O segredo dos predestinados

13/10/2008

13out2008

OSegredoDosPredestinados-03

O SEGREDO DOS PREDESTINADOS

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No futuro, a humanidade é prisioneira de sua própria criação, a Inteligência Artificial, que criou a Matrix, uma realidade virtual onde foram inseridos todos os seres humanos para que eles não oponham resistência ao poder das máquinas. Todos não, pois um grupo de rebeldes mantém-se fora dessa realidade e luta para libertar o restante da humanidade. Eles creem na profecia do Oráculo que diz que um Predestinado um dia virá para vencer as poderosas máquinas e salvar a todos. Para eles, Neo, um jovem que vive na Matrix, é o Predestinado. Neo de fato desconfia que há algo errado com a realidade, mas não pode aceitar que ele seja o tão aguardado salvador.

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Depois de ver o filme Matrix e ler certas críticas (o filme não tem história, ela é confusa demais, vale apenas pelos efeitos especiais, é só uma colagem de citações…) decidi meter o nariz onde não fui chamado. E contar do segredo. Matrix é grandioso. Sua história é densa e intrincada, sim, mas para quem anda familiarizado com certas questões atuais, Matrix é claro. É uma ótima história em ritmo de cinemão e expõe ao grande público uma nova e intrigante fronteira que de agora em diante não mais poderemos evitar: a questão do que é de fato a realidade. Com o advento da realidade virtual, ultrapassamos o ponto de retorno e teremos agora que encarar mais esse desafio sobre as possibilidades da psique. Matrix tem um conteúdo tão rico que pode-se abordá-lo sob diversos ângulos. Escolhi o ângulo da mitologia.

Mitos são como esqueletos da psique, imprescindíveis a quem busca entendê-la. Matrix reedita um velho tema mitológico que se repete desde nossos peludos antepassados: a jornada do herói. Trata-se de uma metáfora do processo de crescimento psicológico, autoconhecimento e verdadeira realização do ser humano. O herói, nos mitos, somos cada um de nós, representados no personagem que abandona sua terra (a segurança de velhas certezas) e parte em busca de algo precioso (verdades mais úteis e abrangentes) e enfrenta inimigos terríveis (encarar os próprios medos e o desconhecido de si mesmo). Jornada difícil e perigosa, que requer coragem, obstinação e honestidade. Mas o herói vence o desafio e volta à sua terra, levando benfeitorias a seu povo e às vezes substituindo um velho rei doente ou injusto (renovação).

Neo, o herói de Matrix, aventura-se entre sonho e realidade, em mistérios que podem enlouquecê-lo e até matá-lo. Ele recusa-se a crer que possa ser o Predestinado de que fala a profecia e que salvará as pessoas, e essa dúvida faz com que o Oráculo consultado não o esclareça. Oráculos são meros instrumentos de autoinvestigação psicológica com os quais podemos obter respostas sobre nós mesmos pela concentração e meditação. Até que nem tanto esotérico assim. A rigor, ninguém precisa de um oráculo para saber sobre si, porém o ritmo de vida atual nos afastou de nosso mundo interior e são exatamente o simbolismo e a ritualística dos oráculos que propiciam essa interiorização. Na verdade, quem responde à questão lançada somos nós mesmos, ou melhor, uma parte de nós que é mais sábia e mais antiga, e que não costumamos ouvir no dia a dia.

Neo consulta o Oráculo. Mas a ideia de ser o Predestinado o incomoda e ele obtém a resposta que deseja ouvir. Porém, atente: o Oráculo não diz em momento algum que ele não é o Predestinado. Diz apenas que ele tem o dom, mas parece esperar algo. E quanto a isso ninguém pode fazer nada, nem oráculos, nem deuses, nem ninguém. Somente o próprio herói pode trilhar seu caminho. Somente ele pode encontrar sua própria verdade, aquela que concretizará todos os seus dons e finalmente o libertará.

A jornada pessoal de autorrealização nos põe em situações onde não confiamos em nosso potencial. Somos capazes de grandes proezas quando temos plena consciência de quem somos, porém chegar a essa autoconscientização é difícil. Conhecer verdadeiramente quem somos é luta travada no campos da consciência e do inconsciente, guerra de toda uma vida onde cada autorrevelação é uma importante batalha vencida. O verdadeiro autoconhecer-se dói muito porque implica necessariamente enfrentar o que se teme, tornar-se o que se evita ser, entrar no fogo dos piores medos. A recompensa é o mundo novo que só a realização mais íntima nos traz.

No mundo de Matrix as pessoas estão adormecidas, sem senso crítico, e creem no que lhes é dado a crer. Nada muito diferente de nosso mundo atual, onde a massificação das ideias faz as pessoas perderem a noção de si mesmas, onde querem nos convencer que numa sociedade desonesta e violenta temos de ser mais violentos e desonestos que os outros. Difícil fugir desse círculo vicioso. Em Matrix, Neo sofre para aprender que tudo que precisa é… mudar a visão que tem de si próprio, só isso. Não pense que é, saiba que é. A profecia diz que o Predestinado mudará o mundo e salvará a humanidade. Neo não pode crer-se capaz disso tudo. Mas o segredo da vitória do herói esconde uma simples e irônica verdade: para mudar o mundo, basta mudar a si mesmo. Transforme-se e tudo em volta se transformará – eis o segredo! Porque a aparente separação das coisas esconde a unicidade de tudo que existe. Talvez seja impossível dobrar uma colher com o pensamento. Mas se você sabe que a colher e você são a mesma coisa, então basta dobrar a si mesmo.

