Iassim vamos – Paulete, ai, Paulete

10/06/2009

Ricardo Kelmer 2009

Em três anos de São Paulo, somente agora começo a me sentir fazendo parte da cidade.

EleLetraCaminha-01Um mês. Um mês que voltei a São Paulo após a temporada nordestina de 9 meses. Os primeiros dias não foram fáceis, eu era o Homem Sem: sem quarto pra dormir, sem computador, sem internet e sem poder ligar no celular pois deu um problema com minha conta da Claro. Um mês sem poder trabalhar normalmente, me virando em lan houses e me irritando com os orelhões quebrados.

Agora as coisas estão se ajeitando. Comprei um noutibuk Acer e instalei um 3G da Oi, resolvi o problema do celular e tô no quarto que aluguei no bairro do Sumaré, a 10 minutos de caminhada do metrô. Morando aqui, finalmente tô pertinho das livrarias, cinemas, teatros e bares, como eu queria estar.

Putz, em três anos de São Paulo, somente agora começo a me sentir fazendo parte da cidade. Tomara que ela também queira fazer parte de mim. Será que quer?

Corta pra cozinha de um pequeno apartamento. Pela área de serviço ouve-se o som do trânsito lá fora. Paulete prepara um capuccino – só de calcinha. RK, sentado à mesa, em sua tradicional estampa matinal (despenteado e horrendo), aguarda a resposta, será que quer? Em algum lugar toca um blues.

– Claro que quero, seu bobo. Quero fazer parte de você e de todo escritor maluco que vem pra mim.

– E nessa cabecinha liberal aí não rola nem um ciuminho de Fortaleza?

– Não como ela tem de mim.

– Você realmente não se incomoda de me dividir com outras?

– Eu não. Você sempre volta pras minhas esquinas.

– Convencida.

– Na verdade tô é curiosa pra saber o que a loirinha desmiolada de sol tanto vê em você.

– Deve ser o meu jeitinho de dizer eu te amo…

– Que lindo!

– … enquanto tô dentro do rabo dela.

– Seu pornográfico. Também quero.

– Se der tempo…

– Como assim?

– A grana que tenho só dá pra três meses.

– Faz três anos que tua grana só dá pra três meses.

– É verdade…

– Vou te contar um segredo. Ontem eu fui na cigana. E ela me disse que você vai se apaixonar por mim.

– Sério? E o que você fará pra isso acontecer?ElaCidade-01a

– Vou te dar a vida que você pediu: literatura, música, cinema, teatro, bares aconchegantes…

– Demorou, né?

– Vou te arrumar uma boa editora e muita palestra pra você fazer.

– Jura?

– E uma namorada linda e indecente, que vai adorar ver os gols da rodada contigo embaixo do edredom.

– Ai, Paulete, assim eu me apaixono…

– Com açúcar ou adoçante?

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Meu futuro de popistar cristão

20/05/2009

20mai2009

Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

MEU FUTURO DE POPISTAR CRISTÃO

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Vendo esses cantores e essas bandas cristãs lotando shows e vendendo zilhões sagrados de discos, lembrei que, por um desses carrapichos do destino, eu também quase enveredei por essa rota. É sério, juro por todos os deuses.

Foi na adolescência, em Fortaleza, quando eu participava de grupos de jovens católicos. Sim, eu fiz isso. Meu interesse pela religião e meu fervor místico eram genuínos, e naquela época tentei conciliá-los com minhas vocações artísticas. Após as reuniões do grupo, por exemplo, fazíamos rodas de violão e eu encenava esquetes de humor para os colegas. Já era metido a engraçadinho naquela época.

Depois, tive a ideia de montar um jornalzinho do grupo e pedi ao pároco, o saudoso monsenhor Amarílio, que financiasse. Ele topou, mas não gostou muito do nome que eu escolhera para o jornal: Sovaco de Cobra. Para você ver como sempre fui sem-noção. Então, monsenhor Amarílio sugeriu, com muito jeito, que eu deveria escolher outro nome. Mudei, a contragosto, para um nominho mais careta: O Mensageiro. O jornal chegou a ter quinhentos exemplares mensais, impressos em mimeógrafo, e era uma ótima maneira de divulgar as atividades do grupo e atrair outros jovens.

Mais tarde, empolgado com as músicas cristãs que cantávamos nas missas e reuniões, tive a ideia de montar uma banda com meu chapa no grupo, o Jaqueta, e vibrava só de imaginar a banda se apresentando na missa e nos encontros, o público acompanhando… E as tietes, claro. Sim, mesmo sendo cristão, eu nunca deixei de ser um tarado véi seboso.

Paralelamente aos meus interesses pessoais, eu realmente via a música como um excelente canal de aproximação entre a paróquia e a comunidade, principalmente os mais jovens. Dessa vez, porém, o pároco não gostou da ideia e vetou, aquilo já era muita modernice demais. E assim, em 1983, minha sagrada carreira de popistar cristão acabou antes mesmo de começar.

O que teria acontecido caso o monsenhor aprovasse a ideia? Talvez hoje eu ainda fosse cristão. Talvez, em vez de escritor de sacanagem, eu hoje fosse um cantor de Deus, já pensou? Kelmer de Arimateia, quitals? Evidente que eu não seria um cantor caretinha, aí também é querer demais. Kelmer de Arimateia faria um estilo mais assim tipo maluco do Senhor, paz e amor, podiscrer. E meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas. E o vinho seria liberado para todo mundo, é claro. E tocaríamos no meio do mato, sob a lua cheia, as Noviças Viçosas saltitando descalças ao redor da fogueira e distribuindo uvas de boca em boca e…

Humm… Pensando melhor, monsenhor Amarílio, o senhor fez bem em vetar.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

Bar do Araújo é a salvação – Espremido entre duas igrejas, o Bar do Araújo é a última resistência dos ateus. E do bom humor

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu. O que pode sair desse mato?

O armário dos ateus – Os dados da ONU e a pesquisa de Phil Zuckerman desmentem uma velha crença dos teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará para a criminalidade e infelicidade geral

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01- Pecador dos Inferno ! Rsrs. Mario Wilson Costa Filho, Fortaleza-CE – jun2013

02- Adoooooroo! Saudade vc! Juliana Melo, Fortaleza-CE – jun2013

03- Pense num menino Prodígio…È Ele, Ricardo Kelmer: Meu Muso ,esse menino Lindo que eu conheci quando Inventaram o Telex, mas pelo jeito, o Tempo só melhorou a Categoria dele, cada vez melhor..Belo Caráter e meu amigo querido! Claudia Bahia, Fortaleza-CE – abr2014

04- Eu o conheci no grupo de jovens da paroquia da paz. Ele nessa época se chamava “Kelmo”, mas ja se destacava do resto da turma por sua inteligência e pelas suas habilidades artisticas. Ele merece todo sucesso do mundo. Luciana Loreau, Youghal-Irlanda – abr2014

05- Ricardo, eu acho que seria uma experiência inesquecivel pra mim assistir um show “no meio do mato, sob a lua cheia, as Noviças Viçosas saltitando descalças ao redor da fogueira e distribuindo uvas de boca em boca”. Mas foi vetado, fazer o quê, né? kkk. Vou ficar torcendo para que um dia um outro popistar- cristao o faça… Luciana Loreau, Youghal-Irlanda – abr2014

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A sociedade feladaputa de Geraldo Luz

11/05/2009

11mai2009

Crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis

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A SOCIEDADE FELADAPUTA DE GERALDO LUZ

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Como definir o som de Geraldo Luz? Taí uma missão tenebrosa. A coisa mais razoável que consigo pensar é uma fusão antibiológica de Raul Seixas com Augusto dos Anjos e Tiririca. Genial, brega, bizarro, profundo e hilário. Ou seja: indefinível.

Suas músicas são baladas de melodias simplórias, conduzidas por uma inacreditável verborragia que mistura crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis. Entendeu? Poizé. Você não sabe se o cara é um grande libertário culto e inconformista falando altamente sério, se ele é apenas um ingênuo bem intencionado, se ele tá é gozando com a cara de todo mundo ou se o cara é louco mesmo.

E aquela capa do disco, o que é aquilo? Uma cruz num morrinho e pregado nela o Geraldo Luz, só de fraldinha e sangrando, aquela barrigona e o bigodinho, todo o jeitão de dono de bodega de periferia. E o título: Decadence Express. Entendeu?

Uma música começa com o Pai-Nosso. Noutra música ele diz que só nos resta a droga e prega que o suicídio ainda é a melhor solução. Uau… Noutra ele diz que tem um certo desprezo pelas mulheres e explica: É que sou totalmente terceiro sexo. Entendeu? Mas, no fim, a que fica na cabeça da gente é o refrão de Animalismo Mercantil, putz, como faz bem pra alma cantar aquela parte que diz: Que sociedade mais fela-da-puta…

Sei pouco sobre a pessoa de Geraldo Luz. Morava em Fortaleza nos anos 1990 e parece que foi policial rodoviário. Parece também que era chegado nos submundos da noite e que morreu em circunstâncias estranhas, uma briga, uma confusão, algo assim. Acho que o pessoal do estúdio em que ele gravou o disco poderia dar mais informações. Ou o baixista Haroldo Araújo, que fez milagre arranjando as músicas.

Seja quem realmente for Geraldo Luz, não dá mesmo pra discordar dele: Que sociedade mais fela-da-puta, que falsa moral, que moral mais escrota…
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Geraldo Luz – Animalismo mercantil

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Geraldo Luz – A droga

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Geraldo Luz – Eu

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Geraldo Luz – A máquina do Estado

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Baixe o disco Decadence Express (37 mb)

Minhas faixas prediletas pra você baixar:
Animalismo mercantilA droga
EuA máquina do estado

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LEIA NESTE BLOG

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

A volta da Intocáveis – Oh não! – Um show com os restos mortais da Intocáveis Putz Band

Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

Odair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo brega pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra

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TRILHA DA VIDA LOCA
Trechos do show. Com Ricardo Kelmer e Felipe Breier

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COMENTÁRIOS
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01- Eu morri de rir!! Muito bom! kkkkk. Vânia Vieira, Fortaleza-CE – dez2010

02- prazer, geraldo! Shirlene Holanda, São Paulo-SP – fev2015

03- Ouvi dizer que ele tinha falecido. É verdade??? Airton Montezuma, Fortaleza-CE – fev2015

04- Guarde esse cd que acho que ele é bem raro! Alexandre Domene Ortiz, Fortaleza-CE – fev2015

05- Outra maneira de ouvir Geraldo Luz é na minha casa! Luce Galvão, Fortaleza-CE – fev2015

06- Lembro disso. Ganhei esse disco, não lembro quando nem como ele veio parar na minha mão. Alguém me deu, talvez ele mesmo, o estrambótico Geraldo Luz. Antonio Martins, Maceió-AL – fev2015

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A diversidade sexual pede passagem

04/05/2009

04mai2009

A luta pela legitimação da diversidade sexual como característica humana não é mais apenas uma luta de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros

A DIVERSIDADE SEXUAL PEDE PASSAGEM

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Somos todos humanos, eu, você, os outros. Somos todos Homo sapiens. No entanto somos diversos, você, eu e todos os outros, pois temos nossas culturas, religiões e histórias pessoais diferentes, o corpo, a cor da pele, a língua, o modo de entender a vida… Não há dois humanos exatamente iguais. E jamais houve. Você já pensou nisso?

A diversidade é uma de nossas maiores riquezas. Foi ela que possibilitou à espécie experimentar-se de infinitas formas pela longa e difícil jornada da evolução. A diversidade biológica-cultural, ao contrário das teorias que defendem pureza racial e coisas do tipo, é que pode nos oferecer melhores possibilidades de aperfeiçoamento. Se obedecêssemos todos, automaticamente, a um só modo de ser e compreender a vida, nossos horizontes evolutivos seriam bem mais limitados.

E na área da sexualidade? Sexualmente também somos diversos. Pode soar exagerado mas, pense bem: é impossível haver dois seres humanos exatamente com a mesma sexualidade, a mesmíssima forma de viver as relações pessoais e o desejo sexual. Existem humanos homens e humanos mulheres – mas quando o assunto é sexualidade, as possibilidades que se formam a partir daí são tantas que não daria para catalogar com exatidão todas as variantes da sexualidade humana.

A maioria das sociedades atuais, porém, rejeita a natureza diversa da sexualidade de nossa espécie. Aliás, elas não só rejeitam como estabelecem um padrão de normalidade e punem quem não o obedece. Foi assim, tentando padronizar artificialmente o que por natureza é amplo e diverso, que essas sociedades construíram uma triste história de intolerância, preconceito e violência, não apenas contra quem não se enquadra no padrão mas contra a própria espécie humana.

A discriminação e a violência contra pessoas por causa de sua orientação sexual as leva, frequentemente, a uma vida semiclandestina, regida pelo medo constante de ser descoberto e incompreendido. Essas pessoas, para não sofrerem a discriminação, caem em outro tipo de sofrimento: a dor de não poder ser o que se é. O que é pior, sofrer abertamente a discriminação ou viver uma vida de mentira?

Talvez você que agora lê este artigo seja uma pessoa que se encaixa perfeitamente no modelo padrão de sexualidade que nossa sociedade estabeleceu, o modelo heterossexual cem por cento. Se é o seu caso, você não sofre discriminação por sua sexualidade, você está livre para ser e expressar o que você é. Que bom! Mas se você está fora do padrão, você sabe muito bem qual o preço que tem de pagar para ser o que você é. De qualquer modo, em ambos os casos, se encaixando ou não em padrões, você tem a sua própria sexualidade, e ela, em sua natureza mais profunda, é só sua, é única, e ninguém mais tem uma igual pois ninguém mais tem as mesmas preferências, no mesmo grau, do mesmo jeito. Por que então discriminar, se todos nós, por trás dos nossos crachás sociais, temos nossas íntimas particularidades?

A sociedade discrimina o diferente porque é assim que ela busca manter o controle sobre seus indivíduos. Talvez seja uma forma de estratégia natural de organização e sobrevivência dos corpos sociais, sim, pois é mais fácil controlar o que se comporta igual. Mas o custo disso é a anulação do próprio indivíduo, que é estimulado desde o início a seguir os mesmos passos de todos, como numa manada.

Felizmente, porém, trazemos em nós, cada um de nós, o impulso potencial para a autorrealização, ou seja, para realizar quem verdadeiramente somos em nossa essência, em nossa natureza mais legítima, ao invés de obedecer cegamente aos padrões impostos, que nos querem indiferenciados. Os que seguem o impulso da autorrealização acabam se diferenciando do resto da manada e, de fato, pagam caro por construírem seu próprio caminho – mas são justamente essas pessoas que transformam a sociedade, apresentando-lhe os novos valores.

Atualmente a humanidade vive a intensificação desse processo de transformação do comportamento coletivo em vários aspectos, como nos movimentos feministas e na luta antirracismo. No campo da sexualidade não seria diferente: hoje as sociedades se veem na obrigação de discutir o tal modelo de padronização da sexualidade, mesmo sendo um tema incômodo, pois é cada vez mais difícil esconder o fato de que somos, sempre fomos, sexualmente diversos.

Quando me convidaram para participar, como enviado da Revista Planeta, da edição inicial do For Rainbow, o festival de cinema da diversidade sexual, que aconteceria em Fortaleza em julho de 2007, tive dúvidas se a produção do evento conseguiria, de fato, tirar a ideia do papel e realizá-la. O Ceará é um estado que, além de muito pobre, tem reconhecida tradição machista, e onde, segundo dados recentes, a homofobia entre escolares adolescentes é uma das maiores do país. Mas o evento aconteceu, sem contestações, com apoio da mídia. E eu voltei de lá esperançoso, não somente pelo festival mas também pelo ótimo exemplo que a capital cearense dá ao país com a implementação de políticas públicas de garantia ao livre exercício da sexualidade e de combate ao preconceito. Fica cada vez mais claro que o direito à própria sexualidade é uma conquista da democracia e que políticos e governantes serão cada vez mais cobrados em relação a isso.

O For Rainbow de Fortaleza não está só. Muitos outros eventos são criados a cada dia no mundo todo como forma de expressão da sexualidade humana diversa. As passeatas do orgulho gay, que começaram tímidas, vão deixando de ser eventos representativos de uma minoria sexual para se tornar uma grande festa de todos, onde se celebra a alegria e a liberdade de poder ser o que se é e de viver em harmonia com o diferente. Como a grande mídia já não pode mais fingir que essas coisas não existem, o mundo se torna, cada vez mais, ciente do que sempre foi absurdamente óbvio e, assim, a natureza múltipla de nossa sexualidade deixa de ser um tabu, passando a ser algo natural, para nós e, principalmente, para as novas gerações.

A psicologia do inconsciente nos ensina que ninguém vive plenamente sua própria vida enquanto não reconhece o que na verdade é. Mas ela também nos diz que esse reconhecer-se sempre traz alguma crise. São verdades psicológicas que muitos já entendem, sim, mas o que muitos ainda não percebem é que elas valem tanto para o indivíduo como para a espécie como um todo. Nesse momento histórico, a humanidade está justamente se debatendo nas crises que vêm desse necessário processo de autoaceitação. Com a aproximação das culturas e a facilidade da comunicação e dos transportes, a espécie passou a se conhecer num nível jamais experimentado – e é normal que isso cause medo e insegurança. E conflitos também, sim, pois se somos educados entendendo que nossa cultura é a melhor, provavelmente o contato inicial com outra cultura não será muito amistoso. A aproximação do diferente às vezes assusta mas só assim podemos perceber que o que antes julgávamos feio, errado e perigoso, é apenas diferente.

Atualmente todas as pessoas do mundo estão sendo levadas a reconhecer que sua cultura não é a melhor, que sua religião é apenas uma entre tantas e os seus valores, antes absolutos, tornam-se relativos diante de outros valores. A atual crise, portanto, era mesmo inevitável. E é uma crise de percepção: estamos nos percebendo de modo diferente ao que sempre fizemos. Mas há uma boa notícia, e ela também vem da psicologia: num segundo momento o conflito dá lugar à assimilação do novo pois o indivíduo aceita o que descobriu sobre si mesmo como parte legítima de sua personalidade e a integra à sua autoidentidade. A crise de autopercepção que tanto dói nos leva, no final, a nos tornarmos mais equilibrados, coesos e inteiros.

Agora, a luta pela legitimação da diversidade sexual como característica humana não é mais apenas uma luta de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros. Este reconhecimento do que sempre fomos é um desafio de todos. De todos, sim, pois até mesmo os que defendem os tais padrões sexuais e negam a diversidade, também pagam seu preço pois têm cada vez mais que conviver com o diferente que tanto lhes incomoda.

É, não está sendo fácil para nenhum dos lados. Mas já passamos pela fase mais difícil. A humanidade, a cada dia, está mais transparente e mais verdadeira para com ela própria. E isso é uma ótima notícia.

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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(Artigo publicado na Revista Planeta, 2007)

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LEIA NESTE BLOG

AsCriancasTransexuais-1As crianças transexuais – Putz, que espécie louca, a humana. O que ainda haverá para descobrir sobre nós?

