O palco da festa CABARÉ SOÇAITE é aberto a todos que desejarem dançar, fotografar ou fazer suas performances. Além das performances espontâneas há sempre apresentações especiais, combinadas previamente. No Cabaré de jun2010, em Fortaleza, a cantora Carol Oliveira pegou o violão, assumiu sua persona Carol do Terminal e, com toda a graça, prestou uma bela homenagem à cantora Diana, cantando Ainda queima a esperança e Por que brigamos. Carol é um dos maiores nomes da cena musical de Fortaleza e seu trabalho pode ser visto semanalmente nos bares e casas de show da cidade.
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Carol Oliveira
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NÚMEROS SUGERIDOS pras próximas edições do Cabaré Soçaite:
– Dança: tango, lambada, dança do ventre, dança dos sete véus e dança do poste (pole dance) – Strip-tease tradicional ou burlesco (com humor) – Homenagens musicais (cantando ao vivo, dublando, interpretando ou parodiando): Odair José, Waldick Soriano, Sidney Magal, Gretchen, Núbia Lafayette, Wando, Fernando Mendes, Genival Santos, Falcão, Abba, Vanusa e Pimpinela – Homenagens cinematográficas: imitação de cenas famosas do cinema – Imitações diversas
São Paulo: 06nov – Espaço Atelier
Rua Purpurina, 534 – Vila Madalena Quer ganhar 2 ingressos? Deixe postagem com seu nome/sobrenome. Divulgarei o resultado aqui mesmo na 4a feira 03nov. . Fortaleza: 03dez – Acervo Imaginário
Rua José Avelino, 226 – Praia de Iracema
PARTICIPE
Você tem um número interessante pra apresentar no Cabaré Soçaite? Fale com a gente: cabaresocaite(arroba)gmail.com. Pode ser uma performance de dança, poesia, teatro, música… Mas tem que haver algo de erotismo ou humor, ok?
PARCERIAS
Fazemos parcerias com empresas, divulgando suas marcas na festa e nas peças publicitárias, inclusive nos vídeos. Gostaria de participar? Fale com a gente: cabaresocaite(arroba)gmail.com.
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A promoção póstuma do nosso mais querido diplomata faz a sociedade brasileira se livrar de um peso moral que carregava havia quatro décadas
Em 1969 o diplomata Vinicius de Moraes foi forçosamente aposentado, após 26 anos de serviços prestados no Brasil, Los Angeles, Paris, Roma e Montevidéu. A decisão do Itamaraty se deu no contexto do Ato Institucional no. 5, o famigerado AI-5, que a ditadura militar decretou pra conceder poderes extraordinários ao Presidente da República e suspender garantias constitucionais dos cidadãos. A alegação oficial era de que o comportamento boêmio de Vinicius não condizia com a carreira pública.
Na verdade a boemia foi apenas o pretexto. O que era realmente insuportável pra mentalidade ditatorial era ter, em seu quadro diplomático, um poeta da paz e do amor, artista de sucesso, homem popular e amado pelo povo. Vinicius não criticava abertamente a ditadura militar mas a paz, o amor, a liberdade e a alegria que exalavam de sua arte e de sua vida simplesmente não cheiravam bem aos militares.
Evidente que Vinicius ficou muito chateado pela exoneração, ainda mais com a justificativa que teria sido dada pelo governo do marechal Costa e Silva: “Precisamos limpar o serviço público desses bêbados, corruptos e homossexuais.” Mas ele não perdeu o bom humor. Conta-se que, ao reencontrar os amigos, Vinicius apareceu com uma garrafa de uísque debaixo do braço e foi logo dizendo: “Eu sou o bêbado, viu?”.
Autoexilar-se na Europa e juntar-se aos amigos que viviam lá – Vinicius até pensou nisso mas preferiu ficar no Brasil e continuar fazendo resistência política a seu modo, com sua arte e sua mensagem de amor e paz. Se oficialmente não era mais diplomata, na prática ele seguiu representando e divulgando a cultura brasileira pra velhas e novas gerações, no Brasil e no exterior, como nenhum diplomata jamais fez. Até que em 1980 ele deitou em sua banheira amiga e deixou-se morrer, vítima de um edema pulmonar. Ele se foi mas nos legou a herança de sua arte imortal e seu inspirador exemplo de vida.
Corta a cena pra 41 anos depois. Estamos agora em 16 de agosto de 2010. Nesse dia, em Brasília, numa cerimônia que conta com a presença de amigos e parentes de Vinicius, o presidente Lula assina sua promoção póstuma ao cargo máximo de embaixador, respondendo ao movimento popular que se articulara em pró da reabilitação e promoção de Vinicius. A imprensa de vários países noticiou o fato e certamente muitas garrafas de uísque pelo mundo foram abertas pra festejar a reparação histórica. Embora a exoneração tenha sido obra exclusiva de uns militares covardes e mal-amados, a promoção póstuma do nosso mais querido diplomata faz a sociedade brasileira se livrar de um peso moral que carregava havia quatro décadas.
E eu, que comecei a amar Vinicius em minha adolescência, ainda estou aqui vibrando e brindando de contentamento. Mais que poeta preferido, Vinicius de Moraes é um guia que ilumina meu caminho com seu radiante exemplo de vida. E foi pra homenageá-lo que criei, em 2009, o espetáculo Viniciarte – Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes. Levar às pessoas a vida e a obra de Vinicius, com humor e emoção, é pra mim um grande prazer. Mas também é a melhor maneira que eu poderia encontrar de dizer:
– Obrigado, poeta. Parabéns, embaixador.
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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com
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LEIA MAIS
> Viver como Vinicius viveu – Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!
> Vinicius, embaixador da arte e do amor – A promoção póstuma do nosso mais querido diplomata faz a sociedade brasileira se livrar de um peso moral que carregava havia quatro décadas
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COMENTÁRIOS .
01- A crônica é maravilhosa. Vinícius deixa tudo mais apaixonado… Trazer o VINICIARTE pra Fortaleza seria uma ótima! Aline Alcoeres, Fortaleza-CE – ago2010
02- Adorei o texto. Bj. Raquel Brasil, Fortaleza-CE – ago2010
03- Adorei a cronica e repassei. Beijocas kelmericas. Ana Lucia Castelo, Newark – EUA – ago2010
04- Adorei a crônica! Mônica Burkle Ward, Receife-PE – ago2010
Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair
ODAIR JOSÉ, PRIMEIRO E ÚNICO
. Sujeito interessante esse goiano de Morrinhos. Ele ri pouco, mas vê-se que é boa-praça. Tem cara de bandido de velho-oeste. Mas suas músicas possuem uma ternura que salta aos olhos. Odair José é remanescente dos tempos em que não havia FM, a música popular não era tão diversificada como hoje e o rótulo “brega” sequer existia – em 1972 todo mundo era brega. Mas ninguém sabia disso.
Sua entrevista no Jô Soares Onze e Meia, em 1996, foi memorável. Odair contou como começou a se apresentar em Goiânia e de lá, ainda adolescente, foi para o Rio de Janeiro, onde chegou no fim dos anos 1960 e foi artisticamente adotado pela zona. Ele e seu violão já dormiram pelos banheiros da rodoviária de Londres. Mas o melhor é a música. Jô pede que ele toque algo. Ele pega o violão, assume aquele ar compenetrado de não-riam-porque-é-sério e toca. Do fundo do coração. A plateia ainda ensaia uns risinhos. O entrevistador tenta inserir piadinhas. Mas é inútil: Odair continua sério, mesmo cantando coisas que a maioria só cantaria de gozação.
Suas canções destilam considerações filosóficas sobre Deus, a vida, o amor, a paternidade, a solidão. Cheias de óbvios risíveis como só as grandes verdades podem ser. Mas também falam de garotas de programa, pílulas anticoncepcionais e empregadas domésticas envergonhadas. Tudo numa franqueza admirável. Tem o cara que comprou uma revista masculina e encontrou a foto da ex, olha que maldade. Tem o outro que sabe que a garota dá para os amigos dele só para fazer ciúme, a ingrata. Temas delicados, mas que na boca de Odair ganham ternura e romantismo insuspeitados. Você escuta e pensa: será que ele está falando sério mesmo? Pois, para o seu governo, está.
Odair estourou logo no primeiro disco, em 1972, com Vou Tirar Você Desse Lugar. Em 1973, com o polêmico sucesso Pare de Tomar a Pílula (porque ela não deixa nosso filho nascer), Odair provocou uma confusão danada. Parte da Igreja até simpatizava com a música, pois ela parecia ser contra a pílula. Mas outra parte se incomodou bastante porque a música falava de sexo como se sexo, imagiiiina, fosse algo natural. Odair quase provocou um cisma na Igreja. E ainda incomodou também o governo por supostamente atrapalhar a campanha de natalidade. E agora, proíbe ou não proíbe o diabo da música? Proibiram.
Logo depois, com Deixa Essa Vergonha de Lado, ele se tornou o guru-terror das domésticas. Nessa época, a mídia alimentou uma polêmica: Odair José ou Caetano Veloso? Parece mentira, mas é verdade. Os dois, inclusive, chegaram a cantar juntos a clássica Vou Tirar Você Desse Lugar. Tempos loucos.
Nos anos 80 Odair andou meio esquecido, mas nos 90 voltou à tona graças a movimentos musicais bem-humorados como Os Necessários e a Banda Vexame, que o adotaram como padrinho. Os Titãs também declararam seu amor e lhe deram a música Baby. A partir daí, Odair ganhou uma certa aura cult e hoje sua obra bem que merecia ser relida como fizeram com a de Roberto Carlos. Mas atenção. Ele não é neossertanejo de calças apertadas. Não faz o gênero bonitinho de Daniel, nem é raposa velha como Reginaldo Rossi. Não tem o apelo de Roberta Miranda, e muito menos a breguice intelectualizada de Falcão. Odair é único. Mas é um pato desajeitado entre os cisnes da grande mídia: por isso ela não o adota. Inveja dessa gente, Odair.
A Globo-Universal lançou em 2001 o CD Odair José ao Vivo, com 18 canções. Lá estão velhos sucessos como Esta Noite Você Vai Ter que Ser Minha, Que Saudade de Você, A Noite Mais Linda do Mundo e Eu, Você e a Praça. Banda ensaiada, arranjos modernos, plateia empolgada. Tem também Vou Tirar Você Desse Lugar, claro. Você eu não sei, mas muita gente boa já chorou essa música num cabaré, agarrado numa garrafa de Dreher. Mas hoje não existem mais cabarés… Tempos estranhos.
“Encostei o meu carro na praça e você, um tanto sem graça, sorriu pra mim…” Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair. De preferência numa dessas noites em que está de saco cheio dessas mulheres sabidas demais das cidades grandes. Pegue sua bebida, sente ao sofá e entenda a mulher odaírica: ela certamente trabalha em loja de departamentos, tem um jeito simples, é discreta e honesta. Aborde-a com delicadeza. Ela tem um passado triste nos olhos e aceitará um drinque com reservas. E amará você do jeito que você é. Que, cá para nós, meu caro, é o que você anda precisando.
Vou tirar você desse lugar (conto baseado na letra de Vou Tirar Você Desse Lugar. Um dia vai virar um curta-metragem, ah, vai)
De repente a semana cansativa, o trabalho desgastante, o crediário atrasado da tevê, tudo passou a ser apenas detalhes insignificantes a evaporar ao toque dos dedos dela…
Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro
O brega não tem cura – Porque o senhor sabe, né, o brega sempre puxa uma dose, que puxa outra, que puxa a lembrança daquela ingrata, que puxa outra dose…
Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra
Mesclando música e literatura, este show reúne clássicos da dor de cotovelo da MPB e histórias de amor inspiradas em sucessos de Odair José, Waldick Soriano, Diana, Reginaldo Rossi e Fernando Mendes, num formato divertido e interativo. As canções são executadas por Ricardo Kelmer e Felipe Breier (voz e violão) e também em trechos de suas gravações originais, com participação da plateia. Paixões de cabaré, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor… Favor pagar o couvert antes de cortar os pulsos.
Texto e direção: Ricardo Kelmer. Com Ricardo Kelmer e Felipe Breier.
VÍDEO – CLIPE 1 Trechos do show
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Acordar e pegar logo uma cerveja, pois o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto
MINHA VIDA COM JIM MORRISON
. Em julho de 1991 arrendei uma danceteria e fiz uma homenagem a Jim Morrison: A Noite do Rei Lagarto (ou Como Jim Morrison comemoraria em Fortaleza os 20 anos de sua morte). Assim mesmo, com toda a incoerência semântica, afinal Jim também não era lá de muitas coerências. Casa lotada, clima anos 60, modelitos paz e amor, sósias da Pamela Courson, cinco da manhã e Light my Fire tocando pela décima vez… Ai, ai, eu não imaginava tanta festa para um defunto. Não sei se ele gostou. Mas eu sim, e enchi o bolso.
Jim Morrison e sua urgência desatinada de viver foram meu guru por essa época. Álcool, música e literatura, sexo e poesia. Acordar e pegar logo uma cerveja, pois o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto. A ordem era experimentar-se pelo caminho dos excessos.
Sexta-feira, onze da noite. Meus 25 anos tinham um rito sagrado de iniciação noturna. Um bom banho acompanhado de uma dose de vodca pura, um poema vagabundo na velha Remington, mais uma vodca, L.A. Woman no volume máximo, mais uma dose e pronto, eu podia sair para a noite dengosa da cidade, atrás de lucky little ladies ou lost angels para acender meu fogo. Ai, ai. Não sei como o próprio Jim não surgiu noite dessas na rua a me pedir carona para o Badauê.
Depois dediquei-lhe um livro de contos que não publiquei, fiz outra festa para ele e, como performer da Intocáveis Putz Band, recitava o Manifesto das Bem-Aventuranças, onde distribuía bênçãos a putas, travestis, músicos, garçonetes e outros personagens da noite, declaradamente inspirado em Jim. Uma porra-louquice urbano-apocalíptica, dark e herética – demais para a cabeça de Fortaleza, tão sol e forró, a bichinha.
Se um dia Jim chutou o rock’n’roll e foi refugiar-se em Paris, eu um dia enchi o saco de tudo e vim atrás de mim aqui na cidade do Rio de Janeiro. Dei de presente o pôster da festa e não trouxe meus discos dos Doors. Até agora ainda não morri na banheira. Mas já não tenho mais intestino para velhos excessos.
Confesso que se qualquer noite dessas Jim aparecer pedindo carona para o Hipódromo Bar, ele, uma garrafa de Jack Daniel’s e três amigas barulhentas, eu… bem, eu lhe explicaria honestamente que foi bom enquanto durou, sabe como é, ando meio recolhido…
Ok, Jim, você venceu. Mas deixa eu dar uma olhada nas amigas. Você sabe, não dá para confiar muito em gosto de bêbado.
Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro
O dia em que Jim Morrison voltou do túmulo (em breve)
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Clipe: LA Woman (7:51)
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COMENTÁRIOS
. 01- kkkkkkkkkkk, Kelmer Querido, Saudades dos seus contos e inspirações nostalgicas, é sempre bom lembrar!!!! e Viva o Lagarto Rei!!!! Abraço Querido lunático!!!! Lua Ahau Cândido, Fortaleza-CE – dez2013
02- E tu está no Rio? Fábio Campos Morais, Fortaleza-CE – dez2013
03- Muito bom, mano! Carlos Carlos, São Paulo-SP – dez2013
04- essa festa foi sensacional, eu fui de pamela morrison. fiz tanta putaria que quase fui expulso. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – dez2013
05- Fala kelmer !!! outro dia eu vi um doc. sobre o the doors muito legal!!! Ouvir the doors na estrada e fantastico ! Luciano Hamada, São Paulo-SP – dez2013
06- Olha só que coisa..estava ouvindo hoje ainda,e m deparo com esse post..com sempre maravilhoso!Boa noite meu amigo! http://www.youtube.com/watch?v=AMCl9eOBlsY. Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – dez2013
07- As portas de uma lembrança boa!! Hyara Ougez, São Paulo-SP – dez2013
Farol do meu porto eu sou É que eu sou muitos demais Naus a singrar pelo caos de mim Buscando meus eus por onde eu vou No vão de mim que a noite traz E o eu que fica aqui no vazio do cais Acena aos eus que no vento vão Boa sorte, se percam não Me achem a mim E voltem em paz
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COMENTÁRIOS .
