Em busca da mulher selvagem

19/10/2009

19out2009

Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser, e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

EM BUSCA DA MULHER SELVAGEM
Ou: Homens que correm com elas

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Em minha vida, sempre me atraíram mulheres de iniciativa. Desde menino, elas me fascinaram, as desafiadoras da cultura machista, as que recusavam o modelito cristão de mulher virtuosa. Desde cedo, foi para elas o meu olhar, as que se rebelavam contra regras sociais idiotas, convenções sexuais sem sentido, modelos de relação baseados na posse do outro e tudo que queria a mulher submissa e sob controle. Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser, e não a mulher que família, religião e sociedade impunham que ela fosse.

Mas me faltava a exata consciência disso. Eu queria uma mulher liberta, sim, mas não sabia que queria.

Então, li Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. E tudo fez sentido. Lá estava o que eu intuía sobre a mulher e a relação entre os gêneros, mas ainda não sabia verbalizar. O livro me veio quando eu já lidava melhor com meus aspectos femininos e, por isso, me identifiquei profundamente com ele e com a histórica questão da domesticação da mulher.

Por meio de mitos e lendas coletados pelo mundo, a autora mostra como sobreviveu, mesmo escondida sob muitas formas simbólicas, o arquétipo do feminino selvagem, o modelo da mulher conectada com os ritmos e valores da Natureza e de sua própria natureza, o modelo da mulher livre. Um belo livro, que tem ajudado muitas mulheres a resgatar o que séculos de repressão lhes usurparam: o direito de serem o que quiserem. Um livro que fala essencialmente do feminino, mas também fala de homens e deveria ser lido por todos.

Esse livro me fez entender o que eu apenas intuía: a mulher da minha vida é e sempre foi a mulher livre. E que foi essa mulher que, mesmo sem saber, eu sempre busquei em minhas relações, ainda que às vezes a temesse. E que foi por ela que a muitas eu deixei, ao perceber, mesmo sem saber explicar, que eu jamais poderia ser totalmente eu ao lado de uma mulher domesticada.

Mas como aceitar e amar essa mulher liberta sem, antes, eu mesmo me libertar do que também me limitava? Para merecê-la, era preciso me livrar de qualquer pretensão de controlá-la, esse resquício maldito de minha herança cultural-religiosa.

A ficha caiu após ler o livro de Clarissa. Ele me ajudou a assimilar o feminino em meu ser e foi exatamente isso que me fez deixar de temê-lo, me fez mais selvagem no sentido psicológico-arquetípico, me fez mais livre. O efeito prático disso tudo é que eu finalmente me abri para relações mais igualitárias e, principalmente, para receber a mulher livre que eu tanto procurava em minhas relações. Primeiro, eu a libertei em mim. Aí ela veio de fato, enfim ela pôde vir. Veio linda, plena e radiante, e eu vi em seus olhos o reflexo dela própria em mim. E desde então continua vindo, e eu e ela somos lobos que cruzam florestas, atraindo-se pela fome louca que temos um do outro.

E eu sei que ela sempre virá. Pois esse amor que trazemos em nós, incompreendido por simplesmente não erguer cercas de posse e jaulas de controle, é o amor que aprendemos a respeitar em nossa própria natureza e que nos alimenta de alegria e liberdade a alma selvagem.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

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Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido

LIVROS

vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
Ricardo Kelmer – contos e crônicas

Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés – Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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en español

EN BÚSQUEDA DE LA MUJER SALVAJE
Ricardo Kelmer

EmBuscaDaMulherSelvagem-02base1aFue Marilia quien me prestó ese libro en el 2002, cuando yo ya andaba con curiosidad por leerlo. Después Rafaela me lo regaló. Y después conseguí la versión digital. O sea, ese libro quería que yo lo leyera, y fueron las mujeres quienes me lo trajeron. Lo leí y me encantó. En las páginas de Mujeres que Corren con Lobos estaba lo que yo intuía sobre las mujeres y la relación entre los géneros, pero que aún no sabía verbalizar. Leí el libro en una etapa de mi vida en la cual yo lidiaba mejor con mis aspectos femeninos, y por eso me identifiqué profundamente con él y con el tema histórico de la domesticación de la mujer.

Terminé la lectura sintiendo en mi alma una avalancha de ideas y sensaciones, y sintiendo también que llevaría un buen tiempo hasta que todo aquello asentase y yo consiguiera organizar mis pensamientos y reagrupar las verdades que, aunque no eran tan nuevas para mí, ahora eran evidentemente claras. Usando mitos y leyendas recolectados en varias partes del mundo, la autora muestra como sobrevivió, escondido bajo muchas formas simbólicas, el arquetipo del femenino salvaje, el modelo de la mujer conectada con los ritmos y valores de la naturaleza y de su propia naturaleza, el modelo de la mujer libre. Un libro bellísimo que ha ayudado a muchas mujeres a rescatar lo que siglos de represión les usurparon: el derecho de ser lo que quisieran. Un libro que habla esencialmente del femenino, pero también habla de los hombres y debería ser leído por ellos igualmente.

A mí, el libro de Clarissa me hizo especialmente entender que, en mi vida, desde temprano, me fascinó el arquetipo del femenino salvaje. A causa de eso siempre me atraían las mujeres con iniciativa, las desafiadoras de la cultura machista y las que rehusaban el modelito cristiano de mujer virtuosa, las que se rebelaban contra las normas sociales idiotas, convenciones sexuales sin sentido, modelos de relación basados en poseer al otro y todo lo que hacía mantener a la mujer sometida y bajo control. Era por ella que yo siempre me enamoraba, por esa mujer que era quien ella misma deseaba ser y no la mujer que la familia, religión o sociedad imponían que ella fuera.

Ese libro me trajo una de las más importantes revelaciones que he tenido, que la mujer de mi vida es y siempre será una sola: una mujer libre. Y que fue esa mujer, aún sin saberlo, la que yo siempre busqué en mis relaciones, aunque la temiera. Y que fué por ella que abandoné a muchas mujeres al intuir, sin saber explicar, porque yo jamás podría convivir al lado de una mujer domesticada.

Sin embargo, ¿cómo aceptar y amar a esa mujer libre sin liberarme antes yo mismo de lo que también me limitaba? Para merecerla, yo también necesitaba liberarme de cualquier pretensión de controlarla, de ese resquicio maldito de mi herencia cultural y religiosa.

Tomé consciência después de leer Mujeres que Corren con Lobos: ese libro me ayudó a asimilar la parte femenina de mi ser, y fue exactamente eso lo que me hizo dejar de temerlo, me hizo más salvaje en el sentido de los arquetipos psicológicos, me hizo más libre. El efecto práctico es que ahora finalmente estoy abierto para relaciones más igualitarias y principalmente para recibir a la mujer libre que tanto buscaba en mis relaciones. Entonces ella vino, al fin pudo venir. Vino hermosa, plena y radiante, y vi en sus ojos el reflejo de sí misma en mí. Y desde entonces sigue llegando, y ella y yo somos lobos que cruzan bosques atraídos por el hambre salvaje que tenemos el uno del otro.

Y sé que ella siempre va a venir, porque este amor que llevamos en nosotros, por lo general incomprendido por no tener alambrados de posesión y jaulas de control, es el amor que aprende a respetar a nuestra propia naturaleza, y que nos alimenta con alegría y libertad el alma salvaje.

(Traducción: Silvia Polo. Revisón: Felipe Ubrer)

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Não tenho a menor dúvida, RK, que é pelas mulheres Lilith – mulheres serpentes, que tu é fascinado e arriadinho. Tua alma é Lilithiana, criatura de Deus e do Diabo, de Abraxas!!!! Tava com saudade de tu. Rauariú, sacerdote do Grande Mistério Andrógino? Onde mora o perigo, querido, também mora a salvação, a conjunção. Pat Maria, Salvador-BA – out2009

02- Gostei do que vc escreveu. Ando relendo de novo o livro e vejo quantas coisas se assemelham a mim. Parabens. Um abraço. Christina Costa, Brasília-DF – out2009

03- Li há pouco tempo a biografia de Leyla Diniz.Essa sim é a personificação do feminino selvagem. Bjs. Mônica Burkleward, Recife-PE – out2009

04- Nossa adorei o trecho. Síntese do que venho exercitando na minha vida. Jamille Abdalah, São Paulo-SP – out2009

05- Grande Kelmer, você, como sempre, produzindo textos bacanas e bem bolados. Esse do feminino, então, show de bola, a foto foi por demais bem feita. parabéns!!! Forte abraço. Luís Olímpio Ferraz Melo, Fortaleza-CE – out2009

06- Kelmer, vou correndo ler o livro Mulheres que correm com os lobos. Essa mulher, livre, que dá banana pro machismo, que vive plenamente todos os prazeres hedonistas que lhe interessam, que toma iniciativa (mesmo sabendo do preço que paga por isso), essa mulher, sou eu! Beijão e.. valeu o toque. Vou xeretar teu blog pra saber mais. Meire Viana, Fortaleza-CE – out2009

07- Meninas, vale entrar no blog e dar uma conferida… Beijos. Ana Zanelli, Rio de Janeiro-RJ – out2009

08- Kelmer, até que enfim um homem entendeu o livro da Clarisse… (!) Claudia Santiago de Abreu, Rio de Janeiro-RJ – out2009

09- Que crônica ótima,gostei,só nÂo sei se me encaixo ‘100% nesse modelo de MULHER SELVAGEM viu. bjo parabéns pelo o trabalho fantástico. Eunyce Fragoso, Campina Grande-PB – out2009

10- Ei amigo,que bom que você descobriu as mulheres que correm com lobos… Que elas sempre estejam presentes no seu mundo! Se cuida tá! Lua, Fortaleza-CE – out2009

11- vc é especial, realmente quer e gosta de conhecer a alma feminina. faz de um tudo para compreender!!! Uma tarefa um tanto complicada,,,, Haja paciência!!! rs. Vânia Farah, São Paulo-SP – out2009

12- Quem tem medo da mulher livre?? O homem preso, oras (risos) Beijos ternurentos Tô adorando o livro…pena estar na correria e estar com tempo reduzido a zero…. mas logo termino… Beijos, outros. Clau Assi, São Paulo-SP – out2009

13– Ricardo, eu sou tua fã demais!!!! Vc é http://www.tudodebom.com.br/quehomeéesse!!!!! O sonho de consumo de toda mulher selvagem, incluindo eu mesma, claro! Bjs;. Karla K, Fortaleza-CE – out2009

14- Hoje tive oportunidade de entrar no seu blog, por indicação de uma amiga. Fizemos parte de um grupo de vivências apoiadas na leitura do Mulheres que correm com lobos e ela me recomendou a leitura da sua crônica Em busca da mulher selvagem. Fiquei encantada. Acabei lendo também os contos As fogueiras de Beltrane, que amei, Um ano na seca e a crônica Homens perfeitos também alopram. Interessante como você circula com competência rara entre o sagrado/mítico/profano/humor… Será com prazer que voltarei à sua página. Parabéns belos belos textos e por suas múltiplas artes. Elvira, Brasília-DF – out2009

15- Adoro esse teu texto. Um bj e saudades. Ana Cristina Souto, Fortaleza-CE – jan2011

16 – Adorei seu texto… amei.. ahahha. Della Kopf, Fortaleza-CE – jan2011

17- Eita que coincidencia nao existe! Peguei mulheres que correm com os lobos para re-ler ONTEM e vi o seu post hoje. ‘A selvagem’ esta no ar… Marília Bezerra, Nova York-EUA – jan2011

18- adoro mulheres q correm com lobos! a minha está resgatando…. Maria Sá Xavier, Niterói-RJ – jan2011

19- Parabéns pela resenha! Muito bem produzia! Tecendo um pequeno comentário sobre a obra eu diria que de fato, Clarissa consegue em “Mulheres que correm com os lobos”, retratar aspectos do ser mulher, em seu sentido – eu diria mais primitivo do SER, antes de tudo do ser humana, em sua forma primeira, inacabada e cheia de conflitos, de forma rica, cativante e única. Uma boa leitura para quem quer se descobrir mulher ou mesmo se redescobrir enquanto tal. PARABÉNS! Alda Batista, Mossoró-RN – ago2011

20- Uiiiii, isto é forte, grande lobo!!! Muito bom!!! Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – jan2013

21- Também estou lendo esse livro! Amando! Dri Flores, São Paulo-SP – jan2013

22- Um dia vou criar coragem e ler esse livro 🙂 Chacomcreme, São Paulo-SP – jun2013

23- Amei sua resenha. Tenho o livro já faz 3 anos. Preciso começar a leitura. Mais uma vez, parabéns pela resenha. Greice Araras-SP – jul2013

24- Um dia vou criar coragem e ler esse livro 🙂 Chacomcreme (skoob.com.br), São Paulo-SP – jun2013

25- Amei sua resenha. Tenho o livro já faz 3 anos. Preciso começar a leitura. Mais uma vez, parabéns pela resenha. Greice (skoob.com.br), Araras-SP – jul2013

26- Parabéns pela resenha! Muito bem produzia! Tecendo um pequeno comentário sobre a obra eu diria que de fato, Clarissa consegue em “Mulheres que correm com os lobos”, retratar aspectos do ser mulher, em seu sentido – eu diria mais primitivo do SER, antes de tudo do ser humana, em sua forma primeira, inacabada e cheia de conflitos, de forma rica, cativante e única. Uma boa leitura para quem quer se descobrir mulher ou mesmo se redescobrir enquanto tal. PARABÉNS! Alda (skoob.com.br), Mossoró-RN – mai2014

27- Amei seu comentário sobre a visão a respeito não somente dessa obra,mas a sua sensibilidade perceptíva da sociedade.e te digo pensamos iguais sério.em relação com os dois universos feminino e masculino devem ter respeito antes de tudo. Barbie Wolf (skoob.com.br), São Paulo-SP – set2020

28- sério, esse foi a melhor resenha referente à está obra que já li.Concordo com tudo que foi escrito. Aline (skoob.com.br), Recife-PE – out2020

29- Cara, nem li o livro, mas depois dessa resenha, serei obrigada a ler. Monique Costa (skoob.com.br), São Luís-MA – dez2020

30- Obrigada por ter escrito essa resenha… enxe a alma de esperança e a certeza de q nada esta perdido. O livro é explendido, estou terminando, e cada página é uma lição e força para continuar a busca da Mulher Selvagem adormecida. Renata Prandini (skoob.com.br), São Paulo-SP – jan2021

31- Comentário sensacional. Fabrícia Leal (skoob.com.br), Teresina-PI – jan2021

32- apenas uma palavra descreve essa resenha: “uau”. Nathalia Nadesko (skoob.com.br), Brasília-DF – mar2021