A travesti anã e sua irmã sapata – Passeando pelas minhas comunidades no Orkut, ela encontrou uma chamada “Já dei pra um travesti” e aí, coitada, ficou apavorada

Abalou Sobral em chamas – Abram as portas da esperança! Que entrem as candidatas a Cinderela!

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite.

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – Um casal vive seu amor e sua sexualidade de forma muito divertida

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AFINIDADES

Entrevista: Fundador de grupo de ‘cura de homossexuais’ que se assumiu gay – Entrevista com Sergio Viula para o site eleicoeshoje.com.br, 25.10.11

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Nasce o Letra de Bar

11/04/2009

11abr2009

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Após oito meses de turnê nordestina (putz, esta foi bem longuinha), tô voltando pra São Paulo em maio. A agenda foi bem movimentada: palestras e lançamento do Vocês Terráqueas em Fortaleza, Crato, Juazeiro do Norte (CE), Campina Grande e Sousa (PB), além de uma série de 28 palestras pra funcionários das unidades da Cagece (CE). Além disso, produzi edições das festas Cabaré Soçaite e Farra no Cabaré Alheio e estreei uma nova festa (Sabadabadu), que espero que o Acervo Imaginário prossiga realizando mensalmente.

E criei dois eventos literários, que deixarei em Fortaleza como uma espécie de contribuição à vida cultural da cidade. Um é o Bordel Poesia, um sarau que se realizará mensalmente no Acervo Imaginário e cujos temas são o erotismo e a paixão. Mas depois eu falo dele. Agora eu quero falar do outro evento, o Letra de Bar. Aliás, deixarei que o texto de divulgação do projeto fale por mim.

LETRA DE BAR

Assim como o artista tem que ir aonde o povo está, os livros também precisam ganhar o mundo e encontrar seus leitores. Esta é a ideia que inspirou a criação do Letra de Bar, um projeto que tem como objetivo aproveitar o ambiente dos bares para divulgar a produção literária local, promovendo os autores e suas obras.

Para o autor, é uma ótima oportunidade de dar mais visibilidade a seu trabalho. Para o bar, o evento traz publicidade, associando seu nome à cultura e oferecendo uma atração especial a seu público. E o público, por sua vez, tem a oportunidade de conhecer melhor a produção literária de sua região e incentivar os autores locais.

O bar escolhido para a fase inicial do Letra de Bar é o Bar do Papai, (rua Torres Câmara esq c/ Monsenhor Bruno – Aldeota – 85-3264.3495) por ser um bar de sucesso na cidade, onde os artistas locais se sentem prestigiados e cujo proprietário, Carlinhos Papai, figura conhecida há muitos anos no cenário artístico da cidade, sempre esteve aberto para apoiar as novas ideias.

Toda quinta-feira, a partir das 20h, acontecerá no bar uma sessão de autógrafos de um autor, que terá sua obra exposta para que as pessoas possam conhecê-la, conversar com ele e adquirir os livros. No palco o apresentador conversará com o autor, que falará sobre seu trabalho, responderá perguntas do público e poderá ler trechos dos livros. O bar oferecerá ao autor um jantar de cortesia e ganhará dele um livro que servirá para compor a biblioteca da casa.

O criador do projeto é o escritor e roteirista Ricardo Kelmer, radicado em São Paulo. A produção do evento é de Cristina Cabral e Ricardo Black, que também é o apresentador.

SITE: letradebarfortaleza.wordpress.com

CONTATOS:
Ricardo Kelmer (São Paulo)
Ricardo Black e Cristina Cabral (Fortaleza)
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figlivros1bPoizé. O Letra de Bar é isso aí. O evento teve início em mar2009 e espero que tenha vida longa. Quem sabe ele não se espalha por outros bares, outros bairros, outras cidades? Quem sabe não ganha o apoio das secretarias de cultura?

A produção desse tipo de evento é barata e combina bem com bares que trabalham com música ao vivo pois o palco e o som são aproveitados. E todos lucram, o autor, o bar e seu público.

Em Fortaleza o Letra de Bar tem o apoio cultural da Expressão Gráfica e da Garin Cópias. Livrarias e outras empresas estão convidadas a participar.

Agora um novo desafio me aguarda: implantar esse projeto em São Paulo. Algum bar se habilita?

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Agenda abril/maio

05/04/2009

 

Ricardo Kelmer 2009

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ABRIL

Palestra O Despertar do Herói
FORTALEZA-CE. P/ funcionários das unidades da Cagece, Semana da Saúde, 02mar a 24abr

08abr (4a feira)
Cabaré Soçaite

cabaresocaite200904-01bFORTALEZA-CE. 4a edição da festa mais sensual da cidade. Pra repetir o sucesso de 2008, acontecerá na véspera do feriado da Semana Santa. DJs: Evison e RK Baré. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894) Sorteio de ingressos + consumo no bar. Ingresso: R$ 10.

09abr (5a feira), 20h
Noite de Autógrafos
FORTALEZA-CE. Participação no projeto Letras de Bar, no Bar do Papai (rua Torres Câmara esq. rua Mons. Bruno – Aldeota – 85-3264.3495). Toda 5a feira um autor é convidado, autografa seus livros e fala de seu trabalho. Música ao vivo: Ciribah Soares, Mimi Rocha e Denilson Lopes. Apresentador: Ricardo Black. Produção: Cristina Cabral.

figlivrovocesterraqueas0115abr (4a feira)
CRATO-CE: Lançamento do livro Vocês Terráqueas, 20h (Olhar Casa das Artes, Praça da Sé, 91 – 88-3521.1590)

16abr (5a feira)
JUAZEIRO DO NORTE-CE – Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet. CCBNB, 19h.

17abr (6a feira)
JUAZEIRO DO NORTE-CE – Noite de autógrafos, 18h, Barzinho do Zé – Rua Padre Cícero, 498 – 88-3511.1000

17abr (6a feira)
SOUSA-PB: Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet (CCBNB, 18abr, 20h30). Noite de autógrafos: 18abr, 22h, após a palestra (local a confirmar).

22abr (4a feira)
bordelpoesiaanuncio02aBordel Poesia – O sarau do erotismo e da sensualidade
FORTALEZA-CE. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894) . Ingresso: R$ 5.

25abr (sábado)
FORTALEZA-CE. Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet. 17h. CCBNB – Rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – 85-3464.3108).

MAIO

02maio (sábado)
Sabadabadu
FORTALEZA-CE. 2a edição da festa que bota você pra dançar pela música dos anos 60 até hoje. Apresentação de grupos performáticos fazendo teatrinho de músicas. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894). Ingresso: R$ 10.

06maio (4a feira)
Fim da turnê. Retorno para São Paulo

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rk200902-102b.

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CONHEÇA AS PALESTRAS

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A TURNÊ KELMÉRICA CONTA COM A PARCERIA DE
Kingston – Expressão Gráfica – Garin Cópias
Luce Galvão de Sá ArquiteturaRossana Romcy

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Agenda mar/abr/mai 2009

10/03/2009

escritordoseculo21cartaz01

MARÇO

Palestras em Fortaleza
FORTALEZA. Palestra O Despertar do Herói p/ funcionários das unidades da Cagece, Semana da Saúde, 02mar a 25abr

14mar (sábado)
Sabadabadu
FORTALEZA. 1a edição da festa que bota você pra dançar pela música dos anos 60 até hoje. Apresentação de grupos performáticos fazendo teatrinho de músicas (ensaie com amigos e agende sua apresentação). Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894). Cartaz da festa. Sorteio de ingressos + consumo no bar.

ABRIL

Palestra O Despertar do Herói
FORTALEZA-CE. P/ funcionários das unidades da Cagece, Semana da Saúde, 02mar a 24abr

08abr (4a feira)
Cabaré Soçaite

cabaresocaite200904-01bFORTALEZA-CE. 4a edição da festa mais sensual da cidade. Pra repetir o sucesso de 2008, acontecerá na véspera do feriado da Semana Santa. DJs: Evison e RK Baré. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894) Sorteio de ingressos + consumo no bar. Ingresso: R$ 10.

09abr (5a feira), 20h
Noite de Autógrafos
FORTALEZA-CE. Participação no projeto Letras de Bar, no Bar do Papai (rua Torres Câmara esq. rua Mons. Bruno – Aldeota – 85-3264.3495). Toda 5a feira um autor é convidado, autografa seus livros e fala de seu trabalho. Música ao vivo: Ciribah Soares, Mimi Rocha e Denilson Lopes. Apresentador: Ricardo Black. Produção: Cristina Cabral.

figlivrovocesterraqueas0115abr (4a feira)
CRATO-CE: Lançamento do livro Vocês Terráqueas, 20h (Olhar Casa das Artes, Praça da Sé, 91 – 88-3521.1590)

16abr (5a feira)
JUAZEIRO DO NORTE-CE – Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet. CCBNB, 19h.

17abr (6a feira)
JUAZEIRO DO NORTE-CE – Noite de autógrafos, 18h, Barzinho do Zé – Rua Padre Cícero, 498 – 88-3511.1000

18abr (sábado)
SOUSA-PB: Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet (CCBNB, 18abr, 20h30). Noite de autógrafos: 18abr, 22h, após a palestra (bar e restaurante Aconchego).

22abr (4a feira)
bordelpoesiaanuncio02aBordel Poesia – O sarau do erotismo e da sensualidade
FORTALEZA-CE. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894) . Ingresso: R$ 5.

25abr (sábado)
FORTALEZA-CE. Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet. 17h. CCBNB – Rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – 85-3464.3108).

MAIO

02maio (sábado)
Sabadabadu
FORTALEZA-CE. 2a edição da festa que bota você pra dançar pela música dos anos 60 até hoje. Apresentação de grupos performáticos fazendo teatrinho de músicas. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894). Ingresso: R$ 10.

06maio (4a feira)
Fim da turnê. Retorno para São Paulo

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rk200902-102b.

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CONHEÇA AS PALESTRAS

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A TURNÊ KELMÉRICA CONTA COM A PARCERIA DE
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Luce Galvão de Sá ArquiteturaRossana Romcy

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Abalou Sobral em chamas

11/02/2009

11fev2009

Abram as portas da esperança! Que entrem as candidatas a Cinderela

AbalouSobralEmChamas-1

ABALOU SOBRAL EM CHAMAS

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Concurso Miss Ceará Gay 2000. A boate Oásis está lotada, mas eu, Paula e Giuliana conseguimos uma boa mesa. Entramos e vemos as cortinas cor-de-rosa, passarela em T, escadaria, buquês de flores, tudo reluzente… Babado forte. Produção de primeira, sim senhor. Porque se tem uma coisa que bicha gosta é de glamour. Pois então que lhes seja satisfeito o desejo. Abram as portas da esperança! Que entrem as candidatas a Cinderela!

Primeiro, os trajes típicos. A primeira menina, vamos chamá-las assim, representa Barbalha na figura da coletora de algodão, uma simpatia. Aplausos. A segunda é de Guaramiranga, loiríssima, e vem em trajes de florista. Arrasou. A candidata de Ipu surge na escadaria pelas mãos de um bonitão de smoking e eu tomo um susto: é uma indiazinha linda! Ajeito-me na cadeira para ver melhor. Mas será possível? Ela é homem? É o fim do mundo…

Depois vem homenagem às vaquejadas de Morada Nova e às lendas do açude Orós, um luxo. E eu que nem sabia que o Orós tinha água, quanto mais lenda… Uma candidata erra o caminho e a apresentadora não perdoa: Te orienta, atordoada!… A representante de Sobral vem no traje Exaltação ao Cangaço, todo em palhas de carnaúba. Es-cân-da-lo. Lembrei até do Clovis Bornay.

O universo gay é colorido, alegre e espirituoso, la vie en rose. A estética é exagerada e tudo é motivo de festa. Sobram plumas, purpurinas, strass e luvas de veludo azul. Abundam dáblius e ipsilones. A vida é um eterno espetáculo, the show must go on. Aliás, diz que bicha não nasce, estreia. Nos anos 70, toda bicha queria ser a Vanusa, lembra? Hoje preferem a Mariah Carey. Eu acho tudo divertido, mas tem gente que não gosta e tem até quem se ache no direito de sair nas ruas atirando nas meninas, coisa triste. Curioso ver que às portas do terceiro milênio a sexualidade humana continua sendo um tabu. Não seria a homofobia, em última instância, o medo da própria sexualidade não assumida? Vai saber… Mas deixemos de teses, o concurso é mais divertido.

A apresentadora lembra que depois, em outra boate, haverá o espetáculo Tarzan e os Felinos. Cruzes!, comenta a outra empolgada na mesa ao lado, vou levar até mertiolate! Um jurado reclama que está com sede e a apresentadora dá um pito: Natália, cadê a água do júri, criatura?! Depois, ela elogia as candidatas e diz que elas se sentem tão mulher que só faltam menstruar ali mesmo… Putz, a piada me pega no meio de um gole e engasgo. De fato, elas são bem femininas e muito bonitas. Mas Paula trata de botar defeito e comenta que a bunda da outra é muito grande. Muito grande, Paula, ah, tenha paciência! Giuliana também acha defeito: O silicone das pernas é disforme. Ô despeito.

Quando a índia Shakira, candidata de Ipu, surge esplendorosa no traje de banho, eu oficializo minha torcida por ela. Um desbunde. Apanho meu queixo no chão e fico a imaginar Shakira se banhando na bica… Aliás, os nomes são atração à parte nesse universo: Shirley, Natasha, Paloma, Priscila e por aí vai. E os sobrenomes? Têm sempre um quê assim de luxuoso ou exótico: Thompson, Strauss, Close, Bijoux. Nome é vital. Ou você acha que uma bicha chamada Luzanira Macaúba teria alguma chance?

A secretária Natália Kinski (olhaí…) recolhe as notas e a apresentadora anuncia a campeã: Virna Tinelli! A candidata de Sobral! Aplausos e holofotes. Chuva de pétalas. Música para a vencedora. Comoção geral na plateia. Abalou Sobral em chamas! Ela recebe o buquê do bonitão de smoking e desfila pela passarela, se acabando em lágrimas, ela que já havia ganho o prêmio de melhor traje típico, para glória, esplendor e apogeu da Zona Norte. Realmente muito bonita a menina, admito, mas continuo fiel à minha Shakira, que por sinal ficou em terceiro lugar, in-jus-ti-ça.

Vamos conhecer a vencedora, dar-lhe os parabéns. Ela já não caminha, flutua, os olhos que não se fixam em lugar algum. Mas consigo um autógrafo: “Um para Ricardo.” Assinado: Miss Ceará 2000. Ôxe, um o quê? Não diz. Ela esqueceu. Tudo bem, Virna, é a emoção. Ser Miss Ceará Gay pesa, eu entendo. Vá, minha filha, aproveite seu momento de Cinderela que você merece, que amanhã tudo volta ao cotidiano borralheiro, o trabalho duro no salão, aquelas senhoras ricas de nariz empinado. Elas têm dinheiro, eu sei, têm motorista esperando lá fora e viajam para Miami, eu sei. Mas nunca, nunca foram miss.

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra os livros Vocês Terráqueas
e A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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LEIA NESTE BLOG

ADiversidadeSexualPedePassagem-01A diversidade sexual pede passagem – A luta pela legitimação da diversidade sexual como característica humana não é mais apenas uma luta de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

As crianças transexuais – Putz, que espécie louca, a humana. O que ainda haverá para descobrir sobre nós?

A travesti anã e sua irmã sapata – Passeando pelas minhas comunidades no Orkut, ela encontrou uma chamada “Já dei pra um travesti” e aí, coitada, ficou apavorada

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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01- Muito ótima, Rico. Absolutamente fidelíssima. Também já freqüentei tais concursos, e ME ACABO de rir e me divertir com a bicharada. Glamour é bom eu eu também gosto.Besos muchos, que esteja tudo bem com você. Marta Crisóstomo Rosário, Brasília-DF – jun2005

02- Obrigada pela crônica…ri muito!Vc pegou bem o espírito da coisa.O povo gay q se apresenta nessas boates,sempre me fascinou.Pela alegria, pela criatividade, pela coragem de brincar de Cinderela. Mônica, Niterói-RJ – jun2005

03- vc é um barato… A-ME-I lindo! só não fui na parada gay este ano, pq sabia que seria aquela LOU-CU-RA…mas q elas são divertidas, ah isso são…e se são assim é pq são felizes, nada mais excitante…rss beijos. Débora Pissarra, São Paulo-SP – jun2005

04- Essa crônica eu tenho, tá no teu livro ” A arte zen de tanger caranguejo”, e esse eu tenho, blz, um livro que nos faz lembrar de varios momentos de nossa vida em fortal, muito bom. José Everton de Castro Jr – Brasília-DF – jun2005

05- Na real, faltou um pouco do real. As bichas se pegam de porrada no camarim. Porque glamour é tudo, mas não toque na minha frasqueira…. hehehehehe Um abração e boa semana. Adriano de Lavôr, Fortaleza-CE – jun2005

06- é, mano, pela sua descrição, eu tbém votava na Shakira…. Mto bom esse seu texto. E, sim, a humana sexualidade sempre será pano pra mangas, cajus e maracujás. E cupuaçus… Abração. Max Krichanã, Fortaleza-CE – jun2005

07- Adorei Abalou Sobral em Chamas. Lisa Mary, Fortaleza-CE – jun2005

08- É isso aí ! Muito bom texto!O texto lida lida com o universo homosexual, com humor, criatividade e respeito.Isso interessa a todos.Diferente seria um texto que abordasse seus “conflitos íntimos” (somente a eles interessaria). O leitor não teria o mesmo interesse.Penso também que coluna não é livro de psicologia.O leitor quer rir, comentar algo novo, topar com o desconhecido-e nisso vc é muito bom. Eduardo Macedo, Recife-PE – mai2007

09- Morri de rir… Renato, Orkut, Comunidade CONFRARIA iAi – mai2007

10- adoro as coisas do Ricardo Kelmer ! Grande cara. Edna, Orkut, CONFRARIA iAi – mai2007

AbalouSobralEmChamas-1b


Turnê Nordestina 2009

15/01/2009

Ricardo Kelmer 2009

rk200810-083afotolevymota

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Janeiro

30jan (sexta-feira)
Farra no Cabaré Alheio

3a edição da festa que une o Cabaré Soçaite com a Farra na Casa Alheia. DJs: Marquinhos e RK Baré. Local: Buoni Amici´s (Rua Dragão do Mar, 80 – 85-3219.5454 – www.buoniamicis.com.br). Produção: RK e Franciscus Galba.

Fevereiro

19fev (quinta-feira)
Lançamento do livro Vocês Terráqueas

Campina Grande-PB – Bar & Arte, 21h

Carnaval
Encontro da Nova Consciência

Como sempre acontece no Carnaval, estarei nesse incrível festival multicultural que rola em Campina Grande-PB desde 1992. Participo de palestras e debates, lanço meus livros e ainda ataco de apresentador. Site do evento.

Março

Palestras em Fortaleza
Palestra O Despertar do Herói p/ funcionários das 9 unidades da Cagece, Semana da Saúde, 02mar a 25abr

14mar (sábado)
Sabadabadu
1a edição da festa que bota você pra dançar pela música dos anos 60 até hoje. Apresentação de grupos performáticos fazendo teatrinho de músicas (ensaie com amigos e agende sua apresentação). Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894). Cartaz da festa. Sorteio de ingressos + consumo no bar.

