O crime

26/11/2009

26nov2009

Trago em mim a chama e o perigo. Um calor na coxa. Quer tomar alguma coisa?

O Crime 05c

O CRIME

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Você logo vai perceber que eu não sou uma pessoa fácil. Vou me virando aí pelas avenidas, mudando de pensão e ideologias conforme a luz. Gosto dos venenos lentos e das bebidas mais fortes. Converso com sapos. Ouço boleros na madrugada e caminho nu pelo quarto. E nem sempre é santa a minha ira.

Mas é que explode em mim uma liberdade que te fascina: vodcas, olheiras, buscar nos bares todos os olhares… Trago em mim a chama e o perigo. Um calor na coxa. Quer tomar alguma coisa?

Creio no fascínio, nas doentias obstinações, as paixões mais absurdas. Sou desses que carregam sempre o lado oculto de um forte desejo. Cúmplice, louco e delirante, ah, você não me conhece. O limite, o crime, o desatino! Nada que me tente tanto.

Homem de opinião e nenhum caráter. Eu uso máscaras, garota, você não vai me entender a alma. Um ator na vida, meio canalha como todos são – à luz do dia acho tudo indecente. Palavras sem pudor, essa roupa rasgada que é preciso esconder… Olha, entre meu signo e o seu há uma possibilidade de veneno. Eu sei.

Quero tudo que é estilete, faca, lâmina, metal. Quero te dar um beijo na boca ou pelo menos dormir com você. Mas percebo sua resolução de não ceder, você é uma mulher séria. Olhe que se preciso fosse, eu te mataria a sangue-frio e com cuidado… Nem tanto pelo amor, mas pelo insólito. Ai, ai, eu sempre terminarei meus filmes como o bandido. Mas é isso mesmo o que sou, uma mistura dos cheiros da festa. E foda-se se você me detesta.

Confesso que mal te conheço, mas sei muito bem das tentações dos sortilégios. Você tentará se domar, disciplinar, pensará ser mais forte que os ciclos e a força dos mistérios. Tsc, tsc… Não, garota, não se doma o mar. Então nisso é que consistirá o meu crime: você não saberá o que fazer e acabará abrindo a blusa.

Como faria qualquer mulher confusa em seu lugar.

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Ricardo Kelmer 1992 – blogdokelmer.com

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Texto compilado e adaptado de poemas do livro O Perigo do Dragão (Ed. Record, 1984), de Bruna Lombardi.

> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos, de 2003

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Dueto de poemas com Sandra Regina, no Eita Sarau, 2012

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Bruna Lombardi na Wikipedia

Página oficial de Bruna Lombardi no Facebook

Livros de Bruna Lombardi:

O Signo da Cidade, roteiro do filme (Imprensa Oficial de SP, 2008)
Meu Ódio Será Tua Herança, romance (Guanabara Koogan, 2004)
Filmes Proibidos, romance (Companhia das Letras, 1990)
Apenas Bons Amigos, infantil (Globo, 1987)
Diário do Grande Sertão, registro poético das filmagens (Record, 1986)
O Perigo do Dragão, poemas (Record, 1984)
Gaia, poemas (Codecri, 1980)
No Ritmo Dessa Festa, poemas (Editora Tres, 1976)

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LEIA NESTE BLOG

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Mulheres que adoram – Dar prazer a uma mulher. O que pode haver de mais recompensador na vida?

Insights e calcinhas – Uma calcinha rasgada pode mudar a vida de uma mulher? Ruth descobriu que sim

Kelmer Para Mulheres – Nesta seção do blog, homem fica de fora

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01- Nem tanto pelo amor mas pelo insólito… Legaaal… Juliana Galdino, São Paulo-SP – dez2005

02- bom texto do ricardo. ele tá se transformando num belo de um “boca maldita”! Paulo Nunes, São Paulo-SP – ago2013

03- Aplausos! Aluisio Martins, Fortaleza-CE – set2023

04- Maravilhoso!!!! Soraya Freire, Fortaleza-CE – set2023 

05- Aplausos! Marcus Dias, Fortaleza-CE – set2023

OCrime-05a


Viver como Vinicius viveu

14/11/2009

Ricardo Kelmer 2009

Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!
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Vinicius voltou pra mim, ô maravilha. Na verdade, o poetinha nunca se foi eu é que, em face de outros encantos, esqueci o quanto dele se encanta meu pensamento. Curioso como a gente consegue se afastar dos nossos valores mais essenciais. Um dia, plim!, a ficha cai e a gente se assusta por ter vivido tanto tempo sem viver as nossas mais belas verdades, aquelas que fazem a gente se sentir vivo em cada vão momento.

Invoco agora as lembranças pra tentar entender. Lá vai eu, menino bobo de dez anos, dar de presente pra professora uns versinhos que meu pai me ajudava a fazer. Depois o adolescente a descobrir a força das erupções: da poesia e das espinhas no rosto. E nos poemas, sempre ela, a Mulher, primeiro nas rimas ingênuas das paixonites não correspondidas e, depois, nos versos livres dos amores juvenis pelas mesas dos botecos. E, pairando sobre aqueles dias, Vinicius a espalhar seu canto.

Nas rodas de violão da década de 80, eu sempre pedia Vinicius, pra rir meu riso e derramar meu pranto. Nas viagens de ônibus pelo país, seus livros pra passar o tempo. Na inauguração do bar do amigo, olha eu, solene e copo na mão, recitando Receita de mulher. No festival de vídeo, olha lá eu de novo, no palco a agradecer o prêmio e o vídeo era uma homenagem ao velho Vina. E nos ouvidos rendidos da mulher amada, é minha boca que pousa suave a lhe sussurrar os versos do poetinha. Poesia, música e amores, e o fascínio quase religioso pelo Feminino era só isso que importava. Viver não era preciso. Necessário apenas viver como poeta, seja com pesar ou contentamento. Como Vinicius viveu.

Invadindo meus dias sem pedir licença, eis porém que chegam outros tempos, vestidos de anos 90, e com eles outros bares, outras viagens, outros livros e músicas, outras mulheres, uma outra vida. E um casamento difícil, com a carreira de escritor, em nome da qual eu ganharia e também abdicaria da própria vida. Meus discos do Vinicius, nem gosto de lembrar, se perderam nas tantas mudanças e seus livros eu precisei vender no sebo pra pagar o aluguel, essa mensal angústia de quem vive. Na memória, os poemas deram lugar a fórmulas de sobrevivência como escritor. E o viver como ele viveu, ah, isso foi ficando cada vez mais espremido num cantinho da vida.

Ela quer um poema agora, Vina, exclusivo pra ela. Como você fazia nessas horas? (1993)

Casadão com a carreira, mudo pro Rio de Janeiro em 1995 e no ano seguinte pra São Paulo. Porém, sem conseguir me manter como escritor, volto pra Fortaleza. Sete anos depois tento novamente o Rio, viro roteirista de TV, e em 2006 aporto mais uma vez na Pauliceia, viro palestrante e professor de roteiro, tudo pra sustentar esse casamento. Uma noite vem a ideia de montar uma palestra nova e é então que a ficha cai: uma palestra sobre Vinicius. Plim! Como não pensei nisso antes? A ideia rapidamente evolui: montar não uma palestra, mas um espetáculo sobre o poetinha. Viniciarte. Pliiimmm!!!

Imediatamente tratei de reler suas obras e reuni novamente suas músicas, faminto desse amor que um dia eu tive. Mergulhei em biografias, vi filmes e conversei com pessoas que o conheceram pessoalmente. Em busca de algo que bem representasse o espírito de sua vida e obra, criei um roteiro que simula o ensaio do espetáculo que um grupo de amigos fará sobre ele: amigos reunidos, uísque na mesa, clima descontraído, os erros e acertos de um ensaio e, entre poemas e canções, eles descobrindo as diversas facetas de Vinicius e o encanto do mundo por sua arte. É uma montagem simples, que espero que reflita a alma leve e despojada de Vinicius, assim como também a singeleza, a emoção e a devoção à Vida que tão bem marcaram sua obra e seu viver.

De Pitú pra Chivas. Pelo menos nisso, poetinha, eu evoluí. (2009)

Uau… Eu consegui ressuscitar a velha chama que vinte anos atrás aquecia de imortalidade os meus dias, minha vida andava precisada disso. Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista putz, tem sido tão gratificante fazer isso! Espero que eu realmente seja digno dessa tarefa a que me incubi e que, pensando bem, é antes de tudo um resgate de mim mesmo. Que ironia isso… Enquanto despendia toda minha energia pra manter meu casamento com a escrita, esqueci de viver como poeta. Bem, meu casamento continua firme mas agora sou um escritor que sabe de algo valioso: maior que a sina da escrita, é ela, a poesia da vida, que faz tudo ser infinito enquanto dura.

Saravá, Vininha, saravá.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA MAIS

> Vinicius, embaixador da arte e do amorA promoção póstuma do nosso mais querido diplomata faz a sociedade brasileira se livrar de um peso moral que carregava havia quatro décadas

> Viver como Vinicius viveu – Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!

> Câmara aprova promoção de Vinicius de Moraes, morto em 1980, a ministro de primeira classe (O Globo, 10.02.10)

> VINICIUS DE MORAES – SITE OFICIAL: viniciusdemoraes.com.br

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VINICIARTE

> Seção Viniciarte, agenda de apresentações

> Trechos do espetáculo

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Onde já se viu, criatura, casar com a carreira e abandonar a tua belíssima FÊMEA DE DENTRO? Tá dooooido? Lembra do que tu escreveu sobre fascínio religioso pelo feminino? Pois é… Andastes des-ligado DELA? Entonces, se re-ligue. De fascínio ao religamento, já imaginou RK? FODAS RELIGADORAS BÁRBARAS! GOZOS TRANSBORDANTES! Patrícia Lobo, Salvador-BA – nov2009

02- Oi Ricardo, Tudo bem? Adoro ler o que escreve, pena não poder entrar no seu blog aqui do computador do meu trabalho. Torço por vc e que a inspiração seja sua eterna companheira. Parabéns!! Abraços. P.S.: Lembrando: Sou aquela moça do bolo de choclate que vc não comeu…rsrsrsrs. Fátima, Brasília-DF – nov2009

03cara, vc realmente escreve muuuuito bem! aproveitar frases dele, encaixar tão bem nas suas… PARABÉNS!!!! me emocionou, assim como os poemas do poeta… bjão. Celia Terpins, São Paulo-SP – nov2009

04- Vinícius bom é Vinícius poeta… o “poetinha” é machista e duro do ouvido! Emblemática é a correspondência entre Chico e ele (Chico, o ouvido perfeito….). Em Valsinha, Vinícius sugere q mude “vestido decotado” para “vestido dourado”. Chico responde q com “dourado” a tônica fica na sílaba errada… É verdade: qtas pessoas vc conhece q compõem letras e não se ligam nisso? Ficaria “douradú”… em vez de “dourádo”, ou, como ficou, “decotádo”. bjs. Betty, São Paulo-SP – nov2009

05- Olá Ricardo, gostei muito da sua crônica. O mais engraçado foi a leitura desse texto justamente hoje, quando deixei de fazer umas coisas super-chatas e decidi vir para casa fazer algo mais bacana… Um abraço. Glauber Moura, Brasília-DF – nov2009

06So good Kelmer. Juliana Guedes, Fortaleza-CE – nov2009

07- RK, é por estas e outras que vc será meu eterno Guru!!! Marcos André Borges, Fortaleza-CE – nov2009

08- Legal conhecer gente do bem, do bom, da boa…embriagado da mais pura poesia e boemia. 2013 promete! Q suba o país, viniciando com K. Muito bom ouvi-lo! Repassei aos amigos q não desistem de navegar pela vida, apesar de tantos desencontros. Parabéns! Marcia Matos Barbosa, Fortaleza-CE – nov2009

09- Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você…. Danielle Fernandes, Fortaleza-CE – nov2009

10- Que texto lindo!!! Adorei!!! Gosto muito do seu jeito de escrever….jeito que encanta, que dá vontade de quero mais……. rs Abração aí!!! Biah Carfig, São Paulo-SP – nov2009

11- Kelmer com K, este teu momento de retorno às fontes é muito bonito! A vida é espiral. Beijo, e boas inspirações! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – nov2009

12- ameiiiiiiiiiiiii,muitooooooooooo lindo!!!Sampa está te fazendo muitoooooooooo bem meu amigo queridoooooooooooo!!!estou te achando mais forte,maduro,sensível,escrevendo melhor ainda,enfim tudo de bommmmmmmmm. Beijossssssssssss mil. obs:bjssssssss no Bedê. Cristina Cabral, Fortaleza-CE  – nov2009

13-Saravá, Ricardo! Saravá Vininha! Continue, continue… Ana Gilli, São Paulo-SP – nov2009

Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

Eu só queria que você soubesse

10/11/2009

10nov2009

EuSoQueriaQueVoceSoubesse-06

EU SÓ QUERIA QUE VOCÊ SOUBESSE

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Eu só queria que você soubesse
Que as minhas noites são tão vazias
E o meu coração é tão velho sem você…
Eu sirvo mais uma dose enfim
Eu olho a cidade
Da janela só a cidade sabe de mim

Eu ouço música na madrugada
Eu tinha tanta música pra fazer
Sirvo uma dose, me visto pra sair
Eu tinha tanto pra dizer
Onde está a seção de acompanhantes?
Quanto vale um corpo sem você?

Eu só queria que você soubesse
Que eu durmo muito tarde
E até a cidade tem sensibilidade
E que comprei aquele vinho da promoção
Eu só queria que você soubesse
Que você não tem coração
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Ricardo Kelmer 1995 – blogdokelmer.com

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> Ouça esta música (de Ricardo Kelmer e Humberto Pinho)

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EuSoQueriaQueVoceSoubesse-06c

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RAIO X DA PARCERIA

Você me permite umas considerações sobre esta música?

Fiz a letra desse blues numa das madrugadas solitárias de minha primeira fase carioca (1995-1996). Mostrei pro Humberto, que gostou e musicou. Em 2004, antes de eu embarcar pra ir morar novamente no Rio de Janeiro, ele gravou em seu estúdio, apenas voz e violão. É o único registro que temos pois a música não foi gravada por mais ninguém.

Quando escrevi, tive o cuidado de deixar o gênero incerto, ou seja, quem fala pode ser uma mulher ou um homem, apesar do protagonista buscar uma seção de acompanhantes e isso ser uma prática mais masculina. Numa letra, a incerteza proposital do gênero permite que tanto homens como mulheres se identifiquem e possam cantar sem ter que alterar o texto.

