A dor de um gigante

04/03/2019

04mar2019

A DOR DE UM GIGANTE

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A permissão para Lula deixar a prisão e velar seu netinho é absolutamente legal. E deveria também ter sido concedida para ele ir ao velório de seu irmão, falecido anteriormente.

Os que protestam contra a permissão, como Eduardo Bolsonaro, estão movidos pelo ódio cego. E os tais “cidadãos de bem” que zombaram e celebraram a morte da criança, não apenas estão possuídos pelo ódio como também já perderam sua humanidade. É grotesco. É abominável.

Em pouco tempo, Lula perdeu a mulher, o irmão e o neto. Seu abatimento é compreensível. Porém, ele não descansa em sua luta para provar sua inocência e mostrar que a prisão teve motivação política. Lula poderia ter fugido do país e, no exílio, prosseguir sua luta, mas deixou-se ser preso, porque acredita em justiça. Quem faria isso, se não fosse digno e inocente?

Palavras de Lula, no velório: “O Arthur foi um menino que sofreu muito bullying na escola, porque era neto do Lula. Por isso, eu tenho um compromisso com você, Arthur, eu vou provar a minha inocência e quando eu for para o céu, eu vou levando o meu diploma de inocente. Vou provar quem é ladrão neste País e quem não é. Quem me condenou não pode olhar nos olhos dos netos como eu olhava para você”.

Estamos diante de um gigante. Seus inimigos percebem sua grandeza, e por esse motivo o temem tanto. Eles venceram e o sinal está fechado para o presidente do povo. Mas venceram trapaceando, e a história será dolorosa com eles, muito mais que a dor que agora infringem a Lula.

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Ricardo Kelmer 2019 – blogdokelmer.com

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OProtestoDaBabaNegra-02aO protesto da babá negra – Talvez ela saiba que quando um governo tem como objetivo a equidade social e a redistribuição da riqueza do país, automaticamente atrai o ódio das elites econômicas, que lutarão para manter seus privilégios

Sobre lutas, sonhos e a grande farsa – Para quem ainda não percebeu, é isso mesmo o que todos somos, meros atores no grande teatro da existência

Golpe de mestre à brasileira – O processo seria custoso e traumático, e provocaria séria desestabilização na democracia, mas melhor isso que suportar mais um governo de esquerda no Brasil

O socialista crucificado – Se esses cristãos vivessem naquela época, teriam batido panela contra o bandido Jesus e aplaudido sua crucificação

A foto repugnante e o sonho que não pode ser preso – A foto que resume a baixeza moral dos fascistas que querem a morte de Lula

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Nação Nordeste, capital Folia

29/01/2019

29jan2019

Simpatizar é resistir! – A nova música do Simpatizo Fácil

NAÇÃO NORDESTE, CAPITAL FOLIA

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Aquele beijo que tu me deste
Fez do meu coração, alegria
Cabrocha, cabrita, cabra da peste
Ai, eu me acabo em poesia
Nação Nordeste, capital Folia

Eu sou da terra maravilha
Onde o sol brilha em cada ser
O amor só quer uma chuvinha pra nascer

Nordestino eu sou
Mesmo na dor, não esqueço de rir
Sou do Nordeste, sou mais aqui
Simpatizar é resistir

> composição de Ricardo Kelmer e Alan Morais (2018)

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Ricardo Kelmer 2019 –
blogdokelmer.com

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> Simpatizo Fácil no Facebookfacebook.com/simpatizofacil

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CLIPE DE NAÇÃO NORDESTE, CAPITAL FOLIA
Arranjos: Os Transacionais. Imagens/montagem: Levy Mota
Estúdio Som do Mar, Fortaleza, jan2019

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NAÇÃO NORDESTE, CAPITAL FOLIA
Ao vivo, 12jan2019, no pré-carnaval do Simpatizo Fácil

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.No estúdio com Os Transacionais

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Os Transacionais no pré-carnaval do Simpatizo Fácil, jan2019

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Meu parceirim Alan Morais, coautor de “Nação Nordeste, capital Folia”

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Camisetas do Simpatizo Fácil 2019. Desenho: Elinaudo Barbosa

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Diretoria do Simpatizo Fácil
(Paulo Henrique Carvalho, Vânia Vieira e Ricardo Kelmer)

