As ciclistas orgásticas da Colômbia

15/09/2014

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Ciclistas adotam uniforme polêmico e usam a energia de seus orgasmos para vencer corridas

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AS CICLISTAS ORGÁSTICAS DA COLÔMBIA

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A equipe feminina de ciclismo colombiana RDI tem provocado polêmica por utilizar uma energia extra nas competições: o orgasmo. Orientadas pelo treinador Miro García, fisioterapeuta com especialização em Sexologia Desportiva, as seis atletas ganharam um uniforme desenhado especialmente para elas que deixa a genitália descoberta e permite o contato direto da vulva com o assento da bicicleta. O objetivo é excitar sexualmente a atleta durante a prova e utilizar a energia dos orgasmos obtidos para pedalar com mais rapidez.

Segundo o treinador, a média de cada atleta da RDI é de oito orgasmos por prova, sendo que a recordista é Cristina Rossy, que numa das etapas do Tour de l’Ardéche, na França, obteve vinte e sete orgasmos, e venceu a prova com folga. Desde que a nova técnica foi implantada, a velocidade média da equipe aumentou em 22%, o que a fez vencer todas as seis competições oficiais em que participou.

Apesar de reclamações de algumas equipes adversárias, que acusam a RDI de doping e falta de ética, a União Ciclística Internacional, que administra as competições, não vê motivo legal para impedir o uso do uniforme. Por outro lado, algumas equipes já demonstram interesse em experimentar a mesma técnica da equipe colombiana. As atletas da RDI afirmam que, se antes elas corriam atrás das adversárias, agora a equipe está sendo perseguida, tanto na pista como pelos moralistas de plantão. Segundo elas, ter orgasmos durante as práticas ciclísticas é comum entre muitas mulheres, e o que elas estão fazendo é tão somente direcionar a energia natural do corpo para pedalar mais rápido. Para não perder a conta dos orgasmos, as atletas os registram num pequeno aparelho instalado no guidom da bicicleta, que envia os dados em tempo real para o celular do treinador.

A polêmica já saiu do meio esportivo. Alguns grupos feministas demonstraram apoio à equipe, defendendo a livre sexualidade da mulher, enquanto outros condenaram o uniforme, alegando que se trata de exploração comercial do corpo feminino. A Liga das Senhoras Católicas do Cáucaso entrou com recurso para impedir que a equipe usasse o uniforme na Volta da Chechênia, o que não foi aceito pela Justiça. A prova foi vencida pela RDI, que dedicou a vitória a todas as chechenas.

Segundo García, o objetivo a longo prazo é capacitar as atletas a terem uma média de vinte orgasmos por prova, o que, segundo ele, daria condições à equipe de competir nas provas masculinas com chance de vitória. Indagado sobre se a técnica poderia transformar o ciclismo esportivo numa disputa de orgasmos, García diz que não está preocupado com isso, e que a tendência é que o orgasmo feminino seja reconhecido como um recurso legítimo das mulheres para a melhoria da saúde, da prática esportiva e também no trabalho. Ele apoia-se nas pesquisas do Centro de Saúde Sexual da Universidade de Indiana, nos EUA, que mostra que grande parte das mulheres já tiveram orgasmo induzido pelo exercício físico, e cita o caso da empresa alemã Hosth, que incentiva as funcionárias a se masturbarem no trabalho, e com a energia gerada pelos orgasmos passou a economizar 8% de energia elétrica, além de melhorar o ambiente profissional.

Cristina Rossy, a recordista de orgasmos da equipe, é uma entusiasta das ideias do treinador. Ela afirma, otimista: “O orgasmo feminino pode ser a solução do problema dos recursos energéticos do planeta, mas para isso as mulheres têm que se sentir livres para terem mais e melhores orgasmos, em qualquer lugar, a qualquer hora, sozinhas, em grupo ou com quem elas quiserem”. Sobre seu notável desempenho, Cristina, que desenhou o uniforme, explica que quando terminam as provas, ela e suas colegas estão eufóricas e bem-dispostas, e têm vontade de falar muito e discutir tudo relacionado à prova com o treinador. “Essa é a parte chata”, diz o treinador, divertindo-se, “pois tenho que escutar seis mulheres eletrizadas falando ao mesmo tempo durante horas”.

(fonte: Corriere di Napoli)
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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ESTA POSTAGEM INTEGRA A SÉRIE REAL PARALELO
Onde ficção e realidade se encontram no infinito
Mais postagens:

BarDoAraujoEASalvacao-04aBar do Araújo é a salvação – Espremido entre duas igrejas, o Bar do Araújo é a última resistência dos ateus. E do bom humor

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SOBRE ORGASMO FEMININO

17 curiosidades sobre o orgasmo feminino – Revista Superinteressante

Orgasmo na Wikipedia

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SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

OIncubo-05O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

Lola Benvenutti e a coragem de viver – A única salvação possível é sermos quem verdadeiramente somos

Me estupra, meu amor – Fantasiar ser estuprada é uma coisa – querer ser estuprada é outra coisa totalmente diferente

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

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DICAS DE LIVROS

figlivrovocesterraqueas01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor, submissão e salvação por meio do sexo anal

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990) – Um livro belo e libertador, que celebra o sagrado na sexualidade

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COMENTÁRIOS
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01- Sensacional! Kkkk isso é sério? Rayan Lins, João Pessoa-PB – set2014

02- em tempos de polêmicas e ciclovias……ah se essaodair pega em Sampa city kkk. Paula Martins, São Paulo-SP – set2014

03- E eu pensando que já tinha visto de tudo! Dri Flores, São Paulo-SP – set2014

04- Que vergonha bota logo nua descarado este treinador nao vale nada. Maria Nilce Meireles, Jericoacoara-CE – set2014

05- Se esta moda pega,kkk. Debora Morais, Fortaleza-CE – set2014

06- “É possível ter orgasmos dançando?” nunca ouvi dizer, mas acredito que não. A dança exige uma energia diferente da sexual. embora seja vista como sensual, eh pra quem esta olhando e nao pra quem esta dançando. Sobre a postagem, acho que falam muito de sexo, usam sexo pra se promover, pra aparecer, pra ter fama….mas fazer sexo mesmo que eh bom, ta dificil neh….a maioria nao faz nada, so fala sobre. Como ja andaram dizendo por aí…qualquer gato vira-latas tem a vida sexual mais sadia que a nossa. Orgasmo deveria ser natural como dormir e não assunto de FB. Sandra Xavier Amarantha, Poá-SP – set2014

07- Fantástico! Daniel Perroni Ratto, São Paulo-SP – set2014

08- Olhem aí, mulheril, em tempos de falta de homens! José Milton Fontenelle, Fortaleza-CE – set2014

09- Ricardo Kelmer, pare de inventar estorias, menino… rsrs
O uniforme foi so um desastre de estilo, elas nao estao nuas. Eh no Brasil que inventam essas coisas ou essa foi sua criatividade mesmo? kkkkkkkkk (Veja a segunda foto: http://uolesporte.blogosfera.uol.com.br/2014/09/13/uniforme-colombiano-deixa-ciclistas-seminuas-e-causa-polemica)

10- Que criatividade Ricardo Kelmer vc tem! Seu menino, mais menino, só sendo um menino mesmo menino… Rute de Paula Tavares, João Pessoa-PB – set2014

11- achei o uniforme um desastre visual…se eu fosse homem broxava….kkkkkkkkkkk. Eu Ni CE, São Paulo-SP – set2014

12- e as pernas bambas? kkkkk. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – set2014

13- Uiuiui!! Aiaiai!! Kkkk, gente!! Tem que formar um grupo pra fazer chover em Sampa!! Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – set2014

14- O texto eh criatividade sua Ricardo Kelmer??? Michele SJ, Fortaleza-CE – set2014

15- hahahahaha … Muito bom o texto …. “A Liga das Senhoras Católicas do Cáucaso entrou com recurso para impedir que a equipe usasse o uniforme na Volta da Chechênia, o que não foi aceito pela Justiça. A prova foi vencida pela RDI, que dedicou a vitória a todas as chechenas”. Francisco Coelho, Rio de Janeiro-RJ – set2014

16- dilícia heim. Paulo Nunes, São Paulo-SP – set2014

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A pior campanha antimaconha do mundo

12/09/2014

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Faltou bom senso e respeito aos criadores dos anúncios. Faltou noção das coisas. Faltou tudo

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A PIOR CAMPANHA ANTIMACONHA DO MUNDO

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Tem estupidez que é tão estúpida que se torna divertida. É o caso da campanha contra a legalização da maconha, promovida por um certo movimento Brasil sem Drogas. Os anúncios criados para a campanha abordam a questão das drogas de uma forma tão absurda que é impossível, para alguém de bom senso, levar a coisa a sério. Ou seja, o movimento criou uma campanha para ridicularizar a si próprio. E, pelo imediato efeito que provocou nas redes sociais, com piadas, paródias e galhofas de todo tipo, é uma séria candidata a entrar para o rol das piores campanhas de todos os tempos, um clássico do “como não se deve fazer”.

Os anúncios partem do princípio de que, uma vez legalizada a maconha, médicos, pilotos, professores e motoristas passarão automaticamente a trabalhar sob efeito da erva. É uma premissa tão estúpida que não deveria merecer respostas sérias. Exatamente por isso a campanha imediatamente tornou-se alvo de piadas e chacotas saborosas. Se a campanha buscava iniciar uma discussão séria, a falta de noção dos anúncios dificulta essa possibilidade.

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Analisando friamente os anúncios e tentando entender a lógica da campanha, rumamos inevitavelmente para duas possibilidades: ou os organizadores são altamente desqualificados para uma discussão legítima e profunda sobre o tema (ignorância moralista) ou eles tinham o propósito preestabelecido de confundir a opinião pública (desonestidade intelectual), apelando para uma mensagem alarmista e gerando ainda mais desinformação em torno de um tema delicado e polêmico.

Além de ser ridicularizado até por quem é contra a legalização, o movimento Brasil sem Drogas talvez precise arcar com o dissabor de processos judiciais, pois alguns profissionais se sentiram ofendidos pela campanha. De fato, os anúncios são muito grosseiros e desrespeitosos ao propor a ideia de que pilotos de avião, médicos, professores e motoristas são irresponsáveis a ponto de porem vidas em risco apenas pelo prazer de fumar um baseado. Faltou bom senso e respeito aos criadores dos anúncios. Faltou noção das coisas. Faltou tudo.

E o que leva uma agência de publicidade a participar de tamanha idiotice? A WCOM participou por realmente crer nas ideias da campanha? Ou foi só por dinheiro mesmo? Ou então, e isso às vezes acontece até numa sociedade onde a maconha é proibida, os caras mandaram ver num fumo estragado e criaram esses anúncios bizarros? Se foi isso, então pelo menos que aprendam a lição e da próxima vez procurem um fornecedor melhor.

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Indo além do ridículo da campanha, vale a pena insistir num ponto sério da questão: a atual política antidrogas já deu o que tinha que dar. A cada dia, mais médicos, cientistas, estudiosos e líderes políticos alertam para o fato de que o proibicionismo não resolveu o problema, o consumo e a violência só aumentam e a cada dia que passa as drogas estão cada vez mais baratas, potentes e acessíveis. Sejamos francos: a humanidade quer e sempre quis experimentar estados especiais de consciência, o que nos leva a deduzir que se trata de um anseio natural da espécie. Reprimir tal anseio não parece funcionar, e deixar o mercado na mão de bandidos também não.

No Brasil, há um projeto de lei de autoria do deputado federal Jean Wyllys que deverá ser votado em breve. Deixo que o próprio deputado o explique: “Legalizar e regulamentar a maconha e acabar com a guerra às drogas não é somente uma questão de liberdades individuais. É, também, uma questão de segurança pública e de direitos humanos. Por isso, meu projeto de lei 7270/2014 faz muito mais do que regulamentar a maconha: ele propõe uma série de mudanças radicais na política de drogas do Brasil. A legalização da maconha é um primeiro passo que, além de garantir as liberdades individuais dos usuários, será uma ferramenta fundamental para reduzir a violência, deixar de encher nossas prisões com a juventude mais pobre das periferias e acabar com uma guerra que já matou gente demais.”

Voltando ao ridículo dos anúncios… Pois bem, não resisti e criei minhas próprias versões:

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Para quem não está familiarizado com o tema, essas receitas malucas (bolacha cream cracker com feijão gelado, miojo com doce de leite…) são típicas da larica, aquela fome que costuma acometer os humanos após fumar um baseado. Além de nos fazer rir bastante, a campanha também ajudou a divulgar excelentes receitas lariquentas.

Os anúncios da campanha são ridículos e agridem a inteligência das pessoas, é verdade. Mas talvez eles estejam apenas refletindo o desespero dos proibicionistas, que veem as políticas de legalização e regulação avançarem nos países democráticos. No Brasil, os debates ainda carregam o destempero das paixões, mas felizmente caminhamos para um amadurecimento da discussão, o que ficou claramente provado nesse caso da campanha do Brasil sem Drogas. Quando boa parte da sociedade reage imediatamente e com tal força a uma tentativa de convencer a opinião pública com argumentos absolutamente estúpidos, isso é um bom sinal.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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MAIS VERSÕES DOS ANÚNCIOS (selecionados nas redes sociais)

– Você entraria num avião cujo piloto se envolve com bandidos para poder fumar um baseado? Se a maconha for legalizada, isso não mais ocorrerá.
– Você teria coragem de delegar proteção da biodiversidade a quem pensa que essa diversidade foi criada num passe de mágica 6 mil anos atrás?

– Você teria coragem de entrar num avião pilotado por uma mulher que abortou? Se o aborto for legalizado, isso será normal.
– Você teria coragem de entrar num avião se Marina Silva fosse sua vice?
– Você teria coragem de ser operado por um médico que acabou de fazer uma oração?
– Você teria coragem de ser operado por um médico que dá um pulo vai pra frente e de peixinho vai pra trás?
– Você teria coragem de entrar em um avião cujo piloto é um feto num jarrinho? Se legalizarem o aborto isso será normal.
– Você entraria num avião cujo piloto não consegue se sentar para pilotar? Se o casamento gay for legalizado, isso será normal.
– Você entraria num avião cujo piloto é gato, porém escreve derrepente tudo junto?
– Você entraria num avião cujo piloto já pilotou helicóptero da família Perella?
– Você confiaria sua campanha a uma agência que faz um cartaz usando oito fontes diferentes?

SAIBA MAIS

Projeto de lei 7270/2014 – Conheça o projeto do Deputado Jean Wyllys

O guru do movimento – O movimento Brasil Sem Drogas cita bastante as ideias do ativista antidrogas Kevin Sabet, que luta contra a legalização da maconha no EUA. Conheça as contestações às suas ideias: aqui e aqui

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LEIA NESTE BLOG

SociedadeHipocritaAdolescentesDrogados-01aSociedade hipócrita, adolescentes drogados – Inês continuará se drogando e mentindo. Porque os pais e a sociedade mentem para ela

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado a gente não esquece

Quem tem a droga, tem o poder – Quem ganha e quem perde com a proibição das drogas?

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DICA DE LIVRO

baseadonissocapaa6aBaseado Nisso
Liberando o bom humor da maconha
Contos + glossário – Ilustrações: Hemetério

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado…
> Saiba mais,

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DICA DE VÍDEO

What if cannabis cured cancer – Este documentário de 2010, dirigido por Leo Richmond e com narração de Peter Coyote, mostra as numerosas possibilidades terapêuticas da maconha, principalmente na cura do câncer. Mostra também que sua proibição foi motivada e mantida até hoje por interesses capitalistas da indústria farmacêutica. Versão legendada em português (Maconha, a cura do câncer).

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COMENTÁRIOS
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O golpe do papel higiênico

08/09/2014

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Querem explorar até o fiofó da gente

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O GOLPE DO PAPEL HIGIÊNICO

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No início, era o Verbo. Aí o Verbo teve uma dor de barriga desgraçada e, pofffff, mandou aquele barro federal. E fez-se o mundo. E viu-se que o mundo era uma merda. Mas como o papel higiênico só seria inventado muito tempo depois, o mundo ficou do jeito que estava mesmo, uma grande bola de merda. Quando o papel enfim foi inventado, a merda estava tão grande que não tinha mais papel que desse jeito. E assim estamos até hoje.

