No carro com Lara

14/02/2009

14fev2009

Ela quase desanimou. Quase. Porque enxergou uma última saída. Tá bem, então nada de motel, dariam umazinha no carro mesmo

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NO CARRO COM LARA
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Noite dessas, Lara foi com o namorado para um bar e tomaram umas caipiroscas. Lara estava bem tarada essa noite, mais que o normal, que já é exagerado. Ela cismou que queria ir para o motel, queria porque queria.

– Desde quarta-feira que a gente não transa, Clodomir.

– Lara, quarta foi anteontem…

– Então? Dois dias sem nenhum sexozinho.

Clodomir tentou argumentar, já estava muito tarde, quase meia-noite. Nunca é tarde para o desejo, ela respondeu, guiada mais pela necessidade do que pela filosofia. Ele lembrou que estava sem dinheiro. Paga no cartão, ela insistiu, o Deliryus parcela em cinco vezes. Ele apelou: Lara, eu trabalhei demais esta semana, tô pregado, vamos deixar pra amanhã…

Ela quase desanimou. Quase. Porque enxergou uma última saída. Tá bem, então nada de motel, dariam umazinha no carro mesmo, que estava estacionado um pouco depois do bar, num cantinho mais discreto da rua, jogo rápido, ele não ia cansar nadinha. Clodomir suspirou, resignado.

Dez minutos depois, Lara reclinou o banco do carona, tirou a calcinha, ergueu a saia e deitou-se, os pés apoiados no console, as pernas abertas. Abertas não, escancaradas. Clodomir, coitado, fez o que pôde. Indo e vindo sobre ela, o suor escorrendo pelo rosto, um calor danado por causa dos vidros fechados, ele era um olho no peixe e outro no gato, preocupado com a segurança, podia aparecer alguém, um assaltante, hoje em dia não se pode vacilar, ops, dobrou um carro na rua, não, passou direto, tudo bem…

Mas tá pensando que Lara queria saber de segurança? Que nada! Estava tão tarada que em três minutos gozou, gozou que nem uma louca condenada, gritando dentro do carro, o carro que já estava com os vidros todos embaçados, um pé chutou e arrancou o espelho retrovisor, o outro quase quebrou o tocacedê, um escândalo. Quando Clodomir se preparava para sair de cima dela, Lara o puxou de volta, queria mais, agora queria de quatro, vem, meu gatão endiabrado, vem logo, taradão da lagoa negra…

– Ah, não, Lara – ele protestou, e explicou paciente: – Não vamos abusar da sorte, tem muito assalto por aqui, é sério.

– Que assalto que nada, vem logo, cacete!

Mas ele não foi. Em vez disso, fechou a calça e voltou para o seu banco, pô, alguém ali tinha que ter um mínimo de juízo. Lara, ainda arfando, olhou bem séria para o namorado. Depois, devagar e silenciosamente, vestiu a calcinha, ajeitou a saia e voltou o banco para a posição normal. E não falou mais nada até chegar em casa, uma tromba deeeesse tamanho. Clodomir estava impressionado com aquele drama todo, mas não sabia se ria ou levava a coisa a sério. Eles namoravam fazia pouco tempo e ele nunca a vira daquele jeito.

– Caramba, Lara, você ficou com raiva mesmo, heim?

– Acho melhor você ir mais depressa. Tá tarde, lembra? – foi tudo que ela disse, fria que nem uma espiã alemã.

Mal ele parou o carro em frente ao prédio dela, Lara abriu a porta e saiu. Em vez do beijo de despedida, apenas um a gente se fala amanhã. E entrou. E Clodomir ficou lá, olhando para o nada, sem acreditar.

No dia seguinte, ela ligou envergonhada e pediu desculpas. Clodomir aceitou, claro, e eles deram boas risadas, estava tudo bem. Mas agora Clodomir já sabia: com Lara jamais haveria argumento bom o suficiente. Quando ela quisesse, ai dele se não correspondesse.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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AsTarasDeLaraLogo-01aAs Taras de Lara – capítulos publicados

E você, generosa leitorinha, conhece alguém como Lara? Não gostaria de contribuir com a série? Envie suas sugestões: rkelmer@gmail.com

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LEIA NESTE BLOG

Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundoO sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir

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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o fim de tarde (Ricardo Kelmer, Arte Paubrasil) – Contos eróticos

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação por meio da submissão no sexo anal

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Abalou Sobral em chamas

11/02/2009

11fev2009

Abram as portas da esperança! Que entrem as candidatas a Cinderela

AbalouSobralEmChamas-1

ABALOU SOBRAL EM CHAMAS

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Concurso Miss Ceará Gay 2000. A boate Oásis está lotada, mas eu, Paula e Giuliana conseguimos uma boa mesa. Entramos e vemos as cortinas cor-de-rosa, passarela em T, escadaria, buquês de flores, tudo reluzente… Babado forte. Produção de primeira, sim senhor. Porque se tem uma coisa que bicha gosta é de glamour. Pois então que lhes seja satisfeito o desejo. Abram as portas da esperança! Que entrem as candidatas a Cinderela!

Primeiro, os trajes típicos. A primeira menina, vamos chamá-las assim, representa Barbalha na figura da coletora de algodão, uma simpatia. Aplausos. A segunda é de Guaramiranga, loiríssima, e vem em trajes de florista. Arrasou. A candidata de Ipu surge na escadaria pelas mãos de um bonitão de smoking e eu tomo um susto: é uma indiazinha linda! Ajeito-me na cadeira para ver melhor. Mas será possível? Ela é homem? É o fim do mundo…

Depois vem homenagem às vaquejadas de Morada Nova e às lendas do açude Orós, um luxo. E eu que nem sabia que o Orós tinha água, quanto mais lenda… Uma candidata erra o caminho e a apresentadora não perdoa: Te orienta, atordoada!… A representante de Sobral vem no traje Exaltação ao Cangaço, todo em palhas de carnaúba. Es-cân-da-lo. Lembrei até do Clovis Bornay.

O universo gay é colorido, alegre e espirituoso, la vie en rose. A estética é exagerada e tudo é motivo de festa. Sobram plumas, purpurinas, strass e luvas de veludo azul. Abundam dáblius e ipsilones. A vida é um eterno espetáculo, the show must go on. Aliás, diz que bicha não nasce, estreia. Nos anos 70, toda bicha queria ser a Vanusa, lembra? Hoje preferem a Mariah Carey. Eu acho tudo divertido, mas tem gente que não gosta e tem até quem se ache no direito de sair nas ruas atirando nas meninas, coisa triste. Curioso ver que às portas do terceiro milênio a sexualidade humana continua sendo um tabu. Não seria a homofobia, em última instância, o medo da própria sexualidade não assumida? Vai saber… Mas deixemos de teses, o concurso é mais divertido.

A apresentadora lembra que depois, em outra boate, haverá o espetáculo Tarzan e os Felinos. Cruzes!, comenta a outra empolgada na mesa ao lado, vou levar até mertiolate! Um jurado reclama que está com sede e a apresentadora dá um pito: Natália, cadê a água do júri, criatura?! Depois, ela elogia as candidatas e diz que elas se sentem tão mulher que só faltam menstruar ali mesmo… Putz, a piada me pega no meio de um gole e engasgo. De fato, elas são bem femininas e muito bonitas. Mas Paula trata de botar defeito e comenta que a bunda da outra é muito grande. Muito grande, Paula, ah, tenha paciência! Giuliana também acha defeito: O silicone das pernas é disforme. Ô despeito.

Quando a índia Shakira, candidata de Ipu, surge esplendorosa no traje de banho, eu oficializo minha torcida por ela. Um desbunde. Apanho meu queixo no chão e fico a imaginar Shakira se banhando na bica… Aliás, os nomes são atração à parte nesse universo: Shirley, Natasha, Paloma, Priscila e por aí vai. E os sobrenomes? Têm sempre um quê assim de luxuoso ou exótico: Thompson, Strauss, Close, Bijoux. Nome é vital. Ou você acha que uma bicha chamada Luzanira Macaúba teria alguma chance?

A secretária Natália Kinski (olhaí…) recolhe as notas e a apresentadora anuncia a campeã: Virna Tinelli! A candidata de Sobral! Aplausos e holofotes. Chuva de pétalas. Música para a vencedora. Comoção geral na plateia. Abalou Sobral em chamas! Ela recebe o buquê do bonitão de smoking e desfila pela passarela, se acabando em lágrimas, ela que já havia ganho o prêmio de melhor traje típico, para glória, esplendor e apogeu da Zona Norte. Realmente muito bonita a menina, admito, mas continuo fiel à minha Shakira, que por sinal ficou em terceiro lugar, in-jus-ti-ça.

Vamos conhecer a vencedora, dar-lhe os parabéns. Ela já não caminha, flutua, os olhos que não se fixam em lugar algum. Mas consigo um autógrafo: “Um para Ricardo.” Assinado: Miss Ceará 2000. Ôxe, um o quê? Não diz. Ela esqueceu. Tudo bem, Virna, é a emoção. Ser Miss Ceará Gay pesa, eu entendo. Vá, minha filha, aproveite seu momento de Cinderela que você merece, que amanhã tudo volta ao cotidiano borralheiro, o trabalho duro no salão, aquelas senhoras ricas de nariz empinado. Elas têm dinheiro, eu sei, têm motorista esperando lá fora e viajam para Miami, eu sei. Mas nunca, nunca foram miss.

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra os livros Vocês Terráqueas
e A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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ADiversidadeSexualPedePassagem-01A diversidade sexual pede passagem – A luta pela legitimação da diversidade sexual como característica humana não é mais apenas uma luta de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

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A travesti anã e sua irmã sapata – Passeando pelas minhas comunidades no Orkut, ela encontrou uma chamada “Já dei pra um travesti” e aí, coitada, ficou apavorada

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Muito ótima, Rico. Absolutamente fidelíssima. Também já freqüentei tais concursos, e ME ACABO de rir e me divertir com a bicharada. Glamour é bom eu eu também gosto.Besos muchos, que esteja tudo bem com você. Marta Crisóstomo Rosário, Brasília-DF – jun2005

02- Obrigada pela crônica…ri muito!Vc pegou bem o espírito da coisa.O povo gay q se apresenta nessas boates,sempre me fascinou.Pela alegria, pela criatividade, pela coragem de brincar de Cinderela. Mônica, Niterói-RJ – jun2005

03- vc é um barato… A-ME-I lindo! só não fui na parada gay este ano, pq sabia que seria aquela LOU-CU-RA…mas q elas são divertidas, ah isso são…e se são assim é pq são felizes, nada mais excitante…rss beijos. Débora Pissarra, São Paulo-SP – jun2005

04- Essa crônica eu tenho, tá no teu livro ” A arte zen de tanger caranguejo”, e esse eu tenho, blz, um livro que nos faz lembrar de varios momentos de nossa vida em fortal, muito bom. José Everton de Castro Jr – Brasília-DF – jun2005

05- Na real, faltou um pouco do real. As bichas se pegam de porrada no camarim. Porque glamour é tudo, mas não toque na minha frasqueira…. hehehehehe Um abração e boa semana. Adriano de Lavôr, Fortaleza-CE – jun2005

06- é, mano, pela sua descrição, eu tbém votava na Shakira…. Mto bom esse seu texto. E, sim, a humana sexualidade sempre será pano pra mangas, cajus e maracujás. E cupuaçus… Abração. Max Krichanã, Fortaleza-CE – jun2005

07- Adorei Abalou Sobral em Chamas. Lisa Mary, Fortaleza-CE – jun2005

08- É isso aí ! Muito bom texto!O texto lida lida com o universo homosexual, com humor, criatividade e respeito.Isso interessa a todos.Diferente seria um texto que abordasse seus “conflitos íntimos” (somente a eles interessaria). O leitor não teria o mesmo interesse.Penso também que coluna não é livro de psicologia.O leitor quer rir, comentar algo novo, topar com o desconhecido-e nisso vc é muito bom. Eduardo Macedo, Recife-PE – mai2007

09- Morri de rir… Renato, Orkut, Comunidade CONFRARIA iAi – mai2007

10- adoro as coisas do Ricardo Kelmer ! Grande cara. Edna, Orkut, CONFRARIA iAi – mai2007

AbalouSobralEmChamas-1b


As vantagens de ter um amante

31/01/2009

31jan2009

O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa. O outro cuida de você

AsVantagensDeTerUmAmante-01

AS VANTAGENS DE TER UM AMANTE

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“É pura lenda que a mulher trai menos. São vários amantes. A diferença é que a mulher sabe fazer bem feito”.

A frase é da atriz Priscila Fantin, li numa revista de nov2008. Se eu já achava Priscila encantadora, aiai, ela agora ficou ainda mais bonita pra mim. Sua frase tem o frescor da franqueza e também uma pitadinha de pimenta: será que Priscila fala por experiência própria? Será que Priscila é um ser do meu planeta, onde as pessoas não acreditam no amor-posse?

Aí, no dia seguinte recebo um texto de uma leitora. Entendi então que estava na hora de escrever sobre infidelidade feminina. Vou reproduzir o texto aqui junto com meus comentários (em itálico).

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Foi provado, após acompanhamento de vários casos, que toda mulher precisa de dois homens: um em casa e outro fora de casa. Para entender, é muito simples:

1. O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa. O outro cuida de você.
> Vida difícil a de amante…

2. O marido fala dos problemas, das contas a pagar, das dificuldades do dia. O outro fala da saudade que sentiu de você durante a sua ausência.
> Pudera… Como que seu marido vai sentir saudade se ele te vê todo dia?

3. O marido compra uma roupa nova para ir a um compromisso de trabalho. O outro tira essa mesma roupa só pra você.
> Já tá tirando a roupa pra transar? Ih, tá virando casamento.

4. O marido dorme com aquela camiseta velha e de cueca, às vezes até de meia. O outro dorme completamente nu, abraçadinho a você.
> Sério? Me passa o número do bofe já!

5. O marido reclama das coisas que tem que consertar em casa. O outro te recebe no apartamento onde tudo funciona perfeitamente.
> Lógico. Tudo que precisa estar funcionando é a cama…

6. O marido telefona pra casa e fica perguntando o que tem que comprar no supermercado, padaria etc.. O outro telefona só pra dizer que comprou um champanhe que você vai adorar.
> Um champanhe por mês. Dois, que seja. Pra comer um mulherão como você? Esse cara tá no lucro, viu?

7. O marido reclama do chefe, do trabalho, do cansaço de acordar cedo. O outro reclama a sua ausência e os dias que fica sem te ver.
> Mantenha assim, nega, pra coisa durar. Sem falar que ele deve ter outras pra dar assistência também, né? Ou você acha que um prato desse você comeria sozinha?

8. Ah… esqueci o imprescindível. O outro nunca vai tomar cerveja com os amigos numa sexta-feira!! – ele estará com você enquanto o corno esta enchendo a cara com um monte de macho do lado.
> Ôxe! Se teu marido não fosse beber com os amigos, como é que você iria encontrar com o outro? Bendito bar, benditos amigos! Mas não abuse, amiga, pois amante grudenta faz a gente sentir saudade dos amigos no bar. E se o gostosão for pro bar, periga ficar amigão do teu marido. Aí fudeu.

Bem, agora você pode perguntar: Por que não trocar o marido pelo amante? Pelo simples fato de que se o amante for viver com você, passará para o papel de marido e logo, logo, você precisará arrumar outro.
> Entendeu agora por que amante é pra amar e não pra casar?
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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elacaminho50Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode sabe que ela é só sua?

