Mulheres que correm com os lobos
Clarissa Pinkola Estés (Editora Rocco) .
Os lobos foram pintados com um pincel negro nos contos de fada e até hoje assustam meninas indefesas. Mas nem sempre eles foram vistos como criaturas terríveis e violentas. Na Grécia antiga e em Roma, o animal era o consorte de Artemis, a caçadora, e carinhosamente amamentava os heróis. A analista junguiana Clarissa Pinkola Estés acredita que na nossa sociedade as mulheres vêm sendo tratadas de uma forma semelhante. Ao investigar o esmagamento da natureza instintiva feminina, Clarissa descobriu a chave da sensação de impotência da mulher moderna. Seu livro, Mulheres que Correm com os Lobos, ficou durante um ano na lista de mais vendidos nos Estados Unidos.
Abordando 19 mitos, lendas e contos de fada, como a história do patinho feio e do Barba-Azul, Estés mostra como a natureza instintiva da mulher foi sendo domesticada ao longo dos tempos, num processo que punia todas aquelas que se rebelavam. Segundo a analista, a exemplo das florestas virgens e dos animais silvestres, os instintos foram devastados e os ciclos naturais femininos transformados à força em ritmos artificiais para agradar aos outros. Mas sua energia vital, segundo ela, pode ser restaurada por escavações “psíquico-arqueológicas” nas ruínas do mundo subterrâneo. Até o ponto em que, emergindo das grossas camadas de condicionamento cultural, apareça a corajosa loba que vive em cada mulher.
Então, li Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. E tudo fez sentido. Lá estava o que eu intuía sobre a mulher e a relação entre os gêneros, mas ainda não sabia verbalizar. O livro me veio quando eu já lidava melhor com meus aspectos femininos e, por isso, me identifiquei profundamente com ele e com a histórica questão da domesticação da mulher.
Por meio de mitos e lendas coletados pelo mundo, a autora mostra como sobreviveu, mesmo escondida sob muitas formas simbólicas, o arquétipo do feminino selvagem, o modelo da mulher conectada com os ritmos e valores da Natureza e de sua própria natureza, o modelo da mulher livre. Um belo livro, que tem ajudado muitas mulheres a resgatar o que séculos de repressão lhes usurparam: o direito de serem o que quiserem. Um livro que fala essencialmente do feminino, mas também fala de homens, e deveria ser lido pelos dois. (RK 2009) .
Este e outros textos
integram o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA
O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?
Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou
A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…
A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…
O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina
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MAIS SOBRE LIBERDADE E O FEMININO SELVAGEM
A mulher selvagem– Ela anda enjaulada, é verdade, mas continua viva na alma das mulheres
A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é
Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse
Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?
As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar
Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há
Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido
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LIVROS
Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Contos e crônicas sobre a mulher (Ricardo Kelmer, 1998)
Mulheres que correm com os lobos– Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)
A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)
O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas
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Cinema, Tela da Alma é uma série de palestras que faço usando filmes pra mostrar como a força e o encantamento do cinema são capazes de nos tocar profundamente a alma e nos instigar a viver a vida de modo mais verdadeiro. Sempre em linguagem acessível e de forma descontraída, essas palestras nos fazem ver os filmes por um olhar mitológico e psicológico, refletindo na tela as nossas próprias vidas, os nossos sonhos, os medos e anseios e a velha busca pela nossa essência mais legítima, que o corre-corre do cotidiano tão bem nos faz esquecer.
A primeira palestra deste ciclo atual será Razão e Sentimento em Conflito. Trata-se de uma abordagem bem humorada do filme Don JuanDeMarco, mostrando como os personagens principais, o jovem Don Juan e seu psiquiatra, representam o velho conflito entre intelecto (a visão fria e racional da vida) e coração (a poesia e o romantismo). Outros aspectos analisados: estrutura do roteiro e fotografia.
Outros filmes que integram o ciclo de palestras Cinema Tela da Alma: Matrix, Caçador de Andróides (Blade Runner), Piaf, Uma Mente Brilhante, Encontro Marcado e Alucinações do Passado.
Horários 18h30: exibição do filme
20h: intervalo para o café
20h15: palestra
21h30: encerramento
Local: Espaço Cultural Alberico Rodrigues
Praça Benedito Calixto, 159 – Pinheiros (estacionamento na praça)
Inf.: 3064.3920 e 3064.9737
Investimento: R$ 10
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A prostituta sagrada – A face eterna do Feminino
Nancy Qualls-Corbett (Editora Paulus, 1990)
O eterno feminino e sua relação com espiritualidade e sexualidade. Quando a deusa do amor ainda era honrada, a prostituta sagrada era virgem no sentido original do termo: pessoa íntegra que servia de mediadora para que a deusa chegasse até a humanidade. Este livro mostra como nossa vitalidade e alegria de viver dependem de restaurarmos a alma da prostituta sagrada, a fim de nos proporcionar uma nova compreensão da vida.
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RESGATANDO A SEXUALIDADE SAGRADA Ricardo Kelmer, 2009
Em muitas culturas antigas a sexualidade convivia muito bem com a religiosidade, sem a ideia do pecado que mais tarde a religião cristã viria trazer, impregnando toda a cultura ocidental. Se hoje, para a maioria de nós, lugar de religião é na igreja e lugar de sexo é na cama, para essas antigas culturas as duas coisas podiam ser vivenciadas harmoniosamente no mesmo contexto, pois a percepção da sexualidade era também uma percepção do Mistério e do Sagrado.
Nos rituais do hierogamos (o casamento sagrado do feminino com o masculino) que existiram em culturas não patriarcais da Antiguidade, sacerdotes e sacerdotisas usavam o ato sexual como forma de reverenciar a Deusa do Amor e, assim, atrair sua simpatia e auxílio ao seu povo. Isso pode não fazer sentido para quem reverencia deuses masculinos e dissociados do sexo, mas naqueles tempos em que a Deusa do Amor era honrada (em suas diversas formas, como Afrodite, Inana, Ihstar…), os rituais em seu louvor iniciavam a mulher num novo nível de sua vida, preparando-a para as relações amorosas e equilibrando nela o masculino e o feminino, a força e a suavidade, tornando-a una em si mesma (o sentido original do termo “virgem” é justamente este). O mesmo ocorria aos homens que se entregavam aos mistérios sagrados.
Hoje já não veneramos a Deusa do Amor como os antigos faziam. Mas amamos. Porém, amaríamos de um modo mais sadio e nossa relação com a própria sexualidade seria melhor se nisso tudo tivéssemos a noção do Sagrado – que infelizmente perdemos nos descaminhos da civilização.
Não, não precisamos voltar a cultuar as antigas deusas e reeditar os rituais das prostitutas sagradas, até porque hoje sabemos que as deidades são representações personalizadas de aspectos do nosso próprio psiquismo. Mas podemos vivenciar os Mistérios a partir de nosso crescimento psíquico e servir ao Sagrado através de nossas relações amorosas. Cada homem e cada mulher pode ser o sacerdote e a sacerdotisa do Amor em sua própria vida. .
Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com
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MAIS SOBRE SEXUALIDADE E RELIGIÃO
A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco
Corpo e sociedade – O homem, a mulher e a renúncia sexual no início do cristianismo (Peter Brown, Jorge Zahar Editor, 1990)
A mulher selvagem– Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres
A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é
Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse
Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?
As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar
Medo de mulher– A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará
Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há
Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido. .
DICAS DE LIVROS
Vocês terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher
Mulheres que correm com os lobos– Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)
Atos impuros – A vida de uma freira lésbica na Itália da Renascença (Judith C Brown, Brasiliense, 1987)
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Fiz esta música em 2006 com Flávia Cavaca. Quem canta é Lila Shakti. Os instrumentos e a programação ficaram a cargo do Rodrigo Larese, um fera. Em algumas cidades há grupos que usam esta música em rituais xamânicos ou de celebração do Feminino Sagrado. Ótimo! É pra isso mesmo, fiquem à vontade.
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ALMA UNA .
Celebrar o milagre de ser O assombro de viver Na doce magia da noite Minha alma é noiva desse ritual
O fogo me aquece num abraço amigo As fagulhas são reflexos do infinito Eu danço o mistério da Lua Linda, nua e natural
Eu faço amor com a Terra Sou a amante eterna Do fogo, da água e do ar
Sou irmã de tudo que vive Ninfa que brinca com a vida Alma una com tudo que há
Salamandras brincam na fogueira… Guerreiras aladas trazem oferendas… Se aproximam os animais de poder… Planta-mestra, eu quero aprender… Guardiães, abençoem meu caminho… Tambores do xamã, toquem para mim… Grande Mãe, estou aqui…
A mulher selvagem– Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres
A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é
Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse
Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?
As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar
Medo de mulher– A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará
Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há
Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido
LIVROS
Mulheres que correm com os lobos– Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)
A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)
As brumas de Avalon(Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979) – A saga arturiana pela ótica das mulheres
Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas
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COMENTÁRIOS .
01- OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADAAAAAAAAAAAAAAAA… Me emocionei… demais… Espero poder usá-la em meus trabalhos… A sensibilidade das palavras somadas ao ritmo é de fazer com que, nos esqueçamos, por alguns momentos, de onde estamos…Parabéns! Abraço carregado de Boas vibrações e gratidão, também, por suas palavras. Carinhos. Stella Petra, Curitiba-PR – dez2010
02- Sem palavras! É absolutamente estonteante. D´nara Rocco, Montevidéu, Uruguai – nov2012
03- O poeta arrasa na mitologia… 🙂 Muito bom! Ninfas… Sempre elas, hein…? 🙂 Dalu Menezes, Fortaleza-CE – dez2012
04- 20.12.12 Belo dia para transcender o óbvio! As palavras não se prestam ao que realmente se propõem! Incompletas, indefinidas, elas se esquivam dos meus sentimentos, do meu SENTIR. Ah! essa vontade de escrever pra ninguém. Esse desejo de mostrar a ALMA NUA pra quem?
Espanto! Sonhos! Desejos! Vontade quase eufórica de embrenhar-me na mata, subir montanhas, atravessar riachos e mangues. Bruxaria! As palavras escritas, desenhadas com se fora uma serpente me enroscando, tragando-me para o interior de um universo particular, paralelo, (sei lá)! Mostrar quem sempre SOU e não tenho ESTADO!
Magia! Bruxaria! Letras, palavras, histórias, crônicas, contos….. coisas de bruxo?????? Alma de Bruxo travestido de escritor, insano, devasso e ateísta????? E essa vontade de correr rios, matas, montanhas… e ao mesmo tempo SER tudo isso!? Alma Desnuda, Fortaleza-CE – dez2012
06- Mágico. Parabéns ao autor. Felipe Nobrega,Florianópolis-SC – mar2014
07- Tchê, musica e composição de imagens lindas. Do carayyyy…… Isadora Meirelles, Porto Alegre-RS – mar2014
08- Que lindo Ricardo Kelmer! Amei o presente. Tudo a ver!E adoro a voz da Lila Shakti, tenho um cd dela. Vou usar! Valéria Rosa Pinto, Rio de Janeiro-RJ – mar2014
09- muito brigada Ricardo Kelmer por saber captar nossa escencia. Sandra Buongarzini, Buenos Aires-Argentina – mar2014
10- Quando eu li esse poema e vi o vídeo.. então parte de mim pegou o caminho de volta à floresta que já havia esquecido.. rsrsrs. Adoro! Ivonesete Rodrigues, Fortaleza-CE – jul2014
11- Na veia F.C.&R.K. Dedé Calixto, Fortaleza-CE – jul2014
12- amei! Socorro Sousa, Fortaleza-CE – jul2014
13- Para curtir com una mujer do lado como a Syl. Dedé Calixto, Fortaleza-CE – jul2014
14- Lindo. Dorah Andrade, São Paulo-SP – jul2014
15- Eu danço o mistério da lua linda, nua e natural / Sou amante eterna do fogo, da água e do ar… / Sou irmã de tudo que vive / Salamandra na fogueira / Algo diz que essa canção foi feita para mim / Alma una. Edy Paiva, Valparaíso de Goiás-GO – set2017
UM MITO A 300 KM POR HORA
O arquétipo do herói na trajetória de Ayrton Senna.
UM MITO A 300 KM POR HORA
O arquétipo do herói na trajetória de Ayrton Senna.
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Há os heróis que morrem anônimos, sim, e são a maioria. Mas há os que atingem celebridade. A humanidade precisa desses para conhecer seus exemplos e por eles se guiar. São modelos de vida. A história pessoal do piloto brasileiro Ayrton Senna é mais uma reedição de um antiquíssimo modelo arquetípico, o mito da jornada do herói. As histórias variam mas a essência é a mesma: o herói é alguém que larga a segurança de seu mundo cotidiano e parte em busca de algo difícil e precioso, enfrentando incertezas, sofrimentos, perigos e arriscando a própria vida para, no fim, retornar transformado e vitorioso, para guiar seu povo, casar-se ou substituir um velho rei injusto ou doente, e mesmo a sua morte tem o poder de levar benfeitorias à sua gente.
A infância de Ayrton Senna foi tranquila, mas desde cedo uma inquietação especial lhe tomava o espírito e se fazia clara em seus olhos. Nas redações do primário já se via como um piloto. Era o sonho de sua vida tomando forma. A mãe conta que de tão veloz, o menino era atrapalhado. Velocidade: era essa a delícia de sua vida. Delícia e desafio.
Foi campeão desde o começo da carreira, no kart. Subiu cada degrau armado da convicção que só possui quem enfrenta seu próprio destino de peito aberto. Abandonou família, namoradas, amigos, o seu país, e foi viver sozinho na Europa, preparado para as adversidades que viriam. Ele só queria uma oportunidade para provar que podia realizar seu grande sonho: ser o maior piloto de todos os tempos. Sim, sua família tinha condições de ajudá-lo, mas a solidão da alma não tem preço, e o herói que segue seu destino precisa cruzar o deserto. De fato, no Brasil ele certamente teria uma vida muito mais fácil. Na Europa ele não era ninguém, aliás, era um brasileiro, o que às vezes é ainda pior. Ayrton, porém, suportou tudo em nome de seu sonho. Bastava só uma oportunidade. E ela surgiu. E ele não a largou mais.
Introspectivo, místico e passional, Ayrton fazia das corridas metáforas e aprendizados para sua vida. Contra muitos perigos ele precisou lutar: sua própria obstinação excessiva que muitas vezes atrapalhava, a inveja, a mesquinhez e a rivalidade explosiva do mundo da Fórmula Um, arquirrivais talentosos… Lutou também contra as incessantes investidas da mídia que buscavam tirar dele a privacidade que tanto prezava. Mas ele conseguiu. A bandeira que Ayrton fazia tremular nas manhãs de domingo devolvia ao seu povo o orgulho perdido e a esperança de que, sim, da mesma forma que aquele abusado Silva de capacete verde-amarelo, outros Silvas também podiam vencer. Ayrton Senna da Silva tornou-se o maior piloto de todos os tempos. Não somente seu país, mas seus colegas de profissão e o planeta inteiro reconhecem seu valor e festejam seus feitos inesquecíveis.
