O amor insano. O amor desafiador do tempo. O amor que descortina as mais absurdas possibilidades do ser. .
Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal? Nesta história, repleta de suspense e reviravoltas, Luca é um músico obcecado pelo controle da vida, e Isadora uma viajante taoista em busca de seu mestre e amante do século 16. A uni-los e desafiá-los, o amor que distorce a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.
> Para adquirir: rkelmer@gmail.com – Instagram: @ricardo_kelmer
DO RESTAURANTE, enquanto tomava café, Luca observava o camping ao lado. A barraca azul estava lá, no mesmo lugar, a alguns metros da sua. Mas Isadora não estava. Moça interessante…, ele pensou. Interessante mas infelizmente maluca. Aquelas ideias de levar a vida sem planos… Então ela estava ali porque sonhara com um cara que não conhecia e que devia encontrá-lo numa praia do Nordeste? E o cara era ele? E aquela história de saltar no abismo? Não. Era muita doidice.
Após o café Luca pegou a trilha, rumando para leste, em direção ao mar. Quando chegou à encosta, o sol já ia alto no céu, a bola de fogo sobre o horizonte impondo-se lentamente dia adentro. Enquanto admirava a paisagem, ele não pôde evitar de se comparar a ela: a Natureza não fazia força alguma para ser o que era, ao passo que sua vida era o oposto…
De repente os gritos de uns garotos o despertaram de seus devaneios. Eles se divertiam no mar, surfando nas ondas com os próprios corpos. Luca ficou olhando para eles, admirado de suas habilidades, os corpos feito pranchas, deslizando firmes na água. Levantou e desceu a encosta, disposto a também se divertir com o mar. Quando chegou, percebeu que as ondas eram maiores que imaginava, mas entrou mesmo assim, escolhendo ficar um pouco distante dos garotos para não atrapalhar.
Na primeira onda que se ergueu à sua frente, faltou-lhe coragem e ele mergulhou para escapar, quase sendo arrastado pelo repuxo. Desistiu também na segunda, com medo. Na terceira, a mesma coisa. Começou a se achar ridículo.
Quando a onda seguinte surgiu, jurou para si mesmo que não desistiria e aguardou sua chegada. Ela veio e, quando chegou, ele deixou-se erguer. A onda ganhou mais força e de repente quebrou. No instante seguinte ele viu-se solto no ar e a imensa massa de água caindo por cima dele. Luca perdeu totalmente o controle do próprio corpo e, submerso, passou a girar e girar, feito um boneco desengonçado. Em certo momento bateu a cabeça na areia e ficou tão zonzo que sequer sabia para que lado estava o céu.
De repente, quando já estava esgotado e respirando água, tudo ficou silencioso e sem dor. Parecia não estar mais na água. Parecia estar fora do tempo. Então ela surgiu bem à sua frente… uma mulher de vestido branco… Era bonita, e olhava silenciosa e compreensiva para ele. Soube instantaneamente que a conhecia de muito tempo atrás, tanto tempo que seria inútil tentar lembrar. Ela lhe estendeu a mão e ele compreendeu que se a aceitasse, todo sofrimento se dissiparia como um sonho ruim do qual se desperta. Tudo que precisava era segurar sua mão, só isso…
Então sentiu agarrarem seus cabelos. Percebeu que o puxavam à superfície. Por um segundo pensou em protestar, em pedir para ficar ali embaixo, mas não teve forças. Foi levado pelos garotos para a areia, onde vomitou e aos poucos melhorou. Eles explicaram que ele não deveria mergulhar sozinho, que aquelas ondas eram muito perigosas. Luca agradeceu e ficou ali, sentado na areia, enquanto os garotos voltaram para o mar e continuaram desafiando com naturalidade as enormes ondas. Como conseguiam controlá-las?
Quando chegou ao camping foi que realmente se deu conta de que quase morrera, que merda. Estava vivo por um triz. Entrou na barraca e sentou-se, assustado, ainda envolvido pelas sensações. Lembrou da alucinação, a mulher de branco – por que ela lhe era tão familiar? E lembrou também que, por um rápido instante, teve em suas mãos a decisão do que aconteceria, que poderia tentar o derradeiro esforço para se salvar ou poderia aceitar a morte.
Não teve tempo de decidir. Mas… e se realmente tivesse tido chance de optar? Prosseguiria lutando, se debatendo e sofrendo até o último instante, ou se deixaria levar, tranquilamente, para longe do sofrimento, junto à mulher de branco?
Levantou, buscando afastar o incômodo que sentia. Não gostava daquelas coisas, a morte, o além… Melhor não contar para ninguém e esquecer o assunto. Então armou a espreguiçadeira e pegou o violão. Um pouco de música para afugentar o além.
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UMA LUA MINGUANTE subia no céu de Tibau do Sul junto com as primeiras estrelas. Em frente à barraca azul uma pequena fogueira crepitava, mantendo afastado o frio da noite. Sobre uma toalha, Isadora arrumava um prato com queijo.
– Faz séculos que não faço um piquenique – disse Luca, chegando com o vinho.
– Aproveita que está em pé e guarda este livro, por favor.
– I Ching, o livro das mutações… – ele disse, pegando o livro das mãos dela e pondo dentro da barraca. – Já ouvi falar.
– É o oráculo do Taoísmo – ela respondeu. – Funciona como um instrumento pra você se investigar psicologicamente, pra captar os movimentos internos e harmonizar com os do mundo.
– Muito místico pro meu gosto.
– Você se concentra numa questão, mexe as varetas ou as moedas, anota os resultados e no fim lê a mensagem. Mas o objetivo de todo taoísta é um dia não precisar mais de oráculo pra conseguir captar os movimentos.
– E pra quem não acredita, como eu, funciona?
– Sempre funciona. Mas talvez você não capte a essência da mensagem.
Luca abriu o vinho e serviu.
– Vamos brindar a quê? – ele perguntou.
– Aos movimentos que nos trouxeram até essa fogueira.
– Boa.
Tocaram os copos e beberam. E ele reparou como ela estava bonita sob a luz bruxuleante da fogueira.
– E a história que você disse que ia me contar?
Ela olhou séria para ele. Em seus olhos Luca pôde ver o reflexo inquieto do fogo, a dança colorida das labaredas… Nesse momento teve uma sensação estranha, um princípio de vertigem. Sentiu-se puxado para dentro de um outro estado de ser, mais leve, mais distante…
– Dois anos atrás comecei a ter um sonho recorrente – ela começou. – Era sempre o mesmo lugar, na Espanha, um povoado pequeno… Parecia fim da Idade Média, século dezesseis, por aí. No sonho tinha uma criança brincando, mas eu nunca via os olhos dela. Esse sonho se repetiu durante meses. Fiz hipnose com uma terapeuta e as imagens vieram mais fortes. Aí eu pude ver os olhos da menina. E me vi neles. E percebi que aquela criança era eu.
– Ora veja – comentou Luca, tentando não transparecer sua incredulidade em relação aqueles assuntos.
– Vi vários fatos da vida dessa menina passarem diante de mim, como num filme. Não só vi, eu vivi. Ou melhor, revivi, sentindo as sensações da menina. Não lembrei tudo, mas lembrei muita coisa dessa vida.
– Como era a menina?
– Ela se chamava Catarina. Era uma adolescente pobre quando se casou com um alemão e foi morar com ele na Alemanha. Ele era um homem rico e ela aprendeu a ser uma dama. Ela tinha tudo pra levar uma vida tranquila e confortável, mas um dia conheceu um missionário português e se apaixonou perdidamente… Enrique, o nome dele. Era jesuíta e conhecia pessoas importantes, viajava por muitos países, sabia outras línguas. E era meio bruxo.
– Como assim?
– Pertencia a uma ordem secreta, essas coisas. Usava os sonhos pra saber o que rolava na Corte, as tramas políticas da Igreja… Ele visitava Catarina nos sonhos e juntos viviam experiências em outros planos da realidade, uma coisa bem louca. Um dia ela fugiu com Enrique. Mas algo deu errado na fuga e ele desapareceu.
– Morreu?
– Não sei. Porque na verdade Catarina nunca soube. Mas é uma curiosidade que eu tenho. É provável que tenha sido preso ou algo assim. Catarina procurou por ele durante anos, de cidade em cidade, mas não encontrou. Nem nos sonhos ele apareceu mais.
– Deve ter arrumado outra.
– Não. Ele a amava demais.
– Esse negócio de amar demais nunca termina bem. Mas e depois?
– Ela… Bem, ela enlouqueceu.
– Enlouqueceu? De verdade?
Isadora demorou a responder. Luca percebeu que ela estava emocionada.
– Sim, ficou louca, de verdade. A falta de Enrique a consumiu até o fim da vida. E ela morreu assim, procurando por ele.
Durante algum tempo ninguém falou nada, e o silêncio que se formou era como uma sombra entre eles. Luca teve vontade de perguntar que interesse ela tinha em lhe contar aquela história, mas sentia que não devia fazê-lo, que era melhor ficar quieto. Em vez disso, perguntou:
– Você lembrou mesmo de tudo isso?
– É mais que lembrar, Luca. Eu vivi de novo.
– E você acredita mesmo que foi essa Catarina?
– Eu não acredito. Eu fui.
Isadora olhou para a fogueira. Apanhou algumas pedrinhas e atirou às chamas.
– E você, Luca? Essa história não lhe diz nada?
– Não acredito em reencarnação.
– E o bruxo português?
– O que é que tem ele?
Ela continuou jogando pedrinhas na fogueira. Luca abriu a boca para repetir a pergunta, mas outra ideia lhe veio.
– Peraí. Você não está achando que eu sou esse Enrique, né?
Ela não respondeu.
– Naquele seu sonho, eu disse isso, que fui Enrique?
– Não. Mas eu reconheci Enrique em você. – Ela virou o rosto, olhando calmamente em seus olhos.
Luca riu, constrangido.
– Foi depois desse sonho que decidi largar tudo. E vim atrás de você.
Ele simplesmente não sabia o que dizer.
– Só que tem algo errado… – ela falou, esforçando-se para sorrir. – Era pra você lembrar também.
Ele respirou fundo, tentando organizar as ideias. Então aquela mulher largara tudo para encontrar alguém de outro tempo, de outra vida, que ela agora procurava nessa vida, viajando pelas praias do Nordeste? E ela achava que ele era o tal alguém? Finalmente estava explicado o comportamento estranho dela, as insinuações… Mas aquilo era uma loucura, uma completa loucura. E era como uma névoa a envolvê-lo…
– Isadora, tenho uma sugestão – ele disse de repente. Precisava se afastar daquele assunto – Vamos ouvir música? Eu trouxe o violão.
Ela fez que sim com a cabeça. Ele levantou, avisou que primeiro iria ao banheiro e saiu, dirigindo-se ao restaurante. Quando retornou, Isadora não estava mais lá. Ele olhou para a barraca azul fechada e suspirou, desanimado.
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LUCA ABRIU UM OLHO, depois outro e finalmente os dois juntos. Ainda estava escuro e fazia um pouco de frio. Ajeitou-se sob o lençol, lembrando a noite anterior, as doidices de Isadora, sua tal vida na Espanha, Catarina, o bruxo português… A insanidade tinha olhos cor de mel.
Súbito, escutou seu nome. A voz de Isadora. Levantou-se e, enrolado no lençol, abriu a barraca. Agora já era dia e chovia fininho.
– Serviço de despertador pro senhor Luca de Luz Neon. Meio-dia.
Isadora sorria à sua frente. Estava ainda mais bela…
– Meio-dia? Caramba, dormi demais.
– Vem.
– Pra onde?
– Passear.
– Com essa chuva aí?
– Claro. Há quanto tempo você não brinca na chuva?
Ele esfregou os olhos, pensando na capacidade que ela tinha de dizer certas coisas como se fossem as mais simples e lógicas do mundo.
Minutos depois seguiam caminhando lado a lado pela estradinha de areia. A chuva caía leve, formando poças e espalhando pelo ar um frescor relaxante. Em pouco tempo estavam ensopados.
– Se eu chegar gripado na gráfica vai ser uma merda.
– Esqueça só por um momento que pode adoecer.
– E eu não comi nada ainda. Acho melhor…
Mas ela já saía correndo à sua frente. Luca apressou o passo, desajeitado, a água escorrendo pelo rosto. Isadora já havia sumido na curva. Ele começou a correr e um chinelo atolou na poça de lama.
– Isadora, me espera!
Então, de repente, ele lembrou que um dia… muito tempo atrás… uma noite… E parou de correr, tomado pela inquietante sensação de já ter vivido aquele momento antes, em algum tempo longínquo, quando? Um déjà-vu. Isadora sumindo na chuva, sumindo… os pingos nos olhos, um trovão ecoando… ele ali parado, ofegante, ela sumindo, ele gritando seu nome… Onde vivera aquela mesma cena, e quando, em que impossível tempo?
Continuou ali, parado sob a chuva, absorvido pela misteriosa sensação. Mas foi por pouco tempo, pois logo dominou-o um angustiante pressentimento de que se não corresse, aquela mulher sumiria de sua vida mais uma vez.
Mais uma vez?
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AINDA CAÍA UM RESTO DE CHUVA quando a noite desceu em Tibau do Sul. No restaurante da pousada, Luca e Isadora tomavam um caldo de peixe, ele saboreando cada pedaço daquele delicioso momento: o gosto do caldo, a chuva, a musiquinha na rádio… Luca sentia a cabeça flutuar leve e os pensamentos vagarem sem critérios. Pela primeira vez naquela viagem sentia-se verdadeiramente descontraído. Os problemas que o esperavam em Fortaleza agora pertenciam a uma distante realidade, e a realidade em que ele estava naquele momento era feita de coisas tão simples…
Ele olhou para Isadora à sua frente, entretida em seu prato, e admirou-se de como ela combinava com o momento, a chuva que caía lá fora, a simplicidade do lugar… Isadora parecia viver num outro patamar de apreensão das coisas, que ele não alcançava. Ela percebia a essência das coisas com naturalidade, enquanto ele precisava de muitíssimo esforço para… ser simples.
Que horas? Talvez algo entre seis e sete, ele calculou mentalmente. Ou oito e nove. Poderia perguntar, mas não, não queria saber do tempo, o tempo já não importava, estar com Isadora era como estar fora dele.
Ela o havia arrancado de seu sono e o levara para conhecer as delícias de uma tarde chuvosa, um velho prazer esquecido de infância. Correram pela estrada, tomaram cachaça e olharam a chuva debaixo de tetos de palha. Riram de velhas piadas e comeram milho assado. E agora estavam ali, tomando caldo de peixe. Um dia perfeito. Como todos os dias deveriam ser.
– Desculpa por ontem, Luca. Não queria que ficasse constrangido com aquela história que contei.
– Você realmente sonhou comigo? – ele perguntou, dividido entre a curiosidade e o receio de retomar aqueles assuntos.
– Podemos falar de outra coisa?
– Claro.
Ele sentiu-se aliviado. Melhor mesmo não falar daquilo. Havia algo ali que o incomodava bastante, algo que ele não sabia precisar.
– Então me fala sobre o Taoísmo, fiquei curioso. É uma religião antiga, né?
– Tem uns cinco mil anos. Há o lado religioso, mas prefiro o filosófico.
– E como é?
– Não vou te contar.
– Por quê?
– Você vai rir.
– Prometo que não rio.
– Ah, pensando bem, é pra rir mesmo.
– Não vou rir, eu juro.
– Filosoficamente falando, o Taoísmo é um modo intuitivo de entender a realidade. Um modo que o jeito ocidental, com toda sua lógica científica, não consegue entender. Dá um nó no pensamento.
– Como seria um modo intuitivo de entender a realidade?
– Captar os movimentos naturais da vida pra agir em harmonia com eles. É isso que o Taoísmo ensina.
– Então um taoísta é alguém ligado à Natureza?
– É alguém que está conectado com o Tao, ou seja, consigo mesmo e com a Natureza, com as verdades simples e naturais. O Tao é a unicidade de tudo que existe, aquilo que liga todas as coisas e liga também o eu ao todo. Se você se harmoniza com o Tao, fica mais simples viver. Mesmo vivendo no ritmo louco da cidade grande, é possível se manter ligado com a mente da Natureza.
– Mente da Natureza? Você andou fumando?
– Não – ela respondeu, rindo. – Deixa ver se consigo explicar. A Natureza é a vida, e a vida tem seus movimentos, suas estações. É essa conexão com o natural que guia o taoísta por entre todo o caos. Sabe quando a gente se apega demais a uma coisa? Isso é antinatural. Porque aquela coisa se transforma o tempo todo e a gente continua apegado a algo que não existe mais. O que não muda, apodrece. Esse dinamismo também é o Tao.
– O Tao seria um deus?
– O Tao não é uma entidade personalizada como os deuses das religiões. É algo impessoal, que não tem vontade nem tem moral. O Tao já é a própria ação da vida, o fluxo natural da realidade.
– Não sei se entendi.
– É porque não dá pra explicar o Tao. Só dá pra intuir.
– Aliás, sinceramente, nem sei o que tem pra entender nisso aí.
– Quem pergunta sobre o Tao não o imagina. E quem responde não o conhece.
– Estar em harmonia com as coisas… Isso me cheira a uma certa passividade, não?
– Pelo contrário. Captar o fluxo do Tao é um difícil trabalho interno, uma alquimia interior. Mas depois que consegue, você se ajusta às forças naturais da vida e se torna um com tudo que existe.
– E se eu quiser ir contra o Tao?
– Vai viver cansado.
Viver cansado… Luca escutou o eco daquelas incômodas palavras.
– Quem é uno com o Tao não precisa fazer nada. E, no entanto… nada deixa por fazer.
– Mas isso é contraditório.
– Eu não disse? Dá um nó no pensamento.
– Tao tem tradução?
– O ideograma chinês que corresponde ao Tao é feito de pé mais cabeça. O caminho, o sentido.
– Pra mim está mais pra “sem pé nem cabeça”… – ele falou e riu. – Ops, desculpa.
– Não faz mal, pode rir – ela disse, rindo também. – Se não houvesse gargalhadas, não seria o Tao.
Ele terminou de tomar o caldo e ficou olhando para ela, se deliciando com o que via: os olhos cor de mel, o cabelo molhado, a boca bem torneada, os seios se insinuando por baixo da camiseta… e maluca, deliciosamente maluca.
De repente ela ergueu o rosto e seu olhar interceptou o dele. Ele sentiu-se flagrado em seu desejo sexual.
– Pensando em quê, Luca de Luz Neon?
– Ahn… nada.
– Eu sei. Quer que eu diga?
Ele fez que sim com a cabeça. Ela tomou a última colher do caldo, limpou a boca e falou, naturalmente:
– Nos meus peitos.
Ele não acreditou no que escutou.
– E, se quer saber, eu estava a-do-ran-do…
Primeiro foi o olhar de idiota dele. Depois foram as mãos, apertando-se sobre a mesa. Depois as bocas, o beijo ávido, o inadiável encontro das línguas. Depois a conta paga com urgência, obrigado, pode ficar com o troco, o último gole apressado de cerveja, o caminho de volta para a barraca, correndo, debaixo de chuva…
Chegaram ofegantes e enlameados. Entraram na barraca dele e ajoelharam-se um de frente para o outro. Ela suspendeu a camiseta, lhe exibindo os seios, e sussurrou:
– Vem.
Ele se lançou sobre os seios daquela mulher com todas as mãos e bocas e línguas que possuía, como se fossem mangas maduras e suculentas e ele um miserável esfomeado. Ela agarrou sua cabeça e o puxou para si, enquanto arrancavam o que tivessem de roupa e rolavam, quase derrubando a barraca. Depois ela pôs-se por cima, prendeu seus braços e o cavalgou, subindo e descendo, subindo e descendo…
Luca fechou os olhos, em êxtase. Sentia-se envolvido pelas sensações de uma forma como nunca antes havia sentido. O olhar meio hipnótico de Isadora, a maciez da pele, o cheiro gostoso, o som musical de seus gemidos, o sabor irresistível de seu beijo… Tudo nela era bom demais, como podia ser tão bom? E tudo o envolvia de tal modo que pela primeira vez ele fazia sexo sem pensar exatamente no que fazia. Em vez de racionalizar, simplesmente fechou os olhos e deixou-se levar pelas sensações… a sensação de compartilhar seu corpo… a sensação de que algo o engolia… em sucções contínuas… ritmadas… o engolia…
De repente, a explosão. Num segundo seus pedaços foram lançados para todos os lados numa velocidade impensável, milhões de fragmentos expelidos para o Cosmos sem fim. Então, enfraquecido pelo esforço, sentiu que deixava de existir, lentamente, diminuindo, apagando, morrendo… Para sempre.
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PRIMEIRO UM OLHO. Depois o outro. Luca mexeu-se sob o lençol, lembrando de Isadora, o passeio na chuva, a transa na barraca… A transa mais louca e mais maravilhosa de toda sua vida.
