Farra no Cabaré Alheio 2008set

31/10/2008

31out2008

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Farra no Cabaré Alheio

19set2008
Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Marquinhos, Guga de Castro e RKBaré

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Esta festa é a união de duas festas de sucesso em Fortaleza: O Cabaré Soçaite e a Farra na Casa Alheia.

O Cabaré Soçaite (veja fotos e vídeos das edições) foi criado por mim em 2003, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. É uma festa temática cabaret com elementos de programa de auditório, que celebra a sensualidade e o erotismo num delicioso clima Moulin Rouge, sempre de maneira artística e divertida. A primeira edição da festa foi na boate do hotel Vila Galé (Praia do Futuro), em nov2003, com show do cantor Rossé Sabadia e coprodução de Cristina Cabral. A segunda edição aconteceu em mar2008, no Buoni Amici´s, com coprodução de Franciscus Galba.

A Farra na Casa Alheia integra a programação fixa do Amici´s desde 2003, sempre às sextas-feiras. Os DJs Marquinhos e Guga de Castro comandam o som e a produção é de Franciscus Galba. A música brasileira, em toda sua diversidade, é o mote da festa: samba, samba-rock, funk, soul e black-music compõem o cardápio musical. A própria longevidade da Farra (5 anos) por si só é um atestado da qualidade e do sucesso do evento.

Farra no Cabaré Alheio é a mistura das duas festas, mantendo os DJs da Farra e acrescentando o DJ RKBaré. A proposta é unir o melhor das duas propostas, alegria com sensualidade, música brasileira e internacional, música pra dançar e sofazinho pra namorar, oferecendo assim um suprassumo de dois grandes sucessos da noite da cidade.

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clique nas fotos para ampliar

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Obrigado do tio

22/10/2008

22out2008

Este espaço é pequeno, mas ele representa minha gratidão a todos que lembraram de meu aniversário (21out), me ligaram, imeiaram, postaram recadinhos, me enviaram pela estrada da distância sua amizade, seu amor e seu carinho. Como não posso responder a cada um individualmente, faço dos meus braços um imenso laço e assim envolvo a todos num amasso bem gostoooooso.

Adentrei o 45o. ano de minha vida. De tio eu sou chamado faz muito tempo, já me acostumei. Até de Tio Sukita já me chamaram, é mole? Tio Sukita é foda. Eu preferiria Tio Jack Daniel´s.

Barzinho lotado, banda de blues tocando. Ninfa Jessi foi ao banheiro, mas volta já, ela gosta de me deixar sozinho só pra ver o que acontece. Ninfa Jessi não presta. E eu amo essa liberdade que reluz em seu amor por mim. Então me encosto no balcão e peço uma cerveja. Uma ninfeta simpática e jeitosinha se aproxima.

 Iaí, Tio Sukita… Me paga uma cerveja?

Não me chame de Tio Sukita e eu prometo que penso no assunto.

Eheheh. Me paga uma cerveja, tio?

Vem cá, precisa mesmo me chamar de tio?

Claro, você deve ter o dobro da minha idade. E mais uns quebrados.

E nem por isso eu te chamo de sobrinha.

Vai pagar ou não vai?

E ainda é abusada.

Difícil o tio, heim! Acho que tu não tem mais idade de ficar botando banca não…

E eu acho que você devia pegar o beco. Minha namorada tá chegando.

Por quê? Ela é ciumenta?

Não. É ninfomaníaca. E vai te chamar pra gente ir prum motel. Ela adora sexo a três com ninfetinhas desconhecidas no meio da noite.

Caraca! Tchau.

Quem era aquela, gatão?

Outra ninfeta interesseira que adora beber às custas dos tios nas festas.

O que você disse pra ela?

Mandei a tática 2. Ela se assustou e caiu fora.

Que pena…

Ninfa Jessi não presta.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada.

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz.

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundoO sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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LEIA NESTE BLOG

Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres

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DICA DE LIVRO

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor, submissão e salvação pelo sexo anal

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CABARÉ SOÇAITE

Cabaré Soçaite – Uma festa de sensualidade – Se você tem medo do desejo feminino, é melhor não ir…

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O menino e o feminino misterioso

20/10/2008

20out2008

Esse instante numinoso em que o feminino sagrado mostrou-se para mim, sob a meia-luz de seu imenso mistério

OMeninoEOFemininoMisterioso-07

O MENINO E O FEMININO MISTERIOSO

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Não sei dizer quando o mistério do Feminino me atingiu pela primeira vez na vida. Talvez na adolescência, quando vi, pela janelinha do banheiro, num misto de fascínio e assombro, as amigas de minha irmã trocando de roupa, e seus movimentos de se olhar no espelho, virando de um lado e virando do outro, me deixaram a certeza que, sim, as mulheres estão sempre a dançar naturalmente uma linda música que não se ouve, é um mistério.

Não, não. Certamente foi bem antes. Talvez quando me apaixonei por minha professora da alfabetização, que saudade da professoriiiinhaaaaa, eu menino véi amarelo do buchão, ficava olhando para ela e me esquecia da aula, admirando seu jeitinho de ajeitar o cabelo enquanto nos ensinava o beabá. Quase reprovado na alfabetização, que belo início para um escritor. Depois, vieram outras professoras apaixonantes e eu demoraria muito até entender que as mulheres estão sempre a me ensinar, mas eu só aprendo mesmo se elas na hora não ajeitam o cabelo, senão eu confundo tudo. É um mistério.

Não, não, já sei. Foi bem mais cedo. Na verdade, o feminino misterioso me foi revelado ainda no útero de minha mãe. Foi naquele momento mágico em que o óvulo materno recebeu o zoide paterno e então, pufff, nesse exatíssimo instante, o que a partir de então seria eu passou de repente a existir, uma infinitesimal fagulha zigótica de autoconsciência que, uma vez existindo, automaticamente percebeu-se imerso num organismo vivo e foi logo se animando: “Hummm, será que a dona desse organismo não tem umas amigas…?”

A suposição é absurda, claro, um zigoto taradão querendo conhecer as amigas da mãe. Vai ser precoce assim lá no líquido amniótico! Mas consideremos que haja, sim, algum momento na vida em que sejamos tocados pela primeira vez pela noção do feminino misterioso. E que pudéssemos lembrar desse instante, o que sentimos, pensamos, intuímos…

Eu adoraria localizar esse momento de alumbramento em minha vida, feito um arqueólogo da própria psique, e fazer dele a capa de meu livro Vocês Terráqueas. Meus leitores olhariam a capa e veriam a fotografia psíquica desse instante numinoso em que o feminino sagrado mostrou-se para mim, sob a meia-luz de seu imenso mistério. Mas não sei onde ele está, em que ponto exato se deu. Assim sendo, na falta da imagem primeva, a capa de meu livro exibe a imagem de uma mulher, seu rosto banhado pela luz suave da Lua crescente, o beijo lunar acariciando sua pele. Ela e a Lua, o eterno feminino que se revela e se esconde, e reaparece e resplandece, e obscurece novamente, a Sofia que brinca de ensinar a se perder, a Prostituta Sagrada que abençoa, a Santa que faz amor com tudo que há.

As histórias desse livro, no fundo elas não passam disso: tentativas de resgatar a magia desse momento irresgatável. São isso, meros fragmentos desajeitadamente recompostos do instante essencial. Ecos de um encontro sublime que se renova a cada dia, quando a plenitude do feminino misterioso ressurge em minha janela e me deixa assim, sem entender nada da Lua – mas sempre uivando para ela.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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> Mais textos sobre o Feminino Sagrado

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vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino

Com que propriedade um homem pode falar sobre o universo feminino? Neste livro RK ousou fazer isso, reunindo 36 contos e crônicas escritos entre 1989 e 2007, selecionados em suas colunas de sites e jornais, além dos textos inéditos. Com humor e erotismo, eles celebram a Mulher em suas diversas e irresistíveis encarnações. Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido. Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

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LIVROS SOBRE O FEMININO SAGRADO

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

O Feminino e o Sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres, pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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01- Ah! Kelmer!! Vocês terráqueas foi nosso primeiro flerte! Eu eu nem te conhecia obrigada por trazer um texto de lá!! Beijos saudosos. Sandra Regina, São Paulo-SP – mar2016

02- Amei texto Ricardo Kelmer! Oseneide Alves, Fortaleza-CE – mar2016

03- É sempre bom reler. Grande Ricardo!!! Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – mar2016

04- ♥ Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – mar2016

05- Beleza Kelmer. Iris Medeiros, Campina Grande-PB – mar2016

06- ♥ Erika Menezes, Fortaleza-CE – mar2016

07- obrigada! Renata Regina, São Paulo-SP – mar2016

08- Obrigado meu querido!!! Thaís Guida, Rio das Ostras-RJ – mar2016

09- Kelmer você é um lindo! Muito obrigada! Ana Lucia Castelo, Newark-EUA – mar2016

10- “A plenitude do feminino”. Saudades de ti,amigo Ricardo Kelmer!!! Muito obrigada!!! Beijos meus!!! Rochelle Melo, Campina Grande-PB – mar2016

11- Beeeijos “Mizi” RK. Tu é um bicho lindo amado e querido. Tu sabe que eu rio igual mesmo relendo essas histórias. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – mar2016

12- O amigo e escritor que sempre admirei, desde uns anos atrás em um tempo que, juntos, lutávamos para fazer ” as coisas acontecerem”… Minha eterna admiração por você, meu amigo! Vânia Vieira, Fortaleza-CE – mar2016

13- Pra quem quer ler sobre a alma feminina, escrito por uma alma masculina, recomendo qualquer coisa escrita por Ricardo Kelmer. E em particular a crônica abaixo. Jayme Akstein, Sidney-Austrália – mar2016

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Protegido: A Jurema e as portas da percepção (VIP)

12/08/2008

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Minha noite com a Jurema

12/08/2008

12ago2008

Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

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MINHA NOITE COM A JUREMA

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Em 1999, participei de um ritual no Santo Daime, com a Ayahuasca. Foi uma experiência intensa e reveladora ‒ mas extremamente difícil, que me exigiu muito esforço físico e mental por horas. Dia seguinte, ainda assustado, estava convicto que jamais me meteria com isso novamente, que o melhor era manter meu interesse por estados especiais de consciência apenas nos livros e filmes.

Porém, mudei de opinião após refletir bastante sobre tudo que me ocorrera. Entendi que esse tipo de experiência podia, de fato, me ajudar a entender melhor a vida e a mim mesmo. Concluí que alguns fatores me impediram de usufruir melhor a oportunidade, como o orgulho, as regras e filosofia da seita e o medo de perder o controle. Eu precisava de outra chance. Estava disposto a tomar novamente o chá e empreender nova viagem ao interior de mim mesmo. No entanto, só tentaria novamente se fosse fora do ambiente das seitas.

A chance chegou no ano seguinte com o convite de uma amiga antropóloga para participar de um ritual xamânico com o chá de Jurema, outra planta psicoativa, que cresce no semiárido nordestino. O ritual ocorreria na casa de um seu amigo, também antropólogo, e seria algo mais descontraído e desvinculado dos dogmas religiosos que costumam compor as seitas que utilizam chás de plantas de poder.

Nessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas. Sim, sei perfeitamente que afirmar isso soa como atentado à racionalidade. Mas não me importo. Aprendi definitivamente nessa noite que o que chamamos razão é apenas uma das ferramentas humanas para apreender a realidade e que deve ser descartada em certas situações onde precisamos ampliar a percepção da vida. Se nessa noite eu insistisse para que meu lado racional se mantivesse no controle, repetiria o mesmo erro da experiência anterior, com a Ayahuasca, quando usei a orgulhosa racionalidade durante horas, num esforço ingênuo, inútil e doloroso tão somente para barrar o curso natural da experiência. A racionalidade é vital para a vida, sim, mas infelizmente ela se convenceu que a realidade deve ter seu exclusivo carimbo para poder existir.

Nessa noite de 2000, uma hora após ingerido o chá de Jurema, eu estava deitado tranquilo e confortável no sofá da sala e experimentava um intenso fluxo de ideias que se sucediam sem que eu tivesse total controle sobre elas. Foi aí que senti uma forte presença e entendi que se tratava da própria planta, ou melhor, o espírito da planta. Evitando racionalizar sobre o que me ocorria, logo percebi que deveria deixar que a própria Jurema me conduzisse pela experiência, e isso significava confiar inteiramente no fluxo natural das ideias e sensações, abdicando de qualquer controle racional sobre elas. Então fechei os olhos e soltei-me das últimas resistências. Mesmo ainda um pouco temeroso, depositei toda minha confiança na estranha força feminina que se apresentava e que em seguida, como se apenas esperasse minha concordância, passou a me conduzir pelas mais diversas ideias, sensações, sentimentos e revelações.

Mal a Jurema se manifestou, fui tomado de um imenso respeito por ela, uma reverência que jamais sentira em minha vida. Entendi logo que ela era sábia e poderosa, além de muito, muito antiga. E era bastante amorosa, sem deixar de ser dura se necessário. Ela não falava, pelo menos não como entendemos o “falar”, mas eu me sentia inteiramente envolto pela grandiosidade de sua presença como, imagino, um peixe “sente” o mar, e era através desse sentir que se processava a comunicação. Eu me sentia protegido e muitíssimo grato por ser tocado por sua imensa sabedoria e generosidade. Se abria os olhos, essa comunicação perdia a força em meio às tantas informações do ambiente ‒ por esse motivo mantinha-os fechados e bastava isso para me sentir novamente amado, compreendido e protegido pela espírito da Jurema.

MinhaNoiteComAJurema-1Durante as quatro horas seguintes o espírito da planta esteve bem presente, me conduzindo, com firmeza mas amigavelmente, por um corredor cheio de portas. A cada porta que se abria eu me deparava com uma nova experiência interior, vivenciando sensações, ideias, sentimentos e revelações importantes sobre minha vida, meus relacionamentos e meu trabalho. Houve momentos de alegria e êxtase, mas também momentos de tensão em que me vi forçado a repensar questões delicadas de minha personalidade. Houve também um momento em que me deparei com uma porta fechada e fui tomado de um terror nunca antes sentido. Eu não sabia o que me esperava além da porta, mas sabia que era algo terrível. Então, tremendo de pavor, implorei à planta para me dispensar daquela experiência, fosse qual fosse. Para meu imenso alívio, ela me atendeu.

A Jurema mostrou-me também a urgente necessidade de respeitarmos o planeta e de cuidarmos dele, e nesses momentos o espírito da Jurema era o próprio espírito da Terra. Em vários momentos me emocionei e chorei baixinho. Sem dúvida, foi a experiência mais intensa e mais incrível que vivi em minha vida.

Pela manhã não consegui dormir, ainda eufórico. Sentia-me renascido, mais vivo e disposto do que jamais fui, maravilhosamente bem. Era como despertar de um longo sono.

A experiência dessa noite me transformou em outra pessoa. O senso de estar atavicamente ligado à Terra trouxe-me uma notável segurança e tornou-me mais confiante e tranquilo, ciente de minhas origens e de meu papel no mundo. Minha vida ganhou um novo sentido. É difícil explicar, mas algo deslocou-se dentro de mim, mudando para sempre minha noção de quem sou eu, minha relação com o mundo e também minha noção do que é este planeta. Entendi que tudo tem uma espécie de consciência e que é possível se comunicar com animais, plantas e minerais e aprender com eles. Como, porém, esta comunicação não se processa no nível da racionalidade, é muito difícil para o intelecto aceitar tal fato, preferindo tratá-lo com desdém e descartá-lo como fantasia ou patologia.

Mas para mim não há dúvidas. Nessa noite abri minha alma para a sabedoria da Jurema e, através da planta, reconectei-me à minha verdadeira origem, à força sagrada que me gerou e que me nutre dia após dia: a Terra. Senti a imensidão de seu amor e me surpreendi por ter vivido tanto tempo sem senti-lo. Em termos junguianos, posso dizer que vivi uma profunda experiência com o arquétipo da Mãe Terra, sendo envolvido por sua imensa força e vivenciando-o em ambas as polaridades, positiva e negativa, êxtase e terror. Porém, gosto de entender a coisa assim: vivi um íntimo encontro com o espírito da Terra, essa mãe generosa e compreensiva que ama a todos os filhos, mesmo que eles tenham esquecido de onde vieram e o que devem fazer. Mas ela alerta: o preço que o filho pode ter de pagar por esse esquecimento é a sua própria destruição.

Os antigos já sabiam e os cientistas de hoje já reúnem provas: a Terra é um imenso organismo vivo. Além disso, é dotada de um tipo de autoconsciência que ainda não entendemos bem, dona de um avançado senso de autorregulação bioquímica e capaz de se comunicar perfeitamente com tudo que nela existe, inclusive os seres humanos. Animais, vegetais e minerais, tudo que há na Terra são como células de um corpo que precisam estar em harmonia para que o todo funcione bem. Infelizmente, as células chamadas humanos cortaram a ligação com sua origem e se desconectaram do todo, passando a se entender como algo separado, e isso tem causado sérios problemas ao organismo inteiro.

Plantas mestras como a Jurema e a Ayahuasca têm o poder de despertar as pessoas. Mas entendo o medo que a maioria tem de largar sua racionalidade e saltar no escuro de suas próprias possibilidades psíquicas. Entendo também o pavor que as religiões cristãs têm da Natureza, sempre demonizando-a. No fundo, é o velho medo de ser livre. Porém, já que isso ocorre, seria maravilhoso se ao menos educássemos nossos filhos no respeito sagrado à Natureza e eles entendessem que a Terra é nossa casa. Ensinar isso já seria uma forma de lhes deixar um mundo muito melhor.

 

(leia o relato completo)
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Ricardo Kelmer 2001 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

A Jurema e as portas da percepção (VIP)
Relato detalhado da experiência narrada em Minha Noite com a Jurema. Exclusivo para Leitor Vip. Para ler, basta digitar a senha do ano da postagem.

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LEIA NESTE BLOG

Xamanismo de vida fácil – A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos

Rio Droga de Janeiro – Série de três artigos sobre a questão da proibição das drogas

A vida na encruzilhada (filme: O Elo Perdido) – Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos

O trem não espera quem viaja demais – Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior

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DICA DE FILME

Carlos Castaneda (vídeo) – Especial da BBC sobre o polêmico antropólogo que estudou o xamanismo no México, escreveu vários livros e tornou-se um fenômeno do movimento Nova Era

O Elo Perdido (Missing Link, 1988)
Homem-macaco tem sua família dizimada por espécie mais evoluída e vaga sozinho pelo planeta, conhecendo e encantando-se com a Natureza. Ao comer de uma planta, tem estranha experiência que o faz compreender o que aconteceu. Roteiro e direção: Carol Hughes e David Hughes. Com Peter Elliott.

O ELO PERDIDO
Trêiler em português

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PLANTAS PSICOATIVAS E DEPENDÊNCIA QUÍMICA

São poucos, mas já há estudos científicos sobre o uso de plantas psicoativas no tratamento da dependência química, como o alcoolismo. A experiência com a planta levaria o indivíduo, por meio de experiências interiores, a alcançar níveis profundos de autopercepção para, desse modo, conseguir livrar-se do vício. É comum que alguns desses tratamentos estejam diretamente associados à religião, como, por exemplo, em comunidades do Santo Daime. Por minhas experiências com a Ayahuasca e a Jurema, sei que esse tipo de tratamento é possível, e pode ser bastante eficaz, e torço para que num breve futuro ele esteja ao alcance de todos os que sofrem de dependência química ou outros vícios. Porém, espero que o tratamento possa ser feito também fora de qualquer contexto religioso, pois nem todos sentem-se à vontade com esta associação. (RK)

Dicas de leitura sobre este tema:

No AC, usuários de droga tomam chá de ayahuasca e dizem se livrar do vício – Matéria do G1, com fotos e vídeos

Considerações sobre o tratamento da dependência por meio da ayahuasca – Texto de Beatriz Labate, Doutora em Antropologia Social pela Unicamp e Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos-NEIP

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DICA DE LIVRO

BaseadoNissoCapaMiragem-01aBaseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha
Ricardo Kelmer

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… O autor reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado.

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01- sobre Minha Noite com a Jurema, a riqueza e o cuidado nos detalhes do ambientes e sentimentos, me fez sentir tudo que você viveu…achei demais… Teca Baima, Fortaleza-CE – mar2005

02- Adorei, muito, mas muito interessante essa sua experiência com a planta Jurema. Acredito bastante nesse tipo de experiência de encontro consigo mesmo e acho extremamente importante e válido, principalmente não sendo esse encontro ligado a nenhuma seita religiosa, por ele ser somente entre vc e a natureza… um dia será a minha vez… Daniela Cecchi, Rio de Janeiro-RJ – jun2005

03- Nem imagina como foi importante para mim ler sua experiência c Jurema. Desde 1ª dia q frequentei santo daime aqui em portugal q senti e “vi” que deveria estar incluída num ritual diferente em que, tal como você, poderia aproveirtar melhor a experiência. Infelizmente aqui em Portugal não é possível. Tudo que existe acaba por não ser uma variante do Daime onde os comandantes se conhecem. E se eu fosse a falar dos preços que praticam aqui, entao, vc ficaria abismado. Tenho uma pós-graduação (sou antropóloga) para finalizar sobre o assunto e por falta de apoio e oportunidade de recorrer a outras experiências não me é possível fazê-lo. Obrigada por seu texto. Anabela, Portugal – jul2006

04- Olá! estive lendo seus trabalhos e adorei! e sobre a experiência com a Jurema.. sabe me informar como é feito o chá e em que dosagem? sabe de algum site que explica isso ? ou tem algum contato que possa me ajudar? desde já muito grato! abraços e parabéns pela iniciativa. Felipe, Rio de Janeiro-RJ – dez2006

05- Gostei do seu relato sobre a Jurema. Engraçado. Talvez meio cósmico. Justamente há algumas semanas tive duas experiências com a Jurema e coincidentemente ao navegar em seu site dei de cara com esse texto. Vou relatar meu lance com a Jurema. As duas experiências tiveram intuitos opostos. Em uma, quis algo mais espiritualizado, por assim dizer. Na outra, química pura. A primeira foi fantástica. A segunda, bad trip. Talvez pelo fato de eu ter encarado a segunda tentativa sem o respeito inerente à sagrada planta. Eu deveria ter feito o contrário, ou melhor, nem deveria ter feito a segunda. O primeiro contato foi brando, poucas visões e muito tato. Senti uma ampliação incomensurável do toque. Ao me tocar, sentia toda minha essência e significado, chegando ao ponto de suscitar em saber minha existência nessa Terra maravilhosa. Sem pretensão alguma, senti o quanto eu era importante, especialmente para mim mesmo. Nem parei muito para pensar sobre ego, mas acho que tal experiência tocou nevralgicamente nele.