33- Que resenha mais linda e recheada de emoção e compreensão do universo feminino. Estou começando o livro agora e a sua resenha me encheu de energia… Muito obrigada !!🙏 Tati (skoob.com.br), Vinhedo-SP – abr2021

34- No Tantra, chamamos de “masculino curado”, quando o homem reverencia o feminino em pé de igualdade, respeito e amorosidade. Miguel Costa, Rio de Janeiro-RJ – jul2021

35- Show. Clea Fragoso, Fortaleza-CE – jul2021

36- Para encontrar precisa ter certeza…jamais será o mesmo..! Lucivanea De Souza Borges, Beberibe-CE – jul2021

37- Adoro esse livro. Luiza Perdigão, Fortaleza-CE – jul2021

38- Amo esse livro, transformador. Valéria Rosa Pinto, Rio de Janeiro-RJ – jul2021

39- Próxima leitura. Francisco Antonio Mota, Fortaleza-CE – jul2021

40- Ahh que maravilhosa!! Esse livro é incrível, Ricardo. Vc é o primeiro homem que sei que o leu. Ahh como seria bom se tantos mais o lessem. Vc certamente é um Manawe. Obrigada pela partilha de sua experiência com a Mulher Selvagem! Aline Matias, Fortaleza-CE – jul2021


Dois morros

01/10/2009

01out2009

Quando o seio dela finalmente surgiu, meio à mostra na blusa entreaberta, minha mão vacilou. Ela então disse: Fecha os olhos

DoisMorros-04

DOIS MORROS

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Minha mão vacilou quando o seio dela surgiu, meio à mostra… Não, não, melhor começar pelo morro, o outro. Vamos lá. No início, era o simples, o natural. Não era chique nem tinha futuro. No alto do morro, só umas casinhas pequenas e um espaço de grama e areia, uns arbustos, um pé de pau acolá. Era 1984 e eu garoto fuçador de recantos descobria o mirante natural do Morro Santa Terezinha, e subia lá para tocar violão com os amigos, luarada, namorar, fogueirinha de papel…

A gente sentava na grama, o litrão de rum no centro da roda. Os namorados iam para o carro, mais afastado, economizar o motel. Quem se apertava, fazia xixi na ribanceira. Ir aonde ninguém havia ido, era excitante. Sem medo de assalto, sem pensar no tempo, a vida era agora.

Um dia, agora sim, um dia os seios dela surgiram. Aonde você tá me levando?, Isabella perguntou, provocante. O fusca véi subia o morro, se peidando todo, serpenteando pelas ruazinhas, as casinhas simples, o povo na calçada, o charme suburbano. Pro céu, minha linda… Não, falei isso não, só tive vontade. Mas na última curva, pedi: Fecha o olho. Quando ela abriu, era o postal noturno da cidade, em cima o céu piscante de estrelas, e lá embaixo os prédios, as luzes, o neon dos letreiros coloridos. Ela boba: Como você descobriu isso? Eu mais bobo: E você, como eu descobri você?

Aí a tiazinha botou umas cervejas na geladeira de sua casinha, uns refrigerantes. A gente ia lá no portão e batia palma. Ela levantava do sofá onde via tevê e, sonolenta, trazia uma cerva e uns copinhos. Quanto é, tia? É só tanto. Tem mais gelada não? Tem não, meu fi, a geladeira tá desmantelada. A gente pagava e ela dizia: Pode deixar os cascos lá que depois eu pego. E aconselhava as meninas: Quando vier de novo, traz um agasalho, mode o vento frio.

Um dia, a cerveja veio com isopor. Estava melhorando. Outra noite cheguei lá e tomei um susto: a tia espalhara umas mesinhas, umas cadeiras de reclinar. Mode as menina não sujar o vestido, né, meu fi? Aí o vizinho começou a vender cerveja também. Já dava para escolher se ficava na tia ou no tio. Depois já dava para tomar caipirinha, beliscar um peixinho frito com tomate e cebola. O movimento aumentou e a filharada da tia veio ajudar. O mirante lotava, às vezes nem lugar para sentar, um imenso bar ao ar livre, gente interessante, sempre aparecia um violão, um Pink Floyd no toca-fita… Tudo ainda simples e delicioso. O tempo ainda era agora.

Perdida entre beijos incontidos e abraços descontrolados, minha mão percorreu as curvas do corpo dela, serpenteando, errando aqui, acertando mais na frente. Quando o seio dela finalmente surgiu, meio à mostra na blusa entreaberta, minha mão vacilou. Ela então disse: Fecha os olhos. Quando abri, a paisagem nua de seus seios reluzia à minha frente, dois morros a conquistar. E lá fui eu, garoto fuçador de recantos, legítimo ocupador do morro.

Nos anos 90 os moradores venderam suas casas para os empresários, tudo de olho no bolo que crescia. Todo mês abria bar, pastelaria, restaurante. Virou chique subir o morro. Gente bacana bem vestida, turista tirando foto. Tinha restaurante limpinho, peixe na telha, música ao vivo, artesanato. O progresso invadiu o morro com alvará. Mas… havia algo estranho. Pescadores e rendeiras agora eram comerciantes. Não havia lugar para tanto automóvel. O barulho incomodava os moradores. Menina nova alugava o corpo magrinho nas quebradas da noite. Garoto trazia cocaína para o motorista. E a tal da urbanização asfaltou as ruazinhas e jogou uma praça feia por cima da grama.

Reivindicando seu pedaço do bolo, a violência também subiu o morro, claro. Roubos, assaltos, mortes. Os empresários resistiram, se organizaram, clamaram por segurança. Mas ela, mouca, não escutou. E, assim, a gente bacana desceu o morro e não voltou mais. O bolo murchou. E o futuro se foi, deixando o gosto bom do que devia ter ficado só no agora.

O morro não é mais chique, Isabella, mas ainda está lá. E eu queria que você soubesse que aquela noite também, continua no mesmo lugar, sem amanhecer, seus seios em minhas mãos, dois morros conquistados, eu turista já pensando em voltar. Tudo está lá ainda, meu nome gemido em sua boca, eu errando e acertando as ruas de seu corpo, indo aonde ninguém fora. Nossa história ainda se conta lá em cima, na grama, suburbana, pegando cerveja na tiazinha. Nossa história, juvenil, desmantelada e urgente, mode a hora. Com tomate e cebola. No mirante perfeito do nós dois agora.

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o o livro Blues da Vida Crônica
> Esta crônica integra o o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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PS: Dois Morros é um conto? Ou uma crônica? Por anos, convivi com esta dúvida. Até que entendi que era uma coisa e outra ao mesmo tempo. Eu escrevera um croniconto. E ainda tinha elementos de carta. Um croniconto missivístico.

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O mistério da morena turbinada – Aí um dia ela, inocentemente, leva o computador numa loja pra consertar. Algum tempo depois dezenas de fotos suas estão na rede, inclusive fotos íntimas

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Caro primo, Nunca vi tão bem “retratado”, apesar de escrito, nossas noitadas no antigo mirante. Recordei ao ler, várias passagens inusitadas e até folclóricas que aconteceram por lá. Ai também vêm lembranças de outros lugares como o antigo “Rasgo de Lua”, “Ponto de luz” (que ainda resiste ao tempo), Tinha um ali na Rui barbosa que não me lembro o nome. Era quase na esquina da Torres Câmara, “tinha um andar de cima ao ar livre bem legal e reservado”. Para não falar do “Canto verde”, “Madelon” e outros que permearam a nossa juventude. Sinto saudades de um passado muito bem vivivo por nós e por vários amigos. Será que estamos ficando velhos? Carlos Marcos Severo de Oliveira, Fortaleza-CE – dez2004

02- Rica, você é um homem de muitas histórias… E continua paradoxal. Bjs. Lêka, Fortaleza-CE – dez2004

03- espetacular. Tonico Caminha, São Paulo-SP – dez2004

04- Oi Rika!!!! Que saudade…. saudade de você, saudade do Morro de Santa Terezinha, saudade de ouvir Pink Floyd, um violãozinho com os amigos…. Ler a sua crônica me fez relembrar exatamente tudo isso que você descreveu, tudo isso que eu também tive a sorte de viver… Parabéns, Rika! Amei… muito bem escrito, como sempre!!! E o natal, vai passar aqui? Precisamos nos ver,hein? Se vier, nos avisa,tá? Beijos…. Anabela Alcântara, Fortaleza-CE – dez2004

05- Putz!!! voltei no tempo. Otros abrazos. Roberto Maciel, Fortaleza-CE – dez2004

06- Lindo, adorei! Clícia Karine, Crateús-CE – dez2004

07- Eh Ricardo, essa deu saudade mesmo! Bons tempos aquele do Mirante – anos 80. Valeu a leitura. Abraços. Mauro Sérgio, Fortaleza-CE – dez2004

08- Kelmer, meu amigo querido… você me redimiu! Fiquei maravilhado! Obrigado por esta crônica, ela me resgata a antiga Fortaleza. Abraço e tudo de bom. Ronald de Paula, Fortaleza-CE – dez2004

09- Caro Ricardo, Saudade… do mirante, do morro, de 1984, dos seios. Com todo res”peito”, Eu preciso dum seio assim, mágico!?. Surgiu como? Me explique… Eli Miranda, Fortaleza-CE – dez2004

10- vi uma cronica sua sobre o morro do Mirante….achei-a linda! Como voce, tambem na minha juventude costumava ir àquele lugar olhar a lua e beber uns copos com os amigos….tambe dei muitos “amassos” nos meus gatinhos, amores que pensava durariam uma eternidade mas depois de 1 semana era passado(coisas da vida) bem, lhe escrevi apenas para agredece-lo pela bela recordaçao e dizer-lhe que suas palavras me fizeram retornar ao tempo e me fez bem, a cidade cresceu e mudou muito, o morro ficou perigoso ,as ainda me arrisco a frequentar o restaurante do Osmar e comer uma bela lagosta…sempre que vou ali lembro das minhas aventuras, uma patricinha que adorava se apaixonar por caras “perigosos”….tempos bons! Tenha um otimo dia e mais uma vez obrigada. Cacia Linhares, Fortaleza-CE – dez2004

11- Tb tive um morro durante minha adolescência…íamos todas as sextas feiras…ouvir os amigos tocando violão, os beijos e amassos também decoravam o ambiente ;em noite de lua cheia, a beleza era completa pois do alto víamos além da bela lua olhando aqui em baixo para nós; podíamos contemplá-la …através de sua imagem espelhada nas águas do Rio Tocantins…quantas lembranças!!!! lembranças maravilhosas “seu” morro trouxe do “meu morro”…Por favor nunca pare de escrever sua palavras resgatam minha alma…e me tornam mais sensível…que poder vc tem! morei em Tucuruí no interior do Pará durante a construção de barragem hidrelétrica, foi a melhor fase deminha vida…bjs… Diva, Macapá-AP – abr2007

12- Parabéns pelo texto DOIS MORROS, ele é de uma beleza e singularidade fantástica. Li com muito cuidado para encontrar as suas nuances de poesia e de realidade. Confesso ter achado simplismente belo, real, nu e cru, porém belo. P.S.: A partir desta descoberta prometo procurar outros textos teus para que através dele venha deliciar-me com tuas letras e com teu estilo. FS Garcia, Fortaleza-CE – ago2008

13- Oi, Ricardo. Tô sem net em casa , mas vim numa lan so pra te falar umas coisas…. Desde ontem eu tava toda depre( nao sei por que/ na verdade, sei, mas nao vou falar aqui…rsrsrsr), acordei e tirei o “vocês Terráqueas” da estante e fui ver os textos que ainda nao havia lido….Fiquei encantada com aquele que você fala do mirante…. poxa! quanta sensibilidade e romantismo… queria ter uns 15 anos a mais e ser aquela menina….  nao lembro quanto paguei nesse livro, mas valeu a pena!!!! Irlane Alves, Fortaleza-CE – jul2011

14- Confesso que li e me apaixonei no ato! Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – ago2011

15- Morro dos Mamilos!!!rsrsrs. Hotojunior Hoto, Fortaleza-CE – jan2013

16- Eita, o velho Morro do Mirante, vc me relembrar a comemoração do meu primeiro mês de namoro com a mulher q está casada comigo a 23 anos e que nós namoramos 04 anos. Lembro da felicidade vivida em cada subida e da paz que sentíamos estando a ima da cidade. Lembro da tia e das conversas regadas a muita birita.. Amigo, como é bom voltar no tempo através de palavras que nos fazem flutuar nas emoções. Obrigado por suas palavras me fazerem relembrar dos prazer de se divertir solado de grandes amigos com vc, Paulo Márcio, Nelsinho, Valmir, Amaury e outros tantos .. Não acho q estamos velhos, apenas o passado correu demais… Paulo Helmut B Simões, Fortaleza-CE – jan2013

17- vc é muito bom no que escolheu fazer, Ricardo Kelmer: teus contos (cronicontos): têm ‘alma’… ‘são vivos’, ‘conversam’ – dialogam – com o leitor. Maria Gama, Serra-ES – ago2015

18- Eu me entendo por gente quando vivi o fim dos anos 80 e o início da punjança dos anos 90, ainda quando o bolo estava crescendo. Que saudade daquele lugar tão tranquilo de tantas madrugadas insones e alegres! Regadas a caipirinhas e cervejas nas mesinhas ao lado da ribanceira. Tempo bom que a violência levou! José Epifanio, Fortaleza-CE – ago2015


Cristal

22/07/2009

22jul2009

Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

Cristal-02.

CRISTAL
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Ele pensa enquanto a pergunta da Mestra ainda ecoa: Que tal passar o aniversário com sete namoradas? Ele olha para trás, para frente, o corredor infinito, portas de um lado e outro. Que estranho presente de aniversário…. A Mestra abre a porta. Ele pensa. Pode recusar? Não, ele sabe que não pode. E entra, devagar, desconfiado.

