Feryna exatamente na hora dos cultos. A gritaria dos vizinhos combinou tão bem com o som pesado da banda que caravanas de roqueiros chegavam na cidade só para ver os shows. Incomodados, e cientes de que contribuíam para o sucesso da banda, os pastores instalaram isolamento acústico nas igrejas, o que fez os shows perderem a graça. Mas o episódio fez surgir um novo gênero musical, o demogospel metal, e inspirou o surgimento de várias bandas, como a Danação Eterna e a Hordas do Louvor, que se especializaram em fazer shows ao lado de igrejas evangélicas, aproveitando o coro dos cultos.

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Testemunha de Araújo faz manifestação em defesa do bar

Dos três estabelecimentos, apenas o bar paga impostos, pois igrejas são isentas por lei. Alegando desrespeito religioso, ambas as igrejas já tentaram fechar o bar várias vezes, sem êxito. Já tentaram também alugar o espaço, mas estão condenadas à convivência já que o dono do imóvel, que preferiu não ter o nome divulgado, pretende manter os aluguéis do jeito que está. Apesar de serem ambas evangélicas, as igrejas possuem diferenças entre si e são comuns desavenças entre seus fieis. Numa delas, um ano atrás, evangélicos dos dois lados discutiram e atiraram, uns contra os outros, dezenas de garrafas de água milagrosa do rio Jordão. “Foi um pandemônio, era vidro pra todo lado. E os nossos clientes, coitados, no meio do fogo, tiveram que se proteger embaixo das mesas”, conta Auxiliadora, relembrando o caso. Felizmente, ninguém se feriu seriamente, e depois desse dia os pastores passaram a vender a água milagrosa em garrafa de plástico. Desde então não houve mais grandes confusões. “Até agora, este é o único milagre comprovado da água milagrosa”, conclui Madá, a das pedras.

A seguir, uma amostra do cardápio, da programação e das promoções do Bar do Araújo.

CARDÁPIO:

Xis-Gospel (com e sem queijo) – Linguiça do Pastor – Pastel Convertido – Dogão de Salomão (duas salsichas) – Encosto de Moela – Amarradinho de Frango – Exuspetinho (com farofa e vinagrete) – Torresminho de Ateu – Chucrute na Santa – Pecadinho de Fígado – Línguas de Fogo ao Molho Madeira – Encruzilhada de Bode – Fornicadinho de Azeitona e Queijo – Benzidão de Porco na Chapa – Sarapatel da Arrependida – Condenada na Grelha (galinha assada) – Pimenta Braba do Anticristo – Heresia de Peixe com Fritas – Pomba com Ovos Dentro – Rabada da Crente – Arrebatada com Macaxeira – Vodu de Camarão no Palito – Ungido de Vatapá – Buchada Poderosa do Juízo Final – Blasfemo Cozido (tem espinha, cuidado) – Galeto Crucificado com Farofa – Patê de Ateu – Ressuscita Jesus (caldo de mocotó com tripa de surucucu) – Capetinha de Frutas – Vinho de Jurubeba Filhas de Ló – Ponche de Pilatos – Pinga Milagrosa do Rio Jordão – Mexidão do Moisés (com ketchup do Mar Vermelho) – Admoestada com Pepino e Cenoura – Possuída ao Molho Cabidela

PROGRAMAÇÃO:

Segunda do Arrependimento: quanto mais pecado, mais desconto
Terça da Salvação: sopão grátis para expulsos da igreja
Quartafobia: teatro com o grupo Os Ex-ex-gays
Quinta do Descarrego: a quinta cerveja é por conta do Cão
Sexta: show com as bandas Dizimados no Apocalipse e Jericos de Jericó
Sábado: Jesus não paga (mas tem que apresentar documento com foto)
Domingo: show de humor com a dupla Paifilho e Espírito Santo

BarDoAraujoEASalvacao-03PROMOÇÃO: ESTE COPO NÃO TE PERTENCE
Quem bebe no gargalo tem desconto (economia de água na lavagem dos copos)

AVISO SOB O RELÓGIO NA PAREDE:
Que oração? Hora que passa.

AVISO NO CARDÁPIO:
Aqui todos falamos em línguas (enroladas)

INVOCAÇÃO ETÍLICO-DEMONÍACA
(para ler refletido no espelho, à meia-noite)
SÁRBARREF, MIUR ASIOC, OSOHNIT
ZAPAR ORP AGNIP E AÇOM ARP AGNIP

BEBEU DEMAIS E NÃO PODE DIRIGIR?
Disque Arrebatação. Somente mototáxis credenciados.

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RESSUSCITA ARAÚJO
Em frente ao bar e desesperado, Testemunha de Araújo pede milagre

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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ESTA POSTAGEM INTEGRA A SÉRIE REAL PARALELO
Onde ficção e realidade se encontram no infinito
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FALARAM DO BAR DO ARAÚJO PELAÍ

Blog da Socaba (Sagrada Ordem dos Cavaleiros do Bar) – SOCABA Adota a Campanha: Resiste Bar do Araújo
Blog do Tiago Cabral – A verdadeira história do “Bar do Araujo”
Site Paulopes – Foto do Bar do Araújo se torna viral a favor da resistência laica


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Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- kkkk. e depois, o exorcismo é no banheiro!!! Fernando Vasqs, São Paulo-SP – mai2015

02- cada um com sua lombra. Eduardo Freire, Fortaleza-CE – mai2015

03- KKKKKKKKKK. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – mai2015

04- Show de bola ! Carlos Almir, Fortaleza-CE – mai2015

05- Cerveja, deve se quente. HumbertoGirao Filho Girao, Fortaleza-CE – mai2015

06- esse exuspetinho me deu água na boca rsrsrsrsrsrsrsrsrs. Amaury Candido Bezerra, Fortaleza-CE – mai2015

07- Lembra me o livro “As Pelejas de Ojuara” do escritor Ney Leandro de Castro, avô da minha querida amiga Giselle Leandro Fleury! Ojuara (Araujo ao contrário)! O homem que desafiou o Diabo! Cauê Procópio, São Paulo-SP – mai2015

08- Boa Cp! Literalmente!!!!! Giselle Leandro Fleury, Rio de Janeiro-RJ – mai2015

09- Fabiano Souza, olha o cardápio do Herói Araujo rsrsrsrsrsrsrs. Fexx Efexx, São Paulo-SP – mai2015

10- Olha o cardápio e a programação, Ivo Pinto. Oriana Menescal, Fortaleza-CE – mai2015

11- O melhor é seguir o caminho do meio! Alexandre Domene Ortiz, Fortaleza-CE – mai2015

12- Kelmer o texto completo do blog tá sensacional, parabéns… eu já tinha visto a foto, mas com essa crônica acompanhando ficou incrível kkkkk. Christiane Ramos, Fortaleza-CE – mai2015

13- Seo Kelmer, isso é genial. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – mai2015

14- ótimo. Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – mai2015

15- tem que dar muita força pro Araujo. pq igreja da muito mais dinheiro do que um bar. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – mai2015

16- Ricardo Kelmer, meu poeta, achei q era so foto, nao tinha lido o texto. q phueda, crônica-reportagem de primeira. genial, amigo. bjo. Xico Sá, São Paulo-SP – mai2015

17- Procurando socios para montar uma igreja Ja tem o nome “Santa Sacolinha”.. kkkk. Marie Anne Bauer, Fortaleza-CE – mai2015

18- E esse cardápio do inferno tá de comer rezando. Paula Brito, Fortaleza-CE – fev2019

19- Sai um sarrabufado dizimal e uma cerva divinal? Parabéns Kelmer! Excelente o livro inteiro! Obrigado! Guga Cazagrande, Fortaleza-CE – fev2019

20- Bem sortido! Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – fev2019

21- Ponche pilatos. Rhany Costa, Manaus-AM – fev2019

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Um cara que acabou de acordar

12/04/2015

12abr2015

Por isso esse olhar de quem ainda não entendeu… Esse clima de Morfeu, essa preguiça de explicar

UmCaraQueAcabouDeAcordar-02

UM CARA QUE ACABOU DE ACORDAR

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Você quer saber quem eu sou
Pois bem, vou te falar
Eu sou apenas um cara
Que acabou de acordar

Por isso esse olhar
De quem ainda não entendeu
Esse clima de Morfeu
Essa preguiça de explicar
Por isso o gesto lento
Captar a poesia do momento
Antes dela sumir no ar
Eu sou apenas um cara
Que acabou de acordar

Você vai logo notar
O cabelo assanhado
O quarto bagunçado
Qualquer roupa pra usar
Vai perceber rapidinho
Que eu me perco no caminho
Que eu estranho esse lugar
Eu sou apenas um cara
Que acabou de acordar

Não consigo me acostumar
Pra onde vai toda essa gente?
E essa pressa mais demente?
Não, obrigado, eu vou mais devagar
A claridade fere a retina
O ouvido dói com as buzinas
Me coço todo na sujeira desse ar
Nessa loucura quase esqueço de lembrar
Que eu sou apenas um cara
Que acabou de acordar
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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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> Música – Ouça a gravação de um registro dessa música (melodia de Flávia Cavaca, ainda sem todos os instrumentos). Agradecimentos a Rodrigo Larese pela programação de estúdio. Música criada para a trilha sonora do seriado Sonhos Urbanos.

> Mais poemas e músicas

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SeguirABoiadaOuAsPropriasConviccoes-2Seguir a boiada ou as próprias convicções? – Aos poucos podemos, cada um de nós, começar a agir de acordo com as nossas próprias verdades, aquelas que nos fazem sentir mais vivos, úteis e autênticos

A pergunta – Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

A Matrix em cada um de nós – Em busca da realização mais íntima (tornar-se o Predestinado), o ego deve empreender uma longa jornada de autoconhecimento onde não faltarão medos e conflitos para fazê-lo desistir

Pequeno incidente em Hukat – Integrante do Projeto Sapiens de Monitoramento Planetário descobre irregularidades comprometendo a evolução da espécie humana e se envolve em rebelião contra Deus, o psicomputador

Jung – a jornada do autodescobrimento – Vídeo com um resumo da vida e das ideias de Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço criador da teoria do inconsciente coletivo

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Poesia – Poemas e letras de músicas

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DICA DE LIVRO

Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer, ensaio, 2005

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

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UmCaraQueAcabouDeAcordar-02a

 

 


A marmota do ano

26/02/2015

26fev2015

O dia em que Fortaleza aplaudiu um artista que nunca existiu

AMarmotaDoAno-05

A MARMOTA DO ANO

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Oi, recebi teu recado. Tô no orelhão, fala rápido. O quê? Sério? Não, eu não acredito… Quer dizer que atualmente o maior sucesso aí em Fortaleza é um artista japonês que nunca existiu? Não, vocestão de sacanagem comigo. Heim? Os jornais fizeram matéria de capa? O quê?! Entrevistaram o japa?! Não, assim vocês não querem que eu volte…

Yuri Firmeza? É um artista daí? Não sei, acho que não conheço. Ah, foi ele quem inventou o artista japonês. Tá. E acertou com o Centro Cultural Dragão do Mar uma exposição no Museu de Arte Contemporânea? Como se fosse do japa? Putz… Comué, ele criou um passado pro japa? Criou fotos das obras do cara, inventou uma assessoria de imprensa, enviou informações pros jornais? Deu entrevista por e-mail como sendo o japa? Que louco… Tá, mas o que tinha na exposição? Cópias de mensagens de e-mail? Ah, tá, que Yuri trocou com um filósofo, exatamente sobre a ideia da farsa. Ahahah! Sensacional! Isso sim é que é molecagem contemporânea!

Mas por que ele fez isso? Chamar a atenção sobre o quê? A questão da arte, tá. E denunciar a negligência da imprensa com os artistas locais? Hummm, olhassó… Danado esse Yuri, heim? E o público, o que achou? A maioria se manifestou favorável ao artista moleque? Certo. Os leitores do jornal o quê? Ah, criticaram o pedantismo dos jornalistas. Ok. E os jornalistas? Ahn? Apedrejaram o artista? Comassim? Quer dizer que não reconheceram o próprio erro? O quê? O jornalista afirmou que tudo isso era medíocre e que o objetivo do artista foi arranhar a credibilidade e a boa reputação dos jornalistas? Entendi. Peraí que aqui tá passando um caminhão limpa-fossa.

Pronto, já passou. Heim? O jornalista disse que muitos idiotas vão entender a coisa como um alerta sobre a cobertura jornalística da cultura no Ceará? Vixe, e é pra entender o quê? Ops, volta a fitaí, ele disse “idiotas”? Não, ele não disse isso, não é possível. Bem, então muito prazer, eu sou um dos idiotas. Corajoso o jornalista, né? Chamar o artista de medíocre, vá lá, é a opinião dele, apesar de ter um cheirinho de ressentimento. Mas chamar seus próprios leitores de idiotas? Uau! Afinal, o que tá havendo com a minha querida imprensa alencarina? Devem ter botado alguma coisa na bebida desse povo, não é possível.

Como é mesmo o nome do japa? Souzousareta Geijutsuka? Diabo de nome é esse? Quer dizer o quê em japonês? Artista inventado? Não, tu já tá sacaneando. Mas peraí… Nenhum jornalista se deu ao trabalho de pesquisar se esse Zé Sareta existia mesmo? Não tem internet nas redações do Ceará não? Heim? Os jornalistas disseram que o Dragão do Mar perdeu a credibilidade? Pois pra mim, isso que o Dragão fez foi uma benfeitoria pública. É. Afinal, tudo isso serviu pra mostrar que o rei tá pelado e que o pinto do rei é pequeno. Sim, todo mundo sabia. Menos o rei.

O papo tá bom, mas os créditos tão acabando, vamo ter que encerrar. Mas antes manda um recado aí pra turma. Diz que eu voto nessa história pro acontecimento jornalístico de 2006. Claro. A marmota do ano. De uma lapada só fez a cidade inteira discutir arte, lógica de mercado, subserviência cultural ao que vem de fora, o papel da imprensa e sua credibilidade, a postura dos jornalistas… Ah, é, e também serviu pra mostrar como são idiotas os tais leitores do jornal. Eu principalmente, que leio todo dia.

Olhassó, esse Yuri devia fazer uma estátua. Dele não, do Zé Sareta. Isso, no Dragão do Mar. O Ceará não é a terra da molecagem? Não foi Fortaleza quem uma vez vaiou o sol na Praça do Ferreira? Então. Uma estátua do japa lendo jornal. Pra gente nunca mais esquecer do dia em que Fortaleza aplaudiu um artista que nunca existiu.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica. A imagem que ilustra o texto é uma montagem feita a partir de trabalhos de Yuri Firmeza.

> A crônica A Marmota do Ano foi publicada em minha coluna Kelméricas, no site do jornal O Povo (Fortaleza), dez dias após a abertura da exposição de Yuri Firmeza. O texto a seguir, Quem Aprendeu, Aprendeu, foi publicado em meu site pessoal no mesmo ano, 2006. Minha defesa do artista e do Centro Cultural Dragão do Mar, junto às minhas críticas ao comportamento da imprensa, infelizmente não foram bem recebidas por alguns colegas jornalistas e me renderam antipatias. Fazer o quê?

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AMarmotaDoAno-05aQUEM APRENDEU, APRENDEU
Ricardo Kelmer, 2006

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Minha crônica A Marmota do Ano é um deboche, evidentemente, mas ela pretendeu também chamar a atenção para um fato que é tão absurdo que parece mentira, para que o leitor reflita sobre esse acontecimento riquíssimo de implicações artísticas, jornalísticas e sociais, e tire suas próprias conclusões.

É interessante notar que num primeiro momento, após a descoberta da farsa, o jornal O Povo, em seu editorial, chama o artista de “frustrado”, “recalcado” e “rancoroso” e a sua atitude de “mesquinha” e “irresponsável”. E chama de “deplorável” o comportamento do Centro Dragão do Mar por ser conivente com a proposta do artista. No único momento de mea culpa, o editorial do O Povo admite que não custava nada checar na internet informações sobre o artista japonês. Mea culpa? Hummm, nem tanto. Na verdade, era só um trampolim estilístico para a frase final que insinua que o Dragão não tem mais credibilidade.

Infelizmente, o editorial esqueceu de comentar que um dos objetivos da pegadinha era justamente denunciar a subserviência da mídia ao que vem de fora e seu descaso com os artistas locais. Mas, pensando bem, seria reforçar ainda mais o ridiculamente óbvio: a subserviência está estampada, em manchete, no espaço cedido ao forasteiro famoso… que jamais existiu. E quanto ao descaso, bem, se existia descaso, agora os artistas não têm mais do que reclamar. Ganharam até editorial!