O mito da jornada do herói ensina que o destino de cada um de nós é realizar o que verdadeiramente somos mas ainda não aceitamos. A aventura de Neo é a de nós todos em busca de nossa essência mais legítima, aquela que enfim nos libertará. Até alcançá-la a vida nos provará de muitos modos e teremos de conviver com dolorosas incertezas e autoenganações. Porém, indo do micro para o macro, a aventura de Neo é a aventura da humanidade inteira, em busca de sua sobrevivência como espécie. Num tempo de tecnologia idolatrada e valores essenciais esquecidos, corremos o risco de ver nossa própria criação voltar-se contra nós. Diante disso a única saída parece ser, ainda, seguir o que dizia, logo em sua entrada, o Oráculo de Delphos na Grécia antiga: Conhece-te a ti mesmo. A tecnologia não tem sentimento. Nós temos. Uma máquina não é capaz de amar. Nós somos. Essa diferença óbvia pode pesar bastante no roteiro do nosso filme.

Um certo nazareno, dois mil anos atrás, ensinava que somos todos deuses. Sigamos pelo mesmo caminho: igual a Neo, somos todos heróis. Heróis de nossas próprias vidas. Como Neo, nascemos predestinados a realizarmos a nós mesmos. Feito um Salvador, cada um de nós tem o poder de mudar o mundo. Mas é preciso antes mudar a forma como entendemos a nós próprios. Eis o segredo que se esconde por trás do filme Matrix e também de toda a vida. O segredo que de tão óbvio não se vê, mas que aguarda pacientemente por todos os predestinados.


Ricardo Kelmer 1999 – blogdokelmer.com

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Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

Este texto no site Adoro Cinema

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FILMEMatrix-012Matrix (The Matrix, EUA, 1999)

ARGUMENTO, ROTEIRO E DIREÇÃO: Lilly e Lana Wachowski
ELENCO: Keanu Reaves, Lawrence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving

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Matrix2012Capa14x21aMatrix e o Despertar do Herói
A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas

Analisando o filme Matrix pela ótica da mitologia e da psicologia do inconsciente e usando uma linguagem simples e descontraída, RK compara a aventura de Neo ao processo de autorrealização que todos vivem em suas próprias vidas.

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en español

EL SECRETO DE LOS PREDESTINADOS

Ricardo Kelmer

Después de ver la película Matrix entusiasmadas veces y de leer ciertas críticas (que el filme no tiene historia o que ella es confusa en exceso, que vale apenas por los efectos especiales, que es sólo un collage de citas…) decidí meter la nariz donde no fui llamado. Y contar el secreto.

Matrix es grandiosa. Su historia es densa e intrincada, sí, pero para quien anda familiarizado con ciertas cuestiones actuales, Matrix es claro. Se trata de una óptima historia en ritmo de gran cine y expone una nueva e intrigante frontera que ya no podremos evitar más: la cuestión de qué es de hecho la realidad. Con el advenimiento de la realidad virtual, sobrepasamos el punto de retorno y ahora tendremos que encarar más ese desafío sobre las posibilidades de la Psique. Matrix es tan fuerte en su contenido tan rico que se puede abordar bajo diversos ángulos. Elegí el ángulo de la mitología

Los mitos son como esqueletos de la psique, imprescindibles para su comprensión. En Matrix, se reedita un viejo tema que se repite desde nuestros más remotos y peludos antepasados: la travesía del héroe. Se trata de una metáfora del proceso del crecimiento psicológico y la auto-realización del ser humano. El héroe, en los mitos, somos cada uno de nosotros, representados en un personaje que generalmente precisa abandonar su tierra (la seguridad de viejas certezas) y partir en busca de algo precioso (verdades más útiles y abarcadoras) o enfrentar enemigos terribles (encarar los propios miedos y bloqueos). Travesía difícil, y peligrosa, que requiere coraje, obstinación y honestidad. Pero el héroe vence el desafío y retorna a su tierra, llevando buenas obras a su pueblo y muchas veces substituyendo a un viejo rey enfermo o injusto (renovación).

Neo, el héroe de Matrix, se aventura en una realidad que parece un sueño, partiendo en busca de un misterio que puede enloquecerlo y hasta matarlo. El se niega a creer que pueda ser el Predestinado de quien habla la profecía y que cambiará el mundo y despertará a las personas. Esa duda hace que el Oráculo consultado no lo esclarezca. Los oráculos son meros instrumentos de auto-investigación psicológica donde podemos obtener respuestas sobre nosotros mismos a través de concentración y la meditación. Hasta que ni tan esotéricamente así. En rigor nadie precisaría un oráculo para saber sobre sí. Entretanto, el ritmo de la vida actual nos apartó de nuestro mundo interior y son exactamente el simbolismo y la ritualidad de los oráculos los que propician esa interiorización. En verdad quien responde a la cuestión lanzada somos nosotros mismos, o mejor, una parte de nosotros que es más sabia y que no acostumbramos a escuchar en el día-a-día. Si la respuesta es oscura, es porque la pregunta también lo fue. La pregunta cierta ya contiene en sí la respuesta.