Silêncio. Uma sala enorme, toda branca. À esquerda ele vê dois olhos verdes. Chega mais perto e reconhece: é ela. Uma dor repentina o entristece. O que acontece com os sentimentos que desprezamos em nós mesmos? Ele se desculpa: Eu era só um garoto estúpido, mas amei você mesmo assim, acredite…

Rejuvenescido. É como ele se sente no ambiente seguinte onde a bailarina faz piruetas sobre uma nuvem. Ela sorri um sorriso tão juvenil que imediatamente ele se sente mais jovem do que é, do que era. Quer sentar para admirar, mas não há tempo. Resta-lhe dizer: Tudo valeu, as alegrias, as brigas, tudo, mas o tempo, infelizmente não houve tempo, você já estava de partida, fui apenas sua despedida deste mundo…

Beleza e loucura… beleza e loucura… De algum lugar escuta alguém sussurrar. Lá em cima, no alto da torre. A linda princesa. Ela o chama, implora que a liberte de sua prisão. E joga duas enormes tranças. Que caem a seus pés. Bela e irresistível como o diamante da insanidade… E ele foi, subiu agarrado às suas tranças até o alto. E lá no alto teve medo do que ele era. Horrorizado, despencou. E morreu sua primeira morte, rígido de dor. Obrigado por ter me matado, princesa, eu a amarei para sempre por isso, obrigado…

Vazio. O aposento vazio. Ele escuta um piano… Um som doce, tão doce que o sente na boca, se desmanchando sob a língua. Depois que se desmancha é que percebe que o doce… é ela. Tenta provar o som mais uma vez… porém tudo volta a ser o imenso vazio. Sente-se tão incomodado que se apressa para sair… mas uma ideia súbita o faz voltar. E então compreende. O vazio é ele, ele todo o imenso vazio, sem nada para oferecer além da própria busca alucinada por si mesmo. Ela ao piano, os seios generosos, ela e a doçura que sempre se desmancha antes que ele a alcance… Desculpa, por favor, que era eu um vaso vazio?…

Fantasias. Mil fantasias nos espelhos ao redor. Qual delas será ele? Experimenta todas e nenhuma lhe cabe. Sente-se perdido em meio a tudo aquilo que não é ele, e se angustia ainda mais. Então surge a mão dela, amorosa e compreensiva a acariciá-lo. Ele leva a mão ao peito e se acalma. No meio do caleidoscópio de tantos eus ele sussurra: Você me vê, mais do que eu mesmo, e isso me faz existir…

Girando e girando e girando… Ele agora gira no escuro, sem saber onde se encontra. Está úmido e abafado. Enquanto gira, sente a excitação lhe subir pela virilha, mais, mais… Um segundo antes de gozar, percebe que está na caverna e então compreende que está dentro dela, ela o comeu, viúva negra. Entorpecido, deita-se para morrer, finalmente descansar na escuridão total. Mas no último segundo desperta aterrorizado e, com as forças que restam, levanta, e as luzes se acendem. Fomos fundo, meu bem, fomos tão fundo em nós…

Karma. O último ambiente é o ônibus que o levará ao inferno. Quer desistir, mas o olhar providencial de sua irmã lhe diz que não há outro caminho para o céu. Ele entra, fecha os olhos e chora indefeso, pressentindo o que virá. A rodomoça oferece o cálice, e quando o bebe, vê que é sangue. Não há palavras para descrever o gosto, a dor, o inferno, a morte. Dias sem noites e noites sem dias sem poder dormir. Rendido, permite que demônios devorem sua carne. Sem mais qualquer orgulho, abre os braços e oferece a alma à Terra. Na última noite escuta pombas brincarem no teto… e percebe que renascerá. E tudo se esclarece: Você é o que eu precisava viver para que o Cosmos se reequilibrasse em mim, não há palavras para agradecer…

A porta se abre e ele cai de joelhos, chorando de gratidão. A Mestra o abraça, compreensiva. Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe. Ela pede que ele abra a mão… e lá estão sete pedrinhas de cristal, em todas o reflexo de seu próprio rosto. Extasiado, ele pega os cristais com cuidado, admirando seu brilho. Então, de repente, não são mais sete, são apenas um, o mais belo. Ele aperta o cristal ao peito e respira fundo. Quer dizer algo, mas, pensando bem, não há nada para dizer. Nem pensar. Apenas sentir.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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vtcapa21x308-01Este conto integra o livro
Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
contos/crônicas

Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

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LEIA NESTE BLOG

DesconstruindoKelmer-04aDesconstruindo Kelmer (por Wanessa, inspirado no conto Cristal) – Totalmente metida e curiosa, eu me debrucei sobre o conto e fiz minha própria interpretação. Bem, a presença da Mestra, a vida, a Deusa, o Tao, o fluxo irrevogável de tudo, não me espanta que seja uma figura feminina…

Inculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Maior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel) – E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

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Protegido: RK na Parada Gay – Imagens (VIP)

12/07/2009

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Loiras ou morenas

24/06/2009

24jun2009

Suspeito que deu-se aí o primeiro grande e mitológico embate do clã das loiras contra o das morenas pela minha pobre alma confusa

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LOIRAS OU MORENAS

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Turminha da rua reunida na calçada, jogo da verdade. Eu e meus ingênuos e desajeitados doze anos. A garrafa girou, girou e parou… apontando pra mim! A pergunta veio feito um ultimato: Você gosta mais da Liliana ou da Romélia? Liliana era morena, Romélia, loira, e foi a amiga delas quem fez a pergunta, tudo já combinado, claro. Engoli seco, pois eu gostava das duas. Tentei ganhar tempo, mas elas me encaravam e queriam a resposta já. Meus neurônios começaram a fritar: Hummm, Liliana é mais alta, Romélia tem a bunda mais gostosa, mas Liliana… Anda, menino, responde logo!

O coitado do homem começa cedo nessa cruel dúvida entre loiras e morenas. Tem quem ache a loira mais angelical, talvez porque o cabelo claro remeta inconscientemente à terna imagem dos bebês. Como o claro alude ao céu e o escuro à terra, é compreensível que anjos tendam a ser branquinhos, loirinhos, e os diabos, pelo contrário, tendam a ser morenos. Talvez por isso a morena seja vista como naturalmente mais caliente, mais sexo, mais diabólica. Mas a experiência logo me provaria que o buraco é mais embaixo…

Durante uma eternidade tentei decidir entre Liliana e Romélia. Comecei a suar frio. Sim, tudo que eu precisava era escolher uma delas, pois ambas me queriam. Mas eu simplesmente não conseguia. Ele quer as duas!, alguém na roda falou, e todos riram. Sim, por que não as duas? Então lá estava eu, recém-entrado na puberdade, já sonhando com um menagiatruá. Vai responder ou não vai?

A primeira paixão da minha vida foi uma loira, era a minha professora da alfabetização. Eu ficava a aula toda olhando pra ela, parecia um abestado. Tenho certeza que ela não me quis por mero preconceito de idade, loira boba, não sabe o que perdeu. A segunda paixão veio aos dez anos, mas essa era morena, e tinha só um ano a mais que eu. Eu a encontrava naquelas tertúlias de 1974, na garagem da casa do meu primo, a patota dançando de rosto coladinho, B. J. Thomas cantando Rock and Roll Lullaby, tema da Simone e do Cristiano na novela Selva de Pedra. Meu pai tratou logo de me ensinar como conquistar a morena. Escutei atento suas dicas, me enchi de coragem e lá fui eu todo garboso. Parei diante dela, botei a mão pra trás, estendi a outra e falei, o próprio Lancelote ante sua Guinevere: Dá-me o prazer desta contradança, senhorita? Até hoje não entendo por que ela e as amigas morriam de rir. Mas o importante é que ela dava. O prazer da contradança.

Sentado na calçada, a garrafa ainda apontada pra mim, eu seguia em minha dúvida terrível. Era só escolher uma das duas, eu sei. Mas acontece que escolher uma significava invariavelmente perder a outra. Acho que naquele momento comecei a descobrir que a vida não é perfeita. Tem três segundos pra responder!, elas gritaram. Um, dois, três, meia e já! Liliana, Liliana, gosto mais da Liliana!, respondi. Ufa.

Esse negócio de loira ou morena é complicado. Não dá pra escolher assim, todas são lindas e cada uma tem algo que nenhuma outra possui. Não é como ir à feira e escolher entre chuchu amarelo e chuchu vermelho. Eu disse vermelho? Putz, ainda tem as ruivas, gente! As ruivas… Elas parecem irreais, já reparou? Talvez porque sejam raras. Uma vez passou uma ruiva pela minha vida. Era tão etérea que eu tinha certeza que um dia ela desapareceria no ar. Pois foi o que aconteceu. Um dia acordei, olhei pro lado e ela tinha evaporado, nunca mais vi. Cuidado com a ruiva, meu amigo. Elas são fogo, sim, mas a alma é de fumaça.

Levei a morena Liliana prum canto e, tremendo de nervoso, perguntei: Quer namorar comigo? Ela fez um charminho e respondeu: Aceito. Dez minutos depois, eu voltava pra casa mais adulto, superorgulhoso do meu novo estado civil. Meu primeiro namoro. Ah, mas foi chegar em casa e o telefone tocou. Quem era? Adivinha? Era a Romélia, ela dizia estar ao lado da amiga Liliana e que elas precisavam saber quem realmente eu queria namorar. Não entendi. Ora, eu já não estava namorando? Romélia foi enfática: Você tem que decidir agora. Putz, um repeteco do dilema, não é possível! Apelei então pro máximo de frieza e pragmatismo que um adulto de doze anos pode ter: Romélia mora meia quadra mais perto, Liliana tem o cabelo maior, Romélia tem a boca carnuda… mas Liliana tem piscina em casa, putz, beijar debaixo dágua deve ser o máximo. Falei, decidido: Liliana. Se fosse o Silvio Santos, ele perguntaria: Você está certo disso? Mas Romélia apenas desligou.

Analisando o caso dia desses, ou seja, trinta anos depois, uma amiga me disse algo que eu talvez jamais pensasse: que Romélia não estava com a amiga ao lado coisa nenhuma, ela ligou sozinha mesmo, mentiu. Ou seja: a loirinha tentou virar o jogo aos quarenta e cinco do segundo tempo empurrando deslealmente a adversária. Caramba, e ela tinha apenas 11 anos… Mas as diabólicas não são as morenas?

Suspeito que deu-se aí o primeiro grande e mitológico embate do clã das loiras contra o das morenas pela minha pobre alma confusa. As morenas venceram, é verdade, mas as loiras mostraram que na guerra e no amor, o jogo só acaba quando termina. É… Nós homens ainda temos muuuito que aprender. Putz, e ainda tem as ruivas, gente, ainda tem as ruivas!

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra o livro
Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino

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VÍDEOS

> B. J. Thomas cantando Rock and Roll Lullaby

> Clipe com imagens da novela Selva de Pedra

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Mulheres que adoram – Dar prazer a uma mulher. O que pode haver de mais recompensador na vida?

O menino e o feminino misterioso – Esse instante numinoso em que o Feminino Sagrado mostrou-se pra mim, sob a meia-luz de seu imenso mistério

Estão abduzindo nossas mulheres – Abdução em massa de brasileiras! E bem debaixo do nosso nariz. Alguém precisa fazer algo, daqui a pouco só vai ter homem aqui

Insights e calcinhas – Uma calcinha rasgada pode mudar a vida de uma mulher? Ruth descobriu que sim

O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

Giselle, a espiã nua que eliminou o Brasil – Giselle, aquele rostinho lindo, aquele sorriso meigo, na verdade era uma fria e sedutora agente secreta a serviço da seleção francesa

Queremos mulher carnuda – Infelizmente muitas de vocês estão tão paranoicas que se excitam mais com dieta que com sexo

Cerejas ao meio-dia – Linda e poética, ela dá a volta no carro e todas as buzinas se calam. Claro, um poema de cereja em plena avenida, não é todo dia

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O Blog do Kelmer concorre ao Prêmio BlogBooks 2009
categoria Universo Masculino

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01- Sensacional, meu irmão!!!! Ana Erika Oliveira Galvao, Fortaleza-CE – set2013

RK: Poizé, Ana Erika. Pena que o namoro só durou três dias. (set2013)

02- Eu já enviei essa crônica pra ela! Ana Erika Oliveira Galvao, Fortaleza-CE – set2013

03- Demais Ricardo Kelmer adorei, beijao! Veronica Lopes, São Paulo-SP – set2013

04- Entre loiras e morenas porque não todas rsrsr. Marcos Felix, Ceilândia-DF – set2013

RK: Exatamente, Marcos Felix. E ainda tem as ruivas! (set2013)

05- Muito bom! Jambo Mel, Fortaleza-CE – set2013

06- kkkkkkkkkk Eu me divirto com seus textos! Isa Suzartt, São Paulo-SP – set2013

RK: Leitorinhas que adoram. Adoro. (set2013)

07- Como bem disse a Flá Perez, os homens preferem as loiras, mas casam com as morenas. Azar da morenas! kkkkk. Renata Regina, São Paulo-SP – set2013

RK: Renata Regina, se os homens preferem as loiras mas casam com as morenas, quem fica com as loiras? (set2013)

08- eles só se casam com elas…rsrsrs ninguém disse que eles são fiéis. rsrsrsrs. Renata Regina, São Paulo-SP – set2013

09- humra Raissa Castro, Fortaleza-CE – set2013

10- Morenas…. Tatiane Sá, Cajamar-SP – set2013

RK: É, Tatiane Sá, só você pra defender as morenas. Mas eu defendo junto com você, viu? Morenas! Morenas! (set2013)

11- Obrigada Ricardo Kelmer….é outro nível… Tatiane Sá, Cajamar-SP – set2013

12- Achei o máximo Kelmer ……” Apelei então pro máximo de frieza e pragmatismo que um adulto de doze anos pode ter…rsrsrsrs”. Veronica Lopes, São Paulo-SP – set2013

13- Ruivas…. Fernando Cabral, São Paulo-SP – set2013

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Inculta e bela, dengosa e cruel

16/06/2009

16jun2009

Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

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INCULTA E BELA, DENGOSA E CRUEL

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O plano era ficar na cidade um ou dois anos, descansar, rever amigos e família, escrever o novo livro sossegado. Depois pegar a estrada novamente. Mas Fortaleza tem pernas lindas, não sei se você já percebeu, e mais uma vez a danada me enfeitiçou, me envolveu. Isso dá um samba apaixonado, né? Tanto dá que acabei ficando. Sete anos de um romance daqueles: quanto mais briga, mais prazer no enredo da paixão.

Fortaleza tem um corpinho generoso, taberna sem hora para fechar. Muito nos divertimos, eu e ela por aí, miando nos telhados. Depois da festa eu me esquecia em seu colo e adormecia sorrindo. Mas sempre despertava assustado no meio da noite, o horizonte sussurrando meu nome… Eu sou da estrada, ela sempre soube, a poeira do meu casaco ela nunca conseguiu tirar. É no horizonte ali na frente que os meus sonhos reluzem, eu nunca escondi. Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar.

Ah, o desafio de ser escritor num país de não leitores… Um desatino, claro, coisa de quem não tem juízo. Mas fazer o quê se me excita isso de estar no mundo por um fio, se me seduzem as curvas incertas do mundo? Imperdoável é morrer sem tentar.