Mas não sejamos injustos. Na última matéria, O Povo resume toda a marmota, informando corretamente, deixando o ressentimento de lado e atendo-se aos fatos. E no mesmo dia, no site, disponibiliza o fórum para que seus leitores se manifestem. E eles se manifestam: a imensa maioria aplaude o artista e critica duramente as atitudes do jornal e dos jornalistas, como se fosse um grito de inconformismo, guardado por muito tempo, contra a postura dos meios de comunicação e o pedantismo de seus profissionais. E, dez dias após o início do caso, o portal Noolhar, que é ligado ao jornal O Povo, publica minha crônica A Marmota do Ano, provando que, assim como o jornal, o site também entende o valor da multiplicidade de opiniões num veículo democrático. Ponto para o jornal e para o portal.

Há uma outra questão envolvida: a coragem do artista. Imagine se algum jornalista, antes de escrever sua matéria, resolve investigar algo sobre Souzousareta. Ou imagine se os planos de Yuri vazam por descuido ou delação de alguns dos envolvidos. A farsa fatalmente seria descoberta, os jornalistas se livrariam do ridículo e automaticamente o repassariam a Yuri Firmeza. O artista seria desmascarado e, certamente, criticado e ridicularizado pela imprensa e até por artistas. Talvez virasse persona non grata das redações (bem, talvez já o seja…). Seu esforço teria sido em vão. O público possivelmente não o apoiaria como agora faz. É, o artista foi muito corajoso. E assumiu um risco enorme, que quase ninguém ousaria assumir. Você assumiria?

Trabalho com comunicação e escrevo para jornais e sites. Como profissional da notícia, o episódio me deixou constrangido. Infelizmente estamos sujeitos a pegadinhas como essa. Mas, nesse caso, apoio o artista e o Centro Dragão do Mar. Eles foram muito úteis à sociedade e à imprensa. O que Yuri Firmeza fez, admitamos, foi genial, e, mesmo constrangendo a nós que fazemos jornalismo, nos ensinou coisas muito importantes. Quem aprendeu, aprendeu.

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AMarmotaDoAno-05a

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CRONOLOGIA DA MARMOTA

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09.01.06 – Desconstruindo a arte
(jornal O Povo-CE)

Chamada para a exposição de Souzousareta Geijutsuka

10.01.06 – Arte, natureza e tecnologia (jornal Diário do Nordeste-CE)
Entrevista com o artista japonês e imagens de suas obras

11.01.06 – Pegadinha contemporânea de artista cearense (jornal O Povo-CE)
Notícia da farsa. Informação apenas, sem paixões

11.01.06 – Arte e molecagem (jornal O Povo-CE)
O jornalista ataca e desmerece o artista e critica o museu

11.01.06 – Exposição factóide compromete Instituto Dragão do Mar (jornal Diário do Nordeste-CE)
Notícia da farsa. O jornal tenta descredibilizar o Centro Dragão do Mar

12.01.06 – Provocação infeliz (jornal O Povo-CE)
O editorial do jornal O Povo ataca o artista, critica o Dragão do Mar e faz um meia-mea-culpa

12.01.06 – A arte do absurdo (jornal O Povo-CE)
Resumo do fato. O jornal informa sem julgar

12.01.06 – A arte no jornalismo (jornal O Povo-CE)
A editoria do Vida & Arte se manifesta. Nem contra nem a favor

13.01.06 – Fórum do leitor (portal Noolhar-CE)
O site do jornal abre espaço para que os leitores se manifestem, e a grande maioria apoia o artista e critica o jornal. Ponto para o jornal

17.01.06 – A arte inventada (jornal O Estado de São Paulo-SP – site Observatório da Imprensa)
A notícia corre o mundo

20.01.06 – A marmota do ano (portal Noolhar)
O site do jornal O Povo publica a crônica de Ricardo Kelmer (em sua coluna Kelméricas), onde ele critica a posição do jornal e dos jornalistas e apoia o artista e o Dragão do Mar. Ponto para o jornal

23.01.06 – A cilada do artista invasor (jornal O Globo-RJ)
O jornal carioca publica matéria de capa e página inteira. Dá voz ao artista, ao diretor do museu mas não ouve os jornalistas envolvidos

Comentários dos leitores (site pessoal do escritor Ricardo Kelmer)
Leitores comentam. Comentários também de pessoas e instituições envolvidas, como Yuri Firmeza, Centro Dragão do Mar e o jornalista Felipe Araújo, do jornal O Povo

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AMarmotaDoAno-05a

REPRODUÇÃO DAS MATÉRIAS

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CAPÍTULO 1

O jornal anuncia a exposição

O jornal O Povo publica, em seu caderno cultural, uma chamada para a abertura da exposição de Souzousareta Geijutsuka no dia seguinte. Provavelmente, o repórter copiou as informações diretamente do material de divulgação distribuído pelo MAC – Museu de Arte Contemporânea, um recurso muito comum em redações de jornal, preenchendo o resto com algumas considerações próprias. Vale registrar que.
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MIDIAJornalOPovoLogo-01.
Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
09.01.06 – Matéria sem assinatura

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DESCONSTRUINDO A ARTE

Imagine uma exposição onde as obras são flores e vegetais carbonizados e que isso representasse o equilíbrio entre a vida e a morte. Ficou difícil? Pode até ser, mas ousado como é o artista plástico japonês Souzousareta Geijutsuka, não se intimida como estranho. Tudo, alías, é bem moderno, ao olhos de sua arte. Usar e abusar da tecnologia e da ciência é sua marca, e transformar o que – nem de longe – parece arte, em arte, se tornou uma característica. Souzousareta chega a Fortaleza hoje, às 22h, para apresentar sua mais recente mostra intitulada Geijitsu Kakuu, que acontece dentro do projeto Artista Invasor, do Museu de Arte Comtemporânea do Ceará.

A exposição de Souzousareta busca a harmonia entre a natureza que nasce e morre, empregando equipamentos tecnológicos, para abordar a discussão em torno da fragilidade da vida e suas conseqüentes contradições. O artista conquistou fama mundo afora, exatamente por elencar assuntos tão distintos, como: arte, ciência e tecnologia em suas exposições. Souzousareta desenvolve pesquisas na Eletrônica e Telecomunicações, isso aliado aos conceitos de tempo real, simultaneidade, supressão de espaço e imaterialidade. O uso de objetos e tecnologias tão ousadas são influências da “desmaterialização” dos anos 60/70. “Esse fenômeno, com abandono do “objeto de arte” por muitos artistas, deu lugar a uma variedade e uma multiplicação de usos mediáticos”, explica.

De acordo com o artista, a arte eletrônica, apesar de não ter o reconhecimento e respeito dos historiadores de arte, é uma questão capital. “Freqüentemente contestada, seu endereçamento, entretanto, insere-se em nosso destino de participantes de uma época da história em que a tecnologia tornou-se parte de todos os atos da nossa vida. Acredito em sua importância humanizadora”. Seja como for, a arte de Souzousareta faz um paralelo entre o novo, o velho e o que está por vir. Ele desconstrói para, mais tarde, reconstruir de acordo com sua interpretação.

SERVIÇO: Artista Invasor – Souzousarta Geijutsuka apresenta a mostra Geijitsu Kakuu, a partir de 10 de janeiro, no Museu de Arte Contemporânea do Ceará, no CDMAC. Visitação de terça-feira a domingo, das 14h às 22h. Ingressos: R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (meia). Informações: 3488.8622.

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CAPÍTULO 2
A entrevista – Ô japonezinho pra falar…

O jornal Diário do Nordeste, além de divulgar a exposição, destaca um repórter para entrevistar o artista japonês. Como Souzousareta ainda não está em Fortaleza, a entrevista acontece por e-mail, com tradução de sua assessoria de imprensa (papel exercido no processo pela namorada de Yuri). Nas respostas do artista, podemos perceber várias pistas sobre a farsa. A matéria é ilustrada com imagens de suas obras, na verdade fotos simplórias feitas por Yuri, sendo uma de uma paisagem praiana, editada para parecer arte abstrata, e outra de um gato de rua, como se fosse cena de um videoarte.

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MIDIAJornalDiarioDoNordesteLogo-01.
Reprodução – Jornal Diário do Nordeste (CE), Caderno 3
12.01.06 – Matéria de Dawlton Moura

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SOUZOUSARETA
Arte, natureza e tecnologia

Espaço aberto para a arte eletrônica. O Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar, abriga a partir de hoje, dentro do programa “Artista Invasor”, trabalhos do japonês Souzousareta Geijutsuka, reunidos na exposição ´Geijitsu Kakuu´. O olhar de um experimentador de linguagens atuais e novas tecnologias sobre fenômenos da natureza

Esta é a quarta vez em que Souzousareta, considerado um dos nomes mais importantes quanto à interface entre arte contemporânea, ciência e novas tecnologias, participa de eventos no Brasil. O sofisticado equilíbrio entre vida e morte na natureza é o fio temático de sua exposição “Geijitsu Kakuu”, em que flores e vegetais são revisitadas por meio de objetos carbonizados, em um convite a reflexões sensoriais sobre a fragilidade da vida.

Os trabalhos de Souzousareta, que entre outras cidades já expôs em Tóquio, Nova York, Berlim e São Paulo, incluem parcerias com cientistas e engenheiros, em pesquisas sobre eletrônica e telecomunicações. Entre os conceitos contemplados, estão os de operação em tempo real, simultaneidade, supressão do espaço e imaterialidade. A robótica é outra área explorada, em diálogo com esculturas e instalações ambientais. Ele também é responsável pelo desenvolvimento de uma nova técnica fotográfica, batizada “Shiitake”, que busca apreender fenômenos invisíveis ocorridos na atmosfera.

O pintor e escultor francês Marcel Duchamp (1887-1968) é citado por Souzousareta como uma de suas grandes influências, quanto à chamada “arte eletrônica”. Para o artista japonês, a arte eletrônica adquire uma importância fundamental, a partir do momento em que a tecnologia está presente em cada momento de nossas vidas – do mais banal, ao mais grandioso. Apesar disso, Souzousareta considera que as linguagens artísticas eletrônicas ainda são marginalizadas pela concepção mais tradicional de “história da arte”.

Em entrevista via e-mail ao Caderno 3, Souzousareta aborda esses e outros temas, criticando a acomodação do público e dos críticos, falando das influências que vem recebendo em sua descoberta do Brasil e apostando que a intensidade de uma proposta artística sempre será mais importante que os meios empregados para realizá-la. Confira:

Caderno 3 – Esta é a quarta vez que trabalhos seus são expostos em eventos no Brasil. Que importância esse contato com o País tem para o seu trabalho?

INFOGRAVURA DE Souzousareta, para quem “os historiadores da arte são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem”

INFOGRAVURA DE Souzousareta, para quem “os historiadores da arte são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem”

Souzousareta GeijutsukaAcabo de chegar ao País. Tenho aprendido muito sobre a cultura brasileiras em livros e vídeos aos quais tenho acesso no Japão. Inclusive, acabo de ler um livro e ver um filme fabulosos feitos no Brasil. “O povo brasileiro”, do (Darcy) Ribeiro, me parece ser esse o nome correto, e “Deus e o diabo na terra do sol”, do já conhecido Glauber Rocha. Até acredito que esses dois trabalhos me influenciaram de alguma maneira na preparação de minha exposição no Brasil. É claro que minha estadia aqui vai intensificar muito a influência dos elementos de brasilidade sobre o meu trabalho. Inclusive essa é uma constante em meu trabalho: a inclusão de elementos locais agenciados aos procedimentos eletrônicos.

Caderno 3 – Que resposta vem obtendo do público e das instituições de arte brasileiras?

SouzousaretaMuito pequena, como deve ser o caso da maioria dos artistas contemporâneos, pelo menos aqueles que ainda resistem a uma total subordinação dos procedimentos e problemas estéticos aos imperativos de cosumo. Não só no Brasil, mas me parece que em vários países desenvolvidos, as atividades da cultura precisam apresentar relevância mercadológica para encontrar linhas abertas de financiamento e incentivo. Acontece o mesmo com o público, sobretudo com a arte eletrônica. Precisamos estar o tempo todo brigando com nossa própria produção para não deixar que os clichês tomem conta de tudo. E é esse o problema, o público, em geral, adora clichês. Espero encontrar coisa diferente no Brasil.

Caderno 3 – Em que estágio o Brasil pode ser situado, dentro do contexto mundial da chamada ´arte tecnológica”?

SouzousaretaO Brasil ocupou um lugar de destaque no cenário artístico mundial durante os anos 60 e 70: Lígia Clark, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, de que já falamos, e outros. Mas acho que esse foi um momento de vitalidade estética em quase todo o mundo. Também no Japão tivemos reações importantes aos valores da civilização moderna através da arte. Pnesemos em Nam June Paik, por exemplo. Não sei em que pé estão as artes plásticas brasileiras nesse momento, nem mesmo a arte eletrônica. Temos o privilégio de poder contar, no Japão, com um parque tecnológico bastante desenvolvido e aberto; não sei se esse é o caso do Brasil. A dificuldade de acesso de uma sociedade à tecnologia implicará em dificuldades para o florescimento de uma boa arte tecnológica. Mas o Brasil conta com tantas ferramentas expressivas, que não vai ter problemas.

Caderno 3 – Falando nisso, que definição de ´arte tecnológica” é possível? De que modo esse conceito – que, você cita, vem desde Marcel Duchamp – se aplica aos dias de hoje?

SouzousaretaPode ser definida como arte tecnológica toda operação estética que conta com suportes tecnológicos do tipo computadores, sintetizadores, softwares dos mais variados para produzir campo de percepção e sensação. Nesse sentido, é óbvio que o que interessa não são os suportes materiais, que podem ser extremamente desenvolvidos e potentes, mas os agenciamentos em que entram, que também têm que ser poderosos. O que continua valendo hoje na arte, como há três mil anos atrás, é a intensidade que passa pela obra, e não a obra como representação de alguma coisa.

Caderno 3 – Há ainda uma forte resistência do público a esse tipo de arte, em formas não-convencionais, ou já é mais fácil aproximar a arte eletrônica do público em geral?

SouzousaretaO público sempre resiste ao que não é convencional. Por isso a arte necessita tanto do marketing nos dias de hoje.

Caderno 3 – Você já declarou que os “historiadores de arte” ainda vêem com reservas a arte tecnológica. Há possibilidades de se reverter esse quadro? Em que prazo?

SouzousaretaNormalmente os historiadores da arte, assim como os historiadores da filosofia, são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem.

Caderno 3 – Que diálogos são possíveis entre a arte eletrônica, que se vale das novas tecnologias, e as formas clássicas/convencionais de arte?

SouzousaretaTodas as conexões são possíveis, desde que o teu “problema próprio” necessite dessa ou daquela operação que pertence a um outro período da história da arte. Por exemplo, num certo momento, o encontro com as tradições milenares do Japão me foi necessário, como forma de explorar determinado problema a respeito do medo existente na cultura japonesa, e incrustado nos hábitos mais elementares. Foi só por isso que cruzei arte eletrônica com cultura milenar. Num outro projeto, essa referência à tradição não seria necessária.

Caderno 3 – Você falou da arte tecnológica como uma possibilidade de humanização, dentro de todo o universo tecnológico-informativo em que estamos cada vez mais imersos. Isso não vai de encontro ao velho receio de um “totalitarismo tecnológico”? De que modo a arte pode contribuir para “humanizar” a tecnologia?

YuriFirmezaSouzousaretaGeijutsuka-02

CENA DE VÍDEO do artista japonês Souzousareta Geijutsuka: “O que continua valendo na arte é a intensidade que passa pela obra”

SouzousaretaSe falei em humanização anteriormente, estava equivocado. O humanismo não tem nenhum problema de conviver com os piores tipos de atrocidades. Não é verdade que os direitos humanos criem algum tipo de constrangimento ao crescimento vertiginoso da pobreza e da angústia em parcelas importantes da população global. Humanismo e capitalismo selvagem fazem parte de uma mesma máquina. É preciso perguntar como a arte tecnológica, mas não só, pode mudar os usos que são feitos.

Caderno 3 – A arte tecnológica não correria também o perigo de se ater a limites do consumo (o mercado de novas tecnologias, produtos eletro-eletrônicos, computadores, sintetizadores, projetores)?

SouzousaretaSem dúvida!

Caderno 3 – Seria possível sintetizar o conceito e o objetivo da exposição “Geijitsu Kakuu”, que será mostrada aqui em Fortaleza? De que modo trabalha o contraste entre vida e morte, natureza e tecnologia?