Neo consulta al Oráculo. Pero la idea de ser el Predestinado lo incomoda y obtiene la respuesta que desea oír. Por lo tanto, presta atención: el Oráculo no dice en momento alguno que él no es el Predestinado. Dice apenas que él no está preparado. Preparado para entender que de hecho lo es é. En cuanto a eso, nadie puede hacer nada, ni los oráculos ni los dioses ni nadie.

La travesía personal de auto-realización nos pone en una situación donde no confiamos en nuestro potencial. Sólo somos capaces de mucha cosas cuando tenemos perfecta conciencia de quién somos y de lo que podemos hacer. Por lo tanto, llegar a esa autoconcientización es difícil. Conocer verdaderamente quién somos es una lucha armada trabada en los campos de la conciencia y del inconsciente, guerra de toda una vida donde cada auto-revelación representa una importante batalla vencida. El verdadero autoconocerse duele hasta doler porque implica necesariamente enfrentar lo que se teme, volverse lo que se evita ser, entrar en el fuego de los peores miedos. La recompensa es el mundo nuevo que la realización más íntima nos trae.

En el mundo de Matrix las personas están adormecidas y sin sentido crítico. Creen en lo les es dado para creer. Nada muy diferente de nuestro mundo actual, donde la masificación de las ideas hace que las personas pierdan la noción de sí mismas, donde nos quieren convencer de que en una sociedad deshonesta y violenta tenemos que ser más violentos y deshonestos que los otros. Es difícil huir de ese círculo vicioso. En Matrix, Neo sufre como loco para aprender que todo lo que precisa es… cambiar la visión que tiene sí mismo, apenas eso. No tienes que pensar que eres, debes saber que eres. La profecía dice que el Predestinado cambiará el mundo y salvará a la humanidad. Neo no puede creer que sea capaz de todo eso. Pero el secreto para la victoria del héroe esconde la más simple y la mayor de todas las ironías: para cambiar al mundo, basta cambiarse a sí mismo. Transfórmate y todo alrededor se transformará – ¡es el secreto! Porque la aparente separación de las cosas esconde la unicidad de todo lo que existe. Tal vez sea imposible doblar una cuchara con el pensamiento. Pero si sabes que la cuchara y tú son la misma cosa, entonces basta doblarse a sí mismo.

El mito de la travesía del héroe nos enseña que el destino de cada uno de nosotros es realizar lo que verdaderamente somos pero que todavía no aceptamos. La aventura de Neo es la aventura de todos nosotros en busca de nuestra esencia más legítima, aquella que al fin nos liberará. Hasta alcanzarla, la vida nos pondrá a prueba de muchas maneras y tendremos que convivir con dolorosas incertidumbres y auto-engaños. Entretanto, yendo de lo micro hacia lo macro, la aventura de Neo es la aventura de la humanidad entera, en busca de su supervivencia como especie. En un tiempo de tecnología idolatrada y valores esenciales olvidados, corremos el riesgo de ver nuestra propia creación volverse contra nosotros. Ante tal posibilidad, la única salida parece ser, todavía, seguir lo que decía, justo en su entrada, el Oráculo de Delfos en la Grecia Antigua: conócete a ti mismo. La tecnología no tiene sentimiento. Nosotros lo tenemos. Una máquina no es capaz de amar. Nosotros somos. Esa diferencia obvia puede pesar bastante en el guión de nuestra película.

Cierto nazareno revolucionario, dos mil años atrás, ya decía que somos todos dioses. Pues voy en el mismo camino: igual que Neo, somos todos héroes. Héroes de nuestras propias vidas. Como Neo, estamos predestinados a realizarnos a nosotros mismos. Hecho un Salvador, cada uno de nosotros tiene el poder de cambiar o mundo. Pero antes es preciso cambiar la forma como nos entendemos a nosotros mismos. Es el secreto que se esconde detrás de la película Matrix y también de toda la vida. El secreto que de tan obvio no se ve y que aguarda pacientemente a todos los predestinados.

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Acabo de ler seu fantástico artigo sobre o filme MATRIX. Até hoje não li crítica tão perfeita sobre esse ainda incompreendido filme, mas que com certeza ficará na história do cinema como marco (não foi assim com 2001 uma odisséia no espaço?). Parabéns pela qualidade da abordagem comparativa entre o enredo e a mitologia, além do foco dado à mensagem de que tal como afirmava Emerson “somos aquilo que pensamos”. Mantovanni Colares, Fortaleza-CE – ago1999

02- Gostaria de prabeniza-lo pela sua maravilhosa reportagem acerca do filme MATRIX que foi publicada segunda feira no jornal O POVO. Fiquei encantando com a forma coom que vc utilizou o arquétipo junguiano do herói, e com todo o seu ponto de vista sobre como a sociedade moderna encontra-se em relação a essa “tecnologia”. Infelizmente o meu jornal com a matéria sobre o filme foi jogado fora, caso vc pudesse enviar-me o artigo ficaria muito contente. Thaís, Fortaleza-CE – ago1999