A mulher livre e euÉ esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam mas não se anulam em estúpidas noções de controle: amamos o outro e não a posse do outro

Menu de homem – Na onda da mulher-melancia, mulher-jaca, mulher-filé e outras classificações femininas hortifrutigranjeiras, nada mais justo que nós, homens do sexo masculino, sermos também classificados

Amar duas mulheres – Não se preocupe, eu te entendo, bode velho, eu também sempre tive essa fantasia de comer a Hello Kitty

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IndecenciasParaOFimDeTardeCAPA-01aIndecências para o fim de tarde
Ricardo Kelmer – contos eróticos

Os 23 contos deste livro exploram o erotismo em muitas de suas facetas. Às vezes ele é suave e místico como o luar de um ritual pagão de fertilidade na floresta. Outras vezes ele é divertido e canalha como a conversa de um homem com seu pênis sobre a fase de seca pela qual está passando. Também pode ser romântico e proibido como a adolescente que decide ter um encontro muito especial com seu grande ídolo. Ou pode ser perturbador como uma advogada que descobre que gosta de fazer sexo por dinheiro.

O erotismo de Ricardo Kelmer faz rir e faz refletir, às vezes choca, e, é claro, também instiga nossas fantasias, inclusive as que nem sabíamos possuir. Seja em irresistíveis fetiches de chocolate ou numa selvagem sessão de BDSM, nos encontros clandestinos de uma lolita num quarto de hotel ou no susto de um homem que descobre verdadeiramente como é estar dentro de uma mulher, as indecências destas histórias querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação. > Saiba mais – Onde comprar

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01- “PERFEITO, MUITO BEM EXPLICADINHO. SÓ UMA RESALVA, DÁ UM TRABALHO DANADO. UM HOMEM DÁ UM TRABALHÃO, DOIS ENTÃO…PORQUE HOMEM É BICHO FOLGADO. SE A MULHER NÃO LEVAR MUITO A SÉRIO ATÉ QUE OS HOMENS DÃO ALGUM PRAZER, MAS ISSO SE A GENTE SAIR NO MÁXIMO UMAS DUAS VEZES.” Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – out2010

02- legal! Gisela Symanski, Porto Alegre-RS – out2010

03- Falou o expert em alma feminina.da ate medo(^.^) Izabel Castro, São Paulo-SP – jun2013

04- Essa de “amor-posse” é mesmo um problemão, na verdade é a morte, a morte de qualquer relacionamento. Mas não é o único amor (parceiro) que fará sentir-se presa ou preso. E nem mesmo uma traição (um amante) que fará sentir-se livre. A liberdade, bem como a felicidade, vem de dentro, da relação “VOCÊ COM VOCÊ”, se essa relação não está bem não há amor ou amante que te fará sentir-se bem ou livre, a prisão sempre será você mesmo(a). Renata Kelly, Fortaleza-CE – jun2013


Cabaré Soçaite – A festa (vídeo-clipe)

26/01/2009

Ricardo Kelmer 2009

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Taí o vídeo-clipe do Cabaré Soçaite. A música é “Você gosta de mim”, do saudoso Raimundo Soldado, numa versão maravilhosa d´A Euterpia, que captou perfeitamente o espírito romântico-putaria da música. São festas como esta que sustentam o RK escritor. Então, vida longa ao Cabaré Soçaite!

> Novos vídeos (com cenas das festas) e história da festa:

> Grupo Cabaré Soçaite no FaceBook – Arte erótica, sorteio de livros, CDs e DVDs e ingressos pras festas

> Twitter: @cabaresocaite

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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O ataque das virgens estudiosas

22/01/2009

22jan2009

Senhoras e senhores, com vocês o Leilão de Virgindade

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O ATAQUE DAS VIRGENS ESTUDIOSAS

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Que muitas mulheres se prostituem para poder pagar os estudos, isso todo mundo tá careca de saber. Se você for a um bordel de cidade grande, provavelmente topará com algumas universitárias por lá, dando duro para melhorar de vida.

Durante um trabalho que fiz para uma ONG no Rio de Janeiro em 2005, entrevistei estudantes que trabalham como prostitutas na Vila Mimosa, tradicional reduto de prostituição no centro da cidade. Elas atuam de forma independente, pagando apenas pelo aluguel de 20 minutos do quarto. Trabalhando dois ou três dias por semana, algumas juntam todo o dinheiro necessário para pagar a faculdade e até mais. Embora a grande maioria não ame o que faz, todas preferem esse tipo de trabalho a ter que se submeter a um emprego chato, horários fixos, patrão insensível e baixa remuneração.

A relação entre prostituição e financiamento de estudos não é exclusividade do Brasil. O jornal inglês The Times divulgou em 2008 que no Reino Unido e na França cresce a cada ano o número de estudantes homens e mulheres que se prostituem, e que o governo francês tenciona tomar algum tipo de medida para evitar que os estudantes acumulem tantas dívidas durante seus estudos.

Agora, porém, surgiu uma novidade bem interessante nessa história toda. De repente, garotas de todo o mundo parecem ter descoberto que não precisam se prostituir da forma tradicional para poder pagar os estudos. Em vez disso, elas podem vender, e caro, a própria virgindade. Em outras palavras: no lugar de dar muitas vezes, elas dão apenas uma vezinha, e lucram bem mais. Senhoras e senhores, com vocês o Leilão de Virgindade.

Um dos casos mais conhecidos é de Rosie Reid, a estudante inglesa de 18 anos que em 2004, para pagar suas dívidas com a Universidade de Bristol, leiloou sua virgindade usando seu site pessoal. Rosie conseguiu vendê-la por 8.400 libras, algo como 15 mil dólares na época, para um engenheiro divorciado de 44 anos. Rosie, que é lésbica (ainda tem isso), afirmou depois que não gostou da experiência, mas que preferiu transar com um estranho a passar anos vivendo na pobreza.

Atualmente, há dois casos bem documentados pela mídia. Um deles é o da modelo napolitana Raffaella Fico, de 21 anos, que em 2007 participou do Big Brother italiano. Raffaella revelou recentemente que é virgem e que venderá sua virgindade ao candidato que aceitar lhe pagar um milhão de euros. Com a grana, ela, que pretende ser atriz, planeja comprar uma casa em Roma e fazer um curso de interpretação.

Para terminar os exemplos, que são muitos, fiquemos com o de Natalie Dylan, pseudônimo de uma estudante de Ciências Sociais de 22 anos, de San Diego, nos Estados Unidos, que também está leiloando sua virgindade a fim de custear os estudos. Como sua tese de pós-graduação é sobre a valorização da virgindade em diferentes culturas, seu próprio exemplo seria um excelente caso a relatar, pois a danadinha já recebeu milhares de propostas, inclusive uma de 5,6 milhões de dólares! A noite de gala será no Bunny Ranch, famoso bordel de Nevada, que organiza o leilão por meio de seu site.

A italiana é famosa em seu país, já estampou capas de revistas masculinas. Seu caso, portanto, tem a ver com o fetiche de ser o primeiro homem de uma mulher desejada por muita gente. Natalie é uma estudantezinha qualquer desconhecida que se tornou famosa, e desejável, a partir do momento em que divulgou seu negócio. Agora, o mundo inteiro sabe dela e a sua virgindade teve uma maxivalorização instantânea. O hímen de Natalie não é mais um himenzinho qualquer, desses que se vão todos os dias no banco traseiro dos carros. Ele está valendo milhões de dólares! Dá para comprar uma dúzia dos melhores bordéis, com tudo dentro.

O leilão de virgindade, porém, exige boa dose de saco e sacrifício. Saco para aguentar o lenga-lenga dos moralistas, essa gente que aceita que se venda o rim, mas não o hímen. E sacrifício para ter que ficar vários anos segurando a piriquita, a fim de oferecer o produto com, digamos assim, autenticação de qualidade. Evidente também que os namorados das moças têm que entender muitíssimo bem a situação. Caso não sejam muito ciumentos, serão depois recompensados com uma namorada rica, que poderá até pagar a faculdade deles também. Excelente negócio: as namoradas entram com o cabaço e eles saem com o canudo. Hummm, essa foi péssima.

Esse fetiche de querer ser o primeiro é para exibicionistas. Eu, particularmente, gosto de ser o atual. Mas não posso negar que a inocência e a inexperiência femininas também são excitantes. Por isso, me inscrevi nos dois concursos. Isso mesmo, mandei proposta para Raffaella e Natalie. Como ultimamente estou economizando até espirro para poder comprar um notebook, o que pude oferecer a cada uma delas não foi muito: um livro meu com dedicatória e um caldo de cana na feirinha da Benedito Calixto. Ué, por que você está rindo? A Natalie mesma avisou que não transará necessariamente com quem oferecer mais dinheiro, pois ela terá que gostar do cidadão. Então anotaí, Natalie: eu sou limpinho, elogio o tempo todo e nunca peido no primeiro encontro. É pouco? E se eu disser que meu beijo tem gosto de brigadeiro, heim, heim?

Como daqui pra frente as meninas vão todas querer ser virgens quando crescerem, fica desde já registrada minha proposta a todas as brasileiras estudiosas que decidirem seguir esse novo modelo de negócios. Sei perfeitamente que haverá propostas bem mais avantajadas que um livro e um caldo de cana, claro, mas quem disse que faço questão de ser o primeiro?

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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MamaeQueroSerVirgem-1Mamãe, quero ser virgem – Conheça a nova profissão da moda e participe da enquete sobre Leilão de Virgindade (Você venderia? Você pagaria?)

Catarina Miglorini – O leilão da virgindade da catarinense de 20 anos vai virar filme
Matéria no G1, 25.09.12
Depoimento de Catarina Miglorini, Folha de São Paulo, 26.09.12

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A seguir, conheça melhor as meninas. E depois deixe sua opinião sobre o tema. E se quiser também deixar sua oferta, por favor, não se acanhe.

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ROSIE REID

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Percebendo que concluiria o curso de Políticas Sociais na Universidade de Bristol com uma dívida de 15 mil libras, e que as horas diárias de trabalho estavam prejudicando os estudos, Rosie decidiu leiloar a virgindade para arrecadar aproximadamente metade desse valor. Ela iniciou o leilão pelo site eBay, e depois, após a recusa deste, passou-o para um site pessoal.

Rosie contou que recebeu mais de duas mil propostas de homens do mundo inteiro e que, antes de se decidir, encontrou-se com os proponentes das cinco melhores ofertas para avaliá-los pessoalmente. A transa aconteceu num quarto de hotel de Euston, região central de Londres. Rosie revelou que enquanto a transa acontecia, sua namorada Jess Cameron a esperava em outro quarto e que, mesmo nervosa e assustada, ela se esforçou em agradar ao homem, pois considerou que era isso que deveria fazer por alguém que aceitou pagar tanto por sua virgindade. Na manhã seguinte, quando tudo terminou, Rosie chorou bastante com sua namorada.

Que mal pergunte, Rosie, e a outra metade da dívida?

> Matéria no site da BBC sobre Rosie Reid (em português)

> Outra matéria no site da BBC sobre Rosie Reid (em português)

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RAFFAELLA FICO

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A moça nasceu em 29 de janeiro de 1988, em Cercola, Nápoles. Signo de Aquário. Trabalha como modelo e venceu os concursos Miss Valle Caudina 2006 e Miss Grande Prix 2007. Em 2007, participou do Grande Fratello, o Big Brother italiano. Raffaella pretende ser atriz.

Ela tem 1,76 m, 58 kg, olhos e cabelos castanhos. E pouca bunda, tipo a Adriane Galisteu. Mas como não é a bunda que está em leilão…

raffaellafico07E se Raffaella não gostar do comprador de sua virgindade? Segundo ela, isso não será exatamente um problema: “Eu tomo uma taça de vinho e paciência.”

Seu irmão Raffaello afirma que ela nunca teve um namorado: “Eu juro pelo túmulo da minha mãe. Minha irmã é uma católica devota e reza todas as noites para o Padre Pio.”

Quem diria, heim, Padre Pio… Até o senhor tá metido nessa?

> Veja Raffaella Fico no Big Brother italiano (e veja como a Itália precisa urgentemente importar biquínis brasileiros…)

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NATALIE DYLAN

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Estudante de Ciências Sociais, mora em San Diego, California. Com o dinheiro do leilão, Natalie pretende não só custear o término de seus estudos como também montar uma clínica de psicologia com sua irmã. Aliás, a irmã, que se chama Avia e é bem mais atraente, e financiou a universidade trabalhando como prostituta durante três semanas no Bunny Ranch, o mesmo bordel de Nevada onde Natalie concretizará seu negócio. Em Nevada, a atividade dos bordéis é legal.

Natalie DylanSegundo matéria de 13.01.09 no jornal The Sun, a maior oferta para Natalie até então foi de um empresário australiano de 39 anos, no valor de U$ 5,6 milhões.

Pelo site que realiza o leilão, Natalie conversa com os pretendentes e analisa as propostas. Segundo ela, um brasileiro ofereceu U$ 1,5 milhão.

Eu juro que não fui eu, querida.

> Leia a entrevista de Natalie Dylan para o Blog America

> Veja a participação de Natalie Dylan, com a irmã Avia, no programa de Tyra Banks

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundoO sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso, ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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LEIA NESTE BLOG

Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres

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COMENTÁRIOS
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01- ADOREI. Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – out2010

02- Que texto adorável!!!Amei..e não custa tentar né Ricardo Kelmer? srsrsrrs.. parabénssss!!! Thaís Guida, Rio de Janeiro-RJ – nov2013

03- Nojentooooo…..kkkkkkkkkkkkkkk…adorei o texto. Eu Ni Ce, São Paulo-SP – nov2013

04- hahahahahahahaaha. Ilana Dubiela, Fortaleza-CE – nov2013

05- Muito boa a crônica! Edvaldo Rosa, São Paulo-SP – nov2013

06- Muito bom o texto, Kelmer, aliás como todos!! Ana Luiza Cappellano, Jundiaí,-SP – nov2013

07- cambada de sonsas , isso sim!!!! Rê Guida, Barra de São João-RJ – nov2013

08- tem comercio pra tudo nessa vida…quero só ver o que vão inventar agora… Luciana Nunes, Rio de Janeiro-RJ – nov2013

09- não tão roubando,nem matando,isso que importa…kkkkkkkk. Thaís Guida, Rio de Janeiro-RJ – nov2013

10- Pq eu só soube disso agora?kkkkkk. Ge Werneck, Rio de Janeiro-RJ – nov2013

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LIVROS – As brumas de Avalon

06/01/2009

asbrumasdeavalonlivro01As Brumas de Avalon
The Mists of Avalon – 1979
Marion Zimmer Bradley
Editora Imago

Romance em 4 volumes. A saga arthuriana numa visão feminina e intimista. .

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A Bretanha por volta do sec. VII, as guerras pela unificação do Reino, a realeza e seus costumes, as tramas envolvendo paixões, traições e os mais altos ideais de nobreza e lealdade e as decisões de bastidores que estabeleceram definitivamente o cristianismo na ilha, exterminando boa parte da cultura local e seus cultos à Natureza e à Deusa Mãe. Este romance mostra o lendário universo de Camelot a partir da ótica de Morgana, a meia-irmã de Arthur e sacerdotisa de Avalon, a ilha que atuava como centro do culto à Grande Deusa.

QUEDA POR BRUXAS
Ricardo Kelmer 2008

Li os quatro volumes da saga na década de 1980, eu tinha vinte e poucos anos. Poucas vezes me senti tão envolvido por um livro. É daquele tipo de história que a gente sabe desde o início que os mocinhos perderão o jogo mas mesmo assim prossegue lendo e torcendo por eles. Reflexões, risos, choros, raiva, compaixão, tesão senti de um tudo com esse romance!

