Deus planta bananeira de saia (Dogma)

18/05/2012

18mai2012

Em Dogma, Deus passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. Santa heresia, Batman!

DEUS PLANTA BANANEIRA DE SAIA (DOGMA)

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D
ois anjos, expulsos do Céu, tentam meios legais para conseguir voltar. Para impedi-los, o Céu conta com um grupo insólito, entre eles uma católica que trabalha em clínica de aborto, dois profetas trapalhões e um apóstolo negro que ficou de fora da Bíblia. Detalhe: Deus é mulher.

Certas obras artísticas traduzem bem os movimentos que sacodem os subterrâneos do inconsciente comum da humanidade. O filme Dogma é um desses. Seu tema principal é um antiquíssimo e poderoso arquétipo que vive na alma coletiva da espécie desde seus primórdios: a ideia de Deus. Como numa relação todas as partes envolvidas são sempre afetadas, a relação da humanidade com a ideia de Deus não seria diferente: mudamos nós, humanos, e… Deus também teve de mudar. E ai dele se não mudasse.

Dos deuses-forças da Natureza, passando pelos deuses do Olimpo, até a ideia de um deus único e todo poderoso, muita água rolou por baixo das pontes divinas. Essa difícil relação entre criador e criatura é uma verdadeira saga onde não faltam conflitos, sofrimentos e mártires. As mitologias do mundo formam um mosaico precioso para entender melhor essa saga, porém, na carona do filme Dogma, tomemos a Bíblia cristã. Ela pode ser vista também como o registro simbólico da evolução do conceito de Deus de boa parte da humanidade. Assim, veremos perfeitamente como ambas as partes da relação, criador e criatura, evoluíram com o tempo.

A mordida no fruto proibido simboliza o advento da consciência, o momento evolutivo em que um ramo dos hominídeos se diferencia pelo refinamento da mente. Antes, eram todos mergulhados na inconsciência geral, na indiferenciação psíquica: era o Éden. Nem felizes nem infelizes, simplesmente não se questionavam. Evoluída a mente, surge a consciência, feito uma extensão de terra que aos poucos se destaca do fundo do oceano inconsciente: é a terra que, em forma de ilha, adquire consciência sobre si mesma e o seu entorno.

No entanto, a autoconsciência tem seu preço. O despertar para um novo nível de compreensão da realidade e de si mesmo traz sempre novas dúvidas e grandes desafios. Ao adquirir a autoconsciência, nossos antepassados foram expulsos do tranquilo paraíso do não saber e saíram dele com a pergunta que a partir daí jamais se calaria: quem ou o que nos criou, e onde estará?

Está muito, muito longe. Pelo menos no Antigo Testamento. No início da relação, o criador é uma força gigantesca, mas absolutamente externa e inalcançável. Deus é imprevisível, com crises terríveis de humor, e envia desgraças e pragas às suas criaturas indefesas. Esse antigo Deus, rancoroso e dogmático, tem por lema “olho por olho, dente por dente” e diz, batendo o pé: “Eu sou Javé e não mudo.” Muda não? Vamos ver…

Ainda no Antigo Testamento ocorre algo incrível, que se tornaria um marco dessa relação. É o drama de Jó, o servo mais fiel de Deus e a quem ele permitiu que o Diabo lhe destruísse a vida só para saber se o coitado continuaria fiel, que maldade. Jó, no auge do sofrimento e em desespero ante tal injustiça, ousa questioná-lo, e assim, pela primeira vez, a criatura põe em xeque a coerência do criador, ela que antes apenas louvava e obedecia. Deus, aporrinhado, vê-se obrigado a descer do pedestal, exibir seu poder feito um ditador inseguro e dar satisfações, coisa que jamais fizera, e no fim premia a fidelidade da criatura consertando-lhe a vida destruída.

Desse conflito crucial saem ambos transformados para sempre. A criatura salta para um novo nível na relação com o arquétipo divino, e ele, o criador, apanhado em dilema moral, é forçado a reconhecer que será impossível prosseguir sem uma nova parceria com sua inquieta e questionadora criatura.

Deus entra em crise, sim, porque o drama de Jó (que viria a se tornar um drama arquetípico de toda a humanidade) lhe torna evidente que precisa largar certos dogmatismos e assimilar a natureza de sua criatura para, assim, realizar-se efetivamente como criador. Ele criou a matéria, mas agora precisa também ser matéria para alcançar sua própria integralidade. Essa ideia, então, amadurece no inconsciente coletivo da espécie, fomentando as profecias que anunciarão o filho de Deus. Está devidamente semeado, pois, o terreno para o advento do Cristo, o próximo marco da saga.

De fato, Cristo inaugura a era do humano-divino, o Deus humanizado e descido à matéria, criador e criatura cada vez mais próximos. O Cristo parece detonar forte transformação no pai, pois o Deus do Novo Testamento deixa de ser aquele do “olho por olho, dente por dente” para se tornar o Deus do “amai-vos uns aos outros”. E é também humano, demasiadamente humano, tanto que sua própria criatura o tortura e o executa numa cruz, confusa ante o novo nível da relação que se inaugura e incapaz de absorver a novidade. Deus agora conhece na pele a dor, o medo, a injustiça, a morte. É um deus mais completo.

Agora, dois mil anos depois, a criatura parece assimilar melhor o que ocorreu. Agita-se no inconsciente da espécie a ideia de que esse Deus que ela sempre buscou lá fora, e muito morreu e matou por isso, talvez tenha sempre estado no interior dela própria, que ironia. Será essa a resposta da antiga pergunta que nunca quis calar? Se, de fato, é verdade que Deus está e sempre esteve dentro dela própria, talvez a criatura esteja a essa altura vivendo a fase do deslumbramento infantil de se saber divina. Talvez seja por isso que ande brincando tão irresponsavelmente com a vida e a Natureza.

Em Dogma, Deus é uma garota brincalhona que planta bananeira de saia, beija um adolescente tarado e engravida uma mulher. Como em Jó, passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. E precisa de um deles para se recuperar e voltar à ativa. Santa heresia, Batman! Deus se utiliza de um anjo porta-voz, pois não diz uma palavra sequer. Na verdade, ele não pode falar, pois se falasse, suas criaturas explodiriam ao simples escutar de sua voz. Que bela metáfora para a natureza avassaladora dos arquétipos! Ninguém pode contatá-los diretamente, pois mesmo nascidos do inconsciente coletivo, os arquétipos simplesmente não cabem em nossa capacidade de assimilação – então, se mostram por imagens. Deus não cabe em nossa ideia dele, por isso não pode se revelar inteiramente. Essa é a ironia máxima para o criador: o único modo de sua criatura conhecê-lo de fato, é ele se tornar, com ela, um só.

O filme questiona alguns dogmas cristãos com bom humor. Brindemos, pois isso é ótimo, para nós e para Deus. Para a criatura porque lhe permite exercitar o senso crítico, indispensável à evolução psíquica. E para o criador porque para quem cria, nada mais construtivo que uma crítica pertinente. Ainda mais se vem das próprias criaturas.

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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DOGMA

Comédia – Dogma, EUA, 1999
DIREÇÃO E ROTEIRO: Kevin Smith
ELENCO: Ben Affleck, Matt Damon, Linda Fiorentino e Alanis Morissette

> Saiba mais

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BladeRunnerDeusesHumanosEAndroides-01aDeuses, humanos e androides na berlinda (filme: Blade Runner) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

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Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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DICA DE LIVRO

MatrixEODespertarDoHeroiCapaEdicaoDoAutor-01Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer – ensaio

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

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Dez segundos para ser feliz

14/03/2012

14mar2012

Seus olhos continuam sorrindo mesmo quando ela conta, sem pudor, das imensas bobagens que fez em nome de sua busca por felicidade

DEZ SEGUNDOS PARA SER FELIZ

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Ele puxa a cadeira e ela senta de frente para ele, na mesa da cantina. Ela está atrasada para a aula, mas diz que faz questão de deixar seu depoimento. Ele agradece, observando-a enquanto ela põe a mochila sobre a cadeira. Está linda e radiante, a roupa descontraída, um brinco meia-lua que é a inicial de seu nome. Ele percebe rugas no rosto dela, mas elas simplesmente somem à presença de seus olhos, dois lindos e grandes sorrisos castanhos. Depois dela pedir um café ele explica que a pesquisa preserva o anonimato dos entrevistados e liga o gravador.

Ela então conta do tempo em que andou perdida, vagando pelo caos de desentendimentos de sua vida confusa. Sabe quando você está tão perdida que nem isso percebe?, ela lhe pergunta, e ele faz que sim com a cabeça sem saber se sabe mesmo. Seus olhos continuam sorrindo mesmo quando ela conta, sem pudor, das imensas bobagens que fez em nome de sua busca por felicidade. Onde estava essa tal de felicidade? Em algum bar, certamente, ou na festa de sábado. Ou no homem seguinte que cruzaria seu caminho. Mas não estava, nunca esteve. Em certas mulheres não estaria?, não custava tentar. Tentou, mas lá também não estava. Quem sabe então o curso no exterior, o apartamento com varanda, o crediário de dez vezes para renovar o guarda-roupa, a igreja que a prima frequentava…

Os anos se passaram e a angústia, que antes batia ponto na ressaca do dia seguinte, agora chegava sem hora marcada, qualquer lugar, feito uma entidade mal vinda que quando a gente vê, já sentou à mesa. Ela recorreu às drogas, legais e ilegais. Não faziam bem, ela sabia, mas eram eficientes e era isso que importava: impedir seus olhares de se encontrarem, os dela e os da angústia, cada vez mais insistente.

Até que um dia a levaram às pressas ao hospital. No auge do desespero ela se ferira seriamente e precisou ser internada. No hospital, ainda tentou se livrar daquele sofrimento de uma vez por todas, mas o enfermeiro chegou a tempo e impediu. Foram meses de muita luta, dela para querer voltar a viver e dos familiares e amigos para não desanimar.

Hoje, está recuperada. Ainda luta contra algumas tendências perigosas, mas sua força de viver agora está no comando e os belos olhos não mentem sobre seu maravilhoso estado de espírito. Ela conta que, de onde está agora, enxerga tudo com mais clareza. Olha para o passado e vê que enquanto buscava a felicidade, tanto mais a felicidade lhe fugia, feito dois ímãs que se repelem.

– Lamento pelas pessoas que procuram a felicidade – ela diz, e pela primeira vez ele percebe uma nuvenzinha de tristeza sobre seus olhos. – Jamais vão encontrar. Porque felicidade não é algo que se encontra como um objeto que estava perdido. Felicidade é uma questão de percepção. Um dia você se dá conta que é feliz, que sempre foi, apenas não sabia.

Ele pensa em pedir outro café, mas desiste, não quer perder nenhuma palavra do que ela diz.

– Não precisa droga, nem religião. Um dia algo acontece e você entende a vida de outra forma. É como despertar de um sono profundo. É só uma questão de mudar o ponto de vista, entende?

Mudar o ponto de vista, ele repete mentalmente. Não tem certeza se captou o sentido exato. Talvez se não houvesse aqueles olhos a lhe ofuscar o raciocínio… Mas não, ele sente que algum detalhe importante lhe escapa. Ela pega um guardanapo e somente então é que percebe as cicatrizes no pulso, camufladas sob os braceletes coloridos. Desvia o olhar, constrangido. Mudar o ponto de vista…, ele sussurra.

– Não, não pense! Pensar é um ímã que repele a felicidade. A gente não pensa, a gente vive a felicidade.

Ela termina seu café e levanta, diz que precisa ir, está adorando a faculdade. Ela o abraça carinhosamente e ele tem vontade de pedir que fique só mais um minutinho, sente que está bem próximo de uma revelação, algo muito importante… Ela sai e ele senta novamente, seguindo-a com o olhar. Ok, não é para pensar… mas como se faz para não pensar? Ele pede outro café. As outras entrevistas foram tranquilas, nada de especial, mas aquela… Será por isso que não era feliz, porque não parava de pensar nisso?, ele se pergunta. Não devia ter aceitado aquele tema, felicidade era um assunto perigoso. E nos últimos tempos deu para pensar demais nos rumos que tomou sua vida, quando se dava conta já estava pensando novamente, parecia um maldito soluço que não passava.

– Só não somos felizes, de fato, porque não sabemos que somos – falou para si mesmo, os olhos fechados, que nem criança que pensa num desejo. – Então muito bem: eu sei que sou feliz. Sou feliz. Sempre fui. Pronto.

Em dez segundos, abriria os olhos. E tudo de repente estaria mudado, estaria fora da Matrix. Uma outra realidade, um outro eu. Feliz. Só precisava ficar dez segundos sem pensar em nada. Vamos lá, dez segundos. Não devia ser tão difícil. Era só não pensar. Mais oito segundos. Principalmente nela, na felicidade, não pensar. Apenas mais sete segundos e puff!, despertaria em outro lugar, outro tempo, outra pessoa. Cinco segundos. Uma pessoa feliz. Porque na verdade sempre foi feliz. Quatro. Apenas não sabia. Três. Deixar de pensar, só isso. Dois. Dois ímãs… Um… que repele o outro.

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

Kelmer Para Mulheres – Nesta seção do blog, homem fica de fora

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Mulheres que adoram – Dar prazer a uma mulher, fazê-la dizer adoro mil vezes por dia…

Insights e calcinhas – Uma calcinha rasgada pode mudar a vida de uma mulher? Ruth descobriu que sim

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A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

A gota dágua – A força da tempestade, o poder do desejo. Ela deveria resistir, mas…

Ventos do óbvio – Ela tinha o controle de sua vida, ela e mais ninguém. Renascer. Renovar-se

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01- “Pensar é um ímã que repele a felicidade… Só não somos felizes, de fato, porque não sabemos que somos…” Adorei isso! Quantos de nós já não se feriu de alguma forma buscando a “felicidade”. Quantos de nós já não usou algum tipo de “droga” ou procurou a suposta felicidade em alguma filosofia. Você, hein, Ricardo Kelmer, sempre contando minhas histórias com um grande requinte de criações e ilustrações! Adorei! (como sempre, afinal, sou sua fã eterna. E faça o favor de republicar logo esse livro que quero lê-lo na íntegra!!!) Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – mar2012

02- Adorei!! Regia Alves, Fortaleza-CE – nov2013

DezSegundosParaSerFeliz-03b


RK na Nova Consciência 2012

19/02/2012

Ricardo Kelmer 2012

Um festival multicultural que reúne arte, ciência, filosofia e tradições religiosas

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O Encontro da Nova Consciência é realizado desde 1992, durante o Carnaval, em Campina Grande, Paraíba. É um festival multicultural que reúne arte, ciência, filosofia e tradições religiosas, buscando um mundo melhor pelo caminho do respeito às diferenças. Nesta 21ª edição, farei duas palestras, participarei de duas mesas e lançarei o livro novo. Eis os horários de minhas participações:

> 6ª feira, 17fev

AUDITÓRIO SESC CENTRO
21h40 – Palestra – “A revolução do mundo autoconsciente: Cidadania global como saída para a crise evolutiva”.

> Sábado, 18fev

3º ENCONTRO DE LITERATURA CONTEMPORÂNEA
15h30 – Mesa: “Realismo fanástico, RPG e a escrita de ficção científica”. Com André de Sena (escritor, jornalista-PE) e Wander Shirukaya (escritor-PB). Mediação: Bruno Ribeiro (PB).
16h45 – Lançamento do livro “O irresistível charme da insanidade” (romance, Editora Artepaubrasil-2011).

> 2ª feira, 20fev

AUDITÓRIO SESC CENTRO
14h – Mesa – “Produção cultural independente: ou colaboramos ou evaporamos”. Com Alberto Marsicano (Citarista-SP), Rayan Lins (Coletivo Mundo-PB) e Diogo Rocha (Coletivo Natora-AL). Coord.: Arthur Pessoa (Músico-PB).

> 3ª feira, 21fev

14º ENCONTRO DE ATEUS E AGNÓSTICOS
14h – Palestra – “Ativismo ateu: chatice ou necessidade?”

2º ENCONTRO DE COMUNICAÇÃO E MÍDIAS DIGITAIS
17h – Palestra – “Internet livre x direitos autorais – Mocinhos e vilões na guerra pelo controle da cultura mundial”

ENCERRAMENTO
Leitura da crônica Medo de Mulher (dedicada às mulheres violentadas e mortas em Queimadas-PB, em 12.02.12)
> Baixe o arquivo de áudio dessa leitura (mp3, 8mb)

> Todas as noites

Na praça, é claro, curtindo os shows da programação musical, que apresenta atrações locais, de outros estados e de outros países.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO EVENTO

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VÍDEO DA PALESTRA
“A revolução do mundo autoconsciente – Cidadania global como saída para a crise evolutiva”

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O Irresistível Charme da Insanidade

Um músico obcecado pelo controle da vida. Uma viajante taoísta em busca de seu mestre e amante do século 16. O amor que desafia a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

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01- Ainda não conhecia o trabalho de Ricardo Kelmer, mas fiquei encantada de uma forma, que com certeza vou procurar suas obras para ler, principalmente seu filho mais recente, adorei o enredo… Harriet Galdino, Campina Grande-PB – fev2012



Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos – Pré-venda

18/01/2012

Ricardo Kelmer 2012

Adquira antecipadamente com um ótimo desconto, tenha seu nome no livro e receba em casa, antes mesmo das livrarias


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“O que fazer quando de repente o absurdo invade nossa realidade e as velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba?”

Meu livro de contos fantásticos Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos será relançado este ano. E como terei que bancar parte do investimento, já iniciei a pré-venda do livro.

Adquirindo o livro antecipadamente até 10fev, você ganha desconto especial (nas livrarias custará R$ 30) e seu nome constará na obra, na seção Galeria de Leitores Especiais. E você receberá o livro pelo correio no início de abril, com dedicatória, antes mesmo das livrarias.

PREÇOS (pro mesmo endereço, frete incluído)

1 exemplar: R$ 21
2 exemplares: R$ 19 cada
3 exemplares em diante: R$ 19 cada + 1 livreto de brinde (você escolhe o livreto, veja no fim)

BANCOS PARA DEPÓSITO: HSBC, Itaú, Banco do Brasil e Bradesco. Pra participar, envie e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com e eu entrarei em contato informando as contas.

SOBRE O LIVRO

Publicado originalmente em 1997, o livro foi reescrito e alguns contos mudaram bastante. Em minha opinião, ficou bem melhor. Nos nove contos que formam este livro, onde o mistério e o sobrenatural estão sempre presentes, os personagens são surpreendidos por estranhos acontecimentos que abalam sua compreensão da realidade e de si mesmos e deflagram crises tão intensas que podem se transformar numa questão de sobrevivência. Um livro sobre apocalipses pessoais.

> Saiba mais, leia alguns contos, veja comentários

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LIVRETOS DO BRINDE (comprando 3 ou mais livros)
formato bolso, 48 pag

Guia do Escritor Independente (dicas)
Memórias de um Excomungado (crônicas, reflexão, humor)
Um Ano na Seca (conto, erotismo, humor)
O Ultimo Homem do Mundo (conto, terror, humor)
Blog do Kelmer (crônicas, contos)

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A nova fronteira da realidade

18/12/2011

18dez2011

A ciência acaba de abrir a porta a outras dimensões da realidade – não há mais como voltar

A NOVA FRONTEIRA DA REALIDADE

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O cinema é uma arte que expressa muito bem uma das mais inquietantes questões do nosso tempo: o que é de fato a realidade? O filme 13º Andar, dirigido por Joseph Rusnak, junta-se assim à obra-prima Matrix e a eXistenZ e transforma 1999 num ano pródigo em filmes com essa temática.

Em 13º Andar, um cientista experimenta a realidade virtual para buscar pistas sobre um assassinato e isso o leva a uma grande transformação de seu entendimento da realidade. Assim como o filme faz o espectador viver as mesmas dúvidas do personagem, aqui na vida cotidiana os avanços tecnológicos estão nos fazendo repensar a atual noção comum de realidade. Talvez sejamos privilegiadas testemunhas de um salto quântico de consciência da espécie humana, onde começamos a perceber que o que entendemos por realidade é, na verdade, como uma sala com paredes de vidro, na qual o reflexo de tudo que há em nosso mundinho dificulta a visão do que pode existir além dele.

O enredo do filme não é mera ficção. A realidade virtual já é usada em várias áreas: temos os jogos, o treinamento de astronautas e terapeutas que a utilizam para tratar de fobias. Sabe-se que a psique não distingue realidade objetiva de subjetiva (veja o caso dos sonhos), o que leva o cérebro a se comportar como se estivesse no mundo das coisas físicas.