03- Adorei principalmente o seu comentário sobre o filme “Matrix”, já sou fã mesmo antes de assistí-lo, estou ansioso para que o filme chegue em vídeo. Bem, eu adoraria adquirir “Matrix” . Eu já havia lido várias críticas sobre o filme, algumas depreciativas e outras elogiando o filme, mas me convenci ainda mais de que se trata do melhor filme dos últimos tempos após ler a sua crítica sobre o filme. Jurandyr G. Loureiro, Linhares-ES – ago1999

04- Escrever é um ato solitário, eu sei de mim solitário também… Parabéns. Ótimo artigo em O Povo de hoje. Sensacional, digno de reprodução Federal, quiçá mundial. Suas abordagens são maravilhosas, me fez viajar na simples aventura humana: a da compreensão (ou busca) de si mesmo. Procuro dar minha colaboração, na internet, há anos, envio diáriamente algo chamado Kbytes de Sabedoria (inspirado no Minutos de Sabedoria…) que são trechos sábios como daquele livrinho azul, da bíblia e de outras fontes de sabedoria. Hoje, no Kbytes… o dia é seu, fiz questão de dividir e propagar as suas idéias com os netfriends. Parabéns e grato mais mais uma vez, pela luz! Giovanni Colares, Fortaleza-CE – ago1999

05- Fiquei emocionada com sua abordagem sobre o filme Matrix no O Povo (O segredo dos predestinados), 9/8/99. Foi absolutamente perfeito. Já li três vezes e nunca ouvi falar de você. Leio o Diário e O Povo $todos os dias. Já li muitos livros mas hoje o cinema me fascina. Mande-me umas dicas de filmes. E escreva mais. Você tem talento e escreve com uma beleza incomum! Parabéns! Irei assistir o filme só porque li seu artigo. Edita Machado, Fortaleza-CE – ago1999

06- Caro Ricardo , Fiquei sendo seu fã desde que em 1999 qdo assiti a uma palestra tua no auditório do colegio capital sobre o filme MATRIX. Na tua palestra fizeste uma analogia de espelhos dentro de uma bola de vidro a refletir a luz do sol com nós seres humanos e perguntaste: O que é necessário fazer para mudar o modo do globo de vidro refletir a luz do sol? Ao que respondeste… basta mudar um só espelho. Assim querias dizer que não precisamos mudar ninguém somente a nós mesmo. Cara vc não sabe o quanto já falei de vc para as pessoas a quem conto esta analogia. O fato é que ouvir aquelas tuas palavras me levou a uma pesquisa igual “A ILHA”. Continue sempre assim… em constante questionamento consigo mesmo pois acredite foi assim que passei a ser uma pessoa melhor. Luiz Ferreira de Sousa Junior, Fortaleza-CE – nov2004

07- Te achei procurando um texto sobre Neo – Matrix e foi o “ O SEGREDO DOS PREDESTINADOS” que li e adorei. Como você conseguiu falar tudo tão bem. Simplesmente adorei. E já andei fuçando seu site também. É muita coisa para ler. Terei muito que fazer. Lais Paulinelli, Belo Horizonte-MG – jan2007

OSegredoDosPredestinados-03a


Pesadelos do Além

21/08/2008

21ago2008

O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado

pesadelosdoalem-01Nada pode ser mais aterrorizante para um escritor que a seguinte situação: dia do lançamento de seu novíssimo livro, ele sentado na mesinha, o lugar todo preparado, a pilha de livros em espiral, o fotógrafo ao lado para registrar as presenças ilustres… e ninguém aparece. Putz, que horror.

Acabo de descobrir, porém, que existe um pesadelo bem pior. Não, não falo desses textos com falsa autoria que analfabetos literários repassam aí pela internet, matando o escritor de vergonha por ver que milhares de pessoas acham mesmo que ele escreveu aquele texto horroroso. Isso é de lascar, mas nesse caso pelo menos podemos ir à tevê e nos defender.

O pior pesadelo para um escritor é ser psicografado. Ou melhor: ser mal psicografado. Putz, me dá uma fininha de nervoso só de imaginar essa possibilidade… Não acredito em Deus, mas se um troço desse me acontecer, juro que entrarei com um processo contra ele por permitir tal barbaridade. Espíritos, reencarnação, psicografias, todo mundo é livre para acreditar no que quiser, até em promessa de político. Mas fazer isso com a pessoa depois que ela já bateu as botas, aí é muita covardia.

Foi dia desses. Alguém me enviou uma letra musical que teria sido escrita por John Lennon depois de morto. A letra era tão cheia de beatitudes e bem-aventuranças, uma pieguice espiritual tão grande, que das duas, uma: ou John de repente virara coroinha ou então onde ele estava só rolava fumo da pior espécie. Putz! Só alguém que não conhece porra nenhuma de John Lennon poderia supor que aquela coisa horrenda seria obra dele. Poisbem. Depois desse dia o alerta vermelho foi acionado e percebi a gravidade da situação: e se eu morresse e alguém psicografasse uma crônica minha que falasse de seres de luz, jardins celestiais e coisitais? Argh!