SouzousaretaEssa exposição tem várias facetas, justamente para poder lidar com vários problemas. Tudo está integrado a um exercício do simulacro, cujo objetivo é retirar os hábitos de seu estado de evidência. Inclusive hábitos estéticos, do tipo “Por que gostamos de arte?”. É preciso ver a exposição. (DM)

SERVIÇO: “Geijitsu Kakuu”, exposição de Souzousareta Geijutsuka. Abertura hoje, no Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar. De terça a domingo, das 14h às 22h. Ingressos: R$ 2,00 e R$ 1,00 (meia). Info.: 3488-8622.

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CAPÍTULO 3
O Povo anuncia a farsa

O jornal O Povo noticia a farsa, no mesmo caderno da chamada do dia anterior, num texto meramente informativo, sem considerações, nem paixões. O jornal, porém, refere-se ao trabalho de Yuri usando aspas: “trabalho artístico”. No mesmo dia, publica também contundente artigo do jornalista Felipe Araújo.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
11.01.06 – Matéria sem assinatura

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EXPOSIÇÃO
Pegadinha contemporânea de artista cearense

A exposição Geijitsu Kakuu, que conforme matérias divulgadas ontem na imprensa local – inclusive no Vida & Arte, do O POVO – seria aberta no Museu de Arte Contemporânea (MAC) do Centro Dragão do Mar, não existe. A mostra fictícia, que seria de autoria de um artista plástico japonês, é na verdade uma criação do artista contemporâneo cearense Yuri Firmeza.

Na semana passada, Firmeza – com a conivência do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – divulgou para os jornais locais um press-release contendo informações sobre a suposta mostra e o currículo do artista japonês. Como parte de seu ”trabalho artístico”, Firmeza criou uma assessoria de imprensa também fictícia, que entrou em contato com as redações por telefone para reforçar a divulgação do material. Procurado, também na semana passada, pelo O POVO, em duas ocasiões, o Centro Dragão do Mar confirmou a realização da exposição no MAC.

Ontem, quando a farsa foi revelada para a imprensa, Yuri Firmeza explicou que a intenção da iniciativa foi ”pensar o que move o campo da arte, refletir o museu, a galeria, o jornal como meio de sedução”. Já o diretor do MAC, Ricardo Resende, afirmou não acreditar que o episódio fere a credibilidade do Centro Dragão do Mar. Segundo ele – que confirmou que a direção do Centro tinha ciência da divulgação das falsas informações – é papel do Museu dar condições para a criatividade dos artistas locais.

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CAPÍTULO 4
O jornalista não gostou da brincadeira

O jornalista Felipe Araújo, do jornal O Povo, ataca Yuri Firmeza, desmerece seu trabalho e critica o Centro Dragão do Mar. O artigo diz que são idiotas os leitores que concordam com o artista, em sua crítica à cobertura jornalística da cultura.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), seção Opinião
11.01.06 – Matéria de Felipe Araújo

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ARTIGO
Arte e molecagem

A recente molecagem do artista plástico Yuri Firmeza, que inventou o pseudônimo de Souzousareta Geijutsuka e divulgou para a imprensa local seu (dele, Souzousareta) brilhante currículo de exposições no exterior como forma de conseguir espaço na mídia, revelou alguns traços do espírito da arte contemporânea em Fortaleza. Com algumas caras exceções, uma arte pobre, recalcada e alienada, feita por moleques que confundem discurso (ou melhor, as facilidades conceituais de um discurso) com pichação; que acham que estão sendo corajosos quando não fazem mais do que espernear e gritar por uma mesadinha ou por uma berlinda oficial. Nelson Rodrigues é que estava certo: os idiotas perderam a modéstia.

Não há nenhuma novidade na invenção de pseudônimos como forma de afirmar determinados discursos artísticos. Yuri, aliás, tem todo o direito do mundo de fazer a brincadeira ou a provocação que quiser. Como ”artista contemporâneo”, sua provável falta de domínio sobre certos procedimentos criativos e o discurso esquálido naturalmente ampliam seu horizonte de atuação estética às raias da falsidade ideológica. O que estranha é o fato de a presidência do Dragão do Mar – principal centro cultural da Cidade – e a direção do Museu de Arte Contemporânea chancelarem uma irresponsabilidade desse tamanho.

A título de ”denúncia” sobre uma suposta negligência da imprensa com a produção local, Yuri tentou arranhar a credibilidade e a boa reputação de alguns profissionais. É fato que, demagogicamente, vai arregimentar a simpatia de uma classe artística boçal que (feitas as devidas exceções) projeta na imprensa a frustração de seu próprio fastio criativo. E é fato também que muitos idiotas vão entender esse gesto como um alerta oportuno sobre a cobertura jornalística da cultura em nosso Estado. A imprensa tem seus problemas e deve permanentemente questionar e ser questionada sobre sua responsabilidade com as artes e a cultura. Mas o que se viu nesse episódio foi apenas a face mais evidente da mediocridade.

O pecado dos jornalistas envolvidos no episódio talvez tenha sido o de acreditar na boa fé e no respeito que sempre pautou a relação entre as redações e o Dragão do Mar. E acreditar na reputação do Dragão como um centro que, através do MAC, quer promover exposições e discussões procedentes sobre a arte contemporânea. Não somente a credibilidade do Centro junto à imprensa, mas a própria credibilidade do Dragão junto à opinião pública estão gravemente arranhadas a partir de agora. Afinal, quem iria a uma exposição de Souzousareta sabendo que se trata de uma exposição de Yuri Firmeza?

FELIPE ARAÚJO é repórter especial do O POVO

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CAPÍTULO 5
O Diário do Nordeste anuncia a farsa

O jornal Diário do Nordeste noticia a farsa. O tom geral da matéria é de contenção, mas o texto tenta descredibilizar o Centro Dragão do Mar já a partir do título, sustenta que o episódio compromete sua credibilidade junto à imprensa e a sociedade e afirma ser bastante obscura a compreensão do trabalho de Yuri Firmeza. Ao contrário do jornal concorrente, o Diário do Nordeste não abordará mais o fato, limitando-se a esta pequena matéria. Agindo assim, o jornal perde ótima oportunidade de explorar um tema tão rico, ainda que tivesse de expor sua constrangedora participação no episódio.
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MIDIAJornalDiarioDoNordesteLogo-01.
Reprodução – Jornal Diário do Nordeste (CE)
11.01.06 – Matéria sem assinatura

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GEIJITSU KAKUU
Exposição factóide compromete Instituto Dragão do Mar

Quem compareceu à abertura da exposição “Geijitsu Kakuu”, ontem, no Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar, se surpreendeu. Atribuída ao artista plástico japonês Souzousareta Geijutsuka a exposição não foi apresentada em nenhuma das salas da instituição. Também pudera: numa atitude inusitada, após a divulgação na mídia, a exposição não existia, isto porque seu autor simplesmente não existe.

Portanto, o que poderia ter passado como um atraso ou outra falha no processo de montagem da exposição, acabaria se revelando, na verdade, uma grande farsa engendrada pelo artista plástico Yuri Firmeza, em total concordância com o Museu de Arte Contemporânea e a direção do Centro Dragão do Mar. Assumindo a divulgação do evento, bem como a identidade fictícia do artista e de suas presumíveis obras (sacadas da internet), o artista e a instituição (Museu/Dragão do Mar) acabaram colocando em xeque ou até mesmo comprometendo o vínculo de credibilidade estabelecido junto aos veículos de comunicação e a sociedade cearense.

Na sala prevista para a montagem, o que se via era uma placa descrevendo: “exposição em desmontagem”. Em uma das paredes, um texto assinado pelo Diretor do Museu de Arte Contemporânea, Ricardo Resende, fazia alusão a um projeto artístico conceitual “que foge do puramente contemplativo e exige do público a reflexão sobre o que se vê ou o quê não se vê”. Em outro momento, o texto sugere que estamos diante de um “jovem artista que lida com a ‘ficção’ de se fazer arte na atualidade”, sem fazer qualquer menção a exatamente que arte estaria se referindo.

Na verdade, o texto de Ricardo Resende estará inserido entre uma série de reproduções de e-mails trocados entre o artista plástico e o sociólogo Tiago Themudo, discorrendo sobre os conceitos ocultos por trás da sua empreitada criativa, cuja compreensão o próprio artista deixa bastante obscura. Citando referências teóricas de artistas plásticos como Hans Jacke, Michel Duchamp e Alfredo Jaar, ele considera que sua obra é ele mesmo enquanto artista.

“Meu objetivo não é constranger o público, aliás, o público é uma das peças dessa engrenagem”, provoca. Yuri considera que sua “obra” discute questões como o sistema e a crítica da arte, a mídia e o papel dos espaços criativos.

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CAPÍTULO 6
A voz oficial do O Povo

Em editorial, o jornal O Povo ataca o artista, chamando-o de frustrado, recalcado e rancoroso, e diz ser mesquinho e irresponsável o que ele fez. O texto também critica fortemente o Centro Dragão do Mar, cita um caso parecido envolvendo a revista Veja e (finalmente) joga uma parcela da responsabilidade para os próprios jornalistas.
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Reprodução – Editorial do jornal O Povo (CE)
12.01.06 – Matéria sem assinatura

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EDITORIAL
Provocação infeliz

Estarrecedor é o diretor Ricardo Resende dizer que a direção do Dragão do Mar tinha conhecimento da divulgação das falsas informações e, o que é pior, achar que é papel do Museu dar condições para a criatividade dos artistas locais. Um estranho conceito de criatividade

Os meios jornalísticos e culturais de Fortaleza foram sacudidos ontem por um estranho e constrangedor episódio: a exposição de um artista plástico japonês, cuja abertura fora anunciada pela imprensa para terça-feira, no Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar, não se realizou porque o personagem principal, o autor dos trabalhos, simplesmente não existia.

Era fictício, ou virtual, para usar palavra da moda, criado pelo artista plástico Yuri Firmeza, que utilizou um factóide para provocar a imprensa. Uma forma de denunciar a ”negligência dos meios de comunicação locais com a produção artística da terra”. O próprio Dragão do Mar divulgou a mostra.

O caso merece reflexões e, de uma forma infeliz, servirá de advertência para a imprensa para evitar futuras aventuras irresponsáveis e, também, de parâmetro no relacionamento com entidades e produtores culturais.

O sr. Yuri Firmeza extravasou suas frustrações e recalques na mídia. Mas foi longe demais em suas elucubrações. Precisava usar de artifício tão mesquinho e irresponsável para divulgar seu trabalho e seu protesto? Mas ele tem liberdade para exercitar a sua “criatividade”. Não entramos nesse mérito.

Deplorável nisto tudo é o comprometimento do nome de uma instituição do porte do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, através do Museu de Arte Contemporânea. São estranhas as declarações do diretor do MAC, Ricardo Resende, publicadas na edição do O POVO de quarta-feira (Cotidiano, página 5), sobre o caso do artista plástico fictício. Para ele, o lamentável episódio não fere a credibilidade do Centro Dragão do Mar. Mas Resende esquece o seguinte: o caso fere o que um jornal tem de mais precioso: a credibilidade, a confiança dos leitores.

Estarrecedor é o diretor Ricardo Resende dizer que a direção do Dragão do Mar tinha conhecimento da divulgação das falsas informações e, o que é pior, achar que é papel do Museu dar condições para a criatividade dos artistas locais. Um estranho conceito de criatividade.

O próprio site oficial do Centro Dragão do Mar assume a travessura de Firmeza quando diz, ao divulgar o Projeto Artista Invasor, no Chá com Porradas: ”Yuri buscou repensar a arte contemporânea através da interferência na rede que constrói sua credibilidade, formada por museus, curadores, galerias e veículos de comunicação. A concretização dessa idéia se deu através da construção de um artista japonês fictício, Sousouzareta Geijutsuka”.

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, inaugurado em abril de 1999, é uma instituição respeitada dentro e fora do Ceará. A participação da entidade em devaneios de um artista rancoroso e irresponsável compromete um nome construído ao longo de quase sete anos de trabalho eficaz.

Embora não sirva de consolo, a imprensa cearense não é pioneira nesse tipo de episódio. Em 1983, a revista Veja, em sua edição de 27 de abril, reproduziu uma brincadeira de revista britânica New Science, feita para o Dia da Mentira, que divulgara estranha descoberta científica, fruto da fusão em laboratório de células vegetais e animais, isto é, de boi com tomate, o ”boimate”.

A tal conquista, feita na universidade alemã de Hamburgo, era atribuída aos biólogos Barry MacDonald e William Wimpey. A matéria da Veja louvava a experiência inédita que “permite sonhar com um tomate do qual já se colhe algo parecido com um filé ao molho de tomate. E se abre uma nova fronteira científica”. A New Science dava pistas: Hamburgo, MacDonald, Wimpey (outro nome de rede de lanchonetes)… Mas a revista brasileira embarcou na história.

É preciso reconhecer que a imprensa cearense também não sai ilesa do caso do japonês fictício. Em plena era da Internet, com sites de busca tão precisos, não custava nada uma checagem em torno do nome divulgado. Apenas a credibilidade no Dragão do Mar não era suficiente. Que sirva de lição.

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CAPÍTULO 7
O Povo resume o fato, atendo-se aos fatos

O jornal O Povo publica um resumo dos fatos, num ótimo texto informativo, sem análises ou julgamentos. Para o leitor, tudo fica mais claro a partir das falas do artista, de seu amigo filósofo e do diretor do museu.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
12.01.06 – Matéria sem assinatura

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POLÊMICA
A arte do absurdo

Divulgada pelo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, a exposição Geijitsu Kakuu e seu autor japonês Souzousareta Geijutsuka, na verdade, não existem. Tudo não passa de um “artista fictício” inventado pelo cearense Yuri Firmeza

Por essa, poucos esperavam. Uma exposição de arte contemporânea anunciada pela imprensa local era peça de ficção e seu autor, inexistente. Afinal de contas, quem iria de prontidão pôr em cheque a existência de um “renomado” artista plástico japonês, que viria ao Museu de Arte Contemporânea (MAC) do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – entidade-referência nas arte no Estado – para montar uma exposição sobre arte e tecnologia? Mas tanto a mostra Geijitsu Kakuu quanto o artista japonês Souzousareta Geijutsuka não passavam de um simulacro que ganhou um breve status de realidade. Após a veiculação de matérias de destaque nos principais jornais da cidade, o segredo é revelado: a tal exposição e o tal artista nada mais eram que invenções do artista plástico cearense (esse sim, real!) Yuri Firmeza.

Yuri não chega a definir o suposto artista japonês como pseudônimo nem como personagem. “Ambos são o meu trabalho, que basicamente procura questionar as regras do jogo que movem o campo da arte contemporânea”, explica. Yuri acrescenta que a tradução de Souzousareta Geijutsuka, do japonês para o português, significa ‘artista inventado’ e o nome da exposição Geijitsu Kakuu traduz-se por ‘arte e ficção’. “Na verdade, não se trata de uma crítica à arte contemporânea em geral, mas sim de revelar nas entrelinhas como se estrutura o sistema que vai desde museus, galerias e bienais até curadores, críticos de arte e imprensa. Esses elementos acabam legitimando a arte de tal forma, que para se criar um artista hoje não se leva mais em conta apenas o estético, mas sobretudo fatores mercadológicos. Boa parte da produção contemporânea se submete a isso”, afirma.

Segundo Yuri, a divulgação da exposição fictícia nos jornais foi uma das peças fundamentais para que seu trabalho desse certo. “Se não tivesse sido publicado no jornal, não conseguiria trazer à tona toda essa discussão. O trabalho corria riscos desde o início, porque era preciso publicar essa exposição como se fosse real na mídia. O jornal acaba sendo um meio de espetacularização da arte”, explica. O artista cearense apóia-se nas teorias do filósofo e sociólogo Pierre Bourdieu para argumentar que o jornalismo tem poder de sedução do público de massa. “Em Livre-Troca, Bourdieu diz que cinco minutos de jornal vale mais do que uma palestra de cinco mil pessoas. Todas as instituições querem visibilidade na mídia. A arte perde a autonomia e se rende ao capital”, afirma.