Muito antes de morrer, naquela fatídica curva para a esquerda do circuito italiano de Ímola, já fixara morada definitiva em seu olhar uma expressão incomum, uma angústia indefinida, uma dor da alma. Ayrton parecia sempre sozinho. Por quê? Ninguém sabia responder, e ele não se manifestava a respeito. Seria alguma mulher? Algum problema na família? Talvez nada disso. Talvez ele já intuísse sobre o que o aguardava. Talvez vivesse um dilema: em que exatamente a sua vida, suas vitórias e seu dinheiro estariam contribuindo positivamente para a humanidade? Certamente ele pensou nisso algumas vezes, pois antes daquele trágico domingo de 1994 já havia manifestado à sua irmã Viviane seu outro sonho: usar o dinheiro e o prestígio que ganhara para mudar o destino das crianças pobres do Brasil. Ele já pensava que quando parasse de correr poderia se dedicar a esse novo desafio, ainda maior que o primeiro. O sonho do campeão foi relizado, e hoje o Instituto Ayrton Senna é uma referência mundial no trato com a infância carente. Que maravilha seria se outros campeões fizessem o mesmo!
A trajetória da vida de Ayrton possui o tal esqueleto que sustenta o mito da jornada do herói. Há outros detalhes significativos em sua vida, mas o mais importante é que ele foi um homem que vislumbrou seu destino, apostou todas as fichas em seus sonhos, encarou os perigos, lutou contra todas as dificuldades e por fim atingiu a sua máxima realização pessoal, que era ser o piloto maior, o insuperável. Enfrentou terríveis monstros internos, destronou outros reis das pistas, envolveu-se com princesas e plebeias, e sua morte, a princesa maior, ironicamente, apressou a realização de seu outro sonho, que era cuidar das crianças de seu país. Nesse ponto sua história deixa o âmbito pessoal, as glórias esportivas e se mistura ao universo do social. Pronto, é o mito que se completa: o herói morre, mas sua morte traz benefícios ao seu povo.
É inquietante pensar assim, mas tudo soa como uma… predestinação. Quando lembramos que Ayrton era um dos que mais lutavam pela segurança dos pilotos, que ele morreu numa cidade de nome Ímola, no dia do trabalhador e ao vivo para o mundo inteiro, tudo isso reveste sua morte de um significado mitológico de sacrifício, uma autoimolação. Na véspera de seu acidente, o piloto austríaco Roland Ratzenberger falecera durante os treinos, e Ayrton, bastante abalado, cogitou não participar da prova. Em seu carro foi encontrada uma bandeira austríaca que Ayrton, caso chegasse ao pódio, empunharia em homenagem ao colega. Após o acidente de Ayrton, medidas severas de segurança foram enfim tomadas, e a partir daí não haveria mais nenhum acidente fatal na Fórmula 1. Isso faz com que a imagem de Ayrton, morrendo tragicamente no chão daquele autódromo, vista-se ainda mais de um manto simbólico, como se sua morte tivesse a força de deter as futuras mortes que certamente continuariam acontecendo caso não fossem tomadas as medidas de segurança pelas quais ele tanto lutava. Infelizmente ele não pôde usufruí-las.
Ayrton Senna é um ídolo nacional e mundial, sim. Mas é muito mais que isso: ele é um herói. Primeiro porque aceitou, lutou e realizou seu destino, sua lenda pessoal, sua missão − coisa que poucos têm a coragem de fazer. E é um herói também porque transformou e continua transformando, para melhor, a vida de milhares de crianças neste país tão grande quanto injusto, oferecendo-lhes algo precioso que elas certamente jamais teriam, algo que ele teve: uma oportunidade. Para essas crianças, jamais haverá um herói maior. .
Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.com
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LEIA NESTE BLOG
O herói e a princesa – O destino estava marcado em sua alma, sim, mas ele sabia que teria de suar e sangrar bastante para realizá-lo
Instituto Ayrton Senna – Impulsionados pelo desejo do tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna, sua missão é levar educação de qualidade para as redes públicas de ensino no Brasil. Atua em parceria com gestores públicos, educadores, pesquisadores e outras organizações para construir soluções concretas para os problemas da educação básica.
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DICA DE LIVRO
Matrix e o Despertar do Herói – A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.
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COMENTÁRIOS
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01- Bela Homenagem. Marcos Felix, Ceilândia-DF – mai2016
02- Amei. Tânia Mary, João Pessoa-PB – mai2016
03- Adorei o conto! Gratidão! Felipe Silva, Salvador-BA – mai2016
04- Ricardo, me ensine a escrever igual a você: bem humorado, irreverente, sem agressividades e fluente? Qdo eu crescer quero ser como você!!!!! Dalton Roque, Curitiba-PR – mai2016
O baseado acontecedor é aquele que provoca acontecimentos inusitados. Alfredo fumou um desses e reencontrou um amigo que acha que sua mulher está traindo-o.
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ALFREDO ABRIU O ESTOJINHO, olhou, olhou e escolheu o baseado acontecedor. Era uma noite de terça-feira e havia lhe batido uma vontade de fazer algo diferente. Para isso, nada mais apropriado que um fumo acontecedor.
Sim, porque existiam diversas qualidades de fumo, ele sabia disso. Existia o fumo energético, que servia perfeitamente para jogar bola, por exemplo. Existia o fumo musical, ideal para escutar Pink Floyd, Frank Zappa, Renascence, Cristiano Pinho, Érico Baymma… Havia também o namorador, o leitor, o Warner Bros, o bom-dia, o digestivo etc. Bom maconheiro que era, Alfredo sabia das melhores plantações e comprava direto na fonte, controlando assim a exata origem do fumo. Com o tempo, aprendera a catalogá-los, cada um na sua especialidade.
O acontecedor atraía situações insólitas, era essa sua especialidade. Situações nem sempre positivas, é verdade, mas esse era um risco que se corria. Fumo ideal para quem gostava de novidade, e de um certo risco. Pois bem, pensou Alfredo, acendendo o cigarro, vamos ver agora o que é que acontece. Eram sete horas da noite.
Alfredo sentou no sofá e ligou a TV. Já sentia o efeito do fumo, os sentidos e o raciocínio prolongando-se além dos próprios limites, descortinando novos horizontes de possibilidades. Procurou algo nos canais, zap-zap, mas não encontrou. Então pegou o jornal, começou a folhear. No caderno de variedades, entre as mesmices de sempre, encontrou algo curioso: uma palestra sobre astrologia cármica.
– Mas que porra é essa?
Meia hora depois lá estava Alfredo no Olimpo Center, ficava pertinho de sua casa. Sala 14, no fim do corredor. Escolheu uma cadeira nos fundos da sala e sentou-se, observando as pessoas. Um bando de esotéricos malucos, pensou, desses que conhecem profundamente os segredos da vida e principalmente da morte. Esse povo que à noite sai do corpo para ajudar desencarnados a deixar de vez o corpo físico. Esse povo que alardeia suas vidas passadas como quem exibe conquistas sexuais ou fala do carro novo. O fumo acontecedor o fizera ir a uma palestra sobre astrologia cármica, fosse lá o que isso significasse, em plena noite de terça-feira. Agora era relaxar.
Mas que nada. Não suportou a palestra muito tempo. Como é que em pleno século 20, ele se perguntava, ainda havia pessoas que se deixavam influenciar pelos astros? Então levantou e saiu da sala. No corredor, parou para beber água.
– Fala, Alfredo! Tá lembrado de mim?
Pronto, gente conhecida. Numa palestra de astrologia cármica. Ô mundo pequeno.
– Ahnn… Plínio.
Era o Plínio, amigo da faculdade, uns dez anos que não se viam.
– Não sabia que você se interessava por esses assuntos.
– Na verdade, não muito – disse Alfredo, enxugando a boca com a manga da camiseta.
– Dois amigos que se encontram. Anos sem ser ver. Numa palestra de astrologia cármica. O que é que isso quer mostrar, heim?
– Não sei. O quê?
– Então, tô dizendo. O que é que isso quer mostrar, heim? Quer mostrar que isso é um Acontecimento. Com A maiúsculo. A… contecimento – repetiu Plínio, desenhando no ar a letra A.
– Entendi.
Plínio sempre gostara daqueles temas. Pelo jeito, continuava o mesmo, ingênuo e acreditando em tudo. Em tudo que não existia.
– Já tá saindo, Alfredo? Eu também. Tá indo pra onde?
– Tomar uma cerveja.
– Tem um bar aqui na esquina.
– É lá mesmo.
– Vou com você. Eu já vi essa palestra.
– Já?
– Sete vezes.
Chegaram no bar, sentaram e pediram uma cerveja. Enquanto Plínio enchia os copos, Alfredo admirava a bunda de uma mulher que levantara da mesa vizinha. Foi quando escutou Plínio comentar algo.
– Desculpa, cara, o que é que tu falou?
– Sexo anal, Alfredo.
– O que é que tem?
– Não é recomendável, sabia?
– Ora, e por quê?
– Infesta o mundo astral. O astral fica que é um fedor só.
– Que papo, Plínio… Só se for os que tu anda pegando por aí.
– É sério. Se quiser, lhe mostro um livro que explica isso.
– Depois. Tô com muita coisa pra ler.
– Então um brinde pra comemorar.
– Ao nosso encontro.
– E também porque Plutão está mais próximo do Sol que Netuno.
– Não sabia. Está, é?
– Está.
– Ora veja. Então precisamos mesmo comemorar – Alfredo ergueu o copo. Comemorar que Plutão estava mais próximo do Sol. Isso sim era um pretexto.
Soubera um tempo desse que o Plínio terminou casando com a Nisa, a gostosa da Letras. A mais gostosa e também a mais danadinha de todas as meninas do Centro de Humanidades. Grande Nisa. Pensando bem, até que os dois tinham algo a ver, o Plínio sempre fora chegado em astrologia e a Nisa botava tarô nos intervalos, cobrava cinco pilas, lembrava bem. Tinha uns peitões maravilhosos, grandes e filantrópicos – ela os oferecia em decote todos os dias, como numa bandeja, generosíssimos. A sabedoria popular, aliás, juntando seus dotes físicos e espirituais, alcunhou-a oportunamente Peitonisa. Pois bem, a Peitonisa casada com o Plínio. Que coisa. Bem, melhor deixar de pensar na mulher do amigo.
– Mas por que Plutão está mais próximo do Sol que Saturno? – perguntou Alfredo. Quase dissera peitão em vez de Plutão.
– Saturno não, Netuno.
– Netuno.
– Por causa de sua órbita. É mais elíptica – explicou Plínio, gesticulando a órbita de Plutão. – Entendeu? Mais elíptica, ó… – e repetiu o gesto. – Faça aí pra ver se entendeu mesmo.
– Entendi, pode continuar.
– Isso faz com que às vezes Plutão se aproxime mais do Sol que Netuno, que normalmente está mais próximo.
– Ahh.
Uma vez, aconteceu. A Nisa lhe concedera o prazer de chafurdar o rosto entre os peitos dela, por trás da cantina da faculdade. Ficou maravilhado, que nem menino em parque de diversão que não sabe qual brinquedo escolher. E só não chegaram às vias de fato porque tinha gente por perto. Então o curso terminou e nunca mais teve outra chance. Nisa e seus peitos impossíveis sumiram de sua vida. Essa era a grande falha de seu currículo universitário. Reprovado em Introdução a Peitonisa.
– Mas por que brindar a isso? – perguntou Alfredo, afastando as lembranças. Estava pensando muito na mulher do amigo, que coisa feia.
– Ora, porque essa situação só vai durar até 1999. Um nove nove nove.
– Que situação?
– Plutão estar mais próximo do Sol que Netuno. Começou em sete nove e vai até nove nove.
Não mudara nada. Era o mesmo chato de antigos tempos, com seus planetas, suas órbitas, a simbologia, aquele jeito de explicar as coisas. Tomaria três cervejas com ele, divertiria-se um pouco com suas histórias mirabolantes e pronto, depois iria para casa rastrear alguma coisa na tevê e fumar o velho dorminhoco. O acontecedor já fizera sua parte: encontrar o Plínio depois daqueles anos todos era realmente um acontecimento. Um Acontecimento. O Plínio às vezes se tornava um pouco chato, é verdade, mas também era um sujeito engraçado.
– E o que é que tem de tão importante numa coisa dessa, Plínio?
– Você não percebe?
– Perceber o quê?
– Isso são as férias de Plutão. Plutão vai à praia.
– Ahhhh…
Plutão vai à praia. Alfredo imaginou o planeta Plutão de calção e chinelas havaianas, segurando uma boia, o jornal debaixo do braço.
– Vai, por que não? Os deuses também têm direito a férias.
– Sem dúvida.
A mitologia! Esquecera da mitologia greco-romana. Quantas vezes, no intervalo das aulas, o Plínio o puxara para falar das eternas confusões que Mercúrio aprontava, e de como Juno descobriu que a ninfa Eco favorecia as infidelidades de Júpiter ao distraí-la com longas histórias, e, por isso, Juno a puniu, condenando-a a não mais falar sem que fosse interrogada e a só responder às perguntas com as últimas palavras que lhe fossem dirigidas. Daí seu nome, Eco.
– Quando Plutão vai à praia, sabe o que acontece?
– Juro que não sei, Plínio.
– Plutão é irmão de Júpiter e Netuno, todos filhos de Saturno, o deus que devora seus filhos. Eles se rebelam contra o pai e dividem os reinos. Júpiter fica com o Céu, Netuno com o Mar e Plutão com o Inferno. Plutão é o deus do Inferno, lugar pra onde vão todas as almas depois da morte, pra serem julgadas. Pois olha só: quando Plutão tira férias, o Inferno vira uma bagunça: falta funcionário, o serviço acumula, o barqueiro que faz a travessia do rio cobra mais caro, morto volta porque não tem ninguém pra receber, é uma confusão. O que é que isso quer dizer, heim? Quer dizer que…
– O que quer dizer?
– É isso que eu tô dizendo. O que é que quer dizer? Quer dizer que mesmo que você morra, corre o risco de não poder entrar no Inferno. Aí o que é que acontece?
– O que acontece?
– Deixa eu dizer, você é muito impaciente. O que é que acontece, heim? Acontece que muitos que morrem ficam por aí vagando, sem saber pra onde ir, alma penada zanzando de lá pra cá… – e ele mostrava com as mãos como as almas penavam, de um lado para o outro – Todas esperando que Plutão volte de férias e reorganize o Inferno pra poder enfim recebê-las.