Por falar em alterar, houve alterações na letra. Em parcerias, isso é comum, e usarei este caso pra mostrar como elas podem enriquecer o trabalho. Na letra original, o verso é “Que as minhas noites são tão vazias” mas Humberto gravou “Que as minhas noites são tão sozinhas”. Gostei, mas prefiro o original por causa da aliteração (repetição das mesmas letras ou sílabas) provocada pela letra V (vazias, velho, você).

EuSoQueriaQueVoceSoubesse-06Outra mudança foi no verso “Quanto vale um corpo sem você?”, que na gravação ficou “Quanto vale um corpo sem o seu?” Outra vez prefiro o original mas é interessante perceber como as duas formas possuem curiosas sutilezas de significados. Vejamos:

“Quanto vale um corpo sem você?” – O protagonista ou a protagonista, no auge da solidão, busca a seção de acompanhantes e se pergunta quanto poderia valer um corpo que não fosse o da pessoa amada, “um corpo sem você”.

“Quanto vale um corpo sem o seu?” – Aqui a pergunta muda o foco. Quanto valeria o corpo do próprio protagonista privado do corpo da pessoa amada?

Mas houve uma mudança que aprovei. No original, era assim:

Eu olho a cidade da janela
Só a cidade sabe de mim

O protagonista está na janela olhando a cidade e somente a cidade sabe de sua dor. Na gravação, porém, o ritmo obrigou Humberto a fazer uma leve pausa entre “cidade” e “janela” e essa mudança, mesmo sendo bem sutil, levou o “da janela” mais pra perto do verso seguinte e isso causou, pelo menos pra mim, um efeito visual e de sentido bem mais interessante.

Eu olho a cidade
Da janela só a cidade sabe de mim

O protagonista continua olhando a cidade, isso não mudou. Mas agora o verso “Da janela só a cidade sabe de mim” parece emoldurar a cidade na janela e isso traz o protagonista de volta ao ambiente interno do apartamento. Ou seja, agora a cidade está na janela e observa o protagonista em sua dor e solidão.

A seguir, o clipe. É um dos que usei pra divulgação de meu livro Vocês Terráqueas. Escolhi e trabalhei as imagens pondo como protagonista uma mulher, e pra fazer a edição usei o Windows Movie Maker, tudo bem dentro das minhas limitações, vá desculpando.

> Baixe a música (mp3)

> Mais músicas kelméricas

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Clipe da música

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01-  Adorei ”Eu só queria que você soubesse”. E meus ouvidos até sorriram. Herlene Santos, Fortaleza-CE – abr2013

02- Excelente! Dalu Menezes, Fortaleza-CE – abr2013

03- Muito boa,Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos!!! Silvana Alves, Fortaleza-CE – abr2013

 


Filme: Desconstruindo Harry

04/11/2009

Ricardo Kelmer 2009

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Desconstruindo Harry

FICHA TÉCNICA

Deconstructing Harry
EUA, 1997 – 95 min
Elenco: Woody Allen, Kirstie Alley, Tobey Maguire, Demi Moore, Robin Williams, Billy Crystal e outros
Roteiro e direção: Woody Allen
Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original

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RK COMENTA

Niilismos e orgasmos

Harry Block é um conhecido escritor que usa e abusa de referências autobiográficas em seus livros, o que acaba por incomodar seus amigos, familiares e amantes, que se descobrem nas histórias publicadas e não gostam nada de como foram retratados. Em meio a uma crise criativa, abandonado pela amante e preparando-se para ser homenageado pela própria escola que no passado o expulsou, Harry passa a se relacionar com seus próprios personagens, que lhe mostrarão novas formas de compreender sua vida confusa.

Eis mais um daqueles deliciosos personagens cheios de neuras de Woody Allen. Harry gasta todo seu dinheiro com análise, advogados e putas e ele é o primeiro a prevenir suas amantes para que não se apaixonem por ele. Acusado por sua ex-mulher de levar a vida baseado tão-somente em niilismo, cinismo, sarcasmo e orgasmo, ele consegue irritá-la ainda mais dizendo que com um slogan desses, seria eleito presidente da França.

Desconstruindo Harry é um filme muito divertido, principalmente para escritores que se relacionam intensamente com sua própria obra e com seus personagens. Se você costuma escrever inspirado diretamente em seus relacionamentos e nem sempre consegue distinguir o que inventou em seus textos daquilo que copiou da vida, então conheça Harry Block. E dê boas risadas dele e de você também.

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Baixe o filme
> Factoryfilmes.net (áudio em português)

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

Olha pegadinha – Quem nunca foi enganado? Esse ainda não nasceu

Paz e amor express – Durante cinco dias o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor

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Ser mulher não é pra qualquer um

31/10/2009

31out2009

É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

BelasDaTarde-02b

SER MULHER NÃO É PRA QUALQUER UM

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Era no último dia do ano. Uns caras desciam pra avenida Beira-Mar com roupas de mulher, pra beber e jogar bola. Ideia genial, de uma só vez homenagear o melhor da vida: mulher, futebol e cerveja. Não necessariamente nessa ordem, é claro.

Avisei os amigos e em 1988 participamos da festa das bonecas da Volta da Jurema, tudo empolgado querendo ser mulher por um dia. Euzinha botei uma sainha, blusinha de alça com enchimento, meia tarrafa, uma maquiagem assim bem básica e calcei… o conga. Bicha pobre, tadinha. Nem peruca tinha. Mas descolei uma bolsa escândalo pra levar a garrafa de Ypióca. Mulher moderna é assim, pinguça e pragmática.

Meu batismo feminino foi de sangue: subi no carro, ele arrancou e saí bolando pelo asfalto, que nem tatu-bola, eu e a cachaça. Levantei zonza, procurando meu brinco, a saia toda torta, um peito no chão, a própria mulamba. Na mão, o gargalo da garrafa, tudo que restou da companheira. E no braço, hummm, um corte horrível, que me custaria doze pontos externos e oito internos. Hoje mostro a cicatriz com orgulho: Tá vendo, eu estive lá.

Aí o grupo cresceu e uma multidão ia assistir ao desfile das bonecas, uma centena de ensandecidas aprontando na Beira-Mar, desfilando em carroça de jumento, invadindo ônibus, agarrando os bofes, gritinhos, xiliques e coreografias. Um verdadeiro carnaval fora de época.

Anos depois, a festa tinha trio elétrico, axé music, muita bicha legítima e político querendo aparecer, ô racinha… Criamos então, em 93, um bloco dissidente: As Belas da Tarde. E elegemos como paraninfa Catherine Deneuve, claro. Ela foi convidada, mas seus compromissos não permitiram, tudo bem. Passamos a desfilar no pré-carnaval e a cada ano escolhíamos a Bela Rainha, que botava a faixa e abria o desfile, glória máxima na vida de uma Bela. Nosso ritual era sagrado: concentração ao meio-dia, modelitos-arraso, batons, brilhos e, por favor, qualquer coisa pra beber, o que é isso, licor de ovos, serve. As amigas e namoradas ajudavam na produção, lutando pelo título de Bela Madrinha. Diferente desses blocos onde os caras botam um limão no sutian e se acham mulher, a gente fazia questão de ficar bonita. Pra entrar no bloco tinha que ser convidada, isso mesmo, era coisa séria. Afinal ser mulher não é pra qualquer um.

É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro. Quarenta belas, uma parte já totalmente alucinada e a outra já clinicamente morta. O trenzinho percorre faceiro as avenidas ao som de Frenéticas, Xuxa e Ney Matogrosso, e quem está na rua corre pra não ser violentado pelo bando de taradas. As tevês cobrem a pouca-vergonha: “Estamos aqui na avenida Abolição e o trânsito está um caos, os policiais são impotentes diante do furor uterino das belas enlouquecidas!” A passagem pela Beira-Mar é apoteótica, e as Belas invadem os hotéis gritando “Ar-ren-ti-nos! Ar-ren-ti-nos!” Os gerentes ficam em estado de choque. Os seguranças tentam barrar a turba, mas, você sabe, é impossível deter um magote de bonecas bárbaras, tudo doida pra sentar no colo do gringo, tomar o uísque dele e detonar a lagosta.

BelasDaTarde-1993-03bUma vez, pegaram um banhista e levaram a sunga dele, deixaram o coitado pelado no meio do calçadão. Ninfômanas! Outra vez, o bloco invadiu o Náutico, interrompeu o jogo de tênis e levou as bolas. Vândalas! A outra desmiolada, debutando no bloco com seus primaveris 16 anos, bicha linda mas inexperiente na vidaloca, saltou de bico na piscina sem perceber que tinha apenas meio metro de fundo: foi direto pro hospital com a testa aberta, bem feito, quem manda dar desgosto à família! E a outra que caiu do trenzinho? Foi salva da morte pelo pai que levou a filha transviada pra farmácia, e enquanto ele comprava soro fisiológico, não é que a condenada se apaixona por um creme de queratina e cai por cima da prateleira, derrubando tudo? Ô mulherzinha, deixa de ser desgovernada! E você não vai crer, mas teve um ano que uma Bela absolutamente sem juízo pegou no pingolim do soldado, acredita? Pois foi. Enquanto o soldado corria atrás dela, a Bela gritava: Mal-agradecido, não te chupo mais! Que coisa. Botavam o quê na bebida dessas moças?

No fim do percurso, a gente contabilizava as sobreviventes. E os namoros que restavam. Algumas Belas iam tomar glicose, outras esticavam a noite, insaciáveis. Mas a maioria não sabia mais nem em que ano estava. Uma vez, no dia seguinte, encontraram uma Bela semimorta no jardim de uma casa, ô vontade de ser uma orquídea… Outras conseguiam a incrível façanha de arrumar namorada, isso mesmo, namorada, vestido de quenga, a peruca parecendo um guaxinim molhado, o rímel escorrendo, aquele lastimável estado de embriaguez. É, tem gosto pra tudo. Pensando bem, nossas amigas mulheres eram mesmo sabidas: se aproveitavam da confusão pra fisgar aquele gatinho que nunca dava bola pra elas.

Em 96, o bloco desfilava pela Praia de Iracema, seguindo a bandinha de metais. Ao passar pela igrejinha, na hora da missa, as Belas, mui beatas e respeitosas, suspenderam a música, caminhando em silêncio. Uma até baixou o vestido, escondendo a peruca chanel que levava na parte da frente da calcinha. Porém… uma Bela isprito-de-porco não resistiu e soltou o refrão: “Na casa do Senhor não existe Satanás!” Pronto, as outras acompanharam, “Xô, Satanás, xô, Satanás”, a bandinha se animou, a festa voltou e os fiéis, apavorados, saíram correndo da igreja pensando que o próprio demo chegava com sua horda de dementes. Um ano depois, o Tribunal do Santo Ofício excomungaria todas as Belas, bem feito. Com exceção de uma que se arrependeu da vida pecaminosa e virou Carmelita.

A essa altura, o bloco já estava em franca decadência, as Belas todas velhas, barrigudas, cheias de pelanca. A época áurea dos corpinhos malhados havia passado e já tinha Bela pai de família levando os filhos pro desfile. Hummm, melhor parar. E assim as Belas da Tarde desceram a cortina, encerrando sua vistosa história de purpurina e alegria. Mas tem muito marmanjo aí que, por via das dúvidas, ainda guarda a meia arrastão no fundo da gaveta – eu, por exemplo. Sei lá, vai que um dia bate assim um revival. Já estamos excomungadas mesmo…
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Ricardo Kelmer 2005  – blogdokelmer.com

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Foto 1: Concentração no bar Suspeito, do lendário Carlinhos Papai, 1993. Valmir Jr (Bela Rainha 1993 com o modelito A Perestroika da Fanta Uva), RK (Angelly Cabrita) e Rian Batista (Inês Fiúza Cover). A repórter é Selma Vidal.

Foto 2: Concentração no bar Suspeito, 1993. Valmir Jr, André Barbacena (A Filha de Glorinha) e RK.

Foto 3: O famigerado trenzinho, 1990. RK, Fred Schlaepffer (de biquinho), Emílio Schlaepffer (a bicha galinha), Marcio Régis (a bicha bêba), Nelsinho Machado (bicha séria), Vicente Vieira (bichinha de óculos) e Fábio Fabão (bicha toda-toda). A bela de chapéu, afff, até hoje não sei quem é esta criatura risonha. Será o Beká?