No entanto, para questionar tal visibilidade, era preciso fazer uso da mesma. Yuri chegou até a criar uma assessoria de imprensa – independente do Centro Dragão do Mar – com o intuito de tornar crível a divulgação da exposição aos meios de comunicação. Primeiro, escreveu um atraente press-release sobre a suposta exposição e o currículo do tal artista japonês, reafirmando sua importância no “panorama das relações entre arte, ciência e tecnologia”. Em anexo, foram enviadas algumas fotografias, que nada mais eram que imagens caseiras feitas por Yuri, manipuladas no photoshop. Depois, usando o codinome de uma assessora fictícia batizada de “Ana Monteja”, o próprio Yuri mandou o material à imprensa por e-mail. Já a assessoria do Centro Dragão do Mar divulgou o evento como se fosse uma exposição normal, sem qualquer conhecimento prévio de que tal exposição não existia. Yuri acrescenta que seu trabalho de “conotação política” não tem a intenção de denegrir qualquer jornal ou museu específicos, mas defende que “nenhuma instituição pode interferir na liberdade de criação do artista”.

Questionado sobre a possibilidade do episódio da “falsa exposição” afetar a credibilidade do Museu de Arte Contemporânea e do Centro Dragão do Mar enquanto instituições perante à imprensa e ao público, o diretor do MAC, Ricardo Resende, afirma que o museu tinha pleno conhecimento da iniciativa de Yuri, convidado para participar da quarta edição do projeto Artista Invasor, que já expôs obras de Jared Domício, Marta Neves e Solon Ribeiro. “Quando convidamos o Yuri para ser o artista invasor no período de janeiro a março, ele veio com essa proposta bastante provocadora do artista ficcional. Obviamente não sabíamos quais seriam as conseqüências e ainda estamos refletindo sobre isso. O trabalho de Yuri é conceitual e faz com que a gente repense a maneira como entendemos arte e como as informações são construídas. Não podemos reprimir essas experimentações”, explica. Até o fechamento desta edição, a reportagem do O POVO tentou contactar o presidente do Centro Dragão do Mar, Augusto César Costa, mas a assessoria da instituição afirmou que ele não concederia qualquer entrevista à imprensa e que só se pronunciaria sobre o assunto, durante o “Chá com Porradas”, bate-papo marcado para a noite de ontem com Yuri Firmeza e Ricardo Resende, no MAC. Yuri afirmou estar disposto inclusive a conversar abertamente com jornalistas sobre o episódio. “Dessa vez, será verdade”, brincou o artista.

Segundo a jornalista Adísia Sá, houve erro tanto por parte do Centro Dragão do Mar, que perpertuou a brincadeira, quanto dos próprios jornalistas, que acreditaram na fonte sem apurar sua veracidade. “O Dragão compactuou com a farsa, para fazer charme. Quem se desgasta é a fonte. Vai demorar muito para o Dragão restaurar sua credibilidade. Por outro lado, não há fonte absolutamente veraz. A informação deve ser buscada e investigada pelos jornalistas”, explica Adísia. Já Resende reafirma que a credibilidade do MAC não será afetada. “Yuri nos colocou nesse caldeirão. Nós assumimos esse risco, mas não vejo como seríamos desacreditados por causa do trabalho de um artista, que na verdade está provocando um simulacro. Se a exposição tivesse sido divulgada como sendo de Yuri Firmeza, talvez o artista não tivesse tido a repercussão que está tendo agora”, comenta. Resende diz que a direção do museu sentiu-se inclusive estimulada a criar em breve um curso de crítica de arte, para o segundo semestre de 2006. Segundo o diretor do MAC, a iniciativa polêmica de Yuri não é única no cenário da arte contemporânea. Ele lembra o trabalho do alemão Hans Haacke, que faz críticas severas à maneira como o Estado americano financia a cultura. Quando se fala de ludibriar a mídia com farsas bem elaboradas, os exemplos no campo da arte em geral são muitos: desde a transmissão radiofônica de A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, pelo cineasta Orson Welles como se fosse uma verídica invasão de alienígenas na Terra; até a criação do heterônimo Julinho da Adelaide, por Chico Buarque, em plena ditadura militar dos anos 70.

Para Yuri, poucos são os artistas contemporâneos que têm a coragem de fugir dos clichês. “A arte contemporânea corre sérios riscos de não exercitar mais sua criatividade. Ao ficar subordinada ao mercado, tudo se torna mais fácil, mas muitos trabalhos não tem força para causar frisson no público. A arte precisa revelar suas forças e potências estéticas. É claro que existe uma produção contemporânea que vai na contramão, mas muitos trabalhos que vejo não dizem nada para mim. Então, das duas uma: ou o problema está na obra ou está no público”, questiona. De acordo com Yuri, a arte contemporânea precisa estimular as sensações e fazer com que o público tenha uma percepção diferente do comum. “A arte deve transvalorizar o que está imposto como moda ou padrão, estimulando o pensamento como vagões desordenados. O meu trabalho não deixa o público indiferente”, argumenta.

Enquanto O POVO divulgou a abertura da exposição Geijitsu Kakuu em uma breve coordenada – que, por ironia do destino, foi intitulada de “desconstruindo a arte” – na capa da edição de terça-feira do caderno Vida & Arte, o Diário do Nordeste dedicou duas páginas com direito à entrevista por e-mail com o suposto artista japonês Souzousareta. Na entrevista ao Caderno 3, Yuri “na pele” de Souzousareta já vinha dando pistas das discussões que pretendia levantadar com seu feito. “Não só no Brasil, mas me parece que em vários países desenvolvidos, as atividades da cultura precisam apresentar relevância mercadológica para encontrar linhas abertas de financiamento e incentivo. Precisamos estar o tempo todo brigando com nossa própria produção para não deixar que os clichês tomem conta de tudo. E é esse o problema, o público, em geral, adora clichês. Espero encontrar coisa diferente no Brasil”, afirmou na entrevista. Segundo Yuri, o trabalho do artista existe no momento em que tal arte é definida como tal.

Farpas ao vento, nada do que foi divulgado como obra do artista japonês está exposto no Museu de Arte Contemporânea. O espaço abriga a singela reprodução da troca de e-mails que Yuri teve com o doutor em Filosofia, Tiago Themudo, durante todo o processo de construção da idéia. “Foram cerca de 30 e-mails trocados com o Tiago, pensando todas as questões da arte contemporânea que já citei”. Segundo Tiago Themudo, o trabalho de Yuri Firmeza chama a atenção para a indistinção entre os produtos da arte e o campo do entretenimento. “O lucro e a boa campanha de marketing acabam se sobrepondo aos critérios estéticos. Além disso, todos os dias os jornais publicam mentiras. Seria até um contrasenso exigir do artista a verdade”, argumenta. Tiago entende como “ressentimento editorial dos jornais” toda a repercussão depreciativa feita por alguns veículos de comunicação que chegaram a desclassificar Yuri e seu trabalho, além de pôr em cheque a credibilidade do Museu de Arte Contemporânea e do Dragão do Mar. “Espero que isso não se torne um mal-estar moral dentro das redações de jornal, mas uma oportunidade para fortalecer as discussões”.

Com a polêmica rolando solta no ar, Yuri ainda confirmou que novas surpresas ainda estão por vir. “Vou realizar performances que não tem data, horário nem local prévio, durante os próximos dois meses”, acrescenta o artista que, desde 2001, acumula no currículo performances polêmicas, como andar nu em locais públicos. Para quem duvida das proezas de Yuri, não custa nada conferir o site (http://yurifirmeza.multiply.com) ou o blog (www.yurifirmeza.zip.net) do artista.

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CAPÍTULO 8
A editoria do caderno Vida & Arte se manifesta

A editora Regina Ribeiro, do caderno Vida & Arte, comenta o episódio, faz considerações e sugere questões sobre a arte e o jornalismo. Não chega a apoiar o artista, mas reconhece a eficiência de sua estratégia.

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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
12.01.06 – Matéria de Regina Ribeiro

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PONTO DE VISTA
A arte no jornalismo

Regina Ribeiro
da Redação

A modernidade esgarçou ao infinito a possibilidade da arte nos moldes aristotélicos. Além do mais a chamada pós-modernidade, com todos os hibridismos e conexões entre o possível e o inverossímil, transforma tudo em arte. Que pode ser nada. No entanto a raiz do que se pode chamar de criação artística ganha força quando se observa pelo menos um dos argumentos do filósofo grego: a “idéia” que pode ser expressa em ação é um dos componentes vitais da arte. Existe algo mais cabível na arte contemporânea, mesmo a que nega toda e qualquer explicação?

Deixa pra lá essa pendenga, porque o que importa mesmo é o esse novo artista, o japonês Souzousareta Geijitsuka, que “desembarcou” na cidade trazendo na bagagem a vontade de pôr sobre a mesa alguns incômodos que cercam o mundo da arte e os suportes que ela utiliza para se estabelecer.

A começar pelo imbróglio em torno do real. Souzousareta aprendeu que o artista não tem nenhum compromisso com a verdade. Isso é coisa da História, a começar por Homero. O que a arte deve ter é verossimilhança. Precisa convencer. E ele não perdeu isso de vista quando contratou “assessores de imprensa” – a incômoda muleta do jornalismo pós-moderno – para construir a imagem de um artista múltiplo e pesquisador – quase horaciano – da virtualidade e da eletrônica. E acertou de novo. Deu entrevista por internet para uma imprensa ávida pela apresentação do novo, do estrangeiro e do discurso rebelde-planetário recheado de clichês.

Tanto no Japão, quanto no resto do mundo contemporâneo a exposição artística se viabiliza ou é referendada a partir da mediação dos espaços midiáticos. E isso não acontece só com a arte, que tem em si, a função de ser apreciada desde as imagens pictóricas das cavernas, passando pelos poetas que contavam a aventura de homens e deuses na disputa eterna pelos feitos heróicos. A política há muito tempo é subserviente às câmeras e jornalistas. O terrorismo, idem.

E aqui sim, chegamos ao ponto crítico em torno de Souzousareta, o artista japonês considerado pela imprensa local “um dos nomes mais importantes quanto à interface ente arte contemporânea, ciência e novas tecnologias”, que já “expôs em vários países” e chega ao Brasil pela “quarta vez”. Que fala de Glauber Rocha, Darcy Ribeiro e Hélio Oiticica com aquela proficiência dos verbetes de almanaque. Aquele que está em busca da “harmonia entre a natureza que nasce e morre empregando equipamentos tecnológicos”.

A questão é que Souzousareta só existe a partir da informação publicada. É uma invenção. Uma fábula.(Portanto, arte.) Não se materializa em torno de uma alma pensante, mas existe como discurso. É real enquanto informação.

Mesmo diante da possibilidade da infinitude da interpretação de uma obra de arte que se propõe “aberta” e que trafega no espaço singular do imprevisível e das descobertas, o jornalismo é convidado a participar, quando ele é suporte dessa arte. Pronto. O bosque está pronto para ser explorado.

E aqui estão alguns vales e muitos atalhos. Os recursos e sistemas da produção da notícia deixam o jornalismo vulnerável a que tipos de armadilhas ?Criamos ou fazemos parte de um exército de crédulos seguindo discursos pré-fabricados com interesses anteriores definidos sem nenhuma reflexão? Por que nos dobramos tão facilmente ao que é estrangeiro? Por que referendemos com tantos adjetivos (bons e maus) o que não conhecemos? Será que são todas essas questões que arrastam o jornalismo para o mero entretenimento? (Pelo menos lá não há motivos para indignações).

E a verdade – motivo da revolta em torno do japonês e a forma como ele se fez criar a partir da mídia local- se apequena diante do volume de outras “criações” políticas, bélicas, científicas que o jornalismo contemporâneo tem ajudado a tornar reais. Sem dúvida, Souzousareta existe.

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CAPÍTULO 9
A notícia da marmota cruza a cancela

Uma semana após a descoberta da farsa, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo e reproduzido no site Observatório da Imprensa, o jornalista e biografista Lira Neto resume o episódio, sem analisá-lo.
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Reprodução – Jornal O Estado de S. Paulo (SP) e site Observatório da Imprensa
17.01.06 – Matéria de Lira Neto

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Arte inventada
Lira Neto

Um artista ‘genial’. E ele nem existia

Seria um acontecimento. O japonês Souzousareta Geijutsuka, anunciado pela imprensa cearense como um dos principais nomes da arte contemporânea universal, era ansiosamente esperado semana passada em Fortaleza, para abrir a exposição Geijitsu Kakuu. Convidado especial da curadoria do Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Geijutsuka mostraria ao público cearense por que seu trabalho é aclamado em todo o planeta como uma obra revolucionária que, segundo o material de divulgação de sua eficiente assessoria de imprensa, incorpora ‘novos conceitos à arte’, como os de ‘operação em tempo real, simultaneidade, supressão do espaço e imaterialidade’. Os jornais locais deram amplos espaços para a divulgação da exposição. Um deles chegou a publicar, no dia marcado para a abertura do evento, uma entrevista de página inteira com Geijutsuka. Tudo perfeito, não fosse um detalhe: Souzousareta Geijutsuka não existe.

A idéia de inventar o tal japonês que – segundo informava um jornal de Fortaleza – ‘conquistou fama mundo afora por unir arte, ciência e tecnologia’ partiu de um jovem artista de 23 anos, Yuri Firmeza, paulistano radicado na capital cearense desde a infância. ‘A intenção foi mostrar como a arte hoje em dia encontra-se subordinada a exigências e manipulações mercadológicas e a modelos construídos e legitimados pela mídia, pelas galerias e pelos museus’, explica Firmeza. Para tornar sua história mais verossímil, ele conseguiu convencer especialistas a escreverem textos críticos sobre a obra do fictício Geijutsuka, incluindo aí o próprio diretor técnico do Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC), Ricardo Resende, 43 anos, ex-curador do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). ‘Vivemos uma era em que muitas outras forças, além daquelas que o artista naturalmente dispõe para criar, regem o sistema da arte’, já denunciava também Resende, de forma velada, no texto de apresentação da ‘exposição’.

Tudo foi planejado nos mínimos detalhes. A namorada de Yuri Firmeza se fez passar por assessora de imprensa e abasteceu os jornais locais com imagens de algumas das ‘obras’ de Geijutsuka. Entre elas, uma série de fotos prosaicas de um gato, que foram publicadas na imprensa local como sendo cenas de um ‘videoarte’ do ‘genial japonês’. ‘Era apenas um gatinho que vi na rua, num bairro aqui em Fortaleza, e fotografei com minha máquina digital doméstica’, revela Firmeza. Uma fotografia de uma ensolarada praia cearense, distorcida em um editor de imagens para parecer uma figura abstrata, foi estampada também pela imprensa local como um ‘infográfico’ de Geijutsuka. Na legenda da ilustração, uma frase pinçada da longa ‘entrevista’ que ele havia concedido, por e-mail, ao jornal: ‘Os historiadores da arte são iguais ao público: têm dificuldades de reagir ao que não entendem’.

Yuri deixou algumas pistas propositais, que não foram decodificadas pelos jornalistas. Em japonês, Souzousareta Geijutsuka significa exatamente ‘artista inventado’. E o nome da exposição, Geijitsu Kakuu, pode ser traduzido como ‘arte e ficção’. No material de divulgação repassado à imprensa, dizia-se ainda que o suposto artista havia criado a fotografia ‘Shiitake’, nome do cogumelo que pode ser encontrado em qualquer restaurante japonês, mas que foi definida por sua ‘assessoria de imprensa’ como uma ‘técnica que permite a captação dos fenômenos invisíveis ocorridos na atmosfera’.

No dia da abertura da anunciada exposição, em vez das obras revolucionárias de Souzousareta Geijutsuka, o público deparou-se apenas com uma série de e-mails pregados na parede da sala reservada ao evento pelo museu. Nas mensagens, Yuri Firmeza e um amigo trocavam idéias sobre arte contemporânea e discutiam animadamente a obra de autores como Gilles Deleuze, Antonin Artaud e Pierre Bordieu. Dessa troca de e-mails é que surgira a idéia de criar um artista imaginário. ‘O que me interessa é interrogar sobre a qualidade do que compõe todo esse sistema de legitimação estética: críticos, jornais, artistas, curadores, galerias, museus e o próprio público’, escreveu Firmeza em uma dos e-mails ao amigo. ‘Não sei como será a receptividade em relação ao Geijutsuka, mas acredito que suscitará saudáveis desconfortos’, previa.

Dito e feito. Revelado o simulacro, a reação da imprensa cearense foi violenta. Yuri Firmeza foi chamado de ‘moleque’ pelos jornais e foi alvo de editoriais indignados. Sobraram farpas também para a direção do MAC por ter ‘compactuado com a farsa’. ‘Em vez de irritar-se, a imprensa está perdendo uma ótima oportunidade para refletir sobre as provocações que Yuri Firmeza fez a todos nós’, avalia o diretor técnico do museu. ‘Não se tratou de uma ferroada à mídia local, o mesmo poderia ter ocorrido em qualquer lugar do país. No Brasil, somos deslumbrados pelo que vem de fora e pelo que nos é apresentado como algo novo e revolucionário, é nisso que todo esse episódio nos obriga igualmente a refletir’, analisa Resende.