Na segunda experiência, apenas dei enfoque ao lado químico da planta. Pretendi sentir as moléculas de DMT me invadindo e apoveitar o que isso me traria. Foi péssimo. A onda veio muito turbulenta. Tive várias visões alucinadas. Exemplo, a parede do meu quarto que é branca ficou completamente dourada, e um relógio que fica nela sobressaiu-se, tornando se fluorescente, quase que saltando dela. Um prédio vizinho de fundos transformou-se num daqueles monumentos da Ilha de Páscoa e aproximou-se da minha janela a ponto de espiar para ver o que estava acontecendo comigo. Noutras horas o prédio se afastava e eu o via distante como um farol de navegação. O “som” do silêncio chegava a incomodar. Parecia o Ohm, ecoando fundo e intermitente. O mal estar físico foi grande. Muita náusea. Uma sensação de estar bêbado com cachaça. Daqueles porres que você quer “sarar” e não consegue. Durante toda viagem tive consciência do meu estado e procurava me acalmar para que a pira passasse logo. Demorou umas cinco horas. Quando acabou, contabilizei o lado bom da coisa e concluí que a Jurema deve ser encarada com propósitos mais elevados. Ricardo Rodriguez, São Bernardo do Campo-SP – jan/2007

06- olá!!! Kelmer sou uma leitora sua de Fortaleza e tb estudante de Jornalismo “ tô na luta´´´ já estive em umas de suas palestras q por sinal, me fez refletir muito sobre a vida sua palestra era uma reflexão sobre o filme Dom Juan com uma visão dos vários eu dentro de nós mesmo .enfim… pra mim foi em um momento de bloqueios q vida nos cria e q me ajudou muito ………Mas essa agora sobre uma noite com Jurema….rsrsrs cara vc é muito bom no escreve isso é muito louco !!!!!!!!!! mas como ñ ter sentido. Essa porra de racionalidade q muitas vezes nos impedi de viver e fazer algo ..sei lá tb pq tô te escrevendo isso….. Mas sucesso!!!!!!! Waleska Thompson, Fortaleza-CE – jun2007

07- Olha, hj li um texto seu sobre a sua experiência com a Jurema e, nossa, me tocou completamente! Como vc adentrou na essência da experiência…Parabéns pelo respeito e pela vivência que, imagino, tenha sido muito válida p ti… Estamos nos preparando para comungar com ela no próximo sábado…Apareça!!!rsrsrsrs!!! Rerlyn, Garanhus-PE – jan2009

08- Conheci o site procurando sobre autoconhecimento. Li um texto intitulado “Minha noite com Jurema”. Achei louco… bacana… Vou continuar visitando sempre o site!! Jana, Belo Horizonte-MG – mar2010

09- Maravilhoso o seu texto, as plantas mestras são como mães, duras quando preciso, mas sempre acolhedoras…eu nunca tomei Jurema, mas já tomei várias vezes a ayhuasca, e entendo perfeitamente o que escreveu, em uma experiência dessa a entrega é primordial, mas se entregar deve ser um dos atos mais difíceis do ser humano, na minha opinião….linda experiência sua, me emocionei lendo, porque me enxerguei também nela, gratidão por partilhar…tenho muitos relatos de quem já tomou a ayhuasca, que um dia quero transformar em um livro, é gostoso de ler e ver que as pessoas também sentem o que a gente sente…Obrigada… Silmara Oliveira, São Paulo-SP – ago2011

10- A razão não passa de uma porta trancada… O seres humanos são corpos estranhos no organismo Terra… Humm, gostei desse texto! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – jan2012

11- Vesti a carapuça com seu relato, e concordo que a mente/razão pode ser uma grande traíra quando buscamos um caminho de ampliação de consciência da realidade, mesmo sem o auxílio de plantas de poder (na meditação, por exemplo)…E como disse a Maria, esse assunto dá muuuito pano pra manga, afff…. Sheila Bombonato, Fortaleza-CE – jan2012

12- Huasca.. Huasca.. tenho vivências com essa belezinha. Quando desocupar aqui eu conto 🙂 Nathalie Sterblitch, Resende-RJ – jan2012

13- Estive no Céu do Mapiá, o centro do Santo Daime no Rio de Janeiro por duas vezes. Cantei, rezei, dancei e tomei o chá a noite toda em intervalos de duas horas e a rigor não senti muita diferença. Só um leve torpor. Em alguns amigos a coisa funcionou… Fernando Veras, Camocim-CE – jan2012

14- Li seu texto e me recordei de uma experiência similar que tive em 1988 com uma amiga que dividia uma kitnet comigo em Ribeirão Preto, foi muito parecido com seu relato, inclusive revivi a experiência, como se o tempo que passou não existisse mais e eu ainda pudesse sentir as sensações que ficaram tão marcadas naqueles dias, tudo muitíssimo parecido, apenas a droga foi outra e a experiência foi em dupla e durou quase uma semana, pois nos empolgamos, conseguimos sentir juntas tudo que vc sentiu e ainda telepatizamos nossas impressões e trocamos muitas sensações indescritíveis e inesquecíveis, as impressões que isso deixou em mim foram tão profundas que mudaram o curso da minha vida e todas as pessoas com quem falei sobre isso até hoje deboxaram de mim, mas eu tenho plena certeza que foi transcendental e único, meio surreal, pois essa amiga não tinha tanta afinidade comigo, mas conseguimos juntas um canal de sintonia fora do normal e vivemos muitas sensações além juntas. Cibele Baptista, Barretos-SP – jan2012


Um ano na seca

11/08/2008

O que pode acontecer a um homem após um ano sem sexo?

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Esta série foi publicada originalmente em capítulos semanais no antigo blog Kelmer Para Mulheres. Aqui você pode lê-la na íntegra, com os comentários.

Em 2008 Ricardo Kelmer publicou em seu blog, em capítulos semanais, a série Um Ano na Seca, um relato verídico de sua tragicômica experiência de abstinente sexual no Rio de Janeiro. Dosando humor e suspense, a história prendeu a atenção dos leitores por vários meses, principalmente das mulheres, que puderam conhecer certas particularidades do universo do desejo masculino que geralmente os homens preferem não revelar.

A versão livro de Um Ano na Seca foi lançada em nov2010 (bolso, 48 pag). E em 2013 inspirou uma música da banda Bardoefada (vídeo no fim da postagem).

PARA ADQUIRIR

PELO BLOG  DO KELMER

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UM ANO NA SECA

Ricardo Kelmer
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EU JÁ FIQUEI UM ANO sem sexo. Verdade. Quer saber mesmo? Foi quando eu tinha 4 anos.

Ahahahah! Desculpe, leitorinha, não resisti à piada. Agora falando sério, já fiquei um ano no perigo sim, e eu já era quarentão, olha que coisa. Em 2004 eu havia me mudado pro Rio de Janeiro e, sem amigos com quem sair, sem namorada e sem dinheiro, tudo que eu fazia era ir pro trabalho e voltar pra casa. No começo não teve problema algum pois minha energia tava tão voltada pro trabalho e pra economizar grana que as ex-namoradas resolviam o problema. Comassim? Ora, era só, na hora do banho, lembrar delas…

Mas depois de seis meses a coisa começou a ficar feia e as ex já não resolviam, eu já havia homenageado todas elas, tava até repetindo.

Putz, mas será que você tá realmente interessada nesse papo de punheteiro véi safado? Bem, sejamos francos: se você frequenta este blog, é porque santa você não é, né? Então dá licença que eu vou continuar a história.

Seis meses de Rio de Janeiro. Seis meses sem dar nenhumazinha. Morando sozinho, vivia de casa pro trabalho e do trabalho pra casa, a energia totalmente voltada pra economizar o máximo de dinheiro possível. Sem amigos homens com quem sair, sem namorada, sem nem um rolinho sequer, o jeito era ficar em casa escrevendo e ouvindo música, bebendo sozinho. Vivia uma fase de repensar a vida e reavaliar valores, precisava mesmo de solidão.

No começo o tesão até que ficou comportado. Eu me resolvia com as ex-namoradas mesmo, homenageando-as durante o banho: apoiava um braço na parede, escolhia a ex da vez e mandava ver. A água quentinha escorrendo pelo corpo é uma diliça, mas o perigo dessa posição, não sei se você sabe, é que as pernas ficam bambas, a vista escurece e bufo!, a gente cai pro lado, se estatelando duro no chão. Um dia caí e bati a cabeça na privada, fiquei com um galo horrível na testa durante uma semana. Mas os acidentes também têm seu lado positivo. Esse me fez perceber, finalmente, que aquilo já tava passando dos limites. No outro dia tomei uma decisão: revesti a privada com esponja.

Um dia abateu-se sobre mim a desgraça: eu lá, sob o chuveiro, pronto pra mais uma homenagem quando percebi que… o estoque de ex havia se esgotado. Simplesmente não tinha mais nenhuma ex, todas já haviam passado por aquele chuveiro, até mesmo os casos, os rolos de um mês, de uma semana, de uma noite, as ficantes, todas, todas. Putz, e agora? Desesperado, vesti uma roupa e saí. Nunca fui de pagar por sexo mas tava decidido: só voltaria pra casa acompanhado.

Voltei com Daniele, uma morena linda, jeitinho meigo, uma bunda doce e irresistível. Ainda tentei barganhar o preço, mas o dono da banca foi irredutível. Paguei oito reais, pus a Sexy na mochila e voltei pra casa. Sou um cara exigente com mulher, até mesmo com mulher de papel, não gasto meus zóides com qualquer peladona não. Qualé? Tá pensando que achei os bichinhos no lixo?

Daniele me fez companhia durante algumas semanas. Como ela não gostava de água, namorávamos na cama mesmo, nada de chuveiro. Até que um dia…

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NÃO FOI NADA ENGRAÇADO ficar um ano inteiro sem sexo, mas se isso hoje diverte o respeitável público, então ótimo, vou encarar a coisa como, digamos assim, uma saudável reciclagem das desgraças da minha vida pregressa.

Pois bem. Durante algumas semanas eu e Daniele vivemos bons momentos, mas… havia um probleminha. Eu sempre queria Dani de quatro, ela ficava linda assim. Mas na hora H, quando eu tava chegando lá, a página virava e Dani passava pra outra posição, uma posição bem sem graça, que merda. Acabamos discutindo, eu querendo Dani safada de quatro e ela se querendo toda comportadinha numa poltrona.

Percebi que meus sentimentos já não eram os mesmos do início. Então fui até a janela e disse, sem olhar pra ela, mirando o fim de tarde lá fora: Beibe, preciso de um tempo. Ela ficou meio tristinha, mas entendeu na boa. É uma vantagem das mulheres de papel, elas sempre entendem quando o cara precisa de um tempo. Daniele acabou na quarta gaveta do guarda-roupa, junto com a caixinha do brau. Até hoje desconfio que foi ela quem fumou o precioso, um especialíssimo que eu tinha guardado pro carnaval. Mas tudo bem, foi bom enquanto durou. Meses depois eu me mudei de Botafogo e desde então não tenho notícia de Dani, acho que a coitada caiu da mudança. Sorte de quem pegou.

Com isso, acabei voltando às ex-namoradas debaixo do chuveiro. Nada contra, claro, mas acontece que naquela secura de seis meses eu já havia homenageado todas elas, não havia sobrado nem mesmo uma fulana que anos atrás me atacou numa festa, terminamos num hotelzinho vagabundo e, quando acordei de manhã, sozinho no quarto, a última coisa que eu lembrava era a gente saindo da festa e cadê que eu conseguia lembrar do nome da criatura? Nem do rosto eu lembrava mais. E até eu hoje não lembro. Imagine o estado do cidadão… Pois bem, até essa eu homenageei, lá debaixo do chuveiro, sim, pra você ver a consideração que eu tenho com minhas ex e até com as taradas de festa, viu?

Foi aí que um amigo me apresentou Sonja. Que não era de papel.

Ih, infelizmente acabou o espaço. Posso continuar semana que vem? Não? Ah, mocinha, não seja tão exigente comigo, entenda minha situação, eu tô precisando desabafar, aprendi isso com vocês, botar pra fora os sentimentos, né isso? Então, tô botando. Mas não dá pra botar tudo de uma vez. Se você estiver aqui na próxima semana, eu continuo. Você vem, beibe?

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EU HAVIA CONTADO pra um camarada sobre minha trágica situação e ele, compadecido, combinou que me apresentaria a uma ninfeta deveras generosa chamada Sonja. O nome dela é esse mesmo?, perguntei. Não, não era. Era nome de guerra. Ah, tá. Sonja, a guerreira. Mas do jeito que eu tava a perigo, ela é quem teria que se defender.

Marcamos pra uma quinta-feira, lá mesmo em meu apartamento em Botafogo. Na hora marcada meu amigo chegou, devidamente acompanhado da ninfeta. Ele nos apresentou, fazendo umas piadinhas que me deixaram meio sem jeito. E ela, pelo jeito, já devia estar acostumada. Sentei na poltrona e eles no sofá. Botei um Led Zeppelin pra gente escutar, mas acho que ela não curtiu muito, acho que gostava mais de hip hop. Servi domecq mas ela não bebeu, Sonja não bebia. Logo depois meu amigo foi embora, me deixando a sós com a ninfeta. Eu tava meio nervoso, mas ela tava na dela, tranquila, me olhando com aqueles olhos grandes e verdes que ela tinha.

Lá pelas tantas achei que já tava bom de lero-lero: peguei Sonja pela mão e levei pra sacada pra gente ver o Cristo iluminado. Enquanto ela olhava, eu não me aguentei mais nas calças e, bufo!, derrubei-a no chão, que nem um homem das cavernas alucinado. E comecei a soprar dentro dela. Nunca em toda a minha vida eu tinha feito aquilo, juro. Soprei durante meia hora, e no fim eu tava caído no chão, botando os bofes pra fora, parecia que havia corrido uma maratona. Em compensação, Sonja tava bem cheinha. Meu amigo tinha razão: ela era bem fornida. Peituda e bunduda do jeito que homem do sexo masculino gosta.

Meu amigo me garantira que ela tava bem limpinha, ele a havia lavado no dia anterior. Mas achei melhor garantir e dei um bom banho na Sonja, com detergente e água sanitária, até botei um rexona no sovaco dela. De volta à sacada, nos encostamos na grade e enquanto eu bolinava sua bunda, recitei uns poemas do Vinicius pra fazer um clima assim meio romântico, de tudo ao meu amor serei atento. Olhei pra Sonja e ela tava de boca aberta, os olhos arregalados, certamente enternecida com meu esforço por agradá-la. Ela não me disse, mas senti que meu amigo, com ela, não valorizava muito as preliminares. Homens…

Então os sete meses sem sexo gritaram dentro de mim e perguntei se ela queria ir pro meu quarto ou se preferia fazer ali mesmo. Você escolhe, Ricardinho… Acho que ela falou isso, não lembro bem. É que eu já tinha tomado metade do domecq e quando chego nesse ponto, dou pra ouvir coisas, ver gente morta, é um horror. Então eu escolhi o lugar, e escolhi ali mesmo, na sacada, sacomué, Sonja, sempre fui chegado em locais inusitados. Foi quando ela falou, maliciosa: Locais inusitados assim tipo o meu cu, né, fofo?

Nesse exato instante eu me apaixonei. Quem não se apaixonaria?

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SEMANA PASSADA EU PAREI na parte em que eu encoxava Sonja na sacada do meu palacete de Botafogo. E, enquanto recitava Vinicius, descobria-me apaixonado por uma boneca inflável, dessas bem fuleragem, até remendo ela tinha, acredita? Adivinha onde? Poizé. Meu amigo deve ter abusado muito da moça, coitada.

Aliás, homem na secura é um horror, você nem imagina do que somos capazes de fazer. E jovens, então, quando os hormônios são os nossos verdadeiros governantes e a cabeça de baixo sempre fala mais alto? Putz… Heim? Controle de qualidade? O que é isso?

No interior, até hoje o povo come jumenta, o povo homem, claro. Diz que é bem quentinho, aconchegante… E que ela nunca espera que o cara ligue no dia seguinte.

Por falar em jumenta… Corta agora pros meus saudosos vinte anos. A gente ia pra praia e na volta passava por um terreno onde sempre havia uma jumentinha amarrada, a Jupira. A Jupira tinha um bundããão… Pois a Jupira era apaixonada os quatro pneus e o estepe pelo meu amigo Perretis, é sério, era só a gente parar o carro que ela já se virava assim de ladinho e ficava toooda dengosa pra ele. E a Jupira ainda era fiel: um dia eu quis dar umazinha com ela e ela não quis não, só queria se fosse o Perretis. Putz, fiquei arrasado, quando um homem chega nesse ponto de nem jumenta aceitar, é mesmo a decadência total…

O Netonha, outro amigo fuleragem, na sua infância lá no Crateús era o terror das galinhas. Galinha de pena mesmo. Sim, é sempre bom explicar, porque em Crateús, sabe como é, né? Diz que na casa do Netonha não escapou uma galinha: ele chegava das festas do sábado e, meio truviscado da cabeça, ia pro terreiro atrás da casa e traçava todas. O melhor é que no domingo o almoço sempre era galinha, a família toda comia, até o padre ia pra esses almoços. Uia.

Um outro amigo, o Marquim, uma vez comeu um peixe. Verdade. Ou era uma peixa? Não sei. Só sei que o peixe morreu e ele ficou muito arrependido e deixou de comer peixe. Mas o Marquim não conta, ele era tarado, nem caule de bananeira o disgramado dispensava, diz que tem uma textura boa. E eu? Bem, como minha infância foi urbana, não tive sorte de ter essas namoradinhas do dadivoso reino animal. Mas devo admitir que lá em casa sempre teve umas poodles bem fofinhas… Mas não, cachorra por cachorra, melhor as sem pelo. Mas uma vez eu estuprei um rolo de papel higiênico, eu juro. Ué, qual é o problema? Nenhuma menina queria me dar! E aquele era o único buraco decente que tinha por perto…

E você, leitorinha querida, fica só rindo dessas histórias cavernosas, né? Fica aí só achando graça desse bizarro universo masculino, né? Mas aposto que você também já teve aqueles dias de desespero em que a bacurinha só falta pegar um autofalante e gritar: Uma caridade, pelo amor de Jesuscristim!!!

Taí, agora fiquei curioso. Mulher também sofre quando os hormônios sexuais botam a boca no trombone e, no entanto, não tem ninguém pra aliviar a tensão? Claro, né? Mas imagino que vocês não apelam pros jumentos, afinal animal por animal, já bastam os homens, né, fia? Mas pra alguma coisa vocês devem apelar. Quem quer contar primeiro? Ah, vamos lá, boneca, fica só entre nós, vai. Pensa que eu não sei que você agora tá rindo aí do outro lado do computador, é? Poizeu sei. Se tá rindo é porque tem o que contar. Conta! Conta! Conta!

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ONDE PAREI MESMO? Ah, tá, eu e Sonja na sacada do apartamento, oitavo andar, eu com meio litro de conhaque na cachola, irc! Bêbado que nem um gambá, sim, deploravelmente bêbado, mas a poucos segundos de finalmente acabar com a maldita seca que já durava sete meses. Pois bem. Após seu singelo consentimento, Sonja encostou-se na grade da sacada, de costas pra mim, aquele bundão espetaculoso, e eu abri a calça, abaixei a cueca e botei o Jeitoso pra fora. Poizé, o nome dele é Jeitoso, tinha esquecido de apresentar vocês. Também conhecido no submundo do crime desorganizado como Jeitosão 17. Então. Nem preciso dizer como ele tava, né? Parecia menino em dia de aniversário, uma animação só.

Abri as nádegas de Sonja e vi que seu cu era rosado, um tipo raro por essas bandas. Não sei se você sabe, leitorinha, mas na Tabela de Estética Anal o cu rosado só perde pro cu salmon, este é raríssimo, tem gente que morre sem conhecer um cu salmon. Pois bem, Sonja tinha um cu rosado, muito simpático e convidativo, com certeza meu amigo já se deliciara bastante por aquelas vias. Afastei-me pra trás e mandei um golão no conhaque, um brinde a mim por suportar com tamanha dignidade sete difíceis e eternos meses sem dar umazinha sequer.

Nesse momento, porém, soprou um vento repentino e Sonja, vupt, voou por sobre a grade da sacada. Desesperado, larguei o copo e corri pra segurar. Mas não deu tempo: Sonja havia caído, despencado do oitavo andar no meio da escuridão da noite. Putz. Fiquei ali parado por um tempo sem acreditar. Seu idiota incompetente!, gritou o Jeitoso, já murcho e muito puto, nem mulher inflável tu consegue segurar? Quando o sujeito não consegue nem manter uma relação com uma boneca inflável, ele precisa admitir que chegou ao fundo do poço.

Peguei o elevador e desci pro poço, quer dizer, pro térreo. Procurei lá embaixo na área lateral e não encontrei Sonja. Onde ela estaria? Olhei lá pra cima e entendi: ela caíra numa das sacadas abaixo da minha. E agora?

Voltei pro apartamento num dilema mortal. Não podia abandonar Sonja assim dessa maneira. E tudo que houve entre nós? E todo o futuro lindo que nos esperava? E seu cu rosado? Mas, por outro lado, cadê a coragem pra bater na porta do vizinho às duas da manhã? Oi, minha namorada caiu na sua sacada, você poderia pegar pra mim?

Não, minha dignidade jamais me permitiria descer tanto. Preferível comprar uma boneca nova pro meu amigo. Que merda… Desculpa, Sonja, eu não queria que tudo terminasse assim… A não ser… A não ser que eu desse uma de Homem-Aranha…

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TRUVISCADO DE DOMECQ como eu tava, considerei seriamente a hipótese de me pendurar na minha sacada e saltar pra sacada de baixo. O Resgate de Sonja – sexo, suspense, emoção… e uma perna quebrada. Felizmente um resquício de bom senso me fez desistir da aventura. Mas nem sempre tive esse tal bom senso, viu, isso é coisa da idade.

Restava-me bater na porta do vizinho. Às três da madrugada. Eu até poderia fazer isso, dada a minha lastimável condição de secura. Mas onde ficaria minha reputação de moço sério, trabalhador e respeitador dos bons costumes? Eu seria rebaixado à categoria de cruel estuprador de bonecas infláveis, que horror.

Voltei ao meu apê arrasado. E caí na cama à beira de um ataque de choro. Minha pobre Sonja, coitadinha, passaria o resto da noite no chão sujo de uma sacada, ao relento, nua e abandonada. Poderia pegar um resfriado, a bichinha. Adormeci exausto e deprimido. Putz, eu estivera a centímetros de dar fim àquela secura desgraçada que já durava sete meses… Mas o vento levou minha felicidade.

Tive pesadelos terríveis. Num deles Sonja me esnobava e preferia se suicidar a trepar comigo, e então se atirava da sacada. Irgh! Será que eu sou assim tão asqueroso? Só porque depois dos 40 comecei a ficar barrigudo, careca e banguelo? No outro pesadelo o vizinho do 702, logo o idiota do 702, enrabava minha Sonja na sacada e eu acordei suando de ciúmes, desesperado, ouvindo Sonja uivando de prazer… Que dor!

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ACORDEI NO DIA SEGUINTE numa ressaca horrorosa. A primeira coisa que fiz foi correr pra sacada e procurar por Sonja. Enquanto procurava, minha atenção foi atraída pro colégio que ficava ao lado do meu prédio. Era a hora do intervalo e os alunos jogavam futebol no campo de areia. E pareciam especialmente animados naquele dia, correndo e gritando bastante. Quando saquei o motivo, quase tive uma síncope cardíaca: a bola do jogo era nada mais nada menos que… minha querida Sonja, que subia e descia pelo ar, toda desmantelada, um braço já faltando, parecia um molambo voador.

Gritei pra eles pararem com aquela selvageria mas não me ouviram. Então desci e fui correndo até o colégio, expliquei o que acontecera e minutos depois um funcionário me trouxe o corpo de Sonja, seco e totalmente desfigurado, a cabeça decepada… Levei-a de volta pra casa, tentei encher e remontar, mas foi impossível, o estrago fora enorme. Teria que comprar outra boneca pro meu amigo. Então deitei Sonja na cama e, olhando ela ali deitadinha… de bundinha murcha pra cima… pensei que ela merecia uma última e sincera homenagem.

Em toda a minha vida de perigoso maníaco sexual eu nunca antes havia transado com uma boneca inflável. Muito menos com um cadáver inflável. Olha só aonde a minha secura havia me levado! Estuprar uma boneca inflável morta, toda murcha, sem braço e sem cabeça…

Mas o estrago fora ainda maior do que eu imaginava. Aqueles monstrinhos assassinos haviam enchido os buracos de Sonja com todo tipo de coisa. Só da bucetinha dela tirei uma borracha, duas tampas de caneta Bic, um mp3 quebrado, um boneco Power Rangers e um bagaço de maçã, que horror. E o cu, o belo cuzinho rosado de Sonja, haviam tampado com um chiclete. Que absurdo, as pessoas não têm mais sentimento! Como podem fazer isso com um ser humano inflável?