– Pros romanos não havia paraíso depois da morte?
– É que o Inferno tem várias partes. Olha só, vou explicar. A primeira parte é o Érebo, onde tem um rio tenebroso chamado Cocito, feito das lágrimas dos maus. Caronte, o barqueiro do Inferno, é o encarregado de levar as almas ao julgamento, no Campo da Verdade. Mas Caronte se recusa a levar as almas dos que não tiveram sepultura, e então eles vagam pela margem do rio a implorar por cem anos até que o barqueiro canse de recusá-los.
– Que coisa horripilante.
– Muitíssimo. Depois vem o Inferno dos maus, um lugar absolutamente terrível, pra onde vão os condenados. Tem rios de lava, pântanos lamacentos e fedorentos, lagos gelados onde as almas são mergulhadas e outras barbaridades. Depois vem o Tártaro, onde fica o palácio de Plutão e a prisão dos antigos deuses expulsos do Olimpo. Por último vêm os Campos Elísios, o paraíso.
– E quem julgava os mortos?
Até que aquele assunto não era assim tão desinteressante, pensou Alfredo. Ou então era o fumo acontecedor que o deixara mais paciente com as doidices do outro…
– Três juízes: Éacos, Minos e Radamanto. Quem é condenado vai pro Inferno dos maus. Permanece lá o tempo que for necessário. O que é que isso tudo significa, heim? Significa… Peraí, deixa eu falar, significa que durante esses vinte anos em que Plutão saiu de férias, muita alma ficou penando por aí pelo meio do mundo. Isso é muito sério.
– Sério mesmo?
– Sério mesmo.
– Tu viu alguma?
– Eu não vejo espírito, mas minha mulher vê. Casei com a Nisa, que fazia Letras, lembra dela?
‒ Eu soube ‒ Alfredo respondeu com a expressão mais neutra que lhe foi possível.
‒ Pois foi. Uma noite a Nisa levantou pra beber água e deu de cara com um espírito. Agora esse espírito aparece lá toda sexta, logo na noite em que eu dou plantão na empresa.
‒ E aí, o que o espírito faz?
‒ A Nisa diz que ele espera ela ir beber água. Por causa disso, pusemos uma geladeirinha no quarto, lá o espírito não entra. Mas mesmo assim, a Nisa tem medo. Por isso, o Elísio está indo lá toda sexta, pra ela não ficar sozinha com esse espírito.
– Elísio?
– É o primo dela.
‒ O primo dorme na tua casa toda sexta? Na noite do teu plantão?
‒ Sim. Ele é de confiança, e não tem medo de espíritos.
Alfredo tomou um gole e lembrou… Um dia, alguns anos antes, encontrara a Nisa no shopping. Continuava gostosa, os mesmo peitos se oferecendo para o mundo. E já estava casada com o Plínio. Olharam-se maliciosamente, e ela lhe piscou um olho. Ele ficou muito atiçado, e só não foi lá ter com ela porque estava acompanhado. Porém, naqueles poucos segundos toda a cena lhe passou novamente no pensamento, Nisa subindo a camiseta, os peitões mais desejados da Humanas. Durante aqueles segundos sentiu-se novamente encostado à parede da cantina, sentiu inclusive o cheiro oleoso do velho sanduíche de queijo que sempre comia no intervalo. Peitonisa… Pelo jeito, continuava safada. E agora certamente estava dando para o primo, nas barbas do marido. E o coitado acreditando em espíritos.
– Ô, Plínio…
– Diz. Garçom, mais uma estupidamente.
– Tu que é mais entendido que eu nesses assuntos, me diz uma coisa. Por que essas almas, já que não podem entrar no Inferno, não fazem como Plutão e vão pegar uma praiazinha também? Tanta coisa melhor pra fazer do que ficar assustando a mulher dos outros no meio da madrugada enquanto o marido trabalha…
– Não sei. Acho que elas não podem frequentar a mesma praia dos deuses. Nunca tinha pensado nisso. Vou consultar.
– Faz isso.
– Pode deixar.
– Ô, Plínio…
– Do que é que você está rindo?
– Desculpe – Alfredo não sabia se devia dizer. – Posso ser bem franco?
– Claro. Qual é a graça?
Alfredo coçou a cabeça. Talvez fosse mais sensato não se meter naquele assunto de marido e mulher. Plínio sempre fora um ingênuo, e com mulher era um boboca de marca maior. E casara logo com quem? Com a Nisa. Chapéu de otário era marreta mesmo. Mas, coitado, ele não merecia aquilo.
– Plínio, por favor. Um homem do teu tamanho, querer me convencer de que Plutão sai de férias e vai se bronzear no Sol, e o Inferno vira uma bagunça, e por isso enche de alma penada por aí porque não pode entrar no Inferno? Ô, Plínio…
– Mas é sério! Se quiser, eu lhe mostro um livro…
– E essa história aí, rapaz, da tua mulher com o primo dela…
– O que é que tem?
– Onde já se viu uma coisa dessa, Plínio? O cara ir dormir na tua casa porque tem um espírito perseguindo tua mulher…
– O que é que tem?
– O que é que tem? Não acredito…
– Você por acaso está insinuando que minha mulher e o Elísio…
– Deixa pra lá – Alfredo deu com a mão, impaciente. Não conseguia entender como ainda havia pessoas, dois mil e quinhentos anos depois de Platão, que ainda acreditavam que seus destinos eram comandados pelos deuses.
– Não, não. Agora eu quero que você diga o que está pensando.
– Deixa pra lá.
– Pô, Alfredo, você é ou não é meu amigo? Amigo com A maiúsculo.
– Plínio… – Alfredo segurou o braço do outro. – Desculpe a sinceridade, mas pelo que tu me falou, a tua mulher tá te corneando com esse primo, rapaz! Tu tá levando um baita de um chifre e só tu não percebe. Fica aí com essa história de Plutão saindo de férias…
– Você não acredita, não é?
– Em ti ou na Nisa?
– Nos deuses.
– Plínio, eu…
– Pois eles existem.
– Tá bom.
– Sempre existiram. Estão todos ainda por aí, influenciando nossas vidas, aprontando todos os dias. Nós é que não acreditamos mais, só acreditamos na ciência. Pois eu acredito nos deuses e sei do que eles são capazes. Se você não acredita, lastimo.
– Tá bom, Plínio, respeito tua crença. Mas tu pelo menos podia ir averiguar direitinho a história desse espírito aí. Tá muito mal contada, rapaz, não percebe? Vai lá, conversa com a Nisa sobre isso, mostrar pra ela que tu não é trouxa de acreditar numa armação absurda dessa.
Alfredo respirou fundo. Pronto, falara. Como um homem podia ser tão ingênuo? Se contasse, ninguém acreditaria. E logo com a Nisa… Enquanto o amigo ia ao banheiro, vieram-lhe mais uma vez as lembranças, a cantina e o shopping se misturando. Peitonisa…
.
DIAS DEPOIS, ALFREDO estava em casa, era uma sexta-feira, oito da noite. Acabara de fumar novamente do baseado acontecedor. Então o telefone tocou. Era o Plínio. Ele estava no mesmo bar da outra semana e precisava conversar. Pela voz do amigo, Alfredo percebeu que ele estava preocupado. Encontraram-se quinze minutos depois.
‒ Que bom que você veio, meu amigo ‒ disse Plínio, recebendo Alfredo com um abraço. ‒ Vamos sentar naquela mesa do canto. Não posso demorar, hoje dou plantão na empresa.
‒ Ah, sim, hoje é sexta. Mas que cara é essa? O que aconteceu?
– Conversei com a Nisa ‒ ele falou discretamente enquanto sentavam. ‒ Ela me contou tudo.
– Ah… ‒ Alfredo pediu uma cerveja e dois copos.
‒ Não, obrigado. Não posso chegar lá com bafo de bebida.
‒ Claro. Mas e então, eu tinha razão?
– Não.
– Não?
– Não. Ela não tem nada com o primo.
Alfredo olhou sério para o amigo.
– Quer dizer que tu fica trabalhando na empresa a noite toda e o primo dela vai dormir lá na tua casa porque um espírito inventou de toda sexta…
– É Plutão ‒ interrompeu Plínio.
– Heim?
– É ele, Plutão, Senhor do Tártaro.
– Como assim?
– O espírito. É o próprio Plutão. A Nisa está tendo um lance com ele. Ela confessou.
– Com Plutão.
– Com Plutão.
– O irmão de Saturno.
– Filho.
– O deus do Inferno.
– O próprio.
Alfredo suspirou. A coisa era mais séria, bem mais séria.
– E tu, o que é que fez?
– Eu, nada. Vou me meter com um cidadão desse?
– E ela?
– Ela disse que não pode fazer nada, que ele é mais forte que ela, o que é verdade, claro. Sem dizer que ele tem um cão terrível, com três cabeças, dentes enormes e serpentes enroladas pelo pescoço. Cara, eu tenho pavor mortal de cobra. Imagina dar com um bicho desse na minha frente de madrugada.
Alfredo suspirou. Era inútil, o homem era um caso perdido. Um prato de batatinhas fritas pousou no balcão.
– Gosta de molho tártaro, Plínio?
– Não, não. Tártaro não.
– Ah, claro…
Com marido traído, sempre bom ter cuidado com as palavras.
– Plínio.
– Diz.
– Não fica com essa cara, rapaz. A vida é boa.
– Você diz isso porque não é com você.
– Não, eu não tô zombando não.
– Tudo bem.
– Tá com raiva de mim?
– Claro que não.
– Então esta é pelo meu amigo Plínio – Alfredo ergueu o copo e bebeu.
E abraçou o amigo. De repente, sentia compaixão por aquele sujeito que acreditava piamente que os deuses governavam sua vida. Olhando-o, como diferenciá-lo daqueles hominídeos primitivos que se moviam por meros instintos? Não havia diferença. Nele, a humanidade não evoluíra.
– Alfredo.
– O que foi?
– Você não tem medo de espírito, né?
– Não.
– Sabe o que é…
– Pode dizer.
– Você sabe quem é Prosérpina?
‒ Quem?
‒ É filha de Júpiter. Um dia, ela foi buscar água na fonte e Plutão se apaixonou por ela. E a raptou. Os dois se casaram e ela virou rainha do Inferno.
‒ E daí?
‒ Daí que ele talvez deseje fazer o mesmo com a minha mulher.
‒ Raptar a Nisa.
‒ Isso.
Tinha bom gosto esse Plutão, pensou Alfredo.
‒ Andei pensando numa saída para esse problema. Será que você poderia dormir hoje lá em casa?
Alfredo quase engasgou com a cerveja.
– Eu?
– Sim. Talvez Plutão escute você.
– Peraí. Tu quer que eu converse com Plutão?
– Ele veria que você não o teme. E escutaria.
– E eu diria o quê pro deus do Inferno?
– Diria pra ele parar de…você sabe, pra ele deixar de importunar minha mulher. Talvez ele proponha um trato. Você escuta e depois me diz, a gente vê o que pode fazer. Os deuses também negociam.
Era demais, pensou Alfredo. Onde fora se meter? Não, aquilo não estava acontecendo.
– Você faz isso?
– Plínio, tu sabe que eu não acredito nessas coisas.
‒ Não precisa acreditar. É só pro caso de Plutão aparecer. Ah, vamos, você é meu amigo, não é? E minha mulher já está sabendo.
– Tu contou pra ela sobre essa ideia?
– Contei.
– E ela?
– Achou uma boa. Ela disse que você sempre foi um cara compreensivo. No que eu concordo. E eu confio mais em você que no primo dela, que, aliás, não vai lá em casa hoje. Nisa está sozinha.
Alfredo olhou novamente para o copo, refugiando nele o constrangimento que sentia. Seu amigo propondo que dormisse com a mulher para protegê-la das investidas de Plutão, o deus do Inferno, que estava aproveitando as férias para ir lá chafurdar nos peitos da outra. E a mulher do amigo concordava que ele fosse, ele, Alfredo. A Peitonisa. Dessa vez, o fumo acontecedor exagerara…
– Ô, Plínio.
– Diz.
– Que ano terminam mesmo as férias de Plutão?
– 1999. Um nove nove nove.
– Ano que vem?
– Exato.
– E depois?
– Depois ele volta pro Inferno. E só tira férias de novo daqui a 200 anos. Dois zero zero.
Um alvoroço se manifestando no baixo ventre, Alfredo podia senti-lo. Um alvoroço se espalhando pelo resto do corpo, se intrometendo no pensamento. Nisa sozinha…
Mas não, não podia, não era tão cafajeste assim…
– Quer um conselho, Plínio?
– Quero.
– Não mexe com o homem, rapaz. Esse pessoal tem muita influência. Melhor ser corno com espírito do que com gente. Pelo menos a fofoca fica só lá no astral. Tu sabe, né, o pior do chifre são os comentários.
– Você acha? – Plínio coçava o rosto, pensativo.
Alfredo sentia o alvoroço se espalhar rapidamente por seu corpo, por sua mente… Já não conseguia controlá-lo. Um animal enjaulado querendo sair a todo custo. Concentrava-se para falar, mas por dentro era o desejo louco que gritava.
Mas não, não podia fazer isso com o amigo…
– Sim, claro. E além do mais é só um ano, rapaz. Depois acabam as férias de Plutão, ele volta pro batente e esquece a tua mulher. Aguenta mais um pouquinho.
Nisa sozinha…
Não, não, precisava resistir. Melhor deixar aquela história com o tal do primo, mais prudente não se meter na confusão…
‒ Mas… e se Plutão raptar a Nisa? Você tem que ir, Alfredo. Vá, por favor, ela está esperando por você.
A Peitonisa… esperando… Alfredo sentia agora uma imensa coceira pelo corpo inteiro. Um ano… toda sexta… Olhou para o céu, tentando se concentrar nas estrelas, qual delas seria Plutão? Não, Plutão não era visível a olho nu. Ele atuava escondido, nos confins do sistema solar, lá onde a vista não alcançava. A vista… Visa… Nisa…
As grades da jaula enfim se romperam, um estalido que vibrou por todo seu ser. Alfredo virou a cerveja de um gole e bateu o copo na mesa, por pouco não o quebrou. Bem que tentara, disso depois não lhe poderiam acusar, bem que tentara.
– Hoje é sexta, né? – perguntou, virando-se de repente, agarrando o braço do amigo.
– É.
– Então aquele safado do Plutão vai lá hoje.
– Não fale assim, tenha respeito. Ele é um deus.
– Qual é o endereço?
Os olhos do amigo brilharam. Plínio puxou do bolso papel e caneta e anotou enquanto explicava:
– Fica ali na praça Pilos, dá pra ir a pé. No jardim do prédio tem uns ciprestes – Plínio ainda anotava o endereço, mas Alfredo já puxava o papel, ansioso, quase bufando. – Vou ligar agora pra ela avisando que você está indo.
