Desculpem o atraso

08/03/2015

08mar2015

Em alguns minutos ela começaria a palestra, quando a mensagem chegou…

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DESCULPEM O ATRASO

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O salão do hotel estava lotado para sua palestra Feminismo no Século 21. Antes de começar, o celular fez o bip que ela tão bem conhecia. Leu a mensagem e suspirou… E correu para o elevador. Na suíte do nono andar, ele a recebeu, repreendeu-a pela demora e a estapeou. E ordenou que ficasse nua. De coleira e acorrentada, ela docilmente lambeu seus pés. Quando ele a pôs de quatro e a segurou forte pela cintura, ela tremeu de expectativa, antevendo o instante seguinte: ele montado sobre ela, o pau inteiro enfiado em sua bunda, e ela agradecida pela honra de servi-lo… Meia hora depois, ela agradeceu os aplausos, desculpou-se pelo atraso e iniciou a palestra. No rosto, a expressão compenetrada. No cu, a lembrança do gozo de seu senhor.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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> BDSM na Wikipedia – BDSM é a sigla de Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão e Sadomasoquismo. Na Wikipedia há informações básicas bem organizadas.

> Submissas na cama, mas não na vida – elas são feministas e adeptas do BDSM – Matéria do UOL, 18.12.17

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A marmota do ano

26/02/2015

26fev2015

O dia em que Fortaleza aplaudiu um artista que nunca existiu

AMarmotaDoAno-05

A MARMOTA DO ANO

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Oi, recebi teu recado. Tô no orelhão, fala rápido. O quê? Sério? Não, eu não acredito… Quer dizer que atualmente o maior sucesso aí em Fortaleza é um artista japonês que nunca existiu? Não, vocestão de sacanagem comigo. Heim? Os jornais fizeram matéria de capa? O quê?! Entrevistaram o japa?! Não, assim vocês não querem que eu volte…

Yuri Firmeza? É um artista daí? Não sei, acho que não conheço. Ah, foi ele quem inventou o artista japonês. Tá. E acertou com o Centro Cultural Dragão do Mar uma exposição no Museu de Arte Contemporânea? Como se fosse do japa? Putz… Comué, ele criou um passado pro japa? Criou fotos das obras do cara, inventou uma assessoria de imprensa, enviou informações pros jornais? Deu entrevista por e-mail como sendo o japa? Que louco… Tá, mas o que tinha na exposição? Cópias de mensagens de e-mail? Ah, tá, que Yuri trocou com um filósofo, exatamente sobre a ideia da farsa. Ahahah! Sensacional! Isso sim é que é molecagem contemporânea!

Mas por que ele fez isso? Chamar a atenção sobre o quê? A questão da arte, tá. E denunciar a negligência da imprensa com os artistas locais? Hummm, olhassó… Danado esse Yuri, heim? E o público, o que achou? A maioria se manifestou favorável ao artista moleque? Certo. Os leitores do jornal o quê? Ah, criticaram o pedantismo dos jornalistas. Ok. E os jornalistas? Ahn? Apedrejaram o artista? Comassim? Quer dizer que não reconheceram o próprio erro? O quê? O jornalista afirmou que tudo isso era medíocre e que o objetivo do artista foi arranhar a credibilidade e a boa reputação dos jornalistas? Entendi. Peraí que aqui tá passando um caminhão limpa-fossa.

Pronto, já passou. Heim? O jornalista disse que muitos idiotas vão entender a coisa como um alerta sobre a cobertura jornalística da cultura no Ceará? Vixe, e é pra entender o quê? Ops, volta a fitaí, ele disse “idiotas”? Não, ele não disse isso, não é possível. Bem, então muito prazer, eu sou um dos idiotas. Corajoso o jornalista, né? Chamar o artista de medíocre, vá lá, é a opinião dele, apesar de ter um cheirinho de ressentimento. Mas chamar seus próprios leitores de idiotas? Uau! Afinal, o que tá havendo com a minha querida imprensa alencarina? Devem ter botado alguma coisa na bebida desse povo, não é possível.

Como é mesmo o nome do japa? Souzousareta Geijutsuka? Diabo de nome é esse? Quer dizer o quê em japonês? Artista inventado? Não, tu já tá sacaneando. Mas peraí… Nenhum jornalista se deu ao trabalho de pesquisar se esse Zé Sareta existia mesmo? Não tem internet nas redações do Ceará não? Heim? Os jornalistas disseram que o Dragão do Mar perdeu a credibilidade? Pois pra mim, isso que o Dragão fez foi uma benfeitoria pública. É. Afinal, tudo isso serviu pra mostrar que o rei tá pelado e que o pinto do rei é pequeno. Sim, todo mundo sabia. Menos o rei.

O papo tá bom, mas os créditos tão acabando, vamo ter que encerrar. Mas antes manda um recado aí pra turma. Diz que eu voto nessa história pro acontecimento jornalístico de 2006. Claro. A marmota do ano. De uma lapada só fez a cidade inteira discutir arte, lógica de mercado, subserviência cultural ao que vem de fora, o papel da imprensa e sua credibilidade, a postura dos jornalistas… Ah, é, e também serviu pra mostrar como são idiotas os tais leitores do jornal. Eu principalmente, que leio todo dia.

Olhassó, esse Yuri devia fazer uma estátua. Dele não, do Zé Sareta. Isso, no Dragão do Mar. O Ceará não é a terra da molecagem? Não foi Fortaleza quem uma vez vaiou o sol na Praça do Ferreira? Então. Uma estátua do japa lendo jornal. Pra gente nunca mais esquecer do dia em que Fortaleza aplaudiu um artista que nunca existiu.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica. A imagem que ilustra o texto é uma montagem feita a partir de trabalhos de Yuri Firmeza.

> A crônica A Marmota do Ano foi publicada em minha coluna Kelméricas, no site do jornal O Povo (Fortaleza), dez dias após a abertura da exposição de Yuri Firmeza. O texto a seguir, Quem Aprendeu, Aprendeu, foi publicado em meu site pessoal no mesmo ano, 2006. Minha defesa do artista e do Centro Cultural Dragão do Mar, junto às minhas críticas ao comportamento da imprensa, infelizmente não foram bem recebidas por alguns colegas jornalistas e me renderam antipatias. Fazer o quê?

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AMarmotaDoAno-05aQUEM APRENDEU, APRENDEU
Ricardo Kelmer, 2006

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Minha crônica A Marmota do Ano é um deboche, evidentemente, mas ela pretendeu também chamar a atenção para um fato que é tão absurdo que parece mentira, para que o leitor reflita sobre esse acontecimento riquíssimo de implicações artísticas, jornalísticas e sociais, e tire suas próprias conclusões.

É interessante notar que num primeiro momento, após a descoberta da farsa, o jornal O Povo, em seu editorial, chama o artista de “frustrado”, “recalcado” e “rancoroso” e a sua atitude de “mesquinha” e “irresponsável”. E chama de “deplorável” o comportamento do Centro Dragão do Mar por ser conivente com a proposta do artista. No único momento de mea culpa, o editorial do O Povo admite que não custava nada checar na internet informações sobre o artista japonês. Mea culpa? Hummm, nem tanto. Na verdade, era só um trampolim estilístico para a frase final que insinua que o Dragão não tem mais credibilidade.

Infelizmente, o editorial esqueceu de comentar que um dos objetivos da pegadinha era justamente denunciar a subserviência da mídia ao que vem de fora e seu descaso com os artistas locais. Mas, pensando bem, seria reforçar ainda mais o ridiculamente óbvio: a subserviência está estampada, em manchete, no espaço cedido ao forasteiro famoso… que jamais existiu. E quanto ao descaso, bem, se existia descaso, agora os artistas não têm mais do que reclamar. Ganharam até editorial!

Mas não sejamos injustos. Na última matéria, O Povo resume toda a marmota, informando corretamente, deixando o ressentimento de lado e atendo-se aos fatos. E no mesmo dia, no site, disponibiliza o fórum para que seus leitores se manifestem. E eles se manifestam: a imensa maioria aplaude o artista e critica duramente as atitudes do jornal e dos jornalistas, como se fosse um grito de inconformismo, guardado por muito tempo, contra a postura dos meios de comunicação e o pedantismo de seus profissionais. E, dez dias após o início do caso, o portal Noolhar, que é ligado ao jornal O Povo, publica minha crônica A Marmota do Ano, provando que, assim como o jornal, o site também entende o valor da multiplicidade de opiniões num veículo democrático. Ponto para o jornal e para o portal.

Há uma outra questão envolvida: a coragem do artista. Imagine se algum jornalista, antes de escrever sua matéria, resolve investigar algo sobre Souzousareta. Ou imagine se os planos de Yuri vazam por descuido ou delação de alguns dos envolvidos. A farsa fatalmente seria descoberta, os jornalistas se livrariam do ridículo e automaticamente o repassariam a Yuri Firmeza. O artista seria desmascarado e, certamente, criticado e ridicularizado pela imprensa e até por artistas. Talvez virasse persona non grata das redações (bem, talvez já o seja…). Seu esforço teria sido em vão. O público possivelmente não o apoiaria como agora faz. É, o artista foi muito corajoso. E assumiu um risco enorme, que quase ninguém ousaria assumir. Você assumiria?

Trabalho com comunicação e escrevo para jornais e sites. Como profissional da notícia, o episódio me deixou constrangido. Infelizmente estamos sujeitos a pegadinhas como essa. Mas, nesse caso, apoio o artista e o Centro Dragão do Mar. Eles foram muito úteis à sociedade e à imprensa. O que Yuri Firmeza fez, admitamos, foi genial, e, mesmo constrangendo a nós que fazemos jornalismo, nos ensinou coisas muito importantes. Quem aprendeu, aprendeu.

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AMarmotaDoAno-05a

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CRONOLOGIA DA MARMOTA

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09.01.06 – Desconstruindo a arte
(jornal O Povo-CE)

Chamada para a exposição de Souzousareta Geijutsuka

10.01.06 – Arte, natureza e tecnologia (jornal Diário do Nordeste-CE)
Entrevista com o artista japonês e imagens de suas obras

11.01.06 – Pegadinha contemporânea de artista cearense (jornal O Povo-CE)
Notícia da farsa. Informação apenas, sem paixões

11.01.06 – Arte e molecagem (jornal O Povo-CE)
O jornalista ataca e desmerece o artista e critica o museu

11.01.06 – Exposição factóide compromete Instituto Dragão do Mar (jornal Diário do Nordeste-CE)
Notícia da farsa. O jornal tenta descredibilizar o Centro Dragão do Mar

12.01.06 – Provocação infeliz (jornal O Povo-CE)
O editorial do jornal O Povo ataca o artista, critica o Dragão do Mar e faz um meia-mea-culpa

12.01.06 – A arte do absurdo (jornal O Povo-CE)
Resumo do fato. O jornal informa sem julgar

12.01.06 – A arte no jornalismo (jornal O Povo-CE)
A editoria do Vida & Arte se manifesta. Nem contra nem a favor

13.01.06 – Fórum do leitor (portal Noolhar-CE)
O site do jornal abre espaço para que os leitores se manifestem, e a grande maioria apoia o artista e critica o jornal. Ponto para o jornal

17.01.06 – A arte inventada (jornal O Estado de São Paulo-SP – site Observatório da Imprensa)
A notícia corre o mundo

20.01.06 – A marmota do ano (portal Noolhar)
O site do jornal O Povo publica a crônica de Ricardo Kelmer (em sua coluna Kelméricas), onde ele critica a posição do jornal e dos jornalistas e apoia o artista e o Dragão do Mar. Ponto para o jornal

23.01.06 – A cilada do artista invasor (jornal O Globo-RJ)
O jornal carioca publica matéria de capa e página inteira. Dá voz ao artista, ao diretor do museu mas não ouve os jornalistas envolvidos

Comentários dos leitores (site pessoal do escritor Ricardo Kelmer)
Leitores comentam. Comentários também de pessoas e instituições envolvidas, como Yuri Firmeza, Centro Dragão do Mar e o jornalista Felipe Araújo, do jornal O Povo

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AMarmotaDoAno-05a

REPRODUÇÃO DAS MATÉRIAS

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CAPÍTULO 1

O jornal anuncia a exposição

O jornal O Povo publica, em seu caderno cultural, uma chamada para a abertura da exposição de Souzousareta Geijutsuka no dia seguinte. Provavelmente, o repórter copiou as informações diretamente do material de divulgação distribuído pelo MAC – Museu de Arte Contemporânea, um recurso muito comum em redações de jornal, preenchendo o resto com algumas considerações próprias. Vale registrar que.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
09.01.06 – Matéria sem assinatura

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DESCONSTRUINDO A ARTE

Imagine uma exposição onde as obras são flores e vegetais carbonizados e que isso representasse o equilíbrio entre a vida e a morte. Ficou difícil? Pode até ser, mas ousado como é o artista plástico japonês Souzousareta Geijutsuka, não se intimida como estranho. Tudo, alías, é bem moderno, ao olhos de sua arte. Usar e abusar da tecnologia e da ciência é sua marca, e transformar o que – nem de longe – parece arte, em arte, se tornou uma característica. Souzousareta chega a Fortaleza hoje, às 22h, para apresentar sua mais recente mostra intitulada Geijitsu Kakuu, que acontece dentro do projeto Artista Invasor, do Museu de Arte Comtemporânea do Ceará.

A exposição de Souzousareta busca a harmonia entre a natureza que nasce e morre, empregando equipamentos tecnológicos, para abordar a discussão em torno da fragilidade da vida e suas conseqüentes contradições. O artista conquistou fama mundo afora, exatamente por elencar assuntos tão distintos, como: arte, ciência e tecnologia em suas exposições. Souzousareta desenvolve pesquisas na Eletrônica e Telecomunicações, isso aliado aos conceitos de tempo real, simultaneidade, supressão de espaço e imaterialidade. O uso de objetos e tecnologias tão ousadas são influências da “desmaterialização” dos anos 60/70. “Esse fenômeno, com abandono do “objeto de arte” por muitos artistas, deu lugar a uma variedade e uma multiplicação de usos mediáticos”, explica.

De acordo com o artista, a arte eletrônica, apesar de não ter o reconhecimento e respeito dos historiadores de arte, é uma questão capital. “Freqüentemente contestada, seu endereçamento, entretanto, insere-se em nosso destino de participantes de uma época da história em que a tecnologia tornou-se parte de todos os atos da nossa vida. Acredito em sua importância humanizadora”. Seja como for, a arte de Souzousareta faz um paralelo entre o novo, o velho e o que está por vir. Ele desconstrói para, mais tarde, reconstruir de acordo com sua interpretação.

SERVIÇO: Artista Invasor – Souzousarta Geijutsuka apresenta a mostra Geijitsu Kakuu, a partir de 10 de janeiro, no Museu de Arte Contemporânea do Ceará, no CDMAC. Visitação de terça-feira a domingo, das 14h às 22h. Ingressos: R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (meia). Informações: 3488.8622.

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CAPÍTULO 2
A entrevista – Ô japonezinho pra falar…

O jornal Diário do Nordeste, além de divulgar a exposição, destaca um repórter para entrevistar o artista japonês. Como Souzousareta ainda não está em Fortaleza, a entrevista acontece por e-mail, com tradução de sua assessoria de imprensa (papel exercido no processo pela namorada de Yuri). Nas respostas do artista, podemos perceber várias pistas sobre a farsa. A matéria é ilustrada com imagens de suas obras, na verdade fotos simplórias feitas por Yuri, sendo uma de uma paisagem praiana, editada para parecer arte abstrata, e outra de um gato de rua, como se fosse cena de um videoarte.

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Reprodução – Jornal Diário do Nordeste (CE), Caderno 3
12.01.06 – Matéria de Dawlton Moura

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SOUZOUSARETA
Arte, natureza e tecnologia

Espaço aberto para a arte eletrônica. O Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar, abriga a partir de hoje, dentro do programa “Artista Invasor”, trabalhos do japonês Souzousareta Geijutsuka, reunidos na exposição ´Geijitsu Kakuu´. O olhar de um experimentador de linguagens atuais e novas tecnologias sobre fenômenos da natureza

Esta é a quarta vez em que Souzousareta, considerado um dos nomes mais importantes quanto à interface entre arte contemporânea, ciência e novas tecnologias, participa de eventos no Brasil. O sofisticado equilíbrio entre vida e morte na natureza é o fio temático de sua exposição “Geijitsu Kakuu”, em que flores e vegetais são revisitadas por meio de objetos carbonizados, em um convite a reflexões sensoriais sobre a fragilidade da vida.

Os trabalhos de Souzousareta, que entre outras cidades já expôs em Tóquio, Nova York, Berlim e São Paulo, incluem parcerias com cientistas e engenheiros, em pesquisas sobre eletrônica e telecomunicações. Entre os conceitos contemplados, estão os de operação em tempo real, simultaneidade, supressão do espaço e imaterialidade. A robótica é outra área explorada, em diálogo com esculturas e instalações ambientais. Ele também é responsável pelo desenvolvimento de uma nova técnica fotográfica, batizada “Shiitake”, que busca apreender fenômenos invisíveis ocorridos na atmosfera.

O pintor e escultor francês Marcel Duchamp (1887-1968) é citado por Souzousareta como uma de suas grandes influências, quanto à chamada “arte eletrônica”. Para o artista japonês, a arte eletrônica adquire uma importância fundamental, a partir do momento em que a tecnologia está presente em cada momento de nossas vidas – do mais banal, ao mais grandioso. Apesar disso, Souzousareta considera que as linguagens artísticas eletrônicas ainda são marginalizadas pela concepção mais tradicional de “história da arte”.

Em entrevista via e-mail ao Caderno 3, Souzousareta aborda esses e outros temas, criticando a acomodação do público e dos críticos, falando das influências que vem recebendo em sua descoberta do Brasil e apostando que a intensidade de uma proposta artística sempre será mais importante que os meios empregados para realizá-la. Confira:

Caderno 3 – Esta é a quarta vez que trabalhos seus são expostos em eventos no Brasil. Que importância esse contato com o País tem para o seu trabalho?

INFOGRAVURA DE Souzousareta, para quem “os historiadores da arte são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem”

INFOGRAVURA DE Souzousareta, para quem “os historiadores da arte são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem”

Souzousareta GeijutsukaAcabo de chegar ao País. Tenho aprendido muito sobre a cultura brasileiras em livros e vídeos aos quais tenho acesso no Japão. Inclusive, acabo de ler um livro e ver um filme fabulosos feitos no Brasil. “O povo brasileiro”, do (Darcy) Ribeiro, me parece ser esse o nome correto, e “Deus e o diabo na terra do sol”, do já conhecido Glauber Rocha. Até acredito que esses dois trabalhos me influenciaram de alguma maneira na preparação de minha exposição no Brasil. É claro que minha estadia aqui vai intensificar muito a influência dos elementos de brasilidade sobre o meu trabalho. Inclusive essa é uma constante em meu trabalho: a inclusão de elementos locais agenciados aos procedimentos eletrônicos.

Caderno 3 – Que resposta vem obtendo do público e das instituições de arte brasileiras?

SouzousaretaMuito pequena, como deve ser o caso da maioria dos artistas contemporâneos, pelo menos aqueles que ainda resistem a uma total subordinação dos procedimentos e problemas estéticos aos imperativos de cosumo. Não só no Brasil, mas me parece que em vários países desenvolvidos, as atividades da cultura precisam apresentar relevância mercadológica para encontrar linhas abertas de financiamento e incentivo. Acontece o mesmo com o público, sobretudo com a arte eletrônica. Precisamos estar o tempo todo brigando com nossa própria produção para não deixar que os clichês tomem conta de tudo. E é esse o problema, o público, em geral, adora clichês. Espero encontrar coisa diferente no Brasil.

Caderno 3 – Em que estágio o Brasil pode ser situado, dentro do contexto mundial da chamada ´arte tecnológica”?

SouzousaretaO Brasil ocupou um lugar de destaque no cenário artístico mundial durante os anos 60 e 70: Lígia Clark, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, de que já falamos, e outros. Mas acho que esse foi um momento de vitalidade estética em quase todo o mundo. Também no Japão tivemos reações importantes aos valores da civilização moderna através da arte. Pnesemos em Nam June Paik, por exemplo. Não sei em que pé estão as artes plásticas brasileiras nesse momento, nem mesmo a arte eletrônica. Temos o privilégio de poder contar, no Japão, com um parque tecnológico bastante desenvolvido e aberto; não sei se esse é o caso do Brasil. A dificuldade de acesso de uma sociedade à tecnologia implicará em dificuldades para o florescimento de uma boa arte tecnológica. Mas o Brasil conta com tantas ferramentas expressivas, que não vai ter problemas.

Caderno 3 – Falando nisso, que definição de ´arte tecnológica” é possível? De que modo esse conceito – que, você cita, vem desde Marcel Duchamp – se aplica aos dias de hoje?

SouzousaretaPode ser definida como arte tecnológica toda operação estética que conta com suportes tecnológicos do tipo computadores, sintetizadores, softwares dos mais variados para produzir campo de percepção e sensação. Nesse sentido, é óbvio que o que interessa não são os suportes materiais, que podem ser extremamente desenvolvidos e potentes, mas os agenciamentos em que entram, que também têm que ser poderosos. O que continua valendo hoje na arte, como há três mil anos atrás, é a intensidade que passa pela obra, e não a obra como representação de alguma coisa.

Caderno 3 – Há ainda uma forte resistência do público a esse tipo de arte, em formas não-convencionais, ou já é mais fácil aproximar a arte eletrônica do público em geral?

SouzousaretaO público sempre resiste ao que não é convencional. Por isso a arte necessita tanto do marketing nos dias de hoje.

Caderno 3 – Você já declarou que os “historiadores de arte” ainda vêem com reservas a arte tecnológica. Há possibilidades de se reverter esse quadro? Em que prazo?

SouzousaretaNormalmente os historiadores da arte, assim como os historiadores da filosofia, são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem.

Caderno 3 – Que diálogos são possíveis entre a arte eletrônica, que se vale das novas tecnologias, e as formas clássicas/convencionais de arte?

SouzousaretaTodas as conexões são possíveis, desde que o teu “problema próprio” necessite dessa ou daquela operação que pertence a um outro período da história da arte. Por exemplo, num certo momento, o encontro com as tradições milenares do Japão me foi necessário, como forma de explorar determinado problema a respeito do medo existente na cultura japonesa, e incrustado nos hábitos mais elementares. Foi só por isso que cruzei arte eletrônica com cultura milenar. Num outro projeto, essa referência à tradição não seria necessária.

Caderno 3 – Você falou da arte tecnológica como uma possibilidade de humanização, dentro de todo o universo tecnológico-informativo em que estamos cada vez mais imersos. Isso não vai de encontro ao velho receio de um “totalitarismo tecnológico”? De que modo a arte pode contribuir para “humanizar” a tecnologia?

YuriFirmezaSouzousaretaGeijutsuka-02

CENA DE VÍDEO do artista japonês Souzousareta Geijutsuka: “O que continua valendo na arte é a intensidade que passa pela obra”

SouzousaretaSe falei em humanização anteriormente, estava equivocado. O humanismo não tem nenhum problema de conviver com os piores tipos de atrocidades. Não é verdade que os direitos humanos criem algum tipo de constrangimento ao crescimento vertiginoso da pobreza e da angústia em parcelas importantes da população global. Humanismo e capitalismo selvagem fazem parte de uma mesma máquina. É preciso perguntar como a arte tecnológica, mas não só, pode mudar os usos que são feitos.

Caderno 3 – A arte tecnológica não correria também o perigo de se ater a limites do consumo (o mercado de novas tecnologias, produtos eletro-eletrônicos, computadores, sintetizadores, projetores)?

SouzousaretaSem dúvida!

Caderno 3 – Seria possível sintetizar o conceito e o objetivo da exposição “Geijitsu Kakuu”, que será mostrada aqui em Fortaleza? De que modo trabalha o contraste entre vida e morte, natureza e tecnologia?

SouzousaretaEssa exposição tem várias facetas, justamente para poder lidar com vários problemas. Tudo está integrado a um exercício do simulacro, cujo objetivo é retirar os hábitos de seu estado de evidência. Inclusive hábitos estéticos, do tipo “Por que gostamos de arte?”. É preciso ver a exposição. (DM)

SERVIÇO: “Geijitsu Kakuu”, exposição de Souzousareta Geijutsuka. Abertura hoje, no Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar. De terça a domingo, das 14h às 22h. Ingressos: R$ 2,00 e R$ 1,00 (meia). Info.: 3488-8622.

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CAPÍTULO 3
O Povo anuncia a farsa

O jornal O Povo noticia a farsa, no mesmo caderno da chamada do dia anterior, num texto meramente informativo, sem considerações, nem paixões. O jornal, porém, refere-se ao trabalho de Yuri usando aspas: “trabalho artístico”. No mesmo dia, publica também contundente artigo do jornalista Felipe Araújo.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
11.01.06 – Matéria sem assinatura

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EXPOSIÇÃO
Pegadinha contemporânea de artista cearense

A exposição Geijitsu Kakuu, que conforme matérias divulgadas ontem na imprensa local – inclusive no Vida & Arte, do O POVO – seria aberta no Museu de Arte Contemporânea (MAC) do Centro Dragão do Mar, não existe. A mostra fictícia, que seria de autoria de um artista plástico japonês, é na verdade uma criação do artista contemporâneo cearense Yuri Firmeza.

Na semana passada, Firmeza – com a conivência do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – divulgou para os jornais locais um press-release contendo informações sobre a suposta mostra e o currículo do artista japonês. Como parte de seu ”trabalho artístico”, Firmeza criou uma assessoria de imprensa também fictícia, que entrou em contato com as redações por telefone para reforçar a divulgação do material. Procurado, também na semana passada, pelo O POVO, em duas ocasiões, o Centro Dragão do Mar confirmou a realização da exposição no MAC.

Ontem, quando a farsa foi revelada para a imprensa, Yuri Firmeza explicou que a intenção da iniciativa foi ”pensar o que move o campo da arte, refletir o museu, a galeria, o jornal como meio de sedução”. Já o diretor do MAC, Ricardo Resende, afirmou não acreditar que o episódio fere a credibilidade do Centro Dragão do Mar. Segundo ele – que confirmou que a direção do Centro tinha ciência da divulgação das falsas informações – é papel do Museu dar condições para a criatividade dos artistas locais.

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CAPÍTULO 4
O jornalista não gostou da brincadeira

O jornalista Felipe Araújo, do jornal O Povo, ataca Yuri Firmeza, desmerece seu trabalho e critica o Centro Dragão do Mar. O artigo diz que são idiotas os leitores que concordam com o artista, em sua crítica à cobertura jornalística da cultura.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), seção Opinião
11.01.06 – Matéria de Felipe Araújo

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ARTIGO
Arte e molecagem

A recente molecagem do artista plástico Yuri Firmeza, que inventou o pseudônimo de Souzousareta Geijutsuka e divulgou para a imprensa local seu (dele, Souzousareta) brilhante currículo de exposições no exterior como forma de conseguir espaço na mídia, revelou alguns traços do espírito da arte contemporânea em Fortaleza. Com algumas caras exceções, uma arte pobre, recalcada e alienada, feita por moleques que confundem discurso (ou melhor, as facilidades conceituais de um discurso) com pichação; que acham que estão sendo corajosos quando não fazem mais do que espernear e gritar por uma mesadinha ou por uma berlinda oficial. Nelson Rodrigues é que estava certo: os idiotas perderam a modéstia.

Não há nenhuma novidade na invenção de pseudônimos como forma de afirmar determinados discursos artísticos. Yuri, aliás, tem todo o direito do mundo de fazer a brincadeira ou a provocação que quiser. Como ”artista contemporâneo”, sua provável falta de domínio sobre certos procedimentos criativos e o discurso esquálido naturalmente ampliam seu horizonte de atuação estética às raias da falsidade ideológica. O que estranha é o fato de a presidência do Dragão do Mar – principal centro cultural da Cidade – e a direção do Museu de Arte Contemporânea chancelarem uma irresponsabilidade desse tamanho.

A título de ”denúncia” sobre uma suposta negligência da imprensa com a produção local, Yuri tentou arranhar a credibilidade e a boa reputação de alguns profissionais. É fato que, demagogicamente, vai arregimentar a simpatia de uma classe artística boçal que (feitas as devidas exceções) projeta na imprensa a frustração de seu próprio fastio criativo. E é fato também que muitos idiotas vão entender esse gesto como um alerta oportuno sobre a cobertura jornalística da cultura em nosso Estado. A imprensa tem seus problemas e deve permanentemente questionar e ser questionada sobre sua responsabilidade com as artes e a cultura. Mas o que se viu nesse episódio foi apenas a face mais evidente da mediocridade.

O pecado dos jornalistas envolvidos no episódio talvez tenha sido o de acreditar na boa fé e no respeito que sempre pautou a relação entre as redações e o Dragão do Mar. E acreditar na reputação do Dragão como um centro que, através do MAC, quer promover exposições e discussões procedentes sobre a arte contemporânea. Não somente a credibilidade do Centro junto à imprensa, mas a própria credibilidade do Dragão junto à opinião pública estão gravemente arranhadas a partir de agora. Afinal, quem iria a uma exposição de Souzousareta sabendo que se trata de uma exposição de Yuri Firmeza?

FELIPE ARAÚJO é repórter especial do O POVO

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CAPÍTULO 5
O Diário do Nordeste anuncia a farsa

O jornal Diário do Nordeste noticia a farsa. O tom geral da matéria é de contenção, mas o texto tenta descredibilizar o Centro Dragão do Mar já a partir do título, sustenta que o episódio compromete sua credibilidade junto à imprensa e a sociedade e afirma ser bastante obscura a compreensão do trabalho de Yuri Firmeza. Ao contrário do jornal concorrente, o Diário do Nordeste não abordará mais o fato, limitando-se a esta pequena matéria. Agindo assim, o jornal perde ótima oportunidade de explorar um tema tão rico, ainda que tivesse de expor sua constrangedora participação no episódio.
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Reprodução – Jornal Diário do Nordeste (CE)
11.01.06 – Matéria sem assinatura

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GEIJITSU KAKUU
Exposição factóide compromete Instituto Dragão do Mar

Quem compareceu à abertura da exposição “Geijitsu Kakuu”, ontem, no Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar, se surpreendeu. Atribuída ao artista plástico japonês Souzousareta Geijutsuka a exposição não foi apresentada em nenhuma das salas da instituição. Também pudera: numa atitude inusitada, após a divulgação na mídia, a exposição não existia, isto porque seu autor simplesmente não existe.

Portanto, o que poderia ter passado como um atraso ou outra falha no processo de montagem da exposição, acabaria se revelando, na verdade, uma grande farsa engendrada pelo artista plástico Yuri Firmeza, em total concordância com o Museu de Arte Contemporânea e a direção do Centro Dragão do Mar. Assumindo a divulgação do evento, bem como a identidade fictícia do artista e de suas presumíveis obras (sacadas da internet), o artista e a instituição (Museu/Dragão do Mar) acabaram colocando em xeque ou até mesmo comprometendo o vínculo de credibilidade estabelecido junto aos veículos de comunicação e a sociedade cearense.

Na sala prevista para a montagem, o que se via era uma placa descrevendo: “exposição em desmontagem”. Em uma das paredes, um texto assinado pelo Diretor do Museu de Arte Contemporânea, Ricardo Resende, fazia alusão a um projeto artístico conceitual “que foge do puramente contemplativo e exige do público a reflexão sobre o que se vê ou o quê não se vê”. Em outro momento, o texto sugere que estamos diante de um “jovem artista que lida com a ‘ficção’ de se fazer arte na atualidade”, sem fazer qualquer menção a exatamente que arte estaria se referindo.

Na verdade, o texto de Ricardo Resende estará inserido entre uma série de reproduções de e-mails trocados entre o artista plástico e o sociólogo Tiago Themudo, discorrendo sobre os conceitos ocultos por trás da sua empreitada criativa, cuja compreensão o próprio artista deixa bastante obscura. Citando referências teóricas de artistas plásticos como Hans Jacke, Michel Duchamp e Alfredo Jaar, ele considera que sua obra é ele mesmo enquanto artista.

“Meu objetivo não é constranger o público, aliás, o público é uma das peças dessa engrenagem”, provoca. Yuri considera que sua “obra” discute questões como o sistema e a crítica da arte, a mídia e o papel dos espaços criativos.

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CAPÍTULO 6
A voz oficial do O Povo

Em editorial, o jornal O Povo ataca o artista, chamando-o de frustrado, recalcado e rancoroso, e diz ser mesquinho e irresponsável o que ele fez. O texto também critica fortemente o Centro Dragão do Mar, cita um caso parecido envolvendo a revista Veja e (finalmente) joga uma parcela da responsabilidade para os próprios jornalistas.
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Reprodução – Editorial do jornal O Povo (CE)
12.01.06 – Matéria sem assinatura

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EDITORIAL
Provocação infeliz

Estarrecedor é o diretor Ricardo Resende dizer que a direção do Dragão do Mar tinha conhecimento da divulgação das falsas informações e, o que é pior, achar que é papel do Museu dar condições para a criatividade dos artistas locais. Um estranho conceito de criatividade

Os meios jornalísticos e culturais de Fortaleza foram sacudidos ontem por um estranho e constrangedor episódio: a exposição de um artista plástico japonês, cuja abertura fora anunciada pela imprensa para terça-feira, no Museu de Arte Contemporânea, do Centro Dragão do Mar, não se realizou porque o personagem principal, o autor dos trabalhos, simplesmente não existia.

Era fictício, ou virtual, para usar palavra da moda, criado pelo artista plástico Yuri Firmeza, que utilizou um factóide para provocar a imprensa. Uma forma de denunciar a ”negligência dos meios de comunicação locais com a produção artística da terra”. O próprio Dragão do Mar divulgou a mostra.

O caso merece reflexões e, de uma forma infeliz, servirá de advertência para a imprensa para evitar futuras aventuras irresponsáveis e, também, de parâmetro no relacionamento com entidades e produtores culturais.

O sr. Yuri Firmeza extravasou suas frustrações e recalques na mídia. Mas foi longe demais em suas elucubrações. Precisava usar de artifício tão mesquinho e irresponsável para divulgar seu trabalho e seu protesto? Mas ele tem liberdade para exercitar a sua “criatividade”. Não entramos nesse mérito.

Deplorável nisto tudo é o comprometimento do nome de uma instituição do porte do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, através do Museu de Arte Contemporânea. São estranhas as declarações do diretor do MAC, Ricardo Resende, publicadas na edição do O POVO de quarta-feira (Cotidiano, página 5), sobre o caso do artista plástico fictício. Para ele, o lamentável episódio não fere a credibilidade do Centro Dragão do Mar. Mas Resende esquece o seguinte: o caso fere o que um jornal tem de mais precioso: a credibilidade, a confiança dos leitores.

Estarrecedor é o diretor Ricardo Resende dizer que a direção do Dragão do Mar tinha conhecimento da divulgação das falsas informações e, o que é pior, achar que é papel do Museu dar condições para a criatividade dos artistas locais. Um estranho conceito de criatividade.

O próprio site oficial do Centro Dragão do Mar assume a travessura de Firmeza quando diz, ao divulgar o Projeto Artista Invasor, no Chá com Porradas: ”Yuri buscou repensar a arte contemporânea através da interferência na rede que constrói sua credibilidade, formada por museus, curadores, galerias e veículos de comunicação. A concretização dessa idéia se deu através da construção de um artista japonês fictício, Sousouzareta Geijutsuka”.

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, inaugurado em abril de 1999, é uma instituição respeitada dentro e fora do Ceará. A participação da entidade em devaneios de um artista rancoroso e irresponsável compromete um nome construído ao longo de quase sete anos de trabalho eficaz.

Embora não sirva de consolo, a imprensa cearense não é pioneira nesse tipo de episódio. Em 1983, a revista Veja, em sua edição de 27 de abril, reproduziu uma brincadeira de revista britânica New Science, feita para o Dia da Mentira, que divulgara estranha descoberta científica, fruto da fusão em laboratório de células vegetais e animais, isto é, de boi com tomate, o ”boimate”.

A tal conquista, feita na universidade alemã de Hamburgo, era atribuída aos biólogos Barry MacDonald e William Wimpey. A matéria da Veja louvava a experiência inédita que “permite sonhar com um tomate do qual já se colhe algo parecido com um filé ao molho de tomate. E se abre uma nova fronteira científica”. A New Science dava pistas: Hamburgo, MacDonald, Wimpey (outro nome de rede de lanchonetes)… Mas a revista brasileira embarcou na história.

É preciso reconhecer que a imprensa cearense também não sai ilesa do caso do japonês fictício. Em plena era da Internet, com sites de busca tão precisos, não custava nada uma checagem em torno do nome divulgado. Apenas a credibilidade no Dragão do Mar não era suficiente. Que sirva de lição.

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CAPÍTULO 7
O Povo resume o fato, atendo-se aos fatos

O jornal O Povo publica um resumo dos fatos, num ótimo texto informativo, sem análises ou julgamentos. Para o leitor, tudo fica mais claro a partir das falas do artista, de seu amigo filósofo e do diretor do museu.
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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
12.01.06 – Matéria sem assinatura

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POLÊMICA
A arte do absurdo

Divulgada pelo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, a exposição Geijitsu Kakuu e seu autor japonês Souzousareta Geijutsuka, na verdade, não existem. Tudo não passa de um “artista fictício” inventado pelo cearense Yuri Firmeza

Por essa, poucos esperavam. Uma exposição de arte contemporânea anunciada pela imprensa local era peça de ficção e seu autor, inexistente. Afinal de contas, quem iria de prontidão pôr em cheque a existência de um “renomado” artista plástico japonês, que viria ao Museu de Arte Contemporânea (MAC) do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – entidade-referência nas arte no Estado – para montar uma exposição sobre arte e tecnologia? Mas tanto a mostra Geijitsu Kakuu quanto o artista japonês Souzousareta Geijutsuka não passavam de um simulacro que ganhou um breve status de realidade. Após a veiculação de matérias de destaque nos principais jornais da cidade, o segredo é revelado: a tal exposição e o tal artista nada mais eram que invenções do artista plástico cearense (esse sim, real!) Yuri Firmeza.

Yuri não chega a definir o suposto artista japonês como pseudônimo nem como personagem. “Ambos são o meu trabalho, que basicamente procura questionar as regras do jogo que movem o campo da arte contemporânea”, explica. Yuri acrescenta que a tradução de Souzousareta Geijutsuka, do japonês para o português, significa ‘artista inventado’ e o nome da exposição Geijitsu Kakuu traduz-se por ‘arte e ficção’. “Na verdade, não se trata de uma crítica à arte contemporânea em geral, mas sim de revelar nas entrelinhas como se estrutura o sistema que vai desde museus, galerias e bienais até curadores, críticos de arte e imprensa. Esses elementos acabam legitimando a arte de tal forma, que para se criar um artista hoje não se leva mais em conta apenas o estético, mas sobretudo fatores mercadológicos. Boa parte da produção contemporânea se submete a isso”, afirma.

Segundo Yuri, a divulgação da exposição fictícia nos jornais foi uma das peças fundamentais para que seu trabalho desse certo. “Se não tivesse sido publicado no jornal, não conseguiria trazer à tona toda essa discussão. O trabalho corria riscos desde o início, porque era preciso publicar essa exposição como se fosse real na mídia. O jornal acaba sendo um meio de espetacularização da arte”, explica. O artista cearense apóia-se nas teorias do filósofo e sociólogo Pierre Bourdieu para argumentar que o jornalismo tem poder de sedução do público de massa. “Em Livre-Troca, Bourdieu diz que cinco minutos de jornal vale mais do que uma palestra de cinco mil pessoas. Todas as instituições querem visibilidade na mídia. A arte perde a autonomia e se rende ao capital”, afirma.

No entanto, para questionar tal visibilidade, era preciso fazer uso da mesma. Yuri chegou até a criar uma assessoria de imprensa – independente do Centro Dragão do Mar – com o intuito de tornar crível a divulgação da exposição aos meios de comunicação. Primeiro, escreveu um atraente press-release sobre a suposta exposição e o currículo do tal artista japonês, reafirmando sua importância no “panorama das relações entre arte, ciência e tecnologia”. Em anexo, foram enviadas algumas fotografias, que nada mais eram que imagens caseiras feitas por Yuri, manipuladas no photoshop. Depois, usando o codinome de uma assessora fictícia batizada de “Ana Monteja”, o próprio Yuri mandou o material à imprensa por e-mail. Já a assessoria do Centro Dragão do Mar divulgou o evento como se fosse uma exposição normal, sem qualquer conhecimento prévio de que tal exposição não existia. Yuri acrescenta que seu trabalho de “conotação política” não tem a intenção de denegrir qualquer jornal ou museu específicos, mas defende que “nenhuma instituição pode interferir na liberdade de criação do artista”.

Questionado sobre a possibilidade do episódio da “falsa exposição” afetar a credibilidade do Museu de Arte Contemporânea e do Centro Dragão do Mar enquanto instituições perante à imprensa e ao público, o diretor do MAC, Ricardo Resende, afirma que o museu tinha pleno conhecimento da iniciativa de Yuri, convidado para participar da quarta edição do projeto Artista Invasor, que já expôs obras de Jared Domício, Marta Neves e Solon Ribeiro. “Quando convidamos o Yuri para ser o artista invasor no período de janeiro a março, ele veio com essa proposta bastante provocadora do artista ficcional. Obviamente não sabíamos quais seriam as conseqüências e ainda estamos refletindo sobre isso. O trabalho de Yuri é conceitual e faz com que a gente repense a maneira como entendemos arte e como as informações são construídas. Não podemos reprimir essas experimentações”, explica. Até o fechamento desta edição, a reportagem do O POVO tentou contactar o presidente do Centro Dragão do Mar, Augusto César Costa, mas a assessoria da instituição afirmou que ele não concederia qualquer entrevista à imprensa e que só se pronunciaria sobre o assunto, durante o “Chá com Porradas”, bate-papo marcado para a noite de ontem com Yuri Firmeza e Ricardo Resende, no MAC. Yuri afirmou estar disposto inclusive a conversar abertamente com jornalistas sobre o episódio. “Dessa vez, será verdade”, brincou o artista.

Segundo a jornalista Adísia Sá, houve erro tanto por parte do Centro Dragão do Mar, que perpertuou a brincadeira, quanto dos próprios jornalistas, que acreditaram na fonte sem apurar sua veracidade. “O Dragão compactuou com a farsa, para fazer charme. Quem se desgasta é a fonte. Vai demorar muito para o Dragão restaurar sua credibilidade. Por outro lado, não há fonte absolutamente veraz. A informação deve ser buscada e investigada pelos jornalistas”, explica Adísia. Já Resende reafirma que a credibilidade do MAC não será afetada. “Yuri nos colocou nesse caldeirão. Nós assumimos esse risco, mas não vejo como seríamos desacreditados por causa do trabalho de um artista, que na verdade está provocando um simulacro. Se a exposição tivesse sido divulgada como sendo de Yuri Firmeza, talvez o artista não tivesse tido a repercussão que está tendo agora”, comenta. Resende diz que a direção do museu sentiu-se inclusive estimulada a criar em breve um curso de crítica de arte, para o segundo semestre de 2006. Segundo o diretor do MAC, a iniciativa polêmica de Yuri não é única no cenário da arte contemporânea. Ele lembra o trabalho do alemão Hans Haacke, que faz críticas severas à maneira como o Estado americano financia a cultura. Quando se fala de ludibriar a mídia com farsas bem elaboradas, os exemplos no campo da arte em geral são muitos: desde a transmissão radiofônica de A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, pelo cineasta Orson Welles como se fosse uma verídica invasão de alienígenas na Terra; até a criação do heterônimo Julinho da Adelaide, por Chico Buarque, em plena ditadura militar dos anos 70.