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FOTOS
(clique para ampliar)

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foto 4

O primeiro ano da putaria organizada, ainda Bonecas da Volta. Concentração, esperando o trenzinho chegar (1989)

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foto 5Concentração. Dr. Galvão à esquerda, um entusiasta incentivador da bicholice alheia (1989)

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foto 6Tá no DNA. Família Vieira bem representada: Paula Dark, Vicentina e Marcela, a bicha debutante – que duas horas depois saltaria de cabeça na piscina infantil do Náutico (que tem meio metro de fundura) e terminaria seu debut no hospital (1989)

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foto 7Fredulina e Emília, as bichas arreganhadas (1989)

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foto 8Abalando a Beira-Mar em chamas. Emília toda linda no trenzinho e Vicentina arreganhando a perereca. E a bicha Ricardina de sainha de bolinha, tão meiga (1989)

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foto 9
Pirâmide Purpurina. As bichas manifestando toda a sua classe e doçura no calçadão da Volta da Jurema (1989)

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1993 – Concentração no bar Suspeito, do lendário Carlinhos Papai

foto 10André Barbacena (A Filha de Glorinha), Valmir Jr (A Perestroika da Fanta Uva) e Carlinhos Papai sentindo algo estranho na retaguarda (1993)

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foto 11RK (Angelly Cabrita) com a maquiagem ainda funcionando (1993)

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foto 12

RK1993Belas1Angelly Cabrita e as pernas que um dia abalaram a Volta da Jurema (1993)

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foto 13Invasão do Imperial Othon Hotel. Da esq. p/ dir.: Marcus Lima, Zá, ?, Pedro Neto, André Barbacena, ?, Rian Batista, RK, ?, Henrique Baima, Leão, Rossé Sabadia, Vicente Vieira e Humberto Pinho. Atrás, os turistas sem acreditar (1993)

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foto 14Invasão do Imperial Othon Hotel. Belas saudando Yemanjá. Um bando de bichas embriagadas dançando num pedacim de muro, como é que ninguém nunca despencou dali de cima? Milagre de São Sebastião Flechado (1993)

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foto 15Invasão do Imperial Othon Hotel. Em primeiro plano, RK (Angelly Cabrita) segura a peruca enquanto comanda a retirada. À esquerda, Humberto Pinho (Sherazeda) levando o uísque que roubou da mesa de um hóspede. Bem atrás da garotinha aterrorizada, Marcus Braga encarna uma madame levando na coleira seu lindo poodle imaginário. E à direita, Luís Sabadia com a cerveja que ganhou de um turista alemão que se apaixonou por ele – esses gringos têm um mau gosto… (1993)

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1994 – Concentração na casa do Humberto

Em 1994, as Belas mais uma vez deram o ar da graça. A concentração foi na casa do Humberto Pinho. Reza a lenda que no outro dia, de manhã, a mãe dele foi no jardim e encontrou dormindo entre as plantas uma bela vestida de chapeuzinho vermelho, semimorta: era o Pedro Rogério, coitado, que bebeu tanto na concentração que sequer conseguiu sair no trenzinho pro desfile.

foto 16Paulo Marcio (A Noiva do Chuck), Nelsinho Machado tendo um chilique, Vicente Vieira (Bonequinha de Luxo) e Sean (Oncinha Irlandesa) adorando o fon-fon em seu peitinho (1994)

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foto 17Valmir Jr todo orgulhoso com sua faixa de Bela Rainha 1993, Vicente Vieira (Madame Vicentina) e Tibico Brasil (Ânus Dourado) (1994)

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foto 18A da esquerda é o Gaúcho, a bicha la playa. A do meio é o Claudio Vignoli, futura bela pizzaiola. E a bela vitaminada da direita é o Fred Schlaepfer. Ao fundo, Romeu Duarte doido pra assumir e Chiquinho Aragão se embriagando pra tomar coragem (1994)

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foto 19João Netto (antes de virar servo do Senhor, claro) encarnando A Viúva do Xinim Carecido, ao lado de Humberto Pinho,  A Louca do Cemitério (1994)

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foto 20Wilsinho Pinto (Afrodite Pokemon) toda meiga no trenzinho (1994)

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foto 21Celsinho Rocha e sua Radical Chota (1994)

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foto 22Sean, a Oncinha Irlandesa, achando o Brasil uma coisa assim muito exótica (1994)

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foto 23Vicente Vieira, Valmir Jr e Paulo Marcio, a Nojenta do Hospício (1994)

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foto 24Nelsinho Machado em seu glorioso momento de concentração. Tem que raspar esse sovaco, viu, mizifia? (1994)

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foto 25Volta da Jurema dominada (1994)

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foto 26A Noiva do Chuck e Madame Vicentina, irmãs unidas pela causa bicholítica (1994)

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Você tem fotos das Belas? Manda que eu publico

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COMENTÁRIOS
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01- Lonner, lembra que eu tenho MUITAS fotos das Belas da Tarde… Se eu abrir o baú, serei uma mulher morta! Carmem Távora, Brasília-DF – jan2011

02- Loucas eram as mulheres que aceitavam namorar esses caras! Fazer o que? Tem gosto pra tudo, kkkkkkkk – Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – jan2011

03- Kelmer eu li o texto no Vocês, terráqueas e morri de rir e de cuiriosidade de ver vcs pagando essemico! amei! vc fica ‘deliciosA! kkkkk. beijão! Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – jan2011

04- A Rosane pediu prá dizer que se ela fosse homem,ela pegaria a loira.rs. Bia Rocha, São Paulo-SP – jan2011

05- Kelmer, adoooro essa sua obseção (ou será obceção, ou obcessão?) pelas mulheres. Vc curte todas, as livres, as loucas, e ate as falsas. bjo, saudade. Renata Regina, São Paulo-SP – jan2011

06- Meu Deus, quando lembro dessas coisas, me pergunto como foi que a gente sobreviveu, kkkk! Putz, Ricardo, está muito boa essa crônica! Claro que ela tem um lado especial para mim, pois vivenciei tudo isso. Mas, procurando me abstrair da minha participação disso tudo, ficou bem escrito e interessante de se ler. Um registro digno de um tempo bom! Vou mostrar para a Synthia, quero ver a cara dela, hahaha! Aquele abraço, meu amigo, e obrigado pela lembrança! Antonio Martins, Maceió-AL – mai2012

07- Texto adorável!!!!E não desgrudo dessa palavra(adorei,vicio já)..kkkKK..Mas não acho nenhuma melhor pra dfinir..adorei as fotoss!!!kkkkkkkkkkkkkk…Bora ser feliz!!! Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – nov2013

08- Ricardo Kelmer de peruca loira, arrasO! Uma cabarete e tanto! Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – nov2013

09- o chico cesar é cirúrgico….afirma -“já fui mulher, eu sei,” mas , depois , mostrou admiração pelo caeteno “tan5as almas esticadas no curtume”…e mais adiante exigiu_”respeitem, pelo menos os meus cabelos.BRANCOS”. Stefenson Pinheiro, Fortaleza-CE – nov2013

10- Cadê a Dilma Bulhões que não tá aí? #Escândalo. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – nov2013

11- Muito massa esse artigo do Ricardo Kelmer! Quem não lembra das Bonecas da Volta? Acho que aquele de chapéu é o Carlo Romero. Ricardo Campos, Fortaleza-CE – nov2013

12- Olha isso Marina Sabino como eu já andava mal acompanhado. Alberto Perdigão, nov2013 – Fortaleza-CE

13- As Belas da Tarde. Ricardo que legal meu irmao. Show de bola. Celso Rocha, Jericoacoara-CE – nov2013

14- Você ficou muito bem Ricardo Kelmer….Deve ter sido uma época maravilhosa… Raquel Maria, Maranguape-CE – nov2013

15- Euzinha Alberto .Acompanhei por várias anos as belas.Era a repórter oficial da TV Manchete.kkkk. Selma Vidal, Fortaleza-CE – dez2013

16- O que acho o máximo na foto das 3 belas é o biquinho da toda cheia de charme loiríssima! Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – dez2013

17- Que pitéuzinho! Luc Lic, São Paulo-SP – dez2013

18- Saudade deste tempo muito assisti este desfile.TDB meu amigo. Cearucha Míriam Costa, Porto Alegre-RS – dez2013

19- podia ter de novo, viu? Juliana Melo, Fortaleza-CE – dez2013

20- Ri muito, bandidaaaa! Heraldo Goez, São Paulo-SP – dez2013

21- Gostei não..adoreiiii!!kkk..seu bom humor,sua mente livre..seus escritos..adoroooo!!!Mas ja´fico sem graça de falar toda hora que “adoreiii”””…kkkkk..bom domingo querido amigo!!!! Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – nov2013

22- Essa crônica é show.Sempre bom relê-la! Monica Bürkle, Recife-PE – dez2013

23- Bom demais!! Cris Boscarato, São Pauço-SP – dez2013

24- Amei! Adorei as fotos. Se não fossem as legendas não te reconheceria Ricardo Kelmer. Selma Vidal, Fortaleza-CE – abr2019

SerMulherNaoEPraQualquerUm-01a

ília, a


Viniciarte em Pinheiros 30out

22/10/2009

 

Ricardo Kelmer 2009

Viniciarte200910AlbericoCartaz-03a.

E prossegue a temporada do espetáculo Viniciarte que eu, o músico Moacir Bedê e a cantora Vanessa Moreno estamos fazendo no Espaço Cultural Alberico Rodrigues, em Pinheiros. É a nossa segunda apresentação lá. As próximas estão agendadas pra 21nov e 19dez.

O miniteatro do Espaço Alberico Rodrigues possibilita que ambientemos o espetáculo num clima intimista parecido com os famosos pocket shows que Vinicius fazia no Rio na década de 1960, nas boates de Copacabana. O público assiste ao espetáculo em mesas, próximo ao palco, e pode fazer pedidos ao bar.

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Viniciarte – Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes

Três amigos ensaiam o espetáculo sobre Vinicius de Moraes que apresentarão em 2013, no ano de seu centenário, mostrando poemas, músicas e fatos curiosos sobre a vida do poeta. No clima descontraído do ensaio, entre erros e acertos, eles descobrem as variadas facetas de Vinicius e sua real dimensão na cultura brasileira.

ViniciarteCartazRK-202a.
Dia:
30out – sexta-feira – 20h

Local:
Esp Cult Alberico Rodrigues – Pça Benedito Calixto, 159 – Pinheiros
– SP-SP
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Textos, direção e poemas:
Ricardo Kelmer
Músicas: Moacir Bedê e Vanessa Moreno
Duração: 1h30

Ingresso:
R$ 15
Reservas: 11-3064.3920 e 3064.9737
Apoio:
Letra de Bar e TV da Praça

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ViniciarteCartazVanessaMoreno-202dViniciarteCartazMoacirBede-202e

COMPONENTES

Ricardo Kelmer: escritor, roteirista, palestrante e produtor cultural.
Vanessa Moreno: cantora e instrumentista, integrante do quarteto feminino Julietas.
Moacir Bedê: instrumentista e compositor, lançou em 2009 seu primeiro CD.

VENDAS
Celia Terpins, 11-9129.1530 – celiaterpins(arroba)gmail.com.br

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> Agenda de apresentações do Viniciarte

> Vídeo-clipe do Viniciarte (2009)

VINICIUS DE MORAES – SITE OFICIAL: viniciusdemoraes.com.br

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Quatro cinco

21/10/2009

Ricardo Kelmer 2009

RK200903-101aEssas mensagens de aniversário
Que me chegam na noite calma
Tão queridas
Estão todas respondidas
Assim eu quero
No correio mais sincero
De minhalma

Quatro cinco
Viver com afinco

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Em busca da mulher selvagem

19/10/2009

19out2009

Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser, e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

EM BUSCA DA MULHER SELVAGEM
Ou: Homens que correm com elas

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Em minha vida, sempre me atraíram mulheres de iniciativa. Desde menino, elas me fascinaram, as desafiadoras da cultura machista, as que recusavam o modelito cristão de mulher virtuosa. Desde cedo, foi para elas o meu olhar, as que se rebelavam contra regras sociais idiotas, convenções sexuais sem sentido, modelos de relação baseados na posse do outro e tudo que queria a mulher submissa e sob controle. Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser, e não a mulher que família, religião e sociedade impunham que ela fosse.

Mas me faltava a exata consciência disso. Eu queria uma mulher liberta, sim, mas não sabia que queria.

Então, li Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. E tudo fez sentido. Lá estava o que eu intuía sobre a mulher e a relação entre os gêneros, mas ainda não sabia verbalizar. O livro me veio quando eu já lidava melhor com meus aspectos femininos e, por isso, me identifiquei profundamente com ele e com a histórica questão da domesticação da mulher.

Por meio de mitos e lendas coletados pelo mundo, a autora mostra como sobreviveu, mesmo escondida sob muitas formas simbólicas, o arquétipo do feminino selvagem, o modelo da mulher conectada com os ritmos e valores da Natureza e de sua própria natureza, o modelo da mulher livre. Um belo livro, que tem ajudado muitas mulheres a resgatar o que séculos de repressão lhes usurparam: o direito de serem o que quiserem. Um livro que fala essencialmente do feminino, mas também fala de homens e deveria ser lido por todos.

Esse livro me fez entender o que eu apenas intuía: a mulher da minha vida é e sempre foi a mulher livre. E que foi essa mulher que, mesmo sem saber, eu sempre busquei em minhas relações, ainda que às vezes a temesse. E que foi por ela que a muitas eu deixei, ao perceber, mesmo sem saber explicar, que eu jamais poderia ser totalmente eu ao lado de uma mulher domesticada.

Mas como aceitar e amar essa mulher liberta sem, antes, eu mesmo me libertar do que também me limitava? Para merecê-la, era preciso me livrar de qualquer pretensão de controlá-la, esse resquício maldito de minha herança cultural-religiosa.

A ficha caiu após ler o livro de Clarissa. Ele me ajudou a assimilar o feminino em meu ser e foi exatamente isso que me fez deixar de temê-lo, me fez mais selvagem no sentido psicológico-arquetípico, me fez mais livre. O efeito prático disso tudo é que eu finalmente me abri para relações mais igualitárias e, principalmente, para receber a mulher livre que eu tanto procurava em minhas relações. Primeiro, eu a libertei em mim. Aí ela veio de fato, enfim ela pôde vir. Veio linda, plena e radiante, e eu vi em seus olhos o reflexo dela própria em mim. E desde então continua vindo, e eu e ela somos lobos que cruzam florestas, atraindo-se pela fome louca que temos um do outro.

E eu sei que ela sempre virá. Pois esse amor que trazemos em nós, incompreendido por simplesmente não erguer cercas de posse e jaulas de controle, é o amor que aprendemos a respeitar em nossa própria natureza e que nos alimenta de alegria e liberdade a alma selvagem.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido

LIVROS

vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
Ricardo Kelmer – contos e crônicas

Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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en español

EN BÚSQUEDA DE LA MUJER SALVAJE
Ricardo Kelmer

EmBuscaDaMulherSelvagem-02base1aFue Marilia quien me prestó ese libro en el 2002, cuando yo ya andaba con curiosidad por leerlo. Después Rafaela me lo regaló. Y después conseguí la versión digital. O sea, ese libro quería que yo lo leyera, y fueron las mujeres quienes me lo trajeron. Lo leí y me encantó. En las páginas de Mujeres que Corren con Lobos estaba lo que yo intuía sobre las mujeres y la relación entre los géneros, pero que aún no sabía verbalizar. Leí el libro en una etapa de mi vida en la cual yo lidiaba mejor con mis aspectos femeninos, y por eso me identifiqué profundamente con él y con el tema histórico de la domesticación de la mujer.

Terminé la lectura sintiendo en mi alma una avalancha de ideas y sensaciones, y sintiendo también que llevaría un buen tiempo hasta que todo aquello asentase y yo consiguiera organizar mis pensamientos y reagrupar las verdades que, aunque no eran tan nuevas para mí, ahora eran evidentemente claras. Usando mitos y leyendas recolectados en varias partes del mundo, la autora muestra como sobrevivió, escondido bajo muchas formas simbólicas, el arquetipo del femenino salvaje, el modelo de la mujer conectada con los ritmos y valores de la naturaleza y de su propia naturaleza, el modelo de la mujer libre. Un libro bellísimo que ha ayudado a muchas mujeres a rescatar lo que siglos de represión les usurparon: el derecho de ser lo que quisieran. Un libro que habla esencialmente del femenino, pero también habla de los hombres y debería ser leído por ellos igualmente.