Já se passaram alguns meses. Queria saber como ela está. Quem sabe falando de mim, Fortaleza resolva ligar. Então esta singela cartinha escrevi. Alguém, quem sabe você, a encontrará por aí e dirá: ele escreveu, está bem, ancorou em Botafogo, é o abraço do Cristo que o acorda de manhã. Mora sozinho, faz sua comida, escuta o disco da Kátia, saudade de todos. Trabalha com roteiro de cinema e TV, finaliza o livro novo. E gosta de pegar a última sessão do Espaço Unibanco, é pertinho, vai a pé, achando graça dos bêbados nos botequins.

Diga para ela que tenho saudade, claro que sim. Dos amigos para toda obra, dos bares tão familiares, a noite dengosa. As coisas engraçadas que ela diz, a comidinha que só ela faz. Eu olho as modernidades daqui e lembro de seu jeito brejeiro, o falso verniz cosmopolita, o sotaque que ela tenta esconder nos letreiros em inglês. Fortaleza é uma menina deslumbrada, lindamente incoerente: de segunda a sábado importa modernices, e no domingo veste a roupa melhor que tem.

Mas toda linda menina é sádica. Ela brinca de morder e soprar com seus artistas. Eu lembro deles e chego a achar poético o eterno sufoco, a patética dificuldade de voar. Quase acho belo a pouca sorte, o ar cultural rarefeito, a arte com falta de ar… Mas então lembro de mim mesmo, suando na aridez dos dias claros, tão sádicos de sol, tanto sol na vista e nada em vista, nada que invista. Não, não é poético. Não é belo engravidar de uma ideia, parir com esmero, embalar o sonho, criar projetos e ver a prole chorar na barra do vestido, a vida passando e a arte com fome, a vida com fome de arte, vida e arte sem ter o que comer.

Fortaleza não gosta que eu fale assim. Mas é a verdade, seu amor verdadeiro é para forasteiro. Ela se magoa, faz contas, lista desculpas. Eu digo que é desculpa de quem não quer, de novo a velha discussão. Ela desconversa, me chama para sair, se esbaldar nos forró-tais da vida. Obrigado, meu amor, mas esta noite preciso ficar só, tenho uma decisão a tomar. Ela pressente e diz que sou igual a todos que se foram, por isso é que a esses ingratos não lhe interessa agradar. E sai, batendo a porta. Para dias depois voltar, as pernas no vestidinho preto, ai, ai, tirando agradinhos da sacola: uma livraria nova, um espetáculo diferente, festival na serra, bienal. E eu, que só quero um pretexto para ficar, sorrio deliciado e outra vez esqueço de ir…

Ela já sabe mas, só para finalizar, diga que não guardo mágoas, sei que tudo é difícil. Mas lamento. É pena que no dia seguinte seus amantes tenham de ir, levando sua arte, empobrecendo a paisagem. Se ela não os sufocasse tanto, quem sabe ficariam, tudo seria diferente… Mas deixa, não precisa falar. Amar é aceitar, não é assim que se diz? Então tá. Aceito Fortaleza como é, inculta e bela, dengosa e cruel. E ela aceita minha fome de horizontes. E prometemos nos respeitar, na alegria e na tristeza. E assim vamos levando nosso amor, brindando às noites maravilhosas que vivemos e ao belo futuro que jamais nos pudemos dar. Tim-tim!
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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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INCULTA E BELA, DENGOSA E CRUEL (trecho)
Gravado em jul2017, Praça dos Leões, Fortaleza

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FALARAM POR AÍ

Uma noite kelmérica – Herlene Santos escreve sobre a palestra a que assistiu em 2012, em especial sobre a crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel

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MaiorQueMeuHorizonte-03aMaior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e Bela, Dengosa e Cruel) – E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Essa loirinha desmiolada de sol – Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

Confissões de uma leitorinha nua (por Leitorinha) – Fiquei tão à vontade pra ler a página dele na net que agora o fazia completamente nua

Nas curvas do teu litoral – Uma música para Fortaleza

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

O reino encantado de Jericoacoara – Perder-se em Jeri, eu recomendo. Perder-se de paixão. Perder a noção do tempo, a carteira de identidade, o medo de se experimentar…

Postagens nos temas “biográfico” e “Fortaleza”

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01- Você a cada dia está melhor. Ler tuas crônicas é alimento, numa cidade que nada diz. Resta-nos somente apreciar a Luizianne na TV como alento e desejar que o Moroni não seja nossa próxima programação. Que bom que o teremos mais perto nos diários do povo. Quem sabe assim consigamos nos realegrar com sua poesia e sorriso. Saudades de você meu caro. Ricardo Black, Fortaleza-CE – out2004

02- Grande morador da Eduardo Guinle, Muito boa essa crônica, como afinal são todas as suas. Fortaleza já disse se gostou ou não?… Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – out2004

03- Prezado Ricardo Kelmer, digo, prezado, tanto pela formalidade, quanto pelo prazer que tive ao ler a sua crônica-carta, publicada no jornal O Povo, de 09 de outubro. Eu, que sou fortalezense desde o começo, sinto coisas muito parecidas, quando baixa o tédio por falta de outros horizontes de cultura e profissão. Já tentei partir várias vezes e volto sempre: pela beleza do mar, do céu azul, do sol dourado; pelo clima agradável, caminhadas na praia, amizades boas, familiaridade dos lugares, informalidade dos bares, sei lá o que mais…. Você tem razão, é se fazendo dengosa que ela esconde o lado inculto e cruel: com um jeitinho meio bobo, matuto mesmo, vai fazendo você de besta; sorri alegre e vai lhe enfiando a faca, lhe tirando o tapete dos pés, oferendo o melhor para os amigos e familiares, envenenada de inveja do sucesso alheio, fechando portas como quem convida para uma festa. É dançando forró que Fortaleza vai lhe dando um traço. Estou fazendo novamente as malas e já sentindo saudade. Pode??? Parabéns pela crônica! Acho que você pisou no rabo da cobra. Juraci Maia, Fortaleza-CE – out2004

04- Oi Ricardo, Muito boa, a crônica. Adorei! Mas acho que vai tocar sempre quem “mora” em Fortaleza e por algum motivo tem que estar fora. Melhor ainda foi saber que você mora só, acorda com o Cristo, ouve música e vai ao cinema. Sinal que está bem, em? Você estará em Fortaleza no natal? Eu e o Valmir iremos … Aqui tudo bem. Estivemos em Paris semana passada e encontramos com Valdo e Paulinha. Nada das farras de antigamente, porque agora eles estão com uma filhinha e tudo mudou. Beijo grande Liliana Costa, Lisboa-Portugal – out2004

05- Vejo que a distância e a saudade te fez escrever melhor ainda. A “croniquinha” está bela e verdadeira. Bela porque trágica, verdadeira porque cômica. Comer o quê? Precisa ter fome de algo. Esta fome existe por aqui também, as pessoas é que não sabem ainda o que seria uma boa e saborosa refeição. É questão de gosto, educação e oportunidade. Tem quem tem, não é nem quem pode, porque muitas vezes quem pode tem é menos ainda. Bem, que se fodam os outros, penso eu que apenas consumo arte. Para quem faz é um pouco diferente. Abraço e parabéns pelos sonhos. Do amigo, Ronald de Paula, Fortaleza-CE – out2004

06- É meu amigo, corajoso é você que consegue ficar longe de Fortaleza, mesmo com o coração doído. Temos saudades. Um abraço. Claudio Roberto, Fortaleza-CE – out2004

07- Ricardo, deliciei-me com cada palavra que voce escreveu. Vi-me refletido na tela do computador e em cada expressao de amor e saudade que voce desenhou com suas maos de poeta. Aqui, milhares de quilometros distantes – que podem ser traduzidos em dois dias de viagens de aviao – a presenca ausente dessa nossa namorada partilhada e ainda maior. Lembro-me do Fagner que dizia ter necessidade de voltar a Fortaleza pelo menos uma vez por ano para se reenergizar. Quando ouvi aquilo a primeira vez pareceu-me coisa de artista. Hoje sinto exatamente a mesma coisa. Tenho falta de Fortaleza (e do Ceara) como se fosse parte de mim – apesar de nao ter nascido la (que esta aqui dentro de mim). Assim, ela nao e minha mae. E minha namorada. Eu a conquistei e fui conquistado por ela. Tin-tim pelo texto e pelas palavras que transmitem o que tambem sinto. José Paulo de Araújo, Filipinas – out2004

08- Adorei o texto, saudades … Bj Liége Xavier, Fortaleza-CE – out2004

09- Porra Ricardo, adorei esta tua crônica. Com licença, mas repassei a alguns amigos exportados. Um abração e boa sorte sempre. Crisóstomo Frota, Fortaleza-CE – out2004

10- KELMER li também essa no jornal o povo. me emocionei com essa cronica. falei pros amigos no sábado à noite no bar do papai e recomendei a leitura. um grande abraço! Ciribá Soares, Fortaleza-CE – out2004

11- Eis eu aqui pensando que tive uma dia otimo, na chegada do outono, as folhas em tons de laranja, vermelho, amarelo. Chego em casa, abro o e-mail e sua cronica poe meu coracao num aperto de doer, de saudade, de Fortaleza, de mim, dos amigos, de voce. Queria eu escrever assim e deixar que as palavras confortem e aceitem o que nao pode ser negado, que o destino que escolhemos nos levam para longe de Fortaleza, lugar inexplicavel porque gera dentro da gente uma paixao sem medidas, insubstituivel e que para onde sempre retornaremos, mesmo que os nossos barcos deem a volta ao mundo. Muitas saudades e obrigada…. Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – out2004

12- Achei linda a crônica. Já havia lido. Aliás, estou concluindo minha especialização sobre crônica e concorrendo ao mestrado de literatura tbm sobre crônica em 2005 (Rubem Braga). Gostei muito de ler como essa amante ingrata trata seus talentos e recebe os externos. A má e bela criatura está quase me fazendo desistir dos seus encantos e dos dois únicos bares que freqüento. Mande notícias do mundo de lá… Beijos. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – out2004

13- Ei amigo, Surpreso fiquei em saber que vc. não está morando em Fortaleza. O que a vida nos faz ! Sua crônica é “demais”, até fiquei com saudades, não sei se de Fortaleza ou de você, com seus pensamentos tranquilos e aquela habilidade sinucal. Quem sabe vc. não encontra um parceiro, nesses bares famosos do Rio e joga algumas partidinhas. Espero que tudo esteja legal com vc., gosto muito de receber seus e-mails e desejo toda a SORTE do mundo. Fortaleza tem braços longos e está te abraçando daqui. Forte abraço. Claudio Angelim, Fortaleza-CE – out2004

14- ola! Querido Ricardo Foi uma surpresa enorme receber sua cronica, fiquei feliz tao feliz que espero receber outras, e bom saber que nao esqueceu de mim dentro tantos amigos antigos, e eu hoje me considero tb uma amiga de verdade… e muito proxima.. espero que venha volte aqui e possamos nos encontar assim no caso como naquele dia da Plaza, que tenha todo o sucesso no Rio… e seja muito feliz mil bjos. Teresa Lia, Fortaleza-CE – out2004

15- Inculta e bela, dengosa e cruel, uma das mais belas páginas q já li. Guardarei para netos. Parabéns… Aládia, Fortaleza-CE – abr2005

16- Linda essa homenagem…! Pior é que Fortaleza é isso mesmo: aquela primeira pinga (vodka, vinho, champagne) que se quer evitar, mas depois que experimenta, sempre volta prá bicar. É o velho dilema, ficar no colinho de mamãe ou ganhar o mundo! Lucilene Anderson, Brasília-DF – abr2005

17- Oi Ricardo, Adorei essa crônica sobre Fortaleza, pois moro aqui a muito tempo e nunca parei para ver minha cidade dessa forma. Já fui morar em Recife, não gostei a saudade era muita e acabei voltando. Foi como se Fortaleza guiasse minha vida. Parabéns adorei. Estou amam Você. Cacilda Luna, Fortaleza-CE – jun2005

18- Meu velho amigo, acabo de ler “Inculta e bela, dengosa e cruel”. Obrigado Ricardo, a emoçao q eu e a Sephira sentimos com essas suas letras foi muito intensa e verdadeira. Um grande abraço e espero de te encontrar de novo um dia, ou melhor uma noite, quem sabe nos bares de Fortaleza.” Daniele Schiavi, Verona, Itália – nov2009

19-  Gosto demais desse texto… Beijo! Dalu Menezes, Fortaleza-CE – abr2013

20- Nunca tinha lido nada que representasse nossa capital de maneira tão digna. Claro, isso foi até eu ler a poesia a lá Ricardo Kelmer *-* Herlene Santos, Fortaleza-CE – abr2013

21- Ain eu já tinha lido, e adoro esse texto. Não encontrei nenhuma outra crônica que ficasse à altura dessas palavras seduzentes do Kelmer, homenageando Fortaleza. Simplesmente lindo *u* Beijo Kelmer. Cynthia Martins, Fortaleza-CE – abr2013

22- O cara eh bom mesmo, parabens a Fortaleza e a vc, claro. Henrique Vilela Sales, Fortaleza-CE – abr2013

23- Adoro demais esse texto, muito significativo. Parabéens, Kelmer. Alana Gabriela, Fortaleza-CE – abr2013

24- Linda Nossa Fortaleza!!! Míriam Cearucha, Porto Alegre-RS – abr2015

25- Massa Ricardo Kelmer. Ana Lucia Castelo, Newark-EUA – abr2015

26- Adaise Brasil, Joel Brasil, hj é dia da terrinha. Ada Maia de Sousa, Fortaleza-CE – abr2015

27- O mais perfeita tradução de Fortaleza! Amei. Bete Augusta, Fortaleza-CE – abr2015

28- saudades…. Susana X Mota, Leiria-Portugal – abr2015

29- Show, amigo! Paulo César Norões, Fortaleza-CE – abr2015

30- Maravilhoso!!!! Carla Soraya Florêncio, Fortaleza-CE – abr2015

31- Tens q conhecer Porto Alegre, para escrever algo. Carla Lsp, Porto Alegre-RS – abr2015

32- Lindo, adorei!!!!!!!!!!!!!!! Luciana Brasileiro de Holanda, Fortaleza-CE – abr2015

33- Amo linda graciosa é a nossa Fortaleza. Milca Maria Alves Costa, Fortaleza-CE – abr2015

34- …ameiiiii!! sucesso meu lindoo. Katia Knox, São José dos Campos-SP – abr2015

35- Não conhecia Kelmer! Maldade chamá-la de inculta, fedorenta ainda vai…. rsrsrssrsrsr. Lílian Martins, Fortaleza-CE – abr2015

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A mulher livre e eu

07/06/2009

07jun2009

É esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam mas não se anulam em estúpidas noções de controle: amamos o outro e não a posse do outro

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A MULHER LIVRE E EU

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É ela quem eu quero, a dona dessa boca. A boca docemente familiar que amanhece de mansinho na minha quando desperto de mais uma madrugada de sonho e suor. Porém, bem mais que a boca, é o beijo da liberdade dessa mulher que me refresca a vida.