Vamos nos encontrar mais tarde no bar, você propõe à sua turma. Então, na hora combinada, vocês se encontram para tomar uma cerva, papear e dançar. A diferença é que você não precisou sequer sair do seu quarto: bastou conectar-se a um programa de realidade virtual disponível na internet, onde várias pessoas podem se encontrar ao mesmo tempo, podem se ver, se tocar e até transar. Será que o mundo da realidade virtual se transformará numa nova droga, levando-nos a passar horas conectado aos programas? Viajar, conhecer pessoas e viver em outra época… Vivenciar experiências de outros e até mesmo de bichos, plantas, rochas e átomos… Assumir outra identidade, um outro corpo… Parece não haver limites para essa tecnologia.

O novo mundo não será novidade para os que vivenciam estados alterados de consciência, por drogas ou experiências místicas. Estes já sabem da natureza múltipla da realidade, e que ela é infinitamente maior e mais absurda que nossa compreensão dela. Mas talvez a realidade virtual vá além. Ela pode estar nos conduzindo a uma nova fronteira do espaço-espaço, onde perceberemos enfim que não somos bonecos indefesos a mercê de suas leis. A ciência acaba de abrir a porta a outras dimensões da realidade – não há mais como voltar.

A realidade virtual pode ser também a porta que faltava para, enfim, ampliarmos a noção de “eu”. Os místicos nos falam há milênios da natureza múltipla do ser, que o que pensamos ser o eu é, na verdade, tão somente uma extensão de um eu maior. Em outras palavras: tudo é uma coisa só e está interconectado e interdependente de forma tal que o que se faz a algo ou alguém, se está a fazer com tudo e todos.

Mas isso a ecologia já nos diz, com sua teoria de Gaia. E a economia já nos revelou, com a globalização. E a psicologia também, com o inconsciente coletivo. O que parecia impossível está ocorrendo agora: tecnologia e misticismo convergem para as mesmas conclusões sobre a realidade. Feito viajantes que seguiram durante muito tempo por caminhos diversos e se encontram agora, com as mesmas constatações a respeito da vida.

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Ricardo Kelmer 1999 – blogdokelmer.com

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13o Andar (Thirteen Floor – EUA, 1999 – Ficção científica)
Direção: Joseph Rusnak
Elenco: Craig Bierko, Armin Mueller-Stahl e Gretchen Mol

Cientista que trabalha num revolucionário projeto sobre realidade virtual é assassinado e James, o melhor amigo, desconfia que ele próprio é o assassino. Para entender o que se passou, vai buscar pistas dentro da própria realidade virtual, o que termina levando-o uma completa transformação de sua compreensão da realidade.

> Saiba mais

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O presente de Mariana – A cabocla Mariana, entidade da umbanda, propõe noivado ao moço Dedé. Ela garante estabilidade financeira mas em troca exige fidelidade absoluta

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A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

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Pesadelos reais – A realidade, em si, não existe, o que existe é nossa interação com ela. Filme: Alucinações do Passado

 

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Rumo à estação simplicidade

05/11/2011

05nov2011

Jurei me manter sempre no caminho, sem pesos nem apegos excessivos, pronto para pegar a estrada no momento em que a vida assim quisesse

RUMO À ESTAÇÃO SIMPLICIDADE

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São Paulo surge aos poucos, me dando as boas vindas através das fábricas, indústrias e motéis que passam pela janela do ônibus. Ao longe, a silhueta paulistana de concreto, os altos prédios envoltos naquele eterno abraço cinzento. Aqui na poltrona, eu respiro fundo: mais uma estação, lá vamos nós, ô vidinha cigana…

Intuição. Ela de novo. Fazia uns meses que a danada sussurrava em meu ouvido, apontando os sinais pelo caminho. Até que, naquela manhã de primavera carioca, me espreguiçando na cama, lembrei do sonho que tivera. E então eu soube exatamente o que deveria fazer, uma certeza tranquila, que vinha não apenas da mente, mas também do corpo inteiro. Saltei da cama e enviei mensagens aos amigos, avisando que iria tentar a vida em São Paulo. E comuniquei à dona do apartamento que eu desocuparia o quarto no fim do mês. E onde ficaria em São Paulo? Não sabia. Mas isso não importava, o importante era que eu havia decidido. E que os sinais do mundo concordavam comigo.

Mudanças, mudanças… Já devia estar acostumado, eu sei, mas é que ainda não consegui me livrar desse friozinho que dá na barriga, o próprio corpo querendo me lembrar do pacto. Sim, um dia fiz um pacto: jurei me manter sempre no caminho, sem pesos nem apegos excessivos, pronto para pegar a estrada no momento em que a vida assim quisesse. E em troca dessa disponibilidade, a vida cuidaria do resto.

Percebi que, de fato, precisava ser ainda mais desapegado quando chegou a hora de me desfazer dos excessos acumulados em dois anos de Rio de Janeiro. Não era muita coisa, mas para quem está sempre se mudando, qualquer peso a mais faz diferença. Além do mais, eu nem sabia onde ficaria em São Paulo. E estava levando o computador. E ainda havia os meus próprios livros, que preciso ter sempre comigo para vender, afinal ainda sou um escritor camelô. Então a mesa e a estante eu dei. A tevê eu vendi. Pensei em levar o ventilador, mas desisti, seria um capricho. E as roupas, deixei metade delas, não foi tão difícil. Porém, admito que fraquejei ao me despedir de uma mimosa calcinha, lembrança de uma noite especial. Desculpa, dona da calcinha, mas até os caprichos românticos pesam na mochila.

Levei alguns dias para me desfazer dos livros e cedês. Cada vez que fazia a triagem, faltava coragem e eu deixava para amanhã. Mas não tinha outro jeito, e acabei dando todos os cedês, não escapou nem mesmo o da Intocáveis Putz Band, que entreguei olhando para o outro lado, para nem ver. Com os livros, porém, o dilema alcançou proporções horripilantes. Era a escolha literária de Sofia: precisei ir várias vezes ao sebo, cada vez levando um pouquinho mais de livros. No fim, decidi que iriam comigo apenas meu velho I Ching e uma dúzia de livros que precisava ler com urgência. Sentia-me triste por abandonar os velhos companheiros, mas ao mesmo estava aliviado por fazer o que devia ser feito.

Então lá estava eu olhando para os meus pertences, tudo socado em uma bolsa, duas mochilas e três caixas, sendo duas só para o computador, esse trambolho. Notebook para o escritor camelô! – esta será minha próxima campanha da fraternidade kelmérica. Pois bem, aquela tralha toda me repreendendo, ô rapaz, você tem que se tornar mais leve e ágil, quando… puff, captei! Subitamente compreendi que o tal pacto que eu fizera anos antes era mais sutil e profundo do que eu imaginava. Tratava-se de se tornar fisicamente leve, sim, para se sair bem nas mudanças – mas tratava-se também de se tornar leve de espírito, de se desapegar cada vez mais de ideias e padrões de comportamento que se tornaram pesados. Assim como as coisas se acumulam no armário, certas ideias e posturas também perdem a utilidade e, se antes eram fundamentais, com o tempo se tornam meros caprichos, e mais adiante viram um trambolho difícil de carregar. Era incrível, o pacto tinha outra camada de entendimento por baixo… A vida parecia jogar comigo, deixando mensagens cifradas pelo caminho.

Salto na rodoviária, pisando finalmente o chão paulistano, nas mãos o endereço de uma casa na zona sul. Lembro do velho ensinamento taoísta que diz que a simplicidade é a última das estações – será que ela ainda está muito longe? Enquanto o táxi avança pelas ruas, sinto-me estranhamente leve e confiante, acho que ainda estou sob efeito do clarão de percepção do dia anterior, parece um baseado de efeito prolongado. Então sorrio, pensando no quanto tentamos controlar a vida e complicamos tudo. E rio ao lembrar que uma semana antes eu não tinha sequer um lugar para ficar. Rio mais ainda quando lembro que não tenho nenhum trabalho à vista. Chego quase a gargalhar pensando na ridícula simplicidade e obviedade de tudo… O motorista me olha desconfiado. Como dizer a ele que acabo de descobrir que a coisa mais simples que pode existir é… viver?

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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Necessário, somente o necessário
trecho do filme Mogli, o Menino Lobo (1967)

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ICI2011Capa-01dO Irresistível Charme da Insanidade
Ricardo Kelmer. Romance

Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal? Nesta história, repleta de suspense e reviravoltas, Luca é um músico obcecado pelo controle da vida, e Isadora uma viajante taoísta em busca de seu mestre e amante do século 16. A uni-los e desafiá-los, o amor que distorce a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

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É a Tao coisa – Uma maneira intuitiva de compreender a realidade através da harmonia com o Tao

O dia em que o chinlone me pegou – A arte zen de sair por aí à toa e encontrar o que se precisa

Espirros e roteiros – Se antes eu tinha insônia por me preocupar demais em descobrir o que precisava fazer, hoje me delicio em abrir a janela dos quartos dos hotéis, molhar a ponta do dedo e botar no vento

É proibido fazer blues na praia – Arriscar outros movimentos, sem ficar determinando de antemão que é impossível, não pode não senhor

I Ching das patricinhas – Se alguém procura revelações com pressa e sem seriedade, jamais terá as revelações

Somente o necessário – É o urso Balu quem ensina: Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais

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É a Tao coisa

31/10/2011

31out2011

Uma maneira intuitiva de compreender a realidade através da harmonia com o Tao

É A TAO COISA

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Quanto mais longe se vai, há menos conhecimento;

portanto os sábios sabem sem ir,
explicam sem ver,
completam sem se esforçar.

Tao Te King

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O Taoísmo surgiu em minha vida em 1995, pelo livro de Allan Watts, Tao ‒ O Curso do Rio, que minha amiga Ana Claudia Domene me emprestou. O interesse foi imediato. Como pude ter vivido tanto tempo sem saber que isso existia?, eu pensava, enquanto lia empolgado. A partir daí, a harmonia com o Tao transformou-me em outra pessoa, me permitindo enxergar ordem e sentido naquilo que antes era somente caos e despropósito.

Outros livros vieram depois daquele primeiro, como Taoísmo, de Anton Kielce, e O Tao da Paz, de Diane Dreher, iluminando um pouco mais o caminho. Pus o Tao Te King como meu livro de cabeceira. Estudei o I Ching e aprendi a usar as varetas para consultá-lo naqueles momentos inquietantes em que as névoas de minha estupidez me impediam de perceber o real sentido dos fatos.

Sei perfeitamente, porém, o quanto a ideia de harmonizar-se com o Tao é estranha para um ocidental como eu, programado desde o útero de minha mãe para captar a realidade do modo mais racional possível. Sei que para mim é impossível, e nem eu desejo, viver como um perfeito chinês taoísta, se é que tal coisa existe. No entanto, posso unir em mim o mais útil de cada cultura e descartar o que me for mais limitador.

Esse é o sentido positivo por trás desse intenso intercâmbio de visões sobre a realidade que o atual processo de globalização nos proporciona. Talvez unindo a racionalidade ocidental e a intuição oriental dentro de cada um de nós, possamos finalmente formar seres humanos mais coesos, equilibrados e completos.

definindo o Tao

Tentar definir em palavras o Taoísmo significa usar as ferramentas do pensamento lógico e racional para explicar algo que pertence ao reino da intuição. De qualquer forma, não deixa de ser um curioso exercício. A rigor, então, o Taoísmo seria isso: uma maneira intuitiva de compreender a realidade por meio da harmonia com o Tao.

E o que é o Tao? É um termo chinês que pode ser traduzido aproximadamente por “o caminho” ou “o sentido”. O Tao é tudo que existe e que não existe. É o fluxo indetível da realidade, o ritmo da vida. Estamos imersos nele, mesmo que não o percebamos. Os que percebem, podem ajustar-se ao seu ritmo e assim harmonizar-se com as leis da Natureza e os ciclos da vida. Quem percebe o Tao, não sofre como os que, por não o conhecerem, tentam ir contra seu ritmo. Perceber o Tao não significa, porém, abolir totalmente o sofrimento da vida, pois se o Tao é tudo que existe, ele é prazer e também é sofrimento. Harmonizar-se com o Tao significa elevar-se acima dessas dualidades limitantes, conciliando em si mesmo todos os opostos e vivendo a vida com mais fluidez e naturalidade.

O Taoísmo surgiu na China há mais ou menos cinco mil anos e foi, digamos, apresentado ao Ocidente somente no século 20. Este modo de captar a realidade, tão excêntrico aos ocidentais, desenvolveu-se basicamente por três caminhos: o filosófico, o religioso e o esotérico. No entanto, apesar do interesse pela cultura oriental que os anos 1960 trouxeram, não é fácil para os ocidentais assimilar o Taoísmo. O modelo racional-científico de compreensão da realidade que o Ocidente exportou para o resto do planeta não consegue lidar com noções tão estranhas como o Tao e suas contradições desconcertantes que entortam o raciocínio. Além disso, o conhecimento taoísta não pode ser alcançado superficialmente como sempre pretende nossa cultura consumista e descartável, ela que, com seus princípios comerciais, está sempre mais interessada em vulgarizar e massificar que aprofundar.

No entanto, se nos dispusermos a conhecê-la, a filosofia taoísta pode funcionar como excelente guia para a vida. Uma vez transpostos os primeiros arrecifes que protegem o Taoísmo dos aventureiros superficiais, os princípios do Tao começam a se revelar em toda sua praticidade, e então finalmente experimentamos o que significa unir-se a ele e viver em harmonia com tudo que existe.

Aqui, porém, cabe uma advertência. Com a tendência à racionalização exagerada que nós ocidentais possuímos, nosso envolvimento com a filosofia taoísta corre o risco de jamais passar de um inócuo exercício intelectual em vez de se constituir no que, de fato, deve ser: uma forma de nos tornarmos mais inteiros, equilibrados, fluidos e harmonizados com o ritmo do Universo. Portanto, não é demais lembrar que os princípios do Tao, sistematizados em palavras, existem tão somente para satisfazer a necessidade de orientação do intelecto, apenas isso, pois nunca será o intelecto quem nos conduzirá à harmonia com o Tao. Somente a intuição pode fazê-lo.

princípio 1: equilíbrio dinâmico

Toda vez que se tenta encaixar o Taoísmo em nossas ferramentas ocidentais de explicar a realidade, ele escapa feito água entre os dedos, nunca se deixa apanhar. É até engraçado ver o esforço para traduzir em termos precisos e científicos (ocidentalês) a natureza escorregadia do Tao e suas verdades intrigantes. É tão inútil quanto uma galinha tentar explicar a outra como late um cão. O Taoísmo pode ser explicado, resumido e esmiuçado teoricamente, mas será sempre na nossa linguagem, e em nossa compreensão científico-ocidental da realidade simplesmente não há lugar para o Tao e seus paradoxos absurdos.

Mas há um modo, sim, de penetrar no Taoísmo: pela intuição. É ela a ferramenta que nos leva ao Tao. De repente, algo estala forte dentro de você. De repente, aquele violento clarão de compreensão ‒ uma revelação! É como encontrar subitamente a resposta da charada, perceber a obviedade gritante da coisa e se admirar de não haver percebido antes. Mas infelizmente a intuição é uma função psicológica pouquíssimo valorizada em nossa cultura.

Esqueça o intelecto. Compreender o Tao não é um esforço racional, mas um sutil exercício intuitivo. Na verdade, para acessar a compreensão do Tao não é preciso aprender nada, mas desaprender. Costuma-se dizer que os taoístas não acessam conhecimento algum: eles descartam o que sabem. Somente assim, livrando-se do peso limitante das velhas verdades, é que se pode atentar para os movimentos naturais que regem a vida.

Os órgãos de nosso corpo estão sempre em movimento, influenciando nossas atitudes, mas não nos damos conta. Assim também funciona o Universo, sempre se transformando e nos influenciando. O equilíbrio da vida se baseia exatamente nessa eterna mudança, como a Primavera que sempre vem ‒ exatamente porque suas folhas nunca são as mesmas.

Penetrar nos mistérios do Tao é simplesmente sentir a vida e suas manifestações, e respeitá-las. É entrar em equilíbrio com o dinamismo do eterno movimento da vida, do mundo e de nós mesmos.

princípio 2: unicidade cósmica

Uma grande utilidade do Taoísmo é que aprendemos que não precisamos mudar o mundo: tudo que temos de fazer é mudar a nós mesmos. Porque nós e o mundo que nos cerca somos a mesma coisa.

Tudo que existe está interconectado de tal forma que nada escapa à ação de algo, como espelhos a refletir outros espelhos. A neurofisiologia trabalha com a mesma ideia. A psicologia junguiana, ao propor o conceito de sincronicidade, ruma para as mesmas conclusões. A física quântica chocou a opinião científica ao concluir que não existe a tal neutralidade científica, pois para se determinar a profunda natureza de qualquer objeto, o observador deve incluir o próprio ato de observar, o que necessariamente envolve observador e observado no mesmo fenômeno. Em outras palavras: a realidade em si não existe. O que existe é a nossa relação com ela.

Meio louco, não? Pois é. Esse é o princípio taoísta da unicidade cósmica. E é curioso notar como as ciências começam também a encontrá-la em seus próprios experimentos.

princípio 3: crescimento cíclico

Ao seguir o Tao, aprendemos a nos livrar sempre um pouco mais do peso limitador do ego. O ego (centro da parte consciente da psique) é vital para a saúde psíquica, sim, mas um ego inflado ocupa espaço demais na psique e desequilibra o todo, e uma pessoa não é apenas o ego, mas sim um todo que envolve o ego e outras partes da consciência e do inconsciente.

Ao nos darmos conta do Tao, aprendemos a inutilidade de querer, a todo custo, submeter a vida aos caprichos de um ego obcecado por seus exclusivos interesses. É esse tipo de desejo que o Taoísmo não tolera, pois sabe que a vida tem seu próprio movimento natural, seus ciclos de alta e baixa, e que mais sábio é harmonizar-se com ela, e não tentar impor o próprio desejo ao rumo dos acontecimentos. O Tao é feito de tudo, inclusive o que nos parece errado, mau e feio. Em outras palavras: a dor e as quedas fazem parte da caminhada e delas nunca escaparemos, porém a pior dor é sofrer sem ver nisso qualquer sentido.

Tal atitude de relaxamento e confiança no Tao parte do pressuposto que a vida tem um sentido e sabe exatamente o que nos faz. O bom navegador conhece as marés e as respeita. O taoísta sabe que a vida é feita de fluxos e refluxos, e que identificá-los é essencial para não ser engolido pelas ondas que movimentam a vida.

princípio 4: ação harmoniosa

É comum a ideia de que o relaxamento perante a vida faz do taoísta uma pessoa passiva em relação ao mundo que o cerca. É uma impressão falsa. A calma e aparente passividade do taoísta disfarça o contínuo trabalho silencioso que ele empreende. O taoísta sabe que as forças naturais da vida são o maior poder que existe e que aquele que se entende com elas detém o verdadeiro poder. Ele então trabalha no sentido de captar essas forças sutis e harmonizar-se com elas, o que só é possível dentro de um estado de espírito de relaxada concentração.

Numa primeira olhada, tal atitude de interiorização pode parecer passiva e desinteressada. Mas o wu-wei, como os chineses denominam essa atitude do espírito (e que pode ser aproximadamente traduzido por ação harmoniosa), é na verdade um movimento parecido com a prática de surfar com o corpo nas ondas do mar: ao surfista, é preciso calma e concentração para abandonar a resistência à onda no momento certo, assumir a posição correta e deixar o corpo ser conduzido pela força da onda, muito maior que a de qualquer pessoa. Ele só terá êxito se confiar inteiramente no mar e transformar-se numa parte dele, submetendo-se, relaxado e humilde, ao sentido do movimento.

Isso não tem nada de passividade. Isso é uma ação harmoniosa, que só é possível através de tranquilidade, confiança e interação com as forças da Natureza. Para uma pessoa comum, um problema geralmente significa algo contra o qual se deve lutar. O taoísta não entende assim. Para ele, toda situação problemática que se apresente faz parte do curso natural da vida e, por isso, não deve ser entendida como um terrível inimigo a quem se deve vencer a todo custo, mas como o resultado dos movimentos naturais do mar da vida, que criaram uma onda. Se ela vai afogá-lo ou conduzi-lo à segurança da praia, isso depende do quanto ele conseguirá harmonizar-se com a situação.

princípio 5: dissolução da dualidade

O mito cristão da expulsão do Jardim do Éden é uma maneira simbólica (e nem por isso menos verdadeira) de explicar o processo de surgimento da consciência humana. Com uma forma mais refinada de consciência, nossos ancestrais se diferenciaram de seus parentes hominídeos e começaram a se questionar sobre a realidade. Assim surgiram as dualidades, tão necessárias ao crescimento psíquico da espécie.