Não deu, amiga, simplesmente não deu. Não consegui comer Sonja. Por mais maníaco sexual que eu seja, tudo tem um limite, né? A secura continuaria. Eita fase de urubu danada…

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APÓS A TRISTE DESVENTURA com Sonja, dei um tempo em minhas desesperadas tentativas de acabar com a secura sexual, que já chegava aos oito meses, que horror. Achei que era melhor me aquietar e deixar que as coisas acontecessem de forma mais natural. O problema é que as coisas não estavam acontecendo nem naturalmente e nem antinaturalmente, a maré tava braba mesmo. Sozinho numa cidade estranha, sem amigos, sem namorada, sem dinheiro pra sair, o que me restava?

Então tive uma ideia genial: decidi montar um harém. Sim, o Kelmer Harém de Celebridades (KHC). Pra quê? Ô, minha filha, que pergunta boba… Pra dar uma variada em minhas punhetas, lógico. Sim, variar, afinal fazia oito meses que eu homenageava minhas ex-namoradas quase diariamente, nem elas aguentavam mais tanta homenagem. Pra você ter uma ideia, desde que começara a secura, só pra Aninha eu já tinha tocado 105 punhetas. Você sabe o que significa isso, leitorinha querida? Pois vou te dizer. Se uma ejaculada tem em média 100 milhões de zóides, então só pensando na bunda da Aninha foram 10 bilhões de zóides que jamais tiveram nem jamais terão sequer uma remotíssima chance de ver um óvulo rebolando à sua frente, coitados, ninguém merece.

Pois bem. Em poucos dias o melhor harém que jamais existiu na face da Terra tava todinho dentro do meu noutibuk, que era velhinho, mas que com a chegada das meninas rejuvenesceu cinco anos. Tinha de um tudo no harém: loira, morena, ruiva, negra, índia, japonesa, esquimó. Tinha odaliscas do presente e do passado, de Brigitte Bardot às Sheilas do Tchan. Tinha celebridades e anônimas, lobas e ninfetas, profissionais e amadoras, ai, as amadoras. Infelizmente minha musa Ana Paula Bandeirinha ainda não havia posado pra Playboy… Senão ela também estaria no harém. Aliás, ela teria um harém só pra ela.

– Ricardinho, harém de uma odalisca só não existe…

– Ahnnn… É verdade, Ana Paula. Mas você teria mesmo assim. Pra você não tem impedimento.

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MAS CALMA LÁ, LEITORINHA. Só porque era um harém, não vá pensando que era só ser bonitinha ou gostosinha que já tava dentro. Nananinanão. Punheteiro safado sem-vergonha também tem seus critérios, ora! Afinal punheta é coisa séria, é uma homenagem singela e sincera às mulheres que amamos. E por mais tarado que a gente seja, a gente também tem nossas objeções. Essas modelos magricelas e sem bunda, por exemplo. Comigo não têm vez, quem gosta de osso é arqueólogo. Então magricela não entrou nenhuma.

Por falar em bunda, numa segunda fase o Harém de Celebridades se especializou: criei o harém dos peitos e o harém das bundas, olha que chique. Claro que por causa da minha tara que você já conhece, o harém das bundas ficou beeeeem mais numeroso. E como era o harém que eu mais visitava, todas queriam estar nele. Mas me mantive incorruptível. Adriane Galisteu, por exemplo, tentou dar uma de penetra mas foi barrada na porta, é muita pretensão mesmo! Gisele Bundchen tentou entrar também, mas ficou só no harém dos peitos. Sim, Gisele, eu sei que os gringos admiram sua bunda, eu sei, mas no Brasil, a média pra passar é bem mais alta, viu, fia?

O KHC tava indo bem. O problema era que, com essa minha velha mania de justiça, eu insistia em revezar as meninas, uma homenagem pra cada uma, pra que elas não se sentissem preteridas, você sabe, rola muita inveja nesse meio. Mas, putz, eram centenas de odaliscas! Se eu sentisse saudade da Karina Bacchi ou da Mulher Samambaia, que, por sinal, constavam com todo o merecimento nos dois haréns, eu teria que esperar cinco anos pra poder vê-las de novo.

– Ah, não, Riquinha, assim não – Karina reclamou, é lógico. – Pode dar logo um jeito nessa situação.

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FOI ENTÃO QUE DESCOBRI algo revolucionário: era possível organizar as fotos num programinha de slide e botar no automático. Uaaaaau! Ficou uma maravilha. O KHC tornou-se dinâmico, e eu nem precisava mais ficar clicando, agora a outra mão tava liberada pra dar um gole no Domecq. Minhas odaliscas passaram a desfilar ordenadamente, uma após a outra, cinco segundos pra cada uma me seduzir com suas curvas, protuberâncias e malemolências…

– Oi, Luma. Eu apareço depois da Grazielli. Já chamaram ela?

‒ Calma, Sabrina, antes dela ainda tem eu. Ops, é a minha vez, tchau.

Algumas tinham mais fotos que outras, claro, e por isso se demoravam mais pros meus olhos. Porém, depois estavam livres o resto do dia pra fazer o que quisessem, passear no shopping, tomar chá com as amigas, fazer a escova… Estavam livres até pra me trair com quem quisessem. Desde que no outro dia estivessem de volta, lindas e dadivosas, tudo bem.

Ah, foram três meses de paz e tranquilidade com minhas meninas…

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UM DIA FUMEI UNZINHO. Você já transou fumada, leitorinha? Uau, é uma loucura… Comigo as sensações ficam tão amplificadas que eu todo viro um imenso caleidoscópio sensitivo, o tempo estica… Pois bem, fumei, deitei na cama, pus o noutibuk do ladinho e mandei ver. Foi tão bom, mas tão bom, mas tão bom, e o gozo tão intenso, tão intenso, e viajei pra tão longe, tão longe… que de repente só escutei o barulho: Pooou!!! Abri os olhos e vi que o noutibuk tinha caído no chão. Que merda.

Tantas mulheres lindas e gostosas de uma vezada só foi demais pro meu velho noutibuk de guerra. Dia seguinte mandei o coitado pra oficina, mas não teve jeito de recuperar. Resultado: perdi todas as minhas meninas. Três meses formando meu harém e, de repente, elas se vão numa só gozada. Ô gozada poderosa! Fiquei tão arrasado que não tive forças pra chamá-las de volta, não quis mais saber de Danielas, nem de Julianas, nem de qualquer mulher de pixels. Nem mulher de papel. Nem de plástico. Enchi o saco de punheta. Quer dizer, esvaziei o saco. Caramba, eu precisava de uma mulher de verdade, dessas que todo dia passavam por mim na rua. E não me percebiam. Mas naquela cidade estranha, sem amigos e sem dinheiro, como fazer?

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NO CAPÍTULO ANTERIOR, você lembra, eu tava arrasado por ter perdido meu Harém de Celebridades, tão cuidadosa e criteriosamente montado. E tava sem qualquer ânimo pra montá-lo de novo, apesar de toda a insistência das meninas. Até a Vera Fischer implorou, olhassó, a Verinha, ela que naquele tempo andava quietinha, uma santa. Até a Priscila Fantin, aiai, que nunca posou pelada, prometeu que posaria caso eu reativasse o superfamoso e hiperconcorrido Kelmer Harém de Celebridades.

– Puxa, Rica, tô arrasada… Você seria o único motivo pra eu virar uma peladona.

– Gosto muito de você, Priscila, mas não vai dar.

– Se você não me quiser, vou entrar pro convento!

Não reativei o KHC, eu simplesmente não aguentava mais mulher de pixels. Eu precisava agora é de uma mulher de verdade, de carne e osso, mais carne que osso, claro. Eu precisava dar umazinha, só umazinhazinha, já tava na secura havia 11 meses!

Foi quando apareceu a oportunidade de um trabalho inusitado: escrever um roteiro sobre prostituição na Vila Mimosa. Uau!

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ENTÃO FUI CONTRATADO pra escrever o roteiro de uma revistinha em quadrinhos pra uma ONG que trabalhava com prostitutas na Vila Mimosa, tradicional zona de prostituição do centro do Rio de Janeiro. O roteiro deveria abordar temas como saúde, prevenção, doenças sexualmente transmissíveis e coisital. Topei na hora, tava muito precisando de um dinheirinho na conta, não aguentava mais comer miojo.

Imagine um centro comercial popular, desses que existem nos centros das metrópoles, aquele movimento incessante, os corredores cheios de gente olhando vitrine e comprando, a barulheira, a confusão… Pois a Vila Mimosa é a mesma coisa, sendo que as lojas são uma centena de bares e boates com quartinhos e a mercadoria é sexo. E é 24h!!! Fiquei bobo de ver.

Na Vila Mimosa tem menina de 18 a 70 anos e boa parte delas vive do que a Vila lhes dá. Algumas têm emprego formal (diaristas, vendedoras, secretárias…) e batem ponto lá alguns dias por semana pra completar o orçamento. Uma pequena parte mantém os estudos, ainda bem. Há também as meninas que cursam faculdade. E há também mulheres de nível superior, acredite, cheguei a entrevistar uma professora de geografia e uma enfermeira. E há também muitas mulheres casadas, que são mães, e às vezes os maridos ou maridas sabem de tudo.

Mesmo sendo mais culta ou mais bonita, não importa: se a mulher quer trabalhar na Vila Mimosa, tem que se adequar ao esquema popular e de alta rotatividade. Então o preço médio era (em 2005) R$ 25 por meia hora, sendo que R$ 5 ela repassava ao dono do estabelecimento pelo uso do quartinho. Conheci algumas que faziam uma média de 8 a 10 programas nos dias bons.

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FIZ TRÊS VISITAS à Vila Mimosa pra entrevistar as meninas. Na segunda noite conheci Rose, uma morena de 22 anos, e ela me contou sua história, o noivado desfeito, o desemprego em Goiânia, o filho pra sustentar, a ida pro Rio… Ela era bonita, tinha certa classe e usava vestidinho e sandália, tudo muito mimoso. E tinha uma boa bunda. Na terceira vez conversamos mais e, como agradecimento, presenteei-a com um crédito de R$ 10 no vendedor ambulante de calcinhas, dava pra comprar duas. Ela adorou e me deu um singelo beijo no rosto.

Puta nunca foi minha especialidade, você sabe. Nada contra, mas é que gosto quando a mulher também me deseja, gosto de beijar na boca, servir bebidinha, botar música pra ela, recitar poeminha safado no ouvidinho, rir junto, admirá-la enquanto vou e volto dentro dela… Ou seja, sou um cara romântico mesmo, assumo. Safado, ok, mas romântico. Então meu pau não se entusiasmou com a Vila Mimosa. Porém…

Naquela noite, como já havia fechado todas as entrevistas, sentei numa mesa pra tomar uma e relaxar, curtir o visual das meninas, os modelitos, o delicioso teatro do sexo pago. E convidei Rose pra beber comigo. Ela explicou que tava trabalhando, claro, tinha que fazer dinheiro. Mas como havia me achado um cara legal…

Conversamos descontraidamente por uma hora. Ela se soltou e falou mais sobre sua vida, contou detalhes dos programas, suas preferências, que às vezes, com uns poucos homens, ela sentia prazer mas que, na verdade, pra ser bem sincera, gostava de foder mais com mulher.

Você sabe, né, leitorinha, eu gosto de mulheres bissexuais, várias de minhas namoradas eram bi, sinto uma espécie de simpatia gratuita, uma cumplicidade natural com elas. Foi Rose me falar isso e, pronto, o Jeitoso virou o incrível Hulk dentro de minha calça: Me solta, me soltaaa, me soltaaaaaa!!

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EU TOMAVA UMA CERVEJA na Vila Mimosa, conversando com a morena Rose, e ao ouvi-la contar sobre os programas que fazia e sobre suas transas com mulheres, o Jeitoso, coitado, que havia 11 meses não via uma xaninha na sua frente, simplesmente enlouqueceu e virou o incrível Hulk dentro da minha calça, parecia um bicho destruindo a jaula: Me solta, seu disgramado, eu quero saiiiiirrr!!!

– Cabô o doce…

– Não me atrapalha que eu tô concentrado.

É Tábata, minha barata voadora de estimação. Não pode me ver escrevendo sobre mulheres que fica logo enciumada, fica voando na frente da tela toda histérica. Uma barata com ciúmes, pode uma coisa dessa?

– Cabô o doce e eu tô com fomeeeee…

Hummm, dessa vez não é ciúme. O docim de amendoim acabou mesmo, o potinho que fica aqui do lado do computador tá vazio. Putz, vou ter que sair pra ir na bodega comprar mais, eu e Tábata não passamos sem essas barrinhas deliciosas.

Dá um tempo, leitolinha linda do meu colação. Volto já pra contar o fim da história. Vem, Tábata. Bota o agasalho que tá frio.

E ainda gosta de passear, pode?

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PRONTO, VOLTEI. Tábata, de barriga cheia, ronca quietinha dentro do meu tênis. Eu já disse pra ela não dormir lá, é perigoso, mas ela simplesmente é louca pelo meu chulé. Pode?

Continuando a história. Estávamos numa mesa, eu e Rose, no interior de um daqueles barzinhos com jeito de boate, o bar embaixo e os quartinhos em cima. Com a pressão insuportável do Jeitosão (quando ele tá assim, é pior que você na TPM, acredite), percebi que havia chegado a hora, os onze meses de secura terminariam naquela noite mesmo. Ufa! Ainda bem que o pesadelo não passaria de um ano. Já que não foi com namorada, nem com amiga caridosa, nem com boneca inflável, seria com puta mesmo. Nada contra puta, claro, tenho muito respeito e admiração pela profissão, acho até que já fui puta numa vida passada. Mas ter que pagar por sexo, logo eu, que até outro dia era o terror da Praia de Iracema, quem diria…

Falei pra Rose que queria fazer um programa com ela. Ela, parecendo surpresa, disse que não esperava pois eu dissera que nosso contato seria apenas em função das entrevistas. Você quer mesmo?, ela perguntou.

– Ele quer! Ele quer, sim!!! Nós queremos!!!!! – gritou o Jeitoso, que nem um louco.

– Quem falou isso? – Rose quis saber, olhando ao redor.

– Ahn… Fui eu, sou ventríloquo, sabia? – falei, antes que o de baixo se manifestasse novamente. – Mas vamos ao que interessa, né?

Ventríloquo de bilau, ainda tem essa. Pois bem. Enquanto Rose ia ao balcão e solicitava um quarto à dona do estabelecimento, aproveitei e pedi que Jeitoso tivesse modos, ele tava simplesmente indomável, que coisa, rapaz, essa não foi a educação que eu te dei, viu?

Que nada. Ele continuou lá, arrebentando a jaula.

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ENQUANTO SUBÍAMOS A ESCADINHA em espiral, eu olhava pra bunda de Rose bem à frente dos meus olhos como o centroavante que há vários jogos não marca e que agora vai bater o pênalti e olha pra bola, ela ali, só esperando ele chutar… É um momento mágico. Mesmo que não haja ninguém vendo o jogo, tudo para na hora do pênalti, sabia? Pois saiba, o Universo inteiro para, o tempo para, nada mais importa. Os astrônomos estão errados. Não houve um Big Bang, houve um Big Pênalti.

O ambiente do primeiro andar era de penumbra e havia um corredor com três quartinhos de cada lado. Entramos num deles. Antes, porém, olhei de novo pro fim do corredor pra me certificar de que o que eu via não era nenhuma alucinação. Não, não era. Ali, encostado à parede do fim do corredor, reluzia uma privada, com um cestinho ao lado lotado de papel. Uma privada! Sem porta, sem nada. Apenas uma privada no fim do corredor, que coisa mais surreal. E, pelo odor, que era bem real, alguém tinha comido uma panelada vencida e depositado lá. Argh… Como alguém conseguiu fazer cocô naquele local? E se eu chego e tem um cidadão cagando?

O quartinho era um cubículo de dois metros por um. Tinha um elevado de cimento bem estreito com um colchonete, uns cabides e só. Nem luz tinha. E as paredes eram apenas divisórias que sequer chegavam ao teto, o que nos permitia escutar tudo o que acontecia nos outros cubículos. Hummm. Confesso que nesse momento cogitei desistir…

Mas não, não. Eu já havia ido longe demais pra voltar. Vamos, Rica, respire fundo e vá em frente, garoto!

Respirar fundo. Eu até tentei. Mas aquela panelada estragada lá na privada não deixou. Teria que ficar vinte minutos sem respirar, será que eu conseguiria? Aliás, vinte não, dezoito, o tempo corria.

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TIREI A ROUPA RAPIDINHO. Rose também. Ué, não tem nem um lençolzinho?, perguntei. E ela explicou que não sabia, que não fazia programas naquela casa, fazia na outra em frente. Vesti a roupa novamente e desci a escada. No balcão, pedi um lençol à dona, uma senhora que, pelo jeito, tinha muitos quilômetros de lençóis rodados. Ela perguntou se a menina que tava comigo não trouxera o lençol dela. Não, ela não trouxe, respondi, procurando manter meu famoso equilíbrio zen. A senhora então falou: Não costumo fazer isso mas vou te emprestar o meu, tá, depois me devolve. E me entregou um lençol dobrado, aparentemente limpo.

Subi a escada evitando pensar naquelas palavras “não costumo”, “emprestar”, “me devolve”… Eu só tinha agora dezesseis minutos.

Cobri o colchonete com o lençol emprestado (ai…), tirei a roupa novamente e sentei. Rose sentou ao meu lado. Do quartinho ao lado alguém sussurrava, hum, ahmm, aaahrnmmff…

De repente lembrei do meu primeiro namoro, doze anos, foi meio daquele jeito, os dois sentadinhos lado a lado, quer namorar comigo?, aceito, então tá, amanhã a gente continua. Isso lá é hora de lembrar uma coisa dessa, homem! Afastei a lembrança inoportuna e tentei me concentrar, vamos lá, garoto. Quinze minutos. Comecei a acariciar o corpo de Rose… a cintura… as pernas… beijei seus seios… apalpei sua bunda… Quando olhei pro Jeitoso, não acreditei: ele simplesmente não se manifestava. Ué, cadê o incrível Hulk?

– Não priemos cânico, não priemos cânico – falei pra mim mesmo, fingindo um senso de humor que naquele momento eu tava muito longe de ter. Doze minutos. Pense rápido, garoto, pense rápido. Então perguntei a Rose se ela, bem, se ela poderia me fazer um boquete. Afinal um copo dágua e um boquete não se negam a ninguém, né?

– Sem camisinha não dá.

– Ah, claro, claro…

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PEGUEI A CALÇA e, depois de procurar em todos os bolsos, encontrei uma salvadora camisinha na carteira, ufa! Voltei e sentei ao lado de Rose, que aguardava com uma paciência profissional. Peguei a camisinha, posicionei o Jeitoso e… Quem disse que camisinha desenrola em pau murcho? Aiaiai… Dez minutos. Metade do tempo já tinha ido pelo ralo e eu nem de pau duro tava, que merda. Vamos ao plano B, é o jeito. Então comecei a me masturbar freneticamente, tentando não ligar pra onda de terror que me engolfava mais e mais a cada instante.

– Vamulá, sua cobra caolha, não me abandone logo agora…

Mas o Jeitoso continuou desanimado. Oito minutos. O foda da brochada é esse maldito terror que imediatamente nos envolve logo que sentimos cheiro de brochada no ar, essa imediata sensação de que não, não vamos conseguir. Tsc, tsc, minha amiga leitora, você não saberá nunca o que é isso, só nós sabemos. Mas eu conseguiria, sim, vamulá, pensamento positivo, neurolinguística, método Silva de controle mental, nunca desista de seus sonhos… Putz, mas com aquele fedor horrendo ali do lado tava realmente difícil.

– Rose, será que você não poderia abrir uma exceção e me chupar sem camisinha? Eu tenho essa cara de maluco, mas eu sou limpinho. E por ele só passou menina bacana, viu? Bem, quer dizer…

Não, eu não falei nada disso. Mas quase falei, de tão desesperado. Em vez disso pedi pra ela tocar uma pra mim, quem sabe a mão feminina, mais delicada… Rose, compreensiva, aceitou, ufa. Sete minutos. Agora vai, agora vai.

Fechei os olhos e convoquei todas as ex-namoradas e casos e rolos e rolitos possíveis, por favor, Beatriz, me acode, você também, Silvinha, e você, Karine, seis minutos, e você, Bibi, aquelazinha que a gente deu no meio do laranjal, lembra, vamos, Maristela, Renata, cinco minutos, Tânia, Karine, Karine já foi, não, a outra, Gil, Andréa, Jaque, Beatriz, Beatriz já foi, mas vai de novo, vai de novo, quem mais, Leka, Paulinha, quatro, Larissa, Milene, que Milene?, aquela da garagem do prédio, ah, sim, Valéria, três, Laurita, dois, Bebel, um…

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– VINTE MINUTOS! Vinte minutos!

A voz vinha de algum lugar próximo, uma voz abafada, meio metálica…

– Vinte minutos! Desocupandôôô!!!

Abri os olhos. A voz feminina vinha de um tubo de PVC que saía da parede. Era a dona lá embaixo nos avisando que o tempo acabara. Sistema de som engenhoso…

– Putamerda, seu desgraçado duma figa! Não era você quem tava todo enlouquecido vinte minutos atrás?!! Como que você me faz uma coisa dessa, seu traíra?!!!

Não, eu não falei isso, sou incapaz de gritar com ele, o Jeitosão tem muito crédito comigo, você nem imagina o quanto ele já me salvou. Só pensei, dentro da minha mente extenuada e entristecida. Aliás, se eu fosse ele, também teria sentido a pressão, coitado, o cubículo feio, o lençol emprestado, os vizinhos barulhentos, a privada surreal, a panelada vencida, o tempo acabando… Pô, paudagente também é gente.

Afastei a mão de Rose e levantei. Vesti a roupa e calcei o tênis, enquanto ela se vestia também. Procurei algo pra dizer, na verdade pra não ter que escutar os hummms e ahnrmfs que vinham dos outros cubículos, mas não achei nada que valesse a pena ser dito, dizer o quê? Descemos, devolvi o lençol (quem seria o próximo?), paguei pelo quarto e paguei Rose também. Ela ainda tentou se desculpar, mas eu não deixei e falei que tudo bem, a companhia dela tinha sido muito agradável. E nos despedimos.

Caminhei até a praça e esperei passar algum ônibus, tendo como companhia a plena convicção do ridículo de tudo aquilo. Um dia ainda escreverei sobre isso e darei boas risadas, era o que eu pensava, pra ocupar o pensamento na madrugada fria e solitária. Mas o pensamento sempre escorregava pra um único fato: em três semanas a secura completaria um ano. Um ano.

O ônibus chegou e parou no ponto. O motorista abriu a porta e ele entrou, o centroavante que no último minuto do jogo chuta o big pênalti pra fora.

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DEPOIS DESSA ENTENDI que devia me concentrar no trabalho de vez e esquecer esse negócio de buceta. Até que consegui. Em parte, claro, pois o bicho homem masculino nunca consegue esquecer de verdade do famoso pé-de-barriga rachado. Mas fiz direitim meu trabalho de roteirista e recebi meu dinheirim suado. Suado e broxado.

Aí aconteceu duma leitora me enviar um e-mail dizendo que iria pra um congresso no Rio e queria aproveitar e comprar uns livros meus diretamente comigo, aproveitar e me conhecer pessoalmente, que ela só conhecia pelos meus textos na internet, que por sinal gostava muito e coisital. Claro, claro, será uma honra, eu disse.

Macaco velho, fui logo no Orkut dela pra saber quem era a criatura. Marília o nome dela, era de Santos, solteira (oba), bebia (obaaa) e não fumava (obaaaaa). Era uma balzaca morena, razoavelmente bonita, parecia ser mulher carnuda, mas como as fotos eram todas bem comportadas, não deu pra ver bem as curvas da estrada de Santos.

Pô, Kelmérico, deixa de ser tarado véi seboso! A moça quer apenas comprar uns livros, só isso, é tudo apenas negócio. Você e sua mente suja…

Bem, na verdade eu mesmo não pensei bobagem, juro que pensei apenas na graninha. Quem pensou bobagem foi ele, o Jeitoso, como sempre, esse pedaço cilíndrico de carne pendurado que só pensa naquilo, é um horror. Coitado, mais de um ano sem frequentar periquitas e rabichos, a gente entende, a gente entende.