– Ah, isso é importante, isso é importante.
O touro saltou da jaula. Um touro que acabou de cheirar dois quilos de cocaína. Ao lado, Plínio terminava de falar com a mulher pelo celular.
– Sim, amor, ele está indo. Tchau. Também te amo – Plínio desligou e virou-se para Alfredo. – Tudo ok, Alfredo, ela está aguardando.
– Pode deixar – bufou Alfredo.
– Na estante da sala tem um CD de música instrumental, uma lira na capa. O nome é Clássicos de Orfeu. Ponha pra tocar logo que chegar. Se Cérbero estiver com Plutão, somente essa música é capaz de amansá-lo.
– Cérbero? É pra dar porrada nele também?
– Não, é o cão de Plutão. Aquele de três cabeças, com as serpentes no pescoço. Você não tem medo de cobra, né?
– O cão de Plutão, o cão de Plutão – repetiu Alfredo enquanto levantava da mesa. Precisava decorar aquilo tudo. Botar para tocar o CD de Carlos Lira. Clássicos de Cérbero. Não, clássicos de Morfeu.
‒ Confio em você – disse o amigo com emoção na voz. – Sei que vai fazer um bom trabalho.
O touro ciscava a terra, a cabeça baixa, as narinas botando fogo… Nada no mundo importava agora a não ser fazer o que o amigo tanto lhe pedia. E, além do mais, aquela moleza terminaria no ano seguinte, quando findassem as férias de Plutão.
– Esqueci de lhe dizer uma coisa – Plínio chamou-o para perto. Alfredo aproximou-se, ofegante, os primeiros botões da camisa já saltando fora. – Plutão tem um capacete que o torna invisível. Foi presente dos Ciclopes. Mas mesmo sem vê-lo, você pode falar com ele.
– Claro, os Ciclopes. Eu pego eles também. Bajuladores!
Alfredo arrastou uma pata no piso do bar, uma, duas, três vezes, e saiu a toda velocidade. Atravessou a rua correndo e bufando, as patas mal tocando o chão, e sumiu entre os carros. Nem pagou a cerveja.
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COMENTÁRIOS .
01- Eu já li. Adorei. Parabéns. Vânia Cavalcante, Fortaleza-CE – set2010
02- Quase morro de rir lendo. Adorei! Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – jul2015
03- Muito bom. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – set2010
. No futuro, a humanidade é prisioneira de sua própria criação, a Inteligência Artificial, que criou a Matrix, uma realidade virtual onde foram inseridos todos os seres humanos para que eles não oponham resistência ao poder das máquinas. Todos não, pois um grupo de rebeldes mantém-se fora dessa realidade e luta para libertar o restante da humanidade. Eles creem na profecia do Oráculo que diz que um Predestinado um dia virá para vencer as poderosas máquinas e salvar a todos. Para eles, Neo, um jovem que vive na Matrix, é o Predestinado. Neo de fato desconfia que há algo errado com a realidade, mas não pode aceitar que ele seja o tão aguardado salvador.
. Depois de ver o filme Matrix e ler certas críticas (o filme não tem história, ela é confusa demais, vale apenas pelos efeitos especiais, é só uma colagem de citações…) decidi meter o nariz onde não fui chamado. E contar do segredo. Matrix é grandioso. Sua história é densa e intrincada, sim, mas para quem anda familiarizado com certas questões atuais, Matrix é claro. É uma ótima história em ritmo de cinemão e expõe ao grande público uma nova e intrigante fronteira que de agora em diante não mais poderemos evitar: a questão do que é de fato a realidade. Com o advento da realidade virtual, ultrapassamos o ponto de retorno e teremos agora que encarar mais esse desafio sobre as possibilidades da psique. Matrix tem um conteúdo tão rico que pode-se abordá-lo sob diversos ângulos. Escolhi o ângulo da mitologia.
Mitos são como esqueletos da psique, imprescindíveis a quem busca entendê-la. Matrix reedita um velho tema mitológico que se repete desde nossos peludos antepassados: a jornada do herói. Trata-se de uma metáfora do processo de crescimento psicológico, autoconhecimento e verdadeira realização do ser humano. O herói, nos mitos, somos cada um de nós, representados no personagem que abandona sua terra (a segurança de velhas certezas) e parte em busca de algo precioso (verdades mais úteis e abrangentes) e enfrenta inimigos terríveis (encarar os próprios medos e o desconhecido de si mesmo). Jornada difícil e perigosa, que requer coragem, obstinação e honestidade. Mas o herói vence o desafio e volta à sua terra, levando benfeitorias a seu povo e às vezes substituindo um velho rei doente ou injusto (renovação).
Neo, o herói de Matrix, aventura-se entre sonho e realidade, em mistérios que podem enlouquecê-lo e até matá-lo. Ele recusa-se a crer que possa ser o Predestinado de que fala a profecia e que salvará as pessoas, e essa dúvida faz com que o Oráculo consultado não o esclareça. Oráculos são meros instrumentos de autoinvestigação psicológica com os quais podemos obter respostas sobre nós mesmos pela concentração e meditação. Até que nem tanto esotérico assim. A rigor, ninguém precisa de um oráculo para saber sobre si, porém o ritmo de vida atual nos afastou de nosso mundo interior e são exatamente o simbolismo e a ritualística dos oráculos que propiciam essa interiorização. Na verdade, quem responde à questão lançada somos nós mesmos, ou melhor, uma parte de nós que é mais sábia e mais antiga, e que não costumamos ouvir no dia a dia.
Neo consulta o Oráculo. Mas a ideia de ser o Predestinado o incomoda e ele obtém a resposta que deseja ouvir. Porém, atente: o Oráculo não diz em momento algum que ele não é o Predestinado. Diz apenas que ele tem o dom, mas parece esperar algo. E quanto a isso ninguém pode fazer nada, nem oráculos, nem deuses, nem ninguém. Somente o próprio herói pode trilhar seu caminho. Somente ele pode encontrar sua própria verdade, aquela que concretizará todos os seus dons e finalmente o libertará.
A jornada pessoal de autorrealização nos põe em situações onde não confiamos em nosso potencial. Somos capazes de grandes proezas quando temos plena consciência de quem somos, porém chegar a essa autoconscientização é difícil. Conhecer verdadeiramente quem somos é luta travada no campos da consciência e do inconsciente, guerra de toda uma vida onde cada autorrevelação é uma importante batalha vencida. O verdadeiro autoconhecer-se dói muito porque implica necessariamente enfrentar o que se teme, tornar-se o que se evita ser, entrar no fogo dos piores medos. A recompensa é o mundo novo que só a realização mais íntima nos traz.
No mundo de Matrix as pessoas estão adormecidas, sem senso crítico, e creem no que lhes é dado a crer. Nada muito diferente de nosso mundo atual, onde a massificação das ideias faz as pessoas perderem a noção de si mesmas, onde querem nos convencer que numa sociedade desonesta e violenta temos de ser mais violentos e desonestos que os outros. Difícil fugir desse círculo vicioso. Em Matrix, Neo sofre para aprender que tudo que precisa é… mudar a visão que tem de si próprio, só isso. Não pense que é, saiba que é. A profecia diz que o Predestinado mudará o mundo e salvará a humanidade. Neo não pode crer-se capaz disso tudo. Mas o segredo da vitória do herói esconde uma simples e irônica verdade: para mudar o mundo, basta mudar a si mesmo. Transforme-se e tudo em volta se transformará – eis o segredo! Porque a aparente separação das coisas esconde a unicidade de tudo que existe. Talvez seja impossível dobrar uma colher com o pensamento. Mas se você sabe que a colher e você são a mesma coisa, então basta dobrar a si mesmo.
O mito da jornada do herói ensina que o destino de cada um de nós é realizar o que verdadeiramente somos mas ainda não aceitamos. A aventura de Neo é a de nós todos em busca de nossa essência mais legítima, aquela que enfim nos libertará. Até alcançá-la a vida nos provará de muitos modos e teremos de conviver com dolorosas incertezas e autoenganações. Porém, indo do micro para o macro, a aventura de Neo é a aventura da humanidade inteira, em busca de sua sobrevivência como espécie. Num tempo de tecnologia idolatrada e valores essenciais esquecidos, corremos o risco de ver nossa própria criação voltar-se contra nós. Diante disso a única saída parece ser, ainda, seguir o que dizia, logo em sua entrada, o Oráculo de Delphos na Grécia antiga: Conhece-te a ti mesmo. A tecnologia não tem sentimento. Nós temos. Uma máquina não é capaz de amar. Nós somos. Essa diferença óbvia pode pesar bastante no roteiro do nosso filme.
Um certo nazareno, dois mil anos atrás, ensinava que somos todos deuses. Sigamos pelo mesmo caminho: igual a Neo, somos todos heróis. Heróis de nossas próprias vidas. Como Neo, nascemos predestinados a realizarmos a nós mesmos. Feito um Salvador, cada um de nós tem o poder de mudar o mundo. Mas é preciso antes mudar a forma como entendemos a nós próprios. Eis o segredo que se esconde por trás do filme Matrix e também de toda a vida. O segredo que de tão óbvio não se vê, mas que aguarda pacientemente por todos os predestinados.
Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, RK compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.
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en español
EL SECRETO DE LOS PREDESTINADOS
Ricardo Kelmer
Después de ver la película Matrix entusiasmadas veces y de leer ciertas críticas (que el filme no tiene historia o que ella es confusa en exceso, que vale apenas por los efectos especiales, que es sólo un collage de citas…) decidí meter la nariz donde no fui llamado. Y contar el secreto.
Matrix es grandiosa. Su historia es densa e intrincada, sí, pero para quien anda familiarizado con ciertas cuestiones actuales, Matrix es claro. Se trata de una óptima historia en ritmo de gran cine y expone una nueva e intrigante frontera que ya no podremos evitar más: la cuestión de qué es de hecho la realidad. Con el advenimiento de la realidad virtual, sobrepasamos el punto de retorno y ahora tendremos que encarar más ese desafío sobre las posibilidades de la Psique. Matrix es tan fuerte en su contenido tan rico que se puede abordar bajo diversos ángulos. Elegí el ángulo de la mitología
Los mitos son como esqueletos de la psique, imprescindibles para su comprensión. En Matrix, se reedita un viejo tema que se repite desde nuestros más remotos y peludos antepasados: la travesía del héroe. Se trata de una metáfora del proceso del crecimiento psicológico y la auto-realización del ser humano. El héroe, en los mitos, somos cada uno de nosotros, representados en un personaje que generalmente precisa abandonar su tierra (la seguridad de viejas certezas) y partir en busca de algo precioso (verdades más útiles y abarcadoras) o enfrentar enemigos terribles (encarar los propios miedos y bloqueos). Travesía difícil, y peligrosa, que requiere coraje, obstinación y honestidad. Pero el héroe vence el desafío y retorna a su tierra, llevando buenas obras a su pueblo y muchas veces substituyendo a un viejo rey enfermo o injusto (renovación).
Neo, el héroe de Matrix, se aventura en una realidad que parece un sueño, partiendo en busca de un misterio que puede enloquecerlo y hasta matarlo. El se niega a creer que pueda ser el Predestinado de quien habla la profecía y que cambiará el mundo y despertará a las personas. Esa duda hace que el Oráculo consultado no lo esclarezca. Los oráculos son meros instrumentos de auto-investigación psicológica donde podemos obtener respuestas sobre nosotros mismos a través de concentración y la meditación. Hasta que ni tan esotéricamente así. En rigor nadie precisaría un oráculo para saber sobre sí. Entretanto, el ritmo de la vida actual nos apartó de nuestro mundo interior y son exactamente el simbolismo y la ritualidad de los oráculos los que propician esa interiorización. En verdad quien responde a la cuestión lanzada somos nosotros mismos, o mejor, una parte de nosotros que es más sabia y que no acostumbramos a escuchar en el día-a-día. Si la respuesta es oscura, es porque la pregunta también lo fue. La pregunta cierta ya contiene en sí la respuesta.
Neo consulta al Oráculo. Pero la idea de ser el Predestinado lo incomoda y obtiene la respuesta que desea oír. Por lo tanto, presta atención: el Oráculo no dice en momento alguno que él no es el Predestinado. Dice apenas que él no está preparado. Preparado para entender que de hecho lo es é. En cuanto a eso, nadie puede hacer nada, ni los oráculos ni los dioses ni nadie.
La travesía personal de auto-realización nos pone en una situación donde no confiamos en nuestro potencial. Sólo somos capaces de mucha cosas cuando tenemos perfecta conciencia de quién somos y de lo que podemos hacer. Por lo tanto, llegar a esa autoconcientización es difícil. Conocer verdaderamente quién somos es una lucha armada trabada en los campos de la conciencia y del inconsciente, guerra de toda una vida donde cada auto-revelación representa una importante batalla vencida. El verdadero autoconocerse duele hasta doler porque implica necesariamente enfrentar lo que se teme, volverse lo que se evita ser, entrar en el fuego de los peores miedos. La recompensa es el mundo nuevo que la realización más íntima nos trae.
En el mundo de Matrix las personas están adormecidas y sin sentido crítico. Creen en lo les es dado para creer. Nada muy diferente de nuestro mundo actual, donde la masificación de las ideas hace que las personas pierdan la noción de sí mismas, donde nos quieren convencer de que en una sociedad deshonesta y violenta tenemos que ser más violentos y deshonestos que los otros. Es difícil huir de ese círculo vicioso. En Matrix, Neo sufre como loco para aprender que todo lo que precisa es… cambiar la visión que tiene sí mismo, apenas eso. No tienes que pensar que eres, debes saber que eres. La profecía dice que el Predestinado cambiará el mundo y salvará a la humanidad. Neo no puede creer que sea capaz de todo eso. Pero el secreto para la victoria del héroe esconde la más simple y la mayor de todas las ironías: para cambiar al mundo, basta cambiarse a sí mismo. Transfórmate y todo alrededor se transformará – ¡es el secreto! Porque la aparente separación de las cosas esconde la unicidad de todo lo que existe. Tal vez sea imposible doblar una cuchara con el pensamiento. Pero si sabes que la cuchara y tú son la misma cosa, entonces basta doblarse a sí mismo.
El mito de la travesía del héroe nos enseña que el destino de cada uno de nosotros es realizar lo que verdaderamente somos pero que todavía no aceptamos. La aventura de Neo es la aventura de todos nosotros en busca de nuestra esencia más legítima, aquella que al fin nos liberará. Hasta alcanzarla, la vida nos pondrá a prueba de muchas maneras y tendremos que convivir con dolorosas incertidumbres y auto-engaños. Entretanto, yendo de lo micro hacia lo macro, la aventura de Neo es la aventura de la humanidad entera, en busca de su supervivencia como especie. En un tiempo de tecnología idolatrada y valores esenciales olvidados, corremos el riesgo de ver nuestra propia creación volverse contra nosotros. Ante tal posibilidad, la única salida parece ser, todavía, seguir lo que decía, justo en su entrada, el Oráculo de Delfos en la Grecia Antigua: conócete a ti mismo. La tecnología no tiene sentimiento. Nosotros lo tenemos. Una máquina no es capaz de amar. Nosotros somos. Esa diferencia obvia puede pesar bastante en el guión de nuestra película.