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SIMPATIZO FÁCIL
Voz: Liliany Sá. Arranjos: Fábio Amaral (Fortaleza, jan2018)
Composição de Ricardo Kelmer e Joaquim Ernesto

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SIMPATIZO FÁCIL (ao vivo)
Banda Frevo Alucinação, no Floresta Brasil (Fortaleza, fev2018)

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Resistindo com alegria – Ocupar os espaços da cidade é reconquistá-la para seus devidos donos: o povo

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A garota da lua nova

15/01/2019

15jan2019

A GAROTA DA LUA NOVA

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Quando deu por si, Tamara percebeu-se numa cama, deitada e nua. E tudo era uma escuridão só. As lembranças chegaram lentamente, confusas… o bar lotado, uma garota bonita dançando com ela, o convite para esticar a noite… as duas chegando ao prédio, tudo escuro pela falta de energia, ninguém na portaria… depois a escuridão do apartamento, a ansiedade das mãos e das bocas, a língua sinuosa entre suas pernas…

O súbito contato com um corpo ao lado fez Tamara estremecer, interrompendo suas lembranças. Um corpo de mulher, cabelos longos… Estava quieta. Parecia dormir profundamente. Pensou consigo: Caramba, Tamara, de novo você exagerou nas caipirinhas!

Levantou-se com cuidado, deu a volta na cama e alcançou a janela. Após abri-la, sentiu o vento frio da madrugada arrepiar-lhe a pele. A rua estava escura, pelo jeito a energia ainda não voltara. Procurou pela lua, em vão. Era lua nova. Viu a antena de tevê piscando ao longe e teve uma noção de onde se encontrava, um pouco longe de casa. Pela altura, deduziu que estava no quinto ou sexto andar daquele prédio.

Tamara pressionou o interruptor na parede, só para ter certeza, e a luz não se acendeu. Aproximou-se da mulher que dormia, o corpo nu atravessado na cama. Pelo pouco de luz que vinha da janela pôde ver que era uma garota, um pouco mais nova que ela, uns vinte e poucos. Feições suaves, cabelos negros muito longos, a pele clara. Tão linda e desejável… Não lembrava seu nome, mas tinha a impressão que começava com B. Obrigado por me trazer em tua casa, garota bonita…, falou baixinho, enquanto afagava-lhe o rosto e lembrava outra vez do que fizeram momentos antes naquela cama. Pousou um leve beijo sobre os lábios entreabertos e a garota mexeu-se um pouco, mas continuou dormindo, ressonando suavemente. Procurando por algo para cobri-la, por causa do frio, Tamara percebeu que estavam diretamente sobre o colchão, sem lençol. Melhor fechar a janela.

Após catar suas roupas pelo chão, vestiu-se e calçou os tênis. Tentou ver a hora no celular, mas a bateria havia descarregado. Talvez quatro ou cinco da manhã, calculou, hora de mulheres mal comportadas voltarem para casa, né, Tamara?… Então foi ao banheiro e da bolsa tirou um batom. Tateou até encontrar a pia, e logo acima, o espelho. E nele escreveu, letras vermelhas: “Adorei a noite!” Assinou seu nome e deixou o batom na pia, um presente para a garota bonita que tanto prazer lhe proporcionara.

Era uma quitinete pequena, constatou Tamara enquanto buscava a porta para sair. No caminho, esbarrou numa mesa e quase caiu. Por fim, abriu a porta, conferiu o número 513 com  a ponta dos dedos e desceu as escadas, o máximo de atenção para não cair. Na portaria, iluminada pela luz da lanterna que o porteiro empunhava, perguntou o endereço do prédio e chamou um táxi. Estava cansada, só queria sua cama e dormir.

No dia seguinte, nenhuma mulher desconhecida a adicionou nas redes sociais. Nem no outro dia. E nem depois. Tamara sentiu-se frustrada. No meio da aula, pegava-se lembrando dos detalhes da noite. Em sua cama, naqueles instantes que precedem o adormecer, era a imagem dela que flutuava à sua frente, bela e delicada, chamando-a…

Com uma semana, Tamara não aguentou mais. Precisava rever a garota, saber quem era ela. Desejava novamente seus beijos, o cheiro gostoso de sua pele. Ansiava por saber do que gostava de fazer, além, é claro, de seduzir mulheres bêbadas pelos bares. Então, voltou ao prédio.