Então, no dia marcado ela me ligou. Tava num barzinho perto do hotel, não era longe de onde eu morava, será que eu podia ir lá? Claro, claro. Troquei de roupa, botei os livros na mochila e peguei o busão.

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FIZ LOGO AS CONTAS: se ela me comprar dois livros, já vai dar pra fazer o supermercado da semana, ô maravilha, não aguento mais comer miojo com xarope de groselha.

Paralelamente às minhas contas, o Jeitoso também fez as dele: um ano e dois meses sem encarar uma periquita, 14 meses sem molhar o biscoito, 54 semanas sem ensaboar a banana, 378 dias sem acoplar à nave mãe, 9.072 horas sem espetar o cassaco…

Se você, leitorinha querida, tivesse um pingolim aí pendurado entre suas pernocas, você saberia o tanto que esses seres podem ser chatos, insuportavelmente chatos, quando estão desesperados na secura. A gente vai à praia e tem que ficar sentado pra não passar por tarado véi seboso. A gente olha pra uma chave de fenda e o pingolim só vê a fenda, é um horror, um horror.

Pois bem. Peguei o busão e fui encontrar Marília no bar, perto do hotel onde ela tava hospedada, em Copacabana. Ela me acenou de uma mesa na calçada, de frente pro mar, um ótimo lugar. Tava bronzeada, certamente pegara um solzinho. E era mesmo carnuda como nas fotos, do jeito que eu aprecio, humm. Vestia jeans e uma camisa preta com um top preto. Infelizmente não deu pra ver a bunda quando ela levantou pra me cumprimentar com dois beijinhos, mas tudo bem, eu tiraria a dúvida assim que ela fosse ao banheiro. Na mesa havia uma caipirinha pela metade.

Sentei e ela perguntou se eu aceitava uma caipirinha, eu disse que sim. Ela fez sinal pro garçom trazer mais uma e aí danou-se a falar, disse que tinha chegado mais cedo pra ver o pôr do sol, que adorava ir ao Rio de Janeiro, que aquela já era a segunda caipirinha, que adorava caipirinha, que caipirinha era sua perdição, e que era uma honra conhecer pessoalmente o autor dos textos que tanto a faziam rir no computador do trabalho, e falou dos que mais gostava, quis saber de onde eu tirava tanta ideia, como era o processo de criação, e pediu pra ver os livros, que eu tirei da mochila e pus sobre a mesa, e ela olhou todos, achou a capa do Insanidade bonita…

Eu juro, leitorinha, juro que tentei prestar atenção a tudo que ela dizia. Mas não dava. Com aqueles peitos olhando pra mim, simplesmente não dava. Marília tinha peitos grandes e bonitos, até aí tudo bem. O problema é que metade deles tava pra fora do top, sem exagero. Acho que ela errou o número quando comprou. Ou na pressa de fazer a mala, se enganou e botou o top da filha de oito anos. Será que todas as minhas leitoras de Santos andam na rua assim, com os peitos pra fora?

Senti que o Jeitoso começava a se inquietar. Aproveitei que Marília pedia mais uma caipirinha pra ela e dei um tabefe no Jeitoso, plá!, te aquietaí, ô saidinho, não vai me estragar uma venda boa! Mas o perturbado não se aquietou, tive que cruzar a perna pro outro lado pra disfarçar. E diabo dessa mulher que não se levanta pra ir ao banheiro! Ô Marília, minha filha, você não mija não? Não, claro que não perguntei isso, imagina, também não sou tão sem noção assim, né? Que juízo você faz de mim!

Por falar em juízo, vem cá, leitorinha, me diz uma coisa com toda sinceridade… O que uma mulher pretende quando vai encontrar um cara pela primeira vez e deixa metade dos peitos pra fora da roupa, heim? Você, leitorinha, já fez isso? Conhece alguma mulher que faz isso? Você deve saber, afinal você é mulher, você tem peitos, quer dizer, eu suponho que tenha. Não é possível que uma mulher faça isso assim de graça, sem ter noção da confusão que vai causar, principalmente pra sujeitos sensíveis como eu. Putz, vocês são realmente tão cruéis assim, são? Me diga que não, por favor, senão vou perder pra sempre o resto de confiança que eu ainda tinha na raça feminina…

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VOLTANDO À MESA. Lá tava eu confuso, sem saber o que deduzir. Tentava me concentrar na conversa de qualquer maneira, até virei a cadeira e sentei assim meio de lado pra não ter que olhar praquele par de melões morenos caindo do caixote da Ceasa bem na minha frente… e eu há mais de um ano sem comer. O Jeitoso, inclusive, já havia levado mais dois tapas e de nada adiantou, ele também queria ver os peitos da santista, claro.

É, tava difícil. A ideia de que aquela morena fornida podia estar interessada em algo mais que simplesmente comprar meus livros me deixava num estado tal de excitação e dúvidas e fantasias e nervosismo e esperanças e insegurança e expectativas que, de repente, tive medo de perder o controle e, sei lá, fazer uma besteira grande, tipo saltar pra dentro daquele decote, me agarrar nos peitos da morena ali na frente de todo mundo e ficar gritando lá pendurado: Fome zero! Campanha da fraternidade!! Eu podia tá roubando, mas tô aqui pedindo só uma chupadinha!!!

Olhei as horas no celular. Ela imediatamente perguntou se eu tinha pressa, e eu ia dizer que mais ou menos, mas ela me interrompeu e disse que fecharíamos a conta, que ela fazia questão de pagar, e que se eu não me importasse, nós dois iríamos ao hotel dela pegar o dinheiro dos livros, que ela queria comprar todos. Todos? Sim, quero todos, mas o dinheiro tá no meu quarto, vamos lá comigo pegar? Ahn, no seu quarto? Sim, no meu quarto, vamos?

Todos os livros… Vamos comigo no meu quarto… Aquelas palavras esvoaçavam feito borboletas zonzas em minha cabeça. Eu precisava responder algo, e de preferência algo assim que não revelasse meu estado de absoluta debilidade mental.

Subir, quarto, mim Tarzan, iú Jane – foi o que consegui dizer. Acho que foi uma boa resposta, pois ela sorriu e levantou-se, apontando pro hotel na outra quadra.

Fiz rapidamente umas contas pra saber quanto dava o total dos livros. Putz, daria pro supermercado do mês inteiro, que maravilha. E o Jeitoso, claro, fazia as contas dele: decote + caipirinhas + convite pra subir ao quarto = ripa na chulipa!!! Calma, Jeitoso, a lógica das mulheres não é como a sua, eu tentei explicar. Mas é como eu disse antes, leitorinha: quando eles estão assim, não tem jeito que dê jeito, como cantava o Raimundo Soldado. E quando eles estão assim há catorze meses, ou a gente vai logo pra guerra ou então volta pra casa e toca duas seguidas pra poder dormir.

Quando atravessamos a rua, deixei ela sair um pouco antes e finalmente consegui olhar a bunda da moça. Foi bem rápido mas foi o suficiente. A santista era muuuito bem nutrida de glúteos. Aiaiai… Pobre de mim.

Entramos no elevador e ela apertou o 12. Eu havia posto a mochila à frente da cintura, você sabe, o Jeitoso a essa altura parecia uma garrafa de coca-cola fechada depois de dez minutos chacoalhando, tava a um milímetro de explodir. Aí no 2 a porta abriu, era o andar do restaurante, e um senhor entrou. Vestia terno e gravata, parecia que ia ou vinha de um jantar de negócios. Ele olhou pra Marília e, sério, perguntou se ela tava indo pro quarto. Ela respondeu que sim. Depois a porta abriu no 12 e eu e ela saímos. Antes da porta fechar, percebi que o senhor olhava fixamente pra ela, muito sério.

Caminhamos pelo corredor até a porta de seu quarto. Não resisti e perguntei quem era aquele homem do elevador. E ela respondeu: Meu marido. Gelei no mesmo instante. Como assim, marido?, pensei, tentando organizar as ideias. Mas no Orkut o seu estado civil está como solteira, né? – pensei em perguntar. Mas desisti.

Primeiro aqueles peitões em minha cara. Depois me convida pra subir ao seu quarto. E depois me revela que é casada – e o marido tá ali no hotel! Afinal, leitorinha, que tipo de seres são vocês, heim? Por que vocês fazem isso???

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ENTRAMOS NO QUARTO. Marília fechou a porta, acendeu a luz e disse que eu ficasse à vontade pois ela iria ao banheiro. O quarto era bacana, cama de casal, poltrona, abajur, cortina na janela, quadro bonito na parede, frigobar, controle de som e tevê na cama. Aproveitei pra olhar dentro do guarda-roupa: nada de roupas masculinas, que estranho. Será que o marido tava hospedado em outro quarto?

O Jeitoso tava como eu, confuso, mas perguntou se eu tinha levado camisinha, ele sempre pergunta, menino atento, foi bem ensinado. Sim, eu tinha. Aliás, nos últimos tempos camisinha comigo sempre perdia a validade, que horror.

Marília voltou do banheiro e sentou na cama. E pediu pra eu sentar também. Sentei. Ela pediu que eu lhe mostrasse os livros. Abri a mochila, tirei e pus sobre a cama. Enquanto ela selecionava um exemplar de cada, eu tentava não olhar pro decote dela, parecia até que os peitos haviam crescido depois da ida ao banheiro. Marília perguntou quanto era, eu disse que era tanto mas daria um desconto, mas ela disse que não aceitava o desconto, tirou o dinheiro da bolsa e me entregou. Agora eu quero uma dedicatória bem especial, primeiro neste aqui – e me estendeu o primeiro livro.

– Quer tomar algo pra se inspirar? Um uisquinho?

Um uisquinho? Hummm, o que realmente aquela mulher tinha em mente? Bem, seriam seis dedicatórias especiais, eu precisaria de inspiração mesmo. Aceitei. Ela então levantou, abriu o armário e tirou de lá… uma garrafa de Jack Daniel´s! Lacrada. Eu não acreditei quando vi. Acho que ela percebeu minha cara de idiota:

– Eu sabia que você ia gostar…

Putz. Minha bebida predileta. Ela certamente lera em meu site ou no Orkut. Será que ela comprara minha bebida predileta só pra que eu escrevesse umas dedicatórias nos livros dela? Ou havia algo mais? Será que ela havia bolado tudo aquilo, todos aqueles detalhes, o encontro no bar, o decotão assassino, o convite pra subir ao quarto, o Jack Daniel´s, tudo foi pra me seduzir? Ou aquele era o jeito dela mesmo, simpática e espontânea, e a minha mente pérfida, junto com o Jeitoso, claro, é que imaginava besteira? Mas… e o marido? Onde ele estaria naquele momento?

Tirei o lacre e devolvi a garrafa. Ela serviu dois copos, eu disse que queria sem gelo, ela disse que preferia com, pôs três pedras no dela e brindamos. Ao escritor, ela disse. Qual escritor? Você, seu bobo. Ah, claro… eu… a mim, claro… não, a mim e a você, à leitoa, quer dizer, à leitora do escritor.

Putz, leitoa é foda. Será possível que eu não consigo falar nada que preste nesses momentos? Pelo menos uma vez na vida eu bem que poderia fazer como aqueles caras do cinema, que mesmo nas situações mais inesperadas sempre dizem a frase perfeita que a mulher quer ouvir.

Brindamos e bebemos. Só o cheiro do Jack já me leva às nuvens, é sério. E o primeiro gole, hummm, o líquido descendo a garganta feito um fogo gostoso queimando por dentro, a saliva que, ato contínuo, inunda a boca, o calor no estômago… e um acorde de blues soando em algum lugar de minha alma, sempre, sempre toca um blues quando bebo Jack Daniel´s. Ah, leitorinha, beber esse uísque não é apenas beber um ótimo uísque, é beber junto a história do blues, é beber com Muddy, Buddy, Billie, Eric, Jim, Janis e todos os outros.

E tem outra coisa. Jack Daniel´s é um poderoso excitante pra mim. No sentido sexual, inclusive. Não sei bem o porquê, mas é uma bebida que me deixa com tesão, que coisa louca, né? E se Marília sabia que eu gostava tanto do Jack, devia saber também desse complemento. Aiai. Que mulher era aquela?

Sentei-me na poltrona pra escrever as dedicatórias. Marília perguntou se eu não preferia escrever com música e antes que eu pudesse responder, ela ligou o rádio e Tim Maia preencheu o quarto com seu vozeirão, acho que era Azul da Cor do Mar. Achei ótimo. Mas quem disse que consegui escrever alguma coisa? Travei total, não consegui me concentrar. Aquela situação, eu e Marília naquele quarto, o lance do marido dela…

– Acho que preciso de outra dose… – pedi, após entornar o resto da primeira. E precisava mesmo, juro, meu coração tava aos pulos. Ah, se eu pudesse decifrar o que ela tencionava com tudo aquilo… Ou ela não queria nada, queria apenas brincar comigo e na verdade tava se deliciando com meu sofrimento? Gente, isso não se faz com o cidadão trabalhador. O que vocês ganham com isso, meninas, heim? Será uma espécie de necessidade atávica de vingança sobre os homens? Putz, logo comigo que defendo tanto vocês, que sacanagem.

Marília pegou a garrafa e enquanto me servia novamente, comentou que gostava muito daquela música. Então tomei coragem pra fazer a pergunta.

– Marília… ahn… você… aquele senhor…

– Depois você escreve – ela disse, me interrompendo e puxando delicadamente a caneta da minha mão. – Vamos dançar?

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DANÇAR?, EU PERGUNTEI, talvez não tivesse ouvido muito bem. Sim, dançar, esta música é tão linda, ela respondeu, como se convidar pra dançar um escritor que tá no seu quarto de hotel autografando livros fosse assim a coisa mais normal, corriqueira e lógica do mundo.

Levantei da poltrona e no instante seguinte lá estávamos nós dois dançando ao som de Tim Maia, girando devagarinho no meio do quarto, coladinhos, rosto com rosto, o perfume dela… e os peitos a pressionar meu tórax, aqueles dois peitões impossíveis de não sentir… eu afastava o rosto um pouquinho e podia vê-los logo abaixo do equador do meu queixo, os dois montes da perdição, aquele abismo entre eles sussurrando meu nome, Kelmeeeeeeer… Kelmeeeeeeer…, sim, não sei se você sabe, leitorinha, mas há peitos que sussurram nossos nomes, é um mistério milenar, os Peitos Sussurrantes, ninguém explica. Poizé, eles sussurram, e aí lá estamos nós, Ulisses eternamente a resistir ao chamado das sereias… ou a se jogar de vez ao mar.

Pois Ulisses não resistiu. Livrou-se das cordas que o mantinham preso ao mastro e, tchibum!, joguei-me ao mar. Não deu pra resistir, seo delegado, me prenda, me jogue na masmorra, me leve à guilhotina, mas a certas coisas o homem peniano masculino simplesmente não consegue resistir, o senhor sabe, né? Não deu pra resistir, leitorinha: no instante seguinte meu rosto se encontrava entre os peitos de minha leitora, as mãos a arrancar o top, aquele par de peitos impossíveis saltando fora e minha boca absolutamente descontrolada, sem conseguir se decidir entre um e outro, entre o outro e o um, os dois ao mesmo tempo, os três se três houvesse.

Foi a poltrona que amparou nossa queda. Caímos sentados, eu na poltrona, Marília em meu colo, de frente pra mim, os peitos em minha boca. Eu todo era um par de mãos enlouquecidas e uma boca descontrolada, um andarilho esfomeado diante do par de mangas maduras e suculentas, eu era o Tesão em esTado bruTo. E Marília em meu colo, forçando minha cabeça contra suas mangas, o sumo delas já escorrendo da minha boca, eu gemendo, ela assanhando meu cabelo, cravando as unhas no couro cabeludo, ela também rendida ao descontrole do desejo urgente.

Então era isso mesmo que ela queria…, pensei, num raro momento em que meu pensamento perdido conseguiu unir duas ideias. Tá vendo, eu não disse, eu não disse?, mandou de lá o Jeitoso, a voz abafada pelo peso do corpo de Marília a esfregar-se sobre ele. É curioso… Paudagente só pensa em sexo mas, vendo as coisas do ângulo dele, o ângulo de baixo, tudo são bundas e bucetas, tocas pra entrar, reentrâncias a preencher. Não dá pra culpá-los por pensarem sempre assim. Ok, Jeitosão, você tava certo, nunca mais discutirei com você.

Então Marília levantou-se, deixando meu colo. Minhas mãos pareciam pregadas com velcro nos peitos dela, tão difícil foi soltá-los. De pé à minha frente, ela arrancou o que sobrava do top e libertou de vez seus peitos, libertas quae sera chupem. Não sei se você sabe, leitorinha, mas todos os peitos anseiam por serem libertados, e é por isso, arrááá!, é por isso que eles sussurram nossos nomes: eles clamam por seus libertadores. Os Peitos Sussurrantes, mistério resolvido.

Marília tirou o jeans, a calcinha e deitou-se na cama, todinha nua, e sussurrou: Vem, meu escritor tarado. Escritor tarado só podia ser eu, não havia mais nenhum escritor naquele quarto. Levantei da poltrona e cinco segundos depois já havia atirado longe roupa, meia e tênis e tava agora ao lado dela na cama. Foi nesse exato instante, admirando seu corpo nu ao meu lado, que o descontrole e a impaciência, de repente, cederam lugar a outra sensação, a velha sensação que me acomete quando chega o momento da união sexual e que me faz ser possuído por um misto de encantamento e reverência à Mulher, aquela súbita percepção do Sagrado que a figura feminina simboliza, a certeza de que outra vez serei instrumento da vontade da Deusa na reedição do casamento sagrado do feminino com o masculino.

Parece estranho falar disso agora, eu sei, mas é que o sexo pra mim é algo meio místico. E a mulher que tá comigo nunca é apenas uma mulher: ela é a Filha da Deusa. E por isso ela é também a própria Deusa. Que me escolheu, entre todos, pra ser seu cavaleiro no sagrado ritual da fertilidade e…

– Porra! Deixa de viadagem e me põe logo lá dentro! – berrou o Jeitoso, me interrompendo. O danado tava lá todo empertigado, parecia uma serpente naja pronta pro bote.

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DEITEI MARÍLIA NA CAMA e por algum tempo admirei emocionado seu corpo nu, o moreno da pele contrastando com o branco do lençol, as marquinhas do biquíni, tudo formando um quadro mais bonito do que qualquer pintor poderia pintar. Putz, como as mulheres ficam lindas neste momento em que todo o seu corpo é um chamado silencioso e ardente para…

– Que chamado silencioso o quê! – protestou o Jeitoso. – Me bota logo lá dentro senão vou te denunciar à Sociedade Protetora dos Animais!

Ignorei o escândalo do meu pinto. Aquele era um momento especialíssimo e não seria um pinto falante e mal-educado que o estragaria. Depois de um ano e dois meses, eu estaria novamente dentro de uma mulher, que coisa! Tanto tempo… A secura chegara ao fim, finalmente.

Delicadamente pousei um beijo sobre o pé daquela que naquele momento era a representante da Deusa, meu gesto simbolizando minha rendição e reverência à beleza e ao mistério daquela mulher.

– Não tem mistério nenhum, idiota! Tudo que tu tem de fazer é me…

Deixei o menino maluquinho falando sozinho e continuei o ritual. E minha língua começou sua bela jornada pelo corpo de Marília, avançando lentamente pela trilha sinuosa de suas pernas, deixando pra trás um rastro de saliva agradecida. Ela passou pelo joelho, pelas coxas, demorou-se um pouco no interior delas e finalmente chegou a seu destino, feito o andarilho sedento que alcança o oásis onde saciará sua sede na fonte da água mais pura e saborosa.

Toc, toc, toc!!!

Não, não foi minha língua que bateu na porta do oásis. Até porque oásis não tem porta, né? Foi alguém que bateu na porta do quarto. Putamerda, o marido!, pensaram as minhas células, todas arrepiadas. E elas mesmas responderam, resignadas: Agora fudeu.

Como que eu pude esquecer do marido da outra, como?!

O susto foi horrível. E o que aconteceu depois foi bem rápido, nem sei como aconteceu. Só sei que no segundo seguinte após as batidas na porta eu me encontrava atrás da poltrona, todo agachadinho, parecia um embrulho ridículo. Tenho certeza que não saltei da cama direto pra lá, nunca fui ginasta olímpico. Acho que o susto foi tão grande que meu corpo se desmaterializou e, pufff, reapareceu atrás da poltrona, só isso explica a velocidade.

Marília levantou calmamente, vestiu um roupão, abriu a porta e o maridão entrou, bufando de raiva, o próprio incrível Hulk. Olhou no armário, não viu ninguém lá dentro. Foi no banheiro e também não viu ninguém. Então voltou e empurrou a poltrona com o pé. E eu apareci lá atrás, nu e agachado, morto de lindo.

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– TU QUERIA COMER MINHA MULHER, ô cabeludo?

– Quem, eu?

– Com esse pinto murcho aí?

– Quem, ele?

– Minha mulher me falou muito bem de ti.

– Quem, ela?

– Tão bem que eu me apaixonei.

Ih, agora fudeu…

Não, isso não rolou. Rolou apenas em minha mente doentia de roteirista de sitcom enquanto eu me agachava atrás da poltrona que nem um guaxinim com dor de barriga e esperava meu triste fim. Roteirista tem esse vício, tá sempre retocando as cenas da vida.

Mas já que falamos de piada, tem aquela clássica em que o marido chega em casa e o amante da mulher se esconde atrás do aparelho de som, mas deixa o saco aparecendo, e aí o marido nota algo estranho no aparelho e a mulher diz que é porque mandou trocar o botão do volume, que agora o botão é penduradinho, novo dezáine, aí o marido quer testar e bota um disco da Maria Bethânia e aperta o saco do coitado achando que é o botão do volume, e o cara geme baixinho, segurando o grito, aí o marido diz que não tá ouvindo a música e, crau!, gira o saco do cara todinho, e aí o cara não aguenta e solta o berro: Aaaaaaaaaiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!! E continua imediatamente, cantando: Minha Mãe, minha Mãe Menininhaaaaaaa…

– Já vai – gritou Marília, enquanto vestia calmamente um roupão. Ela fez sinal pro guaxinim com dor de barriga continuar atrás da poltrona e se dirigiu à porta. O Jeitoso, coitado, tava mais apavorado que eu – cinco segundos antes ele era o fodão do pedaço e agora o infeliz tava tão encolhido que parecia que tinha entrado dentro do saco. O pinto que virou tatu. Ah, não ria, leitorinha, não seja cruel. Paudagente também é gente.

Escutei a porta abrir e percebi que Marília falava alguma coisa que não compreendi, pois o som do rádio continuava ligado. Depois escutei som de passos entrando no quarto, passos de homem. Agachei-me ainda mais, a testa colada no chão, e preparei-me pra morrer naquela posição ridícula, de bunda pra cima. Tão novo, quarenta anos, na flor da idade. Tinha um futuro brilhante pela frente, venderia livro que nem Paulo Coelho (mas recusaria a Academia de Letras), casaria com a Priscila Fantin num ritual xamânico à beira-mar, tomaria demorados banhos de Jack Daniel´s em seu ofurô…

Pô, agora falando sério: tanta gente bacana aí pra morrer e morro eu! Por que não o Maluf ou o casal Garotinho?

Dizem que nesses momentos o filme da vida da gente passa diante dos olhos, né? Pra mim não passou filme nenhum. Tudo que vi, por baixo da poltrona, foi um par de sapatos pretos masculinos ao lado da cama. Depois eles deram meia-volta e saíram de meu campo de visão. E escutei a porta do quarto fechar.

– Pode sair daí, gatinho.

A voz de Marília, me chamando.

– Não, obrigado, tá bom aqui, miaaau…

Ela me puxou pelo braço e me mostrou a bandeja sobre a cama.