Então olhou para o lado e não viu Isadora. Teve um mau pressentimento. Levantou rapidamente e saiu. E lá fora, sob a luz clara do dia, não viu a barraca azul, nem sinal dela. Ficou parado, sem saber o que concluir. Novamente sentiu a vertigem, uma sensação estranha de estar escorregando para dentro de um sonho… Por um instante foi tomado por um medo terrível de que Isadora jamais houvesse existido.
Pôs o óculos escuro, correu até o restaurante e lá perguntou pela moça da barraca azul. Ela já havia ido embora, respondeu um dos filhos de dona Zezé. Ele sentou-se, triste por não estar com Isadora, mas aliviado por constatar que ela realmente existia, que tudo acontecera de verdade. Pediu um café forte e foi sentar-se à entrada do restaurante. Enquanto tomava o café, olhou para o camping, para a barraca azul que não mais estava lá, e de repente a ausência de Isadora era um imenso e eterno vazio em sua alma. Que estranha sensação… Como era possível que algo que três dias antes sequer existia pudesse agora encher o seu ser de um vazio sem fim?
Quando chegou de volta à barraca foi que percebeu o papel dobrado sobre o lençol:
. Te encontrei. Agora não há mais retorno. Salte no abismo. .
Uma hora depois, após desarmar a barraca e pagar sua conta, ele caminhava pela estradinha de areia em direção à rua onde pegaria o ônibus que o levaria para Natal, onde tomaria outro ônibus para Fortaleza. Nesse instante, uma pequena cobra marrom surgiu à frente, cruzando lentamente a estradinha. Ele estancou e recuou um passo. Não gostava de cobras, elas lhe faziam lembrar a morte, a morte que quase o levara no mar de Tibau do Sul. A cobra também parou e por alguns segundos ficou ali, olhando para ele. E depois seguiu seu caminho, sumindo mato adentro. Luca se certificou que não havia perigo e prosseguiu, imaginando o pesadelo que seria despertar à noite com uma cobra dentro da barraca.
– Mas bem pior seria despertar dentro da cobra… – brincou.
No ônibus, ele leu o bilhete pela décima vez. Saltar no abismo. Que abismo?
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(continua)
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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com
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O amor insano. O amor desafiador do tempo. O amor que descortina as mais absurdas possibilidades do ser.
Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal? Nesta história, repleta de suspense e reviravoltas, Luca é um músico obcecado pelo controle da vida, e Isadora uma viajante taoista em busca de seu mestre e amante do século 16. A uni-los e desafiá-los, o amor que distorce a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.
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LUCA DESPERTOU ASSUSTADO. Sonhara com um abismo, imenso e escuro, bem à sua frente, um abismo aterrorizante… Esfregou os olhos e soltou um longo bocejo enquanto esticava as pernas sob a poltrona da frente. Olhou pela janela do ônibus e viu a paisagem passando, a vegetação próxima, as casinhas simples à beira da estrada, uma serra mais adiante… Felizmente não havia abismos por ali, ele pensou, aliviado.
Mais um pouco e estaria em Pipa, a famosa praia no litoral sul do Rio Grande do Norte. Fazia seis meses, desde quando acertara a folga com a gráfica, que sonhava com aquela viagem. Agora tudo que faria pelos quatro dias seguintes, até domingo, seria descansar a cabeça e esquecer dos problemas em Fortaleza. Sozinho. Sem relógio, sem celular e sem internet.
Na verdade, levara o celular, sim. Com acesso à internet. Mas, como ele mesmo se prometera, era só para conferir se alguma garota havia deixado um recado urgente, nada mais. E também para ver se um amigo depositara em sua conta a grana que lhe devia. Ah, e também para acompanhar a venda de ingressos para o próximo show da Bluz Neon, a sua banda, isso era muito importante. Pequenos cuidados, só isso, para que a vida não saísse do controle.
Pelo reflexo da janela pôde ver seu rosto, o cabelo assanhado, a expressão sonolenta… Viu a cicatriz na face direita e lembrou do acidente, o passeio de jangada, o rosto batendo forte no mastro, ainda era adolescente. Tudo porque queria impressionar uma garota. Amar era mesmo um perigo.
No fim da tarde, poucos quilômetros antes de Pipa, o ônibus passou por uma cidadezinha e, do alto da encosta, Luca gostou do que viu. À sua esquerda, lá embaixo, se espalhava uma grande lagoa, que mais à frente se transformava em rio e corria suave para o mar. Além da lagoa, por sobre a copa das árvores, o sol se punha devagar, salpicando a água de reflexos que se misturavam aos botos que saltavam.
Encantado com a paisagem, Luca sentiu seu olhar capturado por aquela beleza poética, quase musical…
– Que cidade é esta? – perguntou à senhora da poltrona vizinha.
– Tibau do Sul. É uma antiga vila de pescadores.
Luca lembrou do que os amigos falavam sobre Pipa, as praias lindas, as pousadas, o agito dos barzinhos, gente do mundo todo. No entanto, aquela paisagem…
Levantou da poltrona, foi até a cabine do motorista e pediu que ele parasse o ônibus. Mudara de ideia. Ficaria em Tibau do Sul.
Mochila às costas e violão debaixo do braço, ele caminhou de volta pela estrada e, à entrada da cidade, seguiu em direção ao mar, até a beira da encosta, onde havia um barzinho de estilo rústico. Escolheu uma mesa sob a palhoça, pediu uma dose de cachaça e sentou, deliciando-se com a brisa marinha e o cheiro da maresia. Havia um barco ancorado e um bando de gaivotas brincava no céu. A luz do fim de tarde banhava a paisagem de uma atmosfera meio onírica, e de repente ele sentiu-se fora do tempo, tudo ao seu redor flutuando feito um pedaço de terra que se solta do continente da realidade…
Foi nesse momento, feito uma ânsia, que a canção quis sair. Não apenas queria, ela precisava sair. Rapidamente, ele puxou o violão e… a música não saiu. Tentou vários acordes, mas nenhum deles conseguiu expressar devidamente a alma daquele instante. Outra hora talvez, ele pensou, levemente frustrado, encostando o violão. E virou de um gole a bebida.
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JÁ ERA NOITE QUANDO Luca alcançou o camping, um pequeno espaço arborizado próximo ao rio que a dona do terreno, dona Zezé, uma senhora divorciada, alugava para campistas. Ao lado ficavam sua casa, uma pequena pousada e o restaurante, tudo muito simples. Como não estavam na alta estação e nem era feriado, a pousada estava vazia, e no camping havia apenas uma barraca azul e nenhuma outra mais.
– Embaixo daquela mangueira é um lugarzinho bom pra você ficar, faz muita sombra – sugeriu dona Zezé. – Mas antes não quer comer alguma coisa? Você tá muito magro.
– Eu venho depois, obrigado.
Em poucos minutos Luca armou a barraca e trocou de roupa. Poucos passos para o norte e estaria à beira da encosta, o rio alguns metros lá embaixo esperando-o para um banho. Melhor impossível. Mas o banho ficaria para o dia seguinte, estava muito cansado.
No restaurante ele comeu um sanduíche com refrigerante, conversou mais um pouco com dona Zezé e conheceu seus dois filhos adolescentes, que moravam com ela e a ajudavam a administrar o negócio. Depois voltou à barraca e deitou. O sono, porém, não veio rapidamente como ele queria. A simplicidade e a beleza daquele lugar, em vez de relaxá-lo, de repente lhe trouxeram muitos pensamentos…
Por que a vida não era mais fácil de ser vivida?, ele se indagou. Em vez disso, era preciso estar sempre atento para que a vida não fugisse do controle, sempre esperto para que a mão traiçoeira do destino não se metesse em suas chances de ser feliz. Por quê?
Um contínuo e angustiante esforço de se estabilizar e economizar dinheiro – era a isso que se resumira sua vida. Quando tinha dezoito anos e cursava a faculdade de Administração, imaginava que logo estaria numa situação tranquila, sem afobações financeiras. Mas o futuro aconteceu diferente. Após empregar-se numa gráfica, abandonou a faculdade e passou a se dedicar mais ao violão, um velho prazer da adolescência. Tinha agora vinte e oito anos e tudo continuava difícil e empacado.
Dois anos antes ainda morava com a mãe, dona Glória, e a irmã Celina, que namorava o baterista de sua banda. O pai morrera quando eles eram bem pequenos e a mãe não casara novamente. Agora o emprego de gerente na gráfica lhe garantia o aluguel da quitinete, onde morava sozinho. Meia dúzia de shows por mês ajudavam a manter a duras penas o velho fusca, a comprar comida, pagar as contas, tomar uns uísques e pronto, só isso. As despesas eram medidas e contadas e recontadas nos mínimos detalhes, um sufoco permanente. Dona Glória já desistira de aconselhar o filho a tentar concurso público e se casar. Ser gerente de gráfica, dizia ele, era o máximo de concessão que podia fazer. E quanto a casamento…
– Tô fora, mãe. O amor descontrola muito a vida da gente.
Sentia-se muito cansado. A sensação era de que, apesar de todos os esforços dos últimos anos, continuava andando em círculos, girando sobre o mesmo ponto, sempre girando, sempre…
Olhou para o violão deitado ao lado. Pelo menos havia a música. E a banda. Dois anos antes conhecera Junior Rível, que o convidou a cantar na banda que estava montando. Inseguro, hesitou em aceitar.
– Não tem o que pensar, cidadão – insistiu Junior. – Muito show, muito uísque. E muita mulher!
Argumento irresistível.
– Topado – respondeu Luca, apertando a mão do novo amigo. – Festa é o que nos resta nessa vida.
– Opa. Isso dá um blues.
Nascia assim a amizade entre Luca e Junior Rível. E nascia também a Bluz Neon. Festa é o que nos resta – era o lema da banda. Blues, rock e irreverência na noite de Fortaleza. Os cachês eram baixos e muitas vezes se apresentavam de graça, mas o prazer de tocar compensava tudo. E para Luca, a Bluz Neon era o refúgio perfeito, onde podia se esconder da claridade traiçoeira dos dias. À noite ele estava a salvo, tudo sob perfeito controle. A noite sim, era segura, com seus bares, uísques e amores sob controle. Era como um sonho bom. O único defeito era que no outro dia ele sempre tinha que acordar. .
Teus olhos se acendem nos neons
É o frisson de bar em bar
É preciso ser feliz, é urgente
Um romance caliente
Antes do dia nos lembrar
Que o sonho não resiste à luz solar
.
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NO DIA SEGUINTE Luca levantou tarde, sentindo-se ainda cansado. Demorara bastante a adormecer, envolto em seus mil pensamentos. Será que nem ali, naquele paraíso, conseguiria relaxar de verdade?
Fazia uma manhã de sol claro em Tibau do Sul. Luca pôs o óculos escuro, deixou a barraca e foi ao restaurante da pousada tomar café. Mais tarde, após um demorado banho de rio, ele voltou ao camping. Sentia-se mais disposto. Qual fora a última vez em que entrara num rio? Nem lembrava. Mas precisava fazer aquilo mais vezes.
Após trocar de roupa, dirigiu-se ao restaurante para almoçar. Foi nesse momento que ela surgiu.
– Oi…
Ele virou-se e viu uma garota. Era bonita e aparentava a mesma idade que ele. Usava short jeans, camiseta e sandália.
– Oi – ele respondeu, simpático.
– Sou sua vizinha de barraca. Isadora.
– Prazer. Luca.
– Luca… – ela repetiu, experimentando o nome em sua boca. – Luca…
Ela riu, mantendo nele o olhar. Está tão diferente…, pensou, reparando em seu corpo magro, o cabelo despenteado, a cicatriz na face…
– Está sozinho?
– Agora não estou mais.
– Que bom! Já almoçou?
– Não. Minha vizinha me daria a honra? – Ele brincou de fazer um galanteio, como se tirasse um chapéu da cabeça.
– Hummm… Como recusar?
No restaurante, ele sugeriu moqueca de peixe e ela aceitou. Luca percebeu que ela tinha belos olhos cor de mel. Percebeu também que ela o olhava de um modo estranho e sentiu-se incomodado. A cerveja chegou e ele sugeriu um brinde:
– Aos encontros.
– Encontros, não – ela corrigiu. – Reencontros.
Reencontros? Ele não entendeu, mas deixou para lá. E bebeu. Ela quis saber de onde ele era e ele respondeu que morava em Fortaleza.
– Fortaleza… Um dia vou conhecer. E o que você faz?
– Trabalho numa gráfica, mas meu negócio é música. Tenho uma banda, a Bluz Neon.
– O que vocês tocam?
– Blues, rock e o que der na telha futebol clube.
– Deve ser bem legal. Eu sou de São Paulo. Conhece?
– Não. Mas você não tem muito sotaque.
– É que morei em vários lugares quando era pequena. Peguei gosto por viagem. Me sinto cidadã do mundo, sabe?
– Não tem medo de viajar sozinha?
– Claro que não.
– Se precisar, tem uma lan house na entrada da cidade.
– Ah, não, nada de computador nessa viagem. Não trouxe nem o celular.
– Sério? Por quê?
– Digamos que eu… preciso me conectar mais comigo mesma.
– Sei – ele respondeu, sem ter certeza se realmente sabia. Como alguém podia viajar sem levar o celular? – E o que você faz em São Paulo?
– Trabalhava num banco. Mas pedi as contas pra poder fazer essa viagem. Faz um mês que viajo pelo litoral nordestino.
Bonita e interessante, Luca pensou, enquanto tomava um longo gole de cerveja. Mas por que o olhava daquele jeito estranho?
– Posso perguntar uma coisa, Isadora?
– Claro.
– Por que você está me olhando assim?
– Ahn… é que você… você me lembra alguém.
– Quem?
Ela girou o copo entre os dedos, nervosa.
– E você, não tem a impressão que também me conhece?
– Por quê? A gente se conhece?
Ela sorriu e novamente não respondeu. Luca achou melhor não insistir, talvez ele a fizesse lembrar de alguém que ela não queria lembrar, é, talvez fosse isso.
– Nossa moqueca chegou – ele avisou, mostrando o garoto que se aproximava com a bandeja.
Serviram-se e comeram. Luca pediu outra cerveja, animado. Segundo dia e um almoço com uma gata daquele naipe… Nada mal. Cervejinha, barracas vizinhas… Nada mal mesmo.
– Você por acaso já viveu na Espanha, Luca?
– Não. Por quê?
– Tem certeza?
– Claro. Mas por quê? Você morou lá?
E de novo ela não respondeu. Em vez disso, sorriu desconcertada e olhou para fora do restaurante. Ele continuava intrigado. Ela o confundia com outro, devia ser isso. Mas que era uma gracinha, ah, isso era.
– E daqui você vai pra onde, Isadora?
– Por aí. Sem planos.
– Sem planos? Caramba, você deve ser uma pessoa bem otimista.
– Claro. No final tudo sempre dá certo.
– Admiro essa sua confiança na vida.
– E por que eu iria desconfiar dela?
– Pelo simples fato de que se você não planejar e se precaver, as coisas saem do controle. Não acha?
Ela riu como se ele houvesse contado uma boa piada, e respondeu:
– Você sabe quando é que começamos a ter controle sobre as coisas?
– Não. Mas é o tipo da coisa que eu gostaria muitíssimo de saber.
– É quando abdicamos de ter controle sobre elas.
Luca pensou um pouco, buscando compreender. Mas desistiu.
– Não entendi.
– Ora… Se não há tentativa de controle, como as coisas vão sair do controle?
– Ah… – Luca riu, achando que era uma brincadeira. Mas logo percebeu que não era.
– Você está falando sério?
– Claro que sim.
Lógica perfeita…, ele pensou. Mas absurda demais para ser levada a sério. As suas coisas, por exemplo, de que modo se ajeitariam por si próprias? O trabalho, a banda, o aluguel do apartamento, a manutenção do carro… E os casos amorosos? Como tudo isso se resolveria por si só? Não, definitivamente não era possível. A vida era uma grande boiada e era preciso domá-la o tempo todo. O que Isadora propunha não passava de um mero romantismo. No entanto, tinha de admitir que, vindo dela, aqueles absurdos até que possuíam um certo charme…
Após o almoço pegaram um ônibus e seguiram para Pipa, onde passearam, conheceram as pousadas e as lojinhas e tomaram sorvete na pracinha. Isadora contou das praias que conheceu naqueles dias, o quanto se sentia em casa em todos os lugares e como se aproximava mais de si mesma assim, solta pelo mundo.
– E você, Luca? Gosta de viajar também?
– Gosto. Mas não assim como você.
– Tem medo de se perder?
– Acho que eu gosto mais da segurança da minha cidade. Lá eu sei me mover bem.
– Entendi. E essa cicatriz aí?
– Lembrancinha de um passeio de jangada. Fizemos um blues pra ela. Quer ouvir?
Ela respondeu que sim e ele cantou:
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Amar é um perigo
Só eu sei o que eu passei
Nesse abismo deu vertigem
E a angústia não se desfez
Não quero a dor de mais um bis
Depois só resta a cicatriz
Só não me peça, beibe
Não me peça pra te amar .
– Você teve uma decepção amorosa muito forte? – ela quis saber.
– Tive. Mas já faz tempo.
– Até esses sofrimentos têm seu lado positivo.
– Claro que têm. Depois disso fiquei vacinado.
– Como assim? Não quer mais amar novamente?
– Prefiro não me arriscar. Amar é um perigo.
– É mesmo! – Ela riu. – O melhor perigo do mundo.
Luca riu também. Mas não concordava, é claro.
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CHEGANDO AO CAMPING, de volta ao camping em Tibau do Sul, Luca perguntou se Isadora gostaria de beber algo, ele tinha um vinho na barraca.
– Preciso te dizer uma coisa, Luca.
– O quê?
– Eu sonhei com você.
– Comigo? Quando?
– Seis meses atrás.
– Mas a gente nem se conhecia…
– Era você.
– Sério? Era eu mesmo, assim como você me vê agora?
– Não, sua imagem não era muito nítida. Mas era você.
– Não entendo. Como pode uma coisa dessa?
– Mistérios da vida. E você?
– Eu o quê?
– Nunca sonhou comigo?
Eu adoraria dizer que sim, beibe… – ele quase respondeu.
– Não.
Isadora sorriu sem graça, desapontada.
– No sonho que eu tive, você me pedia pra gente se encontrar nessa praia.
– Você realmente está falando sério?
– Estou. Eu lembrei de tudo quando acordei, só não sabia qual era a praia. Mas sabia que ficava nessa região. E que havia um rio. Aí, na semana passada, quando cheguei em Tibau do Sul, senti que seria aqui que eu encontraria você.
O que significava aquilo?, pensou Luca, coçando a cicatriz no rosto, cada vez mais intrigado. Seria uma cantada? Se fosse, então era bem original.
– Você disse mais uma coisa no sonho.
– O quê?
– Que eu precisava te ajudar.
– Ajudar em quê?
– A saltar no abismo.
– Que abismo?!
– Não sei. Foi o que você disse. Então aqui estou.
– Juro que não sei de nenhum abismo – ele respondeu. E de repente lembrou… lembrou vagamente de um sonho… Sonhara com um abismo aqueles dias. Sim, um abismo… escuro… ameaçador…
Coincidência, ele pensou, livrando-se da lembrança incômoda. Apenas coincidência.
– Não sabe mesmo? – ela perguntou novamente.
– E mesmo que soubesse, quero distância de abismo. Não gosto deles.
Ele queimava os neurônios, procurando entender tudo aquilo… Ela devia estar brincando, devia ser isso, uma brincadeira. Ou então não batia bem da cabeça. Seria louca?
– Se você realmente veio de tão longe por causa de um sonho… Então o que aconteceria se eu não aparecesse?
– Bem… Na verdade eu não quis pensar muito nisso.
– Acho que devia ter pensado.
– E você devia ter lembrado de mim.
Ele percebeu uma certa irritação no tom da frase. Isadora olhava para o céu estrelado e torcia as mãos, impaciente.
– Desculpa, Luca, não quis ser grosseira – ela falou, voltando-se para ele. – É que eu… estou confusa. Eu achava que você… que você também lembraria.
– Foi só um sonho, uma coincidência.
– Não pode ter sido só isso – ela respondeu, quase interrompendo-o. E prosseguiu sussurrando, mais para si mesma que para ele: – Não pode…
Luca sentia-se meio perdido, sem saber o que deduzir de tudo aquilo. Como alguém podia sonhar com uma pessoa que não conhece e sair por aí em busca dela, sem qualquer garantia de encontrá-la? Isso era tão absurdo, tão inconcebível… Ela não podia estar falando sério. Mas também não parecia estar brincando. Só havia uma explicação: era louca. E com loucos não se podia argumentar.
– Escuta, por que a gente não esquece esse assunto e toma um vinho? Você gosta de…
– Você acredita em vidas passadas, Luca? – ela o interrompeu.
– Vidas passadas? Por quê?
– Acredita ou não?
Ele pensou rápido. Não acreditava, claro, impossível acreditar naquelas bobagens. Mas e se o sucesso da noite estivesse nas mãos de uma boa resposta?
– Depende.
– De quê?
– Depende do dia.
– Sei. E como estará seu dia amanhã?