A mí, el libro de Clarissa me hizo especialmente entender que, en mi vida, desde temprano, me fascinó el arquetipo del femenino salvaje. A causa de eso siempre me atraían las mujeres con iniciativa, las desafiadoras de la cultura machista y las que rehusaban el modelito cristiano de mujer virtuosa, las que se rebelaban contra las normas sociales idiotas, convenciones sexuales sin sentido, modelos de relación basados en poseer al otro y todo lo que hacía mantener a la mujer sometida y bajo control. Era por ella que yo siempre me enamoraba, por esa mujer que era quien ella misma deseaba ser y no la mujer que la familia, religión o sociedad imponían que ella fuera.

Ese libro me trajo una de las más importantes revelaciones que he tenido, que la mujer de mi vida es y siempre será una sola: una mujer libre. Y que fue esa mujer, aún sin saberlo, la que yo siempre busqué en mis relaciones, aunque la temiera. Y que fué por ella que abandoné a muchas mujeres al intuir, sin saber explicar, porque yo jamás podría convivir al lado de una mujer domesticada.

Sin embargo, ¿cómo aceptar y amar a esa mujer libre sin liberarme antes yo mismo de lo que también me limitaba? Para merecerla, yo también necesitaba liberarme de cualquier pretensión de controlarla, de ese resquicio maldito de mi herencia cultural y religiosa.

Tomé consciência después de leer Mujeres que Corren con Lobos: ese libro me ayudó a asimilar la parte femenina de mi ser, y fue exactamente eso lo que me hizo dejar de temerlo, me hizo más salvaje en el sentido de los arquetipos psicológicos, me hizo más libre. El efecto práctico es que ahora finalmente estoy abierto para relaciones más igualitarias y principalmente para recibir a la mujer libre que tanto buscaba en mis relaciones. Entonces ella vino, al fin pudo venir. Vino hermosa, plena y radiante, y vi en sus ojos el reflejo de sí misma en mí. Y desde entonces sigue llegando, y ella y yo somos lobos que cruzan bosques atraídos por el hambre salvaje que tenemos el uno del otro.

Y sé que ella siempre va a venir, porque este amor que llevamos en nosotros, por lo general incomprendido por no tener alambrados de posesión y jaulas de control, es el amor que aprende a respetar a nuestra propia naturaleza, y que nos alimenta con alegría y libertad el alma salvaje.

(Traducción: Silvia Polo. Revisón: Felipe Ubrer)

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01- Não tenho a menor dúvida, RK, que é pelas mulheres Lilith – mulheres serpentes, que tu é fascinado e arriadinho. Tua alma é Lilithiana, criatura de Deus e do Diabo, de Abraxas!!!! Tava com saudade de tu. Rauariú, sacerdote do Grande Mistério Andrógino? Onde mora o perigo, querido, também mora a salvação, a conjunção. Pat Maria, Salvador-BA – out2009

02- Gostei do que vc escreveu. Ando relendo de novo o livro e vejo quantas coisas se assemelham a mim. Parabens. Um abraço. Christina Costa, Brasília-DF – out2009

03- Li há pouco tempo a biografia de Leyla Diniz.Essa sim é a personificação do feminino selvagem. Bjs. Mônica Burkleward, Recife-PE – out2009

04- Nossa adorei o trecho. Síntese do que venho exercitando na minha vida. Jamille Abdalah, São Paulo-SP – out2009

05- Grande Kelmer, você, como sempre, produzindo textos bacanas e bem bolados. Esse do feminino, então, show de bola, a foto foi por demais bem feita. parabéns!!! Forte abraço. Luís Olímpio Ferraz Melo, Fortaleza-CE – out2009

06- Kelmer, vou correndo ler o livro Mulheres que correm com os lobos. Essa mulher, livre, que dá banana pro machismo, que vive plenamente todos os prazeres hedonistas que lhe interessam, que toma iniciativa (mesmo sabendo do preço que paga por isso), essa mulher, sou eu! Beijão e.. valeu o toque. Vou xeretar teu blog pra saber mais. Meire Viana, Fortaleza-CE – out2009

07- Meninas, vale entrar no blog e dar uma conferida… Beijos. Ana Zanelli, Rio de Janeiro-RJ – out2009

08- Kelmer, até que enfim um homem entendeu o livro da Clarisse… (!) Claudia Santiago de Abreu, Rio de Janeiro-RJ – out2009

09- Que crônica ótima,gostei,só nÂo sei se me encaixo ‘100% nesse modelo de MULHER SELVAGEM viu. bjo parabéns pelo o trabalho fantástico. Eunyce Fragoso, Campina Grande-PB – out2009

10- Ei amigo,que bom que você descobriu as mulheres que correm com lobos… Que elas sempre estejam presentes no seu mundo! Se cuida tá! Lua, Fortaleza-CE – out2009

11- vc é especial, realmente quer e gosta de conhecer a alma feminina. faz de um tudo para compreender!!! Uma tarefa um tanto complicada,,,, Haja paciência!!! rs. Vânia Farah, São Paulo-SP – out2009

12- Quem tem medo da mulher livre?? O homem preso, oras (risos) Beijos ternurentos Tô adorando o livro…pena estar na correria e estar com tempo reduzido a zero…. mas logo termino… Beijos, outros. Clau Assi, São Paulo-SP – out2009

13– Ricardo, eu sou tua fã demais!!!! Vc é http://www.tudodebom.com.br/quehomeéesse!!!!! O sonho de consumo de toda mulher selvagem, incluindo eu mesma, claro! Bjs;. Karla K, Fortaleza-CE – out2009

14- Hoje tive oportunidade de entrar no seu blog, por indicação de uma amiga. Fizemos parte de um grupo de vivências apoiadas na leitura do Mulheres que correm com lobos e ela me recomendou a leitura da sua crônica Em busca da mulher selvagem. Fiquei encantada. Acabei lendo também os contos As fogueiras de Beltrane, que amei, Um ano na seca e a crônica Homens perfeitos também alopram. Interessante como você circula com competência rara entre o sagrado/mítico/profano/humor… Será com prazer que voltarei à sua página. Parabéns belos belos textos e por suas múltiplas artes. Elvira, Brasília-DF – out2009

15- Adoro esse teu texto. Um bj e saudades. Ana Cristina Souto, Fortaleza-CE – jan2011

16 – Adorei seu texto… amei.. ahahha. Della Kopf, Fortaleza-CE – jan2011

17- Eita que coincidencia nao existe! Peguei mulheres que correm com os lobos para re-ler ONTEM e vi o seu post hoje. ‘A selvagem’ esta no ar… Marília Bezerra, Nova York-EUA – jan2011

18- adoro mulheres q correm com lobos! a minha está resgatando…. Maria Sá Xavier, Niterói-RJ – jan2011

19- Parabéns pela resenha! Muito bem produzia! Tecendo um pequeno comentário sobre a obra eu diria que de fato, Clarissa consegue em “Mulheres que correm com os lobos”, retratar aspectos do ser mulher, em seu sentido – eu diria mais primitivo do SER, antes de tudo do ser humana, em sua forma primeira, inacabada e cheia de conflitos, de forma rica, cativante e única. Uma boa leitura para quem quer se descobrir mulher ou mesmo se redescobrir enquanto tal. PARABÉNS! Alda Batista, Mossoró-RN – ago2011

20- Uiiiii, isto é forte, grande lobo!!! Muito bom!!! Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – jan2013

21- Também estou lendo esse livro! Amando! Dri Flores, São Paulo-SP – jan2013

22- Um dia vou criar coragem e ler esse livro 🙂 Chacomcreme, São Paulo-SP – jun2013

23- Amei sua resenha. Tenho o livro já faz 3 anos. Preciso começar a leitura. Mais uma vez, parabéns pela resenha. Greice Araras-SP – jul2013

24- Um dia vou criar coragem e ler esse livro 🙂 Chacomcreme (skoob.com.br), São Paulo-SP – jun2013

25- Amei sua resenha. Tenho o livro já faz 3 anos. Preciso começar a leitura. Mais uma vez, parabéns pela resenha. Greice (skoob.com.br), Araras-SP – jul2013

26- Parabéns pela resenha! Muito bem produzia! Tecendo um pequeno comentário sobre a obra eu diria que de fato, Clarissa consegue em “Mulheres que correm com os lobos”, retratar aspectos do ser mulher, em seu sentido – eu diria mais primitivo do SER, antes de tudo do ser humana, em sua forma primeira, inacabada e cheia de conflitos, de forma rica, cativante e única. Uma boa leitura para quem quer se descobrir mulher ou mesmo se redescobrir enquanto tal. PARABÉNS! Alda (skoob.com.br), Mossoró-RN – mai2014

27- Amei seu comentário sobre a visão a respeito não somente dessa obra,mas a sua sensibilidade perceptíva da sociedade.e te digo pensamos iguais sério.em relação com os dois universos feminino e masculino devem ter respeito antes de tudo. Barbie Wolf (skoob.com.br), São Paulo-SP – set2020

28- sério, esse foi a melhor resenha referente à está obra que já li.Concordo com tudo que foi escrito. Aline (skoob.com.br), Recife-PE – out2020

29- Cara, nem li o livro, mas depois dessa resenha, serei obrigada a ler. Monique Costa (skoob.com.br), São Luís-MA – dez2020

30- Obrigada por ter escrito essa resenha… enxe a alma de esperança e a certeza de q nada esta perdido. O livro é explendido, estou terminando, e cada página é uma lição e força para continuar a busca da Mulher Selvagem adormecida. Renata Prandini (skoob.com.br), São Paulo-SP – jan2021

31- Comentário sensacional. Fabrícia Leal (skoob.com.br), Teresina-PI – jan2021

32- apenas uma palavra descreve essa resenha: “uau”. Nathalia Nadesko (skoob.com.br), Brasília-DF – mar2021

33- Que resenha mais linda e recheada de emoção e compreensão do universo feminino. Estou começando o livro agora e a sua resenha me encheu de energia… Muito obrigada !!🙏 Tati (skoob.com.br), Vinhedo-SP – abr2021

34- No Tantra, chamamos de “masculino curado”, quando o homem reverencia o feminino em pé de igualdade, respeito e amorosidade. Miguel Costa, Rio de Janeiro-RJ – jul2021

35- Show. Clea Fragoso, Fortaleza-CE – jul2021

36- Para encontrar precisa ter certeza…jamais será o mesmo..! Lucivanea De Souza Borges, Beberibe-CE – jul2021

37- Adoro esse livro. Luiza Perdigão, Fortaleza-CE – jul2021

38- Amo esse livro, transformador. Valéria Rosa Pinto, Rio de Janeiro-RJ – jul2021

39- Próxima leitura. Francisco Antonio Mota, Fortaleza-CE – jul2021

40- Ahh que maravilhosa!! Esse livro é incrível, Ricardo. Vc é o primeiro homem que sei que o leu. Ahh como seria bom se tantos mais o lessem. Vc certamente é um Manawe. Obrigada pela partilha de sua experiência com a Mulher Selvagem! Aline Matias, Fortaleza-CE – jul2021


Mulheres que correm com os lobos

17/10/2009

LivroMulheresQueCorremComOsLobos-01Mulheres que correm com os lobos
Clarissa Pinkola Estés (Editora Rocco)
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Os lobos foram pintados com um pincel negro nos contos de fada e até hoje assustam meninas indefesas. Mas nem sempre eles foram vistos como criaturas terríveis e violentas. Na Grécia antiga e em Roma, o animal era o consorte de Artemis, a caçadora, e carinhosamente amamentava os heróis. A analista junguiana Clarissa Pinkola Estés acredita que na nossa sociedade as mulheres vêm sendo tratadas de uma forma semelhante. Ao investigar o esmagamento da natureza instintiva feminina, Clarissa descobriu a chave da sensação de impotência da mulher moderna. Seu livro, Mulheres que Correm com os Lobos, ficou durante um ano na lista de mais vendidos nos Estados Unidos.

Abordando 19 mitos, lendas e contos de fada, como a história do patinho feio e do Barba-Azul, Estés mostra como a natureza instintiva da mulher foi sendo domesticada ao longo dos tempos, num processo que punia todas aquelas que se rebelavam. Segundo a analista, a exemplo das florestas virgens e dos animais silvestres, os instintos foram devastados e os ciclos naturais femininos transformados à força em ritmos artificiais para agradar aos outros. Mas sua energia vital, segundo ela, pode ser restaurada por escavações “psíquico-arqueológicas” nas ruínas do mundo subterrâneo. Até o ponto em que, emergindo das grossas camadas de condicionamento cultural, apareça a corajosa loba que vive em cada mulher.

(Sinopse extraída do site da Editora Rocco)

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RK COMENTA
trecho da crônica Em busca da mulher selvagem

Então, li Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. E tudo fez sentido. Lá estava o que eu intuía sobre a mulher e a relação entre os gêneros, mas ainda não sabia verbalizar. O livro me veio quando eu já lidava melhor com meus aspectos femininos e, por isso, me identifiquei profundamente com ele e com a histórica questão da domesticação da mulher.

Por meio de mitos e lendas coletados pelo mundo, a autora mostra como sobreviveu, mesmo escondida sob muitas formas simbólicas, o arquétipo do feminino selvagem, o modelo da mulher conectada com os ritmos e valores da Natureza e de sua própria natureza, o modelo da mulher livre. Um belo livro, que tem ajudado muitas mulheres a resgatar o que séculos de repressão lhes usurparam: o direito de serem o que quiserem. Um livro que fala essencialmente do feminino, mas também fala de homens, e deveria ser lido pelos dois. (RK 2009)
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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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> Para ler na íntegra a crônica Em busca da mulher selvagem

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Este e outros textos
integram o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-06O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

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MAIS SOBRE LIBERDADE E O FEMININO SELVAGEM

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade, mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido

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LIVROS

vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Contos e crônicas sobre a mulher (Ricardo Kelmer, 1998)

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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COMENTÁRIOS
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A revista que é um porre… de Literatura

14/10/2009

Ricardo Kelmer 2009CARTUMHemeterioSaideira-01a

Saiu a edição de estreia da revista do meu projeto Letra de Bar! Ela se chama Letra de Bar e será distribuída gratuitamente no circuito boêmio-cultural de São Paulo, com prioridade nos espaços parceiros do projeto. O desenho da capa da revista, que você vê aí em cima, é do Hemetério, um dos grandes nomes do cartum nacional. Com esse porre de literatura, irc!, ele captou com perfeição o espírito do projeto.