‘Bastaria fazer uma rápida pesquisa no Google para que os jornalistas descobrissem que não havia, na internet, nenhuma menção ao tal Geijutsuka, apresentado como um artista famoso, com exposições consagradoras em Tóquio, Nova York, São Paulo e Berlim’, diz Yuri Firmeza. ‘Mas eu não quis provocar apenas a imprensa, isso seria reduzir o alcance da denúncia; a provocação foi extensiva a todo o circuito das artes em geral’, insiste ele, que mantém uma página pessoal na internet (http://yurifirmeza.multiply.com/) onde registra suas principais performances – ou suas ‘orgias multipoéticas’, como prefere definir. Não se estranhe nada do que for visto ali. Afinal, na pele de Souzousareta Geijutsuka, na ‘entrevista’ à imprensa de Fortaleza, ele já advertira: ‘Tudo está integrado a um exercício do simulacro, cujo objetivo é retirar os hábitos de seu estado de evidência’. Seja lá o que isso possa vir a significar.”

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CAPÍTULO 10
O Globo publica com destaque

Em matéria destacada em seu caderno cultural, o jornal O Globo dá voz ao diretor do museu e ao artista, mas infelizmente não ouve nenhum dos jornalistas envolvidos na farsa, deixando de informar melhor aos seus leitores. A matéria revela que os jornais de Fortaleza não deram importância às edições anteriores do Artista Invasor, nas quais participaram artistas locais, e nenhum japonês.
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Reprodução – Jornal O Globo (RJ), Cultura
23.01.06 – Matéria sem assinatura

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A CILADA DO ARTISTA INVASOR
Artista cearense engana imprensa inventando um colega japonês

A informação chegou aos cadernos de cultura do Ceará e foi ali reproduzida. Um célebre e renomado artista japonês, Souzousareta Geijutsuka, viria ao país pela quarta vez para abrir, no dia 10 deste mês, sua exposição “Geijitsu kakuu”, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Fortaleza. No dia seguinte à divulgação do evento pela imprensa local, veio a revelação: Souzousareta não existia. Era tudo uma invenção de um artista de 23 anos, Yuri Firmeza, que quis criar um trabalho justamente sobre os critérios para o reconhecimento da arte nos dias de hoje. Depois de pregada a peça, a imprensa cearense passou a discutir o assunto de forma apaixonada na semana passada, uns com louvores à idéia de Firmeza, outros — sobretudo os que caíram na cilada — atacando ferozmente o que seria uma molecagem de menino. Além da atitude do artista, foi criticada a participação do MAC, reconhecida instituição de arte contemporânea, por ter colaborado com a farsa.

— Quis questionar o papel do museu, da formação de artes visuais e da imprensa. O artista que criei é a própria obra, e o suporte do trabalho foi o jornal — diz Firmeza, recentemente selecionado para o projeto Rumos, do Itaú Cultural, que trará jovens talentos para uma exposição no Paço Imperial este ano. — Achava que os jornalistas teriam mais humor. Faltou reconhecer que eles têm esse interesse pelo que é de fora, querem ser seduzidos pelos mesmos artifícios com que seduzem o público. Eles provaram ainda mais o quanto são reacionários. Levaram para o lado pessoal, o ego foi ferido.

Não havia registro do artista na internet

Mas o humor ficou mesmo por conta da releitura dos textos publicados. Segundo o jornal local “O Povo”, o trabalho do artista era reconhecido no mundo todo e tinha como foco “a harmonia entre a natureza que nasce e morre, empregando equipamentos tecnológicos, para abordar a discussão em torno da fragilidade da vida e suas conseqüentes contradições”. Informações retiradas da assessoria de imprensa do artista, feita pela namorada de Firmeza.

Além de um texto exaltando a arte eletrônica de Souzousareta, a competente assessora enviou registros do trabalho: uma foto de um gato, que seria um trecho de um vídeo, e uma imagem, distorcida em photoshop, da Praia Porto das Dunas. Se passaram ao largo do fato de não haver qualquer registro do japonês na internet ou em textos impressos, é normal que ninguém tenha percebido as pistas deixada por Firmeza no próprio nome que deu ao artista, que em português significa “artista inventado”, e à exposição, “arte e ficção”. Diretor do MAC há 11 meses, Ricardo Resende não interferiu nessa divulgação, mas admite que passou por uma saia justa:

— Um jornalista do “Diário do Nordeste” me ligou para saber da mostra porque não estava encontrando informações. Fui pego de surpresa. Disse que pediria para o artista entrar em contato com ele.

Foi o que o artista fez. No papel de Souzousareta, respondeu a uma entrevista por e-mail, que foi publicada em página inteira. Foi uma repercussão da qual museu e artista não tinham idéia quando Firmeza propôs o artista inventado ao ser convidado para o projeto Artista Invasor.

— Procuro dar a máxima liberdade para o artista criar. Convidei o Yuri pensando em suas performances, que já achei que seriam bastante ousadas (ele faz muitas das performances nu). Mas ele foi mais ousado ainda e me testou, para ver até onde eu iria. Eu fui adiante, porque tive o apoio da presidência do museu. Sabíamos que poderia haver um conflito, mas a imprensa podia não ter publicado uma linha sobre o assunto — avalia o diretor do MAC de Fortaleza.

Para Resende, a divulgação só prova o preconceito da imprensa com os artistas cearenses, já que nas outras edições do Artista Invasor não houve qualquer reportagem:

— Há um certo deslumbramento com o que vem de fora no Brasil todo, não só no Ceará. A mídia insistiu em publicar a matéria, mesmo com dificuldades de achar informações. Foi uma ingenuidade, ou mesmo uma falta de conhecimento de arte contemporânea. Depois houve uma tentativa de jogar o erro para o outro, enquanto o grande erro foi da própria mídia.

Firmeza, apesar de enfatizar que o problema é da imprensa em geral, faz críticas à falta de especialização no estado.

— Acho que a imprensa de São Paulo e do Rio também poderia ter caído nessa. Mas o Ceará é uma província. Aqui os jornalistas não têm fundamentação teórica sobre arte, é uma verborragia — diz ele, citando o artigo “Arte e molecagem” do jornalista Felipe Araújo, de “O Povo”, que afirma que a arte contemporânea é, “com raras exceções, uma arte pobre, recalcada e alienada, feita por moleques que confundem discurso (ou melhor, as facilidades conceituais de um discurso) com pichação.” — Todo o preconceito está ali.

Para diretor, museu cumpriu seu papel

No museu, o visitante poderá ver a troca de e-mails entre Firmeza e um amigo sociólogo, com conversas sobre Bourdieu, Nietzsche e Deleuze, inspiradoras da idéia de se criar um artista inventado. Aos poucos, o local receberá ainda as fotos do suposto japonês, divulgadas para a imprensa, reportagens sobre o caso e performances e registros em vídeo de Yuri — que não sabe como a exposição teria sido montada se nada houvesse sido publicado nos jornais:

— Foi um risco que corri desde o início. Mas de qualquer modo estaria lá a troca de e-mails. As performances aconteceriam e também voltariam ao museu como registros. Só sei que se o Yuri tivesse enviado o material, nada teria sido publicado na imprensa.

Para Resende, o museu saiu fortalecido no meio artístico porque mostrou que funciona para ousar:

— Nossa credibilidade não está ferida. Acho que as pessoas se perguntam que mídia é esta, que informações estão lendo. O museu só está cumprindo seu papel de ser o espaço do artista. O trabalho deu muito certo porque chegou ao editorial do jornal e a outras áreas em que a arte contemporânea nunca é tratada. Ele foi realmente um invasor.

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ESCREVERAM SOBRE O CASO

O que a imprensa cearense publicou, antes e depois – Seleção de artigos e editoriais

Shiitake – Geijutsuka, o “desmaterializador” – Coluna da Mônica Bergamo, Folha de São Paulo, 21.01.2006

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YuriFirmeza2006-01Yuri Firmeza (2006)
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???????????????????????????????Yuri Firmeza (2006)
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YuriFirmeza2006-04Yuri Firmeza (2006)
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YuriFirmeza2013Yuri Firmeza (2013)

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- ADOREI… ABRAÇOS. José Alberto Simonetti, Fortaleza-CE – jan2006

02- Gostei!!!!!!!!! Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – jan2006

03- Olá grande e insano Ricardo … Há exatamente um ano atrás estava trabalhando na Produção do Festival Vida e Arte, quando as obras contemporãneas do Yuri causaram certa divergência quanto ao conceito  do evento que queria algo mais moderno. Resultado O Grande Yuri e suas idéias ficaram de fora do FESTIVAL, mas em menos de uno depois ele ressurge das cinzas, assim como fênix,ou melhor, ele não eles…rsrsrs…ele e seu Japa alencarino, e dão um show ( literalmente falando) !!! E eu perdi a chande cumprimentá-lo, pois estava no ponto de parada do coletivo ( Campus do pici-Unifor)…vulgo buzão, ao lado desta fera chamada Yuri, não sei se um só ou dois agora…e fiquei mumificado…não conseguia falar!!! mas o seu feito é maior que qualquer palavra. Seu artigo está show….aliás você é show!!! Um abraço e apareça aqui em Fortalville! É isso aí…Ana carolina e seu Jorge cantam: “Há quem acredite em milagres”. Fabiano Brilhante, Fortaleza-CE – jan2006

04- Aí, perfeito. Abraços. Júlio Cesar Montenegro, Fortaleza-CE – jan2006

05- Grande Kelmer, Que bom nos encontrarmos em mais uma presepada !!! Fico feliz que você tenha tido a compreensão da nossa séria brincadeira. Vamos promover alguns debates emum seminário sobre comunicação e cultura em março.Retomaremos este e outros assuntos.No mais obrigado pelos tão bem vindos apoios nestashoras de muitas incompreensões. Forte abraço. Luis Carlos Sabadia, Diretor de Ação Cultural, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza-CE – jan2006

06- Ducarái!! Adorei! Valdo Siqueira, Fortaleza-CE – jan2006

07- Fascinante! Eu não estava sabendo… Também, eu vivo em outro mundo. Que cara genial. Claudio Roberto Azevedo, Fortaleza-CE – jan2006

08- Muito boa Ricardo. Du cacete!!!. Rodrigo Grunewald, Campina Grande-PB – jan2006

09- Valeu! Inclusive, acabo de repassar tua marmota prum grupo de discussão sobre música do qual participo, cheio de gente boa — alguns de Fortaleza –, que saberá apreciar a ironia. Alexandre Feitosa, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

10- Pois num eh… Foi uma comédia mesmo! rsrs Uma comédia providencial, diga-se de passagem.. Jéssica Giambarba, Fortaleza-CE – jan2006

11- Boa, Ricardo, boa mesmo! Abraço. Felipe Costa, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

12- Ô, Ricardo Por essas e outras marmotas é que acredito que será 2006, realmente, um ano bom. E, aproveitando o contexto da confusão, me deu uma vontade muito grande de comer sushi… Raimundo Netto, Fortaleza-CE – jan2006

13- Ótima essa história, em? E esse Yuri é meu primo. Na verdade, filha da prima legítima da mamãe. Olha só o nome do japa, Sousa … e eu, Liliana de Sousa Costa. Tudo em família. Beijo grande em você. Liliana Costa, Lisboa-Portugal – jan2006

14- Uau! Demais. Giovanna Bressan, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

15- Hehehehe… Muito bom o artigo, camarada Kelmer! Temos que botar isso para frente. Esta história de estátua seria uma ótima! No Dragão seria perfeito, mas em qualquer outro lugar tá de bom tamanho. Um grande abraço. Nelson Eulálio, Fortaleza-CE – jan2006

16- Caraca, embora a idéia não seja muito original o que é triste é que jornalista sempre cai. Frô, São Paulo-SP – jan2006

17- Caro Ricardo, E veja só, que o jornal de maior circulação do Ceará abriu foto de três colunas na capa da edição de hoje para dar um artista plástico que faz greve de fome no calçadão da Beira Mar. Mais cearense e mais real impossível. Abraço, querido. Do amigo, cheio de novidades pra contar e morrendo de vontade de dar boas gargalhadas da vida e dos vivos. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2006

18- Ricardo, você provou que é um artista “antenado” ( no sentido poundiano), que está enxergando bem mais longe que os mais comuns dos mortais. Sua análise está perfeita e topa comprar uma briga com a mediocridade ainda reinante. Você pôs o dedo na ferida. Faltou apenas aprofundar um pouco derme a dentro. Eu acho que você conseguiu até ir longe demais. No mais, achei bom ler um resumo de tua gloriosa biografia e descobri que temos mais coisas em comum do que eu imaginava: primeiro, você fala de uma “santa pneumonia”. Eu falo de uma “santa hepatite” que tive aos 17 anos e que me fez passar uns trinta dias de cama e lendo livros que foram decisivos na minha formação cultural. Segundo, você morou em Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro. Eu também. Nosso placar, está 2 a 2. Fico contente em saber que o amigo continua lúcido, produzindo e deleitando os leitores com um papo inteligente e divertido. Um abraço do Francis Vale, Fortaleza-CE – jan2006

19- Bravo! Bravíssimo! grande abraço desse idiota que concorda em gênero, número e grau com vossa opinião. Fernando Costa, Fortaleza-CE – jan2006

20- eu adorei isso… hehehehe abração, cara! Adriano de Lavôr, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

21- É impressionante como o povo marmotoso se atrai! Pode até vir japonês, coreano o que for, mas a vaga de marmotoso-mór da terrinha aqui já tá preenchida:P Rafaela Almeida, Fortaleza-CE – jan2006

22- Muito bom, Kelmer! Li essa historia pelo Lira e depois diretamente nos jornais cabeca-chata e bolei de ri aqui. Abracos. Antonio Marinho, Fortaleza-CE – jan2006

23- Caro RK, valeu a crônica – “A marmota do ano”. Pensando bem, o Yuri Firmeza ninjou nos brios das torres gêmeas de nossa provinciana imprensa. E ambas caíram do salto. E você, como um bom e genuíno observador de uma virtual Praça do Ferreira, é que faz a verdadeira imprensa da contemporaneidade – a crônica -, não perdeu a brecha dessa saia-justa. Valeu e, pensando um pouco mais, aproveitano a foto, etc. vejo que o Yuri Firmeza é a cara do Bin Laden… Esteticamente falando, enfim,  ficou no ar a pólvora de uma molecagem que, no seu desconcerto, é nosso maior instrumento de exercício dionisíaco do Belo. Fica o abraço do Leite Jr., Fortaleza-CE – jan2006

24- Sobremaneira, os debates que decorreram do acontecido deixaram enfim espaço na imprensa jornalistica escrita para se falar de pensamento e que pensar faz parte da vida. Mesmo em tempos de sofisticadas tecnologias não se pode abrir mão do pensamento no sentido stricto e que a universidade, os intelectuais e as vanguardas têm ainda um papel na nossa sociedade. Sobretudo, valeu para furar as páginas já escritas dos jornais dos dias que virão. Terão ou tiveram obrigatóriamente que escrever ‘outra’ história. Foi muito inteligente. É importante também ressaltar que os museus (Dragão e de Arte do Ceará) fizeram um papel responsável. A função dessas instituições não deve ser a da perpetuação e reprodução das leis que compoem um campo de poder e sim o de se aliar as linhas de força que tentam resistir e provocar a reconfiguração deste campo. Foi muito profissional e responsável conceitualmente a acolhida que deram para Yuri. Agora é ler, ouvir, escrever, conversar. Viver. Um abraço. Rosângela Matos, Fortaleza-CE – jan2006

25- Me fez lembrar o “Porco” do Leiner, enviado ao Salão de artes plásticas de Brasília. Diuk Mourão, Brasília-DF – jan2006