– Amanhã… Acho que é um bom dia pra se acreditar em tudo.
– Ótimo. Porque tenho uma história bem louca pra te contar.
– Por que não conta hoje?
– Porque… – Ela pensou um pouco. – Porque eu é que não estou num bom dia pra acreditar em tudo.
Enquanto ele procurava algo para dizer, ela abriu a barraca e entrou.
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Sexo e chocolate. Para muita gente, as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina, era bem mais que isso…
A TORTA DE CHOCOLATE
. Foi em sua festa de aniversário de dez anos. Celina havia distribuído os pedaços da torta de chocolate entre os parentes e amigos e agora comia feliz o seu pedaço. Ela sentiu a torta se desmanchando na boca, o doce meio amargo do chocolate, a saliva se misturando à torta, envolvendo, dissolvendo…
Muitas outras vezes sentira aquela mesma sensação maravilhosa, aquele mesmo deixar-se flutuar pelos céus do sabor, o prazer incomparável… Mas dessa vez foi diferente. Houve uma outra sensação, que surgiu como uma onda suave, nascendo em algum lugar indefinido do corpo e avançando por todos os lados ao mesmo tempo, uma onda trazendo outra atrás dela, várias ondas que se espalham e vão se espalhando, invadindo, preenchendo, assustando, enquanto o coração se acelera, a respiração fica ofegante…
Foi ali mesmo na sala, em pé ao lado da mesa e em frente a todo mundo, ali mesmo, saboreando o último pedaço da torta de chocolate, que Celina teve o primeiro orgasmo de sua vida.
O que começou naquele dia, aos dez anos, prosseguiu naturalmente, fazendo Celina experimentar orgasmos sempre que comia uma saborosa torta de chocolate. Nesse instante, a experiência se repetia e ela se sentia misturar ao próprio pedaço de torta que comia, o chocolate irresistível, a saliva tomando sua boca inteira, o coração a bater forte, aquele calor interior, a vista escurecendo, as pernas fraquejando…
Foram muitas tortas maravilhosas, incontáveis. Algumas, porém, se tornaram inesquecíveis. Aquela do aniversário, por exemplo, era a mais cara da padaria do seo Nuno, tanto que o pai só comprava em datas especiais. Mas às vezes ele cedia à insistência da filha e chegava do trabalho trazendo a surpresa mais que aguardada, que serviria de sobremesa para os jantares seguintes. O primeiro pedaço Celina comia na mesa, junto com o pai e a mãe, mas sempre de forma contida. Era o segundo pedaço o especial, esse sim, que ela comia de madrugada, os pais já dormindo. A menina Celina caminhava silenciosamente até a geladeira, de camisola e pantufas de coelhinho, pegava um grande pedaço e se trancava com ele no quarto, e lá, deitadinha na cama, afastava as bonecas de pano e, esquecida do mundo e de si mesma, entre doces murmúrios de languidez, deliciava-se entre seus múltiplos orgasmos de chocolate.
Depois, na adolescência, Celina conheceu outras tortas, como a do novo colégio, que tinha pedaços de morango, era uma delícia, mas que precisava comer trancada num boxe do banheiro para poder gozar sossegada. Mais tarde, conheceu a do café do Cine Gazeta, uma torta divina, com uva e leite condensado, que por semanas seguidas lhe proporcionou públicos orgasmos após a sessão de arte, ela sentadinha na mesa do canto, ao lado dos pôsteres dos filmes, sozinha, as coxas roçando uma na outra por baixo da mesa, os olhinhos revirados por trás do óculos escuro.
Um dia, conversando com uma amiga da faculdade de publicidade, contou que sentia prazer quando transava, sim, mas que não se comparava ao prazer que lhe davam suas tortas queridas. Aquilo era normal? Teria ela algum distúrbio sexual? A amiga riu muito e lhe sugeriu ir a uma sex shop.
Dias depois, Celina chegou em casa com uma caixinha comprida de papelão, embrulhada para presente, que guardou no congelador da geladeira. À noite, após tomar banho, trancou-se no quarto e pôs uma musiquinha suave para tocar. Depois penteou-se vagarosamente diante do espelho e tirou a roupa. Ajoelhada sobre a cama, abriu a caixinha e desembrulhou do papel alumínio um pau todo de chocolate, maciço, ainda gelado, vinte centímetros de comprimento, cinco de espessura.
Durante algum tempo ela não conseguiu deixar de olhar para o objeto marrom em sua mão. Era lindo, perfeito, imponente… e absolutamente irresistível. Deu-lhe uma leve lambida com a ponta da língua e o gosto do chocolate fez seu corpo inteiro se arrepiar. Depois lambeu a partir da base, a língua percorrendo devagarinho toda a extensão do objeto, até chegar à cabeça, que pôs inteira na boca, detonando uma explosão de saliva.
Então deitou-se e abriu as pernas. E segundos depois o pau de chocolate estava todo dentro de sua buceta, indo e vindo, derretendo-se, misturando-se aos seus fluidos… E quando o gozo chegou, ela retirou o pau dentro de si e levou à boca, e comeu com sofreguidão, enquanto novas ondas de prazer surgiam dentro dela, uma após outra, e outra de novo, e quando tudo terminou, Celina só teve forças para virar de lado e adormecer, vencida pelos tantos orgasmos, o corpo, o cabelo, o lençol, tudo lambuzado de chocolate.
Um pau de chocolate era delicioso. Mas não era uma torta de chocolate. Pena que não existiam paus de torta de chocolate, lamentava-se Celina.
Um dia, veio-lhe a revelação. Foi enquanto comia um pedaço de torta na confeitaria. No momento em que sentia a torta se desmanchando na boca, ela pensou em como se sentiria a torta naquele exatíssimo instante. Como seria ser cortada, estripada, dilacerada e depois devorada, sem compaixão, inteiramente devorada, até o último pedaço, devorada até que nada mais restasse?
A partir daí, por várias vezes julgou ter chegado bem perto da resposta, da sensação exata, quase pôde sentir o que a torta sentia, quase… Mas no último instante algo sempre lhe escapava, como um gosto que se perde na boca e não mais se encontra.
Até que um dia teve a ideia. Uma ideia perfeita. Mas que necessitava de um plano igualmente perfeito. E ela começou a arquitetar seu plano, passo a passo, com muita paciência.
Primeiro, entrou numa comunidade virtual de adoradores de torta de chocolate. Conheceu lá muitas outras pessoas que, como ela, sabiam exatamente o que vinha a ser esse louco arrebatamento provocado por um pedaço de torta de chocolate se desfazendo na boca. Ali na comunidade, as experiências eram todas compartilhadas, e Celina aprendeu novas receitas e soube de outros lugares onde poderia degustar uma boa torta.
Como a associação entre chocolate e prazer sexual era um tema recorrente nas conversas, foi fácil para ela pesquisar sem revelar sua estranha condição e chegar à conclusão da qual já desconfiava: somente ela era capaz de ter orgasmos apenas comendo um pedaço de torta. Celina adorou saber disso. Decididamente, era uma mulher muito especial.
Mas não era essa constatação o objetivo principal do plano.
Meses depois, participou do encontro da comunidade, num piquenique realizado no parque da cidade. Lá, conheceu pessoalmente vários membros do grupo, fez amizades e, é claro, provou de todas as tortas levadas pelos novos amigos, todas deliciosas, sim, e em vários momentos Celina precisou de boa dose de autocontrole para não gozar ali mesmo, sentada na grama do parque, entre uma dúzia de pessoas que acabara de conhecer. Preferiu manter seu segredo.
O dia marcado para a execução da parte final do plano foi um sábado, seis meses após seu ingresso na comunidade. Uma estratégica espera de seis meses.
Os convidados chegaram em seu apartamento no fim da tarde e Celina os recebeu com alegre hospitalidade. Eram três homens, os três que ela escolhera, com cuidado e paciência, após tê-los conhecido pessoalmente nos encontros da comunidade. Os três mais interessantes.
Ela serviu suco e refrigerante e avisou que a torta que ela mesmo preparara seria servida após o filme. Dito isso, ligou o DVD e começaram a ver um documentário sobre… tortas de chocolate, claro, que mostrava a história da iguaria, suas variadas versões, as receitas, os clubes de amantes de tortas de chocolate e até os torneios que eram realizados para eleger as melhores tortas do mundo.
Quando o filme terminou, Celina podia escutar o som da saliva estalando na boca dos convidados: como ela calculara, já estavam todos famintos. Um deles perguntou sobre a torta e ela pediu um pouco mais de paciência, pois queria mostrar um outro filme, este sobre o preparo da torta vencedora do último concurso realizado. E assim, por mais uma hora, os convidados de Celina assistiram a um bombardeio de cenas de torta de chocolate, e a cada imagem ela podia escutar os suspiros de absoluto encanto dos três homens.
Quando terminou, ela acendeu a luz da sala e viu no rosto de todos eles o mais puro e genuíno olhar da fome. Celina sorriu por dentro: estavam no ponto.
Então pediu que ficassem ali na sala, que num minuto ela os chamaria para finalmente comer. E eles obedeceram, esfregando as mãos, lambendo os lábios, salivando…
Quando a voz de Celina os chamou, os três homens se dirigiram à cozinha, mas quando lá chegaram, nada viram. Onde estava a torta? E Celina, para onde fora?
Aqui! – era a voz dela, e vinha do quarto. Eles riram da brincadeira da amiga e foram para lá. E quando chegaram, viram algo incrível. A luz do quarto estava apagada, e do banheiro vinha uma fraca luz que envolvia de penumbra o ambiente. E na cama, sobre o lençol branco, repousava… uma imensa torta de chocolate, de três níveis, uma de chocolate preto, outra de chocolate branco e outra de brigadeiro com uvas vermelhas e chantilly.
Durante algum tempo, eles ali ficaram, em pé à entrada do quarto, olhando para o inacreditável objeto disposto sobre a cama. Não havia qualquer dúvida: era a torta mais linda, mais inconcebivelmente perfeita que jamais veriam em toda a vida. Foi quando, de repente, a silhueta de alguém surgiu no vão da porta do banheiro. Era Celina. Nua. Inteiramente nua.
Ela manteve-se lá por um longo minuto, enquanto passeava a mão pelo próprio corpo, acariciando-se languidamente. Depois saiu caminhando, passou bem perto dos três homens e deu a volta na cama, parando do outro lado. E eles continuaram do mesmo jeito, imóveis, sem sequer piscar o olho.
Celina subiu na cama e, de pé, posicionou-se de costas para eles, as mãos na cintura. Depois pôs um pé de cada lado da torta e ficou assim, de pé e de costas, as pernas abertas, a torta entre elas. Os três homens olhavam pasmados, sem acreditar e sem conseguir desviar os olhos da cena. Celina então pôs uma mão em cada joelho, dobrou as pernas e foi descendo… descendo lentamente… a bunda se aproximando da torta, se aproximando… a brancura de sua bunda contrastando com o marrom do chocolate… descendo devagarinho…
Então ela parou, sua bunda como que suspensa no ar, pouco acima da torta. Durante aqueles intermináveis segundos, a bunda de Celina, aberta logo acima da torta, era uma imagem tão absurda que nenhum dos três conseguiu dizer qualquer palavra, como se estivessem aguardando tão somente que a realidade voltasse ao normal e no instante seguinte finalmente entendessem que tudo não passara de uma alucinação coletiva.
Subitamente, Celina deixou-se cair. E a realidade de sua bunda despencando sobre a torta, afundando por entre o chocolate, enterrando-se como uma grande cereja no alto do bolo, era real demais para ser suportada. Os três homens então avançaram, enquanto a bunda de Celina prosseguia deslizando sobre a torta, mexendo-se em movimentos circulares, o chocolate grudando-se à sua pele, espalhando-se pelas nádegas, depois pela cintura, as pernas, os braços, os seios…
Instantes depois, Celina sentia seis mãos que mais pareciam doze a deslizar sobre seu corpo, e ela se sentiu apalpada, agarrada e puxada de um lado para outro como se cada mão quisesse ficar com um pedaço, e depois foram as bocas a experimentá-la, e ela se sentiu lambida, mordida e comida, três bocas fartando-se de seu corpochocolate, e depois, na mistura dos corpos lambuzados, ela sentiu-se preenchida ao mesmo tempo por três carnudos e pulsantes paus achocolatados que, feito colheres enlouquecidas, chafurdaram em seu interior, indo e voltando, entrando e saindo, enchendo-a e esvaziando-a, mais rápido, com força, mais rápido ainda, com mais força, até que o gozo chegou, intenso e avassalador, e no derradeiro pensamento que teve antes de desfalecer de tanto prazer, Celina sorriu em paz, pois finalmente não apenas entendera o que sentia uma torta de chocolate: ela agora era a própria torta, uma grande e bela torta de chocolate, devorada viva por três homens famintos e enlouquecidos. .
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COMENTÁRIOS
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01- Ola, Kelmer Amei o conto, nao tem como dizer, uma DELiCIA,com certeza me estimulou a ler outros e por que não ,lhe conhecer melhor. Abraços. Valesca – ago2008
02- Amo este conto com sabor chocolate!!!!!!! Chris, Rio de Janeiro-RJ – ago2008
03- Ao ler A TORTA DE CHOCOLATE… Meus deuses, pensei: Kelmer, vc é um tarado!! Em seguida: Acho que tb sou uma tarada!! risos Não, falando sério, me diz de onde vc tirou inspiração para escrever este conto??? Fiquei super… ahhnn, super, sabe?! rss… Outra coisa, por favor, imploro: me diz onde fica esta Fantástica Fábrica de Chocolates??!!! rss. Ilde Nascimento, São Luís-MA – abr2009
04- me gusta! Wanessa Bentovski, Fortaleza-CE – dez2011
05- Este fez-me transpirar… 😛 Susana X Mota, Leiria-Portugal – dez2011
07- Uma combinação esplêndida… :9. Nadine Araújo,Fortaleza-CE – dez2011
08- Torta de chocolate? Humm, adoro!!! ( a torta e o conto). Maria do Carmo Antunes,São Paulo-SP- dez2011
09- Eu vou de chocolate, realmente me excita a ideia. Quem sabe um dia eu não me entrego a gula e a luxúria, meus pecados favoritos?!? Amanda Lima, Fortaleza-CE – mar2013
11- adoreiiiiiiiiiiiii o conto do bolo de chocolate. minha vontade foi correr pra cozinha, fazzer um e chamar uns amigos pra provar. Bruna Barros, Campina Grande-PB – mai2014
O amor insano. O amor desafiador do tempo. O amor que descortina as mais absurdas possibilidades do ser.
Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal? Nesta história, repleta de suspense e reviravoltas, Luca é um músico obcecado pelo controle da vida, e Isadora uma viajante taoista em busca de seu mestre e amante do século 16. A uni-los e desafiá-los, o amor que distorce a lógica do tempo e descortina as mais loucas possibilidades do ser.
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ELE A ABRAÇOU e assim se deixou ficar, juntinho a ela, inteiramente envolvido pela sensação de já ter vivido aquilo antes… Fechou os olhos e tentou lembrar quando vivera aquela mesma situação, mas tudo que lhe veio foi a sensação de estar girando, girando… Era como se estivesse num círculo, girando, sempre passando por aquele mesmo lugar… girando num círculo, sempre passando pelo mesmo ponto, sempre…
Abriu os olhos assustado, voltando a si. Sentia-se levemente tonto. Olhou ao redor, certificando-se que continuava ali, no cais de Barcelona, naquela manhã enevoada. Ela ainda estava abraçada a ele, no meio da pressa dos funcionários do cais. Quanto tempo se passara? Alguns segundos? Séculos?
– O que foi? – ela perguntou.
– Não sei, uma tontura…
– Há dias que estás estranho.
– Preciso ir agora.
– Tens certeza que não posso mesmo ir?
– Já falamos sobre isso, Catarina.
– E se…
– Já disse que voltarei. Em um mês ajeitarei as coisas em Lisboa e voltarei. E iremos juntos para o Brasil. Não foi o que combinamos?
– Estou com medo, Enrique… – Ela o abraçou novamente, mais forte.
– Já estão a subir as velas – ele respondeu, sentindo o vento soprar. Desfez o abraço e saiu caminhando em direção ao navio, o passo rápido, sem olhar para trás.
Minutos depois o navio começou a afastar-se e, da amurada, ele a viu acenando, sozinha no cais, no meio da névoa. E de repente foi como se ela repetisse um gesto muito antigo, feito muito tempo atrás, um aceno triste que lhe cortava a alma. Quando haviam se despedido assim?
Preciso de um trago, ele pensou, sentindo a alma pesada. E se dirigiu à cabine.
Ele não queria pensar nisso, mas sabia: era só o início de uma longa e difícil viagem.
> CAPÍTULOS Prólogo–cap 1–cap 2–cap 3 – cap 4
cap 5 – cap 6 – cap 7 – cap 8
cap 9 – cap 10 – cap 11 – cap 12
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Algumas destas séries são contos divididos em capítulos, que depois foram unidos numa mesma postagem. Outras são contos envolvendo o mesmo personagem ou os mesmos personagens, publicados separadamente. Outras são postagens independentes. Tem erotismo, humor, absurdo… Escolha a sua.
A mais bela e safada história de amor jamais contada. Diametral e Ninfa Jessi exercitam seu poliamor em aventuras deliciosas e picantes. Os bastidores das histórias estão disponíveis para Leitores Vips.
O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir… OBS.: A série foi transformada numa postagem única.
Aqui a ficção e a realidade se encontram no infinito. Coisas tão estranhas e insólitas, tão absurdas, que não podem ser verdade. Ou são?
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Sexy e Indeciso
Quatro amigos e suas aventuras e desventuras em busca da mulher ideal. Mas será que ela existe mesmo? Não poderia haver várias mulheres ideais simultâneas? É verdade que elas mudaram e nós continuamos no tempo das cavernas? Por que elas dizem que homem é tudo igual e, no entanto, elas escolhem tanto? Essas e outras questões temperadas com muito humor, cerveja, rodas de pôquer e futebol na tevê. O conteúdo total da série, incluindo os detalhes mais picantes, estarão disponíveis para Leitores Vips. EM BREVE.
Errikelmer e sua secretária, uma barata alcoólatra e ninfômana chamada Tábata, formam uma primorosa dupla no submundo das investigações sexuais. Os bastidores das histórias estão disponíveis para Leitores Vips.
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E como ela já tem nome de vodca, uau, nosso Stone deve ficar confuso sem saber se come ou se bebe a moça
Músico do Rolling Stones troca mulher por garçonete russa de 18 anos – O músico Ronnie Wood, 61, guitarrista dos Rolling Stones, abandonou a mulher, Jo Wood, com quem estava casado havia 23 anos, para viver com uma garçonete russa de 18 anos.
Garçonetes, ah, as garçonetes… Vou ser bem sincero com você, leitorinha. Essas moças mexem com a gente. As das praças de alimentação dos xópin centers nem tanto, essas são todas iguais nos uniformes e na postura pasteurizada, refletindo aquele clima irritantemente esterilizado dos xópins, tudo certinho, a caretice, a formalidade… Mas até essas possuem seus admiradores entre os que preferem as mais recatadas.
Ron Wood conheceu a garçonete três meses atrás, num bar em Londres, e se apaixonou por ela depois de alguns goles a mais. Os dois se tornaram companheiros de bar nos últimos tempos.
As garçonetes dos bares, ah, essas são especiais. Costumam ser mais espertas, mais descoladas, sabem lidar com os engraçadinhos. Se a gente brinca muito com uma garçonete de xópin, ela chama o gerente. A garçonete de bar não chama ninguém: ela mesma nos joga o chope na cara.
Segundo o tabloide britânico The Sun, a adolescente Ekaterina Ivanova já se transferiu à residência de Wood na Irlanda, enquanto a ex-mulher voltou a morar com a família, nos arredores de Londres. Amigos do guitarrista garantem que Wood tem bebido demais – ele chega a tomar duas garrafas de vodka sozinho.
O contexto ajuda, claro, afinal nos bares a gente tá mais relaxado e se sente naturalmente mais disponível… Se você é uma garçonete de bar e tem seu charme (nem precisa ser linda), então saiba: tá assim ó, de gente apaixonada por você, homens e mulheres, acredite. Claro, você já percebeu alguns olhares, já sacou que aquele cara vai lá só pra ver você, que aquela menina sempre quer ser atendida por quem, por você… Mas talvez não saiba que pra muita gente você é uma espécie de deusa da noite, poderosa, inalcançável e cruel, e que alguns até cairiam de joelhos suplicando “me atende por toda a eternidade, por favor” ou “leva eu pra tua casa e me serve ração no pratinho do gato”…
A ex-modelo Jo Wood preferiu não dramatizar o episódio, dizendo que se trata somente de “umas férias” e que Ronnie e a garota russa não têm uma relação amorosa propriamente dita. Já Ekaterina disse que não concorda e se apressou em divulgar a notícia de sua nova conquista no site de relacionamentos Facebook.