É uma revista simples, com aquele ar de coisa alternativa, quase um fanzine. Ela tem oito páginas em tamanho 21x30cm, papel sulfite branco, e foi impressa em off-set com fotolito. A tiragem inicial é de dois mil exemplares. A revista Letra de Bar é voltada ao público médio, com informações rápidas e sem aprofundamentos, em tom descontraído, própria pra ser lida nos bares e nos ambientes corridos da cidade grande. O foco é no livro e em tudo que tá ligado ao mundo dos livros. O leitor saberá sobre livros e escritores famosos, conhecerá novos autores e gente que ama os livros e saberá de filmes e espetáculos relacionados a livros, escritores e literatura. ANUNCIOLetraDeBar-01a

Evidentemente que não pensamos em concorrer com as revistas das grandes redes de livrarias, como a Cultura e a Saraiva, pois nossa revista é um braço do projeto Letra de Bar e um dos objetivos do projeto, além de promover o gosto pela leitura e o amor pelos livros, é atuar junto aos novos autores, ajudando a divulgar seu trabalho.

Publicar um livro até que é fácil. Fazer um lançamento também. Mas e depois? Esperar que os leitores descubram e comprem o livro na livraria ou no site não é a melhor estratégia. Poisbem. Além de oferecer opções de editoras e bares culturais pro lançamento, o Letra de Bar oferece ao autor a oportunidade de manter seu livro em evidência através dos eventos literários promovidos pelo projeto, proporcionando aquele valioso contato pessoal entre escritores e leitores e oferecendo ao autor um canal de vendas permanente.

Se você é autor ou conhece um autor que poderia se interessar em participar, no blog do projeto há mais informações:

> letradebar.wordpress.com

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Parceiros e anunciantes do Letra de Bar

Bar de Ontem – Celia Terpins Palestras e Espetáculos
Editora Baraúna – Escola Universo Colorido
– Sarau de Ontem
Gabriel Sousa Arquitetura – O Autor na Praça – Quintal Catering
Jornal da Praça Benedito Calixto – Sebo Alternativa

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As Terráqueas caíram no Bardo

07/10/2009

Ricardo Kelmer 2009

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E as minhas Terráqueas, coitadas, seguem dando duro pra me sustentar, eu, gigolô de minhas próprias personagens. Agora elas darão o ar da graça no Bardo Batata, nos Jardins, onde o Proyecto Sur Paulista (das produtoras Dora Dimolitsas e Lucia Gonczy) e o Letra de Bar promoverão um lançamento do Vocês Terráqueas, junto com um show do falomenal Moacir Bedê Trio, com participação da cantora Silvia Nicolatto.

Como nessa noite estarei comemorando meu aniversário de 45 primaveras (mas o corpinho continua de 27…), aviso logo que não me responsabilizarei pelos meus atos. Isso significa que vai ser novamente aquele infame roteiro kelmérico, com agravantes: na segunda dose pegarei o microfone e falarei minhas velhas bobagens e gracinhas de sempre. Na quarta dose lerei umas crônicas picantes pra esquentar a piriquita da noite. Lá pela sexta dose, invadirei o show de meu amigo Zé di Bedis e, crente que tô arrasando, obrigarei o desgraçado a fazer comigo uns números musicais com poemas de Vinicius. Na oitava subirei na mesa e imitarei o Sidney Magal e na décima dose, alguém por favor chame os seguranças.

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17outsab, 20h a meia-noite- São Paulo-SP
Lançamento Vocês Terráqueas + show Moacir Bedê e banda

Lançamento do livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino, com leituras de textos do livro pelo autor. Em seguida, show de Moacir Bedê e banda, que tocarão música instrumental brasileira, com participação da cantora Silvia Nicolatto e do escritor Ricardo Kelmer (poemas e músicas de Vinicius de Moraes). Realização: Proyecto Sur e Letra de Bar. Local:  Bardo Batata. Rua Bela Cintra, 1333, Jardins. Inf.: 3068.9852 e 3086.2111. Couvert artístico: R$ 10.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Vocês Terráqueas
Seduções e perdições do Feminino

> Mais sobre o livro

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Dois morros

01/10/2009

01out2009

Quando o seio dela finalmente surgiu, meio à mostra na blusa entreaberta, minha mão vacilou. Ela então disse: Fecha os olhos

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DOIS MORROS

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Minha mão vacilou quando o seio dela surgiu, meio à mostra… Não, não, melhor começar pelo morro, o outro. Vamos lá. No início, era o simples, o natural. Não era chique nem tinha futuro. No alto do morro, só umas casinhas pequenas e um espaço de grama e areia, uns arbustos, um pé de pau acolá. Era 1984 e eu garoto fuçador de recantos descobria o mirante natural do Morro Santa Terezinha, e subia lá para tocar violão com os amigos, luarada, namorar, fogueirinha de papel…

A gente sentava na grama, o litrão de rum no centro da roda. Os namorados iam para o carro, mais afastado, economizar o motel. Quem se apertava, fazia xixi na ribanceira. Ir aonde ninguém havia ido, era excitante. Sem medo de assalto, sem pensar no tempo, a vida era agora.

Um dia, agora sim, um dia os seios dela surgiram. Aonde você tá me levando?, Isabella perguntou, provocante. O fusca véi subia o morro, se peidando todo, serpenteando pelas ruazinhas, as casinhas simples, o povo na calçada, o charme suburbano. Pro céu, minha linda… Não, falei isso não, só tive vontade. Mas na última curva, pedi: Fecha o olho. Quando ela abriu, era o postal noturno da cidade, em cima o céu piscante de estrelas, e lá embaixo os prédios, as luzes, o neon dos letreiros coloridos. Ela boba: Como você descobriu isso? Eu mais bobo: E você, como eu descobri você?

Aí a tiazinha botou umas cervejas na geladeira de sua casinha, uns refrigerantes. A gente ia lá no portão e batia palma. Ela levantava do sofá onde via tevê e, sonolenta, trazia uma cerva e uns copinhos. Quanto é, tia? É só tanto. Tem mais gelada não? Tem não, meu fi, a geladeira tá desmantelada. A gente pagava e ela dizia: Pode deixar os cascos lá que depois eu pego. E aconselhava as meninas: Quando vier de novo, traz um agasalho, mode o vento frio.

Um dia, a cerveja veio com isopor. Estava melhorando. Outra noite cheguei lá e tomei um susto: a tia espalhara umas mesinhas, umas cadeiras de reclinar. Mode as menina não sujar o vestido, né, meu fi? Aí o vizinho começou a vender cerveja também. Já dava para escolher se ficava na tia ou no tio. Depois já dava para tomar caipirinha, beliscar um peixinho frito com tomate e cebola. O movimento aumentou e a filharada da tia veio ajudar. O mirante lotava, às vezes nem lugar para sentar, um imenso bar ao ar livre, gente interessante, sempre aparecia um violão, um Pink Floyd no toca-fita… Tudo ainda simples e delicioso. O tempo ainda era agora.

Perdida entre beijos incontidos e abraços descontrolados, minha mão percorreu as curvas do corpo dela, serpenteando, errando aqui, acertando mais na frente. Quando o seio dela finalmente surgiu, meio à mostra na blusa entreaberta, minha mão vacilou. Ela então disse: Fecha os olhos. Quando abri, a paisagem nua de seus seios reluzia à minha frente, dois morros a conquistar. E lá fui eu, garoto fuçador de recantos, legítimo ocupador do morro.

Nos anos 90 os moradores venderam suas casas para os empresários, tudo de olho no bolo que crescia. Todo mês abria bar, pastelaria, restaurante. Virou chique subir o morro. Gente bacana bem vestida, turista tirando foto. Tinha restaurante limpinho, peixe na telha, música ao vivo, artesanato. O progresso invadiu o morro com alvará. Mas… havia algo estranho. Pescadores e rendeiras agora eram comerciantes. Não havia lugar para tanto automóvel. O barulho incomodava os moradores. Menina nova alugava o corpo magrinho nas quebradas da noite. Garoto trazia cocaína para o motorista. E a tal da urbanização asfaltou as ruazinhas e jogou uma praça feia por cima da grama.

Reivindicando seu pedaço do bolo, a violência também subiu o morro, claro. Roubos, assaltos, mortes. Os empresários resistiram, se organizaram, clamaram por segurança. Mas ela, mouca, não escutou. E, assim, a gente bacana desceu o morro e não voltou mais. O bolo murchou. E o futuro se foi, deixando o gosto bom do que devia ter ficado só no agora.

O morro não é mais chique, Isabella, mas ainda está lá. E eu queria que você soubesse que aquela noite também, continua no mesmo lugar, sem amanhecer, seus seios em minhas mãos, dois morros conquistados, eu turista já pensando em voltar. Tudo está lá ainda, meu nome gemido em sua boca, eu errando e acertando as ruas de seu corpo, indo aonde ninguém fora. Nossa história ainda se conta lá em cima, na grama, suburbana, pegando cerveja na tiazinha. Nossa história, juvenil, desmantelada e urgente, mode a hora. Com tomate e cebola. No mirante perfeito do nós dois agora.

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o o livro Blues da Vida Crônica
> Esta crônica integra o o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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PS: Dois Morros é um conto? Ou uma crônica? Por anos, convivi com esta dúvida. Até que entendi que era uma coisa e outra ao mesmo tempo. Eu escrevera um croniconto. E ainda tinha elementos de carta. Um croniconto missivístico.

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LEIA NESTE BLOG

LolitaLolita-04Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou…

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

O mistério da morena turbinada – Aí um dia ela, inocentemente, leva o computador numa loja pra consertar. Algum tempo depois dezenas de fotos suas estão na rede, inclusive fotos íntimas

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01- Caro primo, Nunca vi tão bem “retratado”, apesar de escrito, nossas noitadas no antigo mirante. Recordei ao ler, várias passagens inusitadas e até folclóricas que aconteceram por lá. Ai também vêm lembranças de outros lugares como o antigo “Rasgo de Lua”, “Ponto de luz” (que ainda resiste ao tempo), Tinha um ali na Rui barbosa que não me lembro o nome. Era quase na esquina da Torres Câmara, “tinha um andar de cima ao ar livre bem legal e reservado”. Para não falar do “Canto verde”, “Madelon” e outros que permearam a nossa juventude. Sinto saudades de um passado muito bem vivivo por nós e por vários amigos. Será que estamos ficando velhos? Carlos Marcos Severo de Oliveira, Fortaleza-CE – dez2004

02- Rica, você é um homem de muitas histórias… E continua paradoxal. Bjs. Lêka, Fortaleza-CE – dez2004

03- espetacular. Tonico Caminha, São Paulo-SP – dez2004

04- Oi Rika!!!! Que saudade…. saudade de você, saudade do Morro de Santa Terezinha, saudade de ouvir Pink Floyd, um violãozinho com os amigos…. Ler a sua crônica me fez relembrar exatamente tudo isso que você descreveu, tudo isso que eu também tive a sorte de viver… Parabéns, Rika! Amei… muito bem escrito, como sempre!!! E o natal, vai passar aqui? Precisamos nos ver,hein? Se vier, nos avisa,tá? Beijos…. Anabela Alcântara, Fortaleza-CE – dez2004

05- Putz!!! voltei no tempo. Otros abrazos. Roberto Maciel, Fortaleza-CE – dez2004

06- Lindo, adorei! Clícia Karine, Crateús-CE – dez2004

07- Eh Ricardo, essa deu saudade mesmo! Bons tempos aquele do Mirante – anos 80. Valeu a leitura. Abraços. Mauro Sérgio, Fortaleza-CE – dez2004

08- Kelmer, meu amigo querido… você me redimiu! Fiquei maravilhado! Obrigado por esta crônica, ela me resgata a antiga Fortaleza. Abraço e tudo de bom. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – dez2004

09- Caro Ricardo, Saudade… do mirante, do morro, de 1984, dos seios. Com todo res”peito”, Eu preciso dum seio assim, mágico!?. Surgiu como? Me explique… Eli Miranda, Fortaleza-CE – dez2004

10- vi uma cronica sua sobre o morro do Mirante….achei-a linda! Como voce, tambem na minha juventude costumava ir àquele lugar olhar a lua e beber uns copos com os amigos….tambe dei muitos “amassos” nos meus gatinhos, amores que pensava durariam uma eternidade mas depois de 1 semana era passado(coisas da vida) bem, lhe escrevi apenas para agredece-lo pela bela recordaçao e dizer-lhe que suas palavras me fizeram retornar ao tempo e me fez bem, a cidade cresceu e mudou muito, o morro ficou perigoso ,as ainda me arrisco a frequentar o restaurante do Osmar e comer uma bela lagosta…sempre que vou ali lembro das minhas aventuras, uma patricinha que adorava se apaixonar por caras “perigosos”….tempos bons! Tenha um otimo dia e mais uma vez obrigada. Cacia Linhares, Fortaleza-CE – dez2004

11- Tb tive um morro durante minha adolescência…íamos todas as sextas feiras…ouvir os amigos tocando violão, os beijos e amassos também decoravam o ambiente ;em noite de lua cheia, a beleza era completa pois do alto víamos além da bela lua olhando aqui em baixo para nós; podíamos contemplá-la …através de sua imagem espelhada nas águas do Rio Tocantins…quantas lembranças!!!! lembranças maravilhosas “seu” morro trouxe do “meu morro”…Por favor nunca pare de escrever sua palavras resgatam minha alma…e me tornam mais sensível…que poder vc tem! morei em Tucuruí no interior do Pará durante a construção de barragem hidrelétrica, foi a melhor fase deminha vida…bjs… Diva, Macapá-AP – abr2007

12- Parabéns pelo texto DOIS MORROS, ele é de uma beleza e singularidade fantástica. Li com muito cuidado para encontrar as suas nuances de poesia e de realidade. Confesso ter achado simplismente belo, real, nu e cru, porém belo. P.S.: A partir desta descoberta prometo procurar outros textos teus para que através dele venha deliciar-me com tuas letras e com teu estilo. FS Garcia, Fortaleza-CE – ago2008