Cierto nazareno revolucionario, dos mil años atrás, ya decía que somos todos dioses. Pues voy en el mismo camino: igual que Neo, somos todos héroes. Héroes de nuestras propias vidas. Como Neo, estamos predestinados a realizarnos a nosotros mismos. Hecho un Salvador, cada uno de nosotros tiene el poder de cambiar o mundo. Pero antes es preciso cambiar la forma como nos entendemos a nosotros mismos. Es el secreto que se esconde detrás de la película Matrix y también de toda la vida. El secreto que de tan obvio no se ve y que aguarda pacientemente a todos los predestinados.
Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres, pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas
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COMENTÁRIOS .
01- Acabo de ler seu fantástico artigo sobre o filme MATRIX. Até hoje não li crítica tão perfeita sobre esse ainda incompreendido filme, mas que com certeza ficará na história do cinema como marco (não foi assim com 2001 uma odisséia no espaço?). Parabéns pela qualidade da abordagem comparativa entre o enredo e a mitologia, além do foco dado à mensagem de que tal como afirmava Emerson “somos aquilo que pensamos”. Mantovanni Colares, Fortaleza-CE – ago1999
02- Gostaria de prabeniza-lo pela sua maravilhosa reportagem acerca do filme MATRIX que foi publicada segunda feira no jornal O POVO. Fiquei encantando com a forma coom que vc utilizou o arquétipo junguiano do herói, e com todo o seu ponto de vista sobre como a sociedade moderna encontra-se em relação a essa “tecnologia”. Infelizmente o meu jornal com a matéria sobre o filme foi jogado fora, caso vc pudesse enviar-me o artigo ficaria muito contente. Thaís, Fortaleza-CE – ago1999
03- Adorei principalmente o seu comentário sobre o filme “Matrix”, já sou fã mesmo antes de assistí-lo, estou ansioso para que o filme chegue em vídeo. Bem, eu adoraria adquirir “Matrix” . Eu já havia lido várias críticas sobre o filme, algumas depreciativas e outras elogiando o filme, mas me convenci ainda mais de que se trata do melhor filme dos últimos tempos após ler a sua crítica sobre o filme. Jurandyr G. Loureiro, Linhares-ES – ago1999
04- Escrever é um ato solitário, eu sei de mim solitário também… Parabéns. Ótimo artigo em O Povo de hoje. Sensacional, digno de reprodução Federal, quiçá mundial. Suas abordagens são maravilhosas, me fez viajar na simples aventura humana: a da compreensão (ou busca) de si mesmo. Procuro dar minha colaboração, na internet, há anos, envio diáriamente algo chamado Kbytes de Sabedoria (inspirado no Minutos de Sabedoria…) que são trechos sábios como daquele livrinho azul, da bíblia e de outras fontes de sabedoria. Hoje, no Kbytes… o dia é seu, fiz questão de dividir e propagar as suas idéias com os netfriends. Parabéns e grato mais mais uma vez, pela luz! Giovanni Colares, Fortaleza-CE – ago1999
05- Fiquei emocionada com sua abordagem sobre o filme Matrix no O Povo (O segredo dos predestinados), 9/8/99. Foi absolutamente perfeito. Já li três vezes e nunca ouvi falar de você. Leio o Diário e O Povo $todos os dias. Já li muitos livros mas hoje o cinema me fascina. Mande-me umas dicas de filmes. E escreva mais. Você tem talento e escreve com uma beleza incomum! Parabéns! Irei assistir o filme só porque li seu artigo. Edita Machado, Fortaleza-CE – ago1999
06- Caro Ricardo , Fiquei sendo seu fã desde que em 1999 qdo assiti a uma palestra tua no auditório do colegio capital sobre o filme MATRIX. Na tua palestra fizeste uma analogia de espelhos dentro de uma bola de vidro a refletir a luz do sol com nós seres humanos e perguntaste: O que é necessário fazer para mudar o modo do globo de vidro refletir a luz do sol? Ao que respondeste… basta mudar um só espelho. Assim querias dizer que não precisamos mudar ninguém somente a nós mesmo. Cara vc não sabe o quanto já falei de vc para as pessoas a quem conto esta analogia. O fato é que ouvir aquelas tuas palavras me levou a uma pesquisa igual “A ILHA”. Continue sempre assim… em constante questionamento consigo mesmo pois acredite foi assim que passei a ser uma pessoa melhor. Luiz Ferreira de Sousa Junior, Fortaleza-CE – nov2004
07- Te achei procurando um texto sobre Neo – Matrix e foi o “ O SEGREDO DOS PREDESTINADOS” que li e adorei. Como você conseguiu falar tudo tão bem. Simplesmente adorei. E já andei fuçando seu site também. É muita coisa para ler. Terei muito que fazer. Lais Paulinelli, Belo Horizonte-MG – jan2007
Criei este espaço pra prosseguir com o tema da Mulher Selvagem, o arquétipo da mulher livre e conectada à sabedoria natural. A crônica A Mulher Selvagem é um dos meus textos mais conhecidos, reproduzidos e comentados de minha obra, o que indica que ele toca em algo muito precioso nas mulheres, no bom sentido – e também nos homens que não temem o Feminino.
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>> amei de paixão a sua crônica – A mulher selvagem. Em poucas palavras você conseguiu entender e preencher todo o universo feminino tão pouco entendido pelos homens. É muito bom saber que ainda existem homens sensíveis como você e acima de tudo homens com coragem de assumir sua sensibilidade. Marisa Feliciano, Belo Horizonte-MG
RK: De mulher pra mulher, Mariiisaaa… Obrigado pelos elogios, fia, mas não tô com essas bolas todas não. Ainda tenho muito que ralar com a minha sensibilidade, nem sempre sei como lidar com ela. Por exemplo, sempre que o Fortaleza perde, eu fico muito sensível. E aí, pra me acalmar, roubo um carro e atropelo uma daquelas velhinhas que vendem rosas na Jabaquara. Mas antes eu compro a rosa, claro, não me julgue tão mal.
>> Parabéns pelo texto da mulher selvagem. É de admirar que um homem o tenha escrito, pois não conheço nenhum com sensibilidade para enxergar além da textura da pele. Marli Myllius, Curitiba-PR
RK: Além da textura da pele? Marlindinha, menina, você quer um homem ou um microscópio? Ah, vai, não seja injusta. Dá outra olhadinha ao redor, vai, olha pros caras com mais carinho e compreensão que você identificará neles a sensibilidade que tanto busca. E quem sabe você mesma não os ajuda a libertá-la, né? Já posso até ver o anúncio colado nos orelhões: Marli, libertadora de homens sensíveis.
>> puxa, li sua crônica quase sem querer e reli algumas vezes. não acreditava. Era eu. Nunca ninguem me descreveu tão bem. Lara, São Paulo-SP
RK: Sério, Larita? Então a honra é toda minha por ter encontrado uma loba tão inspiradora!!! Quando quiser posar novamente, é só dar uma rosnadinha…
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“Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível… mas que também agride o olhar.”
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Está no ar o treiler da palestra O Despertar do Herói – A jornada sagrada de autorrealização nos mitos, no cinema e em nossas vidas.
Esta é uma das minhas palestras mais solicitadas, tanto por empresas quanto por colégios e faculdades. Nela, falo de Mitologia, Psicologia, Autoconhecimento e Realização Pessoal numa linguagem simples para mostrar que o mito da Jornada do Herói, presente nas histórias de tantas culturas, nos livros e nos filmes, é uma metáfora do processo de autorrealização, a jornada individual de todos nós rumo à nossa essência mais verdadeira.
Da mesma forma que os heróis dos mitos e do cinema, cada um de nós está predestinado a se realizar verdadeiramente e, com isso, tornar-se o grande herói de sua própria vida. Mas antes é preciso, como o herói de Matrix, despertar, distinguir-se da massa, conhecer-se e assumir a tarefa que dará sentido à existência.
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Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres
A MULHER SELVAGEM
. Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível… mas que também agride o olhar. É um tipo raro e não tem habitat definido: vive em Catmandu, mora no prédio ao lado ou se mudou ontem para Barroquinha. E não deixou o endereço. É ela, a mulher selvagem.
Em quase tudo ela é uma mulher comum: pega metrô lotado, aproveita as promoções, bota o lixo para fora e tem dia que desiste de sair porque se acha um trapo. Porém em tudo que faz exala um frescor de liberdade. E também dá arrepios: você tem a impressão que viu uma loba na espreita. Você se assusta, olha de novo… e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim. É a mulher selvagem.
A sociedade tenta, mas não pode domesticá-la, ela se esquiva das regras. Quando você pensa que capturou, escapole feito água entre os dedos. Quando pensa que finalmente a conhece, ela surpreende outra vez. Tem a alma livre e só se submete quando quer. Por isso escolhe seus parceiros entre os que cultuam a liberdade. E como os reconhece? Como toda loba, pelo cheiro, por isso é bom não abusar de perfumes. Seu movimento tem graça, o olhar destila uma sensualidade natural… mas, cuidado, não vá passando a mão. Ela é um bicho, não esqueça. Gosta de afago, mas também arranha.
Repare que há sempre uma mecha teimosa de cabelo: é o espírito selvagem que sopra em sua alma a refrescante sensação de estar unida à Terra. É daí que vem sua força e beleza. E sua sabedoria instintiva. Sim, ela é sábia, pois está em harmonia com os ritmos da Natureza. Por isso conhece a si mesma, sabe dos seus ciclos de crescimento e não sabota a própria felicidade. Como todo bicho, ela respeita seu corpo, mas nem sempre resiste às guloseimas. Riponga do mato, gabriela brejeira? Não necessariamente, a maioria vive na cidade. E há dias paquera aquele pretinho básico da vitrine. E adora dançar em noite de lua. Ah, então é uma bruxa… Talvez, ela não liga para rótulos. Sabe que a imensidão do ser não cabe nas definições.
Mulheres gostam de fazer mistério. Ela não, ela é o mistério. Por uma razão simples: a mulher selvagem sabe que a vida é uma coisa assombrosa e perfeita, e viver, o mais sagrado dos rituais. Ela sente as estações e se movimenta com os ventos, rindo da chuva e chorando com os rios que morrem. Coleciona pedrinhas, fala com plantas e de uma hora para outra quer ficar só, não insista. Não, ela não é uma esotérica deslumbrada, mas vive se deslumbrando: com as heroínas dos filmes, aquela livraria nova, um presente inesperado… Ela se apaixona, sonha acordada e tem insônia por amor. As injustiças do mundo a angustiam, mas ela respira fundo e renova sua fé na humanidade. Luta todos os dias por seus sonhos, adormece em meio a perguntas sem respostas e desperta com o sussurro das manhãs em seu ouvido, mais um dia perfeito para celebrar o imenso mistério de estar vivo.
Ela equilibra em si cultura e natureza, movendo-se bela e poética entre os dois extremos da humana condição. Ela é rara, sim, mas não é uma aberração, um desvio evolutivo. Pelo contrário: ela é a mais arquetípica e genuína expressão da feminilidade, a eterna celebração do sagrado feminino. Ela está aí nas ruas, todos os dias. A mulher selvagem ainda sobrevive em todas as mulheres, mas a maioria tem medo e a mantém enjaulada. Ela é o que todas as mulheres são, sempre foram, mas a grande maioria esqueceu.
Felizmente, algumas lembraram. Foram incompreendidas, sim, mas lamberam suas feridas e encontraram o caminho de volta à sua própria natureza. Esta crônica é uma homenagem a ela, a mulher selvagem, o tipo que fascina os homens que não têm medo do feminino. Eles ficam um pouco nervosos, é verdade, quando de repente se veem frente a frente com um espécime desses. Por isso é que às vezes sobem correndo na primeira árvore. Mas é normal. Depois eles descem, se aproximam desconfiados, trocam os cheiros e aí… Bem, aí a Natureza sabe o que faz.
Publicada no Facebook (em minha página oficial, facebook/ricardokelmerescritor) em 2015, a crônica A Mulher Selvagem é o meu texto mais comentado e compartilhado, com mais de 6 mil compartilhamentos e mais de 1 mil comentários. Veja aqui.
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MAIS SOBRE O FEMININO SELVAGEM
A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é
Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse
Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?
As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar
Medo de mulher– A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará
Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há
Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido
Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.
Mulheres que correm com os lobos– Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)
A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)
Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas
Alma Una
(clipe da música de Ricardo Kelmer e Flávia Cavaca)
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(in english)
THE WILD WOMAN Ricardo Kelmer
Her beauty is skittish, aloof to fads. She charms by an indefinable something… but which is also aggressive to the eye. She is a rare type, as she does not have a defined habitat: she may live in Kathmandu or in the next-door building, or maybe she moved yesterday to some little town far away. And left no contact. She is the wild woman.
She is a regular, ordinary woman in almost everything: she catches the crowded subway, she enjoys sales, she takes out the garbage and there are days in which she does not go out because she feels like a rag. However, everything she does has this freshness of liberty. And she also gives goosebumps: you have the feeling of facing a wolf on the prowl. You are startled, you look again… and then you see the sweet friendly woman, charmingly fixing her hair, almost a little girl. But for a second you saw the wolf. Yes, you did. She is the wild woman.
Society tries, but fails to tame her, she evades the rules. When you think you have caught her, she escapes like water between your fingers. When you think you have finally got to know her, she comes with another surprise. She has a free soul and she will only submit herself when she wants. She chooses her partners among those who worship freedom. And how does she know them? Like any wolf, by the smell, so it is better not to use too much perfume. Her body moves gracefully, her look distills a natural sensuality… but, beware, do not touch. She is an animal, don’t forget. She likes cuddling but she can also scratch.
Note that there is always a wayward lock of hair: it is the wild spirit that blows into her soul the refreshing feeling of being connected to the Earth. From there come her strength and beauty. And her intuitive wisdom. Yes, she is wise, as she is in harmony with the rhythms of Nature. That is why she knows herself, knows about her growth cycles and does not sabotage her own happiness. As all animals she respects her body, but does not always resist goodies. Woodland hippie or countryside hillbilly? Not necessarily, most of them live in the city. And for days she has been flirting with that basic black dress in the shop window. And she loves to dance in the moonlight. Oh, she is a witch then… Maybe, she does not care for labels. She knows that the immenseness of being is beyond definitions.