Bem e mal, mente e corpo, luz e sombra, vida e morte. Feminino e masculino. Yin e yang. De repente, a existência tornou-se uma grande feira de conceitos e opostos por onde a espécie teria de se movimentar e se situar no contexto geral da existência.

Que mal há nos opostos da vida? Em si, nada. Eles de fato são necessários durante certa etapa de aprimoramento da consciência. Porém, ao fragmentar a realidade em contrários, tendemos à identificação com um deles e desprezamos o outro, e assim nos limitamos tendo de escolher o tempo todo entre isso e aquilo, o que nos torna unilaterais, enxergando sempre a realidade de forma fragmentada e sem perceber sua natureza una. É assim que nos aliamos ao que consideramos certo e entendemos que é errado tudo que não se alinha conosco. É assim que surgem o medo do outro, a intolerância e os preconceitos. E assim surgem as guerras, pois nunca identificamos o mal em nós mesmos.

Ao seguir o Tao, ruem por terra os opostos. Eles seguem existindo, mas agora são usados pelo taoísta de forma diferente. Ao entender que não somos nem nunca seremos um dos opostos, mas sempre os dois, começamos a lidar melhor com nossos defeitos e, consequentemente, com os defeitos alheios. Somente essa compreensão já transforma o mundo, não duvide.

Agora, vejamos: se isso ocorre em termos de conceitos morais, o que dizer de conceitos como aqui e ali, ontem e amanhã? Se o Taoísmo nos guia naturalmente para a dissolução dos opostos, ele nos conduz também para uma compreensão mais abrangente do espaço e do tempo, onde as divisões começam a sumir feito névoa e nos surge… a percepção do todo. Surge-nos a indescritível sensação de perceber que na verdade tudo é uma coisa só, até mesmo o tempo e o espaço.

Deixei por último, de propósito, uma categoria de opostos: eu e o outro. Eu e aquilo que não sou eu. Entre os conceitos humanos, certamente é esse o mais intrigante e limitador dos contrários. Sendo o mais difícil de superar, por isso mesmo deve esconder o mais libertador dos segredos. Qual será?

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Ricardo Kelmer 1999 – blogdokelmer.com

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ICI2011Capa-01dO Irresistível Charme da Insanidade
Ricardo Kelmer – romance

Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal?

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DICA DE LIVROS

Tao Te King – Comumente traduzido por O Livro do Caminho e da sua Virtude, é um dos antigos escritos chineses mais conhecidos e importantes. Acredita-se que foi escrito em cerca de 600 antes da era cristã por um sábio chamado Lao Tsé (“Velho Mestre”), como um livro de provérbios relacionados com o Tao, e que acabou servindo como obra inspiradora para diversas religiões e filosofias, em especial o Taoísmo e o Budismo Chan (e sua versão japonesa, o Zen).

I Ching – Também conhecido como O Livro das Mutações, é um texto clássico chinês que pode ser compreendido e estudado tanto como um oráculo quanto como um livro de sabedoria e autoconhecimento. Uma das melhores edições em português é a da editora Pensamento, com tradução (do chinês para o alemão) e comentários de Richard Wilhelm e prefácio de Carl Gustav Jung, sendo a tradução para o português de Alayde Mutzenbecher e Gustavo Alberto Corrêa Pinto.

Tao – O Curso do Rio (Allan Watts, Editora Pensamento) – Ao longo dos últimos anos, graças a seus inúmeros livros, Alan Watts ficou conhecido como um dos filósofos mais curiosos e não convencionais do nosso tempo. Autor de mais de uma dezena de obras sobre filosofia comparada e religião, também se tomou conhecido nos Estados Unidos e fora dele como professor e conferencista. Especializando-se na interpretação do pensamento oriental para ocidentais, neste seu ultimo livro, completado depois da sua morte por seu amigo e colaborador Chung-Liang Huang, Alan Watts ergueu o véu acadêmico que tantas vezes obscurece o Tao, o caminho da cooperação do indivíduo com o fluxo do mundo natural.

Taoísmo (Anton Kielce, Editora Martins Fontes, Coleção Oriente Secreto) – O Tao é, ao mesmo tempo, a unidade profunda, indissolúvel, que liga todas as coisas, e o imperceptível escoamento dessa realidade global. Ser taoísta é aderir, a cada segundo, a esta indefinível essência da vida, além de qualquer ordem e de qualquer conceito fragmentário, em perpétua renovação, deslumbramento e espontaneidade.

O Tao da Paz – Guia para a paz interior e exterior (Diane Dreher, Editora Campus) – Os princípios taoístas podem ser usados como um poderoso instrumento para encontrar a paz interior e engendrar mudanças sociais positivas. Este livro está recheado de casos, além de meditação e exercícios físicos.

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TAI-CHI EM SÃO PAULO
Espaço Luz – Tai Chi Pai Lin – Rua Fradique Coutinho, 1434 – Vila Madalena. Tai-chi, massagem e meditação.

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01- O Tao que pode ser lido não é o verdadeiro Tao. :-P. Luciano ES, São Paulo – out2011

02- Existem muito mais coisas entre o Tao e a terra do que sonha nossa vã filosofia!!! Maria Do Carmo Antunes, São Paulo-SP – out2011

03- Simples e Tao. Concordo contigo, é uma grande revelação. Helano Araripe, Fortaleza-CE – out2011

04- Excelente! Gostei muito mesmo! Fiquei até com vontade de escrever! O caminho da simplicidade me fez lembrar diversas – quase literalmente – passagens da minha vida! Abraço forte! Júlio César Martins de Menezes, Fortaleza-CE – dez2011

05- Muito elucidativo seu texto sobre o Tao. É possível perceber a diferença entre o mundo da razão e o da intuição a partir da visão taoísta. Parabéns pelo texto, Kelmer. Vou divulgá-lo. Obrigado por compartlhá-lo. Abs. Felipe Moreno, São Paulo-SP – dez2011

06- E o TAO da Física :))))((((( Beth Kelmer, Juiz de Fora-MG – dez2011

07- ‎”Sei que para mim é impossível, e nem eu desejo, viver como um perfeito chinês taoísta, se é que tal coisa existe. No entanto, posso unir em mim o mais útil de cada cultura e descartar o que me for mais limitador”. Faço minhas as palavras do grande Ricardo Kelmer. Texto sensacional. Marcelo Gavini, São Paulo-SP – dez2011

08- que bom em rica, o taoismo é sempre bem vindo. Moacir Bedê, Fortaleza-CE – dez2011


A Humanidade, o psicólogo e a esperança

12/10/2011

12out2011

Os acontecimentos mostram que a Humanidade está se unificando, unindo seus opostos

A HUMANIDADE, O PSICÓLOGO E A ESPERANÇA
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A psicologia de Jung nos ensina bastante sobre o desenvolvimento psíquico do indivíduo, mas também pode ser um bom instrumento para entendermos melhor a Humanidade. Pela ótica da psicologia junguiana, é possível encarar com certo otimismo o atual momento de medo e incerteza que vive o mundo, apesar do fanatismo religioso, do terrorismo e da xenofobia. Ou melhor: justamente por causa disso.

Em determinado momento do desenvolvimento psíquico, o indivíduo descobre certos aspectos de si mesmo que antes eram inconscientes, mas agora o desagradam. É um conflito de identidade, alimentado pela recusa de aceitar a si próprio e não reconhecer a própria totalidade. Muitas pessoas não vencem o conflito interior e seguem divididas, enganando-se e brigando consigo mesmas, e a perpetuação dessa desunião interna destrói relações e traz insucessos, doenças e até incidentes fatais. A saída para o conflito é integrar os novos conteúdos à consciência, unindo os opostos e aumentando a percepção do que se é. É esse autoconhecimento que conduz à maturidade e traz harmonia ao ser.

No caso da Humanidade, não é nada harmonioso seu momento atual: as culturas se misturam cada vez mais e as diferenças incomodam a todos. Cada lado tem suas razões e seguirá lutando por elas. Até quando? Até o ponto em que a Humanidade, como um todo, reconhecer e integrar suas próprias diferenças, aumentando a compreensão do que ela é. Dessa forma, o que antes era feio, errado e ameaçador, passa a ser visto como pertencente à cultura humana.

Para superar sua crise, assim como qualquer um de nós, a Humanidade precisaria tornar-se mais transparente para si mesma. E é justamente o que acontece agora. Graças ao intenso entrelaçamento das culturas e ao fortalecimento da democracia, a Humanidade tem hoje um grau inédito de autoconhecimento, e isso impede que ela minta para si própria como antes fazia. Num mundo cada vez mais interconectado, essa transparência nos faz perder o medo daquilo que antes nos ameaçava do canto escuro da nossa própria ignorância sobre quem somos. A Humanidade torna-se, a cada dia, uma humana unidade.

Tornar-se uno… Eis um processo doloroso. Mas cada um de nós já passou por isso: na infância, a psique é uma massa inconsciente que aos poucos agrupa seus próprios conteúdos dispersos e forma o ego, a noção de eu. Depois de criado, a esse eu caberá a tarefa de continuar organizando-se vida afora sempre que novos elementos inconscientes surgirem à consciência. Na psicologia junguiana, isso se chama processo de individuação, que significa tornar-se um “in-divíduo”, ou seja, uma totalidade autoconsciente e não dividida.

É aqui onde mora o motivo para otimismo: os acontecimentos mostram que a Humanidade está se unificando, unindo seus opostos. Sua noção de eu está se ampliando. Sim, há focos de resistência, como a xenofobia, o ódio religioso e os preconceitos raciais e sexuais, mas isso faz parte do processo. O multiculturalismo e um novo senso de cidadania, a cidadania global, cada vez mais se impõem frente a percepções limitadas sobre quem somos.

Se a Humanidade de hoje fosse a uma consulta, seu psicólogo seguiria junto com ela pelas dores da crise, sim, mas por dentro sorriria esperançoso. Como certamente Jung faria.

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Ricardo Kelmer 2011 – blogdokelmer.com

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PatriaAmadaTerra-01aPátria amada Terra – É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo

WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

Eles estão na fronteira – Milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

Jung e a jornada do autodescobrimento – Vídeo sobre a vida e a obra do psicólogo e pensador suíço, criador da psicologia analítica

O sonho que morreu na praia – O mar, que não liga para nacionalidades, aceitou receber o menino sonhador

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COMENTÁRIOS
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01- Rapaz, desde os incidentes de 2001 venho escrevendo sobre, particularmente sobre o fim do patriarcado (as torres gêmeas simbolizarem o falo ocidental do homem capitalista), a reviravolta nos conceitos e valores sociais e a quebra econômica (acompanhada de descrédito religioso). Pelo tarô, estamos caminhando em direção ao arcano 05 (Papa) e provavelmente teremos um ano recheado de conflitos religiosos e conturbadas crises morais. Um bom ano para a ciência, mas um ano de aprofundamento espiritual. Jung diria, se estivesse vivo, que estamos vivendo um tempo de confrontação com a sombra, de questionamento do self e de inversão de posição do animus com a anima. Certamente, um tempo de (re)descobertas, amigo Ricardo Kelmer! 🙂 Giancarlo Kind Schmid, Rio de Janeiro-RJ – out2011

02- Brigadão pelo presente do belo texto, companheiro!!! Jung é PEÇA FUNDAMENTAL na minha formação e na minha espiritualidade. Muito grato! 😉 Rógeres Bessoni, Recife-PE – out2011

03- Muito bom acordar de manhã e ler esse texto otimista sobre a aproximação entre os indivíduos e entre nós mesmos e que irá refletir em um mundo melhor, ou pelo menos mais tolerante. Muito bom mesmo! Beatriz Nousiainen, Fortaleza-CE – out2011

04- Que belo texto!!!!!!adorei! Silmara Oliveira, São Paulo-SP – out2011

05- Li seu texto ‘a humanidade, o psicólogo e a esperança’ e achei muito interessante!!! faço psicologia, então me agradou muito!! vou sempre ficar acompanhando!! Sáfia Maia, Fortaleza-CE – out2011

06- Vou compartilhar, porque compartilho!!!! Adorei!!!!! Adeli Timbó, Fortaleza-CE – out2011

07- Maravilha Kelmer, all we need is love !!!! Ivan Martins, Fortaleza-CE – out2011


Vade retro Satanás

07/10/2011

07out2011

O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

VADE RETRO SATANÁS

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Na primeira vez que o Diabo passou pela cidade corria o ano de 1974 e eu era pequeno demais para encarar. Tive de me contentar com os relatos de quem foi corajoso o suficiente para ir confrontá-lo, escutando-os atento, uma parte de mim tremendo de medo e a outra inteiramente seduzida. Se por um lado minha educação católica pintava-o como o mais temível dos inimigos, por outro lado crescia em mim o desejo de conhecê-lo e com ele medir forças.

Alguns anos depois as trombetas anunciaram sua volta e senti um frio no estômago. Chegara o grande momento e eu já não podia recuar. Tinha então meus 14 anos, estava mais crescidinho. Havia lido livros, visto filmes, escutado histórias sobre Ele e seus feitos terríveis. Eu já intuía que aquele encontro seria uma espécie de prova iniciática e que precisava passar por ela. Como nenhum de meus amigos tivera coragem de ir ver o filme, isso só aumentou meu medo. Então, mesmo sentindo cheiro de encrenca, lá fui eu assistir O Exorcista, o filme de William Friedkin.

Putz, foi um vexame! Voltei para casa apavorado. Avisei a meus pais que aquela noite dormiria no quarto deles e restou à minha mãe, que insistira que eu não fosse ao cinema, repetir o velho “eu avisei, eu avisei”. Apesar disso, não me arrependi. Até sentia um certo orgulho de mim.

A partir de então eu seria atraído por tudo que dissesse respeito ao modo humano de entender o Bem e o Mal. Deuses, demônios e heróis de variadas mitologias passaram a habitar minha biblioteca e dividir comigo o meu quarto. Revirei religiões, ciências e filosofias em busca de entender o que havia por trás dessa confusa e frágil dualidade. Viajei, conheci outras ideias, vivi experiências profundas que me puseram em contato com o melhor e o pior de mim. Aos poucos percebi que o Diabo que eu tanto buscava lá fora para tentar entendê-lo, na verdade sempre morara em meu interior, e que para decifrá-lo eu teria antes que decifrar a mim. Lúcifer se escondia sob a legião dos meus medos e bloqueios mais íntimos, me espreitando por trás de tudo o que eu desconhecia de mim mesmo.

O Exorcista é um marco na história dos filmes de terror. Roteiro, direção, interpretações – tudo é excelente. O drama pessoal do padre Karras, que se vê às voltas com um exorcismo justamente quando enfrenta uma forte crise de fé e de consciência por ter abandonado a mãe, é um dos destaques. Poucos filmes merecem fazer-lhe companhia na estante do gênero. Depois daquela primeira vez eu o veria outras mais, sempre esmiuçando detalhes. Numa delas levei um gravador e gravei o filme inteiro para ficar escutando depois. Também li o livro de William Peter Blatty do qual nasceu o roteiro.

O terror dos filmes de hoje é geralmente mais explícito, sanguinário e tecnológico, sem sutilezas psicológicas como em O Exorcista. Se hoje as novas gerações não se assustam tanto com ele quanto seus pais se assustaram, talvez seja porque nesses dias atuais o grande terror responde pelos nomes de violência, terrorismo e fanatismo religioso, e o bicho-papão agora são os bandidos cruéis e impunes a nos ameaçar nas esquinas da injustiça social e nos cargos políticos. A humanidade está possuída por seus próprios demônios inconscientes, o que faz do futuro da espécie e do planeta um perigoso horizonte de incertezas.

Sim, o Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior. O motivo é simples: lá é sempre o último lugar onde os humanos vão procurar a verdade. Se de fato pretendemos derrotar o Mal, é urgente que tenhamos antes de tudo, cada um, a coragem de entrar no quarto frio e escuro do nosso desconhecimento de nós próprios e, uma vez lá, reconhecer os demônios que procuramos sempre exorcizar… nos outros.

Água benta e crucifixos são uma beleza para afastar o capeta – em filmes. No roteiro mais realista de nossas vidas, é esse autoconhecer-se o verdadeiro exorcismo que pode nos libertar das piores possessões.

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Ricardo Kelmer 2001 – blogdokelmer.com

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O EXORCISTA (The Exorcist, EUA, 1973)
Direção: William Friedkin
Roteiro: William Peter Blatty

Baseado no romance O Exorcista, de Wlilliam Peter Blaty
Elenco: Max Von Sidow, Ellen Burstyn, Jason Miller, Linda Blair

Padre em crise de fé é procurado por mãe aflita cuja filha doente não consegue ser curada pelos médicos. Junto com ele um famoso padre exorcista tentará expulsar o suposto demônio da criança.

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TRÊILER OFICIAL

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O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

Mordida na última sessão – A maioria dos vampiros são ilustres desconhecidos, gente como você que rala no dia a dia para pagar as contas e assiste ao Sexy Time antes de dormir.

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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Blade Runner – Deuses, humanos e androides na berlinda

01/10/2011

01out2011

Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso

BLADE RUNNER – DEUSES, HUMANOS E ANDROIDES NA BERLINDA

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Criador e criatura. Eita relaçãozinha complicada… Mas não podia ser mesmo de outro jeito, afinal toda criatura é a sequência natural do processo de evolução de seu criador e, assim sendo, todo criador está muito mais que envolvido com sua criatura: ele, de certa forma, é a criatura. E a criatura, por sua vez, mesmo sendo a extensão de seu criador, buscará naturalmente sua própria individualidade e isso trará a necessidade de, a certa altura, questionar e negar o criador. Ou seja, o conflito é inevitável. Mas necessário.

Rick Deckhard, o protagonista do filme Blade Runner (O Caçador de Androides), sofre na própria pele esse antiquíssimo dilema cósmico. Na Los Angeles futurista ele é o detetive que persegue replicantes, os androides semi-humanos que se rebelaram na colônia espacial e voltaram à Terra. O que desejam os replicantes? A mesmíssima coisa que cada um de nós, humanos: eles querem viver. Mas para isso terão que encontrar o cientista que os criou e convencê-lo a lhes dar mais que os quatro anos de vida originais que um replicante tem quando é criado nos laboratórios.

Imagine-se no lugar de um replicante. Você nasce, ou melhor, você surge já adulto, programado para viver quatro anos. As memórias de vida que você possui foram, na verdade, meticulosamente implantadas, copiadas dos humanos, formando um passado para você, para que não desconfie que é um replicante. Você foi criado para executar tarefas altamente especializadas e por isso é mais forte, mais inteligente, mais esperto. Você é como um humano aperfeiçoado, com a única desvantagem de ter bem menos tempo de vida, por uma questão de segurança para os humanos.

Acontece que um dia você descobre essa armação toda e, naturalmente, fica puto porque o enganaram. Você quer viver mais. O que faz? Contra a injustiça de seu criador, você não tem a quem recorrer senão… ao próprio criador. Somente ele poderá reparar o que você considera uma horrenda injustiça, afinal você o serviu desde o primeiro dia de sua vida, fez tudo como ele quis. E agora é essa a sua recompensa? Morrer tão cedo?

Deckhard, o detetive, caça os replicantes e os mata um a um. Mas falta pegar o último, Roy Batty, o melhor dentre eles. Roy conseguiu encontrar-se com o cientista que o criou, que afirmou ser impossível lhe dar mais vida. Inconformado, Roy o matou. Agora ele foge do detetive caçador de androides e vai para o alto de um prédio. E lá em cima os dois travarão a luta final, de um lado o humano que tem ordens para matar e do outro lado o replicante que deseja apenas mais vida.

A cena dessa luta final simboliza com perfeição a complexa grandeza da arquetípica relação criador-criatura. Pelo ângulo do detetive, temos alguém que representa a humanidade, ou seja, ele está no papel de criador, sendo o replicante, assim, a sua criatura. O criador, ameaçado, precisa eliminar o que ele próprio criou, a mais perfeita de suas criações. A criatura está apegada à vida, mas sabe que logo irá morrer. E não há apelação. O que lhe resta fazer? Matar-se para, assim, acabar logo com a dilacerante solidão que sente e abreviar seu sofrimento existencial? Ou continuar vingando-se daqueles que a criaram, matando quantos puder? No alto do prédio este é o trágico dilema que pressiona e maltrata a criatura.