26- Caro Ricardo, Como sempre acompanho com sincera admiração sua coluna, não me contive diante de seu texto sobre a marmota do Dragão e decidi escrever-lhe só para deixar claro alguns pontos. Primeiro, reafirmo o que escrevi no meu artigo (“Arte e molecagem”) sem tirar uma vírgula. Segundo, não me cabia pedir desculpas para ninguém já que não fui eu que escrevi as “barrigadas”. Essa é uma iniciativa que caberia, se eles assim entenderem, às editorias e aos jornais envolvidos no caso.  Minha colher nesse debate foi apenas o artigo. Mas é aquele negócio: uma coisa é uma coisa e um pneu é um pneu. Embora discorde de tudo que você escreveu (mas tenho que reconhecer que seu estilo continua muito afiado…), reconheço, ops… perdão, acaba de passar um limpa-fossa por aqui também…, peraí… Pronto. Devo dizer que adorei a expressão sobre a nudez do rei e o tamanho do pinto real. Mas me admira o fato de você, passado na casca do alho, ter achado que descobriram que o rei só ficou nu agora. Lagartão, muita gente já tinha visto o pau do rei há algum tempo por aqui. Não foi a intrujice do doidinho e do Dragão que nos fez ter esse “privilégio”. Vamos bater na imprensa (às vezes, é um troço saudável inclusive para os jornalistas, em especial para os sadomasoquistas), mas vamos aprender a socar primeiro e, se possível, de maneira leal. Dar uma “cabeçada” (eita!) por trás (EITA!) pode, às vezes, doer nos próprios cornos. Acho que é isso. Vou indo que o disco do Frankito Lopez, o índio apaixonado, terminou de tocar e tenho que procurar o CD do Carlos Santos. Sincero abraço e saudações alvinegras, Felipe Araújo, Fortaleza-CE – jan2006

27- Intervenção interessante. Um ensaio razoável de crítica, mas eu diria que de efeito bumerangue. Teria sido melhor se o autor não tivesse caído na tentação de dar explicações para o feito. Deixasse o pau troar, as carapuças serem vestidas e a obra falar por si. Mesmo assim,  acho que a participação do MAC compromete os objetivos inicias da crítica ou, melhor, traz o outro lado da mesma moeda. Ao tentar a crítica aos ‘ fatores mercadológicos ‘ que afetam a produção artística revelou o fator-estado que aprisiona a arte e seus produtores ( locais? e não-locais? ). Teria sido perfeito se o tento tivesse sido realizado sem a conivência do papai-estado , numa espécie de ensaio anti-sistêmico. Ai, sim, poderíamos começar a pensar a tal liberdade de cria –ação . Por enquanto, acho que o bom castigo para todos os envolvidos, inclusive nós ‘ idiotas’ leitores, é pensar mais e melhor sobre a questão. Lilia Costa, Fortaleza-CE – jan2006

28- Oi Ricardo Kelmer. Valeu pela força em relação ao japonês. Mesmo que a imprensa local não esteja reconhecendo (pelo menos não publicamente) a sua vulnerabilidade, a falta de compromisso, o descaso com os artistas locais… acho que o trabalho funcionou, justamente por estar conseguindo um espaço de discussão enorme aqui na net. Isso é maravilhoso!!!  Muito legal o seu texto Ricardo, incisivo e com humor. Humor que faltou por parte da imprensa local. Vi o fórum do jornal, legal ver o pessoal dando uma força, tenho recebido muitos e-mails de pessoas que não conheço, a maioria dando força e tal…  O artigo do Felipe foi péssimo, demonstrou o preconceito dele com a arte e artistas locais… que bom que o pessoal também entendeu dessa forma e começam a se manifestar…Você falou de um japonês no Orkut, eu conhecia a comunidade… o japonês realmente não sou eu, e concordo com você, o japa usou palavras agressivas demias… que eu realmente não usaria e não usei em momento algum… Parabéns novamente pelo seu texto!!! Obrigado pela força, massa!!! Abraços. Yuri Firmeza, Fortaleza – jan2006

29- ADOREI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! beijos da fã Armôndega Porvilho. Monica Buonfiglio, Campinas-SP – jan2006

30- É isso aí velho, a melhor resenha do fato é mesmo sua, com todas as letras e calafrios – e ainda um caminhão limpa-fossa passando ao fundo… Tem até cenário a marmota!  Parabéns! Max Krichanã, Fortaleza-CE – jan2006

31- Camarada Kelmer, Gostaria de lhe parabenizar pela crônica: “A MARMOTA DO ANO”. Parabenizar não só pelo texto em si, que diga-se de passagem: tá excelente, mas principalmente pela coragem de publicá-lo na imprensa cearense através do veículo que mais atacou Yuri Firmeza e toda a categoria artística cearense, o Museu de Arte Contemporânea – MAC – na pessoa de seu diretor Ricardo Resende (que tem tido uma gestão atípica, coisa que tem projetado o MAC em nível nacional e de forma positiva) e, por tabela o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, além de nós meros mortais consumidores dos produtos dos Deuses (ou pelo menos agem como se assim o fossem) da impressa cearense – os coronéis da mídia local. Como escrevi no fórum do “O Povo” sinto-me vingado! Isso antes de ler sua crônica. Depois, estou dando gargalhadas até agora da cara dos pseudo-jornalistas locais (sim, pois ainda acredito que existam jornalistas sérios, pena que são raros) quando viram sua iniciativa. Markus Markans, Fortaleza-CE – jan2006

32- Adorei do texto!! PERFEITO!!! Pra você ver a quantas anda a imprensa cearense… eu acho bem feito. Então a estratégia de guerra é desqualificar uma pessoa que põe em xeque as sagradas empresas jornalísticas? Até parece que elas são infalíveis… Muito bom mesmo o que o Iuri Firmeza fez. Esse jornalecos cearenses que se acham portadores da verdade mereciam mesmo uma lição. E não só os cearenses, bem sabemos. A imprensa nacional, mundial, inter-galática (sic! hehe) é pedante! “Sim, nós somos um veículo de denúncia em prol da comunidade”… Pois tá. Me engana se te faz feliz. Falo dos jornais do Ceará porque sei que não têm comprometimento com outra coisa que não seja o lucro. Já trabalhei em um deles, sei o que se passa lá dentro. Os “jornalistas” são na maioria estagiários, que se prejudicam na academia pra fazer trabalho grande. É assim que eles qualificam um profissional? Provavelmente, as fontes não foram checadas “direito” porque o cara responsável por isso tinha aula… Talvez se investissem e respeitassem mais o profissional a coisa fosse diferente…Não sei. Aliás, quem sou eu pra dizer alguma coisa que não seja carregada de juizo de valor? Enfim, o que o tal Firmeza fez não foi novo, mas na minha opinião foi justo. Patrícia, Fortaleza-CE – jan2006

33- Adorei o texto, o pior que isso acontece mesmo (risos). Um grande beijo. Mariucha Madureira, Brasília-DF – jan2006

34- Sobremaneira, os debates que decorreram do acontecido deixaram enfim espaço na imprensa jornalistica escrita para se falar de pensamento e que pensar faz parte da vida. Mesmo em tempos de sofisticadas tecnologias não se pode abrir mão do pensamento no sentido stricto e que a universidade, os intelectuais e as vanguardas têm ainda um papel na nossa sociedade. Sobretudo, valeu para furar as páginas já escritas dos jornais dos dias que virão. Terão ou tiveram obrigatóriamente que escrever ‘outra’ história. Foi muito inteligente. É importante também ressaltar que os museus (Dragão e de Arte do Ceará) fizeram um papel responsável. A função dessas instituições não deve ser a da perpetuação e reprodução das leis que compoem um campo de poder e sim o de se aliar as linhas de força que tentam resistir e provocar a reconfiguração deste campo. Foi muito profissional e responsável conceitualmente a acolhida que deram para Yuri. Agora é ler, ouvir, escrever, conversar. Viver. Um abraço. Rosângela Matos, Aracaju-SE – jan2006

35- Prezado Ricardo, Considero um  exagero esse massacre da imprensa cearense no episódio do artista japonês inexistente. Só quem não tem intimidade com pesquisas no Google é que pode acreditar que “bastava uma googlada” para descobrir a inexistência do artista. Como se fosse fácil !!! Criou-se esse mito de que o Google acha tudo. Nada mais enganoso. Não só o Google não acha tudo, como existe uma enorme fatia do planeta onde ele não penetra, pelo menos com pesquisas feitas usando o alfabeto latino. O fato de não se achar referências ao nome do artista não quer dizer que ele não exista! Será isto tão difícil de entender? Ainda mais se tratando de artista “japonês”. As buscas no Google usando o romaji (=japonês escrito com alfabeto latino) são totalmente inconclusivas, porque 99.99% do que está escrito em japonês não é transcrito para esta escrita fonética (que se usa mais para comunicar com ocidentais). Para uma busca precisa seria necessário digitar nos caracteres japoneses (ideogramas) e naturalmente entender o conteúdo. Uma pessoa pode ser uma celebridade local no Japão e não existir uma única menção acessível via romaji. Fica a questão: para ser jornalista é preciso falar e escrever em japonês? E se o “artista” fosse russo, coreano, tailandês, vietnamita ou grego? Cada uma dessas línguas tem o seu próprio alfabeto e portanto são mundos fechados para o Google digitado em alfabeto romano. Tem que saber a língua e digitar no seu alfabeto… E, como sabemos, são muito poucos os grupos de comunicação no Brasil que tem bala na agulha para manter uma rede de correspondentes internacionais. Acredito que muitos jornalistas tenham feito a pesquisa no Google, afinal isso é hábito na profissão. Mas na falta de confirmação, preferiram dar o benefício da dúvida e publicar a nota, afinal a fonte construiu uma relação de confiança ao longo de anos e centenas de releases verdadeiros. Não havia razão para duvidar. Abraços. Alan Romero, Lisboa-Portugal – jan2006

36- Oi, Kelmer, como está? Achei super bacana seu artigo sobre o Zé Sareta; comungo com sua idéia de erguer uma estátua dele. Um abraço! Jorge Ritchie, Fortaleza-CE – jan2006

AMarmotaDoAno-05a


Suvinando priquita

21/01/2015

22jan2015

Pois você acredita que tem mulher que suvina priquita? Parece mentira, mas é verdade

SuvinandoPriquita-01

SUVINANDO PRIQUITA

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Pois não é que tem mulher suvinando priquita a essa altura do campeonato? Calma, eu explico. Lá naquele pedaço de chão mítico chamado Ceará há uma piada que as próprias mulheres fazem entre si, que eu adoro, e que só podia vir de lá mesmo, onde se faz graça com tudo que é sagrado e tudo que é desgraça. A piada é a da “suvinagem de priquita”.

Rio muito quando lembro dessa história. Mas vamos falar sério que o assunto mexe com coisa preciosa. Pra quem não sabe, suvinar é ser sovina com algo, e priquita é o mesmo que piriquita, xoxota, perereca, aquele negócio gostoso que tem dez mil nomes. Pois você acredita que tem mulher que suvina priquita? Parece mentira, mas é verdade.

Impossível, alguém vai dizer, afinal tá uma carestia danada de homem, a concorrência é cada dia mais acirrada e, pra piorar, os caras estão tudo virando gay. Poizé, não dá pra entender. Em vez de aproveitar o vento favorável e distribuir, tem mulher suvinando priquita. Mas elas suvinam por quê? Segundo a Discovery Channel, isso é normal, as fêmeas sapiens selecionam seus parceiros por meio de complexos joguinhos de sedução. Mas a suvinagem é um jogo tão complexo que o parceiro muitas vezes foge correndo.

Quelzinha, por exemplo. Quelzinha suvina porque não acha legal dar na primeira vez, que é pro gato, ou a gata, não pensar que ela é fácil, e nem dá na segunda, que é pro pretendente ficar na fissura, e nem dá na terceira, que é pra testar se a pessoa quer ela ou a priquita dela. Bem, desnecessário dizer que Quelzinha suvinou tanto que passou o Carnaval sozinha, ela e a priquita suvinada. Veja o caso de Rebeca, que desde o ano passado tá com a priquita guardada na geladeira. Por que ela faz isso? Porque tá esperando aparecer alguém melhor pra ela dar de comer. Segundo a Discovery Channel, quando ela se der conta que, quanto mais o tempo passa, mais o melhor fica pra trás, aí será tarde demais.

Uma prima minha suvinava priquita porque achava que era muito nova. Dezoito anos. Isso lá é idade pra alguém suvinar priquita. Hoje, vinte anos depois, ela ainda tá na ativa, mas já se arrepende da suvinagem da juventude. Poizé, mizifia, se a suvinagem não é recomendável quando você tá novinha, imagine quando a demanda cair.

Inconformadas. É assim que ficam certas mulheres quando descobrem que a amiga, mais bonita, não tá aproveitando devidamente as vantagens físicas que a Natureza lhe deu. Aí vem a frase típica: Mulher, eu não acredito não, tu tá suvinando priquita? E a fêmea suvinante, flagrada na descarada suvinagem, perde a esportiva: A priquita é minha ou é tua? E assim o mundo segue com suas injustiças, umas suvinando e outras carecendo.

Tem suvinagem de bilau? Eis um tema controverso. O bicho homem suvina pra esperar vir coisa melhor? Pra não pensarem que ele é fácil? Uma leitorinha me disse que alguns suvinam pra não se envolverem emocionalmente. Ahnn? Olha, nunca vi um caso assim, mas esse mundo é tão louco, né? O que sei é que às vezes o pênis sexual masculino não obedece ao desejo da cabeça de cima (um conflito fisiológico que a fêmea sapiens felizmente não tem), mas aí não é suvinagem, é fogo amigo mesmo.

A minha vó me ensinou que o que se guarda com fome, o gato, ou a gata, vem e come. Ops! É justamente isso que você quer, que comam, né? Que bom. Mas com a perseguida, o buraco é mais embaixo. Guardar sua fofolete na geladeira é muito arriscado, e se faltar energia? E se ela ficar com cheiro de estrogonofe? Olha, mizifia, se você aceita uma dica, faça o ritual da priquita sincera, é batata. Funciona assim: você põe um espelho que nunca foi usado na frente da querida ditacuja e pergunta, olhando sério pra ela: Amiga, eu tô te suvinando?, pode falar, amiga, se abra comigo. Se a amiga começar a chorar, aí você já sabe: tire imediatamente a pobrezinha da geladeira. E vamos economizar com água que é melhor, né?

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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VÍDEO-CRÔNICA

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APROFUNDANDO O TEMA…

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SUVINAGEM E CARIDADE

(Com informações gentilmente cedidas pelo Instituto Tábata de Pesquisas Alcovitais. Nossos agradecimentos à senhorita Tábata, sempre muito caridosa.)

De modo geral, entende-se por “suvinagem” o ato de negar um nheco-nheco a alguém quando o indivíduo não deveria fazê-lo. É um termo acusatório, com conotação negativa. Pra ocorrer a suvinagem, é preciso antes de tudo que exista o interesse por parte da outra pessoa. Se ninguém deseja sua priquita ou seu bilau ou seu furico, então você não pode ser acusado de estar suvinando nada. Entendeu, né? Espero que sim, pois não vou desenhar nada.

Os motivos da suvinagem podem ser:

Ausência de tesão – Nesse caso, o uso do termo suvinagem é controverso, pois se o indivíduo ou a indivídua não sente tesão, então não estaria havendo suvinagem. Porém, há uma corrente de pensamento, o bonobismo, que defende que, mesmo sem sentir vontade ou sentindo pouca vontade, devemos fazer a caridade, ou seja, temos o dever moral de fazer um nheco-nheco com quem nos deseja. Por que se chama bonobismo? Depois explico.

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Suvinagem por interesse – Algumas pessoas praticam a suvinagem pra certificar-se do grau de interesse do outro, pra atiçar o desejo do outro ou por puro prazer de torturar até a morte o ser desejoso. Pra alguns, a vingança é um bom motivo: primeiro provoca-se e depois suvina-se, o que se assemelha a deixar alguém com muita fome e depois levá-lo a um ótimo restaurante onde o coitado poderá tão somente olhar e cheirar os pratos. Tem gente muito ruim por aí que vive pra se vingar: atiça pra todo lado e pra todo mundo o tempo todo, mas na hora H, tome suvinagem. Há um projeto de lei que quer proibir que alguém suvine mais que três vezes por dia. Muito justo.

Economistas – Há os que suvinam porque acham que merecem coisa melhor. Evidentemente, têm todo o direito de achar. São os chamados economistas. O ato de economizar sexo pra usufruí-lo melhor no futuro é, evidentemente, um contrassenso, pois sabe-se que quanto mais se pratica, melhor se faz. Isso nos remete a uma natural constatação: os economistas trepam mal.

CARIDADE

A caridade é o oposto da suvinagem. Na caridade pura, o ato não contém qualquer outro interesse que não o de satisfazer o tesão do outro. Na caridade relativa, o ser caridoso tem algum tipo de satisfação ‒ passar o tempo, por exemplo. Porém, quanto mais houver prazer ou recompensa para a alma caridosa, menos caridoso será o ato. Se a caridade envolve sofrimento, não é mais caridade, e sim autotortura, mais ou menos como se obrigar a escutar por uma noite inteira a coletânea das pregações do pastor Feliciano.