Women love to make mystery. Not she, she is the mystery. For a simple reason: the wild woman knows life is amazing and perfect, and living is the most sacred of rituals. She feels the seasons and moves with the winds, laughing at the rain and crying with the dying rivers. She collects pebbles, talks to plants and, from a moment to the next, she wants to be alone. Do not insist. No, she is not a dazzled esoteric, but she keeps being dazzled: by movie heroines, by that new bookstore, by an unexpected gift… She falls in love, dreams awake and loses her sleep over love. The wrongs of the world anguish her, but she takes a deep breath and renews her faith in mankind. Every day, she fights for her dreams, falls asleep among questions without answers and wakes to the whisper of morning in her ears, another perfect day to celebrate the intense mystery of being alive.
She keeps her balance between culture and nature, moving beautiful and poetic between the two extremes of the human condition. She is rare, but she is not an anomaly or an evolutionary defection. On the contrary: she is the most archetypical and genuine expression of femininity, the timeless celebration of the sacred feminine. She is right there, on the streets, every day. The wild woman still survives in all women, but most are afraid and keep her in a cage. She is what all women are, have always been, but the vast majority has forgotten.
Fortunately, some have remembered. Yes, they were misunderstood, but they have licked their wounds and have found the way back to their own nature. This chronicle is a tribute to her, the wild woman, the type that fascinates men who are not afraid of the feminine. They get a bit nervous, true, when suddenly confronted with such a female specimen. That is why these males sometimes rush to climb the nearest tree. But that is normal. A little later they climb down, shyly approaching, they exchange smells and then… Nature knows her ways.
(TRADUÇÃO: J Rodolfo Lima)
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(en español)
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LA MUJER SALVAJE Ricardo Kelmer
Su belleza es arisca, apartada de los modismos. Ella encanta por un no-sé-qué indefinible… pero también agrede la mirada. Es un tipo raro y no tiene habitat definido: vive en Catmandu, en el edificio de al lado o se trasladó ayer para Barroquinha. Y no dejó la dirección.
La mujer salvaje en casi todo es una mujer sencilla: coge el metro abarrotado de gente, aprovecha las rebajas, saca la basura y hay días en que desiste de salir porque se ve un guiñapo (se ve… hecha un trapo). Sin embargo en todo lo que hace exhala un frescor de libertad. Y también da escalofríos: tienes la impresión de que has visto a una loba al acecho. Te asustas, miras de nuevo… y quien está allí es la mujer dulce y simpática, arreglándose el pelo, casi una niña. Pero por un segundo viste la loba, la viste sí. Es ella, la mujer salvaje.
La sociedad intenta pero no puede domesticarla, ella evita las reglas. Cuando tú piensas que la capturó, se escapa como agua entre los dedos. Cuando piensas que finalmente la conoce, ella sorprende otra vez. Tiene el alma libre y solo se somete cuando quiere. Por eso escoge su pareja entre los que cultivan la libertad. ¿Y cómo los reconoce? Como toda loba, por el olor, por eso es bueno no abusar de los perfumes. Su movimiento tiene gracia, la mirada destila una sensualidad natural – pero, cuidado, no vayas pasándole la mano. Ella es un bicho, no te olvides. Le gusta el halago pero también araña.
Repara que hay siempre un mechón terco en su pelo: es el espírito salvaje que sopla en su alma la refrescante sensación de estar unida a la Tierra. Es de ahí que viene su belleza y fuerza. Y su sabiduría instintiva. Sí, ella es sabia pues está en armonía con los ritmos de la Naturaleza. Por eso se conoce a si misma, sabe de sus ciclos de crecimiento y no sabotea la propia felicidad. Como todo bicho ella respeta su cuerpo pero ni siempre resiste a las golosinas. ¿Una hippie del mato, gabriela del charco? No necesariamente, la mayoría vive en la ciudad. Y hace días coquetea aquel vestidito negro básico de la vitrina. Y le encanta bailar en noche de luna llena. Ah, entonces es una bruja… Tal vez, ella no se interese por las etiquetas. Sabe que la inmensidad del ser no cabe en las definiciones.
A las mujeres les gusta hacer misterio. Ella no, ella es el misterio. Por una razón simple: la mujer salvaje sabe que la vida es una cosa asombrosa y perfecta y vivir el más sagrado de los rituales. Ella siente las estaciones y se mueve de acuerdo con los vientos, riendo de la lluvia y llorando con los ríos que mueren. Colecciona piedritas, habla con plantas y de una hora a otra quiere quedarse sóla, no insistas. No, ella no es una esotérica deslumbrante pero vive deslumbrándose: con las heroínas de las películas, aquella librería nueva, el CD de aquel cantante… Ella se apasiona, sueña despierta y tiene insomnio por amor. Las injusticias del mundo la angustian pero ella respira profundo y renueva su fe en la humanidad. Lucha todos los días por sus sueños, adormece en medio de preguntas sin respuestas y se levanta con el susurro de las mañanas en su oído, un día más, perfecto para celebrar el inmenso misterio de estar vivo.
Ella equilibra en si cultura y naturaleza, moviéndose bella y poética entre los dos extremos de la humana condición. Ella es rara, sí, pero no es una aberración, un desvío evolutivo. Por el contrario: ella es la más arquetípica y genuina expresión de la feminidad, la eterna celebración del sagrado femenino. Ella está ahí en las calles, todos los días. La mujer salvaje todavía sobrevive en todas las mujeres pero la mayoría tiene miedo y la mantienen enjaulada. Ella es lo que todas las mujeres son, siempre lo fueron, pero la gran mayoría se olvidó.
Felizmente algunas lo recuerdan. Fueron incomprendidas, sí, pero lamieron sus heridas y encontraron el camino de vuelta a su propia naturaleza. Esta crónica es un homenaje a ella, la mujer salvaje, el tipo que fascina a los hombres que no tienen miedo de la femeneidad . Ellos se ponen un poco nerviosos, es verdad, cuando de repente se ven delante de um espécimen de estos. Por eso es que a veces suben corriendo en el primer árbol. Pero es normal. Después se bajan, se aproximan desconfiados, cambian los olores y ahí… Bueno, ahí la Naturaleza sabe lo que hace.
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COMENTÁRIOS .
Desde 2004, quando esta crônica foi escrita, os comentários a acompanham, mostrando que felizmente o arquétipo do feminino livre continua vivo e atuante na psique das mulheres do nosso tempo. Obrigado a você pelo incentivo e pelo carinho. .
01- olá, R. Kelmer… Como estás? Espero que estejas bem e que sua viagem de volta ao Rio tenha sido boa. A crônica que você nos deu sobre a mulher selvagem é muito boa, adorei!!!!! Quer um conselho? coloque-a também disponível no seu site. Luciana Holanda – Campina Grande-PB – fev2005
02- Salve Ricardo, li teu texto, achei muito bonito… me fez lembrar de uma pessoa muito querida, minha esposa, alguem que era assim… esse frescor, essa leveza e força… Alguem que não está mais aqui… Que me mostrou a maravilha e o assombro de estar vivo… Que me mostrou como viver e como partir… Obrigado. Um abraço. Nelson, Rio de Janeiro-RJ – fev2005
03- Ricardo, olá! Quero lhe agradecer pelas noticias, sempre inteligentes e deliciosas. Estilo RK!As mulheres selvagens superaram tudo. Não é rpeciso dizer o quanto você capta o instinto das MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS, as mulheres selvagens que resistem, apesar de toda “domesticação”. Lindo! Voc~e e Chico Buarque têm algo de comum, e especial: A grande sacação do universo feminino. Aproveite! Isso é um dom.São poucos e privilegiados os que dela desfrutam. Um beijo, saudades. Rejane Reinaldo, Fortaleza-CE – fev2005
04- Oi Ricardo, tudo bem? O teu texto me lembrou um livro intitulado : “Mulheres que correm com os lobos: mitos e arquétipos da mulher selvagem”. Você conhece? Vi tuas fotos. Uma graça. Beijos.Valeska Maia, Fortaleza-CE – fev2005
05- Oi, Ricardo. Obrigada pela gentileza de me responder e, principalmente, pela indicação do artigo (excelente) sobre as “mulheres selvagens”. Sua musa inspiradora está de parabéns – porque não creio que alguém que fale, como você, sobre a alma feminina, não tenha uma musa inspiradora. À propósito, seu site está muito bem montado e sua foto está encantadora. Espero continuar recebendo notícias sobre seus artigos e livros. Um abraço. Carinhosamente, Thaisy, Campina Grande-PB – fev2005
06- Acabei de ler seu artigo, eu e a tigresa dentro de mim… obrigado pela lembrança… Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – mar2005
07- A suposta face insustentável na pele que almeja / Quando de círculos traçam seus segredos / Involuntariamente aquece a cavidade mais esposta que a cor / femali / Uma breve alucinação retornando ao selvagem comportamento humano / Humanamente inormal
Uma reverência a uma artísta que transpira exatamente a dualidade do selvagem e doce (björk), minha referência musical mais pertinente. Dica movie: Se você não viu ainda, assista dançando no escuro! Nila DJ Hunter, Campina Grande-PB – mar2005
08- Eu adorei teu texto sobre a mulher selvagem (acho que sou uma delas ehehehehehe). A ilustração também está ótima… Besos. Beatriz Nogueira, Brasília-DF – mar2005
09- Oi Homem Sexy da internet, bom diiiiia! Só um apaixonado por Jung para ter a sensibilidade de nos fazer uma homenagem como essa. Em mim, cada frase lida fez vibrar e ressoar na cadeia de DNA que me compõe a certeza de que vc escreveu pensando em todas as mulheres selvagens que vc reconhece, inclusive eu. Sim,pq é necessário um homem-lobo tb de natureza selvagem para nos emocionar e fazer chorar logo na segundona de manhã… Há alguns anos que Mulheres que Correm com os Lobos é o meu livro de cabeceira e talvez tenha sido o que me salvou do relacionamento mais louco e construtivo de mim mesma que já vivi. Se vc permitir quero ler sua crônica em um evento na Escola de Saúde Pública no Dia Internacional da Mulher. Bj selvagem. Dijé, Fortaleza-CE – mar2005
10- É isso aí, caro Ricardino! A mulher é um bicho selvagem, e se esqueceram disso. Os homens também, mas não esqueceram… Abraço. Luis Pellegrini, São Paulo-SP – mai2005
11- Me senti a própria, sou bem assim….., mas nunca imaginei que isto fosse uma mulher selvagem. Como vai tudo aí? Saudades, beijos mil…………… Cristina Cabral, Fortaleza-CE – mar2005
12- Ricardo… Adorei sua crônica sobre as mulheres que são selvagens. He,he,he. Pra falar a verdade acho que todas as mulheres são, mas não se assumem como selvagens. Eu me idetifiquei com a crônica. Ah! Estou lendo um livro seu: Baseado Nisso, peguei emprestado com um amigo (estou gostando muito). Estou esperando receber dinheiro para comprar os outros. Acho que vou encomendá-los pela net. Beijos… Mellina, Campina Grande-PB – mar2005
13- amigão kelmer,só quem tem uma “loba”por perto sabe a grandeza de viver e sentir os uivos marcantes de um ser tão especial e singular.Teu texto transmite tudo que vivo e sinto ao lado dela “a loba”. Abraços, Paulinho Leme, Fortaleza-CE – mar2005
14- Grande Kelmer, adorei a cronica. conheço algumas dessas “bichas” e realmente sao fantasticas. Mas tu deverias por tipo assim…envie para um amigo. Grande abraçø! roque santeiro lhe aguarda… Amaro Penna, Fortaleza-CE – mar2005
15- Olá Kelmer. Adorei sua crônica sobre a mulher (ou sobre um tipo de mulher). Fiquei surpresa com a perspicácia de seu olhar sobre o feminino. Parabéns pelo texto. Um abração. Simone Bringhenti, Rio de Janeiro-RJ – mar2005
16- Sim-ples-men-te ge-nial a crônica da mulher selvagem. Meu caro, eu conheci uma e no final tive medo e subi na árvore. Às vezes tenho vontade de descer… mas com o passar do tempo a floresta se torna cada vez mais perigosa. um abraço. Wiron, Fortaleza-CE – mar2005
17- Adorei!! Como você é profundo e consegue descrever a alma feminina assim? Visitei o seu site e assim pude conhecê-lo um pouco melhor, fiquei maravilhada!! Como é bom poder compartilhar dos seus escritos,mais uma vez: Muito prazer em lhe conhecer!!! Beijos e obrigada pela homenagem! Renata Fiorinni, Rio de Janeiro-RJ – mar2005
18- Sou eu, sua ex-colega, colaboradora do programa Por Uma Cultura de Paz, da Rádio Universitária FM, que toda quinta de lua cheia fala sobre a cultura do feminino. Lembra de mim? Acabei de ler a crônica sobre a mulher selvagem e gostei tanto que resolvi te escrever só pra agradecer, pois nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, poucas vezes me senti tão integralmente homenageada como hoje. Um abraço. Milena Aguiar, Fortaleza-CE – mar2005
19- Rika, Não tenho palavras pra expressar o meu sentimento ao ler A Mulher Selvagem. É exatamente assim mesmo, com todas as mulheres. É isso mesmo que devemos ter güardado dentro de nós. Não podemos deixar que essa “Mulher Selvagem” fique reprimida dentro de nós sem poder se manifestar de vez em quando….Parabéns e obrigada por sua sensibilidade. Ler sua crônica foi um lindo presente no nosso dia. Valeu, Rika! Continue escrevendo….. Anabela Alcântara, Fortaleza-CE – mar2005
20- Olá Ricardo. Anos depois de me recomendares o livro da Clarissa Pinkola, “mulheres que correm com os lobos”, ele foi finalmente publicado em Portugal e eu comprei. E li todas aquelas 400 páginas. Adorei cada uma delas, e eis-me agora deliciada com o teu texto: é esta a Mulher. Muito obriagada pela recomendação e pela excelente homenagem! Beijos. Susana Xavier Mota, Leiria-Portugal – mai2005