Para Yuri, poucos são os artistas contemporâneos que têm a coragem de fugir dos clichês. “A arte contemporânea corre sérios riscos de não exercitar mais sua criatividade. Ao ficar subordinada ao mercado, tudo se torna mais fácil, mas muitos trabalhos não tem força para causar frisson no público. A arte precisa revelar suas forças e potências estéticas. É claro que existe uma produção contemporânea que vai na contramão, mas muitos trabalhos que vejo não dizem nada para mim. Então, das duas uma: ou o problema está na obra ou está no público”, questiona. De acordo com Yuri, a arte contemporânea precisa estimular as sensações e fazer com que o público tenha uma percepção diferente do comum. “A arte deve transvalorizar o que está imposto como moda ou padrão, estimulando o pensamento como vagões desordenados. O meu trabalho não deixa o público indiferente”, argumenta.

Enquanto O POVO divulgou a abertura da exposição Geijitsu Kakuu em uma breve coordenada – que, por ironia do destino, foi intitulada de “desconstruindo a arte” – na capa da edição de terça-feira do caderno Vida & Arte, o Diário do Nordeste dedicou duas páginas com direito à entrevista por e-mail com o suposto artista japonês Souzousareta. Na entrevista ao Caderno 3, Yuri “na pele” de Souzousareta já vinha dando pistas das discussões que pretendia levantadar com seu feito. “Não só no Brasil, mas me parece que em vários países desenvolvidos, as atividades da cultura precisam apresentar relevância mercadológica para encontrar linhas abertas de financiamento e incentivo. Precisamos estar o tempo todo brigando com nossa própria produção para não deixar que os clichês tomem conta de tudo. E é esse o problema, o público, em geral, adora clichês. Espero encontrar coisa diferente no Brasil”, afirmou na entrevista. Segundo Yuri, o trabalho do artista existe no momento em que tal arte é definida como tal.

Farpas ao vento, nada do que foi divulgado como obra do artista japonês está exposto no Museu de Arte Contemporânea. O espaço abriga a singela reprodução da troca de e-mails que Yuri teve com o doutor em Filosofia, Tiago Themudo, durante todo o processo de construção da idéia. “Foram cerca de 30 e-mails trocados com o Tiago, pensando todas as questões da arte contemporânea que já citei”. Segundo Tiago Themudo, o trabalho de Yuri Firmeza chama a atenção para a indistinção entre os produtos da arte e o campo do entretenimento. “O lucro e a boa campanha de marketing acabam se sobrepondo aos critérios estéticos. Além disso, todos os dias os jornais publicam mentiras. Seria até um contrasenso exigir do artista a verdade”, argumenta. Tiago entende como “ressentimento editorial dos jornais” toda a repercussão depreciativa feita por alguns veículos de comunicação que chegaram a desclassificar Yuri e seu trabalho, além de pôr em cheque a credibilidade do Museu de Arte Contemporânea e do Dragão do Mar. “Espero que isso não se torne um mal-estar moral dentro das redações de jornal, mas uma oportunidade para fortalecer as discussões”.

Com a polêmica rolando solta no ar, Yuri ainda confirmou que novas surpresas ainda estão por vir. “Vou realizar performances que não tem data, horário nem local prévio, durante os próximos dois meses”, acrescenta o artista que, desde 2001, acumula no currículo performances polêmicas, como andar nu em locais públicos. Para quem duvida das proezas de Yuri, não custa nada conferir o site (http://yurifirmeza.multiply.com) ou o blog (www.yurifirmeza.zip.net) do artista.

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CAPÍTULO 8
A editoria do caderno Vida & Arte se manifesta

A editora Regina Ribeiro, do caderno Vida & Arte, comenta o episódio, faz considerações e sugere questões sobre a arte e o jornalismo. Não chega a apoiar o artista, mas reconhece a eficiência de sua estratégia.

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Reprodução – Jornal O Povo (CE), Vida & Arte
12.01.06 – Matéria de Regina Ribeiro

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PONTO DE VISTA
A arte no jornalismo

Regina Ribeiro
da Redação

A modernidade esgarçou ao infinito a possibilidade da arte nos moldes aristotélicos. Além do mais a chamada pós-modernidade, com todos os hibridismos e conexões entre o possível e o inverossímil, transforma tudo em arte. Que pode ser nada. No entanto a raiz do que se pode chamar de criação artística ganha força quando se observa pelo menos um dos argumentos do filósofo grego: a “idéia” que pode ser expressa em ação é um dos componentes vitais da arte. Existe algo mais cabível na arte contemporânea, mesmo a que nega toda e qualquer explicação?

Deixa pra lá essa pendenga, porque o que importa mesmo é o esse novo artista, o japonês Souzousareta Geijitsuka, que “desembarcou” na cidade trazendo na bagagem a vontade de pôr sobre a mesa alguns incômodos que cercam o mundo da arte e os suportes que ela utiliza para se estabelecer.

A começar pelo imbróglio em torno do real. Souzousareta aprendeu que o artista não tem nenhum compromisso com a verdade. Isso é coisa da História, a começar por Homero. O que a arte deve ter é verossimilhança. Precisa convencer. E ele não perdeu isso de vista quando contratou “assessores de imprensa” – a incômoda muleta do jornalismo pós-moderno – para construir a imagem de um artista múltiplo e pesquisador – quase horaciano – da virtualidade e da eletrônica. E acertou de novo. Deu entrevista por internet para uma imprensa ávida pela apresentação do novo, do estrangeiro e do discurso rebelde-planetário recheado de clichês.

Tanto no Japão, quanto no resto do mundo contemporâneo a exposição artística se viabiliza ou é referendada a partir da mediação dos espaços midiáticos. E isso não acontece só com a arte, que tem em si, a função de ser apreciada desde as imagens pictóricas das cavernas, passando pelos poetas que contavam a aventura de homens e deuses na disputa eterna pelos feitos heróicos. A política há muito tempo é subserviente às câmeras e jornalistas. O terrorismo, idem.

E aqui sim, chegamos ao ponto crítico em torno de Souzousareta, o artista japonês considerado pela imprensa local “um dos nomes mais importantes quanto à interface ente arte contemporânea, ciência e novas tecnologias”, que já “expôs em vários países” e chega ao Brasil pela “quarta vez”. Que fala de Glauber Rocha, Darcy Ribeiro e Hélio Oiticica com aquela proficiência dos verbetes de almanaque. Aquele que está em busca da “harmonia entre a natureza que nasce e morre empregando equipamentos tecnológicos”.

A questão é que Souzousareta só existe a partir da informação publicada. É uma invenção. Uma fábula.(Portanto, arte.) Não se materializa em torno de uma alma pensante, mas existe como discurso. É real enquanto informação.

Mesmo diante da possibilidade da infinitude da interpretação de uma obra de arte que se propõe “aberta” e que trafega no espaço singular do imprevisível e das descobertas, o jornalismo é convidado a participar, quando ele é suporte dessa arte. Pronto. O bosque está pronto para ser explorado.

E aqui estão alguns vales e muitos atalhos. Os recursos e sistemas da produção da notícia deixam o jornalismo vulnerável a que tipos de armadilhas ?Criamos ou fazemos parte de um exército de crédulos seguindo discursos pré-fabricados com interesses anteriores definidos sem nenhuma reflexão? Por que nos dobramos tão facilmente ao que é estrangeiro? Por que referendemos com tantos adjetivos (bons e maus) o que não conhecemos? Será que são todas essas questões que arrastam o jornalismo para o mero entretenimento? (Pelo menos lá não há motivos para indignações).

E a verdade – motivo da revolta em torno do japonês e a forma como ele se fez criar a partir da mídia local- se apequena diante do volume de outras “criações” políticas, bélicas, científicas que o jornalismo contemporâneo tem ajudado a tornar reais. Sem dúvida, Souzousareta existe.

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CAPÍTULO 9
A notícia da marmota cruza a cancela

Uma semana após a descoberta da farsa, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo e reproduzido no site Observatório da Imprensa, o jornalista e biografista Lira Neto resume o episódio, sem analisá-lo.
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Reprodução – Jornal O Estado de S. Paulo (SP) e site Observatório da Imprensa
17.01.06 – Matéria de Lira Neto

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Arte inventada
Lira Neto

Um artista ‘genial’. E ele nem existia

Seria um acontecimento. O japonês Souzousareta Geijutsuka, anunciado pela imprensa cearense como um dos principais nomes da arte contemporânea universal, era ansiosamente esperado semana passada em Fortaleza, para abrir a exposição Geijitsu Kakuu. Convidado especial da curadoria do Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Geijutsuka mostraria ao público cearense por que seu trabalho é aclamado em todo o planeta como uma obra revolucionária que, segundo o material de divulgação de sua eficiente assessoria de imprensa, incorpora ‘novos conceitos à arte’, como os de ‘operação em tempo real, simultaneidade, supressão do espaço e imaterialidade’. Os jornais locais deram amplos espaços para a divulgação da exposição. Um deles chegou a publicar, no dia marcado para a abertura do evento, uma entrevista de página inteira com Geijutsuka. Tudo perfeito, não fosse um detalhe: Souzousareta Geijutsuka não existe.

A idéia de inventar o tal japonês que – segundo informava um jornal de Fortaleza – ‘conquistou fama mundo afora por unir arte, ciência e tecnologia’ partiu de um jovem artista de 23 anos, Yuri Firmeza, paulistano radicado na capital cearense desde a infância. ‘A intenção foi mostrar como a arte hoje em dia encontra-se subordinada a exigências e manipulações mercadológicas e a modelos construídos e legitimados pela mídia, pelas galerias e pelos museus’, explica Firmeza. Para tornar sua história mais verossímil, ele conseguiu convencer especialistas a escreverem textos críticos sobre a obra do fictício Geijutsuka, incluindo aí o próprio diretor técnico do Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC), Ricardo Resende, 43 anos, ex-curador do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). ‘Vivemos uma era em que muitas outras forças, além daquelas que o artista naturalmente dispõe para criar, regem o sistema da arte’, já denunciava também Resende, de forma velada, no texto de apresentação da ‘exposição’.

Tudo foi planejado nos mínimos detalhes. A namorada de Yuri Firmeza se fez passar por assessora de imprensa e abasteceu os jornais locais com imagens de algumas das ‘obras’ de Geijutsuka. Entre elas, uma série de fotos prosaicas de um gato, que foram publicadas na imprensa local como sendo cenas de um ‘videoarte’ do ‘genial japonês’. ‘Era apenas um gatinho que vi na rua, num bairro aqui em Fortaleza, e fotografei com minha máquina digital doméstica’, revela Firmeza. Uma fotografia de uma ensolarada praia cearense, distorcida em um editor de imagens para parecer uma figura abstrata, foi estampada também pela imprensa local como um ‘infográfico’ de Geijutsuka. Na legenda da ilustração, uma frase pinçada da longa ‘entrevista’ que ele havia concedido, por e-mail, ao jornal: ‘Os historiadores da arte são iguais ao público: têm dificuldades de reagir ao que não entendem’.

Yuri deixou algumas pistas propositais, que não foram decodificadas pelos jornalistas. Em japonês, Souzousareta Geijutsuka significa exatamente ‘artista inventado’. E o nome da exposição, Geijitsu Kakuu, pode ser traduzido como ‘arte e ficção’. No material de divulgação repassado à imprensa, dizia-se ainda que o suposto artista havia criado a fotografia ‘Shiitake’, nome do cogumelo que pode ser encontrado em qualquer restaurante japonês, mas que foi definida por sua ‘assessoria de imprensa’ como uma ‘técnica que permite a captação dos fenômenos invisíveis ocorridos na atmosfera’.

No dia da abertura da anunciada exposição, em vez das obras revolucionárias de Souzousareta Geijutsuka, o público deparou-se apenas com uma série de e-mails pregados na parede da sala reservada ao evento pelo museu. Nas mensagens, Yuri Firmeza e um amigo trocavam idéias sobre arte contemporânea e discutiam animadamente a obra de autores como Gilles Deleuze, Antonin Artaud e Pierre Bordieu. Dessa troca de e-mails é que surgira a idéia de criar um artista imaginário. ‘O que me interessa é interrogar sobre a qualidade do que compõe todo esse sistema de legitimação estética: críticos, jornais, artistas, curadores, galerias, museus e o próprio público’, escreveu Firmeza em uma dos e-mails ao amigo. ‘Não sei como será a receptividade em relação ao Geijutsuka, mas acredito que suscitará saudáveis desconfortos’, previa.

Dito e feito. Revelado o simulacro, a reação da imprensa cearense foi violenta. Yuri Firmeza foi chamado de ‘moleque’ pelos jornais e foi alvo de editoriais indignados. Sobraram farpas também para a direção do MAC por ter ‘compactuado com a farsa’. ‘Em vez de irritar-se, a imprensa está perdendo uma ótima oportunidade para refletir sobre as provocações que Yuri Firmeza fez a todos nós’, avalia o diretor técnico do museu. ‘Não se tratou de uma ferroada à mídia local, o mesmo poderia ter ocorrido em qualquer lugar do país. No Brasil, somos deslumbrados pelo que vem de fora e pelo que nos é apresentado como algo novo e revolucionário, é nisso que todo esse episódio nos obriga igualmente a refletir’, analisa Resende.

‘Bastaria fazer uma rápida pesquisa no Google para que os jornalistas descobrissem que não havia, na internet, nenhuma menção ao tal Geijutsuka, apresentado como um artista famoso, com exposições consagradoras em Tóquio, Nova York, São Paulo e Berlim’, diz Yuri Firmeza. ‘Mas eu não quis provocar apenas a imprensa, isso seria reduzir o alcance da denúncia; a provocação foi extensiva a todo o circuito das artes em geral’, insiste ele, que mantém uma página pessoal na internet (http://yurifirmeza.multiply.com/) onde registra suas principais performances – ou suas ‘orgias multipoéticas’, como prefere definir. Não se estranhe nada do que for visto ali. Afinal, na pele de Souzousareta Geijutsuka, na ‘entrevista’ à imprensa de Fortaleza, ele já advertira: ‘Tudo está integrado a um exercício do simulacro, cujo objetivo é retirar os hábitos de seu estado de evidência’. Seja lá o que isso possa vir a significar.”

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CAPÍTULO 10
O Globo publica com destaque

Em matéria destacada em seu caderno cultural, o jornal O Globo dá voz ao diretor do museu e ao artista, mas infelizmente não ouve nenhum dos jornalistas envolvidos na farsa, deixando de informar melhor aos seus leitores. A matéria revela que os jornais de Fortaleza não deram importância às edições anteriores do Artista Invasor, nas quais participaram artistas locais, e nenhum japonês.
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Reprodução – Jornal O Globo (RJ), Cultura
23.01.06 – Matéria sem assinatura

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A CILADA DO ARTISTA INVASOR
Artista cearense engana imprensa inventando um colega japonês

A informação chegou aos cadernos de cultura do Ceará e foi ali reproduzida. Um célebre e renomado artista japonês, Souzousareta Geijutsuka, viria ao país pela quarta vez para abrir, no dia 10 deste mês, sua exposição “Geijitsu kakuu”, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Fortaleza. No dia seguinte à divulgação do evento pela imprensa local, veio a revelação: Souzousareta não existia. Era tudo uma invenção de um artista de 23 anos, Yuri Firmeza, que quis criar um trabalho justamente sobre os critérios para o reconhecimento da arte nos dias de hoje. Depois de pregada a peça, a imprensa cearense passou a discutir o assunto de forma apaixonada na semana passada, uns com louvores à idéia de Firmeza, outros — sobretudo os que caíram na cilada — atacando ferozmente o que seria uma molecagem de menino. Além da atitude do artista, foi criticada a participação do MAC, reconhecida instituição de arte contemporânea, por ter colaborado com a farsa.

— Quis questionar o papel do museu, da formação de artes visuais e da imprensa. O artista que criei é a própria obra, e o suporte do trabalho foi o jornal — diz Firmeza, recentemente selecionado para o projeto Rumos, do Itaú Cultural, que trará jovens talentos para uma exposição no Paço Imperial este ano. — Achava que os jornalistas teriam mais humor. Faltou reconhecer que eles têm esse interesse pelo que é de fora, querem ser seduzidos pelos mesmos artifícios com que seduzem o público. Eles provaram ainda mais o quanto são reacionários. Levaram para o lado pessoal, o ego foi ferido.

Não havia registro do artista na internet

Mas o humor ficou mesmo por conta da releitura dos textos publicados. Segundo o jornal local “O Povo”, o trabalho do artista era reconhecido no mundo todo e tinha como foco “a harmonia entre a natureza que nasce e morre, empregando equipamentos tecnológicos, para abordar a discussão em torno da fragilidade da vida e suas conseqüentes contradições”. Informações retiradas da assessoria de imprensa do artista, feita pela namorada de Firmeza.

Além de um texto exaltando a arte eletrônica de Souzousareta, a competente assessora enviou registros do trabalho: uma foto de um gato, que seria um trecho de um vídeo, e uma imagem, distorcida em photoshop, da Praia Porto das Dunas. Se passaram ao largo do fato de não haver qualquer registro do japonês na internet ou em textos impressos, é normal que ninguém tenha percebido as pistas deixada por Firmeza no próprio nome que deu ao artista, que em português significa “artista inventado”, e à exposição, “arte e ficção”. Diretor do MAC há 11 meses, Ricardo Resende não interferiu nessa divulgação, mas admite que passou por uma saia justa:

— Um jornalista do “Diário do Nordeste” me ligou para saber da mostra porque não estava encontrando informações. Fui pego de surpresa. Disse que pediria para o artista entrar em contato com ele.

Foi o que o artista fez. No papel de Souzousareta, respondeu a uma entrevista por e-mail, que foi publicada em página inteira. Foi uma repercussão da qual museu e artista não tinham idéia quando Firmeza propôs o artista inventado ao ser convidado para o projeto Artista Invasor.

— Procuro dar a máxima liberdade para o artista criar. Convidei o Yuri pensando em suas performances, que já achei que seriam bastante ousadas (ele faz muitas das performances nu). Mas ele foi mais ousado ainda e me testou, para ver até onde eu iria. Eu fui adiante, porque tive o apoio da presidência do museu. Sabíamos que poderia haver um conflito, mas a imprensa podia não ter publicado uma linha sobre o assunto — avalia o diretor do MAC de Fortaleza.

Para Resende, a divulgação só prova o preconceito da imprensa com os artistas cearenses, já que nas outras edições do Artista Invasor não houve qualquer reportagem:

— Há um certo deslumbramento com o que vem de fora no Brasil todo, não só no Ceará. A mídia insistiu em publicar a matéria, mesmo com dificuldades de achar informações. Foi uma ingenuidade, ou mesmo uma falta de conhecimento de arte contemporânea. Depois houve uma tentativa de jogar o erro para o outro, enquanto o grande erro foi da própria mídia.

Firmeza, apesar de enfatizar que o problema é da imprensa em geral, faz críticas à falta de especialização no estado.

— Acho que a imprensa de São Paulo e do Rio também poderia ter caído nessa. Mas o Ceará é uma província. Aqui os jornalistas não têm fundamentação teórica sobre arte, é uma verborragia — diz ele, citando o artigo “Arte e molecagem” do jornalista Felipe Araújo, de “O Povo”, que afirma que a arte contemporânea é, “com raras exceções, uma arte pobre, recalcada e alienada, feita por moleques que confundem discurso (ou melhor, as facilidades conceituais de um discurso) com pichação.” — Todo o preconceito está ali.

Para diretor, museu cumpriu seu papel

No museu, o visitante poderá ver a troca de e-mails entre Firmeza e um amigo sociólogo, com conversas sobre Bourdieu, Nietzsche e Deleuze, inspiradoras da idéia de se criar um artista inventado. Aos poucos, o local receberá ainda as fotos do suposto japonês, divulgadas para a imprensa, reportagens sobre o caso e performances e registros em vídeo de Yuri — que não sabe como a exposição teria sido montada se nada houvesse sido publicado nos jornais:

— Foi um risco que corri desde o início. Mas de qualquer modo estaria lá a troca de e-mails. As performances aconteceriam e também voltariam ao museu como registros. Só sei que se o Yuri tivesse enviado o material, nada teria sido publicado na imprensa.

Para Resende, o museu saiu fortalecido no meio artístico porque mostrou que funciona para ousar:

— Nossa credibilidade não está ferida. Acho que as pessoas se perguntam que mídia é esta, que informações estão lendo. O museu só está cumprindo seu papel de ser o espaço do artista. O trabalho deu muito certo porque chegou ao editorial do jornal e a outras áreas em que a arte contemporânea nunca é tratada. Ele foi realmente um invasor.

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ESCREVERAM SOBRE O CASO

O que a imprensa cearense publicou, antes e depois – Seleção de artigos e editoriais

Shiitake – Geijutsuka, o “desmaterializador” – Coluna da Mônica Bergamo, Folha de São Paulo, 21.01.2006

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YuriFirmeza2006-01Yuri Firmeza (2006)
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???????????????????????????????Yuri Firmeza (2006)
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YuriFirmeza2006-04Yuri Firmeza (2006)
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YuriFirmeza2013Yuri Firmeza (2013)

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- ADOREI… ABRAÇOS. José Alberto Simonetti, Fortaleza-CE – jan2006

02- Gostei!!!!!!!!! Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – jan2006

03- Olá grande e insano Ricardo … Há exatamente um ano atrás estava trabalhando na Produção do Festival Vida e Arte, quando as obras contemporãneas do Yuri causaram certa divergência quanto ao conceito  do evento que queria algo mais moderno. Resultado O Grande Yuri e suas idéias ficaram de fora do FESTIVAL, mas em menos de uno depois ele ressurge das cinzas, assim como fênix,ou melhor, ele não eles…rsrsrs…ele e seu Japa alencarino, e dão um show ( literalmente falando) !!! E eu perdi a chande cumprimentá-lo, pois estava no ponto de parada do coletivo ( Campus do pici-Unifor)…vulgo buzão, ao lado desta fera chamada Yuri, não sei se um só ou dois agora…e fiquei mumificado…não conseguia falar!!! mas o seu feito é maior que qualquer palavra. Seu artigo está show….aliás você é show!!! Um abraço e apareça aqui em Fortalville! É isso aí…Ana carolina e seu Jorge cantam: “Há quem acredite em milagres”. Fabiano Brilhante, Fortaleza-CE – jan2006

04- Aí, perfeito. Abraços. Júlio Cesar Montenegro, Fortaleza-CE – jan2006

05- Grande Kelmer, Que bom nos encontrarmos em mais uma presepada !!! Fico feliz que você tenha tido a compreensão da nossa séria brincadeira. Vamos promover alguns debates emum seminário sobre comunicação e cultura em março.Retomaremos este e outros assuntos.No mais obrigado pelos tão bem vindos apoios nestashoras de muitas incompreensões. Forte abraço. Luis Carlos Sabadia, Diretor de Ação Cultural, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza-CE – jan2006

06- Ducarái!! Adorei! Valdo Siqueira, Fortaleza-CE – jan2006

07- Fascinante! Eu não estava sabendo… Também, eu vivo em outro mundo. Que cara genial. Claudio Roberto Azevedo, Fortaleza-CE – jan2006

08- Muito boa Ricardo. Du cacete!!!. Rodrigo Grunewald, Campina Grande-PB – jan2006

09- Valeu! Inclusive, acabo de repassar tua marmota prum grupo de discussão sobre música do qual participo, cheio de gente boa — alguns de Fortaleza –, que saberá apreciar a ironia. Alexandre Feitosa, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

10- Pois num eh… Foi uma comédia mesmo! rsrs Uma comédia providencial, diga-se de passagem.. Jéssica Giambarba, Fortaleza-CE – jan2006

11- Boa, Ricardo, boa mesmo! Abraço. Felipe Costa, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

12- Ô, Ricardo Por essas e outras marmotas é que acredito que será 2006, realmente, um ano bom. E, aproveitando o contexto da confusão, me deu uma vontade muito grande de comer sushi… Raimundo Netto, Fortaleza-CE – jan2006

13- Ótima essa história, em? E esse Yuri é meu primo. Na verdade, filha da prima legítima da mamãe. Olha só o nome do japa, Sousa … e eu, Liliana de Sousa Costa. Tudo em família. Beijo grande em você. Liliana Costa, Lisboa-Portugal – jan2006

14- Uau! Demais. Giovanna Bressan, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

15- Hehehehe… Muito bom o artigo, camarada Kelmer! Temos que botar isso para frente. Esta história de estátua seria uma ótima! No Dragão seria perfeito, mas em qualquer outro lugar tá de bom tamanho. Um grande abraço. Nelson Eulálio, Fortaleza-CE – jan2006

16- Caraca, embora a idéia não seja muito original o que é triste é que jornalista sempre cai. Frô, São Paulo-SP – jan2006

17- Caro Ricardo, E veja só, que o jornal de maior circulação do Ceará abriu foto de três colunas na capa da edição de hoje para dar um artista plástico que faz greve de fome no calçadão da Beira Mar. Mais cearense e mais real impossível. Abraço, querido. Do amigo, cheio de novidades pra contar e morrendo de vontade de dar boas gargalhadas da vida e dos vivos. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2006

18- Ricardo, você provou que é um artista “antenado” ( no sentido poundiano), que está enxergando bem mais longe que os mais comuns dos mortais. Sua análise está perfeita e topa comprar uma briga com a mediocridade ainda reinante. Você pôs o dedo na ferida. Faltou apenas aprofundar um pouco derme a dentro. Eu acho que você conseguiu até ir longe demais. No mais, achei bom ler um resumo de tua gloriosa biografia e descobri que temos mais coisas em comum do que eu imaginava: primeiro, você fala de uma “santa pneumonia”. Eu falo de uma “santa hepatite” que tive aos 17 anos e que me fez passar uns trinta dias de cama e lendo livros que foram decisivos na minha formação cultural. Segundo, você morou em Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro. Eu também. Nosso placar, está 2 a 2. Fico contente em saber que o amigo continua lúcido, produzindo e deleitando os leitores com um papo inteligente e divertido. Um abraço do Francis Vale, Fortaleza-CE – jan2006

19- Bravo! Bravíssimo! grande abraço desse idiota que concorda em gênero, número e grau com vossa opinião. Fernando Costa, Fortaleza-CE – jan2006

20- eu adorei isso… hehehehe abração, cara! Adriano de Lavôr, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

21- É impressionante como o povo marmotoso se atrai! Pode até vir japonês, coreano o que for, mas a vaga de marmotoso-mór da terrinha aqui já tá preenchida:P Rafaela Almeida, Fortaleza-CE – jan2006

22- Muito bom, Kelmer! Li essa historia pelo Lira e depois diretamente nos jornais cabeca-chata e bolei de ri aqui. Abracos. Antonio Marinho, Fortaleza-CE – jan2006

23- Caro RK, valeu a crônica – “A marmota do ano”. Pensando bem, o Yuri Firmeza ninjou nos brios das torres gêmeas de nossa provinciana imprensa. E ambas caíram do salto. E você, como um bom e genuíno observador de uma virtual Praça do Ferreira, é que faz a verdadeira imprensa da contemporaneidade – a crônica -, não perdeu a brecha dessa saia-justa. Valeu e, pensando um pouco mais, aproveitano a foto, etc. vejo que o Yuri Firmeza é a cara do Bin Laden… Esteticamente falando, enfim,  ficou no ar a pólvora de uma molecagem que, no seu desconcerto, é nosso maior instrumento de exercício dionisíaco do Belo. Fica o abraço do Leite Jr., Fortaleza-CE – jan2006

24- Sobremaneira, os debates que decorreram do acontecido deixaram enfim espaço na imprensa jornalistica escrita para se falar de pensamento e que pensar faz parte da vida. Mesmo em tempos de sofisticadas tecnologias não se pode abrir mão do pensamento no sentido stricto e que a universidade, os intelectuais e as vanguardas têm ainda um papel na nossa sociedade. Sobretudo, valeu para furar as páginas já escritas dos jornais dos dias que virão. Terão ou tiveram obrigatóriamente que escrever ‘outra’ história. Foi muito inteligente. É importante também ressaltar que os museus (Dragão e de Arte do Ceará) fizeram um papel responsável. A função dessas instituições não deve ser a da perpetuação e reprodução das leis que compoem um campo de poder e sim o de se aliar as linhas de força que tentam resistir e provocar a reconfiguração deste campo. Foi muito profissional e responsável conceitualmente a acolhida que deram para Yuri. Agora é ler, ouvir, escrever, conversar. Viver. Um abraço. Rosângela Matos, Fortaleza-CE – jan2006

25- Me fez lembrar o “Porco” do Leiner, enviado ao Salão de artes plásticas de Brasília. Diuk Mourão, Brasília-DF – jan2006

26- Caro Ricardo, Como sempre acompanho com sincera admiração sua coluna, não me contive diante de seu texto sobre a marmota do Dragão e decidi escrever-lhe só para deixar claro alguns pontos. Primeiro, reafirmo o que escrevi no meu artigo (“Arte e molecagem”) sem tirar uma vírgula. Segundo, não me cabia pedir desculpas para ninguém já que não fui eu que escrevi as “barrigadas”. Essa é uma iniciativa que caberia, se eles assim entenderem, às editorias e aos jornais envolvidos no caso.  Minha colher nesse debate foi apenas o artigo. Mas é aquele negócio: uma coisa é uma coisa e um pneu é um pneu. Embora discorde de tudo que você escreveu (mas tenho que reconhecer que seu estilo continua muito afiado…), reconheço, ops… perdão, acaba de passar um limpa-fossa por aqui também…, peraí… Pronto. Devo dizer que adorei a expressão sobre a nudez do rei e o tamanho do pinto real. Mas me admira o fato de você, passado na casca do alho, ter achado que descobriram que o rei só ficou nu agora. Lagartão, muita gente já tinha visto o pau do rei há algum tempo por aqui. Não foi a intrujice do doidinho e do Dragão que nos fez ter esse “privilégio”. Vamos bater na imprensa (às vezes, é um troço saudável inclusive para os jornalistas, em especial para os sadomasoquistas), mas vamos aprender a socar primeiro e, se possível, de maneira leal. Dar uma “cabeçada” (eita!) por trás (EITA!) pode, às vezes, doer nos próprios cornos. Acho que é isso. Vou indo que o disco do Frankito Lopez, o índio apaixonado, terminou de tocar e tenho que procurar o CD do Carlos Santos. Sincero abraço e saudações alvinegras, Felipe Araújo, Fortaleza-CE – jan2006

27- Intervenção interessante. Um ensaio razoável de crítica, mas eu diria que de efeito bumerangue. Teria sido melhor se o autor não tivesse caído na tentação de dar explicações para o feito. Deixasse o pau troar, as carapuças serem vestidas e a obra falar por si. Mesmo assim,  acho que a participação do MAC compromete os objetivos inicias da crítica ou, melhor, traz o outro lado da mesma moeda. Ao tentar a crítica aos ‘ fatores mercadológicos ‘ que afetam a produção artística revelou o fator-estado que aprisiona a arte e seus produtores ( locais? e não-locais? ). Teria sido perfeito se o tento tivesse sido realizado sem a conivência do papai-estado , numa espécie de ensaio anti-sistêmico. Ai, sim, poderíamos começar a pensar a tal liberdade de cria –ação . Por enquanto, acho que o bom castigo para todos os envolvidos, inclusive nós ‘ idiotas’ leitores, é pensar mais e melhor sobre a questão. Lilia Costa, Fortaleza-CE – jan2006

28- Oi Ricardo Kelmer. Valeu pela força em relação ao japonês. Mesmo que a imprensa local não esteja reconhecendo (pelo menos não publicamente) a sua vulnerabilidade, a falta de compromisso, o descaso com os artistas locais… acho que o trabalho funcionou, justamente por estar conseguindo um espaço de discussão enorme aqui na net. Isso é maravilhoso!!!  Muito legal o seu texto Ricardo, incisivo e com humor. Humor que faltou por parte da imprensa local. Vi o fórum do jornal, legal ver o pessoal dando uma força, tenho recebido muitos e-mails de pessoas que não conheço, a maioria dando força e tal…  O artigo do Felipe foi péssimo, demonstrou o preconceito dele com a arte e artistas locais… que bom que o pessoal também entendeu dessa forma e começam a se manifestar…Você falou de um japonês no Orkut, eu conhecia a comunidade… o japonês realmente não sou eu, e concordo com você, o japa usou palavras agressivas demias… que eu realmente não usaria e não usei em momento algum… Parabéns novamente pelo seu texto!!! Obrigado pela força, massa!!! Abraços. Yuri Firmeza, Fortaleza – jan2006

29- ADOREI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! beijos da fã Armôndega Porvilho. Monica Buonfiglio, Campinas-SP – jan2006

30- É isso aí velho, a melhor resenha do fato é mesmo sua, com todas as letras e calafrios – e ainda um caminhão limpa-fossa passando ao fundo… Tem até cenário a marmota!  Parabéns! Max Krichanã, Fortaleza-CE – jan2006

31- Camarada Kelmer, Gostaria de lhe parabenizar pela crônica: “A MARMOTA DO ANO”. Parabenizar não só pelo texto em si, que diga-se de passagem: tá excelente, mas principalmente pela coragem de publicá-lo na imprensa cearense através do veículo que mais atacou Yuri Firmeza e toda a categoria artística cearense, o Museu de Arte Contemporânea – MAC – na pessoa de seu diretor Ricardo Resende (que tem tido uma gestão atípica, coisa que tem projetado o MAC em nível nacional e de forma positiva) e, por tabela o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, além de nós meros mortais consumidores dos produtos dos Deuses (ou pelo menos agem como se assim o fossem) da impressa cearense – os coronéis da mídia local. Como escrevi no fórum do “O Povo” sinto-me vingado! Isso antes de ler sua crônica. Depois, estou dando gargalhadas até agora da cara dos pseudo-jornalistas locais (sim, pois ainda acredito que existam jornalistas sérios, pena que são raros) quando viram sua iniciativa. Markus Markans, Fortaleza-CE – jan2006

32- Adorei do texto!! PERFEITO!!! Pra você ver a quantas anda a imprensa cearense… eu acho bem feito. Então a estratégia de guerra é desqualificar uma pessoa que põe em xeque as sagradas empresas jornalísticas? Até parece que elas são infalíveis… Muito bom mesmo o que o Iuri Firmeza fez. Esse jornalecos cearenses que se acham portadores da verdade mereciam mesmo uma lição. E não só os cearenses, bem sabemos. A imprensa nacional, mundial, inter-galática (sic! hehe) é pedante! “Sim, nós somos um veículo de denúncia em prol da comunidade”… Pois tá. Me engana se te faz feliz. Falo dos jornais do Ceará porque sei que não têm comprometimento com outra coisa que não seja o lucro. Já trabalhei em um deles, sei o que se passa lá dentro. Os “jornalistas” são na maioria estagiários, que se prejudicam na academia pra fazer trabalho grande. É assim que eles qualificam um profissional? Provavelmente, as fontes não foram checadas “direito” porque o cara responsável por isso tinha aula… Talvez se investissem e respeitassem mais o profissional a coisa fosse diferente…Não sei. Aliás, quem sou eu pra dizer alguma coisa que não seja carregada de juizo de valor? Enfim, o que o tal Firmeza fez não foi novo, mas na minha opinião foi justo. Patrícia, Fortaleza-CE – jan2006

33- Adorei o texto, o pior que isso acontece mesmo (risos). Um grande beijo. Mariucha Madureira, Brasília-DF – jan2006

34- Sobremaneira, os debates que decorreram do acontecido deixaram enfim espaço na imprensa jornalistica escrita para se falar de pensamento e que pensar faz parte da vida. Mesmo em tempos de sofisticadas tecnologias não se pode abrir mão do pensamento no sentido stricto e que a universidade, os intelectuais e as vanguardas têm ainda um papel na nossa sociedade. Sobretudo, valeu para furar as páginas já escritas dos jornais dos dias que virão. Terão ou tiveram obrigatóriamente que escrever ‘outra’ história. Foi muito inteligente. É importante também ressaltar que os museus (Dragão e de Arte do Ceará) fizeram um papel responsável. A função dessas instituições não deve ser a da perpetuação e reprodução das leis que compoem um campo de poder e sim o de se aliar as linhas de força que tentam resistir e provocar a reconfiguração deste campo. Foi muito profissional e responsável conceitualmente a acolhida que deram para Yuri. Agora é ler, ouvir, escrever, conversar. Viver. Um abraço. Rosângela Matos, Aracaju-SE – jan2006

35- Prezado Ricardo, Considero um  exagero esse massacre da imprensa cearense no episódio do artista japonês inexistente. Só quem não tem intimidade com pesquisas no Google é que pode acreditar que “bastava uma googlada” para descobrir a inexistência do artista. Como se fosse fácil !!! Criou-se esse mito de que o Google acha tudo. Nada mais enganoso. Não só o Google não acha tudo, como existe uma enorme fatia do planeta onde ele não penetra, pelo menos com pesquisas feitas usando o alfabeto latino. O fato de não se achar referências ao nome do artista não quer dizer que ele não exista! Será isto tão difícil de entender? Ainda mais se tratando de artista “japonês”. As buscas no Google usando o romaji (=japonês escrito com alfabeto latino) são totalmente inconclusivas, porque 99.99% do que está escrito em japonês não é transcrito para esta escrita fonética (que se usa mais para comunicar com ocidentais). Para uma busca precisa seria necessário digitar nos caracteres japoneses (ideogramas) e naturalmente entender o conteúdo. Uma pessoa pode ser uma celebridade local no Japão e não existir uma única menção acessível via romaji. Fica a questão: para ser jornalista é preciso falar e escrever em japonês? E se o “artista” fosse russo, coreano, tailandês, vietnamita ou grego? Cada uma dessas línguas tem o seu próprio alfabeto e portanto são mundos fechados para o Google digitado em alfabeto romano. Tem que saber a língua e digitar no seu alfabeto… E, como sabemos, são muito poucos os grupos de comunicação no Brasil que tem bala na agulha para manter uma rede de correspondentes internacionais. Acredito que muitos jornalistas tenham feito a pesquisa no Google, afinal isso é hábito na profissão. Mas na falta de confirmação, preferiram dar o benefício da dúvida e publicar a nota, afinal a fonte construiu uma relação de confiança ao longo de anos e centenas de releases verdadeiros. Não havia razão para duvidar. Abraços. Alan Romero, Lisboa-Portugal – jan2006

36- Oi, Kelmer, como está? Achei super bacana seu artigo sobre o Zé Sareta; comungo com sua idéia de erguer uma estátua dele. Um abraço! Jorge Ritchie, Fortaleza-CE – jan2006

AMarmotaDoAno-05a


As Preciosas do Kelmer – fev2015

23/02/2015

23fev2015

AsPreciosasDoKelmer201502.

As Preciosas do Kelmer é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

> No Facebook (todas as edições)

> No Blog do Kelmer

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AsPreciosasDoKelmer201502AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
#29, fev2015
> Esta edição no Facebook

Capa do mês: Sasha Grey, atriz e escritora estadunidense

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*** SASHA GREY – A PORNOGRAFIA QUE LIBERTA AS MULHERES

Em 2006, logo que completou 18 aninhos, Sasha Grey (nascida Marina Ann Hantzis, em 14.08.1988, Sacramento, California-EUA) mudou-se para Los Angeles e iniciou sua carreira como atriz pornô. Sua pouca idade e seu incrível talento deram-lhe fama repentina, e ela ganhou vários prêmios por suas atuações. Seu biotipo de garota comum, sem silicone, e o perfil intelectual chamavam a atenção de todos.

Nas entrevistas, Sasha sempre defendeu o direito da mulher de expressar livremente sua sexualidade, e dizia que atuar em filmes pornôs era, além de um grande prazer, um meio legítimo de lutar pela emancipação feminina. Em 2011, após cinco anos e reconhecimento absoluto do mercado, a estrela abandonou os filmes pornôs, e de lá para cá tocou em banda de rock experimental, lançou dois livros (um de fotografias e um romance erótico) e atuou e dirigiu filmes em Hollywood. E continua sendo bastante admirada, inclusive pelas mulheres, que veem nela um símbolo da liberdade feminina.

Carol Teixeira, colunista da revista VIP, entrevistou-a em 2013, por ocasião do lançamento de seu livro no Brasil. Elas falaram sobre filmes, literatura, filosofia e feminismo. E, é claro, sobre sexo. > Leia a entrevista

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*** IBOGAÍNA, A PLANTA PSICODÉLICA QUE CURA O VÍCIO EM DROGAS

Eu já conhecia estudos de médicos e psicólogos que usam plantas psicoativas, como a ayahuasca e a jurema, no tratamento de dependências químicas. A ibogaína, substância extraída da planta iboga, natural da África central, está sendo usada no tratamento de viciados em crack, e o percentual de recuperação é muito alto.

Pajés e xamãs do mundo inteiro sempre insistiram no fato de que as plantas sagradas (psicoativas) podem não apenas se comunicar com a espécie humana, mas também ajudar as pessoas a se curarem de muitos males, inclusive os males da alma. A mente humana e as plantas psicoativas parecem estar simbioticamente ligadas, mas infelizmente a civilização e seus progressos, e as religiões que demonizam a Natureza, nos afastaram da sabedoria natural do planeta. Mas podemos nos reaproximar dela, antes que seja tarde demais. > Mais

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*** AMAMOS JESSICA RABBIT

Dica para apimentar a relação: faça um strip tease ao som de “Why don´t you do right”. Segue Jessica Rabbit pra inspirar.

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*** ATEUS SAINDO DO ARMÁRIO (12)

JUCA KFOURI – Jornalista

Juca Kfouri se declara ateu desde a época em que poucos assumiam de público sua descrença, mesmo no caso de jornalista. O mais conhecido jornalista esportivo do país é um crítico dos jogadores que manifestam sua crença no campo de futebol. Preocupada com o proselitismo religioso no futebol, a Fifa recentemente exigiu dos clubes e das confederações mais rigor para evitar a exposição de religião nas partidas. > Mais

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*** AS LÍNGUAS DA AMAZÔNIA

Durante vários séculos, a língua portuguesa e as línguas indígenas, por meio de seus falantes, ficaram se roçando umas nas outras, num processo que a sociolinguística chama de línguas em contato, o que marcou o português regional e os idiomas indígenas. Hoje, no início do século XXI, o português é irreversivelmente hegemônico, mas ainda convive, em território da Amazônia brasileira, com mais de cem línguas indígenas, cujos usuários resistiram e foram capazes de preservá-las, cuidando, zelando e lutando por elas mesmo em condições históricas adversas.

Não interessa apenas aos falantes de uma língua a sua preservação. Patrimônio da humanidade, a chamada glotodiversidade vem sendo estimulada por governos e por organismos internacionais. > Mais

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*** A SEXUALIDADE DOS ANIMAIS

SexoMacacoJaponesFemeas-01aEntre os macacos-japoneses, uma fêmea sobe na outra e estimula seus genitais esfregando-os na parceira. As duas se olham nos olhos durante a relação e tendem a permanecer semanas juntas, inclusive para dormir e se defender de possíveis rivais. Mesmo participando de relações sexuais com outras fêmeas, elas continuam interessadas nos machos.