Durante toda a leitura dos livros, que durou semanas, o clima místico de As Brumas de Avalon me envolveu feito uma névoa e cheguei a querer, seriamente, me comunicar com os personagens, acredita? Pois foi. Identifiquei-me tanto com Morgana, com sua luta em preservar Avalon, seu sofrimento e sua solidão, seu amor não correspondido, que me peguei desejando voltar no tempo pra me casar com ela – pra que a sacerdotisa de Avalon não terminasse seus dias triste e sozinha. Mas não pense que eu virei santo não: se eu voltasse, eu comeria e muito a Morgana, mesmo com sua fama de feiosa. Ora se não comeria! Só de imaginá-la naqueles rituais correndo nua pela floresta, com o corpo todo lambuzado de sangue de gamo…

Sim, você tá certa, querida leitora, eu era doido mesmo. Melhorei um pouco. Mas continuo tendo uma queda fudida por bruxas, por mulheres que encarnam o arquétipo do feminino selvagem: mulheres ligadas à Natureza, de alma livre, harmonizadas com seus próprios ciclos e com a sabedoria natural do planeta, mulheres que não só vivem mas celebram a vida e estão conectadas ao Sagrado. Sim, é uma visão meio mística da mulher, uma visão meio pagã, sensual – mas também é uma visão sagrada. Conheço poucos homens que compartilham essa minha visão, ver a mulher como a representação viva da própria Deusa. Mas conheço várias mulheres que encarnam maravilhosamente o feminino selvagem. Putz, como não amar, admirar e reverenciar uma Filha da Deusa?

Em 2001 foi lançada uma versão do romance para a tevê. A história teve de ser alterada, afinal seria impossível contá-la da mesma forma em linguagem de tevê e em tão pouco tempo, mas a essência da história e sua mensagem foi mantida. Eu assisti e gostei. Pode ser encontrado em locadoras.

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MINISSÉRIE PARA TEVÊ

asbrumasdeavalon03As brumas de Avalon
Uma sacerdotisa prepara o nascimento de Arthur, que viria a se tornar rei para comandar a Bretanha e salvar Avalon.

Título original: The Mists of Avalon
Gênero: Aventura
Duração: 180 minutos
Ano de lançamento (EUA): 2001
Estúdio: Warner Bros. / TNT / Stillking Films / Constantin Film Production GmbH / Wolper Organization
Distribuição: TNT
Direção: Uli Edel

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SOBRE OS FESTIVAIS DE BELTANE
Ricardo Kelmer 2008

Originalmente Beltane era um importante ritual pagão de fertilidade, realizado anualmente em várias regiões da Grã Bretanha durante a alta Idade Média. Nele festejavam-se os ciclos da Terra e se saudava o retorno da primavera, num clima de reverência à Deusa, ou ao que hoje chamamos de arquétipo da Grande Mãe. Os participantes ofereciam seu corpo pra que o mistério se realizasse através do casamento sagrado do masculino e do feminino. As crianças nascidas desse ritual eram consagradas à Deusa e destinadas a serem sacerdotes, druidas, sacerdotisas, todos defensores da Grande Mãe.

O contexto do ritual é a comunhão com o sagrado e não o sexo propriamente dito. O sexo faz parte mas está inserido num clima de entrega sagrada, de reverência à Deusa, fazer do próprio corpo o altar onde se celebram os mistérios dos ciclos, a dança das estações, a fecundidade da Mãe Terra.

A Deusa une as pessoas ao redor das fogueiras e é uma imensa honra entregar-se a um filho da Deusa ou a uma filha da Deusa. Não é a outra pessoa que importa  importante é o ato de entregar-se à Grande Mãe e através desse dispor-se, ser instrumento da sagrada celebração da fertilidade da terra e do milagre da vida. Em Beltane ninguém tem um rosto, ninguém tem um nome. Cada um é a encarnação do sagrado masculino e do sagrado feminino.

O cristianismo bem que tentou exterminar por completo as tradições da antiga religião da Deusa, imprimindo a elas um caráter pecaminoso e demoníaco, além de perseguir e matar seus seguidores durante a vigência da Santa Inquisição. Mas as tradições pagãs sobreviveram e ainda hoje os festivais de Beltane são celebrados na Europa.

virou putaria

Outro dia encontrei numa comunidade do Orkut um tópico intitulado “Quem vc levaria para as fogueiras de Beltane?” (http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1488969&tid=9037760&kw=levaria+beltane) Nas respostas tinha Axl Rose, Brad Pitt, Shakira, a minha vizinha gostosa e por aí vai… Putz, pode uma coisa dessa? Teve uma lá que disse que levaria o marido “mas botaria um bip no bolso dele”. Que bolso, minha filha, que bolso??!!

Ai, ai… Pelo jeito, as pessoas ouviram o galo cantar mas não sabem nem que bicho era. O que fiz? Deixei um recado meio indignado pra pirralhada lá, no estilo Jesus-expulsando-os-vendilhões-do-templo. Não sei se adiantou muito não…

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

AsFogueirasDeBeltane-03aAs fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

A mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.
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LIVROS

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

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COMENTÁRIOS
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Menu de homem

22/12/2008

22dez2008

Confesso: tem época que eu sou o próprio homem-pastel: qualquer dois real me leva

MenuDeHomem-01

MEU DE HOMEM

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Na onda da mulher-melancia, mulher-jaca, mulher-filé e outras classificações femininas hortifrutigranjeiras, nada mais justo que nós, homens do sexo masculino, sermos também classificados.

Dia desses recebi um e-mail que falava disso. Então decidi transcrever aqui, acrescentando um comentariozinho. Com você, leitorinha, o Menu de Homem. Fique à vontade pra escolher.

Homem-Miojo: em três minutos tá pronto pra comer
> Ops, vamos esclarecer esse negócio. Todo homem, por natureza, é homem-miojo. A não ser que o fogo esteja muito baixo.

Homem-Lagosta: só come quem tem dinheiro
> Confesso: tem época que eu sou o próprio homem-pastel: qualquer dois real me leva.

Homem-Camarão: só tem merda na cabeça, mas é gostoso e você come assim mesmo
> Meu amigo Marquinhos era um desse. Não conseguia emendar um papo sério sobre nada, só se interessava por duas coisas: maconha e mulher. Nesta ordem. E ainda tinha um dente faltando aqui do lado. Mas possuía algo que devia ser irresistível aos olhos femininos, acho que era o jeitinho de safado dele, sei lá. Toda vez que eu via o Marquinhos com uma mulher maravilhosa, e isso era frequente, eu jogava fora os livros que eu tava lendo, ler pra quê? E cancelava o dentista. Tá decidido: quando eu fizer 70 anos, vou virar homem-camarão.

Homem-Caranguejo: é feio e peludo, mas você bate nele, limpa direitinho e come
> Bate, limpa e come? O que é isso? Um ritual de sadomasoquismo com fetiche de bebê e antropofagia? Meninas, vocês andam muito afoitas, calma. O mundo só vai acabar em 2012.

Homem-Pão: tem sempre o mesmo gosto, mas você come todo dia
> Comer a mesma coisa todo dia? Não, vocês não podem ser humanas.

Homem-Bacalhau: você só come uma vez por ano
> E na frente de todo mundo.

Homem-Rã: todo mundo já comeu, menos você
> Essa me lembra a diferença entre a puta, a filha-da-puta e a chata. A puta é aquela que dá pra todo mundo, até pra você. A filha-da-puta dá pra todo mundo, menos pra você. E a chata só quer dar pra você.

Homem-Salada: é bonito, mas quando você come, descobre que não é tão gostoso assim
> Então eu sou o contrário, sou o Homem-escargot.

Homem-Jiló: é horrível, mas você conhece alguém que come
> Se o jiló tiver uma conta bancária bem polpuda, você conhece vááárias que comem.

Homem-Feijoada: você come e ele fica te enchendo o dia todinho
> Homem encher o saco depois de uma trepada? Minha vó tinha razão, é o fim do mundo.

Homem-Cafezinho-de-Supermercado: você nem faz questão, mas como é de graça, você come
> Dar de graça? Tudo bem. Mas como sou um grande defensor da emancipação feminina, você paga o motel, tá, fia?

Homem-Docinho-de-Festa: você fica com vergonha de chegar junto, então vem outra, come e deixa você chupando dedo
> Bem feito.

Homem-Cogumelo-Venenoso: comeu, tá fudida
> Prefiro ser apenas homem-cogumelo: é uma viaaagem…

Homem-Coqueiro: pode trepar que não tem galho
> Às vezes o galho dá na testa.

Homem-Bis: você come, repete e nem se lembra das calorias!
> Tenho o tradicional e o de chocolate branco, viu?

Homem-Coca-2-Litros: dá pra seis
> Mas vai ligeiro senão sai o gás.

Homem-Pé-de-Chuchu: você é obrigada a comer senão a vizinha vai lá e come
> Ô coisa saudável é concorrência…

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

AsVantagensDeTerUmAmante-01As vantagens de ter um amante – O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa. O outro cuida de você.

Homens infiéis, mulheres inconformadas – Há quem negue esse papo de biologia, afirmando que é desculpa fajuta, que os machos se aproveitam da cultura machista pra mijarem fora do seu peniquinho caseiro

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

Amar duas mulheres – Não se preocupe, eu te entendo, bode velho, eu também sempre tive essa fantasia de comer a Hello Kitty

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-06O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou

A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- “Adorei, muito bom! *;)” Lúcia Menezes, Rio de janeiro-RJ – ago2010

02- Que texto profundo, acho que vou aplicar com minhas alunas! Lauro Chaves, Fortaleza-CE – ago2010

03- “Qualquer 2 real me leva!” KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK… Gledson Shiva, Brasília-DF- ago2010

04- Tb adorei ‘Menu de homem’…. (:. Denise Santiago, São Paulo-SP – set2011

05- Devia ter comentado que tb existe o “Homem Cinderela”: só da pra comer até meia-noite….. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Jessica Giambarba, Fortaleza-CE – set2011


Cabaré Soçaite 2008mar

25/11/2008

25nov2008

.cabaresocaite2008-01b

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CABARÉ SOÇAITE (2)

19mar2008
Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Guga de Castro, Caú Borges e RKBaré

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SORTEIO DE INGRESSOS
Orkut – Comunidade Amicis

Facebook-01FACEBOOK – Página oficial
– Arte erótica, sorteio de livros, DVDs e ingressos

TWITTER:  @cabaresocaite

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CabareSocaite201310-550X> TODAS AS EDIÇÕES, FOTOS E VÍDEOS

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.O Cabaré Soçaite foi criado por mim em 2002, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. Com edições realizadas em Fortaleza e São Paulo, o Cabaré Soçaite é uma festa temática cabaret com elementos de programa de auditório, que celebra a sensualidade e o erotismo num delicioso clima Moulin Rouge, sempre de maneira artística e divertida.

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FOTOS DA FESTA
clique para ampliar

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Dança do empenado

Dança do empenado

Aperta que cabe

Aperta que cabe

Segura a cabeça pra não perder o juizo

Segura a cabeça pra não perder o juízo

DJ Guga de Castro com a boca ocupada

DJ Guga de Castro com a boca ocupada

Menina nova na casa sempre faz sucesso

Menina nova na casa sempre faz sucesso

Será que esse sofá aguenta tanto charme?

Será que esse sofá aguenta tanto charme?

Bom demais, bom demais, bom demais...

Bom demais, bom demais, bom demais…

Dono de cabaré tem suas vantagens

Dono de cabaré tem suas vantagens

Calorumano, calorumano!!!

Calorumano, calorumano!!!

Sob a benção dos Stones

Sob a benção dos Stones

Lá em Suécia tem disso no

Lá em Suécia tem disso no

Quero sair daqui mais não

Quero sair daqui mais não

Me segura senão eu caio

Me segura senão eu caio

Mô, precisamos de um sofazim desse lá em casa...

Mô, precisamos de um sofazim desse lá em casa…

RKBaré, produtor Galba e DJ Caú Borges

RKBaré, produtor Galba e DJ Caú Borges

Meninas, olha o passarinho

Meninas, olha o passarinho

O dono do cabaré em momento relax

O dono do cabaré em momento relax

Vai aprendendo, viu, vai aprendendo...

É chato ser gostoso

Ai, papai, cabaré é bom demais!!!

Ai, papai, cabaré é bom demais!!!

Faz um mês que esse lençol não é lavado

Faz um mês que esse lençol não é lavado

De quem é esse cabelo aqui?

De quem é esse cabelo aqui?


Virgulina, essa danada

21/11/2008

21nov2008

A importância de uma vírgula

Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro
à sua procura

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Quando você leu a frase acima, onde fez a pausa na leitura? Após a palavra “tem”? Ou após a palavra “mulher”?

Se você é homem, é bem provável que tenha feito a pausa após a palavra “tem”. Mas se você é mulher, provavelmente fez a pausa após a palavra “mulher”.

Este é um ótimo exemplo da importância do bom uso da vírgula nos textos. Mas, independente de como lemos a frase, esse negócio de andar de quatro pode até fazer parte das nossas fantasias, mas lasca o joelho da gente…

A propósito, a ABI (Associação Brasileira de Imprensa), na campanha dos 100 anos de sua criação, usou como mote justamente a vírgula para mostrar a importância da boa informação na construção de uma sociedade livre e democrática. Vale a pena reproduzir o texto aqui, em nome da liberdade e da democracia, causas pelas quais este escriba sonhador sempre lutará.

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A VÍRGULA

1. Vírgula pode ser uma pausa… Ou não.
Não, espere.
Não espere.

2. Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

3. Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

4. Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

5. E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

6. Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

7. A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

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(Veja o filme da campanha, de 60 seg)

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.wordpress.com

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Há algo de podre no 202

21/11/2008

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Quando crianças, as primas guardavam um terrível segredo sobre o amanhecer. Agora que cresceram, o que pode acontecer?

Fantástico, terror

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Este conto integra o livro Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

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HÁ ALGO DE PODRE NO 202

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EU E MINHA PRIMA HELGA sempre parecemos duas irmãs, de tão unidas. A mesma idade, os mesmos gostos. Na escola, sentávamos lado a lado e corríamos de mãos dadas pelo pátio, alegres como dois passarinhos. Na verdade, Helga foi a única amiga que tive.

Foi o melhor tempo de minha vida. Éramos crianças e o mundo inteiro o cenário de uma grande brincadeira. Depois éramos quase adolescentes e o mundo passou a ser a fonte inesgotável de deslumbramento, nós duas encantadas e amedrontadas com as possibilidades que a vida descortinava à nossa frente. E tínhamos uma à outra para nos proteger e confiar nossos segredos.

Nos fins de semana ela costumava dormir lá em casa e nossas noites eram recheadas de papos sem fim, nossas músicas preferidas, os diários compartilhados. Quando começamos a nos interessar pelos garotos, treinávamos, uma com a outra, os beijos que daríamos neles. E no escuro do meu quarto nós nos ensinávamos mutuamente sobre os prazeres que nossos corpos podiam nos oferecer.

Helga era um sentido. O único.

Uma noite mostrei-lhe uma foto do amanhecer, uma foto muito bonita na página de uma revista. Perguntei-lhe se ela já havia visto o nascer do sol. Helga me respondeu que não, mas que sabia de um segredo. E perguntou se eu poderia guardar uma informação ultrassecreta por toda a vida. Eu disse que sim, que ela podia confiar em mim.

– Então promete que nunca vai me trair.

– Prometo que nunca vou te trair – respondi, e toda a solenidade do momento nos envolvia feito música.

– Nunca jamais.

– Prometo que nunca jamais vou te trair – reforcei, beijando meus dedos em cruz.

Ela então trancou a porta do meu quarto e me fez sentar ao seu lado na cama. E falou baixinho em meu ouvido que do outro lado da noite não havia crianças, que era por isso que os adultos não as deixavam ficar acordadas para ver o amanhecer. Mas um dia, quando nós fôssemos adultas, cruzaríamos a noite, juntas, sem medo, e veríamos o amanhecer. Era o segredo. E sua promessa.

Abracei-a, confiante em suas palavras, e nessa noite dormimos juntinhas, num só abraço, protegidas de todo o mal e cúmplices para toda a vida de um segredo e de uma promessa que nos unia ainda mais.