Um cara de 61 anos e uma garota de 18. Isso não é assim tão comum, vamos admitir. Mas o cara não é um qualquer, mizifia, o cara é um Rolling Stone! Não sei você, mas muita, muita gente daria pra um Stone, qualquer um deles, só pra constar no currículo. Katerina Ivanova tirou a sorte grande e quer aproveitar ao máximo a satisféquixon, claro. E como ela já tem nome de vodca, uau, nosso Stone deve ficar confuso sem saber se come ou se bebe a moça.
Jo Wood teria procurado a garota e pedido que ela deixasse o guitarrista em paz. “Não sou eu que estou tirando ele de você, mas sim ele que está te deixando”, teria argumentado a menina num dos poucos encontros com a então mulher de Wood.
Xiii… Estamos diante de mais uma reedição do clássico A Corna e a Vaca. Nesse enredo, as mulheres adoram trocar de lugar: num dia são as cornas, tendo que aturar uma vaca louca se oferecendo pra cima de seu par, e no outro dia elas são as vacas, tendo que aturar uma corna xata que não consegue segurar seu homem (ou sua mulher, sim, no mundo lésbico rola a mesma baixaria). Isso quando a mulher não atua nos dois papéis ao mesmo tempo, concorrendo ao Oscar de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante no mesmo ano.
Ekaterina Ivanova foi acusada por Jo de ser “bêbada e aproveitadora”. Enquanto isso, a menina de 18 anos divulga suas fotos num site de relacionamento na internet e avisa aos amigos que agora é namorada de Ronnie Wood.
Ekaterina, sua louquinha das estepes. Aproveite bem, tire muita foto, viaje bastante, assista show dos Stones de graça, tudo é apenas roquenrou mas a gente gosta. E aproveite que porre de duas garrafas de vodca demoooora a passar. E você, Jo, mantenha a classe. Quando seu bebum voltar arrependido do porre de Ivanova, você inclui no perdão aquele diamante que há tempos você paquera na vitrine da H Stern. E daqui a nove meses, pra mostrar que você é mesmo uma mulher de classe, mande de presente uma vodca Kovak, argh!, pra russinha recém-nascida.
. Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com
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COMENTÁRIOS
01- lembrei do Pergunte ao Pó do Fante. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – abr2019
02- cada um deles tem o que quer no outro… não é sempre assim?!Rogério Nascimento, Campina Grande-PB – abr2019
03- Viva e deixe viver!! Certos casamentos são verdadeiros porres de vodka 😜😜😜Patrícia Cacau, Fortaleza-CE – abr2019
04- Muito bom. Deb Queiroz,Fortaleza-CE – abr2019
05- Prefiro suas crônicas dadivosas das duvidosas …. rsrs. Abração. Ailton D´Angelo, São Paulo-SP – abr2019
06- Tudo é vaidade debaixo do Sol, já diziam os antigos, pois, ele a vaidade de desfilar com uma menina de 18 anos e ela ao lado de uma celebridade. Cada um satisfazendo a sua necessidade de “se aparecer”. E nós não temos nada a ver com a vida alheia, kkkk. Mas, é bom né, dar opinião na vida dos outros? Eu adoro!Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – abr2019
07- Ah as garçonetes…elas são mesmo especiais. Meu primeiro trabalho foi assim: fui na inauguração de um bar na P.I. que chamava Piratantan, chegando lá não tinha ninguém pra servir. Os donos: Maraca, João Carlos Diógenes, Dida e Gibson. A intenção era o bar durar até juntar uma grana pro Rock in Rio 1985. Bom resultado é que nesse dia comecei a trabalhar de garçonete, assim como eu Fernanda Carneiro Cavalcanti e Pepê um menino lindo que perdi contato. O bar durou uns 5 meses e as quintas tinha jazz com a banda…esqueci o nome mas Miguel no baixo, Sabadia vocal, Gersinho guitarra…Muito massa. Bem, o resultado é que nunca fui tão assediada na vida do que nesses meses de garçonete e….fomos todos ao Rock in Rio, que eu já ia mesmo de qualquer jeito. Foi muito bom esse tempo! Ana Lúcia Castelo, Fortaleza-CE – abr2019
…..08- E eu vivia la…muito massa era o Piratantan. Tempos idos e muito bom. Saudades! Quanto ao texto muito bommmm tmb. Ana Maria Castello – abr2019
09- Já o outro, o Mick, garantiu o futuro da Lucianta Gimenez, dando-lhe um filho.Maria Fatinha, Fortaleza-CE – abr2019
A força da tempestade, o poder do desejo. Ela deveria resistir, mas…
A GOTA DÁGUA
. Razão. Você a evoca, angustiada. E a razão surge, gritando em cada sinal vermelho: pare de ser louca! Mas aí o sinal esverdeia e você precisa seguir em frente na tarde cinza, entre os automóveis e a chuva que não cessa. Ainda bem. Não fosse o sinal verde, talvez agora você ainda estivesse ali, pensativa, o carro parado no cruzamento. O cruzamento alagado da ruazinha da razão com a imensa avenida da loucura… e do desejo.
As pessoas na rua correm para se proteger da chuva, todas certas de seu caminho, seguem rápidas e decididas. Você, não. Você segue devagar, e o seu medo de prosseguir reza para o próximo sinal estar fechado. Pararia ali mesmo no meio da rua, não fossem os carros atrás. Tudo em seu ser se contradiz, uma célula quer ir, outra morre de medo. Sim e não. Verde e vermelho. Em seu peito o coração bate no compasso da urgência, não, em suas veias o sangue se desencontra, sim. No rádio, música nenhuma entende seu estado de ânimo. E essa chuva a deixar tudo ainda mais confuso… Sim e não. Ai, que vontade imensa de gritar… Você respira fundo. E acelera.
Francamente falando, você sabe muito bem que limites existem para serem quebrados, não é? E os seus há muito que lhe desafiam. Sim. Para ser exato, desde que ele surgiu, de repente, não mais que de repente. Ele e seu olhar inquietante, o jeito diferente… Você já não sabe se ele é louco ou se louca fica você toda vez que o vê. Tem algo nele que dá um calor, não é? Você nunca sentiu antes, não sabe explicar. Não. É algo meio insano, que lhe faz inventar mentiras e largar o trabalho no meio da tarde. Algo que lhe faz soltar o cabelo, deixar o sutiã na bolsa e sair no meio dessa chuva louca. Ai, e essa chuva… Sua vida era tão certa e hoje tudo é tão imprevisível. Mas ao mesmo tempo você tem raiva dele, por invadir assim seu espaço, virando seus dias de cabeça para baixo, ele não tinha o direito, não tinha. Não. Sim, ele tinha.
Ahnn… mas e a ética, como fica? Afinal, você tem namorado. E você o ama. Bem, na verdade talvez não o ame como achava que amava. Sim, pois se amasse não desejaria esse homem assim. Ou não? Ou o amor nada tem a ver com o desejo? Se os homens são capazes, por que você não seria também? Uma mulher pode entregar-se a um homem, uma vez só, e voltar para outro, como se nada tivesse acontecido? Como uma chuva que vem de repente e depois já passou? Sim, pode, você mesma responde, surpresa com a própria determinação. Pode voltar, sim, mas não como se nada houvesse acontecido, pois sempre terá acontecido, sempre… – você completa, olhando seu sorriso estranho no retrovisor. Você lembra da última briga, um dia antes, e então seu pé pisa mais fundo no acelerador, sim. E a chuva aumenta. Sim. Não. Não se trata de vingança, nada disso. É só a velocidade do desejo. Não. Na verdade, é mais que isso. É uma necessidade. Sim. Você tem de encontrá-lo. Você precisa. Sim. É a única coisa que importa agora.
Em frente ao prédio dele, dentro do carro, você inventa mil coisas para se dar mais um tempo para pensar. Olha a chuva lá fora, ajeita o espelho, sente o ar abafado dentro do carro, é como estar numa gruta úmida… Então, finalmente pega o celular. E liga. E deixa chamar uma vez. E desliga. Agora só tem de aguardar alguns segundos, só isso. Mas não são alguns segundos – são séculos! Séculos inteiros de dúvida e angústia, onde razão e desejo vêm se chocar em sua alma feito as gotas da chuva que batem no vidro, uma gota sussurrando sim e a outra gota gritando não, sim e não, não e sim…
Lógico que não! Súbito, você se dá conta do absurdo. Claro que não. O que está fazendo? Esperando por um homem que mal conhece? Para quê? O que lhe dirá? Que largou o trabalho no meio dessa tempestade só para lhe desejar boa tarde? O que ele vai pensar? Vai pensar que é louca, claro. De repente, tudo fica límpido como um dia de sol. Não, não vale a pena se arriscar tanto por algo que não tem chance de dar certo, não, alguém que você não sabe quem realmente é, não, alguém que semana que vem irá embora, alguém que…
A porta se abre, porém. E ele entra depressa, sentando no banco ao seu lado. Todo molhado, rindo, parece um menino travesso. E você dá de cara com aqueles olhos, aquele sorriso… Meu Deus, você pensa, me ajude, por favor me ajude… Mas seu deus não pode ajudar, não com essa chuva toda. Não. Ele então se aproxima, estende a mão e delicadamente toca seu rosto. Não é mais um menino travesso, é um homem, essa mão é de homem, esse cheiro é de homem, você sabe, o seu corpo sabe. Então tudo que não podia acontecer, acontece: uma gota dágua escorre… da mão dele… para dentro… de seu decote. Sim. Você a sente deslizar… pelo contorno do seio… devagar… cada pelinho acusando… a passagem da gota. Não. Enquanto a gota prossegue em seu íntimo percurso, você fecha os olhos, um arrepio na alma inteira. Sim. Você quer morrer só para não ter que decidir. Você se controla para não abrir a porta e sair correndo, uma louca gritando na tempestade. Você quase explodindo, esticada entre o sim e o não, o não e o sim… Não. Não, você não abre a porta. Nem grita. Nem poderia. Porque os lábios dele, molhados e quentes, tocam os seus, e toda dúvida se desmancha em sua boca. E da vida previsível faz-se a aventura. Não mais que de repente.
Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.
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COMENTÁRIOS .
01- tenho certeza que tu é uma lésbica encarnado num corpo de homem rss ta xou bjs. Jéssica Gianbarba, Fortaleza-CE – jun2006
02- Rica, Li A Gota D’agua e lembrei de Chico Buarque, mesmo porque ele tem uma musica com esse titulo. Voce expoe a alma feminina nesse conto.E paixao e uma coisa tao boa, lendo deu ate vontade de sentir de novo. Muita verdade, muito dentro da alma da mulher. O publico jovem, entre os 20 e 30 anos, vai adorar. Mulheres. Adorei a mistura de sentidos com a chegada da tempestade, como se a natureza fosse um espelho do que estava acontecendo. Achei a ultima frase do conto muito lugar comum, muito ja dita. Acho que o desfecho merecia algo a mais… nao sei. Mas eu sempre bato nessa tecla com voce, ne? O final… Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – jun2006
03- A mulher do conto sabe que vai levar pra sempre a certeza de que viver e MARAVILHOSO! Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – jun2006
04- É isso, adorei. A gente não lê, devora! E só quem já passou por uma paixão como essa sabe o que é: a vertigem, a vontade, a angústia e o prazer, inesquecíveis. Tem uma frase que resume bem essa história; “Porque não viver intensamente, se a vida é uma aventura da qual não sairemos vivos?” Bjks. Sandra Ribella, Limeira-SP – jun2006
05- Magnífica a composição com Vinícius e seu “soneto de separação”! E muito bom o modo como ilustras a dúvida, a inquietação, a angústia, a luta do desejo contra a ética num cenário de chuva e trânsito – o cenário perfeito: estivesse sol e o encontro fosse num qualquer lugar idílico e todos os sentimentos negativos se esbateriam com a luz e a paz, e a banda sonora seria com o “soneto de fidelidade”. As cricunstâncias mudam tudo mesmo… 🙂 Susana Mota, Leiria-Portugal – jun2006
06- Gota D’água: Belo texto de amor proibido… toma cuidado para ele não ser motivo de cornos te ameaçarem! Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – jun2006
07- Olha,concordo com a leitora que acredita que vc é uma lésbica reencarnada no corpo de um homem! Logo que comecei a ler me veio, imediatamente,um frio no estômago.Pois passei por situação muito,mas muito parecida mesmo com esta que vc escreveu…Mas acho que não conseguiria descrever com tanta precisão os conflitos daquele instante. Belíssima descrição de detalhes,muito poético,angustiante e,ao mesmo tempo, excitante. Obrigada despertar em mim lembraças tão gostosas! Mereces um beijo por isso Ricardo! Sidiany Colares, Fortaleza-CE – jul2006
08- Oi Rica! Adorei o teu texto! Estou começando a escrever agora.^^ Mas é bem isso mesmo, as mulheres tem isso mesmo do desejo e a razão, mas é devido a postura da sociedade sabe, essa coisa de ceder é vista como falta de caráter, é como colocar tudo a perder, conheço pessoas que cederam e pagaram caro sabe, não tem nada mais hípócrita do que isso. As pessoas se esquecem que não são “posses” e sim seres que anseiam por felicidade, e isso não é relativo. Graziele Lice, Bauru-SP – jul2006
09- Gostei muito do conto Gota d´água, psicologicamente bem moderno, você é talentoso mesmo. Não te conhecia e é um prazer ler teus contos. Miriam, Criciúma-SC – jul2006
10- Olá Ricardo, Vim lhe agradecer pelo texto. É lindo, e sabe? tem algumas partes que parece que sou eu…rs Tenha uma semana iluminada. Abraço. Márcia Milani, São Carlos-SP – jul2006
11- cara Fantástico corri as palavras, parágrafos e me deparei não mais com um texto…mais com um carrossel de imagens instigantes,lépidas e visceralmente vivas!!!!! Foi hipnótico, senti a alma da personagem….sensação estranha e deliciosa! Valeu!!! Marcelo Amoreira, Fortaleza-CE – jul2006
13- Nooooosssa! Ricardo! Lindo! Perfeito! Impressionante como você tem o poder de adentrar na alma feminina e dizer exatamente o que pensamos, o que queremos, o que desejamos! Não fosse pela parte que ela tem namorado, eu diria que sou eu, essa mulher aí! Já aconteceu comigo, é é bom , muito bom, deixar a razão voar pelos ares e a loucura tomar conta! Beijos, muitos beijos para você! A cada dia eu tenho mais vontade de te conhecer pessoalmente! Obrigada mesmo! Cláudia Martins, Montes Claros-MG – jul2006
14- Não mais que de repente, vc me surpeendeu com o que acabei de ler… bjo. Márcia Cristina Menezes, São Paulo-SP – jul2006
16- Oi Ricardo, nem sei se lembra mais de mim, depois que virou estrela(hehehe), mas quero lhe parabenizar pelos textos e pelas fotos sensuais que vc tirou de vc mesmo. Parabens pelo seu trabalho e sua coragem. Sucesso!! Beijos. Eloah Gonçalves, Fortaleza-CE – jul2006
17- muito bom ! Suely Andrade, Brasília-DF – jul2006
18- Gostei bastante do “A gta D’agua…a duvida cristã…o arrependimento antes do feito…asede por sexo devido a rotina com o oficial… Sim! Acho totalmente possivel, votar para o namorado depois de ter passado nos braços de outro… Nádia Rosa de Castilho, São Francisco do Sul-SC – jul2006
19- Adorei! Você sempre me provoca dois sentimentos: o primeiro é de inveja, porque gostaria de escrever como você escreve; o segundo é de prazer, o prazer de ler você, o prazer de saber que você vai escrever de novo e eu vou ler novamente. Nem conheço você muito bem pessoalmente, mas dentro da minha mente você é um velho conhecido. Obrigada por me mandar este texto. Vou repassa-lo para minha irmã lá na Califórnia. Bjs. Virgínia Lígia Freitas, Fortaleza-CE – jul2006
20- Adorei, porque já vivi uma situação de dúvida assim parecida. Incrível como você sendo homem, consegue captar as sensações femininas! Você escreve muito bem, parabéns! Elisa Pimazoni, São José do Rio Preto-SP – jul2006
21- RK, vc sempre surpreende, quanto mais num domingo a noite! Como disse Clarisse Lispector ” É por isso que nos dá uma dor no coração sempre que lemos aquelas linhas escritas pela mão de um mestre e a reconhecemos como nossas, como os tenros brotos que esmagamos porque nos faltava fé para acreditar em nosso próprio critério de verdade e beleza.” Ana Sherida Alexandrino de Oliveira, Fortaleza-CE – jul2006
22- wwwooowwww adorei !!!!!!!! gostei tanto que depois de ler voltei a ler interpretando , como e quando voce passou a conhecer a alma feminina assim ???? beijos. Walkiria Fonseca, Nova York-EUA – jul2006
23- se eu pudesse….. agora seria uma gota d’agua…. percorrendo o seu corpo…. como sempre!!! voce surpreendente… ardentemente…. louco!!! beijos…e beijos. Rita de Cássia, São Paulo-SP – jul2006
24- Bom dia Rk, gosto muito quando no final dos seus contos e artigos você menciona esse filme. Sem dúvida foi o filme mais lindo e sensível sobre o Planeta Terra que assistí. Uma viagem cheia de beleza e luz! Rk, sobre esse conto da figura que ama um homem e senti desejo por outro, é super natural, até porque a libido é uma coisa que faz parte da nossa natureza. Não vejo nenhum problema em viver os dois sentimentos, ainda mais se eles forem fortes e vedadeiros! Se cuida tá? Com carinho e paz. Lua, Fortaleza-CE – jul2006
26- Meu querido amigo Como sempre divino na suas estórias. Vc tem uma maneira de expor que nos faz penetrar no conto e vivenciá-lo na sua íntegra. É muito gostoso. Adorei Bjinhos. Mariucha Madureira, Brasília-DF – jul2006
30- Muito bom Kelmer. Dá pra ficar sem fôlego. Abraço. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – ago2006
31- E aí mais uma vez vc consegue tocar o mais secreto medo e desejo de nuestra alma feminina. Sua terceira linguagem está bem afinada com nosso tempo. Resta fechar com mais inteireza. Lindo. Dijé Sales, Fortaleza-CE – ago2006
32- Não tem pecado, não tem culpa, não tem razão. Sim, tem razão. A razão induz ao pecado e a culpa. A leitura do texto induz à mínima reflexão… sentir-se úmida à sensação da chuva ou do desejo. Marlyzinha, São Paulo-SP – ago2006
33- Sobre “A gota d’água”…só te digo…vai sacar de mulher assim lá longe!!! Como é que a gente faz pros caras terem essa percepção que vc tem?? Queria um assim pra mim!!! Só me faz achar que vc tem uma alma hermafrodita… Bjs e bom final de semana!! Elaine Maria, Fortaleza-CE – ago2006
34- achei muito realistico, pois eu sou esse tipo de pessoa que ja traiu , mas viveu a cada vez esse dilema infernal de estar fazendo algo que para a minha criação conservadora era incrivelmente errado. mas por outro lado a minha minha mente altamente moderna queria fazer com urgencia. entendí toda a angustia do personagem tão bem, que cheguei a senti-la. sinceramente me deixou até triste. mas a intenção era essa né ? tocar na alma… Michelle Diamanti, Taranto-Itália – ago2006
35- Parabéns! pela tranquilidade empática a quql encontramos com tanto fluidez no texto. Marta Peixoto, Fortaleza-CE – set2006
36- Cara tu é demais, bá recebi por email de uma amiga o texto “A gota d’agua”, tu passaste exatamente o que uma mulher sente. Adriana da Silva de Souza, Porto Alegre-RS – set2006
37- criatividade junto com o talento e forma perfeita de juntar as palavras nesta cadência maravilhosa nos transporta para aventuras como a da gota d’água, mas sua experiência de vida deve ter uma contribuição significativa para tanta beleza. A beleza do seu trabalho faz com faz que meu íntimo busque transformar em um só a criatura e o criador! Este é o pecado capital dos fãs. certamente eu e mais trocentas mulheres teremos total identificação com este texto, pois a dúvida crucial deste sim e deste não já nos perseguiu em outros momentos de vida. bjs. Diva, Macapá – set2006
38- Crônica maravilhosa!!! Estória envolvente!!! A aventura que toda mulher deve sonhar, em seu íntimo, viver…Ler suas crônicas são ótimas!!! Beijos. Cynthia, São Paulo-SP – nov2006
39- Fala Kelmer! Blz? Confesso que ontem foi a primeira vez que li seus artigos, textos, desabafos, difícil definir… hummm…memórias sonâmbulas que fogem na madrugada gélida antes de serem acordadas pela realidade sem graça. Bom, li pela primeira vez ontem e hoje virei fã. E por que não virei fã ontem mesmo, quando devorei todos os textos com os olhos dilatados? Explico: ontem à noite encontrei alguns amigos no cubículo etílico que costumamos freqüentar. Mais do que uma simples reunião de temas cotidianos, debatemos a fragilidade do momento e oferecemos um trago de nossos traumas a quem estivesse disposto a encarar. Foi quando percebi que os textos que li esmagavam meu raciocínio, açoitavam minha defesa, guiavam minha cega convicção. Enquanto meus colegas de faculdade tropeçavam nos próprios cadarços e confessavam, friamente, “…o que ela quer? Um namorado ou uma padre, porra?” pensei quieto: “Putz! Preciso mandar um e-mail pro cara do O POVO! Aquele texto sobre a “razão” não quer ser dissolvido facilmente dos meus neurônios.” É isso, Kelmer! Mirando meus próprios rabiscos, como um faminto em meio a uma coxa de frango mal devorada, busquei os meus significados. A conclusão veio barulhenta: “Felipe, escreva menos e leia mais!” Abraço! Felipe Valério, Fortaleza-CE – nov2006