13- Oi, Ricardo. Tô sem net em casa , mas vim numa lan so pra te falar umas coisas…. Desde ontem eu tava toda depre( nao sei por que/ na verdade, sei, mas nao vou falar aqui…rsrsrsr), acordei e tirei o “vocês Terráqueas” da estante e fui ver os textos que ainda nao havia lido….Fiquei encantada com aquele que você fala do mirante…. poxa! quanta sensibilidade e romantismo… queria ter uns 15 anos a mais e ser aquela menina….  nao lembro quanto paguei nesse livro, mas valeu a pena!!!! Irlane Alves, Fortaleza-CE – jul2011

14- Confesso que li e me apaixonei no ato! Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – ago2011

15- Morro dos Mamilos!!!rsrsrs. Hotojunior Hoto, Fortaleza-CE – jan2013

16- Eita, o velho Morro do Mirante, vc me relembrar a comemoração do meu primeiro mês de namoro com a mulher q está casada comigo a 23 anos e que nós namoramos 04 anos. Lembro da felicidade vivida em cada subida e da paz que sentíamos estando a ima da cidade. Lembro da tia e das conversas regadas a muita birita.. Amigo, como é bom voltar no tempo através de palavras que nos fazem flutuar nas emoções. Obrigado por suas palavras me fazerem relembrar dos prazer de se divertir solado de grandes amigos com vc, Paulo Márcio, Nelsinho, Valmir, Amaury e outros tantos .. Não acho q estamos velhos, apenas o passado correu demais… Paulo Helmut B Simões, Fortaleza-CE – jan2013

17- vc é muito bom no que escolheu fazer, Ricardo Kelmer: teus contos (cronicontos): têm ‘alma’… ‘são vivos’, ‘conversam’ – dialogam – com o leitor. Maria Gama, Serra-ES – ago2015

18- Eu me entendo por gente quando vivi o fim dos anos 80 e o início da punjança dos anos 90, ainda quando o bolo estava crescendo. Que saudade daquele lugar tão tranquilo de tantas madrugadas insones e alegres! Regadas a caipirinhas e cervejas nas mesinhas ao lado da ribanceira. Tempo bom que a violência levou! José Epifanio, Fortaleza-CE – ago2015


Iassim vamos – Alberico Rodrigues

26/09/2009

Ricardo Kelmer 2009

EleLetraCaminha-01Conheci o Espaço Cultural Alberico Rodrigues em jul2009. Fica em Pinheiros, vizinho à praça Benedito Calixto. O espaço é uma concretização dos sonhos e ideais de seu proprietário, o professor Alberico, ou Alberix, como eu gosto de chamá-lo. Após sair do interior da Bahia e rodar mundo estudando e dando aulas de literatura, Alberix entendeu que deveria por sua experiência a serviço da cultura de seu país. Foi com esse nobre ideal que em 1988 ele montou seu espaço, que hoje é referência cultural na capital paulista.

Cheguei por lá atraído pelo canto das sereias, acho que as mesmas que me atraíram quando pequeno e me levaram a ser escritor. Entrei e logo gostei do que vi: uma livraria de livros novos e usados, mais à frente uma loja de CDs e DVDs e aos fundos um café-bar. No primeiro andar um teatro de bolso para 60 pessoas. E uma deliciosa área externa onde se pode sentar à mesa e comer e beber com os amigos e ficar olhando o movimento da praça em frente, honrosamente acompanhado dos bustos de Machado e Camões. Diliça.

Pra minha sorte, Alberix gostou de mim e do meu trabalho. E recebeu de braços abertos as minhas kelmerices. Foi lá, por exemplo, em agosto, que estreamos o Viniciarte, espetáculo que criei sobre Vinicius de Moraes e que foi o primeiro evento realizado pelo meu projeto Letra de Bar. Aliás, o Viniciarte seguirá lá em cartaz uma vez por mês. E foi lá também que, em setembro, lancei meu livro Vocês Terráqueas, que, pra minha honra, Alberix gostou bastante e logo pôs à venda na livraria. Valeu, Alberix. Acho que juntos poderemos fazer muitas coisas boas.AlbericoRodrigues-01b

Sobre o Vocês Terráqueas, ainda farei lançamentos em outros bares, dentro do projeto Letra de Bar. E sobre o Viniciarte, Celia Terpins segue vendendo-o pra empresas, clubes e hotéis. Ela gostou muito do espetáculo e acredita que podemos até viajar com ele por outras cidades. Então, se você curte Vinicius de Moraes, quital levar o espetáculo pra sua cidade, hum? Aproveita que o precinho tá bom.

E sobre o Letra de Bar, em outubro será lançado o primeiro número da revista impressa, que terá edições bimestrais e será distribuída gratuitamente no circuito boêmio-cultural da cidade de São Paulo. O projeto divulgará o que estiver relacionado ao mundo dos livros: novos autores, livrarias, editoras, gráficas, empresas e profissionais da área e também filmes e espetáculos baseados em livros, além de entrevistas.

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Corta pro apê da Paulete. Paulete Hetê. Ela prepara aquele capuccino que só ela sabe fazer enquanto eu, no noutibuk dela, reviso o roteiro do Viniciarte. Em algum lugar toca um blues. Paulete me serve o capuccino e depois vai fazer alongamento na sala. Seu corpo nu se integra à paisagem da pauliceia lá fora na janela. Ou será o contrário?

– Pô, Paulete, assim eu não consigo trabalhar.

– Vinicius conseguia.

– Eu não sou Vinicius.

– Não é mas tá cada vez mais vivendo como ele. Amores, literatura, música, poesia, bares, viagens…

– Pensando bem, é verdade.

– E ainda monta um espetáculo sobre ele.

– O poetinha sempre foi meu guia, você sabe.

– Você também deixará de ser escritor pra ser artista?

– Sempre fui as duas coisas. Não pode?

– Escritor e artista. E agora produtor cultural. E editor de jornal. E palestrante. E professor de roteiro. Que horas você vai escrever livro?PauleteHete-106a

– Posso escrever antes de dormir.

– Você nem dorme mais. Já viu como tá tua cara? Vai assustar as leitorinhas.

– Em breve eu diminuo o ritmo de trabalho e…

– Ahahahah! Comigo ninguém diminui o ritmo, Rica querido. Você entrou na pista, agora tem que correr senão é atropelado.

– Não quero correr. Quero celebrar.

– Um Vinicius cearense pra eu sustentar. Eu mereço.

– Agora pára de me exibir a bunda que eu tenho que trabalhar, vai.

– Que o poetinha não escute essa heresia.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Homens perfeitos também alopram

21/09/2009

21set2009

O homem beijou a mão da moça, abraçou a moça, beijou no rosto, beijou mais, beijou mais ainda, depois abraçou mais forte, deu uma encoxada federal, dobrou a moça no meio…

HomensPerfeitosTambemAlopram-1

HOMENS PERFEITOS TAMBÉM ALOPRAM

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Meu xará Richard Gere é mesmo um partidão. Bonito, charmoso, classudo, sexy, culto, inteligente, bom ator, rico, antenado com causas humanitárias, amigão do Dalai Lama… Putz, que mais um terráqueo poderia ser? Não é à toa que tanta mulher sonha com ele.

Tive uma namorada que era absolutamente alucinada por este cidadão. Ela tinha uma pasta com tudo sobre ele, fotos, matérias, entrevistas… A danada tinha até a corda do banjo que ele tocava nos tempos do ginásio, nem sei como conseguiu. Durante meses, por causa desse namoro, eu fui ao banheiro com o bonitão lá me observando das paredes, ele e aquele seu olhar doce-safado, que as mulheres adoooram.

Mas até mesmo um cara perfeito como Richard Gere pisa na bola. Você certamente se lembra. Em 2007, ele simplesmente não se aguentou nas calças diante da beleza de Shilpa Shetty, a atriz indiana vencedora do Big Brother da Inglaterra. Num evento na Índia, mostrado pela tevê pro mundo inteiro, ele foi parabenizá-la e, de repente, pufff, bateu o neandertal tarado. E aí o todo-cavalheiro Richard não ficou só nos parabéns…

O homem beijou a mão da moça, abraçou a moça, beijou no rosto, beijou mais, beijou mais ainda, depois abraçou mais forte, deu uma encoxada federal, dobrou a moça no meio, mordeu a orelha dela, engoliu o brinco, os dois quase caem no chão… Por pouco, Richard não gera um indianozinho ali mesmo. Ele devia estar à procura de Mr. Goodbar no cangote da moça, só pode. Depois o Lancelote da Filadélfia ainda genuflexou-se e fez umas reverências à donzela. A indiana, realmente uma linda mulher, tomou um puta susto, e quem não tomaria. Sobre isso, uma amiga me afirmou, cheia de certeza, que ela adorou, e que deve ter tido doces sonhos durante semanas.

Poizé. Mas pelas leis indianas, esses atos carinhosos em público têm limite, e muito limite. Resultado: o ainda enxuto gigolô americano teve decretada uma ordem de prisão contra ele na Índia – se pisasse lá de novo iria em cana. Olha que mancha terrível no currículo do nosso Lancelote… E a indiana teve que prestar esclarecimentos sobre por que não impediu que Richard fizesse o que fez. Putz. Depois o Brasil é que é um país machista. E mesmo que a moça quisesse, seu dotô, ela ia fazer o quê, o homem parecia um polvo alucinado!

Mas a força do destino sempre protege os homens perfeitos. Para o bem do currículo do meu xará, a justiça da Índia revogou a ordem de prisão. Deve ter sido influenciada pelos gritos de revolta das fãs indianas. Agora, ele pode voltar lá. E se a moça não tiver ficado chateada, rever a bela Shilpa.

Aliás, Shilpa é uma terráquea bem mimosa. E ainda tem esse nome assim, assim meio estiloso, né? E nomes estilosos como esse atraem coisas estranhas mesmo. Quer ver? Tem alguém perto de você agora, leitorinha? Tem? Então, pronuncie o nome dessa moça em voz alta, três vezes: Shilpa, Shilpa, Shilpa. E veja o que acontece.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Veja o vídeo do assustador ataque

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Menu de homem – Na onda da mulher-melancia, mulher-jaca, mulher-filé e outras classificações femininas hortifrutigranjeiras, nada mais justo que nós, homens do sexo masculino, sermos também classificados

As vantagens de ter um amante – O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa. O outro cuida de você

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Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

Mulheres que adoram – Dar prazer a uma mulher, fazê-la dizer adoro mil vezes por dia…

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01- “Bateu o neandertal” kkkkkkkkkkkkkkk… Bjão, querido. E muito sucesso em 2013! Mara Monteiro, Fortaleza-CE – jan2013

02- Eu me considero um aloprado..no bom sentido da coisa né! Andre Soares Pontes, Fortaleza-CE – jan2013

03- Graças a Deus alopram de vez em quando!!! Polidez demais estraga. Karla Karenina Sales Fernandes, Fortaleza-CE – jan2013

O homem beijou a mão da moça, abraçou a moça, beijou no rosto, beijou mais, beijou mais ainda, depois abraçou mais forte, deu uma encoxada federal, dobrou a moça no meio

Don Juan DeMarco baixa em Pinheiros

16/09/2009

Ricardo Kelmer 2009

RazaoeSentimentoEmConflitoCartaz-01b.

Cinema, Tela da Alma é uma série de palestras que faço usando filmes pra mostrar como a força e o encantamento do cinema são capazes de nos tocar profundamente a alma e nos instigar a viver a vida de modo mais verdadeiro. Sempre em linguagem acessível e de forma descontraída, essas palestras nos fazem ver os filmes por um olhar mitológico e psicológico, refletindo na tela as nossas próprias vidas, os nossos sonhos, os medos e anseios e a velha busca pela nossa essência mais legítima, que o corre-corre do cotidiano tão bem nos faz esquecer.

A primeira palestra deste ciclo atual será Razão e Sentimento em Conflito. Trata-se de uma abordagem bem humorada do filme Don JuanDeMarco, mostrando como os personagens principais, o jovem Don Juan e seu psiquiatra, representam o velho conflito entre intelecto (a visão fria e racional da vida) e coração (a poesia e o romantismo). Outros aspectos analisados: estrutura do roteiro e fotografia.

Outros filmes que integram o ciclo de palestras Cinema Tela da Alma: Matrix, Caçador de Andróides (Blade Runner), Piaf, Uma Mente Brilhante, Encontro Marcado e Alucinações do Passado.

Horários
18h30: exibição do filme
20h: intervalo para o café
20h15: palestra
21h30: encerramento

Local:  Espaço Cultural Alberico Rodrigues
Praça Benedito Calixto, 159 – Pinheiros (estacionamento na praça)
Inf.: 3064.3920 e 3064.9737
Investimento: R$ 10

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Crônica Razão e sentimento em conflito
> Palestras de RK

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Kelmer Com K no Toma Lá Dá Cá

12/09/2009

12set2009

Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

KelmerComKNoTomaLaDaCa-00.

Você alguma vez já se sentiu como se o mundo estivesse virado de ponta-cabeça? Foi pensando nisso que um dia decidi estudar os morcegos, que, como todo mundo sabe, veem o mundo de cabeça para baixo e nunca ficam tontos. Passei anos morando em cavernas, me pendurando com os morcegos e extraindo deles importantes aprendizados para nossa vida, inclusive, sim!, para a vida sexual. Mas, Kelmer, o que isso tem a ver com o Toma Lá Dá Cá da Globo? Calma, vou chegar lá.

O resultado dessas pesquisas está em meu livro Socorro! Eu Sou um Morcego e o Mundo Está de Cabeça para Baixo. Ele mostra que podemos aprender muito com os morcegos e seu superdesenvolvido senso de equilíbrio e programação espacial. Uma obra que não pode faltar em sua estante, desde que ela seja bem resistente pois o livro tem 1710 páginas e acompanha, de brinde, um mimoso morcegão empalhado. Publiquei de forma independente, criei uma falsa biografia de húngaro e assinei como Kelmer Com K, isso tudo para fugir do imposto de renda.

Praticando a reprogramação no metrô

Praticando a reprogramação no metrô

Morcegos dormem de ponta-cabeça. E também é assim que copulam e parem filhotes e veem os gols da rodada porque essa posição mostrou ser uma boa vantagem adaptativa, principalmente para voar: basta soltar-se da pedra ou do galho, bater as asas e aproveitar a força da gravidade para obter rapidamente boa velocidade. Isso pode nos ensinar, a nós humanos, sobre como superar crises: se nos pendurarmos de cabeça para baixo, as ideias se soltarão mais facilmente. Funciona. O chato é que nessa posição o celular sempre cai do bolso, se espatifa no chão e a crise volta.