Há referências ao papel higiênico na China do século 6 da era comum. Como os chineses também inventaram a pólvora, imagino que a cada explosão eles se cagavam de medo, e aí uma coisa levou à outra. Mas como era antes do papel? Bem, a gente sempre se virou como pôde, né? Nossos antepassados também. Primeiro, descobrimos que folha de bananeira não é o ideal. Tentamos a folha de urtiga e resultado não foi muito bom, mas serviu para batermos o recorde mundial dos oitocentos metros. Por um tempo, nos viramos com sabugo de milho. Depois, com canjica. Mas nada dava certo. O melhor mesmo era na lagoa. Foi na água, por sinal, que descobrimos, como todo surfista sabe, uma verdade universal: a merda segue o dono.

Então, um dia alguém inventou o papel, e daí para o papel higiênico foi preciso apenas uma coxinha estragada. E depois, tchan, tchan, tchan, tchaaannn, inventaram o picote no papel. Ah, o picote… Se você é muito novo, vou dizer como se fazia antes do picote: a gente rasgava o papel! Sim, era uma coisa bárbara. E às vezes o cidadão estava meio afobado, dava um puxão no papel e não rasgava direito, e aí o rolo desembestava, o papel saía desenrolando, caía no chão e molhava, era um saco. Tempos pré-históricos.

O primeiro papel com picote foi uma revolução, vendeu horrores. De fato, arrear o barro é um momento sagrado na vida da pessoa humana. Expulsar para sempre uma parte de nós… Parte essa que, por sua vez, será enviada de volta à terra. E que se decomporá e depois formará a estrutura biológica de plantas, animais e… humanos. Exatamente. Ou você nunca se apercebeu disso? Não é a coisa mais cheirosa de se dizer por aí, mas a verdade é que somos todos feitos de merda. Eu, você, sua mãe, todo mundo. Sim, a Sandy também, até mesmo ela.

A praticidade do picote mostrou-se um sucesso estupendo. A cada tantos centímetros, um picote. Dois pedaços era a medida exata para o cidadão higienizar o fiofó. Porém… Um dia lá estava eu expulsando um pedaço de mim, ó metade amputada de mim, quando percebi algo estranho: os picotes do papel estavam mais espaçados entre si. Antes, dois pedaços eram suficientes. Agora, dois era mais que o necessário, e um era pouco. Que fazer? Ou eu usava mais papel do que precisava, ou então voltava à pré-história e rasgava o papel. Muito espertinhas essas empresas!

Mas esse cara vai criar confusão por causa de doze centímetros de papel? Vou sim. Doze hoje mais doze amanhã são cinco metros no fim do mês. Isso cagando só uma vez por dia. Cem mil pessoas desperdiçam quinhentos mil metros de papel por mês. Quinhentos quilômetros de papel! Dá para limpar merda do Rio até São Paulo. E se for folha dupla, dá para ir e voltar.

Não podemos nos calar diante de mais esse golpe no bolso de trás do consumidor. Por isso, convoco todos os meus leitores para protestar nos supermercados, vamos exigir que as fábricas respeitem a distância ecológica dos picotes. E como prova do crime, levemos cada um de nós o cesto de lixo com o papel usado.

É a tal lei primeva, aquela que vem desde o início dos tempos: eita mundinho de merda…

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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LEIA NESTE BLOG

Aviso prévio de traição – A partir de hoje poderei te trocar por outra a qualquer momento. Basta que ela sorria pra mim e que me faça agradinhos. E me dê o que você nunca quis me dar

Mordida na última sessão – A maioria dos vampiros são ilustres desconhecidos, gente como você que rala no dia a dia para pagar as contas e assiste ao Sexy Time antes de dormir.

Nosso Bar – Existe birita após a morte – Quando você chega na colônia extrafísica Nosso Bar, a primeira coisa que recebe é uma camiseta da sua birita predileta

Loiras, celulite e futebol – A mulher se sairá melhor se passar uma noite inteira numa mesa ao lado de duas Ex e três Loiras Burras e Gostosas do que se tentar derrotar o Futebol

O charme da vidalheia – Programas sensacionalistas, ligações rastreadas, câmeras por todo canto… A vidalheia parece ser mesmo irresistível

Estão abduzindo nossas mulheres – Abdução em massa de brasileiras! E bem debaixo do nosso nariz. Alguém precisa fazer algo, daqui a pouco só vai ter homem aqui

> Mais postagens no tema “humor”

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COMENTÁRIOS
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01- RA, RA, RA, RA, RA…………………. Meu amigo, essa foi fantastica, E sabe do que lembrei? Do tempo que o Jo Soares tinha o programa de humor e ele fazia esse personagem que era fiscal do Sarney, nao lembro o nome, mas lembro que ela foi ao supermercado reclamar que o papel higienico nao tinha vindo no tamanho certo, estava faltando e ela queria o dinheiro de volta 🙂 Tambem lembrei do filme-documentario que assiti essa semana, a palestra do Al Gore sobre o meio ambiente o o aquecimento da Terra. Tai, essa e uma maneira de prestar servicos a sociedade 🙂 Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – jun2006

02- Papel Higiêncio: nojentim mesmo… mas belo serviço de utilidade pública! Cagões do mundo, uni-vos! Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

03- Cara, muito bom esse texto! E você não sabe a coincidência que esse assunto acarretou ontem, justamente dentro de um banheiro, ao lado do papel… aquela merda toda. Estava eu no fretado voltando do trabalho pra casa, quando uma convulsão intestinal me acometeu e, por vitude dessas inebriantes cólicas, desci no meio do caminho para que pudesse me aliviar no assento limpo de um toalete de shopping. O fiz. Enquanto depositava ali o rendimento líquido da minha poupança, comecei a reler o seu livro sobre o Matrix (sensacional por sinal, depois mando um email pra comentar) Lia o começo, justamente na parte em que você escreveu que quando a luz acaba as pessoas ficam que nem baratas tontas. Exatamente nessa parte, fechei o livro para manusear o rolo de papel higienico para fazer a limpeza e as luzes se apagam. Exatamente no mesmo instante. E, depois, ao sair do banheiro, percebi que ele estava trancado. Se não fosse minha namorada ligar pra administração, eu estaria meditando ali até agora… hehe Abração. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – jul2006

04- Olá Ricardo Kelmer, Li o seu texto sobre o Golpe do Papel Higiênico e não resisti, tive que tecer um comentário.  Após a leitura, comecei a “merditar” sobre a quantas anda a busca desenfreada por lucro nos estabelecimentos. Estão empurrando sem cuspe mesmo. Não sei se percebeu, mas pelo menos aqui na minha cidade( a belíssima Fortaleza-CE), aquele cilindro interno de papelão que serve de suporte para o papel higiênico, está cada vez maior, ou seja, tem MENOS PAPEL HIGIÊNICO em cada rolo. O rolo fica foló,foló quando está girando ao puxarmos papel. É meu, tá complicando cada vez mais…água está ficando excassa, papel tá vindo menos, com a mudança do clima na terra tem menos sabugo de milho…Só há uma conclusão: Vamos arriar o barro cada vez menos e consequentemente aquela estrutura biológica citada no seu texto será quebrada. É O FIM DA HUMANIDADE… Marcio Amarildo, Fortaleza-CE – dez2006

05- HAHAHAHAHAH!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!UM BARATO A DO PAPEL HIGIENICO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!QUE  INTIMIDADE COM A ESCRITA HEIM?????????????????? Abraços. Gustavo Coelho, São Bernardo do Campo-SP – jan2007

06- Aquele lance do barro e do papel igienico diz tudo.Assim como vc tambem sou nordestino e como todo nordestino, a vida e vista de forma diferente do pessoal aqui do sul, eu diria com muito mais simplicidade . João Marcos Barboza, São Paulo-SP -jan2007

07- Vc não escreveu aquilo…rs… Mto bom! rsrs Sempre gosto de ler suas crônicas. Beijos! Giovana Millozo, Jaú-SP – jan2007

08- Oi Ricardo Recebi um email muito legal  com uma cronica de sua autoria . É um manifesto dos homens querendo mulheres carnudas. Achei muito legal. Ao fim do email tinha o endereço do orkut que foi criado a partir dessa crônica “Amamos Ricardo Kelmer” e o endereço de seu site. Fiquei super curiosa e acessei seu site. São muitos textos, ainda não consegui ler todos (divido o computador com dois “pirralhinhos”, rs…) . Mas li   “O dia em que papai e mamãe ficaram muito doidos” e ” O golpe do  papel higiênico” todos dois ótimos. Espero ler todos. Bjus. Eliana Trindade, Belo Horizonte-MG – jan2007

09- Oiiiii!!!!!!!!!!! Li um conto sobre o papel higiênico, achei muito legal, vc é muito criativo e engraçado. PARABÉNS!!! Tu podes me mandar alguns contos ou vai me dar um livro de brinde? Abraço. Vanessa Santini Vebber, Caxias do Sul-RS – fev2007

10- Hahaha, merda, q merda, q merda. Antonio Martins, Maceió-AL – set2014

11- Hahahahaha Só pra descontrair… Eliane Campos, Salto-SP – set2014

12- Dá aí uma checada na m… do Ricardo. Dá umas boas risadas. Tete Bastos, Fortaleza-CE – set2014

13- Texto inteligente e escrachado do meu amigo Ricardo Kelmer. Fatima Carvalho, Santo André-SP – set2014

14- Muito louco esse texto. …rachei. ….kkkkkkkk. Sandra Consuelo, Santo André-SP – set2014

15- Ele é muito bom mesmo Sandra, conheci declamando poesias do Vinicíus em um bar de Jericoacara. Apaixonei rs. Fatima Carvalho, Santo André-SP – set2014

16- Você sempre se superando, Ricardo! Que merda! rsrs. Tete Bastos, Fortaleza-CE – set2014

17- Ricardo vc doido!!! rsrsrsrs. Jerson De Jesus André, Luanda-Angola – set2014

18- Rsss puta merda, rsss. Claudia Maria Crivellente, São Paulo-SP – set2014

19- Pois não é que tive a paciência de ler tudinho…Valeu a pena… Neuma Paixão, Fortaleza-CE – set2014

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Jardim das ilusões (clipe)

25/08/2014

25ago2014

Essa música eu fiz para uma mulher que eu quero esquecer

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Teófilo é um amigo muito querido, que conheci em 2005, quando eu morava no Rio de Janeiro e ele estava na cidade fazendo shows. A amizade rolou fácil e a parceria musical surgiu naturalmente. Além de Jardim das Ilusões, compusemos Estações, Poemas de Saliva e Gostosa Demais. Teófilo, que também assina Teófilo Lima, é um dos músicos mais criativos e talentosos que conheci.

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JARDIM DAS ILUSÕES
Ricardo Kelmer e Teófilo
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Levei o teu campari emprestado
Devolvo depois com correção
Que pena, não deu certo, valeu
Beberei à nossa separação
O amor que tu me deste era de vidro
E isso que fizeste… um papelão
Trocaste nosso jardim de ternura
Pela aventura insana da paixão

Não te incomodes de regar nossa camélia
Ela definhou de aflição
As hortênsias murcharam na janela
E o amor-perfeito já não crê em ilusão

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Ricardo Kelmer 1996 – blogdokelmer.com

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CLIPE

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> Para ouvir e baixar em mp3

> Mais músicas kelméricas

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Muito bom. Celso Junior, São Paulo-SP – set2014

02- Adorei a dor de corno love you Ricardo Kelmer. Dorah Andrade, São Paulo-SP – set2014

03- bom demais, Ricardo Kelmer Cabeça de cuia da silva!! Teofilo Lima, Parnaíba-PI – set2014

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Jesus e Maria Madalena convidam

09/08/2014

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Pelo sagrado direito de um deus de se casar

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JESUS E MARIA MADALENA CONVIDAM

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Meu prezado deus dos cristãos. Podemos ter dois dedim de prosa? Não, sou cadastrado não. Mas olhe, é sobre seu filho. Sim, eu jurei que não ia me meter nesse babado de Jesus com Maria Madalena, mas um dia, veja o senhor, tava eu quieto no meu canto quando me chegou e-mail de um tal correio missionário não sei das quantas. O cidadão vociferava contra o filme O Código Da Vinci, conclamava os cristãos a não assistir e exigia a proibição do filme.

Ah, falou em proibir, pisou no meu calo. Lembrei da indignação que senti quando proibiram Je vous Salue, Marie e quando tentaram proibir A Última Tentação de Cristo. O senhor lembra, né? Então levantei, fui no armário e tirei de lá minha armadura de Cavaleiro da Orguli. O Senhor não conhece a Ordem dos Guardiões da Liberdade Individual? Ôxe, mas o senhor não é onisciente? Ah, tá, o senhor anda muito ocupado com o Oriente Médio, eu sei. Infelizmente, não posso falar muito sobre a Orguli, ela é meio secreta, tipo a Opus Dei, entende? Ah, tá, o senhor não quer nem ouvir falar de Opus Dei. Entendo. Bem que sempre desconfiei que se Deus existisse, ele seria mesmo contra a religião.

Decidi fazer uso da armadura de novo. Então aqui estou, descumprindo meu juramento de não entrar na fofoca, mas cumprindo o sagrado juramento da Ordem de sempre acudir ao chamado da liberdade. Não, dessa vez não é pra defender a liberdade de expressão. Agora é pra defender o direito de um deus se casar.

Apesar de não ser cristão, nasci e vivo imerso numa cultura cristã, então o tema me toca também. Por isso, o senhor não me leve a mal, mas, olhe, a história de seu filho não tá bem contada, não. Os padres dizem que ele não casou, mesmo sendo um tipão alto, forte, loiro, pele branquinha, olhos azuis… Aliás, como o senhor explica esse tipo físico naquele solzão da Palestina? Jesus tá mais pra ET do que pra galileu. Heim? Ah, é verdade, o senhor é um ET, já que não nasceu na Terra. Agora entendi.

Logicamente, a gente começa a pensar, né? O moço não casou, não teve namorada, nem filho… Ops, longe de mim insinuar que Jesus não era chegado, imagina. O que quero dizer é que a Igreja oficializou essa versão sobre a vida de Jesus pra endeusar ao máximo e humanizar ao mínimo o personagem. E inventou que Maria Madalena era puta pra desqualificar o fator feminino, e depois teve que negar que inventou, mas manteve os evangelhos e eles se contradizem, e aí a Igreja fica toda melindrada porque as pessoas questionam. Obviamente, a Igreja insistiu na solteirice de seu filho porque um Jesus casado incentivaria os discípulos a casarem também, e aí os filhos herdariam as riquezas da Igreja. Não ia dar certo, né? Oquei, o senhor não quer se meter, tudo bem.

Eu falei do fator feminino, né? Poizé. A Igreja jamais seria essa instituição masculina e patriarcal se Maria Madalena estivesse à frente do apostolado. Caça às bruxas certamente não teria havido. Se com a Maria mãe de seu filho, senhor, já foi difícil ceder e abrir espaço pra ela no panteão católico, coisa que oficialmente só aconteceu no século 20, imagine com uma mulher que a própria Igreja sempre pintou como prostituta, suja ou, na melhor das hipóteses, forte e independente? É, Maria Madalena é mesmo uma pedra no sapato.

Não sei como seria se ela e Jesus tivessem se casado e tido Jesuzinhos e Madaleninhas. No mínimo, os herdeiros estariam hoje numa briga louca pelos direitos relativos aos evangelhos. Um herdeiro de Jesus ‒ já pensou a boçalidade de um cidadão desse? Você sabe com o descendente de quem você tá falando, sabe, sabe? E Madalena, coitada dela… Não por Jesus, que me parece buona gente, mas… ter como sogro o senhor? Não deve ser fácil.

As religiões deveriam ter mais deusas. Isso traria mais equilíbrio ao mundo e ao espírito das pessoas. Mas já que não têm, vamos ao menos deixar que Jesus se case, coitado. Um gato daquele morrer vitalino! Vou até dar uma ideia à Igreja: Jesus casou com Maria Madalena, sim, mas com separação de bens. E depois se divorciaram. E os descendentes concordaram em jamais reivindicar qualquer bem. Pronto, resolvido. Ah, o senhor gostou? Ainda bem, pelo menos o senhor tem senso de humor. Aliás, já que estamos assim tão amigos, posso lhe fazer uma pergunta? Por que o senhor nunca casou?