É onde ela está. Exatamente agora. Na portaria do prédio onde esteve uma semana antes. São cinco e meia da tarde de uma sexta-feira. Ela repara que o porteiro é o mesmo da outra noite.

– Por favor, avisa no 513 que Tamara está aqui.

O porteiro, ocupado com uma senhora que reclama de um vazamento, apenas estende a mão e lhe entrega uma chave. Tamara fica olhando para ele, sem entender.

– Pode subir, moça – ele diz, apontando o elevador.

Tamara caminha até o elevador. Será que a garota a viu chegando da janela e avisou ao porteiro? Se foi isso, então já tô apaixonada.., diz para si mesma, sorrindo e ajeitando o cabelo no espelho do elevador.

Ela mete a chave na fechadura, gira e abre a porta. Agora, à luz do dia, percebe que o apartamento é um vão mobiliado apenas com uma mesa pequena, duas cadeiras, uma cama de casal e um guarda-roupa. Na cozinha ao lado, ou no espaço que poderia ser a cozinha, nem geladeira, nem fogão.

– Alôôô… – ela fala, anunciando-se. Mas ninguém responde. Num primeiro momento, pensa que errou de apartamento. Mas não, é esse mesmo, quinto andar, fim do corredor à esquerda. – Cadê você, garota misteriosa? – ela pergunta num tom infantil, talvez a garota esteja fazendo uma brincadeira com ela. E novamente o silêncio é a resposta.

Que estranho, Tamara pensa enquanto observa que no apartamento não há nada pessoal, nenhum objeto, nenhuma foto. No banheiro, nenhuma toalha, nada. No guarda-roupa, apenas cabides pendurados, nenhuma roupa. Na cama, somente o colchão, sem lençol. Como se ninguém vivesse ali. Ela abre a janela e reconhece a paisagem de prédios ao redor, a mesma que observara naquela noite uma semana antes.

Neste momento, escuta algo e sai para ver. No início do corredor, ela vê a porta entreaberta de um apartamento. De lá alguém a observa, o rosto meio escondido pela porta. Parece ser uma garota.

– Por favor, você conhece a moça que mora…

Mas a porta se fecha e ela fica sem resposta. Povo desconfiado…, pensa Tamara. Um minuto depois está novamente no térreo.

– Por favor, como se chama a dona do 513? – pergunta ao porteiro.

– Não é dona, é dono. Seo Laurindo.

– E a garota que mora lá?

– Lá não mora ninguém, moça. Seo Laurindo botou pra alugar faz seis meses.

– Seis meses? O senhor tem certeza?

– Sim. Mas ainda não alugou.

– Mas… não pode ser… – ela murmura, confusa. – Semana passada eu vim aqui. Estava faltando energia, o senhor me viu sair, tá lembrado?

O porteiro olha para ela com atenção.

– Ah, agora reconheci. Pediu um táxi, não foi?

– Sim, e eu cheguei com uma garota. Achei que ela morasse lá no 513.

O homem franze a testa. Agora parece bastante curioso.

– Olhe, moça, aquele apartamento tá vazio faz um ano. Quem morava lá era dona Brenda.

– Brenda? Como ela é?

O porteiro interrompe a conversa para atender o carteiro que chega com correspondências. Tamara aguarda, impaciente, que o homem vá embora.

– Ela é branquinha, cabelo preto grandão, aqui na cintura? – Tamara insiste. – Mais nova que eu?

– Sim, mas…

Ele não continua. Olha para Tamara, observando-a atentamente, como se procurasse entender o que podia haver por trás daquelas perguntas todas.

– Dona Brenda morreu faz um ano.

Tamara acha que ouviu errado. Só pode ter ouvido errado.

– Morreu?

– Acidente de carro.

– Mas…

– Por isso o pai dela alugou o apartamento.

Tamara tenta organizar as ideias, mas nada daquilo faz sentido. O prédio era o mesmo, o apartamento também, o mesmo porteiro, e ele a reconhecera. Não estava ficando louca. Estivera ali na semana anterior, sim. E transara com uma garota, naquela cama de casal, a cama sem lençol…

– Tá tudo bem, moça?

– Ahn… mais ou menos… – ela balbucia enquanto procura o celular na bolsa para chamar um táxi. Mas não encontra. – Esqueci o celular no apartamento. Vou lá pegar, é rapidinho.