40- Meu Deus! Fantástico……..Ele se colocou bem no lugar de uma mulher tomada pelo desejo! Ficou linda a metáfora com o carro e a chuva!O desejo x razão…O molhado,a velocidade…E o desejo ensandecido a tudo guiando! A razão que vá foder tb! Mary Mundo, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – jul2006
41- Difícil um homem saber como uma mulher se sente né? Porque é assim mesmo…quer,não quer,vai,não vai,deve,não deve… Até que chega a hora fatídica e não tem mais prá onde fugir.. Achei que a gente merecia um pouco de aventura. Morgana Cyber, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – jul2006
42- adoro todos os textos do Ricardo,ele é mesmo um excelente escritor e um cara bem maluco. Já entrou no orkut dele? no álbum tem umas coisas bem interessantes.Me mato de rir com ele. Celinha, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – jul2006
43- linnnndoooooooo…….. fiquei encantada… delioso ler a maneira como as emoções vão se digladiando… realmente beeemmm mulher!!! rsrsrs. Andréa, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – jul2006
44- Me fez lembrar o trecho de uma música… …deixa chover, deixa a chuva molhar, dentro do peito tem um fogo ardendo que nunca vai se apagar… Clau, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – ago2006
45- De onde tu tira essas coisas, quem te contou que assim… ai, Deus! Eu tenho medo de me ver sendo descoberta desse jeito… Isso com certeza ja aconteceu com alguma mulher, ou acontecerá ou acontece! Comigo acontece.. rs E essa parte é bem a minha cara: Tudo em seu ser se contradiz, uma célula quer ir, outra morre de medo. Sim e não. Verde e vermelho. Esse seu conto passa a ser o meu preferido. =) Beijos. PS: Voce me assusta…rsrs. Priscila Peres, Fortaleza-CE – abr2008
46- srsrsrsrsrs…vc é divino…dabolicamente divino…é redundante mas vou dizer …amo seus textos…sua fonte de inspiração deve ser louvada sempre…bjs meu escritor preferido… Laisa, Belém-PA – abr2010
47- Muito bom “A gota d’agua”, me descreveu. Me senti nua! Incrível teu conhecimento sobre a alma feminina. Coisa rara. Parabéns. Nina, Cricúma-SC – mai2010
48- No limite da Alma / A louca tempestade do desejo que verte / e desnuda a razão no momento da gota dágua / e o aroma vem, abarcando o sinal vermelho / com gosto de cereja ,,, Adorei o cinestésico fluído da gota !!! Márcia Costa, São Paulo-SP – mai2010
49- Tá bom que é meu preferido! Acho que já sei de cor algumas passagens. O texto mais sincero e honesto que já vi. E é cada situação que me vem… Beijo, encanto de criatura! Emília, Fortaleza-CE – mai2010
50- Querido amigo, Não pude me conter e estou aqui pra dizer que você descreve exatamente a minha alma que é super femenina. Estou vivendo uma paixão ou uma loucura de paixão e é exatamente como vc descreve com tanta riqueza de emoção. Esse amor que me queima a alma, que me deixa feliz por cada momento e quem foge e se esconde dentro da alma dele tão conflituosa me deixa cada vez mais cheia de desejo por ele…meus limites não tem limites e estou vivendo essa louca emoção e não sei pra onde vai…só não consigo ter raiva dele e me sinto como se estivesse responsavel por ele e tem mais tenho certeza que é uma missão , alias de outras vidas e me sinto tão impotente diante desse louco amor. A mistura de ternura e tesaõ me deixa sem razão…vou pela vida caminhado e deixando a vida seguir nosos caminhos…tenho uma alma apaixonada pela vida e pelas emoções… Maria, Fortaleza-CE – mai2010
51- Parabéns cara pelo conto. Muito bem escrito. Zé Netto, Fortaleza-CE – mai2010
52- Francamente falando você sabe das coisas. E eu uma menina assustada. Parabéns pelo texto. Christiane Oliveira, João Pessoa-PB – mai2010
53- já conhecia esse teu texto, que aliás é fantástico! beijos. Nina, São Paulo-SP – mai2010
54- Definitivamente gosto da sua forma de escrever! Acabei de ler tambem A gota dàgua… e estou sem palavras!!! Poxaaaa Kelmer muito bom!! Tambem gosto do Cerejas ao meio-dia. Aluska, Campina Grande-PB – mai2010
55- A gota d’agua me lembrou de uma certa tarde, ha mais ou menos uns 8 anos! Me ví ali,como se alguem descrevesse o que eu vivi. Selma, São Paulo-SP – mar2011
56- Você percebe um ponto interno de corrupção. Um sinal vermelho. “Não avançar” diz o aviso. É melhor cair fora e você sabe disso. É o momento certo de dizer não. Virar as costas e dizer não. Você detecta sua fonte de atração pelo proibido. E vai, está indo, está desobedecendo seu bom senso e se deixando levar. Maldita curiosidade! “E por que não fazer a escolha errada?” pergunto à mim mesma. “Você é uma idiota. Completamente louca e idiota” me respondo. Deve constar na minha ficha técnica: pessoa obsessiva Você não se importa. A lâmpada acende, pisca. Soa o alarme. Você ouve a sirene,sabe que ultrapassar significa perigo, que é um território minado. Mas você deixa detonar. (Trecho de Filmes Proibidos, romance de Bruna Lombardi)
57- Uau “os limites existem para serem quebrados…” minha cara isso…amei. Paula Medeiros de Castro, São Paulo-SP – nov2011
58- Muuuuuito bom! Simone Marini, São Paulo-SP – nov2011
59- É de abrir o apetite para uma abordagem da Semiótica das Paixões… A hesitação (e a excitação) da personagem configura um estado de espera (Greimas), ou seja, o ponto zero do imprevisível percurso narrativo, o ponto, enfim, em que a paixão se instala. A manipulação recebeu um investimento discursivo dos mais oportunos, o que se exterioriza no emprego da segunda pessoa (“você” no gênero feminino). Tudo resulta numa diabólica manipilação da consciência em seu satânico papel de acusador (pois assim está na Bíblia). A gota d’água abrirá um novo estado passional. Qual? Não é preciso dizer, pois isso já seria outro ponto no conto que o leitor já construiu na sua imaginosa paráfrase mental. Valeu! Um abraço. Leite Jr., Fortaleza-CE – nov2011
60- “A gota d’Água” (pq ficar entre o sim e o não pode tirar o fôlego, mesmo! esse conto é marcante!) Jocastra Holanda, Fortaleza-CE – jun2012
61- O texto que indico, o meu favorito de Ricardo Kelmer é “A gota d’água”, adoro a forma como escreveu esse texto! escrevi um conto inspirado em “A gota dágua” e em experiências de uma montagem de um espetáculo. Samantha Pimentel, Campina Grande-PB – jun2012
62- o que gosto de verdade e sempre releio é “A Gota D’água”. Rosa Emília, Fortaleza-CE – jun2012
63- quem te disse q agente deixa o sutiã na bolsa? rss. Shirlene Holanda, São Paulo-SP – jan2014
64- Adoro esse texto. Samara Do Vale, Fortaleza-CE – jan2014
65- Vc entende de alguma forma o universo feminino. E muitas coisas q li parece q vc fala sobre mim. Nao é pretensão é simplesmente pq sou mulher. Carolina De Figueiredo, Içara-SC – mai2016
66- Nunca pensei que existisse um homem que entendesse tanto a alma feminina! Encantada. Ceci, São Paulo-SP – jul2016
Mulher-comida por si só já se explica: é gostosa, dá água na boca, faz a gente babar. Mulher-esqueleto dá medo, faz a gente rezar
MULHER SUBSTANTIVO SUCULENTO
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Como você sabe, leitorinha querida, passei os últimos meses mergulhado na gravidez de meu novo livro Vocês Terráqueas e só agora é que retorno ao mundo. Então voltei a ver tevê e ler as notícias e… tomei um susto! Putz, parece que de repente o caminhão da Ceasa virou na curva e fomos esmagados por uma avalanche de mulheres-comida.
Quando o cidadão finalmente consegue sair de baixo dos 120cm de abundância da Mulher-Melancia, puff, enfia o pé na Mulher-Jaca e depois, tôin, recebe uma peitada da Mulher-Melão e, nhac, vai parar entre as sobrecoxas da Mulher-Filé, e aí já saímos da seção de frutas e estamos na churrascaria, onde reina a Mulher-Rodízio, e se o cidadão for vegetariano, não precisa entrar em pânico pois ainda tem a Mulher-Samambaia.
Aí aparece a Martha Medeiros, que é uma fofa e escreve bem, pra dizer que prefere ser a Mulher-Banana, que é aquela que é uma boba e fica chocada com a degradação feminina e acha que não faz a menor diferença pros homens se a mulher tem 90cm ou 120cm de bunda… Ops. Se o homem for brasileiro, faz diferença sim, Marthinha. Quer ver, faça uma enquete: você, homem do sexo masculino, prefere os 120 da Andressa Soares ou os 90 da Giselle Bundchen?
Ah, leitorinha, vou meter minha colher mais profundamente nesse panelão. Vulgaridade, degradação feminina, prejuízo à imagem da mulher, hummm, não sei, isso tudo é relativo. Prefiro me ater a outro aspecto da questão. Veja o biotipo dessas mulheres-comida: são todas fornidas, gostosas, curvilíneas, suculentas. São o oposto sabe de quê? Dos féxon-uíques da vida, com sua mórbida ênfase no magricelismo.
Quer saber? Essa onda de mulher-comida tem meu toootaaal apoio. Porque parece ser uma natural reação da sociedade à ditadura da magreza, argh, essa coisa estúpida que convenceu as mulheres a se transformarem em retilíneas e desnutridas musas de cemitério, um bando de mulher-esqueleto, todas condenadas a violentar a natureza de seu corpo e a viver eternamente esfomeada. Ou seja, querem transformar a mulher numa assombração.
Mulher-comida por si só já se explica: é gostosa, dá água na boca, faz a gente babar. Mulher-esqueleto dá medo, faz a gente rezar. Carne e fruta são comida e comida é vida. Osso é cardápio de enterro. Uma é alimento e apetite, a outra é triste privação. Retas são previsíveis, tão monótonas que só se encontram no infinito das passarelas. Curva não, curva é mistério, é onde a gente derrapa e se perde no meio delas. A reta é o concreto da secura. A curva é a fartura do sertão.
Bem, que cada mulher seja feliz com o corpo que ela prefere ter. E, obviamente, tem gosto pra tudo. Mas, cá pra nós, leitorinha: essa ditadura da magreza só pode ser algo criado por quem na verdade não ama as mulheres. E quem alimenta essa ditadura quer torná-las escravas de um ideal estético que é irreal, inalcançável, totalmente antinatural e prejudicial à saúde física e psicológica. Por tudo isso, é receita infalível pra infelicidade.
Mas eu sei que tudo isso que falo é inútil pras mulheres que são zumbis da moda esquelética e adoram saber que as outras estão mooortas de inveja de seu corpo supernamoda. Se elas são felizes assim…
. Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com
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Queremos mulher carnuda – Infelizmente muitas de vocês estão tão paranóicas que se excitam mais com dieta que com sexo
Privada fashion week – Eu juro que tenho medo delas, parecem aqueles esqueletos de filme de assombração
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As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar
AS FOGUEIRAS DE BELTANE
. Já conheço este vento. Sei o que ele traz. Fecho os olhos, ainda ansiosa. Respiro profundamente, tentando espantar o medo… Todo ano é sempre a primeira vez.
Uma pequena serpente se aproxima, trazendo sua bênção. A Lua descansa por trás de uma nuvem. Toda a floresta está em respeitoso silêncio. Ouço apenas o murmúrio do fogo à minha frente e acompanho a dança suave das labaredas. E ao redor, mais afastadas, vejo brilharem as outras fogueiras. Não estou só.
Logo escuto o som de sua chegada, os cascos de seu cavalo pelo chão da floresta. Um arrepio me percorre o corpo sob o vestido, como um prenúncio do que virá… Estou pronta para o ritual.
Imponente, enfim ele surge entre os carvalhos, o porte altivo de cavaleiro. Aproxima-se em passo lento. Não vejo seu rosto, mas sei que está compenetrado, pois é um iniciado e sabe a importância do que fará.
A Lua então comparece, deitando seu manto prateado sobre a relva, e sua presença me fortalece. Ele desce do cavalo e caminha em minha direção, o passo pesado de homem, a espada cruzada sobre suas costas.
Nesse momento, o vento lhe dá as boas vindas e o fogo crepita seu nome. Ele para diante de mim. É mais jovem do que eu esperava. E é tão belo… Ele põe-se de joelho, reverente. Toco sua fronte e através de mim a Grande Mãe abençoa o cavaleiro, permitindo que ele participe dos mistérios dessa noite. Eu vim, filha da Deusa…, ele pronuncia as palavras do ritual. Mas percebo que está nervoso, talvez seja sua primeira vez. Então ergo meu cavaleiro e falo docemente para seus olhos: Desde o início dos tempos eu te esperei…
As labaredas crescem quando nos damos as mãos e saudamos a Deusa, agradecendo a dádiva de sermos instrumentos de sua vontade. Ofereço-lhe morangos e cerejas e entoamos baixinho a cantiga que fala da Terra fecunda. Em nossos corpos se celebrará mais uma estação, o mistério da vida que se renova.
Chamo-o para perto do fogo. Ponho-me de pé à sua frente. Ele faz cair meu vestido, que desliza suave sobre meu corpo até o chão. Nua e entregue, sinto a presença divina e fecho os olhos para recebê-la. E mais uma vez o mistério se renova: sou a própria Deusa, sem deixar de ser sua serva. E sei que é assim que agora ele me vê, a mistura inexplicável, mãe e filha num só corpo.
As mãos do cavaleiro me tocam os cabelos como se pedissem licença. Depois emolduram meu rosto e assim ficam, como se me quisessem guardar no quadro da memória. Sinto sua boca em meus seios, eu árvore generosa, carregada de frutos maduros para sua fome. Sou posta no chão por seus braços fortes, eu cálice e oferenda, deitada no altar da relva macia. Vem, meu cavaleiro…
Muitos são os mistérios que habitam a alma feminina, tantos quanto as estrelas do firmamento. E poucos os homens que ousam percorrê-los. Porque instintivamente sabem que se perderão. Mas meu cavaleiro já consagrou sua vida à Deusa e é ela quem lhe permite conhecê-la mais de perto, sentir seu aroma, tocar-lhe a fenda que protege a gruta da vida e da morte, afastar as cortinas do santuário e unir-se a ela em carne e espírito…
Percebo que ele vacila, extasiado, atingido em cheio pela imagem do mistério. Então, pela autoridade a mim atribuída, puxo-o com força e meu grito acende de vez a fogueira dentro do meu corpo. O cavaleiro me abraça e me envolve e nossos suores e salivas se misturam e já não sei mais o que é ele e o que sou eu. É a alquimia sagrada que transmuta a matéria, que faz de um mais um, três.
Ele percorre meu interior como a ávida planta que fuça a terra. E eu, terra fértil, recebo sua raiz e me deixo preencher. Ele serpenteia por dentro do meu corpo como o alegre rio que dança sobre a terra. E eu, terra sedenta, recebo sua água e me deixo inundar.
Luas, muitas luas… Estrelas, milhões delas luzindo pelo meu ser… Assim em cima como embaixo… Sou a noiva do casamento sagrado entre a Terra e o Céu…
Lentamente, o corpo do cavaleiro se separa do meu. Ele me dá um último beijo e adormece abraçado a mim, criança bela e pura. Ao amanhecer, ele irá e eu recolherei o orvalho das flores, saudando a primavera e agradecendo pela boa colheita que teremos.
O fogo ainda queima, protegendo nossos corpos do frio da madrugada. Abençoada e feliz, agradeço à Deusa a honra de servi-la. E me uno ao belo cavaleiro no descanso sagrado dos filhos da Terra.
A mulher selvagem– Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres
As quarenta raposas – Um silêncio vindo de fora do tempo caiu sobre sua figura altiva e naquele eterno segundo ela foi o anjo vingador: belo, justo e implacável.
A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é
Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse
Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?
Medo de mulher– A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará
Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há
Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.
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LIVROS
Mulheres que correm com os lobos– Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)
A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)
O feminino e o sagrado– Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010)
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COMENTÁRIOS .
01- Ola Ricardo Lindo texto…de suave expressão mas com forte alma da realidade! Sandra A. Dehn, Cuiabá-MS – fev2006
02- Ricardo: Depois de ler o conto do mês ( acho que é mais que crônica este ), achar que um homem ,que escreve como vc, sobre os mais íntimos sentimentos femininos é gay é brincadeira! Bjs. Guinha Lima, Rio de Janeiro-RJ – fev2006
03- Maravilhoso!!!!! Não sei explicar o motivo, mas fiquei arrepiada ao ler esse conto, li duas vezes e tive a mesma sensação, não se é pq foge do convencional ou pq é um mundo desconhecido… Lua Morena, Brasília-DF – fev2006
04- Olá Rick, Lndo!!! muito bom! parabéns. Gênea Garcia, Porto Alegre-RS – fev2006
05- Ôi, que coisa linda! Baixou Chico Buarque foi? Muito lindo. nem parece ter sido escrito por um homem… bjs, Íris Medeiros, Campina Grande-PB – fev2006
06- Ricardo, parabéns! Texto perfeito. Vc captou com aguda sensibilidade o momento do Encontro Sagrado. Tou pasma! É isso mesmo! Simone Abreu, Rio de Janeiro-RJ – fev2006
07- Essa estoria tem poder de encantamento !!! E’dessas que da vontade de filmar … Eu queria ser a personagem principal ( hum ! ) Nao sobra nada parecido com isso pra atriz aqui? Andrea Paola, Rio de Janeiro-RJ – fev2006
08- Esse texto tem alguma coisa a ver com As Brumas de Avalon?? parece uma cena do filme, só que com mais detalhes de uma passagem do mesmo… Bjs. Rosângela, São Paulo-SP – fev2006
09- beleza, tava com uma grande inspiração. muito bonita. José Everton de Castro Junior, Brasília-DF – fev2006
10- Vim para dizer que fiquei extremamente apaixonada pelo seu conto AS FOGUEIRAS DE BELTANE… é apaixonante.. fiquei completamente envolvida por ele… Faço faculdade de Historia e a parte dela que mais amo é a Historia Antiga e Medieval.. minhas Pós-Graduações serão nessas áreas.. E como seu conto tem cavaleiros.. Florestas.. e sem contar o fato da “Deusa”, é maravilhoso!!!!!! Caso tenha mais contos, historias ou livro nesse assunto, por favor, não exite em me mandar.. rsrs Estou ficando super fã do seu trabalho e ainda desejo um dia poder te conhecer. Karyne Goulart, Nova Iguaçu-RJ – fev2006
11- Olá… obrigada pela Crônica… foi p mim (rssssssss)??? bjos e é + q linda!!! Rose Gasparetto, São Paulo-SP – fev2006
12- Que qué isso, meu amigo… Arriégua, maxu… Nan.. Chega me deu foi um calor… rsrs. Jéssica Giambarba, Fortaleza-CE – fev2006
13- Fiquei extasiada pelo texto. É muito bonito e especial. Parabéns!!!! Obrigada por me premiar com textos seus. Bjinhos. Mariucha Madureira, Brasília-DF – fev2006
14- Esse seu conto está mesmo lindo! mt mágico, etéreo mesmo. Edilene Barroso, Campinas-SP – mar2006
15- O texto mais lindo que li de uns tempos para cá. Não sei quanto, pode ser um mês ou 10 anos. Muito obrigado. Pedro Camargo, Rio de Janeiro-RJ – mar2006
16- Ler sua inspiração é poder viajar e transceder para uma terceira dimensão,A sua musa inspiradora é no mínimo abençoada pa ra poder gerar tamanha criatividade.Grato sou a existência da internet que me possibilitou chegar até vc e grata te sou por me permitir compartilhar com o fruto do teu ser, através de tuas palavras escritas. Diva, Macapá-AP – mar/2006
17- Oi Ricardo.Cara, tinha que te adicionar depois do conto que li na comunidade”AS Brumas de Avalon”.O que posso dizer?Simplesmente lindo, perfeita descrição da sexualidade como sagrada.Tudo que vc escreve é tão bom assim?rs…Sou psicóloga junguiana, e acho que podemos ter assunto para bons papos.Abraços. Daniela Bernardes, São Paulo-SP – mar2006
18- Acabei de ler “As fogueiras de Beltane” li ,re-li.. perdi a conta de quantas vezes voltei a ler.. igual acontece com “Mulher Selvagem”.É mágico…lindo! Entro no conto.. e sonho 😉 Sei que é pretensão, mas me vejo nos textos…rs (todas nós nos vemos não é?) Bjs. Joana d`Arc, São Bernardo do Campo-SP – mar2006
19- Olá Ricardo, tudo bem? conheci seu trabalho hoje, e me encantei com sua leveza e inteiro envolvimento com a alma feminina e os assuntos da alma, de modo geral. não sei lhe explicar o motivo, mas ao ler seu conto As Fogueiras de Beltane, me invadiu uma “inspiração” em reescrevê-la, se me permites? Como o cavaleiro, narrando esse encontro…
O FOGO DE BELENOS (trecho)
Que o fogo nos aqueça, que o fruto sagrado brote, que a força da vida cresça
Sou o Deus cornudo, meu falo aguça tua terra preparando-a para o plantio, te invado!