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Cara, eu vi essa introdução na sua comunidade do orkut e achei simplesmente do caralho. Já até tentei rascunhar sobre o assunto, mas não sei se conseguiria ser tão ácido… Parabéns, meu velho! Marcelo Gavini, São Paulo-SP – jun2006

02- kkkkkkkkkkkkkkkkkkk É verdade! eu assisti semana passada e achei bastante coerente, tb li o livro… Algumas coisas dali eu “acreditei”, assim como tb acredito que teve um babado forte entre Santa Clara e São Francisco de Assis… não sei pq os santos da igreja católica não faziam sexo, é como se isso os tornassem menos legais 😛  Jesus cristo foi um grande revolucionário, como São Francisco de Assis tb foi e concordo que sejam lembrados e tidos como exemplo, mas pq não faziam sexo? sexo é sinônimo de imprefeição,. é algo diabólico? entaum, nós que nascemos através da relação sexual, devemos ser uns diabinhos kkkkkkkkkkkkkkkkkk Gizelle Saraiva, Natal-RN – jun2006

03- Deus criou o sexo, e Ele mesmo disse que sexo era muito bom (Gn 1.27,31); de todas as bênçãos de Deus, o sexo  foi a primeira. (Gn 1.28); a primeira missão recebida pelo homem da parte de Deus, foi a respeito do sexo e pelo sexo: “crescei-vos e multiplicai-vos”.A Igreja (me perdoem os católicos) tem uma visão míope demais da Bíblia,colocando o sexo como “o fruto proibido”.Totalmente incoerente,já que no primeiro capítulo de Gêneses,a ordem é dada para que Adão e Eva povoem a Terra e pra fazer isso,teria que ser através de quê,se não existia ainda inseminação artificial?E,desculpem mais uma vez os amigos católicos mas,mesmo sendo batizada nesta religião, eu não acredito na existência desses dois (Adão e Eva).Mas que tá lá escrito na Bíblia,isso tá! Gostei muito da crônica,pois acho que o Pai não iria punir o Filho com um castigo desses.Até porque,se Ele foi o inventor da coisa, e ainda disse que era bom,porque não permitir que Madalena,ou outra mulher, fizesse Jesus feliz sem pecado,nem culpa? Sidiany Colares Alencar, Fortaleza – CE – jun2006

04- Acho que Jesus teve um lado humano sim, meteu o chicote nos mercadores, perdeu a paciência, era humano….Mas o grande senão são os padres…como a igreja vai exigir castidade, se nem o filho de Deus resistiu..Aliás, a história de Jesus até ganharia se ele tivesse amado uma mulher… Christina Alecrim, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

05- Sempre recebo tuas novidades e queria te parabenizar por esta crônica maravilhosa que você escreveu. Você conseguiu resumir, de forma inteligente e bem-humorada, toda a teoria do livro de Dan Brown. Continue nos brindando com tuas brilhantes idéias, Ricardo. Um grande abraço. Ana Cristina, Juiz de Fora-MG – jun2006

06- engracadissimo, perfeito, muito bom mesmo – alias, eu e o Robert estavamos falando o outro dia que alguem deveria abrir um processo contra a igreja catolica, mas um processo em que todos que quisessem pudessem aderir, em nome de todas as mulheres, indios, negros, por perdas e danos, difamacao e calunia, sem falar em tortura e assassinato… ja pensou, o maior processo de todos os tempos, suficiente para levar a falencia essa instituicao que tem feito nossos ouvidos de pinico por 2000 anos! Ta ai uma boa ideia para um texto, ne nao? Ana Claudia Domene, San Diego-EUA – mai2006

07- Quando eu morrer, quero ir direto pro inferno. Imagina? Viver sem sexo? Tô fora, tô dentro…E por aí vou. Abração. Maninho, Fortaleza-CE – set2006

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O médium, o marido, o morto e a amante

20/07/2014

20jul2014

Acho que Deus deveria controlar melhor as fronteiras do Além. Tá muito esculhambado

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O MÉDIUM, O MARIDO, O MORTO E A AMANTE

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Acabo de saber da última do Ageral, o bloco do Agora Esculhambou Geral. Veja só. Uma mulher é acusada de mandar matar o amante. O advogado usa como defesa uma carta psicografada num centro espírita, ditada pelo próprio amante morto, que, do além, inocenta a amante do crime. Se a carta foi determinante, eu não sei, mas o júri inocentou a mulher.

Se a moda pega nos tribunais, já pensou? Teremos agora, além dos advogados e testemunhas, a ilustre figura do médium de defesa. E nada impede que haja também o médium de ataque. Já que é assim, proponho, pra equilibrar o time, a escalação do médium-volante. E, logicamente, vale gol espírita.

Suponhamos que você é o morto de um crime envolvido em mistério, e que você, de onde quer que esteja, pode usar um médium pra ditar uma carta. Você obviamente aproveitaria pra esclarecer as circunstâncias do seu assassinato e apontaria o criminoso, né? Pois o infeliz do amante morto, que deuzutenha, não fez isso. Chamava-se Ercy e era tabelião. E a mensagem era endereçada… ao marido de sua amante Iara. Vixe! Exatamente, Iara era casada. Mas vamos a um trecho da dita cuja: “O que mais me peza no coração é ver a Iara acusada deste feito por mentes ardilosas como as dos meus algozes. Por isso tenho estado trizte e oro diariamente em favor de nossa amiga para que a verdade prevaleça e a paz retorne aos nossos corações”.

Vamos por partes. Pesa com Z? Triste com Z? Hummm, tem algo estranho aqui. Que diabo de tabelião é esse que não sabe escrever? Ou a gente desaprende a gramática depois que desencarna? Ou o tabelião foi pro inferno e o calor de lá atrapalha a concentração? Talvez o tabelião, uma vez do lado de lá, tenha virado o Zorro do Além, ferrenho defensor das ex-amantes dezamparadas.

Tudo bem, você acha que eu tô debochando de coisa séria. Mas, gente, essa história é muito cabeluda. O pior é que infelizmente tem mais. No fim da carta, o tabelião assina: Erci. Ops! Mas o nome dele não é Ercy, com Y? Socorro, manhêêê, a gente desaprende o próprio nome depois que morre!

Tá, vamos ter mais boa vontade com o caso. Vai que o médium lá do centro comeu uma coxinha estragada e por isso psicografou a carta apressado. Conclusão natural, ou sobrenatural: a culpa dos erros gramaticais é do médium. Entendi. O médium matava as aulas de português pra receber espírito.

Mas ainda tenho dúvidas. E se o morto estiver mentindo? Vai que Iara é realmente culpada e o morto-tabelião tá tentando salvar a pele da ex-amante. Ué, por que isso não pode acontecer? Faz anos que ele morreu, passou a raiva, já perdoou a amante assassina. Cá pra nós: na verdade ele ainda a ama e, lá onde está, escreve sonetos apaixonados e sente falta daquelas noites em que bebericavam licor de jenipapo escutando Vicente Celestino e coisital… Sei lá por que Vicente Celestino. Coisa de tabelião. Pois bem, os mortos não podem mentir? Ou depois que morre, a gente, além de analfabeto, vira santo?

Acho que Deus deveria controlar melhor as fronteiras do Além. Tá muito esculhambado. O Ageral se infiltrou no mundo pós-morte ‒ onde isso vai parar? Daqui a pouco entrarão lá com celulares. Minha proposta: morto só pode se comunicar com vivo após se cadastrar no Procecom (Programa Celeste de Comunicação), ter ficha limpa e pagar a taxa no Banco do Brasil. E não custa nada incluir também no programa um cursinho básico de gramática.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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01- Muito engraçado… Com certeza tem um “zombeteiro” perto de vc, kkkkkk!!!! E o tabelião de pijama, huahuahuahua!!! So vc mesmo p me fazer rir tanto. Lua Morena, Brasília-DF – jun2006

02- amei, trocar advogados por médiuns, acho q ficará mais barato, mais emocionante e menos chato !!!!!kkkkkkkkkkkkk tomara q nenhuma advogada leia isso!!!! hehehe !!!! Marysol Rosso, Cocal-SC – jun2006

03- achei tipo assim: de muito bom gosto, inteligente, charmoso. gostei . Rosa Red, Jardins-MS – jun2006

04- Adorei o texto, com humor maravilhoso, bem conduzido. Merece entrar entrar num livro de crônicas. Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

05- Enfim , gostei muito . Voltando àquele papo de “ discurso polifônico”, essa tua sugestão de “ controlar melhor as fronteiras do Além ”, de cadastro no “Procecom ( Programa Celeste de Comunicação )”, de exigir o sujeito (a) ter “ ficha limpa e pagar a taxa no Banco do Brasil”, me lembrou também daquele aparente improviso do Vinicius de Morais ao final de Samba da Benção – lembra? “A vida é pra valer / E não se engane não , tem uma só / Duas mesmo que é bom / Ninguém vai me dizer que tem / Sem provar muito bem provado / Com certidão passada em cartório do céu / E assinado embaixo : Deus / E com firma reconhecida!” Marcelo Pinto, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

06- hoje entrei em seu site e li : o médium,o morto, o marido e a amante (desculpa se não for exatamente esse nome…hehe) pois é, e estou lhe escrevendo para contar que achei muito engraçado…adorei…seu trabalho é otimo…sempre dou uma espiadinha em seu site…Beijinhos. Fernanda Dias Castro, Ponta Grossa-PR – ago2006

07 – rsrsrs estive lá no seu site. a história do médium-volante é muto boa rsrsrs depois degustarei mais. aquele abraço. p.s. gostei do seu jeito de escrever. Aroeira, Belo Horizonte-MG – dez2006 

08- Olha aí Glauber Filho, isso não dá um bom roteiro? Eduardo Freire, Fortaleza-CE – jul2014

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OMediumOMarido,OMortoEAAmante-01a


Argentina, diz-me como é triste

14/07/2014

14jul2014

Uma resposta brasileira ao hino provocativo da torcida argentina na Copa do Brasil

ArgentinaDizMeComoETriste-01.

ARGENTINA, DIZ-ME COMO É TRISTE

Eu, particularmente, não ficaria triste se a Argentina fosse campeã da Copa do Brasil, afinal temos muitas afinidades com los hermanos. Mas já que não foi, também não podemos perder a piada, né?

Aliás, temos que agradecer à torcida argentina pela alegria que trouxeram, tornando a Copa do Mundo ainda mais divertida. Eles adaptaram uma cantiga usada pelas torcidas de clubes argentinos, cuja melodia foi inspirada na música Bad Moon Rising, da banda de rock estadunidense Creedence Clearwater Revival, e ela virou um hino de provocação bem-humorada aos brasileiros. Brasil, decime que se siente… Bastava dois argentinos se encontrarem, nem que fosse na imagem refletida do espelho, e já começavam a cantar. Se houvesse uma câmera de TV por perto, berravam tão alto que era impossível ouvir o repórter.

Era tudo com bom humor, sim, mas é interessante constatar que enquanto os argentinos, de modo geral, preferiam provocar os brasileiros, os outros estrangeiros se comportavam de modo mais simpático e amistoso, sem provocações. Talvez o comportamento dos hermanos não tenha sido exatamente cordial com os anfitriões, mas isso são coisas da rivalidade esportiva, tem-se que dar um desconto.

No fim das contas, brasileiros e argentinos terminamos a Copa chorando. Nós, pela humilhante surra tomada dos alemães e pelo choque de realidade quanto à qualidade do nosso futebol, e eles por terem chegado tão pertinho da taça. Algo me diz que a nossa dor é maior.

Bem, nessas horas só o humor pode nos salvar. Assim sendo, segue minha humilde contribuição à nossa folclórica e divertida rivalidade futebolística. Criei uma versão brasileira da cantiga dos hermanos.

Argentina, diz-me como é triste
Voltar a pé e a chorar
Não te deram o sonhado tri
Nem teu Messi, nem teu Papa

Manuel Neuer te parou, Mario Götze te estufou
Lavezzi rezou com pouca fé
Em 78 o Peru deixou, em 86 a mão roubou
Maradona pede a bênção ao Pelé

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Aqui, a cantiga-hino dos argentinos na Copa do Brasil:

Brasil decime que se siente
Tener en casa a tu papá
Te juro que aunque pasen los años
Nunca nos vamos a olvidar

Que el Diego los gambeteó, que Cani los vacunó
Están llorando desde Italia hasta hoy
A Messi vas a ver, la Copa va a traer
Maradona es más grande que Pelé

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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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APRESENTAÇÃO NO EITA SARAU (São Paulo, jul2014)

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TORCIDA ARGENTINA EM COPACABANA

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Rockeiro Kelmer (Argentina, diz-me como é triste)

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RK201407RockeiroKelmer-105Rockeiro Kelmer (Argentina, diz-me como é triste)

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01- Perder a piada jamais! Dri Flores, São Paulo-SP – jul2014

02- É muito boa. “Festa é o que nos resta”. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – jul2014

03- rsrsrs. Sidneia Fonseca, São Paulo-SP – jul2014

04- Tu é um artista mesmo.. hahahahhaha. Caroline Queiroz, Florianópolis-SC – ago2014

05- escuta, Kelmer… tô lendo seu livro de contos… gostei especialmente do ‘pequeno incidente em hukat’… é um ótimo roteiro pra cinema… abs! Shirlene Holanda, São Paulo-SP – ago2014

06- Arrasouuuu, tio prof! Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – ago2014

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Discutindo a Copa e a relação

07/06/2014

07jun2014

Se você deseja minimizar os efeitos sobre sua relação, é bom saber algumas coisas sobre essa rival invencível

DiscutindoACopaEARelacao-01

DISCUTINDO A COPA E A RELAÇÃO

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Querida leitora Katiane. Em sua singela cartinha, você conta como o futebol atrapalha a relação com seu namorado, e me pede conselhos. Bem, tenho uma boa e uma má notícia. A boa é que o campeonato brasileiro foi interrompido por um mês. Durante trinta dias, seu homem esquecerá dos problemas do time dele, a ameaça de rebaixamento. E a má notícia é que ele agora terá três jogos por dia pra ver, todos imperdíveis. Poizé, é tempo de Copa do Mundo. E se você não é chegada em futebol e deseja minimizar os efeitos sobre sua relação, é bom saber umas coisas sobre essa rival invencível.

Primeiro. A Copa do Mundo é o produto-mor da FIFA. É como a entrega do Oscar pro cinema, entende? A FIFA é a entidade criada no começo do século 20 pra organizar a brincadeira que se espalhava pelo mundo inteiro. Aliás, se espalhou tanto que hoje a FIFA tem mais países associados que a ONU, e o futebol movimenta trezentos bilhões de dólares por ano. Esta é a lição número um: futebol é uma brincadeira muito, muito séria. Por isso, nada de zombar do brinquedo dele.

Por favor, Katiane, não caia na besteira de argumentar que Trindade e Tobago versus Luxemburgo é um jogo que ele poderia perfeitamente deixar de ver. Não vai adiantar. Por quê? Tá, vamos lá. Cada país possui milhares de jogadores de futebol. Os melhores são contratados pelo clube da cidade e os melhores entre eles são contratados pelos melhores clubes do país. E os craques mais craques dessa elite são convocados pra seleção do país. No fim do funil, dos milhões de jogadores no mundo, só quinhentos vão à Copa. Ter esses caras num torneio só é como, de quatro em quatro anos, por um mês, ter na pia do banheiro os xampus e condicionadores e hidratantes mais caros do planeta. Em outras palavras: não dá pra desperdiçar nada.

Outra coisa: chegar à final da Copa é uma honra pra qualquer seleção, sim, menos pro Brasil. Pro brasileiro, só serve se for campeão. Por isso, você não conseguiu consolá-lo após a final contra a França em 98, lembra? Vou explicar melhor. Vamos supor que o grande amor de sua vida (se for o seu namorado, melhor ainda) finalmente tome vergonha na cara e te chame praquela conversa pela qual você tanto ansiava. Ele te convida pra um jantar à luz de velas na cobertura do restaurante daquele hotel cinco estrelas. Uau! Você fica noites sem dormir direito, fala pra todas as amigas e elas não disfarçam a inveja. Você se endivida toda, mas consegue alugar aquele longo caríssimo. O jantar é maravilhoso, o vinho francês divino, o harpista húngaro oferece uma música a você, e a lua, ah, a lua… Pois bem. O Brasil ser vice equivale a, depois disso tudo, esse cara dizer que não vai mais se separar da mulher. Entendeu agora?

Vamos aos lembretes importantes. Na Copa do Mundo homem já acorda com TPJ. Tensão pré-jogo. Que depois evolui para TDJ, tensão durante o jogo. E depois? Aí depende. Se o Brasil vence, ele tem a euforia típica da vitória, vai tomar todas, chegar em casa em coma e ainda vomitar no guarda-roupa, sobre os seus vestidos. Se o Brasil perde, ele tem a fossa típica da derrota, vai tomar todas, chegar em casa em coma e ainda vomitar no guarda-roupa, sobre os seus vestidos. Conclusão: melhor aguentar tudo isso com vitória, né? Então torça muito junto com ele.