Novamente o elevador, subindo até o quinto. Novamente o corredor, o apartamento do fim à esquerda. Mas dessa vez Tamara está com medo. Não sabe se conseguirá ir até lá. Morta? Como assim, morta? E se o porteiro estiver brincando com ela? E se tudo aquilo for uma pegadinha de mau gosto? E se, na verdade, naquela noite chegou ali sozinha, deitou-se na cama e sonhou que havia uma garota com ela? Não, claro que não, como teria conseguido a chave para entrar?

Durante um eterno minuto ela experimenta todas as explicações possíveis, mas nada faz sentido. Tudo que sabe nesse momento é que precisa ir lá e pegar seu celular. Então enche-se de coragem e caminha o mais firme que pode em direção ao 513.

Abre a porta devagar. Aguarda um pouco. O silêncio do apartamento parece envolvê-la num abraço opressor. Lá está ele, o celular, sobre o colchão da cama. Ela caminha até lá, pisando com cuidado, devagar, atenta a tudo. A imagem da garota deitada na cama não lhe sai da mente. Morta? Um ano antes?

Tamara apanha o aparelho. Suas mãos tremem, e o celular escapole, quase cai no chão. Nunca mais entrará naquele prédio outra vez. Nunca mais passará nem em frente. Ela se vira para sair, mas… ao lado, o banheiro, a porta aberta… Ela se sente atraída. Precisa ir lá. Então, entra no banheiro, olha o box, a cortina de plástico transparente. Do outro lado, a pia, o espelho… Ela evita olhar para o espelho. Mas a curiosidade é maior. Ela olha. E o que vê é o seu rosto refletido, o olhar nervoso, mas isso dura apenas um segundo, pois imediatamente percebe… algo escrito na superfície do espelho…

Tamara se aproxima para ler. Entre ela e a imagem refletida de seu rosto, uma frase, em letras vermelhas. Mas não é a frase que escreveu na outra noite. É outra frase: “Também adorei, Tamara. Te espero na lua nova.”

Dentro da pia, ela reconhece, imobilizada de pavor: o batom. O seu batom.

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Ricardo Kelmer 2016 – blogdokelmer.com

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Trilha sonora do conto A Garota da Lua Nova

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Este conto foi originalmente escrito para o livro Penas, Fluidos e Bisturis, organizado por Rogério Bessa Gonçalves. A obra contém contos e poemas criados a partir de desenhos de Rogério. Eis o desenho no qual foi inspirado o conto A Garota da Lua Nova:

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DICA DE LIVRO

Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos
Ricardo Kelmer – contos
Fantástico, terror, ficção científica

O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba? Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, as pessoas são surpreendidas por acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmas e deflagram crises tão intensas que viram uma questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses coletivos e pessoais.

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NoOlhoDaLoucura-01aNo olho da loucura – Ela está lá, insubornável feito um guardião de mistérios ancestrais, e zomba da nossa compreensão do mundo… E nada pode haver de mais perturbador

Cristal – Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

Minha noite com a Jurema – Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

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Jesus e a pecadora do pé de goiaba

13/12/2018
12dez2018

da série bíblica Encontros Silvestres e Sagrados

JESUS E A PECADORA DO PÉ DE GOIABA

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Eis que naquela tarde, a caminho de Cafarnaum, Jesus passou embaixo de um pé de goiaba e viu uma mulher lá em cima.

‒ Ei, mulher, o que tu tá fazendo trepada aí nesse pé de goiaba?

‒ Senhor Jesus!!! Não acredito!

‒ Eu mesmo. Em chaga e osso.

‒ Senhor, o Senhor é tão lindo…

‒ Te orienta, doidinha. É pecado imaginar conjunções carnais com o Filho do Homem.

‒ Eu vim me matar, Senhor.

‒ Nenhum motivo justifica tirar a vida que o bondoso Pai Celestial nos deu. Principalmente trepada num pé de goiaba.

‒ É que eu descobri algo terrível, Senhor. Eu sou a cara da Regina Duarte misturada com a Janaína Paschoal.

‒ Hummm…. De fato, é um bom motivo.

‒ O Senhor é tão lindo…

‒ Como é teu nome, pecadora?

‒ Damares, Senhor.

‒ Eu perguntei o nome, não o apelido.