01- Ri, nunca tinha lido Naus de Mim inteiro. É um poema que eu gostaria de ter escrito. Publiquei no meu mural. Quero que os amigos não-comuns conheçam. E nunca mais diga que não é poeta. É até sacanagem com a gente. rsrsrsrs. Bjo e boa-sorte. Se perca, não. Renata Regina, São Paulo-SP – jul2011
02- Tudo que este rapaz escreve toca o coração da gente. Eita! Silêda Franklin, Fortaleza-CE – jan2020
03- Que lindeza! Cristiana Medina de Albuquerque, Fortaleza-CE – jan2020
04- Muito lindo!!! Marta Bertoncini de Almeida, São José do Rio Preto-SP – jan2020
05- Que belo! Fabiana Azeredo, Fortaleza-CE – jan2020
Homenagear a cultura nordestina através da música, da poesia e das artes em geral. Esta é a proposta do Consulado da Caatinga, um evento mensal que acontecerá todo mês em São Paulo, no bar-restaurante Minas Tutu e Prosa. A estreia foi no dia 22mai e a segunda edição acontecerá em 12jun. Veja aqui as datas das próximas apresentações.
Os músicos fixos do evento são MOACIR BEDÊ (violão e bandolim), MARÍLIA DUARTE (voz) e RAFAEL MOTA (percussão), que interpretam os clássicos e os modernos da música nordestina, com participação de convidados especiais. Há também exibição de vídeos e noites de autógrafos. Em cada edição rola sorteio de CDs e de uma hospedagem para casal na praia de Jericoacoara, no Ceará.
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E a ninfeta maluquete acabou inspirando um blues bem quentinho, ideal pra suas noites frias, já que minhas mãos nem sempre estarão por perto
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Eu morava em Fortaleza quando fiz a letra de Blues de Luz Neon. Foi numa noite de 2001, eu sozinho em meu quarto, secando uma vodca e pensando numa ninfeta maluquete com quem eu tinha um rolo. Carente, atazanada, rueira e olhar levado – vixe, a outra era um perigo. A gente na boate, ela dizia que tava com frio, coitadinha, e aí pegava minha mão e botava discretamente por baixo de sua blusa, pra esquentá-la, enquanto todos passavam pertinho sem perceber nada. Era cheia desses fetiches, a ninfeta. Ela nunca soube que foi ela a inspiração da letra, qualquer dia eu digo.
No ano seguinte mostrei a letra pra minha amiga Lily Alcalay, uma cantora incrível, que todo sábado rasgava o blues naqueles poéticos entardeceres praianos da barraca Opção Futuro promovidos pela Cristina Cabral. Convidei-a a participar da trilha sonora do meu romance O Irresistível Charme da Insanidade e dei-lhe um exemplar do livro. Ela leu, gostou e topou musicar a letra. Mas infelizmente o câncer em minha amiga seguia acelerado e a irmã morte a chamou algumas semanas depois. Lily até chegou a cantarolar pra mim a melodia que fizera, ela deitada em seu leito no hospital, mas sua voz tava tão fraca que não consegui escutar. Deixei o hospital triste, sem querer crer que Lily em breve nos deixaria, e deduzi que nosso blues, que eu jamais conheceria, partiria com ela pra sempre.
Aí entra em cena meu amigo Joaquim Ernesto, que foi proprietário do Cais Bar, o bar inesquecível. Ele também gostou da letra e pediu pra musicá-la. Pensei: se eu aceitar, estarei traindo Lily? Entendi que não pois, na verdade, aquele blues precisava mesmo sair, e seria uma homenagem a ela, a bluseira venezuelana-cearense arretada. Toma, Ernesto, a letra agora é tua, manda ver – eu disse. E tomamos uma pra comemorar o início da parceria. E outra por Lily.
Joaquim Ernesto musicou e em 2004 chamou Lúcio Ricardo pra gravar. Putz, que sábia escolha. Lúcio é um dos melhores intérpretes que já conheci. Sua voz rouca e seu jeitão rasgado de cantar incorporam maravilhosamente bem a alma do soul e do blues, é uma diliça. Pra mim é uma grande honra ter um blues gravado por esse cara. E acho que Lily foi devidamente homenageada. E a ninfeta maluquete acabou inspirando um blues bem quentinho, ideal pra suas noites frias, já que minhas mãos nem sempre estarão por perto.
O Irresistível Charme da Insanidade é a história de Luca e Isadora, o músico que conhece a mochileira taoísta e vive com ela uma louca aventura amorosa que os faz viajarem no tempo pra entender porque é tão complicado o amor deles. Esse blues que Lúcio Ricardo canta integra a trilha sonora do romance e, se você quiser baixar a música, é só clicar aqui. .
BLUES DE LUZ NEON
(Ricardo Kelmer e Joaquim Ernesto)
Quando esse blues
Tocar no sonho do seu coração
Devagar você vai despertar
Na madrugada
Bem de mansinho, assim
Vai lembrar de mim
Abra a janela do quarto
Lá fora no meio da rua brilha um letreiro
O luminoso do nosso amor é vermelho
Então sinta, viaje
Voe nesse tom
Foi pra você, meu bem, que eu compus
Esse blues de luz neon
O Irresistível Charme da Insanidade Ricardo Kelmer, Editora Arte Paubrasil, 2011
Um músico obcecado pelo controle da vida. Uma viajante taoísta em busca da reencarnação de seu mestre-amante do século 16. O amor que desafia a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.
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COMENTÁRIOS .
01- Adoro esta música! Lígia Eloy, Lisboa-Portugal – fev2011
02- virei sua leitorinha e sua ouvintezinha rsrsrs. Renata Regina, São Paulo-SP – fev2011
03- A musica é tão gostosa e tão fascinante quanto o livro. Parabéns Kelmer por tanta criatividade! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – fev2011
04- Blues de Luz Neon é bárbaro, muy sensual. A tua fêmea de dentro não é moleza não – uma demônia linda, ninfeta, erótica, sexy, sedutora e muuuuy perigosa. Com este tipo de demônia quem é que pode? Até o diabo enlouquece. 😉 Patrícia Lobo, Salvador-BA – fev2011
E não adianta argumentar, seu signo é a urgência. Desejo não é coisa que se adie, ela sempre diz
INSPIRACIÓN, ESSA VADIA
. Inspiración… Os poetas de todos os tempos, eles sabem: não há nada, absolutamente nada igual a uma noite com ela. Por isso é que, apesar de não estar quente, achei necessário um bom banho. Troquei as calças e a camisa, mas mantive o cabelo molhado e sem pentear, do jeito que ela gosta. Pus lençóis novos na cama e até pedi a uma das meninas da taberna, a Ruiva, que me emprestasse a escova de cabelos, uma do cabo de osso trabalhado, bem bonita, que ela ganhou do marroquino.
Eu empresto, mas só se o poeta fizer um verso pra mim – a Ruiva negociou. As meninas adoram poesia. Sorri, fingindo que não esperava por aquilo. Mas era uma troca justa, uma escova por um verso. Então improvisei quatro linhas, a dona da escova sentada em meu colo, e, ao fim, ganhei um beijo e a escova. E deixei a taberna, levando uma garrafa de vinho debaixo do braço e uma alegria mal disfarçada no canto da boca. Que ficassem e se divertissem eles, os amigos lascivos e as amigas embriagadas. Eu iria para casa, esperar por Inspiración. Nada como uma boa isca para atrair a cigana do imprevisível, os poetas sabem.
Maria de la Inspiración… Foram as meninas que me contaram que ela andava pelas ruas do povoado hoje de manhã. Que bela notícia…, pensei enquanto o som de seu nome me remetia às tantas alegrias que essa cigana desatinada me proporcionou durante a vida. Quantos versos lhe dediquei, cavalgando-a com paixão noites adentro? Poemas de saliva, rimas de sêmen, sonetos de suor…
É uma vadia, eu sei, eu sei, não precisa repetir. Todos sabem, e não há poeta que não o saiba deveras. O povoado inteiro a conhece, e as nossas pudicas mulheres a evitam quando ela, para alegria dos homens daqui, resolve aparecer. Mas isso certamente se trata de uma inassumida inveja por parte dessas respeitáveis senhoras recatadas e sem graça. Por não terem os homens na mão como os tem a cigana adorável. Tão bonita que nem precisava tanto. Ardente como nenhuma delas jamais poderá ser, de tão preocupadas com a vida alheia. E o vinho mais forte, creia, não embriaga tanto quanto a visão de seu corpo nu.
Mas, vadia. Dona de uma inconstância irritante. Como adivinhar o que pensa, saber o que realmente quer? Costumo dizer-lhe que ela é como são todos os felinos: aparecem quando não se espera, e se os chamamos, não vêm. Ela? Apenas ri, vaidosa da própria crueldade. Sim, ela é muito cruel. Usa e abusa de decotes generosos, servindo os seios em bandeja para a fome da noite. E se realiza, sim, como se realiza, sob os olhares dos homens. Então creio mesmo que deva se alimentar dos desejos alheios, a danada.
É fácil percebê-la numa festa: duas ou três canecas de vinho e lá está Inspiración a caminhar por entre as mesas, toda faceira e provocante, aceitando de bom grado tragos e elogios. Claro, desnecessário dizer que sua simples presença deixa enlouquecidos os árabes: da última vez presenciei meia dúzia de confusões. Os mais velados arregalam os olhos e coçam os bigodes – mas lhes transparece na cara o que lhes passa pela cabeça. Não creia, no entanto, ser possível subjugá-la. Ouse dominá-la e verá que escapole feito água entre os dedos. Submete-se apenas se lhe for vantajoso. Inspiración é tão fugaz quanto o brilho daquela estrela cadente.
E quando tenho a certeza de que homem nenhum a fará abrir as pernas dessa vez, eu inclusive, eis que vejo a vadia deixar a taberna de braços com o embriagado catalão, tão deslumbrado com a sorte que pagou bebida a meio mundo.
Eu a amo. Com desprezo, doçura e paixão, não nego. Mas essa sua volubilidade eterna nunca me dá tempo de me preparar. Aparece de surpresa em lugares ou situações que eu jamais esperaria. Surge de repente e eu, desprevenido, sinto-a insinuar-se lânguida pela minha virilha, as costas, o pescoço. E não adianta argumentar, seu signo é a urgência. Desejo não é coisa que se adie, ela sempre diz. E não é mesmo, não é mesmo, descobre a cada vez meu corpo vertido em beijos, minha alma convertida em versos.
Às vezes me enche de ciúmes, a diaba. Vejo-a na mesa de outros homens, sorridente, generosa. Mas não me permito levá-la tão a sério. Sorrio e entendo sua alma alegre e infantil. E quando inventa de dançar? Aí sim, é a própria expressão da felicidade. Solta os cabelos negros e com eles chicoteia o ar. Joga longe os sapatos e vai, rodopiando ao ritmo das palmas, tão cheia de graça e tão exata que penso se realmente não terá sido a dança inventada para ela. Seus movimentos aprisionam os olhares, e os homens se deliciam com a mais remota possibilidade de possuírem-na, e babam e gesticulam e se ensurdecem de tantos gritos e exclamações desvairadas. As meninas da casa são suas amigas, e ela sempre lhes traz roupas e enfeites e faz revelações pelas cartas sem cobrar. É uma dádiva essa cigana.
Marca encontros e me faz esperar em vão. Outras vezes acha de aparecer na pior hora possível. Rejeita meus versos em noites sem lua e em outras noites se deleita com eles e os deposita carinhosa em seu decote enluarado. Não tem jeito, previsível é coisa que Inspiración jamais conseguirá ser.
Mas certas iscas costumam dar resultado, sim. Por isso é que vim para casa mais cedo, deixei para trás a festa na taberna. A noite agradável, o vinho, o azeite da candeia renovado, meu corpo de banho tomado… Mel de atrair abelha.
“Armadilha”…, Inspiración dirá, já posso ouvir, o sorriso que eu bem sei nos lábios vermelhos. Então servirei mais vinho, apaixonado pelo seu pentear-se ao espelho, o cabelo negro dengosamente acariciado pela escova bonita a que ela não resiste. O corpo inflamável sob o vestido de pano fino… Candeia acesa em monte de feno seco… – eu já me vejo escrevendo depois sobre suas costas nuas, inspirado.
“O poeta está ficando ordinário” – ela sussurrará, virando-se na cama e me roubando um beijo. E eu, que certos escrúpulos já perdi:
A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é
Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse
Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?
As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar
Medo de mulher– A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará
Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há
Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido .
MAIS SOBRE INSPIRAÇÃO
O chamado da caverna – Mas talvez não, talvez se decida por entregá-la ao mundo, mãe que não pode criar o filho porque sua missão termina em parir
Com que propriedade um homem pode falar sobre o universo feminino? Neste livro RK ousou fazer isso, reunindo 36 contos e crônicas escritos entre 1989 e 2007, selecionados em suas colunas de sites e jornais, além dos textos inéditos. Usando o humor e o erotismo, eles celebram a Mulher em suas diversas e irresistíveis encarnações, seja através de instigantes personagens femininos ou através do olhar e do discurso masculinos.
Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.
Mulheres que correm com os lobos– Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)
A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)
Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas
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COMENTÁRIOS .