Caridade por interesse – Se o indivíduo faz o nheco-nheco porque tenciona uma promoção no trabalho ou vingar-se do ex ou da ex, isso obviamente não é caridade. Um caso para se pensar é o da moça que apostou com as amigas que treparia 100 vezes num ano: quando faltava um dia para expirar o prazo, a conta estava em 99. O que ela fez? Deu para o pastor da igreja, que a perseguia fazia tempo. Isso é caridade? Evidente que não, pois a moça ganhou a grana da aposta e, de quebra, ainda vai para o céu. Quando morrer, claro.

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Bem para o mundo – Os defensores da caridade sexual argumentam que a prática alivia as tensões do mundo e promove uma sensação de bem-estar coletivo, além de friccionar e aquecer o mercado dos motéis e sex shops. A caridade, obviamente, nada tem a ver com violência sexual, pois é necessário que o indivíduo caridoso queira, de livre vontade, a realização do ato. A Cinta-Liga Caridosa, uma ONG que promove a prática da caridade em todo o mundo, sugere que a ONU incentive os líderes mundiais a fazer caridade antes de cada rodada de negociações. O Blog do Kelmer apoia a iniciativa.

Nheco-nheco sem vontade – Caridade é muito bonito mas… como fazer sem vontade? Para a fêmea sapiens, costuma ser mais fácil, ao menos teoricamente. Para o macho, caso o ato requeira um bilau ereto, costuma ser mais difícil. Machos sapiens jovens geralmente possuem boa disposição para a caridade mas, com o avançar da idade, encontram crescentes dificuldades para a prática pois, como sabemos, a fisiologia do tesão masculino requer que haja uma concordância entre a cabeça de cima e a cabeça de baixo, ou seja, entre a vontade consciente de fazer o nheco-nheco e o necessário interesse orgânico pelo ato. Quando não há esse entendimento, isso se chama discordância duplo-cabeçal. E é literalmente brochante.

Caridade masculina – A natureza duplo-cabeçal do tesão masculino é responsável por situações dramáticas, como a do sujeito que reserva a suíte presidencial do motel mais caro da cidade para uma noite de sexo selvagem com a amada e, na hora H, o máximo de selvageria que consegue é chutar o balde de gelo do champanhe, muito puto por ter brochado. O oposto também acontece: o macho sapiens é surpreendido por uma súbita e incontrolável ereção ao ver a própria mãe pelada ou ao ver a vizinha na piscina do prédio, sendo que a guria tem doze anos ‒ em ambos os casos, o desejo sexual partiu da cabeça de baixo e chocou-se com a moral da cabeça de cima, que o rejeita. Os bonobos, aqueles nossos primos macacos que trepam até em velório, não têm esse problema: quem não faz caridade é expulso da tribo. Por isso, os humanos caridosos também são chamados de bonobos. Daí a bonobice, a corrente que defende que devemos sempre fazer caridade, inclusive em velório.

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Dicas para a cidade masculina – Aos machos sapiens que não desejam ser acusados de suvinagem, seguem dicas para a prática da caridade. Se houver ausência de tesão, o fetiche pode ajudar a erguer o interesse do bilau. Fetiches existem aos zilhões, escolha o seu: pés, chicotes, fotinhas safadas, filminhos na TV, acessórios, falar como neném (sim, tem gente que se excita com isso)… Muito comum também é o uso da imaginação: feche os olhos e lembre daquela sua prima danadinha que fingia dormir enquanto você a bulinava, e ela não acordava nem quando você metia nela. Pense num sono pesado.

E as pilulazinhas subidoras de bilau? – Fármacos como o Viagra (que fazem aumentar a circulação de sangue no interior do bilau e, consequentemente, provocam a ereção, nem sempre resolvem o problema da discordância duplo-cabeçal. Se o sujeito quer o nheco-nheco mas o bilau não quer, as pilulazinhas, por si só, não farão o desgraçado traidor mudar de ideia. Porém, se o sujeito conseguir se concentrar em algum fetiche ou na lembrança da prima safadinha, o bilau acabará se animando e concordando com a cabeça de cima, e terá a seu favor um melhor fluxo sanguíneo proporcionado pelo remédio, o que acarretará numa ereção mais firme e prolongada. Conclusão: vai fazer caridade? Passe antes na farmácia.

Gemedores e paradinhos – Os praticantes da caridade podem ser divididos em dois grupos: os gemedores e os paradinhos. Os caridosos gemedores são os que se esforçam para agradar, e para isso gemem, gritam e aceitam experimentar posições estranhas, como a Ventania no Bambuzal. Alguns até fingem orgasmos mirabolantes, e há casos de gemedores tão competentes que eles mesmos ficam na dúvida se fingiram ou se realmente gozaram. Obviamente, se um gemedor goza, não é mais um gemedor, é um gozador mesmo, e os gozadores não estão fazendo caridade nenhuma. Há gemedores radicais que apelam e até dizem que amam e que querem casar, ou o contrário, que jamais jamais vão casar, um agrado que cada vez tem funcionado melhor. Já os caridosos paradinhos não fazem nada disso, no máximo esticam o braço e trocam o canal da TV. Como tem gosto para tudo, até os paradinhos fazem sucesso. Aliás, alguns paradinhos se especializam e se fingem de mortos, e só abrem os olhos e se mexem quando o outro vem avisar que a pizza chegou.

Dicas para caridade feminina – O Blog do Kelmer aceita sugestões das leitorinhas.

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CASOS DE SUVINAGEM E CARIDADE. OU NÃO

SuvinagemClaraMeadmore-01Virgem aos 105 anos – Clara Meadmore tem 105 anos e se orgulha de não precisar de dentadura. Nascida em Glasgow, na Escócia, no início do século 20, ela acredita que o segredo de sua longevidade é nunca ter feito sexo, pois, segundo ela, sexo envelhece. Para ela, o nheco-nheco sempre foi algo complicado, que atrapalharia sua vida. “Eu sempre estava ocupada fazendo outras coisas, e nunca tive tempo de pensar em sexo”, explica. Esse caso pode ser considerado como suvinagem?

SuvinandoPriquitaCaridadePeterLynagh-01Abstinência gera caridade no Camboja – O australiano Peter Lynagh apostou com um amigo que ficaria um ano sem sexo e, depois, a aposta se transformou em uma arrecadação para caridade, com a página Pete’s Chastity for Charity (Castidade de Pete para a Caridade) no Facebook, e levantou mais de US$ 50 mil para a instituição Free to Shine, que educa e salva meninas cambojanas do comércio sexual. Esse caso pode ser considerado como suvinagem?

SuvinandoSexoCaridadeMaríaCarolina-01Sexo pelas crianças pobres – María Carolina é uma prostituta chilena. Ela decidiu doar o dinheiro arrecadado com 27 horas de trabalho (cobrando U$ 300 por cada hora e meia) para uma campanha de caridade em favor de crianças pobres e deficientes. Esse caso pode ser considerado como caridade?

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

AsCiclistasOrgasticasDaColombia-01aAs ciclistas orgásticas da Colômbia – Ciclistas usam a energia de seus orgasmos para vencer corridas

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A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

Diametral,NinfaJessi03aAs aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

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O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir

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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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COMENTÁRIOS
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01- Ricardo Kelmer, me lembro tanto de ti quando escuto isso. Dou uma gargalhada imensa. Nely Rosa, Fortaleza-CE – jan2015

02- Amei essa de suvinar… kkk gente querendo dá… e doidinha suvinando. Pô… que desigual! Bjs Carol. Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

03- já li e adorei Ricardo Kelmer! Show! Solange Brito, Fortaleza-CE – jan2015

04- Sobre perder tempo com alguns preconceitos que depois podem pesar muito quando nos dermos conta de que a vida simplesmente passou! ( gostei, Kelmer, por mim, pode deixar de sovinagem com a nova postagem!!! ). Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – jan2015

05- Um absuuuurdo, essa suvinagem!!!kkkkkk. Ariane Araújo, Fortaleza-CE – jan2015

06- Ainda tem quem faça isso. Ninguém deve suvinar nem água quem dirá o resto. Valéria Assunção, Fortaleza-CE – jan2015

07- Não achei nada de engraçado e acrescento portanto je ne pa suis suvinando qualquer coisa…. Maria Socorro Lima Giambarba, Fortaleza-CE – jan2015

08- Suvinar piriquita é nova pra mim. Conheci como ‘regular’. Aqui em sampa… tb já vi: regular essa micharia. Hahaha. Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – jan2015

09- Não achei a crônica machista e tb não concordo q ela incite a mulher a fazer o q ela não está a fim, é apenas uma idéia bem humorada de não ser suvina, mas quem tem q decidir é ela, sabe, acho isso muito controverso e relativo Ricardo Kelmer! Solange Brito, Fortaleza-CE – jan2015

10- É por isso que eu não suvino não, dou e dou de coração e pernas abertos! Samara Do Vale, Fortaleza-CE – fev2015

11- ” cheiro de estrogonofe”? oh putaria! hahahahaha. Gerardo Lima, Fortaleza-CE – fev2015

12- Segundo discovery channel….kkkkkkkkkkkk, menino tu é uma figura, adoooorooooo, eta povo suvino!! Regia Alves, Fortaleza-CE – fev2015

13- está muito divertida com os ajustes para a publicação liberada. Kkkkkkkkkk falar como neném??? Brochante! Kkkkkkk eu me divirto com essas doidices Kelmicas! Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – fev2015

14- rsrsrs muito boa… Hugo de Freitas, Fortaleza-CE – fev2015

15- Pior que tem homem que sovina bilau sim… sabe, aquele papo de: – To me guardando pra minha musa. tenho um amigo que diz isso e bota defeito em todas q querem fazer caridade interesseira com ele ( elas só querem gozar), pois ele só quer uma mulher (a musa dele) que é sovina pra ele. Dorah Andrade, São Paulo-SP – fev2015

16- Vou enviar o e-mail mas eu particularmente ñ sou suvina kkkkk gosto de sexo … Luciene Maia, Fortaleza-CE – fev2015

17- Explica pra este gringo a suvinagem……….. Matthew Berigan, Campina Grande-PB – fev2015

18- Foi uma das coisas que mais me divertiram quando estive em fortaleza….além do Teatro do Humor, que este…não tem prá ninguém! Fatima Carvalho, Santo André-SP – fev2015

19- Eu ouvi assim: ” Ta regulando essa micharia?” Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – fev2015

20- Muito bom. Você montou uma enciclopédia erótica!! Pura sacanagem!! Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – fev2015

21- Pois é Ricardo Kelmer nessa suvinagem toda, ninguém come ninguém, e ninguém dá pra ninguém muito sem graça mesmo. Dorah Andrade, São Paulo-SP – fev2015

22- Ai…ai…Kelmer! Regina Zamora, São Paulo-SP – ago2015

23- Caro uy uy! Iris Salas, Granada-Espanha – ago2015

24- Kkkkkk. Marialucia da Silveira, Campinas-SP – ago2015

25- Parabéns, Kelmer! Giba C. Carvalho, Recife-PE – ago2015

26- Kkkkkkkkkkkkkkk! Demais! Dri Flores, São Paulo-SP – ago2015

27- kkkkkkkk. Nilzete Lalá Nascimento, São Paulo-SP – ago2015

28- Sensacional!! Espetacular demonstração da autêntica molecagem cearense!!! Henrique Daniel Carvalho, Fortaleza-CE – ago2015

29- Já li 10 vezes. Rogers Tabosa, Fortaleza-CE – ago2015

SuvinandoPriquita-01a

 


 


Meu Natal inesquecível

27/12/2014

26dez2014

Shopping lotado, crianças gritando e, oh, a música da Simone

MeuNatalInesquecivel-04

MEU NATAL INESQUECÍVEL

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Shopping center não é dos meus lugares preferidos, mas precisei comprar um cabo pro meu celular e, como tinha um shopping pertinho, fui caminhando até lá. Quando cheguei foi que me toquei que, putamerda, era véspera de Natal… Estava tão lotado que me arrependi e quis voltar, mas fui arrastado pela multidão e, na confusão, perdi um chinelo. Então lá estou eu, na escada rolante entupida de gente, descalço, segurando um chinelo, e a escada trava. Que maravilha, né? Quando penso que não pode ficar pior, escuto uma música familiar… É Simone, onipresente nas centenas de caixas de som do shopping, cantando Então é Natal.

O fim dessa história é trágico, mas vamos em frente, o que importa é que sobrevivi pra contar. Pois bem, aguentei firme Simone cantando Então é Natal, espremido entre quinhentas pessoas na escada rolante travada. Porém, a música toca de novo, e depois de novo, e fica tocando sem parar. Eu fecho os olhos, sem acreditar no que acontece.

Crianças. Adoro essas criaturinhas, mas às vezes elas servem às forças malignas, você não acha? Pois não é que um grupo delas, que se divertiam por estarem presas na escada rolante, começa a cantar com a Simone? E, pro meu desespero, a insanidade infantil se alastra e, de repente, todos na escada estão cantando, não, estão berrando a plenos pulmões: Então é Nataaaaaal… E eu começo a suar frio.

O coro chamou a atenção de todos, claro, e me vi vivendo um pesadelo real: preso na escada rolante, com quinhentas pessoas metidas a anjo cantando celestialmente Então é Natal, e ao redor e embaixo e em cima, por todo lado, uma multidão maravilhada com o nosso singelo e espontâneo coro natalino, todos tirando fotos e filmando. E eu lá no meio do filme de terror, passando mal, uma coisa muito ruim me subindo pelo estômago, pelo peito, pela garganta…

Rô, rô, rô, ele está vivo! Foi isso que ouvi quando minha consciência voltou. Era um enfermeiro magricela, vestido de Papai Noel, a me oferecer um copo dágua. Putz, eu estava na enfermaria do shopping.

Recusei a água (não acredito em papainoeis magricelas) e ele me explicou o que aconteceu: eu tivera um surto na escada rolante e comecei a dar chinelada nas crianças, gritando “Leve-me à sua líder, seu Pokémon do Mal!”, e logo depois desmaiei. Uau… Fiquei impressionado, pois sou um cara da paz, mas o enfermeiro disse que não era o primeiro caso, e que foi justamente por isso que muitos shoppings deixaram de tocar Então é Natal. Agradeci e me levantei pra ir embora, mas ele avisou que a música ainda estava tocando, e que tocaria também nas versões com Luan Santana e padre Marcelo Rossi, e só pararia no dia seguinte. Quando eu já ia desmaiar novamente, ele me entregou um par de protetores de ouvido: Tome, isso vai ajudar. E foi assim, auditivamente protegido, que finalmente consegui escapar daquele pesadelo.

O cabo do celular, acabei não comprando, fui direto pra casa. Ainda assustado e sem os meus chinelos. Os protetores de ouvidos, ah, eles eu guardei, pra usar sempre que for a um shopping no fim do ano. Nunca se sabe, né?

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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A música Então é Natal é uma versão feita pelo compositor Claudio Rabello da canção Happy Xmas (War is over), de John Lennon e Yoko Ono, e foi gravada pela cantora Simone em 1995.  A música original, gravada em 1971, é uma canção de protesto contra a Guerra no Vietnã, e com o tempo tornou-se um famoso tema de Natal. No Brasil, a versão cantada pela cantora Simone, ainda que tenha no fim a citação de Hiroshima e Nagasaki, afastou-se do tom de protesto, revestiu-se de um caráter mais religioso (a canção original em nenhum momento fala de cristianismo) e adquiriu um notável espírito de pieguice, o que, associado ao apelo hiperconsumista do Natal, acabou fazendo a música ser insuportável para muitas pessoas. Veja o clipe oficial (e perceba que o mundo não mudou nadinha…):

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LEIA NESTE BLOG

ARevoltaDasPeladonas-01aA revolta das peladonas – Um dia, elas começaram a correr peladas pelas ruas. Foi só o início…

As ciclistas orgásticas da Colômbia – Ciclistas usam a energia de seus orgasmos para vencer corridas

Quem poderá me salvar – Heroínas e heróis da minha vida

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

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Comentarios01COMENTÁRIOS

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01- Ahahaha!!!! Muito bommmm! Em SAMPA ou FORTAL? Reny Diel, Fortaleza-CE – dez2014

02- Kkkkkkkkkkkk boa. Alessandra Corrêa, Fortaleza-CE – dez2014

03- Bom kkkk. Roberto Studart Soares, Fortaleza-CE – dez2014

04- Imaginei o Cinderelo natalino uma mistura de Belo desmaecido,usando o pé que restou pra dar chineladas na molecada, kkkkkkkk acordado por um Papai Noel magricela!!! kkkkkkkk. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – dez2014

05- chorei. Flávia Castelo Batista, Fortaleza-CE – dez2014 

06- kkkkkkkkkkkk. Imaginei a cena se passando na escada rolante da parte velha lá do Iguatemi!!! Dava um ótimo curta!! Elaine Luz, Fortaleza-CE – dez2014

07- Ana Lucia Castelo Adorei kkkkkkk feliz ano Ricardo Kelmer!!!!!