– Eu tinha pedido um lanchinho pra gente e esqueci, a recepção mandou deixar. Tá com fome?

Caramba, então não era o marido, era o garçom. Ufa! Bem, eu não tava com fome mas talvez fosse melhor mesmo dar um tempo, forrar o estômago. Aproveitar e perguntar sobre o marido, vai que da próxima vez é ele quem bate na porta. Meu coração ainda ribombava no peito, afinal segundos antes eu tava a centímetros da morte e agora tava diante de um sanduíche árabe delicioso e de uma bela morena peituda vestida num robe branco me servindo uma nova dose de Jack Daniel´s. Diadorim tem razão, viver é muito arriscoso.

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O LANCHE TAVA DELICIOSO, deu pra forrar bem o estômago, e o bendito Jack me fez relaxar. Mas só relaxei verdadeiramente depois que Marília me explicou tudo: ela e o marido viviam um casamento não muito ortodoxo, separados mas ainda morando na mesma casa, e como eram sócios num negócio, às vezes viajavam juntos e geralmente ficavam no mesmo hotel, em quartos separados. Eu não deveria temer nada, ela garantiu.

Putz. Gente civilizada é otre chose.

Depois ela serviu mais Jack pra gente e riu muito, lembrando do meu jeito apavorado atrás da poltrona. Ri também, né, já dava pra rir da desgraça. Aproveitei e contei a tal da piada do marido que chega em casa e o amante se disfarça de aparelho de som, o que provocou uma crise de risos em Marília de tal forma que ela não conseguia mais parar de rir, e eu ria da risada dela, e durante um tempão ficamos nós dois lá na cama, nus e abraçados, gargalhando que nem dois dementes, rindo até chegar às lagrimas. Ai, rir é muito bom, e rir a dois, assim, é um prazer quase sexual. Sexo risal.

Enquanto aos poucos se esgotava o estoque de riso e nossos corpos se acalmavam, a boca de Marília começou a deslizar por meu peito, pela barriga, o umbigo… até chegar ao Jeitoso, já pronto pro serviço. Ela o envolveu delicadamente com a mão, sentindo-o pulsar, e falou baixinho:

– Ai, Jesus, que pau fantástico…

– Você diz isso pra todos…

– Eu juro.

– Ele é só três centímetros acima da média nacional, já pesquisei na Wikipédia.

Fiquei olhando a outra lá toda meiga em sua paixão à primeira vista pelo meu pau. Tem mulher que se apaixona pelo paudagente, é tão mimoso isso, dá vontade de tirar uma foto dela abraçada com ele pra levar sempre na carteira. Mas cá pra nós, leitorinha, o Jeitoso não tem nada demais. É até meio torto pro lado direito e tem uma marquinha que os fetiches sadomasoquistas de uma doida um dia me deixaram. Em concurso de beleza de pau, que nem aquele da piada do corcunda, ele levaria uma chuva de ovo.

Mas reconheço no parceiro uma grande virtude: ele é estrategicamente anatômico, vai enlarguecendo assim discretamente, como se pra permitir que o orifício se acostume com o volume dele, e assim, quando você se dá conta, pufff, El Ludibriador já tá todo serelepe lá dentro. É um chato convencido insuportável – mas é realmente jeitoso, admito.

Poizentão. O Jeitosão teve que ralar pra caramba nessa noite. Um ano sem sexo, você sabe o que é isso? A sorte é que Marília é do tipo que gosta muito do leriado, senão ela não teria aguentado as cinco horas, sim, cinco horas, de nheconheco. Mas aguentou com louvor toda a sequência de boquete, meia-nove, frango-assado, torninho frontal, torninho costal, diladinho, poltrona, janela, pia do banheiro, cahorrinho, segura-peão, carrossel da Xuxa, garupa de rã e a clássica posição chinesa ventania no bambuzal. Uau! A morena teve três, quatro, cinco, seis orgasmos e eu sempre retendo o gozo, deixando pro final.

Que maravilha quando uma mulher se entrega ao sexo livremente, sem pudores ou medo de ser considerada isso ou aquilo. Sim, eu sei que isso também depende de quem tá com ela, do quanto o outro ou a outra a deixa à vontade. Mas há mulheres que naturalmente gostam do sexo pelo sexo em si, como os homens, e se isso pode assustar alguns deles, a mim me fascina e encanta. Juro que não temo as mulheres livres.

Quando avisei que iria gozar, ela parou e sugeriu uma nova posição. E assim fizemos. Sentei-me bem na beirinha da cama com as pernas abertas, pra fora da cama, e deitei as costas. Marília ajoelhou-se no chão, entre minhas pernas, e envolveu meu pau com seus peitões generosos. Uma espanhola!, pensei, adorando a ideia de ser masturbado pelos peitos dela.

Hummm… Foi a melhor espanhola que já recebi nas últimas sete encarnações, inclusive a que vivi na Andaluzia. E o mais louco é que enquanto subia e descia seus peitos em torno do meu pau, ela ainda o chupava! Perfeito, leitorinha, simplesmente perfeito, só você tendo um pau pra saber como é.

Tive um orgasmo inesquecível, longo, intenso e emocionante. Urrei e me sacudi que nem um bicho. E ejaculei tanto que Marília se atrapalhou e não conseguiu engolir tudo. Quando eu enfim ressuscitei, lambi-lhe nos peitos e no pescoço as sobras fugitivas do meu gozo e as dividi com ela em sua boca. E logo depois apagamos os dois, bêbados, exaustos e em paz, abraçados sobre a cama em desalinho, roupas e lençóis e travesseiros e livros e pratos e copos e talheres pra todo lado, o hotel fora bombardeado, tudo destruído, Dresden após a bomba Orgasmoton.

DESPERTEI SEI LÁ QUE HORAS, ainda bêbado e de pau duro, e quando vi Marília nua ao meu lado, dormindo de bunda pra cima, não resisti. Como é que resiste? Ai, Marilinha.

Abri-lhe as nádegas e admirei seu cu retraído-depilado, tom castanho-médio, um tipo de boa cotação no mercado, bom que se diga. E caí de língua. Aos poucos, sem pressa, ela começou a reagir às minhas lambidas. Passei gel no dedo e brinquei com seu cu, e aí sim ela começou a gemer. Depois dois dedos, depois três… e o resto foi com o jeitosão ludibriador de reentrâncias traseiras. E foi assim que ela acordou, sua bunda preenchida de mim, docemente estuprada em sonho real, Marilinha gemendo as palavras mágicas não para e mete mais, ô coisa boa encontrar uma mulher que tem prazer pela bunda. E foi assim, meio dormindo, meio acordada, que Marília gozou mais uma vez, agora junto comigo, coisa boa gozar junto, dois cometas cujas trajetórias se cruzam no infinito espaço sideral e explodem numa chama orgástica que por instantes aquece a eterna noite fria do Universo.

Quando despertei novamente, já amanhecia lá fora. Vesti-me rápido e peguei a mochila. A morena adormecida de Santos continuava lá, curtindo o céu dos guerreiros sexuais, sem imaginar o alcance do maravilhoso presente que ela me dera aquela noite e o tanto que eu lhe seria grato por todos os seculum seculorum. Deixei um beijo agradecido em seu generoso derrière e saí, me deliciando por saber que tava ali dentro o registro do meu prazer, hummm, diliça.

Minutos depois, enquanto esperava o ônibus na Nossa Senhora de Copacabana, não pude deixar de atentar pro significado de estar ali, numa rua com aquele nome. A Deusa Eterna, reencarnada em trajes cristãos, ganhara nome de avenida. Bela homenagem, sem dúvida. Mas melhor homenagem lhe fazem sempre os amantes, ofertando-lhes a união de seus corpos e a essência sagrada de seus gozos transcendentais, reverenciando a Deusa do Amor e se fazendo instrumentos pra mais uma reedição do sagrado casamento alquímico entre o Feminino e o Masculino. Pro bem do mundo. Pro bem da vida.

Se o chato do Jeitoso estivesse em condições, ele já estaria reclamando desse papo místico. Mas ele agora era um morto-vivo, tadinho, dormiria o dia todo, só acordando pra mijar. Ele merece. Paudagente também é gente.

O ônibus chegou, hora de ir pra casa. A secura chegara ao fim, que alívio. Um ano e dois meses, que coisa… Só pode ter sido praga de ex, eu, heim!

Durante o trajeto a paisagem que eu via eram as cenas dessa história ridícula, todas as tentativas frustradas de sexo, tantas trapalhadas. Quem sabe um dia eu não escreveria essa história? Mas quem leria algo tão bizarro, punhetas, brochadas, um cara que conversa com seu pau?

– Tem gosto pra tudo, abestado – rosnou o outro lá embaixo, voltando, por alguns segundos, de sua dormência.

E outra vez o menino maluquinho tinha razão, precisei admitir.

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FIM

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Ricardo Kelmer 1998 – blogdokelmer.com

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A SECURA ACABOU EM MÚSICA
A banda Bardoefada compôs uma música inspirada no conto Um Ano na Seca. Veja o vídeo:

Bardoefada é uma banda que canta o tesão e a liberdade de amar.
Site da banda: bardoefada.com.br

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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LEIA NESTE BLOG

Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres

Arquivos Secretos – Sexo selvagem no convento, safadezas com chantilly, ensaio peladão, morenas turbinadas, minha experiência omossexual… Feche a porta do quarto e acesse.

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Sobre seu ano de abstinência uma curiosidade: vc contou o tempo? como foi o primeiro encontro? Suely, Brasília-DF – 2008

02- Meu desejo de ruiva é que você termine a historinha de 1 ano de seca. kkk Sucesso, Kelmer. Rafaela, Campina Grande-PB – 2008

03- Fiquei curiosa pra saber como vc foi levando a secura depois do 6º mês. Conta, vai! Ah, não esquece de contar também como foi que vc saiu desse 1 ano de secura! A pobrezinha sobreviveu? (brincadeirinha…) Jéssica (de onde mesmo?)- 2008

04- muito me interessou a sua experiência de um aninho sem nada..pobrezinho.. pq eu, nossaaaa, meu namo já sabe quando fico irritada.. das duas uma ou é tpm ou é falta…conte aí mais de como vc saiu dessa, todas nós mujeres queremos saber!!! besos 😉 GG, Fortaleza-CE – 2008

05-Você tá é enrolando, não quer continuar sua saga para nós, sensíveis mulheres que somos, nos deleitarmos com sua seca quase nordestina. Continue, continue… Rafaela, Campina Grande-PB – 2008

06- Como é que pode? Fico uma semana esperando ansiosamente você postar e no final das contas você não termina a história..Isso não é coisa que se faça com suas pobres leitoras! hehe Ow Kelmer, continuuaaaa, por favor. Flávia, Fortaleza-CE – 2008

07- Dessa vez, vc se superou! Sua narrativa tá tão engraçada que eu fiquei rindo sozinha feito doida, na frente do micro. Mas esse suspense todo já tá me dando ansiedade.  Conta logo o resto da saga, vaaaiii!!! Jessica (de onde mesmo?) – 2008

08- Oi meu querido…rapaz as meninas estão com toda razão..(vc faz muuuuuito suspense…)conta logooooo…vc não imagina o quanto nos deliciamos lendo suas histórias, reais ou não, e outra é tudo de bom vermos a opnião sincera de um homem, saber o que vcs pensam é tudo. Ahhh, quanto as risadas da Jéssica ela não está só (EU TAMBÉM.. HEHEHEH). PIOR, QUE SEMPRE LEIO NO TRABALHO… KKKKKK BJOOOOO. GG, Fortaleza-CE – 2008

09- Continua a história do 1 ano na seca q está ótima, tô imaginando quem seja a Sonja. Daniela, São Paulo-SP – 2008

10- Meu desejo pra 2008: saber o final da saga kelmérica de 1 ano na seca. Não faça assim, clemência!!! Prometo lhe indicar novos leitores. Mas, por favor, continue a saga da estiagem! Jessica – 2008

11- Ei, isso não vale! Ah, seu chantagista safado !!! Tô aqui, tremendo feito viciada (que de fato estou) nas tuas histórias, e vc me vem com essa, não vai terminar de contar sobre a tua abstinência… Isso não se faz, viu?! Hunf! Cristie – 2008

12- entresafra é fogo…continua e estoria meu escritor-favorito, vai. Christina, Rio de Janeiro-RJ – 2008

13- É. Eu não fazia idéia mesmo, fico sempre lhe subestimando e nunca acho que você vai se superar na continuação da saga de secura de 1 ano. E deve ser por isso mesmo que tomarei um remedinho pra cólicas daqui a pouquinho. Vai matar outro de rir, Kelmer, aliás, Ricardinho! (falei isso com a boca aberta e olhos arregalados, enternecidos…kkk) Rafaela, Campina Grande-PB – 2008

14- Vc sabe tudo… e a Sonja também… INCRIVEL…”catártico” Ô Ricardooooo Termina essa estória pelamordeDeus…rsrsr… Cristina Rodrigues, Santos-SP – 2008

15- hum.. já ficou assanhado lembrando da sonja e seu orifício dilicioso.. arráaaa Sou uma das leitoras que como foi mesmo que você disse .. ah.. as “bem comidas”.. meu marido faz a parte dele direitinho!! aiai Mas é claro que as vezes, ele está lá no seu dia de trabalho árduo e eu aqui em casa a pensar na vida…. ai já viu né.. não sei por causa de quê..??? começa a vim um fogo e olho para o relógio e penso: mãos pra que te quero.. e ai meu filho vai eu e o travesseiro, rolando de uma lado para outro… quer os detalhes né safado.. eu não.. só se você me explicar primeiro essa tal posição da ventania no bambuzal.. Pandora, Goiânia-GO – 2008

16- Hahahahaha! Diz que homem na secura é um horror…mulher mal comida então, sem comentários. O mau humor chega a ser quase palpável, ninguém merece! Ainda bem que meu namorado me mantem assim, muito, muito bem humorada. Lu Robles, São Paulo-SP – 2008

17- Fui seca na sua saga e vc não escreveu quase nada. rsrsrsrs Tá querendo matar a gente de curiosidade? Gosto dos seus textos com uma pitada de pimenta. rsrsrsrs. Alessandra Pereira, Brasília-DF – 2008

18- caramba, vc tem que continuar com os posts de ‘um ano na seca’, e quando acabar continue em ‘dois anos na seca’ e assim sucessivamente 😀 hahaha. Vamille – 2008

19- “Um Ano na Seca” me faz entender muuuiiito sobre o universo masculino. Rosa, Fortaleza-CE – 2008

20- Quando eu penso “Kelmer já esgotou toda inspiração que tinha, desse Um Ano de Seca não vai sair mais nada, já deu o que tinha que dar!”, lá vem tu com essa história de fazer um roteiro sobre prostituição na Vila Mimosa. Tá, já die meu braço a torcer. Agora continue, seu cabra. Rafaela, Campina Grande-PB – 2008

21- Desconfio que você tem um lado SADO… E olha que disso eu entendo, rsrsrs. Conte logo o final dessa história com a Rose. Mesmo usando minha imaginação, não é a mesma coisa. bjs. Clara Yasmin, Rio de Janeiro-RJ – 2008

22- Ai, Kelmer, e a Rose, hein? Marréóviu, marréclaro que eu quero ver esse final. Foi ou não? Beijos, querido! Cada vez mais fã, seu mimoso! Rosa, Fortaleza-CE – 2008

23- Como pode alguém fazer de uma situação ruím ,uma coisa engraçada,só vc mesmo,olha eu parecia uma louca rindo aqui no meu trabalho,kkkk,momentos taum engraçados,e que é dificíl naum te encaixar na foto,pq minha mente é fértil demais,por outro lado vc acaba passando para suas leitorinhas o homem romantico,carismatico e sensual que vc é,e fora outras cositas massss…..rsrsrs,deixa pra lá,dá vontade de ler td de novo.bjus e abraços. Lucia Lima, Fortaleza-CE – dez2010

24- Muito bem escrito e divertido. Adorei tudo, da Sonja à Marília. bjo. Renata Regina, São Paulo-SP – fev2011

25- Hoje li ‘um ano na seca’ e como me diverti! Espero me divertir mais sendo uma leitorinha VIP! Bjo! Gloria Guimarães, Fortaleza-CE – mar2011

26- Menino, hoje, quer dizer, ontem, tirei pra ler teu blog, e fui me envolvendo de um jeito que não consegi fazer outra coisa… São exatamente 3h25 e desde as 23h to aqui morrendo de rir das tuas loucuras, principalmente do Um ano na seca. Tu parece q tá dentro da cabeça da gente, ou que instalou um programa q percebe todas as nossas movimentações. Adorei a historia, voltarei sempre que sentir saudades de vc 😉 Grande beijo meu caro, obrigada por mais esse prazer literário… Nadine Araújo, Fortaleza-CE – out2011

27- A minha irmão está lendo o seu livro “Um ano na seca” e está adorando! Bjos saudosos! Juliana Melo, Fortaleza-CE – fev2013

27- Finalmente consegui terminar de ler. Chorei do começo ao fim (DE TANTO RIR!!!). O que é isso, meu filho? Eu tava ficando com tanta pena de você que tava quase reescrevendo o final da história pra te dar uma força. Mas confesso, foi bastante enriquecedor, aprendi sobre termos e objetos que não conhecia, kkkkkkkkkk. Só você mesmo pra escrever tanta maluquice! Adorei! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – jan2012

28- ah eu adoreiiiiiiiiii……=D. Laís, São Paulo-SP – jan2012

29- recomendo o livro UM ANO NA SECA..melhor e mais divetido dia dos namorados 🙂 Flávia Lemos, São Paulo-SP – jun2012

30- Olá Ricardo, Td bom?? Eu quero te agradecer pelo livro “Um ano na seca”, achei muito legal, chorei de rir…adorei! Mto obrigada mesmo! Logo mais quero adquirir o Vocês terráqueas [=D] Abraços. Tatiane Beltramini, Taboão da Serra-SP – ago2012

31- E aí meu xará? Antes de dormir li o “Um ano na seca” em um tapa e ri litros. Acabei que acordei inspiradão e escrevi uma música nova totalmente baseada no teu conto. Assim que eu gravar a música nova eu te mando. Abraço! Bardo, Santo Ângelo-RS – mar2013

32- Cara to lendo Um ano na seca! Rindo litros… Comecei a ler no ônibus e parei… o povo já tava curioso pra saber do que se tratava! KKKK. Kelmer, seus escritos sempre me divertindo muito! Jéssica Sousa, Fortaleza-CE – mar2013

33- Ricardo Kelmer, devorei o seu “Um ano na seca”! Ao mesmo tempo em que solidarizava pela situação de secura, bolava de rir com as situações descritas. Bom era eu lendo isso no trabalho, me abrindo de rir e o chefe olhando com cara de “valha, ela tá doida”! Leitura leve, satisfatória e bem, bem, gostosa, como a vida deve ser. 😀 Kaliza Holanda, Fortaleza-CE – mar2013

34- Só mesmo uma leitura pra gente abstrair todo esse trânsito infernal. Os delírios do Kelmer salvando a noite. 😉 Li quase de um fôlego só! Foi ótimo! Olha, não sei pra você, mas pra mim, foi maravilhoso. hahahahha. Jessika Thaís, Fortaleza-CE – mai2013

35- Infelizmente dei altas risadas da sua desgraça de um ano na seca hahahaha. Vika Mancini, Leme-SP – dez2014


A gota dágua

14/07/2008

14jul2008

A força da tempestade, o poder do desejo. Ela deveria resistir, mas…

A GOTA DÁGUA

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Razão. Você a evoca, angustiada. E a razão surge, gritando em cada sinal vermelho: pare de ser louca! Mas aí o sinal esverdeia e você precisa seguir em frente na tarde cinza, entre os automóveis e a chuva que não cessa. Ainda bem. Não fosse o sinal verde, talvez agora você ainda estivesse ali, pensativa, o carro parado no cruzamento. O cruzamento alagado da ruazinha da razão com a imensa avenida da loucura… e do desejo.

As pessoas na rua correm para se proteger da chuva, todas certas de seu caminho, seguem rápidas e decididas. Você, não. Você segue devagar, e o seu medo de prosseguir reza para o próximo sinal estar fechado. Pararia ali mesmo no meio da rua, não fossem os carros atrás. Tudo em seu ser se contradiz, uma célula quer ir, outra morre de medo. Sim e não. Verde e vermelho. Em seu peito o coração bate no compasso da urgência, não, em suas veias o sangue se desencontra, sim. No rádio, música nenhuma entende seu estado de ânimo. E essa chuva a deixar tudo ainda mais confuso… Sim e não. Ai, que vontade imensa de gritar… Você respira fundo. E acelera.

Francamente falando, você sabe muito bem que limites existem para serem quebrados, não é? E os seus há muito que lhe desafiam. Sim. Para ser exato, desde que ele surgiu, de repente, não mais que de repente. Ele e seu olhar inquietante, o jeito diferente… Você já não sabe se ele é louco ou se louca fica você toda vez que o vê. Tem algo nele que dá um calor, não é? Você nunca sentiu antes, não sabe explicar. Não. É algo meio insano, que lhe faz inventar mentiras e largar o trabalho no meio da tarde. Algo que lhe faz soltar o cabelo, deixar o sutiã na bolsa e sair no meio dessa chuva louca. Ai, e essa chuva… Sua vida era tão certa e hoje tudo é tão imprevisível. Mas ao mesmo tempo você tem raiva dele, por invadir assim seu espaço, virando seus dias de cabeça para baixo, ele não tinha o direito, não tinha. Não. Sim, ele tinha.

Ahnn… mas e a ética, como fica? Afinal, você tem namorado. E você o ama. Bem, na verdade talvez não o ame como achava que amava. Sim, pois se amasse não desejaria esse homem assim. Ou não? Ou o amor nada tem a ver com o desejo? Se os homens são capazes, por que você não seria também? Uma mulher pode entregar-se a um homem, uma vez só, e voltar para outro, como se nada tivesse acontecido? Como uma chuva que vem de repente e depois já passou? Sim, pode, você mesma responde, surpresa com a própria determinação. Pode voltar, sim, mas não como se nada houvesse acontecido, pois sempre terá acontecido, sempre… – você completa, olhando seu sorriso estranho no retrovisor. Você lembra da última briga, um dia antes, e então seu pé pisa mais fundo no acelerador, sim. E a chuva aumenta. Sim. Não. Não se trata de vingança, nada disso. É só a velocidade do desejo. Não. Na verdade, é mais que isso. É uma necessidade. Sim. Você tem de encontrá-lo. Você precisa. Sim. É a única coisa que importa agora.

Em frente ao prédio dele, dentro do carro, você inventa mil coisas para se dar mais um tempo para pensar. Olha a chuva lá fora, ajeita o espelho, sente o ar abafado dentro do carro, é como estar numa gruta úmida… Então, finalmente pega o celular. E liga. E deixa chamar uma vez. E desliga. Agora só tem de aguardar alguns segundos, só isso. Mas não são alguns segundos – são séculos! Séculos inteiros de dúvida e angústia, onde razão e desejo vêm se chocar em sua alma feito as gotas da chuva que batem no vidro, uma gota sussurrando sim e a outra gota gritando não, sim e não, não e sim…

Lógico que não! Súbito, você se dá conta do absurdo. Claro que não. O que está fazendo? Esperando por um homem que mal conhece? Para quê? O que lhe dirá? Que largou o trabalho no meio dessa tempestade só para lhe desejar boa tarde? O que ele vai pensar? Vai pensar que é louca, claro. De repente, tudo fica límpido como um dia de sol. Não, não vale a pena se arriscar tanto por algo que não tem chance de dar certo, não, alguém que você não sabe quem realmente é, não, alguém que semana que vem irá embora, alguém que…

A porta se abre, porém. E ele entra depressa, sentando no banco ao seu lado. Todo molhado, rindo, parece um menino travesso. E você dá de cara com aqueles olhos, aquele sorriso… Meu Deus, você pensa, me ajude, por favor me ajude… Mas seu deus não pode ajudar, não com essa chuva toda. Não. Ele então se aproxima, estende a mão e delicadamente toca seu rosto. Não é mais um menino travesso, é um homem, essa mão é de homem, esse cheiro é de homem, você sabe, o seu corpo sabe. Então tudo que não podia acontecer, acontece: uma gota dágua escorre… da mão dele… para dentro… de seu decote. Sim. Você a sente deslizar… pelo contorno do seio… devagar… cada pelinho acusando… a passagem da gota. Não. Enquanto a gota prossegue em seu íntimo percurso, você fecha os olhos, um arrepio na alma inteira. Sim. Você quer morrer só para não ter que decidir. Você se controla para não abrir a porta e sair correndo, uma louca gritando na tempestade. Você quase explodindo, esticada entre o sim e o não, o não e o sim… Não. Não, você não abre a porta. Nem grita. Nem poderia. Porque os lábios dele, molhados e quentes, tocam os seus, e toda dúvida se desmancha em sua boca. E da vida previsível faz-se a aventura. Não mais que de repente.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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vtcapa21x308-01Este conto integra o livro
Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

Ricardo Kelmer

Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

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A entrega – Memórias eróticas – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda história de amor e salvação por meio da submissão no sexo anal

Quem tem medo do desejo feminino? – Você consegue imaginar Nossa Senhora tendo desejos sexuais? Alguma vez na vida você a imaginou fodendo?