Um dia, sua família precisou mudar de cidade. E Helga foi embora. Choramos bastante, lamentando nossa triste sina. Beijei-a com toda a doçura e disse-lhe que a amava. Ela enxugou minhas lágrimas, disse que me amava também e que tudo faria para que em breve nos reencontrássemos.

Mas a vida não seria tão simples quanto nossos planos infantis. As cidades eram distantes e nossas famílias não eram ricas. Não pudemos nos ver nas férias seguintes e tivemos de nos contentar com nossas cartas quase diárias, já que os poucos minutos de que dispúnhamos ao telefone eram um nada diante das tantas coisas que tínhamos para falar. Aos poucos, porém, as cartas de Helga passaram a demorar uma semana, depois um mês, depois meses… E um dia, não chegaram mais. Entristecida de saudade, eu insisti, escrevendo ainda mais. Mas ela nunca voltou a responder. Chorei minhas mágoas com mamãe e ela me consolou dizendo que havia outras meninas legais e que eu faria outras amizades.

Infelizmente, mamãe estava errada.

Um dia, quatro anos e vinte e cinco dias depois de nossa despedida, eu soube que Helga estava na cidade e iria lá em casa jantar conosco. Vibrei de alegria. Limpei e arrumei o quarto, troquei a cortina e pus lençóis e cobertores novos na cama.

Quando a porta abriu, tive duas surpresas. Helga estava diferente, havia crescido, era uma mulher. Estava ainda mais bonita. A outra surpresa foi o rapaz que estava com ela. Era seu namorado. Ela não havia falado dele. Eu não sabia. Apesar de simpático, não me senti à vontade com sua presença. Ela não deveria tê-lo levado lá em casa.

Helga me abraçou e beijou com carinho, disse que estava com saudade. Perguntei por que não respondera às minhas cartas e ela disse que não tinha tempo para escrever, mas que lia todas. Perguntei se as guardara. Ela riu, olhou para minha mãe e respondeu que sim.

Jantamos todos juntos e Helga contou as novidades, falou dos meus tios e que no fim do ano faria vestibular para Física, queria ser cientista. Eu não conseguia deixar de olhar para ela. Como estava linda!

Depois do jantar, fomos à sala ver televisão. Sentei-me entre Helga e seu namorado, assim evitaria que ele a beijasse. Quando ficou tarde, mamãe sugeriu que ela ficasse para dormir. Para minha alegria, Helga aceitou. Então ela despediu-se do namorado, combinando a hora que ele passaria para pegá-la no dia seguinte. Ele saiu e eu tranquei a porta.

Reservei minha cama para Helga, enquanto eu dormiria na rede. Quando ficamos a sós no quarto, puxei de baixo da cama o baú. Abri e mostrei-lhe meu maior tesouro: nossos antigos CDs, nossas fotos, meus diários, todas as suas cartas e os bilhetinhos que trocávamos durante as aulas.

Ela olhou tudo surpresa, não acreditando que eu realmente guardara aquilo durante tanto tempo. Segurou curiosa duas mechas de cabelo presas numa fita amarela e eu disse que eram nossos, ou ela não lembrava que cortávamos juntas nossos cabelos? Helga leu trechos de meu diário onde eu narrava meu sofrimento por estar distante dela e, nesse momento, sua voz parecia uma doce canção que falava de saudade. Perguntei-lhe se ainda me amava.

Ela parou de ler e olhou para mim. E me chamou para perto dela, na cama. Sentei a seu lado. Ela ajeitou meu cabelo e disse que gostava muito de mim, que jamais esqueceria nossa amizade. Perguntei se ela ainda sabia beijar. Ela riu e disse que sim. Então beijei sua boca. Ela correspondeu por alguns segundos, mas depois afastou-se. Perguntei se não havia gostado. Ela então falou que o que havia acontecido entre nós era coisa de crianças, que agora éramos adolescentes, quase adultas, que em breve estaríamos na faculdade.

Respondi que ela estava enganada, que nosso amor não era coisa de criança, que eu não a esquecera nem por um só minuto e que ela ainda era a coisa mais importante do mundo para mim. Ela me olhou carinhosamente e me abraçou. Disse que jamais esqueceria o que vivêramos, que lembrava de tudo com muita ternura e que, apesar do tempo e da distância, eu continuava sendo sua prima preferida. Insisti: ainda me amava? Sim, ela respondeu, mas que agora devíamos deixar aquelas lembranças guardadas numa caixinha e cuidar da vida, seguir em frente.

Ela juntou tudo e pôs de volta no baú. Trancou e me entregou a chave. Tentei entender o que ela fazia, mas estava confusa. Ela disse que já estava tarde, precisava dormir, no outro dia tinha que acordar cedo.

Helga dormiu. Eu não. Fiquei a noite inteira sentada no chão, ao lado da cama, vigiando seu sono para que nada de ruim lhe acontecesse. Tão bonita ela dormindo, parecia um anjo. A réstia de claridade que vinha da janela acariciava seu rosto… A Lua, invejosa, também queria beijá-la. Como eu beijei.

Em certo momento, olhei para a janela e vi que estava… amanhecendo! Levantei e fui até lá. Afastei a cortina e abri a janela. O céu já não era um breu. Por trás dos prédios ele começava a mudar de cor. A escuridão cedia espaço a bonitas nuvens alaranjadas e alguns raios pareciam furá-las e lançar-se mais acima. Era o amanhecer, o primeiro que eu presenciava em toda a minha vida.

Sorri, sentindo uma estranheza, uma sensação misturada de vitória e desconforto. E de medo. O amanhecer era bonito, mas ao mesmo tempo que admirava, eu estava com medo. Então era aquele o mundo do qual falara minha prima, o mundo para o qual um dia ela prometeu que iríamos juntas… Mas eu não sabia se queria ir, não me agradava a ideia de um mundo sem crianças. Estava bastante confusa.

Olhei para Helga, que dormia na cama. E a visão de seu rosto me encheu de coragem. Então me ajoelhei ao lado e a chamei, com ela eu não teria medo de ir. Chamei-a para que cumpríssemos o que ela uma vez prometera, que entraríamos juntas no mundo dos adultos.

Ela se mexeu na cama, sussurrou algo e voltou a dormir. Chamei-a novamente, ela tinha que levantar, tínhamos que entrar juntas, eu não iria sem ela. Mas ela disse que era cedo, que precisava dormir, que eu fosse dormir também. Chamei-a de novo. Ela então me olhou com raiva e disse que se eu não fosse para minha rede, chamaria minha mãe.

Afastei-me, surpresa. Helga jamais havia falado comigo naquele tom. Fiquei ali olhando para ela, tentando entender. Por que ela não queria ir comigo? Não fazia sentido. Eu não iria sozinha. Sem Helga, o que eu faria no mundo dos adultos?

Então, entendi. Ela preferia ficar em nosso mundo, o mundo das crianças, que ficava do lado de cá da noite. O nosso mundo, onde estaríamos protegidas para sempre de todo mal. Aliviada por ter finalmente entendido tudo, fechei a janela e deitei na rede.

Quando estava quase dormindo escutei algo que chamou minha atenção. Era um som de galope, pareciam cavalos se aproximando. Olhei para a janela. Era de lá que vinha o som. Levantei e fui até lá. E vi. As criaturas malignas.

Eram muitas, nem sei dizer quantas. Vinham montadas em seus cavalos bufantes, o galope alvoroçado. Gritavam e urravam e gargalhavam feito loucas. Empunhavam foices e lanças e as brandiam sobre as cabeças. Eram cadáveres humanos, esqueletos com restos de carne ainda pendurados. Criaturas semimortas, grotescas, horríveis. Pareciam saídas de seus caixões. A coisa mais pavorosa que eu já vira e haveria de ver em toda a vida.

Elas estavam logo à frente, expelindo ódio e crueldade pelos olhos vermelhos. E olhavam todas para minha janela, para onde eu estava, todos aqueles horríveis olhos vermelhos olhando para mim. Na imensidão da cidade, no meio dos prédios, as criaturas sabiam exatamente onde eu estava. Olhavam fixo para minha janela, para mim, e se aproximavam em seu galope enlouquecido e barulhento.

O desespero subiu pela minha garganta, e quando eu tentei chamar Helga, minha voz simplesmente não saiu. Elas estavam chegando e eu não podia gritar. Quis correr, mas minhas pernas não se mexeram e ali continuei, parada na janela. Elas se aproximavam e o barulho era cada vez maior. Como Helga podia continuar dormindo com aquele som ensurdecedor?

Enfim, chegaram. Pararam diante da janela. Eu escutava seus cavalos alvoroçados, bufando, prontos para invadir o quarto. Pude sentir aquele horrível cheiro de coisa podre, de animal morto, insuportável…

Então, juntei todas as minhas forças e, tão rápido quanto pude, saltei e joguei-me na cama, colando-me ao corpo de minha prima. Puxei o cobertor e me cobri dos pés à cabeça. Ela acordou e perguntou o que eu estava fazendo ali. Não consegui falar nada. De olhos fechados, tremia de terror.

Helga explicou que eu tivera um pesadelo, que estava tudo bem, que eu podia dormir com ela. Eu tremia, encolhida sobre mim mesma, apertando os olhos, petrificada de pavor. Helga me abraçou, tentando me acalmar. Mas era inútil. Elas estavam na janela e entrariam no instante seguinte.

Helga pediu que eu abrisse os olhos. Não abri. Ela insistiu, pediu que eu abrisse, que era ela quem estava ali, estava ao meu lado, sua prima querida. Não abri, não podia. Apenas tremia e tremia.

Ela então pegou minha mão, apertou-a na sua e pôs algo entre meus dedos. Era a nossa mecha de cabelo, que ficara fora do baú. Helga disse que aquilo era um amuleto, que eu não deveria mais ter medo, que o amuleto me protegeria todas as noites. Era só segurá-lo que o pesadelo iria embora.

Segurei a mecha de cabelo em minha mão, apertando-a com toda a força que pude. Então, aos poucos percebi que as criaturas se afastavam. O amuleto funcionava mesmo. Continuei segurando e apertando. E as criaturas se foram. Aos poucos, parei de tremer, e chorei de alívio e agradecimento. Abracei minha prima amada e assim adormecemos, juntinhas. Protegidas. Como nos velhos tempos. Como nunca deveria ter deixado de ser.

Quando despertei, porém, estava sozinha. Minha prima já havia saído. Olhei para a janela e o céu estava azul. Abri a mão e lá estava o amuleto.
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TENHO ATUALMENTE 21 ANOS. Saí de casa, vim cursar faculdade em outra cidade. Meus pais alugaram um pequeno apartamento, que é onde moro, junto com Ramin, meu gato persa. Ele é castrado e nunca sai do apartamento, assim me faz companhia.

Sempre cuidei de estar em casa antes do amanhecer para não ter o desprazer de rever aquela cena horrível. Por conta disso recusei muitos convites para passeios, pois temia não estar em minha cama, protegida, quando as criaturas malignas chegassem, vindas do mundo onde não há crianças. Sim, eu ainda tinha o amuleto. Mas ele era algo muito sagrado para que eu o usasse por aí em qualquer lugar.

Nunca falei das criaturas com quem fosse, nem com meus pais, nem amigas, nem ninguém. Era meu segredo, meu e de Helga. Um dia, porém, num momento de fraqueza, cedi e acabei contando para Luiz. Já namorávamos havia alguns meses, e ele sempre indagava sobre minha relutância em ver o amanhecer. Gostava dele e achei que entenderia, por isso que contei. Num momento de fraqueza quebrei nosso segredo.

Perguntei a Luiz se ele não as via, as criaturas horrendas, quando amanhecia. Perguntei se não escutava o barulho ensandecido dos galopes quando surgiam os primeiros raios do dia. Se não sentia o cheiro insuportável de bicho morto. Ele era uma pessoa sensível, certamente entenderia. Falei que muitos anos atrás Helga havia me alertado sobre o outro lado da noite, que havia me contado o segredo do amanhecer e que um dia eu finalmente vira com meus próprios olhos. Falei do amuleto que eu usava, que minha prima me dera especialmente para me proteger, que era por isso que eu sempre o usava num cordão no pescoço quando dormia.

Terminei de falar e fiquei aguardando, nervosa. Nesse instante, lembrei de Helga e senti todo o peso da quebra de um pacto valioso. O que ela pensaria? Será que me entenderia? Se ela conhecesse Luiz, certamente entenderia sim, ele era uma pessoa boa, gostava de mim.

Luiz escutou tudo e ficou muito sério. Perguntou se eu não estava brincando e respondi que não. Tornou a perguntar e tornei a negar. Perguntou uma terceira vez, e pela terceira vez neguei. Compreendi nesse exato momento que não devia ter contado.

Depois daí, Luiz mudou. Passou a me tratar de um modo mais frio. E, pior, tentou me convencer que aquilo tudo era invenção minha, que as criaturas malignas não existiam, que eu devia ver o amanhecer sem o amuleto para constatar o que ele dizia.

Eu deveria ter terminado o namoro aí mesmo. Senti muita raiva por ele me tratar como uma louca. Sei que não sou louca, eu vi as criaturas. Escutei o galope atropelado e os uivos alucinados, pude sentir o mau cheiro tomando conta do ar e por pouco suas garras não tocaram meu pescoço.

Ainda namoramos mais algumas semanas, apesar dele continuar tentando me convencer. Volta e meia tocava no assunto, mas eu não queria escutar, não queria mais falar sobre isso, sabia que não adiantava. Terminamos o namoro porque um dia ele fez algo que não pude aceitar.

Foi numa noite em que dormimos juntos. Acordei de repente, assustada. Ele me chamava. Apontava para a janela do meu quarto e pedia que eu olhasse, dizia que nada havia lá fora, havia apenas o amanhecer.

Olhei para a janela, ainda zonza de sono, e quase desmaiei do susto que tomei. Lá estavam as criaturas chegando, elas e sua correria alucinada. Já vinham perto, eu podia escutá-las como se estivessem dentro do apartamento.

Olhei para sua mão e vi o amuleto. Luiz o tirara de meu pescoço enquanto eu dormia, o idiota. Nesse instante, fui tomada por um ódio que nunca imaginei que pudesse ter. Ver o amuleto nas mãos daquele estúpido me deixou absolutamente enfurecida. Ele não podia ter feito aquilo.

Então o empurrei para fora da cama, gritando desesperada que ele não tinha o direito. Eu tentava recuperar o amuleto, mas ele não deixava, e dizia que eu olhasse lá para fora, que estava tudo normal, não havia nenhuma criatura maligna…

Eu poderia tê-lo matado, sinceramente que poderia. Luiz me tratava como se eu fosse uma louca. De fato, fiquei tomada pelo desespero, fiquei sim. Mas quem não ficaria vendo-as tão próximo?

Empurrei-o violentamente para o corredor e de lá para a sala. Ele tentava me conter, pedia calma, dizia que eu precisava de tratamento, que gostava muito de mim e queria me ajudar. Eu não queria ouvir e gritava que ele fosse embora. De um canto da sala, Ramin, despertado pelos gritos, via a tudo assustado. Eu estava mesmo desesperada. Não tinha tempo. Luiz me entregava à morte e não percebia isso.

Não sei onde arrumei tanta força, afinal Luiz é bem mais forte que eu, mas abri a porta da sala e o atirei longe. Ele caiu de costas no chão e foi rolando pelos degraus da escada. Apanhei o amuleto no chão e gritei, antes de bater a porta, que nunca mais queria vê-lo. E corri para o quarto, atirando-me à cama e me cobrindo com o cobertor.

Vivi tudo de novo, o inferno que eu jurara que jamais viveria novamente. Elas chegaram como da outra vez. Olharam pela janela e… entraram. Puseram-se em volta de minha cama, observando-me, todos aqueles cadáveres nojentos. Não, ninguém pode imaginar o que seja isso…

Enquanto eu, embaixo do cobertor, tremia e apertava em minhas mãos o amuleto, podia sentir seus olhares queimando feito brasa em minha pele, o bafo quente, o odor putrefato, meu corpo a um palmo de suas garras asquerosas… Não, ninguém pode imaginar.