Em relação a parir filhos de cabeça para baixo, no interior da Rússia esse método é aplicado há séculos. O sangue das mamães desce para a cabeça e a temperatura do útero cai, fazendo com que os bebês russos nasçam frios e calculistas. Por isso que todo mundo lá é campeão de xadrez. E quanto a transar de cabeça para baixo, essa prática proporciona grandes benefícios para a circulação sanguínea, além de permitir que o casal discuta a relação numa nova perspectiva. Homens detestam discutir a relação de cabeça para baixo, eu sei, mas assim pelo menos os desgraçados não dormem.

O livro foi um fiasco, vendeu apenas dois exemplares, ambos comprados por um bofe chamado Bruce Wayne, que pediu dedicatória carinhosa para um tal Dick. Não sei mas algo me diz que o motivo do fracasso foi porque o livro ficava de cabeça para baixo nas livrarias, o que lhe deu fama de maldito. E eu? Eu doei os direitos do livro para a Sociedade Protetora dos Morcegos Sem Pernas (tadinhos, eles dormem deitados) e nem sei onde foi parar o único exemplar que eu tinha. E o arquivo com o texto original, este se foi para sempre após meu computador voar pela janela do décimo andar, coisa de namorada ciumenta, não vale a pena relembrar. Saldo final: o livro sumiu da minha vida.

Invertendo a ótica do problema

Invertendo a ótica do problema

Eis, porém, que no episódio de 08.09.09 do sitcom da Globo Toma Lá Dá Cá, aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito. Eu até já tinha esquecido dele. Arnaldo leu e virou um novo homem, seguindo as lições de reprogramação dos morcegos para organizar melhor sua vida. Rita também gostou. E Copélia… ai, Copélia… Bem, eu não pretendia tornar público o nosso passado caliente mas, agora que todo mundo já sabe, resta-me agradecer-lhe mais uma vez pela paciência de aguentar minhas pesquisas e meus morcegos. Aliás, aqui entre nós, Copélia pode até ser extravagante e sem juízo mas uma coisa eu garanto: ela é o tipo de mulher que dá certo até de cabeça para baixo. E como dá.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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KelmerComKLivro-01Socorro! Eu sou um morcego e o mundo está de cabeça para baixo
Kelmer Com K – edição do autor, 1993

Após morar por oito anos em cavernas estudando morcegos, Kelmer Com K nos conta como esses animais podem nos ajudar a reprogramar nossas vidas, seja para enfrentar melhor as crises, para obter uma vida sexual mais satisfatória ou apenas para dormir melhor.

Este livro está esgotado e os textos originais infelizmente foram perdidos. Pede-se a quem possui um exemplar que entre em contato.

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O dia em que virei personagem do sitcom da Globo
Trecho do episódio “Álvara é um show”, de 2009 (6m45)

 

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Oficina Online de Sitcom
Conheça a oficina que ensina a criar e escrever sitcom, esse gênero televisivo que tanto sucesso faz no mundo inteiro

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 COMENTÁRIOS
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01- Amante da Copélia, Kelmer com K kkkkkkkkkkkkk… P… marketing, hein?! É Kelmer com K, pra cá e toma Kelmer com K pra lá… Espero que essa inserção esteja refletindo em boas vendas!!! Oswaldo Higa, São Paulo-SP – nov2013

02- Interessante a história dos morcegos, Kelmer com K! Rsrsrs… Dalu Menezes, Fortaleza-CE – nov2013

03- Muito legal. Francisco Coelho, Rio de Janeiro-RJ – nov2013

04- hahahahahahahahahah. Magna Mastroianni, São Paulo-SP – nov2013

05- Haja menção ao nome Kelmer rs. Herlene Santos, Fortaleza-CE – nov2013

06- Gostei pá Krai!!! Ernesto Filho, Fortaleza-CE – nov2013

07- rss.o kelmer Ricardo Kelmer vai mudar minha vida. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – nov2013

08- Adorei o tal de Kelmer com K! Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – nov2013

09- Que legall…adoreiii tb o tal Kelmer com K…srsrsrs. Tatá Guida, Rio das Ostras-RJ – nov2013


Recaídas da paixão

06/09/2009

06set2009

No dia seguinte, após uma noite sem fim de comemorações, você acorda. Abre o olho e ela está ao seu lado, bem juntinho, linda e sorridente

RecaidasDaPaixao-02

RECAÍDAS DA PAIXÃO

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Não lembro exatamente como começou nosso caso. Mas lembro quando meus olhos de criança viram pela primeira vez aquelas camisas entrando em campo. Meu padrinho me levara ao estádio, era decisão de campeonato, a cidade toda no clima do jogo. Aquele estádio imenso, o gramado verdinho, a festa das torcidas, a emoção à flor da pele – eu descobrira um mundo encantado. Infelizmente meu time perdeu, mas eu já estava fisgado: voltei para casa com uma tristeza de adulto, a primeira dor de cotovelo. E na alma levava uma coisa nova, uma paixão vibrante, um sentido a mais a me acompanhar.

Tem gente que morre e não entende uma paixão assim. Mas paixão nunca foi para se entender. Tem quem veja futebol como doença. Mas doença é viver sem paixão. Tem mulher que quando seu homem sai para o estádio, ela se sente trocada por onze marmanjos. Nada a ver, Bete, são coisas incomparáveis, entenda… Felizmente tem mulher que entende. Tem até as que também vivem a sua paixão. Quando é pelo time rival, putz, é um problema: dia de clássico é dia de briga, pode apostar. Mas quando o casal torce pelo mesmo time, ah, que suprema compatibilidade! Sabe lá o que é se vestir junto para ir ao estádio, escutar agarradinho os gols da campanha vitoriosa, o hino do clube, ver os gols da rodada no motel… Que romântico!

Em nome da paixão a gente faz de um tudo. Um amigo meu namorava uma garota que detestava futebol. Um dia, cansada de se sentir trocada, ela deu-lhe as contas e foi embora. Meu amigo, desesperado, foi atrás. Ela relutou, mas aceitou voltar, com uma condição, que ele fosse menos fanático por futebol. Sim, claro, meu amor, ele concordou, aliviado. Na semana seguinte ela apareceu com dois ingressos para o teatro. Uma peça bem romântica para comemorar nossa volta, disse ela. Quando ele viu a data, não acreditou. Seria no mesmo dia e hora de um jogão decisivo. E agora, como fazer? O amigo apelou: foi ao teatro, mas levou um radinho escondido na calça e acompanhou o jogo pelo fone de ouvido, torcendo e suando loucamente em silêncio, sentadinho, comedido, que tortura. Tudo para satisfazer a dois amores geniosos.

– Tá gostando da peça, amor?

– Claro, meu bem. Impedimento!

– Heim?

– Impedimento. Nada será impedimento pro nosso amor…

Às vezes essa paixão faz da vida um inferno: time ruim, gols perdidos, derrotas para o maior rival. Além da dor, ainda tem que aguentar a gozação. Por outro lado, quando o time está bem e é campeão, ah, a vida se transforma num sonho maravilhoso, e até acordar cedo para trabalhar é gostoso, acredite. Nesses momentos, somem as dívidas do cartão, desaparecem inquietações existenciais e até os programas evangélicos da madrugada ficam bons de ver.

Como todo romance, tem também as brigas, claro. Às vezes você passa anos distante, magoado. Quer nem ouvir falar. Mas um dia você decide ir ao jogo, é dia de clássico. Manda lavar a velha camisa e liga para os amigos. Chega ao estádio e aos poucos retornam detalhes esquecidos de um antigo ritual: as bandeiras feito estandartes, as batucadas, o grito de guerra, a cervejinha antes de subir, nada mudou. O time entra em campo e você levanta para aplaudir, a torcida rival vaia, o coração aperta, pede mais uma cerveja – a velha magia está de volta. No intervalo, desce para o banheiro e discute o pênalti não marcado. Depois é o segundo tempo, o nervosismo crescente, o impedimento escandaloso, o gol que não sai. Lá está você esfregando as mãos, suando, mordendo todas as unhas, torcendo, torcendo, e de repente… gooooooooool!!! Vixe, você vira ninguém no turbilhão da alegria. Atira longe o chinelo e beija o vendedor de amendoim. Paga cerveja para todo mundo. Que bonito as bandeiras tremulando, a torcida delirando, vendo a rede balançar…

No dia seguinte, após uma noite sem fim de comemorações, você acorda. Abre o olho e ela está ao seu lado, bem juntinho, linda e sorridente, toda carinhosa, pedindo para ser tocada mais uma vez, a camisa do seu time. Você sorri de volta, beija a camisa, se ajeita sob o lençol e fecha os olhos, buscando novamente aquele sonho gostoso onde o centroavante dribla dois e toca na saída do goleiro.

Mas não era você quem dizia que vocês dois não tinham mais nada a ver? – prepare-se que alguém vai perguntar. Pois não tente explicar, colega. Paixão antiga é assim mesmo, não tem explicação. Um dia ela reaparece, mais bonita e desejável que nunca, e você se vê na marca do pênalti. Aí só tem um jeito: é tocar com firmeza e correr para o abraço.

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Ricardo Kelmer 2002 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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LEIA NESTE BLOG

FutebolArtigoFeminino-01Futebol artigo feminino – Cá pra nós, já reparou como brasileira fica ainda mais linda em dia de jogo da seleção?

O menino e o feminino misterioso – Esse instante numinoso em que o Feminino Sagrado mostrou-se pra mim, sob a meia-luz de seu imenso mistério

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

Discutindo a Copa e a relação – Se você deseja minimizar os efeitos sobre sua relação, é bom saber algumas coisas sobre essa rival invencível

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Lolita, Lolita

03/09/2009

03set2009

A calcinha desce suave pelas coxas finas, beija os joelhos, pousa nos pezinhos… Engulo seco. Diante de mim a luz dos meus dias, fogo em minha alma

LolitaLolita-04

LOLITA, LOLITA

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A cena sempre me extasia, sua língua faceira saltando três vezes… Olho em silêncio enquanto ela lambe o papel, fecha o baseado e acende, segurando na ponta de seus dedinhos finos. Ela puxa a fumaça devagar, os olhinhos fechados, tão linda… E eu amo sua boca enquanto ela solta a fumaça. A boca. Que ela sempre esquece entreaberta, na medida exata, meio dedo, ela faz de propósito, sabe que não resisto. O que essas colegiais andam aprendendo no recreio?

Vai, fuma, minha amiga quem me deu, você vai gostar. Hoje não, meu anjo, obrigado. Ah, é, pois só de mal não vou fazer aquilo. Então cumpro minha parte no trato, dou uma tragadinha, o suficiente para que a doce chantagista se satisfaça. Ela me mostra a língua, me chama de velho careta. Entendam, quero sóbrios os meus sentidos, para depois passar todas as imagens, uma por uma, e recordar… e recordar… até que seja novamente terça-feira.

Trancada a porta da suíte. Cerradas as cortinas. Os pequenos cuidados de sempre. Mas as cortinas, eu sei, ela depois abrirá para olhar a cidade, ela e seu prazer de me desobedecer. E eu paciente a puxarei para dentro, perigoso ficar na sacada, meu anjinho, eu já disse, principalmente assim de calcinha. Ela protestará, claro: Seu chato, parece meu pai! E citará probabilidades, uma chance em mil de alguém reconhecê-la ali no vigésimo andar. Mas vocês hão de convir, já foi sorte demais encontrá-la, não tenho mais idade para abusar do destino.

No frigobar, ela se diverte: iogurtes, suquinhos e chocolates que devora e guarda na mochila, levará para a amiga. Na TV, vibra com os clipes musicais, essas bandas modernas com nomes estranhos e garotos idiotas que ela adora, e zomba do meu ciúme cantarolando em seu inglês vacilante, o que me faz lembrar de seu curso, justamente onde ela deveria estar agora. Mas vocês vão entender, as terças são minhas.

Ela vem para a cama, lânguida e relaxada. Tira minha camisa e brinca com os pelos brancos do meu peito, me aperta as sobras da barriga. Com meu cinto, brinca de me chicotear, rindo como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Depois, salta da cama: Me dispa, escravo, é uma ordem. Sim, minha princesa.

Fico na ponta da cama, ela à minha frente. Tiro seu uniforme com cuidado, da outra vez rasguei a saia. Desabotoo a camisa e os seios pequenos me olham. Pergunto se estão com saudade e ela os move para cima e para baixo: Siiiim, estamos… E outra vez morre de rir. As meias brancas mantenho no lugar, quase no joelho, gosto assim. A fita no cabelo também. Ela ergue a saia plissada e surge a calcinha, hoje é azul claro, combina com a tarde. A vontade é de arrancá-la, me controlo, o coração quer sair do peito. A calcinha desce suave pelas coxas finas, beija os joelhos, pousa nos pezinhos… Engulo seco. Diante de mim, a luz dos meus dias, fogo em minha alma.

É nas curvas de seu corpo quase infantil que eu me desgoverno: tento dirigi-la, mas ela faz o que tem vontade e minhas juntas sofrem para segui-la. Ela geme sob o peso de meu corpo, dança sobre ele, senta em meu rosto, vira de costas, sim, sou tua Lolita, para sempre, siiiim… Lembro do trato e ela cumpre a promessa, bebendo-me até a última gota, adora observar minhas reações. Depois, na telinha da máquina, ela apaga as fotos em que está feia e zomba da minha expressão apaixonada, manda por e-mail, pliiis, você nunca manda, malvado. Ela me oferece chiclete, e diz que a amiga quer um dia participar também… Paro, sem acreditar no que ouço. Você não devia ter contado, nossa felicidade não precisa de mais ninguém! Mas ela é minha amiga… Foda-se sua amiga, já falamos disso, quer estragar tudo, tem merda na cabeça?!