Mania horrorosa a desse povo, de converter a gente depois que a gente morre. Magali, por exemplo. Além de ateia, Magali sempre foi uma grande escrota e nunca nem botou os pés numa igreja. Aí um dia Magali morre, e uma semana depois, no centro espírita, recebem uma mensagem dela: Queridos paizinhos, amada irmãzinha, que a graça de Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo ilumine vossos corações e… Como é? Amada irmãzinha?! Mas um dia antes de morrer ela queria decapitar a irmã e jogar a cabeça no lixão! Vossos corações?! Mas Magali não tinha nem primeiro grau completo! Então ela, além de se converter e virar santa assim que morreu, ainda fez um superintensivo de português?

Imagino que nesse ponto do texto haja algum espírita indignado comigo. Paciência. Particularmente, para mim até faz sentido que após a morte haja algum tipo de continuação da vida tipo Matrix ou que, após morrer, o cidadão desperte e entenda que tudo foi uma viagem de LSD mucho loca, sei lá. Mas, psicografia? Bem, isso até poderia ser interessante caso a vida pós-morte fosse tão tediosa que a única diversão de um escritor como eu se resumisse a ditar contos de sacanagem para seu público encarnado. Mas acho que ainda não existe centro espírita moderninho assim para topar receber esse tipo de cartinha.

Então, quero desde já deixar claro, claríssimo, que eu, Ricardo Kelmer, terráqueo nascido em 1964 na província de Fortaleza Desmiolada de Sol, atribuído da autoridade a mim concedida por eu ser eu mesmo, e de plena posse de minhas faculdades mentais, não, melhor tirar essa última parte, eu não autorizo ninguém, absolutamente ninguém, a psicografar, psicoaudializar ou canalizar ou receber, seja como for, quaisquer textos de minha autoria, na íntegra ou em parte. Heim? Não, nem mesmo se o texto for de sacanagem, não dá para confiar. Ninguém está autorizado e pronto. E quem disser que recebeu, meus representantes legais poderão processar o engraçadinho.

Ufa. Agora já posso partir em paz. Mas… e se um dia eu, lá dos cafundós do Além, sentir uma vontade danada de escrever um novo livro? Como farei se ninguém estará autorizado a psicografar? Não tem problema: escreverei o livro e darei um jeito de publicar no Além mesmo, não se preocupem, até porque por essa época certamente alguns leitores meus já estarão por lá. Mas novos leitores desencarnados serão sempre bem-vindos, claro. Afinal, já pensou eu, sentado na mesinha do Além, a pilha de livros toda linda em espiral, a equipe de tevê do CulturAlém a postos… e nenhuma alma aparece? Que horror.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Kelmer no Toma Lá Dá Cá – Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro

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01- Adorei, Ricardo! Denise Santiago, São Paulo-SP – jan2012

02- genial… Glaucia Costa, Fortaleza-CE – jan2012

03- Ai ai, ai, essa Jurema te fez um belo estrago! kkkkkkkk, tô aqui rolando de rir! Lindão, se você for primeiro do que eu pode sussurrar seus textos no meu ouvido que eu prometo ser fiel às suas sacanagens, será um imenso prazer psicografar suas criações! E desde já te prometo ser fiel nas insanidades e nas filosofias! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – jan2012

04- De fato, Kelmer. Quero inclusive te informar que dentre o próprio meio espírita se reconhece que muita abobrinha foi e vem sendo escrita na área da psicografia. Hoje ando afastado do movimento, mas mesmo quando fui parte integrante dele questionava esses absurdos. Só vejo um contra-senso em teu texto. Se você não crê nessa possibilidade comunicativa, não deveria, teoricamente, incomodar-se em nada quanto à fidedignidade das mesmas num futuro batimento de botas. rsrsrsrs A não ser é claro, que você tenha se utilizado da licença poética. Brennand de Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – jan2012

05- O escritor transmite as ideias q lhe vem à cabeça. Cabe ao leitor optar pela interpretação que mais lhe agrade… ou mesmo discordar de tudo q está escrito. Denise Santiago, São Paulo-SP – jan2012


O mundo é uma mentira

10/07/2008

10jul2008

Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

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Rejane, uma leitorinha querida de Brasília, me recomendou um documentário recente chamado Zeitgeist, produzido em 2007 nos EUA. Obrigado, Rejane. Zeitgeist é um termo da língua alemã que significa o espírito de uma época, a mentalidade reinante num determinado período de tempo.

Muito interessante o filme. Trata basicamente de duas coisas: religião e dinheiro. Mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles.

Religiões copiadas umas das outras, guerras forjadas e mantidas em nome de interesses econômicos, crises financeiras proposital e estrategicamente criadas, falsos ataques terroristas, chips implantados para controlar as pessoas feito boiada… O filme é um festival de denúncias, algumas tão incríveis que parecem sair de um fabuloso catálogo de teorias conspiracionistas.

Que religiões institucionalizadas como o cristianismo, judaísmo e islamismo são deturpações da busca natural do sagrado, feitas para amedrontar e dominar os povos, isso não é novidade. Que os poderosos do dinheiro são incrivelmente engenhosos em matéria de deturpar a realidade e lucrar com a ignorância do povo, isso é óbvio. Mas é sempre surpreendente e revoltante quando os fatos são ligados e, pufff, transparece a absoluta falta de respeito pela verdade, pela liberdade, pela justiça, pela vida.