Então, aos poucos, elas começaram a se afastar, foram saindo. Sabiam que nada podiam contra mim se eu estivesse com o amuleto.

No mesmo dia, Luiz me ligou, mas não atendi. Mandou-me mensagens que não li. Farta dele, desliguei o celular. No dia seguinte, peguei o ônibus para a cidade onde Helga morava, precisava lhe contar o que fizera. Eu não fora digna de seu segredo. Precisava que me perdoasse.

Cheguei à tarde. Da rodoviária, peguei outro ônibus até a casa dela. Cheguei, toquei a campainha. E perguntei por minha prima. Foi então que soube que Helga havia morrido. Naquela manhã.

A princípio, não acreditei. A voz no interfone perguntou quem eu era. Mas eu não consegui dizer mais nada. Uma mulher abriu o portão. Estava vestida de preto, o semblante triste. Ela falou algo sobre um acidente e explicou onde era o velório, estavam todos lá. Ela perguntou se eu entendera. Não lembro o que respondi, mas eu entendi sim. Entendi tudo.
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AGORA, NESTE EXATO INSTANTE, são cinco e dez da manhã. Estou de volta ao meu apartamento, aqui na sala, sentada nesta poltrona, de frente para a grande janela de vidro. O sol surge às minhas costas, do lado oposto – eu tivera o cuidado de escolher um apartamento virado para o poente –, mas já posso ver o céu deste lado começando a clarear. Em poucos minutos será dia.

Trouxe da cozinha mais uma xícara de café. Quero estar bem desperta para o que vai acontecer.

Já ouço o barulho, sinto o mau cheiro… Tento manter-me calma. Mas o peito está para explodir.

Já posso vê-las, as criaturas e seus semblantes enlouquecidos. E os berros, meu Deus, os berros… Não sei como os vizinhos não acordam com todo esse barulho. E minha vizinha, que reclama de qualquer coisinha, como pode não escutar?

Deixei no pratinho de Ramin ração suficiente para uns cinco dias. Espero que alguém se dê conta antes que o bichinho morra de fome.

Elas estão chegando, já me viram. A horda inteira me observa, com seus olhos vermelhos, as expressões de ódio. E a correria faz o apartamento tremer. Como podem não escutar, meu Deus? Os vasos caem, tudo treme! Até Ramin, de sono tão pesado, já veio ver o que está acontecendo…

Elas já estão aqui. Caminham sádicas ao redor da poltrona e o som de seus passos ecoa pela sala. Deus, como são repugnantes! E o cheiro, é impossível respirar… Ramin ficou apavorado com o que viu: arrepiou-se todo e saiu numa carreira pelo corredor, deve ter-se metido embaixo do armário, coitado. Eu bem que poderia tê-lo poupado disso.

Uma delas passa a mão em meu cabelo, a mão ossuda, restos de pele pendurada… O cheiro é insuportável. O asco me sobe à garganta e reprimo o vômito. Estou imóvel, não respiro, olho fixo para frente. Uma delas empunha uma foice. Por que não faz logo o que veio fazer?

Estão todas na sala e riem de mim às gargalhadas. Tento manter um mínimo de dignidade, mas estou tão nervosa que meu queixo treme sem parar… Só queria que tudo acabasse logo.

Então, uma das criaturas puxa meu cabelo e reclina minha cabeça para trás, expondo inteiramente meu pescoço. Sinto meu coração acelerado. Ela aproxima seu rosto do meu e percebo que sua boca espuma, posso sentir o bafo quente. A que empunha a foice se aproxima. Evito seus olhares fechando os olhos, e assim os mantenho.

A criatura puxa meu cabelo um pouco mais. A baba de sua boca pinga sobre meus lábios cerrados e escorre pelos cantos… Eu me esforço para controlar a repulsa. Percebo que suas unhas afiadas tocam meu pescoço. Meu queixo ainda treme. Todas elas tocam meu pescoço, deslizando lentamente suas unhas como se saboreassem um aperitivo.

Duas imagens surgem em minha mente. A primeira é o amuleto enterrado no jardim da praça, a porção de terra a cobri-lo, nossas mechas de cabelo unidas para sempre. A segunda imagem é de Helga, olhando para mim, seus olhos tristes e decepcionados…

As lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto. Minha cabeça continua inclinada para trás, meu pescoço exposto. Sem suportar mais o olhar de Helga, eu choro. Choro de olhos fechados e rezo para que tudo termine logo.

Então, num movimento brusco, a criatura faz o que deve fazer.

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Ricardo Kelmer 1997 – blogdokelmer.com

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Este conto integra o livro
Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba? Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, as pessoas são surpreendidas por acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmas e deflagram crises tão intensas que viram uma questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses coletivos e pessoais.
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O íncubo

15/11/2008

15nov2008

Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas. Mas… e se ainda existirem?

OIncubo-05

O ÍNCUBO

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Ele virá como num sonho, mas será real. Porque habita a realidade mais profunda ‒ e inadmissível, não esqueça ‒ dos seus desejos. Chegará devagar e sem alarde. E deixará os sapatos à entrada para poder pisar delicadamente o seu chão e sentir, desde o início, todos os detalhes de sua presença. Ele, o meticuloso.

Haverá uma roupa no sofá da sala, você anda meio desleixada? Quem será o moço no porta-retrato, seu namorado? Que diria se acaso soubesse que ele esteve em seu apartamento a essa hora da noite? A porta de seu quarto estará trancada, evidentemente, mas ele já sabe que você anseia por essa visita. E é exatamente por isso que poderá vir e entrar. Se esse encontro não existisse antes em seu pensamento, minha querida, ele não passaria jamais por essa porta, aberta ou fechada.

Ele entrará em seu quarto enquanto acostuma os olhos à penumbra do ambiente, os olhos que a encontrarão em sua cama, dormindo tranquila, os lábios roçando o travesseiro e o cabelo escorrendo pelas curvas do seu rosto suave. Então, ele se permitirá profanar a harmonia do quadro e afastará para o lado uma mecha de cabelo que insiste em querer seus lábios. Ele, o profano.

Não, de forma alguma ele se sentirá culpado por invadir assim sua intimidade mais secreta, logo você, tão cheia de recatos. Porque foi você quem quis assim, embora jamais o revele, nem a si mesma. É essa a lógica: você tem de chamá-lo para que ele possa vir. Ele estará, portanto, somente realizando um velho desejo seu. Aliás, ele gostaria imensamente de estar presente quando, pela manhã, você sonolenta a lavar o rosto, viesse a primeira lembrança do sonho que teve, tão estranho, tão louco… Mas tão real, não? Ah, ele adoraria vê-la, você estancando subitamente, em pé ao espelho, os olhos na expressão de quem lembra, o gesto suspenso na vã tentativa de congelar o resto de lembrança que vai fugindo, fugindo… E a cara de incredulidade e espanto. Mas não, ele não poderá estar presente, seus poderes não resistem longe dos sonhos.

OIncubo-06

Ele puxará a ponta do lençol, descobrindo seu ombro magro. Mais um pouco e os seios surgirão aos seus olhos agradecidos, descansando suaves e alheios no ritmo sereno de sua respiração. Ele não resistirá e deixará escapar um sorriso… Nesse momento já não poderá evitar deter-se um pouco e comparar a imagem que tem à mulher que conhece, tão pudica. Se você pudesse despertar agora, certamente teria um de seus repentes de indignação e bradaria que ele está violando sua intimidade e que não tem o direito. Mas nesse sonho, minha querida, não há lugar para violências. E, além do mais, não foi você quem o chamou? E quem melhor que ele, o que capta o que se esconde, para entender a beleza tímida dos seus seios?

Então, de repente, para total surpresa dele… você se moverá, virando o corpo e privando-o da visão de seus seios. Ele confessará, do alto de suas vivências no assunto, que, tsc-tsc, por essa não esperava. Então, sussurrará ao seu ouvido, sorrindo uma revolta bem-humorada, que certos pudores não têm jeito, não adormecem nunca…

Em sinal de protesto, ele retirará, de uma vez, o lençol que ainda cobre o restante de seu corpo. E terá outra surpresa o nosso amigo. Duas, para ser exato. Quem, em algum tempo, poderia imaginar, inclusive ele, que aquele autêntico recato ambulante dormisse nua, inteira e despojadamente nua? E, mais curioso ainda, que fosse tão desejável sem vestes?! Ninguém, certamente, você sempre fez questão de se ocultar demais. E ele muito menos, ele que há algum tempo flagra a ânsia dessa aventura por trás das couraças de sua defesa.

Retirado o lençol, o profano se afastará da cama e se posicionará melhor para observar, pintor orgulhoso do novo quadro. Você nua e sem defesa. Entregue aos olhos de um homem como jamais imaginou que pudesse. A pele brilhando na penumbra. O corpo inteiramente nu, convidativamente disposto sobre a cama, finalmente autorizado, nihil obstat. Ah, como ele se deliciará ao vê-la aprisionada em sua própria nudez…

E ele percorrerá com os olhos comovidos as paisagens de seu corpo, montes e planícies, savanas e cavernas. Gozará enternecido todas as minúcias de sua pele e procurará novos ângulos para sua beleza inconsciente ‒ e finalmente despudorada. Um fino e cruel ladrão de intimidades, desumano e desrespeitador. Ora, convenhamos, ele dirá, um pouco de perversidade não faz mal a mulher nenhuma! Principalmente a você que sequer admite durante o dia o que se permite em sonhos…

Então, ele perceberá, desconfiado, a sua respiração mais intensa, o ritmo acelerado. Aproximará o rosto do seu, já antevendo a nova surpresa, e, por fim, constatará sua excitação. Ora, ora, ele exclamará sorrindo, então o sonho já começou… E, enquanto se despe ao lado da cama, observará seus movimentos angustiados e impacientes, como se buscasse alguém ausente.

Ele comparecerá a esse encontro porque você o quer, vamos deixar isso bem claro, mas também porque anda curioso por saber o que existe por trás de toda essa sua aparente frieza e indiferença. Aparente, sim, ele sempre soube disso, pois mesmo nas mulheres, bichos ardilosos que sempre foram, o olhar nem sempre acompanha a velocidade da mentira ‒ ou da habilidade, como queira. E foi o olhar, minha querida, foi exatamente esse pequeno detalhe que naquele dia a denunciou, a você e suas tão bem cuidadas aparências. Foi apenas um encontro instantâneo de olhares, tudo muito rápido, é verdade, somente um desejo que por um segundo escapou sorrateiro de sua vontade e que, ao perceber o olhar dele, voltou logo a ser desdém. Ah, mas já era tarde. Ele agora sabia de tudo.

Jogada a roupa a um canto, ele deitará ao seu lado na cama, já chega de perversidade. Sentirá então o calor receptivo e o aroma delicado de sua pele. Você jogará ao chão velhos escrúpulos, que por lá ficarão enquanto ele não se for, e decerto que se espantarão ante toda sua disposição revelada. Seus olhos estarão sempre fechados, mas verão tudo em seu sonho. Só não verão os olhos dele, o que fará mais difusa ainda sua recordação.

Enquanto sua boca o procura e seus braços exigem com avidez o corpo dele, ele sorrirá dessa sua insuspeitada ardência. E finalmente fechará os olhos, deslizando para dentro do seu sonho. E só retornará quando novamente abri-los.

OIncubo-06No outro dia, você lembrará de quase tudo, mas sua lembrança será como névoa que aos poucos se dissipará, terminando por se transformar na sensação de já ter vivido algo assim em algum dia, algum lugar…

Mas como, se tudo foi apenas um sonho?, você se perguntará, sempre surpresa com a qualidade das lembranças que a farão sorrir pelos cantos do dia, subitamente envergonhada. O que foi? ‒ a amiga indagará, desconfiada, e você disfarçará, procurando qualquer coisa para se ocupar e fugir do flagrante. Mas nem sempre conseguirá conter o sorriso que, fora do seu controle, denunciará a si mesma uma descarada satisfação.

Você pensará nele, sim, e por pouco não se renderá ao desejo, várias e vacilantes vezes ao lado do telefone. Sussurrará na rua, sem querer, o nome do maldito, mas ao mesmo tempo evitará encontrá-lo, pois se sentiria nua nesse encontro. E toda vez que se recordar dessa noite, perceberá um vento gelado lhe roçar os pelos e trazer arrepios. Ventos do outro mundo? Lera certa vez alguma coisa sobre demônios que invadem o sono das mulheres para copular com elas, lendas medievais. A história não lhe saíra da cabeça.

Demônios… Não sabia que pudessem ser tão competentes, você pensará, permitindo-se afinal brincar um pouco. Muito competentes…

Mas não, não ‒ você sacudirá a cabeça, abandonando tal absurdo, e voltará aos afazeres. Entrar no sonho dos outros, imagina, seria o fim do mundo…

Mas… e se fosse possível? E se realmente eles pudessem…

Não, não, foi tudo um sonho ‒ você repetirá mais uma vez, lutando contra a vontade que arde de vê-lo novamente. Foi apenas um sonho louco e alguma coincidência. E, além do mais, há muito que essas coisas não existem.

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Ricardo Kelmer 1991 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros
Vocês Terráqueas
Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos
Indecências para o Fim de Tarde

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VÍDEO
The Doors – The spy. Com imagens de Milo Manara
Criei este vídeo para ilustrar o conto “O íncubo”, e homenageando uma banda e um artista que adoro

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Este conto integra o livro
Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos

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01- Eu já lí esse texto no jornal…muito louco..muito bom mesmo gostei, parabéns! Paulo César Cândido, Fortaleza-CE – abr2007

02- Mais outra crônica soberba!!! Humberto de Melo Batista, Fortaleza-CE – abr2007

03- SURPREENDENTE! Sou sua fã! E se fã é sinônimo de fanática…também sou! ;^) Grande beijo! Danila Gomes, Fortaleza-CE – abr2007

04- Oi, Ricardo ! Tuas crônicas são pra lá de inusitadas.E é isso que faz a grande diferença.Cada tema ! kkkk gosto demais do teu estilo de satirizar. Estou repassando para os meus contatos, Um grahde abraço ! Zinah Alexandrino, Fortaleza-CE – abr2007

05acabei de ler o teu íncubo, fiquei impressionada, você realmente conhece o feminino, o mais escondido do feminino, neste conto você escreveu sobre algo que me acompanha desde a infância. IK, São Paulo-SP – fev2011

06- ‎”Você dormirá tranquila, os lábios roçando o travesseiro e os cabelos escorrendo pelas curvas do seu rosto suave. Então ele se permitirá profanar a harmonia do quadro e afastará para o lado uma mecha de cabelo que insiste em querer seus lábios.” Que malvadeza! 😀 Muito bom, Ricardo!!! Thanks! Cristiane Rocha, São Paulo-SP – abr2011

07- Tradução do trecho que você citou, Cristiane: “Você capotará na cama depois do vuco-vuco, mordendo a fronha e toda desgrenhada, com o cabelo por cima da cara de exausta. O caba, enxerido, não satisfeito em aperrear teu cansaço, ainda vai te perturbar por mais, começando a tirar os cabelos enfiados na tua boca.” Lincoln Silveira, Fortaleza-CE – abr2011

08- Esse sempre mexe um pouco comigo, a 1ª fez que li parecia mais um Dejavú do que simplesmente mais um conto. E mais, eu só durmo sem calcinha, acho que isso facilita um pouco a vida do íncubo hehe. Dolores Agnes, Fortaleza-CE – dez2012

09- Adoro esse conto do Íncubo, por que mistura mistérios e desejos ocultos das mulheres… A escrita do Kelmer é maravilhosa, adoro seu jeito de escrever totalmente descontraído e divertido! Ana Jess Sousa, Fortaleza-CE – fev2013

10- Uaaaaau! O conto ficou ainda mais delicioso ao som de The Spy! Belas ilustrações! Renata Kelly, Fortaleza-CE – jun2014

11- Muito bom aliás adoro todos teus contos…acho que já recebi a tal visita deste íncubo…rsrsrs (detalhe não tão púdica, rsrsrs) !!!!! Brincadeiras a parte…parabéns pelo blog também!!! Leide de Assis, Belém-PA – jun2017

OIncubo-06


As joias de Rossana

14/11/2008

14nov2008

rossanaromcy01.