É ela quem eu desejo, a dona desse corpo. O corpo que me sugere as mais poéticas indecências e me convida a desvendar os segredos que eu já sei de cor, e quando estou lá, puff, de repente já não sei mais, e então me perco por seus montes e planícies e cavernas, e ao fim de tudo me contorço e urro e explodo no mais puro prazer de me perder. Porém, bem mais que no corpo, é na liberdade dessa mulher que a vida se desnuda para mim.

É da presença dela que eu preciso, ela que me traz a certeza de que não seguirei só. É de sua voz que carecem meus ouvidos, a voz que me embala a alma de blues e me faz convidá-la, vamos dançar, meu amor? É o meu olhar no seu que vejo quando nada mais vejo no breu das incertezas. Mas, sobretudo, é a liberdade dessa mulher que me clareia o caminho.

Ela é livre porque, apesar de ter nascido imersa numa cultura, um dia entendeu que não deveria limitar-se às regras, e assim modelou seu ser com o que de melhor encontrou pelo mundo. Evidente que esse não limitar-se às convenções fará dela uma eterna transgressora a incomodar os que só admitem o mundo pelas lentes de sua cultura e religião, mas esse é o preço da alma liberta, ela sabe. E eu faço questão de pagar junto dela.

Houve um tempo em que ela entendia seu corpo como algo contra o qual deve lutar todos os dias – até que percebeu que sua verdadeira beleza não vem de cosméticos, mas de sua alma harmonizada com os ritmos naturais da vida. Hoje ela não precisa gastar para ficar chique e bonita, pois a elegância da simplicidade há muito a fez sua modelo exclusiva. Sim, a mulher livre possui vaidades, mas ela não é boba, sabe que os criadores de moda não almejam a sua felicidade, mas a sua escravidão. E quanto a vestir-se para fazer inveja a outras mulheres, bem, ela sabe que mais tarde quem rasgará sua roupa sou eu.

Os mistérios de si, ela vai buscá-los, pois jamais seremos livres sem nos livrarmos do que por dentro nos paralisa e nos faz sabotar a própria vida. Ser livre é ampliar a cada dia a real noção de si, isso ela há muito compreendeu, e é por esse motivo que os que se libertam não se enganam mais como antes e, por serem verdadeiros, mais verdadeiras são suas relações.

E por bem saber o que ela é ou não é, essa mulher nada tem a provar a ninguém. Se interpretam erroneamente seu jeito espontâneo, ela ri do que dela pensam. Se seus desejos transcendem os velhos modelos sexuais, ela festeja e os divide generosa com eles ou elas, e em nome de seu sagrado prazer ela é a cadela devassa, a santa dadivosa da luxúria, a puta mais linda e desvairada que há.

A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser, e por não estar apegada a poder e dinheiro ela é a mais rica e poderosa de todas. E justamente por saber que a velhice é o segredo final da sabedoria é que a vida todo dia vem banhá-la de alegria e vesti-la com esse jeitinho de menina encantador.

É esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam mas não se anulam em estúpidas noções de controle: amamos o outro e não a posse do outro. Estamos juntos porque finalmente encontramos a liberdade que acolhe e incentiva a nossa própria, e até nos permite dividir com o mundo o nosso amor. E por não sofrer temendo perder quem na verdade nunca possuímos, mais vivemos e gozamos o melhor amor que temos para nos dar.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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MAIS SOBRE LIBERDADE E O FEMININO SELVAGEM

AMulherSelvagem-11aA mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.

Os apuros do homem feminista – Minha busca por relações igualitárias foi dificultada também porque muitas mulheres, mesmo oprimidas, preferiam relações baseadas no velho modelo machista

Marchando com as vadias – Se ser vadia é ser livre para exercer a própria sexualidade, então todas as mulheres precisam urgentemente assumir sua vadiagem, para o seu próprio bem e o de suas filhas

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LIVROS

vtcapa21x308-01Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino
Ricardo Kelmer – Contos e crônicas

Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido… Em cada história, o brilho numinoso dos arquétipos femininos que fazem da mulher um ícone eterno de beleza, sensualidade, mistério… e inspiração.

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Oi Ricardo, belo texto, lembra o livro, “As mulheres que correm com os lobos”, que é da Clarissa Estes, uma junguiana e contadora de histórias. Conhece? Muito bom (tanto olivro qt seu texto). Bj. Raquel Brasil, Fortaleza-CE – jun2009

02- Uau, acho que nunca li nada tao romantico vindo do Ricardo Kelmer, sera que meu amigo esta finalmente se entregando ao “amor” ou eh so ficcao mesmo? Ana Lúcia Castelo, Nova York-EUA – jun2009

03- Olá Kelmer, Bela crônica. Um ato apologético à criatura camaleônica da mulher, que promove digamos uma “troca de seios” à medida de nossa necessidade. Teve um momento do texto que me identifiquei com a parte boa introjetada de nossa realeza, a liberdade que vagueia pelos campos floridos do desejo saciado, sem qualquer laivo de anseio e voracidade; apenas o acalanto de um prazer purificado da necessidade de evacuar angústias e ansiedades. Gostei bastante. Aproveito para re-convidá-lo para uma entrevista em meu programa cultural na internet. Se você quiser marcar em julho, temos como. Um grande abraço e parabéns pela sensibilidade. Felipe Moreno, São Paulo-SP – jun2009

04- não sei nem como publicar isso no blog, mas se vc puder fazê-lo, faça, de qq forma eu já tinha encaminhado pra quase toda a minha lista e o pessoal está adorando…. Bj. Raquel Brasil, Fortaleza-CE – jun2009

05- Rapaz, onde é q a gente encontra uma “muié” dessas aí, mermão? Essa muié aí parece aquelas das antigas estampas Eucalol (é o novo!): erráticas, inatingíveis e, mesmo, inexistentes — sobretudo pra “rapazes velhos” como nós q já passamos dos quarenta, embora não pareça… Valeu! Wander Nunes Frota, Fortaleza-CE – jun2009

06- Oi, tio prof! Soou meio preconceituoso esse “todas as outras”, achei meio esnobe, sei lá. Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – jun2009

07- nossa…. me identifiquei! hahahaha beeijo. Dani Cecchi, Rio de janeiro-RJ – jun2009

08- “A mulher livre sou eu!” É isso mesmo, Kelmer. E são poucos os que reconhecem a essência que há por trás das que pagam o insustentável preço da liberdade! Parabéns pelo texto. Meire Viana, Fortaleza-CE – jun2009

09- mto bom! bela leitura para o dia dos namorados… Beth Vidigal, São Paulo-SP – jun2009

10- amei,sou uma mulher livre tb… bjs e obrigada . Marysol Rosso, Cocal do Sul-SC – jun2009

11- Simplesmente lindooo!!!Muita sensibililidade e conhecimento da alma feminina!!!Parabéns! Adorei! Obrigada Ricardo. Abraço. Fernanda Bessa, Fortaleza-CE – jun2009

12- nossa que linda essa crônica adoreii!!!!!!! bjs. Fernanda Quinderé, Fortaleza-CE – jun2009

13- muito lindo… é que tu escreve de um jeito muito especial… contagia a alma. beijo grande. e nosso gamão? comprei pedras novas… Gláucia Costa, Fortaleza-CE – jun2009

14- fala bixo!!! tava na amazonia, e la a net e pessima, por isso a demora! + me fala, tem outra dessa p vender?? to carecido!!! abç. César de Cesário, Campina Grande-PB – jun2009

15- Parabéns pelo texto, Ricardo. Poucos são os que leio mais de uma vez, como este. Invejo, e obviamente admiro, esta mulher, pois sou conscientemente presa aos padrões culturais/religiosos. Acho, de certa maneira, que necessito desta prisão, pois não detenho a força necessária a esta liberdade. De qualquer forma, é muito bom saber que ela é possível! Abraços. Maryvone, Fortaleza-CE – jun2009

16- Que romântico esse “a mulher livre e eu”, adorei tbm.. ainda esperando um amor assim, que encontra “a liberdade que admira, acolhe e incentiva”. Jocastra Holanda, Fortaleza-CE – set2011

17- Lindo texto. Vitória Lima, São Paulo-SP – mai2013

18- É essa mulher que procuro… Alexandre Simonete, Piracicaba-SP – jul2013

RK- Alexandre, eu também procurei bastante essa mulher. Até que um dia a encontrei dentro de mim mesmo ao reconhecer o princípio feminino em minha alma. Desde então o feminino liberto em mim me fez um homem mais livre e acho que isso atrai mulheres mais livres ou que buscam se libertar. Alguém já disse que nossas relações nunca serão melhores que a relação que temos com nós mesmos. Seguindo essa lógica, se almejamos relações mais livres, acho que o primeiro passo é libertar a nós mesmos. (jul2013)

20- Então estou no caminho certo…Pois já reconheço o principio feminino em minha alma… Muito bom adorei. Um grd abraço ! Alexandre Simonete, Piracicaba-SP – jul2013

21- Adorei! Eu tenho essa mulher dentro de mim…..Ricardo Kelmer Do Fim Dos Tempos. Tatiane Santarosa, Cajamar-SP – jul2013

22- PERFEITO!!!! Só faltou minha digital ! Parabéns. Garcia Nataly, São Paulo-SP – nov2013

23- Eu já tinha lido antes, mas vendo essa postagem agora com comentários carregados de sensibilidade masculina sobre seu próprio feminino, não tem como não me emocionar! Para mim parece tão simples, embora seja um árduo caminho para chegar nesse ponto garotos. Lembre do conto “Quando os homens não voltam pra Casa”. Ivonesete Zete, Fortaleza-CE – nov2013


Meu futuro de popistar cristão

20/05/2009

20mai2009

Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

MEU FUTURO DE POPISTAR CRISTÃO

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Vendo esses cantores e essas bandas cristãs lotando shows e vendendo zilhões sagrados de discos, lembrei que, por um desses carrapichos do destino, eu também quase enveredei por essa rota. É sério, juro por todos os deuses.

Foi na adolescência, em Fortaleza, quando eu participava de grupos de jovens católicos. Sim, eu fiz isso. Meu interesse pela religião e meu fervor místico eram genuínos, e naquela época tentei conciliá-los com minhas vocações artísticas. Após as reuniões do grupo, por exemplo, fazíamos rodas de violão e eu encenava esquetes de humor para os colegas. Já era metido a engraçadinho naquela época.

Depois, tive a ideia de montar um jornalzinho do grupo e pedi ao pároco, o saudoso monsenhor Amarílio, que financiasse. Ele topou, mas não gostou muito do nome que eu escolhera para o jornal: Sovaco de Cobra. Para você ver como sempre fui sem-noção. Então, monsenhor Amarílio sugeriu, com muito jeito, que eu deveria escolher outro nome. Mudei, a contragosto, para um nominho mais careta: O Mensageiro. O jornal chegou a ter quinhentos exemplares mensais, impressos em mimeógrafo, e era uma ótima maneira de divulgar as atividades do grupo e atrair outros jovens.

Mais tarde, empolgado com as músicas cristãs que cantávamos nas missas e reuniões, tive a ideia de montar uma banda com meu chapa no grupo, o Jaqueta, e vibrava só de imaginar a banda se apresentando na missa e nos encontros, o público acompanhando… E as tietes, claro. Sim, mesmo sendo cristão, eu nunca deixei de ser um tarado véi seboso.

Paralelamente aos meus interesses pessoais, eu realmente via a música como um excelente canal de aproximação entre a paróquia e a comunidade, principalmente os mais jovens. Dessa vez, porém, o pároco não gostou da ideia e vetou, aquilo já era muita modernice demais. E assim, em 1983, minha sagrada carreira de popistar cristão acabou antes mesmo de começar.

O que teria acontecido caso o monsenhor aprovasse a ideia? Talvez hoje eu ainda fosse cristão. Talvez, em vez de escritor de sacanagem, eu hoje fosse um cantor de Deus, já pensou? Kelmer de Arimateia, quitals? Evidente que eu não seria um cantor caretinha, aí também é querer demais. Kelmer de Arimateia faria um estilo mais assim tipo maluco do Senhor, paz e amor, podiscrer. E meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas. E o vinho seria liberado para todo mundo, é claro. E tocaríamos no meio do mato, sob a lua cheia, as Noviças Viçosas saltitando descalças ao redor da fogueira e distribuindo uvas de boca em boca e…

Humm… Pensando melhor, monsenhor Amarílio, o senhor fez bem em vetar.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

As fogueiras de Beltane – A sexualidade sem culpa de uma sacerdotisa pagã

A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

Bar do Araújo é a salvação – Espremido entre duas igrejas, o Bar do Araújo é a última resistência dos ateus. E do bom humor

Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu. O que pode sair desse mato?

O armário dos ateus – Os dados da ONU e a pesquisa de Phil Zuckerman desmentem uma velha crença dos teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará para a criminalidade e infelicidade geral

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01- Pecador dos Inferno ! Rsrs. Mario Wilson Costa Filho, Fortaleza-CE – jun2013

02- Adoooooroo! Saudade vc! Juliana Melo, Fortaleza-CE – jun2013

03- Pense num menino Prodígio…È Ele, Ricardo Kelmer: Meu Muso ,esse menino Lindo que eu conheci quando Inventaram o Telex, mas pelo jeito, o Tempo só melhorou a Categoria dele, cada vez melhor..Belo Caráter e meu amigo querido! Claudia Bahia, Fortaleza-CE – abr2014

04- Eu o conheci no grupo de jovens da paroquia da paz. Ele nessa época se chamava “Kelmo”, mas ja se destacava do resto da turma por sua inteligência e pelas suas habilidades artisticas. Ele merece todo sucesso do mundo. Luciana Loreau, Youghal-Irlanda – abr2014

05- Ricardo, eu acho que seria uma experiência inesquecivel pra mim assistir um show “no meio do mato, sob a lua cheia, as Noviças Viçosas saltitando descalças ao redor da fogueira e distribuindo uvas de boca em boca”. Mas foi vetado, fazer o quê, né? kkk. Vou ficar torcendo para que um dia um outro popistar- cristao o faça… Luciana Loreau, Youghal-Irlanda – abr2014

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Nasce o Letra de Bar

11/04/2009

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Após oito meses de turnê nordestina (putz, esta foi bem longuinha), tô voltando pra São Paulo em maio. A agenda foi bem movimentada: palestras e lançamento do Vocês Terráqueas em Fortaleza, Crato, Juazeiro do Norte (CE), Campina Grande e Sousa (PB), além de uma série de 28 palestras pra funcionários das unidades da Cagece (CE). Além disso, produzi edições das festas Cabaré Soçaite e Farra no Cabaré Alheio e estreei uma nova festa (Sabadabadu), que espero que o Acervo Imaginário prossiga realizando mensalmente.