‒ É Damares mesmo, Senhor.

‒ O caso é grave. Pera que eu vou subir aí.

‒ Não! O Senhor não sabe trepar em pé de goiaba!

‒ Que sabes tu das minhas capacidades trepadeiras, ô atordoada?

‒ Tenho medo do Senhor se machucar, já lhe machucaram tanto na cruz…

‒ Criatura, tu tá duvidando dos meus poderes? Por acaso não lestes na Bíblia que eu amaldiçoei uma figueira e a desgraçada nunca mais deu frutos? Se eu quiser, faço esse pé de goiaba dar açaí com granola.

‒ Açaí, Senhor?

‒ Muito mais lucrativo. Já viu o tanto de loja de açaí que tem por aí? Só perde pra farmácia. Aliás, lá em Fortaleza fizeram uma de três andares, parece uma igreja, é o fim do mundo.

‒ O Senhor vai subir de chinelo?

‒ De chinelo é fácil. Difícil é subir com essa túnica. Se minhas partes ficarem à mostra, tu olha pro outro lado, viu?

‒ Não posso garantir, Senhor…

‒ Pronto, cheguei. Afasta mais pra lá, pecadora.

‒ Senhor, e se o galho não aguentar?

‒ Mizifia vai rebentar a buzanfa no chão.

‒ E o Senhor?

‒ Eu saio voando, besta.

‒ Ó, Senhor, me leva com o Senhor pelos céus…

‒ Tu só pode ter fumado maconha estragada. Bora logo resolver essa parada, antes que algum apóstolo passe e me veja aqui do teu lado, ai, que vergonha.

‒ O Senhor é solteiro?

‒ Isso não vem ao caso. Promete que nunca mais vai tentar se matar?

‒ Prometo, Senhor.

‒ Ótimo. Agora, reze duzentos Pai Nosso.

‒ Misericórdia, Senhor.

‒ E quinhentas Ave Maria.

‒ Mas eu sou evangélica, Senhor.

‒ Então, mil Ave Maria. E só desce quando terminar.

‒ O que o Senhor vai fazer depois daqui, Senhor?

‒ Por acaso é da tua conta? Ah, mais uma coisa. Tu votou em quem?

‒ Bolsonaro, Senhor.

‒ Aumenta pra cinco mil Pai Nosso e dez mil Ave Maria. Pendurada de cabeça pra baixo.

‒ Senhor…

‒ O que é agora?

‒ Posso lhe pedir uma coisa, Senhor?

‒ Pede logo que tem um bicho da goiaba se aproximando e eu tenho pavor dessas coisas gosmentas da criação. Que nem tu.

‒ Senhor, meu sonho é ser ministra.

‒ Oi?

‒ Sim, Senhor. Do Ministério dos Direitos Humanos, da Mulher e da Família.

‒ Tu tá brincando…

‒ Falo sério, Senhor.

‒ Tô passado em Cristo.

‒ O Brasil precisa de mim, Senhor.

‒ Isso é impossível, criatura sem noção. Tu não tem um pingo do perfil necessário para o cargo.

‒ Mas, Senhor, para o Senhor, nada é impossível.

‒ Com exceção disso. Faz outro pedido, coisa gosmenta. E não precisa falar Senhor em todas as frases, que mania horrível.

‒ Bem… então…

‒ Não prefere ser motorista do Bolsonaro? Ganha bem mais.

‒ Eu quero arrumar um varão.

‒ Um varão?

‒ Bonito, alto, sensual…

‒ Deixa eu ver…

‒ … que nem o Senhor…

‒ Hummm…

‒ … temente a Deus, fogoso… só pra mim.

‒ Como é mesmo o nome?

‒ O nome do varão?

‒ Não. Do Ministério que tu quer.

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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VEJA O VÍDEO do depoimento da pastora Damares:

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Entrevistando o candidato 01

Entrevistando o candidato – Na entrevista, o candidato deverá responder a perguntas feitas pelo povo. Como se sairá?

Segredos de família – O pai descobriu um terrível segredo de seu filho. E agora, o que pode acontecer com sua carreira política?

O Brazil da nova era – Orange Business, Comando Ustra, Brazil com Z… É a nova era chegando

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A boa literatura nem sempre está nas livrarias

19/11/2018

A BOA LITERATURA NEM SEMPRE ESTÁ NAS LIVRARIAS

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Ontem, em São Paulo, aconteceu uma coisa tão incrível, que se algum vidente houvesse previsto, eu diria que ele devia mudar de profissão, senão ia morrer de fome.