Abril

Palestras em Fortaleza
Palestra O Despertar do Herói p/ funcionários das 9 unidades da Cagece, Semana da Saúde, 02mar a 25abr

08abr (quarta-feira)
Cabaré Soçaite

4a edição da festa mais sensual da cidade. Pra repetir o sucesso de 2008, acontecerá na véspera do feriado da Semana Santa. DJs: RK Baré e amigos. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894)

Lançamento do livro Vocês Terráqueas + palestra
– CRATO: Lançamento: 15abr (local a confirmar)
– JUAZEIRO DO NORTE-CE – Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet (CCBNB, 16abr, 19h). Lançamento: 17abr (local a confirmar)
– ASSARÉ-CE: Lançamento e palestra (13 ou 14abr, local a confirmar)
– SOUSA-PB: Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet (CCBNB, 18abr, 19h). Lançamento: 19abr (local a confirmar)

Maio

02maio (sábado)
Sabadabadu
2a edição da festa que bota você pra dançar pela música dos anos 60 até hoje. Apresentação de grupos performáticos fazendo teatrinho de músicas. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894)

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A TURNÊ KELMÉRICA CONTA COM A PARCERIA DE
Kingston – Expressão Gráfica – Garin Cópias
Luce Galvão de Sá ArquiteturaRossana Romcy

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Farra no Cabaré Alheio 30jan2009

14/01/2009

farranocabarealheio200901-cartaz01bFarra no Cabaré Alheio (2)

30JAN2009
Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Marquinhos e RKBaré

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SORTEIO DE INGRESSOS
Orkut – Comunidade Cabaré Soçaite
Participe

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Esta festa é a união de duas festas de sucesso em Fortaleza: O Cabaré Soçaite e a Farra na Casa Alheia.

O Cabaré Soçaite foi criado por mim em 2003, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. A idéia é brincar com o tema da sensualidade e do erotismo de uma forma divertida, homenageando os antigos cabarés através das músicas, das imagens no telão, da decoração e da participação das pessoas com suas performances e suas vestimentas.

A 1a edição da festa foi na boate do hotel Vila Galé (Praia do Futuro), em nov2003, com show do cantor Rossé Sabadia. Cristina Cabral fez a produção junto comigo. A 2a edição aconteceu em mar2008, no Buoni Amici´s, com a co-produção de Franciscus Galba. A 3a edição foi nem dez2008, no Buoni Amici´s, com show da Baby Dolls.

>> Quer levar o Cabaré Soçaite pra sua cidade? Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com

A Farra na Casa Alheia integra a programação fixa do Amici´s desde 2003, sempre às sextas-feiras. Os DJs Marquinhos e Guga de Castro comandam o som e a produção é de Franciscus Galba. A música brasileira, em toda sua diversidade, é o mote da festa: samba, samba-rock, funk, soul e black-music compõem o cardápio musical. A própria longevidade da Farra (5 anos) por si só é um atestado da qualidade e do sucesso do evento.

Farra no Cabaré Alheio é a mistura das duas festas, mantendo os DJs da Farra e acrescentando o DJ RKBaré. A proposta é unir o melhor das duas propostas, alegria com sensualidade, música brasileira e internacional, música pra dançar e sofazinho pra namorar, oferecendo assim um supra-sumo de dois grandes sucessos da noite da cidade.

>> 1a edição da Farra no Cabaré Alheio 1 (set2008)
>> 2a edição da Farra no Cabaré Alheio 2 (nov2008)

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E em 2009 tem mais uma edição do Cabaré Soçaite (local: Acervo Imaginário, 08.04.09). Aguarde…

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IMAGENS DA FESTA

(em breve)

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PRÓXIMA FESTA

CABARÉ SOÇAITE
Local: Acervo Imaginário (viz Dragão do Mar), o8.04.09, 4a. feira, véspera da Semana Santa

>> Concorra a ingressos no Orkut (comunidade Farra na Casa Alheia). Link em breve.

>> Indique a festa a algum possível patrocinador. Se o patrocínio for fechado, você ganha 20% de comissão. Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com

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Cabaré Soçaite – 2008dez

27/11/2008

27nov2008

cabaresocaite200812-03a.

CABARÉ SOÇAITE (3)

18dez2008
Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Marquinhos e RKBaré

.babydolls200811-02Baby Dolls

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SORTEIO DE INGRESSOS
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– Arte erótica, sorteio de livros, DVDs e ingressos

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TWITTER:  @cabaresocaite

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CabareSocaite201310-550X> TODAS AS EDIÇÕES, FOTOS E VÍDEOS

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O Cabaré Soçaite foi criado por mim em 2002, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. Com edições realizadas em Fortaleza e São Paulo, o Cabaré Soçaite é uma festa temática cabaret com elementos de programa de auditório, que celebra a sensualidade e o erotismo num delicioso clima Moulin Rouge, sempre de maneira artística e divertida.

1a edição – dez2002, boate do hotel Vila Galé, com show do cantor Rossé Sabadia. DJ: André Wesarusk. Produção: RK e Cristina Cabral.
2a edição – 19mar2008, Buoni Amici´s. DJs: Guga de Castro, Caú Borges e RKBaré. Produção: RK e Franciscus Galba.
3a edição – 18dez2008, Buoni Amici´s. Show com a banda Baby Dolls. DJs: Marquinhos e RKBaré. Produção: RK e Franciscus Galba.

> Edições seguintes: veja fotos e vídeos aqui

>> Quer levar o Cabaré Soçaite pra sua cidade? Entre em contato: rkelmer@gmail.com

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CLIPE DA FESTA out2013

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FOTOS DA FESTA (dez2008)

Clique para ampliar

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Cabaré Soçaite 2008mar

25/11/2008

25nov2008

.cabaresocaite2008-01b

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CABARÉ SOÇAITE (2)

19mar2008
Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Guga de Castro, Caú Borges e RKBaré

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.O Cabaré Soçaite foi criado por mim em 2002, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. Com edições realizadas em Fortaleza e São Paulo, o Cabaré Soçaite é uma festa temática cabaret com elementos de programa de auditório, que celebra a sensualidade e o erotismo num delicioso clima Moulin Rouge, sempre de maneira artística e divertida.

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FOTOS DA FESTA
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Dança do empenado

Dança do empenado

Aperta que cabe

Aperta que cabe

Segura a cabeça pra não perder o juizo

Segura a cabeça pra não perder o juízo

DJ Guga de Castro com a boca ocupada

DJ Guga de Castro com a boca ocupada

Menina nova na casa sempre faz sucesso

Menina nova na casa sempre faz sucesso

Será que esse sofá aguenta tanto charme?

Será que esse sofá aguenta tanto charme?

Bom demais, bom demais, bom demais...

Bom demais, bom demais, bom demais…

Dono de cabaré tem suas vantagens

Dono de cabaré tem suas vantagens

Calorumano, calorumano!!!

Calorumano, calorumano!!!

Sob a benção dos Stones

Sob a benção dos Stones

Lá em Suécia tem disso no

Lá em Suécia tem disso no

Quero sair daqui mais não

Quero sair daqui mais não

Me segura senão eu caio

Me segura senão eu caio

Mô, precisamos de um sofazim desse lá em casa...

Mô, precisamos de um sofazim desse lá em casa…

RKBaré, produtor Galba e DJ Caú Borges

RKBaré, produtor Galba e DJ Caú Borges

Meninas, olha o passarinho

Meninas, olha o passarinho

O dono do cabaré em momento relax

O dono do cabaré em momento relax

Vai aprendendo, viu, vai aprendendo...

É chato ser gostoso

Ai, papai, cabaré é bom demais!!!

Ai, papai, cabaré é bom demais!!!

Faz um mês que esse lençol não é lavado

Faz um mês que esse lençol não é lavado

De quem é esse cabelo aqui?

De quem é esse cabelo aqui?


Crimes de paixão

15/11/2008

15nov2008

CrimesDePaixao-02

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GuiaDeSobrevivenciaCAPA-1bDetetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite.

Terror, mistério, erotismo

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> Este conto integra o livro Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

> O livro Crimes de Paixão, contendo somente este conto, pode ser adquirido em PDF (direto com o autor) e também na Amazon (kindle).

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CRIMES DE PAIXÃO

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Todos os frequentadores do Quais Bar pararam surpresos quando chegaram no sábado e descobriram que o Olimar não aparecera para trabalhar. Afinal de contas, além de se tratar do garçom mais folclórico do boemíssimo bairro da Praia de Iracema, ele era conhecido por Penalidade, alcunha que lhe botaram os clientes por ter faltado ao trabalho uma única vez em vinte anos de profissão – justamente por ter, no dia, defendido de forma magistral uma penalidade máxima na final da Liga de Futebol do Quintino Cunha. A comemoração foi tamanha que à noite não teve condições de trabalhar. Olimar, o Penalidade.

E agora o homem faltava pela segunda vez. Era um acontecimento quase tão histórico quanto o da primeira. Gente se gabava de ter estado no bar na noite em que o Penalidade faltara. Roger Gaciano Jr., o renomado jornalista e frequentador da praia, procurando alguém para ilustrar sua matéria sobre a boemia do bairro, entrevistou quem? O garçom Penalidade, claro. E a entrevista até hoje está lá na parede do bar, plastificada para todo mundo ler.

– O Olimar não veio trabalhar?! Será que defendeu outro pênalti?

– Proponho realizarmos uma assembleia pra mudar seu nome pra Dupla Penalidade…

Especulações correram soltas por toda a noite. Apostas foram abertas, um mês de birita grátis para quem acertasse o motivo da segunda falta do Olimar. Tão carismático o homem que até mesmo sua ausência era uma festa.

Porém, no domingo à noitinha, quando a mulher do Olimar chegou ao bar perguntando pelo marido, começou-se a desconfiar de algo mais sério. Dona Cândida, aflita, menino novo no braço, dizia que ele saíra sábado à tarde e desde então não teve mais notícia. Carlitos, dono do Quais Bar, sensibilizado com a aflição da mulher, propôs organizarem uma comissão para ir atrás de notícia do seu melhor garçom. Dona Cândida não se preocupasse, fosse para casa, ele mandaria um táxi deixá-la e logo estaria tudo bem, o Olimar ia aparecer.

O mistério continuou até segunda pela manhã quando o corpo do garçom Penalidade deu à praia da Barra, já em decomposição. O laudo apontaria afogamento. Ele não sabia nadar, portanto jamais se arriscaria no mar. E o mais esquisito é que estava de roupa – teria caído do píer? Dinheiro e documentos no bolso. No corpo, marca nenhuma de violência. O que poderia ter acontecido?

Penalidade foi enterrado no fim da tarde. Consternação geral. Quase todos os seus clientes se fizeram presentes, inclusive os ocasionais e até mesmo os que lhe deviam e ultimamente evitavam aparecer. A viúva recebeu ofertas de auxílio e pôde constatar como era querido o finado. Um turbilhão de flores acompanhou a descida do caixão e alguém puxou um violão para cantar “Beira-Mar”, de Ednardo, música favorita do Olimar.

No meio do chororô ninguém escutou o Jeová, vulgo Profeta, de dentro de seu casacão preto que havia muito não via sabão, dizer com seu jeito grave e o olhar fixo no caixão que descia:

– Lá se vai o segundo mártir.

Ou se alguém escutou, fez que não ouviu. Já não era fácil aguentar o Profeta nos bares com seus discursos sobre profecias apocalípticas, imagine em enterro.

– Mas o fim não se fez. Ainda restam três…

Apesar de muitos evitarem tocar no assunto, por uma lua inteira não se falou de outra coisa nas mesas dos bares da Praia de Iracema. Os mais inconformados fizeram abstinência etílica de três dias in memoriam. Outros beberam sem parar durante três dias.

Entretanto, ninguém, ninguém se deteve a relacionar a morte do garçom Penalidade com outra ocorrida três meses antes no Le Bombom, um motelzinho humilde frequentado pelas putinhas e travecas de fim de noite. A vítima fora seo Neném, dono do estabelecimento, gentil e pacato senhor de idade. Foi encontrado morto num dos quartos, estirado na cama. Estava nu e com a boca entupida com papel de bombons finos, coisa mais desumana.
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CrimesDePaixao-02O detetive Eládio Vieira, como gosta de ser chamado (porém conhecido no submundo do crime por Eládio Ratoeira), trinta e nove de idade e quarenta de baralho, que sempre se gabou de ser um detetive de nível, acordou naquela manhã numa ressaca federal. Não dormira mais que duas horas. Tomou um banho rápido e pegou um táxi para a favela Verdes Mares. Daquela vez exageraram: o pôquer terminara às seis da manhã. E ainda pagou o equivalente a um mês de trabalho ao filho-duma-égua sortudo do Mardônio.

O detetive Eládio Ratoeira (ele que nos desculpe, mas certos apelidos já fazem parte da pessoa) nunca trabalhava nas manhãs de quarta-feira. Naqueles anos todos nenhum caso foi tão importante que justificasse sua falta ao velho pôquer das terças nem ao sagrado sono da manhã seguinte. Porém, ele conhecia dona Iza, a cigarreira, era seu cliente fazia tempo. E não teve como não se sentir abalado quando soube pelo telefone de sua morte naquela madrugada.

Quando terminou de fazer suas perguntas a vizinhos, parentes e amigos da vítima, o detetive Ratoeira rumou para seu escritório, no centro da cidade. Sentado em sua mesa com vista para a Catedral, comparou as informações que tinha e montou sua reconstituição. Dona Iza chega em casa, um pequeno barraco de madeira na favela Verdes Mares, aproximadamente às quatro da manhã. Vem da Praia de Iracema, onde trabalha como vendedora ambulante de balas e cigarros. Meia hora depois o marido sai para a fábrica, deixando mulher e filho no barraco. As primeiras chamas são avistadas logo depois por três homens que jogam sinuca num bar distante cinquenta metros. Socorrem o menino que dormia e retiram o corpo de dona Iza, já carbonizado, que jaz no chão da cozinha.

Ninguém da favela viu nada suspeito, nenhum fato estranho. Apesar de tudo indicar acidente, Ratoeira coçava a nuca sem entender por qual motivo a vítima não conseguira sair do pequeno barraco a tempo.

À noite, foi à Praia de Iracema. Escutou garçons, taxistas e vendedores ambulantes – todos unânimes em afirmar que se tratava de pessoa querida, simpática e generosa, não cultivava inimizade. Às onze, fechou o caderninho e encerrou as atividades. Mas antes de ir para casa deu uma passadinha no Quais Bar, o bar do finado garçom Penalidade, só para molhar o bico numa cachacinha. Reconstituiu as conversas da noite, uma a uma. A mulher não devia a ninguém, não gostava de confusão, era fiel ao marido. Nem crime passional, nem latrocínio e nem vingança. Restava acidente.

Ratoeira coçou a nuca com a ponta do polegar. Alguma coisa lhe dizia que tinha cachorro naquele mato. E sua intuição nunca lhe pregava peças. Por isso lhe botaram o Ratoeira no nome. Por mais que se esforçasse, não conseguira tirar o apelido. Apelido ridículo, dizia ele, Ratoeira é para investigador de polícia, corrupto e camisa manchada de suor. Ele não, ele tinha nível. Trabalhava de detetive porque sempre gostara de investigar, mas era formado em Engenharia. Dava aulas em cursinho pré-vestibular mas seu negócio era desvendar casos. Era tão bom no que fazia que muitas vezes a própria polícia lhe solicitava auxílio. Aliás, foram eles que lhe botaram o ingrato apelido: Eládio Vieira é nome de professor, diziam. Então ficou Ratoeira. Até algumas madames, sempre preocupadas com as saidinhas dos maridos, conheciam-no pelo apelido: Dessa vez eu tenho certeza que ele está me traindo, seo Ratoeira…

Então tomou um gole e olhou para o mar iluminado da Praia de Iracema, descansando a vista. Os vendedores disso e daquilo, os carrinhos de pipoca e as luzes fortes dos postes faziam aquela parte do bairro parecer um parque. Como o bairro pudera mudar tanto em tão pouco tempo? Alguns anos antes, os bares eram meia dúzia e conviviam pacificamente com os moradores. Agora, eram mais de cem, e de pouco adiantavam os esforços da associação de moradores para garantir mais tranquilidade e respeito às famílias que ainda insistiam em morar ali.

De uns moradores, em depoimentos que recolhera, escutou repetidas queixas quanto ao inferno em que se transformara a vida no bairro. Alguns chegaram a dizer que a morte da vendedora podia ter sido fruto da luta por pontos de venda, já não duvidavam de mais nada, os bares haviam trazido muitas pessoas de fora, e com elas, a violência.

Ratoeira já fora assíduo frequentador do bairro e conhecia sua história. Sabia que procedia a queixa dos moradores. Mas sabia também que a vocação boêmia do bairro vinha de longe e que a proliferação dos bares era difícil de ser controlada por envolver muitos aspectos, entre eles a geração de empregos e o turismo cada vez mais forte.

Ele praticamente deixara de frequentar o bairro depois da massificação. Antes, podia-se caminhar pelas ruas à noite, tranquilamente. Podia-se namorar olhando o mar sem medo de assalto, e os frequentadores conheciam-se uns aos outros e mantinham certa cordialidade para com os moradores. Era comum encontrar uma roda de violão na calçada. A boemia continha em si uma boa dose de poesia e amizade.

Mas agora, não. Em lugar de músicos, artistas, poetas e intelectuais, a Praia de Iracema via desfilar por suas ruas bandos barulhentos de mauricinhos e patricinhas, jovens obcecados pela potência do som de seus carros e a etiqueta de suas roupas. Com eles, vieram assaltos, roubos de carro, brigas nos bares, mortes. Traficantes de drogas e jovens brigões de academia também descobriram o filão. Então vieram os turistas, ávidos por consumo. Depois chegaram as prostitutas, por que não haveria um pedaço também para elas? A Praia de Iracema é de todos! – alardeava o slogan da campanha turística.

O detetive voltou para sua quitinete com muitos pensamentos e uma pulga atrás da orelha. Embora se esforçasse para não levá-lo a sério, não conseguia esquecer do Profeta, o maluco que encontrara no Quais Bar aquela noite. Conhecia-o de vista dali dos bares. Era o mesmo bêbado cabeludo de vinte anos atrás, o mesmo casacão fedorento, a mania de rimar as frases, não mudara nada. Ele sentara-se à sua mesa sem pedir licença:

– Sua intuição está certa, seo detetive. O que aconteceu com dona Iza não foi acidente. Mas não adianta um culpado perseguir, pois a profecia vai se cumprir.

Na hora, não atinou para o fato, mas depois sim: como é que ele podia saber a respeito de sua intuição se não falara dela para ninguém? Era só o que me faltava, pensou intrigado, um maluco lendo meus pensamentos. Bem, concluiu, virando-se na cama para dormir, até mesmo os malucos acertam uma de vez em quando…

Dias depois, o laudo do IML saiu com uma conclusão curiosa: não havia indícios de fumaça nos pulmões da vítima. Isso significava que ela morrera antes de começar o incêndio. Mas não concluía sobre a causa. Para isso seria preciso mais alguns dias.