01– Achei lindo o conto da cigana. Como diria Oswaldo Montenegro em sua musica, “Virtuosa e profana Pra cantar o sol. Dança, dança, dança pra cantar o sol Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol Fiz do meu corpo cabana Pra cantar o sol…” e por aí vai. Acho que essa coisa de mistério que envolve os nômades é que faz tudo ficar ainda mais encantador, lindo!! Marcia Morozoff, Brasília-DF – jan2006
02- Viva a você, caro amigo. Nos delicia com tuas linhas sempre sinuosas como uma bela e incomível cigana. Viva o Phoder da palavras bem ditas e mal ditas idem Só para te passar um grande abraço. Maninho (Aluisio Martins), Fortaleza-CE – jan2007
03- costumo fugir do mundo real ás madrugadas no bate papo do meu estado…meu personagem é esssa mulher sobre quem ecreveu…assim me visto assim me imponho. sou conhecida como “vadia”. meus devaneios ficam apenas alimentando ou atormentando espíritos inocentes me sinto gostosa faço meus parceiros delirarem…é tudo virtual, não permito encontros mas eles só descobrem isso quando já estão envolvidos enebriados, seduzidos…e eu me vou deixando-os livres…para sonharem comigo. bjs amigo. Diva, Macapá-AP – abr2007
04- Curioso. Será a musa, sempre feminina? Se pensarmos nela como “Inspiracion”, sim. Sempre sim. Alma, fada, algo diáfano que se deixa penetrar pelo espírito masculino. Mas quem (ou o quê) inspira as mulheres a escrever? Levanto a peteca porque o Ricardo nos dá uma imagem feminina da inspiração assim como fizeram os escritores de todo o Mundo. Digamos então que existe a ECLOSÃO. E que esta, apesar de substantivo feminino, é notoriamente masculina. Assim se chama meu “muso”. E ele chega como um Cavaleiro do Fogo, um Príncipe de Bastões me obrigando a fazer sua vontade. E escrever que nem uma louca, num astral de emergência. Por falar nisso, por onde andará meu cavaleiro? Monica Berger, Curitiba-PR – ago2007
05- A colocação da mulher, que mesmo sendo vadia, tem todo o encantamento do homem… lindo! Será que todas nós temos um pouco de Inspiración? Mulheres masculinizadas… isso no sexo masculino agora tem até nome, e é: metrossexualismo! Concordo no ponto em que mulheres devem exigir direitos iguais, mas não perder o jeito feminino! Talvez isso pareça contraditório para algumas pessoas… Pamela Bathory, Juiz de Fora-MG – set2007
06- O texto da Inspiración é um de meus favoritos. Aprecio a Espanha (que duplo sentido! rs) e, como danço Salão, já me arrisquei no flamenco…Enfim. O conto é maravilhoso e, ao contrário da comentarista anterior, eu não diria ‘apesar de ser vadia’, mas justamente por sê-la. Engraçado como as pessoas sempre intepretam um sentido pejorativo nisto… Estou ansiosa pelo novo livro, e sempre estarei passando por aqui para conferir os novos escritos. Abraços. Mariana Melo, Maceió-AL – set2007
07- Talvez todas mulheres sejam Inspiración, não que sejam vadias, mas que seja mulher, que não sejam marrentas; mulheres que tem suas curvas, saliências e reentrâncias. Um bom conto. Abraços! Kelly Cristina, Fortaleza-CE – set2007
08- Correndo o risco de estar um pouco atrasada, mas gostaria de dizer que achei muito lindo o texto sobre a Inspiração, rsrs, uma vadia! a frase que mais gostei foi: “à minha maneira eu a amo. Com desprezo, doçura e paixão”. Essa mulher me lembra Lilith. Adoro Lilith. Um abraço, e que Inspiración te acompanhe! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – set2007
09- Inspiración vadia é tão linda!!!!!! CIGANA DO IMPRVISÍVEL É DEMAIS!!!! Beeeijo calliente na tua Alma Cigana Na tua Bela e Perigosa Inspiración. Patrícia Lobo, Salvador-BA – jun2011
10- O texto “Inspiracion,essa vadia”,lido na faculdade, me despertou curiosidade para ler o Vocês Terráqueas. Rita Queiroz, Fortaleza-CE – jun2012
11- É incrível esse texto. O sentimento do personagem para com Inspiracion, é o que me chama mais atenção. É um desejo carnal que entrelaça com um sentimento que foge dos preconceitos e esteriótipos social. INSPIRACION, me faz recordar alguns episódios da vida cotidiana. Wescley Gomes, Fortaleza-CE – fev2014
12- Incrivelmente sensacional… Carla Falcão Bouth, São Paulo-SP – fev2014
13- Está bem romântico. Mais que o seu habitual. Luc Lic, São Paulo-SP – fev2014
14- Gostei… Erika Menezes, Fortaleza-CE – fev2014
15- Adoro este texto !!! Há uma ambiguidade no nome da personagem…Todo escritor, poeta para escrever/criar precisa de inspiração. Então nada melhor do que esse habilidade ser retratada como uma mulher cheia de mistérios, indomável…Lindo!!!Adoooooro. Michele Nagle,Fortaleza-CE – fev2014
17- Huuuuuuum, obrigada pela homenagem Ricardo Kelmer. Esse poema deixa a gente suspirando, pois encontramos sempre um tanto de Inspiración dentro de nós. Essa alma de cigana dançante há sim em todas as mulheres, mas , infelizmente, nem todas a expressam, nem todas conseguem ser inspiração. Felizes aquelas que dançam a vida, encantam os corações dos seus espectadores e levam ao mundo a sua alegria! Sandra Xavier Amarantha, Fortaleza-CE – fev2014
20- Meu “signo é a urgência”… Adoro esse texto. Christiane Oliveira, Rio de Janeiro-RJ – fev2017
21- Nossa gostei de mais principalmente da parte que fala que o poeta e está ficando ordinario e você com certos escrúpulos rsrsrsrsrd parabéns lindas palavras e pensamentos bem certos gosto dos seus poemas são bastante inspiradores 😀 uma boa tarde querido amigo. Silvanna Carvalho – fev2017
22- Uau. Que texto esplêndido. Adorei. Ana Paula Mayer, Boa Vista-RR – fev2017
23- Maravilhoso amei. Anairda Dry Lima, Rio de Janeiro-RJ – fev2017
24- Adorei amigo parabéns e obrigado por compartilhar. Lili Liliane, Poços de Caldas-MG – fev2017
25- Uau! sim!! Maravilha de cigana que encanta e deslumbra a todos e aparece sem pedir e faz da vida a liberdade de seguir seus desejos e emoções irresistível e urgente, está sempre presente quando é preciso ser feliz e esquecer dos padrões e se deixar levar pelo seu pulso vibrante da paixão. Eu já vivi muitas vidas assim…faz parte de mim faz parte de nós. Gratidão pela fuga poética que me embriagou…bjos!!! Bya Blanco, Rio de Janeiro-RJ – mar2017
26- Maravilhoso me indentifiquei kkkk muito bom!!! Gostei da parte que ela não consegue ser previsível. Anabela Simões, Feira de Santana-BA – mar2017
27- Que lindo. Elizandria Vieiro, mar2017
28- Adorável cigana imprevisível… Muito bom texto! Neyane Macedo Infurna, Rio de Janeiro-RJ – mar2017
29- Encantada, amigo! Sarah Carvalho, Campo Maior-PI – mar2017
30- Inspiración o verdadeiro espelho de muitas mulheres… Que no qual eu me incluo. Perfeito! 👌💃 Vivi Oliveira, Seropédica-RJ – mar2017
31- mto bom. Aline Lira, São Caetano do Sul – mar2017
Cauby, poderoso, tem o gesto exato pra cada momento, seja pra pedir o solo do teclado, seja pra tirar o lencinho do bolso e enxugar a testa
CAUBY, EU SOU SEU ÍDOLO
. Cauby Peixoto faz show na Boate Oásis. E eu, que nos meus 34 anos nunca vira o Cauby de perto, pensei: É agora ou nunca mais. Sem querer botar mau agouro pra cima de ninguém, será que teria outra chance de assistir ao show desse monstro da música brasileira? Monstro no melhor sentido, claro, que ele não se ofenda. Até porque sua plástica continua resistindo bravamente ao tempo.
But Cauby is Cauby. E ele adentra o palco elegantérrimo num impecável conjunto amarelo-sóbrio, calça vincada e jaleco de zíper, nem um amassadinho sequer, a banda toda a caráter, uau. Peço uma vodca e me surpreendo emocionado. O homem está ali no palco, a cinco metros de mim, “sentimental eu sou… eu sou demais…”, o imortal Cauby. Tomo um gole. Fabiana comenta sobre o cabelo dele, que nem mulher consegue cachos tão perfeitos… Inveja, Cauby, inveja dessa gente.
Cauby, poderoso, tem o gesto exato pra cada momento, seja pra pedir o solo do teclado, seja pra tirar o lencinho do bolso e enxugar a testa em pequenos pousos tipo almofadinha de pó. Os olhos puxados brilham sob a luz dos refletores e ele vive profundamente cada verso de El Dia que me Quieras… Comoção geral, aplausos, suspiros. Cauby ergue a mão esquerda e, sutilmente, põe dois dedos a agradecer, dois dedinhos, nem mais nem menos, gesto clássico. Ou seria uma bênção? Eu, por mim, tomo mais um gole. E reconheço abençoado: o homem conhece mesmo o reino dos refletores.
No meio do show, pausa pra deixar subir ao palco um fã mais exaltado. Surpresa: é um rapaz dos seus 20 anos, visivelmente emocionado. Cauby o abraça e recebe com classe a homenagem do admirador juvenil, ah, l’amour, l’amour… Depois diz à plateia como é gostoso ser reconhecido pelos jovens. Não duvido, não duvido. O rapaz, à beira do choro, quer falar. A plateia assiste enternecida. Cauby estica o microfone e ouvimos a voz nervosa do moço: “Cauby… eu sou seu… sempre fui seu… ídolo…” Heim? Eu sou seu ídolo? Foi isso mesmo que ouvi? Olhamo-nos sem acreditar, eu e Fabiana, rindo do absurdo da coisa. Eu sou seu ídolo é demais. Cauby certamente pensou: será que eu conserto essa frase? Prudentemente, deixou como estava.
“Veja só, que tolice nós dois brigarmos tanto assim…” Cauby apresenta o tecladista, diz que ele é seu grande maestro, a plateia aplaude. “Conceição… eu me lembro muito bem…” Cauby abre o jaleco, deixa aparecer a camisa preta, põe elegante a mão no bolso e homenageia Nat King Cole: “When i fall in love… it will be forever…” Depois imita admiravelmente Sarah Vaughan, como só ele pode fazer. Então puxa o banquinho, senta-se, deixa seu maestro introduzir uma canção de notas tristes e abala Paris em chamas: “Ne me quites pas… Ne me quites pas…” Lembro emocionado de Maysa.
O clímax vem no fim com Bastidores, presente de Chico Buarque, música que é a sua cara, encarnada e esculpida. Cauby solta sua voz vitaminada, desliza o olhar pela plateia, delicia-se com os homens lá pedindo bis, bêbados e febris a se rasgar por ele. Mas Cauby, o cruel, não concede bis algum. Desce rápido ao camarim onde o aguarda entrevista pra tevê.
Aproveito pra ir ao banheiro. Lá, na parede, encontro um cartaz do show com a foto de Cauby ao lado de outro que dizia “Temos bolinho de bacalhau”. Salvo Cauby daquela má companhia e levo o cartaz ao camarim, pra que meu fã pouse nele sua sagrada dedicatória. Mas que nada. Meia hora de espera e o empresário insensível explica que Cauby está moooorto de cansado, ontem fez show e amanhã fará outro. Aplico a cara de pau: “Mas seo Zé, nós viemos de Teresina porque perdemos o show lá… Mas seo Zé, peça ao menos pra ele autografar este cartaz…” Tsc, tsc, nada feito. Cauby está tão cansado que certamente desfaleceria com tamanho esforço. Apelo pro desespero: “Mas seo Zé, eu também já tive uma banda de rock e sei como é importante a relação do fã com o ídolo…” Foi tão boa que não convenceu.
Vamimbora, Fabiana, esqueçamos o artista e sua ingratidão que ele não merece nossa tristeza. Devíamos é tê-lo deixado no banheiro, ao lado dos bolinhos de bacalhau. Ao atravessar a rua, porém, eis que passa por nós, num carro… quem?, quem? Ele, o monstro, sagrado e extenuado, sendo levado ao seu hotel. Acenamos empolgados, um restinho de esperança de que ele nos veja e acene também, pelo menos isso…
E não é que o danado nos vê? E não é que acena? Uau! São só dois dedinhos, assim sutilmente, bem rapidinho, uma migalha de atenção. Ou seria uma bênção? Mas acena, é o que importa. E pronto, esquecemos a frustração, vibramos de alegria. Dormiremos felizes. Um dia direi em minhas memórias que naquela madrugada de setembro de 1998 Cauby Peixoto acenou pra mim. Pra mim. Seu ídolo. Uau.
Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra
Paz e amor express – Durante cinco dias, o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor
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Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…
BREG BROTHERS COM FÍGADO ACEBOLADO
. Em abril de 1989 eu havia fechado meu bar, o Badauê, e decidi formar um conjunto musical, com meus amigos Cadinho e Jabuti. Nasciam Os The Breg Brothers. Objetivo oficial: homenagear a legítima música brega, aquela que ainda resiste em radiolas enferrujadas pelos bares da periferia. Bem, sejamos francos: na verdade tudo era mesmo uma grande raparigagem, mero pretexto pra encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos.
No dia do primeiro show, correndo pra não chegar atrasado, avancei o sinal na Antonio Sales e trombei noutro carro. Cadinho nada sofreu, mas eu cortei a boca. Foi Bia, tiete do fã-clube, quem nos socorreu. Improvisei bigode postiço pra disfarçar o ferimento e fiz o show. Pra você ver o grau de profissionalismo.
Impecáveis, nos apresentávamos em paletós brancos, flor na lapela e cabelo com gomalina. Românticos, jogávamos rosas pra plateia. Cantávamos os três e Jabuti tocava violão, com a banda por trás, no bom sentido. Compúnhamos e interpretávamos sucessos de mestres como Odair José, Genival Santos, Fernando Mendes e os Pholhas. Tudo com bom humor, sim, mas com muitíssimo respeito, por favor. Nossos nomes artísticos: Kelmo Lonner, Johnson Batista e Glaydson Gil. Nos vocais de apoio a beleza e as performances estonteantes de minha irmã Luce Érida e Daniele Ellery, mais conhecidas no mundo artístico das paradas de ônibus como Lucieuda Vai-Mais-Um e Danisléa Camburão. Nós sonhávamos com os programas do Irapuan Lima e da Hebe Camargo.
O Big Bang que originou o universo do movimento humorístico-musical de Fortaleza estava ainda em seus três primeiros segundos. Lailtinho Brega, Rossicléa, Meirinha e Neo Pi Neo eram estrelas em formação. Falcão já era estrela de brilho local, recém-saído da Arquitetura, e em breve brilharia no país inteiro. Os Necessários, do fenomenal Moacir Bedê, também já aprontavam, chegando a fazer no Badauê um show tão lotado que vendemos lugar até nos galhos da mangueira. Nesse cenário surgiram Os The Breg Brothers, com seu elegante brega de cabaré. Chiquérrimo.
Depois de conquistar um valioso 3º lugar no Festival de Música Brega do Pirata (Lailtinho em 1º e Meirinha & Rossicléa em 2º) e realizar o sonho de cantar com nosso ídolo Oswaldo Bezerra, o rei do brega do Pará, recebemos convites pra cantar em clubes e bares. E planejávamos gravar um LP, incluindo composições nossas como Menina do Lacinho Cor de Rosa, Tango do Padeiro e Samba do Bombril. A glória batia à porta, prometendo luzes e camarins. Quando fomos abrir, não era exatamente dona glória, era uma proposta profissional pro Jabuti, irrecusável. E lá se foi nosso genial compositor e guitarrista morar em Teresina. Eu e Johnson Batista ficamos tão arrasados que quatro meses depois, sem forças pra continuar, cancelamos os shows, avisamos o fã-clube e demos baixa no sonho.
Mas valeu. Foram muitas horas no boteco do Genival, que a continuação da avenida Desembargador Moreira, em nome do progresso, passou por cima. Cachaça com fígado acebolado, que delícia. E uns velhos discos arranhados na radiola do Genival. E mais uns patos, imagina, uns patos que andavam pelo quintal, ao lado de nossa mesa, acompanhando com quá-quás nossas inspiradas dores-de-cotovelo.
Um dia, voltávamos de uma farra, eram seis da manhã. Descíamos a Desembargador Moreira com a desavergonhada intenção de abrir o boteco do Genival, ainda não satisfeitos com a bebedeira. Então, eis que acontece aquilo que ficou conhecido no submundo do crime desorganizado como “o dia em que a vida do Cadinho deu uma virada”. Ele foi fazer o retorno em plena ladeira, mas calculou mal a velocidade: o fusca suspendeu as rodas laterais, foi virando, virando e, bufo!, virou. O fusca ficou de lado no asfalto, com Cadinho e Jabuti lá dentro. Eu vinha em meu carro atrás e parei, meio assustado, meio rindo do absurdo. Vi a cabeça de um jabuti saindo com dificuldade pela janela do carro virado. Naqueles dias o Jabuti estava engordando, de forma que entalou na janela e não conseguia sair. Embaixo dele Cadinho o empurrava, já desesperado, pois a gasolina escorria pelo asfalto. Cena inesquecível.
Com muito esforço Jabuti conseguiu passar pela janela, Cadinho saltou fora e desviramos o fusca. Felizmente arranhara pouco. Outros certamente ficariam assustados e terminariam na missa das seis da igreja de São Vicente, arrependendo-se dos pecados. Nós não: desceu uma estranha euforia e nos abraçamos, rindo e nos parabenizando pela aventura. Pra comemorar o feito, fomos beber Tiller’s Club (ai, a liseira…) e compor umas canções.
Hoje, morando aqui em Ipanema, vejo da janela da sala a lagoa Rodrigo de Freitas. Tem uns patos lá, sabia? Pois é, foram eles que me lembraram do boteco do Genival. E me inspiraram a escrever sobre os Breg Brothers, esse tempo em que a maior preocupação era encontrar um bar aberto de manhã. E o acorde certo pra dor de cotovelo.
Os The Breg Brothers ensaiam (Praia do Icaraí-CE, 1989)
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O RETORNO
Em 1993, Os The Breg Brothers ressurgiram das cinzas com a chegada do garoto prodígio Rossé Rian, substituindo o saudoso Glaydson Gil. Rossé Rian trouxe alegria, vitalidade, juventude, poesia… Hummm, que é isso? Ele era o Bambi?
A nova formação, montada pro show no Cotó Clube do Montese, contava ainda com os vocais irresistíveis de Dani Gut-Gut e Sandra Sandrão, que bateu a foto e depois sumiu, arrependida daquela putaria toda. Veja a foto. Perceba o semblante de Lonner, preocupado com o empresário que sumiu com a grana, Rossé Rian cuidando de uma tiete, Dani Gut-Gut abalando em seu modelito Oncinha Paraguaia e Johnson Batista em sua clássica pose “E aí, gatinha, que tal um Tiller´s no meu muquifo?”
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O REENCONTRO
Esta foto histórica, de 1997, mostra o tão aguardado encontro de todos os Breg Brothers. É claro que tinha que ser num balcão. Glaydson, já morando em Berlim (é o nosso Breg Brother mais chique), passava férias em Fortaleza. Uísque com catchup de tiragosto. Velhas canções, antigos chifres relembrados. Perceba Lonner chorando por uma safada acolá que o trocou por um dono de pizzaria. Rossé Rian era novinho, mas já usava boné pra esconder os chifres. Glaydson se esguelando, sofrendo por uma alemã que era atriz pornô. E Johnson sempre arrasado, coçando a testa. Ô sofrimento.