Deleite, puro… ó Deusa
Sinto jorrar a luz do meu ser, no chão verde em ti sou o consorte viril, fálico
Exausto, ergo-me lentamente e despeço-me de seus lábios macios e tenros.
O ciclo se fecha, para o recomeço, é a roda da vida!
Que venha a colheita!!!
Assim seja!!! Angélica Gonçalves, São Paulo-SP – mai2006
20- Olá Ricardo, gostei muito do seu conto “AS fogueiras de Beltane!” Muito bom mesmo! Eu me interessei em ler seu conto por ter uma amiga pagã e ela muitas vezes me explica como eram os rituais. Além disso, já li algumas coisas a respeito. Bom, e foi uma surpresa saber que além do conteúdo interessante, você (o narrador) encarna o espírito feminino de uma forma única. Adorei suas figuras de linguagem, principalmente para descrever “certas” cenas. Um grande abraço! Raquel Souza, Poços de Caldas-MG – out2006
21- nossa que fantástico adorei….. hummmm.. sinto-me vivendo este momento…como uma dança cósmica…o conto me inspira a continuar….o intimo é difícil de explicar..somente um artista sabe expor com clareza… Elaine Simione, São Paulo-SP – mai2007
22- Se você ainda tem muito a aprender não sei, mas está na estrada certa. Impressionante a tua sensibilidade com relação ao sagrado feminino. Digo com certeza que consegue sentir mais até que muitas mulheres que eu conheço. Interessante pro teu livro falar sobre o resgate do sagrado feminino, da harmonia da mulher com suas fases e faces, com seus ciclos e luas. Mas, me diga, e você, quem levaria para as fogueiras de Beltane? Um abraço! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – set2007
23- Adoro esse texto! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – set2011
25- Adoro esse conto. Alana Alencar Goodwitch, João Pessoa-PB – out2011
26- Juliana Silva Acho que ele é Wiccano *–* Juliana Silva, Salvador-BA – jan2014
27- ah, Ricardo. Eu amo o seu trabalho!!! Sempre que esbarro em um texto desse porte, vou verificar o autor e vejo teu nominho lá. Já não é de hoje!!! Thalita Leal, Osasco-SP – jun2020
Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres
A MULHER SELVAGEM
. Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível… mas que também agride o olhar. É um tipo raro e não tem habitat definido: vive em Catmandu, mora no prédio ao lado ou se mudou ontem para Barroquinha. E não deixou o endereço. É ela, a mulher selvagem.
Em quase tudo ela é uma mulher comum: pega metrô lotado, aproveita as promoções, bota o lixo para fora e tem dia que desiste de sair porque se acha um trapo. Porém em tudo que faz exala um frescor de liberdade. E também dá arrepios: você tem a impressão que viu uma loba na espreita. Você se assusta, olha de novo… e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim. É a mulher selvagem.
A sociedade tenta, mas não pode domesticá-la, ela se esquiva das regras. Quando você pensa que capturou, escapole feito água entre os dedos. Quando pensa que finalmente a conhece, ela surpreende outra vez. Tem a alma livre e só se submete quando quer. Por isso escolhe seus parceiros entre os que cultuam a liberdade. E como os reconhece? Como toda loba, pelo cheiro, por isso é bom não abusar de perfumes. Seu movimento tem graça, o olhar destila uma sensualidade natural… mas, cuidado, não vá passando a mão. Ela é um bicho, não esqueça. Gosta de afago, mas também arranha.
Repare que há sempre uma mecha teimosa de cabelo: é o espírito selvagem que sopra em sua alma a refrescante sensação de estar unida à Terra. É daí que vem sua força e beleza. E sua sabedoria instintiva. Sim, ela é sábia, pois está em harmonia com os ritmos da Natureza. Por isso conhece a si mesma, sabe dos seus ciclos de crescimento e não sabota a própria felicidade. Como todo bicho, ela respeita seu corpo, mas nem sempre resiste às guloseimas. Riponga do mato, gabriela brejeira? Não necessariamente, a maioria vive na cidade. E há dias paquera aquele pretinho básico da vitrine. E adora dançar em noite de lua. Ah, então é uma bruxa… Talvez, ela não liga para rótulos. Sabe que a imensidão do ser não cabe nas definições.
Mulheres gostam de fazer mistério. Ela não, ela é o mistério. Por uma razão simples: a mulher selvagem sabe que a vida é uma coisa assombrosa e perfeita, e viver, o mais sagrado dos rituais. Ela sente as estações e se movimenta com os ventos, rindo da chuva e chorando com os rios que morrem. Coleciona pedrinhas, fala com plantas e de uma hora para outra quer ficar só, não insista. Não, ela não é uma esotérica deslumbrada, mas vive se deslumbrando: com as heroínas dos filmes, aquela livraria nova, um presente inesperado… Ela se apaixona, sonha acordada e tem insônia por amor. As injustiças do mundo a angustiam, mas ela respira fundo e renova sua fé na humanidade. Luta todos os dias por seus sonhos, adormece em meio a perguntas sem respostas e desperta com o sussurro das manhãs em seu ouvido, mais um dia perfeito para celebrar o imenso mistério de estar vivo.
Ela equilibra em si cultura e natureza, movendo-se bela e poética entre os dois extremos da humana condição. Ela é rara, sim, mas não é uma aberração, um desvio evolutivo. Pelo contrário: ela é a mais arquetípica e genuína expressão da feminilidade, a eterna celebração do sagrado feminino. Ela está aí nas ruas, todos os dias. A mulher selvagem ainda sobrevive em todas as mulheres, mas a maioria tem medo e a mantém enjaulada. Ela é o que todas as mulheres são, sempre foram, mas a grande maioria esqueceu.
Felizmente, algumas lembraram. Foram incompreendidas, sim, mas lamberam suas feridas e encontraram o caminho de volta à sua própria natureza. Esta crônica é uma homenagem a ela, a mulher selvagem, o tipo que fascina os homens que não têm medo do feminino. Eles ficam um pouco nervosos, é verdade, quando de repente se veem frente a frente com um espécime desses. Por isso é que às vezes sobem correndo na primeira árvore. Mas é normal. Depois eles descem, se aproximam desconfiados, trocam os cheiros e aí… Bem, aí a Natureza sabe o que faz.
Publicada no Facebook (em minha página oficial, facebook/ricardokelmerescritor) em 2015, a crônica A Mulher Selvagem é o meu texto mais comentado e compartilhado, com mais de 6 mil compartilhamentos e mais de 1 mil comentários. Veja aqui.
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MAIS SOBRE O FEMININO SELVAGEM
A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é
Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse
Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?
As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar
Medo de mulher– A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará
Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há
Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido
Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.
Mulheres que correm com os lobos– Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)
A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)
Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas
Alma Una
(clipe da música de Ricardo Kelmer e Flávia Cavaca)
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(in english)
THE WILD WOMAN Ricardo Kelmer
Her beauty is skittish, aloof to fads. She charms by an indefinable something… but which is also aggressive to the eye. She is a rare type, as she does not have a defined habitat: she may live in Kathmandu or in the next-door building, or maybe she moved yesterday to some little town far away. And left no contact. She is the wild woman.
She is a regular, ordinary woman in almost everything: she catches the crowded subway, she enjoys sales, she takes out the garbage and there are days in which she does not go out because she feels like a rag. However, everything she does has this freshness of liberty. And she also gives goosebumps: you have the feeling of facing a wolf on the prowl. You are startled, you look again… and then you see the sweet friendly woman, charmingly fixing her hair, almost a little girl. But for a second you saw the wolf. Yes, you did. She is the wild woman.
Society tries, but fails to tame her, she evades the rules. When you think you have caught her, she escapes like water between your fingers. When you think you have finally got to know her, she comes with another surprise. She has a free soul and she will only submit herself when she wants. She chooses her partners among those who worship freedom. And how does she know them? Like any wolf, by the smell, so it is better not to use too much perfume. Her body moves gracefully, her look distills a natural sensuality… but, beware, do not touch. She is an animal, don’t forget. She likes cuddling but she can also scratch.
Note that there is always a wayward lock of hair: it is the wild spirit that blows into her soul the refreshing feeling of being connected to the Earth. From there come her strength and beauty. And her intuitive wisdom. Yes, she is wise, as she is in harmony with the rhythms of Nature. That is why she knows herself, knows about her growth cycles and does not sabotage her own happiness. As all animals she respects her body, but does not always resist goodies. Woodland hippie or countryside hillbilly? Not necessarily, most of them live in the city. And for days she has been flirting with that basic black dress in the shop window. And she loves to dance in the moonlight. Oh, she is a witch then… Maybe, she does not care for labels. She knows that the immenseness of being is beyond definitions.
Women love to make mystery. Not she, she is the mystery. For a simple reason: the wild woman knows life is amazing and perfect, and living is the most sacred of rituals. She feels the seasons and moves with the winds, laughing at the rain and crying with the dying rivers. She collects pebbles, talks to plants and, from a moment to the next, she wants to be alone. Do not insist. No, she is not a dazzled esoteric, but she keeps being dazzled: by movie heroines, by that new bookstore, by an unexpected gift… She falls in love, dreams awake and loses her sleep over love. The wrongs of the world anguish her, but she takes a deep breath and renews her faith in mankind. Every day, she fights for her dreams, falls asleep among questions without answers and wakes to the whisper of morning in her ears, another perfect day to celebrate the intense mystery of being alive.
She keeps her balance between culture and nature, moving beautiful and poetic between the two extremes of the human condition. She is rare, but she is not an anomaly or an evolutionary defection. On the contrary: she is the most archetypical and genuine expression of femininity, the timeless celebration of the sacred feminine. She is right there, on the streets, every day. The wild woman still survives in all women, but most are afraid and keep her in a cage. She is what all women are, have always been, but the vast majority has forgotten.
Fortunately, some have remembered. Yes, they were misunderstood, but they have licked their wounds and have found the way back to their own nature. This chronicle is a tribute to her, the wild woman, the type that fascinates men who are not afraid of the feminine. They get a bit nervous, true, when suddenly confronted with such a female specimen. That is why these males sometimes rush to climb the nearest tree. But that is normal. A little later they climb down, shyly approaching, they exchange smells and then… Nature knows her ways.
(TRADUÇÃO: J Rodolfo Lima)
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(en español)
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LA MUJER SALVAJE Ricardo Kelmer
Su belleza es arisca, apartada de los modismos. Ella encanta por un no-sé-qué indefinible… pero también agrede la mirada. Es un tipo raro y no tiene habitat definido: vive en Catmandu, en el edificio de al lado o se trasladó ayer para Barroquinha. Y no dejó la dirección.
La mujer salvaje en casi todo es una mujer sencilla: coge el metro abarrotado de gente, aprovecha las rebajas, saca la basura y hay días en que desiste de salir porque se ve un guiñapo (se ve… hecha un trapo). Sin embargo en todo lo que hace exhala un frescor de libertad. Y también da escalofríos: tienes la impresión de que has visto a una loba al acecho. Te asustas, miras de nuevo… y quien está allí es la mujer dulce y simpática, arreglándose el pelo, casi una niña. Pero por un segundo viste la loba, la viste sí. Es ella, la mujer salvaje.
La sociedad intenta pero no puede domesticarla, ella evita las reglas. Cuando tú piensas que la capturó, se escapa como agua entre los dedos. Cuando piensas que finalmente la conoce, ella sorprende otra vez. Tiene el alma libre y solo se somete cuando quiere. Por eso escoge su pareja entre los que cultivan la libertad. ¿Y cómo los reconoce? Como toda loba, por el olor, por eso es bueno no abusar de los perfumes. Su movimiento tiene gracia, la mirada destila una sensualidad natural – pero, cuidado, no vayas pasándole la mano. Ella es un bicho, no te olvides. Le gusta el halago pero también araña.
Repara que hay siempre un mechón terco en su pelo: es el espírito salvaje que sopla en su alma la refrescante sensación de estar unida a la Tierra. Es de ahí que viene su belleza y fuerza. Y su sabiduría instintiva. Sí, ella es sabia pues está en armonía con los ritmos de la Naturaleza. Por eso se conoce a si misma, sabe de sus ciclos de crecimiento y no sabotea la propia felicidad. Como todo bicho ella respeta su cuerpo pero ni siempre resiste a las golosinas. ¿Una hippie del mato, gabriela del charco? No necesariamente, la mayoría vive en la ciudad. Y hace días coquetea aquel vestidito negro básico de la vitrina. Y le encanta bailar en noche de luna llena. Ah, entonces es una bruja… Tal vez, ella no se interese por las etiquetas. Sabe que la inmensidad del ser no cabe en las definiciones.
A las mujeres les gusta hacer misterio. Ella no, ella es el misterio. Por una razón simple: la mujer salvaje sabe que la vida es una cosa asombrosa y perfecta y vivir el más sagrado de los rituales. Ella siente las estaciones y se mueve de acuerdo con los vientos, riendo de la lluvia y llorando con los ríos que mueren. Colecciona piedritas, habla con plantas y de una hora a otra quiere quedarse sóla, no insistas. No, ella no es una esotérica deslumbrante pero vive deslumbrándose: con las heroínas de las películas, aquella librería nueva, el CD de aquel cantante… Ella se apasiona, sueña despierta y tiene insomnio por amor. Las injusticias del mundo la angustian pero ella respira profundo y renueva su fe en la humanidad. Lucha todos los días por sus sueños, adormece en medio de preguntas sin respuestas y se levanta con el susurro de las mañanas en su oído, un día más, perfecto para celebrar el inmenso misterio de estar vivo.
Ella equilibra en si cultura y naturaleza, moviéndose bella y poética entre los dos extremos de la humana condición. Ella es rara, sí, pero no es una aberración, un desvío evolutivo. Por el contrario: ella es la más arquetípica y genuina expresión de la feminidad, la eterna celebración del sagrado femenino. Ella está ahí en las calles, todos los días. La mujer salvaje todavía sobrevive en todas las mujeres pero la mayoría tiene miedo y la mantienen enjaulada. Ella es lo que todas las mujeres son, siempre lo fueron, pero la gran mayoría se olvidó.
Felizmente algunas lo recuerdan. Fueron incomprendidas, sí, pero lamieron sus heridas y encontraron el camino de vuelta a su propia naturaleza. Esta crónica es un homenaje a ella, la mujer salvaje, el tipo que fascina a los hombres que no tienen miedo de la femeneidad . Ellos se ponen un poco nerviosos, es verdad, cuando de repente se ven delante de um espécimen de estos. Por eso es que a veces suben corriendo en el primer árbol. Pero es normal. Después se bajan, se aproximan desconfiados, cambian los olores y ahí… Bueno, ahí la Naturaleza sabe lo que hace.
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COMENTÁRIOS .
Desde 2004, quando esta crônica foi escrita, os comentários a acompanham, mostrando que felizmente o arquétipo do feminino livre continua vivo e atuante na psique das mulheres do nosso tempo. Obrigado a você pelo incentivo e pelo carinho. .