Vamos em silêncio até o shopping, uma lágrima escorre de seu olho. Que eu não vejo porque não ouso olhar, mas sei, porque é a mesma lágrima que tremula no meu. Paro e ela sai do carro, fecha a porta. Três passos e retorna, e emoldura o rosto na janela, e sussurra: Fica assim não, desculpa… A boca. Por favor, não quero que acabe, pliiis… A boca entreaberta, meio dedo. Meu coração se derrete. Entrego-lhe o dinheiro do cinema e do lanche, mais um pouco para gastar com bobagens. Te amo, ela diz sorrindo, e eu respondo eu também. Ela conta orgulhosa que verá seu primeiro filme de catorze anos e, como se revelasse um segredo mortal, diz que a amiga entrará com carteira falsa. Não precisa correr, meu anjo, tem tempo. Mas ela já se virou. E lá se vai minha Lolita, correndo estabanada pelo estacionamento, mochila às costas, as pernas, as meias brancas. Tão linda em seu prazer de me contrariar.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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– Este conto integra o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
– Este conto integra o livro
Indecências para o Fim de Tarde

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LOLITA E VLADIMIR NABOKOV

VladimirNabokov-01Vladimir Nabokov nasceu em 22 de abril de 1899 em São Petersburgo, na Rússia. Morou na Inglaterra, Alemanha e a partir de 1940 viveu nos Estados Unidos. Morreu em 1977, na Suíça. Seu romance Lolita, publicado originalmente em 1955, é seu livro mais conhecido. A história do amor entre o quarentão desequilibrado e sua enteada de doze anos foi traduzida em dezenas de línguas, gerou duas versões cinematográficas (1962 e 1997) e deu origem aos termos lolita e ninfeta, significando meninas adolescentes ou menores de idade sexualmente precoces.

> Covering Lolita – Sessão do site do estudioso alemão de literatura Dieter Zimmer, que reúne capas de edições de Lolita, publicadas desde 1956 em dezenas de países.

A menina que teria inspirado “Lolita” – Um novo livro aprofunda a relação entre o romance de sucesso de Nabokov e a história real de Sally Horner, de 11 anos, sequestrada e maltratada por um pedófilo em 1948
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O PRIMEIRO PARÁGRAFO de Lolita é considerado por muitos como uma das mais belas introduções da literatura ocidental.  Eu, particularmente, concordo.

“Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.”

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-06O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir, mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

Bettie Page, nós te amamos – Ela é um ícone da moda, da arte erótica e também do universo BDSM, inspirando artistas e fetichistas

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o fim de tarde
Ricardo Kelmer, contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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01- Rica, Lolita merece todas as homenagens. Amor de perdição, amor de redenção – e não é sempre assim? Mas você ainda vai demorar para virar um Humbert Humbert, um velhinho tarado. Quarenta anos é uma idade ótima, ótima! Ana Beatriz Nogueira, Brasília-DF – jul2005

02- Caraca , mermão! Fiquei zonzo. Sem saber o que pensar. Sem saber o que dizer. Mas cheio de imagens retidas na retina da memória. Se eu fosse fazer algum comentário, arriscaria um que é um grande lugar-comum, eu sei, mas foi o que me bateu: senti falta de conhecer um pouco mais essa Lolita, de perscrutar algumas de suas motivações, ainda que difusas, próprias de uma adolescente, uma adolescente que já é muito diferente das adolescentes de quando estávamos no segundo grau, quanto mais em relação àquela criada por Nabokov. Acho que o amigo fez uma crônica-conto, que deixa no leitor a sensação de que há muito mais pra contar. Aliás, percebo que já estava entregue ao prazer do conto, tanto é que nas linhas finais já me via na expectativa de alguma surpresa, alguma reviravolta típica de conto. Mas o final teve sabor de crônica-poesia. Como diria Leminski, a vida é mesmo crônica. O que “ falta ” neste texto provavelmente só atesta sua qualidade. Marcelo Pinto, Rio de Janeiro-RJ – jul2005

03- Tá ótimo! Deu bem a idéia da estória toda numa página só! Eu não li o livro mas vi o primeiro filme e o remake. E gostei, é muito perverso porém. Isabella Furtado, Modena-Itália – jul2005

04- Quarentão, careca, e agora perdido por garotinhas! Esse não é o Ricardo Kelmer que conheci. Um beijo saudoso, e lembre-se de que, ao meu lado, voce sempre serah o garoto… Clotilde Tavares, Natal-RN – jul2005

05- Bela… Lolita. Bjo. Graça Carpes, Rio de Janeiro-RJ – jul2005

06- He,he,he, As Lolitas de hoje não são “tão puras” como a do nosso nobre Nabokov, né? Sinal dos tempos … Álvaro de Paula, Fortaleza-CE – jul2005

07- Oi, Ricardo. Bem que poderia haver a versão homo de lolita..já pensou eu iria adorar e se eu fosse o lolito seria melhor ainda…rsrsrsrr. Abraços. Fabiano, Fortaleza-CE – jul2005

08- Adorei a crônica, achei bem sensual, mas talvez incentive o assedio a jovens meninas. Cacilda Luna, Fortaleza-CE – jul2005

09- Primoroso… Nelson Neraiel, Rio de Janeiro-RJ – jul2005

10- Uma menina, só mesmo uma menina. Pobres velhinhos…kkkkkkkk! Muito bom. Adorei. Mas uma pergunta cretina: o texto é só uma homenagem mesmo? Desculpa, não resisti 🙂 Luana Patrícia, Fortaleza-CE – jul2005

11- Olha, adorei essse texto da Lolita…Parabéns! Pela sua criatividade!!! Clécio Rhustem, Crateús-CE – jul2005

12- O filme é maravilhoso. Já vivi um amor louco desse. Lisa Mary, Fortaleza-CE – jul2005

13- oi, ricardo. li o teu texto “lolita, lolita”. gostei muito. escrevi algo num clima parecido. talvez queiras ver: http://www.fotolog.net/daimon/?photo_id=8958936 . abraço. Paulo Amoreira, Fortaleza-CE – jul2005

14- Oi Ricardo, Adorei o texto da ninfa (Nabokov ‘2005) principalmente o ” beija os joelhos e pousa…”. Puta tesão,,,. Agora que já tô quase acabando as 130 ou mais páginas da minha tese (parece ridículo pelo número!) talvez possa te devotar a atenção devida… a merecida, jamais!!!. Beijos. Valmir Menezes, Lisboa-Portugal – ago2005

15- Tornei-me sua fã recentemente desde que li um texto seu na página do IG. semanalmente abro seu site para ver as novidades. Você parece ser um estilo raro de homem não o conheço,mas mesmo assim me identifiquei algumas de suas produções,outras fiquei um pouco cismada como no caso de “lolita” me senti agredida não se foi porque já pasei dos trinta, ou se porque como mãe de duas garotas e ainda mais sendo professora tive a impressão de que estava lendo uma apologia ao sexo com menores de idade. De qualquer forma voltei outras vezes para desfrutar de suas idéias,li e vi sua revelação nos quarenta anos,Adorei seu texto suas fotos então…. bjs e muito sucesso!!!! Sua fã. Diva645 – Rio de Janeiro-RJ – out2005

16- li um texto seu (Lolita, lolita) e gostei muito… Trabalho com produção cultural, sou apaixonada por literatura e bons textos sempre me impedem de ficar calada, porisso tive que fazer essa pequena invasão pra lhe trazer as minhas congratulações! realmente é um texto polemico, mas gostei do seu jeito de escrever sobre um assunto tão polemico tornando a coisa assustadoramente natural… Um grande beijo! Wania Alvarez, Santos-SP – mar2006

17- Caramba, que realismo!Deus me vi quando ainda aos treze… Tanbém escrevo e deveras fiquei anestesiada, o comportamento de uma ninfeta é esse mesmo! Parabéns! Nádia Rosa de Castilho, São Francisco do Sul-SC – jul2006

18- O primeiro conto q li foi sobre a Lolita… sorriso… fiquei um pouco incomodada, sabe aquela coisa hipócrita de achar a menina mto nova, mas no fundo sentindo maior tesão pela coisa??? Pois é, lembrei também q sempre tive uma queda, não, um TOMBO, por homens assim 15, 20 anos mais velhos (e hj isto me é complicado… rsss). Ilde Nascimento, São Luís-MA – abr2009

19- E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R! sensacional!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Literatura pura, com romance, erotismo e poesia. Camila Briganti, São Paulo-SP – mai2011

 


O pop pornográfico de Ricardo Kelmer

31/08/2009

Por: André de Sena, 2009

OPopPornograficoDeRK-01a.

Há, atualmente, uma fronteira tênue entre a literatura tradicional e o entretenimento que vem sendo ocupada por alguns escritores de talento e suas obras marginais em relação ao grande mercado editorial. Estes novos escritores endossam uma das grandes contradições no universo da crítica literária atual, o fato de que a decantada crise da ficcionalidade – que vai do chamado esgotamento das antigas formas literárias até a perda da ilusão de que a literatura poderia servir de espelho da realidade, passando ainda por fatores mais prosaicos como a debandada dos leitores por conta do aparecimento das mídias visuais (tv, cinema, internet, etc) – não vem sendo corroborada pela verdadeira efervescência dos blogs e diários on-line, que chega mesmo a propor novos caminhos à própria literatura.

A pletora de blogs vem revelando democraticamente talentos que, há pouco mais de uma década, estariam fatalmente destinados ao completo silêncio por conta do apertado funil da indústria editorial, que faz com que uma fração mínima de autores tenha direito à voz. E, para os críticos tradicionais que ainda torcem o nariz para esta novíssima produção ficcional, aqui vai um alerta: há muita boa literatura sendo gerada, bastando algumas horas de navegação via Internet para constatar isso. Até mesmo a nova linguagem cifrada/codificada utilizada pelos membros da rede – na qual alguns exagerados já viram inclusive o fim da norma culta – por vezes pode render gratos neologismos que impulsionam a alquimia da língua como um todo.

O livro “Vocês terráqueas”, do escritor cearense Ricardo Kelmer, atualmente radicado em São Paulo, lançado ao mesmo tempo em formato impresso (Miragem Editorial) e em formato e-book, para ser lido na tela do computador, é um bom exemplo desta nova literatura que floresce, pari passu, à completa inserção da Internet na vida das pessoas. Os contos e crônicas reunidos nesta obra, que poderiam ser catalogados, grosso modo, como “pop/pornográficos”, mostram que a literatura é mais camaleônica do que se supunha e vai buscar para seu denso arsenal até mesmo a informalidade da escritura dos e-mails e o prosaísmo das situações mais antilíricas. De fato, a literatura não necessita apenas de grandes mestres da prosa para ser pulsante de vida – a linguagem comum, diária, também pode inspirar pelo aspecto da inovação e da poesia.

Com nove livros na bagagem, a exemplo de “A arte zen de tanger caranguejos”, “Guia prático de sobrevivência para o final dos tempos”, “Baseado nisso” e “Blues da vida crônica”, Ricardo Kelmer vem lapidando aos poucos sua prosa característica, informal com conteúdo, irônica e, por vezes, poética. Mas foi a partir da criação de um blog, o blogdokelmer.com, que ele se tornou conhecido em todo país, principalmente quando decidiu “turbinar” sua escrita, unindo três universos distintos, o da pop literatura, o da literatura de humor e o da pornografia light, para confeccionar uma obra autoral válida. “Vocês terráqueas” é o fruto mais recente dessa união, que também deu origem, no blog do autor, ao link “Kelmer para mulheres”, uma divertida série de textos eróticos relativa ao universo feminino que conta ainda com os “arquivos secretos”, apenas para leitores cadastrados (estes sim, “mais” pornográficos). Em todo o caso, é o humor que se destaca em todas estas obras, dissolvedor de modos e gêneros literários, metaficcional por excelência.

Como espelha o título, os vinte e um contos e quinze crônicas reunidas em “Vocês terráqueas” tratam, com os mais diversos matizes, do universo feminino, ou, mais exatamente, da estranheza, horror e fascinação que este pode suscitar. Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, destaca-se o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido. Pode-se afirmar que Kelmer já é dono de um estilo próprio (no fundo, uma das almejadas metas de todo escritor) e, do ponto de vista narrativo, há três pequenas obras-primas em “Vocês terráqueas”, os contos “O presente de Mariana”, “A professora de literatura do meu marido” e “Gisele, a espiã nua que eliminou o Brasil”. Os temas são curiosos, mas desenvolvidos com talento: no primeiro conto, uma entidade se apaixona por um homem após uma sessão de umbanda; no segundo, há a descrição de um mundo meio futurista onde as pessoas escolhem as características físicas e psicológicas de seus amantes; no terceiro, narra-se a história de um homem que crê piamente que sua “cueca da sorte” seja a responsável pelas vitórias nos jogos da seleção brasileira.

Muitos outros contos interessantes e iconoclastas de Kelmer ficaram de fora desta obra, mas podem ser lidos no blog do autor, como “O último homem do mundo”, que retoma o tema do pacto fáustico em um contexto atual (as relações de poder entre homens e mulheres), além da escrachada série “Um ano na seca”, diário que narra as aventuras de um homem apaixonado por sua boneca inflável, onde o humor mais burlesco acaba diluindo o pornográfico e dando lume a uma espécie de gênero literário híbrido, que é um dos trunfos da escrita kelmérica.

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André de Sena é jornalista, músico e estudioso de literatura. É autor de dois livros de poemas, Bosques da Moira e Miratio. Mora em Recife-PE.

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vtcapa21x308-01Saiba mais sobre o livro:
Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino

O que mais escreveram sobre este livro:

Desconstruindo Kelmer (por Wanessa) – Totalmente metida e curiosa, eu me debrucei sobre o conto e fiz minha própria interpretação. Bem, a presença da Mestra, a vida, a Deusa, o Tao, o fluxo irrevogável de tudo, não me espanta que seja uma figura feminina…

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada.

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz.

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundoO sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

LolitaLolita-03Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou…

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas  uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)

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OPopPornograficoDeRK-01a


As Terráqueas na Pauliceia

28/08/2009

Ricardo Kelmer 2009

VocesTerraqueasConvite200909-01g.

Tô muito feliz. Minhas terráqueas enfim darão as caras na Pauliceia. O lançamento oficial de meu novo livro, Vocês Terráqueas, será em setembro, em duas datas. Me sentirei muito honrado com sua presença!

03 set – 17h a 21h
Espaço Cultural Alberico Rodrigues
Show com MOACIR BEDÊ e convidados
Praça Benedito Calixto, 159 – Pinheiros – 3064.3920 (aceita cartões de crédito)
> estacionamento na praça

05 set – 20h a meia-noite
Bar de Ontem
Rua Cardeal Arcoverde, 1761 – Vila Madalena – 3097.9811 (aceita cartões de crédito)
> estacionamento na rua

Preço do livro: R$ 20

APOIO:
Letra de Bar – TV da Praça – O Autor na Praça – Alpha FM

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Mais sobre o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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