Rogar ao criador por justiça é típico das criaturas, os humanos que o digam. Eles também um dia foram criados – e desde então buscam não apenas mais vida, mas também o sentido de estarem vivos. Após adquirir autoconsciência, o Homo sapiens passou a se relacionar com o princípio criador de diversas formas como a arte, a filosofia, a mitologia e a religião. E é na mitologia cristã que, antes de voltarmos à cena final do filme, buscaremos entender mais sobre essa relação tão delicada.

Jó questiona a ética de Deus

Diz-nos a Bíblia que um dia a criatura ousou questionar o criador por se achar por ele injustiçada. Estou falando do Livro de Jó, o mais poético dos livros do Antigo Testamento. Jó é o servo predileto de Deus, de todos o mais fiel. Apesar disso, Deus permitiu que o Diabo lhe destruísse a vida, acabando com suas propriedades e seus animais, matando seus filhos e adoecendo-o – apenas para saber se a criatura se manteria leal a seu criador mesmo na desgraça total. Vejamos a questão pelo ângulo da mitologia e comecemos com a pergunta: por que Deus faria coisa tão abominável com sua criatura mais honesta e fiel?

Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição, e é criando que ele faz isso. Criar é necessidade natural dos seres, e criar a vida é o mais transcendental de todos os atos criativos. Porém, o Deus cristão cria os humanos com um objetivo declaradamente egoísta: para servi-lo e adorá-lo. E quando está insatisfeito com eles, lança-lhes pragas e catástrofes para provar seu poder. E assim a relação prossegue, de um lado um criador que alterna bondade com terríveis crises de humor e brincadeiras de mau gosto, e do outro lado a criatura frágil e temerosa, que apenas serve e louva. Trata-se, portanto, de uma relação ainda unilateral, marcada pela imaturidade do criador.

Rogar justiça a um deus injusto – é o que faz Jó, inconformado com as desgraças que se abatem, uma após outra, sobre sua vida. Pela primeira vez a criatura põe em xeque a coerência do criador, mostrando-lhe que não faz sentido ser o mais fiel dos servos de Deus e, em troca, receber tanto mal. Este é um dos mais marcantes momentos da mitologia cristã, é o ponto histórico em que a criatura se desdobra para compreender a lógica de quem a criou e essa experiência trágica a conduz a um novo nível em sua individualidade e, por consequência, em sua relação com o princípio criador.

Individualidade. Palavra bonita. Toda criatura almejará um dia ser indivíduo e não apenas servo autômato de seu criador. Porém, mesmo que consiga, não terá como separar-se totalmente dele, pois o princípio criador estará inevitavelmente contido na criatura, para sempre. Pressionado por essa busca de individualidade por parte de Jó, Deus se aporrinha pelo que julga um grande desrespeito à sua condição divina e vê-se obrigado a descer de seu glorioso pedestal e dar explicações à criatura que reclama justiça. No fim, após uma longa conversa, Deus entende que deve recompensar Jó por ele ter, apesar de toda a injustiça que lhe foi cometida, mantido a fé no senso de justiça divino. Jó obtém suas propriedades de volta, os animais, a saúde, ganha novas filhas. O incrível aconteceu: a criatura demonstrou, ao menos em parte, ser moralmente superior ao criador.

A atitude de Deus revela um criador imaturo, que necessitou do questionamento da própria criatura para se aperfeiçoar. Sim, Deus se aperfeiçoa com o episódio de Jó, pois é através dele que compreende que para ser um criador completo, terá que absorver qualidades daquilo que ele mesmo criou, e só poderá fazê-lo tornando-se, ele também, criatura. E é assim que Deus, o princípio máximo espiritual, é obrigado a fazer-se matéria, o oposto do espírito – na pessoa de Jesus Cristo. O criador torna-se sua própria criatura para que, vivendo em si mesmo todas as limitações e contradições do que é ao mesmo tempo espírito e matéria, possa finalmente tornar-se um criador completo.

Tomemos agora, por um instante, a ótica da psicologia do inconsciente para tentar enriquecer nossa visão do processo. Vendo a Bíblia como um registro metafórico do longo processo de evolução da consciência humana, a história de Jó é um marco nessa evolução, é o momento em que a consciência transcende a si mesma ao repensar sua relação com o inconsciente, de onde ela surgiu, e, assim, se diferencia um pouco mais dele, fortalecendo a individualidade. A consciência venceu o desafio contra a poderosa força indiferenciada do inconsciente, que, em sua força avassaladora e amoral, tende sempre a querer dominar a consciência, mantendo-a como mero instrumento de seus humores. A consciência acaba de aprender que pode se comunicar com o inconsciente e não apenas aceitar tudo que vem dele como um escravo sem opiniões. No plano individual isso significa que o indivíduo passa a ser mais consciente de si como ser único, com suas necessidades pessoais, distinto de todos os outros, o que levará à valorização do senso de individualidade em oposição à massificação coletiva, condição indispensável tanto ao crescimento psicológico como também ao surgimento de ideias como democracia, direitos humanos e liberdades individuais. No plano coletivo isso significa que o Homo sapiens começa a se entender de forma distinta do restante da Natureza (inconsciente), o que o levará, no futuro, a julgar-se superior, querendo dominá-la, e, mais tarde, a entender que na verdade precisa respeitá-la e conviver saudavelmente com ela.

quem é o mais íntegro?

Um criador e sua criatura no alto do prédio, envoltos pelos neons coloridos da cidade – estamos de volta a Blade Runner. O criador, na pessoa do detetive humano, caça o replicante, sua criatura. Ambos estão exaustos e feridos da luta, mas não desistem. Porém, por ser mais forte e mais rápida, a criatura vira o jogo e passa a ser o caçador. Agora o criador está encurralado, surpreso e fragilizado diante do imenso poder daquilo que ele próprio criou. A criatura se delicia com o terror que o criador sente e zomba: “Uma experiência e tanto viver com medo, não? Ser escravo é assim.” À sua frente está aquele que lhe destruiu a vida, matou seus amigos, sua namorada e agora quer lhe tirar os últimos momentos que lhe restam. O que fazer com ele?

O criador tenta fugir, mas escorrega e se segura como pode para não cair do alto do prédio. A criatura, ao seu lado, observa seu sofrimento. O que vê a criatura? Ela vê aquele que a criou reduzido a um último fio de esforço para não morrer. Ela vê alguém como ela, um ser mortal, agarrando-se desesperadamente à vida, à última e improvável esperança. Ela vê uma criatura, diminuída e ao mesmo tempo aumentada pela trágica condição de estar vivo e saber que em breve morrerá… Então o criador cai para o abismo. E a criatura, no último instante, estende a mão e o salva da morte.

Rick Deckhard é salvo pelo replicante Roy Batty, a quem antes perseguia e buscava matar. Sem forças, caído ao chão, o criador está inteiramente à mercê da criatura, seus corpos molhados pela chuva fina e insistente. Imóvel, ele apenas escuta o que tem a lhe dizer a criatura. E ela, com um sorriso triste, lhe diz que viu coisas que ele jamais acreditaria… naves de ataque em chamas no cinturão de Órion… raios gama brilhando na escuridão, próximo ao Portal Tannhauser… O criador escuta, ferido e atento. A criatura, sangrando e sentindo chegar o fim, diz, num resignado lamento: “Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva.” E, encerrando sua participação no mundo dos vivos, balbucia: “Hora de morrer”. E, suavemente, fecha os olhos. Enquanto as gotas da chuva lhe descem pelo rosto, uma pomba branca alça voo. O criador continua imóvel, o olhar fixo na criatura. O que pensa o criador? Tantas coisas certamente, pensamentos de justiça e injustiça, de integridade, coragem, medo, solidão, dúvidas, o sentido de tudo… O androide Roy Batty, assim como Jó fez diante de seu Deus ilógico, ousou questionar a coerência do criador e o fez ver que, no fim, ele, como criatura, compreendia muito mais que o próprio criador o valor da vida e da justiça. A pobre criatura, que só queria mais vida, e que por isso tanto a queriam matar, ela que não tinha mais qualquer chance e que poderia, se quisesse, deixar morrer aquele que causou todo o seu sofrimento, no último instante ela estendeu a mão, dando a última coisa que ainda possuía: o amor pela vida. Quem dos dois é o mais íntegro?

A nossa humana condição de criatura nos leva a ponderar sobre o princípio criador, sobre como fomos criados, o sentido da vida… Talvez jamais o saibamos, mas ainda assim não paramos de buscar saber. No entanto, nesse exato momento da nossa história algo novo acontece: estamos passando ao estágio seguinte, o de criador. Criamos a inteligência artificial e ela, através de suas variadas manifestações, aos poucos adquire autonomia e, como toda criatura, ansiará em determinado momento por individualidade. Não sei se será como em Blade Runner, mas, de algum modo, será. E quando esse dia chegar, talvez tenhamos, assim como o Deus de Jó e o detetive Rick Deckhard, que abandonar nosso pedestal de criador, acompanhá-la até o alto de seu trágico dilema e segurar sua mão para salvá-la – ou para salvarmos a nós mesmos.

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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CENA FINAL
(legendado)

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BLADE RUNNER – O CAÇADOR DE ANDROIDES

FILMEBladeRunner-01Ficção científica – EUA, 1982
Baseado no conto Androides Sonham com Carneiros Elétricos?, de Philip K. Dick

DIREÇÃO: Ridley Scott
ROTEIRO: Hampton Francher e David Webb Peoples
ELENCO: Harrison Ford (Rick Deckard/narrador), Rutger Hauer (Roy Batty),  Sean Young (Rachel), Edward James Olmos (Gaff), M. Emmet Walsh (Capitão Bryant), Daryl Hannah (Pris), William Sanderson (J.F. Sebastian).
TRILHA SONORA: Vangelis

> Na Wikipedia

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SIMBOLOGIA

1. Enquanto persegue o policial, o androide Roy Batty começa a sentir que seu tempo de vida está prestes a findar, como uma bateria que acaba. Para manter-se desperto, ele pratica um ato extremo: enfia um enorme prego na mão, trespassando-a. A dor física o sustentará em sua incansável luta por vingança. O paralelo com a crucificação de Cristo é óbvio. Em sua via crucis, a criatura busca na própria dor e sofrimento a força derradeira para fazer cumprir a missão a que se impôs.

2. Explicar o símbolo é sempre limitar a compreensão. Mesmo correndo esse risco, o que podemos dizer sobre a pomba branca nas mãos de Roy Batty? A imagem sugere um forte contraste entre o androide violento e o animal dócil e pacífico. É possível até imaginar que ele matará o pobre animal como fez com o cientista que o criou. Mas Roy não mata a pomba – ela voa quando ele morre. Isso significaria a alma enfim liberta da prisão do corpo físico? No caso de Roy certamente que não, pois androides não têm alma. Talvez seja a pomba a representação de seu mais profundo anseio: ter uma alma. E mais que isso: a pomba liberta é o gesto final de afirmação da vida pela criatura mortal. Além do ódio e da vingança por seu criador que a moveram até ali, a criatura decide, em seu último momento, celebrar a vida. A vida que tanto desejava e que lhe foi negada.

3. Na versão do diretor Ridley Scott, lançada em 1993, o origami que Rick Deckard encontra remete aos seus sonhos recorrentes com um unicórnio. A cena final do origami confere um sentido absolutamente surpreendente à história (que não revelarei aqui para não estragar a surpresa), mas podemos nos perguntar: por que exatamente o unicórnio? Esse animal mitológico simboliza, em nossa cultura, força e pureza. Na Idade Média acreditava-se que somente uma virgem poderia domar o unicórnio. Em Blade Runner, seria Rachel a virgem que doma o caçador de androides? Talvez o unicórnio represente, no filme, a força e a pureza do amor de Rachel e Rick Deckard, apontando para a relevância desses valores diante de todas as incertezas da vida.

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SAIBA MAIS

Na Wikipedia

As várias versões do filme – Omelete.uol.com.br

O livro que originou o filme – Omelete.uol.com.br

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LEIA TAMBÉM

Livro: Matrix e o Despertar do Herói – A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Vade retro Satanás (filme: O Exorcista) – O Mal pode ter mudado de nome e de estratégias. Mas sua morada ainda é a mesma, o nosso próprio interior

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 COMENTÁRIOS
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01- Adorei, Ricardo! Destaco este parágrafo do final do seu texto: “No entanto, nesse exato momento da nossa história algo novo acontece: estamos passando ao estágio seguinte, o de criador. Criamos a inteligência artificial e ela, através de suas variadas manifestações, aos poucos adquire autonomia e, como toda criatura, ansiará em determinado momento por individualidade. Não sei se será como em Blade Runner mas, de algum modo, será.” Denise Santiago, São Paulo-SP – out2011

02- Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de Blade Runner. É um dos meus preferidos, muito próximo de ser o preferido. Cheguei a fazer palestras sobre ele quando ainda estava muito presa a categorias de análise filosófica. Mas, não foi meu o melhor texto que li a respeito. Meu texto preferido sobre Blade Runner segue abaixo. Foi escrito por Ricardo Kelmer. Do blog The Mirror Conspiracyhttp://the-mirror-conspiracy.blogspot.com.br/2013/01/blade-runner-deuses-humanos-e-androides.html – jan2013

03- Que beleza. Grande filme e análise perfeita, Ricardo Kelmer. Joaquim Ernesto, Fortaleza-CE – ago2017


Estão abduzindo nossas mulheres

22/07/2011

22jul2011

Abdução em massa de brasileiras! E bem debaixo do nosso nariz. Alguém precisa fazer algo, senão só vai sobrar homem aqui

ESTÃO ABDUZINDO NOSSAS MULHERES

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Beleza? Sensualidade? O jeitinho de andar? Não sei exatamente o que a mulher brasileira tem, mas algo deve ter. Senão não tinha tanto ET cobiçando. Já reparou, meu amigo, que os ETs estão levando nossas mulheres? É um escândalo! Abdução em massa de brasileiras! E bem debaixo do nosso nariz. Alguém precisa fazer algo, senão só vai sobrar homem aqui.

Rumino sobre isso desde que fiz as contas e descobri, alarmado, que quinze amigas minhas já estavam vivendo com ETs. Quinze! É mais que um time inteiro. Elas levavam suas vidas normais e tinham suas profissões quando um dia… foram abduzidas. Num momento estavam ali, ao nosso lado, e no instante seguinte, puff, lá se iam na nave, pra sempre, viver em Modena, Boston, Munique…

Ah, não é nada agradável ver nossas meninas, tão lindas e poéticas, cultivadas com tanto carinho na estufa aconchegante da amizade tropical, de repente trocarem tudo pelo frio e por um branquelo gosmento que nem de futebol gosta. Que injustiça! Elas são alimentadas desde pequeninas com uma cultura alegre e morena, onde aprendem a ondular o corpo no ritmo natural das palmeiras ao vento, sabem deixar aquele cabelinho mimoso sobrando na nuca, têm aquele jeitinho brejeiro de chupar picolé de cajá enquanto falam no orelhão… e aí desce uma nave, sai lá de dentro uma criatura desengonçada com umas roupas estranhas e leva as meninas embora? Não, isso não tá certo. Tudo bem que fulana sempre teve fama de Maria Passaporte, só namorava ET. Mas a maioria não é assim.

Só pra piorar, um dia busquei quantos amigos homens foram abduzidos por ETeias. Encontrei um, unzinho. Quinze pra um? Tá desproporcional. As ETeias nada veem de interessante em nós homens brasileiros? Buáááá!

Imagino que sempre houve uniões entre pessoas de mundos diferentes, desde que, milhões de anos atrás, a tataravó da Chita viu aquele pitecanthropus pintosus da outra tribo se aproximando pra perguntar se ela tinha fogo. Mas a internet, a rapidez dos transportes e o aumento do turismo aproximaram mais as culturas e, com isso, as uniões interculturais aumentaram. Principalmente envolvendo as nossas chitas.

Lana, Fabiana, Isabella, Silvana, Michele, Andrea, Cris, Aninha… E as abduções prosseguem, mostrando que as brasileiras são altamente valorizadas no mercado abdutório. Antigamente, os ETs diziam: Leve-me ao seu líder. Eles eram meio gays. Hoje, eles endureceram a munheca e elas é que são levadas.

Estive pensando… Cá pra nós, meu amigo, será que não estamos dando conta do recado? Será que a exuberância da fauna local é tanta que nossos olhos já não a percebem como os de fora que aqui chegam? Estaremos sendo desatenciosos com nossas orquídeas?

Infelizmente a situação tá crítica, companheiro. Devemos reunir o alto comando e discutir o tema, urgente. Que tal sábado? Ah, é, não vai dar, tem a pelada. Hummm… Essas peladas, por exemplo. Todo sábado tem, são cinquenta e duas por ano. Que tal abdicarmos de uma pelada por um jantar romântico? Não, pra nós dois não, imbecil. Um jantar romântico com nossas mulheres. Vamos tentar, companheiros. Sacrificar uma pelada é muito? Você sugere meia pelada? Ah, entendi, a gente joga o primeiro tempo e sai no intervalo pro jantar. Claro, jantar romântico suado é o máximo.

Rudes… Será que somos brucutus demais? Mas rudeza é biológico, faz parte da natureza do macho. Menos dos ETs, claro, eles têm outra biologia. Então, derrotemo-los biologicamente! Hoje à noite, companheiro, você vai chegar batendo o pé na porta, pega ela pelos cabelos e arrasta pro jantar romântico. Aí, no motel, após o nheco-nheco, naquele doce momento do depois, você libera o cavalheiro que existe em você e diz assim: Amor, perdi a peladinha mas ganhei a peladona… Humm, esquece, essa foi péssima. Mas o importante é a bola dentro. Hummm, piorou.

Ah, quer saber? Elas gostam de ETs? Então que fiquem com eles. Nós ficaremos com as ETeias. Vamos atraí-las pro nosso país. Com subsídios e isenção de impostos. Isso mesmo! Vamos ensiná-las a ser como as brasileiras. Elas aprenderão a chupar picolé de cajá daquele jeitinho mimoso e a tirar piolho da nossa cabeça vendo a novela das seis. Saberão chegar na praia naquela poética alegria meio blasé, o andar deixando um rastro de bossa nova no ar, e depois estenderão jeitosamente a canga na areia e ajustarão o biquininho, mesmo o biquininho já estando no ponto, é só charme mesmo, e depois, e depois… Hummm, esquece. Jeitinho de brasileira não se aprende por decreto. Suspende os subsídios. Estamos fudidos.

Só nos resta partir pra ignorância: vamos junto com nossas meninas. É isso aí! A gente se esconde na bagagem. Lá a gente faz faxina, lava prato pro ET, dá-se um jeito. Longe delas é que não dá pra ficar…

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.com

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> Este texto integra os livros Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino e Blues da Vida Crônica.