21- Caro Ricardo. Você me descreveu perfeitamente em sua crônica “A Mulher Selvagem”. Muito obrigada, porém, não é fácil ser assim, principalmente no que diz respeito aos relacionamentos. Às vezes cansa e dói estar sozinha, ou encontrar uma pessoa que vc acha é que a certa e ouvir que ela tem medo de você. Juro que já tentei mudar, mas não consigo. Esta é minha natureza. Um abraço, Luciana, São Paulo-SP – jul2005
22- Olá Ricardo! Adorei a cronica ‘Mulheres Selvagens’, acho que toda mulher é um pouco selvagem, pois, falta coragem para ser totalmente selvagem, já outras são na sua totalidade, outras ficam totalmente mansas quando se apaixonam, aí perdem o encanto. Os homens adoram mulheres assim, mas ao mesmo tempo fogem, tem medo. Felicidade e sucesso. PatriciaBittencourt, Rio de Janeiro-RJ, jul2005
23- Olá, Ricardo! O Jung me foi apresentado recentemente e comecei a ler “As mulheres que correm com os lobos” anteontem. Ao ler seu texto fiquei tocada, não só pela coincidência, mas por suas palavras em si. Sempre recorro à seus textos quando me vejo distante da mulher selvagem que mora em meu inconsciente coletivo, pois suas crônicas, de modo geral, despertam o espírito de liberdade inerente à ela. Obrigada! Rafaela, Fortaleza-CE – jul2005
24- Olá Ricardo! Gostei muito da sua crônica “A Mulher Selvagem” e posso realmente dizer que me identifiquei com ela. Sei que esta afirmação deve ser “lugar comum” por parte de muitas leitoras. E, certamente, todas têm suas razões para dizê-lo. No entanto, os meus companheiros sempre fizeram alusão a este meu lado selvagem, considerando os mais differentes aspectos que você mesmo pôs em questão. E acabo de ouvir isso de uma pessoa que conheci recentemente e com quem iniciei um relacionamento… Sendo assim, penso que deve haver coerência nesta identificação e na opinião deles. Obrigada pela atenção! Sucesso e um forte abraço! Cristina Moniz, Rio de Janeiro-RJ – jul2005
25- Olá Ricardo. Parabéns pelo texto da mulher selvagem. É de admirar que um homem o tenha escrito, pois não conheço nenhum com sensibilidade para enxergar além da textura da pele. Sei que existem artistas sensíveis, que reproduzem com a mesma competência, a beleza, a dor e a alegria em fotos, telas e textos… mas que em casa são machistas, egoístas, egocêntricos e pouco ou nada sabem da natureza feminina. Um abraço e obrigada por melhorar o meu dia. Marli Myllius, Curitiba-PR – jul2005
26- Como Vai… Ricardo… Tomo a liberdade de te escrever… Adorei teu texto no IG… A mulher Selvagem… Entrei em seu site… e li outros…. Sei que deve receber varios elogios… Mas teu jeito de escrever… achei voce muito…’VOCE… mesmo’. Rita de Cássia, São Paulo-SP – jul2005
27- Boa tarde, Ricardo !!! Meu nome é Lucimar. Ammeeeiiii sua crônica MULHER SELVAGEM. A impressão que tive, que você me conhecia bem no fundo há muito tempo. Você conhece bem as mulheres, heimm ? Você falou de mim. Em tudo. Parabéns. SUCE$$O !!!!!! Lucimar, Vila Velha-ES – jul2005
28- puxa, li sua crônica quase sem querer e reli algumas vezes. não acreditava. Era eu. Nunca ninguem me descreveu tão bem. E a história da lua, ninguem acredita qdo eu comento! Tirando a licença poética do texto minhas “manias estão todas lá”(não tem nada de selvagem ou loba, só uma necessidade muito grande de ser sincera) Por isso me deu uma vontade louca de escrever pra te agradecer. Obrigada, acredito agora que alguém algum dia em algum lugar vai dizer que me entende. Ah, só queria dar um toque sobre algo, a maioria não desce da árvore, ao contrário corre pra casa. Parabéns e Obrigada. Lara, São Paulo-SP – jul2005
29- Olá, Ricardo estou lhe escrevendo para dizer que amei de paixão a sua crônica – A mulher selvagem. Em poucas palavras você conseguiu entender e preencher todo o universo feminino tão pouco entendido pelos homens. É muito bom saber que ainda existem homens sensíveis como você e acima de tudo homens com coragem de assumir sua sensibilidade. Um beijo em seu coração, com admiração. MarisaFeliciano, Belo Horizonte-MG – jul2005
30- Olá Kelmer! (intima) Como você pôde escrever um texto sobre mim sem ao menos me conhecer pessoalmente, fiquei pasma, brincadeira, adorei o texto e acho que não só eu, mais a maioria das mulheres sentiram a mesma coisa. Muito bom mesmo. bjs Márcia Morozoff, Brasília-DF – ago2005
31- Gostei demais, pois me identifiquei nessa mulher selvagem, acho que todas as mulheres tem um pouco de loba. Você é demais. Parabéns. Cacilda Luna, Fortaleza-CE – set2005
32- RK você é mesmo um fofo de escrever assim tão lindo das mulheres. Mais uma vez me senti óbvia ao que você escreve. Beijo Samsara, Alto Paraíso-GO – out2005
33- Esse texto é maravilhoso, como vc pode entender tanto da alma feminina, hein? Fantástico! Bjs. Luana Rosler, Rio de Janeiro-RJ – nov2005
34- Acabei de ler “A mulher Selvagem” pela enésima vez, e pela enésima vez você me fez sentir mais perto dela. Só queria mesmo te agredecer. Brigada 🙂 Você me fez abrir um sorriso e colocou uma corzinha nessa quarta feira meio cinza. Besitos. Rafaela Almeida, Fortaleza-CE – nov2005
35- Como já disse na Paganismo, amei sua crônica… Vou virar leitora fiel… Bjo! Silene Ferreira, Cuiabá-MT – dez2005
36- Olá, acabei de ler teu texto A MULHER SELVAGEM. Sen-sa-cio-nal! Vc escreve muito bem, tem um texto leve, mas nem um pouquinho superficial. Trata-se realmente de um cronista de primeira. Além disso, o q vc escreveu sbr as mulheres, sinceramente me senti desnuda ali. Vc me descreveu, cara. Costumo dizer q uma mulher pode ser livre, soberana e, ao mesmo tempo, romântica e doce, pq não? Mulher bem resolvida lida com suas várias facetas com naturalidade, sem abdicar de nenhuma, apenas conhecendo os momentos apropriados para fazer uso de cada uma delas. Parabéns! Bjões.Sissi Abreu, Rio de Janeiro-RJ – dez2005
37- Bom dia, Encontrei por acaso sua “Crônica da Mulher Selvagem”.Achei belíssima.Sabe, sou ginecologista e trabalho o dia todo com mulheres e infelizmente, elas n sabem que possuim essa mulher dentro de cada uma delas.Vou copiar seu texto para dar pra algumas pacientes,ok?Um beijo. Maria Elisa, São Paulo-SP – abr2006
38- Eu continuo repassado sua Mulher Selvagem e as clientes te add.Algumas n conseguem mais resgatá-la.é pena.Adorei o Jim Morrison dos pobres.Até mais.Bjs. Maria Elisa, São Paulo-SP – abr2006
39- Olá Ricardo! Uma amiga muito querida, me enviou o texto “Mulher Selvagem”….Li, amei e confesso, me identifiquei bastante…. Beijos. Majô Pasquinelli, São Paulo-SP – mar2006
40- Olá Ricardo 😉 Amo “Mulher Selvagem”,não conseguiria descrever com palavras o significado ou que que ele representa pra mim.. o que sei que é algo encantador. Acabei de ler “As fogueiras de Beltane” li ,re-li.. perdi a conta de quantas vezes voltei a ler.. igual acontece com “Mulher Selvagem”.É mágico…lindo! Entro no conto.. e sonho 😉 Sei que é pretensão, mas me vejo nos textos…rs (todas nós nos vemos não é?) Bjs. Joana d`Arc, São Bernardo do Campo-SP – mar2006
41- Vc me deu uma idéia…rs pensei em fazer uma comunidade pras “mulheres selvagens” e pôr sua crônica como descrição. Posso??? Bom fds!!! Bjus Isabel Doné, Pinhal-SP – abr2006
42- achei maravilhoso o que vc escreveu sobre mulheres selvagens e realmente me identifiquei, me considero assim, parabéns pelo seu talento e por entender tão bem nós as mulheres selvagens beijos Josylene Karynne, São Paulo-SP – mai2006
43- Li sua crônica e noto que seu homem selvagem está bastante preservado,do contrário nao faria uma descricao tao fidedigna de sua parceira….. Celinha Gonçalves, Alemanha – mai2006
44- adorei sua cronnica ! Andrea Perez Pirrillo, São Paulo-SP – jun2006
45- Amo essa sua crônica, parece que foi escrita para mim, sem tirar nem pôr… Ela diz tudo, não falta nada, parabéns pela sensibilidade e maestria ao escrevê-la. Entrei na sua comunidade depois que a li… publiquei ela no meu blog “borboleta mística” sem tirar teus créditos, depois da uma olhada lá! www.borboletamistik.blogspot.com Um beijão pra você. Carolina Salcides, Porto Alegre-RS – jul2006
46- Olá, Ricardo! Seu texto é maravilhoso, uma leitura muito prazerosa. Parabéns pelo seu trabalho! Grande beijo. Alessandra Maria, Brasília-DF– jul2006
47- Ricardo: esta Mulher Selvagem…: SOU EEEEEEUUUUUUUUUUU!!!!! Hahaha…Lindo texto, competentemente elaborado e por alguém que realmente entende de mulher! Fiquei sua fã! E olha que eu sou exigente…rsrs… Luísa Artèse, Rio de Janeiro-RJ – jul2006
48- ola!gostei muito do seu texto. Laisa Soares, Manaus-AM – jul2006
49- Nôssa me identifiquei na hora muito bom!!Aliás sem comentários!!Se no mundo existissem mais pessoas com essa tua capacidade de raciocínio teríamos um mundo bem mais simples e bem melhor!!!Sou sua Fã!! Leila Lima, Curitiba-PR – set2006
50- Estava passando pela comunidade “Inteligência é afrodisíaco” e deparei com um tópico seu, um trecho de uma crônica sua, “A mulher selvagem” e comecei a ler a crônica completa… Então encontrei aqui na sua página outras crônicas q li e adorei!!! Por isso vim aqui deixar uma msg! Acho q pra vc, escritor, deva ser mto bom receber mensagens comprovando o reconhecimento do seu trabalho!!! Parabéns pelos belos textos!!! Beijos. Cynthia, São Paulo – out2006
51- ahhh se os homens tivessem capacidade pra compreender e não subir na árvore……… F@atim@, Comunidade Lobas (Orkut) – nov2007
52- vou ler e guardar com certeza… Lindo o texto. Maristela, Comunidade Lobas (Orkut) – nov2007
53- levantando as patinhas e aplaudindo… clap, clap, clap!!! Silene, Comunidade Lobas (Orkut) – nov2007
54- Oi!!! Vi seu site e quero receber suas newsletter com escritos ou qualquer coisa!!! Tenho uma de suas cronicas em meu perfil do Orkut www.orkut.com/Home.aspx ?xid=14625722405133466994 Aguardo suas cartas!!! Obrigada =) E meus parabéns por transpor em palavras a essência da mulher que é mulher!!! Beijo, Rafaela Pinheiro, Florianópolis-SC – dez2006
55- nossaaaaaaa… nem acredito que te encontrei… Bom conheci cronicas sua através d uma amiga. a primeira que li foi A mulher selvagem… amei e agora to terminando de ler as que tem no site… eu amo escrever, escrevo crônicas sempre tá que são pessimas mais é uma forma de desabafo… Bom só te procurei no orkut pq acabei colocando um trecho da crônica como meu perfil.. e gostaria de saber se não tem problema… vc se importa?! parabéns pelo seu trabalho. Milani Iskandar, Goiânia-GO – dez2006
56- Ola Ricardo, estava eu aqui montando um post para publicar em meu blog em homenageando as mulheres pelo seu glorioso dia. Me deparei com a sua crônica “mulher selvagem” gostei muito! parabens, se tiver sua permissão gostaria de usar partes dela em meu blog! Um grande abraço. E parabéns pelo seu trabalho. Ps.: Se quiser conferir http://www.nadafacil.blogspot.com. Thiago Jede, Três de Maio-RS – mar2007
57- parabéns pelo belíssimo texto!!!! jah dizia o sábio q a pena vence a espada… e a prova disso eh a sensibilidade deste texto, e escrito por um homem!!! Nina, São Paulo-SP – mar2006
58- ….gostei muito… …viva as mulheres selvagens!!! Parabéns pelo ótimo texto q fala e explica tudinho sobre o jeito de nós, mulheres!!!!!Valeu mesmo!!!Amei!!! Patrícia, Hamamtsu-Japão – abr2006
59- Da selvagem: a seiva / da seiva: a vida / da vida:homens e mulheres selvagens em si. Suely Andrade, Brasília-DF – abr2006
60- Não sou eu que procuro, é a mulher selvagem que me encontra. Desde que li o texto pela primeira vez, já nem me lembro mais aonde, que ele está pregado na minha cortiça. E depois o encontrei de novo aqui no orkut, sem procurar. Valeu pela homenagem, Ricardo! Aline Mendes, Rio de Janeiro-RJ – mai2006
61- Acho essse texto fantástico, perfeito e representa muitas mulheres, inclusive nós =P. Paty, Orkut, Meninas Alvim – ago2006
62- Nossa… Até parece que ele nós observa o dia inteiro! Parabéns Ricardo, por ser um profundo conhecedor desta espécie que é tão oprimida, quanto forte… Quando se é selvagem, não a condições de ser de outro jeito! Lisbela, Recife-PE – set2006
63- Muito interessante este texto que vc nos presenteou sobre a mulher selvagem. Principlamente quando o ponto de vista de quem retrata é o homem natural e não o macho contemporâneo, mas´o espírito masculino que sabe enchergar e revelar a mulher selvagem que habita o arquétipo feminino de cada ser mulher. É sempre muito bom poder compartilhar desta troca, ver e ouvir o palpite de quem está do outro lado da margem, pois assim o espelho tem melhor plano de atuação, que é o de refletir e não absorver… Interessante, foi o que senti ao lê-lo e mais do que isto, na prática, hoje me ajudou a resgatar um pouco de tudo isso. Este lado intuitivo e espontãneo que habita em nós. me ajudou muito, literalmente. abs. Eliane, Orkut, Comunidade Ciclos Naturais do Feminino – out2006
64- Nossa… Amei este texto do início… Resgate total da essência… Jaqueline, Orkut, Comunidade Ciclos Naturais do Feminino – out/006
65- Parabéns! Vc conseguiu mostrar o lado selvagem de cada uma de nós mulheres, que é um lado tao importante; com tremenda sensibilidade e rico nos detalhes! Poxa, que homem!!!! Parabéns!!! Gledimar Magalhães Campos, Patos de Minas-MG – jan2007
66- Seu texto nos suga, ao mesmo tempo que nos revela, nos despe,nos mostra em nossa intimidade…poucos homens conseguem penetrar tão fundo na alma das mulheres…parabéns por tamanha sensibilidade. Sidiane Sobrinho, Macapá-AP – abr2007
67- Você estava mesmo muito inspirado quando escreveu A Mulher Selvagem. Tens talento!!! Postei a Mulher Selvagem no meu blog (http://analua.blog.terra.com.br/a_mulher_selvagem) pq quero que toda mulher que passar por lá reconheça a Mulher Selvagem dentro de si mesma.