Eu, particularmente, não duvido de nada e desconfio de tudo que se mexa ou fique parado. Porque sei do que são capazes os loucos de poder, seja poder econômico ou religioso. Mesmo que haja qualquer exagero em uma ou outra denúncia, obras desse tipo são úteis nesse momento em que a mídia, a cultura de massa e os modismos nos mantêm bem ocupadinhos para que não percebamos o que rola nos bastidores.

Zeitgeist é um documentário que, em suas três partes, fala sobre mentiras relacionadas a religião, guerras e economia. É um filme polêmico, que divide opiniões e costuma despertar emoções fortes: algumas pessoas ficam desconfiadas, outras ficam perplexas e revoltadas, cristãos ficam irritados… Assista e tire suas próprias conclusões.

Por essas e outras é que continuo achando que a melhor coisa que podemos fazer uns pelos outros não é nos darmos emprego ou comida, nem tentarmos salvar a alma uns dos outros, tampouco dar de presente às nossas mães 5 mil minutos para falar ao celular todo mês. A melhor contribuição que podemos dar à humanidade é individual: conhecer-se, aprender a pensar por si próprio e libertar-se, inclusive dos condicionamentos culturais e religiosos.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Zeitgeist (legendado)
Direção: Peter Joseph. EUA/2007

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ATEÍSMO E PICARETAGEM RELIGIOSA

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Jesus Cristo nunca existiu – Uma análise detalhada do que pode ser a maior fraude de todos os tempos

Ceticismo.net – Ceticismo, ciência e tecnologia

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LEIA NESTE BLOG

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A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica

Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Hum gostei quero ver…. Cinthia Silveira, São Paulo-SP – nov2011

02- apareceu aqui uma org. pedindo assinatura para barrar o acordo de armas fragmentadas, etc. serah que ja nao sabemos que tudo sobre armas e guerras eh um horror? Dhara Bastos, Fortaleza-CE – nov2011

03- quando eu assisti, achei lúdico demais. Muito malucão… Isabele Baptista, Barretos-SP – jan2012

04- Não resta dúvidas de que o filme é interesante e abre canais para refexão, o problema é a pretensão de determinadas obras que pensam revelar as diversas camadas da realidade através dos aspectos simbólicos somente. O filme para mim está na categoria de interessante. Brennand de Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – jan2012

05- É muito bom este filme. Claudia Belucci Cabrini, Laranjal Paulista-SP – jan2012


As fogueiras de Beltane

04/07/2008

04jul2008

As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

AsFogueirasDeBeltane-03

AS FOGUEIRAS DE BELTANE

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Já conheço este vento. Sei o que ele traz. Fecho os olhos, ainda ansiosa. Respiro profundamente, tentando espantar o medo… Todo ano é sempre a primeira vez.

Uma pequena serpente se aproxima, trazendo sua bênção. A Lua descansa por trás de uma nuvem. Toda a floresta está em respeitoso silêncio. Ouço apenas o murmúrio do fogo à minha frente e acompanho a dança suave das labaredas. E ao redor, mais afastadas, vejo brilharem as outras fogueiras. Não estou só.

Logo escuto o som de sua chegada, os cascos de seu cavalo pelo chão da floresta. Um arrepio me percorre o corpo sob o vestido, como um prenúncio do que virá… Estou pronta para o ritual.

Imponente, enfim ele surge entre os carvalhos, o porte altivo de cavaleiro. Aproxima-se em passo lento. Não vejo seu rosto, mas sei que está compenetrado, pois é um iniciado e sabe a importância do que fará.

A Lua então comparece, deitando seu manto prateado sobre a relva, e sua presença me fortalece. Ele desce do cavalo e caminha em minha direção, o passo pesado de homem, a espada cruzada sobre suas costas.

Nesse momento, o vento lhe dá as boas vindas e o fogo crepita seu nome. Ele para diante de mim. É mais jovem do que eu esperava. E é tão belo… Ele põe-se de joelho, reverente. Toco sua fronte e através de mim a Grande Mãe abençoa o cavaleiro, permitindo que ele participe dos mistérios dessa noite. Eu vim, filha da Deusa…, ele pronuncia as palavras do ritual. Mas percebo que está nervoso, talvez seja sua primeira vez. Então ergo meu cavaleiro e falo docemente para seus olhos: Desde o início dos tempos eu te esperei…

As labaredas crescem quando nos damos as mãos e saudamos a Deusa, agradecendo a dádiva de sermos instrumentos de sua vontade. Ofereço-lhe morangos e cerejas e entoamos baixinho a cantiga que fala da Terra fecunda. Em nossos corpos se celebrará mais uma estação, o mistério da vida que se renova.

Chamo-o para perto do fogo. Ponho-me de pé à sua frente. Ele faz cair meu vestido, que desliza suave sobre meu corpo até o chão. Nua e entregue, sinto a presença divina e fecho os olhos para recebê-la. E mais uma vez o mistério se renova: sou a própria Deusa, sem deixar de ser sua serva. E sei que é assim que agora ele me vê, a mistura inexplicável, mãe e filha num só corpo.