E criei dois eventos literários, que deixarei em Fortaleza como uma espécie de contribuição à vida cultural da cidade. Um é o Bordel Poesia, um sarau que se realizará mensalmente no Acervo Imaginário e cujos temas são o erotismo e a paixão. Mas depois eu falo dele. Agora eu quero falar do outro evento, o Letra de Bar. Aliás, deixarei que o texto de divulgação do projeto fale por mim.

LETRA DE BAR

Assim como o artista tem que ir aonde o povo está, os livros também precisam ganhar o mundo e encontrar seus leitores. Esta é a ideia que inspirou a criação do Letra de Bar, um projeto que tem como objetivo aproveitar o ambiente dos bares para divulgar a produção literária local, promovendo os autores e suas obras.

Para o autor, é uma ótima oportunidade de dar mais visibilidade a seu trabalho. Para o bar, o evento traz publicidade, associando seu nome à cultura e oferecendo uma atração especial a seu público. E o público, por sua vez, tem a oportunidade de conhecer melhor a produção literária de sua região e incentivar os autores locais.

O bar escolhido para a fase inicial do Letra de Bar é o Bar do Papai, (rua Torres Câmara esq c/ Monsenhor Bruno – Aldeota – 85-3264.3495) por ser um bar de sucesso na cidade, onde os artistas locais se sentem prestigiados e cujo proprietário, Carlinhos Papai, figura conhecida há muitos anos no cenário artístico da cidade, sempre esteve aberto para apoiar as novas ideias.

Toda quinta-feira, a partir das 20h, acontecerá no bar uma sessão de autógrafos de um autor, que terá sua obra exposta para que as pessoas possam conhecê-la, conversar com ele e adquirir os livros. No palco o apresentador conversará com o autor, que falará sobre seu trabalho, responderá perguntas do público e poderá ler trechos dos livros. O bar oferecerá ao autor um jantar de cortesia e ganhará dele um livro que servirá para compor a biblioteca da casa.

O criador do projeto é o escritor e roteirista Ricardo Kelmer, radicado em São Paulo. A produção do evento é de Cristina Cabral e Ricardo Black, que também é o apresentador.

SITE: letradebarfortaleza.wordpress.com

CONTATOS:
Ricardo Kelmer (São Paulo)
Ricardo Black e Cristina Cabral (Fortaleza)
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figlivros1bPoizé. O Letra de Bar é isso aí. O evento teve início em mar2009 e espero que tenha vida longa. Quem sabe ele não se espalha por outros bares, outros bairros, outras cidades? Quem sabe não ganha o apoio das secretarias de cultura?

A produção desse tipo de evento é barata e combina bem com bares que trabalham com música ao vivo pois o palco e o som são aproveitados. E todos lucram, o autor, o bar e seu público.

Em Fortaleza o Letra de Bar tem o apoio cultural da Expressão Gráfica e da Garin Cópias. Livrarias e outras empresas estão convidadas a participar.

Agora um novo desafio me aguarda: implantar esse projeto em São Paulo. Algum bar se habilita?

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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Abalou Sobral em chamas

11/02/2009

11fev2009

Abram as portas da esperança! Que entrem as candidatas a Cinderela

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ABALOU SOBRAL EM CHAMAS

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Concurso Miss Ceará Gay 2000. A boate Oásis está lotada, mas eu, Paula e Giuliana conseguimos uma boa mesa. Entramos e vemos as cortinas cor-de-rosa, passarela em T, escadaria, buquês de flores, tudo reluzente… Babado forte. Produção de primeira, sim senhor. Porque se tem uma coisa que bicha gosta é de glamour. Pois então que lhes seja satisfeito o desejo. Abram as portas da esperança! Que entrem as candidatas a Cinderela!

Primeiro, os trajes típicos. A primeira menina, vamos chamá-las assim, representa Barbalha na figura da coletora de algodão, uma simpatia. Aplausos. A segunda é de Guaramiranga, loiríssima, e vem em trajes de florista. Arrasou. A candidata de Ipu surge na escadaria pelas mãos de um bonitão de smoking e eu tomo um susto: é uma indiazinha linda! Ajeito-me na cadeira para ver melhor. Mas será possível? Ela é homem? É o fim do mundo…

Depois vem homenagem às vaquejadas de Morada Nova e às lendas do açude Orós, um luxo. E eu que nem sabia que o Orós tinha água, quanto mais lenda… Uma candidata erra o caminho e a apresentadora não perdoa: Te orienta, atordoada!… A representante de Sobral vem no traje Exaltação ao Cangaço, todo em palhas de carnaúba. Es-cân-da-lo. Lembrei até do Clovis Bornay.

O universo gay é colorido, alegre e espirituoso, la vie en rose. A estética é exagerada e tudo é motivo de festa. Sobram plumas, purpurinas, strass e luvas de veludo azul. Abundam dáblius e ipsilones. A vida é um eterno espetáculo, the show must go on. Aliás, diz que bicha não nasce, estreia. Nos anos 70, toda bicha queria ser a Vanusa, lembra? Hoje preferem a Mariah Carey. Eu acho tudo divertido, mas tem gente que não gosta e tem até quem se ache no direito de sair nas ruas atirando nas meninas, coisa triste. Curioso ver que às portas do terceiro milênio a sexualidade humana continua sendo um tabu. Não seria a homofobia, em última instância, o medo da própria sexualidade não assumida? Vai saber… Mas deixemos de teses, o concurso é mais divertido.

A apresentadora lembra que depois, em outra boate, haverá o espetáculo Tarzan e os Felinos. Cruzes!, comenta a outra empolgada na mesa ao lado, vou levar até mertiolate! Um jurado reclama que está com sede e a apresentadora dá um pito: Natália, cadê a água do júri, criatura?! Depois, ela elogia as candidatas e diz que elas se sentem tão mulher que só faltam menstruar ali mesmo… Putz, a piada me pega no meio de um gole e engasgo. De fato, elas são bem femininas e muito bonitas. Mas Paula trata de botar defeito e comenta que a bunda da outra é muito grande. Muito grande, Paula, ah, tenha paciência! Giuliana também acha defeito: O silicone das pernas é disforme. Ô despeito.

Quando a índia Shakira, candidata de Ipu, surge esplendorosa no traje de banho, eu oficializo minha torcida por ela. Um desbunde. Apanho meu queixo no chão e fico a imaginar Shakira se banhando na bica… Aliás, os nomes são atração à parte nesse universo: Shirley, Natasha, Paloma, Priscila e por aí vai. E os sobrenomes? Têm sempre um quê assim de luxuoso ou exótico: Thompson, Strauss, Close, Bijoux. Nome é vital. Ou você acha que uma bicha chamada Luzanira Macaúba teria alguma chance?

A secretária Natália Kinski (olhaí…) recolhe as notas e a apresentadora anuncia a campeã: Virna Tinelli! A candidata de Sobral! Aplausos e holofotes. Chuva de pétalas. Música para a vencedora. Comoção geral na plateia. Abalou Sobral em chamas! Ela recebe o buquê do bonitão de smoking e desfila pela passarela, se acabando em lágrimas, ela que já havia ganho o prêmio de melhor traje típico, para glória, esplendor e apogeu da Zona Norte. Realmente muito bonita a menina, admito, mas continuo fiel à minha Shakira, que por sinal ficou em terceiro lugar, in-jus-ti-ça.

Vamos conhecer a vencedora, dar-lhe os parabéns. Ela já não caminha, flutua, os olhos que não se fixam em lugar algum. Mas consigo um autógrafo: “Um para Ricardo.” Assinado: Miss Ceará 2000. Ôxe, um o quê? Não diz. Ela esqueceu. Tudo bem, Virna, é a emoção. Ser Miss Ceará Gay pesa, eu entendo. Vá, minha filha, aproveite seu momento de Cinderela que você merece, que amanhã tudo volta ao cotidiano borralheiro, o trabalho duro no salão, aquelas senhoras ricas de nariz empinado. Elas têm dinheiro, eu sei, têm motorista esperando lá fora e viajam para Miami, eu sei. Mas nunca, nunca foram miss.

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.com

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Esta crônica integra os livros Vocês Terráqueas
e A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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LEIA NESTE BLOG

ADiversidadeSexualPedePassagem-01A diversidade sexual pede passagem – A luta pela legitimação da diversidade sexual como característica humana não é mais apenas uma luta de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros

Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

As crianças transexuais – Putz, que espécie louca, a humana. O que ainda haverá para descobrir sobre nós?

A travesti anã e sua irmã sapata – Passeando pelas minhas comunidades no Orkut, ela encontrou uma chamada “Já dei pra um travesti” e aí, coitada, ficou apavorada

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada

As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz

Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

O último homem do mundo – O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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01- Muito ótima, Rico. Absolutamente fidelíssima. Também já freqüentei tais concursos, e ME ACABO de rir e me divertir com a bicharada. Glamour é bom eu eu também gosto.Besos muchos, que esteja tudo bem com você. Marta Crisóstomo Rosário, Brasília-DF – jun2005

02- Obrigada pela crônica…ri muito!Vc pegou bem o espírito da coisa.O povo gay q se apresenta nessas boates,sempre me fascinou.Pela alegria, pela criatividade, pela coragem de brincar de Cinderela. Mônica, Niterói-RJ – jun2005

03- vc é um barato… A-ME-I lindo! só não fui na parada gay este ano, pq sabia que seria aquela LOU-CU-RA…mas q elas são divertidas, ah isso são…e se são assim é pq são felizes, nada mais excitante…rss beijos. Débora Pissarra, São Paulo-SP – jun2005

04- Essa crônica eu tenho, tá no teu livro ” A arte zen de tanger caranguejo”, e esse eu tenho, blz, um livro que nos faz lembrar de varios momentos de nossa vida em fortal, muito bom. José Everton de Castro Jr – Brasília-DF – jun2005

05- Na real, faltou um pouco do real. As bichas se pegam de porrada no camarim. Porque glamour é tudo, mas não toque na minha frasqueira…. hehehehehe Um abração e boa semana. Adriano de Lavôr, Fortaleza-CE – jun2005

06- é, mano, pela sua descrição, eu tbém votava na Shakira…. Mto bom esse seu texto. E, sim, a humana sexualidade sempre será pano pra mangas, cajus e maracujás. E cupuaçus… Abração. Max Krichanã, Fortaleza-CE – jun2005

07- Adorei Abalou Sobral em Chamas. Lisa Mary, Fortaleza-CE – jun2005

08- É isso aí ! Muito bom texto!O texto lida lida com o universo homosexual, com humor, criatividade e respeito.Isso interessa a todos.Diferente seria um texto que abordasse seus “conflitos íntimos” (somente a eles interessaria). O leitor não teria o mesmo interesse.Penso também que coluna não é livro de psicologia.O leitor quer rir, comentar algo novo, topar com o desconhecido-e nisso vc é muito bom. Eduardo Macedo, Recife-PE – mai2007

09- Morri de rir… Renato, Orkut, Comunidade CONFRARIA iAi – mai2007

10- adoro as coisas do Ricardo Kelmer ! Grande cara. Edna, Orkut, CONFRARIA iAi – mai2007

AbalouSobralEmChamas-1b


Protegido: Íntima idade (o ensaio peladão)

16/01/2009

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A pouca vergonha do escritor peladão

16/01/2009

16jan2009

Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

Comecei a tirar a roupa e de repente me senti nu antes mesmo de estar. O que é que tu tá olhando, Brigite?, olha pra lá. Ela riu e virou o rosto. Pronto, agora pode olhar. Ela se virou e mais uma vez foi de um profissionalismo impecável, apontando pro dito cujo e exclamando: Só isso?!

Depois de voltarmos de nosso acesso de riso expliquei que era o clima chuvoso, o frio, sacomué. Lei física: frio encolhe, calor estica.

Botei pra tocar minha coletânea de mp3 Mistureba 2, servi mais um domecq e finalmente começamos.

Eu ia tirando umas fotos e ela outras. Jamais havia ficado nu diante de Brigite, mas isso não foi realmente problema pra nenhum dos dois. Ela embarcou na onda e de repente éramos os dois vivendo uma experiência meio absurda, meio surreal. Às vezes parecia que aquilo não estava acontecendo, que era uma viagem minha, como se eu fosse um personagem de um dos meus contos, e aí eu dava por mim e, putz, Brigite havia feito seis fotos.

Pensamos em fotografar na sacada, eu peladão pro mundo, o auge do mau gosto da arquitetura carioca contemporânea. Mas desisti, eu não queria mais problema com os vizinhos, já bastavam as festinhas que rolavam no apê, o rock’n’roll troando, o converseiro solto na alta madrugada. Talvez fosse melhor manter minha fama de escritor excêntrico do que me transformar no tarado do terceiro andar. Ou não? Agora fiquei na dúvida.

Em minha turma particular de amigos, a idade dos anos fechados (30, 40, 50…) tem de ser comemorada em alto estilo, mas em alto estilo mesmo, algo que seja não apenas marcante mas que entre definitivamente pro rol das grandes histórias da turma. E, se possível, da humanidade.

A última grande comemoração havia sido do intocável Toinho Martan, que comemorou seus 40 anos durante um mês, saindo, fazendo festa, reunindo amigos, tocando e endoidando diariamente. E noturnamente. No final ele mais parecia um zumbi a se arrastar pelos cantos – mas conseguiu. Uma façanha memorável, vamos aplaudir, por favor.

Então, em 2004, chegou a minha vez. O que eu poderia fazer pra comemorar os meus 40 anos que fosse ainda mais marcante que a proeza do meu amigo? Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão? Poizeu, homem-cacimba que sou, peguei corda e fiz. Íntima Idade é o nome do ensaio, que é composto de 15 fotos bem fuleragens e um texto acompanhante mais fuleragem ainda. O melhor de tudo são os comentários dos leitores, cada um mais gargalhante que o outro.

Hoje, 5 anos depois, posso dizer que alcancei meu objetivo pois meu ensaio peladão entrou pra lista de temas folclóricos da turma. Alguns amigos comentam rindo, outros constrangidos, mas sempre fazem questão de dizer que sim, eles me perdoam por tamanho ridículo. Entre as mulheres a recepção foi beeem melhor – elas elogiaram minha destemida atitude artística de vanguarda e algumas até deixaram o telefone, sacomué, caso eu precisasse de uma máquina fotográfica melhor. Ainda existem pessoas generosas, que bom.

Provocar o mundo – tenho que admitir que eu gosto.