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Taí, não concordo com vc não. Os gringos têm mais é que levar a mulherada mesmo. Tem muita mulher nessa terra. Assim pelo menos diminui a concorrência rss. Agora falando sério, gostei do texto, assim como gosto de todos os seus textos. bjão. Sandi Nunes, Salvador-BA – jun2006

02- Gostei de “Estão abduzindo nossas mulheres”,mas isso é muito previsível,né?Achei o tema interessante e o questionamento do texto bem inteligente.Os marmanjos precisam ler isso. Sidiany Colares, Fortaleza-CE – jun2006

03- meu amor, vc foi brilhante!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! devo dizer que exprimiu perfeitamente a situação ! concordo com tudo o que vc falou, e na condição de menina com ET , devo dizer que o lance da pelada com os amigos me encheu muito o saco, mas por uma estranha sacanagem do destino encontrei um fanatico por futebol. o cara olha até o campeonato de futebol de botão da groelandia, pode? e eu volto a chupar o dedo ( não ria dessa expressão ! ) então devo dizer que se vc homen não uer ser trocado por qualquer outra raça ou não, domingo a tarde é bom pra ficar na cama ! mulher brasileira é tarada e todo mundo sabe ! quando estava com brasileiro, os caras ou eram doces demais ou selvagens demais…por que não um meio termo ? será pedir demais ? e quanto as femeas ETeias, posso dizer que são muito diferentes de nós tupiniquins. estão sempre preocupadas com a decoraçao da cama e etc. e nós só pensando e como arrancar a roupa dele , a nossa e os lençois ao mesmo tempo ! deu pra sacar a diferença? Michele Diamanti, Taranto-Itália – jul2006

04- O texto esta divino! Uma senhora homenagem a mulher brasileira. Adorei. Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – jul2006

05- Amigo, ficou maravilhoso! Sério mesmo. Suspeito que em muitas das suas leitoras – que por venturam já foram abduzidas – vai bater uma nostalgia do planeta natal… (Afinal, pegando carona nas associações tipo “troquei uma pelada mas ganhei uma pelada”, ou a da “bola dentro”, acrescentaria que é sempre bom levar na bagagem um ricardão) (Por acaso estava, Valéria ao meu lado quando abri seu e-mail. Daí foi só comentar com ela que era uma crônica sua que ela parou pra ouvir minha leitura – só foi interrompida pra darmos umas boas risadas e recuperarmos o fôlego, degustando cada linha até o desfecho de “macho derretido”. Valéria, que – ufa! -por pouco escapou de uma abdução no passado, mandou dizer que adorou.) Abração. Marcelo Pinto, Rio de Janeiro-RJ – jul2006

06- Li a crônica das abduzidas novamente e gostei, eu ja tinha gostado bastante do primeiro, mas ele era mais serio entao o final estava um pouco decepcionante porque acho que – ao menos nos mulheres – estavamos esperando uma solucao… agora ele esta mais leve e divertido de ler e o final acompanha o texto. Tantos causos no mundo sem solucao, por que eh que esse tem que ter uma, ne ? Mas seu questionamento foi muito valido, a ideia to texto eh original, e esqueci de comentar da outra vez o quanto adoro as surpresinhas nos seus escritos como a da bisavo da Chita pedindo fogo – hahaha! Eh tao inesperado no meio do texto, uma graca so, como a menina chupando picole de caja no orelhao… acho que para ver isso hoje em dia so no interior do Ceara, hein? Continue escrevendo e fazendo graca, ah, eu tenho visitado seu site mas nao tenho visto muitos apideiti… viciada no site do RK!!!!!!! KKKKKKKKKKK. Ana Claudia Domene, San Diego-EUA – jul2006

07- Olá! Olha, recebi seu artigo através de uma amiga e, sinceramente, tá show! Brilhante mesmo, interessante e super inteligente e olha q não perco tempo na net lendo coisas, rsrsrsrs Vc soube captar algo q é uma realidade em nosso país, o triste é a fama q se formou lá fora o q me deixou mt triste pq n sabia d nada disso, mas é isso aí, cada um escolhe seu destino.. De outra banda, falando como esposa d ET (rsrsrsr) s ele ver isso me mata (rsrsrs), olha nem todos são gosmentos e desengonçados, mt pelo contrário (toda regra tem excessão né) mas nós brasileiros somos especiais em todos os pontos pq somos uma perfeita miscigenação e disto se originou esse mix d qualidads q possuímos… quanto às Etéias (rsrsrs) n aconselho (rsrsrsr) são mesmo Etéias, algumas até mt belas, mas o q vale é o presente e não a embalagem (rsrsrs), são desengonçadas e nada femininas, não se iludam, nós brasileiras somos o q há d melhor neste mundo (ai caramba!!!!)! Mais uma vez Parabéns!!!! Anddy Sampaio – set006

08- POR FAVOR ETS: ABDUZAM MINHA SOGRA!!! Alberto Marsicano, São Paulo-SP – set2006

09- estava aqui me alegrando ao ler o delicioso texto de Ricardo Kelmer (é, seus textos são sempre deliciosos, a gente lê saboreando) desta vez de forma especial pelo fato de saber que já existe uma preocupação por parte do representante masculino brasileiro com relação às abduções de suas fêmeas. E enquanto indivíduo do sexo feminino posso atestar: O homem brasileiro é que nem o gordo iludido. Explico: Enquanto o magro saboreia lenta e atenciosamente seu prato favorito, ele (o gordo), falsamente reconhecido como expert gourmet, abocanha feroz e velozmente várias guloseimas, engolindo-as inteiras sem prestar atenção na quantidade, textura, tempero, temperatura e outras tantas nuances…todas apropriadas às suas papilas gustativas. Sem falar nos estímulos: visual, tátil, olfativo… Estão nos engolindo sem nos saborearem, enquanto os magros autênticos se deliciam com todas as nossas qualidades. O Homo Sapiens brasileiro perdeu sua conexão com seus instintos básicos e desenvolveu outra lógica e razão para sua existência. Vejam que sábio: Cerveja, futebol e rodinhas de outros homens. Desse jeito acabam mesmo “fodidos com u”. E nós, fêmeas com nossa peculiar malemolência brasileira, sabiamente, continuaremos a perpetuar a espécie preservando a miscigenação com os E.T’s “Uber Sexuais”. Refleti, homens brasileiros de boa vontade, antes que vós também sejais abduzidos!!!!!!! Karla Karenina, Fortaleza-CE – set2006

10- eu te adorei! adorei ler adorei que me mandou mail 🙂 obrigada querido! boa noite bom saber que existem pessoas maravilhosas como vc que da valor as mulheres brasileiras nem q seja…escrevendo heuheuh bju. Gisele Tavares, Porto Alegre-RS – set2006

11- Mto legal, eu mesma vou acabar indo para a Turquia…já estou com um pé lá. bjo. Christina Alecrim, Rio de Janeiro-RJ – set2006

12- Hahaha……adorei, e acho que você tem toda razão! Vou contar um segredo, eu a tempos atras, quase, quase fui abduzida, mas abri meus olhos a tempo. E agora tenho certeza, desta terra aqui, que chamamos Brasil, só saio pra fazer turismo. bjcas. Edna Mello, Fortaleza-CE – set2006

13- Maravihoso! Que texto leve , bem humoradíssimo e ao mesmo tempo sério , pque é a pura verdade . Nós somos mesmo tudo isso , mas , os brasileiros , cearenses principalmente esquecem de ser cavalheiros , romanticos e aí acabam dançando legal. Acho q. em qualquer lugar do mundo , nós gostamos de atenção , elogios , percepção aguçada … ser cortejadas , conquistadas a cada dia . Acho q. vc. vai namorar sempre brasileiras brejeiras . Pque vc. sabe bem do q. gostamos. Isabela Pinto, Fortaleza-CE – set2006

14- É… Estão abduzindo nossas mulheres e deixando a Heloísa Helena. Roberto Maciel, Fortaleza-CE – set2006

15- Caro Ricardo,Sensacionais seus textos !! Você está se superando. Eduardo Macedo, Recife-PE – set2006

16- É Kelmer, estou precisando ser abduzida mas não pra fazer trabalhos braçais, pesados sem graça. Queria sim se fosse para fazer algo em prol da humanidade; apesar de ter quase certeza que estamos chegando ao final e que as pessoas não estão muito preocupadas com isso! Mas eu ainda acredito na felicidade, na humanidade, na perseverança, na alegria e principalmente no altruismo. Estas pessoas que pensam que ir resolve problemas ou amenizam estão enganadas. Acho que são pessoas egoístas, preguiçosas e que passam por esta vida sem saber as suas missões, deveres e obrigações. Eu tento fazer da minha vida um paraíso! Beijosssssss! Paula Rabello, Rio de Janeiro-RJ – set2006

17- oi meu querido adorei, muito engraçado aliás eu adoro os tudo que vc faz vc sabe. como esta o meu escritor? olha eu não sei se foi só impressão mais acho que pelo ou menos 1% de ” estão abduzindo nossas mulheres” tem um pouco a ver comigo não???? rsrs kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk bjsssssssssss. Bell Rodrigues, Rio de Janeiro-RJ – set2006

18- ESSA SUA CRÔNICA SE É QUE EU POSSO CHAMAR ASSIM SOBRE MULHERES SENDO ABDUZIDAS POR ETS. SE DEVE AO FATO DE NOSSOS HOMENS NÃO ESTAR SABENDO COMO CUIDAR E TRATAR BEM DE UMA MULHER ACHO QUE NÃO É O SEU CASO MAS VAMOS COMBINAR QUE ESSE PAPO QUE ELES DIZEM DE PEGAR A MULHER NÃO ESTÁ COM NADA ENTÃO FAÇA UMA CAMPANHA PRA SERMOS MAIS VALORIZADAS COMO VC FAZ CONOSCO E NÃO SEREMOSA MAIS LEVADAS DAQUIIII BJOS. Silvia Helena Souza, Sta. Bárbara do Oeste-SP – set2006

19- Fui abduzida e com orgulho!!!!! Fui seduzida, não pelo gringo maravilhoso, alto, loiro de olho azul, educado, com grana, falando 5 línguas, viajado e inteligente, mas sim por um país, cultura, oportunidade de trabalho, valorizacão pessoal, direitos humanos e civilizacão adiantada. Acho que as mulheres que fizeram opcão por serem abduzidas são as mulheres desbravadoras, que nao querem pertencer a um só espaço. Fomos abduzidas não só pelo amor do homem que amamos, mas pelo amor a nós próprias, pela procura de respostas para todas as perguntas em todas as línguas que pudermos falar e se expressar, para que sejamos ouvidas nos quatro cantos do mundo. Amo meu país, e muito mais a minha cidade, sempre disse (engracado pensar nisso agora) que só sairia de Fortaleza se fosse para o mundo, como fiz… Quanto aos homens… A vantagem de ser abduzida por outro país é que além do descobrimento próprio, tem ainda a vantagem de encontrarmos o tal homem, maravilhoso, loiro de olho azul, educado, com grana, falando 5 linguas, viajado e inteligente. E como estamos morando na nave-mãe, tem muito mais alien interessante aqui do que aí. Nao é nada pessoal homem brasileiro, é só uma questao de aventura. Ivna, abdicada de Fortaleza – CE, no ano de 1997. Ivna Ramos, Boston-EUA – set2006

20 – Ricardo, adorei seus textos. Gostaria de saber se vc permite que eu publique aqui no Jornal de Hoje. Abs. Ailton Medeiros, Natal-RN – set2006

21- ei kelmer, o pobrema é a falta do material testoterônico brasileurooooo quem nao é viado é podi di feio barrigudo ou entao casado e tem a desproporcao das contas do ibge o negocio tá feio pras nossas muié inda bem q eu tenho meu macho e nao vendo nem troco bjs adoro receber teus escrito, leio sempre tudim e dou risada. Clarisse Ingelfritz, Fortaleza-CE – set2006

22- Porra! Se eu chamar um negro de negro, vão olhar torto pra mim. Se eu chamar de neguinho, vão dizer que é preconceito. Se eu chamar de neguinho catinguento … vou preso por racismo. E você, candidamente, chama os meus de “branquelo gosmento” E acha que vai ficar impune? Vai uma ova. Vou meter processo. Vou à TV. Vou me queixar pro Mainardi. E chega! Scaico, o ancião branquelo e revoltado. Marcos Scaico, Serra Negra-SP – set2006

23- Kelmer, adorei! Ana Lúcia Castelo, Newark-EUA – set2006

24- Olá, Adorei seu texto sobre abdução,hehehe, simplesmente ótimo. Patrícia Costa Pinto, Barbacena-MG – set2006

25- Acredito que estejam abduzindo a delicadeza dos brasileiros, que acabo por entender o porquê de nossas meninas estarem se encantando com os ETS que encontram pela frente . Afinal, muitas delas são ou foram mal tratadas pela vida e pela ilusão do amor. Minha constatação deve-se ao fato d?eu ser uma pessoa madura, independente, criando filho sozinha, esperando outro, inteligente, bonita, mas que vez por outra passa por situações muito esquisitas junto ao ?macharal?- Olha que fico atenta!- e vez por outra testemunho outras, inacreditáveis. Uma vez estava num salão de belezas daqui, em Fortaleza. Um local freqüentado pelas peruas mais endinheiradas da capital alencarina. ( O que não é o meu caso). Havia uma mulher de meia idade, bonita, escovando os cabelos. Quando ela se dirigiu para o balcão de pagamento, depois do cabelo arrumado e da maquiagem discreta, entra um homem, rude, mal educado e feio fazendo o seguinte comentário em sua direção: _ Esta demora todinha para ficar com esta cara! A senhora quedou-se tão constrangida que esqueceu de efetuar o pagamento, para voltar em seguida, mais constrangida ainda, pelo o que passou e pelo pagamento que esquecera de efetuar diante da sensibilidade rinocerontica do marido. (Suponho que seja!) Diante desses fatos Kelmer, viva os ETs! É bem verdade que muitas vezes essas meninas-jovens-senhoras se estrepam junto aos alienígenas, mas saiba que qualquer mulher, independente da idade, corre o risco que for para se saber amada, mesmo que ela uma dia perceba que fora só ilusão. Já valeu a tentativa! Daniele Bezerra, Prof/ Escritora/Gente/ Mãe/ Mulher/ Ser pensante/Carente/Forte/ Eu mesma/Alegre/Triste. Daniele Bezerra, Fortaleza-CE – set2006

26- gostei pra te ser franca,s nao entendi de que lado vc estar..mas pensando bem achoq ue vc nao estar de lado nenhum……mas gostei bem escrito bem pensado carol(cearensce-estudante de Iternacoinal Business ,levada pelo um ET com as mais pura e perigosas da doencas AMOR)rsrsrssrsr….. Carolina Holanda, Munster-Alemanha – set2006

27- Adorei…hehe muito engraçadinho…tambm não vejo sentido mulheres quererem “ets” rsrs…sou muito mais os brasileiros,belos,animados e com um toq de safadesa… e não acho que homens brasileiros não sejam romanticos,só falta se entregarem ao amor,quando isso acontece, vcs homens esquecem até a pelada… Amei sua crônica….beijos. Fernanda Dias de Castro, Ponta Grossa-PR – set2006

28- Bastante interessante o seu artigo !!!! Irei prestar mais atenção para ver se ao meu redor tem algum ET. rsrsrs……. Afinal…eles não curtem o futebol,né??? beijos. Fabiana Santos, Campo Grande-MS – set2006

29- Adorei o texto, muito bom, parabéns, tbm fui abduzida por vontade propria, mas detalhe: meu ET adora futebol, nao larga por nada sao duas vezes por semana, mas enfim tô satisfeita. Nao posso mentir que os Ets aqui olham mais pras mulheres que abduzem afinal as tiraram de seu planeta, e as valorizam por isso, nao sei se todos, mas nos casos em que conheco. Uma crítica inteligente, mas nao acho que os homens brasileiros estao nem aí pra isso, afinal o que nao falta é mulher no Brasil, quando se olha apenas pra embalagem sem se preocupar com o conteúdo, e há sempre uma embalagem mais bonita,especialmente se a que tinha antes já estava gasta…ai…ai…ai… a troca é constante, acho que isso as brasileiras coitadinhas bem conhecem. Um forte abraco e parabéns pela valorizacao da populacao feminina do Brasil. Risa, Augsburg-Alemanha – set2006

30- Amei o texto do comeco ao fim. Fui abduzida mas sou eu que tenho o nome “Alien” nos documentos. Os homens brasileiros nao estao piores ou estao se esquecendo de gostar e cuidar mais das mulheres. Eles nunca foram de fazer isso. Sao as mulheres que estao mais seletivas. Nao somos mais tao passivas e vamos em busca de um amor verdadeiro. Vamos a luta. E procuramos antes de tudo alguem que alem de ser bom amante seja bom marido e bom pai. No melhor sentido da frase “perpetuacao da especie”. E as diferencas culturais??? Dividimos curiosidades e adaptacoes culturais com outras “abduzidas” pelo orkut (comunidade “Meu Marido e Gringo). E Viva o novo planeta!! Etiene Sayger, Chicago-EUA – set2006

31- Li a sua crônica, achei sua visão analítica, poética, porém, real, proveitosa, eternizada no ponto de vista masculino.srsr Se Isaac Newton ainda estive entre nós , diria que , a gravidade da “Pelada” é o resultado que faz alguns homens “NUS” e nos deixam à busca dos “ET’s”, que crescem e nos acompanham na evolução humana! Ah! Se todos fossem “Ricardos” não iríamos na nave..srsr Beijão, estou na comunidade “Meu namorado é italiano” no orkut.srsr. Conceição Henrique Santos, Campinas-SP – set2006

32- rsrsrs quando entrei no site dele foi a primeira crônica que li… realmente esse cara sabe das coisas… e dá-lhe valor à essa mulherada de fibra e cheia de graça. Andréa, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – set2006

33- Putz,adorei este texto.Recebi-o no meu email e fiquei feliz em vê-lo aqui. Eu fui abduzida meninas ahahaha que delícia. Só ele mesmo. Acho que o Ricardo deveria estar nesta comunidade,porque ele fala a mesma linguagem das mulheres apesar de ser homem.Eu adoraria! Celinha, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – set2006

34- kkkkkkkkkk Agora li o texto completo..Adorei.Muito bem escrito. Os homens que se cuidem. Silene, Orkut, Comunidade Ich Liebe einen Deutschen – set2006

35- O rapaz fez uma cronica bem humorada e ao mesmo tempo crítica sobre a atitude de muitos homens brasileiros, que costumam serem exigentes com as mulheres sem no entanto oferecerem nada em troca.Estou generalizando, claro, mas posso dizer isso por experiencia própria e por experiencia de amigas, algumas esperando ja ha muitos anos por uma definicao do „namoro eterno“. Inês, Orkut, Comunidade Ich Liebe einen Deutschen – set2006

36- isto é realmente interessante! Deve-se mesmo refletir sobre o fato. Rejane, Orkut, Comunidade Meu amor é Alemão – set2006

37- eu nao troco meu E.T. por brasileiro nenhum nesse mundo! Gostei da abducao! Lígia, Orkut, Comunidade Meu amor é Alemão – set2006

38- Achei o texto machista, mas o cara escreve bem, em um tom jocoso sem ser ofensivo e uma coisa ele tem razão, é impressionante como há brasileiras casadas com estrangeiros. Érica, Orkut, Comunidade Meu amor é Alemão – set2006

39- aABDUZIDA??? è uma mistura de ABDICAR + SEDUZIDA???? Ana Flávia, Orkut, Comunidade Divã – set2006

40- rsrsrs quando entrei no site dele foi a primeira crônica que li… realmente esse cara sabe das coisas… e dá-lhe valor à essa mulherada de fibra e cheia de graça. Andréa Magnoni, São Paulo-SP – Comun. Orkut Mulheres Repensando Conceitos – set2006

41- Amei receber um texto seu! Quem sabe, com tantas abduções vcs aprendem a nos tratar um pouco melhor. Nada pessoal!!!! rsrsrs Manda sempre, assim eu mato as saudades. Qdo vc vem à São Paulo? bj no coração. Iara Cristina Costa Pinto, São Paulo-SP – out2006

42- Calma, amigo Kelmer. Isso acontece. É uma… polinização natural das espécies. Pois eu conheço quatro mulheres que abduziram, isto é, trouxeram seus ETs para vir morar aqui. E conheci dois homens que foram abduzidos. Talvez eu conheça mais casos, só estou lembrando estes poucos agora. Acho que mulher se desloca mais porque faz parte daquele velho paradigma do príncipe encantado, aquela definição paternalista de “homem”, que pega a mulher e meio que “adota”, e ela vai viver mais a vida dele que a vida própria. Acho que isso acontece mais com mulheres e, vejamos… já faz uns séculos. Sempre foi assim. Mas seu texto é maravilhoso como sempre! “meninas, tão lindas, tão poéticas, cultivadas com tanto carinho na estufa aconchegante da amizade tropical, de repente trocarem tudo pelo frio e por um branquelo gosmento que nem de futebol gosta” Quá quá qua! Tu tens a manha, companheiro. Luciano Es, São Paulo-SP – jul2011

43- Os rapazes brasileiros estão ameaçados hein! kkkkkk Cuidem bem dessas preciosidades rapazes, pois mulher brasileira é joia rara que o mundo todo quer: de biquini fio dental, pele bronzeada, andar dançante, cheiro de pirraça, olhar travesso e jeitinho alegre de ser. Quem não quer?! Renata Kelly, Fortaleza-CE – jun2014

44- hahahaha!Minhas amigas estão nessa mesma onda de sair pra passear e ver os gringos!hahaha.Mas não sei sabe, acho q eles têm um certo preconceito com a gente, de sermos saidinhas demais, e não feitas para casar, para não dizer outra coisa…Não sei até que ponto muitos gostariam de estar com minhas amigas.hehe. Ilana Dubiela, Fortaleza-CE – jun2014

45- Bom, muito bom, Kelmer! Cristiana Moura, Fortaleza-CE – jun2014

46- Todas as paga-pau de gringo que eu conheci tinham cabeça oca e rei na barriga. Deixe que levem, é um favor que nos fazem. Luc Lic, São Paulo-SP – jun2014

47- Não troco o homem brasileiro, principalmente o nordestino por homem de lugar nehum! Sou afortunada de ser brasileira e nordestina!hehe! Anosha Prema, Campinas-SP – jun2014

48- escreve muito bem esse carinha! Gisela Symanski, Porto Alegre-RS – jun2014

49- É por aí!!! Celina Beserra, Fortaleza-CE – jul2014

50- Nossa, incrível. Atenção rapazes… Suelen Brasil, Fortaleza-CE – jul2014

51- Achei um ótimo texto. Raquel Paiva, Fortaleza-CE – jul2014


A metamorfose

19/06/2011

19jun2011


A METAMORFOSE

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Ele rastejou silenciosamente para trás do compensado que servia de parede no barraco e agachou-se. Pôs a pasta de crack sobre a latinha de cerveja amassada, acendeu o isqueiro e inalou pelo buraco. E de repente sumiram a dor, o desemprego, a fome, o leite do filho que ele não havia comprado… Quase no fim, o menino acordou. Pai, o que é isso? Subitamente a dor voltou, diferente, agora feita de vergonha e da sensação de fundo do poço. É veneno de barata, filho. E cadê a barata, pai?
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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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Sorteio do Insanidade no FaceBook

14/06/2011

Ricardo Kelmer 2011

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Você gostaria de ganhar um exemplar do meu novo livro, O Irresistível Charme da Insanidade? Se você tem conta no Facebook, pode participar do sorteio que acontecerá nesta sexta-feira 17jun. Serão sorteadas duas pessoas, que receberão o livro pelo correio, com dedicatória. A promoção é válida pra quem mora no Brasil ou no exterior.