A temporada cearense de lançamento do livro Vocês Terráqueas, que já contava com o apoio da Kingston e de Luce Galvão de Sá Arquitetura, agora tem também o apoio de Rossana Romcy.

Rossana é um dos novos nomes no ramo de design de joias. A criatividade aliada ao bom gosto de suas peças, que unem sementes, metais e pedras preciosas e são feitas a mão, já chamam a atenção não somente do mercado nacional mas de países como Itália e Portugal, pólos da moda mundial.

Trabalhando junto com seu marido e ourives Alexandre Ortiz, Rossana dá asas à criatividade na criação de peças únicas e exclusivas. A designer também trabalha sob encomenda, criando de acordo com a necessidade e o desejo do cliente.

Site Rossana Romcy

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Ricardo Kelmer 2008  – blogdokelmer.com

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COMENTÁRIOS
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Essa loirinha desmiolada de sol

10/11/2008

10nov2008

Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

ESSA LOIRINHA DESMIOLADA DE SOL

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Os leitores que ultimamente receberam livros meus pelo correio certamente perceberam que o endereço do remetente não é de São Paulo, mas de Fortaleza. Explico: tô passando uma temporada no Ceará e desde setembro despacho daqui meus livros vendidos pela internet. Vim finalizar em Fortaleza o novo livro, Vocês Terráqueas, e a nova edição de bolso dos demais, aproveitando a parceria que tenho com a Expressão Gráfica e com a Garin, e vim também pra participar da Bienal Internacional do Livro (12 a 21nov) e fazer umas palestras.

A ideia era retornar pra São Paulo até dezembro, mas como tô precisando de uma graninha urgente pra pagar os custos do novo livro e também pra comprar um notebook, decidi voltar a produzir festas temáticas, algo com que trabalhei por vários anos. Então adiei o retorno, possivelmente pra depois do Carnaval. Produzir uma festa não me dá tanto prazer quanto publicar um livro, mas dá menos trabalho. E sempre dá um dinheirinho muito bem-vindo que ajuda a bancar o RK escritor.

Fortaleza é assim, pro RK escritor ela não tem amplos horizontes a oferecer, mas pro RK festeiro ela escancara as pernas. Essa loirinha desmiolada de sol… Fortaleza será sempre assim, inculta, dengosa e bela. Sempre que venho, ela me vem com agradinhos, diz que eu deveria ficar, que mereço vida melhor do que a que levo sozinho em São Paulo, alugando quartinhos minúsculos, sem os amigos que tenho aqui, os dengos e as facilidades…

Ela diz isso mas tá cansada de saber que nosso amor é um amor impossível. E sabe muito bem que agora sou um cara compromissado com São Paulo, a quem ela desdenhosamente chama de Paulete Periguete. Ciúmes, claro, tem cidade que é muito ciumenta. E Paulete não tem nada de oportunista, pelo contrário. Ela pode até não ser tão calorosa quanto Fortaleza, mas é bem curvilínea e, aiai, são as curvas de seus horizontes que mais seduzem o RK escritor.

– Mas duvido que ela seja mais ecônomica que eu – Fortaleza começa a ladainha, enquanto brinca de sereia na areia da praia pros meus olhos. Cidade adora se comparar com a outra, ô mania horrível. De fato, Fortaleza não é dispendiosa como São Paulo. Mas finjo que não escuto a provocação e continuo olhando o mar, gosto de ver as ondas indo e vindo, é um dos meus mantras visuais favoritos.

– Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar.

– Duvido que ela faça gostoso como eu faço, duvideodó… – ela sussurra, sua voz sapeca sibilando em meu ouvido junto com o vento de outubro. E dessa vez eu concordo, claro, imagina se vou discordar. Não, loirinha, ninguém faz o que você faz, principalmente depois da terceira vodca.

Fortaleza é assim, a derradeira brisa de verão, um gosto de beijo roubado na fila do embarque, a felicidade com visto vencido.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

IncultaEBelaDengosaECruel-8aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Maior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e bela, dengosa e cruel) – E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Confissões de uma leitorinha nua (por Leitorinha) – Fiquei tão à vontade pra ler a página dele na net que agora o fazia completamente nua

São Paulo, sua loca – Quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro

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Amor em liberdade

06/11/2008

06nov2008

Os modelos tradicionais de relacionamento associam o amor à posse do outro e, por isso, ser livre ou deixar o outro livre é algo que soa logo como brincadeira, descompromisso, desrespeito…

AMOR EM LIBERDADE

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Tânia tem 47 anos, é pedagoga e recentemente separou-se do marido, com quem teve um filho. É uma mulher ligada à espiritualidade, gosta de ler sobre filosofia e psicologia e desde a separação vem mudando sua compreensão das relações humanas. Tânia não mais crê no tradicional modelo de relacionamentos que a sociedade impõe a homens e mulheres e busca encontrar alguém que entenda algo que para ela é fundamental: amar não significa querer a posse do outro.

Raissa tem 22 anos, é estudante de publicidade. Solteira e bonita, ela adora sair à noite para beber, dançar e se divertir com os amigos. Gosta de homens e também de mulheres. Apesar de não faltar pretendente, Raissa atualmente está solteira. Para ela, namoro é bom, sim, mas só se a outra pessoa não quiser prendê-la com ideias limitadas sobre sexualidade e relacionamentos. Ela quer alguém que a aceite como ela é: livre para viver e amar, sem enquadramentos comportamentais e ciúmes doentios. Se não for assim, prefere seguir solteira.

Duas mulheres, duas gerações, experiências diferentes de vida. Ambas, porém, estão insatisfeitas com as opções que a sociedade lhes oferece quando o assunto é relacionamento. Ambas querem liberdade para serem o que são e viverem o amor como acham que devem vivê-lo. Mas não tem sido fácil encontrar outras pessoas como elas. Onde estarão?

Tânia, nossa pedagoga, rompeu com o velho modelão quando entendeu que exigir fidelidade do outro pode até ser prova de amor, mas de amor possessivo, que não ama o outro mas a sua posse e controle. Ela sabe que fidelidade é uma invenção cultural e como não quer mais alimentar hipocrisia em suas relações, não mais exigirá fidelidade sexual de seu homem – ela apenas não quer saber caso aconteça e que ele tenha cuidado com doenças. Ela deseja um homem que seja atraído pela liberdade que ela oferece à relação, no entanto os homens que encontra não conseguem lidar bem com a ideia de uma relação franca e honesta assim. Eles parecem preferir o velho modelo, em que um engana o outro e ambos fingem não perceber. Tânia quer compromisso, sim, mas sem mentiras veladas. O amor e a liberdade não são excludentes – ela diz, do alto da sabedoria de sua maturidade.

Nossa publicitária, apesar da pouca idade, parece também já ter intuído que o amor com liberdade deve ser o verdadeiro guia de seus relacionamentos. Mas Raissa sabe também que sua liberdade pessoal assusta muita gente. Ela não disfarça a irritação quando fala das pessoas “tão normais”, essa gente que aceita para si os moldes de relações impostos, sem sequer considerar que tais moldes podem jamais lhes servir. Raissa quer se doar ao amor mas não quer se dar a regras que não foram feitas para ela. Ela quer voar a dois pelos céus do amor e não dividir a dois a prisão do amor. Ela quer amar mas não quer aprisionar o amor por medo de perdê-lo. Para Raissa, entre amor que controla e amor que liberta, ela prefere o segundo, mesmo com seus riscos. Mas o primeiro tem os seus riscos também, porra! – ela exclama, do alto de seu jeito rebelde.

Tânia e Raissa não se conhecem mas fazem parte da mesma tribo, o das pessoas que não aceitam velhos modelos de relacionamento baseados na propriedade e procuram viver de acordo com seu próprio entendimento de amor. Elas estão fartas de preconceitos e hipocrisias que levam as pessoas a mentir para quem amam e para si mesmas, a viver relacionamentos falsos, a prender e se prender em regras estúpidas e a deixar de viver a vida verdadeira em troca de aprovação social. Pessoas como Tânia e Raissa também desejam compromisso – mas com o outro e não com a posse do outro. Não tem sido fácil para elas encontrar parceiros mas, aos poucos, como sempre ocorre, os revolucionários acabam se atraindo.

Não é fácil mudar velhos conceitos. Porque as pessoas sempre esquecem que a verdade em que creem não é necessariamente verdade para todos. Os modelos tradicionais de relacionamento associam o amor à posse do outro e, por isso, ser livre ou deixar o outro livre é algo que soa logo como brincadeira, descompromisso, desrespeito… Esse velho modelo não entende que um casal é feito de duas individualidades, que casais podem ser harmoniosos e felizes vivendo separados e que as pessoas podem ter outras relações e continuar se amando. Esse modelo só aceita o amor se no pacote vier junto posse e exclusividade. Até mesmo mulheres que desejam relacionamentos mais verdadeiros sentem dificuldade em considerar outros modelos de viver o amor. Elas deveriam parar um pouquinho e pensar: como podemos viver relações verdadeiras se queremos antes ser donos do outro?

É esse velho e intransigente modelo que não serve para pessoas como Tânia e Raissa, que querem amar e ser amadas, como qualquer um de nós, mas querem ser amadas por serem livres e querem amar pessoas livres. Os outros, que vivam eles o seu amor de posse, esse que exige antes de tudo possuir o outro. O que elas querem é outro amor, aquele que exige antes de tudo… amar.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – É esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam mas não se anulam em estúpidas noções de controle: amamos o outro e não a posse do outro

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido

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LIVROS

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

Mulheres que Correm com os Lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A Prostituta Sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As Brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

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ENTREVISTA

Regina Navarro Lins (revista TPM, set2012) – A psicanalista e sexóloga fala sobre relacionamentos, sexo e liberdade

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01 – Queridíssimo Ricardo, você parece que lê a alma das pessoas! Obrigada, muito obrigada pelo trecho do seu texto sobre Raísa (“AMOR EM LIBERDADE”), que você postou em meu scrapbook. Falou direto ao meu coração. Obrigada mesmo, foi um presentão de aniversário! Beijos, que você continue sempre tão abençoado. Branduir, Rio de Janeiro-RJ – dez2008

Os modelos tradicionais de relacionamento associam o amor à posse do outro e, por isso, ser livre ou deixar o outro livre é algo que soa logo como brincadeira, descompromisso, promiscuidade…


Vocês Terráqueas – Lançam. Fortaleza 2

28/10/2008

28out2008

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No dia 21out, no Buoni Amici´s (Centro Cultural Dragão do Mar – Fortaleza), aconteceu o lançamento do meu novo livro, Vocês Terráqueas. Obrigado a todos que compareceram e me proporcionaram uma noite memorável. Espero que gostem da obra. Obrigado também aos apoiadores: Célio do Amici´s, Cristina Cabral, Luce Galvão de Sá Arquitetura e Kingston.

O próximo lançamento em Fortaleza será durante a Bienal Internacional do Livro (Centro de Convenções), no dia 19nov, às 20h, no estande da Secult. Mas antes levarei o livro a bares, faculdades e espaços culturais, fazendo sessões de autógrafos itinerantes.

Como parte da estratégia de divulgação, criei clips musicais com trechos do livro e imagens de arquétipos femininos. O dvd com os clips será exibido em alguns bares e casas noturnas da cidade. Utilizei músicas famosas que falam da mulher e também músicas minhas. Caso deseje adquirir, é só entrar em contato: rkelmer@gmail.com

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Obrigado do tio

22/10/2008

22out2008

Este espaço é pequeno, mas ele representa minha gratidão a todos que lembraram de meu aniversário (21out), me ligaram, imeiaram, postaram recadinhos, me enviaram pela estrada da distância sua amizade, seu amor e seu carinho. Como não posso responder a cada um individualmente, faço dos meus braços um imenso laço e assim envolvo a todos num amasso bem gostoooooso.

Adentrei o 45o. ano de minha vida. De tio eu sou chamado faz muito tempo, já me acostumei. Até de Tio Sukita já me chamaram, é mole? Tio Sukita é foda. Eu preferiria Tio Jack Daniel´s.

Barzinho lotado, banda de blues tocando. Ninfa Jessi foi ao banheiro, mas volta já, ela gosta de me deixar sozinho só pra ver o que acontece. Ninfa Jessi não presta. E eu amo essa liberdade que reluz em seu amor por mim. Então me encosto no balcão e peço uma cerveja. Uma ninfeta simpática e jeitosinha se aproxima.

 Iaí, Tio Sukita… Me paga uma cerveja?

Não me chame de Tio Sukita e eu prometo que penso no assunto.

Eheheh. Me paga uma cerveja, tio?

Vem cá, precisa mesmo me chamar de tio?

Claro, você deve ter o dobro da minha idade. E mais uns quebrados.

E nem por isso eu te chamo de sobrinha.

Vai pagar ou não vai?

E ainda é abusada.

Difícil o tio, heim! Acho que tu não tem mais idade de ficar botando banca não…

E eu acho que você devia pegar o beco. Minha namorada tá chegando.

Por quê? Ela é ciumenta?

Não. É ninfomaníaca. E vai te chamar pra gente ir prum motel. Ela adora sexo a três com ninfetinhas desconhecidas no meio da noite.

Caraca! Tchau.

Quem era aquela, gatão?

Outra ninfeta interesseira que adora beber às custas dos tios nas festas.

O que você disse pra ela?

Mandei a tática 2. Ela se assustou e caiu fora.

Que pena…

Ninfa Jessi não presta.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada.

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz.

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundoO sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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LEIA NESTE BLOG

Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres

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DICA DE LIVRO

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor, submissão e salvação pelo sexo anal

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CABARÉ SOÇAITE

Cabaré Soçaite – Uma festa de sensualidade – Se você tem medo do desejo feminino, é melhor não ir…

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Não saia com ele – Titiko

13/10/2008

Ricardo Kelmer 2008

É, parece que a Renata tava mais interessada em restaurante chique do que em namorar… Coitadinha

O site se chama Não Saia Com Ele (www.naosaiacomele.com). O Sindicato das Coitadas publica o perfil do calhorda, com foto e tudo, pra que as meninas saibam quem na verdade ele é e, assim, possam se prevenir. Vamos conhecer um pouco dos canalhas?

Titiko, 1.82m, São Paulo. Teve algum lance com uma tal de Renata que não deve ter ficado muito satisfeita e aí, tchum!, fichou o canalhudo no site. “No começo era tudo lindo e maravilhoso, mas depois jah viu neh!! Sair pra jantar??? Ah, no máximo ele me levava pra comer um dogão na towner do Zé Porcalhão e ainda era a filosofia do cada um pague o seu!!! Presente??? Tá bom!!! Quando muito ele me trazia uma lembrancinha safada dos camelôs da 25 de março e ainda tinha a cara de pau de me falar q o tio dele tinha trazido do estrangeiro!!! Agora, na hora de brincar de bate côxa comigo, eu tinha q estar sempre ali a disposição!!! Aí ele ficava “todo todo” neh!!!” Garotas, cudado!!!”

É, parece que a Renata tava mais interessada em restaurante chique do que em namorar… Coitadinha. E esse negócio de escrever cudado em vez de cuidado, heim? Terá sido um ato falho? Será que o Titiko também só queria saber do rabanete da Renata? Nesse caso a advertência “Garotas, cudado!!!” na verdade conteria a seguinte mensagem implícita: “Garotas, cuidado que esse é um tarado sem-vergonha enrabador de mulheres indefesas.”