As mãos do cavaleiro me tocam os cabelos como se pedissem licença. Depois emolduram meu rosto e assim ficam, como se me quisessem guardar no quadro da memória. Sinto sua boca em meus seios, eu árvore generosa, carregada de frutos maduros para sua fome. Sou posta no chão por seus braços fortes, eu cálice e oferenda, deitada no altar da relva macia. Vem, meu cavaleiro…

Muitos são os mistérios que habitam a alma feminina, tantos quanto as estrelas do firmamento. E poucos os homens que ousam percorrê-los. Porque instintivamente sabem que se perderão. Mas meu cavaleiro já consagrou sua vida à Deusa e é ela quem lhe permite conhecê-la mais de perto, sentir seu aroma, tocar-lhe a fenda que protege a gruta da vida e da morte, afastar as cortinas do santuário e unir-se a ela em carne e espírito…

Percebo que ele vacila, extasiado, atingido em cheio pela imagem do mistério. Então, pela autoridade a mim atribuída, puxo-o com força e meu grito acende de vez a fogueira dentro do meu corpo. O cavaleiro me abraça e me envolve e nossos suores e salivas se misturam e já não sei mais o que é ele e o que sou eu. É a alquimia sagrada que transmuta a matéria, que faz de um mais um, três.

Ele percorre meu interior como a ávida planta que fuça a terra. E eu, terra fértil, recebo sua raiz e me deixo preencher. Ele serpenteia por dentro do meu corpo como o alegre rio que dança sobre a terra. E eu, terra sedenta, recebo sua água e me deixo inundar.

Luas, muitas luas… Estrelas, milhões delas luzindo pelo meu ser… Assim em cima como embaixo… Sou a noiva do casamento sagrado entre a Terra e o Céu…

Lentamente, o corpo do cavaleiro se separa do meu. Ele me dá um último beijo e adormece abraçado a mim, criança bela e pura. Ao amanhecer, ele irá e eu recolherei o orvalho das flores, saudando a primavera e agradecendo pela boa colheita que teremos.

O fogo ainda queima, protegendo nossos corpos do frio da madrugada. Abençoada e feliz, agradeço à Deusa a honra de servi-la. E me uno ao belo cavaleiro no descanso sagrado dos filhos da Terra.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros Vocês Terráqueas
e Indecências para o Fim de Tarde

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MAIS SOBRE LIBERDADE E O FEMININO SELVAGEM:

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

As quarenta raposas – Um silêncio vindo de fora do tempo caiu sobre sua figura altiva e naquele eterno segundo ela foi o anjo vingador: belo, justo e implacável.

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.

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LIVROS

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010)

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CLIPE “ALMA UNA”

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Ola Ricardo Lindo texto…de suave expressão mas com forte alma da realidade! Sandra A. Dehn, Cuiabá-MS – fev2006

02- Ricardo: Depois de ler o conto do mês ( acho que é mais que crônica este ), achar que um homem ,que escreve como vc, sobre os mais íntimos sentimentos femininos é gay é brincadeira! Bjs. Guinha Lima, Rio de Janeiro-RJ – fev2006

03- Maravilhoso!!!!! Não sei explicar o motivo, mas fiquei arrepiada ao ler esse conto, li duas vezes e tive a mesma sensação, não se é pq foge do convencional ou pq é um mundo desconhecido… Lua Morena, Brasília-DF – fev2006

04- Olá Rick, Lndo!!! muito bom! parabéns. Gênea Garcia, Porto Alegre-RS – fev2006

05- Ôi, que coisa linda! Baixou Chico Buarque foi? Muito lindo. nem parece ter sido escrito por um homem… bjs, Íris Medeiros, Campina Grande-PB – fev2006

06- Ricardo, parabéns! Texto perfeito. Vc captou com aguda sensibilidade o momento do Encontro Sagrado. Tou pasma! É isso mesmo! Simone Abreu, Rio de Janeiro-RJ – fev2006

07- Essa estoria tem poder de encantamento !!! E’dessas que da vontade de filmar … Eu queria ser a personagem principal ( hum ! ) Nao sobra nada parecido com isso pra atriz aqui? Andrea Paola, Rio de Janeiro-RJ – fev2006

08- Esse texto tem alguma coisa a ver com As Brumas de Avalon?? parece uma cena do filme, só que com mais detalhes de uma passagem do mesmo… Bjs. Rosângela, São Paulo-SP – fev2006

09- beleza, tava com uma grande inspiração. muito bonita. José Everton de Castro Junior, Brasília-DF – fev2006

10- Vim para dizer que fiquei extremamente apaixonada pelo seu conto AS FOGUEIRAS DE BELTANE… é apaixonante.. fiquei completamente envolvida por ele… Faço faculdade de Historia e a parte dela que mais amo é a Historia Antiga e Medieval.. minhas Pós-Graduações serão nessas áreas.. E como seu conto tem cavaleiros.. Florestas.. e sem contar o fato da “Deusa”, é maravilhoso!!!!!! Caso tenha mais contos, historias ou livro nesse assunto, por favor, não exite em me mandar.. rsrs Estou ficando super fã do seu trabalho e ainda desejo um dia poder te conhecer. Karyne Goulart, Nova Iguaçu-RJ – fev2006