Ratoeira coçou a nuca com o polegar: quer dizer então que dona Iza já estava morta? Teria sido queda ou algo assim? Ou alguém a matara?
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CrimesDePaixao-02‒ Ô Garçom, duas cachaças, por favor.

– A minha é dupla.

– Muito bem, seo Jeová. O que o senhor sabe a respeito da morte de dona Iza?

Jeová, vulgo Profeta, de dentro de seu velho e endurecido casacão preto, olhou para o homem à sua frente com um misto de simpatia e desdém.

– O que eu sei é o que está escrito, seo detetive…

Naquela noite, uma semana após a morte de dona Iza, Eládio Ratoeira reencontrara o Profeta pelas ruas da Praia de Iracema e o convidou a tomar um aperitivo, por sua conta. Talvez o maluco tivesse algo de interessante a contar, ele que vivia dia e noite a realidade do bairro. O diabo era ter de aguentar o fedor daquele casaco…

O garçom chegou com as bebidas. O Profeta tomou a sua cachaça de dois goles e então pôs-se a falar da noite, da magia da praia e dos segredos dos bares. Contou histórias do bairro, lendas dos antigos moradores da área, personagens que já não existiam mais. Eládio Ratoeira escutava com atenção, surpreso com a própria paciência. O Profeta andava por ali desde o início da ocupação da praia pelos bares, ele e seu casaco, o cabelo sujo, os dentes estragados e todas as suas histórias esquisitas. Diziam que fora fotógrafo de jornal. Diziam que tivera uma banda de rock nos anos 1970, Punk Froid ou algo assim. Diziam que endoidara por causa de mulher. Não havia quem não o conhecesse, quem já não lhe tivesse pago uma dose de cana.

– Não duvide da realidade, seo detetive. Isso é importante pra sua profissão. Por exemplo, se eu disser que tem alguém sentado nesta mesa com a gente, alguém que veio com o senhor, o senhor duvidaria, né?

Eládio Ratoeira olhou automaticamente para o lado. Quando deu-se conta, irritou-se consigo mesmo e entendeu que já escutara demais, meia hora ouvindo maluquices, onde andava com a cabeça? Então respirou fundo e, botando um pouco de autoridade na voz, falou que já estava tarde e que se o outro não tivesse nada de mais concreto para dizer, então fosse desculpando que ele tinha trabalho amanhã cedo. E pediu a conta.

O Profeta sorriu um sorriso curto de resignação.

– Vou falar na língua que o senhor conhece, seo detetive. Me diga uma coisa. Se o senhor não sabe que eu tenho nas mãos uma quadra de damas, então essa quadra não existe pro senhor, não é mesmo? Não existe porque o senhor não sabe que eu tenho, não é isso? Pois ela existe sim, independente do senhor saber.

O detetive Eládio Ratoeira, quarenta anos de baralho, encarou o Profeta e sentiu um calafrio lhe percorrer a espinha. O maluco sabia que ele jogava pôquer? Então lia mesmo pensamentos?

Por alguns segundos, manteve o olhar fixo nos olhos do homem, procurando alguma pista que indicasse qualquer coisa… Mas a expressão do outro não mudou, permaneceu impassível, o olhar manso e desarmado, tipo do sujeito incapaz de mal algum.

De repente, um gato preto entrou pela porta do bar e aproximou-se da mesa, miando para o Profeta. Ele o pegou nos braços e pôs no colo, acariciando-lhe o pelo.

– O senhor está investigando somente o caso de dona Iza, não é? Pois vou ampliar um pouco mais seu horizonte. É só porque simpatizei com a sua honestidade.

Eládio Ratoeira esperou. Dos braços do Profeta, o gato preto o observava com seus olhos amarelos.

– Olhe, a morte de dona Iza tem dois precedentes. Um é seo Neném, dono do motel, que morreu cinco meses atrás. O outro é o garçom Penalidade, morto faz dois meses. Eu sei que o senhor sabe, eu sei. Mas ainda não ligou os fatos. Os três eram personagens conhecidos na praia, faziam parte da paisagem. Atente pra ironia, homem: o dono do motel, que vendia sexo, morreu na cama. O garçom, que vendia bebida, morreu afogado. E a cigarreira morreu queimada.

– Morreu antes de ser queimada – interrompeu Ratoeira, dando-se conta, um segundo depois, que revelava um segredo de trabalho.

– É o simbolismo que vale. A noite está morrendo por meio de seus personagens. A profecia é desumana, mas é real.

– Que profecia?

– O senhor conhece. Um dia, a noite da Praia de Iracema vai morrer.

Eládio Ratoeira perdeu de vez a paciência. Pagou a conta e levantou-se.

– Pelo que me consta, seo Profeta, e talvez não conste ao senhor, é que foi uma mulher loira, bonita e aparentando vinte e poucos anos, trajando vestido preto, que foi vista na companhia de seo Neném poucos minutos antes dele ser encontrado morto. Nada de símbolo. Foi assassinato e vou provar.

– Então, homem? Pra que melhor simbolismo? Uma loira bonita e cruel, vestida de preto… A cool girl will kill you in a darkened room… O senhor conhece essa música?

Pronto, o maluco sabe inglês, pensou Ratoeira, coçando a nuca.

– O senhor está tão obcecado em descobrir o assassino que não consegue ver o óbvio.

Ratoeira caminhou para a calçada e, enquanto acenava para o táxi, pôde ouvir o Profeta lá na mesa, ainda com o gato preto nos braços:

– Toinho, Tereza, Tarzan… Quem é o próximo de amanhã?
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CrimesDePaixao-02Durante os dias que seguiram, o detetive Eládio Ratoeira aguardou com expectativa o segundo laudo sobre a morte de dona Iza. Finalmente, obteve uma informação: os legistas não conseguiam descobrir a causa mortis. Simplesmente, não sabiam.

A segunda conversa com o Profeta repercutia insistente em sua cabeça. Aquela história da profecia sobre a morte da Praia de Iracema era antiga, mas era apenas mais uma das histórias malucas sobre o bairro. O povo ficava fumando maconha nos becos e inventando aquelas coisas. A verdade verdadeira era que seo Neném morrera de ataque cardíaco e a mulher loira fora realmente vista na noite do crime por duas testemunhas. O garçom Olimar morrera afogado e não havia suspeitos. O caso de dona Iza é que era o mais misterioso. As mortes, porém, não tinham ligação entre si, como supunha o Profeta.

De qualquer modo, os casos do garçom e do dono do motel não eram da sua conta. O garçom certamente caíra sozinho do píer, embriagado. E a loira suspeita de matar seo Neném estava sendo procurada pela polícia. Seu problema era a cigarreira, descobrir por que ela não conseguira escapar do incêndio.

Eládio Ratoeira ligou o chuveiro e meteu-se debaixo da água fria. O que precisava era de um bom banho e de uma mesinha de pôquer divertida. Quadra de damas… Quem sabe não seria uma dica para a mesa daquela noite? Bem que podia ser. Descontar o que o Mardônio lhe ganhara da última vez.

Após o banho, vestiu-se rapidamente e foi encontrar o resto do pessoal no Papagaio, o único bar que aceitava receber aquela mesa de pôquer, uma mesa no depósito do primeiro andar, é verdade, mas aceitava. Mesa de cinco, uma garrafa de conhaque, pratinho de amendoim. Do lado de suas fichas, uma foto da Danusa pelada, secretária do escritório vizinho ao seu, era para dar sorte, patuá antigo, ela até já casara. O cacife vale vinte, primeira pausa à meia-noite, mexeu no patuá do outro vale uma advertência, o prêmio é um, dois e quatro cacifes, vamos jogar que o jogo é jogado e tomem cuidado que hoje eu tô invocado…

Ratoeira tentava se concentrar no jogo, mas não podia aparecer uma dama na mesa que logo lembrava da conversa do outro. Como o maluco podia saber que ele jogava pôquer? Será que era por isso que o chamavam de Profeta, tinha o dom de adivinhar coisas?

As três cartas da mesa começaram a ser abertas. Uma dama de espadas surgiu. Precisava se concentrar no jogo.

Toinho, Tereza, Tarzan…  Mas até o Tarzan estava metido naquela história? Ratoeira achou engraçado e riu. Precisava se concentrar, estava muito disperso.

A segunda carta da mesa: dama de paus.

Toinho, Tereza, Tarzan… Todos começavam com T. Será que o maluco queria dizer que o nome do próximo a morrer começava com T?

Então, a dama de copas apareceu na mesa. Trinca de damas! Uma exclamação geral percorreu a mesa. Todos se entreolharam, sorrindo maliciosos. Quem tivesse a dama de ouro faria a quadra. Se alguém tinha, sorriu para disfarçar a felicidade. E quem não tinha, sorriu para esconder o medo.

Ratoeira sentia o coração pulando dentro do peito. Ergueu o olhar e, do outro lado da mesa, deu de cara com os olhos desconfiados do Mardônio por trás da fumaça do baseado. Voltou às suas cartas. Ou se concentrava ou então o demônio do Mardônio lhe adivinharia o jogo.

Já havia visto a primeira de suas duas cartas. Era um dois de paus. A outra estava por trás. Faria um pequeno suspense para si próprio. Então, num impulso, dobrou a aposta, ainda sem saber qual era sua segunda carta, uma jogada no escuro. Claro que era arriscado. Não costumava fazer aquilo, mas era o tipo da coisa que podia funcionar como um bom golpe psicológico nos outros jogadores. Tomou um gole do conhaque. Tinha de aparentar calma.

Então Mardônio pôs várias fichas sobre a mesa, dobrando a aposta mais uma vez. E tornou a encará-lo. Os outros jogadores desistiram e sobraram eles dois. Ratoeira, ainda sem ver a segunda carta, pagou a aposta. Alguém assobiou, surpreso.

Ratoeira tentou manter-se tranquilo. A coisa estava ficando séria. Respirou longamente e decidiu finalmente ver a segunda carta. Seu próximo lance dependia dela. Se fosse a dama de ouros, iria com a aposta até o fim do mundo. Tinha que ser a dama. Tinha que ser a quadra. A quadra do Profeta.

Ratoeira deslizou os dedos lentamente, fazendo a pressão exata para que a carta de trás não surgisse de todo. Fazia suspense para os outros e para si próprio. Podia sentir que Mardônio o observava atentamente, pronto para interpretar qualquer mínimo gesto seu. Os outros não ousavam falar nada. Era a maior aposta da noite.

Ratoeira deslizou os dedos mais um pouco. Descobrindo o lado inferior esquerdo, percebeu pelo desenho que a carta era uma figura, não era um número. O coração disparou. Tinha uma trinca de damas já certa e agora aquela carta podia ser a outra dama que faltava. Ou era um rei ou um valete ou uma dama. Tinha de ser a dama de ouros.

Continuando o suspense, descobriu um pouco da parte superior esquerda e a letra começou a aparecer, em cor vermelha, aos poucos, devagarinho, a cor vermelha…

Ratoeira, quarenta anos de baralho, não acreditou no que viu. Por alguns segundos, não conseguiu pensar em qualquer coisa. Depois, imaginou que alguém aprontara alguma brincadeira idiota para cima dele. Mas ninguém ria. Estavam todos sérios aguardando sua decisão.

Ratoeira engoliu seco. Em sua mão estava uma carta que não era rei, nem valete e nem dama. Em sua mão estava um macabro esqueleto sobre um cavalo, empunhando uma foice. E a letra, no canto superior da carta, era um T. Um T vermelho como sangue.
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CrimesDePaixao-02Tânia Mara parou em frente ao espelho do banheiro e enxugou os longos cabelos negros. Passou uma escova e jogou-os para trás. E parou para se olhar. Sua experiência como loira durara apenas seis meses, não foi muito proveitosa, poucos aprovaram. Até mesmo Rian, seu gato, estranhou a mudança. Ficava olhando para ela com seus olhos amarelos, olhando como se não reconhecesse aquela mulher loira. Agora seus cabelos eram negros novamente, a cor do seu gato e das roupas que usava, e era confortável reencontrar a velha imagem.

Vivia um bom momento. Os shows estavam acontecendo. Os rapazes da nova banda eram músicos competentes, e juntos faziam um bom trabalho. A noite aos poucos tomava conhecimento de Tânia Mara. Ah, a vida devia ser sempre assim, ela falou para a imagem no espelho, cantar blues e viver as emoções. De preferência, bem fortes, meu bem.

Deu uma última olhada no corpo nu refletido, o corpo que assumidamente usava como arma, nos palcos e na vida. Pôs duas gotas de perfume nas mãos e passou na nuca e no colo. Apalpou os seios. Olhou-os de perfil. E vestiu uma camiseta preta, que lhe desceu até metade das coxas. No espelho, viu seu rosto ao lado do de Jim Morrison, refletido do pôster da parede de trás. Antes de deixar o banheiro e dirigir-se ao quarto, beijou-o na boca pelo espelho.

– Você não me engana, cara. Sei que está vivo. Um dia a gente se encontra.

No toca-disco da sala, era ele, o Rei Lagarto, quem cantava: If you give this man a ride, sweet family will die… Killer on the road… Tânia Mara fechou os olhos, escutou a música e respirou fundo. Mordeu o lábio. Eu resisto a tudo, meu bem, menos às tentações… No quarto, pegou a garrafa de Jack Daniel´s na mesinha de cabeceira e foi para a sala. Parou na porta, segurando a garrafa e olhando para o homem sentado no chão encostado no sofá. O relógio da parede lhe dizia que demorara vinte minutos no banho. Vinte minutos para o que ele terá é pouco…, ela pensou, sorrindo.

– Tim-tim… – ela brindou, após servir os copos.

– A você. Desumana Tânia.

– A mim.

Enquanto Jim cantava a mortal carona na estrada, Tânia Mara bebeu um pouco do uísque e olhou para o homem à sua frente. Conhecera-o por ocasião de um show, uma semana antes. Logo que chegou ao bar seus olhares se cruzaram de um modo estranho, e durante o show pôde perceber como ele a olhava com desejo. Cantou o tempo todo excitada, sentindo a calcinha molhada. E fez seu melhor show. Quando saiu do camarim passou pela mesa para chamar sua atenção. A isca funcionou: ele a convidou para um drinque e ela aceitou. Ele elogiou sua voz e as músicas, principalmente “Desumano blues”. Ela gostou do jeito dele, misterioso. Além do mais, ele falou: Você tem o jeito da noite… E isso ficou em sua cabeça, não esqueceu. O jeito da noite.

Rian surgiu de repente, vindo da cozinha, e foi enroscar-se em suas pernas. Ela pôs o gato preto em seus braços.

– Escapou, né, safado? Vem, vamos voltar. Hoje você não pode ficar comigo, entenda…

Ela saiu em direção à cozinha e voltou logo depois.

– Quem é você, Tânia?

– Uma garotinha sortuda sob os holofotes da noite.

– Ou só mais um anjo perdido na noite da cidade?

Ela imitou uma garotinha tímida e desprotegida, brincando com os dedos. Então foi até a estante botar novamente o disco para tocar. Podia sentir o olhar dele em suas costas, deslizando pelos seus contornos. Ele agora vai levantar e vir até aqui…

– Também gosta de Jim Morrison? – perguntou ela, pousando a agulha novamente na última música.

– Gosto mais de Tânia Mara.

A voz dele bem atrás, podia senti-la em seu pescoço.

– Por que você diz que eu tenho o jeito da noite?

– Porque a noite é desumana.

Desumana…, pensou ela, saboreando o que escutara.

– Nada que eu possa evitar, meu bem…

– Você tem futuro, Tânia Mara.

– Eu sei.

– Comigo.

– Com você? Essa parte do roteiro não recebi.

– Se quiser, posso levá-la daqui, exibir sua voz pelo mundo, vivermos uma tórrida paixão. No fim, morreremos de amor em Paris. Na banheira de um quarto de hotel.

– Tentador… Mas os lagartos não morrem em Paris, querido.

Primeiro, foi o braço dele em sua cintura, puxando-a com força. Em seguida, foi a sua boca invadindo a dele, as línguas sem cerimônia. Depois as mãos, a camiseta subindo, rasgando, as mãos em suas costas, em seu pescoço, nos seios, seu corpo nu nos braços dele, no meio da sala. Depois foi o sofá, depois as roupas dele, a urgência, o suor. Depois as estrelas, as estrelas… E os teclados gotejantes de um blues morrendo aos poucos, sob a chuva. Depois, o silêncio. Desumano silêncio.

Meu bem, esta cidade ensurdece
E você esquece do que eu tenho pra dizer
Meu bem, a noite é desumana
Fumando e bebendo sozinha em meu apê…

(Tânia Mara – Desumano Blues)
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CrimesDePaixao-02Foi o tenente Trindade, amigo informante na polícia, quem avisou Eládio Ratoeira. Imediatamente, ele pegou um táxi e conseguiu chegar ao apartamento da vítima antes da imprensa, quando a polícia ainda recolhia material e fazia as fotos. Ratoeira conferiu o estrago com os próprios olhos. Viu o corpo nu da cantora, belo e ensanguentado, estirado de bruços no tapete, as pernas abertas, o pescoço rasgado. A polícia já havia recolhido alguns objetos para análise pericial, entre eles dois copos e um disco de vinil partido ao meio com restos de sangue.

– Conhece, Ratoeira? – perguntou o tenente Trindade, mostrando o disco partido.

– “L. A. Woman”. Um crime quebrar um vinil desse.

Ratoeira caminhou pelos aposentos. No mural do quarto viu fotos, bilhetinhos, cartazes de show… De repente, um gato preto surgiu correndo e foi meter-se debaixo do guarda-roupa. Pela ração na cozinha, Ratoeira deduziu que morava com a moça. Tentou pegá-lo, mas o gato saltou e em dois tempos estava no parapeito da janela, olhando para ele. Por um instante, passou-lhe pela cabeça que o bichano podia estar tentando dizer algo, gatos são meio bruxos. Fixou o olhar nos olhos do animal e perguntou:

– Quem foi? Eu sei que você sabe.

O gato, imóvel no parapeito, continuou olhando para ele. E miou.

– Então é este seu método, Ratoeira… Interrogação felina.

Ele virou-se e viu o tenente, parado na porta.

– A vizinha disse que o nome dele é Rian. Em francês quer dizer…

– Nada.

– Exatamente. Ou seja: ele não sabe nada.

Enquanto o tenente Trindade ria, Ratoeira pegou o gato nos braços e o acariciou.

– Não se deve duvidar da realidade… Né, Rian?
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CrimesDePaixao-02Eládio Ratoeira sentou no sofá da sala de sua quitinete. Ligou a tevê, mas não prestou atenção. Seu pensamento estava na Praia de Iracema…

Tânia Mara, o nome da moça. Bonita. Vinte e três anos, cantora de blues. Tinha uma banda e os frequentadores dos bares a conheciam. Estava na cidade havia um ano, morava sozinha. Fizera um show na noite de terça e depois não foi mais vista. Quem descobriu o corpo foi o gaitista da banda, dois dias depois. Como ela não havia comparecido ao ensaio nem atendia ao telefone, ele fora até seu apartamento. A porta não estava trancada e ele entrou, encontrando o corpo estendido no tapete.