08- Kkkkķk so tu mermo, nao nega a raça em todos os “sentidos” kkkkk. Izabel Castro, São Paulo-SP – dez2014

09- Nossa, que terror! veja o link que Mob Cranb colocou aqui. Com todo o nosso carinho! A parte da chinelada é demais! Kkkkkkkkkkk Sorry. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – dez2014

10- Marcelo é o “artista” brasileiro que mais vende discos no Brasil: http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_best-selling_albums_in_Brazil Luc Lic, São Paulo-SP – dez2014

11- Que sufoco hem? Edna Pontes, Fortaleza-CE – dez2014

12- Kkkkkkkkkkkl. Kcal Claudia Rocha GorDivah, Rio de Janeiro-RJ – dez2014

13- muito bom…isso da enredo (e dos bons) p esses filmes de fim de tarde sobre o natal…seria um filme descente….engraçado (me desculpe mas eu ri kkkk) e finalmente quissá o primeiro filme Honesto sobre natal e seus afins! Patrícia Hakkak, São Paulo-SP – dez2014

14- Putz Kelmer. Não consegui parar de rir até agora! Jefferson Souza, Fortaleza-CE – dez2014

15- Muito legal!!!rsrs! Joana Darc Pedrosa, Fortaleza-CE – dez2014

16- Kkkkkkk Deuzulivi eu jogava tudo da escada fingindo que era chaminé: “- Então é Natal e o q vc fez?” Hilbana Fig Jamacaru, Fortaleza-CE – dez2014

17- passei por isso essa semana até vontade de vomitar eu tive e a musiquinha dos sinos tocando… Angélica Nogueira, Salgueiro-PE – jan2015

18- Então é Natal!!! ninguem merece. tadinho. Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

19- Kelmer, tô rindo muito imaginando a cena… e pq esse povo não desceu as escadas normalmente??? Estranho é isso… Ahora a música, nem comento! E como tú conseguio perder o chinelo logo no começo??? Agora, o melhor deve ter sido tua cara qd te disseram que tava dando chineladas nas crianças… muito engraçado… kkkk Um beijão e 2015 com muita coisa boa, paz, saúde e sem shoping. Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

20- Kkkk. Adriana Alves, São Paulo-SP – jan2015

21- FELIZ ANO NOVÍSSIMO !! TE AMO !! BJ. Rita Austregesilo, Fortaleza-CE – jan2015

22- Rapaz , parabéns, como você aprendeu a fazer isso. Jose Leite Netto, Fortaleza-CE – jan2015

23- KELMER, o jeito mesmo é ficar longe de shoping… e o tal lance que ía comprar? Bjs, bjs… Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

24- kkkkkkkkkkkkkkk. Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – jan2015

25- kkkkkkkkk. Leite Neto, Fortaleza-CE – dez2015

26- kkkkkkkkkkk. Onde é que João Lenon estava com a cabeça quando fez essa música, hein? Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – dez2015

27- Que falta de sorte, heim?Perder o único chlinelo!.Merece dizer esse palavrão mesmo. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – dez2015

28- acredita que o skank regravou essa musica maldita ??? outro dia ouvi na radio com eles cantando e eu disse nãaaaoooooooo….. Adriana Alves, São Paulo-SP – dez2015

29- Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Vanessa Machado Monte, Fortaleza-CE – dez2015

> Postagem no Facebook (2014)

MeuNatalInesquecivel-04a

 


A revolta das peladonas

12/11/2014

12nov2014

Um dia elas começaram a correr peladas pelas ruas. Foi só o início…

ARevoltaDasPeladonas-01.

A REVOLTA DAS PELADONAS
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No futuro, nossos bisnetos comentarão na hora do recreio:

‒ Que aula incrível! Adoro história do Brasil.

‒ Você viu? Quando começou, ninguém entendeu nada.

‒ Mas quem poderia desconfiar, né?

‒ Ninguém. Eram apenas mulheres correndo peladas pelas ruas.

‒ Diziam que eram loucas, ou que estavam em busca de fama.

‒ Marketing de tênis esportivo.

‒ Muitas eram presas por atentado ao pudor. Mas logo eram liberadas. E faziam de novo.

‒ Minha avó foi presa doze vezes, e ela já tinha setenta anos. Os delegados não aguentavam mais. A senhora pelada na rua de novo, vovó?

‒ Sério? Que demais! Você deve ter muito orgulho, né?

‒ Sim, e meus pais também. Tanto que me batizaram com o mesmo nome dela.

‒ A primeira peladona na minha família foi minha tia. Ela aproveitou e nunca mais voltou pra casa. Largou o marido que batia nela e montou uma banda de rock, que era seu grande sonho.

‒ Além de marido, muitas largaram o trabalho. Por isso diziam também que era uma conspiração… como é mesmo?

‒ Feminista-naturista-comunista radical.

‒ Diziam também que estavam possuídas pelo demo.

‒ Que nem a amiga da minha mãe, coitada. Expulsaram o demo dela, mas ela largou a igreja e continuou correndo pelada, e fazia questão de passar em frente bem na hora da sessão de descarrego.

‒ A Revolta das Peladonas, foi assim que o fenômeno ficou conhecido. Ficar pelada era uma forma simbólica de se libertar das opressões machistas na família, no trabalho, na religião, e até no barzinho. Mas a coisa logo passou do simbolismo pras reivindicações.

‒ Ah, deve ter sido o máximo! De repente estavam todas peladonas, ofendendo os bons costumes. A mulher do cara, a filha, a vizinha, a diretora do colégio, a gerente do banco…

‒ E como não podiam prender milhões de mulheres, tiveram que aguentá-las peladas em todo canto, a exigir direitos iguais. E tanto fizeram, que conseguiram. Hoje o termo feminista nem faz mais sentido.

‒ Mas mantiveram a lei de atentado ao pudor pra nós homens. Pode uma coisa dessa?

‒ O povo daquela época era muito burro.

‒ Pois é, e deu no que deu: os homens também se revoltaram, exigindo direito de nudez igual. O deputado Tiririca fez um discurso histórico no plenário. Só de dentadura. Foi aí que ele virou patrono da Revolta dos Peladões.

‒ E acabou Presidente da República.

‒ Tem uma estátua dele no meu condomínio. Só de dentadura.

‒ Se a gente vivesse cinquenta anos atrás, algum adulto já teria vindo aqui mandar a gente vestir uma roupa. E eu certamente seria mandada pro Conselho Tutelar.

‒ Ainda bem que vivemos no tempo de hoje. Nem me imagino todo vestido nesse calor.

‒ Minha prima, como é muito religiosa, usa uma folhinha de parreira.

‒ Viver numa sociedade onde a nudez é pecado deve deixar a gente neurótico.

‒ O que você trouxe pra gente lanchar?

‒ Maçã. Quer uma?
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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O INÍCIO DA REVOLTA

Mulher é detida pela polícia ao correr nua em parque de Porto Alegre – Uol, 30.10.14

Outra mulher sai andando nua em Porto Alegre – Uol, 06.11.14

Em 11 dias, terceira mulher é flagrada pelada em Porto Alegre (RS) – Uol, 09.11.14

“Logo entrou em um carro”, diz testemunha de pelada no RS – Terra, 11.11.14

O que significa a onda de peladas em Porto Alegre – Zero Hora, 11.11.14

Google tira do ar game inspirado em mulheres nuas de Porto Alegre – Bol, 13.11.14

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 IMAGENS DA REVOLTA

 ARevoltaDasPeladonas20141030-01As pioneiras da Revolta das Peladonas surpreenderam a todos

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ARevoltaDasPeladonas20141030-02Vistas como um perigo à ordem estabelecida, muitas peladonas foram presas

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ARevoltaDasPeladonas20141106-01Cada vez mais ousadas, as peladonas desafiavam abertamente a lei

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Impotentes diante de tantas peladonas, os homens tiveram que aceitar as reivindicações por direitos iguais

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SOBRE NUDISMO E NATURISMO

Naturismo-02aO nudismo é uma prática integrada no conceito mais vasto de naturismo que consiste na não utilização de vestuário para actividades recreativas em ambiente social. A nudez total é vista como uma forma de contacto com a natureza e sem conotações sexuais ou morais de modéstia. A prática do nudismo poderá ser efetuada em praias, lagos, piscinas ou outros espaços – usualmente ao ar livre – normalmente em áreas designadas para o efeito. (fonte: Wikipedia)

O naturismo (não confundir com naturalismo) é um conjunto de princípios éticos e comportamentais que preconizam um modo de vida baseado no retorno à natureza como a melhor maneira de viver e defendendo a vida ao ar livre, o consumo de alimentos naturais e a prática do nudismo, entre outras atitudes. (fonte: Wikipedia)

Federação Brasileira de Naturismo

Corte Europeia rejeita pedido de andarilho britânico de caminhar nu – Folha de São Paulo, 28.11.14

 

SOBRE FEMINISMO E SEXUALIDADE FEMININA

AsCiclistasOrgasticasDaColombia-01aAs ciclistas orgásticas da Colômbia – Ciclistas usam a energia de seus orgasmos para vencer corridas

Os apuros do homem feminista – Minha busca por relações igualitárias foi dificultada também porque muitas mulheres, mesmo oprimidas, preferiam relações baseadas no velho modelo machista

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990) – Um livro belo e libertador, que celebra o sagrado na sexualidade

Lola Benvenutti e a coragem de viverA única salvação possível é sermos quem verdadeiramente somos. Parabéns, Lola, por sua coragem e autenticidade

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação pela submissão no sexo anal

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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Seja Leitor Vip e ganhe:

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Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

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COMENTÁRIOS
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01- Imaginação fértil Ricardo Kelmer. rsrsrs Mas pelo o que anda acontecendo, é bem provável que vá ser assim mesmo e aí a gente volte ao “paraíso”. Renata Kelly, Fortaleza-CE – nov2014

02- kkkkkkkkkkkkkkk adorei! Marici Silva, São Paulo-SP – nov2014

03- kkkkkkkkkkkkk! ótimo texto! Diana Sulamericana, Fortaleza-CE – nov2014

04- Muitoooo booommm!! Sergio Santos!! Leia isto!! E a sua cara!! Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – nov2014

ARevoltaDasPeladonas-01a


 


Aécio Neves e as levianas

24/10/2014

24out2014

Tem hora certa pra chamar uma mulher de leviana

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AÉCIO NEVES E AS LEVIANAS

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O candidato à presidência Aécio Neves perdeu um significativo percentual de eleitoras mulheres ao repetir com a presidenta Dilma Roussef o que fizera em outro debate com a candidata Luciana Genro. Chamando-as de levianas (que fixação, eu, heim), sem querer comprou briga com muitas mulheres, inclusive as próprias levianas. Aecim, meu fi… Você, que já frequentou muito as baladinhas cariocas, já devia saber que tem hora certa pra chamar uma mulher de leviana. Em sua homenagem, acionei meu lado feminino, a Kelmerina, e fiz esta brincadeirinha, espero que não me leve a mal. Nem você, nem as levianas deste Brasil-sil-sil.

A propósito. Esta brincadeirinha já rendeu algumas ideias interessantes. Uma delas é criar o bloco carnavalesco Levianas do Aecim. A concentração seria no aeroporto e a madrinha do bloco chegaria de helicóptero. Tudo isso, evidentemente, com patrocínio do Pó Royal.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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O BAILE DO PÓ ROYAL

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LEIA NESTE BLOG

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Me estupra, meu amor – Fantasiar ser estuprada é uma coisa – querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente

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As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz.

Estão abduzindo nossas mulheres – Abdução em massa de brasileiras! E bem debaixo do nosso nariz. Alguém precisa fazer algo, daqui a pouco só vai ter homem aqui

O feminino em mim – O feminino tem muitas luas, é menina e é mulher, é santa e é prostituta

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COMENTÁRIOS
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01- Fernando Vasqs Kkkkk, boa! Depois disso, o playboy perdeu 5 pontos com as mulheres no Datafolha.

02- eu, sou brasileiro, c muito orgulho, c muito amor. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – out2014

03- Isso da um bloco de pre-carnaval bem bacana: As Levianas de Aecio. Ana Lucia Castelo,

04- hahahaha..Boa!!!! Tania Souza, São Paulo-SP – out2014

05- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Gizelle Saraiva, Natal-RN – out2014

06- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Jessica Giambarba, Fortaleza-CE – out2014

07- HAHAHAHAHAHHAHA. Sâmara Paula, Fortaleza-CE – out2014

08- Obrigado por me incluir nas Kelmericas! Bjos.kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Você é ótimo…..kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Angela Marques Gadelha, Fortaleza-CE – out2014

09- kkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Rildson Valmont, Fortaleza-CE – out2014

10- Risos levianos. Auri Castelo Branco, Fortaleza-CE – out2014

11- Hahahaha! É verdade que o Aécim tem dois filhos, o Levi e a Ana? André Braga Nunes, Fortaleza-CE – out2014

12- E são mesmo! Duas lokas! ahhhh pelamor … Ana Luisa Stoffelshaus, Santiago-México – out2014

13- Boa, boa! Carmélia Aragão, Fortaleza-CE – out2014

14- Hahahahaha. Joyce Néia, São Paulo-SP – out2014

15- Kkkkkkkkk, amei! Herjan Flor Branca Do Baobá, Fortaleza-CE – out2014

16- kkkkkkkkkkkkk kelmer, seu fanfarrão! kelmerina, sua leviana! Clarisse Ilgenfritz, Fortaleza-CE – out2014

17- kkkkkkkkkkkkkk… Kelmerina é bom demais!!! Déborah Lima, Fortaleza-CE – out2014

18- Kkkkkk…muitoooo bom!!! Nicole Guilhon, Fortaleza-CE – out2014

19- NÃO PERDER O HUMOR, JAMAIS! KKKKKK. Márcia Maracajá, Garanhuns-SP – out2014

20- Levianos unidos jamais serão vencidos! Deco Rodrigues, Pelotas-RS – out2014

21- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, morri bêbada, leviana e rindo do aparelho excretor dos outros (que no dos outros é refresco)!!!!!!!!!! Cibele Baptista, Barretos-SP – out2014

22- Nojo mortal só de ouvir a voz desse ser na propaganda eleitoral e o riso debochado dele chega a ser indecente… Viviane De Brito Monteiro, Santos-SP – out2014

23- Kkkkkkkkkkkkk Romulo MorelFortaleza-CE – out2014

24- RK COMENTA: Meu amigo Fábio Danesi (São Paulo-SP), com quem tive o prazer e alegria de trabalhar como roteirista no Rio de Janeiro, publicou suas previsões no Facebook logo após a confirmação da reeleição de Dilma Rousseff, em 26.10.14. Espero que ele erre feio. 🙂

Amigos e conhecidos que votaram no PT, anotem o que vou escrever aqui: Nos próximos anos, a inflação vai aumentar, o desemprego vai aumentar, os impostos vão aumentar, a dívida pública vai aumentar, o pobreza vai aumentar. Os investimentos, a poupança e a riqueza vão diminuir. Ao mesmo tempo, o PT tentará de todo jeito controlar a mídia, o supremo, a polícia federal e o ministério público. Tentará fazer a pior reforma política possível e destruir a nossa liberdade de escolha. Daqui a quatro anos, teremos um país bem pior. Então, na melhor das hipóteses, Aécio será eleito no primeiro turno e terá que ter a capacidade de um Fernando Henrique para colocar o país de volta nos trilhos. Se tiver, o Brasil só perderá alguns anos. Todos pagaremos caro por isso (menos os amigos do governo), mas, quem sabe, nossos filhos vejam um país melhor depois que saírem da faculdade. Na pior das hipóteses, o PT conseguirá controlar completamente o país, tornando a eleição um mero truque de ilusionismo totalitário. Anotem. Se eu estiver errado, podem me lembrar do que escrevi aqui. Porque eu vou ficar o tempo inteiro lembrando vocês, caso eu esteja certo.