Pra terminar, controle seus arroubos de romantismo, Katiane. Copa do Mundo é um encontro de guerreiros suados, destemidos e sanguinários. Beijinhos, abracinhos e denguinhos na hora do jogo definitivamente não combinam. Tudo bem, na hora do gol, vá lá. Mas olhe, não fique melindrada se ele abraça todos os amigos e esquece de você. Isso não quer dizer que ele não te ama mais, não seja dramática. Quer dizer apenas que, na verdade, ele é gay enrustido e sabe aproveitar bem essas ocasiões… Brincadeirinha, brincadeirinha! Viu? Podia ser pior.

Aguente, minha amiga. É só um mês. Depois ele volta inteirinho pra você, tá? Pra você e pro campeonato brasileiro.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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DiscutindoACopaEARelacao-02a.

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01- Ricardo, não sou muito de ler colunas, nem mesmo o noolhar… entrei no sitio só pra saber a hora da abertura da Copa.. Cai no seu espaço, e adorei o Manual de Conduta de companheiras durante a Copa. Será amplamente distribuido e lido em voz alta no dia dos namorados, que será talvez o dia mais tenso. Por muito pouco não caiu em dia de jogo da seleção.. pq ai seria fim de caso. hehe Abraço, e congratulações, Fábio Marques, Fortaleza-CE – jun2006

02- oi ricardo, li tua cronica sobre a copa, coopere, hein? Não tem jeito,né??? já sei, esse negócio é totalmente autobiográfico e vc ja escreveu para tua namorada não ficar te pentelhando, ne??? Bom, quanto a mim, junto com o Ed Mota, detesto futebol, a fifa, campeonato brasileiro e tudo o mais. Mas, já descobri o lance..a íltima vez que eu torci pelo brasil foi na copa de 82, ele era o favorito, lembra???ahahahahhah, pois vou torcer de novo, já comprei até blusa amarela a tudo..Vai ser a minha vingança,ahahahahhah. Gabrielle Sales, Alemanha – jun2006

03- AINDA BEM QUE EM CASA SOMOS 2 FANATICOS, PORTANTO , SEM PROBLEMAS, SO NAO PODE EH JOGAR BRASIL X EQUADOR, AI SIM VAI TER CONFUSAO. ELE EH EQUATORIANO… MAS O BOM EH Q JA COMEMORAMOS NESSA SEXTA.BOA COPA KELMER. Ana Lucia Castelo, Nova York-EUA – jun2006

04- Adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiii rsss beijocas. Thelma Lowen, Niterói-RJ – jun2006

05- Faaala Kelmer, Cara…muito bom esse texto hahaha…passei pra minha lista… Marquim Fonteles, Parnaíba-PI – jun2006

06- hahahahahaha ótimo! BRASIUIUIUIUIUIUIUIUIUIUIUIUIU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ana Claudia Calomeni, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

07- Parabéns Kelmer! Texto divertido e inteligente… Roberto Reial, São Paulo-SP – jun2006

08- MUITO BOM. Marly Rodrigues, São Paulo-SP – jun2006

09- KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Na verdade eu odeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio tudo isso, nem assisto. Meu namorado assiste,mas eu não dou a menor importância. Sou nacionalista roxa, mas acho que o Brasil ser campeão ao não, não é algo para se orgulhar, ficaria muito mais feliz e orgulhosa se usassem metade desse dinheiro inútil para amenizar um pouco os nossos inúmeros problemas sociais… Muito bem bolado o que vc escreveu(como sempre)… acho que é bem por aí sim, os homens se envolvem mesmo nessa época de copa, acho que dizem pra televisão tudo que gostariam de dizer pra sogra nos últimos 4 anos… e essa teoria do “Gay enrrustido” é boa viu, acho que é bem verdade! kkkkkkkkkkkkkkk Gizelle Christina Saraiva, Natal-RN – jun2006

10- Tudo bem, Ricardo, eu também adoro a Copa do Mundo e também fiquei engasgada com a derrota contra a França em 98. Mas por favor, os campeonatos dos times eu não vou conseguir suportar nunca. Sou Brasileira, mas não espere que eu seja a Ronaldinho de saias. Fátima Braga, Recife-PE – jun2006

11- Sensacional, Kelmer! Abraço. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – jun2006

12- Fantástico este teu texto! Rsss…… Parabéns! Um abraço. Ana Cristina Mokdeci, Juiz de Fora-MG – jun2006

13- Ricardo gosto muito do q/ escreve. Obrigada por sempre me enviar “novidades kelméricas”. Valeu as dicas da cronica sobre a copa, vou seguir a risca. Fico aquí torcendo pelo Brasil e p/ talentos como vc serem reconhecidos. Um abraço. Perpétua, Gov. Valadares-MG – jun2006

14- Por fim, acabei lendo o “Discutindo a Copa e a relação”… gostei! Afinal, deve ser isso mesmo q acontece com a maioria, né…hehehe O tapa na bundinha então…auhauhauhauhauh Gostei de teu jeito de escrever…tem bom humor… Beth Mieza, São Paulo-SP – jun2005

15- li tua cronica meu caro, e posso dizer que tudo é a mais pura verdade , mas so no resto do ano, pois copa é copa. eu vejo todo o campionato italiano pra vc ter ideia da minha abnegaçao. um bj baby. Michele Diamanti, Taranto-Itália – jun2006

16- Faaala Kelmer, Cara…muito bom esse texto hahaha…passei pra minha lista… Marcos Fonteles, Parnaíba-PI – jun2006

17- husuhsauhsauhshausauhshusahusahusahu, Ilana Dubiela, Fortaleza-CE – jun2014

18- Bons conselhos, mas faltou o melhor: aproveite que o bofe está com todos os olhos grudados no Mundial e vá fazer um treino com bola no CTM (Centro de Treinamento do Motel), com aquele homem bonito, charmoso e inteligente que não está nem um pouco interessado em 22 machos correndo num campinho, porque prefere MULHER. Luc Lic, São Paulo-SP – jun2014

19- Das duas uma: ou vc curte futebol p ficar azilada que nem ele, ou procura outro bofe viciado em outra coisa q vc goste:como vídeo game…Pq p mim , futebol…Dá não ó…kkkkk. Ilana Dubiela, Fortaleza-CE – jun2014

20- Ainda tem o fato do dia dos namorados ter caído na abertura dessa bendita copa. –‘ Amanda Lima, Fortaleza-CE – jun2014

21- Perfeita a colocação Rick. Mas tem homem que não liga para Futebol. E ai você tem duas opções ou não esquenta com a Copa do Mundo (curte junto) ou aproveita algum Boy Magia que não liga para uma bola. E bate um balão com ele. Rsrsrs. Laurinha Oliv, Fortaleza-CE – jun2014

22- Primo, a analogia das relações é genial. Gostei demais! Um abração do Leite. Leite Jr, Fortaleza-CE – jun2014

23- Ola Ricardo!!!! Parabéns, adorei SUCESSO!!!!!!!!!!!!!!! Luck, Campos do Jordão-SP – jun2014

> Postagem oficial no Facebook

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Futebol artigo feminino

27/04/2014

27abr2014

Cá pra nós, já reparou como brasileira fica ainda mais linda em dia de jogo da seleção?

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FUTEBOL ARTIGO FEMININO

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Enquanto os fogos estouram pelas ruas do bairro e o gato vai se esconder embaixo da cama, visto minha camisa amarela feito um antigo guerreiro em seu solene ritual de preparação pra batalha. Boné da sorte, oquei. Cueca da sorte, oquei. É jogo de Copa do Mundo. Tô pronto.

Lotado, o bar que escolhi pra ver o jogo. Mas milagrosamente consigo uma cadeira pertinho do telão e bem ao lado de uma mesa com, não acredito, duas, quatro, seis, sete mulheres! Uau… O jogo promete.

Abrem-se as cortinas, começa o espetáculo, taí o que você queria, bola rolando. Ah, a emoção do futebol, a beleza plástica, a poesia… E a tática? É muito eficiente, já reparou? O jeans superjusto preenche com eficiência os espaços, reforça a retaguarda e aperta bem a marcação. A triangulação é perfeita e dá pra acompanhar bem a linha divisória da graminha… Ops. Mas esta crônica não é sobre futebol? Desculpe a falha, voltemos ao jogo.

Sai, goleiro, saaaaai!!! Ufa… Bolas aéreas são sempre um susto. Elas surgem de repente, insinuantes, e aí tem que pegar firme, com as duas mãos, segurar e não soltar mais, senão vão ficar cruzando sensualmente a área dos nossos olhos. Não pode dar decote, digo, rebote. Putz, tá difícil de prestar atenção no jogo, parece que todas as mulheres lindas decidiram ver o jogo aqui. Ver o jogo e não deixar a gente ver. Precisava desses decotes tão violentos? Isso é antijogo.

Nosso futebol-arte é reconhecido no mundo inteiro. O verde-amarelo brilha não apenas no uniforme, mas no brinco, na bandana, bracelete, sandalinha… Ops, cuidado, o short curtinho deixa o atacante enfiado atrás da zaga. E com a camiseta justinha na intermediária, o piercing, coitado, fica sozinho no ataque…

Ah, assim não dá! Impossível se concentrar no jogo. Quer saber de uma coisa? Vamos logo virar a câmera pra ela, pra torcedora brasileira, o produto mais belo e poético que o futebol gerou. Mais bonito até que aquele gol que Pelé não fez. Não fez porque uma brasileira gatíssima, não sei se você sabe, levantou-se na arquibancada e desconcentrou o Rei justamente quando ele ia tocar pro gol. Culpa dela.

Cá pra nós, já reparou como brasileira fica ainda mais linda em dia de jogo da seleção? O desenho tático fica evidente nos modelitos. Ela improvisa bem, mexe daqui, substitui dali e o conjunto não perde a harmonia. E quando avança toda jeitosa pra ir ao banheiro? Impedimento escandaloso! Mas ninguém marca e a jogada segue, ainda bem. E quando comete falta no entendimento futebolístico? Ninguém adverte. Pra quê? Importante é manter o rendimento. Brasileira só joga pra ganhar. E de goleada.

Outro dia, vi uma matéria mostrando que na Copa ela usa calcinha com motivos patrióticos. Aiai, ainda tem isso… São verdinhas, amarelinhas, e algumas têm uns avisos bem mimosos, já viu? Você toca daqui, recebe dali, vai avançando, invade a área e de repente tá lá escrito: Vai que é tua, gatão! Ou então: Pimba na gorduchinha! Com um incentivo desse, não é possível que você vá pipocar, né?

Pobre da unha dela, as bandeirinhas pintadas com tanto esmero já foram todas roídas. Ela fica nervosa, dá gritinho, se descabela com o gol perdido, pede mais garra, mais chute e mais chope. No meio da tensão geral, o adversário atacando, o maior perigo… ela tá lá tranquila retocando o batom, pra confundir o inimigo. E quando finalmente a rede adversária balança, uau, que delícia, ela grita, saltita, samba, abraça, fica ainda mais linda e cheia de graça, no doce balanço do gol.

A vida é mais gostosa com futebol. E futebol é ainda melhor com elas.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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ElaFutebolBrasilEsmalte-16Odeia mas tem que estar bonita

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ElaFutebolBrasilFabiFrota-12Modelito básico pra ir na padaria na Copa do Mundo

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Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

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01- Caríssimo Ricardo, Quem bate um bolão, no final das contas, é você. Parabéns mais uma vez. Um abraço. Marilia Boos Gomes, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

02- Rica, não tem nada mais adorável que homem que gosta de mulher assim, desse tantão … essa crônica está ótima!beijo. Beatriz Nogueira, Brasília-DF – jun2006

03- putz! o tesão – não o telão…- está a toda aí, hein, mermão? TE SEGURA, NÃO VÁ DAR UMA NA TRAVE, HEIN? Beijos. Clarice Mota, Aracaju-SE – jun2006

04- Esse tá bom demais!!!! bjs. Marcinha Sucupira, Fortaleza-CE- jun2006

05- Ricardo, Excelente sua crônica Futebol Artigo Feminino. Adorei. É leve, descontraída, cheia de bom humor e muito bem escrita. Márcia Milani, São Carlos-SP – jun2006

06- Como nao tenho tido muito tempo pra ler nenhum livro ou algo que ultrapasse 2 paginas, eh um prazer enorme ler suas cronicas. Mande sempre e obrigada! Boa Copa! * eh muito ruim ta longe do Brasil principalmente em epoca de copa, mas sabe de uma coisa, a gente acaba comemorando mais. Meu marido eh Equatoriano, se o Equador ganha eu comemoro. Moro perto de um bairro Portugues, se Portugal ganha eu comemoro. O marido da minha cunhada eh ingles, se Inglaterra ganha eu comemoro. E assim vai. Meus visinhos sao Italianos, todo jogo da Italia vamos pra la e vibramos juntos. Ate que esses times enfrentem o Brasil, vou seguir comemorando… … e nada como comemorar em verde e amarelo! Ana Lúcia Castelo, Nova York-EUA – jun2006

07- Aahuahauhuahuahuahuhauah muito bom!!! rs Beijos! Giovana Milozo, Jaú-SP – jun2006

08- Adorei “Futebol artigo feminino”, você é demais! Obrigado pelo envio, beijos. Majô Pasquinelli, São Paulo-SP – jun2006

09- oi ricardo, li tua cronica sobre a copa, coopere, hein? Não tem jeito,né??? já sei, esse negócio é totalmente autobiográfico e vc ja escreveu para tua namorada não ficar te pentelhando, ne??? Bom, quanto a mim, junto com o Ed Mota, detesto futebol, a fifa, campeonato brasileiro e tudo o mais. Mas, já descobri o lance..a íltima vez que eu torci pelo brasil foi na copa de 82, ele era o favorito, lembra???ahahahahhah, pois vou torcer de novo, já comprei até blusa amarela a tudo..Vai ser a minha vingança,ahahahahhah. Gabrielle Sales, Alemanha – jun2006

10- li tua cronica meu caro, e posso dizer que tudo é a mais pura verdade , mas so no resto do ano, pois copa é copa. eu vejo todo o campionato italiano pra vc ter ideia da minha abnegaçao. um bj baby. Michele Diamanti, Taranto-Itália – jun2006

11- Ricardo gosto muito do q/ escreve. Obrigada por sempre me enviar “novidades kelméricas”. Valeu as dicas da cronica sobre a copa, vou seguir a risca. Fico aquí torcendo pelo Brasil e p/ talentos como vc serem reconhecidos. Um abraço. Perpétua Marques, Governador Valadares-MG – jun2006

12- Eh Ricardinho,voltou mais “em forma”…melhoras e saudade,bjo californiano! Izabel Castro, São Paulo-SP – jun2014

13- Prefiro vôlei e tênis feminino; têm mais atrativos. Luc Lic, São Paulo-SP – jun2014

14- Gostei da praga que você rogou à fumante. kkkkkk! Maria Givanilde, Fortaleza-CE – jun2014

15- Esse Kelmer …. Figuraçaa! Jane Eyre Queiroz, Fortaleza – jun2014

16- Kelmer!!!!! Vindo de vc, um queridíssimo, é uma grande honra!!! hahaha Obrigada! Dri Flores, São Paulo-SP – jun2014

17- Grande RK, a crônica Futebol artigo feminino é eropoética e desportiva – um espetáculo! Agora temos muito mais motivos para torcer nas cores pátrias. Leite Jr., Fortaleza-CE – jul2014

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Pai Kelmer de Arroxalá faz e desfaz

08/04/2014

08abr2014

Enchi o saco de receber mensagens e postagens com vírus no Facebook

PaiKelmerDeArroxalá-01.

PAI KELMER DE ARROXALÁ
FAZ E DESFAZ AMIZADES NO FACEBOOK

Sinceramente? Enchi o saco de receber mensagens e postagens com vírus no Facebook. Putz, isso tá insuportável! Então decidi o seguinte: na primeira vez, vou entender, foi só um descuido, tudo bem. Mas na segunda vez que eu receber da mesma pessoa uma mensagem ou postagem com vírus, vou desfazer a amizade. Quem ficar ofendido, sugiro que tenha mais cuidado com sua própria navegação na rede. Que saco.
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Ricardo Kelmer 2014 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Um aplicativo para amantes dos livros – Pensei então num aplicativo que aproximasse as pessoas por meio de… livros. Sim, livros, por que não?

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01- Wescley Gomes: Adorei o cartaz.

02- Fortuna Oliveira: kkkkkkk kaka

03- Alberto Perdigão: Escreve o nome da pessoa e bota na boca de um sapo. Como dizia Rodrigues, batata.