O íncubo – Demônios que invadem o sono das mulheres para copular com elas

Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou…

O desejo da deusa – Ela, ele, o desejo e um deus repressor

A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

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01- tenho certeza que tu é uma lésbica encarnado num corpo de homem rss ta xou bjs. Jéssica Gianbarba, Fortaleza-CE – jun2006

02- Rica, Li A Gota D’agua e lembrei de Chico Buarque, mesmo porque ele tem uma musica com esse titulo. Voce expoe a alma feminina nesse conto.E paixao e uma coisa tao boa, lendo deu ate vontade de sentir de novo. Muita verdade, muito dentro da alma da mulher. O publico jovem, entre os 20 e 30 anos, vai adorar. Mulheres. Adorei a mistura de sentidos com a chegada da tempestade, como se a natureza fosse um espelho do que estava acontecendo. Achei a ultima frase do conto muito lugar comum, muito ja dita. Acho que o desfecho merecia algo a mais… nao sei. Mas eu sempre bato nessa tecla com voce, ne? O final… Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – jun2006

03- A mulher do conto sabe que vai levar pra sempre a certeza de que viver e MARAVILHOSO! Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – jun2006

04- É isso, adorei. A gente não lê, devora! E só quem já passou por uma paixão como essa sabe o que é: a vertigem, a vontade, a angústia e o prazer, inesquecíveis. Tem uma frase que resume bem essa história; “Porque não viver intensamente, se a vida é uma aventura da qual não sairemos vivos?” Bjks. Sandra Ribella, Limeira-SP – jun2006

05- Magnífica a composição com Vinícius e seu “soneto de separação”! E muito bom o modo como ilustras a dúvida, a inquietação, a angústia, a luta do desejo contra a ética num cenário de chuva e trânsito – o cenário perfeito: estivesse sol e o encontro fosse num qualquer lugar idílico e todos os sentimentos negativos se esbateriam com a luz e a paz, e a banda sonora seria com o “soneto de fidelidade”. As cricunstâncias mudam tudo mesmo… 🙂 Susana Mota, Leiria-Portugal – jun2006

06- Gota D’água: Belo texto de amor proibido… toma cuidado para ele não ser motivo de cornos te ameaçarem! Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – jun2006

07- Olha,concordo com a leitora que acredita que vc é uma lésbica reencarnada no corpo de um homem! Logo que comecei a ler me veio, imediatamente,um frio no estômago.Pois passei por situação muito,mas muito parecida mesmo com esta que vc escreveu…Mas acho que não conseguiria descrever com tanta precisão os conflitos daquele instante. Belíssima descrição de detalhes,muito poético,angustiante e,ao mesmo tempo, excitante. Obrigada despertar em mim lembraças tão gostosas! Mereces um beijo por isso Ricardo! Sidiany Colares, Fortaleza-CE – jul2006

08- Oi Rica! Adorei o teu texto! Estou começando a escrever agora.^^ Mas é bem isso mesmo, as mulheres tem isso mesmo do desejo e a razão, mas é devido a postura da sociedade sabe, essa coisa de ceder é vista como falta de caráter, é como colocar tudo a perder, conheço pessoas que cederam e pagaram caro sabe, não tem nada mais hípócrita do que isso. As pessoas se esquecem que não são “posses” e sim seres que anseiam por felicidade, e isso não é relativo. Graziele Lice, Bauru-SP – jul2006

09- Gostei muito do conto Gota d´água, psicologicamente bem moderno, você é talentoso mesmo. Não te conhecia e é um prazer ler teus contos. Miriam, Criciúma-SC – jul2006

10- Olá Ricardo, Vim lhe agradecer pelo texto. É lindo, e sabe? tem algumas partes que parece que sou eu…rs Tenha uma semana iluminada. Abraço. Márcia Milani, São Carlos-SP – jul2006

11- cara Fantástico corri as palavras, parágrafos e me deparei não mais com um texto…mais com um carrossel de imagens instigantes,lépidas e visceralmente vivas!!!!! Foi hipnótico, senti a alma da personagem….sensação estranha e deliciosa! Valeu!!! Marcelo Amoreira, Fortaleza-CE – jul2006

12- lindo, lindo, lindo. Glaucia Costa, Fortaleza-CE – jul2006

13- Nooooosssa! Ricardo! Lindo! Perfeito! Impressionante como você tem o poder de adentrar na alma feminina e dizer exatamente o que pensamos, o que queremos, o que desejamos! Não fosse pela parte que ela tem namorado, eu diria que sou eu, essa mulher aí! Já aconteceu comigo, é é bom , muito bom, deixar a razão voar pelos ares e a loucura tomar conta! Beijos, muitos beijos para você! A cada dia eu tenho mais vontade de te conhecer pessoalmente! Obrigada mesmo! Cláudia Martins, Montes Claros-MG – jul2006

14- Não mais que de repente, vc me surpeendeu com o que acabei de ler… bjo. Márcia Cristina Menezes, São Paulo-SP – jul2006

15- Per-fei-to…parabéns… Valéria Pinheiro, Fortaleza-CE – jul2006

16- Oi Ricardo, nem sei se lembra mais de mim, depois que virou estrela(hehehe), mas quero lhe parabenizar pelos textos e pelas fotos sensuais que vc tirou de vc mesmo. Parabens pelo seu trabalho e sua coragem. Sucesso!! Beijos. Eloah Gonçalves, Fortaleza-CE – jul2006

17- muito bom ! Suely Andrade, Brasília-DF – jul2006

18- Gostei bastante do “A gta D’agua…a duvida cristã…o arrependimento antes do feito…asede por sexo devido a rotina com o oficial… Sim! Acho totalmente possivel, votar para o namorado depois de ter passado nos braços de outro… Nádia Rosa de Castilho, São Francisco do Sul-SC – jul2006

19- Adorei! Você sempre me provoca dois sentimentos: o primeiro é de inveja, porque gostaria de escrever como você escreve; o segundo é de prazer, o prazer de ler você, o prazer de saber que você vai escrever de novo e eu vou ler novamente. Nem conheço você muito bem pessoalmente, mas dentro da minha mente você é um velho conhecido. Obrigada por me mandar este texto. Vou repassa-lo para minha irmã lá na Califórnia. Bjs. Virgínia Lígia Freitas, Fortaleza-CE – jul2006

20- Adorei, porque já vivi uma situação de dúvida assim parecida. Incrível como você sendo homem, consegue captar as sensações femininas! Você escreve muito bem, parabéns! Elisa Pimazoni, São José do Rio Preto-SP – jul2006

21- RK, vc sempre surpreende, quanto mais num domingo a noite! Como disse Clarisse Lispector ” É por isso que nos dá uma dor no coração sempre que lemos aquelas linhas escritas pela mão de um mestre e a reconhecemos como nossas, como os tenros brotos que esmagamos porque nos faltava fé para acreditar em nosso próprio critério de verdade e beleza.” Ana Sherida Alexandrino de Oliveira, Fortaleza-CE – jul2006

22- wwwooowwww adorei !!!!!!!! gostei tanto que depois de ler voltei a ler interpretando , como e quando voce passou a conhecer a alma feminina assim ???? beijos. Walkiria Fonseca, Nova York-EUA – jul2006

23- se eu pudesse….. agora seria uma gota d’agua…. percorrendo o seu corpo…. como sempre!!! voce surpreendente… ardentemente…. louco!!! beijos…e beijos. Rita de Cássia, São Paulo-SP – jul2006

24- Bom dia Rk, gosto muito quando no final dos seus contos e artigos você menciona esse filme. Sem dúvida foi o filme mais lindo e sensível sobre o Planeta Terra que assistí. Uma viagem cheia de beleza e luz! Rk, sobre esse conto da figura que ama um homem e senti desejo por outro, é super natural, até porque a libido é uma coisa que faz parte da nossa natureza. Não vejo nenhum problema em viver os dois sentimentos, ainda mais se eles forem fortes e vedadeiros! Se cuida tá? Com carinho e paz. Lua, Fortaleza-CE – jul2006

25- Arrasou…Eita…perdi até arespiração …rsrsrsrsr Saudades..Beijos. Viviane Avelar, Fortaleza-CE – jul2006

26- Meu querido amigo Como sempre divino na suas estórias. Vc tem uma maneira de expor que nos faz penetrar no conto e vivenciá-lo na sua íntegra. É muito gostoso. Adorei Bjinhos. Mariucha Madureira, Brasília-DF – jul2006

27- demais amei..perfeito. Teca Baima, Fortaleza-CE – jul2006

28- Muito bacana o texto. Parabens! Um abraco. Sorys Mello, Rio de Janeiro-RJ – jul2006

29- Lindo, lindo, lindo A Gota Dágua!!! Parabéns! Gilvanilde Oliveira Falcão, Fortaleza-CE – jul2006

30- Muito bom Kelmer. Dá pra ficar sem fôlego. Abraço. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – ago2006

31- E aí mais uma vez vc consegue tocar o mais secreto medo e desejo de nuestra alma feminina. Sua terceira linguagem está bem afinada com nosso tempo. Resta fechar com mais inteireza. Lindo. Dijé Sales, Fortaleza-CE – ago2006

32- Não tem pecado, não tem culpa, não tem razão. Sim, tem razão. A razão induz ao pecado e a culpa. A leitura do texto induz à mínima reflexão… sentir-se úmida à sensação da chuva ou do desejo. Marlyzinha, São Paulo-SP – ago2006

33- Sobre “A gota d’água”…só te digo…vai sacar de mulher assim lá longe!!! Como é que a gente faz pros caras terem essa percepção que vc tem?? Queria um assim pra mim!!! Só me faz achar que vc tem uma alma hermafrodita… Bjs e bom final de semana!! Elaine Maria, Fortaleza-CE – ago2006

34- achei muito realistico, pois eu sou esse tipo de pessoa que ja traiu , mas viveu a cada vez esse dilema infernal de estar fazendo algo que para a minha criação conservadora era incrivelmente errado. mas por outro lado a minha minha mente altamente moderna queria fazer com urgencia. entendí toda a angustia do personagem tão bem, que cheguei a senti-la. sinceramente me deixou até triste. mas a intenção era essa né ? tocar na alma… Michelle Diamanti, Taranto-Itália – ago2006

35- Parabéns! pela tranquilidade empática a quql encontramos com tanto fluidez no texto. Marta Peixoto, Fortaleza-CE – set2006

36- Cara tu é demais, bá recebi por email de uma amiga o texto “A gota d’agua”, tu passaste exatamente o que uma mulher sente. Adriana da Silva de Souza, Porto Alegre-RS – set2006

37- criatividade junto com o talento e forma perfeita de juntar as palavras nesta cadência maravilhosa nos transporta para aventuras como a da gota d’água, mas sua experiência de vida deve ter uma contribuição significativa para tanta beleza. A beleza do seu trabalho faz com faz que meu íntimo busque transformar em um só a criatura e o criador! Este é o pecado capital dos fãs. certamente eu e mais trocentas mulheres teremos total identificação com este texto, pois a dúvida crucial deste sim e deste não já nos perseguiu em outros momentos de vida. bjs. Diva, Macapá – set2006

38- Crônica maravilhosa!!! Estória envolvente!!! A aventura que toda mulher deve sonhar, em seu íntimo, viver…Ler suas crônicas são ótimas!!! Beijos. Cynthia, São Paulo-SP – nov2006

39- Fala Kelmer! Blz? Confesso que ontem foi a primeira vez que li seus artigos, textos, desabafos, difícil definir… hummm…memórias sonâmbulas que fogem na madrugada gélida antes de serem acordadas pela realidade sem graça. Bom, li pela primeira vez ontem e hoje virei fã. E por que não virei fã ontem mesmo, quando devorei todos os textos com os olhos dilatados? Explico: ontem à noite encontrei alguns amigos no cubículo etílico que costumamos freqüentar. Mais do que uma simples reunião de temas cotidianos, debatemos a fragilidade do momento e oferecemos um trago de nossos traumas a quem estivesse disposto a encarar. Foi quando percebi que os textos que li esmagavam meu raciocínio, açoitavam minha defesa, guiavam minha cega convicção. Enquanto meus colegas de faculdade tropeçavam nos próprios cadarços e confessavam, friamente, “…o que ela quer? Um namorado ou uma padre, porra?” pensei quieto: “Putz! Preciso mandar um e-mail pro cara do O POVO! Aquele texto sobre a “razão” não quer ser dissolvido facilmente dos meus neurônios.” É isso, Kelmer! Mirando meus próprios rabiscos, como um faminto em meio a uma coxa de frango mal devorada, busquei os meus significados. A conclusão veio barulhenta: “Felipe, escreva menos e leia mais!” Abraço! Felipe Valério, Fortaleza-CE – nov2006

40- Meu Deus! Fantástico……..Ele se colocou bem no lugar de uma mulher tomada pelo desejo! Ficou linda a metáfora com o carro e a chuva!O desejo x razão…O molhado,a velocidade…E o desejo ensandecido a tudo guiando! A razão que vá foder tb! Mary Mundo, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – jul2006

41- Difícil um homem saber como uma mulher se sente né? Porque é assim mesmo…quer,não quer,vai,não vai,deve,não deve… Até que chega a hora fatídica e não tem mais prá onde fugir.. Achei que a gente merecia um pouco de aventura. Morgana Cyber, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – jul2006

42- adoro todos os textos do Ricardo,ele é mesmo um excelente escritor e um cara bem maluco. Já entrou no orkut dele? no álbum tem umas coisas bem interessantes.Me mato de rir com ele. Celinha, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – jul2006

43- linnnndoooooooo…….. fiquei encantada… delioso ler a maneira como as emoções vão se digladiando… realmente beeemmm mulher!!! rsrsrs. Andréa, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – jul2006

44- Me fez lembrar o trecho de uma música… …deixa chover, deixa a chuva molhar, dentro do peito tem um fogo ardendo que nunca vai se apagar… Clau, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – ago2006

45- De onde tu tira essas coisas, quem te contou que assim… ai, Deus! Eu tenho medo de me ver sendo descoberta desse jeito… Isso com certeza ja aconteceu com alguma mulher, ou acontecerá ou acontece! Comigo acontece.. rs E essa parte é bem a minha cara: Tudo em seu ser se contradiz, uma célula quer ir, outra morre de medo. Sim e não. Verde e vermelho. Esse seu conto passa a ser o meu preferido. =) Beijos. PS: Voce me assusta…rsrs. Priscila Peres, Fortaleza-CE – abr2008

46- srsrsrsrsrs…vc é divino…dabolicamente divino…é redundante mas vou dizer …amo seus textos…sua fonte de inspiração deve ser louvada sempre…bjs meu escritor preferido… Laisa, Belém-PA – abr2010

47- Muito bom “A gota d’agua”, me descreveu. Me senti nua! Incrível teu conhecimento sobre a alma feminina. Coisa rara. Parabéns. Nina, Cricúma-SC – mai2010

48- No limite da Alma / A louca tempestade do desejo que verte / e desnuda a razão no momento da gota dágua / e o aroma vem, abarcando o sinal vermelho / com gosto de cereja ,,, Adorei o cinestésico fluído da gota !!! Márcia Costa, São Paulo-SP – mai2010

49- Tá bom que é meu preferido! Acho que já sei de cor algumas passagens. O texto mais sincero e honesto que já vi. E é cada situação que me vem… Beijo, encanto de criatura! Emília, Fortaleza-CE – mai2010

50- Querido amigo, Não pude me conter e estou aqui pra dizer que você descreve exatamente a minha alma que é super femenina. Estou vivendo uma paixão ou uma loucura de paixão e é exatamente como vc descreve com tanta riqueza de emoção. Esse amor que me queima a alma, que me deixa feliz por cada momento e quem foge e se esconde dentro da alma dele tão conflituosa me deixa cada vez mais cheia de desejo por ele…meus limites não tem limites e estou vivendo essa louca emoção e não sei pra onde vai…só não consigo ter raiva dele e me sinto como se estivesse responsavel por ele e tem mais tenho certeza que é uma missão , alias de outras vidas e me sinto tão impotente diante desse louco amor. A mistura de ternura e tesaõ me deixa sem razão…vou pela vida caminhado e deixando a vida seguir nosos caminhos…tenho uma alma apaixonada pela vida e pelas emoções… Maria, Fortaleza-CE – mai2010

51- Parabéns cara pelo conto. Muito bem escrito. Zé Netto, Fortaleza-CE – mai2010

52- Francamente falando você sabe das coisas. E eu uma menina assustada. Parabéns pelo texto. Christiane Oliveira, João Pessoa-PB – mai2010

53- já conhecia esse teu texto, que aliás é fantástico! beijos. Nina, São Paulo-SP – mai2010

54- Definitivamente gosto da sua forma de escrever! Acabei de ler tambem A gota dàgua… e estou sem palavras!!! Poxaaaa Kelmer muito bom!! Tambem gosto do Cerejas ao meio-dia. Aluska, Campina Grande-PB – mai2010

55- A gota d’agua me lembrou de uma certa tarde, ha mais ou menos uns 8 anos! Me ví ali,como se alguem descrevesse o que eu vivi. Selma, São Paulo-SP – mar2011

56- Você percebe um ponto interno de corrupção. Um sinal vermelho. “Não avançar” diz o aviso. É melhor cair fora e você sabe disso. É o momento certo de dizer não. Virar as costas e dizer não. Você detecta sua fonte de atração pelo proibido. E vai, está indo, está desobedecendo seu bom senso e se deixando levar. Maldita curiosidade! “E por que não fazer a escolha errada?” pergunto à mim mesma. “Você é uma idiota. Completamente louca e idiota” me respondo. Deve constar na minha ficha técnica: pessoa obsessiva Você não se importa. A lâmpada acende, pisca. Soa o alarme. Você ouve a sirene,sabe que ultrapassar significa perigo, que é um território minado. Mas você deixa detonar.  (Trecho de Filmes Proibidos, romance de Bruna Lombardi)

57- Uau “os limites existem para serem quebrados…” minha cara isso…amei. Paula Medeiros de Castro, São Paulo-SP – nov2011

58- Muuuuuito bom! Simone Marini, São Paulo-SP – nov2011

59- É de abrir o apetite para uma abordagem da Semiótica das Paixões… A hesitação (e a excitação) da personagem configura um estado de espera (Greimas), ou seja, o ponto zero do imprevisível percurso narrativo, o ponto, enfim, em que a paixão se instala. A manipulação recebeu um investimento discursivo dos mais oportunos, o que se exterioriza no emprego da segunda pessoa (“você” no gênero feminino). Tudo resulta numa diabólica manipilação da consciência em seu satânico papel de acusador (pois assim está na Bíblia). A gota d’água abrirá um novo estado passional. Qual? Não é preciso dizer, pois isso já seria outro ponto no conto que o leitor já construiu na sua imaginosa paráfrase mental. Valeu! Um abraço. Leite Jr., Fortaleza-CE – nov2011

60- “A gota d’Água” (pq ficar entre o sim e o não pode tirar o fôlego, mesmo! esse conto é marcante!) Jocastra Holanda, Fortaleza-CE – jun2012

61- O texto que indico, o meu favorito de Ricardo Kelmer é “A gota d’água”, adoro a forma como escreveu esse texto! escrevi um conto inspirado em “A gota dágua” e em experiências de uma montagem de um espetáculo. Samantha Pimentel, Campina Grande-PB – jun2012

62- o que gosto de verdade e sempre releio é “A Gota D’água”. Rosa Emília, Fortaleza-CE – jun2012

63- quem te disse q agente deixa o sutiã na bolsa? rss. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – jan2014

64- Adoro esse texto. Samara Do Vale, Fortaleza-CE – jan2014

65- Vc entende de alguma forma o universo feminino. E muitas coisas q li parece q vc fala sobre mim. Nao é pretensão é simplesmente pq sou mulher. Carolina De Figueiredo, Içara-SC – mai2016

66- Nunca pensei que existisse um homem que entendesse tanto a alma feminina! Encantada. Ceci, São Paulo-SP – jul2016

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O encontrão marcado

05/07/2008

05jul2008

Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

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O ENCONTRÃO MARCADO

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Há livros tão especiais que deviam fazer parte do álbum de fotos da pessoa. Eles são decisivos, apontam caminhos, mudam o rumo da vida. Você deve ter livros assim, difícil eleger o mais importante, né? O livro da minha vida se chama O Encontro Marcado. Seu autor: Fernando Sabino.

Para falar dele preciso antes voltar à infância, eu na biblioteca do colégio Santo Inácio encantado com os livrinhos infantis, o melhor brinquedo que poderiam inventar. Mais tarde, descobri a coleção Para Gostar de Ler, crônicas de vários autores brasileiros. Que delícia! Ainda agora sinto na alma o gosto de susto e descoberta que vinha daqueles textos, horizontes que se abrem, possibilidades desveladas. Hoje eu sei: foi naquele momento, aos dez anos, que as sereias da literatura me fisgaram e eu saltei no mar. Foi lendo aqueles textos que decidi ser escritor.

Sabino era meu predileto. Suas crônicas ilustraram toda a minha adolescência. O humor, a ternura, o modo econômico, o olhar leve e agudo sobre as pequenices do dia a dia ‒ seu estilo me fascinava. Eu já escrevia historinhas e os professores gostavam de minhas redações. Ainda não sabia, mas já procurava. Porém, quando tentava crônicas me batia uma terrível sensação de impotência, pois lembrava de Sabino e pesava sobre mim sua sombra gigantesca. Não, eu jamais conseguiria escrever como ele, melhor nem tentar. Maldito. Como podia incentivar e ao mesmo tempo destruir um jovem candidato a escritor?

Meu pai me presenteava com os livros do mineiro, que eu lia com renovado fascínio. Adolescente, espinha no rosto, sonhando em ser escritor. Mas era algo difícil de visualizar… Que caminhos percorrer, a quem pedir ajuda? Como ser cronista se as melhores crônicas já estavam escritas? Então, deu-se o encontrão. Dezoito anos, dividido entre o velho sonho literário e as dez mil coisas do mundo, peguei na biblioteca da faculdade um romance de Sabino, O Encontro Marcado. Comecei a ler de manhã, não almocei, entrei pela tarde, faltei à aula. A noite veio e eu lá extasiado, sem conseguir largar o livro. Foi um clarão de luz que iluminou de vez o caminho. Fechei o livro, fui até a janela e olhei o mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor.

Aquele livro em minhas mãos dizia tudo. Eu estava ali! Eu era Eduardo Marciano brincando no quintal, querendo ser atleta, descobrindo os livros. Eu era Eduardo puxando angústia, porres homéricos de poesia, promessas de amizade. Eu era aquilo tudo, otimismo, amargura, ironia, paixão, solidão. Eu, mais um marinheiro ensandecido a quem as formosas sereias das letras olharam nos olhos.