01- olá, R. Kelmer… Como estás? Espero que estejas bem e que sua viagem de volta ao Rio tenha sido boa. A crônica que você nos deu sobre a mulher selvagem é muito boa, adorei!!!!! Quer um conselho? coloque-a também disponível no seu site. Luciana Holanda – Campina Grande-PB – fev2005
02- Salve Ricardo, li teu texto, achei muito bonito… me fez lembrar de uma pessoa muito querida, minha esposa, alguem que era assim… esse frescor, essa leveza e força… Alguem que não está mais aqui… Que me mostrou a maravilha e o assombro de estar vivo… Que me mostrou como viver e como partir… Obrigado. Um abraço. Nelson, Rio de Janeiro-RJ – fev2005
03- Ricardo, olá! Quero lhe agradecer pelas noticias, sempre inteligentes e deliciosas. Estilo RK!As mulheres selvagens superaram tudo. Não é rpeciso dizer o quanto você capta o instinto das MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS, as mulheres selvagens que resistem, apesar de toda “domesticação”. Lindo! Voc~e e Chico Buarque têm algo de comum, e especial: A grande sacação do universo feminino. Aproveite! Isso é um dom.São poucos e privilegiados os que dela desfrutam. Um beijo, saudades. Rejane Reinaldo, Fortaleza-CE – fev2005
04- Oi Ricardo, tudo bem? O teu texto me lembrou um livro intitulado : “Mulheres que correm com os lobos: mitos e arquétipos da mulher selvagem”. Você conhece? Vi tuas fotos. Uma graça. Beijos.Valeska Maia, Fortaleza-CE – fev2005
05- Oi, Ricardo. Obrigada pela gentileza de me responder e, principalmente, pela indicação do artigo (excelente) sobre as “mulheres selvagens”. Sua musa inspiradora está de parabéns – porque não creio que alguém que fale, como você, sobre a alma feminina, não tenha uma musa inspiradora. À propósito, seu site está muito bem montado e sua foto está encantadora. Espero continuar recebendo notícias sobre seus artigos e livros. Um abraço. Carinhosamente, Thaisy, Campina Grande-PB – fev2005
06- Acabei de ler seu artigo, eu e a tigresa dentro de mim… obrigado pela lembrança… Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – mar2005
07- A suposta face insustentável na pele que almeja / Quando de círculos traçam seus segredos / Involuntariamente aquece a cavidade mais esposta que a cor / femali / Uma breve alucinação retornando ao selvagem comportamento humano / Humanamente inormal
Uma reverência a uma artísta que transpira exatamente a dualidade do selvagem e doce (björk), minha referência musical mais pertinente. Dica movie: Se você não viu ainda, assista dançando no escuro! Nila DJ Hunter, Campina Grande-PB – mar2005
08- Eu adorei teu texto sobre a mulher selvagem (acho que sou uma delas ehehehehehe). A ilustração também está ótima… Besos. Beatriz Nogueira, Brasília-DF – mar2005
09- Oi Homem Sexy da internet, bom diiiiia! Só um apaixonado por Jung para ter a sensibilidade de nos fazer uma homenagem como essa. Em mim, cada frase lida fez vibrar e ressoar na cadeia de DNA que me compõe a certeza de que vc escreveu pensando em todas as mulheres selvagens que vc reconhece, inclusive eu. Sim,pq é necessário um homem-lobo tb de natureza selvagem para nos emocionar e fazer chorar logo na segundona de manhã… Há alguns anos que Mulheres que Correm com os Lobos é o meu livro de cabeceira e talvez tenha sido o que me salvou do relacionamento mais louco e construtivo de mim mesma que já vivi. Se vc permitir quero ler sua crônica em um evento na Escola de Saúde Pública no Dia Internacional da Mulher. Bj selvagem. Dijé, Fortaleza-CE – mar2005
10- É isso aí, caro Ricardino! A mulher é um bicho selvagem, e se esqueceram disso. Os homens também, mas não esqueceram… Abraço. Luis Pellegrini, São Paulo-SP – mai2005
11- Me senti a própria, sou bem assim….., mas nunca imaginei que isto fosse uma mulher selvagem. Como vai tudo aí? Saudades, beijos mil…………… Cristina Cabral, Fortaleza-CE – mar2005
12- Ricardo… Adorei sua crônica sobre as mulheres que são selvagens. He,he,he. Pra falar a verdade acho que todas as mulheres são, mas não se assumem como selvagens. Eu me idetifiquei com a crônica. Ah! Estou lendo um livro seu: Baseado Nisso, peguei emprestado com um amigo (estou gostando muito). Estou esperando receber dinheiro para comprar os outros. Acho que vou encomendá-los pela net. Beijos… Mellina, Campina Grande-PB – mar2005
13- amigão kelmer,só quem tem uma “loba”por perto sabe a grandeza de viver e sentir os uivos marcantes de um ser tão especial e singular.Teu texto transmite tudo que vivo e sinto ao lado dela “a loba”. Abraços, Paulinho Leme, Fortaleza-CE – mar2005
14- Grande Kelmer, adorei a cronica. conheço algumas dessas “bichas” e realmente sao fantasticas. Mas tu deverias por tipo assim…envie para um amigo. Grande abraçø! roque santeiro lhe aguarda… Amaro Penna, Fortaleza-CE – mar2005
15- Olá Kelmer. Adorei sua crônica sobre a mulher (ou sobre um tipo de mulher). Fiquei surpresa com a perspicácia de seu olhar sobre o feminino. Parabéns pelo texto. Um abração. Simone Bringhenti, Rio de Janeiro-RJ – mar2005
16- Sim-ples-men-te ge-nial a crônica da mulher selvagem. Meu caro, eu conheci uma e no final tive medo e subi na árvore. Às vezes tenho vontade de descer… mas com o passar do tempo a floresta se torna cada vez mais perigosa. um abraço. Wiron, Fortaleza-CE – mar2005
17- Adorei!! Como você é profundo e consegue descrever a alma feminina assim? Visitei o seu site e assim pude conhecê-lo um pouco melhor, fiquei maravilhada!! Como é bom poder compartilhar dos seus escritos,mais uma vez: Muito prazer em lhe conhecer!!! Beijos e obrigada pela homenagem! Renata Fiorinni, Rio de Janeiro-RJ – mar2005
18- Sou eu, sua ex-colega, colaboradora do programa Por Uma Cultura de Paz, da Rádio Universitária FM, que toda quinta de lua cheia fala sobre a cultura do feminino. Lembra de mim? Acabei de ler a crônica sobre a mulher selvagem e gostei tanto que resolvi te escrever só pra agradecer, pois nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, poucas vezes me senti tão integralmente homenageada como hoje. Um abraço. Milena Aguiar, Fortaleza-CE – mar2005
19- Rika, Não tenho palavras pra expressar o meu sentimento ao ler A Mulher Selvagem. É exatamente assim mesmo, com todas as mulheres. É isso mesmo que devemos ter güardado dentro de nós. Não podemos deixar que essa “Mulher Selvagem” fique reprimida dentro de nós sem poder se manifestar de vez em quando….Parabéns e obrigada por sua sensibilidade. Ler sua crônica foi um lindo presente no nosso dia. Valeu, Rika! Continue escrevendo….. Anabela Alcântara, Fortaleza-CE – mar2005
20- Olá Ricardo. Anos depois de me recomendares o livro da Clarissa Pinkola, “mulheres que correm com os lobos”, ele foi finalmente publicado em Portugal e eu comprei. E li todas aquelas 400 páginas. Adorei cada uma delas, e eis-me agora deliciada com o teu texto: é esta a Mulher. Muito obriagada pela recomendação e pela excelente homenagem! Beijos. Susana Xavier Mota, Leiria-Portugal – mai2005
21- Caro Ricardo. Você me descreveu perfeitamente em sua crônica “A Mulher Selvagem”. Muito obrigada, porém, não é fácil ser assim, principalmente no que diz respeito aos relacionamentos. Às vezes cansa e dói estar sozinha, ou encontrar uma pessoa que vc acha é que a certa e ouvir que ela tem medo de você. Juro que já tentei mudar, mas não consigo. Esta é minha natureza. Um abraço, Luciana, São Paulo-SP – jul2005
22- Olá Ricardo! Adorei a cronica ‘Mulheres Selvagens’, acho que toda mulher é um pouco selvagem, pois, falta coragem para ser totalmente selvagem, já outras são na sua totalidade, outras ficam totalmente mansas quando se apaixonam, aí perdem o encanto. Os homens adoram mulheres assim, mas ao mesmo tempo fogem, tem medo. Felicidade e sucesso. PatriciaBittencourt, Rio de Janeiro-RJ, jul2005
23- Olá, Ricardo! O Jung me foi apresentado recentemente e comecei a ler “As mulheres que correm com os lobos” anteontem. Ao ler seu texto fiquei tocada, não só pela coincidência, mas por suas palavras em si. Sempre recorro à seus textos quando me vejo distante da mulher selvagem que mora em meu inconsciente coletivo, pois suas crônicas, de modo geral, despertam o espírito de liberdade inerente à ela. Obrigada! Rafaela, Fortaleza-CE – jul2005
24- Olá Ricardo! Gostei muito da sua crônica “A Mulher Selvagem” e posso realmente dizer que me identifiquei com ela. Sei que esta afirmação deve ser “lugar comum” por parte de muitas leitoras. E, certamente, todas têm suas razões para dizê-lo. No entanto, os meus companheiros sempre fizeram alusão a este meu lado selvagem, considerando os mais differentes aspectos que você mesmo pôs em questão. E acabo de ouvir isso de uma pessoa que conheci recentemente e com quem iniciei um relacionamento… Sendo assim, penso que deve haver coerência nesta identificação e na opinião deles. Obrigada pela atenção! Sucesso e um forte abraço! Cristina Moniz, Rio de Janeiro-RJ – jul2005
25- Olá Ricardo. Parabéns pelo texto da mulher selvagem. É de admirar que um homem o tenha escrito, pois não conheço nenhum com sensibilidade para enxergar além da textura da pele. Sei que existem artistas sensíveis, que reproduzem com a mesma competência, a beleza, a dor e a alegria em fotos, telas e textos… mas que em casa são machistas, egoístas, egocêntricos e pouco ou nada sabem da natureza feminina. Um abraço e obrigada por melhorar o meu dia. Marli Myllius, Curitiba-PR – jul2005
26- Como Vai… Ricardo… Tomo a liberdade de te escrever… Adorei teu texto no IG… A mulher Selvagem… Entrei em seu site… e li outros…. Sei que deve receber varios elogios… Mas teu jeito de escrever… achei voce muito…’VOCE… mesmo’. Rita de Cássia, São Paulo-SP – jul2005
27- Boa tarde, Ricardo !!! Meu nome é Lucimar. Ammeeeiiii sua crônica MULHER SELVAGEM. A impressão que tive, que você me conhecia bem no fundo há muito tempo. Você conhece bem as mulheres, heimm ? Você falou de mim. Em tudo. Parabéns. SUCE$$O !!!!!! Lucimar, Vila Velha-ES – jul2005
28- puxa, li sua crônica quase sem querer e reli algumas vezes. não acreditava. Era eu. Nunca ninguem me descreveu tão bem. E a história da lua, ninguem acredita qdo eu comento! Tirando a licença poética do texto minhas “manias estão todas lá”(não tem nada de selvagem ou loba, só uma necessidade muito grande de ser sincera) Por isso me deu uma vontade louca de escrever pra te agradecer. Obrigada, acredito agora que alguém algum dia em algum lugar vai dizer que me entende. Ah, só queria dar um toque sobre algo, a maioria não desce da árvore, ao contrário corre pra casa. Parabéns e Obrigada. Lara, São Paulo-SP – jul2005
29- Olá, Ricardo estou lhe escrevendo para dizer que amei de paixão a sua crônica – A mulher selvagem. Em poucas palavras você conseguiu entender e preencher todo o universo feminino tão pouco entendido pelos homens. É muito bom saber que ainda existem homens sensíveis como você e acima de tudo homens com coragem de assumir sua sensibilidade. Um beijo em seu coração, com admiração. MarisaFeliciano, Belo Horizonte-MG – jul2005
30- Olá Kelmer! (intima) Como você pôde escrever um texto sobre mim sem ao menos me conhecer pessoalmente, fiquei pasma, brincadeira, adorei o texto e acho que não só eu, mais a maioria das mulheres sentiram a mesma coisa. Muito bom mesmo. bjs Márcia Morozoff, Brasília-DF – ago2005
31- Gostei demais, pois me identifiquei nessa mulher selvagem, acho que todas as mulheres tem um pouco de loba. Você é demais. Parabéns. Cacilda Luna, Fortaleza-CE – set2005
32- RK você é mesmo um fofo de escrever assim tão lindo das mulheres. Mais uma vez me senti óbvia ao que você escreve. Beijo Samsara, Alto Paraíso-GO – out2005
33- Esse texto é maravilhoso, como vc pode entender tanto da alma feminina, hein? Fantástico! Bjs. Luana Rosler, Rio de Janeiro-RJ – nov2005
34- Acabei de ler “A mulher Selvagem” pela enésima vez, e pela enésima vez você me fez sentir mais perto dela. Só queria mesmo te agredecer. Brigada 🙂 Você me fez abrir um sorriso e colocou uma corzinha nessa quarta feira meio cinza. Besitos. Rafaela Almeida, Fortaleza-CE – nov2005
35- Como já disse na Paganismo, amei sua crônica… Vou virar leitora fiel… Bjo! Silene Ferreira, Cuiabá-MT – dez2005
36- Olá, acabei de ler teu texto A MULHER SELVAGEM. Sen-sa-cio-nal! Vc escreve muito bem, tem um texto leve, mas nem um pouquinho superficial. Trata-se realmente de um cronista de primeira. Além disso, o q vc escreveu sbr as mulheres, sinceramente me senti desnuda ali. Vc me descreveu, cara. Costumo dizer q uma mulher pode ser livre, soberana e, ao mesmo tempo, romântica e doce, pq não? Mulher bem resolvida lida com suas várias facetas com naturalidade, sem abdicar de nenhuma, apenas conhecendo os momentos apropriados para fazer uso de cada uma delas. Parabéns! Bjões.Sissi Abreu, Rio de Janeiro-RJ – dez2005
37- Bom dia, Encontrei por acaso sua “Crônica da Mulher Selvagem”.Achei belíssima.Sabe, sou ginecologista e trabalho o dia todo com mulheres e infelizmente, elas n sabem que possuim essa mulher dentro de cada uma delas.Vou copiar seu texto para dar pra algumas pacientes,ok?Um beijo. Maria Elisa, São Paulo-SP – abr2006
38- Eu continuo repassado sua Mulher Selvagem e as clientes te add.Algumas n conseguem mais resgatá-la.é pena.Adorei o Jim Morrison dos pobres.Até mais.Bjs. Maria Elisa, São Paulo-SP – abr2006
39- Olá Ricardo! Uma amiga muito querida, me enviou o texto “Mulher Selvagem”….Li, amei e confesso, me identifiquei bastante…. Beijos. Majô Pasquinelli, São Paulo-SP – mar2006
40- Olá Ricardo 😉 Amo “Mulher Selvagem”,não conseguiria descrever com palavras o significado ou que que ele representa pra mim.. o que sei que é algo encantador. Acabei de ler “As fogueiras de Beltane” li ,re-li.. perdi a conta de quantas vezes voltei a ler.. igual acontece com “Mulher Selvagem”.É mágico…lindo! Entro no conto.. e sonho 😉 Sei que é pretensão, mas me vejo nos textos…rs (todas nós nos vemos não é?) Bjs. Joana d`Arc, São Bernardo do Campo-SP – mar2006
41- Vc me deu uma idéia…rs pensei em fazer uma comunidade pras “mulheres selvagens” e pôr sua crônica como descrição. Posso??? Bom fds!!! Bjus Isabel Doné, Pinhal-SP – abr2006
42- achei maravilhoso o que vc escreveu sobre mulheres selvagens e realmente me identifiquei, me considero assim, parabéns pelo seu talento e por entender tão bem nós as mulheres selvagens beijos Josylene Karynne, São Paulo-SP – mai2006
43- Li sua crônica e noto que seu homem selvagem está bastante preservado,do contrário nao faria uma descricao tao fidedigna de sua parceira….. Celinha Gonçalves, Alemanha – mai2006
44- adorei sua cronnica ! Andrea Perez Pirrillo, São Paulo-SP – jun2006
45- Amo essa sua crônica, parece que foi escrita para mim, sem tirar nem pôr… Ela diz tudo, não falta nada, parabéns pela sensibilidade e maestria ao escrevê-la. Entrei na sua comunidade depois que a li… publiquei ela no meu blog “borboleta mística” sem tirar teus créditos, depois da uma olhada lá! www.borboletamistik.blogspot.com Um beijão pra você. Carolina Salcides, Porto Alegre-RS – jul2006
46- Olá, Ricardo! Seu texto é maravilhoso, uma leitura muito prazerosa. Parabéns pelo seu trabalho! Grande beijo. Alessandra Maria, Brasília-DF– jul2006
47- Ricardo: esta Mulher Selvagem…: SOU EEEEEEUUUUUUUUUUU!!!!! Hahaha…Lindo texto, competentemente elaborado e por alguém que realmente entende de mulher! Fiquei sua fã! E olha que eu sou exigente…rsrs… Luísa Artèse, Rio de Janeiro-RJ – jul2006
48- ola!gostei muito do seu texto. Laisa Soares, Manaus-AM – jul2006
49- Nôssa me identifiquei na hora muito bom!!Aliás sem comentários!!Se no mundo existissem mais pessoas com essa tua capacidade de raciocínio teríamos um mundo bem mais simples e bem melhor!!!Sou sua Fã!! Leila Lima, Curitiba-PR – set2006
50- Estava passando pela comunidade “Inteligência é afrodisíaco” e deparei com um tópico seu, um trecho de uma crônica sua, “A mulher selvagem” e comecei a ler a crônica completa… Então encontrei aqui na sua página outras crônicas q li e adorei!!! Por isso vim aqui deixar uma msg! Acho q pra vc, escritor, deva ser mto bom receber mensagens comprovando o reconhecimento do seu trabalho!!! Parabéns pelos belos textos!!! Beijos. Cynthia, São Paulo – out2006
51- ahhh se os homens tivessem capacidade pra compreender e não subir na árvore……… F@atim@, Comunidade Lobas (Orkut) – nov2007
52- vou ler e guardar com certeza… Lindo o texto. Maristela, Comunidade Lobas (Orkut) – nov2007
53- levantando as patinhas e aplaudindo… clap, clap, clap!!! Silene, Comunidade Lobas (Orkut) – nov2007
54- Oi!!! Vi seu site e quero receber suas newsletter com escritos ou qualquer coisa!!! Tenho uma de suas cronicas em meu perfil do Orkut www.orkut.com/Home.aspx ?xid=14625722405133466994 Aguardo suas cartas!!! Obrigada =) E meus parabéns por transpor em palavras a essência da mulher que é mulher!!! Beijo, Rafaela Pinheiro, Florianópolis-SC – dez2006
55- nossaaaaaaa… nem acredito que te encontrei… Bom conheci cronicas sua através d uma amiga. a primeira que li foi A mulher selvagem… amei e agora to terminando de ler as que tem no site… eu amo escrever, escrevo crônicas sempre tá que são pessimas mais é uma forma de desabafo… Bom só te procurei no orkut pq acabei colocando um trecho da crônica como meu perfil.. e gostaria de saber se não tem problema… vc se importa?! parabéns pelo seu trabalho. Milani Iskandar, Goiânia-GO – dez2006
56- Ola Ricardo, estava eu aqui montando um post para publicar em meu blog em homenageando as mulheres pelo seu glorioso dia. Me deparei com a sua crônica “mulher selvagem” gostei muito! parabens, se tiver sua permissão gostaria de usar partes dela em meu blog! Um grande abraço. E parabéns pelo seu trabalho. Ps.: Se quiser conferir http://www.nadafacil.blogspot.com. Thiago Jede, Três de Maio-RS – mar2007
57- parabéns pelo belíssimo texto!!!! jah dizia o sábio q a pena vence a espada… e a prova disso eh a sensibilidade deste texto, e escrito por um homem!!! Nina, São Paulo-SP – mar2006
58- ….gostei muito… …viva as mulheres selvagens!!! Parabéns pelo ótimo texto q fala e explica tudinho sobre o jeito de nós, mulheres!!!!!Valeu mesmo!!!Amei!!! Patrícia, Hamamtsu-Japão – abr2006
59- Da selvagem: a seiva / da seiva: a vida / da vida:homens e mulheres selvagens em si. Suely Andrade, Brasília-DF – abr2006
60- Não sou eu que procuro, é a mulher selvagem que me encontra. Desde que li o texto pela primeira vez, já nem me lembro mais aonde, que ele está pregado na minha cortiça. E depois o encontrei de novo aqui no orkut, sem procurar. Valeu pela homenagem, Ricardo! Aline Mendes, Rio de Janeiro-RJ – mai2006
61- Acho essse texto fantástico, perfeito e representa muitas mulheres, inclusive nós =P. Paty, Orkut, Meninas Alvim – ago2006
62- Nossa… Até parece que ele nós observa o dia inteiro! Parabéns Ricardo, por ser um profundo conhecedor desta espécie que é tão oprimida, quanto forte… Quando se é selvagem, não a condições de ser de outro jeito! Lisbela, Recife-PE – set2006
63- Muito interessante este texto que vc nos presenteou sobre a mulher selvagem. Principlamente quando o ponto de vista de quem retrata é o homem natural e não o macho contemporâneo, mas´o espírito masculino que sabe enchergar e revelar a mulher selvagem que habita o arquétipo feminino de cada ser mulher. É sempre muito bom poder compartilhar desta troca, ver e ouvir o palpite de quem está do outro lado da margem, pois assim o espelho tem melhor plano de atuação, que é o de refletir e não absorver… Interessante, foi o que senti ao lê-lo e mais do que isto, na prática, hoje me ajudou a resgatar um pouco de tudo isso. Este lado intuitivo e espontãneo que habita em nós. me ajudou muito, literalmente. abs. Eliane, Orkut, Comunidade Ciclos Naturais do Feminino – out2006
64- Nossa… Amei este texto do início… Resgate total da essência… Jaqueline, Orkut, Comunidade Ciclos Naturais do Feminino – out/006
65- Parabéns! Vc conseguiu mostrar o lado selvagem de cada uma de nós mulheres, que é um lado tao importante; com tremenda sensibilidade e rico nos detalhes! Poxa, que homem!!!! Parabéns!!! Gledimar Magalhães Campos, Patos de Minas-MG – jan2007
66- Seu texto nos suga, ao mesmo tempo que nos revela, nos despe,nos mostra em nossa intimidade…poucos homens conseguem penetrar tão fundo na alma das mulheres…parabéns por tamanha sensibilidade. Sidiane Sobrinho, Macapá-AP – abr2007
67- Você estava mesmo muito inspirado quando escreveu A Mulher Selvagem. Tens talento!!! Postei a Mulher Selvagem no meu blog (http://analua.blog.terra.com.br/a_mulher_selvagem) pq quero que toda mulher que passar por lá reconheça a Mulher Selvagem dentro de si mesma.