11- Olá… obrigada pela Crônica… foi p mim (rssssssss)??? bjos e é + q linda!!! Rose Gasparetto, São Paulo-SP – fev2006

12- Que qué isso, meu amigo… Arriégua, maxu… Nan.. Chega me deu foi um calor… rsrs. Jéssica Giambarba, Fortaleza-CE – fev2006

13- Fiquei extasiada pelo texto. É muito bonito e especial. Parabéns!!!! Obrigada por me premiar com textos seus. Bjinhos. Mariucha Madureira, Brasília-DF – fev2006

14- Esse seu conto está mesmo lindo! mt mágico, etéreo mesmo. Edilene Barroso, Campinas-SP – mar2006

15- O texto mais lindo que li de uns tempos para cá. Não sei quanto, pode ser um mês ou 10 anos. Muito obrigado. Pedro Camargo, Rio de Janeiro-RJ – mar2006

16- Ler sua inspiração é poder viajar e transceder para uma terceira dimensão,A sua musa inspiradora é no mínimo abençoada pa ra poder gerar tamanha criatividade.Grato sou a existência da internet que me possibilitou chegar até vc e grata te sou por me permitir compartilhar com o fruto do teu ser, através de tuas palavras escritas. Diva, Macapá-AP – mar/2006

17- Oi Ricardo.Cara, tinha que te adicionar depois do conto que li na comunidade”AS Brumas de Avalon”.O que posso dizer?Simplesmente lindo, perfeita descrição da sexualidade como sagrada.Tudo que vc escreve é tão bom assim?rs…Sou psicóloga junguiana, e acho que podemos ter assunto para bons papos.Abraços. Daniela Bernardes, São Paulo-SP – mar2006

18- Acabei de ler “As fogueiras de Beltane” li ,re-li.. perdi a conta de quantas vezes voltei a ler.. igual acontece com “Mulher Selvagem”.É mágico…lindo! Entro no conto.. e sonho 😉 Sei que é pretensão, mas me vejo nos textos…rs (todas nós nos vemos não é?) Bjs. Joana d`Arc, São Bernardo do Campo-SP – mar2006

19- Olá Ricardo, tudo bem? conheci seu trabalho hoje, e me encantei com sua leveza e inteiro envolvimento com a alma feminina e os assuntos da alma, de modo geral. não sei lhe explicar o motivo, mas ao ler seu conto As Fogueiras de Beltane, me invadiu uma “inspiração” em reescrevê-la, se me permites? Como o cavaleiro, narrando esse encontro…

O FOGO DE BELENOS (trecho)
Que o fogo nos aqueça, que o fruto sagrado brote, que a força da vida cresça
Sou o Deus cornudo, meu falo aguça tua terra preparando-a para o plantio, te invado!
Deleite, puro… ó Deusa
Sinto jorrar a luz do meu ser, no chão verde em ti sou o consorte viril, fálico
Exausto, ergo-me lentamente e despeço-me de seus lábios macios e tenros.
O ciclo se fecha, para o recomeço, é a roda da vida!
Que venha a colheita!!!
Assim seja!!!
Angélica Gonçalves, São Paulo-SP – mai2006

20- Olá Ricardo, gostei muito do seu conto “AS fogueiras de Beltane!” Muito bom mesmo! Eu me interessei em ler seu conto por ter uma amiga pagã e ela muitas vezes me explica como eram os rituais. Além disso, já li algumas coisas a respeito. Bom, e foi uma surpresa saber que além do conteúdo interessante, você (o narrador) encarna o espírito feminino de uma forma única. Adorei suas figuras de linguagem, principalmente para descrever “certas” cenas. Um grande abraço! Raquel Souza, Poços de Caldas-MG – out2006

21- nossa que fantástico adorei….. hummmm.. sinto-me vivendo este momento…como uma dança cósmica…o conto me inspira a continuar….o intimo é difícil de explicar..somente um artista sabe expor com clareza… Elaine Simione, São Paulo-SP – mai2007

22- Se você ainda tem muito a aprender não sei, mas está na estrada certa. Impressionante a tua sensibilidade com relação ao sagrado feminino. Digo com certeza que consegue sentir mais até que muitas mulheres que eu conheço. Interessante pro teu livro falar sobre o resgate do sagrado feminino, da harmonia da mulher com suas fases e faces, com seus ciclos e luas. Mas, me diga, e você, quem levaria para as fogueiras de Beltane? Um abraço! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – set2007

23- Adoro esse texto! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – set2011

24- Adoro esse texto! (2) Juliane Surdi  Franco, Chapecó-SC – set2011

25- Adoro esse conto. Alana Alencar Goodwitch, João Pessoa-PB – out2011

26- Juliana Silva Acho que ele é Wiccano *–* Juliana Silva, Salvador-BA – jan2014

27- ah, Ricardo. Eu amo o seu trabalho!!! Sempre que esbarro em um texto desse porte, vou verificar o autor e vejo teu nominho lá. Já não é de hoje!!! Thalita Leal, Osasco-SP – jun2020

AsFogueirasDeBeltane-03a