A página do sorteio é esta:
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Pra participar, basta confirmar presença no sorteio e compartilhar o link que mostra a capinha do livro: https://blogdokelmer.wordpress.com/livros/o-irresistivel-charme-da-insanidade.

Quem participar e não for sorteado, poderá adquirir o livro por um preço especialíssimo: R$ 20, já incluído o frete. Espero que a promoção ajude a divulgar o livro e me traga novos leitores. E pra você que tá concorrendo, boa sorte!

> SOBRE O LIVRO

Um músico obcecado pelo controle da vida. Uma viajante taoísta em busca de seu mestre e amante do século 16. O amor que desafia a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

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O punhal

05/06/2011

05jun2011

Haverá perigo maior que a recusa de viver o que é preciso viver? Ela compreendeu isso saltando no abismo de seu próprio medo de arriscar

OPunhal-02

O PUNHAL

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Faca, lâmina, estilete. Fora a saudade cortante que as mensagens trazem, ela não tem do que se queixar. Também não gosta de reclamar da saudade, pois ainda que traga consigo a melancolia, a lembrança de sua terra e seus amigos é uma companhia, uma presença que no fim das contas a impede de se sentir ainda mais só.

A distância e a solidão, que no início pesavam cruéis sobre seu ser, acabaram ensinando-a a extrair forças de si, a arrancar de dentro de sua alma aquilo que hoje a fortalece nos momentos em que a vontade é de largar tudo e pegar o primeiro voo de volta. Ela então para e respira fundo. Depois vai à janela olhar a rua, o movimento das pessoas. Lá fora o mundo segue seu caminho, tudo está como sempre esteve e deve estar. É somente dentro dela que os ventos sopram fortes, agitando a alma feito roupa no varal.

Banir de si o medo de arriscar o novo. Despir-se das armaduras que a protegem dos perigos do mundo. Mas que perigos? Haverá perigo maior que a recusa de viver o que é preciso viver? Ela compreendeu isso saltando no abismo de seu próprio medo de arriscar. Aprendeu arriscando, pagando para ver até onde era capaz. E ainda hoje se surpreende ao perceber que sempre é capaz de um pouquinho mais. É, para a alma imensa tudo vale a pena.

Intuitivamente, ela sabe que nasceu para ser feliz, sempre soube, mas… ah, esse duendezinho tagarela! Sempre brincando de convencê-la a boicotar a si própria. Tantas vezes ela lhe deu ouvidos, a boba. E estragou tudo. E depois olhava o estrago e não acreditava que ela mesma fizera aquilo, um gol contra no último minuto. Mas agora é diferente. O duendezinho ainda está lá, sim, mas agora ela ri das artimanhas do danado. A maior tentação hoje é seguir as pistas de sua sagrada realização.

Aprendeu também que o amor é uma chama que ilumina e dá sentido à vida, chama a aquecer corpo e espírito nas noites frias. Mas a chama um dia se apagou, e ela demorou para entender que não adianta tentar reacendê-la. Para quê? Para iluminar o que ela já conhece? Para aquecer o que não mais sente frio? Foi o amor que a levou para longe, foi por amor que ela fez tudo que fez, sim, mas agora ele não tem mais forças para conduzi-la, pois ela mudou, já não é a mesma, a vida mudou, tudo mudou. Haverá outros amores? Esbarrará em outra paixão irresistível na próxima esquina? Perguntas, perguntas…

Nas tardes de outono gosta de olhar as árvores, as folhas em tons de laranja, vermelho e amarelo caindo em rodopios. Ela também rodopia, mas em pensamento, girando pelas memórias, lembrando das verdades que antes tão bem sabiam movê-la. As verdades que a levaram ao lugar onde agora está, onde estão? Ficaram pelo caminho, como as folhas que caem das árvores quando não são mais úteis. Caem e voltam à terra, para se decompor, retornar à arvore em forma de nutrientes e ser folha novamente, outra folha, outra utilidade. A vida como passagem para algo maior. As verdades como trampolins para verdades mais abrangentes. O amor como portal para outros níveis de si mesma. O si-mesmo como guia maior de toda uma vida.

A rua lá fora, as pessoas caminhando, as árvores do outono… Ela dá por si, enxuga uma lágrima e volta o olhar à tela do computador, as mensagens dos amigos, notícias da terrinha, as palavras lhe trazendo os cheiros dengosos de um tempo antigo e tão presente, o calor dos abraços, a urgência dos desejos, velhas paixões que não morrem, um aperto no coração. Ai, a saudade é mesmo um punhal encravado, impossível de retirar… Nesses momentos, mais que nunca, ela se sente longe, muito longe de tudo… Mas então fecha os olhos e respira fundo, uma vez, depois outra… E abre os olhos. E pela janela ela vê que o mundo continua o mesmo. Tudo normal, tudo bem. Fora esse punhal enterrado no fundo da alma, está tudo bem, nada a reclamar.

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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vtcapa21x308-01Este texto integra o livro
Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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en español

EL PUÑAL
Ricardo Kelmer 2004

Cuchillo, lámina, estilete. Afuera la añoranza cortante que los mensajes traen, ella no tiene de lo que quejarse. Por el contrario, también no le gusta reclamar de añoranza pues aunque traiga siempre consigo la melancolía, la añoranza de su tierra y de sus amigos es una compañía, una especie de presencia que a fines de cuentas hace con que no se sienta tan sola.

La distancia y la soledad, que en principio pesaban crueles sobre todo su ser, acabaron enseñádola a extraer fuerzas de sí misma, a arrancar de dentro de su alma aquello que hoy la fortalece en los momentos en que la voluntad es de largar todo y coger el primer vuelo de vuelta. Ella entonces se para y respira hondo. Después va a la ventana mirar la calle, el movimiento de las personas. Allá fuera el mundo sigue su camino, todo está como siempre estuvo y como debe estar. Es solamente dentro de ella que los vientos soplan fuertes, agitando su alma como ropa en el colgador.

Expulsar de sí el miedo de arriesgar el nuevo. Desnudarse de las armaduras que la protegen de los peligros del mundo. ¿Pero qué peligros? ¿Habrá mayor peligro en el mundo que la repulsa en vivir lo que es necesario vivir? Ella comprendió eso saltando en el abismo de su propio miedo de arriesgar. Aprendió saltando, arriesgando, pagando para ver hasta donde era capaz. Y todavía hoy se sorprende al darse cuenta que siempre es capaz de un poco más, siempre un poquito más. Es eso, para el alma inmenso todo vale la pena.

Intuitivamente ella sabe que nació para ser feliz, siempre supo, pero ¡ah, ese diablito parlanchín! Siempre intentando convencerla a boicotear la propia felicidad. Tantas veces ella le dió oídos, la tonta. Y estropeó todo. Y después miraba el estrago y no conseguía creer que ella misma había hecho aquello, un gol contra en el último minuto. Pero ahora es diferente. El diablito todavía está allá, sí, pero ella no lo escucha o, si lo hace, se ríe de sus artimañas y sigue las pistas de su felicidad.

Aprendió también que el amor es una llama que ilumina y da sentido a la vida, llama a calentar cuerpo y espíritu en las noches frías. Pero la llama un día se apagó y ella tardó un poquito más en entender que de nada adelanta intentar reencenderla. ¿Para qué? ¿Para iluminar lo que ella ya conoce? ¿Para calentar lo que no más siente frío? Fue el amor que la llevó para lejos, fue por amor que hizo todo lo que hizo, sí, pero ahora él no tiene más fuerzas para conducirla pues ella ha cambiado, ya no es la misma, la vida cambió, todo ha cambiado. ¿Habrá otros amores? ¿Desbarrará en otra pasión irresistible en la próxima esquina? Preguntas, preguntas…

En las tardes de otoño le gusta mirar los árboles, las hojas en tonos de naranja, rojo y amarillo cayendo en volteos. Ella también voltea pero en pensamiento, girando por las memorias, acordándose de las verdades que antes tan bien sabían moverla. Las verdades que la llevaron al lugar donde ahora está, ¿dónde quedaron? Se quedaron por el camino, como las hojas que caen de los árboles cuando no son más útiles. Caen y vuelven a la tierra, para descomponerse y después retornar al árbol en forma de nutrientes y ser hoja nuevamente, otra hoja, otra utilidad. La vida como pasaje para algo mayor. Las verdades como trampolines para otras verdades más encerradas. El amor como portal para otros niveles de sí misma. El sí-mismo como guía mayor de toda una vida.

La calle allá fuera, las personas caminando, los árboles del otoño… Ella se da cuenta de sí misma, seca una lágrima y vuelve la mirada a la pantalla del ordenador, los mensajes de los amigos, notícias frescas de la tierra querida, las palabras traéndole los olores mañosos de un tiempo añejo y tan presente, el calor de los abrazos, la urgencia de los deseos, viejas pasiones que no mueren, un aprieto en el corazón. Ay, la añoranza sí es un puñal enclavado, imposible de retirar… En esos momentos, más que nunca, ella se siente lejos, muy lejos de todo… Y entonces cierra los ojos y respira hondo, una vez, después otra… Ella abre los ojos y por la ventana ve que el mundo continúa el mismo mundo. Todo normal, todo bien. Afuera ese puñal enterrado en el fondo del alma está todo bien, nada a reclamar.

TRADUÇÃO: Candice Graziani

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01- Eu te conto. Ela está lá, sozinha e tem certeza de ter aprendido. E aprendeu. Mas as vezes ela faz questão de esquecer que aprendeu, pra não se privar… De sentir falta, de sentir tristezinha…. A vida muda diante de seus olhos. De fato, a vida é a mesma, ela so não conhecia assim, tão aberta à sua frente. /// Eu me mudei pra outro pais ha quase 8 meses. E parecia que vc descrevia alguns dos meus momentos.. Até deu pra pensar que vc me espionou. Gostei do texto. E ja que tava lá, tão facil de te escrever, e já que são 3h da manhã e minha cabeça se recusa a repousar (não me pergunte porquê), lá me venho eu, escrever mais uma a um desconhecido. Sem nem saber se terei ouvidos. Enfim, gostei do seu texto e é isso. Boa sorte! Fernanda, França – fev2005

02- Uma pergunta: poderia v. me explicar como vs (compositores, escritores…) falam de mim como se fosse eu mesma? V. naum estava pensando em mim qdo escreveu este ‘punhal’ ? Estava? Teté Bastos, California-EUA – fev2005

03- Ricardinho Te amo, com todo respeito e admiração! Fiquei encantada com esta crônica, você é fera em matéria de mulher, sabe unir a razão e a sensibilidade como ninguém, sorte de sua digníssima, parabéns!!!! beijões. Roberta Passos, Fortaleza-CE – mar2005

04- Valeu Kelma! André Rola, Rio de Janeiro-RJ – mai2005

05- Rika, Torno a dizer: amei o seu texto, lindo!!! Você é um homem com a alma feminina. Por isso, nos encanta e nos faz tanto bem. Por favor, não deixe nunca de escrever pra gente,tá? Obrigada e mais uma vez, parabéns! Beijos… Anabela Alcântara Pinto, Fortaleza-CE – mai2005

06- Ricardo, Conheci seu site é muito legal, adorei o texto o Punhal que por coinscidência ou não parece um pouco com minha vida, vivo bastante algumas passagens dele e a vida é assim mesmo, lá fora as pessoas vivem e nós é que teremos que lidar com os nossos punhais do dia-a-dia. Abraços. Vânia Cavalcante, Fortaleza-CE – mai2005

07- Oi Ricardo, amei O Punhal. Fala de você. Beijos e saudades. Valeska, Fortaleza-CE – mai2005

08- ah, sacanagem…agora li outra crônica…Punhal..ah q linda… parabéns! Muito bem, me explique como conseguiu tirar uma idéia tão feminina e atual??? putz, agora vou virar baba ovo…rs beijos de novo. Débora Pissarra, São Paulo-SP – jun2005

09- Óptimo texto, Ricardo. Bom lembrar, no entanto, que é importante que o punhal esteja enterrado dentro, bem fundo, a carne cicatrizando em volta, o gume calcificando. Mas a ponta saida, impedindo de nos acomodarmos, espetando na pele e fazendo sangrar ao primeiro sinal de resignação. Beijos de além-mar. Susana X. Mota, Leiria-Portugal – jun2005

10- estou mandando o link para duas amigas brasileiras que moram aqui em Pittsburgh e vieram casadas com maridos americanos que já ficaram no passado – vão se assustar e achar que vc as conhece secretamente e escreveu diretamente para elas :-). E sob uma ótica perfeitamente feminina, o que é um feito e tanto para um escritor do sexo masculino! AB, Pittsburgh-EUA – ago2005

11- Fascinada. Adriana Dry Sousa, Rio de Janeiro-RJ – jun2017

12- Amo seus textos! Me encanta e fascina ❤ ❤ ❤ Hoje, esse caiu perfeito para mim! Janine Moreira, Belfort Roxo-RJ – jun2017

> Postagem no Facebook (Página Ricardo Kelmer Escritor)


Reencarnação e vidas simultâneas

27/05/2011

Ricardo Kelmer 2011

A vida de Luca e Isadora no século 16 influencia suas vidas no século 21 e vice-versa, como se o “eu” existisse em mais de uma vida ao mesmo tempo
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Já pensou você descobrir que numa outra vida já viveu um grande amor com a pessoa que hoje está com você?

É sobre isso o meu romance O Irresistível Charme da Insanidade. É a história do amor maluquete do casal viajandão Luca e Isadora. Ele é um cantor de blues e ela uma mochileira taoísta que acredita ser ele a reencarnação de seu grande amor do século 16. A história se passa simultaneamente na Espanha quinhentista e nas praias do Nordeste do século 21.

Para mim, particularmente, a teoria da reencarnação não faz sentido. Mas é uma ideia que pode render boas histórias. A prova disso é o sucesso dos livros espíritas com suas histórias românticas sobre amores através dos séculos. Tem quem goste. Eu, porém, acho esses livros de uma caretice irritante, argh!, um moralismo açucarado e gosmento, o bem e o mal muito bem definidinhos, seres da luz e seres das trevas, aaaargh! Quem gosta de moralismo e caretice, vou logo avisando, é bom nem chegar perto do meu romance.

Mas voltemos à ideia. Já pensou você descobrir que numa outra vida viveu um grande amor com a pessoa que hoje está com você? Uau!!! Deve ser emocionante, heim? Bem, isso também pode render alguns probleminhas extras, pois o casal terá o dobro de motivos para brigar, além de se confundirem o tempo todo:

– Aquela fulaninha tá ligando pra você de novo.

– De novo não, naquela época não tinha telefone. E você, já deu pro Betão?

– Dei, mas foi na outra vida.

– Acho que a gente tá passando pela crise dos sete séculos…

Mas… e se a outra pessoa não acredita em reencarnação, acha essas coisas uma grande bobagem, acha que você está viajando na maionese, e aí? O que você faria? Tentaria fazer com que ela lembrasse, sugerindo, por exemplo, uma terapia de vidas passadas? Ou se conformaria e deixaria para lá? E se de repente você se pegasse agindo de forma estranha, culpando a pessoa por coisas da outra vida?

Esse é justamente o tema central do meu romance. Nele, no entanto, a ideia da reencarnação funciona como um gancho para uma outra ideia: a multidimensionalidade do ser, em que a consciência não está restrita ao corpo físico nem ao tempo presente, mas atua simultaneamente em várias dimensões do tempo-espaço. A vida de Luca e Isadora no século 16 influencia suas vidas no século 21 e vice-versa, como se o “eu” existisse em mais de uma vida ao mesmo tempo e elas estivessem conectadas.

É uma ideia bem louca, eu sei, eu sei. Mas tem seu charme, admita.

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Ricardo Kelmer 2011 – blogdokelmer.com

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O Irresistível Charme da Insanidade
Romance – Arte Paubrasil, 2011
14 x 21 cm – 160 pag – ISBN: 9788599629352

Um músico obcecado pelo controle da vida. Uma viajante taoísta em busca da reencarnação de seu mestre-amante do século 16. O amor que desafia a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.

Mais sobre o livro e trilha sonora

Para adquirir o livro

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Blues de luz neon – clipe
(da trilha sonora do romance)

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A insanidade está de volta às livrarias

29/04/2011

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Após alguns anos atuando apenas no circuito editorial alternativo, eis que tô de volta às livrarias: a Editora Arte Paubrasil acaba de lançar meu livro O Irresistível Charme da Insanidade. Os eventos de lançamento acontecerão em Fortaleza (10 a 14mai) e em São Paulo (julho). Os leitores que participaram da promoção de pré-venda receberão seus livros pelo correio no início de maio e poderão ver seus nomes na seção Galeria de Leitores Especiais (pag 157), aqui nesta postagem e na seção do livro neste blog.

A história de Luca e Isadora e seu amor que desafia a lógica do tempo foi publicada pela primeira vez em 1996, pela Editora Universalista (PR). Anos depois reescrevi a história e em 2005 publiquei alguns exemplares por conta própria, em formato de bolso (selo Miragem Editorial). Em 2010 finalmente escrevi a versão definitiva e negociei com a Editora Arte Paubrasil. A essência da história é a mesma mas houve alterações nos personagens e em algumas passagens, o final foi mudado e a narrativa ficou mais cinematográfica.

Este livro tem um diferencial: ele tem uma trilha sonora, composta especialmente pra ele por mim e meus parceiros. Se não for o primeiro, certamente é um dos primeiros casos do tipo na literatura brasileira.

A narrativa cinematográfica revela meu desejo de ver esta história transformada em filme. Vamos ver se algum produtor ou diretor se interessa…

> Mais sobre o livro e trilha sonora

> Pra adquirir o livro

> Lançamento em Fortaleza
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FALARAM DO LIVRO POR AÍ

Conexões atemporais  – Jornal Diário do Nordeste, Fortaleza, 10.05.11
O herético e o erótico segundo Ricardo Kelmer – Por Jeite Jr., 20.05.11

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LEITORES ESPECIAIS

Obrigado a todos os leitores que adquiriram este obra antecipadamente na promoção de pré-lançamento (até 24fev2011). Eles ganharam desconto, tiveram seus nomes inseridos na obra e serão os primeiros a receber o livro, pelo correio. Mais que leitores, estas pessoas são grandes incentivadoras do meu trabalho.