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MENINA DO LACINHO COR-DE-ROSA Johnson, Lonner e Gil
Quando entrei no cabaré
Todo mundo se divertia
Nessa noite que rolava
Todo mundo aproveitava
A festa acontecia
Numa mesa mais escura
Vi uma cena comovente
Uma menina ainda nova
Com um lacinho cor-de-rosa
Me sorria tristemente
…Menina do lacinho cor-de-rosa …Teu lugar não é aqui …Levanta que eu te levo embora …Vem que eu te faço ser feliz
Fui sentar na sua mesa
E ela logo me falou
Estranho pode parecer
Mas não procuro o prazer
O que eu quero é o amor
E me disse com a voz meiga
Num beicinho de chorar
Ainda não sou bem crescida
Mas já sei que nesta vida O importante é amar
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TANGO DO PADEIRO Johnson, Lonner e Gil
Tudo era tão bonito
Quando eu te conheci
Você ficava deslumbrada
Com os presentes que eu lhe dava
As luzes do Iguatemi
Te dei calça Fiorucci E um apartamento duplex
Da DeMillus dei de presente
Uma camisola transparente
Você ficou tão sexy
Você dizia que eu era um pão
Que eu era o fermento da sua vida
Mas me trocou pelo padeiro
E hoje o meu dinheiro
Não vale um semolina
Ser mulher não é pra qualquer um– É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro
Minha vida com Jim Morrison – Acordar e pegar logo uma cerveja pois o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto
Vinicius Show de Moraes – Um show que homenageia Vinicius com suas músicas, seus poemas e as histórias da sua vida
Trilha da Vida Loca – Um show que une literatura e clássicos da dor de cotovelo
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COMENTÁRIOS .
01- Pero prefiro esse brega “estilizado” de vcs!!! Lia Demétrio Aderaldo, Fortaleza-CE – abr2010
03- Pra Luce: “Eu vou tirar voce desse lugar…” Nino Cariello, Fortaleza-CE – jan2011
04- Porra num sei onde tú tá com a cabeça que não empurra esses teus textos e livros prá psiquiatria…É MUITO BOM PRA DEPRESSÃO!!! kkkk Levanta o astral de qualquer propenso a putaria!! Ronaldo Rego, Fortaleza-CE – mar2011
RK:Breg Brothers cura depressão. Assim o nosso cachê vai aumentar, Ronaldo.
05- Ainda que esta escola aceite matrículas involuntárias de todos os homens, é Impressionante o quanto os escritores e artistas cearenses conscientes se declaram pós-graduados nessa filosofocornologia. 🙂 Lazaro Freire, São Paulo-SP – mar2011
RK:Sr. Lazaro Freire. Comunicamos que seu cadastro foi aprovado. Informamos também que não aceitamos desistência pois, de acordo com a sabedoria popular, ex-corno não existe.
RK:Teoria kelmérica sobre essa fixação do homem cearense com a questão da CORNAGEM. Acho que é aquela coisa: se você não pode com seu inimigo, una-se a ele. Cansado de lutar contra a natureza fogosa de suas conterrâneas, que simplesmente não se satisfazem com um homem só (ou uma mulher só), o homem cearense decidiu relaxar e fazer graça com a coisa. A cornagem, então, deixa de ser um mal que acomete o homem traído, um sofrimento sem cura, e se transforma numa grande GOZAÇÃO, motivo de piadas sem fim, fruto da capacidade de fazer humor com a própria desgraça. Se não for isso, então é outra coisa.
06- vidas passadas muito bem… éramos feliz e sabiamos muito bem… Gilberto Fonteles (Jabuti), Berlim, Alemanha – mar2011
07- rsrsrssssss… Muito bom! Estamos lindosssss!!!! Daniele Ellery (Danisléa Camburão), Rio de Janeiro-RJ – mar2011
08- Foi muito bom!!!Mas bom mesmo, foi quando a platéia jogou os pães semolina de volta na gente…….. Luce Galvão (Lucieuda Vai-Mais-Um), Fortaleza-CE – mar2011
09- Meu, tempos bons, não!!!! hahaha….a diversãoé o sentido da vida!!!!!! Ana Luiza Cappellano, Jundiaí-SP – mar2011
10- e vi também a nossa no Pirata com os Breg Brothers. Legal ter publicado! Isabella Furtado, Modena-Itália – abr2014
A história deste tango começa com Índio, que era a alcunha de Cândido das Neves (24.07.1899 – 04.11.1934), que foi um violonista, compositor e intérprete que muito animou as noites cariocas fazendo serestas com Henrique de Melo Moraes, tio de Vinicius de Moraes. Pois bem. Índio compôs o tango-canção Rasguei o Teu Retrato, que Vicente Celestino e Lindomar Castilho, entre outros, gravaram.
A versão que primeiro conheci, adolescente, foi a de Ednardo, que a gravou em seu disco Cauim, de 1978. Essa música desde o início me causou forte impressão, a letra, a melodia, o arranjo, a interpretação marcante de Ednardo. Quando pari a letra de Flor Púrpura, foi lembrando dela. Meu parceiro Joaquim Ernesto conheceu a letra em 2003, musicou e gravou no ano seguinte. Quem canta é Edmar Gonçalves. Ficou um tango daqueles bem dramáticos, ideal pra se ouvir antes de cortar os pulsos da recordação. Do jeito que eu queria.
Os The Breg Brothers, Intocáveis Putz Band, parcerias kelméricas…
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O que é mais forte, o amor ou o ódio? Ou será o ódio dos ex-amantes o último recurso do amor?
LAMA
. Se quiser fumar, eu fumo Se quiser beber, eu bebo Não interessa a ninguém
Oito horas da noite. Lena põe o CD no aparelho de som e sobe o volume até o máximo. A música que toca, estridente, é um velho samba-canção de fossa, cantado por Núbia Lafayette. Na calçada, as pessoas passam curiosas, olhando para dentro do bar. Mas Lena não as vê. Encostada à porta do bar, acende um cigarro, dá uma longa tragada e solta a fumaça para cima. Do outro lado da rua está a igreja, ela pode ver o movimento lá dentro, os pastores no palco, os fiéis sentados nos bancos a aguardar o início do culto. Na entrada, uma moça e um rapaz convidam os transeuntes a entrar e aceitar o Senhor Jesus. Lena sorri de vê-los constrangidos pela música que ecoa de seu bar. Então, ele surge, bem à entrada da igreja, de paletó, a bíblia na mão. O rapaz aponta para o outro lado da rua e ele se vira para olhar. É nesse momento que seus olhares se cruzam. E é como se dez anos não houvessem se passado. Os olhares se mantêm fixos um no outro, intercalados pelos carros que passam pela rua. Lena se delicia ao constatar a imensa surpresa nos olhos dele. Pega o copo na mesa e toma um gole de campari. Quando olha novamente, ele já voltou para o interior da igreja.
Se o meu passado foi lama Hoje quem me difama Viveu na lama também
Olhai, irmãos, olhai em vossa volta e vereis a Babilônia a seduzir com seu hálito de bebida e suas promessas de luxúria!!! A voz dele, amplificada, extrapola os limites da igreja, atravessa a rua e parece duelar com a música do bar. Lena, imperturbável, toma mais um gole de seu campari. O garçom se aproxima e comenta algo sobre o volume alto da música, mas ela não responde, permanece na mesma posição, o olhar distante. Olhai, irmãs, e vereis as mensageiras de Satanás na porta dos bares e dos prostíbulos, essas almas perdidas cuja especialidade é levar os homens com elas para o Inferno!!!
Comendo da minha comida Bebendo a mesma bebida Respirando o mesmo ar
Ele era um garoto quando ela o conheceu… e se perdeu de paixão. Foi uma paixão instantânea, mútua e avassaladora. Semanas depois, seu marido descobriu, expulsou-a de casa e ela alugou para eles um pequeno quarto no centro, cuja cama passou a ser o templo sagrado de seus desejos insaciáveis. E, uma vez juntos, perderam-se ainda mais. Para sustentar os vícios, que não eram poucos, enganaram, roubaram e assaltaram, afundando-se cada vez mais nesse amor bandido. Foi por amor que várias vezes ela foi buscá-lo no hospital, tantas brigas que ele arrumava pelas ruas. Foi por amor que várias vezes, louca de ciúmes, ela bateu nas mulheres que ele insistia em cortejar descaradamente em sua presença. E foi por amor, quando já não havia mais dinheiro, quando mendigavam comida na porta dos restaurantes, quando já não havia mais alternativas, que Lena decidiu alugar o corpo na praça da Central.
E hoje, por ciúme ou por despeito Acha-se com o direito De querer me humilhar
Foram oito anos de praça. Oito anos suportando o bafo de cachaça dos operários e o suor fedido dos mendigos. Oito anos vendendo por meia hora aquilo que deveria ser apenas dele durante toda a vida. No fim da noite, ela levava o arrecadado para ele, que aguardava no bar, bebendo e jogando com os amigos. Uma noite, porém, não o encontrou lá. Procurou-o pelas ruas, mas nelas ele também não estava. Quando chegou em casa, já de manhã, encontrou-o em sua cama, com outra mulher. Ela não lembra exatamente do que fez, mas nos autos do processo consta que os policiais, alertados pelos vizinhos, a encontraram sentada no chão, ainda segurando a faca, tranquila e cantarolando um triste samba-canção. E, ao seu lado, os dois corpos ensanguentados.
Quem és tu? Quem foste tu? Não és nada Se na vida fui errada Tu foste errado também
Doze anos depois, foi libertada. Deixou o presídio e foi diretamente ao prédio onde antigamente morava com ele. Depois de muito perguntar foi que soube onde poderia encontrá-lo. Surpresa com o que ouviu, rumou para lá. Era uma modesta igreja evangélica que funcionava no salão do segundo andar de um prédio velho. Ela chegou, sentou-se no último banco para que ele não a reconhecesse e o escutou pregar. Ele falava de amor, fraternidade e perdão. Era um sermão bonito, que tocava o coração. Mas o de Lena não tocou. Antes do fim, ela levantou-se, interrompendo o culto, e dedo em riste na cara dele, gritou tudo que se acumulara em seu coração naqueles doze anos. Doze anos em que ele jamais fora visitá-la. Sequer lhe mandara um lençol limpo. Um mísero bilhete, nem isso. Ele não conseguiu dizer nada, assustado e constrangido por ver exposto, diante dos fiéis, todo o seu passado sombrio. Quando ela fez uma pausa, ele aproveitou e anunciou, solene e em voz alta, para todos ouvirem, que aquela pobre mulher estava possuída por Satanás. Imediatamente, os seguranças avançaram e a seguraram, enquanto o outro pastor assumia o ritual de exorcismo. Ela protestou. Mas foi inútil. Gritou e se debateu. Mas foi tudo inútil. Minutos depois, vencida pelo cansaço, pelo desânimo e pela decepção, deixou-se cair no chão, chorando todas as lágrimas que em doze anos não chorara, enquanto os fiéis, braços erguidos ao céu, louvavam a glória do Senhor Jesus.
Não compreendeste o sacrifício Sorriste do meu suplício Me trocando por alguém
Foram várias noites em claro, lutando contra sua própria alma dilacerada e dividida. Uma parte ainda o amava, muito, profundamente, mas a outra parte não conseguia perdoá-lo. Durante quarenta dias e quarenta noites, amor e ódio fizeram de sua alma campo de horrenda batalha, sequiosos por conquistá-la. Até que um dia ela, enfim, adormeceu sorrindo. E dormiu o sono justo dos que finalmente compreendem aquele que talvez seja o maior dos mistérios do amor: que ele perdoa até mesmo o que não tem como ser perdoado. No outro dia, ela foi ao culto, disposta a contar-lhe a boa nova que soprava alegre em seu espírito feito uma brisa de verão. Mas quando chegou à porta do salão foi barrada pela esposa dele, que disse, numa frase curta e cheia de desprezo, que ali ela jamais seria bem-vinda. Enquanto Lena tentava assimilar a surpresa, alguns fiéis chegaram e a enxotaram, levando-a para fora e arrastando-a até o beco ao lado. Foi lá que a apedrejaram. Jogada ao chão, quase desfalecida, o sangue a cobrir-lhe a vista, ela ainda o viu se aproximar, largar um punhado de areia sobre seu corpo e dizer: Pra mim, você já morreu.
Se eu errei, se pequei Pouco importa
A voz do garçom chega novamente, se misturando às dolorosas lembranças. Enquanto ele comenta algo sobre um caixão e clientes indo embora, dez anos se passam rapidamente em sua mente, dez anos em que ela apenas trabalhou e trabalhou e trabalhou, inteiramente obcecada. E o resultado está aí, na forma desse pequeno bar, que ela inaugura exatamente hoje. Nesse instante, um casal entra. Eles observam o interior do recinto, dão meia-volta e saem, assustados. O garçom, perdendo a paciência, diz que ali ele não trabalha e vai embora. Lena dá outra tragada no cigarro e entra. Caminha até o centro do bar, entre as mesas, e toca o caixão. É um caixão branco de madeira brilhosa, suspenso sobre o pedestal de ferro, como se fosse a decoração principal do bar. Grudada pelo lado de dentro do vidro, por onde se veria o rosto do defunto, o que se vê é uma foto desbotada, onde, sentado numa mesa de bar, um homem jovem sorri.
Se aos teus olhos estou morta Pra mim morreste também .
Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com
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Este conto integra a série Trilha da Vida Loca. A letra usada é da música Lama, de Aylce Chaves e Paulo Marques, que Núbia Lafayette interpretou de forma magistral.
O amor é belo. Mas também é ridículo, risível, trágico… Aqui estão reunidas seis histórias inspiradas em grandes sucessos musicais da dor de cotovelo. Paixões de cabaré, porres horrendos, brigas, escândalos, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor. Amar é para estômagos fortes.
Paixão de um homem (Trilha da Vida Loca) – Amigo, por favor leve esta carta e entregue àquela ingrata, e diga como estou
Vou tirar você desse lugar (Trilha da Vida Loca) – De repente, a semana cansativa, o trabalho desgastante, o crediário atrasado da tevê, tudo passou a ser apenas detalhes insignificantes a evaporar ao toque dos dedos dela…
Por que brigamos (Trilha da Vida Loca) – Ou continuava tentando salvar o casamento, e todo o seu esforço não seria nenhuma garantia de sucesso, ou então salvava a si mesmo – se é que existia salvação para ela
Odair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair
A última canção – O que mais impulsionava sua voz, a raiva por ela brincar assim com seus sentimentos ou o ódio por pressentir que mais uma vez não conseguiria resistir?
Música e literatura em histórias de amor inspiradas em clássicos da dor de cotovelo. Paixões de cabaré, porres horrendos, brigas, escândalos, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor… Ricardo Kelmer e Felipe Breier interpretam contos kelméricos e músicas de Odair José, Diana, Paulo Sergio, Waldick Soriano e Núbia Lafayette. Sugere-se que todos paguem o couvert antes de cortar os pulsos
Texto e direção: Ricardo Kelmer. Duração: 2h (ou versão de 1h30)
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TRILHA DA VIDA LOCA Contos e canções do amor doído
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COMENTÁRIOS .