04- Fortuna Oliveira kelmerr um beijao pra você! venha pra berlin mostrar seu trabalho! abraço

05- Giordani Carvalho Saravá,Pai Kelmer!

06- Antonio Martins Boa, Kelmer, estou adotando procedimento parecido, exceto pelo fato de que dou 3 chances…

07- Adriana Alves: Nao fui eu …eu juro paieeee !!! Rs

08- Carla Mourão: apoiado !!

09- Fábio Campos Morais: oxalá!

10- Érico Baymma: Kelmer, acho que do meu nunca saiu…. mas isto é um vírus que a pessoa nem sabe! Outro dia entrou um tal de “Abaixo a Globo” como se fosse um amigo nosso, e o chamei pelo post pra avisar deste virus…. Tem Kalma Ricardo Kelmer!!!!

11- Marcos Felix: rSRSRSRSRSR SÓ VC MESMO KKKKK

12- Del Montenegro: Certíssimo !!! Kkkk

13- Cleo Coltri: Divino! Vou pedir ajuda tb…rsrs

14- Eduardo Freire: Oxalá, meu pai!

15- Rita Austregesilo: OLHA QUE COISA MAIS LINDA MAIS CHEIA DE GRAÇA !!! BJ

16- Romaro Rodrigues: Quanto é o trabalho?

17- Beka Zaleski: Huahuahuahau

18- Beth Castro: KKKKKKKKKKKK certíssimo

19- Ana Eufrázio: Se for pra desfazer, sou expert.

20- Liz Fernandes: kkkkkkkkkkkkkk

21- Raymundo Netto: rsrsrs

22- Alessandra Benete: concordo amigo!

23- Vilma Torres: Show esse cartaz!Avise que fará um trabalho p a pessoa que enviar a sms com vírus. Kkkk

24- Marina LF: Leva embora encosto também… especialmente os machistas e reprimidos, hahahahahah. Pode confiar!

25- Rejane Porto Cult: Todos os dias alguém me marca em publicações sobre “uma boa leitura” ou “como obter uma boa forma”. No começo achei que estavam, insistentemente, me chamando de gorda e burra…ainda bem que é só vírus.

26- Ana Azevedo Ramos: rsrsrs

27- Pedro Camargo: Muito bom. Vou compartilhar.

28- Fernanda Quinderé: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

29- Lidi Leão: kkkkkkkkkkkkkkkkk —– arroxalá e arroxacá…vem pra cá de novo queridos! BRASÍLIA CEILÂNDIA ESPERA DE BRAÇOS ABERTOS!

30- Marcelino Pequeno: É um mago!

31- Tetê Macambira: uhummm.. contanto q não desfaça a minha amizade c o próprio Ricardo Kelmer… tá td bemmm.

32- Sâmara Paula: Apoiado.

33- Abner Rios de Alencar: kkkkkkkkkkkkk

34- Evandro Mário Coelho: kkkkkkkkkkkkkkkkk

35- Sara Beatriz: hehehe

36- Camila Ferreira: Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk… ajudaê painho…

37- Daniel Perroni Ratto: Isso (Ricardo Kelmer), é um fanfarrão, Leny! hahahaha

38- Jacques Martins Antunes: E eu, No facebook e na real!

39- Nivea Lopes Ginez: he he he

40- Marcos Melo Maracatu: Saravá!!!

41- Solange Anselmo: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

42- Claudia Ajorge: sERÁ QUE ELE É BOM?

43- Priscilla Stefane: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

44- Beth Castro: KKKKKKKKKKKKKKK

45- Maria Regina Miti: RSRSRSRSRS

46- Frank Menezes: kkkkk

47- Graça Maduro: kkkkkkkkkkkkkk

48- Angela Maria Vieira de Mattos: Nao consigo parar de rir!kkkkkkkkkkkkkkkk

49- Jorge Marques: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

50- Bruna Barros: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


Cubalança mas não cai

18/02/2014

18fev2014

A falta de democracia em Cuba é um grande defeito do regime, mas isso não anula as conquistas sociais realizadas pela revolução cubana

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CUBALANÇA MAS NÃO CAI

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Lá estou eu em Cuba, abril de 2006, três meses antes de Fidel baixar hospital, o irmão Raúl assumir (a presidência, gente) e o mundo inteiro voltar os olhos para o futuro da ilha. Uma semana de turismo em Havana, arriba!

Indo pelo Malecón, a beira-mar de Habana, vi um out-door sensacional e não resisti. Parei para tirar foto. Era tipo publicidade de filme, o presidente Bush feito um vampiro e os dizeres: “El Asesino ‒ Próximamente em las cortes norte-americanas”, e bem em frente à oficina de interesses estadunidenses. Sim, pois o Tio Sam não possui embaixada em Cuba. Mas em compensación não largam Guantánamo. Cara de pau…

Bueno, foi uma semana intensa. Conheci mais sobre a história da ilha, visitei locais históricos, tomei mojitos y cubanitos, ouvi salsas e boleros, andei de coco-táxi, comi nos famosos paladares. E me apaixonei pela ilha. Enquanto escrevo esta crônica, por sinal, ouço os maravilhosos cantores cubanos e me dá vontade de voltar. Na verdade, o que mais me interessava era conhecer Cuba por dentro, hablar con los cubanos, me misturar a eles. Minha porção jornalista era maior que a porção turista. E a principal conclusão que tirei foi esta: é impossível entender Cuba em apenas uma semana. O comunismo cubano, aos meus olhos, se já era estranho, revelou-se um monstrengo surreal. Bem, vivendo no Brasil, um país de outro planeta, eu já deveria estar acostumado. Mas Cuba é demais. Lá tem três moedas! Como aquilo pode funcionar? Muitos cubanos me responderam assim: não funciona.

Em tese, o regime comunista cuida dos aspectos básicos da vida do povo: fornece moradia, comida, roupa, trabalho, escola e saúde. Mas na prática não é bem assim. Como a comida não dá para o mês todo, o cubano acaba comprando comida – do governo, claro. Se o cubano quer uma casa, o governo financia, mas é tão caro que grande parte acaba morando com os pais, com os sogros… E os médicos formados, que ganham trinta dólares por mês? Dá para comprar trinta sabonetes. Você morre de fome, mas morre cheiroso.

Evidentemente, não dá para analisar os problemas do país sem considerar o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. O povo cubano sofre diariamente, de várias formas, por conta dessa crueldade. Rodando pela cidade, vi muita pobreza, casas desmoronando por falta de conservação. Vi pedintes, vi prostituição masculina e feminina. Boa parte dos cubanos se agarra nos turistas, literalmente, como náufrago numa boia. Muito cubano trabalha como guia. Todo cubano tem um irmão ou amigo que trabalha numa fábrica de rum ou charuto e pode conseguir mais barato e coisital. Alguns te convidam para conhecer a casa deles, na maior simpatia. Você acha isso lindo, fica encantado… mas na despedida eles te pedem um trocadinho. E não tem como não dar, né?

Felizmente em Cuba não há miséria como no Brasil, não há favelas nem crianças bandidas, o narcotráfico internacional tem pouquíssima força lá e o sistema primário de saúde, assim como a educação básica, funciona de verdade. Ay, que inveja. Mas até lá tem corrupção, essa praga tão brasileira. E o que dizer da fome insaciável do governo? Ele é sócio de tudo na ilha, até daquele quartinho que você aluga no sótão de sua casa. Veja os tais paladares. São restaurantes caseiros, permitidos pelo governo, uma forma de garantir a muitas famílias uma rendinha extra. Mas o governo não permite mais que doze mesas. E não pode servir frutos do mar, para não concorrer com os restaurantes dos hotéis. E ainda tem que pagar quatrocentos dólares de imposto por mês, com ou sem cliente… Carajo! Essa quantia lá é uma fortuna! Um sócio desse acaba incentivando o jeitinho, que nós brasileiros tão bem conhecemos: não tem no cardápio do paladar, mas, se você pedir, servem camarão e lagosta à vontade. Só não pode discriminar na conta, claro. E ainda disfarçam uma mesinha a mais ali atrás da cortina… É aquela coisa: o cubano se faz de morto e o governo faz que não vê.

A pior coisa, porém, pelo menos para mim, é a asfixiante falta de liberdade. Sei que aqui caímos na velha discussão sobre o que é mais importante, pão ou liberdade. Eu, particularmente, apesar de aplaudir de pé a revolução cubana, prefiro morrer fugindo que viver preso de barriga cheia. Se alguém se ausenta mais de um ano da ilha, perde automaticamente a cidadania cubana, sabia? Criticar o governo, então, nem pensar. O cubano tem de ser um soldado do regime, um porta-voz da sagrada revolución. É obrigado a deixar a sala de aula ou o trabalho para ir à praça escutar Fidel falar por cinco horas. Não pode acessar sites na internet e seu correio eletrônico é censurado. Ser homossexual em Cuba, até pouco tempo, podia dar cadeia.

Depois que Fidel se for, o que vai acontecer? Como el pueblo se comportará? E os cubanos de Miami? Tio Sam cessará o cruel embargo econômico? A ONU intervirá para ajudar a democratizar o país? Quem pode dizer? Mas o futuro já chegou e em breve falará oficialmente. Só espero que esse futuro mantenha as conquistas sociais trazidas pela Revolução e traga mais conforto e liberdade aos hermanos cubanos, que, mesmo com todas as dificuldades, são festivos e hospitaleiros. Ah, ia esquecendo de contar: todo turista, quando sai de Cuba, deve pagar ao governo uma taxa de vinte e cinco dólares, como presente à Revolução. Sem recibo.

Não há democracia em Cuba, é verdade, o que é um grande defeito do regime, mas isso não anula as conquistas sociais realizadas pela revolução cubana, conquistas que mesmo países ricos e democratas jamais conseguiram. Talvez a implantação da democracia em Cuba trouxesse também o risco de algum tipo de piora nos indicadores sociais, tão arduamente conquistados, é, talvez, mas, ao meu ver, é algo que deveria ter acontecido. Como eu acredito na viabilidade de uma democracia socialista, torço para que os cubanos, e nós brasileiros também, possamos um dia vivê-la. Hasta la victoria, siempre.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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A propaganda oficial anti-EUA é onipresente no país. Esta placa está no Malecón. Equivaleria a estar no calçadão de Copacabana, no Rio, ou na Volta da Jurema, em Fortaleza, ou na Av. Paulista, em São Paulo.

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O isolamento do regime fez, em alguns aspectos, o tempo parar em Cuba. Para os colecionadores de carros antigos, Havana é um paraíso.

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Comitê de Defesa da Revolução. Espalhados pelos bairros, os CDRs são a mais poderosa das organizações cubanas não governamentais. Eles desempenham tarefas de vigilância coletiva contra atos de desestabilização do sistema político cubano.  Também participam em tarefas de saúde, higiene, de apoio à economia e de promoção da participação cidadã. Qualquer cidadão crítico do regime tem, obviamente, ficha suja nos CDRs.

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A santeria cubana e seu sincretismo religioso. O regime comunista da ilha não tem simpatia pela religião, mas boa parte da população pratica algum tipo.

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Vendo tudo borrado com Havana Club. Ah, o rum cubano… Na porta de um bar no centro de Havana fui abordado por um simpático cubano, que era fã do Ronaldinho Gaúcho e me ofereceu um Havana Club 7 Anos por U$ 10, uma pechincha que ele conseguia por ser amigos dos donos do bar. Empolgado, entreguei-lhe a grana, ele entrou no bar e fiquei esperando. Tô esperando até hoje, eu e meu chapéu de otário.

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Enchendo el cabezón com Bucanero.

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Os famosos paladares. Comida caseira, gostosa e barata.

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Uma família cubana.

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Mojitos com Christina no Malecón.

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BuenaVistaSocialClub1999CarnegieHall-01Buena Vista Social Club

Eu já sabia da existência do disco produzido por Ry Cooder. Aliás, eu já conhecia Ry Cooder pela trilha sonora dos filmes Paris Texas e Crossroads (A Encruzilhada). Porém, nunca havia procurado escutar as músicas. Após esta minha viagem a Cuba, baixei as músicas e… foi paixão imediata. A partir daí esse disco tornou-se trilha sonora da minha própria vida. O disco foi gravado em 1996, em Havana (e lançado em 1997), a partir da ideia de Ry Cooder de reunir músicos da era de ouro da música cubana. O nome do disco era uma homenagem ao Buena Vista Social Club, um lendário clube de Havana dos anos 1940-1950, onde esses músicos se apresentavam. O curioso é que vários deles estavam afastados dos palcos, alguns já aposentados, e o sucesso mundial instantâneo do disco os fez retomar a carreira, levando-os a se apresentar em vários países. Eles todos chegaram a tocar juntos em 10.07.98, no Carnegie Hall em Nova York, numa apresentação antológica que foi registrada em disco (2006) e consta no documentário Buena Vista Social Club, de 1999, dirigido por Win Wenders. Tanto os discos como o documentário são maravilhosos. Infelizmente a maioria dos artistas já estava em idade avançada, e um a um eles morreriam nos anos seguintes, mas felizmente puderam saborear o reconhecimento mundial de seu formidável talento.
> Baixe o disco (55mb)

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Cuba (Wikipedia)

Revolução Cubana (Wikipedia)

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Recomendo … o texto , nao Cuba !!! Luciano Hamada, São Paulo – jul2015

02- Lindo! Michele SJ, Fortaleza-CE – nov2016

03- icardo Kelmer, muito bom vc compartilhar essa experiência. Realmente adorei ler! Clícia Karine Marques, Fortaleza-CE – nov2016

04- Q texto prazeroso de se ler! Shirlene Holanda, Fortaleza-CE – nov2016

05- Genial!!!! Melhor relato sobre a ilha desconheço!!! Kelzen Herbet, Fortaleza-CE – nov2016

06- Hasta Siempre Cuba.. Claudia Meirelles Bahia, Fortaleza-CE – nov2016

07- Muito bom, Ricardo! Virgínia Ludgero, Lourinhã-Portugal – nov2016

08- Atualíssimo! Cesar Veneziani, São Paulo-SP – nov2016

09- Bacana seu texto! Parabéns. Rosina Santana, Vitória da Conquista-BA – nov2016

10- Meu caro. Grande reportagem. Ótimo texto. Ailton D Angelo, São Paulo-SP – nov2016

11- Reli e mantenho minha admiração pelos teus textos Ricardo Kelmer. Sobre liberdade eu concordo muito. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – nov2016

12- Muito bom relato, bem verdadeiro. Ana Maria Castello, Nova Yok-EUA – nov2016

13- Sem nenhuma referencia a todo o historico da revolucao ou ideologias, nunca tive a menor vontade de ir para Cuba. A ideia de ser livre em um pais onde ninguem mais eh, de poder ir e vir qdo ninguem mais pode, sempre me causou repulsa. Nao, eu nao vou para Cuba. Otimo texto. =) Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – nov2016

RK: Tata, é certo que os cubanos não têm, ainda, a liberdade de ir e vir e nem a liberdade de expressão que nós temos, mas por que isso deveria invalidar que pessoas como eu e você, que lutamos por justiça social e liberdade, viajemos para Cuba para visitá-los? Visitar Cuba não significa necessariamente avalizar a repressão política ainda vigente lá nem os erros cometidos pelo regime. O país tem coisas lindas, e o povo cubano necessita desse intercâmbio com outras culturas. Você não acha? nov2016

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Eu, Ro Ro e o lado B

26/01/2014

26jan2014

Naquele momento, o lado B do mundo sorria pra mim cantando blues, oferecendo tão somente seu calor e seu endereço

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EU, RO RO E O LADO B

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Gamei quando a vi cantando no Chacrinha, 1979. Depois escutei suas músicas na FM e comprei o disco. Adorava aquela voz rouca, o jeito largado de cantar, o escracho… O nome dela: Ângela Ro Ro. Eu tinha 15 anos, era só um adolescente bobo e certinho. E ainda estudava no colégio militar. Mas naquele momento, o lado B do mundo sorria pra Ricardinho cantando blues. Oferecendo tão somente seu calor e seu endereço. E eu sorri de volta.

Ingênuo, eu nem sabia que aquilo era blues. E também demorei a perceber que minha musa era sapata. Quando descobri, gostei ainda mais. Transgressão, esta era a senha. Moça sem recato, desacato à autoridade. Já me atraíam os que ousam e assumem sua loucura. Eu escutava Ro Ro horas a fio, arrancando os blues só pra maltratar. Me divertia com seus escândalos, os amores ruidosos, os porres homéricos. Aliás, naquele mesmo ano tomei meu primeiro porre. E no ano seguinte mudei de colégio, fugi da convivência diária com a lógica militar, eu me sentia violentado. Ainda era bobo, mas começava a entender que eu só deveria prestar obediência verdadeira a mim e a mais ninguém.