Foi na entrega do Prêmio Jabuti 2018, a mais importante premiação da literatura brasileira. Concorriam 10 livros em cada uma das 18 categorias. Gente famosa, como Jô Soares, Fernanda Torres e Drauzio Varella, e ilustres desconhecidos. Os primeiros colocados de cada categoria ganham, além da estatueta, R$ 5 mil em dinheiro. Não é muita grana, mas o que vale mesmo é o reconhecimento e as portas que se abrem. No entanto, há o prêmio Livro do Ano, cujo vencedor recebe R$ 100 mil. Aí, sim.

Sabe quem venceu na categoria Poesia? Foi um cearense de Varjota, Mailson Furtado, com o livro “à cidade”, que ele mesmo editou e publicou, pagando a modesta tiragem de trezentos exemplares do próprio bolso. Uma obra independente, sem vínculo com qualquer editora. Mailson concorreu com autores de grandes, médias e pequenas editoras, e até com outro autor cearense, Íris Cavalcante, que concorreu com o livro “Vento do oitavo andar”, publicado pela Premius Editora, mas, provavelmente, custeado também pela própria autora. Dois autores cearenses finalistas do prêmio Jabuti, que pagaram para publicar seus livros. É algo que merece comemoração.

Mas peraí que ainda não terminou. Sabe que livro foi escolhido o Livro do Ano, entre os vencedores das categorias? Adivinha… Exatamente, o livro de Mailson, “à cidade”. Uau, isso é realmente muito incrível! Um jovem autor de 27 anos, desconhecido do grande público, do interior do Ceará, que publicou seu livro fora do circuito comercial das editoras, que recebeu muitos nãos, que não tem seu livro nas estantes das livrarias do país…

O feito de Mailson entra para a história da literatura brasileira. E serve de incentivo aos autores que vivem de receber negativas e de mendigar um espacinho na mídia para divulgar seu trabalho. Neste momento, as editoras que não aceitaram publicar o livro de Mailson devem estar muito surpresas e arrependidas. Que sirva de lição.

Parabéns, Mailson e Íris, estamos orgulhosos de vocês. E parabéns a todos os autores que, mesmo com as zilhões de dificuldades, mesmo convivendo diariamente com o descaso e todos os nãos, persistem no caminho de sua arte. E a você, que me lê agora, fique atento: os melhores livros podem não estar nas livrarias. Às vezes eles nos chegam de surpresa, na rua, nos bares, naquele sebo escondidinho, num estande de feira no mercado…

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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Lugar de literatura é solta pela cidade – Com esses livretos, consigo que minha arte frequente as mesas dos bares, integrando-se à dinâmica boêmia da cidade e atraindo novos leitores

O dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Pesadelos do além – O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Kelmer no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

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A profecia do Centenário

11/11/2018

11nov2018

A PROFECIA DO CENTENÁRIO

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Outubro de 2016. Na Arena Castelão, 64 mil pessoas presenciam o empate entre Fortaleza e Juventude. Mais uma vez, o tricolor cearense falha nas quartas-de final e não se classifica entre os quatro primeiros. Como nos anos anteriores, de nada adiantou fazer a melhor campanha da competição: o Leão permanecerá pelo oitavo ano no inferno da Série C, um pesadelo inimaginável para sua imensa torcida. No bar Alpendre, em Fortaleza, diante da tevê, eu e meus amigos tricolores choramos o fracasso, devastados.

Foi nesse instante, no auge da angústia, buscando qualquer coisa que pudesse nos aliviar um pouco, que falei, forçando alguma solenidade na voz fraquejante: Amigos tricolores, vou lançar uma profecia! Falei e esperei que alguém olhasse para mim, mas ninguém olhou. Um mexia no celular, outro tomava um gole de cerveja, outro tinha o olhar perdido para além dos carros que passavam na rua. Prossegui: Daqui a dois anos, no ano do Centenário… estaremos festejando o acesso à Série A.

Falei e novamente esperei. Um amigo esboçou um sorrisinho. Outro ergueu de leve a sobrancelha, mas só isso mesmo.