01- Gostei pra caramba.Li com a música tocando ao fundo, e texto e música se integram naturalmente.O clima é esse.Mais uma vez, vc foi perfeito! Beijos. Mônica Burkle Ward, Recife-PE – abr2007
02- Oba!!!! Adorei Lama e a trilha sonora. Na verdade todos teus textos são hilários…vou começar a esboçar alguns… Beijinhos. Liliana Ostrovski, Rio de Janeiro-RJ – abr2007
03- Muito boa mesmo essa história… VALE UM CURTA… Já pensou? E qto ao Campari, foi boa pedida!! José Lins Jr., Juazeiro do Norte-CE – abr2007
04- olá..ricardo adorei..ler ….o que vc me mandou… Maria Aparecida Brígido, São Paulo-SP – abr2007
05- Adorei essa modalidade de literatura on line, com trilha sonora…. É muito bom vc ter uma musica dando o clima da estória…. Ciça Castello, Rio de Janeiro-RJ – abr2007
06- Oi Kelmer, Já estava com saudade. Bom demais. Adorei! Beijos. Virgínia Lígia de Freitas, Fortaleza-CE – abr2007
07- O CONTO DA VIDA LOUCA ESTÁ TUDIBOM. PARABENS!!!!!BJU Christina Alecrim, Rio de Janeiro-RJ – abr2007
08- Oi Ricardo, Divertidissima sua “trilha da vida loca”, eu ja tinha lido o texto na sua coluna no Povo e fiquei pensando como seria o tal bolero, ai surpresa, a noite chega seu email com a trilha sonora! Haja drama, hein? Parabens! Ah, e quando vai ter apideiti no site? Beijinho de saturday morning. Ana Wauneka, San Diego-EUA – abr2007
09- Dear Ricardo, Adorei a interpretacao da trilha da musica Lama. Voce e’ demais. Adoro de verdade o que voce escreve. E quando e’ que vens me visitar aqui na California? Tem coisas unicas por aqui pra voce observar e depois quem sabe escrever sobre elas. Beijinhos. Raquel F. Araujo, Los Angeles-EUA – abr2007
10- Nossa! Porque depois de tanto sofrimento ela ainda tem que continuar a destruir a própria vida e o seu ganha pão por causa de um sacana?Eu fique muito deprimida com o final deste conto.Ela deveria ter realmente ter aceitado esta dura lição da vida,agradecido por tudo o que aprendeu e por ter sobrevivido e dali prá frente tocar a vida dela com mais humildade e amor no coração. Bia Leite, São Paulo-SP – abr2007
11- Parabéns pelo belo texto, Ricardo! Interessante a maneira pela qual vc abordou as ironias e as desventuras que cercam o universo do desejo e das paixões. Kátia Albuquerque, João Pessoa-PB – abr2007
12- Cara! Parabéns!!! Gosto muito de ler seus textos! Me envie sempre que puder!!! Forte abraço de um fã! Thiago Jede, Três de Maio-RS – abr2007
13- Caramba, que final, rapaz!!!!! GENIAL! Parabéns, mais uma vez! Humberto Batista, Fortaleza-CE – abr2007
14- Minha nossa… sempre, sempre você. Ao terminar de ler estava exausta. Amores… sempre eles… Fabiana Polotto, São José do Rio Preto-SP – abr2007
15- Bem, sobre o texto, adorei, mesmo, assim como a trilha, só vc mesmo, sempre criativo! Parabéns! Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – abr2007
16- Tu tá cada vez melhor, macho véio. José Everton de Castro Jr., Fortaleza-CE – abr2007
18- Achei lindo,extremamente sensível, mas muito triste…. Isso tudo daria um belo filme! Tu poderias me mandar a música? Beijinhos. Vanessa Santini Vebber, Caxias do Sul-RS – abr2007
19- Loner, meu breg brother!!! Tá EXCELENTE! Só lembrei dos velhos tempos de Roque Santeiro. Sensacional!!! Valeu! Beijos. Malena, Brasília-DF – abr2007
20- Recebo sempre seus emails e já que, além de nordestino você passou dois meses pelo nordeste. Grava essa: NÃO EXISTE PAREA PRA VOCÊ.Risos.Um abraço. Francisca Fernandes, Fortaleza-CE – abr2007
21- Ô, Kelmer, esse negócio aí da Lena num é amor nao, Cara, é doença… Abraço lusitano e fraterno. Flamarion Pelúcio, Fortaleza-CE – mai2007
22- Adorei a TRILHA DA VIDA LOCA: LAMA. É uma série, não? Muito bem escrito, personagens fortes e sua linguagem está melhor a cada dia. Gostei muitíssimo! Que bom! Cara, mande ver !!! Admiro-o muito nesta empreitada que já é jornada de tantos anos e gosto muito de você, pessoa massa! Abração. Érico Baymma, Fortaleza-CE – mai2007
23- Caro Ricardo Lafayet, O texto é péssimo!!! Não prende a atenção do leitor.Tema banal no cotidiano.Não há humor, poesia, … Prenda o leitor meu caro!!! Na minha opinião, o que faço com imparcialidade, vc alterna bons e maus textos. Quando gosto de um, sei q o seguinte será ruim!!!!! Eduardo Macedo, Recife-PE – mai2007
24- Tá com a gôta!!!!!!!!!!!!!!!!! Show! Nazaré Franca, Fortaleza-CE – mai2007
26- Oi, Ricardo! Caramba, vç tem a extrema facilidade de fazer o leitor ler, visualizar e sentir ao mesmo tempo. As emoções de ambos foram introjetadas de tal forma que senti como se estivesse vivendo aquilo.E é que li sem ouvir a música, imagine o apelo q se torna então.Brilhante, sou kelmerfã de carteirinha! Beijos. Lia Aderaldo, Fortaleza-CE – mai2007
27- Eita!!! “Pega fogooooooooooooo o cabaré!!!!” Da até pra dançar um bolerão, hahahahaha!!! Pensa numa “Boate Azul”!!! Adorei o texto!!!! Só trocaria o campari por uma vodka!!! huahuahuahua!!!!! Bjssssssssss. Lua Morena, Luziânia-GO – mai2007
28- Ricardo , que massa a história. Curti. Irei a Sampa semana que vem . Se rolar podemos trocar uma idéia!! abços. Petrus, Fortaleza-CE – mai2007
29- DOREEEEEEEEEEEEI !!! Beijo grande. Ilana Nahm, Rio de Janeiro-RJ – mai2007
30- Lama é o máximo ,dá um filme fantástico , e Odair José me fez viajar nas lembranças , nos finais de noites ,lá na abolição……….no dia que só chegamos em casa a noite depois de um tour enormeeeeeeeeeeee nos bares e restaurantes da cidade , depois de um luau ,com a irmã da Cris , lembra? bom demais…………..tudo que lí me transportou total para lembranças maravilhosas…. é meu amigo , voce está ótimo , muito + sensivel ,calmo ,muito + tudo de bom em um homem……………. Cristina Cabral, Fortaleza-CE – out2007
31- Adoooooooro essa música num mix com Preconceito. Divinas!! Tenho o CD Imitação da Vida (Bethânia) com as duas. Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – fev2011
32- Muiiitttoooo booommmmm!!! Luce Galvão, Fortaleza-CE – fev2011
33- Gostei da ousadia do texto, sou evangélica e tenho horror dessa história de colocar a culpa de tudo em Satanás. Ora e o livre arbítrio? Nota 10 pra o texto “LAMA”. Marilde Jorge, Fortaleza-CE – fev2011
34- Obrigada!! Eh essa mesma! Fala na alma. Aiai..rs Pouco importa…para mim morreste tambem!!! Kkkkkk ohh drama! Cibele Cortez, Fortaleza-CE – nov2012
35- bom demaaaaaaaaaaaaaaissss!!!!! Ana Erika Oliveira Galvao, Fortaleza-CE – nov2013
36- Tu é um show completo. Eugenia Nogueira, Fortaleza-CE – nov2013
37- puuuutzzzz…. ela era bonita, heiiim. Tetê Macambira, Fortaleza-CE – ago2014
Um show com os restos mortais da Intocáveis Putz Band
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Dezembro de 2009 em Fortaleza. Uma raríssima conjunção astrológica, que ocorre a cada dez mil anos, fez com que eu (que moro em São Paulo), Toinho Martan (mora em Brasília) e Flávio Rangel (de volta de BH) estívessemos todos na cidade, junto com Moacir Bedê (mora em São Paulo). Desde 1994, quando eu ainda estava na Intocáveis, que não tocávamos todos juntos. Não resisti à ideia: quital um show pra comemorar esse glorioso momento?
Show marcado pra 29dez2009, terça-feira, no Bar do Papai. Tudo a ver, pois foi num bar administrado por Carlinhos Papai, o Compasso, em mar1994, que a banda fez seu show de estreia. E agora o show revival: Intocáveis Putz Band – A volta dos que já deveriam ter ido.
– Pô, cara – resmungou Martan, preocupado com a altíssima probabilidade de pagar mico. – A gente vai fazer um show sem nenhum ensaio?
– Não vejo nenhum problema – falei, eu como sempre sem qualquer noção de perigo.
– As crianças não vão gostar.
– Fica frio, Martan. Ninguém vai sacar que isso é coisa de artista decadente querendo faturar um troco pro Natal.
– Isso não vai dar certo.
– Cara, NUNCA deu certo – explicou Flávio, com toda sua lógica sem-noção. – Então, não será dessa vez que vai dar errado.
E assim foi. Deu tudo certo porque a fuleragem já é uma coisa errada por natureza. Bar lotado, as intoquetes em polvorosa, amigos que havia tempos não se viam, gente com saudade dos shows da Intocáveis e gente que nunca viu e queria ver – afinal tem gosto pra tudo. E, é claro, gente que chegou no bar e quando percebeu o que o esperava, deu meia-volta e se mandou.
Tocamos os nossos mais insuportáveis sucessos, inclusive o Particularmente eu prefiro quiabo cru, a pedido da fiel intoquete Maria Fernanda. Quer dizer, tentamos tocar, pois ninguém lembrava mais da letra, nem eu, que sou o autor. Nilton Fiore na percussão e JP no baixo seguraram a onda, junto com Flávio e Martan no violão. Eu filmei o show em meu celular e, é claro, subi ao palco e mandei ver no Manifesto Neomaxista Liberal: pelo direito de brochar sem ter que dar explicação, por uma delegacia de defesa do homem, pelo direito de dormir dentro…
Infelizmente Emílio Schlaepfer, o baixista oficial, e Karine Alexandrino, nossa Barbarella Pop-Star, não puderam comparecer. Ele porque virou pastor em Brasília e ela porque se recuperava da cirurgia de reversão de sexo. Neo Pi Neo e Ernesto deram suas canjas e Christiane Fiúza encantou a todos e a todas cantando Eu quero uma mulher. E Moacir Bedê, evidentemente, interpretou seus eternos e gosmentos sucessos Listen e Loving you, com seu afiadíssimo inglês de Cambridge.
Fiquem tranquilos. Garantimos que esse foi o primeiro e último revival da Intocáveis Putz Band. Pelo menos até a próxima conjunção astrológica.
. Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com
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INTOCÁVEIS PUTZ BAND – A volta dos que já deveriam ter ido
Show com os restos mortais da Intocáveis
Bar do Papai, Fortaleza – 29dez2009 – Fotos: Levy Mota
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Toinho Martan, Flávio Rangel, JP e Nilton Fiore segurando a onda
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Christiane Fiúza: o nascimento de uma nova Intocável
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Como eles conseguem rir das mesmas besteiras durante 16 anos? .
Toda o charme, a beleza e o algo mais da intoquete Juju
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Moacir Bedê: com ele a putchéuris consegue ser ainda maior
A sociedade fela da puta de Geraldo Luz – Suas músicas são baladas de melodias simplórias, conduzidas por uma inacreditável verborragia que mistura crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis
Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro
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COMENTÁRIOS .
01- Caraca, K. Isso foi farra boa. Quem sabe em 2020 a gente repete… Antonio Martins, Maceió-AL – fev2011
02- Se voltar vai sacaniar – Andre Soares Pontes, Fortaleza-CE – fev2011
Ele então comunicou que era o próximo e pediu um montila pra esperar. Mas a gerente respondeu que tinha quatro na frente
VOU TIRAR VOCÊ DESSE LUGAR
. Olha, a primeira vez que eu estive aqui Foi só pra me distrair Eu vim em busca de amor
Dario foi ao balcão e pediu um montila. Era a primeira vez que ia no Leila´s. Virou a dose de um gole, depois cuspiu no chão e esfregou o sapato em cima. Reparou na luz vermelha do teto, o efeito bacana que dava no ambiente. Na máquina tocava uma música do Odair José, e uns casais dançavam entre as mesas. Dario deu uma coçadinha nos possuídos e pediu outra dose. Foi nesse momento que ela apareceu, vinda da penumbra do corredor. Usava sainha jeans e bustiê estampado de manga comprida. Ela se encostou na parede, mascou o chiclete e olhou para ele de rabicho de olho. Ele a achou muito mimosa. Ela pregou o chiclete atrás da cortininha de babado e… sorriu.
Olha, foi então que eu lhe conheci Naquela noite fria, em seus braços Meus problemas esqueci
Uma hora depois ele saiu de cima dela e foi se limpar na bacia que ficava sobre a mesinha de madeira. Quando voltou, ela estava sentada na cama e segurava um copo. Peguei um montila pra você, por minha conta – ela falou. Ele agradeceu, bebeu e perguntou se ela queria. Ela disse que não gostava, mas que ia beber porque estava gostando de estar com ele. Ela tomou um gole e fez careta. E Dario achou lindo. Ela acariciou seus cabelos e disse que o achava parecido com aquele cantor. Ele riu, descontraído. De repente, a semana cansativa, o trabalho desgastante, o crediário atrasado da tevê, tudo passou a ser detalhes insignificantes a evaporar ao toque dos dedos dela…
Olha, a segunda vez que eu estive aqui Já não foi pra distrair Eu senti saudade de você
Uma semana depois, quando ele chegou e perguntou pela Josélia, e a gerente disse que ela estava ocupada, ele se esforçou para disfarçar a frustração. Ele então comunicou que era o próximo, e pediu um montila para esperar. Mas a gerente respondeu que tinha quatro na frente. Quatro? Será que escutara direito? E olhe que hoje a clientela dela tá fraca, a gerente explicou enquanto anotava o nome dele num caderno de sete matérias cheio de fotos de artistas. Dario virou a dose e pediu uma dupla. E foi sentar na mesa do canto, perto da maquininha de música.
Olha, eu precisei do seu carinho Pois eu me sentia tão sozinho Já não podia mais lhe esquecer
Duas horas depois, quando Josélia apareceu e o levou ao quarto, ele enjoou e vomitou na porta oito montilas, duas coxinhas e um sarrabulho. Ela o levou ao banheiro e deu banho nele. Depois deitou-o na cama e começou a tirar a roupa, mas ele a interrompeu e disse que daquela vez queria ficar abraçado com ela, só isso. Surpresa, Josélia ajeitou o travesseiro e ele deitou, se aconchegando ao corpo dela. Ela o beijou no rosto com suavidade e fez carinho em sua cabeça. E Dario adormeceu.
Eu vou tirar você desse lugar Eu vou levar você pra ficar comigo E não interessa o que os outros vão pensar
O salário como vendedor na loja de autopeças não era muito bom, mas ele conseguira um empréstimo e estava montando uma carrocinha de cachorro-quente na esquina do Fórum, ela poderia ajudá-lo a tomar conta, não era um trabalho complicado. Sentados na mesa do canto, a preferida dele, ela o escutava falar. Tinha também um cliente da loja, que era dono de um colégio, ele tentaria uma bolsa com esse cara para ela estudar. Nesse instante, ela não conseguiu mais segurar a lágrima que insistia em escapar de seu olho. Ele percebeu e tocou seu rosto, desviando a lágrima para seu dedo, a luz vermelha do teto refletindo na gotinha. O que foi?, ele perguntou. E ela então falou de Goiânia, as cartas que enviava aos pais, onde contava sobre como ia bem no supletivo – mentira que renovava já fazia dois anos. Acho até que eles já sabem, ela murmurou, chorosa. Dario sorriu, compreensivo, e disse que adoraria conhecê-los, que deveriam ser pessoas maravilhosas e… Eles devem ter vergonha de mim, ela interrompeu. Ele pegou no queixo dela, erguendo seu rosto e olhando bem no olho: Mas eu, eu tenho orgulho.
Eu sei que você tem medo de não dar certo Pensa que o passado vai estar sempre perto E que um dia eu possa me arrepender
Na saída do cinema, enquanto ele comprava outro saco de pipoca, ela não conseguia deixar de admirar o cartaz do filme. Estava radiante. Imaginava que cinema era algo bonito, mas não imaginava que fosse tanto. Ele a escutou falar excitada do filme, das músicas românticas, de como a moça era linda e de como não esperava que o moço voltasse para salvá-la do marido cruel. Ele a pegou pela mão e atravessaram a rua, rumo à pracinha. Ela não queria ir para lá, mas ele disse que não havia problema, e insistiu tanto que ela cedeu. Então, sentados no banquinho, ela disse que ele era um homem muito bom, que gostava muito dele, mas… o problema é que ela era… Ele não a deixou terminar: segurou seu queixo e a beijou na boca. E Josélia pela primeira vez não afastou os lábios. Foi nesse momento que ele escutou, vindo de um grupo de rapazes que bebiam na birosca ao lado: Grande Dario, me chupando por tabela…
Eu quero que você não pense em nada triste Pois quando o amor existe Não existe tempo pra sofrer
Hoje faz um ano que Dario e Josélia se conheceram. Semana passada ela ganhou o anel de noivado e o abraçou forte, chorando emocionada. Ela ainda trabalha no Leila´s onde, aliás, está cada vez mais requisitada, principalmente depois que passou a usar o anel. E é justamente pelo movimento que proporciona à casa que a gerente aceitou suas reivindicações. Uma delas é que agora ela só começa os programas depois das onze, que é a hora que chega do supletivo. E a outra é que ela tem sempre direito a quinze minutos de intervalo – que Josélia faz questão de aproveitar, todos eles, tomando um montila com Dario em sua mesinha predileta.
. Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com
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Este conto integra os livros Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino e Trilha da Vida Loca. A letra usada é da música Vou Tirar Você Desse Lugar, de Odair José.
O amor é belo. Mas também é ridículo, risível, trágico… Aqui estão reunidas seis histórias, inspiradas em grandes sucessos musicais da dor de cotovelo. Paixões de cabaré, porres horrendos, brigas, escândalos, traições, vinganças e outras baixarias em nome do amor. Amar é para estômagos fortes.
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VOU TIRAR VOCÊ DESSE LUGAR Bordel Poesia (São Paulo, 18.02.14). Encenação: Ricardo Kelmer e Thais Durães
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VOU TIRAR VOCÊ DESSE LUGAR CCBNB (Fortaleza-CE, abr2017). Encenação: Patrícia Crespí e Maurício Rodrigues
Odair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair
Lama (Trilha da Vida Loca) – Se quiser fumar, eu fumo… Se quiser beber, eu bebo… Não interessa a ninguém
Paixão de um homem (Trilha da Vida Loca) – Amigo, por favor leve esta carta… E entregue àquela ingrata… E diga como estou
Por que brigamos (Trilha da Vida Loca) – Quanto mais eu penso em lhe deixar… Mais eu sinto que não posso… Pois me prendi à sua vida muito mais do que devia
A última canção (Trilha da Vida Loca) – Esta é a última canção que eu faço pra você… Já cansei de viver iludido, só pensando em você
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TRILHA DA VIDA LOCA Clipe com trechos do show
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NA CASA DAS MOÇAS (blues de Odair José)
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COMENTÁRIOS .
01- interessante Ricardo, como produtor vejo um projeto de grande porte, pois só pode ser assim, Envolve questões de direitos autorais de um monte de gente, pois alem dos caantores, compositores e ECAD, tem a parte das gravadoras, é uma coisa trabalhosa, mas se pode pensar a respeito, envolvendo varios outros atores, como por exemplo uma base de produção aí em SP, é isso. Gledson Shiva, Fortaleza-CE – fev2007
02- Adorei o texto, se não tivesse o nome do escritor saberia q era seu… Lua Morena, Brasília-DF – fev2007
03- Valeu, cara, adorei, sou fã do Odair, desde quando morava em Tamboril… Pedro Rodrigues Salgueiro, Fortaleza-CE – fev2007
04- “Vou tirar vc desse lugar” é uma musica da safra “brega” que considero mto bonita e sensível…e a estória que vc bolou, que vc pressupõe possa ter acontecido…está perfeita, imaginei a cena…mtas estórias desse tipo devem ter de fato acontecido. Gostei. Bjux e parabéns. Christina Alecrim, Rio de Janeiro-RJ – fev2007
05- Tio, gostei muito do conto! Bem cinematográfico mesmo: descritivo, detalhista. Muito bom! Tô doido pra ler os próximos da série! Abração! Levy Galvão Mota, Fortaleza-CE – fev2007
06- Fala, Ricardo! Gostei da idéia. E essa música do Odair é muito boa mesmo. Não sei se você já ouviu na voz dos Los Hermanos, mas a versão ficou show. Abraço. Alex Felix, São Paulo-SP – fev2007
07- Rapaz, muito boa essa do Odair José… Essa música é um fenômeno e a historia por cima casou perfeito! Pode ter certeza que se compilar tudo num livro, vai fazer o maior sucesso… Muito bom mesmo! Eu já cheguei a pensar em algo do gênero, tipo fazer um filme mesmo em cima da letra de uma música. A minha preferida, que eu ainda executarei, é aquela “Geni e o Zeppellin”, do Chico Buarque… Mas aí já é hostória quase pronta, né… Só roteirizar. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – fev2007
08- beleza irmão, muito bom!!!! cara, tu foi frequentador de berel mermo, hem? César de Cesário, Campina Grande-PB – fev2007
09- Muito bom, Kelmer! Estou ansioso para ler os próximos! abraço! Marcos Siqueira, Rio de Janeiro-RJ – fev2007
10- Ora… ora… grande idéia, a sua. Tenho grande fascínio por música em geral, especialmente as instrumentais . Costumo dizer que uma das personagens coadjuvantes de meu livro é justamente a M úsica. Haveria alguma chance de contribuir com um conto? Um abraço! Sergio dos Santos, São Paulo-SP – fev2007
11- A história de amor entre Dário e Josélia exala uma profunda intimidade com a letra da música de Odair José. Ao ler este conto, eu tive uma deliciosa sensação de que ouvia/lia uma única música que parecia deslizar com suavidade! Parabéns RK! Kátia Regis, João Pessoa-PB – fev2007
12- RK, ótima a idéia dos curtas!!! Todo apoio e ajuda (que não é lá muita coisa) no que precisar. Abraço! Wanderson Uchôa, Fortaleza-CE – fev2007
13- leio sua coluna no O povo. Massa. PQP a do Dário quase conta a minha vida! A minha Josélia não topou… Diz uma coisa, posso mandar uma bobagens minhas pra vc ler? Coisa curta. Faço filosofia na UFC e tenho umas viagens pra por no papel mais organizado. Forte abraço. Leandro de Paula, Fortaleza-CE – mar2007
14- isso me da uma saudade, bons momentos do cabare no acervo!!!!!!! Rodrigo Chaves Ferreira, Fortaleza-CE – fev2011
Boa noite. Nós somos a Intocáveis Putz Band e fazemos música com humor, humor com sexo e sexo sem amor. Com amor, preço a combinar…
Num belo dia de março de 1994, Toinho Martan, um pacato pai de famílias, me convidou pra montar uma banda. Eu, que não toco nada e canto menos ainda, mas que sempre sonhei ter uma banda, topei, afinal festa é o que nos resta. Estávamos excitadíssimos. O destino batia à nossa porta e nos acenava com possibilidades mis. Havíamos encontrado… o gênio da lâmpada.
‒ Queremos ganhar um milhão de dólares!
‒ É isso aí. E ser mundialmente conhecidos!
‒ E comer muitas mulheres!
Mas gênio da lâmpada no Ceará é liso, sabe como é, e tínhamos direito somente a um pedido. Dilema cruel. Que fazer? Muita calma nessa hora. Tratamos de pesquisar as piadas e estudamos bem o comportamento dos gênios. Eles são sacanas, deturpam os desejos alheios. Então, pra garantir, fomos logo ao que interessava e escolhemos as mulheres. Lembro que o gênio ainda perguntou se era isso mesmo, se não gostaríamos de pensar mais um pouco… Nós confirmamos, convictos. Ele então bateu as mãos e, puff!, sumiu no ar.
Nossa primeira cantora, Daniele Rogério, saiu da banda depois que o namorado viu os shortinhos que ela usaria nos shows. Decidimos então resgatar uma alma penada que cantava Tigresa aí pelos bares. Chamava-se Karine Alexandrino. Era insegura e dada a chiliques de artista, mas cantava bem e tinha uma beleza exótica, além do talento performático. Devia estar muito louca quando decidiu ser cantora de uma banda de malucos tarados. Sorte nossa.
Faltavam as vocalistas. Publicamos anúncio procurando “modelos bonitas com boa voz, interessadas ligar à noite”. Lembro de uma que teve a péssima ideia de levar o namorado pra entrevista, pode? Namorado não entende dessas coisas, minha filha. Infelizmente o anúncio não funcionou, mas tivemos sorte e pela banda passaram vocalistas maravilhosas como Valeska, Natasha, Fabiana e Luciana. A nata dos músicos também viajou na onda: Rian, Valdo, Claudinho, Nonô, Carlinhos, Vini, Denilson, Bedê, Ellis Mário, Pantico, Marcio, Vocal das Águas, Tim, Jabuti, Rossé… Era mais ou menos como filme dos Trapalhões: é ruim mas todo mundo quer participar. Os shows, sempre regados a muito uísque e improviso, eram uma molecagem só. As entrevistas, então…
‒ Afinal, qual a proposta musical da banda? ‒ perguntou o repórter, confuso.
‒ Divulgar os sagrados valores da putchéuris uêi ófi láifi cearense.
‒ Putchéuris?
‒ E também incentivar o bissexualismo feminino.
‒ Mas… o que significa isso?
‒ Você quer dizer: o que swingnifica isso?
Flávio Rangel, Toinho Martan, Karine Alexandrino e Emílio Sclaepfer (1999)
Música, teatro, canalhice e humor. “Você prefere quiabo cozido ou quiabo cru? Questão de gosto, ô meu. Eu, por exemplo como cru e todo mundo come o seu.” Uísque, escracho e diversão. “Bem-aventurados enfim todos vós que atentais contra a moral e os bons costumes, vós que dais de comer à obscenidade e à alegria, vós que instigais a carícia e a polícia…” Tietes generosas, desbundes homéricos, ensaios que sempre terminavam em festa. “Pelo imprescindível direito de ver os gols da rodada, inclusive no motel!” ‒ eu gritava no Manifesto Neomaxista Liberal (com x mesmo), que criamos pra defender os direitos pós-modernos do pênis sexual masculino, é isso aí. Era o ponto alto do show. Os homens vibravam de euforia a cada item, as mulheres vaiavam e xingavam e o circo pegava fogo. Festa é o que nos resta.
No Anima Café Concerto, botamos uma cama de casal no palco e fizemos o show deitados. O show foi ótimo, mas divertido mesmo foi levar a cama num bugre, dá pra imaginar? Bebi tanto nessa noite que agarrei até minha irmã. Na Concha Acústica, me agarrei também, mas foi com um bando de metaleiros que no meio de Marinara subiram ao palco e arrancaram a Playboy cujo pôster central nos servia de partitura. Meu sangue ferveu quando vi a coitada da Marinara toda arreganhada voando de um lado pra outro na plateia. Fiz uma coisa inacreditável: larguei o microfone, saltei no meio dos caras e briguei até recuperá-la. Que coisa. Acho que naquele tempo eu era imortal… E assim, com shows como esse, a banda seguia, célere e predestinada, rumo ao glorioso… anonimato.
Faltava um clipe pra MTV. Então juntamos o cachê de cinco shows, rifamos uma noite de amor com o baixista Emílio, deixamos de beber por um mês e, ufa!, contratamos a produtora. Divulgamos no jornal e a boate Via Giulia ficou lotada. Como queríamos todo mundo no maior clima de alegria, liberamos a bebida. Não foi uma boa ideia. Depois, analisando as imagens, só o que se via era o garçom com a bandeja, passando na frente da câmera pra lá e pra cá. O clímax do fracasso foi quando nosso convidado especial, o músico Moacir Bedê, vestido de Chapolim e cheio de cerveja na cabeça, surtou no meio da música e desceu marretadas na cabeça do câmera, tôim, tôim, tôim! A marreta era de borracha, tudo bem, mas o câmera, coitado, estava trabalhando sério, concentrado. Resultado: o cara se aporrinhou, largou a câmera e foi embora. Lá se foram pelo ralo cinco cachês e um sonho de MTV.
Mas a verdadeira desgraça ainda estaria por vir. Um dia, ela morreu. Alexandrino? Não, a loira Savannah. Então fizemos um show-tributo pra mais bela (e sempre bem disposta) das atrizes pornô, com um telão atrás do palco a exibir uma de suas melhores performances, aquela da poltrona. Um casal foi embora indignado: pagamos pra ver um show de música e não sexo explícito! Flávio e Emílio, é claro, tocaram o tempo todo de costas pra plateia. Outra vez, montamos, junto com a Trupe Caba de Chegar, um divertido teatrinho com a música Libera a Pamonha, onde um policial de repente invade o palco e interrompe o show, alegando que tá todo mundo empamonhado. Uma crítica divertida à hipocrisia dos nossos costumes, que festejam drogas legais e marginalizam outras menos nocivas, que ridículo. Mas deixa esse papo pra lá que ele faz muita fumaça…
Em 95, mudei-me pro Rio de Janeiro. Larguei a banda pra seguir minha carreira de escritor. Mas minha participação prosseguiu via DDD: Alô?, Ricardo, o Martan e a Alexandrino brigaram de novo, a banda vai acabar, tá uma merda, você tem que falar com eles… Virei fonoterapeuta de banda, era o que faltava em meu currículo. Todo mês a banda acabava. Pra meu alívio, Alexandrino e Martan se entenderam, muito bem até, constituindo a união musical mais festejada da cidade desde Ayla Maria e Raimundo Arraes, uau. A banda foi deixando certos amadorismos, tocando melhor e ficando mais conhecida. A putchéuris continuava, claro, mas os shows agora caprichavam em efeitos e figurinos, Alexandrino desabrochava como a genial artista que é, cada vez mais Barbarela Pop-Star, e Martan se consolidava como a “glande cabeça pensante da música pop alencarina”. Vixe.
RK se esgoelando no Manifesto Neomaxista Liberal (1994)
Em 99, cinco anos depois, saiu o primeiro CD, A Arte Menor da Intocáveis Putz Band. Demorou tanto que quando saiu, a banda já havia terminado. É um CD póstumo, portanto. Martan teve de chamar todos de volta e ensaiar pro show de lançamento no anfiteatro do Dragão do Mar. Bem, pelo menos o show foi inesquecível. Eu, Rian e João Netto tivemos participação fundamental: vestidos de mulher, corríamos alucinadas pela plateia agarrando os homens. E a crítica especializada em putchéuris, o que achou? Bem, se o próprio Martan vomitava no palco, seria natural que os críticos fizessem o mesmo ao escutar o disco, né?
No CD estão, devidamente registradas pra posteridade, os gôudem rítis Rapariguinhas do Bairro, AA Alcoólatra, Mulher, Sexy Sou e, é claro, Elizabeth & Flávia, o invejável menagiatruá que Martan viveu em Jericoacoara. Até seo Manel do Ferro Dentro, folclórico pastorador de carros da barraca Opção Futuro, participa com sua embolada Severina, que ele batuca no peito lá no estacionamento da barraca, pode pedir que ele faz. Tem também o Manifesto Neomaxista Liberal, claro, mas em estúdio não tem graça. O erro imperdoável foi não terem gravado Particularmente Eu Prefiro Quiabo Cru, um sensível tratado sobre preferências sexuais.
Hoje, dez anos depois do primeiro ensaio, aquela ex-alma penada dos bares fortalezenses é uma consagrada atriz e cantora: Alexandrino é um sucesso. Dizem até que ficou melhor ainda depois da mudança de sexo. Martan tem três lindas filhas e um eterno caso com seu violão. Flávio e Emílio continuam fiéis à música e às mulheres. E quanto a mim há controvérsias. Alguns boatos dão conta que me mandei pra Campina Grande e fundei uma seita pagã cujo culto acontece no meio do mato, sob a lua cheia, com dezesseis virgens vestais saltitando nuas ao redor da fogueira. Outros dizem que imitei Jim Morrison e morri na banheira de uma quitinete em Copacabana e que meu corpo está exposto pra visitação pública no banheiro do Roque Santeiro. Não nego nem confirmo.
Boas lembranças. Não me arrependo de nada. Talvez devesse ter bebido um pouco menos pra hoje lembrar de mais coisas. Porém, pensando bem, foi tudo perfeito do modo como foi. Bem, é verdade que às vezes, quando vejo minhas contas atrasadas, me pergunto se eu e Martan fizemos mesmo o pedido certo ao gênio. Talvez devêssemos ter pensado um pouquinho mais e… Mas acho que fizemos o pedido certo, sim. Não temos um milhão de dólares nem somos celebridades. Mas pelo menos teremos sempre boas histórias pra contar. No fim da festa, admitamos, é o que nos resta
Intocáveis. Putz Band, 1994 (foto: Ricardo Batista) Embaixo: Karine Alexandrino, Ricardo Kelmer e Toinho Martan. Em cima: Flávio Rangel, Emílio Sclaepffer, Claudinho Nonô, Claudio Gurgel e Ana Valeska.