A criança já havia decidido. Mas agora o jovem confirmava: eu simplesmente não poderia ser outra coisa na vida senão escritor. Eu trombara com meu próprio destino, um esbarrão que me encheu dessa estranha liberdade de quem abraça a própria sina. Sabia que não seria fácil e que, como a maioria, eu provavelmente desistiria pelo caminho. Sabia também que deveria beber em muitos estilos para encontrar o meu próprio. E entendi que não devia temer as grandes sombras.

O tempo passou, vão-se mais de vinte anos. Combinei com amigos encontros solenes aos quais não fomos, roubei esqueletos, fiz de muitas quedas um passo de dança, fui interrompido antes de terminar. Reli O Encontro Marcado outras vezes. Certo dia, comprei um e deixei no banco da praça, com dedicatória ao desconhecido que o encontrasse. O destino se cumpriu e tornei-me escritor. Culpa daquele livro diabólico.

Há encontros que marcam para a vida inteira ‒ o meu foi aquele. E é ao romance de Sabino que agradeço. Pelos céus e infernos que passei e passarei em nome das sereias da literatura. Por ter me ajudado a fazer do medo, uma ponte. Por ter feito da minha procura, um encontro.
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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Kelmer no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro maldito

O escritor grávido – Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas

Obrigado, J K Rowling – Em todo o planeta milhões de crianças adquiriram o hábito de ler livros graças às aventuras de Harry Potter

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01- Deixo-te, à laia de comentário, um dos meus poetas favoritos – afinal, como escrever um comentário, se o melhor comentário já foi escrito? Susana X. Mota, Leiria-Portugal – jun2005

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
(Alexandre O’Neill)

02- Kelmer, Show de bola a sua coluna, velho…tem style…mas tbm o que se espera de um cearense que pensa que é carioca…é algo como misturar buchada com bolinho de bacalhau…hahaha. Parabéns! Marcos Fonteles, Parnaíba-PI – out2006

03- ONTEM LI:O TEMPO PASSOU.VÃO-SE MAIS DE VINTE ANOS…….GRANDE “ENCONTRÃO MARCADO”!VC É MESMO GENIAL!PORISSO SOU SUA FANZONA.BESOS AH! NÃO SE DESESPERE.SEUS FÃS LHE AJUDARÃO A PAGAR SEU ALUGUÉL, COMPRANDO SEUS BETESSELERS,RSRSRSRS.MUCHOS BESOS. Ângela Carvalho, Fortaleza-CE – out2006

04- Infelizmente, li poucos textos de Fernando Sabino (após seus elogios, “O Encontro Marcado” está confirmado em minha lista anual de livros, hehehe). Raíza Rodrigues Pontes, Fortaleza-CE – jan2007

05- Além de ser agradável a leitura do conteúdo, comecei, através do seu depoimento, descobrir porque você se tornou um bom contista. Fica, mais uma vez, confirmado que quem é sensível e lê bons autores, termina tendo boas influências. Por isso, corre o risco (bom) de se tornar escritor um dia para representar sua geração na Literatura. Parabéns. Avante, meu jovem! E que os gênios literários do passado nos abençoem e nos inspirem sempre para continuarmos com o encantamento da arte das palavras. Diante disso, saúdo o escritor promissor que você é. Seu amigo e leitor. Alberico Rodrigues, São Paulo-SP – jul2009

06 Um dia, encontrei Fernando Sabino numa noite de autógrafos aqui no Recife e disse a ele que também escrevia. Aí, após autografar e me entregar o livro carinhosamente, ele me disse: “Pois bem, quero, um dia, ir numa noite de autógrafos sua”. Faz mais de 15 anos que isso aconteceu, mas ainda guardo na memória o homem simpático, bem vestido, agradável, atendendo todos com enorme gentileza e ternura. Lia sempre suas crónicas e adorava, elas me falavam de coisas maravilhosas e de um modo encantador. Esta é recordação que tenho dele. Viva Fernando Sabino! Viva o dia do escritor! Abraço pra você, Ricardo! Fátima Braga, uma escritora de fato! – Fátima Braga, Recife-PE – jul2009


A bailarina da fé

27/06/2008

27jun2008

Se as palavras servem, infelizmente, para deixar impunes os criminosos, servem também para manter acesa a fé das pessoas num mundo melhor

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A BAILARINA DA FÉ

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Conheci Renata em 1992, quando ela passava férias em Fortaleza. Fiquei encantado com aquela sagitariana bonita, graciosa e de gênio forte, e logo estávamos namorando. Ela era uma pessoa alegre e reluzente, mas havia algo mais nela que me maravilhava: a firmeza de sua fé. Fé em seus ideais, em sua arte, em seguir seu caminho verdadeiro. Uma fé inabalável na vida.

Renata seguiu seu caminho com muita coragem. Ainda adolescente, pegou suas sapatilhas e se mandou, deixando sua terra e sua família, foi sozinha para o Rio de Janeiro viver sua arte bailarina. Era muito nova mas já parecia intuir que, por mais difícil que seja o caminho, mais difícil será sempre a frustração de não haver tentado.

Ela tentou. Morava num quarto e sala pequenino no Catete, dividindo dificuldades, alegrias e esperanças com outra amiga bailarina, enquanto seguia seu aprendizado na academia de dança, sonhando com os palcos e a carreira de atriz. Durante meses nosso namoro se segurou entre cartas, telefonemas e as idas e vindas entre as duas cidades. Durante esse tempo tive o privilégio de conviver com seus sonhos e aprendi bastante com a força de sua fé.

Uma noite, quando já havíamos terminado o namoro e vivíamos aquele clima de volta não volta, ela me ligou chamando para irmos nos divertir na Praia de Iracema. Renata curtia novamente suas férias em Fortaleza, com toda aquela energia de uma garota de 20 anos. Mas era uma segunda-feira, eu tinha muito trabalho no dia seguinte, e respondi que não podia, mas que no outro dia nos veríamos.

Não houve outro dia. De manhã cedo acordei com a notícia de que Renata estava morta, fora assassinada por causa de uma discussão de trânsito. Morta com um tiro no rosto, disparado por um desses dementes que andam armados por aí e que acham que podem resolver tudo na bala.

Já se foram muitos anos. Até hoje sou tentado a me sentir culpado por não ter aceito seu convite aquela noite. Para nós, a família e os amigos de Renata Maria Braga de Carvalho, sua ausência é uma sensação diária de estar amputado. Uma dor sem qualquer remédio possível, como se faltasse uma parte da alma. Mataram Renata e nos condenaram à pena perpétua dessa dor.

O assassino, porém, continua solto e faceiro por aí. Sua família, de Brasília, soube educá-lo com dinheiro, carro importado e um revólver, muito útil para discussões no trânsito. Como ele, há muitos outros Wladimir Lopes Magalhães Porto aí pelas ruas, todos clientes da impunidade, essa senhora discreta e eficiente, que tão bem serve aos que lhe fazem as honras no escurinho dos escritórios e gabinetes.

De todas as violências, a impunidade é a maior. Se queremos uma sociedade mais justa e mais pacífica, não podemos ser complacentes com essa senhora. É preciso não se conformar, protestar, denunciar, chamar a imprensa, o bispo, a corte internacional! Mas às vezes, eu admito, dá um desânimo danado, parece que estamos nadando, nadando e não saímos do lugar. E a impunidade ali, zombando dos nossos esforços…

Nesses momentos, então, eu lembro da família de Renata e de todas as outras famílias vítimas da violência e da impunidade, todas elas lutando por justiça. E aí não posso desanimar, tenho que fazer a minha parte, uma pequena parte, é verdade, afinal sou apenas um escritor. Mas se as palavras servem, infelizmente, para deixar impunes os criminosos, servem também para manter acesa a fé das pessoas num mundo melhor. A mesma fé que Renata tinha na vida.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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SAIBA MAIS SOBRE O CASO

RenataBragaDeCarvalho-2O vestido decotado de impunidade Vê este corpinho, rapaz? Ainda está conservado porque são vocês que o solicitam e tratam de cuidá-lo toda vez que lhes é vantajoso

Acusado do crime é absolvido – Diário do Nordeste, 21.06.08

Acusado de matar bailarina será levado a júri popular pela terceira vez – Site do TJCE, 28.05.15

Acusado de matar bailarina é condenado a 12,5 anos de prisão – Diário do Nordeste, 01.06.15

Acusado de matar bailarina Renata Braga tem prisão decretada após 23 anos – Diário do Nordeste, 02.08.16

Caso bailarina: Justiça decreta prisão de Wladmir – O Povo, 03.08.16

Mãe de bailarina desiste de lutar após acusado de matar a filha ser solto pela Justiça – Tribuna do Ceará, 05.05.17

Caso Renata Braga vai à OEA – O Povo, Blog do Eliomar, 27.09.17

Morre em Brasília o assassino da bailarina Renata Braga – Focus, 09.07.20

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- caramba, 20 anos já. que loucura. saudade da renata. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – dez2013

02- SAUDADES …. Marcus França, Fortaleza-CE – dez2013

03- LIndo registro Ricardo..Parabéns.. Claudia Bahia, Fortaleza-CE – dez2013

04- Um dia a conta chegará para ele Ricardo Kelmer, um dia o “Analista” cobra…bjs. Tatiane Sá, Fortaleza-CE – dez2013

05- Tocada. Nayanna Freitas, Fortaleza-CE – dez2013

06- Noooossa, que texto forte e lindo Ricardo Kelmer! Eu como Renata, sagitariana e também bailarina, me senti até homenageada com o carinho e a atenção que vc descreve a Renata do texto, por sua graça, seu gênio forte, sua fé, sua alegria e esse jeito liberto. É até difícil imaginar como alguém que aparenta ter tanta vida, não mais viver entre nós.  É mesmo muito triste essa impunidade que há no nosso país. Quanto desamor, desumanidade e injustiça. Que possamos cultivar mais o amor, a paz e o respeito com o próximo e sermos mais educados, só assim o mundo será melhor. Que essa saudade que vc, a família e os amigos da Renata sentem, dê lugar a alegria contagiante que ela passo através desse sorriso lindo e escancarado. Tenham fé, a Bailarina dança feliz em uma dimensão tão bela quanto ela. Renata Kelly, Fortaleza-CE – dez2013

07- Areepiou até, seu Kelmo. Muito e muito foda. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – dez2013

08- Caramba tempo voa.Coisas do Brasil que não muda a lei nunca.o bandido sempre tem razão e até “bolsa” pra família. Mimi Rocha, Fortaleza-CE – dez2013

09- Texto irretocável meu amigo. Quero te reencontrar prá jogar umas conversas fora qualquer hora. Abraço. Evandro Mário Coelho, Fortaleza-CE – dez2013

10- Caramba que triste, isso nos faz pensar em “nunca deixe para amanhã o que vc pode fazer hoje” … Vamos lutar meu povo por futuro melhor, enquanto houver vida haverá esperança! Eliene Oliveira, Fortaleza-CE – dez2013

11- O brilho de Renata me visitou aqui, a beleza da história, cheia de lições, é de arrepiar, uma pena vivermos no reino da Impunidade. João Dumont, Juazeiro do Norte-CE – dez2013

12- São tantas Renatas! Mas, vamos seguindo com fé na vida. Belíssimo texto Cadim….bjos. Karina Mozart, Fortaleza-CE – dez2013

13- Muito bom, Ricardo. Quase todo dia me pergunto se esse país mudará algum dia. Ricardo Pontes, Fortaleza-CE – dez2013

14- Encontrei com a Renata na praia, na sábado ou no domingo anterior a essa segunda. Conversamos muito, linda demais, positiva, alegre. Até hoje não dá pra acreditar. Ricardo Campos, Fortaleza-CE – dez2013

15- Ninguém esquece deste trágico acontecimento…mto chocante. Luiz Eugenio Oliveira, Fortaleza-CE – dez2013

16- Oportuno e tocante texto em tempos ainda d tanta impunidade em nosso país. Compartilho sua dor, kelmérico escritor! , Márcia Matos, Fortaleza-CE – dez2013

17- “Nos codenaram à pena perpétua dessa dor” Olhos marejados aqui… Michelle Costa, Camocim-CE – dez2013

18- Esse sujeito, ele vai encontrar o que lhe cabe. Corno manso… Simão Salomão, São Paulo-SP – dez2013

19- Saudades !! A Renata foi minha aluna de sapateado, me lembro como se fosse hoje. Ana Clara Catrib, Fortaleza-CE – dez2013

20- Feliz de rever Renata, mesmo que em foto! Há 20 anos não tínhamos as facilidades tecnológicas de hoje e as poucas fotos reveladas que tinha dela se perderam pelo caminho… Sempre me identifiquei com ela: sagitariana, alegre, geniosa, com sede de liberdade… E meus sonhos também me levaram ao Rio de Janeiro onde moro desde 2005. Coincidentemente, em Laranjeiras, próximo ao Catete. Trabalho no centro da cidade e sempre que passo em frente ao Teatro Municipal me lembro dela… O tempo passa e a dor vai sendo sublimada. Ainda vemos sua alegria e seu sorriso nos sorrisos e alegrias dos irmãos e da tia Oneide, os quais tenho a honra de ter entre meus amigos de face; e particularmente na linda menina do Paulo Henrique Carvalho, que tanto lembra a Renatinha. Mas sempre fica a sensação de como a vida seria mais fácil e mais gostosa se Renata ainda continuasse entre nós. Para mim, particularmente, seria fantástico poder contar com essa amiga querida na cidade em que escolhesmos para morar… Enfim, não podemos mudar o que está feito e só nos resta agradecer à vida pelos 20 anos de sua presença nesse mundo. Mas, confesso que meu coração ficaria um pouco mais calmo se pudesse ver o responsável por sua ausência pagar por toda a dor que causou e por todos os ” e se” de que ficamos órfãos. Marta Lima, Rio de Janeiro – dez2013

21- Uau! Que texto… Que história!!!! Me emocionei! Lilian Argenta, São Paulo-SP – dez2013

22- Belas estórias de amor merecem grandes homenagens. Viva Renata! Helga Lima Carlos, Rio de Janeiro-RJ – dez2013

23- Belas palavras para descrever um fato horrível, muito triste tudo isso. Káryta Lima Schajris, Floriano-PI – dez2013

24- Show. Abner Rios de Alencar, Fortaleza-CE – dez2013

25- Esta em cada um o combate á resignação….o não nos deixarmos corromper e lutar por uma sociedade mais justa…em nome das Renatas todas do Brasil e do Mundo….E nunca esquecer! Lutar sempre ! Renata para sempre ! Oscar Manuel Varandas Correia, Belo Horizonte-MG – dez2013

26- Na época do ocorrido, fiquei extremamente comovido com a situação absurda que foi este episódio! Não a conhecia, mas a revolta ao saber do wue aconteceu, mexeu como se a conhecesse!!! Triste, mesmo!!! Nunca soube que a bailarina, foi sua namorada caro Ricardo Kelmer! De qualquer forma, compactuo com seu sentimento de dor “perpétuo”, acreditando que não só a ferramenta das suas palavras, como de suas, ou nossas atidudes positivas, possam contribuir para um mundo mais tranquilo, mais sereno! Creio que onde quer que a estrela Renata esteja, certamente está com você, com sua luz de fé, com sua luz de arte, Grande abraço pra você! Napoleão Caldas, Fortaleza-CE – dez2013

27- Um texto que traz uma mensagem não só sobre a verdade da impunidade existente nesse país… Traz a verdade sobre a vida em seus vários aspectos, e o mais importante de todos, não deixe para amanhã, não prolongue… curta o hoje, sinta, ame, viva cada dia, antes que seja tarde. Todos estamos aqui de passagem, façamos dessa passagem um reflexo de luz e amor. Robervânia Feitosa, Campina Grande-PB – dez2013

28- Rena morremos de saudade!!! Mônica Carvalhedo, Fortaleza-CE – dez2013

29- Olhos marejados. Daquelas coisas que não podem ser esquecidas. Márcio Roger Braga, Fortaleza-CE – dez2013

30- Lindo texto e triste história. Jeane Sousa Tupperware Acácias, João Pessoa-PB – dez2013

31- Nossa Ricardo, vinte anos, que tristeza. Eva Dantas, Londres-Inglaterra – dez2013

32- Tenho nos meus arquivos uma foto da Renata ainda criança em um dos desfiles do Colégio Cearense. Vale recordar… Luciano Dídimo, Fortaleza-CE – dez2013

33- Palavras do Ricardo! Show! Reny DielFortaleza-CE – dez2013

34- nem conhecia ela, mas lembro demais desse fato. Felipe Maia, São Paulo-SP – dez2013

35- poxa vida… Marisa Vieira, Rio de Janeiro-RJ – dez2013

36- Foi atrás do meu predio. Também lembro bem, o moleque que atirou era um sociopata…um desequilibrado mental. Com esse crime e mais outros é que hj em dia para portar uma arma é nescessário testes psicotecnicos que observam qualquer desvio psicopatico por parte do mesmo. Abner Rios de AlencarFortaleza-CE – dez2013

37- Nossa Ricardo Kelmer, não sabia dessa história. Fiquei arrepiada! Lindo! Silvana FujitaFortaleza-CE – dez2013

38- Cara, lembro muito bem disso! Mas lembre-se: a alma é eterna… Sergio NogueiraFortaleza-CE – dez2013

39- Lindas suas palavras Ricardo Kelmer,expressam muito bem seus sentimentos pela linda Renata… Eliane Campos, Salto-SP – dez2013

40- Lembro até hoje desse acontecimento, muito triste. Lembro também os esforço da elite para tirar o psicopata da cadeia. Adriano AbreuFortaleza-CE – dez2013

41- Lembro bem dos jornais e televisão noticiarem e eh uma pena hoje estarmos falando ainda de impunidade.Seria ideal uma punição,mas penso que com a cidade absurdamente violenta como estamos hoje,na realidade nao me percebia o quanto estava violenta na época desse assassinato cruel,quero pedir um favor?meditemos sobre nossa própria colaboração com a violência,eh uma forma de validar a experiência dessa jovem que hoje poderia estar brilhando nos palcos da vida,mas que teve o merecimento de brilhar em memória e emoção!desculpa o desabafo ,me sinto tocado quando vejo uma pessoa da minha geração sendo tao vilipendiada ,eh de nossa responsabilidade nao gerar tamanha violência,e constantemente implantar uma cultura de paz! Geraldo MesquitaFortaleza-CE – dez2013

42- Coração de estudante / Há que se cuidar da vida / Há que se cuidar do mundo / Tomar conta da amizade / Alegria e muito sonho / Espalhados no caminho / Verdes, planta e sentimento / Folhas, coração, juventude e fé”. Com essa música me despedi da linda Renata, foi a última vez que enchi meus olhos com seu bailado, era impressionante! Sua luz ainda maior! Tanto que não coube nessa dimensão! Acreditar na paz é fácil, difícil é acreditar nos homens! Enéas Oliveira LousadaFortaleza-CE – dez2013

43- Ô Renatinha, minha linda, como é bom ver esse seu sorriso lindo de novo. Lucy Anna Westad, Oslo-Noruega – dez2013

44- Kelmer, quero ler cada comentário! Conheci a Renata qdo morei em Fortaleza (1991) e ela era um doce, uma menina especial mesmo! Ela adorava pegar emprestada uma camisa da Ellus branca cheia de mini caveirinhas pretas, que eu tinha…as caveirinhas mais pareciam mini rosas. Há anos que quero reencontrar alguém da família, o Paulo (irmão)..ou a mãe (uma mulher sem igual!). estão por aqui entre seus amigos? aahhh não acredito, estão todos aqui,o Paulinho…a Oneide! (a Renata contida neles)..vou já deixar recado, obrigada Kelmer! (o texto nem precisa dizer que comove, e que homenagem merecida!). Elenice Gago Affonso, São Paulo-SP – dez2013

45- Conheci e convivi com ela desde de muito pequena pois era muito amigo de seus irmãos Paulo Henrique e jorginho, vendo este poste me veio toda as lembranças de muitos feriados e férias passados juntos em sua casa no morro branco. saudades!!! Dudu FreireFortaleza-CE – dez2013

46- “De todas as violências a impunidade é a maior” vai ficar pra sempre em minha mente, abraços. Cibele Baptista, Barretos-SP – dez2012

47- 😦 Dalu MenezesFortaleza-CE – dez2013

48- Exatamente um ano antes, na mesma data, 28.12.92, morreu tb uma jovem bailarina, modelo e atriz, Daniela Perez, que comoveu o Brasil inteiro.. Uma vida que foi também tirada cruelmente.. Que a justiça seja feita, em todos os casos!! Josy Jovi, Pau dos Ferros-RN – dez2013

49- Parece que ainda estou vendo a Renata correndo pelos corredores do colégio cearense. Foi uma grande tragédia para sua familia. Carla Acioly LinharesFortaleza-CE – dez2013

50- “não houve outro dia” 😦 Alana GabrielaFortaleza-CE – dez2013

51- Retrato comovente, Ricardo Kelmer… Infelizmente, e tristemente, a literatura nos abraça com seus registros que, imagino, jamais são esquecidos. Caloroso abraço, meu escritor favorito. Teo Lorent, São Paulo-SP – dez2013

52- Tinhamos encontrado com ela horas antes desse fatidico episódio! Custamos a acreditar…. Rochele BezerraFortaleza-CE – dez2013

53- Lembrei agora do som da risada dela… Mirella ForteFortaleza-CE – dez2013

54- Quanto cabelo! srsss. André Marinho Marinho, Fortaleza-CE – dez2013

55- Q triste, Ricardo. Tb perdi meu irmao, vitima da brutalidade do transito de Brasília, em 2007…E o responsável, ou melhor dizendo, o irresponsável, ainda está impune…E a gente q tem q aprender a viver e conviver com a dor da perda, como vc tao bem expressou no seu texto…Uma linda homenagem… Luciana Brasileiro de Holanda, Campina Grande-PB – dez2013

56- Que saudade Da Renatinha !! poxa, Ainda sonho reencontrando ela, varias vezes!! Nos meus sonhos eu descubro que ela está viva, e que tudo não passou de um grande engano… Não tive a oportunidade de me despedir tbm… Crime imperdoável! Tão cheia de vida…. Que a continuação de sua vida na eternidade esteja sendo uma eterna primavera e que Deus conceda a graça dela poder reencontrar todos a quem tanto ama na paz eterna! Amem. Beijo no seu coração amiga. Ore por nós todos. Nunca te esqueceremos! Fernanda PhilomenoFortaleza-CE – dez2013

57- Lembro muito dela e de sua alegria contagiante!!! Muita pena de tudo isso, ela dancava como ninguem!! Saudades. Cinthia Braga PerdigaoFortaleza-CE – dez2013

58- Amigo… jamais se culpe !! Nossos destino estão traçados.. Leila Borges, Curitiba-PR – dez2013

59- me lembro tanto dessa notícia …só a conhecia de vista mas a achava linda e cheia de vida …Se a justiça dos homens falha, com certeza esse monstro assassino não escapará da justiça divina…aqui se faz aqui se paga …e depois arderá no quinto dos infernos… Jeanine Lima Caminha, Fortaleza-CE – dez2013

60- Isso não vai acabar nunca. Não temos leis eficientes, justiça rigorosa e nem políticos capazes de mudar isso. Infelizmente. Francisco Braz, Eusébio-CE – dez2013

61- “não houve outro dia”. Alana Gabriela, esta frase foi a que mais me marcou ao ler o texto.Serve como reflexão. Silvana Alves, Fortaleza-CE – dez2013

62- Acusado do crime é absolvido. http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=548278. Monica Bürkle, Recife-PE – dez2013

63- Nossa Ricardo Kelmer….Uma narrativa trágica, mas com muita beleza de sentimentos bons! Palavras de uma tragédia que acompanhei na mídia, pois não a conhecia pessoalmente.que me emocionaram muito. Parabéns por transmitir a saudade com ternura e amor. Os “anormais” sabem sentir o amor fraterno intensamente…! Viva a nova vida de Renata !!!!!!!!!!! Angela Marques Gadelha, Fortaleza-CE – dez2013