Em rebanhos de carneiros domesticados, até 8% dos machos preferem outros machos mesmo quando há fêmeas férteis no grupo.

Na ilha de Oahu, no arquipélago americano do Havaí, 31% dos casais de albatrozes-de-laysan são formados por duas fêmeas sem parentesco entre si. Elas cuidam de filhotes cujos pais são machos que já estão em um ‘casamento estável’ com outra fêmea, mas ‘pulam a cerca’ para acasalar com uma ou ambas as fêmeas do casal de mesmo sexo.

Quanto mais estudamos os outros bichos, mais nos descobrimos parecidos com eles. > Mais

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*** GUERRA ÀS DROGAS EM QUADRINHOS

Cada vez mais pessoas começam a perceber que a tal “guerra “às drogas” não passa de uma jogada política dos governos. Essa jogada lhes confere poder, mas o custo é alto para a sociedade – e não resolve o problema da violência. > Essa historinha em quadrinhos resume bem a questão

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*** REINO UNIDO DISCUTE REGULAMENTAÇÃO DA MÍDIA

O escândalo das contas sujas do HSBC estourou um amplo debate mundial a respeito do papel dos bancos nos negócios ilegais (tráfico de drogas e armas, por exemplo). O caso também trouxe à tona o mau comportamento dos grandes grupos de comunicação, que fingem não saber o que fazem seus anunciantes. Como o HSBC é um bom anunciante na grande mídia, inclusive no Brasil, o escândalo foi abafado por muito tempo, e agora que estourou, muitos jornais se recusam a revelar ao público os detalhes do caso, como, por exemplo, os nomes dos envolvidos.

No Brasil, certamente muitos milionários devem estar envolvidos, e eles têm negócios, e anunciam nos grande jornais, e financiam os partidos políticos que defendem os interesses capitalistas dos grandes grupos, como o PSDB, por exemplo. Ou seja, tudo está bem ligado: grande grupos de mídia, milionários criminosos, bancos financiadores de guerras e partidos políticos. Nenhum deles é a favor da regulamentação da mídia. Por que será? > Mais

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*** CURSO EROTISMO, FICÇÃO E FILOSOFIA

Para quem mora em Fortaleza e curte literatura erótica. Nos dias 27 e 28 de fevereiro, o Espaço O POVO receberá a professora Eliane Robert Moraes para ministrar o curso “Erotismo, ficção e filosofia”. As inscrições são gratuitas e os participantes receberão certificado. Eliane Robert Moraes é professora de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP). Entre suas publicações destacam-se traduções e diversos ensaios sobre o imaginário erótico nas artes e na literatura. Atualmente, desenvolve pesquisa sobre o erotismo literário brasileiro. O curso apresentará as particularidades constitutivas da literatura erótica, trazendo exemplos da literatura francesa e da brasileira, tendo em vista uma discussão em torno do erotismo literário na contemporaneidade. Um dos temas do curso será o fenômeno “Cinquenta tons de cinza”, sobre o qual Eliane escreveu no artigo “Crítica da erótica desbotada”. > Mais

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*** O ESCULACHO QUE A FUNCIONÁRIA DA PETROBRAS DEU NA REPÓRTER DO O GLOBO

PoliticaPetrobrasPT-02“Não é de hoje que as Organizações Globo tem objetivo muito bem definido em relação à Petrobras: entregar um patrimônio que pertence à população brasileira à interesses privados internacionais. É a este propósito que a Leticia Fernandes serve quando escreve sua matéria.” Este é um trecho da carta aberta que Michelle Daher Vieira, funcionária da Petrobras, escreveu no Facebook para a repórter Leticia Fernandes e para o jornal O Globo, onde a repórter trabalha, respondendo à reportagem publicada no jornal em 15.02.15 com o título “Nova Rotina de Medo e Tensão”.

O linchamento diário da Petrobras promovido por grandes grupos de comunicação, como as Organizações Globo e a revista Veja, visam denegrir a imagem da empresa até que a opinião pública se convença de que ela deve ser privatizada e fatiada entre grupos estrangeiros, como tentou fazer FHC quando era presidente. Conseguirão? > Mais

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*** OS MONSTROS BRASILEIROS BRAULIANOS

A literatura fantástica contemporânea muito se alimenta de personagens das mitologias grega e nórdica, das tradições celtas e bretãs, da literatura árabe do Oriente Médio e dos contos tradicionais do Extremo Oriente. Pouco se lê, no entanto, sobre os seres fantásticos criados e reproduzidos na extensa tradição da literatura oral brasileira. Nós também, afinal, temos os nossos monstros. Instigado pela riqueza dessa tradição, Braulio Tavares reuniu, em sete contos inéditos, histórias inspiradas nas criaturas monstruosas da mitologia brasileira, compondo assim uma coletânea de aventuras protagonizadas por alguns dos nossos personagens mais assustadores, alguns conhecidos Brasil adentro apenas pela tradição oral, como o papa-figo, e outros mais famosos, como o lobisomem e a Iara. (sinopse do site da editora Casa da Palavra)

Li, gostei e recomendo. > Mais

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*** ÔNIBUS DE MADRUGADA EM SÃO PAULO

FInalmente! A cidade de São Paulo agora tem ônibus de madrugada. São 140 linhas operando por toda a cidade das 0h às 4h, horário em que as linhas de Metrô estão fechadas. Nas linhas “estruturais”, que percorrem eixos do metrô e corredores de ônibus, o intervalo deve ser de 15 minutos. Nos bairros, de 30 minutos.

“É uma medida simples que vai atender milhares de trabalhadores que dependem do transporte noturno para ir para suas casas. É um compromisso feito que estamos cumprindo. O fato de ter uma rede da madrugada com mais regularidade, melhora naturalmente a questão da segurança e, mais do isso, garante um direito constitucional para o trabalhador”, disse o prefeito Fernando Haddad.

Parabéns à prefeitura. Essa medida significará um aumento na qualidade de vida dos paulistanos. > Confira as linhas e baixe o aplicativo aqui

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AS PRECIOSAS DO KELMER

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A Nova Consciência e o desafio das discordâncias

11/02/2015

11fev2015

Nesses vinte anos de Nova Consciência, aprendi muito sobre convivência e intolerância, e sobre mim

ANovaConscienciaEODesafioDasDiscordancias-01

A NOVA CONSCIÊNCIA E O DESAFIO DAS DISCORDÂNCIAS

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Neste Carnaval de 2015, completo vinte anos de Nova Consciência. A minha primeira vez foi em 1996, e desde então passei todos os meus carnavais em Campina Grande, na Paraíba, participando do Encontro da Nova Consciência, um festival multicultural que desde 1992 celebra a diversidade dos pensamentos reunindo, durante quatro dias, representantes das artes, ciências, filosofias, religiões e tradições em dezenas de eventos paralelos, todos empenhados em buscar um futuro melhor para a humanidade e o planeta. Não conheço nada igual no Brasil. É realmente um grande acontecimento.

Para mim, a Nova Consciência é uma rara oportunidade de ter contato com variados assuntos, e também de conviver por alguns dias com muitas pessoas que pensam diferente de mim sobre muitas coisas, mas que acreditam firmemente, como eu acredito, que os diferentes podem conviver em harmonia. Aproveito o Encontro também para intercâmbios com artistas de outros estados e outros países, isso é ótimo para enriquecer minha própria arte. E, obviamente, marco presença na feira para desfrutar da gastronomia paraibana, principalmente aquele velho e bom picado que, devidamente apimentado e acompanhado de uma cervejinha gelada, sempre me leva à mundana conclusão: viver é saboroso, ardente e embriagador.

Como escritor que sou, me interessa particularmente o Encontro de Literatura Contemporânea, onde nos reunimos nós, os fervorosos adoradores da palavra escrita. E, como sou ateu, adoro participar do Encontro de Ateus e Agnósticos, que muitíssimo me agrada pelo alto nível cultural e pelo tradicional bom humor. Rir ainda é o melhor remédio.

Mas não há lei, pelo menos ainda, que impeça um ateu de ter amigos religiosos, né, e eu adoro reencontrá-los em Campina Grande. Evidentemente, o que é sagrado para eles não me toca a alma, não no sentido religioso, porém há algo mais sagrado que qualquer coisa que eu e eles pensamos: o nosso direito de crer ou não crer, e de podermos nos expressar livremente, e de podermos discordar, e até de podermos desagradar. Porque a liberdade de ser inclui, necessariamente, a liberdade de expressão.

Nesses meus vinte anos de Nova Consciência, aprendi muito sobre convivência. Aprendi também sobre intolerância, pois infelizmente a proposta do Encontro desperta ódio nas mentes que se recusam a aceitar as diferenças. Aprendi, sobretudo, que preciso muito do diferente para me harmonizar com uma certa pessoa: eu mesmo. Sim, eu. Eu que, nesse longo caminho da aceitação, tenho de conviver todos os dias com as discordâncias dentro de mim.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com
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Site do Encontro da Nova Consciência
www.novaconsciencia.com.br

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Minha programação na Nova Consciência 2015:

NovaConsciencia2015Logo-01aLançamento do livro Indecências para o Fim de Tarde

Palestra: Maconha, Satanás e o escorredor de macarrão – A liberdade de expressão e o desrespeito ao sagrado (Encontro dos Ateus e Agnósticos)

Palestra: Sensualizando no sagrado – Erotismo, religião e opressão feminina (com Ivana Bastos)

Encontro de Literatura Contemporânea

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LEIA NESTE BLOG

DiversosEIguais-01aEncontro da Nova Consciência – Diversos e iguais – Não precisamos concordar com os outros. Mas podemos aceitá-los, tanto quanto quisermos também ser aceitos

O psicólogo, a Humanidade e a esperança – Os acontecimentos mostram que a Humanidade está se unificando, unindo seus opostos

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu

Pátria amada Terra – É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vim o todo

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ANovaConscienciaEODesafioDasDiscordancias-01a


A vertigem

10/02/2015

09fev2015

AVertigem-01

Dizem que seo Pepeu, o louco da cidade, possui dois bichinhos mágicos que localizam coisas perdidas e fazem as pessoas se encontrarem. Mas ele está velho e tem de passar a alguém a missão de cuidar dos bichinhos

Este conto integra o livro Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

Música sugerida para leitura: Sertão Noturno (Cristiano Pinho. Part. vocal: Raimundo Fagner)

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A VERTIGEM

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Os fatos que agora relatarei aconteceram há muito tempo. Mas parece que foi ontem.

Eu estava em Quixadá naquele sábado para resolver umas questões relacionadas a um imóvel de minha família, a casa onde moramos por muitos anos antes de mudarmos para a capital e que desde então estava alugada. Eu havia convencido meus pais a vendê-la e investir o dinheiro em ações na bolsa, obtendo muito mais rendimento. Porém, como a tarde já ia no fim e no domingo outros interessados visitariam a casa, decidi permanecer na cidade e me hospedei num hotelzinho na zona central. Após tomar um banho, aproveitei que o calor estava mais ameno e saí para dar uma caminhada pela redondeza.

Vinte e um anos. Esse era o tempo que eu não ia a Quixadá. Eu nascera e vivera ali até os quinze anos, quando minha família mudou-se para Fortaleza. Meus amigos de infância, o futebol com bola de meia, as quermesses na praça, tudo de repente ficou para trás. Determinado a vencer na cidade grande a qualquer custo, logo ajustei-me às suas leis, concentrando-me nos estudos e no trabalho, economizando dinheiro e deixando diversões e namoradas em terceiro plano. E tratei de convencer a mim mesmo, dia após dia, de que aquela era a minha verdadeira cidade. Em pouco tempo, substituí minha mentalidade interiorana por um comportamento metropolitano e Quixadá foi ficando cada vez mais relegada a um simples nome de cidade natal em meus documentos de identidade.

– Silvio?

Alguém falou meu nome. Era uma senhora. Encostada no portão de uma casa do outro lado da rua, ela acenava sorridente para mim. Atravessei a rua enquanto tentava buscar na memória quem poderia ser.

– Já vi que não lembra de mim.

Eu não lembrava mesmo.

– Fui sua professora de matemática.

Finalmente lembrei. Dona Necy. Estava bem mais velha e bem mais gorda.

– Desculpe, dona Necy. É que faz tanto tempo.

– Tenho memória boa. Você deve estar com… trinta e cinco?

– Trinta e seis.

– Até que não mudou muito. Está de volta à terrinha?

– Não. Só de passagem.

Ela me pegou pelo braço e me convidou para entrar um pouco.

– Acabei de fazer um docinho de caju – ela disse, animada.

Eu queria voltar logo para o hotel, pois levara o notebook e tencionava trabalhar aquela noite nuns relatórios da empresa. Porém, fiquei sem jeito de negar e me deixei conduzir à varanda da casa.

– Sente um pouquinho que eu vou pegar.

Era uma ampla varanda, que ocupava a frente e a lateral da casa. Calculei a área e vi que era maior que o quarto-e-sala onde eu morava. Havia duas cadeiras naquela parte da varanda, ambas de balanço, de ferro revestido com fios de plástico colorido, dessas que não existem mais nas cidades grandes. Sentei numa delas e o movimento de vai e vem da cadeira quase me deu vertigem.

Logo depois, dona Necy chegou e me entregou uma cumbuca cheia de doce. Enquanto eu comia, e o doce era desses com calda vermelha, realmente delicioso, conversamos um pouco. Falei que meus pais estavam bem, que iríamos vender a casa e que eu ainda era solteiro e trabalhava como diretor financeiro de uma empresa. Ela, por sua vez, contou que se aposentara, que seus filhos estavam todos casados e que Quixadá continuava do mesmo jeito que eu a havia deixado, com a diferença de que agora estava ainda mais quente. Falou e em seguida abriu um leque, começando a abanar-se.

– Muito gostoso o doce, dona Necy.

– Quer mais? Vou pegar.

– Não, obrigado – respondi, embora quisesse.

– Então vou pegar uma aguinha pra você.

Ela pegou a cumbuca e entrou, dirigindo-se à cozinha. Pensei na mania que esse povo do interior tem de oferecer comida às visitas. Para eles, você está sempre magro e precisando urgentemente engordar. Nesse momento, dei-me conta da presença de alguém ao meu lado, na porta da sala. Virei-me, achando que veria dona Necy, mas o que vi foi um senhor idoso, alto e magro. Vestia-se todo de branco, calça, paletó, sapatos e um chapéu de feltro, como se fosse sair. Seus olhos eram negros e me olhavam de um jeito estranho…

– Boa tarde – cumprimentei-o.

Ele não respondeu. Permaneceu no mesmo lugar, me olhando daquele jeito estranho, sem expressão. Ou melhor, com uma expressão, sim: de ausência. Mas uma ausência fixada em mim, difícil explicar. Era como se ele não estivesse ali – mas soubesse que eu estava. Senti um desconforto, uma insegurança, como se quem me olhasse pelos olhos daquele velho, de algum modo, soubesse de mim. Soubesse bastante de mim.

Desviei o olhar para o lado da rua. No céu, por trás das casas, o sol se punha entre as nuvens menstruentas, anunciando a noite do sertão.

– Ô, Pepeu, não vai falar com o rapaz, não? – disse dona Necy, chegando da cozinha. – É o Silvio, filho da Dezinha, que você conheceu. Lembra dela, Pepeu?

Ele continuou quieto e calado, encostado na porta. Dona Necy me estendeu o copo dágua e sentou. Bebi com gosto. Quando voltei-me para olhar para seo Pepeu, o lugar estava vazio, ele havia voltado para dentro da casa sem que eu percebesse.

– É primo torto de mamãe – explicou dona Necy, sem se importar com o repentino sumiço do velho. – Tem o juízo meio mole.

– Ah…

– Morava com ela, em Caiçarinha. Quando ela morreu, a gente trouxe ele pra morar com a gente.

– Ele não casou?

– Não. Nem teve filho. Já está com noventa anos, mas ainda tem saúde boa.

– E não causa problemas?

– Pepeu é quieto, faz mal nem a muriçoca. Só tem umas esquisitices, mas a gente já acostumou. A gente se acostuma com tudo, né?

Dona Necy riu. A loucura do agregado da família a divertia.

– Que esquisitices?

– Essas coisas de gente doida. Por exemplo, ele diz que cria uns bichinhos. Mas ninguém nunca viu.

– Devem ser invisíveis – brinquei.

– Ele gostou de você, viu?

– De mim? Me olhando daquele jeito?

– Quando não gosta, nem olha pra pessoa.

Sorri, lisonjeado.

– O doce estava ótimo, dona Necy, obrigado – falei, levantando-me.

– Tem certeza que não quer mais? Doce aqui não falta.

– Tenho que voltar pro hotel.

À noite, telefonei para meus pais e, após falarmos sobre a venda do imóvel, contei para mamãe que havia estado com dona Necy e seo Pepeu. Ela comentou que o conhecia.

– Seo Pepeu é bom de encontrar coisa perdida, sabia? – ela falou.

– Como assim?

– Se você perdeu qualquer coisa, é só falar com ele que rapidinho você encontra.

– Só a senhora mesmo pra acreditar nessas coisas, mãe – respondi, rindo das crendices interioranas dela.

– Ah, eu soube que Milena se separou. Tá solteirinha. Que nem você.

– Que Milena, mãe?

– A que você namorou.

Milena era uma garota de Quixadá que eu havia namorado na adolescência. Eu havia esquecido totalmente dela.

– Obrigado pela dica, mãe, mas prefiro as mulheres da capital.

Após desligar, sentei na cama e liguei o notebook para adiantar as tarefas que me aguardavam no escritório na segunda-feira, que eram muitas. Fiquei apenas na tentativa, pois o sono me chegou tão forte que adormeci no meio do trabalho com o notebook ligado, coisa que nunca havia me acontecido.

AVertigem-01No domingo, mostrei a casa para um casal que estava bastante interessado em comprá-la. Discutimos valores e combinamos que eu voltaria no fim de semana seguinte para concluir o negócio. E retornei ao hotel, satisfeito. Em breve, a casa onde eu vivera minha infância e que significava minha derradeira ligação com a cidade se transformaria num bom dinheiro, que eu esperava multiplicar rapidamente no mercado de ações.

Almocei no hotel e depois subi ao quarto para tomar um banho. Enquanto me vestia, olhando-me no espelho, achei minha imagem um tanto diferente… Recordei ter lido em algum lugar que os espelhos refletem nossa imagem cada um ao seu modo e que, por nos acostumarmos aos nossos reflexos cotidianos, nós nos estranhamos nos outros espelhos.

Pensava nisso quando de repente a lembrança de seo Pepeu tomou minha atenção. E quase pude sentir a mesma sensação de desconforto que me causara sua presença no dia anterior. Seo Pepeu e seu olhar estranho, sem expressão, mas que mexia com algo em mim. Seo Pepeu e seu olhar de quem parecia saber muitas coisas de mim.

Saí do quarto e fui pagar a conta. Conferi as horas: cinco da tarde. Caminhei até o carro, estacionado em frente ao hotel, e entrei. No entanto, em vez de rumar para a saída da cidade, fui à casa de dona Necy. Parei o carro, saí e bati palmas. Ela logo apareceu, sorridente.

– Vim me despedir.

– Mas ainda está quente pra pegar estrada – ela falou, já me puxando para dentro e fechando o portão. – Entre um pouquinho. Já almoçou?

– Já, obrigado.

– Mas aceita um docinho de caju, não aceita?

– Aceito. E seo Pepeu, está bem? – perguntei. E me senti um tolo por ter querido enganar a mim mesmo sobre o motivo de ter voltado à casa de dona Necy. Evidente que eu não fora me despedir – estava ali para rever seo Pepeu.

– Hoje ele me perguntou: cadê o filho da Dezinha?

– Sério?

– Não disse que ele tinha gostado de você?

Dona Necy entrou e logo retornou trazendo o doce. Como da outra vez, ela sentou em sua cadeira de balanço e, enquanto falava algo sobre a safra de caju, o som de suas palavras se acompanhava do barulhinho quase hipnótico do balançar da cadeira. Foi nesse momento que ele surgiu à porta em seu figurino branco, silencioso e impecável feito um gato.

– Olha quem veio ver você, Pepeu.

– Boa tarde, seo Pepeu. Como vai?

Ele não respondeu. Continuou parado, encostado à porta, o olhar ausente em mim. Dona Necy fez sinal com a mão, para que eu não me importasse, e começou a falar do clima, do custo de vida, da política local. Lembrou do tempo da escola e de como as crianças de hoje preferem o computador às brincadeiras na rua. Foi quando escutei a voz grave ao meu lado:

– Ele quer mais doce.

Seo Pepeu falara!

– Quer mais? – perguntou-me dona Necy, levantando da cadeira. – Me dê que eu vou pegar.

Dona Necy puxou-me a cumbuca das mãos e entrou. E eu olhei para seo Pepeu, ainda surpreso. Ele falara.

Foi esta a primeira vez que escutei sua voz. E ele falou de um modo tão natural, e havia uma tal lucidez das coisas por trás dela… Eu, de fato, havia terminado de comer e realmente queria mais, porém estava com vergonha de pedir. E ele percebera.

– O senhor também gosta de doce de caju? – perguntei, tentando parecer simpático. Ele apenas continuou me olhando, daquele jeito ausente. Senti-me ridículo, tentando me comunicar com um louco, e tive a nítida impressão de que seo Pepeu desdenhava de minha posição de são e normal.

Para meu alívio, dona Necy voltou, trazendo mais doce e me livrando do desconforto de fazer sala para a loucura. Conversamos mais um pouco e, em determinado momento, lembrei do que minha mãe me falara.

– É verdade que ele encontra coisas perdidas?

– Olha aí, Pepeu – ela falou, dirigindo-se a ele. – Silvio quer saber se você encontra as coisas. Encontra?

Seo Pepeu não respondeu. Continuava com seu olhar em mim, insistente e silencioso – e ausente.

– Você não perdeu alguma coisa ultimamente? – dona Necy me perguntou. Sim, eu havia perdido minha caneta predileta, uma de alumínio que tinha meu nome gravado. Perdera-a no dia anterior, logo que chegara a Quixadá.

– Sim, perdi uma caneta.

– Pede pra ele encontrar.

– O senhor pode encontrar minha caneta, seo Pepeu? – perguntei a ele. E flagrei-me desejando muito que a resposta fosse sim.

No silêncio que se seguiu, enquanto nós dois nos olhávamos e eu ansiava por sua resposta positiva, senti uma vertigem… E me veio, nesse exato momento, uma lembrança de minha infância… Lembrei de um poço que havia no quintal da casa do vizinho, um velho poço que fornecia água e do qual as crianças eram proibidas de se aproximar. Um dia, sem suportar mais a curiosidade, fui escondido até o poço e subi na borda. E na água lá embaixo, em vez de minha imagem refletida, vi um monstro horrendo. Com o susto, me desequilibrei e caí para dentro do poço. Felizmente fui rápido e consegui me segurar na borda, ficando pendurado lá enquanto o monstro, do fundo do poço, aguardava que eu despencasse. Com muito esforço, subi a parede e saí. Voltei correndo para casa, apavorado, o coração saindo pela boca. A experiência foi tão traumática que depois desse dia, bastava me aproximar de um poço para sentir uma forte vertigem. Olhar lá dentro, nem pensar.

A lembrança se dissipou e a vertigem foi sumindo aos poucos, o que me aliviou bastante. Agora eu estava novamente na varanda da casa de dona Necy, tendo nos meus olhos o olhar ausente de seo Pepeu. Mexi-me na cadeira para afastar o resto de vertigem que ainda sentia, sem saber bem quanto tempo estivera envolvido pela súbita recordação ou se alguém percebera alguma coisa.

Então seo Pepeu moveu-se, caminhando até dona Necy. Inclinou-se e sussurrou algo em seu ouvido. E voltou ao seu lugar, encostado na porta.

– Pepeu disse que se você trouxer um chocolate pra ele, ele encontra sua caneta.

Dar-lhe um chocolate? Que coisa infantil, pensei, decepcionado. E eu que, por um rápido instante, chegara quase a crer que ele possuía mesmo algum dom mágico, que transitava por outros mundos… Mas agora via que era tudo uma brincadeira entre eles, uma espécie de concessão que dona Necy fazia à estranha lógica da loucura.

Mesmo incomodado por ter feito papel de tolo, resolvi topar a brincadeira. Levantei e fui à mercearia da esquina. E logo voltei com o chocolate, que entreguei a ele. Seo Pepeu, porém, não o recebeu, deixando-me com o braço estendido no ar. Dona Necy riu e pegou o chocolate de minha mão, entregando a ele. Pensei que seo Pepeu fosse comê-lo ali mesmo, mas, em vez disso, guardou-o no bolso de dentro do paletó e tornou a sussurrar ao ouvido de dona Necy.

– Agora você espera que a caneta aparece – ela disse, me piscando um olho, como se estivéssemos brincando com uma criança.

Olhei para seo Pepeu e julguei ver um esboço de sorriso, uma quase imperceptível luzinha de satisfação em seu rosto… que um segundo depois sumiu, sem deixar vestígio. Então nos despedimos e fui embora.

Durante o trajeto de volta a Fortaleza a lembrança de seo Pepeu me fez companhia. Ele realmente me impressionara bastante. E havia provocado em mim algo difícil de precisar, um incômodo misturado com medo e… uma certa euforia. Por quê?

Enquanto eu dirigia, chegaram outras lembranças de minha infância… Lembrei de um tempo em que eu tinha passagem livre para outras realidades, que eu visitava sempre. Um tempo em que eu tinha amigos que os adultos não viam e com eles dividia segredos. Lembrei que eu tinha o poder de ficar invisível e fazia isso sempre que queria roubar doces da confeitaria ou quando queria ficar no quarto de minha prima sem ser notado, enquanto ela deitava em sua cama e se tocava intimamente como se estivesse sozinha. Era um tempo em que os dias eram cheios de aventuras e tudo era mágico e fascinante. Um tempo encantado que simplesmente havia sumido de minha memória, mas que durante aqueles momentos na estrada irrompeu no pensamento, feito bolhas que sobem à superfície da água fervente.

Na entrada da capital, envolto pelas lembranças, não percebi o sinal vermelho e passei direto pelo cruzamento. Freei o carro bruscamente, quase colidindo com um caminhão. Por pouco não causei um terrível acidente. Poderia ter morrido… Parei logo depois, assustado e ao mesmo tempo aliviado pela sorte que tivera. Melhor esquecer o passado, pensei, enquanto engatava a primeira e saía. Melhor voltar à realidade.

Nos dias seguintes, minha mente manteve-se focada nos afazeres do trabalho, que me consumia o dia inteiro e às vezes até a noite, quando levava tarefas para casa. Na quarta-feira, porém, enquanto trabalhava em minha sala na empresa, percebi que a luz do fim de tarde que vinha da janela refletia-se na estante em alguma coisa que eu não conseguia precisar o que era. Intrigado, levantei e fui conferir o que estava brilhando ali. Era uma caneta. Uma caneta de alumínio com meu nome gravado.

Senti um arrepio na espinha. Era a caneta que estava perdida! Mas como ela podia estar ali se eu a perdera em Quixadá? Seria seo Pepeu… responsável por aquilo?

Não, claro que não, imediatamente respondi para mim mesmo. Eu certamente me equivocara. Sem perceber, certamente eu trouxera a caneta comigo de Quixadá e…

E o quê? Eu pusera a caneta na estante e também não lembrava? Isso não. Claro que eu não fizera isso. Então como explicar?

Não encontrei nenhuma explicação. Não havia explicação. Durante três dias eu havia esquecido de seo Pepeu e agora ele subitamente voltava por meio daquele mistério. Seria mesmo possível que ele tivesse algo a ver com aquilo?

Pelo resto do dia a imagem do velho esquisito me perseguiu, aqueles olhos ausentes de expressão, mas que eu sabia me espreitarem atentos. E isso me fazia dividido. Se, por um lado, brisas suaves do outro mundo sopravam por intermédio de seo Pepeu, brisas que me arrepiavam os pelos e me traziam memórias de um tempo de magia e encantamento, por outro lado seus olhos pareciam querer me desmascarar, como se eu fosse culpado de algo…

AVertigem-01No sábado seguinte, voltei a Quixadá. Eu havia combinado com o casal interessado em comprar a casa que nos encontraríamos no domingo, mas minha vontade de rever seo Pepeu era tamanha que não pude esperar mais um dia.

Cheguei no fim da tarde e dona Necy me recebeu com a simpatia de sempre. Contei-lhe que havia encontrado a caneta.

– Que bom – ela respondeu. – Pepeu vai gostar de saber.

– Ele sempre faz… essas coisas?

– Que coisas?

– Encontrar objetos perdidos.

Ela riu.

– Você acredita nessas coisas?

– Eu? Bem… eu…

Parei de falar, encabulado feito um menino flagrado fazendo o que não deve. Simplesmente não consegui responder. Em que eu acreditava? Já não sabia.

– O povo mais jovem não liga pra isso não, sabe? Quem ainda acredita é o povo velho.

Sorri, sem jeito. Ao lado, no vidro da janela, vi minha cara envergonhada. Fiquei pensando: quem eu seria? Do povo jovem ou do povo velho?

– Ele está em casa?

– Pepeu? Não. Foi passear com os bichinhos dele.

– E ele sabe andar sozinho pelas ruas?

– Mas menino, Pepeu é esperto – ela confirmou, orgulhosa. – Só não sai quando os bichinhos dele não querem ir. Aí não tem quem faça Pepeu botar o pé fora de casa. Você não quer sentar um pouco? Tem suco de cajá bem geladinho, vou pegar pra você.

– Obrigado, dona Necy – recusei. – Mas eu preciso falar com seo Pepeu.

– Então vá por ali, ó, que você ainda pega ele.

Corri pela rua até que vi aquela figura magra e alta, metida em seu terno branco, o chapéu branco, ele e seu passo lento, parecendo não ligar nadinha para o mundo em volta. Quem visse não o distinguiria de qualquer desses velhos que seguem para a praça nos fins de tarde.

Diminuí o passo e fui me aproximando dele. O coração batia forte e o suor já me ensopava as costas. Estiquei o braço em sua direção e, antes de tocá-lo, escutei sua voz:

– Encontrou a caneta?

Seo Pepeu continuava caminhando, olhando para frente. Por um momento, achei que ele falara consigo mesmo.

– Sim… Encontrei sim. Vim agradecer.

Então me cheguei ao seu lado e o acompanhei em seu passo lento pela calçada. Perguntei como conseguira que eu encontrasse a caneta, mas ele nada respondeu. Comecei a sentir o peso do ridículo. Puxei mais conversa, mas ele continuou do mesmo jeito, silencioso e o olhar lá na frente ou, sei lá, em lugar nenhum.

Quando chegamos à praça meu entusiasmo inicial já havia se desmilinguido no meio daquele constrangimento, e de novo eu me sentia fazendo papel de tolo, confiando que podia domar a loucura. Foi quando, já sem saber mais o que falar, comentei sobre Milena, minha ex-namorada da adolescência, se ele a conhecia.

Mais uma vez. A sombra de um sorriso a lhe sobrevoar a face, rápida, um quase nada. Mas eu vi, sim. Perguntei novamente, se ele conhecia Milena.

– Quer encontrar a moça, né?

Meu coração deu um pulo. Então, mais para não perder o embalo da conversa do que qualquer outra coisa, respondi rapidamente que sim, e perguntei se ele podia me ajudar.

– Traga um chocolate, traga.

Um chocolate. O que ele queria dizer com isso? Que me faria encontrar a moça da mesma forma como encontrei minha caneta? Não quis arriscar perder a oportunidade e corri até uma banca de revistas, onde comprei uma barrinha de chocolate e levei para ele.

– O senhor gosta muito de chocolate, né, seo Pepeu?

Ele ainda guardava a barrinha no bolso interno do paletó quando olhou para mim e… sorriu! Sorriu de verdade. Bem, foi um sorriso de um segundinho só, camuflado pela boca rígida, mas ele sorriu sim. E falou:

– É pra mim não, é pros bichinhos. Agora pode ir, vá.

– Ir pra onde, seo Pepeu?

– Vá logo.

Ele parecia ter pressa. Mas eu não sabia o que fazer.

– Vá, vá – ele insistiu, me empurrando levemente. Eu olhava para ele e não sabia mesmo o que fazer. Devia voltar a Fortaleza? Encontraria Milena lá?

– Vá logo.

Não pude deixar de obedecer. Atravessei a rua e olhei para ele, que continuava indicando que eu devia prosseguir, vá, vá…

De repente, uma mulher surgiu bem à minha frente, quase esbarrando em mim. Paramos os dois, assustados.

– Não acredito… – ela falou, surpresa. – Silvio?!

– Milena? – balbuciei, ainda mais surpreso que ela.

– Está perdido aqui em Quixadá?

– Eu… ahnn…

Eu todo era uma confusão só. Aquele encontro era obra de seo Pepeu? Não, não era possível, não podia ser. Mas como não seria? Claro que era sim, só podia ser. Tinha que ser. Virei-me rapidamente para a praça, mas seo Pepeu não estava mais lá.

– Eu… vim resolver umas coisas.

Milena havia mudado, não era mais a menina que eu lembrava, obviamente. Mas continuava bonita.

– Que coincidência, Silvio. Eu nunca faço esse caminho. Mas hoje, sei lá por quê, resolvi vir por aqui.

Ficamos olhando um para o outro, no meio das pessoas que passavam, sem saber o que dizer. Ela enfim quebrou o silêncio, perguntando se eu estava sozinho.

– Eu? Sim, estou.

– Quer sair hoje à noite? Tem um barzinho novo que é bem legal.

Após me passar seu número de telefone, deu-me um beijo no rosto e seguiu caminhando. Então atravessei a rua e avistei seo Pepeu caminhando na direção de sua casa. Corri até ele.

– Foi o senhor que fez a gente se encontrar, não foi?

Ele não respondeu. Nem sequer olhou para mim.

– Por favor, seo Pepeu – implorei. – Eu preciso saber.

Nada. Ele continuou em silêncio, caminhando seu passo lento. E eu ali fiquei, parado na calçada, o coração feito uma britadeira, a ponto de ter um troço. No degradê do céu a tarde anunciava seu fim, abrindo caminho para a noite. Uma brisa soprou, eriçando os pelos do meu braço.

Mais tarde, no barzinho, pensei em comentar o ocorrido com Milena. Mas achei melhor não. Como dizer-lhe que em troca de um chocolate, um velho maluco havia mexido com as forças do além para que nos encontrássemos de repente naquela rua? Como explicar o que eu sentia, aquela confusão toda em minha cabeça? Como dizer-lhe que o outro mundo havia voltado, o mundo mágico da minha infância?

Para não ficar pensando o tempo todo nisso, tratei de conversar sobre várias coisas e rimos bastante dos velhos tempos, recordando nosso namoro de adolescentes. Ela me falou de seu casamento fracassado e eu contei sobre minha vida em Fortaleza. Ela me perguntou se eu estava solteiro e eu confirmei. No fim da noite, deixei-a em casa e trocamos um demorado beijo. Um beijo muito gostoso, por sinal, que me fez lembrar de uma antiga e doce sensação, a de ter Milena em meus braços, nós dois no banco do jardim de sua casa, prometendo um para o outro todas as estrelas do céu imenso de Quixadá.

Naquela noite, demorei a dormir. Estava absolutamente dividido. Uma parte de mim queria ardentemente acreditar que seo Pepeu tinha mesmo poderes mágicos, que talvez o mundo não fosse somente aquilo que os olhos veem, que talvez outras coisas existissem além da compreensão comum. Talvez os loucos tivessem respostas. Talvez fosse hora de eu buscá-las de outra forma que não fosse nos números frios dos relatórios financeiros.

Outra parte de mim, porém, balançava a cabeça, desapontada com minha própria tolice. O mundo real não estava ali, naquela cidadezinha do interior, eu sabia disso. Tampouco estava no passado, entre mentiras da imaginação infantil. A realidade ficava na outra ponta da estrada, para onde no dia seguinte eu voltaria.

AVertigem-01Na manhã seguinte, não escutei o despertador, e quando acordei já eram duas da tarde. Estava bem atrasado para o encontro com o casal que queria comprar a casa. Vesti-me às pressas e dirigi até o restaurante onde havíamos combinado o encontro. Felizmente, eles ainda me esperavam. Desculpei-me, almoçamos e pudemos, enfim, acertar os detalhes finais do negócio.

De volta ao hotel, o moço da recepção me informou que alguém me aguardava e apontou para o sofá ao lado. Virei-me, com a certeza que veria Milena. Mas o que vi foi um velho de terno e chapéu brancos.

Fui até lá, e antes que eu dissesse qualquer coisa, ele levantou-se calmamente e saiu do hotel. Segui-o e passamos a caminhar pela rua lado a lado, em silêncio. Ele queria passear comigo, pensei, como dois amigos fazem num fim de tarde. Eu, porém, queria tanto falar do dia anterior, saber dos bichinhos…

Então chegamos à pedra do Cruzeiro, um conjunto rochoso muito visitado por turistas em busca de uma vista panorâmica da cidade. Quando criança, eu adorava subir até o topo, mais de cem metros de altura, e lá me entretinha durante séculos com a paisagem. Seo Pepeu parou, olhou lá para cima, ajeitou o chapéu na cabeça e começou a subir por uma das trilhas. Pensei em protestar, não estava nem um pouco a fim de me cansar, mas não ousei falar nada, apenas segui-o.

Seo Pepeu subiu com espantosa agilidade, sem dar sequer um passo em falso. Eu, ao contrário, escorreguei várias vezes e estive a ponto de desistir. Felizmente, ele parou antes de chegarmos ao topo e pouco depois eu o alcancei, e sentei numa pedra para descansar. E só então foi que percebi a paisagem. Dali, boa parte da cidade se mostrava para nós, e lá longe, por trás dos montes de pedra que a circundavam, o sol poente enchia o céu de tons de vermelho, amarelo e laranja. Eu havia esquecido de como aquela visão era magnífica. Enquanto as nuvens lentamente trocavam de desenhos e o céu mudava de cor, senti-me como se estivesse fora do tempo…

– Você vai ficar com eles depois que eu for, não vai?

A voz de seo Pepeu…

– Com eles quem? – perguntei, meu olhar vagando pelo horizonte.

– Os bichinhos. Olhe, não pode se atrasar não, venha no dia que chamarem.

Os bichinhos, claro. Por um instante, ou teriam sido séculos?, eu havia esquecido deles.

– Que bichinhos são esses, seo Pepeu? ‒ indaguei, olhando para ele. Seo Pepeu, em pé, ao meu lado, também olhava para o horizonte.

– Deram pra eu criar, faz tempo. Um é o bichinho escondedor, gosta de esconder e encontrar as coisas, é danado que só.

– E o outro?

– É o bichinho alcoviteiro. Ele gosta de brincar com as pessoas, faz elas se perderem e se encontrarem. São pequenininhos, mas sobem em tudo que é canto. E gostam muito de chocolate.

Bichinho escondedor e bichinho alcoviteiro. Um que encontrava objetos, outro que fazia pessoas se encontrarem… Aquilo era absolutamente incrível. Continuei como estava, sentado na pedra, o olhar lá longe, além do tempo…

– Foi o bichinho alcoviteiro que fez sua mãe casar com seu pai, sabia?

– Como assim?

– Seu pai era moço festeiro, queria compromisso não. Então o bichinho fez ele encontrar com ela na rua sete dias seguidos em sete lugares diferentes.

Sorri, espantado. Aquilo era uma novidade.

– E quem lhe deu os bichinhos pra criar, seo Pepeu?

– Posso dizer não. Nem você vai poder dizer quem lhe deu. E vão ficar com você até o seu dia, viu? Quando você se for, eles voltam pra dentro da casinha deles e de lá só saem pras mãos do novo dono. E não pode ser mulher.

– Eles não gostam de mulher?

– Mulher ia usar pra fazer mal com a outra. E eles querem só brincar, fazer arte com o povo.

– Outra pessoa pode ver os bichinhos?

– Não. Eles estão sempre escondidos por trás das coisas.

A voz de seo Pepeu chegava lentamente aos meus ouvidos e se misturava à paisagem. De repente, tudo era uma coisa só, o sol se pondo, as pedras, o céu avermelhado e as palavras de seo Pepeu. O tempo passado e o tempo presente finalmente davam-se as mãos. Tudo fazia sentido.

– Tem uma coisa – ele continuou. – Os bichinhos não gostam nem de gato nem de padre.

– Por quê?

– Gato pode ver eles, eles não gostam. E padre deixa eles tristes.

– E eles falam com o senhor?

– Eu sei o que eles pensam. Com o tempo você vai saber também.

– E por que o senhor escolheu logo a mim?

– Eles que escolhem. Quando você chegou, eles me avisaram.

– E se, por acaso, eu não servir pro negócio?

– No dia que eles não tiverem mais dono, tudo vai parar.

– Como assim?

Ele não respondeu.

– Como assim tudo vai parar, seo Pepeu?

Virei-me e vi que ele já descia a pedra, enquanto minha pergunta era levada pelo vento.

Voltamos em total silêncio. Ao fim da descida, seo Pepeu seguiu por uma rua, sem olhar para trás, e eu segui por outra, voltando ao hotel. Sentia-me em paz, como alguém que finalmente encontra algo que havia muito procurava sem saber que procurava.

AVertigem-01Na segunda-feira pela manhã, do escritório, liguei para minha mãe e contei da caneta, do encontro com Milena e do que seo Pepeu falara sobre ela e papai. Ela riu e disse que era verdade, sim, que um dia, quando era solteira, procurou um senhor que vivia no meio do mato. Era um tipo meio ermitão e diziam que possuía poderes mágicos. Ela foi lá e encontrou um velho estranho, mas gentil, e ela lhe pediu que fizesse meu pai se apaixonar por ela. O velho disse que isso não podia fazer, mas que faria algo parecido.

– Pois ele fez – prosseguiu minha mãe, rindo gostosamente. – Fez seu pai se encontrar comigo por vários dias seguidos. Ele ficou tão cismado que não teve como não prestar atenção em mim. Depois que a gente casou, contei pro seu pai, mas você sabe que ele não acredita nessas coisas.

– E a senhora pagou pelo serviço?

– Dei um chocolate, como seo Pepeu havia me pedido. Saiu barato.

E os bichinhos, eu pensava, como seriam? Gordinhos de tanto chocolate? Talvez não, seo Pepeu dissera que eram ágeis. Podia-se andar com eles no bolso? Como era a casinha deles? Eu pensava nos bichinhos e a todo momento me vinham novas utilidades como encontrar documentos perdidos, forçar encontros providenciais, conferir se tal pessoa estava mesmo em tal lugar…

E o medo deles de gatos, que estranho… Então os gatos viam mesmo coisas? E quanto aos padres? Presumi que os bichinhos não gostavam deles pelo fato da Igreja Católica ter um passado reconhecidamente perseguidor para com outras crenças. Quem sabe os bichinhos não guardavam lembranças traumáticas de outros tempos, de cruéis perseguições?

Seo Pepeu dissera que no dia que os bichinhos não tivessem mais dono, tudo ia parar. O que podia significar? Uma profecia sobre o fim do mundo? Ele dissera também que eu ficaria com eles somente depois que ele se fosse. Bem, pela saúde que seo Pepeu tinha, esse dia ainda demoraria, o que era ótimo, pois eu queria aprender tudo sobre o outro mundo.