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CURIOSIDADES
– O CD tem quatro capas, à escolha do freguês. A capa vermelha, do bonequinho, é de Sávio Queiroz, mecenas intelectual da banda.
– No início a banda se chamava Intocáveis Funck Band. Num show da calourada da Biologia da UFC, a banda mudou o nome, só por uma noite, pra Intocáveis Mitocôndria Band.
– A revista Playboy era usada como partitura na música Marinara, de Fausto Fawcett.
– O primeiro show foi no bar Compasso (Praia de Iracema, em fev1994), que era administrado por Carlinhos Papai. E o show de reencontro (29.12.09) foi no Bar do Papai, cujo dono era… Carlinhos Papai.
– O Reggae da Pamonha (escute aqui) não entrou no disco. Libera a pamonha, porra!
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Intocáveis procura modelos-vocalistas (1994). A melhor candidata que apareceu levou o namorado pra entrevista, pode uma coisa dessa? Claro que foi reprovada.
Há pouquíssimos registros em vídeo da banda. Se você sabe de algum, por favor comunique.
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Show em Fortaleza (Anima Café Concerto, jul94). A música é Corpo Vadio, da banda paulistana Nau. Quem canta é Daniela Rogério, que ainda estava na banda. A cama de casal no palco a gente levou num buggy, acredita? E tocamos uma das músicas todos deitados nela, aiai…
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Compilação de duas matérias de TV por ocasião da gravação do CD, que aconteceu entre 1997 e 1998, e foi lançado em 1999.
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QUADRINHOS
Toinho Martan tomou para si a inglória missão de desenhar a história da Intocáveis em quadrinhos. Confira aqui.
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FALARAM POR AÍ
Performance e irreverência – Matéria do jornal O Povo sobre a cena musical fortalezense dos anos 1980 e 1990 (30.09.18)
Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro
A sociedade feladaputa de Geraldo Luz – Suas músicas são baladas de melodias simplórias, conduzidas por uma inacreditável verborragia que mistura crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis
Todo mundo tem um lado cabaré – Toda vez eu tremo quando penso no desafio que é dirigir algo que, na verdade, é impossível de se controlar. Mas no fim sempre dá certo
Galinha ao molho conjugal – Então fizemos uma aposta. Qual dos três conseguiria resistir mais tempo ao casamento?
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Em 2012, Ricardo Kelmer iniciou uma parceria com Felipe Breier, e juntos passaram a se apresentar com show musicais-literários como o Vinicius Show de Moraes e o (este mais no clima da putchéuris) Trilha da Vida Loca.
TRILHA DA VIDA LOCA Contos e canções do amor doído
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COMENTÁRIOS .
01- Tive o prazer de ver aquele besteirol inteligente e idiota ao mesmo tempo no Jokerman, numa noite de domingo escaldante regada a muita cerveja e panfletagem de Karine Alexandrino com o manifesto bissexual feminino, perfomances bestiais de RKelmer e Loving You desafinadíssima e falsete do Paraguai de Moacir Bedê. Foi demais. Pouco tempo depois criei Os Moi, não com a mesma proposta, mas com o sarcasmo e besteirol inteligente que vocês faziam, além da fusão de sons que fazíamos. Fomos de 1994 a 1999 (primeira fase) e de final de 2000 a 2004. Por falência e rumos diferentes (filhos, mulheres, dinheiro, faculdade, emprego, uns ricos, outros pobres e outras mazelas que você conhece). Tenho o CD de 4 capas. Abraço. Jofran Fonteles, Fortaleza-CE – dez2009
02- Como não lembrar dessa experiência auditiva,mas tinha seu valor, fala sério! Teca Baima, Fortaleza-CE – dez2009
03- cínicos…kkkkkk. Renata Regina, São Paulo-SP – fev2011
04– Bons tempos… Ronaldo Caldas, Fortaleza-CE – fev2011
05- Muito legal!! Bom ler e recordar! Grande abraço! Marcio Roger, Fortaleza-CE – ago2011
06- Uma de suas melhores crônicas. literatura libidinosa e humorística de primeira. esse comentário swingnifica que… queremos mais! cru ou cozido, tanto faz. rsrsrs. Erika Zaituni, Fortaleza-CE – set2011
07- Kelmer, Não teria o que nao curtir, eu lhe conheço, embora nao faça parte desta consequencia…. que pena, mas algum dia algéum bebe. Espero que não seja eu sozinho. Espero que John Lennon não se configure mais como aquele que não saiu com Elton John nem com Yoko Ono – que mancada? ( só gil pra não transformar em cilada o sexo dos ancients egipicians). TODO MUNDO TREPA – Já dizia Roberto Freire por palavas inapropriadas. Você É, e eu não posso discutir isso a nao ser com você). Estão me dizendo que as palavras não dizem. Abração sempre bem carinhoso…. é meu coração…. Érico Baymma, Fortaleza-CE – set2011
08- kkkk, Ricardo, lembra o trabalho que deu pra levar essa cama no meu bugre? kkkkkk, só hoje é que vejo que valeu a pena! Antonio Martins, Maceió-AL – jan2012
09- Como não lembrar… Muuuuuito bom!!!! Saudades… Michelle Ribeiro Espindola, Fortaleza-CE – jan2012
10- nuss…como eu queria ter ido a um show desses. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – jan2012
11- Banda boa demais! Mas, naquela época, Fortaleza não tinha, (ou se tinha era muito restrito), abertura para esse tipo de som. Junior Faheina, Fortaleza-CE – jan2012
12- Banda indendiária. Como as grandes, não durou. Valmir Maia Meneses Junior, Lisboa-Portugal – jan2012
13- Para os que viram, viveram, sentiram e para os que não tiveram essa impagável oportunidade: um vídeo dos Intocáveis Putz Band. Considerada pela crítica especializada. em música, teatro, poesia, perfomance, gatinhos e mulheres incríveis como a BANDA ++++ f…FENOMENAL que o Ceará já lançou. Espero que apreciem, a preciosidade, direto do túnel do tempo… :-)) Patricia Nottingham, Brasília-DF – jan2012
14- Putz!!!! KKkKk era o que havia de melhor em Fortaleza e no mundooooo. Só a galerinha the best!!! kkk. Regiane Rocha, Fortaleza-CE – fev2012
A Lua nascendo no mar e os blues na voz de uma Lily que se rebola e se rebela e não ouve ninguém chamar
O ÚLTIMO BLUES DE LILY
. É minha amiga Cristina Cabral quem me liga para dar a triste notícia. Lily Alcalay se foi. Falecera na noite anterior, 15 de fevereiro de 2003. A irmã morte veio buscá-la, ela que havia meses se hospedara em seu corpo. Desligo o telefone sentindo o peso da realidade que todos desconfiávamos mas não ousávamos admitir. Conto para Karine e choramos em silêncio, sentados sob o sapotizeiro do quintal.
Enquanto me visto para ir ao velório lembro de um fato curioso. Era 1995. Eu morava em São Paulo e soube de uma festa que aconteceria numa serra próxima. Entre as atrações lá estava: Lily Alcalay. Tomei um susto. “Ei, esta menina é lá de Fortaleza!” E mostrei o panfleto da festa aos amigos, empolgado ante a possibilidade de rever minha bluseira predileta. Saudoso das coisas da terrinha, falei de Lily, sua voz maravilhosa, os shows, como ela tão bem encarnava o espírito do blues. Dias depois lá estava eu na festa. A apresentadora anunciava a atração seguinte e eu na plateia aguardava ansiosamente que fosse Lily a próxima a subir ao palco, ela e sua rebeldia, a energia contagiante. Mas a danada não subiu. Sequer fora à festa. Voltei frustrado. Pô, Lily! A gente sobe a serra, paga ingresso caro e você não aparece?
Anos depois, morando de novo em Fortaleza, descubro que Lily também está de volta. Que boa notícia! Nossa querida venezuelana rasgando os blues pelos palcos da cidade felizarda, fazendo a noite mais saborosa e conquistando mais e mais admiradores. Por vários sábados, na barraca Opção Futuro, saciei meu desejo com Lily e a banda Marajazz, desfrutando daquele cartão postal: a Lua nascendo no mar e os blues na voz de uma Lily que se rebola e se rebela e não ouve ninguém chamar.
Uma noite, show terminado, fui até ela e entreguei um original de meu romance O Irresistível Charme da Insanidade. Pedi que lesse e musicasse uma das letras que havia na história. Dias depois ela me disse que adorara o romance, que havia escolhido uma das letras e estava criando a melodia. Agradeci, superfeliz, e falei que a música faria parte da trilha sonora do livro, e que logo eu a chamaria ao estúdio para gravar.
Não deu tempo. Não resistindo mais às dores, Lily se internou para exames, o tumor já se alastrando por seu corpo. Fui visitá-la no hospital, ela se recuperando de uma cirurgia. Estava debilitada, sedada por medicamentos e falava com dificuldade. Mas demonstrava garra e confiança. E, impaciente com tantos soros e sondas, fazia planos de sair logo dali, retornar aos palcos, deixar de fumar, se cuidar mais…
Imóvel sobre a cama, Lily sorriu: Não esqueci nosso blues…. Vi quando virou o olhar para o teto e buscou a melodia na memória, fazendo-a escoar baixinho entre seus lábios. Cantou tão baixo que só pude distinguir uns poucos acordes. Deixei o hospital envolto numa tristeza resignada. Algo me dizia que eu jamais escutaria aquele blues. É preciso confiar sempre, eu sabia, mas naquele momento a esperança era como a voz de Lily, um fiapo de melodia resistindo no meio de tanta dor.
Seu corpo retornou à mãe Terra num domingo de lua cheia, uma lua linda e brilhante feito um neon suspenso a iluminar seu último blues. O caixão desceu enquanto nossas vozes entoaram as belas canções de seu disco. Pô, Lily, você tinha que ir embora no auge? Não precisava seguir tão à risca a cartilha do blues!
Foi-se dona Doida, a artista, amiga, namorada, irmã, filha, mãe e avó. Fortaleza está mais pobre e mais careta. E com um cartão postal a menos.
O brega não tem cura – Porque o senhor sabe, né, o brega sempre puxa uma dose, que puxa outra, que puxa a lembrança daquela ingrata, que puxa outra dose…
Odair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair
Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra
Paz e amor express– Durante cinco dias, o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor
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COMENTÁRIOS .
01- Lily Alcalay , Luv u 4ever. Luis Miguel Caldas, Fortaleza-CE – jun2013
03- Lily é maravilhosa. Sidney Souto, Fortaleza-CE – jun2013
04- Saudades de Lily Alcalay. 10 anos sem sua voz magnifica. Que vc estejam fazendo o mesmo sucesso na espiritualidade. Grande abraço. Lu e Sérgio, Fortaleza-CE – jun2013
05- Boa lembrança, saudade da Lili. Saudades dos incríveis sábados no opção futuro, por do sol. Impressionante como a vida ficou ruim. Tenho pena de quem começou a sair de casa nos anos 2000. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – dez2020
05a- Eu estou na rua desde 67 ,Bedê e nem a ditadura conseguiu vencer a fôrça a nossa geração , as vezes quando começo a contar tudo que vi acontecer , os jovens pensam que estou mentindo , é uma pena , agora é muito triste e vazio, mas não estou falando por mim , eu nunca paro de improvisar, abraços. Carlos Pamplona Calvet, Fortaleza-CE – dez2020
06- Vi vários shows dela. Mauricao Lima, Fortaleza-CE – dez2020
07- Toquei com ela. Lembro de uma das últimas vezes, foi no London London. A lá Janis… Marcos Melo Maracatu, Fortaleza-CE – dez2020
08- sonoramente lembrava muito Janis mesmo. José Júlio França Neto,Fortaleza-CE – dez2020
09- Essa bateu Fundo meu amigo. Paulo Costa,Fortaleza-CE – dez2020
11- Maravilhosa Lily. Clara Pinho,Fortaleza-CE – dez2020
12- Cantora esplendorosa! Pensei que fosse chilena. Brennand De Sousa Bandeira,Fortaleza-CE – dez2020
13- Não conhecia, mas tem uma voz bela demais, adorei! Ligia Eloy, Fortaleza-CE – dez2020
14- Ela era maravilhosa . A entrevistei várias vezes. Saudades Eveline Urano,Fortaleza-CE – dez2020
15- Lili Crisostomo Frota,Fortaleza-CE – dez2020
16- Lembro sim! Voz linda! Envolvente e maravilhosa!!! Ismenia Tavares,Fortaleza-CE – dez2020
17- Grande cantora! Figura maravilhosa! Parahyba de Medeiros, Fortaleza-CE – dez2020
18- Gente muito boa adorava. Luiz Edgard, Fortaleza-CE – dez2020
19- Já fui show dela. Muito bacana mesmo. Francisco DE Paula, Fortaleza-CE – dez2020
20- Ouvi muito falar da Lily e se não me engano meu ex marido tocou bateria pra ela. Cristiane Ribeiro, Fortaleza-CE – dez2020
21- Convivi com ela..maravilhosa.. A foto de lurex foi no festival de Guaramiranga, acho. Carlos Capucho, Fortaleza-CE – dez2020
22- Há a Anahí Alcalai. Filha dela. Marcos Melo Maracatu, Fortaleza-CE – dez2020
23- Também gosto Lily. Lucivanea De Souza Borges, Fortaleza-CE – dez2020
24- Eu vi muito show da Marajazz com ela. Bons tempos! Rachel Oliveira Alves, Fortaleza-CE – dez2020
25- Era muito legal a Lily! Uma voz lindíssima e uma pessoa cheia de sonhos e coragem. Pena que não cuidava da saúde, viu? Da última vez que conversamos, no Tja, o assunto foi sobre exames que estavam atrasados e ela já não se sentia muito bem. Uma querida que partiu cedo demais. Vou ouvir todas as músicas. Grata. Silêda Franklin, Fortaleza-CE – dez2020
31- Ouvi falar dela na música maravilhosa do Edmar Gonçalves com Marcos Lupi… “Como o canto de Alcalay”. Julioealana Soares, Fortaleza-CE – dez2020
32- seu texto é demais amigo. Não havia lido ainda. Abraço e saudades da Lili que foi minha contemporânea de shows por aqui. Adauto Oliveira, Fortaleza-CE – dez2020
Tá no ar o vídeo-clipe do Viniciarte. As fotos foram feitas em apresentações no Esp Cult Alberico Rodrigues e as cenas numa apresentação no Acre Clube (out2009). Pra ver em tela maior e melhor definição, acesse o YouTube.
VINICIARTE – Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes
Três amigos ensaiam o espetáculo sobre Vinicius de Moraes que apresentarão em 2013, no ano de seu centenário, mostrando poemas, músicas e fatos curiosos sobre a vida do poeta. No clima descontraído do ensaio, entre erros e acertos, eles descobrem as variadas facetas de Vinicius e sua real dimensão na cultura brasileira. Com Ricardo Kelmer, Vanessa Moreno e Moacir Bedê.
TEXTOS E DIREÇÃO: Ricardo Kelmer
COM o escritor Ricardo Kelmer e os músicos Vanessa Moreno e Moacir Bedê
VENDAS: Celia Terpins, 11-9129.1530 (celiaterpins@gmail.com). Para empresas, escolas, clubes, hotéis, congressos e espaços culturais.
IMAGENS: Bia Rocha (cartaz), Ricardo Ravache (filmagem), Gilberto Vieira, Thais Polimeni, Marcio José March e Maíra Soares (fotos)
EDIÇÃO: Ricardo Kelmer
APOIO: Letra de Bar e Esp Cult Alberico Rodrigues
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COMENTÁRIOS .