Tânia Mara… O T da charada, pensou Ratoeira. Cantora da noite. Morreu com o pescoço rasgado por um disco. Indícios de luta corporal, ela certamente resistiu. Mas o assassino era mais forte e a derrubou. Virou-a de costas no tapete da sala, deitando sobre ela. Tapou-lhe a boca com um lenço para que não gritasse. Quebrou o disco ao meio e rasgou-lhe o pescoço. Enquanto a hemorragia a enfraquecia, ele a sodomizou ao som de “Riders on the Storm”…

– Miaaauuu…

Ratoeira despertou com o miado do gato aos seus pés.

– Tá com fome, Rian?

Levantou-se e pôs mais ração no pratinho. Depois, ainda com a cena do crime em sua mente, pegou caneta e papel. E escreveu o nome de todas as vítimas. Primeiro, o dono do motel, que morreu na cama. Três meses depois, o garçom, que morreu afogado. Dois meses depois, a cigarreira, que morreu queimada. Um mês depois, a cantora, morta com o pescoço rasgado por um disco. Nenhum latrocínio. Nem crime passional, nem vingança. Em seis meses, quatro crimes sem sentido. Mas simbolicamente coerentes, como dizia o Profeta. Ratoeira coçava a nuca, pensando se a polícia estaria a par daquela suposta relação entre os crimes. Coincidência ou não, ele já não conseguia deixar de relacioná-los.

Mas como o Profeta sabia que a próxima vítima começaria pela letra T? Ou teria sido apenas um palpite? Ratoeira escreveu o nome das vítimas no papel. Neném, Penalidade, Iza e Tânia, em sequência cronológica. N, P, I e T. Não formavam nada lógico à primeira vista. Tentou algumas combinações, mas nada lhe chamou a atenção. Então percebeu que os dois primeiros eram apelidos. O nome verdadeiro do seo Neném era Nilton, a mesma inicial. Mas o nome do garçom era Olimar.

Substituiu a letra P de Penalidade pela letra O de Olimar. Tinha agora N, O, I e T.

Um relâmpago cruzou o interior de sua mente. Um arrepio percorreu-lhe o corpo de cima a baixo. Ratoeira ficou olhando para o papel, sem acreditar.

A profecia.
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CrimesDePaixao-02– Eu sabia que você viria. Quer sentar?

Jeová, o profeta da praia, ele e seu casacão preto e imundo.

– Uma dose de cana pro Profeta – pediu Ratoeira ao garçom.

– Tripla – acrescentou Jeová, grave como sempre. – A moça merece.

– Como você sabia que seria ela?

– Tudo que sei é o que está escrito.

– E o que está escrito?

– Que chegou o fim dos tempos.

– Que mais?

– Que a noite desta praia está condenada.

– Condenada por quem?

O garçom chegou com a bebida. Eládio Ratoeira observou o Profeta erguer o copo cheio de cachaça à altura do nariz, fechar os olhos e cheirar. Ia repetir a pergunta quando o outro abriu os olhos.

– As pessoas dizem que eu sou louco. O que o senhor acha?

– Não acho nada. Quem está tentando matar a noite?

– A noite está morrendo… – prosseguiu o Profeta, entre um e outro gole. – Mas a morte sempre vem, seo detetive. Ninguém sai vivo daqui. A noite dessa praia morre quando abrem um novo bar, por mais estranho que pareça. A noite morre quando esses boyzinhos vêm desfilar suas grifes por aqui, quando as barraquinhas na rua vendem bebida aos menores, quando os próprios garçons fornecem cocaína aos clientes e os taxistas e donos de motéis fazem vista grossa pros turistas e suas menininhas de doze anos.

Ratoeira escutava, seus olhos nos olhos vermelhos do Profeta.

– A noite morre toda vez que alguém é assaltado na esquina escura, quando um carro é roubado, quando brigam os garotões valentes de academia. A noite morre quando a mãe se exaspera ao ouvir o choro do bebê que não consegue dormir por causa do som alto do bar vizinho. A noite morre nas músicas dos carros, nas churrascarias que trazem gente de bairros distantes e que não entende a brisa da praia. A noite morre porque esse é o destino de todos. E a culpa não é de ninguém. Por isso não adianta o senhor procurar o culpado.

– O que fazer então?

– Os dias estranhos nos alcançaram, seo detetive. Seguiram nosso rastro e destruíram nossas alegrias mais simples. Nada a fazer.

– Tem de haver um assassino.

– A Praia de Iracema é de todos… – O Profeta sorriu tristemente, olhando o mar pela janela do bar: – Todos têm direito a uma cota de seu linchamento.

– E você, não tem pena dela? Ou das vítimas?

– Lamento pelos filhos da praia, que tentam perpetuar o que já é passado. Esses amam a noite e morrem com ela. Muitos nem nasceram aqui, mas são feitos da mesma maresia. É ruim se apegar demais ao que vai morrer. Koi-guera.

Ratoeira escutou com atenção. Dessa vez as palavras do Profeta, por mais loucas que fossem, pareciam ter alguma coerência. Ou será que sempre tiveram e ninguém nunca percebera?

– Quem será o próximo?

– O senhor ainda não desconfia?

– A letra E é de Eládio?

– O que o senhor acha?

– Faria sentido. O assassino matou o sexo, a diversão, a droga e a música. Não falta mais nada. Matar quem quer desmascará-lo seria o último passo. O grand finale.

O Profeta escutava, sério.

– Quem matou a cantora foi um homem, eu sei que foi, o mesmo que esteve com ela depois do show, bebendo no bar. Se vários foram os assassinos, então eles estão obedecendo à sequência “noite” nas mortes. Ele ou eles trabalham pra quem?

– O senhor não entende. Quem matou os quatro foram os mesmos que matam a Praia de Iracema, a cada noite, a cada violência. E eles não têm consciência disso, matam por ignorância. Pensando bem, talvez seja melhor acabar de vez com sua agonia. Matar antes que ela morra. Matar por amor – acrescentou o Profeta, bebendo o resto da cachaça e levantando-se da mesa.

– O que vai acontecer quando morrer a letra E?

– Cumpre-se a profecia.

– Como assim?

– Pensei que o senhor já tivesse entendido… É a parte mais óbvia da história, seo detetive.

Sempre que pensava na profecia, Ratoeira sentia-se meio ridículo. Mas já não podia evitar.

– A noite morre… – repetiu o Profeta, saindo em direção à porta. – Nada lhe ocorre?

Enquanto pensava nas palavras do Profeta, Ratoeira puxou a carteira para pagar a conta. Foi quando percebeu que o copo de cachaça do Profeta continuava cheio, do jeito que chegara. Mas ele não havia bebido tudo?
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CrimesDePaixao-02Eládio Ratoeira entrou em casa, foi direto ao quarto e deitou-se, os olhos pesando de tanto sono. Precisava de uma noite bem dormida.

Mas… algo estranho estava acontecendo…

Acendeu o abajur e viu Rian, deitado na cama, olhando para ele. Então percebeu que Rian na verdade era uma gata. E estava parindo, exatamente naquele momento, estava tendo gatinhos em sua cama, vários gatinhos saindo sem parar, vários, muitos…

Ratoeira abriu os olhos. A luz do quarto estava acesa. Passou a mão no rosto suado, compreendendo que sonhara. Se as coisas continuassem daquele jeito terminaria precisando de um tratamento. No pôquer do mês anterior vira uma carta com a figura da morte, um esqueleto montado num cavalo, a letra T, que loucura. Terminou jogando as cartas na mesa, indignado com o que pensava ser uma brincadeira idiota dos amigos. Teve que pedir para sair, tão abalado que ficou com a visão da carta. Depois viu o copo cheio de cachaça do Profeta quando, na verdade, vira-o bebendo tudo bem à sua frente. E agora tinha pesadelo com uma gata parindo em sua própria cama.

Tomou um banho frio e depois pegou um pedaço de pizza na geladeira. Comeu sem esquentar. A tevê exibia o clipe da Intocáveis Putz Band tocando o “Manifesto das bem-aventuranças”, todos vestidos feito monges, capuzes, o clima sombrio… Ratoeira desligou, irritado. Aquelas mortes estavam inspirando até mesmo as bandas da cidade.

Olhou para Rian, dormindo no sofá. Estaria sentindo falta da antiga dona? Lembrou do sonho, a gata parindo. O que podia significar? Parto… nascimento… algo importante que virá… Mas o quê? Quando?
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CrimesDePaixao-02“No dia 28 de dezembro completam-se nove meses da primeira morte.”

Eládio Ratoeira olhou para a frase que escrevera, pensando em quanto aquilo era estranho. Deixaria um depoimento escrito a respeito de tudo que sabia sobre as mortes, caso algo viesse a acontecer com ele. Na carta, admitia que podia muito bem estar fantasiando mas não podia desprezar o simbolismo de que falava o Profeta.

Podia muito bem dar o caso de dona Iza por encerrado: os legistas finalmente admitiram que havia sim vestígios de fumaça nos pulmões da vítima e, portanto, ela morrera asfixiada, fora um acidente. Mas isso lhe parecera algum tipo de armação, talvez os legistas realmente não tivessem descoberto a causa da morte. E como se tratava de gente pobre e não havia nenhum interesse maior no caso, inventaram tal conclusão.

As outras mortes continuavam sem culpados. A polícia concluíra que o garçom realmente se afogara. Quanto a seo Neném, nenhuma pista sobre a tal loira de preto. Nem sobre o assassino da cantora.

Mas as estranhas mortes viraram assunto indispensável, e frequentavam as mesas da Praia de Iracema todo tipo de suposições, desde as que acusavam ser tudo obra para desviar a atenção das eleições às que denunciavam maquiavélicos planos de empresários dispostos a substituir os bares por hotéis de luxo.

E havia os que reiteravam o que dizia o Profeta: faltava apenas uma morte para que a profecia se cumprisse e a noite da Praia de Iracema morresse de vez. Por isso era preciso aproveitar o que ainda restava, as noites estavam no fim. Bandas compunham músicas sobre as mortes. Nas mesas, os poetas vendiam cordéis de terror. Nas ruas, as camisetas circulavam com os dizeres “Esta pode ser a última noite. Aproveite. Comigo.” Bares pegavam carona na onda e faziam promoções. “ApocaLIP-se!” – assim convocava seus clientes o Lip Bar. Alguns mais supersticiosos vendiam barato seus pontos para evitar prejuízo maior: se não haverá noite, quem irá aos bares?

A noite, porém, ainda estava viva. E naquele 28 de dezembro, exatos nove meses após a morte de seo Neném, Ellen Star faria na Boate Circus a sexta apresentação de seu macabro espetáculo transformista “Mate-me que eu já te matei”, que tratava exatamente de todas aquelas mortes. E era lá que Eládio Ratoeira estaria.

“Nove meses que tudo começou. Sinto que hoje o mistério será decifrado. Tenho que estar lá. Se estou fantasiando, nada acontecerá, e os crimes seguirão sem solução. Mas se estou certo, então alguém morrerá. E talvez eu descubra quem é o assassino.”
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CrimesDePaixao-02Era quase meia-noite quando Eládio Ratoeira chegou à boate Circus e sentou-se numa mesa mais ao fundo. Pediu uma cachaça e foi ao banheiro. Aproveitou para observar o ambiente, balcão, cozinha, corredores. A boate não era grande, cabiam ali umas vinte mesas. No canto havia um pequeno palco. Em caso de confusão, a porta principal seria estreita demais para evacuação rápida.

Todas as mesas estavam cheias quando as luzes se apagaram.

– Estão todos aí? – uma voz cavernosa ecoou pela boate. – O espetáculo vai começar.

A cortina se abriu para o primeiro ato. Uma voz feminina cantando ao som de um piano. Você me olha desse jeito… Pensa que eu não sei que você quer me comprar… O cenário de um quarto de motel. Um homem deitado na cama. Uma mulher loira num vestido negro com uma generosa fenda lateral, exibindo suas belas pernas. Mas eu não estou à venda, meu bem… A mulher caminhando devagar até a cama. Ratoeira ajeitou-se na cadeira, impressionado com a beleza da atriz. O que está à venda é seu sonho de ter o que você pode pagar…

Ellen Star foi a loira amante do dono do motel que morria de ataque cardíaco durante um orgasmo. Depois, foi o garçom que se encontrou no píer com o amante de sua mulher, que o empurrou ao mar. Ratoeira demorou a acreditar que Ellen também era o ator que interpretava o garçom. Como alguém podia ser tão convincente como mulher e também como homem?

Em todas as cenas Ellen dublava músicas especialmente escolhidas. Na terceira, ela era um garoto que tentou roubar dinheiro do barraco da cigarreira e causou o incêndio que a vitimou.

– Ellen é ela ou ele? – perguntou Ratoeira ao garçom.

– É um mistério. Mais uma cachaça?

A cena da cantora começou com Ellen Star dublando “Little girl blue”, um blues muito triste na voz de Janis Joplin, e Ratoeira pôde observar como as pessoas estavam bastante absortas no espetáculo, algumas visivelmente emocionadas. Havia no ar um clima de comoção, mas também de suspense. No momento em que a cantora chegava em casa radiante de felicidade por ter feito o melhor show de sua vida, Ratoeira escutou um miado. Procurou no palco, mas não viu gato algum. Então escutou novamente, dessa vez mais forte, e viu as cabeças se virando, todos procurando saber de onde vinha o som.

Vinha do lado da entrada. Ratoeira virou-se, e na penumbra percebeu um homem em pé, encostado na parede, de frente para o palco, vestido num sobretudo preto. Olhando melhor, percebeu que seu rosto estava pintado, lembrando o de um gato. Faria parte do show? No palco, a cantora rasgava com um disco de vinil a própria garganta, morrendo feliz e realizada. Quando Ratoeira olhou novamente, o homem havia sumido.

Ratoeira coçou a nuca, cada vez mais nervoso. Algo o inquietava. Havia algum mau presságio no ar, ele podia senti-lo.

A quinta cena começara e Ellen Star representava uma travesti batendo seu ponto na esquina, sob a luz fraca de um poste. Saia branca curtíssima, meias pretas, salto alto, o cabelo ruivo chanel revelando o pescoço fino. Os olhos sombreados e os lábios vermelhos. Os carros passavam e ela, insinuante, fazia trejeitos e jogava piadinhas aos motoristas. Tocava um envolvente bolero chamado “Lupiscínica”, de onde vinha a frase-título do espetáculo.

Vamos adiar essa briga, amor…

De repente, um automóvel parou mais à frente. Ellen sorriu. A luz traseira acendeu-se e o carro voltou de ré. Ellen ajeitou a saia e assumiu posição de espera.

Na madrugada, sonolento, de bolero em bolero…

O carro parou ao lado e o vidro fumê baixou, surgindo os rostos de uma garota e de um garoto. A travesti aproximou-se pelo lado da garota, debruçou-se na janela e sorriu, os seios como se numa bandeja.

A tua boca guarda segredos de mim…

– Boa noite, jovens.

– Oi – respondeu a garota.

– Ontem vocês passaram por aqui, não passaram?

– Você é boa observadora.

– Sou boa também em outras coisas…

E hoje sinto ciúmes até da tua falta…

– Você é homem ou mulher?

– Sou o que você e ele quiserem, meu bem.

– Quanto custa desvendar o mistério?

– Pra vocês faço por cem.

Mas não vou mais matar ninguém por tua causa…

– Você é muito bonita.

– E vocês são uma gracinha.

– Bonito, teu peito…

– Quer pegar? – perguntou a travesti, levando a mão da garota até seu seio. – Concorrência desumana, né, querida?

– Outra noite a gente vem com mais calma – disse o garoto.

– Mas não demora, viu? Posso não estar aqui.

– Vai mudar de ponto?

– Eu sou a noite, meu bem. A noite sempre chega ao fim.

Mate-me que eu já te matei…

Um homem. Vestido num sobretudo preto. Rosto pintado como um gato. Surgiu de algum lugar da escuridão da rua. Tão silencioso que de repente ele já estava lá, na calçada. Aproximou-se.

No momento em que a travesti virou-se, ele desferiu-lhe um violento soco no rosto. Ela caiu no chão, sobre o meio-fio, quase no asfalto.

Assustada, Ellen passou a mão no canto da boca e percebeu que sangrava. O homem continuava em pé. O automóvel arrancara. E o bolero havia terminado. Ele meteu a mão sob a roupa e puxou um revólver.

Ratoeira sentiu o coração gelar. O único som era o dos automóveis passando pela avenida. Ratoeira viu Ellen Star levantar-se e encarar com altivez o sujeito à sua frente. Foi ela quem gritou, a mão sobre os lábios feridos:

– Você tinha que estragar tudo, né?

Quando o homem empunhou a arma e apontou para ela, Ratoeira não ousou piscar os olhos. Estava petrificado, a respiração presa, toda a sua atenção concentrada nos dois, a travesti que encarava o homem e o homem que atiraria na travesti.

O tempo parecia ter parado. Ratoeira não mexia um único músculo. Alguma coisa iria acontecer no próximo instante e ele não fazia ideia do que seria.

Um pensamento lhe veio rápido à mente: e aqueles carros passando, aqueles prédios todos ao redor? Ninguém via nada? Ninguém para gritar, impedir um crime? Aquelas janelas todas, centenas, milhares de janelas… A noite da cidade tinha tantos olhos e, no entanto, ninguém via nada…

Ellen Star moveu-se rapidamente e de dentro da bolsa sacou um revólver, apontando-o com as duas mãos para o homem. A arma disparou. Um grande estrondo, o eco permanecendo no ar por longos segundos, a fumaça subindo do cano…

Ratoeira viu Ellen afastar-se para trás, cambalear sobre os saltos altos, perder o equilíbrio e chocar-se contra o poste feito um triste boneco desengonçado. Depois escorregou para o chão e ficou lá, inerte, enquanto os faróis seguiam indiferentes pela avenida. E as janelas nada viam.

O homem do sobretudo, ainda segurando o revólver, avançou. Ele agachou-se sobre o corpo de Ellen, passou a mão levemente por seu rosto e falou baixinho:

– Meu amor…

Então ergueu-se e saiu caminhando devagar pela calçada. E atravessou a avenida, num passo tranquilo, sem olhar para os lados. Um carro freou bruscamente para não atropelá-lo e quase provocou um acidente com outros carros. Na confusão, os passantes perceberam o corpo na calçada e se ajuntaram ao redor.

Eládio Ratoeira também foi para lá, abrindo caminho entre a multidão. Dirigiu-se até o corpo caído. Viu o sangue espalhado pela roupa, escorrendo para o chão. Suspendeu a cabeça de Ellen enquanto ela abria os olhos devagar. No meio de sua expressão serena surgiu um doce sorriso:

– Aquela cartomante me paga…

– Como? – indagou Ratoeira.

– Ela me garantiu que… ai…. eu morreria em Paris…

– Aguente mais um pouco, Ellen.

– É o fim, meu belo amigo. O fim das doces mentiras… das noites em que tentamos morrer…

– Não fale. O socorro está chegando.

– Você… ai, como dói… faz parte deste teatro ridículo?

– Ahnn… sim… – ele respondeu, sem saber o que dizia.

– Acho que minha participação termina aqui… Você gostou?

Ratoeira virou-se para as pessoas ao redor, elas e seus rostos impassíveis.