– Tudo, tudo – falei para mim mesmo. E ri que nem uma criança feliz.

Eu não estava mais dividido. Seo Pepeu era real, os bichinhos eram reais. O mundo mágico estava de volta.

Antes de sair para almoçar, liguei para o casal que compraria a casa. Comuniquei, sem dar muitas explicações, que o negócio estava suspenso e que, se fosse o caso, depois eu entraria em contato com eles. Desliguei o telefone e estiquei as pernas, relaxado e aliviado. De repente, vender aquela casa era algo que não fazia muito sentido. Talvez não fosse má ideia mantê-la alugada. Talvez, quem sabe, um dia eu cansasse da capital e voltaria a morar em Quixadá. Sim, por que não? Esquecer aquele negócio de mercado de ações e levar uma vida mais calma, sem tantas preocupações com lucros. Quem sabe com Milena. Por que não?

Então a secretária me tirou de meus devaneios, avisando que havia uma ligação para mim. Atendi. Era dona Necy. Ligava para avisar que seo Pepeu morrera na noite anterior. Ele estava bem, ela disse, havia feito seu passeio de fim de tarde e jantado normalmente. Morrera dormindo. O enterro seria à tarde.

Demorei alguns minutos até conseguir fazer algo. Seo Pepeu morto… Não parecia real. Não podia ser real, ele ainda tinha tanto a me ensinar…

Cancelei os compromissos da tarde, peguei o carro e mandei-me para Quixadá. Dirigi a toda velocidade, mas quando cheguei ao cemitério, o caixão já havia descido e dois homens o cobriam de terra. Havia pouca gente presente, só dona Necy e alguns familiares. Fiquei arrasado, pois queria ter visto seo Pepeu uma última vez.

– Ele gostava de você – dona Necy me falou, enxugando uma lágrima.

– Eu também.

– Acho que Pepeu pressentiu que ia morrer, pois ontem, antes de dormir, pediu pra lhe entregar uma coisa.

Dona Necy abriu sua bolsa, tirou um pequenino baú de madeira e me entregou.

– Ele guardava isso com muito cuidado, desde quando morava em Caiçarinha.

Segurei o bauzinho com as duas mãos, sentindo seu peso.

– Parece que tem alguma coisa dentro, mas eu não sei o que é. Pepeu me pediu pra eu entregar pra você sem abrir.

– Obrigado.

– Vamos agora lá pra casa tomar um café. Venha com a gente.

– Infelizmente não posso, dona Necy. Tenho que voltar logo pra Fortaleza.

Despedimo-nos e saí. Alguns minutos depois, eu estava na estrada, voltando para a capital. Dirigia tomado por uma mistura de tristeza, excitação e medo, e a todo instante olhava de canto de olho para o bauzinho de madeira no banco do passageiro.

Chegando em casa, pus o bauzinho sobre a cama e sentei ao lado. Minhas mãos tremiam e o coração batia descompassado. Uma gota de suor deslizou por meu rosto. Lá fora a tarde ia embora, e pela janela pude ver o céu começando a escurecer, anunciando a noite da cidade grande, tão diferente da noite do sertão. Dentro daquele pequeno baú estava a prova da existência do outro mundo, o mundo mágico que sempre existira, mas que eu um dia preferi esquecer. Bastava abri-lo e libertar os bichinhos.

Peguei o bauzinho e movi a tampa para cima, bem devagar. De repente, por um instante, surgiu na lembrança aquele terrível poço da minha infância… E imediatamente senti a vertigem me abraçar, novamente ela, a mesma vertigem. Interrompi o movimento, baixei a tampa e respirei profundamente. Está tudo bem, falei para mim mesmo, enquanto esperava a vertigem passar. Alguns minutos depois, quando me preparava para abrir de novo, uma pergunta surgiu em minha mente. E se… nada houvesse lá dentro?

Quando a noite veio, ela e sua escuridão, eu continuava lá, sentado na cama, o bauzinho ao lado. E a pergunta não calava em meu pensamento. E se nada houvesse lá dentro?

A madrugada chegou, ela e seu silêncio, e lá estava eu no mesmo lugar. Aquela pergunta não me deixara dormir. Nem dormi e nem tive coragem de abrir o bauzinho.

Quando amanheceu, guardei-o numa gaveta do armário e fui trabalhar. Esforcei-me como nunca para me concentrar no serviço, mas não consegui. Quando voltei para casa, a primeira coisa que fiz foi tirar o bauzinho da gaveta. Botei-o novamente sobre a cama e jurei para mim mesmo que daquela vez eu o abriria, eu precisava abri-lo e acabar de vez com aquela tortura. Sim, eu precisava fazer isso. Mas… e se nada houvesse lá dentro?

É a pergunta que me faço até hoje, cinquenta anos depois, quando cai a tarde e tiro o bauzinho da mesma gaveta, e sento na mesma cama do mesmo apartamento, tudo o mesmo. E se nada houver lá dentro?

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Ricardo Kelmer 1997 – blogdokelmer.com

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Cristiano Pinho – Sertão Noturno
Trilha sonora do conto A Vertigem

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Este conto integra o livro
Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba? Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, as pessoas são surpreendidas por acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmas e deflagram crises tão intensas que viram uma questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses coletivos e pessoais.

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LEIA NESTE BLOG

NoOlhoDaLoucura-01aNo olho da loucura – Ela está lá, insubornável feito um guardião de mistérios ancestrais, e zomba da nossa compreensão do mundo… E nada pode haver de mais perturbador

Cristal – Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

A pergunta – Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

Minha noite com a Jurema – Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

Um cara que acabou de acordar – Por isso esse olhar de quem ainda não entendeu,  esse clima de Morfeu, essa preguiça de explicar

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Comentarios01COMENTÁRIOS

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01- Acabei de ler o conto sobre a loucura, do seu Pepeu. Pois saiba que eu segurei o ar por alguns instantes no final, achei muito legal. Vera Sabóia, Fortaleza-CE – jul2005

02 – Que o Seo Pepeu guie seu coração e a vc todo mesmo, ‘treim-rúim’, pelo túnel do irresistível-selvagem-charme da insanidade e lhe mostre a luz no fim! …que tire as tentações do caminho e lhe dê a paz! aaaaaaaaaamééémmmmmmmmm! Patrícia Rochael, Goiânia-GO – mar2007

03- Gostei muito, muito mesmo!!!Adorei! Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – fev2015

04- Ricardo Kelmer, esse sempre foi um dos seus contos de que mais gosto. Muito bom mesmo!, Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – fev2015

05- Ricardo Kelmer, perfeito! Ana Velasquez, Altamira-PA – fev2015

06- Este livro é um dos melhores que conheço! Além do “Seo Pepeu”, tem outros contos alucinantes! Grande Ricardo Kelmer!!!- Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – fev2015

07- Eu amo Ricardo Kelmer. No bom sentido, macho réi. Você tem talento e um papo com você nos aproxima do tudo. Do ser inteligente que sabe combinar vida, pessoas, coisas, animais e o mundo de dentro e de fora de tudo. Nonato Albuquerque, Fortaleza-CE – fev2015

08- Esse é o conto preferido do Roman Peter Ciupka Junior, né não? Marcelo Gavini, São Paulo-SP – fev2015

09- Opa ! Fala seu Kelmer ! Lembrei que tinha lido esse conto ( muito bom !)la no seu livro ” Guia de sobre … ” … Acho que eu nunca comentei contigo mas esse conto tem um Q de ” Alem da Imaginaçao” … Luciano Hamada, São Paulo-SP – fev2015

AVertigem-01a


No olho da loucura

28/01/2015

28jan2015

Ela está lá, insubornável feito um guardião de mistérios ancestrais, e zomba da nossa compreensão do mundo… E nada pode haver de mais perturbador

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NO OLHO DA LOUCURA

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Ah, a loucura… Que diabos tem essa senhora que tanto nos incomoda e seduz? Por que estamos sempre a espiar, feito menino curioso, o brilho estranho de seus olhos, e ao mesmo tempo dele só queremos fugir, para bem longe?

Ela está lá, vejam, está lá e nos ameaça com sua irresponsabilidade consentida. Está lá, no canto da sala, no canto do olho, inflando dentro de si mesma para explodir a qualquer momento sobre nossa mal disfarçada indiferença. Ela está lá, insubornável feito um guardião de mistérios ancestrais, e zomba da nossa compreensão do mundo… E nada pode haver de mais perturbador que essa zombaria.

Por que temos medo? Por que a insegurança? Será que é porque quem nos olha, lá de dentro daquele olho, não é como nós? Sentimos segurança quando nos vemos em outros e nos sabemos muitos, mas na loucura não nos enxergamos. Nosso olhar bate e volta, sem encontrar reciprocidade, sem ter quem lhe dê a mão e o conduza pelo universo estranho. Nosso olhar bate e volta, sem notícias confiáveis do mundo de lá.

Ou será o contrário? Nós nos vemos, sim, e é isso que mete medo! Nós nos vemos, e vemos exatamente o que nunca se mostra de nós mesmos. Pressentimos aquilo que se esconde por trás de nossas verdades tão bem construídas e avalizadas. Ali, no olho da loucura, brilha, distante e entre névoas, o reflexo de um pressentimento que nos incomoda e nos faz despertar à noite subitamente amedrontados, na vertigem de uma queda…

No olho da loucura, por trás dele, nos espreita essa vertigem, nascida do medo de olhar dentro de nós mesmos – e não gostar do que descobrir. Por isso, fugimos de seu olhar. E é exatamente por isso que dele não adianta fugir.

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Ricardo Kelmer 2012 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

AVertigem-01A vertigem – Dizem que seo Pepeu, o louco da cidade, possui dois bichinhos mágicos que localizam coisas perdidas e fazem as pessoas se encontrarem. Mas ele está velho e tem de passar a alguém a missão de cuidar dos bichinhos

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Um cara que acabou de acordar – Por isso esse olhar de quem ainda não entendeu,  esse clima de Morfeu, essa preguiça de explicar

 

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NoOlhoDaLoucura-01a

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Suvinando priquita

21/01/2015

22jan2015

Pois você acredita que tem mulher que suvina priquita? Parece mentira, mas é verdade

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SUVINANDO PRIQUITA

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Pois não é que tem mulher suvinando priquita a essa altura do campeonato? Calma, eu explico. Lá naquele pedaço de chão mítico chamado Ceará há uma piada que as próprias mulheres fazem entre si, que eu adoro, e que só podia vir de lá mesmo, onde se faz graça com tudo que é sagrado e tudo que é desgraça. A piada é a da “suvinagem de priquita”.

Rio muito quando lembro dessa história. Mas vamos falar sério que o assunto mexe com coisa preciosa. Pra quem não sabe, suvinar é ser sovina com algo, e priquita é o mesmo que piriquita, xoxota, perereca, aquele negócio gostoso que tem dez mil nomes. Pois você acredita que tem mulher que suvina priquita? Parece mentira, mas é verdade.

Impossível, alguém vai dizer, afinal tá uma carestia danada de homem, a concorrência é cada dia mais acirrada e, pra piorar, os caras estão tudo virando gay. Poizé, não dá pra entender. Em vez de aproveitar o vento favorável e distribuir, tem mulher suvinando priquita. Mas elas suvinam por quê? Segundo a Discovery Channel, isso é normal, as fêmeas sapiens selecionam seus parceiros por meio de complexos joguinhos de sedução. Mas a suvinagem é um jogo tão complexo que o parceiro muitas vezes foge correndo.

Quelzinha, por exemplo. Quelzinha suvina porque não acha legal dar na primeira vez, que é pro gato, ou a gata, não pensar que ela é fácil, e nem dá na segunda, que é pro pretendente ficar na fissura, e nem dá na terceira, que é pra testar se a pessoa quer ela ou a priquita dela. Bem, desnecessário dizer que Quelzinha suvinou tanto que passou o Carnaval sozinha, ela e a priquita suvinada. Veja o caso de Rebeca, que desde o ano passado tá com a priquita guardada na geladeira. Por que ela faz isso? Porque tá esperando aparecer alguém melhor pra ela dar de comer. Segundo a Discovery Channel, quando ela se der conta que, quanto mais o tempo passa, mais o melhor fica pra trás, aí será tarde demais.

Uma prima minha suvinava priquita porque achava que era muito nova. Dezoito anos. Isso lá é idade pra alguém suvinar priquita. Hoje, vinte anos depois, ela ainda tá na ativa, mas já se arrepende da suvinagem da juventude. Poizé, mizifia, se a suvinagem não é recomendável quando você tá novinha, imagine quando a demanda cair.

Inconformadas. É assim que ficam certas mulheres quando descobrem que a amiga, mais bonita, não tá aproveitando devidamente as vantagens físicas que a Natureza lhe deu. Aí vem a frase típica: Mulher, eu não acredito não, tu tá suvinando priquita? E a fêmea suvinante, flagrada na descarada suvinagem, perde a esportiva: A priquita é minha ou é tua? E assim o mundo segue com suas injustiças, umas suvinando e outras carecendo.

Tem suvinagem de bilau? Eis um tema controverso. O bicho homem suvina pra esperar vir coisa melhor? Pra não pensarem que ele é fácil? Uma leitorinha me disse que alguns suvinam pra não se envolverem emocionalmente. Ahnn? Olha, nunca vi um caso assim, mas esse mundo é tão louco, né? O que sei é que às vezes o pênis sexual masculino não obedece ao desejo da cabeça de cima (um conflito fisiológico que a fêmea sapiens felizmente não tem), mas aí não é suvinagem, é fogo amigo mesmo.

A minha vó me ensinou que o que se guarda com fome, o gato, ou a gata, vem e come. Ops! É justamente isso que você quer, que comam, né? Que bom. Mas com a perseguida, o buraco é mais embaixo. Guardar sua fofolete na geladeira é muito arriscado, e se faltar energia? E se ela ficar com cheiro de estrogonofe? Olha, mizifia, se você aceita uma dica, faça o ritual da priquita sincera, é batata. Funciona assim: você põe um espelho que nunca foi usado na frente da querida ditacuja e pergunta, olhando sério pra ela: Amiga, eu tô te suvinando?, pode falar, amiga, se abra comigo. Se a amiga começar a chorar, aí você já sabe: tire imediatamente a pobrezinha da geladeira. E vamos economizar com água que é melhor, né?

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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VÍDEO-CRÔNICA

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APROFUNDANDO O TEMA…

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SUVINAGEM E CARIDADE

(Com informações gentilmente cedidas pelo Instituto Tábata de Pesquisas Alcovitais. Nossos agradecimentos à senhorita Tábata, sempre muito caridosa.)

De modo geral, entende-se por “suvinagem” o ato de negar um nheco-nheco a alguém quando o indivíduo não deveria fazê-lo. É um termo acusatório, com conotação negativa. Pra ocorrer a suvinagem, é preciso antes de tudo que exista o interesse por parte da outra pessoa. Se ninguém deseja sua priquita ou seu bilau ou seu furico, então você não pode ser acusado de estar suvinando nada. Entendeu, né? Espero que sim, pois não vou desenhar nada.

Os motivos da suvinagem podem ser:

Ausência de tesão – Nesse caso, o uso do termo suvinagem é controverso, pois se o indivíduo ou a indivídua não sente tesão, então não estaria havendo suvinagem. Porém, há uma corrente de pensamento, o bonobismo, que defende que, mesmo sem sentir vontade ou sentindo pouca vontade, devemos fazer a caridade, ou seja, temos o dever moral de fazer um nheco-nheco com quem nos deseja. Por que se chama bonobismo? Depois explico.

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Suvinagem por interesse – Algumas pessoas praticam a suvinagem pra certificar-se do grau de interesse do outro, pra atiçar o desejo do outro ou por puro prazer de torturar até a morte o ser desejoso. Pra alguns, a vingança é um bom motivo: primeiro provoca-se e depois suvina-se, o que se assemelha a deixar alguém com muita fome e depois levá-lo a um ótimo restaurante onde o coitado poderá tão somente olhar e cheirar os pratos. Tem gente muito ruim por aí que vive pra se vingar: atiça pra todo lado e pra todo mundo o tempo todo, mas na hora H, tome suvinagem. Há um projeto de lei que quer proibir que alguém suvine mais que três vezes por dia. Muito justo.

Economistas – Há os que suvinam porque acham que merecem coisa melhor. Evidentemente, têm todo o direito de achar. São os chamados economistas. O ato de economizar sexo pra usufruí-lo melhor no futuro é, evidentemente, um contrassenso, pois sabe-se que quanto mais se pratica, melhor se faz. Isso nos remete a uma natural constatação: os economistas trepam mal.

CARIDADE

A caridade é o oposto da suvinagem. Na caridade pura, o ato não contém qualquer outro interesse que não o de satisfazer o tesão do outro. Na caridade relativa, o ser caridoso tem algum tipo de satisfação ‒ passar o tempo, por exemplo. Porém, quanto mais houver prazer ou recompensa para a alma caridosa, menos caridoso será o ato. Se a caridade envolve sofrimento, não é mais caridade, e sim autotortura, mais ou menos como se obrigar a escutar por uma noite inteira a coletânea das pregações do pastor Feliciano.

Caridade por interesse – Se o indivíduo faz o nheco-nheco porque tenciona uma promoção no trabalho ou vingar-se do ex ou da ex, isso obviamente não é caridade. Um caso para se pensar é o da moça que apostou com as amigas que treparia 100 vezes num ano: quando faltava um dia para expirar o prazo, a conta estava em 99. O que ela fez? Deu para o pastor da igreja, que a perseguia fazia tempo. Isso é caridade? Evidente que não, pois a moça ganhou a grana da aposta e, de quebra, ainda vai para o céu. Quando morrer, claro.

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Bem para o mundo – Os defensores da caridade sexual argumentam que a prática alivia as tensões do mundo e promove uma sensação de bem-estar coletivo, além de friccionar e aquecer o mercado dos motéis e sex shops. A caridade, obviamente, nada tem a ver com violência sexual, pois é necessário que o indivíduo caridoso queira, de livre vontade, a realização do ato. A Cinta-Liga Caridosa, uma ONG que promove a prática da caridade em todo o mundo, sugere que a ONU incentive os líderes mundiais a fazer caridade antes de cada rodada de negociações. O Blog do Kelmer apoia a iniciativa.

Nheco-nheco sem vontade – Caridade é muito bonito mas… como fazer sem vontade? Para a fêmea sapiens, costuma ser mais fácil, ao menos teoricamente. Para o macho, caso o ato requeira um bilau ereto, costuma ser mais difícil. Machos sapiens jovens geralmente possuem boa disposição para a caridade mas, com o avançar da idade, encontram crescentes dificuldades para a prática pois, como sabemos, a fisiologia do tesão masculino requer que haja uma concordância entre a cabeça de cima e a cabeça de baixo, ou seja, entre a vontade consciente de fazer o nheco-nheco e o necessário interesse orgânico pelo ato. Quando não há esse entendimento, isso se chama discordância duplo-cabeçal. E é literalmente brochante.

Caridade masculina – A natureza duplo-cabeçal do tesão masculino é responsável por situações dramáticas, como a do sujeito que reserva a suíte presidencial do motel mais caro da cidade para uma noite de sexo selvagem com a amada e, na hora H, o máximo de selvageria que consegue é chutar o balde de gelo do champanhe, muito puto por ter brochado. O oposto também acontece: o macho sapiens é surpreendido por uma súbita e incontrolável ereção ao ver a própria mãe pelada ou ao ver a vizinha na piscina do prédio, sendo que a guria tem doze anos ‒ em ambos os casos, o desejo sexual partiu da cabeça de baixo e chocou-se com a moral da cabeça de cima, que o rejeita. Os bonobos, aqueles nossos primos macacos que trepam até em velório, não têm esse problema: quem não faz caridade é expulso da tribo. Por isso, os humanos caridosos também são chamados de bonobos. Daí a bonobice, a corrente que defende que devemos sempre fazer caridade, inclusive em velório.

SuvinandoPriquitaHumor-04

Dicas para a cidade masculina – Aos machos sapiens que não desejam ser acusados de suvinagem, seguem dicas para a prática da caridade. Se houver ausência de tesão, o fetiche pode ajudar a erguer o interesse do bilau. Fetiches existem aos zilhões, escolha o seu: pés, chicotes, fotinhas safadas, filminhos na TV, acessórios, falar como neném (sim, tem gente que se excita com isso)… Muito comum também é o uso da imaginação: feche os olhos e lembre daquela sua prima danadinha que fingia dormir enquanto você a bulinava, e ela não acordava nem quando você metia nela. Pense num sono pesado.

E as pilulazinhas subidoras de bilau? – Fármacos como o Viagra (que fazem aumentar a circulação de sangue no interior do bilau e, consequentemente, provocam a ereção, nem sempre resolvem o problema da discordância duplo-cabeçal. Se o sujeito quer o nheco-nheco mas o bilau não quer, as pilulazinhas, por si só, não farão o desgraçado traidor mudar de ideia. Porém, se o sujeito conseguir se concentrar em algum fetiche ou na lembrança da prima safadinha, o bilau acabará se animando e concordando com a cabeça de cima, e terá a seu favor um melhor fluxo sanguíneo proporcionado pelo remédio, o que acarretará numa ereção mais firme e prolongada. Conclusão: vai fazer caridade? Passe antes na farmácia.

Gemedores e paradinhos – Os praticantes da caridade podem ser divididos em dois grupos: os gemedores e os paradinhos. Os caridosos gemedores são os que se esforçam para agradar, e para isso gemem, gritam e aceitam experimentar posições estranhas, como a Ventania no Bambuzal. Alguns até fingem orgasmos mirabolantes, e há casos de gemedores tão competentes que eles mesmos ficam na dúvida se fingiram ou se realmente gozaram. Obviamente, se um gemedor goza, não é mais um gemedor, é um gozador mesmo, e os gozadores não estão fazendo caridade nenhuma. Há gemedores radicais que apelam e até dizem que amam e que querem casar, ou o contrário, que jamais jamais vão casar, um agrado que cada vez tem funcionado melhor. Já os caridosos paradinhos não fazem nada disso, no máximo esticam o braço e trocam o canal da TV. Como tem gosto para tudo, até os paradinhos fazem sucesso. Aliás, alguns paradinhos se especializam e se fingem de mortos, e só abrem os olhos e se mexem quando o outro vem avisar que a pizza chegou.

Dicas para caridade feminina – O Blog do Kelmer aceita sugestões das leitorinhas.

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CASOS DE SUVINAGEM E CARIDADE. OU NÃO

SuvinagemClaraMeadmore-01Virgem aos 105 anos – Clara Meadmore tem 105 anos e se orgulha de não precisar de dentadura. Nascida em Glasgow, na Escócia, no início do século 20, ela acredita que o segredo de sua longevidade é nunca ter feito sexo, pois, segundo ela, sexo envelhece. Para ela, o nheco-nheco sempre foi algo complicado, que atrapalharia sua vida. “Eu sempre estava ocupada fazendo outras coisas, e nunca tive tempo de pensar em sexo”, explica. Esse caso pode ser considerado como suvinagem?

SuvinandoPriquitaCaridadePeterLynagh-01Abstinência gera caridade no Camboja – O australiano Peter Lynagh apostou com um amigo que ficaria um ano sem sexo e, depois, a aposta se transformou em uma arrecadação para caridade, com a página Pete’s Chastity for Charity (Castidade de Pete para a Caridade) no Facebook, e levantou mais de US$ 50 mil para a instituição Free to Shine, que educa e salva meninas cambojanas do comércio sexual. Esse caso pode ser considerado como suvinagem?

SuvinandoSexoCaridadeMaríaCarolina-01Sexo pelas crianças pobres – María Carolina é uma prostituta chilena. Ela decidiu doar o dinheiro arrecadado com 27 horas de trabalho (cobrando U$ 300 por cada hora e meia) para uma campanha de caridade em favor de crianças pobres e deficientes. Esse caso pode ser considerado como caridade?

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

AsCiclistasOrgasticasDaColombia-01aAs ciclistas orgásticas da Colômbia – Ciclistas usam a energia de seus orgasmos para vencer corridas

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

Lola Benvenutti e a coragem de viver – A única salvação possível é sermos quem verdadeiramente somos

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor, submissão e salvação por meio do sexo anal

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990) – Um livro belo e libertador, que celebra o sagrado na sexualidade

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

Diametral,NinfaJessi03aAs aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir

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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.

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COMENTÁRIOS
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01- Ricardo Kelmer, me lembro tanto de ti quando escuto isso. Dou uma gargalhada imensa. Nely Rosa, Fortaleza-CE – jan2015

02- Amei essa de suvinar… kkk gente querendo dá… e doidinha suvinando. Pô… que desigual! Bjs Carol. Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

03- já li e adorei Ricardo Kelmer! Show! Solange Brito, Fortaleza-CE – jan2015

04- Sobre perder tempo com alguns preconceitos que depois podem pesar muito quando nos dermos conta de que a vida simplesmente passou! ( gostei, Kelmer, por mim, pode deixar de sovinagem com a nova postagem!!! ). Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – jan2015

05- Um absuuuurdo, essa suvinagem!!!kkkkkk. Ariane Araújo, Fortaleza-CE – jan2015

06- Ainda tem quem faça isso. Ninguém deve suvinar nem água quem dirá o resto. Valéria Assunção, Fortaleza-CE – jan2015

07- Não achei nada de engraçado e acrescento portanto je ne pa suis suvinando qualquer coisa…. Maria Socorro Lima Giambarba, Fortaleza-CE – jan2015

08- Suvinar piriquita é nova pra mim. Conheci como ‘regular’. Aqui em sampa… tb já vi: regular essa micharia. Hahaha. Ana Cristina Martins, São Paulo-SP – jan2015

09- Não achei a crônica machista e tb não concordo q ela incite a mulher a fazer o q ela não está a fim, é apenas uma idéia bem humorada de não ser suvina, mas quem tem q decidir é ela, sabe, acho isso muito controverso e relativo Ricardo Kelmer! Solange Brito, Fortaleza-CE – jan2015

10- É por isso que eu não suvino não, dou e dou de coração e pernas abertos! Samara Do Vale, Fortaleza-CE – fev2015

11- ” cheiro de estrogonofe”? oh putaria! hahahahaha. Gerardo Lima, Fortaleza-CE – fev2015

12- Segundo discovery channel….kkkkkkkkkkkk, menino tu é uma figura, adoooorooooo, eta povo suvino!! Regia Alves, Fortaleza-CE – fev2015

13- está muito divertida com os ajustes para a publicação liberada. Kkkkkkkkkk falar como neném??? Brochante! Kkkkkkk eu me divirto com essas doidices Kelmicas! Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – fev2015

14- rsrsrs muito boa… Hugo de Freitas, Fortaleza-CE – fev2015

15- Pior que tem homem que sovina bilau sim… sabe, aquele papo de: – To me guardando pra minha musa. tenho um amigo que diz isso e bota defeito em todas q querem fazer caridade interesseira com ele ( elas só querem gozar), pois ele só quer uma mulher (a musa dele) que é sovina pra ele. Dorah Andrade, São Paulo-SP – fev2015

16- Vou enviar o e-mail mas eu particularmente ñ sou suvina kkkkk gosto de sexo … Luciene Maia, Fortaleza-CE – fev2015

17- Explica pra este gringo a suvinagem……….. Matthew Berigan, Campina Grande-PB – fev2015

18- Foi uma das coisas que mais me divertiram quando estive em fortaleza….além do Teatro do Humor, que este…não tem prá ninguém! Fatima Carvalho, Santo André-SP – fev2015

19- Eu ouvi assim: ” Ta regulando essa micharia?” Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – fev2015

20- Muito bom. Você montou uma enciclopédia erótica!! Pura sacanagem!! Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – fev2015

21- Pois é Ricardo Kelmer nessa suvinagem toda, ninguém come ninguém, e ninguém dá pra ninguém muito sem graça mesmo. Dorah Andrade, São Paulo-SP – fev2015

22- Ai…ai…Kelmer! Regina Zamora, São Paulo-SP – ago2015

23- Caro uy uy! Iris Salas, Granada-Espanha – ago2015

24- Kkkkkk. Marialucia da Silveira, Campinas-SP – ago2015

25- Parabéns, Kelmer! Giba C. Carvalho, Recife-PE – ago2015

26- Kkkkkkkkkkkkkkk! Demais! Dri Flores, São Paulo-SP – ago2015

27- kkkkkkkk. Nilzete Lalá Nascimento, São Paulo-SP – ago2015

28- Sensacional!! Espetacular demonstração da autêntica molecagem cearense!!! Henrique Daniel Carvalho, Fortaleza-CE – ago2015

29- Já li 10 vezes. Rogers Tabosa, Fortaleza-CE – ago2015

SuvinandoPriquita-01a

 


 


As Preciosas do Kelmer – jan2015

19/01/2015

19jan2015

AsPreciosasDoKelmer201501.

As Preciosas do Kelmer é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

> No Facebook (todas as edições)

> No Blog do Kelmer

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AsPreciosasDoKelmer201501AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
#28, jan2015
> Esta edição no Facebook

Capa: Karine Alexandrino, artista e cantora brasileira, lançadora do conceito feminista “Mulher tombada”, que ela desenvolve em seu trabalho há 15 anos

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*** IMIGRAÇÃO, UM PROBLEMA MEU E SEU

Se desejamos ser cidadãos do mundo e queremos um mundo mais justo, devemos entender mais profundamente a questão da imigração. No momento em que você lê estas palavras, há milhares de pessoas deixando seus países e suas famílias, largando tudo, para buscar melhores condições de vida em outros lugares. Essas pessoas fogem da miséria, de perseguições políticas e religiosas ou de discriminação étnica, racial ou sexual, e arriscam a vida em travessias perigosas e ilegais. Na maioria das vezes, elas não conseguem ter uma vida melhor. Muitas morrem na viagem. Muitas se tornam mendigos e vivem nas ruas das grandes cidades, tornam-se bandidos.

Fechar as fronteiras não resolve o problema, e não faz sentido que um povo se feche dentro de seus muros e viva bem, enquanto do outro lado do muro uma multidão de desesperados força a entrada. Isso não vai dar certo. O mundo é uma coisa só, o Homo sapiens é que o dividiu em conceitos chamados países, e criou fronteiras imaginárias para separar as culturas. Conseguiu, é verdade, mas essa divisão atingiu o limite de suas possibilidades. O modelo está se esgotando.

O medo do diferente é natural, mas depois que conhecemos melhor o outro, percebemos que ele não é afinal tão diferente assim. E é ótimo que tenhamos nossas diferenças – foi justamente por isso que nossa espécie sobreviveu. Mas agora, em nome do futuro da espécie, a diferença deve ser celebrada, e não combatida. > Mais: Milionária italiana compra barco para ajudar imigrantes

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*** PREPARE-SE, O POLIAMOR CHEGOU

As pessoas que não admitem que seja possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo são, de certo modo, parecidas com os religiosos que não admitem que alguém não creia no deus delas. Não admitir a diferença é fanatismo. Algumas pessoas só conseguem amar de modo exclusivista, mas isso não significa que seja esta a única forma de amar. Cada vez mais as pessoas assumem seu modo pessoal de viver o amor, e a sociedade terá que aprender a conviver com essas diferenças.

> Veja esta reportagem, está muito interessante: http://tab.uol.com.br/poliamor

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*** LIMITES PARA O HUMOR

O massacre no jornal francês Charlie Hebdo trouxe novamente à tona a questão dos limites da liberdade de expressão. Foi triste ver aquelas cenas pela TV, mas foi tão ou mais triste ver as pessoas culpando as próprias vítimas por terem sido assassinadas. Essas pessoas defendem a liberdade de expressão mas… defendem também que não se deve zombar de coisas sagradas.

Esse raciocínio pode ser bem intencionado, mas é errado, pois a noção de sagrado varia de pessoa para pessoa, e tudo no mundo é sagrado para alguém. Para fazer valer esse raciocínio, precisaríamos primeiro criar uma lista de coisas sagradas, e depois teríamos que estabelecer o exato limite do que pode ser expressado. Ou seja: esse raciocínio é totalmente inviável na prática.

Não deve ser permitido incitar o crime e a violência. E pronto, termina aqui o que não deve ser permitido. O resto tem que ser permitido. Essa liberdade de nos expressarmos cobra seu preço, claro, que é o de nos indispormos com as pessoas que se sentirem ofendidas. E se o ofendido for um fanático, o preço pode ser muito alto. Porém, limitar a liberdade de expressão é dar razão ao fanático, que não sabe lidar com críticas.

>Mais: Viva a falta de respeito. Humor não é ofensivo (Gregório Duvivier)

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ElasAeromocasLingerieVietna-01*** PARA PERDER O MEDO DE VOAR

Assim fica mais fácil…

> Publicidade de companhia aérea traz “aeromoças” de lingerie

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*** CHARLIE HEBDO RACISTA. VOCÊ ACREDITOU NESSA MENTIRA?
por Ricardo Kelmer

Alguém pegou uma charge do jornal satírico Charlie Hebdo com um desenho da ministra da Justiça Christiane Taubira no corpo de um macaco, tirou-a do contexto original e espalhou nas redes sociais que o jornal era racista. Muita gente não se deu ao trabalho de checar a informação, acreditou e repassou a mentira. E agora muita gente deve estar envergonhada.

O Charlie Hebdo, que tem um perfil de esquerda, nunca foi um jornal racista. Aliás, uma de suas maiores bandeiras é justamente a luta contra o racismo. A imagem macaqueada da ministra francesa foi publicada no jornal exatamente para expor o racismo do partido direitista Frente Nacional, cuja integrante em 2013 chamou a ministra de macaca. A labareda azul e vermelha no canto é uma referência ao símbolo do partido, e “Rassemblement Bleu Raciste” é uma paródia de “Rassemblement Bleu Marine”, a coalizão de partidos de direita franceses. O Charlie Hebdo é um feroz crítico da ideologia desses partidos, que promovem o ódio aos imigrantes e às minorias. > Leia a crônica na íntegra

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*** LE MONDE DEFENDE LEGALIZAÇÃO DA MACONHA

Mais um grande veículo de comunicação do mundo adere à campanha de legalização da maconha. Dessa vez, o jornal francês Le Monde. Num editorial de dez2014, o jornal lembra que apesar do país ter uma das legislações mais repressivas contra o tráfico e consumo de drogas, a França é um dos países europeus em que o consumo de maconha mais aumentou. Um em cada três franceses consome ou já consumiu maconha, sendo que 550.000 pessoas consomem-na diariamente.

O jornal aponta também que a política repressiva tem elevados custos “porque mobiliza uma parte significativa da atividade da polícia e da justiça” e custa 500 milhões de euros por ano. Além disso, “a proibição favoreceu o desenvolvimento de um mercado clandestino de tipo mafioso”.

A conscientização das sociedades aumenta a cada dia, que bom. Precisamos conviver com a realidade: a espécie humana sempre quis e quer experimentar estados especiais de consciência. Ignorar isso é ingenuidade. > Mais

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*** ATEUS SAINDO DO ARMÁRIO (11)

CHICO BUARQUE – Compositor, cantor e escritor

Chico Buarque disse em várias ocasiões ser ateu. Em 2005, por exemplo, ao jornal espanhol La Vanguardia, fez um resumo de sua biografia. “Nasci [em 19 de junho de 1944] e vivo no Rio de Janeiro. Estou separado e tenho três filhas, duas netas e um neto. Sou um democrata que ainda crê na possibilidade de um socialismo democrático. Já vivemos quase duas décadas de idiotice globalizada. Sou ateu.”

Chico é filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) e da pintora Maria Amélia Cesário Alvim (1910-2010). Muitas de suas canções estão entre o que há de melhor na música popular brasileira. O compositor de “Construção”, “Roda Viva”, “Gota d’Água”, “O que será”, entre tantas outras músicas, se destacou na oposição à ditadura militar (1964-1985). Após a queda dos militares, Chico passou a compor menos, dedicando à literatura. Escreveu “Estorno”, “Benjamim”, “Budapeste” e “Leite Derramado”.

Chico sempre foi um militante político, mas não do ateísmo. Em uma entrevista, disse: “Não tenho crença. Fui criado na Igreja Católica e educado em colégio de padre. Eu simplesmente perdi a fé. Mas não faço disso uma bandeira. Eu sou ateu, como se isso fizesse parte do meu tipo sanguíneo”. (do site paulopes.com.br) > Mais

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*** KARINE ALEXANDRINO, A MULHER TOMBADA

Sobre Karine Alexandrino, de sua página oficial:

Karine é uma festa para os olhos e para os ouvidos. A diva anti-diva usa o palco como divã, sem pudores, para exorcizar seus temores. Seu show, assim como a sua música, foge dos estereótipos, da mentalidade mendicante e do senso comum.

Cleopatra e ao mesmo tempo Gata Borralheira, a artista realiza uma ruptura e ao mesmo tempo conduz os formatos consagrados a uma atualização inesperada. Ela sabe muito bem o que faz. Seu som é como um bordado musical, com colagem de referências e texturas, por isso é considerada uma artista dadaísta por excelência.

Suas performances trafegam com igual desenvoltura pela Literatura, pela Moda e pelas Artes Plásticas. também uma artista visual. Em alguns momentos sua arte remete para o esgotamento nervoso das estrelas do cinema noir, como em um filme de Beth Davis. Em outros, a tensão de seus gestos no palco, invade o punk e o heavy metal, lembrando o universo erótico das lindas princesas do underground, tamanha a força que imprime em suas mãos.

Karine Alexandrino é a própria diretora artística da Mulher Tombada. E a dirige muito bem. Seus discos são produzidos com timbragens de época. Esta idéia antecipou em alguns anos o que fez Amy Winehouse, “Usei meus timbres prediletos, com minha própria voz, virei cantora década de 60”, arremete.

> Mais sobre a diva antidiva

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*** CENSURA NÃO, PASTOR

Em 2013, o pastor evangélico e deputado federal Marco Feliciano lutou para censurar um vídeo do grupo de humor Porta dos Fundos. No vídeo, uma garota, interpretada pela atriz e cantora Clarice Falcão, faz uma consulta ginecológica e acontece algo bastante inusitado.

O pastor não teve êxito em sua tentativa de censura, e o Porta dos Fundos continua fazendo humor com religião, assim como faz humor com política, arte, futebol, família, capitalismo, consumismo etc. Por qual motivo a religião deveria ter privilégios em relação a todas as outras ideias do mundo? Argumentar que não se deve zombar do sagrado não convence, pois tudo no mundo é sagrado para alguém.

Devemos ser livres para zombar de qualquer ideia. Quanto a zombar diretamente de uma pessoa ou de um grupo de pessoas, para isso a lei prevê meios de defesa dos que se julgarem injustamente atingidos.

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*** BARTÔ GALENO, O ÍDOLO GENTIL DAS MULTIDÕES

Em 1995 vi um show de Bartô Galeno numa boate em Ipanema, quando eu morava no Rio de Janeiro com meus amigos Moacir Bedê e Joao Netto. É um grande momento do meu curriculum vitae. “No toca-fitas do meu carro” e “O grande amor da minha vida” são as minhas preferidas. Basta ouvir pra dar vontade de tomar uma e lembrar daquela ingrata.

A jornalista Fabiana Moraes escreveu, com muita sensibilidade, uma série de matérias sobre ídolos populares. Bartô Galeno é um deles. > Leia aqui

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*** QUEM VAI DEFINIR QUAIS SÃO OS LIMITES?
O Ocidente deve se abster de publicar filmes ou charges que sensibilizem o mundo islâmico?
(por Carlos Eduardo Lins da Silva)

É moralmente defensável a tese de que ninguém deve ofender ou ridicularizar símbolos considerados sagrados por outra pessoa. Blasfêmia contra imagens, objetos ou personagens que representam religiões pode causar indignação ou dor, independentemente das possíveis consequências advindas delas.

Em princípio, todos os seres humanos devem ser tratados com respeito pelos demais. Mas não é justificável que se exija de todos considerar sagrado o que outros assim julgam. O direito à liberdade de expressão também é um valor que pode ser defendido do ponto de vista moral.

Quem abusa dele e provoca danos a indivíduos ou comunidades pode ser processado na forma da lei e punido, quando considerado culpado. Mas muito mais complicado é arguir que Estados ou igrejas tenham poder para impedir que alguém expresse opiniões (ou as ouça ou assista) porque um contingente de devotos se sente ferido por elas. Se assim for, e se essa condição se estender a todas as denominações religiosas (por que seria admissível que algumas gozassem de tal privilégio e outras não?), a vastidão de temas proibidos seria enorme. > Leia mais

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*** A SELVAGERIA VEM DA ARGENTINA

Um encontro misterioso entre desconhecidos num avião. Uma garçonete tem a chance de se vingar do homem que arruinou sua família. Uma briga de trânsito na estrada. Um engenheiro revoltado com as multas de trânsito e a burocracia. Um milionário tenta livrar o filho da cadeia após ter atropelado uma grávida. Uma noiva descobre a traição do marido em plena de festa de casamento.

O filme do diretor argentino Damián Szifron é um sucesso de crítica e de bilheteria, e é o candidato dos hermanos ao Oscar de filme estrangeiro. As seis histórias, narradas num tom tragicômico, com direção e atuações de qualidade, mostram personagens forçados ao limite na defesa de seus direitos e de seus interesses, revelando a tênue linha que separa a civilidade da barbárie.

Eu vi e gostei muito. Recomendoooo. > Mais

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*** HOMENS PODEM SER FEMINISTAS?
por Ricardo Kelmer

Há feminismos e feminismos. Dentro do próprio movimento há diferenças quanto a vários aspectos da questão toda. Por exemplo, há feministas radicais que defendem que os homens não podem ser considerados feministas: no máximo, pró-feminismo. Segundo essa lógica, nenhum homem tem legitimidade bastante para assumir um papel de protagonista nas lutas feministas: no máximo, pode ajudar aqui e ali, e dar o bom exemplo.

O feminismo, assim como outras lutas por direitos (negros, GLBTT), faz parte da luta maior por justiça social e pela liberdade de sermos quem somos. É uma luta da humanidade. Posso não ser negro, índio, gay ou mulher, mas meus antepassados foram negros e índios, tenho amigos e parentes gays e transexuais que sofrem com o preconceito, e trago em minha psique o princípio feminino. Sou a humanidade inteira em mim, e é por isso que todas essas lutas me dizem respeito.

Particularmente em relação ao feminismo, não pretendo protagonizar nada. Mas sou um escritor e meu ofício é comunicar, então sempre escreverei a respeito. Se posso ser considerado ou não um feminista, isso não mais me importa. Sei o que sou: um libertário, e luto contra as opressões culturais e religiosas. Ao meu ver, quanto mais pessoas se libertarem dessas opressões e puderem ser o que verdadeiramente são, melhor será o mundo. > Mais

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AsPreciosasDoKelmer201501AS PRECIOSAS DO KELMER

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Charlie Hebdo, racismo e liberdade de expressão

13/01/2015

13jan2015

Primeiro, acusam as próprias vítimas pelo massacre. Agora, espalham a mentira de que o jornal Charlie Hebdo é racista

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CHARLIE HEBDO, RACISMO E LIBERDADE DE EXPRESSÃO
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Alguém pegou uma charge do jornal satírico Charlie Hebdo com um desenho da ministra da Justiça Christiane Taubira no corpo de um macaco, tirou-a do contexto original e espalhou nas redes sociais que o jornal era racista. Muita gente não se deu ao trabalho de checar a informação, acreditou e repassou a mentira. E agora muita gente deve estar envergonhada.