01- Traga o espetáculo para o sul!! Estevan Bombonatto, Passo Fundo-RS – nov2009
02- Viniciarte é show!!! Marcio José March, São Paulo-SP – dez2009
03- Algo inédito, íntimo, faz a gente se sentir parte do show. Pelo texto, interpretação do Ricardo, voz afinadíssima da Vanessa e o talento incrível do Bedê, nota 1000. Merece ir adiante em maiores plateias. Já recomendei e recomendo a meus amigos, porque vale muito assistir Viniciarte. Marcix, Grupo Uva Passa, São Paulo-SP – mar2010
04- Parabens pelo seu blog..è maravilhoso , adorei nunca tinha visto um blog tao lindo.Parabens pelo conteudo, pelo nosso V.morais. Rossana Koepf, Fortaleza-CE – mar2010
05- É um presente assistirmos ao Viniciarte,pois existe uma química muito forte entre os artistas,a platéia e à tudo o que representa Vinícius de Moraes. Bia Rocha, São Paulo-SP – mar2010
06- Bem que vc poderia trazer esse evento: VINICIARTE – Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes pra Fortaleza! rsrsrs aguardo ansiosa! abraços!!!!! Bruna Barreto, Fortaleza-CE – mar2010
07- Sinto-me orgulhoso por ter na programação do Espaço Cultural Alberico Rodrigues o espetáculo VINICIARTE, um dos mais bonitos eventos que já se apresentaram na casa. A atuação dos artistas Ricardo Kelmer, Vanessa Moreno e Moacir Bedê encantam a todos. Alberico Rodrigues, São Paulo-SP – abr2010
DE VOLTA PRA CASA
Ricardo Kelmer e Joaquim Ernesto .
Você me pergunta
Qual o melhor jeito de viajar
Aprenda com o rio
Que desce suave
Porque sabe do mar
Tudo que você precisa
É a coragem de partir
E não pergunte que direção seguir
Você está na estrada
Você já está
Reconheça as velhas paisagens da infância
Sinta o cheiro familiar dessa tarde
Pra quem parte não há nada a temer
Não há nada
Viver é uma longa viagem
Que louca viagem
A mais bela viagem
A eterna viagem
De volta pra casa
…
Algumas letras são meio esquizofrênicas, têm mais de uma personalidade musical.
Em 2000 fiz esta letra pra um blues e entreguei pro meu amigo e parceiro Toinho Martan, que a musicou quatro anos depois, mas sem gravar. Gostei razoavelmente. Acontece que Joaquim Ernesto, outro amigo e parceiro, gostou de várias letras que eu deixara com ele em 2004, antes de eu me mudar de Fortaleza pro Rio de Janeiro, e um belo dia, em 2005, ele me manda três músicas gravadas, todas musicadas a partir das tais letras. E uma delas era De volta pra casa. E ele compusera não um blues, pois não sabia de minha ideia original, mas um samba. No princípio, estranhei, mas depois gostei. Gostei da melodia, do arranjo e da interpretação do Ciribáh. Ficou um sambinha macio, muito singelo, que me passa uma sensação boa de paz e confiança na vida.
Mostrei pro Martan e ele também gostou, ainda bem. Aliás, gostou mais que a versão blues dele. E o clipe eu fiz em 2008, pra divulgar meu livro Vocês Terráqueas.
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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com
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Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso! .
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Vinicius voltou pra mim, ô maravilha. Na verdade, o poetinha nunca se foi – eu é que, em face de outros encantos, esqueci o quanto dele se encanta meu pensamento. Curioso como a gente consegue se afastar dos nossos valores mais essenciais. Um dia, plim!, a ficha cai e a gente se assusta por ter vivido tanto tempo sem viver as nossas mais belas verdades, aquelas que fazem a gente se sentir vivo em cada vão momento.
Invoco agora as lembranças pra tentar entender. Lá vai eu, menino bobo de dez anos, dar de presente pra professora uns versinhos que meu pai me ajudava a fazer. Depois o adolescente a descobrir a força das erupções: da poesia e das espinhas no rosto. E nos poemas, sempre ela, a Mulher, primeiro nas rimas ingênuas das paixonites não correspondidas e, depois, nos versos livres dos amores juvenis pelas mesas dos botecos. E, pairando sobre aqueles dias, Vinicius a espalhar seu canto.
Nas rodas de violão da década de 80, eu sempre pedia Vinicius, pra rir meu riso e derramar meu pranto. Nas viagens de ônibus pelo país, seus livros pra passar o tempo. Na inauguração do bar do amigo, olha eu, solene e copo na mão, recitando Receita de mulher. No festival de vídeo, olha lá eu de novo, no palco a agradecer o prêmio – e o vídeo era uma homenagem ao velho Vina. E nos ouvidos rendidos da mulher amada, é minha boca que pousa suave a lhe sussurrar os versos do poetinha. Poesia, música e amores, e o fascínio quase religioso pelo Feminino – era só isso que importava. Viver não era preciso. Necessário apenas viver como poeta, seja com pesar ou contentamento. Como Vinicius viveu.
Invadindo meus dias sem pedir licença, eis porém que chegam outros tempos, vestidos de anos 90, e com eles outros bares, outras viagens, outros livros e músicas, outras mulheres, uma outra vida. E um casamento difícil, com a carreira de escritor, em nome da qual eu ganharia e também abdicaria da própria vida. Meus discos do Vinicius, nem gosto de lembrar, se perderam nas tantas mudanças e seus livros eu precisei vender no sebo pra pagar o aluguel, essa mensal angústia de quem vive. Na memória, os poemas deram lugar a fórmulas de sobrevivência como escritor. E o viver como ele viveu, ah, isso foi ficando cada vez mais espremido num cantinho da vida.
Ela quer um poema agora, Vina, exclusivo pra ela. Como você fazia nessas horas? (1993)
Casadão com a carreira, mudo pro Rio de Janeiro em 1995 e no ano seguinte pra São Paulo. Porém, sem conseguir me manter como escritor, volto pra Fortaleza. Sete anos depois tento novamente o Rio, viro roteirista de TV, e em 2006 aporto mais uma vez na Pauliceia, viro palestrante e professor de roteiro, tudo pra sustentar esse casamento. Uma noite vem a ideia de montar uma palestra nova e é então que a ficha cai: uma palestra sobre Vinicius. Plim! Como não pensei nisso antes? A ideia rapidamente evolui: montar não uma palestra, mas um espetáculo sobre o poetinha. Viniciarte. Pliiimmm!!!
Imediatamente tratei de reler suas obras e reuni novamente suas músicas, faminto desse amor que um dia eu tive. Mergulhei em biografias, vi filmes e conversei com pessoas que o conheceram pessoalmente. Em busca de algo que bem representasse o espírito de sua vida e obra, criei um roteiro que simula o ensaio do espetáculo que um grupo de amigos fará sobre ele: amigos reunidos, uísque na mesa, clima descontraído, os erros e acertos de um ensaio e, entre poemas e canções, eles descobrindo as diversas facetas de Vinicius e o encanto do mundo por sua arte. É uma montagem simples, que espero que reflita a alma leve e despojada de Vinicius, assim como também a singeleza, a emoção e a devoção à Vida que tão bem marcaram sua obra e seu viver.
De Pitú pra Chivas. Pelo menos nisso, poetinha, eu evoluí. (2009)
Uau… Eu consegui ressuscitar a velha chama que vinte anos atrás aquecia de imortalidade os meus dias, minha vida andava precisada disso. Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso! Espero que eu realmente seja digno dessa tarefa a que me incubi e que, pensando bem, é antes de tudo um resgate de mim mesmo. Que ironia isso… Enquanto despendia toda minha energia pra manter meu casamento com a escrita, esqueci de viver como poeta. Bem, meu casamento continua firme mas agora sou um escritor que sabe de algo valioso: maior que a sina da escrita, é ela, a poesia da vida, que faz tudo ser infinito enquanto dura.
Saravá, Vininha, saravá.
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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com
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COMENTÁRIOS .
01- Onde já se viu, criatura, casar com a carreira e abandonar a tua belíssima FÊMEA DE DENTRO? Tá dooooido? Lembra do que tu escreveu sobre fascínio religioso pelo feminino? Pois é… Andastes des-ligado DELA? Entonces, se re-ligue. De fascínio ao religamento, já imaginou RK? FODAS RELIGADORAS BÁRBARAS! GOZOS TRANSBORDANTES! Patrícia Lobo, Salvador-BA – nov2009
02- Oi Ricardo, Tudo bem? Adoro ler o que escreve, pena não poder entrar no seu blog aqui do computador do meu trabalho. Torço por vc e que a inspiração seja sua eterna companheira. Parabéns!! Abraços. P.S.: Lembrando: Sou aquela moça do bolo de choclate que vc não comeu…rsrsrsrs. Fátima, Brasília-DF – nov2009
03– cara, vc realmente escreve muuuuito bem! aproveitar frases dele, encaixar tão bem nas suas… PARABÉNS!!!! me emocionou, assim como os poemas do poeta… bjão. Celia Terpins, São Paulo-SP – nov2009
04- Vinícius bom é Vinícius poeta… o “poetinha” é machista e duro do ouvido! Emblemática é a correspondência entre Chico e ele (Chico, o ouvido perfeito….). Em Valsinha, Vinícius sugere q mude “vestido decotado” para “vestido dourado”. Chico responde q com “dourado” a tônica fica na sílaba errada… É verdade: qtas pessoas vc conhece q compõem letras e não se ligam nisso? Ficaria “douradú”… em vez de “dourádo”, ou, como ficou, “decotádo”. bjs. Betty, São Paulo-SP – nov2009
05- Olá Ricardo, gostei muito da sua crônica. O mais engraçado foi a leitura desse texto justamente hoje, quando deixei de fazer umas coisas super-chatas e decidi vir para casa fazer algo mais bacana… Um abraço. Glauber Moura, Brasília-DF – nov2009
06– So good Kelmer. Juliana Guedes, Fortaleza-CE – nov2009
07- RK, é por estas e outras que vc será meu eterno Guru!!! Marcos André Borges, Fortaleza-CE – nov2009
08- Legal conhecer gente do bem, do bom, da boa…embriagado da mais pura poesia e boemia. 2013 promete! Q suba o país, viniciando com K. Muito bom ouvi-lo! Repassei aos amigos q não desistem de navegar pela vida, apesar de tantos desencontros. Parabéns! Marcia Matos Barbosa, Fortaleza-CE – nov2009
09- Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você…. Danielle Fernandes, Fortaleza-CE – nov2009
10- Que texto lindo!!! Adorei!!! Gosto muito do seu jeito de escrever….jeito que encanta, que dá vontade de quero mais……. rs Abração aí!!! Biah Carfig,São Paulo-SP – nov2009
11- Kelmer com K, este teu momento de retorno às fontes é muito bonito! A vida é espiral. Beijo, e boas inspirações! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – nov2009
12- ameiiiiiiiiiiiii,muitooooooooooo lindo!!!Sampa está te fazendo muitoooooooooo bem meu amigo queridoooooooooooo!!!estou te achando mais forte,maduro,sensível,escrevendo melhor ainda,enfim tudo de bommmmmmmmm. Beijossssssssssss mil. obs:bjssssssss no Bedê. Cristina Cabral, Fortaleza-CE – nov2009
13-Saravá, Ricardo! Saravá Vininha! Continue, continue… Ana Gilli, São Paulo-SP – nov2009
Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….
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Eu só queria que você soubesse
Que as minhas noites são tão vazias
E o meu coração é tão velho sem você…
Eu sirvo mais uma dose enfim
Eu olho a cidade
Da janela só a cidade sabe de mim
Eu ouço música na madrugada
Eu tinha tanta música pra fazer
Sirvo uma dose, me visto pra sair
Eu tinha tanto pra dizer
Onde está a seção de acompanhantes?
Quanto vale um corpo sem você?
Eu só queria que você soubesse
Que eu durmo muito tarde
E até a cidade tem sensibilidade
E que comprei aquele vinho da promoção
Eu só queria que você soubesse
Que você não tem coração .
Você me permite umas considerações sobre esta música?
Fiz a letra desse blues numa das madrugadas solitárias de minha primeira fase carioca (1995-1996). Mostrei pro Humberto, que gostou e musicou. Em 2004, antes de eu embarcar pra ir morar novamente no Rio de Janeiro, ele gravou em seu estúdio, apenas voz e violão. É o único registro que temos pois a música não foi gravada por mais ninguém.
Quando escrevi, tive o cuidado de deixar o gênero incerto, ou seja, quem fala pode ser uma mulher ou um homem, apesar do protagonista buscar uma seção de acompanhantes e isso ser uma prática mais masculina. Numa letra, a incerteza proposital do gênero permite que tanto homens como mulheres se identifiquem e possam cantar sem ter que alterar o texto.
Por falar em alterar, houve alterações na letra. Em parcerias, isso é comum, e usarei este caso pra mostrar como elas podem enriquecer o trabalho. Na letra original, o verso é “Que as minhas noites são tão vazias” mas Humberto gravou “Que as minhas noites são tão sozinhas”. Gostei, mas prefiro o original por causa da aliteração (repetição das mesmas letras ou sílabas) provocada pela letra V (vazias, velho, você).
Outra mudança foi no verso “Quanto vale um corpo sem você?”, que na gravação ficou “Quanto vale um corpo sem o seu?” Outra vez prefiro o original mas é interessante perceber como as duas formas possuem curiosas sutilezas de significados. Vejamos:
“Quanto vale um corpo sem você?” – O protagonista ou a protagonista, no auge da solidão, busca a seção de acompanhantes e se pergunta quanto poderia valer um corpo que não fosse o da pessoa amada, “um corpo sem você”.
“Quanto vale um corpo sem o seu?” – Aqui a pergunta muda o foco. Quanto valeria o corpo do próprio protagonista privado do corpo da pessoa amada?
Mas houve uma mudança que aprovei. No original, era assim:
Eu olho a cidade da janela
Só a cidade sabe de mim
O protagonista está na janela olhando a cidade e somente a cidade sabe de sua dor. Na gravação, porém, o ritmo obrigou Humberto a fazer uma leve pausa entre “cidade” e “janela” e essa mudança, mesmo sendo bem sutil, levou o “da janela” mais pra perto do verso seguinte e isso causou, pelo menos pra mim, um efeito visual e de sentido bem mais interessante.
Eu olho a cidade
Da janela só a cidade sabe de mim
O protagonista continua olhando a cidade, isso não mudou. Mas agora o verso “Da janela só a cidade sabe de mim” parece emoldurar a cidade na janela e isso traz o protagonista de volta ao ambiente interno do apartamento. Ou seja, agora a cidade está na janela e observa o protagonista em sua dor e solidão.
A seguir, o clipe. É um dos que usei pra divulgação de meu livro Vocês Terráqueas. Escolhi e trabalhei as imagens pondo como protagonista uma mulher, e pra fazer a edição usei o Windows Movie Maker, tudo bem dentro das minhas limitações, vá desculpando.
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COMENTÁRIOS .
01-Adorei ”Eu só queria que você soubesse”. E meus ouvidos até sorriram. Herlene Santos, Fortaleza-CE – abr2013
Escritor, ateu, socialista, antifascista. Amante da arte, devoto do feminino, ébrio de blues. Fortaleza Esporte Clube. Fortaleza-CE.
Em meio a problemas no casamento, Téssio é transportado para o passado e lá encontra a si mesmo e a sua mulher Ariane, aos vinte anos de idade. Envolvidos numa conflituosa relação a três, eles precisarão lidar com novos e antigos sentimentos enquanto Téssio tenta retornar à sua vida oficial.
VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Um grupo de amigos que viveu na Dinamarca do sec. 14 se reencontra no sec. 20 no Brasil para salvar o mundo de malignas entidades do além. Resumo de filme? Não, aconteceu com o autor. Líder desse grupo aloprado, Kelmer largou uma banda de rock e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso, que depois renegou: Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá. As pitorescas histórias desse grupo são contadas com bom humor, entre reflexões sobre carreira literária, amores, sexo, crises existenciais, prostituição e drogas ilegais. Kelmer conta também sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.
PENSÃO DAS CRÔNICAS DADIVOSAS
Nesta seleção de textos, escritos entre 2007 e 2017, Ricardo Kelmer exercita seu ofício de cronista das coisas do mundo, ora com seu humor debochado, ora com sobriedade e apreensão, para comentar arte, literatura, comportamento, sexo, política, religião, ateísmo, futebol, gatos e, como não poderia deixar de ser, o feminino, essa grande paixão do autor, presente em boa parte desta obra.
INDECÊNCIAS PARA O FIM DE TARDE
Contos eróticos. As indecências destas histórias querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.
Agenda
2026
Lançamento do livro Fortaleza Prometida do Sol (abr)
Coordenação do estande de literatura cearense na Feira de Artesanato do Cantinho do Frango (mensal)
Coordenação da Confraria Literati (@confrarialiterati), divulgadora da cena literária cearense
O IRRESISTÍVEL CHARME DA INSANIDADE
Romance. Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal?
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GUIA DE SOBREVIVÊNCIA PARA O FIM DOS TEMPOS
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