– Quem é ele, Ellen? Um cliente seu?

– Ele não tem culpa…

Ratoeira percebeu que ela respirava com cada vez mais dificuldade.

– Por que ele atirou em você?

– A profecia. Tem que ser cumprida.

Ratoeira desgrudou o cabelo ensanguentado da boca de Ellen e, olhando para aquele rosto bonito, lembrou-se do que ela dissera ao casal do carro: Eu sou a noite…

– O que vai acontecer agora?

– Acabou a peça, meu bem. As luzes se acendem.

Então ela fechou os olhos. E sua cabeça tombou para o lado no momento em que as luzes se acendiam. Ratoeira olhou para o corpo imóvel em seus braços, o belo corpo de Ellen. Percebeu que um seio estava de fora, um seio bonito. Olhou para as pernas. Lentamente estendeu o braço e tocou o sexo de Ellen, apalpando-o…

– Essa técnica eu não conhecia, Ratoeira.

Ele virou-se rápido, retirando a mão. Reconheceu o tenente Trindade, em pé, a viatura parada atrás. Pousou a cabeça de Ellen no chão e ficou de pé, a roupa encharcada de sangue.

Ratoeira olhou o relógio: uma da manhã. Foi então que percebeu que a claridade não vinha dos faróis de carro algum. Nem vinha dos prédios ao redor. Estava clara a noite da Praia de Iracema. Estranhamente clara.

Desumanamente clara, diria o outro.

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Ricardo Kelmer 1994 – blogdokelmer.com

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TRILHA SONORA DESTA HISTÓRIA

Flor púrpura (Ricardo Kelmer e Joaquim Ernesto) – Um tango para cortar os pulsos da angústia

Beira-mar (Ednardo) – E um gosto de você que foi ficando… e a noite enfim findando… igual a todas as demais

Riders on the storm (The Doors) – Pegue uma carona na tempestade desse som

Quanto você paga (Ricardo Kelmer e Toinho Martan) – Você me olha desse jeito… Pensa que eu não sei que você quer me comprar?

Little girl blue (R. Rodgers e L. Hart) – Querida, você não vê que está na hora?

Lupiscínica (Augusto Pontes e Petrúcio Maia) – Bolerão maravilhoso, na inesquecível interpretação de Teti e Ednardo

The end (The Doors) – É o fim, meu belo amigo. O fim das doces mentiras… das noites em que tentamos morrer…

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GuiaDeSobrevivenciaCAPA-1bEste conto integra o livro
Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba? Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, as pessoas são surpreendidas por acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmas e deflagram crises tão intensas que viram uma questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses coletivos e pessoais. > Mais

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Comentarios01COMENTÁRIOS

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01- Massa. Jose Leite Netto, Fortaleza-CE – mai2015

02- Muito bom,li só o trecho mas já gostei . Vou ler tudo qndo meu computador sarar. Samuel Araujo, Vilhena-RO – mai2015

03- Eita! crimes passionais sempre são comoventes, afinal são motivados (na maioria das vezes) pelo amor que adoeceu… E como há amores doentes perambulando pelas curvas da nossa velha Iracema! Valeu pela indicação de leitura amigo! Lílian Martins, Fortaleza-CE – mai2015


Agenda nov2008

15/11/2008

15nov2008

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AGENDA NOV2008

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E a turnê nordestina prossegue. Continuo em Fortaleza, divulgando o novo livro, fazendo umas palestras e produzindo umas festinhas safadas. Pros amigos e leitores que são mais chegados no RK escritor ou no RK festeiro, aqui vão alguns toques:

19nov (quarta-feira)
Sessão de Autógrafos na Bienal Internacional do Livro
Será no estande 52 da Secult, de 20h a 22h. Estarei lá com o livro novo, Vocês Terráqueas, e com os demais livros. Durante a Bienal todos os livros se encontram à venda no mesmo espaço. A entrada é grátis.

21nov (sexta-feira)
Farra no Cabaré Alheio
Como é o RK festeiro que atualmente sustenta o RK escritor, vem aí mais uma festinha daquelas que vovó não passaria nem calçada. Será no Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar). No comando do som, os DJs Marquinhos, Guga de Castro e RKBaré. Samba rock, black music, disco, ritmos latinos, brega e musga lenta, pra dançar solto e coladinho. Hora do apagão. Concurso Mata Eu (fem e masc): suba no palco, jogue seu charme e ganhe R$ 50 em consumo. Ingresso: R$ 12.

28nov (sexta-feira)
Sessão de Autógrafos + 20 Anos do Badauê
Aproveitarei a festa 30 e Alguns Anos, que a promoter Cristina Cabral realiza mensalmente no anexo do Docentes e Decentes (rua Ana Bilhar 1445, entre Manoel Jesuíno e Assis da Picanha) e farei uma sessão de autógrafos de 20h a 23h. Depois comemoraremos o aniversário de 20 anos do Badauê, o memorável bar que tivemos, eu, Nelsinho e Paulo Marcio, na Praia de Iracema entre 1988 e 89. Ingresso normal da festa: R$ 20. Ingresso pros sobreviventes do Badauê: R$ 10.

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A TURNÊ KELMÉRICA CONTA COM A PARCERIA DE
Kingston – Expressão Gráfica – Garin Cópias
Luce Galvão de Sá ArquiteturaRossana Romcy

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As joias de Rossana

14/11/2008

14nov2008

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A temporada cearense de lançamento do livro Vocês Terráqueas, que já contava com o apoio da Kingston e de Luce Galvão de Sá Arquitetura, agora tem também o apoio de Rossana Romcy.

Rossana é um dos novos nomes no ramo de design de joias. A criatividade aliada ao bom gosto de suas peças, que unem sementes, metais e pedras preciosas e são feitas a mão, já chamam a atenção não somente do mercado nacional mas de países como Itália e Portugal, pólos da moda mundial.

Trabalhando junto com seu marido e ourives Alexandre Ortiz, Rossana dá asas à criatividade na criação de peças únicas e exclusivas. A designer também trabalha sob encomenda, criando de acordo com a necessidade e o desejo do cliente.

Site Rossana Romcy

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Ricardo Kelmer 2008  – blogdokelmer.com

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Essa loirinha desmiolada de sol

10/11/2008

10nov2008

Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

ESSA LOIRINHA DESMIOLADA DE SOL

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Os leitores que ultimamente receberam livros meus pelo correio certamente perceberam que o endereço do remetente não é de São Paulo, mas de Fortaleza. Explico: tô passando uma temporada no Ceará e desde setembro despacho daqui meus livros vendidos pela internet. Vim finalizar em Fortaleza o novo livro, Vocês Terráqueas, e a nova edição de bolso dos demais, aproveitando a parceria que tenho com a Expressão Gráfica e com a Garin, e vim também pra participar da Bienal Internacional do Livro (12 a 21nov) e fazer umas palestras.

A ideia era retornar pra São Paulo até dezembro, mas como tô precisando de uma graninha urgente pra pagar os custos do novo livro e também pra comprar um notebook, decidi voltar a produzir festas temáticas, algo com que trabalhei por vários anos. Então adiei o retorno, possivelmente pra depois do Carnaval. Produzir uma festa não me dá tanto prazer quanto publicar um livro, mas dá menos trabalho. E sempre dá um dinheirinho muito bem-vindo que ajuda a bancar o RK escritor.

Fortaleza é assim, pro RK escritor ela não tem amplos horizontes a oferecer, mas pro RK festeiro ela escancara as pernas. Essa loirinha desmiolada de sol… Fortaleza será sempre assim, inculta, dengosa e bela. Sempre que venho, ela me vem com agradinhos, diz que eu deveria ficar, que mereço vida melhor do que a que levo sozinho em São Paulo, alugando quartinhos minúsculos, sem os amigos que tenho aqui, os dengos e as facilidades…

Ela diz isso mas tá cansada de saber que nosso amor é um amor impossível. E sabe muito bem que agora sou um cara compromissado com São Paulo, a quem ela desdenhosamente chama de Paulete Periguete. Ciúmes, claro, tem cidade que é muito ciumenta. E Paulete não tem nada de oportunista, pelo contrário. Ela pode até não ser tão calorosa quanto Fortaleza, mas é bem curvilínea e, aiai, são as curvas de seus horizontes que mais seduzem o RK escritor.

– Mas duvido que ela seja mais ecônomica que eu – Fortaleza começa a ladainha, enquanto brinca de sereia na areia da praia pros meus olhos. Cidade adora se comparar com a outra, ô mania horrível. De fato, Fortaleza não é dispendiosa como São Paulo. Mas finjo que não escuto a provocação e continuo olhando o mar, gosto de ver as ondas indo e vindo, é um dos meus mantras visuais favoritos.

– Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar.

– Duvido que ela faça gostoso como eu faço, duvideodó… – ela sussurra, sua voz sapeca sibilando em meu ouvido junto com o vento de outubro. E dessa vez eu concordo, claro, imagina se vou discordar. Não, loirinha, ninguém faz o que você faz, principalmente depois da terceira vodca.

Fortaleza é assim, a derradeira brisa de verão, um gosto de beijo roubado na fila do embarque, a felicidade com visto vencido.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

IncultaEBelaDengosaECruel-8aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Maior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e bela, dengosa e cruel) – E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Confissões de uma leitorinha nua (por Leitorinha) – Fiquei tão à vontade pra ler a página dele na net que agora o fazia completamente nua

São Paulo, sua loca – Quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro

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Farra no Cabaré Alheio 2008nov

31/10/2008

31out2008

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Farra no Cabaré Alheio (2)

21nov2008
Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Marquinhos, Guga de Castro e RKBaré

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SORTEIO DE INGRESSOS
Orkut – Comunidade Amicis
Clique aqui pra participar

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Esta festa é a união de duas festas de sucesso em Fortaleza: O Cabaré Soçaite e a Farra na Casa Alheia.

O Cabaré Soçaite foi criado por mim em 2003, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. A idéia é brincar com o tema da sensualidade e do erotismo de uma forma divertida, homenageando os antigos cabarés através das músicas, das imagens no telão, da decoração e da participação das pessoas com suas performances e suas vestimentas. A primeira edição da festa foi na boate do hotel Vila Galé (Praia do Futuro), em nov2003, com show do cantor Rossé Sabadia. Cristina Cabral fez a produção junto comigo. A segunda edição aconteceu em mar2008, no Buoni Amici´s, com a co-produção de Franciscus Galba.

>> Quer levar o Cabaré Soçaite pra sua cidade? Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com

A Farra na Casa Alheia integra a programação fixa do Amici´s desde 2003, sempre às sextas-feiras. Os DJs Marquinhos e Guga de Castro comandam o som e a produção é de Franciscus Galba. A música brasileira, em toda sua diversidade, é o mote da festa: samba, samba-rock, funk, soul e black-music compõem o cardápio musical. A própria longevidade da Farra (5 anos) por si só é um atestado da qualidade e do sucesso do evento.

Farra no Cabaré Alheio é a mistura das duas festas, mantendo os DJs da Farra e acrescentando o DJ RKBaré. A proposta é unir o melhor das duas propostas, alegria com sensualidade, música brasileira e internacional, música pra dançar e sofazinho pra namorar, oferecendo assim um supra-sumo de dois grandes sucessos da noite da cidade.

>> Veja fotos da Farra no Cabaré Alheio 1 (set2008)

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E em dezembro tem mais uma edição do Cabaré Soçaite (Amici´s, 18dez), com show da Baby Dolls e um instigante concurso masculino e feminino. Aguarde…

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IMAGENS DA FESTA

clique para ampliar a foto

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PRÓXIMA FESTA

CABARÉ SOÇAITE (Amici´s, 18dez), com show da banda Baby Dolls e um instigante concurso masculino e feminino.

>> Concorra a ingressos no Orkut (comunidade Amicis). Link em breve.

>> Indique a festa a algum possível patrocinador. Se o patrocínio for fechado, você ganha 20% de comissão. Entre em contato: rkelmer@gmail.com

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Farra no Cabaré Alheio 2008set

31/10/2008

31out2008

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Farra no Cabaré Alheio

19set2008
Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Marquinhos, Guga de Castro e RKBaré

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Esta festa é a união de duas festas de sucesso em Fortaleza: O Cabaré Soçaite e a Farra na Casa Alheia.

O Cabaré Soçaite (veja fotos e vídeos das edições) foi criado por mim em 2003, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. É uma festa temática cabaret com elementos de programa de auditório, que celebra a sensualidade e o erotismo num delicioso clima Moulin Rouge, sempre de maneira artística e divertida. A primeira edição da festa foi na boate do hotel Vila Galé (Praia do Futuro), em nov2003, com show do cantor Rossé Sabadia e coprodução de Cristina Cabral. A segunda edição aconteceu em mar2008, no Buoni Amici´s, com coprodução de Franciscus Galba.

A Farra na Casa Alheia integra a programação fixa do Amici´s desde 2003, sempre às sextas-feiras. Os DJs Marquinhos e Guga de Castro comandam o som e a produção é de Franciscus Galba. A música brasileira, em toda sua diversidade, é o mote da festa: samba, samba-rock, funk, soul e black-music compõem o cardápio musical. A própria longevidade da Farra (5 anos) por si só é um atestado da qualidade e do sucesso do evento.

Farra no Cabaré Alheio é a mistura das duas festas, mantendo os DJs da Farra e acrescentando o DJ RKBaré. A proposta é unir o melhor das duas propostas, alegria com sensualidade, música brasileira e internacional, música pra dançar e sofazinho pra namorar, oferecendo assim um suprassumo de dois grandes sucessos da noite da cidade.

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clique nas fotos para ampliar

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A bailarina da fé

27/06/2008

27jun2008

Se as palavras servem, infelizmente, para deixar impunes os criminosos, servem também para manter acesa a fé das pessoas num mundo melhor

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A BAILARINA DA FÉ

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Conheci Renata em 1992, quando ela passava férias em Fortaleza. Fiquei encantado com aquela sagitariana bonita, graciosa e de gênio forte, e logo estávamos namorando. Ela era uma pessoa alegre e reluzente, mas havia algo mais nela que me maravilhava: a firmeza de sua fé. Fé em seus ideais, em sua arte, em seguir seu caminho verdadeiro. Uma fé inabalável na vida.

Renata seguiu seu caminho com muita coragem. Ainda adolescente, pegou suas sapatilhas e se mandou, deixando sua terra e sua família, foi sozinha para o Rio de Janeiro viver sua arte bailarina. Era muito nova mas já parecia intuir que, por mais difícil que seja o caminho, mais difícil será sempre a frustração de não haver tentado.

Ela tentou. Morava num quarto e sala pequenino no Catete, dividindo dificuldades, alegrias e esperanças com outra amiga bailarina, enquanto seguia seu aprendizado na academia de dança, sonhando com os palcos e a carreira de atriz. Durante meses nosso namoro se segurou entre cartas, telefonemas e as idas e vindas entre as duas cidades. Durante esse tempo tive o privilégio de conviver com seus sonhos e aprendi bastante com a força de sua fé.

Uma noite, quando já havíamos terminado o namoro e vivíamos aquele clima de volta não volta, ela me ligou chamando para irmos nos divertir na Praia de Iracema. Renata curtia novamente suas férias em Fortaleza, com toda aquela energia de uma garota de 20 anos. Mas era uma segunda-feira, eu tinha muito trabalho no dia seguinte, e respondi que não podia, mas que no outro dia nos veríamos.

Não houve outro dia. De manhã cedo acordei com a notícia de que Renata estava morta, fora assassinada por causa de uma discussão de trânsito. Morta com um tiro no rosto, disparado por um desses dementes que andam armados por aí e que acham que podem resolver tudo na bala.

Já se foram muitos anos. Até hoje sou tentado a me sentir culpado por não ter aceito seu convite aquela noite. Para nós, a família e os amigos de Renata Maria Braga de Carvalho, sua ausência é uma sensação diária de estar amputado. Uma dor sem qualquer remédio possível, como se faltasse uma parte da alma. Mataram Renata e nos condenaram à pena perpétua dessa dor.

O assassino, porém, continua solto e faceiro por aí. Sua família, de Brasília, soube educá-lo com dinheiro, carro importado e um revólver, muito útil para discussões no trânsito. Como ele, há muitos outros Wladimir Lopes Magalhães Porto aí pelas ruas, todos clientes da impunidade, essa senhora discreta e eficiente, que tão bem serve aos que lhe fazem as honras no escurinho dos escritórios e gabinetes.