64- Ricardo não sei te vais lembrar, nas passado um tempo (depois do ocorrido) a gente chegou a reunir-se em casa dos pais da Reanta,com o Jorge, o Paulo Henrique, os pais, a Cris (tb faleicda), Eveline, Dea Girão, tu tb… e literalmente passamos a noite ao som de violão e muita cantoria… as boas memórias ficam guardadas e não há tempo que possa apagá-las! Linda homenagem! Andrea Coelho, Lisboa-Portugal – dez2013

65- Que triste e trágico fim para essa moça tão linda… A culpa não foi sua Ricardo Kelmer, por não ter ido ao seu encontro. São fatalidades da vida… Por isso devemos amar ao próximo e respeitá-los. Cultvar cada dia com amor, pois nunca temos a certeza do que nos espera. E o que levarems daqui são as boas lembranças. Clara Haugland, Fortaleza-CE – dez2013

66- Que triste meu amigo….mas mui bela sua homenagem! Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – dez2013

67- Não se sinta culpado… cada um de nós tem um caminho…. de alguma forma ela fez o dela… fica bem. Juliana Schure, São Paulo-SP – dez2013

68- Belíssima homenagem! Keyla Bachur, Goiânia-GO – dez2013

69- tocante, Ricardo Kelmer. Tetê Macambira, Fortaleza-CE – dez2013

70- Muito triste mesmo, 20 anos e parece que foi ontem! Garota Linda, gente boa com uma família maravilhosa. Muito comovente mesmo! O covarde que fez isso estava de férias com sua turma em fortaleza, presenciei uma confusão com eles dias antes no Clube do Vaqueiro. Quando vi a foto daquele gordo infeliz nos jornais não acreditei. James Dantas, Fortaleza-CE – dez2013

71- Não é mais um caso a se pensar, e sim agir!!! e como? Flavio Rangel, Fortaleza-CE – dez2013

72- No país da Impunidade, é quase a regra o que ocorreu … Carlos Sérgio Mota Silva, Fortaleza-CE – dez2013

73- Me lembro como se fosse hoje, o dia que recebi a notícia da morte da Renata.. muito chocante!! Denilson Lopes, Fortaleza-CE – dez2013

74- Vi praticamente a Renata nascer, era muito amigo de seus irmãos e passava muitos finais de semana em sua casa, conheci ela ainda muito pequena, e estas postagens me fizeram lembrar de uma época de infância quando tudo era sonho até crescermos e a vida nos pregar umas peças como esta. saudades!!! Dudu Freire, Fortaleza-CE – dez2013

75- Nossa cara que história triste! Jackson Wendell, Fortaleza-CE – dez2013

76- Belas palavras para descrever um fato tão triste…recomendo a leitura,toca o coração… Thais Guida, Rio das Ostras-RJ – dez2013

77- É tudo muito triste! Michelle Firmeza, Fortaleza-CE – dez2013

78- Com certeza muito triste….. Richard Siwaletti, Fortaleza-CE, dez2013

79- Passamos o reveillon juntos em Guaramiranga, lembra Ricardo Kelmer? Ela era realmente uma pessoa muito especial #luto. Beatriz Villar, Fortaleza-CE – dez2013

80- Arnêmia Boyadjian, ela era neta de um vizinho nosso da Gentilândia, sr, Clodomir. José Augusto Moita, Fortaleza-CE – dez2013

81- Eu conheci a mãe da Renata, pouco depois da sua morte! Nunca me esqueci dela e da sua dor! E do CD da Marisa Monte que tocava na casa de praia onde estávamos, com a letra “eu tenho a minha dor…” Muito triste esta história! Que Deus abençoe a sua família! Anna Mendonça, Fortaleza-CE – dez2013

82- Compartilho esse emocionante texto do amigo Ricardo Kelmer, que deveria ser bem lido pelo tal Wladimir Lopes Magalhães Porto, onde quer que esteja. Impunidade é coisa antiga e sempre atualizada. Raymundo Netto, Fortaleza-CE – dez2013

83- ME LEMBRO DESTE TRISTE ACONTECIMENTO…RENATA ERA FILHA DE UM COLEGA DO BNB. HOJE APOSENTADO. Fatima Carvalho, Fortaleza-CE – dez2013

84- Quanta dor expressa nesse texto, chega a doer em mim também. Maria Fátima Freitas Corrêa, Fortaleza-CE – dez2013

85- Só quem sabe é o dono da dor !!! Raquel Duarte Taveira, Fortaleza-CE – dez2013

86- Lembro muito desse acontecimento, realmente muito triste. Silvana Santiago, Fortaleza-CE – dez2013

87- Não fique triste,ela apenas vive em outro plano,quem sabe mais livre e mais feliz.Parabéns pra vc e beijos pelo seu sentimento tão vivo no seu coração. Janilda Oliveira, Fortaleza-CE – dez2013

88- Comovente…! Sonia Regina Parmigiano, São Paulo-SP – dez2013

89- aii, por deus! espero nunca passar por isso! Binha Oliveira, Fortaleza-CE – dez2013

90- Chorei. Ela bailava lindo quando crianca, depois a encontrei – cheia de vida, cheia de planos – na praia, ela estava de ferias aqui em Fortaleza. Dias depois soube dessa tragedia, uma lastima saber que o assassino vive impune. Luciana Melo, Fortaleza-CE – dez2013

91- A melhor justiça éa de Deus! Confia somente! Ligiane Sousa, Fortaleza-CE – dez2013

92- sinto muito. Danielle Alves, Fortaleza-CE – dez2013

93- Conheci a filha, depois a mãe. Duas mulheres encantadoras. Toda a minha solidariedade de sempre. Alberto Perdigão, Fortaleza-CE – dez2013

94- Meu querido! liberte-se da culpa de não tê-la encontrado! de não ter aceitado o convite! LIberte-se da culpa, liberte-se da Mágoa! liberte-se dos sentimentos negativos para que essa energia seja realmente transmutada e a verdadeira justiça se manifestará!Liberte-se do desejo da sua justiça, pois esta está cheia de um fardo negativo e pesado.Perdoe-se , liberte-se, entregue ao Universo que tem a sabedoria da correção e resolução justa, bondosa, verdadeira! Paz e luz no seu coração! Anosha Prema, Campinas-SP – dez2013

95- Emocionante! Nonalissia Costa, Curitiba-PR – dez2013

96- Lindo texto. E a Renatinha continua a brilhar, sempre, sempre. Kelmer compreendo o que sentes, queremos achar que temos esse poder do e se… Hoje entendo que não temos, o que temos é nosso presente e nossas atitudes que nos direciona. Fica em paz. bjs. Georgiana Portela, Fortaleza-CE – dez2013

97- Ahhhh Renatinha !!! Lembro muito … Em varias situações … Especialmente na minha festa de 15 anos, toda de azul se acabando de dançar !!!! Tenho inclusive a fita (agora transformada em DVD) …. Nessa mesma 2ª feira, havia encontrado com ela na praia e o mesmo convite fora feito a mim para ir ao Pirata … Mas como minha avó estava tb de ferias aqui e naquela noite passaria pela 1ª vez na TV o filme Ghost, declinei do convite, pois meu compromisso logo mais seria com a minha avó diante da telinha … Que aperto no , quando me recordo da minha mãe me acordando e me contando a tragédia … Muito amor tenho por toda a família (família amada desde sempre), tia Oneide Braga, meu amigo de fé Paulo Henrique Carvalho, Jorginho … Sinto muitíssimo e rogo a Deus pela Renata e por todos … Pelo perdão que salva e liberta a todos !!!! Viva a Renatinha e sua luz … Verdade Ricardo Ricardo Kelmer, a Renata é resplandecente. Isabella Cantal, Fortaleza-CE – dez2013

98- Uma história de uma estupidez absurda e um resultado na justiça decepcionante e ilustrativo de como funciona o Judiciário no Brasil. Marcelino Pequeno, Fortaleza-CE – dez2013

99- Linda, forte e de uma familia muito legal, sua mãe que eu conheci e tive prazer de conhecer , uma pessoa do bem, mas a JUSTIÇA do Brasil é esta mesmo, enquanto não mudarmos isto, ficaremos sempre a refem destes Bandidos. Franze Santos, Brasília-DF – dez2013

100- Ricardo, o mundo precisa de pessoas como você, capazes de mostrar seus sentimentos. É preciso realmente ter força pra não deixar que a mesma bala que ceifou os sonhos dessa jovem, assassine a nossa esperança de justiça. Um abraço. Luiz Carlos Menezes, Fortaleza-CE – dez2013

101- “De todas as violências, a impunidade é a maior.” Triste. Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – dez2013

102- Ricardo, a certeza de um até breve , ameniza, traz um conforto maior!! Ela cumpriu lindamente a sua missão …. Injusto?para nós que somos egoístas e não gostamos de sofrer … Aliás , quem gosta? Mas tudo tem seu propósito …. Só Deus , nós da e nos retira … Com certeza mais deslumbrante ela está! Livre, com suas sapatilhas …. Delicadeza! Completa! Feliz ano novo !! Muita paz, saúde …. Tudo que você desejar !! Beijao. Ana Kariny Gomes Rosa, Fortaleza-CE – dez2013

103- Meu pesar, história triste…Linda meu caro poeta. Jose Leite Netto, Fortaleza-CE – dez2013

104- Lindo, triste e comovente, Ricardo Kelmer. Que 2014 nos ajude a construir um mundo melhor! Beijão. Cristina Balieiro, São Paulo-SP – dez2013

105- Linda história, lindo sentimento. Apesar da tristeza e dor existente na história, sentimos o sentimento maior de todos nessa narrativa. Saiba que não deves se sentir culpado, pois Deus tem planos para cada um de nós que fogem infelizmente ao nosso controle. Renata está em um lugar iluminado e orando por você. Feliz 2014, muita paz, luz, fé… Att, Emiliane Teixeira, Cajazeiras-PB – dez2013

106- Pra mim essa foi a sua postagem mais linda!… Um brinde à Renata, sim! Dri Flores, São Paulo-SP – dez2014

107- Emocionante Ricardo Kelmer! Grande abraço! Sidneia Fonseca, São Paulo-SP – dez2014

108- Brindemos! Amaury Candido Bezerra, Fortaleza-CE – dez2014

109- O tempo passa mas as lembranças ficam Andrea Coelho, Lisboa-Portugal – dez2014

110- merda!! nunca me esquecerei da Renata, neste dia em que estacamos organizadas de se encontrar na noite de foral…nos vinhamos e voltavamso sempre juntas de aviao, dancavamso todos os dias juntas, gargalhávamos demais….q merda!!!! q saudade doida…A renata era alegre!! como era bom estar direto c ela!! me lembro de tudo tudo….de como ela dancava, das conversas e ppalm das rizadas…era toa bom aquele tempo meu deus!! Juliana Lyra, Brighton-Nova Zelândia – dez2014

111- Ricardo eu a conheci e lamento que esse tipo de tragédia ainda aconteça no trânsito de nosso país! Rosa Verônica Barbosa Pinheiro, Fortaleza-CE – dez2014

112- Na memória um sorriso marcante ! Valeria Cavalcante, Fortaleza-CE – dez2014

113- Lindo texto Kelmer, linda homenagem! Jefferson Souza, Fortaleza-CE – dez2014

114- Parece que foi ontem né? Evandro Mário Coelho, Fortaleza-CE – dez2014

115- Estava Pensando no exato momento que congelei com a notícia e parece que foi ontem ! Valeria Cavalcante, Fortaleza-CE – dez2014

116- O caso da Renata chocou e indignou a todos os fortalezenses, Kelmer. Surpreso por saber que você teve um relacionamento afetivo com ela. Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – dez2014

117- Triste porém lindo, seu depoimento. Tetê Bastos, Fortaleza-CE – dez2014

118- Triste, muito triste. E você tem toda razão. A impunidade é a mãe de tudo isso. No nível Pessoal e em relação à Humanidade mesmo. Tenho certeza absoluta que muitas vidas seriam poupadas se não fosse essa descarada Impunidade. Perdão por abusar, mas vou colar aqui um texto que fiz exatamente sobre isso. Repito, perdão por abusar e postar um texto relativamente longo, mas tem muita relação com a tragédia de que sua namorada, você e as famílias foram vítimas. ´Lá vai:
Crimes Impunes. Até Quando???
Em setembro de 1988, o iatista Lars Grael teve sua perna decepada por lancha que invadiu, em alta velocidade, área demarcada para regata, em Vitória, Espírito Santo. Segundo entendidos em vela e náutica, trata-se de irresponsabilidade tão grande como a de um motorista que invadisse calçadão, igualmente em alta velociadade. Laudos revelaram que o condutor da lancha estaria acoolizado.
Cerca de um mês depois, Pinochet é preso na Inglaterra pelos crimes cometidos durante a Ditadura no Chile.
O Brasil e a Humanidade perderam oportunidades raras e emblemáticas para que todos nós do planeta tivéssemos vida mais segura.
Tanto o condutor da lancha quanto Pinochet deveriam ter sido julgados com todo o rigor da lei, bem como sem qualquer cerceamento das duas defesas. Chegados aos veredictos e determinadas as penas de prisão, essa prisões deveriam ter sido cumpridas até o último minuto.
O argumento que se ouvia na época da prisão é que Pinochet já era idoso, tinha, salvo engano, 83 anos. Simples, muito simples. Se pegasse 20 anos de prisão, aos 103 estaria em liberdade. Se não vivesse mais 20 anos, naturalmente, morreria na cadeia. Simples assim, como dizem os jovens.
Ditadores do mundo inteiro e todos os irresponsáveis pensariam várias vezes antes de cometer atrocidades ou mesmo desatinos que possam causar vítimas.
Não se trata de crueldade minha, muito pelo contrário.
Agora, temos a morte de 236 jovens em incêndio na boate do Rio Grande do Sul. Ao que parece, houve uma série de irresponsabilidades que culminaram na tragédia.
Se o causador do desastre de Grael tivesse cumprido pena justa, isso não teria funcionado como um alerta para todos os envolvidos no incêndio do Rio Grande???
Os responsáveis pela tragédia de turno devem ter julgamento justo e cumprirem as penas a que forem condenados. Caso contrário, essas histórias não vão ter fim e ainda iremos chorar infinidades de vidas perdidas em conseqüência de irresponsabilidades impunes.—————————————————— Como disse, não quis abusar, apenas alertar. Solidário Abraço em Você e em todos que sofreram com essa violência. Paulinho das Frases, São Paulo-SP – dez2014

119- Me lembro demais do nosso reveillon em Guaramiranga, ela tava lá e deixou muita saudade… Beatriz Villar, Fortaleza-CE – dez2014

120- Lembro dessa tragédia e ainda tenho esperança que esse assassino vai , de alguma forma, pagar a dor que causou a todos . A cidade ficou atônita, eu não acreditava naquela brutalidade. Não a conheci, mas tb chorei! Clara Pinho, Fortaleza-CE – dez2014

121- Brasil é uma terra sem lei! A lei somos nós que fazemos e para mim a vingança é um prato que se come frio! Ma Lima, Fortaleza-CE – dez2014

122- Nossa,história triste demais…as vezes dá nojo pertencer a essa raça, essa vida foi interrompida aqui na terra, porém ela esta sempre presente nos corações, nas lembranças e até mesmo no momento em que todo esse texto foi escrito. A morte é só uma libertação para os que vai, mas aprisiona os que aqui ficam, na lembrança e principalmente no inconformismo dessa perda! Obrigada por compartilhar esta história e fiquei muito feliz em conhecer a Renata , com suas palavras consigo sentir o que ela foi, e o que ela é para aqueles que a amam! Eternamente a bailarina da Fé! Kroll Ribeiro, Araraquara-SP – dez2014

123- Da até para escrever um livro de romance… Ery Sampaio, Fortaleza-CE – dez2014

124- OBRIGADA MEU LINDO, PELA HOMENAGEM! EU E RENATA TÍNHAMOS UMA NECESSIDADE DE FICARMOS PERTINHO UMA DA OUTRA! TENHO ABSOLUTA CERTEZA QUE FOI O SER HUMANO QUE MAIS ME AMOU NESTA VIDA !
“PORÉM UM ANO NOVO VAI SURGINDO
VEM ABRINDO OS LENÇÓIS DE UM NOVO DIA NÃO ME FALTE O SANGUE NA POESIA
PRA BERRAR A DOR QUE ESTOU SENTINDO
QUE A TRISTEZA SE VA COM O ANO FINDO
E A ESPERANÇA VENHA COM O QUE SE ARREBATA
QUE A JUSTIÇA, MÃE INGRATA
SEJA PLENA E NÃO INÁBIL
FAZ VINTE E UM ANO
QUE UM TIRO IRRESPONSÁVEL
NOS PRIVOU DA PRESENÇA DE RENATA! “
(MARIO MESQUITA)
BJOOOS QUERIDO “KELMO”,era assim que ela lhe chamava. Oneide Braga, Fortaleza-CE – dez2014

125- Paulo Henrique Carvalho lembra das nossas viagems?!!! Juliana Lyra, Brighton-Nova Zelândia – dez2014

126- Através do texto passou um filme na minha cabeça… Lembrei-me da história nos noticiários e de vc amigo do Curso de Letras Ricardo Kelmer! A impunidade é cruel… Sofia Lima, Fortaleza-CE – dez2014

127- renata jamais será esquecida! pois anjos lindo assim continuam sempre pertinho da gente… creio na justiça do deus. Veronica Braga, Fortaleza-CE – dez2014

128- ONEIDE A SAUDADE NUNCA PASSA, A FALTA É ENORME , SÓ AUMENTA DIA A DIA NÉ AMIGA ?? FELIZ ANO NOVO PRA VC E SUA FAMILIA !! BJ Rita Austregesilo, Fortaleza-CE – dez2014

129- Infelizmente os culpados continuam soltos, e nós continuamos presos em nosso medo. Triste! Lu Maia Lu, Fortaleza-CE – dez2014

130- vc gosta de uma sagitariana ein…. Priscila Marques, São Paulo-SP – dez2014

131- Lindo… Caroline Correia Maia, Fortaleza-CE – dez2014

132- Saudades sim , tristeza não. Vilma Galvão, Fortaleza-CE – jan2015

133- O amor é eterno … Leonor Oliveira Moreira, Fortaleza-CE – jan2015

134- Lindo texto meu primo! Luciana Galvão, Rio de Janeiro-RJ – jan2015

135- Inaceitavel!… Isabela Alcântara, Fortaleza-CE – mai2015

136- Sempre me emociono com esse texto “A bailarina da fé”! Renata essa minha xará, tinha além do nome um tantão de mim (bailarina, energética, de sonhos doces e fé na vida), que é pra mim doloroso saber que se foi tão cedo pelas as mãos de um covarde. Que dessa vez a justiça seja feita, para que esse criminoso fique preso no lugar que ele fez por merecer e que Renata esteja tão linda em um lugar maravilhoso, dançando livremente e feliz. Renata Kelly, Fortaleza-CE – mai2015

137- Muito triste e revoltante saber que um sujeito como este continua impune. No entanto, tenho certeza que este indivíduo nunca deve ter sido feliz. Você pode até não crer nisto, mas eu costumo pesquisar a vida de pessoas que fazem mal aos outros e em geral tem uma vida desgraçada, mesmo que aparentemente não se perceba. Pessoas más, irresponsáveis e criminosas nunca são felizes e embora fiquem impunes na lei humana, há uma lei maior que as pune e é ligeiro. Um grande beijo a você querido Kelmer. Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – mai2015

138- Terra de ninguém. Nely Rosa, Fortaleza-CE – mai2015

139- Que se diga o nome do assassino: Wladmir Lopes de Magalhaães Porto! Marta Lima, Fortaleza-CE – mai2015

140- Linda. Vilma Galvão, Braga-Portugal – mai2015

141- Mais tempo de impunidade do que ela de vida. Absurdo! Coisas do Brasil… Paulo César Norões, Fortaleza-CE – mai2015

142- Wladimir Lopes de Magalhães Porto,assassino tem que pagar seu crime NA CADEIA. Vilma Galvão, Braga-Portugal – mai2015

143- Uma das maiores dificuldades deste julgamento será o tempo. Pois, uma pessoa de 32 anos tinha dez anos, muitas materiais jornalísticas não estão na Internet. Jurados podem ficar ao sabor das representações dos advogados. Por isso compartlhem o máximo que puderem para fazer voltar a memória do caso. A APAVV está publicando vídeos sobre a Renata. Grande abraço a todos. Hermann Schimmelpfeng Landim, Fortaleza-CE – mai2015

144- Que uma data para o fim da impunidade possa ser cravada no lugar dos “??????”! Halder Gomes, Fortaleza-CE – mai2015

145- Linda!!! Valdineusa Sobral, Fortaleza-CE – mai2015

146- Tomara que enfim a justiça seja feita, para que os corações da família possam sentir saudade no lugar de revolta e dor…. Hilda Durier, Rio de Janeiro-RJ – mai2015

147- “De todas as violências, a impunidade é a maior.” Sérgio Rúbia Santos, Fortaleza-CE – mai2015

148- Lembro, certa vez, há muito tempo quando eu era dono de um bar em Fortaleza chamado Outras Palavras. Isso foi em 1991, 1992. Eu tinha um Personal Computer (PC) que usava para fechar as contas do bar, com um programa feito por mim em FoxBase que naquela época não existiam programas prontos. Um dia, consegui um programa para fazer mapa astral. Foi um sucesso! Lembro que a Renata me procurou para fazer o dela e do quão decepcionada ficou ao descobrir que era escorpião. Na verdade (hoje eu sei) uma cúspide. Inaceitável esse cara estar fora da prisão. Antonio Martins, Maceió-AL – mai2015

149- Emocionante lembro demais esse triste dia, mas sei que a estrela muito brilhante é Renata. E aqui, na torcida que a justiça seja feita. Justiça dos homens, pois a de Deus não tenho dúvida nenhuma. Socorro Alves, Fortaleza-CE – mai2015

150- Queremos Justiça. Amaury Cândido, Fortaleza-CE – mai2015

151- Essa história ainda me faz chorar… : ( Beth Andrade, Fortaleza-CE – mai2015

152- Justiça! Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – mai2015

153- o mínimo que podemos fazer é desejar forças à família e pedir sim por justiça!!!!! Gabi Simões, Fortaleza-CE – mai2015

154- Será que teremos justiça? ?? Raquel Bernardo, Fortaleza-CE – mai2015

155- Minha irmã mais linda… O sofrimento continua… Paulo Henrique Carvalho, Fortaleza-CE – mai2015

156- Inaceitável esse ASSASSINO estar fora da prisão. Antonio Martins, Maceió-AL – mai2015

157- Até quando ???? Todos juntos, amigos, conhecidos, gente de bem, vamos todos clamar por justiça!!! Isabela Cantal, Fortaleza-CE – mai2015

158- O assassinato de Renata Braga, em 1993, em uma discussão no trânsito de Fortaleza, foi um episódio que marcou muito na época, pois a violência não era tão banal como nos dia de hoje… eu nunca esqueci a história daquela menina que perdera de forma tão vil e precoce toda a vida que teria pela frente… Alguns anos depois, conheci seu irmão(que se tornou um grande amigo), Paulo Henrique Carvalho e pude vivenciar ainda mais de perto a dor da punição que aquela perda trouxe para sua família. O mínimo que poderia acontecer seria JUSTICA e punição para quem a tirou do convívio dos seus. A esperança de ver essa JUSTICA acontecer ainda existe, contrariando tudo o que vemos neste país detentor de uma ‘justiça’ tão falha. Lidiana Martins, Ipu-CE – mai2015

159- Caríssimo RK Textos chocantes, intensos, que convocam a consciência para a fé no que se pode crer de racional no ser humano. A arte tem que lançar a notícia na eternidade, e é isso que você faz, camarada, e o faz com propriedade profética. Os revólveres passarão, primo, mas a arte da palavra ficará – assim está escrito. Um abração. Leite Jr., Fortaleza-CE – jun2015

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