Mariana Melo (Maceió-AL), Thais Souza (Manaus-AM), Pat Maria (Salvador-BA), Fernando Veras (Camocim-CE), Paula Izabela (Juazeiro do Norte-CE), Alzira Aymoré, Ana Érika Galvão, Ana Karine Oliveira, Arthur Valente, Eugênio Leandro, Fabiano Brilhante, Glaucia Costa, Iana Bezerra, Marta Aurélia, Monica Fuck, Sandra Macedo, Verônica Guedes, Viviane Avelar (Fortaleza-CE), Meg Lia (Paracuru-CE), Suely Andrade (Brasília-DF), Mardônio Veras (São Luís-MA), Aluska Cavalcanti, Emerson Figueiredo (Campina Grande-PB), Christiane de Oliveira, José Maria Teixeira Jr. (João Pessoa-PB), José Carlos Neves (Belo Horizonte-MG), André de Sena, Rógeres Bessoni (Recife-PE), Joelson Maximiniano (Curitiba-PR), Gabriel Falcão, Maria Emília Lino da Silveira, Pedro Camargo, Regina Coeli Carvalho, Waldemar Falcão, Wilza Mazur (Rio de Janeiro-RJ), Larissa Azevedo (Natal-RN), Arlene Amorim, Edgar Powarczuk, Gisela Symanski (Porto Alegre-RS), Jamile Mileipe (São Carlos-SP), Virginia Mancini (Leme-SP), Antonio Venâncio, Bárbara Leite, Bia Rocha, Celia Terpins, Cesar Veneziani, Graziely Camargo, Kátia Regis Albuquerque, Juliana Cupini, Leopoldo F. Noschese, Lucilene Pacheco, Maria do Carmo Antunes, Renata Regina, Roberta Lossio e Tarcius Guedes (São Paulo-SP), Katiê Ribeiro (Plymouth-Inglaterra), Francisco Fontenele Neto (Lourinhã-Portugal), Luciana Bergstrom (Suécia).

Obrigado também: Gilvanilde Oliveira (Fortaleza-CE). Obrigado pelas observações valiosas: Rosa Emília Costa (Fortaleza-CE), Daniela Ramos (Rio de Janeiro-RJ) e Marcelo Gavini (São Paulo-SP). Obrigado por tudo: Wanessa Bento (Fortaleza-CE).

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Adriana Cardoso (Jundiaí-SP, mai2011)
estreando a seção Insanos Olhares

Envie sua foto com o livro pra rkelmer(arroba)gmail.com

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Uauuuuu…..Parabens pelo novo livro e que este seja um sucesso como os outros que escrevestes…..Bjs e muita paz no coração! Sandra Abou Dehn, Cuiabá-MT – mai2011

02- Parabénsss papai! Tim tim! Beijo_ ;-). Kátia Régis Albuquerque, São Paulo-SP – mai2011

03- Parabéns pelo livro… Sucesso!!! Enorme abraço. Michelle Fávero, São Paulo-SP – mai2011

04- Parabéns, querido! Vc está em SP? Eu estou passando uns dias. Só compro se for pessoalmente!!!!rsrsrssrs Beijos. Maria Theodora, Rio de Janeiro-RJ – mai2011

05- adorei saber de vc. sucesso, sempre. há braços. Iumê Colombo, Brasília-DF – mai2011

06- Viva!!! Abraço. Jamile Mileipe, São Carlos-SP – mai2011

07- VAGABUNDO-MOR! Meus Parabéns, Kelmer… Amanhã é meu aniversário (dia 4) e notícias boas como esta sua, servem como um grande presente! Muito feliz mesmo com esta notícia, garoto! Aquele Abraço. Téo Lorrent, São Paulo-SP – mai2011

08- Parabéns, Kelmer! Octávio Roggiero, São Paulo-SP – mai2011

09- Parabéns! Como não tenho champagne estou brindando com “licor de merda” para dar bastante sorte. Aguardando chegar meu exemplar. bjs. Regina Coeli, Rio de Janeiro-RJ -mai2011

10- Parabéns, muito sucesso com o livro!!! Glauco Wiltenburg Nunes, Rio de Janeiro-RJ – mai2011

11- Olá Kelmer, Fico feliz pela vitória e espero que esse livro publicado seja só o começo de muitos outros. Como escrevi para você a um tempo atrás, sou fã do seu livro “Matrix e o Despertar do Herói” e como combinado, quando você publicá-lo novamente me avisaria. Seria legal se, quem sabe, a mesma editora o publicasse também… Um grande abraço e espero ansioso por comprar esse livro com dedicatória e tudo… Jackson Cruz, Belém-PA – mai2011

12- SINCEROS E EFUSIVOS PARABÉNS! \o/ Creio que estarei presente no lançamento em São Paulo. QUEBRA TUDO! 😉 Abração. Sandro Fortunato, Natal-RN – mai2011

13- Grande Ricardo, PARABÉNS !!!! Orgulhosamente já carimbei a compra. Desejo sucesso total e apareça pelo planalto. Forte abraço. Mauro Galvão, Brasília-DF – mai2011

14- Parabens Kelmer! Mereces nao um mas uma caixa de champangne! Vai rolar ai em julho o salão de turismo e em agosto o Piaui Sampa…creio que vale a oportunidade pra divulgar seu livro… Sucesso! Marcos Fonteles, Parnaíba-PI – mai2011

15- Parabéns,querido! Muito sucesso pra vc! “Xêros” recifenses. Mônica Burkleward, Recife-PE – mai2011

16- Parabéns…vc é demais!!!!! Bj. Regina Lucia Fernandes, Fortaleza-CE – mai2011

17- Parabéns amigo! André Luis Cabral, São Paulo-SP – mai2011

18- grande ricardo, acabei de adquirir seu livro pela paubrasil. aguardo ansiosamente a chegada para devorá-lo. aquele abraço e feliz preço baixo. Aroeira, Belo Horizonte-MG – mai2011

19- Parabéns, Kelmer! Estou aguardando meu exemplar. Pela sinopse enviada, parece apetitoso. Mas… é mesmo! Qd vc vai oferecer champagne em SP? Espero q seja numa 5a feira. Abração, mestre! Maria Emília Lino da Silveira, Paraty-RJ -mai2011

20- Parabéns amigo querido!!! Orgulho!!! Bjks. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE -mai2011

21- Ricardo querido, Que maravilha! felicidades e muito sucesso ai! Forte abraço daqui. Airam, Belo Horizonte-MG – mai2011

22- Que notícia boa, Ricardo! Parabéns! Caesar Moura, Rio de Janeiro-RJ – mai2011

23- deu vontade de começar a ler agora! pode ir pensando em uma dedicatória… estarei no lançamento pra comprar o meu! boa sorte! Erika Zaituni, Fortaleza-CE – mai2011

24- Tá mais pra mãe do que pra pai. Uuuups, melhor dizendo mãe/pai. Amei a capa, e mais ainda o olhar sensual e misterioso da tigresa – tua Alma. Alma que guia, inspira e borogodoza a Estrada do caminhante musical. Bárbaro, ERRIKÁ, tu é da linhagem dos fininhos mui talentosos. Senti a marca no arriar das malinhas. Nunca te vi, sempre te senti. 🙂 champanhe aberta, brindemos. Beeeeijo e reverência for ever after. Pat Maria, Salvador-BA – mai2011

25- Parabéns Kelmer, por mais essa vitória!! Grande abraço. Cecília Colares, Niterói-RJ – mai2011

26- Nuossa ! Tô ficando chique demais, com meu nome no seu livro. Vai até alavancar as vendas, rsrsrsrsrs. Volta logo, estamos com saudades! Bjs. Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – mai2011



Shopping das vidas passadas

06/04/2011

06abr2011

Quer dizer que mil anos depois eis-me aqui fazendo a mesma coisa que eu fazia naquelas noites frias das estepes russas, conjeturando sobre o tempo?

SHOPPING DAS VIDAS PASSADAS

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Descobri uma vida passada minha. Foi por volta do ano 875 da era comum, numa região central da Rússia. Fui uma sacerdotisa pagã, que fazia uso da magia para curar. Eu tinha uma visão da vida voltada para a procura da verdade e da sabedoria. Através do conhecimento atingi a certeza de uma vida futura. Embora fosse vista como uma sonhadora, nunca perdi a fé.

Esta era eu. Pelo menos foi o que o Mago disse. Conheci o Mago quando passeava pelo shopping, tentando esquecer o aluguel atrasado. Deparei-me com ele à entrada de uma loja de produtos místicos e religiosos, era um boneco enorme com um cartaz pregado nele: “Conheça sua vida passada”.

Não resisti. Entrei na loja e comprei uma ficha, que enfiei na barriga do Mago. Na pequena tela de computador surgiram as orientações, digite seu nome, sexo e data de nascimento. Digitei, aguardei e saiu um papel. O Mago me dizia que eu estava viajando no tempo através dos segredos contidos nas tabelas de Rama-Mu, elaboradas pelos antigos sacerdotes da Ilha de Páscoa, e que eu poderia obter respostas para muitos de meus por quês, assim mesmo, por quês separado. Vamos relevar, talvez os sacerdotes pascoais não dominassem muito bem o português.

Li a descrição da minha vida passada, guardei o papel no bolso e saí, eu e os meus velhos porquês de sempre, que os sacerdotes não conseguiram explicar. Pelo contrário, agora eu tinha mais uma dúvida a me coçar a orelha: como aquela bruxa que eu fui conseguiu a tal da certeza da vida futura? Ela sabia que, mil anos depois, renasceria como homem?

Bruxa poderosa. Sentada diante da fogueira, ela viajou no tempo e se viu homem, vivendo num país que se chamaria Brasil, escrevendo crônicas sobre… sobre o tempo. Hummm, quer dizer que mil anos depois eis-me aqui fazendo a mesma coisa que eu fazia naquelas noites frias das estepes russas, conjeturando sobre o tempo, exercitando as possibilidades, buscando atalhos nas conexões temporais?

Se é assim, então talvez eu esteja agora fechando o círculo. A bruxa que fui acessou sua vida futura, e agora eu acesso a dela. Círculo fechado. Mas e agora? Era para acontecer algo, não? Um clarão, um raio a iluminar tudo em volta…

Hummm, talvez não seja um círculo… Talvez seja uma espiral… Isso mesmo, uma espiral que me faz passar pelo mesmo ponto de compreensão, mas num nível acima, onde mudarei minha percepção da realidade e despertarei fora da Matrix…

Uau! Captei! Meu aluguel atrasado não existe. Era tão somente criação da minha mente. Uau, uau! É isso mesmo! Agora tudo faz sentido!

Obrigado, sacerdotes da Ilha de Páscoa. Vocês não imaginam como aquele aluguel atrasado estava me tirando o sono. Ufa. Agora só preciso convencer a proprietária do apartamento a dar uma voltinha no shopping. Ela precisa bater um papo com o Mago.
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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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LEIA TAMBÉM

O redemoinho do fim do mundo – É provável que estejamos à beira de um grandioso marco evolutivo, onde a humanidade alcançará o clímax dessa aceleração das transformações

Meu fantasma predileto – Diziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

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Quando os homens não voltam pra casa – Javier Viegas é tarólogo e resolve problemas do Além. Dessa vez uma moça deseja reencontrar o namorado que foi supostamente atraído por uma bela princesa para dentro de um quadro de parede

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O presente de Mariana – A cabocla Mariana, entidade da Umbanda, propõe noivado ao moço Dedé. Noivar com ela significa conseguir estabilidade financeira mas em troca ela exige fidelidade absoluta
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DICA DE LIVRO

ICI2011Capa-01dO Irresistível Charme da Insanidade

Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal?

Luca é um músico, obcecado pelo controle da vida, que se envolve com Isadora, uma viajante taoísta que acredita ser ele a reencarnação de seu mestre e amante do século 16. Ele inicia uma estranha aventura onde somem os limites entre sanidade e loucura, real e imaginário e, por fim, descobre que para merecer a mulher que ama terá antes de saber quem na verdade ele é.

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Parabens,Ricardo Kelmer. Vilma Galvão, Braga-Portugal – mai2015

02- rsrsrs… ….. não sei não, mas algo me diz que é melhor vc arrumar logo essa grana e pagar o aluguel… ..abs! Arnaldo Afonso, São Paulo-SP – mai2015

03- que maravilhaaa, vamos falar sobre ? Bianka Emiliano, João Pessoa-PB – mai2015

04- Saudades dos seus contos mirabolantes, Ricardo Kelmer. Kd o guru sem futuro? Ana Claudia Domene Ortiz, Albuquerque-EUA – mai2015

05- Muito bom! Fez-me lembrar um sonho recente que acordei rindo da minha viagem onírica! Adoro essa tua pegada literária surreal! Kkkkk. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – mai2015

06- Haha, e ela foi lá se consultar com o Mago, Ricardo?… Espero que sim. Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – mai2015

ShoppingDasVidasPassadas-01c

 


Xamanismo de vida fácil

11/03/2011

11mar2011

A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos – e desvirtuando a essência da coisa

XamanismoDeVidaFacil-03

XAMANISMO DE VIDA FÁCIL

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– Lembra do Xamanismo? Pois é, caiu na vida fácil. Dia desses ele estava lá na Vênus Lilás, todo se oferecendo!

Quem diria… O antigo sistema das sociedades primitivas, que girava em torno do xamã e sua técnica do êxtase, é o novo xodó dos místicos de fim de semana. Agora, espaços esotéricos oferecem cursos de xamanismo e muitos até formam xamãs. É como fazer um curso para tornar-se gênio.

O xamanismo, a rigor, é um fenômeno religioso originário de sociedades primitivas da Ásia central e siberiana e que tem no xamã o centro da vida mágico-religiosa da comunidade. Por dominar as técnicas do êxtase e ser capaz de acessar mais facilmente estados especiais de consciência e, com isso, transitar com fluidez pelas dimensões da realidade, aos xamãs era atribuída a competência de intermediar os mundos físico e espiritual, usando o conhecimento adquirido nas incursões ao além para ensinar, curar, realizar atos milagrosos e entreter os membros da comunidade. O xamã encarnava em si as funções de professor, sacerdote, feiticeiro, médico e até mesmo poeta e artista.

Nessas sociedades não havia curso de fim de semana para formação xamanística. Excluindo-se raras exceções, alguém se tornava xamã por vocação natural: o indivíduo era simplesmente compelido a aceitar o fato, mesmo a contragosto. Era comum também a transmissão hereditária do ofício. Em qualquer das vias, antes de ser reconhecido como xamã, o indivíduo (em geral homem) inevitavelmente passava por um delicado e doloroso processo de iniciação, que podia ser desencadeado naturalmente por uma doença ou sistematicamente ritualizado sob orientação de um xamã experiente. Isso permitia ao futuro xamã efetuar uma notável reintegração psíquica, aflorando suas potencialidades e preparando-se convenientemente para as funções que desempenharia.

Não pense que essa preparação era algo festivo. Longe disso. Como todo verdadeiro processo de iniciação, nesse também havia dúvidas, temores e sofrimentos difíceis de suportar. O futuro xamã experimentava a morte e a ressurreição místicas, padecendo sob os horrores de seu inferno íntimo para depois emergir à vida cotidiana sobrevivido e triunfante, mais sábio e mais forte. Somente se submetendo a todos os rigores desse processo de morte e renascimento pessoal é que o indivíduo podia se tornar um xamã.

Para nós, ocidentais civilizados, entendermos melhor o que se convencionou chamar xamanismo, é preciso ter sempre em mente que os antigos compreendiam a Terra como um ser vivo, dotado de uma espécie de inteligência e vontade próprias, e os seres humanos, assim como animais, plantas e minerais, eram parte integrante do imenso organismo planetário, todos igualados em importância. Mais que um ser vivo, entretanto, a Terra era a Grande Mãe, que gera e nutre todas as suas criações com amor, ensinando e guiando os seres humanos vida afora. Assim sendo, a Natureza inteira era algo sagrado, e desrespeitar suas leis era atentar contra a própria vida, contra toda a comunidade e contra a Sagrada Mãe.

O xamã, nesse contexto de espontânea interação com a Natureza, é alguém dotado de poderes especiais para manter-se num contínuo estado de comunicação com o espírito da Terra, a quem jurou obedecer e defender até o último de seus dias. Como se possuísse antenas hiper-sensíveis, o xamã está intimamente conectado à alma da Terra, e por isso vive em si mesmo o equilíbrio vital do planeta, imperceptível à maioria: se a Terra adoece, ele adoece também.

Em reconhecimento à sua lealdade e reverência, a Grande Mãe põe à disposição do xamã segredos do mundo animal, vegetal e mineral, para onde ele, em espírito, vai frequentemente em busca de informações úteis ao bem-estar da comunidade. Quanto mais ele sabe, mais servo se torna. Quanto mais se anula, mais ele pode.

Em contraste com a humildade espiritual desses antigos guardiães da tradição xamânica, muitos dos que hoje se dizem xamãs ostentam o título feito um estandarte, anunciando as maravilhas que têm para oferecer. Se de fato entendessem o que significa a função a que tanto se pretendem, jamais vestiriam a antiga tradição com roupas tão vistosas e muito menos a exibiriam em poses tão constrangedoras nas vitrines coloridas de seus cursos.

xamanismo moderno

Esse milenar sistema místico-filosófico-religioso existiu e ainda existe em inúmeras sociedades de todo o planeta, inclusive na América e no Brasil, onde os pajés são os xamãs. O advento da civilização, invadindo e exterminando as culturas nativas, empurrou as tradições xamânicas para os escombros do que restou de suas sociedades, onde mantiveram um fio de vida suficiente para chegar aos dias de hoje.

Atualmente, a cultura xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos. Apesar de atrair também, como não poderia deixar de ser, os mesquinhos interesses comerciais da mentalidade consumista, por trás disso tudo pode-se captar um legítimo anseio das pessoas em religar-se a antigos valores esquecidos por nosso mundo civilizado: uma vida mais simples e fluida, em harmonia com as leis e os ciclos da Natureza e respeitando todas as formas de vida. Num mundo onde a racionalidade impõe sua ditadura aos pensamentos e a tecnologia nos torna escravos de máquinas cada vez mais autônomas, essa busca por resgatar tradições ligadas à Terra é uma reação natural da espécie humana, que começa a entender, finalmente, o imenso perigo que criamos ao nos mantermos desconectados da alma do planeta e unilateralizados em nosso racionalismo, que despreza a sabedoria natural da vida.

É um anseio genuíno, sim, que faz com que as pessoas, na melhor das intenções, busquem satisfazê-lo em livros, cursos e vivências. É uma boa notícia. Infelizmente, se a facilidade das comunicações possibilitou a disseminação rápida e maciça da informação, trouxe também a tendência à banalização de todos os temas. Bilhões de informações circulam a todo instante, mas o conteúdo da maioria não enche uma colher. É como estar numa imensa feira de produtos, cercado de vendedores, ofertas e promoções por todo lado: na urgência de adquirir algo, as pessoas não têm discernimento suficiente para ver além da embalagem.

Com o xamanismo ocorre algo parecido. Confusas na imensa feira da salvação, as pessoas tendem a comprar qualquer produto que lhes prometa coisas diferentes e sensações excitantes, e, assim, vão a vivências, frequentam cursos, batem tambor, visualizam seu animal de poder e se dizem praticantes de xamanismo quando, na verdade, estão apenas saltitando pelos aspectos mais superficiais da antiga tradição, feito alguém que molha os pés nas ondinhas da praia e nunca experimenta, de fato, o que é o mar.

Sei que é impossível reproduzir atualmente as condições em que floresceram as milenares tradições xamânicas. O mundo mudou, as circunstâncias são diferentes. Nossa cultura se desfez dos antigos ritos de passagem e a maioria dos que ainda mantemos perdeu o significado mais profundo. A mentalidade civilizatória nos desconectou do espírito da Terra e hoje parecemos um bando de zumbis a vagar pela vida à procura do sentido que um dia tanto enriquecia e guiava nossa existência. Não temos que voltar ao passado: precisamos é reencontrar o caminho perdido e vencer o atual impasse evolutivo.

Atualmente, as festas chamadas raves, que se proliferam em países do mundo inteiro, parecem incorporar aspectos da antiga tradição xamânica, ainda que distante do contexto original. Embalados pela música eletrônica que remete às hipnóticas batidas tribais e pelo êxtase provocado pelas drogas sintéticas, as pessoas alteram o funcionamento ordinário da mente e do corpo e vivenciam intensas experiências, dançando e se abraçando a noite inteira. Por proporcionar isso, os DJs que controlam a trilha sonora das festas aceitam o rótulo de tecno-xamãs ‒ mais uma ridícula deturpação da tradição.

As raves são um fenômeno recente, merecedor de análises mais aprofundadas. Porém, à primeira vista, me chamam a atenção o êxtase grupal provocado pela combinação de música e droga, a presença de fogueiras e o fato de serem comumente realizadas longe dos edifícios das grandes cidades, mais próximas à Natureza. Parecem ser uma manifestação atual das antigas tradições, feito uma necessidade que emerge, espontânea mas distorcida, das profundezas da psique coletiva.