Profecia superotimista. Para cumpri-la, o Fortaleza teria que no ano seguinte se classificar para a Série B, e no ano seguinte precisaria subir para a Série A, um feito raro na história do campeonato brasileiro. Bem, agora a profecia estava criada, feita da mais pura esperança em dias melhores. E fiz questão de repeti-la, propondo um brinde. Um amigo ergueu seu copo e brindou, sem ânimo. Bem, se naquele momento difícil eles não tinham forças sequer para se permitirem um pouco de confiança, eu, que criara a profecia, tinha a obrigação moral de nela crer, afinal, só é profecia se acreditam nela.

Outubro de 2017. O Fortaleza finalmente consegue escapar do pesadelo, e é vice-campeão da Série C, com um time limitado, mas muito aguerrido, como manda a tradição de suas camisas.

Novembro de 2018. A diretoria apostou todas as fichas na força simbólica dos 100 anos, investiu alto com o técnico Rogério Ceni, reestruturou vários setores do clube e foi montado um ótimo time. E o resultado é que hoje, 3 de novembro, o Fortaleza, com a vitória por 2×1 sobre o Atlético Goianiense, em Goiânia, faltando ainda quatro rodadas para o fim do campeonato, acaba de garantir o acesso à Série A de 2019. Profecia cumprida! E pode até ser campeão brasileiro, detalhe importante que a previsão não contemplou. Falha do profeta.

Série A 2019, dá licença. O Leão está chegando outra vez.

PS: Fábio, Valdo, Henrique, Drawlio, Américo e Marcinha eram os amigos tricolores presentes no nascimento da profecia.

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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A mística daquelas camisas – Eu, ainda menino, sem entender bem o que acontecia, já estava preso, para a vida inteira, à tal mística daquelas camisas

O improvável, o impossível e o inacreditável – Numa hora dessa, como ainda ter forças pra superar um rival que virou o jogo no fim com um jogador a menos, que já conseguiu o impossível?

FutebolArtigoFeminino-01

Futebol artigo feminino – Cá pra nós, já reparou como brasileira fica ainda mais linda em dia de jogo da seleção?

O menino e o feminino misterioso – Esse instante numinoso em que o Feminino Sagrado mostrou-se pra mim, sob a meia-luz de seu imenso mistério

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

Discutindo a Copa e a relação – Se você deseja minimizar os efeitos sobre sua relação, é bom saber algumas coisas sobre essa rival invencível

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elalivro10

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O tempo do horror

29/10/2018

O TEMPO DO HORROR

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Vestidos de patriotismo
Seguindo seu deus vingativo
Eles rastejam dos escuros porões
Onde escondiam os ódios e preconceitos
E nos atacam 
Por pensarmos diferente

Atiçados pelo odor de morte
Que a boca de seu messias exala
Eles hasteiam suásticas
E armam as crianças
E nos torturam, e nos executam
Em nome da família brasileira

Eu queria que fosse um pesadelo
Mas é real…

Ouçam as salvas de canhões:
O horror é um tempo que se anuncia
Sem flores nem poesia
Banhado em nosso sangue
No horizonte do Brasil

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Ricardo Kelmer 2018 – blogdokelmer.com

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O menino que não sabia odiar – Ele fez um gesto com a mão, imitando um revólver, e disse: Faz de conta que tu é o PT, tia, e eu vou te matar

Eu, a democracia e o ódio dos meus pais –  Infelizmente, meus pais foram também seduzidos pelas ideias nazifascistas e propagam esse perigoso discurso feito de ódio, moralismo e paranoias

O protesto da babá negra – Talvez ela saiba que quando um governo tem como objetivo a equidade social e a redistribuição da riqueza do país, automaticamente atrai o ódio das elites econômicas, que lutarão para manter seus privilégios

Sobre lutas, sonhos e a grande farsa – Para quem ainda não percebeu, é isso mesmo o que todos somos, meros atores no grande teatro da existência

Golpe de mestre à brasileira – O processo seria custoso e traumático, e provocaria séria desestabilização na democracia, mas melhor isso que suportar mais um governo de esquerda no Brasil

O socialista crucificado – Se esses cristãos vivessem naquela época, teriam batido panela contra o bandido Jesus e aplaudido sua crucificação

A foto repugnante e o sonho que não pode ser preso – A foto que resume a baixeza moral dos fascistas que querem a morte de Lula


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