O Charlie Hebdo, que tem um perfil de esquerda, nunca foi um jornal racista. Aliás, uma de suas maiores bandeiras é justamente a luta contra o racismo. A imagem macaqueada da ministra francesa foi publicada no jornal exatamente para expor o racismo do partido direitista Frente Nacional, cuja integrante em 2013 chamou a ministra de macaca. A labareda azul e vermelha no canto é uma referência ao símbolo do partido, e “Rassemblement Bleu Raciste” é uma paródia de “Rassemblement Bleu Marine”, a coalizão de partidos de direita franceses. O Charlie Hebdo é um feroz crítico da ideologia desses partidos, que promovem o ódio aos imigrantes e às minorias.

A ministra Taubira ficou grata ao jornal pelo apoio e processou o jornal de direita Minute que, este sim, a comparou a uma macaca. Logo após o massacre na redação do Charlie Hebdo, a ministra deu uma entrevista a uma rádio, em frente ao jornal, conclamando os franceses a se organizarem para que a próxima edição saísse. “Nós não podemos admitir que o Charlie Hebdo desapareça”, afirmou.

É inacreditável, mas algumas pessoas responsabilizam as próprias vítimas pelo massacre. Essas pessoas certamente também responsabilizam as próprias mulheres que são vítimas de estupro, por elas provocarem os fanáticos machistas. Os mortos do massacre na França não merecem isso, muito menos a acusação de racismo. Quem inventou essa mentira sem nenhum cuidado jornalístico, ou talvez não goste da linha satírica do jornal, que critica as grandes religiões, não poupa os poderosos, é a favor do casamento gay e combate o racismo e a xenofobia.

E quanto à liberdade de expressão, o jornal tem todo o direito de criticar e zombar das religiões, tanto quanto tem o direito de zombar de qualquer outra ideia, seja ela seguida por uma pessoa ou por milhões de fieis, pois zombar de ideias é diferente de zombar de uma pessoa. Por que a religião deveria ter o privilégio de ser intocável? Numa democracia, nós podemos zombar dela própria ‒ mas não podemos zombar da religião? A religião é mais sagrada que a democracia? Para algumas religiões, Satanás é divino – e agora, devemos parar de falar mal de Satanás? A maconha é sagrada em várias religiões ‒ e agora, ninguém deve mais fazer piada com a erva?

Temos o direito de não gostar das charges, mas o Charlie Hebdo deve ter o direito de publicá-las. Democracia é isso. Mas há quem não concorde com a democracia. Bem, o mundo tem vários países em que não há liberdade de expressão. Essas pessoas podem passar um tempo lá e comparar.
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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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SAIBA MAIS

Charlie Hebdo na Wikipedia – A história do jornal e suas lutas

Charlie Hebdo era racista? – Para esclarecer de vez a questão (Diário do Centro do Mundo, jan2015)

E se o Charlie Hebdo fosse no Brasil? – Especialistas em Direito Penal opinam sobre humor e religião no Brasil (Terra, jan2015)

Quem vai decidir quais são os limites? – O Ocidente deve se abster de publicar filmes ou charges que sensibilizem o mundo islâmico? (Uol, set12)

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CAPA DA EDIÇÃO DE 14.01.15

CharlieHebdoCharge201501-01Maomé é Charlie. E tudo está perdoado

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ReligiaoDiabo-04O Diabo também é sagrado

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ReligiaoPastafarianismo-01Se a liberdade de expressão deve se pautar pelo respeito ao sagrado, ninguém tem o direito de zombar do escorredor de macarrão, símbolo sagrado dos seguidores do Pastafarianismo

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PorQueDefenderOEstadoLaico-01Por que defender o Estado laico – Se você é religioso e crê na democracia, deve defender o Estado laico pois somente ele garante que você sempre terá total liberdade de exercer suas crenças ou sua não crença

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COMENTÁRIOS
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01- Prezado Ricardo Kelmer gostei do seu ponto de vista. Gostaria de pedir ao amigo para publicar na página da APAVV. Estamos colocando várias opiniões. Exercício da democracia. Compromisso com a paz. Hermann Schimmelpfeng Landim, Fortaleza-CE – jan2015

 

 


Mário Gomes, o poeta viralata

06/01/2015

06jan2015

Era com suas errâncias quixotescas e os versos obscenos que o povo se encantava, ele lá, de paletó sem gravata, camarada e bonachão

MarioGomesOPoetaViraLata-02

MÁRIO GOMES, O POETA VIRALATA

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Era um burburinho que rodava dentro da cabeça dele, sem parar. Uma noite, rodou, rodou e pariu um poema. E ele riu da própria marmota. Descobriu-se poeta.

Rapaz, trabalhar com redemoinho no juízo não dá. Veio-lhe aí a revelação, aquilo que todo cão viralata sabe: se é pelas ruas que a vida livre escorre em poesia, bebamos de sua sagrada putaria. Então batizou-se boêmio e vagabundo.

Rebelando-se contra tudo que não rima com liberdade, um dia ele fugiu do manicômio. Lá no alto, a lua se apaixonou, a andarilha do céu, e jurou protegê-lo em suas perambulanças e traquinagens. Assim, sempre sem dinheiro mas abençoado, fez-se aventureiro: em São Paulo foi preso, mas escapuliu, por se fingir cineasta para as mulheres, em Minas se atrasou e não embarcou no ônibus que viraria na estrada, e lá nos cafundós da Bahia escapou de morrer no veneno de um vatapá na encruzilhada.

Ah, ele sumia por meses, mas Fortaleza sempre o recebia de volta. Todo lascado de surras e prisões, mas uma ruma de história mirabolante para contar. À tarde, na Praça do Ferreira, o vento malandro a brincar de subir a saia das moças, era com suas errâncias quixotescas e os versos obscenos que o povo se encantava, ele lá, de paletó sem gravata, camarada e bonachão. Fiel se manteve ao ofício de sua nobre vagabundagem, vivendo sem amanhãs, e sempre o acudia um troco para a janta e o cigarro. De tanto encarnar o surreal da vida, ainda vivo virou lenda. Assim foi que um dia, ele contando orgulhoso da aposentadoria por invalidez mental, que os amigos entenderam: cidade bendita a que provê seus poetas mais puros.

Nos seus livros publicados, a arte intuitiva brincava longe dos parâmetros, feito criança travessa que, sem atinar, aponta o absurdo da existência. Era por isso que ele podia colher uvas no pé de cana até chegar o homem das laranjas. Por isso, ele, só ele, foi comido vivo em banquete por Odete, Judite e Maria Helena. Por isso que em seu braço a formiga bebia água e de sua merda uma tarde voaram borboletas. Porque só o poeta que reflete a lucidez primitiva do desconexo sabe que na vitrine a manequim tem fome.

Tua amada, cadê?, as estrelas lhe indagam na solidão das madrugadas. Ela não veio, responde magoado, e vira a cachaça. Agora, debilitado e maltrapilho, defende-se como pode de velhas assombrações, os eletrochoques, aquela virgem ingrata que lhe negou um nheco-nheco, a surra da multidão em Salvador por lhe confundirem com um bandido… Agora, veja só, lhe proíbem de recitar seus versos onde antes era aplaudido, como se atrevem? E esses moleques idiotas, que lhe acordam com pedradas, acham que é mendigo, não sabem que saiu no jornal, que o mulherio gama só de olhar? A mãe, tadinha, morrera, ela que cuidava de lhe dar os remédios que sossegavam os burburinhos, e que agora já não parem poemas. Dizem que virou espectro vagante, que é melhor ir para a casa de repouso, que morreu mês passado, ah, não entendem porra nenhuma. Aquele bar ali, outro dia lhe negaram um resto de pão que sobrou na mesa, vão tomar no cu. Felizmente, as ruas sabem quem ele é. E pode lavar a calça no banheiro do teatro. E embaixo da passarela ainda lhe deixam dormir. E descansar a carcaça. E sonhar seu sonho louco de liberdade radical…

Ele se foi numa tarde sem vento, com os fogos do ano-novo a ignorar sua partida. Como não tinha documento, não podiam liberar o corpo para o velório na biblioteca. Mas ele é o poeta Mário Gomes, os amigos tiveram de explicar. Era a sua credencial, de mais não carecia para adentrar a posteridade. Lá no alto, a lua grávida dele não quis falar. Por detrás do Universo, Jesus tomou uma com Satanás. E mais além, na Praça do Ferreira, um viralata rodou, rodou e mijou um minuto de silêncio.

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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À memória de Mário Ferreira Gomes (Fortaleza, 23.07.1947 – Fortaleza, 31.12.2014)

Foto preto e branco da montagem: Érika Fonseca. Obrigado a todos que conheceram o poeta e registraram sua vida por meio de relatos, fotos e vídeos. Obrigado a Érika Menezes, por me comunicar da morte de Mário.

REPRODUZIRAM ESTA CRÔNICA:

Blog do Eliomar – Blog do jornalista Eliomar de Lima, jan2015

Roberto Maciel – Blog do jornalista Roberto Maciel, jan2015

Jornal O Estado – Caderno Arte & Diversão, jan2015

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VÍDEO-CRÔNICA
MÁRIO GOMES, O POETA VIRALATA

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MÁRIO GOMES EM IMAGENS

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MarioGomesPoeta-15Mário recita seus poemas (por volta de 2000)

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MarioGomesPoeta,VilmaMatos2002-01Mário Gomes entrevistado na praça por Vilma Matos (2002)

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MarioGomesPoeta-18O poeta em seu nobre ofício na Praça do Ferreira

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MarioGomesPoeta-06O poeta na praça, já bem debilitado

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MarioGomesPoeta-07Com o livro de Márcio Catunda, Mário Gomes, poeta, santo e maldito

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MarioGomesPoeta-01Foto de Mika Holanda, vencedora de concurso da revista National Geographic, feita em set2014, cem dias antes de sua morte

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MarioGomesMuralNoVelorio-01Mural com fotos de Mário em seu velório

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MarioGomesPoeta-14Os muros da cidade celebram Mário Gomes (Praia de Iracema)

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MarioGomesPoetaLivros-01Ensaio biográfico de Márcio Catunda e cordel sobre Mário Gomes, de Rouxinol do Rinaré

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CRÔNICA

AoMestreVagabundoComCarinho-01a.

AO MESTRE VAGABUNDO, COM CARINHO
Ricardo Kelmer, 2015

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Nos anos 1980, em Fortaleza, corriam histórias divertidas sobre um tal Mário Gomes e sua poesia mirabolante. Elas me alcançaram na faculdade ou em alguma mesa de bar. Eu não sabia se eram reais e nem se Mário existia de fato ou era um personagem da imaginação popular. Ou seja, ele para mim era uma lenda, como certamente o era para muitas pessoas.

Provavelmente, cheguei a vê-lo em algum evento cultural ou em algum bar, ou nas Rodas de Poesia e Percussão, no Dragão do Mar, mas talvez não tenha associado sua imagem ao seu nome, ou talvez eu estivesse muito bêbado. Tirando o tempo em que trabalhei como contínuo, em 1982-84, e ia quase todo dia ao centro, nunca fui muito assíduo da Praça do Ferreira, mas talvez o tenha visto lá alguma vez. Será que ele chegou a ir ao Badauê, um bar que eu tinha na Praia de Iracema em 1988-89?

Deixei Fortaleza em 2004. Anos depois, numa visita à cidade, surpreendi-me de saber que era ele aquela figura comovente que passeava no Dragão do Mar, bêbado e maltrapilho, discursando sozinho, e nos anos seguintes voltei a vê-lo por lá, deslizando solitário pelas noites, às vezes acompanhado da jornalista Ethel de Paula. Em 2013-14, acompanhei à distância a piora de seu estado, mas sabia que pouco podia ser feito, por sua recusa em deixar as ruas e tratar da saúde.

Naquela tarde de 31 de dezembro, eu estava em casa, em São Paulo, quando fui avisado de sua morte por minha amiga Érika Menezes. Eu sabia que dias antes ele fora encontrado desmaiado no Dragão, e que enfim o convenceram a ir para o hospital. Senti uma súbita tristeza e chorei. Tomei uma dose de uísque e homenageei o poeta, gargarejando um verso seu: Como era gostoso esse Mário Gomes! E fui buscar na internet o poema inteiro, para recitar. Putz… Bastaram poucos minutos de pesquisa para descobrir o imensamente quanto eu não sabia quem era Mário Gomes. Fiquei envergonhado da minha ignorância e ali mesmo comecei a catar tudo sobre ele, entrevistas, relatos de quem o via nas ruas, vídeos, a biografia de Marcio Catunda… Quanto mais descobria, mais me fascinavam sua história e sua arte. Perdi o ânimo para a festa do réveillon ‒ a vontade era de estar em Fortaleza e ajudar nas preparações para o velório.

Descobri um grandioso personagem, a perfeita encarnação do arquétipo do louco malandro, presente em tantas culturas do mundo. Ao ser avesso a regras e limites e recusar-se a trabalhar, Mário personificou o vagabundo que todos, no fundo, temos vontade de ser. Flanar livre por aí pelas ruas, fazendo poesia e vivendo incríveis aventuras, aceitando o que lhe dessem como ajuda e sem importunar ninguém, era essa a sua bela filosofia. Desconfio que um dia sua vida virará filme, uma comédia dramática burlesca, e estreará no Cine São Luís, na Praça do Ferreira. Nada mais justo.

Durante sete dias, me alimentei de Mário, quase não saí de casa, e, ao fim, vomitei a crônica Mário Gomes, o Poeta Viralata. Era o mínimo que eu tinha a fazer por sua memória, mas sei que meu texto não apagará minha sensação de débito com o poeta, por conhecê-lo somente após já ter ido embora. Quanto aos seus problemas mentais, talvez eles não lhe permitissem ter a exata consciência de sua condição, dos riscos de viver assim, da morte iminente na próxima esquina. Ou o contrário, talvez Mário soubesse mais que todos, quem pode ter certeza? Quem pode julgá-lo? E quem está livre de morrer na próxima esquina?

Não tenho a mesma coragem que Mário, mas busco todos os dias priorizar a minha liberdade e viver para a minha arte. Não durmo nas ruas, mas conheço a grande incerteza do tempo para quem decidiu ser escritor na vida. Mário Gomes se foi, e seu exemplo agora me fortalece em minha própria loucura. Obrigado, mestre vagabundo.

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MarioGomesPoeta2014-01a.

ANDARILHO
Ricardo Kelmer, 2015

Eu sempre fui andarilho
Mas é assim que prefiro
Viver desse vento que eu sou
Tanto tempo que deixei a trilha
Que hoje nem a minha mochila
Sabe mais para onde vou

Todo dia quando acordo
Sopro no ar a minha sorte
E ganho tudo que preciso ter
O que não preciso, que o vento leve
Porque nunca se perde
Quem não tem o que perder

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O poema Andarilho integra a trilogia que fiz em homenagem a Mário Gomes, com as crônicas Mário Gomes, o poeta viralata e Ao mestre vagabundo, com carinho. O poema foi inspirado numa fala de Mário, durante a gravação da matéria Poeta de Rua, da TV O Povo, de Fortaleza, em 2009. Tomei a liberdade de transcrever a fala em formato de poema e dei-lhe o título de Mora. Fiz isso para destacar o quanto Mário Gomes vivia a poesia, naturalmente, em sua vida cotidiana, mesmo tendo, nos últimos anos, deixado de escrever e publicar. Quando comparo os dois poemas, o dele se revela tão autêntico e o meu me soa tão artificial… Talvez por que Mário era poesia em estado bruto.

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MORA
Mário Gomes

Eu sempre fui andarilho
Eu sempre andei do jeito que eu sou
Eu nunca mudei minha personalidade
Esse negócio de dizer que eu moro na rua é papo furado
Se por acaso eu tô por aí, com muito sono, embriagado
O que é que tem eu dormir?
Eu moro na rua por quê?
Eu moro na rua onde?
A gente mora dentro de si, rapaz
A gente mora dentro da cuca da gente
Eu moro em qualquer canto onde eu chegar
O que é morar?
Agora eu que te pergunto: o que quer dizer morar?
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VEJA O VÍDEO

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MarioGomesPoeta-05aFoto de Raymundo Netto

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POEMAS DE MÁRIO GOMES

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SOU UM CACHORRO VIRA-LATA

Sou um cachorro vira-lata
Não tenho residência fixa
Não tenho responsabilidades
Não tenho dono.
Mas, também, não me falta sexo
Porque conheço lindas cadelas
De tipos diversos.
Onde chego procuro alimentos
Fumo na hora em que me é propício
Um cigarrinho com filtro ou sem.
Sou um cachorro fiel e valente
(Só na aparência)
Pois, sou um cachorro vira-lata.

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ANTROPOFAGISMO

Eu, sem ser antropófago,
já saboreei muita gente por aí.
Minhas preferências são os esbeltos
violônicos corpos femininos: a mulher.
Ah! Se a humanidade fosse toda antropófoga
como eu teria o prazer de ser devorado
em um banquete ou bacanal de lindas garotas
sexys, histéricas, eróticas
e eu, em cima de uma mesa qualquer totalmente nu.
Assado ou cozido.
Recheado de cebolas, tomates e farofas.
Enquanto Odete espetava um dos meus esverdeados olhos
que outrora foram profanos,
Judite arrancava minha língua e mastigava furiosamente.
Depois Maria Helena
pegava uma faquinha de mesa e cortava
delicadamente meu pênis ereto e dizia entre-dentes:
– Como é gostoso esse Mário Gomes.

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UMA VIOLENTA ORGIA UNIVERSAL

Olhei o sol.
Me irritei
E larguei a mão na cara dele.
No qual ele ficou
Desacordado por 12 horas ininterruptas.
Dei um ponta-pé nos ovos da terra.
Afastei São Jorge
E mantive relações sexuais com a lua.
Pisoteei o cadáver de satanás
Numa esquina encontrei-me com Deus
E saímos abraçados: rindo e cantando…. Chovia

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METAMORFOSE

Ontem,
Ao meio-dia,
Comi um prato de lagartas
Passei a tarde defecando borboletas.

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AÇÃO GIGANTESCA

Beijei a boca da noite
E engoli milhões de estrelas.
Fiquei iluminado.
Bebi toda a água do oceano.
Devorei as florestas.
A Humanidade ajoelhou-se aos meus pés,
Pensando que era a hora do Juízo Final.
Apertei, com as mãos, a terra,
Derretendo-a.
As aves em sua totalidade,
Voaram para o Além.
Os animais caíram do abismo espacial.
Dei uma gargalhada cínica
E fui descansar na primeira nuvem
Que passava naquele dia
Em que o sol me olhava assustadoramente.
Fui dormir o sono da eternidade.
E me acordei mil anos depois,
Por detrás do Universo.

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A LOUCA E O MANEQUIM

A menina louca, maltrapilha e suja,
Parou em frente à vitrine da Casa Parente,
E estática olhava para um manequim feminino.
Olhou… olhou… pensou… pensou…
Dado momento perguntou:
“ta com fome, égua?”
Esta pergunta causou-me
Certa impressão, o poeta,
Que também já conversou com os manequins.
Eu dissera: “se fosse realmente mulher
Como és de gesso,
Te daria um prato de comida.”
Será que essa louca é
A personificação da poesia?

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QUANDO EU MORRER

Quando eu morrer
Irão distribuir minhas camisas,
Minhas calças, minhas meias, meus sapatos.
As cuecas jogarão fora.
Ninguém usa cueca de defunto.
Irão vasculhar minha gaveta.
Vão encontrar muita poesia,
Documentos e documentários.
Só sei dizer
Que foi gostoso viver.
Sentir o amor e proteção de minha mãe.
De conhecer meus irmãos, meus amigos.
De ver de perto as mulheres.
Só posso deixar escrito:
“obrigado vida”.

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LIVROS PUBLICADOS

Lamentos do Ego (1981)

Aprendizes da Morte (1982, com Márcio Catunda e Cristiane Marinho)

Emoção Poética (1983)

Resquícios de uma Paisagem da Vida (1988)

Devaneios das Lamentações (1991, com Márcio Catunda)

Terno de Poesia (1997, com Alcides Pinto)

Uma Violenta Orgia Universal (1999, antologia poética)

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MarioGomesPoeta2010-01Mário Gomes na Casa Juvenal Galeno (Semana da Poesia, 2010)

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SAIBA MAIS

Mário Gomes Poeta – Blog em homenagem ao poeta, com poemas, depoimentos, vídeos e reprodução do livro Mário Gomes, poeta, santo e maldito, de Marcio Catunda

Entrevista com Mário Gomes – Vilma Matos entrevista o poeta para a publicação Cá Estamos Nós (2002)

Tributo ao Mário Gomes: Comendo lagartas e defecando Borboletas – Crônica de Raymundo Netto (2009)

A vida dentro dos sapatos – Artigo da jornalista Ethel de Paula, que tem Mário Gomes como tema de sua dissertação de mestrado (2014)

Procura-se Mário Gomes – Crônica de Raymundo Netto, escrita na noite da morte do poeta

Ricardo Guilherme fala de Mário Gomes – Belo e digno texto escrito pelo ator e amigo do poeta (2015)

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MarioGomesPoeta,AuribertoCavalcante-01Mário Gomes na praça, com o amigo Auriberto Cavalcante (2013)

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VÍDEOS

Poeta de rua – Programa Viva Fortaleza, da TV O Povo, entrevista Mário Gomes (2009)

Mário Gomes, o poeta da Praça do Ferreira – Bela homenagem ao poeta, com depoimentos. Direção de Zebaptista (2014)

Que Mário – Vídeo da Cia Pã de Teatro, com imagens de Mário Gomes na Praça do Ferreira

Repórter encontra Mário Gomes de madrugada – Matéria do programa sensacionalista Cidade 190 (2013)

Mário na Praça do Ferreira – Admirador encontra Mário Gomes e compra um cordel sobre sua vida (2013)

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LEIA NESTE BLOG

 

OSonhoDoVerdadeiroEu-01O sonho do verdadeiro eu – Entretanto, algo me dizia que na pauliceia eu poderia viver minha vida mais verdadeira, era só insistir

O mundo real da arte – O momento em que a magia do teatro se revela paradoxalmente em toda sua plenitude, expondo tanto sua maquiagem quanto seu avesso

O último blues de Lily – A lua nascendo no mar e os blues na voz de uma Lily que se rebola e se rebela e não ouve ninguém chamar

A celebração da putchéuris (Intocáveis Putz Band) – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Pelas coxias de Guaramiranga – Entre uma peça e outra sempre dá tempo de cruzar uns olhares, nativos e forasteiros, e exercitar o roteiro das abordagens

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

É o amor – E os outros zezés e lucianos por aí?

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Comentarios01COMENTÁRIOS

 

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01- Que triste. Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

02- Linda homenagem meu querido Ricardo Kelmer. Juliana Melo, Fortaleza-CE – jan2015

03- Muito legal…a eloquência da loucura… Adil Chaves, Fortaleza-CE – jan2015

04- Erika Menezes Obrigada, Ricardo Kelmer, por ter deixado eu ler seu texto. Bj.

05- Vou levar..Gracias.. Claudia Bahia, Fortaleza-CE – jan2015

06- Kelmer, você fala a língua dos homens. Parabéns! André Marinho, Fortaleza-CE – jan2015

07- Que texto massa Ricardo!! Cristiane Bastos, Fortaleza-CE – jan2015

08- Fizeste uma homenagem linda, me emocionei. Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

09- Genial! Thayssa Gabriela, Fortaleza-CE – jan2015

10- Só mesmo poetas pra entender e falar sobre poetas. Parabéns pelo texto Ricardo Kelmer, posso compartilhar? Márcia Rodrigues, Fortaleza-CE – jan2015

11- Excelente texto ,Ricardo. Fraterno abraço. Dunga Odakam, Fortaleza-CE – jan2015

12- Seus textos agarram a gente pelos olhos e nos puxa pela sonoridade das palavras bem ditas! Tenho gostado. Bjs. Ana Maria Costa Lima, Fortaleza-CE – jan2015

13- Nesse pré carnaval eu quero musicar um samba em homenagem ao bêbado e o vagabundo. Quem se habilita em escrever uma letra? O título já foi dado pelo Ricardo. André Marinho, Fortaleza-CE – jan2015

14- Perfeito. Willa Lima, Fortaleza-CE – jan2015

15- ei, tio! tá foda, a crônica! me arrepiei todo como o final. e a impressão que dá é que a crônica nasce Ricardo Kelmer e vai morrendo Mario Gomes. parabéns!! Levy Mota, Fortaleza-CE – jan2015

16- Oi Ricardo. Adorei a crônica. Eu o vi, várias vezes, pelo centro. Nem desconfiava que era o Poeta Mario Gomes até que soube de sua morte pelo jornal e a foto que ilustrava. O mundo ficou um pouco menos louco e, consequentemente, mais chato. Abraços. Fabiano Brilhante, Fortaleza-CE – jan2015

17- tá é lindo, esse texto/essa homenagem. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – jan2015

18- É de arrepiar!! Linda homenagem… Izadora Castelo, Fortaleza-CE – jan2015

19- Acho que vou trocar essa dissertação pelos textos do Kelmer e do Ricardo Guilherme – e não quero troco rsrs Ai, ai, como é gostoso mesmo esse Mário Gomes devorando a gente ao avesso!!! rs. Ethel de Paula, Fortaleza-CE – jan2015

20- Lindíssimo!!!!! Emocionante!!!!! Envolvente!!!!! Zeina Costa, Vitória-ES – jan2015

21- O encontro dos poetas …… João Moreira, Fortaleza-CE – jan2015

22- Sempre que ia ao Dragão o observava e respeitava seu espaço…interessante era que ele não pedia nada. Ando por lá desde que foi inaugurado, mas de 2006 pra cá foi que soube que ele era poeta, desde então sempre que o via ia logo dizendo: ” óh ú poeta!” Nem sempre ele falava, mas sempre ele sorria… Tiago Bandeira, Fortaleza-CE – jan2015

23- Ei, eu tinha lido no Eliomar. 🙂 Me deu saudades! beijo. Verônica Guedes, Fortaleza-CE – jan2015

24- Cara, q texto lindo! Bela forma de homenagear o poeta. Que a sua poesia seja eterna! Mariela Mei, Campinas-SP – jan2015

25- massa kelmer! bela homenagem ao mais rico dos poetas de fustaleza! um dia chegamos lá… Marcos Maia, São Paulo-SP – jan2015

26- Que lindo Ricardo! Grande homenagem a um grande poeta. Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – jan2015

27- Lindo coMtexto! Sugiro que juntem todas as homenagens feitas à ele em versos, poemas e divagações e organizem em um livro. .. será delicioso bebê-las e devorá-las. Gratidão! Abçs. Maria Castro, Fortaleza-CE – jan2015

28- Muito bem elaborado. Parabéns, Ricardo! Rejane Porto Cult, Fortaleza-CE – jan2015

29- Muito bom! Alexandre Domene Ortiz, Fortaleza-CE – jan2015

30- chorei. parabens pelo texto. de uma delicadeza incrivel. Dimitri Bitu de Araújo, Fortaleza-CE – jan2015

31- Sempre com sensibilidade pra escrever sobre outras sensibilidades Ricardo Kelmer. Belissimo texto. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – jan2015

32- Mt bom! Belíssimo e emocionante texto! A morte do poeta me comoveu bastante. Eu que também escrevo meus versos, de tão comovido escrevi também um poema em homenagem ao grande Mario Gomes. João Batista Júnior, Fortaleza-CE – jan2015

33- Adorei! Regina Zamora, São Paulo-SP – jan2015

34- Parabéns, Ricardo, bela homenagem! Antonio Martins, Maceió-AL – jan2015

35- Nobre homenagem Ricardo Kelmer! Parabéns pelo texto. Gizelle Gi, Fortaleza-CE – jan2015

36- legal, kelmer… um brinde ao poeta!…. abração! Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – jan2015

37- Boa. Olhai Christiane Glasner. Ruth Hernández Boscán, no se si comprenderas, pero dos de tus pasiones en una persona: poesia y psique. Jose Paulo Araujo, Caracas-Venezuela – jan2015

38- Quando as latas tinham poesia. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2015

39- Fantástica homenagem do meu amigo Ricardo Kelmer ao poeta Mário Gomes, que todos víamos pelo Dragão do Mar, embarcado em sua loucura, sempre elegantemente maltrapilho, chamava a atenção. Fica a letra, rastro no mundo e na história da cidade. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – jan2015

> Postagem no Facebook

MarioGomesOPoetaViraLata-03a

 

Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

 

 


As Preciosas do Kelmer – dez2014

31/12/2014

31dez2014

AsPreciosasDoKelmer201412.

As Preciosas do Kelmer é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

> No Facebook (todas as edições)

> No Blog do Kelmer

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AsPreciosasDoKelmer201412AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
#27, dez2014
> Esta edição no Facebook

Capa: Amy Winehouse, cantora e compositora inglesa (1983 – 2011)

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*** AUXÍLIO-MORADIA PARA QUEM NÃO PRECISA

O benefício do auxílio-moradia, o qual a maioria dos trabalhadores do país não recebe, será dado para 30 mil juízes – eles terão bônus de R$ 4,3 mil mensais. O custo será de R$ 1,5 bilhão para o Brasil. Além disso esse dinheiro não precisa ser comprovado que está sendo usado para pagamento de moradia. Por ter caráter indenizatório (compensar despesa gerada pelo trabalho), não é cobrado Imposto de Renda sobre a verba.

Os gastos particulares de cada agente público, inclusive com moradia,  devem ser custeados pela sua própria remuneração, que não é baixa. > Assine a petição contra essa esperteza

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*** CASAL DE TRÊS SUECO ESQUENTA DEBATE SOBRE POLIAFETIVIDADE

Os pais amam seus filhos, por mais que sejam. Os amigos amam seus vários amigos. Por que amantes não poderiam também amar a mais de uma pessoa ao mesmo tempo? E por que, quando se fala disso, muitas pessoas ficam indignadas, como se fosse uma grande heresia? O amor exclusivo a uma só pessoa não seria uma espécie de dogma, que seguimos sem contestar? > Mais

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*** A PIRANHA DOS TRAPALHÕES

Piranha é um dos maiores sucessos de Alípio Martins (1944-1997). É uma música de ritmo contagiante, sem falar na letra sui generis. E este vídeo dos Trapalhões é uma pérola. > http://youtu.be/a4LfAciPdu0

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*** DE CU É ROLA

Você certamente já ouviu essa expressão: (…) de cu é rola. O que significa exatamente? Como surgiu? Este texto tenta fornecer algumas pistas. Mesmo que, ao final, não tenhamos certeza da origem exata da expressão, buscar o início dela já é divertido. É um exercício de arqueologia linguística, em que examinamos o objeto atual e tentamos chegar ao seu passado. > Mais

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*** UM É POUCO, DOIS É BOM, E O TERCEIRO É GRÁTIS

MotelTitanMenageATrois-01O sexo a três, também conhecido por ménage à trois, é uma prática que muita gente já adotou, principalmente quem gosta de ter mais opções durante a transa. Nos motéis, é comum a cobrança da pessoa adicional. Mas talvez isso esteja começando a mudar. Talvez os motéis estejam percebendo que podem atrair mais clientes se não cobrarem pela terceira pessoa do amor plural.

É o caso do Titan Motel, em Fortaleza. Eu, particularmente, acho ótimo que não cobrem, pois sou chegado. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi que no e-mail publicitário que recebi do Guia de Motéis, o anúncio da promoção mostrava uma mulher e dois homens, invertendo a lógica do senso comum.

É, mizifia. Vocês estão podendo cada vez mais. > Mais

OBS.: Tentei inserir o link da página do Guia de Motéis mas a polícia do Facebook não permitiu, dizendo que o sistema deles detectou que era um link inseguro. Ainda não acredito que isso aconteceu…

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*** EX-EXECUTIVO SE REINVENTA COMO DONO DE SEBO

Fazer o que se gosta… Isso não tem preço. > Mais

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*** CÃO SEM DONO

Crianças e cães merecem ser adotados. > Mais

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*** ATEUS SAINDO DO ARMÁRIO (10)

CÁSSIA ELLER – Cantora e compositora
Cássia Eller nasceu em 10 de dezembro de 1962 no Rio de Janeiro. Morreu no dia 29 de dezembro de 2001 vítima de um infarto do miocárdio. Antes de se declarar “ateia total” em uma entrevista, Cássia Eller teve a intenção, na sua juventude, de ser freira. “Fui muito religiosa até uns 17 anos. Ia à missa, ajudava na paróquia, sabia os hinos de cor.” Cássia começou a cantar em uma igreja. Foi batizada e crismada e perdeu a fé quando começou a ler a Bíblia. (do site paulopes.com.br) > Saiba mais

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*** PAPAI NOEL MACONHEIRO FAZ A ALEGRIA DO COMÉRCIO NO COLORADO

Com a maconha legal devidamente integrada à economia do estado do Colorado, nos EUA, é claro que Papai Noel não ia ficar de fora, né? Vai um dingobel aí? > Mais

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*** MAIS BUKOWSKI DO MESMO, OBA!

Os vômitos literários do velho Buka ainda rendem livros. Quem gosta, não enjoa de ler sobre suas bebedeiras, brigas e trepadas. Sua linguagem direta e suja continua a deliciar sua fiel tribo de leitores. > Mais

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*** MACONHA, A CURA DO CÂNCER
por Ricardo Kelmer, 2014

O controle da informação sempre foi de máxima prioridade para os governos e as religiões. Como convencer a população de algo, por mais absurdo que seja? Basta divulgar esse algo massiva e sistematicamente, todo dia, geração após geração, até que esse algo vire uma verdade incontestável, ou seja, vire um dogma. Adicione uma boa dose de medo (da morte, do inferno ou de inimigos terríveis) e pronto, a mentira será indestrutível. Ou pelo menos até quando a força das evidências virar o jogo.

Foi que o fizeram com a maconha. Há milhares de anos que os humanos a usam com diversos e benéficos fins, terapêuticos, espirituais e recreativos, e também para fazer alimentos, tecidos, cordas, papel… Trazida para o Ocidente por Cristóvão Colombo, a maconha teve participação fundamental na formação econômica dos Estados Unidos e havia leis que incentivavam seu plantio. Até o início do século 20, os médicos receitavam maconha para curar várias doenças, como enxaqueca, cólicas, artrite, insônia e diabetes.

A maconha, porém, deu de frente com os interesses capitalistas da indústria farmacêutica, que não podia competir com algo tão barato e que cresce em qualquer lugar. Junte-se a isso o preconceito contra imigrantes, latinos e artistas negros, que costumavam fumá-la recreativamente, e também o pavor que o Cristianismo tem das coisas da Natureza. Resultado: a maconha foi proibida nos Estados Unidos, que conseguiram convencer outros governos a fazer o mesmo. E as mentiras sobre a maconha foram tão bem espalhadas que ganharam status oficial de verdade.

Porém, os benefícios dessa incrível planta, na indústria e na medicina, são tantos que a mentira não consegue mais se sustentar. No caso do câncer, há muito se sabe que a maconha alivia os enjoos e a falta de apetite causados pela quimioterapia. Porém, o poder terapêutico da maconha é muitíssimo maior: ela cura o câncer, dispensando a quimioterapia. Os casos de pessoas curadas pelo óleo de maconha aumentam a cada dia e, para as autoridades, está ficando impossível esconder a verdade e impedir que as pessoas procurem a planta para se tratar e curar seus amigos e parentes. A cínica indústria farmacêutica, que lucra bastante com o câncer e que sempre combateu a maconha, sabe disso e já se prepara para comercializar a planta, pois sabe também que não haverá como deter a pressão popular pela legalização.

Você tem algum caso de câncer entre seus amigos e parentes? Sugiro que veja este documentário de 2010. É possível que ele lhe cause uma grande revolta. Mas, em nome dos que padecem e padeceram tantas dores, que podiam ser facilmente evitadas, é preciso que seja revelada a verdade que tanto tentaram nos esconder.

> What If Cannabis Cured Cancer (legendado em português):

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*** CADEIRANTE SE ARRASTA PARA ENTRAR EM AVIÃO DA GOL

Se você é cadeirante e vai viajar, boa sorte. > Mais

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Meu Natal inesquecível

27/12/2014

26dez2014

Shopping lotado, crianças gritando e, oh, a música da Simone

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MEU NATAL INESQUECÍVEL

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Shopping center não é dos meus lugares preferidos, mas precisei comprar um cabo pro meu celular e, como tinha um shopping pertinho, fui caminhando até lá. Quando cheguei foi que me toquei que, putamerda, era véspera de Natal… Estava tão lotado que me arrependi e quis voltar, mas fui arrastado pela multidão e, na confusão, perdi um chinelo. Então lá estou eu, na escada rolante entupida de gente, descalço, segurando um chinelo, e a escada trava. Que maravilha, né? Quando penso que não pode ficar pior, escuto uma música familiar… É Simone, onipresente nas centenas de caixas de som do shopping, cantando Então é Natal.

O fim dessa história é trágico, mas vamos em frente, o que importa é que sobrevivi pra contar. Pois bem, aguentei firme Simone cantando Então é Natal, espremido entre quinhentas pessoas na escada rolante travada. Porém, a música toca de novo, e depois de novo, e fica tocando sem parar. Eu fecho os olhos, sem acreditar no que acontece.

Crianças. Adoro essas criaturinhas, mas às vezes elas servem às forças malignas, você não acha? Pois não é que um grupo delas, que se divertiam por estarem presas na escada rolante, começa a cantar com a Simone? E, pro meu desespero, a insanidade infantil se alastra e, de repente, todos na escada estão cantando, não, estão berrando a plenos pulmões: Então é Nataaaaaal… E eu começo a suar frio.

O coro chamou a atenção de todos, claro, e me vi vivendo um pesadelo real: preso na escada rolante, com quinhentas pessoas metidas a anjo cantando celestialmente Então é Natal, e ao redor e embaixo e em cima, por todo lado, uma multidão maravilhada com o nosso singelo e espontâneo coro natalino, todos tirando fotos e filmando. E eu lá no meio do filme de terror, passando mal, uma coisa muito ruim me subindo pelo estômago, pelo peito, pela garganta…

Rô, rô, rô, ele está vivo! Foi isso que ouvi quando minha consciência voltou. Era um enfermeiro magricela, vestido de Papai Noel, a me oferecer um copo dágua. Putz, eu estava na enfermaria do shopping.

Recusei a água (não acredito em papainoeis magricelas) e ele me explicou o que aconteceu: eu tivera um surto na escada rolante e comecei a dar chinelada nas crianças, gritando “Leve-me à sua líder, seu Pokémon do Mal!”, e logo depois desmaiei. Uau… Fiquei impressionado, pois sou um cara da paz, mas o enfermeiro disse que não era o primeiro caso, e que foi justamente por isso que muitos shoppings deixaram de tocar Então é Natal. Agradeci e me levantei pra ir embora, mas ele avisou que a música ainda estava tocando, e que tocaria também nas versões com Luan Santana e padre Marcelo Rossi, e só pararia no dia seguinte. Quando eu já ia desmaiar novamente, ele me entregou um par de protetores de ouvido: Tome, isso vai ajudar. E foi assim, auditivamente protegido, que finalmente consegui escapar daquele pesadelo.

O cabo do celular, acabei não comprando, fui direto pra casa. Ainda assustado e sem os meus chinelos. Os protetores de ouvidos, ah, eles eu guardei, pra usar sempre que for a um shopping no fim do ano. Nunca se sabe, né?

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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A música Então é Natal é uma versão feita pelo compositor Claudio Rabello da canção Happy Xmas (War is over), de John Lennon e Yoko Ono, e foi gravada pela cantora Simone em 1995.  A música original, gravada em 1971, é uma canção de protesto contra a Guerra no Vietnã, e com o tempo tornou-se um famoso tema de Natal. No Brasil, a versão cantada pela cantora Simone, ainda que tenha no fim a citação de Hiroshima e Nagasaki, afastou-se do tom de protesto, revestiu-se de um caráter mais religioso (a canção original em nenhum momento fala de cristianismo) e adquiriu um notável espírito de pieguice, o que, associado ao apelo hiperconsumista do Natal, acabou fazendo a música ser insuportável para muitas pessoas. Veja o clipe oficial (e perceba que o mundo não mudou nadinha…):

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LEIA NESTE BLOG

ARevoltaDasPeladonas-01aA revolta das peladonas – Um dia, elas começaram a correr peladas pelas ruas. Foi só o início…

As ciclistas orgásticas da Colômbia – Ciclistas usam a energia de seus orgasmos para vencer corridas

Quem poderá me salvar – Heroínas e heróis da minha vida

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão, as Belas, abalando nos modelitos, no outro, as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

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Comentarios01COMENTÁRIOS

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01- Ahahaha!!!! Muito bommmm! Em SAMPA ou FORTAL? Reny Diel, Fortaleza-CE – dez2014

02- Kkkkkkkkkkkk boa. Alessandra Corrêa, Fortaleza-CE – dez2014

03- Bom kkkk. Roberto Studart Soares, Fortaleza-CE – dez2014

04- Imaginei o Cinderelo natalino uma mistura de Belo desmaecido,usando o pé que restou pra dar chineladas na molecada, kkkkkkkk acordado por um Papai Noel magricela!!! kkkkkkkk. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – dez2014

05- chorei. Flávia Castelo Batista, Fortaleza-CE – dez2014 

06- kkkkkkkkkkkk. Imaginei a cena se passando na escada rolante da parte velha lá do Iguatemi!!! Dava um ótimo curta!! Elaine Luz, Fortaleza-CE – dez2014

07- Ana Lucia Castelo Adorei kkkkkkk feliz ano Ricardo Kelmer!!!!!

08- Kkkkķk so tu mermo, nao nega a raça em todos os “sentidos” kkkkk. Izabel Castro, São Paulo-SP – dez2014

09- Nossa, que terror! veja o link que Mob Cranb colocou aqui. Com todo o nosso carinho! A parte da chinelada é demais! Kkkkkkkkkkk Sorry. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – dez2014

10- Marcelo é o “artista” brasileiro que mais vende discos no Brasil: http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_best-selling_albums_in_Brazil Luc Lic, São Paulo-SP – dez2014

11- Que sufoco hem? Edna Pontes, Fortaleza-CE – dez2014

12- Kkkkkkkkkkkl. Kcal Claudia Rocha GorDivah, Rio de Janeiro-RJ – dez2014

13- muito bom…isso da enredo (e dos bons) p esses filmes de fim de tarde sobre o natal…seria um filme descente….engraçado (me desculpe mas eu ri kkkk) e finalmente quissá o primeiro filme Honesto sobre natal e seus afins! Patrícia Hakkak, São Paulo-SP – dez2014

14- Putz Kelmer. Não consegui parar de rir até agora! Jefferson Souza, Fortaleza-CE – dez2014

15- Muito legal!!!rsrs! Joana Darc Pedrosa, Fortaleza-CE – dez2014

16- Kkkkkkk Deuzulivi eu jogava tudo da escada fingindo que era chaminé: “- Então é Natal e o q vc fez?” Hilbana Fig Jamacaru, Fortaleza-CE – dez2014

17- passei por isso essa semana até vontade de vomitar eu tive e a musiquinha dos sinos tocando… Angélica Nogueira, Salgueiro-PE – jan2015

18- Então é Natal!!! ninguem merece. tadinho. Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – jan2015

19- Kelmer, tô rindo muito imaginando a cena… e pq esse povo não desceu as escadas normalmente??? Estranho é isso… Ahora a música, nem comento! E como tú conseguio perder o chinelo logo no começo??? Agora, o melhor deve ter sido tua cara qd te disseram que tava dando chineladas nas crianças… muito engraçado… kkkk Um beijão e 2015 com muita coisa boa, paz, saúde e sem shoping. Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

20- Kkkk. Adriana Alves, São Paulo-SP – jan2015

21- FELIZ ANO NOVÍSSIMO !! TE AMO !! BJ. Rita Austregesilo, Fortaleza-CE – jan2015

22- Rapaz , parabéns, como você aprendeu a fazer isso. Jose Leite Netto, Fortaleza-CE – jan2015

23- KELMER, o jeito mesmo é ficar longe de shoping… e o tal lance que ía comprar? Bjs, bjs… Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – jan2015

24- kkkkkkkkkkkkkkk. Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – jan2015

25- kkkkkkkkk. Leite Neto, Fortaleza-CE – dez2015

26- kkkkkkkkkkk. Onde é que João Lenon estava com a cabeça quando fez essa música, hein? Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – dez2015

27- Que falta de sorte, heim?Perder o único chlinelo!.Merece dizer esse palavrão mesmo. Vilma de Oliveira, Fortaleza-CE – dez2015

28- acredita que o skank regravou essa musica maldita ??? outro dia ouvi na radio com eles cantando e eu disse nãaaaoooooooo….. Adriana Alves, São Paulo-SP – dez2015

29- Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Vanessa Machado Monte, Fortaleza-CE – dez2015

> Postagem no Facebook (2014)

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Indecências em Fortaleza (1)

19/12/2014

18dez2014

Indecências, Vinicius de Moraes, Bienal do Livro, Estoril… Bom demais

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INDECÊNCIAS EM FORTALEZA (1)

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Estive em Fortaleza, minha loirinha desmiolada de sol, entre 29nov e 15dez. No roteiro: lançamento do Indecências para o Fim de Tarde, apresentação do Vinicius Show de Moraes e participação na 11a edição da Bienal Internacional do Livro do Ceará. Foi bom demais, tudo. Infelizmente não consegui rever todas as pessoas que gostaria, mas as que revi me proporcionaram momentos muito felizes, e fiz novos amigos e conheci novos leitores, e isso é renovação pra alma.

Fiquei muito honrado e feliz por lançar o livro e fazer o show no Estoril, que também é Vila Morena, um lugar muito especial por sua tradição cultural, com o qual tenho uma forte ligação afetiva por ter passado lá belas e inolvidáveis noites nos anos 1980. O bar do Estoril agora é administrado por Carlinhos Papai, lendária figura da cultura boêmia da cidade e meu amado amigo tricolor. Que essa parceria da SecultFor com meu Papito ajude a revitalizar a Praia de Iracema de Todos os Amores e sopre pra lá muita arte e cultura. Iracema era iletrada, mas de tanto ser lida, hoje ela adora lançamentos de livros – que lhe deem esse prazer. Sem esquecer da segurança na área, por favor, que nossa índia é guerreira, sim, mas não gosta nadinha de violência.

Agora, meus obrigados. À Secult, pelo convite pra participar da Bienal. À SecultFor, Carlinhos Papai e Ciribáh Soares, e à equipe do bar do Estoril. A Beth Andrade, da Via Libido Sex Shop, pelos persex que tanto mimosaram as coxas das leitorinhas. A Chiquinho Jr, pelas belas fotos, e a Felipe Breier, meu parceirim danado de bom. A Valéria Assunção, do Boteco Vintage, e a Ivonesete e Michele, que seguraram a onda da produção dos eventos. A Vilminha, Galvonis e Anamérika, pela valiosa ajuda na temporada. A todos que foram aos eventos e que curtem meu trabalho. E a você, que tão graciosamente encheu meu ser com a sagrada magia do Feminino.

Fortaleza pra mim é sempre assim, a derradeira brisa de verão, um gosto de beijo roubado na fila do embarque, a felicidade com visto vencido.

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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PRA LEMBRAR COM CARINHO

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RK201411WanessaB-01Com Wanessa Bento, revisora do Indecências

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IFTLancamento201412FortCART-02a

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IFT201412-201aLançamento no Estoril, na Praia de Iracema de Todos os Amores

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IFT201412-203aLançamento no Estoril. Um dos lugares mais agradáveis da cidade

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IFT201412-224aLançamento no Estoril, com Wélia e Silvana

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IFT201412-229aLançamento no Estoril, com Chiquinho, Flávio, Luís Miguel e Bedê

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IFT201412-230aLançamento no Estoril, com Carlinhos Papai

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IFT201412-250aLançamento no Estoril, com Toinho Martan e Flávio Rangel, o famigerado trio da Intocáveis Putz Band (só faltou você, Emílio)

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IFT201412-255aLançamento no Estoril, com Ivonesete na produção, e no chicote

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IFT201412-263aLançamento no Estoril, com Flávio Rangel Trio

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IFT201412BotecoVintage-06Lançamento no Boteco Vintage. Obrigado, Val. O braço é do parceirim Felipe Breier

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IFT201412BotecoVintageDaluM-10Lançamento no Boteco Vintage, com Dalu toda assustada pelo chicote e pelas algemas – adoroooo

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IFT201412BotecoVintageDaniC-06Lançamento no Boteco Vintage, experimentando com todo o respeito o persex na Dani

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IFT201412BotecoVintage-03aLançamento no Boteco Vintage, com Laís (olha, eu queria dizer que o machucadim no joelho já tava aí antes deu chegar)

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RK201412TocaDoPlacido,JessicaG-01aNa Toca do Plácido, com a coelha-gataloca, e eu dando uma de gatoloco fazendo biquinho de viado maizomenos)

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TocaDoPlacido201412-01A Toca do Plácido tem uma decoração surreal, preços camaradas e petiscos saborosos. Lamentavelmente, no dia em que fui lá a gerência permitiu que fumassem no interior da casa, contrariando a lei antifumo. Azar o meu

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TocaDoPlacido201412-02Toca do Plácido. Garota solitária e dadivosa aguarda companhia interessante no balcão

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IFT201412LilianMartins-03Entrevista no programa Autores e Ideias, da Assembleia FM, com a professora Lílian Martins

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VSM201412EstorilFacebookEvento-01

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VSM201412Estoril-10No Estoril, com o parceirim Felipe Breier, no Vinicius Show de Moraes

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IFT201412Estoril-21Lançamento e show no Estoril, com meu mentor etílico-espiritual Alberto Perdigão

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IFT201412Estoril-23Lançamento e show no Estoril, com Karina, que viaja muito nas minhas viagens

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IFT201412Estoril-22Lançamento e show no Estoril. Toda a graça de Michele e Lílian

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RK201412Praia-05aConcentração pra Bienal, na Praia do Futuro

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IFTDivBienal201412-04

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IFTBienalDoLivroCeara2014-01Bienal do Livro, mesa “O conto nosso de cada dia”, com Xico Sá e Cleudene Aragão

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IFT201412Sirlanney-01Troca-troca na Bienal do Livro com Sirlanney, autora do livro de quadrinhos Magra de Ruim

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IFT201412MileideF-01aNa Bienal do Livro, com Mileide Flores. Close no persex…

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RK201412XicoS-01Com Xico Sá na Bienal. Fulerage é ele. Não, é ele.

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RK201412Estoril,ShirleneH,XicoS,IvoneseteR,FlaviaC,JulianaM,Maria,DrawlioJ,Sirlanney-01Programinha bom demais pós-Bienal no Estoril, com amigos que eu adoro muito demais da conta

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RoqueS,ShirleneH,FlaviaC,XicoS,JulianaM201412-05Fim de noite no lendário Roque Santeiro, no Mucuripe, ô desmantelo medonho na vida do cidadão trabalhador. Obrigado, dona Orestina e seo Moacir

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RK201412Estoril,VeronicaG,HalderG,XicoSa,MarinaG-01Fechando a temporada no Estoril, todos vivos, ufa. Com Verônica Guedes (diretora do festival For Rainbow), Halder Gomes (diretor do filme Cine Holliúdy), Xico Sá (diretor do Xicossá Fulerage Clube) e Marina Guedes (diretora geral da mesa)

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IndecenciasParaOFimDeTardeCAPA-01aINDECÊNCIAS PARA O FIM DE TARDE
Ricardo Kelmer, Arte Paubrasil, 2014 – 208 pag

Os 23 contos deste livro exploram o erotismo em muitas de suas facetas. Às vezes ele é suave e místico como o luar de um ritual pagão de fertilidade na floresta. Outras vezes é divertido e canalha como a conversa de um homem com seu pênis sobre a fase de seca pela qual está passando. Também pode ser romântico e misterioso como a adolescente que decide ter um encontro muito especial com seu ídolo maior, o próprio pai. Ou pode ser perturbador como uma advogada que descobre que gosta de fazer sexo por dinheiro.

O erotismo de Ricardo Kelmer faz rir e faz refletir, às vezes choca, e, é claro, também instiga nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir. Seja em irresistíveis fetiches de chocolate ou numa selvagem sessão de BDSM, nos encontros clandestinos de uma lolita num quarto de hotel ou no susto de um homem que descobre verdadeiramente como é estar dentro de uma mulher, as indecências destas histórias querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais, adquira o seu

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INDECÊNCIAS PARA VOCÊ TIRAR A ROUPA

IFTLeitorasTiramARoupa-05Muitas mulheres têm esse fetiche, o de exibirem-se anonimamente para o público. Então criei uma promoção: envio o livro e a leitorinha faz uma foto erótica com ele, sem precisar mostrar o rosto, e a foto será usada em cartazes de divulgação da obra. Você gostaria de participar? > saiba mais

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PARCERIA

vialibido.com.br

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VINICIUS SHOW DE MORAES

ViniciusShowDeMoraesLogo-2aEste show nos traz a riqueza da vida e da obra de Vinicius de Moraes, um dos nomes mais importantes da cultura brasileira. Através das músicas, dos poemas e de fatos interessantes da vida de Vinicius, passeamos por grandes momentos da música e da poesia brasileiras e nos divertimos e nos emocionamos com a rica trajetória do homem, poeta, artista, amante, amigo e diplomata que fascinou e ainda fascina gerações no Brasil e no mundo. > saiba mais, veja vídeos

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As Preciosas do Kelmer – nov2014

23/11/2014

23nov2014

AsPreciosasDoKelmer201411.
As Preciosas do Kelmer
é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

> No Facebook (todas as edições)

> No Blog do Kelmer

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AsPreciosasDoKelmer201411AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
#26, nov2014
> Esta edição no Facebook

Capa: Amy Winehouse, cantora e compositora inglesa (1983 – 2011)

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*** O INSTAGRAM ERÓTICO

Que tal uma rede social com foco no erotismo? No Uplust, os internautas podem compartilhar fotos sensuais, com forte apelo para nudez e sexo, sem serem banidos devido a uma forte política de privacidade.

Assim como no Instagram, no Uplust é possível compartilhar fotografias com filtros, compartilhá-las com tags e receber likes. A navegação na rede social, no entanto, deve ser feita apenas por maiores de 18 anos, já que por lá não existe uma política contra imagens sexualmente sugestivas ou com nudez. > Mais

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*** OU É CATÓLICO OU É VEGETARIANO

Na mitologia do Catolicismo, a transubstanciação é a transformação literal da hóstia no corpo de Jesus Cristo. É o momento em que, após a consagração, a hóstia deixa de ser farinha embebida em vinho e passa a ser, verdadeiramente, a carne e o sangue do Cristo crucificado. O dogma garante que essa transformação não é mera simbologia, mas um fato real, tão real quanto quem come a hóstia. Ou seja: católicos são canibais assumidos, sem qualquer constrangimento de sê-lo.

O católico deve acreditar nisso, ou então não faz sentido ele ser católico. Porém, ao crer no dogma da transubstanciação, e comer do corpo de Jesus Cristo, um vegetariano estaria sendo um canibal e indo totalmente contra seus princípios. E agora?

Comer o corpo do deus vivo é um mito antigo, presente em várias mitologias ao longo da história, como nos cultos greco-romanos a Dionísio e Baco. Muitas tribos guerreiras costumavam manter vivos seus prisioneiros, para sacrificá-los em importantes rituais em que comiam o corpo dos mais valentes, acreditando com isso poderem absorver as virtudes do valoroso inimigo. As religiões institucionalizadas apenas incorporaram essa mesma crença em seus ritos, e o Cristianismo fez a mesma coisa em sua mitologia.

Mas e os vegetarianos católicos, o que podem fazer? Bem, caso desejem livrar-se do pecado da contradição, ou largam o vegetarianismo ou abandonam a fé católica. Nesse segundo caso, há outras religiões cristãs (além dos evangélicos) como a Ortodoxa, a Anglicana e a Luterana, cujas mitologias não possuem o dogma da transubstanciação.

Bem, há uma terceira via: eles podem continuar católicos e ir à missa, mas sem participar da eucaristia, e inventariam alguma desculpa, tipo dor de garganta, alergia a farinha ou coisa parecida.

E, em último caso, podem encher logo o saco de tudo isso e deixar de depender de religião para ser feliz. > Mais

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*** A PELEJA DO DEUS DO TRÂNSITO CONTRA O DIABO DA AGENTE QUE CUMPRE A LEI

JuizTribunal-01Em fevereiro de 2011 Deus dava um rolê pelo Leblon, dirigindo sua Land Rover sem placas, e sem portar a carteira de habilitação, afinal Deus não precisa disso, né? Aí tinha uma blitz no meio do caminho e a agente do Detran Luciana Silva Tamburini informou a Deus que o veículo teria de ser apreendido e levado a um pátio. Deus não concordou e, tchum, deu a famosa carteirada, revelando sua verdadeira identidade: ele era um juiz, e se chamava João Carlos de Souza Correa.

Mas a agente não se assustou e manteve-se firme no cumprimento da lei de trânsito. Deus, ops, o juiz, mandou um policial militar prender a agente. O policial foi na tenda da blitz para comunicar e algemar a agente, mas ela respondeu o óbvio: “Ele quer, mas ele não é Deus”. Aí o juiz se aporrinhou de vez e mandou prender a agente por desacato. Fim de noite: ambos acabaram sendo levados para a 14ª DP, onde o caso foi registrado, o juiz acusando a agente por ter debochado dele, coitado, e a agente acusando o juiz de abuso de autoridade. Adivinha quem venceu a disputa?

Claro que o juiz venceu. E a agente foi condenada a pagar R$ 5 mil por danos morais, uma quantia maior do que seu salário no Detran. Quanto ao juiz (que é marido da ex-deputada Alice Tamborindeguy, do PP-RJ), ele não quis se pronunciar sobre o caso, talvez para não chamar a atenção sobre os outros casos desabonadores em que ele está envolvido, como ter sido flagrado, em 2013, dirigindo bêbado e ter se recusado a fazer o teste do bafômetro ou como já ter ultrapassado o limite de multas de trânsito e continuar dirigindo.

Alguns cidadãos, que não acreditam em deuses do trânsito, se sensibilizaram com a situação de Luciana e criaram uma vaquinha virtual para ajudá-la a pagar a multa. Ao saber disso, Luciana agradeceu e disse que espera não precisar pois vai recorrer da decisão, e a quantia arrecadada ela doará a uma entidade beneficente.

Você também não crê em deuses do trânsito? Gostaria de ajudar Luciana e, assim, contribuir para que outros deuses não se sintam tentados a pecar contra a lei, que deveria ser igual para todos?

> Clique aqui e saiba mais
> Outros casos do Juiz Que Não É Deus

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*** O CONGRESSO FANTASMASGÓRICO

Com o tema Histórias de Fantasmas, o 4o Congresso de Literatura Fantástica de Pernambuco acontecerá de 03 a 05 de dezembro em Recife, na Universidade Federal de Pernambuco. A promoção é do Núcleo de Estudos Oitocentistas Belvidera, do Depto. de Letras/UFPE. O evento contará com palestras, debates, cursos, lançamentos de livros, exibição de curtas e apresentação de espetáculos.

Literatura, sempre. Porque apenas viver não basta. > Mais

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*** SARAVÁ COM CROISSANT

Nos anos 1950 e 1960 Vinicius de Moraes e Baden Powel criaram músicas lindas, que até hoje encantam nossos ouvidos e inundam a alma de fortes sensações. Uma delas é Samba da Bênção (É melhor ser alegre que ser triste…), em que o samba é louvado, juntamente com os nomes daqueles que tanto enriqueceram esse gênero musical que nasceu no Brasil, fruto da bendita miscigenação racial.

Em 1966, o mundo conheceu uma versão francesa dessa música, na interpretação de Pierre Barouh, através do filme Um Homem, Uma Mulher (Un homme et une femme), do diretor Claude Lelouch. O filme ganhou muitos prêmios, como a Palma de Ouro de Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro, e sua bela trilha sonora é um capítulo à parte.

Já se vão 50 anos… Mas a poesia daquelas cenas e a beleza da música não envelhecem. Obrigado, Vinicius, Baden e Pierre. Saravá.

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*** BLUES PARA A CANOA NÃO VIRAR

O Canoa Blues é um festival musical que já vai em sua 7a edição. Acontece anualmente na praia de Canoa Quebrada, no litoral leste do Ceará, e reúne bandas de blues do Brasil, contando também com atividades de inclusão social promovidas em parceria com organizações não governamentais. A abertura oficial do evento aconteceu na sexta 07nov, em Fortaleza.

Valeu, Roberto Maciel! Espero um dia curtir esse festival e matar a saudade de Canoa.

Programação do Canoa Blues 2014:

07nov, 21h: Espaço Rogaciano Leite Filho, Dragão do Mar – Fortaleza. Shows: Victor Gueiros e Felipe Cazaux
14nov, 22h: Polo de Lazer de Canoa Quebrada – Shows: Beale Street e Rodrigo Nézio & Duocondé Blues
15nov, 22h: Polo de Lazer de Canoa Quebrada – Shows: Renegados e Big Chico
15nov, meia-noite: Restaurante Baobah – Canoa Quebrada – Jam session com Thiago Rodrigues

> Mais

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*** A REVOLTA DAS PELADONAS

ARevoltaDasPeladonas-01aNo futuro, nossos bisnetos comentarão na hora do recreio:
‒ Que aula incrível! Adoro história do Brasil.
‒ Você viu? Quando começou, ninguém entendeu nada.
‒ Mas quem poderia desconfiar, né?
‒ Ninguém. Eram apenas mulheres correndo peladas pelas ruas.
‒ Diziam que eram loucas, ou que estavam em busca de fama.
‒ Marketing de tênis esportivo.
‒ Muitas eram presas por atentado ao pudor. Mas logo eram liberadas. E faziam de novo.
‒ Minha avó foi presa doze vezes, e ela já tinha setenta anos. Os delegados não aguentavam mais. A senhora pelada na rua de novo, vovó?

> leia o conto na íntegra

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*** ÓTIMA RECEITA PARA DESTRUIR A PELE: CIGARRO

O cigarro não é veneno apenas para os pulmões. Ele também retira da pele a firmeza, a hidratação e o viço. Por isso, é muito comum mulheres fumantes na faixa dos 30 anos apresentarem pele amarelada, abatida e sem vida, além de rugas, olheiras fundas e bolsas inchadas sob os olhos. O hábito de fumar piora até a celulite, pois o tabaco interfere na circulação sanguínea destas regiões.

Leitorinha querida fumante. Nem que seja por querer ficar mais bonita, larga desse vício escroto, vai. > Mais

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*** ATEUS SAINDO DO ARMÁRIO (9)

RICARDO BOECHAT – Jornalista

O jornalista Ricardo Eugênio Boechat contou em 2011 em seu programa na FM Band que vinha recebendo e-mails e cartas de leitores tentando convertê-lo ao cristianismo, porque às vezes, ali, ele faz referência a sua descrença. Ele é um brasileiro que nasceu na Argentina em 13 de julho de 1952. Tem seis filhos. Começou a carreira em 1970 no extinto Diário de Notícias. Trabalhou no Jornal do Brasil, onde manteve coluna de notas, o Informe JB, que se tornou referência. Depois, em 1983, foi para O Globo. Mais recentemente, além do seu programa de rádio, apresenta o principal jornal da TV Bandeirantes. O jornalista é conhecido pela sua credibilidade e bom humor. Ele costuma dizer, rindo, que é o único âncora careca da TV brasileira — e é verdade.

Boechat nunca escondeu a sua descrença e às vezes lembra que os ateus são uma minoria que sofre muito preconceito. (reproduzido do site paulopes.com.br)

 

*** PORNOGRAFIA OU INOCÊNCIA DA INFÂNCIA?

Stella tem dois anos de idade. Seu pai, Wyatt Neumann, é fotógrafo. Numa viagem de carro pelo país, fotografando a jornada ao longo do caminho, ele também fotografou a filha. O ensaio provocou a ira de grupos puritanos e conservadores, que conseguiram excluir as contas de Neumann do Facebook e do Instagram.

Rebatendo as críticas de que as imagens seriam “perversas”, “doentias” e “pornográficas”, o fotógrafo disse que a censura foi longe demais, e que para ele o trabalho é bonito e revela a inocência da infância.

Eu, particularmente, concordo com o pai e acho que ele fez um belo e corajoso trabalho. Acho que nossa sociedade, na ânsia de proteger as crianças, acaba confundindo as coisas e vendo pecado onde o que existe, na verdade, é naturalidade. Este é o legado de séculos de opressão religiosa, que nos convenceu de que a alma é de Deus, mas o corpo é do Diabo.

Jung, o pensador da alma, diria que trata-se de uma neurose coletiva, em que a sociedade é dolorosamente esticada, de um lado pela Cultura, e do outro pela Natureza. Existe saída para tal conflito? Sim. Como em todo conflito psicológico, devemos viver as contradições da questão até o fim, para só então podermos transcender as polaridades e encontrar uma terceira via, em que as leis da Cultura e da Natureza possam se conciliar. Mas não é fácil, pois apesar de sermos seres culturais, continuamos sendo animais.

E você, o que acha? > Mais

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*** O NOVEMBRO AZUL DA PRÓSTATA

Câncer de próstata. Você não quer ter um, né, meu camarada? Então se você já tem 50 anos, deixa de viadagem e vai logo fazer o exame para se prevenir dessa horrível possibilidade.

Impotência sexual. Você também não quer sofrer dessa desgraça, né? Então isso é mais um motivo para você fazer logo o exame, pois os tratamentos para o câncer de próstata podem deixar o paciente broxa para sempre.

Agora convenceu, né? > Mais

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*** BLACK ELIS É LINDO

Em 1972 Elis Regina participou de um especial para uma tevê alemã interpretando Black is Beautiful, de Marcos Valle e Paulo Sergio Valle. São registros como esse que nos fazem entender porque ela é considerada, até hoje, uma das maiores cantoras do mundo.

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*** MANDAR MATAR TUDO BEM, CASAR COM OUTRA MULHER NÃO

Em 2002 Suzane von Richtofen mandou matar os pais e foi condenada a 39 anos de prisão. No presídio de Tremembé, em São Paulo, frequentou cultos evangélicos e tornou-se referência de bom comportamento. Em setembro deste ano, teve de trocar a ala das evangélicas, onde morava, pela ala das casadas. O motivo: ela oficializou a união com uma das detentas ao assinar o documento similar a uma certidão de casamento, que permite às presas conviverem maritalmente dentro da prisão.

A companheira de Suzane é Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida no presídio como Sandrão. Condenada a 24 anos de prisão pelo sequestro e morte de um adolescente em São Paulo, Sandra perdeu o direito ao regime semiaberto por agredir um agente penitenciário. Antes de Suzane, ela mantinha uma relação com Elize Matsunaga, que matou e esquartejou o marido, o empresário Marcos Kitano Matsunaga, em 2012.

Os evangélicos, que antes perdoavam Suzane por seu crime, agora não mais a aceitam. Para eles, mandar matar os pais não é tão grave quanto amar outra mulher.

É difícil perdoar quem comete crimes tão terríveis como os de Suzane, Sandra e Elize. Mas não aceitar que um ser humano ame outro, isso sim é que devia merecer cadeia.

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*** 101 LUGARES PARA FAZER SEXO ANTES DE MORRER

Os autores até que tiveram boa intenção. Mas quem nunca transou num banheiro químico, não sabe o que é emoção.

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*** OBRIGADO, GENIVAL

Genival Santos morreu nesta quarta-feira 19nov. O cantor e compositor tinha 71 anos e em 45 anos de carreira gravou 28 discos, que venderam cinco milhões de cópias. Natural de Campina Grande-PB, fazia o gênero romântico brega, e seus boleros eram obrigatórios nos cabarés do Norte e Nordeste dos anos 1970 e 1980. Assim como Waldick Soriano, escolheu Fortaleza para morar, e foi lá que faleceu, vitimado por complicações decorrentes de um câncer de pulmão.

Eu era seu fã. Ainda escuto suas músicas. Fui a alguns shows e o conheci pessoalmente. Cheguei a cantar com ele “Menina da praia”, na Barraca Búzios (Praia do Futuro, Fortaleza), em 1990. A primeira banda que tive, Os The Breg Brothers, foi criada ao som de seus sucessos.

“Eu te peguei no fraga”, “Sendo assim”, “Se errar uma vez”, “Meu coração está em greve”… Bota uma dose no capricho aí, dona Orestina. Hoje é dia de desmantelar o coração sofredor.

A jornalista Fabiana Moraes fez um interessante perfil do artista. > Veja aqui

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*** GENIVAL SANTOS CANTA SENDO ASSIM

Genival Santos no programa João Inácio Show, da TV Diário (Fortaleza). A apresentação provavelmente é de 2004 ou 2005. Favor prestar atenção na música, e não nas Tigresas.

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*** REPÓRTER SE DEMITE AO VIVO NA TV E DECLARA APOIO À LEGALIZAÇÃO DA MACONHA

A TV estadunidense KTVA exibia uma matéria sobre os esforços para descriminalizar o consumo da maconha no estado do Alasca. Após a exibição da matéria, a repórter Charlo Greene pediu demissão ao vivo para se dedicar à legalização da maconha. “Foda-se, eu me demito!”, ela disse após a reportagem. E ainda admitiu que a organização Alaska Cannabis Club, que ajuda pacientes que precisam da droga para tratamento médico, era sua.

O pedido chocou a âncora do programa, Alexis Fernandez que, pelo visto, não esperava pelo anúncio e pediu desculpas aos telespectadores pela, bem, sinceridade da colega de trabalho.

A questão da legalização da maconha ocupa cada vez mais os espaços, forçando a sociedade a discuti-la seriamente. > Mais

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AsPreciosasDoKelmer201411AS PRECIOSAS DO KELMER

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A revolta das peladonas

12/11/2014

12nov2014

Um dia elas começaram a correr peladas pelas ruas. Foi só o início…

ARevoltaDasPeladonas-01.

A REVOLTA DAS PELADONAS
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No futuro, nossos bisnetos comentarão na hora do recreio:

‒ Que aula incrível! Adoro história do Brasil.

‒ Você viu? Quando começou, ninguém entendeu nada.

‒ Mas quem poderia desconfiar, né?

‒ Ninguém. Eram apenas mulheres correndo peladas pelas ruas.

‒ Diziam que eram loucas, ou que estavam em busca de fama.

‒ Marketing de tênis esportivo.

‒ Muitas eram presas por atentado ao pudor. Mas logo eram liberadas. E faziam de novo.

‒ Minha avó foi presa doze vezes, e ela já tinha setenta anos. Os delegados não aguentavam mais. A senhora pelada na rua de novo, vovó?

‒ Sério? Que demais! Você deve ter muito orgulho, né?

‒ Sim, e meus pais também. Tanto que me batizaram com o mesmo nome dela.

‒ A primeira peladona na minha família foi minha tia. Ela aproveitou e nunca mais voltou pra casa. Largou o marido que batia nela e montou uma banda de rock, que era seu grande sonho.

‒ Além de marido, muitas largaram o trabalho. Por isso diziam também que era uma conspiração… como é mesmo?

‒ Feminista-naturista-comunista radical.

‒ Diziam também que estavam possuídas pelo demo.

‒ Que nem a amiga da minha mãe, coitada. Expulsaram o demo dela, mas ela largou a igreja e continuou correndo pelada, e fazia questão de passar em frente bem na hora da sessão de descarrego.

‒ A Revolta das Peladonas, foi assim que o fenômeno ficou conhecido. Ficar pelada era uma forma simbólica de se libertar das opressões machistas na família, no trabalho, na religião, e até no barzinho. Mas a coisa logo passou do simbolismo pras reivindicações.

‒ Ah, deve ter sido o máximo! De repente estavam todas peladonas, ofendendo os bons costumes. A mulher do cara, a filha, a vizinha, a diretora do colégio, a gerente do banco…

‒ E como não podiam prender milhões de mulheres, tiveram que aguentá-las peladas em todo canto, a exigir direitos iguais. E tanto fizeram, que conseguiram. Hoje o termo feminista nem faz mais sentido.

‒ Mas mantiveram a lei de atentado ao pudor pra nós homens. Pode uma coisa dessa?

‒ O povo daquela época era muito burro.

‒ Pois é, e deu no que deu: os homens também se revoltaram, exigindo direito de nudez igual. O deputado Tiririca fez um discurso histórico no plenário. Só de dentadura. Foi aí que ele virou patrono da Revolta dos Peladões.

‒ E acabou Presidente da República.

‒ Tem uma estátua dele no meu condomínio. Só de dentadura.

‒ Se a gente vivesse cinquenta anos atrás, algum adulto já teria vindo aqui mandar a gente vestir uma roupa. E eu certamente seria mandada pro Conselho Tutelar.

‒ Ainda bem que vivemos no tempo de hoje. Nem me imagino todo vestido nesse calor.

‒ Minha prima, como é muito religiosa, usa uma folhinha de parreira.

‒ Viver numa sociedade onde a nudez é pecado deve deixar a gente neurótico.

‒ O que você trouxe pra gente lanchar?

‒ Maçã. Quer uma?
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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O INÍCIO DA REVOLTA

Mulher é detida pela polícia ao correr nua em parque de Porto Alegre – Uol, 30.10.14

Outra mulher sai andando nua em Porto Alegre – Uol, 06.11.14

Em 11 dias, terceira mulher é flagrada pelada em Porto Alegre (RS) – Uol, 09.11.14

“Logo entrou em um carro”, diz testemunha de pelada no RS – Terra, 11.11.14

O que significa a onda de peladas em Porto Alegre – Zero Hora, 11.11.14

Google tira do ar game inspirado em mulheres nuas de Porto Alegre – Bol, 13.11.14

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 IMAGENS DA REVOLTA

 ARevoltaDasPeladonas20141030-01As pioneiras da Revolta das Peladonas surpreenderam a todos

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ARevoltaDasPeladonas20141030-02Vistas como um perigo à ordem estabelecida, muitas peladonas foram presas

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ARevoltaDasPeladonas20141106-01Cada vez mais ousadas, as peladonas desafiavam abertamente a lei

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Impotentes diante de tantas peladonas, os homens tiveram que aceitar as reivindicações por direitos iguais

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SOBRE NUDISMO E NATURISMO

Naturismo-02aO nudismo é uma prática integrada no conceito mais vasto de naturismo que consiste na não utilização de vestuário para actividades recreativas em ambiente social. A nudez total é vista como uma forma de contacto com a natureza e sem conotações sexuais ou morais de modéstia. A prática do nudismo poderá ser efetuada em praias, lagos, piscinas ou outros espaços – usualmente ao ar livre – normalmente em áreas designadas para o efeito. (fonte: Wikipedia)

O naturismo (não confundir com naturalismo) é um conjunto de princípios éticos e comportamentais que preconizam um modo de vida baseado no retorno à natureza como a melhor maneira de viver e defendendo a vida ao ar livre, o consumo de alimentos naturais e a prática do nudismo, entre outras atitudes. (fonte: Wikipedia)

Federação Brasileira de Naturismo

Corte Europeia rejeita pedido de andarilho britânico de caminhar nu – Folha de São Paulo, 28.11.14

 

SOBRE FEMINISMO E SEXUALIDADE FEMININA

AsCiclistasOrgasticasDaColombia-01aAs ciclistas orgásticas da Colômbia – Ciclistas usam a energia de seus orgasmos para vencer corridas

Os apuros do homem feminista – Minha busca por relações igualitárias foi dificultada também porque muitas mulheres, mesmo oprimidas, preferiam relações baseadas no velho modelo machista

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990) – Um livro belo e libertador, que celebra o sagrado na sexualidade

Lola Benvenutti e a coragem de viverA única salvação possível é sermos quem verdadeiramente somos. Parabéns, Lola, por sua coragem e autenticidade

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação pela submissão no sexo anal

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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COMENTÁRIOS
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01- Imaginação fértil Ricardo Kelmer. rsrsrs Mas pelo o que anda acontecendo, é bem provável que vá ser assim mesmo e aí a gente volte ao “paraíso”. Renata Kelly, Fortaleza-CE – nov2014

02- kkkkkkkkkkkkkkk adorei! Marici Silva, São Paulo-SP – nov2014

03- kkkkkkkkkkkkk! ótimo texto! Diana Sulamericana, Fortaleza-CE – nov2014

04- Muitoooo booommm!! Sergio Santos!! Leia isto!! E a sua cara!! Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – nov2014

ARevoltaDasPeladonas-01a


 


A grana do lanche

05/11/2014

05nov2014

A jovem advogada Dinorah descobriu que gosta de fazer sexo por dinheiro, e agora vive um dilema: afinal, ela é ou não é uma puta?

Este é um dos contos do livro recém-lançado Indecências para o Fim de Tarde (Editora Escrituras, selo Arte Paubrasil). Ele será publicado nesta postagem em 10 capítulos até 30.11.14. Os leitores que comentarem durante esse período concorrem ao sorteio de 1 livro impresso + 1 livro em PDF com dedicatória personalizada. Mesmo que você não goste de algo na história, para mim será muito útil acompanhar suas impressões durante a leitura.

AGranaDoLanche-06a

A GRANA DO LANCHE

cap. 1

DINORAH É UMA MOÇA BONITA, mas nada que chame demais a atenção. Tem vinte e cinco anos, faz o tipo mignon, pele clara, cabelo loiro ondulado na altura dos ombros, olhos castanhos, enfim, é uma dessas garotas que você vê aos montes nas tardes dos shoppings. Vive na capital, classe média alta, mora com os pais, não trabalha, abandonou Administração e agora cursa Direito numa faculdade particular. Desde a primeira vez, aos dezesseis anos, transou com onze caras, e também com a Pati, que depois se tornou a melhor amiga. E namorou um cara por quatro anos. O namoro terminou e é nesse ponto que encontramos Dinorah, solteira, numa mesa do café do shopping, olhando para uma nota de cem reais. E dizendo baixinho para si mesma: Eu não sou puta, eu não sou puta…

Esta é a nossa menina. Permita-me chamá-la assim, nossa menina, porque acho que combina com seu jeitinho quase infantil, e porque tenho a impressão que você também vai gostar dela. Mas por que Dinorah está repetindo para si mesma que não é puta? Porque horas antes ela conheceu um cara ali mesmo no café e… Bem, é melhor contar do começo.

Às sextas, após a última aula da tarde, Dinorah costumava passar no shopping que fica pertinho da faculdade para tomar um capuccino. Numa dessas sextas, ela viu um cara numa mesa próxima, tipo quarentão charmoso, de camisa social, gravata, paletó pendurado no encosto da cadeira, a pasta do tipo executivo ao lado no chão. E ela? Vestidinho estampado, sandalinha, mochila, cabelo preso. Os dois sozinhos. Ela achou o cara interessante, e ficou atiçadíssima quando ele ergueu a xícara de café, olhando para ela, e sorriu. E ela sorriu também. Logo depois ele estava em sua mesa e ela já sabia que o quarentão se chamava Carlos, morava em outra cidade, era executivo de uma empresa e uma vez por mês ia à capital a trabalho, era separado e não tinha filhos. Pelo menos foi isso que ele dissera.

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa e ela disse que não bebia, o que era verdade. Enquanto ele pedia outro café, Dinorah sentiu que uma ideia instigante nascia em sua mente… Não, talvez não fosse na mente. Ideias podiam nascer entre as coxas? Se podiam, aquela definitivamente nascera lá. Aquele cara era um desconhecido, não era tão bonito mas era interessante, parecia ser confiável e estava abertamente a fim dela, e ainda morava em outra cidade… Transar com um desconhecido. Por que não?, pensou nossa menina, e agora a ideia tomava conta de seu corpo inteiro, feito uma onda de calor gostoso.

É, por que não, ela continuava pensando, e a ideia se tornara uma sensação que ficava cada vez mais excitante. Sexo sem compromisso, um cara mais velho, depois tchau, cada um segue sua vida, isso combinava com a sexta, sexta era um dia bom para experimentar coisas novas. Sim, decidiu Dinorah. Daria para ele, sim, bastava ele querer. Mas não gostou do nome, Carlos era sem graça. Executivo era mais sexy.

Do que você gosta, Executivo, posso te chamar de Executivo?, ela perguntou, disposta a mudar logo o papo para rumos menos formais. E ele respondeu que podia, e emendou, meio sério, meio insinuante: Gosto de garotas da sua idade. Dinorah sorriu, surpresa, uau, ele não perde tempo. Melhor assim, ela não estava mesmo a fim de muito papo. Posso te chamar de Loirinha?, ele quis saber. Pode, respondeu ela, gostando daquele joguinho. Do que você gosta, Loirinha? Ela decidiu que era hora de passar o ponto de não retorno: Gosto de caras que gostam de garotas da minha idade.

Quando a garçonete trouxe a conta, ela quis pagar sua parte, mas ele, delicadamente, perguntou se ela ficaria chateada se ele pagasse tudo. Se fosse uma situação normal, Dinorah ficaria, sim, ela acha que mulher tem que dividir a conta, principalmente ela que ganha uma boa mesada dos pais. Mas aquela não era uma situação normal, e ele pagar tudo combinava com a situação, um executivo bancar uma noite de prazer para uma jovem estudante safadinha. Não, Executivo, não vou ficar chateada, muito pelo contrário…

Menos de uma hora depois, Dinorah estava no motel com Executivo. Um desconhecido, um cara mais velho, experiente, isso era muito interessante e ela sentia-se bem safada. Executivo tinha um pau grande, mas ele a fodeu com cuidado para não machucar. Superexcitado, ele lambeu e chupou todas as partes de seu corpo, comeu-a em várias posições e gozou com ela montada nele, e ele sempre chamando-a de loirinha gostosa, loirinha safada…

No fim, após pagar a conta, Executivo perguntou-lhe se tinha gostado e ela respondeu que sim, e estava sendo 99% sincera, pois, embora sem orgasmos, ela tivera muito prazer. O 1% restante era porque ela achava que poderia ter se soltado um pouco mais. Ele deu-lhe seu cartão e disse que dentro de um mês estaria de volta.

Já no táxi, ele se ofereceu para deixá-la em casa, mas ela disse que preferia voltar para o shopping pois queria fazer um lanche. Seguiram pelas ruas em silêncio. Dinorah sabia que não o procuraria novamente, já havia realizado seu desejo safadinho, mas sentia-se bem e não via a hora de contar tudo para a amiga Pati, com quem adorava dividir suas confidências mais sórdidas. Quando o táxi parou em frente ao shopping e ela se preparava para abrir a porta do carro, Executivo pôs em sua mão, discretamente, uma nota de cem reais. Ela olhou para a nota, sem entender. É pro lanche, ele explicou, sorrindo calmamente, aceite, Loirinha, por favor. Confusa, ela pôs a nota dentro da mochila e desceu.

Numa mesa do café, Dinorah agora observava a nota de cem em suas mãos. Ainda podia sentir o pau do Executivo dentro dela, sua buceta latejando… Era para estar feliz, afinal a transa fora boa, o cara a tratara bem… Mas e aquela nota de cem? Por acaso ele achava que ela era uma puta? E, se achava, então valia cem pilas? Aquilo era muito ou pouco?

Pediu outro capuccino, mas bebeu sem vontade. Decidiu ir para casa, não se sentia muito bem. Entrou na sala e seus pais assistiam a um programa religioso na tevê. Beijou a mãe, beijou o pai e sentou-se com eles no sofá. Tudo bem, filha?, perguntou o pai. Ela respondeu que sim, só estava um pouco cansada. Tem lasanha no micro-ondas, avisou a mãe. Ela respondeu que estava sem fome e foi para o quarto. Sentada na cama, sentia-se um tanto angustiada. É pro lanche, Executivo dissera. Mas um lanche não custava tudo aquilo. Na verdade, com cem reais ela poderia jantar num ótimo restaurante, vinho incluído. Assim sendo, era óbvio que não dera o dinheiro para lanche nenhum. Ele havia lhe pago pelo sexo, era óbvio.

Eu não sou uma puta, falou para si mesma mais uma vez, e dessa vez amassava forte na mão a nota de cem. Que merda, como os homens podiam ser tão insensíveis? Levantou da cama e foi ao banheiro, controlando-se para não chorar. Por que ele tinha que estragar tudo? Fez um bolinho com a nota e jogou no vaso sanitário. Eu não sou uma puta. Ao contato com a água, a nota abriu-se e ficou boiando, como se olhasse para ela, duvidando do que ela dizia. Eu não sou uma puta e nem preciso dessa grana escrota, murmurou, a voz abafada pelo som da descarga.

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NOS DIAS QUE SE SEGUIRAM, Dinorah ruminou sobre o assunto. Não estava arrependida, mas… havia a questão dos cem reais. Será que ele realmente achava que ela era puta? O que teria pensado, que naquela sexta, em vez de faturar, a puta decidira transar com um cara qualquer sem cobrar, e que coincidiu de ser ele? Mas, se fosse isso, por que ainda assim lhe dera dinheiro? Que merda, Dinorah não se conformava. Será que uma mulher não tinha o direito de trepar com um desconhecido sem ser confundida com uma puta?

No espelho do armário, nossa menina observou-se dezenas de vezes, virando de lado, fazendo poses. Será que tinha jeito de puta? Não, não podia ser isso, ela era uma garota normal, vestia-se como suas amigas e não exagerava na maquiagem. E, além do mais, tinha ódio dessas meninas muito fáceis, e sempre fora convictamente monogâmica em todos os seus relacionamentos.

Contou tudo para Pati. Desencana, respondeu a amiga, você não é puta, e o cara quis apenas ser gentil. Mas Dinorah não desencanou. Pesquisou sites de prostituição, olhou as fotos das garotas de programa, viu que a maioria cobrava mais que cem reais. Como Executivo podia achar que ela era uma daquelas mulheres?

Na última sexta do mês ela terminou o almoço no restaurante da faculdade e decidiu não ir às aulas da tarde, estava ansiosa demais, não conseguiria se concentrar. Botou os livros na mochila e foi para o café no shopping. Sentou-se em sua mesa predileta, pediu um capuccino e esperou. Meia hora ela esperou. Uma hora. Quase duas horas depois Executivo chegou, vestido do mesmo jeito, o paletó aberto, a pasta de executivo, e logo que entrou, percebeu sua presença. Posso sentar?, ele perguntou, simpático. Parecia contente em revê-la. Ela não conseguiu sorrir. Mas fez que sim com a cabeça e ele sentou.

– Cara, vou ser bem direta e quero que você seja sincero, tá? Por que você me deu aquela grana? Você acha que eu sou puta?

Ensaiara cuidadosamente aquelas exatas palavras durante as duas horas em que esperou por ele. Mas não falou nada disso. Porque simplesmente era uma questão que não tinha mais importância. Bem, na verdade ainda tinha importância, sim, mas de um outro modo… Saíra mais cedo da faculdade para garantir que o encontraria, e queria reencontrá-lo para tirar a limpo a história dos cem reais, sim, mas… algo nela havia mudado durante aquelas duas horas. Uma ideia estranha sobrevoava seus pensamentos, tão estranha que não ousava admiti-la… Mas de uma coisa ela sabia: queria transar novamente com aquele cara.

Uma hora depois, no motel, sob o peso do corpo dele, Dinorah gemia de prazer. Não era exatamente tesão pelo Executivo que sentia, e não era apenas tesão por estar sendo fodida por um quase desconhecido às cinco da tarde num motel, enquanto suas colegas assistiam aula de Direito Processual. Sim, tudo isso era excitante, porém enquanto ele metia firme em sua buceta e segurava suas pernas escancaradas na posição do frango assado, e ela assistia a tudo pelo espelho do teto, nossa menina fechou os olhos e imaginou os dois voltando para o shopping… Imaginou o táxi parando, os dois no banco de trás e… E o quê? A imagem seguinte parou um segundo antes de surgir em seu pensamento, esperando sua autorização. O táxi chegando no shopping, parando e… e…

Sem esperar mais pela autorização, a imagem que faltava invadiu de vez seu pensamento. O táxi para no shopping, Executivo abre a carteira, tira uma nota de cem e entrega a ela. Enquanto a imagem congelava em sua mente, ela recebendo o dinheiro no táxi, e na cama Executivo metia fundo em sua buceta, Dinorah gozou, de um jeito que nunca havia gozado antes, tão intenso que parecia que não ia acabar mais. E quando enfim acabou, na verdade não havia acabado: ela o abraçou com as pernas, puxando-o forte contra seu corpo e exigindo que ele continuasse a meter, e gozou novamente, outra vez intenso, uma coisa louca.

Pouco tempo depois, o táxi parou no shopping. Executivo deu-lhe um beijo no rosto e disse que no mês seguinte estaria no mesmo lugar novamente. Ela apenas sorriu. E aguardou quieta, sentada ao lado dele, as pernas juntas, mochila ao colo. Como nada aconteceu, ela aproximou a boca de seu ouvido e perguntou baixinho: Você não tá esquecendo nada? Ele pensou por alguns segundos, até que finalmente compreendeu. Então abriu a carteira, tirou uma nota de cem e deu para ela. Dinorah guardou-a na mochila, disse obrigado, abriu a porta e saiu. Instantes depois, no café, tomou o capuccino mais gostoso de quantos já tomara em toda sua vida.

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NA SEMANA SEGUINTE, Dinorah marcou com Pati num barzinho, queria contar sobre seu segundo encontro com Executivo. Ela adorava sair com a amiga, apesar de Pati, morena do tipo gostosona como era, sempre atrair todos os olhares disponíveis do ambiente. Na noite em que se conheceram, numa festinha quatro anos antes, Pati beijava um cara e convidou Dinorah a se juntar a eles. Dinorah riu, pensando que aquela garota devia ser muito louca. Mas pensou por que não e aceitou. O beijo ficou triplo e eles terminaram na cama. No dia seguinte, já eram amigas.

Nossa menina chegou ao barzinho e viu a amiga bebendo no balcão com um homem. Ao ver Dinorah, Pati deixou-o lá sozinho e foi abraçá-la.

– Você vai dispensar aquele gato? – Dinorah perguntou.

– Dei pra ele ano passado. Deixa o gato ficar com mais vontade.

– Pati sempre arrasando os corações…

Sentaram-se numa mesa, e Dinorah contou o que acontecera na sexta anterior.

– Você cobrou pra transar, sua danadinha! – Pati comentou, surpresa.

– Eu não, só queria a grana do lanche. E nem precisava tanto.

– Mas você falou pra ele que era pro lanche?

– Não.

– Humm. Então agora ele vai achar que você cobrou pelo sexo.

– Talvez eu tenha cobrado mesmo.

‒ Talvez ou cobrou? Decida-se, Dinorah.

‒ Antes eu estava realmente superencucada, mas admito que, na verdade, eu estava achando excitante a ideia de ser paga pra transar. Nessa segunda vez, isso ficou claro pra mim.

– O nome disso não é prostituição, amiga?

– Ou será um fetiche?

– Você acaba de inventar o fetiche remunerado.

– Você também sai com os caras, Pati, eles te levam no carro deles, te pagam barzinho, restaurante, motel… É a mesma coisa, não? No meu caso, foi uma grana pro lanche.

– Tá bom, você venceu. Mas você por acaso gastou a grana com lanche?

– Não. Mas podemos gastar agora. Vamos pedir o quê?

– Ai, amiga, você não existe!
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NÃO POSSO SER UMA PUTA, pensava Dinorah, sentada diante de seu guarda-roupa, porque puta nenhuma no mundo teria um guarda-roupa tão comportado. Porém, ser paga para transar, ah, isso tinha que admitir: era uma delícia. Nem o preço importava, o dinheiro em si não era importante, ela não precisava dele. Importante era ser paga. Lembrou da segunda transa, de como foi bom, do quanto se excitou imaginando que logo depois seria paga… Será que as putas também sentiam aquele mesmo tipo de excitação gostosa, aquele frenesi de saber que o homem à sua frente dispõe-se a gastar uma grana para estar dentro dela?

Decidiu dar um passo adiante em seu fetiche. Quando, no fim do mês, reencontrou Executivo no shopping e foram novamente para o motel, dessa vez ela fez diferente. Tirou a roupa, ficou inteiramente nua e pediu que ele se encostasse na bancada, o que ele fez. Ela ajoelhou-se no chão, abriu sua calça, pôs o pau para fora e o acariciou, vendo-o crescer rapidamente em suas mãos até ficar imenso e inteiramente rijo. Passou a língua devagar por toda sua extensão, beijou-o delicadamente na ponta e, um instante antes de começar a chupá-lo, parou de repente. Ergueu o rosto e olhou para ele. E falou, calmamente: Hoje eu quero adiantado.

Surpreso, Executivo abriu os olhos. Durante alguns segundos os dois se olharam em silêncio, o pau dele, duro e latejante, a um centímetro da boca de nossa menina, feito uma lança paralisada em pleno voo. Executivo sorriu e disse que aquilo não era problema. Ainda encostado na bancada, pegou a carteira, tirou uma nota de cem reais e entregou a ela. Dinorah pôs a nota sobre a cama e voltou à sua posição de joelhos. Segurou Executivo pelas coxas e começou a chupá-lo, fazendo exatamente como num vídeo erótico que vira aquela semana, engolindo o máximo que podia até senti-lo na garganta, até engasgar-se e lágrimas descerem por seu rosto, e depois voltando lentamente até a ponta da cabeça, sem deixar em nenhum momento de envolvê-lo totalmente com os lábios, sem usar as mãos, e repetindo o movimento cada vez mais rápido.

Pouco depois, ela percebeu que as pernas do Executivo tremiam e ele se apoiava na bancada com os braços. Ela o escutou gemer mais forte e logo depois sentiu o jato de sêmen em sua boca, um gosto de doce e salgado, morno, quase quente, que ela saboreou e engoliu. Depois afastou a boca e dirigiu o resto do jato para seu rosto, e com a outra mão espalhou o líquido pelas duas faces, pela boca, pelo pescoço, pelos peitos. Enquanto Executivo dobrava-se para trás, Dinorah, ainda ajoelhada e toda lambuzada de sêmen, olhava para a nota de cem sobre a cama e maravilhava-se de ser a mulher mais suja e feliz do mundo.

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DIAS DEPOIS DO TERCEIRO ENCONTRO com Executivo, Dinorah conheceu Bruno num bar, e o interesse foi mútuo. Ela, porém, não queria namorar, estava adorando a vida de solteira, e não cogitava interromper os encontros com Executivo. Mas Bruno insistiu, e uma noite transaram no apartamento dele. No dia seguinte, ela disse que não queria namorar, mas que topava ficar com ele, e assim foram ficando, ficando, até que um dia ela percebeu que estavam se relacionando como namorados. E decidiu deixar a coisa como estava.

Pouco mais velho que ela, Bruno administrava os postos de gasolina do pai, era rico e morava numa cobertura. Com ele o sexo até que era bom, mas… sempre faltava um algo mais. Ou ela é quem andava muito exigente? Sim, talvez fosse isso. As transas com Executivo haviam despertado seu lado selvagem, e com Bruno ela não se sentia sexualmente completa.

Uma noite, durante um fim de semana que passavam na serra, ela percebeu que havia putas na pracinha próximo ao hotel. A visão das garotas se oferecendo aos homens a fez sentir-se especialmente tarada naquela noite. Foram para o quarto do hotel e ela pediu que ele entrasse depois, exatamente cinco minutos depois. Bruno topou a brincadeira e quando entrou, ela estava nua, de quatro sobre o sofá, e o chamava: Quero que você me coma aqui. Bruno perguntou se ela não gostaria de tomar um banho antes. Não ‒ foi sua resposta, enfática. Pouco depois, enquanto Bruno satisfazia sua vontade, ela, gemendo alto de prazer, pediu que ele a chamasse de puta. Ele não chamou, e ela insistiu e insistiu, até que ele obedeceu. Mas o puta dele foi tão sem ênfase que ela não aguentou:

– Me chama de puta, porra, de puta safada! Vai, me chama, porque é isso que eu sou mesmo, uma putinha vagabunda! Eu sou muito putaaaaaaa!!!

E foi assim que ela gozou, o namorado comendo-a de quatro no sofá e ela berrando que era puta, para desespero dele, preocupado com o escândalo. E, apesar de Bruno nunca participar do texto exatamente como ela queria, assim passaram a ser seus melhores gozos, ele metendo nela de quatro e ela gritando que era puta, muito, muito puta.
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OS ENCONTROS COM EXECUTIVO se sucediam, sempre na última sexta do mês, quando ele ia à capital. Encontravam-se no café do shopping e seguiam para o motel. Quase não se falavam, não era necessário. Dinorah não queria saber sobre a vida dele e ele não tinha interesse pela vida dela – tudo que queriam era sexo. Os cem reais do lanche, Executivo pagava adiantado, logo que chegavam ao motel. A nota, Dinorah fazia questão de deixá-la à vista, e adorava ser fodida olhando para ela.

Era uma puta? Ou tudo aquilo era apenas uma fantasia? Ela ainda se perguntava isso. E ainda não sabia a resposta. Sempre escutara que o motivo das mulheres virarem putas era a falta de perspectivas ou os problemas familiares. Ela não tinha nenhum problema sério, levava uma vida confortável, tivera educação religiosa e mantinha uma ótima relação com seus pais. Não tinha motivo para querer ser uma puta. Bem, na verdade tinha um, sim: o fetiche de ser paga. Será que alguma outra mulher já havia virado puta pelo mesmo motivo?

Pelo sim, pelo não, nossa menina decidiu dar uma renovada no guarda-roupa. Comprou roupas novas, uns vestidos mais justos, umas calcinhas mais safadas. E comprou um vestidinho branco colante que jamais pensou que teria coragem de usar. Usou-o a primeira vez com Executivo. Enquanto o aguardava no café, sentiu que os homens a devoravam com o olhar. Era a primeira vez que era olhada daquela forma tão explícita. E era um delícia. Executivo adorou o vestido e pediu que ela o vestisse sempre, e sem calcinha, no que foi atendido. Não tem sempre razão, o cliente?

Executivo nunca lhe perguntou se ela de fato usava o dinheiro para lanchar. Ele apenas pagava e pronto, e Dinorah apenas recebia e transava que nem uma puta, ou pelo menos como achava que uma puta transava, com muita vontade. Passou a ler bastante sobre prostituição, devorando tudo que encontrava sobre práticas sexuais e preferências masculinas. Via vídeos na internet e depois praticava com, digamos assim, seu cliente.

– Cliente? É assim que você tá chamando o cara? – perguntou Pati, rindo da amiga. – Então você já assumiu a putice.

– Existe puta de um homem só?

– Se não existia, agora existe.

– Se ele me vê assim, pra mim tanto faz.

– Então deixe de ser besta e cobre mais, amiga.

– Ah, Pati, não é pela grana, é pelo prazer.

– Prazer tem esse cara. Conseguiu uma putinha bonita, classuda, futura advogada, que dá pra ele por cem pilas. Mixaria. Eu cobraria mais, na boa.

– Mas você é gostosona, Pati, tem peitão, bundão. Eu sou normal.

– Mas fode bem, não fode? É disso que os caras gostam.

Sim, fodia bem. Executivo que o dissesse. A cada vez Dinorah se soltava mais e vivia mais verdadeiramente seu fetiche de ser puta. Não importa se você tem prazer, aconselhava uma prostituta num livro de memórias, faça-os crer que tem e eles adorarão isso, e você terá real prazer por vê-los tão felizes. Interessante, pensou ela, matutando sobre esse trecho. Com Executivo, ela não precisava fingir, pois realmente sentia prazer. E sentia prazer não apenas físico, mas também em descobrir que aquela experiência lhe permitia explorar intensamente sua sexualidade, sem qualquer tipo de culpa, e isso era maravilhoso. Passou a adorar que ele gozasse em sua boca: ela engolia tudo e queria mais, sinceramente sedenta do jorro de sêmen. Aprendeu também a fazer anal, a receber o pau dele inteiro em seu cu, e se no início doía, depois passou a gostar e um dia foi assim que gozou, sentada sobre Executivo, o pau dele totalmente enterrado em seu cu, e ela subindo e descendo feito uma louca descabelada, transtornada pela sensação de estar sendo absolutamente preenchida por trás… e ainda ser paga por isso. Ah, era muita felicidade.

E o namoro com Bruno? Ia do mesmo jeito. Fora da cama se entendiam muito bem, saíam, bebiam e iam a festas, mas no sexo ela continuava um tanto insatisfeita. Sim, tinha prazer com ele, e ele com ela, mas com Bruno não conseguia ser a puta que sentia ser. Sexo anal, por exemplo, ele se recusava a fazer, dizia que era nojento, e ela não se conformava com isso.

Uma noite, enquanto viam um documentário sobre prostitutas na TV, Dinorah comentou que elas eram muito corajosas por trabalhar na rua de madrugada. E Bruno respondeu que elas não eram corajosas, eram doentes. Ela argumentou, dizendo que aquele era o trabalho delas, mas ele disse que era um trabalho de gente doente, e que quem pagava também era doente. Aquilo atingiu nossa menina em algum ponto sensível, era como se Bruno estivesse falando dela, e ela não era doente. Depois desse dia, Dinorah achou mais prudente não tocar no assunto. E deixou de gritar que era puta quando ele a comia de quatro. Uma pena, pois era o prazer mais gostoso que tinha com ele.
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UM DIA DINORAH RECEBEU a notícia que menos esperava. Após a transa, ainda no motel, Executivo lhe disse que um novo gerente assumiria seu lugar na empresa e que, por isso, ele não iria mais à capital. Aquela, portanto, era a última vez que se viam. Dinorah escutou em silêncio, sem conseguir acreditar. Ficou arrasada. Quando chegaram de volta ao shopping e ele lhe estendeu a nota de cem, ela olhou para ele com desdém e disse: É por conta da casa. E saiu.

Foi como se de repente lhe puxassem o chão de seus pés. De uma hora para outra ela perdia sua fantasia. Fantasia? Não, era mais que isso, e só agora ela se dava conta do quanto realmente precisava daquilo em sua vida. Ser puta não era só fantasia, era uma parte de sua vida que não podia mais ignorar. Foram treze meses lindos, treze encontros com Executivo onde aprendeu mais sobre sexo que em todas as suas experiências anteriores. Se dependesse dela, aqueles encontros nunca teriam fim.

E agora?, ela se perguntava, inconformada. Agora tinha apenas seu namorado, que não percebia o que ela era. Dinorah virou-se na cama, sem sono, e conferiu no relógio as três horas da madrugada. Puta. E pela milésima vez pensou no significado daquela palavra.

Dias e dias de tristeza, noites e noites mal dormidas. Dinorah não se conformava em ter sido abandonada. Até que um dia, quando já não suportava mais, entrou em contato com Executivo e perguntou se poderia visitá-lo em sua cidade uma vez por mês. Ela iria por conta própria, ele não precisaria se preocupar com nada. Mas Executivo disse que não seria possível.

– Por favor, você é meu único… cliente – ela completou a frase, e não se surpreendeu com o que dizia.

– Você vai conseguir outros, Loirinha, você é ótima.

– Você acha caro? Posso fazer por cinquenta.

– Obrigado, mas…

– Faço por dez reais, você quer?

– Loirinha, por favor…

– Um real.

Silêncio. Dinorah esperava ansiosa pela resposta. Acabara de pedir um real para transar. A puta mais barata do mundo.

– Você vai me cobrar um real? Tá falando sério?

– Sim.

– Como você pode cobrar um real por um programa?

– E como você pode não querer?

– Eu realmente não entendo.

– Não tente entender. Apenas aceite, por favor…

Novo silêncio. Dinorah sabia que havia ido longe demais. Mas era sua última cartada.

– Desculpa, Loirinha, não vai dar.

É, não deu. Executivo realmente não estava mais a fim. Ele, porém, disse que falaria com o gerente substituto, talvez se interessasse. Você promete?, perguntou nossa menina, um brilho de esperança acendendo-se em seus olhos. Ele prometeu.

Os dias seguintes foram de uma terrível expectativa. Ficou difícil prestar atenção às aulas. Passou a se irritar com qualquer coisa que Bruno dizia, e o sexo com ele, que já não era essas coisas todas, foi rareando até que ela perdeu de vez a vontade. Preocupado, ele perguntou o que estava acontecendo e ela desconversou, dizendo que estava concentrada nas provas da faculdade. Até mesmo a mãe percebeu algo errado, e para ela Dinorah disse que o problema era o namoro, que não ia bem. Para Pati, porém, contou a verdade, e a amiga sugeriu que fosse franca com Bruno e revelasse sua tara secreta.

– Ele me larga na mesma hora – Dinorah respondeu.

– Você arruma outro rapidinho, sua boba.

– Que homem iria aceitar isso, Pati?

– É. Só um cafetão mesmo.

– Cafetão eu não quero.

‒ Qual é o problema? Se alguém te arruma cliente, é justo que ganhe comissão.

– Eu sei que é justo. Mas não quero mais gente envolvida, entende?

‒ Então reza pro novo gerente gostar de você.

Um mês depois, o celular de Dinorah tocou. Era o novo gerente. Ele estava na capital e queria conhecê-la. No dia seguinte, uma sexta, ela pôs o vestidinho branco, sem sutiã e sem calcinha, e foi encontrá-lo no bar do hotel onde ele se hospedava. Chamava-se Jaques, era mais novo que Executivo e era um cara muito bonito. Ele disse que seu colega havia falado bem dela e que estava interessado.

– Ele te falou como é o meu esquema?

– Sim, Loirinha. Cem reais adiantados, né?

– Isso mesmo.

– Fechado. Vamos subir pro meu quarto?

– Você decide, Chefinho. Posso te chamar assim, você tem jeito de Chefinho.

E assim foi. Naquela noite, no décimo quinto andar do hotel, Dinorah foi novamente puta, agora com um novo cliente. Ele pagou adiantado, ela pôs o dinheiro sobre a mesinha ao lado e falou: Agora deixa tua putinha te chupar, Chefinho. E abriu a calça dele, recebendo em sua boca o pau do novo cliente, e nessa noite ela entendeu que os clientes de uma puta eram diferentes, uns mais cuidadosos, outros mais rudes. Aquele era do tipo rude. Não tinha o pau grande como o de Executivo, mas era um tanto indelicado, o que não a impediu em nada de sentir-se feliz, afinal estava novamente fazendo o que adorava fazer, estava outra vez transando por dinheiro. E dessa vez havia algo de muito especial: era a primeira vez do cliente, e era preciso fidelizar a clientela. Quer comer meu cu, Chefinho, é oferta especial da casa, ela perguntou, manhosa. E Chefinho quis, sim, e a pôs de quatro e a enrabou com violência, puxando seu cabelo, e Dinorah, mesmo sentindo-se rasgada por dentro, deleitou-se ao observar-se no espelho ao lado, parecia uma cadela devassa, e bem à sua frente, sobre a cama, os cem reais do lanche, mais belos que nunca.
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A VIDA VOLTOU AO NORMAL para Dinorah. As aulas voltaram a ser o que eram, a irritação com Bruno sumiu e até o sexo com ele ficou mais interessante. Bem, não tão interessante como com Chefinho, é verdade, que, diferente de Executivo, ia à capital duas vezes por mês. E sempre que ia, procurava Dinorah. E ela não recusava, o que a obrigou a ter o dobro de cuidado para que Bruno não desconfiasse.

Um dia, Chefinho disse que queria sexo a três, e perguntou se ela por acaso não tinha uma colega. A ideia não a agradou muito, mas não podia perder o novo cliente. Ela disse que falaria com uma amiga. A amiga era Pati, claro, a única que poderia topar aquela parada e, além disso, elas já haviam transado a três uma vez, não seria nenhuma novidade. Pati trabalhava como operadora de telemarketing para poder pagar a faculdade de Turismo e uma graninha extra certamente seria muito bem vinda. Além disso, era inteligente e descolada, saberia lidar bem com a situação.

– Ai, amiga, não sei se eu levo jeito pra puta.

– Ah, nem vem, eu sei que você gosta de uma boa putaria. E ele é lindo, você daria pra ele de graça.

– É rico?

– Acho que sim.

– Quanto a gente cobraria?

– Semana que vem ele volta. A gente marca um encontro e você negocia, que tal? Você é melhor que eu nisso.

Na semana seguinte, elas se encontraram com Chefinho no bar do hotel. Pati foi vestida com uma minissaia bem curta e um decote tão generoso que a cada dez segundos magnetizava o olhar abobalhado do Chefinho. Ele gostou dela, que se apresentou como Morena, e ofereceu duzentos.

– Pra cada uma, Chefinho? – perguntou Pati, à frente das negociações.

– Não, pras duas.

– Então nada feito.

Dinorah tremeu. Tudo que não podia acontecer era perder o cliente por ganância da amiga. Mas confiava nela.

– Quanto vocês querem?

– Quatrocentos é um preço justo.

– Tudo isso? Sua amiga cobra cem.

– Meu lanche é mais caro, Chefinho.

Dinorah suava. Conhecia bem Pati e sabia de sua personalidade forte e determinada. Determinada até demais. Talvez não houvesse sido uma boa ideia…

– Pago trezentos, Morena.

– Trezentos é o meu preço. Pague mais cem e terá duas meninas lindas e fogosas em sua cama.

– Você é tão competente quanto sua amiga?

– Se você não gostar, te devolvo a grana.

Dinorah aguardou nervosamente a resposta do homem. À frente dele, os peitos de Pati se ofereciam feito dois melões numa bandeja, e Chefinho, coitado, até se esforçava por não olhá-los, mas seus olhos inapelavelmente escorregavam para dentro do decote da Morena e a muito custo é que conseguiam sair de lá. Chefinho afrouxou o nó da gravata, deu um gole no uísque e falou, enfim, que o negócio estava fechado. Enquanto ele pedia a conta ao garçom, Pati piscou um olho para Dinorah, que sorriu aliviada.

Pati precisou devolver o dinheiro? Longe disso. As duas deram muito prazer ao Chefinho, uma de cada vez, as duas juntas, os três misturados, o pau na buceta da Loirinha e a boca nos peitos da Morena, Morena chupando Loirinha e Chefinho enrabando Morena… Duas horas depois ele estava esgotado, mas totalmente satisfeito com o dinheiro investido.

Quinze dias depois, Chefinho voltou à capital e a dupla Loirinha e Morena novamente compensou cada real pago por elas. Dinorah e Pati, grandes amigas e agora grandes parceiras do ménage à trois. Para Pati, além do prazer da putaria, que ela realmente gostava, havia agora seiscentos reais todo mês ajudando bastante no orçamento. Para Dinorah, alívio: o cliente estava garantido. E ainda ajudava a amiga. Tudo sob controle.

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A VIDA, PORÉM, RESERVAVA surpresas desagradáveis para nossa menina. Uma noite, três meses depois do início da parceria sexual com Pati, ao chegar à cobertura de Bruno, ela percebeu de imediato que algo não estava bem. Bruno recusou o beijo e disse que queria conversar. Sentaram-se no sofá, mas ele logo levantou-se e perguntou:

‒ Há quanto tempo você faz programa?

Dinorah tomou um susto tão grande que ficou muda.

‒ Não vai responder? ‒ ele insistiu.

Ela pensou em fingir que não sabia do que ele falava, mas percebeu que não conseguiria. E respondeu a verdade, que começara pouco antes de conhecê-lo. Ela podia ver a sombra da decepção em seus olhos, ele estava arrasado. Perguntou-lhe como descobrira e ele disse que dias antes um amigo a havia visto num bar com Pati e um homem, e os seguiu até o motel. Por quê, Dinorah?, Bruno perguntou. E ela nada respondeu. Por quê, Dinorah? E dessa vez ela respondeu a única coisa possível: Porque eu gosto.

O clima era horrível. A vontade era de levantar e sair correndo, mas ela sabia que não podia fugir assim daquele momento. Bruno tinha direito a um mínimo de consideração de sua parte.

– Não vai dar pra continuar.

– Desculpa, Bruno. Eu não queria que terminasse assim.

– Por isso você sempre defendia as putas. Você é uma delas.

Dinorah fechou os olhos. Ouvir aquilo daquela forma era doloroso. Mas…

– Você é uma doente, Dinorah.

Era doloroso, sim, mas foi nesse momento, confrontada com a acusação que sofria, que ela finalmente compreendeu. Não, não era doente. Era uma puta. Não era a sua profissão, mas gostava de transar por dinheiro, e isso era o bastante, não? Sim. Tinha alma de puta. Fosse fetiche, fantasia ou realidade, era isso que ela era: uma puta. Era puta, sim. De corpo e alma.

– Eu não menti pra você, Bruno. Te falei várias vezes que eu sou puta.

– Falou? Quando?

– Quando a gente transava.

– Mas… na transa não vale.

– É nesse momento que uma mulher revela suas melhores verdades, você não sabia?

Bruno não respondeu. Tinha os olhos marejados e olhava para um ponto qualquer no espaço. Dinorah sentiu pena dele, mas sabia que nada mais havia a ser feito. Caminhou até a porta, abriu e, após dezoito meses de um namoro que nunca deveria ter começado, saiu para sempre da vida de Bruno.

Naquela noite não conseguiu dormir, seu ser inteiro era um turbilhão de pensamentos e sentimentos. Por um lado, estava triste por Bruno. Não o amava, mas gostava dele. Como poderia ter sido diferente? Não, não poderia, ele jamais aceitaria sua condição. Por outro lado, sentia-se aliviada, pois agora finalmente não tinha mais dúvidas: ela era puta, sim. Transar por dinheiro era delicioso e não machucava ninguém, o que havia de errado nisso? Por que não continuar? E já que namorado nenhum a aceitaria, ela seguiria solteira mesmo, pelo menos enquanto sentisse prazer em ser puta.

Quando amanheceu e a claridade do dia invadiu o quarto, ela estava em paz consigo mesma, não mais havia conflito em sua alma. Então levantou e encontrou os pais na sala tomando café. Sentou à mesa e eles logo comentaram sobre o estado de espírito da filha. Ela riu e contou que estava novamente solteira. A mãe comentou que ela estava mais bonita, e que o namoro não estava mesmo fazendo bem a ela, e o pai lembrou que em poucos dias ela receberia o diploma de advogada, bola para frente, minha filha. Página virada, vida nova, ela respondeu, sorridente.

Após o café, calçou os tênis e, enquanto os pais saíam para a missa das oito, seguiu para o parque. Era um belo domingo ensolarado, ela pensou, perfeito para recomeçar a vida. Do parque mesmo ligou para Pati, para contar as novidades. Falou que ainda estava triste por Bruno, mas que se sentia muito feliz por ter finalmente assumido o que ela, de fato, era. E preveniu a amiga:

– Ele sabe que você também tá no esquema, Pati. Melhor a gente tomar cuidado.

– Eu não tô mais, Dinorah.

– Como assim?

– Eu ia te contar num momento mais oportuno… mas acho melhor resolver isso agora.

Dinorah sentiu um calafrio. O tom de voz da amiga a assustava.

– Mas… você estava tão animada. O que aconteceu, Pati?

– Eu e Jaques estamos namorando.

Ficou em silêncio. Pati e Chefinho namorando? Escutara direito?

– Viajo na próxima semana, já tô com tudo pronto. Vou morar com ele.

Não. Pati só podia estar brincando.

– É sério, Dinorah. Você vai ter que arrumar outro cliente.

– Mas… Pati…

– Desculpa, Dinorah. Boa sorte.

Ela escutou o som da ligação encerrada. Sentada no banco do parque, tinha a impressão que estava sonhando, que em breve algo aconteceria e ela, puff, despertaria. Mas nada aconteceu. Cinco minutos antes sorria feliz para o mundo, e agora estava totalmente sem chão. O namorado descobrira que ela era puta e o único cliente que tinha a abandonara para ficar com sua melhor amiga. Sem cliente, sem amiga, sem namorado, sem nada. Aquilo era a realidade, brilhando tão forte quanto o sol sobre sua cabeça.
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AGranaDoLanche-06acap. 8

UM MÊS DEPOIS, RECUPERADA DO BAQUE, Dinorah começou a estudar as possibilidades. Tinha vinte e sete anos, era agora uma advogada formada e trabalhava num importante escritório. Dois anos antes começara a transar por dinheiro e descobrira nisso o grande prazer de sua vida. Embora tivesse plena consciência de todos os riscos envolvidos, não estava disposta a abrir mão do prazer. Precisava fazer algo para continuar tendo sexo pago.

Mas o quê, exatamente? Bater ponto em alguma rua? Não, isso estava fora de cogitação, pois temia por sua segurança e nem podia tornar públicas suas atividades. Os bares dos hotéis pareciam ser uma opção interessante, mas desistiu quando descobriu que teria que deixar uma gorda comissão com os gerentes. Tudo de que precisava era um único cliente, só isso.

Optou pelo Pai Tomás, um bar de sinuca que era frequentado também por mulheres que faziam programa. Lá certamente não encontraria conhecidos. Escolheu um vestido discreto, chegou no bar cedo e sentou-se num banco do balcão. Pediu um suco. Enquanto reparava no ambiente, percebeu que um cara acenava para ela da mesa de sinuca. Um segundo antes de sorrir de volta, reconheceu o cara: era um conhecido da faculdade. Que merda, pensou Dinorah, assustada. Desanimada, levantou e foi embora.

No dia seguinte, pesquisou mais lugares e encontrou um bar num bairro distante. Talvez lá não topasse com conhecidos. De fato, não topou, mas os homens que o frequentavam eram feios e grosseiros, jamais transaria com eles, nem por pouco nem por muito dinheiro.

Não lhe agradava ter que anunciar-se em sites de garotas de programa, mas pelo jeito não havia opção melhor. Então criou coragem e ligou para um número que conseguira num dos tais sites. Era o telefone de um tal Dinho, o cara que fizera as fotos das garotas. A ideia era fazer fotos bonitas e sensuais como aquelas, mas ela posaria de máscara para não ser reconhecida. Um dia depois ela foi ao estúdio conversar com o fotógrafo. Dinho tinha cinquenta anos, era um profissional experiente e lhe pareceu um cara confiável. Ela explicou que queria as fotos para fazer uma surpresa ao namorado, e marcaram a primeira sessão de fotos para a semana seguinte. Ela comprou algumas peças de lingerie, luvas e apetrechos. E as máscaras, claro.

No dia marcado, lá estava nossa menina, nervosa mas decidida. Dinho a tranquilizou, dizendo que ela era uma mulher linda, de sensualidade natural, que não ia ser difícil fazer boas fotos, e que podiam explorar seu jeitinho de menina, misturando ingenuidade e malícia, e ela adorou a ideia. Ele explicou que no estúdio ficariam apenas ele e sua assistente, que o ajudaria na iluminação e na troca de roupa. Combinaram que naquela primeira sessão ela fotografaria vestida e que, na segunda sessão, com ela mais relaxada, fariam as fotos de nu. Ele perguntou se ela aceitava uma taça de vinho para relaxar, mas ela recusou. E assim, durante as três horas seguintes, Dinorah experimentou várias poses, fez caras e bocas e trocou muitas vezes de roupa. Ao fim, Dinho elogiou-a e disse que ela se saíra muito bem.

Três dias depois, fizeram a segunda sessão, e dessa vez Dinorah aceitou a taça de vinho, pois estava mais nervosa. Foi uma sábia decisão. O vinho a ajudou a relaxar e ela posou com muita naturalidade para a lente de Dinho, seminua e totalmente nua, e enquanto os cliques se sucediam, ela lembrava das noites com Executivo e Chefinho, e aquilo tudo a deixou num tal estado de excitação que teve ímpetos de se masturbar ali mesmo, na frente de Dinho e de sua assistente. Quando a sessão terminou, ela continuou deitada sobre as almofadas por algum tempo, nua e relaxada, curtindo as boas possibilidades com que o futuro lhe acenava. Acho que temos fotos maravilhosas, Dinho falou, você fotografa muito bem. Dinorah agradeceu o elogio e a assistente lhe entregou sua roupa.

Dias depois, ela voltou ao estúdio e gostou bastante das fotos, todas feitas com muito bom gosto. As máscaras lhe escondiam bem a identidade, e seu corpo parecia mesmo o de uma adolescente. Mesmo nua e em poses provocantes, alguém diria que aquela garota era uma puta?

Pagou o restante do acertado e levantou-se para ir embora.

– Seu namorado é um cara de sorte – Dinho disse. – Ele vai ter uma bela surpresa.

Dinorah parou e pensou um pouco. Por que mentir para ele?

– Na verdade, não tenho namorado.

– As fotos são pra algum trabalho?

– Ahn… Não. Sim.

Dinho sorriu, e pelo sorriso, Dinorah desconfiou que ele já havia entendido tudo. Sentiu-se desmascarada.

– Fique tranquila, Dinorah, sou um profissional e já tô acostumado com esse tipo de trabalho. Se quiser alguma dica de site, posso sugerir alguns muito bons.

– Na verdade… – ela começou a responder, sem jeito. – Eu não sou exatamente o que você tá pensando, Dinho.

Ele a olhou curioso. Ela reparou que ele tinha olhos pretos muito bonitos, como não reparara antes? Aliás, não eram apenas os olhos, ele era realmente um cara bonito e charmoso, aqueles cabelos grisalhos, o porte elegante…

– O que você é, então?

De repente, ela sentiu uma imensa vontade de contar tudo para ele. Sim, mal o conhecia, mas talvez ele pudesse realmente ajudá-la, quem sabe?

– Tem um barzinho legal aqui perto, quer ir comigo? – ele perguntou.

Meia hora depois, na mesa do bar, Dinorah abriu o jogo sobre sua fantasia de transar por dinheiro. Contou sobre os programas com Executivo e Chefinho, o namoro frustrado com Bruno, o lance com Pati e também sobre seus planos de usar as fotos para conseguir um novo cliente. Dinho escutou tudo em silêncio. Ao fim, ela falou:

– Tá surpreso, né?

– Admito que sim.

– Você acha que eu sou uma puta?

Dinorah fez a pergunta e esperou nervosamente pela resposta. Não que ela fosse mudar o que pensava a respeito de si mesma, pois quanto a isso já não tinha dúvidas. Mas saber o que Dinho pensava tornara-se de repente algo muito importante.

– Não sei o que você é – ele respondeu, olhando sério em seus olhos. – Mas se é uma puta, então é a puta mais linda e verdadeira do mundo.

Ela ficou pasma. Não esperava por uma resposta como aquela. Ele tocou seu rosto com delicadeza, aproximou-se devagar, como se dando tempo para que ela recuasse, mas ela não recuou, e ele a beijou na boca. Suas línguas se envolveram num beijo quente enquanto as mãos buscaram com sofreguidão o corpo do outro. Dinorah estava gostando de tudo: o jeito dele de beijar, as mãos firmes em seu corpo, o cheiro… Séculos depois, quando suas bocas se separaram, ele falou, ofegante:

– Quero te comer, Dinorah. Agora.

Ela adorou ouvir aquilo. Já ia dizer eu também quando ele completou:

– Te pago adiantado, como você gosta.

Ela quase riu. Não seria nenhum sacrifício dar de graça para aquele cara, mas já que ele queria pagar, mil vezes melhor.

– Você me paga no motel.

– Pode ser em meu apartamento? Moro na rua de baixo.

– O cliente manda.

E foram. O apartamento era um quarto e sala com decoração simples e uma pequena sacada. Dinho pôs Lovage para tocar e a levou para o quarto. E lá transaram até a exaustão. Quando Dinorah acordou, já estava claro, e Dinho dormia ao seu lado na cama. Ela o observou por alguns instantes, admirando sua excitante beleza de homem vivido, as marcas no rosto… Para quem tinha cinquenta anos, ele estava bem, e até aquela barriguinha era um charme. E o pau, molinho como estava, nem lembrava o pau grosso e inquieto que horas antes metia gostoso nela, invadindo-a de todas as formas, com uma mistura de delicadeza e violência que ela adorou. Ela levantou-se, pegou a nota de cem no chão, vestiu-se e saiu em silêncio para que ele não acordasse. No elevador, viu-se no espelho e riu de sua cara de boba. Ah, não, Dinorah, ela pensou, você não está apaixonada, não está, entendeu?
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AGranaDoLanche-06acap. 9

ESTA SIM, ESTA NÃO, ESTA SIM, esta não, esta sim. A escolha das melhores fotos não foi difícil, havia várias muito boas, e logo Dinorah tinha as suas prediletas separadas num arquivo em seu computador. Faria ainda uma segunda triagem e depois escolheria os sites onde as publicaria. Sua intenção era atrair homens de outras cidades, seria menos arriscado. Mas faria isso no dia seguinte, estava muito cansada, o dia fora cheio, com aula de manhã e à tarde, e no dia seguinte tinha que acordar cedo. E, além disso, havia dormido pouquíssimo na noite anterior.

A noite anterior… Ela desligou o computador e ficou lembrando da noite com Dinho, no apartamento dele. Fora uma transa incrível, maravilhosa mesmo. Ele a comera de um jeito que ela jamais havia sido comida antes, nem por Executivo, nem por Chefinho, nem por ninguém. Comera-a com vontade, com tesão, ao mesmo tempo com violência e com doçura, ao mesmo tempo o beijo alucinado e o pau entrando e saindo com delicadeza, como era possível aquilo? E metera nela olhando fundo em seus olhos, tão fundo que ela de repente se perdia no olhar dele e o quarto sumia, tudo sumia, e ela sentia-se uma coisa só junto dele, um único ser, que transava consigo mesmo… Que coisa louca.

Será que ele fazia isso com as outras garotas que fotografava? Será que havia gostado dela? Ele tinha um jeito especial de olhar, como se a visse como realmente era, e ela se sentia nua quando ele olhava assim, mais nua que quando esteve sem roupa diante dele no estúdio. Ou ele olhava assim para todas? Ele era atraente, inteligente, devia haver muita mulher atrás dele. Por que estava solteiro?

Dinorah virou-se na cama, sentindo-se docemente envolvida pelas lembranças da noite que teimava em não terminar. Será que ele ligaria, querendo outro programa? Ou era do tipo que não se envolvia com clientes? E se ela mesmo ligasse, com a desculpa de que queria fazer mais fotos? Parecia uma boa ideia, ela pensou, mas logo repensou: Caramba, e por que eu faria isso? Não. Não e não. Melhor esquecer o cara e se concentrar no que tinha a fazer. Se ele quisesse ser seu cliente, ótimo, e se ele foi um cliente de apenas um programa, ótimo também. E assim nossa menina adormeceu, com a questão resolvida.

Doce ilusão. A questão voltou à estaca zero dois dias depois: no escritório, durante o intervalo para o lanche, ela viu uma mensagem dele: Quero te ver de novo. Quem disse que conseguiu se concentrar depois disso? Enquanto tentava organizar o material de um cliente sobre sua mesa, os pensamentos e as dúvidas voltaram à sua mente. Até que não aguentou mais, saiu da sala e dirigiu-se ao banheiro, trancando-se num box.

– Oi, Dinho. É a Dinorah.

– Que bom que você ligou. Podemos marcar um horário?

Ele quer outro programa, pensou Dinorah, subitamente feliz.

– Claro. Pra quando?

– Pra hoje.

– Hoje?

‒ Sim, hoje.

‒ Bem, eu…

– Eu pago o dobro.

– Ahn… só um instante – ela falou, fingindo que estava em dúvida. ‒ Pode ser amanhã?

– Não. Eu pago o triplo, Dinorah. Não, o quádruplo. Mas tem que ser hoje.

Uau, ela pensou, desse jeito ele vai acabar me devolvendo tudo o que paguei pelas fotos…

– Deixa ver… Pode ser às dez? – ela perguntou, e achou aquilo superexcitante, fingir que consultava a agenda para ver se havia algum horário livre entre os programas do dia.

– Tá ótimo, te espero em meu apartamento. Você tem vestido preto?

Percebendo que alguém entrava no banheiro, respondeu baixinho:

‒ Tenho um que você não vai acreditar.

‒ Venha vestida nele, por favor.

Quando encerrou o expediente, foi direto para o shopping e comprou um vestido novo: preto, curtinho e de costas nuas. E às dez chegou no prédio do cliente. Nossa menina já tinha experiência, você sabe, mas ela nunca esteve tão nervosa como nessa noite. Enquanto o elevador subia, ela olhava-se no espelho e ajeitava o vestido, o cabelo, o brinco, o vestido de novo… E aquele batom vermelho, não estava um pouco demais? Percebendo o próprio nervosismo, ela terminou rindo de si mesmo: era a própria adolescente indo para o primeiro encontro.

Dinho a recebeu com um sorriso generoso, e disse que ela estava maravilhosa… Ela agradeceu e entrou. Ele ofereceu vinho, ela aceitou um pouquinho. Sentada no sofá da sala, sentiu voltarem as sensações da noite que passara com ele, o sexo gostoso, o cheiro bom do peito dele, aquele olhar intenso… Dinho chegou com o vinho, deu-lhe uma taça e brindaram. A esta noite, ele falou, e as taças tilintaram. E para Dinorah, aquele som foi como um sino a badalar a verdade que ela não queria admitir: estava apaixonada. Apaixonada por um cliente. Quanto amadorismo de sua parte…

Ela pediu que ele contasse um pouco sobre sua vida, estava curiosa por saber mais sobre aquele cara tão interessante. Ele contou que já fora casado, que tinha um filho da idade dela que morava com a mãe, que adorava seu trabalho de fotógrafo e que mais não falaria pois não conseguia se concentrar com uma mulher tão linda e especial pertinho dele. Dinorah riu, lisonjeada.

Dinho pôs a taça sobre a mesa, pegou a carteira, tirou quatrocentos reais e deu para ela. Dinorah pegou as quatro notas de cem, separou três e as devolveu a ele.

– Mas combinamos quatrocentos.

– Meu preço é cem – ela disse, sorrindo. – Guarde pras próximas vezes.

– Próximas vezes?

– Só se você não quiser.

– Eu quero muito mais que próximas vezes, Dinorah.

O que ele queria dizer com aquilo? Ela precisava saber.

– Muito mais como?

Ele respirou fundo antes de responder.

– Não consigo tirar você da cabeça desde o primeiro dia. Nunca conheci uma mulher tão incrível como você, acredite. Sei que isso não é a coisa mais sensata do mundo… eu não devia… mas… eu tô apaixonado, Dinorah.

Ela não acreditava no que ouvia. Pôs a taça sobre a mesa, ao lado da taça dele, e as duas tilintaram novamente. Aproximou-se, ficando colada ao corpo dele. E, com o rosto bem pertinho do dele, sussurrou:

– Eu é quem não devia. Mas também me apaixonei por você.

– Verdade?

Ela percebeu a felicidade nos olhos dele, e por um instante Dinho lhe pareceu um garotinho a ganhar o presente com o qual mais sonhava.

– Verdade. Mas não sei se isso é bom. Demorei pra aceitar o que eu sou, mas hoje eu não tenho nenhuma dúvida.

‒ O que você é?

‒ Eu sou uma puta, Dinho. Você pode achar que é apenas um fetiche, mas eu sei bem o que eu sou.

– Eu gosto de você do jeito que você é.

– Putas não devem se apaixonar por clientes, é a regra número um.

– Eu sei. Mas é fácil resolvermos isso.

– Como?

– Basta você ser minha namorada.

– Não entendi.

– Aceite namorar comigo e eu continuarei te pagando, como um cliente.

Dinorah riu, mas continuava sem entender. Aquilo não fazia sentido.

– Sei que você já cobra barato. Mas eu jamais terei grana suficiente pra te pagar o tanto que eu quero te comer. Então a gente namora e você me faz um bom desconto, o que acha?

Aquilo começava a fazer sentido.

– Você queria um cliente exclusivo, né? É isso que falta pro teu fetiche, tô certo?

Estava certo, sim, ela pensou, estava certíssimo.

– Seja minha namorada, Dinorah. E eu serei o cliente que você tanto procura.

Dinorah puxou-o para si e o beijou apaixonadamente. Sim, aquilo fazia todo o sentido do mundo.
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AGranaDoLanche-06acap.10

NOSSA HISTÓRIA AGORA DÁ UM SALTO no tempo, um ano na frente. Você acha que esse namoro deu certo? Acha possível dar certo um namoro onde ela é puta e ele é cliente? Bem, até agora tem dado certo sim, e muito certo. Ela cobra por cada transa, cobra mesmo, e se ele não tem o dinheiro na hora, ela anota numa cadernetinha. Dez reais por cada transa. Se for só um boquetinho básico, cobra a metade, e ela sempre engole, feliz. Anal? Claro que faz, afinal é uma de suas especialidades. Meter em seu cu custa o dobro, porém ela sempre dá o anal seguinte de brinde, não é nenhum sacrifício. Ménage à trois é cortesia da casa, mas ela tem que aprovar previamente a outra. Swing foi uma novidade, ela não esperava, mas topou conhecer e hoje é ela quem pede para ir. Apesar da inflação, ela não pensa em aumentar preços, pois a quantidade de transas compensa e, além do mais, ela faz questão de manter o cliente, por quem está cada vez mais apaixonada. Ele, então, nem se fala: passou até a evitar as massas e a correr no parque para melhorar a forma física, pois quer ser um cinquentão em forma para que sua putinha sinta orgulho do namorado-cliente.

E as fotos que fizeram? Ficaram lá no computador, sem usar, ela já está satisfeita com a clientela que possui. Mas as roupas que comprou para fazer as fotos, essas ela faz questão de usar com Dinho, todas elas, e dia desses ainda comprou mais, inclusive uma fantasia de aeromoça, que essa era uma antiga fantasia dele, transar com uma aeromoça ao som do tema de Aeroporto 77. Um dia a mãe dela desconfiou daquelas roupas tão estranhas no guarda-roupa da filha e Dinorah decidiu contar a verdade… mas pela metade: disse que tinha esse fetiche de se fantasiar, e que o namorado adorava. Se a desculpa funcionou bem, até hoje Dinorah não sabe.

Mês e meio atrás, o casal decidiu que seria melhor morar junto. Só com a grana do táxi que ela pegava para ir vê-lo já fariam uma boa economia. E ainda tinha o escritório em que ela trabalhava, que ficava perto. Os pais aprovaram a ideia com ressalvas, principalmente o pai que não gostava do fato de Dinho ter a mesma idade dele. Fizeram um jantar de despedida para a filha única que saía de casa e Dinho jantou com eles, o que não serviu muito para que simpatizassem mais com ele, pois em certo momento Dinho não conseguiu controlar o hábito que tinha de chamar a namorada pelo apelido carinhoso. Nada preocupante, claro, se o apelido carinhoso não fosse… Putinha. Dinorah tentou consertar, mas ela e Dinho tiveram uma crise de riso e o jantar terminou num clima meio surreal, uns sem entender muito e outros se controlando para não rir.

Semana passada o namoro completou um ano. A comemoração? Uma viagem para o Pantanal, onde ficaram sete maravilhosos dias. E quem pagou a viagem foi ela, só com o dinheiro que juntou em um ano de programas com seu cliente amado. E, para completar o pacote nupcial, não cobrou um centavo para transar com ele, foi tudo cortesia.

Bem, quase tudo. No último dia, após o café da manhã na pousada, enquanto arrumavam as mochilas para ir embora, bateu o tesão urgente-urgentíssimo e começaram a se agarrar no quarto. Quando já estavam nus, e ela de quatro sobre a cama, Dinorah perguntou se ele ficaria chateado se ela… bem, se ela cobrasse por aquela saideira.

‒ Ah, Dinho, esta semana foi tão maravilhosa… Seria a cereja do bolo, você não acha?

‒ Uma puta com lábia de advogada… ‒ ele respondeu, rindo.

‒ Ou o contrário.

‒ Só tem um problema. Já gastamos tudo, estamos zerados.

‒ Não tem nada aí na carteira?

‒ Só cartão.

‒ Ah, não…

Nesse momento, o funcionário da pousada bateu na porta para ajudá-los a levar as bagagens. Dinho enrolou-se na toalha, foi até ele e conversou baixinho alguma coisa. Depois fechou a porta e voltou.

‒ Resolvido.

‒ O que você fez?

‒ Pedi emprestado um real ‒ respondeu ele, sorrindo e jogando a moeda sobre a cama. ‒ Agora, de quatro, Putinha. Já.

Dinorah imediatamente obedeceu e, feliz, voltou a ficar de quatro sobre a cama, a bunda empinada. E, de olhos fechados, aguardou o instante seguinte, aquele mágico instante em que a vida parece suspensa e tudo que existe é a quase insuportável expectativa de que no segundo seguinte ela sentirá um pau duro invadindo sua buceta, e ao lado lhe sorrirá o seu suado, e gozado, dinheirinho.
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Ricardo Kelmer 2013  – blogdokelmer.com

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IndecenciasParaOFimDeTardeCAPA-01aIndecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos eróticos

Uma advogada que adora fazer sexo por dinheiro… Um ser misterioso e sensual que invade o sono das mulheres… Os fetiches de um casal e sua devotada e canina escrava sexual… Uma sacerdotisa pagã e seu cavaleiro num ritual de fertilidade na floresta… A adolescente que consegue um encontro especial com seu ídolo maior, o próprio pai… Seja provocando risos e reflexões, chocando nossa moralidade ou instigando nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir, as indecências destes 23 contos querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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INDECÊNCIAS PARA VOCÊ TIRAR A ROUPA

IndecenciasParaVoceTirarARoupa-01aMuitas mulheres têm esse fetiche, o de exibirem-se anonimamente para o público. Então criei uma promoção: envio o livro e a leitorinha faz uma foto erótica com ele, sem precisar mostrar o rosto, e a foto será usada em cartazes de divulgação do livro. Você gostaria de participar? Clica aqui.

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- A grana do lanche ou a grana por ter sido o lanche?! (O que pensa o Executivo da Loirinha? Como a Loirinha se sente? Vai saber! ) Confusa a situação da Dinorah, mesmo que uma garota deseje agir como uma puta por um dia (falo das artimanhas e safadezas), muitas vezes ela não quer ser paga por isso, é como se valesse pouco, como se diz no popular: fica se sentindo uma merda. O pior ainda é quando a garota namora o cara mais velho e já fica todo mundo falando que é por causa do dinheiro e o cara ainda quer dá uma grana pra garota para “ajudá-la” nas despesas… Já passei por isso. Os caras precisam ter mais noção, saber com quem estão lhe dando e não sair ofendendo as garotas assim. Renata Kelly, Fortaleza-CE, nov2014

02- O conto é ótimo,adorei!Mas realmente a situação dela é dificil de entender..pode ser que o cara tenha sido apenas gentil,mas em nossa sociedade tem muitos dogmas e preconceitos em relação á liberdade sexual da mulher.Então,entendo a confusão que ele tá sentindo…complicado. Thaís Guida, Rio das Ostras-RJ – nov2014

03- Eu só tenho uma coisa a dizer: BICHA BURRA! Como q me joga uma nota de 100 pila fora assim? AHUAHEUAHEUAEHU muito bom! Elaine Evangelista, São Paulo-SP – nov2014

04- Ricardo meu mestre em putaria, me diga… Este livro estará disponível à compra no próximo sarau? Ozi Garofalo, São Paulo-SP – nov2014

05- Eu acho que ta super certa sim! Quantas vezes uma mina nao dá e depois o cara nem olha na cara, sequer lhe dá um café ou cigarrinho de “depois”??? Tem mais é q cobrar mesmo AHUEHAUEHEUEHUE. Elaine Evangelista, São Paulo-SP – nov2014

06- Uaaaaaaaau! Não tinha lido os capítulos 2 e 3… O negócio esquentou hein! A verdade é que toda garota gosta de ser respeitada, mas tem o seu lado santa e seu lado puta. O complicado é o cara saber qual lado explorar na hora da transa, mas não custa nada a garota sugerir o que quer, talvez custe para o cara “a grana do lanche”. rs! E como eu falei no comentário anterior, os caras devem ficar ligados para não saírem ofendendo quem não quer ser assim uma “puta”, ser paga, mas se a garota tá afim e se excita com isso que mal tem né. Renata Kelly, Fortaleza-CE, nov2014

07- Entendo o conflito que ela vive…mas não acho que ela seja puta,acho que é um fetiche dela. Thaís Guida, Rio das Ostras-RJ – nov2014

08- Terminei de ler os capitulos agora, enfim, minha conclusão: ela nao era prostituta nao. Tinha apenas o fetiche de ser tratada com uma. Se fosse de fato, teria dado pra qualquer um (como os caras xexelentos do boteco q ela foi), pois é isso que as puta de fato fazem … se importam apenas em serem pagas ^^ Bem bacana a historinha, acho que faz quem lê pensar bastante e refletir ^^ Parabens Kelmer. Elaine Evangelista, São Paulo-SP – nov2014

09- Sucesso com sua inocente Dinorah. Gilvanilde, Fortaleza-CE, abr2015

10- Ô cabra pra se garantir esse Kelmer. Rogers Tabosa, Fortaleza-CE, abr2015

11- Ricardo Kelmer melhor a cada leitura. Diego Claudino, Rio de Janeiro-RJ – mai2015

12- Valeu, Primo. A Dinorah está com tudo. Parabéns pela graça e verossimilhança da criatura. Abração. Leite Jr., Fortaleza-CE – mai2015.

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As Preciosas do Kelmer – out2014

31/10/2014

31out2014

AsPreciosasDoKelmer201410.
As Preciosas do Kelmer
é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

> No Facebook (todas as edições)

> No Blog do Kelmer

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AsPreciosasDoKelmer201410AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
#25, out2014
> Esta edição no Facebook

Capa: Gabriela Leite (1951-2013), prostituta e socióloga brasileira

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*** ADEUS, PATERNIDADE INDESEJADA

Vasalgel é o nome do anticoncepcional masculino que a Fundação David e Lucile Packard, junto à Fundação Parsemus, está desenvolvendo, e que deve ser testado em humanos a partir de 2015. Por não conter hormônios em sua fórmula, o processo é mais seguro que a pílula feminina. Outra importante diferença é que apenas uma injeção pode ser efetiva por um período extenso de tempo.

Ao invés de cortar os vasos deferentes (como é feito na vasectomia), o polímero contraceptivo age diretamente nos vasos. O medicamento bloquearia o esperma de passar pelos “tubos”, mas caso o comprador volte atrás, a empresa ainda criou uma segunda injeção capaz de normalizar o processo do homem.

Ótima notícia, não? Agora a responsabilidade da gravidez não pesará apenas para a mulher. Porém… as grandes indústrias farmacêuticas não possuem interesses em medidas preventivas de longa duração, pois financeiramente vale mais a pena comercializar a pílula anticoncepcional para mulheres do que um químico que age por anos em homens. Sem falar nos lucros vindos das vendas de remédios para tratar sintomas decorrentes do uso da pílula, como náuseas, enxaqueca, problemas cardíacos, pressão alta e até mesmo depressão.

Felizmente, com a ajuda de doações pela internet, as pesquisas prosseguem e o medicamento tem previsão de chegar ao mercado em 2017. > Mais

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*** FISCAL DE URNA ELETRÔNICA

Diego Aranha é um pesquisador da Unicamp, na área de segurança computacional e criptografia. Ele afirma que em testes realizados em 2012, a urna eletrônica mostrou vulnerabilidades. Diego propõe que a sociedade monte um sistema independente de fiscalização da apuração. A ideia é simples: às 17h o cidadão fotografa o BU (boletim de urna), que é afixado na porta da zona eleitoral, e envia a foto para o e-mail bu@vocefiscal.org.

Todos esperamos que o sistema de urna eletrônica seja efetivamente seguro. Mas Diego está certo, é bom confiar desconfiando.

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*** O PRAZER É TODO NOSSO, LOLA

Gabriela Natalia Silva tem 22 anos, é natural de Pirassununga-SP e prostitui-se desde os 17 anos. Formada em Letras, pela Universidade Federal de São Carlos-SP, ela mudou-se em 2013 para a capital e seguiu fazendo programas, tornando-se nacionalmente conhecida. Sem pudores de comentar publicamente sobre seu trabalho, ela pretende fazer um mestrado para estudar a sexualidade na área da antropologia ou das ciências sociais, mas não tem planos de deixar a profissão tão cedo. Este ano conseguiu unir os grandes interesses de sua vida, sexo e literatura, e lançou o livro “O prazer é todo nosso”, pela Editora Mosarte, com tiragem inicial de 10 mil exemplares.

O livro de Lola traz uma série de histórias que se passam em sua maioria na cama, sobre as quais a autora faz reflexões. Lola garante que viveu todas as histórias da maneira que estão contadas, como quando foi contratada para satisfazer cinco amigas enquanto os maridos viajavam a trabalho, ou como a história em que participou de um swing com 15 casais. Para Lola, seu trabalho também tem o sentido de ajudar as pessoas a superarem problemas, como ela conta na história sobre um casal que tenta reacender o desejo na relação, no caso de uma mulher que jamais havia conseguido ter um orgasmo e na história de um rapaz que, apesar de seus desejos, não se permitia viver experiências homossexuais.

Entre um e outro programa, Lola não esquece dos livros. Atualmente, mantém várias relações paralelas: com Nelson Rodrigues (“A vida como ela é”), John Cleland (“Fanny Hill”) e Mia Couto (“Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra).

Sobre como prefere ser tratada, ela não tem dúvida. “De puta mesmo, acho mais original, causa um choque nas pessoas, é mais divertido, mais bem resolvido”, ela responde, seguindo a linha de Gabriela Leite, ativista na busca pelos direitos das profissionais do sexo (falecida em 10 de outubro de 2013), autora de “Filha, mãe, avó e puta” e que insistia que prostitutas não deviam se envergonhar de seu ofício. É a Gabriela que Lola dedica “O prazer é todo nosso”. (fonte: uol.com.br) > Mais

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*** COMO TIRAR O HAO123 DA SUA VIDA

Recém-chegada ao Brasil oficialmente, a companhia chinesa de internet Baidu oferece uma série de produtos e serviços em seu catálogo. Um deles é o Hao123, agregador de sites que pode funcionar como programa ou extensão do navegador.

Muitas vezes, porém, o Hao123 vem junto de uma instalação de outro serviço (não necessariamente do Baidu) e, ao dar “avançar” ou clicar em “configuração avançada”, o usuário acaba adicionando a barra de serviços ao seu computador sem querer. Se você deseja desinstalar o serviço, clique aqui.

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*** ANA PAULA VALADÃO E O EXÉRCITO DE CRISTO

Ainda bem que existe o Diabo. O que esses religiosos fanáticos fariam da vida sem Sua Excelência O Maligno?

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*** FOME E MISÉRIA – ISSO IMPORTA PARA VOCÊ?

Todos são iguais perante a lei, porém aquele que mais necessita deverá ser atendido primeiro. Isso resume bem o princípio de equidade na governança. Foi isso que os governos petistas fizeram no Brasil de 2002 para cá, tratando como absoluta prioridade a questão da desigualdade social. As políticas urgentes de equidade social, implantadas pelo PT em programas de transferência de renda como o Bolsa Família, diminuíram bastante o problema da fome e da miséria, e são usados pela ONU como exemplos a serem seguidos por outros países.

O PT tem seus defeitos, e precisa cortar na própria carne o mal da corrupção, como outros partidos também, mas é preciso reconhecer que nenhum outro governo fez o que ele fez na questão das políticas sociais.

A polarização atual entre PT e PSDB pode ser resumida, grosso modo, assim: quem nunca viveu fome e miséria e não se importa tanto com a questão, deseja apenas que sua vida melhore, e quem já viveu fome e miséria, tudo que deseja é que esse tempo não volte jamais. > Mais

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*** GRAVE ANTES DE TRANSAR

Na Escócia, uma mulher foi presa por falsa acusação de estupro. Vixe, que perigo. Será que agora teremos que gravar o consentimento? > Mais

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EFEITOS BENÉFICOS DA MACONHA (Drauzio Varella)

O médico e escritor Drauzio Varella, sempre muito lúcido e equilibrado, escreve sobre coisas boas que a maconha proporciona. > Mais

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*** SALMA HAYEK DANÇA NO BAR

Dois irmãos assassinos, Seth e Richie Gecko, tentam chegar ao México. No meio do caminho, sequestram um pastor e seus dois filhos. Ao passarem pela fronteira, eles param num estranho bar de motoqueiros. Este é o enredo do filme de ação e terror Um Drink no Inferno (From dusk till dawn, 1995), dirigido por Robert Rodriguez, roteirizado por Quentin Tarantino e estrelado por George Clooney, Harvey Keitel, Juliette Lewis e pelo próprio Tarantino.

Poisbem. A bela e exótica dançarina do bar é interpretada por Salma Hayek, atriz mexicana naturalizada estadunidense, que interpretou a artista Frida Kahlo no filme Frida (direção de Julie Taymor, 2002). No entender deste humilde comentarista que vos fala, é uma das melhores cenas de dança erótica do cinema. A música é After Dark, da dupla de stoned rock Tito & Tarantula. Perfeita para sexo. Salma também. Uia.

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*** XICO SÁ E A IDEOLOGIA DA GRANDE MÍDIA

Não é crime um jornal ter sua própria orientação partidária. A Folha de São Paulo, apesar de tentar disfarçar, usa seu jornalismo para defender o PSDB e atacar o PT de todas as formas que puder, inclusive na manipulação de notícias para influenciar a opinião pública.

A saída de meu conterrâneo Xico Sá da Folha de São Paulo, onde mantinha uma coluna, mostra que já não é tão fácil para a grande imprensa manter sob seu cabresto ideológico os jornalistas talentosos de opinião livre. A Folha perde um ótimo profissional, é claro, e o divertido Xico certamente prosseguirá presenteando de outras formas seu público com as pérolas de seu talento genial-fuleragem.

A grande imprensa brasileira é comandada por grupos cuja ideologia privilegiam a força do capital e da competição, e não são simpáticos a políticas de equidade social, como as dos programas sociais do PT, que diminuem a desigualdade social. Para a sociedade, o melhor é um equilíbrio de forças na imprensa. Para isso, é preciso democratizar mais a mídia. > Mais

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*** XOXOTA E MACONHA, TUDO A VER

Derivado de uma mistura de óleo de coco e maconha, o Foria é um lubrificante íntimo feminino cuja fórmula foi inspirada no conhecido uso da cannabis como um afrodisíaco em culturas tradicionais em todo o mundo. “Para algumas mulheres, pode despertar a excitação e aumentar a sensação de orgasmos mais intensos com mais facilidade”, afirma a fabricante.

Além de poder ser aplicado no ato sexual, ele pode ser ingerido para criar o relaxamento necessário para a transa, já que o produto concentra uma boa quantidade de THC, responsável pelo efeito psicotrópico da erva. O efeito é como o de comer um brownie de maconha. Infelizmente o produto é vendido apenas na Califórnia e com recomendação médica. > Mais

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*** A COCA QUE VIROU PIZZA

E o caso do helicóptero da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG), aliado político do senador Aécio Neves, que em novembro de 2013 foi apreendido com 445 kg de pasta base de cocaína, como está? Conforme antecipamos aqui nas Preciosas logo após o ocorrido, prenderam alguns peixinhos miúdos e só. O caso será esquecido e continuaremos sem saber quem era o dono do pó. E os tubarões continuarão soltos. É como diz uma divertida marchinha de carnaval: o pó rela no pé e o pé rela no pó… Veja o documentário (que tentaram censurar) sobre o caso:

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*** BRASIL DIVIDIDO? SÓ SE FOR EM TODOS OS ESTADOS

EleicoesPresidente2014BrasilMapa-01.

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*** UM ANO SEM GABRIELA LEITE

Gabriela Leite nasceu em São Paulo, em 22 de abril de 1951. Era filha de uma dona de casa conservadora e de um crupiê e estudou nos melhores colégios de São Paulo. Aos 22 anos, quando cursava Sociologia na USP, trabalhava num escritório e frequentava círculos da boemia intelectual paulistana, decidiu largar tudo para trabalhar como prostituta.

Exerceu regularmente a profissão em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Fundou em 1992 a ONG Davida, para defender os direitos das prostitutas e para lutar contra o estigma da vitimização das prostitutas, que quer fazer crer que a prostituição é sempre fruto da falta de opção. A Davida criou a grife de roupas femininas Daspu, que suspendeu suas atividades em 2009 mas retomou em 2014 com o lançamento de uma nova coleção, aproveitando o clima da Copa do Mundo no Brasil.

Gabriela lançou em 2009 o livro Filha, Mãe, Avó e Puta (Objetiva), em que narra sua vida. Sem pudores, ela revela detalhes sobre o mundo da prostituição e os tabus da profissão, fala sobre as preferências sexuais dos clientes e narra histórias insólitas sobre suas relações com homens casados, cafetões e drogas. Com franqueza e coragem, ela conta como chegou a atender 78 homens em uma só noite após a eleição de um certo presidente, narra como enfrentou a ira dos poderosos para manter a Daspu viva e como tornou-se uma porta-voz das prostitutas com sua atuação na ONG Davida. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 62 anos, em 10 de outubro de 2013.

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*** FILHA, MÃE, AVÓ E PUTA

Selecionei alguns trechos do livro Filha, Mãe, Avó e Puta, de Gabriela Leite, a socióloga que decidiu ser prostituta. São momentos raros de franqueza e simplicidade, e de uma sabedoria incomum, que poucas mulheres conseguem alcançar em suas vidas. Se você, leitorinha, é uma mulher que despreza as prostitutas, sugiro que leia o livro de Gabriela. Talvez depois disso você as veja com outros olhos.

TRECHOS DO LIVRO

“Eu tinha meus próprios lençóis e fronhas, um grande vidro de alfazema Mauá que sempre borrifava para o quarto ficar cheiroso. Os homens gostavam muito do meu capricho e sempre queriam bis. Já as meninas diziam que eles voltavam porque eu era filha de Iemanjá, e Iemanjá gosta de alfazema, o que me dava boa sorte. Não sei, não creio nem descreio. Somente sei que em toda a minha carreira de puta sempre tratei muito bem meus clientes e sempre tive um quarto limpo e cheiroso. Zona pobre não é sinônimo de sujeira, e uma puta, estando na zona, seja rica ou não, deve sempre estar bem arrumada e cheirosa.”

“Não demorou muito e as mulheres católicas começaram a implicar com a minha presença. Dizendo, claro, que eu, como prostituta, era um mau exemplo para as crianças. Logo elas, que não mexiam uma palha por aquelas meninas e aqueles meninos. Tinha também uma mulher que insistia em oferecer umas aulas de artesanato para as prostitutas, sem nenhum êxito. A grande ideia dela era ensinar as meninas a pintar florzinha em pote de maionese Hellmann’s e colocar babado naquela tampa laranja. E diziam que aquilo era uma alternativa de renda para a puta! Elas partiam do princípio de que a prostituta é uma vítima que não teve chance nenhuma, nem de pintar vidro de maionese.”

“Claro que todas as prostitutas, como eu, já gozaram com seus clientes. Por mais que um homem seja desconhecido, ele pode ser o tipo que satisfaz nossas próprias fantasias, sem que se diga nada. Ou é daqueles homens que fazem o coração bater mais forte. No meu caso, minha maior fantasia sempre foi essa: encontrar homens desconhecidos, que me levassem ao orgasmo até com uma trepadinha boba. Todo mundo sabe o que é isso, todo mundo já sentiu uma atração imensa sem motivo aparente.”

“A prostituição não é uma profissão fácil. A paixão é fundamental para suportar as contradições e os chamados ossos do ofício. Mas até hoje nunca conheci uma puta que largasse a profissão por não gostar dela. A Igreja misturou muito o sexo com o amor. Sexo é
da vida. Amor é egoísta, é do indivíduo.”

“O mundo não é feito de vítimas. Todo mundo negocia. Alguns negociam bem, outros mal. Mas cada um sabe, o mínimo que seja, quanto vale aquilo que quer. E sabe até onde vai para conseguir o que quer. Com a prostituta não é diferente.”

“Como fantasia, o desejo de ser puta acompanha todas as mulheres, na cama ou na imaginação. Mas como profissão é outra coisa. O que a puta tem que as outras mulheres não têm? Nada. O que as outras mulheres têm que a puta não tem? Nada.”

“O que eu sei e creio que toda grande puta sabe é que o homem é de uma fragilidade imensa. E saber isso eu devo à prostituição. Porque ali dentro do quarto é que eles se mostram. Homem não é algoz, não necessariamente. É mais fácil a mulher ser algoz. Eles têm a primazia na sociedade, nós tivemos que dar nosso jeito, discretamente.”

“Quando vejo uma mulher falando mal do seu homem e colocando todas as culpas da vida dela nele, eu sei que ela só está se escondendo atrás de uma história que a sociedade estabeleceu como verdade. Mesmo as mulheres mais modernas são incapazes de colocar seus filhos para lavar suas cuecas, uma louça ou fazer uma comida. Ela cria esse homem que depois acaba considerando um grande diabo.”

“A maioria dos homens não sabe trepar. Dependem quase integralmente de uma parceira que lhes ensine os mistérios do seu corpo. Eles trepam na quantidade, não na qualidade. Morrem de medo do pau não subir e só passam a usar a imaginação quando começam a ganhar muito dinheiro e vão para a zona pagando para fazer de tudo.”

“Acham que ser viril é estar sempre de pau duro. Não é. O homem viril é o homem que se dá. Esse homem que está sempre de pau duro, ele só pensa no prazer dele. Pau grande pode ser um problema se o homem não se dá.”

“Por saber de tudo isso, a puta está mais para amiga do que para amante. A amante quer ser esposa. A puta jamais vai aconselhar um homem a deixar a esposa e a família. Ela vai conversar com ele sobre tudo que o sujeito não conversa com ninguém, e eu já vi muita puta salvar famílias.”

“Muitas vezes o sexo é quase uma desculpa para o homem poder conversar com sua prostituta predileta. Mesmo que ele fale mal das putas, ele sabe que o que conta dentro do quarto morre ali.”

> Baixe o livro

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*** OS NOMES DAS BANDAS DE ROCK

Cultura roqueira também é cultura.

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AS PRECIOSAS DO KELMER

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Indecências para você tirar a roupa

29/10/2014

29out2014

Leitorinhas liberam seus fetiches e ajudam a divulgar meu livro

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INDECÊNCIAS PARA VOCÊ TIRAR A ROUPA

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Meu livro de contos eróticos Indecências para o Fim de Tarde foi lançado em nov2014, pela Editora Escrituras (selo Arte Paubrasil). Para divulgá-lo, bolei uma estratégia de marketing que vai depender diretamente dos fetiches das minhas leitorinhas amadas.

É o seguinte. Enviarei o livro gratuitamente a algumas leitoras do Brasil e exterior, e elas farão fotos com ele. As fotos serão eróticas e anônimas (sem mostrar o rosto, com máscara, óculos escuros etc), mas sempre mostrando a capa do livro. Criarei cartazes com essas fotos e somente eu e a fotografada saberemos que é ela na foto, ninguém mais saberá, nem mesmo ninguém da editora. Os cartazes serão exibidos em meu blog e nas redes sociais, sendo que os mais ousados serão exibidos apenas em meu blog, nos Arquivos Secretos (acesso com senha, em breve).

Algumas leitoras, mesmo sendo tímidas, adoraram a ideia de se exibir em segredo para o público e instigar fantasias. É realmente um fetiche clássico, eu sei, e algumas leitoras já fazem isso em meu blog, enviando fotos suas para ilustrar meus textos. Outras gostaram e acharam excitante, mas têm medo, mesmo sabendo que jamais serão reconhecidas na foto. Entendo e respeito os receios de cada uma, mas sei que às vezes certos medos escondem um urgente desejo de libertação e de viver as verdades mais íntimas. E sei também que, independente de padrões estéticos, cada mulher é uma deusa e possui sua própria beleza e poder. Meu convite a essas mulheres é justamente este: que se permitam ser, ainda que anonimamente, a Deusa da Beleza que verdadeiramente são.

Você gostaria de participar, leitorinha? Que maravirilha! Você pode pedir a alguém para fazer a foto (profissional ou amadora) ou você mesma pode se fotografar, onde e como você quiser, sozinha ou acompanhada, vestida, com pouca roupa ou nua, do jeito que se sentir melhor. Mas lembre-se que a capa do livro tem de estar bem visível.

Entre em contato pelo e-mail rkelmer@gmail.com e esclarecerei suas dúvidas. Não há prazo para o término dessa brincadeira gostosa. 🙂
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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IndecenciasParaOFimDeTardeCAPA-01aIndecências para o Fim de Tarde
Ricardo Kelmer – contos eróticos

Os 23 contos deste livro exploram o erotismo em muitas de suas facetas. Às vezes ele é suave e místico como o luar de um ritual pagão de fertilidade na floresta. Outras vezes é divertido e canalha como a conversa de um homem com seu pênis sobre a fase de seca pela qual está passando. Também pode ser romântico e misterioso como a adolescente que decide ter um encontro muito especial com seu ídolo maior, o próprio pai. Ou pode ser perturbador como uma advogada que descobre que gosta de fazer sexo por dinheiro.

O erotismo de Ricardo Kelmer faz rir e faz refletir, às vezes choca, e, é claro, também instiga nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir. Seja em irresistíveis fetiches de chocolate ou numa selvagem sessão de BDSM, nos encontros clandestinos de uma lolita num quarto de hotel ou no susto de um homem que descobre verdadeiramente como é estar dentro de uma mulher, as indecências destas histórias querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > saiba mais

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ELAS ESPERAM ANSIOSAMENTE POR VOCÊ…

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MAIS FOTINHAS PARA VOCÊ SE INSPIRAR
E TAMBÉM MANDAR A SUA

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IFTFotoCapa-108dIndecências ao amanhecer

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IFTFotoCapa-106aA estante indecente

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IFTFotoCapa-107aIndecências com rabo… de cavalo

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IFTFotoCapa-109Indecências em prelúdio

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IFTFotoCapa-102bIndecente, mascarada e felina

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IFTFotoCapa-104a.Indecências pela vidraça

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IFTLeitorasTiramARoupa-164Indecências a dois é melhor ainda

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Ué? Mas só mulher pode participar??? Que coisa mais heteronormativa! Luc Lic, São Paulo-SP – out2014

02- Êita! Só aguardando o meu! rs! Renata Kelly, Fortaleza-CE – out2014

03- Gostei da ideia das fotos,assim que receber o livro vou tirar uma foto bem sensual e te mando. já tenho até uma ideia… kkkkkkkkkkkk.. mas surpresa. Talita, Rio das Ostras-RJ – out2014

04- Bacana essa sua ideia de divulgação do Indecências para o Fim de Tarde. Bacana e sacana. rs O legal é q mexe com a autoestima das meninas e também com a libido delas e dos demais leitores. Fernanda, Rio de Janeiro-RJ – out2014

05- Adorey! E que esse livro indecente chegue logo. Samara Do Vale, Fortaleza-CE – nov2014

06- Genial a ideia do marketing! Parabéns pelo lançamento! Antonio Martins, Maceió-AL – nov2014

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Aécio Neves e as levianas

24/10/2014

24out2014

Tem hora certa pra chamar uma mulher de leviana

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AÉCIO NEVES E AS LEVIANAS

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O candidato à presidência Aécio Neves perdeu um significativo percentual de eleitoras mulheres ao repetir com a presidenta Dilma Roussef o que fizera em outro debate com a candidata Luciana Genro. Chamando-as de levianas (que fixação, eu, heim), sem querer comprou briga com muitas mulheres, inclusive as próprias levianas. Aecim, meu fi… Você, que já frequentou muito as baladinhas cariocas, já devia saber que tem hora certa pra chamar uma mulher de leviana. Em sua homenagem, acionei meu lado feminino, a Kelmerina, e fiz esta brincadeirinha, espero que não me leve a mal. Nem você, nem as levianas deste Brasil-sil-sil.

A propósito. Esta brincadeirinha já rendeu algumas ideias interessantes. Uma delas é criar o bloco carnavalesco Levianas do Aecim. A concentração seria no aeroporto e a madrinha do bloco chegaria de helicóptero. Tudo isso, evidentemente, com patrocínio do Pó Royal.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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O BAILE DO PÓ ROYAL

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LEIA NESTE BLOG

MGM144O mistério da morena turbinada – Aí um dia ela, inocentemente, leva o computador numa loja pra consertar. Algum tempo depois dezenas de fotos suas estão na rede, inclusive fotos íntimas

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e entre uma orgia e outra luta pela liberação das mulheres

Lola Benvenutti e a coragem de viver – A única salvação possível é sermos quem verdadeiramente somos. Parabéns, Lola, por sua coragem e autenticidade

Me estupra, meu amor – Fantasiar ser estuprada é uma coisa – querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente

Os apuros do homem feminista – Minha busca por relações igualitárias foi dificultada também porque muitas mulheres, mesmo oprimidas, preferiam relações baseadas no velho modelo machista

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz.

Estão abduzindo nossas mulheres – Abdução em massa de brasileiras! E bem debaixo do nosso nariz. Alguém precisa fazer algo, daqui a pouco só vai ter homem aqui

O feminino em mim – O feminino tem muitas luas, é menina e é mulher, é santa e é prostituta

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COMENTÁRIOS
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01- Fernando Vasqs Kkkkk, boa! Depois disso, o playboy perdeu 5 pontos com as mulheres no Datafolha.

02- eu, sou brasileiro, c muito orgulho, c muito amor. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – out2014

03- Isso da um bloco de pre-carnaval bem bacana: As Levianas de Aecio. Ana Lucia Castelo,

04- hahahaha..Boa!!!! Tania Souza, São Paulo-SP – out2014

05- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Gizelle Saraiva, Natal-RN – out2014

06- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Jessica Giambarba, Fortaleza-CE – out2014

07- HAHAHAHAHAHHAHA. Sâmara Paula, Fortaleza-CE – out2014

08- Obrigado por me incluir nas Kelmericas! Bjos.kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Você é ótimo…..kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Angela Marques Gadelha, Fortaleza-CE – out2014

09- kkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Rildson Valmont, Fortaleza-CE – out2014

10- Risos levianos. Auri Castelo Branco, Fortaleza-CE – out2014

11- Hahahaha! É verdade que o Aécim tem dois filhos, o Levi e a Ana? André Braga Nunes, Fortaleza-CE – out2014

12- E são mesmo! Duas lokas! ahhhh pelamor … Ana Luisa Stoffelshaus, Santiago-México – out2014

13- Boa, boa! Carmélia Aragão, Fortaleza-CE – out2014

14- Hahahahaha. Joyce Néia, São Paulo-SP – out2014

15- Kkkkkkkkk, amei! Herjan Flor Branca Do Baobá, Fortaleza-CE – out2014

16- kkkkkkkkkkkkk kelmer, seu fanfarrão! kelmerina, sua leviana! Clarisse Ilgenfritz, Fortaleza-CE – out2014

17- kkkkkkkkkkkkkk… Kelmerina é bom demais!!! Déborah Lima, Fortaleza-CE – out2014

18- Kkkkkk…muitoooo bom!!! Nicole Guilhon, Fortaleza-CE – out2014

19- NÃO PERDER O HUMOR, JAMAIS! KKKKKK. Márcia Maracajá, Garanhuns-SP – out2014

20- Levianos unidos jamais serão vencidos! Deco Rodrigues, Pelotas-RS – out2014

21- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, morri bêbada, leviana e rindo do aparelho excretor dos outros (que no dos outros é refresco)!!!!!!!!!! Cibele Baptista, Barretos-SP – out2014

22- Nojo mortal só de ouvir a voz desse ser na propaganda eleitoral e o riso debochado dele chega a ser indecente… Viviane De Brito Monteiro, Santos-SP – out2014

23- Kkkkkkkkkkkkk Romulo MorelFortaleza-CE – out2014

24- RK COMENTA: Meu amigo Fábio Danesi (São Paulo-SP), com quem tive o prazer e alegria de trabalhar como roteirista no Rio de Janeiro, publicou suas previsões no Facebook logo após a confirmação da reeleição de Dilma Rousseff, em 26.10.14. Espero que ele erre feio. 🙂

Amigos e conhecidos que votaram no PT, anotem o que vou escrever aqui: Nos próximos anos, a inflação vai aumentar, o desemprego vai aumentar, os impostos vão aumentar, a dívida pública vai aumentar, o pobreza vai aumentar. Os investimentos, a poupança e a riqueza vão diminuir. Ao mesmo tempo, o PT tentará de todo jeito controlar a mídia, o supremo, a polícia federal e o ministério público. Tentará fazer a pior reforma política possível e destruir a nossa liberdade de escolha. Daqui a quatro anos, teremos um país bem pior. Então, na melhor das hipóteses, Aécio será eleito no primeiro turno e terá que ter a capacidade de um Fernando Henrique para colocar o país de volta nos trilhos. Se tiver, o Brasil só perderá alguns anos. Todos pagaremos caro por isso (menos os amigos do governo), mas, quem sabe, nossos filhos vejam um país melhor depois que saírem da faculdade. Na pior das hipóteses, o PT conseguirá controlar completamente o país, tornando a eleição um mero truque de ilusionismo totalitário. Anotem. Se eu estiver errado, podem me lembrar do que escrevi aqui. Porque eu vou ficar o tempo inteiro lembrando vocês, caso eu esteja certo.

 


Literalmente

23/10/2014

23out2014

Literalmente-03
LITERALMENTE

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De minuto em minuto, a vida se revela só para você, feito um texto que se lê sozinho. E o texto, de palavra em palavra se desvela, feito a vida que passa na tela do tempo. Cada segundo vivido é vida que encurta. Em cada palavra lida, o ponto final se prenuncia. Tem vida o texto que se lê: ele nasce, cresce e morre diante dos olhos, e o sentido de tudo o autor infelizmente não pode dar. O sentido é justamente a própria busca por ele, na sutileza do que não se leu, nas entrelinhas do que virá. A vida não se repete, mas o texto sempre dá uma nova chance, e você pode voltar e revivê-lo, até que o sentido que lhe fugia reluza ao olhar num repente.

Releu o que escrevera, achou que estava bom e postou. E foi tratar de viver. Literalmente.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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LEIA TAMBÉM

AUltimaMensagem-01A metamorfose – Pai, filho e o fundo do poço

Desculpem o atraso – Ela, o feminismo e o BDSM

A última mensagem – Aprendendo sobre amor e perdão

Literalmente – O sentido dos textos e da vida

Prazer proibido – Essas mães e suas filhas…

Cem vezes mais – Deus é fiel, tá sabendo?

> mais minicontos

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01- Minicontos, muito bom. Tenho alguns também, gosto do estilo, combina com a atualidade. Antonio Martins, Maceió-AL – mar2015

02- Li e reli. Gostei! Rejane Porto Cult, Fortaleza-CE – mar2015

03- Adorei. Muito lindo Ricardo Kelemer. Vilma Galvão, Braga-Portugal – mar2015

04- Maravilha!!! Arlete Franco, São Paulo-SP – mar2015

05- Muito bom! Quando vem por aqui? Erika Lobo, Brasília-DF – mar2015

06- Vou ler…boa noite,Rica!bj e parabens sempre. Isabela Alcântara, Fortaleza-CE – mar2015

07- Amei!! Ana Andréa Gadelha Danzicourt, Tubarão-SC – mar2015

08- Vou ler !! Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – mar2015

09- Muito bom… adorei literalmente. Andrea Coelho, Lisboa-Portugal – mar2015

10- Belo texto! Cicío Bonneges, São Paulo-SP – mar2015

11- Cada dia melhor! Gisela Symanski, Porto Alegre-RS – mar2015

12- Muito bom! Emille Valença, Fortaleza-CE – mar2015

13- Pois sim…… Nada como uma boa leitura, e uma Vida no meio. Andrea Dal Castel, Rio de Janeiro-RJ – mar2015

14- Muito bem, Ricardo Kelmer! Parabéns, amigo, cujas palavras, nos levam a refletir sobre a vida e a morte — Eros/Thanatus. Abração, meu caro! Mônica Ananias, São Paulo-SP – jul2016

15- Texto lindo… Marilu Dias, São Paulo-SP – jul2016

16- Bravo! Clea Fragoso, Fortaleza-CE – out2019

17- É isso mesmo. E o texto não se repete, se reconfigura, se dá outro sentido. Feliz niver de novo, Barbixa Ricardo Kelmer querido do meu ♥️. Fabiana Z Azeredo, Fortaleza-CE – out2019 

18- Lindo Texto…Lindo Poeta😚❤👏👏👏👏 Irene Oliveira da Silva, São Paulo-SP – out2019

19- Eita! 👏👏👏 Sheyla Araujo, Fortaleza-CE – out2019 

20- Show! Marcondes Dourado, Fortaleza-CE – out2019 

21- Adorei! Fernanda Francisco Justino, Fortaleza-CE – out2019 

22- E por segundos vivi esse texto 🙂 Shirlene Holanda, São Paulo-SP – out2019

23- Cara , tu é muito show!!! Rsrsrs. Paz e luz!! Regia Alves, Fortaleza-CE – out2019

24- Nossa, vc escreve muito bem, parabéns! Fernanda Francisco Justino, São Caetano do Sul-SP – nov2019

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