Putz, eu quero é distância de uma mulher dessa! O cidadão trabalhando duro pra subir de vida, ralando que nem um condenado na masmorra, economizando pra casa própria, pro colégio dos futuros filhos, e a desgraçada ainda reclama porque ele acha justo dividir a conta? Deixa de ser machista, dondoca! E ainda quer presente, a merecida. E presente caro. Vai trabalhar, folgada! Titiko, meu fi, cai fora dessa que é roubada. Não saia com ela.

Taí. Eu queria uma mulher pra me trazer presentinho da 25 de Março. Ô se não queria! Em troca eu ficaria todo-todo à disposição pro bate-coxa, sem problema, oi, amor, eu trouxe presentinho pro meu escritorzinho lindinho cheirosinho gostosinho, menino, tu já tá pelado, e já tá assim todo-todo, ei, calma, deixa eu te mostrar o que comprei, aai, calma, menino, o que tu andou tomando, heim, deixa eu pelo menos fechar a porta, aaaiii!!!

Voltando pra Renata, a coitadinha. Poxa, Kelmer, você tá sendo muito radical, entenda a situação da moça, ela apenas acha que merecia mais.

Ah, tá. Merecia mais. Claro, a moça tá no direito dela. Então, Renata, vou convocar todas as leitoras do blog pra fazer uma corrente de oração pra você arrumar um homem que te leve pra jantar no Fasano e compre teus presentes na Daslu. Mas acho melhor vocezinha esperar sentada, viu?

É cada uma.

No próximo capítulo conheceremos outro canalha. E outra coitada.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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OBS.: Aparentemente, o site naosaiacomele.com.br foi retirado do ar, certamente por conta de reclamações por parte dos homens que tiveram seus dados e fotos expostos. Prevendo que isso pudesse acontecer, felizmente copiei alguns depoimentos. Eles são ótimo material pra escrever crônicas sobre os universos feminino e masculino.

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LEIA TAMBÉM

> Não saia com ele (1) – Bons tempos em que a gente podia ser cafajeste à vontade, sem medo de ser fichado pelo Sindicato das Coitadas.

> Não saia com ele – Titiko – Parece que a Renata tava mais interessada em restaurante chique do que em namorar… Coitadinha

> Menu de homem – Na onda da mulher-melancia, mulher-jaca, mulher-filé e outras classificações femininas hortifrutigranjeiras, nada mais justo que nós, homens do sexo masculino, sermos também classificados.

> Como afugentar um homem – Velha tendência feminina, essa ansiedade louca pelo amor, essa mania de fazer a relação ocupar todo o espaço na vida de ambos…

> Amar duas mulheres – Não se preocupe, eu te entendo, bode velho, eu também sempre tive essa fantasia de comer a Hello Kitty

> Sexo neles, beleza nelas – Sexo pros homens. Beleza pras mulheres. O mundo muda, tudo muda – menos isso

> A garçonete rolante – E como ela já tem nome de vodca, uau, nosso Stone deve ficar louco sem saber se come ou se bebe a moça

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O chamado da Mulher Selvagem (1)

02/10/2008

02out2008
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Criei este espaço pra prosseguir com o tema da Mulher Selvagem, o arquétipo da mulher livre e conectada à sabedoria natural. A crônica A Mulher Selvagem é um dos meus textos mais conhecidos, reproduzidos e comentados de minha obra, o que indica que ele toca em algo muito precioso nas mulheres, no bom sentido –  e também nos homens que não temem o Feminino.

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>> amei de paixão a sua crônica – A mulher selvagem. Em poucas palavras você conseguiu entender e preencher todo o universo feminino tão pouco entendido pelos homens. É muito bom saber que ainda existem homens sensíveis como você e acima de tudo homens com coragem de assumir sua sensibilidade. Marisa Feliciano, Belo Horizonte-MG

RK: De mulher pra mulher, Mariiisaaa… Obrigado pelos elogios, fia, mas não tô com essas bolas todas não. Ainda tenho muito que ralar com a minha sensibilidade, nem sempre sei como lidar com ela. Por exemplo, sempre que o Fortaleza perde, eu fico muito sensível. E aí, pra me acalmar, roubo um carro e atropelo uma daquelas velhinhas que vendem rosas na Jabaquara. Mas antes eu compro a rosa, claro, não me julgue tão mal.

>> Parabéns pelo texto da mulher selvagem. É de admirar que um homem o tenha escrito, pois não conheço nenhum com sensibilidade para enxergar além da textura da pele. Marli Myllius, Curitiba-PR

RK: Além da textura da pele? Marlindinha, menina, você quer um homem ou um microscópio? Ah, vai, não seja injusta. Dá outra olhadinha ao redor, vai, olha pros caras com mais carinho e compreensão que você identificará neles a sensibilidade que tanto busca. E quem sabe você mesma não os ajuda a libertá-la, né? Já posso até ver o anúncio colado nos orelhões: Marli, libertadora de homens sensíveis.

>> puxa, li sua crônica quase sem querer e reli algumas vezes. não acreditava. Era eu. Nunca ninguem me descreveu tão bem. Lara, São Paulo-SP

RK: Sério, Larita? Então a honra é toda minha por ter encontrado uma loba tão inspiradora!!! Quando quiser posar novamente, é só dar uma rosnadinha…

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“Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível… mas que também agride o olhar.”

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Leia a crônica A Mulher Selvagem

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LEIA NESTE BLOG

Mulheres que adoram – Dar prazer a uma mulher. O que pode haver de mais recompensador na vida?

Insights e calcinhas – Uma calcinha rasgada pode mudar a vida de uma mulher? Ruth descobriu que sim

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Kelmer Para Mulheres – Nesta seção do blog, homem fica de fora

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Amar duas mulheres

15/09/2008

15set2008

Não se preocupe, eu te entendo, bode velho, eu também sempre tive essa fantasia de comer a Hello Kitty

AMAR DUAS MULHERES

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05/08/2008 –
Viciado em sexo, guitarrista dos Rolling Stones é internadoRonnie Wood, 61, guitarrista dos Rolling Stones, está atualmente internado em uma clínica de reabilitação no sul da Inglaterra, informou hoje (5) o tablóide britânico “The Sun”. Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones, deixou mulher por uma russa de 18 anos. Wood está internado por uma tripla dependência: ao álcool, às drogas e, segundo o jornal, também ao sexo.

Fazer sucesso, perder o prumo, enfiar o pé na jaca, queimar o filme e se internar em clínica de reabilitação. Esse roteiro das celebridades tá ficando tão previsível… Quem será a próxima?

Mas agora inventaram também esse negócio de dependência de sexo. O cara é pego pulando a cerca e, sem ter mais como justificar, explica pra mulher: Ok, querida, eu assumo, eu assumo. Assume o quê, seo calhorda, que gosta dela, que tem um filho com a ordinária? Não, querida, assumo que preciso me tratar, sou um sexo-dependente.

Muito bem bolado, como diria Silvio Santos. De bandido passa a ser vítima, muito bem bolado. O chato é se a mulher perguntar: E por que você só não é sexo-dependente comigo, seo fuleragem?

Mas eu tô do seu lado, viu, Ronnie? Melhor você se tratar numa clínica do que numa dessas igrejas especialistas em lavagem cerebral que ficam catando famosos na lama pra botar em suas vitrines da salvação. Você não precisa de lavagem cerebral, Ronnie. Até porque você talvez nem tenha mais cérebro – sabe lá o que é passar quarenta anos tocando Satisfaction… E essa camisetinha da russinha, heim, Ronnie, heim, heim, falaí. Eheheheh… Não se preocupe, eu te entendo, bode velho, eu também sempre tive essa fantasia de comer a Hello Kitty. A diferença é que te pegaram e eu continuo solto…

“Sua mulher há 23 anos, Jo se nega a visitá-lo no centro onde está internado, na localidade de Old Woking, no condado de Surrey, por causa de um relacionamento extraconjugal do músico. Segundo o jornal, Ronnie Wood iniciou um relacionamento com a jovem russa Ekaterina Ivanova, 18, com a qual esteve no mês passado na Irlanda e que agora está hospedada em um hotel próximo à clínica. No fim de julho, Wood disse em entrevista que ama ‘duas mulheres’, referindo-se a sua mulher Jo e à garçonete russa Ivanova. O guitarrista afirmou pretender salvar o seu casamento, mas que, ao mesmo tempo, gostaria de continuar a ver a jovem russa.”

Você amar duas mulheres não me surpreende, meu chapa. Eu também faço parte dessa gente evoluída que sabe que é perfeitamente possível e viável e honroso amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. O que me surpreende é você afirmar isso assim em público, pro mundo inteiro ouvir, inclusive suas duas mulheres. Putz! Você ganhou 10 pontos por sua franqueza. A russinha talvez até tope te dividir com outra mulher, sacomué, desse povo que bebe vodca no gargalo a gente espera tudo. Mas a Jo, humm, sei não. Ela não quer nem te visitar na clínica! Seja compreensivo com a Jo, cumpade Ronnie. Imagine se fosse você quem tivesse de dividi-la com um surfista de 18 anos… argentino. Já pensou?

Hummm… Sei que isso não é hora de te confundir a cuca, coitado, você aí internado. Mas e se isso rolasse mesmo, a Jo te propor direitos iguais: Tudo bem, Ron, você fica com nós duas mas eu também fico com você e outro cara, combinado? E aí, parceiro, você toparia? Calma, eu já disse que tô do teu lado. É que as leitoras do Kelmer Para Mulheres são muito, como dizer, opinativas, e elas certamente devem estar doidinhas pra te fazer essa pergunta. Então eu fiz por elas. Mas não precisa responder agora, meu chapa. Primeiro toma teus remédios e volta pra casa. Pra casa da russinha, claro, pois a Jo é capaz de te mandar imediatamente de volta, não pra clínica mas pro pronto-socorro.

“O The Sun também flagrou Ekaterina concentrada na leitura de uma carta enviada por Wood, que escreveu frases como ‘Sabe que eu sempre penso em você com carinho’. O guitarrista também desenhou, na mesma carta, um rosto sorridente na forma de coração. ‘A garota sorria, como todas as jovens quando estão com as cartas de amor dos seus namorados. É estranho pensar que tenha sido escrita por um homem 40 anos mais velho que ela’, disse o jornal, citando uma fonte.”

Quarenta anos de diferença… Ronnie, e quando você tiver 90 e ela 50, já pensou nisso? Ela estará com a idade aproximada da Jo. Como? Ah, tá, você vai trocá-la por outra garçonete Hello Kitty. Entendi. Sim, claro que sei que com o Viagra a coisa agora é diferente (ler O primeiro Viagra a gente não esquece). Mas será algo interessante de se ver: você aos 120 trocando de mulher e elas trocando tua fralda.

Ronnie, meu chapa, eu sou um gozador, você sabe. Não posso perder a oportunidade de chafurdar em cima dessa história. Mas, brincadeiras à parte, sabe o que eu acho de verdade dessa coisa toda, cara? Eu acho que você, assim como todos os outros Stones, já fizeram tanto pela música, pelo roquenrôu e por nós todos, que vocês estão noutro patamar, vocês são semideuses, é sério, e nem sempre devem ser julgados pela mesma lógica dos simples mortais. Você merece tudibom, meu cumpade, até mesmo duas mulheres. Aliás, duas é pouco, a Jo que me perdoe, você merece quantas puder aguentar.

Mas manera na birita, véi. Senão as mulheres que você ama não terão satisfaction e, você sabe, não tem quem aguente uma mulher sem satisfaction, argh!

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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O Blog do Kelmer concorre ao Prêmio BlogBooks 2009!

categoria Universo Masculino

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LEIA NESTE BLOG

Menu de homem – Na onda da mulher-melancia, mulher-jaca, mulher-filé e outras classificações femininas hortifrutigranjeiras, nada mais justo que nós, homens do sexo masculino, sermos também classificados

As vantagens de ter um amante – O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa. O outro cuida de você

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

Homens perfeitos também alopram – Até tu Richard Gere?

Homens infiéis, mulheres inconformadas – Há quem negue esse papo de biologia, afirmando que é desculpa fajuta, que os machos se aproveitam da cultura machista pra mijarem fora do seu peniquinho caseiro

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COMENTÁRIOS
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O Irresistível Charme da Insanidade – cap 3

03/09/2008

O amor insano. O amor desafiador do tempo. O amor que descortina as mais absurdas possibilidades do ser.
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Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal? Nesta história, repleta de suspense e reviravoltas, Luca é um músico obcecado pelo controle da vida, e Isadora uma viajante taoista em busca de seu mestre e amante do século 16. A uni-los e desafiá-los, o amor que distorce a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

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O IRRESISTÍVEL CHARME DA INSANIDADE

CAPÍTULO 3
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A AGENDA DA SEMANA estava animada. Na quinta a Bluz Neon faria um show no Papalégua, barzinho famoso no bairro da boêmia Praia de Iracema. Na sexta seria o aniversário do Balu, o tecladista da banda. E no sábado a Bluz Neon tocaria num festival de rock na praia do Cumbuco, a meia hora da cidade. Para Luca seriam boas oportunidades para se refugiar sob o manto generoso da noite e esquecer que o dia o aguardava do outro lado.

– Tenho a honra de apresentar… – Carlito, o dono do Papalégua, anunciou. – Junior na guitarra, Ranieri no baixo, Balu nos teclados, Ninon na bateria, Luca na voz e no violão.

– E no uísque! – alguém gritou da plateia.

– Com vocês, a nossa atração de toda quinta… Bluz Neon!

Todos no palco, Luca cumpriu o velho ritual: virou uma dose de uísque e depois cumprimentou o público.

– Boa noite. Festa é o que nos resta.

Fizeram, como sempre, um show bastante alegre, tocando as músicas próprias e alguns clássicos do rock e do blues. Luca homenageou a Praia de Iracema, falou de suas meninas bonitas, dos personagens folclóricos do bairro e da magia que se espalhava pelas ruas feito maresia. Desceu do palco e cantou sentado numa mesa de garotas, bebendo no copo delas. No fim anunciou que estava à venda o CD demo, gravado durante um show em Canoa Quebrada. Encerraram, como sempre faziam, com o Umbigo Blues, quando chamavam para o palco as meninas que estivessem com o umbigo à mostra e todos dançavam numa divertida mistura de blues com baião. Festa é o que nos resta.

Depois do show, voltando do camarim, Luca estacionou no balcão e pediu um uísque duplo. Tomou um gole e cantarolou o rock que andava compondo.

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No balcão há um lugar
Pra quem não sabe aonde ir
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Nesse momento lembrou de Isadora… Isadora e seus beijos, seus peitos, sua loucura. Aqueles papos de Tao, sonhos, abismos, vidas passadas… Três dias com ela e agora três semanas sem ideia de onde pudesse estar. Será que ainda a veria outra vez?

– Oi, Luca.

Ele tomou um susto e virou-se, buscando a dona da voz. E deu de cara com uma garota. Tinha o cabelo vermelho e estava sentada ao lado no balcão. Ela sorria e dizia ser fã da banda, tinha o CD gravado em Canoa Quebrada, será que podia autografar?

Claro que sim, respondeu Luca, despedindo-se da lembrança de Isadora e pedindo uma caneta ao barman. A menina era simpática, ele reparou, e tinha um jeitinho delicioso de safada. Mas, caramba, devia ter uns dezesseis anos, como deixavam aquelas ninfetas entrar ali?

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Festa é o que nos resta
E eu tô com pressa, beibe
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Ele tomou um longo gole, sentindo o líquido descer pela garganta, ah, a bendita ardência, a fronteira proibida da noite… Aquela era a entrada no nível seguinte da realidade, onde tudo podia acontecer.

– Gosta de uísque? – ele perguntou.