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SE VOCÊ É LEITOR VIP, clique aqui, digite a senha do ano e fique à vontade pra curtir o ensaio, ou pra vomitar, seilá. Se ainda não é, a hora é esta. > Seja Leitor Vip (é grátis)

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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RKPrazerEPoesia-29Cio das Letras – Ensaio erótico 1 – Tá no ar a primeira parte do Cio das Letras, um ensaio erótico que fiz sobre amor, paixão e desejo. Utilizei poemas meus e letras de músicas que fiz com parceiros, além de montagens com imagens de mulheres muuuito especiais.

Arquivos Secretos (todas as postagens)

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DICA DE LIVRO

IFTCapa-04aIndecências para o fim de tarde (Ricardo Kelmer, Arte Paubrasil) – Contos eróticos

A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A bailarina filosofa sobre sua profunda experiência de amor e salvação por meio da submissão no sexo anal

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Comentarios01 .COMENTÁRIOS
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01- Senhas de arquivos secretos maravilhosamente maravilhosas! Deliciando-me nessa brincadeira sadia… Nunca pensei que ia rir mais e ficar ainda mais “cheia de perna” por ser leitora Vip. (e eu sou é? ). =) Botando a leitura em dia e as retinas da Rosa fazendo a festa! Beijo, meu escritor dileto! Rosa, Fortaleza-CE – mar2010

02- uau! rrss. Kyoto Freire, Campina Grande-PB – jul2011

03- nem, vou nem me atrever a clicar nesse link… garantia de pesadelos por muito tempo…. kkkkk. Francisco Jr., Fortaleza-CE – jul2011

04- Eu adorei. Eugenia Nogueira, Fortaleza-CE – jul2011


LIVROS – As brumas de Avalon

06/01/2009

asbrumasdeavalonlivro01As Brumas de Avalon
The Mists of Avalon – 1979
Marion Zimmer Bradley
Editora Imago

Romance em 4 volumes. A saga arthuriana numa visão feminina e intimista. .

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A Bretanha por volta do sec. VII, as guerras pela unificação do Reino, a realeza e seus costumes, as tramas envolvendo paixões, traições e os mais altos ideais de nobreza e lealdade e as decisões de bastidores que estabeleceram definitivamente o cristianismo na ilha, exterminando boa parte da cultura local e seus cultos à Natureza e à Deusa Mãe. Este romance mostra o lendário universo de Camelot a partir da ótica de Morgana, a meia-irmã de Arthur e sacerdotisa de Avalon, a ilha que atuava como centro do culto à Grande Deusa.

QUEDA POR BRUXAS
Ricardo Kelmer 2008

Li os quatro volumes da saga na década de 1980, eu tinha vinte e poucos anos. Poucas vezes me senti tão envolvido por um livro. É daquele tipo de história que a gente sabe desde o início que os mocinhos perderão o jogo mas mesmo assim prossegue lendo e torcendo por eles. Reflexões, risos, choros, raiva, compaixão, tesão senti de um tudo com esse romance!

Durante toda a leitura dos livros, que durou semanas, o clima místico de As Brumas de Avalon me envolveu feito uma névoa e cheguei a querer, seriamente, me comunicar com os personagens, acredita? Pois foi. Identifiquei-me tanto com Morgana, com sua luta em preservar Avalon, seu sofrimento e sua solidão, seu amor não correspondido, que me peguei desejando voltar no tempo pra me casar com ela – pra que a sacerdotisa de Avalon não terminasse seus dias triste e sozinha. Mas não pense que eu virei santo não: se eu voltasse, eu comeria e muito a Morgana, mesmo com sua fama de feiosa. Ora se não comeria! Só de imaginá-la naqueles rituais correndo nua pela floresta, com o corpo todo lambuzado de sangue de gamo…

Sim, você tá certa, querida leitora, eu era doido mesmo. Melhorei um pouco. Mas continuo tendo uma queda fudida por bruxas, por mulheres que encarnam o arquétipo do feminino selvagem: mulheres ligadas à Natureza, de alma livre, harmonizadas com seus próprios ciclos e com a sabedoria natural do planeta, mulheres que não só vivem mas celebram a vida e estão conectadas ao Sagrado. Sim, é uma visão meio mística da mulher, uma visão meio pagã, sensual – mas também é uma visão sagrada. Conheço poucos homens que compartilham essa minha visão, ver a mulher como a representação viva da própria Deusa. Mas conheço várias mulheres que encarnam maravilhosamente o feminino selvagem. Putz, como não amar, admirar e reverenciar uma Filha da Deusa?

Em 2001 foi lançada uma versão do romance para a tevê. A história teve de ser alterada, afinal seria impossível contá-la da mesma forma em linguagem de tevê e em tão pouco tempo, mas a essência da história e sua mensagem foi mantida. Eu assisti e gostei. Pode ser encontrado em locadoras.

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MINISSÉRIE PARA TEVÊ

asbrumasdeavalon03As brumas de Avalon
Uma sacerdotisa prepara o nascimento de Arthur, que viria a se tornar rei para comandar a Bretanha e salvar Avalon.

Título original: The Mists of Avalon
Gênero: Aventura
Duração: 180 minutos
Ano de lançamento (EUA): 2001
Estúdio: Warner Bros. / TNT / Stillking Films / Constantin Film Production GmbH / Wolper Organization
Distribuição: TNT
Direção: Uli Edel

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SOBRE OS FESTIVAIS DE BELTANE
Ricardo Kelmer 2008

Originalmente Beltane era um importante ritual pagão de fertilidade, realizado anualmente em várias regiões da Grã Bretanha durante a alta Idade Média. Nele festejavam-se os ciclos da Terra e se saudava o retorno da primavera, num clima de reverência à Deusa, ou ao que hoje chamamos de arquétipo da Grande Mãe. Os participantes ofereciam seu corpo pra que o mistério se realizasse através do casamento sagrado do masculino e do feminino. As crianças nascidas desse ritual eram consagradas à Deusa e destinadas a serem sacerdotes, druidas, sacerdotisas, todos defensores da Grande Mãe.

O contexto do ritual é a comunhão com o sagrado e não o sexo propriamente dito. O sexo faz parte mas está inserido num clima de entrega sagrada, de reverência à Deusa, fazer do próprio corpo o altar onde se celebram os mistérios dos ciclos, a dança das estações, a fecundidade da Mãe Terra.

A Deusa une as pessoas ao redor das fogueiras e é uma imensa honra entregar-se a um filho da Deusa ou a uma filha da Deusa. Não é a outra pessoa que importa  importante é o ato de entregar-se à Grande Mãe e através desse dispor-se, ser instrumento da sagrada celebração da fertilidade da terra e do milagre da vida. Em Beltane ninguém tem um rosto, ninguém tem um nome. Cada um é a encarnação do sagrado masculino e do sagrado feminino.

O cristianismo bem que tentou exterminar por completo as tradições da antiga religião da Deusa, imprimindo a elas um caráter pecaminoso e demoníaco, além de perseguir e matar seus seguidores durante a vigência da Santa Inquisição. Mas as tradições pagãs sobreviveram e ainda hoje os festivais de Beltane são celebrados na Europa.

virou putaria

Outro dia encontrei numa comunidade do Orkut um tópico intitulado “Quem vc levaria para as fogueiras de Beltane?” (http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1488969&tid=9037760&kw=levaria+beltane) Nas respostas tinha Axl Rose, Brad Pitt, Shakira, a minha vizinha gostosa e por aí vai… Putz, pode uma coisa dessa? Teve uma lá que disse que levaria o marido “mas botaria um bip no bolso dele”. Que bolso, minha filha, que bolso??!!

Ai, ai… Pelo jeito, as pessoas ouviram o galo cantar mas não sabem nem que bicho era. O que fiz? Deixei um recado meio indignado pra pirralhada lá, no estilo Jesus-expulsando-os-vendilhões-do-templo. Não sei se adiantou muito não…

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

AsFogueirasDeBeltane-03aAs fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

A mulher selvagem – Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

Medo de mulher – A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.
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LIVROS

Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés –  Editora Rocco, 1994)

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

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COMENTÁRIOS
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Viajando com Marsicano

27/12/2008

Ricardo Kelmer 2008

Gostei do cara: artista genial, visionário lisérgico, maluco da paz

enc2007albertomarsicano001.
Meu primeiro contato com Alberto Marsicano foi pelo livro Jim Morrison por Ele Mesmo, que li no começo dos anos 90. Marsicano foi o organizador da obra, que integra uma coleção da Martin Claret sobre ídolos do rock.

Alguns anos depois dou de cara com o cara em Campina Grande, no Encontro da Nova Consciência, um festival multicultural mucholoco que rola lá durante o Carnaval desde 1992. Marsicano foi um dos convidados e tocou sua cítara, encantando a plateia do evento. Gostei do cara: artista genial, visionário lisérgico, maluco da paz. A partir daí passamos a nos encontrar lá, renovando anualmente a celebração da amizade, da vida e da poesia, eu, ele e outro poeta-músico maluco, o jornalista André de Sena. Longos papos sobre Rimbaud, Doors, Blake, Baudelaire, rock, drogas, deusas e diabas… E Marsicano sempre surpreendendo, tocando cítara até com os roqueiros do evento, com os forrozeiros, os emboladores…

Marsicano formou-se em Filosofia pela USP e é um grande conhecedor e tradutor de poesia inglesa. Morou em Londres, onde estudou cítara com o maestro indiano Ravi Shankar. Na Índia, graduou-se em Música Clássica pela Benares Hindu University da Índia e hoje é considerado o maior citarista do Brasil. Seu disco Sitar Hendrix, que foi indicado ao Grammy 2009, é uma releitura de Jimi Hendrix sobre a cítara, misturando rock, blues e baião sensacional! Pra quem não sabe, Hendrix era aluno de cítara (confira a faixa Cherokee Mist de seu disco Axis Bold as Love) e tinha um projeto de gravar um disco tocando o instrumento. Marsicano realizou o sonho do guitarrista. Valeu, cumpade!

Quando escuto esse disco, a imagem de Marsicano aparece no holograma esfumaçado da minha memória: ele no palco, sentado no chão, abraçado à sua cítara, os longos cabelos loiros, o corpo sacudindo com a música, a expressão de êxtase… Adoraria saber o que ele sente nesses momentos em que viaja por sua música louca, por onde vai sua alma andarilha na carona das melodias estranhas e belas que borbulham de seu instrumento. Mas isso só ele sabe. A mim, me compete apenas escutar. E fazer minha própria viagem, claro.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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> Para baixar o disco Sitar Hendrix (zip, 68 mb)

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São Paulo, 19.08.13 – O domingo de São Paulo nublou para se despedir de Alberto Marsicano. E eu aqui continuo nublado, chorando a partida do meu amigo amado. Obrigado, Marsica, por termos caminhado juntos, pela sua música, pelas cachaças, pelos momentos incríveis. Vou sentir tantas saudades suas, cara…
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RK201202Mathew,Marsicano-01DESPEDIDA MARSICÂNICA

Pra mim, não é fácil usar este espaço pra falar da morte de Alberto Marsicano, meu amigo querido que partiu no domingo 18.08.13. Mas vai me servir pra dividir e aliviar a dor.

Marsicano era a arte em divino estado de possessão demoníaca. A música e a literatura brilhavam nele a todo momento como explosões psicodélicas de insanas estrelas multicoloridas. Como aguentar um cara possuído vinte e quatro horas por dia pelos demônios criativos da arte? Nem todo mundo aguentava. Mas eu o amava assim mesmo como ele era, tresloucado, verborrágico, viajandão, inconformado, aquele infalível figurino em cor branca, e o humor, ah, o humor marsicânico, aquelas tiradas impagáveis que ele de repente sacava do bolso de sua mente sempre em ebulição e fazia a alegria de quem estivesse em volta.

Nunca mais isso. Nunca mais Marsicano de repente surgindo na Augusta que nem uma entidade cósmica a reclamar do preço da cerveja. Nunca mais vê-lo em êxtase a voar no tapete mágico de sua cítara. Nunca mais suas piadas sobre eu ser afilhado de Padre Cícero e protegido de Virgulino Lampião. Nunca mais aquele caminhar balançante, a gargalhada contagiosa, o olhar infantil de quem sempre fora velho.

Tchau, amigo. Escrevo essas coisas ainda chorando mas logo voltarei a rir. Como eu e você sempre rimos, como sempre ri muito de você. O riso que se fez música, é isso que você é. O som-riso marsicânico.

Ricardo Kelmer, 20.08.13

(Foto: com Marsicano e Mathew, num boteco de Campina Grande-PB, durante o Encontro da Nova Consciência de 2012)

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O VOO ETERNO DO PÁSSARO PSICODÉLICO
Ricardo Kelmer 2014
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Feito um satélite desorbitado
Nos céus da nova consciência
Lá se vai o pássaro psicodélico
Com seu bêbado voar poético
E sua alva cabeleira

Mas na cantiga certeira da cítara alucinante
A vida é um sonho andante que não segue planos…

Ouçam! Estão ouvindo? Vocês viram?
O pássaro psicodélico passou por perto
Ouçam! Nas asas do transe o som se chama Alberto

E sobre as mentes da plateia consciente
Seu voo sagrado flutua eternamente
E a música estremece de prazer insano
O gozo do voo se chama Alberto Marsicano

(Poema criado no camarim, antes do número em homenagem a Alberto Marsican0, com a banda Cabruêra e os músicos Waldemar Falcão, Baixinho do Pandeiro e Vitor Harres, em Campina Grande, fev2014, no 23o Encontro da Nova Consciência. Vídeo abaixo, feito por Antonio Carlos Harres, o Bola.)