Vou adorar receber tuas crônicas. Fabiane Ponte, Curitiba-PR – set2007
68- achei legal e interessante !!!! acrescentaria que a mulher é o complemento do homem e vice -versa portanto somos feitos de elementos diferentes, arquetipicamente somos terra a natureza que mantem preserva, cuida, o homem é o ativo ,a iniciativa , a força ,o grande barato é nos concientizarmos que Deus sabe das coisas, por isso passamos a vida inteira desvendando os seus sinais, pois só poderemos entender a sua mensagem quando nos desapegarmos dos conceitos, pré conceitos dos padrões limitantes e fragmentados Acredito que caminhamos bastante e estamos maduros para compreendermos que a reconciliação do femininoo e masculino a paz entre os diferentes e diversos pode ser alcançada, com amor inteligencia e sabedoria bjs. Suzel Maria, Brasília-DF – set2007
69- Ricardo… Vc tem tanta coisa que quando entro aqui nunca sei o que ler…. mas essa da mulher da selvagem, “la que sabe” a que habita em todas nós… parece que andou lendo “Mulheres que correm com lobos”… e claro que como um bom conhecedor de jung, deve ter intimidade com sua “anima”. Parabéns pelo seu trabalho. Bjo. Liz Tramujas, Curitiba-PR – set2007
70- Li ainda a pouco uma crônica sua, fiquei encantada, adorei: A Mulher Selvagem… juro que me vi ali descrita. Parabéns pela sensibilidade na percepção da alma feminina. Gostaria de cadastrar-me em seu blog e conhecer um pouco mais do seu trabalho. Ilde Nascimento, São Luís-MA – fev2009
71- Esse texto seu eu postei no meu blog em 2008, achei por acaso numa das minhas buscas pela net e fiquei completamente apaixonada pela sensibilidade com que você traduziu a alma feminina. Agora em 2010 resolvi rever meus posts e ir eliminando alguns e outros postando novamente no início do blog. E ai reencontrei o seu texto e mais uma vez me apaixonei perdidamente por ele… e então, resolvi postá-lo no inicio do blog em homenagem as mulheres. Vou colocar o seu Blog nos meus preferidos. Nossa foi muito bom eu ter transferido o seu texto para o início do meu blog pois só assim tive a hora de receber a sua visita e conhecer seu blog e seus lindos textos. Muito obrigada! Grande Beijo! Elaine, Niterói-RJ – mar2010
72– tenho várias amigas na mesma situação, com a mulher selvagem aflorada, e sem muitas opções sociais que aceitem ela do jeito que é…rsrsrs Como é bom conhecer pessoas que tenham a mesma compreensão, ou que somente tenham compreensão por nós mulheres…. Boa semana e boas invencionices… Bjs. Sirlei Moletta, Ponta Grossa-PR – mar2010
73- Ricardo, adoorei o texto: “A mulher selvagem” , me identifiquei muito com ele! Engraçadoo… Acabei descobrindo seu trabalho “por acaso” na net, e agora já sou sua fã! rsrs Cada dia que descubro alguma coisa dos seus trabalhos, acabo gostando ainda mais! Andréa Cristina, Natal-RN – set2010
74- Tem a alma livre e só se submete quando quer. Por isso escolhe seus parceiros entre os que cultuam a liberdade. E como os reconhece? Como toda loba, pelo cheiro, por isso é bom não abusar de perfumes. Como o Ricardo Kelmer pôde me descrever sem me conhecer? Nathalie Sterblitch, Resende-RJ – ago2011
75- Com ctz, a minha preferida! 😀 Sissi, Rio de Janeiro-RJ – set2011
76- Olha Ricardo, eu diria que é bem eu, viu… tem dias, diria vários dias, que nem eu mesma me entendo…. portanto inútil tentar me enquadrar, ou rotular disso ou daquilo. 😉 Rochelle Araujo, Fortaleza-CE – set2011
77- grrr. Elida Miranda, São Paulo-SP – set2011
78- É a crônica que mais gosto. É a que me apresenta… parte de mim está ali. MInha preferidíssima! chique demais. Beijos Kelmer e vá ai desvendando as almas femininas… Maria Sá Xavier, Niterói-RJ – set2011
79- Querido Ricardo sempre leio mulher selvagem fico em duvida , liberto ou não. rsrsrs. Ana Karine Oliveira, Fortaleza-CE – set2011
80- Depois de conhecer o autor que é Ricardo Kelmer através da oficina da Dalu e da Lenha na Semana da Comunicação… Virei fã, confesso! Como falar da mulher de forma tão digna assim? Só os melhores conseguem! Herlene Santos, Fortaleza-CE – set2011
81- Oi, sou sua admiradora desde uma vez que encontrei seu blog “por acaso” e cautivou-me o texto “A Mulher Selvagem”, por isso procurei você ontem no face e achei; meus parabéns pelo merecido sucesso que tem tido e por outras grandes realizações que certamente virão! D’nara Rocco, Montevidéu, Uruguai – nov2012
82- La mujer salvaje – Ricardo Kelmer Auuuuuuuuuuuu!!! Merikol Duarte, Rio de Janeiro-RJ – fev2014
83- Oi Ricardo, acabei de ler o seu texto, muito bom. Thais Akemi De Vito, São Paulo-SP – abr2014
84- ADOREIIIIIII… PRECISO ME SENTIR UM POUCO DESSA SELVAGEM… TÔ TRAVANDO LUTA… ME PINTANDO PRA GUERRA, COMO OS ÍNDIOS… SELVAGENS TB!!! MIL BJS QUERIDO… Caroline Correa Maia, Fortaleza-CE – mar2015
85- A todas as mulheres que conheço. Não deixem de ler. Feliz dia da Mulher. Renata Carmo Rocha, São Paulo-SP – mar2015
86- Nossa eh tudo isso mais um pouco. Flavia Martins,São Paulo-SP – mar2015
87- Arrasou. Renata Helena Soares, mar2015
88- PARA AS MINHAS AMIGAS SELVAGENS. Adriana Maris Santos – mar2015
89- Muito bom meu amigo Ricardo Kelmer!! Eu já tinha esse texto… Lais Rocha Montenegro, Fortaleza-CE – mar2015
90- Lindo esse texto! Leiam…. homens e mulheres…., Sandra Abreu Ferreira – abr2015
91- Assim mesmo, gosto de afagos…mas também arranho !!! Elis Torres, São Paulo-SP – abr2015
92- “E também dá arrepios: você tem a impressão que viu uma loba na espreita. Você se assusta, olha de novo… e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim. É a mulher selvagem.” Ca Cavalcanti – abr2015
93- Lua Cheia Oposição com Urano. Mulher Selvagem Total! Gloria Cristina Reis – abr2015
94- Adorei o texto!! Herika Maria Silva, São Paulo-SP – abr2015
95- UM POUCO SOBRE MIM…VANESSA ,O NOME JÁ DIZ TUDO… Maria Vanessa Silva de Azevedo, Fortaleza-CE – abr2015
96- Caetano já cantava: “uma tigresa de unhas negras, íris cor de mel…” #meidentifico. Dani Castro, Fortaleza-CE – abr2015
98- Bom diaaaaaa a todas as mulheres que às vezes se sentem assim… Meninas dos olhos de Deus!!! Tão meigas e ao mesmo tempo selvagens. Amei o texto. Andreyzia Luana Araújo – abr2015
113- Taí,pra quem não conhecia… Mas como alguns não tem paciência pra ler,estes continuarão sem conhecer…it’s me. Rsrsrs. Verônica Carneiro Vevé – abr2015
114- Como anda a sua…enjaulada? Cuidado, bicho preso adoece! Lindo texto! Erika Zanoni – abr2015
115- Namastê. Joseli Pereira – abr2015
116- achei a nossa cara !! Angela Machado, Rosário do Sul-RS – abr2015
117- Mulher selvagem. Taatiani Tati – abr2015
118- Texto lindo..vale muito à pena… Silvia Einhardt, Pelotas-RS – abr2015
119- Ser mulher não está no sexo feminino e sim na essência feminina.Bom dia!! Luciene Oliveira – abr2015
120- belo texto. Eliane da Cruz, Venâncio Aires-RS – abr2015
121- O texto pode ser grande, mas muito que me vi nele em vários trechos. De fácil e boa leitura. Marcella Azevedo, Rio de Janeiro-RJ – abr2015
122- Adorei o texto! Mulheres que fazem a diferença…. Claudia Severo – abr2015
124- Não abuse do perfume!!! Adorei o texto. Carla Lsp, Porto Alegre-RS – abr2015
125- Sou eu mesma! Keyla Maria Silva – abr2015
126- Muito eu obrigado!Lisia Vianna, Porto Alegre-RS – abr2015
127- Me senti lida. Cada palavra se encaixa perfeitamente em mim. Voltei a ser a loba, meu marido se assustou e disse que eu mudei, disse a ele que essa e’ realmente a mulher com a qual está casado. Ficou assustado, tentou se esquivar, mas cada dia que passa estamos mas ligados e o sinto mas feliz. Fatima Whendell, Rio das Ostras-RJ – fev2016
128- Que lindo….. confesso aqui que ate me emocionei😅😅tao representar de forma tao linda doce e selvagem misterio de ser mulher !!!!! Doro detalhes da vida e de cada ser e sim me descrevi entre idas e vindas de mim mesma 💕…obrigada pelo belo texto Ricardo Kelmer. Daniele Cruz, Taubaté-SP – fev2016
129- Se eu dia eu lesse minha alma, essas palavras a definiriam totalmente, ameiiiiiiiii. Anna Maria Vilar, Barcarena-PA – mai2016
130- Como não amar uma mente que escreve um texto desse!? Elu Muniz, São Paulo-SP – jun2016
131- Sem sombra de duvida minha descricao mais completa. Arrepiou. Priscila Bitencourt, Itapecerica da Serra-SP – jul2016
132- Adorei, muito raro um homem entender de alma femenina, parabéns! Bjos. Rosana Passos, Belém-PA – jul2016
133- Excelente texto, visionário e realista, com harmônia e propriedade. Gratidão por Ser, o sagrado masculino, O guardiã! Isadora Femy, Rio de Janeiro-RJ – jul2016
134- Uma pena que ninguém vai ler… Não vejo sentido em curtir algo por curtir… Eu só curto o que leio… por isso quase não curto nada… às vezes fixo em algo e fico pensando… refletindo… escrevendo… o que me impede de seguir curtindo pôsteres aleatoriamente… Amiga Fernanda Pieruccetti eu sei que você vai ler… o texto combina comigo… com você e com poucas outras que sabem o que essência… Marilene Garcia, Brasília-DF – jul2016
135- Compartilhei pela imagem. O texto parece interessante, mas muito extenso. Li até o terceiro parágrafo. São sete, afff!!! Conhece a história do não li e nem lerei! Então dessetipim, rsrsrs. Vania G de Rezende, Juiz de Fora-MG – jul2016
136- Uauuu!!! Esse entende de mulher rsrs….. Regiane Sousa, Manaus-AM – jul2016
137- Somos todas nos!!! Umas mais, umas nem tanto… Texto que resume a beleza de ser mulher… Ate chorei.. kkkkk. Re Franklin, Caiobá-PR – jul2016
138- Reconheci cada palavra deste texto bela descrição de mim ou de nós mulheres selvagens … Parabéns pelo seu texto amei. Flávia Pinheiro, Mogi das CRuzes-SP – nov2016
139- Tem muito de mim aí… Se eu fosse me descrever não seria tão bem. Angela Zelante Gathas, Santos-SP – dez2016
140- Como tu pode me conhecer tãooooo bem? Estou de boca aberta com essa descrição da minha alma! Incrível! Abigail Zagonel Passoni, Gramado-RS – fev2017
141- Descobri-me selvagem, quando conheci e li este texto. Gratidão sempre, Ricardo Kelmer! Valéria Borges, Campinas-SP – mar2017
142- Bom dia! Acabei de ler novamente um de seus textos: A mulher Selvagem. Obrigada por escreve-lo. Lê-lo, novamente, me fez sentir empoderada. Excelente dia à você! Janine Moreira, São João de Meriti-RJ – mar2022
Escritor, ateu, socialista, antifascista. Amante da arte, devoto do feminino, ébrio de blues. Fortaleza Esporte Clube. Fortaleza-CE.
Em meio a problemas no casamento, Téssio é transportado para o passado e lá encontra a si mesmo e a sua mulher Ariane, aos vinte anos de idade. Envolvidos numa conflituosa relação a três, eles precisarão lidar com novos e antigos sentimentos enquanto Téssio tenta retornar à sua vida oficial.
VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Um grupo de amigos que viveu na Dinamarca do sec. 14 se reencontra no sec. 20 no Brasil para salvar o mundo de malignas entidades do além. Resumo de filme? Não, aconteceu com o autor. Líder desse grupo aloprado, Kelmer largou uma banda de rock e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso, que depois renegou: Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá. As pitorescas histórias desse grupo são contadas com bom humor, entre reflexões sobre carreira literária, amores, sexo, crises existenciais, prostituição e drogas ilegais. Kelmer conta também sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.
PENSÃO DAS CRÔNICAS DADIVOSAS
Nesta seleção de textos, escritos entre 2007 e 2017, Ricardo Kelmer exercita seu ofício de cronista das coisas do mundo, ora com seu humor debochado, ora com sobriedade e apreensão, para comentar arte, literatura, comportamento, sexo, política, religião, ateísmo, futebol, gatos e, como não poderia deixar de ser, o feminino, essa grande paixão do autor, presente em boa parte desta obra.
INDECÊNCIAS PARA O FIM DE TARDE
Contos eróticos. As indecências destas histórias querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.
Agenda
2026
Lançamento do livro Fortaleza Prometida do Sol (abr)
Coordenação do estande de literatura cearense na Feira de Artesanato do Cantinho do Frango (mensal)
Coordenação da Confraria Literati (@confrarialiterati), divulgadora da cena literária cearense
O IRRESISTÍVEL CHARME DA INSANIDADE
Romance. Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal?
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GUIA DE SOBREVIVÊNCIA PARA O FIM DOS TEMPOS
Contos. O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba?
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PARA BELCHIOR COM AMOR
Organizada pelos escritores Ricardo Kelmer e Alan Mendonça, esta terceira edição foi enriquecida com ilustrações e novos autores, com mais contos, crônicas e cartas inspirados em canções de Belchior. O livro traz 24 textos de 23 autores cearenses, e conta com a participação especial da cantora Vannick Belchior, filha caçula do rapaz latino-americano de Sobral, que escreveu uma bela carta para seu pai.
Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.
Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens... Em cada um dos 36 contos e crônicas deste livro, encontramos o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.
Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado…