SORTEIO Vocês Terráqueas 1

26/11/2008

26nov2008

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Presenteie alguém com o livro Vocês Terráqueas

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Será sorteado 1 (um) exemplar do livro. O sorteado indicará quem receberá o presente (no Brasil) e eu enviarei pelo correio um exemplar com dedicatória. Tudo por minha conta.

PROMOÇÃO EXCLUSIVA PRA LEITORES VIPS


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PARA PARTICIPAR DA PROMOÇÃO
Deixe um comentário abaixo indicando um texto kelmérico de sua preferência. Não esqueça de escrever seu nome/sobrenome e sua cidade.

O SORTEIO
1. O sorteio será realizado em 20.12.08 (sábado). A referência será o número do 1o prêmio do sorteio da LOTERIA FEDERAL, extração de 20.12.08. Confira o resultado da extração aqui: http://www1.caixa.gov.br/loterias/loterias/federal/federal_resultado.asp

2. O número do 1o prêmio (5 algarismos) da extração será dividido pela quantidade de participantes da promoção e valerá o resto da operação para determinar o número sorteado da nossa lista oficial. Exemplo: Se o resto for 5, o sorteado será o número 5 de nossa lista. Se não houver resto, o sorteado será, obviamente, o último número da lista.

LISTA OFICIAL
A lista oficial dos participantes, com seus números para o sorteio, será atualizada aqui neste espaço.

Boa sorte! E obrigado por ser Leitor Vip.

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Saiba mais sobre o livro

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RESULTADO

O prêmio da Loteria Federal do dia 20dez foi 44674. Pra saber quem foi nosso sorteado:

44674 dividido pela quantidade de participantes (5) = 8934
Resto da operação = 4

Nosso participante sorteado é o 4
> Paula Izabela

Parabéns, garota. Agora você me diz pra quem eu devo enviar o livro. E o endereço, claro.

Muito obrigado aos outros Leitores Vips que participaram da promoção. Quem sabe da próxima vez, né? Abração.

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Agenda nov2008

15/11/2008

15nov2008

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AGENDA NOV2008

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E a turnê nordestina prossegue. Continuo em Fortaleza, divulgando o novo livro, fazendo umas palestras e produzindo umas festinhas safadas. Pros amigos e leitores que são mais chegados no RK escritor ou no RK festeiro, aqui vão alguns toques:

19nov (quarta-feira)
Sessão de Autógrafos na Bienal Internacional do Livro
Será no estande 52 da Secult, de 20h a 22h. Estarei lá com o livro novo, Vocês Terráqueas, e com os demais livros. Durante a Bienal todos os livros se encontram à venda no mesmo espaço. A entrada é grátis.

21nov (sexta-feira)
Farra no Cabaré Alheio
Como é o RK festeiro que atualmente sustenta o RK escritor, vem aí mais uma festinha daquelas que vovó não passaria nem calçada. Será no Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar). No comando do som, os DJs Marquinhos, Guga de Castro e RKBaré. Samba rock, black music, disco, ritmos latinos, brega e musga lenta, pra dançar solto e coladinho. Hora do apagão. Concurso Mata Eu (fem e masc): suba no palco, jogue seu charme e ganhe R$ 50 em consumo. Ingresso: R$ 12.

28nov (sexta-feira)
Sessão de Autógrafos + 20 Anos do Badauê
Aproveitarei a festa 30 e Alguns Anos, que a promoter Cristina Cabral realiza mensalmente no anexo do Docentes e Decentes (rua Ana Bilhar 1445, entre Manoel Jesuíno e Assis da Picanha) e farei uma sessão de autógrafos de 20h a 23h. Depois comemoraremos o aniversário de 20 anos do Badauê, o memorável bar que tivemos, eu, Nelsinho e Paulo Marcio, na Praia de Iracema entre 1988 e 89. Ingresso normal da festa: R$ 20. Ingresso pros sobreviventes do Badauê: R$ 10.

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A TURNÊ KELMÉRICA CONTA COM A PARCERIA DE
Kingston – Expressão Gráfica – Garin Cópias
Luce Galvão de Sá ArquiteturaRossana Romcy

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As joias de Rossana

14/11/2008

14nov2008

rossanaromcy01.

A temporada cearense de lançamento do livro Vocês Terráqueas, que já contava com o apoio da Kingston e de Luce Galvão de Sá Arquitetura, agora tem também o apoio de Rossana Romcy.

Rossana é um dos novos nomes no ramo de design de joias. A criatividade aliada ao bom gosto de suas peças, que unem sementes, metais e pedras preciosas e são feitas a mão, já chamam a atenção não somente do mercado nacional mas de países como Itália e Portugal, pólos da moda mundial.

Trabalhando junto com seu marido e ourives Alexandre Ortiz, Rossana dá asas à criatividade na criação de peças únicas e exclusivas. A designer também trabalha sob encomenda, criando de acordo com a necessidade e o desejo do cliente.

Site Rossana Romcy

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Ricardo Kelmer 2008  – blogdokelmer.com

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Essa loirinha desmiolada de sol

10/11/2008

10nov2008

Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

ESSA LOIRINHA DESMIOLADA DE SOL

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Os leitores que ultimamente receberam livros meus pelo correio certamente perceberam que o endereço do remetente não é de São Paulo, mas de Fortaleza. Explico: tô passando uma temporada no Ceará e desde setembro despacho daqui meus livros vendidos pela internet. Vim finalizar em Fortaleza o novo livro, Vocês Terráqueas, e a nova edição de bolso dos demais, aproveitando a parceria que tenho com a Expressão Gráfica e com a Garin, e vim também pra participar da Bienal Internacional do Livro (12 a 21nov) e fazer umas palestras.

A ideia era retornar pra São Paulo até dezembro, mas como tô precisando de uma graninha urgente pra pagar os custos do novo livro e também pra comprar um notebook, decidi voltar a produzir festas temáticas, algo com que trabalhei por vários anos. Então adiei o retorno, possivelmente pra depois do Carnaval. Produzir uma festa não me dá tanto prazer quanto publicar um livro, mas dá menos trabalho. E sempre dá um dinheirinho muito bem-vindo que ajuda a bancar o RK escritor.

Fortaleza é assim, pro RK escritor ela não tem amplos horizontes a oferecer, mas pro RK festeiro ela escancara as pernas. Essa loirinha desmiolada de sol… Fortaleza será sempre assim, inculta, dengosa e bela. Sempre que venho, ela me vem com agradinhos, diz que eu deveria ficar, que mereço vida melhor do que a que levo sozinho em São Paulo, alugando quartinhos minúsculos, sem os amigos que tenho aqui, os dengos e as facilidades…

Ela diz isso mas tá cansada de saber que nosso amor é um amor impossível. E sabe muito bem que agora sou um cara compromissado com São Paulo, a quem ela desdenhosamente chama de Paulete Periguete. Ciúmes, claro, tem cidade que é muito ciumenta. E Paulete não tem nada de oportunista, pelo contrário. Ela pode até não ser tão calorosa quanto Fortaleza, mas é bem curvilínea e, aiai, são as curvas de seus horizontes que mais seduzem o RK escritor.

– Mas duvido que ela seja mais ecônomica que eu – Fortaleza começa a ladainha, enquanto brinca de sereia na areia da praia pros meus olhos. Cidade adora se comparar com a outra, ô mania horrível. De fato, Fortaleza não é dispendiosa como São Paulo. Mas finjo que não escuto a provocação e continuo olhando o mar, gosto de ver as ondas indo e vindo, é um dos meus mantras visuais favoritos.

– Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar.

– Duvido que ela faça gostoso como eu faço, duvideodó… – ela sussurra, sua voz sapeca sibilando em meu ouvido junto com o vento de outubro. E dessa vez eu concordo, claro, imagina se vou discordar. Não, loirinha, ninguém faz o que você faz, principalmente depois da terceira vodca.

Fortaleza é assim, a derradeira brisa de verão, um gosto de beijo roubado na fila do embarque, a felicidade com visto vencido.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

IncultaEBelaDengosaECruel-8aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Maior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e bela, dengosa e cruel) – E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Confissões de uma leitorinha nua (por Leitorinha) – Fiquei tão à vontade pra ler a página dele na net que agora o fazia completamente nua

São Paulo, sua loca – Quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro

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Vocês Terráqueas – Lançam. Fortaleza 2

28/10/2008

28out2008

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No dia 21out, no Buoni Amici´s (Centro Cultural Dragão do Mar – Fortaleza), aconteceu o lançamento do meu novo livro, Vocês Terráqueas. Obrigado a todos que compareceram e me proporcionaram uma noite memorável. Espero que gostem da obra. Obrigado também aos apoiadores: Célio do Amici´s, Cristina Cabral, Luce Galvão de Sá Arquitetura e Kingston.

O próximo lançamento em Fortaleza será durante a Bienal Internacional do Livro (Centro de Convenções), no dia 19nov, às 20h, no estande da Secult. Mas antes levarei o livro a bares, faculdades e espaços culturais, fazendo sessões de autógrafos itinerantes.

Como parte da estratégia de divulgação, criei clips musicais com trechos do livro e imagens de arquétipos femininos. O dvd com os clips será exibido em alguns bares e casas noturnas da cidade. Utilizei músicas famosas que falam da mulher e também músicas minhas. Caso deseje adquirir, é só entrar em contato: rkelmer@gmail.com

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Lançamento em Fortaleza 21out

14/10/2008

Ricardo Kelmer 2008

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Desde o final de agosto que me encontro em Fortaleza, a loirinha desmiolada de sol. Vim pra cuidar do lançamento de meu livro Vocês Terráqueas, participar da Bienal Internacional do Livro (nov2008) e fazer umas palestras. Sempre delicioso voltar à terrinha.

O evento oficial de lançamento do livro será em 21out, no Buoni Amici´s (Centro Cultural Dragão do Mar). Coincidentemente, será no dia de meu aniversário, quando iniciarei meu glorioso e inesquecível 45o. ano de vida. Haverá um telão onde serão exibidos clips com trechos e imagens da obra e a apresentação será feita pela artista visual e curadora Ana Valeska Maia. O evento conta com o apoio cultural da Kingston, da produtora Cristina Cabral e do escritório de arquitetura Luce Galvão de Sá.

Ainda não acertei outros eventos de lançamento mas logo que acertar, divulgarei aqui. Adoraria lançar este livro em muitas outras cidades mas eventos desse tipo requerem apoio financeiro e logístico (divulgação, passagens, hospedagem etc.) e isso tem que ser feito com cuidado. Posso, por exemplo, incluir na negociação uma palestra. Você ou sua empresa tem interesse? Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com

LANÇAMENTO VOCÊS TERRÁQUEAS – Fortaleza

DIA: 21out (terça-feira), 19 a 23h
LOCAL: Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar)
INF: 85-3219.5454
Preço do livro: R$ 20. Os outros livros do autor também estarão à venda (R$ 10)

> Mais sobre o livro

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Pesadelos do Além

21/08/2008

21ago2008

O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

pesadelosdoalem-01Nada pode ser mais aterrorizante para um escritor que a seguinte situação: dia do lançamento de seu novíssimo livro, ele sentado na mesinha, o lugar todo preparado, a pilha de livros em espiral, o fotógrafo ao lado para registrar as presenças ilustres… e ninguém aparece. Putz, que horror.

Acabo de descobrir, porém, que existe um pesadelo bem pior. Não, não falo desses textos com falsa autoria que analfabetos literários repassam aí pela internet, matando o escritor de vergonha por ver que milhares de pessoas acham mesmo que ele escreveu aquele texto horroroso. Isso é de lascar, mas nesse caso pelo menos podemos ir à tevê e nos defender.

O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado. Putz, me dá uma fininha de nervoso só de imaginar essa possibilidade… Não acredito em Deus, mas se um troço desse me acontecer, juro que entrarei com um processo contra ele por permitir tal barbaridade. Espíritos, reencarnação, psicografias, todo mundo é livre para acreditar no que quiser, até em promessa de político. Mas fazer isso com a pessoa depois que ela já bateu as botas, aí é muita covardia.

Foi dia desses. Alguém me enviou uma letra musical que teria sido escrita por John Lennon depois de morto. A letra era tão cheia de beatitudes e bem-aventuranças, uma pieguice espiritual tão grande, que das duas, uma: ou John de repente virara coroinha ou então onde ele estava só rolava fumo da pior espécie. Putz! Só alguém que não conhece porra nenhuma de John Lennon poderia supor que aquela coisa horrenda seria obra dele. Poisbem. Depois desse dia o alerta vermelho foi acionado e percebi a gravidade da situação: e se eu morresse e alguém psicografasse uma crônica minha que falasse de seres de luz, jardins celestiais e coisitais? Argh!

Mania horrorosa a desse povo, de converter a gente depois que a gente morre. Magali, por exemplo. Além de ateia, Magali sempre foi uma grande escrota e nunca nem botou os pés numa igreja. Aí um dia Magali morre, e uma semana depois, no centro espírita, recebem uma mensagem dela: Queridos paizinhos, amada irmãzinha, que a graça de Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo ilumine vossos corações e… Como é? Amada irmãzinha?! Mas um dia antes de morrer ela queria decapitar a irmã e jogar a cabeça no lixão! Vossos corações?! Mas Magali não tinha nem primeiro grau completo! Então ela, além de se converter e virar santa assim que morreu, ainda fez um superintensivo de português?

Imagino que nesse ponto do texto haja algum espírita indignado comigo. Paciência. Particularmente, para mim até faz sentido que após a morte haja algum tipo de continuação da vida tipo Matrix ou que, após morrer, o cidadão desperte e entenda que tudo foi uma viagem de LSD mucho loca, sei lá. Mas, psicografia? Bem, isso até poderia ser interessante caso a vida pós-morte fosse tão tediosa que a única diversão de um escritor como eu se resumisse a ditar contos de sacanagem para seu público encarnado. Mas acho que ainda não existe centro espírita moderninho assim para topar receber esse tipo de cartinha.

Então, quero desde já deixar claro, claríssimo, que eu, Ricardo Kelmer, terráqueo nascido em 1964 na província de Fortaleza Desmiolada de Sol, atribuído da autoridade a mim concedida por eu ser eu mesmo, e de plena posse de minhas faculdades mentais, não, melhor tirar essa última parte, eu não autorizo ninguém, absolutamente ninguém, a psicografar, psicoaudializar ou canalizar ou receber, seja como for, quaisquer textos de minha autoria, na íntegra ou em parte. Heim? Não, nem mesmo se o texto for de sacanagem, não dá para confiar. Ninguém está autorizado e pronto. E quem disser que recebeu, meus representantes legais poderão processar o engraçadinho.

Ufa. Agora já posso partir em paz. Mas… e se um dia eu, lá dos cafundós do Além, sentir uma vontade danada de escrever um novo livro? Como farei se ninguém estará autorizado a psicografar? Não tem problema: escreverei o livro e darei um jeito de publicar no Além mesmo, não se preocupem, até porque por essa época certamente alguns leitores meus já estarão por lá. Mas novos leitores desencarnados serão sempre bem-vindos, claro. Afinal, já pensou eu, sentado na mesinha do Além, a pilha de livros toda linda em espiral, a equipe de tevê do CulturAlém a postos… e nenhuma alma aparece? Que horror.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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LEIA TAMBÉM

RK1998JackOlivetti-02aO dilema do escritor seboso – Certos escritores amadurecem cedo. Tenho inveja desses. Porque nunca viverão o constrangimento de não se reconhecerem em suas primeiras obras

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

O médium, o marido, o morto e a amante – Acho que Deus deveria controlar melhor as fronteiras do Além. Tá muito esculhambado

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Kelmer no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro

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01- Adorei, Ricardo! Denise Santiago, São Paulo-SP – jan2012

02- genial… Glaucia Costa, Fortaleza-CE – jan2012

03- Ai ai, ai, essa Jurema te fez um belo estrago! kkkkkkkk, tô aqui rolando de rir! Lindão, se você for primeiro do que eu pode sussurrar seus textos no meu ouvido que eu prometo ser fiel às suas sacanagens, será um imenso prazer psicografar suas criações! E desde já te prometo ser fiel nas insanidades e nas filosofias! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – jan2012

04- De fato, Kelmer. Quero inclusive te informar que dentre o próprio meio espírita se reconhece que muita abobrinha foi e vem sendo escrita na área da psicografia. Hoje ando afastado do movimento, mas mesmo quando fui parte integrante dele questionava esses absurdos. Só vejo um contra-senso em teu texto. Se você não crê nessa possibilidade comunicativa, não deveria, teoricamente, incomodar-se em nada quanto à fidedignidade das mesmas num futuro batimento de botas. rsrsrsrs A não ser é claro, que você tenha se utilizado da licença poética. Brennand de Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – jan2012

05- O escritor transmite as ideias q lhe vem à cabeça. Cabe ao leitor optar pela interpretação que mais lhe agrade… ou mesmo discordar de tudo q está escrito. Denise Santiago, São Paulo-SP – jan2012


Profissão Escritor – Pergunte aqui

14/08/2008

14ago2008

Você gostaria de perguntar algo sobre a profissão de escritor, processo de criação etc?

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01- Amanda, Belo Horizonte-MG – dez2006
primeira curiosidade que tenho: quando você decidiu expor sua arte, tinha quantos anos? E, seus familiares davam palpites sobre você ter decidido trabalhar com a escrita? segunda: suas lindas obras sobre mulheres são baseadas em mulheres reais ou você imagina elas? (parei de numerar) Como você faz pra escrever um texto? Tipo, você tem a idéia e começa a escrever ou você escreve a todo tempo, “tudo” pode ser um tema para seu texto? Já fez algum texto em dupla? …eu poderia encher essa página, mas me responde primeiro essas.. tem mais…

01a (quando você decidiu expor sua arte, tinha quantos anos?)
RK – Comecei a mostrar o que escrevia aos 10 anos, eram redações do colégio e historinhas curtas. Na adolescência escrevia poemas, letras de música e contos eróticos (já era tarado naquele tempo). Eu mostrava tudo pra amigos e namoradas. Aos 18, na faculdade, publiquei um livretinho de poemas xerografado, junto com o comparsa Roberto Maciel, e a gente vendia de mão em mão – com a grana ia tomar umas no boteco depois da aula. Nessa época comecei a escrever crônicas. Com 27 anos comecei a publicar crônicas em jornal. Aos 30 publiquei o primeiro livro.

01b (seus familiares davam palpites sobre você ter decidido trabalhar com a escrita?)
RK – Meus pais gostavam de ver meu interesse pelos livros e pela literatura, mas como sabiam que a carreira de escritor era algo muito difícil e incerto, preferiam pro filho algo mais convencional e seguro, como uma carreira militar (estudei dos 11 aos 14 anos em colégio militar) ou que eu trabalhasse com meu pai, que era dono de uma clínica veterinária, ou então que eu prestasse concurso pro Banco do Brasil, essas coisas. Faziam isso sem me pressionar. Mas eu insisti em ser escritor, e ainda hoje pago um alto preço pela decisão. Vilma e Galvão respeitaram minha escolha, e sempre que eu precisei, eles me ajudaram. Isso foi fundamental. Mesmo temerosos, foram os meus pais meus maiores incentivadores.

01c (suas lindas obras sobre mulheres são baseadas em mulheres reais ou você imagina elas?)
RK – Obrigado pelo “lindas obras”, você é muito generosa. Meus trabalhos sobre mulheres são baseados em mulheres “reais” e “não reais”. No primeiro caso, são textos que nasceram da minha história individual, das mulheres que conheci. Alguns são registros fiéis de determinada experiência, outros misturam lembrança e fantasia. Quando a personagem da história é “não real”, eu imaginei a mulher. Nesse caso, ela pode ser uma reunião de aspectos femininos de várias mulheres que conheci pessoalmente ou que só conheço de longe.

01d (Como você faz pra escrever um texto? Tipo, você tem a idéia e começa a escrever ou você escreve a todo tempo)
RK – Eu engravido da ideia e tenho que botar pra fora. Às vezes o texto sai rápido, outras vezes demora muito e o parto é difícil e doloroso, principalmente quando o texto envolve aspectos psicológicos meus dos quais ainda não estou bem consciente. Nesse caso, além de um trabalho profissional e artístico, é também algo terapêutico, de autoconhecimento. Por outro lado, quando tento parir um texto sem passar por esse processo natural de gravidez, estou então escrevendo algo que não pediu pra nascer e, muitas vezes, que não quer nascer mesmo. O resultado é quase sempre um texto ruim, pelo menos pra mim. Por isso não gosto de aceitar escrever sobre temas que não me pediram, eles mesmos, pra serem escritos.

01e (Já fez algum texto em dupla?)
RK – Em dupla não, mas já criei roteiros de sitcom pra tevê em equipes de cinco, sete pessoas. Funciona, mas é preciso metodologia, disciplina e um líder pra guiar a equipe pela viagem das ideias. Só funciona mesmo se cada um trabalhar pra equipe, e não valorizando apenas suas próprias ideias.

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02- Milani Iskandar, Goiânia-GO – dez2006
oq te levou a começar a escrever?! qnd foi q descobriu q qria ser escritor?! e q tipo d texto foi o primeiro pra vc falar é isso q qro!? Li a cronica em q vc fala do livro do Fernando Sabino e tals… tava vendo a sua resposta falando q vc engravida da ideia e tals… eu já sou diferente só consigo escrever qnd to muito triste, na maioria das vezes eu escrevo entre lágrimas e dps de alguns dias pego o texto pra ler e nem acredito q fui eu q escrevi… ja aconteceu isso com vc?!

02a (qq te levou a começar a escrever?!)
RK – Antes de pensar em escrever, eu fui fisgado pela leitura. Eu tinha 7 anos e havia aprendido a ler. E adorava ficar na biblioteca do colégio Santo Inácio, em Fortaleza, folheando os livros infantis. Havia algo de mágico naquele ambiente, nos livros… Eu estava encantado com a descoberta da leitura. Acho que foi aí que a literatura me fisgou. Ainda na infância, contraí uma pneumonia que me obrigou a ficar vários dias de cama e meu pai teve a brilhante ideia de me dar livros e revistas pra eu me ocupar durante a recuperação. Ainda hoje lembro da sensação de felicidade por ter aquelas coisas todas pra ler. Foi então que me deu vontade de também criar histórias como as que eu lia.

02b (qnd foi q descobriu q qria ser escritor?! e q tipo d texto foi o primeiro pra vc falar é isso q qro!?)
RK –
Aos 9 anos eu tentava escrever versinhos pras minhas professoras. Como não sabia, um dia pedi ajuda ao meu pai. Ele, muito gozador, escreveu num papel e me mostrou: Pra minha professora / Dona Conceição / Receba em seu aniversário / Este caroço de feijão. Putz, fiquei puto, claro. Quanto desrespeito pra com um poeta iniciante! Mas foi aos 10 que comecei a escrever minhas primeiras historinhas, curtinhas, geralmente de aventura. Aí a ficha caiu e eu vi que era aquilo mesmo que eu queria pra minha vida.

02c (só consigo escrever qnd to muito triste, na maioria das vezes eu escrevo entre lágrimas e dps de alguns dias pego o texto pra ler e nem acredito q fui eu q escrevi… Ja aconteceu isso com vc?!)
RK –
Muita gente escreve apenas se estiver motivado por emoções. Porém, se você deseja realmente ser uma escritora profissional, não pode depender de estados emocionais propícios. Terá que aprender a escrever profissionalmente, ou seja, produzir textos como um artesão produz suas peças pra vendê-las e assim se sustentar. Essa mecanização do processo às vezes decepciona os candidatos a escritor, pois muitos ainda estão iludidos com a ideia romântica de escrever sob as ordens do coração e coisital. Mas a mecanização do ato de escrever é importante porque prepara o escritor pras exigências do mercado. Quanto a se surpreender com o que se escreve, isso ocorre porque durante o processo criativo a consciência se abre pro inconsciente e expressa em forma de arte os conteúdos desconhecidos que vêm de lá, desse lado de nós mesmos que não conhecemos. Nesse momento você está num estado especial de consciência, como sob efeito de uma droga, e cria. Depois você volta ao estado de consciência ordinário, onde geralmente não há tanto contato direto com o inconsciente, e então se surpreende com o que criou, mais ou menos quando lembra do que fez durante um porre. Sua missão agora é integrar devidamente à consciência os novos conteúdos de seu ser que vieram à tona. Se conseguir, você alargará sua consciência, tornando-se mais consciente de si mesma, de suas potencialidades, seus medos, e se tornará cada vez mais íntima de si mesma. E conhecerá melhor suas potencialidades criativas. Estará no caminho pra ser uma pessoa autoconsciente e equilibrada, e também uma escritora criativa e competente.

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03- Gabriel de Fassio, Brasília-DF – abr2007
Oi, tudo bem! Tenho algumas dúvidas sobre o processo de criação da obra literária. Quando você começa a escrever, mesmo ser for um texto longo (romance, por exemplo), já sabe o destino das personagens e o que ocorrerá durante a trama? Não sei o que é melhor: ter uma idéia inicial e desenvolver o tema até chegar ao final, ou realizar um esboço das idéias e apenas começar a escrever quando a trama já estive bem desenvolvida na mente do escritor. Como você procede?

RK – Não existe um método melhor que outro quando o assunto é processo de criação. Cada escritor acaba desenvolvendo seus próprios métodos. No meu caso, na maioria das vezes os textos (curtos ou longos) nascem de uma ideia inicial e eu começo a escrever sem saber exatamente como terminará. Gosto de deixar que o próprio texto mostre o caminho, e confio tanto nesse processo que jamais tenho qualquer dúvida que dará certo. E sempre dá. De uns anos pra cá, porém, passei a unir o RK escritor com o RK roteirista e em alguns textos longos de ficção (conto ou romance) prestabeleço um esquema de apoio, determinando de antemão o percurso da história, as viradas da trama e até mesmo o fim.

Pra você ver como esse lance de processo criativo é louco, vou te contar algo bem curioso. Enquanto escrevia meu romance O Irresistível Charme da Insanidade empaquei num determinado ponto do desenvolvimento do personagem Luca. Como na história ele lia o I Ching, tive a ideia de tirar um I Ching pro personagem – quem sabe o oráculo chinês não me clarearia as coisas? Sei que parece estranh,o mas como eu estudo o I Ching e sei de suas potencialidades, achei que poderia funcionar. E, de fato, o hexagrama que saiu me deu a ideia que eu precisava pra finalizar a construção do personagem. No seu caso, talvez seja interessante testar os dois métodos e ver como eles funcionam: numa história você deixa a história se escrever por si própria, e em outra você prestabelece um roteiro.

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Sitcom Mano a Mano

02/08/2008

02ago2008

INFORMAÇÕES SOBRE O SITCOM MANO A MANO,
DO QUAL RICARDO KELMER FOI UM DOS ROTEIRISTAS

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O primeiro sitcom brasileiro em formato clássico foi Mano a Mano, exibido e reprisado pela RedeTV em 2005 e produzido pela produtora estadunidense Picante Pictures, com roteiristas brasileiros.

Mano a Mano conta a história de dois jovens irmãos que não se conhecem até o dia em que um deles, Marcos, o milionário aristocrático, vai à falência e é obrigado a ir morar com o meio-irmão Robinho, que é pobre e vive na favela. Marcos leva consigo Boris, seu fiel mordomo, e os dois tentarão se adaptar à nova realidade. De um lado o orgulhoso ex-milionário, do outro lado o garoto humilde do morro, ligado em hip-hop.

Unindo o mundo dos ricos com o mundo dos pobres, juntando negros e brancos, morro e asfalto, Mano a Mano faz do choque cultural sua isca para atrair os espectadores. A história aborda a realidade cotidiana da favela de forma leve e bem-humorada.

Os doze episódios da primeira temporada de Mano a Mano foram gravados na cidade do Rio de Janeiro e dirigidos por Vicente Barcellos, João Camargo e Estela Renner. Os roteiristas são: Ana Paul, Fábio Danesi Rossi, Gustavo Melo, Luciana Bezerra, Macarrão (Alexandre Magalhães), Ricardo Kelmer e Ricardo Tiezzi. Participaram também os roteiristas Claudio Yosida, Nixxon Alves da Silva, Rinaldo Teixeira, Ricardo Barretto e Nina Crintzs.

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PERSONAGENS DE MANO A MANO

Confira os personagens do sitcom e os atores que os representam

Marcos (Rafael Maia) – Ex-milionário, meio-irmão de Robinho. Falido, vai morar na favela com o irmão. É orgulhoso e pedante e fará de tudo para sair de lá.

Robinho (Silvio Guindane) – Meio-irmão de Marcos. Mora com sua tia Rita na favela e namora Rose. Tem um programa na rádio comunitária com o amigo Jonas.

Jonas (Leandro Firmino) – Amigo de Robinho, dono de uma rádio comunitária. Está sempre revoltado com o sistema.

Dona Rita (Kenya Costta) – Costureira. Criou Robinho após a morte da mãe de Marcos e trabalhou numa das empresas da família dele.

Lucyennes (Marcelo Sandryni) – Homossexual, é a secretária brincalhona e espalhafatosa de dona Rita e amiga de infância de Robinho e Jonas.

Rose
(Juliana Alves) – Namorada de Robinho. É ciumenta e sonha em casar e ter filhos.
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Carmem (Ana Karine) – Amiga rica de Marcos. Acha excitante a realidade da favela.

Boris (Henrique César) – Mordomo de Marcos, ajudou a criá-lo. É inteiramente fiel ao patrão.

Maria Joana (Jackie Brown) – Trabalha na rádio e apresenta um programa de reggae. Vive chapada.

DJ Menor
(Luiz Antonio do Nascimento) – Trabalha na rádio. Menor de idade, quer ser como Jonas.

Chulé (Babu Santana) – Chefe do tráfico no morro. Sempre dá seu jeitinho para conseguir o que deseja.

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EPISÓDIOS

1- E aí mermão?     2- Bingo-Bola
3- Gata Funk 100 Caô     4- Bebê na área
5- Fome de amor     6- O clone
7- É rap, rapá     8- Sobre ontem à noite
9- Paixão gringa     10- Desabrigados
11- Diploma     12- Rosa-choque

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Elenco principal

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Mano a Mano Roteiristas 2005 01Roteiristas do sitcom Mano a Mano (2005)

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EPISÓDIO 1

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OFICINA DE ROTEIRO DE SITCOM

Oficina de Sitcom LOGO 01

A primeira oficina de roteiro de sitcom pela internet do Brasil foi criada em 2007 pelo escritor Ricardo Kelmer. Depois, ela passaria a existir também no formato presencial. Seu objetivo é capacitar o aluno a criar histórias e episódios para séries de humor.

Contato: rkelmer@gmail.com

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DICA DE LIVRO

ComoEscreverRoteirosDeSitcomCAPA-07a

Como Escrever Roteiros de Sitcom
Um guia para criação individual e em equipe
(Ricardo Kelmer. Dicas. Miragem Editorial, 2015)

Indicado a roteiristas e a todos que se interessam em aprimorar a técnica de criação de histórias, este pequeno guia traz informações básicas sobre o sitcom (formato clássico), gênero de humor televisivo apreciado no mundo inteiro. Aqui estão casos de sucesso e orientações sobre a linguagem e a estrutura dos episódios, além de dicas importantes para o desenvolvimento da criatividade e para o processo de criação, individual e em grupo.

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O escritor grávido

14/07/2008

14jul2008

Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas

Faz mais de um ano que eu estou grávido. Outro dia, no meio de uma viagem, as contrações ficaram tão fortes que achei que teria a criança na estrada. Não pari não, mas foi nesse momento que tive a ideia de dividir minha gravidez com o mundo. Nesse dia então criei o blog. E as contrações me deram um descanso, ufa.

E aquelas mulheres grávidas que andam para lá e para cá exibindo orgulhosas o barrigão, você já viu? Parece que estão só esperando a gente perguntar com quantos meses estão, para elas abrirem aquele sorriso e desandar a falar: Sete meses, é pra março, é um menino, vai ser ariano, ai, eu adoro esse signo, pega aqui pra você sentir ele chutando, pega… Pois então. Acho que me tornei uma dessas. Estou grávido do meu próximo livro e decidi, com o blog, dividir a gestação com minhas leitorinhas. Pega aqui para você sentir…

Minha intenção é que elas me ajudem, nesses nove meses, a selecionar os textos do livro, opinando, sugerindo, criticando. Será que algum escritor já fez isso antes? E será que deu certo? Não sei, mas agora é tarde para desistir, o blog já está no ar e o livro nascerá a qualquer momento a partir de maio de 2008, encerrando mais uma longa gestação criativa. Geralmente, só mostro o rebento depois do parto, mas dessa vez é diferente: estou mostrando a cria antes dela nascer.

Imagino que você esteja se perguntando sobre o tema do livro, né? O cara já escreveu sobre reencarnação, taoísmo, Matrix, maconha, Orkut, fim dos tempos, o que será dessa vez? Bem, agora é um assunto bem especial. Agora é a vez da coisa mais bonita de toda a inumerável criação. Agora é a vez da mulher.

Nesses últimos anos, a mulher e o feminino foram temas que apareceram bastante em meu trabalho, mostrando-se em muitas crônicas e contos. Isso certamente contribuiu para o fato de hoje serem as mulheres a maioria de meu público leitor. Elas me pedem mais textos, eu escrevo e a cada dia me sinto mais à vontade em explorar o universo feminino, do ângulo dos homens, das próprias mulheres, da sociedade repressora do feminino… e também o meu ângulo particular, de um homem que busca se entender com sua parte feminina e que, justamente por isso, passou a respeitar, admirar, desejar e amar ainda mais a mulher. Em outras palavras: fiquei ainda mais tarado do que já era, o que eu julgava ser impossível… Então nada mais lógico que, dessa vez, gerar meu próximo filho junto com meu público mais atencioso, né?

Isso de dividir a intimidade com pessoas que não conheço é algo muito estranho. Sim, um escritor já divide naturalmente sua intimidade quando publica. Mas no blog vou um passo além, pois além de exibir os textos do livro, comento sobre o próprio processo, as ideias que surgem, os fatos e lembranças relacionados, as minhas dúvidas… Isso mesmo, o blog é um laboratório para o livro, além de uma vitrine das entranhas do processo criativo.

Nas outras gravidezes eu já anunciava o livro pronto, já convidava para o batizado, digo, para o lançamento, eu não buscava causar expectativa no leitor. Agora, eu provoco a expectativa. Hummm… Com tanta gente acompanhando de pertinho, todos os dias, se esse bebê me nasce com três olhos e duas ventas, eu mooorro! Não, isso não vai acontecer. Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas. O blog chama-se Kelmer Para Mulheres, vá desculpando a obviedade, não consegui ser mais original. Mas o nome do livro ainda não sei, tomara que as leitorinhas me deem alguma boa ideia.

O blog me ajudará a aprender sobre elas com elas próprias e, assim, meu novo livro terá muitas parteiras, olha só que maravilha. Se homem pode ler o blog? Claro que não, imagina, é terminantemente proibido. Bem, é verdade que alguns têm passado por lá, acho que se sentem espionando um tipo de clube das mulheres… Ah, tudo bem, não tenho ciúmes das minhas leitorinhas. Quem sabe assim esses caras também aprendem um pouco mais sobre o feminino e se tornam homens mais equilibrados, homens mais atenciosos e gentis com suas mulheres… Seria ótimo, heim, garotas? Só não esperem que o maridão troque a pelada do sábado para passar a tarde se embelezando no salão. Aí já é entender o feminino demais…

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei para o mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

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O encontrão marcado

05/07/2008

05jul2008

Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

OEncontroMarcado-1

O ENCONTRÃO MARCADO

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Há livros tão especiais que deviam fazer parte do álbum de fotos da pessoa. Eles são decisivos, apontam caminhos, mudam o rumo da vida. Você deve ter livros assim, difícil eleger o mais importante, né? O livro da minha vida se chama O Encontro Marcado. Seu autor: Fernando Sabino.

Para falar dele preciso antes voltar à infância, eu na biblioteca do colégio Santo Inácio encantado com os livrinhos infantis, o melhor brinquedo que poderiam inventar. Mais tarde, descobri a coleção Para Gostar de Ler, crônicas de vários autores brasileiros. Que delícia! Ainda agora sinto na alma o gosto de susto e descoberta que vinha daqueles textos, horizontes que se abrem, possibilidades desveladas. Hoje eu sei: foi naquele momento, aos dez anos, que as sereias da literatura me fisgaram e eu saltei no mar. Foi lendo aqueles textos que decidi ser escritor.

Sabino era meu predileto. Suas crônicas ilustraram toda a minha adolescência. O humor, a ternura, o modo econômico, o olhar leve e agudo sobre as pequenices do dia a dia ‒ seu estilo me fascinava. Eu já escrevia historinhas e os professores gostavam de minhas redações. Ainda não sabia, mas já procurava. Porém, quando tentava crônicas me batia uma terrível sensação de impotência, pois lembrava de Sabino e pesava sobre mim sua sombra gigantesca. Não, eu jamais conseguiria escrever como ele, melhor nem tentar. Maldito. Como podia incentivar e ao mesmo tempo destruir um jovem candidato a escritor?

Meu pai me presenteava com os livros do mineiro, que eu lia com renovado fascínio. Adolescente, espinha no rosto, sonhando em ser escritor. Mas era algo difícil de visualizar… Que caminhos percorrer, a quem pedir ajuda? Como ser cronista se as melhores crônicas já estavam escritas? Então, deu-se o encontrão. Dezoito anos, dividido entre o velho sonho literário e as dez mil coisas do mundo, peguei na biblioteca da faculdade um romance de Sabino, O Encontro Marcado. Comecei a ler de manhã, não almocei, entrei pela tarde, faltei à aula. A noite veio e eu lá extasiado, sem conseguir largar o livro. Foi um clarão de luz que iluminou de vez o caminho. Fechei o livro, fui até a janela e olhei o mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor.

Aquele livro em minhas mãos dizia tudo. Eu estava ali! Eu era Eduardo Marciano brincando no quintal, querendo ser atleta, descobrindo os livros. Eu era Eduardo puxando angústia, porres homéricos de poesia, promessas de amizade. Eu era aquilo tudo, otimismo, amargura, ironia, paixão, solidão. Eu, mais um marinheiro ensandecido a quem as formosas sereias das letras olharam nos olhos.

A criança já havia decidido. Mas agora o jovem confirmava: eu simplesmente não poderia ser outra coisa na vida senão escritor. Eu trombara com meu próprio destino, um esbarrão que me encheu dessa estranha liberdade de quem abraça a própria sina. Sabia que não seria fácil e que, como a maioria, eu provavelmente desistiria pelo caminho. Sabia também que deveria beber em muitos estilos para encontrar o meu próprio. E entendi que não devia temer as grandes sombras.

O tempo passou, vão-se mais de vinte anos. Combinei com amigos encontros solenes aos quais não fomos, roubei esqueletos, fiz de muitas quedas um passo de dança, fui interrompido antes de terminar. Reli O Encontro Marcado outras vezes. Certo dia, comprei um e deixei no banco da praça, com dedicatória ao desconhecido que o encontrasse. O destino se cumpriu e tornei-me escritor. Culpa daquele livro diabólico.

Há encontros que marcam para a vida inteira ‒ o meu foi aquele. E é ao romance de Sabino que agradeço. Pelos céus e infernos que passei e passarei em nome das sereias da literatura. Por ter me ajudado a fazer do medo, uma ponte. Por ter feito da minha procura, um encontro.
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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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01- Deixo-te, à laia de comentário, um dos meus poetas favoritos – afinal, como escrever um comentário, se o melhor comentário já foi escrito? Susana X. Mota, Leiria-Portugal – jun2005

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
(Alexandre O’Neill)

02- Kelmer, Show de bola a sua coluna, velho…tem style…mas tbm o que se espera de um cearense que pensa que é carioca…é algo como misturar buchada com bolinho de bacalhau…hahaha. Parabéns! Marcos Fonteles, Parnaíba-PI – out2006

03- ONTEM LI:O TEMPO PASSOU.VÃO-SE MAIS DE VINTE ANOS…….GRANDE “ENCONTRÃO MARCADO”!VC É MESMO GENIAL!PORISSO SOU SUA FANZONA.BESOS AH! NÃO SE DESESPERE.SEUS FÃS LHE AJUDARÃO A PAGAR SEU ALUGUÉL, COMPRANDO SEUS BETESSELERS,RSRSRSRS.MUCHOS BESOS. Ângela Carvalho, Fortaleza-CE – out2006

04- Infelizmente, li poucos textos de Fernando Sabino (após seus elogios, “O Encontro Marcado” está confirmado em minha lista anual de livros, hehehe). Raíza Rodrigues Pontes, Fortaleza-CE – jan2007

05- Além de ser agradável a leitura do conteúdo, comecei, através do seu depoimento, descobrir porque você se tornou um bom contista. Fica, mais uma vez, confirmado que quem é sensível e lê bons autores, termina tendo boas influências. Por isso, corre o risco (bom) de se tornar escritor um dia para representar sua geração na Literatura. Parabéns. Avante, meu jovem! E que os gênios literários do passado nos abençoem e nos inspirem sempre para continuarmos com o encantamento da arte das palavras. Diante disso, saúdo o escritor promissor que você é. Seu amigo e leitor. Alberico Rodrigues, São Paulo-SP – jul2009

06 Um dia, encontrei Fernando Sabino numa noite de autógrafos aqui no Recife e disse a ele que também escrevia. Aí, após autografar e me entregar o livro carinhosamente, ele me disse: “Pois bem, quero, um dia, ir numa noite de autógrafos sua”. Faz mais de 15 anos que isso aconteceu, mas ainda guardo na memória o homem simpático, bem vestido, agradável, atendendo todos com enorme gentileza e ternura. Lia sempre suas crónicas e adorava, elas me falavam de coisas maravilhosas e de um modo encantador. Esta é recordação que tenho dele. Viva Fernando Sabino! Viva o dia do escritor! Abraço pra você, Ricardo! Fátima Braga, uma escritora de fato! – Fátima Braga, Recife-PE – jul2009


Blog novo, vida nova

02/06/2008

02jun2008

A internet pode oferecer aos escritores independentes como eu a oportunidade de não terem mais que depender do tradicional esquema de distribuição e vendas representado pelas editoras

Olá! Seja bem-vindoa!

A partir de agora o Blog do Kelmer será minha casa na internet, uma espécie de central administrativa do meu trabalho. Ele funcionará como um blog tradicional, com postagens frequentes (semanais, diárias, depende da Lua), mas também como vitrine de divulgação permanente dos meus livros e de meus outros trabalhos, como as palestras e a oficina on-line de sitcom.

Com este blog quero inaugurar uma nova fase em minha carreira, uma fase mais profissional, em que meu trabalho seja economicamente viável pra mim. Pra isso sinto que terei quer ser não apenas mais criativo e conquistar mais leitores mas estabelecer com eles uma relação de proximidade que seja bem proveitosa pra ambas as partes, eu produzindo o que eles gostam e eles me ajudando a prosseguir produzindo.

Acredito que a internet pode oferecer aos escritores independentes como eu a oportunidade de não terem mais que depender do tradicional esquema de distribuição e vendas representado pelas editoras. A funcionalidade dos blogs e os crescentes recursos da rede podem nos ajudar a viabilizar nossas carreiras, tornando-nos mais autônomos e menos dependentes dos grandes grupos – e mudando o tipo de relação que atualmente os escritores possuem com seu público leitor.

Talvez em breve seja comum que os escritores vendam assinaturas de seu trabalho. Isso soa estranho? Talvez. Mas nós não pagamos pelos livros de nossos autores prediletos? E também não pagamos assinaturas de jornais, revistas e televisão? Então por que não pagaríamos uma pequena quantia anual pra termos acesso a livros eletrônicos, textos inéditos e outros conteúdos exclusivos de nossos autores prediletos, sabendo que assim os ajudamos a prosseguir produzindo e a manter sua postura independente, sem rabo preso a nenhum grupo?

O valor que pagamos pelos livros nas livrarias é dividido entre livraria, distribuidora, editora e autor – por isso os livros são caros. Pagaríamos bem menos se pudéssemos pagar diretamente ao autor, eliminando os atravessadores. Isso ajudaria a democratizar ainda mais a literatura.

São ideias interessantes. Mas evidentemente que tudo começa com um bom produto a oferecer. Então dá licença que muito trabalho me espera.

Obrigado por ter vindo!

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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