De todas as violências, a impunidade é a maior. Se queremos uma sociedade mais justa e mais pacífica, não podemos ser complacentes com essa senhora. É preciso não se conformar, protestar, denunciar, chamar a imprensa, o bispo, a corte internacional! Mas às vezes, eu admito, dá um desânimo danado, parece que estamos nadando, nadando e não saímos do lugar. E a impunidade ali, zombando dos nossos esforços…

Nesses momentos, então, eu lembro da família de Renata e de todas as outras famílias vítimas da violência e da impunidade, todas elas lutando por justiça. E aí não posso desanimar, tenho que fazer a minha parte, uma pequena parte, é verdade, afinal sou apenas um escritor. Mas se as palavras servem, infelizmente, para deixar impunes os criminosos, servem também para manter acesa a fé das pessoas num mundo melhor. A mesma fé que Renata tinha na vida.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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SAIBA MAIS SOBRE O CASO

RenataBragaDeCarvalho-2O vestido decotado de impunidade Vê este corpinho, rapaz? Ainda está conservado porque são vocês que o solicitam e tratam de cuidá-lo toda vez que lhes é vantajoso

Acusado do crime é absolvido – Diário do Nordeste, 21.06.08

Acusado de matar bailarina será levado a júri popular pela terceira vez – Site do TJCE, 28.05.15

Acusado de matar bailarina é condenado a 12,5 anos de prisão – Diário do Nordeste, 01.06.15

Acusado de matar bailarina Renata Braga tem prisão decretada após 23 anos – Diário do Nordeste, 02.08.16

Caso bailarina: Justiça decreta prisão de Wladmir – O Povo, 03.08.16

Mãe de bailarina desiste de lutar após acusado de matar a filha ser solto pela Justiça – Tribuna do Ceará, 05.05.17

Caso Renata Braga vai à OEA – O Povo, Blog do Eliomar, 27.09.17

Morre em Brasília o assassino da bailarina Renata Braga – Focus, 09.07.20

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01- caramba, 20 anos já. que loucura. saudade da renata. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – dez2013

02- SAUDADES …. Marcus França, Fortaleza-CE – dez2013

03- LIndo registro Ricardo..Parabéns.. Claudia Bahia, Fortaleza-CE – dez2013

04- Um dia a conta chegará para ele Ricardo Kelmer, um dia o “Analista” cobra…bjs. Tatiane Sá, Fortaleza-CE – dez2013

05- Tocada. Nayanna Freitas, Fortaleza-CE – dez2013

06- Noooossa, que texto forte e lindo Ricardo Kelmer! Eu como Renata, sagitariana e também bailarina, me senti até homenageada com o carinho e a atenção que vc descreve a Renata do texto, por sua graça, seu gênio forte, sua fé, sua alegria e esse jeito liberto. É até difícil imaginar como alguém que aparenta ter tanta vida, não mais viver entre nós.  É mesmo muito triste essa impunidade que há no nosso país. Quanto desamor, desumanidade e injustiça. Que possamos cultivar mais o amor, a paz e o respeito com o próximo e sermos mais educados, só assim o mundo será melhor. Que essa saudade que vc, a família e os amigos da Renata sentem, dê lugar a alegria contagiante que ela passo através desse sorriso lindo e escancarado. Tenham fé, a Bailarina dança feliz em uma dimensão tão bela quanto ela. Renata Kelly, Fortaleza-CE – dez2013

07- Areepiou até, seu Kelmo. Muito e muito foda. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – dez2013

08- Caramba tempo voa.Coisas do Brasil que não muda a lei nunca.o bandido sempre tem razão e até “bolsa” pra família. Mimi Rocha, Fortaleza-CE – dez2013

09- Texto irretocável meu amigo. Quero te reencontrar prá jogar umas conversas fora qualquer hora. Abraço. Evandro Mário Coelho, Fortaleza-CE – dez2013

10- Caramba que triste, isso nos faz pensar em “nunca deixe para amanhã o que vc pode fazer hoje” … Vamos lutar meu povo por futuro melhor, enquanto houver vida haverá esperança! Eliene Oliveira, Fortaleza-CE – dez2013

11- O brilho de Renata me visitou aqui, a beleza da história, cheia de lições, é de arrepiar, uma pena vivermos no reino da Impunidade. João Dumont, Juazeiro do Norte-CE – dez2013

12- São tantas Renatas! Mas, vamos seguindo com fé na vida. Belíssimo texto Cadim….bjos. Karina Mozart, Fortaleza-CE – dez2013

13- Muito bom, Ricardo. Quase todo dia me pergunto se esse país mudará algum dia. Ricardo Pontes, Fortaleza-CE – dez2013

14- Encontrei com a Renata na praia, na sábado ou no domingo anterior a essa segunda. Conversamos muito, linda demais, positiva, alegre. Até hoje não dá pra acreditar. Ricardo Campos, Fortaleza-CE – dez2013

15- Ninguém esquece deste trágico acontecimento…mto chocante. Luiz Eugenio Oliveira, Fortaleza-CE – dez2013

16- Oportuno e tocante texto em tempos ainda d tanta impunidade em nosso país. Compartilho sua dor, kelmérico escritor! , Márcia Matos, Fortaleza-CE – dez2013

17- “Nos codenaram à pena perpétua dessa dor” Olhos marejados aqui… Michelle Costa, Camocim-CE – dez2013

18- Esse sujeito, ele vai encontrar o que lhe cabe. Corno manso… Simão Salomão, São Paulo-SP – dez2013

19- Saudades !! A Renata foi minha aluna de sapateado, me lembro como se fosse hoje. Ana Clara Catrib, Fortaleza-CE – dez2013

20- Feliz de rever Renata, mesmo que em foto! Há 20 anos não tínhamos as facilidades tecnológicas de hoje e as poucas fotos reveladas que tinha dela se perderam pelo caminho… Sempre me identifiquei com ela: sagitariana, alegre, geniosa, com sede de liberdade… E meus sonhos também me levaram ao Rio de Janeiro onde moro desde 2005. Coincidentemente, em Laranjeiras, próximo ao Catete. Trabalho no centro da cidade e sempre que passo em frente ao Teatro Municipal me lembro dela… O tempo passa e a dor vai sendo sublimada. Ainda vemos sua alegria e seu sorriso nos sorrisos e alegrias dos irmãos e da tia Oneide, os quais tenho a honra de ter entre meus amigos de face; e particularmente na linda menina do Paulo Henrique Carvalho, que tanto lembra a Renatinha. Mas sempre fica a sensação de como a vida seria mais fácil e mais gostosa se Renata ainda continuasse entre nós. Para mim, particularmente, seria fantástico poder contar com essa amiga querida na cidade em que escolhesmos para morar… Enfim, não podemos mudar o que está feito e só nos resta agradecer à vida pelos 20 anos de sua presença nesse mundo. Mas, confesso que meu coração ficaria um pouco mais calmo se pudesse ver o responsável por sua ausência pagar por toda a dor que causou e por todos os ” e se” de que ficamos órfãos. Marta Lima, Rio de Janeiro – dez2013

21- Uau! Que texto… Que história!!!! Me emocionei! Lilian Argenta, São Paulo-SP – dez2013

22- Belas estórias de amor merecem grandes homenagens. Viva Renata! Helga Lima Carlos, Rio de Janeiro-RJ – dez2013

23- Belas palavras para descrever um fato horrível, muito triste tudo isso. Káryta Lima Schajris, Floriano-PI – dez2013

24- Show. Abner Rios de Alencar, Fortaleza-CE – dez2013

25- Esta em cada um o combate á resignação….o não nos deixarmos corromper e lutar por uma sociedade mais justa…em nome das Renatas todas do Brasil e do Mundo….E nunca esquecer! Lutar sempre ! Renata para sempre ! Oscar Manuel Varandas Correia, Belo Horizonte-MG – dez2013

26- Na época do ocorrido, fiquei extremamente comovido com a situação absurda que foi este episódio! Não a conhecia, mas a revolta ao saber do wue aconteceu, mexeu como se a conhecesse!!! Triste, mesmo!!! Nunca soube que a bailarina, foi sua namorada caro Ricardo Kelmer! De qualquer forma, compactuo com seu sentimento de dor “perpétuo”, acreditando que não só a ferramenta das suas palavras, como de suas, ou nossas atidudes positivas, possam contribuir para um mundo mais tranquilo, mais sereno! Creio que onde quer que a estrela Renata esteja, certamente está com você, com sua luz de fé, com sua luz de arte, Grande abraço pra você! Napoleão Caldas, Fortaleza-CE – dez2013

27- Um texto que traz uma mensagem não só sobre a verdade da impunidade existente nesse país… Traz a verdade sobre a vida em seus vários aspectos, e o mais importante de todos, não deixe para amanhã, não prolongue… curta o hoje, sinta, ame, viva cada dia, antes que seja tarde. Todos estamos aqui de passagem, façamos dessa passagem um reflexo de luz e amor. Robervânia Feitosa, Campina Grande-PB – dez2013

28- Rena morremos de saudade!!! Mônica Carvalhedo, Fortaleza-CE – dez2013

29- Olhos marejados. Daquelas coisas que não podem ser esquecidas. Márcio Roger Braga, Fortaleza-CE – dez2013

30- Lindo texto e triste história. Jeane Sousa Tupperware Acácias, João Pessoa-PB – dez2013

31- Nossa Ricardo, vinte anos, que tristeza. Eva Dantas, Londres-Inglaterra – dez2013

32- Tenho nos meus arquivos uma foto da Renata ainda criança em um dos desfiles do Colégio Cearense. Vale recordar… Luciano Dídimo, Fortaleza-CE – dez2013

33- Palavras do Ricardo! Show! Reny DielFortaleza-CE – dez2013

34- nem conhecia ela, mas lembro demais desse fato. Felipe Maia, São Paulo-SP – dez2013

35- poxa vida… Marisa Vieira, Rio de Janeiro-RJ – dez2013

36- Foi atrás do meu predio. Também lembro bem, o moleque que atirou era um sociopata…um desequilibrado mental. Com esse crime e mais outros é que hj em dia para portar uma arma é nescessário testes psicotecnicos que observam qualquer desvio psicopatico por parte do mesmo. Abner Rios de AlencarFortaleza-CE – dez2013

37- Nossa Ricardo Kelmer, não sabia dessa história. Fiquei arrepiada! Lindo! Silvana FujitaFortaleza-CE – dez2013

38- Cara, lembro muito bem disso! Mas lembre-se: a alma é eterna… Sergio NogueiraFortaleza-CE – dez2013

39- Lindas suas palavras Ricardo Kelmer,expressam muito bem seus sentimentos pela linda Renata… Eliane Campos, Salto-SP – dez2013

40- Lembro até hoje desse acontecimento, muito triste. Lembro também os esforço da elite para tirar o psicopata da cadeia. Adriano AbreuFortaleza-CE – dez2013

41- Lembro bem dos jornais e televisão noticiarem e eh uma pena hoje estarmos falando ainda de impunidade.Seria ideal uma punição,mas penso que com a cidade absurdamente violenta como estamos hoje,na realidade nao me percebia o quanto estava violenta na época desse assassinato cruel,quero pedir um favor?meditemos sobre nossa própria colaboração com a violência,eh uma forma de validar a experiência dessa jovem que hoje poderia estar brilhando nos palcos da vida,mas que teve o merecimento de brilhar em memória e emoção!desculpa o desabafo ,me sinto tocado quando vejo uma pessoa da minha geração sendo tao vilipendiada ,eh de nossa responsabilidade nao gerar tamanha violência,e constantemente implantar uma cultura de paz! Geraldo MesquitaFortaleza-CE – dez2013

42- Coração de estudante / Há que se cuidar da vida / Há que se cuidar do mundo / Tomar conta da amizade / Alegria e muito sonho / Espalhados no caminho / Verdes, planta e sentimento / Folhas, coração, juventude e fé”. Com essa música me despedi da linda Renata, foi a última vez que enchi meus olhos com seu bailado, era impressionante! Sua luz ainda maior! Tanto que não coube nessa dimensão! Acreditar na paz é fácil, difícil é acreditar nos homens! Enéas Oliveira LousadaFortaleza-CE – dez2013

43- Ô Renatinha, minha linda, como é bom ver esse seu sorriso lindo de novo. Lucy Anna Westad, Oslo-Noruega – dez2013

44- Kelmer, quero ler cada comentário! Conheci a Renata qdo morei em Fortaleza (1991) e ela era um doce, uma menina especial mesmo! Ela adorava pegar emprestada uma camisa da Ellus branca cheia de mini caveirinhas pretas, que eu tinha…as caveirinhas mais pareciam mini rosas. Há anos que quero reencontrar alguém da família, o Paulo (irmão)..ou a mãe (uma mulher sem igual!). estão por aqui entre seus amigos? aahhh não acredito, estão todos aqui,o Paulinho…a Oneide! (a Renata contida neles)..vou já deixar recado, obrigada Kelmer! (o texto nem precisa dizer que comove, e que homenagem merecida!). Elenice Gago Affonso, São Paulo-SP – dez2013

45- Conheci e convivi com ela desde de muito pequena pois era muito amigo de seus irmãos Paulo Henrique e jorginho, vendo este poste me veio toda as lembranças de muitos feriados e férias passados juntos em sua casa no morro branco. saudades!!! Dudu FreireFortaleza-CE – dez2013

46- “De todas as violências a impunidade é a maior” vai ficar pra sempre em minha mente, abraços. Cibele Baptista, Barretos-SP – dez2012

47- 😦 Dalu MenezesFortaleza-CE – dez2013

48- Exatamente um ano antes, na mesma data, 28.12.92, morreu tb uma jovem bailarina, modelo e atriz, Daniela Perez, que comoveu o Brasil inteiro.. Uma vida que foi também tirada cruelmente.. Que a justiça seja feita, em todos os casos!! Josy Jovi, Pau dos Ferros-RN – dez2013

49- Parece que ainda estou vendo a Renata correndo pelos corredores do colégio cearense. Foi uma grande tragédia para sua familia. Carla Acioly LinharesFortaleza-CE – dez2013

50- “não houve outro dia” 😦 Alana GabrielaFortaleza-CE – dez2013

51- Retrato comovente, Ricardo Kelmer… Infelizmente, e tristemente, a literatura nos abraça com seus registros que, imagino, jamais são esquecidos. Caloroso abraço, meu escritor favorito. Teo Lorent, São Paulo-SP – dez2013

52- Tinhamos encontrado com ela horas antes desse fatidico episódio! Custamos a acreditar…. Rochele BezerraFortaleza-CE – dez2013

53- Lembrei agora do som da risada dela… Mirella ForteFortaleza-CE – dez2013

54- Quanto cabelo! srsss. André Marinho Marinho, Fortaleza-CE – dez2013

55- Q triste, Ricardo. Tb perdi meu irmao, vitima da brutalidade do transito de Brasília, em 2007…E o responsável, ou melhor dizendo, o irresponsável, ainda está impune…E a gente q tem q aprender a viver e conviver com a dor da perda, como vc tao bem expressou no seu texto…Uma linda homenagem… Luciana Brasileiro de Holanda, Campina Grande-PB – dez2013

56- Que saudade Da Renatinha !! poxa, Ainda sonho reencontrando ela, varias vezes!! Nos meus sonhos eu descubro que ela está viva, e que tudo não passou de um grande engano… Não tive a oportunidade de me despedir tbm… Crime imperdoável! Tão cheia de vida…. Que a continuação de sua vida na eternidade esteja sendo uma eterna primavera e que Deus conceda a graça dela poder reencontrar todos a quem tanto ama na paz eterna! Amem. Beijo no seu coração amiga. Ore por nós todos. Nunca te esqueceremos! Fernanda PhilomenoFortaleza-CE – dez2013

57- Lembro muito dela e de sua alegria contagiante!!! Muita pena de tudo isso, ela dancava como ninguem!! Saudades. Cinthia Braga PerdigaoFortaleza-CE – dez2013

58- Amigo… jamais se culpe !! Nossos destino estão traçados.. Leila Borges, Curitiba-PR – dez2013

59- me lembro tanto dessa notícia …só a conhecia de vista mas a achava linda e cheia de vida …Se a justiça dos homens falha, com certeza esse monstro assassino não escapará da justiça divina…aqui se faz aqui se paga …e depois arderá no quinto dos infernos… Jeanine Lima Caminha, Fortaleza-CE – dez2013

60- Isso não vai acabar nunca. Não temos leis eficientes, justiça rigorosa e nem políticos capazes de mudar isso. Infelizmente. Francisco Braz, Eusébio-CE – dez2013

61- “não houve outro dia”. Alana Gabriela, esta frase foi a que mais me marcou ao ler o texto.Serve como reflexão. Silvana Alves, Fortaleza-CE – dez2013

62- Acusado do crime é absolvido. http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=548278. Monica Bürkle, Recife-PE – dez2013

63- Nossa Ricardo Kelmer….Uma narrativa trágica, mas com muita beleza de sentimentos bons! Palavras de uma tragédia que acompanhei na mídia, pois não a conhecia pessoalmente.que me emocionaram muito. Parabéns por transmitir a saudade com ternura e amor. Os “anormais” sabem sentir o amor fraterno intensamente…! Viva a nova vida de Renata !!!!!!!!!!! Angela Marques Gadelha, Fortaleza-CE – dez2013

64- Ricardo não sei te vais lembrar, nas passado um tempo (depois do ocorrido) a gente chegou a reunir-se em casa dos pais da Reanta,com o Jorge, o Paulo Henrique, os pais, a Cris (tb faleicda), Eveline, Dea Girão, tu tb… e literalmente passamos a noite ao som de violão e muita cantoria… as boas memórias ficam guardadas e não há tempo que possa apagá-las! Linda homenagem! Andrea Coelho, Lisboa-Portugal – dez2013

65- Que triste e trágico fim para essa moça tão linda… A culpa não foi sua Ricardo Kelmer, por não ter ido ao seu encontro. São fatalidades da vida… Por isso devemos amar ao próximo e respeitá-los. Cultvar cada dia com amor, pois nunca temos a certeza do que nos espera. E o que levarems daqui são as boas lembranças. Clara Haugland, Fortaleza-CE – dez2013

66- Que triste meu amigo….mas mui bela sua homenagem! Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – dez2013

67- Não se sinta culpado… cada um de nós tem um caminho…. de alguma forma ela fez o dela… fica bem. Juliana Schure, São Paulo-SP – dez2013

68- Belíssima homenagem! Keyla Bachur, Goiânia-GO – dez2013

69- tocante, Ricardo Kelmer. Tetê Macambira, Fortaleza-CE – dez2013

70- Muito triste mesmo, 20 anos e parece que foi ontem! Garota Linda, gente boa com uma família maravilhosa. Muito comovente mesmo! O covarde que fez isso estava de férias com sua turma em fortaleza, presenciei uma confusão com eles dias antes no Clube do Vaqueiro. Quando vi a foto daquele gordo infeliz nos jornais não acreditei. James Dantas, Fortaleza-CE – dez2013

71- Não é mais um caso a se pensar, e sim agir!!! e como? Flavio Rangel, Fortaleza-CE – dez2013

72- No país da Impunidade, é quase a regra o que ocorreu … Carlos Sérgio Mota Silva, Fortaleza-CE – dez2013

73- Me lembro como se fosse hoje, o dia que recebi a notícia da morte da Renata.. muito chocante!! Denilson Lopes, Fortaleza-CE – dez2013

74- Vi praticamente a Renata nascer, era muito amigo de seus irmãos e passava muitos finais de semana em sua casa, conheci ela ainda muito pequena, e estas postagens me fizeram lembrar de uma época de infância quando tudo era sonho até crescermos e a vida nos pregar umas peças como esta. saudades!!! Dudu Freire, Fortaleza-CE – dez2013

75- Nossa cara que história triste! Jackson Wendell, Fortaleza-CE – dez2013

76- Belas palavras para descrever um fato tão triste…recomendo a leitura,toca o coração… Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – dez2013

77- É tudo muito triste! Michelle Firmeza, Fortaleza-CE – dez2013

78- Com certeza muito triste….. Richard Siwaletti, Fortaleza-CE, dez2013

79- Passamos o reveillon juntos em Guaramiranga, lembra Ricardo Kelmer? Ela era realmente uma pessoa muito especial #luto. Beatriz Villar, Fortaleza-CE – dez2013

80- Arnêmia Boyadjian, ela era neta de um vizinho nosso da Gentilândia, sr, Clodomir. José Augusto Moita, Fortaleza-CE – dez2013

81- Eu conheci a mãe da Renata, pouco depois da sua morte! Nunca me esqueci dela e da sua dor! E do CD da Marisa Monte que tocava na casa de praia onde estávamos, com a letra “eu tenho a minha dor…” Muito triste esta história! Que Deus abençoe a sua família! Anna Mendonça, Fortaleza-CE – dez2013

82- Compartilho esse emocionante texto do amigo Ricardo Kelmer, que deveria ser bem lido pelo tal Wladimir Lopes Magalhães Porto, onde quer que esteja. Impunidade é coisa antiga e sempre atualizada. Raymundo Netto, Fortaleza-CE – dez2013

83- ME LEMBRO DESTE TRISTE ACONTECIMENTO…RENATA ERA FILHA DE UM COLEGA DO BNB. HOJE APOSENTADO. Fatima Carvalho, Fortaleza-CE – dez2013

84- Quanta dor expressa nesse texto, chega a doer em mim também. Maria Fátima Freitas Corrêa, Fortaleza-CE – dez2013

85- Só quem sabe é o dono da dor !!! Raquel Duarte Taveira, Fortaleza-CE – dez2013

86- Lembro muito desse acontecimento, realmente muito triste. Silvana Santiago, Fortaleza-CE – dez2013

87- Não fique triste,ela apenas vive em outro plano,quem sabe mais livre e mais feliz.Parabéns pra vc e beijos pelo seu sentimento tão vivo no seu coração. Janilda Oliveira, Fortaleza-CE – dez2013