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Cítara, tabla e pandeiro
Encontro da Nova Consciência, 2013

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Alberto Marsicano no programa Provocações (2012)

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Comentarios01COMENTÁRIOS

01- Dor profunda, Ricardo Kelmer, ficamos todos órfãos. Já falei com André, e ele está desolado, como todos. Eu fiquei literalmente tonto quando soube, sem chão, atônito. Me encontrarei com André na sexta, faremos isso, sim, e sintonizaremos com vc, meu querido, assim como manteremos em mente esse querido e único Profeta que tivemos a honra de conhecer – e digo, sem medo de errar: conhecemos o Marsicano “de camarote”, de perto, com um acesso privilegiadíssimo, como poucos. Forte abraço, meu brother Kelmer. Rógeres Bessoni, Recife-PE – nov2013

02- Lindo texto, Ricardo! À altura do homenageado. Bração saudoso. Waldemar Falcão, Rio de Janeiro-RJ – nov2013

03- Puxa, Ricardo, eu aqui, sem saber o que dizer e você deitando memória e carinho com o seu melhor lado, louvando o que vai e confortando quem fica. Valeu mesmo, querido amigo. Pedro Camargo, Rio de Janeiro-RJ – nov2013

04- Há pessoas que passam na vida e deixam um rasto de pura luz. Alberto Marsicano era um desses. Tento encarar a morte como uma passagem natural, e há muito não choro quando alguém querido vai pro lado de lá. Mas hoje, aqui em Paris, não deu pra segurar. Um beijo querido Marsicano. Levou a cítara com você? Luis Pellegrini, São Paulo-SP – nov2013

05- Hoje fez um lindo amanhecer que me surpreendeu diante do frio. Um lindo ceu azul com nuvens redondinhas e cheinhas brincando no ceu e uma cor rosa salmon liiinndaaaa de se ver..Tinha tanta alegria no ceu que imaginei Marcinano Chegando e sendo recepcionado-tocando a sua citara, claro….Faz parte do Show,…Serve apenas pare lembrar que fisica ou virtualmente devemos ser verdadeiros, apaixonantes e intensos no aqui agora e amorosos e gentis nos relacionamentos. Porque depois não existe! Paz e Luz! Anosha Prema, São Paulo-SP – nov2013

06- fiquei de cara, muito triste perder uma pessoa tao proxima. Felipe Maia, São Paulo-SP – nov2013


Cabaré Soçaite – 2008dez

27/11/2008

27nov2008

cabaresocaite200812-03a.

CABARÉ SOÇAITE (3)

18dez2008
Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Marquinhos e RKBaré

.babydolls200811-02Baby Dolls

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SORTEIO DE INGRESSOS
Orkut – Comunidade Amicis

Facebook-01FACEBOOK – Página oficial
– Arte erótica, sorteio de livros, DVDs e ingressos

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TWITTER:  @cabaresocaite

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CabareSocaite201310-550X> TODAS AS EDIÇÕES, FOTOS E VÍDEOS

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O Cabaré Soçaite foi criado por mim em 2002, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. Com edições realizadas em Fortaleza e São Paulo, o Cabaré Soçaite é uma festa temática cabaret com elementos de programa de auditório, que celebra a sensualidade e o erotismo num delicioso clima Moulin Rouge, sempre de maneira artística e divertida.

1a edição – dez2002, boate do hotel Vila Galé, com show do cantor Rossé Sabadia. DJ: André Wesarusk. Produção: RK e Cristina Cabral.
2a edição – 19mar2008, Buoni Amici´s. DJs: Guga de Castro, Caú Borges e RKBaré. Produção: RK e Franciscus Galba.
3a edição – 18dez2008, Buoni Amici´s. Show com a banda Baby Dolls. DJs: Marquinhos e RKBaré. Produção: RK e Franciscus Galba.

> Edições seguintes: veja fotos e vídeos aqui

>> Quer levar o Cabaré Soçaite pra sua cidade? Entre em contato: rkelmer@gmail.com

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CLIPE DA FESTA out2013

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FOTOS DA FESTA (dez2008)

Clique para ampliar

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Cabaré Soçaite 2008mar

25/11/2008

25nov2008

.cabaresocaite2008-01b

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CABARÉ SOÇAITE (2)

19mar2008
Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Guga de Castro, Caú Borges e RKBaré

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SORTEIO DE INGRESSOS
Orkut – Comunidade Amicis

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– Arte erótica, sorteio de livros, DVDs e ingressos

TWITTER:  @cabaresocaite

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CabareSocaite201310-550X> TODAS AS EDIÇÕES, FOTOS E VÍDEOS

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.O Cabaré Soçaite foi criado por mim em 2002, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. Com edições realizadas em Fortaleza e São Paulo, o Cabaré Soçaite é uma festa temática cabaret com elementos de programa de auditório, que celebra a sensualidade e o erotismo num delicioso clima Moulin Rouge, sempre de maneira artística e divertida.

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FOTOS DA FESTA
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Dança do empenado

Dança do empenado

Aperta que cabe

Aperta que cabe

Segura a cabeça pra não perder o juizo

Segura a cabeça pra não perder o juízo

DJ Guga de Castro com a boca ocupada

DJ Guga de Castro com a boca ocupada

Menina nova na casa sempre faz sucesso

Menina nova na casa sempre faz sucesso

Será que esse sofá aguenta tanto charme?

Será que esse sofá aguenta tanto charme?

Bom demais, bom demais, bom demais...

Bom demais, bom demais, bom demais…

Dono de cabaré tem suas vantagens

Dono de cabaré tem suas vantagens

Calorumano, calorumano!!!

Calorumano, calorumano!!!

Sob a benção dos Stones

Sob a benção dos Stones

Lá em Suécia tem disso no

Lá em Suécia tem disso no

Quero sair daqui mais não

Quero sair daqui mais não

Me segura senão eu caio

Me segura senão eu caio

Mô, precisamos de um sofazim desse lá em casa...

Mô, precisamos de um sofazim desse lá em casa…

RKBaré, produtor Galba e DJ Caú Borges

RKBaré, produtor Galba e DJ Caú Borges

Meninas, olha o passarinho

Meninas, olha o passarinho

O dono do cabaré em momento relax

O dono do cabaré em momento relax

Vai aprendendo, viu, vai aprendendo...

É chato ser gostoso

Ai, papai, cabaré é bom demais!!!

Ai, papai, cabaré é bom demais!!!

Faz um mês que esse lençol não é lavado

Faz um mês que esse lençol não é lavado

De quem é esse cabelo aqui?

De quem é esse cabelo aqui?


Agenda nov2008

15/11/2008

15nov2008

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AGENDA NOV2008

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E a turnê nordestina prossegue. Continuo em Fortaleza, divulgando o novo livro, fazendo umas palestras e produzindo umas festinhas safadas. Pros amigos e leitores que são mais chegados no RK escritor ou no RK festeiro, aqui vão alguns toques:

19nov (quarta-feira)
Sessão de Autógrafos na Bienal Internacional do Livro
Será no estande 52 da Secult, de 20h a 22h. Estarei lá com o livro novo, Vocês Terráqueas, e com os demais livros. Durante a Bienal todos os livros se encontram à venda no mesmo espaço. A entrada é grátis.

21nov (sexta-feira)
Farra no Cabaré Alheio
Como é o RK festeiro que atualmente sustenta o RK escritor, vem aí mais uma festinha daquelas que vovó não passaria nem calçada. Será no Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar). No comando do som, os DJs Marquinhos, Guga de Castro e RKBaré. Samba rock, black music, disco, ritmos latinos, brega e musga lenta, pra dançar solto e coladinho. Hora do apagão. Concurso Mata Eu (fem e masc): suba no palco, jogue seu charme e ganhe R$ 50 em consumo. Ingresso: R$ 12.

28nov (sexta-feira)
Sessão de Autógrafos + 20 Anos do Badauê
Aproveitarei a festa 30 e Alguns Anos, que a promoter Cristina Cabral realiza mensalmente no anexo do Docentes e Decentes (rua Ana Bilhar 1445, entre Manoel Jesuíno e Assis da Picanha) e farei uma sessão de autógrafos de 20h a 23h. Depois comemoraremos o aniversário de 20 anos do Badauê, o memorável bar que tivemos, eu, Nelsinho e Paulo Marcio, na Praia de Iracema entre 1988 e 89. Ingresso normal da festa: R$ 20. Ingresso pros sobreviventes do Badauê: R$ 10.

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A TURNÊ KELMÉRICA CONTA COM A PARCERIA DE
Kingston – Expressão Gráfica – Garin Cópias
Luce Galvão de Sá ArquiteturaRossana Romcy

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As joias de Rossana

14/11/2008

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A temporada cearense de lançamento do livro Vocês Terráqueas, que já contava com o apoio da Kingston e de Luce Galvão de Sá Arquitetura, agora tem também o apoio de Rossana Romcy.

Rossana é um dos novos nomes no ramo de design de joias. A criatividade aliada ao bom gosto de suas peças, que unem sementes, metais e pedras preciosas e são feitas a mão, já chamam a atenção não somente do mercado nacional mas de países como Itália e Portugal, pólos da moda mundial.

Trabalhando junto com seu marido e ourives Alexandre Ortiz, Rossana dá asas à criatividade na criação de peças únicas e exclusivas. A designer também trabalha sob encomenda, criando de acordo com a necessidade e o desejo do cliente.

Site Rossana Romcy

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Ricardo Kelmer 2008  – blogdokelmer.com

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Essa loirinha desmiolada de sol

10/11/2008

10nov2008

Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar

ESSA LOIRINHA DESMIOLADA DE SOL

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Os leitores que ultimamente receberam livros meus pelo correio certamente perceberam que o endereço do remetente não é de São Paulo, mas de Fortaleza. Explico: tô passando uma temporada no Ceará e desde setembro despacho daqui meus livros vendidos pela internet. Vim finalizar em Fortaleza o novo livro, Vocês Terráqueas, e a nova edição de bolso dos demais, aproveitando a parceria que tenho com a Expressão Gráfica e com a Garin, e vim também pra participar da Bienal Internacional do Livro (12 a 21nov) e fazer umas palestras.

A ideia era retornar pra São Paulo até dezembro, mas como tô precisando de uma graninha urgente pra pagar os custos do novo livro e também pra comprar um notebook, decidi voltar a produzir festas temáticas, algo com que trabalhei por vários anos. Então adiei o retorno, possivelmente pra depois do Carnaval. Produzir uma festa não me dá tanto prazer quanto publicar um livro, mas dá menos trabalho. E sempre dá um dinheirinho muito bem-vindo que ajuda a bancar o RK escritor.

Fortaleza é assim, pro RK escritor ela não tem amplos horizontes a oferecer, mas pro RK festeiro ela escancara as pernas. Essa loirinha desmiolada de sol… Fortaleza será sempre assim, inculta, dengosa e bela. Sempre que venho, ela me vem com agradinhos, diz que eu deveria ficar, que mereço vida melhor do que a que levo sozinho em São Paulo, alugando quartinhos minúsculos, sem os amigos que tenho aqui, os dengos e as facilidades…

Ela diz isso mas tá cansada de saber que nosso amor é um amor impossível. E sabe muito bem que agora sou um cara compromissado com São Paulo, a quem ela desdenhosamente chama de Paulete Periguete. Ciúmes, claro, tem cidade que é muito ciumenta. E Paulete não tem nada de oportunista, pelo contrário. Ela pode até não ser tão calorosa quanto Fortaleza, mas é bem curvilínea e, aiai, são as curvas de seus horizontes que mais seduzem o RK escritor.

– Mas duvido que ela seja mais ecônomica que eu – Fortaleza começa a ladainha, enquanto brinca de sereia na areia da praia pros meus olhos. Cidade adora se comparar com a outra, ô mania horrível. De fato, Fortaleza não é dispendiosa como São Paulo. Mas finjo que não escuto a provocação e continuo olhando o mar, gosto de ver as ondas indo e vindo, é um dos meus mantras visuais favoritos.

– Duvido que ela tenha uma marquinha de biquíni assim – a loirinha insiste, com a graciosidade tristonha das cidades que sabem que seus argumentos são ótimos mas que não vão adiantar.

– Duvido que ela faça gostoso como eu faço, duvideodó… – ela sussurra, sua voz sapeca sibilando em meu ouvido junto com o vento de outubro. E dessa vez eu concordo, claro, imagina se vou discordar. Não, loirinha, ninguém faz o que você faz, principalmente depois da terceira vodca.

Fortaleza é assim, a derradeira brisa de verão, um gosto de beijo roubado na fila do embarque, a felicidade com visto vencido.
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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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LEIA NESTE BLOG

IncultaEBelaDengosaECruel-8aInculta e bela, dengosa e cruel – Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

Maior que meu horizonte (por Wanessa, inspirado na crônica Inculta e bela, dengosa e cruel) – E quando eu penso que ele já está de novo envolvido em meus contornos, hipnotizado pelo balanço dos meus quadris e minha maré, ele foge

Confissões de uma leitorinha nua (por Leitorinha) – Fiquei tão à vontade pra ler a página dele na net que agora o fazia completamente nua

São Paulo, sua loca – Quinze dias contigo e essa tua loucura cosmopolita que eu adoro

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Farra no Cabaré Alheio 2008nov

31/10/2008

31out2008

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Farra no Cabaré Alheio (2)

21nov2008
Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Marquinhos, Guga de Castro e RKBaré

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SORTEIO DE INGRESSOS
Orkut – Comunidade Amicis
Clique aqui pra participar

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Esta festa é a união de duas festas de sucesso em Fortaleza: O Cabaré Soçaite e a Farra na Casa Alheia.

O Cabaré Soçaite foi criado por mim em 2003, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. A idéia é brincar com o tema da sensualidade e do erotismo de uma forma divertida, homenageando os antigos cabarés através das músicas, das imagens no telão, da decoração e da participação das pessoas com suas performances e suas vestimentas. A primeira edição da festa foi na boate do hotel Vila Galé (Praia do Futuro), em nov2003, com show do cantor Rossé Sabadia. Cristina Cabral fez a produção junto comigo. A segunda edição aconteceu em mar2008, no Buoni Amici´s, com a co-produção de Franciscus Galba.

>> Quer levar o Cabaré Soçaite pra sua cidade? Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com

A Farra na Casa Alheia integra a programação fixa do Amici´s desde 2003, sempre às sextas-feiras. Os DJs Marquinhos e Guga de Castro comandam o som e a produção é de Franciscus Galba. A música brasileira, em toda sua diversidade, é o mote da festa: samba, samba-rock, funk, soul e black-music compõem o cardápio musical. A própria longevidade da Farra (5 anos) por si só é um atestado da qualidade e do sucesso do evento.

Farra no Cabaré Alheio é a mistura das duas festas, mantendo os DJs da Farra e acrescentando o DJ RKBaré. A proposta é unir o melhor das duas propostas, alegria com sensualidade, música brasileira e internacional, música pra dançar e sofazinho pra namorar, oferecendo assim um supra-sumo de dois grandes sucessos da noite da cidade.

>> Veja fotos da Farra no Cabaré Alheio 1 (set2008)

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E em dezembro tem mais uma edição do Cabaré Soçaite (Amici´s, 18dez), com show da Baby Dolls e um instigante concurso masculino e feminino. Aguarde…

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IMAGENS DA FESTA

clique para ampliar a foto

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PRÓXIMA FESTA

CABARÉ SOÇAITE (Amici´s, 18dez), com show da banda Baby Dolls e um instigante concurso masculino e feminino.

>> Concorra a ingressos no Orkut (comunidade Amicis). Link em breve.

>> Indique a festa a algum possível patrocinador. Se o patrocínio for fechado, você ganha 20% de comissão. Entre em contato: rkelmer@gmail.com

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