– Adoooro.

Luca deu mais um gole em seu uísque, puxou rapidamente a garota pela cintura e a beijou na boca, passando-lhe devagar a bebida de sua boca para a dela.

– Putaquipariu… – ela murmurou depois, ainda surpresa. – Foi o beijo mais embriagante da minha vida!

Uma hora depois, enquanto Ângela Ro-Ro cantava Mares da Espanha na sala do apartamento de Luca, a garota acendeu um baseado enquanto ele pela segunda vez abaixava o volume do som.

– Ah, cara, desencana! Festa é o que nos resta! – ela protestou, passando o cigarro para ele.

– Também acho. Mas tem um vizinho que não concorda comigo.

– Então canta um blues pra mim, vai…

– Pô, gatinha, já canto blues demais na banda.

– Então vou botar o CD pra gente ouvir!

Ele pensou em acender um incenso mas não encontrou a caixinha. Como conseguira perder se estava com ela um minuto antes? Abriu outra cerveja e se divertiu ouvindo a garota cantar as músicas da Bluz Neon, sabia todas de cor, até os comentários nos intervalos, incrível. A banda não tá precisando de uma vocalista ruiva?, ela perguntou. Ruiva, loira, morena…, ele respondeu, rindo. Onde diabos estava o incenso? Ela pôs para tocar novamente a primeira música e ele foi sentar no sofá. Mas errou o cálculo e caiu no chão, derramando a cerveja.

– Caramba… acho que a faxineira mudou o sofá de lugar.

Ele riu da própria piada e saiu cambaleando para pegar um pano de chão. Na volta escorregou na cerveja derramada e quase caiu de novo.

– Caramba, o que é isso, um complô?

Após enxugar o chão, sentou no sofá e fez sinal para a garota sentar ao seu lado. Quero ver de perto seu famoso umbigo blues, ela disse. Ele riu e suspendeu a camisa, mostrando o umbigo. Ela sorriu, passou a língua provocantemente entre os lábios e foi se ajoelhar entre suas pernas.

– Ei, psiu… Quantos anos você…

– Eu já disse, Luca.

Ela beijou seu umbigo e lhe fez cócegas com o piercing da língua. Depois puxou o zíper da calça.

– Disse mesmo? Então eu esqueci.

– Dezoito.

– Ah… claro… – Ele esticou o braço em busca da latinha de cerveja mas não encontrou. Definitivamente os objetos estavam de sacanagem com ele. – Que tal dezesseis?

– Tá bom, Juizado. Dezessete e meio.

A latinha estava no chão. Como fora parar lá? Aquele piercing na língua dela, era estranho… Mas era bom.

– Acho que não acredito.

Ajoelhada entre suas pernas, ela interrompeu os carinhos e ergueu o rosto, meio sorrindo, meio impaciente. Pôs o cabelo para trás da orelha e o encarou:

– Última oferta, Luca. Dezessete. Vai querer ou não?

– Fechado.

Ele tomou outro gole, largado no sofá. E sentiu-se relaxar… A sala era uma penumbra agradável e a garota estava novamente absorta em seus carinhos, entre suas pernas, o cabelo feito uma cortina vermelha à frente do rosto. É, pensando bem, não seria má ideia ter umas vocalistas na banda. Botariam anúncio no jornal, banda muito próxima do estrelato procura vocalistas de fino trato, tratar com Luca à noite… Afastou a cortina vermelha para o lado e surgiu o olhinho azulado dela, sorrindo para ele. Não lembrava que ela tinha olhos azuis… Não, mulher na banda não ia dar certo. Melhor deixar as meninas como estavam, na plateia. E por trás das cortinas. Por trás das cortinas… das cortinas…

Tchum! De repente deu-se conta. Onde estava? Que horas eram? Estava bêbado demais, que merda. Pela janela entrava um pouco da claridade da rua. À frente, umas luzinhas verdes… piscando… dizendo que ali havia um… aparelho de som…

Em casa! Claro, estava em casa. Na sala do seu apartamento, no sofá, claro. Luca suspirou, ufa, que alívio. Só um princípio de brancão, tudo bem, já passou. Muita birita, estômago vazio. E aquelas duas ali, ajoelhadas no chão, entre suas pernas…

Duas?! Ele esfregou os olhos, intrigado. Procurou lembrar… Uma era a ruivinha do bar, tiete da banda. Mas e a outra? Não fazia a menor ideia. A vizinha de baixo, talvez? Tentou fixar o olhar mas não a reconheceu. Talvez amiga da ruivinha. Quem abrira a porta para ela entrar?

Finalmente entendeu: estava tão louco que via tudo em duplicata. E desatou a rir. Sexo com duas mulheres era uma delícia, mas não exatamente daquela forma…

A garota suspendeu os carinhos e perguntou se ele estava mesmo a-fim.

– Só um instante, lírou beibi… – Ele ajeitou-se no sofá, rindo da própria chapação. – Teu nome… como é mesmo?

– Ah, não, Luca. Não digo mais.

– Bem… eu não queria te assustar, mas… tem outra gata aí do teu lado.

E voltou a rir. Aquilo era a coisa mais engraçada do mundo.

– É minha irmã gêmea. – Ela sorriu contrariada. – Você também pode ver?

– Heim?

– Ela morreu quando eu era pequena. Vez em quando aparece.

Luca parou de rir. Irmã gêmea? Morta? Aquilo era sério mesmo? Olhou mais uma vez para as duas mulheres ajoelhadas entre suas pernas e sentiu-se incomodado.

– É só não ligar que ela vai embora.

Ah, não. Transar com espírito já era rock´n´roll demais.

– Desculpa… – ele disse, afastando a cabeça dela de seu colo. Depois levantou-se e subiu a calça. – Hoje tá complicado.

Foi à cozinha e abriu a geladeira. Ainda havia uma cerveja, pelo menos isso. Tem dia que não é dia. Devia mesmo era ter ficado no bar com os caras.

Quando voltou à sala, elas olhavam a cidade, os corpos nus encostados à janela, displicentes, ambas na mesma posição. Por um instante admirou-os, tão belos e convidativos. Ainda pensou em reconsiderar a decisão… mas não. Pedofilia astral não era brincadeira.

– Posso dormir aqui, Luca?

– Ahn… Melhor eu deixar vocês em casa. Vamos.

Meia hora depois ele parou o carro em frente ao prédio delas.

– Não é por mal que minha irmã faz isso, Luca.

– Tudo bem.

– Não sabia que você era sensitivo.

– Eu?

– A gente se vê de novo?

– Se sua irmã deixar…

Ele esperou que elas entrassem no prédio e ligou o fusca. E saiu, vendo as primeiras luzes da sexta-feira surgindo por cima da cidade. E lamentou. Como sempre, a claridade intrometida do dia dissipando a magia da noite.

Às oito tinha que estar na gráfica. Dava para dormir uma horinha. Irmã gêmea do além… Melhor nem contar, ninguém ia acreditar mesmo.

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– LEVANTA, TIGRÃO! Três horas!

Uma voz feminina… vindo de longe…

Luca abriu os olhos devagar, reconhecendo o quarto. Aos poucos sentiu conectar-se àquela súbita realidade. Sábado… Ou seria sexta? Não, sábado mesmo, três da tarde… show à noite na praia do Cumbuco…

– Luz queimada, pia entupida! E esse espelho rachado? A gente fica um monstro se olhando nele! Por que você não pega o cachê de hoje e ajeita esse banheiro, heim?

– Fala mais baixo, Soninha, por favor…

Ele cobriu a cabeça com o travesseiro, protegendo-se daquela tempestade sonora. Que merda, devia ser proibido acordar um ser humano assim, principalmente se o ser humano tivesse ido dormir ao meio-dia…

– Viu minha outra bota por aí, Tigrão?

Levantou-se ainda grogue, uma sede assombrosa a lhe rasgar a garganta. Foi até a cozinha para beber água mas lembrou de Jim Morrison, acordar e pegar logo uma cerveja, porque o futuro é incerto e o fim estará sempre por perto…

Enquanto Soninha calçava suas botas pretas de salto, ele sentou na beira da cama, deu um bom gole na cerveja e pôs-se a admirá-la. Soninha… Bonita, gostosa, mas absolutamente destemperada, caso de polícia. Corpo musculoso de professora de ginástica, viciada em academia e anfetamina, dava aula até no domingo. Tinha também outro vício: sexo. Com muito álcool, escândalos e arranhões. De família rica, frequentava as colunas sociais, mas achava excitante caçar roqueiros cabeludos no submundo alternativo. Quando ele a via na plateia dos shows da banda, já sabia o roteiro da noite: tomariam todas, ela faria questão de pagar tudo e depois o levaria a um cinco-estrelas da orla onde ele rasgaria sua roupa, deixando-a apenas com as botas pretas, e fariam sexo feito dois bichos alucinados, no chão, na janela, na bancada da cozinha, e de manhã ela seguiria direto para a academia, sem dormir. Ou poderia ser o roteiro B: ela beberia demais e daria defeito, estragando a noite.

Na festa de aniversário do Balu, na noite anterior, ela aparecera usando um vestidinho curto e as famosas botas pretas, que sempre usava quando estava mal-intencionada. Ele mandava um papo mole com uma amiga do Ninon, estava até interessado na menina… mas, hummm, aquele olhar que ele já sabia, aquelas botas, como resistir?

Uma hora depois Balu abriu um uísque e serviu a todos. Depois botou para tocar sua coletânea Blues do Balu Volume 9 e apertou um natural, fazendo a festa engatar a quinta marcha. Às sete da manhã Iana, a namorada do Balu, teve de bater na porta do banheiro para avisar aos dois animadinhos que todo mundo já havia ido embora.

– Ah, qualé?! – Soninha argumentou lá de dentro. – Hoje é sexta!

– Nada disso – Iana discordou, paciente. – Já é sábado.

A porta abriu e surgiu Luca, a camisa desabotoada, o cabelo sem um fio no lugar.

– O amanhã só chega quando a gente acorda – ele filosofou, solene.

Luca serviu mais uma dose, bebeu metade e Soninha bebeu a outra. Então despediram-se e esticaram para o Roque Santeiro, um boteco no bairro do Mucuripe que tinha o caldo de carne e a cerveja ideais para finalizar as noites sem fim, ao som de Genival Santos, Diana e Odair José. Soninha ia bem, até o momento em que cismou que uma garota paquerava Luca e partiu para cima dela, derrubando-a no chão junto com as garrafas de cerveja. Aí não houve mais clima e tiveram que ir embora. Típico roteiro B.

– Aquela de ontem no banheiro da casa do Balu não valeu, viu, Tigrão? Você não conseguia nem ficar em pé.

Luca deu mais um gole na cerveja e continuou admirando-a. As coxas musculosas, a marca do biquíni minúsculo, os seios pequenos… Ela estava em pé, ao lado da cama, nua e deliciosa. Com as botas pretas.

– Vai se atrasar pra aula, professora…

– Dá tempo.

Instantes depois, enquanto era lentamente penetrada por Luca, ela esticou o braço, pegou o celular na bolsa, digitou, errou, digitou de novo e, de olhos fechados e falando pausadamente, explicou à recepcionista da academia que chamasse o professor substituto pois… acontecera um… um… só um momento… ai… um pequeno imprevisto… é, imprevisto… só um momento… hummm… e só poderia dar a aula das… ai… das cinco.

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LUCA PEGOU UMA CANETA e, enquanto os outros afinavam os instrumentos, sentou-se num canto do camarim e pôs-se a rabiscar num papel de guardanapo.

– Saiu do forno agora, Junior – ele disse. E cantarolou para o amigo escutar.

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No balcão há um lugar
Pra quem não sabe aonde ir
Festa é o que nos resta
E eu tô com pressa, beibe
Uma dose agora
Preciso beber pra me dirigir
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– Gostei. Mas não te empolga que o repertório de hoje já tá fechado, viu, cidadão?

– Prometo.

Minutos depois Ninon bateu no bumbo da bateria e Luca entrou no palco. Dali de cima ele podia ver a plateia espalhada pela areia da praia, o mar do lado direito, a lua imponente no céu… Ele virou a dose de uísque e pegou o microfone:

– Boa noite.

– Boa noite! – responderam algumas garotas próximas ao palco.

– Festa…

– É o que nos resta! – elas completaram, animadas.

O show transcorreu normal. Mas no fim, após o tradicional Umbigo Blues, Luca tirou um guardanapo do bolso e anunciou, a voz rouca pelos excessos dos últimos dias:

– Essa se chama Uma Dose Agora. Ainda não tá ensaiada. Os caras vão me esganar lá no camarim mas, porra, a gente tá na praia, essa lua…

Ele pegou o violão, sentou no banquinho, dedilhou um pouco e parou. Deu a indicação para Ninon, na bateria, começar. Os outros balançaram a cabeça, resignados, e acompanharam. A música saiu péssima, claro. Mas havia um grupo de garotas animadas e barulhentas bem em frente ao palco e elas aplaudiram e gritaram tanto que felizmente ninguém atentou muito para a música.

Terminada a apresentação, Ranieri apareceu no camarim com uma das animadas, que disse ter adorado o show e que tinha umas amigas que queriam demais conhecer os caras da Bluz Neon.

– Os neons solteiros, né, minha filha?… – consertou Celina, puxando o namorado Ninon pelo braço. – A gente já vai pra pousada. E você também, Balu, porque é hora dos casados irem dormir.

Uma dúzia de cervejas depois lá estavam os neons solteiros com as novas amigas na areia da praia. A lua do Cumbuco, o vento nos coqueiros, o quebrar das ondas, todos falando ao mesmo tempo. Junior no violão faltando uma corda, Ranieri na latinha de cerveja amassada e Luca na quase voz. Mais músicas, mais cerveja. Alguém tem seda? Ah, Junior, toca aquela, vai. Fumar aqui não é sujeira? A gente vai ser multado por excesso de prazer. Arruma umas cortesias pro Papalégua pra gente, vai. Esta cerva é a minha? O umbigo mais lindo é o do Ranieri. Banho à noite no mar não faz mal. Não faz mal… faz mal…

Tchum! De repente Luca deu por si. Em volta, tudo escuro. Um calor dos diabos. Estava numa sauna. Não, não, numa cama. Mas onde? E sob seu corpo suado havia uma… uma mulher. Entrava e saía de dentro dela com violência e ela dizia coisas que ele não compreendia. Assustou-se. Simplesmente não sabia quem era a mulher.

Sem interromper os movimentos de vai e vem, ele tentou lembrar… mas só conseguiu recordar do show. O que acontecera depois não tinha nenhum registro. Olhou para o rosto sob seu corpo e nada viu, estava escuro demais. Atentou para o que ela dizia, mas não entendeu uma só palavra. Seria estrangeira? Ou uma extraterrestre?

Ainda estava muito bêbado. Fez um esforço para tentar lembrar alguma coisa, qualquer coisa… mas nada, não lhe acorria nenhuma imagem. Simplesmente não sabia com quem estava transando naquela cama. Que merda.

O suor escorria pela pele, colando seu corpo ao da mulher anônima. O gozo não vinha e já não tinha forças para continuar por mais tempo. Para completar, alguém pusera para tocar bem próximo uma axé music qualquer, aê, aê, ô, ô. Pensou em levantar e ligar o ventilador. Pensou em gritar para que abaixassem o volume daquela música insuportável. Não. Tudo que precisava mesmo era terminar logo com aquilo, voltar para a pousada e cair em sua cama. Apagar.

Fechou os olhos para se concentrar e esquecer do calor, da música, da mulher sem rosto. Mas logo abriu novamente, pois o quarto todo rodou. Não, vomitar agora não…
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(continua)

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

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CAPÍTULOS
Prólogo
cap 1 cap 2 cap 3 – cap 4

cap 5 – cap 6 – cap 7 – cap 8
cap 9 – cap 10 – cap 11 – cap 12

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