O garoto bobo cresceu. Namoradas, sexo e poesia, faculdade de comunicação, baseados, meu mal é a birita e um violão. Agora lia Bukowski, escutava Janis e Doors, me encantava o submundo artístico, os bregas de cabaré, o alternativo sempre mais interessante que o oficial. Minha ídola seguia seu caminho, arrasada, acabada, maltratada, torturada, desprezada, liquidada. Novos escândalos, novos discos. Mas eu preferia as antigas músicas, que obrigava as namoradas a escutar enquanto praticávamos sexo bonsai, ou seja, no banco do fusca. Assim não vai dar, minha vontade é tão grande, não pode esperar…

Bem, o Ricardinho bobo agora é quarentão. Mas continua fiel ao lado B. E neste momento tá na plateia do seu primeiro show da Ro Ro, uma falha no currículo que ele hoje consertará. Cai uma chuvinha chata sobre o Rio de Janeiro, mas o Circo Voador recebe um público razoável. O show será gravado pro DVD, o primeiro da carreira. E eu presente, que honra.

Ela está toda de preto, calça e blusa, cabelo solto. Ro Ro deixou de beber, pelo menos oficialmente. Que coisa. Ela agora é uma senhora desrespeito. Abana-se com um leque, reclama do calor, bebe água e brinca com a plateia, sempre palhaça. Mas não tá muito à vontade com o esquema meio careta de gravação, câmeras, maquiadora… Ela chama o primeiro convidado. Entra Luz Melodia, outro legítimo representante do lado B, e juntos cantam Tola Foi Você. Quer dizer, ela canta e ele tenta, lendo a letra no pedestal. Melódia tá meio viajandão e erra a letra. Deve ter mandado um venenoso no camarim.

Mando uma golada de vodca pra esquentar, não tire da minha mão esse copo. A segunda convidada é Alcione e elas cantam Joana Francesa. Mas a Marrom tá tensa, não se solta, pede pra repetir, depois erra a letra. Só na quarta tentativa a música sai. Quem diria, a Marrom amarelando… Depois Frejat divide com Ro Ro A Mim e a Mais Ninguém. Esse não errou a letra, palmas pra ele. Ro Ro reclama do calor de novo, será que ela tá na menopausa? Bebe mais água. Deve ser água, não é possível que seja vodca disfarçada.

A ruidosa plateia atiça e Ro Ro responde às gracinhas com seu velho humor agudo. Mas uma gracinha é gracinha demaaais… e ela não resiste. Pergunta o nome da garota, é Alice, a idade, tem 22 aninhos, flerta com ela, Alice no país das maravilhas lá em casa, e no fim anota seu telefone num papel e pede pra gracinha ligar na segunda. É isso aí, Ro Ro, tem que organizar a agenda. Depois ela enche o saco de retocar a maquiagem e dispensa a maquiadora, o cabelo já meio desalinhado, baixou o caboco roquenrou. Depois se agacha pra pegar o leque e confessa: Putz, quase peidei. Esta é a Ro Ro que tanto aprendemos a amar…

No fim, Melódia volta pra cantar de novo Tola Foi Você. Ah, agora o homem tá mais aterrissado, não parece aquela tarântula chapada do começo do show. E dessa vez acerta a letra, ufa. Depois Ro Ro faz o bis e se despede. Pronto, sua parte ela fez, agora é com o pessoal da edição do DVD.

E Ricardinho, cadê ele? Ele corre e alcança Alice, quer conhecer a musa da artista. Hummm, é uma menina linda e charmosa, não é que a Ro Ro tem bom gosto? Dou meu cartão e ela me recebe com simpatia. E aí, como você se sentiu com aquela azaração pública? Ela ri e diz que tá muito lisonjeada. E será que esse número que ela deu tá certo? Tomara que sim, ela responde. E você vai ligar? Ela dá um sorrisinho maroto e diz talvez. Mulher quando diz talvez, quer dizer sim, eu brinco. Ela sorri e confirma: talvez.

Volto pra casa satisfeito. Finalmente vi um show da minha primeira musa do lado B, tá consertada a falha no currículo. E quanto à bela Alice Talvez… Bem, se Ro Ro estiver muito ocupada, qualquer coisa eu tô por aqui, viu, Alice? Ricardinho aceitaria com muita honra ser o lado B da Ro Ro.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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Ângela Ro Ro e Luiz Melodia cantam Tola Foi Você
(DVD Ângela Ro Ro ao vivo, Circo Voador, 2006)

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> Ângela Ro Ro na Wikipedia

> Ângela Ro Ro no programa Marília Gabriela

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Protegido: As taras de Lara – Quarta é dia de dar na escada

07/01/2014

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Um aplicativo para amantes dos livros

06/12/2013

06dez2013

Pensei então num aplicativo que aproximasse as pessoas por meio de… livros. Sim, livros, por que não?

AmorDeLivro-02

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UM APLICATIVO PARA AMANTES DOS LIVROS

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Sim, os aplicativos Lulu e Tubby são bobos e incentivam fofocas, inimizades e difamações. Mas se você acha que a criatividade humana para a bobagem chegou ao limite, desconfio que virá ainda mais baixaria por aí, é só aguardar. A polêmica em torno deles é útil para comentar sobre comportamento, sexualidade e feminismo, sim, mas farei isso em outro texto. Por enquanto, quero falar sobre uma ideia que tive dia desses.

E se alguém inventasse um aplicativo que unisse o desejo de conhecer pessoas com algo mais construtivo que fofocar sobre ex-namorados? Pensei então num aplicativo que aproximasse as pessoas por meio de… livros. Sim, livros, por que não? Afinal, quem gosta de ler procura conhecer pessoas que gostam de ler, e afinidades literárias podem funcionar como catalisador de amizades. Um livro em comum pode até ajudar a iniciar um namoro. Um aplicativo que seguisse essa lógica poderia atrair muita gente e, como o mercado de livros no Brasil está crescendo e tem muito a crescer, certamente livrarias e editoras se interessariam em anunciar, além dos bares que são tematizados em torno da literatura.

Os detalhes do funcionamento do aplicativo, isso seria um trabalho para os desenvolvedores, claro, mas acho que teria que ser algo simples e prático. Por exemplo: cada perfil traria informações do usuário como nome, idade, cidade e suas preferências literárias, e o sistema permitiria envio de mensagens e buscas por critérios como afinidades, idade, localização, livraria predileta etc.

Bem, a ideia está lançada, e até joguei-a nas redes sociais. Tomara que ela seduza desenvolvedores e investidores.

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

Que tal um roLERzinho? Minha sugestão aos governos e prefeituras: criem roLERzinhos. Rolezinhos para ler

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01- IA AMAR! Camila Régia, Fortaleza-CE – dez2013

02- Não acredito que esses aplicativos sejam assim, eu me diverti muito. E sim, teria publico para app literários tbm… Tudo depende de como vc vê :)) Saudades de vc Ricardo!!! PS: Adoro os livros do Ricardo Kelmer \o/ Graziely Camargo, São Paulo-SP – dez2013

03- Kelmer, fantástica ideia! Wescley Gomes, Fortaleza-CE – dez2013

04- Ótima Idéia Grande Ricardo Kelmer. Eslley Lopes, Fortaleza-CE – dez2013

05- Bela ideia com humor,impagavel caro Ricardo.Um bom fim de semana pra ti e os teus. Katia Gadelha, Fortaleza-CE – dez2013

06- E tem como não citar Ricardo Kelmer?! E As Aventuras de Diametral e Ninfa Jessi?! Adooooooro! Renata Kelly, Fortaleza-CE – dez2013

07- Grande Ricardo Kelmer já compartilhei e compartilho da idéia também!!!!! Daniel Sucupira Barreto, Fortaleza-CE – dez2013

08- Excelente!!!! Silvana Alves, Fortaleza-CE – dez2013

09- Maravilhoso! Lisa Mary, Fortaleza-CE – dez2013

10- Concordo! compartilho. Andrea Matta, Fortaleza-CE – dez2013

11- Enquanto o povo inventa coisas bobas e estúpidas, vamos nós, fazer algo de útil… Que tal um troca-troca? Na sua estante ou na minha? Renata Kelly, Fortaleza-CE – dez2013

 


Entre rocks e feridos

05/09/2013

05set2013

De repente, caiu a ficha: Putz, vinte anos atrás eu estava no Rock in Rio

EntreRockEFeridos-01

ENTRE ROCKS E FERIDOS

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Dizem que o cara começa a envelhecer no dia em que acorda, se espreguiça diante do espelho e diz, todo satisfeito: Nunca me senti tão jovem! Pois tenho outra teoria. Você começa a ficar velho no dia em que vira objeto de arqueologia jornalística. Para ser exato, quando alguém te liga e diz assim: Oi, Ricardo, nosso jornal está fazendo uma matéria sobre os vinte anos do Rock in Rio e queremos entrevistar os que sobreviveram.

Generosas leitoras, diletos leitores, comunico oficialmente que acabo de ficar velho. Ou, para soar mais heróico, que sou um sobrevivente. De repente, caiu a ficha: Putz, vinte anos atrás eu estava no Rock in Rio! Rio de Janeiro, janeiro de 1985. Eu e meus febris vintanos, minhalma deslumbrada… Lembro como se fosse há duas décadas, eu e Paulo Marcio compramos a camiseta do festival, botamos a mochila nas costas e pegamos o semileito, dois dias e duas noites de estrada sem fim. Cheguei no Rio sem bunda, eu que já não tenho muita. Se fosse hoje, acho que eu surtaria antes de chegar em Minas, mas naqueles dias eu era super-homem, não precisava dormir e tinha fígado blindado. A viagem inteira na manguaça, cada parada uma festa. Até namorada arrumei no ônibus, acredita? A danada era noiva, e no escurinho do último banco me escolheu para sua despedida de solteira, que honra.

Confesso que não lembro muita coisa do festival. Quando penso que hoje as crianças já nascem com quinhentos giga de memória, que inveja. Eu, particularmente, não disponho de mais que um mói de vaga lembrança. Mas vamos lá, queimemos os últimos neurônios… Lembro que no caminho para Jacarepaguá perdi uma lente do meu oclim e tive que encarar o festival cego de um olho. Isso explica metade da minha amnésia. Que mais? Lembro que foi Vinicius de Moraes, falecido anos antes, quem abriu o festival. Não, não tomei um ácido e vi a alma dele no palco. É que Ney Matogrosso fez a abertura cantando Rosa de Hiroxima, letra do poeta.

Que mais? Lembro dos malucos do AC/DC, o new age do B52, a doidinha da Nina Hagen que tinha um leruaite com o, desculpe, Supla… Lembro também do Moraes Moreira, Paralamas… Ué, mas não era festival de rock? Era, né, mas isso é Brasil, minha filha, entenda. Que mais? Lembro de um torpedo desse tamanho que eu fumei e, inexperiente, entrei numa lombra de que todas as cem mil pessoas olhavam para mim com aquelas máscaras das crianças do filme The Wall, pense na paranoia. Apavorado, fui me esconder debaixo da catraca da bilheteria, Paulo Marcio rezando por mim. Acabei na enfermaria, glicose na veia, nunca mais na vida eu fumo maconha. Mas sejamos justos, a culpa não foi da planta, coitada, eu é que antes enxuguei meio litro de Tonel 01. O fato é que eu morri e lá no inferno ninguém me atendeu, todo mundo acompanhando o rock pela TV. Acordei recuperado e saí correndo de volta a tempo de ver o Rod Stewart. Ainda tomei uma cerva para comemorar. Jovem é assim, imortal.

Bem, agora que cumpri com meu dever de alertar a juventude sobre o perigo demoníaco das drogas, do rock’n’roll e das noivas taradas dos semileitos, dá licença que vou tomar um domecq e escutar meu Led Zeppelin. E fazer uma pajelança em honra da minha pessoa, eu, sobrevivente do primeiro Rock in Rio. Não tão imortal quanto naqueles dias, admito. Mas mais jovem que nunca.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

A celebração da putchéuris – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

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01- Se estar velho é ter vivênciado o primeiro Rock in Rio, que dirá ter curtido o Woodstock… Tô fudido. Um abraço primo. Jamiro Dias de Oliveira Junior, Fortaleza-CE – jan2005

02- Caro Ricardo, Foi delicioso ler sua crônica, pena que tenha sido tão curtinha de curtir. Num outro ônibus ia eu com as noivas daquele outro ônibus. E que viagem foi aquela… no ônibus para Jacarepaguá, onde até o cobrador fumava e nem cobrava nada. Na lama da cidade do rock, todo mundo se melando de alguma. Os amigos, as namoradas, as amigas… que viagem. Sucesso, feliz ano novo. E viva o rock’n’roll. Abraço. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – jan2005

03- Oi Ric! Adorei a crônica…espero que estejas bem.Quando vens por aqui? Beijinhos brancos com sabor de PAZ. Viviane Avelar, Sobral-CE – jan2005

04- Oi velhinho, a anestesia de 85 era boa, né? Ainda bem que sim pq agora está difícil, tem que nas escolhas conscientes senão dançamos, não ao maravilhoso som do ROCK en ROLL mas na vida mesmo. Obrigada pelas boas risadas que dei. bj bem graaaaaandão! Dijé, Fortaleza-CE – jan2005

05- rickie boy, é, o peso dos ânus! Eles passam avoando… Lembra o tempo do… como é que chamava mesmo? Legal… O que conta é não perder o rumor, quer dizer, o humor! Abração. Max Krichanã, Fortaleza-CE – jan2005

06- Sensacional, Kelmer! Que inveja… neste tempo eu tava aprendendo a dançar forró numa cidadezinha do interior, tentando conseguir uma primeira namorada, perto dos meus 14 anos. Só assisti o Rock in Rio II que não chegou nem perto do primeiro. Acho que a coisa mais próxima do primeiro deve ter sido Woodstock! Abraço, Parabéns pelas excelentes lembranças. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – jan2005

07- Kelmo, Adorei a sua crônica sobre o Rock in Rio. Eu apesar de ser da sua mesma era geológica sofri muito mais porque morava em Quixeramobim, a muitos e muitos quilômetros de Jacarepaguá. Um grande abraço do seu eterno fã. Tibico Brasil, Fortaleza-CE – jan2005

08- Vc é um Gênio extrmamente criativo. Abrazos. Heloise Riquet, Fortaleza-CE – mar2005

09- Showwww de texto, viajei na história hehehe. Tbem estive no Rock in Rio, o q trouxe várias lembranças. Tem toda razão, quando jovens somos imortais ou ao menos pensamos que somos kkkk. Abner Rios de Alencar, Fortaleza-CE – set2013

10- Galera que vai pro Rock in Rio, se prepara que daqui há vinte anos quero ouvir as histórias! Ricardo Kelmer como sempre formidável! Jessika Thais, Fortaleza-CE – set2013

11- Muito boa, sorri e gargalhei….eu tb. usava oclinho e perdi a lente um dia, fora as lentes de contato perdidas no escurinho dos cinemas e “boites” (alguém sabe o que é/era isso?kkk) Marialucia da Silveira, Campinas-SP – set2013

12- Teu texto é uma viagem Ricardo!! Bjao. Liliana Araujo Moreira, Madri-Espanha, set2013

13- Bem que podia rolar ” Diários de Itapemirim” kkk. Francisco Coelho, Rio de Janeiro-RJ – set2013

14- Acho que vc não envelheceu tanto assim…continua o mesmo garoto com alma de poeta dos velhos tempos do Colégio Cearense. Yvana Oliveira, Fortaleza-CE – set2013


Profissão: sitcomicozinho

25/08/2013

25ago2013

Criatividade, senso de grupo e representatividade de talentos individuais: eis o segredo de uma boa equipe de sitcom

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PROFISSÃO: SITCOMICOZINHO

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Galera, tem um pessoal aí de uma faculdade pesquisando sobre o trabalho de roteirista em equipe. Ah, legal, manda entrar. Oi, prazer, tudo bem? Senta aí. Vocês querem saber como funciona trabalhar em equipe, né? Então vamos lá.

Escrever roteiro de sitcom em equipe requer bem mais que talento criativo. Os integrantes da equipe devem formar um conjunto harmônico e eficiente e, para que isso seja possível, no grupo deve haver diferença de talentos: fulano é melhor criando piadas, sicrano na estrutura, beltrano nos diálogos e por aí vai. Criatividade, senso de grupo e representatividade de talentos individuais, eis o segredo de uma boa equipe de sitcom.