Vou adorar receber tuas crônicas. Fabiane Ponte, Curitiba-PR – set2007
68- achei legal e interessante !!!! acrescentaria que a mulher é o complemento do homem e vice -versa portanto somos feitos de elementos diferentes, arquetipicamente somos terra a natureza que mantem preserva, cuida, o homem é o ativo ,a iniciativa , a força ,o grande barato é nos concientizarmos que Deus sabe das coisas, por isso passamos a vida inteira desvendando os seus sinais, pois só poderemos entender a sua mensagem quando nos desapegarmos dos conceitos, pré conceitos dos padrões limitantes e fragmentados Acredito que caminhamos bastante e estamos maduros para compreendermos que a reconciliação do femininoo e masculino a paz entre os diferentes e diversos pode ser alcançada, com amor inteligencia e sabedoria bjs. Suzel Maria, Brasília-DF – set2007
69- Ricardo… Vc tem tanta coisa que quando entro aqui nunca sei o que ler…. mas essa da mulher da selvagem, “la que sabe” a que habita em todas nós… parece que andou lendo “Mulheres que correm com lobos”… e claro que como um bom conhecedor de jung, deve ter intimidade com sua “anima”. Parabéns pelo seu trabalho. Bjo. Liz Tramujas, Curitiba-PR – set2007
70- Li ainda a pouco uma crônica sua, fiquei encantada, adorei: A Mulher Selvagem… juro que me vi ali descrita. Parabéns pela sensibilidade na percepção da alma feminina. Gostaria de cadastrar-me em seu blog e conhecer um pouco mais do seu trabalho. Ilde Nascimento, São Luís-MA – fev2009
71- Esse texto seu eu postei no meu blog em 2008, achei por acaso numa das minhas buscas pela net e fiquei completamente apaixonada pela sensibilidade com que você traduziu a alma feminina. Agora em 2010 resolvi rever meus posts e ir eliminando alguns e outros postando novamente no início do blog. E ai reencontrei o seu texto e mais uma vez me apaixonei perdidamente por ele… e então, resolvi postá-lo no inicio do blog em homenagem as mulheres. Vou colocar o seu Blog nos meus preferidos. Nossa foi muito bom eu ter transferido o seu texto para o início do meu blog pois só assim tive a hora de receber a sua visita e conhecer seu blog e seus lindos textos. Muito obrigada! Grande Beijo! Elaine, Niterói-RJ – mar2010
72– tenho várias amigas na mesma situação, com a mulher selvagem aflorada, e sem muitas opções sociais que aceitem ela do jeito que é…rsrsrs Como é bom conhecer pessoas que tenham a mesma compreensão, ou que somente tenham compreensão por nós mulheres…. Boa semana e boas invencionices… Bjs. Sirlei Moletta, Ponta Grossa-PR – mar2010
73- Ricardo, adoorei o texto: “A mulher selvagem” , me identifiquei muito com ele! Engraçadoo… Acabei descobrindo seu trabalho “por acaso” na net, e agora já sou sua fã! rsrs Cada dia que descubro alguma coisa dos seus trabalhos, acabo gostando ainda mais! Andréa Cristina, Natal-RN – set2010
74- Tem a alma livre e só se submete quando quer. Por isso escolhe seus parceiros entre os que cultuam a liberdade. E como os reconhece? Como toda loba, pelo cheiro, por isso é bom não abusar de perfumes. Como o Ricardo Kelmer pôde me descrever sem me conhecer? Nathalie Sterblitch, Resende-RJ – ago2011
75- Com ctz, a minha preferida! 😀 Sissi, Rio de Janeiro-RJ – set2011
76- Olha Ricardo, eu diria que é bem eu, viu… tem dias, diria vários dias, que nem eu mesma me entendo…. portanto inútil tentar me enquadrar, ou rotular disso ou daquilo. 😉 Rochelle Araujo, Fortaleza-CE – set2011
77- grrr. Elida Miranda, São Paulo-SP – set2011
78- É a crônica que mais gosto. É a que me apresenta… parte de mim está ali. MInha preferidíssima! chique demais. Beijos Kelmer e vá ai desvendando as almas femininas… Maria Sá Xavier, Niterói-RJ – set2011
79- Querido Ricardo sempre leio mulher selvagem fico em duvida , liberto ou não. rsrsrs. Ana Karine Oliveira, Fortaleza-CE – set2011
80- Depois de conhecer o autor que é Ricardo Kelmer através da oficina da Dalu e da Lenha na Semana da Comunicação… Virei fã, confesso! Como falar da mulher de forma tão digna assim? Só os melhores conseguem! Herlene Santos, Fortaleza-CE – set2011
81- Oi, sou sua admiradora desde uma vez que encontrei seu blog “por acaso” e cautivou-me o texto “A Mulher Selvagem”, por isso procurei você ontem no face e achei; meus parabéns pelo merecido sucesso que tem tido e por outras grandes realizações que certamente virão! D’nara Rocco, Montevidéu, Uruguai – nov2012
82- La mujer salvaje – Ricardo Kelmer Auuuuuuuuuuuu!!! Merikol Duarte, Rio de Janeiro-RJ – fev2014
83- Oi Ricardo, acabei de ler o seu texto, muito bom. Thais Akemi De Vito, São Paulo-SP – abr2014
84- ADOREIIIIIII… PRECISO ME SENTIR UM POUCO DESSA SELVAGEM… TÔ TRAVANDO LUTA… ME PINTANDO PRA GUERRA, COMO OS ÍNDIOS… SELVAGENS TB!!! MIL BJS QUERIDO… Caroline Correa Maia, Fortaleza-CE – mar2015
85- A todas as mulheres que conheço. Não deixem de ler. Feliz dia da Mulher. Renata Carmo Rocha, São Paulo-SP – mar2015
86- Nossa eh tudo isso mais um pouco. Flavia Martins,São Paulo-SP – mar2015
87- Arrasou. Renata Helena Soares, mar2015
88- PARA AS MINHAS AMIGAS SELVAGENS. Adriana Maris Santos – mar2015
89- Muito bom meu amigo Ricardo Kelmer!! Eu já tinha esse texto… Lais Rocha Montenegro, Fortaleza-CE – mar2015
90- Lindo esse texto! Leiam…. homens e mulheres…., Sandra Abreu Ferreira – abr2015
91- Assim mesmo, gosto de afagos…mas também arranho !!! Elis Torres, São Paulo-SP – abr2015
92- “E também dá arrepios: você tem a impressão que viu uma loba na espreita. Você se assusta, olha de novo… e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim. É a mulher selvagem.” Ca Cavalcanti – abr2015
93- Lua Cheia Oposição com Urano. Mulher Selvagem Total! Gloria Cristina Reis – abr2015
94- Adorei o texto!! Herika Maria Silva, São Paulo-SP – abr2015
95- UM POUCO SOBRE MIM…VANESSA ,O NOME JÁ DIZ TUDO… Maria Vanessa Silva de Azevedo, Fortaleza-CE – abr2015
96- Caetano já cantava: “uma tigresa de unhas negras, íris cor de mel…” #meidentifico. Dani Castro, Fortaleza-CE – abr2015
98- Bom diaaaaaa a todas as mulheres que às vezes se sentem assim… Meninas dos olhos de Deus!!! Tão meigas e ao mesmo tempo selvagens. Amei o texto. Andreyzia Luana Araújo – abr2015
113- Taí,pra quem não conhecia… Mas como alguns não tem paciência pra ler,estes continuarão sem conhecer…it’s me. Rsrsrs. Verônica Carneiro Vevé – abr2015
114- Como anda a sua…enjaulada? Cuidado, bicho preso adoece! Lindo texto! Erika Zanoni – abr2015
115- Namastê. Joseli Pereira – abr2015
116- achei a nossa cara !! Angela Machado, Rosário do Sul-RS – abr2015
117- Mulher selvagem. Taatiani Tati – abr2015
118- Texto lindo..vale muito à pena… Silvia Einhardt, Pelotas-RS – abr2015
119- Ser mulher não está no sexo feminino e sim na essência feminina.Bom dia!! Luciene Oliveira – abr2015
120- belo texto. Eliane da Cruz, Venâncio Aires-RS – abr2015
121- O texto pode ser grande, mas muito que me vi nele em vários trechos. De fácil e boa leitura. Marcella Azevedo, Rio de Janeiro-RJ – abr2015
122- Adorei o texto! Mulheres que fazem a diferença…. Claudia Severo – abr2015
124- Não abuse do perfume!!! Adorei o texto. Carla Lsp, Porto Alegre-RS – abr2015
125- Sou eu mesma! Keyla Maria Silva – abr2015
126- Muito eu obrigado!Lisia Vianna, Porto Alegre-RS – abr2015
127- Me senti lida. Cada palavra se encaixa perfeitamente em mim. Voltei a ser a loba, meu marido se assustou e disse que eu mudei, disse a ele que essa e’ realmente a mulher com a qual está casado. Ficou assustado, tentou se esquivar, mas cada dia que passa estamos mas ligados e o sinto mas feliz. Fatima Whendell, Rio das Ostras-RJ – fev2016
128- Que lindo….. confesso aqui que ate me emocionei😅😅tao representar de forma tao linda doce e selvagem misterio de ser mulher !!!!! Doro detalhes da vida e de cada ser e sim me descrevi entre idas e vindas de mim mesma 💕…obrigada pelo belo texto Ricardo Kelmer. Daniele Cruz, Taubaté-SP – fev2016
129- Se eu dia eu lesse minha alma, essas palavras a definiriam totalmente, ameiiiiiiiii. Anna Maria Vilar, Barcarena-PA – mai2016
130- Como não amar uma mente que escreve um texto desse!? Elu Muniz, São Paulo-SP – jun2016
131- Sem sombra de duvida minha descricao mais completa. Arrepiou. Priscila Bitencourt, Itapecerica da Serra-SP – jul2016
132- Adorei, muito raro um homem entender de alma femenina, parabéns! Bjos. Rosana Passos, Belém-PA – jul2016
133- Excelente texto, visionário e realista, com harmônia e propriedade. Gratidão por Ser, o sagrado masculino, O guardiã! Isadora Femy, Rio de Janeiro-RJ – jul2016
134- Uma pena que ninguém vai ler… Não vejo sentido em curtir algo por curtir… Eu só curto o que leio… por isso quase não curto nada… às vezes fixo em algo e fico pensando… refletindo… escrevendo… o que me impede de seguir curtindo pôsteres aleatoriamente… Amiga Fernanda Pieruccetti eu sei que você vai ler… o texto combina comigo… com você e com poucas outras que sabem o que essência… Marilene Garcia, Brasília-DF – jul2016
135- Compartilhei pela imagem. O texto parece interessante, mas muito extenso. Li até o terceiro parágrafo. São sete, afff!!! Conhece a história do não li e nem lerei! Então dessetipim, rsrsrs. Vania G de Rezende, Juiz de Fora-MG – jul2016
136- Uauuu!!! Esse entende de mulher rsrs….. Regiane Sousa, Manaus-AM – jul2016
137- Somos todas nos!!! Umas mais, umas nem tanto… Texto que resume a beleza de ser mulher… Ate chorei.. kkkkk. Re Franklin, Caiobá-PR – jul2016
138- Reconheci cada palavra deste texto bela descrição de mim ou de nós mulheres selvagens … Parabéns pelo seu texto amei. Flávia Pinheiro, Mogi das CRuzes-SP – nov2016
139- Tem muito de mim aí… Se eu fosse me descrever não seria tão bem. Angela Zelante Gathas, Santos-SP – dez2016
140- Como tu pode me conhecer tãooooo bem? Estou de boca aberta com essa descrição da minha alma! Incrível! Abigail Zagonel Passoni, Gramado-RS – fev2017
141- Descobri-me selvagem, quando conheci e li este texto. Gratidão sempre, Ricardo Kelmer! Valéria Borges, Campinas-SP – mar2017
142- Bom dia! Acabei de ler novamente um de seus textos: A mulher Selvagem. Obrigada por escreve-lo. Lê-lo, novamente, me fez sentir empoderada. Excelente dia à você! Janine Moreira, São João de Meriti-RJ – mar2022
Que mundo idiota. Pra poder viver o amor, a gente tem que fugir de casa
AMOR EM FUGA
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Noite. Quarto de hotel barato. O ambiente está na penumbra. Ouve-se ao longe o som de carros e caminhões passando. No rádio toca baixinho um blues qualquer. Uma garota sai do banheiro envolta na toalha. Ensaia uma tentativa de strip-tease mas desiste, começando a rir. Outra garota, deitada na cama sob o lençol, ri também, mas um clarão vindo da rua ilumina o quarto por um segundo e ela fica preocupada. Ela levanta. Está nua. Caminha até a janela, afasta um pouco a cortina e olha lá fora. A outra garota a abraça por trás.
LÍVIA: Relaxa, Giovanna. Vai dar tudo certo.
GIOVANNA: Tá saindo direto na tevê, o país inteiro sabe que duas menores fugiram de São Paulo.
LÍVIA: Mas ninguém virá procurar a gente em Curitibanos.
GIOVANNA: É, né?
LÍVIA: Vem…
Lívia puxa Giovanna pelo braço e as duas caem abraçadas na cama, os rostos bem próximos um do outro. Giovanna está em êxtase, ainda não acredita no que está acontecendo, em tudo que viveram nos últimos cinco dias, a fuga, as caronas… Estar ali com Lívia parece um sonho. Um sonho que começou com um clarão, aquela ideia repentina no meio de uma das tantas aulas chatas do colégio, o convite escrito num bilhetinho de papel: Vamos fugir?
Giovanna toca o rosto de Lívia, fecha seus olhos com os dedos, só para vê-los abrirem novamente, como se para se assegurar, pelos olhos da namorada, que aquilo tudo é real sim, mais real que qualquer outra coisa em sua vida.
GIOVANNA: Queria que você soubesse que com você eu vou até o fim do mundo.
Lívia sorri e aperta a mão de Giovanna.
GIOVANNA: Mas e se encontrarem a gente? Vamos dizer o quê?
LÍVIA: Ah, a gente diz que tava insatisfeita em São Paulo, que queria respirar um pouco, essas coisas.
GIOVANNA: Todo mundo vai desconfiar.
LÍVIA: Fica fria. Amanhã a gente segue pra Argentina. Lá ninguém vai encher o saco e eu vou te fazer a mulher mais feliz do mundo.
Elas se beijam suavemente.
GIOVANNA: Que mundo idiota. Pra poder viver o amor, a gente tem que fugir de casa.
Lívia deita a cabeça e puxa a toalha, desnudando totalmente seu corpo para os olhos da companheira.
LÍVIA: Tua casa agora sou eu, meu amor.
Giovanna sorri, degustando o som doce daquelas palavras. Ela afasta uma mecha de cabelo do rosto de Lívia e olha seu corpo, admirando os detalhes, e passeia a mão pela curva dos seios, pela cintura, o umbigo…
LÍVIA: Vem…
Giovanna afasta as pernas de Lívia e seu rosto pousa devagar sobre o sexo depilado. Lívia geme baixinho, pega um travesseiro e morde a ponta, abafando os gemidos. Outro clarão vem da janela e ilumina rapidamente os dois corpos, belos e nus, duas almas sem roupa, sem máscaras, sem disfarces.
(Falarei bem baixinho agora, para elas não ouvirem. Em alguns minutos a polícia chegará ao hotel, alguém baterá na porta e elas serão levadas de volta a São Paulo. Voltarão para a mesma vida limitada de sempre, o velho cotidiano de mentiras e dissimulações. Mas agora será diferente. Agora elas sabem o gosto de ser livre. Não para sair de casa e se mandar por aí, pegando carona em caminhão, isso é o de menos. Agora elas conhecem a mais suprema das liberdades: poder ser o que se é.)
Vocês têm mais alguns minutos, meninas, aproveitem. A eternidade é feita de clarões.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com
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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA
Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou
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Linda, culta e escrava sexual. Quem pode competir com uma mulher dessa?
Entramos no elevador e subimos pro terceiro andar. A porta abriu e saímos os três. Seguimos pelo corredor e paramos diante de uma porta, que a garota abriu. Entramos numa antessala que tinha mais duas portas. Em frente a uma delas havia um sofá.
– A professora Graziela chegará em um minuto. Vocês poderão, primeiramente, observá-la pela fechadura. Depois a porta abrirá automaticamente e poderão entrar. Antes de deixá-los, gostaria de ratificar que o Clube Fantasia só trabalha com profissionais discretos e altamente qualificados. Aqui a professora Graziela é uma escrava sexual, que realiza a fantasia de seus clientes, mas não conversa com eles nem troca informações pessoais.
A garota saiu pela segunda porta e nos deixou a sós.
– Graziela. Não tinha um nominho melhor, não?
– Denise, você disse que ia entrar no clima – resmungou Rui, já sentado no sofá. É, eu tinha dito. Mas estava difícil.
Graziela. A professora de literatura medieval. A famosa Graziela Herrera. Trinta e um. Um ano mais que eu. Espanhola de Madri, tradutora de diversos livros sobre trovadorismo e sobre o mito do Graal, os cavaleiros da Távola Redonda. Uma mulher superculta. Mas uma super-safada, que mantinha uma vida secreta como escrava sexual naquele clube. Uma Belle de Jour acadêmica. Após analisarmos todas as opções que o clube oferecia, decidimos: seria com ela. Meu querido marido realizaria sua fantasia de transar com uma mulher na frente de sua própria.
Homens, homens.
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Este é um trecho do conto A Professora de Literatura do Meu Marido, do livro Vocês Terráqueas. O texto integral faz parte dos Arquivos Secretos do Blog do Kelmer, cujo acesso é exclusivo aos Leitores Vips (basta digitar a senha do ano da postagem).
A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A ex-bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação pela submissão no sexo anal
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COMENTÁRIOS .
01- Li ontem “professora de literatura” e adorei. Irlane Alves, Fortaleza-CE – dez2010
02- Esse conto é sensacional! Li na íntegra no livro “Vocês Terráqueas”! Particularmente um dos que mais gosto do livro! Recomendo! Ildeanne Silveira, São Luís-MA – ago2011
03- O texto do Ricardo Kelmer que indico e que acho simplesmente foda é A professora de literatura do meu marido. O enfoque feminino é uma grande sacada! E que professora em? Marcos Moraes, Campina Grande – jun2012
O antigo blog Kelmer Para Mulheres morreu. Mas não chore, beibe, não quero ver você triste assim
Oi, leitorinha…
O antigo blog Kelmer Para Mulheres morreu. Mas não chore, beibe, não quero ver você triste assim. Ele tinha que morrer, pois foi criado com o objetivo de ser, durante 9 meses, um laboratório do livro que eu pretendia escrever sobre o Feminino.
Poisbem, o laboratório funcionou bacana, aprendi bastante com as leitoras, criei a concepção do livro e ele foi lançado em jun2008, com o nome de Vocês Terráqueas. Iaí o blog, consequentemente, perdeu sua função original.
Mas… sensibilizado pela campanha Não Para, Kelmer, Não Para, aceitei continuar. Então o antigo blog reencarnou como uma seção especial aqui, no Blog do Kelmer. Pra sua felicidade, mulher linda, livre e louca.
A proposta é quase a mesma: falar sobre os universos feminino, e agora o masculino também!, sempre com humor, erotismo e umas pitadas de psicologia. O antigo endereço (kelmerparamulheres.blogspot.com) continuará ativo, mas sem atualizações.
E se você estiver interessada no livro Vocês Terráqueas, é só acessar a seção LIVROS aí na coluna à direita. Ou clique aqui.
Obrigado por ter vindo. Vamos aprender e nos divertir muito.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com
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Escritor, ateu, socialista, antifascista. Amante da arte, devoto do feminino, ébrio de blues. Fortaleza Esporte Clube. Fortaleza-CE.
Em meio a problemas no casamento, Téssio é transportado para o passado e lá encontra a si mesmo e a sua mulher Ariane, aos vinte anos de idade. Envolvidos numa conflituosa relação a três, eles precisarão lidar com novos e antigos sentimentos enquanto Téssio tenta retornar à sua vida oficial.
VIAJANDO NA MAIONESE ASTRAL
Um grupo de amigos que viveu na Dinamarca do sec. 14 se reencontra no sec. 20 no Brasil para salvar o mundo de malignas entidades do além. Resumo de filme? Não, aconteceu com o autor. Líder desse grupo aloprado, Kelmer largou uma banda de rock e lançou-se como escritor com um livro espiritualista de sucesso, que depois renegou: Quem Apagou a Luz? – Certas coisas que você deve saber sobre a morte para não dar vexame do lado de lá. As pitorescas histórias desse grupo são contadas com bom humor, entre reflexões sobre carreira literária, amores, sexo, crises existenciais, prostituição e drogas ilegais. Kelmer conta também sobre sua relação com o feminino, o xamanismo, a filosofia taoista e a psicologia junguiana e narra sua transformação de líder de jovens católicos em falso guru da nova era e, por fim, em ateu combatente do fanatismo religioso e militante antifascista.
PENSÃO DAS CRÔNICAS DADIVOSAS
Nesta seleção de textos, escritos entre 2007 e 2017, Ricardo Kelmer exercita seu ofício de cronista das coisas do mundo, ora com seu humor debochado, ora com sobriedade e apreensão, para comentar arte, literatura, comportamento, sexo, política, religião, ateísmo, futebol, gatos e, como não poderia deixar de ser, o feminino, essa grande paixão do autor, presente em boa parte desta obra.
INDECÊNCIAS PARA O FIM DE TARDE
Contos eróticos. As indecências destas histórias querem isso mesmo: lambuzar, agredir, provocar e surpreender a sua imaginação.
Agenda
2026
Lançamento do livro Fortaleza Prometida do Sol (abr)
Coordenação do estande de literatura cearense na Feira de Artesanato do Cantinho do Frango (mensal)
Coordenação da Confraria Literati (@confrarialiterati), divulgadora da cena literária cearense
O IRRESISTÍVEL CHARME DA INSANIDADE
Romance. Dois casais, nos séculos 16 e 21, vivem duas ardentes e misteriosas histórias de amor, e suas vidas se cruzam através dos tempos em momentos decisivos. Ou será o mesmo casal?
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GUIA DE SOBREVIVÊNCIA PARA O FIM DOS TEMPOS
Contos. O que fazer quando de repente o inexplicável invade nossa realidade e velhas verdades se tornam inúteis? Para onde ir quando o mundo acaba?
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PARA BELCHIOR COM AMOR
Organizada pelos escritores Ricardo Kelmer e Alan Mendonça, esta terceira edição foi enriquecida com ilustrações e novos autores, com mais contos, crônicas e cartas inspirados em canções de Belchior. O livro traz 24 textos de 23 autores cearenses, e conta com a participação especial da cantora Vannick Belchior, filha caçula do rapaz latino-americano de Sobral, que escreveu uma bela carta para seu pai.
Usando a mitologia e a psicologia do inconsciente numa linguagem descontraída, Kelmer nos revela a estrutura mitológica do enredo do filme Matrix, mostrando-o como uma reedição moderna do antigo mito da jornada do herói, e o compara ao processo individual de autorrealização, do qual fazem parte as crises do despertar, o autoconhecer-se, os conflitos internos, as autossabotagens, a experiência do amor, a morte e o renascer.
Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens... Em cada um dos 36 contos e crônicas deste livro, encontramos o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.
Os pais que decidem fumar um com o filho, ETs preocupados com a maconha terráquea, a loja que vende as mais loucas ideias… RK reuniu em dez contos alguns dos aspectos mais engraçados e pitorescos do universo dos usuários de maconha, a planta mais polêmica do planeta. Inclui glossário de termos e expressões canábicos. O Ministério da Saúde adverte: o consumo exagerado deste livro após o almoço dá um bode desgraçado…