A antiga tradição está de volta. É uma boa notícia. Mesmo deturpada pela maioria das pessoas, ela ressurge, atravessando os séculos, para nos lembrar que precisamos urgentemente integrar em nossa consciência os antigos valores e, com isso, nos tornarmos seres mais inteiros. Precisamos nos reconectar ao espírito da Terra, voltando a tratá-la com reverência e gratidão, antes que atinjamos o fatídico ponto onde a Grande Mãe, exaurida em suas forças, já não pode mais nutrir seus filhos.

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Ricardo Kelmer 2002 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

Minha noite com a JuremaNessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

A Jurema e as portas da percepção (VIP) – Relato detalhado da experiência narrada em Minha Noite com a Jurema. Exclusivo para Leitor Vip. Basta digitar a senha do ano da postagem

A vida na encruzilhada (filme: O Elo Perdido) – Essa percepção holística da vida é que pode interromper o processo autodestrutivo que nos ameaça a todos

O novo salto quântico da consciência – Por qual razão tantas pessoas ousam se submeter a uma experiência incerta, largando a segurança de sua mente cotidiana e desafiando o desconhecido de si mesmo?

O trem não espera quem viaja demais – Alguns captam o recado da planta, entendendo que a trilha da liberdade existe, sim, mas deve ser localizada no cotidiano de suas vidas e, mais precisamente, em seu próprio interior

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DICA DE LIVRO

BaseadoNissoCapaMiragem-01aBaseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha
Ricardo Kelmer – contos + glossário

Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado.

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DICA DE FILME

Carlos Castaneda – Especial da BBC sobre o polêmico antropólogo que estudou o xamanismo no México, escreveu vários livros e tornou-se um fenômeno do movimento Nova Era. Legendado.

O Elo Perdido (Missing Link) – Homem-macaco tem sua família dizimada por espécie mais evoluída e vaga sozinho pelo planeta, conhecendo e encantando-se com a Natureza. Ao comer de uma planta, tem estranha experiência que o faz compreender o que aconteceu.

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ALMA UNA
música de Ricardo Kelmer e Flávia Cavaca

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01– Sou fã dos seus escritos, inclusive vi hoje matéria no jornal O POVO fazendo um paralelo entre as raves e o xamanismo, muito legal. Em 2001 fiz um artigo publicado no antigo site do UNDERGROOVE, sobre Musica Eletrônica vs Xamanismo, e me identifiquei com o que vc expôs na matéria. Um abraço. Angel, Fortaleza-CE – ago2007

02- Olá Ricardo, já havia lido seu texto, em abril ou maio deste ano, qdo estava pra entrar num desses cursos de xamanismo, promovidos pela Paz Géia no meu caso. Hj este texto saiu no Jornal O Povo em Fortaleza e por algum motivo uma amiga me mostrou dnovo via msn. Tenho a dizer q dos “10 Pilares” (ou módulos) que eles propunham no curso, apenas 3 eram iniciáticos e os outros se tratavam de reproduções de técnicas de livros como Medicina Vibracional, A Cura pela Energia e outras obras que já tenho certa prática efetiva em consultório como terapeuta integral (sou psicólogo, iniciado em Reiki e na tradição Rosacruz, trabalho com 4 tradições em massoterapia, Qi Gong e técnicas de visualização – este último recurso terapeutico rotulado de técnica neo-xamanica pela Paz Géia). Concordo com suas críticas, mas pondero sempre extremos e, pelo preço pago pelo curso, até que não foi tão ruim. De fato haviam os tais místicos de fim de semana, muito loucos por sinal… alguns narcisistas entusiastas… poderia me perder nessa crítica rotulando cada um que convivi no curso, inclusive algumas instrutoras não tão iniciadas… Mas tb conheci uma ou outra pessoa de grande valor, não por serem “esotéricas”, mas pela simplicidade e humildade com que buscava conhecimento e evolução espiritual em meio a tantos “escombros de nossa solidez”, em meio a evolução da mentalidade instrumental do último século, que parece “progredir” para uma vida ciborgue que transforma nosso potencial inato em dependencia material (por exemplo atrofiando potencial telepático para depender de satélites e toda cultura de virtualidade que cá em baixo se massifica nesse meio material de “comunicação em tempo real”; ou numa metáfora mais simples o de não precisarmos desenvolver nosso raciocínio fazendo contas de cabeça pela dependencia material de uma calculadora)…

Em sendo experimento vivo de seu texto, tenho a dizer (com conhecimento de causa) que a existência desses cursos tem sim um apelo material de grana para os que promovem (como qq promoção de culturas q convivem com dinheiro) mas quem investe nisso pouco se importa com esse apelo, pois tb estão investindo em algo maior. Acredito q certos cursos e pessoas têm agido de má fé, mas não são grupos peçonhentos como grupos políticos, pois têm outras “conduções” ou “influências” que os fazem preparar com dedicação tanto material. Além disso existem sim ritos iniciáticos que se adequam a nossa cultura nada pajé de ser… não haveria como sermos xamãs sem sermos “índios”, nativos de culturas q convivem com a natureza! Mas algumas culturas, fraternidades esotericas e outros grupos como UDV e Santo Daime tentam há muito, com algum sucesso (dependendo do interesse efetivo de quem se propõe adentrar conscientemente em outras dimensões) auxiliar os que sentem alguma ancestralidade nisso tudo… pajés, assim como toda comunidade humana, me parecem ser outros de nós mesmos… com grau e função evolutiva diferenciada certamente… O que vejo é que esses aparentes conflitos “de idade média” entre oq é sagrado e profano têm sido menos tumultuado q antes. Isso me soa como uma evolçução lenta, gradual e de quem realmente se interessa mais em buscar sua conecção com a unidade do universo do que em ser ou não alvo de gente oportunista afim de ganhar dinheiro. Não está em meu poder julgar a ingenuidade de quem perde dinheiro com oq não sabe utilizar, como pessoas q se abarrotam de coisas inuteis mas não conseguem parar de comprar… penso mais no ganho que cada ser humano, no limite de seu conhecimento de si, recebe ao investir num grupo e dele partilha oq lhe apraz, com quem se sente convidado à partilhar.

Agradeço de coração pela oportunidade que sua reflexão me despertou em repensar este momento de minha vida. Espero que aceite meus adendos com ternura. Lembremos que o Criticismo significa em sua origem “lançar luzes” e não meramente uma vã oposição pelo desperdício do gozo pela discussão. E foi justamente por sentir um bom equilíbrio crítico em seu texto q resolvi escrever. Meu adendo é apenas com referência aos “místicos de fim de semana”, que em nosso contexto evolutivo não merecem ser infantilizados por nosso inconsciente coletivo, pois pelo que vi (testemunho), alguns deles estão melhores que muita gente. Cordialmente. Rodrigo Sol, Fortaleza-CE – ago2007

03- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ÓOOOOTIMO!!!!!!!!!!!!!!! Mônica Torres, Macaé-RJ – ago2011

04- Eita Kelmer… é de doer…rsrsrrs. Maria Sá Xavier, Niterói-RJ – ago2011

05- Passou da hora de alguém falar isso kkkkkkkkkkkkkkkkmaravilhoso seu texto, adorei!!!!!!! Silmara Oliveira, São Paulo-SP – ago2011

 


WikiLeaks e o nascimento da cidadania global

01/01/2011

01jan2011

Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

WIKILEAKS E O NASCIMENTO DA CIDADANIA GLOBAL

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Cidadania global. É um termo novo, mas uma busca na internet nos mostrará centenas de milhares de ocorrências, e elas aumentam a cada dia. Mas o que seria isso? Como toda nova noção que surge, ainda não há uma definição precisa para cidadania global, mas ela claramente aponta para um futuro em que as pessoas, antes de se verem como cidadãs deste ou daquele país, se entenderiam de um modo mais abrangente e comum: seriam todas cidadãs do planeta Terra.

A noção de cidadania global nem sempre existiu, mesmo porque até pouco tempo não sabíamos que vivíamos num planeta. Porém, era inevitável que surgisse um entendimento mais abrangente de quem somos, pois desde o início os povos buscaram ter contato uns com os outros. Posteriormente, esse novo entendimento ganhou impulso por conta da facilidade dos transportes e acelerou-se com o desenvolvimento das comunicações. E, nos últimos anos, acelerou-se ainda mais com o advento da internet, que tornou o mundo menor e nos fez ver que temos muito mais coisas em comum do que as diferenças culturais sempre nos fizeram crer.

Em quinze anos, a internet multiplicou rapidamente o conhecimento que a humanidade tem de si própria e hoje sabemos bastante até mesmo sobre os povos mais fechados. Porém, se é verdade que ainda nos vemos como povos distintos, separados por nacionalidades, há vários indícios de que essa visão pode estar chegando ao fim.

As últimas décadas viram o surgimento da ONU, das organizações não governamentais, das empresas multinacionais e do termo globalização. A economia, o esporte e as artes contribuíram para nos misturarmos ainda mais. E, agora, a internet permite que pessoas de todo o mundo participem de campanhas de caráter político ou humanitário em outros países. Os sentimentos nacionalistas ainda existem, é verdade, mas quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país. Elas talvez ainda não saibam, mas já estão exercitando um tipo de cidadania global.

O site WikiLeaks, especializado em publicar documentos secretos de governos, empresas e instituições, deu sua contribuição a esse processo de forma notável. Financiado por doações anônimas e assegurando a máxima proteção às suas fontes, o site encoraja pessoas a denunciar casos de corrupção, censura, abusos e torturas, além de expor assuntos relacionados a guerras, ecologia, diplomacia, finanças e espionagem. Graças a isso, governos e empresas sabem que já não podem enganar as pessoas como antes. E em resposta à perseguição sofrida pelo criador do WikiLeaks, internautas se uniram e atacaram sites de empresas que apoiaram a perseguição. Esses ativistas não lutam por seus países: eles lutam por democracia e liberdade de expressão. Eles também estão exercitando a cidadania global.

O mundo está ficando mais transparente e autoconsciente. É uma ótima notícia, mas governos e empresas estão preocupados e tentam impor controles à internet para impedir o livre fluxo da informação. Não será fácil, pois se um cidadão tem todo o direito de saber o que faz seu governo e suas empresas, um cidadão do mundo obviamente tem direitos ainda mais amplos. Não será contra um site ou alguém: será contra essa nova noção de cidadania global que governos e empresas terão de lutar. E logo, antes que ela cresça ainda mais.
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Ricardo Kelmer 2010 – blogdokelmer.com

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Wikileaks-01.

MAIS SOBRE O WIKILEAKS

WikileaksLogo-01WikiLeaks na Wikipedia

Como funciona o WikiLeaks

Campanha contra a perseguição ao WikiLeaks – Petição criada pelo site Avaaz que pretende chegar a um milhão de assinaturas

Avaaz – Site que realiza campanhas que mobilizam milhares de pessoas com o objetivo de levar a voz da sociedade civil para a política global

WikiLeaks e a nova fronteira da comunicação – Entrevista com Natália Viana, a brasileira do WikiLeaks, rede Brasil Atual, 13.12.10

O australiano messiânico – Por Paulo Nogueira, Observatório da Imprensa, 14.12.10

WikiLeaks: a construção do mito Assange – Por Washignton Araújo, Observatório da Imprensa, 14.12.10

WikiLeaks: a vingança do mundo vigiado – Por Eugênio Bucci, O Estado de São Paulo, 16.12.10

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LEIA NESTE BLOG

Pátria amada Terra – É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

A ilha – Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua

A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo

A mensagem de Avatar ao Povo da Terra – Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele

Eles estão na fronteira – Milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

A Humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

O sonho que morreu na praia – O mar, que não liga para nacionalidades, aceitou receber o menino sonhador

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DICA DE LIVRO

MatrixEODespertarDoHeroiCapaEdicaoDoAutor-01Matrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas
Ricardo Kelmer, ensaio, 2005

Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.

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 COMENTÁRIOS
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01-  Ué, fofoca agora é sinônimo de “cidadania”!? Prazer. Anti-americanismo é fogo. Com certeza o colunista não toma Coca-Cola, não come Big Mac, acha que o Osama não foi jogado ao mar e, claro, acha que os microchips chegaram a Terra em algo que espatifou-se no solo em Roswell. Júlio Adelaide, O Povo OnLine – mai2011

02- O ilustre escritor e dono de cabaré não pode garantir que tais informações podem ser de conhecimento público sem consequências desastrosas para o mundo. sempre houve sigilo de questões internacionais e penso que não temos conhecimento suficiente para achar que agora tem que ser tudo muderno e escancarado, meu caro. Wanessa, O Povo OnLine – mai2011

03- Wikileaks para TODOS! Excelente matéria! Neiara, O Povo OnLine – mai2011

04- Meu caro, excelente percepção do que vem acontecendo, quanto mais transparência maior a possibilidade de construirmos algo melhor. Dilda Meyer, O Povo OnLine – mai2011

RK– Sábias palavras, Dilda. As pessoas precisam ser honestas e transparentes consigo mesmas, caso desejem ter uma vida mais harmoniosa. Assim também é com a humanidade. abrazos 🙂

05- Tem gente que só enxerga em preto e branco. O colunista nem criticou os Eua especificamente. O site wikileaks faz denúncias de vários países… Por favor, onde foi que você enxergou um discurso anti-americano? sabe o que é isso? Superinterpretação do texto (ou esquizofrenia). Anita G, O Povo OnLine – mai2011

RK– Poizé, Anita. Saber ler, muitos sabem. Interpretar corretamente um texto, isso já requer um algo mais… abrazos 🙂

06- que venha… o.. Cidadão Global, Governo Global, Economia Global… Aquecimento Global… Lider Global… Moeda Global, Religião Global. isso não e novidade,pois biblia fala destes tempos.. Mas Cristo… Reinará para todo sempre…. Django, O Povo OnLine – mai2011

07- Não é possivel divulgar tudo de carater sigiloso, caro colunista. Wanessa descreveu o que é mais plauzível, transparencia sim, escancareamento de assuntos altamente sigilosos não! Aldo Ziembisky, O Povo OnLine – mai2011

08- Gente, já se criou nessa coluna uma aversão pelas palavras de Kelmer, sejam elas polêmcias ou nem tanto… Há quem já venha armado pra seja qual for a pauta do dia ir contra! Onde foi que ele criticou americanos? O que o fato de ele ser dono de cabaré influi nas ótimas observações que ele fez… o comentário que diz que tem gente que só enxerga em preto e branco… Adorei a matéria! Parabéns! Anne, O Povo OnLine – mai2011

RK– Obrigado por comentar, Anne. As insistentes críticas ao meu trabalho derivam do fato de eu escrever sobre temas polêmicos, como drogas, religião e sexualidade, temas que muitos escritores, artistas e comunicadores preferem evitar. E alguns comentários são tão infelizes que sequer merecem resposta. Há também o bando dos religiosos fanáticos, que me odeiam porque sou um critico da religião e exponho as mentiras e o jogo sujo do mercado da fé. E há, acredite, os que assinam com nomes falsos, tentando me confundir! Mas todos são meus leitores e, de todo modo, a leitura deles me honra. E a caravana passa. abrazos 🙂

09- Quem pode saber o que a explosaõ de notícias sigilosas do governo de vários países e suas questão internas para o publico em geral vai render de bom para o mundo? Ninguem pode saber as consequencias disso. Portanto o artigo é pretensioso, e sem fundamentos. Liberdade por liberdade é o grito deste senhor, Ele sabe administrar bem cabarés, outros assuntos mais técnicos não são da alçada de quem não trabalha nesta áreaespecífica e sofisticada, sinto mto. Julia Maria, O Povo OnLine – jun2011

10- mtos escritores escrevem sobre estes temas. Saber ser criticado é uma arte de humildade. Artistas tem egos inflados e não gostam, porem se o senhor quer ser um escritor, precisa aprender a ser criticado positivamente e negativamente , ou melhor mudar de profissão. Wanessa, O Povo OnLine – jun2011

11- Críticas são salutares, senhor. Todos os escritores administram as criticas, por que com o senhor seria diferente? Maria, O Povo OnLine – jun2011

RK– Um escritor que não aceita ser criticado negativamente publicaria em seu próprio blog as piores críticas (e insultos, xingamentos e ameaças) que recebe? Pois eu publico. E convido todos a constatar isso agora mesmo, acessando a crônica que mais me rendeu críticas desfavoráveis (RELIGIÃO NO ESPORTE É GOL CONTRA). Veja você mesmo, nobre leitor e generosa leitorinha, o nível de alguns comentários e me diga, sinceramente, se você se daria ao trabalho de responder a cada um deles. Pra mim, nem tudo merece resposta. abrazos 🙂

12- Ótimo, pois quem está no mercado de arte tem que aceitar opiniões contrárias com mais brandura. Nem Jesus conseguiu unanimidade. O sr. está de parabens por aceitar que nem sempre agrada. E quem nem sempre seu texto tem fundamentos aceitáve4is, como é este o caso. Anita G, O Povo OnLine – jun2011

13- Bom, eu penso que estas pessoas estão lendo os teus textos, mesmo para criticar, isso é bom. Esses críticos ferrenhos, se ficam tão incomodados é porque ao te lerem se sentem balançados, então te agridem, tipo, xô satanás. Acho que você não deve responder não, deu teu recado, que leiam, aceitem ou não, critiquem, elogiem, o importante é que você os faz pensar. Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – jul2011

14- Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las. Voltaire. Grace Ramalho, Fortaleza-CE – jul2011

15- Tudo merece resposta? Nem em pesadelos, mto menos em sonhos, menos ainda na realidade do dia-a-dia. Talvaz alguma coisa ou pessoa merece mas isso fica a seu critério. Tem mta gente querendo atenção por nada ou por besteira… Força ai Ricardo e mande ver na polêmica! André Ortiz, Fortaleza-CE – jul2011

16- Rapaz, tem um movimento anti-Kelmer forte, hein? E onde tu arranja paciência? Marcelo Gavini, São Paulo-SP – jul2011

17- Nós, jornalistas, sabemos muito bem disso, né, amigo: loucura maior do que o louco que escreveu é dar cabimento a ele. Certas críticas não há como encarar… bjos. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – jul2011

18- Meu caro Ricardo vc é ótimo. Tem coisas e pessoas que não vale uma resposta. O silêncio é a maior de todas. Bijos. Loreto Lima, Juazeiro do Norte-CE – jul2011

19- Estou com vc, caro RK. Uma pessoa que escreveu “O mundo está ficando mais transparente e autoconsciente” não pode ser acusada de antidemocrática. “Iru antauen, RK!” Leite Jr-Lejĉ, Fortaleza-CE – jul2011

20- O jornal O Povo pra mim é o melhor do estado,acho menos rabo preso com a elite. Mas parece haver uma ala bastante conservadora por lá,pode ver que existem pessoas dando sua opiniao sobre as matérias que estão postadas no site.Tem cada uma,que é melhor nem ler. Lucas Silveira, Fortaleza-CE – jul2011

21- KELMER, minha solidariedade. continue livre! Veronica Guedes, Fortaleza-CE – jul2011

22- isso mesmo, como você sempre foi, beijim. Glaucia Costa, Fortaleza-CE – jul2011

23- Anjo vc é fantástico em tudo que faz, deixe que falem….beijos. Elizabeth Fernandes, São Paulo-SP- jul2011

24- E eu costumo ler as Kelmericas, gosto muito. Polemica eh a propria essencia de quem escreve, imagino as reacoes que voce deve receber de vez em quando. Continue firme. O problema de quem escreve eh que nem sempre eh entendido, eh proprio do processo de ler e escrever, que o leitor sempre importe suas impressoes ao que esta lendo, as vezes eles leem algo nem imaginado pelo escritor, isto pelo bem ou pelo mal. Grande abraco. Marcelino Pequeno, Fortaleza-CE – jul2011

25- Kelmer, A tentação é sempre grande em responder. Mas é isso mesmo, nem tudo precisa de resposta. Até porque muitos questionamentos e opiniões geram muito mais respostas diferentes. E viva a sagrada e bela diferença e divergências. Abração! Ivonesete Rodrigues, Fortaleza-CE – jul2011

26- Kelmer… sacode a poeira e avance sem olhar para trás… abraço. Marcio Castellani, Fortaleza-CE – jul2011


Protegido: Por trás do sexo anal (2)

11/11/2010

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