A equipe tem um líder. Sem ele, as ideias soltas do grupo ficam sem foco nem direção. Ele não é necessariamente o mais criativo ou o melhor piadista, mas deve reunir qualidades como liderança, senso de equipe, organização, disciplina, calma e paciência. Ele deve fazer com que todos se sintam inteiramente à vontade para criar e expor. Ele deve escutar todas as ideias e decidir qual é a melhor mas, caso fique em dúvida, todos votam para decidir. O melhor líder é aquele que sabe extrair o melhor de seus companheiros. Numa equipe de sitcom isso é fundamental: se o líder não incentiva ou se desrespeita o processo criativo, a equipe se desmotiva e o trabalho não rende.

Toda história nasce de uma entre as diversas ideias básicas que são apresentadas pelos integrantes da equipe. Os produtores analisam as ideias e selecionam a da vez. A ideia básica escolhida é então detalhada num texto curto, com começo, meio e fim. Após isso, a história é dividida em dois atos e as cenas são especificadas. A etapa seguinte é amplificar cada cena, detalhando as situações, marcando as piadas e citando os diálogos. Com a história finalmente estruturada em todas as suas cenas, monta-se o roteiro propriamente dito, com ações e diálogos especificados, além dos cenários e atores necessários para cada cena, a passagem exata do tempo e as orientações de dia ou noite para o pessoal da iluminação. A equipe de roteiristas tem ainda de fazer uma última leitura em conjunto, onde são corrigidas as falhas que restaram. Esse processo todo costuma acontecer em média em cinco ou seis dias.

A partir daí, entra-se em ritmo de ensaio e gravação. Numa reunião com atores, diretores e roteiristas, o roteiro é lido (cada ator lendo as falas de seu personagem), e então os roteiristas têm uma melhor noção das falas e das piadas, podendo alterar algo. Após as alterações, o roteiro é distribuído para elenco, direção e equipe técnica e começam os ensaios, que podem durar dois ou mais dias e são sempre acompanhados por um roteirista. Há um ensaio geral (o corridão) e depois acontece a gravação. O material é então levado à sala de edição, onde o episódio é montado cena a cena. O produto final de tudo isso é o que espectador vê na tela.

Não basta a história ser boa. É preciso que os atores saibam interpretá-la e que o diretor saiba conduzi-los em cena. É fundamental também o trabalho do pessoal da edição, que monta as cenas no computador, no tempo certo. Além disso há o trabalho de cenógrafos, maquiadores, figurinistas, iluminadores e assistentes e todos os profissionais que não aparecem na tela, mas que são imprescindíveis, desde o pessoal da limpeza e do refeitório até o motorista e o contínuo.

Algumas vezes a história é excelente, mas na gravação ela não é tão bem contada quanto poderia ser. Isso, evidentemente, é uma enorme frustração para os roteiristas. Outras vezes atores e diretores, com seu talento, conseguem transformar uma história, que no papel não era tão boa, em cenas tão divertidas que no fim a história acabou ficando melhor. Pode ocorrer também da edição final conter falhas e comprometer o esforço de roteiristas, diretores e atores. Enfim, são muitos detalhes envolvidos na qualidade do produto final – mas tudo começa na sala dos roteiristas, com uma boa história e com boas piadas.

Criar. Inventar. Puxar da cartola uma boa ideia. O trabalho de um roteirista de sitcom é por ideias para fora de sua mente, uni-las a outras ideias, lapidá-las e encaixá-las num determinado contexto. É uma tarefa cotidiana, que não pode parar, pois o cronograma tem de ser respeitado. Chova ou faça sol, os roteiristas devem ter ótimas ideias sempre, feito uma máquina de churros.

Mas nem sempre você está num bom dia, né? É aqui que entra a equipe. Se tudo dependesse de um roteirista apenas, no dia em que ele tivesse comido um acarajé estragado, as piadas não viriam, a história não andaria. Como são vários roteiristas, um acaba compensando o outro e a média de qualidade do trabalho é mantida. Outra coisa importante é o entrosamento e a confiança, ou seja, a capacidade de seus integrantes de funcionarem como uma equipe esportiva onde um passa a bola para o outro que faz o gol. O importante não é você fazer o gol, mas o gol acontecer. Você faz uma piadinha ruim, assumidamente ridícula, mas ela inspira o colega a fazer outra e você, por sua vez, a aperfeiçoa. O que vale é o produto final.

Se um roteirista se considera mais importante que os demais ou tem dificuldade de abdicar de sua ideia por uma ideia que a maioria considera melhor, não haverá harmonia na equipe e isso pode levar ou à saída do roteirista orgulhoso ou à queda de qualidade dos trabalhos. Trabalhar em equipe não é fácil. Quando os integrantes sabem abdicar de sua autoimportância e se entendem como partes integrantes de um mesmo organismo, pensando sempre em termos de grupo, então as boas ideias sempre vêm e os bons roteiros aparecem.

Pronto? Mais alguma informação? Então tá. Avisa quando for publicado, heim? Valeu. Tchau. Aí, galera, acabou a entrevista, todo mundo voltando ao trabalho, cadê aquela Playboy que eu tava lendo?

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

OS SITCOMICOZINHOS –  Roteiristas da foto, da esquerda para a direita: Ana Paul, Fábio Danesi Rossi, Ricardo Tiezzi, Ricardo Kelmer, Gustavo Melo, Luciana Bezerra e Macarrão (Alexandre Magalhães). Na equipe original constavam ainda os roteiristas Claudio Yosida, Nixxon Alves e Silva, Rinaldo Teixeira, Ricardo Barretto e Nina Crintzs. A equipe foi formada pela produtora americana Picante Pictures em 2003-2004 para a criação e produção de sitcons no Brasil, a partir de sua base no Rio de Janeiro. O sitcom Mano a Mano, criado pela equipe, teve sua primeira temporada de 12 episódios gravada na cidade do Rio de Janeiro e é considerado o primeiro sitcom brasileiro feito no formato tradicional do sitcom americano. Os episódios foram dirigidos por Vicente Barcellos, João Camargo e Estela Renner e exibidos e reprisados em 2005 pela RedeTV.
> Saiba mais sobre o Mano a Mano

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Crônica para cabelos rebeldes

26/07/2013

26jul2013

Então, descobri uma das maiores invenções da humanidade: o creme hidratante sem enxágue

CronicaParaCabelosRebeldes-05

CRÔNICA PARA CABELOS REBELDES

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Olhei no espelho e minha alma roqueira mandou: Deixa o cabelo crescer, maluco! É, pensei eu, por que não? A última vez fora aos vinte anos, tava com saudade de ter cabelão. O espelho, mais sensato, me alertou: Aí em cima já tá faltando telha, cabelo fino e quebradiço, tu vai ser o espantalho que fugiu da roça… Fiz que não ouvi. Então, com vocês, na sessão sem noção, O Quarentão Roqueiro.

No começo, tudo bem. Mas logo o cabelo não parava quieto. Eu passava em frente ao salão e o dilema me roía, corto ou não corto? Em nome do roquenrou, resisti e não cortei. Mas o espantalho fujão comprou um boné. De dia até resolvia, mas… sair de boné à noite? Comprei um preto, que é mais discreto. Depois comprei um com as cores do meu time. No vigésimo boné, quando vi que comprara um repetido, entendi as mulheres viciadas em sapatos.

Descobri o gel fixador. Ufa, meus fios rebeldes enfim se acalmaram. Mas fiquei com uma cara estranha, parecia que tinha levado uma lambida de vaca. Será por isso que as pessoas riam de mim na rua? Aí, no camelô, conheci um gorro simpático, paguei e já sai com ele na cabeça. Na esquina, uma garotinha apontou pra mim: Olha, mãe, o Ziggy do Mundo Bizarro! Desconheço o Ziggy, mas voltei pra casa arrasado. Comprei outro gorro, mas piorou, fiquei o próprio rapper em crise existencial. Então li algo sobre cabelos rebeldes e no dia seguinte, arrá!, o exterminador de cabelos indisciplinados invadiu raivosamente o banheiro, jogou fora o dois-em-um e trocou por um xampu decente e um condicionador. É, mas de dia ainda preciso do boné, e sempre atento pra não cruzar com a garotinha sádica, e à noite o gel – e aquela impressão de escutar um mugido…

Um ano sem cortar, o cabelo no meio do pescoço. Tentei usar liguinha pra prender atrás, mas sobravam fios na frente, não deu certo. Então, descobri uma das maiores invenções da humanidade: o creme hidratante sem enxágue. Fiquei encantado. A vida ganhou novo sentido. Infelizmente, na estreia exagerei na dose e fiquei a semana inteira com cara de quem saiu do banho.

Obsessão capilar: não podia ver uma farmácia que ia lá dar uma olhadinha nos cremes. Um dia, entrei pra perguntar se já tinham inventado calmante pra cabelo e… minha vida mudou. Conheci Geísa, ah, Geísa. Casei com ela? Não, ela era a atendente e se tornou minha conselheira capilar. Me explicou tudo, que eu devia substituir imediatamente o neutrox, usar hidratante com filtro solar, variar o xampu, me apresentou um oleozinho pra passar nas pontas e indicou a promoção do condicionador, paga quatro e leva cinco…

Faz ano e meio desde aquele dia no espelho. O cabelo tá no ombro, já posso montar a banda de rock. E tem todo um ritual: xampu duas vezes, condicionador, hidratante e depois o oleozinho nas pontas. Como é tudo marca boa, agora a grana só dá pra almoçar duas vezes por semana. Virei o Faquir Cabeludo. E não é que ontem uma amiga me recomendou, olha só, uma pomada à base dágua, diz que é uma maravilha pra usar após o oleozinho. Deve ser. Mas custa os olhos da cara. E agora, almoço ou pomadinha? Geísaaaaaaa!

Mulheres, por causa do roquenrou eu hoje entendo vocês. Perdoem todas as vezes que reclamei da demora pra se arrumar, aquele monte de creme na pia do banheiro… Sou um homem mais sábio. Aprendi o que é frizz. E sei que, assim como caneta e isqueiro, liguinha de cabelo também some misteriosamente. Noite dessas sonhei que uma ponta dupla queria me estrangular, olha que horror. Levei o sonho pra Geísa interpretar e ela disse que era hora de aparar o cabelo. Ok, vou aparar. Mas vou logo avisando que eu gosto de rock progressivo, sim, mas escova progressiva, aí já é demais, né?

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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GALERIA DO QUARENTÃO ROQUEIRO

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MemoriasDeUmaJubaRebelde-01Memórias de uma juba rebelde

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CronicaParaCabelosRebeldesElas-03Um brinde a você que aturou minha rebeldia capilar

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RK200704JeriTurma03 Quarentão roqueiro arrumou bico de garçom em Jericoacoara. Flagrante dele xavecando as holandesas.

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CronicaParaCabelosRebeldesRK-02. Quarentão roqueiro fazendo programa pra completar a renda de escritor. A vida não tá fácil pra ninguém.

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.RK200703JuazeiroDoNorte02Quarentão roqueiro aliviando a bexiga após noite de sexo selvagem e drogas pesadas no convento das Irmãzinhas do Santo Prepúcio.

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CronicaParaCabelosRebeldesRK-011- Foto pro concurso de sósia do Fábio Jr.
2- Ziggy, do Mundo Bizarro
3- Garoto-propaganda de cachaça. A vida não tá fácil
4- No meio do mato esperando o papel higiênico

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Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

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A volta da Intocáveis – Oh não! – Um show com os restos mortais da Intocáveis Putz Band

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A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

Galinha ao molho conjugal – Então fizemos uma aposta. Qual dos três conseguiria resistir mais tempo ao casamento?

Confissões de um míope – O míope então restringe suas relações visuais com as pessoas a um raio de dez metros e quem estiver além disso não faz parte de seu mundo. E acaba ganhando uma imerecida fama de boçal

> Postagens no tema “biográfico”

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Quase morro de rir aqui com a briga tua com os cabelos, amei… Impossível compreender a alma feminina sem antes passar por uma experiência como essa. Definitivamente vc já é um PHD no assunto.:P Mas num corta o cabelo não… Eu também posso te dar vários toques. Se bem que já que vc conhece o creme sem inxague, seus problemas já estão praticamente resolvidos. Agora é só ficar aparando as pontas para não ter mais pesadelos, procurar fazer uma hidratação mensal e pelamordedeus exterminar o neutróquis, depois é só soltar a juba ao vento e partir para o roquenrou. Beijos, lindinho. Rafaela Almeida, Fortaleza-CE – jan2006

02- RICARDO TÁ MASSA, MUITO MASSA MESMO!!!! Adorei!!! Olha esse texto tá muito bom…quando eu voltar o traduzirei, adorei mesmo! Isabella Furtado, Modena-Itália – jan2006

03- kkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Hilariante! Lembrei da minha filhinha que passa os mesmo problemas seu. Mostrei a crônica, ela deu muita risada. Só que ela disse o seguinte, shampoo só pode passar uma vez kkkkk!!!! bjs. Marcia Morozoff, Brasília-DF – jan2006

04- (…Foi quando descobri uma das maiores invenções da humanidade: o creme hidratante sem enxágue. Fiquei encantado…) Caraca velho… A crônica sobre o cabelo é a minha cara… Estou entre 2 e 3 anos sem cortar e passei pelo mesmo problema da revolta do FRIZZ e também pela solução do creme!!! Só ainda não cheguei no óleo 😀 Até minha namorada já tá achando bonitinho o danado. O mais engraçado é que ela tem cabelo curto (tempos modernos!). Mas confessa… O pior mesmo é ter que APARAR depois de ter tido tanto cuidado!!! Parece que estão cortanto um pedaço de você! humm… mas pera aí! Eles estão! Abraço. Nigini Abilio Oliveira, Campina Grande-PB – jan2006

05- Kelmer, adorei a crônica para cabelos rebeldes…vc me deu “dicas” ótimas…hehehehehee. Leila Siqueira, Fortaleza-CE – jan2006

06- Crônica para cabelos rebeldes é realmente muito engraçado Meus parabéns pelas idéias brilhantes! Tenha um 2006 cheio de realizações,saúde e muitas idéias Kelméricas! Luciana Lopes, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

07- Qué isso, cara, sai dessa!! Cabelo zuado É O QUE HÁ! Eheheheh! Tá bonito assim! beijos!! Giovanna Milozo, Jaú-SP – jan2006

08- Ricardo querido, prepare-se agora para uma nova saga: o trauma do cabeleireiro caro! Sim, porque depois de tanto sacrifício e conhecimento acumulado, você não vai deixar suas madeixas aos cuidados de um barbeiro de dez real, né?! Acho que você estava se achando muito lindo de cabelão na foto que abre essa seção… tá até com um jeitinho daqueles efebeos efeminados da Roma antiga… sem ofensas! Beijos grandes, Myla, Brasília-DF – jan2006

09- É cara, vc nao é o único quarentão a passar por isso. Sente o meu drama. Separado, doido pra voltar ao mercado, malhando na academia todo dia, 5 e maia da manhã (só dá tempo nessa hora). Imagina o esforço. Deu resultado, saradão, arrumo uma namorada 16 anos mais nova (e ainda psicóloga, te analisa até dormindo). Bom, aí ela vem: amor, vc tem cara de menino, deixa o cabelo crescer, vai… eu acho lindo, que nem piloto de fórmula 1… ai meu Deus, só faltava essa. Bom o que um ego disposto não faz. Aí deixei. Um mês, dois, três, quaaaatro…O cabelo não se entendia mais, ondulado na frente, liso atrás, um horror. E ela achando liiiiindo! Bota um boné, amor! Meu pai puto! Isso não é cabelo de empresário, cadê a credibilidade! 41 anos! Vc vai deixar de fechar negócio por causa desse cabelo! Minhas filhas, então… a mais velha (de 13) disse: pai, vc tá querendo paquerar minhas amigas é? Por que filha? A Diana disse que vc tá um gato! Que absurdo! Bom, foi aí que eu também apelei pros gelzinhos e pro “redutor de volume capilar”. É mole? Até que gostei do resultado. O bicho (o cabelo) até ficou mais comportado (mas cabelo grande não é rebeldia? Rebelde comportado? Ah quarentão indeciso…) Bom, aí veio o golpe fatal. Fui ao lanámento de uma livro de uma tia, num centro cultural aqui em Fortaleza. Muita gente cabeça, intelectuais, umas gatas…(tava de namorada a tiracolo, bem entendido). Aí chega uma amiga (linda) de uma prima e solta essa: Vc é metrossexual? (Pense no sangue esquentando)… Bom, eu disse, o Bilau é grande mas não tem um metro não…Quer saber duma coisa, chega de creminhos, cabelo enorme… Meu barbeiro (bom é cabelereiro mesmo, frescura de macho) tava com uma saudade de mim…Cara, vc voltou? Tem uns seis meses que eu cortei teu cabelo. Era promessa? Tá bom, corta logo essa p…Mas muito curto não! Deixa cobrindo o orelha porque minha gatinha acha que eu fico parecido com piloto de F1! Mas a grana…ainda tá meio longe… Valeu Ricardão! Um abraço com saudade! Sergio Nogueira, Fortaleza-CE – jan2006