88- Comovente…! Sonia Regina Parmigiano, São Paulo-SP – dez2013

89- aii, por deus! espero nunca passar por isso! Binha Oliveira, Fortaleza-CE – dez2013

90- Chorei. Ela bailava lindo quando crianca, depois a encontrei – cheia de vida, cheia de planos – na praia, ela estava de ferias aqui em Fortaleza. Dias depois soube dessa tragedia, uma lastima saber que o assassino vive impune. Luciana Melo, Fortaleza-CE – dez2013

91- A melhor justiça éa de Deus! Confia somente! Ligiane Sousa, Fortaleza-CE – dez2013

92- sinto muito. Danielle Alves, Fortaleza-CE – dez2013

93- Conheci a filha, depois a mãe. Duas mulheres encantadoras. Toda a minha solidariedade de sempre. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – dez2013

94- Meu querido! liberte-se da culpa de não tê-la encontrado! de não ter aceitado o convite! LIberte-se da culpa, liberte-se da Mágoa! liberte-se dos sentimentos negativos para que essa energia seja realmente transmutada e a verdadeira justiça se manifestará!Liberte-se do desejo da sua justiça, pois esta está cheia de um fardo negativo e pesado.Perdoe-se , liberte-se, entregue ao Universo que tem a sabedoria da correção e resolução justa, bondosa, verdadeira! Paz e luz no seu coração! Anosha Prema, Campinas-SP – dez2013

95- Emocionante! Nonalissia Costa, Curitiba-PR – dez2013

96- Lindo texto. E a Renatinha continua a brilhar, sempre, sempre. Kelmer compreendo o que sentes, queremos achar que temos esse poder do e se… Hoje entendo que não temos, o que temos é nosso presente e nossas atitudes que nos direciona. Fica em paz. bjs. Georgiana Portela, Fortaleza-CE – dez2013

97- Ahhhh Renatinha !!! Lembro muito … Em varias situações … Especialmente na minha festa de 15 anos, toda de azul se acabando de dançar !!!! Tenho inclusive a fita (agora transformada em DVD) …. Nessa mesma 2ª feira, havia encontrado com ela na praia e o mesmo convite fora feito a mim para ir ao Pirata … Mas como minha avó estava tb de ferias aqui e naquela noite passaria pela 1ª vez na TV o filme Ghost, declinei do convite, pois meu compromisso logo mais seria com a minha avó diante da telinha … Que aperto no , quando me recordo da minha mãe me acordando e me contando a tragédia … Muito amor tenho por toda a família (família amada desde sempre), tia Oneide Braga, meu amigo de fé Paulo Henrique Carvalho, Jorginho … Sinto muitíssimo e rogo a Deus pela Renata e por todos … Pelo perdão que salva e liberta a todos !!!! Viva a Renatinha e sua luz … Verdade Ricardo Ricardo Kelmer, a Renata é resplandecente. Isabella Cantal, Fortaleza-CE – dez2013

98- Uma história de uma estupidez absurda e um resultado na justiça decepcionante e ilustrativo de como funciona o Judiciário no Brasil. Marcelino Pequeno, Fortaleza-CE – dez2013

99- Linda, forte e de uma familia muito legal, sua mãe que eu conheci e tive prazer de conhecer , uma pessoa do bem, mas a JUSTIÇA do Brasil é esta mesmo, enquanto não mudarmos isto, ficaremos sempre a refem destes Bandidos. Franze Santos, Brasília-DF – dez2013

100- Ricardo, o mundo precisa de pessoas como você, capazes de mostrar seus sentimentos. É preciso realmente ter força pra não deixar que a mesma bala que ceifou os sonhos dessa jovem, assassine a nossa esperança de justiça. Um abraço. Luiz Carlos Menezes, Fortaleza-CE – dez2013

101- “De todas as violências, a impunidade é a maior.” Triste. Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – dez2013

102- Ricardo, a certeza de um até breve , ameniza, traz um conforto maior!! Ela cumpriu lindamente a sua missão …. Injusto?para nós que somos egoístas e não gostamos de sofrer … Aliás , quem gosta? Mas tudo tem seu propósito …. Só Deus , nós da e nos retira … Com certeza mais deslumbrante ela está! Livre, com suas sapatilhas …. Delicadeza! Completa! Feliz ano novo !! Muita paz, saúde …. Tudo que você desejar !! Beijao. Ana Kariny Gomes Rosa, Fortaleza-CE – dez2013

103- Meu pesar, história triste…Linda meu caro poeta. Jose Leite Netto, Fortaleza-CE – dez2013

104- Lindo, triste e comovente, Ricardo Kelmer. Que 2014 nos ajude a construir um mundo melhor! Beijão. Cristina Balieiro, São Paulo-SP – dez2013

105- Linda história, lindo sentimento. Apesar da tristeza e dor existente na história, sentimos o sentimento maior de todos nessa narrativa. Saiba que não deves se sentir culpado, pois Deus tem planos para cada um de nós que fogem infelizmente ao nosso controle. Renata está em um lugar iluminado e orando por você. Feliz 2014, muita paz, luz, fé… Att, Emiliane Teixeira, Cajazeiras-PB – dez2013

106- Pra mim essa foi a sua postagem mais linda!… Um brinde à Renata, sim! Dri Flores, São Paulo-SP – dez2014

107- Emocionante Ricardo Kelmer! Grande abraço! Sidneia Fonseca, São Paulo-SP – dez2014

108- Brindemos! Amaury Candido Bezerra, Fortaleza-CE – dez2014

109- O tempo passa mas as lembranças ficam Andrea Coelho, Lisboa-Portugal – dez2014

110- merda!! nunca me esquecerei da Renata, neste dia em que estacamos organizadas de se encontrar na noite de foral…nos vinhamos e voltavamso sempre juntas de aviao, dancavamso todos os dias juntas, gargalhávamos demais….q merda!!!! q saudade doida…A renata era alegre!! como era bom estar direto c ela!! me lembro de tudo tudo….de como ela dancava, das conversas e ppalm das rizadas…era toa bom aquele tempo meu deus!! Juliana Lyra, Brighton-Nova Zelândia – dez2014

111- Ricardo eu a conheci e lamento que esse tipo de tragédia ainda aconteça no trânsito de nosso país! Rosa Verônica Barbosa Pinheiro, Fortaleza-CE – dez2014

112- Na memória um sorriso marcante ! Valeria Cavalcante, Fortaleza-CE – dez2014

113- Lindo texto Kelmer, linda homenagem! Jefferson Souza, Fortaleza-CE – dez2014

114- Parece que foi ontem né? Evandro Mário Coelho, Fortaleza-CE – dez2014

115- Estava Pensando no exato momento que congelei com a notícia e parece que foi ontem ! Valeria Cavalcante, Fortaleza-CE – dez2014

116- O caso da Renata chocou e indignou a todos os fortalezenses, Kelmer. Surpreso por saber que você teve um relacionamento afetivo com ela. Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – dez2014

117- Triste porém lindo, seu depoimento. Tetê Bastos, Fortaleza-CE – dez2014

118- Triste, muito triste. E você tem toda razão. A impunidade é a mãe de tudo isso. No nível Pessoal e em relação à Humanidade mesmo. Tenho certeza absoluta que muitas vidas seriam poupadas se não fosse essa descarada Impunidade. Perdão por abusar, mas vou colar aqui um texto que fiz exatamente sobre isso. Repito, perdão por abusar e postar um texto relativamente longo, mas tem muita relação com a tragédia de que sua namorada, você e as famílias foram vítimas. ´Lá vai:
Crimes Impunes. Até Quando???
Em setembro de 1988, o iatista Lars Grael teve sua perna decepada por lancha que invadiu, em alta velocidade, área demarcada para regata, em Vitória, Espírito Santo. Segundo entendidos em vela e náutica, trata-se de irresponsabilidade tão grande como a de um motorista que invadisse calçadão, igualmente em alta velociadade. Laudos revelaram que o condutor da lancha estaria acoolizado.
Cerca de um mês depois, Pinochet é preso na Inglaterra pelos crimes cometidos durante a Ditadura no Chile.
O Brasil e a Humanidade perderam oportunidades raras e emblemáticas para que todos nós do planeta tivéssemos vida mais segura.
Tanto o condutor da lancha quanto Pinochet deveriam ter sido julgados com todo o rigor da lei, bem como sem qualquer cerceamento das duas defesas. Chegados aos veredictos e determinadas as penas de prisão, essa prisões deveriam ter sido cumpridas até o último minuto.
O argumento que se ouvia na época da prisão é que Pinochet já era idoso, tinha, salvo engano, 83 anos. Simples, muito simples. Se pegasse 20 anos de prisão, aos 103 estaria em liberdade. Se não vivesse mais 20 anos, naturalmente, morreria na cadeia. Simples assim, como dizem os jovens.
Ditadores do mundo inteiro e todos os irresponsáveis pensariam várias vezes antes de cometer atrocidades ou mesmo desatinos que possam causar vítimas.
Não se trata de crueldade minha, muito pelo contrário.
Agora, temos a morte de 236 jovens em incêndio na boate do Rio Grande do Sul. Ao que parece, houve uma série de irresponsabilidades que culminaram na tragédia.
Se o causador do desastre de Grael tivesse cumprido pena justa, isso não teria funcionado como um alerta para todos os envolvidos no incêndio do Rio Grande???
Os responsáveis pela tragédia de turno devem ter julgamento justo e cumprirem as penas a que forem condenados. Caso contrário, essas histórias não vão ter fim e ainda iremos chorar infinidades de vidas perdidas em conseqüência de irresponsabilidades impunes.—————————————————— Como disse, não quis abusar, apenas alertar. Solidário Abraço em Você e em todos que sofreram com essa violência. Paulinho das Frases, São Paulo-SP – dez2014

119- Me lembro demais do nosso reveillon em Guaramiranga, ela tava lá e deixou muita saudade… Beatriz Villar, Fortaleza-CE – dez2014

120- Lembro dessa tragédia e ainda tenho esperança que esse assassino vai , de alguma forma, pagar a dor que causou a todos . A cidade ficou atônita, eu não acreditava naquela brutalidade. Não a conheci, mas tb chorei! Clara Pinho, Fortaleza-CE – dez2014

121- Brasil é uma terra sem lei! A lei somos nós que fazemos e para mim a vingança é um prato que se come frio! Ma Lima, Fortaleza-CE – dez2014

122- Nossa,história triste demais…as vezes dá nojo pertencer a essa raça, essa vida foi interrompida aqui na terra, porém ela esta sempre presente nos corações, nas lembranças e até mesmo no momento em que todo esse texto foi escrito. A morte é só uma libertação para os que vai, mas aprisiona os que aqui ficam, na lembrança e principalmente no inconformismo dessa perda! Obrigada por compartilhar esta história e fiquei muito feliz em conhecer a Renata , com suas palavras consigo sentir o que ela foi, e o que ela é para aqueles que a amam! Eternamente a bailarina da Fé! Kroll Ribeiro, Araraquara-SP – dez2014

123- Da até para escrever um livro de romance… Ery Sampaio, Fortaleza-CE – dez2014

124- OBRIGADA MEU LINDO, PELA HOMENAGEM! EU E RENATA TÍNHAMOS UMA NECESSIDADE DE FICARMOS PERTINHO UMA DA OUTRA! TENHO ABSOLUTA CERTEZA QUE FOI O SER HUMANO QUE MAIS ME AMOU NESTA VIDA !
“PORÉM UM ANO NOVO VAI SURGINDO
VEM ABRINDO OS LENÇÓIS DE UM NOVO DIA NÃO ME FALTE O SANGUE NA POESIA
PRA BERRAR A DOR QUE ESTOU SENTINDO
QUE A TRISTEZA SE VA COM O ANO FINDO
E A ESPERANÇA VENHA COM O QUE SE ARREBATA
QUE A JUSTIÇA, MÃE INGRATA
SEJA PLENA E NÃO INÁBIL
FAZ VINTE E UM ANO
QUE UM TIRO IRRESPONSÁVEL
NOS PRIVOU DA PRESENÇA DE RENATA! “
(MARIO MESQUITA)
BJOOOS QUERIDO “KELMO”,era assim que ela lhe chamava. Oneide Braga, Fortaleza-CE – dez2014

125- Paulo Henrique Carvalho lembra das nossas viagems?!!! Juliana Lyra, Brighton-Nova Zelândia – dez2014

126- Através do texto passou um filme na minha cabeça… Lembrei-me da história nos noticiários e de vc amigo do Curso de Letras Ricardo Kelmer! A impunidade é cruel… Sofia Lima, Fortaleza-CE – dez2014

127- renata jamais será esquecida! pois anjos lindo assim continuam sempre pertinho da gente… creio na justiça do deus. Veronica Braga, Fortaleza-CE – dez2014

128- ONEIDE A SAUDADE NUNCA PASSA, A FALTA É ENORME , SÓ AUMENTA DIA A DIA NÉ AMIGA ?? FELIZ ANO NOVO PRA VC E SUA FAMILIA !! BJ Rita Austregesilo, Fortaleza-CE – dez2014

129- Infelizmente os culpados continuam soltos, e nós continuamos presos em nosso medo. Triste! Lu Maia Lu, Fortaleza-CE – dez2014

130- vc gosta de uma sagitariana ein…. Priscila Marques, São Paulo-SP – dez2014

131- Lindo… Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – dez2014

132- Saudades sim , tristeza não. Vilma Galvão, Fortaleza-CE – jan2015

133- O amor é eterno … Leonor Oliveira Moreira, Fortaleza-CE – jan2015

134- Lindo texto meu primo! Luciana Galvão, Rio de Janeiro-RJ – jan2015

135- Inaceitavel!… Isabela Alcântara, Fortaleza-CE – mai2015

136- Sempre me emociono com esse texto “A bailarina da fé”! Renata essa minha xará, tinha além do nome um tantão de mim (bailarina, energética, de sonhos doces e fé na vida), que é pra mim doloroso saber que se foi tão cedo pelas as mãos de um covarde. Que dessa vez a justiça seja feita, para que esse criminoso fique preso no lugar que ele fez por merecer e que Renata esteja tão linda em um lugar maravilhoso, dançando livremente e feliz. Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2015

137- Muito triste e revoltante saber que um sujeito como este continua impune. No entanto, tenho certeza que este indivíduo nunca deve ter sido feliz. Você pode até não crer nisto, mas eu costumo pesquisar a vida de pessoas que fazem mal aos outros e em geral tem uma vida desgraçada, mesmo que aparentemente não se perceba. Pessoas más, irresponsáveis e criminosas nunca são felizes e embora fiquem impunes na lei humana, há uma lei maior que as pune e é ligeiro. Um grande beijo a você querido Kelmer. Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – mai2015

138- Terra de ninguém. Nely Rosa, Fortaleza-CE – mai2015

139- Que se diga o nome do assassino: Wladmir Lopes de Magalhaães Porto! Marta Lima, Fortaleza-CE – mai2015

140- Linda. Vilma Galvão, Braga-Portugal – mai2015

141- Mais tempo de impunidade do que ela de vida. Absurdo! Coisas do Brasil… Paulo César Norões, Fortaleza-CE – mai2015

142- Wladimir Lopes de Magalhães Porto,assassino tem que pagar seu crime NA CADEIA. Vilma Galvão, Braga-Portugal – mai2015

143- Uma das maiores dificuldades deste julgamento será o tempo. Pois, uma pessoa de 32 anos tinha dez anos, muitas materiais jornalísticas não estão na Internet. Jurados podem ficar ao sabor das representações dos advogados. Por isso compartlhem o máximo que puderem para fazer voltar a memória do caso. A APAVV está publicando vídeos sobre a Renata. Grande abraço a todos. Hermann Schimmelpfeng Landim, Fortaleza-CE – mai2015

144- Que uma data para o fim da impunidade possa ser cravada no lugar dos “??????”! Halder Gomes, Fortaleza-CE – mai2015

145- Linda!!! Valdineusa Sobral, Fortaleza-CE – mai2015

146- Tomara que enfim a justiça seja feita, para que os corações da família possam sentir saudade no lugar de revolta e dor…. Hilda Durier, Rio de Janeiro-RJ – mai2015

147- “De todas as violências, a impunidade é a maior.” Sérgio Rúbia Santos, Fortaleza-CE – mai2015

148- Lembro, certa vez, há muito tempo quando eu era dono de um bar em Fortaleza chamado Outras Palavras. Isso foi em 1991, 1992. Eu tinha um Personal Computer (PC) que usava para fechar as contas do bar, com um programa feito por mim em FoxBase que naquela época não existiam programas prontos. Um dia, consegui um programa para fazer mapa astral. Foi um sucesso! Lembro que a Renata me procurou para fazer o dela e do quão decepcionada ficou ao descobrir que era escorpião. Na verdade (hoje eu sei) uma cúspide. Inaceitável esse cara estar fora da prisão. Antonio Martins, Maceió-AL – mai2015

149- Emocionante lembro demais esse triste dia, mas sei que a estrela muito brilhante é Renata. E aqui, na torcida que a justiça seja feita. Justiça dos homens, pois a de Deus não tenho dúvida nenhuma. Socorro Alves, Fortaleza-CE – mai2015

150- Queremos Justiça. Amaury Cândido, Fortaleza-CE – mai2015

151- Essa história ainda me faz chorar… : ( Beth Andrade, Fortaleza-CE – mai2015

152- Justiça! Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – mai2015

153- o mínimo que podemos fazer é desejar forças à família e pedir sim por justiça!!!!! Gabi Simões, Fortaleza-CE – mai2015

154- Será que teremos justiça? ?? Raquel Bernardo, Fortaleza-CE – mai2015

155- Minha irmã mais linda… O sofrimento continua… Paulo Henrique Carvalho, Fortaleza-CE – mai2015

156- Inaceitável esse ASSASSINO estar fora da prisão. Antonio Martins, Maceió-AL – mai2015

157- Até quando ???? Todos juntos, amigos, conhecidos, gente de bem, vamos todos clamar por justiça!!! Isabela Cantal, Fortaleza-CE – mai2015

158- O assassinato de Renata Braga, em 1993, em uma discussão no trânsito de Fortaleza, foi um episódio que marcou muito na época, pois a violência não era tão banal como nos dia de hoje… eu nunca esqueci a história daquela menina que perdera de forma tão vil e precoce toda a vida que teria pela frente… Alguns anos depois, conheci seu irmão(que se tornou um grande amigo), Paulo Henrique Carvalho e pude vivenciar ainda mais de perto a dor da punição que aquela perda trouxe para sua família. O mínimo que poderia acontecer seria JUSTICA e punição para quem a tirou do convívio dos seus. A esperança de ver essa JUSTICA acontecer ainda existe, contrariando tudo o que vemos neste país detentor de uma ‘justiça’ tão falha. Lidiana Martins, Ipu-CE – mai2015

159- Caríssimo RK Textos chocantes, intensos, que convocam a consciência para a fé no que se pode crer de racional no ser humano. A arte tem que lançar a notícia na eternidade, e é isso que você faz, camarada, e o faz com propriedade profética. Os revólveres passarão, primo, mas a arte da palavra ficará – assim está escrito. Um abração. Leite Jr., Fortaleza-CE – jun2015

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