10- Muito bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! A crônica do cabelo é ótima!!!!!!!!!!!! Luce Érida Galvão de Sá, Fortaleza-CE – jan2006

11- Oi Ricardo Fiquei totalmente solidária com você, também tenho cabelos finos, rebeldes e quebradiços. Pior que isso, tenho um redemoinho no alto da cabeça, bem no vértice do ângulo de 90%, que forma um aclive súbito, no formato de alça… detona qualquer visual chique. Teve até uma chapinha que já andou surfando nas minhas ondas, domou-as completamente, uma única vez, mas quando olhei no espelho e não vi aquele mar crespo e revolto, morri de tédio e de saudades dos meus cachos cheios de vida e rebeldia. Mas, segundo o último boletim fashion, chapinha é coisa do passado, pelo menos no momento “… os cabelos da estação apresentarão um visual muito mais descontraído e as ondas desalinhadas estarão em alta…” Então, relaxa (não os cabelos), a moda finalmente nos alcançou. Beijos. Marli Myllius, Curitiba-PR – jan2006

12- ricardo, adorei, nunca passei por esse processo não, até por que tenho calvice e os cabelos depois dos 30 sempre curtos, mais o damito deixou os cabelos uma epoca crescer e foi exatamente isso, e depois de curtos nunca mais deixou de usar o tal creme, muito bom. parabens. Glaucia Costa, Fortaleza-CE – jan2006

13- Cara, lí uma crônica tua, mto boa, excelente, vim aki te parabenizar, rolei de rir com a tua briga com os cabelos hauahauhaua, parabéns, vc eh mto bom!!!! Yve Santana do Nascimento, Rio de Janeiro-RJ – jan2006

14- Hummmmmmmmm… agora vc entende as mulheres? o creme para pentear sem enxague é uma maravilha não? 🙂 hihihihhihihihihi Beijos, lindo! Teu cabelo tá gigante! 🙂 Mellina Farias, Campina Grande-PB – jan2006

15- Ô comédia… Meu pai me chamou hj todo preocupado e pediu pra eu explicar umas coisas a ele. Quando eu vejo, uma sacola xeia de tubos de produtos de cabeleireiro e eu explicando como era que usava o creme sem enxágue…hehehhehe Daí nem resisti e botei a ele ler tua crônica e pra variar, adorou:P Rafaela Almeida, Fortaleza-CE – jan2006

16- Há um tempinho conheço seu trabalho e gosto muito do seu jeito de escrever. Por sinal, a sua saga para deixar o cabelo crescer foi demais!!!! Passamos por isso aqui em casa, quando meu marido, analista de uma empresa super careta, resolver dar uma de roqueiro também! Meus filhos e eu quase piramos. Passamos por todas aquelas etapas, como você, porém, com um agravante: ele se recusava a reconhecer os cabelos brancos! Pronto, lá fui eu tentar uma tinta, que não fizesse cair os poucos cabelos que lhe restavam! Fizemos muitas tentativas. Ficou castanho, achou escuro! Daí resolvi apelar para o dourado. Do louro ao louríssimo foi um pulo!!! Hoje, dois anos depois, muitos cremes, reparadores de pontas(o oleozinho), mousses, arquinhos( aqueles diademas fininhos, prá prender o cabelo da franja), liguinhas e toda a parafernália que só a minha menina e eu usávamos, ele resolveu que dá muito trabalho. Resolveu cortar o cabelo. AH! Ele nem briga mais com as minhas idas ao salão de beleza todos os sábados….rsrs Quando ele leu seu texto, quase morreu de rir e disse: “Viu? não sou o único louco no mundo!!!” Vanessa Campos, Uberlândia-MG – mai2006

17- Adorei, mas seus cabelos te conferem muito charme, mesmo ralinhos. Bjo. Christina, Rio de Janeiro-RJ – mai2006

18- Prefiro do jeito que tá agora… Samara Do Vale, Fortaleza-CE – jul2013

19- Kkkkkkkkk Tentei a uns 10 anos atrás também. Mas meus cabelos ficaram mais rebeldes ainda e foram embora… Francisco Junior, Fortaleza-CE – jul2013

20- Meu querido, esse é seu visual hoje? Deixou o cabelo crescer depois de Campina Grande, ou essa foto é antiga? Rógeres Bessoni, Recife-PE – jul2013

21- Amei! Aliás, to rindo muito no seu blog! rs. Isa Suzartt, São Paulo-SP – jul2013

22- Amei! A crônica, o cabelo!!! ahh, me envia o contato da Geisa? hehe. Marisa Vieira, Rio de Janeiro-RJ – jul2013

23- ahahahahahahah ri alto de algumas cenas que te vi. Adorei a leitura! Magna Mastroianni, São Paulo-SP – jul2013

24- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Ana Claudia Domene Ortiz, San Diego-EUA – jul2013

25- Boa! Magna Vanuza Araujo, Boqueirão-PB – jul2013

26- Muito bom RK! Eu lembro desse cabelo numa palestra tua ( talvez não igual a essa foto…. Tinha bem menos ). Fiquei curiosa pra saber quem é Ziggy Kkkkk. Ivonesete Zete Nizete, Fortaleza-CE – jul2013

27- “Sou um homem mais sábio. Aprendi o que é frizz.” KKKKKKKKKKKKKK ADOREI!!! Débora Araújo, Fortaleza-CE – jul2013

28- Mais uma preciosidade! Ana Erika Oliveira Galvao, Fortaleza-CE – jul2013

29- Kkkkkkk… ADOREI!!!!!! Denise Borges, Fortaleza-CE – jul2013

30- Toma jeito Kelmer e compra um pente. Alberto Marsicano Rodrigues, São Paulo-SP – jul2013

31- Curtinho, e “faltando telha” em cima, com pêlos caindo na testa: adoro! Combina mais com seu jeito “escritor quarentão” safado. Samara Do Vale, Fortaleza-CE – jul2013

32- Boa demais! Pedro Machado, Fortaleza-CE – jul2013

33- Ainda bem que passou. Tereza Cristina da Silva, Fortaleza-CE – jul2013

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Resposta dos políticos ao povo brasileiro

23/06/2013

Ricardo Kelmer 2013

Protestar na internet, vá lá, mas na rua atrapalha o trânsito. E estraga o happy hour da gente

RespostaDosPoliticosAoPovoBrasileiro-04.

Amado povo. Nós, políticos brasileiros, fomos surpreendidos pela notícia de que vocês estão protestando nas ruas pelo preço da passagem. Vocês não têm vinte centavos para pegar ônibus? Ora, que comam brioches.

Francamente, estamos muito desapontados. Vocês acham que só vocês sofrem com o transporte? Nós também sofremos com o trânsito dos helicópteros. Mas tudo bem, seremos generosos. Aqui estão os vinte centavos, venham pegar, vinte centavos para todos, viva!!! Como faremos para compensar essa baixa na receita? Não se preocupem. Criaremos o ICRT. Imposto Compensatório sobre a Redução da Tarifa.

Protestar na internet, vá lá, mas na rua atrapalha o trânsito. E estraga o happy hour da gente. Sem falar nos gritos que, além de terem rimas pobres, não nos deixam ouvir a novela. Por esse motivo aprovaremos a lei que torna obrigatório nas passeatas políticas o uso da linguagem de sinais.

Vimos muitos protestos contra nossos salários. Estamos absolutamente perplexos com essa injustiça. Em média, cada um de nós custa todo mês ao país apenas R$ 130 mil, entre salários, salários extras, verbas e gratificações. Isso é menos do que qualquer igrejinha mixuruca fatura numa sessão de descarrego ou de cura gay. E em relação a trabalhar apenas 3 dias por semana, faltar sem ser punido, foro privilegiado, imunidade parlamentar, concessões de rádio e TV, caixa dois na campanha e poder aumentar o próprio salário… Bem, nós seremos muito sinceros: não sabemos como vazaram essas informações. Mas prometemos abrir uma sindicância para averiguar.

Alguns perguntam por que não estamos nas manifestações junto com o povo que tanto amamos. É que ainda não chegamos a um consenso sobre como dividir os cargos entre os partidos, principalmente a tesouraria. Não tem tesouraria? E como vocês faturam nessas passeatas? Quer dizer que ninguém ganha nada? Mas que diabo de movimento é esse? Bem, nesse caso exigiremos uma comissãozinha básica de vinte por cento dos ambulantes que vendem água. E metade ficará com vocês se permitirem as bandeiras dos nossos partidos.

E que mau gosto fazer essas manifestações durante a Copa, heim! O país gasta uma fortuna para construir estádios no padrão Fifa e agora vocês querem gritar do lado de fora? Os turistas vêm nos visitar e em vez de tocar caxirola, vocês os recebem reclamando de hospitais, escolas e corrupção? É muita ingratidão. O que vão dizer de nós no exterior? Estamos seriamente pensando em não passar o próximo fim de semana em Paris, com medo da chacota.

Para finalizar, fazemos um apelo. Nas próximas manifestações exibam cartazes contra essa tal de reforma política. Quem já fez reforma em casa sabe o quanto sobra de lixo. Prometemos que se as coisas continuarem como estão, criaremos mais um feriado para vocês irem curtir a praia. Que tal o dia do político brasileiro? Seria no primeiro de abril. Combinado? Não, não precisa assinar compromisso, nossa palavra basta. Contamos com vocês.

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Ricardo Kelmer 2013 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

AcabouAPaciencia-01> Acabou a paciência – O povo está enfim deixando de ser tão conformista e alcançando um novo nível de conscientização política. É gol do Brasil

> A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

> Pátria amada TerraÉ animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

> A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisõe. Não vimos este ou aquele país: vim o todo

> WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

> Eles estão na fronteiraMilhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

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COMENTÁRIOS
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01- vc é PH! Celia R Domingos, São Paulo-SP – jun2013

02- Nem duvidem que a compensação existirá. Fato. Fataço. Rafa Silva, Campina Grande-PB – jun2013

03- Kkkjk, muito bom! Jana Moraes, Rio de Janeiro-RJ – jun2013

04- Ótimo texto, muito bem bolado. Parabéns! Antonio Carlos da Cruz, Mesquita-RJ – jun2013

05- Olá,Ricardo… Magnífico,brilhante composição.Realmente,é uma excelente retomada ao ano de 1789. Será que vamos aprender ou assimilar os discursos de neutralização da Globo… ab. Fateha Liza, Corumbá-MS – jun2013

06- Muito bom Kelmer! Adooooorei!! 🙂 Bjo. Patrícia Paes, Fortaleza-CE – jun2013

07- Muito inspirado e inspirador, RK. Humor profundo e fino, seja político-filosófico-psicológico-ontológico-ginecológico-andrógino é bárbaro… 🙂 Mas, se é vero o lugar comum, que se ouve por aí, que o governo, os políticos nos refletem como um grande espelho, ainda precisamos – nós, humanos demasiado humanos – ralar e desmembrar muiiiiiiiito, muitão para ver o nossos reflexo diferente do que hoje vemos refletido. Patrícia Lobo, Salvador-BA – jun2013

08- …meu voto é seu!!kkkkk..muito bom.. Katia Knox, São José dos Campos – jun2013


Espirros e roteiros

14/06/2013

14jun2013

Se antes eu tinha insônia por me preocupar demais em descobrir o que precisava fazer, hoje me delicio em abrir a janela dos quartos dos hotéis, molhar a ponta do dedo e botar no vento

EspirrosERoteiros-02

ESPIRROS E ROTEIROS

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Foi minha saudosa avó Waltrudes, muito católica, quem me ensinou a, depois de espirrar, dizer sempre “Ave Maria”. E se espirrasse três vezes seguidas? Ave Maria, Ave Maria, Ave Maria. Foi com essa simpática mandinga que, durante a infância, eu pedia boa saúde. Tempos depois, achei que era hora de trocar de mandinga. Agradeci à Virgem os serviços prestados e adotei um verso de Manuel Bandeira que, por aqueles dias, virou meu lema de vida. Assim, depois do espirro, passei a proclamar, solene: “Vou-me embora pra Pasárgada”. Ah, ser amigo do rei e ter as mulheres que quiser na cama que escolher… Poesia, prazeres e paixões. Saúde é isso aí!

O rei era gente boa e nossa amizade durou alguns anos. Até o momento em que o taoísmo me abriu os olhos para a necessidade de ser mais fluido com a vida, captar seus ciclos e me harmonizar com seu ritmo. Então adaptei a mandinga à ideologia taoísta: “Vou-me embora pra onde tiver de ir”. Uma frase bem simples, mas que a partir daí nortearia minha vida, sempre me lembrando que é preciso confiar e estar inteiramente disponível para a vida a cada momento.

Corta para 2004. Lá estou eu largadão em casa, fazendo as contas da classificação do time, quando recebo um convite inesperado: escrever roteiros de TV para uma produtora americana. Precisava apenas tomar o avião no dia seguinte e passar uns tempos na cidade do Rio de Janeiro, onde havia morado dez anos antes. O Rio da violência, da guerra de traficantes, daquele casal de desgovernadores… Mas não precisei pensar muito, nem espirrar, para perceber que sim, devia aceitar o desafio.

Então cá estou no Rio de Janeiro, hospedado num hotel em Copacabana. Hoje é sábado de aleluia. Daqui da janela do quarto observo o trânsito nas ruas e lembro que combinara de ir ver um velho amigo que mora em São Conrado. Acontece que o acesso ao bairro passa pela Rocinha. Alguma daquelas balas do tiroteio entre policiais e traficantes pode ter o meu nome, sei lá, nunca se sábado o que pode acontecer.

Decidi ficar no hotel. Refém da guerra do tráfico, quem diria. Vendo TV e enchendo o cinzeiro de meleca. Mas não posso reclamar. Muito pior é a situação dos moradores da Rocinha que têm suas casas invadidas por bandidos e policiais indelicados e morrem de bala perdida na sexta-feira santa simplesmente porque escolheram a hora errada de devolver a fita na locadora. Isso sim ninguém merece. Tem mais: você segue em seu carro pela avenida e, de repente, um bando de homens armados surge na pista, aí instintivamente você pisa no acelerador e por conta disso morre metralhado no volante. Os assassinos planejavam roubar carros para com eles invadir a favela, destronar o chefe do tráfico e assumir o controle dos pontos de venda. De posse desses pontos, lucrariam mais e teriam mais poder para subornar policiais, políticos e juízes. Daria um bom roteiro para Por um Punhado de Pó, né? Ou Infiltração Máxima. Mas infelizmente esse é o roteiro da vida real da cidade maravilhosa.

Minha mãe liga, preocupada com as notícias. Lamenta a hora infeliz que escolhi para morar no Rio de Janeiro. Fazer o quê, mãe, sou apenas um operário de meu próprio destino. E estou sempre aprendendo que os interesses imediatistas do ego nem sempre constroem os melhores caminhos. Por isso é que abdiquei do controle racional sobre a vida, permitindo que o próprio caminho se manifeste. É um estilo arriscado de viver, eu sei, parece não oferecer nenhuma segurança. No entanto, é assim, me dispondo para a vida, que sinto a vida mais presente, ela e seus desígnios misteriosos e sábios, e o que ela traz é tudo o que eu preciso. Se antes eu tinha insônia por me preocupar demais em descobrir o que precisava fazer, hoje me delicio em abrir a janela dos quartos dos hotéis, molhar a ponta do dedo e por no vento.

É preciso estar no mundo, mãe, ainda que ele seja um lugar violento e só haja incertezas em suas estradas. O mundo é o que ele é, bom ou ruim, e é assim que sempre foi e será. Esconder-se das dores e dos perigos do mundo é se esconder da própria vida. Pasárgada é o melhor lugar que existe, mas melhor ainda é viver no lugar onde a gente deve estar. Melhor é confiar nos ventos do próprio destino e entrar em tal harmonia com eles que o roteiro que os ventos traçarem será sempre o mesmo que você precisa – justamente porque você não deseja nada, a não ser, é claro, ir para onde tiver de ir. Atchim!

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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Ser mulher não é pra qualquer um – É dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

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Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

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